Em Sete Partes: Creio sem hesitações que há mais naturezas invisíveis que visíveis no universo.

Mas quem nos descreverá a família de todas elas, assim como os graus e as relações e as características e as funções de cada uma? O que fazem? Que lugares habitam? A mente humana sempre desejou o conhecimento dessas coisas, mas nunca o alcançou. Enquanto isso, é saudável, não nego, contemplar seja em espírito, seja num quadro, - a imagem de um mundo maior e melhor, para que o intelecto, acostumado às minúcias da vida atual, não se encolha demasiado e não mergulhe por inteiro nas cogitações triviais. Mas, ao mesmo tempo, devemos estar atentos à realidade e preservar o senso de proporção, para que possamos distinguir as coisas certas das incertas, o dia da noite. (T. Burnett, Archaeol. Phil, pág. 68) Argumento: Como um Navio, tendo atravessado o Equador, foi impelido por tempestades à fria Terra a caminho do Pólo Sul; e como de lá fez seu trajeto para a Latitude tropical do Grande Oceano Pacífico; e das coisas estranhas que aconteceram; e de que modo o Velho Marinheiro retornou a seu próprio País. A Balada do Velho Marinheiro por Samuel Taylor Coleridge 1 É um velho Marinheiro, E detém um, de três que vê: - "Por tua barba branca e cintilante olhar, Tu me deténs por quê? Agora o noivo escancarou as suas portas, E eu sou seu familiar. O comensal se apresta, principia a festa; Ouve o alegre exultar." Com a escarnada mão ele o detém ainda; "Houve um navio..."lhe disse. "Solta-me! Solta-me barbado vagabundo!" Deixou que a mão caísse. Com o olho cintilante ele o detém agora... E, quieto, o Convidado Fica a escutar, como criança de três anos, Pelo outro dominado. O convidado vai sentar-se numa pedra: Vê-se forçado a ouvir; E sua fala prossegue o Marinheiro antigo De olhar a refulgir. "O navio foi saudado, o porto evacuado; Equipagem radiante, Passamos sob a igreja, sob o promontório, Sob o farol adiante. À nossa esquerda então o sol se levantava, Do mar a se elevar; Era um claro esplendor... Depois ia se pôr À direita no mar. Sempre, sempre mais alto, até que sobre o mastro Pairava ao meio-dia..." O ouvinte contrafeito aqui bateu no peito: O alto fagote ouvia. Agora a noiva já ingressara no salão, Rubor rosa tem; A inclinar as cabeças, menestréis alegres À sua frente vêm.

O ouvinte contrafeito aqui bateu no peito, Mas é forçado a ouvir; E sua fala prossegue o Marinheiro antigo De olhar a refulgir. "E eis que colheu os navegantes a borrasca, Tirânica e violenta; Veio nas asas da surpresa, e nosso barco Para o sul afugenta. Pendiam os seus mastros, mergulhava a proa... Como quem, a dar gritos e golpes cm perigo, Persegue e pisa a sombra do inimigo, Curva à frente a cabeça, O barco assim se evade; e ruge a tempestade Que ao sul nos arremessa. E de repente nos envolvem névoa e neve, Com um frio assassino; E, alto de um mastro ao vê-lo, flutuava gelo De um verde esmeraldino. E, entre os blocos errantes, penhas alvejantes Dão espectral fulgor; Homens não vemos e animais que conhecemos... Só há gelo ao redor. O gelo estava aqui, o gelo estava ali, Só gelo no lugar; E rangia e rosnava, e rugia e ululava, - Os sons de um desmaiar. Enfim passou por nós, bem no alto, um Albatroz, Vindo da cerração; Em nome do Senhor nós o saudamos, como se fosse outro cristão. Comeu o que jamais comera, e lá na altura Volteava sobranceiro; Rompeu-se o gelo então co'o estrondo de um trovão... Passou o timoneiro! E do sul um bom vento nos soprava alento; O Albatroz nos seguia, E à nossa saudação, por fome ou diversão, Buscava todo dia! Em névoa ou nuvem vem, no mastro ou no ovém, Por vésperas nove pousar; Enquanto a noite inteira, em bruma alva e ligeira, Luzia o alvo luar." "Velho Marujo! Deus te salve dos demônios Que de ti vão empós... Que olhar! Que te molesta?" Com a minha besta Eu matei o Albatroz. 2 Pela direita agora o Sol se levantava: Do mar a se elevar Ainda em meio à bruma; e adiante, à nossa esquerda, Deitava-se no mar. E do sul o bom vento nos soprava alento... Mas ave não se via Que à nossa saudação, por fome ou diversão, Acorresse algum dia! E meu ato infernal traria para todos A desgraça improvisa, Pois, para toda a nave, eu fora a morte da ave Que faz soprar a brisa. Glorioso o Sol surgiu, nem rubro nem sombrio, Tal qual fonte divina; E, para toda a nave, eu fora a morte da ave Que traz névoa e neblina. Justo era, em seu pensar, tal pássaro matar Que traz névoa e neblina.

