Suplemento

de Apoio ao Professor

Sumário
PARTE I – Apresentação da obra 1. 2. 3. 4. A era da informação ..................................................................................... A “hibridização” cultural .............................................................................. A história e o tempo presente ................................................................... A estrutura da coleção ................................................................................. Páginas de abertura de capítulo, 5 Boxes de diferentes tipos de texto, 5 Texto complementar, 6 Atividades, 6 Questões de Vestibular/Enem, 7 Sugestões de filmes, 7 Suplemento de Apoio ao Professor, 7 5. A avaliação ...................................................................................................... PARTE II – O volume 1
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

3 3 4 5

8

INTRODUÇÃO – O FAZER HISTÓRIA Capítulo 1. A construção da História .......................................................... . 9 UNIDADE I – DOS PRIMEIROS HUMANOS AO LEGADO CULTURAL DO HELENISMO Capítulo 2. As origens do homem ............................................................. Capítulo 3. Das aldeias pré-históricas aos primeiros Estados ............. Capítulo 4. A identidade do homem americano ..................................... Capítulo 5. A civilização floresce às margens do Nilo ........................... Capítulo 6. Mesopotâmia, berço de civilizações ...................................... Capítulo 7. As civilizações hebraica e fenícia ........................................... Capítulo 8. O legado da Grécia para a civilização ocidental ................ Capítulo 9. O esplendor de Roma ............................................................. UNIDADE II – A CONSTRUÇÃO DOS SENTIDOS Capítulo 10. Alta Idade Média ....................................................................... Capítulo 11. Nascimento e expansão do islamismo ................................. Capítulo 12. A civilização bizantina .............................................................. Capítulo 13. Baixa Idade Média ..................................................................... Capítulo 14. A consolidação das monarquias na Europa moderna ....... Capítulo 15. O Renascimento cultural e científico ................................... Capítulo 16. A expansão ultramarina européia ......................................... Capítulo 17. A política econômica dos Estados nacionais europeus .... Capítulo 18. A Reforma Protestante e a Reforma Católica ................... Respostas das Questões de Vestibular/Enem ............................................. PARTE III – Sugestões bibliográficas 1. Bibliografia para o professor ...................................................................... 50 Metodologia e ensino de História, 50 Temas do volume 1, 50 Temas do volume 2, 52 Temas do volume 3, 53 2. Sugestões de leitura para o aluno.............................................................. 54 Temas do volume 1, 54 Temas do volume 2, 55 Temas do volume 3, 56

11 13 15 16 17 19 20 23

28 30 31 32 34 37 39 41 42 46

2

SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

Parte I — Apresentação da obra
1. A era da informação
Tornou-se lugar comum dizer que vivemos numa “sociedade da informação” ou numa “sociedade do conhecimento”, na qual a informação, o knowhow, o saber, a competência tornaram-se, ao longo das últimas duas décadas, os bens mais preciosos. Por isso, vale a pena refletir aqui, mesmo que brevemente, sobre o significado dessa transformação social e em como ela modifica a maneira de abordarmos o saber histórico na sala de aula. A sociedade do conhecimento é marcada, em primeiro lugar, pelo desenvolvimento explosivo e ininterrupto da tecnologia da informação (TI), que introduziu novas formas de produção e, em conseqüência, novos modos de relacionamento entre as pessoas. A internet, o e-mail, a TV a cabo, o celular, a videoconferência, etc. sedimentaram uma sociedade em rede, na qual as relações sociais são intensificadas e, ao mesmo tempo, esvaziadas, aproximando pessoas distantes e distanciando pessoas próximas, encurtando distâncias e acelerando o tempo, mas reduzindo a possibilidade que se tem para desfrutar a companhia dos amigos e familiares. Tudo se interliga. Os acontecimentos de uma região são formados por eventos que ocorrem a milhas de distância, não há mais fatos que não produzam uma série de ecos, reflexos e ressonâncias imprevisíveis e inesperados. Um exemplo disso foram as imensas passeatas contra a guerra do Iraque em 2003, ocorridas simultaneamente quase no mundo inteiro. Um evento aparentemente restrito à política do Oriente Médio mobilizou milhões de pessoas no mundo todo, convocadas via internet ou e-mail, que deram uma demonstração de força no repúdio à guerra e ao colonialismo. Há, portanto, na sociedade da informação uma dialética entre o local e o global, na medida em que problemas aparentemente localizados podem interferir na vida de todas as pessoas, exigindo uma solução global.

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

2. A “hibridização” cultural
O efeito mais importante dessa transformação social é a mistura de valores, línguas e culturas, provocando o que os antropólogos hoje chamam de hibridização cultural. A hibridização ocorre porque os bloqueios físicos e ideológicos à livre difusão do conhecimento, da cultura e da educação tendem a diminuir, permitindo que povos de diferentes partes do mundo tenham acesso aos valores uns dos outros e se engajem em processos de fusão e difusão de suas respectivas identidades culturais. O entendimento entre os povos, porém, não é tão fácil. O recrudescimento das guerras civis, das rivalidades religiosas ou inter-étnicas em certas regiões do mundo pode ser interpretado como reações ou movimentos destinados a frear essas transformações reafirmando identidades regionais. Vivemos, portanto, um novo cosmopolitismo, semelhante, talvez, aos últimos séculos do Império Romano, quando ocorreu um grande processo de mistura de diferentes culturas. O conhecimento histórico não pode ficar indiferente a esse conjunto tão rico de transformações, que sugerem modificações didáticas e epistemológicas fundamentais na abordagem do saber histórico na sala de aula. É a esse desafio que este livro tenta responder, adaptando o saber histórico às necessidades da sociedade da informação.
PARTE I — APRESENTAÇÃO DA OBRA

3

Como já haviam suspeitado filósofos como Kant e Hegel, o conhecimento não é um dado bruto da realidade, que bastaria coletar e repetir, ao contrário, o conhecimento depende da intervenção ativa do sujeito que conhece, ele é uma construção do sujeito que interpreta a realidade segundo seus critérios mentais e as determinações de sua sociedade e sua cultura. Nietzsche afirmou que todo saber é perspectivo e a história é o exemplo por excelência dessa idéia. Assim, num de seus ensaios mais importantes (Sobre a vantagem e a desvantagem da história para a vida), ele exigia um saber histórico voltado para a vida, que respondesse às necessidades do tempo presente dos homens.

3. A história e o tempo presente
A tarefa de construir um saber histórico voltado para a vida, para os problemas contemporâneos, que possibilite explicar as bases materiais sobre as quais se assenta a nossa civilização e reconhecer os rumos para onde elas estão nos conduzindo, significa permitir ao aluno reconhecer a relação dinâmica que une o passado, o presente e o futuro. Não se pode compreender o presente sem conhecer o passado nem conhecer o passado ignorando o presente. E o conhecimento desses dois tempos permite que possamos antever o futuro, percebendo os caminhos que estamos trilhando, as dificuldades que temos de superar e as condições, limites e possibilidades de se construir um novo modelo de vida para a humanidade. O exercício do historiador, de reconstruir a relação entre passado, presente e futuro, significa reconhecer que a sociedade humana construiu um modelo de desenvolvimento baseado nas desigualdades sociais, no predomínio da técnica sobre as necessidades humanas e na idéia de que o homem, o único dotado de razão e cultura, é o dono soberano da natureza e dela pode fazer uso, de forma predatória e irresponsável. O aumento da miséria, a escalada dos movimentos racistas, especialmente na Europa e nos Estados Unidos, o crescente poderio da indústria da guerra e a rápida devastação dos recursos naturais do planeta alertam para a necessidade de aprendermos com a experiência histórica a construir um projeto humanista de sociedade. Nesta coleção, a tarefa de perceber o saber histórico como uma relação dinâmica entre passado-presente-futuro concretiza-se particularmente nas Aberturas de capítulos, nas leituras e questões dos Textos complementares e nas atividades da seção A história e o tempo presente. Nestas ocasiões, o aluno poderá, por exemplo, compreender os conflitos atuais entre israelenses e árabes no Oriente Médio e as tradições hebraicas presentes no mundo contemporâneo estudando as bases da antiga civilização hebraica; perceber nas instituições do Brasil atual a herança da democracia grega; ou reconhecer nos dias de hoje a permanência da intolerância religiosa que marcou a formação da chamada Idade Moderna (volume 1). No volume 2, a obra possibilita, entre outras coisas, identificar os princípios da Revolução Francesa presentes na Constituição e em outras instituições do Brasil atual; perceber a atualidade da luta indígena pelo direito à terra e à preservação de suas tradições ou reconhecer nas terras dos descendentes dos antigos quilombolas um vínculo com o passado escravista do Brasil; ou ainda identificar nas cidades históricas de Minas Gerais as marcas da época do ouro no Brasil. No volume 3, por sua vez, a relação entre o passado e o presente pode ser percebida ao se abordar a permanência do voto de cabresto, uma prática que marcou a política da Primeira República; essa relação aparece também ao se tratar da atual proposta de reforma da legislação trabalhista herdada do governo Vargas; ou, para citar outro exemplo, ao abordar os movimentos neonazistas atuais, seguidores das idéias de Hitler.

4

SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

A elaboração de uma obra com o olhar voltado para o nosso tempo é necessária não somente por possibilitar a leitura e a compreensão do presente à luz do passado, e vice-versa, favorecendo assim projeções em relação ao futuro, mas também por representar uma escolha metodológica que transforma a aprendizagem num saber significativo para os alunos, amparada em referenciais conhecidos e contemporâneos e, por isso mesmo, dotada de sentido e interesse.

4. A estrutura da coleção
Baseando-se numa pedagogia não-diretiva, esta obra procura ser mais do que um livro básico de consulta; ela pretende oferecer as referências fundamentais para que o professor possa abordar a história em distintas dimensões. A coleção não direciona o olhar, não fornece uma narrativa ou interpretação única do processo histórico, mas apresenta-se como um texto aberto, contendo múltiplas referências e sugestões de trabalho e deixando o professor livre para explorá-las junto com seus alunos na sala de aula. O professor poderá utilizar o livro de diferentes formas, aprofundando certos assuntos mais que outros, associando diferentes processos históricos simultâneos ou sucessivos, fazendo interconexões entre épocas e lugares diferentes, enfim, explorando as fontes fornecidas pelo texto segundo os objetivos e a proposta pedagógica de cada escola. Como nenhum livro didático poderia ser absolutamente exaustivo, este livro não esgota os assuntos tratados. Nem se pretende também que seja o único ou o mais importante material didático de uso em sala de aula. Cabe ao professor planejar o uso desta obra, selecionando os conteúdos e combinando-os com outros materiais, como livros de apoio didático, textos de jornais e revistas, músicas, narrativas ficcionais e poesias, depoimentos e o próprio conhecimento que o aluno já traz para a sala de aula.A utilização conjunta do livro e do suplemento de apoio lhe será muito útil nesse sentido. As principais seções que constituem os livros da coleção são as seguintes:
Páginas de abertura de capítulo

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Diferentes gêneros textuais, pinturas, fotografias, mapas e tabelas, seguidos de um texto didático, introduzem o tema do capítulo. Quaisquer que sejam os recursos, a abertura apresenta uma problemática atual, que estabelece a ponte passado-presente e contribui para motivar o estudo dos conteúdos do capítulo.
Boxes de diferentes tipos de texto

Quadros destacados em fio verde trazem documentos históricos, textos de pesquisadores, trechos de obras literárias, os quais possibilitam ao aluno conhecer diferentes interpretações elaboradas sobre determinado acontecimento histórico, conhecer o que os indivíduos pensavam dos fatos que eles vivenciaram e desenvolver a capacidade de leitura de diferentes tipos de texto, competência necessária para a prática plena da cidadania. Nas atividades de final de capítulo, muitas vezes se solicita a retomada de algumas dessas leituras, com o intuito de desenvolver a habilidade da compreensão e da interpretação de textos ou de estabelecer comparações com imagens, tabelas, mapas ou textos de outros autores. Sugerimos, para ampliar o trabalho de análise das fontes históricas e exercitar o método de investigação do historiador, que outros textos propostos nesses boxes sejam também explorados pelo professor, estimulando o aluno a reconhecer as idéias e as intenções sustentadas pelo autor e a compará-las com o texto didático, com imagens ou outras fontes que tratem do mesmo tema.
PARTE I — APRESENTAÇÃO DA OBRA

5

Texto complementar

As leituras selecionadas para esta seção caracterizam-se pela diversidade de gêneros textuais (textos jornalísticos, históricos, científicos, de apoio didático) e pelas possibilidades de ampliar o conhecimento sobre o tema, estimular o debate e a habilidade de argumentação. As questões da seção Compreendendo o texto, ao final da leitura, visam desenvolver a capacidade de compreensão, ou seja, de extrair do texto as informações e idéias centrais, explícitas ou subentendidas, relacioná-las e, nos casos pertinentes, posicionar-se diante de um debate ou interpretação histórica. O trabalho com estes textos pode ser iniciado solicitando aos alunos para enumerar os parágrafos e, à medida que a leitura for sendo feita, ir destacando as palavras consideradas difíceis. O próximo passo é procurar no dicionário o significado dos termos apontados e anotá-los no caderno. Em seguida, pedir aos alunos para identificar, oralmente, a idéia ou a característica principal de cada parágrafo. Feito este estudo prévio, encaminhar o trabalho de formulação das respostas, que pode ser realizado individualmente ou em dupla.
Atividades

Explorando o conhecimento

As questões propostas neste primeiro item têm como finalidade sistematizar os conteúdos estudados no capítulo e desenvolver habilidades cognitivas próprias da disciplina e da prática educativa, em especial a comparação, a observação, a interpretação, a produção de textos, o juízo crítico e as noções de cronologia. Nestas atividades, oferecemos ao professor uma variedade de questões que trazem textos variados, pinturas, gráficos, tabelas, mapas e charges, que possibilitam aprofundar os conceitos de cada capítulo, discutir a dinâmica da produção histórica, compreender como os indivíduos do passado enxergavam o seu próprio tempo e como outras pessoas, que viveram em épocas posteriores, interpretaram os registros do passado.
A história e o tempo presente

As atividades desta seção permitem relacionar o passado e o presente, estimulando o aluno a conhecer e a se posicionar diante de questões relevantes para a sociedade contemporânea. As questões, que incluem produção de textos, debates, leitura de imagens e textos, elaboração de pesquisas e montagem de painéis, entre outras propostas, visam, igualmente, formar atitudes de valorização do patrimônio histórico e cultural da humanidade, de preservação dos recursos naturais do planeta e de repúdio às guerras e às injustiças sociais. Entendemos que é papel do ensino de história e de toda prática educativa contribuir na formação de pessoas conscientes dos problemas sociais do seu tempo e das mudanças necessárias para superá-los, comprometidas com os princípios da tolerância, da democracia, da paz e da solidariedade. Não basta preparar o aluno para ser um excelente leitor, formulador de hipóteses, observador e capaz de produzir textos bem articulados e persuasivos. É preciso, no mesmo nível, formar indivíduos que repudiem a indiferença e os preconceitos, que questionem o consumismo e o individualismo, que expressem a sua afetividade e desenvolvam a sensibilidade e se sintam responsáveis por construir uma sociedade mais justa e humanizada.

6

SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Questões de Vestibular/Enem

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

O ensino médio não pode ficar refém de um modelo educacional voltado para os vestibulares, mas também não pode se esquivar dessa tarefa. Criar condições para que todos os alunos ingressem em boas universidades e possam se servir dos recursos públicos destinados ao ensino superior, qualificando-se para exercer a vida social e profissional, é parte da tarefa de democratizar a sociedade brasileira. Entendemos também que a universalização do ensino superior significaria, em última instância, a extensão da obrigatoriedade para a educação superior e a extinção dos vestibulares. Infelizmente, não há perspectivas de que isso ocorra em um futuro próximo. Diante dessa realidade e da importância de ampliar ao máximo o acesso à educação superior, selecionamos nesta coleção questões de diferentes universidades do país e das provas anuais do Enem, procurando contemplar os conteúdos essenciais de cada capítulo e atender aos objetivos estabelecidos para a disciplina, tanto os que envolvem questões conceituais quanto aqueles que remetem à tarefa de preparar para a prática da cidadania. As questões objetivas podem ser respondidas oralmente ou por escrito, no caderno, conforme critério estabelecido pelo professor. Quanto às questões discursivas, elas podem ser trabalhadas individualmente ou em dupla, ou ainda servir de material de trabalho em grupo. As respostas das questões de vestibular e do Enem estão no final deste suplemento.

Sugestões de filmes

Ao final dos capítulos, apresentamos um ou mais filmes recomendados para o trabalho com os conteúdos tratados em cada caso. Sugerimos ao professor assistir ao filme antes de exibi-lo aos alunos, para avaliar a adequação do filme à realidade de seus alunos ou, se for o caso, para selecionar as passagens mais apropriadas para o trabalho que propôs desenvolver. O trabalho com o cinema nas aulas de História não pode prescindir de uma demarcação prévia entre o que é conhecimento histórico e o que é ficção, para não se correr o risco de confundir história com arte. O cinema é uma interpretação livre do passado, sem compromisso com a objetividade e a documentação, ao contrário da ciência histórica, que não pode se furtar do compromisso com a objetividade e os registros do passado. Nesse sentido, a obra cinematográfica nos diz mais sobre a época em que foi feita do que sobre o fato histórico que inspirou o enredo.

Suplemento de Apoio ao Professor

Cada volume da coleção vem acompanhado de um Suplemento de Apoio ao Professor que complementa os conteúdos e as atividades do livro, remetendo em cada caso a uma bibliografia específica e a outras fontes essenciais para aprofundar os temas estudados. São citados, além disso, trechos de fontes primárias que podem ser exploradas em sala, sugerem-se atividades interdisciplinares e o uso de diversas linguagens (literatura, imagem, música, etc.) para dar conta dos temas abordados. O suplemento prescreve formas possíveis e caminhos recomendáveis de utilização dos materiais do livro sem, contudo, limitar a liberdade e a criatividade do professor, mas, ao contrário, estimulando-as com sugestões de materiais de apoio, propostas de novas atividades e informações adicionais.
PARTE I — APRESENTAÇÃO DA OBRA

7

5. A avaliação
A avaliação tradicionalmente era tratada como instrumento de controle, vigilância e punição, em geral realizado em ocasiões previamente estabelecidas pelo professor. Nessa perspectiva, perante os alunos, a avaliação despertava ansiedade, pavor e insegurança. Felizmente, desde as últimas décadas do século XX, o foco da avaliação tem se deslocado cada vez mais do binômio promoção-reprovação para ajustar-se às necessidade do processo de aprendizagem. Segundo essa nova perspectiva, a avaliação deve ser diferenciada e contínua, ou seja, deve contemplar as especificidades e habilidades prévias dos alunos e ocorrer durante todo o processo de ensino-aprendizagem, tendo como referência os objetivos estabelecidos para cada disciplina. Em vez de funcionar como uma ferramenta de promoção ou reprovação, a avaliação deve permitir ao educando reconhecer suas conquistas e dificuldades, ajudando-o a visualizar os desafios e os caminhos possíveis para a sua superação. Para o professor, a avaliação possibilita rever sua prática pedagógica e ajustá-la às necessidades do grupo, alterando procedimentos e readequando os instrumentos avaliatórios. Sob esse ponto de vista, a avaliação não só permite verificar se os conteúdos estão sendo aprendidos, mas também perceber os avanços e as fragilidades do processo de ensino-aprendizagem, criando condições para que o aluno atinja os objetivos estabelecidos para a disciplina e para a prática educativa como um todo. Organizar um projeto de avaliação centrado na aprendizagem pressupõe também avaliar o crescimento global do aluno nos conhecimentos da disciplina. Assim, o professor deve fazer uso, em sua experiência pedagógica, de uma diversidade de instrumentos de avaliação, que considerem as diferentes habilidades dos alunos. Nesta coleção apresentamos atividades de vários gêneros, agrupadas nas seções Compreendendo o texto, Atividades e Questões de Vestibular/Enem, que podem ser utilizadas pelo professor para avaliar e aperfeiçoar o aprendizado dos alunos e os resultados do seu trabalho: atividades de leitura, compreensão e produção de textos, análise de imagens, de gráficos e mapas, elaboração de pesquisas, montagem de painéis, debates, entre outras. A prática da avaliação, utilizada como instrumento da aprendizagem e não como mecanismo de controle e punição, é uma tarefa que pode envolver os alunos, para que eles também compreendam a importância dos critérios utilizados na avaliação e identifiquem, à luz desses critérios, os avanços já conquistados e as dificuldades que precisam ser superadas. A auto-avaliação, porém, não pode ser vista como a possibilidade de manipular ou escamotear os resultados da aprendizagem, mas, ao contrário, como uma oportunidade de discutir com os alunos os erros, acertos e desafios do processo educativo.

8

SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Parte II — O volume 1
INTRODUÇÃO
O FAZER HISTÓRIA

CAPÍTULO 1. A

CONSTRUÇÃO DA

HISTÓRIA

Conteúdos e objetivos

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Este capítulo retoma noções já discutidas nas séries do ensino fundamental e que constituem a matéria-prima do trabalho do historiador, em especial os conceitos de tempo e o de fonte histórica. O capítulo também explicita a diferenciação entre tempo histórico e tempo cronológico, discute a periodização clássica européia e apresenta os diferentes tipos de calendário elaborados pelas sociedades. Com esse estudo, pretendemos desenvolver as seguintes habilidades, procedimentos e atitudes: • Aprofundar as noções de tempo histórico e tempo cronológico. • Ampliar as noções de fonte histórica. • Compreender e exercitar o método de trabalho do historiador na análise das fontes históricas. • Comparar diferentes calendários. • Desenvolver o método de realização de pesquisas. • Valorizar o patrimônio histórico e cultural das distintas sociedades.
O que é História?
p. 9

res e/ou atuais”. (JENKINS, Keith. Repensando a História. São Paulo, Contexto, 2001, p. 32.) É por isso que o estudo da história não pode prescindir do conhecimento da historiografia sobre cada período e da análise das formas como o conhecimento histórico é construído. Sugere-se que o professor, ao abordar cada período, incorpore o hábito de problematizar a construção do conhecimento histórico, sempre contrapondo interpretações distintas dos acontecimentos ou processos em questão, para mostrar que a história pode refletir determinada perspectiva e que nenhuma interpretação poderia pleitear a condição de retrato fiel da realidade. A necessidade de alertar o aluno para a carga de intencionalidade e parcialidade presente nos documentos e na construção conceitual feita pelo historiador não deve ser confundida, no entanto, com o relativismo total, ou seja, com a visão de que a história se resume a um exercício infinito de interpretações particulares. Leia o que escreveram os historiadores Jacques Le Goff e Eric Hobsbawm sobre a importância da noção de objetividade histórica: Verdade e objetividade 1 “A tomada de consciência da construção do fato histórico, da não-inocência do documento, pôs em evidência os processos de manipulação que se manifestam a todos os níveis da constituição do saber histórico. Mas esta verificação do fato não deve conduzir a um ceticismo de fundo acerca da objetividade histórica e ao abandono da noção de verdade na história; pelo contrário, os progressos contínuos no desvendar e na denúncia das mistificações e falsificações da história permitem que se seja relativamente otimista a este respeito. [...] O objetivo ambicioso, a objetividade histórica, constrói-se pouco a pouco através de revisões incessantes do trabalho histórico, laboriosas retificações sucessivas e acumulação de verdades parciais.”
(LE GOFF, Jacques. História e memória. Lisboa, Edições 70, s.d. v. 1 e 2.)

A História não pode ser definida simplesmente como a reconstituição dos fatos que ocorreram. Ela é o resultado do trabalho do historiador, que interpreta, segundo determinada grade de leitura, os vestígios deixados pelo passado. Assim, o passado e a reflexão sobre ele são coisas distintas, pois toda história é uma composição de recortes de conteúdos e de interpretações a respeito de determinados temas. Por essa razão, é possível serem elaboradas diferentes interpretações de como os acontecimentos se inter-relacionam e de quais são os possíveis significados e valores que podemos dar a eles. Dentro dessa perspectiva, um bom historiador não pode se esquecer de que a história é também uma construção conceitual, mediada por outras interpretações anteriores. Como ressaltou o historiador inglês Keith Jenkins,“o passado é sempre percebido por meio das camadas sedimentares das interpretações anteriores e por meio de hábitos e categorias de leitura desenvolvidos pelos discursos interpreta-tivos anterioPARTE II — O VOLUME 1

2 “Temos uma responsabilidade pelos fatos históricos em geral e pela crítica do abuso políticoideológico em particular.

9

(HOBSBAWM, Eric. Sobre história. São Paulo, Companhia das Letras, 1998.)

