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O Exame Físico

Autores:
Lucas Macêdo
Reinaldo Borges
Raísa Dourado
Matheus da Paz
Marina Cabral

Impressão Geral:
- O paciente está acordado, lúcido, ativo, sonolento, torporoso, em coma ou alcoolizado
- Estado de Nutrição (Obesidade, subnutrição)
- Posição do paciente (posição antálgica, cócoras, utilização de músculos acessórios da
respiração)
- Fácies: Atípica ou Típica (Lua cheia, sofrimento, mixidematosa, ictérica, pálida, cianótica,
acromegálica, exoftálmica, pletórica)
- Idade referida compatível com idade aparente
*Analisar expressões de ansiedade, sofrimento, caretas, sudorese excessiva;
*Olhar fixo é característico de hipertireoidismo;
*Cabeça imóvel é característica de Parkinsonismo
- Biotipo: Brevelíneo, Longelíneo ou Normolíneo (Ângulo de Sharp)
- Estado de Higiene (Bem aprumado, Em trapos, Sujo ou limpo, Odor fétido, hálitos típicos)
- Estado de humor
- Comunicabilidade
- Orientação no tempo e espaço
- Vestuário (Pode refletir intolerância ao frio do hipertireoidismo, ou tentativa de esconder
lesões ou marcas de agulhas, ou estilo de vida)

Impressão Geral “Normal”:

Paciente lúcido, vigil, atento, bem disposto, bem humorado, orientado no tempo e espaço,
biótipo normolíneo, idade aparente compatível com idade referida, fácies atípica, bem
higienizado, bem aprumado, bom estado nutricional aparente.

Exame Geral:

I)Sinais vitais
a) Pulso Radial (PR)
Avaliar: Freqüência (Normalidade – 60 a 100 bpm; Taquicardia ou Bradicardia)
Ritmicidade (Normal ou Arritmia)
Intensidade (Fino +; Cheio ++; Hipercinético +++)
Anotar em qual braço foi medido o pulso

OBS: Se o pulso estiver arrítmico, devemos observar se está irregular ou regularmente


irregular (sinal de fibrilação atrial)
OBS: Se o pulso estiver filiforme, pensar em hipotensão arterial, com possível estado de pré-
choque

b) Pressão Arterial (PA)


Valor desejável: 120/80 mmHg
*Avaliar em ambos os braços e anotar as duas medidas, ou a maior.
Hipertensão: Pressão sistólica > 139,9mmHg ou Pressão diastólica > 90mmHg
Fatores de Risco para Hipertensão:
- Idosos
-Mulheres Negras
-Nível sócio-econômico baixo
-Populações com alta ingestão de sal
-Sobrepeso e Obesidade
-Consumo elevado de bebidas alcoólicas, como cerveja, vinho e destilados
-Sedentarismo
-Predisposição genética
-Fatores ambientais
-Hiperglicemia
-Dislipidemia

c) Frequência respiratória (FR)


*Avaliar enquanto afere o pulso do paciente, observando movimentações de pescoço e tórax;
Se não conseguir, devido a vestuários, por exemplo, a frequência respiratória pode ser
avaliada durante o exame de cabeça e pescoço, colocando-se o estetoscópio na incisura
jugular (fúrcula esternal) e auscultando a traquéia, ou então durante o exame físico de tórax.
Valores (12 a 20 ir/min – normalidade; Taquipnéia ou Bradipnéia)

d) Temperatura
Escrever em qual local do corpo a temperatura foi medida. Enxugar as axilas do paciente antes
do procedimento.
Valores de normalidade: Axilar = 36:C – 37,4:C
Retal=37:C – 38,4:C
Bucal = 36,5:C – 37,9:C
Timpânica

2) Dados antropométricos
a) Circunferência abdominal
*Usar fita métrica e medir na altura do ponto médio entre o rebordo costal e a crista ilíaca.
Valores Normais: H  até 102 cm Valores desejáveis: H  até 90 cm
M  até 88 cm M  até 80 cm

b) Medida do quadril
*Usar fita métrica e medir na altura do trocanter maior do fêmur
Valores normais:
c) IMC
*Calcular antes Peso e Altura
*Cálculo do IMC: IMC=P/h²
Abaixo de 18,5 magreza/desnutrição
Valor Normal (Eutrofismo) = entre 18,5 e 24,9 Kg/m²
Entre 25 e 29,9 = sobrepeso
Entre 30 e 34,9= obesidade grau 1
Entre 35 e 39,9= obesidade grau 2
Acima de 40= obesidade de grau 3 (antigamente chamado de obesidade mórbida)

Pele e Fâneros:

1)Pele

a)Coloração (Normocrômica, palidez, icterícia ou carotenemia, rubor, cianose, escurecimento)


OBS: é importante negar icterícia em pacientes normocrômicos

Palidez  Classificação em cruzes (de 1+ a 4+)


Pode estar relacionada a dor forte, medo, susto, fome, jejum prolongado, vômitos
Localizada (Má perfusão) ou Generalizada
Rubor  Classificação em cruzes (de 1+ a 4+)
Pode estar relacionado a vergonha ou exposição ao sol
Localizado (Inflamação ou trauma) ou Generalizado

Icterícia  Classificação em cruzes (de 1+ a 4+)


Observar mucosa dos olhos, esclerótica e frênulo da língua
Obs.: Canto do olho fisiologicamente amarelado – negros, principalmente
Carotenemia  Mucosas não ficam amareladas
Observar palma das mãos e planta dos pés
Cianose  Ocorre em extremidades de dedos, unhas, mucosa labial
Localizada ou Generalizada
Pode estar relacionada a frio ou doenças cardiorrespiratórias

b)Umidade
Excesso de umidade (Hiperidrose ou ansiedade)
Ressecamento (envelhecimento, hipotireoidismo)  a pele fica áspera e rugosa
Oleosidade (Acne)
Técnica do exame: passar a palma das mãos em braços e rosto do paciente, ou em alguma
outra região visivelmente afetada ou referida pelo paciente com queixa ou sintoma no
interrogatório.
c)Integridade
Presença ou ausência de lesões (Primárias ou Secundárias)
Caracterizar lesões (formato, maior e menor diâmetro, coloração, presença de dor, alteração
na temperatura ou na sensibilidade, textura, aspecto)

Lesões primárias:
Mácula 
Mancha 
Pápula 
Placa 
Nódulo 
Tumor 
Vergão 
Vesícula 
Bolha 
Pústula 

