Suplemento

de Apoio ao Professor

Sumário
PARTE I – Apresentação da obra 1. 2. 3. 4. A era da informação ..................................................................................... A “hibridização” cultural .............................................................................. A história e o tempo presente ................................................................... A estrutura da coleção ................................................................................. Páginas de abertura de capítulo, 5 Boxes de diferentes tipos de texto, 5 Texto complementar, 6 Atividades, 6 Questões de Vestibular/Enem, 7 Sugestões de filmes, 7 Suplemento de Apoio ao Professor, 7 5. A avaliação ...................................................................................................... PARTE II – O volume 3 UNIDADE I – GUERRA E PAZ Capítulo 1. O Brasil na Primeira República ................................................ 9 Capítulo 2. A Primeira Guerra Mundial .................................................... 12 Capítulo 3. A Revolução Russa de 1917 ................................................... 14 Capítulo 4. A crise de 1929 e seus reflexos na economia mundial .... 16 Capítulo 5. Ascensão dos regimes totalitários na Europa .................... 18 Capítulo 6. O governo de Getúlio Vargas (1930-1945) ......................... 20 Capítulo 7. A Segunda Guerra Mundial ..................................................... 23 Capítulo 8. A Guerra Fria ............................................................................. 25 Capítulo 9. Governos populistas no Brasil ............................................... 27 Capítulo 10. Experiências de esquerda na América Latina ...................... 29 UNIDADE II – O SONHO NÃO ACABOU Capítulo 11. O regime autoritário no Brasil .............................................. Capítulo 12. Os limites do socialismo real ................................................. Capítulo 13. Brasil: da redemocratização aos dias atuais ........................ Capítulo 14. Conflitos internacionais ........................................................... Capítulo 15. A globalização e o futuro da economia mundial ................ Respostas das Questões de Vestibular/Enem ............................................. PARTE III – Sugestões bibliográficas 1. Bibliografia para o professor ...................................................................... 50 Metodologia e ensino de História, 50 Temas do volume 1, 50 Temas do volume 2, 52 Temas do volume 3, 53 2. Sugestões de leitura para o aluno.............................................................. 54 Temas do volume 1, 54 Temas do volume 2, 55 Temas do volume 3, 56 3 3 4 5

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Parte I — Apresentação da obra
1. A era da informação
Tornou-se lugar comum dizer que vivemos numa “sociedade da informação” ou numa “sociedade do conhecimento”, na qual a informação, o knowhow, o saber, a competência tornaram-se, ao longo das últimas duas décadas, os bens mais preciosos. Por isso, vale a pena refletir aqui, mesmo que brevemente, sobre o significado dessa transformação social e em como ela modifica a maneira de abordarmos o saber histórico na sala de aula. A sociedade do conhecimento é marcada, em primeiro lugar, pelo desenvolvimento explosivo e ininterrupto da tecnologia da informação (TI), que introduziu novas formas de produção e, em conseqüência, novos modos de relacionamento entre as pessoas. A internet, o e-mail, a TV a cabo, o celular, a videoconferência, etc. sedimentaram uma sociedade em rede, na qual as relações sociais são intensificadas e, ao mesmo tempo, esvaziadas, aproximando pessoas distantes e distanciando pessoas próximas, encurtando distâncias e acelerando o tempo, mas reduzindo a possibilidade que se tem para desfrutar a companhia dos amigos e familiares. Tudo se interliga. Os acontecimentos de uma região são formados por eventos que ocorrem a milhas de distância, não há mais fatos que não produzam uma série de ecos, reflexos e ressonâncias imprevisíveis e inesperados. Um exemplo disso foram as imensas passeatas contra a guerra do Iraque em 2003, ocorridas simultaneamente quase no mundo inteiro. Um evento aparentemente restrito à política do Oriente Médio mobilizou milhões de pessoas no mundo todo, convocadas via internet ou e-mail, que deram uma demonstração de força no repúdio à guerra e ao colonialismo. Há, portanto, na sociedade da informação uma dialética entre o local e o global, na medida em que problemas aparentemente localizados podem interferir na vida de todas as pessoas, exigindo uma solução global.

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2. A “hibridização” cultural
O efeito mais importante dessa transformação social é a mistura de valores, línguas e culturas, provocando o que os antropólogos hoje chamam de hibridização cultural. A hibridização ocorre porque os bloqueios físicos e ideológicos à livre difusão do conhecimento, da cultura e da educação tendem a diminuir, permitindo que povos de diferentes partes do mundo tenham acesso aos valores uns dos outros e se engajem em processos de fusão e difusão de suas respectivas identidades culturais. O entendimento entre os povos, porém, não é tão fácil. O recrudescimento das guerras civis, das rivalidades religiosas ou inter-étnicas em certas regiões do mundo pode ser interpretado como reações ou movimentos destinados a frear essas transformações reafirmando identidades regionais. Vivemos, portanto, um novo cosmopolitismo, semelhante, talvez, aos últimos séculos do Império Romano, quando ocorreu um grande processo de mistura de diferentes culturas. O conhecimento histórico não pode ficar indiferente a esse conjunto tão rico de transformações, que sugerem modificações didáticas e epistemológicas fundamentais na abordagem do saber histórico na sala de aula. É a esse desafio que este livro tenta responder, adaptando o saber histórico às necessidades da sociedade da informação.
PARTE I — APRESENTAÇÃO DA OBRA

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Como já haviam suspeitado filósofos como Kant e Hegel, o conhecimento não é um dado bruto da realidade, que bastaria coletar e repetir, ao contrário, o conhecimento depende da intervenção ativa do sujeito que conhece, ele é uma construção do sujeito que interpreta a realidade segundo seus critérios mentais e as determinações de sua sociedade e sua cultura. Nietzsche afirmou que todo saber é perspectivo e a história é o exemplo por excelência dessa idéia. Assim, num de seus ensaios mais importantes (Sobre a vantagem e a desvantagem da história para a vida), ele exigia um saber histórico voltado para a vida, que respondesse às necessidades do tempo presente dos homens.

3. A história e o tempo presente
A tarefa de construir um saber histórico voltado para a vida, para os problemas contemporâneos, que possibilite explicar as bases materiais sobre as quais se assenta a nossa civilização e reconhecer os rumos para onde elas estão nos conduzindo, significa permitir ao aluno reconhecer a relação dinâmica que une o passado, o presente e o futuro. Não se pode compreender o presente sem conhecer o passado nem conhecer o passado ignorando o presente. E o conhecimento desses dois tempos permite que possamos antever o futuro, percebendo os caminhos que estamos trilhando, as dificuldades que temos de superar e as condições, limites e possibilidades de se construir um novo modelo de vida para a humanidade. O exercício do historiador, de reconstruir a relação entre passado, presente e futuro, significa reconhecer que a sociedade humana construiu um modelo de desenvolvimento baseado nas desigualdades sociais, no predomínio da técnica sobre as necessidades humanas e na idéia de que o homem, o único dotado de razão e cultura, é o dono soberano da natureza e dela pode fazer uso, de forma predatória e irresponsável. O aumento da miséria, a escalada dos movimentos racistas, especialmente na Europa e nos Estados Unidos, o crescente poderio da indústria da guerra e a rápida devastação dos recursos naturais do planeta alertam para a necessidade de aprendermos com a experiência histórica a construir um projeto humanista de sociedade. Nesta coleção, a tarefa de perceber o saber histórico como uma relação dinâmica entre passado-presente-futuro concretiza-se particularmente nas Aberturas de capítulos, nas leituras e questões dos Textos complementares e nas atividades da seção A história e o tempo presente. Nestas ocasiões, o aluno poderá, por exemplo, compreender os conflitos atuais entre israelenses e árabes no Oriente Médio e as tradições hebraicas presentes no mundo contemporâneo estudando as bases da antiga civilização hebraica; perceber nas instituições do Brasil atual a herança da democracia grega; ou reconhecer nos dias de hoje a permanência da intolerância religiosa que marcou a formação da chamada Idade Moderna (volume 1). No volume 2, a obra possibilita, entre outras coisas, identificar os princípios da Revolução Francesa presentes na Constituição e em outras instituições do Brasil atual; perceber a atualidade da luta indígena pelo direito à terra e à preservação de suas tradições ou reconhecer nas terras dos descendentes dos antigos quilombolas um vínculo com o passado escravista do Brasil; ou ainda identificar nas cidades históricas de Minas Gerais as marcas da época do ouro no Brasil. No volume 3, por sua vez, a relação entre o passado e o presente pode ser percebida ao se abordar a permanência do voto de cabresto, uma prática que marcou a política da Primeira República; essa relação aparece também ao se tratar da atual proposta de reforma da legislação trabalhista herdada do governo Vargas; ou, para citar outro exemplo, ao abordar os movimentos neonazistas atuais, seguidores das idéias de Hitler.

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A elaboração de uma obra com o olhar voltado para o nosso tempo é necessária não somente por possibilitar a leitura e a compreensão do presente à luz do passado, e vice-versa, favorecendo assim projeções em relação ao futuro, mas também por representar uma escolha metodológica que transforma a aprendizagem num saber significativo para os alunos, amparada em referenciais conhecidos e contemporâneos e, por isso mesmo, dotada de sentido e interesse.

4. A estrutura da coleção
Baseando-se numa pedagogia não-diretiva, esta obra procura ser mais do que um livro básico de consulta; ela pretende oferecer as referências fundamentais para que o professor possa abordar a história em distintas dimensões. A coleção não direciona o olhar, não fornece uma narrativa ou interpretação única do processo histórico, mas apresenta-se como um texto aberto, contendo múltiplas referências e sugestões de trabalho e deixando o professor livre para explorá-las junto com seus alunos na sala de aula. O professor poderá utilizar o livro de diferentes formas, aprofundando certos assuntos mais que outros, associando diferentes processos históricos simultâneos ou sucessivos, fazendo interconexões entre épocas e lugares diferentes, enfim, explorando as fontes fornecidas pelo texto segundo os objetivos e a proposta pedagógica de cada escola. Como nenhum livro didático poderia ser absolutamente exaustivo, este livro não esgota os assuntos tratados. Nem se pretende também que seja o único ou o mais importante material didático de uso em sala de aula. Cabe ao professor planejar o uso desta obra, selecionando os conteúdos e combinando-os com outros materiais, como livros de apoio didático, textos de jornais e revistas, músicas, narrativas ficcionais e poesias, depoimentos e o próprio conhecimento que o aluno já traz para a sala de aula.A utilização conjunta do livro e do suplemento de apoio lhe será muito útil nesse sentido. As principais seções que constituem os livros da coleção são as seguintes:
Páginas de abertura de capítulo

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Diferentes gêneros textuais, pinturas, fotografias, mapas e tabelas, seguidos de um texto didático, introduzem o tema do capítulo. Quaisquer que sejam os recursos, a abertura apresenta uma problemática atual, que estabelece a ponte passado-presente e contribui para motivar o estudo dos conteúdos do capítulo.
Boxes de diferentes tipos de texto

Quadros destacados em fio verde trazem documentos históricos, textos de pesquisadores, trechos de obras literárias, os quais possibilitam ao aluno conhecer diferentes interpretações elaboradas sobre determinado acontecimento histórico, conhecer o que os indivíduos pensavam dos fatos que eles vivenciaram e desenvolver a capacidade de leitura de diferentes tipos de texto, competência necessária para a prática plena da cidadania. Nas atividades de final de capítulo, muitas vezes se solicita a retomada de algumas dessas leituras, com o intuito de desenvolver a habilidade da compreensão e da interpretação de textos ou de estabelecer comparações com imagens, tabelas, mapas ou textos de outros autores. Sugerimos, para ampliar o trabalho de análise das fontes históricas e exercitar o método de investigação do historiador, que outros textos propostos nesses boxes sejam também explorados pelo professor, estimulando o aluno a reconhecer as idéias e as intenções sustentadas pelo autor e a compará-las com o texto didático, com imagens ou outras fontes que tratem do mesmo tema.
PARTE I — APRESENTAÇÃO DA OBRA

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Texto complementar

As leituras selecionadas para esta seção caracterizam-se pela diversidade de gêneros textuais (textos jornalísticos, históricos, científicos, de apoio didático) e pelas possibilidades de ampliar o conhecimento sobre o tema, estimular o debate e a habilidade de argumentação. As questões da seção Compreendendo o texto, ao final da leitura, visam desenvolver a capacidade de compreensão, ou seja, de extrair do texto as informações e idéias centrais, explícitas ou subentendidas, relacioná-las e, nos casos pertinentes, posicionar-se diante de um debate ou interpretação histórica. O trabalho com estes textos pode ser iniciado solicitando aos alunos para enumerar os parágrafos e, à medida que a leitura for sendo feita, ir destacando as palavras consideradas difíceis. O próximo passo é procurar no dicionário o significado dos termos apontados e anotá-los no caderno. Em seguida, pedir aos alunos para identificar, oralmente, a idéia ou a característica principal de cada parágrafo. Feito este estudo prévio, encaminhar o trabalho de formulação das respostas, que pode ser realizado individualmente ou em dupla.
Atividades

Explorando o conhecimento

As questões propostas neste primeiro item têm como finalidade sistematizar os conteúdos estudados no capítulo e desenvolver habilidades cognitivas próprias da disciplina e da prática educativa, em especial a comparação, a observação, a interpretação, a produção de textos, o juízo crítico e as noções de cronologia. Nestas atividades, oferecemos ao professor uma variedade de questões que trazem textos variados, pinturas, gráficos, tabelas, mapas e charges, que possibilitam aprofundar os conceitos de cada capítulo, discutir a dinâmica da produção histórica, compreender como os indivíduos do passado enxergavam o seu próprio tempo e como outras pessoas, que viveram em épocas posteriores, interpretaram os registros do passado.
A história e o tempo presente

As atividades desta seção permitem relacionar o passado e o presente, estimulando o aluno a conhecer e a se posicionar diante de questões relevantes para a sociedade contemporânea. As questões, que incluem produção de textos, debates, leitura de imagens e textos, elaboração de pesquisas e montagem de painéis, entre outras propostas, visam, igualmente, formar atitudes de valorização do patrimônio histórico e cultural da humanidade, de preservação dos recursos naturais do planeta e de repúdio às guerras e às injustiças sociais. Entendemos que é papel do ensino de história e de toda prática educativa contribuir na formação de pessoas conscientes dos problemas sociais do seu tempo e das mudanças necessárias para superá-los, comprometidas com os princípios da tolerância, da democracia, da paz e da solidariedade. Não basta preparar o aluno para ser um excelente leitor, formulador de hipóteses, observador e capaz de produzir textos bem articulados e persuasivos. É preciso, no mesmo nível, formar indivíduos que repudiem a indiferença e os preconceitos, que questionem o consumismo e o individualismo, que expressem a sua afetividade e desenvolvam a sensibilidade e se sintam responsáveis por construir uma sociedade mais justa e humanizada.

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Questões de Vestibular/Enem

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O ensino médio não pode ficar refém de um modelo educacional voltado para os vestibulares, mas também não pode se esquivar dessa tarefa. Criar condições para que todos os alunos ingressem em boas universidades e possam se servir dos recursos públicos destinados ao ensino superior, qualificando-se para exercer a vida social e profissional, é parte da tarefa de democratizar a sociedade brasileira. Entendemos também que a universalização do ensino superior significaria, em última instância, a extensão da obrigatoriedade para a educação superior e a extinção dos vestibulares. Infelizmente, não há perspectivas de que isso ocorra em um futuro próximo. Diante dessa realidade e da importância de ampliar ao máximo o acesso à educação superior, selecionamos nesta coleção questões de diferentes universidades do país e das provas anuais do Enem, procurando contemplar os conteúdos essenciais de cada capítulo e atender aos objetivos estabelecidos para a disciplina, tanto os que envolvem questões conceituais quanto aqueles que remetem à tarefa de preparar para a prática da cidadania. As questões objetivas podem ser respondidas oralmente ou por escrito, no caderno, conforme critério estabelecido pelo professor. Quanto às questões discursivas, elas podem ser trabalhadas individualmente ou em dupla, ou ainda servir de material de trabalho em grupo. As respostas das questões de vestibular e do Enem estão no final deste suplemento.

Sugestões de filmes

Ao final dos capítulos, apresentamos um ou mais filmes recomendados para o trabalho com os conteúdos tratados em cada caso. Sugerimos ao professor assistir ao filme antes de exibi-lo aos alunos, para avaliar a adequação do filme à realidade de seus alunos ou, se for o caso, para selecionar as passagens mais apropriadas para o trabalho que propôs desenvolver. O trabalho com o cinema nas aulas de História não pode prescindir de uma demarcação prévia entre o que é conhecimento histórico e o que é ficção, para não se correr o risco de confundir história com arte. O cinema é uma interpretação livre do passado, sem compromisso com a objetividade e a documentação, ao contrário da ciência histórica, que não pode se furtar do compromisso com a objetividade e os registros do passado. Nesse sentido, a obra cinematográfica nos diz mais sobre a época em que foi feita do que sobre o fato histórico que inspirou o enredo.

Suplemento de Apoio ao Professor

Cada volume da coleção vem acompanhado de um Suplemento de Apoio ao Professor que complementa os conteúdos e as atividades do livro, remetendo em cada caso a uma bibliografia específica e a outras fontes essenciais para aprofundar os temas estudados. São citados, além disso, trechos de fontes primárias que podem ser exploradas em sala, sugerem-se atividades interdisciplinares e o uso de diversas linguagens (literatura, imagem, música, etc.) para dar conta dos temas abordados. O suplemento prescreve formas possíveis e caminhos recomendáveis de utilização dos materiais do livro sem, contudo, limitar a liberdade e a criatividade do professor, mas, ao contrário, estimulando-as com sugestões de materiais de apoio, propostas de novas atividades e informações adicionais.
PARTE I — APRESENTAÇÃO DA OBRA

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5. A avaliação
A avaliação tradicionalmente era tratada como instrumento de controle, vigilância e punição, em geral realizado em ocasiões previamente estabelecidas pelo professor. Nessa perspectiva, perante os alunos, a avaliação despertava ansiedade, pavor e insegurança. Felizmente, desde as últimas décadas do século XX, o foco da avaliação tem se deslocado cada vez mais do binômio promoção-reprovação para ajustar-se às necessidade do processo de aprendizagem. Segundo essa nova perspectiva, a avaliação deve ser diferenciada e contínua, ou seja, deve contemplar as especificidades e habilidades prévias dos alunos e ocorrer durante todo o processo de ensino-aprendizagem, tendo como referência os objetivos estabelecidos para cada disciplina. Em vez de funcionar como uma ferramenta de promoção ou reprovação, a avaliação deve permitir ao educando reconhecer suas conquistas e dificuldades, ajudando-o a visualizar os desafios e os caminhos possíveis para a sua superação. Para o professor, a avaliação possibilita rever sua prática pedagógica e ajustá-la às necessidades do grupo, alterando procedimentos e readequando os instrumentos avaliatórios. Sob esse ponto de vista, a avaliação não só permite verificar se os conteúdos estão sendo aprendidos, mas também perceber os avanços e as fragilidades do processo de ensino-aprendizagem, criando condições para que o aluno atinja os objetivos estabelecidos para a disciplina e para a prática educativa como um todo. Organizar um projeto de avaliação centrado na aprendizagem pressupõe também avaliar o crescimento global do aluno nos conhecimentos da disciplina. Assim, o professor deve fazer uso, em sua experiência pedagógica, de uma diversidade de instrumentos de avaliação, que considerem as diferentes habilidades dos alunos. Nesta coleção apresentamos atividades de vários gêneros, agrupadas nas seções Compreendendo o texto, Atividades e Questões de Vestibular/Enem, que podem ser utilizadas pelo professor para avaliar e aperfeiçoar o aprendizado dos alunos e os resultados do seu trabalho: atividades de leitura, compreensão e produção de textos, análise de imagens, de gráficos e mapas, elaboração de pesquisas, montagem de painéis, debates, entre outras. A prática da avaliação, utilizada como instrumento da aprendizagem e não como mecanismo de controle e punição, é uma tarefa que pode envolver os alunos, para que eles também compreendam a importância dos critérios utilizados na avaliação e identifiquem, à luz desses critérios, os avanços já conquistados e as dificuldades que precisam ser superadas. A auto-avaliação, porém, não pode ser vista como a possibilidade de manipular ou escamotear os resultados da aprendizagem, mas, ao contrário, como uma oportunidade de discutir com os alunos os erros, acertos e desafios do processo educativo.

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Parte II — O volume 3
UNIDADE I – GUERRA CAPÍTULO 1.
E PAZ

O BRASIL NA PRIMEIRA REPÚBLICA

Conteúdos e objetivos

Este capítulo vai tratar da primeira fase do regime republicano no Brasil, um período marcado por duas tendências distintas, que expressavam situações de mudanças e de permanências: no plano econômico, ocorria o desenvolvimento das indústrias de bens de consumo, estimulado pela política de substituição das exportações, e a crescente urbanização; no plano político e institucional, a oligarquia agrária, sustentada pela riqueza da atividade cafeeira, tentava garantir o controle total do poder, manipulando as eleições, o Congresso e a política nacional. O choque entre essas tendências distintas gerava uma tensão crescente entre a oligarquia cafeeira paulista e os setores médios e populares dos centros urbanos e com as oligarquias de outros estados que, em geral, ficavam alijados das benesses do poder. Nos grandes centros urbanos, especialmente São Paulo e Rio de Janeiro, a Primeira República foi marcada pela organização do movimento sindical, dirigido por correntes comunistas, anarquistas e socialistas, que, em essência, passou a exigir a implementação de políticas públicas de saúde, habitação, educação e transporte, melhores salários e a redução da jornada de trabalho. No meio rural, a questão social também cobrava soluções. Os conflitos por terras — que se misturaram com as disputas políticas regionais, os movimentos messiânicos ou se expressaram no banditismo social — transformaram o campo numa área de constantes enfrentamentos com o poder público e os grandes fazendeiros. Não havia na época uma agenda clara de reivindicações, como ocorre hoje com as organizações de trabalhadores rurais.A característica básica era a espontaneidade desses movimentos, revelando que questão agrária era um grave problema social no Brasil. Na arte, a Primeira República caracterizou-se pelo choque entre a estética tradicional, herdeira do parnasianismo, e a estética modernista, que expressava as transformações sociais e econômicas produzidas pela industrialização e os movimentos de renovação estética que floresciam na Europa. A
PARTE II — O VOLUME 3

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Semana de Arte de 1922 foi o marco da revolução estética ocorrida na Primeira República. Com esse estudo, pretendemos desenvolver as seguintes habilidades, procedimentos e atitudes: • Observar imagens, reconhecendo nelas as contradições que caracterizavam o Brasil da Primeira República. • Caracterizar a Primeira República. • Ler e interpretar texto, relacionando-o ao desenvolvimento da indústria de bens de consumo no Brasil da Primeira República. • Ler imagem relacionada aos 100 anos da publicação de Os sertões e relacionar a obra à Guerra de Canudos. • Ler e interpretar texto memorialista, relacionando-o ao movimento anarquista da Primeira República. • Estabelecer, mediante a realização de pesquisa, relações entre o passado e o presente, identificando diferenças e semelhanças (voto de cabresto e trabalho infantil). • Repudiar situações de injustiça social e corrupção política.
Tendências republicanas
p. 8

É necessário esclarecer os educandos a respeito das principais tendências que caracterizaram a defesa do ideal da República. Um ponto importante a respeito do processo republicano brasileiro foi a exclusão das correntes mais radicais e da participação popular.
O Brasil da Primeira República
p. 10

O Brasil da Primeira República apresentava um acentuado contraste entre pobres e ricos. No campo, a população rural era predominantemente analfabeta e não tinha os direitos sociais e trabalhistas hoje garantidos pela Constituição. Nas cidades, a situação não era melhor. Os operários das fábricas tinham turnos de trabalho de 10 a 12 horas diárias, sendo comum o trabalho de mulheres e crianças, que recebiam menos do que os homens adultos para desempenhar a mesma função. O professor pode estimular os alunos a fazer paralelos com a situação atual do Brasil. O trecho em destaque na página 11 relata como era o trabalho de crianças nas fábricas da época. Os alunos podem pesquisar reportagens sobre o trabalho infantil hoje em dia e estabelecer comparações.

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A implantação da República: rumo ao autoritarismo

p. 11

mundo (1980), de Mário Vargas Llosa, que também se baseia no episódio de Canudos. Os sertões e a Guerra de Canudos O escritor Euclides da Cunha esteve no cenário da Guerra de Canudos como correspondente do jornal O Estado de S. Paulo, que o encarregou de tomar nota dos principais acontecimentos do conflito. Em 1902, cinco anos depois do término da guerra, Euclides publicou a obra que o consagrou na nossa literatura e o vinculou para sempre à luta da comunidade de Belo Monte: Os sertões. O livro está dividido em três partes:“A terra”, “O homem” e “A luta”. Na primeira parte, o autor faz uma análise das condições geográficas do sertão nordestino; na segunda, analisa a formação étnica e os tipos sociais da região; na terceira, Euclides relata — a partir da sua experiência e de seu talento literário — o conflito entre o Exército republicano e os homens de Antônio Conselheiro. É preciso destacar para os alunos que o livro Os sertões não pode ser lido como um retrato fiel dos acontecimentos que marcaram o conflito, mas como uma obra que contém tanto dados da realidade como aspectos ficcionais, próprios da arte literária.
Movimentos urbanos
p. 20

Os dois primeiros governos da Primeira República corresponderam ao período chamado República da Espada (1889-1994), que se caracterizou pela hegemonia dos militares do Exército. O professor pode esclarecer melhor aos alunos sobre a natureza da política do “Encilhamento”, desastrosa para o país. Essa política permitia que os bancos emitissem dinheiro, lastreado não mais por ouro, mas sim por títulos da dívida federal, o que causou o aumento da especulação, da inflação e do custo de vida. O Encilhamento deixou o país seriamente endividado. Os alunos podem ser indagados a respeito das conseqüências dessa dívida, e de outras que se somariam a ela, para o futuro do Brasil.
Sob o poder das elites rurais
p. 13

Sugestão de atividade

No boxe Novos tempos, antigas questões, o líder petista José Genoíno faz uma análise crítica da permanência de práticas de corrupção no Brasil do final do século XX. Ironicamente, o próprio representante do PT seria acusado, mais tarde, de participar de um esquema de corrupção envolvendo a liberação de dinheiro a parlamentares do Congresso, em troca de apoio aos projetos do governo federal. Essa é uma boa oportunidade para se discutir em sala de aula o problema da corrupção política no nosso país. Pode-se organizar um debate tendo como base as seguintes questões: Por que há tanta corrupção nas instituições? O poder inevitavelmente corrompe? A corrupção reflete um desvio individual ou social? O que fazer para combater esse mal?
Movimentos rurais
p. 17

A Revolta da Chibata, liderada por marinheiros predominantemente negros e mestiços, foi um movimento que registrou a permanência de relações de violência características do período escravista no Brasil. O relato no boxe a seguir, feito pelo escritor Oswald de Andrade, descreve a revolta como ela ficou registrada na memória da testemunha. A Revolta da Chibata na memória de um escritor “Acordei em meio duma maravilhosa aurora de verão. A baía esplendia com seus morros e enseadas. Seriam talvez quatro horas da manhã. E vi imediatamente na baía, frente a mim, navios de guerra, todos de aço, que se dirigiam em fila para a saída do porto. Reconheci o encouraçado Minas Gerais que abria a marcha. Seguiam-no o São Paulo e mais outro. E todos ostentavam, numa verga do mastro dianteiro, uma pequenina bandeira triangular vermelha. [...] de repente vi acen➜

Um dos movimentos sociais mais importantes da Primeira República foi o conflito em Canudos. Para abordar esse tema, o professor pode propor a leitura de trechos do livro Os sertões (1902), de Euclides da Cunha, ou do romance A guerra do fim do

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Com a eleição de Prudente de Morais, o primeiro presidente civil, começou o período conhecido como República Oligárquica. Esse período se caracterizou pela política do café-com-leite, que consistia na alternância de paulistas e mineiros na presidência da República.Também foi um momento marcado por muitas fraudes eleitorais e práticas de corrupção.