Lidando com o tempo

p. 11

É preciso que o professor trabalhe continuamente para desfazer uma visão de história na perspectiva do evolucionismo, compreendida como uma seqüência de etapas que todos os povos devem cumprir na sua marcha rumo ao progresso. Nessa perspectiva, que traduz o senso comum, a história processa-se como o acúmulo de conquistas sucessivas em direção a um fim consciente e único possível: o progresso material. A reflexão sobre idéia de história universal exige que se recorra um pouco à antropologia cultural, introduzindo o conceito de relativismo cultural. Em seu ensaio “Raça e História”, o antropólogo Lévi-Strauss procura desfazer a idéia de que a humanidade evolua num sentido único, passando pelas mesmas etapas. Segundo esse estudioso não existem povos sem história, nem culturas absolutamente isoladas, pois o que constitui a cultura é justamente a troca. Uma cultura isolada das outras estaria destinada a se desagregar e desaparecer. A idéia de superioridade e inferioridade cultural é um equívoco, pois cada povo, a partir do patrimônio material e simbólico que constrói, contribui para desenvolver o potencial humano e compor a diversidade que caracteriza a história da nossa espécie. Ainda, segundo Lévi-Strauss, a estética das tribos maori ou os sistemas de parentesco dos índios sul-americanos são estruturas tão complexas

Periodização da história ocidental

p. 14

O professor deve enfatizar que a periodização tradicional — em quatro idades — é uma divisão arbitrária, que leva em consideração os marcos significativos para a história da Europa ocidental. A periodização clássica européia é útil em termos didáticos, pois facilita a organização do estudo e a localização temporal dos fatos históricos. O uso dessa ferramenta cronológica não significa compreender a história como uma evolução progressiva e linear, questão que é preciso sempre destacar para os alunos. Cada período tem seus valores e suas especificidades e não pode ser julgado de acordo com as categorias do presente, o que representaria um anacronismo. Assim, por exemplo, a Idade Média não foi, como antes se afirmava, a “idade das trevas”, contrastando com o brilho das civilizações clássicas que a precederam. Para o homem culto renascentista, a Idade Média parecia uma época obscurantista, por isso a denominava de idade das trevas. Mas, vendo-a do presente, à luz de novas investigações históricas, percebemos que foi um período muito rico da civilização ocidental, em que, num primeiro momento, a tradição clássica e os valores cristãos se misturaram aos padrões culturais dos povos invasores (germanos, eslavos,
SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

10

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Pouco preciso dizer sobre a primeira dessas responsabilidades. Não teria nada a dizer, não fosse por duas circunstâncias. Uma delas é a moda atual de os romancistas basearem seus enredos na realidade constatada em lugar de inventá-los, confundindo com isso a fronteira entre fato histórico e ficção. A outra é a ascensão das modas intelectuais ‘pós-modernas’ nas universidades ocidentais, particularmente nos departamentos de Literatura e Antropologia, as quais implicam que todos os ‘fatos’ com existência pretensamente objetiva não passam de construções intelectuais — em resumo, que não existe nenhuma diferença clara entre fato e ficção. Mas existe, e para nós, historiadores, inclusive para os antipositivistas mais intransigentes, a capacidade de distinguir entre ambos é absolutamente fundamental. Não podemos inventar nossos fatos. Ou Elvis Presley está morto ou não. [...]”

que mal conseguimos entendê-las. “A originalidade de cada cultura reside na maneira particular como resolvem problemas e perspectivam valores que são aproximadamente os mesmos para todos os homens, porque todos os homens sem exceção possuem uma linguagem, técnicas, arte, conhecimentos de tipo científico, crenças religiosas, organização social, econômica e política.” (Raça e História, p. 75). O texto “Os Tuareg”, na página 13, ilustra bem o que disse Lévi-Strauss: nenhuma cultura, isolada, pode sobreviver. Cabe ressaltar, portanto, que as sociedades chamadas “tradicionais” não podem ser vistas como não-civilizadas, selvagens, sem história; elas devem ser compreendidas na diversidade cultural que as constitui e que as torna diferentes, mas jamais inferiores aos povos ocidentais. O professor pode chamar a atenção também para o fato de que a idéia de um tempo histórico único e cumulativo é uma construção cultural da Europa ocidental do século XIX, que tem a função política de legitimar a dominação imperialista sobre outros povos supostamente “primitivos” ou “selvagens”.

etc.); e, posteriormente, teve início o intercâmbio cultural com civilizações do Oriente. Cabe ao professor trabalhar a especificidade de cada período histórico, enfatizando a sua riqueza cultural, sem induzir a juízos de valor sobre os homens do passado. A história, sob essa perspectiva, se assemelha muito à antropologia. Ela nada mais faz que abordar no tempo o que a antropologia aborda no espaço: a diversidade cultural e o processo ininterrupto de troca entre culturas.
Texto complementar A ditadura do relógio
p. 15

O objetivo do trabalho com esse texto é promover uma discussão sobre a relatividade do tempo. O tempo não é uma categoria exata e imutável, mas uma construção social que é percebida e vivenciada de formas diferentes, dependendo do modo de vida de cada sociedade, dos valores, projetos e referências de uma cultura ou de uma geração. Por exemplo, a relação que as comunidades rurais têm com o tempo não é a mesma que a dos habitantes dos centros urbanos, assim como as crianças sentem o tempo de forma diferente da que sentem os idosos. A velocidade da vida moderna, marcada pela pressão do relógio, pelas refeições rápidas, pela produção em série, é uma criação da sociedade que nasceu da grande indústria e que se afirmou sobre os escombros das culturas tradicionais. As questões da seção Compreendendo o texto permitem que o aluno reconheça as mudanças que a sociedade industrial gerou para a relação do ser humano com o tempo e identifique no mundo atual a permanência e a mudança dos aspectos expostos pelo autor.
Atividades
p. 16

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

a importância do tempo para a História e a diversidade do patrimônio cultural da humanidade. A construção de uma linha do tempo, proposta na questão 6, pode parecer, numa primeira leitura, tradicional e pouco instigante. O desprezo pela cronologia, no entanto, é uma atitude equivocada, porque não é possível compreender os fatos históricos e estabelecer relações entre eles sem saber localizá-los no tempo. Uma visão de história centrada em datas e nomes é tão nociva quanto a perspectiva atemporal, como se a história não fosse a ciência dos homens no tempo. A proposta de resgatar, na linha do tempo, acontecimentos que marcaram a história recente do Brasil permite que os alunos relacionem o estilo de vida da sua geração com a história mais geral do seu país. Por exemplo, nesta atividade alguns alunos podem destacar o primeiro voto nas eleições oficiais do país, um direito que a Constituição de 1988 assegurou aos jovens maiores de 16 anos.

UNIDADE I
DOS PRIMEIROS HUMANOS AO LEGADO CULTURAL DO HELENISMO

CAPÍTULO 2. AS

ORIGENS DO HOMEM

Conteúdos e objetivos

As atividades têm como objetivo desenvolver as habilidades, procedimentos e atitudes estabelecidos para o trabalho com o conteúdo deste capítulo: noção de tempo histórico, tempo cronológico e documento, elaboração de uma pesquisa e valorização da diversidade cultural que caracteriza as sociedades humanas. Nas questões 1 e 2, a intenção não é chegar a uma definição monolítica e conclusiva dos termos básicos inseridos no capítulo, mas permitir que os alunos, ao conceituá-los, levem em consideração o caráter não-inocente dos documentos, a natureza investigativa do conhecimento histórico,
PARTE II — O VOLUME 1

O capítulo em questão aborda de forma abrangente as teorias e controvérsias acerca da origem do homem, que nos remete ao período convencionado como Pré-história. As questões selecionadas envolvem a discussão sobre a periodização da Pré-história, as etapas da evolução biológica humana e a polêmica entre criacionistas e evolucionistas, além de textos relevantes e atualizados que situam o problema nos dias de hoje. É importante ressaltar nesse estudo que grande parte do conhecimento construído sobre a infância da humanidade situa-se no terreno das hipóteses, já que os registros disponíveis não são suficientes para elaborar uma radiografia conclusiva sobre a vida do homem pré-histórico. O objeto deste capítulo pode proporcionar a interlocução com a área de Ciências, que, de acordo com as necessidades e conveniências das duas disciplinas, poderão desenvolver projetos em parceria ampliando a discussão do tema proposto. O estudo das principais teorias elaboradas sobre a origem da nossa espécie, bem como a

11

Sugestões de leitura

Imagens da abertura

p. 20

O capítulo se inicia com duas imagens: a da esquerda é uma charge satirizando o evolucionismo darwinista; a outra é a reprodução de um quadro em que o artista interpreta o mito de Adão e Eva. A contraposição aqui é tanto clássica quanto atual, já que o debate entre criacionistas e evolucionistas vem crescendo em vários países, inclusive no Brasil. Por conta disso, o professor deve procurar esclarecer que se trata do debate entre uma visão científica do surgimento do homem e uma interpretação religiosa do mesmo fato, divergência que é preciso conhecer e avaliar. Ao mesmo tempo, o professor pode desfazer a crença equivocada de que Darwin teria afirmado que o homem descendia do macaco, como mostra a charge, quando, para ele, tanto o homem quanto o macaco derivariam de um ancestral comum, que teria dado origem às duas famílias, aos hominídeos e aos macacos.
Qual é a origem do homem? A evolução humana
p. 20 p. 21

DARWIN, Charles. Autobiografia. Madri, Alianza Editorial, 1993. MONTALENTI, Giuseppe. Charles Darwin (Biblioteca Básica de Ciência). Lisboa, Edições 70, 1982. GOULD, Stephen Jay. Darwin e os grandes enigmas da vida. São Paulo, Martins Fontes, 1992.
Sugestão de atividade

Para discutir a importância das pinturas rupestres para a pesquisa e a compreensão dos primórdios da história humana, o professor pode programar uma pesquisa sobre o Vale de Vezere, localizado na França, considerado patrimônio mundial pela Unesco desde 1979. Lá foram descobertos cerca de 147 centros de cultura paleolítica e 25 cavernas com pinturas rupestres (dentre elas as célebres pinturas de Lascaux). Atualmente, a região abriga o maior e mais importante museu de Pré-história da Europa, o Museu Nacional de Pré-história de Evzies, que ocupa uma área de 5.000 m2 e abriga uma coleção de cerca de seis milhões de obras.
Texto complementar
p. 25

Se o professor achar conveniente poderá aprofundar a discussão sobre a hipótese do criacionismo e a do evolucionismo utilizando os textos selecionados no final das orientações para esta unidade. Pode-se promover um debate em sala de aula apontando os principais pontos de conflito entre as duas visões ou ainda ampliar a

Encontros amorosos entre sapiens e neandertais

O texto complementar selecionado noticia o achado mais controverso da arqueologia nos últimos tempos: o esqueleto de um menino que contém características tanto do Homo sapiens sapiens
SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

12

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

compreensão das características do modo de vida dos primeiros seres humanos, visa aos seguintes objetivos: • Destacar as atividades que garantiam a sobrevivência humana no período Paleolítico, percebendo as principais mudanças que marcaram a evolução da espécie. • Explicar a teoria evolucionista e diferenciála da visão criacionista. • Reconhecer os povos ágrafos como portadores de uma cultura e uma história, não menos importantes que as das sociedades que elaboraram um código escrito de comunicação. • Comparar aspectos da vida humana no Paleolítico com a dos tempos contemporâneos, estabelecendo diferenças e semelhanças. • Ler e interpretar figura rupestre procurando identificar na imagem intenções e sinais de como era a vida humana no período. • Montar painel representando as principais realizações humanas no período denominado Préhistória.

discussão para a permanência da relação conflituosa entre a ciência e a religião em diferentes períodos da história.
Boxe - Charles Darwin
p. 21

De forma coerente com a proposta pedagógica de valorizar a postura ativa do educando diante do conhecimento, sugerimos uma bibliografia de apoio que o professor poderá indicar para aqueles que queiram conhecer melhor a vida e a obra desse importante cientista. Como forma de despertar a curiosidade do aluno, o professor pode salientar que Darwin, entre 1831-1836, quando viajou a bordo do navio Beagle, ainda na sua juventude, esteve na América do Sul observando a flora e fauna nativas, viagem que foi fundamental para a consolidação da sua futura teoria da evolução das espécies.

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

quanto do Homo neandertalensis, aquecendo ainda mais o debate entre os defensores da origem única do homem e os da teoria multi-regional, que advogam a tese de que o homem moderno, o Homo sapiens sapiens, resulta do cruzamento entre espécies diferentes de hominídeos, que evoluíram em períodos e lugares distintos. Este texto permite ao professor mostrar aos alunos o complexo trabalho dos pesquisadores na elaboração de teorias científicas, que exige, continuamente, a busca e a análise de provas, a participação nos debates que as descobertas suscitam e renovação sistemática das teorias explicativas. As questões que se seguem ao texto, elaboradas para desenvolver a competência leitora, requerem do aluno a habilidade de selecionar do texto as idéias centrais, localizando desde informações básicas sobre a data, o local e o conteúdo da descoberta até as conclusões elaboradas pelos cientistas.
Atividades
p. 26

lentamente, possibilitou a ocorrência de profundas alterações no modo de vida dos povos préhistóricos: o desenvolvimento urbano e comercial, a formação do Estado e o surgimento da propriedade privada. Com o estudo desses temas, esperamos: • Explicar por que as mudanças ocorridas no período Neolítico podem ser chamadas de revolucionárias. • Relacionar a Revolução Agrícola com outras mudanças ocorridas no período Neolítico. • Conceituar Crescente Fértil, Estado e Revolução Urbana. • Produzir texto comentando as mudanças ocorridas na relação entre os campos e as cidades com o desenvolvimento da urbanização. • Realizar uma pesquisa sobre a construção de açudes no estado, obra pública que pode ser comparada aos diques e canais do Egito e da Mesopotâmia na Antigüidade, focando os objetivos da realização da obra e as propriedades que são beneficiadas.
Uma revolução nos campos
p. 29

A questão 1 atende a dois objetivos: ela estimula a habilidade de produção de textos argumentativos e contribui para desfazer os preconceitos criados em relação aos povos ágrafos. A proposta na questão 2 é estimular o aluno a comparar diferentes estilos de vida, reconhecendo diferenças e semelhanças entre eles e respeitando as características que compõem a sua identidade. A questão 3 permite estimular a leitura de imagens, no caso uma fonte essencial para o estudo do homem pré-histórico, a pintura rupestre. Sugerimos que o professor instigue o aluno a extrair informações da pintura, perguntando, por exemplo: Que objetos foram desenhados na parede? Que material vocês imaginam que foi usado para fazer os desenhos? Qual a intenção das pessoas que fizeram esse trabalho? Que informações sobre a vida desses povos antigos os desenhos nos fornecem? Aprender a fazer perguntas aos documentos é um dos procedimentos básicos do trabalho do historiador e, exercitá-lo, contribui para desenvolver o olhar investigativo e observador. CAPÍTULO 3. DAS
ALDEIAS PRÉ-HISTÓRICAS

A descoberta e o desenvolvimento da técnica da agricultura são considerados, para muitos autores, a mais importante revolução tecnológica já realizada pela humanidade. São vários os fatores que nos permitem justificar essa afirmação, mas a principal está na certeza de que, sem ela, o ser humano não teria proliferado e, talvez, nem tivesse conseguido sobreviver. O professor pode chamar a atenção para a importante relação entre o homem, a técnica e a natureza, aprofundada pela Revolução Agrícola, relação que perpassa toda e qualquer organização social. O professor pode mostrar que, até a Revolução Industrial, o uso da tecnologia ocupava um papel secundário na relação entre homem e natureza. No mundo contemporâneo, o papel da tecnologia, ao contrário, adquiriu a primazia, a ponto de ameaçar a natureza e o futuro da humanidade.
A Idade dos Metais
p. 30

AOS PRIMEIROS

ESTADOS

Conteúdos e objetivos

O principal objeto de estudo deste capítulo é a Revolução Agrícola, ou seja, o desenvolvimento da prática da agricultura, uma inovação técnica que,
PARTE II — O VOLUME 1

A passagem das aldeias pré-históricas para as primeiras cidadelas e, mais tarde, para as cidades significou uma verdadeira revolução nos hábitos e costumes do ser humano marcando o início do processo de civilização. Segundo Munford, a cidade pode ser descrita como “uma estrutura especialmente equipada para armazenar e transmitir

13

Sugestões de atividades

1 A preocupação com os mortos e o culto aos antepassados parecem ter sido uma das primeiras manifestações cívicas que congregavam as pessoas em torno de um objetivo comum, prática que, guardadas as devidas proporções, permanece sendo importante até os dias de hoje. Para aprofundar o debate em torno dessa questão, o professor pode propor a leitura e a análise de um ritual religioso tradicional nas culturas indígenas brasileiras. Veja uma sugestão no trecho selecionado no boxe ao lado, exemplo de um ritual funerário dos índios bororos. 2 Outra possibilidade de atividade é trabalhar com um trecho da tragédia grega Antígona, de Sófocles, datada de 442 a.C. Sófocles viveu na Grécia no século V a.C. e é considerado um dos mais importantes autores desse período, época áurea da tragédia grega. A peça narra o conflito entre a lei divina — representada por Antígona — e a lei da cidade ou temporal — representada pelo rei Creonte. Antígona é condenada à morte depois de executar os rituais

(Rituais indígenas brasileiros. São Paulo, CPA Editora, 1999.)

14

SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

os bens da civilização [...]. A invenção de formas tais como o registro escrito, a biblioteca, o arquivo, a escola e as universidades constitui um dos feitos mais antigos e mais característicos das cidades”. (MUNFORD, Lewis. A cidade na história. São Paulo, Martins Fontes, 1998.) Um dos aspectos que anunciam uma mudança de comportamento do homem primitivo rumo à sedentarização é a prática do cuidado com os mortos. A primeira morada fixa do homem pré-histórico, no interior de uma caverna, numa cova, num monte de pedras ou num túmulo coletivo, destinava-se aos mortos e simbolizava marcos da comunhão entre mortos e vivos e uma ocasião para cerimônias rituais. Nesse sentido, a cidade dos mortos é precursora da cidade dos vivos. A importância do culto e a celebração aos mortos como marco da formação das cidades em seus primórdios podem ser atestadas pela presença de templos, túmulos e cemitérios como aqueles que ladeavam as cidades gregas ou romanas ao longo das estradas ou as pirâmides no Egito, entre outros exemplos.

fúnebres de seu irmão, morto em combate e considerado traidor, descumprindo as leis da cidade e as ordens do rei. A tragédia caracteriza muito bem o significado desses rituais e serve aqui de fonte histórica para entendermos melhor essa questão.

Cerimônias funerárias bororo “As cerimônias funerárias dos bororos representam um padrão específico de enterro secundário: os corpos dos mortos são inumados [enterrados] envoltos em esteiras para serem posteriormente exumados [desenterrados] para a lavagem e a decoração dos ossos, depois do que são colocados em cestos sepultados fora da aldeia. O enterro secundário bororo insere-se num conjunto complexo de outras práticas tais como danças, cantos, refeições comunitárias e destruição dos pertences dos mortos. [...] A especificidade dos funerais bororo consiste em levar, até as últimas conseqüências, as práticas de representação dos mortos por vivos. Cada morto é ritualmente representado por três sobreviventes, ou seja, um ‘representante’ do finado, encarregado de dançar em sua homenagem, lavar e enfeitar os ossos do representado, e caçar um animal de desagravo, a fim de liberar do luto os parentes do seu morto; uma ‘mãe’ ritual, parenta clânica próxima do finado que, juntamente com seu marido, o ‘pai’ ritual, devem assumir pesadas obrigações cerimoniais (chorar, cantar, cortar-se o próprio corpo durante os funerais), devendo o último confeccionar a cabacinha funerária, carregada pelo ‘representante’ durante as danças e as caçadas religiosas. Abatido e oferecido um animal de desagravo, de preferência um felídeo de grande porte, tal como uma onça-pintada, o ‘representante’ receberá a recompensa de algum enfeite de penas e um nome, ambos pertencentes ao clã do finado, que poderá usar a seu bel-prazer. O beneficiado passa também a assumir diversas funções sociais do seu morto, entre as quais a obrigação vitalícia de cuidar do seu casal de ‘pais’ rituais, enviando-lhes a carne ou o peixe que lhe tiver sido enviado pelas ‘almas’ (termo que, no caso, designa o grupo de caçadores, representantes dos finados da aldeia) até o dia em que lhe permitam as forças.”

Sugestões de leitura

BOFF, Leonardo. O casamento entre o céu e a terra: contos dos povos indígenas do Brasil. Rio de Janeiro, Salamandra, 2001. Rituais indígenas brasileiros. (Vários autores). São Paulo, CPA Editora, 1999. Sófocles. Antígona. Porto Alegre, L&PM, 1999.
O surgimento do Estado
p. 31

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Considerando-se a importância e a complexidade desse conceito para o entendimento de diversas disciplinas humanas e sua relação com outros conceitos e contextos históricos, sugerimos que o professor comente com os alunos as instituições que compõem o Estado brasileiro, destacando, por exemplo, o papel dos três poderes, o funcionamento do Congresso Nacional, a função das Forças Armadas, entre outras instituições. Os alunos podem trazer para a sala de aula recortes de matérias de jornais ou revistas com informações sobre a atuação concreta desses órgãos do aparelho estatal brasileiro.
Texto complementar A Revolução Agrícola
p. 32

O texto selecionado destaca como a prática da agricultura e a utilização do fogo foram fundamentais para o desenvolvimento das comunidades pré-históricas. As questões da seção Compreendendo o texto estimulam o aluno a extrair as informações centrais do texto, focadas nas mudanças geradas pela Revolução Agrícola, em especial a criação de excedentes, o crescimento populacional e a formação de cidades. Em seguida, podem-se estabelecer relações com o presente, discutindo, por exemplo, como a produção agrícola mundial já superou em grande escala as necessidades alimentares humanas. No entanto, contraditoriamente, milhões de pessoas continuam morrendo de fome no mundo em decorrência da má distribuição de riquezas e dos conflitos em torno da posse da terra. Como superar esse problema? Organize uma discussão com os alunos a partir desse tema, partindo de informações atuais que podem ser pesquisadas em jornais, revistas e/ou na Internet. CAPÍTULO 4. A
IDENTIDADE DO HOMEM

as principais explicações elaboradas pelos estudiosos a respeito desse debate. A partir dessa discussão, o professor poderá estabelecer relações com o que já foi discutido anteriormente, propiciando a comparação e a análise entre as teorias científicas já consolidadas (européias e norte-americanas) e aquelas mais recentes, elaboradas por pesquisadores dos chamados países em desenvolvimento, que buscam consolidar seu papel na construção do conhecimento científico. Um exemplo são os estudos envolvendo as pinturas rupestres de São Raimundo Nonato (PI), cujas conclusões são refutadas por grande parte dos arqueólogos. Com o estudo deste capítulo pretende-se atingir os seguintes objetivos: • Listar as principais hipóteses sobre a origem do homem americano. • Caracterizar a vida dos povos americanos nos períodos Paleolítico e Neolítico. • Definir a expressão sítio arqueológico. • Realizar pesquisa sobre um sítio arqueológico americano, reunindo informações sobre o modo de vida dos povos que lá viviam. • Ler e interpretar imagens que representam povos indígenas do Brasil em épocas diferentes, identificando os elementos que expressam as mudanças ocorridas na vida desses povos. • Tomar conhecimento dos sucessivos ataques que vêm sofrendo os povos indígenas da atualidade, solidarizando-se com a luta desses povos pela manutenção de suas terras e tradições.
A origem do homem americano
p. 34

O texto enfatiza as controvérsias sobre a origem do homem americano. Ele permite discutir que as teorias são explicações transitórias, permanentemente modificadas pelos novos fatos que as pesquisas trazem à tona. Este tema também propicia ao professor introduzir a discussão sobre a importância de se conservar o patrimônio histórico e cultural do país e da humanidade. Sem esse patrimônio, ficamos impossibilitados de conhecer o passado e compreender melhor o presente. Conquistas da arqueologia brasileira No que se refere às teorias que discutem a origem do homem americano, é importante ressaltar o trabalho de pesquisadores latino-americanos que têm chamado a atenção da comunidade científica internacional. É o caso do trabalho do arqueólogo brasileiro Eduardo Góes

AMERICANO

Conteúdos e objetivos

Neste capítulo discute-se mais especificamente a origem do homem americano, apresentando
PARTE II — O VOLUME 1

15

As comunidades primitivas brasileiras

p. 37

Como forma de aprofundar a discussão sobre as comunidades primitivas brasileiras sugere-se a pesquisa sobre a cultura marajoara, considerada o berço da produção ceramista da América do Sul. A beleza, a criatividade e a permanência dessa cultura na Ilha de Marajó, no estado do Pará, justificam a tarefa que pode ser uma oportunidade não só para ampliar o conhecimento sobre o tema proposto, como servir para valorizar a diversidade e a complexidade da cultura dos índios sul-americanos. Como fonte de pesquisa sugerimos o site do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (www.mae.usp.br). CAPÍTULO 5. A
CIVILIZAÇÃO FLORESCE

A terra dos deuses

p. 44

ÀS MARGENS DO

NILO

Conteúdos e objetivos

O conteúdo deste capítulo traz aspectos do conhecimento produzido sobre a civilização egípcia, relacionados à vida social, política, econômica e cultural. Com esse estudo o aluno poderá rela-

A partir da unificação política do Egito, por volta de 3200 a.C., o faraó passou a centralizar todos os poderes, sendo considerado filho de Rá, o deus sol. O faraó passou a exercer as funções supremas de sacerdote, juiz e chefe militar. Ao pronunciar o seu nome, os egípcios deveriam dizer “Que floresçam nele a vida e a saúde!”. Sugerimos discutir com os alunos as principais características desse regime de poder estabelecendo uma relação com outros aspectos da civilização egípcia, como a arte, a religião, as pirâmides e a prática da mumificação. A religião pode ser considerada um dos aspectos mais significativos da cultura egípcia, na medida em que orientava a vida e a morte de seus habitantes. Nesse sentido, a arte simbolizava a extensão do poder dos deuses sobre o universo e refletia a concepção de mundo dessa civilização. Um dos aspectos centrais era a crença na vida depois da morte, daí a concretização da arte nas tumbas, sarcófagos, estatuetas e vasos deixados junto aos mortos.
SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

16

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Neves, que a partir de um objeto ainda pouco explorado, a ocupação da região amazônica na Pré-história, conseguiu resultados surpreendentes. A pesquisa revelou a presença de grandes sítios com cerca de 3 quilômetros de extensão e de terras escuras, provavelmente derivadas da ocupação humana, o que leva a crer que os povos primitivos dessa região possuíam aldeias de milhares de habitantes. Além disso, a pesquisa contesta a visão da Floresta Amazônica como uma “construção natural” e defende que ela surgiu num solo previamente trabalhado pela ação humana. Essas e outras questões têm recebido destaque no contexto internacional e suscitaram a publicação do livro Unknown Amazon (Amazônia desconhecida), que acompanha a exposição de mesmo nome no Museu Britânico. A obra, de autoria de diversos cientistas, é uma espécie de manifesto em favor da complexidade das sociedades préhistóricas da região e, ao mesmo tempo, uma maneira de conhecê-las, revelando a história dos povos que produziram artefatos com ossos humanos, cerâmicas, pedras e até carvão, estabelecendo uma inter-relação com as tradições culturais que continuam presentes e ativas nessa mesma região.

cionar as características da economia egípcia com o ciclo do Rio Nilo, conhecer e observar importantes registros da cultura material dessa civilização e compreender o papel da religião na vida cotidiana dos antigos egípcios. Com esse conhecimento, os alunos poderão estabelecer comparações com outros povos da Antigüidade e reconhecer nos dias de hoje permanências da cultura do Egito antigo. Os objetivos essenciais deste capítulo são os seguintes: • Identificar as principais contribuições dos egípcios no campo da ciência. • Caracterizar a economia egípcia, destacando a importância das cheias periódicas do Rio Nilo para a vida cotidiana da população. • Descrever a organização social do Egito antigo. • Avaliar a importância da religião para os antigos egípcios. • Reconhecer a importância da descoberta da Pedra de Roseta para o conhecimento a respeito do Egito antigo e para a preservação do patrimônio cultural da humanidade. • Ordenar cronologicamente, em uma linha do tempo, os principais acontecimentos da história do Egito antigo. • Realizar uma pesquisa sobre a religiosidade da população brasileira atual, identificando as explicações que elas apresentam para a vida após a morte.