em suma! E sempre. sem corrente! Agora o oceano no ocidente era um incêndio: A tarde no arrebol! Quase pousara sobre o oceano no ocidente Largo e luzente o Sol. o barco ali. era de um branco forte.um óleo de bruxa . como ganha! Seriam suas velas o que ao sol cintila Como teias de aranha? O arcabouço talvez . a espuma alva voava. quais massas inertes. até que certa forma Ele tomou.ai de mim! . e o par. em suma. Água. uma bruma. Um por um. e o peito martelava) O espaço. Água. Dia após dia. este corpo . Foi quando aquela forma estranha se interpôs Justo entre nós e o Sol. Como se eles bebessem. 4 "Tenho medo de ti. Não maior do que a Lua.verde. como numa taça. Ela era o próprio Pesadelo VIDA-EM-MORTE. Nos cornos envolvendo estrela refulgente Junto à porta inferior. Parecia espiar por grades de masmorra. A água . Sant'Elmo urdia à noite um coriscar de açoite.. Ocioso qual uma pintada embarcação Num oceano pintado. Sua trança. quanta água em toda a parte. E gritei: Uma vela! Com a garganta insaciada e boca negra assada. como se a nós Sufocasse a fuligem. Como a esquivar-se de um espírito marinho. Tenho medo de ti. A orla do sol mergulha. auri-amarela. socorre o crente!). sem suspiro e sem gemido algum. Como. Pairando bem em cima do alto mastro. riem. Quando eis que de repente.. ao passar por mim.. e esguio. ó velho Marinheiro! De tua mão escarnada! E tu és alto. pela Lua que os astros acuam. fazia desafios. Sem sopro. sobre o mar dispara O navio espectral. Nessa aridez. E o vento cede. Sem tempo de gemer ou suspirar. não temas. dia após dia. Cansado atrás de um véu. ao meio dia.." Convidado Nupcial. Que até a raiz afligem. Tudo ao redor o ouvido escuta o e olhar perpassa! Meu sangue vital sorve. riem bastante. com horrenda angústia E maldição no olhar. O calor e a aridez tinham secado a língua. escura mão. sempre avança. Chegou a nua carcassa. E o sulco solto a esfiar. e escuro como a areia Dos mares estriada..A branda brisa arfava.que encerra a luz do Sol Em grades de madeira? Seria essa Mulher sua tripulação? Ela seria a MORTE? Ou ambas que lá estão? A MORTE é a companheira? Seus lábios eram rubros. água. De início parecia uma pequena mancha. Em meu peito o temor! Apagam-se as estrelas. ó Cristo. No olhar vidrado um véu. Navega firme com a quilha levantada. E todos tomam fôlego naquele instante. para a danação.. Sem gota que beber. água. seu olhar. Mergulha e vira e dança. Turbilhão e tropel.. "É o fim do jogo!" a Mulher diz. Cansaço! E que luzir em cada olhar vidrado. a jogar dados. Com um baque pesado. do olhar teu cintilante. Ai de mim! (eu pensei. Quatro vezes cinquenta a soma de homens vivos Que. Atônitos parecem. como a lepra. E da escarnada. Com rosto enorme e ardente.. Lívida a face do piloto à luz junto ao timão! Nas velas o orvalho é um suor. Suas almas voaram. Com garganta insaciada. Uma mancha.. fogem