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WORKSHOP EM TECNOLOGIAS

TROPICAIS
Autor: Eng.º J. S. Santa Comba
I- Introdução
Agradecemos o honroso convite da AITECOEIRAS- Associação para a
Internacionalização de Tecnologias, Promoção e Desenvolvimento Empresarial de
Oeiras, para participarmos no Workshop em Tecnologias Tropicais, na qualidade de
Presidente da Direcção da CULTIVAR- Associação de Técnicos de Culturas Tropicais.

Com mais de quatro décadas ao serviço da agro - indústria tropical temos


procurado transmitir o conhecimento de experiência feito, às novas gerações de
técnicos e empresários da CPLP- Comunidade de Países de Língua Portuguesa,
nomeadamente de Angola, Brasil e Moçambique.

Neste contexto, da realização deste Workshop onde participam notáveis


Professores e Técnicos de reconhecida competência técnico-científica e profissional
em agricultura, silvicultura e pecuária tropicais, aguardamos um forte contributo
para a melhoria da cooperação entre Portugal e Angola, que temos de reconhecer
está muito aquém do que poderia ter sido, se tivesse existido uma Política e uma
Estratégia de Cooperação Concertada, entre os vários Agentes da Cooperação
Pública e Privada Portuguesa.
Assim, se Portugal e os portugueses quiserem competir com os nossos fortes
concorrentes internacionais, que já se encontram no mercado angolano,
nomeadamente brasileiros e asiáticos, tirando partido do muito que Portugal
tem para oferecer a Angola, resultado da língua que falamos e do muito
trabalho produzido por milhares ou mesmo milhões de Investigadores,
Técnicos e Empresários, que nos antecederam, a nossa Política de
Cooperação tem de ser reestruturada e melhorada em termos técnico-
científicos, empresariais e financeiros, se quisermos proporcionar uma
oportunidade de trabalho para as novas gerações de investigadores e técnicos
que todos os anos são licenciados nas Universidades e Instituto Politécnicos
Portugueses e que já não têm emprego em Portugal

Não se pense que só agora, que Portugal está em crise, é que levantamos este
problema. Em 1988, ou seja, há exactamente vinte e dois atrás, um grupo de
técnicos portugueses, especialistas em agricultura, pecuária e agro - indústria
tropicais, ex- residentes nos PALOP’s constituiu, na cidade do Porto, a
CULTIVAR- Associação de Técnicos de Culturas Tropicais, com o objectivo de:
investigar e divulgar o conhecimento técnico- científico sobre culturas
tropicais, para que o “saber fazer” da geração dos mais velhos fosse
transmitido às novas gerações de técnicos da CPLP- Comunidade dos Países
de Língua Portuguesa..
II- Acções desenvolvidas pela CULTIVAR
Para tentar cumprir o seu objectivo a CULTIVAR assinou Protocolos de Cooperação com
entidades públicas e privadas, nomeadamente com Instituições Angolanas (Ministérios e
Governos Provinciais). Aproveitamos para referir que o Protocolo de Cooperação assinado
em 2001, entre o Governo da Província do Namibe e a CULTIVAR foi aprovado em Conselho
de Ministros, o que atesta bem, da credibilidade da CULTIVAR, junto do Governo de Angola.

No âmbito destes Protocolos a CULTIVAR já realizou numerosas acções em vários sectores


de actividade, nomeadamente:

 A publicação de Manuais de Agricultura, Pecuária e Agro- Indústria Tropical.


 Organização e participação em Seminários:
• Semana do Livro Técnico de Agricultura Tropical em Angola e Moçambique;
• Jornadas Empresariais de Agricultura Tropical na Estação Zootécnica de Santarém;
• Jornadas Açucareiras de Angola;
• I Jornadas da Cafeicultura Angolana;
 Estudo técnico-científico da Zonagem dafo-climática, das Províncias do Litoral de Angola
(Zaire, Bengo, Kuanza Sul,Benguela e Namibe)
 Formação Profissional:

• Curso de Agricultura Tropical, de parceria com o Grupo Entreposto;

• Curso de Cafeicultura para Técnicos e Empresários Angolanos, de parceria com o Instituto


Nacional do Café de Angola e o Governo da Província do Kuanza Sul- Angola;
• Cursos sobre a Zonagem edafo- climática, de parceria com os Governos das Províncias do
Kuanza Sul e Namibe- Angola;

 Diagnósticos:

• Restruturação do Sector do Café em Angola, de pareceria com o INCA- Instituto Nacional


do Café;

• Agro- Indústrias da Província de Benguela, de parceria com o Governo da Província;

• Diagnóstico dos principais Laboratórios das Províncias do Kuanza Sul, Benguela, Namibe e
Huila, para controle da água alimentos e meio ambiente, de parceria com os respectivos
Governos Provinciais.