Sugestão de atividade

Para aprofundar o conhecimento sobre a arte no antigo Egito sugerimos a realização de uma pesquisa em enciclopédias, livros de arte e internet selecionando imagens representativas da arte nesse período que reflitam divindades e/ou cerimônias religiosas. Os alunos poderão montar um álbum com imagens extraídas da internet, jornais ou revistas, escrevendo uma legenda que descreva a figura selecionada, além de identificar a fonte de onde foi tirada.
Dois reinos, três impérios
p. 45

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

As pirâmides eram construções que cobriam as tumbas dos faraós no Antigo Império. Uma confusão muito comum relacionada às pirâmides egípcias é a idéia de que todos os faraós do antigo Egito eram enterrados no interior dessas construções. Esse tipo de obra marcou o Antigo Império, em particular os governos de Quéops, Quéfren e Miquerinos. O elevado custo de construção das pirâmides, que exigia o esforço de milhares de trabalhadores, levou os faraós posteriores a optarem por construções menos suntuosas, como pirâmides feitas com adobe ou os hipogeus, tumbas escavadas nas rochas da época do Novo Império.
Texto complementar Outros povos africanos
p. 46

rá reconhecer importantes contribuições das civilizações mesopotâmicas para o desenvolvimento da astronomia e da matemática, por exemplo, e identificar semelhanças e diferenças entre a vida desses povos e a dos antigos egípcios. O capítulo permite ainda que o aluno reconheça no Iraque atual a permanência de um valioso legado cultural da antiga Mesopotâmia, continuamente ameaçado por ataques externos. Os objetivos que pretendemos atingir com o estudo deste capítulo são: • Comparar características do Egito antigo com as da Mesopotâmia, destacando o papel dos rios para essas civilizações. • Caracterizar o Código de Hamurábi e identificar nos dias de hoje traços dos princípios contidos naquele conjunto de leis. • Descrever e explicar a composição social da antiga Mesopotâmia. • Caracterizar a forma como os povos da Mesopotâmia viam a morte e a vida além-túmulo a partir da leitura de trechos do mito de Gilgamesh. • Realizar pesquisa sobre as guerras contra o Iraque, em 1991 e em 2003, levantando dados sobre o governo de Saddam Hussein, as relações entre Iraque e Estados Unidos nos últimos 20 anos e os efeitos da guerra para os dois países. • Valorizar o legado cultural da antiga Mesopotâmia e reconhecer sua importância como patrimônio que deve ser continuamente preservado.
Patrimônio destruído pela guerra
p. 49

A leitura deste capítulo possibilita conhecer outra cultura africana da Antigüidade, a de Djennéjeno, no Máli, para desfazer a crença, generalizada, de que a África antiga se restringia ao Egito. Nessa cidade, como o texto esclarece, seus habitantes praticavam, entre outras atividades, a agricultura, o comércio e a metalurgia, chegando a constituir um centro urbano muito próspero. O professor pode aproveitar a oportunidade para solicitar uma pesquisa sobre os grandes reinos africanos do período anterior à chegada dos europeus, como o de Gana, no oeste do continente, e o de Zimbábue, ao sul. CAPÍTULO 6. MESOPOTÂMIA,
Conteúdos e objetivos
BERÇO

O texto de abertura permite um duplo trabalho: reforçar a importância da conservação do patrimônio histórico e cultural da humanidade e demonstrar por que, tanto no passado quanto no presente, o território da Mesopotâmia tem sido palco de inúmeros conflitos, que estão associados às condições geográficas e às riquezas naturais da região, e às disputas políticas e territoriais que marcaram a história do chamado Crescente Fértil. A comparação dos problemas enfrentados pelos povos de uma mesma região, em épocas históricas tão distintas, pode ajudar os alunos a entender a utilidade da ciência história como instrumento de compreensão do presente.
Ciências, deuses e zigurates
p. 53

DE CIVILIZAÇÕES

No estudo deste capítulo, o aluno vai conhecer melhor outros povos da Antigüidade, que viviam na chamada Mesopotâmia. Ao estudá-los, ele podePARTE II — O VOLUME 1

Uma das maneiras de tomarmos contato com o passado é conhecendo a literatura produzida por uma determinada cultura. Nesse contexto, os mitos têm um papel muito importante, pois podem nos

17

revelar muito sobre as formas de ver e interpretar o mundo. Além disso, nos permitem vislumbrar as trocas culturais entre diferentes civilizações, mostrando, muitas vezes, aspectos desconhecidos ou ainda controversos da nossa tradição cultural. A partir do trecho selecionado da Epopéia de Gilgamesh, o professor pode programar uma pesquisa que estabeleça uma comparação entre parte desse poema épico e o relato bíblico sobre o dilúvio e a Arca de Noé, destacando diferenças e semelhanças.
Sugestão de leitura

da do professor de Matemática. Outra possibilidade é a leitura e análise do trecho da Bíblia que narra a construção da Torre de Babel, citado no livro de Gênesis, e a comparação com as características dos zigurates.
p. 56

Texto complementar O fim da Babilônia

ELIADE, Mircea. O conhecimento sagrado de todas as eras. São Paulo, Mercuryo, 1995. Conforme destaca o texto didático, a invenção do astrolábio foi uma das contribuições mais significativas dos mesopotâmicos, pois, séculos mais tarde, teve um papel muito importante nas grandes navegações e na conquista de novos territórios pelos europeus. Se o professor achar conveniente, pode organizar uma pesquisa sobre o funcionamento desse aparelho, comparando-o com o sistema vigente atualmente, que utiliza orientação via satélite. Essa é uma boa oportunidade para trabalhar em conjunto com a área de Ciências, revelando a interconexão entre diferentes conhecimentos e tornado-os mais significativos e interessantes para o entendimento do mundo em que vivemos. Os zigurates Os zigurates eram construções em forma de pirâmide com degraus e rampas laterais coroadas por um templo. Esse conjunto arquitetônico formava uma espécie de torre de faces escalonadas, dividida em diversas câmaras. O zigurate é a obra arquitetônica mais característica das construções da Mesopotâmia. Um dos exemplares mais importantes foi encontrado na cidade de Ur. Acredita-se que ele tenha sido reconstruído durante o império de Nabucodonosor, que o erigiu em homenagem a sua esposa, Ningal, e ao deus Neman. O templo, que teria inspirado a famosa narrativa bíblica da Torre de Babel, tinha sete pavimentos e um santuário, localizado no último pavimento, ao qual se chegava subindo escadarias estreitas.
Sugestão de atividade

Atividades

p. 57

O professor pode solicitar o desenho de um zigurate e a montagem de uma maquete (atividade coletiva), que poderá contar com a aju-

As atividades deste capítulo permitem que o aluno identifique as principais características das sociedades da antiga Mesopotâmia. Nas atividades 3 e 7, é importante destacar para os alunos que qualquer julgamento que eles possam fazer das leis do Código de Hamurábi tem como referência o tempo presente, os valores e a moral da nossa civilização. Nesse sentido, o nosso papel, ao estudar os homens do passado, é procurar compreender o seu modo de vida, e não julgar, já que qualquer juízo de valor reflete a mentalidade dos dias de hoje. A pesquisa proposta na questão 9 visa permitir ao aluno conhecer com mais profundidade os principais acontecimentos que marcaram as relações entre Iraque e Estados Unidos nos últimos anos e que levaram às guerras de 1991 e 2003. A análise desse assunto é importante por duas razões principais: porque é necessário conhecer e discutir a política externa norte-americana, de violação das resoluções da ONU e de ataque à soberania de vários Estados, com repercussões em todo o mundo; e porque as ações militares externas no Iraque já cauSUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

18

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Para contribuir na discussão do texto selecionado seria interessante o professor utilizar dois mapas: um histórico (pode ser o da página 51) e outro atual, um mostrando a localização desses povos no passado e o outro, os países que existem no presente. O trabalho com mapas desenvolve a compreensão da idéia de representação espacial, facilitando a leitura desse tipo de linguagem e o trabalho interdisciplinar com a área de Geografia. Com esse trabalho de comparação os alunos irão perceber, por exemplo, que Bagdá, a atual capital do Iraque, fica a poucos quilômetros do local do antigo reino da Babilônia. A Pérsia original corresponde, com algumas diferenças, ao Irã atual. A antiga Fenícia, que os alunos estudarão no capítulo 7, corresponde hoje, aproximadamente, ao território do Líbano.

saram a morte de milhares de civis, além de destruir parte de um patrimônio cultural de valor incalculável. Informar-se a respeito dessas questões é fundamental para desenvolver a capacidade de superar a indiferença e posicionar-se de forma crítica diante dos acontecimentos que afetam a humanidade. CAPÍTULO 7. AS
CIVILIZAÇÕES HEBRAICA

Hebreus

p. 60

E FENÍCIA

Conteúdos e objetivos

O estudo deste capítulo traz a história de duas sociedades cujo legado está muito presente nos nossos dias, em especial o monoteísmo e o alfabeto. Ao estudar esses dois povos, os alunos vão poder estabelecer comparações com outros povos antigos já estudados, reconhecer no nosso tempo a presença da cultura hebraica e fenícia, além de compreender melhor os conflitos envolvendo israelenses e árabes no Oriente Médio atual. Com o estudo desses conteúdos, os objetivos são: • Comparar a religião dos hebreus com a dos egípcios e mesopotâmicos. • Explicar a importância do alfabeto para os antigos fenícios. • Destacar o papel da posição geográfica da Fenícia no desenvolvimento comercial daquela sociedade. • Reconhecer a permanência do legado cultural dos hebreus e fenícios nos dias de hoje (monoteísmo e alfabeto). • Ordenar cronologicamente os principais fatos que marcaram a história dos hebreus. • Realizar pesquisa sobre as tradições culturais judaicas, reunindo o material obtido na montagem de um painel. • Informar-se a respeito das principais razões dos conflitos que opõem judeus e palestinos no Oriente Médio.
Fundamentalismo cristão
p. 59

Como forma de aprofundar as questões apresentadas nesse capítulo, no que se refere à história do povo hebraico, seria interessante o professor trabalhar com a Bíblia tratando-a como documento e fonte histórica fundamental para conhecermos a edificação dessa civilização. Nesse sentido, sugerimos uma breve discussão sobre a história da Bíblia, apresentando sua estrutura de organização, sem propriamente entrar no mérito religioso do texto, tomando muito cuidado para evitar constrangimentos e a suspeita de doutrinação. O objetivo, nesse caso, é abordá-la pela perspectiva do patrimônio da cultura ocidental. A Bíblia A Bíblia é sem dúvida um dos livros mais editados e traduzidos no mundo, tendo sido publicada no todo ou em parte em 2.261 línguas. No entanto, a obra é ainda pouco conhecida em sua especificidade histórica. Inicialmente, é preciso lembrar que não há nenhuma versão original de manuscritos da Bíblia; todos os livros originais, escritos pelos seus respectivos autores, se perderam. As mais antigas cópias do Antigo Testamento hebraico, considerado fonte primordial, foram encontradas graças ao trabalho dos arqueólogos. Esses textos foram compilados muitos séculos antes de Cristo por escribas, reis, sacerdotes e artistas que deixaram registrada a história do relacionamento entre o povo hebreu e Deus. Os textos, escritos em longos pergaminhos confeccionados em pele de cabra, foram sendo copiados e transmitidos durante gerações. Eles foram escritos em hebraico, da direita para a esquerda, e, alguns capítulos, em dialeto aramaico. Passado o tempo, esses relatos sagrados foram organizados em três coleções: A Lei, que reúne os cinco primeiros livros da Bíblia; Os Profetas, em que estão presentes os textos de Isaías, Jeremias, Ezequiel e os doze profetas menores, além de Josué, Juízes, Samuel e Reis, e Os Poéticos, que reúnem os Salmos, os Provérbios, o livro de Jó, entre outros. O pergaminho de Isaías é considerado o mais antigo trecho do Antigo Testamento em hebraico. Estima-se que ele tenha sido escrito no século II a.C. Uma das mais importantes descobertas contemporâneas data de 1947, quando um simples pastor, buscando uma cabra perdida do seu rebanho, encontrou os Ma➜

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

O texto de abertura é propício para discutir o exacerbado caráter religioso que a mídia imprime à atuação dos terroristas que praticam os abomináveis ataques contra civis em várias partes do mundo. O texto permite discutir genericamente os males do fanatismo e distingui-lo da defesa consciente e responsável de uma causa ou ideal. Permite mostrar ainda que o fanatismo não está associado apenas a uma determinada religião, mas que ele se presta ao uso político por parte de governos e empresários, tanto a favor como contra a causa que motiva as ações de grupos fanáticos.
PARTE II — O VOLUME 1

19

nuscritos do Mar Morto, na região de Jericó, na Palestina. Durante nove anos foram encontrados cerca de 800 pergaminhos contendo fragmentos da Bíblia em hebraico, revelando comentários teológicos e aspectos da vida do povo hebreu.
Sugestão de atividade

Atividades

p. 66

Fenícios: mercadores dos mares

p. 63

O texto didático informa que o sistema de governo adotado pelos fenícios era organizado como uma monarquia ou uma república plutocrática. Para que os alunos se familiarizem com os conceitos históricos, fundamentais para a compreensão da disciplina, sugerimos que o professor proponha um caderno de conceitos, organizado por ordem alfabética e individual, para que ao longo do ano letivo o educando possa pesquisar e registrar o significado de cada conceito. Dessa forma, ele poderá ampliar o seu repertório de conceitos, estabelecer relações entre eles e desenvolver habilidades de pesquisa, participando, assim, do processo de construção do conhecimento.
Texto complementar A terra púrpura
p. 64

A leitura proposta neste capítulo traz informações mais detalhadas sobre o alfabeto fenício, talvez a maior contribuição dessa civilização para a história da humanidade. Além de descrever algumas características da escrita ugarítica, o texto relata como ocorreu a descoberta arqueológica que permitiu conhecer a língua e a escrita dos antigos fenícios e dá pistas de como se desenvolve o trabalho meticuloso do arqueólogo.

Neste capítulo abordamos o nascimento e o apogeu de uma sociedade que nos deixou, em diferentes áreas, um vasto legado. No terreno do saber, os gregos deram importantes contribuições para o desenvolvimento da medicina, da matemática, da astronomia, da filosofia e da história. Nas artes, os gregos nos legaram especialmente o teatro e exemplos de uma refinada arquitetura. A idéia de democracia é com certeza a mais importante herança política da antiga Grécia, presente nos movimentos revolucionários do Ocidente dos séculos XVIII e XIX e nas instituições vigentes na maior parte dos países atuais. Não podemos esquecer ainda o papel dos gregos na criação de um modelo de esporte competitivo, com as Olimpíadas, e na formação das línguas modernas, constituídas de vários vocábulos de origem grega. Os objetivos estabelecidos para esse estudo são: • Comparar a sociedade ateniense com a sociedade espartana, estabelecendo diferenças e semelhanças entre elas. • Caracterizar o tipo de democracia praticada na Grécia antiga. • Reconhecer as importantes contribuições dos antigos gregos para a constituição da cultura ocidental. • Comparar o papel das mulheres em Atenas, em Esparta e no mundo atual, identificando mudanças e permanências. • Discutir o tipo de regime democrático vigente no Brasil atual. • Explicar a importância cultural do império criado por Alexandre Magno.
SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

20

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

O texto do boxe pode servir de estímulo para que os alunos pesquisem e adquiram outras informações sobre a história da Bíblia. Exemplos: Como se formou o Evangelho do Novo Testamento? Quando e por que os dois testamentos passaram a ser editados juntos, tornando-se conhecidos como a Bíblia? Quem são os especialistas que estudam a Bíblia? Como fonte de pesquisa e consulta sugerimos a Bíblia de Jerusalém, considerada a melhor publicação da Bíblia em português. Traduzida diretamente dos textos originais traz também informações lingüísticas, arqueológicas e históricas.

As atividades deste capítulo (seções Explorando o conhecimento e A história e o tempo presente) possibilitam identificar as principais características das civilizações hebraica e fenícia e comparar a religião dos hebreus com a dos povos antigos já estudados. As atividades permitem também compreender a origem dos conflitos entre israelenses e árabes no Oriente Médio atual, fato que tem tido papel central na política internacional contemporânea. Ao estudar um tema tão atual e recorrente, os alunos poderão perceber, mais uma vez, a importância de se conhecer o passado para compreender o presente. CAPÍTULO 8. O
LEGADO DA

GRÉCIA

PARA

A CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL

Conteúdos e objetivos

O mundo grego

p. 68

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Um bom caminho para se conhecer um pouco mais a cultura grega é tomar como referência os poemas épicos de Homero: Ilíada e Odisséia, tema muito controvertido entre os estudiosos. Acredita-se que os poemas tenham sido escritos no século VIII a.C., período que coincide com a emergência da pólis, uma nova forma de vida em sociedade. Não se sabe ao certo quem foi Homero, nem mesmo se se tratava de uma só pessoa. Para alguns estudiosos, a grande variação de estilo na escrita dos poemas revela que eles podem ter sido escritos por várias pessoas e em épocas diferentes, reunindo e transcrevendo uma tradição mítica coletiva preservada oralmente por várias gerações. A figura lendária de Homero remete à imagem de um homem cego e poeta por excelência, autor de duas grandes epopéias que marcaram o nascimento da literatura ocidental. Daí sua importância e valor como documento histórico e estético inquestionável.
Sugestão de atividade

gregas surgiram num processo conhecido como sinecismo, ou seja, a fusão de várias aldeias em uma só. As pólis eram núcleos urbanos independentes e autônomos, com território reduzido, em que a área urbana e a rural formavam uma só unidade. Em geral, as cidades-Estado possuíam a Acrópole, parte alta e fortificada que tinha a dupla função de proteger a cidade e funcionar como centro religioso, e a Ágora, onde se localizavam os edifícios públicos, o mercado e a praça, e também onde se reuniam os cidadãos para discutir todas as questões da cidade.
O poder nas mãos dos cidadãos
p. 72

Há várias possibilidades de trabalho com as obras homéricas, pois muita coisa já foi produzida sobre o tema, desde histórias em quadrinhos, filmes, ensaios, críticas, até traduções em verso e em prosa. Sugerimos, como forma de despertar o interesse pelo tema em si e também pela literatura, selecionar um trecho da Ilíada ou da Odisséia e realizar uma leitura coletiva com os alunos em sala de aula. Podese também programar um trabalho em conjunto com os professores de Língua Portuguesa e de Artes.

Sugestões de leitura

VIDAL-NAQUET, Pierre. O mundo de Homero. São Paulo, Companhia das Letras, 2002. PEREIRA, Maria Helena da Rocha. Estudos de história da cultura clássica. Lisboa, Calouste Gulbenkian, 2003. v. 1 e 2.
Esparta e Atenas
p. 70

As noções de democracia e cidadania constituem duas das mais importantes heranças da cultura clássica legada à civilização ocidental. Segundo Maria Helena da Rocha Pereira, a palavra democracia apareceu pela primeira vez em Heródoto e passou a ser de uso corrente na Antigüidade. No século XVIII, o ideal de democracia reapareceu nos movimentos revolucionários liberais, destacando-se na Declaração de Independência dos Estados Unidos e na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, elaborada durante a Revolução Francesa. No século XX, os princípios democráticos foram incorporados à Constituição de muitos países, consagrando-se na Declaração Universal dos Direitos do Homem, aprovada pela ONU em 1948. É necessário, no entanto, compreender a democracia em sua historicidade, pois tal conceito assume significados diferentes em cada época. A leitura de um trecho do discurso proferido por Péricles sobre a democracia (leia boxe), registrado pelo historiador Tucídides, pode ajudar os alunos a compreender o significado da democracia para os antigos cidadãos atenienses. Ao acompanhar a leitura dos alunos, estimule-os a perceber a crítica que Péricles faz à educação espartana. A democracia ateniense “Vivemos sob uma forma de governo que não se baseia nas instituições de nossos vizinhos; ao contrário, servimos de modelo a alguns ao invés de imitar outros. Seu nome, como tudo depende não de poucos mas da maioria, é democracia. Nela, enquanto no tocante às leis todos são iguais para a solução de suas divergências privadas, quando se trata de escolher (se é preciso distinguir em qualquer setor), não

A importância do conceito de pólis ou de cidade-Estado para o entendimento do mundo antigo é muito importante, daí sugerirmos que ela ocupe um lugar de destaque na lista de conceitos já sugerida em capítulos anteriores. Sobre esse assunto, pode-se acrescentar que as cidades-Estado
PARTE II — O VOLUME 1

21

é o fato de pertencer a uma classe, mas o mérito, que dá acesso aos postos mais honrosos; inversamente, a pobreza não é razão para que alguém, sendo capaz de prestar serviços à cidade, seja impedido de fazê-lo pela obscuridade de sua condição. Conduzimo-nos liberalmente em nossa vida pública, e não observamos com uma curiosidade suspicaz a vida privada de nossos concidadãos, pois não nos ressentimos com nosso vizinho se ele age como lhe apraz, nem o olhamos com ares de reprovação que, embora inócuos, lhe causariam desgosto. Ao mesmo tempo que evitamos ofender os outros em nosso convívio privado, em nossa vida pública nos afastamos da ilegalidade principalmente por causa de um temor reverente, pois somos submissos às autoridades e às leis, especialmente àquelas promulgadas para socorrer os oprimidos e às que, embora não escritas, trazem aos transgressores uma desonra visível a todos. [...] Na educação, ao contrário de outros que impõem desde a adolescência exercícios penosos para estimular a coragem, nós, com nossa maneira liberal de viver, enfrentamos pelo menos tão bem quanto eles perigos comparáveis. [...] Somos amantes da beleza sem extravagâncias e amantes da filosofia sem indolência. Usamos a riqueza mais como uma oportunidade para agir que como um motivo de vanglória; entre nós não há vergonha na pobreza, mas a maior vergonha é não fazer o possível para evitála. Ver-se-á em uma mesma pessoa ao mesmo tempo o interesse em atividades privadas e públicas, e em outros entre nós que dão atenção principalmente aos negócios não se verá falta de discernimento em assuntos políticos, pois olhamos o homem alheio às atividades públicas não como alguém que cuida apenas de seus próprios interesses, mas como um inútil [...]. Em suma, digo que nossa cidade, em seu conjunto, é a escola de toda a Hélade e que, segundo me parece, cada homem entre nós poderia, por sua personalidade própria, mostrar-se autosuficiente nas mais variadas formas de atividade, com a maior elegância e naturalidade.”
(Discurso de Péricles, século V a.C. In: TUCÍDIDES. História da Guerra do Peloponeso. 3. ed. Brasília, Editora Universidade de Brasília, 1987.)

O cotidiano do povo grego

p. 75

O modelo atual de escola predominante nos países do Ocidente tem muitas semelhanças com o tipo de educação que os atenienses reservavam aos meninos. A organização de um currículo contendo, entre outras coisas, disciplinas voltadas para a aprendizagem da leitura e da escrita, a realização de cálculos, a formação musical e a prática de exercícios físicos, guardadas as devidas proporções, é uma característica tanto das escolas brasileiras atuais quanto da antiga educação ateniense. Como hoje, os filhos das famílias mais pobres geralmente tinham que interromper os estudos para se iniciar no mundo do trabalho. O boxe a seguir traz informações interessantes sobre a educação de meninos e meninas na sociedade ateniense. A educação ateniense “A educação se inicia aos sete anos. Se a criança é do sexo feminino, permanece no gineceu, parte da casa onde as mulheres se dedicam aos afazeres domésticos, pouco importantes em um mundo essencialmente masculino. Se é menino, desliga-se da autoridade materna e inicia a alfabetização e a educação física e musical. Acompanhado por um escravo, o pedagogo, o menino dirige-se à palestra [lugar destinado a atividades de luta], onde pratica exercícios físicos. Sob a orientação do pedótriba [instrutor físico] é iniciado em corrida, salto, lançamento de disco, de dardo e em luta, as cinco modalidades do pentatlo [...]. Além do preparo físico, a educação musical é extremamente valorizada, e por isso o pedagogo também leva a criança ao citarista, ou professor de cítara. Os gregos eram amantes da música (a arte das musas). De significado muito amplo, abrangendo a educação artística em geral. [...] O ensino elementar de leitura e escrita, durante muito tempo, merece menor atenção e cuidado do que as práticas esportivas e musicais já referidas. O mestre é geralmente uma pessoa humilde, mal paga e sem o prestígio do instrutor físico. [...] A educação elementar completa-se por volta dos 13 anos. As crianças mais pobres saem então em busca de um ofício, enquanto as de família rica continuam os estudos, sendo encaminhadas ao gi➜
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

22

SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

násio [...]. Inicialmente designa o local para a cultura física onde, com freqüência, os gregos se apresentam despidos (daí sua origem etimológica: gimnos, ‘nu’). Com o tempo, as atividades musicais se direcionam para discussões literárias, abrindo espaço para o estudo de assuntos gerais como matemática, geometria e astronomia, sobretudo sob a influência dos filósofos.”
(ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da educação. 2. ed. São Paulo, Moderna, 1996.)

nos reconheçam que Atenas tinha sim um regime democrático, condizente com o significado que esse termo tinha para as pessoas daquela época, expresso, por exemplo, no discurso de Péricles. Quanto a existir ou não um regime democrático no Brasil atual, é importante os alunos se posicionarem tendo como referência o que a democracia significa para nós, ou seja, a partir dos pilares que constituem a democracia moderna. CAPÍTULO 9. O ROMA

ESPLENDOR DE

Texto complementar O aparecimento dos deuses gregos

p. 76

Conteúdos e objetivos

O texto complementar deste capítulo permite conhecer o mito grego sobre a criação do mundo, leitura que possibilita uma comparação interessante com a narrativa bíblica contida no livro de Gênesis. É importante esclarecer para os alunos que o mito não pode ser explicado racionalmente, pois, ao contrário da ciência, ele se situa no terreno das emoções e da afetividade. Enquanto a ciência se preocupa com explicações lógicas e racionais, o mito faz parte do mundo intuitivo e imaginário. Ao abordar o mito e compará-lo à ciência, os positivistas o desqualificavam, ignorando o seu valor como expressão das sensações humanas. Atualmente, em razão especialmente do desenvolvimento da antropologia, o mito tem sido tratado como uma forma particular de interpretar e explicar o mundo, diferente da ciência, mas tão válida quanto ela. O mito, visto dessa forma, pode ser considerado a primeira leitura que fazemos do mundo, o ponto de partida para a compreensão do ser.
Atividades
p. 77

As questões 5 e 9 remetem ao significado do conceito de democracia e às particularidades do significado desse termo na Grécia antiga e nos dias de hoje. É importante alertar os alunos para o cuidado de não tratar a democracia contemporânea como uma cópia tal e qual da antiga democracia grega. A visão que temos de democracia hoje foi construída a partir de uma longa experiência de revoluções e conquistas sociais. Por essa razão, o trabalho de comparar a democracia e o conceito de cidadania nas duas épocas visa estabelecer diferenças e semelhanças entre elas, sem o intuito de fazer julgamentos ou considerações segundo os valores do nosso tempo. Nesse sentido, no item b da questão 9, espera-se que os aluPARTE II — O VOLUME 1

Podemos considerar a civilização romana, junto com a grega, um dos pilares da cultura ocidental. Da antiga Roma, herdamos o Direito, o conceito de república, a religião cristã, a estrutura latina da língua portuguesa, além de exemplares de sua cultura material que ainda hoje, passadas centenas de anos, caracterizam a grandiosidade e a força imperial romana. O estudo da civilização romana antiga visa: • Caracterizar a sociedade romana do período republicano. • Explicar os conflitos entre plebeus e patrícios durante a República e listar as principais conquistas da plebe. • Reconhecer a importância das Guerras Púnicas para a expansão territorial romana. • Explicar a política do pão e circo. • Produzir um texto analisando os principais fatores da crise que levou à queda de Roma. • Comparar o projeto de reforma agrária dos irmãos Graco com o programa de reforma agrária do governo brasileiro atual. • Organizar cronologicamente os principais acontecimentos e fases que marcaram a antiga história de Roma.
Res publica ou ‘coisa pública’ (509 a 27 a.C.)

