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Modelagem de softwares para auxiliar pessoas com autismo

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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS

Programa de Pós-Graduação Lato Sensu em Educação Especial Inclusiva

MODELAGEM DE SOFTWARES PARA AUXILIAR A EDUCAÇÃO DE PESSOAS COM AUTISMO

MARIA CECILIA SABATINO FERNANDES DE ALMEIDA RENATO GUEDES DOS SANTOS

BELO HORIZONTE 2007 Contatos: Renato Guedes dos Santos (renato.gsantos@gmail.com)

MARIA CECILIA SABATINO FERNANDES DE ALMEIDA RENATO GUEDES DOS SANTOS

MODELAGEM DE SOFTWARES PARA AUXILIAR A EDUCAÇÃO DE PESSOAS COM AUTISMO

Monografia apresentada ao Programa de Pós-Graduação Lato Sensu da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, como requisito parcial para obtenção do título de Especialista em Educação Especial Inclusiva. Orientadora: Maria Auxiliadora Mattos Pimentel Co-orientadora: Nivânia de Melo Reis

BELO HORIZONTE 2007

MARIA CECILIA SABATINO FERNANDES DE ALMEIDA RENATO GUEDES DOS SANTOS

MODELAGEM DE SOFTWARES PARA AUXILIAR A EDUCAÇÃO DE PESSOAS COM AUTISMO

Monografia apresentada ao Programa de Pós-Graduação Lato Sensu da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, como requisito parcial para obtenção do título de Especialista em Educação Especial Inclusiva. Belo Horizonte, 2007

_________________________________________________ Maria Auxiliadora Mattos Pimentel (orientadora) – PUC Minas

_________________________________________________ Nivânia de Melo Reis (co-orientadora) – PUC Minas

identificando se as características técnicas e as estratégias por eles adotadas são realmente significativas para o beneficiamento dos processos de desenvolvimento de pessoas com autismo. em especial da comunicação. learning. da aprendizagem.com) . special needs education Contatos: Renato Guedes dos Santos (renato. comunicação e linguagem. ergonomia de software. educação especial inclusiva ABSTRACT This paper investigates and relates some of the software used with most autistic people in homes. analysis of human behavior and ergonomics software. particularly communication In the light of cognitive development. schools and associations. Palavras-chave: autismo. à luz do desenvolvimento cognitivo. Key-words: autism. estratégias educacionais. educational strategies. identifying whether the technical characteristics and the strategies adopted by them are really significant for the improvement of development processes of people with autism.RESUMO Este trabalho investiga e relaciona alguns dos softwares mais utilizados com pessoas autistas nos lares. escolas e associações. communication and language.gsantos@gmail. da análise do comportamento humano e da ergonomia de software. software ergonomy.

Picture Exchange Communication System CID10 .Early Intensive Behavioral Intervention .Décima revisão da Classificação Internacional de Doenças EIBI .LISTA DE ABREVIATURAS LISTA DE SIGLAS ABA .The Assessment of Basic Language & Learning Skills BCBA .Applied Behavior Analysis ABBLS .Board Certified Behavior Analysts PECS .

7 PSICOLOGIA COMPORTAMENTAL E ABA 2.Resumo das Avaliações Psicológicas .5 PIAGET 2.SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.2 ANÁLISE DOS RESULTADOS 4 CONCLUSÕES 5 REFERÊNCIAS Anexo 1 – Modelo do Questionário para Avaliação Inicial por Parentes Anexo 2 – Modelo do Questionário para Avaliação Inicial de Profissionais Anexo 3 – Modelo do Questionário para Avaliação de Softwares Anexo 4 – Modelo do Questionário para Avaliação de Softwares na Internet Anexo 5 .8 ERGONOMIA DE SOFTWARE 3 METODOLOGIA 3.2 TEORIA DA MENTE 2.3 COGNIÇÃO E TEORIAS DE APENDIZAGEM 2.1 AUTISMO 2.6 VYGOTSKY 2.1 DESCRIÇÃO 3.4 CLAPARÈDE 2.

1988) descrevem que autistas têm um estilo cognitivo próprio. Como essas variações dificultavam a classificação e o diagnóstico do autismo. sua maneira de pensar e aprender. havendo desde casos de grande gravidade até a fronteira com a normalidade. Pessoas com autismo muitas vezes processam o pensamento através de imagens. organizar e processar as informações. necessitam de . 1995 e Tennant’s. variando tanto no aspecto da qualidade quanto da intensidade de forma independentes. três áreas nobres do ser humano: a comunicação. que deveria estar refletido na maneira em como ensiná-los. Alguns autores (Jordan and Riding. Aflora durante os primeiros anos de vida da criança comprometendo. uma vez que pessoas autistas têm um jeito peculiar de aprender. Os níveis de comprometimento dessas áreas se apresentam clinicamente separados uns dos outros.1 INTRODUÇÂO O autismo é uma síndrome que intitula o mais grave distúrbio da comunicação humana. muitas vezes de forma crônica e incapacitante. Os problemas advindos dos prejuízos nesses três eixos sintomáticos interferem de maneira importante na aprendizagem e na cognição da criança. através de estratégias de aprendizagem que incluam apoios visuais e que respeitem os diferentes graus de autismo. organizar e processar as informações. um modo diferente de aprender. a interação social e a imaginação. adotou-se o conceito de espectro autista [também chamado de continuum autístico]. Esse estilo cognitivo diferente deve estar refletido na maneira como ensiná-los. reagem a mudanças nas rotinas diárias. que nada mais é do que uma linha imaginária de continuidade clínica do mais grave ao quase normal.

ambientes estruturados e organizados para aprender e falta-lhes habilidades na percepção, compreensão e comunicação. Outro conceito importante que deve ser focalizado em relação ao autismo são os déficits na Teoria da Mente, representando falta de habilidade para reconhecer emoções, sentimentos, intenções na própria pessoa e nos outros. Pessoas com autismo poderão requerer intervenção educacional e

terapêutica continuada por toda vida e proporcionar-lhes o desenvolvimento de habilidades e a integração com os demais alunos pode constituir um verdadeiro desafio para os educadores. Mas, apesar da gravidade da síndrome, diagnóstico precoce e acompanhamento adequado podem levar a pessoa autista a desenvolver a compreensão de si mesma, do mundo e de suas regras, possibilitando, muitas vezes, sua participação efetiva na sociedade, inclusive profissionalmente. Basicamente, podemos considerar dois grupos de autistas de acordo com a gama e a intensidade dos sintomas: um com prognóstico mais favorável e o outro com prognóstico menos favorável. O grupo de pior prognóstico demandará um

trabalho centrado na metodologia comportamental, tanto na psicologia como na escola, tratamentos médicos e terapêuticos em mais de uma especialidade, fará uso de diversos medicamentos, necessitará empregar técnicas especiais para comunicação [Comunicação Aumentativa e Alternativa], etc. O de melhor prognóstico se beneficiará com as técnicas usuais da fonoaudiologia e poderá alcançar habilidades pedagógicas que vão além da alfabetização, atingir grau de socialização razoável e até executar trabalhos e participar ativamente da sociedade, principalmente quando inserido em um ambiente protegido, como numa cooperativa social.

Autistas podem apresentar comportamentos repetitivos e estereotipados, compulsivos, inesperados ou mesmo bizarros, o que pode despertar temores e desconfianças nas pessoas, implicando em perdas qualitativas nas trocas interpessoais que precisam ocorrer nas salas de aula, constituindo entraves significativos nas relações e, consequentemente, na sua integração dentro do ambiente escolar. Embora os estudos epidemiológicos sobre a incidência do autismo variem consideravelmente de acordo com os critérios adotados, não se trata de um transtorno raro. O Center for Diseases Control and Prevention do governo dos

Estados Unidos já admite a ocorrência de um caso de autismo a cada 150 nascimentos. No Brasil não dispomos de estatísticas oficiais, mas a Secretaria

Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República estima que 600 mil pessoas se enquadrem no espectro autista. Considerando-se a média de quatro membros por família, concluímos que cerca de dois milhões e quatrocentas mil pessoas no nosso país estejam envolvidas diretamente com o problema. Dados apresentados no portal da internet da Secretaria de Educação Especial do Ministério da Educação revelam que, de uma forma geral, os autistas que freqüentam escolas estudam em classes especiais. Sua aceitação nas classes regulares das escolas comuns vem se dando de forma bastante tímida e, mesmo assim, apenas para aqueles que apresentam comprometimentos leves, haja vista a necessidade de profissionais com capacitação específica e de salas especiais para os casos com gravidade moderada ou acentuada. Em alguns países, como os EUA, o diagnóstico vem sendo feito precocemente, tipicamente aos 18 meses de idade. Quando os testes constatam que a criança se enquadra no espectro autista, iniciase um trabalho de terapia intensiva dentro de um ambiente estruturado, cuja

organização e planejamento visam a melhoria da criança, tanto no aspecto físico quanto mental, tentando dar-lhe condições de freqüentar uma escola comum quando atingir a idade típica de ingresso das demais crianças, normalmente aos seis anos de idade. Este trabalho avaliou alguns dos softwares mais utilizados nas escolas e associações de pais e amigos de autistas, verificando a aderência desses programas aos conceitos relevantes e produtivos para o desenvolvimento das pessoas autistas, em especial no aspecto da comunicação. Também investigou trabalhos de terceiros sobre o tema do uso de tecnologia com pessoas autistas e levantou possibilidades oferecidas pelas tecnologias em seu estado atual. Nosso interesse era averiguar se as características e limitações do desenvolvimento, inerentes às pessoas com autismo, as fazem tão especiais a

ponto de que os softwares concebidos para crianças de uma forma geral não lhes possa conferir ganhos significativos no desenvolvimento. Como e com que

constância os recursos tecnológicos vêm sendo utilizados com pessoas autistas? Os softwares produzem ganhos importantes nessas pessoas? Qual seria a

percepção de educadores que trabalham com autistas sobre a validade do uso de software? Qualquer software deve ter sua concepção baseada nos princípios que nortearão a sua utilização, principalmente aqueles com função educativa, mas haveria motivos consistentes para formular abordagens e condições diferenciadas para a modelagem de programas específicos para pessoas autistas? Segundo Marques,
A relação de ensino é uma relação de comunicação por excelência, que visa a formar e informar, e instrumentos que possam se encaixar nessa dinâmica têm sempre a possibilidade de servir ao ensino. O computador é uma forma de comunicar conhecimentos e, como tal, interessa à educação. MARQUES (1997).

as duas primeiras enquanto ciências humanas e a terceira enquanto instrumento tecnológico a serviço da aprendizagem. que prediz uma especial dificuldade da pessoa autista em construir metarepresentações e imaginar os estados mentais [sentimentos. Baron-Cohen. com destaque para os trabalhos de Skinner (1938 e 1958) sobre condicionamento e de Igor Lovaas (1987) e Catherine Maurice (1996) sobre Intervenção Comportamental Intensiva Precoce. Conjugando áreas distintas. 4. Catherine Maurice e Gina Green. que possibilita desenvolver as potencialidades dos indivíduos com características autistas. Pesquisas e trabalhos relevantes referentes a autismo e educação. particularmente aqueles estabelecidos por Vygotsky e Piaget. descrito por Premack e Woodruff (1978). a Análise do Comportamento Aplicada. Conceitos da Teoria da Mente. quais são as estratégias psicopedagógicas apropriadas para a utilização de computadores com pessoas que apresentam déficits de comunicação? Quais são as principais características que os programas de computador devem dispor para propiciar desenvolvimento e motivação nos alunos com autismo? Cabia-nos. esta investigação considerou. como os de Theo Peteers. Conceitos psicopedagógicos presentes nas técnicas de motivação comportamentalista da ABA. tais como pedagogia. crenças e intenções] dos outros e de si mesmo. . Postulados sobre aprendizagem e desenvolvimento cognitivo. 2. notadamente: 1. ainda. questionar se rotulando softwares como “desenhados para pessoas com autismo” não iríamos de encontro aos princípios de tratamento igualitário que regem as políticas de inclusão social de pessoas com necessidades especiais. 3. psicologia e informática.Sendo a educação uma “relação de comunicação por excelência”. desejos.