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der-se um ponto no costado do Minas e um estrondo ecoou perto de mim, acordando a cidade. [...] Meus olhos faziam linha reta com a boca-defogo que atirava. Naquele minuto-século, esperava me ver soterrado, pois parecia ser eu a própria mira do bombardeio. [...] Era contra a chibata e a carne podre que se levantavam os soldados do mar. O seu chefe, o negro João Cândido, imediatamente guindado ao posto de almirante, tinha se revelado um hábil condutor de navios. [...] A revolta de 1910 teve o mais, infame dos desfechos. Foi solenemente votada pelo Congresso a anistia aos rebeldes, mas, uma vez entregues e presos, foram eles quase todos massacrados e mortos. Escapou o Almirante João Cândido e quando, na década de 1930, o jornalista Aporelli Aparício Torelli tentou publicar uma crônica do feito foi miseravelmente assaltado por oficiais da nossa Marinha de Guerra que o deixaram nu e surrado numa rua de Copacabana.”
(ANDRADE, Oswald de. Um homem sem profissão. São Paulo, Globo, 2002.)

guesa e de Artes. Os alunos podem ser solicitados a encenar eles mesmos a sua Semana de Arte Moderna, reproduzindo algumas das apresentações originais e acrescentando as suas próprias contribuições.
Texto complementar
p. 28

O tenentismo

Todos nós temos nossos arraiais de Canudos O texto tenta chamar a atenção do aluno para o fato de que não só percebemos a desigualdade e a opressão nos acontecimentos registrados e analisados pela história, mas que, se as procurarmos, as encontraremos na nossa própria casa, no nosso ambiente de trabalho, no nosso dia-a-dia. As atividades desenvolvem a habilidade da leitura e da compreensão de texto. A questão 3, especialmente, permite aprofundar o debate em sala de aula. O professor pode dividir o quadro em duas partes, anotando, em uma delas, o que deve ser feito e, na outra, como deve ser feito. Isso pode permitir que se discuta o que é preciso ser feito para garantir o exercício pleno da cidadania em nosso país.
Atividades
p. 29

p. 24

O tenentismo foi um movimento de oficiais de baixa patente, os tenentes, contra a ordem oligárquica da Primeira República. Um de seus líderes mais importantes foi Luís Carlos Prestes, que mais tarde atravessaria o Brasil com a Coluna Prestes e se filiaria ao Partido Comunista do Brasil (PCB). Sobre a importância política de Prestes, o professor pode utilizar o documentário O Velho – A história de Luís Carlos Prestes (1997), de Toni Ventura. O documentário é dividido em cinco partes: a inocência, a coragem, a esperança, a sombra e o resto dos anos. Os educandos podem buscar em cada uma dessas partes referências aos acontecimentos e personagens históricos que têm estudado. Outra sugestão é a leitura do livro Olga (1985), de Fernando Morais, uma biografia de Olga Benário Prestes, esposa de Prestes e militante do Partido Comunista.Também pode ser sugerida uma comparação entre os eventos abordados nas duas obras.
Sugestão de atividade

Além de ser o ano da primeira revolta tenentista, 1922 também entrou para a história como o ano da Semana de Arte Moderna, realizada em comemoração ao centenário da independência. Essa é uma boa oportunidade para um trabalho conjunto entre as áreas de Língua Portu➜

As questões desta seção compõem um importante bloco temático que pode ser explicitado e debatido: O que faz uma nação crescer e se desenvolver? Naquele momento da sua história o Brasil era tomado de grandes agitações sociais. Agitações em que seus sujeitos reivindicavam, exigiam, questionavam e transformavam a realidade, muitas vezes à custa de grande sacrifício. Foi ali que se deu o verdadeiro despertar do cidadão brasileiro, que tivera na campanha pela abolição da escravatura os primeiros ensaios. A ação dos modernistas foi contundente nesse sentido, da mesma forma que a ação de João Cândido. Os primeiros foram ridicularizados, estereotipados, incompreendidos, mas a ousadia da estética que inauguraram assinalou um marco na produção cultural brasileira. O segundo levantou toda uma armada contra as brutalidades do regime disciplinar da Marinha brasileira. A luta de João Cândido e outros marinheiros contribuiu para abolir a prática de castigos corporais na corporação. Em igual medida contribuíram para mudanças sociais os imigrantes anarquistas nos Estados Unidos Sacco e Vanzetti, os operários das nascentes indústrias brasileiras e os moradores de Canudos. Enfatizar a ação desses agentes sociais é importante para desenvolver a noção de sujeito histórico.

PARTE II — O VOLUME 3

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CAPÍTULO 2.

A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

Conteúdos e objetivos

Dois são os objetivos gerais deste capítulo. O primeiro, relacionado ao conteúdo, é analisar os fatores que levaram à guerra, o significado deste longo conflito e algumas das mudanças essenciais que ele produziu. O segundo objetivo geral — relacionado à formação de atitudes — é o de estimular o aluno a elaborar questionamentos pertinentes a respeito do caráter do patriotismo bélico, da lógica da guerra, da guerra de propaganda que ocorre nesses momentos e da real motivação que se esconde por trás das justificativas dadas para a maioria das guerras. Para isso, os alunos devem conhecer a destruição que as guerras trazem, particularmente para a população civil, enquanto alguns poucos, em geral aqueles que produzem e comercializam equipamentos bélicos, ganham muitíssimo. O segundo objetivo poderá ser tratado também à luz da recente guerra contra o Iraque (2003), que o governo norte-americano e seus aliados divulgaram como parte da tarefa humanitária de derrubar a ditadura de Saddam Hussein e destruir armas químicas e bacteriológicas. O desenrolar dos acontecimentos demonstrou, no entanto, que as motivações eram econômicas e políticas. Com o estudo deste capítulo, os principais objetivos específicos são os seguintes: • Identificar e explicar os fatores que levaram a Europa à Primeira Guerra Mundial. • Explicar o sistema de alianças que se formou antes da guerra e como ele contribuiu para a eclosão do conflito. • Identificar, por meio da leitura de mapas, as mudanças geopolíticas ocorridas na Europa após a Primeira Guerra Mundial. • Caracterizar o Tratado de Versalhes, assinado em 1919, e relacioná-lo à eclosão, mais tarde, de um novo conflito mundial. • Interpretar obras de arte produzidas sobre a guerra, reconhecendo nelas uma manifestação pela paz. • Debater a respeito do desenvolvimento científico e tecnológico empregado na indústria da destruição. • Repudiar as guerras e solidarizar-se com os povos que são vítimas delas.
O assassinato de Francisco Ferdinando: 28 de junho de 1914

de alianças: de um lado, a união entre Alemanha, Império Austro-Húngaro e Itália e, de outro, o bloco que reunia França, Grã-Bretanha e Rússia. No livro Era dos extremos (1995), o historiador Eric Hobsbawm escreve sobre o horror que esta guerra significa na memória de franceses e britânicos. A “Grande Guerra” “[...] Não surpreende que na memória dos britânicos e franceses, que travaram a maior parte da Primeira Guerra Mundial na Frente Ocidental, esta tenha permanecido como a ‘Grande Guerra’, mais terrível e traumática na memória que a Segunda Guerra Mundial. Os franceses perderam mais de 20% de seus homens em idade militar, e se incluirmos os prisioneiros de guerra, os feridos e os permanentemente estropiados e desfigurados [...] — que se tornaram parte tão vívida da imagem posterior da guerra —, não muito mais que um terço dos soldados franceses saiu da guerra incólume. Os britânicos perderam uma geração — meio milhão de homens com menos de trinta anos [...].”
(HOBSBAWM. Eric J. Era dos extremos: o breve século XX: 1914-1991. São Paulo, Companhia das Letras, 1995.)

Quatro anos de destruição

p. 37

Nos seus primeiros meses (de agosto a novembro de 1914), a Primeira Guerra Mundial foi uma guerra de movimento, em que os exércitos tentavam avançar sobre o território inimigo. Depois, no período entre novembro de 1914 e março de 1918, ela se transformou em uma guerra de posições ou trincheiras, em que a frente de batalha ficou praticamente imobilizada, e os soldados, entrincheirados. A partir de 1918, com o surgimento dos tanques e o implemen-to da aviação, as ofensivas recomeçaram. É importante ressaltar a saída da Rússia do conflito em 1917, em virtude da Revolução de Outubro, e a entrada dos Estados Unidos. A guerra assinalou o declínio da Europa como centro do poder político e econômico mundial e a ascensão dos Estados Unidos. Um soldado no front O escritor alemão Erich Maria Remarque combateu na Primeira Guerra Mundial. Em seu livro Nada de novo no front, ele narra, em primeira pessoa, os combates de um soldado alemão em território francês. Leia a seguir um trecho do livro.

p. 35

A Primeira Guerra Mundial foi o resultado dos contínuos conflitos desencadeados pela expansão imperialista das grandes potências européias, que se agruparam em torno de dois sistemas antagônicos

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“Nossos rostos não estão nem mais pálidos, nem mais corados do que antes; não estão mais tensos nem mais relaxados, e, no entanto, estão indiferentes. Sentimos como se o contato de uma corrente elétrica alvoroçasse nosso sangue. Isto não é só força de expressão; é um fato. É o front, a consciência de estarmos na linha de frente, que estabelece este contato. No mesmo instante em que as primeiras granadas assobiam, quando o ar estremece sob os tiros, insinua-se, repentinamente, uma expectativa mal reprimida em nossas veias, em nossas mãos, em nossos olhos, um esperar mais vigilante, uma consciência mais intensa do nosso ser, um estranho aguçamento dos sentidos. O corpo, de repente, fica preparado para tudo. [...] É sempre a mesma coisa: partimos, e somos simples soldados casmurrões ou bem-humorados — vêm as primeiras posições, e cada palavra de nossas conversas passa a ter um som diferente [...] Para mim, a frente é um redemoinho sinistro. Quando se está em águas calmas, ainda longe de seu centro, já se lhe sente a força de aspiração que nos arrasta, lenta e implacavelmente, sem encontrar muita resistência. Mas a terra e o ar fornecemnos forças defensivas; principalmente a terra. Para nenhum homem a terra é tão importante quanto para um soldado. Quando ele se comprime contra ela demoradamente, com violência, quando nela enterra profundamente o rosto e os membros, na angústia mortal do fogo, ela é seu único amigo, seu irmão, sua mãe. Nela ele abafa o seu pavor, e grita no silêncio e na sua segurança; ela o acolhe e o liberta para mais dez segundos de corrida e de vida, e volta a abrigá-lo: às vezes, para sempre! Com um sobressalto, uma parte do nosso ser, ao primeiro ribombar das granadas, recua no passado milhares de anos. É o instinto do animal que desperta em nós, que nos guia e nos protege. Não é consciente; é muito mais rápido, muito mais seguro, muito mais infalível do que a consciência. Não se pode explicar. Andamos sem pensar em nada... De repente, estamos deitados numa depressão da terra, enquanto acima de nós voam os estilhaços... Mas a gente não se lembra de ter ouvido as granadas chegarem, nem de ter pensado em se deitar. Se confiássemos no pensamento, já seríamos um monte de carne espalhada por todos os lados. Foi este outro que habita dentro de nós, foi o sentido clarividente que em nós existe que nos atirou ao chão e nos salvou, sem que se
PARTE II — O VOLUME 3

saiba como. Se não fosse isto, há muito já não haveria mais ninguém de Flandres até os Vosges. Partimos como simples soldados casmurrões ou bem-humorados... chegamos na zona onde começa a frente de batalha, e já nos tornamos homens-animais.”
(REMARQUE, Erich M. Nada de novo no front. São Paulo, Abril Cultural, 1981.)

O fim da era européia

p. 39

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O fim da Primeira Guerra Mundial inaugurou a era da hegemonia norte-americana, que se consolidaria, no mundo ocidental, a partir da Segunda Guerra. Esse foi um momento importante na história contemporânea, pois marcou o nascimento do império norte-americano, baseado no controle do sistema financeiro, na exportação de tecnologia e cultura e em sua poderosa força militar. Por outro lado, a guerra assinalou o declínio do antigo modelo imperialista de dominação, como o implantado na África e na Ásia. A partir da guerra, vários pequenos movimentos insurgentes começaram a florescer naqueles continentes, visando à conquista da independência.
Texto complementar Marcas da guerra
p. 40

O texto traça rapidamente um quadro da destruição provocada pela guerra, longe do glamour dos filmes e da propaganda. A dor e o sofrimento são a única herança para os que dela participaram. Pode-se, aproveitando este tema, buscar relatos de veteranos da guerra do Vietnã que, mesmo sendo considerados heróis nos Estados Unidos, passaram o resto de sua vida atormentados pelas visões de morte e destruição.
Atividades
p. 41

As telas de Otto Dix, na abertura e na atividade 9, a questão 2 e conceito de ufanismo, tratado na questão 4, permitem retomar a temática desenvolvida no Texto complementar. Recomendamos que o trabalho com essas atividades tenha como eixo a construção ideológica da figura do herói nacional. As guerras contra o Iraque (1991 e 2003) foram pródigas em mostrar os orgulhosos soldados norte-americanos felizes por combater por seu país e por lutar contra um representante do “mal”. É importante, pois, fazer uma distinção entre essas imagens e as mensagens que elas veiculam para poder organizar as idéias. Cabe aqui questionar a figura do herói nacional. Se o herói é oficial, cabe verificar qual é a mensagem que se quer passar por meio dele. Em geral, o herói oficial serve de modelo

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de conduta e comportamento e sempre, ao fundo, representa também uma ideologia. Caso esse herói seja proclamado por uma minoria, ele, provavelmente, será símbolo de uma resistência e/ou da defesa de algum ponto de vista e/ou de uma ideologia também. Outra questão a ser analisada são as suas qualidades ou o que lhe foi atribuído como qualidade. É comum o herói ter seus méritos exagerados, pois o objetivo é engrandecê-lo aos olhos das pessoas, diferenciá-lo dos cidadãos comuns, pois assim ele se transforma numa figura digna de idolatria. O que não se pode esquecer é que os personagens que se transformaram em heróis pela historiografia ou pela propaganda foram seres humanos, com defeitos e qualidades, e que as ações que os consagraram foram realizações de um grupo social, de uma coletividade, em condições históricas determinadas. O que deve ser valorizado na ação desses personagens é a sua persistência e o seu esforço em atingir o objetivo. CAPÍTULO 3. A REVOLUÇÃO RUSSA 1917
DE

• Diferenciar o programa político dos bolcheviques do dos mencheviques. • Reconhecer, por meio da análise de uma charge, o impacto da Revolução Russa no Brasil. • Interpretar versos de um poema, identificando neles as idéias socialistas da Revolução Russa. • Desenvolver atitudes de repúdio às injustiças sociais e de interesse em discutir os principais problemas que afetam a vida das pessoas.
“Socialismo real” p. 45

Conteúdos e objetivos

A Revolução Russa, desde o seu início até o fim, sempre foi fonte de questionamentos e certezas, esperanças e ceticismos. Agora, extinto o socialismo burocrático ou o socialismo real, como se convencionou chamar, fica a dúvida de como tratar essa revolução que marcou todo o século XX, já que hoje, principalmente aos olhos dos mais jovens, ela parece uma relíquia histórica, como o ferro de malhar do ferreiro. Porém, da mesma forma que a Comuna de Paris foi a abertura da ópera da revolução social, a Revolução de 1917 foi o primeiro ato dessa ópera, que tem como tema as lutas dos povos para conquistar a igualdade, a fraternidade e a liberdade, proclamadas pela Revolução Francesa. Assim, a explicação dos fatores que levaram à realização da Revolução Russa, a partir das contradições do capitalismo, serve de justificativa para a permanência desse conteúdo nos livros didáticos e nas aulas de História, não como simples fato histórico, apenas como passado, mas como um estudo das possibilidades de superação das contradições do sistema capitalista, que não só permaneceram como cresceram em todo o planeta. Com esse estudo, pretendemos desenvolver as seguintes habilidades, procedimentos e atitudes: • Explicar as condições históricas que tornaram possível a eclosão da Revolução Russa de 1917. • Explicar por que a Revolução Russa de 1917 pode ser caracterizada como uma revolução socialista.

A Revolução de 1905

p. 47

A Revolução de 1905 é considerada o “ensaio geral” da Revolução de 1917 e teve como marco o Domingo Sangrento, episódio em que os operários que solicitavam reformas sociais no país foram assassinados pelos soldados do czar. Em protesto contra o massacre efetuado pelo governo, houve revoltas em todo o país. Uma dessas rebeliões foi imortalizada no filme O encouraçado Potemkin (1925), de Sergei Eisenstein, feito sob encomenda do governo revolucionário para comemorar os vinte anos da Revolução de 1905. O professor pode utilizar o filme para abordar o tema. Com a ajuda do professor de Artes ou Educação Artística, pode ser proposto um trabalho em que os educandos analisem a técnica de montagem usada por Eisenstein e suas implicações simbólicas. O cinema russo Os diretores russos Serguei Eisenstein e Dziga Vertov foram pioneiros da linguagem, da teoria e da estética cinematográfica, sugerindo e definindo padrões que influenciaram outros cineastas no mundo todo. Eisenstein pode ser considerado o criador do processo de montagem do filme.

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Com o desaparecimento da União Soviética em 1991, chegou ao fim o socialismo burocrático que existia naquele país. O professor pode debater com os alunos o que esse acontecimento representou para o pensamento de esquerda em todo o mundo. Será que o fim da experiência soviética inviabilizou para sempre o sonho de construir uma sociedade mais justa? Hoje, haveria alguma alternativa ao capitalismo? Que tipo de socialismo havia sido construído na União Soviética? Que futuro está colocado para a humanidade? Como solucionar os problemas sociais e ambientais gerados pelo modelo de desenvolvimento nascido com a sociedade industrial? Essas são algumas questões que podem introduzir o estudo deste capítulo.

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Ainda durante o período czarista, diretores russos adaptaram obras de autores clássicos como Tolstói, Dostoiévski e Pushkin para as telas, criando os primórdios do cinema russo. Logo após a Revolução de 1917, o novo governo bolchevique deu grande incentivo às produções cinematográficas por considerá-las peças estratégicas para a propaganda ideológica. Assim, obras que exaltassem a força e o heroísmo do povo russo eram estimuladas, financiadas e amplamente distribuídas pelo Estado. São dessa época as obras-primas de Eisenstein Encouraçado Potemkin, Outubro, Alexandre Nevsky e Viva México! O filme Outubro, lançado em 1927, para a comemoração do décimo aniversário da Revolução Russa de 1917, foi o terceiro longametragem do cineasta Sergei Eisenstein e retrata, usando métodos experimentais e sofisticados, os acontecimentos que precederam a revolução e a própria tomada do poder pelos bolcheviques. O ponto de partida foi o livro Os dez dias que abalaram o mundo, do jornalista e militante John Reed. O ano de 1927 marcou a expulsão de Leon Trotski do Partido Comunista.A cúpula do PC Soviético, já em acelerado processo de burocratização, obrigou Eisenstein a cortar as partes do filme em queTrotski aparecia e alguns discursos de Lênin considerados impróprios por Stalin, eliminando, assim, cerca de um terço da película.
Sugestão de leitura

A caminho da revolução bolchevique

p. 50

Para abordar a revolução bolchevique de 1917, o professor pode propor a leitura do livro Os dez dias que abalaram o mundo (1920), de John Reed. Reed foi um jornalista norte-americano que estava na Europa, cobrindo a Primeira Guerra Mundial, quando a Revolução Russa eclodiu. Em seu livro, ele narra, na forma de uma grande reportagem, os acontecimentos que antecederam e sucederam à revolução bolchevique. Essa experiência fez com que Reed se tornasse um defensor do novo governo e tentasse difundir os ideais comunistas nos Estados Unidos. Outra opção, mostrando uma outra face do evento, é o filme Doutor Jivago (1965), dirigido por David Lean e baseado no livro homônimo de Boris Pasternak. O filme mostra um médico e poeta de família burguesa que se sente oprimido no novo regime e luta para manter seus ideais liberais. Os educandos podem tentar fazer uma comparação entre essas duas visões diferentes da Revolução.
Texto complementar
p. 53

Vida de operário

EISENSTEIN, Sergei. A forma do filme. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 1990.
O fim do regime czarista
p. 48

O texto escolhido desse extraordinário escritor russo é uma excelente narrativa das condições de vida dos operários russos do início do século XX, e que, de certa forma, retrata uma situação universal, própria do sistema de fábrica surgido com a grande indústria. Além da leitura e da interpretação da leitura, pode-se estabelecer uma comparação entre o quadro social descrito no texto e o conteúdo do capítulo, estabelecendo diferenças entre ambos, tanto do ponto de vista do conteúdo quanto da linguagem.
Sugestão de atividade

Antes da Revolução de 1917, a Rússia era um país predominantemente agrário. O czar detinha o poder, e as terras eram propriedade dos nobres. Os camponeses viviam miseravelmente. Para que os educandos tenham uma idéia de como era a vida dos camponeses na Rússia czarista, o professor pode exibir o filme Um violinista no telhado (1971), de Norman Jewison, que narra a história de um judeu russo, um pobre leiteiro, que vive numa pequena aldeia e luta contra a opressão do governo czarista. Depois de assistirem ao filme, os alunos podem ser solicitados a elaborar um texto sobre as condições de vida dos camponeses e sobre as perseguições sofridas pelos judeus na Rússia czarista.
PARTE II — O VOLUME 3

O trecho da obra de Máximo Gorki pode ser aproveitado também na realização de outra atividade. Em dupla, os alunos vão tentar dar continuidade ao texto, criando personagens, novas situações e um desfecho para a história. Chamar a atenção dos alunos para a necessidade de preservar a estética literária do autor, construindo uma narrativa próxima do estilo do escritor.
Atividades
p. 54

A atividade 5, que propõe a análise de uma charge, possibilita perceber a forma caricatural com a qual se lutou no Brasil, e em várias partes do mundo, contra as idéias socialistas e comunistas. O que cabe aqui discutir é o uso do estereótipo e da ironia como

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armas de combate ideológico e a força que a grande imprensa exerce no imaginário coletivo. A atividade 8 também permite um excelente trabalho com a área de Literatura ao trazer várias figuras de linguagem e de pensamento próprias do texto poético, como a aliteração, a metáfora, o anacoluto, além das rimas. CAPÍTULO 4. A
CRISE DE

1929

E SEUS

REFLEXOS NA ECONOMIA MUNDIAL

Conteúdos e objetivos

A crise de 1929 é emblemática do novo mundo surgido com o capitalismo. Mesmo sem ter à disposição os atuais meios de comunicação, que interligam sistemas de comunicação e redes de computadores em uma grande teia mundial, o capital e o comércio já haviam interligado todo o planeta. O abalo sísmico da economia norte-americana, somado à incipiente recuperação européia dos anos de 1920, propagou-se por todo o mundo à semelhança de um enorme tsunami, abalando as economias da maioria dos países do globo. Outro elemento importante para o qual se deve chamar a atenção é a transformação, parcial, do capitalismo liberal em um capitalismo intervencionista, em decorrência da crise econômica. A experiência de 1929 demonstrou que não era mais possível deixar o mercado livre, sujeito às suas próprias regras, uma vez que ele ameaçara a sobrevivência da própria economia capitalista. Foi necessário introduzir na economia a figura do Estado, contrariando os princípios do liberalismo. O Estado, representado nos Estados Unidos pela política do presidente Roosevelt, passou a controlar a economia (leis, financiamentos, concessões etc.) e a garantir alguns benefícios mínimos aos trabalhadores, criando o sistema de assistência social. A crise de 1929, que teve como efeito a retomada parcial do intervencionismo do Estado, permite uma comparação com a história recente do Brasil. Por exemplo, os vários planos econômicos decretados nos anos de 1980 e 1990, que expressavam a intervenção do Estado na economia (através do congelamento dos preços e dos salários, da criação de uma nova moeda ou do controle da remessa de lucros), resultaram de graves crises econômicas que afetavam o Brasil, cujo índice mais evidente era a alta inflacionária. Com o estudo deste capítulo, pretende-se atingir os seguintes objetivos: • Explicar as condições da economia norte-americana que levaram à crise de 1929.

