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#COMOFAZ: Cobertura Colaborativa Para a Web do 3º Festival de Teatro Independente de Santa Maria, de Andressa Quadro
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL – HABILITAÇÃO JORNALISMO

ANDRESSA QUADRO

#COMOFAZ: COBERTURA COLABORATIVA PARA A WEB DO 3º FESTIVAL DE TEATRO INDEPENDENTE DE SANTA MARIA

Santa Maria 2010

ANDRESSA QUADRO

#COMOFAZ: COBERTURA COLABORATIVA PARA A WEB DO 3º FESTIVAL DE TEATRO INDEPENDENTE DE SANTA MARIA

Trabalho de Conclusão de Curso Para a obtenção do grau de Bacharel em Jornalismo Universidade Federal de Santa Maria Centro de Ciências Sociais e Humanas Comunicação Social, habilitação Jornalismo

Orientadora: Luciana Mielniczuk

Santa Maria 2010

ANDRESSA QUADRO

#COMOFAZ: COBERTURA COLABORATIVA PARA A WEB DO 3º FESTIVAL DE TEATRO INDEPENDENTE DE SANTA MARIA Trabalho de Conclusão de Curso como requisito para obtenção de grau de Bacharel em Jornalismo Universidade Federal de Santa Maria Centro de Ciências Sociais e Humanas Curso de Comunicação Social habilitação Jornalismo A Comissão Examinadora, abaixo assinada, aprova o Trabalho de Conclusão de Curso

_____________________________________ Profª. Drª Luciana Mielniczuk (Presidente/Orientador) _____________________________________ Profª. Stefanie Carlan da Silveira Mestre em Comunicação e Informação (UFRGS). _____________________________________ Silvana Dalmaso Mestranda em Comunicação Midiática (UFSM) _____________________________________ Maurício Dias Souza Mestrando em Comunicação Midiática (UFSM) Santa Maria, 9 de dezembro de 2010

AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente aos meus pais por terem me dado a oportunidade de estudar e de chegar até aqui, sempre me apoiando. Aos meus quatro irmãos por sempre torcerem por mim e por fazerem eu me sentir segura em seguir adiante na profissão de jornalista. Ao meu namorado Amarello Rodrigues por ter me feito acreditar que chegaria até aqui e por me apoiar durante toda a graduação. Aos meus amigos “emprestados” do Desenho Industrial que despertaram em mim o gosto pela prática. À minha amiga e companheira Bianca Villanova, que me proporcionou diversos momentos de reflexão sobre este projeto, por me fazer perceber que para tudo existe um lado bom e pela paciência em momentos de pura aflição. Aos meus amigos do Macondo Coletivo, sem eles esse projeto com certeza não existiria. Agradeço por me darem a oportunidade de descobrir os caminhos que quero seguir daqui para adiante. Aos meus amigos e colegas de faculdade pelo apoio, amizade e troca de conhecimentos. À minha professora e orientadora Luciana Mielniczuk, por acreditar neste projeto e me dar todo o apoio necessário para que chegasse até o fim.

“Abram as portas das suas casas e deixem os ladrões entrarem. Eles vão tentar levar tudo que puderem” Fernando Catatau (Cidadão Instigado)

RESUMO Variedade de olhares sobre um acontecimento, essa é a proposta de uma cobertura colaborativa. Este projeto realiza o planejamento de um trabalho coletivo com a intenção de cobrir o 3º Festival de Teatro Independente de Santa Maria (FETISM), que aconteceu de 10 a 19 de junho de 2010. Além de caracterizar uma cobertura colaborativa, o trabalho apresenta todas as etapas que envolvem o planejamento, a produção e a avaliação para desenvolver a cobertura do 3º FETISM, através do blog fetism.blogspot.com. Além da execução da cobertura coletiva, resulta desta experiência, o manual #comofaz cobertura colaborativa (disponível em andressaquadro.wordpress.com), que tem o objetivo de auxiliar interessados em realizar essa prática, apresentando sugestões de planejamento, organização de funções e também ferramentas midiáticas úteis à veiculação do trabalho na internet. PALAVRAS-CHAVE Cobertura colaborativa; Blogs; Inteligência coletiva; “Pro-Am”; Conteúdo gerado pelo usuário (UCG).

ABSTRACT A variety of looks on an event, this is the purpose of a collaborative coverage.This project make the planning of a collective work with the intention of cover the Festival de Teatro Independente de Santa Maria (FETISM), held on 10 – 19 june 2010. Beyond characterize a collaborative coverage, the project presents all of steps that involve the planning, production and evaluation to develop the coverage of 3º Fetism, by the blog fetism.blogspot.com. The result of this experience is the manual #comofaz cobertura colaborativa (available on andressaquadro.wordpress.com), which have the purpose of help the interested in perform this practice, presenting planning suggestions, organization of functions and tools and media platforms useful for reproduce the work in the web. KEY WORDS Collaborative coverage; Blogs; Collective intelligence; “Pro-Am”; Usergenerated content (UCG)

SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ....................................................................................................9 1. COBERTURA COLABORATIVA ...............................................................11 1.1 O usuário como produtor de conteúdo ...............................................11 1.2 Cobertura................................................................................................15 1.2.1 Apuração ...........................................................................................16 1.2.2 Independência...................................................................................17 1.2.3 Compromisso público........................................................................17 1.3 Exemplos de coberturas .......................................................................18 1.4 Caracterização de cobertura colaborativa ..........................................23 2. PLANEJANDO UMA COBERTURA COLABORATIVA ............................28 2.1 Fase de pré-produção ...........................................................................30 2.2. Fase de produção .................................................................................38 2.3. Fase de avaliação .................................................................................41 3. AVALIAÇÃO DA COBERTURA COLABORATIVA DO 3º FETISM..........43 3.1 Entrevista com os colaboradores ........................................................44 3.2 Descrição e interpretação das categorias...........................................45 3.2.1 Pontos positivos ................................................................................45 3.3.3 Sugestões para suprir os problemas.................................................50 3.3.4 Execução das funções ......................................................................53 3.3.5 Utilização do #comofaz cobertura colaborativa.................................53 3.3.6 Blog ...................................................................................................54 3.3.7. Observações gerais sobre os dados................................................56 CONSIDERAÇÕES FINAIS ..............................................................................59 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.................................................................61

9

INTRODUÇÃO
A motivação para fazer este projeto experimental decorre da preocupação em organizar a prática de coberturas colaborativas e de compreender o contexto em que se insere o trabalho coletivo veiculado através da internet. As redes de colaboração que se instalam no ciberespaço refletem as transformações que ocorrem em ritmo cada vez mais acelerado da relação entre o usuário e as tecnologias. Enxergar nessas mudanças possibilidades de trabalho coletivo, unir o amadorismo ao profissionalismo da produção de informações e ocupar a internet para expressar tudo isso é o que se pretende em uma cobertura colaborativa. O objetivo principal deste projeto experimental é desenvolver o planejamento e a execução da cobertura colaborativa para a web do 3º Festival de Teatro Independente de Santa Maria (FETISM), realizado de 10 a 19 de junho de 2010, utilizando o blog www.fetism.blogspot.com para veicular o material produzido durante os dias do festival. Como objetivos específicos, relacionados ao planejamento, o projeto possui: a) o desenvolvimento e divulgação na web do formulário de cadastramento dos voluntários a fim de reunir informações importantes a respeito das áreas de interesse dos interessados em participar da cobertura, b) a criação do blog www.fetism.blogspot.com, c) a concepção de um manual para coberturas colaborativas disponibilizando-o na internet. Além disso, é realizada uma avaliação dos processos de planejamento, da aplicação das etapas do planejamento e da cobertura executada a fim de efetuar ajustes no manual. O interesse em desenvolver este projeto experimental surgiu da participação como colaboradora em coberturas colaborativas, onde foram observados alguns aspectos que poderiam ser modificados, agregados e melhorados. Os principais deles foram a padronização das publicações, a superficialidade de algumas informações contidas em textos, o despreparo dos colaboradores ao executar suas funções e o pouco aproveitamento das redes sociais e demais ferramentas disponibilizadas pela web. Uma das funções da cobertura colaborativa é servir como um canal de divulgação de acontecimentos de diversas áreas, uma delas são as ações

10 culturais. Então, por que não cobrir um evento cultural de Santa Maria que ainda não tivesse o respaldo merecido tanto pela mídia local quanto nacional? Por isso a opção pela cobertura do 3º Festival de Teatro Independente de Santa Maria. O Festival existe desde 2008 e, nas duas primeiras edições, possuía a característica principal de competição entre espetáculos que eram submetidos à avaliação de um júri formado por profissionais da área. Em 2010 o Festival se tornou um evento cujo maior intuito passou a ser o estímulo à circulação de grupos teatrais da cidade de Santa Maria e também do circuito nacional de companhias de teatro independente. A terceira edição do FETISM foi realizada pela Associação de Podutores Culturais Independentes Macondo Coletivo no Espaço Cultural Victório Faccin e no Theatro Treze de Maio. Além de ocupar esses dois teatros, o Macondo Coletivo também realizou dentro da programação do Festival a 1ª Mostra de Teatro de Rua de Santa Maria, que aconteceu na Praça Saldanha Marinho. Esse projeto experimental estrutura-se em três capítulos. No primeiro discorre-se acerca do termo cobertura colaborativa, do contexto em que o termo está inserido, da atuação do usuário como gerador de conteúdo, da ideia de inteligência coletiva, e de exemplos de coberturas jornalísticas e colaborativas. O segundo capítulo é voltado para os procedimentos metodológicos empregados no planejamento da cobertura colaborativa do 3º FETISM, são apresentadas as fases de pré-produção, produção e avaliação da cobertura, que são subdivididas em etapas. Já o terceiro capítulo é totalmente dedicado à avaliação da cobertura colaborativa. O manual #comofaz cobertura colaborativa está em anexo e no endereço andressaquadro.wordpress.com. Ao final é inferido que uma cobertura colaborativa é adaptável ao tipo de evento em que se aplica e pode ser desenvolvido tanto por amadores quanto por profissionais da área da comunicação. Este tipo de prática não compete de forma alguma com a prática do jornalismo, pelo contrário, ambas podem coexistir harmoniosamente, pois se propõe a diferentes propostas informativas.

11

1.

COBERTURA COLABORATIVA

Antes de discorrer sobre “cobertura colaborativa” faz-se necessário, em um primeiro momento, abordar o contexto em que o termo está inserido, a atuação do usuário como gerador de conteúdo (UCG1) e a inteligência coletiva, que diz respeito ao conhecimento gerado pelo equilíbrio entre a troca de experiências, ou cooperação, e o confronto de ideias. Não se pretende caracterizar a cobertura colaborativa como jornalismo nem disputar espaço com ele, mas sim usá-lo como referência. Por isso abordar aqui a prática da cobertura jornalística é igualmente relevante para a contextualização do que se entende por cobertura colaborativa. Permeando esses elementos estão alguns preceitos da cauda longa, da convergência de mídias e também elementos da prática jornalística. A seguir esses elementos e alguns exemplos são desdobrados em três tópicos que tratam do usuário como produtor de conteúdo, de cobertura jornalística e da caracterização de cobertura colaborativa.

1.1 O usuário como produtor de conteúdo
Os usuários cada vez mais se utilizam da internet para distribuir a sua produção sobre assuntos que estão em pauta, divulgar ações e buscar informações em meios alternativos de comunicação. Têm a possibilidade de encontrar diferentes pontos de vista e formar assim sua própria visão e entendimento sobre um determinado tema. Além da facilidade de acesso à informação mais completa e plural, cresce o acesso dos usuários à tecnologia. Celulares, câmeras de fotografia digital, aparelhos de mp3 e notebooks, por exemplo, são produtos que as pessoas adquirem para o uso pessoal e que podem se tornar instrumentos de produção de conteúdo. Ou seja, qualquer pessoa pode gravar, fotografar e divulgar via email, Twitter, blog, Youtube, Flickr, e demais ferramentas
1

User-generated content

12 midiáticas, o que quiser e da maneira que lhe interessar. À eclosão desse fenômeno, Francisco Vacas (2010, p. 48) denomina UCG, ou Conteúdo Gerado pelo Usuário, e diz que esses conteúdos ainda que não possam ser classificados segundo os critérios tradicionais dos meios (séries, filmes, jornais, etc) compartilham de algumas características que os diferenciam da produção mainstream, como o lugar de publicação, a existência de um trabalho criativo e sua não procedência do circuito profissional. Sobre a primeira característica citada, o autor diz:
Todos podemos criar um conteúdo, o que não implica necessariamente que ele seja publicado em algum lugar. Porém, um conteúdo produzido por um usuário passa a ser realmente UCG, quando os demais podem acessá-lo (publicamente), o que em teoria implica em uma vontade explícita de seu criador. 2 (VACAS, 2010, p. 48)

A

existência

de

um

trabalho

criativo,

segunda

característica

apresentada por Vacas (2010, p.49), trata de diferenciar aqueles conteúdos encontrados na rede que simplesmente são espelhos de outros, daqueles que possuem um valor agregado como, por exemplo, um vídeo baixado pelo usuário no seu formato original e que, ao reeditá-lo, agrega algo que antes não existia no vídeo, elaborando assim um novo produto. Já a terceira característica de UCG considerada por Vacas (2010, p.50), a origem não profissional da produção, diz respeito ao conteúdo gerado tanto por usuários esporádicos com limitados conhecimentos técnicos, quanto por profissionais do setor que utilizam as plataformas web 2.0 para publicar material não comercial. A partir desta última característica o autor infere que os parâmetros de qualidade e das ferramentas usadas, já dizem pouco ou nada na hora de diferenciar os conteúdos provenientes da indústria tradicional daqueles que provêm de UCG. Um exemplo que agrega essas três características é o blog Trezentos, trezentos.blog.br (Figura 1), que funciona de maneira colaborativa, onde 170
2

usuários

contribuem

produzindo

e

postando

conteúdos

Todos podemos crear un contenido lo que no implica necesariamente que aquel se publique en algun sitio. Por lo tanto, un contenido producido por un usuário pasa a convertirse realmente en UCG, cuando los demás pueden acceder (públicamente) a él, lo que en teoria implica una voluntad explícita de su creador. (vacas, 2010, p. 48)

13 espontaneamente. Na aba “Autores” (número 1, Figuras 1 e 2) pode-se encontrar o perfil de cada colaborador, links de seus blogs pessoais (número 1, Figura 3) e links de suas produções individuais veiculadas no blog Trezentos com a denominação “artigo” (número 2, Figura 3).

Figura 1 – Página principal do blog Trezentos. Em verde, o número 1 identifica a aba
Autores.

Figura 2 – Imagem aumentada que evidencia a localização da aba autores no blog
Trezentos

14

Figura 3 – Página da aba Autores do blog Trezentos. O número 1, em verde, identifica os
links dos blogs pessoais, e o número 2, em laranja, identifica as publicações (artigos) dos autores no blog Trezentos.