A conceituação de ergonomia de software de um modo geral softwares usados para o trabalho com autistas. podendo contribuir de forma eficaz e modificadora com os processos de aquisição e desenvolvimento da autonomia. Participaram como sujeitos da pesquisa alunos de duas intituições de ensino e apoio a crianças com autismo. de uma pesquisa qualitativa realizada com pais de autistas. diretores e professores de escolas e instituições especializadas no trabalho com autismo e de um formulário para avaliação de softwares. oferecem novas e fantásticas possibilidades ao trabalho de apoio pedagógico e terapêutico para pessoas autistas. e os A investigação se baseou em uma ampla revisão bibliográfica de trabalhos publicados. usadas com propriedade. sendo um colégio e uma associação de pais. da comunicação e auxiliando esses indivíduos a perceberem e compreenderem os rituais envolvidos nos relacionamentos interpessoais presentes nas atividades e relações sociais diárias. . Constatamos que as tecnologias. Detectamos que a grande maioria dos programas de computador [softwares] disponíveis e utilizados atualmente não foi projetada com o intento de desenvolver habilidades em crianças que apresentam os comprometimentos inerentes ao autismo. suprindo suas necessidades individuais específicas e utilizando uma linguagem que se traduza em motivação. também disponibilizado na internet. Além das opções já disponíveis. de certo o futuro nos reserva um uso abrangente e intensivo dessas ferramentas no trabalho com autistas e outras síndromes comportamentais.5. da cognição. Pessoas com autismo têm necessidades especiais e precisam de programas capazes de despertar a atenção do aluno.

tais como autismo. psiquiatria. Naquela época não era clara a distinção entre autismo e esquizofrenia. publicou a obra "Autistic disturbances of affective contact" na revista Nervous Children. denominando uma condição onde o indivíduo anularia a percepção do que está ao seu redor. Leo Kanner. Em 1943. emerge a necessidade de compreender conceitos e se relacionar com campos científicos distintos. . foi o psiquiatra suíço Paul Eugen Bleuler quem empregou pela primeira vez essa palavra em uma edição do American Journal of Insanity de 1912. psiquiatra austríaco radicado nos Estados Unidos.2 REFERENCIAL TEÓRICO Uma vez que este estudo pretende validar e propor elementos balizadores para a construção de softwares que beneficiem a educação e a socialização de pessoas com autismo. área na qual Bleuler deixou contribuições notáveis. referindo-se a pacientes com esquizofrenia que perdiam contato com a realidade e tinham comportamentos bizarros. centrando-se em si mesmo. Segundo o Oxford English Dictionary. 2. cognição. teorias de aprendizagem e comportamentais. sendo importante conceituá-los dentro da revisão da literatura que foi realizada e dos critérios definidos para a pesquisa. psicologia e ergonomia de software. que significa “próprio”.1 AUTISMO A palavra autismo vem do grego autos. concebendo o autismo infantil como um distúrbio do contato afetivo. neurociência.

Asperger descreveu um padrão de comportamento e habilidades que tinha maior incidência em meninos e denominou-o de psicopatia autista. Se for inevitável relacionar-se com outra pessoa.248) No mesmo ano de 1943. não respondendo a nada que lhes viesse do mundo de fora. Isto fica caracteristicamente expresso no relato recorrente sobre a deficiência da criança no assumir uma postura antecipada ao ser levantada e a deficiência em se ajustar ao corpo da pessoa que a está carregando. intenso foco em um assunto de interesse especial e movimentos descoordenados. baixa capacidade de formar amizades. evoluiu para o de síndrome funcionalcomportamental e. (KANNER. agora. Kanner apontou diferenças importantes na relação das crianças autistas com objetos inanimados e com seres humanos: As crianças do nosso grupo mostraram. que o publicou apenas no ano seguinte. como um objeto decididamente desligado e não com a pessoa em si. sem exceção. p. mas ficam desde o início ansiosa e intensamente inacessíveis a pessoas com as quais não têm qualquer tipo de contato direto afetivo há muito tempo. As reais causas do autismo não foram determinadas até hoje. nossas crianças são capazes de travar e manter uma excelente e "inteligente" relação com objetos que não ameaçam interferir em sua solidão. uma desordem da personalidade que incluía: falta de empatia. inicialmente atribuído ao autismo. se trabalha com a lógica de que seja um transtorno do desenvolvimento. uma extrema solidão desde o começo de suas vidas. Do conceito de doença. 1943. em um trabalho independente do de Kanner. Em segundo lugar. mas algumas mudanças na caracterização da síndrome já foram realizadas. passando a representar . conversação unilateral. o médico Hans Asperger submeteu o artigo Die 'aunstisehen Psychopathen' im Kindesalter [A Psicopatia Autista na Infância] à revista científica Archiv fur psychiatrie und Nervenkrankheiten. equivalendo a dizer que o autismo foi retirado da categoria das psicoses e anexada a um grupo “vizinho” ao retardo mental. então uma conexão é efetuada com a mão ou o pé desta.Descreveu os casos de onze crianças que tinham em comum "um isolamento extremo desde o início da vida e um desejo obsessivo pela preservação da mesmice".

Se no passado se estimava a ocorrência de 1 caso de autismo para cada 10. o que proporcionou a realização de pesquisas mais amplas e cuidadosas. com predominância de cerca de 70% em pessoas do sexo masculino. da comunicação [verbal e não-verbal] e do comportamento. Os três eixos sintomáticos provêm das áreas do relacionamento interpessoal [social]. o Transtorno de Hiperatividade associado a Retardo Mental e Movimentos Estereotipados. Segundo o psiquiatra Camargos Junior (2001). com ou sem um fato psíquico ou orgânico reconhecido. subgrupo dos Transtornos Invasivos ou Globais do Desenvolvimento.000 nascimentos. entre outros. Conseqüentemente. o autismo aparece no grupo dos Transtornos do Desenvolvimento Psicológico.CID10. cresceu a importância do papel dos educadores no tratamento da síndrome através de terapias educativas de apoio.um típico comprometimento do processo de desenvolvimento da criança. Embora se trate de uma síndrome pouco conhecida. a Síndrome de Rett. o Autismo Atípico. Outros Transtornos Desintegrativos da infância. além da constatação de que intervenções realizadas precocemente podem amenizar os efeitos da síndrome. junto com a Síndrome de Asperger. que é de até 36 meses – ou a criança nasce autista ou os sintomas aparecem antes dos três anos de idade. o quadro clínico do espectro autista possui quatro eixos: três eixos são sintomáticos e o quarto corresponde à idade de surgimento dos sintomas. . hoje o Center for Diseases Control and Prevention do governo dos Estados Unidos admite a ocorrência de 1 caso a cada 150 nascimentos. Tal incremento se deveu ao interesse crescente pela síndrome. Na décima revisão da Classificação Internacional de Doenças . o autismo não é raro.

destrutivos ou obsessivos de várias ordens. desde o mutismo absoluto até algum diálogo. mímica pobre. entre outros. mas também a aprendizagem. dificuldade para iniciar. A comunicação expressiva é talvez a área de maior importância. não apresentar movimentos antecipatórios. incoerente ou inexpressiva. No plano do comportamento a hiperatividade é o sinal mais freqüente. ecolalia (repetição de palavras ou frases escutadas) imediata ou tardia. uso da terceira pessoa pronominal em detrimento do pronome “eu”. Segue-se. comportamentos estereotipados. explosivos. . uso de tom interrogativo para expressar afirmação. É importante observar que o prejuízo da falta do uso do olhar para o interlocutor não compromete somente a comunicação. na área da interação social o sintoma cardinal é o isolamento. emissão de sons ou palavras de forma automática e sem finalidade aparente. não gostar de contato físico como abraços e toques. sustentar e terminar uma conversa e comprometimento da modulação da voz. andar desajeitado ou extravagante. seguido da auto-agressão. gerando uma pobreza marcante no relacionamento com o mundo circundante se comprometida. a raridade de um diálogo. não conseguir brincar com outros. entre outros sintomas.Ainda segundo Camargos Junior (2001). a preferência por ficar só. ausência de gestos sociais. posturas corporais estereotipadas. agir como se fosse surdo e usar as pessoas como ferramentas. não olhar diretamente para as pessoas. não buscar colo ou proteção quando se machuca. entre outros. Os sinais mais comuns na esfera da comunicação não verbal são a hipotonia muscular. giro de objetos repetidamente sobre superfícies. não ter medo de estranhos. Na área de comunicação se observa graus variados de comprometimento da fala. pois é ela que possibilita a independência e o aprendizado social.

1992). é a área mais comprometida. Em geral. resistir ao aprendizado que não o interessa. entre muitas outras características diferenciadas. voltado para a detecção de autismo em crianças de . como rodas ou ventiladores. Para Camargos Junior (2001). EUA. imitação. contato ocular social. basicamente. atenção compartilhada.falar ou perguntar algo infinitamente. Evoluem com aquisição e perdas de habilidades até a adolescência. ter fixação e até mesmo compulsão por água em movimento. considerando “dificuldades específicas na orientação para estímulos sociais. Pessoas com autismo poderão necessitar de intervenção educacional e terapêutica continuada por toda vida. os sintomas de comportamento são as maiores queixas dos familiares e a área da interação social a que mais estranheza causa nas outras pessoas. atividade motora e jogo simbólico. GILLBERG. integridade familiar. que engloba a fala. É muito importante entender que essas três áreas são clinicamente independentes umas das outras em termos de gravidade sintomática e evolução. ALLEN. bater levemente com os dedos em mesas ou mesmo nas pessoas. seguindo-se um padrão que será o quadro futuro. Segundo Robins (2001).Modified Checklist for Autism in Toddlers.” (BARON-COHEN. tendo a dependência como eixo central. a área de comunicação expressiva. precocidade diagnóstica e início da intervenção. brilhos e objetos que giram. A intervenção precoce no autismo tem-se tornado possível graças a sua identificação cada vez mais cedo. o prognóstico depende. sentir medos intensos de objetos específicos sem motivo aparente. de seis questões: QI do afetado. ausência de doença degenerativa e sensorial. o Departamento de Psicologia da Universidade de Connecticut. capacidade técnica dos profissionais. desenvolveu um checklist chamado de M-CHAT .

podendo mesmo tornar difícil a distinção de quais alunos são autistas. notadamente antes dos três anos de idade. que seu estilo diferente de viver não representa uma doença. da utilização de técnicas de motivação comportamental intensiva. essa prerrogativa não pode ser considerada para os casos mais graves. são pensadores visuais. devendo-se avaliar o grau de comprometimento de cada área e eleger as prioridades de trabalho distintamente para cada caso. sendo entendido como uma síndrome aglutinadora de um grande conjunto de características e sinais. Os modelos de tratamento que vêm demonstrando ser muito eficientes para melhoria do prognóstico advêm do diagnóstico e intervenção multidisciplinar realizados precocemente. denominado espectro autista.16 a 30 meses de idade. ou seja. muitas vezes. Obviamente. a despeito do que os pais esperavam e gostariam que seus filhos fossem. Atualmente existem grupos que defendem que. O tratamento requer o atendimento por profissionais de diversas especialidades. principalmente. Existem evidências científicas que mostram que indivíduos com autismo têm um pensamento concreto e visual (HOBSON. que precisam de ambientes estruturados e organizados para aprender e que muitos processam o pensamento através de imagens. devendo ser respeitado. Grandin (1995) diz que os autistas têm dificuldades para mudarem suas rotinas diárias. 1995). permite a inclusão do aluno em salas de aula comuns já nas séries iniciais de estudo. . O fato é que o autismo tem uma enorme heterogeneidade de quadros. valendo-se. 1993) (GRANDIN. os autistas deveriam ser admitidos da forma como são. Essa abordagem. e que seria um erro provocar grandes mudanças no comportamento dessas pessoas. através de 23 perguntas do tipo sim/não para os parentes da criança. como os que implicam em auto-agressão e alta dependência.