• Analisar os efeitos que a crise de 1929 teve sobre o comportamento da população norte-americana. • Diferenciar, a partir da leitura de textos, três visões sobre os fatores das crises do capitalismo e sobre os caminhos que devem ser seguidos para superá-las. • Ler e interpretar gráfico que representa as curvas de desemprego nos Estados Unidos depois da crise de 1929. • Reconhecer no New Deal, adotado pelo presidente Roosevelt, características de programa intervencionista para combater a crise econômica. • Estabelecer, com base na leitura de textos, comparações entre os efeitos da crise de 1929 e as contradições socioeconômicas dos dias de hoje.
The american way of life
p. 60
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Com a Primeira Guerra Mundial, os Estados Unidos viveram um período de grande prosperidade, vendendo produtos industrializados, matériasprimas e alimentos para os países europeus beligerantes. No final da década de 1920, o país já havia se tornado a maior nação credora do mercado internacional, emprestando enormes quantidades de dinheiro para os governos europeus utilizarem na reconstrução de seus países. Porém, alguns anos depois do término da guerra, uma crise de superprodução começou a se manifestar nos Estados Unidos. Isso porque o país havia mantido o mesmo ritmo de produção que havia alcançado durante o conflito. Como os países europeus já haviam retomado a sua própria produção, o volume de exportações norte-americanas caiu e o mercado interno do país não deu conta de absorver todos esses produtos. Para abordar esse tema, o professor pode utilizar o filme Clamor do sexo (1961), de Elia Kazan. O filme narra uma história de amor apaixonada entre dois adolescentes no final da década de 1920, mas o pano de fundo da história é justamente o crash da Bolsa de Valores e a crise econômica decorrente. Os alunos podem ser instigados a verificar quais as atitudes dos personagens durante a fase de euforia (a família do rapaz, por exemplo, investe todo o seu capital em ações enquanto a família da moça é mais cautelosa) e quais foram as conseqüências enfrentadas por eles. A Lei Seca nos Estados Unidos Um dos acontecimentos marcantes na história dos Estados Unidos nos anos de 1920 e início de 1930 foi a promulgação da Lei Seca, com o

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SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

objetivo de combater o absenteísmo no trabalho e outras práticas sociais consideradas desagregadoras. Movidos pelo idealismo e patriotismo amplamente divulgados na Primeira Guerra Mundial, setores da população, especialmente a Liga Antibar (Anti-Saloon League) e as mulheres da Associação Feminina pela Temperança Cristã, mobilizaram-se numa "cruzada a favor da proibição". Segundo eles, a bebida seria responsável pela desagregação moral da sociedade. Em 1o de julho de 1916, 24 estados americanos proibiram as bebidas alcoólicas, prenunciando a Lei Seca. A 18o emenda entrou em vigor em 1920 e durou quase 14 anos, proibindo a fabricação, o transporte, a venda ou o porte de qualquer bebida alcoólica. A ilegalidade das bebidas fez proliferar os gângsteres e a corrupção policial. A histeria e o fanatismo demonstrados pelos defensores da proibição e os da liberação dividiram o país em "secos" e "molhados". Apesar de os primeiros terem vencido no começo, logo os efeitos se mostraram contrários. Segundo a Constituição, os norte-americanos não podem ter sua liberdade individual restringida, muito menos o sagrado direito à propriedade. Essas e outras considerações geraram uma lei contraditória e impossível de ser cumprida. Assim, o Volstead Act, nome oficial da Lei Seca, proibia a venda de bebidas, mas liberava o consumo e a fabricação caseira em alambiques. Milhares de speakeasies, os bares clandestinos, foram abertos com a fachada de lanchonetes ou sorveterias. Milhões de litros de "luar", bebida alcoólica artesanal, foram comercializados clandestinamente. Como resultado, a cada ano morriam 5 mil pessoas, vítimas dessas misturas venenosas. O filme Os intocáveis (1987), de Brian de Palma, reconta a história da guerra movida pela polícia federal dos Estados Unidos contra o crime organizado, durante os anos da Lei Seca. O filme traz também uma cena antológica (o tiroteio na escadaria da estação de Chicago) feita em homenagem ao filme Encouraçado Potemkin, de Eisenstein.
O New Deal
p. 61

aumento significativo do desemprego e da miséria da população. Uma boa sugestão para se estudar o período da Grande Depressão americana é exibir o filme As vinhas da ira (1940), dirigido por John Ford, e baseado no romance homônimo de John Steinbeck. Nesse filme, é mostrada a vida de uma família de trabalhadores rurais de Oklahoma que, na época da Depressão, parte numa jornada de caminhão em busca de trabalho na Califórnia.
Sugestão de leitura

McCOY, Horace. Mas não se mata cavalo? São Paulo, Círculo do livro, 1975.

Sugestão de atividade

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Uma ótima possibilidade de trabalho é a análise das fotografias produzidas no período sob a encomenda do Farm Security Administration, de que há uma cópia na página 61 e que podem ser apreciadas, na íntegra, através do site (http:// lcweb2.loc.gov/ammem/fsowhome.html). Essas fotografias ficaram famosas por retratar a pobreza, para alguns, de uma maneira realista e, para outros, de uma forma idealizada, estetizada. Com a orientação do professor de Educação Artística ou Artes, os alunos podem traçar paralelos, por exemplo, entre essas imagens e as fotos contemporâneas de Sebastião Salgado, reunidas em seus livros Trabalhadores (1996), Terra (1997, em parceria com Chico Buarque de Holanda), e Outras Américas (1999). De que forma os pobres são representados nessas obras?
Texto complementar Tempos despreocupados
p. 63

O New Deal foi um programa do governo dos Estados Unidos, executado entre os anos de 1933 e 1945, para a retomada do crescimento econômico. Isso porque, após a quebra de 1929, o país havia entrado numa grande depressão econômica, com um
PARTE II — O VOLUME 3

O texto ajuda a identificar a relação entre o domínio econômico e o domínio cultural. É interessante notar como a Europa, em decadência e sustentada pelo capital financeiro norte-americano, sempre tão orgulhosa da sua produção cultural, vê-se trazendo, junto com os dólares, uma cultura alienígena e extravagante para o padrão europeu, mas que foi alegremente incorporada. Ao mesmo tempo, o texto mostra como certas mudanças ocorrem nos valores e costumes dos povos.A mulher de antes da guerra e aquela do pós-guerra, particularmente as jovens, são praticamente opostas em termos de atitude, postura e indumentária. Os dois elementos podem ser trabalhados em sala de aula identificando o que faria os alunos mudarem de valores e posturas no futuro.

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CAPÍTULO 5.

ASCENSÃO

DOS REGIMES

TOTALITÁRIOS NA

EUROPA

Conteúdos e objetivos

A análise do processo de implantação dos regimes nazifascistas na Europa deve ser feita no contexto da crise e da polarização política que existia na época. Nesse sentido o fascismo deve ser entendido também como uma reação da burguesia européia ao crescimento do movimento operário e comunista na Europa e em nível internacional. A proximidade com a Rússia revolucionária, União Soviética depois de 1922, era um lembrete diário à burguesia de que o proletariado poderia romper em revolta a qualquer momento, se a polarização política aberta perdurasse. Dessa forma, os grupos conservadores viram no estabelecimento de governos fortes a garantia de preservação da ordem política (mesmo que à custa da democracia) e da saúde financeira do Estado, da indústria e do comércio, além de assegurar a propriedade privada. Outro elemento do nazifacismo é o exacerbado ódio cultural e étnico alimentado contra judeus, ciganos, homossexuais, deficientes físicos e outros. Essa é uma questão que ainda está por ser devidamente esclarecida, pois, por mais que em algumas épocas se acreditou na superioridade de determinados povos em relação a outros (os gregos e os romanos acreditavam na sua superioridade em relação aos chamados bárbaros), é muito difícil entender a enorme mobilização de recursos em termos de logística, homens, equipamentos, propaganda etc. que os nazistas empregaram para promover o holocausto, sem um significado militar ou político definido, já que esse massacre foi realizado secretamente. Independentemente das razões que levaram ao holocausto, econômicas, políticas ou irracionalidade coletiva, é importante abordar este assunto para combater, no presente ou no futuro, qualquer política que semeie o ódio e a intolerância étnica. Os objetivos estabelecidos para o estudo deste capítulo são os seguintes: • Caracterizar os regimes nazifascistas, estabelecendo diferenças e semelhanças entre eles. • Explicar as condições sociais, econômicas e políticas da Alemanha e da Itália que possibilitaram a ascensão do nazismo e do fascismo. • Identificar, por meio de leitura de documento, os principais itens do programa nazista. • Reconhecer o holocausto como um episódio vergonhoso na história da civilização humana. • Explicar a polarização que levou à Guerra Civil Espanhola e os resultados do conflito.

• Estabelecer relações entre o nazifascismo da época de Hitler com os movimentos neonazistas que se formam hoje em vários lugares do mundo. • Desenvolver atitudes de tolerância em relação às diferenças e de repúdio a toda e qualquer forma de preconceito étnico e cultural.
Um passado muito recente
p. 68

Fascismo: origem e expansão mundial

p. 69

Na Itália, a crise do período entreguerras deu origem ao fascismo. O Partido Nacional Fascista foi fundado em 1921. No ano seguinte, os fascistas já contavam com o apoio maciço da burguesia, que temia o avanço da esquerda. É importante ressaltar que o fascismo se caracterizava por ser contrário ao liberalismo, ao parlamentarismo, que até então vigorava na Itália, e também ao comunismo. Além disso, pregava o nacionalismo exacerbado, a idéia de partido único e o Estado totalitário, controlado por um chefe forte e absoluto. A partir da Itália, o fascismo, com o seu modelo de regime, espalhou-se pela Europa. Historicamente, além de constituir um regime autoritário, o fascismo foi a primeira tentativa de estabelecer um capitalismo não liberal, modificando o papel do Estado, que passou a ter forte presença reguladora do mercado de trabalho e das relações entre trabalhadores e patrões, além de assumir o papel de investidor e o de comprador. Esses elementos serão adotados, depois, pelo New Deal nos Estados Unidos e se generalizarão no mundo após a Segunda Guerra Mundial, já sob os auspícios da elaboração teórica de John Keynes.
SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

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É importante esclarecer os educandos a respeito dos perigos do neonazismo no Brasil, cujos principais adeptos são os skinheads (carecas). Os neonazistas tentam difundir o ódio aos judeus, negros, nordestinos e homossexuais. A melhor maneira de se combater essa intolerância é sensibilizar os educandos para as diferenças e para a necessidade de respeitá-las. Muitas pessoas relacionam erroneamente os skinheads ao movimento punk, que é um movimento artístico-musical. Na verdade, os skinheads muitas vezes utilizam a estética e a musicalidade punk, que têm grande aceitação entre os jovens, para aliciar novos adeptos. Mas os principais artistas do movimento punk são totalmente contrários às idéias neonazistas. Os alunos podem fazer uma pesquisa a respeito da música punk para que se desfaça essa confusão.

O Terceiro Reich

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Intelectuais perseguidos pelo nazismo O filósofo e crítico literário alemão Walter Benjamin, membro da chamada Escola de Frankfurt, foi uma das vítimas da perseguição nazista. Em setembro de 1939, devido à intolerância em relação aos judeus e intelectuais de esquerda, ele deixou a Alemanha e estabeleceu-se em Paris. Quando eclodiu a Segunda Guerra Mundial, Benjamin foi preso em um campo de concentração francês. Em 1940, foi publicada sua obra Teses sobre a filosofia da história, escrita na prisão. Em julho de 1940, quando Paris foi invadida pelas tropas nazistas, Benjamin fugiu em direção à Espanha, na tentativa de chegar a alguma cidade portuária que lhe permitisse fugir para os Estados Unidos. Na noite de 25 de setembro de 1940, porém, percebendo que seria capturado e executado pelas tropas franquistas, Walter Benjamin suicidou-se. Outra vítima da perseguição nazista entre os intelectuais foi o historiador francês de origem judaica Marc Bloch, co-fundador da Revista dos Annales, em 1929. Quando a França foi ocupada pelos nazistas, Bloch ingressou no movimento de Resistência de Lyon. Em 1944, Marc Bloch foi preso e fuzilado por ordem do chefe da Gestapo na França, Klaus Barbie.
Autoritarismo na Península Ibérica
p. 71

rubar o governo democrático da Frente Popular. Sobre a guerra civil espanhola, há o filme Terra e liberdade (1995), de Ken Loach, que narra a história de um jovem britânico que vai à Espanha lutar contra as forças fascistas. Os educandos podem ser instigados a observar as diferenças ideológicas entre os personagens do filme e verificar como eles trabalham essas diferenças.
Texto complementar Miséria e politização
p. 73

O texto mostra claramente que o discurso nazista em nada diferia do discurso de qualquer outro partido, inclusive do de esquerda, no que se referia à denúncia da situação econômica e da inércia dos governantes em relação aos trabalhadores e à nação. Mas, ao mesmo tempo, o texto mostra a diferença em relação aos demais partidos ao proclamar um homem — Hitler — o “salvador da pátria”. Contrariando uma prática eleitoral centrada nas idéias e no programa político do partido, o cartaz nazista exemplifica o culto à personalidade e a transformação de Hitler em um ser todo-poderoso.
Atividades
p. 74

Portugal e Espanha também tiveram governos autoritários surgidos nas décadas de 1920 e 1930. Em Portugal, esse regime recebeu o nome de salazarismo, numa alusão a Antônio de Oliveira Salazar, ditador português. Já na Espanha, houve o franquismo, assim chamado em decorrência do nome do ditador, general Francisco Franco. O salazarismo perdurou de 1932 até 1974, quando o sucessor de Salazar, Marcelo Caetano, foi derrubado pela Revolução dos Cravos, um movimento militar que teve o apoio da população. Para tratar da Revolução dos Cravos, o professor pode utilizar a música Tanto mar, de Chico Buarque de Holanda, composta em 1975, num momento em que o Brasil também enfrentava um governo ditatorial. Os alunos podem, com base na composição, estabelecer relações entre os regimes autoritários dos dois países. O franquismo levou a Espanha a uma guerra civil em 1936, quando os grupos de direita ligados ao general Franco iniciaram uma ação armada para derPARTE II — O VOLUME 3

A questão 6 trata dos campos de concentração criados pelos nazistas, destinados a recolher os opositores do regime e a exterminá-los fisicamente. No Brasil, como nos Estados Unidos, os campos de concentração foram criados para impedir a livre ação de supostos agentes secretos ou de sabotadores que estariam misturados à população desses países (ler boxe Campos de concentração no Brasil). O princípio era: qualquer alemão poderia ser nazista, apenas pelo fato de ser alemão, ou um italiano ser fascista por ser de origem italiana. Esses princípios, aplicados aqui no Brasil e nos Estados Unidos, têm conteúdo claramente preconceituoso e racista. O mesmo podemos ver na questão 7, que trata do neonazismo. Novamente, faz-se uma generalização a partir de um componente cultural ou supostamente biológico, caindo outra vez na esfera do preconceito e do racismo. Campos de concentração no Brasil “Em todo o país foram 11 os campos de concentração para os presos políticos. [...] Os presos considerados mais perigosos ou ‘súditos do Eixo’ eram encaminhados para o Campo de Concentração da Trindade [Santa Catarina]. Para o Minis➜

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tério da Justiça, o isolamento dos ‘súditos de potência inimiga’ era admitido pelo direito internacional, sem formalidades, mesmo que não houvesse indício de ‘atividade criminosa’. Nestes campos de concentração os presos trabalhavam na construção de estábulos, destoca de árvores, plantio e capina. [...] eles dormiam em celas que acomodavam três a quatro pessoas; a alimentação diária era composta de feijão-preto e dois pãezinhos [...]. Os campos de concentração foram uma estratégia do governo para tirar de circulação os alemães, italianos, japoneses [...] e descendentes, considerados elementos indesejáveis [...].”
(FÁVERI, Marlene de. Brasil teve 11 campos de concentração. In: Nossa história. Rio de Janeiro, Biblioteca Nacional; São Paulo,Vera Cruz, ano 2, n. 21, jul. 2005.)

O texto da questão 3 permite perceber o caráter antidemocrático do programa nazista, que prega a submissão total da nação à autoridade do governante. A questão 7, por sua vez, estimula a leitura de imagens e a identificação de seu conteúdo com o programa nazista. Em suma, as atividades permitem construir um quadro panorâmico das principais características do nazismo, em especial o totalitarismo, a intolerância étnica e a exaltação do Estado e da nacionalidade. CAPÍTULO 6. O GOVERNO DE GETÚLIO VARGAS (1930-1945)

Conteúdos e objetivos

Os governos provisório e constitucional de Getúlio Vargas e o Estado Novo constituíram um dos mais importantes períodos da história do Brasil contemporâneo. Essa fase foi marcada pela combinação de distintas transições, tanto no Brasil como em nível internacional. Internamente, esse período caracterizou-se pela necessidade de adequar as instituições políticas à nova realidade social, muito mais diversificada e complexa do que aquela em que a república foi implantada, graças ao desenvolvimento da indústria, das cidades e do comércio. Os novos setores sociais (profissionais liberais, empresários, comerciantes, classe média, trabalhadores urbanos e fabris) queriam estar representados no governo; enquanto as elites dos estados exigiam maior autonomia política e o fim do controle do poder pelas oligarquias paulista e mineira.

Além disso, o crescimento das massas urbanas exigia, a exemplo do que ocorria na Europa e nos Estados Unidos, uma política de direitos sociais e de regulamentação do mercado de trabalho. O período do entreguerras, fortemente atingido pelos efeitos da queda da bolsa de Nova York, contribuiu para fortalecer no Brasil os defensores de uma política industrial que deixasse o país menos vulnerável às crises da economia capitalista. Externamente ainda, à medida que os efeitos da crise de 1929 atingiam vários países através do aumento do desemprego e da queda na produção, crescia a polarização política entre os movimentos e partidos autoritários e as correntes de esquerda, embate que se manifestou também no Brasil. É nesse contexto que temos de analisar a Era Vargas, caracterizada, ao mesmo tempo, por intenso desenvolvimento industrial, avanço nas leis trabalhistas e dura repressão política. O capítulo, portanto, deve ser trabalhado tendo em vista as transformações atuais do Brasil, que apontam para a desmontagem, no âmbito do papel do Estado e das políticas de assistência social e de regulamentação do mercado, de grande parte da estrutura criada na Era Vargas. Assim, há uma clara ponte entre estes dois momentos, passado e presente, tão distintos em termos de projeto, mas umbilicalmente ligados pelas contradições que representam. Os objetivos estabelecidos para o estudo deste capítulo são os seguintes: • Caracterizar a política econômica implantada durante a Era Vargas. • Compreender e discutir a controvérsia relacio nada à caracterização do movimento de 1930 como um acontecimento revolucionário. • Explicar por que o período do Estado Novo se caracterizou como uma ditadura. • Caracterizar a legislação trabalhista criada durante o Governo Vargas. • Organizar cronologicamente as três fases do Governo Vargas: governo provisório, governo constitucional e Estado Novo. • Conhecer e discutir o projeto de flexibilização das leis trabalhistas, Projeto de lei no 5.483/2001. • Explicar a importância do rádio como instrumento de controle ideológico da Era Vargas e identificar quais os principais veículos de propaganda política nos dias atuais.

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SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

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O atrito entre a lei e a realidade

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O texto é um bom exemplo dos debates, em geral parciais, realizados no Brasil a respeito da legislação trabalhista. Ele traz algumas das justificativas articuladas (custo institucional e empresarial) para justificar a urgência da reforma da legislação, em favor de uma livre negociação entre empregados e empregadores. É interessante o professor organizar com os alunos pesquisas sobre as várias posições existentes sobre esse tema, tanto hoje quanto no passado. Depois, com as pesquisas em mãos, pode-se montar um painel comparativo entre as distintas propostas e, a partir daí, observar as permanências e as rupturas, as diferenças e as semelhanças entre esses dois momentos da história do Brasil. A partir dessa possibilidade, é possível fazer uma análise estrutural do texto com o objetivo de avaliar a maneira como se compõe e se organiza o discurso, enfatizando a costura lógica e coerente entre a argumentação e as justificativas, que devem ser corroboradas por dados empíricos verificáveis.
A modernização autoritária
p. 80

to econômico do país. Getúlio Vargas, o maior representante do populismo brasileiro, construiu seu governo sobre o apoio das camadas populares urbanas, mediante a criação de uma legislação social inédita no país e o trabalho de propaganda política.

1930: revolução ou golpe?

p. 81

O texto reproduzido no boxe das páginas 81 e 82 é importante porque permite discutir o emprego do conceito de revolução. De acordo com o texto, em 1930, apesar de ter havido uma rearticulação das classes dirigentes no poder e uma ruptura da ordem constitucional, não ocorreu uma alteração significativa na estrutura de classes no país nem houve uma substituição dos grupos no poder. O texto a seguir expressa uma visão diferente a respeito do movimento de 1932. Se for possível, reproduza o texto para os alunos para que eles conheçam essa outra visão e possam se posicionar a respeito desse importante debate. A Revolução de 1930 “A crise econômica de 1929 [...] proporciona a circunstância favorável [...] para tornar claras as divergências profundas.A aliança que se estabelece entre os grupos militares já precursores de uma transformação de que não tinham consciência muito exata e os grupos da classe dominante insatisfeitos com a orientação financeira e econômica do governo, responsável sempre por todos os males, constituiu uma força contra a qual o poder oficial não tem recursos. A Revolução de 1930 assinala, na história brasileira, o primeiro exemplo de movimento revolucionário que parte da periferia para o centro. Esta característica, por si só — até aqui esquecida —, bastaria para distingui-lo, na seqüência de levantes militares abortivos e precursores. Era uma nova fase que se abria.” Mais adiante, o autor toma o exemplo do desenvolvimento industrial ocorrido no Brasil nos anos de 1930, estimulado pela expansão do mercado interno, para sustentar sua tese de que o movimento de 1930 constituiu uma revolução burguesa. “Em 1933, [...] quando ainda não se haviam manifestado nos Estados Unidos os sinais de recuperação [da crise de 1929], a renda nacional, entre nós, recomeçava a crescer. Isso provava, com rigorosa clareza, que a recuperação brasileira não foi proveniente de fatores externos, mas de fatores internos. [...] A demanda interna é, pois, o gran-

Getúlio Vargas ficou, ao todo, dezoito anos no poder (1930-1945 e 1951-1954). É importante ressaltar que o seu governo coincidiu com uma fase de modernização da sociedade brasileira, marcada pelo desenvolvimento industrial e pela expansão urbana. O professor também deve enfatizar que Vargas implementou um eficiente mecanismo de governo, atendendo ora os interesses das oligarquias e das elites urbanas, ora os interesses dos trabalhadores. Assim, formaram-se compromissos que o ajudaram a controlar melhor o Estado. Além disso, também é importante observar que Vargas pode ser considerado o melhor exemplo de governante populista no Brasil. Leia no boxe a seguir uma explicação sobre o conceito de populismo. O populismo De modo geral, o termo populismo tem sido utilizado, no Brasil e na América Latina, para designar a liderança política que procura se dirigir diretamente à população sem a mediação das instituições políticas representativas, como os partidos e os parlamentos. Os governos populistas caracterizaram-se pela incorporação das massas urbanas ao jogo político, pela exaltação do trabalho e pela identificação do governante aos anseios da nação, apresentado como defensor das causas sociais e do crescimen➜

PARTE II — O VOLUME 3

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de elemento dinâmico que resguarda a economia brasileira. [...] Acontece, então, a transferência de capitais de um campo a outro, não apenas do campo do café ao do algodão, mantidos os demais fatores de produção, no caso, mas do campo agrícola para outros campos, inclusive o campo industrial. [...] Assim, sob o impacto da crise, o país não só impulsionou um produto de exportação que há muito permanecia em nível baixíssimo [o algodão, empregado nas indústrias têxteis que se expandiram na década de 1930] como desenvolveu um parque industrial capaz de suprir a demanda interna.”
(SODRÉ, Nelson Werneck. Formação histórica do Brasil. 11. ed. São Paulo, Difel, 1982.)

autoritarismo. Com o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), estabelecia-se a censura a todos os órgãos de comunicação.Vários artistas e intelectuais desse período tiveram problemas com o regime autoritário do Estado Novo. Um dos mais importantes foi o escritor Graciliano Ramos, autor de Caetés (1933), São Bernardo (1934), Vidas secas (1938), entre outros. Graciliano foi preso em 1936, acusado de participar da ANL, sendo levado para a terrível prisão de Ilha Grande (RJ). O escritor registrou sua experiência na prisão na obra Memórias do cárcere (1953). O professor pode solicitar a leitura do livro ou, se preferir, exibir o filme homônimo dirigido por Nélson Pereira dos Santos em 1984. A deportação de Olga Benário A militante comunista judia de origem alemã Olga Benário Prestes, esposa do líder comunista Luís Carlos Prestes, foi presa pela polícia política de Getúlio Vargas, comandada por Filinto Müller, em março de 1936, poucos meses após o fracasso da Intentona Comunista. O texto a seguir narra a reação dos colegas de prisão de Olga no dia em que ela foi deportada para a Alemanha, no mês de setembro de 1936. “Ninguém tinha a ilusão de que a resistência pudesse ter algum êxito, mas todos sabiam que a agitação daria à polícia a impressão de que eles estavam dispostos a tudo. Os presos atiravam para a ‘Praça Vermelha’ tudo o que havia dentro das celas, arrancavam as portas de ferro das dobradiças enferrujadas e jogavam-nas do primeiro andar ao chão, num ruído ensurdecedor, enquanto os outros batiam as canecas no chão, nas paredes, nas grades, gritando como malucos: — Não levam! Não levam! Não levam! Um único preso não participava daquilo. Encolhido sobre a cama, acendendo um cigarro no resto do anterior, Graciliano Ramos parecia que iria mesmo enlouquecer. Olhando fixo para o chão, com a cabeça presa entre as mãos, ele repetia, paralisado, com a voz quase inaudível no meio daquele inferno: — Não é verdade que queiram fazer isto... Para a Alemanha de Hitler? Ela é judia... Ela está grávida... O Brasil não pode fazer isto com ela. No meio da noite a polícia deu mostras de que não estava disposta a nenhuma forma de negociação. Chefiadas por Filinto Müller, tropas da Polícia Especial armadas de metralhadoras, lançagranadas de gás e até lança-chamas cercaram o conjunto carcerário da rua Frei Caneca. Um grupo de atiradores de elite isolou o pavilhão confla-

Sugestão de leitura

DE DECCA, Edgar. O silêncio dos vencidos. São Paulo, Brasiliense, 1981.
Comunistas versus integralistas
p. 85