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

p. 82

O Senado era o órgão supremo do governo na República. Os senadores eram vitalícios e tinham a função de supervisionar as finanças públicas, dirigir a política externa e administrar as províncias. As funções executivas eram distribuídas entre os membros da Magistratura, como os cônsules e os tribunos da plebe. O documento a seguir foi escrito em 63 a.C. pelo senador romano Cícero. Trata-se de um discurso contra Catilina, candidato vencido ao cargo de cônsul nas últimas eleições romanas, acusado

23

de planejar um golpe de Estado contra a República. O professor pode aproveitar a leitura e a análise do texto para discutir a importância do Senado para a República de Roma, destacando a estrutura e as atribuições dessa instituição. Vale também estabelecer relações com o papel do Senado no sistema republicano do Brasil atual. Esse tipo de atividade também pode ser encaminhado como trabalho interdisciplinar com a área de Língua Portuguesa. Já não podes viver mais tempo conosco “Até quando, ó Catilina, abusarás da nossa paciência? Por quanto tempo ainda há-de zombar de nós essa tua loucura? A que extremos se há de precipitar a tua audácia sem freio? Nem a guarda do Palatino, nem a ronda nocturna da cidade, nem os temores do povo, nem a afluência de todos os homens de bem, nem este local tão bem protegido para a reunião do Senado, nem o olhar e o aspecto destes senadores, nada disto conseguiu perturbar-te? Não sentes que os teus planos estão à vista de todos? Não vês que a tua conspiração a têm já dominada todos estes que a conhecem? Quem, de entre nós, pensas tu que ignora o que fizeste na noite passada e na precedente, em que local estiveste, a quem convocaste, que deliberações foram as tuas? Oh tempos, oh costumes! O Senado tem conhecimento destes factos, o cônsul tem-nos diante dos olhos; todavia, este homem continua vivo! Vivo?! Mais ainda, até no Senado ele aparece, toma parte no conselho de Estado, aponta-nos e marca-nos, com o olhar, um a um, para a chacina. E nós, homens valorosos, cuidamos cumprir o nosso dever para com o Estado, se evitamos os dardos da sua loucura à morte, Catilina, é que tu deverias, há muito, ter sido arrastado por ordem do cônsul; contra ti é que se deveria lançar a ruína que tu, desde há muito tempo, tramas contra todos nós. [...] Temos um decreto do Senado contra ti, Catilina, um decreto rigoroso e grave; não é a decisão clara nem a autoridade da Ordem aqui presente que falta à República; nós, digo-o publicamente, nós, os cônsules, é que faltamos. [...] Temos um destes decretos do Senado, mas está fechado nos arquivos como espada metida em bainha; e, segundo esse decreto senatorial, tu, Catilina, deverias ter sido imediatamente condenado à morte. E eis que continuas vivo, e vivo, não para

abdicares da tua audácia, mas para nela te manteres com inteira firmeza. É meu desejo, venerandos senadores, ser clemente; é meu desejo, no meio de tamanhos perigos da República, não parecer indolente; mas já eu próprio de inação e moleza me acuso. [...]”
(Primeiro discurso contra Catilina de Marco Túlio Cícero, cônsul de Roma, recitado no Templo de Júpiter, local onde tinha sido convocado o Senado de Roma, em 63 a.C.)

A questão agrária

p. 83

Sugestão de atividade

Os conflitos envolvendo a luta pela terra têm gerado reportagens e análises quase diárias na grande imprensa brasileira. Como o volume de materiais sobre o assunto é bastante farto, pode-se sugerir aos alunos que façam um levantamento de notícias e artigos jornalísticos que remetam a conflitos agrários ocorridos no país e tragam uma ou duas matérias para a sala de aula. a) Em classe, com a turma organizada em círculo, cada aluno irá apresentar uma síntese do conteúdo da matéria, informando também a data, o órgão de publicação e a autoria, caso seja um artigo assinado. b) Em seguida, pode-se organizar um debate sobre o problema da terra no Brasil. Sugerimos utilizar como referência para o encaminhamento do debate o Capítulo III do Título VII da Constituição Federal, que define a função social da propriedade agrária no Brasil.

24

SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Aqui encontramos uma excelente oportunidade para relacionar o passado e o presente. A questão agrária, origem de intensos conflitos sociais na Roma antiga, também tem sido motivo de violência e calorosos debates nos dias de hoje. É possível fazer um paralelismo entre o passado e o presente recordando como o problema agrário foi administrado na Grécia antiga (a colonização de outras terras) e em Roma (a adoção da política do pão e do circo, após o fracasso da reforma agrária dos irmãos Graco), comparando com a política de reforma agrária do governo brasileiro. Acreditamos que a discussão sobre a questão agrária deva ser feita à luz da necessidade de assegurar a função social da terra e o exercício pleno da cidadania por todos os brasileiros.

Uma república em crise

p. 84

A República romana terminou de fato em 46 a.C., quando Júlio César, impulsionado por conquistas militares externas e disputas no Senado, tornou-se ditador vitalício. Júlio César, um dos mais importantes generais romanos, teve papel fundamental na nova configuração política de Roma e foi imortalizado por sua atuação política, que serviu de modelo para muitos outros ditadores e/ou políticos ao longo da história, como Napoleão Bonaparte. O nome César tornou-se genericamente sinônimo de kaiser ou czar. Para abordagem desse tema sugerimos a leitura de Júlio César, de William Shakespeare, em edição de bolso feita pela L&PM, obra bastante acessível, que pode ser utilizada tanto para discussão em forma de seminário coletivo quanto para desenvolver o prazer pela leitura.
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Sugestão de atividade

Discuta com os alunos o conceito de imperialismo e estabeleça relações com a aplicação desse termo em outros contextos da história. Em seguida, sugere-se que eles registrem o significado dessa expressão no caderno de conceitos.
A diversificação cultural de Roma O Direito
p. 87

nos favorecidos, relação que pode ficar mais clara para os alunos citando o exemplo das leis que resultaram das lutas entre patrícios e plebeus na República romana. O caráter dinâmico do Direito é uma característica que se mantém até hoje, exatamente por expressar as tensões e mudanças que ocorrem na sociedade. Cabe destacar ainda que o Direito contém, também, fortes elementos morais e éticos, refletindo os valores de cada sociedade, embutidos na elaboração e na interpretação das leis. É o que ocorre, por exemplo, em relação à mulher. No Código Civil brasileiro de 1916 a mulher era penalizada por prática de adultério e o marido poderia requerer a anulação do casamento ao constatar que ela já não era virgem. As mudanças da moral e da cultura, nas últimas décadas, refletiram-se no novo Código Civil, aprovado em 2002, que libertou as mulheres de muitos encargos estabelecidos pela lei anterior. Aproveitando o tema, é possível, então, esclarecer algumas especificidades da profissão de advogado, importante para os alunos que irão prestar vestibular. Se possível, o professor poderá convidar um palestrante que trate desse tema para conversar com os alunos e esclarecer suas dúvidas.
Texto complementar A cena e o prandium
p. 89

O Direito romano é uma das heranças mais importantes legadas à civilização ocidental. Este tópico pode ser trabalhado como um estudo de caso, com o objetivo de mostrar aos alunos que as leis, os códigos e inclusive a ética e os costumes são cambiantes no tempo, em função dos interesses econômicos e políticos das sociedades, combinados com as transformações culturais e religiosas. O primeiro aspecto a se observar é a diferença entre o Código Civil Romano, consolidado no governo de Augusto, e o Código de Hamurábi e as tábuas da lei de Moisés. Enquanto o primeiro refletia os conflitos políticos e econômicos dos distintos setores sociais da sociedade romana, os outros dois estavam centrados na orientação da conduta individual, evidenciando, assim, o seu caráter fortemente ético e moral, em contraste com o teor predominantemente social das leis romanas. É importante ressaltar que o Direito Civil resultou de lutas políticas e sociais, travadas especialmente entre os setores mais abastados e os mePARTE II — O VOLUME 1

A leitura proposta para este capítulo traz algumas informações sobre as refeições romanas, aspecto que compõe a história da vida privada dos antigos romanos. Pode-se aproveitar para discutir com os alunos que a história não se preocupa apenas com os fatos sociais, políticos e econômicos; ela também se debruça sobre a vida cotidiana, procurando compreender como os homens do passado tratavam, por exemplo, a infância, a morte, o casamento, de que maneira eles se vestiam, se divertiam, que deuses cultuavam. É importante o aluno perceber que a vida cotidiana do homem comum é objeto importante dos estudos históricos. A questão 4, da seção Compreendendo o texto, que remete à obesidade, permite conscientizar os alunos dessa grave doença moderna, presente em todas as idades e classes sociais, e que está relacionada ao crescimento dos casos de diabete e doenças cardiovasculares.

25

LEITURAS COMPLEMENTARES
1. ASSALTO AO CORAÇÃO DA BIOLOGIA

O texto a seguir traz a visão de um evolucionista sobre o status da explicação criacionista para a origem da vida.
“A edição de 25 de janeiro da revista inglesa New Scientist veicula uma notícia intitulada ‘Vitória da evolução na justiça’. Ela se refere à proibição judicial de o governo do condado de Cobb, no Estado da Geórgia (EUA), obrigar os livros de biologia a trazer uma tarja com os dizeres: ‘Evolução é uma teoria, não um fato’. A medida foi considerada pela corte como propaganda religiosa, o que é ilegal em escolas que recebem financiamento público. Esse é apenas um exemplo das contínuas tentativas realizadas por alguns grupos religiosos para solapar o ensino da evolução nas escolas americanas. No Brasil, o movimento criacionista e sua corrente-irmã, o design inteligente, apoiados por políticos oportunistas locais, arvoram-se em incluir suas idéias no currículo escolar de Ciências Biológicas, em detrimento do ensino da evolução. Considerar as idéias criacionistas e do chamado design inteligente como teorias científicas e colocá-las em pé de igualdade com o evolucionismo é deturpar o significado dos termos ‘teoria’ e ‘ciência’. No contexto científico, teoria refere-se a uma explicação abrangente e bem consolidada de algum aspecto do mundo natural, que pode incorporar fatos, leis, inferências e hipóteses passíveis de teste. Ciência, por sua vez, pode ser definida como um processo que tenta encontrar explicações para os fenômenos naturais por meio de inferências lógicas baseadas em observações empíricas. O criacionismo e o design inteligente não têm status de ciência, pois não geram hipóteses que possam ser testadas e não se pautam por inferências lógicas com base em observações empíricas do mundo natural. O criacionismo se baseia em dogmas relatados no livro do Gênesis. O chamado design inteligente se preocupa em encontrar falhas nos testes das hipóteses geradas com base nos princípios darwinistas, sem apresentar teorias próprias ou hipóteses que possam ser submetidas a testes científicos. Sua principal plataforma é que a ciência ainda não tem explicações definitivas para a origem da vida e para uma reconstituição minuciosa, passo a passo, de como, a partir de organismos simples, surgiram formas mais complexas de vida. Para os defensores da idéia de design inteligente, o que é ainda um mistério hoje continuará misterioso para sempre e melhor do que procurar explicações com base no método científico é invocar forças sobrenaturais. O evolucionismo, por outro lado, parte do princípio de que não há verdades inquestionáveis e que sempre existe a possibilidade de uma explicação considerada verdadeira estar errada. As idéias atualmente aceitas pela ciência são aquelas que, depois de testadas exaustivamente, não foram refutadas. Mesmo assim, as explicações científicas nunca são consideradas verdades absolutas; elas são aceitas enquanto não existirem motivos para se duvidar de sua veracidade, isto é, enquanto não forem refutadas pelos testes. A teoria da evolução biológica vem resistindo a todos os testes a que tem sido submetida, sendo a única explicação racional e coerente para o conjunto de fatos sobre a vida em nosso planeta.”
(AMABIS, José Mariano. O criacionismo e o design inteligente não têm o status de ciência. Folha de S.Paulo. 31 jan. 2005.)

… as explicações científicas nunca são consideradas verdades absolutas; elas são aceitas enquanto não existirem motivos para se duvidar de sua veracidade, isto é, enquanto não forem refutadas pelos testes.

26

SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

O criacionismo e o design inteligente não têm status de ciência, pois não geram hipóteses que possam ser testadas e não se pautam por inferências lógicas com base em observações empíricas do mundo natural.

2. EM BUSCA DAS ORIGENS

O artigo a seguir explica o que é o criacionismo e informa como os seguidores dessa explicação religiosa têm organizado sua intervenção na sociedade.
“O criacionismo surgiu nos meios protestantes norte-americanos no século passado e procura explicar a origem do universo, da Terra, da vida e do homem da maneira como descrita no relato contido na Bíblia. Mesmo considerando que essa base comum fundamenta todas as teses criacionistas, há diversidade na interpretação. Os adventistas do sétimo dia fazem uma interpretação literal do relato bíblico e acreditam que ele seja uma fonte fidedigna para o entendimento dos momentos cruciais da história de nossos primórdios, como, por exemplo, a criação da vida na Terra e dos seres humanos. Um fórum nacional para discussão sobre os temas das origens têm sido os encontros nacionais de criacionistas, promovidos pelo Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp) desde 1993, a cada três anos. Neles é discutida a elaboração de modelos criacionistas que expliquem as origens, bem como relatados os resultados de pesquisas científicas seguindo esses modelos. São discutidas também as dificuldades que o modelo evolucionista tem em explicar a origem da vida e a macroevolução, incluindo o problema da origem da informação genética e o aumento da complexidade nos seres vivos durante o processo evolutivo. Os palestrantes desses encontros têm sido doutores de universidades brasileiras e do exterior e pesquisadores do Geoscience Research Institute, dos EUA. O público atingido por esses encontros é bastante diversificado, incluindo desde pesquisadores e professores até estudantes universitários e profissionais liberais. o No 3 Encontro, realizado em 1999, foi criado o NEO (Núcleo de Estudo das Origens), que é um grupo interdisciplinar para o estudo do o criacionismo. Dos dias 20 a 23 de janeiro de 2005, foi realizado o 5 Encontro Nacional de Criacionistas, com o tema ‘Perspectivas Atuais da Relação entre Ciência e Religião’. Durante esse evento, foram tratados temas como a integração entre fé e ciência, pelo dr. Leonard Brand, que também lançou o livro Fé, razão e história da Terra, no qual procura demonstrar quais são as limitações da pesquisa científica e de que modo a Bíblia, como um livro revelado por Deus, pode auxiliar na busca de explicações sobre as origens. Também foi abordado o design inteligente, que se caracteriza pela busca de evidências de planejamento e atividade inteligente na natureza e como isso se relaciona com o criacionismo. Durante esse encontro, a questão do ensino do criacionismo foi discutida em uma mesa-redonda sobre os desafios de se trabalhar as relações entre ciência e religião na rede adventista de ensino, de forma que se permita ao aluno construir suas competências científicas e manter viva sua experiência religiosa. Os adventistas têm estado envolvidos na produção de livros didáticos de ciências e paradidáticos sobre o criacionismo, para os alunos de suas escolas, embora não estejam envolvidos em qualquer movimento que pretenda tornar o tema obrigatório na escola pública, devido ao caráter leigo desse sistema.”
(PAULA, Márcia Oliveira de. Bíblia é fonte fidedigna de informação, dizem adventistas. Folha de S.Paulo, 30 jan. 2005.)

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

São discutidas também as dificuldades que o modelo evolucionista tem em explicar a origem da vida e a macroevolução, incluindo o problema da origem da informação genética e o aumento da complexidade nos seres vivos durante o processo evolutivo.

Também foi abordado o design inteligente, que se caracteriza pela busca de evidências de planejamento e atividade inteligente na natureza e como isso se relaciona com o criacionismo.

PARTE II — O VOLUME 1

27

UNIDADE II
A CONSTRUÇÃO DOS SENTIDOS

CAPÍTULO 10. ALTA IDADE MÉDIA
Conteúdos e objetivos

Em busca de uma vida melhor?

p. 94

Sugestões de leitura

O texto que serve de abertura para o capítulo trata da presença constante da imigração na história humana e revela uma das justificativas possíveis para esse fato.A foto que acompanha o texto mostra um exemplo de tensão social relacionada à entrada de imigrantes na Europa. Se achar conveniente o professor pode promover uma discussão com a classe refletindo acerca das implicações decorrentes dos movimentos migratórios no mundo.
A migração dos bárbaros
p. 96

LE GOFF, Jacques. Os intelectuais na Idade Média. 4. ed. São Paulo, Brasiliense, 1995. . A civilização do Ocidente medieval. Lisboa, Estampa, 1995. FRANCO JR., Hilário. O feudalismo e o nascimento do Ocidente. São Paulo, Brasiliense, 1986. As catedrais góticas O termo gótico (arte dos godos) engloba um conjunto de manifestações artísticas que se desenvolveram entre os séculos XII e XV na Europa. A catedral gótica é considerada a máxima expressão desse estilo, que marcou a Europa no contexto de revitalização urbana, quando as cidades se transformaram em centro da

Para introduzir um dos temas que serão tratados neste capítulo, o professor pode iniciar questionando o significado do termo “bárbaro” e esclarecer que esse termo era utilizado pelos romanos na Antigüidade (e pelos gregos antes de-

28

SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Este capítulo discute a transição da Antigüidade clássica para a Idade Média, importante momento na formação da sociedade européia, momento em que os alicerces do feudalismo começaram a se constituir. Além disso, com base na história cultural, o capítulo permite analisar a aurora da civilização européia, mostrando que ela, como muitas outras sociedades, foi fruto de uma profunda miscigenação de etnias, culturas, línguas e costumes. Com esse estudo, pretendemos desenvolver as seguintes habilidades, procedimentos e atitudes: • Retomar o processo de fragmentação do Império Romano, apontando os principais fatores da crise. • Identificar algumas características dos vários povos germânicos que contribuíram para formar a população de diferentes países europeus. • Explicar o significado de conceitos essenciais para compreender o chamado feudalismo: feudo, senhor feudal, servo, suserano e vassalo. • Ler e interpretar imagens que representam os camponeses medievais e a nobreza guerreira. • Discutir a expansão dos movimentos racistas em vários países do mundo, visando formar uma atitude de tolerância e respeito pelas diferentes culturas. • Desenvolver o método de pesquisa e de trabalho em grupo.

les) para designar todos aqueles que não compartilhavam os seus valores culturais. Mais tarde, passou a significar o oposto do termo “civilizado”. O tema da invasão dos povos “bárbaros” no Ocidente é relevante entre outras coisas para entender a atual configuração política e cultural da Europa. Aproveitando os dois mapas apresentados nas páginas 95 e 96, o professor pode programar um estudo mais aprofundado sobre cada um desses povos que invadiram o continente europeu, destacando características geográficas, históricas e culturais. Pode-se dividir a classe em duplas ou grupos maiores e solicitar uma pesquisa e a apresentação dos resultados, de forma que todos possam compartilhar as novas descobertas.
Idade Média: trevas ou luz?
p. 97

A explicação sobre o sentido do termo “Idade Média” é importante, pois ajuda a entender como a história é construída pela historiografia e, portanto, como ela expressa o pensamento e as condições materiais de cada época. As leituras e as interpretações propostas pela historiografia acerca da Idade Média sofrem mudanças constantes, que ampliam o conhecimento sobre esse período desfazendo visões estereotipadas ou do senso comum. Nesse sentido, seria interessante o professor questionar os alunos sobre como podemos conhecer o passado de uma determinada época, no caso o período medieval. Pode-se aproveitar para explicar a importância que adquiriu o trabalho dos monges copistas para a preservação das fontes históricas do período, aprofundando a discussão sobre a vida intelectual na Idade Média.

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

vida política, econômica e espiritual na Baixa Idade Média. Uma das principais características da arquitetura gótica era a verticalidade, que simbolizava o desejo humano típico da era medieval de espiritualidade, de estar próximo aos céus, evidenciado nas torres vazadas e leves, na sóbria decoração dos portais e na elevação da grande nave, inovação que se tornou possível com a utilização de arcos ogivais, pilares e contrafortes, que tinham a função de sustentar externamente a estrutura. Uma das mais famosas catedrais góticas é a de Notre Dame (Nossa Senhora) de Paris, na França. Erigida inicialmente no século XII (1163), levou mais de dois séculos para ser concluída (1330). Grandes acontecimentos políticos e religiosos tiveram lugar nessa catedral: o velório do rei São Luís (1270) e a coroação de Napoleão como imperador (1804) são alguns exemplos. Como proposta de trabalho com o tema, sugerimos que o professor explore o livro O corcunda de Notre Dame (1831), de Victor Hugo. A obra clássica do romantismo francês pode ser abordada de diferentes maneiras em rodas de leitura, seminários, discussão de temas específicos ou ainda como atividade de elaboração de fichamentos e resenhas de acordo com as necessidades dos educandos e do professor. O texto pode ser encontrado em diversas edições e adaptado para diferentes faixas etárias. Também há versões adaptadas para o cinema.

Feudalismo: heranças germânicas e romanas

p. 102

O trabalho com conceitos deve ser estimulado e valorizado pelo professor, pois é uma estratégia importante de aprendizado da disciplina e de entendimento das especificidades do tempo passado. Além disso, é uma excelente maneira de exercitar o pensamento abstrato. Sendo assim, sugerimos que o professor dê continuidade à prática do aluno de pesquisar e registrar o significado dos diferentes conceitos que irão aparecer ao longo do ano letivo, anotando-os num caderno específico para isso. Aproveitando a definição de feudalismo apresentada no livro, esclareça dúvidas na classe e estabeleça relações desse conceito com outros conceitos históricos referentes ao feudalismo, como servo, senhor feudal, suserano e vassalo.
Texto complementar O castigo do pecado
p. 105

A expansão dos francos e o Império Carolíngio

p. 99

Em geral esse tema tende a ser visto como cansativo e difícil, pois envolve a leitura de textos contendo inúmeras datas e nomes. O essencial, no entanto, é os alunos reconhecerem que o período carolíngio foi decisivo na formação do sistema feudal europeu. Foi o momento em que a cultura cristã, a dos pensadores clássicos e as tradições germânicas amalgamaram-se para gerar o caldo feudal derramado sobre boa parte da Europa após o fim do Império Carolíngio. É oportuno, neste momento, evidenciar que o europeu, ao contrário do que propagam as correntes neonazistas, de forma alguma atende a um critério científico que lhe permita classificar-se como raça, muito menos como uma raça pura, pois ele é o resultado do cruzamento de dezenas de povos e etnias diferentes, e a sua cultura é também o resultado do sincretismo de inúmeras tradições e origens.
PARTE II — O VOLUME 1

O texto enfatiza uma característica interessante da reflexão a respeito das razões que explicam os acontecimentos que marcam a história humana, principalmente as mazelas, isso numa época caracterizada pela crença de que a história de um povo era determinada pela vontade divina e não pelas ações e idéias dos sujeitos que o compunham. O texto mostra que o debate realizado pelos romanos, sobre o motivo das invasões bárbaras, girava sobre qual era a divindade ofendida e por qual motivo ela se ofendera e os castigava. Pode-se explicar aos alunos que uma discussão semelhante foi feita no Brasil quando as primeiras vítimas da aids começaram a adoecer, no início dos anos de 1980. Especialmente alguns representantes de instituições religiosas declaravam que a doença era o castigo de Deus imposto aos homens, como resposta à sua conduta pervertida, desobediente e entregue à luxúria. É interessante essa discussão para os alunos perceberem como algumas crenças acompanham a história humana.
Atividades
p. 106

A questão 1 tem o objetivo de fazer o aluno retomar o processo de desmoronamento do Império Romano e poder, assim, compreender melhor as bases de sustentação da sociedade feudal. As questões 2 e 3 estimulam a compreensão sobre os chamados povos bárbaros e, em especial, os germânicos, permitindo identificar suas características e contribuições para a formação do sistema feudal.

29

As questões de 4 a 8 resgatam os aspectos centrais que caracterizavam a sociedade feudal: a vassalagem, a Igreja Católica, além da identificação dos elementos do cotidiano, intimamente ligados aos pontos anteriores. Além de sistematizar o estudo da era medieval, possibilitando uma reflexão sobre o presente, em particular a respeito do problema migratório na Europa, as questões contribuem para desenvolver a capacidade de ler e interpretar textos e imagens e aperfeiçoar o método da pesquisa. CAPÍTULO 11. NASCIMENTO
E EXPANSÃO

As origens do islamismo

p. 111

É importante o professor destacar a relação entre as três religiões monoteístas mais importantes no mundo — o islamismo, o judaísmo e o cristianismo — mostrando que há mais elementos em comum do que diferenças entre elas, o que revela ser possível uma convivência pacífica e respeitosa entre seus seguidores. Para aprofundar essa discussão, o professor pode aproveitar o exemplo do Brasil, que em matéria de tolerância religiosa e respeito às diferenças culturais pode ser considerado um exemplo para o mundo. Leia no boxe uma sugestão de atividade sobre esse tema.
Sugestão de atividade

DO ISLAMISMO

Conteúdos e objetivos

O conteúdo deste capítulo é de grande atualidade e merece especial atenção porque, em razão dos graves eventos políticos dos últimos anos e do jogo de interesses que envolve os países islâmicos na atualidade, houve, nas várias mídias, uma guerra de informação e contra-informação a respeito do que é o islamismo, do que é ser islâmico e do que representa o mundo árabe. A convivência pacífica e extremamente profícua entre muçulmanos, judeus e católicos na Península Ibérica, durante o período medieval, é um contraponto à violência que tem marcado o convívio entre as religiões nos dias atuais. Neste capítulo, os alunos vão poder perceber que relações distintas, envolvendo os mesmos atores, marcaram a chamada Baixa Idade Média: enquanto muçulmanos e católicos conviviam pacificamente na Península Ibérica (pelo menos até o início da Reconquista cristã), “soldados” das duas religiões guerreavam entre si nas Cruzadas. Com o estudo deste capítulo, esperamos atingir os seguintes objetivos: • Identificar os elementos constituintes do islamismo. • Relacionar a doutrina islâmica com a organização do Império Árabe. • Ler e comparar mapas que representam o mesmo espaço, em épocas históricas diferentes. • Diferenciar árabe de muçulmano. • Organizar uma linha do tempo registrando os principais fatos que marcaram a expansão islâmica. • Desenvolver atitudes de valorização da diversidade cultural e de tolerância religiosa.
Sugestão de leitura

A expansão do Islã

p. 112

DEMANT, Peter. O mundo muçulmano. São Paulo, Contexto, 2004.