as estrelas: É escuridão total. Jamais humana voz soara antes de nós Naquele mudo mar. Vede! Vede! (Gritei) . "Ganhei! Ganhei!" E dá três assobios. Nove braças ao fundo. Eu vi algo no céu. cravado. ali. E depois uma bruma! Avançava e avançava.Não mais vacila! Vem Salvar-nos certamente. Quem iria Tristeza mais triste encontrar? E nós falávamos tão-só para romper O silêncio do mar! E num ardente céu de cobre.. suguei o próprio sangue. E essas almas silvavam. Qual minha seta o faz. O próprio abismo apodrecia. densa é a escuridão. 3 Um tempo de cansaço! A seca na garganta. Sua pele. Ah! Então . ante a equipagem muda e langue. os olhos no poente. a boca negra assada Riso e pranto cancela. E a madeira a encolher. Que o sangue humano gela. E não podíamos falar. Num sussurrar distante.. azul e branca Ardia sob o céu. Sem vento. quanta água em toda a parte. Caíram um por um. as velas cedem.. E alguns em sonhos garantiam ver o Espírito Que atormentar nos deve. lascivo. Ou para a eterna paz. E com barras o Sol logo ficou listrado (Ó Mãe do Céu. Todos viram-me o rosto. Graças a Deus! exclamam.. havia nos seguido Do lar de névoa e neve. certa forma. Em sangue o sol flutua.que olhares mais terríveis Tive de velho e moço! Como cruz para o algoz... Aquilo foi se dar? Coisas viscosas e com pernas rastejavam Sobre o viscoso mar. ataram o Albatroz Em torno a meu pescoço. Até que a Lua sobe ao longe no oriente.. O meu braço mordi.

e mergulhou Como chumbo no mar. quando acordei. Um rubro imoto e insano. E sem nenhuma aragem. Por certo havia bebido nos meus sonhos. Um bom santo de mim por certo se apiedara. meu colar. Agora em harmonia. o corpo de um sobrinho. rapidamente. Era-me companhia. como que a chover da altura. Mesmo à alma superior a maldição de um órfão Pode danar com seu poder. Minha garganta.. cordas. milhares de viscosos seres Vivendo. E a chuva se despeja de uma nuvem negra. Qual geada de abril. Uma fonte de amor jorrou deste meu peito. Voava à volta.Não tombou. Mas nada me dizia. E milhares. Destilavam suor gelado. acompanhada de uma estrela. zombavam os seus raios Do mormacento oceano. Joelho com joelho. Ao mastro envolve o bando... mas não sentia os membros: Tão leve estava. Nunca atingiu o barco o rumoroso vento E o barco era impelido! Por sob a Lua e o coriscar.. puxando a mesma corda. A voz da cotovia. Num largo. se moveram. Era chuva ao invés. Gemeram. cada som suave E rumo ao Sol subia. mantive-as comprimidas. Manobra o Timoneiro. Um sussurro malvado fez que o coração Secasse como pó. Naquele mesmo instante orar eu já podia. Quase Imaginei que no meu sono havia morrido. Além da sombra do navio.. serpentes d'água Vejo em minha agonia: Movem-se em trilhas de candura que fulgura. E o albatroz. Ouvia às vezes. é quando o olhar de um morto A nós vem maldizer! Sete dias e noites vi tal maldição. Os seus olhares . Das bocas se elevaram lentos sons suaves.. Nadam e se enovelam.. Doce subia. e também eu. sozinho. que é de pólo a pólo amado. qual carriça. A Lua viajante alçava-se no céu. Os seus membros. Ou duas. Instrumentos sem vida tornam-se seus membros. Ainda a água do mar enfeitiçada ardia. E o vento ao vir ruge mais alto. úmidos meus lábios. à frente e atrás. nem fétidos nem pútridos. mas não jorrou Nem uma reza só. Ressequido e esgarçado. negro-veludo. quando se erguem. E lento eles tornavam . Molhadas minhas vestes. Mais horrível. Dançam em meio aos astros. Ao convés putrescente desviei os olhos E os mortos lá deitados. Ora os cadáveres estavam animados Por legião de almas santas: Pois quando amanheceu. porém. tanto tempo no seu ócio Ditoso no convés. enquanto o céu e o mar Jaziam como um peso em meu cansado olhar.. E as bendisse inconsciente. Eu então me movi. sozinho.e tão bonita! E toda ali morreu. Mesmo em sonho. Mas logo ouvi um vento que rugia ao longe Um rumor afastado. Sim. E as bendisse inconsciente. E os mortos me rodeavam. E dentro e fora. E tal como antes agem. E não podia morrer. Mas. e calma! Nós devemos louvar Maria no seu trono! Foi ela quem mandou este suave sono Que desceu em minh'alma. fria. onde a sombra imensa do navio jazia. Ainda não! Ah. Dentro da sombra do navio. largo mar! E nunca nenhum santo se apiedou De minh'alma a agoniar. para trás e para frente. Os marujos se põem a trabalhar nas cordas. Com a Lua em suas bordas. A vida irrompe no ar! Cem flâmulas-de-flama Coriscam sobre os mastros. O relâmpago veio numa linha exata. Se desprendeu de meu pescoço. E era espírito em êxtase. Uma tripulação tão grande . sem olhar. Como veias os glóbulos pulsavam. Olhei para o alto e quis orar. Que tétrica equipagem! Postado frente a mim. Suave essência.. Um fundo e largo rio. mas. Enquanto o mar e o céu. . era estranho ver tanto homem morto Do chão se levantar. ou verde que rebrilha. Indo e voltando. à volta.. Encheram-se de orvalho. a brilhar. 5 Ó Sono! Ó Sono. Lancei os olhos sobre o oceano putrescente E os vazios desolados. Suas vestes ricas vejo: De azul. De seus corpos passando. Mas só este som já sacudiu todo o velame.os olhares que me olharam Jamais haviam passado. quando cada trilha De áurea chama é um lampejo. E o corpo ainda bebia.. te espantas? Em vez de seus espíritos atormentados.. Suspiram velas. os braços de seus caídos. Felizes criaturas! A beleza vossa Não há quem represente. "Tenho medo de ti. chispam lâminas de alvura Das luzes de magia. Sem falar. convidado. E. Sonhei que os baldes... os mortos deram.um por uma agora. Inda lá estava a Lua. as ricas vestes. deram um gemido. ó velho Marinheiro!" Por que. Nenhum lugar seu lar. a nave se desloca. inteiramente só. quando negra e espessa A nuvem se partiu: Como de alto penhasco tomba a catarata. Cerrando as pálpebras. e depois se ergueram.