O governo constitucional de Vargas (1934-1937) caracterizou-se por um clima de tensão entre as forças de esquerda, representadas pela Aliança Nacional Libertadora (ANL), e as de direita, reunidas em torno da Ação Integralista Brasileira (AIB). Em 1935, a ANL planejou tomar o poder com o apoio dos militares e a conflagração de greves gerais e manifestações populares. Esse levante golpista, chamado pelo governo de “Intentona Comunista”, foi violentamente reprimido, e seus líderes, presos. É interessante, nesse momento, retomar os temas tratados no capítulo anterior, para os alunos perceberem a relação entre a polarização política que ocorria no Brasil e o contexto internacional de confronto ideológico entre os grupos de tendência fascista e as correntes de esquerda. Pode-se comparar, por exemplo, com a Guerra Civil Espanhola e com os enfrentamentos políticos que marcaram a história política alemã e italiana no período do entreguerras.
Sugestões de leitura

MORAIS, Fernando. Olga. 13. ed. São Paulo, Companhia das Letras, 1993. RAMOS, Graciliano. Memórias do cárcere. 32. ed. Rio de Janeiro, Record, 1996.
O Estado Novo: a ditadura varguista (1937-1945)

p. 86

A partir de 1937, Vargas estabeleceu o Estado Novo, suspendendo a Constituição de 1934, abolindo os partidos políticos e inaugurando uma era de

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grado, todos aguardando ordens para entrar. A tensão durou a noite inteira. Embora armados de tamancos, garrafas vazias e estiletes inofensivos, comparados com o arsenal que os cercava, os presos continuavam falando grosso: — Para levar Maria Prestes daqui vocês terão que matar trezentos brasileiros, cachorros fascistas!”
(MORAIS, Fernando. Olga. 7. ed. São Paulo, AlfaOmega, 1986.)

varguista. O importante nessa simulação não é chegar a uma conclusão, mas estimular o exercício da argumentação e contra-argumentação através de um discurso coerente e objetivo.
p. 90

Atividades

Olga Benário foi conduzida a um presídio feminino na Alemanha. Após o nascimento de sua filha Anita (uma homenagem à revolucionária farroupilha Anita Garibaldi), foi levada para um campo de concentração, onde foi executada, em 1942.
O fim do Estado Novo
p. 88

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É fundamental ressaltar a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial, ao lado dos aliados, como um fato político que impulsionou as mobilizações democráticas no país. Uma vez que o Brasil lutava contra o fascismo e o nazismo na Europa, reforçando o bloco democrático, não fazia mais sentido manter um regime autoritário no país. Assim, em 1943, foi publicado o Manifesto dos Mineiros, considerado a primeira oposição formal contra o governo Vargas. O documento expressava o descontentamento de grupos liberais de oposição ao governo ditatorial, exigindo a volta do Estado de direito.
Texto complementar Poder e política
p. 89

A questão 8 merece um debate maior em sala de aula devido à capital importância dos meios de comunicação nos dias de hoje. Influenciados pelo avanço do nazifascismo na Europa, inúmeros intelectuais de esquerda, muitos deles reunidos no que se convencionou chamar Escola de Frankfurt, debruçaram-se sobre o tema da capacidade dos meios de comunicação ou mass media, como ficaram conhecidos, de influenciar a opinião pública. Os integrantes da Escola de Frankfurt analisaram e desenvolveram a teoria da indústria cultural. Segundo os teóricos frankfurtianos, entre os quais se destacaram Walter Benjamin e Theodor Adorno, o processo de massificação da cultura visava transformála em produto de consumo da grande população, uma mercadoria como sabão em pó, roupas ou automóveis. Para atingir esse objetivo, as grandes empresas ligadas às atividades culturais rebaixavam e simplificavam o conteúdo dos filmes, livros e canções, por exemplo, para que ele pudesse ser compreendido e degustado pela população. Esse rebaixamento da qualidade cultural provocaria uma espécie de embriaguez coletiva, deixando as pessoas incapazes de criticar as mensagens veiculadas pela mídia e de apreciar produções culturais de maior refinamento. CAPÍTULO 7. A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

A leitura escolhida para este capítulo, uma entrevista feita com a neta de Getúlio Vargas, permite confrontar as visões que se têm do político GetúlioVargas. Além disso, as características que ele atribuiu a Getúlio — agente de um projeto político que “visava ao interesse da nação, ao trabalhador, à sociedade” — uma oportunidade de discutir a atuação dos políticos atuais como representantes da população que os elegeu. As questões buscam desenvolver a compreensão leitora e analisar o termo maquiavélico, um jargão que pode ser discutido sob distintos aspectos, e que aqui seria interessante abordar sob a perspectiva da ética política.
Sugestão de atividade

Conteúdos e objetivos

Com base na entrevista com a neta de Getúlio Vargas e no estudo realizado em aula, recomendamos dividir a sala em duas turmas, defesa e acusação, em uma simulação de julgamento da era

A guerra de 1939-1945 deve ser analisada à luz das condições socioeconômicas e políticas surgidas ao final da Primeira Guerra Mundial. De um lado, um grande setor da Alemanha ressentido com a punição imposta pelo Tratado de Versalhes e sob a direção da política expansionista, revanchista e antidemocrática do nazismo de Hitler. De outro, as grandes potências do mundo capitalista — GrãBretanha, França, Estados Unidos, Alemanha, Japão — disputando o mercado mundial; e, em um terceiro lado, o Estado socialista soviético, representando uma ameaça a todas essas potências. O desfecho dessa guerra abriu uma nova fase na história da humanidade. As disputas bélicas entre as grandes potências deixaram de ser viáveis, principalmente na Europa, pois evidenciaram que confli-

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tos daquele tipo produziam a aniquilação total. A Segunda Guerra fechou também a fase imperialista das conquistas territoriais, como a praticada na África e Ásia desde o século XIX, substituindo-a pela dominação indireta através do domínio comercial e financeiro, do controle tecnológico e da influência cultural. Por outro lado, essa guerra inaugurou um novo paradigma militar: o poderio de um exército é proporcional ao grau de tecnologia incorporado às armas de que dispõe. As forças armadas norte-americanas e soviéticas tornaram-se, depois da guerra, os grandes impulsionadores da produção bélica de alta tecnologia em seus respectivos países. Os objetivos com o estudo deste capítulo são os seguintes: • Explicar os principais fatores que conduziram à Segunda Guerra Mundial. • Identificar os países do Eixo e os países aliados. • Reconhecer a entrada dos Estados Unidos e da União Soviética no conflito foi decisivo para a derrota da Alemanha. • Analisar a obra Guernica, de Picasso, e relacionála à Guerra Civil Espanhola, reconhecendo na obra um manifesto contra a guerra. • Caracterizar a política industrial do regime nazista como um fator decisivo para o fortalecimento de Hitler e de sua política expansionista. • Reconhecer a importância da Batalha de Stalingrado e dos combates na Frente Oriental para a derrota dos países do Eixo. • Descrever as mudanças geopolíticas ocorridas na Europa como decorrência do conflito. • Explicar a importância dos encontros diplomáticos ocorridos durante e no pós-guerra na configuração de uma nova ordem mundial, marcada pela polarização ideológica, estabelecida depois de 1945. • Desenvolver uma atitude de repúdio às guerras, à intolerância e de valorização da democracia.
Carta a Stalingrado
p. 95

Pode-se informar aos alunos que a antiga Stalingrado, onde se travou uma das batalhas mais importantes para a vitória aliada na Segunda Guerra Mundial, se chama atualmente Volgogrado.
A caminho de uma nova guerra
p. 96

O professor deve ressaltar, entre os fatores que conduziram a Europa à Segunda Guerra Mundial, a importância das condições que haviam sido impostas à Alemanha pelo Tratado de Versalhes, assinado depois da Primeira Guerra Mundial, e da crise econômica causada pelo crash da Bolsa de Valores de Nova York, em 1929.
“Paz para a nossa época”
p. 97

A ofensiva do Eixo

p. 99

Os versos do poema de Carlos Drummond podem ser trabalhados de forma interdisciplinar com a área de Língua Portuguesa. Chamar a atenção dos alunos para a presença da personificação (“Stalingrado, seus peitos que estalam e caem”), da metáfora (“o hálito selvagem da liberdade dilata os seus peitos”), da gradação (“contra o céu, a água, o metal, a criatura combate, contra milhões de braços e engenhos mecânicos a criatura combate, contra o frio, a fome, a noite, contra a morte a criatura combate, e vence”) e outros recursos de linguagem utilizados pelo poeta para criar um efeito estético especial.

Sobre o ataque japonês à base militar japonesa no Havaí, levando o governo norte-americano a declarar guerra ao Japão, há o filme Pearl Harbor (2001), de Michael Bay. Nesse filme, três jovens americanos vivenciam um triângulo amoroso, tendo como pano de fundo os acontecimentos ao redor do bombardeio. Depois de Pearl Harbor, os Estados Unidos só seriam atacados novamente em seu território em 11 de setembro de 2001, quando dois aviões seqüestrados por membros do grupo terrorista Al Qaeda se chocaram contra as torres gêmeas do World Trade Center em Nova York. O professor pode estabelecer relações entre as reações dos Estados Unidos nas duas ocasiões. O primeiro ataque levaria o país a decretar guerra contra o Japão e a lançar duas bombas atômicas sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki. No segundo caso, o que se seguiu foi uma “guerra contra o terror”, com o ataque norte-americano ao Afeganistão e, posteriormente, ao Iraque.
A ofensiva dos aliados
p. 100

O ataque a Hiroshima e Nagasaki assinalou o desfecho da Segunda Guerra Mundial. Para uma abordagem diferente do bombardeio, o professor pode
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A “Política de Apaziguamento” da Liga das Nações expressava uma posição de neutralidade britânica e francesa diante do expansionismo nazifascista no entreguerras. Essa política foi reafirmada na Conferência de Munique (1938), quando os governos da Grã-Bretanha e da França reconheceram o direito de Hitler anexar cerca de 20% do território tcheco. É importante observar que essa política estimulou o governo nazista a prosseguir com seus planos expansionistas, anexando a Áustria, o restante da Tchecoslováquia e invadindo a Polônia.

utilizar o filme Hiroshima, meu amor (1959), dirigido por Alain Resnais com roteiro de Marguerite Duras. Nesse filme, dois amantes se encontram na cidade de Hiroshima, em 1957, doze anos, portanto, após o ataque nuclear. Porém, a memória da cidade, acesa ao brilho dos mil sóis da bomba atômica, assombra os personagens e dá um caráter trágico à sua história de amor. Outra possibilidade é o filme Rapsódia em agosto, de Akira Kurosawa (1991), um filme sobre o esquecimento do passado por parte das gerações mais jovens do Japão e o processo de aceitação dos costumes ocidentais, apesar da tragédia de Hiroshima e Nagasaki.
Texto complementar A libertação de Paris
p. 102

que diz respeito ao compromisso de lutar pela paz quanto ao esforço de proporcionar o progresso social e melhores condições de vida para a humanidade. As guerras da Coréia (1950-1953), do Vietnã, (19641975), do Golfo (1991), da Bósnia (1992-1995) e a recente guerra contra o Iraque (2003) demonstraram o fracasso das Nações Unidas em garantir a paz mundial. Por outro lado, a existência de 820 milhões de pessoas no mundo em estado de desnutrição grave e permanente (FAO, 2002) confirma que o progresso social está longe de ser uma realidade.
Sugestão de atividade

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A leitura complementar proposta para este capítulo permite discutir com os alunos o significado, na memória dos franceses, do dia da retirada das tropas alemãs de Paris. O texto permite discutir ainda a importância dos depoimentos orais e da memória para os estudos de história. Uma boa sugestão para abordar o tema é o filme Casablanca, de Michael Curtiz (1943).
Sugestão de leitura

MONTELLO, Josué. Antes que os pássaros acordem. 2. ed. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1995.
Atividades
p. 103

Recomendamos solicitar uma pesquisa detalhada que comprove ou não essas afirmações a respeito da expansão da indústria bélica. Começando pela Segunda Guerra Mundial e tomando como referência equipamentos como o avião a jato e o tanque anfíbio, é possível verificar a evolução e a variedade dos armamentos criados até hoje, bem como a elevação do seu valor unitário e a dimensão do seu comércio em todo o mundo. Com os dados, pode-se criar um mapa-múndi gigante que identifique os principais fornecedores e compradores dos equipamentos quanto dinheiro é movimentado e qual a situação política de cada país que participa ou participou da produção e do comércio dos armamentos. CAPÍTULO 8. A GUERRA FRIA

As questões 2 e 6 possibilitam discutir um tema de grande importância para os nossos dias, o da indústria bélica. A Segunda Guerra Mundial foi a guerra da indústria, ou seja, não só exigiu capacidade física de produção, mas, inclusive, a capacidade de especializar as armas, os equipamentos e a munição. A polarização ideológica que marcou o mundo pós-1945 fez da guerra uma atividade autônoma e lucrativa, como qualquer outro ramo industrial. A venda de armas cada dia mais sofisticadas, produzidas por uma mão-de-obra que tende a ser também cada vez mais especializada, faz da indústria bélica um dos ramos econômicos mais poderosos do mundo, principalmente nos Estados Unidos, onde o governo é o mais forte cliente. Mesmo que não haja guerras, a ameaça é suficiente para elevar os gastos militares das grandes potências. Para se ter uma idéia, no ano de 2004 os gastos militares dos Estados Unidos atingiram 454 bilhões de dólares, mais que o dobro da dívida externa brasileira, que em 2005 era de 200 bilhões de dólares. A questão 8, por sua vez, permite debater as dificuldades da ONU em transformar em realidade a carta de princípios aprovada em 1945, tanto no
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Conteúdos e objetivos

O mundo do pós-guerra, compreendendo o período que vai de 1945 a 1989, foi marcado pela polarização política e ideológica. De um lado estavam os Estados Unidos, as grandes potências européias, o Japão, além de países aliados, defendendo a bandeira do capitalismo, representada pelo paradigma da democracia e da felicidade; do outro lado estavam a União Soviética, os países do Leste Europeu e outros países de menor peso, defendendo a bandeira do socialismo sob o paradigma da igualdade social e do bem-estar de todos os seres humanos. Entre esses dois blocos, não tão homogêneos como a descrição faz parecer, estavam os demais países do mundo, classificados como o bloco do Terceiro Mundo. Na época, devido à forte polarização ideológica, a solução para os problemas sociais e econômicos dos países do chamado Terceiro Mundo necessariamente passava pelo alinhamento a um ou outro bloco principal. Isso ajuda a entender por que os países desse terceiro bloco foram marcados

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por lutas internas entre os defensores do projeto capitalista e os defensores do projeto socialista. Há duas interpretações sobre o significado desse período bipolar. Há aqueles, a maioria, que acreditam que de fato a Terra esteve a um passo da aniquilação, devido ao possível confronto entre os Estados Unidos e a União Soviética, em uma guerra atômica. Por duas vezes, pareceu que esse quadro se concretizaria: na Guerra da Coréia e na crise dos mísseis em Cuba, no início dos anos 1960. Porém, de fato, nunca os exércitos das duas potências trocaram um só tiro. Outros, entretanto, afirmam que a polarização jamais esteve próxima de um confronto militar direto, pois, apesar das rusgas, havia um grande acordo entre os dois blocos para impedir uma guerra de fato. Na prática, haveria uma espécie de divisão de áreas de influência entre os dois blocos, garantindo um equilíbrio de forças. Esse quadro pode ser apresentado aos alunos para enfatizar a grande diferença entre a época atual e aquela da juventude dos pais ou avós dos alunos. O mundo da época da Guerra Fria era sentido como tendo apenas dois lados, duas opções, duas verdades absolutas. Era difícil ser algo diferente da oposição capitalista versus comunista, revolucionário versus alienado, reformista versus transformador. Discutir esse contraste pode ser um bom meio para fazer os alunos refletirem sobre os problemas que afetam os jovens das novas gerações, como as drogas e a violência, resultado em grande parte da crise econômica e da falta de perspectiva ideológica. Os objetivos estabelecidos para o estudo deste capítulo são: • Identificar as principais características do período conhecido como Guerra Fria. • Explicar por que o Muro de Berlim pode ser considerado o principal símbolo da Guerra Fria. • Identificar na leitura de texto a política de “caça às bruxas” nos Estados Unidos, conhecida como macarthismo, relacionando-a ao contexto da Guerra Fria. • Explicar os fatores que levaram à Guerra do Vietnã. • Reconhecer a Conferência de Bandung como uma iniciativa dos países do chamado Terceiro Mundo para estabelecer uma política independente das duas grandes potências mundiais. • Estabelecer comparações entre a ordem mundial nascida após 1945 e a situação vigente na sociedade atual, identificando diferenças e semelhanças. • Construir uma linha do tempo que registre os principais acontecimentos que marcaram os anos da Guerra Fria e elaborar uma conclusão sobre o tema.

O confronto de ideologias

p. 109

É importante o trecho em destaque no boxe, em que Eric Hobsbawm nos dá uma definição da Guerra Fria. A partir da leitura do texto, os educandos devem elaborar a sua própria definição do termo, anotando-a em seu caderno de conceitos.
A corrida nuclear
p. 111

Sugestão de atividade

Uma maneira de abordar o significado da construção e da queda do Muro de Berlim é exibir o filme Adeus, Lênin! (2003), de Wolfganger Becker, que, de forma bem-humorada, aborda a nostalgia de alguns alemães orientais em relação à vida que desapareceu junto com o muro. Em seguida, o professor pode questionar os alunos a respeito dos efeitos da unificação da Alemanha para os alemães orientais e para o resto do mundo.
A Revolução Chinesa
p. 113

A Revolução Chinesa foi um movimento conduzido por Mao Tse-tung para tirar a China do atraso econômico e fazer dela uma potência socialista, ao lado da União Soviética. Uma das realizações do regime socialista implantado na China foi a rápida industrialização do país e a quase erradicação do analfabetismo. O governo de Mao Tse-tung também se caracterizou por um profundo autoritarismo. O filme Balzac e a costureirinha chinesa (2004), de Dai Sijie, traz uma história ambientada no período da ditadura de Mao Tse-tung, quando dois jovens da burguesia, um médico e o outro dentista, têm que passar por uma “reeducação”, ou seja, enfrentar o trabalho braçal numa aldeia chinesa. Nessa aldeia, eles influenciam os camponeses com o seu conhecimento, inclusive uma costureirinha, que se encanta pelos livros de Balzac trazidos pelos dois jovens. Os alunos podem refletir a respeito da mensagem do filme de que a arte e a cultura podem influenciar a vida de qualquer pessoa.
SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

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Depois da rendição da Alemanha, o país foi dividido entre os países vencedores da Segunda Guerra Mundial: França, Grã-Bretanha, Estados Unidos e União Soviética. Mas, na prática, o que houve foi uma polarização, confirmada com a formação da República Democrática Alemã (RDA) e a República Federal da Alemanha, em 1949. Apesar de Berlim estar situada na zona soviética, a antiga capital também foi dividida em quatro zonas de influência. Em 1961, a intensa migração de alemães para o lado ocidental levou o governo da RDA a construir o Muro de Berlim, que se transformou no principal símbolo da Guerra Fria e só foi derrubado em 1989.

Texto complementar A nova corrida armamentista

p. 122

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

O artigo evidencia algumas continuidades e rupturas do presente em relação ao período da Guerra Fria. Nota-se como a indústria bélica teve um papel importante na condução da economia norte-americana naquele período e como, diante de uma nova crise econômica, tenta-se ressuscitar o mesmo método, por meio da criação de um poderoso sistema de defesa, que tornaria os Estados Unidos inatacáveis. Pode-se verificar que os Estados Unidos consideram o exterior como a principal fonte de ameaça ao país, como ocorreu durante a Guerra Fria. Ao contrário do período precedente, a ênfase militar desse novo projeto não está na construção de mais armas destrutivas, mas na construção de defesas intransponíveis. Manteve-se, entretanto, o investimento em alta tecnologia. Esse tipo de comparação pode gerar um amplo debate em sala de aula, que discuta a enorme contradição criada pela sociedade humana, que admite tanto investimento em armas enquanto cerca de 1 bilhão de pessoas vivem em situação de extrema miséria.
Atividades
p. 123

As atividades permitem que os alunos compreendam as principais características e acontecimentos do período conhecido como Guerra Fria. Assim, eles vão poder avaliar a importância da corrida espacial para os dois países centrais do período (questão 1) e a importância simbólica do Muro de Berlim para o mundo bipolar (questão 3), reconhecer os efeitos da Guerra Fria na política macarthista, nos conflitos militares mais importantes do período e no processo de descolonização da África e discutir a situação atual dos países africanos, em grande parte resultado da política colonial (questões 4, 5 e 8). A atividade 7 é interessante porque permite sistematizar o conhecimento e aprofundar noções de temporalidade. CAPÍTULO 9. GOVERNOS BRASIL
POPULISTAS NO

Este capítulo traça o quadro conturbado em que o país se dividiu entre o fim da Segunda Guerra Mundial e o golpe militar de 1964, período de grande industrialização e urbanização do Brasil, conduzidas por governantes que atuaram nos moldes do populismo. O surgimento do populismo na América Latina deve ser compreendido no contexto da Guerra Fria, momento em que os governos, para conter a “ameaça comunista”, precisaram se aproximar das camadas populares urbanas, por meio da implementação de uma política social de amparo aos trabalhadores. Os objetivos que esperamos atingir com o estudo deste capítulo são os seguintes: • Caracterizar a política populista. • Identificar as principais características do populismo de Vargas expressas na sua carta-testamento. • Apontar os principais objetivos e resultados do Plano de Metas do governo de Juscelino Kubitschek. • Caracterizar a situação econômica do Brasil no período de 1950 a 1964, identificando a influência da Guerra Fria no Brasil desse período. • Avaliar se o populismo é um fenômeno político ainda presente nos dias de hoje. • Identificar as mudanças econômicas, políticas e demográficas ocorridas no Brasil com a construção de Brasília.
Populismo e inclusão social
p. 128

É muito importante a distinção entre políticos populistas e políticos conservadores. Os populistas têm um projeto de inclusão social, ainda que ele seja ineficaz ou paternalista. Já os conservadores agem principalmente em benefício da classe dirigente. O professor pode solicitar que os educandos, a partir desse esclarecimento, procurem identificar na atualidade políticos que se apresentam publicamente com um discurso populista, mas cuja atuação não traz benefícios para as camadas populares.
O governo de Getúlio Vargas
p. 131

Conteúdos e objetivos

O conceito de populismo, bastante controverso, foi desenvolvido para designar a relação política estabelecida entre os governos autoritários surgidos na América Latina no século XX e as massas trabalhadoras urbanas, por meio de políticas sociais que atendiam a algumas das reivindicações históricas desses setores da população. Dessa forma, esses governos obtinham uma base política de sustentação e até uma certa legitimidade.
PARTE II — O VOLUME 3

Para tratar do último período do governo Vargas, o professor pode solicitar a leitura do livro Agosto (1990), de Rubem Fonseca. Nesse romance, o renomado escritor narra as aventuras de um delegado de polícia para desvendar o assassinato de um empresário no mesmo mês do suicídio do presidente Vargas: agosto de 1954. Pode ser solicitada uma pesquisa em que os educandos tenham que verificar que fatos e personagens condizem com os registros documentais do período e quais foram criados pelo autor.

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Sugestão de leitura

FONSECA, Rubem. Agosto. São Paulo, Companhia das Letras, 1990.
Juscelino Kubitscheck (1956-1961): um presidente bossa-nova

p. 134

É importante esclarecer os alunos a respeito do movimento musical conhecido como bossa-nova. O texto no boxe a seguir pode ajudar nessa tarefa. Após a leitura desse texto, os alunos podem também se organizar em grupos e pesquisar um artista, disco ou canção da bossa-nova, apresentando-os para a classe e explicando o porquê da escolha. A bossa-nova “Criada na zona sul da cidade do Rio de Janeiro, por jovens músicos de classe média, a bossa-nova nada mais era do que uma nova maneira de tratar o samba. Mas que maneira: a nova batida, presente no violão de João Gilberto, no piano de João Donato e de Tom Jobim e na flexão vocal de Johnny Alf, consubstanciava a fusão entre técnicas típicas da música do Brasil [...] com influências do jazz [...], propondo a integração entre melodia e ritmo, valorizada pelas letras depuradas e intrigantes.”
(BUENO, Eduardo. Brasil: uma história. São Paulo, Ática, 2002.)

contribuiu para a formação de outras Ligas Camponesas, em Pernambuco e em outros estados. Em 1961, elas já existiam em 13 estados do Brasil. A desagregação das Ligas Camponesas com a repressão que se seguiu ao golpe militar de 1964 não significou o desaparecimento das reivindicações básicas do movimento, que foram incorporadas pelos sindicatos rurais nos anos seguintes e pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a partir dos anos de 1980.
As reformas de base e o golpe militar
p. 139

Texto complementar Brasília

p. 140

Sugestão de leitura

O texto relata um importante acontecimento da história do país, a construção de Brasília. A leitura e a realização das questões de compreensão podem ser acompanhadas do trabalho com estes versos da literatura de cordel, que tratam do governo JK e da construção de Brasília. A beleza de Brasília e a miséria do Nordeste “Juscelino Kubitschek O seu sonho realizou Edificando Brasília Como ele assim pensou Dando vida ao sul e leste, Porém sofreu o Nordeste Que na miséria ficou. [...] Edifícios gigantescos Obras arquiteturais Não solucionou a crise Que aumenta mais a mais Assim a crise perdura Só porque em agricultura O governo nada faz. [...] Enquanto o Norte e o Nordeste Sofrerem inanição Não louvarei nenhum feito De cabal ostentação

CASTRO, Ruy. Chega de saudade. São Paulo, Companhia das Letras, 1990.
Os resultados da política desenvolvimentista

p. 136

A formação das Ligas Camponesas, em 1955, representou um marco na história da organização dos trabalhadores rurais no Brasil. O movimento que se tornou nacionalmente conhecido como Liga Camponesa nasceu no engenho Galiléia, na zona da mata de Pernambuco, congregando 140 famílias de trabalhadores rurais, com a fundação da Sociedade Agrícola e Pecuária de Plantadores de Pernambuco (SAPPP). O objetivo do movimento era a obtenção de recursos para garantir assistência médica e educacional e a compra de adubos para melhorar a produção. O movimento repercutiu no meio político e obteve o apoio do advogado socialista Francisco Julião, que assumiu a causa dos camponeses. Sob a direção de Francisco Julião, o movimento conseguiu a desapropriação do engenho Galiléia, conquista que se transformou num símbolo da luta pela reforma agrária no país. A vitória

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Com o golpe de 31 de março de 1964, chegava ao fim um período da história brasileira chamado de democracia populista. O presidente João Goulart seria, assim, o último dos populistas brasileiros. Para finalizar o trabalho com o conceito de populismo, pode-se sugerir aos alunos a construção de uma ficha em que eles vão anotar as principais características da política populista, o nome dos governantes brasileiros que foram denominados populistas e quais foram as ações desenvolvidas por eles que os definem como populistas.