Porém. compreender que essa seqüência de imagens constitui uma história. Há estudos que relacionam o autismo a questões de natureza orgânica.Também se percebe que as defasagens sócio-cognitivas não se distribuem uniformemente em todos os processos cognitivos. não agrupam suas percepções. 1998). e apresentar dificuldade se nesse mesmo processo perceptivo é requerido compreender o significado de uma situação. eles não vasculham o mundo para semelhanças e diferenças. combinadas entre si ou isoladamente. sua posição está ancorada ao particular. ouvem e sentem. todos concordam que as pessoas com autismo pensam e falam de forma atípica e que têm dificuldades em dar significado às percepções e relações com o meio social e cultural “Eles estão orientados para o mundo de uma maneira diferente.” (PEETERS. 2. 1998) Uma das características mais marcantes e intrigantes no autista é justamente a incapacidade de atribuir estados mentais a si próprio e a outras pessoas. Pessoas com autismo podem ter um ótimo desempenho nas funções perceptivas visuais e espaciais. mas seus cérebros administram essas informações de maneira particular”. Essa .2 TEORIA DA MENTE Diversas teorias e interpretações tentam explicar as possíveis causas do autismo. físicas e químicas. e também conclui que “eles vêem. (PEETERS. psicológica e social. por exemplo. como quebracabeças. O mesmo Peeters (1998) ressalta também que as pessoas com autismo desenvolvem padrões de comunicação próprios e não usuais. como.

sentimentos. . Imaginemos como seria nosso dia-a-dia se não fôssemos capazes de interpretar desejos e intenções ou de prever nossos próprios comportamentos e o dos que nos rodeiam. desejo e intenção. p. predizer suas próprias ações e as dos outros? (JOU. do Trinity College de Cambridge postula a existência de quatro módulos cerebrais interagindo para produzir o sistema de leitura mental do ser humano: o módulo detector de intencionalidade.característica nos remete à chamada Teoria da Mente. Alguns estudos recentes procuram identificar a origem dos distúrbios com relação às defasagens cognitivas com as atividades simbólicas e a aprendizagem [problemas na metarepresentação/metacognição] e afirmam que “ao contrário das doenças mentais. SPERB. pois assim seríamos se nos faltassem as habilidades previstas na Teoria da Mente. das emoções e das intenções e. o autismo deve ser tratado principalmente na educação com terapias de apoio e somente em casos extremos utilizar o tratamento psiquiátrico.” (PEETERS. o detector da direção do olhar. 1999. O psicopatologista inglês Simon Baron-Cohen (1989). que seria o responsável pela união das noções de atenção. o mecanismo da atenção compartilhada e o mecanismo da Teoria da Mente. percepções e crenças com o objetivo de predizer e explicar o comportamento dos outros. Poderíamos relacionar-nos socialmente sem essa capacidade? Que habilidade é essa do ser humano que lhe permite compreender a existência dos sentimentos. em conseqüência.1). termo concebido por Premak e Woodruff (1978) descrevendo nossa habilidade em atribuir pensamentos. 1998). Os pressupostos da Teoria da Mente nos remetem facilmente ao que foi dito por Kanner ao fazer as primeiras descrições do autismo. Jou e Sperg (1999) propõem o exercício a seguir.

resultando assim em déficit do desenvolvimento dos padrões simbólicos. que é um dos principais comportamentos infantis que mostram um comportamento comunicativo intencional. reconhecendo-a não simplesmente como um outro objeto físico que pode ser manipulado fisicamente. Isto revela que a presença desta linguagem independe de níveis de inteligência. trazendo profundas dificuldades em suas interações sociais. pois o comportamento de outras pessoas seria completamente imprevisível. Carpenter. Nagell & Tomasello (1998) frisam a importância do contato ocular. acarretando em um desvio severo no seu desenvolvimento. As falhas no desenvolvimento da atenção compartilhada podem levar a criança autista a não desenvolver a comunicação intencional. BEDROSIAN.Baron-Cohen (1989) alerta que o autismo altera a meta-representação requerida nos padrões sociais. COGGINS. 1983. É por isso que em todas as categorias de atenção compartilhada. na comunicação e no entendimento do mundo social em que vivem. mas como um parceiro comunicativo. 1978) apresentam atividade de linguagem com finalidade comunicativa. fornecendo evidência de que a dificuldade em identificar expressões e em entender o que o outro quer dizer provêm de um déficit na Teoria da Mente. 1981. . Ressalta-se que mesmo crianças com atrasos na linguagem. para quem o mundo pode parecer extremamente trágico. visto que a criança direciona os sinais diretamente para uma outra pessoa. retardo mental e síndrome de Down (ROOM. característica esta ausente nos autistas. que pode perceber e responder aos seus sinais. e não para o objeto em si. sem nenhuma ordem.

entre outros. portanto. comunicação. A aprendizagem. saúde e segurança. O sentido de cognição se confunde com o da própria consciência humana. As teorias da aprendizagem tentam descrever . habilidades acadêmicas. que não podem ser atribuídas à maturação. É um processo de conhecimento que considera as informações do meio em que vivemos. uma pessoa com déficits cognitivos e. O termo cognição denomina o processo de aquisição de conhecimento pelo homem. mediante a experiência ou a prática. necessita de apoio pedagógico e psicológico diferenciados. juízo. captadas através dos nossos sentidos. no mínimo. sem perder a sua identidade existencial. habilidades de convívio social e interpessoal. O autista é. uso de recursos da comunidade. pensamento e linguagem. 3 COGNIÇÃO E TEORIAS DE APENDIZAGEM O DSM-IV . de uma forma geral. fazendo a conversão para o nosso modo de ser interno.Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (1994) define a pessoa com déficits cognitivos como alguém significantemente limitado em. autonomia. raciocínio. ocultando-se por trás de seu conceito diferenças essenciais entre diferentes teorias filosóficas e visões do mundo. imaginação. a percepção produzida sobre os elementos envolvidos e tudo aquilo que já está registrado na nossa memória. lesões ou alterações fisiológicas do organismo. reunindo em uma única palavra conceitos como atenção. conseqüentemente. duas das seguintes áreas: auto-cuidado.2. a cognição representa o processo pelo qual o ser humano interage com os seus semelhantes e com o meio em que vive. de lazer. profissionais. Mais do que simplesmente aquisição de conhecimento. memória. é um processo inseparável do ser humano e ocorre quando há uma modificação no comportamento. percepção.

O primeiro é o realismo. para o qual o mundo exterior é coisa distinta do pensamento ou das nossas representações. o empiricismo. Descartes usou a intuição intelectual não somente para se adquirir a certeza das coisas mais simples [“Penso. que defende a experimentação como fonte essencial de aquisição do conhecimento. onde o conhecimento científico deve basear-se em fatos mensuráveis a partir dos quais serão construídos modelos através de rigoroso raciocínio indutivo. que entende que todo o conhecimento válido provém. Marcusso e Telles (2007). e o construtivismo. “Os . ramo da filosofia que estuda a definição. o realismo. que concebe como únicas fontes de conhecimento a intuição e a dedução. logo. ou seja. sem relação necessária com a realidade. e logia = estudo]. De acordo com Waal. O segundo é o idealismo de Descartes (1596-1650). que pressupõe a existência de uma realidade objetiva independente do observador. como também para se compreender com clareza cada passo da dedução. ambas compreendidas como operações de nosso entendimento. estando intimamente ligadas aos conceitos propostos pela epistemologia [epistemo = conhecimento. pensamentos formados pela combinação de impressões passadas e presentes. que entende que o conhecimento é formado por constructos subjetivos.a forma pela qual uma pessoa aprende. A epistemologia divide-se ainda em dois grandes grupos. que teve origem em Platão (427-347 a. do uso da razão. quando se refere aos limites do conhecimento. as origens e os limites do conhecimento e como esse conhecimento se relaciona com a verdade e com quem o possui. o positivismo. as cinco correntes epistemológicas historicamente mais importantes são: o racionalismo.C. essencialmente. existo!”]. significando que o nosso conhecimento atinge a própria realidade e não apenas as representações subjetivas.) e imperou até o século XV.

o cognitivismo e o behaviorismo [ou comportamentalismo] têm base epistemológica realista. enquanto o construtivismo tem base epistemológica idealista. pois nem sempre suas fronteiras estão claramente definidas. As instruções visuais podem destacar seqüências de eventos e fazer com que os alunos autistas se lembrem da ordem adequada a seguir. a principal possibilidade para uma melhoria constante dos alunos autistas é uma maior consideração das suas singularidades e mais treinamento para profissionais para ajudá-los a entender seus estilos de aprendizagem. por exemplo. os perfis irregulares das habilidades e dos déficits são características bem documentadas nos alunos com autismo. p. de uma forma geral. devem ser olhadas com cautela. de forma coerente com o idealismo.primeiros princípios somente podem ser conhecidos pela intuição. que classificações. Dentre as teorias de aprendizagem mais conhecidas. Um aluno autista pode ter a habilidade extraordinária de estabelecer relações espaciais ou de . dizia que o conhecimento é construído pelo indivíduo. que é um conceito do realismo. ajudando o aluno seguir a seqüência desejada. sendo comum classificar o behaviorismo e o construtivismo como os extremos entre os quais se situam as demais correntes. no entanto. mas não repudiava a idéia de que a realidade existia fora do indivíduo. Salienta-se. A figura visual permanece atual e concreta. Piaget.21). Descartes refutou a experiência como fonte de conhecimento e buscou fundamentar a ciência em princípios racionais e lógicos. Ainda segundo Mesibov (2006). 1989ª. As rotinas consistentes de trabalho e as instruções visuais podem compensar a dificuldades dos alunos autistas em relação à organização do ambiente e seqüenciamento das atividades. Segundo Mesibov (2006). enquanto que as conclusões distantes só se concretizam pela dedução” (DESCARTES.