A partir desse exemplo verifica-se a maneira como os usuários podem se organizar na rede, unindo variados perfis individuais e desenvolvendo conhecimento tanto para si mesmos quanto para quem tem acesso ao que produzem. O que, de acordo com Lemos e Levy (2010, p.11) se caracteriza como computação social, ação de construir e compartilhar de maneira colaborativa as memórias numéricas coletivas em escala mundial, dizem:
“(...) as distinções de status entre produtores, consumidores, críticos, editores e gestores da midiateca se apagam em proveito de uma série contínua de intervenções onde cada um pode desempenhar o papel que desejar. (...) Na era da computação social, os conteúdos são criados e organizados pelos próprios organizadores”. (LEMOS E LEVY, 2010, p.11)

No blog Trezentos os autores escrevem sobre assuntos relacionados à cultura, política, economia, comunicação, etc, e que estão em voga na sociedade. O fazem através de textos dos mais variados gêneros (como, por exemplo, opinativos, interpretativos, informativos e literários). Neste espaço os autores discorrem sobre temas que dominam (um economista falando sobre a situação econômica brasileira atual, por exemplo), permitindo que os leitores tenham acesso à opinião de um especialista. O blog Trezentos é também um ambiente onde este mesmo especialista pode

15 discorrer a respeito de assuntos sobre os quais não tenha domínio, mas que deseja divulgar ou simplesmente emitir opinião a respeito (um economista escrevendo um texto a respeito de um filme que assistiu no cinema, por exemplo). Esta inferência vai ao encontro das constatações acerca de inteligência coletiva feitas por Pierre Levy:

A inteligência coletiva visa menos ao domínio de si por intermédio das comunidades humanas que a um abandono essencial que diz respeito à ideia de identidade, aos mecanismos de dominação e de desencadeamento dos conflitos, ao desbloqueio de uma comunicação confiscada, a voltar a trocar entre si pensamentos isolados. (LEVY, 2007, p.17)

É possível deduzir ainda que a geração de conhecimento, permitida pela inteligência coletiva, também se dá, além da cooperação ou da troca de pensamentos isolados, através do confronto de idéias. Em seguida são abordados exemplos de coberturas, tanto jornalísticas, quanto desenvolvidas por usuários. O que se pretende nesse momento do projeto é mostrar de uma maneira geral como se estrutura em sites de notícias e blogs colaborativos a veiculação de conteúdos originários de acontecimentos caracterizados por Muniz Sodré (2009, p. 72) como “notícias previstas, aquelas que nos permitem um conhecimento antecipado, anunciado com antecedência”. O acontecimento de caráter previsto apresentado a seguir como exemplo é a cobertura das eleições de 2010.

1.2 Cobertura
O manual da Folha Online define cobertura como “trabalho de coleta de informações realizado no próprio local dos acontecimentos. Refere-se também ao trabalho de acompanhamento de um fato ou assunto pelo jornal” 3. Pode-se aferir que a “cobertura jornalística” se refere ao espaço e à atenção dados a um determinado acontecimento por parte da imprensa, utilizando como ferramenta
3

http://www1.folha.uol.com.br/folha/circulo/manual_producao_c.htm

16 a produção da reportagem e ou notícia para mostrá-lo e veiculá-lo em mídia impressa, rádio, web, TV, etc. Em coberturas de acontecimentos gerados por notícias previstas, notam-se algumas característica bastante evidentes, como a presença de um planejamento de cobertura e o cumprimento de alguns princípios jornalísticos, com a apuração, a independência e o compromisso público.

1.2.1 Apuração Para Kovach e Rosenstiel (2005), a disciplina da verificação é o que separa o jornalismo de outras formas de comunicação. O jornalismo, portanto, não pode se resumir à coerência das declarações das fontes, ainda que deva fugir de incoerências. Sua obrigação é checar se as declarações correspondem aos fatos, isto é, se são verdadeiras. Sobre o ato de apurar e suas implicações, Nilson Lage, diz:
Poucas matérias jornalísticas originam-se integralmente da observação direta. A maioria contém informações fornecidas por instituições ou personagens que testemunham ou participam de eventos de interesse público. São o que se chama de fontes. É tarefa comum dos repórteres selecionar e questionar essas fontes, colher dados e depoimentos, situá-los em algum contexto e processá-los segundo técnicas jornalísticas. (LAGE, 2001, p.49)

Para Mendonça Jorge (2008), apurar é colher os fatos, juntar todos os dados disponíveis sobre o acontecimento e construir uma notícia. Afirma que cabe à pessoa designada a fazer isso, reportar aquilo que viu, ouviu, constatou, sentiu ou investigou, a dar a quem não estava presente, a ideia a mais fiel possível – do que aconteceu. Nilson Lage (2001) recomenda, como prática jornalística, que se ouça mais de uma fonte para que o material adquira credibilidade, uma das premissas do discurso jornalístico. O cuidado com a apuração é uma das principais preocupações que se tem na realização de uma cobertura, pois é o que pode diferenciar um material confiável daquele em que tal característica não é verificada, podendo prejudicar o bom resultado do trabalho.

17

1.2.2 Independência Um dos fatores ligados à credibilidade é a independência. Segundo Kovach e Rosenstiel (2005), esta última significa uma maneira de ser jornalista sem negar a experiência pessoal, mas sem também se tornar refém dela. Em primeiro lugar, o jornalista deve ser independente do veículo para o qual trabalha, buscando sozinho enriquecer seu conhecimento sobre determinados assuntos que irá cobrir. Para dominar o assunto, o jornalista deve exercer uma "independência engajada" - algo que define o papel do jornalista como alguém dedicado a informar o público.

1.2.3 Compromisso público Para Kovach e Rosenstiel (2005), o jornalismo deve fornecer um fórum para a crítica pública e a conciliação, com a mínima interferência de discursos que fujam à verdade, aos fatos e à verificação. O desafio em um cenário de mídias sociais em que qualquer um tornou-se um emissor de informações pela rede é diferenciar o discurso jornalístico do discurso privado. Segundo os autores:
Pela primeira vez em nossa história, mais e mais as notícias são produzidas por empresas não jornalísticas (...). Existe o risco de que a informação independente seja substituída por um comercialismo egoísta fazendo pose de jornalismo. Se isso acontecer, perderemos a imprensa como instituição independente, livre para vigiar as outras poderosas forças e instituições existentes na sociedade. (KOVACH E ROSENSTIEL, 2005, p. 24)

Os colaboradores devem priorizar a transmissão de informações do que creem ser importante à população saber, independentemente de o conteúdo ser favorável ou não ao evento ou ao acontecimento. Devem priorizar também o planejamento, bastante considerado na construção do discurso jornalístico, ferramenta técnica que precisa ser

18 desenvolvida individualmente e em equipe. Ele propicia, segundo o Manual da redação do jornal Folha de São Paulo, “o domínio do tempo de trabalho e do material noticioso, evitando assim o improviso, a confusão, o erro e o mau acabamento da mercadoria-informação” (FOLHA, 2010, p.19). A fim de observar o panorama em que podem ser aplicados esses elementos e modos de organização jornalísticos, a seguir são observados dois exemplos, um de cobertura realizada por veículo tradicional de comunicação e outro por usuários de internet.

1.3 Exemplos de coberturas
As eleições de 2010 no Brasil receberam especial atenção de todos os meios de comunicação do país. Por se tratar de um acontecimento de interesse público e por afetar uma nação inteira em questões relacionadas à educação, emprego, cultura, política, saúde, meio-ambiente, economia, etc, as eleições ganharam destaque nas edições de telejornais, jornais, revistas, programas de rádio e internet, durante os meses de campanha eleitoral, no dia das votações e, posteriormente, com os resultados finais e as campanhas para o segundo turno. Na cobertura das eleições 2010 do site do Grupo RBS, clicrbs.com.br, foi programada uma página (Figura 3) dentro da página principal do portal que reúne todos os conteúdos produzidos sobre as eleições4. O ClicRBS se preocupou em identificar visualmente a página voltada às eleições 2010 criando um logotipo que remete à bandeira do Brasil e à urna eletrônica (número 1, Figura 3), criou divisões para elencar os assuntos com títulos que variam conforme a notícia, como se fossem seções dentro da seção especial “Eleições 2010” (número 2, Figura 3), além de seções fixas como o “Mapa do Poder” (número 3, Figura 3), onde um gráfico apresenta o número de candidatos eleitos por partido, um jogo interativo (número 4, Figura 3), o “Promessômetro” (número 5, Figura 3), onde o internauta pode obter conhecimento das promessas de cada candidato, um espaço que reúne os blogs dos jornalistas do ClicRBS que escrevem sobre política (número 6,
4

http://www.clicrbs.com.br/especial/rs/eleicoes-2010/home,0,6727,Home.html

19 Figura 3) - conforme eles escrevem em seus blogs, o portal atualiza as postagens colocando uma chamada na capa junto à foto de cada um dos jornalistas. Há também um espaço onde o leitor pode encontrar todas as notícias já veiculadas sobre as Eleições 2010 (número 7, Figura 3), que funciona como uma página de armazenamento a ser usado como fonte de pesquisa pelos leitores.

20

Figura 4 - Página especial sobre as Eleições 2010 do site clicrbs.com.br com as
numerações usadas para identificar os elementos que a compõem, explicados no texto.

21 A organização que se observa na página especial “Eleições 2010” do clicrbs.com é semelhante a sites de notícias que dão conta de vários assuntos divididos em seções ou editorias, a diferença é que nesse exemplo o site utiliza o mesmo esquema de divisão (ou organização) para abordar um único assunto. O funcionamento de um veículo tradicional, como é o caso do ClicRBS, segue uma linha editorial definida pela própria empresa, que demonstra a postura que os profissionais devem assumir ao cobrir determinado assunto, o que receberá maior destaque e como cada fato será noticiado – se será através de fotografia, de um vídeo, de um texto, de um infográfico ou de uma composição multimídia. Já em uma cobertura colaborativa, a linha editorial é flexível, muda de acordo com o evento e de acordo com os interesses de quem participa, podendo ter enquadramentos diferentes e até contraditórios. Um exemplo disso é a cobertura colaborativa das Eleições 2010 realizada pelo blog Trezentos, trezentos.blog.br, onde todos os colaboradores do blog e também o público em geral foram chamados à participar de “48 horas” de cobertura. A organização feita pelo blog permitiu que, durante os dias 2 e 3 de outubro, fossem realizados debates com a participação de diversas pessoas. Os diálogos formam transmitidos ao vivo durante os dois dias através de vídeo direto da sede do blog em São Paulo. Os debatedores se revezavam nas falas, cada um emitindo suas opiniões acerca de diversas questões de cunho social e específicas de cada candidato, e também transmitindo informações sobre o que acontecia em relação às eleições naqueles dois dias. Além disso, o blog abriu espaço para que o público participasse através de telefone ou chat debatendo igualmente com os colaboradores que apareciam no vídeo. Para acompanhar a transmissão bastava acessar através do post “48 HORAS DE DEMOCRACIA – Uma cobertura cidadã das eleições 2010” (Figura 5) a página onde se encontrava a transmissão (Figura 6). Nesta mesma página se encontrava o chat (Figura 6), onde o público poderia escrever comentários, perguntas e monitorar as discussões.

22

Figura 5 – Post “48 horas de democracia – uma cobertura cidadã das eleições 2010,
veiculado no blog trezentos.blog.br

Figura 6 – Página do blog Trezentos onde foi veiculada a transmissão ao vivo da mesa
de debates.

A partir desses exemplos pode-se inferir que o comprometimento com a apuração, a independência e o compromisso público é o que pode diferenciar uma informação independente daquela que apenas representa a visão da empresa enquanto instituição comercial ou da organização de um evento que receba uma cobertura colaborativa. Ambas as coberturas mencionadas correm o risco de transmitirem informações equivocadas se mal apuradas e também se o planejamento prévio não acontecer. Mas,

23 enquanto na primeira existem profissionais que se dedicam exclusivamente à prática da produção e transmissão de informações, na segunda qualquer pessoa, independentemente de sua ocupação profissional, pode fazê-la. E isso pode colocar a primeira em um patamar mais elevado em termos de credibilidade em relação à segunda.

1.4 Caracterização de cobertura colaborativa
Uma cobertura colaborativa não descarta a figura do jornalista. Ela pode ser realizada somente por jornalistas ou por pessoas de diversas áreas do conhecimento, o chamado, segundo Chris Anderson, “advento da era “Pro-Am”, época em que profissionais e amadores trabalham lado a lado” (ANDERSON, 2008, p.58). Ao tomar como base alguns conceitos do jornalismo, busca-se adaptá-los ao uso que será feito por parte de amadores a fim de auxiliar seu trabalho, mostrando os caminhos para se chegar a um resultado final de qualidade e que transmita credibilidade informativa. Além da característica de colaboração entre profissionais e amadores, uma cobertura colaborativa possui outras mais, que são apresentadas a seguir e que a diferenciam de uma cobertura convencional: a) É desenvolvida em coletivo, valorizando a diversidade de olhares em relação a um único evento e utilizando a internet para difundí-la. b) Os colaboradores têm livre arbítrio para produzirem materiais da sua preferência utilizando as ferramentas que dominam, mas têm também a possibilidade de trabalhar em equipe experimentando e aprendendo novas formas de trabalhar. O conhecimento individual quando somado aos demais conhecimentos permite que, em uma cobertura colaborativa, as informações sejam divulgadas de maneira variada. c) A autoria das produções é preservada. Os conteúdos são reflexo da carga de experiências e criatividade de quem os produz. E, ao desenvolver esse trabalho participativo, o colaborador pode utilizálo como aprendizado e também como um meio de divulgação na

24 internet de suas produções, acrescentando material ao portfólio profissional. Tais atividades talvez não fossem possíveis de serem realizadas em um meio tradicional de comunicação. d) Podem ser utilizados diferentes formatos de mídias como texto, fotografia, vídeo e áudio para transmitir a mesma informação. Elas podem ser desenvolvidas isoladamente (utilizar somente fotos para transmitir informações de um show, por exemplo) ou em convergência, definida por Henry Jenkins como “fluxo de conteúdos através de múltiplos suportes midiáticos” (JENKINS, 2008, p.27). Na cobertura colaborativa do Festival Macondo Circus 2009, macondocircus.com (Figura 7) todas essas características podem ser encontradas. A autoria das produções e as mídias utilizadas, por exemplo, aparecem interligadas. Observa-se na Figura 8 o nome do autor (número 5), as mídias texto (número 2), vídeo (número 3) em uma única postagem, que pode ser encontrada em qualquer uma das abas (texto, vídeo ou autores) elencadas na lateral (número 1), desde que citadas como tags no momento da postagem. Na Figura 8 também é possível observar a ferramenta Flickr (número 4), que funciona para o armazenamento de fotos que não aparecem nas postagens e, portanto, não são encontradas na aba fotos.

25

Figura 7 – Página do blog macondocircus.com/2009, que mostra a interligação
entre abas, vídeo, texto e autores.

Já na cobertura colaborativa do 11º Fórum Internacional de Software Livre, softwarelivre.org/fisl11/cobertura-colaborativa (Figura 8), foi utilizado o compartilhamento de produções via Twitter armazenados através da hashtag #fislcolab para veicular os materiais acerca do evento. O colaborador poderia seguir as instruções indicadas pela organização da cobertura (número 1, Figura 8) e linkar o seu próprio blog, onde estaria o conteúdo produzido sobre o Fórum, ou enviar o conteúdo diretamente ao email do site.

26

Figura 8 – Página softwarelivre.org/fisl11/cobertura-colaborativa, que mostra
postagem explicando como participar da cobertura colaborativa

Na Figura 9 aparece um exemplo de blog em que o autor produziu fotografia e texto sobre o Fórum e que foi linkado via Twitter através da hashtag #fislcolab.

Figura 9 – Postagem do blog colaborador bugiganga.digital.com, com texto e foto
sobre o 11º Fisl.