Para abordar o período de expansão da cultura islâmica pelo mundo, pode-se chamar a atenção para um ponto paradoxal e importante que acompanha toda expansão imperial de um povo e o domínio que ele estabelece nas regiões conquistadas: a recíproca contaminação cultural. Este intercâmbio de idéias e costumes entre o povo dominador e o dominado (lembrar que algumas vezes o povo dominador pode se embeber da cultura do dominado, como aconteceu com os romanos em relação aos gregos e com os germânicos em relação aos romanos) tende a ampliar e a preservar valores e conhecimentos, permitindo também desenvolver nas pessoas um olhar mais crítico em relação à sua própria cultura. Esse fato marcou a expansão muçulmana pela Europa, África e Ásia. Os muçulmanos não só
SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

30

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Solicite uma pesquisa sobre a presença das três grandes religiões monoteístas no país e destaque algumas especificidades que caracterizam cada uma delas. Se for possível, planeje uma entrevista com um representante local organizando previamente um roteiro de questões em sala de aula. Como sugestão de leitura para o aluno, o professor pode propor o livro A viagem de Théo (Catherine Clément, Companhia das Letras, 1999). O romance narra a aventura de um adolescente que viaja para diferentes cidades com o intuito de conhecer todas as religiões que existem no mundo. A linguagem é acessível e as explicações sobre as diferentes religiões são didáticas e criativas, podendo também servir de estímulo para o trabalho do professor em sala de aula.

revitalizaram os estudos, entre os europeus, dos clássicos greco-romanos (muitos documentos representativos da civilização ocidental só existem hoje porque foram preservados pelos árabes, devido ao interesse deles pela cultura clássica da Antigüidade, principalmente no que se refere à obra de Aristóteles), como contribuíram divulgando obras magistrais de cientistas e pensadores do mundo islâmico. Além da ciência e da literatura, contribuíram introduzindo novos hábitos alimentares (o uso das especiarias para condimentar os alimentos), jogos (entre eles o xadrez), padrões de cores e formas (tapetes persas, tecidos indianos) e inovações arquitetônicas (arcos, abóbadas, jardins internos), entre outros.
Texto complementar Por baixo do véu das muçulmanas
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

p. 116

O texto selecionado trata do papel da mulher no mundo islâmico, tema atual e sempre polêmico no relacionamento Ocidente/Oriente. Vale a pena tentar combater o preconceito em relação ao uso do véu pelas muçulmanas, visto pelo Ocidente como símbolo da opressão que a religião islâmica exerce sobre as mulheres. É importante lembrar que no Alcorão, livro sagrado dos muçulmanos, não há referências explícitas à obrigatoriedade do véu, o que nos leva a crer que tal prática tem origem em alguma tradição cultural anterior, que foi incorporada ao cotidiano das islâmicas por ação do sincretismo entre a nova religião e as antigas práticas pagãs. Uma sugestão interessante de fonte para se entender melhor os valores muçulmanos é o atual cinema iraniano, bastante prestigiado em todo o mundo.
Sugestões de filmes

sário enquadrar o Império Bizantino não como uma curiosidade histórica, mas como um fator condicionante da formação européia. Historicamente, o Império Bizantino contribuiu para a formação da Europa feudal ao isolá-la física e economicamente do Oriente e por ter exercido permanente pressão militar sobre a Europa central, visando conquistar a região para restaurar o antigo Império Romano. Mesmo que pouco visível deste lado do Atlântico, a Igreja Ortodoxa teve e tem um papel de enorme destaque em muitos dos ex-países do bloco socialista, principalmente na Rússia. Além disso, foi no antigo Império Bizantino que se consolidou e se ampliou o direito civil romano, com a importante contribuição de Justiniano. Por fim, foi da decomposição do Império Bizantino, tomado pelos otomanos, que nasceu o furacão de conflitos que caracteriza até hoje a região do Bálcãs, palco onde estourou a Primeira Guerra Mundial. Os objetivos propostos para este estudo são: • Caracterizar em distintos campos as contribuições da civilização bizantina. • Comparar as diferenças históricas e de doutrina entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa. • Reconhecer a importância da cidade de Constantinopla para a antiga sociedade bizantina. • Compreender as características da arte dos mosaicos e identificar nos dias de hoje esse tipo de elaboração estética.
Boxe — Uma civilização, muitas etnias
p. 122

O círculo. Direção de Jafar Panahi (Irã, 2000). O jarro. Direção de Ebrahim Foruzesh (Irã, 1994). CAPÍTULO 12. A
CIVILIZAÇÃO BIZANTINA

Conteúdos e objetivos

Em geral, o estudo da civilização bizantina se apresenta como estranho e pouco significativo para os alunos. Isso, talvez, se explique pelo fato de que nós, mais ligados à história da Europa ocidental, não encontramos de forma explícita os traços da influência desta sociedade na formação da Europa feudal e na configuração cultural dos países do Ocidente. Diante do exposto é necesPARTE II — O VOLUME 1

Como sugere o próprio título, a civilização bizantina caracterizou-se por uma mistura de diferentes etnias ligadas por elementos culturais comuns. Inicialmente, é importante o professor esclarecer quais eram essas etnias e como elas se configuraram no passado e se manifestam no presente. O professor pode tomar, como ponto de partida, um mapa atual da região e, localizando nele os países, perguntar aos alunos o que eles já conhecem de cada um deles. Como forma de comparação utilize o mapa da página 122. O chamado Cisma do Oriente separou, de forma irreconciliável, a religião cristã do Ocidente da do Oriente, resultando em diferenças substanciais na teoria e na prática religiosa. Podemos dizer que a diferença essencial resulta do fato de o catolicismo ter se modificado ao longo da história, enquanto a Igreja cristã oriental manteve quase inalterado o conteúdo e a forma de sua doutrina, permanecendo mais próxima do cristianismo

31

primitivo. Essas diferenças podem ser observadas facilmente nas cerimônias religiosas das duas igrejas. O casamento da Igreja Ortodoxa, por exemplo, preservou grande parte dos ritos originais.
Constantinopla: centro comercial da Idade Média

CAPÍTULO 13. BAIXA IDADE MÉDIA
Conteúdos e objetivos

p. 122

O eleito de Deus

p. 123

O texto didático define o governo bizantino como despótico e teocrático. A partir da explicação presente no livro, proponha uma consulta a obras de referência e o registro do significado desses termos no caderno de conceitos.
O esplendor e a decadência do Império Bizantino

p. 124

Tanto o texto didático quanto o texto complementar selecionado destacam as conquistas militares e a política externa bizantina como o “fio condutor” da existência daquele império. O professor pode programar a montagem de um dossiê sobre o governo de Justiniano (527-565), dividindo a classe em grupos. Podem-se propor os seguintes temas para o dossiê: 1) pequena biografia do governante; 2) a política expansionista; 3) a arte bizantina; 4) a compilação jurídica. A partir dos resultados apresentados pelos grupos, o professor pode montar um grande quadro-síntese, em sala de aula, que contenha os principais elementos coletados pelos alunos.

Abertura

p. 127

A introdução deste capítulo apresenta três textos: dois deles, escritos em épocas diferentes, expressam opinião oposta sobre os camponeses. O terceiro, atual, apresenta um quadro da concentração de terras no Brasil. Os três podem ser considerados fontes primárias, ou seja, documentos, pois tratam de um fato contemporâneo do próprio autor, ou, ainda, constituem registros da sua própria época. É importante lembrar que os documentos nunca falam por si só, daí a necessidade de interpretá-los de forma cuidadosa, questionando quem os produziu, em que contexto e para qual finalidade, além de nos preocuparmos com a linSUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

32

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

A relevância da cidade de Constantinopla para o mundo medieval e os processos de mudanças e permanências que desembocaram na atual Istambul (Turquia européia) justificam uma pesquisa mais aprofundada sobre o tema. Inicialmente, o professor pode ler em voz alta o texto das páginas 122-123 e discutir os pontos principais com os alunos. Num segundo momento, tomando o mesmo texto como referência, propor uma pesquisa com intuito de confrontar passado e presente, destacando as mudanças e permanências em relação às práticas do cotidiano, como, por exemplo: a igreja de Santa Sofia, o Hipódromo e o Palácio Imperial ainda existem? Se existem, qual a função dessas edificações nos dias de hoje? As vestimentas da população permanecem indicativas da condição social no presente? De que forma? O costume de usar barba entre os homens ainda se mantém? O que esse costume representa para a coletividade?

Este capítulo traz conteúdos essenciais para compreender a crise do feudalismo e a formação da sociedade capitalista. A Baixa Idade Média caracterizou-se por um movimento contraditório: ao mesmo tempo que correspondeu ao período de auge do sistema feudal, nele foram criadas as condições que levariam à sua destruição: o esgotamento do trabalho servil, a expansão das cidades e da atividade mercantil e o nascimento de uma nova camada social, a burguesia. O capítulo também aborda as Cruzadas, expedições de caráter religioso e econômico organizadas pela Igreja para reconquistar Jerusalém, tomada pelos muçulmanos. Mais importante que discutir os objetivos das Cruzadas é ressaltar o impulso que essas expedições representaram para a atividade mercantil e o intercâmbio cultural entre Oriente e Ocidente, graças aos contatos dos cruzados com os povos orientais. Com esse estudo, pretendemos atingir os seguintes objetivos: • Explicar os principais fatores que caracterizaram a crise do sistema feudal. • Criar uma ilustração representando a sociedade feudal na Baixa Idade Média. • Elaborar uma ficha sobre as Cruzadas, destacando os objetivos, os grupos sociais que delas participaram e as mudanças que elas promoveram. • Realizar pesquisa sobre a Guerra dos Cem Anos e construir uma linha do tempo registrando os acontecimentos principais que marcaram o longo conflito. • Relacionar o pensamento expresso pelas elites européias a respeito dos camponeses, em diferentes épocas, à visão de um autor sobre o problema da concentração de terras no Brasil atual.

guagem e a mensagem propriamente dita revelada por ele. Leia em voz alta e analise os três textos junto com os alunos.
Mudanças na “Casa de Deus”
p. 129

O surgimento das universidades e da categoria social dos intelectuais representou uma importante mudança cultural da Baixa Idade Média. Leia no trecho a seguir o surgimento das universidades no contexto das corporações de ofício. Universidades e corporações de ofício “O século XIII é o século das universidades porque é o das corporações. Em cada cidade onde existe um ofício agrupando um número significativo de membros, estes se organizam para a defesa de seus interesses e a instauração de um monopólio em seu proveito. Esta é a fase institucional do desenvolvimento urbano, que materializa em comunas as liberdades políticas conquistadas, e em corporações as posições adquiridas no domínio econômico. Liberdade aqui é equívoca: independência ou privilégio? Reencontraremos essa ambigüidade na corporação universitária. A organização corporativa congela aquilo que consolida. Conseqüência e sanção de um progresso, ela trai um sufocamento e esboça uma decadência. O mesmo se aplica às universidades do século XIII, coerentemente com o contexto do século. O surto demográfico está em seu apogeu, mas se torna mais lento, e a população da Cristandade logo ficará estacionária. A grande frente de desbravamentos que havia conquistado as terras necessárias à alimentação desse excedente humano se esfacela e se detém. Para esse povo cristão mais numeroso o impulso realizador ergue uma rede de igrejas novas, de espírito novo; mas a era das grandes catedrais góticas termina junto com o século. A conjuntura universitária tem a mesma curva: Bolonha, Paris, Oxford não conhecerão jamais tantos mestres e estudantes, e o método universitário — a escolástica — não erigirá monumentos mais brilhantes do que as súmulas de Alberto Magno, Roger Bacon e São Tomás de Aquino. [...] As origens das corporações universitárias são freqüentemente tão obscuras como as de outras corporações de ofício. Organizam-se lentamente, mediante conquistas sucessivas, ao acaso dos incidentes que são ou➜

tras tantas circunstâncias. Os estatutos apenas sancionam tardiamente as conquistas. Não podemos sequer ter certeza de que os que possuímos sejam os primeiros, o que nada tem de surpreendente. Nas cidades onde se formam, as universidades, devido ao número e qualidade de seus membros, manifestam um poder que inquieta os outros poderes. É lutando, às vezes contra os poderes eclesiásticos, outras vezes contra os poderes laicos, que elas adquirem sua autonomia.”
(LE GOFF, Jacques. Os intelectuais na Idade Média. São Paulo, Brasiliense, 1995.)

Sugestão de leitura

LE GOFF, Jacques. Os intelectuais na Idade Média. São Paulo, Brasiliense, 1995.
Pestes e rebeliões: a agonia da ordem feudal

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

p. 134

O trecho selecionado da obra Decameron, do escritor italiano Boccaccio, pode ser analisado como fonte histórica para conhecermos o contexto da peste negra que assolou parte da Europa na Baixa Idade Média. O livro narra a história de dez jovens que se encontram em Florença, durante a peste de 1348, e decidem ir para fora da cidade, a fim de fugirem desse flagelo.Ali, em meio à ameaça do anjo da morte, eles se divertem durante dez dias com uma série de relatos contados por cada um dos participantes. Daí o título do livro — Decameron, “livro dos dez dias”. A obra é considerada uma das fundadoras do Renascimento, pois é a primeira a tratar seus personagens numa dimensão laica e terrena, livre de qualquer finalidade moral ou edificante, daí o caráter propriamente moderno do texto. A força desarticuladora atribuída à peste sugere a eterna e contínua transformação das coisas, propondo a luta, o conflito e a tensão permanente como princípio de tudo, ao invés do escatológico fim do mundo. A partir desse texto o professor pode discutir tanto o papel da literatura como fonte de conhecimento histórico quanto o tema da doença e da peste no contexto da mentalidade medieval. Podem-se estabelecer relações com a disseminação da aids no mundo contemporâneo, abordando os meios de transmissão da doença (no contexto da saúde pública) e o medo da morte, sentimento que acompanha a história humana (veja texto complementar na página 136).

PARTE II — O VOLUME 1

33

Pieter Bruegel, o Velho (1525-1569), viveu nas grandes cidades da região conhecida como Flandres. Sob influência dos ideais renascentistas, ele representou em suas obras, a exemplo das pinturas Caçadores da neve, Banquete nupcial, Dança campestre e Jogos infantis, a realidade de pequenas aldeias que ainda conservavam a cultura medieval. A observação da tela O triunfo da morte (página 134), fonte documental muito valorizada pela historiografia atual, pode render outra proposta de trabalho. A partir da observação coletiva da pintura, os alunos poderão deduzir os elementos principais que caracterizam o contexto da peste negra na Baixa Idade Média e, em seguida, confrontá-los com o texto de Boccaccio.
Uma crise, várias soluções
p. 135

Sugestão de atividade

Uma sugestão para o estudo do tema é assistir ao filme Joana D’Arc, do diretor Luc Besson (1999), e a partir daí discutir o contexto histórico tomando como referência uma pesquisa prévia sobre o tema: a história de Joana D’arc e a Guerra dos Cem Anos. O professor pode propor uma análise crítica do filme feita pelos próprios alunos de acordo com a mesma pesquisa realizada por eles. Esse tipo de atividade busca desenvolver a capacidade de observação, o senso crítico, o método de pesquisa e a argumentação lógica das idéias. CAPÍTULO 14. A
CONSOLIDAÇÃO DAS

MONARQUIAS NA MODERNA

EUROPA

Conteúdos e objetivos

O declínio dos Estados do Ocidente

p. 139

O capítulo trata de um tema complexo, que é a definição de Estado, nação e nacionalismo. Ele resgata os primeiros significados e sinônimos que

O texto de abertura, do historiador Eric Hobsbawm, é importante, pois traça um panorama sintético da ascensão à crise do modelo políticoSUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

34

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Aqui o tema da Guerra dos Cem Anos pode ser estudado a partir da figura emblemática de Joana D’arc, personagem marcante do mundo medieval. Reverenciada como santa, é considerada a mais popular figura histórica da França. O que deve ser analisado em relação ao mito/história de Joana D’arc é como foi construída a noção de nacionalidade entre os franceses, pois este sentimento, tal qual a idéia de nação, não existia. Os dois conceitos foram construídos pela realeza, por parte da nobreza e da burguesia comercial, preparando a constituição do futuro Estado nacional na França.

se vincularam a esses três conceitos e analisa o processo de constituição do Estado moderno, que desembocou na consagração das monarquias absolutistas. Na década de 1970, o historiador britânico Perry Anderson publicou o livro Linhagens do Estado absolutista, em que revolucionou as análises vigentes sobre o tema. Polemizando com a visão mais tradicional de que o Estado moderno representava os interesses da classe burguesa em formação, Perry Anderson desenvolveu um detalhado estudo para demonstrar que, ao contrário, o Estado que marcou a transição do feudalismo para o capitalismo foi constituído para reafirmar o poder da nobreza, ameaçado pela crise do trabalho servil. Ainda que a nascente burguesia tenha se beneficiado da centralização do poder real, criando condições para assumir mais tarde a direção política da sociedade industrial, o Estado absolutista, segundo o autor, representava a modernização dos instrumentos políticos destinados a manter o controle da aristocracia rural sobre a massa camponesa. Logicamente não é nossa intenção transformar as aulas de História do ensino médio num centro de debates acadêmicos. O objetivo é principalmente possibilitar ao aluno perceber a complexidade desses conceitos e as controvérsias que eles suscitam, e estimular a formulação de hipóteses e novos argumentos, habilidades fundamentais para o trabalho com o saber histórico. Os principais objetivos estabelecidos para o estudo deste capítulo são: • Caracterizar Estado nacional, reconhecendo a complexidade desse conceito. • Diferenciar Estado e nação. • Explicar por que o Estado moderno representava os interesses da nobreza, mas acabou atuando também para fortalecer a nascente burguesia, contribuindo para a sua consagração como classe dirigente. • Explicar as principais teorias elaboradas pelos teóricos do absolutismo. • Realizar pesquisa para obter informações sobre movimentos nacionalistas europeus e elaborar síntese das características de dois dos movimentos pesquisados. • Ler e comparar imagens, estabelecendo relações entre a mensagem que elas contêm e o conceito de nacionalismo.

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

econômico dos Estados nacionais, apontando alguns dilemas contemporâneos, como a diminuição ou a mudança na função do Estado e a generalização da violência no cotidiano das pessoas. Essas e outras questões são sintomáticas de um processo de crise dos Estados nacionais e podem indicar o surgimento de um novo modelo de gestão, não mais limitado às fronteiras políticas e culturais, mas sintonizado com as mudanças decorrentes do processo de globalização. Sem incorrer num exercício de futurologia, seria interessante o professor discutir algumas implicações desse processo, como o surgimento de blocos econômicos, a hegemonia norte-americana e o terrorismo como nova estratégia de guerra e de desarticulação do poder constituído. Como fonte de pesquisa, o professor pode recorrer às colunas de articulistas da seção internacional dos jornais e revistas de grande circulação no país, que constantemente analisam essas questões. Esse tipo de atividade, além de manter os alunos atualizados com as questões relevantes do nosso tempo, ajudam a entender as relações de permanência e ruptura entre passado e presente.
Os teóricos do absolutismo
p. 142

Maquiavel antecipou o surgimento de um conjunto de regras e princípios específicos da racionalidade do Estado, a partir da distinção de uma moralidade dualista: a moral do Estado regida segundo a conveniência e a moral do sujeito regida pelas normas. Nesse sentido, sua obra pode ser considerada a primeira elaboração teórica sobre a arte de governar.
Sugestão de leitura

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Maquiavel: a lógica da força. São Paulo, Moderna, 2001. (Coleção Logos.)
Thomas Hobbes e o Leviatã

Dois pensadores se destacam quando falamos em Estado moderno: Thomas Hobbes e Maquiavel, ambos fundamentais para se entender a lógica de funcionamento do Estado, daí a importância de os conhecermos um pouco mais a fundo.
Maquiavel e O Príncipe

Tomando como referência o trecho selecionado da obra O Príncipe, de Maquiavel, que está na página 142, vejamos alguns elementos significativos. Em linhas gerais podemos sintetizar a obra como um manual de conduta política que visa ajudar o Príncipe (o rei ou o governante) a manter o poder e o controle do Estado. Maquiavel escreveu esse tratado baseado em sua experiência pessoal como embaixador e político, apresentando situações e problemas que o Príncipe poderá enfrentar e orientandoo como superá-los. A importância e a atualidade da obra de Maquiavel são indiscutíveis. Produto da Itália renascentista, O Príncipe nos oferece, ao mesmo tempo, o testemunho de uma época e elementos que são universais, como a arte de fazer política. Sua obra inaugurou uma série de tratados que serão publicados entre os séculos XVI e XVIII, não mais como conselhos políticos nem ainda como ciência política, mas como a arte de governar.
PARTE II — O VOLUME 1

Em 1651, Hobbes publicou sua obra mais importante, o Leviatã ou Matéria, forma e poder de um Estado eclesiástico e civil. Para o autor, o Leviatã é uma metáfora, extraída da tradição bíblica, que serve para designar o pacto estabelecido entre os homens para a consecução do Estado moderno. Para ele, o contrato social, que rege o funcionamento das instituições, obriga os homens a viver de forma harmônica e cordial, evitando, dessa forma, a barbárie. Para justificar a necessidade de um governo forte, para refrear a disputa mútua entre os indivíduos, Hobbes caracteriza o homem no estado natural como egoísta, egocêntrico e inseguro, pois nesse estado o ser humano somente seguiria os ditames das paixões e dos instintos, ignorando as leis ou o conceito de justiça. Não existindo governo ou lei, os homens entrariam necessariamente em conflito uns com os outros, configurando-se um estado de guerra permanente, ou, nos termos de Hobbes, uma “luta de todos contra todos”. Vejamos um trecho significativo desse pensamento. O homem é inimigo do homem “Tudo, portanto, que advém de um tempo de guerra, onde cada homem é inimigo de outro homem, igualmente advém do tempo em que os homens vivem sem outra segurança além da que sua própria força e sua própria astúcia conseguem provê-los. Em tal condição, não há lugar para a indústria, porque seu fruto é incerto e, conseqüentemente, nenhuma cultura da terra, nenhuma navegação, nem uso algum das mercadorias que podem ser importadas através do mar, nenhuma construção confortável, nada de instrumentos para mover ou remover

35

coisas que requerem muita força; nenhum conhecimento da face da terra; nenhuma estimativa de tempo; nada de artes; nada de letras; nenhuma sociedade; e o que é o pior de tudo, medo contínuo e perigo de morte violenta; e a vida do homem, solitária, pobre, sórdida, brutal e curta.”
(HOBBES, Thomas. Leviatã, parte I, capítulo 13.)

festas, os jardins e a própria configuração do espaço físico do palácio.
Sugestão de atividade

Texto complementar A corte

p. 144

Sugestão de leitura

RIBEIRO, Renato Janine. A marca do Leviatã: linguagem e poder em Hobbes. São Paulo, Ateliê, 2003.
Os rituais falam
p. 143

O reinado de Luís XIV (1638-1715) da França, o chamado “rei sol”, caracterizou-se por representar o apogeu da monarquia absolutista na Europa e serviu de modelo para muitos governantes ao longo do tempo. O governo desse monarca atingiu essa magnitude, entre outros motivos, porque ele soube utilizar, de forma eficiente, o poder da arte, dos rituais e dos códigos sociais para consolidar a sua imagem. Um dos símbolos mais significativos do governo de Luís XIV foi a construção do extravagante e luxuoso Palácio de Versalhes, criado para ostentar o seu poder e para abrigar a corte francesa. O Palácio de Versalhes tornou-se residência oficial dos reis da França de 1682 até 1790. Após a Revolução Francesa, Versalhes passou a ser um museu nacional. Partindo dessas informações básicas, programe com os alunos uma pesquisa sobre o Palácio de Versalhes, destacando algumas características essenciais que o configuram como símbolo do poder absolutista na França: os rituais, as

O texto tem o mérito de chamar a atenção para o valor simbólico, e daí o seu significado social, dos distintos rituais que realizamos no dia-a-dia, tanto públicos quanto privados, enfatizando como esses rituais podem ser reveladores de uma cultura, da estrutura psicológica de uma sociedade ou de seus participantes. As atividades de compreensão permitem que os alunos identifiquem outras normas de etiqueta presentes nos dias atuais e reconheçam o mundo simbólico também como objeto de estudos dos historiadores.
Atividades
p. 145

As questões 1 e 2 pressupõem a capacidade de explicar os principais conceitos estudados no capítulo. A intenção não é obter uma definição fechada e acabada desses termos, mas possibilitar que os alunos sintetizem as principais características dos Estados nacionais formados no período de transição do feudalismo para o capitalismo, destacando a base social do Estado moderno e as condições socioeconômicas em que ele se desenvolveu. A questão 7 possibilita discutir a diferença entre identidade nacional e posicionamento em relação ao governo, além de propiciar uma discussão sobre o uso político da euforia nacionalista que os campeonatos de futebol despertam em milhões de brasileiros. As imagens permitem ainSUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

36

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Na visão de Hobbes, só o poder constituído com base num contrato social poderia evitar o “canibalismo” entre os seres humanos e garantir a paz e a segurança. A escolha desse poder comum significa transferir a força, a possibilidade de usar a violência, das mãos dos indivíduos para o controle do Estado, que passaria a ser a única instituição legitimamente capacitada para administrar o poder em nome do bem-estar de todos. O importante nessa teoria é entender que ela conferia legitimidade ao Estado forte, absoluto, que estava surgindo no início da chamada Idade Moderna. A partir do trecho selecionado, o professor poderá propor a leitura e a análise coletiva do texto, seguidas da sistematização da mensagem principal expressa pelo autor.