onde a atividade. seria o real vetor do aprendizado.entender conceitos numéricos. Isto para que. e não a memorização. mas ser incapaz de usar estes pontos fortes por causa das limitações organizacionais e de comunicação. possam trabalhar rumo a uma educação significativa e construtiva que possa conduzir o aluno a ser sujeito consciente de sua autonomia social. e o cognitivismo de Jean Piaget (1896-1980). Sua obra favoreceu o desenvolvimento de duas das mais importantes linhas educacionais do século 20. que recortam no mundo exterior as peças com que serão construídos nossos universos. 2. pregando por uma escola na qual a aprendizagem se dá pela resolução de problemas. a partir daí.4 CLAPARÈDE O médico e psicólogo suíço Édouard Claparède (1873-1940) defendia a prioridade da educação sobre a instrução. a Escola Nova. e sim antes nossas necessidades. O mundo exterior não se reflete em nosso espírito como um espelho. cognitivo. Suas idéias contribuíram para a elaboração de metodologias que ultrapassaram a metodologia pedagógica arraigada na repetição de conceitos. nos traços distintivos dos universos as diversidades sensoriais nada são quando comparadas às diversidades afetivas. . nossos interesses. afetivo. encorajando inúmeros educadores a repensarem e inovarem sua prática pedagógica. como sócio-cultural. Mas. As teorias da aprendizagem que predominam nas tendências da educação contemporânea são aquelas desenvolvidas por Piaget e Vygotsky. cuja representante mais conhecida foi Maria Montessori (1870-1952). É que não são as impressões sensoriais. buscando compreender a realidade de seus alunos tanto do ponto de vista psicológico. nossos sentimentos.

também chegaram: o que diferencia o ser humano dos outros animais é a capacidade de transformar a natureza [e os ambientes que o cercam em geral]. surge a questão: como estimular o interesse e fazer do trabalho. A partir disso. Para ele. p. O psicólogo e filósofo norte americano. as funções adaptativas da conduta. segundo o qual o que importa é o que é útil e eficaz na manutenção da vida. algo prazeroso? Através da Educação Funcional. (CLAPARÈDE. interesse e afetividade [emoções.Absolutamente! As nossas próprias percepções são modificadas por nossos interesses e paixões. a inteligência também corresponde a uma necessidade. do aprendizado.311) Com sua abordagem funcionalista. por ter aplicado à psicologia tanto o ponto de vista biológico quanto o pragmático. que conduz as escolhas entre os objetos externos que poderão auxiliar o indivíduo na sua adaptação. como Claparède. William James (1842-1910) é considerado o fundador da psicologia funcional. as necessidades e interesses dos alunos. enfatizando. Claparède conferia grande importância à brincadeira e ao jogo como recursos na estratégia de despertar. 1920. Segundo Campos e Nassif (2005). o saber nada mais é que um instrumento de adaptação. Para ele. na perspectiva funcionalista defendida por Claparède. sentimentos e desejos] têm grande relevância e estão intimamente ligados. de diferentes escolas. responde-nos Claparède. o qual deve ser adquirido através de uma necessidade. Claparède foi um dos primeiros cientistas a chegar a uma conclusão a que outros pensadores. que é um recurso precioso para este fim. no ambiente da escola. e utilizando-nos do jogo. mas o interesse é o princípio fundamental da atividade mental. .

Dessa forma. a criança estabeleceria desde o nascimento uma relação de interação com o mundo físico e social que promoverá seu desenvolvimento cognitivo. a inteligência . explicou o percurso que conduz o ser humano da anomia à autonomia moral. entender que interação social e a troca entre indivíduos funcionam como estímulo ao processo de aquisição de conhecimento. De acordo com Bello (2002). ao construir e reconstruir suas hipóteses sobre o mundo que a cerca. antropologia e psicologia do desenvolvimento humano.5 PIAGET O biólogo Jean Piaget (1896-1980). nem resultado de condicionamentos. Assim. mas de construções sucessivas com elaborações constantes de novas estruturas resultantes da relação do sujeito com o objeto. Entre outros trabalhos. tais como sociologia.2. que. demonstrou o papel fundamental do afeto no funcionamento da inteligência e formulou a sua famosa epistemologia genética. estabelecer níveis diferentes de desenvolvimento cognitivo. mesmo não tendo intenção pedagógica. perceber que o desenvolvimento pode ser facilitado pela oferta de atividades e situações desafiadoras. ofereceu aos educadores importantes princípios para o entendimento do processo de ensino e aprendizagem e a possibilidade de formulação de novas metodologias educacionais. pré-formada no sujeito. discípulo e sucessor de Édouard Claparède na Academia de Genebra. contribuiu de forma importante para diversas áreas do conhecimento. No entendimento de Piaget o conhecimento não provém nem da experiência única dos objetos nem de uma programação inata. as principais características da epistemologia genética de Piaget são: ter como ponto central a estrutura cognitiva do sujeito.

Ou seja. Em cada período o indivíduo adquire novos conhecimentos ou estratégias de sobrevivência. Piaget situa o problema epistemológico. O que vale também dizer que a inteligência humana pode ser exercitada. evoluindo "desde o nível mais primitivo da existência. associacionistas. até o nível das trocas simbólicas" (RAMOZZI-CHIAROTTINO apud CHIABAL. Esse processo de etapas sucessivas com complexidades crescentes encadeadas umas às outras.52). p. 1990). estruturalistas sem gênese. empiristas. etc. ao nível de uma interação entre o sujeito e o objeto. Ele segmentou o desenvolvimento motor.também poderia ser exercitada." (DOLLE. 1982). e . 1974. Para Piaget. de compreensão e interpretação da realidade. A fase pré-operatória é a fase mais relevante para o desenvolvimento da comunicação. (. Segundo Dolle (1974). caracterizado por trocas bioquímicas. foi denominado por Piaget de construtivismo seqüencial. “ensinar é inventar”..) e permite seguir fases sucessivas da construção progressiva do conhecimento. o do conhecimento. Vai dos dois aos sete anos de idade da criança. Piaget considera que os indivíduos se desenvolvem intelectualmente a partir de exercícios e estímulos oferecidos pelo meio que os cercam. É necessário que ele possa agir sobre o objeto de conhecimento de forma a inseri-lo num sistema de relações. verbal e mental em períodos onde eles ocorreriam prioritariamente. Um novo conhecimento só poderá acontecer se o organismo já tiver um conhecimento anterior para poder assimilá-lo e transformá-lo.. aproximadamente. buscando um aperfeiçoamento de potencialidades. genéticas sem estrutura. E "essa dialética resolve todos os conflitos nascidos das teorias. a adaptação intelectual constitui um "equilíbrio progressivo entre um mecanismo assimilador e uma acomodação complementar" (PIAGET. Ele demonstra que para o indivíduo adquirir um determinado conhecimento ele deve estar preparado para recebê-lo.

e o pensamento autístico. que não leva em consideração os pontos de vista de outros. não por uma falta de habilidade para tal. Para Piaget a principal expressão da relação pensamento e linguagem na criança. suscetível de verdade e erro e comunicável pela linguagem. do desenho. até os sete ou oito anos. que é consciente. inteligente. No período intuitivo distingue-se a fantasia do real. uma fala orientada para si. que forçam a criança a desenvolver suas estruturas mentais para uma descentração crescente. a criação de imagens mentais mesmo na ausência do objeto ou da ação. de modo que a sua fala passa de egocêntrica para socializada. São formas de pensamento que diferem.compreende os períodos simbólico e intuitivo. . ao mesmo tempo em que seu pensamento passa de um autismo extremo para uma lógica da razão. onde surge a função semiótica que permitirá o desenvolvimento da linguagem. sendo uma socializada e a outra individual e incomunicável. é a sua fala egocêntrica. antes de tudo pela sua origem. da dramatização. não adaptado á realidade externa e não comunicável pela linguagem. a partir do desenvolvimento biológico e de pressões sociais posteriores. da imitação. do faz de conta. do jogo simbólico. Esse pensamento evolui para um nível superior. subconsciente. O período simbólico é o da fantasia. que não é capaz de avaliar o modo como os outros podem estar pensando o que é por ela pensado. Na análise de Piaget teríamos dois tipos de pensamento: o dirigido. mas sim por uma característica própria de seu pensamento. já sendo possível dramatizar a fantasia sem que nela se acredite.

no Brasil encontramos diversas denominações e classificações atribuídas ao pensamento de Vygotsky. tais como e socioconstrutivismo. De acordo com Duarte (1999). É nas interações que o ser humano estabelece com os outros e com o mundo que ele vai apropriando-se do real de forma ativa num processo de internalização. Vygotsky (1994) definiu a aprendizagem como “. 1985). Duarte (1999) entende que o mais correto seja classificar sua teoria como uma quarta concepção epistemológica denominada de Teoria Sócio-Histórica da Aprendizagem. Entre outros. a importância dos estudos de Vygotsky é inquestionável. “a reconstrução interna de uma operação externa. isto é. cujos resultados demonstram ser o desenvolvimento das funções psicointelectuais superiores um processo absolutamente único. Do ponto de vista da aprendizagem. pois ele critica as teorias que separam a aprendizagem do desenvolvimento (GIUSTA. atitudes. assim como o próprio autor e seus adeptos já o faziam.2. a partir do seu contato com a realidade. etc. sociointeracionismo-contrutivista construtivismo pós-piagetiano. mas ressalta-se que nenhuma dessas denominações estão presentes na obra de Vygotsky. sociointeracionismo. valores.” (VYGOTSKY.. Contrapondo-se às idéias vigentes à sua época. . o processo pelo qual o indivíduo adquire informações.. habilidades. com o meio ambiente e com as outras pessoas”.6 – VYGOTSKY O psicólogo russo Lev Seminovitch Vygotsky (1896-1934) empreendeu um estudo original e profundo do desenvolvimento intelectual do homem. 1994:74).

Vygotsky (1998) conclui que as habilidades cognitivas humanas não são diretamente heranças biológicas.55). O desenvolvimento do indivíduo seria resultado de um processo sócio-histórico. ou seja. o desenvolvimento não dependeria apenas da maturação. Para Vygotsky (1998). não acontecia a partir de uma simples associação de idéias armazenadas na memória como pressupunha o empirismo. somente as informações que façam sentido para os alunos serão assimiladas por eles. ativo e interpessoal. cada pessoa tem seu próprio jeito de aprender o mundo. mas produto de uma variedade de processos históricos e ontogenéticos e o desenvolvimento do homem surge a partir da combinação de duas linhas de desenvolvimento: a natural [biológica e de maturação] e a cultural formando uma linha sócio-biológica de desenvolvimento. enfatizando o papel da linguagem e da aprendizagem nesse desenvolvimento. Para melhor explicar esse processo. Por exemplo. a aprendizagem não seria uma mera aquisição de informações. ele desenvolveu o conceito de Zona de . p.Vygotsky percebeu que desenvolvimento e aprendizagem estão intimamente ligados e que na evolução intelectual do indivíduo há uma interação constante e ininterrupta entre processos internos e influências do mundo social onde cada um dá um significado particular às suas vivências. “Deve surgir um problema que não possa ser solucionado a não ser que pela formação de um novo conceito (VYGOTSKY. mas de um processo interno. Além disso. Assim. se tiver contato com uma comunidade de falantes. Também preconiza que a evolução intelectual do homem é caracterizada por saltos qualitativos de um nível de conhecimento para outro. como acreditavam os inatistas. apesar de ter condições maturacionais para falar. 1962. Vygotsky diz que uma criança só falará se participar ao longo de sua vida do processo cultural de um grupo.