No último exemplo dado, pode-se observar como age o usuário em relação à convergência. Conforme relaciona Jenkins, é importante levar em

27 consideração “o comportamento migratório dos públicos dos meios de comunicação, que vão a quase qualquer parte em busca do que desejam” (JENKINS, 2008, p.27). Por isso, ao divulgar o evento e consequentemente fazer as produções das coberturas colaborativas chegarem até o público, é essencial criar estratégias de divulgação que despertem o interesse das pessoas em acompanhar a cobertura e também atuar como colaboradores, usando, principalmente, as redes sociais como Facebook, Orkut e Twitter, além das versões Beta desenvolvidas com softwares livres. A divulgação pode ocorrer previamente ao evento e durante os dias em que ocorre acompanhando o ritmo das atividades e prendendo constantemente a atenção do público sobre o que se quer mostrar. Por isso há a necessidade de publicar as produções quase em tempo real e quando possível, realizar transmissões ao vivo. Com o intuito de fomentar a circulação de informações de maneira descentralizada, em uma cobertura colaborativa os participantes compartilham o que veem e o que fazem com o caráter de inteligência coletiva que, segundo Jenkins (2008, p. 28), pode ser vista como uma fonte alternativa do poder midiático explorando o mercado de nichos, conceituado por Chris Anderson como Cauda Longa. Para Anderson (2006, p. 5) a era do tamanho único está chegando ao fim, ou seja, apesar de ainda existir demanda para a cultura de massa esse já não é mais o único mercado, e em seu lugar está surgindo algo novo, o mercado de variedades. E, como traz à tona, Vacas:
A credibilidade dos meios convencionais, e portanto seu poder para se converter em referentes sociais, está mais questionada que nunca diante da evidência de milhões de pequenos produtores/editores cujo poder de influência e acesso direto à informação e ao conhecimento começa a se equiparar ao dos 5 antigos grandes meios. (VACAS, 2010, p. 53)

A internet oferece espaço para a produção e o consumo de novos modelos de produtos midiáticos e é nesse espaço em que a cobertura
5

La credibilidad de los medios convencionales, y por lo tanto su poder para convertirse en referentes sociales, está más cuestionada que nunca ante la evidencia de miles de pequeños productores/editores cuyo poder de influencia y acceso directo a la información y el conocimiento comienza a equiparse al de los antiguos grandes medios.

28 colaborativa se insere. Ela não tem a pretensão de competir com o jornalismo, ambos podem conviver de maneira paralela, pois se propõe a diferentes formas de transmissão de informações. Em uma cobertura colaborativa, a linha editorial é flexível, muda de acordo com o evento e de acordo com os interesses de quem dela participa. Em um veículo tradicional de comunicação as pessoas são contratadas para exercer uma função necessária à empresa para cobrir um determinado evento ou acontecimento, já em uma cobertura colaborativa são os participantes que ajudam a moldar a maneira e a definir através de quais mídias o evento será coberto. Esta última constatação é inerente à premissa de que os consumidores de informações via internet estão deixando de atuar somente na condição de destinatários passivos da produção de conteúdos e até mesmo das tecnologias, reivindicando um espaço na construção das novas formas de expressão.

2.

PLANEJANDO UMA COBERTURA

COLABORATIVA
Os objetivos principais deste projeto experimental foram os de planejar e executar a cobertura colaborativa para a web do 3º Festival de Teatro Independente de Santa Maria utilizando o blog fetism.blogspot.com para veicular o material produzido durante os dias do festival. Depois de observado o funcionamento de outras coberturas colaborativas pela rede, foi realizado o detalhamento de cada fase de elaboração da cobertura a fim de se criar estratégias de organização que se assemelhassem ao funcionamento de uma redação de jornal, mas que fossem flexíveis em relação ao perfil dos colaboradores e abertas a adaptações demandadas pelo tipo de evento que estaria sendo coberto. Ou seja, as fases e as etapas aqui especificadas foram criadas e cumpridas para um festival de teatro, mas poderiam ter sido feitas de maneira diferente e as pessoas que

29 se cadastraram poderiam possuir um perfil distinto, se a cobertura fosse de um congresso de economia, por exemplo. Faz parte das estratégias de organização da cobertura colaborativa do º 3 FETISM, a maneira como este projeto experimental foi desenvolvido. Ocorreu em três fases: pré-produção, produção (ou execução) e avaliação. Todas foram organizadas e realizadas separadamente, mas indispensáveis para que as outras duas se concretizassem. Durante a pré–produção ocorreu a aproximação com as particularidades que dizem respeito ao teatro, o conhecimento tanto da história quanto da proposta do FETISM e a definição de questões importantes para a execução do projeto, como planejamento estrutural e técnico. Nessa fase, foram elaborados importantes materiais que seriam peças-chave para a execução da cobertura colaborativa: o cadastro dos colaboradores e o desenvolvimento do blog e do #comofaz cobertura colaborativa. A partir da organização prévia é que a cobertura se efetivou e, durante a sua produção, é que a proposta e o planejamento deste projeto foram experimentados. Na segunda fase, a da produção, fotos, programas de rádio, textos e vídeos, produzidos pelos vinte e quatro participantes da cobertura colaborativa do 3º FETISM, foram elementos que deram sentido ao conceito de trabalho colaborativo e ao resultado final. Na avaliação, a pré-produção e a produção puderam ser vistas e analisadas pela autora deste projeto através de observações pessoais e de entrevistas com os participantes da cobertura colaborativa. Cada uma das três fases sucedeu-se em etapas (Tabela 1) que marcam a evolução do trabalho tanto prático quanto teórico. Essa divisão permite observar mais diretamente as partes que compõe o projeto como um todo e também entender como e porque cada passo foi dado.

Tabela 1 – Planejamento dividido em fases e etapas
1ª etapa - Participação em reuniões semanais da organização do 3º FETISM

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1ª etapa - Participação em reuniões semanais da organização do 3º FETISM 2ª etapa - Cadastramento e divulgação da cobertura 3ª etapa - Reuniões presenciais e escala de trabalho/funções 4ª etapa - Desenvolvimento do blog 5ª etapa – Elaboração do #comofaz cobertura colaborativa 1ª etapa – Espaço Cultural Victório Faccin

FASE DE PRÉPRODUÇÃO

PLANEJAMENTO

FASE DE PRODUÇÃO

2ª etapa - Praça Saldanha Marinho 3ª etapa - Theatro Treze de Maio 1ª etapa - Elaboração do roteiro da entrevista 2ª etapa – Realização das entrevistas 3ª etapa – Divisão das unidades e categorização de avaliação 4ª etapa – Tratamento dos dados e das informações

FASE DE AVALIAÇÃO

2.1 Fase de pré-produção
O planejamento do projeto começou em abril de 2010 com a escolha do 3º FETISM como o evento cultural onde se realizaria a cobertura colaborativa e seguiu até o início do festival em 10 de junho. Nessa fase se conheceu a fundo a história do Festival, seus objetivos no cenário cultural e independente, no que diz respeito à Santa Maria e também ao Brasil, como funcionaria a dinâmica de trabalho da equipe organizadora além da disponibilidade técnica e de infraestrutura do evento. Durante a préprodução houve também a preocupação em se aproximar do “mundo” das

31 artes cênicas, ou seja, conhecer como acontece a preparação de uma peça de teatro em dia de espetáculo e também obter informações a respeito de cada grupo que se apresentaria no Festival. A partir dessas informações e entendimentos foram elaborados materiais importantes durante o planejamento, que seriam peças fundamentais para a execução da cobertura colaborativa: o cadastro dos colaboradores e o desenvolvimento do blog e do manual. 1ª etapa - Participação em reuniões semanais da organização do 3º FETISM Nos meses de abril e maio ocorreu a participação em reuniões semanais junto à organização do 3º FETISM a fim de acompanhar o processo de construção do Festival. A partir desse envolvimento inicial, começou-se a traçar o planejamento das estruturas físicas e técnicas necessárias para a cobertura. Tendo em vista que os espetáculos seriam apresentados em diferentes locais durante os dez dias em que ocorreria – Theatro Treze de Maio, Espaço Cultural Victório Faccin e Praça Saldanha Marinho – foram observadas as necessidades de migrar tanto a equipe quanto a infraestrutura da cobertura colaborativa de um local para o outro.

2ª etapa – Cadastramento e divulgação da cobertura Na metade do mês de maio foi desenvolvido o formulário de cadastramento dos voluntários (APÊNDICE A). O objetivo do cadastramento foi o de reunir informações a respeito das áreas de interesses individuais e também dos equipamentos que estariam disponíveis durante o Festival. Não foi estipulado um prazo para o fechamento do cadastramento, pois, conforme eram observadas as equipes sendo formadas (texto, vídeo, foto, rádio), verificava-se para quais seriam necessários mais voluntários. Para divulgar a cobertura colaborativa e atrair pessoas interessadas em colaborar com a produção de conteúdos, foi desenvolvido um relise, com informações sobre o festival e também sobre a cobertura, para divulgação em mailing, grupos de e-mails e também para postagem nos blogs do Macondo Coletivo (www.macondocoletivo.com) e do Palco Fora do Eixo

32 (www.palcoforadoeixo.blogspot.com), ambos realizadores do 3º FETISM. A divulgação também ocorreu através de comunicação oral e pelas redes sociais como o Twitter – utilizando o perfil do Festival (@festivalfetism) -, Facebook e Orkut – através dos perfis e comunidades das associações realizadoras.

3ª etapa – Reuniões presenciais, preenchimento da escala de trabalho e divisão das funções No final do mês de maio aconteceu o contato inicial com os cadastrados através de e-mail e reuniões presenciais para organizar a escala de trabalho. Foi utilizado o grupo de e-mail do google para a comunicação entre a equipe, através do qual reuniões presenciais foram marcadas, as dúvidas, tanto da coordenação quanto dos colaboradores, foram esclarecidas e sugestões e ideias para a cobertura foram amadurecendo. Essa dinâmica de relacionamento interpessoal, e também via e-mail e redes sociais, deu consistência ao grupo e às decisões tomadas em relação à organização do trabalho e às mídias que seriam utilizadas. Conforme foram esclarecidas as propostas e o formato de cada mídia, é que foram estabelecidas as funções e suas características. Três fatores foram determinantes para as escolhas das mídias que seriam trabalhadas e das funções que precisariam ser exercidas (e como seriam exercidas). São eles: a) o fato de o Festival ser de teatro - leva-se em consideração espaço físico, público, tipo de arte, artista, bastidores e dinâmica de funcionamento de um espetáculo; b) a quantidade de pessoas que se dispunham a trabalhar na cobertura; c) as mídias com que essas pessoas gostariam de trabalhar – leva-se em consideração o interesse nas mídias oferecidas no cadastramento e também a que foi utilizada por haver o interesse de alguns dos cadastrados em exercê-la (o caso da web-rádio). Na Tabela 2, é possível observar as funções que seriam exercidas em cada mídia e como elas funcionariam. Permeando todas elas, ficou uma pessoa responsável pela coordenação geral das atividades em todos os dias do evento, circulando por todos os formatos de mídia e auxiliando os colaboradores no desempenho de suas funções. Caberia ao coordenador atuar como uma ponte entre a produção do evento e os colaboradores da cobertura.

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Tabela 2 – Divisão das funções de acordo com o formato de mídia FORMAT O DE MÍDIA FUNÇÕES DESCRIÇÃO

Produtor de texto Texto Revisor de texto

Responsável por pesquisar possíveis pautas, apurar informações, contatar as fontes e realizar entrevistas. O tipo de texto é de critério de escolha do próprio autor, podendo variar entre diversos gêneros jornalísticos como entrevista, matéria factual, perfil, crônica, artigo, texto opinativo, texto literário, etc. O autor do texto também deve estar atento à necessidade ou não de serem utilizadas fotografias junto ao post.

Cabe ao revisor corrigir erros gramaticais e de digitação, e sugerir ao autor, que alguns trechos sejam reformulados para dar coesão e coerência ao que se quer informar. O revisor pode alertar o autor para algo que esteja faltado como, por exemplo, título, legenda, etc, sugerindo ideias e propondo modificações.

Fotografia

Fotógrafo

O fotógrafo deve atentar para a estética da fotografia e para a informação transmitida por ela. Quando há mais de um fotógrafo pra cobrir o mesmo acontecimento é interessante que o foco de um seja diferente do outro. É o fotógrafo quem realiza a seleção e a pós-produção de suas próprias fotos.

Cinegrafista Vídeo

É quem realiza a captura das imagens. Trabalha em conjunto com o repórter realizando um planejamento prévio do que será filmado, através da elaboração de um roteiro de gravação.

Repórter / Entrevistador/ Produtor

Responsável por pesquisar possíveis pautas, apurar informações, contatar as fontes e realizar entrevistas. Trabalha em conjunto com o cinegrafista realizando um planejamento prévio do que será filmado, através da elaboração de um roteiro de gravação.

Editor de vídeo desenvolvido pelo cinegrafista e pelo repórter / entrevistador. O
editor é responsável por inserir as vinhetas e os créditos, pelo ajuste estético (cor, áudio, etc.) e pode sugerir modificações no roteiro ou que mais imagens sejam produzidas e capturadas.

É quem edita os vídeos, seguindo um roteiro de gravação

Produtor de rádio

O produtor auxilia o apresentador tanto na execução do script do Programa Mamulengo, quanto na apresentação e recepção de entrevistados passando orientações sobre o programa. É o responsável também por contatar os entrevistados.

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Web Rádio

Apresentador de rádio

Deve estar inteirado das informações acerca do evento, de preferência dominar o assunto. É responsável pelo script juntamente com o produtor. O script funciona como um guia, mas o apresentador deve estar preparado para improvisar caso aconteça algo inesperado durante a transmissão. É quem faz a apresentação e as entrevistas do Programa Mamulengo. Inserem vinheta, cortina e músicas seguindo o script. Regulam os áudios e os microfones do apresentador e dos entrevistados. Cabe ao atualizador multimídia fazer a divulgação constante do evento e das atividades da cobertura colaborativa através das redes sociais (Twitter, facebook, Orkut). É responsável também por monitorar a caixa de e-mails da cobertura do evento, para onde serão enviados materiais produzidos por pessoas interessadas em colaborar mesmo não fazendo parte da equipe da cobertura colaborativa (público). Também pode ser o responsável pelo mapeamento de veiculações realizadas por outros meios de comunicação sobre o evento (clipagem e compartilhamento).

Técnico

Web

Atualizador multimídia

Nas reuniões presenciais foi desenvolvida uma escala de trabalho na qual as pessoas se dividiram para cobrir o evento cumprindo uma ou mais das funções estabelecidas, levando em consideração que cada dia era apresentada apenas uma peça de teatro. Por exemplo: o colaborador A se cadastrou para ser produtor e revisor de texto, entrevistador e produtor de vídeo e apresentador e produtor da web rádio. Na escala dos dez dias do evento colocou seu nome em um dos dias para produzir texto, três dias para revisar texto, cinco dias para ser entrevistador e produtor de vídeo, dois dias para apresentar o programa de rádio e cinco dias para fazer a produção do programa. O colaborador A se disponibilizou a exercer, em um mesmo dia, diferentes funções, como as produções do programa de rádio e de vídeo. Assim como o colaborador aqui utilizado como exemplo, outros membros da equipe foram escalados para cumprir diferentes funções em um mesmo dia. Para que os participantes pudessem ter acesso à escala da cobertura, a qualquer hora do dia e de qualquer computador, foi utilizada a ferramenta Google Docs (Figura 14). Nela ficaram registrados em uma tabela o nome da peça de teatro, o dia e a hora em seria apresentada (número 1, Figura 13) – foram dez dias de Festival e havia a apresentação de somente um espetáculo

35 por dia -, a função a ser exercida pelo colaborador (número 2, Figura 13) e o nome dos colaboradores interligando função e data (número 3, Figura 13).

Figura 13 – Planilha de escala de trabalho criada no Google Docs para que cada
colaborador preenchesse.