Lesões secundárias:
Erosão 
Úlcera 
Fissura 
Crosta 
Escama 

d)Textura
Lisa ou Rugosa

e)Elasticidade
Técnica do exame: pegar com as pontas dos dedos indicador e polegar no dorso da mão do
paciente (pegar apenas pele, sem tecido subcutâneo)
Avaliar se há aumento ou diminuição na elasticidade da pele

f)Turgor
Técnica do exame: pegar com as pontas dos dedos indicador e polegar no dorso do antebraço
do paciente (pegar pele e tecido subcutâneo)
Avaliar se há diminuição do turgor ou se ele está normal (suculento)

g)Mobilidade
Técnica do exame: Movimentos circulares com palmas das mãos em região a ser avaliada
Em regiões com cicatrizes ou edemas a mobilidade da pele pode estar diminuída
h)Temperatura
Técnica do exame: utilizar dorso da mão
*Importante comparar regiões com temperatura alterada a regiões simétricas
Aumento de temperatura localizado (inflamação, celulite, por ex.) ou generalizado (febre,
hipertireoidismo, por ex.)
Diminuição de temperatura localizada (má perfusão, com cianose, por ex.) ou generalizada
(hipotireoidismo, por ex.)

i)Edema
Ausência ou Presença de edemas (localizar e caracterizar)
Verificar se há simetria, em caso de membros
Avaliar sinal do cacifo (1+, 2+, 3+ ou 4+) ou ausência dele (edema elástico)
Sinal do Cacifo: Quando comprimido, o edema tende a formar uma pequena fossa;
normalmente edemas são inelásticos. *Sinal do cacifo 4+ é ocorre em casos de anasarca
(edema generalizado)

2)Pêlos
-Distribuição e quantidade de pêlos (normal e uniforme; áreas de alopécia; hirsutismo)
*Na desnutrição é comum perda de pêlos
*Há variações de sexo, idade, raça
-Implantação dos cabelos (síndromes genéticas podem alterar padrão normal)
-Coloração dos pêlos (ruivos em desnutrição)
-Textura (quebradiços ou não)
-Umidade (ressecado ou oleoso)

OBS: Hirsutismo é o aparecimento de pêlos nas mulheres em locais que são típicos de
crescimento pilífero em homens, como face, abdome, peito, costas, etc.

3)Unhas
- Coloração (Transparente/rosada – normalidade; Cianótica; Esbranquiçada; Amareladas –
fumantes)
- Textura (quebradiças ou não)
*Textura normal: unhas lisas e rígidas
*Unhas quebradiças podem sinalizar um hipotireoidismo
- Formato (analisar ângulo ungueal  unha de vidro de relógio – α > 180:; retificação do
ângulo ungueal – α = 180:)
*Baqueteamento digital pode ter origem genética, mas também pode indicar hipóxia crônica,
C.A de pulmão ou outros distúrbios respiratórios
- Espessura (pode estar alterada em estados carenciais, p ex. desnutrição)
OBS: A unha pode estar alterada devido à profissão ou ocupação do paciente
Exame Físico “normal” de Pele e Fâneros:

Pele: Coloração normal, anictérica. Hidratação, textura e elasticidade normais. Turgor


preservado, temperatura normal e mobilidade normal. Ausência de lesões primárias ou
secundárias, ausência de regiões dolorosas ou com hipossensibilidade. Ausência de áreas de
descamação da pele, ausência de manchas, nódulos ou edemas.
Cabelos: Coloração normal dos cabelos, bem como implantação e distribuição no couro
cabeludo. Sem alterações na quantidade e distribuição de pêlos no corpo, de acordo com o
sexo.
Unhas: Unhas sem alterações de coloração e formato, não quebradiças e com ângulo ungueal
normal.

Cabeça e Pescoço

CABEÇA
1) Crânio: palpação presença ou ausência de deformações, formato normal, regiões
dolorosas, protuberâncias,tamanho, simetria
2) Couro cabeludo: inspeção  presença de lesões, descamação ou protuberâncias
3) Face: Presença de contornos, assimetrias, edemas e deformidades ou movimentos
involuntários.

Exame Físico “normal” de Cabeça:

Formato do crânio normal, simétrico; crânio indolor à palpação, ausência de lesões ou


descamações em couro cabeludo. Contornos normais em face e ausência de edemas ou
deformidades faciais.

OLHOS
Coloração (ictérica, hipocrômica, normocrômica ou hipercrômica, azulada indicativo de
osteogênese imperfecta), lacrimejamento, secreção, lesões, alinhamento dos olhos
(hipertelorismo e hipotelorismo) e movimentação do globo ocular; observar pálpebras (ptose,
edemas). Observar quantidade de cílios e de pêlos em sobrancelha.
Técnica do exame: peça para pessoa olhar para cima e depois para os lados; observe.

Exame Físico “normal” de Olhos:

Mucosa normocorada, anictérica, hidratação normal, ausência de secreções ou


lacrimejamento. Cílios presentes em quantidades normais, bem como pêlos de sobrancelha.
Ausência de lesões ou de corpo estranho, ausência de edemas palpebrais. Posicionamento
normal dos olhos, bem como movimentação normal do globo ocular.

NARIZ
Deformação, assimetria, formato, presença ou ausência de lesões, secreção, pilificação, dor à
palpação, TESTE DE OBSTRUÇÃO.
Técnica do exame: levante o nariz do paciente ou peça que ele mesmo levante. Observe.
Exame Físico “normal” de NARIZ:

Ausência de deformidades ou assimetrias, indolor à palpação, mucosa normocorada,


quantidade e distribuição normal de vibriças, ausência de lesões, secreção ou obstrução nasal.

SEIOS PARANASAIS
Palpação seio paranasais e seios frontais.
Fazer compressão e questionar a presença de dor

Exame Físico “normal” de SEIOS PARANASAIS:


Ausência de dor à palpação de seios frontais e maxilares.

ORELHA Inspeção  integridade, formato do pavilhão auricular e do conduto auditivo, altura


da implantação, presença de secreção ou lesão, presença de corpos estranhos.
Palpação trago (otite externa) e processo mastóide (otite média); puxa para trás e para cima
(otite externa)

Exame Físico “normal” de ORELHA:

Ausência de deformidades no pavilhão auricular, bem como no conduto auditivo. Ausência de


dor à palpação e movimentação do pavilhão auricular, ausência de dor à compressão do trago
e do processo mastóide. Ausência de secreções e lesões, bem como de corpos estranhos.