Vygotsky (1987) destaca que o pensamento humano é constituído pela linguagem [seja verbal. além da função comunicativa. em todas as demais funções psíquicas superiores do sujeito [memória. estabelecendo uma estreita relação entre pensamento. linguagem e ação. na organização e planejamento da ação. atenção. ou seja. Ressalta-se que Vygotsky não nega a existência de diferenças entre os indivíduos. não entende que essa diferença seja determinante para a aprendizagem. Contudo. vontade]. Eles também divergem quanto à importância do papel do professor. Para Vygotsky. enquanto Piaget. "o aprendizado adequadamente organizado resulta em desenvolvimento mental e põe em movimento vários processos de desenvolvimento". que ele pode alcançar com a mediação do professor e colegas que já dominem o assunto. um saber que ele já adquiriu e um nível potencial. Piaget delega ao professor o papel de facilitador para que o aluno produza suas próprias descobertas e interpretações. que representaria a distância entre o nível de desenvolvimento real de um aluno. pois é a partir do momento em que ela surge no curso do desenvolvimento que o pensamento torna-se expressivo e a fala racional. na constituição do pensamento e da consciência. na regulação do comportamento e.Desenvolvimento Proximal . simbólica ou gestual]. que uns estejam mais predispostos a algumas atividades do que outros em razão de fatores físicos ou genéticos. defende que é o desenvolvimento progressivo das estruturas intelectuais que nos torna capazes de aprender.ZPD. a linguagem é fundamental na transição do interpessoal para o intramental. ao contrário. representando a troca do modelo de repasse da . Piaget e Vygotsky apresentaram visões diferentes sobre a seqüência dos processos de aprendizagem e desenvolvimento mental. Assim. mais elevado.

caracterizando os processos pedagógicos como intencionais. Como escreveu Becker (1993). W. Vygotsky defende que o docente tem papel explícito de contribuir para a transmissão do conhecimento acumulado historicamente pela humanidade para o aluno. Os gestaltistas clássicos [Koffka. deliberados. sendo o objeto dessa intervenção a construção de conceitos. é possível aproximar autores como Piaget. Dilthey]. Lacan] entende o comportamento humano como resultante de um processo de motivação inconsciente. Ao professor também cabe mediar a relação do aluno com o conhecimento de forma a provocar avanços na sua aprendizagem. Existem quatro abordagens. 2. Paulo Freire. Para os funcionalistas [Piaget. escolas ou conceituações básicas para este estudo. o comportamento seria sinônimo de adaptação. Freud. Baktin e Freinet. Apesar das divergências conceituais entre as diversas correntes e pensadores. a expressão da . Klein. uma vez que todos eles colocam a ação do sujeito na essência do processo de aprendizagem. intervindo e criando novas zonas de desenvolvimento proximal. o fato que parece mais significativo é a percepção da necessidade da ação do indivíduo.7 PSICOLOGIA COMPORTAMENTAL E ABA A psicologia é a ciência que estuda e explica o comportamento humano. Vygotsky. H. Koehler. Wertheimer] entendem o comportamento como um processo perceptivo. James. A abordagem psicanalítica [Freud.informação pelo de formação do aluno. Luria. Sullivan. M. Wallon.

interação entre organismo e meio. vontade. O behaviorismo pretende o controle do comportamento humano por meio do padrão de estímulo-resposta. Skinner descreve alguns pontos essenciais para compreensão do seu pensamento. C. (FERRARI. a um estímulo externo. no condicionamento operante um . Skinner] o comportamento é resultante do condicionamento de reflexos inatos. O mais célebre divulgador do behaviorismo foi o psicólogo norte-americano Burrhus Frederic Skinner (1904-1990). especialmente o conceito de Condicionamento Operante. criou a teoria dos reflexos condicionados. coube ao psicólogo norte-americano John B. à abordagem psicanalítica. conceitos e categorias centrais para outras correntes teóricas. Em seu livro “The Behavior of Organisms” [O Comportamento dos Organismos]. 2004) O médico russo Ivan Pavlov (1849-1936) foi o primeiro cientista a trabalhar na área psicológica sem utilizar referências a estados subjetivos como instrumento teórico. Técnicas do behaviorismo. Watson (18781958) formular as exigências metodológicas que nortearam o behaviorismo como escola. lançado em 1938. principalmente em crianças com déficits cognitivos. ou psicologia comportamental. como consciência. têm sido introduzidas no processo educativo gerando resultados positivos. Os adeptos do behaviorismo costumam se interessar pelo processo de aprendizado como um agente de mudança do comportamento. emoção e memória — os estados mentais ou subjetivos. que assume que muito do nosso comportamento se deve a processos inconscientes. assim. Enquanto no reflexo condicionado de Pavlov há uma reação. A educação se apropria e se beneficia de conceitos originados por correntes psicológicas distintas. uma resposta. Porém. Para os behavioristas [Watson. Hull. por exemplo. inteligência. Descarta. Concentra-se na análise objetiva do comportamento observável e mensurável em oposição. Motivado por experiências realizadas com cães.

analisa e explica a associação entre o ambiente. um comportamento que é positivamente reforçado vai acontecer novamente e que reforços vão generalizar. Nesse caso. No livro “O Comportamento Verbal” publicado no final dos anos 1950. a conseqüência de uma ação quando percebida por quem a pratica. os reforçadores estariam representados tanto pelo sorriso e o abraço da mãe. Segundo ele. contrário a punições e esquemas repressivos. tendo se dedicado a estudos sobre aprendizagem e linguagem. A educação foi uma das preocupações centrais de Skinner. quanto pelo aparecimento do próprio objeto concreto. um novo comportamento. o comportamento humano e a aprendizagem. modelando. dessa forma. Análise do Comportamento Aplicada [Applied Behavior Analysis – ABA] é um termo advindo do campo científico do behaviorismo. estímulos similares produzindo condicionamento secundário.mecanismo premia uma determinada ação de um indivíduo provocando a associação da necessidade à ação. O instrumento fundamental dessa modelagem é o reforço. Para ele a educação deveria ser planejada passo a passo. Skinner descreveu a aquisição de linguagem como outro tipo de comportamento humano que também seria influenciado diretamente por reforçadores. que observa. visando "modelar" o aluno através do uso de reforços positivos. Skinner (1938) afirma que todos nós aprendemos através de associações e nosso comportamento é “modificado” através das conseqüências. O reforço pode ser positivo [uma recompensa] ou negativo [ação que evita uma conseqüência indesejada]. sendo. lado a lado. Os conceitos de behavioristas são utilizados atualmente para mudar ou modificar comportamentos e ajudar na aprendizagem. para os bebês. Uma vez que um comportamento é . ou seja. em princípio.

]. (GREEN. A seleção das metas do tratamento para cada indivíduo é guiada por testes de avaliação. comunicação. que são ensinados um de cada vez durante uma série de “tentativas” [trials]. mas altamente individualizado. caracterizada por dividir seqüências complicadas da aprendizagem em passos muito pequenos ou “discretos” [separados]. De acordo com a The National Autistic Society da Grã-Bretanha. Os autênticos programas de ABA para estudantes com autismo podem combinar muitos métodos validados por pesquisas científicas do comportamento em um pacote compreensivo. p. programadas cuidadosamente. jogos e lazer.. acadêmico. ABA pode ser usada para tratar muitas questões diferentes e cobrir muitos tipos diferentes de intervenções. 1996.analisado. o psicólogo clínico norueguês Ole Ivar Lovaas é considerado um dos pioneiros do emprego de . utilizando reforçadores positivos e a ajuda que for necessária para que o objetivo seja alcançado. um plano de ação pode ser elaborado visando modificar aquele comportamento. Desde o início dos anos 1960 centenas de pesquisadores têm documentado a eficácia da abordagem da ABA ajudando a construir repertórios sociais funcionais e reduzindo problemas comportamentais de pessoas com autismo e desordens relacionadas de todas as idades. Uma relevante metodologia de ensino usada pela ABA é o Ensino por Tentativas Discretas [Discrete Trial Teaching – DTT]. A visão do comportamento analítico é que o autismo é uma síndrome com base neurológica que apresenta déficits e excessos no comportamento. etc. social. Segundo a BCBA [Board Certified Behavior Analysts] Green. motor. mas que são passíveis de mudanças em resposta a específicas interações construtivas com o ambiente.1) Ainda segundo Green (1996). ABA se baseia em mais que 50 anos de pesquisas científicas e está sempre em evolução. definição de seqüência e por um currículo que relaciona habilidades em todos os domínios [aprender a aprender. incorporando novas evidências na medida em que elas vão surgindo. auto-cuidado..

Esse estudo reportou que 47% de um grupo de crianças autistas que receberam de 30 a 40 horas semanais de terapia intensiva por cerca de 3 anos. de que crianças autistas poderiam ter o comportamento modificado. no caso. nós devemos ensinar de uma forma que elas possam aprender”. Lovaas ganhou notoriedade e fomentou o uso de terapias intensivas iniciadas precocemente com autistas. Mas Lovaas (2003) não exime a responsabilidade das crianças sobre os resultados obtidos: “Promover o desenvolvimento de pessoas com . utilizando-se do conceito de condicionamento operante com reforçadores positivos. A terapia eram realizadas nas próprias casas das crianças com a ajuda de parentes e o acompanhamento direto de Lovaas e sua equipe. publicados em 1987. através do uso de temas de interesse do indivíduo autista. O sítio do Lovaas Institute na internet diz que “se uma criança não pode aprender da forma que nós a ensinamos. Ele apregoa que o desenvolvimento responsável de habilidades em indivíduos com deficiências fornecem condições para que eles adquiram dignidade e o domínio de regras básicas da sociedade e que “as leis da aprendizagem aplicam-se aos indivíduos com estrutura orgânica anormal da mesma forma que nos indivíduos com estruturas normais (LOVAAS. imitação e cooperação. 2003). foram inseridas em classes comuns de ensino e classificadas como indistinguíveis dos demais alunos. DTT e promovendo Interações Positivas [técnica de aproximação que consiste em tornar o relacionamento atraente e prazeroso para todos]. tais como as interações sociais. A técnica de Lovaas refere-se a uma terapia intensiva e personalizada que visa potencializar o desenvolvimento de múltiplas habilidades. comunicação. apesar de polêmicas sobre o eventual uso de reforçadores negativos no seu trabalho.ABA com crianças autistas e o primeiro a apresentar estudos científicos.

FROST.” (LOVAAS. 2003) Outra técnica advinda das práticas terapêuticas comportamentais e cognitivocomportamentais é o Encadeamento de Trás para Frente. A responsabilidade é compartilhada. O encadeamento de trás para frente pressupõe a aplicação do princípio do reforçamento condicionado. Pode representar um importante instrumento de incentivo à comunicação por pessoas com autismo. Outro recurso que utiliza princípios de base comportamentalista é o PECS Sistema de Comunicação por Troca de Figuras. Ainda segundo Hübner (2004). O trabalho delas é aprender e o seu é ensinar. esse procedimento em sido extensivamente aplicado em treinos de habilidades da vida diária em crianças com ou sem retardo mental. trata-se de um conjunto de procedimentos que envolvem ensinar uma determinada seqüência de respostas ou ações a partir do último passo até se chegar ao primeiro. . Nurnberger e Levitt (1962) são considerados autores de referência na introdução do conceito de cadeia comportamental. onde cada resposta serve como estímulo discriminativo para o próximo passo. formando uma cadeia de respostas interligadas. Ferster.deficiências é um trabalho particularmente pesado. Segundo Hübner (2004). Trata-se de “um sistema de comunicação aumentativa desenvolvido para ajudar pessoas a rapidamente adquirir a comunicação funcional” (BONDY. sendo indicado para beneficiar a comunicação em indivíduos que não falam ou que tenham algum tipo de limitação para falar. 1994).

o conhecimento preciso de cada uma das entidades a conectar.8 ERGONOMIA DE SOFTWARE Simplificadamente. todo software dispõe de uma interface. de maneira a delimitar o ambiente onde as atividades serão desenvolvidas. movimento. portanto.2. softwares educativos são programas de computadores criados para mediar o relacionamento entre pessoas e computadores de forma a promover e incentivar a aprendizagem. Além de assegurar a conexão física. Por definição. o dispositivo deve permitir a tradução de uma linguagem para outra. englobe recursos de acessibilidade. Ao software também cabe definir a forma como ele se relacionará com os demais dispositivos desse ambiente. como as pessoas com autismo. espera-se que todo software educativo seja motivador para o aluno. reforço ou construção de conhecimento e de novas habilidades. Coutaz (1990) define uma interface como um dispositivo que serve de limite comum a duas entidades comunicantes que se exprimem numa linguagem específica [sinal elétrico. No caso da interface homem-computador trata-se de fazer a conexão entre a imagem externa do sistema e o sistema sensório-motor do homem. na grande maioria dos casos. De uma forma geral. animações e vídeos. . constituída. principalmente se esse sujeito não estiver orientado para os padrões convencionais. A fabricação da interface pressupõe. pelas representações gráficas e textuais apresentadas na tela do computador muitas vezes complementadas por sons. tais como mouses e teclado. língua natural]. seja adequado aos objetivos pedagógicos e às necessidades individuais de cada aluno. A complexidade do sujeito homem torna esta uma tarefa difícil. representando uma ferramenta para seu desenvolvimento.