Como sugestão de atividade complementar há duas possibilidades: uma é explorar o jogo eletrônico Versailles 1685, que reconstitui o palácio original com suas gravuras, pinturas, esculturas, textos e demais documentos da época. Outra sugestão é assistir e discutir o filme Vatel: um banquete para o rei (2000).Ambientado na corte francesa, o filme aborda com competência o cotidiano da corte, os rituais e os estratagemas do poder nesse período.
Sugestão de leitura

RIBEIRO, Renato Janine. A etiqueta no Antigo Regime. São Paulo, Brasiliense, 1983. (Coleção Tudo é história.)

da discutir o drama do desemprego no Brasil e a idéia de que a história é feita por todos nós. CAPÍTULO 15. O RENASCIMENTO
CULTURAL E CIENTÍFICO

desenvolvimento baseado na razão tecnicista, em detrimento da natureza e do próprio homem.
Imagem de abertura
p. 148

Conteúdos e objetivos

Este capítulo traz conteúdos essenciais para compreender como o homem, no início da era moderna, tornou-se a figura central dos estudos científicos, da filosofia e da arte. O Renascimento pode ser considerado um movimento que respondeu aos anseios e dúvidas nascidos com a gestação de uma nova sociedade. A busca de um modelo que pudesse se contrapor à tradição cristã medieval foi a essência do pensamento renascentista. No entanto, é preciso ficar claro que em nenhum momento os renascentistas negavam a existência de Deus ou questionavam o dogma da criação como resultado da intervenção divina. A atuação dos renascentistas visava enaltecer as criações humanas, na visão deles tão belas e imponentes como as obras de Deus. A busca de um modelo que expressasse a revalorização do homem é que explica a retomada dos valores e das obras da Antigüidade clássica, que orientou o trabalho de muitos artistas e intelectuais da época. A partir dessa discussão, o professor poderá estabelecer relações com o que foi discutido anteriormente, propiciando a comparação e a análise entre o mundo medieval e a era moderna. Com esse estudo, pretendemos desenvolver as seguintes habilidades: • Contextualizar a transição da mentalidade feudal para a mentalidade moderna na Europa. • Relacionar o crescimento comercial e urbano com a formação de novos grupos sociais. • Identificar nos grupos sociais emergentes nas cidades, em particular a burguesia, a base social e econômica que sustentou a nova arte e o novo modo de relacionamento com o mundo terreno e espiritual. • Explicar as principais características do pensamento renascentista. • Compreender a relação entre humanismo, Renascimento cultural e desenvolvimento científico. • Ler e interpretar imagens que expressam as diferenças entre a arte renascentista e a arte medieval. • Discutir a relação entre o pensamento renascentista e a configuração de um modelo de
PARTE II — O VOLUME 1

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

A introdução deste capítulo apresenta a imagem de um hipotético caderno de empregos de um jornal. O trecho destacado mostra um empregador que procura um profissional de acordo com as características enumeradas, entre elas: conhecimento de anatomia, geologia, botânica, matemática, arquitetura. Um dos objetivos da proposta é destacar a figura do grande protagonista do humanismo, Leonardo da Vinci. Da Vinci notabilizou-se por seus trabalhos em diferentes áreas do conhecimento. Na pintura é responsável pela criação de um dos quadros mais valorizados e conhecidos do mundo: a Mona Lisa, conhecido também como La Gioconda, atualmente sob guarda do Museu do Louvre em Paris. Também ficou conhecido por utilizar conceitos matemáticos em suas obras, como a chamada “razão de ouro” ou “proporção de ouro”. Tomando esses exemplos como referência, o professor pode programar uma pesquisa (em livros e/ou na internet) sobre a vida e a obra do artista, dando ênfase aos seguintes aspectos: 1) pinturas mais importantes do artista; 2) principais estudos científicos; 3) projetos de arquitetura. Organizados em grupos, os alunos poderão apresentar um panorama geral de cada tópico sugerido e também selecionar uma obra (ou trabalho) do artista e pesquisar mais detalhadamente sobre ela.
Sugestão de atividade

Outra possibilidade de abordar a imagem de abertura é discutir com os alunos a importância da educação e do conhecimento múltiplo para o atual mercado de trabalho. Se for do interesse do professor, ele pode levar para a sala de aula o caderno de emprego de um jornal e pedir para os alunos procurarem anúncios que mostrem características de um bom profissional, solicitadas pelo mercado.
As bases do Renascimento
p. 151

Os trechos selecionados na página 152, de Os lusíadas e da Divina comédia, são exemplos de duas obras indispensáveis da literatura ocidental. Sendo assim, mereceriam um estudo mais aprofundado. Se houver possibilidade, o professor pode programar um trabalho em conjunto com a disciplina de Português. O professor de História pode explorar o contexto histórico em que foram pro-

37

duzidas as obras, situando os autores, enquanto o de Português analisa os trechos selecionados. Há também a possibilidade de desenvolver o tema Renascimento no contexto da História da Arte, selecionando algumas imagens representativas do período (obras de Rafael, Michelangelo, Piero della Francesca, só para citar algumas referências presentes no livro do aluno) para trabalhar forma e conteúdo.
A Terra gira em torno do Sol...
p. 153

Galileu é julgado e condenado pela Igreja por defender a teoria heliocêntrica “No verão de 1623, um novo papa subiu ao trono de São Pedro, em Roma. Urbano VIII era completamente diferente dos papas anteriores: ele se interessava pela pesquisa científica! Isso encorajou Galileu Galilei a escrever um livro em que apresentava as duas teorias rivais da cosmologia: sistemas heliocêntricos (o Sol como centro do universo) e geocêntricos (a Terra como centro do universo). Assim, ele poderia falar da teoria heliocêntrica como uma hipótese não comprovada. Várias autoridades, inclusive o papa, leram o Diálogo sobre os dois principais sistemas do mundo: o ptolomaico e o copernicano antes de sua publicação em 1632, e sugeriram modificações. Porém, quando o livro foi divulgado [...] foi uma confusão! Os inimigos de Galileu, como os padres jesuítas de Roma, disseram que o livro glorificava Nicolau Copérnico e insultava a Igreja. Resultado: a circulação do livro foi proibida e Galileu foi intimado a comparecer diante do

(FIGUEIRA, Mara. Ciência Hoje. Rio de Janeiro, 23 mar. 2001.)

O tema em questão se adapta bem ao trabalho interdisciplinar com a área de Ciências, que poderia explorar mais detalhadamente o aspecto científico da revolução copernicana. No caso da História, é importante que os alunos percebam esse contexto como um período de grandes mudanças em relação à época medieval, que caracterizou a transição do feudalismo para o capitalismo.
SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

38

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

No tocante às teorias científicas que emergiram no período do Renascimento, é importante destacar o pensamento de Nicolau Copérnico (14731543). Responsável por deflagrar uma revolução (a chamada Revolução Copernicana), o cientista alterou completamente o entendimento que se tinha acerca do cosmos. A teoria heliocêntrica deve ser entendida no contexto em que foi produzida, como resultado de modificações profundas que atingiram o conhecimento europeu nesse período, impulsionadas pelos descobrimentos e pelas grandes navegações transatlânticas. A revolução copernicana será desenvolvida também por seus seguidores, como Giordano Bruno e Galileu Galilei.

Santo Ofício da Inquisição, o tribunal da Igreja Católica, em outubro de 1632. Na época, Galileu não queria viajar para Roma, pois estava doente e tinha já 70 anos de idade. Em novembro e dezembro, o cientista caiu de cama. O papa ficou furioso! Ordenou que uma junta médica examinasse Galileu. Os médicos disseram que sua saúde permitia que ele viajasse. Portanto, ele deveria ir, por livre e espontânea vontade, a Roma — ou seria detido e arrastado para lá a força. Na primavera de 1633, aconteceu o julgamento de Galileu Galilei. Seu crime? Heresia, ou seja, fazer ou dizer algo contrário às leis da Igreja. Galileu prestou depoimento a apenas dois funcionários e um secretário. Mas seu julgamento foi retratado em diversas pinturas como se tivesse ocorrido em um auditório cheio de padres [...]. Sua condenação parecia inevitável. Como último recurso, Galileu tomou a decisão de dizer que errou e foi longe demais ao escrever sobre as duas teorias. No tribunal, o cientista contou que decidiu reler seu livro, pois queria saber se tinha escrito algo ofensivo. Disse que ficou surpreso ao notar que apresentou como verdadeiras duas teorias que não tinham prova alguma. Disse que seu objetivo era apenas mostrar que a teoria da Terra como centro do Universo tinha falhas. Porém, Galileu afirmou que escreveu suas idéias de tal forma que o leitor podia acreditar que a teoria heliocêntrica era incontestável. Então, o cientista disse que aceitava como verdadeira e indiscutível a estabilidade da Terra e o movimento do Sol. Mal sabia Galileu que o papa havia dito aos cardeais que ele deveria cumprir pena de prisão e fazer penitência. Ele seria humilhado publicamente para advertir a todos que desobedecer às ordens da Igreja e contestar a Bíblia era loucura.”

Sugestão de leitura

KOYRÉ, Alexandre. Do mundo fechado ao universo infinito. Lisboa, Gradiva, s/d.
Texto complementar A construção da feminilidade
p. 153

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

É importante trabalhar o texto complementar chamando a atenção do aluno para uma questão importante: a distinção entre gênero e sexo. Entende-se por relações de gênero o sistema de relações interpessoais que tem como referência a dimensão sexual. Gênero relaciona-se à identidade cultural, podendo existir uma imensa diversidade de representações e comportamentos com relação ao gênero de cada indivíduo. Já o sexo está relacionado ao patrimônio biológico da espécie, limitando-se à dualidade feminino/masculino. O patrimônio biológico é fixo, estático, pois é um dado da natureza. Já as relações entre homens e mulheres na sociedade são construídas culturalmente, podendo manifestar-se de diferentes maneiras ao longo do tempo e do espaço.
Atividades
p. 154

As questões 8 e 9 introduzem uma discussão muito atual, que é a construção, desde o Renascimento, de um modelo de sociedade apoiado na razão tecnicista. O império da técnica significou uma mudança na forma como os homens se relacionavam com a natureza, determinada pela ideologia da máxima eficiência da intervenção tecnológica e pela exaltação do progresso como o símbolo da vitória humana sobre os limites impostos pela natureza. Questionar essa visão e reconhecer a necessidade de reintegrar o homem à natureza são uma tarefa indispensável colocada para a humanidade, responsabilidade da qual a escola não pode se esquivar. CAPÍTULO 16. A
EXPANSÃO ULTRAMARINA

caracteriza a civilização humana, combatendo preconceitos e atitudes etnocêntricas. Um dos grandes desafios da humanidade é garantir a preservação das tradições locais e nacionais num mundo cada vez mais globalizado, desenraizado e padronizado pelo poder da indústria cultural. Com o estudo desse capítulo, pretendemos atingir os seguintes objetivos: • Destacar os principais fatores da expansão ultramarina européia. • Caracterizar a sociedade européia no momento do expansionismo europeu. • Discutir os interesses políticos, econômicos e religiosos que estiveram interligados no processo expansionista europeu. • Explicar a importância do desenvolvimento da cartografia para os navegantes da época. • Comparar as rotas expansionistas dos países ibéricos. • Ler e interpretar texto que descreve, com o uso de alegorias, a viagem de Colombo e sua chegada à América. • Destacar os desdobramentos das viagens marítimas para os europeus e para as sociedades americanas. • Desenvolver atitudes de respeito e valorização da diversidade cultural.
Abertura
p. 158

O capítulo se inicia com a reprodução de uma página da internet. O professor pode esclarecer que o objetivo é comparar a expansão marítima européia, que resultou na constituição de um mercado mundial e no intercâmbio de inúmeros povos e culturas, com a globalização de informações possibilitada pela internet. O texto chama a atenção para o fato de que tanto os navegadores da internet quanto os homens que se lançaram às viagens ultramarinas necessitam de um roteiro de orientação, de um espírito aventureiro e de um objetivo a ser alcançado.
O grande apelo do desconhecido
p. 159

EUROPÉIA

Conteúdos e objetivos

A expansão ultramarina é considerada por muitos historiadores um marco da transição da Idade Média para a Idade Moderna. A partir desse movimento expansionista, povos europeus, americanos, africanos e asiáticos se conheceram ou estreitaram suas relações, alterando, profundamente, os rumos da história. Nesse contexto, o capítulo possibilita discutir também a importância cada vez mais premente de valorizar a diversidade cultural que
PARTE II — O VOLUME 1

O relato de viajantes, como Marco Polo, que desbravaram o mundo muito antes do período da expansão ultramarina européia foi responsável não só por aumentar a curiosidade pelo que se passava em outras partes do mundo, como também por impulsionar o comércio e as trocas culturais entre Ocidente e Oriente. Ainda hoje causa admiração a jornada do comerciante e navegador italiano Marco Polo, que, no século XIII, partiu da cidade de Veneza em direção ao Oriente, onde permaneceu

39

Sugestão de leitura

O expansionismo ibérico

p. 162

Para abordar o tema do expansionismo ibérico, o professor pode trabalhar com o mapa da página 163, que apresenta as rotas das principais viagens marítimas realizadas por portugueses e espanhóis. As quatro rotas indicadas, destacadas em cores diferentes no mapa, podem ser analisadas pelos alunos em grupo. Cada grupo ficaria responsável por pesquisar uma das rotas, destacando: 1) quando e qual a duração da viagem; 2) apresentação do principal responsável; 3) o que aconteceu durante a viagem; 4) os resultados da viagem; 5) uma fonte importante que serve como documento dessa viagem. Na sala de aula cada grupo deve apresentar a sua pesquisa para o restante da classe, compondo, assim, um quadro geral coletivo sobre esse tema.
O resultado do encontro entre as duas culturas

CASTRO, Silvio. A Carta de Pero Vaz de Caminha: o descobrimento do Brasil. Porto Alegre, L&PM, 2000. BRUMEL, Pierre (org.). Dicionário de mitos literários. Rio de Janeiro, José Olympio, 1997. CASCUDO, Luís da Câmara. Geografia dos mitos brasileiros. 2. ed. Rio de Janeiro, José Olympio, 1976.
Texto complementar Diário de Pero Lopes de Sousa
p. 165

A leitura proposta para este capítulo traz parte de um relato de viagem da época das grandes viagens marítimas. O texto permite comentar a preocupação da Coroa portuguesa com o contrabando de pau-brasil na costa brasileira e a visão paradisíaca que muitos europeus tinham das terras americanas e de seus habitantes. Com essa leitura, pretendemos também desenvolver a habilidade de interpretação de documentos históricos.
Atividades
p. 166

p. 164

Podemos considerar que a partir do encontro entre as culturas européias e americanas teve início o processo de globalização, pois, pela pri-

Nas atividades 5 e 8 é importante ressaltar para os alunos as possibilidades abertas pelo uso
SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

40

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

por cerca de vinte anos. Ao retornar a sua cidade natal, em 1298, publicou O livro das maravilhas, um relato de viagem que se transformou em fonte de leitura e conhecimento de muitos navegadores que, mais tarde, participariam das grandes viagens oceânicas. A partir da leitura do trecho selecionado, o professor pode chamar atenção para o estilo fantástico da narrativa, que valoriza o imaginário, o lúdico em detrimento da observação racional e descritiva (derivada do método científico) presente nos relatos de viajantes no período moderno. Para evidenciar esse contraste, o professor pode comparar esse trecho com o relato de Duarte Pacheco (página 164). No que se refere ao trabalho com conceitos é importante discutir o de eurocentrismo, noção fundamental para se entender a relação entre americanos e europeus. O professor pode, partindo dessa definição já previamente pesquisada pelos alunos, analisar os trechos de documentos reproduzidos no livro (página 161), utilizando tanto a iconografia, que representa os quatro continentes, como o trecho da historiadora Mary Del Priori, que interpreta a mesma iconografia. Proponha uma análise inicial da iconografia pelos alunos, com o objetivo de desenvolver a capacidade de observação, dedução e raciocínio lógico.

meira vez, rompiam-se as fronteiras reais e imaginárias que limitavam o trânsito entre os continentes e o conhecimento das riquezas e diferenças culturais entre os povos. O processo de trocas culturais e econômicas que se iniciou a partir daí gerou profundas mudanças nas sociedades americanas e nas européias, que, em síntese, expressaram a vitória do projeto mercantilista europeu sobre as comunidades tradicionais.
Sugestão de atividade

Como atividade complementar, sugerimos a leitura e a discussão da carta de Pero Vaz de Caminha. O documento, considerado a certidão de nascimento do Brasil, descreve, numa linguagem simples e acessível, o fantástico encontro entre essas duas culturas, revelando muito da visão de mundo do europeu daquele período. Há várias edições publicadas, além das versões disponíveis na internet. Para o professor, sugerimos a edição crítica do documento, da qual ele pode aproveitar os comentários e as análises tanto para a sua formação quanto para o trabalho em sala de aula.

de imagens, figuras de linguagem, alegorias e analogias nos estudos de história. Um exemplo é o texto de Ângela Kleiman, que relata, numa construção rica em imagens e metáforas, a viagem das “Três Marias” de Colombo em direção à América. Outra possibilidade de trabalho com a linguagem poética é a leitura do poema de Fernando Pessoa, que pode ser traduzido como uma representação sensível e intuitiva das viagens portuguesas e de seu significado para o povo lusitano. O objetivo das questões 6 e 11 é discutir os efeitos das expedições oceânicas para as culturas americanas e a visão etnocêntrica que predominou no intercâmbio dos povos europeus com as sociedades do chamado Novo Mundo. Desenvolver atitudes de tolerância e valorização da diversidade cultural é um aprendizado necessário para construirmos um futuro livre de guerras e práticas de extermínio.
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Do lar para o mundo

p. 170

Para aprofundar a discussão em sala de aula sobre a natureza do sistema capitalista, sugerimos que o professor analise um texto produzido pelo pensador Karl Marx, um dos maiores estudiosos da economia capitalista. No fragmento a seguir, o autor analisa a relação de trabalho no sistema capitalista. O operário e o capitalista “A acumulação primitiva desempenha na economia política o mesmo papel, pouco mais ou menos, que o pecado original na teologia [...]. A relação oficial entre o capitalista e o assalariado é de caráter puramente mercantil. Se o primeiro desempenha o papel de senhor e este o de servidor, é graças a um contrato pelo qual este não somente se pôs ao serviço daquele e, portanto, sob sua dependência, mas por cujo contrato ele renunciou, sob qualquer título, à propriedade sobre seu próprio produto. Por que, então, teria o assalariado feito este negócio? Porque ele nada mais possui senão a sua força física, o trabalho em estado potencial, ao passo que todas as condições exteriores necessárias a dar corpo a esta força, tais como a matéria-prima e os instrumentos indispensáveis ao exercício útil do trabalho, o poder de dispor das subsistências necessárias à manutenção da força operária e à sua conversão em movimento produtivo, tudo isto se encontra do outro lado, isto é, com o capitalista.”
(MARX, Karl. A origem do capital: a acumulação primitiva. 3. ed. São Paulo, Global, 1979.)

CAPÍTULO 17.

A POLÍTICA ECONÔMICA ESTADOS NACIONAIS
EUROPEUS

DOS

Conteúdos e objetivos

Neste capítulo abordamos a política econômica que caracterizou as monarquias absolutistas européias na transição do sistema feudal para o sistema capitalista, período também conhecido como “acumulação primitiva do capital”. Para entender esse período é muito importante discutir alguns conceitos apresentados no livro, como os de mercantilismo e colonialismo, indispensáveis para o entendimento do processo que possibilitou o fortalecimento da burguesia e o acúmulo de capitais necessários à industrialização inglesa. Com esse estudo, pretendemos atingir os seguintes objetivos: • Caracterizar a política econômica mercantilista. • Distinguir as diferenças entre os vários tipos de mercantilismo adotados na Europa e percebê-los como soluções adequadas às necessidades de cada país. • Explicar a importância dos Atos de Navegação para o desenvolvimento comercial da Inglaterra. • Analisar a formação de blocos econômicos no mundo atual e comparar a discussão em torno da abertura comercial às características da política mercantilista da era moderna.
PARTE II — O VOLUME 1

Leia agora um trecho interessante da historiografia atual que fornece uma boa explicação sobre o processo de acumulação primitiva e uma definição para capitalismo. O que é capital “Capital designa os materiais necessários para a produção e o comércio de mercadorias. As ferramentas, os equipamentos, as instalações das fábricas, as matérias-primas e os bens que participam do processo produtivo, assim como os meios de transporte dos bens e o dinheiro — tudo isso é capital. A essência do sistema capitalista consiste na existência de uma classe de capitalistas que detém a propriedade do estoque de capital. É a propriedade do capital que faculta aos capitalistas a obtenção de lucros. Quando não são retirados do processo produtivo, os lu➜

41

cros convertem-se em estoque suplementar de capital. Essa acumulação de capital redunda em mais lucros que, por sua vez, conduzem a uma nova acumulação ainda maior, e assim por diante, numa espiral ascendente. O termo capitalismo designa, com muita propriedade, este sistema cujos pilares são a busca de lucros e a acumulação de capital. O capital é a fonte dos lucros e, portanto, a fonte de acumulações de capital ulteriores.”
(HUNT & SHERMAN. História do pensamento econômico. 6. ed. Petrópolis,Vozes, 1987.)

domínio colonial na América portuguesa. O texto também ajuda o aluno a reconhecer os aspectos mercantilistas da política comercial do Estado holandês. CAPÍTULO 18. A REFORMA PROTESTANTE E A REFORMA CATÓLICA

Conteúdos e objetivos

A partir desses trechos selecionados, o professor pode estabelecer uma relação entre o processo de acumulação primitiva na Europa e a prática do colonialismo aplicada ao Novo Mundo, integrando, assim, os principais temas e conceitos em foco neste capítulo.
Sugestão de leitura

DEYON, Pierre. Mercantilismo. São Paulo, Perspectiva, 1973.
As práticas mercantilistas
p. 171

É fundamental compreender os objetivos e o caráter das diferentes práticas mercantilistas adotadas pelos países europeus para explicar os fatores que impulsionaram a expansão ultramarina e definiram as linhas mestras do modelo de colonização implantado na América ibérica. Sugerimos, assim, montar com os alunos um quadro sintetizando as medidas mercantilistas e os princípios que as orientavam. Se os alunos entenderem, por exemplo, o princípio da balança comercial favorável e o do metalismo, no contexto do desenvolvimento do capitalismo mercantil, vão reconhecer com mais clareza as marcas da política mercantilista no modelo de colonização estabelecido pelos portugueses no Brasil, caracterizado pela monocultura agroexportadora e pelo escravismo.
Texto complementar A Holanda em busca de colônias
p. 174

O texto traz a visão de um historiador sobre a especificidade da expansão colonial holandesa, desprovida, segundo ele, do espírito evangelizador que caracterizou o projeto colonizador dos portugueses. O texto contribui para que, ao estudar a conquista do Brasil pelos portugueses, em outro momento, o aluno possa estabelecer comparações com os elementos que identificavam o

Vivemos nos dias atuais um movimento de expansão das correntes religiosas, de grupos constituídos para promover o desenvolvimento da espiritualidade e o aquecimento do mercado de livros de auto-ajuda. Uma das características da sociedade que nasceu do fim da Guerra Fria é a procura de um novo modelo de vida em atividades voltadas para a chamada educação espiritual, em prejuízo da organização sindical e partidária, meios coletivos de ação política que canalizaram os sonhos de milhões de pessoas em outras épocas. Procurar compreender os aspectos simbólicos que marcam o comportamento humano do nosso tempo e compará-los com o de outras épocas é o que justifica o estudo das reformas religiosas ocorridas na Europa durante a época moderna. Por isso, seria um equívoco reduzir as motivações da Reforma Protestante ao simples interesse econômico e político. É preciso explicar esse movimento como parte de um conjunto de mudanças que ocorriam na Europa na passagem da Idade Média para a Moderna, que se expressavam na esfera econômica, social, política e cultural. Cada uma dessas instâncias deve ser considerada em sua especificidade, havendo entre elas uma relação de influência permanente e recíproca. Os objetivos estabelecidos para este capítulo são: • Ler e analisar o gráfico representando o perfil das religiões no Brasil atual. • Caracterizar a Reforma Protestante e a Reforma Católica. • Explicar os principais fatores do declínio do poder da Igreja Católica no final da Idade Média. • Identificar o papel do Tribunal do Santo Ofício e exemplificar as práticas condenadas pela Igreja e julgadas por esse Tribunal. • Caracterizar a doutrina luterana e analisar a posição de Lutero diante da revolta camponesa na Alemanha. • Explicar, a partir da leitura de um documento, a Teoria da Predestinação Absoluta. • Produzir texto analisando o significado da Reforma Protestante para o desenvolvimento do capitalismo.
SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

42

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

• Realizar pesquisa para obter dados a respeito da Congregação para a Doutrina da Fé e da Teologia da Libertação. • Desenvolver uma atitude de tolerância religiosa.
A Reforma no contexto da modernidade
p. 177

No contexto das reformas religiosas é importante o professor chamar a atenção para o papel do Tribunal da Inquisição, tema relevante para a historiografia, sobretudo para o estudo da Europa ibérica. Em Portugal e na Espanha, essa instituição exerceu grande influência nas decisões do Estado, levando à expulsão dos judeus dos territórios ibéricos ou à sua conversão forçada ao catolicismo, política que também teve reflexos na administração da América portuguesa. Esse pode ser um enfoque interessante para o professor trabalhar o tema.
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

do dramaturgo Dias Gomes, extraído de sua obra O Santo Inquérito (1966). O enredo, situado na época da atuação da Inquisição no Brasil, narra a história da ingênua Branca Dias, processada e condenada à fogueira pela Inquisição. Sobre o mesmo tema, sugerimos ler também o artigo Duas faces de um mito, publicado na revista Nossa História, n. 10, ago. 2004.
Martinho Lutero: a justificação pela fé
p. 179

O Tribunal do Santo Ofício O Tribunal do Santo Ofício foi criado pelo papa Gregório IX, no ano de 1233, com o intuito de julgar e banir as heresias (doutrinas ou práticas contrárias ao que a Igreja definia como questão de fé). Isso significa que os inquisidores ficaram responsáveis pela ortodoxia da religião, sob supervisão direta do papa. Em 1252, o papa Inocêncio IV sancionou o uso da tortura como método de obtenção da confissão de suspeitos. Os condenados podiam cumprir penas diversas, que envolviam a abjuração pública, o confisco de bens, a prisão e, inclusive, a morte. As sentenças eram anunciadas nos chamados autos de fé, realizados nas praças públicas, como na praça do Rossio, no centro de Lisboa (sede do Tribunal de Lisboa), local onde também eram julgados os hereges brasileiros.
Sugestão de atividade

Quanto ao trabalho com conceitos, é importante explicar o significado das indulgências no contexto das reformas religiosas. As indulgências eram documentos (assinados pelo papa) que tinham a função de absolver o pecador, o que significava na prática a venda do perdão. Somado a isso, o clero praticava o comércio da fé vendendo relíquias religiosas, cultivando o luxo, o mecenato e o acúmulo de propriedades. Nesse sentido, podemos dizer que a Reforma foi impulsionada por uma crise moral da Igreja Católica, cujo poder e ação contrastavam com o dogma e as pregações, colocando em xeque a função eclesiástica na sociedade.
João Calvino: a predestinação absoluta
p. 181

Aproveitando os fragmentos de texto selecionados no livro (páginas 181 e 182), o professor pode explorar a relação entre a ética protestante, caracterizada pela valorização da poupança, e o desenvolvimento do capitalismo, enfatizando o processo de acumulação primitiva, podendo retomar, se necessário, o que já foi tratado no capítulo anterior.
Texto complementar Salvação individual
p. 184

Para tornar o tema mais interessante para os alunos, o professor pode analisar um caso de heresia ocorrido no Brasil. Como sugestão, pode-se trabalhar com a leitura dramática do texto “O julgamento de Branca Dias pela Santa Inquisição”,

O texto permite compreender a diferença fundamental que demarcava a doutrina luterana e a Igreja de Roma e que ainda hoje é motivo de divergência entre protestantes e católicos: o que garante a salvação da alma é a fé ou as boas obras? Além disso, a leitura contribui para que o aluno perceba que a subjetividade, as crenças religiosas e outros aspectos que compõem o terreno simbólico das sociedades humanas também são importantes objetos de estudo do historiador.