E desta forma critico Brasília é boa pra rico, Mas para o pobre: isto não!”
(CAVALCANTE, Rodolfo Coelho. A beleza de Brasília e a miséria do Nordeste, 1960.)

Atividades

p. 141

No último parágrafo do texto da questão 6, o autor Emerson Cervi esclarece que os populistas, no início do século XX, eram necessários, e se alguém fosse assim chamado era sinal de prestígio, porque, não havendo canais de interlocução convencionais, o povo buscava alternativas para ver atendidas suas demandas. Esse ponto é importante porque permite discutir o papel do Estado, do cidadão, do político e das instituições políticas. Sobre esse tema, há no Brasil duas tendências principais em choque hoje em dia. A que se popularizou, graças a um grande esforço dos próprios políticos, de que o Estado tudo deve prover ao cidadão; assim, toda insatisfação e reivindicação deve ser dirigida ao governo. Conjuntamente a essa idéia firmou-se, nos processos eleitorais, a figura do salvador da pátria e político competente, aquele capaz de resolver os problemas do povo. A outra tendência, oposta, é a de transferir quase todos os serviços e necessidades atendidas pelo Estado para a iniciativa privada, segundo o modelo vigente nos Estados Unidos. Cabe perguntar, diante desse debate, se é correto que empresas ou grupos acumulem lucros elevados ao assumir uma função antes garantida pelo Estado. Em que medida, em países pobres, é legítimo cobrar por serviços que muitos não podem pagar? Segundo a Declaração Universal dos Direitos do Homem, aprovada em 1948 e ratificada pelo Brasil, não é direito de todo ser humano ter um padrão de vida capaz de assegurar a si e à sua família saúde e bem-estar, cuidados médicos, alimentação e instrução? Esse é um debate muito interessante, principalmente porque contribui para combater o individualismo e a indiferença que caracterizam os nossos dias. 10. CAPÍTULO 10. EXPERIÊNCIAS DE ESQUERDA NA AMÉRICA LATINA

tal estrangeiro, a dependência das economias nacionais ao mercado internacional, o déficit na balança de comércio — decorrente das importações de produtos industrializados e de tecnologia —, o crescimento da dívida externa e pública são problemas que persistem e ocupam um lugar de destaque na agenda dos governos atuais. Em meados do século passado, para grande parte da população latino-americana, a solução desses graves problemas passava pela conquista da soberania nacional e pela revolução socialista.As ações políticas na América Latina do período seguiam a lógica do mundo bipolar, o que impedia uma convivência pacífica entre o projeto capitalista e o socialista. O resultado foi a eclosão de importantes movimentos revolucionários em Cuba e na Nicarágua, que serviram de modelo para partidos e mobilizações de esquerda em outros países latino-americanos. Neste capítulo, vamos estudar três experiências políticas inspiradas nos ideais de soberania nacional e igualdade social — Cuba, Chile e Nicarágua —, os mesmos ideais que alimentaram outros movimentos revolucionários pelo planeta nos anos da Guerra Fria. Os principais objetivos traçados para o estudo deste capítulo são os seguintes: • Compreender os movimentos revolucionários em Cuba e na Nicarágua e a experiência de socialismo democrático no Chile no contexto da Guerra Fria. • Explicar por que os governos de Fulgêncio Batista, em Cuba, e da família Somoza, na Nicarágua, foram caracterizados como “fantoches” dos Estados Unidos. • Caracterizar o regime implantado em Cuba, no plano econômico, político e social. • Caracterizar as medidas tomadas pelo governo de Salvador Allende no Chile e explicar o processo que levou o país ao golpe de 1973. • Analisar mural homenageando Augusto Sandino, relacionando-o à revolução sandinista. • Analisar o processo que levou à mitificação do líder revolucionário Ernesto Che Guevara. • Posicionar-se a respeito dos debates ocorridos no Chile no final dos anos de 1990 decorrentes da prisão de Pinochet na Grã-Bretanha, acusado de ordenar o assassinato de cidadãos espanhóis durante a ditadura.
Texto de abertura
p. 144

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Conteúdos e objetivos

Este é um capítulo importante para explorar as contradições que marcaram a história da América Latina no século XX e que perduram até hoje. Aqui vamos analisar como essas contradições se manifestaram naquele período e como seus habitantes tentaram resolvê-las. A miséria da maior parte da população, a concentração de terras, a exploração do capiPARTE II — O VOLUME 3

O argentino Ernesto Che Guevara foi uma das figuras históricas mais emblemáticas da América Latina. Após participar do movimento que derrubou o governo de Fulgêncio Batista em Cuba e assumir o Ministério da Indústria do governo de Fidel Castro, Che Guevara saiu do país e foi lutar pela expansão da revolução socialista no restante da América Lati-

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na. Em outubro de 1967, ele foi capturado e morto por militares na selva Valle Grande, na Bolívia. Para que os educandos se familiarizem com a vida desse importante personagem latino-americano, o professor pode exibir o filme Diários de motocicleta (2004), de Walter Sales, que reconstrói um momento da juventude de Che, quando ele viajou pela América Latina numa motocicleta em companhia de seu amigo Alberto Granado. Os alunos podem tentar reconhecer no jovem Che reconstruído pelo diretor as bases dos princípios revolucionários que norteariam a sua vida adulta.
A Revolução Cubana
p. 144

Atividades

p. 150

Chile

p. 147

O golpe de setembro de 1973 foi um dos mais dramáticos da história sul-americana. O Chile era o único país que ainda mantinha um regime democrático na época, junto com a Venezuela. Além de estar cercada por ditaduras militares de todo tipo, era a única nação sul-americana que vivia uma experiência de socialismo moderado, sob o comando do intelectual presidente Salvador Allende. O mundo acompanhava atentamente essa experiência, que poderia mudar radicalmente a história da América Latina ao estabelecer um governo de bases populares orientado por uma política de independência em relação ao capital estrangeiro. Allende, entretanto, tornou-se alvo da direita e da esquerda radical, que atacaram sua política econômica e social. A direita, com o apoio articulado dos Estados Unidos, que criticavam as nacionalizações e os elevados gastos públicos com políticas sociais, planejava um golpe militar contra Allende. A esquerda radical exigia que Allende fosse além nas reformas, expropriando os latifundiários e aumentando os impostos sobre

A notícia reproduzida na atividade 9 permite um aprofundamento maior. A idéia de que é necessário fiscalizar a democracia, como forma de prevenir a ocorrência de grandes crises institucionais, não pode ser discutida de forma descolada dos princípios de soberania nacional e de autodeterminação dos povos. Pode-se indagar também se os norte-americanos admitiriam uma intervenção externa no país caso houvesse uma ameaça à sua democracia. Outro aspecto é avaliar o que de fato está por trás do discurso que justifica intervenções em defesa da democracia e da liberdade. O recente ataque ao Iraque, realizado pelos Estados Unidos e países aliados em 2003, teve como justificativa pública a necessidade de destruir supostas armas químicas produzidas pelo governo de Saddam Hussein e que seriam usadas para equipar grupos terroristas islâmicos. A guerra foi declarada sem o aval da ONU e resultou na deposição do governo iraquiano e na ocupação do Iraque pelas forças norte-americanas. A economia do país foi esfacelada, em decorrência da guerra e da luta de resistência que se iniciou, mas as armas bacteriológicas que justificaram a guerra nunca foram encontradas.
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Em janeiro de 1959, um grupo de guerrilheiros liderados por Fidel Castro tomou o poder em Cuba. Castro assumiu o comando do governo, prometendo a realização de eleições assim que a situação se normalizasse. Porém, até 2005 Castro ainda permanecia no poder. O professor pode aproveitar a oportunidade para discorrer sobre a especificidade de Cuba no contexto mundial e latino-americano e sobre as relações atuais entre esse país e o Brasil. Outra discussão que pode ser feita é a manutenção do embargo econômico dos Estados Unidos a Cuba, privando a população de recursos como remédios, artigos de consumo e bens de produção, medida condenada pela União Européia, pelo Canadá e por países da América Latina. As dificuldades impostas pelo embargo econômico, aliadas ao caráter repressivo do regime, explicam o grande número de refugiados cubanos nos Estados Unidos.

as grandes fortunas, além de propor a criação de organismos de duplo poder em todo o país. O presidente Allende não soube controlar as duas pressões e perdeu a popularidade que tinha quando fora eleito. Assim, três anos após a vitória eleitoral, Allende, desgastado e isolado politicamente, foi deposto pelos militares e executado na sede do governo, em 11 de setembro de 1973. O filme Missing, o desaparecido (1982) faz uma reconstrução bem documentada do momento do golpe e de suas conseqüências, podendo ajudar os alunos a refletir sobre essa importante fase da história latinoamericana e sobre os rumos que tomamos. Outra sugestão de filme é o recente Machuca (2004), que aborda o golpe de 1973 a partir da amizade que une dois garotos num período conturbado da história chilena.
Sugestão de atividade

Recomendamos ao professor assistir aos dois filmes e exibi-los depois aos alunos, selecionando, se achar necessário, os trechos que considerar mais adequados para o trabalho. Depois da exibição, pode-se organizar os alunos em grupos para fazer um roteiro de análise dos dois filmes, procurando estabelecer uma comparação ente eles. Ao final, pode-se promover um debate em que os grupos vão expor o quadro comparativo dos dois filmes.

LEITURAS COMPLEMENTARES
1. A BANALIDADE DO MAL

As principais questões colocadas pelos trágicos acontecimentos da Segunda Guerra Mundial diziam respeito à alienação e à inconsciência, características sociais e culturais que levaram aos crimes praticados nos campos de concentração.
“Os mais altos responsáveis pelo extermínio seriam “monstros” como mostram os filmes de horror? A resposta — por ser negativa — é pavorosa: eles eram funcionários disciplinados, empenhados antes de mais nada na ordem e na produtividade. Mas tratava-se de uma produtividade especial: aniquilar o máximo de pessoas num mínimo de tempo, da maneira mais discreta possível, o que supunha uma organização meticulosa. Sobre esse aspecto, mencionaremos apenas dois documentos. Nas semanas anteriores à sua execução, Rudolf Hess, comandante do campo de Auschwitz, escreveu suas memórias. Vamos lhe dar a palavra.“Minha vocação parecia traçada de antemão, pois meu pai tinha feito a promessa de que eu ingressaria na religião. [...] Lembro-me de como meu pai pregava diante de seus amigos a total submissão à autoridade [...]. Com as naturezas sensíveis, às vezes se obtêm milagres com um sorriso, um aceno de cabeça, uma palavra amável [...]. Em meu foro íntimo, eu me sentia extremamente solidário com os internos, tendo eu mesmo vivido por muito tempo a penosa existência de um prisioneiro. [...] Eicke dizia: ‘Um SS tem de ser capaz de matar os próprios pais, se eles se rebelarem contra o Estado ou contra as concepções de Adolf Hitler’. [...] Minha mulher muitas vezes me achava insuportável. Eu só pensava em meu trabalho [...]. Depois de minha prisão, fizeram-me notar que eu poderia ter me recusado a executar as ordens, ou mesmo, se necessário fosse, liqüidado Himmler. Não creio que uma tal idéia pudesse aflorar no espírito de um único oficial dentre os milhares de SS [...]. Em sua qualidade de Reichsführer, Himmler era intocável. [...] Nesse ambiente incomum, as crianças menores geralmente começavam a choramingar. Mas, depois de serem consoladas pela mãe ou pelos homens do comando, elas iam para as câmeras de gás brincando ou implicando uma com a outra, com um brinquedo nos braços [...]. A partir do momento em que se procedeu o extermínio em massa, não me senti feliz em Auschwitz. Eu estava descontente comigo mesmo. Estafado de trabalho, não podia confiar em meus subordinados, e não era compreendido e sequer ouvido por meus chefes hierárquicos. Eu me encontrava realmente numa situação pouco invejável, ao passo que todo mundo dizia que ‘o comandante tem uma vida das mais agradáveis’ [...]. Nunca fui cruel e nunca me deixei arrastar a sevícias. [...] Eu era uma engrenagem inconsciente da imensa máquina de extermínio do III Reich. A máquina se quebrou, o motor desapareceu, e devo fazer o mesmo. O mundo assim o exige”. Em Eichmann em Jerusalém, Hannah Arendt afirma que é a ‘normalidade de Eichmann’ que lhe parece constituir um fato absolutamente novo. Nem perverso nem sádico, ele se julga fiel aos princípios morais de Kant. Carreirista, sem dúvida, mas ‘certamente não assassinaria seu superior para tomar seu lugar [...]. Ele jamais se deu conta do que fazia [...]. Nisso consiste a banalidade do mal’, mais medonha que o sadismo [...].”
(VINCENT, Gerard. Guerras ditas, guerras silenciadas e o enigma identitário. In: PROST, A.; VINCENT, G. História da vida privada: da Primeira Guerra aos nossos dias. São Paulo, Companhia das Letras, 1992. v.5.)

“Os mais altos responsáveis pelo extermínio [...] eram funcionários disciplinados, empenhados antes de mais nada na ordem e na produtividade.”

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“Eu era uma engrenagem inconsciente na imensa máquina de extermínio do III Reich.”

PARTE II — O VOLUME 3

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UNIDADE II
O SONHO NÃO ACABOU

CAPÍTULO 11.

O REGIME BRASIL

AUTORITÁRIO NO

Conteúdos e objetivos

A ditadura militar no Brasil foi fruto de inúmeras tendências e conflitos, e, de forma alguma, o grupo militar golpista era homogêneo. O Brasil na época vivia as contradições da Guerra Fria. O setor popular do país, estimulado pelos partidos de esquerda e alguns sindicatos e, principalmente, pelas próprias necessidades, tentava obter algumas reformas sociais organizando várias manifestações. A elite, por sua vez, entendia essas manifestações como uma grave ameaça à ordem estabelecida e uma tentativa de desestabilizar o capitalismo. Essa foi a conjuntura que uniu inúmeros setores políticos, empresariais e as camadas médias em torno dos militares. Porém, concretizado o golpe, os militares se viram diante de vários dilemas. Convocar eleições (plano declarado originalmente) e voltar à caserna ou ficar e impor as reformas pretendidas? O desenvolvimento econômico será de caráter nacionalista ou vinculado ao capital estrangeiro? Realizar reformas sociais e educacionais ou priorizar o desenvolvimento industrial e tecnológico? Essas foram algumas das questões debatidas na cúpula do Exército e de seus aliados civis. Estes passaram a exigir o retorno dos militares aos quartéis e a realização de eleições, já que eles haviam apoiado o golpe para que seus adversários fossem eliminados e eles pudessem assumir o comando político do país. Os militares não aceitaram a pressão, e assim muitos dos antigos apoiadores tornaram-se inimigos e foram também cassados. Essas foram algumas das contradições vividas nos primeiros anos do regime militar e que explicam por que a ditadura só se consolidou quatro anos depois do golpe. É esse período da nossa história recente, marcado por intensa repressão, arrocho salarial, desenvolvimento da indústria de base e da infra-estrutura urbana e crescimento da dívida externa, que será estudado neste capítulo. Os objetivos traçados para este estudo são: • Explicar o processo que resultou no golpe militar de 1964. • Caracterizar, no plano político, econômico e social, o regime implantado no Brasil em 1964. • Entender o golpe militar de 1964 no contexto da Guerra Fria e da implantação de regimes militares em vários países da América Latina.

• Caracterizar os atos institucionais publicados pelo regime militar, em particular o AI-5. • Explicar a importância do movimento das Diretas Já na campanha nacional pelo fim da ditadura. • Identificar os principais aspectos do crescimento econômico do período militar. • Analisar as diferentes expressões estéticas produzidas durante a ditadura. • Valorizar os ideais democráticos, repudiando todos os instrumentos de tortura e autoritarismo.
Cone Sul do Terror
p. 155

Contestação, rebeldia e repressão

p. 156

Para abordar as diferentes interpretações quanto ao significado do golpe de 1964, aproveite os dois trechos de depoimentos selecionados, solicitando a leitura e a compreensão por parte dos alunos. Ao final do estudo deste capítulo, cada aluno pode construir sua visão do acontecimento e registrá-la num pequeno texto.
Construindo a ditadura
p. 157

O importante nessa seção é entender como se deu a construção da ditadura militar no Brasil. Perceber como o Brasil estava integrado ao que acontecia no mundo; a radicalização da direita e da esquerda, a revolução das idéias, dos costumes, das artes etc. Deve-se esforçar para perceber as contradições e as opções feitas no calor dos acontecimentos pelos militares, políticos, partidos, Congresso etc. Márcio Moreira Alves agiu certo ao atacar os militares nos seus discursos? Deveria o Congresso Nacional ter permitido a punição do deputado, evitando assim a
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O texto de abertura chama a atenção para a interligação entre as ditaduras que vigoraram na América Latina a partir da década de 1960. Essa articulação estabelecida pela Operação Condor revela a existência de objetivos comuns no que se refere à ideologia e aos métodos políticos adotados nesses regimes, guardadas as devidas proporções. O professor pode destacar que só recentemente a existência dessa operação foi comprovada (por meio de documentos históricos). Pode ser interessante ainda discutir a noção de documento como prova legal, justificando a importância de sua preservação e divulgação. Se possível, aproveite para informar que os documentos pertencentes ao Deops (Departamento de Ordem Política e Social), ligado à Secretaria de Segurança Pública estadual, um importante órgão da repressão política, encontram-se franqueados à consulta e à pesquisa pública, em alguns casos, para qualquer cidadão.

decretação do AI-5? Essas perguntas podem servir de guia para a aula e para ajudar os alunos a refletir sobre o peso das decisões em momentos de tensão. A análise dos Atos Institucionais, instrumentos utilizados durante a ditadura como estratégia de governo para impor normas e regras à sociedade, ajuda a entender como os militares reagiam à resistência popular. Discuta cada item apontado, em especial os itens e e f do AI-1 (página 157), que serão incorporados a outros Atos Institucionais. Para verificar o recrudescimento desse regime de exceção, peça a eles que comparem o AI-1 com o AI-5, este último o mais radical do período.
Boxe — 1968, o ano que abalou o mundo
p. 159

vel discuta a especificidade do modelo de anistia brasileiro em relação ao de outros países da América Latina, como a Argentina. Lá, os militares acusados de abusos contra os direitos civis e o uso de tortura foram julgados, condenados e muitos foram detidos, só sendo anistiados por decisão do presidente Raúl Alfonsín e seu sucessor Carlos Menem, no início da década de 1990. Em 2005, no entanto, a Justiça argentina revogou a anistia, abrindo a possibilidade de levar os militares a um novo julgamento.
Sugestão de atividade

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

A seção destaca uma série de acontecimentos no Brasil e no mundo que indicam o grau de radicalização social e política em 1968. O professor pode selecionar um ou mais eventos que considerar mais significativos e aprofundar essa exposição. Há também a possibilidade de solicitar que os alunos pesquisem esse contexto e a partir daí produzam uma reflexão por escrito.
A máquina da repressão e da tortura
p. 162

A canção O bêbado e a equilibrista, de João Bosco e Aldir Blanc, composta em 1979 e consagrada na voz de Elis Regina, tornou-se um ícone da campanha pela anistia no Brasil. A letra faz uma homenagem a importantes figuras da política brasileira exiladas pela ditadura, como Henfil e Betinho, e, ao mesmo tempo, aponta uma esperança para o país. O professor pode providenciar o CD dessa música e tocá-la em sala de aula. É interessante reproduzir a letra da canção, para que os alunos analisem seus elementos políticos e estéticos.
O verão da abertura
p. 167

É importante que o professor chame a atenção para a prática da tortura no regime militar e as estratégias de resistência dos movimentos que se opunham ao regime.Verificar o uso da propaganda e da mídia em geral como veículo privilegiado para repassar e consolidar a ideologia dos quartéis para toda a sociedade. O professor pode estabelecer relações com a propaganda do regime nazista na Alemanha, conduzida pelo Ministério da Educação do Povo e da Propaganda, sob a direção de Joseph Goebbles. O professor pode aproveitar a emergência de dois acontecimentos recentes que se relacionam à tortura. O primeiro acontecimento diz respeito à Guerra do Iraque e à divulgação das práticas de tortura pelos norte-americanos contra os prisioneiros de guerra. O segundo refere-se ao depoimento de militares que combateram na guerrilha do Araguaia nos anos de o 1970, publicado no jornal Folha de S. Paulo (1 /5/2005), confessando e descrevendo explicitamente as práticas de tortura desse período. A intenção dessa discussão é sensibilizar os educandos para as implicações da permanência desse tipo de prática nos regimes ditos democráticos dos dias de hoje.
Na era do “Brasil grande”
p. 164

É importante chamar a atenção dos educandos para a luta pela preservação da memória daqueles que combateram o regime militar e que morreram ou desapareceram. A luta também se refere à conquista de indenizações pagas pelo Estado àqueles cidadãos ou familiares que reconhecidamente foram prejudicados nesse período. O estado de São Paulo, com base na lei 10.726/2001, resolveu conceder indenizações aos ex-presos políticos do regime militar.Vale ressaltar que, no caso dos desaparecidos, há um agravante, que é o fato de ele não poder ser considerado legalmente morto (a não ser que se encontre e se identifique a sua ossada), o que impossibilita que a família receba benefícios legais, como heranças, seguros, patrimônio etc.
Sugestões de leitura

DINGES, John. Os anos do Condor: uma década de terrorismo internacional no Cone Sul. São Paulo, Companhia das Letras, 2005. ARQUIDIOCESE de São Paulo. Brasil, nunca mais. 18. ed. Petrópolis,Vozes, 1986.
Seguindo a canção...
p. 169

Neste item é importante destacar o Movimento pela Anistia, que se desencadeou no país, e suas implicações em relação ao regime vigente. Se possíPARTE II — O VOLUME 3

No que se refere às manifestações culturais da década de 1960 e 1970, aproveitando as informações do livro do aluno, o professor pode programar

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uma pesquisa sobre os principais movimentos musicais (a Jovem Guarda, a música de protesto, o samba do morro e o tropicalismo), trabalhando com letras de música, imagens, programas de TV, filmes, entre outras fontes que registraram essa época. Peça para os alunos investigarem a ligação entre a arte e a política e também a herança cultural desses movimentos em relação ao período atual.
Texto complementar Pequenos luxos, grandes horrores
p. 170

Atividades

p. 171

As atividades, tomadas em conjunto, têm duas preocupações básicas: fazer o aluno rever as principais caraterísticas da ditadura militar no Brasil — o autoritarismo, a supressão das liberdades políticas, o crescimento econômico, o uso da propaganda pelos órgãos oficiais — e sensibilizá-lo para refletir sobre o uso da tortura e da violência como forma de resolver os conflitos. Os textos das questões 4 e 12 fazem a denúncia da tortura, largamente utilizada pelos militares na luta contra a guerrilha, como também daquela praticada em instituições correcionais ou cadeias públicas nos dias de hoje. A questão permite discutir, assim, a permanência do desrespeito aos direitos civis. CAPÍTULO 12. OS
Conteúdos e objetivos
LIMITES DO SOCIALISMO

O fim da União Soviética

p. 176

REAL

Para discutir o processo de mudanças pelas quais passou a antiga União Soviética a partir do governo de Gorbatchev, peça para os alunos analisarem, inicialmente, o seu depoimento (página 177), em que ele justifica a necessidade das mudanças. No texto, destacar a lucidez da análise do dirigente, que já previa as conseqüências da demora no processo de abertura, que criaria um “terreno fértil para a eclosão de uma grave crise social, econômica e política”. Como sabemos, esse quadro realmente veio a se configurar mais tarde. Nesse sentido, podemos dizer que a política de abertura gradual e de modernização do Estado soviético não foi bem-sucedida? Discuta essa questão com os alunos. A partir das informações disponíveis no livro, debata os custos sociais da passagem de uma economia socialista para o modelo de economia de mercado.
As dificuldades da economia russa
p. 178

Para quem viveu os anos da Guerra Fria, era difícil imaginar o mundo sem o antagonismo entre socialismo e capitalismo, Estados Unidos e União Soviética,Alemanha Ocidental e Alemanha Oriental. No entanto, no final da década de 1980 e início da década seguinte mobilizações populares levaram à queda do Muro de Berlim, à desagregação dos regimes socialistas implantados na Europa Oriental e ao fim da União Soviética, processo que assinalou o fim da Guerra Fria e o início de uma nova ordem política mundial.

Dentro da mesma temática proposta, o livro destaca a crise do ano de 1997, que atingiu a Rússia e também os países do Sudeste asiático. O texto destaca a “fuga de capitais especulativos” e a “evasão de capital” daqueles países, duas expressões econômicas que fazem parte do capitalismo financeiro e que estão presentes cotidianamente nas análises e comentários econômicos na mídia. Sobre esse tema,
SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

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Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

O texto é um exemplo das várias contradições vivenciadas sob a ditadura militar. O enfoque do trecho escolhido concentra-se na crise existencial experimentada pela classe média, dividida entre a consciência humanista e a venal, a crítica e a acomodação. O professor pode, então, usando as atividades de compreensão de texto, fazer um quadro das contradições da sociedade brasileira durante a ditadura militar e organizar um debate sobre os sentimentos e as atitudes das pessoas diante das contingências da vida, por um lado, e seus princípios, por outro.

Como analisa o historiador Eric Hobsbawm, a queda do Muro de Berlim, em 1989, e o fim da União Soviética, em 1991, encerraram uma era na história da humanidade, nascida da Revolução Russa de 1917 e marcada por guerras catastróficas, polarização ideológica e revoluções movidas por sonhos de liberdade e justiça social. No entanto, as mesmas condições sociais que impulsionaram as lutas revolucionárias no século passado continuam a constranger a nossa civilização. Com o estudo deste capítulo, os objetivos principais são os seguintes: • Explicar os fatores que levaram ao fim da União Soviética e o seu significado para o mundo. • Identificar o Muro de Berlim como o principal símbolo da Guerra Fria. • Diferenciar o mundo da Guerra Fria daquele que nasceu com o fim do Muro e da União Soviética. • Construir uma linha do tempo organizando cronologicamente os acontecimentos que marcaram o fim do socialismo no Leste Europeu. • Refletir sobre a realidade atual, caracterizada pelo fim da bipolaridade e pela crise dos ideais socialistas.