A ergonomia de software busca melhorar a capacidade de utilização [usabilidade] do software por usuários de diferentes características. representado na memória e utilizado na resolução de problemas”.10). que se refere às características humanas anatômicas. Segundo Santos (2006). antropométricas. raciocínio e respostas motoras. segundo Peter (2001 apud NOGUEIRA.A International Ergonomics Association – IEA – define a Ergonomia [ergon=trabalho e nomos=leis] como a disciplina científica preocupada com o entendimento das interações entre seres humanos e outros elementos de um sistema e a profissão que aplica teorias. representando “a adaptação do sistema informatizado à inteligência humana” (WISNER. e como estas se relacionam com a atividade física. habilidades e limitações das pessoas. e a ergonomia cognitiva. memória. “o estudo de como o conhecimento é adquirido. tais como percepção. . p. Santos Lima (2003) afirma que utilizando a abordagem ergonômica a interface se adapta à arquitetura cognitiva do usuário. ambientes e sistemas de maneira a torná-los compatíveis com as necessidades. 2006). 2003. que se relaciona com processos mentais. princípios. trabalhos. dentro da disciplina da ergonomia existem domínios de especialização. 1987 apud MORAES. Ergonomistas colaboram para o projeto e para a avaliação de tarefas. Já a ergonomia cognitiva tem sua fundamentação teórica na ciência cognitiva que é. produtos. fisiológicas e biomecânicas. onde podemos salientar a ergonomia física. sendo necessário uma análise cognitiva para adequar ou projetar uma interface do software ao homem. dados e métodos para projetar de modo a otimizar o bem-estar humano e a performance geral do sistema.

pois o eleva ao nível de um parceiro na realização da tarefa. não como uma simples ferramenta e sim como um colaborador” (Coutaz. que devem ser considerados pela ergonomia. O colaborador. “Nessas condições. propostas por Shneiderman (1998). participa ativamente da realização do trabalho comum. ao invés de simplesmente responder aos estímulos da máquina. para em seguida concretizar o mais fielmente possível esta representação no software. Essa afirmação de Coutaz. como fraquezas. ainda. 1990:3). o programa pode ser considerado . experiências. incluem recomendações para que se projete o sistema de forma a permitir ao usuário assumir o controle e ser um iniciador das ações. ele pode ser visto. aquele que concebe um sistema interativo deve elaborar uma descrição o mais precisa possível do problema e dos processos cognitivos do usuário” (Coutaz. Dessa forma. ela é concebida para ser manipulada. qualidades. a sua eficácia depende muito do conhecimento que ele tenha das estratégias do seu parceiro. ao contrário. A partir desse pensamento defende-se que qualquer sistema deva ser projetado a partir do ponto de vista do operador. expectativas e motivações. As regras de ouro. Meister e Enderwick (2002) afirmam que a tecnologia não existe isoladamente. Uma ferramenta é um instrumento sem poder decisório. por exemplo.Diversos autores incluem em suas recomendações para projeto de sistemas e de interfaces a preocupação com o usuário como requisito inicial para o desenvolvimento. Há o usuário que é influenciado por ela e que também a influencia em um ciclo interativo de uso. confere um certo nível de antropomorfização ao computador. Deve-se ter em mente. que esse operador humano trará para o sistema uma série de atributos particulares. O computador não é uma ferramenta comum: “em razão do seu potencial funcional. 1990:2).

Bosseler & Massaro.como a extensão eletrônica das faculdades cognitivas do usuário. Na visão de Norman (1990) o foco do projeto de interfaces deve se desviar da interface para a tarefa que o usuário quer desempenhar. ou mesmo dos aficionados em multimídia” (LAUREL. Para análise de softwares para uso por pessoas com autismo não devemos desconsiderar as possíveis restrições. sistemas avançados para geração de fala (Kinney. Computadores estão sendo utilizados para ensinar uma grande variedade de habilidades. que essas pessoas precisam enfrentar. Estudos para aplicação de sistemas de realidade virtual. Tjus. & Nakhoda-Sapuan. a interface deve ser centrada no usuário e nas suas metas e objetivos. e para ampliação das habilidades de leitura e comunicação (Heimann. no entendimento dos objetivos propostos ou mesmo no trato social e comunicativo com os professores ou orientadores. 1995). 2000. 2003). que oferece a oportunidade de realizar experiências em três . de diversas naturezas. da mesma forma que uma ferramenta é uma extensão mecânica das suas faculdades muscular e sensória motrizes. & Sapuan. artistas gráficos. pesquisadores em inteligência artificial. & Stromer. p. seja no manuseio do equipamento. um bom projeto de interfaces exige aportes de múltiplas áreas de conhecimento. “não é mais província exclusiva dos analistas. Na verdade. Vedora. 2003). & Gillberg. Segundo Goldsmith e LeBlanc (2004) entre as intervenções para crianças com autismo baseadas em tecnologias as intervenções baseadas em computador apresentam a maior quantidade de estudos. Nelson. incluindo como reconhecer e predizer emoções (Silver & Oakes. que muitas vezes exigirão abordagens especiais. solução de problemas (Bernhard-Opitz. Sriram. aumento de vocabulário (Moore & Calvert. 2001). aumento da imitação vocal (Bernhard-Opitz. Sriram. 2001). 1999).364). 1990.

demonstraram mais engajamento e efetividade quando utilizando programas que fazem uso intensivo da interação. Mais que isso. indicam que o uso do computador em favor da aprendizagem normalmente resulta em aumento da motivação. por vezes. and Coughlan (2002). Embora os resultados destes estudos variem em termos dos ganhos proporcionados às crianças com autismo. som e vozes. maior atenção e. Callaghan. Em adição ao que já foi mencionado. Wright. Williams. Além disso. intervenções baseadas em computador apresentam outros benefícios dignos de notas. os programas permitem controle ilimitado de apresentação de estímulos. de acordo com dados de 48 estudos para concepção de modelos para tratamentos alternativos. vêm sendo realizado com crianças autistas de forma promissora. aumento da aprendizagem quando comparado com os métodos tradicionais. Moore & Calvert (2000). inclusive os autistas. parentes e educadores representarem incansáveis tentativas de aprendizagem em um formato idêntico ou sistematicamente variado. graduando níveis de dificuldades em pequenos passos. Diversos estudos comparativos. animação. diminuição do comportamento inadequado. no geral os resultados são bastante favoráveis. reforçadores podem ser emitidos imediatamente após as respostas e os programas ajustados para as necessidades ou dificuldades dos alunos. . Mas a questão fundamental é saber se o ensino baseado em computador é mais vantajoso do que o trabalho correspondente sem uso de tecnologia. Primeiro. propiciando aos médicos. Ainda segundo Goldsmith e LeBlanc (2004). crianças com deficiências. como os realizados por Chen & BernardOpitz.dimensões em um ambiente seguro. (1993).

os programas de computadores podem permitir seu uso concomitante por mais de uma pessoa [com dois joysticks. . servindo para utilização de forma "cooperativa". por exemplo].embora geralmente utilizado por uma única pessoa. suavizando preocupações sobre um eventual incentivo ao isolamento e diminuição da interação interpessoal pelo uso de computadores.

particularmente aqueles estabelecidos por Vygotsky e Piaget. destacando os trabalhos de Skinner (1938 e 1958) sobre . compreendendo: a) Investigar trabalhos de terceiros referentes ao uso de tecnologia com pessoas autistas. Técnicas de motivação comportamentalista da Análise do Comportamento Aplicada.1 DESCRIÇÃO Esta investigação referiu-se a uma pesquisa qualitativa e tinha como objetivos avaliar alguns dos softwares mais utilizados nas escolas e associações de pais e amigos de autistas. como os de Theo Peteers. psicologia e informática como instrumento tecnológico a serviço da aprendizagem. Conjugando pedagogia. Baron-Cohen e Gina Green. verificando a aderência desses softwares a conceitos associados ao desenvolvimento de pessoas autistas. esta investigação pretendia considerar: 1. b) Averiguar se as características individuais e as limitações relativas ao transtorno autístico impedem que softwares concebidos para desenvolver habilidades em crianças com desenvolvimento típico produzam ganhos significativos em crianças autistas. 2. c) Conhecer a percepção de educadores que trabalham com autistas sobre a validade do uso de software. Pesquisas e trabalhos relevantes referentes a autismo e educação.3 METODOLOGIA 3. 3. Postulados sobre aprendizagem e desenvolvimento cognitivo.

são preteridos em associações e escolas por terem idade um pouco avançada e serem de difícil trato e convívio. A segunda instituição é uma associação não formal de pais de crianças e jovens autistas que se propõe a realizar terapias e promover a difusão do . Duas diretoras dessa escola também colaboraram com a pesquisa. muitas vezes. Como sujeitos da pesquisa. mas que nos interessa pelos mesmos motivos. 5.condicionamento e de Ivar Lovaas (1987) sobre Intervenção Comportamental Intensiva Precoce. ambas da cidade de São Paulo. A primeira instituição que participou deste trabalho é uma escola particular formal que atua desde a Educação Infantil até o Ensino Médio e que já vem introduzindo alunos com necessidades pedagógicas diferenciadas nas turmas convencionais há 30 anos. Conceitos da Teoria da Mente. principalmente aqueles destinados a pessoas autistas. A base desta investigação consistia em uma ampla revisão bibliográfica que constituiria o referencial teórico para subsidiar as conclusões e de uma pesquisa qualitativa realizada com pais de autistas. sendo três alunos de cada instituição. participaram diretamente seis alunos de duas instituições. A importância da mesclagem de ciências para definição da ergonomia de softwares educativos. que prediz uma especial dificuldade da pessoa autista em construir meta-representações e imaginar os estados mentais dos outros e de si mesmo. diretores e professores de escolas e instituições relacionadas com autismo. Os alunos selecionados constituem um grupo de jovens com idade a partir de 8 anos que apresentam significativos atrasos no desenvolvimento e que não foram beneficiados por nenhum tipo de intervenção intensiva precoce. 4. Esse grupo representa uma parcela dos autistas que.