A ferramenta Google Agenda também foi utilizada pela equipe a fim de visualizar a programação como um todo. Os espetáculos e as oficinas foram separadas por cores diferentes, para se diferenciarem uma da outra, e colocadas no calendário dos dez dias conforme os horários em que ocorriam. Através dela a equipe se organizou para cobrir todas as atividades do FETISM sem que houvesse choques de horários ou falha na escala de trabalho. Nesta etapa ocorreu também a adesão de membros que não haviam se cadastrado anteriormente. Alguns foram procurados pela coordenação da cobertura colaborativa, pois algumas funções necessitavam de mais pessoas, como a edição de vídeo, produtor de rádio e apresentador de rádio. neste momento a equipe recebeu o reforço de mais colaboradores que não haviam tido conhecimento anterior sobre a cobertura. e demonstraram interesse em participar.

36 4ª etapa – Desenvolvimento do blog Tanto o layout quanto a programação do blog fetism.blogspot.com (Figura 14) foram desenvolvidos pelo artista visual Elias Maroso6 durante os dias 28 de maio e 3 de junho. A plataforma blogspot foi escolhida por vários fatores, dentre eles por ser de fácil usabilidade, por ser de uso gratuito e pelo fato do programador possuir domínio técnico e conhecimento necessário para trabalhar com a linguagem de programação HTML. Na figura 14, observa-se que foi desenvolvida uma aba fixa para breve explicação do que se trata cobertura colaborativa (número 1) e uma caixa com abas destinadas às mídias texto, vídeo, web rádio e foto, e à aba “autores”, onde ficariam armazenadas as produções de cada autor (número 2). Também é possível observar o espaço destinado ao Flickr, ferramenta utilizada para armazenar fotografias (número 3) e o plugin instalado no blog que permitiu a exibição dos tweets veiculados pelo Twitter @festivalfetism (número 4). No número 5 a frase “Mais informações” indica que ao clicá-la o post pode ser lido por completo, ou seja, na capa do blog foi veiculado apenas o post resumo, para que o usuário pudesse ter uma ideia mais dinâmica das postagens. Já no número 6 aparecem os marcadores ou tags, onde, conforme eram postados os materiais, eram linkados os seus respectivos autores e mídias.

Elias Maroso é artisa visual graduado pela Universidade Federal de Santa Maria, membro da Associação de Produtores Culturais Independentes Macondo Coletivo (um dos realizadores do 3º Fetism) e um dos fundadores da Sala Dobradiça, núcleo de ações culturais localizado na cidade de Santa Maria, Rio Grande do Sul, que concebe e viabiliza exposições artísticas visuais de propositores tanto da região sul quanto de outras localidades do Brasil e exterior.

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37

Figura 14 – Imagem da página inicial do blog fetism.blogspot.com.

38 5ª etapa – Elaboração do #comofaz cobertura colaborativa Elaboração e finalização do #comofaz cobertura colaborativa para ser utilizado como uma orientação para as equipes e suas produções (APÊNDICE B). O material se assemelha a um manual de redação, mas é aberto a modificações futuras por estar registrado no Creative Commons7. Através dele o colaborador pode ter acesso: a) informações do que se trata uma cobertura colaborativa, b) de que maneira ela pode ser estruturada, c) sugestões de organização, d) detalhamento das funções que podem ser exercidas em uma cobertura colaborativa, e) mídias que podem ser utilizadas, f) sugestões de ferramentas a serem usadas, com links para tutoriais gratuitos.

2.2. Fase de produção
Na fase de produção se colocou em prática a cobertura colaborativa do 3º FETISM.Neste momento os colaboradores produziram vídeos, textos, fotos, programa de rádio, transmissão ao vivo e atualização multimídia, sustentados pela pré-produção e auxiliados pela coordenação geral. O planejamento realizado previamente foi colocado à prova e se pode observar com clareza o que deveria ser modificado durante a cobertura e o que poderia permanecer como o planejado. Os ajustes necessários em relação à escala de trabalho, infraestrutura e acesso à internet ocorreram naturalmente, de acordo com os locais, disponibilidade dos colaboradores e à programação do Festival. Nessa segunda fase as etapas são consideradas conforme os locais em que o 3º FETISM aconteceu: 1ª etapa - Espaço Victório Faccin8, 2ª etapa – Praça Saldanha Marinho e 3ª etapa – Theatro Treze de Maio. Esta divisão foi feita por se tratarem de situações bastante diferentes umas das outras e que influenciaram na maioria dos ajustes efetivados. O que interessa nessa fase
7

André Lemos ao discutir como diversas práticas ciberculturais modificam a comunicação e a sociedade, declarou que o “princípio que rege a cibercultura é a re-mixagem”. (LEMOS, 2006, p.52). O remix, a colagem, a recombinação de conteúdos e formas são expressões da idéia de commons, ou seja, a cultura das redes é um terreno típico dos commons. O local é popularmente conhecido em Santa Maria como TUI, Teatro Universitário Independente, seu antigo nome.
8

39 não é descrever o trabalho de cada um dos colaboradores durante o Festival, mas sim relatar como funcionou a dinâmica de trabalho no decorrer dos dez dias de espetáculos. De maneira geral, como se observa na Tabela 1, os únicos formatos de mídia que tiveram apenas uma função sendo exercida foram a fotografia e a web, mas mais de uma pessoa, assim como em outros formatos de mídia, realizaram a mesma função em um mesmo dia.

1ª Etapa - Espaço Cultural Victório Faccin A cobertura colaborativa começou a ser executada no Espaço Victório Faccin no dia 10 de junho e foi até o dia 13, quando os espetáculos aconteciam no período da noite, a partir das 20 horas. Durante estes quatro dias a escala de trabalho foi seguida normalmente, com exceção da cobertura de duas das oficinas, que foram canceladas um dia antes de começar, no dia 12. As produções de vídeo, texto e fotografia foram realizadas como o planejado na pré-produção e os colaboradores seguiram as sugestões dadas no manual. Já a dinâmica de organização e a execução das funções ligadas à web rádio9 (produção, apresentação e técnica) e à web (atualização multimídia) foram prejudicadas por problemas com a conexão à internet. Estavam disponíveis dois equipamentos de tecnologia 3G, um para o notebook da técnica de rádio e outro para o notebook do atualizador multimídia. O problema resultou na não transmissão da quarta edição do Programa (de web rádio) Mamulengo – que ia ao ar sempre uma hora e meia antes dos espetáculos, e tinha a duração de 45 minutos. A solução encontrada pela coordenação e pelos colaboradores escalados para a produção e a apresentação do rádio foi a de entrevistar os convidados do programa daquele dia e produzir texto e fotografia, ambos veiculados no post “O dia em que a conversa não foi ao ar” (Figura 16). Já a falta de atualização multimídia não teve como ser suprida e, no dia 14 de junho, o responsável por essa função auxiliou na coordenação geral da cobertura.

9

Também chamada de rádio via internet ou rádio online.

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Figura 15 – Post “O dia em que a conversa não foi ao ar”, publicado dia 15 de junho de 2010
no blog fetism.blogspot.com

2ª etapa – Praça Saldanha Marinho Durante os acontecimentos do Festival na Praça Saldanha Marinho, a equipe da cobertura se instalou no hall de entrada do Theatro Treze de Maio (espaço cedido gentilmente pela diretoria do Teatro. Nos dias 14, 15 e 16 de junho foram apresentadas três peças de teatro de rua no turno da tarde e, por isso, o horário do programa de rádio também mudou (quando o festival acontecia no Espaço Cultural Victório Faccin era transmitido das 19h às 19h e 45min da noite, mas quando os espetáculos eram apresentados na Praça, o programa passou a ser transmitido das 15 h às 15h e 45min). Na primeira tarde de apresentação na Praça apareceu uma pessoa, que até então não fazia parte da equipe, querendo colaborar fotografando e filmando. A adesão desse novo membro veio ao encontro da necessidade de equipamento de gravação, já que até então prevíamos a falta da produção de vídeo, pois ninguém da equipe poderia disponibilizar câmera nos dias em que o evento ocorreu na Praça.

3ª etapa – Theatro Treze de Maio Nos dias 17, 18 e 19 os espetáculos foram apresentados no Theatro Treze de Maio, voltando a iniciar às 20 horas. Foi o ambiente mais acessível para trabalhar devido ao espaço físico maior e à melhor qualidade da internet.

41 Aqui a equipe já se encontrava mais afinada, pois todos já se conheciam, ajudando-se mutuamente. O programa de rádio atrasou em um dos dias por falha técnica devido a problemas com o software de transmissão, mas o restante das mídias funcionaram normalmente nos três dias. Foram os dias em que o twitter foi mais utilizado tanto pelo responsável pela atualização multimídia quanto pelo restante da equipe.

2.3. Fase de avaliação
A avaliação ocorreu em quatro etapas e começou logo depois do término do evento, através de entrevistas realizadas com os participantes, com o objetivo dar espaço às opiniões de quem ajudou a desenvolver a cobertura colaborativa do 3º FETISM e consequentemente emitir pareceres sobre aspectos não observados pelo entrevistador.

1ª etapa - Elaboração do roteiro da entrevista Elaboração de um roteiro de entrevista semiestruturado (APÊNDICE C) de avaliação dos resultados da cobertura colaborativa, abordando os assuntos: 1º) pontos positivos; 2º pontos negativos; 3º) o que poderia ser melhorado; 4º) execução das funções; 5º) utilização do #comofaz cobertura colaborativa; 6º) Blog; 7º) considerações finais. 2ª etapa – Realização das entrevistas Realização das entrevistas, ocorridas desde o início de julho ao final de agosto, com os participantes da cobertura colaborativa. A entrevista foi feita individualmente em encontros informais utilizando o roteiro semiestruturado. Todas as entrevistas foram gravadas, com durações que variaram de três a dez minutos e sendo posteriormente transcritas

3ª etapa – Divisão das unidades e categorização de avaliação Preparação dos dados obtidos nas entrevistas com os participantes da cobertura. Ou seja, nessa fase o conteúdo das entrevistas foi desmembrado e

42 transformado em unidades que posteriormente foram reunidas em categorias. Para efeito de organização dos aspectos que deveriam ser analisados, foram criadas duas tabelas para cada uma das perguntas presentes no roteiro. A primeira, para a divisão das unidades e a segunda para a categorização de avaliação. Conforme as unidades se repetiam, era feita a anotação numérica ao lado e posteriormente foram agrupadas por cor de acordo com a categoria em que se encaixavam. Esse método colaborou para que nenhuma informação fosse perdida e para que durante a interpretação dos dados existisse a possibilidade de recorrer às tabelas a fim de sanar eventuais dúvidas, além de evitar equívocos. Os aspectos apontados pelos colaboradores em perguntas feitas além das que estavam no roteiro, acabaram se encaixando de alguma maneira em uma das tabelas. Portanto, não foi necessário criar novas tabelas para cada uma dessas “perguntas-extra”. Nessa etapa também foram feitas anotações por parte do entrevistador de pontos não mencionados pelos colaboradores, mas que também eram importantes para a análise. Quando esses aspectos são discorridos no capítulo de análise, sempre há referência de que são frutos de percepções do entrevistador. 4ª etapa – Tratamento dos dados e das informações citadas Depois de divididas as unidades e definidas as categorias, foram eleitas algumas frases faladas pelos colaboradores durante as entrevistas e que se destacaram em cada uma delas para enfim começar o tratamento dos dados. Tratamento dos dados obtidos a partir da divisão das unidades e categorização de avaliação com base nas tabelas criadas para: 1º) pontos positivos; 2º pontos negativos; 3º) sugestões para suprir os problemas; 4º) execução das funções; 5º) uso do #comofaz cobertura colaborativa; 6º) Blog; 7º) considerações finais.

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3.

AVALIAÇÃO DA COBERTURA COLABORATIVA

DO 3º FETISM
Avaliar a cobertura realizada faz parte de um dos objetivos desse projeto experimental. A partir dessa reflexão pós-produção, foi possível detectar as falhas e os acertos do planejamento (e suas fases e etapas) e do #comofaz cobertura colaborativa, desenvolvidos para a cobertura colaborativa do 3º FETISM. a avaliação da cobertura colaborativa nos leva a refletir a respeito de erros e acertos, problemas e soluções, para condução de forma mais eficaz de trabalho semelhante no futuro. Da mesma forma, nos conduz para uma reformulação do #comofaz de maneira segura e eficiente. Procurou-se planejar a cobertura colaborativa para que sua execução se aproximasse ao máximo da premissa aqui desenvolvida, a do trabalho coletivo. Por isso é importante, nesse momento, levar em consideração a opinião dos colaboradores que vivenciaram a cobertura. Para tanto, foram entrevistadas aquelas pessoas que tiveram o seu nome linkado como “autor” no blog fetism.blogspot.com, utilizando um roteiro semiestruturado. Além de informações obtidas nas entrevistas, observações foram feitas pela entrevistadora não só com relação às entrevistas, mas desde a fase de pré-produção, passando pela execução até o momento de reflexão sobre o trabalho como um todo. Tais observações aparecem nas considerações finais da avaliação. Para guiar a avaliação segue-se o mesmo esquema criado no roteiro das entrevistas, onde os entrevistados foram questionados sobre aspectos relevantes de avaliação como pontos positivos e negativos da cobertura, a utilização do #comofaz cobertura colaborativa, o desempenho das funções, a organização da cobertura, aspectos que poderiam ser melhorados e como poderiam ser feitos, e demais fatores que são considerados pontos importantes para a avaliação e que adiante são expostos e interpretados.

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3.1 Entrevista com os colaboradores
Dos vinte e três colaboradores identificados na aba “autores”
10

no blog

fetism.blogspot.com, todos concederam entrevista informal. De acordo com Cohen & Manion (2007, p. 353) “nesse tipo de entrevista o pesquisador possui liberdade para mudar a ordem das perguntas, explicar com outras palavras ou até ampliá-las”. Nas entrevistas foi utilizado um roteiro para que fosse assegurada a abordagem de todos os tópicos importantes com todos os entrevistados. Isto não significa que o roteiro tenha funcionado como um fator limitador, ele apenas serviu para lembrar o entrevistador dos aspectos importantes para a entrevista. Ao longo dos diálogos foram levadas em consideração as particularidades dos entrevistados como as áreas em que cada um atuou durante o 3º FETISM e também as experiências que alguns já haviam tido em outras coberturas colaborativas. É importante ressaltar que as entrevistas duraram entre três a dez minutos e que isso variou conforme o envolvimento de cada colaborador durante a cobertura. Alguns participaram em mais dias e estiveram presentes nas reuniões que ocorreram antes de iniciar o evento e por isso podem ter visto o processo de uma maneira diferente e mais ampla de quem atuou em um dia apenas, por exemplo. Mas ocorreram também situações em que algumas pessoas que atuaram em apenas um dia mencionaram questões não observadas por aqueles colaboradores mais assíduos. Também houve momentos em que perguntas não foram respondidas. Isso aconteceu porque ou as pessoas não sabiam o que responder ou não vivenciaram a situação exposta. Dois colaboradores mereceram especial atenção na hora das entrevistas, um por ter se agregado à equipe durante o festival exercendo a função de fotógrafo e cinegrafista e o outro por não fazer parte da equipe em nenhum momento, mas ter colaborado enviando um texto para ser postado no blog. Nas entrevistas com esses dois colaboradores algumas perguntas do roteiro não foram feitas e outras não foram respondidas. Mas possuem igual importância
10

Na aba autores constam os nomes de vinte e quatro colaboradores, mas uma dessas pessoas é a autora deste projeto, portanto não faria sentido a autora se auto-entrevistar.