é importante discutir com os alunos o caráter global da economia capitalista, expressa no elevado grau de alcance da crise asiática e russa, cujos efeitos chegaram até o Brasil.
O colapso dos sistemas socialistas da Europa Oriental

p. 179

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

O livro traça um panorama dos países do Leste europeu, destacando conflitos étnicos, religiosos e políticos que emergiram no contexto de desarticulação da antiga União Soviética e dos regimes socialistas. O professor poderá escolher um ou mais países e aprofundar a pesquisa e a discussão das implicações dessas mudanças. Sugerimos que entre esses países figure a antiga Iugoslávia, pela dimensão que o conflito atingiu naquela região e pelos resultados que ele produziu. Essa pode ser uma boa oportunidade tanto para estimular a capacidade de pesquisa dos alunos quanto para discutir a importância do respeito e da valorização da diversidade cultural, princípio fundamental para a convivência harmoniosa entre os povos.
Sugestões de filmes

A atividade 8 permite que se discutam duas questões: a primeira é a ação de grupos terroristas contra a população civil, crianças, idosos, homens e mulheres, que reflete a banalização da morte e da violência, como se a vida humana tivesse perdido o seu valor. A segunda questão é a recusa do governo russo em reconhecer o direito dos chechenos à sua autodeterminação, o que explica, por exemplo, a política do governo de Wladimir Putin em não negociar com os seqüestradores, precipitando o massacre dos inocentes. Pode-se também analisar o tom preconceituoso do texto, que leva o leitor a associar o terrorismo aos povos árabes e islâmicos.

CAPÍTULO 13.

BRASIL: DA

REDEMOCRATIZAÇÃO

AOS DIAS ATUAIS

Conteúdos e objetivos

A eternidade e um dia. Direção de Theo Angelopoulos, GRE/FRA/ITA, 1998. Terra de ninguém. Direção de Danis Tanovic, FRA/ BEL/ITA/ING/ESL, 2001.
Texto complementar Propina em rublo
p. 183

O texto trata de um dos sérios problemas que enfrenta a Rússia, após o fim do regime soviético: a corrupção. A leitura relaciona a corrupção à burocracia, na medida em que ela dificulta o desenvolvimento dos negócios impondo restrições, muitas vezes sem sentido, estimulando empresas e cidadãos comuns a subornar os funcionários em troca da agilidade na liberação dos negócios. Além do paralelo que pode ser feito com o Brasil e outros países, onde a corrupção é um problema grave, o professor pode trabalhar com a idéia de ética no mundo dos negócios e da política e de como devem se comportar as pessoas e o Estado diante dos abusos do poder público.
Atividades
p. 184

As questões 8 e 9 têm especial interesse neste momento em que, conforme a versão de alguns intelectuais, vivemos em um mundo sem ideologia (pelo menos no que se refere às ideologias que marcaram os anos da Guerra Fria). O objetivo é estimular o debate e avaliar se de fato as ideologias deixaram de existir.
PARTE II — O VOLUME 3

O capítulo não está estritamente vinculado a um exercício historiográfico, pois ainda não há um estudo aprofundado dos documentos oficiais, diários e apontamentos dos principais personagens e grupos sociais que fizeram a história desse período. Não há também distanciamento suficiente para analisar os fatos com a objetividade necessária de quem não está participando dos eventos. De certa forma, o capítulo é um relato jornalístico da política e da cultura nacionais desde o fim do regime militar até o governo Lula. Nesse sentido, a análise feita nos temas tratados no capítulo reflete o caráter embrionário das investigações de historiadores e outros cientistas sociais a respeito desse período da nossa história. Admitir a dificuldade de tratar de um momento sobre o qual ainda não há teorias amadurecidas significa que o professor e os alunos — com base na própria experiência e nos estudos que a cada dia vêm sendo desenvolvidos — podem elucidar muitas das questões lacunares deste capítulo. Os principais objetivos para o estudo do capítulo são os seguintes: • Apontar as principais mudanças políticas e institucionais ocorridas no Brasil durante o governo de José Sarney. • Explicar o quadro de crise econômica que levou aos planos Cruzado, Collor e Real. • Conhecer e discutir o programa de privatizações dos governos que sucederam o de José Sarney. • Interpretar cartaz de filme brasileiro recente, identificando nele as mudanças ocorridas no Brasil depois da queda do regime militar.

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• Realizar pesquisa sobre os capítulos I, III e VII da Constituição Federal e produzir um texto sintetizando as principais resoluções contidas nesses trechos da lei. • Estimular o interesse por discutir as questões atuais do nosso país, atuando de forma consciente, crítica e responsável na vida social.
Comida
p. 187

O trecho de música do grupo Titãs, que abre este capítulo, pode ser trabalhado na forma e no conteúdo, estabelecendo relações com as demais músicas citadas no texto e também com o que já foi discutido no capítulo anterior. Se o professor achar conveniente poderá reproduzir trechos dessas músicas em sala de aula como forma de sensibilizar os alunos para os temas que estarão em foco nas seções subseqüentes.
Mais uma eleição indireta!!!
p. 188

mobilização pelos direitos dos consumidores diante de produtos e serviços oferecidos pelas empresas. Como se trata de um fato recente na história do país, o professor pode propor que os alunos organizem uma entrevista com amigos e familiares com o objetivo de coletar depoimentos sobre as experiências e lembranças deles com relação a esse período da história. Em sala, ajudar os alunos a montar um roteiro de perguntas essenciais e a organizar o material depois de concluída a fase das entrevistas.
1988: a Constituição cidadã
p. 190

O depoimento do poeta Ferreira Goulart é interessante, pois revela o clima de entusiasmo e euforia que tomou conta de parte da população com a candidatura e a posterior vitória de Tancredo Neves à presidência da República.A eleição estava revestida de forte conteúdo simbólico, representando a ruptura com o passado e, ao mesmo tempo, o início de novos tempos, repletos de esperança e de fé na democracia. O trecho pode servir também para chamar a atenção dos alunos para o fato de que as pessoas comuns em seu cotidiano vivem, compartilham e fazem a história sem consciência disso.
Sugestão de atividade

Sugestões de sites para consulta

www.planalto.gov.br/ccivil www.senado.gov.br/con1988
Eleições diretas à vista
p. 191

Aproveitando o depoimento do poeta Ferreira Goulart, o professor pode questionar os alunos a respeito de situações ou fatos que eles tenham vivenciado e considerem relevantes para a coletividade, desenvolvendo a noção de sujeito histórico. Ou, ainda, pode questioná-los a respeito de aspectos da sua vida cotidiana — relacionados aos costumes, à moda, ao tipo de música que ouvem — que caracterizam o comportamento da sua geração. Ao final, os alunos podem produzir um texto registrando a sua experiência de vida, no que se refere tanto a ações relevantes para a coletividade quanto àquelas ligadas ao mundo privado.
O governo José Sarney (1985-1990)
p. 188

Atualmente é consenso entre pesquisadores e especialistas em educação a necessidade de a escola desenvolver a chamada educação para a mídia, como forma de capacitar os educandos a fazer uso crítico, ativo e inteligente das informações recebidas diariamente através da mídia. É necessário ressaltar esse aspecto porque a mídia é um importante formador de opinião, seja no campo da política, dos costumes ou das preferências de consumo. Por exemplo, a construção da imagem pública de Fernando Collor de Mello como político jovem, dinâmico e comprometido com o combate aos marajás foi obra da mídia, a mesma que dois anos depois, diante das denúncias de corrupção, tratou de capitanear a campanha que levou à renúncia e à condenação do presidente por crime de responsabilidade. A educação para a mídia Segundo Maria Luiza Belloni, para realizar de maneira satisfatória a tarefa de educar para a mídia, devemos desenvolver:

No governo do presidente José Sarney um dos acontecimentos mais significativos foi a participação popular durante a vigência do Plano Cruzado. Os chamados “fiscais do Sarney” representavam a

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SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

No que se refere à Constituição de 1988, o professor pode confrontar os exemplos apontados acerca dos avanços dos direitos políticos e sociais com a crítica do historiador Boris Fausto (ambos na página 190). Num segundo momento, o professor poderá propor uma análise mais detalhada dessa Constituição, estabelecendo comparações com a Constituição de 1967, discutindo a sua estrutura e, principalmente, ressaltando as maneiras de transformar em realidade as resoluções estabelecidas na lei.

1) o conhecimento dos aspectos técnicos da produção e transmissão de mensagens; 2) a capacidade de distinguir elementos reais e fictícios da mensagem e de perceber os aspectos técnicos; 3) a compreensão dos objetivos (consumo) e dos modos de funcionamento (persuasão) das mensagens publicitárias; 4) uma visão crítica sobre a violência presente nas mensagens ficcionais e informativas; 5) uma percepção lúcida das diferentes formas de representação dos eventos sociais, econômicos e políticos nas mensagens de informação.
(Adaptado de BELLONI, Maria Luiza. Educação para a mídia: missão urgente da escola. In: Revista de Comunicação. Comunicação e Sociedade. v. 10, n. 17, ago. 1991. Adaptado.)

luzes dos holofotes o então ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso. Nesse sentido, o professor pode aproveitar para trabalhar noções essenciais à compreensão da dinâmica econômica, conhecimento importante para o entendimento do mundo atual: conceitos como PIB (Produto Interno Bruto), IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), inflação, deflação, recessão, monopólio, privatização, estatal, transnacional etc.
Sugestão de leitura

SINGER, Paul. Aprender economia. São Paulo, Brasiliense, 1986.
Os governos de Fernando Henrique Cardoso (1994-2002)

p. 195

Sugestão de leitura
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

FARIA, Maria Alice. Como usar o jornal na sala de aula. São Paulo, Contexto, 1996.
O governo Fernando Collor de Mello (1990-1992)

p. 192

Para abordar o processo de impeachment que sofreu o presidente Collor e a atuação dos jovens no movimento dos “caras-pintadas”, o professor pode estabelecer comparações com outros acontecimentos em que a atuação dos jovens foi crucial ao processo de mudança, como em maio de 1968. É importante os alunos perceberem que a cidadania é sempre uma conquista e que a ampliação dos direitos do cidadão é resultado de luta, de manifestações, de pressão; daí a necessidade de uma postura ativa e crítica diante dos acontecimentos do mundo. A atuação da mídia é sempre controversa. Segundo vários analistas, a mesma mídia que fez campanha para eleger o presidente Collor fez, mais tarde, campanha pelo impeachment. A partir dessa constatação, o professor pode elaborar um plano de discussão que permita apurar quais são os fatores determinantes do comportamento dos grupos formadores de opinião, ou seja, quais são as razões que levam a grande imprensa a adotar determinada posição, apoiando este ou aquele candidato político.
O governo Itamar Franco (1992-1994)
p. 194

No que se refere ao período de governo do presidente FHC, há duas questões importantes que o professor poderá privilegiar: as privatizações e os conflitos com o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra), especialmente o caso de Eldorado dos Carajás. Em relação às privatizações, proponha um estudo de caso, como recomendamos na sugestão de atividade a seguir. O problema da terra no Brasil é uma questão antiga e complexa, que precisa ser analisada buscando suas origens históricas e os diferentes segmentos que se posicionam contra ou a favor da reforma agrária. Nesse sentido, o professor pode propor a investigação em fontes diversas com vista a produzir uma matéria jornalística relatando o ocorrido e analisando a situação.
Sugestão de atividade

O governo Itamar Franco ficou marcado pela crise econômica e as tentativas de superá-la, chegando ao famoso Plano Real, que colocou sob as
PARTE II — O VOLUME 3

Desde o governo de Fernando Collor, várias empresas estatais foram privatizadas no país. Uma forma de conhecer melhor o processo de privatizações e o seu resultado é realizar um estudo de caso. Em pequenos grupos, os alunos vão eleger uma das empresas privatizadas até o momento. Em seguida, eles vão realizar uma pesquisa procurando informações sobre a atual situação da empresa, comparando-a com a situação antiga. Critérios de comparação possíveis: • número de funcionários hoje e antes da privatização; • qualidade dos serviços oferecidos à população; • lucratividade da empresa; • ações realizadas pela empresa na área social, cultural e ambiental. Ao final os alunos devem produzir um quadro comparativo da situação da empresa antes e depois da privatização.

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Algumas empresas que podem ser pesquisadas: Companhia Vale do Rio Doce, Companhia Siderúrgica Nacional, Empresa Brasileira de Telecomunicações, empresas estaduais de fornecimento de energia elétrica, entre outras.
O programa Fome Zero
p. 201

nos estaduais, municipais e pela sociedade civil organizada que buscam combater a fome por meio de restaurantes populares, bancos de alimentos, modernização do abastecimento, incentivo à agricultura urbana, apoio ao autoconsumo alimentar e à agricultura familiar. [...]”
(Instituto da Cidadania, 2001.)

Sugestão de atividade

14 CAPÍTULO 14.

CONFLITOS

INTERNACIONAIS

Programa de inclusão social “A [...] fome segue matando a cada dia, produzindo desagregação social e familiar, doenças, desespero e violência crescentes. Para combater a fome, não podemos nos limitar às doações, bolsas e caridade. É possível erradicar a fome por meio de ações integradas que aliviem as condições de miséria. Articuladas com uma política econômica que garanta uma expansão do Produto Interno Bruto de, pelo menos, 4% ao ano, esse objetivo pode ser conseguido em até uma geração. Os instrumentos que colocaremos em ação permitirão promover o desenvolvimento, gerar emprego e distribuir renda. O combate à fome se integra, assim, à concepção de um novo tipo de desenvolvimento econômico. O projeto Fome Zero inclui, além de medidas estruturais, uma política de apoio efetivo à agricultura familiar; o direito à Previdência Social para todos os trabalhadores familiares, da economia rural ou da economia informal urbana, garantindo a universalidade prevista na Constituição; o direito à complementação de renda para que todas as crianças das famílias pobres possam ter formação educacional adequada; a ampliação da merenda escolar, atingindo todas as crianças que freqüentam escolas públicas, inclusive creches; e, finalmente, o apoio aos inúmeros programas criados por gover-

Conteúdos e objetivos

O capítulo apresenta um panorama do mundo atual, mostra os vários pontos de conflito no planeta e as contradições de uma ordem mundial instável e ainda indefinida, muito diferente do mundo polarizado e dividido de vinte anos atrás. O estudo dos conteúdos deste capítulo possibilita não só entender a origem dos principais conflitos que assolam o planeta, mas também visualizar as tendências que estão colocadas para o futuro, caso os governos e os habitantes de cada país não busquem formas de vida baseadas na tolerância e no respeito à autodeterminação dos povos. Os principais objetivos colocados para o estudo deste capítulo são os seguintes: • Esboçar algumas características do quadro geopolítico nascido do fim da Guerra Fria. • Explicar o conceito de fundamentalismo. • Analisar, com base na leitura de texto, o processo de expansão do fundamentalismo islâmico nos países asiáticos. • Produzir texto sobre o regime do apartheid na África do Sul, da sua implantação até a eleição de Nelson Mandela para a presidência da República. • Conhecer e discutir a Questão Palestina. • Analisar, a partir de leitura de imagens, o significado e os efeitos do ataque terrorista às Torres Gêmeas de Nova York, em 2001. • Valorizar a diversidade cultural que caracteriza as sociedades humanas.
SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

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Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

No Brasil, segundo dados do Ipea/IBGE 2001, 54 milhões de pessoas viviam em estado de pobreza, isto é, ganhavam o suficiente apenas para garantir as condições mínimas de sobrevivência e não morrer de fome. O combate à fome era o principal objetivo de Lula ao assumir o governo em janeiro de 2003, o que o levou a lançar o programa Fome Zero. O texto reproduzido na atividade a seguir é um trecho do documento que orientou a elaboração do programa Fome Zero. O documento reúne propostas elaboradas pelo Partido dos Trabalhadores em 2001.

A partir da leitura do texto, propor aos alunos as seguintes questões: a) Quais das propostas do documento podem ser consideradas medidas de amenização da pobreza ou assistencialistas? Quais visam combater de fato a pobreza? b) Quais das propostas desse programa foram concretizadas no governo Lula? c) Na sua opinião, do ponto de vista das condições sociais, o Brasil melhorou ou piorou nos últimos anos? Justifique sua resposta com exemplos da realidade.

Ásia: um continente explosivo

p. 209

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Para discutir os principais problemas e conflitos que assolam algumas regiões do continente asiático, peça para os alunos localizarem essa região e os principais países envolvidos em conflitos, trabalhando o mapa que está na página 209. Em seguida, questione o que os alunos conhecem sobre cada um desses países. O livro traça um panorama histórico dos conflitos existentes em alguns países nos continentes asiático, africano e europeu, analisando cada um deles separadamente. O professor pode sugerir que os alunos, organizados em grupos, escolham um desses países e, a partir das informações disponíveis no livro, expliquem ao restante da classe do que se trata. A idéia é que cada grupo se coloque no papel de uma equipe de jornalistas de uma agência internacional ou de um veículo de comunicação que precisa noticiar e esclarecer o que está ocorrendo nesses países. O professor poderá acompanhar o trabalho de cada grupo esclarecendo eventuais dúvidas.
Afeganistão
p. 209

Bush propôs a substituição da ‘contenção’ e da ‘dissuasão’, princípios da Guerra Fria, pela realização de ataques preventivos, inclusive com armas nucleares, contra grupos terroristas ou Estados hostis aos EUA. A pedra de toque do novo governo Bush passou a ser política externa.”
(AITH, Marcio. Folha de S.Paulo. São Paulo, 8 nov. 2002.)

Palestina

p. 212

Para analisar cada um desses diferentes países na sua especificidade é importante chamar a atenção para algumas questões que o professor poderá esclarecer na sua exposição: 1) o papel dos Estados Unidos na década de 1980, fornecendo armas e treinamento à resistência (da qual fazia parte Osama Bin Laden); 2) o Talebã no poder e a introdução da “versão ortodoxa do islamismo”; 3) os atentados de 11 de setembro; 4) a ofensiva dos Estados Unidos. Veja o trecho a seguir referente ao atentado de 11 setembro e às mudanças significativas nas relações internacionais. Nova doutrina “Em resposta aos atentados, Bush conduz a maior mudança da política externa dos EUA dos últimos 50 anos, por meio de uma série de princípios — reunidos no que seria uma ‘Doutrina Bush’ — que colocaram de cabeça para baixo suas propostas iniciais nos campos militar e de política externa. [...] Depois dos atentados, Bush definiu o terrorismo como principal inimigo da humanidade e condicionou qualquer apoio financeiro e diplomático dos EUA ao engajamento de outros países à guerra contra o terror.

No caso da Palestina é importante que o professor destaque o episódio do Êxodo, explique o conceito de Diáspora e discuta o movimento sionista. No que se refere aos conflitos entre israelenses e árabes, é importante destacar a criação do Estado de Israel, em 1948; a Guerra dos Seis Dias, que resultou na ocupação de áreas palestinas, fato que constituiu uma das principais razões dos conflitos atuais; e a Guerra do Yom Kippur, conflito que desencadeou a crise do petróleo de 1973. Outro acontecimento que precisa ser destacado é a Intifada, também chamada revolução das pedras, movimento espontâneo da juventude palestina contra as forças israelenses, fora do controle das organizações palestinas constituídas. O professor pode analisar o mapa da página 214 para mostrar a localização dos territórios ocupados por Israel. A Questão Palestina e a política do Estado de Israel também podem ser vinculadas à política externa dos Estados Unidos no contexto do pós-atentado de 11 de setembro. Para o governo norte-americano, o fortalecimento do Estado israelense faz parte da política de criar um escudo de defesa no Oriente Médio contra os grupos terroristas. Para finalizar o trabalho com esse tema, é importante destacar que a criação do Estado palestino, determinado pelas Nações Unidas, não saiu do papel, o que explica, em parte, o acirramento dos conflitos naquela região. No que se refere aos principais momentos na cronologia da paz, o professor pode solicitar um exercício de investigação e síntese que complemente as informações sobre as tentativas de estabelecer a paz nessa região a partir do ano de 2002, complementando o relato da página 215.
As guerras contra o Iraque
p. 217

Neste item, recomendamos destacar a seguinte relação: as guerras de 1991 e 2003, que atingiram o equilíbrio mundial como um todo, sobretudo em razão do petróleo. Nesse sentido, o professor pode programar uma atividade interdisciplinar com a área de Geografia que envolva o tema do petróleo no Oriente Médio e a sua importância como fonte de energia para o mundo globalizado.

PARTE II — O VOLUME 3

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Sugestão de atividade

Angola, um país dilacerado

p. 222

Aproveitando o tema das guerras contra o Iraque, o professor pode propor ainda aos alunos o levantamento de notícias de jornais, revistas e de matérias da internet que trataram dos atentados terroristas em Madri, na Espanha (março de 2004), e em Londres, na Grã-Bretanha (julho de 2005), países cujos governos enviaram tropas para lutar, ao lado das forças norte-americanas, contra o governo de Saddam Hussein. As notícias trazidas podem ser reunidas em um painel, motivando depois a realização de um debate que tenha como tema os danos que os atentados terroristas trazem para a população civil.
África: miséria e opressão
p. 220

Sugestão de filme

O herói. Direção de Zezé Gamboa, ANG, 2004.
Conflitos na Europa
p. 223

Morrer por um ideal “Tenho lutado contra a dominação branca e contra a dominação negra.Tenho acalentado o ideal de uma sociedade livre e democrática, na qual todas as pessoas vivam em harmonia e com oportunidades iguais. É um ideal pelo qual espero viver e que espero alcançar. Mas se for necessário, é um ideal pelo qual estou preparado para morrer.”
(Nelson Mandela)

Sugestões de sites, leitura e filme

www.biografiasyvidas.com; www.nelsonmandela.org MANDELA, Nelson. Mandela: a luta é a minha vida. São Paulo, Globo, 1989. Um grito de liberdade. Direção de Richard Attenborough, ING, 1987.

O livro destaca duas situações de conflito no continente europeu: a questão basca na Espanha e a questão da Irlanda no Reino Unido. O professor pode escolher um dos casos para analisar mais cuidadosamente. Caso decida pela questão do País Basco, procure problematizar a origem do conflito na região e destacar as diferenças entre as culturas espanhola e basca. O País Basco é uma comunidade autônoma formada por três províncias: Alava, Guspúzcoa e Vizcaya. De acordo com o jornal independente La Insígnia (www.lainsignia.org), o novo estatuto proposto (jan. 2005) para reger o País Basco pede o direito de autodeterminação do povo basco e estabelece um novo pacto político de relação com o Estado espanhol, baseado na livre associação e compatível com as possibilidades de desenvolvimento de um Estado composto, plurinacional e assimétrico. Como se vê, o povo basco não defende a separação da Espanha, mas sim o direito de manifestar sua identidade cultural. Essa opinião é compartilhada pelo jornalista português Vitor Pinto Basto, que acaba de lançar um livro que reflete a sua experiência naquele país. O livro, intitulado Gente que dói – o conflito basco por quem o vive, acaba de ser lançado em Portugal. Se o professor achar conveniente poderá trabalhar com o documentário: Pelota basca: pele contra
SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

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Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Neste item estarão em foco as relações conflituosas em dois países africanos: a África do Sul, com a política do apartheid, e Angola, país de língua portuguesa que viveu um longo período de guerra civil durante o processo de libertação colonial. Para tratar da África do Sul, o professor pode centrar a abordagem na história do líder Nelson Mandela, que durante mais de 25 anos esteve preso por defender os direitos dos negros e mais tarde, pela mesma causa, recebeu o Prêmio Nobel da Paz e foi eleito presidente do país (1994). Os alunos poderão fazer uma pesquisa e, em seguida, redigir uma biografia do líder sul-africano que se transformou num símbolo da luta contra o racismo em seu país e no mundo. Veja um trecho do discurso de Mandela feito em fevereiro de 1990, repetindo as palavras ditas no seu julgamento em 1964.