Saltou inesperado. antes de vivente vida novamente. entretanto. em pranto. a esse navio Ir tão depressa faz?" Segunda Voz "Fendem-se à frente os ares para a sua passagem. com medo e com temor.. imóvel como o escravo ante o senhor. Eis ali. Sopro algum tumultua.suavemente Velejando porém. meu irmão! Quanta benevolência Lhe transmite o olhar dela.como eu fujo! Sempre mais devagar irá navio andar. que morreu por nós! Sua mão funesta é que prostrou com uma besta O inocente Albatroz. lenta e livremente Nosso navio desliza. como quando o tempo é calmo.. Então.. entrávamos no porto. Veloz. Fez que o sangue à cabeça me subisse. desperta a mim agora. Gorjear que parecia encher o céu e o mar Com doce melodia! E ora lembrava alguma flauta solitária. 6 Primeira Voz "Mas diz-me.. Que é seu coroamento." A segunda. E fecham-se por trás. Cessou. como um cavalo escarvador que é solto. era alta a lua.. Por que veleja tão veloz esse navio? Que está fazendo o mar?" Segunda Voz "A mar. Era eu como quem vai. Quanto tempo durou o desfalecimento Eu não sei afirmar.. não mais que o meio de seu casco. Que os céus ouvem calados. Dá-me o sono sem fim! A baía brilhava como um claro espelho.. O canto do velame pára ao meio-dia. Eu pude ouvir e discernir em minha mente Um par de vozes no ar. Até o meio-dia o navegar foi calmo. Amava aquele pássaro que amava este homem Que o mataria em breve. Agitou-me os cabelos. A pico sobre o mastro. A Deus orei assim: Senhor. E eis que me é dado ver de novo o oceano verde. tendo olhado à pressa para trás." Voltei a mim. Que. irmão .. E muito mais fará". Nove braças ao fundo. e vi reunidos Os mortos nesse instante. O Espírito. que habita inteiramente só O lar de névoa e neve. Rompera-se a magia. Seguia o barco avante.. sem barulho. E o plenilúnio mergulhava na quietude . que deveria Ossário se chamar. E branda.. ou então dá-me. E. diz-me! Narra mais. Foge..." Primeira Voz "Porém o que. "Este?" disse a primeira. Mais tarde se tornava um canto angelical. Cintilava o penhasco . abanou-me a face. veloz voava a nave . Mas no velame.Às vezes toda a passarada em seu gorjear. À frente e atrás. é quem empurra o barco Num movimento leve. pois ela o guia Em bonança e procela. Jamais havia passado a angústia de sua morte A dor. a maldição. e. De boas vindas era. Ó sonho jubiloso! É o topo do farol O que avisto afinal? Aquilo é promontório? Aquilo é mesmo a igreja? É o meu país natal? Cruzando a barra.. sem vento ou vaga. Mas não nos retardemos! Cada vez mais alto. E o reflexo da Lua. Entanto. até o meio-dia. Doce quanto o maná. Sem moção. Que brilhava ao luar. Disse ela: "Este homem fez bastante penitência. Tão lisa a face sua! E por sobre a baía o luar se distendia. "O homem então é este? Por Cristo. Com seu canto sereno. Meus olhos de seus olhos não podia tirar E erguer em oração. branda a brisa para mim soprava Para mim. Igual ao do regato no frondoso junho. Mas num minuto ele voltou a se mover. Mas. e continua Teu doce replicar. Do lar de névoa e neve O Espírito se esgueira. prossegue Sem nunca mais olhar Porque bem sabe que um demônio assustador Pisa em seu calcanhar. logo sopra um vento sobre mim. Seu grande olho brilhante imerso no silêncio Volta ele para a Lua Para o caminho descobrir. Num breve e duro avanço.. Embala a noite inteira os bosques a dormir. Plácida a noite. E caí desmaiado. mas eu vi bem pouco Do que ver se podia. segue um murmúrio ameno. oculto no terreno. Por deserto lugar. era uma voz mais doce. Mesmo a mesclar-se estranhamente aos meus temores. Na sombra ou no marulho. Despertado o Marujo. Todos em mim fixavam seu olhar de pedra.. Perscrutei o horizonte. sob a sua quilha.e assim a igreja no alto. E o navio parar deve. Ora instrumentos agrupados. o Sol o havia cravado Naquele oceano manso. O seu caminho não passava pelo oceano. Todos de pé lá no convés.. mais ninguém. e. Mas sem nenhuma brisa: impelido por baixo. Num breve e duro avanço. Como a aura faz na primavera.

