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FÍSICA ELETROMAGNETISMO BOSCO GUERRA 1

ÍMÃS
Há muito tempo se observou que certos corpos têm a propriedade de atrair o ferro. Esses corpos foram chamados ímãs.
Essa propriedade dos ímãs foi observada pela primeira vez com o tetróxido de triferro (Fe3O4 ), numa região da Ásia,
chamada Magnésia. Por causa desse fato esse minério de ferro é chamado magnetita, e os ímãs também são chamados
magnetos.
ÍMÃS NATURAIS E ARTIFICIAIS
A magnetita é o ímã que se encontra na natureza: é o ímã natural. Mas, podemos fazer com que os corpos que
normalmente não são ímãs se tornem ímãs. Os ímãs obtidos desse modo são chamados ímãs artificiais. Chamamos corpo
neutro àquele que não tem propriedade magnética: corpo imantado àquele que se tornou ímã. Chamamos imantação ao
processo pelo qual um corpo neutro se torna imantada. Teoricamente, qualquer corpo pode se tornar um ímã. Mas a
maioria dos corpos oferece uma resistência muito grande à imantação. Os corpos que se imantam com grande facilidade
são o ferro e certas ligas de ferro usadas na fabricação de ímãs permanentes. Uma dessa ligas é o ALNICO, composta de
ferro, alumínio, níquel, cobre e cobalto.

INSEPARABILIDADE DOS PÓLOS


Os pólos de um ímã são inseparáveis. Se cortarmos um ímã, os pólos norte e sul não
ficam isolados. Na parte correspondente ao pólo norte aparece um novo pólo sul; e
na parte correspondente ao pólo sul primitivo aparece um novo pólo norte. Na
natureza não existe um único pólo magnético norte ou sul isolado: eles sempre
existem aos pares, formando um ímã. Mas, muitas vezes temos necessidade de estudar a influência de um único pólo
magnético, norte ou sul. Nesse caso, supomos um ímã muito comprido, de tal modo que possamos desprezar a influência
do pólo norte sobre o pólo sul, e reciprocamente.

OS PRINCIPAIS PROCESSOS DE IMANTAÇÃO SÃO:


POR INDUÇÃO MAGNÉTICA: É o fenômeno pelo qual uma barra de ferro se imanta quando fica próxima de um ímã.

POR ATRITO: Quando uma barra de ferro neutra é atritada com um ímã, ela se imanta. É necessário que sejam atritados
sempre no mesmo sentido, porque o atrito num sentido desfaz a imantação obtida no outro.

POR CORRENTE ELÉTRICA : Suponhamos que um condutor seja


enrolado em uma barra de ferro e percorrido por uma corrente elétrica; a barra
de ferro se torna um ímã. Como a imantação foi obtida por meio de uma
corrente elétrica, esse ímã é chamado eletroímã (figura). (Os eletroímãs (são
bastante cômodos por dois motivos: 1) conseguimos obter eletroímãs muito
mais possantes do que os ímãs naturais; 2) podemos fazer um verdadeiro
controle do eletroímã, controlando a corrente que passa por ele; assim,
aumentando a intensidade da corrente, o eletroímã se torna mais possante;
suprimindo-se a corrente, ele deixa de funcionar, etc..

ÍMÃS PERMANENTES E TEMPORAIS


De acordo com a constituição química do ímã artificial, ele pode manter a
propriedade magnética por muito tempo, até por muitos anos, ou perdê-la logo depois que cesse a causa da imantação. No
primeiro caso o ímã é chamado permanente; no segundo, ímã temporal, ou transitório. Os eletroímãs são sempre ímãs
temporais. Os ímãs naturais são permanentes.

REGIÕES POLARES
Um ímã não apresenta propriedades magnéticas em toda a sua extensão, mas só
em certas regiões, chamadas regiões polares. Quando o ímã tem forma de barra as
regiões polares são as extremidades da barra. Entre as regiões polares há uma
região que não possui propriedades magnéticas: é chamada região neutra.
Quando um ímã é suspenso pelo seu centro de gravidade, entra em oscilação e
depois fica em equilíbrio numa posição tal que suas regiões polares ficam
voltadas para os pólos geográficos da Terra. Chamamos região pólo norte do
ímã àquela que é voltado para o pólo norte geográfico, quando o ímã é suspenso
pelo centro de gravidade; região pólo sul àquela que é voltada para o pólo sul
geográfico, quando o ímã é suspenso pelo centro de gravidade.
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ATRAÇÃO E REPULSÃO
Consideremos dois ímãs suspensos pelos centros de gravidade. Aproximando as suas regiões polares de todas as maneiras
possíveis, concluímos o seguinte princípio, demonstrado exclusivamente pela
experiência: “duas regiões polares de mesmo nome se repelem, e de nomes
contrários se atraem”.
De acordo com o critério adotado para dar os nomes às regiões polares,
concluímos que o pólo norte geográfico da Terra é uma região pólo sul
magnético; e que o pólo sul geográfico é uma região polar norte magnética.
Essa propriedade dos ímãs de se orientarem sempre para os pólos terrestres é
que permite que os ímãs sejam usados como bússolas. A lâmina magnética é um
ímã artificial obtido com uma lâmina de aço de forma de losângulo. A bússola
já era conhecida pelos chineses, parece que pelo ano 120 D.C.. No século XI
começou a ser usada em navegação. A bússola é uma lâmina magnética
adaptada a uma “rosa dos ventos”.