O livro traz diversas informações sobre o processo de independência de Angola e os conflitos que opuseram diferentes representantes da resistência, o que desencadeou uma longa e desastrosa guerra civil no país. Atualmente, após o acordo de paz, a população angolana convive com as seqüelas da guerra, como é o caso das minas terrestres. Como se trata de um país de língua portuguesa na África, o professor poderá propor uma investigação sobre a presença da comunidade angolana no Brasil, estabelecendo comparações entre os dois países. Se possível, convide os alunos a pesquisar na internet essas comunidades e programar uma entrevista virtual enfocando questões como: 1) A guerra civil em Angola. 2) A sua experiência de vida no Brasil. 3) As semelhanças e/ou diferenças entre os dois países. Para finalizar promova uma discussão sobre qual deve ser o papel do Brasil na recepção de imigrantes africanos, com base na política externa do governo federal.

pedra (Júlio Medem, 2003). O documentário baseiase em entrevistas de 70 pessoas com inclinações ideológicas e opiniões diferentes sobre o conflito. Conta também com o depoimento de importantes personalidades políticas da Espanha.
Texto complementar
p. 227

CAPÍTULO 15. A

GLOBALIZAÇÃO E O

FUTURO DA ECONOMIA MUNDIAL

Conteúdos e objetivos

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Carta da América O trecho escolhido do documento Carta da América, assinado por 60 intelectuais norte-americanos, é eloqüente em explicitar um dos aspectos da visão de mundo do país hegemônico, os Estados Unidos. É importante enfatizar a visão que separa o passado do tempo presente e julga as ações terroristas apenas pelo aspecto ideológico e moral, reduzindo a zero as responsabilidades dos Estados Unidos pela ação ou reação dos agressores. Por outro lado, também seria um erro eximir de responsabilidade os agressores, justificando as suas atitudes pelas ações passadas ou presentes do governo norte-americano. A ação terrorista significa, em última instância, a renúncia à ação política direta com a população local e mundial, substituindo a mobilização pelo ataque à população civil. Em lugar da luta política, há a ação violenta, individual e isolada de um indivíduo ou grupo, que atinge indiscriminadamente a população. Esse é um debate que pode ser feito em sala de aula, acompanhado ou não de uma pesquisa que recupere as críticas feitas aos Estados Unidos, que a Carta tenta responder.
Atividades
p. 228

A atividade 4 exige do aluno não só uma revisão do texto estudado, como também que pesquise, quando for o caso, o atual estágio da história dessas organizações ou políticas. O ideal seria perceber se elas permanecem e quais foram as transformações ocorridas na ação desses grupos ou nas políticas, comparando a época atual com a da Guerra Fria, pois, em alguns casos, os fatores desencadeadores desses movimentos não desapareceram, como é o caso, por exemplo, dos bascos e de sua organização paramilitar ETA. Além de uma atualização histórica, perceber as possíveis mudanças e relacioná-las ao novo contexto existente possibilita aos educandos a oportunidade de perceberem como a cada fase da história de uma organização, povo ou país é possível reinterpretar velhas questões a partir dos novos pontos de vista que surgem com a dinâmica transformação social e cultural.
PARTE II — O VOLUME 3

O principal objetivo deste capítulo é capacitar o aluno a entender melhor o mundo contemporâneo e auxiliá-lo a adquirir um vocabulário conceitual básico que lhe permita interpretar e discutir a realidade atual. Para dar início a esse processo, o professor pode optar pela leitura e interpretação do trecho de abertura, Vamos internacionalizar as riquezas do mundo?, que chama a atenção para a forma como o termo globalização está mais vinculado a interesses particulares do que a uma real globalização dos recursos do planeta. A discussão do próprio termo globalização servirá de subsídio para entender os demais conceitos centrais do capítulo. Termos como Estado mínimo, multipolaridade, neoliberalismo, desemprego estrutural, apartheid social etc. devem ser definidos e contextualizados na medida do possível, de preferência usando notícias de jornais, para que os educandos possam assimilar e trabalhar com os conceitos de forma concreta e não apenas abstratamente. Os objetivos específicos para o estudo deste capítulo são: • Caracterizar o processo de globalização. • Relacionar o processo de globalização ao crescimento do desemprego. • Identificar as características do Estado neoliberal. • Realizar pesquisa sobre o Fórum Social Mundial, identificando os objetivos do Fórum e estabelecendo diferenças com o Fórum Econômico Mundial. • Interpretar texto e debater, a partir da leitura, o problema do desemprego. • Estimular o interesse pela discussão e pela participação consciente, crítica e responsável na realidade contemporânea.
Neoliberalismo: a política do Estado mínimo

p. 233

O texto do livro aponta algumas características essenciais da teoria neoliberal. Se for conveniente, o professor pode retomar a explicação sobre o conceito de liberalismo e, assim, apontar o que há de novo no que se refere ao neoliberalismo. No caso das privatizações brasileiras, exemplo da aplicação desse receituário econômico no país, vale analisar os gráficos da página 234, observando a percentagem das privatizações realizadas por ramo de atividade. No caso da energia elétrica e das telecomunicações, por exemplo, pode-se sugerir que os alunos investiguem as mudanças na prestação do serviço

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dessas empresas, os principais problemas e os preços das tarifas, comparados ao modelo estatal que vigorava anteriormente. Outra possibilidade é identificar o que justifica que o setor elétrico tenha um grau de privatização 30 vezes maior que o de saneamento, por exemplo.
Globalização
p. 234

vido de fato é, principalmente, a mundialização da cultura norte-americana, de seus filmes, seus valores, sua moda e sua língua. É importante reconhecer esse processo para evitar que as tradições e os valores que identificam cada povo sejam engolidos no processo — para muitos inexorável — da massificação cultural.
Texto complementar O levante da juventude
p. 240

Multipolaridade ou “ditadura de Washington”?

p. 236

Neste item discute-se a emergência de duas vertentes político-econômicas divergentes no mundo atual: a idéia da multipolaridade, ou seja, de que o mundo atualmente é regido pelos diferentes blocos econômicos, e a da “ditadura de Washington”, que defende o predomínio da hegemonia dos Estados Unidos em relação ao restante do mundo. O professor poderá analisar junto com os alunos os dois casos: primeiro, aproveitando o mapa da página 236, identificando os diferentes blocos econômicos e discutindo a relação geopolítica entre eles. No segundo caso, pode-se retomar a guerra contra o Iraque (2003), que foi conduzida pelos Estados Unidos mesmo sem a aprovação do Conselho de Segurança da ONU.
Boxe – Cultura e globalização
p. 238

Atividades

p. 242

As questões 1, 4 e 5 permitem ao aluno obter um amplo panorama das características da globalização, as políticas que a ela estão atreladas e quais as suas conseqüências. O importante é reunir esses aspectos em um todo coerente. As questões, em particular a 1, permitem discutir os aspectos positivos da globalização, cujas conquistas podem ser usadas a favor de uma melhor distribuição da riqueza, impedindo também a hegemonia de uma única nação sobre o planeta. Essa é uma questão polêmica, que divide especialistas, partidos políticos e movimentos da sociedade civil.
Sugestão de atividade

A análise feita na leitura desse boxe possibilita discutir a diferença entre globalização cultural e massificação da cultura norte-americana. É importante fazer essa diferenciação porque, diante da integração da economia mundial, típica destes tempos pós-Guerra Fria, não podemos dizer que os valores culturais dos povos têm sido disseminados pelo mundo, passando a formar um patrimônio de toda a humanidade. O que tem ha-

É importante, neste último capítulo do livro, que os alunos elaborem um trabalho escrito, que pode ser realizado em grupo, abordando amplamente o fenômeno da globalização. Pesquisas em livros de apoio didático, revistas e jornais, além da internet, podem ajudar nessa tarefa.

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Para tratar o tema da globalização, já discutido em outras unidades, o professor pode, aproveitando as informações do livro, relacioná-lo com o caso do Brasil. O texto do discurso do presidente Lula, da página 235, dá uma medida de como a globalização não mudou o rumo que a economia mundial até então trilhava. Analise junto com os alunos os principais argumentos e estabeleça comparações com o desenvolvimento recente do Brasil. Em que medida é possível estabelecer igualdades e diferenças entre o que acontece no Brasil e a globalização mundial? É possível afirmar que as dificuldades que o Brasil enfrenta têm sua origem na política de globalização? Como responder a essas questões?

Para tratar do tema dos movimentos atuais de oposição ao sistema neoliberal e à globalização, o professor poderá inicialmente aproveitar o texto de Frei Betto no livro (página 240), que trata justamente da mobilização mundial contra o processo de globalização. A questão 6, da seção Atividades, possibilita ampliar o conhecimento sobre esse assunto. O texto complementar deste capítulo pode ajudar na discussão sobre por que há uma espécie de levante da juventude contra o atual estágio do desenvolvimento da globalização e como se organiza esse movimento. O texto apresenta dados, mesmo não sendo os mais recentes, que apontam claramente para a tendência da distribuição da riqueza no planeta. Além disso, traz informações sobre as várias organizações antiglobalização que se formaram em vários países.

LEITURAS COMPLEMENTARES
1. COMUNICAÇÃO DE MASSA E AUTORITARISMO

A televisão marcou a cultura brasileira da segunda metade do século XX, transformando-se em símbolo da sociedade de consumo e dos valores da classe dominante, esvaziando a diversidade cultural e o debate político, mesmo após a redemocratização do país.
“[...] Para além da violência que empregou durante o período autoritário, a ‘Revolução de 64’ moldou uma outra forma extremamente eficaz de garantir duradouramente a dominação dos ricos e privilegiados. Forma até muito prazerosa, disfarçada de entretenimento, ou forma muito séria, revestida de informação objetiva: a indústria cultural americanizada. [...] O centro de nossa indústria cultural tornou-se, como em todo o mundo, a televisão. A televisão veio para o Brasil em 1950, por iniciativa de Assis Chateaubriand, proprietário do conglomerado jornalístico Diários Associados. Mas seu raio de ação era limitado, não só pelo número de telespectadores — a classe média de renda superior — mas, também, pela frágil organização empresarial e pelas limitações tecnológicas, quer do país, quer das próprias empresas. Estes obstáculos foram sendo vencidos. O aparelho de TV vai se difundindo rapidamente para a base da sociedade, com o auxílio valioso do crédito ao consumo. Bastaram vinte anos para que 75% dos domicílios urbanos o possuíssem: em 1960, havia em uso apenas 598 mil televisores; dez anos depois, 4 584 000; em 1979, nada menos do que 16 737 000, sendo 4 534 000 televisores em cores. Por outro lado, o Estado montou uma infra-estrutura de telecomunicações que possibilitou, já em 1970, a instalação de rede nacional. Simultaneamente, o negócio se organiza como uma grande máquina capitalista, que utiliza os processos tecnológicos mais avançados, voltada para a produção da mercadoria entretenimento, que, consumida, dá suporte aos anúncios das grandes empresas. Os aspectos educativos e culturais da televisão ficam restritos — sem grande sucesso — às fundações paraestatais. E o que é mais importante: a ‘Revolução de 1964’ permitiu — mas muitos acham que até estimulou — que a Rede Globo de Televisão se transformasse numa empresa praticamente monopolista, que pode opor barreiras quase intransponíveis à entrada de novos concorrentes ou ao crescimento dos que já estavam estabelecidos. [...] Para além da censura imposta pelo autoritarismo, a preeminência, na TV, do entretenimento sobre a educação, de um lado, e, de outro, a liquidação do embrião de opinião pública associado ao triunfo da empresa jornalística gigante levaram a um esvaecimento dos valores substantivos: a verdade cede o passo à credibilidade, isto é, ao que aparece como verdade; o bem comum subordina-se inteiramente aos grandes interesses privados; a objetividade abre espaço à opinião, isto é, à opinião dos formadores de opinião, em geral membros da elite ligados direta ou indiretamente aos grandes interesses. O domínio da grande empresa da indústria cultural, estabelecido à sombra do autoritarismo plutocrático, caracteriza um monopólio tecnológica e organizacionalmente avançado, o dos novos meios de comunicação social, que escapa inteiramente ao controle público. Mas não é um monopólio qualquer: difunde valores — morais, estéticos e políticos — que acabam por determinar atitudes e comportamentos dos indivíduos e da coletividade. [...]”
(MELLO, J. M. Cardoso de; NOVAIS, Fernando A. Capitalismo tardio e sociabilidade moderna. In: SCWARCZ, L. M. (org.). História da vida privada no Brasil: contrastes da intimidade contemporânea. São Paulo, Companhia das Letras, 1998, v. 4.)

“O centro de nossa indústria cultural tornou-se, como em todo o mundo, a televisão.”

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“Os aspectos educativos e culturais da televisão ficam restritos — sem grande sucesso — às fundações paraestatais.”

PARTE II — O VOLUME 3

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2. NOVENTA MILHÕES NA TORCIDA

A conquista do tricampeonato mundial de futebol em 1970 pela seleção brasileira ajudou a construir uma imagem ufanista que se dissolveu nas crises econômicas e na violência das épocas seguintes, da mesma forma que a Taça Jules Rimet, que foi roubada e derretida por ladrões. “Em 1970, os brasileiros viveram uma grande alegria no mundo do esporte: a conquista do tricampeonato mundial de futebol. A seleção brasileira, com craques do porte de Pelé, Rivelino, Jairzinho, Gérson e Clodoaldo, fez uma campanha brilhante. Venceu as seis partidas que disputou, marcou 19 gols e levou apenas sete. Ao derrotar a Itália por 4 x 1, na partida final, os jogadores conseguiram apagar o fiasco que fora a participação brasileira na copa de 1966, quando o Brasil se desclassificou no início da competição. Era também a consagração de Pelé, eleito o melhor jogador do mundo e o único a ganhar três das quatro Copas do Mundo que disputou. E, o mais importante, era o primeiro país do mundo a conquistar a Taça Jules Rimet. [...] No Brasil, onde pela primeira vez a copa era vista pela TV, a festa explodiu nas ruas. A música tema — 90 milhões em ação, pra frente Brasil, salve a seleção — invadiu lares, ruas, bares e praias, cantada em ritmo de samba. Mas o futebol brasileiro alegre e bonito das quatro linhas do gramado não deixava de sofrer as limitações impostas pela ditadura militar. Dois dos preparadores físicos da Seleção eram membros do Exército e, numa época em que os cabelos compridos estavam na moda, os atletas brasileiros tinham o cabelo cortado à moda militar. Depois de escolhidos os jogadores, e montada a seleção, o presidente Médici derrubou o técnico João Saldanha, identificado como de esquerda, substituindo-o por Zagallo, que ganhou os louros da vitória. A conquista do tri ajudou a enaltecer o discurso ufanista dos militares, numa época em que os órgãos de repressão cresciam em importância dentro do governo e o próprio presidente era um egresso do Serviço Nacional de Informações (SNI). Aliás, enquanto Carlos Alberto Torres, capitão da seleção, levantava a Taça Jules Rimet, no México, um outro capitão, Carlos Lamarca, instalava-se na região do Vale do Ribeira (SP) para, junto com outros jovens, tentar uma guerra de guerrilhas que derrubasse os militares do poder. Lamarca foi morto no ano seguinte.A Taça Jules Rimet foi roubada da sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) no Rio de Janeiro, em 26 de dezembro de 1983, e nunca mais foi encontrada.”
(A cobertura jornalística do século. In: Nosso Tempo. São Paulo, Klick, s.d.)

“[...] o futebol brasileiro alegre e bonito das quatro linhas do gramado não deixava de sofrer as limitações impostas pela ditadura militar.”

“A conquista do tri ajudou a enaltecer o discurso ufanista dos militares[...].”

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Respostas das Questões
de Vestibular/Enem
UNIDADE I — GUERRA E PAZ CAPÍTULO 1 O BRASIL
NA

PRIMEIRA REPÚBLICA 4.

1. A população brasileira não participou da proclamação da República, apenas “assistiu” aos acontecimentos. A palavra “público” foi usada, nesse sentido, como “espectador”. Ao mesmo tempo, nas decisões e nos discursos políticos da República havia a preocupação com a “ordem” pública, mas não com a formação de uma identidade nacional ou com a igualdade democrática e popular. A visão subjetiva do grande cronista brasileiro identificava aí, numa simples frase, as características oligárquicas e elitistas da Primeira República. 2. a) A greve de 1917 foi a primeira e também a maior mobilização do proletariado brasileiro, manifestando-se como uma ação coordenada pelo movimento anarquista, e, apesar da forte repressão, conseguiu organizar a classe trabalhadora para lutas posteriores, colocando o operariado na cena política nacional, como força a ser ouvida em suas reivindicações. b)A repressão à greve foi violenta e autoritária, utilizando-se de meios policiais para expulsar os grevistas e os líderes anarquistas estrangeiros, e para censurar a imprensa operária. c) A imprensa operária publicava diversos jornais, muitos deles escritos na língua da maioria operária, o italiano. Esses jornais eram veículos de difusão e propaganda do movimento, e a adesão ao movimento revelava o nível de alfabetização e educação dos operários na época. 3. a) Dois momentos importantes da sociedade brasileira na década de 1920 são a fundação do PCB (Partido Comunista Brasileiro), cuja proposta era organizar a luta operária e o levante do forte de Copacabana, primeira manifestação do tenentismo, movimento militar cuja proposta era modificar a política oligárquica característica da Primeira República. Ambos os movimentos visavam a modificação política e social do país, embora em graus diferentes. b)A cidade de São Paulo conheceu um vertiginoso crescimento populacional e econômico nas primeiras décadas do século XX pelo fato de ser a capital do estado mais rico da federação. Seu caráter de grande entroncamento ferroviário para o qual convergiam as mercadorias produzidas no interior e de onde partiam produtos importados facilitou a dinamização de seu papel comercial, tornou a cidade um centro de atração de mão-de-obra e condicionou sua escolha como centro de produção industrial de alimen-

5.

6.

7.

tos e tecidos, acelerando ainda mais as migrações internas e externas para a capital, que por sua vez estimulavam ainda mais a industrialização. a) No Brasil agrário, o coronel exercia um papel dominante na política, dado seu poder econômico como grande proprietário de terras. O caráter não-secreto das votações na época permitia que a fidelidade ou não ao coronel fosse verificada. A prática do clientelismo e da compra de votos foi essencial à manutenção da política dos governadores, pela qual as oligarquias agrárias locais sustentavam o poder dos governadores e da presidência da República, que por sua vez referendavam todas as fraudes e abusos eleitorais dos coronéis como forma de alijar grupos adversários que almejavam o poder. b)O movimento tenentista, surgido no exército brasileiro, e o movimento operário, agrupado especialmente em torno dos movimentos anarquistas e, posteriormente, do PCB. A charge refere-se à política do café-com-leite, pela qual São Paulo e Minas Gerais revezavam-se no poder, graças aos acordos (iniciados por Campos Sales) da política dos governadores, em que estes se comprometiam a apoiar os candidatos das elites mineira e paulista, em troca da perpetuação no poder das oligarquias agrárias, cujas fraudes eleitorais e abusos políticos eram referendados pela Comissão Verificadora, controlada pelo legislativo e que diplomava os candidatos fiéis ao governo. O Convênio de Taubaté estabelecia a compra da produção de café pelos estados de SP, RJ e MG por um preço mínimo preestabelecido (subsídio à produção), a estocagem do produto pelos estados para interferir no mercado e a realização de empréstimos externos para realizar tal política. b 8. b 9. d 10. d 11. d

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A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL CAPÍTULO 2 1. A Bósnia-Herzegovina, povoada por eslavos e muçulmanos, pertencera ao Império turco-otomano, mas na década de 1910 era administrada pelo Império austro-húngaro. Ao mesmo tempo, a Sérvia, nação independente na qual predominava uma ideologia nacionalista eslava, pretendia incorporar a região por causa de sua população eslava. O assassinato do herdeiro do trono do Império austro-húngaro por um nacionalista sérvio em Sarajevo, capital da Bósnia-Herzegovina, foi a causa imediata do conflito, que opôs este império à Sérvia e ativou uma série de acordos militares de proteção mútua, deflagrando uma guerra por toda a Europa. 2. c 3. a 4. e 5. b

PARTE II — O VOLUME 3

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6. a) A mudança no papel social da mulher, em direção a uma participação mais ativa na vida pública. Dessa forma, a guerra deu sentido prático ao discurso do movimento feminista. b)As dificuldades de comunicação e comércio propiciaram um período em que a indústria local foi estimulada a realizar um processo de substituição de importações, procurando produzir internamente produtos antes importados. Este fato incentivou o crescimento da indústria brasileira no período. 7. a) Art. 81 – A Alemanha reconhece a completa independência da Polônia [...]. b)Entre outros fatores que tornavam o Tratado de Versalhes excessivamente rigoroso e humilhante para os alemães podemos citar o artigo 45, pelo qual as fontes de energia e recursos industriais localizadas no Ruhr e no Sarre deixavam de pertencer à Alemanha, o que se constituía numa anexação territorial que serviria de pretexto ao nacionalismo alemão exacerbado. 8. a) O colonialismo europeu, caracterizado pela disputa de mercados e fontes de matérias-primas industriais, estimulava a competição pela posse de terras. As nações de desenvolvimento industrial tardio, como Alemanha e Rússia, passaram a concorrer com França e Inglaterra pelos territórios coloniais. Neste sentido a política expansionista alemã foi um dos fatores da Primeira Guerra Mundial. b)As derrotas militares da Rússia na guerra auxiliaram o processo da Revolução Russa de 1917, estimulando a adesão dos militares às propostas bolcheviques, culminando na queda do czar e no fim do Império Russo, substituído pela URSS. 9. O crescimento industrial brasileiro recebeu estímulo pela dificuldade de importação de produtos europeus durante a Primeira Guerra Mundial, uma vez que as indústrias européias voltaram-se à produção armamentista. A substituição das importações pela produção interna teve, nesse sentido, um efeito benéfico à produção brasileira. 10. c 11. d CAPÍTULO 3 A REVOLUÇÃO RUSSA
DE

mas condições de trabalho dos operários, além da organização do proletariado soviético. b)Os sovietes eram os conselhos revolucionários formados por soldados, operários e camponeses, organizados em três níveis: os sovietes das aldeias, das cidades e o Congresso de todos os sovietes. No decorrer da revolução, os sovietes tornaram-se um órgão deliberativo do Estado. 7. d 8. c 9. c 10. a 11. b 12. a 13. e 14. b CAPÍTULO 4 A
CRISE DE

1929

E SEUS

REFLEXOS NA ECONOMIA MUNDIAL

1917

1. a) Em 1848 e em 1871 (Comuna de Paris). b)A industrialização acelerou-se a partir do final do século XIX a partir de investimentos estrangeiros (principalmente franceses), expansão facilitada pela mão-de-obra barata, disponibilidade de matéria-prima e mercado consumidor extenso, devido à grande população. A modernização russa contrastava com o poder absolutista do czar, e as derrotas militares na Primeira Guerra Mundial mostraram que a industrialização russa era insuficiente ante as potências européias. 2. a 3. c 4. b 5. d 6. a) O absolutismo czarista, que estimulava a oposição tanto liberal quanto socialista, e as péssi-

1. a 2. a 3. No liberalismo econômico clássico, a intervenção do Estado na economia é considerada uma ação antinatural em um sistema natural e harmônico: o “mercado”. O New Deal, ao contrário, ainda que mantendo os princípios básicos de respeito à propriedade e à livre concorrência, caracterizou-se por uma política de realização de grandes obras públicas e subsídios às atividades empresariais como forma de resolver o grave problema do desemprego no período entreguerras. 4. c 5. b 6. a) A situação dos camponeses era de endividamento, que levava à falência e ao êxodo rural. b)A geração de empregos por meio da realização de grandes obras públicas e o subsídio governamental aos pequenos proprietários. 7. b 8. a) A União Soviética não sofreu com os efeitos da crise de 1929, uma vez que sua economia planificada, característica de um modelo socialista, estava desvinculada do fluxo financeiro capitalista, ao contrário da Alemanha, que dependia de investimentos norte-americanos em sua economia. b)A realização de grandes obras públicas para estimular a indústria de construção e combater o desemprego. 9. a) A Grande Depressão foi uma crise de superprodução industrial associada à falência da maioria dos pequenos investidores na Bolsa de Valores de Nova York, o que gerou uma forte recessão que se propagou por todo o mundo capitalista, uma vez que a economia norte-americana havia, já nessa época, espalhado seus investimentos pelo mundo. b)A crise da economia cafeeira, provocada pela queda do preço do produto no exterior, devido à recessão econômica, combinada ao fim dos empréstimos para a valorização artificial dos preços do café pelo governo brasileiro. 10. a) F; b) F; c) V; d) V 11. c 12. d 13. a) O crash da bolsa de valores de Nova York em 1929.

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b)A classe média norte-americana vivia uma febre de consumo e melhoria do padrão de vida. A alta produtividade melhorou também a renda dos trabalhadores das fábricas. 14. d CAPÍTULO 5 ASCENSÃO DOS REGIMES EUROPA

nos e anarquistas contavam com voluntários oriundos de diversas partes do mundo. 11. a 12. e O GOVERNO DE GETÚLIO CAPÍTULO 6 VARGAS (1930-1945) 1. d 2. a 3. a) Estado Novo. b) A Segunda Guerra Mundial. 4. a 5. a) A ascensão dos empresários urbanos, a expansão da classe média e do operariado, que não tinham representatividade política dentro do sistema corrupto e das eleições fraudulentas da Primeira República. b) Com a ascensão dos empresários industriais ao poder houve maior estímulo à industrialização, devido ao projeto econômico de Vargas no sentido de transformar a estrutura econômica do Brasil, que se refletiu na criação do Ministério da Indústria e Comércio, protecionismo alfandegário e grandes projetos industriais voltados para a siderurgia (CSN). 6. a) O sistema federativo da Primeira República estabeleceu um pacto entre as oligarquias locais, pelo qual as elites agrárias de São Paulo e Minas Gerais se revezariam na presidência do país e facilitariam a perpetuação das oligarquias locais no governo de seus estados. A tentativa paulista de desrespeitar o rodízio no governo com Minas Gerais e os interesses da oligarquia gaúcha e da Paraíba no poder federal compõem o quadro político às vésperas de 1930. b)Depois da tomada do poder por Getúlio Vargas, São Paulo organizou um movimento para a derrubada do presidente, em 1932. Derrotado, o estado de São Paulo ficou alijado dos grupos políticos ligados ao poder central, mesmo porque o regime federativo tornou-se cada vez mais centralizado. 7. a) A criação do DIP, a censura dos meios de comunicação, o fechamento dos partidos políticos e a subordinação dos sindicatos ao Estado. b)O torpedeamento de navios brasileiros pelos alemães, que levou à indignação popular e à entrada do Brasil na guerra contra países politicamente assemelhados ao Estado Novo. 8. c 9. c 10. a 11. b 12. e 13. Na Constituição de 1934 a participação sindical foi contemplada com cadeiras na Assembléia Constituinte, fato que consagrava a aliança entre Estado e sindicatos. Apesar dos direitos trabalhistas, a atuação política dos trabalhadores continuava controlada pelo Estado. 14. d CAPÍTULO 7 A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

TOTALITÁRIOS NA

1. a) No regime totalitário o Estado controla rigidamente a sociedade civil, que deve se manter submissa aos desejos governamentais. b)Por meio de uma rígida censura e fiscalização da sociedade, realizada pela polícia de segurança. Qualquer crítica ou oposição ao regime é vista como traição ao Estado e ao povo, sujeitando-se o réu inevitavelmente à condenação ou à degradação pública. 2. d 3. b 4. a) A ideologia nazista explicava a história e a sociedade pela ótica da superioridade de algumas raças em relação a outras, constituindo-se a “raça” ariana como superior, a quem deveriam prestar serviços todas as outras. Os judeus, que Hitler tentava caracterizar como “raça” e não como grupo religioso, deveriam ser particularmente combatidos. b)Os nazistas consideravam parte de um único império ariano todos os territórios em que havia falantes da língua alemã de origem ariana. Assim, o regime nazista procurou em primeiro lugar ocupar os territórios em que estes grupos estavam presentes, para isso invadindo territórios de povos de origem eslava e outras etnias. 5. a) A República de Weimar foi o regime que substituiu, na Alemanha, o poder imperial do kaiser, derrotado na Primeira Guerra Mundial. O caráter democrático de sua Constituição, aliado à fraqueza do Estado alemão, permitiu o surgimento de diversos movimentos à direita e à esquerda, que tentavam propor soluções totalitárias à crise social e econômica, num contexto de radicalização política. b)O Tratado de Versalhes foi o acordo diplomático que pôs fim à Primeira Guerra Mundial, pelo qual a Alemanha foi obrigada a ceder sua principal área industrial (o Ruhr), as províncias da Alsácia e Lorena (obtidas na guerra francoprussiana de 1871) e teve estabelecidas limitações ao tamanho das forças militares de que poderia dispor. A rigidez dessas condições tornou a paz politicamente inaceitável para o povo alemão e foi uma das causas da ascensão do nazismo. 6. c 7. c 8. c 9. a 10. Durante o período em questão a Espanha foi o teatro de operações em que as principais tendências políticas da época defrontaram-se, inclusive com o apoio militar de nações estrangeiras. Assim, os falangistas eram apoiados por Alemanha e Itália, os comunistas, pela URSS, e os grupos republica-

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1. d 2. a 3. c 4. a) O uso da bomba atômica revelou um poder de destruição nunca antes visto, suficiente para ex-

PARTE II — O VOLUME 3

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5. 6.