BOCA
TÉCNICA DO EXAME: inspecionar de fora para dentro
Lábios íntegros, sem lesões, coloração normal, hidratação normal
Gengiva: coloração, integridade, hidratação
Mucosa oral: coloração, integridade, hidratação
Dentes: estado de conservação, presença de todas as unidades dentárias, presença de
próteses, estado de higiene
Bochecha: Observar coloração e lesões em mucosa jugal
Palato Duro e Palato Mole: observar coloração e descrever possíveis lesões
Faringe: observar as tonsilas e pregas (tamanho, coloração, presença de secreção) e úvula
(posicionamento)
Língua: integridade, hidratação, tamanho da língua (Síndrome de Down cursa com língua
aumentada)

OBS: é importante observar a mucosa sublingual/assoalho da boca (pedir ao paciente para


levantar a língua), principalmente quanto à coloração, na pesquisa de icterícia
Exame Físico “normal” de BOCA:

Lábios, gengivas e mucosa oral com coloração e hidratação normais, sem lesões, sem
descamações. Unidades dentárias presentes, sem cavidades, sem próteses dentárias, bem
higienizadas. Língua íntegra, sem lesões, normocora. Assoalho da boca anictérico, sem lesões.
Ausência de lesões em palato duro e palato mole. Amígdalas íntegras e normocoradas, bem
como pilares anteriores, posteriores e mucosa jugal. Ausência de pontos purulentos. Úvula
centralizada. Boca sem lesões, em bom estado de higiene e conservação.

PESCOÇO
Traquéia : Posicionamento, mobilidade, dor à mobilização, deformidades
Ausculta da traquéia
Tireóide: tireóide tópica, tamanho normal, superfície lisa, consistência fibroelástica, indolor à
palpação, simétrica ou não

Consistências: -Fibrosa ou pétrea -Elástica


-Fibroelástica -Flutuante
Posição anatômica: “sentada” na cartilagem cricóide da laringe.

Técnica do Exame: Posicione-se atrás do seu paciente, que está sentado, peça para ele erguer
suavemente a cabeça e tente localizar a cartilagem cricóidea da laringe, logo abaixo da
cartilagem tireóidea da laringe (pomo de Adão). Se não conseguir palpar, peça para seu
paciente deglutir, pois esta ação facilita a palpação da cartilagem cricóide, uma vez que a
laringe move-se para cima e para baixo, evidenciando a proeminência da cartilagem tireóidea.
Após encontrar o sítio da glândula tireóide, peça ao paciente para flexionar ligeiramente a
cabeça anteriormente e em seguida peça para ele deglutir. Tente sentir a tireóide e a descreva.
Depois, ausculte a tireóide para pesquisar possíveis sopros, que são patológicos.

OBS: É importante no exame físico do pescoço realizar a ausculta dos pulsos carotídeos,
pesquisando sopros e frêmitos.

LINFONODOS OU GÂNGLIOS LINFÁTICOS: Avaliação da sensibilidade, mobilidade (imóvel


significa que eles estão aderidos a tecidos profundos, sugere adenocarcinoma), localização,
tamanho, consistência, quantidade, alterações locais de pele.
Regiões pré e pós auriculares, occiptais, cervicais superficiais (anteriores) e cervicais
posteriores, amigdalianos, submaxilares, submentonianos, supraclaviculares (caso estejam
infartados pode ser indicativo de câncer de estômago)

Exame Físico “normal” do PESCOÇO:

Pescoço indolor à palpação, linfonodos cervicais e supraclaviculares impalpáveis. Tireóide


tópica, tamanho normal, superfície lisa, consistência fibroelástica, indolor à papação,
simétrica, ausência de sopros na ausculta. Traquéia indolor à palpação, móvel, ausculta normal
(som traqueal). Ausculta do pulso carotídeo normal bilateralmente, sopro ou frêmitos
ausentes.
APARELHO RESPIRATÓRIO

INSPEÇÃO:
Observar sinais de desconforto respiratório (tiragem supraclavicular e intercostal - paciente
está usando a musculatura acessória - batimentos da asa do nariz, fala entrecortada, boca
entreaberta)
Observar formato (normal, em tonel ou em barril , hipercifose, pectus escavado, tórax em
pombo[provavelmente não tem um significado patológico]). O diâmetro ântero-posterior
normalmente é menor que o diâmetro látero-lateral do tórax
Verifique se a expiração dura mais que o normal (padrão respiratório)
Na mulher predomina respiração torácica e no homem respiração abdominal
Observar simetria, presença de abaulamento, retrações
Gibosidade: acúmulo de gordura na região torácica posterior

OBS: É sempre bom observar se há edemas, cianose ou baqueteamento digital, uma vez que
estes podem ser sinais de manifestações patológicas do aparelho respiratório.

PALPAÇÃO:
Áreas de hiperssensibilidade, pontos dolorosos, expansibilidade, frêmito toracovocal (diminui
de cima para baixo), verificar presença de abaulamento.
O frêmito é tipicamente ,mais acentuado na região interescapular do que nos campos
pulmonares inferiores, e com freqüência é mais proeminente do lado direito do que no
esquerdo.
Técnica do exame: pedir para o paciente cruzar os braços sobre os ombros , posição de múmia.
Técnica para avaliar a expansibilidade torácica: coloque os polegares nos mesmo nível e
paralelo às 10ª costelas faça uma prega, o paciente inspira. Observe a divergência dos
polegares durante a inspiração, sinta a amplitude e a simetria do movimento respiratório.

PERCUSSÃO:
No pulmão direito é necessário percussão anteriormente, devido à presença do lobo médio.
Fazer também percussão supraclavicular
Som normal: som claro pulmonar ou atimpânico
-som hipertimpânico (ar em demasia como pneumotórax)
-maciço (consolidação ex: osso)

AUSCULTA:
Técnica do exame: no pulmão direito, é necessário fazer ausculta na região anteiror devido à
presença do lobo médio.

Som normal: Murmúrio vesicular


Os ruídos respiratórios costumam ser mais intensos na região inferior dos campos posteriores.
Ruídos adventícios:
Estertores ou creptos (finos barulho de cabelo seco roçando; ou grossos som de água em
ebulição)
Sibilos
Roncos
Estridor (ruído expiratório, normalmente)

Caso ausculte ruídos adventícios, determine:


-a intensidade
-a quantidade
-situação temporal no ciclo respiratório
-localização na parede torácica
-persistência de seu padrão entre um ciclo respiratório e outro
-qualquer alteração após tosse ou modificação na posição do paciente.