 Estudos de Viabilidade Técnico- Económica:

• Projecto para cultura da Jatropha, para o fabrico do biodiesel- Moçambique, a pedido da


Empresa Tecneira SA;

• Projecto para a produção do bioetanol, a partir da cana- de- açúcar, a pedido da Companhia
do Buzi- Moçambique.
III- Agricultura e Agro -Indústria em
Angola - passado, presente e futuro
PORQUE ACREDITAMOS NA AGRICULTURA E NA AGRO- INDÚSTRIA ANGOLANA ?

Para se perspectivar o futuro da agricultura e da agro -


indústria angolana, tem necessariamente de se conhecer o
passado e o presente destas actividades em Angola. Sendo
pragmáticos, não há nada melhor do que conhecer os dados
e comparar as produções agrícolas do passado e do presente.
Angola no tempo colonial era auto-suficiente em bens
alimentares de primeira necessidade, e mesmo excedentária,
à excepção da cultura do trigo, as exportações agrícolas
constavam de café, sisal, milho, banana, tabaco, algodão,
feijão, açúcar, óleo de palma e arroz. Com a guerra civil
Angola, passou de exportador a importador de bens
alimentares.
III.1- PRODUÇÕES AGRÍCOLAS
III.1.1- Cultura do Café
EVOLUÇÃO DA PRODUÇÃO E EXPORTAÇÃO DO CAFÉ DE ANGOLA
(1909- 1997)
Produções (1.000 ton ) Exportações (1.0000 ton )
Período Mundo Angola % Mundo Angola %
1909/13 5
1924/28 14
1929/33 13
1934/38 2.430 17 0,7 1.650 16 1,0
1946/47 2.080 49 2,4 1.763 43 2,4
1948/52 2.222 50 2,3 1.930 50 2,6
1954/57 2,521 66 2,6 2.249 65 2,9
1961/65 4.361 185 4,2 2.851 144 5,1
1966/68 3.971 216 5,4 3.226 181 5,6
1969/71 4.262 216 5,1 3.336 182 5,5
1972/74 4.568 218 4,8 3.557 206 5,8
1976/78 4.177 67 1,6 3.313 75 2,3
1979/81 5.288 27 0,5 3.760 50 1,3
1983/85 5.592 25 0,4 4,218 23 0,5
1988/91 6.062 7 0,1 4.764 7 0,1
1993 5.794 5 0,09 4.981 2 0,04
1994 5.781 2 0,03 4.823 0,4 0,008
1995 5.751 3 0,05 4.346 2 0,05
1996 5.931 5 0,08 2,8
1.997 5 2,8

Autor: Compilado pelo Engº Agrº Abílio Mendes Gaspar

Conclusão : Depois de 1975 até aos dias de hoje a cultura do café em Angola regrediu um século, tendo
passado de 218.000 toneladas, em 1972/74, para 5.000 toneladas. em 1996/97, produzindo actualmente no
máximo 20.000 toneladas/ano!
III.1.2- Produção de açúcar e álcool
 Produção de açúcar no passado
Ano Açúcar (toneladas) Álcool (litros)
1970 78.766 Produção diária 10.000-12.000l/d,
1971 76.078 durante cerca de 200 dias/ano.
1972 84.215 “ “ ”
1973 81.901 “ ” ”
1974 78.177 “ ” ”

Produção de açúcar e álcool no presente

A partir da década da safra 1990/91, deixou de se produzir açúcar e


álcool em Angola; todo o açúcar e álcool consumido é de
importação

Perspectivas de produção de açúcar e álcool no futuro

Está em Estudo por parte de alguns Grupos Privados Internacionais,


a instalação de Novos Pólos Açucareiros, para a produção de açúcar
de 200.000 a 300.000 toneladas/ano, para abastecimento do
mercado interno.
III.3- Produção de Biocombustíveis
A Resolução nº: 122/09, aprovada em Conselho de Ministros do Governo de
Angola, estabelece a Estratégia para o desenvolvimento dos Biocombustíveis em
Angola, definindo:

Conceito de Biocombustíveis, sua produção e utilização

Matriz energética nacional

Perspectivas da produção de biocombutíveis em Angola

Metas

Principais culturas produtoras de biocombustíveis

O papel do Governo e outros Agentes no processo produtivo


III.1.4- Outras Produções
III.2- CARACTERIZAÇÃO SUMÁRIA DO SECTOR AGRÍCOLA E
AGRO- INDUSTRIAL ANGOLANO
III.2.1- Potencial agrícola de Angola
 Área territorial: 1.256.000 Km2;
 Área arável: cerca de 57 milhões de hectares,
 Solos com elevado potencial agrícola: cerca de 12 milhões de hectares;
 Exploração efectiva do solo arável: cerca de 10% da área arável (FAO);
Tipo de Exploração:
 95%, com culturas de sobrevivência
 5%, com pequenas e médias empresas, excepcionalmente com
grandes empresas;
 Culturas de sobrevivência: tubérculos (mandioca, batata doce e batata
rena), cereais (milho, arroz ,trigo e sorgo), leguminosas (feijão e amendoim),
café, palmar, tabaco, banana e outras frutas;
 Culturas de Rendimento, em fase de implementação: café, cana de açúcar
e palmar.
III.2.2.- Percentagem de ocupação da terra arável em países da
SADC (FAO)

Percentagem de ocupação da terra arável


em países do SADC
(FAO)

60 58,3

50
39,2
40
30
16,3 15,8 15
20
10,6 10
10 2,1
0

Malawi R.D. Congo Zimbabwe A. Sul


Zambia Moçambique Angola Namibia
III.2.3- Sector estruturante, na produção, no emprego e na
economia
 Maior criador de emprego em Angola;

 Sector decisivo no combate à fome e à sub-nutrição;

 Sector fundamental na produção de bens alimentares;

 Sector básico para a redução da dependência externa alimentar;

 Sector indispensável para a existência do sector secundário.


III.2.3- Debilidades do sector agrário angolano
 Falta de estratégia global, quer técnica, quer de mercados;

 Competição desfavorável dos produtos angolanos com as importações;

 Insuficiente protecção aduaneira, relativa a produtos básicos para a


agricultura, nomeadamente fertilizantes, insecticidas e pesticidas;

 Ausência de um regímen de excepção para aquisição de equipamento


agrícola essencial para a agricultura: tractores, alfaias e equipamento e
material para irrigação;

 Faltas de apoio técnico - científico e de assistência técnica por parte das


Instituições do Estado;

 Falta de formação técnica e organizacional ao sector familiar;

 Falta de técnicos especializados ou generalistas com formação académica


e profissional adequadas;

 Insuficiência de infra-estruturas oficiais de apoio à investigação aplicada,


nomeadamente: laboratórios e campos experimentais.
III,2.4- Panorama actual do sector agrário em Angola
 Durante a guerra civil que durante trinta anos devastou o país e a
economia angolana, a ocupação da terra caiu para 50% da área do tempo
colonial. A partir de 2002, com o fim da guerra, a retoma das terras foi total,
voltada para as culturas de subsistência e para o pequeno empresariado
camponês;
 As explorações do tempo colonial mantêm - se desaproveitadas, mas
ocupadas, com as antigas estruturas obsoletas, e em muitos casos
irrecuperáveis;
 Apareceram algumas explorações de pequena escala, com sustentação
organizacional e técnica;
 Conhecem - se algumas intenções de novos projectos, com uma grandeza
considerável, mas sem progresso visível;
 Praticamente não existe indústria transformadora agro- alimentar de
média e grande dimensão;
 Falta indústria química fornecedora de produtos para o sector agrícola,
nomeadamente fábricas de fertilizantes, pesticidas e insecticidas.
IV-Evolução do Índice de Industrialização de Angola (1970- 1993)
V- Perspectivas de evolução da agricultura e da agro- indústria
angolana

V.1- Produção do Sector Familiar (1.000 ton)

800

600

400

200

0
1970 1980 1990 2000 2002 2004 2006

Batata Doce Mandioca Amendoim


Feijão e Milho Arroz
V.2- Produção por Sectores

V.2.1- Empresarial (1970)


V.2.2.- Familiar (1980,1990,2000, 2002, 2004 e 2006)

CULTURAS DE RENDIMENTO
Evolução do índice de produção
1970 = 100
100

80

60

40

20

0
1970 1980 1990 2000 2002 2004 2006

Tabaco Algodão Açúcar Café


PRODUÇÃO DE CEREAIS E DE RAÍZES/TUBÉRCULOS
Milhares de Toneladas – (FAO)
800 800

609,6
600

400 292,8

200
94,7 80
43,4
0
1970 (a) 2006 (a) 2008 (b)

Cereais Raízes / Tubérculos

(a) FAO (b) Angola


PIB GERADO PELO SECTOR AGRÍCOLA
USD Milhões (FMI)

7500
6150
6000
5031
4500 4018

3000
2215
1708
1500 920 1162
733

0
2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008
IMPORTAÇÕES AGRO-ALIMENTARES
USD milhões
2000 2000

1635
1600
1251
1175
1200 1085

758
800

400

0
2002 2003 2004 2005 2006 2008
Ministério da Economia
(Portugal)