45 para a avaliação, a reformulação do #comofaz cobertura colaborativa e a conclusão deste projeto experimental.

3.2 Descrição e interpretação das categorias
Antes de começar a avaliação dos dados obtidos nas entrevistas, foi preciso organizá-los em unidades que em seguida foram agrupadas em categorias de avaliação11. Para isso foram utilizados como critérios as semelhanças de significados entre as unidades e também no que implicavam esses significados para a avaliação. Por exemplo, ao avaliar pontos positivos, foram aglutinadas as unidades vídeo, texto, web rádio, multimídia e imparcialidade e se criou a categoria conteúdo, pois se entendeu que era a isso que se referiam. Depois de definidas as categorias, foram eleitas algumas frases dos colaboradores durante as entrevistas e que se destacaram em cada uma delas. Assim como nas entrevistas, os pontos importantes presentes no roteiro também servirão como guia para a avaliação. Em somente uma dessas questões, sobre a utilização do #comofaz cobertura colaborativa, é que não se fazem necessárias as apresentações de tabelas, de unidades nem de categorização.

3.2.1 Pontos positivos Das vinte e três pessoas entrevistadas, dezoito mencionaram questões que dizem respeito ao conteúdo produzido, como se observa nas tabelas 3 e 4, sendo que a maioria dessas citou a produção do programa de rádio “Mamulengo” e o uso de diferentes mídias para transmitir as informações (multimídia). Quinze pessoas deram ênfase ao trabalho coletivo, onde a equipe e a pluralidade de olhares foram aspectos mais repetidos. Em seguida, em
11

Serviram como referência para esta avaliação as fases da análise de conteúdo definidas por Laurence Bardin (1977) como a) Preparação das informações e definição da amostra; b) Transformação do conteúdo em unidades – escolha das unidades e enumeração das unidades; c) Classificação das unidades em categorias; d) Descrição das categorias; e) Interpretação.

46 ordem decrescente, foram destacadas questões que dizem respeito à organização, como o uso, o imediatismo (ritmo das postagens acompanharam o ritmo dos acontecimentos), a pré-produção e o uso do #comofaz cobertura colaborativa (que faz parte da pré-produção). A essa última unidade um dos entrevistados disse, “Ninguém tinha muita dúvida do que estava fazendo, estavam muito bem definidas as tarefas”. Foram feitos comentários a respeito do evento como o fato de se tratar de teatro. Um dos colaboradores referiu-se sobre a “visibilidade que o Fetism ganhou com a cobertura, porque eu achei que pouca gente iria participar do evento e não foi o que aconteceu”. Também teve alusões aos usos do dropbox como ferramenta de compartilhamento de fotos e do blogspot como plataforma do blog. Sobre o Dropbox, somente uma pessoa comentou: “Achei importantíssimo e virei fã do Dropbox”. Infere-se dessa fala que o colaborador fez uso sistemático da ferramenta sugerida no #comofaz, armazenando suas fotografias em uma pasta dentro do sistema que, de qualquer computador, o restante da equipe poderia ter acesso.

Tabela 3 – Definição e numeração das unidades sobre os temas abordados pelos entrevistados na pergunta sobre os pontos positivos da cobertura
UNIDADES Equipe Pré-produção Multimídia Web Rádio Cobrir teatro Textos Pluralidade de olhares Imediatismo Visibilidade ao Festival Vídeos Imparcialidade Blog Utilização do #comofaz Trabalhar com o que gosta Autoria 12 Dropbox REPETIÇÃO 10 6 6 6 5 3 3 2 1 1 1 1 1 1 1

1

12

Ferramenta de compartilhamento de arquivos que oferece gratuitamente o espaço de até 2 Giga. Disponível em www.dropbox.com.

47 Tabela 4 – Agrupamento das unidades em categorias sobre os pontos positivos da cobertura.
UNIDADES Equipe Pluralidade de olhares Trabalhar com o que gosta Autoria Pré-produção Imediatismo Utilização do #comofaz Textos Imparcialidade Vídeo Web rádio Multimídia Cobrir teatro Visibilidade ao festival Dropbox Blog CATEGORIA Trabalho em coletivo (13) Organização (8) FRASE EXEMPLO “Acho legal essa ideia de trabalhar de uma maneira mais democrática, com liberdade de criação e de fazer escolhas, sem a rigidez de uma edição tradicional.” “Ninguém tinha muita dúvida do que estava fazendo, estavam muito bem definidas as tarefas.” “Os textos ficaram bons e entravam dentro do prazo. Isso é importante em um evento diário se não o material fica defasado” “Gostei do desafio de trabalhar com teatro, nunca havia trabalhado antes.” “Achei importantíssimo e virei fã do Dropbox”

Conteúdo (18)

Evento (5) Uso das ferramentas e plataformas (2)

3.2.2 Pontos negativos Ao mesmo tempo em que foi um dos mais citados como ponto positivo, a web rádio também foi alvo da maioria dos comentários negativos, contabilizando doze no total. Infere-se que este contraponto ocorre porque, embora o programa “Mamulengo” tenha sido estimulante para quem o fez e tenha atingido os objetivos propostos no início, ele teve problemas técnicos e de pré-produção e. Infere-se também que os problemas técnicos ocorreram devido à junção de diversos fatores mencionados pelos entrevistados como a falta de conexão com a internet quando o evento aconteceu no Espaço Cultural Victório Faccin e falha técnica, pelo fato de o equipamento disponível não estar em boas condições, por alguns dias faltar equipamento (como cabos de áudio, por exemplo), e por problemas com o software utilizado para a transmissão. Além disso, como relembra um dos colaboradores que atuou na função de técnico de rádio, “Fomos emendando uma coisa na outra, não nos organizamos e pré-produzimos muito bem, fomos resolvendo os problemas conforme iam aparecendo”. Problemas relacionados à edição dos vídeos compõem o segundo

48 aspecto negativo mais apontado pelos participantes, foram sete no total. Uma destas pessoas chamou atenção pelo fato de não ter sido utilizado um roteiro tanto para as gravações quanto para a edição e outro completou esse ponto negativo dizendo que “faltou diálogo entre repórter e editor” e citou ainda o “pouco tempo disponível para a edição dos vídeos”. Outros dois fatores que, segundo os colaboradores, atrapalharam o trabalho dos editores foram a falta de um local específico que centralizasse as edições e a demora no upload dos vídeos. Outros quatro entrevistados enfatizaram questões categorizadas como falha de divulgação. O que engloba a pouca divulgação prévia da cobertura colaborativa e, como afirmou um dos participantes, “Faltou uma divulgação só para a cobertura colaborativa para que as pessoas soubessem do que se tratava e tivessem interesse em participar”. Uma pessoa destacou ainda o pouco uso do twitter como ferramenta de divulgação instantânea do evento, e disse: “Todos tinham twitter, mas na semana em que estava acontecendo o evento não utilizaram para fazer divulgação do evento dentro do evento. Isso aumenta o número de pessoas que são “atingidas”, que ficam sabendo da existência do FETISM”. Uma pessoa expôs a opinião a respeito de situações consideradas por ela como negativas e que dizem respeito ao trabalho em coletivo, “(...) às vezes podem ocorrer desentendimentos, pessoas disputarem o mesmo espaço, mas aí não é problema do sistema da cobertura, é problema de que algumas pessoas não entendem a proposta”. Um dos participantes chamou a atenção para “a falta de material mais consistente para a pesquisa, já que muitas vezes é difícil encontrar informações sobre determinadas peças”. Ao suprir essa falha, outra poderia ter sido sanada como o aspecto mencionado por apenas um dos entrevistados: “Eu acho que o que não funcionou foi determinar que alguns textos deveriam ser feitos, como os das peças, e largar a possibilidade para que quem tivesse alguma outra ideia de pauta poderia fazer também, sobre o que quisesse”. Somente uma pessoa não mencionou nenhum ponto negativo, alegando que não se recordava de nada no momento.

49 Tabela 5 – Definição e numeração das unidades sobre os temas abordados pelos entrevistados na pergunta a respeito dos pontos negativos da cobertura
UNIDADES Falha na técnica do rádio Equipamento Falha na pré-produção dos programas Pouca divulgação da cobertura Faltou maior abertura para outros colaboradores durante o evento Roteiro pra edição não foi utilizado Problemas TUI Falta de comunicação entre editor e repórter Divulgação twitter Pouco tempo para a edição dos vídeos Falta de informações sobre as peças Demora no upload vídeos Explorar pautas Faltou central de edição Alguns não estavam abertos à proposta inicial ou não entenderam REPETIÇÃO 8 6 3 2 1 1 1 1 1

1 1 1 1 1

Tabela 6 – Agrupamento das unidades em categorias sobre os pontos negativos da cobertura
UNIDADES Roteiro para edição não foi usado Falta de comunicação entre editor e repórter Demora no upload vídeos Faltou central de edição Pouco tempo para a edição dos vídeos Falha na técnica do rádio Falha na pré-produção dos programas *Problemas TUI Faltou maior abertura para outros colaboradores durante o evento Pouca divulgação da cobertura Divulgação twitter *Problemas TUI Web Rádio (12) CATEGORIA Edição (4) FRASE EXEMPLO “Faltou diálogo entre repórter e editor” “Faltou o editor e o repórter trabalharem juntos, ou o repórter fazer um roteiro detalhado”

“Fomos emendando uma coisa na outra, não nos organizamos e pré-produzimos muito bem, fomos resolvendo os problemas conforme iam aparecendo” “Faltou uma divulgação só para a cobertura colaborativa para que as pessoas soubessem do que se tratava e tivessem interesse em participar”

Falha de Divulgação (4)

Equipamento (7)

50
*Problemas TUI Falta de equipamento Alguns não estavam abertos à proposta inicial ou não entenderam

Equipamento (7) 1 “(...) às vezes podem ocorrer desentendimentos, pessoas disputarem o mesmo espaço, mas aí não é problema do sistema da cobertura, é problema de que algumas pessoas não entendem a proposta.” “Falta de material mais consistente para a pesquisa, já que muitas vezes é difícil encontrar informações sobre determinadas peças” “Eu acho que o que não funcionou foi determinar que alguns textos deveriam ser feitos (como os das peças) e largar a possibilidade para que quem tivesse alguma outra ideia de pauta poderia fazer também (sobre o que quisesse)”

Falta de informações sobre as peças 1

Explorar pautas 1

*Problemas TUI

13

3.3.3 Sugestões para suprir os problemas Quatro pessoas deram sugestões para suprir o problema com os textos e a falta de propostas de pautas por parte dos colaboradores. Duas delas sugeriram que a comunicação entre toda a equipe e a coordenação fosse reforçada e que reuniões de pauta fossem realizadas diariamente. Outros dois colaboradores sugeriram desenvolver alguns critérios como exemplifica um deles, “cada dia uma pessoa tem um texto extra para fazer e tem que dar uma ideia de pauta, por exemplo: perfil da atriz do espetáculo tal”. Outra sugestão dada foi a de desenvolver “Uma base de dados sobre os grupos teatrais, autores, diretores e atores de peças”. No que diz respeito aos problemas ocorridos com a web rádio, seis pessoas fizeram sugestões como oferecer oficinas antes de começar o evento
13

A unidade se encaixa, exclusivamente, às categorias “web rádio” e “equipamento”.

51 ensinando os interessados a lidar com a parte técnica (software e áudio), “Intensificar a pré-produção dos programas de rádio. Mais pessoas para a produção e coordenação”, como diz um dos colaboradores; ele sugere ainda que deve ser feita “cobrança mútua de maior comprometimento na execução das funções”. Outro colaborador frisa também que falhas podem ocorrer e que, sendo assim, devem-se estudar possibilidades de outras mídias cobrí-las, (produção de texto e fotografia, por exemplo) e gravar os programas para disponibilizá-los em podcast no blog, permitindo assim o “registro do trabalho de quem fez os programas de rádio”. Para melhorar a produção e edição dos vídeos, foi sugerido que os produtores fizessem a decupagem dos vídeos antes de passar para os editores, ou seja, que assistissem o que foi gravado e anotassem o tempo da gravação que gostariam que fosse utilizado na edição. Outra sugestão feita em relação ao vídeo foi a de se reforçar a comunicação entre quem produz e quem edita os materiais, um dos entrevistados diz “O vídeo ser editado sempre em dupla, por quem grava e edita, de preferência logo depois de ser gravado”. Infere-se que tal atitude evitaria problemas como o que ocorreu em um dos dias de Festival quando um dos vídeos teve que se retirado do youtube e, portanto do blog, por conter uma cena que não deveria ter sido veiculada. Foi sugerido também que fizesse uma central de edição, onde a equipe poderia trabalhar junto e evitar problemas como o citado anteriormente. A fim de tornar os vídeos mais atrativos, uma pessoa mencionou que poderiam ter ficado mais curtos. Duas pessoas fizeram sugestões em relação à fotografia. Para que recebessem mais destaque no blog, uma pessoa sugere que poderiam ser criados posts só contento fotografias e para que não ficasse um post muito longo, “Poderíamos veicular várias fotos de uma vez só. Acho que slideshow seria uma boa opção”. Outra ideia sugerida para valorizar mais as fotografias é que na aba “Fotos” aparecessem somente fotografias, e não todos os textos que contenham uma foto pelo menos, como aconteceu no blog fetism.blogspot.com. Uma pessoa sugeriu que para suprir os problemas com a falta de equipamentos, fosse enviado projeto para Lei de Incentivo à Cultura a fim de adquirir verba.

52 Sete pessoas não fizeram nenhuma sugestão para suprir os problemas ocorridos.

Tabela 7 - Definição e numeração das unidades sobre os temas abordados pelos entrevistados na pergunta a respeito das sugestões para suprir os problemas ocorridos na cobertura
UNIDADES Buscar outras pautas Mais comunicação entre a equipe Decupar imagens e entrevistas Fortalecer a produção dos programas Sugere que se faça projeto na LIC para se ter verba Sala de redação com central de edição Usar slideshow para as fotos Deixar na aba fotos só posts de fotos (sem os com texto) Treinamento para a técnica (oficinas) Vídeos mais curtos Cobrar maior comprometimento das pessoas Melhorar a base de dados Estudar outros meios de cobrir falhas (uma mídia pode substituir a outra) Disponibilizar o programa em podcast REPETIÇÃO 2 2 2 2 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1

Tabela 8 – Agrupamento das unidades em categorias sobre as sugestões para suprir os problemas da cobertura
UNIDADES Decupar imagens e entrevistas Mais comunicação entre a equipe Vídeos mais curtos Sala de redação com central de edição Usar slideshow Deixar na aba fotos só posts de fotos (sem os com texto) Fotos (2) “Poderíamos veicular várias fotos de uma vez só. Acho que slideshow seria uma boa opção” CATEGORIA Edição (5) FRASE EXEMPLO “O vídeo ser editado sempre em dupla, por quem grava e edita, de preferência logo depois de ser gravado”

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Treinamento para a técnica (oficinas) Fortalecer a produção dos programas Cobrar maior comprometimento das pessoas Disponibilizar o programa em podcast Estudar outros meios de cobrir falhas (uma mídia pode substituir a outra) Mais comunicação entre a equipe Buscar outras pautas Melhorar a base de dados Sugere que se faça projeto na LIC para obter verba

Web rádio (6)

“Intensificar a pré-produção dos programas de rádio. Mais pessoas para a produção e coordenação”

Texto (4) 1

Equipamentos

“cada dia uma pessoa tem um texto extra para fazer e tem que dar uma ideia de pauta, por exemplo: perfil da atriz do espetáculo tal” “Uma base de dados sobre os grupos teatrais, autores, diretores e atores de peças” “Poderia ser feito algum projeto em Lei de Incentivo à Cultura para supri problemas técnicos”

3.3.4 Execução das funções Ao serem questionados se a função que se propuseram a exercer no cadastro foi a mesma que efetivamente exerceram durante a cobertura dez pessoas responderam que sim: outras onze responderam que sim, mas com ressalvas. Essas últimas disseram que exerceram funções além das quais se cadastraram e somente uma respondeu que exerceu funções a menos. Esta única pessoa se cadastrou para trabalhar com texto, vídeo e áudio, mas com a criação do programa de rádio passou as funções de texto e vídeo para outras pessoas, se dedicando somente à web rádio.