Exame Físico “normal” do Aparelho Respiratório:

Tórax de conformação normal, com preservação das proporções entre os diâmetros ântero-
posterior e látero-lateral. Ausência de assimetrias, abaulamentos ou retrações. Ausência de
sinais de esforço respiratório (batimentos da asa do nariz, tiragem intercostal, tiragem
supraclavicular, boca entreaberta, fala antrecortada). Ausência de pontos dolorosos à
palpação, expansibilidade preservada em ambos hemitórax, frêmitos tóraco-vocais presentes e
bem distribuídos em porções superior, média e inferior, além de axilar e regiões de ápice
pulmonar. Som atimpânico à percussão, bem distribuído, em ambos os hemitórax. Murmúrio
vesicular presente e bem distribuído em toda extensão pulmonar. Ausência de sibilos, roncos
ou creptações, bem como de outros ruídos adventícios.

Exame Cardíaco

A posição mais adequada para realizar o exame é o decúbito dorsal, sendo que a posição de
decúbito lateral esquerda facilita a identificação do ictus.

1)Inspeção: Vide aparelho respiratório + Observar precórdio (abaulamentos, retrações,


batimentos visíveis) + observar retrações no epigástrio, batimentos visíveis na fúrcula esternal
(incisura jugular) e na base do pescoço, estase ou engurgitamento jugular (observar paciente
em decúbito a 45graus). Classificar precórdio como calmo ou ativo (não necessariamente
significa patologia).

Obs: estase jugular aparece em insuficiência cardíaca congestiva


É importante que ao final do exame cardíaco ou durante a inspeção seja investigada a
presença de edemas nos membros inferiores do paciente. Além disso, diversos pulsos devem
ser tomados bilateralmente, a fim de verificar a circulação periférica (radial, braquial, axilar,
carotídeo, femoral, poplíteo, tibial anterior, tibial posterior e pedioso)
2)Palpação: Analisar tamanho do ictus (normal = 1 a 2 polpas digitais), força de contração
(classificar como impulsivo- quando “impulsionar sua mão”- ou não) , freqüência, descrever
localização do ictus (normalmente localizado na linha hemi-clavicular esquerda no 5º espaço
intercostal)
Analisar o precórdio como um todo (mão espalmada) buscando palpar frêmitos
(normalidade = ausência de frêmitos).
Analisar se há impulsão paraestertnal alta, média ou baixa, posicionando a margem
lateral da mão (fechada) sobre os três terços da linha paraesternal.

3) Ausculta:

Focos de ausculta:
a) Foco Mitral – linha hemiclavicular, 5º espaço intercostal
b) Foco Tricúspide – 5º espaço intercostal, imediatamente à esquerda do esterno
c) Foco Pulmonar – 2º espaço intercostal, à esquerda do esterno.
d) Foco aórtico – 2º espaço intercostal, à direita do esterno
A ausculta cardíaca normalmente é feita com o paciente deitado com a cabeça inclinada em 30
graus. Observar FREQUÊNCIA, RITMO (regular e irregular) e BULHAS 1 e 2.

Bulhas: Analisar fonese (hipo, normo ou hiperfonéticas), presença ou ausência de bulhas


extras, presença ou ausência de sopro (em decúbito lateral esquerdo ouve-se melhor sopro
mitral; em indivíduos sentados, inclinados para frente, ouve-se melhor o sopro aórtico),
desdobramentos ou não de bulhas.

OBS: Sopro de Valva Mitral (estenose) irradia para região axilar; Sopro de Valva Aórtica
(estenose) irradia para dorso. Por isso, ao auscultar um sopro devemos auscultar também
regiões axilar esquerda e dorso, a procura deste sopro, principalmente se o sopro for ouvido
em foco aórtico acessório.

Significado das bulhas:

B1  fechamento da valva mitral


B2  fechamento da valva aórtica
B3  enchimento ventricular
B4  Sístole atrial

Buscar a ausculta do desdobramento fisiológico de B2 quando da inspiração, posicionando o


diafragma do estetoscópio sobre os focos de base (aórtico ou pulmonar) e solicitando que o
paciente inspire e prenda a respiração. Quando o paciente faz isso, o fechamento da válvula
pulmonar, que era quase concomitante com fechamento da válvula aórtica, se “atrasa” e desta
forma podemos perceber dois sons consecutivos de B2: o desdobramento.

OBS: A ausculta deve ser feita simultaneamente à palpação do pulso carotídeo, a fim de
sincronizar o pulso carotídeo (representa B1) com batimentos cardíacos. Desta forma, caso
encontre uma bulha extra, poderá saber qual é: B3 ou B4.
Normalmente:
Bulha 1 = Tu
Bulha 2 = Ta

Entre bulhas 1 e 2 - sístole


Entre bulhas 2 e 1- diástole

Normalmente, a diástole é mais prolongada

Ritmo em 2T ou 3T (2 ou 3 bulhas)

Resultado de uma ausculta normal:


“Ausculta cardíaca com bulhas normofonéticas, rítmicas em 2T às custas de B1 e B2, ausência
de sopros e bulhas extras nos 4 focos. Ausência de desdobramento fisiológico durante a
inspiração.”

Exame Físico “normal” do Aparelho Cardiovascular:

Tórax de conformação normal, com preservação das proporções entre os diâmetros ântero-
posterior e látero-lateral. Ausência de assimetrias, abaulamentos ou retrações. Ausência de
sinais de esforço respiratório. Ausência de estase jugular a 45 graus, precórdio calmo, ausência
de batimentos visíveis no precórdio, ictus visível (ou não); ausência de batimentos visíveis em
base do pescoço ou região epigástrica. Ausência de pontos dolorosos à palpação do tórax,
precórdio, articulações esternocondrais; ictus palpável a 2 polpas digitais em 5º espaço
intercostal esquerdo, na linha hemiclavicular, não impulsivo, ausência de frêmito. Ausência de
impulsão paraesternal. Pulso carotídeo rítmico, 80 bpm, cheio. Ritmo cardíaco regular, em dois
tempos às custas de B1 e B2, bulhas rítmicas e normofonéticas, ausência de bulhas extras,
ausência de sopros ou demais ruídos adventícios.
Exame Físico do Aparelho Gastrointestinal
Primeiramente, devemos saber regionalizar o abdome, para realizarmos a descrição técnica do
exame físico, bem como conhecer o conteúdo interno de cada região.