CAMPO MAGNÉTICO DE UM ÍMÃ


O aparecimento de força magnética sobre partículas de ferro e
outros ímãs nos leva a concluir que o ímã gera ao redor de si
um campo magnético.
Esse campo magnético é facilmente visualizável ao
colocarmos um pedaço de papel sobre um ímã em forma de
barra e jogarmos limalha de ferro sobre o papel. As partículas
de limalha de ferro irão se dispuser conforme a foto acima,
formando linhas que partem dos pólos do ímã.

LINHAS DE INDUÇÃO MAGNÉTICA

Essas linhas evidenciadas pelas partículas serão utilizadas para


representar o campo magnético, tal como o fizemos com as
linhas de força do campo elétrico.
Por convenção, vamos orientá-las do pólo norte para o pólo sul
do ímã.

Costuma-se dizer que:


Como toda linha de indução é fechada, seu sentido de orientação se mantém, ou seja, dentro do ímã ela vai do sul para o
norte.

CAMPO MAGNÉTICO UNIFORME:


Se dobrarmos um ímã em forma de barra, as linhas de indução tornam-se retas paralelas,
só deformando-se nas extremidades. O campo magnético entre as faces paralelas pode ser
considerado uniforme.

VETOR INDUÇÃO MAGNÉTICA: B


Apesar de as linhas de indução nos dar uma idéia do formato do
campo magnético e de seu sentido, precisamos também conhecer a
intensidade do campo magnético em cada ponto da região.
Para isso, definimos o vetor indução magnética, ou
simplesmente vetor campo magnético, que é representado por B.
Em cada ponto do campo, o vetor campo magnético é tangente às
linhas de indução magnética e no sentido destas.
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CAMPO MAGNÉTICO DE CORRENTES
ELÉTRICAS
Foi no ano de 1820 que o físico dinamarquês Hans Christian Oersted, durante um
experimento de aquecimento de um fio quando percorrido por corrente elétrica, percebeu
que a agulha de uma bússola próxima ao fio sofrera deflexão e que tal acontecia só
quando havia corrente elétrica no fio. Esse fenômeno de produção de campo devido à
existência de corrente elétrica ficou conhecido como “efeito Oersted”.
"toda corrente elétrica gera ao redor de si um campo magnético”
Dependendo do sentido da corrente elétrica, a bússola pode defletir para um ou para
outro sentido, conforme as figuras a seguir.

Como em eletromagnetismo as direções dos vetores muitas vezes são reversas, faz-se necessário adotar uma
representação vetorial para vetores cuja direção é perpendicular ao plano da folha.
Essa representação é a baseada no vetor abaixo.

CAMPO MAGNÉTICO CRIADO POR UM CONDUTOR RETILÍNEO


As linhas de campo são circulares e concêntricas ao fio por onde passa a corrente elétrica e estão contidas num plano
.
perpendicular ao fio. =
B = intensidade do vetor campo magnético em um ponto, é dado em tesla(T)
µ = permeabilidade magnética do meio (T.m/A)
R = distância do ponto ao fio (m)
µ0 = 4.p. 10-7 T.m/A (no vácuo)

Regra da mão direita: Segure o condutor com a mão


direita de modo que o polegar aponte no sentido da
corrente. Os demais dedos dobrados fornecem o sentido
do vetor campo magnético, no ponto considerado
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EXERCÍCIOS
1. A figura representa um fio retilíneo e longo, situado no plano da folha e percorrido por corrente elétrica de
intensidade 5 A. Sendo o meio o vácuo (µ = 4π. 10-7 T.m/A (no vácuo), determine as intensidades e os sentidos do
campo magnético nos pontos X e Y do plano do papel e Z do fio.

2. Dois longos fios retilíneos e paralelos, perpendiculares ao plano do papel, são


percorridos por correntes elétricas de intensidades i1= 8A e i2, como na figura
abaixo. Determinar o sentido e a intensidade da corrente i2 de modo que o
campo elétrico no ponto P seja nulo.

3. Um fio retilíneo e longo é percorrido por uma corrente elétrica contínua i = 2A. Determine o campo magnético num
ponto distante 0,5m do fio. Adote m0 = 4π.10-7 T.m/A

4. A 0,4 m de um fio longo e retilíneo o campo magnético tem intensidade 4.10-6 T. Qual é a corrente que percorre o
fio? Adote m0 = 4π.10-7 T.m/A

5. Dada a figura abaixo, determine a intensidade do campo magnético resultante


no ponto P. Dados: i1 = 4A, i2 = 10A, m0 = 4π.10-7 T.m/A

CAMPO MAGNÉTICO NO CENTRO DE UMA ESPIRA


No caso de uma espira circular, o lado em que entram as linhas
de campo pode ser associado ao pólo sul, e o lado em que saem
as linhas pode ser associado ao pólo norte.