3.3.5 Utilização do #comofaz cobertura colaborativa Quatorze pessoas responderam que leram o manual e oito que não leram. Em relação às que leram, a maioria indicou como mais úteis as informações a respeito da postagem no blogspot e ao funcionamento da revisão dos textos e todos acharam o material de fácil compreensão. Uma das pessoas que leu observou que, “Acho que ele serve mais para quem não tem

54 muita experiência, se tu já tem uma base acho que ler rapidamente e uma vez o que cabe à tua função já é o suficiente”, já para outra “Todos os dias eu levava ele ao teatro e me guiava por ele. Só não consegui utilizar o Dropbox porque o meu computador é muito lento”. Dos quatro colaboradores que trabalharam com edição de vídeo, dois deles fizeram uso do manual para seguir a padronização sugerida de como colocar os créditos. Os outros dois seguiram o padrão assistindo aos que já haviam sido postados, mas, como conta um deles, problemas surgiram por isso “Tive que refazer um dos vídeos e se eu tivesse lido o manual não teria que refazê-lo”. Das oito pessoas que não leram, uma, que exercia a função de fotógrafo, foi o único fotógrafo que não utilizou nem o Dropbox nem o Flickr. Os demais que não leram, disseram que não precisaram postar nada no blog e que por isso não sentiram falta da leitura do material.

3.3.6 Blog Das vinte e três pessoas indagadas sobre o blog, todas teceram respostas em relação ao visual agradável do layout. Quando questionados novamente sobre aspectos de usabilidade e plataforma escolhida, quatro dos colaboradores não souberam responder, pois alegaram ter utilizado apenas como usuários, não precisando administrá-lo em nenhum momento durante a cobertura14. A categorização foi dividida entre fatores positivos e negativos do blog fetism.blogspot.com, com treze referências para cada. Sobre os fatores positivos a maioria, quatro pessoas, destacou a boa usabilidade. Um dos colaboradores disse: “Acho difícil unir bom estilo ao bom uso e esse blog conseguiu atender aos dois”, outras três pessoas mencionaram o uso do #comofaz cobertura colaborativa, como fator que facilitou na hora usar o blog, “O manual já dava dicas que ajudavam na postagem”. Uma pessoa achou
14

Foi utilizado um usuário apenas para administrar o blog, ou seja, todos, quando fossem postar algum material acessavam o usuário “fetism”. Isso foi feito para que todos pudessem postar não somente as suas produções mas também as do restante da equipe, acelerando o processo de postagem. Os créditos de cada material apareciam no final de cada postagem (quando se tratava de texto e foto) e no decorrer dos vídeos (quando se tratava de vídeo).

55 interessante o fato de as postagens serem linkadas diretamente aos nomes de quem produziu o material, fazendo assim o armazenamento do trabalho coletivo, mas também individual. A respeito dos fatores negativos, três pessoas disseram que preferiam trabalhar com blogs desenvolvidos na plataforma wordpress, uma delas falou, “Tivemos problemas técnicos de postagem. Não chegou a prejudicar nosso trabalho, mas ainda assim prefiro o wordpress”. Problemas com a configuração das postagens foi ressaltado por cinco entrevistados nessa segunda categoria, um deles explica “As fontes davam problema na postagem (...) quem não estava acostumado com o blogspot teve dificuldade”, outro entrevistado relembrou que quando esse problema surgiu o trabalho de equipe foi importante, pois aqueles que tinham maior conhecimento sobre a plataforma ajudaram quem não a dominava explicando via e-mail e também pessoalmente os procedimentos que deveriam ser adotados ao efetuar postagens.

Tabela 10 - Definição e numeração das unidades sobre os temas abordados pelos entrevistados na pergunta a respeito do blog fetism.blogspot.com
UNIDADE Problema de configuração Boa usabilidade Atendeu às necessidades Wordpress seria melhor do que blogspot Manual ajudou Funcionou bem Postagens ligadas aos seus autores Melhorar o sistema de busca Faltou linkar postagens direto ao twitter Funcionou melhor para texto do que para vídeo Preferiria o Picasa do que o Flickr Faltou player de rádio REPETIÇÃO 5 4 3 3 3 2 1 1 1 1 1 1

56 Tabela 11 – Agrupamento das unidades em categorias sobre o blog fetism.blogspot.com
UNIDADE Atendeu às necessidades Funcionou bem Postagens ligadas aos seus autores Manual ajudou Boa usabilidade Problema de configuração Melhorar o sistema de busca Wordpress seria melhor do que blogspot Faltou linkar postagens direto ao twitter Funcionou melhor para texto do que para vídeo Preferiria o Picasa do que o Flickr Faltou player de rádio Fatores negativos “Tivemos problemas técnicos de postagem. Não chegou a prejudicar nosso trabalho, mas ainda assim prefiro o wordpress” “As fontes davam problema na postagem (...) quem não estava acostumado com o blogspot teve dificuldade” Fatores positivos (13) “Acho difícil unir bom estilo ao bom uso e esse blog conseguiu atender aos dois” “O manual já dava dicas que ajudavam na postagem“ CATEGORIA FRASE EXEMPLO

3.3.7. Observações gerais sobre os dados Observações podem ser feitas a partir da avaliação dos entrevistados. Alguns fatores não foram mencionados pelos participantes da cobertura do 3º FETISM quando indagados sobre os aspectos negativos, mas foram citados posteriormente como sugestões para suprir os problemas. Um deles foi a sugestão de gravar os programas de rádio e disponibilizá-los como podcasts no blog, para que, quem não acompanhou a transmissão, pudesse ouvi-lo a qualquer momento. O podcast também seria importante para que a produção dos envolvidos ficasse registrada de alguma forma. Observa-se também que a falta de equipamento não prejudicou somente a produção da web rádio, mas também a produção dos vídeos e o andamento das postagens, como em um dos dias de evento em que não havia microfone e as entrevistas tiveram que ser feitas com uma câmera que gravava em formato que precisou ser convertido antes de ir para a edição. Esse processo foi

57 demorado e atrasou o trabalho do editor, prejudicou a qualidade das imagens e provocou o adiamento das postagens de vídeos seguintes. Algumas sugestões descritas no #comofaz cobertura colaborativa não foram adotadas por todos os colaboradores durante a cobertura como o roteiro para gravação e edição de vídeo, o que implicou em alguns atropelos de funções. Ou seja, em alguns vídeos o editor não recebia instruções de quem os gravou e acabava colocando as imagens que achava importante para aquele vídeo, sendo que quem os produziu deveria ajudar na definição desses conteúdos. Infere-se também que a falta de diálogo entre produtor/entrevistador e editor de vídeo, o pouco tempo para a edição e a demora do upload dos vídeos, prejudicou o trabalho dos envolvidos. Na intenção de postar os vídeos o quanto antes, o planejamento dos mesmos e a execução das funções deveria ter sido repensado durante a cobertura. Sobre a produção dos textos, entende-se que poderiam fugir da matéria somente factual e variar, explorando outros gêneros como crônica, perfil, artigo, comentário, reportagem literária, etc. Nas reuniões que ocorreram na préprodução buscou-se instigar os colaboradores a, além de desenvolverem textos contendo informações a respeito especificamente dos espetáculos, encontrarem pautas olhando para o restante do evento. Mas isso poderia ter sido reforçado ainda mais através da realização de pequenas reuniões de pauta a cada dia do evento, onde os colaboradores fizessem sugestões de possíveis diferentes abordagens. Outra alternativa, pensada a partir da sugestão de um dos colaboradores, de criar projeto para a Lei de Incentivo à Cultura para conseguir verba para a cobertura e suprir problemas técnicos, é o de fazer parcerias com instituições locais que possuam material técnico necessário ou então reforçar a idéia de que as produções possam ser efetuadas com materiais mais simples e que dos quais os próprios colaboradores disponham, como câmeras de celular ou compactas, por exemplo, que façam vídeo, tirem foto e/ou gravem áudio. Um fator a ser observado é que o uso do Dropbox também serviu como um “banco de dados fotográfico” do Festival, ou seja, depois de terminado o evento se têm armazenadas e compartilhadas uma seleção de fotografias de todos os dias de espetáculos.

58 Também faz-se necessário discorrer sobre o programa de rádio “Mamulengo”, pois ele não estava nos planos desta cobertura colaborativa e corria o risco de não dar certo. A ideia surgiu a partir do interesse de sete pessoas que se cadastraram para, a princípio, trabalhar com áudio e que, durante uma reunião realizada duas semanas antes do início do Festival, se uniram para criar um programa ao vivo. Ele foi transmitido dos locais do evento com entrevistas e informações sobre temas relacionados ao teatro e à cultura e acabou se tornando uma das mídias que mais estimularam os colaboradores a produzirem, o que se encaixa a proposta do trabalho coletivo. Esta avaliação foi crucial para a elaboração final do #comofaz cobertura colaborativa, pois vários aspectos observados como positivos e negativos pelos entrevistados foram repensados e reformulados e as sugestões feitas pelos colaboradores serviram como fontes de inspiração para este projeto. Algumas delas dizem respeito às funções. Para o vídeo, por exemplo, foram executadas as funções de produtor de vídeo, cinegrafista e editor de vídeo. Depois das entrevistas verificou-se a necessidade de criar a função de revisor de edição, que seria responsável por assistir o vídeo editado e conferir se os créditos estão corretos, se o volume do áudio está igual do início ao fim e se existe alguma imagem que não poderia ser divulgada. Além de agregar mais funções a alguns formatos de mídia, foi acrescentado ao manual #comofaz cobertura colaborativa sugestões de ferramentas disponíveis na web, e como são empregadas, exemplos de coberturas colaborativas já realizadas e o maior detalhamento de como começar e por onde começar o planejamento de uma cobertura colaborativa.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Acima de tudo uma cobertura colaborativa é feita de pessoas, com suas cargas de experiências e que juntas constroem um produto em comum. Depois de refletir sobre o resultado final desse projeto experimental, percebe-se que o manual tem a função de fazer as pessoas compreenderem desde o início a proposta do trabalho coletivo e que, se não for possível entender e acatar isso, então a cobertura deixa de ser colaborativa, coletiva e aberta para se tornar fechada à diversidade de olhares, ideias e principalmente às críticas construtivas. Conclui-se que o objetivo principal deste projeto experimental, de desenvolver o planejamento e a execução da cobertura colaborativa para a web do 3º Festival de Teatro Independente de Santa Maria utilizando o blog www.fetism.blogspot.com, foi alcançado. Os objetivos específicos também se concretizaram. Foram realizados o desenvolvimento e a divulgação na web do formulário de cadastramento dos voluntários a fim de reunir informações importantes a respeito das áreas de interesse dos participantes em participar da cobertura, a criação do blog, a avaliação da cobertura com base nas entrevistas com os colaboradores e a reformulação do manual para coberturas colaborativas, colaborativa. O #comofaz cobertura colaborativa, durante este projeto experimental, foi diversas vezes reescrito e nunca estará cem por cento finalizado. Ele deverá ser constantemente atualizado de acordo com as novas tecnologias, novas redes digitais e o comportamento dos usuários e dos futuros interessados em praticar e refletir sobre cobertura colaborativa. A flexibilidade possibilitada por esse tipo de trabalho é a mensagem que se quer transmitir a quem quiser ou puder transformá-lo no futuro. O limite de experimentação é não ter limites. Nem a falta de recursos técnicos ou financeiros pode servir como desculpa para um resultado negativo em relação ao conteúdo. Se partimos do pressuposto de que é possível comunicar algo de qualquer lugar por qualquer pessoa, então basta querer, se planejar e resultando na produção final do #comofaz cobertura

60 organizar para que as informações possam ser disponibilizadas ao público com qualidade e através da diversidade de olhares. Uma cobertura colaborativa é adaptável a qualquer tipo de evento em que se aplica, podendo ser desenvolvido por pessoas das mais variadas áreas do conhecimento. Este tipo de prática não veio para disputar espaço ou brigar com a prática tradicional do jornalismo. A cobertura colaborativa permite que a maioria das ocorrências em um evento sejam mostradas, pois as pessoas se organizam para cobrir somente o que diz respeito a ele não precisando se preocupar com outros acontecimentos. Já um veículo tradicional de jornalismo não pode disponibilizar toda a sua equipe para que se dedique a somente um evento e deixe de cobrir outros acontecimentos de igual relevância para a sociedade. Portanto, ambos os tipos de cobertura podem coexistir harmoniosamente, pois se propõem a diferentes formas de comunicar, que estão sempre se reformulando e se adaptando à relação do usuário com as tecnologias em constante evolução. A partir das sugestões feitas pelos colaboradores, aspectos como a utilização das mídias, a definição das funções, elementos a serem levados em consideração na pré-produção e também a organização do trabalho em coletivo foram reavaliados e modificados para a elaboração final do #comofaz cobertura colaborativa. Tal observação faz jus à própria proposta deste projeto, que é a realização de um trabalho colaborativo.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANDERSON, Chris. A Cauda Longa. 2ª ed. Rio de Janeiro: Campus Elsevier, 2006 COHEN, Louis; MANION, Laurence. Métodos de Investigación Educativa. Madri: La Muralla, 1990. JORGE, Tahïs de M. Manual do Foca: Guia de sobrevivência para jornalista, 1ª ed. São Paulo: Contexto, 2008 KOVACH, Bill; ROSENSTIEL, Tom. Os elementos do jornalismo: o que os jornalistas devem saber e o público exigir, 1ª ed. São Paulo: Geração, 2008 JENKINS, Henry. Cultura da Convergência, 1ª ed. São Paulo: Aleph, 2008 LAGE, Nilson. A reportagem: teoria e técnica de entrevista e pesquisa jornalística, 1ª ed . São Paulo: Record, 2001 LEMOS, André; LEVY, Pierre. O futuro da internet: Em direção a uma ciberdemocracia planetária, 1ª ed. São Paulo: Paulus, 2010 MIELNICZUK, Luciana. Jornalismo online e os espaços do leitor: um estudo de caso do netestado: 1998 - Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação, Universidade federal do Rio grande do Sul, Rio grande do Sul SÃO PAULO. Folha de São Paulo. Divisão de Publicações do Grupo Folha. Manual da Redação da Folha de São Paulo. São Paulo, 2010, 388p. SILVEIRA, Sérgio A. O Conceito de commons na cibercultura, In: XXX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, Santos, 2007 SODRÉ, Muniz. A narração do Fato, 1ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2009 VACAS, Francisco. La cominicación vertical: medio personales y mercado de nicho.1ª ed. Buenos Aires: la Crujia, 2010

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APÊNDICE A - Formulário de cadastramento de voluntários para a Cobertura Colaborativa do FETISM 2010 (via Google Docs) Nome * E-mail * Telefone * Gostaria de trabalhar com: * • Áudio (produção e edição) • Vídeo (produção) • Edição de Vídeo • Foto • Texto • Other: Equipamento * Indique aqui o equipamento que possui para usar durante o FETISM • Câmera de foto digital (compacta) • Câmera de foto (SLR) • Câmera de Vídeo (mini-dv) • Microfone • Gravador de Áudio • Notebook • Computador de mesa (para editar os vídeos e áudios em outro local) • Computador com entrada firewire • Nada • Other: Em quais turnos tem maior disponibilidade de tempo? * • Manhã • Tarde • Noite Qual sua experiência com o que quer contribuir? * Comentários / Dúvidas / Sugestões RG *

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APÊNDICE B – Manual #comofaz cobertura colaborativa

#comofaz
cobertura colaborativa
Por @andressaqdro

2

#comofaz

cobertura e

colaborativa de

Manual

para

planejamento

execução

coberturas

colaborativas

desenvolvido como Trabalho de Conclusão de Curso de Comunicação Social – Habilitação Jornalismo / Universidade Federal de Santa Maria.