Conteúdo abdominal:

Hipocôndrio direito  Fígado, Vesícula Biliar, Duodeno, Flexura direita ou hepática do cólon

Epigástrio Esôfago, Estômago, Pâncreas (cabeça), Duodeno, Fígado (lobo esquerdo)

Hipocôndrio esquerdo  Baço, Estômago (fundo e parte do corpo), Pâncreas (cauda), Flexura
esquerda ou esplênica do cólon

Flanco direito  Cólon ascendente

Mesogástrio Cólon transverso, intestino delgado

Flanco esquerdo Cólon descendente

Hipogástrio alças intestinais (íleo terminal), bexiga, reto, útero, ovários e tubas uterinas (na
mulher)

Região inguinal esquerda cólon sigmóide

Região inguinal direita ceco e apêndice vermiforme


Inspeção
Conformação do abdome:

-Globoso (às custas de panículo adiposo, visceromegalias, de ascite, gravidez, tumor,


gases)
-Plano (“normalidade”)
-Escavado (não necessariamente é patológico, normalmente não é)
-Abdome de batráquio  dilatação exagerada dos flancos, dando um aumento do
diâmetro transversal no paciente em decúbito dorsal; visto de cima, aspecto circular
do abdome
-Abdome em forma de avental

Observar simetria: Simétrico ou assimétrico

Observar simetria: Simétrico ou assimétrico

Observar se há anormalidades:
Coloração da pele, presença de lesões ou cicatrizes, estrias, circulação colateral,
presença e distribuição de pêlos.

ATENÇÃO: estrias podem ser vermelhas ou róseas (estrias recentes), púrpuras (sinal de
Cushing) ou brancas (estrias mais velhas).

Descrever a posição da cicatriz umbilical (intrusa, plana, protrusa)

Observar se há sinais de dor ou desconforto abdominal, observar se há peristalse ou


pulsações visíveis

Ausculta
OBS: No exame de gastro, excepcionalmente, fazemos a ausculta antes da percussão e
palpação, pois a realização dos mesmos antecipadamente poderia alterar a ausculta.

Ausculta normal  ruídos hidroaéreos presentes e bem distribuídos (refletem a


peristalse)
Técnica do exame: Coloque o estetoscópio em quatro posições (uma em cada
quadrante) e ausculte por aproximadamente 2 minutos em cada ponto
Na ausculta, podemos perceber:
Abdome silencioso  sinal de peritonite ou obstipação
Peristalse Luta  ruídos peristálticos exacerbados
Sopros  sinalizam estenose da artéria renal, o que indica uma causa secundária de
Hipertensão Arterial Sistêmica

Palpação e Percussão
OBS: Palpação e percussão devem ser feitas simultaneamente. Procure estabelecer
uma sistemática ao realizar o seu exame

Palpação superficial  percepção de alterações cutâneas e subcutâneas; pesquisar


consistência e presença de massas tumorais, e principalmente identificar regiões
sensíveis a dor

Palpação profunda  procurar massas, como sinal de visceromegalia ou tumorações

Se encontrar alguma massa, descrever: tamanho, localização, formato, consistência,


hiperssensibilidade, mobilidade e pulsação

Palpações específicas:

Palpação de fígado – Técnica do exame: pedir para o paciente inspirar e expirar com a
boca entreaberta. Durante a expiração do paciente, aproveitar para aprofundar os
dedos “como uma onda” do umbigo em direção ao hipocôndrio direito na tentativa de
palpar a borda do fígado.
Se conseguir palpá-la, descrever como borda fina, normal ou romba.
Se possível, descrever a consistência do fígado (elástica/fibroelástica, normais, ou
duro, anormal).
Se o fígado estiver impalpável, utilizar a manobra da “mão em garra”, aprofundando a
mão também durante a expiração.

Em casos de hepatomegalia, é possível observar a superfície (lisa, normal ou nodular)


Observar se há dor à palpação do fígado
Sinal de Murphy  dor durante palpação de fígado durante a inspiração do paciente
(indica colecistite aguda)
Sinal de Courvousier  vesícula biliar palpável – patológico
Palpação de baço

Normalmente não é palpável. Decúbito lateral direito facilita palpação, se houver


interesse clínico. Percussão deve ser feita antes para avaliar se espaço de Traub está
livre (vide “percussão do baço”). Mesma técnica de palpação do fígado, porém no
hipocôndrio esquerdo, partindo do umbigo.

Palpação de rim - Não é realizada de rotina

Palpação de fossas ilíacas

Manobra de Rovising – Investigação de apendicite, depois da compressão da fossa


ilíaca do lado esquerdo, o paciente refere dor do lado direito (apêndice)

Pesquisar massas, possíveis herniações. Manobra de Valsalva

Sinal de Blumberg  dor à descompressão súbita do abdome (indica peritonite) –


pesquisar principalmente em fossas ilíacas. Única manobra que não deve ser avisada.

Manobras para pesquisa de ascite

- Piparote: Pedir pro paciente colocar uma das mãos na linha mediana do abdome.
Uma mão do examinador aplica um piparote de um lado e a outra repousa sobre o
outro lado. Se houver ascite, o piparote provoca uma onde percebida pela outra mão.

- Macicez móvel: Em decúbito dorsal é perceptível, em caso de ascite, som timpânico


do centro e maciço em região lateral. Para confirmar, pedir para o paciente virar em
decúbito lateral, esperar um minuto e repetir a percussão. Se for positivo, com o
deslocamento do líquido, o centro terá som maciço e a lateral timpânico.

-Semi-círculo de Skoda: o abdome será percutido no sentido do umbigo para a


periferia. Avaliação do grau de ascite, quanto mais líquido, mais cedo o som varia de
timpânico pra maciço.
Percussão
OBS: Se houver algum ponto com dor referida pelo paciente, deixar a região dolorosa
por último.

Fazer percussão geral em busca de regiões hipersensíveis. Sempre ficar atento para
expressão facial do paciente durante o exame.