a escrita. ainda. a fala.conhecimento de novas posibilidades de tratamento. respeitando a capacidade de cada criança. visando ajudar suas crianças a superarem algumas dificuldades e aumentarem suas habilidades. Utilizamos como instrumentos para coleta de dados um Questionário para Avaliação Inicial para ser preenchido pelos parentes que acompanham os alunos [QAIP – Anexo 1]. a criatividade. 1 psicopedagogo e 2 não classificados. Ambas as instituições de ensino pesquisadas informaram que praticam abordagens pedagógicas inclusivas. Micheline Silva. Para compreender o perfil psicológico e o nível de desenvolvimento dos seis alunos sujeitos da pesquisa. utilizamos avaliações psicológicas que foram realizadas pela Dra. psicólogos e cuidadores e seu similar oferecido na internet. 5 parentes. psicóloga com pós-doutorado realizado nos EUA onde trabalhou por três anos com uma técnica de intervenção derivada do ABA chamada . visando beneficiar o desenvolvimento cognitivo e melhorar a qualidade de vida de crianças autistas com comprometimentos moderados a severos. um parente de cada um dos 6 alunos e 9 pessoas que preencheram adequadamente o QAS que foi disponibilizado na internet. compreendendo 1 professor. educadores. uma vez que ela não dispõe de uma estrutura formal. utilizando computadores com o intuito de desenvolver o pensamento lógico. um Questionário de Avaliação Inicial com Profissionais do trabalho educacional com autismo [QAIE – Anexo 2]. a intuição. Não houve a participação de diretores da associação de pais. um Questionário de Avaliação de Software [QAS – Anexo 3] para ser preenchido por parentes. Participaram. o Questionário para Avaliação de Softwares – Internet [QASI – Anexo 4].

perceber/reconhecer padrões de seriação ou seqüência de estímulos. de auto-ajuda ou auto-cuidado. de reconhecer um dado estímulo mesmo com a interferência de estímulos de fundo (reconhecimento da figura sob um fundo). Um resumo dessas avaliações pode ser visto no Anexo 5. No Leiter-R. O desenvolvimento e funcionamento adaptativo de um indivíduo se referem a habilidades essenciais para a sobrevivência e funcionamento independente deste indivíduo em atividades comuns do dia-a-dia. e que. SIB-R). montar e desmontar mentalmente figuras tridimensionais. Raciocínio fluido está relacionado à capacidade de resolver problemas novos que não dependam de aprendizagem escolar prévia. de organizar mentalmente pedaços fragmentados de uma figura para formar um todo. Micheline para as avaliações foram assim descritos e caracterizados por ela: 1) Escala Internacional de Performance Leiter – Revisado [Leiter International Performance Scale – Revised. também desenvolvidos nos EUA. e de classificar estímulos por similaridade (formação de conceitos). Os instrumentos utilizados pela Dra. como palavras e/ou números falados e/ou escritos. Outras habilidades cognitivas não-verbais estimadas durante a avaliação podem incluir por exemplo. sociais. SIB-R] a. DP-II] 3) Escalas de Comportamento Independente – Revisado [Scales of Independent Behavior – Revised. O funcionamento intelectual não-verbal de um indivíduo envolve habilidades como raciocínio não-verbal fluido. apresentam dificuldade em compreender instruções verbais e de fornecer respostas que envolvam habilidades cognitivas verbais (diferentemente da maioria dos instrumentos de avaliação de habilidades intelectuais). a capacidade de perceber e discriminar detalhes de estímulos visuais para pareá-los de acordo com suas características. todas as instruções são oferecidas de forma não-verbal (através de uso de mímicas. O Leiter-R foi escolhido para as presentes avaliações porque ele foi elaborado especificamente para fornecer informações sobre o nível de funcionamento cognitivo em crianças/adolescentes que possuem déficits verbais. habilidades físicas/motoras. por exemplo. bem como dedução ou indução de conclusões sobre o todo a partir das partes. figuras e outros estímulos visuais não-verbais) e as respostas também não requerem qualquer uso de habilidades verbais por parte da criança/adolescente. DP-II) e as Escalas de Comportamento Independente – Revisado (Scales of Independent Behavior – Revised. rotacionar. Bateria de Visualização e Raciocínio [Visualization and Reasoning Battery] 2) Perfil Desenvolvimental – II [Developmental Profile – II. incluindo. visualização espacial e bidimensional. gestos. e processamento de informações visuais básicas. Estas habilidades não requerem qualquer capacidade do indivíduo de processar estímulos considerados “verbais”. como identificar elementos que faltam em seqüências. Leiter-R] a. Tal instrumento é constituído por duas baterias de testes: Bateria de Visualização e Raciocínio e Bateria de Atenção e Memória. a qual fornece uma estimativa do nível geral de funcionamento intelectual não-verbal da criança/adolescente. Escala Completa [Full Scale] O Leiter-R é um instrumento de avaliação desenvolvido nos EUA. foi utilizada apenas a Bateria de Visualização e Raciocínio. Durante as presentes avaliações. O Perfil Desenvolvimental-II (Developmental Profile-II.Early Intensive Behavioral Intervention (EIBI). por isto. A visualização espacial está relacionada à capacidade de processar informações visuo-espaciais complexas. foram traduzidos pela avaliadora do inglês para o português para serem utilizados nestas avaliações. que tem como objetivo estimar o nível de funcionamento cognitivo não-verbal de crianças e adolescentes com idades variando entre 2 e 20 anos. .

e vocacionais. e representado que pelos no comportamentos problemáticos interferem desenvolvimento. e o processamento de informações visuais básicas. representado por habilidades como raciocínio não-verbal fluido. etc. como. aprendizagem. auto-ajuda. e funcionamento geral do indivíduo. em cinco áreas do desenvolvimento: físico. comportamentos agressivos. as avaliações psicológicas revelam. SIB-R) são instrumentos de avaliação que fornecem estimativas do funcionamento adaptativo e maladaptativo de indivíduos da infância à idade adulta. 2) O desenvolvimento e funcionamento adaptativo dos indivíduos. A Escala Completa de do SIB-R é baseada nas respostas de pais ou pessoas familiares ao indivíduo a um número de perguntas relativas a 14 áreas diferentes de funcionamento adaptativo e 8 áreas diferentes de funcionamento mal-adaptativo. por exemplo. acadêmico e comunicativo. destrutivos. entre outras coisas: 1) O funcionamento intelectual não-verbal dos indivíduos. DP-II) é um instrumento de avaliação que fornece estimativas do funcionamento de crianças. como. sociais. 3) O funcionamento mal-adaptativo considerados dos indivíduos. Sobre as avaliações.lingüísticas e comunicativas. da infância aos 9 anos e meio de idade. disruptivos ou pertubadores. linguísticas e comunicativas. disruptivos ou perturbadores. é importante destacar que: . Micheline. por exemplo. aprendizagem. de auto-ajuda ou autocuidado. domésticas. e vocacionais. habilidades físicas/motoras. Tal instrumento é baseado nas respostas de pais ou pessoas familiares à criança a um número de perguntas relativas a cada área do desenvolvimento. incluindo. etc. O Perfil Desenvolvimental-II (Developmental Profile-II. Segundo os relatórios da Dra. social. de automutilação. Funcionamento mal-adaptativo de um indivíduo se refere a comportamentos considerados problemáticos e que interferem no desenvolvimento. Vale dizer que foram utilizados instrumentos de avaliação especificamente designados para crianças e adolescentes que possuem déficits verbais. representado pelas habilidades essenciais para a sobrevivência e funcionamento independente em atividades comuns do dia-a-dia. e funcionamento geral deste indivíduo. destrutivos. de automutilação. As Escalas de Comportamento Independente – Revisado (Scales of Independent Behavior – Revised. visualização espacial e bidimensional. domésticas. por exemplo. comportamentos agressivos.

permitindo sugerir as áreas nas quais eles apresentam habilidades ou dificuldades e podendo ser usado como uma diretriz para o planejamento de objetivos educacionais e desenvolvimentais específicos. pareceram constituir uma rica fonte de informações sobre o nível geral do funcionamento e desenvolvimento dos alunos. nenhuma das seis crianças que participaram da pesquisa já havia feito antes uma avaliação psicológica que fornecesse informações sobre o seu nível de funcionamento em área críticas do seu desenvolvimento. tendências e algumas características necessárias ou. . devendo ser interpretados com precaução e cuidado. O referencial teórico se deu através de pesquisa bibliográfica a publicações de autores das áreas de pedagogia. Ainda assim. psicologia e engenharia de software e nos auxiliou a delinear o estágio atual. ajudando na escolha e elaboração de programas de ensino que atendam adequadamente as suas necessidades particulares. Deste modo. pelo menos. desejáveis nos softwares orientados para uso por pessoas com autismo. levando a psicóloga a utilizar instrumentos normatizados para a população norte-americana. b) Aparentemente.a) Não foram identificados instrumentos para estimar habilidades cognitivas não-verbais e de funcionamento adaptativo/mal-adaptativo normatizados para a população brasileira. os resultados das avaliações não podem ser considerados tecnicamente válidos. os dados coletados nas entrevistas e nos questionários foram confrontados com as informações obtidas quando do aprofundamento do referencial teórico. À luz das avaliações psicológicas.

seguida pela linha do Coelho Sabido. os questionários indicaram que a utilização de softwares com jovens autistas ainda parece ser incipiente e. Livros Virtuais no PowerPoint e o Teclado Comfy. software Minha Lista de Palavras foi o que apresentou avaliação mais singela. A tabela 1 relaciona os softwares e recursos que foram citados. com 8 citações [16. representando 84. os softwares que obtiveram melhores avaliações foram o Dr. os benefícios advindos da utilização desses softwares não foram validados cientificamente. com 17 citações [34.5% da amostra. 15.2 ANÁLISE DOS RESULTADOS Recebemos um total de 58 QAS e QASI.7%].5% do total da amostra. a família Dally Doo foi a mais representativa.3. Outros 9 QASI.3%]. No entanto. Considerando a amostra pesquisada. sendo que 49 estavam preenchidos corretamente e foram considerados na pesquisa. respectivamente. Dos 23 softwares relacionados. Seuss. TABELA 1 Softwares citados no Questionário de Avaliação de Softwares Fornecedor / Fabricante Divertire Software Coelho Sabido Maternal Coelho Sabido Jardim Coelho Sabido Pré-Escolar Coelho Sabido 1ª Série Disney Maternal Disney Jardim Disney Pré Disney 1ª Série Teclado Comfy Dally Doo Formas Dally Doo Números Citações 5 1 1 1 2 2 2 1 2 6 4 O Positivo Informática CD Express Editora . até onde pudemos descobrir. não foram considerados por falta de identificação do produto avaliado e outros erros de preenchimento.