Andressa Quadro Santa Maria - RS Novembro de 2010

Licenciado pelo Creative Commons – Atribuição, uso não-comercial e compartilhamento pela mesma licença

3

Aos meus amigos do Macondo Coletivo.

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SUMÁRIO O início pg. 5 O que é cobertura colaborativa pg. 6 Por que e para quê isso? pg. 7 Na prática, com exemplos pg. 8 Por onde começar pg. 9 Estrutura pg. 11 Ferramentas e plataformas existem para serem usadas pg. 11 Organização e divisão de tarefas pg. 14 • • • Criar estratégias de comunicação interna pg.14 Dividindo as funções pg. 15 Execução das funções pg. 15 COORDENAÇÃO pg. 16 ATUALIZAÇÃO MULTIMÍDIA pg. 16 FOTOGRAFIA pg. 17 TEXTO pg. 17 VÍDEO pg. 19 PODCAST pg. 23 WEB RÁDIO pg. 24

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Início Este trabalho é uma compilação de ideias, sugestões e soluções deduzidas por diversas pessoas acerca do tema cobertura colaborativa. O material encontrado aqui foi reunido durante o planejamento, a organização e a execução da cobertura colaborativa do 3º Festival de Teatro Independente de Santa Maria, ocorrido em junho de 2010. A vontade de organizar este produto nasceu depois de vivenciar a experiência, junto com mais 15 pessoas, da cobertura colaborativa do Festival Macondo Circus 2009, coordenada por Fernando Krum. Algumas das sugestões aqui presentes foram inspiradas neste primeiro trabalho colaborativo. Contribuíram participantes das para o desenvolvimento colaborativas do do 3º #comofaz Festival cobertura de Teatro colaborativa integrantes do Núcleo de Comunicação do Macondo Coletivo e coberturas Independente de Santa Maria (fetism.blogspot.com), do Festival Macondo Circus 2009 (macondocircus.com/2009), do Festival Grito Rock Santa Maria (macondocoletivo.com) (demosul.blogspot.com). Este manual é destinado a qualquer pessoa que tenha o interesse em desenvolver uma cobertura colaborativa. Nele se encontram os caminhos que podem ser seguidos no planejamento e na organização de funções. Além de ferramentas e plataformas midiáticas úteis à veiculação do trabalho na internet. O #comofaz cobertura colaborativa estará sempre suscetível a modificações e adaptações conforme as tecnologias forem evoluindo e conforme as relações humanas frente a essas tecnologias se modificarem. Todos são livres para colaborar e fazer com que este material seja divulgado e melhorado a cada nova experiência. Todos que queiram levar adiante a ideia do trabalho coletivo. e da 10ª edição do Festival Demo Sul

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O que é cobertura colaborativa
Cobertura Colaborativa é um exercício de produção multimídia onde várias pessoas de diferentes áreas do conhecimento se unem para cobrir um evento coletivamente. O meio utilizado para veicular as informações são as redes digitais, onde o espaço é aberto à variedade de olhares sobre o mesmo acontecimento. A produção de conteúdo pode ser desenvolvida utilizando diferentes formatos de mídias como texto, foto, vídeo e rádio, por exemplo, ou utilizando somente uma delas. A flexibilidade de escolha não está somente nos formatos de mídia, mas também no modo de organização. Ela pode ser realizada: - Estruturando-se uma equipe de pessoas interessadas em produzir os conteúdos, utilizando seus próprios equipamentos, para um site específico, realizar transmissão ao vivo (rádio e ou tv), efetuar divulgação constante nas redes sociais do evento e das produções, ajudar na manutenção do site e ou coordenar as ações; - Estimulando o público do evento a também produzir conteúdo e veiculá-lo no site criado para a cobertura colaborativa (não precisando fazer parte da equipe, mas podendo vir a se integrar a ela durante a cobertura); - Compartilhando conteúdo: diversos usuários e também meios de comunicação cobrem o mesmo evento, veiculando o material em seus próprios blogs, sites ou portais e compartilham suas produções através das redes sociais (linkando os conteúdos no twitter, por exemplo, utilizando a mesma hashtag para armazená-los) e/ou citando-se uns aos outros através de hiperlinks no decorrer das postagens, fortalecendo assim a rede de informações sobre o evento.

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A cobertura colaborativa pode ser desenvolvida por quaisquer pessoas com o desejo de experimentar essas maneiras de desenvolvê-la a fim de dar atenção exclusiva a um determinado acontecimento através da diversidade de olhares acerca dele. Independentemente da maneira como ela será feita e por quem, a cobertura colaborativa demanda organização prévia e divisão de tarefas que se encaixem ao perfil de cada participante. O ritmo de criação, publicação e divulgação pela web dos materiais produzidos, visa acompanhar o ritmo em que as atividades do evento acontecem.

Por que e para quê isso?
Cobertura colaborativa é uma forma de organização do que já acontece na internet: colaboração e transmissão de conteúdos desenvolvidos pelos usuários. A abrangência de olhares já está difundida na rede. Cada vez mais as pessoas têm acesso a tecnologias que facilitam a produção de conteúdo, como celulares, câmeras digitais de vídeo e de fotografia, computadores, etc. As pessoas já não têm acesso à informação somente através dos meios de comunicação de massa, podendo formar suas opiniões baseados em meios que se diferenciam dela – revistas e blogs especializados, TV a cabo e web rádios independentes, por exemplo -, criar seu próprio conteúdo dando a sua visão dos acontecimentos, veiculá-lo se quiser e onde quiser, podendo se tornar também uma fonte de informação. Busca-se com uma cobertura colaborativa, a) canalizar em um evento as várias maneiras de comunicar fatos, acontecimentos e impressões através do olhar de diversas pessoas e meios; b) estimular a criação individual e coletiva; c) viabilizar e divulgar essa criação; d) possibilitar a troca de experiências; e) despertar o gosto individual em determinada função exercida na cobertura; f)

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oportunizar possíveis trabalhos futuros individuais e coletivos; g) dar visibilidade à produção coletiva e individual através do evento; h) dar visibilidade ao evento através dos conteúdos produzidos; i) desenvolver um produto final (todo o conteúdo criado) que se aproxime ao máximo da variedade de olhares.

Na prática, com exemplos
Conheça algumas coberturas colaborativas, que se encaixam na contextualização anterior, realizadas em eventos ocorridos nos anos de 2009 e 2010.

Festival de Artes Integradas Macondo Circus 2009, Santa Maria - RS www.macondocircus.com Festival Independente realizado há sete anos na cidade de Santa Maria. Reúne diversas expressões artísticas como música, artes visuais, artes do corpo e audiovisual e também oferece oficinas e debates sobre questões que envolvem cultura. Nas cinco primeiras edições acontecia em locais afastados da cidade, mas a partir da edição de 2009 passou a ser organizado pelo Macondo Coletivo e a ocupar espaços públicos do centro da cidade e também o bar Macondo Lugar. 3º Festival de Teatro Independente de Santa Maria www.fetism.blogspot.com O Festival, realizado pelo Macondo Coletivo, possuía a característica principal da competição entre espetáculos, submetidos à avaliação de um júri formado por profissionais da área. A partir do ano de 2010 a intenção mudou e o festival passou a dedicar-se em estimular a circulação de grupos teatrais independentes.

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11º Fórum Internacional de Software Livre, Porto Alegre - RS http://softwarelivre.org/fisl11/noticias/se-voce-esta-no-evento-e-produz-textosvideos-imagens-ou-audio-participe-da-cobertura-do-fisl-11 O Fórum Internacional Software Livre (FISL) é considerado o maior encontro de comunidades de software livre da América Latina e um dos maiores do mundo. Promovido, organizado e realizado pelo Projeto Software Livre Brasil e pela Associação Software Livre.Org – ASL, o FISL se tornou um ponto de encontro anual, de pessoas de todos os lugares do Brasil e do mundo para debates técnicos e estratégicos sobre o desenvolvimento e o uso do Software Livre. Festival Demo Sul, Londrina - PR http://demosul.blogspot.com/ O Festival existe desde 2001. Produzido pela Braço Direito Produções, é um festival anual de música independente que acontece em Londrina, norte do estado do Paraná. Foi criado para fortalecer a cena musical local, possibilitando a descoberta de novos artistas potenciais.

Por onde começar
Quanto mais cedo se começa o planejamento de uma cobertura colaborativa, mais chances ela tem de dar certo e mais fácil se torna a resolução de eventuais problemas que venham a ocorrer durante a sua execução. Dedicar tempo à organização (pré-produção) e estar aberto a possibilidades de mudanças de estratégias, durante e depois do evento, pode tornar a execução das funções e o uso das mídias mais coesos do início ao fim da cobertura.

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As questões primordiais para começar são: 1) Mapeamento de possíveis públicos-alvo de colaboração (universidades, escolas, pontos de cultura, meios de comunicação como blogs, sites e ou portais especializados no assunto que será coberto, são alguns exemplos) 2) Definir a estratégia de divulgação da cobertura colaborativa (pode ser feita utilizando elementos visuais que mostrem o que vai ter no evento, escrevendo releases e disseminando a divulgação em redes sociais e ambientes onde o colaborador-alvo circule, por exemplo) 3) Elaboração e divulgação do cadastro a ser preenchido pelos colaboradores 4) Definição de como será veiculada a cobertura colaborativa (se será usado um site ou blog já existente ou se será criado algum específico) 5) Estudar qual a infraestrutura mínima que será necessária para os colaboradores trabalharem (local com internet e segurança para os equipamentos, por exemplo) 6) Definir se cada colaborador deverá levar o seu equipamento ou se será disponibilizado pela organização da cobertura. 7) Se necessário, buscar parcerias, apoios ou patrocínios para viabilizar transmissão ao vivo (rádio e ou TV), internet e disponibilidade técnica.

Estrutura
Depois do planejamento inicial é hora de estruturar como a cobertura colaborativa vai ser realizada. A primeira definição é quem irá exercer a função de coordenador, podendo ser uma ou mais pessoas responsáveis. Os coordenadores exercem um papel importante para a organização do trabalho, pois atuam como uma ponte entre a produção do evento e os

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colaboradores da cobertura. São eles também que organizam a dinâmica de trabalho das equipes e dão suporte aos membros da cobertura - no que diz respeito às plataformas midiáticas utilizadas, aos equipamentos e à infraestrutura - para que consigam produzir os conteúdos e, além disso, trocar conhecimentos entre si. São os coordenadores também que realizam a divulgação, o cadastramento dos colaboradores (Por onde começar), realização de oficinas (onde é mostrado como se usa o site, o blog e as ferramentas) e reuniões com os colaboradores para afinar a organização antes do início do evento e criara a escala de trabalho.

Ferramentas e plataformas existem para serem usadas
Cabe aos coordenadores descobrir e escolher ferramentas midiáticas que possam facilitar a sistematização do trabalho coletivo em relação ao compartilhamento de arquivos de foto e vídeo, divulgação constante nas redes sociais, edição de vídeo e áudio, etc. Aqui são mencionados os usos de algumas ferramentas e plataformas midiáticas como Dropbox, Blogspot, Flickr, Picasa, Megaupload, 4shared, Google Docs, Google Agenda e Wordpress. Dropbox um sistema de compartilhamento de arquivos que disponibiliza

• É

gratuitamente dois giga de memória para cada usuário cadastrado. Basta acessar o link https://www.dropbox.com e instalá-lo no computador, criando um login com o e-mail pessoal. O arquivo é leve e rápido de baixar. Na página dropbox.com há um vídeo explicando do que se trata e como funciona o software. http://www.blogdodiego.net/2009/04/tutorial-dropbox-sincronizacaode.html

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Blogspot

O Blogspot é uma plataforma de blog, onde é possível publicar e atualizar seu conteúdo a todo instante, de qualquer lugar do planeta. As postagens aparecem de forma cronológica, como uma página de notícias ou um jornal que segue uma linha de tempo com um fato após o outro. http://tutorialdoblog.blogspot.com/ Flickr

É um site que disponibiliza a hospedagem e compartilhamento de imagens fotográficas gratuitamente aos seus usuários. É também considerado com uma rede social devido a possibilidade de criação de álbuns para o armazenamento de imagens e entrar em contato com qualquer usuário de qualquer parte do mundo. Além disso, o Flickr pode ser considerado um fotolog, pois permite aos usuários não cadastrados visualizarem as fotografias publicadas e de comentarem as mesmas. http://oitopassos.com/2007/05/19/flickr-tutorial-mastigado-para-voc-e-muitomais/ Picasa um software que o ajuda a encontrar, editar e compartilhar

• É

instantaneamente todas as imagens no PC. Sempre que você abre o Picasa, ele localiza automaticamente todas as imagens (inclusive aquelas que você nem lembrava mais) e classifica-as em álbuns visuais organizados por data com nomes de pastas facilmente reconhecidos. http://www.baixatudo.com.br/picasa

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4shared

É um site de armazenamento de arquivos. Após enviar seus arquivos o 4Shared permite ainda que você execute-os no próprio site e disponibiliza um link específico para compartilhamento. http://www.acemprol.com/viewtopic.php?f=16&t=15666 Google Docs no browser. Os aplicativos são compatíveis com o

É um pacote de aplicativos do Google. Funciona totalmente online diretamente OpenOffice.org/BrOffice.org, KOffice e Microsoft Office, e atualmente compõese de um processador de texto, um editor de apresentações, um editor de planilhas e um editor de formulários. http://www.scribd.com/doc/6060057/Tutorial-Google-Docs Google Agenda

É um serviço de agenda e calendário online oferecido gratuitamente pelo Google. Disponível em uma interface web, é possível adicionar, controlar eventos, compromissos, compartilhar a programação com outras pessoas, agregar à sua agenda diversas agendas públicas, entre outras funcionalidades. http://tudodownloads.uol.com.br/tutoriais/google/aq214criando_uma_agenda_online_com_o_google_agenda.html Wordpress

É uma plataforma semântica de vanguarda para publicação pessoal, com foco na estética, nos Padrões Web e na usabilidade. O WordPress é ao mesmo tempo um software livre e gratuito. http://issuu.com/fabianocc/docs/tutorial_wordpress

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Organização e divisão de tarefas
Uma cobertura colaborativa costuma reunir dezenas de pessoas querendo atuar em diversas frentes de trabalho. Cabe aos coordenadores encontrar maneiras de organizar o funcionamento da cobertura e o ritmo de produção. Depois de saber quantos são os colaboradores e em quais frentes querem colaborar, são sugeridos alguns passos que podem ajudar na execução da cobertura.