PARTE II — O VOLUME 1

43

LEITURA COMPLEMENTAR
UM PARALELO ENTRE A IDADE MÉDIA E A ATUALIDADE

O diálogo a seguir, do historiador Georges Duby com dois jornalistas, nos leva a entender a mentalidade medieval e a perceber que a Idade Média não pode ser reduzida à “Idade das trevas”, e que herdamos muito de suas idéias e conceitos.
“Traçar um paralelo entre a Idade Média e a aurora do Terceiro Milênio para tratar dos medos de ontem e de hoje parece-lhe legítimo? Os homens e as mulheres que viviam há mil anos são nossos ancestrais. Eles falavam mais ou menos a mesma linguagem que nós e suas concepções de mundo não estavam tão distanciadas das nossas. Há, portanto, analogias entre as duas épocas, mas existem, também, diferenças, e são elas que muito nos ensinam. Não são as semelhanças que vão nos impressionar, são as variações que nos levam a fazer-nos perguntas. Por que e em que mudamos? E em que o passado pode dar-nos confiança? O senhor percebe hoje, no seio da sociedade, um sentimento de medo que poderia aproximar-se de um sentimento de mil anos atrás? Nossa sociedade é inquieta. O próprio fato de que ela se volta resolutamente na direção da sua memória é uma prova disso. [...] Se nos apegamos dessa maneira à memória dos acontecimentos ou dos grandes homens de nossa história, é também para retomar confiança. É por isso que uma inquietação, uma angústia, está escondida em nosso íntimo. Para compreendermos os medos de nossos ancestrais, são suficientes os dados do conhecimento da Idade Média? Esse período de nossa história está distante e as informações são raras. É preciso, portanto, considerar a Idade Média no seu todo. Constatamos que essa sociedade foi movida, entre o ano mil e o século XIII, por um progresso material fantástico, comparável ao desencadeado no século XVIII e que prossegue até hoje. A produção agrícola multiplicou-se por cinco ou seis vezes e a população triplicou em dois séculos, nas regiões que constituem a França atual. O mundo mudava muito rapidamente. A circulação dos homens e das coisas acelerava-se. Depois, na metade do século XIV, entrou-se numa fase de quase estagnação que durou até a metade do século XVIII. Assim, por exemplo, nenhum progresso notável intervém nos transportes entre o reinado de Filipe Augusto e o de Luís XVI, a duração do trajeto de Marselha a Paris mantém-se quase a mesma durante cinco séculos. Percebemos, também, bastante claramente, a evolução das mentalidades. Nesse período de grande crescimento, como ocorre atualmente, os filhos não pensavam da mesma forma que os pais, mesmo que essa sociedade muito hierarquizada cultivasse, de maneira fundamental, o respeito aos anciãos. Veja: eis uma diferença em relação aos dias de hoje. [...] É preciso, também, tentarmos esquecer o que pensamos e colocarmonos na pele dos homens de oito ou dez séculos atrás, para penetrar na

É preciso, portanto, considerar a Idade Média no seu todo. Constatamos que essa sociedade foi movida, entre o ano mil e o século XIII, por um progresso material fantástico, comparável ao desencadeado no século XVIII e que prossegue até hoje.

44

SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

civilização da Idade Média, tão diferente da nossa. [...] Todas as culturas [...] são dominadas pelas mesmas angústias em relação ao mundo. Elas partilham um sentimento geral de impotência para dominar as forças da natureza. A cólera divina pesa sobre o mundo e pode manifestar-se por este ou aquele flagelo. O que conta essencialmente é garantir a graça do céu. Isso explica o poder extraordinário da Igreja, dos servidores de Deus na terra, pois o Estado, tal como o concebemos hoje, não existia. O direito de comandar, fazer justiça, proteger, explorar o povo dispersava-se entre vários pequenos núcleos locais. Os chefes, esses homens que empunhavam a espada, a espada da justiça, sentiam-se os representantes de Deus, encarregados da manutenção da ordem que Deus quer fazer respeitar na terra. A consciência da história existia na Idade Média? Tentava-se abstrair ensinamentos dela? Evidentemente. O que diferencia mais claramente a civilização européia das outras é que ela é essencialmente historicizante, ela se concebe como estando em processo. O homem do Ocidente tem o sentimento de que progride em direção ao futuro e, assim, ele é muito naturalmente levado a considerar o passado. O cristianismo, que impregnou fundamentalmente a sociedade medieval, é uma religião da história. Proclama que o mundo foi criado num dado momento e que, num outro, Deus fez-se homem para salvar a humanidade. A partir disso, a história continua e é Deus quem a dirige. Para conhecer as intenções divinas é necessário, portanto, estudar o desenrolar dos acontecimentos. É isso o que pensavam os homens cultos, os intelectuais daquela época, ou seja, os membros da Igreja.Todo o saber estava em suas mãos. Um monopólio exorbitante. Em um grande número de instituições religiosas, mosteiros ou catedrais, escreveu-se, portanto, a história, e sob diferentes formas. De maneira geral, anotavam-se simplesmente os acontecimentos marcantes ao longo do ano: em tal ano irrompeu uma tempestade extraordinária, as colheitas foram tardias, tal papa morreu, uma epidemia alastrou-se, o telhado do dormitório ruiu. Assim tomava forma o que chamamos de anais. Mas, às vezes, ia-se mais longe. Um dos monges ou cônegos encarregava-se de compor verdadeiramente uma história. Os acontecimentos do passado eram retomados e colocados em ordem. Desse gênero de escritos vem uma grande parte do que sabemos daquele tempo. Provavelmente nós o conheçamos também pelas contribuições da arqueologia, pelos vestígios da existência dos homens que encontramos ao escavarmos a terra. Entretanto, se a Idade Média não nos parece estranha, é porque os sábios se encarregaram de escrever a história. Sabemos muito mais sobre os séculos XI e XIII europeus do que a respeito da história da Índia, por exemplo, ou da África, porque não havia, nessas regiões do mundo, a mesma vontade de registrar com exatidão o que acontecia de notável no decorrer dos dias.”
(DUBY, Georges. Ano 1000, ano 2000: na pista de nossos medos. São Paulo, Editora Unesp/Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 1999. p. 13-17.)

Todas as culturas [...] são dominadas pelas mesmas angústias em relação ao mundo. Elas partilham um sentimento geral de impotência para dominar as forças da natureza.

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

O cristianismo, que impregnou fundamentalmente a sociedade medieval, é uma religião da história. Proclama que o mundo foi criado num dado momento e que, num outro, Deus fez-se homem para salvar a humanidade. A partir disso, a história continua e é Deus quem a dirige. Para conhecer as intenções divinas é necessário, portanto, estudar o desenrolar dos acontecimentos.

PARTE II — O VOLUME 1

45

Respostas das Questões
de Vestibular/Enem
INTRODUÇÃO
O FAZER HISTÓRIA

CAPÍTULO 1.
1. a) V; b) V; 2. b 3. b 4. b 5. b

A

CONSTRUÇÃO DA

HISTÓRIA

c) F;

d) F.

2. 4. 6. 7.

UNIDADE I
DOS PRIMEIROS HUMANOS AO LEGADO CULTURAL DO HELENISMO

CAPÍTULO 2.
1. e 2. d

AS

ORIGENS DO HOMEM

CAPÍTULO 3.
1. c 2. d 3. e 4. d

DAS

ALDEIAS PRÉ-HISTÓRICAS

AOS PRIMEIROS

ESTADOS

8.

CAPÍTULO 7. A
IDENTIDADE DO HOMEM

AS

CIVILIZAÇÕES HEBRAICA

E FENÍCIA

CAPÍTULO 4.
1. d 2. d

AMERICANO

CAPÍTULO 5.

A

CIVILIZAÇÃO FLORESCE

ÀS MARGENS DO

NILO

1. a) F; b) F; c) V; d) V; e) F. 2. d 3. Biblos, Sidon e Tiro. A principal contribuição dos fenícios foi a invenção do alfabeto. 4. a 5. c 6. a 7. c 8. d; e 9. c

1. c 2. Os camponeses eram submissos ao Estado. Quando eles eram convocados pelo poder público, tinham que interromper as atividades que exerciam para atuar nas obras públicas. 3. d 4. b 5. c 6. b 7. a 8. c

CAPÍTULO 8.

O

LEGADO DA

GRÉCIA

PARA A CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL

CAPÍTULO 6.

MESOPOTÂMIA,
CIVILIZAÇÕES

BERÇO DE

1. a) A escrita tinha como função inicial facilitar a administração do Estado para organizar os registros das propriedades, do número de funcionários e das despesas públicas.

1. A religião grega era politeísta; cultuava deuses antropomórficos, caracterizados à semelhança dos defeitos, paixões e virtudes dos homens; a mitologia grega possuía caráter narrativo e mítico, e não era uma fonte de ensinamento moral. 2. a 3. O teatro grego atingiu seu apogeu no século V a.C., com o desenvolvimento das tragédias de Ésquilo, Sófocles e Eurípedes, obras nas quais o destino humano era questionado em profundidade, levando ao autoconhecimento através da revelação da natureza dos sentimentos humanos. Também se desenvolveu

46

SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

b)O Estado sustentava-se por meio da cobrança de impostos sobre os excedentes econômicos da produção agrícola e da pecuária; por outro lado, realizava grandes obras de irrigação, além de controlar, estocar e distribuir a produção. c 3. b b 5. c a) F; b) F; c) F; d) V; e) V. a) A organização social da Mesopotâmia caracterizava-se pela existência de diversos grupos sociais, havendo, na hierarquia, aristocratas, sacerdotes dos templos, comerciantes, artesãos, escribas, camponeses e escravos, entre outros setores de menor destaque. Politicamente, os reinos mesopotâmicos podem ser definidos como uma monarquia despótica, em que o rei era visto como um intermediário entre os deuses e os homens. b)Os principais aspectos do código eram a superioridade da lei escrita sobre a norma oral e o princípio do “olho por olho, dente por dente”, a chamada “Lei do Talião”. O Código de Hamurábi estabelecia que todo delito tinha de ser punido de forma semelhante ao crime cometido. b

4. 7.

8.
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

9.

10.

11.

12.

13.

a comédia, dedicada à crítica e à sátira de costumes, gênero em que se destacou Aristófanes. d 5. c 6. b a) Ao contrário do país dos Ciclopes, a cidade-Estado grega era regida por leis, aprovadas diretamente pelos cidadãos em assembléias populares. b)Atenas, cidade-Estado que se tornou democrática no século V a.C., governada pelos cidadãos reunidos em Assembléia, e Esparta, cidade-Estado oligárquica e militarista, são os modelos mais conhecidos, mas também podemos citar as diversas monarquias e tiranias existentes em diversas cidades-Estado da Grécia. c) A democracia grega diferencia-se da atual por ter sido uma democracia direta e participativa, em que as decisões da Assembléia tinham caráter soberano, não havendo poder Executivo separado do Legislativo, enquanto a democracia moderna tem caráter representativo e é organizada segundo o princípio dos três poderes. a) A Liga de Delos foi uma união de caráter diplomático e militar entre as cidades gregas, com o objetivo de combater os persas e garantir a segurança de seus habitantes. b)Atenas possuía a maior frota marítima aparelhada para a guerra, sem a qual as forças de segurança da Liga de Delos pouco significariam. c) A Acrópole era a parte mais alta da cidade, onde se situavam os templos religiosos, em especial o de Atena, a protetora da cidade-Estado. a) Alexandre foi o rei da Macedônia, guerreiro e conquistador de um império que se estendeu da Grécia ao Rio Indo, na Índia, no século IV a.C. Suas conquistas visavam ao fortalecimento do Estado, à expansão da economia do mundo grego e à pacificação dos conflitos com os persas. b)O helenismo caracterizou-se pela expansão da cultura grega clássica, porém de forma adaptada às demais culturas, como a persa e a egípcia. Era a expressão cultural de um mundo cosmopolita. A Guerra do Peloponeso durou cerca de 30 anos; foi marcada pela fome e pela peste, tendo exterminado boa parte da população de Atenas e de outras cidadesEstado. A vitória de Esparta não significou uma nova ordem, e sim uma grande desordem política, sobre a qual se instalaria mais tarde o Império Macedônico. A democracia grega era um sistema no qual o cidadão participava ativamente da administração e da legislação, visto que era uma democracia direta (não-representativa). Ser cidadão, porém, era uma prerrogativa dos homens livres; portanto, escravos e mulheres não possuíam voz política, ficando restritos ao mundo privado. A democracia ateniense era direta, ao contrário da atual, representativa. Os poderes estavam concentrados na Assembléia e não no Poder Executivo, não havendo uma burocracia ligada à atividade política, como acontece hoje em dia com os servidores públicos. Durante o século V a.C. a cultura grega assistiu ao desenvolvimento do teatro (com Ésquilo, Eurípedes, Sófocles), da filosofia moral (Sócrates), da escultura

clássica e da investigação racional sobre o mundo, num processo de valorização da razão de caráter humanista, que incluía também a democracia. 14. a) A idéia de economia presente no texto de Aristóteles refere-se principalmente à relação do homem com a natureza, no sentido de obter recursos para sobreviver e reproduzir-se. b) O conceito capitalista de economia está centrado na acumulação de excedentes que se reproduzem, de forma que o dinheiro gere dinheiro (lucro). Para Aristóteles a origem da riqueza estava na natureza.

CAPÍTULO 9.

O

ESPLENDOR DE

ROMA

1. d 2. c 3. a) V; b) V; c) F; d) F. 4. c 5. e 6. O Direito romano, base do sistema jurídico ocidental; o Calendário Juliano, do qual se originou o calendário gregoriano; a condução política dos negócios da cidade, por meio de instituições democráticas e republicanas; o modelo de grade curricular presente nas escolas; o teatro e a filosofia.

UNIDADE II
A CONSTRUÇÃO DOS SENTIDOS

CAPÍTULO 10.

ALTA IDADE MÉDIA

1. a) Poder local: senhores feudais; poder em esfera nacional: rei; poder supranacional: o clero. b)O rei, que contou com o apoio da burguesia para centralizar o poder monárquico. Apesar de o Estado moderno ter sido constituído para reafirmar o poder da nobreza, ele serviu para o fortalecimento da nova classe burguesa. 2. c 3. d 4. a) V; b) F; c) V; d) V; e) F. 5. a) A cavalaria foi uma instituição de muito prestígio na época. Ela era responsável pelo combate dos inimigos dos senhores feudais nos âmbitos interno e externo. Externamente, os cavaleiros combatiam os invasores e, dentro dos feudos, atuavam contra as revoltas camponesas. Para o clero, os cavaleiros eram os responsáveis pela defesa do território contra os inimigos da ordem feudal. b)O papa representava o elemento sagrado que deveria estar sempre presente nos rituais de cavalaria, ainda que na forma de relíquias sagradas, simbolizando a subordinação da ordem terrena ao mundo espiritual cristão. 6. A sociedade feudal era estamental e hierarquizada, composta de clérigos, nobres e camponeses. A Igreja definia a função social de cada grupo. A nobreza feudal estava encarregada de proteger a fé e os habitantes dos feudos, enquanto os camponeses deviam prover os recursos necessários à subsistência dos demais grupos. 7. e

PARTE II — O VOLUME 1

47

CAPÍTULO 11.
1. 4. 5. 7.

NASCIMENTO

E EXPANSÃO

DO ISLAMISMO

d 2. b 3. b a) V; b) V; c) V; d) V. a 6. e Os pilares da doutrina islâmica, associados à decadência dos impérios persa e bizantino, contribuíram para a expansão dos árabes. Além disso, devemos levar em conta os interesses econômicos dos mercadores árabes, que foram essenciais no processo de expansão islâmica pelo Mediterrâneo. O contato com os europeus resultou no aparecimento, na região da Península Ibérica, de uma cultura híbrida, responsável pelo desenvolvimento de várias áreas do saber. 8. a) V; b) V; c) V; d) V; e) V. 9. c 10. e 11. c

tempo é a capitalista, marcada pelo dinamismo do mercado e do comércio, pela valorização do lucro e pelo poder do capital. 6. a) As jacqueries, nome genérico das rebeliões camponesas ocorridas na França durante a crise do feudalismo, no século XIV, foram movimentos camponeses contra a exploração feudal. Os rebeldes defendiam o fim da servidão e a melhoria das condições do trabalhador do campo. b)A peste negra, a Guerra dos Cem Anos e as crises de fome.

CAPÍTULO 14.

A

CONSOLIDAÇÃO DAS

MONARQUIAS NA MODERNA

EUROPA

CAPÍTULO 12.

A

CIVILIZAÇÃO BIZANTINA

CAPÍTULO 13.

BAIXA IDADE MÉDIA

1. a) O desenvolvimento do comércio e o aumento populacional foram importantes fatores para a crise do feudalismo. Nessa época, a partir do século XIV, a Europa ocidental assistia à ascensão da burguesia mercantil e ao esgotamento das relações de trabalho servis. A riqueza passou a basear-se na moeda e não apenas na terra, as relações de trabalho tornaram-se gradualmente assalariadas, desenvolveram-se feiras e cidades, que contribuíram para romper o isolamento característico do feudalismo. b)A peste negra e a fome afetaram a economia feudal já decadente, mas também o dinâmico comércio no Mediterrâneo, verificando-se aí o que se convencionou chamar de “crise de retração” do comércio europeu. A peste negra foi responsável pela morte de quase um quarto da população européia, gerando uma escassez de mão-de-obra que acabou por afetar as relações de trabalho servis, a base do sistema feudal. 2. d 3. b 4. c 5. a) Transição do feudalismo para o capitalismo. b)A sociedade em que predomina o espaço é a feudal. As características mais significativas são a rígida hierarquia social, a economia baseada na agricultura, o domínio do pensamento religioso e o trabalho servil. A sociedade em que predomina o

CAPÍTULO 15.

O RENASCIMENTO
CULTURAL E CIENTÍFICO

1. d 2. a) O tema tratado nos textos é o homem. Os três discursos são caracterizados pelo humanismo, ou seja, a valorização do que há de melhor no ser humano, tais como o livre-arbítrio, a racionalidade, a destreza etc. b)Enquanto Sófocles e Cícero são representantes do mundo clássico greco-romano, Pico della Mirandola viveu no Renascimento, período em que muitos pensadores e artistas pretendiam retomar os estudos e os valores da cultura de Cícero e Sófocles. Semelhante aos filósofos da Antigüidade clássica, os renascentistas reconheciam e valorizavam a capacidade criativa dos seres humanos. 3. b 4. e 5. c 6. c 7. e 8. e 9. b

CAPÍTULO 16.

A

EXPANSÃO ULTRAMARINA

EUROPÉIA

1. b 2. e 3. a) A América, apesar de já ter sido encontrada por Colombo, era ainda considerada parte das Índias,

48

SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

1. e 2. d 3. a) Civilizações árabe e bizantina. b)A civilização árabe, de religião islâmica, era urbana e predominantemente comercial, tecnicamente bastante desenvolvida e politicamente organizada em califados de caráter teocrático. A civilização bizantina, de religião cristã liderada pelo patriarca de Constantinopla, foi herdeira das tradições jurídicas, políticas e filosóficas da Roma antiga e caracterizava-se pelo poder centralizado no imperador. 4. c

1. b 2. e 3. b 4. e 5. d 6. a) Os poderes eram concentrados nas mãos do rei, que controlava a justiça, a administração e a legislação, além de representar o papel de escolhido por Deus e de supremo chefe militar. O poder político do rei baseava-se na divergência de interesses entre nobreza e burguesia. Geralmente o rei privilegiava a nobreza em detrimento da burguesia. O poder absolutista dos reis era justificado pelas teorias elaboradas por pensadores como Thomas Hobbes e Maquiavel. b)Idade Moderna, entre os séculos XV e XVIII. c) O poder emana da sociedade, e não de uma entidade divina; os governantes são eleitos pelo voto popular e estão subordinados à lei como qualquer outro cidadão. 7. a

4. 5.

6.

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

7.

8.

erro que seria corrigido mais tarde por Américo Vespúcio. A Oceania ainda não tinha sido encontrada pelos europeus. b)Matemática (principalmente geometria), geografia, astronomia e cartografia. b a) A linha divisória resultou das disputas entre Portugal e Espanha pela conquista de territórios após a chegada de Colombo à América e estabelecia a partilha das terras encontradas entre os dois países. b)Durante o período colonial, a ocupação portuguesa ultrapassou os limites da linha de Tordesilhas. Na época da União Ibérica (1580-1640), os limites do território brasileiro foram ampliados. Posteriormente, tratados diplomáticos e conquistas definiram os atuais limites do Brasil. A razão mais freqüente apresentada para a expansão ultramarina é a busca de metais preciosos e mercadorias de valor comercial (especiarias) para justificar os investimentos da burguesia e do Estado nas grandes navegações. a) Numa época em que os venezianos, e depois os turcos, monopolizavam o comércio de produtos orientais, a busca de novas rotas para o comércio de especiarias foi uma das maiores motivações da expansão ultramarina, em função da possibilidade de romper esse monopólio e com isso conseguir vultosos lucros com a venda de uma mercadoria muito valiosa no mercado europeu. b)Entre as ações de cristianização destacam-se: construção de escolas jesuíticas e igrejas; catequese das populações indígenas. e 9. a 10. e

possuíam alto valor comercial. Além disso, as colônias consumiam, a baixos preços, os produtos comercializados pelas metrópoles, aumentando a margem de lucros dos comerciantes e enriquecendo o Estado metropolitano. 8. A riqueza econômica do Império espanhol provinha da acumulação de metais, característica do mercantilismo, em função do grande afluxo de prata e ouro extraídos de suas colônias da América.

CAPÍTULO 18.

A REFORMA PROTESTANTE E A REFORMA CATÓLICA

CAPÍTULO 17.

A

POLÍTICA ECONÔMICA

DOS

ESTADOS

NACIONAIS

EUROPEUS

1. Protecionismo alfandegário, proposta de balança comercial positiva, metalismo, exclusivismo metropolitano, intervencionismo estatal. O liberalismo combate a intervenção estatal na economia e defende que o mercado deve ser regido pelas leis da oferta e da procura. 2. d 3. b 4. b 5. d 6. b 7. a) O princípio da balança comercial favorável, que garantiria o acúmulo de ouro e prata nos cofres do Estado. b)A importância das colônias para concretizar o princípio da balança comercial favorável foi estabelecer uma economia complementar à da metrópole, produzindo artigos que não havia na Europa e que

1. a) A Igreja conseguiu dominar as heresias medievais por meio da violência, da repressão e da censura exercidas pelos inquisidores do Tribunal da Inquisição. b) O luteranismo e o calvinismo apresentavam propostas numa época em que o fortalecimento dos Estados nacionais favorecia a contestação ao poder da Igreja. Lutero foi protegido pelo príncipe de Wittenberg, Calvino recebeu apoio da burguesia suíça. 2. c 3. a) A Reforma Protestante. b)A promessa de absolvição dos pecados em troca de dinheiro para a Igreja (indulgências), o poder infalível do papa. c) Porque liberou os burgueses das proibições eclesiásticas em relação às práticas comerciais e bancárias (em especial a cobrança de juros). 4. b 5. a) A Reforma Luterana, iniciada em 1517, que criticava a conduta do clero e a cobrança de indulgências. b)A invenção da imprensa facilitou a publicação e a divulgação da Bíblia, que foi traduzida por Lutero. Além disso, o surgimento de outras igrejas protestantes fortaleceu a divulgação do movimento reformista. 6. b 7. b 8. a 9. a) F; b) F; c) F; d) F. 10. d 11. a) V; b) V; c) V; d) F. 12. e 13. c 14. A reestruturação do Tribunal do Santo Ofício, encarregado de combater o protestantismo, as heresias e o judaísmo; a criação do Index, instituição eclesiástica encarregada de publicar a relação dos livros contrários à doutrina católica e, portanto, proibidos aos católicos, e a utilização de ordens religiosas, como a dos jesuítas, com a tarefa de converter à fé católica os povos das terras encontradas.