Hepatimetria – tamanho normal: 6 a 12 cm abaixo da linha hemiclavicular


4 à 8 abaixo do processo xifóide do esterno
Percussão do baço: espaço de Traub: localizado entre a linha axilar anterior e média
Entre 5º e 6º espaço intercostal esquerdo
Normal: som timpânico (espaço de Traub livre)
Na presença de sólidos e líquidos som maciço

Sistema Urinário
Punho percussão na região lombar alta, média e baixa. Sinal Giordano positivo (dor à
punho percussão)
Sintomas de hipertrofia prostática: poliúria, diminuição do jato urinário

Exame Fisico “normal” do Aparelho Gastrointestinal e Urinário:

Abdome plano e simétrico, ausência de abaulamentos. Coloração normal da pele,


ausência de lesões; cicatriz umbilical na linha mediana, intrusa; ausência de circulação
colateral, estrias ausentes, distribuição normal de pêlos. Ausência de sinais de dor ou
desconforto abdominal; peristalse não visível, pulsações não visíveis. Ruídos
hidroaéreos presentes e bem distribuídos nos quatro quadrantes abdominais.
Ausência de sopros, pulsações da aorta abdominal inaudíveis. Ausência de dor à
percussão geral do abdome; Hepatimetria  6-12 cm abaixo da linha hemiclavicular,
4-8 cm abaixo do processo xifóide. Fígado não palpável. Espaço de Traube livre, baço
não palpável. Predomínio de som timpânico na percussão abdominal. Abdome indolor
à palpação superficial e profunda. Sinal de Blumberg negativo, ausência de herniações
pós manobra de Valsava, Sinal Giordano negativo, ausência de visceromegalia.
SISTEMA OSTEOARTICULAR

O exame físico é feito no sentido crânio-caudal. São examinadas as principais articulações por
meio de três etapas gerais: inspeção, palpação e teste da mobilidade. O paciente deve ser bem
posicionado sentado na maca, se preciso ajude-o a se posicionar corretamente pressionando
ao mesmo tempo o peito e a região torácica da coluna vertebral.

Inspeção: observar deformidades, assimetrias, alinhamento, alterações de pele (sinais


inflamatórios como inchaço, rubor). Observar se há posição antálgica para proteção.

Palpação: digitopressão para identificar pontos dolorosos, perceber creptação, tumefação,


calor, derrame articular.

Mobilidade: É preferível que o paciente faça o movimento ativamente primeiro. Observar que
há qualquer tipo de limitação e relatar se esta ocorre às custas de dor ou de impossibilidade do
movimento. A movimentação passiva é realizada juntamente com a palpação para a percepção
de creptos.

Segue o exame de cada articulação com observações características de cada uma que vão além
das três etapas gerais.

1. ATM

Inspeção: mandíbula centrada, dentes cerrados simetricamente em relação à linha mediana.


Palpação: dedos indicadores imediatamente a frente do trago, “perceber uma fossa” quando o
paciente abrir a boca. Observar simetria do movimento, creptos ou estalos. Movimentos
possíveis: abertura e fechamento, protrusão e retrocesso, lateralização. Relatar tamanho da
abertura, estimar pelos dedos do paciente (o habitual são três dedos).

2. OMBRO

Inspeção vide exame geral. Palpação: digitopressão ao redor de todo o ombro. Mobilidade
ativa: extensão e flexão, adução e abdução, rotação interna e externa, elevação (arco doloroso
– relatar quantos graus de abertura é possível se houver limitação). Repetir movimentos com a
mão no ombro para perceber creptos.
3. COTOVELO

Inspeção: importante não esquecer a região de dobras por ser região de implatação de
doenças (xantelasma, psoríase). Palpação e mobilidade vide exame geral, movimentos
possíveis: flexão e extensão, pronação e supinação.

4. PUNHOS E DEDOS

Inspeção: observar se há desvio espontâneo ulnar ou radial. Palpação de punho em


movimentos circulares no centro e nas laterais, pressionando com os dedos. Observar
conformação dos dedos: pescoço de cisne, boutonniére, mallet, nódulos nas articulações
interfalangianas - de Bouchar (proximal) e de Heberden (distal). Manobras para examinar
síndrome do túnel do carpo: teste de Phalen – pedir para o paciente pressionar a parte dorsal
das mão fazendo um ângulo de 90 graus (posição de prece invertida –comprime o nervo
mediano) segurar por 60 segundos ( paciente pode não conseguir fazer ou não conseguir
segurar por muito tempo). Percussão na parte anterior do punho na região do nervo mediano,
o paciente sentirá formigamento nos dedos por ele invervado. Movimentos de punho: flexão e
extensão, lateralização, rotação interna e externa. Dedos da mão; flexão e extensão, adução e
abdução.

5. COXOFEMORAL

Paciente em decúbito dorsal, (parte da inspeção é feita depois, com paciente em pé para
exame de coluna vertebral). Palpação e mobilidade vide exame geral. Técnica de avaliação de
movimentos possíveis: estabilizar joelhos para não dobrar e estabilizar quadril, do lado
contralateral da articulação testada, para não desencostar da maca. Movimentos possíveis:
flexão e extensão (extensão testada em decúbito lateral ou de pé), adução e abdução, rotação
interna e externa.

6. JOELHO

Inspeção feita depois, com paciente de pé, observar alinhamento: valgo (curva pra dentro),
varo (alicate) ou recurvado. Teste de mobilidade com palpação feita com paciente sentado na
beira da maca: extensão e flexão, rotação interna e externa.

7. TORNOZELO E PÉS

Ainda com paciente sentado, inspeção, palpação e teste dos movimentos: flexão e extensão,
inversão e eversão, rotação interna e externa, dedos do pé: flexão e extensão, adução e
abdução. Paciente de pé, descalço, com pés afastados de modo que fiquem alinhados com os
ombros, quadril encaixado, observar pé curvo ou chato.
8. COLUNA VERTEBRAL

Inspeção: observar curvaturas, levantar cabelo para ver curvatura cervical. Palpação, seguir a
linha das vértebras pressionando com dois dedos pra detectar desvios laterais, palpar
vértebras nas laterais e no meio. Movimentos do pescoço: olhar pra cima e para baixo, olhar
para esquerda e direita, inclinar cabeça para esquerda e direita. Movimentos da coluna
(estabilizar quadril): curvar para frente até onde conseguir, idem para trás e para os lados, e
rotação para direita e para esquerda (torção).

Exame físico “normal” de osteoarticular:

-ATM - simétricas, sem deformidades ou alterações na pele e sinais inflamatórios. Ausência de


dor à palpação, creptos ou estalos. Todos os movimentos possíveis, abertura estimada de três
dedos do paciente.

Ombros, cotovelos, punhos e dedos – Simétricos e bem alinhados, sem deformidades,


alterações na pele ou edema. Ausência de dor à palpação e creptos. Todos os movimentos
possíveis, arco doloroso completo. Dedos de conformação habitual, sinal de Phalen negativo.

-Coxofemoral, joelho, tornozelo e pés: Simétricas, sem deformidades ou alterações na pele e


sinais inflamatórios. Ausência de dor à palpação, creptos ou estralos. Todos os movimentos
possíveis.

-Coluna vertebral: paciente sem alterações na postura. Simétrica, sem deformidade ou


alterações de pele e sinais inflamatórios. Ausência de dor à palpação, creptos ou estralos.
Todos os movimentos possíveis.