• Criar estratégias de comunicação interna
1) Fazer um grupo de e-mails da cobertura colaborativa 2) Compartilhar a programação através do Google Agenda 3) Fazer um banco de dados no Google Docs com as informações sobre as atrações do evento (propor que os colaboradores atualizem constantemente o documento conforme forem pesquisando as atrações)

4) Dividir o trabalho em funções conforme os formatos de mídia utilizados e
colocar em uma planilha compartilhada por toda a equipe (assim todos visualizam o que deve ser feito e quem irá fazer)

• Dividindo as funções
A divisão do trabalho em funções, conforme o formato de mídia, não visa engessar a produção de conteúdo, mas sim unir competências individuais para uma criação coletiva de forma organizada. O objetivo é possibilitar que através da cobertura se consiga mostrar o máximo de acontecimentos de um evento.

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FORMATO DE MÍDIA Texto

FUNÇÃO Produção de texto Revisão de texto Cinegrafista Produção Edição de vídeo

Vídeo

Revisão de edição Produção Edição de áudio

Podcast

Revisão de Edição Técnica

Web rádio

Produção Apresentação

• Execução das funções
A liberdade de expressão é preservada no momento de produzir qualquer um dos formatos de mídia utilizados, mas o cuidado com questões éticas e estruturais deve ser de preocupação constante de todos os colaboradores envolvidos, bem como o apreço pela apuração dos fatos, a fim de que não sejam veiculadas informações equivocadas.

COORDENAÇÃO
Além de serem responsáveis por verificar se as informações que estão sendo transmitidas não se contradizem ou possuem erros, os coordenadores atuam também como uma ponte entre a produção do evento e os colaboradores. São eles também que organizam a dinâmica de trabalho das

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equipes e dão suporte aos membros da cobertura - no que diz respeito às plataformas midiáticas utilizadas, aos equipamentos e à infrastrutura. Pode haver um coordenador para cada formato de mídia ou apenas um que irá auxiliar na execução das demais funções.

ATUALIZAÇÃO MULTIMÍDIA
Cabe ao atualizador multimídia fazer a divulgação constante do evento e das atividades da cobertura colaborativa através das redes sociais, utilizando o Twitter para relatar o que está acontecendo no evento no momento em que acontece e também depois (pode ser utilizado o Twitpic para veicular fotos, e o Tweettube para veicular vídeos via Twitter), divulgando as atrações que ainda não aconteceram e utilizando o Facebook e o Orkut para a divulgação préevento, veiculando a programação completa, por exemplo. O atualizador multimídia é responsável ainda por monitorar a caixa de emails da cobertura do evento, para onde serão enviados materiais produzidos por pessoas interessadas em colaborar mesmo não fazendo parte da equipe da cobertura colaborativa (o público). Também pode se responsabilizar pelo mapeamento de veiculações realizadas por outros meios de comunicação sobre o evento (clipagem e compartilhamento).

FOTOGRAFIA
Os fotógrafos devem estar atentos à estética da fotografia e à informação transmitida por ela. Quando há mais de um fotógrafo pra cobrir o mesmo acontecimento é interessante que o foco de um seja diferente do foco do outro. Ou seja, em um show, por exemplo, alguns fotógrafos podem se responsabilizar em fotografar os artistas no palco e outros, o público. Algumas

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fotografias podem ser veiculadas em um post específico, só para elas, enquanto outras podem ser usadas para complementar a informação de um texto ou de um vídeo. Outras ainda podem ser arquivadas e disponibilizadas em ferramentas como o Flikr ou Picasa.

TEXTO
Produção de texto Cabe às pessoas responsáveis pelo texto encontrarem pautas não só correspondentes à programação do evento (como escrever sobre uma peça de teatro entrevistando os artistas, por exemplo), mas também no que acontece ao seu redor (produzindo um texto sobre as reações do público, por exemplo). O tipo de texto pode variar entre diversos gêneros jornalísticos como entrevista, matéria factual, perfil, crônica, artigo, texto opinativo, texto literário, etc. É importante levar em consideração a necessidade ou não de ilustrar o texto com uma fotografia. Se a fotografia é importante para o texto, é essencial conversar com os fotógrafos antes de começar o trabalho explicando sobre o que vai ser escrito. Isso facilitará a produção tanto do texto quanto das fotos. Depois de pronto é importante que o texto passe por uma revisão, a fim de evitar equívocos na transmissão das informações e também erros gramaticais e de digitação. Criar uma padronização para o formato dos textos pode agilizar essa fase da produção do texto. Exemplo de padronização: - Documento Word - Fonte: Arial, corpo 12 - Indicação de título, subtítulo, local das fotos em vermelho no decorrer do texto - Legendas nos locais das fotos em itálico - Indicação de palavras linkadas em negrito

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-

Links

no

final

da

página.

Assim:

Theatro

Treze

de

Maio

-

www.theatro13maio.com.br/site/index.asp - Créditos das fotos e assinatura do autor no final do texto em negrito. Ex: Texto: Colaborador A, Foto1: Colaborador B, Foto2: Colaborador C Exemplo de padronização de texto15 TÍTULO: Desconstruindo Beckett Luz e passos. Dois andarilhos caminham pelo vazio da existência em direção a lugar nenhum. Com uma mala na mão, percorrem com passos cadenciados um . percurso sem destino. De repente, a música para e o cenário sai do breu esverdeado para uma claridade azulada. A cada tom diferente de luz, tem-se um universo de possibilidades na teia das relações humanas. Em uma composição de dança e teatro, o Grupo Jogo de Experimentação Cênica (POA) abriu a 3ª edição do FETISM em um espetáculo que joga com situações absurdas, mostrando as limitações do ser humano. FOTO Natália 10.06 (01) Legenda: X e Y movimentam-se enquanto jogam. Enquanto espero, jogo. Essa é a máxima que rege as vidas vazias dos dois clochards, vagabundos que perambulam pelas ruas. (...) Texto: Sarah Quines Fotos: Nathália Schneider Grupo Jogo de Experimentação Cênica - http://grupojogo.blogspotcom/

Depois de revisado, o texto volta ao autor e ele mesmo pode efetuar a postagem no blog e ou site, seguindo também uma padronização e atentando para a inserção de hiperlinks e marcadores (ou tags). A padronização pode ser definida levando em consideração o tipo de plataforma utilizada para o desenvolvimento do blog.
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Trecho do texto “Desconstruindo Beckett” escrito por Sarah Quines. Veiculado no blog fetism.blogspot.com

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Revisão de texto Faz parte da função do revisor, corrigir erros gramaticais e de digitação e sugerir ao autor, que alguns trechos sejam reformulados para dar coesão e coerência ao que se quer informar. O revisor pode alertar o autor para algo que esteja faltado como, por exemplo, título, legenda, etc, sugerindo ideias além de verificar se alguma informação está incompleta ou se deve ser melhor apurada.

VÍDEO
Cinegrafista O cinegrafista pode trabalhar em conjunto com o produtor do vídeo ou pode ser o próprio produtor. Podem ser criados vídeos com câmeras profissionais, mini dv, compactas de vídeo e foto, celulares, etc. Para tornar mais eficaz a captura de imagens, sem que haja desperdício de tempo e excesso de material, a solução é realizar um planejamento prévio do que será filmado, criando um roteiro (modelo na página 16). O cinegrafista e o produtor do vídeo podem inserir no roteiro os créditos dos entrevistados especificando os trechos que sugerem serem usados (ver página 18). Devem colocar também os seus nomes (cinegrafista e produtor) e entregar ao editor. Algumas sugestões para as gravações: − Se a gravação for feita com câmera mini dv, verificar o funcionamento da fita, do áudio da câmera e do microfone antes de começar a gravar (o mesmo vale para qualquer tipo de câmera, exceto verificar o funcionamento da fita). − Verificar a quantidade de luz ambiente disponível. − Definir o enquadramento das entrevistas (se aparecerá imagem da

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pessoa da cintura para cima, do corpo inteiro ou close do rosto, por exemplo) Produção de vídeo – produtor / entrevistador Trabalha em conjunto com o cinegrafista, ou pode ser o próprio cinegrafista. Aplica-se a esta função o mesmo que se aplica ao cinegrafista. Mas algumas sugestões se diferenciam e são válidas de ser especificadas: − Preparar os entrevistados, posicionando-os frente à câmera e explicando do que se trata a gravação para deixá-los à vontade − O entrevistador nunca deve largar o microfone para os entrevistados. − Deve posicionar-se de maneira que o cinegrafista possa enquadrar o entrevistado deixando evidente que o entrevistado está olhando para o entrevistador. − Fazer perguntas breves e diretas. − Controlar o tempo das entrevistas para que não fiquem muito longas (o tempo de duração varia conforme a situação, o assunto que está sendo abordado e também o local onde é feito). No exemplo mostrado abaixo, a entrevista com os artistas da peça “Fim de Partida” durou cerca de 10 minutos, pois o grupo era composto por oito pessoas que, além de apresentarem o espetáculo de encerramento do 3º Festival de Teatro Independente de Santa Maria, também participaram da organização do evento.

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Sugestão de formato de roteiro para vídeo Vídeo: FETISM – Fim de Partida (ANEXO A)16
Figura 1 Vinheta de abertura 2 Entrevista crédito: Luíza de Rossi – Teatro Por Quê Não? Imagem do espetáculo Entrevista crédito: André Galarça Teatro Por Quê Não? Imagem do espetáculo 5 6 Entrevista Crédito: Éverton Nogueira Espectador Entrevista crédito: Felipe Martinez Teatro Por Quê Não? Imagem do espetáculo Entrevista crédito: Luíza de Rossi – Teatro Por Quê Não? Imagem do espetáculo Entrevista Crédito: Rafaela Chaves Espectador Entrevista crédito: Deivd Machado Gomez– Teatro Por Quê Não? Imagem do espetáculo Créditos vinheta e programação visual Créditos entrevistas e produção, imagens e edição Sonora entrevista (especificar o trecho) Sonora entrevista (especificar o trecho) Vinheta de abertura Sonora entrevista (especificar o trecho) Trilha VÍDEO ÁUDIO

3 4

Sonora entrevista (especificar o trecho) Trilha

7

8 9

Trilha Sonora entrevista (especificar o trecho) Trilha Sonora entrevista (especificar o trecho) Sonora entrevista (especificar o trecho) Trilha Trilha Trilha

10 11

12

13 14 15

16

Disponível em http://www.fetism.blogspot.com/ e em http://www.youtube.com/watch?v=DH2x_30VqA&feature=player_embedded#!

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Edição de vídeo O editor é quem escolhe o programa de edição de sua preferência. Adobe Premiere, Final Cut, Kino e Cinelerra são alguns exemplos. Cabem aos produtores de vídeo entregar aos editores o material gravado juntamente com um roteiro e podem acompanhar, colaborar ou até mesmo realizar a edição. Para os vídeos é interessante serem criadas, ainda durante o processo de planejamento da cobertura, vinheta de abertura e de encerramento, além de um padrão pra exibir os créditos. Sugestões para a edição: − O editor pode seguir o roteiro proposto pelos produtores de vídeo, mas também pode efetuar modificações quando necessário. − Colocar os créditos dos entrevistados quando os mesmos aparecerem utilizando o padrão para a exibição dos créditos − Colocar os créditos do produtor, cinegrafista e editor no decorrer do vídeo. − Colocar as vinhetas de abertura e encerramento − Depois de finalizada a edição pode mostrar o vídeo ao revisor de edição. − Após ser revisado o vídeo já pode ser veiculado na internet. A ferramenta sugerida para armazenar os vídeos é o Youtube − No Youtube, fazer o upload do vídeo através da conta da cobertura colaborativa ou de alguma previamente escolhida, inserindo as tags, o título e a descrição do vídeo. − Sugere-se que os vídeos de cada dia sejam postados antes dos vídeos do dia posterior. Ou seja, que acompanhem a ordem em que o evento acontece. − A postagem dos vídeos pode ser feita pelos editores, produtores ou revisores, o que pode ser definido pela coordenação em acordo com os

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envolvidos. Revisão de edição O revisor confere se os créditos estão corretos e também se há algum problema estético a ser corrigido, como áudio e cor da imagem, por exemplo. O revisor também pode sugerir a retirada de alguma imagem ou entrevista que ache desnecessária a divulgação.

PODCAST (áudio)
Produção O produtor de áudio pode procurar pautas que se encaixem a diferentes gêneros, como entrevista, narração descritiva, boletim (informes ao vivo com entrevistas), crônica, etc, utilizando qualquer equipamento que possibilite a gravação de som, como celulares, mp3, mp4, ipod, gravador digital, gravador analógico, etc. Edição de podcast A edição pode ser realizada pelo próprio produtor ou por alguém específico para exercer essa função, utilizando qualquer programa de edição de áudio de seu conhecimento. Audacity, Sound Forge, Adobe Audition, FL Studio e Ardour, são alguns exemplos. Revisão de podcast O revisor confere se o nível de áudio está igual do início ao fim do podcast, se ruídos externos captados durante a gravação interferem na qualidade do material e se as informações estão corretas e compreensíveis. O revisor pode sugerir que a edição seja alterada caso detecte algum problema

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na qualidade do som e alguma informação equivocada ou desnecessária ao podcast.

WEB RÁDIO
Pode ser criado um programa específico para a transmissão ao vivo ou gravado com apresentação, entrevistas e informações. Também pode ser feita a transmissão direta do que acontece no evento, sem a necessidade de apresentação. No caso de se criar um programa, é interessante elaborar um script contendo informações sobre o evento, mas no decorrer da programação o improviso pode ser utilizado para tornar a transmissão mais dinâmica. O script serve como um guia para a técnica, a apresentação e a produção. Técnica São responsáveis pela instalação dos softwares necessários para a transmissão do programa e pelo contato com o servidor. Inserem vinheta e cortina seguindo o script, regulam o áudio de ambas e também os microfones. Produção Para cada programa é necessário que pelo menos uma pessoa fique responsável por centralizar as ações de produção, ou seja, pode haver mais de uma pessoa encarregada de produzir o programa, mas o “produtor-chefe” (que pode ser o coordenador de web rádio) deve estar preparado para lidar com os imprevistos e com a organização geral da transmissão. O produtor deve auxiliar o apresentador tanto na execução do script quanto na apresentação e recepção dos entrevistados passando orientações sobre o programa. É também quem disponibiliza o script para a técnica.

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Apresentação Deve estar inteirado das informações acerca do evento e dominar os assuntos que serão abordados no programa. É responsável pelo script juntamente com o produtor. O script funciona como um guia, mas o apresentador deve estar preparado para improvisar caso aconteça algo inesperado durante a transmissão. Nessa situação é sugerido que se tenha o máximo de informações anotadas em papel para serem lidas, o que funciona como uma segurança ao apresentador, não deixando que se perca o ritmo da transmissão.

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ANEXO A

Figura 1

Figura 2

Figura 3

Figura 4

Figura 5

Figura 6

Figura 7

Figura 8

Figura 9

Figura 10

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Figura 11

Figura 12

Figura 13

Figura 14

Figura 15

Figura 16

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APÊNDICE C - Roteiro da entrevista com os participantes da cobertura colaborativa 1) Quais os pontos positivos da cobertura colaborativa do Fetism que tu observaste? 2) Quais os pontos negativos da cobertura colaborativa do Fetism que tu observaste? 3) O que, na tua opinião, deveria ter sido feito de diferente para sanar os problemas que observaste? 4) A função à que tu te propuseste exercer no cadastro foi a mesma que tu exerceste durante a cobertura? 5) Tu leste o manual de redação antes ou durante a cobertura? Achou necessária a existência dele? Compreendeu o manual? 6) Observou ou passou alguma dificuldade ao utilizar o blog (tanto como usuário / leitor quanto como administrador)? 7) Tens mais alguma colocação a fazer? Algo a falar que não foi perguntado?

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