rápido qual sonho. avante!" clama Animado o Eremita. essa turba Que ao leito do regato entope e rouba. E meu caso lhe ensino. Depois.. O abismo todo inunda.. No redemoinho do naufrágio o bote gira Ao redor. E toda aquela alvura à muda luz fulgura. Ó. ele há de me lavar Do sangue do Albatroz. De pé mal se sustinha.. E . que ainda há pouco Nos faziam sinal?" "Estranho. te peço: Que espécie de homem és?" Esta carcassa desde então foi torturada Por atroz agonia. é estranho.. Um homem todo luz. santo homem!" E o sinal da cruz O Eremita me fez. Cristo meu! O que vi! Cada corpo. Exceto o monte. Era alegria . Longo tempo arrastou ruidosa uma risada. "Absolve-me.... Ele corta a baía. Mas no jardim a noiva e as damas de honra cantam Sob o camaranchão.que nem os mortos Podiam arruinar. O Ermitão santo ergueu os olhos e rezou. E enquanto a minha história tétrica não conto. bem mais doce do que as bodas para mim Porque a maior doçura É encaminhar-me em companhia para a igreja. Porém. com o Piloto. Errar de terra em terra é meu destino. As sombras de carmim se apressam rumo à proa.. E lá vi um terceiro: era o Ermitão piedoso! Escutei sua voz. mas ó! caía este silêncio Qual música em meu peito. E apenas quando eu relatava a minha história Livre dela me via. sempre mais alto e horrível. No bote vejo-me eu. "Ha! Ha!" disse ao cabo.. De manhã se ajoelha. Tenho um estranho dom do verbo. Era tão vasto e tão vazio. Queima-me o coração. pisando em terra firme Na própria terra minha! Quando o Ermitão depois abandonou o bote. Eu sei que é o homem que precisa me escutar. O bote veio e se encostou junto ao navio: Eu não falei nem me movi. Com as mãos acenando. "agora sei que o Diabo Também sabe remar.. que eram sombras. . largo mar. e.pela santa cruz! Por sobre cada corpo havia um serafim. a seu lado. Na devoção mais pura! É encaminhar-me em companhia para a igreja E orar à luz das velas..." E por fim eis-me ali. a menos Que seja comparado Aos espectros das folhas mortas. ao redor. Tomei os remos: o ajudante do Piloto Se pôs a delirar. E da luz vêm por fim Vultos variados.com o ajudante seu Ouvi se aproximar. Ali mesmo. ele alcança o navio. O Piloto deu um grito E tombou desmaiado. Fui forçado a lançar os olhos para o mar." (É do outro a voz aflita... Ó. E um som súbito ouvi. Nisto. que defronte Repetia o fragor. e ao meio-dia.e sempre em hora incerta Retorna desde então. Como afogado há sete dias (eu suponho) Boiou o corpo meu. "Diz me depressa. A alta voz com que entoa os seus hinos de loa Que nos bosques compôs. uma lanterna. como a noite. Que como chumbo afunda." inquiriu ele. Os olhos a rolar. silêncio... é irreal! As belas luzes onde estão. a seguir . O Piloto.. o seráfico bando Era visão superna! Sinaliza para a terra em seu fulgor.. E se postam ali. à fé!" disse o Eremita. E vi surgir um bote. Quando na moita de hera a neve se demora E o mocho pia para o lobo que devora Os filhotes da loba."Avante.. Num largo. Sempre aquela agonia . "diz. Na devoção mais pura! É encaminhar-me em companhia para a igreja. E o seráfico bando as mãos ia acenando Em silêncio perfeito." . e à tarde. "Nem resposta Deram a nosso brado! A tabica empenada! e vede o seu velame Ressequido e esgarçado! Nunca vi nada igual em minha vida. Nesse instante voltei os olhos ao convés. O bote aproximou-se.. ostentando As cores do carmim. o bater de remos e o brado do Piloto Fazem que me alvorote. exânime e estirado. escuta o humilde sino do ângelus que agora Me convida à oração! Convidado Nupcial! Esta alma esteve só. No momento em que vejo um rosto num lugar.