OBS: Sinais inflamatórios = Sinais flogísticos

SISTEMA NEUROLÓGICO

O exame físico neurológico é dividido em 5 etapas principais:

1)Cognição

2)Pares cranianos

3)Motor e reflexos tendinosos profundos (MMII e MMSS)

4)Equilíbrio (estático e dinâmico) e Cerebelar

5)Sensibilidade (MMSS e MMII)


5.1)Superficial (tátil e dolorosa)
5.2)Profunda (vibratória e proprioceptiva)
COGNIÇÃO
Aplicação do mini-mental. Não precisa decorar o mini-mental, pois o médico pode consultá-lo
durante o exame. Cada pergunta vale um ponto, num total de 30. Caso o paciente faça menos
de 24 pontos, ele tem uma redução da capacidade mental. Para um paciente analfabeto pode-
se adaptar o teste ou reduzir o ponto de corte para 19. No entanto esta não é uma forma de
diagnóstico, trata-se apenas de uma triagem, devendo o médico ficar atento e investigar mais
profundamente a causa de um possível resultado negativo.
O mini-mental consta de uma série de perguntas que avaliam alguns critérios:
1-Orientação (Dia da semana, dia do mês, mês, ano, hora aproximada, local onde se encontra,
como chegou ao local do exame, andar/setor, cidade e estado)
2-Retenção ou registro de dados: O médico fala 3 palavras sem entonação, pausadamente e
pede que o paciente as repita na mesma ordem. Por exemplo: Céu, casa, árvore.
3-Atenção e cálculo: 100-7, subtraindo 7 dos resultados, 5 subtrações.
Ou então pede ao paciente que soletre uma palavra com 5 letras de trás pra frente. Por
exemplo, “mundo”.
4-Memória: recordar as palavras citadas no item 2.
5-Linguagem: Nomear 2 objetos. Por exemplo: caneta e relógio. Repetir a frase “nem aqui,
nem ali, nem lá. Obedecer à seguinte ordem:”pegue um papel com a mão direita, dobre-o ao
meio e coloque-o no chão”. Ler um comando escrito e executar a ação indicada. Por exemplo,
“feche os olhos”. Escrever uma frase qualquer. Copiar o desenho (dois pentágonos com dois
pontos de interseção).

Existem outros testes que testam a cognição do paciente:


-Fluência verbal: números de animais por minuto. No mínimo 15 animais por minuto.
-Digit Span: Avalia a memória e atenção do paciente. Pede-se ao paciente para repetir 7
sequências numéricas aleatórias, começando com um número e terminando com sete. Anotar
até aonde o paciente consegue repetir.
Ex:

2
4,9
5,1,8
3,1,6,2
0,6,3,5,1
8,5,7,0,2,9
7,4,1,3,9,0,2

PARES CRANIANOS
I par (nervo olfatório)  Testar sensibilidade olfatória do paciente com odores conhecidos e
não-irritantes (café, cravo, tangerina,etc.). Normalmente, só é testado em caso de queixas do
paciente em relação à perda de sensibilidade olfatória.
II par (nervo óptico)  Realizar teste de confrontação visual para testar campos visuais nasais
e temporais. Testar reflexos fotomotores diretos e consensuais (III par craniano). Testar
acuidade visual (um olho de cada vez, tabela de Snellen). Fazer exame de fundo de olho com
oftalmoscópio.

III, IV e VI pares (oculomotor, troclear e abducente)  Testar mobilidade ocular (teste do H)


Observar se há nistagmo.

Todos são inervados pelo oculomotor, exceto:


Oblíquo superior – troclear
Reto lateral – abducente
(VER FIGURA ABAIXO)

OBS: o músculo levantador da pálpebra é inervado pelo oculomotor, por isso, lesão deste
nervo causa ptose palpebral, e conseqüente incapacidade para abrir o olho.

V par (nervo trigêmeo)  testar reflexo corneano com chumaço de algodão, testar
sensibilidade tátil (chumaço de algodão) e dolorosa (abaixador de língua quebrado no meio)
nos três campos de inervação do trigêmeo (oftálmico, maxilar e mandibular). Testar porção
motora do trigêmeo (músculos da mastigação), pedindo ao paciente para realizar movimentos
com a boca (forçar o masseter, abrir e fechar a boca, protrusão, retração, lateralização).

VII par (nervo facial)  testar mímica facial, pedindo para o paciente reproduzir diversos
movimentos de músculos faciais. Em caso de paralisia do nervo facial, checar se é central ou
periférica.

Paralisia Central: apenas região inferior da face, contralateralmente

Paralisia Periferia: afeta tanto região superior como inferior da face, homolateralmente

OBS1: Para testar essas paralisias pede-se ao paciente para fechar os olhos (parte superior da
face) e sorrir (parte inferior da face). Dificuldade para fechar os olhos significa
comprometimento da região superior da face. Desvio da rima da boca significa lesão da
inervação inferior da face contralateralmente ao desvio.
OBS2: Como o nervo facial inerva o músculo orbicular do olho, lesão deste nervo acarreta em
dificuldade para fechar os olhos, causando lagoftalmia e possivelmente lesões sérias no globo
ocular.

VIII par (nervo vestíbulo-coclear)  exames específicos da porção vestibular não são
realizados de rotina no exame neurológico. A porção coclear pode ser testada de algumas
formas:

Teste de Weber (lateralização) – Colocar o diapasão no vértex (ponto mais alto do crânio). O
paciente com déficit auditivo em um dos lados perceberá melhor as vibrações no lado
comprometido, pois a condução óssea tem maior importância quando há alguma perda por
condução aérea.

Teste de Rinne – Colocar o diapasão no processo mastóide e esperar o paciente parar de sentir
as vibrações (condução óssea). Depois, checar se ele ouve pela via aérea. Se ouvir, está
normal. Lembrar que a via aérea tem maior sensibilidade.

IX e X pares (glossofaríngeo e vago)  Checar movimentação do palato e úvula (pede para o


paciente abrir a boca e falar “AAA”, avalia se movimentação do palato mole e faringe está
simétrica). Em caso de lesão do glossofaríngeo, a úvula estará desviada para o lado normal e o
palato mole eleva-se apenas no lado normal (sinal da cortina). Testar reflexo do vômito,
colocando o abaixador de língua SUAVEMENTE em terço posterior da língua ou pilares.

XI par (nervo acessório)  Testar movimentação de trapézio e esternocleidomastóideo contra-


resistência.