DE ESQUERDA NA

7. 8.

CAPÍTULO 8

A GUERRA FRIA

1. b 2. a) Os EUA, país capitalista hegemônico e imperialista com sistema político democrático liberal, considerava-se ameaçado pelo sistema soviético. A URSS, nação socialista com sistema político totalitário, não aceitava a interferência capitalista em suas áreas de influência. b)A Guerra da Coréia, em que os soviéticos apoiaram a separação do norte da Coréia em relação ao sul, de sistema capitalista. 3. e 4. a 5. a 6. c 7. e 8. Ambos os blocos se equilibravam em poder militar e esta situação impedia a deflagração de um conflito aberto, de forma que cada bloco se mantinha fechado às influências externas. CAPÍTULO 9 GOVERNOS BRASIL
POPULISTAS NO

1. a) Autorizava a intervenção militar quando os interesses norte-americanos eram contrariados. b)A visão política da América Latina como “quintal” dos EUA, território essencial ao domínio geopolítico norte-americano. c) Ao aceitar o apoio soviético para a construção do país, Cuba abriu um precedente para a contestação da hegemonia norte-americana na região. 2. a 3. c 4. c 5. a 6. e 7. e 8. b UNIDADE II — O SONHO NÃO ACABOU CAPÍTULO 11 BRASIL O
REGIME AUTORITÁRIO NO

1. a) O nacionalismo econômico, como parte de um projeto de desenvolvimento que garantiria a soberania do Brasil no contexto internacional, e a autonomia técnica e estratégica, expressa na posse pelo Estado de seus recursos energéticos. b)Como argumento favorável, pode-se citar o uso dos recursos a investir e liberados pelas privatizações em áreas ligadas à saúde e à educação. Como argumento desfavorável, há a perda da capacidade de controlar o mercado, deixando de auferir os dividendos das estatais lucrativas e a capacidade de controlar os recursos estratégicos.

1. c 2. a) F; b) F; c) V; d) V; e) V 3. e 4. a) V; b) F; c) F; d) F; e) V; f) V 5. a 6. a) O slogan expressava um otimismo materializado na melhoria dos salários e do poder aquisitivo da classe média urbana (junto com o sucessivo crescimento do PIB brasileiro), associado à conquista do tricampeonato mundial de futebol. b)Pelo slogan, a oposição ao regime militar era convidada a deixar o país, a exemplo do que acontecia com os exilados desde 1964, porque, na distorcida ótica ditatorial, a crítica ao regime significava falta de amor à pátria. c) Além dos diversos movimentos guerrilheiros, ligados às facções do PCB, PC do B e outras organizações, podemos citar o bem-sucedido Movimento pela Anistia, que, durante os governos de Geisel e Figueiredo, conseguiu repatriar os exilados pela ditadura militar.

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tinguir a vida na Terra, e provocou o início da corrida armamentista entre os EUA e a URSS, ao mesmo tempo em que estabeleceu a supremacia estratégica das potências nucleares sobre os demais países. b)Ambos os países, que tinham sistemas opostos e eram inimigos, procuravam ganhar tempo para se prepararem para a guerra, enquanto estabeleciam uma fronteira entre nazismo e comunismo no território polonês. a a) Como valores característicos da ideologia nazista presentes no texto, podemos citar as idéias da superioridade racial dos arianos, a xenofobia (ódio ao estrangeiro) e a valorização da brutalidade e da impiedade (concebida como “dureza”). b)A entrada do Brasil na guerra resultou do afundamento de navios brasileiros no Atlântico, ao mesmo tempo em que os EUA acenavam com uma aliança economicamente vantajosa, o que levou o governo Vargas a apoiar os Aliados, em troca de apoio à industrialização brasileira. a) F; b) V; c) V; d) F; e) F; f) F; g) V a 9. b 10. b

2. As metas do governo JK eram basicamente industriais: indústria de base, automobilística, construção naval e civil, de energia, de alimentação. A construção de Brasília sintetizava esses objetivos. A educação também estava presente entre as metas. 3. a) Antes: 1930 – Revolução; 1937 – Estado Novo; 1945 – Deposição de Vargas. Depois: 1961 – Limitação da autonomia de Jango; 1964 – Golpe. b)Democracia, liberalismo, anticomunismo ou de segurança nacional. 4. c 5. a 6. c 7. b 8. e 9. c 10. a) As notícias se referem aos antecedentes do golpe militar de 1964. b)O primeiro texto expressa a visão golpista, versão brasileira do anticomunismo, que se insurgia contra a política do presidente João Goulart. O segundo texto caracteriza a visão do PCB, que alertava para o risco de retrocesso político nas conquistas sociais do governo João Goulart. 11. c CAPÍTULO 10 E XPERIÊNCIAS A MÉRICA LATINA

7. b 8. Podemos citar: o fechamento do Congresso Nacional e a atribuição legislativa ao presidente da República, a suspensão de direitos e garantias individuais, censura prévia à imprensa, extensão do controle do Executivo sobre as funções do Judiciário. Todas estas medidas visavam destruir a liberdade de opinião inerente ao regime democrático. 9. a) Entre as críticas, podemos citar: a ausência de caráter amplo, geral e irrestrito, as dificuldades na reintegração dos servidores anistiados e o favorecimento aos agentes da repressão política, beneficiados da mesma forma que os grupos de esquerda. b)Podemos citar: o poder de cassar mandatos parlamentares, privar cidadãos de direitos políticos, decretar o recesso do Congresso Nacional. 10. a 11. a 12. e 13. b 14. d CAPÍTULO 12 1. e 6. b 2. d 7. a OS
LIMITES DO SOCIALISMO REAL

CAPÍTULO 14

CONFLITOS

INTERNACIONAIS

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3. d 8. b

4. c

5. a

CAPÍTULO 13 BRASIL:
AOS DIAS ATUAIS

DA REDEMOCRATIZAÇÃO

1. a 2. A. a B. c 3. c 4. a 5. c 6. c, d 7. b 8. c 9. d 10. d 11. a) Comissão Parlamentar de Inquérito. b)As CPIs têm o papel de permitir ao Legislativo investigar os atos do poder Executivo, no caso de suspeitas justificadas de crimes cometidos no âmbito deste poder. 12. d

1. a 2. d 3. a 4. d 5. d 6. c 7. b 8. a 9. a) O pan-americanismo corresponde à idéia de unificação política dos países da América Latina, ou, pelo menos, a uma atuação conjunta no plano da política externa como forma de fortalecer as nações latino-americanas. b)A Venezuela é um dos principais produtores mundiais de petróleo e se opõe às tentativas dos EUA de controlar o mercado deste produto. Ao mesmo tempo, Chávez alinha-se a Cuba e defende o panamericanismo. 10. d 11. a) O monopólio da terra inviabilizou os pequenos proprietários por meio da invasão de terras de pequenos camponeses e pelo controle político e da justiça por parte das elites proprietárias de terras. b)Porque são produtos que alcançam valor muitíssimo maior do que os produtos agrícolas tradicionais, especialmente os voltados para a alimentação. c) Bolívia e Peru. 12. a CAPÍTULO 15 1. d 6. a 11. c 2. d 7. e 12. d A
GLOBALIZAÇÃO E O FUTURO DA

ECONOMIA MUNDIAL

3. c 8. d 13. e

4. d 9. a

5. a 10. b

PARTE II — O VOLUME 3

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Parte III — Sugestões bibliográficas
1. Bibliografia para o professor Metodologia e ensino de História
BENJAMIN,Walter. Sobre o conceito de história. In: Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. São Paulo, Contexto, 1997. BITTENCOURT, Circe (org.). O saber histórico na sala de aula. São Paulo, Cortez, 1991. BLOCH, Marc. Apologia da história: ou o ofício do historiador. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2001. BURKE, Peter. A escola dos Annales 1929-1989: a revolução francesa da historiografia. São Paulo, Unesp, 1990. Centro de Estudos Educação e Sociedade. A prática do ensino de História. 4. ed. São Paulo, Papirus, 1994. (Caderno Cedes, v. 10.) CHIQUETTO, M. Breve História da medida do tempo. São Paulo, Scipione, 1996. CISALPINO, Murilo. O tempo é feito de muitos tempos. Belo Horizonte, Formato, 1995. DIAS, Genebaldo F. Educação ambiental, princípios e práticas. São Paulo, Gaia, 1992. DOSSE, François. A história à prova do tempo: da história em migalhas ao resgate do sentido. São Paulo, Unesp, 2001. EISENSTEIN, Sergei. A forma do filme. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 1990. FERRO, Marc. Cinema e história. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1992. FONSECA, Selva Guimarães. Didática e prática de ensino de História. São Paulo, Papirus, 2003. GRUN, Mauro. Ética e educação ambiental: a conexão necessária. 4. ed. Campinas, Papirus, 1996. HOBSBAWM, Eric. Sobre História. São Paulo, Companhia das Letras, 1997. KOSSOY, Boris. A fotografia como fonte histórica: introdução à pesquisa e interpretação das imagens do passado. São Paulo, 1980. (Coleção Museu e técnicas.) LE GOFF, Jacques. História e memória. Lisboa, Edições 70, 1982. 2 v. . Reflexões sobre a História. Portugal, Edições 70, 1982. MEIHY, José Carlos Sebe Bom. Manual de história oral. São Paulo, Loyola, 1998. NADAI, Elza e BITENCOURT, Circe. Repensando a noção de tempo histórico no ensino. In: PINSKY, Jaime (org.). O ensino de História e a criação do fato. São Paulo, Contexto, 1997. NAPOLITANO, Marcos. Como usar o cinema na sala de aula. São Paulo, Contexto, 2003. (Coleção Como usar na sala de aula.) OLIVEIRA, Juarez de (org.). Estatuto da criança e do adolescente. São Paulo, Saraiva, 1996. Parâmetros Curriculares Nacionais. História e Geografia Ensino Médio. Brasília. MEC/SEF, 1999. Parâmetros Curriculares Nacionais. Ensino Médio: Bases Legais. Brasília. MEC/SEF, 1999. PINSKY, Jaime (org.). O ensino de História e a criação do fato. São Paulo, Contexto, 1988. e ELUF, Luiza. Brasileiro(a) é assim mesmo: cidadania e preconceito. São Paulo, Contexto, 1993. PISA 2000: relatório nacional. Brasília, Inep, 2001. TERZI, Cleide do Amaral. Temas transversais: um grande desafio. São Paulo, Atual, 2000. TURAZZI, Maria Inez e GABRIEL, Carmem Tereza. Tempo e História. São Paulo, Moderna, 2000. (Coleção Desafios.) VIEIRA, Maria do P. de Araújo (org.). A pesquisa em História. 3. ed. São Paulo, Ática, 1995.
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Temas do volume 1
ALFOLDY, Géza. História social de Roma. Lisboa, Presença, 1989. ANDERSON, Perry. Passagens da Antigüidade ao feudalismo. 3. ed. São Paulo, Brasiliense, 1991. ARIÈS, Philippe e DUBY, Georges (org.). História da vida privada: do Império Romano ao ano mil. São Paulo, Companhia das Letras, 1989. . História da vida privada: da Europa feudal à Renascença. São Paulo, Companhia das Letras, 1991. ARISTÓTELES. Poética. In: Aristóteles. São Paulo, Nova Cultural, 1996.
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BAKOS, Margaret M. Fatos e mitos do antigo Egito. Porto Alegre, EDIPUCRS, 2001. BLOCH, Marc. A sociedade feudal. Lisboa, Edições 70, 1979. BOORSTIN, Daniel J. Os descobridores: de como o homem procurou conhecer-se a si mesmo e ao mundo. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1989. BOUZON, Emanuel. Ensaios babilônicos: sociedade, economia e cultura na Babilônia pré-cristã. Porto Alegre, EDIPUCRS, 1998. . O Código Hamurábi. Petrópolis,Vozes, 1987. CLARK, T. Rundle. Símbolos e mitos do antigo Egito. São Paulo, Hemus, s/d. CORASSIN, Maria Luiza. A reforma agrária na Roma antiga. São Paulo, Brasiliense, 1988. (Coleção Tudo é história.)
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GARIN, Eugênio (dir.). O homem renascentista. Lisboa, Presença, 1991. GARSIN, Jean-Claude. História geral da África. São Paulo, Ática/Unesco, 1988. GIBBON, Edward. Declínio e queda do Império Romano. São Paulo, Companhia das Letras/Círculo do Livro, 1989. GUARINELLO, Norberto Luiz. Os primeiros habitantes do Brasil. São Paulo, Atual, 1994. HADDAD, Jamil Almansur. O que é islamismo? São Paulo, Brasiliense, 1981. (Coleção Primeiros passos.) HARDEN, Donald Benjamin. Fenícios. Lisboa, Verbo, 1968. HOOKER, J.T. et al. Lendo o passado: do cuneiforme ao alfabeto: a história da escrita antiga. São Paulo, Edusp/Melhoramentos, 1996. HOURANI, Albert H. Uma história dos povos árabes. São Paulo, Companhia das Letras, 1994. JEFFERS, James S. Conflito em Roma: ordem social e hierarquia no cristianismo primitivo. 2. ed. São Paulo, Loyola, 1995. JOSEFO, Flávio. História dos hebreus: obra completa. 4. ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2000. LEAKEY, Richard Erskine. A origem da espécie humana. Rio de Janeiro, Rocco, 1995. LE GOFF, Jacques. A civilização do ocidente medieval. Lisboa, Estampa, 1995. . A cultura popular na Idade Média e no Renascimento. São Paulo, Hucitec/UnB, 1987. . Mercadores e banqueiros da Idade Média. Lisboa, Estampa, 1995. LEMERLE, Paul. História de Bizâncio. São Paulo, Martins Fontes, 1991. (Série Universidade hoje.) LEWIS, Bernard T. O Oriente Médio: do advento do cristianismo aos dias de hoje. Rio de Janeiro, Zahar, 1996. LOYN, Henry R. Dicionário de Idade Média. Rio de Janeiro, Zahar, 1997. MARTIN, Gabriela. Pré-história do Nordeste brasileiro. Recife, Editora Universitária da UFPE, 1996. MATTOSO, José. História de Portugal. Lisboa, Estampa, 1993. MEGGERS, Betty Jane. América pré-histórica. 2. ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1985. MICELI, Paulo. O ponto onde estamos: viagens e viajantes na história da expansão e da conquista. São Paulo, Scritta, 1994.

DELUMEAU, Jean. Nascimento e afirmação da Reforma. São Paulo, Pioneira, 1989. DEMANT, Peter. O mundo muçulmano. São Paulo, Contexto, 2004. DETIENNE, Marcel e SISSA, Giulia. Os deuses gregos. São Paulo, Companhia das Letras, 1990. DUBY, Georges. Ano 1000, ano 2000: na pista de nossos medos. São Paulo, Unesp/Imprensa Oficial do Estado, 1999. . A Europa na Idade Média. São Paulo, Martins Fontes, 1988 ELIADE, Mircea. O conhecimento sagrado de todas as eras. São Paulo, Mercuryo, 1995. ESPINOSA, Fernanda. Antologia de textos históricos medievais. Lisboa, Sá de Costa, 1981. FONSECA, Luís Adão da. De Vasco a Cabral. Bauru, Edusc, 2003. FRANCO JR., Hilário e ANDRADE FILHO, Ruy de Oliveira. O Império Bizantino. 3. ed. São Paulo, Brasiliense, 1989. FUNARI, Pedro Paulo Abreu. Antiguidade clássica: a história e cultura a partir dos documentos. Campinas, Unicamp, 1995. . Arqueologia. São Paulo, Contexto, 2003. e NOELLI, Francisco Silva. Pré-historia do Brasil. São Paulo, Contexto, 2002. (Coleção Repensando a história.) GALVANI, Walter. Nau Capitânia: Pedro Álvares Cabral, como e com quem começamos. Rio de Janeiro, Record, 1999.
PARTE III — SUGESTÕES BIBLIOGRÁFICAS

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CASTRO, Silvio. A Carta de PeroVaz de Caminha: o descobrimento do Brasil. Porto Alegre, L&PM, 2000. CONSELHO Indigenista Missionário. História dos povos indígenas: 500 anos de luta no Brasil. Petrópolis, Vozes, 1984. CORWIN, Edward S. A Constituição norte-americana e seu significado atual. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 1986. DARNTON, Robert. Boemia literária e revolução: o submundo das letras no Antigo Regime. São Paulo, Companhia das Letras, 1989. DE DECCA, Edgar. O nascimento das fábricas. São Paulo, Brasiliense, 1995. DIAS, Jill. A presença holandesa no Brasil. Rio de Janeiro, Alumbramento, 1990. DIAS, Maria Odila Leite. Quotidiano e poder em São Paulo no século XIX. São Paulo, Brasiliense, 1994. ENGELS, Friedrich. A situação da classe trabalhadora na Inglaterra. Lisboa, Presença, 1975. FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo, Edusp, 1999. FERLINI, Vera Lúcia A. A civilização do açúcar: séculos XVI-XVIII. São Paulo, Brasiliense, 1994. FERRO, Marc. História das colonizações. São Paulo, Companhia das Letras, 2002. FREYRE, Gilberto. Casa grande e senzala. 31. ed. Rio de Janeiro, Record, 1996. GELLNER, Ernest. Nações e nacionalismo. Lisboa, Gradiva, 1993. GOLDSTEIN, Norma Seltzer. Roteiro de leitura: Romanceiro da Inconfidência de Cecília Meireles. São Paulo, Ática, 1998. GORDON, Noah. O último judeu: uma história de terror na Inquisição. São Paulo, Rocco, 2000. GOULD, Stephen Jay. Darwin e os grandes enigmas da vida. São Paulo, Martins Fontes, 1992. GRESPAN, Jorge. Revolução francesa e iluminismo. São Paulo, Contexto, 2003. HARTMANN, Francisco e LEONARDI, Victor. História da indústria e do trabalho no Brasil. São Paulo, Ática, 1991. HILL, Cristopher. A revolução inglesa de 1640. Lisboa, Presença, 1977. HOBSBAWM, Eric J. As origens da Revolução industrial. São Paulo, Global, 1979. . A era das revoluções. São Paulo, Paz e Terra, 1989.
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Temas do volume 2
ALENCASTRO, Luís Felipe de. (org.). História da vida privada no Brasil: Império, a corte e a modernidade nacional. São Paulo, Companhia das Letras, 1998. v. 2. AMADO, Janaína e FIGUEIREDO, Luís Carlos. O Brasil no Império português. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2001. ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Maquiavel: a lógica da força. São Paulo, Moderna, 2001. (Coleção Logos.) ARRUDA, José Jobson de Andrade. A Revolução Inglesa. São Paulo, Brasiliense, 1984. BERTOLLI FILHO, Cláudio. História da saúde pública no Brasil. 4. ed. São Paulo, Ática, 2003. BETHELL, Leslie. (org.). História da América Latina colonial. São Paulo/Brasília, Edusp/Fundação Alexandre de Gusmão, 1997/1999/2001. 3v. . História da América Latina: da independência a 1870. São Paulo, Edusp, 2001. BOFF, Leonardo. O casamento entre o céu e a terra: contos dos povos indígenas do Brasil. Rio de Janeiro, Salamandra, 2001. BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. São Paulo, Cultrix, 2001. BOSI, Ecléa. Memória e sociedade: lembranças de velhos. São Paulo, Companhia das Letras, 1995. BUENO, Eduardo. Capitães do Brasil: a saga dos primeiros colonizadores. Rio de Janeiro, Objetiva, c 1999. (Coleção Terra Brasilis, v. 3.) . Brasil: uma história. São Paulo, Ática, 2002. CALDEIRA, Jorge. Viagem pela história do Brasil. São Paulo, Companhia das Letras, 1999. CARMO, Paulo Sérgio do. A ideologia do trabalho. São Paulo, Moderna, 1993.

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HOLANDA, Sérgio Buarque de. Caminhos e fronteiras. São Paulo, Companhia das Letras, 2001. . Sérgio Buarque de. História geral da civilização brasileira. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2003. . Visão do paraíso. São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1977. IGLESIAS, Francisco. Trajetória política do Brasil: 15001964. São Paulo, Companhia das Letras, 1993. . A Revolução Industrial. 5. ed. São Paulo, Brasiliense, 1984. JECUPÉ, Kaka Werá. A terra dos mil povos: história indígena brasileira contada por um índio. São Paulo, Petrópolis, 1998. KOYRÉ, Alexandre. Do mundo fechado ao universo infinito. Lisboa, Gradiva, s/d. LAS CASAS, Frei Bartolomé. O paraíso destruído: a sangrenta história da conquista da América espanhola. 5. ed. Porto Alegre, L&PM, 1991. LIMA, Oliveira. O Império brasileiro (1822-1889). Brasília, Editora da UnB, 1986. LINHARES, Maria Ieda e SILVA, Francisco. Terra Prometida: uma história da questão agrária no Brasil. Rio de Janeiro, Campus, 1999. MARTINS, Ana Luiza. O trabalho nas fazendas de café. São Paulo, Atual, 1994. MARX, Karl. O capital. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1998. v. 1. MONTALENTI, Giuseppe. Charles Darwin. Lisboa, Edições 70, 1982. MONTEIRO, John. Negros da terra: índios e bandeirantes nas origens de São Paulo. São Paulo, Companhia das Letras, 1995. NOVINSKI, Anita. Cristãos-novos na Bahia: a Inquisição no Brasil. São Paulo, Perspectiva, 1992. PAIVA, Eduardo F. Escravos e libertos nas Minas Gerais do século XVIII. São Paulo, Annablume, 2000. PERROT, Michel. Os excluídos da história: operários, mulheres e prisioneiros. São Paulo, Paz e Terra, 1992. QUEIROZ, Renato da Silva. Não vi e não gostei: o fenômeno do preconceito. São Paulo, Moderna, 2003. (Coleção Qual é o grilo?) REIS, João José. Rebelião escrava no Brasil: a história do levante dos malês. São Paulo, Brasiliense, 1987. REIS FILHO, Nestor G. Imagens de vilas e cidades do Brasil colonial. São Paulo, Edusp/Imprensa Oficial, 2000.
PARTE III — SUGESTÕES BIBLIOGRÁFICAS

RIBEIRO, Renato Janine. A marca do Leviatã: linguagem e poder em Hobbes. São Paulo, Ateliê, 2003. RICARDO, Carlos Alberto (ed.). Povos indígenas no Brasil, 1996-2000. São Paulo, Instituto Socioambiental, 2000. RODRIGUES, José Honório. Independência. Rio de Janeiro, Bibliex, 2002. SAID, Edward. Cultura e imperialismo. São Paulo, Companhia das Letras, 1999. SILVA, Aracy Lopes da e GRUPIONI, Luís Donisete Benzi (org.). A questão indígena na sala de aula: o o subsídios para professores de 1 e 2 graus. Brasília, MEC/MARI/Unesco, 1995. SINGER, Paul. Aprender economia. São Paulo, Brasiliense, 1986. SOBOUL, Albert. A Revolução Francesa. São Paulo, Difel, 1979. SOUZA, Laura de Mello e (org.). História da vida privada no Brasil: cotidiano e vida privada na América portuguesa. São Paulo, Companhia das Letras, 1998. v.1. TOCQUEVILLE, Aléxis de. O Antigo Regime e a revolução. Lisboa, Fragmentos, 1989. TODOROV, Tzvetan. A conquista da América: a questão do outro. 2. ed. São Paulo, Martins Fontes, 1999. VAINFAS, Ronaldo (org.). América em tempo de conquista. Rio de Janeiro, Editora da UFRJ, 2000. VALLIM, Ana. Migrações: da perda da terra à exclusão social. São Paulo, Atual, 1996.

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Temas do volume 3
ANDRADE, Mário. De Paulicéia desvairada a Café: poesias completas. São Paulo, Círculo do Livro, 1982. ARQUIDIOCESE de São Paulo. Brasil, nunca mais. Petrópolis,Vozes, 1986. ARON, Raymond. República imperial: os Estados Unidos no mundo do pós-guerra. Rio de Janeiro, Zahar, 1975. BERTOLLI FILHO, Cláudio. História da saúde pública no Brasil. 4. ed. São Paulo, Ática, 2003. BLANCO, Abelardo e DÓRIA, Carlos A. Revolução Cubana: de José Martí a Fidel Castro (1868-1959). São Paulo, Brasiliense, 1983. BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. São Paulo, Cultrix, 2001. BOSI, Ecléa. Memória e sociedade: lembranças de velhos. São Paulo, Companhia das Letras, 1995.

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. A ditadura escancarada. São Paulo, Companhia das Letras, 2002. . A ditadura derrotada. São Paulo, Companhia das Letras, 2002. GELLNER, Ernest. Nações e nacionalismo. Lisboa, Gradiva, 1993. HARTMANN, Francisco e LEONARDI, Victor. História da indústria e do trabalho no Brasil. São Paulo, Ática, 1991. HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos: o breve século XX (1914-1991). São Paulo, Companhia das Letras, 1995. . Tempos interessantes: uma história no século XX. São Paulo, Companhia das Letras, 2002. HOLANDA, Sérgio Buarque de. Visão do paraíso. São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1977. IANNI, Octavio. A formação do Estado populista na América Latina. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1991. IGLESIAS, Francisco. Trajetória política do Brasil: 15001964. São Paulo, Companhia das Letras, 1993. LEAL, Victor Nunes. Coronelismo, enxada e voto: o município e o regime representativo no Brasil. São Paulo, Alfa-Ômega, 1993.

2. Sugestões de leitura para o aluno Temas do volume 1
ACKER, Maria Teresa Van. Renascimento e humanismo: o homem e o mundo europeu do século XIV ao século XVI. São Paulo, Atual, 1992.
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PARTE III — SUGESTÕES BIBLIOGRÁFICAS

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Temas do volume 3
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