também. Trata-se de softwares com interfaces gráficas atraentes e bem acabadas. Essas estratégias para abordagem dos alunos nos remetem aos conceitos de Claparède e às técnicas comportamentalista por trabalhar na indução de comportamentos ao levar a criança a dar respostas esperadas em função de estímulos fornecidos. auxiliando. assim como aqueles produzidos pela Anasoft e RCT.9% da amostra. Seuss. músicas e animações. Todas as 8 pessoas que preencheram os questionários de avaliação incial [QAIP e QAIE]. a existência de qualquer software destinado desconhecer . esses softwares foram projetados para utilização por crianças com desenvolvimento típico. informaram 6 parentes das crianças com autismo e 2 diretores da escola. Aparentemente. o exercício da coordenação motora. intelectuais.Anasoft RCT Software The Learning Company Núcleo de Computação Eletrônica . parece voltada para o entretenimento e o desenvolvimento de habilidades acadêmicas e cognitivas básicas. nem consideram suas necessidades. Incluem-se nessa categoria os softwares da série Coelho Sabido. que encorajam a participação das crianças através de ambientes lúdicos. Dally Doo. uma vez que não adotam estratégias diferenciadas que pudessem favorecer o pleno desenvolvimento das potencialidades das crianças. interesses e características individuais. como personagens infantis.UFRJ Livros virtuais no PowerPoint Joguinhos diversos Dally Doo Cores Dally Doo Animais Dally Doo Alfabeto 100 Mistérios 101 Exercícios 102 Atividades 103 Descobertas Minha Lista de Palavras Dr. Disney e Dr. Seuss DosVox 3 2 2 3 3 2 1 2 1 1 1 1 A grande maioria dos softwares listados. representando 93. sensoriais ou múltiplos. sem compromentimentos físicos.

por exemplo. se a missão original do Dosvox já não é das mais fáceis. Embora a avaliação do Dosvox no QASI tenha sido apenas mediana. O Dosvox é um software concebido para que pessoas com deficiência visual possam utilizar o computador. Os outros 3 softwares citados. o Teclado Comfy e os Livros Virtuais no PowerPoint. . psicológico ou cerebral. devemos considerar que. para aplicação na educação. tornando-o digno de nota. sua avaliação foi realizada do ponto de vista de uma pessoa acometida por múltiplas deficiências: autismo e limitação visual total ou muito severa. Na verdade se trata de um pacote constituído por um hardware na forma de um telefone com teclas funcionais e softwares que interagem com esse telefone. no caso desta pesquisa ela se torna ainda mais árdua.especificamente para pessoas com necessidades especiais no Brasil. dispositivos portáteis para sintetização de voz usados para substituir ou complementar a fala de pessoas com comprometimento motor. certamente. também consiste de um produto diferenciado dos demais. Mesmo não sendo dirigido especificamente para o público com déficits cognitivos. Segundo as avaliações dos parentes e informações do fabricante. apresentam abordagens diferenciadas que podem proporcionar ganhos adicionais. o Dosvox. diretos ou indiretos. possibilitando promover o desenvolvimento de áreas como comunicação e convivência melhor do que os demais. capaz de propiciar algum desenvolvimento. o Teclado Comfy parece oferecer uma abordagem bastante estimulante para o aluno. Assim. no entanto. o Teclado Comfy. como. Mesmo nessas condições ele foi. segundo o QASI. O mesmo desconhecimento se extende para outros recursos de alta tecnologia. com duas citações nos QASI.

Além disso. . voltado para autoria. de forma a promover ajustes finos adequados ao perfil e estágio de desenvolvimento que o aluno se encontra e que se deseja que ele chegue. Em contrapartida. interesses e necessidades da criança. não sendo possível analisar e interpretar as dificuldades enfrentadas e os progressos obtidos pelo aluno. podem ser facilmente percebidas algumas carências na adequação dos softwares pesquisados para uso ideal por pessoas autistas: 1) Eles não dispõem de configurações para as necessidades. pois. não sendo possível refletir o estilo cognitivo próprio de cada indivíduo. incorre em limitações de possibilidades. para ser atraente e divrsificado pode requerer do professor ou parente alguma habilidade adicionail no uso do computador.Um terceiro caso de abordagem destaque são os Livros Virtuais no PowerPoint. provavelmente pelos próprios professores e parentes através do PowerPoint. nem incorporam recursos de acessibilidade. da linguagem da máquina. distante. Sem dúvidas essa é uma estratégia que pode propiciar fácil personalização. como pessoas com autismo normalmente requerem. muito embora não tenhamos tido a oportunidade de conhecer a estrutura das atividades construídas. interesses e características cognitivas individuais. planejamento das atividades e flexibilidade para adequar a instrução aos progressos. visto não oferecer comandos para controlar totalmente o computador e seus periféricos. 2) Esses softwares não colecionam os dados referentes à utilização pelo aluno. Segundo as avaliações através dos QAS e QASI. por se tratar de software de alto nível.

representado poelos personagens. c) Interesse pelo aspecto lúdico dos softwares. As trocas sociais entre os pares não são . os softwares pesquisados se traduzirão em benefícios maiores para autistas de bom funcionamento. Conceitualmente. b) Aumento na atenção e na concentração. músicas e animações. os questionários preenchidos pelos parentes se referiram ao computador como um reforçador positivo para a execução das atividades. psicólogos.3) Exceto os Livros Virtuais no PowerPoint. d) Suporte nas áreas verbal. inclusive estimulando aquelas realizadas fora do ambiente computacional. vídeos e outros recursos que representem o interesse do aluno. todos os outros apresentam estruturas fechadas. estimuladas. músicas. apenas ocorrerão entre o aluno e seus educadores e parentes. mesmo utilizando softwares concebidos para crianças com desenvolvimento típico. mesmo assim se as atividades forem acompanhadas de perto por eles. não permitindo a inserção de figuras. Invariavelmente. mas serão insuficientes para suprir as necessidades dos autistas mais comprometidos. como as defendidas por Vygotsky. Foram relatados pelos parentes diversos benefícios com o uso do computador. Apesar das inadequações ao sujeito levantadas. também as trocas sociais. Como os softwares pesquisados estão orientados para uso individual. pedagogos e familiares pareceram considerar bastante satisfatório os benefícios proporcionados com a introdução de softwares para uso por crianças autistas nas escolas e nos lares. principalmente: a) Diminuição da resistência para o aprendizado. visual e motora.

onde o orientador realiza a assistência juntamente com a instrução ao aluno. mas também constitui um entrave para utilização do computador. pedagogia e informática que se conectam no sentido de formar um conjunto atraente e harmonioso para as crianças. vários conceitos de diversas correntes de pensamentos da psicologia. Hoje ele manuseia o mouse adequadamente.e) Aumento na capacidade de memorização. 4 CONCLUSÕES Percebemos nos softwares avaliados. realizando. mesmo que de forma indireta ou não intencional. levando a mão do aluno com o mouse para mostrar-lhe o início do movimento. principalmente na fase inicial de uso. inclusive aquelas com autismo. formas e figuras espaciais. produziu resultados satisfatórios em alguns casos. O caso do ALUNO4 é bem representativo sobre o interesse que o computador pode despertar nas crianças. Através dos questionários preenchidos pelos parentes também se conclui que a utilização do mouse beneficia a coordenação motora dos alunos. A técnica de direcionamento. trata-se de uma criança de 11 anos que. . sozinho. “parece precisar de cuidados por parte de outros para funcionar adequadamente em atividades diárias o tanto quanto crianças na faixaetária de 1 ano e 11 meses”. Segundo a avaliação psicológica. Sua família não deixava que ele utilizasse o computador com receio dele provocar danos ao equipamento. atividades como separar ou combinar figuras. f) Identificação e estabelecimento de relação entre pares.

funções estas necessárias para a comunicação e convivência social. indo muito além dos treinos da coordenação motora e da função do entretenimento. Certamente. Essas crianças. b) o uso intensivo dos recursos multimídia. o lúdico de Claparède está por toda parte. gerarão interesse e progressos no desenvolvimento de habilidades motoras e cognitivas. motivam. que vivem ancoradas no particular. é possível verificarmos. d) a necessidade de interagir com a máquina. que provoquem motivação. divertem e ensinam. através das interfaces bem elaboradas dos jogos e brincadeiras que despertam o interesse. conforme defendido por Piaget. estampados na mudança de níveis ou na conquista de brindes virtuais nos jogos. que pensam e falam de forma atípica e têm dificuldades em dar significado às percepções e relações com o meio social e cultural.Assim. c) a oferta de atividades e situações desafiadoras que representam exercícios para o cérebro. como as definições de Premak e Woodruff (1978) para a Teoria da Mente. softwares que disponham desses requisitos. aparentemente se sentem confortáveis diante da estrutura . interpretações simbólicas e previsibilidade das ações dos personagens. a) os estímulos e reforços defendidos pelo behaviorismo de Skinner (1938). proporcionando mais engajamento e efetividade. estimulando a formação de atitudes. conforme os estudos de modelos citados por Goldsmith e LeBlanc (2004) nas recomendações da ergonomia de software.

os softwares que já usamos bastam? A resposta é simples e direta: não. a preserva o computador e aumenta a sua concentração nas atividades. de adequar as instruções ao seu modo de aprender. nas configurações e processos desses softwares para ajustá-los ao plano de ação que conduzirá a mudança do comportamento da criança autista? Como esses softwares estão posicionados diante da importância da interação social adulto/criança proposta por Vygotsky? O espaço para mediação do professor e colegas para estimular a ZDP dos alunos com . enfim. que embora destrua objetos. devem fazer sentido para o aluno. psicólogo ou parente interferir nos níveis de dificuldade. O software somente representará um instrumento eficiente de apoio à educação se for capaz de auxiliar os profissionais a compreender as particularidades de cada aluno. os softwares destinados à educação. Além de entreter.rígida e organizada proporcionada pelos computadores. faltam muitas coisas. têm a obrigação de fazer sentido para a sua vida. nos esquemas temáticos. Aliás. própria permissão para usar o computador. Ressalta-se que não foi necessário nenhum software especial para estimulá-los a usar o computador. Então. Mais do que isso. muitas vezes. principalmente de pessoas com necessidades especiais. acaba por se constituir como outro reforçador. de ajudá-lo na construção de repertórios sociais funcionais. que “funciona em níveis significativamente inferiores”. Não nos esqueçamos do relato sobre a criança autista hiperativa. Onde está a visão do planejamento pressuposto pela educação nesses softwares? E a possibilidade do educador. de forma a desvendar suas reais possibilidades de desenvolvimento.

Podemos ir além do óbvio. percebemos que existem muitos conceitos provados cientificamente que poderiam ser introduzidos nos softwares para favorecer o desenvolvimento cognitivo e propiciar melhoria na qualidade de vida das pessoas com autismo. inclusive para pessoas com diagnósticos mais desfavoráveis. os problemas e os processos cognitivos do sujeito como requisito inicial para modelagem desses produtos. Precisamos explorar os recursos oferecidos pelos computadores de forma intensa. para chegar ao computador que seja parceiro das nossas crianças.autismo nos parece muito curto. extrair todo o potencial de ajuda que ele tem a nos oferecer. mas que também represente um instrumento . Também não há nos softwares avaliados nenhum tipo de recurso para coleta e armazenamento de dados individualizados. Como estimular a autonomia através de relações cooperativas como Piaget gostaria utilizando essas ferramentas? As interfaces dos softwares citados nesta pesquisa não parecem terem sido concebidas sob o ponto de vista das metas e objetivos dos usuários. desejadas para a ABA. Abordagens com esses cuidados. Os projetos desses softwares não consideraram os atributos particulares. da atração pelo entretenimento. que representem a utilização dos softwares pelo aluno e sirvam como subsídio à avaliação da aprendizagem. apoiando a orientação das ações pedagógicas. muitas vezes repetitivo como uma nova obsessão. poderiam beneficiar estratégias de individualização. De acordo com o que foi abordado neste estudo e considerando o atual estado da arte das tecnologias. conforme recomenda a ergonomia cognitiva. abrindo novas e poderosas possibilidades de trabalho. que considerassem pessoas com necessidades especiais.

consequentemente. . revelando novos horizontes para as famílias.tecnológico a serviço da educação. colaborando com o trabalho de terapeutas e professores e.

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