.
=

B = intensidade do vetor campo magnético em um ponto, é dado em tesla(T)


µ = permeabilidade magnética do meio (T.m/A)
R = Raio da Espira (m)
µ0 = 4.p. 10-7 T.m/A (no vácuo)

EXERCÍCIOS

6. Uma espira circular de raio R=0,2 m é percorrida por uma corrente elétrica de
intensidade i=8A, conforme a figura abaixo. Dê as características do vetor campo
magnético no centro da espira. Adote m0 = 4π.10-7 T.m/A
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7. A espira da figura abaixo tem raio 0,2 m e é percorrida por uma corrente de
5A no sentido horário. Determine a intensidade e a orientação do vetor
campo magnético no centro da espira. Adote µ = 4π.10-7 T.m/A

8. Duas espiras circulares concêntricas e coplanares de raios 0,4 pm e 0,8 pm


são percorridas por correntes de intensidades 1A e
4A , respectivamente, conforme mostra a figura.
Determine a intensidade do vetor campo magnético
resultante no centro das espiras. Adote m0 = 4π.10-
7
T.m/A

CAMPO MAGNÉTICO NO INTERIOR DE UM SOLENÓIDE


Um condutor enrolado em forma de espiras é denominado solenóide.

. .
=

B = intensidade do vetor campo magnético em um ponto, é dado em tesla(T)


µ = permeabilidade magnética do meio (T.m/A)
L = Comprimento do solenóide, é dado em metro (m)
µ0 = 4.p. 10-7 T.m/A (no vácuo)

EXERCÍCIOS

9. Um solenóide de 1 metro de comprimento contém 500 espiras e é percorrido por uma corrente de 2A.
Determinar a intensidade do vetor campo magnético no interior do solenóide. Adote µ = 4π.10 -7T.m/A

10. No interior de um solenóide de comprimento 0,16m, registra-se um campo magnético de intensidade 5π.10 -
4
T, quando ele é percorrido por uma corrente de 8A. Quantas espiras têm esse solenóide? Adote: µ0=4π.10-
7
T.m/A

11. Considere um solenóide de 0,16m de comprimento com 50 espiras. Sabendo que o solenóide é percorrido
por uma corrente de 20A, determine a intensidade do campo magnético no seu interior.
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EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Obs: Escrever os enunciados das questões com as suas respectivas figura a CANETA, logo abaixo do enunciado da
questão, os cálculos a lápis, resposta final a caneta. Valor: 3,0 pontos. DATA DA ENTREGA: DIA DA PROVA

1. Dada a figura abaixo, determine a intensidade do campo magnético


resultante no ponto P. Dados: i1 = 3A, i2 = 5A, 0 = .1 -7 T.m/A

2. Sabe-se que a Lua, ao contrário da Terra, não possui um campo magnético. Sendo assim, poderia um
astronauta se orientar em nosso satélite usando uma bússola comum?
Explique.

3. Temos seis bússolas ao redor de um ímã. Quais delas estão


orientadas corretamente?

4. Qual das setas representa


corretamente a força aplicada pelo
ímã da esquerda sobre o ímã da direita?

5. Um solenóide de 1 metro de comprimento contém 1000 espiras e é


percorrido por uma corrente de i. Sabendo que o vetor campo magnético
no seu interior vale 8π.10 -4T, determine i. O solenóide está no vácuo.

6. Os eletroímãs sãos utilizados em


disjuntores, reles, chaves de controle, etc. Explique qual o seu principio de
funcionamento nessas aplicações

7. Explique o princípio de funcionamento de uma campainha.

8. Qual deve ser a intensidade de corrente elétrica que circula em uma bobina chata constituída por 50 espiras circulares
de 5 cm de raio, imersa no vácuo ( ), no instante em que o
campo de indução magnética no seu centro é de 2 · 10–3 T?

9. Um fio longo retilíneo, quando percorrido por uma corrente elétrica, cria um campo
magnético nas suas proximidades. A permeabilidade magnética é µ = 4π.10-7T.m/A .
Observe a figura abaixo. Se a corrente elétrica é de 5,0A, determine o campo
magnético cria num ponto P distante 20 cm do fio.

10. (Fei) Um fio condutor retilíneo muito longo, imerso em um meio cuja permeabilidade magnética é =
6 . 10−7 T / , é percorrido por uma corrente i. A uma distância R = 1 m do fio sabe-se que o módulo do campo
magnético é 10-6 T. Qual é a corrente elétrica I que percorre o fio?
a) 3,333 A b) 6πA c) 10 A d) 1 A e) 6 A