ó Deus do Céu! . Movi meus lábios." "Meu Deus! Meu Deus! Como é sinistro seu aspecto.O imóvel catavento. Tem fofo travesseiro: O velho e apodrecido toco de carvalho Que o musgo envolve inteiro. Quem suporta o clamor que jorra aquela porta!? Os comensais lá estão.. Cada um. 7 Vive o Ermitão piedoso nesse bosque anoso Que desce para o mar.. Quão doce eleva a sua voz altissonante! Com marinheiros vindos de qualquer quadrante Ele ama conversar. que o próprio Deus Lá não devia estar. Ela há de me absolver. e ouvi as suas vozes: "Ora. O bote veio e se encostou sob o navio. N'água um surdo rumor.) "Estou morto de medo. Que sacudiu o oceano e o céu. Em silêncio. Aturdido deixou-me o som alto e medonho. estirado.

ran Through caverns measureless to man Down to a sunless sea. with ceaseless turmoil seething. So twice five miles of fertile ground With walls and towers were girdled round : And there were gardens bright with sinuous rills. Five miles meandering with a mazy motion . que tem amor por nós. Pois o bondoso Deus.cintilante o olhar E a barba branca e vasta. Singing of Mount Abora. And drunk the milk of Paradise.. velhos e as alegres donzelas! Adeus. crianças. That with music loud and long. jovens. I would build that dome in air. Samuel Taylor Coleridge Kubla Khan OR. Could I revive within me Her symphony and song. adeus! Porém. And on her dulcimer she played. Where blossomed many an incense-bearing tree . And here were forests ancient as the hills. Where was heard the mingled measure From the fountain and the caves. na manhã seguinte. To such a deep delight 'twould win me. And sank in tumult to a lifeless ocean : And 'mid this tumult Kubla heard from far Ancestral voices prophesying war ! The shadow of the dome of pleasure Floated midway on the waves . A mighty fountain momently was forced : Amid whose swift half-intermitted burst Huge fragments vaulted like rebounding hail. Somente ora melhor quem sabe amar melhor A tudo.. E das portas do noivo o Convidado agora Lentamente se afasta. Coleridge's published note and another note on its composition In Xanadu did Kubla Khan A stately pleasure-dome decree : Where Alph. But oh ! that deep romantic chasm which slanted Down the green hill athwart a cedarn cover ! A savage place ! as holy and enchanted As e'er beneath a waning moon was haunted By woman wailing for her demon-lover ! And from this chasm. And close your eyes with holy dread. That sunny dome ! those caves of ice ! And all who heard should see them there. E. his floating hair ! Weave a circle round him thrice. Beware ! Beware ! His flashing eyes. Enfolding sunny spots of greenery. For he on honey-dew hath fed. It was a miracle of rare device. acrescentar convém. And all should cry. Caminhou como alguém a cujo senso aturdem Desvario e ressábio. Then reached the caverns measureless to man. E foi-se o Marinheiro . Through wood and dale the sacred river ran.. grande e miúdo.Enquanto cada qual ao Pai dobra os joelhos Bons amigos. A FRAGMENT. A sunny pleasure-dome with caves of ice ! A damsel with a dulcimer In a vision once I saw : It was an Abyssinian maid. levantou-se um homem Mais sombrio e mais sábio. A VISION IN A DREAM. As if this earth in fast thick pants were breathing. ave e animal. the sacred river. Or chaffy grain beneath the thresher's flail : And 'mid these dancing rocks at once and ever It flung up momently the sacred river. Convidado Nupcial: somente reza bem aquele que ama bem Homem.. Ele fez e ama tudo.

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