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Dra. Elisabete Condesso

Regras e Limites – apreender a dizer “Não”


Resumo:

As regras e limites são essenciais para a criança. Ela precisa de directrizes nítidas e inequívocas,
os limites devem ser deixados bem claros, a criança tem que distinguir entre o que é certo e
errado, entre o bem e o mal, mesmo que mais tarde isso venha a ser questionado na fase
adulta. Se a criança tem sobre o seu controlo os adultos com quem convive, pensando que
pode mandar neles, acabará por se sentir angustiada, insegura e desprotegida. Se a criança
assume o controlo da situação, quem serão as pessoas adultas que assumirão a
responsabilidade de cuidar dela?

Texto:

Parte da tarefa de educar consiste em dizer “não”. A criança precisa de saber quais são as suas
regras e limites, de modo a saber distinguir entre o que é certo e errado, entre o bem e o mal.
Os adultos devem transmitir à crianças directrizes nítidas e inequívocas que a ajudem a
estruturar-se do ponto de vista psicológico, pois, caso contrário, ela irá sentir-se angustiada,
insegura e desprotegida – é fundamental os adultos assumirem o controlo da situação e
mostrar quem cuidam dela.

Pais (e educadores em geral) devem compreender que a criança, para se tornar num
adulto saudável, necessita de apreender a lidar com momentos de frustração, a
enfrentar contrariedades, e tem que conhecer os seus limites. Nos momentos de
imposição das regras, é natural que a criança manifeste comportamentos de raiva e
frustração, o que, em certa medida, deve ser tolerado e compreendido. Contudo, estas
manifestações de desagrado da criança não devem servir de desculpa para deixar-se
de impor limites à criança. Antes, pelo contrário, elas devem servir para reafirmar o
“não” de modo claro e inequívoco.

Em matéria de regras – e educação em geral - a coerência de atitudes entre pai e mãe


é fundamental. De um modo geral, é importante que os pais concordem a respeito dos
limites a serem impostos, e estejam de acordo e em sintonia quanto às questões
fundamentais. Há que evitar de todo situações em que o pai dita uma regra e a mãe
anula – ou vice-versa. Manter o “não” é assegurar que a regra passa a estar integrada
na personalidade da criança. Discutir sobre eventuais divergências em frente à criança,
é transmitir-lhe uma imagem de fragilidade e insegurança que não é benéfico para o
seu desenvolvimento psicológico. Para a criança é muito confuso quando um dos pais é
muito tolerante, deixando para o outro a imposição da disciplina, isto é, reservando-lhe o
papel de “mau”. O desenvolvimento desta situação de incoerência entre educadores tenderá a
intensificar os episódios em que a criança aceita as regras de um e rejeita as do outro. Não
será de estranhar o surgimento de situações em que a criança se comporta de forma correcta
na presença do educador mais “rígido” e assuma uma atitude de desafio na presença dos dois.

Dizer “não” a uma criança traduz-se numa frustração e desgosto perante a contrariedade
imposta, embora esta situação seja temporária e a vivência negativa passe ao fim de pouco
tempo. Deve-se apreender desde pequeno a lidar com situações de frustração, pois elas
permitem desenvolver mecanismos de defesa que ajudam a criança a enfrentar momentos
menos agradáveis e a ultrapassá-los. Esta aprendizagem é fundamental para o
desenvolvimento harmonioso para a vida adulta e para a estruturação psicológica da criança.

Por outro lado, à que salientar um outro aspecto positivo. As definições de regras e limites
contribuem para a segurança da criança, na medida que funcionam como barreiras. Ela sentir-
se-á muito mais segura se souber até onde pode ir, prevenindo eventuais acidentes e perigos.
Um outro aspecto positivo prende-se com o facto de estimular a criança a desenvolver e a
mobilizar os seus recursos. Cada limite que é colocado, abre uma oportunidade para o
desenvolvimento de novas competências. Por exemplo, o facto de interromper uma
brincadeira para ir para a cama, é mostrar-lhe que tudo tem um começo, um meio e um fim, e
também, que é necessário ter prioridades.

Os pais e educadores devem consciencializar-se do seu papel educativo, em que a palavra-


chave é a comunicação emocional, isto é, devem basear-se no amor, carinho, paciência e
optimismo. Devem apreender a ouvir o seu filho, não somente o significado das palavras, mas
sobretudo entender o que está por detrás delas. Ser mãe ou pai é estar presente nos
momentos importantes, mas é também estabelecer limites. Os pais devem reprimir as acções
incompatíveis, quando necessário, mas não os desejos e emoções, que devem tentar
compreender.