XII par (nervo hipoglosso)  Motricidade da língua. Se houver lesão do hipoglosso, a língua
estará desviada para o lado lesado durante o movimento de protrusão. Este nervo pode ser
avaliado juntamente com o trigêmeo (V) e facial (VII), devido à proximidade da região a ser
examinada.
SISTEMA MOTOR/REFLEXOS

Inspeção –

Observar:

Simetria da massa muscular (Membros inferiores e superiores, proximal e distal, direita e


esquerda).

Movimentos involuntários (tiques, tremores ou fasciculações). Observe localização, qualidade,


freqüência, ritmo, amplitude.

Postura, posição no leito, marcha, déficit funcional muscular (dor, fraqueza), implantação da
musculatura.

Volume muscular e trofismo (eu/hiper/hipo/atrofia classificando como leve, moderada ou


severa.)

Palpação do músculo – avaliar massa muscular, força e tônus.

Tônus – teste de resistência muscular ao movimento passivo. Pode haver hipotonia, hipertonia
ou tônus preservado.

Em caso de Hipertonia, existem dois tipos:

Espástica – Há resistência ao início do movimento passivo, mas depois se consegue realizar o


movimento (sinal do canivete). Sugestivo de lesão do neurônio motor superior (I neurônio
motor).

Plástica (rigidez) – resistência persiste durante todo o movimento nos dois sentidos (sinal da
roda denteada). Sugestivo de Parkinson, lesão extrapiramidal.

Hipotonia é sugestivo de lesão do neurônio motor inferior (II neurônio motor)

Força muscular – paciente exerce o movimento dos principais músculos contra resistência

Escala de força

0 – ausência de força

1 – esboço

2- não vence a gravidade

3 – vence a gravidade mas não vence resistência

4 – vence resistência

5 – plena ou aumentada

Sendo que os níveis 4 e 5 de força muscular representam a normalidade. Observar simetria de


força entre: proximal e distal, superior e inferior e direita e esquerda.
Reflexos – Só são testado os tendinosos profundos (MMSS – estiloradial, biciptal, triciptal e
MMII – patelar, aquíleo e cutâneo-plantar)

0 – ausência de reflexo (arreflexia)

1 – apenas contração

2 – leve movimentação

3 – reflexo vivo

4 – hiperreflexia

Obs: Clonus – dois ou três reflexos para um estímulo. É um sinal de lesão do neurônio motor
superior.

INFORMAÇÃO EXTRA

Síndrome do Neurônio Motor Superior


-Atrofia muscular
-Hipertonia espástica
-Clonus
-Hiperreflexia
-Fraqueza muscular

Síndrome do Neurônio Motor Superior


-Geralmente são focais, assimétricas
-Hipotrofia muscular
-Fraqueza muscular
-Hiporreflexia
-Atonia
-Fasciculações

OBS: Para facilitar a visualização sistêmica da distribuição de força muscular e reflexos,


podemos fazer um desenho e colocar os valores obtidos no exame físico nos grupamentos
musculares ou articulações correspondentes.
EQUILÍBRIO

1) Estático: Posição de Romberg testa o sentido de posição. Paciente deve ficar de pé,
descalço, com os pés separados na distância de um pé do examinador. O exame deve
ser feito inicialmente com o paciente de olhos abertos, em seguida fechar os olhos
durante 20 a 30 segundos, sem apoio. É importante que o examinador se posicione
perto do paciente, para ampará-lo em casos de queda. Observar se há “dança dos
tendões” ou se há sinal do magneto (pé em forma de garra, tentando fincar o chão).

2) Dinâmico: O paciente deve marchar no lugar, andar em linha reta, depois na ponta dos
pés e por fim andar sobre os calcanhares. Observar se há marcha em estrela (sinal de
problemas labirínticos).

Tipos de marcha

NOME DESCRIÇÃO
HEMIPLÉGICA, CEIFANTE Membro superior em flexão, membro inferior em extensão, ao
dar um passo faz movimento circular com pé eqüino. Lesão
piramidal unilateral.
DIPLÉGICA OU ESPÁSTICA Arrasta membros inferiores, passos curtos e se espasticidade
intensa pode chegar a ser em tesoura. Lesão piramidal bilateral
PARÉTICA, ESCARVANTE Pé caído, pois não faz mais flexão dorsal do pé, levanta muito a
perna e pousa pé no chão pela ponta. Lesões nervosas
periféricas.
TABÉTICA, TALONANTE Base de sustentação alargada, membros superiores abduzidos,
olhar fixo no chão, elevação súbita dos membros inferiores
batendo fortemente o calcanhar. Lesão das vias proprioceptivas,
exemplo – em coluna posterior da medula.
CEREBELAR, EBRIOSA Em zigue-zague, como bêbado. Lesão cerebelar.
PARKINSONIANA Passos curtos com aumento progressivo do ritmo (festinação) e
sem balanço em membros superiores. Síndromes
parkinsonianas.
MIOPÁTICA, ANSERINA Aumento da lordose lombar, tronco e quadril gingando e
escápula alada. Lesões musculares

Avaliar se o paciente tem disdiadococinesia ou dismetria (teste índex nariz)


SENSIBILIDADE

Teste de sensibilidade tátil: Pega o chumaço de algodão e passa pelos membros e tronco do
paciente. O examinador deve seguir o caminho dos principais dermátomos.

Teste de sensibilidade dolorosa: deve ser feito com um abaixador de língua quebrado no meio.

Teste vibração: colocar diapasão vibrando nas articulações.

Teste de propriocepção: faz o exame com o polegar e/ou hálux do paciente, levantando-os e
abaixando-os e perguntando ao paciente em que posição está o seu dedo.

Exame “normal” de neuro:

Minimental 30/30, fluência verbal de 20 animais por minuto, campos visuais temporais e
nasais preservados, pupilas fotorreativas direta e consensualmente, ausência de nistagmos e
desvios do globo ocular. Movimentação ocular preservada em todas as direções. Reflexo
corneano preservado, sensibilidade tátil e dolorosa preservada em face, motricidade
mastigatória preservada. Mímica facial preservada, assim como motricidade da língua. Teste
de Weber (lateralização) normal, teste de Rinne normal. Reflexo do vômito presente, ausência
de sinal da cortina; rotação da cabeça e elevação do ombro preservados. Paciente com postura
ereta, eutrofia muscular em principais grupos musculares. Tônus, massa muscular e força
muscular preservada em principais grupamentos musculares.

Reflexos tendinosos profundos preservados.

Equilíbrio estático e dinâmico preservados, ausência de dismetria e disdiadococinesia.

Sensibilidade tátil, dolorosa e vibratória preservadas em MMII e MMSS. Propriocepção


preservada.