PARTE II — O VOLUME 1

49

Parte III — Sugestões bibliográficas
1. Bibliografia para o professor Metodologia e ensino de História
BENJAMIN,Walter. Sobre o conceito de história. In: Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. São Paulo, Contexto, 1997. BITTENCOURT, Circe (org.). O saber histórico na sala de aula. São Paulo, Cortez, 1991. BLOCH, Marc. Apologia da história: ou o ofício do historiador. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2001. BURKE, Peter. A escola dos Annales 1929-1989: a revolução francesa da historiografia. São Paulo, Unesp, 1990. Centro de Estudos Educação e Sociedade. A prática do ensino de História. 4. ed. São Paulo, Papirus, 1994. (Caderno Cedes, v. 10.) CHIQUETTO, M. Breve História da medida do tempo. São Paulo, Scipione, 1996. CISALPINO, Murilo. O tempo é feito de muitos tempos. Belo Horizonte, Formato, 1995. DIAS, Genebaldo F. Educação ambiental, princípios e práticas. São Paulo, Gaia, 1992. DOSSE, François. A história à prova do tempo: da história em migalhas ao resgate do sentido. São Paulo, Unesp, 2001. EISENSTEIN, Sergei. A forma do filme. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 1990. FERRO, Marc. Cinema e história. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1992. FONSECA, Selva Guimarães. Didática e prática de ensino de História. São Paulo, Papirus, 2003. GRUN, Mauro. Ética e educação ambiental: a conexão necessária. 4. ed. Campinas, Papirus, 1996. HOBSBAWM, Eric. Sobre História. São Paulo, Companhia das Letras, 1997. KOSSOY, Boris. A fotografia como fonte histórica: introdução à pesquisa e interpretação das imagens do passado. São Paulo, 1980. (Coleção Museu e técnicas.) LE GOFF, Jacques. História e memória. Lisboa, Edições 70, 1982. 2 v. . Reflexões sobre a História. Portugal, Edições 70, 1982. MEIHY, José Carlos Sebe Bom. Manual de história oral. São Paulo, Loyola, 1998. NADAI, Elza e BITENCOURT, Circe. Repensando a noção de tempo histórico no ensino. In: PINSKY, Jaime (org.). O ensino de História e a criação do fato. São Paulo, Contexto, 1997. NAPOLITANO, Marcos. Como usar o cinema na sala de aula. São Paulo, Contexto, 2003. (Coleção Como usar na sala de aula.) OLIVEIRA, Juarez de (org.). Estatuto da criança e do adolescente. São Paulo, Saraiva, 1996. Parâmetros Curriculares Nacionais. História e Geografia Ensino Médio. Brasília. MEC/SEF, 1999. Parâmetros Curriculares Nacionais. Ensino Médio: Bases Legais. Brasília. MEC/SEF, 1999. PINSKY, Jaime (org.). O ensino de História e a criação do fato. São Paulo, Contexto, 1988. e ELUF, Luiza. Brasileiro(a) é assim mesmo: cidadania e preconceito. São Paulo, Contexto, 1993. PISA 2000: relatório nacional. Brasília, Inep, 2001. TERZI, Cleide do Amaral. Temas transversais: um grande desafio. São Paulo, Atual, 2000. TURAZZI, Maria Inez e GABRIEL, Carmem Tereza. Tempo e História. São Paulo, Moderna, 2000. (Coleção Desafios.) VIEIRA, Maria do P. de Araújo (org.). A pesquisa em História. 3. ed. São Paulo, Ática, 1995.
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Temas do volume 1
ALFOLDY, Géza. História social de Roma. Lisboa, Presença, 1989. ANDERSON, Perry. Passagens da Antigüidade ao feudalismo. 3. ed. São Paulo, Brasiliense, 1991. ARIÈS, Philippe e DUBY, Georges (org.). História da vida privada: do Império Romano ao ano mil. São Paulo, Companhia das Letras, 1989. . História da vida privada: da Europa feudal à Renascença. São Paulo, Companhia das Letras, 1991. ARISTÓTELES. Poética. In: Aristóteles. São Paulo, Nova Cultural, 1996.
SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

50

BAKOS, Margaret M. Fatos e mitos do antigo Egito. Porto Alegre, EDIPUCRS, 2001. BLOCH, Marc. A sociedade feudal. Lisboa, Edições 70, 1979. BOORSTIN, Daniel J. Os descobridores: de como o homem procurou conhecer-se a si mesmo e ao mundo. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1989. BOUZON, Emanuel. Ensaios babilônicos: sociedade, economia e cultura na Babilônia pré-cristã. Porto Alegre, EDIPUCRS, 1998. . O Código Hamurábi. Petrópolis,Vozes, 1987. CLARK, T. Rundle. Símbolos e mitos do antigo Egito. São Paulo, Hemus, s/d. CORASSIN, Maria Luiza. A reforma agrária na Roma antiga. São Paulo, Brasiliense, 1988. (Coleção Tudo é história.)
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

GARIN, Eugênio (dir.). O homem renascentista. Lisboa, Presença, 1991. GARSIN, Jean-Claude. História geral da África. São Paulo, Ática/Unesco, 1988. GIBBON, Edward. Declínio e queda do Império Romano. São Paulo, Companhia das Letras/Círculo do Livro, 1989. GUARINELLO, Norberto Luiz. Os primeiros habitantes do Brasil. São Paulo, Atual, 1994. HADDAD, Jamil Almansur. O que é islamismo? São Paulo, Brasiliense, 1981. (Coleção Primeiros passos.) HARDEN, Donald Benjamin. Fenícios. Lisboa, Verbo, 1968. HOOKER, J.T. et al. Lendo o passado: do cuneiforme ao alfabeto: a história da escrita antiga. São Paulo, Edusp/Melhoramentos, 1996. HOURANI, Albert H. Uma história dos povos árabes. São Paulo, Companhia das Letras, 1994. JEFFERS, James S. Conflito em Roma: ordem social e hierarquia no cristianismo primitivo. 2. ed. São Paulo, Loyola, 1995. JOSEFO, Flávio. História dos hebreus: obra completa. 4. ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2000. LEAKEY, Richard Erskine. A origem da espécie humana. Rio de Janeiro, Rocco, 1995. LE GOFF, Jacques. A civilização do ocidente medieval. Lisboa, Estampa, 1995. . A cultura popular na Idade Média e no Renascimento. São Paulo, Hucitec/UnB, 1987. . Mercadores e banqueiros da Idade Média. Lisboa, Estampa, 1995. LEMERLE, Paul. História de Bizâncio. São Paulo, Martins Fontes, 1991. (Série Universidade hoje.) LEWIS, Bernard T. O Oriente Médio: do advento do cristianismo aos dias de hoje. Rio de Janeiro, Zahar, 1996. LOYN, Henry R. Dicionário de Idade Média. Rio de Janeiro, Zahar, 1997. MARTIN, Gabriela. Pré-história do Nordeste brasileiro. Recife, Editora Universitária da UFPE, 1996. MATTOSO, José. História de Portugal. Lisboa, Estampa, 1993. MEGGERS, Betty Jane. América pré-histórica. 2. ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1985. MICELI, Paulo. O ponto onde estamos: viagens e viajantes na história da expansão e da conquista. São Paulo, Scritta, 1994.

DELUMEAU, Jean. Nascimento e afirmação da Reforma. São Paulo, Pioneira, 1989. DEMANT, Peter. O mundo muçulmano. São Paulo, Contexto, 2004. DETIENNE, Marcel e SISSA, Giulia. Os deuses gregos. São Paulo, Companhia das Letras, 1990. DUBY, Georges. Ano 1000, ano 2000: na pista de nossos medos. São Paulo, Unesp/Imprensa Oficial do Estado, 1999. . A Europa na Idade Média. São Paulo, Martins Fontes, 1988 ELIADE, Mircea. O conhecimento sagrado de todas as eras. São Paulo, Mercuryo, 1995. ESPINOSA, Fernanda. Antologia de textos históricos medievais. Lisboa, Sá de Costa, 1981. FONSECA, Luís Adão da. De Vasco a Cabral. Bauru, Edusc, 2003. FRANCO JR., Hilário e ANDRADE FILHO, Ruy de Oliveira. O Império Bizantino. 3. ed. São Paulo, Brasiliense, 1989. FUNARI, Pedro Paulo Abreu. Antiguidade clássica: a história e cultura a partir dos documentos. Campinas, Unicamp, 1995. . Arqueologia. São Paulo, Contexto, 2003. e NOELLI, Francisco Silva. Pré-historia do Brasil. São Paulo, Contexto, 2002. (Coleção Repensando a história.) GALVANI, Walter. Nau Capitânia: Pedro Álvares Cabral, como e com quem começamos. Rio de Janeiro, Record, 1999.
PARTE III — SUGESTÕES BIBLIOGRÁFICAS

51

MOUSSÉ, Claude. Atenas: a história de uma democracia. Brasília, Editora da UnB, 1997. VERNANT, Jean-Pierre. As origens do pensamento grego. São Paulo, Difel, 2002. VIDAL-NAQUET, Pierre. O mundo de Homero. São Paulo, Companhia das Letras, 2002. VIRGÍLIO. A Eneida. 7. ed. São Paulo, Cultrix, 2001. WEBER, Max. A ética protestante e o espírito do capitalismo. São Paulo, Pioneira, 1967. WOLFF, Philippe. Outono da Idade Média ou primavera dos tempos modernos? São Paulo, Martins Fontes, 1988.

CASTRO, Silvio. A Carta de PeroVaz de Caminha: o descobrimento do Brasil. Porto Alegre, L&PM, 2000. CONSELHO Indigenista Missionário. História dos povos indígenas: 500 anos de luta no Brasil. Petrópolis, Vozes, 1984. CORWIN, Edward S. A Constituição norte-americana e seu significado atual. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 1986. DARNTON, Robert. Boemia literária e revolução: o submundo das letras no Antigo Regime. São Paulo, Companhia das Letras, 1989. DE DECCA, Edgar. O nascimento das fábricas. São Paulo, Brasiliense, 1995. DIAS, Jill. A presença holandesa no Brasil. Rio de Janeiro, Alumbramento, 1990. DIAS, Maria Odila Leite. Quotidiano e poder em São Paulo no século XIX. São Paulo, Brasiliense, 1994. ENGELS, Friedrich. A situação da classe trabalhadora na Inglaterra. Lisboa, Presença, 1975. FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo, Edusp, 1999. FERLINI, Vera Lúcia A. A civilização do açúcar: séculos XVI-XVIII. São Paulo, Brasiliense, 1994. FERRO, Marc. História das colonizações. São Paulo, Companhia das Letras, 2002. FREYRE, Gilberto. Casa grande e senzala. 31. ed. Rio de Janeiro, Record, 1996. GELLNER, Ernest. Nações e nacionalismo. Lisboa, Gradiva, 1993. GOLDSTEIN, Norma Seltzer. Roteiro de leitura: Romanceiro da Inconfidência de Cecília Meireles. São Paulo, Ática, 1998. GORDON, Noah. O último judeu: uma história de terror na Inquisição. São Paulo, Rocco, 2000. GOULD, Stephen Jay. Darwin e os grandes enigmas da vida. São Paulo, Martins Fontes, 1992. GRESPAN, Jorge. Revolução francesa e iluminismo. São Paulo, Contexto, 2003. HARTMANN, Francisco e LEONARDI, Victor. História da indústria e do trabalho no Brasil. São Paulo, Ática, 1991. HILL, Cristopher. A revolução inglesa de 1640. Lisboa, Presença, 1977. HOBSBAWM, Eric J. As origens da Revolução industrial. São Paulo, Global, 1979. . A era das revoluções. São Paulo, Paz e Terra, 1989.
SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Temas do volume 2
ALENCASTRO, Luís Felipe de. (org.). História da vida privada no Brasil: Império, a corte e a modernidade nacional. São Paulo, Companhia das Letras, 1998. v. 2. AMADO, Janaína e FIGUEIREDO, Luís Carlos. O Brasil no Império português. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2001. ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Maquiavel: a lógica da força. São Paulo, Moderna, 2001. (Coleção Logos.) ARRUDA, José Jobson de Andrade. A Revolução Inglesa. São Paulo, Brasiliense, 1984. BERTOLLI FILHO, Cláudio. História da saúde pública no Brasil. 4. ed. São Paulo, Ática, 2003. BETHELL, Leslie. (org.). História da América Latina colonial. São Paulo/Brasília, Edusp/Fundação Alexandre de Gusmão, 1997/1999/2001. 3v. . História da América Latina: da independência a 1870. São Paulo, Edusp, 2001. BOFF, Leonardo. O casamento entre o céu e a terra: contos dos povos indígenas do Brasil. Rio de Janeiro, Salamandra, 2001. BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. São Paulo, Cultrix, 2001. BOSI, Ecléa. Memória e sociedade: lembranças de velhos. São Paulo, Companhia das Letras, 1995. BUENO, Eduardo. Capitães do Brasil: a saga dos primeiros colonizadores. Rio de Janeiro, Objetiva, c 1999. (Coleção Terra Brasilis, v. 3.) . Brasil: uma história. São Paulo, Ática, 2002. CALDEIRA, Jorge. Viagem pela história do Brasil. São Paulo, Companhia das Letras, 1999. CARMO, Paulo Sérgio do. A ideologia do trabalho. São Paulo, Moderna, 1993.

52

HOLANDA, Sérgio Buarque de. Caminhos e fronteiras. São Paulo, Companhia das Letras, 2001. . História geral da civilização brasileira. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2003. . Visão do paraíso. São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1977. IGLESIAS, Francisco. Trajetória política do Brasil: 15001964. São Paulo, Companhia das Letras, 1993. . A Revolução Industrial. 5. ed. São Paulo, Brasiliense, 1984. JECUPÉ, Kaka Werá. A terra dos mil povos: história indígena brasileira contada por um índio. São Paulo, Petrópolis, 1998. KOYRÉ, Alexandre. Do mundo fechado ao universo infinito. Lisboa, Gradiva, s/d. LAS CASAS, Frei Bartolomé. O paraíso destruído: a sangrenta história da conquista da América espanhola. 5. ed. Porto Alegre, L&PM, 1991. LIMA, Oliveira. O Império brasileiro (1822-1889). Brasília, Editora da UnB, 1986. LINHARES, Maria Ieda e SILVA, Francisco. Terra Prometida: uma história da questão agrária no Brasil. Rio de Janeiro, Campus, 1999. MARTINS, Ana Luiza. O trabalho nas fazendas de café. São Paulo, Atual, 1994. MARX, Karl. O capital. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1998. v. 1. MONTALENTI, Giuseppe. Charles Darwin. Lisboa, Edições 70, 1982. MONTEIRO, John. Negros da terra: índios e bandeirantes nas origens de São Paulo. São Paulo, Companhia das Letras, 1995. NOVINSKI, Anita. Cristãos-novos na Bahia: a Inquisição no Brasil. São Paulo, Perspectiva, 1992. PAIVA, Eduardo F. Escravos e libertos nas Minas Gerais do século XVIII. São Paulo, Annablume, 2000. PERROT, Michel. Os excluídos da história: operários, mulheres e prisioneiros. São Paulo, Paz e Terra, 1992. QUEIROZ, Renato da Silva. Não vi e não gostei: o fenômeno do preconceito. São Paulo, Moderna, 2003. (Coleção Qual é o grilo?) REIS, João José. Rebelião escrava no Brasil: a história do levante dos malês. São Paulo, Brasiliense, 1987. REIS FILHO, Nestor G. Imagens de vilas e cidades do Brasil colonial. São Paulo, Edusp/Imprensa Oficial, 2000.
PARTE III — SUGESTÕES BIBLIOGRÁFICAS

RIBEIRO, Renato Janine. A marca do Leviatã: linguagem e poder em Hobbes. São Paulo, Ateliê, 2003. RICARDO, Carlos Alberto (ed.). Povos indígenas no Brasil, 1996-2000. São Paulo, Instituto Socioambiental, 2000. RODRIGUES, José Honório. Independência. Rio de Janeiro, Bibliex, 2002. SAID, Edward. Cultura e imperialismo. São Paulo, Companhia das Letras, 1999. SILVA, Aracy Lopes da e GRUPIONI, Luís Donisete Benzi (org.). A questão indígena na sala de aula: o o subsídios para professores de 1 e 2 graus. Brasília, MEC/MARI/Unesco, 1995. SINGER, Paul. Aprender economia. São Paulo, Brasiliense, 1986. SOBOUL, Albert. A Revolução Francesa. São Paulo, Difel, 1979. SOUZA, Laura de Mello e (org.). História da vida privada no Brasil: cotidiano e vida privada na América portuguesa. São Paulo, Companhia das Letras, 1998. v.1. TOCQUEVILLE, Aléxis de. O Antigo Regime e a revolução. Lisboa, Fragmentos, 1989. TODOROV, Tzvetan. A conquista da América: a questão do outro. 2. ed. São Paulo, Martins Fontes, 1999. VAINFAS, Ronaldo (org.). América em tempo de conquista. Rio de Janeiro, Editora da UFRJ, 2000. VALLIM, Ana. Migrações: da perda da terra à exclusão social. São Paulo, Atual, 1996.

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Temas do volume 3
ANDRADE, Mário. De Paulicéia desvairada a Café: poesias completas. São Paulo, Círculo do Livro, 1982. ARQUIDIOCESE de São Paulo. Brasil, nunca mais. Petrópolis,Vozes, 1986. ARON, Raymond. República imperial: os Estados Unidos no mundo do pós-guerra. Rio de Janeiro, Zahar, 1975. BERTOLLI FILHO, Cláudio. História da saúde pública no Brasil. 4. ed. São Paulo, Ática, 2003. BLANCO, Abelardo e DÓRIA, Carlos A. Revolução Cubana: de José Martí a Fidel Castro (1868-1959). São Paulo, Brasiliense, 1983. BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. São Paulo, Cultrix, 2001. BOSI, Ecléa. Memória e sociedade: lembranças de velhos. São Paulo, Companhia das Letras, 1995.

53

. A ditadura escancarada. São Paulo, Companhia das Letras, 2002. . A ditadura derrotada. São Paulo, Companhia das Letras, 2002. GELLNER, Ernest. Nações e nacionalismo. Lisboa, Gradiva, 1993. HARTMANN, Francisco e LEONARDI, Victor. História da indústria e do trabalho no Brasil. São Paulo, Ática, 1991. HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos: o breve século XX (1914-1991). São Paulo, Companhia das Letras, 1995. . Tempos interessantes: uma história no século XX. São Paulo, Companhia das Letras, 2002. HOLANDA, Sérgio Buarque de. Visão do paraíso. São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1977. IANNI, Octavio. A formação do Estado populista na América Latina. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1991. IGLESIAS, Francisco. Trajetória política do Brasil: 15001964. São Paulo, Companhia das Letras, 1993. LEAL, Victor Nunes. Coronelismo, enxada e voto: o município e o regime representativo no Brasil. São Paulo, Alfa-Ômega, 1993.

2. Sugestões de leitura para o aluno Temas do volume 1
ACKER, Maria Teresa Van. Renascimento e humanismo: o homem e o mundo europeu do século XIV ao século XVI. São Paulo, Atual, 1992.
SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

54

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

BUENO, Eduardo. Brasil: uma história. São Paulo, Ática, 2002. CARMO, Paulo Sérgio do. A ideologia do trabalho. São Paulo, Moderna, 1993. CASTRO, Ruy. Chega de saudade. São Paulo, Companhia das Letras, 1990. CHAUI, Marilena. O que é ideologia. São Paulo, Brasiliense, 1994. CHOSSUDOVSKY, Michel. A globalização da pobreza: impactos das reformas do FMI e do Banco Mundial. São Paulo, Moderna, 1999. CONSELHO Indigenista Missionário. História dos povos indígenas: 500 anos de luta no Brasil. Petrópolis, Vozes, 1984. DEMANT, Peter. O mundo muçulmano. São Paulo, Contexto, 2004. DINGES, John. Os anos do Condor: uma década de terrorismo internacional no Cone Sul. São Paulo, Companhia das Letras, 2005. FERRO, Marc. A Revolução Russa de 1917. São Paulo, Perspectiva, 1974. . História da Segunda Guerra Mundial: século XX. São Paulo, Ática, 1995. GASPARI, Élio. A ditadura envergonhada. São Paulo, Companhia das Letras, 2002.

MAGNOLI, Demétrio. Da Guerra Fria à détente: política internacional. Campinas, Papirus, 1988. MATTA, Roberto da. O que faz o Brasil, Brasil? Rio de Janeiro, Rocco, 1991. MORIN, Edgar. Cultura de massas no século XX: o espírito do tempo. Rio de Janeiro, Forense Universitária, 1987. QUEIROZ, Renato da Silva. Não vi e não gostei: o fenômeno do preconceito. São Paulo, Moderna, 2003 (Coleção Qual é o grilo?) RAGO, Margareth. Os prazeres da noite: prostituição e os códigos da sexualidade feminina em São Paulo (1890-1930). Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1991. REIS FILHO, Daniel A. A construção do socialismo na China. São Paulo, Brasiliense, 1981. RICUPERO, Rubens. Brasil e o dilema da globalização. São Paulo, Senac, 2001. Rituais indígenas brasileiros. São Paulo, CPA Editora, 1999. PARIS, Robert. As origens do fascismo. São Paulo, Perspectiva, 1976. PROST, Antonie (org.). História da vida privada: da Primeira Guerra a nossos dias. São Paulo, Companhia das Letras, 1999. v. 5. SAID, Edward. Cultura e imperialismo. São Paulo, Companhia das Letras, 1999. SCHWARCZ, Lilia M. História da vida privada no Brasil: contrastes da intimidade contemporânea. São Paulo, Companhia das Letras, 1998. v. 4. SEVCENKO, Nicolau (org.). História da vida privada no Brasil: da belle époque à era do rádio. São Paulo, Companhia das Letras, 1998. v. 3. . A Revolta da Vacina: mentes insanas em corpos rebeldes. São Paulo, Brasiliense, 1984. SINGER, Paul. Aprender economia. São Paulo, Brasiliense, 1986. VALLIM, Ana. Migrações: da perda da terra à exclusão social. São Paulo, Atual, 1996. VIZENTINI, Paulo G. Fagundes. Primeira Guerra Mundial: relações internacionais do século XX. Porto Alegre, UFRS, 1996.

CORASSIN, Maria Luíza. Sociedade e política na Roma antiga. São Paulo, Atual, 2002. FARIA, Antonio Augusto. Caravelas do Novo Mundo. 16. ed. São Paulo, Ática, 2003. (Coleção O cotidiano da história.) FAUSTINO, Evandro. A mentalidade da Grécia antiga: uma leitura de Édipo rei. São Paulo, Moderna, 1999. FRANCO JR., Hilário. As Cruzadas. São Paulo, Brasiliense, 1981. (Coleção Tudo é história.) . O feudalismo. São Paulo, Brasiliense, 1996. FUNARI, Pedro Paulo A. Os antigos habitantes do Brasil. São Paulo, Editora da Unesp/Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2002. (Coleção Nossa história.) FUNARI, Raquel dos Santos. O Egito dos faraós e sacerdotes: a vida e a morte na sociedade egípcia. São Paulo, Atual, 2001. GAARDER, Jostein (org.). O livro das religiões. São Paulo, Companhia das Letras, 2000. . O mundo de Sofia: romance da história da filosofia. São Paulo, Companhia das Letras, 1995. GRANT, Neil. As conquistas romanas. São Paulo, Ática, 1998. (Coleção Guerras que mudaram o mundo.) GUARINELLO, Norberto Luiz. Os primeiros habitantes do Brasil. São Paulo, Atual, 1994. GUERRAS, Maria Sonsoles. Os povos bárbaros. São Paulo, Ática, 1995. HOMERO. Odisséia. 11. ed. São Paulo, Melhoramentos, 2002. MOKTEFI, Moktar e GEORGES,Véronique. Os árabes na época de esplendor. São Paulo, Augustus, 1993. MORLEY, Jacqueline. Uma pirâmide egípcia. São Paulo, Manole, 1993. PAIS, Marco Antonio Oliveira. A formação da Europa: a Alta Idade Média. São Paulo, Atual, s/d. PEREIRA, André. O diário de bordo de Cristóvão Colombo. São Paulo, Moderna, 1999. REDE, Marcelo. A Mesopotâmia. São Paulo, Saraiva, 1997. (Coleção Que história é essa?) RIBEIRO, DanielV. A cristandade do Ocidente medieval. São Paulo, Atual, s.d. (Coleção Discutindo a história.) RODRIGUES, Rosicler Martins. O homem na Pré-história. São Paulo, Moderna, 2003. (Coleção Desafios.) SEFFNER, Fernando. Da Reforma à Contra-Reforma: o cristianismo em crise. São Paulo, Atual, 1993. STEINMANN, Heloisa e OLMO, Maria José A. del. No tempo do feudalismo. São Paulo, Ática, 2004.
PARTE III — SUGESTÕES BIBLIOGRÁFICAS

Temas do volume 2
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. A bússola e a balança: por um mundo mais justo. São Paulo, Moderna, 2001. BOULOS JR., Alfredo. Imigrantes no Brasil (18701920). São Paulo, FTD, 1998. CARMO, Paulo Sérgio do. A ideologia do trabalho. São Paulo, Moderna, 1992. CARNEIRO, Maria L. Tucci. O racismo na história do Brasil. São Paulo, Ática, 1998. CHASSOT, Attico. A ciência através dos tempos. 2. ed. São Paulo, Moderna, 2004. FURTADO, Joaci P. Inconfidência Mineira: um espetáculo no escuro (1788-1792). São Paulo, Moderna, 1998. FURTADO, Júnia F. Cultura e sociedade no Brasil colônia. São Paulo, Atual, 2004. GAARDER, Jostein (org.). O livro das religiões. São Paulo, Companhia das Letras, 2000. . O mundo de Sofia: romance da história da filosofia. São Paulo, Companhia das Letras, 1995. IANNONE, Roberto Antonio. A Revolução Industrial. São Paulo, Moderna, 1992. JUNQUEIRA, Mary A. Estados Unidos: a consolidação da nação. São Paulo, Contexto, 2001. LADEIRA, Julieta de G. Recife dos holandeses. 2. ed. São Paulo, Ática, 1990. LIBBY, Douglas Cole e PAIVA, Eduardo França. A escravidão no Brasil: relações sociais, acordos e conflitos. São Paulo, Moderna, 2000. LYRA, Maria de Lourdes Viana. O Império em construção: Primeiro Reinado e regências. São Paulo, Atual, 2001. MACHADO, Ana Maria. Explorando a América Latina. São Paulo, Ática, 1998. MAESTRI, Mário. O escravismo no Brasil. São Paulo, Atual, 1995. MARTINEZ, Paulo. Os nacionalismos. São Paulo, Scipione, 1997. MICELI, Paulo. As revoluções burguesas. São Paulo, Atual, 1994. NASCIMENTO, Maria das Graças S. e NASCIMENTO, Milton M. do. Iluminismo: a revolução das luzes. São Paulo, Ática, 1998. PRIORE, Mary Del. A família no Brasil colonial. São Paulo, Moderna, 1999. RIBEIRO JR., José. A Independência do Brasil. São Paulo, Global, s.d.

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

55

SINGER, Paul. O capitalismo: sua evolução, sua lógica e sua dinâmica. São Paulo, Moderna, 1987. TUFANO, Douglas. A carta de Pero Vaz de Caminha. São Paulo, Moderna, 1999. ZOLA, Émile. Germinal. São Paulo, Companhia das Letras, 2000.

DUARTE, Fábio. Global e local no mundo contemporâneo: integração e conflito em escala global. São Paulo, Moderna, 1998. LIBÂNIO, João Batista. Ideologia e cidadania. São Paulo, Moderna, 1996. MAGNOLI, Demétrio. Globalização, Estado nacional e espaço mundial. São Paulo, Moderna, 2003. . União Européia: história e geopolítica. São Paulo, Moderna, 2004. MARCONDES FILHO, Ciro. Sociedade tecnológica. São Paulo, Scipione, 1994. MARTINEZ, Paulo. Socialismo: caminhos e alternativas. São Paulo, Scipione, 1999. MENDONÇA, Sonia Regina de. A industrialização brasileira. São Paulo, Moderna, 2004.
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Temas do volume 3
ALAMBERT, Francisco. A semana de 22. A aventura modernista no Brasil. São Paulo, Scipione, 1998. ARBEX JR., José. Guerra Fria: terror de estado, política e cultura. São Paulo, Moderna, 1997. . Nacionalismo: o desafio à nova ordem pós-socialista. São Paulo, Scipione, 1993. BOSI, Ecléa. Velhos amigos. São Paulo, Companhia das Letras, 2003. BRANDÃO, Antonio Carlos. Movimentos culturais de juventude. São Paulo, Moderna, 2004. BRENER, Jayme. As guerras entre Israel e os árabes. São Paulo, Scipione, 1997. . O mundo pós-Guerra Fria. São Paulo, Scipione, 1994. CARMO, Paulo Sérgio do. A ideologia do trabalho. São Paulo, Moderna, 1992. CHACON, Vamireh. O Mercosul: a integração econômica da América Latina. São Paulo, Scipione, 1996. CHASSOT, Attico. A ciência através dos tempos. 2. ed. São Paulo, Moderna, 2004. CHIAVENATO, Júlio José. Ética globalizada e sociedade de consumo. São Paulo, Moderna, 2004. . O golpe de 64 e a ditadura militar. São Paulo, Moderna, 2004. D'ARAUJO, Maria Celina. A era Vargas. São Paulo, Moderna, 2004.

MINC, Carlos. Ecologia e cidadania. São Paulo, Moderna, 1997. OLIC, Nelson Bacic. Conflitos do mundo: questões e visões geopolíticas. São Paulo, Moderna, 1999. . Geopolítica da América Latina. São Paulo, Moderna, 2004. . Oriente Médio e a Questão Palestina. São Paulo, Moderna, 2003. RIBEIRO,Wagner Costa. Relações internacionais: cenários para o século XXI. São Paulo, Scipione, 2000. SANTOS JR.,Walter. Democracia: o governo de muitos. São Paulo, Scipione, 1999. SINGER, Paul. O capitalismo: sua evolução, sua lógica e sua dinâmica. São Paulo, Moderna, 1987. TOGNOLI, Cláudio e ARBEX JR., José. Mundo pósmoderno. São Paulo, Scipione, 1996. VALLADARES, Eduardo e BERBEL, Márcia. Revoluções do século XX. São Paulo, Scipione, 1994.

56

SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR