INTRODUÇÃO À SIMBOLOGIA

BIBLIOTECA AMORC

ORDEM ROSACRUZ AMORC GRANDE LOJA DO BRASIL

1

TÍTULO ORIGINAL: SYMBOLS: THEIR NATURE AND FUNCTION

1ª EDIÇÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA JULHO DE 1992

TODOS OS DIREITOS RESERVADOS PELA ORDEM RASACRUZ – AMORC GRANDE LOJA DO BRASIL

COMPOSTO E IMPRESSO NA GRANDE LOJA DO BRASIL RUA NICARÁGUA, 2620 CAIXA POSTAL, 307 – TEL: (041) 254-3033 80.000 – CURITIBA – PARANÁ - BRASIL

2

Sumário INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 4 CAPÍTULO I: DEFINIÇÃO, COMPOSIÇÃO, CLASSIFICAÇÃO E FINALIDADES DOS SÍMBOLOS.................................................................................................................. 9 CAPÍTULO II: SÍMBOLO, SIGNO E SINAL – NATUREZA SIMBÓLICA DA PERCEPÇÃO ............................................................................................................ 19 CAPÍTULO III: RELAÇÃO ENTRE FORMA E SIGNIFICADO DE UM SÍMBOLO – SÍMBOLOS INDIVIDUAIS E SÍMBOLOS ARQUÉTIPOS .......................................... 30 CAPÍTULO IV: SÍMBOLOS NATURAIS E ARTIFICIAIS – O PROCESSO DE SIMBOLIZAÇÃO – SIMBOLISMO E A LEI DOS OPOSTOS .................................... 40 CAPÍTULO V: SIMBOLIZAÇÃO: UMA FUNÇÃO BÁSICA DA MENTE .................... 50 CAPÍTULO VI: ORIGEM DOS SÍMBOLOS ............................................................... 61 CAPÍTULO VII: MODALIDADE DE TRANSFOMAÇÃO SIMBÓLICA – SÍMBOLOS MÍSTICOS ................................................................................................................. 69 CAPÍTULO VIII: SIMBOLISMO E A LINGUAGEM VERBAL METÁFORA E ANALOGIA ................................................................................................................ 80 CAPÍTULO IX: O JARDIM SIMBÓLICO .................................................................... 94 CAPÍTULO X: A MONTANHA SIMBÓLICA ............................................................. 111 CAPÍTULO XI: A ÁRVORE SIMBÓLICA ................................................................. 121 CAPITULO XII: SIMBOLISMO DA ÁRVORE E DA FLOR ...................................... 135 CAPÍTULOXIII: SIMBOLISMO NO ANTIGO EGITO ............................................... 146 CAPÍTULO XIV: SÍMBOLOS PSÍQUICOS E SÍMBOLOS MÍSTICOS ..................... 157 CAPÍTULO XV: FUNÇÃO PSICOLÓGICA E FUNÇÃO MÍSTICA DOS SÍMBOLOS – PERIGOS DA SIMBOLIZAÇÃO .............................................................................. 171 CAPÍTULO XVI: EXEMPLOS DE SÍMBOLOS MÍSTICOS - HEINRICH KHUNRATH, ROBERT FLUDD, E MICHEL MAIER ..................................................................... 180 CAPÍTULO XVII: MICHAEL MAIER E O SIMBOLISMO ROSACRUZ DO SÉCULO DEZESSETE ........................................................................................................... 190 CAPÍTULO XVIII: ARTE E SIMBOLISMO ............................................................... 195 CAPÍTULO XIX: POESIA E SIMBOLISMO ............................................................. 204 CAPITULO XX: CONCEITOS BÁSICOS DO SIMBOLISMO MÍSTICO ................... 216

3

INTRODUÇÃO
A Grande Loja do Brasil tem especial satisfação em poder oferecer aos seus estudantes esta pequena obra sobre SÍMBOLOS, dada a grande importância deste assunto para todos aqueles que estão trilhando a senda Rosacruz do autoconhecimento e do desenvolvimento pessoal. Algumas afirmações básicas, como as que fazemos a seguir, são suficientes para dar uma idéia da relevância do tema e do valor do conteúdo deste livro para os Fratres e Sorores.

"Criar e usar símbolos é uma função básica e natural da mente humana. Esta função se manifesta em religião, arte, na conversa comum, e em ciência. Sem símbolos, ou sem simbolizar, não podemos pensar sequer sobre a nossa consciência de simples relações físicas, ou expressá-las."

"A função humana de simbolizar é essencial à atividade da fase subconsciente da mente. A ignorância ou a repressão dessa função simbolizadora torna-a inconsciente e, portanto, fora do controle do indivíduo, podendo levá-lo a um relacionamento inadequado com o ambiente e os seus semelhantes (por confundir ele, inconscientemente, o seu mundo interior com a realidade objetiva)."

"A compreensão de si mesmo e do não-Eu é expressa por símbolos; ao usarmos tais símbolos, estamos também ajudando a aprofundar a nossa compreensão. Os 4

símbolos são um produto da compreensão e um valioso e eficaz recurso para a mesma." "A percepção e a memória dependem parcialmente da simbolização." "Símbolos mitológicos formulam conceitos sobre a natureza do universo e do homem; comunicam esses conceitos sob a forma de mitos, e essa comunicação, com sua vividez, ajuda a instruir e lembrar. " "A única maneira de o homem expressar sua consciência de impressões e experiências psíquicas e místicas é pela simbolização. Símbolos de harmonização, iluminação, e união mística, são usados para fins de meditação."

Vemos, portanto, que os símbolos cumprem diversas finalidades psicológicas essenciais na nossa vida em geral e, em particular, no nosso desenvolvimento como místicos na Senda Rosacruz. Dentre essas finalidades, podemos citar:

• • • • • • •

ordenação mental da vida, pelo homem; comunicação; reflexão; preservação do conhecimento; expressão criadora; recurso de memorização e instrução; recurso de concentração e meditação. 5

Em linhas gerais, os capítulos deste livro cobrem os seguintes pontos principais do tema: Definição de símbolo. Natureza dos símbolos: sua composição; noções da psicologia da simbolização; símbolos e a Lei do Triângulo. Classificação de símbolos. Funções dos símbolos: compreensão, expressão, comunicação, etc. Origem dos símbolos. Definições de signo e sinal; diferença entre signo, sinal, e símbolo. Níveis de significado de símbolos. Finalidades dos símbolos: ordenação mental da vida humana, reflexão, preservação do conhecimento, etc. Simbolismo e a Lei dos Opostos; tipos de simbolização. Simbolização: maneira como o homem se relaciona com o seu ambiente e ordena suas percepções. Simbolização e visualização. Modalidades de simbolização: mitologia e religião, magia, arte, ciência, filosofia, misticismo. Função psicológica da natureza simbólica da linguagem verbal: simbolização através da metáfora, da analogia, da alegoria, da parábola, da poesia. Símbolos psíquicos e místicos: análise psicológica. Diferença entre funções psíquicas e funções psicológicas e místicas. Simbolismo e arte: definição mística de arte; papel da arte no desenvolvimento psicológico e místico. Simbolismo e poesia mística. Conceitos básicos do simbolismo místico. Este livro, portanto, constitui um pequeno tratado introdutório ao estudo de símbolos e da função simbolizadora da mente humana; por isto o intitulamos "Introdução à Simbologia". Os Capítulos de I a VIII (inclusive) versam sobre a Natureza e a Função dos Símbolos. Nestes Capítulos, predomina uma análise psicológica do tema. Mesmo os estudantes Rosacruzes menos afeitos a este gênero de empenho intelectual devem envidar esforços para estudar esta parte do livro. Isto há de afetar ou modificar positivamente sua estrutura psíquica, preparando-a para

6

melhor apreciação e aproveitamento da parte descritiva desta Introdução. E, se essa modificação for suficientemente profunda, poderá exercer maravilhoso e poderoso efeito em sua consciência, iluminando-a para melhor compreensão e aproveitamento de impressões e experiências psíquicas e místicas. Essa nova compreensão da natureza e da importância dos símbolos, bem como das funções que os mesmos cumprem (na nossa vida em geral e em nosso desenvolvimento místico em particular), há também de atuar como forte estímulo a um interesse mais profundo pelo simbolismo Rosacruz. Isto será particularmente valioso e útil, para os estudantes Rosacruzes, no tocante ao melhor aproveitamento dos símbolos que compõem os Templos Rosacruzes e o Sanctum dos próprios estudantes, como eficazes recursos psicológicos para meditação. Do Capítulo IX ao XIII (inclusive), são amplamente analisados os seguintes símbolos de interesse místico: O Jardim, a Montanha, A Árvore, e A Flor (com destacada referência à Rosa e ao Lotus). O Capítulo XIII trata especificamente do simbolismo no Egito Antigo. Os Capítulos XIV e XV fazem uma análise psicológica de símbolos psíquicos e místicos. Os Capítulos XVI e XVII apresentam exemplos de símbolos místicos, de Heinrich Khunrath, Robert Fludd e Michael Maier, com quatro reproduções de gravuras originais. O Capítulo XVIII versa sobre Simbologia e Arte. Este é particularmente interessante para pessoas envolvidas em atividades artísticas, destacando também a importância destas atividades para o desenvolvimento psicológico e místico. O Capítulo XIX trata de Simbolização e Poesia Mística, com apresentação de alguns poemas inspirados (Alexander Pope, John Keats, etc.), muito estimulantes na busca do êxtase místico próprio da Harmonização Cósmica. Finalmente, o Capítulo XX analisa e comenta Conceitos Básicos da Simbologia Mística.

7

E esse Canto de Mistério. faz ecoar esse Canto. para entrar no Jardim e nele viver. e respirando o Ar Puro da Divina Essência que se f az TUDO! 8 . impelindo seu místico desabrochar na Cruz! Assim é que o Jardim.E já que estamos introduzindo um texto sobre símbolos. mesmo quando assim conhecida. no alto da Montanha. vai se tornando um encantado Jardim de Rosas. e seu Cálice transborda de Amor a tudo. Em seu anseio então. Aquele que a conhece enche-se de Luz na Vida do Ser. sobre as Rosas do Vale cai como Divino Orvalho e as toca e vitaliza. que vai tanger o coração dos homens do Vale. vitalizadas pela Luz do Divino Sol. em sagrada e universal comunhão. desfrutando o gozo inefável do maravilhoso Fruto da Árvore do Conhecimento. de expressar sua sublime experiência e comunicá-la ao seu semelhante. No Jardim excelso em que vive. regadas pela Água Pura e Santa da Consciência Cósmica. fragrância maravilhosa que da Rosa plenamente desabrochada se exala. enigmática e inexprimível. só pode ele entoar também o Canto de Sereia que aprendeu de sua mística união. Só pode ser conhecida por experiência direta e. vibração mágica que do âmago do místico realizado se irradia. e seduzi-los e enchê-los do sacrossanto desejo de escalar a Montanha. visto que de outro modo nossa mensagem final seria impossível: A verdade mística do Universo e da Vida é como um Canto de Sereia Cósmica: sedutora. seja-nos permitido um fecho simbólico. não pode ser dita ou descrita. no alto da Montanha.

imaginação e impressões psíquicas. constituem a forma. O Sinal da Cruz Rosacruz representa o compromisso do iniciado. Um templo sagrado não apenas contém símbolos. o jardim e o Sinal da Cruz. Uma utopia. quer negligenciado como em Hamlet. e o gesto. ou as Ilhas dos Bemaventurados. O significado é o fator subconsciente. o Paraíso. são projeções simbólicas da vida ideal. a idéia. Nos exemplos acima. ou o todo. Usamos um gesto para indicar "entre". ciência. Uma montanha ou uma escada podem simbolizar ascensão ao Cósmico. material. a montanha. são usados para representar uma outra coisa que está com eles de algum modo relacionada. a corrente. bem como sonhos. é ele próprio um símbolo. a bola é a parte do símbolo que cumpre a função de representar. e outro para indicar "saia".CAPÍTULO I: DEFINIÇÃO. O objeto. empregam a função mental simbolizadora. os Campos Elísios. o universo. psíquico. Religião. Um livro simboliza conhecimento. alegorias. da vida que o homem gostaria de viver na Terra. CLASSIFICAÇÃO E FINALIDADES DOS SÍMBOLOS Uma das coisas que distinguem o homem dos animais é a capacidade humana de simbolizar. Memória. Isto constitui a forma do símbolo. ou perceptivo. Assim. Um jardim. também fazem uso de símbolos. Gestos são atos simbólicos. misticismo e mitologia. Uma corrente ou uma escada representam a hierarquia da Criação. O dedo indicador levado aos lábios representa silêncio. mas. COMPOSIÇÃO. quer perfeito como o bíblico Jardim do Éden. simboliza as idéias do homem a seu próprio respeito. contos de fadas. A forma da bola simboliza o mundo ou o todo. que é 9 . a bola. seu componente objetivo. E isto é o que ela significa. e rituais. Uma esfera ou bola representa o mundo. os Campos Elísios. ou conceptual e emocional.

aqueles que fazem parte de nossas impressões e experiências psíquicas. Mas a forma. também. do mesmo modo como um sonho é lembrado mas não é contado a outrem. materiais. Os símbolos psíquicos. por exemplo fazendo-se uma descrição da montanha e do seu significado. 10 . ou material e psíquico. que ele se compõe de forma e significado. para que não permaneçam totalmente subconscientes. ou desenhando-se a forma da montanha ou do triângulo. A forma do significado pode ser realizada na mente. devem ser expressos em termos de fenômenos objetivos. a segunda. a escada e a corrente significam a hierarquia da Criação. Devem ser expressos numa forma.) Já aprendemos que um símbolo é um objeto. Já aprendemos. que um símbolo pode ser expresso ou simplesmente realizado na mente. Uma idéia recebida numa impressão psíquica é aparentemente ouvida em palavras ou vista numa imagem mental. ou o significado. etc. o próprio símbolo. ou um ato. e. podem ser expressos de algum modo. a terceira.representado pela forma. Figura 1. ou ambos. Mas ela é uma forma. Podemos pensar no Sinal da Cruz sem expressá-lo ou usá-lo. isto é. para que possamos tomar consciência dos mesmos e compreendê-los. a forma é a primeira ponta. o significado. uma emoção. No último caso. Em termos da Lei do Triângulo. para distingui-la do tipo de forma da bola material. Um símbolo completo compõe-se de forma e significado. uma outra idéia. que são os seus elementos objetivo e subconsciente. Podemos chamar isto de forma psíquica. A montanha significa ascensão. pode-se explicar o significado ou deixar que o observador o apreenda. (Vide página 18. usado para representar um outro objeto.. é a parte do símbolo que representa o significado. uma idéia.

Símbolos religiosos. símbolos psicológicos. como a Rosa-Cruz. ou uma harmonia de seus componentes objetivo e subconsciente. apreendida objetivamente. então. como os de alguns sonhos. consiste em forma e significado e é uma função das fases objetiva e subconsciente da mente. Símbolos místicos. Os símbolos são transmitidos e usados pelas funções objetivas da mente. para que conservem um equilíbrio. como a imaginação. portanto. tendem a degenerar para sinais ou signos empregados objetivamente. A forma redonda da bola é como o mundo. ao invés de simbolicamente. não só expressam desenvolvimento místico. Um símbolo. que é primariamente subconsciente. Os símbolos nascem no subconsciente e constituem parte da base de outros processos mentais. Esta memória subconsciente é associada ao significado ou à parte subconsciente do símbolo. por exemplo. É esta função que integra ou unifica as duas partes (a forma e o significado) num todo. a 11 . passa a constituir um sinal ou signo. e se torna parte da memória do subconsciente. mas. e não objetiva.Simbolizar é um processo automático e muitas vezes inconsciente. e de muitos outros modos. A verdadeira simbolização é uma função subconsciente. acabando por serem entendidos literalmente. Devem ser mantidos subconscientemente vivos. tendem a se tornar sinais de reações mentais ou emocionais. Se eles são símbolos vivos. é subconscientemente associada ao mundo e se torna um símbolo do mesmo. A montanha é associada a altura e escalada ou alpinismo e. A forma da bola ou da escada é percebida. também promovem esse desenvolvimento. realizando rituais. Se o símbolo se torna predominantemente objetivo. a ascensão. e símbolos psíquicos. A consciência objetiva apreende e usa o símbolo falando a seu respeito. é unificada ao significado pelo subconsciente e se torna um símbolo.

ou a terceira ponta. e sinto que a rosa é bela. Apreende a ambos. deve ser uma função harmoniosa de todos os processos mentais. Os componentes objetivo e subconsciente são a primeira e a segunda pontas do triângulo. a apreensão de beleza. a terceira ponta. cujos pontos opostos estão relacionados entre si. o estímulo vem do não-Eu. Figura 3. e o símbolo é parte da nossa realidade e uma expressão da mesma. resulta da forma percebida pelos sentidos objetivos e unificada subconscientemente ao significado. Figura 2. percebe a si mesmo e ao mundo que não é ele próprio. O duplo triângulo desenhado no fim da página 18 deste Capítulo integra os dois triângulos simples num único símbolo. (Vide página 18. o não-Eu a segunda. a reação emocional.) O homem tem consciência da dualidade de reino mundano e reino Cósmico. é a segunda ponta. Embora um símbolo tenha origem subconsciente. As reações mentais e emocionais constituem a segunda maneira em que relacionamos o Eu com o nãoEu. o Eu é a primeira ponta. e este símbolo é a terceira ponta. (Vide página 18. recebo e percebo um estímulo vibratório. através dos seus sentidos. que resulta das outras duas e as unifica. A união dos dois componentes é necessária para que se tenha um símbolo vivo. Usando novamente a Lei do Triângulo. Primeiro. O Eu está relacionado com reação. como uma dualidade. A rosa pode então ser um símbolo de beleza. Neste triângulo. ou reino material e reino psíquico. Tem também consciência do Eu e do não-Eu. Esse estímulo é a primeira ponta de um outro triângulo e.) Quando vejo uma rosa. ou sua consciência do Eu e do não-Eu.memória. 12 . e a realidade do homem. e mesmo a percepção. o símbolo. Eles devem funcionar de modo equilibrado ou harmonioso. E de vários modos relaciona o Eu e o não-Eu.

13 . e o símbolo é o terceiro modo. todas estas coisas são expressões e símbolos do Eu e sua relação para com o mundo que o cerca. seus gestos.A terceira maneira em que relacionamos o Eu e o não-Eu é o processo simbolizador do que tem sido chamado de transformação simbólica. A percepção da rosa é um modo de relacionar o Eu e o nãoEu. "Símbolos Antigos e Sagrados". Estas três maneiras em que relacionamos o Eu e o não-Eu estão inter-relacionadas e são interdependentes. Não podemos simbolizar sem perceber. O comportamento de um indivíduo caracteriza-o e. No livro. de Ralph M. Os símbolos afetam nossas percepções e emoções. daquilo que ele faz e de como o faz. de certo modo. A rosa na Rosa-Cruz (cruz com uma só rosa no centro) é um símbolo derivado de percepções objetivas de rosas. de reagir a situações e problemas. conforme a natureza do significado. e nossas idéias e emoções influenciam nossas percepções e os símbolos que criamos. Os símbolos podem ser classificados de vários modos. e subconscientes. Transformamos nossa experiência em símbolos realizados mentalmente ou expressos. Lewis. Seu jeito de andar. bem como de idéias e emoções suscitadas por rosas. sentir e pensar. os sentimentos a respeito da rosa são um outro modo. são eles classificados como naturais ou artificiais. simboliza esse indivíduo para ele próprio e para os outros. A quarta maneira em que o homem relaciona o Eu e o não-Eu é através do seu comportamento. Podem também ser divididos em objetivos. editado pela AMORC. que constitui o significado ou componente subconsciente. subjetivos. A rosa e seu desabrochar estão associadas no subconsciente à personalidade anímica ou personalidade-alma. A forma da rosa e o significado a ela associado estão fundidos num símbolo.

o significado é também subjetivo. Um símbolo que é derivado da própria experiência do indivíduo e lhe é peculiar. este símbolo significa algo objetivo. é um símbolo subconsciente. A classificação. usada para simbolizar as quatro direções do espaço é um símbolo objetivo. tais como o símbolo da ONU. ordens fraternais. ou Cósmicos. que serão examinados em capítulos posteriores. Símbolos coletivos são aqueles que são usados por grupos de caráter religioso. símbolos de árvores. A terceira categoria poderia ser chamada de arquétipos ou símbolos Cósmicos. A cruz em suas muitas formas. neste caso. Símbolos Cósmicos ou arquétipos são aqueles que são comuns a muitas pessoas em diferentes épocas e lugares. como o jardim e a montanha. Quando usamos a bola ou o círculo para simbolizar o todo ou algo completo. damos ao símbolo um significado subjetivo. Analogamente. A cruz. subjetivamente. Quando ela representa a personalidade-alma. por exemplo. para representar conhecimento. e a 14 . e. grupos sociais. subconscientemente. pode ter um significado simbólico particular. coletivos. Usada na RosaCruz. é um símbolo subjetivo. não depende da forma. Quando representa perseguição. Se a rosa representa beleza. Esta categoria inclui muitos símbolos comuns. uma idéia. o desenho de um farol pode ser usado objetivamente para representar um farol de fato. é um símbolo individual. e grupos educacionais ou desportivos.Por exemplo. Símbolos políticos. Os símbolos podem ser considerados como individuais. para simbolizar intuição ou Consciência Cósmica. é um símbolo subconsciente. quando usamos a bola ou o círculo para representar o mundo ou o universo. são símbolos coletivos. Uma jóia. como as bandeiras. e sim do significado. devido a algum evento ou sentimento a ela associado.

etc. linguagem por sinais. etc. Um poeta. não somente para o indivíduo transmitir suas idéias e emoções a outrem. Algumas formas de comunicação constituem.. embora apareçam em várias formas. nas iniciações e nos rituais. Os símbolos são usados como recursos de memorização. Como a simbolização é fundamental para muitas funções mentais. ou um músico. Sem algum sistema lingüístico ou outros sistemas. em geral. 15 . de instrução. parcial e basicamente. e outras formas de comunicação. também para fim de expressão pessoal. o homem seria incapaz de compreender leis naturais e Cósmicas fundamentais. é usada para formular idéias. e durante práticas de meditação e concentração. a comunicação humana estaria limitada a gritos e sinalizações animais. um meio de preservar filosofia. Gestos. para futuras gerações. um pintor. Uma língua. Suas crenças religiosas e filosóficas dependem de sua capacidade para simbolizar. A realidade particular de cada indivíduo depende dos símbolos que ele usa e dos significados que lhes atribui. é um sistema de signos e símbolos. A transformação simbólica é realizada conforme haja ou não uma outra pessoa para apreciá-la. Os meios de comunicação que acabamos de mencionar são usados. ciência. todos transcendem o uso individual ou coletivo. transformam simbolicamente sua experiência em obra artística. mas. essa herança cultural não poderia ser transmitida de uma época para outra ou de um lugar para outro. Sem símbolos. Sem símbolos.montanha simbólica. emoções. sistemas políticos. São empregados para estes fins nos ensinamentos. falada ou escrita. também são baseadas em símbolos. dos Rosacruzes.

um símbolo culturalmente concebido. ou um ato. SUMÁRIO Símbolo é um objeto. Falando de um ponto de vista psíquico e místico. A Rosa-Cruz é. ou componente objetivo e componente subconsciente. Bandeiras. pessoal. e sua capacidade criadora. a cruz pode ter forma e significado compreensíveis para um dado indivíduo. uma idéia. mas é uma função que influencia suas habilidades. Esta é a terceira maneira de criação de símbolos. no decurso de sua história. seus poderes. 16 . A cruz. símbolos e rituais religiosos. passou de um grupo para outro. usado para representar um outro objeto. e símbolos de "status". Expressam seu Eu emocional e seu Eu psíquico. Um símbolo como a cruz ou a árvore pode. ser derivado das três fontes. em algumas formas. tornando-se então um símbolo também pessoal. afetam seu desenvolvimento no sentido da integração psicológica e da união mística. No entanto. Simbolizar é uma função importante do ser humano. os símbolos podem se originar numa experiência psíquica intuitiva. por sua vez. são de origem cultural. mas estes. etc.Símbolos são produtos da natureza psicológica e psíquica do homem. Os símbolos podem ter origem na tradição cultural ou na experiência pessoal. cultural. neste sentido. podem ser recebidos telepaticamente. Compõe-se de forma e significado. e podem ter origem na memória de encarnações passadas. uma emoção. e por assimilação ou "empréstimo". ou foi assimilada de uma cultura para outra. uma outra idéia.

e em encarnações anteriores. 2. através de migração (transmissão) e por assimilação ou "empréstimo". Como recurso de instrução e memorização. como: 1. por intuição e experiência psíquica. Os símbolos se classificam em: 1. e do comportamento. e subconscientes. na comunicação telepática. de reações mentais e emocionais. 7. Na comunicação. Na expressão pessoal. culturais ou coletivos. ciência etc. 17 . e Cósmicos. 2. Naturais e artificiais. subjetivos. 4. Individuais. emoções etc. Os símbolos são usados para diversos fins. 5. Os símbolos têm origem na tradição cultural ou na experiência pessoal. Para promover integração psicológica e união mística. Formular idéias. 6. 3. da simbolização. Na preservação de filosofia.O homem relaciona o Eu e o não-Eu através dos sentidos. Em meditação e concentração. 3. Objetivos.

Figuras 1. 2 e 3 18 .

associamos ascensão à sua finalidade. Um signo identifica ou indica alguma coisa. porque associamos séries de coisas a elos ou degraus. especialmente no caso da escada. A primeira é derivada do mundo material ou objetivo. Um sinal num cruzamento de linha férrea é usado para induzir o motorista a parar quando um trem está para passar. é um sinal. porque livros são uma das fontes de conhecimento. Um sinal pode ser definido como um signo usado para sugerir ou induzir uma dada reação em quem o vê. seja no mundo objetivo. é um símbolo. pode representar conhecimento. quando esta cor é empregada num semáforo. Um livro. SIGNO E SINAL – NATUREZA SIMBÓLICA DA PERCEPÇÃO Um símbolo representa alguma outra coisa. Um gesto de silêncio a alguém que está falando é um sinal. do plano material ou mundano para o plano Cósmico.CAPÍTULO II: SÍMBOLO. Um sinal implica uma reação por parte do usuário ou observador. Um signo. Há duas espécies de signos. mas. Um signo pode ser definido como um símbolo que indica ou identifica algo percebido ou concebido. ou aponta para ela. implica uma reação da parte da pessoa que está dirigindo o carro. e porque. seja na mente. por exemplo. é um signo. numa loja. mais do que representar. significando uma cor. A palavra vermelho. A corrente e a escada têm sido usadas para representar a hierarquia da Criação. Um "X" com significado de cruzamento de linha férrea é derivado da 19 . tende a identificar. identifica a loja. Um rótulo numa garrafa é um signo que identifica seu conteúdo. usada para representar raiva ou calor.

apresentando-se em vários níveis. Uma caveira com dois ossos cruzados. A mesma imagem. tem um significado complexo e vai muito além de rotular o país (como acontece com o nome deste último). no rótulo de uma garrafa. ao passo que um símbolo tende a ter um significado múltiplo em qualquer uso particular. porém. enquanto um símbolo. podemos estar mais ou menos inconscientes do fato de que uma pessoa. pode vir a não significar mais do que um rótulo e. A segunda espécie de signo é uma degeneração de um símbolo original. Originalmente. Neste caso. pode ser usada para representar a morte. Por exemplo. o signo significa isto e somente isto. Muitos símbolos religiosos tendem a se tornar signos. em geral. é conscientemente apreendido e usado. é derivado do livro concreto. significa que o conteúdo é venenoso. Com o passar do tempo e o uso. uma bandeira representa um país e os sentimentos dos cidadãos para com o mesmo. Por uso constante e habitual. O livro. encarado como símbolo. é total ou parcialmente inconsciente.aparência do cruzamento da linha férrea com a rua. com mais freqüência. neste caso. isto é. Um signo tende a ter um significado simples. pelo exemplo da sua vida. Um signo. estagnado e degenerado. um símbolo pode degenerar e tornar-se morto. de início era um verdadeiro símbolo. Os pais chegam a ter significação simbólica para seus filhos. 20 . Fica. transformando-se num signo que apenas faça referência a alguma coisa. tenha se tornado para nós um símbolo de virtude. em lugar de símbolos verdadeiros. e então o significado se torna complexo ou múltiplo. tanto os pais como os filhos são muitas vezes inconscientes disto. que representava algo diferente dele próprio e não era um simples rótulo. de certo modo. porém. o símbolo torna-se um signo.

por exemplo. Essa percepção. a palavra imagem se refere a qualquer imagem perceptiva. já é um símbolo.O homem toma consciência de si mesmo e do seu ambiente através da percepção dos seus cinco sentidos. Significado simples 2. a natureza (vibratória) das coisas. ou de qualquer outra natureza. 21 . Não é o próprio objeto. Temos assim uma percepção que corresponde à parte da atualidade1 que a causou. são recebidas por nossos olhos e vemos árvores.Na concepção Rosacruz. Inclui também a consciência de estímulos psíquicos. Ondas luminosas. Os símbolos estão precipuamente baseados nos níveis de reação. no sentido mais amplo do termo símbolo. seja visual. o estímulo vibratório incide sobre nossas faculdades sensoriais. nas idéias e emoções. independentemente da humana percepção e interpretação. O estímulo das vibrações resulta numa percepção. Identifica ou indica 3. Quando percebemos um objeto. auditiva. numa imagem mental que faz parte da experiência. Símbolo Significado múltiplo Representa Tende a ser inconsciente Baseado nos níveis de reação O processo de simbolização pode ser explicado através da percepção e da reação que são aspectos fundamentais da constituição do homem. Tende a ser consciente 4. e reage a essas percepções com idéias e emoções que nele são despertadas ou que ele associa às percepções. Baseado no nível perceptual. táctil. Neste sentido. Os signos estão precipuamente baseados no nível perceptual da experiência. mas corresponde ao mesmo e de certo modo o 1 Atualidade . consideradas em si mesmas. gramados e prédios. As diferenças entre signo e símbolo podem ser assim relacionadas: Signo 1.

isto desperta em nós certas emoções e idéias. elas não fazem parte das próprias percepções. é o comportamento resultante da percepção e da reação.representa. resposta. Assim. e novamente despertam reações a que respondemos. são observadas e percebidas. Estas reações são respostas. e não símbolos verdadeiros. todas têm natureza simbólica. Dizemos algo que expressa nossas idéias e emoções. Uma resposta. até certo ponto perpetua a si mesma. As respostas simbolizam os níveis perceptivo c de reação da nossa experiência. a forma é p estímulo e é derivada do mundo objetivo ou material. Esta percepção é um elo entre a forma objetiva e o significado. etc. nem dos objetos. gemidos. gestos. Pode consistir em palavras. uma expressão facial. Muitas dessas respostas são essencialmente signos ou sinais. Quando vemos agradáveis gramados. Por sua vez. árvores e belos prédios. Respondemos à nossa experiência com algum tipo de comportamento (palavras. exclamações. tendendo a prosseguir indefinidamente. Estas são reações às percepções. Gostamos destas coisas e nos sentimos bem com relação às mesmas. uma obra de arte.). representam esses níveis. Quando vemos um símbolo. também é parte 22 . a seqüência. porém. uma pintura. que representam as percepções. então. reação. bem como as percepções que as originaram. mas constitui também um símbolo. É percebida pelos olhos e uma imagem é formada na mente. Temos consciência dessas reações e as associamos às percepções. Faz parte da realidade que existe na nossa mente e corresponde à atualidade que existe no mundo. porém. mas. as idéias ou as emoções (ou uma combinação de tudo isto). Vamos chamar isto de resposta. percepção. E a elas associamos outros lugares ou cenas semelhantes.

A imagem na mente corresponde à forma. Mesmo tratando-se de um símbolo cultural ou coletivo. A imagem ou percepção corresponde ao círculo real. A forma e o significado. 1.vital do significado. 4. Estes serão esboçados e depois discutidos. mas é a base do significado. Vemos um círculo que simboliza totalidade. é a base do significado. 2. pelo menos até certo ponto. devem ser reversíveis. 3. Se um ou mais desses aspectos estão ausentes ou são deficientes. o símbolo tende a se tornar um signo ou um sinal. portanto. A idéia de totalidade é uma reação à percepção. As duas polaridades. Isto também está associado à percepção e se torna parte do significado. Deve ter origem nas funções subconscientes da mente. deve ter um significado individual. a totalidade. Estas relações podem ser assim resumidas: Forma Objetiva Significado Perceptivo Reativo A natureza e a função de um símbolo devem incluir todos ou a maioria de certos aspectos. que é associada à percepção. ele pode despertar um sentimento de harmonização ou deleite. Se pensamos nesse conceito de totalidade do ponto de vista místico. é uma parte essencial do significado. a forma e o significado. 23 . devem ser harmoniosas. ou seja. Trata-se de uma idéia na mente. porém.

7. meditando-se sobre ele. A rosa representa o Eu interior. e o significado. para ser um símbolo vivo. com sua natureza objetiva. elas são associadas por determinada razão. que é primordialmente subconsciente. A cruz representa um homem de pé com os braços estendidos para os lados. e o significado ou polaridade positiva. ou são criados ou unificados. O símbolo transmite significado àqueles que o empregam e transmuta sua consciência ou experiência. bem como as tribulações e experiências da vida. se não efetivamente em algum uso particular. Um símbolo deve ter mais de um nível de significado. As duas polaridades. deve ser mantido vivo. a personalidade-alma. a cruz com uma só rosa no centro. Para um símbolo permanecer significativo. mas o símbolo como um todo é o que é devido ao conteúdo do subconsciente que se relaciona com a forma. são fundidas num símbolo porque nelas há um elemento comum ou elementos comuns. para ser reprojetado etc. a fim de que não se torne demasiadamente objetivo. como parte das funções subconscientes.5. pelo menos em potencial. Tem um significado comum a todo o grupo e que ele compreende. portanto. Ele deve ter um significado individual. Sua forma é derivada do mundo objetivo. a forma ou polaridade negativa. tenderá a ser um signo. O significado é projetado para a forma e novamente assumido pelo indivíduo que percebe o símbolo. Todavia. ativo. 6. Um verdadeiro símbolo tem origem subconsciente. é o pólo positivo. e têm origem em 24 . A Rosa-Cruz. a menos que este símbolo tenha também um significado especial para o indivíduo que o empregue. é usada por um grupo. pode ser encarada como o fator negativo. Uma forma. é um símbolo cultural. pensando-se nele. A forma e o significado tornam-se um símbolo.

A ave. elas podem ser substituídas uma pela outra. o lugar lembra o sentimento e. A ave representa uma função ou concepção. A simples figura ou imagem da ave tem assim três diferentes níveis de significado. como a lendária fênix. Em qualquer uso particular. pode simbolizar renascimento e regeneração. o evento e os sentimentos a ele associados tornam-se um significado ligado àquele lugar. seja agradável ou não. um significado psicológico. A forma e o significado são reversíveis. mas os outros estão implícitos. caso em que tem significado psicológico. este. torna-se predominante. por exemplo. que são conceitos místicos. propriamente. porém. de modo que o símbolo. potencialmente. 25 . A rosa representa o Eu interior. de maneira que associamos uma coisa à outra e uma lembra a outra. Na escrita figurativa ou hieroglífica. desintegra-se. a forma ou o significado. Há um significado literal ou objetivo. uma coisa pode lembrar a outra. por assim dizer. com ela relacionada por uma dada razão.alguma harmonia ou algum equilíbrio entre si. a de uma ave representa uma ave. um símbolo pode ter somente um significado psicológico. lembra o lugar. Quando algo acontece num dado lugar. ou o significado passa a ser associado a uma outra forma. Os significados que não são evidentes. a figura de um homem representa um homem. apresenta diferentes níveis de significado. Estas figuras têm significado objetivo. Pode ter somente um deles em determinado caso. a forma e o significado são reversíveis. e um significado psíquico ou místico. que é a forma objetiva do símbolo. E isto pode ser dito de qualquer símbolo. o símbolo tende a se transformar em signo ou sinal ou. que é uma forma de simbolismo. deixa de existir. são implícitos no símbolo. Até certo ponto. Diz-se que a alegoria. Mais uma vez. A figura da ave pode ser usada para representar vôo ou a alma. Se uma das duas polaridades. mas deve ter todos os três níveis. por associação.

porque projetamos as idéias e os sentimentos da nossa consciência para a forma do templo. o símbolo é transmutado e modificado. Um templo é um prédio sagrado e um símbolo do que é sagrado. o místico se toma o símbolo. mais a forma. re-projetado e reassumido. seja consciente ou inconsciente. O elemento subconsciente é projetado para a forma e depois assumido. não é exatamente o mesmo símbolo de antes. e um símbolo é exatamente isto. até que realmente projetamos para ela o significado. Quando ele projeta e assume o significado. Este processo se repete muitas vezes. Quando ele é assumido e se torna de novo parte da consciência do indivíduo. tanto em forma como em significado. A projeção objetivada. Essa projeção é objetivada e considerada como se pertencesse à forma. Mas esse significado objetivado. 26 . que são outra vez projetadas para a forma e reassumidas. Quando compreendemos o significado da Rosa-Cruz. e quer a compreendamos ou não. compõem o símbolo em seu todo. por sua vez. No processo em que é assumido. produz em seu próprio âmago novas fases de significado.O significado de um símbolo é uma projeção da mente do homem. a forma é apenas material. é assumido pela pessoa que o projetou. evitando que ele degenere para um signo ou sinal. Mas a apreensão consciente e a compreensão ajudam o próprio processo e o desenvolvimento. É isto que mantém o símbolo vivo. Esta é a parte básica do processo de desenvolvimento psíquico ou místico. projetamos este significado da mente para a forma. Sem o significado. Por concentração e meditação num símbolo. Tratase de uma projeção da realidade do indivíduo para a forma do símbolo. a qual torna o significado parte de si mesma.

ouve. Como exemplo desse fator de transmutação. Um símbolo. nós. de um grupo para outro. é devida. apreendemos Deus somente em nosso Eu psíquico. Um símbolo transmite essa informação ou esse conhecimento de modo diferente de um signo. perde estes elementos. ao contrário de um signo. do Cósmico para o homem. fazem isto.Um símbolo. ou seja. Quanto mais do elemento subconsciente tem o símbolo. Quando um símbolo degenera para um signo. e traz consigo elementos subconscientes. e sim da nossa apreensão de Deus. ou por representação. porque surge do subconsciente. Esse conhecimento e esse amor só podem ser expressos. onde foi criado. como seres humanos. ou nos modifica psiquicamente. não do próprio Deus. deve-se notar. em símbolos que nascem subconscientemente e de que a consciência objetiva se torna ciente. por meios indiretos. pelo menos parcialmente. e perde o poder de transmitir esses significados. tem níveis de significado. Altera nossas idéias ou emoções. transmite aquilo que representa. Um símbolo é também um agente de transmutação. Transmite informação ou conhecimento de uma pessoa para outra. conhecendo-O e amando-O por harmonização. Tais símbolos são representações. um símbolo. à projeção e assunção que já examinamos. Um signo o faz por indicação direta. por sua natureza. mesmo para o próprio indivíduo. ou de algum outro modo o percebe. mais promove nosso desenvolvimento místico. 27 . Mesmo um sinal como o de um cruzamento de linha férrea. ou um signo como um letreiro de loja. Essa transmutação. mais é ele um agente transmutador. O símbolo menos importante transmite alguma coisa à pessoa que o vê. do nosso conhecimento e do nosso amor. Transmite ainda algo diferente do que transmite um signo.

Poderá considerar as seguintes perguntas: Que forma tem o símbolo para você? Que significado você projeta para a forma? Como a forma se modifica quando você medita sobre ela posteriormente? 28 . cresce. É somente como símbolos que eles transmutam. e à vida espiritual. Isto também pode ser feito com a flor. como os símbolos que os representam. A título de exercício. porém. A semente germina. projetamos os símbolos para Deus e depois os assumimos. ajudam a transmutar o místico.Projetamos o conhecimento de Deus e o amor a Deus. psicológica ou misticamente. reduzimo-los a signos ou sinais. Se começamos a encarar os símbolos como fato ou experiência literal. medite o leitor sobre o significado da semente e o amplie de modo que se aplique ao homem individualmente. ou às metas do misticismo. Os símbolos. a promover o seu desenvolvimento. a planta morre. em parte. também de crescimento e renascimento espirituais. à natureza. assim. e os assumimos. declínio e renascimento. através de projeção e assunção dos símbolos que estão ligados a Deus na mente do místico. ao homem coletivamente. eles renascem parcialmente através de renovação da experiência direta e. o fruto e a semente. e a semente germina de novo. mas. Um antigo símbolo do ciclo de vida e morte é a semente. Isto não só representa ciclos reais de crescimento. estão continuamente renascendo. e destruímos nossa própria experiência de harmonização mística. Tanto o conhecimento e o amor.

é um símbolo. Aspectos essenciais a um símbolo são apresentados neste Capítulo. Um sinal implica uma reação por parte de quem o emprega. A percepção corresponde à parte da atualidade que a causou. A percepção é o elo entre a forma objetiva e o significado. Um signo identifica ou indica alguma coisa. A primeira é derivada do mundo objetivo. mas é também parte do significado. Reagimos a percepções com idéias e emoções. No sentido mais amplo do termo. Há duas espécies de signos.SUMÁRIO Um símbolo representa uma outra coisa. a segunda é um símbolo degenerado. Uma resposta é o comportamento resultante da percepção e da reação. Este Capítulo aponta as diferenças que existem entre um signo e um sinal. bem como um exercício de meditação sobre a semente como um símbolo. 29 .

o átomo e o universo. porém. por sugestão. Do mesmo modo associamos sentimentos agradáveis a certos lugares. Polaridades opostas tendem a simbolizar uma à outra. e uma se torna um símbolo da outra. ou a forma e o significado. simboliza ascensão e altura. como. A cor branca é associada a pureza porque parece limpa e pura. O Sol representa a vida e iluminação mística. como já foi dito. 30 . Analogamente. ou pela lei das correspondências. por exemplo. mas ambos pertencem à categoria das cores. O lugar de um acidente torna-se um símbolo. não apenas do acidente.CAPÍTULO III: RELAÇÃO ENTRE FORMA E SIGNIFICADO DE UM SÍMBOLO – SÍMBOLOS INDIVIDUAIS E SÍMBOLOS ARQUÉTIPOS Um símbolo e aquilo que ele representa. A montanha. O fato de a cobra abandonar sua pele é semelhante a nascer de novo. a árvore é associada à vida. como o leão e sua força. As coisas são associadas também devido a dessemelhança. dos sentimentos a ele associados. a raposa e sua astúcia. estão relacionados de três modos possíveis: por associação. Forma e significado podem ser associados em função de atributos naturais. os aspectos físico e mental do ser humano. Branco e preto são associados porque são opostos. mesmo assim. a montanha é associada a altura e ascensão. A forma e o significado do símbolo estão associados porque são de algum modo semelhantes. mas. Coisas que acontecem no mesmo lugar são associadas. A cor branca traz à mente a idéia de pureza. um objeto pode ser simbólico devido à sua natureza ou função. de maneira que ela simboliza renascimento. pertencem à mesma categoria.

A publicidade comercial contém a sugestão de símbolos que aceitamos. já que os dois são elementos correspondentes de duas séries. guarda correspondência com as demais. O que Hamlet quer dizer é que ele passa muito tempo na presença do rei. Ele está usando o Sol para simbolizar o rei. Cada série de degraus. no universo. O reino cósmico ou divino corresponde ao mundano. A rosa e o lótus 31 . A forma. O terceiro modo em que a forma e o significado são relacionados é pela lei das correspondências. ou o universo. seus professores. corresponde ao pequeno mundo. Pretende-se que o público associe prazer e beleza ao produto. ou cada seção da escada. o príncipe diz que vive demais ao Sol. Na peça de Shakespeare. o grande mundo. e outros elementos do grupo cultural em que ele vive. são essencialmente cíclicos. e aceitamos isto. é em baixo". e o significado. Muitos dos símbolos usados por um indivíduo vêm de sua família. estão associados devido ao começo de um novo período ou ciclo de tempo. ou o homem. atuam como um símbolo. O Sol. Símbolos derivados de escrituras sagradas são aceitos pelo indivíduo e atuam como sugestões para ele. ou são usadas com esta intenção. e isto é usado no sentido místico segundo expressa o axioma hermético: "assim como é em cima. "Hamlet". Isto é ilustrado pelo símbolo da escada cujos degraus representam a hierarquia ou os níveis da Criação. Em outras palavras. que consiste no evento e nas atividades.Celebrações ou rituais do Ano Novo dependem do tempo. corresponde ao rei na sociedade. Uma cena agradável ou uma bela jovem. ligadas ao nome de um produto. Aprendemos que certa bandeira representa o país em que vivemos.

As percepções sensoriais são traduzidas em palavras ou outros símbolos. ou música. Precisamos de signos e símbolos para expressar conceitos científicos e filosóficos (ou para usar na conversa comum sobre os acontecimentos do dia). 32 . pintura. O processo de simbolização é necessário em ciência. Correspondência O pensamento e a comunicação dos seres humanos são baseados em signos e símbolos. A linguagem verbal. e essa ordem é conseguida em larga escala por meio de símbolos. e filosofia. O homem precisa de ordem no seu mundo. seja linguagem verbal. é um sistema de signos e símbolos. religião. arte. Temos então o seguinte esboço da maneira como a forma e o significado estão relacionados: 1. Sem símbolos. Os símbolos cumprem várias finalidades. Associação • • • • • Semelhança Dessemelhança Atributos ou funções naturais Espaço Tempo 2. Sugestão 3. matemática. o meio primordial de comunicação. o homem não pode pensar em termos do passado e do futuro. Experiências emocionais são expressas em forma simbólica.simbolizam o Sol porque são tidos como correspondentes a este astro no reino das flores.

Um símbolo pode ser a representação gráfica de uma lei. Em sexto lugar. podemos promover nosso desenvolvimento psicológico e místico. religiosos. mantendo-o vivo e significativo. os símbolos passam da cultura de uma época para a seguinte. para aumentar nossa compreensão ou conseguir harmonização. Sejam científicos. temos o que pode ser chamado de autocomunicação. constituem um meio de preservação do conhecimento. A união mística se faz duplamente: pela integração das fases do Eu. Palavras. figuras. ou sobre a Rosa-Cruz. A quinta finalidade consiste em auxiliar a memorização e a instrução. além de nos ajudarem na comunicação. Assim. símbolos são recursos para meditação e concentração. meditando sobre um símbolo. imprimindo essa lei na mente do estudante. Elas comunicam e são os instrumentos necessários ao homem para satisfazer sua necessidade de se expressar.A segunda finalidade é a necessidade de comunicação com os outros. Isto só pode ser feito por meio de signos. a atividade criadora e a expressão pessoal são em si mesmas simbólicas. como foi sugerido num capítulo anterior. e melodias. de alguma espécie. Falamos a nós mesmos. mas também são baseadas em símbolos. Finalmente. formulando nossas idéias e nossos sentimentos por meio de palavras. uma fórmula científica é um símbolo gráfico. de modo que ele a compreenda e possa recordá-la. representam algo que resultou da atividade criadora de um indivíduo ou um grupo de indivíduos. sinais. ou artísticos. Podemos meditar. ou símbolos. Mas. por assim dizer. e pela união com o Cósmico ou 33 . sobre a semente simbólica. os símbolos. Em quarto lugar. Em terceiro lugar. não nos comunicamos somente com os outros.

mas. ou a personalidade-alma. religiosas. O poder dos símbolos provém precipuamente de sua natureza e função subconscientes. emoções e experiências pessoais dos dois autores.Deus. são pessoais ou individuais. Tanto Beatriz como Helena representam o Eu interior. e de Helena no "Fausto". Alguns símbolos fazem parte de tradições científicas. de si mesmo para a forma. fórmulas químicas e equações matemáticas. Em ambos os casos. Os símbolos importantes para um indivíduo são. também resulta das idéias. figuras de Buda. como impressões de sonhos. são o que são em função do que é o indivíduo. As tradições culturais e os símbolos que elas estimulam a criar fazem parte do ser e da experiência do homem. Símbolos individuais ou pessoais são aqueles que têm significado especial para um indivíduo. Krishna e Zoroastro. ou a união a Deus. Símbolos. então. um produto desse desenvolvimento e um agente que promove o desenvolvimento. Uma jóia às 34 . embora as origens sejam diferentes. As fontes dos elementos subconscientes tanto são pessoais como culturais. Símbolos individuais. do que ele projeta do Eu interior para a atualidade ao seu redor. deve ter significado pessoal ou individual. muitas vezes estão combinados. um símbolo cultural. até certo ponto decorre do ambiente cultural de Dante e Goethe. por exemplo. Os fatores culturais e individuais não podem ser facilmente separados. e precisa ser renovado pela meditação. o homem projeta o significado. para ser vivo e significativo. A diferença no significado de Beatriz na "Divina Comédia". Muitos outros símbolos. a auto-integração. nascem no âmago do seu ser. políticas e culturais. bandeiras nacionais. Na verdade. por outro lado. Sua fonte é exterior ao próprio homem. ao mesmo tempo. o casamento espiritual. mas não necessariamente para outros.

É um símbolo cósmico ou arquétipo porque o padrão de sua forma corresponde a princípios e padrões cósmicos e os expressa. usualmente tem significado simbólico. A cruz é ao mesmo tempo um símbolo cultural e cósmico. com suas variações. característico do pensamento e da criatividade do homem. o Campo de Juncos Egípcio etc. é também um símbolo cósmico ou arquétipo. Símbolos culturais são os símbolos comuns a um grupo. social. bem como o jardim de rosas dos alquimistas. nas igrejas cristãs contemporâneas. os Campos Elísios.vezes torna-se um símbolo da pessoa que a usa. O Jardim das Hespérides. Um símbolo cósmico ou arquétipo é aquele que tem um padrão básico. numa outra. corresponde a essa ordem e a expressa. Um bem. Os membros de uma família sâ"o simbólicos para os próprios indivíduos da família. podem ser classificadas como símbolos arquétipos. ou um grupo religioso. encontradas em muitas partes do mundo.. seja uma família. A montanha e a árvore sagradas são. primordial. Sua forma e seu significado particulares têm elementos culturais e talvez pessoais. mas esse padrão é um padrão cósmico que é percebido e usado por seres humanos. como a cruz. são exemplos. É comum a muitos povos do mundo e aparece em muitas épocas. 35 . como no caso do ziggurat babilônio e das pirâmides egípcias. Surgem espontaneamente na simbolização feita pelo homem. Os homens muitas vezes criam montanhas artificiais como símbolos sagrados. A montanha e a árvore são símbolos comuns porque são objetos de experiência freqüente. O jardim. ou uma posse muito estimada. portanto. ou político. É derivada da compreensão humana da ordem cósmica. Ela é encontrada no Egito antigo numa forma e.

Mas os símbolos também podem surgir espontaneamente. Carl Gustav Jung mostrou sua importância em sonhos. de certo modo.Símbolo cósmico ou arquétipo é aquele cuja forma e cujo significado básicos são comuns a muitos povos. Figuras arquétipas comuns. de uma área relativamente pequena. cultural. Povos que migram levam símbolos culturais e pessoais. mas. e arquétipo. Símbolos cristãos também foram difundidos. A cruz. foram transferidos de seu ponto de origem para muitas partes do mundo. compartilhandoos e modificando-os em seu contato com outros povos. por exemplo. Símbolos budistas. a muitos grupos bem distanciados. Fazem parte da natureza humana e nascem espontaneamente. para todo o mundo (às vezes tão modificados que refletiram os períodos e lugares em que foram usados). Mesmo objetos culturais comuns. fantasias. As mesmas figuras são encontradas em muitas épocas e muitos lugares. não apenas a um grupo. mas a cruz tem de apresentar também um nível pessoal de significado. Ele é comum. tanto podem ser culturais como pessoais. como o Monte Olimpo ou o Monte Horeb. apenas porque os seres humanos simbolizam naturalmente em certos significados e formas comuns. A rosa. porque são comuns a toda a humanidade. ou degenera para um símbolo estático ou morto. como a árvore cósmica e a cruz. e obras de arte. tanto no "Fausto" de Goethe 36 . é um símbolo que. como já foi salientado. encerra tanto elementos culturais como arquétipos. ambos têm elementos comuns onde quer que sejam encontrados. Embora sua forma e seu significado variem. podem ter fortes elementos pessoais. de Thomas Mann. Muitos símbolos pertencem aos três tipos: pessoal. Este é o caso da Rosa-Cruz ou da Cruz Hermética. é comum à humanidade. Esse significado individual é evidente em "A Montanha Mágica".

quando uma linha em ziguezague é usada para representar um relâmpago. Observe particularmente aqueles que possam ser classificados como objetivos. Para uma pessoa. Os símbolos são objetivos. finalmente. porém. Uma criança faminta pode ser um símbolo de pobreza. a artística etc. Quando atuam precipuamente de modo objetivo. carência. pode ser mais emocional e. como a verbal. O nível de consciência depende tanto do indivíduo que usa este símbolo como do próprio símbolo. é predominantemente objetiva e tende a ser um signo que identifica o relâmpago. Neste caso. quando simboliza Júpiter ou Zeus. sem o qual não seria tão eficaz. em especial se a pessoa que usa o símbolo viveu aquela condição de pobreza. culturais e arquétipos. subjetivo. Assim como os símbolos podem ser individuais. mesmo que um nível predomine. funciona precipuamente no nível subconsciente e é um símbolo verdadeiro. mas tem também um nível pessoal de significado. portanto. são usualmente subconscientes em função. Eles se originam subconscientemente. subjetivos. na mitologia grega. Durante sua rotina diária. mas podem ser predominantemente subjetivos ou mesmo objetivos. ou de um organização beneficente. funcionam nos três níveis. Depois selecione os que sejam principalmente subjetivos e. como a cruz ou a montanha. E pode também funcionar subconscientemente. ele pode ser apenas um sinal para dar dinheiro ou alimento. os subconscientes. Por exemplo. e não símbolos verdadeiros. Considere todas as formas do símbolo. subjetivos e subconscientes. tendem a ser signos ou sinais. dependendo do nível de consciência em que atuam. Para uma outra.como na "Divina Comédia" de Dante. origina-se em tradições culturais. No entanto. preste atenção aos símbolos. ou subconscientes. perderam o significado e a função mais profundos. Símbolos arquétipos. Verifique se a 37 . podem ser também objetivos.

38 .forma e o significado estão relacionados por associação. SUMÁRIO A forma e o significado de um símbolo estão relacionados dos seguintes modos: 1. Sugestão 3. promoção de desenvolvimento psicológico e místico. auto-expressão. Associação • • • • • Semelhança Dessemelhança Atributos ou funções naturais Espaço Tempo 2. preservação de conhecimento. ou correspondência. recordação e instrução. meditação e concentração. sugestão. comunicação. Correspondência Os símbolos cumprem várias finalidades: necessidade de ordem.

que corresponde a princípios cósmicos e é característico do pensamento humano. primordial.Símbolos individuais são aqueles que têm significado especial para um indivíduo. 39 . O exercício proposto neste Capítulo consiste em observar quais os símbolos que são objetivos. ou subconscientes. seja a família. dependendo do nível de consciência em que atuem ou funcionem. e como a forma e o significado estão relacionados. Os símbolos são objetivos. e os que são subconscientes. Símbolos culturais são comuns a um grupo. mas não necessariamente para outros. ou um grupo religioso. Os símbolos migram com os povos e são assimilados no contato entre povos. quais os que são subjetivos. Símbolos arquétipos apresentam um padrão básico. social. subjetivos. Podem também surgir espontaneamente. ou político.

que um homem ou um grupo de homens podem criar para representar suas próprias noções. Obviamente. temos os signos que são usados por físicos e engenheiros eletricistas para representar componentes de um circuito elétrico". e podem não ter significado algum para um outro grupo de pessoas. há símbolos artificiais. Tais símbolos artificiais são relacionados com experiências particulares do indivíduo ou do grupo. essas outras o símbolo à está nossa continuamente trazendo idéias consciência. Uma nuvem escura.CAPÍTULO IV: SÍMBOLOS NATURAIS E ARTIFICIAIS – O PROCESSO DE SIMBOLIZAÇÃO – SIMBOLISMO E A LEI DOS OPOSTOS O livro "Símbolos Antigos e Sagrados". os símbolos naturais têm aceitação bastante generalizada. é um símbolo natural. Por exemplo. Há algo na forma do signo que lembra um elemento ou elementos de algum grupo anterior de idéias da nossa experiência. de Ralph M. Por associação. Sugere tudo o que está associado a uma tempestade. 40 . Lewis. por exemplo. classifica os símbolos em naturais e artificiais: "Símbolos naturais são principalmente decorrentes de sugestão. Por outro lado. porque estão relacionados com experiências humanas comuns.

ou literatura. Símbolos artísticos são aqueles que são usados em formas de arte. arquitetura. da Terra e das quatro direções. o símbolo está sendo usado na categoria de comunicativo. é um símbolo artístico. É claro que todos os símbolos comunicam. artísticos e ritualísticos. Naturalmente. compõe-se de elementos naturais artificialmente plantados e dispostos no terreno. ou seja. são símbolos naturais. então. A qualidade da arte não é um critério para decidir se um símbolo é artístico. O que queremos dizer com esta categoria é que há símbolos que são destinados precipuamente a transmitir conceitos. Se o símbolo é usado em pintura. que serão analisadas posteriormente. provavelmente. que formam a concepção humana de uma espécie de ordem. Símbolos comunicativos são o que o nome já indica. por outro lado. A linguagem usada num livro de texto é um sistema de signos e símbolos que transmite conhecimento ou informação ao leitor. a rosa. então. Os símbolos podem também ser classificados como comunicativos. é um símbolo artístico. Um símbolo pode ser comunicativo num uso e artístico num outro. É derivada. Quando é ensinado ao estudante que a Rosa-Cruz representa a personalidade-alma e as tribulações da vida. de início representava esses elementos naturais. aqueles que são usados especificamente para comunicar conhecimento ou informação. etc. na Rosa-Cruz. O jardim. é natural e artificial. é místico e comunicativo. A cruz é um símbolo artificial. Símbolos místicos são às vezes usados para instruir o estudante em certos princípios. idéias. de modo que a própria Rosa-Cruz é uma combinação de símbolo natural e artificial. emoções. ou pode ser uma combinação das duas categorias.A montanha e a árvore. Mas a Rosa-Cruz pode ser usada num poema ou numa pintura e. é um símbolo natural. pelo menos em parte. para fins estéticos. escultura. O símbolo. mas está baseada em fenômenos naturais e. 41 .

um ritual é também um símbolo coletivo ou cultural. numa dança.. as idéias e emoções. que já fazem parte da consciência. conceitos. ou para evocar um ritual na mente do iniciado. políticos e sociais. em sonhos etc. emoções. numa pintura. as perambulações. os conceitos. emoção ou ação. Em outras palavras. num drama. 42 . por associação. e símbolos verbais. ou uma forma geométrica. pode começar nas funções objetivas ou nas funções subconscientes. ou um símbolo com significado individual. Quando vemos um objeto. A percepção e os conceitos. Os elementos comuns nos dois fatores tornam-se a base do símbolo. e que estas coisas são relacionadas por associação. O símbolo é criado ou unificado no subconsciente. as idéias e emoções. num uso particular. com o significado. uma idéia. A natureza psicológica e mística da simbolização com freqüência não tem sido explicada. Tais símbolos abrangem os objetos usados durante a cerimônia. uma outra idéia. ou propriamente num ritual. Já dissemos que um símbolo é um objeto. Um objeto percebido. a forma e o significado. que representa um outro objeto. o estágio inicial pode ser objetivo ou subconsciente. Essa união torna-se o símbolo expresso ou objetivado. etc. e são unificados subconscientemente. mas não necessariamente. A percepção está relacionada com a forma. O processo pode ser iniciado ou estimulado por qualquer um dos dois fatores ou das duas polaridades.Símbolos ritualísticos são aqueles que são usados. porém. Rituais de Ordens fraternais usam símbolos. Esta percepção é associada a idéias. como nos rituais religiosos. temos uma imagem perceptiva do mesmo em nossa mente. Usualmente. etc. Pode ser um símbolo pessoal. os gestos. que pode consistir em palavras.. sugestão e correspondência. sugestão e correspondência. são relacionados. como já explicamos.

temos: Significado Imagem mental Objetivação O segundo tipo de simbolização é o mais comum dos dois e pode surgir por intuição. quer na sua mente. subitamente adquirem significado. Isto ocorre com freqüência quando o estudante começa a compreender a filosofia mística. As formas. A necessidade de representar o significado produz uma imagem mental muito parecida com uma imagem perceptiva. num desenho etc. há de explicitar a imagem e criar o símbolo. Esquematizando isto. ou não.pode estimular a projeção de um significado que não associávamos a essa forma. O primeiro tipo se tornará mais facilmente um signo ou sinal. porém. Este é o caso do que podemos entender como um significado em busca de uma forma. ambos os tipos consistem na forma. ou memória da encarnação atual ou de encarnações anteriores. ou de modo objetivo em palavras. para a qual foi projetado o significado. 43 . experiências psíquicas. Se o indivíduo se tornar suficientemente cônscio disto. lembrando que estes esquemas são úteis mas são muito simplificados: Objeto ou estímulo Estímulo Percepção Percepção Símbolo Reação Objetivação Resposta simbólica O processo pode começar ou ser estimulado pelos próprios processos mentais. muitas vezes não temos consciência do processo. porém. quer tenham sido conhecidas previamente. telepatia. Isto pode ser esquematizado das seguintes maneiras. harmonização.

num poema. forma Idéias. O objeto e a forma são elementos materiais. percebido pela mente. conceitos. a percepção não é o objeto. negativos. ou significado A forma expressa de um símbolo pode ser: 1. A forma e o significado estão associados ou ligados. ou numa história 44 . Nem a forma em si mesma nem a sua imagem perceptiva constituem o significado. Palavras. e este não é a forma. um desenho. positivos. as emoções e os conceitos que constituem o significado são os elementos subconscientes. como num ensaio. É o elemento objetivo. As idéias. Em outras palavras. a forma não é o significado. Símbolo Objeto. O símbolo se compõe destes dois elementos. ou uma escultura 3. como a Rosa-Cruz ou a esfera 2. Um objeto.Em ambos os processos. Uma pintura. mas não são idênticos. e resultam de diferentes funções mentais e níveis de consciência. e o símbolo não é a percepção nem o objeto. emoções. Todas estas coisas fazem parte de um único processo e formam uma unidade.

a fealdade é a ausência de beleza. No entanto. Projeção Homem Assunção Símbolo Um símbolo deve ser considerado como uma polaridade. União Símbolo Negativo Positivo Forma Significado 45 . o positivo. assim também. mantendo-o assim vivo e evolutivo. Luz e trevas são os aspectos positivo e negativo do mesmo todo. Consideramos a escuridão como a ausência de luz. O elemento negativo de um par de opostos é a ausência do outro. e estimula o indivíduo a assumir e projetar o significado. Um par de opostos consiste em duas coisas contrárias entre si. As trevas são apenas um aspecto desse todo. objetivamente. de que a luz é o outro aspecto.A expressão do símbolo em alguma forma objetiva completa o seu ciclo de criatividade. a escuridão tem tanta realidade quanto a luz. A tríade é completada pela unificação dos dois opostos. O homem projeta o significado para o símbolo e o assume novamente. e a fealdade é tão real quanto a beleza.

ao invés de simbolicamente. 2. ou o elemento negativo. leva à substituição do positivo pelo negativo. Cosmicamente. predomina Subconscientemente. é entendido literalmente. Subconscientemente. então. A degeneração do símbolo. a forma e o significado são um só e assim são apreendidos no fenômeno de consciência Cósmica. Por exemplo. apreendemos a unificação dos opostos. ou o significado perde a forma da máscara e se 46 . ou a polaridade positiva. Subconscientemente. e. a máscara dramática perde a emoção que representa e se torna a coisa em si mesma.A lei dos opostos pode ser assim resumida: 1. Objetivamente. ou vice-versa. eles formam uma unidade. Cosmicamente. a forma é encarada como o próprio símbolo.predomina No tocante a símbolos. o significado. o elemento negativo é a ausência do positivo. O símbolo. porque isto é o que predomina. a forma é a ausência do significado. isto significa que a forma. predomina objetivamente. um dos elementos do par é a ausência do outro. o significado tende a perder a forma. o homem concebe que um par de opostos se compõe de duas coisas contrárias entre si. Cosmicamente Subconscientemente Objetivamente ___________________________________________________________________ +e– São um só + predomina . ou sua perversão. 3. Objetivamente. Portanto.

um archote. 47 . uma das polaridades está morta ou não funciona devidamente. Quando o símbolo da cruz degenera. é usado objetivamente e perde sua função nos níveis de consciência mais profundos. o símbolo tende a ser encarado literalmente. ele próprio se torna de certo modo objetivado. como a luz. Por fim. a forma e o significado são um só.torna a própria forma ou toma o seu lugar. Quando o significado do símbolo perde a forma. Em ambos os casos. a forma não é mais do que um sinal para uma reação emocional ou conceptual. a emoção (ou o conceito) torna-se um gatilho automático para a forma objetiva. como o Sol. de modo que a meditação sobre o símbolo ajuda a manter a união das polaridades funcionando com harmonia. uma lâmpada. em lugar de simbolicamente. pessoalmente. Em ambos os casos. e esquematize os elementos que são derivados de um grupo e compreendidos pelos componentes desse grupo. pergunte o que o símbolo significa para si mesmo. tanto a forma como o significado podem pertencer a qualquer um dos três tipos. A luz é um símbolo que aparece em muitas formas. Quando o símbolo degenera de modo que o significado predomina. Por isto recomendamos que o leitor escolha um símbolo comum. Cosmicamente. Assim. a forma predomina. Então. É importante compreender os elementos pessoal. Depois. a Lua. o significado não mais está funcionando nos níveis subconscientes. Um símbolo degenerado perde a polaridade de forma e significado. verifique se ele tem também um fator arquétipo. cultural e arquétipo dos símbolos.

artísticos e ritualísticos. O processo de simbolização pode começar com o elemento objetivo ou com os próprios processos mentais. Em ambos os processos. com o significado. nem o símbolo é a percepção ou o objeto. mais facilmente se tornam signos ou sinais. Os símbolos do primeiro tipo. que são estimulados pelas funções objetivas. ou em comunicativos. Cosmicamente Subconscientemente Objetivamente ___________________________________________________________________ +e– São um só + predomina . A percepção está relacionada com a forma. O fato de se expressar o símbolo em alguma forma objetiva vem completar seu ciclo de criatividade.SUMÁRIO Os símbolos podem ser classificados em naturais e artificiais. A forma não é o significado. refere-se à forma como polaridade negativa e ao significado como polaridade positiva. e este não é a forma. A lei dos opostos. as idéias. e estimula o indivíduo a assumir e projetar o significado. todas estas coisas fazem parte do mesmo processo. as emoções e os conceitos.predomina 48 . aplicada aos símbolos. porém. a percepção não é o objeto.

ou vice-versa. culturais e arquétipos. O exercício deste Capítulo consiste em analisar a luz como símbolo. para identificação de elementos pessoais. 49 .A degeneração de um símbolo leva à substituição da polaridade positiva pela negativa.

esta se cumpre naturalmente e quer estejamos dela conscientes ou não. ou psíquicas). o conhecimento do universo astronômico. Antes de estudarmos o que podemos chamar de metafísica e psicologia dos símbolos. a memória do passado. mentais. O que chamo de ambiente é tudo o que nos rodeia imediatamente. nossa igreja. no sentido em que é aqui usado. O que chamo de não-Eu é tudo aquilo que está situado fora do nosso Eu individual. O não-Eu é tudo o que não é o Eu. romances. uma unidade psíquica. Trata-se do processo mental sem o qual o homem não seria humano. etc. como todas as funções (sejam físicas. Normalmente. seja este Eu considerado uma unidade física. nosso clube. como ele é menos familiar. O senso de passado e futuro. será explicado mais extensamente. O terceiro termo é campo e. isto inclui nosso lar e nossa família. Criar e usar símbolos é uma função básica e natural da mente humana e. direta ou indiretamente. contos de fadas. e em ciência. precisamos diferenciar três termos. na conversa comum. arte. A simbolização não é apenas uma ferramenta que a mente utiliza. a vizinhança ou a cidade onde vivemos. ou ambas. tudo isto está baseado. etc. e sim uma força motivadora que produz rituais. Ela se cumpre em religião. Campo é a parte do não-Eu 50 .CAPÍTULO V: SIMBOLIZAÇÃO: UMA FUNÇÃO BÁSICA DA MENTE A simbolização é a maneira básica em que o homem se relaciona com o seu ambiente e pela qual ele ordena aquilo que percebe de si mesmo e do não-Eu. símbolos geométricos. símbolos pessoais e psíquicos. os fenômenos psíquicos e místicos. no uso de símbolos pelo homem. a simples percepção.

de que cada coisa que existe tem um campo que se relaciona com ela própria e com o ambiente ou o não-Eu. Psicologia. O homem e seu campo estão relacionados biologicamente. não são sinônimos. O sistema homem-campo é uno. o ambiente. psicológica. e outras pessoas. Nada existe como uma unidade ou entidade fechada.com que o indivíduo tem uma interação ou inter-relação definida. animais. O homem funciona em seu campo psicologicamente. seja em Física. a Terra tem um campo magnético que a relaciona com o seu ambiente. O elétron funciona num campo. Mas estas modalidades são diferenciadas somente porque precisamos considerá-las desta maneira para pensar a seu respeito e analisá-las. toma consciência de objetos. Ele percebe o mundo ao seu redor. O homem se relaciona biológica e psicologicamente com o seu campo. que o homem e o campo formam uma unidade. que é psíquica e física. além disso. O campo. Biologia. está baseada neste fato fundamental. biológica. O homem está relacionado com o seu campo também psíquica e misticamente. Ele respira ar e ingere alimentos. consciência Cósmica. não são a mesma coisa. Comunicação. Esta é a metafísica básica do misticismo. e pode ser estudado do ponto de vista das ciências físicas. Temos assim quatro aspectos ou modalidades básicas do campo: física. plantas. Sua consciência é expandida de modo a incluir um certo campo à sua volta. Isto inclui a aura. totalmente à parte ou isolada. e assim usa seu campo biologicamente. e psíquica. A idéia de campo. É importante compreender que o campo constitui uma só unidade e. O ser humano vive em seu campo fisicamente. e o não-Eu. harmonização. 51 . o ser humano tem uma aura. ou Misticismo. fenômenos para-psicológicos.

A personalidade humana pode ser entendida como uma unidade psíquica, funcionando num campo com que o homem está basicamente unificado. O homem é o núcleo ou centro individual e mutável de um campo mutável. O sistema homemcampo é uma unidade modelada no sistema espaço-tempo. A extensão dessa unidade, tanto no espaço como no tempo, é variável. O padrão dessa relação está constantemente mudando. O núcleo, ou polaridade positiva da unidade é o ser humano individual, o homem em processo de mudança. A célula exterior, ou o campo, é o elemento negativo. Este próprio elemento também está mudando; o campo nunca é o mesmo. Mas a percepção que o homem tem do campo também se modifica. A parte humana do sistema homem-campo, ou seu elemento positivo, igualmente muda; o que ele percebe e o campo também se modificam, mas as três coisas mudam como uma unidade inter-relacionada. Os elementos do sistema homem-campo estão relacionados de vários modos. Primeiro, há a interação física, em que o homem modifica o seu ambiente. A segunda maneira em que esses elementos são relacionados é pelas funções biológicas do homem. A terceira, por suas funções psicológicas; por exemplo, através de percepções sensoriais, emoções, raciocínio, imaginação etc. A quarta, por meio de comunicação, como na linguagem verbal. A quinta, por ação ou comportamento. Devido à sua natureza especial e às suas funções, a aura também relaciona o homem e o campo, e isto constitui a sexta maneira. Sentimos auras ao nosso redor, usamos auras em psicometria ou para sentir coisas através das mãos. O sétimo tipo de relacionamento entre o homem e o campo se faz por fenômenos parapsicológicos, como telepatia, intuição etc. O oitavo é por harmonização. A experiência mística expande a consciência e, com isto, amplia o campo até que o

52

sistema homem-campo se torna o Cósmico. A harmonização, o estado de unificação da experiência mística, consiste em que o indivíduo se torne um sistema homemcampo expandido, até alcançar a união final. Finalmente, e na base de todos estes modos de relacionamento, está o próprio processo de simbolização. A simbolização é fundamental para a nossa consciência da relação homem-campo. Sem símbolos, não podemos pensar sequer sobre a nossa consciência de simples relações físicas, ou expressá-las. Sem símbolos, algumas dessas relações absolutamente não existem. Além disso, os símbolos exercem uma influência ativa em muitas dessas relações. A harmonização, por exemplo, pode ser expressa em símbolos; mas os símbolos, por sua vez, pela meditação, afetam o nosso desenvolvimento psíquico e fortalecem e expandem a harmonização. O homem é misticamente uno com o campo e, misticamente, o campo é todo-abrangente. A união mística pode ser entendida como uma inclusão do Cósmico no próprio campo, de modo que a consciência passa a ser percepção do Cósmico. Quanto mais a consciência inclui o campo ou está com ele harmonizada, mais psíquica e misticamente desenvolvido é o indivíduo. O desenvolvimento místico, então, é um processo de ampliação do sistema homem-campo. Os símbolos místicos e os rituais simbólicos constituem um modo de afetar o sistema homem-campo e ampliar ou expandir a consciência. Esses símbolos assumem muitas formas; podem ser visuais ou auditivos, e incluem mantras, ou sílabas e palavras sagradas, que atuam como símbolos. Quando visualizamos algo que desejamos, ou visualizamos para curar, ou para transmitir um pensamento a alguém, a imagem visualizada atua como um símbolo. Pela criação desse símbolo e a concentração no mesmo, estamos dirigindo

53

o Eu ou o campo em que estamos trabalhando, ou ambos. Se estamos visualizando algo que desejamos, estamos controlando tanto o Eu quanto o campo. Se estamos curando alguém, estamos dirigindo uma outra pessoa, que faz parte do nosso campo, no momento, onde quer que ela esteja. Se usamos auto-sugestão, é o Eu que estamos controlando. Quando usamos sugestão sobre alguém, ou transmitimos uma mensagem a alguém, estamos controlando ou dirigindo essa outra pessoa como parte do nosso campo. O seguinte esquema representa esta relação: Visualizador, ou Concentração no símbolo

Controle do Eu

Controle do campo

A relação entre o controle do Eu e o controle do campo é indireta, através da concentração no símbolo visualizado. Também a ação direta se faz da concentração no símbolo para o elemento controlado, mas há ainda uma influência do Eu controlado ou do campo controlado para a pessoa que visualiza o símbolo. Algo é projetado do visualizador para o Eu controlado ou o campo controlado, e algo é por outro lado assumido do Eu controlado ou do campo controlado.

54

O elemento, significado, do símbolo, pode ser dividido no que podemos chamar de ordem e conteúdo. A ordem é o padrão arquétipo, cósmico, ou psíquico, o ritmo ou a harmonia a que a forma corresponde parcialmente e que ela expressa ou manifesta. O conteúdo consiste nas idéias, emoções etc., que a forma representa. A forma e o conteúdo são apreendidos na mente e projetados para a forma. O fator ordem, do significado, é o padrão inerente à forma e a ela correspondente, mas a ordem também corresponde ao conteúdo, ou às idéias e emoções representadas pela forma. Neste sentido, a ordem, ou o padrão, é um mediador entre o conteúdo e a forma. É aquilo com que tanto o conteúdo como a forma estão relacionados. É o elemento arquétipo, porém, expresso em forma material. É o protótipo psíquico da forma. A forma da rosa material que desabrocha no jardim, a rosa pintada e assim usada como símbolo, e a rosa que existe na mente, são diferentes. A forma de cada qual depende da manifestação material. A ordem, que é o padrão arquétipo, é semelhante nestas formas, e é fundamental para o significado. A ordem contém elementos básicos necessários ao significado. Todas as três rosas são símbolos da personalidade-alma, porque têm a mesma ordem básica, ou o mesmo padrão psíquico, que corresponde à personalidade-alma e a representa. Num símbolo objetivado, a ordem é manifesta na forma física. Num símbolo psíquico, a ordem é manifesta na imagem que é apreendida na mente. O símbolo psíquico pode ou não ser expresso numa forma física, como palavras ou um desenho. A ordem, no símbolo psíquico, é apreendida graças à tradução de estímulos psíquicos para percepções ou imagens. No símbolo objetivado, ela é

55

Cabe lembrar que a forma. A ordem é básica para a forma e para o conteúdo. ou o elemento psíquico. de modo que seria melhor usar a palavra emoção. e a ordem e o conteúdo. porque elas usam símbolos ou sistemas simbólicos como a linguagem verbal. que é um dos aspectos mais importantes do pensamento humano. e o círculo menor. A forma não existiria sem uma ordem fundamental. mas ela própria é cósmica ou arque tipa. O sistema de psicologia de Carl Gustav Jung usa quatro funções: sensação. cósmica. A ordem é o mediador entre a forma e o conteúdo.apreendida pela tradução da ordem cósmica para a forma e. Cabe ainda lembrar que. são ambos traduções de impressões vibratórias. representa a função intuitiva 56 . a intuição é a chave. Este sistema não reconhece a imaginação. embora dividamos o símbolo em elementos ou componentes. E ao mesmo tempo uma base destas funções. A simbolização usa funções psicológicas como a emoção. São vibrações diferentes e são traduzidas por diferentes órgãos receptores. pensamento. para produzir símbolos. sentimento. e intuição. O diagrama da última página deste Capítulo representa estas funções e sua relação. Mas o conteúdo também depende da ordem cósmica. central. Misticamente. Um capítulo posterior desta série explicará os símbolos psíquicos. para a percepção. ele é um só símbolo e funciona como uma unidade. ou a função central. ou o elemento material. o raciocínio e a imaginação. depois. O termo sentimento pode significar emoção e mesmo sensação. o círculo intermediário representa o subconsciente. O círculo maior representa o campo objetivo. Recomendamos que o leitor revise então este capítulo.

e o tamanho dos círculos também não é fixo. Ela pode usar precipuamente o raciocínio numa atividade. Note-se que todas as quatro últimas funções estão situadas parcialmente no campo objetivo e parcialmente no campo subconsciente. então. Chamaremos o círculo pequeno superior (número 2) de imaginação. É uma representação objetiva e espacial de coisas que absolutamente não são espaciais. Dando mais um passo. o da direita (número 5) de sensação. O próprio diagrama é um símbolo que representa certas funções psicológicas e a relação existente entre elas. porém. e. e a simbolização é necessária para que os níveis e as funções atuem. de raciocínio. que coloca as funções em "compartimentos" demasiadamente precisos. já que a importância. serve para ajudar a compreender as funções e o fato de que a mente é uma unidade. e a função predominante. A relação entre as cinco funções não é a mesma em quaisquer dois indivíduos. atuando como um todo num ser humano que é também uma unidade completa em si mesma. e que isto representa sua função dual. Estes níveis e funções são necessários para o homem simbolizar. numa outra atividade. A ordem. sua reação pode ser principalmente emocional.do subconsciente. o da esquerda (número 3). que esse tamanho representa. podemos afirmar que a consciência é que é a base da união do sistema homem-campo. igualmente sofre variação. Normalmente. O processo de simbolização depende de todas as funções e dos níveis objetivo e subconsciente. não são fixas. o inferior (número 4) de emoção. mas deve ser entendido simbolicamente. Pode nos ajudar a compreender a nós mesmos. Não obstante. 57 . todo esquema deste tipo é uma supersimplificação. e a função predominante em cada pessoa varia conforme sua natureza e suas atividades.

Você pode sonhar com ela. SUMÁRIO A simbolização é a maneira essencial em que o homem se relaciona com o ambiente e o campo. que se cumpre em religião. Funções biológicas 58 . Físico 2. Interação física 2. Psíquico O homem e o campo estão relacionados por: 1. depois. medite sobre outras relações homem-campo. O campo é a parte do não-Eu com o qual o indivíduo tem uma interação ou inter-relação definida. O homem existe num campo quádruplo: 1. Nenhuma destas coisas pode ser feita sem simbolização. Biológico 3. você tem consciência da mesma e fala a seu respeito. Pode escrever para alguém a seu respeito. conversação.A sala em que você está lendo não apenas existe. É uma função básica e natural da mente. ciência etc. arte. Recomendamos que medite sobre as maneiras como simboliza esta sala e. Psicológico 4.

manifesta-se na forma física. Harmonização 9. Ação ou comportamento 6. O exercício do Capítulo consiste na análise da relação homem-campo. que é o padrão arquétipo ou psíquico. O sistema homem-campo forma uma unidade. ou as idéias e emoções que a forma representa. manifesta-se na imagem mental. Comunicação 5. Num símbolo psíquico. Num símbolo objetivado. imaginação. e sensação. bem como entre intuição. Auras 7. O diagrama da página seguinte simboliza as relações entre as funções objetivas e as funções subconscientes. 59 . e atua como mediadora entre estes dois últimos elementos. raciocínio. A ordem está relacionada com a forma e o conteúdo. O desenvolvimento místico é um processo de ampliação da união entre o homem e o campo. emoção. e expressá-las. Simbolização Os símbolos nos permitem pensar em nossa consciência mesmo de relações e funções físicas simples. O significado de um símbolo consiste em ordem. Funções psicológicas 4. e conteúdo. Fenômenos parapsicológicos 8. e a funções psicológicas como a imaginação e a memória. São necessários a certos relacionamentos como a comunicação. A imagem visualizada atua como um símbolo e afeta ou controla o Eu e o campo. Exercem influência ativa no desenvolvimento emocional e psíquico.3.

Imaginação 3. Intuição 2. Sensação 60 . Emoção 5.1. Raciocínio 4.

porque venha suprir uma necessidade ou em função da atividade criadora natural. O símbolo da ONU é deste gênero. Um indivíduo pode se lembrar de experiências de encarnações anteriores e. 61 . Um símbolo pode nascer espontaneamente. levar símbolos de uma encarnação para outra. podem até ser símbolos arquétipos ou cósmicos que não tenham sido usados antes numa dada cultura. pelo menos em parte. seja consciente. Embora alguns símbolos de fato migrem de um povo para outros ou sejam assimilados. muitos símbolos não estão assim associados. de modo consciente e deliberado. na consciência coletiva. ser baseado em culturas ou experiências pessoais anteriores. mas. Um símbolo pode ser deliberada e conscientemente criado. como os mesmos símbolos ou símbolos semelhantes são encontrados em diferentes partes do mundo. Símbolos podem ser transmitidos de uma geração para outra. assim. O símbolo é. primeiro. parte de uma experiência.CAPÍTULO VI: ORIGEM DOS SÍMBOLOS E freqüente acreditar-se que. Podem ser transmitidos telepaticamente. têm origem totalmente independente. assim como um profissional de publicidade pode criar um signo ou símbolo para servir aos seus objetivos. seja inconscientemente. de um indivíduo ou um grupo. Os símbolos criados assim espontaneamente podem ser pessoais ou culturais. Símbolos podem ser herdados de épocas anteriores. Os símbolos podem resultar de experiências espirituais ou psíquicas. Um símbolo pode. uma questão de tradição. e isto não é necessariamente. eles devem ter uma origem comum num dado país e em certa época. e depois é usado para expressar a experiência ou um conceito a ela associado.

A maneira mais evidente em que os símbolos migram é através de comércio e intercâmbio turístico entre países e povçs. essas migrações ocorrem pacificamente. Símbolos migratórios ou assimilados muitas vezes mudam de forma ou significado quando são adotados por um novo grupo. como a árvore cósmica e a antiga cruz suástica. A árvore sagrada com freqüência tem um guardião.Os símbolos também migram. na antigüidade. especialmente quando os grupos são racial e culturalmente semelhantes. um arbusto. daí. O inverso também pode ocorrer. os símbolos que migram são símbolos arquétipos. uma tamareira. 62 . a árvore pode ser um sicômoro. o povo conquistado acaba absorvendo o conquistador. Passou para a Europa. ou dois deuses ou seres semidivinos. uma figueira. sem mudança no conteúdo ou no significado. migrou para o Extremo Oriente. e conseqüentemente seus símbolos. e assim são transmitidos a longas distâncias e por longos períodos de tempo. como uma serpente. ao povo conquistado. Mas podem ser adotados e adaptados a mitos já existentes. o conquistador impõe sua cultura. ou dois animais sagrados míticos. de modo que os símbolos culturais deste último se fundem nos símbolos do primeiro. Os povos migram e levam sua cultura e seus símbolos. Com freqüência. O mesmo símbolo poderia ser uma parreira. na Caldéia. e dá-se uma assimilação recíproca de símbolos. Quando um povo conquista um outro. Por vezes pode se tornar um pilar. às vezes há pouca modificação nos símbolos culturais. Da Ásia Ocidental. A árvore entre dois animais é originária da Caldéia. Em outros casos. Às vezes. No Egito. na índia. ou mesmo uma flor. e. migrou para a Fenícia e a Ásia Ocidental e. para a índia. Símbolos assimilados são adaptados à mitologia e à cultura do grupo que os adota.

3. de uma parte do mundo para outras. Talvez seja possível constatar sua migração através da literatura. também difunde seus símbolos. e outras. e é um símbolo arquétipo. O conteúdo pode ser semelhante. então o símbolo talvez não seja assimilado. por si sós. que. da arte. Se estas coisas não se verificam. o budismo. com o desaparecimento de uma nação ou religião. o islamismo. Os símbolos também desaparecem. como em mitos. 1. Para se verificar se um símbolo é assimilado ou não. já que podem fazer parte de um arquétipo. como as que foram sugeridas anteriormente nestes capítulos. ou de artefatos ainda existentes. lendas etc. certos critérios devem ser usados. o cristianismo. Há muitos exemplos de símbolos migratórios. O significado dado ao símbolo pode ser semelhança suficiente para tornar a ligação razoavelmente segura. a cruz é encontrada na maior parte do globo. 2. Analogamente. Isto é verdadeiro quanto à maioria das religiões. mas. O símbolo da Rosa-Cruz foi difundido com o crescimento da Ordem Rosacruz. embora possa ter migrado em alguns casos. A expansão de religiões. nem sempre são suficientes para julgar esta questão.A árvore sagrada ou cósmica é um símbolo comum deste gênero. não tem uma fonte única. 4. O conteúdo e o significado. Pode haver uma fonte lingüística comum nos nomes dados aos símbolos. Este é o caso dos símbolos do mitraísmo e do gnosticismo. tenha uma outra fonte. não se pode dizer que tem uma origem única. 63 .

são compreendidos por um pequeno número de pessoas. No entanto. Essas figuras podem ser a Rosa-Cruz e outras. são exemplos disto. Metáforas e gíria com freqüência caem nesta categoria. O renascimento espiritual é expresso como uma serpente abandonando sua pele. que tenham também significado atualmente. que tenham nascido de experiências impressionantes. a metamorfose de uma borboleta. telepaticamente. Se aceitamos a idéia da reencarnação. o discernimento intuitivo formula isto objetivamente. ou mesmo figuras de sonhos do passado. Isto pode ser igualmente verdadeiro quanto 64 . ou a lendária fênix. O conhecimento intuitivo de um indivíduo ou um grupo é transmitido em forma simbólica. portanto.se ainda são conhecidos. na memória. pelo mesmo meio. Experimentos de percepção extra-sensorial feitos pelo Dr. tais símbolos podem ser a fonte de posteriores símbolos culturais. de uma encarnação para outra. Idéias e emoções também podem ser recebidas. em imagens ou na linguagem verbal. signos ou figuras particularmente importantes para o indivíduo podem ser levados. estão usando a palavra Negra metaforicamente e associando a natureza da obscuridade à experiência em jogo. que a transmissão de símbolos possa realizar-se de pessoa para pessoa. Quer se trate de um problema de pesquisa ou da experiência de união mística. ou de grupo para grupo. Quando os místicos falam da Noite Negra da Alma. J. Trata-se da associação de elementos semelhantes em forma e significado. Parece possível. A associação de pureza à cor branca. e de ódio à cor vermelha. Isto é necessário a que ele seja compreendido objetivamente. Rhine mostraram que desenhos geométricos podem ser transmitidos de uma pessoa para outra. renascendo de suas próprias cinzas. B. Tanto símbolos culturais como pessoais nascem da função natural da criação espontânea.

65 . O simbolismo do fogo e da água. Surgem também porque os seres humanos se comportam ou funcionam de modo semelhante. mitologia. entre as mentes humanas. O papel que a reencarnação desempenha nos símbolos arquétipos tem sido altamente ignorado. que são encontrados em muitas épocas e regiões. Além disso. literatura. Eles resultam da harmonização natural. bem como em religião. pode ser derivado da velha crença nos quatro elementos (fogo. Tanto a forma como o significado seriam afetados e alterados por suas atitudes. e muitas vezes não reconhecida. Se um indivíduo pode se lembrar de encarnações passadas. Símbolos arquétipos têm sido considerados um produto ou uma função do inconsciente coletivo. por exemplo. Pode provir de crenças e símbolos religiosos. Isto sem dúvida esclarece parcialmente o aparecimento dos mesmos símbolos arquétipos em muitas partes do mundo e em muitos períodos da história. são um resultado natural do pensamento e do sentimento do homem. água. Os Rosacruzes acreditam que há uma harmonização entre as muitas mentes. crenças e emoções do presente. em sonhos ou em expressões artísticas. Por outro lado. pode também se lembrar de algumas das coisas que foram mais importantes ou que mais o impressionaram. mas estes não seriam necessária e perfeitamente como antes. ar e terra). Mas há de ser colorido pela natureza do indivíduo atual.a símbolos arquétipos ou cósmicos como a montanha e a flor. mas esse inconsciente coletivo não foi definido misticamente. pode atribuí-los indevidamente ao passado. esses símbolos são tão gerais ou comuns que a pessoa pode não se aperceber de sua origem em memórias de encarnações passadas. e artes em geral. Isto incluiria símbolos.

ou conceito. ou uma tenda. tema. A cruz aparece em muitas culturas simplesmente porque as pessoas pensam praticamente do mesmo modo. Naturalmente. a cátedra de uma universidade. com estípulas adnatas etc. não ousa dizer "eu penso". solitárias. considere o seguinte exemplo de diferentes maneiras de considerar a rosa. ou a cadeira elétrica. ou por lembrança de encarnações passadas. cósmicos. escolha outros exemplos e os analise por si mesmo. flores grandes. Como exercício. um apartamento. ou corimbos. o banquinho alto especial para criancinhas. portanto. etc. "eu sou". ser derivados de uma memória coletiva. "Autoconfiança". o artístico. Depois. inconsciente. em seu ensaio. O botânico descreve a rosa assim: um arbusto com espinhos. não é mais honorável. Cadeira pode significar a poltrona da sala de estar. diz: "O homem é tímido e apologético. isto se aplica a muitos dos símbolos estudados nestes capítulos. em panículas. Principalmente os símbolos arquétipos. examinaremos diferentes modos de simbolização. A rosa não é exceção a isto. suas folhas são plumiliformes. uma cabana. e porque a forma e o significado são levados adiante na memória. por harmonização com outros povos de várias épocas e regiões. Diferentes indivíduos (ou o mesmo indivíduo em momentos diferentes) podem considerar um objeto. Emerson. Lar pode ser uma casa. é que serão os mais impressionantes e mais facilmente lembrados.Os símbolos usados por muitas culturas podem. está 66 . outra para a dona-de-casa. como o científico. No próximo Capítulo. que são naturais para a mente humana. e outra para o alquimista. mas. Sal significa uma coisa para o químico. de vários pontos de vista.

sempre citando algum santo ou sábio. ou cerâmica em geral. toda a sua vida está ativa. Há simplesmente rosa. Mas o homem protela ou recorda. com a visão invertida. lamenta o passado. são o que são. Para elas não há tempo. Rosas são pintadas em vasos. mas. a partir do trigésimo canto do "Paraíso". Que sua memória por tenra herdeira perpetuar possamos. hoje. num dos "Sonetos" de Shakespeare. em todos os momentos. Para que da rosa a beleza nunca venha a fenecer. A natureza da planta é satisfeita e satisfaz a natureza. Estas rosas sob a minha janeIa não citam rosas anteriores ou melhores. não há mais vida. E. e com diferentes significados. O cientista. descreve a rosa amarela celestial.. na "Divina Comédia". O pintor usa rosas em quadros de natureza morta. usam a rosa de diferentes maneiras. existem com Deus.em tradução livre: "Das mais belas criaturas o aumento ansiamos. Sente-se pequeno ante a folhinha de capim ou a rosa a desabrochar. Antes que a folhinha se abra. no caule sem folhas. enche-se de ansiedade por prever o futuro. 67 ." Dante.. acima do tempo". na flor plenamente desabrochada. ignorando as riquezas que o cercam. e isto é perfeito em todos os momentos de sua existência. em diferentes contextos. enquanto não viver com a natureza no presente. ou. quando a rosa madura com o tempo deva morrer. Não poderá ser feliz e forte. não vive no presente. não há menos. Mas. o escritor e o artista.

68 . Os símbolos podem ser transmitidos telepaticamente. O exercício deste Capítulo demonstra diferentes meios ou modos de simbolizar. Símbolos resultam de experiências espirituais ou psíquicas. Podem ser ii. Há quatro modos principais de verificar se um símbolo migrou ou foi assimilado.SUMÁRIO Um símbolo pode surgir espontaneamente. porque venha preencher uma necessidade ou em função da atividade criadora natural. de pessoa a pessoa.i/idos de épocas anteriores no simbolismo cultural ou na memória de encarnações passadas. A harmonização entre mentes humanas explica alguns símbolos que aparecem em diferentes partes do mundo. ou de um grupo para outro. Símbolos migratórios ou assimilados mudam de forma e significado quando são absorvidos por um novo grupo. Pode ser deliberadamente criado.

Em todas as modalidades. há diversos meios ou métodos de simbolização. explica e controla o mundo objetivo. ou arquétipos. e termos que representam estas coisas e a relação entre elas. material.CAPÍTULO VII: MODALIDADE DE SIMBÓLICA – SÍMBOLOS MÍSTICOS TRANSFOMAÇÃO O homem está constantemente transformando sua consciência e concepção de si mesmo e do mundo em que vive em formas. A magia representa. Quando um homem pinta um quadro. escreve uma história. o processo básico de simbolização é o mesmo. Algumas dessas modalidades serão concisamente definidas e suas diferenças e semelhanças serão consideradas. subconsciente e psíquica do homem. explicam e controlam a natureza subjetiva. pessoais. E cumprem qualquer das finalidades estudadas no Capítulo Terceiro. expressões. O processo de simbolização foi chamado de transformação simbólica. objetivos ou subconscientes. ou combinações destes tipos. por meio de supostos conhecimentos e práticas ocultos. porém. expressa por escrito um princípio científico ou místico. Isto é emocionalmente satisfatório e produz compreensão. por Susan Langer. Esses símbolos ou sistemas simbólicos podem ser culturais. A mitologia e a religião representam. ou um Deus. o que é simbolizado e a forma em que isto é representado variam. Há várias modalidades de transformação simbólica. para fim de controle da vida neste mundo e no outro. destinados a controlar os 69 . Podem ser símbolos naturais ou artificiais. e sua relação para com o cosmos e o Ser Divino. Esse controle geralmente envolve a mediação de seres divinos ou semidivinos. isto é. está transformando simbolicamente sua consciência da experiência.

por uma descrição raciocinada ou lógica. explica e controla o cosmos objetivo. ou forças ocultas. seja para o fim de ordenar a experiência. quer o homem se aperceba disto ou não. do Cósmico e do Ser Divino. e. dirige a natureza psicológica e psíquica do homem e. A filosofia representa e explica. Cada uma destas modalidades é simbólica. harmonização. material. e para os resultados ou efeitos que essa harmonização exerce sobre o indivíduo e o mundo. simular e explicar a experiência do mundo.chamados espíritos. por meios experimentais e lógicos. o Cósmico e Deus. controlar o mundo objetivo e o homem. a percepção e concepção que o homem tem do mesmo. tanto fenômenos e forças materiais como fenômenos psíquicos ou divinos. sua relação para com o mundo ao seu redor. E também. cada qual é uma representação de alguma outra coisa e se destina a representar. para união mística. através destes. Isto é feito em parte para controlar fenômenos objetivos. Cada modalidade é um resultado do processo de transformação simbólica. explica e dirige. representa. a natureza do homem. e outras imagens e formas. auditivas. como uma categoria especial de filosofia. em parte para predizer fenômenos futuros. harmonia. que é uma função natural e essencial da mente humana. A ciência representa. seres invisíveis. e a relação entre estes. por meio de imagens visuais. portanto. O misticismo. para finalidades místicas. ou seja. Nem a mitologia nem a ciência são o próprio mundo ou o próprio homem. A simbolização é levada a efeito em alguma forma. seja apenas por prazer. A arte representa. e quer 70 . porque representa alguma coisa. expressa e explica a relação do homem para com ele próprio. consciente ou inconscientemente. e o homem.

e a origem ou as razões do reino divino. predizer. Em segundo lugar. considera-se que representam o futuro. implica o que pode ser chamado de origem ou razão criativista. e das relações entre estes. representar. 4. do Ser Divino. bem como o passado e o presente. de uma explicação ou representação da origem ou das razões de sua própria existência e da existência do mundo. assim. As diferenças entre as modalidades estão no que elas representam e explicam. Aquelas que não predizem diretamente o futuro. Deve-se notar que todas as modalidades de simbolização tentam realizar pelo menos três dos seguintes objetivos. Todas as modalidades. bem como a relação entre o reino divino. 3. A mitologia se ocupa precipuamente da 71 . o reino mundano e o ser humano. 2. que talvez não faça isto diretamente. A modalidade ou expressão varia conforme a natureza do indivíduo ou do grupo. primeiro. ou os quatro: 1.ele o controle ou dirija. cada modalidade vem satisfazer a necessidade humana de ordem ou de uma representação ordenada do cosmos. implícita ou explicitamente projetam suas representações para o futuro. e em como o fazem. Cada modalidade vem satisfazer a necessidade que tem o homem. podem também representar e explicar a ordem no reino divino. exceto a ciência. controlar ou dirigir. ou não. A arte. explicar.

quer estes existam em si mesmos ou apenas na mente humana. de tal modo que esses símbolos (e narrativas) podem ser imitados e reproduzidos pelo 72 . mundano e humano. a fim de explicar a origem e a natureza dos três reinos. neste caso. literatura. Este sistema mitológico corresponde à concepção humana da atualidade e é projetado para essa atualidade. subjetiva e subconsciente. ou qualquer outra expressão do gênero. e sim uma construção ou reconstrução mental. A representação é predominantemente interior. A magia trata de supostas forças ocultas e de seu uso pelo homem. baseada fundamentalmente no mundo interior do homem e na sua percepção do reino psíquico e subconsciente. Portanto. ao invés de objetiva e perceptiva. a natureza e a história do homem e do Cósmico. abrange pintura. escultura. Mas é também uma transformação simbólica e funciona como qualquer outro símbolo. não significa falsa. A filosofia se ocupa de uma representação racional de todos os níveis de existência e manifestação. ele não é apenas uma representação da atualidade.correspondência ou relação entre os reinos divino. bem como a origem. A ciência explica o mundo objetivo e empírico. Arte. do universo e do homem. e a experiência humana. neste contexto. como meios de representação simbólica. ele ê atualidade. A mitologia usa seres e forças simbólicos. dança. Imaginária. Todas as modalidades podem fazer uso de expressões verbais (orais ou escritas) e de expressões gráficas. A mitologia traduz uma representação imaginária do Cósmico. Esses seres e forças representam o Ser Divino. assim como o misticismo. para uma história ou um conjunto de histórias. A arte é uma representação subjetiva e subconsciente da experiência do homem.

A montanha. da realidade psíquica. Mitos refletem o indivíduo interior. ou do Ser Cósmico e Divino. na literatura sagrada. Através do campo psíquico ou cósmico. Mesmo quando os símbolos são usados para controlar o físico. Sem que o indivíduo o perceba. etc.homem. reassume a projeção. então. os mitos permitem que ele veja a si mesmo. que requerem imagens ou objetos simbólicos e concretos. através do campo interior. para o macrocosmo. Símbolos míticos têm origem no campo subconsciente e psíquico. A ciência os emprega através de métodos experimentais. 73 . Mas isto também torna cada indivíduo. como acontece com todos os símbolos. O homem. o reino mundano. e ponha ordem em ambos. tanto para ele próprio como para os outros. este símbolo dirige o campo exterior. tome consciência de sua própria visão do não-Eu. porque é usada para compreensão e controle do reino subconsciente e psíquico. com vistas ao controle do comportamento do homem no mundo objetivo.. Símbolos míticos e religiosos são usados principalmente para compreensão e controle do subconsciente. é um símbolo mítico-relgioso. Isto é verdadeiro apesar de eles pretenderem controlar espíritos. Símbolos científicos e mágicos são usados para compreensão e controle do mundo objetivo e do homem. podem controlar e também constituir um meio de compreender o mundo exterior. Ritos mágicos. no sistema homemcampo. A mitologia e a religião constituem uma projeção simbólica do próprio microcosmo do homem. em ritos e cerimônias. mundano. varinhas de condão. uma parte integrante do grupo e. eles o fazem através do campo mental. como círculos mágicos. como parte da criação que o mito representa. ainda são usados para compreensão e controle do mundo objetivo por supostos métodos ocultos. como tal. como na prática da cura. compreensível para os outros. a magia. por meios ocultos.

Símbolos indianos. pertencem a esta categoria. A filosofia mística explica a natureza. ou de partes dos mesmos.. A ciência usa um sistema de signos. ou seja. emoções e atitudes quanto ao mundo e ao homem. A ciência traduz percepções de manifestações objetivas para uma explicação do mundo real. leis. estão relacionados com o campo subconsciente e psíquico. mas isto é na verdade uma tradução de estímulos recebidos para conceitos. Um símbolo místico representa a união mística. e à união da 74 .porque o controle de espíritos tem a finalidade de controlar o mundo exterior e seus eventos. com objetivos místicos. que é usada como abstração simbólica. como os mantras. do cosmos e do homem. lingüísticos e outros. a função e os métodos para se alcançar união mística. etc. esclarecendo seus princípios e a própria experiência da união ou consciência Cósmica. mas. para harmonização. Pode-se dizer que símbolos científicos e mágicos estão relacionados com o mundo exterior. A Rosa-Cruz pode ser usada deste modo. para representar uma reconstrução simbólica. ou o desenvolvimento místico necessário para se alcançar essa união. assim como a montanha e outros. ao passo que símbolos míticos. Os símbolos místicos não dizem respeito tão-somente à união com Deus ou o Cósmico. hipóteses. comunhão e união. Esta reconstrução é uma representação simbólica a que são ligadas idéias. Símbolos místicos são usados para compreensão e direção de forças e fenômenos materiais e psíquicos. a qual constitui um sistema simbólico. religiosos e artísticos. Os símbolos de Khunrath ou Fludd. que são símbolos e funcionam como tais. também à união com a natureza ou o cosmos. conceptual. são místicos. Trata-se de uma descrição ou explicação experimental. que mais tarde estudaremos.

Os símbolos ou conjuntos de símbolos são então integrados ao mundo exterior ao indivíduo. a experiência da união. Se algum tipo de experiência mística faz parte da mitlogia ou da religião. união ou harmonização com a natureza ou o cosmos 3. A evolução. a união Divina ou Cósmica 2. sua função. harmonium ou união da dualidade do homem. não incluem necessariamente a união mística em qualquer das facetas acima. Também ele confunde inconscientemente o 75 . ela passa então a se manifestar nessa fase inconsciente. É objetivo da filosofia mística esclarecer a natureza do misticismo. O indivíduo que é subjetivo ao ponto de perder contato com o mundo objetivo faz exatamente a mesma coisa. para projetar esses conteúdos inconscientes para o próprio mundo e as pessoas. têm portanto três facetas: 1. O pensamento materialista. E o indivíduo passa então a usar a realidade. essa experiência só pode ser alcançada através de um intermediário. e os símbolos. deve-se notar. perigosamente limita a atividade das fases subconsciente e psíquica da mente. e os métodos para se alcançar a união. que ignora isto e não pode dirigir e usar os símbolos em seu próprio benefício e para o bem dos outros. negando a natureza e a função dos símbolos. a repressão dessa função simbolizadora torna-a inconsciente. um ser divino ou semidivino. Além disso.própria natureza dual do homem. Isto não constitui crença na união direta do homem com o Cósmico. ou suas relações para com pessoas e o mundo. O mito e a religião.

Ambas são usos ou expressões da função simbolizadora da mente do homem. e usa imagens perceptivas ou elementos da experiência para produzir uma pintura.seu mundo interior com o mundo objetivo. conceptual. como em arte. As fases subconsciente e psíquica podem ser usadas no método científico. imagens visuais. uma escultura. uma história. A natureza simbólica da arte será estudada num capítulo posterior. A ciência. como os modelos das moléculas ou do universo. pode usar símbolos. sem saber que está fazendo isto. usa signos para construir seu mundo simbólico. Em ciência. embora represente percepções do mundo e a experiência do indivíduo. ou em som. etc. A arte pode degenerar de um símbolo vivo para um símbolo morto ou signo. ou de outros tipos. derive destas coisas e as reconstrua. predomina o objetivo. A arte não usa signos como tais. matemáticos. seja figurativa ou abstrata. ou a concepção de um indivíduo ou um grupo de indivíduos quanto ao mundo objetivo. Mas pode ser útil agora compararmos a natureza simbólica da arte e da ciência. 76 . A ciência é por natureza objetiva e se destina a usar métodos experimentais. O que ela reconstrói é uma representação do mundo objetivo. Incluem modelos. Em ambos o significado é projetado para a forma do símbolo ou o sistema de símbolos. quer se realize em palavras. ao passo que na arte predomina o subconsciente. do processo de transformação simbólica. Implica a reconstrução das reações do artista. mas não é por natureza um signo e. um poema. Também ele projeta suas atitudes e emoções inconscientes. É uma re-criação simbólica. não usa signos. usualmente. por outro lado. Esses signos podem ser lingüísticos. A arte é principalmente um produto das funções subconscientes e psíquicas.

por falharem em reconhecê-lo ou porque o negam. Avalia também a si mesmo. ao que se costuma pensar. o artista não pode excluir o objetivo e experimental. Isto impede a compreensão perfeita do homem e do cosmos. ainda que não se aperceba disto. As percepções do homem não são iguais ao mundo.Como a ciência é objetiva e experimental. mas na realidade ela o faz. mesmo em sua obra mais abstrata. não avalia nem modifica. No entanto. a imagem ou percepção mental não é a atualidade (a verdade das coisas em si mesmas). O cientista não pode excluir suas funções subjetivas e subconscientes. bem como do próprio desenvolvimento do ser humano. 77 . Analogamente. e devem ser consideradas partes integrantes do método e dos resultados. Muitas obras científicas e artísticas excluem o elemento psíquico do homem e do mundo. aparentemente não faz apreciação de valores. avalia sua consciência e experiência ao produzir a obra. Ao produzirem algum tipo de transformação simbólica. A reconstrução ou re-criação do artista avalia e modifica. por outro lado. as atitudes subjetivas e subconscientes afetam o mundo. A reconstrução do cientista. O artista. as atitudes e emoções do cientista não podem deixar de influenciar o que ele está fazendo.

Misticismo Cada modalidade cumpre três das seguintes funções. Ciência 5. Arte 4. do cosmos e do homem. lingüísticos e outros. Filosofia 6. bem como os métodos para alcançá-la. para representar uma reconstrução simbólica. Magia 3. controla ou dirige 4. prediz A ciência usa um sistema de signos. Mitologia e religião 2. Consiste numa descrição ou explicação experimental. explica 3.SUMÁRIO Este Capítulo define as seguintes modalidades de transformação simbólica: 1. conceptual. A filosofia mística explica a natureza e a função da união mística. esclarecendo seus princípios e a própria 78 . que é usada como abstração simbólica. representa 2. ou as quatro: 1.

perigosamente limita a atividade das fases subconscientes e psíquicas da mente. Neste Capítulo são examinadas as semelhanças e diferenças na natureza simbólica da arte e da ciência. faz exatamente a mesma coisa. negando a natureza e a função dos símbolos. O indivíduo que é subjetivo ao ponto de perder contato com o mundo objetivo. para fins místicos. união com a natureza 3. 79 . união Cósmica 2. O pensamento materialista. harmonium ou união da dualidade do homem.experiência de união ou consciência Cósmica. Símbolos místicos são usados para compreensão e direção de forças e fenômenos materiais e psíquicos. Apresentam eles três facetas ou aspectos: 1.

É também verdade que a realidade interior do indivíduo se revela na linguagem. que pode ser chamado de conjunto de símbolos sonoros. que a linguagem verbal é precipuamente som. está em que ela representa o grupo cultural e o indivíduo. A primeira maneira em que a linguagem é simbólica. fundamentalmente. emoções.CAPÍTULO VIII: SIMBOLISMO E A LINGUAGEM VERBAL METÁFORA E ANALOGIA A linguagem verbal é. nesta era da palavra impressa. Em primeiro lugar. para que estes se comuniquem. conforme o homem. por assim dizer. assim é a sua linguagem. assim é o homem.). Como sistema simbólico. É possível que símbolos verbais sonoros e símbolos pictográficos ou escritos tenham surgido separadamente e tenham sido associados com o passar do tempo porque ambos representavam a mesma coisa. um sistema de signos e símbolos verbais. então. condiciona o pensamento e o comportamento lingüístico do indivíduo. É importante compreender. Secundariamente é ela impressa ou escrita. Sua forma é o som. conceitos. conforme essa linguagem. É um molde. A linguagem verbal molda o homem. criado e usado por um grupo e que se ajusta às idéias e características desse grupo. usados para comunicação entre pessoas ou para uma pessoa formular ou expressar idéias e emoções para si mesma. É um sistema cultural. em que são vertidos os pensamentos da pessoa. 80 . a algum grau. ela é falada por seres humanos. a linguagem tem forma e significado. O significado é aquilo que o som representa (objetos. relações etc. Esse sistema cultural. e não porque a palavra escrita ou símbolo pictográfico representava a palavra falada. até certo ponto.

que significava vida e imortalidade. o som foi usado a princípio sem associação com o símbolo escrito. a cruz egípcia com alça era chamada de ankh. ao falarmos do Livro da Vida ou do Livro da Natureza. Talvez isto tenha ocorrido porque o mesmo som. o mesmo símbolo pictográfico representa duas ou mais coisas. relacionada com ela por correspondência. A metáfora é o meio mais importante para se ampliar o escopo e a expressividade da linguagem verbal. com o signo indicativo de ouvido. emoção etc. associação. ou dois ou mais conceitos. como deve fazer um símbolo verdadeiro. de modo que o símbolo pictográfico acabou tendo os dois significados. Falamos do livro. referindo-nos com isto a um acervo de conhecimento sobre u vida ou a natureza. usamos livro para identificar um objeto e para representar um conceito relacionado com esse Metáfora é uma palavra ou expressão usada para denotar. foi associado ao som. um símbolo verdadeiro usado para representar uma coisa diferente do pró-l>no objeto. por exemplo um livro.Por exemplo. por causa de uso constante.. ankh. Quando percebemos um objeto. ou sugestão. e sim uma idéia. Neste caso. A ankh. Quando dizemos. tenha sido usado em dois sentidos diferentes. Este. No entanto. 81 . também significava ouvido. Provavelmente. Podemos usar a palavra livro como símbolo de conhecimento. em inscrições. esses símbolos tornam-se signos que indicam ou identificam. e a palavra livro é um signo lingüístico que indica esse objeto. As vezes. por exemplo. temos na mente uma imagem perceptiva que corresponde ao objeto mas não é o próprio objeto. A linguagem verbal começa com um conjunto coordenado de símbolos que representam alguma coisa. Isto é uma metáfora. não o seu significado literal.

não queremos dizer que ela está dentro da mente assim como água dentro de um copo. A perna da mesa e a máquina eleitoral são expressões tão freqüentes que as palavras são empregadas automaticamente para indicar ou identificar aquilo a que se referem. Metaforicamente. signos. Metaforicamente. isto também é uma metáfora. "lavagem cerebral". temos: "a perna da mesa". Analogamente. A expressão é figurada e não literal. "bloqueio psicológico" etc. pode ser também enganadora. "varredura de radar ou sonar". isto significa qualquer divisão que se estenda como um ramo (os galhos ou a galhada de veados. Se apenas dizemos que uma cidade é um organismo. Um galho de árvore cresce a partir do tronco. porém. temos "cabeça-de-praia". Alguns dos exemplos de metáfora dados acima. degeneraram para signos. se levamos isto mais longe e comparamos as ruas com artérias e as quadras ou os prédios com células ou órgãos. estamos usando uma metáfora. usado para representar um conceito ou uma relação. e sim. ou uma parte de um grupo complexo como um ramo ou uma filial de uma empresa comercial). A mente não é um fenômeno espacial. Uma analogia é uma metáfora ampliada."ele perdeu a cabeça". "o navio cortando as águas do mar". Quando dizemos que uma percepção está na mente. não queremos dizer que perdeu no sentido em que se perde um lápis ou um livro. Quando o cosmos é assemelhado a um organismo ou mecanismo. quando usamos essa expressão. Mas. "a máquina publicitária ou eleitoral" etc. Já não são mais símbolos verdadeiros. devido a uso constante. se levada longe demais ou se 82 . estamos usando uma metáfora. portanto. Esta pode ser expressiva e informativa. a metáfora passa a ser uma analogia. Trata-se de um símbolo verbal.

vem do latim contendere. como fome. calor e dor. contendere significava esticar. Uma cidade pode ser como um organismo em muitos aspectos. contender significa empenhar-se em contenda. no sentido físico. Nos idiomas em geral. são baseados nos físicos. um conceito. Este recurso usa uma categoria de experiência para fazer referência a uma outra. Originalmente. luta. é muito diferente. São as seguintes as principais categorias: 1. etc. Usamos palavras para indicar. animais. mas. estendendo-os a outras categorias. Quer estejamos classificando aquilo de que temos consciência psicologicamente. "esticar ou estender". identificar ou representar aquilo que existe em nossa consciência. Uma palavra se refere a alguma coisa: um objeto. 2. que é derivado de “conjunto". as categorias são basicamente as mesmas. A palavra contender. estamos com efeito afirmando que são iguais. ou debate. Algumas palavras referem-se a sensações orgânicas. em lugar de simbolicamente. passou a significar lutar ou esforçar-se por. ou os referentes das palavras. Aquilo a que ela se refere é chamado de referente. As duas coisas não são iguais. nuvens. mas. livros. Os significados não-físicos. depois. metafóricos. Hoje.entendida literalmente. por exemplo. primeiro fisicamente e depois num sentido não-físico. conflito. em outros. quando tomamos a figura de linguagem literalmente. como casas. e tendere. 83 . há uma tendência para usar metaforicamente palavras que se referem a fenômenos espaciais ou temporais. O primeiro tipo de referente consiste em objetos ou fenômenos materiais. uma emoção. etc. martelos.

3. Fazem parte da personalidade. Tais referentes estão baseados na experiência da pessoa. não-objetivos. não são irreais. Conceitos como de justiça. em lugar de fazerem parte de nós mesmos. uma pessoa qualquer pode falar a seu respeito. Estes referentes são subjetivos. Isto nos traz à segunda categoria de referentes: emoções e atitudes como de alegria. são uma transformação simbólica da experiência e da reação à experiência. Não fazem parte do mundo ao nosso redor. uma cruz vista com a "visão mental". embora não façam parte da mesma. é subjetiva no mesmo sentido em que uma emoção é subjetiva. são baseados na experiência. não são objetivos como os da primeira categoria. do Eu. durante uma meditação. no sentido usual desta palavra em português. 6. e 2 Atualidade. mas são subjetivos e não objetivos. fundamentam-se na atualidade. beleza e imortalidade. e sim da nossa reação ao mundo de que temos experiência. 84 . a segunda. pessoas. Neste último caso temos. e os que são impressões e símbolos mentais e. e as atitudes que um indivíduo nutre por casas. Neste sentido. Há duas espécies de referentes psíquicos: Os que fazem parte da atualidade2 exterior a nós. Eles existem no âmago da nossa mente. mas isso também faz parte da constituição interior do indivíduo. como a aura. porém. de modo que eles parecem fazer parte do mesmo. conseqüentemente. Projetamos esses conceitos para o mundo. Nenhuma destas espécies de referentes é irreal. por exemplo. etc. Realidade. amor e medo. 5. Resultam de fantasia e imaginação. Ficções e fantasias são referentes para os quais não há atualidade objetiva. 4. Um escritor pode lhes dar expressão impressa. no sentido Rosacruz do termo: a natureza (vibratória) das coisas em si mesmo. a primeira é real e perceptível para todos os que são capazes de percebê-la e.

Palavras que não têm alguma atualidade material como referente não são vazias de significado. assim. Justiça não é uma palavra sem significado porque não aponta para um objeto e diz: "isto é justiça". são ficções ou fantasias. têm um referente. Constantemente vemos. Na realidade. Algo pode ocorrer posteriormente e trazêlas da memória. 7..simbolizam o indivíduo. Alegorias e parábolas são também tipos de simbolização verbal. Uma pessoa que tem ilusões de perseguição tem alucinações que considera reais. mas. O fato de uma palavra não ter um referente objetivo não a toma necessariamente irreal ou falsa. 8. Usam uma história. uma esfinge viva. Um animal simbólico. místico. não fazem parte da nossa experiência consciente. antes. inconscientes. é um símbolo com significado mitológico. relacionado com o primeiro. A questão não é de a palavra ter um referente. ou psicológico. religioso. O último tipo principal de referente consiste em percepções. e não objetivo. para representar um outro evento de algum modo semelhante e. não é de fato um animal. e sim de que espécie de referente ela tem. tanto quanto o mundo em que ele vive. por 85 . Um romance.. Alucinações são fantasias que não têm atualidade. mas que o indivíduo que as vive considera verdadeiras. um drama etc. como uma esfinge ou um grifo. um conto de fadas. Uma alegoria usa uma história ou um drama. mas esse referente é subjetivo ou psíquico. mesmo que não o sejam. Nem são destituídas de significado a aura ou a idéia intuitiva a que as palavras se referem. ouvimos e cheiramos coisas que não se registram na nossa consciência. na ocasião em que esses referentes acontecem. Metáforas e analogias já foram estudadas neste Capítulo. sensações etc.

de Dante. Pode ser também compreendida como referência à consecução de conhecimento no sentido psicológico. é uma alegoria sob a forma de uma viagem de Christian Rosenkreuz ao Leste simbólico. As alegorias mais simples personificam conceitos como de virtude. e beleza. para lançar um princípio ou uma verdade espiritual ou mística. A parábola do semeador.23) 86 . e místico. é uma alegoria cujo final simboliza a união mística. trata da irmandade ou fraternidade mística e da consecução do conhecimento de princípios místicos. Outras expressões literárias. é também uma alegoria. 4:2 . como nos Upanishads. mitológicas. que podem ser classificados como. A "Divina Comédia". misticamente. transformam esses conceitos em personagens e tecem histórias em tomo dos mesmos. A Parábola do Semeador (Marcos. Um poema é um meio de expressar. de Francis Bacon. que apresentamos a seguir.. psicológico ou espiritual. Uma parábola é uma história simples que se conta para ilustrar uma verdade moral ou mística. É semelhante à alegoria e à fábula e se relaciona com ambas. O manifesto do século dezessete. São criadas para o fim de representar alguma coisa. A "Nova Atlântida" pode ser entendida literalmente. "Fama Fraternitatis". mas há parábolas em outras literaturas. bem como artísticas. Algumas dessas expressões serão estudadas num capítulo posterior. etc. verdade. são também simbólicas. é um exemplo desta maneira de simbolizar. as emoções e idéias do autor. e portanto simbolizar. E. A "Nova Atlântida". A alegoria tem três níveis de significado. histórico ou literal.exemplo.

os que estavam junto d'Ele com os doze O interrogaram a respeito das parábolas."Assim lhes ensinava muitas coisas por parábolas. o sol a queimou. e como compreendereis todas as parábolas? O semeador semeia a palavra. ouçam. produzindo a trinta. São estes os da beira do caminho. Outra parte caiu entre os espinhos. e deram fruto que vingou e cresceu. secou-se. visto não ser profunda a terra. vem logo Satanás e tira a palavra semeada neles. E acrescentou: Quem tem ouvidos para ouvir. Mas eles não têm raiz em si mesmos. uma parte caiu à beira do caminho. a sessenta e a cem. Semelhantemente são estes os semeados em solo rochoso. os quais. ouvindo a palavra. ao semear. enfim. e. Quando Jesus ficou só. vejam. Então lhes perguntou: Não entendeis esta parábola. e logo nasceu. caíram em boa terra. E. e ouvindo. Ouvi: Eis que saiu o semeador a semear. logo a recebem com alegria. e não entendam. por um. e porque não tinha raiz. 87 . onde a terra era pouca. Outra caiu em solo rochoso. ouça. e não deu fruto. Outras. para que vendo. ouvindo-a. e haja perdão para eles. no decorrer do Seu doutrinamento. onde a palavra é semeada. Ele lhes respondeu: A vós outros vos é dado o mistério do reino de Deus. porém. Saindo. para que não venham a converter-se. e os espinhos cresceram e a sufocaram. e vieram as aves e a comeram. mas aos de fora tudo se ensina por meio de parábolas. e não percebam.

Misticamente. em lhes chegando a angústia ou a perseguição por causa da palavra. senão para ser manifesto. são os espinhos.sendo antes de pouca duração. por um. mas seu significado intencional é condicionado pela concepção do leitor quanto aos ensinamentos de Jesus. O significado da parábola. logo se escandalizam. Os que foram semeados em boa terra são aqueles que ouvem a palavra e a recebem. a fascinação da riqueza e as demais ambições. a candeia é para ser posta debaixo do alqueire ou da cama? Não é. e nada se faz escondido. ouça. concorrendo. mas os cuidados do mundo. Os outros. senão para ser revelado. tudo o que existe é essencialmente um. Se alguém tem ouvidos para ouvir. frutificando a trinta. A explicação dada no texto baseia a interpretação na palavra. os semeados entre os espinhos. ficando ela infrutífera. O fato de que ela faz parte da Bíblia e é contada por Jesus lhe dá um contexto que limita o significado. a sessenta e a cem. são os que ouvem a palavra. antes. então. para ser colocada no velador? Pois nada está oculto. Assim fazemos para compreender e para atuar no campo de que 88 . é condicionado pelo contexto cultural e pelo indivíduo que a lê. poderia ser interpretada de várias maneiras. classificamos essa unidade em partes distintas. sem a explicação. Ela poderia receber interpretações estranhas à teologia cristã." A parábola. Quando falamos a respeito disto. ou pensamos verbalmente nisto. ou logos. sufocam a palavra. Também lhes disse: Porventura. que é um conceito comum na literatura religiosa e que pode ser interpretado misticamente.

e a atividade psicológica do homem. Para contrabalançar este efeito da linguagem verbal. satélites. estrelas. o braço é apenas uma parte do homem. Dividimos o cosmos em universos. pessoas. ou seja. Já explicamos o sistema homem-campo e o fato de que o desenvolvimento místico é uma questão de expansão do campo de consciência. está relacionado com o homem e o referente (aquilo que a palavra representa). sóis. elétrons etc. podem ajudar esse desenvolvimento. ou em corpo. uma palavra. e a meditação sobre elas desta maneira. mente e alma. Palavras e outros símbolos expressam o que temos em mente. Ao mesmo tempo. estar consciente disto. De um ponto de vista. E em moléculas. ou um símbolo. devemos pensar nas palavras com que classificamos os seres humanos e suas funções. Para isto. As palavras. Classificamos plantas. A deliberada inversão do processo ajuda neste particular.fazemos parte. Dividimos o homem em corpo e mente. esquecemos que não se trata de um conjunto de partes. A tal ponto fazemos isto que esquecemos de reunir novamente as partes. o referente e o símbolo. é útil compreender o que acontece e como. formam uma tríade: 89 . Assim também. é apenas parte das funções psicológicas e uma pequena parte do todo humano. O homem. Evidentemente. e sim de um todo. planetas. o conhecimento. estamos dividindo algo que é essencialmente indivisível. átomos. uma emoção dominante num dado momento não é tão-somente uma faceta de uma natureza emocional.

estão associados apenas indiretamente. A primeira regra para o uso de palavras ou expressões verbais para fins de desenvolvimento pessoal é: Compreendermos o que é que desejamos mudar. podemos com isto mudar nossa consciência do mundo. resultam da nossa conscientização do sistema homem-campo. ao máximo da nossa capacidade. As vibrações do objeto visto. Ele vê uma bola e usa a palavra bola para identificá-la. Devemos compreender. são percebidas e traduzidas para uma imagem na mente. o símbolo e o referente. Não há ligação direta entre eles. felizes etc. O símbolo e o referente. Isto é representado pela linha interrompida que liga os dois pontos. tem de ser feito com o conhecimento do que somos ou temos e do que desejamos mudar nisto. Não basta simplesmente decidirmos ser sadios. o que sentimos. as condições existentes. A relação entre o homem e a palavra ou o símbolo é também direta. porém.Palavra ou símbolo Homem Referente A relação entre o homem e o objeto é direta. Aquilo de que tomamos consciência. O homem usa a palavra para representar ou identificar o objeto ou referente. Se mudamos as palavras. projetamos para o mundo exterior ao Eu. As palavras resultam da nossa experiência e a expressam. por exemplo. Isto não pode ser feito por meio de afirmações automáticas. homem e símbolo. Estas duas relações são representadas pelas duas linhas entre os pontos. através da mente do homem. 90 . e homem e referente.

se isto ajuda u esclarecer o problema. Cada uma afeta as outras. Devemos expressar isso em palavras e usar essa expressão para sugerir a nós mesmos o que desejamos sentir ou ser. Em primeiro lugar. Se estamos com medo ou com raiva. justiça. compreendermos o que desejamos que isso (ou nós mesmos) se torne. Recomendamos também que o leitor medite sobre conceitos como verdade. sabedoria. ou parte dele pode ser escrita. que simboliza cada um desses conceitos para si mesmo? SUMÁRIO A linguagem verbal é um sistema cultural de signos e símbolos verbais usados para comunicação entre os seres humanos ou para um indivíduo formular e expressar idéias e emoções para si mesmo. mas com clareza.A segunda regra é: Compreendermos em que desejamos transformar aquilo que queremos mudar. Afetando o homem. aspiração. depois verificar que mudança desejamos fazer. assim como cada qual expressa as outras e a si mesma. a da palavra ou do símbolo. devemos verificar o que é que tememos ou de que é que temos raiva. que significam as palavras para si mesmo? Em segundo lugar. também fica afetado o campo. Estamos simplesmente usando uma delas. Ajusta-se às características do grupo e 91 . para afetar o homem. ou o referente. Este processo pode ser realizado mentalmente. mas aquilo que desejamos deve ser falado. Depois devemos formular urna frase para expressar isto o mais concisamente possível. As três pontas do triângulo formam uma unidade.

escrevemos. emoção. e parábolas. etc. e sim uma idéia. alucinações 8. secundariamente. classificamos essa unidade em partes distintas. Quando falamos... percepções. Analogia é uma metáfora ampliada. não o seu significado literal.condiciona o pensamento e o comportamento lingüístico do indivíduo. Alguns tipos de simbolização verbal são: metáforas. Aquilo a que a palavra se refere é o referente. Misticamente. alegorias. de que existem os seguintes tipos: 1. emoções e atitudes 5. sensações etc. É o meio mais importante para ampliação do escopo e da expressividade da linguagem verbal. objetos ou fenômenos materiais 2. conceitos 6. com ela relacionada. inconscientes. Metáfora é uma palavra ou expressão usada para denotar. ficções e fantasias 7. referentes psíquicos 4. Para contrabalançarmos este efeito da linguagem verbal. devemos meditar sobre as palavras com que classificamos os seres humanos e suas funções. em signos escritos. Para isto. analogias. é útil tomarmos consciência disto e deliberadamente invertermos o processo. sensações 3. 92 . ou pensamos sobre isso verbalmente. Consiste primariamente em som e. tudo o que existe é um.

e o referente. Compreendermos em que desejamos ver transformado isso que desejamos mudar. Cada componente afeta os demais. Compreendermos o que é que desejamos mudar. 2.A palavra ou o símbolo. Isto deve ser expresso em palavras faladas. Há duas regras a observar no uso de expressões verbais para o autodesenvolvimento: 1. neste Capítulo. que o leitor medite sobre conceitos como verdade. aspiração etc. formam uma tríade cujos componentes estão inter-relacionados. 93 . o homem. É também recomendado.

Ele pode ser circular. em contraste com caos. sem começo nem fim. Pode ser quadrado ou retangular. do indivíduo ou do grupo. Simboliza desenvolvimento e transmutação espiritual. 1. o jardim é ordem. O jardim e a terra selvagem também representam dualidade. essa forma é definida por um divisor (cercado. o reino mundano e o cósmico. ao passo que o mundo exterior representa o não-Eu e a multiplicidade. O jardim é muitas vezes encarado como o centro do mundo. etc. Às vezes representa ensinamentos secretos. O jardim é fechado. representando totalidade. ou o local onde tais ensinamentos podem ser encontrados. e isto é simbólico. simbolizando estabilidade e as quatro direções. além de ter certa forma. 5. o crescimento dirigido. 4. o cosmos e a vida. O jardim é uma unidade. A forma regular representa ordem. e simboliza o Eu unificado. literatura e arte. ao passo que o exterior é terra selvagem ou caos. Por outro lado. tem certos elementos comuns. em mitologia e religião. A 94 . Cultivo é uma outra característica do jardim. 3. Alguns fatores básicos associam a forma e o significado.) que a separa do mundo exterior. 2. Trata-se de um símbolo arquétipo que. representa a presença do Ser Cósmico ou Divino no mundo. Como o Shekinah.CAPÍTULO IX: O JARDIM SIMBÓLICO O jardim é um símbolo que se encontra em várias formas em quase todas as nações e épocas. muro. a despeito das diferenças de forma e significado. ou o material e o psíquico. A forma do jardim é usualmente geométrica. o consciente e o inconsciente.

95 . representado pela terra selvagem. O muro do jardim representa o corpo. o celestial e o terreno. 9. ou ter as características de um jardim cósmico ou divino. 6. porém. O microcosmo e o macrocosmo são correspondentes. O jardim simboliza o ideal. assim. o mundo maior. fertilidade dirigida pelo jardineiro. o celestial. o jardim é o local sagrado. pode ser como um jardim. 8. Quando se trata de um jardim paradisíaco. um pequeno mundo. As plantas são os atributos ou as características do homem. o jardim representa nascimento e renascimento. como o alquimista. crescem e morrem. unificados num só reino. Refere-se ao homem. no centro do jardim. o seu centro simboliza a alma. e sim o ideal. Como o templo. As plantas nascem de sementes. o reino celestial. cósmico. que.árvore ou a roseira. o paraíso. simboliza o eixo do mundo. dirige as forças da natureza. mundano. 10. de modo que o jardim também simboliza o mundo maior e seus atributos. as plantas crescem abundantemente. ele representa o reino superior e o inferior. No jardim. 7. Esses ciclos naturais correspondem a outros ciclos e os simbolizam. o microcosmo. o centro cósmico em torno do qual tudo gira. Não é o reino natural. e suas partes representam as do homem. por exemplo. o desenvolvimento místico e a reencarnação. que corresponde ao macrocosmo. que também é considerado um artesão. ou o outro mundo. elas representam fertilidade. O jardim é um microcosmo.

Vários símbolos são comumente associados ao jardim. Deixava-se que as plantas envelhecessem. são variações no tema do jardim-paraíso. que serão estudadas em outros capítulos. como guardiães. é um reino cósmico que tanto apresenta aspectos paradisíacos como infernais. tem de ter plantas. o jardim pode ter animais. representam o local onde ocorre a transmutação espiritual do homem. O Tuat ou submundo dos egípcios. e o Eu. para representar fertilidade e a morte da natureza. Os Jardins de Adônis eram cestas plantadas e cuidadas de modo que as plantas cresciam rapidamente. A cidade cósmica ou celestial simboliza totalidade. e estes podem ser guardiães. O Jardim das Hespérides. Pode ter um lago. a unidade. naturalmente. Estas incluem a árvore cósmica e a flor. Alguns símbolos. e os Campos Elísios. do próprio jardim ou da árvore que ele contém. como o cadinho ai químico de transmutação. da água do batismo e da purificação. Os egípcios plantavam trigo em imagens de Osíris. reais ou imaginários. As miniaturas de jardins dos chineses representavam uma miniatura do cosmos e 96 . o cadinho e o roseiral alquímico têm significado semelhante. das águas da vida. Qualquer jardim. quando as cestas eram atiradas ao mar com figuras de Adônis. a fonte das águas sagradas. por assim dizer. Às vezes a montanha é situada no jardim sagrado. têm significado semelhante. uma fonte. O jardim e a cidade. O jardim pode abrigar seres divinos ou semidivinos. embora não estejam associados ao jardim. ou supervisores. as Ilhas dos Bem-aventurados. habitantes. A forma do jardim simbólico varia. Além de plantas. Neste particular. a fonte da juventude. Jardins em miniatura simbolizam o microcosmo e o macrocosmo com mais eloqüência do que outras formas deste símbolo. dos seres humanos que nele vivam. ou cevada em potes.

E todos estes são diferentes do jardim de Hamlet ou do jardim do místico persa. os Jardins de Osíris.eram usadas para meditação. O Tuat egípcio. como quer que seja expresso. A paradisíaca Ilha de St. Esta análise também se aplica ao Jardim das Hespérides da mitologia grega. O jardim simbólico. o drama. estão associados a um mito egípcio que lhes dá características diferentes do Jardim das Hespérides da mitologia grega. como no caso dos Jardins de Adônis e Osíris. Usualmente. É composto de objetos naturais. O símbolo pode também fazer parte de um ritual. é uma forma de arte usada para expressão estética. no Atlântico ocidental. seja este ou não o seu principal objetivo. encerra muitos fatores derivados das crenças e atitudes do grupo que o emprega. como as Ilhas dos Bem-aventurados da mitologia grega. O jardim simbólico tanto é natural como artificial. mas é artificialmente plantado e cultivado. etc. Os Jardins de Osíris. isto é. A história. é usado para comunicar conceitos. é artístico. Brendan estava situada junto aos portais do paraíso. plantados com cevada. e os jardins de Shakespeare. em miniatura. é comunicativo. ou o ritual mítico. Jalalu'd-din Rumi. O jardim alquímico era um jardim formal. é cultural e também arquétipo ou cósmico. O símbolo. Apresenta elementos pessoais de forma e significado. emoções. Está baseado no simbolismo grupai ou cultural. conforme aparece na obra de um indivíduo. Os Campos Elísios eram um reino do Oeste. onde a carruagem do Sol 97 . têm elementos que não se encontram em outras culturas sob a mesma forma e com o mesmo significado. que se acreditava estar situado no Monte Atlas. cultivado pelo alquimista artesão. mas a isto é acrescentado um elemento pessoal. onde viviam os abençoados. Na maioria das formas em que existe.

Ambos os mitos são arquétipos. As aves que guardam o pomar caldeu fazem ninhos de pedras preciosas que são os frutos das árvores. é associado aos deuses. 98 . como o velocino de ouro. E ele o conseguiu. E. essa meta é sabedoria ou consciência Cósmica. Este mito associa o jardim à montanha. o caldeu Gilgamesh obtém frutos de um pomar sagrado. é associado ao outro mundo ou paraíso. tanto sob a forma de Hera como da deusa Terra. e haviam sido um presente da Mãe-Terra para ela. porém. Gilgamesh consegue frutos de cristal. esse pomar é guardado por elementos femininos. Assim como Hércules. como no jardim grego. Era no Jardim das Hespérides que viviam as três filhas de Atlas e Hesperis. em muitas mitologias. à árvore sagrada e seus frutos. Era um jardim paradisíaco. porém. O jardim está situado no Monte Atlas e Hércules é ajudado por Atlas para obter os pomos. enquanto Hércules obtém pomos de ouro. bem como ao Sol e ao reino ocidental que. os elementos culturais não são todos iguais. O jardim. e este jardim era um reino ocidental simbólico. É relacionado com a deusa-mãe. os pomos foram depois devolvidos ao jardim por Atenas.terminava sua jornada diária e onde se encontravam os rebanhos de Atlas. Estes. esposa de Zeus. constituem a meta da jornada e. porque eles e o jardim pertenciam a Hera. contendo todas as coisas boas e dadivosas da Terra. O mito grego inclui uma serpente guardiã. neste mito. de modo que é divino ou semidivino. É associado à Terra também porque são as filhas de Atlas que cuidam do jardim e é Atlas quem sustenta o firmamento. ali colocada por Hera quando ela descobriu que as Hespérides estavam retirando alguns pomos. Uma das façanhas de Hércules consistiu em colher pomos de ouro da árvore existente nesse jardim. Mas há diferenças. misticamente.

além de ser dotado de elementos individuais por aqueles que o empregavam. então farei com que sejam habitadas as cidades e sejam edificados os lugares devastados. As terras dos que estão purificados de suas maldades são devidamente lavradas. e que "suas almas serão como um jardim bem regado. mas é basicamente arquétipo e tem forma e significado comuns ao símbolo cósmico. Jeremias. e boa para comida. e a árvore da vida no meio do jardim. E plantou o Senhor Deus um jardim no Éden. "formou o Senhor Deus o homem do pó da terra. Ezequiel diz: "Assim diz o Senhor Jeová: No dia em que Eu vos purificar de todas as vossas maldades. da banda do oriente. Segundo o Livro de Gênesis. e soprou em seus narizes o fôlego da vida. O símbolo é arquétipo mas é expresso nos termos culturais dos judeus. e pôs ali o homem que tinha formado. O jardim é freqüentemente usado em Isaías. E a terra assolada se lavrará. e destruídas. os transgressores são comparados a um carvalho cuja folhagem murcha e a um jardim sem água. A alma aflita é como um jardim sem água. e assoladas. 99 . e Shakespeare. Jeremias declara que o Senhor redimira Jacó. como um jardim paradisíaco. e eles não mais se afligirão". Este símbolo tem elementos culturais. estão fortalecidas e habitadas". para simbolizar o homem ou o país em que ele vive. E saía um rio do Éden para regar o jardim". e a árvore da ciência do bem e do mal.No livro bíblico de Isaías. As imagens dos textos bíblicos são derivadas de condições locais. E dirão: Esta terra assolada ficou como o Jardim do Éden. e o homem foi feito alma vivente. em vez de estar assolada aos olhos de todos os que passem. e as cidades solitárias. E o Senhor Deus fez brotar da terra toda a árvore agradável à vista.

a grega e a judaica. Fílon. autodomínio. e ao Eu. onde nasce o Sol. viverão no Jardim do Éden. mas não se diz que ele é o Éden. Mas. O Leste. 100 . porque a razão não se põe. antes. os retos irão para o jardim quando morrerem. o homem teve início no Éden. Na verdade. explicando o significado alegórico do Jardim do Éden. sob o qual fluem rios.Fílon. O jardim. representa a bondade que emana da sabedoria. ao passo que. Ao plantar esse jardim. O rio que sai do Éden. se a árvore do conhecimento do bem e do mal está situada dentro ou fora do jardim. essa árvore tanto está dentro como fora do jardim. Deus semeia a excelência terrena. O jardim simboliza a virtude que Deus planta na alma. A parte mais importante do homem recebeu o cunho de virtude e está situada dentro do jardim. os autopurificados. é comparado a sabedoria. a palavra ou o lógos grego. imagem e visão de Deus. os retos. Moisés não deixa claro. diz Fílon. então. judeu grego. neste último caso. Mas um homem pode estar num local consagrado e sua mente estar ocupada com o mal. virtude. A árvore da vida é colocada no centro do jardim porque representa virtude em seu sentido mais universal. e os crentes. os tementes a Deus. lembrando os profetas judaicos. De acordo com o Alcorão. Os quatro rios representam prudência. baseou sua filosofia em ambas as culturas. coragem. salienta que Moisés o chama de começo. como uma cópia ou um protótipo da excelência celestial ou arquétipa. e justiça. porque a maldade não está dentro nem fora do homem. segundo Fílon. O Céu dos cristãos pode ser semelhante ao Éden. A alegoria do jardim se refere a virtude. O jardim é plantado para o oriente. eleva-se como o Sol. O jardim islâmico é semelhante ao Éden judaico. na versão islâmica. é associado a razão. o ponto do nascer do Sol.

um emblema mostra um jardim rodeado de árvores. e açafrão. não somente a figura de uma flor numa montanha. a evolução do Eu interior. por exemplo. oliveiras. estas plantas simbolizam os estágios da transmutação alquímica. enxofre. maçãs douradas.O jardim alquímico tem uma roseira em seu centro. alquimia. o jardim é o local sagrado. o lugar onde ocorre a transmutação. louro. a forma dos símbolos e seu significado. o paradisíaco e o terrestre. como religião. os três reinos da Criação são o celestial. Na alquimia transcendental. são símbolos comuns na mitologia grega. Na Basílica Chymica. Ao pé de um carvalho. O jacinto. mercúrio e sal. Mas sua obra não pode ser confundida com a de outrem. via-se uma fonte. essa transmutação é espiritual. No centro do reino terrestre há um jardim plantado com árvores que simbolizam os sete metais e os três princípios alquímicos. parreiras. nas obras de Jacob Boehme. mas as flores têm ainda outros significados. O "ramo-de-ouro" lembra a Eneida de Virgílio. e a cabala judaica. combina vários fatores culturais. Alquimicamente. assim. amoreiras. O jardim. A inscrição diz que o jardim cresce abundantemente e tem muitas plantas bonitas. Os desenhos alquímicos de Nicholas Flammel continham. papoulas. como aliás todos os seus símbolos. de Mylius. também uma roseira no meio de um jardim. O estilo literário. representa o elemento divino no homem e no mundo. trigo. Nele há muitas formas e espécies de plantas: jacintos. rosas vermelhas. de Stoltzius. são fortemente pessoais. No "Jardim do Deleite Alquímico" ("Chymisches Lustgàrten"). 101 . O símbolo do jardim. publicado em 1624. o louro e a oliva ou azeitona. mas. Provavelmente.

A árvore cresce em função da seiva da terra. dos astros e dos elementos. quando a geada. 102 . torna-se grande e espalha amplamente seus ramos. esta desenvolve seus ramos de modo que possa produzir bons frutos. O Sol brilha sobre eles. o mau faz todo esforço para produzir maus frutos. Os ramos representam os elementos. caem sobre eles. o homem pode superar o mal. em grande perigo. Ao falar do conteúdo do livro. e a seiva simboliza a divindade pura. o calor e os fungos a atacam. A terra em que a árvore se encontra lhe proporciona a seiva com que ela adquire sua qualidade de ente vivo. assim como a seiva na árvore. colérica e infernal. abundantemente. Ambos estão presentes na árvore da natureza. os ventos. Â medida que a terra exerce sua influência sobre a árvore. Boehme compara filosofia. Os homens foram feitos da natureza. Assim como a maçã na árvore apodrece e é comida por vermes. e os homens são feitos dessa árvore e vivem neste mundo. O jardim da árvore significa o mundo. a chuva e a neve. a outra é selvagem. da Astrologia e da Teologia". neste jardim. com uma "bela árvore que cresce num lindo jardim de deleite".No prefácio de "Aurora". as estrelas. o solo representa a natureza. assim também se corrompe o homem quando permite que o demônio reine em seu âmago com o seu veneno. Boehme leva a alegoria ainda mais longe: "A este livro dei o nome de Raiz ou Mãe da Filosofia. o tronco da árvore. se eleva seu espírito em Deus. os frutos representam os homens. astrologia e teologia. Há duas qualidades na natureza. O bom trabalha para produzir bons frutos. ou o conhecimento global. Uma é agradável e celestial. mas Deus reina sobre tudo. No entanto.

em cuja conjunção o amor especial se impunha como o centro virgem.Explicando a criação dos animais.". Otelo usa o simbolismo cultural comum para apresentar uma imagem de si mesmo conforme deseja que o povo o veja. mais primorosas. são típicos do inglês elizabetano. usa símbolos comuns para apresentar uma imagem vivida. na filha do rei que vivera entre os pastores. espelhando a união do rei com os pastores. afirma que Adão era andrógino e. 3 Os trechos de Shakespeare serão apresentados em tradução livre para o português. Boehme. no entanto. bem como a situação do Estado.. Se queres saber. se desejas ver o reino de Deus. diz ele que. onde encontrarás uma erva. virgem. E o trecho de Ricardo II espelha a tribulação do rei e da rainha depostos. "Ele tinha em si as características do fogo e da luz. teus olhos se abrirão. de modo que verás e saberás o que escreveu Moisés". O jardim representa os ensinamentos verdadeiros. em Conto do Inverno. e a erva significa sabedoria. Contêm o fator microcosmo-e-macrocosmo comum à época. apenas para que o leitor deste Capítulo possa aproveitar as referências simbólicas ao jardim. e as plantas têm significado simbólico geralmente compreendido naquela cultura. então abandona o orgulho que tens em tua mente. se a comeres. 103 . E. "Precisas renascer. nos exemplos que apresentamos a seguir3. a imagem do jardim combina o régio e o rústico. certamente poderá encontrá-las nas livrarias e bibliotecas. e entra no paradisíaco jardim de rosas. É uma chave para o significado e a interpretação das peças.. O uso do jardim simbólico por Hamlet representa seu próprio entendimento. em seu Mysterium Magnum. na Segunda Parte de Henrique VI. O simbolismo é uma parte essencial da arte de Shakespeare. como o belo jardim paradisíaco de Rosa e Deleite. York. Os jardins de Shakespeare. O leitor interessado em traduções melhores. de si mesmo. eloqüente. para compreendê-la.

. Cena 3: lago: "Virtude? Ora! É por nós mesmos que somos como somos. insípidos. só coisas daninhas e grosseiras Dele se apossam. assim.Hamlet."Confessa-te aos céus. se supriremos o jardim de um só gênero de plantas ou se o diversificaremos 104 . Ato I. Ato III. Arrepende-te do que passou. Em que medra qualquer semente. Nosso corpo é o nosso jardim. Ato I. . evita o que está para vir. Cena 4: Hamlet:. E não espalhes sobre as más ervas o adubo. Cena 2: Hamlet: "Quão tediosos. Que vergonha! Ó que vergonha é um jardim inculto." Otelo. se plantaremos urtigas ou semearemos alface. se cultivaremos hissopo e tomilho. melancólicos e sem proveito Me parecem todos os costumes deste mundo. Para que mais daninhas não se tornem." Hamlet. e nossa vontade é o jardineiro.

nossos incontrolados apetites. significa emoção. 105 . eu confiava na França. Mas logo hei de remediar esta situação. Ou venderei meu título por um glorioso túmulo. pois. de que considero isso que chamais de amor um seguimento ou rebento. aqui. o poder e a restauradora autoridade para isto repousa em nossa vontade. Se a balança da nossa vida não tivesse um prato de razão para contrabalançar um prato de sensualidade. o sangue e a qualidade inferior da nossa natureza nos levariam às mais absurdas conclusões. porém. a criança perdida. Eis. Segunda Parte.) Henrique VI. ora. Tão firmemente quanto na fértil Inglaterra. nossos pungentes impulsos carnais. mas temos a razão para arrefecer nossos tumultuosos movimentos. dá flores a Polixenes e compara a região onde vive com os pastores com um jardim rústico. E lagartas comem as minhas folhas. Ato III. Cena 3. que minhas flores são destruídas nos botões. Ato IV." (A palavra "movimento". Cena l: York: "Desoladoras notícias para mim." Em Conto do Inverno. Perdita. se o deixaremos ficar estéril por incúria ou o tornaremos fértil com diligência.com muitos.

é uma arte Que a natureza pratica. gentil donzela. são unidos dois diferentes elementos. casamos Uma espécie mais delicada com a mais silvestre. como o alquimista. esta é uma arte Quando de fato melhora a natureza. Em seu jardim não há cravos-da-India. E fazemos a espécie inferior Produzir espécie mais nobre. a arruda representa graça e acreditava-se que tinha propriedades mágicas. mas A própria arte é natureza. Que. quanto a essa arte.As flores que ela oferece são simbólicas.. como filhos rebeldes. 106 . "que alguns chamam de os bastardos da natureza". ". Em Ricardo II." O jardineiro. a menos que a própria natureza crie esse meio. lembrança.. usa os métodos da própria natureza para aprimorar a natureza. Rosemary simboliza fidelidade. que podem simbolizar a união da realeza. atai aqueles damasqueiros pendentes. Por enxerto entre uma espécie silvestre e uma cultivada. a rainha está no jardim do Duque de York e ouve o jardineiro dizer: "Ide. ou antes a modifica. com Perdita (mesmo que ela não saiba disto) e os pastores. representada por Polixenes. Cena 4. Polixenes diz que não há meio de melhorar a natureza. Vede. Que dizeis melhora a natureza. fazem seus pais Curvarem-se à pressão de seu enorme peso. Ato III.

Manter lei e forma e justa proporção. Quando nosso jardim. Suas árvores frutíferas sem poda. e suas plantas sadias Cheias de lagartas?" 107 . como um algoz. Seus rebentos em desordem. Enquanto assim procedeis. suas sebes arruinadas." Um servo pergunta: "Por que devemos. e. eu irei arrancar pela raiz As ervas daninhas que sem proveito privam Da fertilidade do solo as flores sadias. delimitado pelo mar. no âmbito de um cercado. Todos devem estar nivelados no nosso governo. E que tão altaneira parece em nossa comunidade. Mostrando.Fazei alguma sustentação para os galhinhos que se curvam. Cortai a cabeça dessa ramagem miúda que tão depressa cresce. nosso ordeiro estado. a Terra inteira Está cheia de ervas más. suas mais belas flores danificadas. Ide. como num modelo.

pareciam elevá-lo. logo será aqui vista. e compaixão — "ruth". Que ele não podou e ornou sua terra Como cuidamos deste jardim!" arrancadas pela raiz. a Adão. aqui. misericórdia.) 108 . amarga erva da graça. o jardineiro.e tudo feito por A rainha compara o jardim ao Éden e. perguntando: "Que Eva. Em memória do lamento de uma rainha. que serpente te sugeriu/Promoveres uma segunda queda para o amaldiçoado homem?" O jardineiro encerra a cena falando da arruda: ".. E a arruda. há um jogo de palavras entre arruda — "rue" . pesar. neste lugar.. Estão Bolingbroke.O jardineiro responde: "Tranqüiliza-te. justamente por piedade. As más ervas que suas tão abertas folhas abrigavam. E que. Vou plantar um canteiro de arruda.e piedade. Ó! Que pena.." (Em inglês. enquanto o devoravam. Aquele que sofreu essa desordenada primavera Ele próprio suas folhas já viu cair..

e ciclos 9. Cercadura 3. Cultivo 4. O jardim simboliza o ideal 7. um todo 5. Como isto se aplica aos símbolos do jardim? SUMÁRIO São fatores básicos que associam a forma e o significado do jardim: 1. Representa também nascimento.Como exercício. ajuda a instruir e lembrar. Forma 2. Por exemplo. O jardim é o centro do mundo 6. 109 . O jardim é um microcosmo 10. recomendamos que o leitor revise os objetivos dos símbolos apresentados no Capítulo Terceiro e analise os símbolos de jardim dados neste Capítulo. O jardim representa fertilidade 8. e essa comunicação. com sua vividez. O jardim como uma unidade. símbolos mitológicos formulam conceitos sobre a natureza do universo e do homem. renascimento. com aqueles objetivos em mente. comunicam esses conceitos sob a forma de mitos. Pode representar o Reino Superior e o Reino Inferior ("em cima" e "em baixo").

e de Shakespeare. a fonte etc. animais. o lago. a montanha. Ele é tanto natural como artificial: cultural e arquétipo. comunicativo e artístico. da alquimia. de Jacob Boehme. a árvore cósmica e a flor cósmica. A forma e o significado do jardim simbólico variam. Exemplos do jardim corno símbolo são extraídos da mitologia grega. seres divinos e semidivinos. de Fílon. 110 . e tem elementos pessoais.Símbolos comumente associados ao jardim são plantas. do Alcorão. da Bíblia.

na Grécia. como o grande e o pequeno universos. tem uma posição dominante. É uma unidade que participa do reino mundano e do reino cósmico. por sua natureza. também. a montanha tem altura. A árvore é muitas vezes relacionada com os deuses. estabilidade e permanência. mas a montanha. como a montanha das escrituras cristãs e judaicas. é a morada dos deuses. a matriz do poder criador. O Monte Olimpo. é um exemplo disto. pode ser o lugar onde a divindade se manifesta. Como a árvore e o jardim. 4. 6. e por isto simboliza ambos estes reinos. estão todos situados no centro simbólico da Terra. mais uma vez como a árvore. é portanto associada ao reino divino ou cósmico. 2. 1. devido à sua massa e à sua natureza duradoura. Por este motivo. a montanha simboliza o microcosmo e o macrocosmo. Como a árvore. bem como o cosmos e o homem. A montanha. representa divindade e soberania. A montanha. e este centro é o local da Criação. 111 . A montanha. Quando a montanha não é a própria morada dos deuses. 3. A montanha sagrada é usualmente a mais alta da região. eleva-se da terra para o armamento ou céu. 5. o mundano e o psíquico. Liga os reinos da existência universal. o jardim e a árvore.CAPÍTULO X: A MONTANHA SIMBÓLICA Alguns dos elementos correspondentes na forma e no significado da montanha são semelhantes aos do jardim ou da árvore. representa fortaleza. e é assim um mediador entre o terreno e o divino.

e com prédios e pilares feitos de pedra. Podem servir como templo ou ter um templo no topo. cônica. representado pelo vale. A forma da montanha é por vezes simbólica. como as pirâmides egípcias e maias e a torre babilônica. são montanhas artificiais. 8. o altar feito de pedra. Muitos símbolos são associados à montanha. O templo está muitas vezes situado ao pé ou no topo da montanha. portanto. pode ter uma fonte como manancial das águas. A escalada da montanha isola o indivíduo do mundo objetivo. inclusive o jardim. e a ascensão física corresponde à ascensão espiritual ou mística da consciência e a simboliza. a árvore e a flor. como na Olímpia e no Epidauro da mitologia grega. 9. ou ao purgatório. de pirâmide escalonada ou em degraus. Às vezes é usada em símbolos que representam o nascer do Sol. A montanha é pedra e pode ser associada a símbolos como a Pedra Filosofal. Simboliza. E. como no simbolismo egípcio.7. Ela representa a ascensão do estudante na Senda da Iluminação ou união. ela é a borda do mundo. como no Parnasso. 10. A montanha tem de ser escalada. a pedra fundamental simbólica de uma construção sagrada. como na "Divina Comédia" de Dante. 112 . o cume da montanha é associado à iluminação ou união mística. Pode ser piramidal. A montanha pode ser associada ao outro mundo. Pirâmides e ziggurats. A jornada ou ascensão mística leva à união mística ou Consciência Cósmica. mas têm o mesmo significado da montanha. portanto. ou dupla (duas montanhas). como em alguns símbolos egípcios do nascer do Sol. a meditação necessária ao desenvolvimento. Em algumas cosmologias. ao inundo inferior.

de modo que podem ter o mesmo significado simbólico. A montanha Kailasa é a morada do deus Shiva. O nome do deus do firmamento dos povos indo-europeus era derivado da palavra que significava brilhar. e era associada à montanha. é uma montanha sagrada situada no centro da Terra. era mãe esposa. dos índios Papagos. ele vivia no Monte Olimpo e controlava o clima. cada qual tem aspectos especiais derivados do ambiente e da cultura do grupo. que era prisioneiro na montanha. A morte da vegetação era representada pelo mitológico Marduk. O renascimento da natureza era representado por sua 113 . na Mesopotâmia. A simbolização é um meio de formular as coisas que existem ou pôr ordem nas mesmas. particularmente. no simbolismo hindu. que simbolizava o poder criador. o Monte Parnasso de Delfos. Torres são construídas de pedra e têm a altura da montanha. A Montanha do Norte. são montanhas sagradas.A montanha tem cavernas e grutas que simbolizam a divindade. Assim como o Zeus grego. o Monte Tabor da Palestina. o Monte Baboquivari. exceto pelo fato de que as pessoas vivem dentro da torre e sobre a montanha. portanto. porém. é associada às estrelas. Têm um significado comum. O Monte Meru. e um de seus símbolos era o relâmpago. mas cada grupo ou cada indivíduo faz isto de maneira diferente. O rio sagrado tem sua origem nas montanhas e simboliza o elixir da vida. é associada ao eixo da Terra e à Estrela Polar. O Himinbhorg dos Eddas Escandinavos. A deusa da Terra. A montanha está perto do firmamento e. simbolizava o renascimento da natureza na primavera.

ou deusa da Terra. ao passo que yin é o lado frio e sombrio. por regozijo. deus do firmamento.libertação do mundo inferior montanhoso. seu aprisionamento era simbolizado por lamentações e. o deus Shiva leva sua noiva para o norte dos Himalaias. e a vegetação começa a florescer. assim como o Sol nascia e se punha entre montanhas. filho de Apoio e Coronis. quando ela assentou sobre uma montanha. yang é o lado quente. 114 . a deusa Réia ficou furiosa porque seu marido. aprendeu medicina numa caverna do centauro Cheiron. onde ele foi escondido numa caverna. e depois o enviou para Creta. as polaridades masculina e feminina. respectivamente. Ela deu à luz a Zeus. A mitologia grega fala também de um dilúvio provocado por Zeus. Todavia. Ritualisticamente. em Epidauro. sua libertação. era com freqüência guardiã dos mortos. temendo que seus filhos o destronassem. devorou cada um deles ao nascimento. ensolarado. Quando vêm as chuvas. Sua chegada simboliza a primavera. Hathor morava na árvore sagrada à entrada do outro mundo e alimentava os mortos. Com relação à montanha. Na mitologia grega. a identificação dessa montanha varia conforme a versão do mito. numa montanha da Arcádia. Um mito grego diz que o terapeuta Asclépio. Um outro mito conta que o nascimento de Asclépio se deu no santuário de Apoio. Essa entrada ficava entre montanhas. como a Hathor egípcia. eles passam para o topo da montanha. A deusa-mãe. a dualidade é representada por yang e yin. Na mitologia hindu. onde não há nuvens nem chuva. No simbolismo chinês. O rei Deucalion fez uma arca que flutuou até que as águas baixaram.

A obra gnóstica intitulada Livro da Caverna dos Tesouros tem este nome em função do mito de que livros de mistérios secretos eram ocultos numa caverna da simbólica Montanha das Vitórias. por conseguinte. Ao fazê-lo. e muitas vezes usam símbolos específicos como os que estamos discutindo. Talvez aprendesses com júbilo que o Inominável tem uma voz. meditando junto ao altar central. usa a montanha como um símbolo. e às vezes os ensinamentos secretos. Pois. Arte. Os mitos gregos eram também usados pelos dramaturgos e outros artistas. 115 . a indivíduos ou grupos. o conhecimento é como a andorinha sobre o lago. Há uma montanha branca que é sagrada para os Mandaeans.Cada um desses símbolos é uma parte de uma realidade ordenada. Ali. se fores sábio. as emoções. Numa tradução livre. Que deves obedecer. preserva também os mitos para futuras gerações. e a Montanha das Luzes é encontrada na mitologia indiana. Uma outra obra gnóstica fala do livro escrito por Seth e depositado numa montanha. em "O Sábio Antigo". e mergulhasses No Templo-caverna do teu próprio Eu. a simbolização era ainda a base da auto-expressão. literatura e música. as idéias. são transformações simbólicas da atualidade. mas o mito é usado para comunicar a ordem. Tennyson. A simbolização estabelece uma ordem e a comunica. embora não possas saber. são os seguintes os seus versos: Se pudesses ouvir o Inominável. Como se soubesses.

Em seu prefácio ao manifesto do século dezessete. ou A Fama da Fraternidade de R. "E agora. e ali se tornavam eles visíveis ou invisíveis. Fama Fraternitatis. que seus seguidores chamam de Locus S. C. Se olhares mais alto... o símbolo da montanha é usado três vezes. Os sábios.Que vê e agita a sombra na superfície. em que os indianos se abrigavam.. Mas nunca mergulhou no abismo.possas ver O alvorecer celestial do dia mais-que-mortal Brilhar no Monte da Visão! Nos escritos do Rosacruz inglês. envida esforços para tua ascensão. E além da cadeia da Noite e da Sombra . então — talvez. . 116 . para além De cem cordilheiras cada vez maiores. ele faz referência à casa que o lendário Christian Rosenkreuz teria construído ao retornar de sua jornada ao Leste. à vontade e à sua livre decisão”. viviam num pequeno monte e. pois era isto que a palavra significava. nesse monte. de onde. O sábio exorta seu interlocutor: .. Está ele então discutindo o paralelo entre o que disse Apolônio de Tíana sobre os brâmanes da índia e os Irmãos da Rosa-Cruz. . C. Thomas Vaughan. E escala o Monte da Bem-aventurança. Spiritus. diz Apolônio. havia sempre uma nuvem. vejamos que espécie de habitação eles (os Rosacruzes) tinham e que paralelo existe entre essa habitação e a casa de R.

ou seja. o ponto principal é a mistura de fontes para o simbolismo. os brâmanes da índia vivendo na terra e não na terra. Considerai bem o que ledes. Vaughan está usando o símbolo da montanha para instruir seus leitores em certos princípios místicos. desfrutavam de todas as coisas. e em "Pégaso". que os próprios brâmanes não sabiam se esse monte era circundado por muralhas ou tinha quaisquer portais que para ele dessem passagem. aos últimos.: Um dia contemplei as torres olímpicas brilhando junto a certo riacho e uma cidade famosa. que jorra até este dia. em "Helicon". o monte ou a montanha simboliza ascensão ou elevação da consciência e união mística. Mas usou também a mitologia grega. Eles estavam protegidos sem muralhas e. Vaughan associou os Rosacruzes com religião e filosofia indianas. Quem não há de amar esse local e os longos dias ali vividos?" Deixando de lado o problema de Apolônio de fato ter escrito isto ou não. diz ele.. porque a neblina impedia todas as descobertas. para esclarecer o espetáculo um pouco mais. ainda que não seja por outra razão além da que os sofistas aplicavam às montanhas: “Aos primeiros. Refiro-me a Helicon — ou o Parnasso de dois picos — onde o corcel Pégaso abriu uma fonte de águas perenes. naturalmente. C. descrevendo esse Elísio dos brâmanes. que consagramos com o nome de Espírito Santo. na ascensão da consciência e no desenvolvimento 117 . Eu vi..Mas Tyanus nos diz algo mais. o Sol saúda. Isto é bastante claro. abandona. alcançadas através de meditação. ouça-mos Apolônio em certo discurso que fez aos egípcios. nas "torres olímpicas". nada possuindo. no "Parnasso". e nesse monte também eu desejo viver. Mas. e. e. bem como ao sigilo. A invisibilidade do monte e a nuvem são referências a princípios místicos. pois assim escreve alguém sobre a casa de R.

para que não vejam a vaidade antes que a sabedoria seja percebida. Quando ele o faz. mas. de que Pitágoras falou com obscuridade. há "uma Carta dos Irmãos da R. graças à providência Divina. "Há uma montanha. distante e próxima. Há dois outros símbolos de montanha nos escritos de Vaughan.místico. promove seu próprio desenvolvimento. mole e dura. Vaughan convida o leitor a "subir essa alta montanha à nossa frente.. ou um Discurso do Espírito Universal da Natureza. Suas fontes poderiam ser até certo ponto bíblicas. do topo da qual eu vos mostrarei o lugar onde dois caminhos se encontram. Que vossos olhos contemplem primeiro o reto caminho. não nos podemos desviar do caminho da verdade. que é ao mesmo tempo pequena e grande. Nela estão ocultos tesouros que o mundo não é capaz de avaliar. tanto psicológico como psíquico. uma fonte de que jorram águas vivas". de modo nebuloso. C. mas ele é influenciado por literatura e simbolismo místicos e alquímicos que não são necessariamente cristãos. agora brilha o sol da santidade e da justiça. Este trecho é de estilo quase alegórico. sobre a Invisível e Mágica Montanha e o Tesouro que ela contém". Não vedes aquela brilhante e inexpugnável torre? Ali está o Amor Filosófico. Mas o estudante deve meditar sobre o símbolo. para compreendê-lo. Em Lumen de Lumine. O primeiro. Essa montanha está cercada de bestas muito ferozes e aves 118 . invisível. guiados por ele. no meio da Terra. em Anima Mágica Abscondita. Nossos olhos são abertos.

como literatura sagrada. e a saúde do corpo é restaurada. é útil coletar referências aos mesmos em diferentes tipos de literatura. Há testes e tribulações a superar. O tesouro é sabedoria. Parte do texto diz: "Por causa de uma queda. O símbolo. Nos Símbolos Secretos dos Rosacruzes. e sim dentro do globo.vorazes. A alma é salva. uma estampa mostra o filósofo sentado à frente da caverna. Para a compreensão de símbolos. a transmutação espiritual do homem. e obras de autores como Dante. não na superfície do globo. como no símbolo de Heinrich Khunrath para o Portal do Anfiteatro da Eterna Sabedoria. o templo era às vezes situado dentro da montanha. portanto. e é um recurso de instrução e um meio de meditação. escritos alquímicos. Portanto. Nesta há símbolos que representam os passos da transmutação alquímica do chumbo em ouro e. "no meio da Terra" significa. Mais uma vez. Shakespeare. 119 ." Na literatura alquímica. na montanha. que tornam o caminho para ela muito difícil e perigoso. em seu centro. como foi perdida a saúde do corpo. ou os ensinamentos que levam o estudante a alcançar a união mística. Isto pode ser feito com símbolos estudados nestes Capítulos. preserva ensinamentos. analogamente. pela visão de uma coisa singela que está oculta neste quadro e que é o maior tesouro deste mundo". Edmund Spenser. literatura mística. comunica alguma coisa. esse Portal é invisível e difícil de alcançar. publicados na Alemanha no século dezoito. a alma do homem foi perdida. e depois com outros em que o leitor esteja interessado.

Altura 2. e dos Símbolos Secretos. cavernas. do gnosticismo. o outro mundo. Jornada que leva à união mística São símbolos associados à montanha: o jardim. torres. Forma simbólica 7. Isolamento 9. pirâmides. A montanha liga a Terra ao Céu 3. ziggurats. de Tennyson. 120 . templos. Microcosmo e macrocosmo 4. a árvore. a pedra. Thomas Vaughan. pilares. o eixo da Terra. O exercício deste Capítulo sugere que o leitor colha exemplos de símbolos de diferentes tipos de literatura. a borda do mundo. Exemplos da montanha simbólica são tirados de várias mitologias.SUMÁRIO São elementos correspondentes na forma e no significado da montanha: 1. a flor. Ascensão 8. e a Estrela Polar. Localização no centro simbólico da Terra 5. prédios. Posição dominante 6.

a elevação da consciência.CAPÍTULO XI: A ÁRVORE SIMBÓLICA A árvore sagrada ou cósmica é muitas vezes encontrada no jardim. A altura da árvore. Tais símbolos pertencem à vida psicológica e espiritual ou psíquica e às mudanças que fazem parte do seu desenvolvimento. 2. tem elementos comuns onde quer que seja usado. mas. 121 . Nem todos esses elementos serão encontrados em todo uso do símbolo. Um símbolo arquétipo é aquele que. muitos. Como o jardim. 3. As folhas e os frutos da árvore representam atributos do Ser Divino em sua manifestação na Terra. a árvore sagrada é encontrada no mundo inteiro. por si mesma. São os seguintes os elementos básicos que associam a forma e o significado da árvore simbólica: 1. bem como do homem e dos animais. Representa. Destaca-a das outras plantas. e tem um significado cósmico ou místico para aqueles que o compreendem. a árvore simboliza a ligação entre a Terra e o Céu. a consecução da harmonização. e há certos elementos na forma e no significado que estão presentes onde quer que ela apareça. já a torna importante. que é um símbolo semelhante. a ascensão espiritual da alma. É o lugar onde o elemento cósmico ou divino desce à Terra. ou no bosque sagrado. não só é comumente usado. aparecerão em qualquer emprego do mesmo. A altura também é associada a ascensão e descensão. portanto. porém. Devido à sua altura.

Pode também representar os atributos de Deus. A árvore é o lugar de meditação. como nos Upanishads. Como a árvore produz frutos e sementes. ou os sephiroth. ou vice-versa. assim. ou na árvore da cabala conforme Robert Fludd a representa. e são às vezes representados como os frutos da árvore. A força vital é inerente à árvore e típica da mesma. a Terra em que ela cresce. É o local onde o homem alcança a união com a divindade. seja o jardim. simboliza conhecimento ou sabedoria. O fruto da árvore. portanto. 6. como na árvore cabalística. O cosmos é manifestação do poder divino. Coisas feitas de madeira são simbolizadas pela árvore. simboliza fertilidade. é o centro do mundo ou do cosmos. 13. as dez esferas. pode representar reencarnação e renascimento espiritual. simbolizando o reino divino em que ela está enraizada. Seu ciclo de crescimento representa ciclos em geral e. 10. O ataúde de Osíris era uma árvore. 5. A árvore. ou da parreira. Por sua natureza. A árvore pode representar o microcosmo e o macrocosmo. A árvore representa poder divino ou cósmico. Mas ela também simboliza o reino divino ou cósmico. É. simbolizam atributos da divindade. porque é o símbolo do mundo infuso com esse poder.4. 9. 7. porque é a ligação entre o poder terreno e o poder cósmico. ou a montanha. 11. o grande mundo e o pequeno mundo. o bosque. e pode simbolizar o próprio ser humano. que representa o mundo. a árvore 122 . em particular. Trata-se da árvore sagrada. a escada e o pilar são associados à árvore. o nascimento e renascimento da natureza e do homem. A árvore aparece às vezes invertida. na Árvore Islâmica da Felicidade. a árvore simboliza vida. 8. O local sagrado. 12.

A cruz pode ser feita de madeira e às vezes é citada como uma árvore ou como feita de uma árvore. o poste e o mastro. A árvore é às vezes associada ao oráculo. assim como o fruto da árvore. A parreira e os arbustos são muitas vezes. é usada para ascensão e representa ascensão. A lança também vem da árvore. como na moita ardente que apareceu a Moisés segundo o Livro do Êxodo. A coluna. A escada é feita de madeira. como em Delfos. que personificam forças cósmicas ou naturais. Como a árvore. O obelisco pode também ser associado à árvore. Há símbolos que estão relacionados com a árvore simbólica. Podem também ter outros significados. embora tenha o topo em forma de pirâmide. que é o centro do mundo. também são derivados da madeira da árvore e têm o poder divino da árvore. sustenta o pórtico ou o teto. da mitologia grega. os degraus representam os níveis dessa hierarquia. é o símbolo desse poder. Os frutos e as folhas da árvore são simbólicos. devido a suas funções.então. O fruto da parreira representa sabedoria. da 123 . são evidentemente feitos de árvores e representam a mesma coisa. representam. No simbolismo cabalístico e ai químico. por exemplo. O pilar ou coluna. Este é às vezes representado pelas divindades da árvore. simboliza a hierarquia da Criação. ou os passos da transmutação alquímica. A varinha mágica e o caduceu de Hermes. o mesmo símbolo que a árvore. ou à voz de Deus. essencialmente. ou os atributos da divindade. encerram o mesmo poder cósmico e representam a presença da divindade.

ou pomares. Em Delfos crescia a árvore do louro. Para os irlandeses. 1) diz: "Há essa árvore antiga. como o carvalho a Zeus. jardins. É em parte por isto que a árvore é um símbolo arquétipo. ou o sicômoro a Hathor. Não obstante. seja plantado e cultivado ou não. a árvore usada por um dado grupo cultural difere da usada por outros. a deusa egípcia. O carvalho era sagrado para os druidas. onde é associada à fonte.. É muitas vezes associada a deuses particulares. a aveleira era a árvore do conhecimento. então. As árvores fazem parte da experiência pessoal. isso na verdade é chamado 124 . O candelabro e o archote são usados simbolicamente em cerimônias e iniciações. O tambor é às vezes usado em rituais e é feito do tronco de uma árvore. O simbolismo da árvore tem origem na experiência humana comum. Para os caldeus. à pedra e à montanha sagradas. Com freqüência tem guardiães. O Katha Upanishad (vi. Já salientamos que a árvore pode ser encontrada no jardim. visto que há árvores em quase todos os lugares. como na terra inculta da abertura da "Divina Comédia" de Dante. têm elementos pessoais.. cujas raízes crescem para cima e cujos ramos crescem para baixo. A árvore pode ser a árvore simbólica da vida ou a árvore do conhecimento. e as expressam diferentemente. As pessoas vêem e sentem as coisas de maneiras diferentes. bem como da cultural. sob forma de animais ou seres divinos ou semidivinos. consagrada a Apoio. o cedro era a árvore da vida e o revelador de oráculos. e a terra inculta é contrastada com campos cultivados. O bosque é por vezes simbólico. Há outros objetos que são associados à árvore porque podem ser feitos de madeira.Bíblia.. A forma e o significado. porque cada grupo usa a árvore que é importante em sua região.

No Bhagavad Gita. É natural representar a árvore divina ou cósmica enraizada no céu. no Taittiriyaka Upanishad (i. Isso é aquilo." A árvore invertida é encontrada na mitologia Maori. Minha glória é como o topo de uma montanha. imperecível". Tendo arrancado essa Asvattha. porque resido no Sol. 125 . e. que têm as raízes para cima e os ramos para baixo. conhece os Vedas. estendem-se as raízes. nutridos pelos gunas. O que quer que exista. nem seu fim. o mundo inteiro. sou aquele que é verdadeiramente imortal.. imortal. quando desaparece (do Brahman). Todos os mundos nisso estão contidos e nenhum ser transcende isso. com a poderosa espada do desapego. bem como no simbolismo cabalístico. mas é perfeitamente possível que um símbolo assim surja em diferentes culturas porque os seres humanos pensam e simbolizam basicamente do mesmo modo. diz Krishna: "Fala-se da indestrutível Asvattha. de Brahman.. Eu sou o mais brilhante tesouro. Aquele que a conhece.de Brilhante. que tem de ser abatida pelo conhecimento). nem sua origem. Em cima e em baixo se espalham seus ramos. Eu. no mundo do homem. Sou sábio. Sua forma não é percebida como aqui. somente isso é chamado de Imortal. Esse Brahman é um grande terror. terminando em ação. 3): "Eu sou aquele que abala a árvore (i. cuja luz pura (do conhecimento) se elevou bem alto. estremece em sua respiração. nem sua existência. Em alguns casos pode ter havido migração ou assimilação. . 10. como uma espada desembainhada. e os objetos dos sentidos são seus brotos. Indonésia e Micronésia. A árvore é associada ao conhecimento e à montanha. firmemente enraizada. em baixo.. a árvore do mundo. Aqueles que o conhecem tornam-se imortais.

descansa. Na mesma árvore está sentado um homem.Então. Mas. 1—3)" O Mundaka Upanishad (III." O simbolismo hindu é baseado na religião e na filosofia do grupo. se necessário mudando sua forma. ela corria e. libertando-se do bem e do mal. então ele é sábio e. pesaroso. ninguém retorna. e.. com dois pássaros comendo o fruto: "Dois pássaros. Este simbolismo está fundamentado nos elementos subconscientes. absorto. Um deles come o fruto doce. quando ele vê o esplendoroso criador e senhor (do mundo) como a Pessoa que tem sua fonte em Brahman.. mas é apreendido e expresso através dos elementos objetivos. alcança a mais elevada unidade. o melhor dentre os que conhecem Brahman. invocava Atenas (ou. Ele se regozija no Eu. isento de paixões. perplexo com a sua própria impotência. seu pai) para ajudála. Apoio. tendo realizado suas obras. enquanto o outro fica olhando sem comer. ele é o Sopro que se reflete em todos os seres. Peneus. e não apenas uma pessoa que fala nisto. ele se deleita no Eu. 1) usa a imagem da árvore e seu fruto. dizem alguns. psíquicos.. firmemente estabelecido em Brahman. e aquele que compreende isto torna-se verdadeiramente sábio. que era filha do deus dos rios. apegam-se à mesma árvore. mas Daphne não correspondia aos seus sentimentos. O deus do Sol. quando ficava cansada. amigos inseparáveis. Mitos gregos são muitas vezes uma personificação de forças naturais. (XV. para ele tendo ido. amava Daphne. a 126 . Pois. Essa Meta deve ser buscada. no lugar de onde. Como qualquer religião. do ser do homem. E ela se transformou na árvore do louro. Quando ele a perseguia. pode ser um produto de funções psíquicas intuitivas.

o Cristo redime o homem sofrendo na cruz cuja madeira. migraram à medida que a religião cresceu e se expandiu. e muitos outros símbolos religiosos. e cobri a terra como uma nuvem . agradável sabor produzi. e uma roseira em Jerico. Eu saí da boca do Supremo. Fui exaltado como um cedro no Líbano e como um cipreste nas montanhas do Hermon. como os hindus. Este pecou por comer do fruto da árvore proibida. veio da mesma árvore. E fui exaltado como uma palmeira nas montanhas do Hermon. . e minhas flores são o fruto da honra e das riquezas. Na congregação do Supremo. ela abrirá sua boca e triunfará ante o poder do Supremo.árvore de Apolo. era consagrada a Atenas. na porção da herança do Senhor. o símbolo da árvore é muito empregado. o Cristo é chamado de segundo Adão. Por outro lado. A oliveira é sagrada e simbólica. junto à água. como uma bela oliveira num campo agradável. Como a parreira. 12-17): "A sabedoria louvará a si mesma. diz a tradição. e se cobrirá de glória em meio ao seu povo.. em homenagem a Apolo. e eles são como os ramos da honra e da graça. No simbolismo cristão. E firmei raízes num povo nobre. e como a fumaça do incenso no tabernáculo. como o do gálbano e do doce storax. Na Bíblia. E como uma palmeira em En-geddi. Exalei uma doce fragrância. simbolizando paz. Como a árvore da terebintina estendi meus ramos. Como escreveu George Herbert: 127 . budistas e islâmicos. Um dos exemplos menos conhecidos é o que consta do livro apócrifo de Ecclesiasticus (24:1-3. como o da melhor mirra. porque fora presente seu à cidade de Atenas e fora considerada a mais valiosa dádiva. de modo que os vitoriosos nos jogos de Delfos passaram a ser coroados com uma grinalda de louro. e produzi um odor agradável. e cresci corno um plátano. mas não foi personificada como o louro. como canela e aspalathus." Símbolos bíblicos. a azeitona.

por sua vez. Dante vê o que parece ser sete árvores de ouro. literatura. Seus ramos ou seu fruto às vezes simbolizam os passos da transmutação alquímica. e pode ter uma fonte jorrando de sua base. em mitologia. às vezes isolada. alquimia. A árvore alquímica é por vezes mostrada num jardim ou bosque. isto é. a árvore do conhecimento. em geral inconscientemente. Por correspondência. deve-se parcialmente a memórias trazidas de encarnações anteriores. e em sonhos. cujo fruto é sempre bom. simbolizam os metais e os elementos ou as facetas do mundo e do homem. e em cujo quinto abrigo "vivem espíritos abençoados". portanto. ele fala da árvore "cuja vida vem do seu topo. É a árvore da vida. No "Purgatório". a dualidade em geral. da transformação de metais inferiores como o chumbo em ouro. que. ou a substância universal de que todas as coisas são feitas. porém. O fato de que símbolos arquétipos aparecem em muitas épocas e muitos lugares. Também representa dualidade. O símbolo da árvore sagrada aparece na literatura alquímica. ou o fruto da parreira cujo suco é bebido na última ceia. e cuja folha não murcha"." O Cristo é o fruto da árvore que é cortada para a crucificação. Dante adotou símbolos cristãos comuns. a árvore representa os planos celestiais ou cósmicos."O homem roubou o fruto. simbolizando o Sol e a Lua e. Pode representar os planetas. mas Eu (o Cristo) devo subir na árvore. mas depois constata que são lamparinas de ouro (Canto XXIX). a árvore representa a transmutação espiritual do homem. 128 . O número cinco é referência ao quinto céu. E. no "Paraíso". portanto.

Jacob Boehme compara os pensamentos ou sentimentos (Sinnen) do homem à árvore. Ela segura três serpentes E. 129 . um corpo tem duas cabeças. que bem possas compreender A espécie ou o tipo dessa raiz. esta não é a única fonte ou a fonte mais comum de tais símbolos. uma ave livre. cada qual com um fruto na extremidade. com seus esplêndidos frutos. a mão esquerda. do simbolismo ai químico. Por baixo dele. um pensamento projeta muitos ramos. na mão. A ti estará oculta. Podem-se contar muitas riquezas. essa árvore. no total. então. De que. um emblema é intitulado "O Crescimento". Como o tronco da árvore. No jardim de Stoltzius. aparentemente o corvo. A mão direita da figura está segurando um vaso com três serpentes. vê-se a Lua com duas pontas. Há uma árvore com belos ramos." A figura é o rei-rainha andrógino. Mas.de modo real e ativo. uma ave. Pode ser. "Aqui. e representa dualidade. A árvore tem doze ramos. e o Sol está no topo da árvore. Produzindo muitos frutos nobres. ainda que isto seja verdadeiro. Do contrário.

Assim. se não os compreender. Estas duas árvores do jardim bíblico. mas os elementos pessoais os dominam e unificam. Criou sua própria mitologia. mas. com paciência. buscar o humilde Coração de Deus.brotos e raízes. ("Três Princípios") Boehme usou o simbolismo cristão de sua formação. e a queda mística do homem foi devida a que ele comeu do fruto da árvore terrena. Isto significa que o eterno Verbo de Deus. ("Três Princípios") Com relação aos seus escritos. bem como o simbolismo cabalístico e ai químico. a arte é a Árvore da Vida. O homem volta ao paraíso por meio de sabedoria. representam a dualidade cósmica e terrena. renascendo espiritualmente. tem uma escada que leva a Deus. à semelhança da fonte ou dos ramos da árvore. (Mysterium Magnum. pela divindade nele presente. expressando seu pensamento místico. Capítulo 56. ("Três Princípios") A Árvore da Vida é celestial ou divina. a escada de Jacó se estende da Terra ao Céu e representa o Cristo. com o poder do Céu. o homem. unificou o mundo e o Céu no homem. seção 5) William Blake foi um artista e poeta individualista. ao passo que a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal é terrena e produz frutos terrenos. assumindo a nossa humanidade. Cada forma da natureza gera uma outra fonte como ela própria. Segundo Boehme. Boehme adverte o leitor no sentido de que. uma grande árvore há de crescer. Isto há de implantar um pequeno grão de mostarda na alma e. 130 . na interpretação de Boehme. Para ele. Os anjos de Deus a estavam subindo e descendo. enquanto a ciência é a Árvore da Morte. não deverá escarnecer dos mesmos com espírito de orgulho.

De lágrimas tão frias quanto meus temores.John Keats. com grande ardor. Enganada por um sombrio galanteador vindo das nuvens. à beira do rio. associa a palmeira à tristeza. Sentei-me a chorar. em tradução livre: "À Tristeza Dei adeus. e no mundo inteiro Ninguém me perguntou porque eu chorava. Apenas se oculta e amortalha Em baixo de escuras palmeiras à beira do rio?" 131 . Que enamorada noiva. ai! que ela é tão constante e tão bondosa. E me é tão constante e tão bondosa. E achei que a deixava bem para trás. Eu a enganaria E assim a deixaria. Em baixo das minhas palmeiras. como podemos ver nos seguintes versos. Em baixo das minhas palmeiras. Mas. por outro lado. à beira do rio. Mas. Ela me ama demais. E eu continuei De lágrimas a encher as ninféias. Sentei-me a chorar.

A vida subsiste na doce união do amor. a divina proibição não lhe permitia desejar seu fruto e comê-lo.A estampa de "Símbolos Secretos dos Rosacruzes". uma batalha foi desencadeada em seu âmago. o bem e o mal. 132 . através do reino mediano que simboliza a Terra. embora ele fosse livre para contemplá-la corno uma árvore das maravilhas de Deus. viviam em combate. Esta estampa. Pois. essa era uma árvore de separação. a vida não pode existir em luta. ou seja. esta. quando Adão comeu do fruto dessa árvore. em sua divisão. produzindo duas espécies de fruto. Assim como seu nome são seus frutos. Parte do texto diz: "Há uma só árvore. traz a morte. de luz e de trevas. indica a influência de Jacob Boehme. em que o bem e o mal. Deus o advertiu de que ele morreria se comesse do seu fruto de morte. como algumas outras de "Símbolos Secretos". Portanto. que explica "A Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal". porque o conflito traz destruição e. o outro lado cresce do reino das trevas e tem por fruto o conhecimento do mal. mostra as raízes da árvore crescendo dos círculos que representam os princípios e reinos da luz e das trevas. Seu nome é Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. Esta árvore foi mostrada a Adão em sua inocência e. e nessa luta deve ele perder sua vida". Um lado da árvore cresce do reino da luz e tem por fruto o conhecimento do bem. frutos de vida e de morte. No entanto. de amor e de ódio.

O microcosmo e o macrocosmo 12. A árvore é às vezes associada a um oráculo ou à voz de Deus. o obelisco. O castiçal. o poste. a varinha mágica. Vida 8. A árvore invertida 13. o archote e o 133 . o arbusto. Lugar sagrado e centro do cosmos 6. A altura associada a ascensão e descensão 3. juntamente com a fonte. Local de meditação 5. Pode ser encontrada no jardim. a escada 11. a parreira. A própria altura 2. por exemplo. Poder cósmico Símbolos relacionados com a árvore são: o pilar.SUMÁRIO São os seguintes os elementos básicos que se associam à forma e ao significado da árvore: 1. Fertilidade 9. simbolizando conhecimento ou sabedoria 7. a escada. e a lança. Ligação entre o Céu e a Terra 4. a cruz. Coisas feitas de madeira. a pedra e a montanha sagradas. Ciclos de crescimento representando outros ciclos 10. O fruto.

Blake. Boehme. Keats. São apresentados exemplos de mitologias antigas. A terra inculta pode ser contrastada com os campos cultivados. a Bíblia. o Bhagavad Gita.tambor. e os "Símbolos Secretos dos Rosacruzes". a literatura alquímica. bosques. como os Upanishads. são às vezes usados em rituais. ou pomares. 134 . Dante.

particularmente de flores como a rosa e o lótus. e o grande mundo ou macrocosmo. ambas têm ciclos de crescimento naturais. Assim podemos resumir os elementos do significado e da forma da flor: 1. simboliza ciclos de crescimento. No entanto. ao Sol no sistema solar. Algumas flores são símbolos solares. bem como o Céu ou reino cósmico. 3. As pétalas da rosa. semente. evidencia o seu ciclo. fruto. e de novo semente. As pétalas. representam séries de coisas ou eventos. ambas podem representar o poder divino ou cósmico. broto. no reino vegetal. por exemplo. A seqüência. a flor. simbolizam os signos do zodíaco e os planetas. ao passo que o da árvore está em seu tronco. a criatividade natural do cosmos. que representa o Sol e seus raios ou as quatro direções. portanto. 2. o simbolismo da flor está em suas pétalas e em seu centro. 4. 5. ambas são unidades que simbolizam o microcosmo e o macrocosmo. mais do que a árvore. Ambas são coisas vivas e representam a vida e a Força Vital. 135 . em especial de nascimento e renascimento.CAPITULO XII: SIMBOLISMO DA ÁRVORE E DA FLOR Há semelhança nos elementos básicos de forma e significado da árvore e da flor. associadas a outros símbolos solares. seus ramos e suas folhas. Como a árvore. A rosa e o lótus correspondem. Ambas produzem fruto e semente. flor. e uma é usada para representar a outra. bem como as letras do alfabeto hebraico. como a cruz suástica. As plantas com flores são as mais belas e simbolizam a vida e a Força Vital. o homem e o universo. Visto que muitas plantas morrem e nascem de novo de suas sementes. a semente representa o pequeno mundo ou microcosmo. Elas estão.

Algumas flores se tornam frutos. é simbolizado nascendo do lótus. O lótus é comum ao simbolismo hindu e budista. o Cristo. Todos estes são considerados os mais elevados de sua série particular. 9. a criação cósmica. 10. e simboliza esse poder. O centro da flor representa o divino centro no cosmos e no homem. a Criação começa com a emergência do lótus de mil pétalas das águas que 136 . Boehme chama o Paraíso de Jardim de Rosas. 7. simboliza a essência divina presente no reino mundano. e a rosa pode ser o centro do jardim. são representados pela flor. o conhecimento que capacita o estudante a alcançar desenvolvimento místico e união mística. O deus egípcio. e o fruto simboliza sabedoria. também ao coração do homem. bem como avatares como representantes humanos da divindade. é dotada de poder divino ou cósmico. naturalmente. está relacionada com o jardim. como a árvore. assim como o Buda. A rosa é com freqüência associada a Jesus. simbolizando a meta da ascensão. Abelhas e mel estão relacionados com as flores. mas também o Céu. Não somente o mundo terrenal ou o reino mundano. A flor simboliza criação. e à alma. A flor. não somente ao Sol. As pétalas ou séries de pétalas representam os níveis ou as características desses reinos.6. As abelhas colhem o néctar das flores. A flor está também associada à montanha. ou o outro mundo. Hórus. que representa os ensinamentos secretos ou místicos. porém. e a fertilidade. a procriação das criaturas da Terra. mais especificamente. Na mitologia indiana. mas. 8. o reino cósmico. ao rei ou governante. A flor simbólica. É assim associada a Deus ou a deuses. A rosa e o lótus correspondem.

o próprio Brahma é às vezes representado com o lótus. e sua primeira irradiação é Brahma. logo. o elemento vitalizador e o abismo ou caos. ou um único lótus. O lótus é o centro criativo do universo. reta atenção. como uma espécie de fundo. talvez por este motivo. ou glândulas. centros psíquicos. reto meio de vida. A deusa Padma ou Lakshmi. ao mesmo tempo. e não do solo. Um símbolo. o lótus tem vários usos e significados. reto falar. tende a ter múltiplo significado. reto agir. ele próprio é puro. 137 . todas as demais criaturas emergem do lótus cósmico. reta aspiração. tem. A flor simboliza também a manifestação da iluminação. tanto na índia como na China. reto esforço. Quando é o lótus do cosmos. porém. na fusão do Eu individual com o Cósmico.representam. O lótus de oito pétalas pode representar a Óctupla Senda do Buda: reta compreensão. Este lótus tem sido usado para representar os chakras. Ela é representada de pé ou sentada sobre um lótus e pode ter um vaso de flores de lótus na mão. como no caso da deusa Kuan-yin. Portanto. os outros significados a ele associados. O lótus emerge do seu próprio centro. o Criador. modo que representa geração espontânea. reta meditação. ele representa pureza e. tem o lótus sido associado a misericórdia e compaixão. Depois de Brahma. refere-se a criação e procriação. Finalmente. é a deusa-mãe e uma personificação do lótus. Para o hindu e o budista. simboliza o desapego do mundo. assim. Quando a flor é ofertada à divindade. esposa de Vishnu. Esta flor. O lótus cresce da lama. assim. na figura do Buda sentado sobre o lótus. simboliza a doação do Eu ao Ser Divino.

o jovem Jacinto era amado por Apoio e foi acidentalmente morto por uma flecha deste último. a ameixa e o crisântemo. 138 . diz-se que a rosa branca veio do suor de Maomé. A primavera e o crescimento se referem ao princípio ativo. tanto o jovem de mesmo nome como o amor ao ego. para simbolizar qualidades de caráter. o bambu. Neste simbolismo. o desaparecimento das flores e a colheita. ao passo que o cair das folhas. No simbolismo islâmico. jacinto. ao princípio passivo. enquanto um signo apenas identifica alguma coisa. narciso. aliás. porém. o jacinto representa o jovem herói que tinha este nome. Consta que Zoroastro deitou-se em troncos para morrer. e. A flor. o outono. Na pintura chinesa. Algumas pinturas chinesas usam a orquídea. quando ele desceu do Céu. yin. é explicada pelo mito do jovem cuja vaidade o levou a contemplar seu próprio reflexo num lago até que os deuses o transformaram numa flor. simbolizam o outono e o inverno. os princípios masculino e feminino. Pode também estar usando a natureza como um padrão simbólico ou um sistema de símbolos para representar os padrões cósmicos ou arquétipos conforme expressos na natureza. representam as estações e as mudanças próprias das mesmas. a maioria das plantas. As flores e. O artista pode pintar a natureza simplesmente para apresentar sua interpretação da mesma e das forças naturais. emergiu do sangue desse jovem. é representado o padrão ou ciclo arquétipo. Um símbolo representa uma outra coisa. O crescimento de folhas nas árvores e o aparecimento de botões de flores representam a primavera. yang.Na mitologia grega. este ciclo é associado ao simbolismo de yang e yin. e o narciso simboliza. Diz-se que a flor. A rosa representa Adônis. Anêmonas e rosas cresceram do sangue de Adônis.

Dante usa o símbolo da rosa cósmica para representar as categorias dos habitantes do Céu. 139 . tanto na origem como na função. Um signo. As Guerras das Rosas. por outro lado. e sobem novamente para seus lugares. levaram à adoção da rosa Tudor. onde reina o amor. e a coroa de espinhos está associada a rosas. e eram associadas ao símbolo de rei e rainha e a outros símbolos da dualidade. E também compara os bem-aventurados a abelhas que descem até às flores em busca de paz e ardor. representando a união das duas facções dessas guerras civis. as emoções e idéias envolvidas neste campo. Se. É subjetivo e subconsciente. é primordialmente objetivo. um evento. Nos últimos cantos da "Divina Comédia". uma rosa branca. Uma flor que representa uma floricultura é um signo objetivo e identifica uma coisa que é primordialmente um lugar objetivo. se desejasse uma menina. A rosa cósmica de Dante representa o campo divino ou celestial. ou um atributo. Esta dualidade aparece no conto de fadas em que uma mulher teria de comer uma rosa vermelha se desejasse um menino e. as rosas vermelhas e brancas simbolizam duas etapas da transmutação alquímica. O simbolismo cristão usa a rosa para representar Jesus e Maria. em qualquer destes usos.mas eles se transformaram numa cama de rosas. assim como a árvore com espinhos na qual Judas se enforcou. na Inglaterra. Na alquimia. a flor se tornar apenas um signo identificador de um avatar. na origem e na função. O símbolo pertence primordialmente ao nível da experiência próprio da reação. terá perdido sua natureza e função simbólicas. que é vermelha e branca.

Êxtase estão elas preparando agora. Dão as Hostes Eternas Por toda parte o Dia!" Mas Mefistófeles tenta repelir as rosas. Qualquer ser vivo que a toca. Neste último lado vive a Bela Lily. O éter em sua claridade. Ato V. uma donzela que simboliza o Eu interior. enquanto o outro lado representa o reino imaterial ou psíquico. mas ela transforma pedras em seres vivos.No "Fausto" (Segunda Parte. morre. 140 . está repleto de simbolismo alquímico. A história se desenrola junto a um rio. mas alguns dos símbolos são derivados de símbolos místicos tradicionais. a rosa é associada ao reino cósmico ou celestial. Cena VI). ao final de Os Emigrantes Alemães. Goethe associa rosas aos anjos que descem para reclamar a alma de Fausto e a levar. um lado do qual representa o reino material ou mundano. psíquico. chamando-as de fogos fátuos. Canta o coro de anjos: "Rosas de gratidão. Amor estão elas produzindo agora. arquétipos. Como deve o coração! A verdade em sua proximidade. E é a personalidade-alma do homem que se torna parte do Cósmico após a morte. Mais uma vez. como em Dante. O Maerchen ou Conto de Fada de Goethe. Chamas de beatitude.

141 . poeta inglês do século dezessete. Tua raiz está sempre no túmulo. tão calmo. Uma caixa. cujo matiz turbulento e bravo O observador pressuroso a enxugar os olhos convida. Somente uma doce e virtuosa alma. tão brilhante. ainda que o mundo inteiro vire carvão. tão fresco. plena de doces dias e rosas. nunca cede. de doçuras tão repleta. Mas. E tens de morrer. Pois tu hás de morrer. O casamento da terra e do céu. E tudo terá de morrer. em "Vertue": "Doce dia. O orvalho há de chorar tua queda hoje à noite. Qual madeira bem preparada. simbolizando a união mística ou Consciência Cósmica. Doce primavera.Um jovem que perdeu o reino do seu pai cruza o rio para encontrar Lily e. meditou sobre a impermanência das coisas terrenas. Minha música mostra que terás o teu fim. após algumas tribulações. Doce rosa. o Príncipe e Lily se casam. George Herbert.

a Virgem nos ofertou uma rosa. da vida. mas a primavera também tem fim. com a alma. E o fogo se fez aceso na essência. Esta representa o coração de carne com as essências de que brilha a luz. e sobre isto desejamos escrever com palavras como as que vemos no milagre. e não podemos escrever de 142 . São como um golfinho." O fato de que a raiz da rosa está no túmulo simboliza a parte do homem que não sobrevive. fogo. como a chama sempre alimentada de uma vela. ("Três Princípios") A Virgem é Sofia ou Sabedoria. tomou como seu reino o coração. sobrevive. a rosa é terrena e tem de morrer. ar. e sempre mantém a luz. acima de tudo vive. Falando da união dos elementos materiais. e significa que a Virgem tem o Divino Poder". Somente uma alma virtuosa. nadando debaixo d'água e de vez em quando emergindo à superfície da consciência.Então. aparentemente. O uso que Boehme faz de símbolos é um exemplo disto. por outro lado. A rosa também é um símbolo da primavera e. Ali deve ele permanecer. Um signo. e simboliza isto pela Virgem Sofia e a rosa: "Pois. igualmente representada pela rosa. Um Rosacruz entenderia a rosa significando o Eu interior ou a personalidade-alma. funciona bem pouco inconscientemente. de modo que sua flor ou luz sai do coração e paira sobre ele. portanto. É por isto que os símbolos. O que o poeta não diz é que a roseira há de florescer novamente. muito mais do que os signos. água e terra. que é liberada do reino terreno pela morte. escreveu Boehme: "O fogo. Ele acreditava que seus escritos eram inspirados. como o elemento mais forte. Os símbolos funcionam inconscientemente. podem de repente assumir novos significados.

Sob a Lua. e. é uma manifestação da união da dualidade. O Sol e a Lua. "Minha Vitória na Rosa-Cruz". à direita. Dentro do círculo interno de pétalas. Ou seja. simbolizando a personalidade-alma. A flor é um símbolo comum. e nosso homem terreno nunca a tinha visto ou conhecido". disse ele: "Se quereis saber. Rosea (Rósea). a palavra Lege (Eleito). e podemos inferir que a rosa. na luta e na tempestade de Babel. sob a rosa. e nos ofertou o seu amor quando estávamos na montanha. um emprego do simbolismo da rosa representa uma rosa vermelha com duas séries de cinco pétalas. onde encontrareis uma planta. vossos olhos se abrirão. e sabereis e apreendereis o que Moisés escreveu". vê-se a palavra Mea. mas cada grupo e cada indivíduo interpretam diferentemente o seu significado. Em "Símbolos Secretos dos Rosacruzes". Esta nos ofereceu a flor no mesmo lugar onde veio a nós. ("Três Princípios"). em baixo. Uma outra estampa mostra a mesma rosa simbólica com o Sol à direita. Judica (Juiz). nas mãos da Virgem. e a rosa nos será arrebatada e será para nós como antes do momento (da iluminação). Escrevendo sobre o conhecimento da Criação e a essência dos animais. lê-se Victoria (Vitória). A rosa ainda se encontra no centro do Paraíso. representam a dualidade do homem. Tace (sede silente). e a Lua com um círculo de estrelas à esquerda. deixai de lado o orgulho que existe em vossa mente e caminhai no paradisíaco jardim de rosas. que significa Minha.outro modo. à esquerda. Se dela comerdes. sob o Sol. perto da meia-noite. ou a nossa pena se despedaçará. in Cruce (na Cruz). neste caso. ("Três Princípios"). O leitor deve verificar que significado projeta para a 143 . no portal do oceano.

correspondendo ao Sol. e a alma 9. representando outros ciclos 3. as pétalas simbolizando os níveis ou as características desses reinos 10. Deus. Criação cósmica. o coração. a Força Vital. Ciclo de crescimento. representando séries de coisas ou eventos 5. fertilidade 144 . Como diferem em significado várias espécies de flores. ou avatares 7. o rei ou governante. o outro mundo. Algumas flores representam o Sol 6. O microcosmo e o macrocosmo 4. deuses. O centro da flor e o centro divino no Cósmico e no homem 8. Poder Cósmico. Vida. para si? SUMÁRIO São fatores comuns na forma e no significado da flor: 1. As pétalas. A rosa e o lótus. Os reinos cósmicos. a semente e o fruto. procriação.flor. e criatividade 2.

145 . e "Símbolos Secretos dos Rosacruzes". a montanha. São citados exemplos de religiões e mitologias: Dante. o paraíso. o fruto.A flor está relacionada com o jardim. Herbert. a semente. abelhas e mel. Goethe. Boehme.

que. com montanhas de ambos os lados. a oeste de Tebas. onde o Sol nasce e se põe. murais. porque. E ele era cercado de montanhas. A montanha do mundo inferior era o cemitério da margem oeste do Nilo. Esse monte era também a imagem arquétipa do trono. bem como as montanhas do oeste. A deusa do mundo inferior era Hathor. de modo que Osíris é 146 . Como muitos povos. Durante a noite. As montanhas do leste. mas era associada ao símbolo do monte primevo. Na criação cósmica segundo a religião egípcia. a montanha (ou colina) era representada pela Figura 1 (veja última página deste Capítulo). que será estudado neste Capítulo. são ankh e maat. o monte primevo surgiu do caos aquoso. e inscrições em pedra. os egípcios pensavam no seu país como o mundo.CAPÍTULOXIII: SIMBOLISMO NO ANTIGO EGITO O Egito consiste em um longo vale. em função disto. no idioma egípcio. mas. Manu. especialmente países estrangeiros. eram simbolizadas pela Figura 2. após a jornada do dia. punha-se entre as montanhas do oeste. O Sol nascia entre as duas montanhas do leste e. A Figura 4 é semelhante a uma pirâmide de degraus. A Figura 2 representava a nação egípcia. o simbolismo da montanha é importante na religião egípcia. Behkatet. através do reino do mundo inferior ou Tuat. Em hieróglifos. a maioria deles não tinha vale central. o vale com montanhas de ambos os lados. que era representada à borda do mundo. e representa a borda do mundo. A Figura 5 é como o primeiro hieróglifo. ao contrário do Egito. assim tiveram início vida e ordem. com o acréscimo de linhas e pontos. e era derivada da natureza da terra do Egito. ele viajava do oeste para o leste. O hieróglifo da Figura 6 consiste num círculo representando o Sol e as duas montanhas que indicam o nascer do Sol. A Figura 3 representava país.

e através de Tuat durante a noite. Heliópolis. o deus Atum era considerado. diariamente. simbolizando isto o monte original da Criação e o local do rei. cria de novo o ciclo cósmico. como o próprio monte primevo. ou esse ciclo cósmico. O nascer diário do Sol não é apenas representado conforme a criação cósmica. é a própria criação. O mito de Osíris expressa o ciclo cósmico. o filho de Osíris. Provavelmente. Osíris é assassinado por seu irmão. o nascer do Sol. a morte do velho rei. Este monte. as pirâmides foram recriações desse monte. Esse monte primevo era desenhado à semelhança dos montes que surgiam acima das águas quando a inundação do Nilo começava a regredir. ou afogado no Nilo. ao passo que a entrada no Tuat é o começo. a criação repetida. e o aparecimento da lendária Fênix. Além disso. fertilizando o solo. e seu corpo é. era tida como o primeiro lugar. eram eventos simultâneos. naturalmente. Em Heliópolis. Essa criação cósmica. O ciclo anual da inundação do Nilo. de modo que estes eventos terrenos restabelecem ou realizam novamente a criação cósmica ou o ciclo cósmico. Set. o monte original. como na Figura 4. mas. Desses montes provinha a vida e tinha começo um novo ciclo. A jornada do Sol pelo céu durante o dia.representado com seu trono num monte escalonado. ou levado pelas águas deste rio até o 147 . também é uma repetição do ciclo cósmico. A morte do faraó representa e é o período de caos cósmico anterior à Criação. é o padrão arquétipo de começos e ciclos terrenos. repete o ciclo. O monte primevo e as montanhas do leste e do oeste aparecem em rituais e símbolos dos eventos terrenos. e a ascensão ao trono do novo faraó. entre outras coisas. que é Osíris. que é Hórus. O ano novo dá início a um novo ciclo e começa outra vez o ciclo cósmico.

Nesta região se encontrava o Campo dos Juncos. onde vivia Osíris. pensavam em função do que conheciam: o Nilo vitalizador e o deserto. mas era uma terra de abundância e tinha pessoas que trabalhavam para os mortos. Mais tarde voltaremos a tratar do mito de Osíris.mar. Ali viveriam como vivem os deuses. no Tuat. ou seus pedaços. Osíris é então instalado como deus do mundo inferior. e os leva de volta ao Egito. naturalmente. Numa terra árida. Isto é verdade quanto aos símbolos egípcios da flor. molhada uma vez por ano pela inundação do Nilo. Esse mundo não era tido como um jardim. e o terreno era rochoso e estéril. 148 . o símbolo do jardim só aparece em lugares mitológicos. e em outros lugares simbólicos deste gênero. e era como um paraíso ou Campos Elísios. Sua esposa. Uma seção do Tuat egípcio era denominada "Campo das Oferendas". O outro mundo para onde os egípcios desejavam ir era muito semelhante ao mundo em que eles viviam. Era para este reino de Osíris que os egípcios desejavam ir quando morressem. além de saberem os nomes ou as palavras dos portais do Tuat e de seus guardiães. o Senhor de Tuat. e esses deuses lhes permitiriam comer da árvore da vida. da árvore e do jardim. encontra o corpo. a exemplo do Éden judaico. o território do deus da morte era escuro. Os egípcios. como o Campo dos Juncos. O Campo das Oferendas e o Campo dos Juncos eram alcançados por aqueles que viviam com retidão e faziam as necessárias oferendas. Isis. Em contraste com este reino de bemaventurança. Ali a alma vivia em esplendor e bem-aventurança. A alma viajava pelo outro mundo exatamente como o Sol. A natureza da terra afeta os símbolos usados por um grupo. e é representado sendo entronizado no monte primevo. o Tuat era o reino da jornada noturna do Sol.

e dava alimento aos mortos. de uma palmeira. A deusa Seshat vivia junto à árvore celeste e usava suas folhas para registrar os atos e a duração da vida de homens e deuses. O pilar Djed era um símbolo de Osíris e da ressurreição. Segundo a mitologia egípcia. individualmente.É mais fácil percebermos os elementos culturais num símbolo que nós mesmos não usamos. por conseguinte. Esse pilar era também associado à coluna vertebral de Osíris. atribuía também significados pessoais ao Tuat e ao Campo dos Juncos. é ainda um símbolo científico-mágico. Ra. às vezes era colocado um modelo da escada. O símbolo da Figura 7 mostra o pilar Djed arrematado no alto com a ankh (cruz ansata). construiu uma escada por onde os deuses ascendiam aos céus. como é mostrado numa vinheta do Livro dos Mortos. que significa vida. Diz um texto que Rã e Hórus instalaram a escada para Osíris. eram ressuscitados. ao passo que o ataúde de Osíris era tido como o tronco de uma tamargueira. que era usado em rituais. o morto pudesse subir aos céus. Eles se tornavam seres divinos entre os deuses. Acreditava-se que a deusa Hathor vivia no sicômoro-figueira celestial. quando os mortos eram colocados dentro dele. o símbolo tem ainda dois braços sustentando o Sol. a fim de que. A oliveira era associada a Hórus. Fazia também parte de uma cosmologia. Diz Plutarco que ele consistia num tronco oco e. o deus do Sol. Acreditava-se que os mortos subiam aos céus por uma escada. 149 . com as devidas palavras e o nome correto da escada. Sua elevação era uma parte importante dos ritos ligados ao mito de Osíris. Em tumbas mais antigas. A lenda de Osíris é um símbolo mítico-religioso. Mas o egípcio. E o místico o compreenderia misticamente.

O morto. ele era uma emanação de Rã. como o próprio Sol. ou imortalidade. então. como a cruz que aparece nas Figuras 7 e 8. comum na região. ele é Osíris após a ressurreição. podem-se ver os quatro filhos de Hórus. O hieróglifo egípcio para vida. exceto os significados conhecidos do hieróglifo. Quaisquer afirmações sobre sua origem e seu significado. que 150 . de pé sobre um lótus. Numa vinheta do Livro dos Mortos. Ela é um dos símbolos ou amuletos que os deuses e faraós sempre têm nas mãos. Ninguém conhece a origem dessa ankh. Há um hieróglifo egípcio. ao passo que o lótus representava o Nilo do Norte. Como na índia. Seu nome latino é crux ansata. Nefer-Tem era por vezes representado em forma humana. Provavelmente por causa dessa associação ao Sol nascente. Os deuses Rã e Nefer-Tem são identificados com o Sol. esta flor às vezes simbolizava ressurreição. Este lótus cresce a partir da base do trono de Osíris. mas ela é muito antiga. com flores de lótus na cabeça. simbolizado pelo nascer e o pôr do Sol. O papiro de Ani faz referência ao Ani morto como Osíris Ani e o faz dizer que ele é o lótus sagrado. Mas é também o sagrado lótus cósmico. é denominado ankh e é uma cruz em forma de "T" com um laço no topo. é associada a renascimento. o lótus representava a criação cósmica e. são conjeturas. O Nilo do Sul tinha como símbolo o papiro. simbolizando isto a natureza divina ou cósmica do deus e sua criatividade ou seu poder. é Osíris viajando pelo reino de Tuat. Dizia-se que o Sol nascia do lótus cósmico. subindo ao reino dos deuses. e esta flor. no Egito. .Alguns deuses egípcios eram associados ao lótus. e ambos são às vezes representados surgindo de um lótus.

o deus Ra criou Shu e Tefnut. a ankh foi derivada da figura de um homem com os braços estendidos para os lados. Imagens de Osíris. Esse olho foi depois restaurado por Hórus. é também antiga. Um sarcófago representa o símbolo do horizonte. Set e Nephthys. É possível que a ankh seja derivada deste hieróglifo ou esteja a ele associada. associando assim o deus a ciclos naturais de crescimento. Hórus. de cerimônias relacionadas com o faraó e dos mistérios de Osíris. pende a ankh (Figura 8). Hórus e Set com freqüência simbolizam a dualidade de bem e mal. Segundo uma versão. depois que Osíris desceu ao outro mundo. com a ajuda de Nephthys. Set matou Osíris. lutou com Set. às vezes chamadas de jardins de Osíris. do vale. A adoração egípcia a Osíris é antiga e muito difundida. Set arrebatou o Olho de Hórus. restaurou a vida do corpo e deu a Osíris um filho. as duas montanhas com o Sol entre elas. estes. e tornou-se o legítimo governante do reino. então. Possivelmente. A adoração do Sol. eram enterradas com sementes. por sua vez.representa a trajetória do Sol e significa eternidade. portanto. representando os deuses Shu e Tefnut. Durante a luta. saudando o Sol nascente. quer em si mesmo. esquartejou seu corpo e lançou os pedaços no Nilo. simbolizava ciclos solares. 151 . onde tornou-se deus e juiz dos mortos. trevas e luz. procurou e encontrou os pedaços. Osíris era o símbolo do Sol viajando pelo outro mundo à noite e. O mito de Osíris era a base de ritos fúnebres. que representava seu poder. quer como símbolo da vida e da divindade. Hórus. derrotou-o. que foram o pai e a mãe de Osíris e Ísis. Ísis. O mito de Osíris varia nos detalhes. deram origem a Seb e Nut. Este símbolo está situado entre os dois leões guardiães. a personificação do mal.

na sexta cena. simbolizando com isto a restauração da navegação após a inundação anual. Um dos dois ritos do faraó egípcio é a cerimônia de coroação. dá ao faraó dois pães. que é uma espécie de drama de mistério encenado em vários locais ao longo da rota da jornada cerimonial do rei. é Osíris. pede que lhe seja dado o Olho. A nona cena mostra animais pisando e debulhando o cereal. Na quarta cena. Ísis aparece. uma porção do carneiro é dada ao faraó. A cena seguinte mostra a semente espalhada no solo. sendo colocadas na barca. Thoth preside ao rito e a barca representa Set.O faraó vivo é Hórus. os objetos que simbolizam autoridade real são entregues ao faraó. Durante a primeira cena. que representa Set. que é o faraó. simbolicamente. mas eles são repelidos. representando os dois Olhos de Hórus. a barca real é posta a flutuar no Nilo. A sétima cena introduz um galho de árvore. morto. e o Olho é mostrado ao público. simbolizando isto o assassinato de Osíris por Set e a derrota de Set por Hórus. Um oficial. Hórus pede o Olho. 152 . simbolizando o corpo de Osíris ao ser colocado na barca. comparando a semente no celeiro com o Olho resgatado de Set. Na cena seguinte. Na terceira cena. um carneiro é tirado de um curral e sacrificado. contêm o corpo de Osíris. o assassino de Osíris. e Hórus. A segunda cena representa as jarras que. significando isto que o filho há de tomar o lugar do pai.

destinava-se a lhe proporcionar alimento. é elevado. Osíris e Hórus. (Este ritual é apresentado com mais detalhes na obra de Gaster. e a ressurreição do deus. O corpo do rei morto é embalsamado em cenas posteriores. para sua vida no outro mundo. o transporte do corpo para o túmulo. a união de pai e filho. É importante notar também que. que não o rei. ou o renascimento espiritual neste plano ou no outro. e a torná-la um espírito vivo no outro reino. o Eu interior. em Abi dos. ou ambas as coisas. de um para o outro. segundo o Livro dos Mortos. Este espírito era também Os íris. segundo se acreditava. 153 . para maior proveito do público que se renova ao longo do trajeto. transmitia o ka. Quando a procissão alcança Heliópolis. Osíris era assim um símbolo de imortalidade e renascimento ou ressurreição. o pilar Djed. e isto pode ser interpretado como uma outra encarnação. ou a força vital.) No ritual de sucessão. Talvez esta parte do drama corresponda aos mistérios menores dos Mistérios Gregos de Elêusis. Osíris concedia um segundo nascimento às pessoas. o encontro do seu corpo. e todas destinam a estabelecer a autoridade do novo rei. simbolizando Osíris. Um drama ritualístico baseado no mito de Osíris era representado todos os anos. A inscrição da esteia de um oficial de Usertsen III deixa claro que esse drama representava também a derrocada do inimigo de Osíris. o enterro do corpo.Algumas das cenas seguintes repetem eventos das anteriores. simbolicamente. O ritual fúnebre de uma outra pessoa falecida. do faraó falecido e seu sucessor. que. é simbolizada por um abraço dos dois. na barca chamada "Que Aparece na Verdade". Thespis. na décima quarta cena. roupa e outras coisas.

o iniciado e o deus eram unificados. Tuat. a fim de tornar os dois. Osíris e o morto são um só. no mito egípcio da Criação. A elevação desse pilar constituía parte dos ritos ligados ao mito de Osíris.O ka que era transmitido do faraó morto para o seu sucessor é representado pelo hieróglifo dos braços estendidos para cima: . etc. um só. As nações do leste e do oeste representavam as bordas do mundo e os locais onde o Sol nascia e se punha. Era associado à coluna vertebral de Osíris. O Reino de Osíris era o Campo dos Juncos. Trata-se daquilo que é transferido de um para o outro. Assim. e podemos supor que. sua origem etc. O monte primevo surgiu das águas caóticas. seu objetivo. A criação cósmica é o padrão arquétipo de começos e ciclos terrenos. O pilar Djed era um símbolo de Osíris e da ressurreição. nações estrangeiras. SUMÁRIO Parte do simbolismo egípcio é derivada da natureza do país. Sugerimos que o leitor medite sobre os símbolos estudados nos Capítulos de 9 a 13. no mundo inferior. 154 . simbólica e misticamente. Isto é verdadeiro quanto a hieróglifos de montanha. terra ou país. e os analise. quanto a espécie de símbolo. nos mistérios.

o Nilo do Norte. saudando o Sol. Este Capítulo apresenta o mito de Osíris e os ritos ligados ao mesmo. Pode ter sido derivada da figura de um homem com os braços estendidos para os lados. Acreditava-se que o Sol nascia do lótus cósmico.Ra e Nefer-Tem são identificados com o Sol e representados surgindo do lótus. O papiro simbolizava o Nilo do Sul. É recomendado que o leitor analise os símbolos dos Capítulos Nono a Décimo Terceiro. 155 . de modo que esta flor era associada ao renascimento. A ankh pode ser associada ao hieróglifo que representa eternidade. o lótus.

Figura 2 Figura 1 Figura 3 Figura 4 Figura 5 Figura 6 Figura 7 Figura 8 156 .

e as tireóides. e são traduzidas primeiro para freqüências mais baixas e. Assim vemos uma mesa. Na percepção visual. depois. Freqüências vibratórias superiores ou psíquicas são recebidas pelos centros psíquicos.CAPÍTULO XIV: SÍMBOLOS PSÍQUICOS E SÍMBOLOS MÍSTICOS Este Capítulo e o seguinte tratarão de símbolos psíquicos e místicos. Na percepção de uma aura. ouvimos uma pessoa falar. psíquicas. ou sentimos um pano ao tato. os símbolos são predominantemente materiais ou físicos. imagens perceptivas ou impressões mentais de que a consciência objetiva pode se aperceber. objetivas. as vibrações são também traduzidas para uma imagem perceptiva. como uma esfera usada para simbolizar o mundo ou o universo. e as traduzem para imagens perceptivas. como as fragrâncias ou a música que podem ser percebidas durante um período de meditação ou harmonização. Os sentidos objetivos e os centros psíquicos recebem diferentes freqüências vibratórias. mas tornam-se símbolos de harmonização para aquele que as apreende. Os símbolos que são predominantemente psíquicos podem ser subdivididos em 157 . ou de outras freqüências vibratórias superiores. Elas recebem vibrações de freqüência mais baixa. ou glândulas como a pineal. Os órgãos receptores para impressões objetivas são as cinco faculdades sensoriais. a pituitária ou hipófise. também. Assim. As fragrâncias ou a música são impressões. um objeto como uma mesa é traduzido para a imagem da mesa na mente. ou precipuamente psíquicos.

e não estimulado de fora do próprio estudante. Impressões psíquicas e símbolos. Se uma casa representa o corpo humano. e do Cósmico ou de Deus. podem provir de uma outra mente ou de outras mentes. mas sua origem é primordialmente psicológica. O mundo material. Os processos mentais do próprio indivíduo são a fonte de muitas imagens. 2. a saber: 1. A esfera. que consiste nas freqüências vibratórias inferiores. um objeto está sendo usado para representar uma outra coisa que é um objeto material. Sonhos e seus símbolos são produtos da natureza e das funções psicológicas do próprio indivíduo que sonha. quer o símbolo seja psíquico ou não. Adquirimos muitas impressões e muitos símbolos por sugestão ou instrução de outrem. A linha em ziguezague que representa o relâmpago é um outro exemplo. Quase todos nós adotamos assim o símbolo da Rosa-Cruz. isto é. bem como outros tipos de impressões. É auto-estimulado. Todos os símbolos culturais são basicamente derivados de outras fontes que não o próprio indivíduo. como símbolo. Os sonhos fazem uso de símbolos que derivam de fontes objetivas. Impressões e símbolos podem ser derivados de fontes exteriores. O aroma de rosa que pode ser sentido durante um período de harmonização é um resultado da harmonização com o próprio ser do estudante de misticismo com o Cósmico. são derivados de três fontes. embora a tal ponto se 158 . 3. o não-Eu material. é física na origem.símbolos que surgem nos processos mentais do próprio indivíduo e naqueles que são derivados de outras fontes ou por elas estimulados. ou estimulados por três fontes. de outras pessoas.

depende de suas próprias funções mentais. Os símbolos psíquicos. mesmo quando provém de uma fonte exterior ao indivíduo. A rosa é um símbolo comum. pode ser sugerida por uma fonte exterior. contém elementos humanos e é afetado pela natureza humana.integrem à constituição do indivíduo que. porque. é apreendido por uma dada mente humana. Todos os tipos de símbolos são derivados destas três fontes. ou as adquire. é parcialmente derivado da rosa material. a obras como "O Romance da Rosa" ou a última parte da "Divina Comédia" de Dante. mesmo quando o significado é derivado de uma fonte exterior. É associado às idéias e emoções do indivíduo. como uma outra pessoa. contêm vários graus dos fatores material. O símbolo da rosa. como outros. a despeito de onde e por quem seja usado. apareçam em seus sonhos. e externo. inclusive símbolos psíquicos. são uma combinação das três fontes acima. por exemplo. ou por ela sugerido. individual. mas cada símbolo pertence primordialmente a algum tipo. O significado e o uso do símbolo decorrem dos processos mentais do próprio indivíduo e de fontes exteriores ao mesmo. Todavia. na verdade. têm sua forma derivada do mundo material. por exemplo. seja qual for a fonte. A forma de qualquer símbolo. isto é. cujo significado associamos. Muitos símbolos. portanto. de suas atitudes e do seu discernimento. Qualquer impressão ou símbolo. 159 . E é associado às idéias e emoções da pessoa que o emprega. mas essa forma não deixa de ser baseada na experiência do mundo material. deve ser apreendido e compreendido pelo indivíduo e.

Do exposto acima. e expressa este desenvolvimento. símbolos percebidos durante um período de meditação decorrem de sua própria harmonização ou de sua própria compreensão de um pensamento ou princípio místico. traduzindo a impressão ou experiência para uma forma simbólica que possa ser apreendida subjetivamente e depois expressa numa forma objetiva. impressões psíquicas. ou é estimulada pelas mesmas. Os órgãos usados para perceber ou sentir essas vibrações são diferentes dos que são usados na percepção objetiva. de seus desejos etc. A única maneira de o homem expressar sua consciência de impressões e experiências psíquicas e místicas é pela simbolização. o indivíduo está mostrando a si mesmo sua própria percepção. e místico. é aquela que constitui uma apreensão ou interpretação de energias ou freqüências vibratórias superiores. são diferentes de outros tipos. uma impressão ou uma experiência psíquica. De certo modo. artes plásticas. Assim como um pesadelo pode ser um resultado do medo do próprio indivíduo. São estimulados por freqüências vibratórias superiores e são um produto destas vibrações. música. seus sentimentos. suas atitudes e seus conceitos. Trata-se de um produto do seu desenvolvimento psicológico. através de literatura. 2. psíquico. 160 . mas é sempre um produto dos processos mentais e espirituais do próprio indivíduo.Um símbolo psíquico. segue-se evidentemente que símbolos psíquicos. Provém das três fontes dadas acima. de dois modos: 1. e experiências psíquicas.

Uma coisa que o estudante de misticismo deve aprender é compreender a diferença que existe entre impressões e símbolos originados internamente. uma imagem que representa as vibrações psíquicas. mesmo que a tenhamos lembrado. sem que o percebamos. e aqueles que são derivados de fontes ou estímulos externos. poderemos deixar de reconhecer sua origem. de seus próprios processos mentais. algo de freqüência inferior. originados exteriormente. portanto. a idéia ou imagem retorna e parece inteiramente nova. Algum tempo depois. Uma impressão psíquica é uma tradução de vibrações ou energias para alguma outra coisa. a imaginação criadora provavelmente alterou essa idéia ou imagem. é uma representação na mente. Há aqui uma dupla dificuldade. ou uma impressão. Quando conversamos. Em segundo lugar. mais do que uma percepção objetiva.etc. Primeiro. Trata-se. com freqüência não temos consciência do estímulo ou da origem de percepções objetivas. Além disso. Assim. Quando caminhamos pela rua. parecem completamente novas. ou seja. a imagem mental de um símbolo originado internamente parece a mesma de uma percepção. que têm origem fora dele mesmo. um conceito. A imagem de uma rosa vista durante uma meditação pode ser tão real quanto a percepção de uma rosa material. Tanto estas como as impressões e os 161 . de um símbolo. quando surgem na consciência. vemos coisas de que depois não nos lembramos. O aroma de rosa durante uma meditação pode ser tão real que a pessoa procure ver a rosa ou um incenso com a sua fragrância. impressões intuitivas ou Cósmicas. ouvimos coisas que também esquecemos. O que vemos ou ouvimos pode atuar como uma sugestão para a mente subconsciente. e talvez tão completamente que. A Rosa-Cruz vista mentalmente pode ser tão clara quanto uma Rosa-Cruz vista objetivamente. também.

Impressões originadas das funções mentais do próprio indivíduo podem ser confundidas com impressões intuitivas ou Cósmicas. A forma e o significado são associados subconscientemente. pelo processo de os apreendermos e expressarmos. 162 . ocorrem através das funções subconscientes da mente. em origem e função. A forma e o significado de um símbolo psíquico. física. primordialmente material. Para o indivíduo. Eles nascem nas funções subconscientes ou psíquicas da mente. Embora sua fonte seja diferente. natural. ou correspondência. essas idéias e emoções parecem ser. seja humana. desenho etc. surge subconscientemente por uma fusão da forma e do significado. sugestão. isto implica em negarmos a função e o desenvolvimento do Eu interior. e sim de uma outra pessoa ou coisa. e pode ser um meio de evitarmos a responsabilidade por nossos próprios processos mentais e suas conseqüências. A união do significado positivo e da forma negativa é essencial à simbolização. Os símbolos se l ornam subjetivos e objetivos pelo uso. não parte dele próprio. E. como de qualquer outro símbolo. Todos os símbolos são fundamentalmente subconscientes ou psíquicos. o que é mais importante.símbolos derivados da experiência material. são relacionados por associação. porque parecem iguais. O símbolo da esfera. Os símbolos são também projetados ou transferidos para uma outra fonte. Além disso. ou Cósmica. que representa a Terra ou o universo. Isto pode lhes conferir mais importância e autoridade do que eles teriam de outro modo. elas podem parecer iguais. e ocorre subconscientemente. os seres humanos naturalmente projetam suas idéias e emoções para as pessoas e o mundo que os cercam. e são apreendidos objetivamente e expressos sob forma de discurso.

Todo símbolo é afetado pelas atitudes da pessoa que o apreende. é um símbolo cultural. 163 . e são apreendidos. em muitos lugares e muitas épocas. A cruz. Quando ele é usado por outras pessoas. a árvore e a montanha. pela cultura em que ele vive. o que a rosa representa na hierarquia das flores e o coração representa para o homem. ou símbolos cósmicos. tanto por indivíduos como por grupos. Se este símbolo é compartilhado com outras pessoas. e também em natureza e função. em suas muitas formas. a rosa é associada ao Eu interior. O símbolo da rosa. mas a união da forma e do significado ocorre subconscientemente.A rosa simbólica é um exemplo disto. Símbolos arquétipos. a flor. uma vez que o símbolo é afetado por esse grupo. ambos elementos culturais. são afetados pela experiência e a percepção do indivíduo. além dele. são símbolos arquétipos que se encontram desde épocas antigas a modernas em quase todas as partes do mundo. é afetado por suas atitudes. O jardim. e pelas outras pessoas que. Estão baseados em padrões arquétipos ou cósmicos (em contraste com tipos manifestos). são primordialmente psíquicos em origem. em símbolos psíquicos como em outros símbolos. Essa pessoa vive num determinado grupo cultural e. expressos e usados. por suas próprias idéias e emoções. é afetado pela percepção e a experiência de rosas que tem o indivíduo. é um símbolo arquétipo. contém elementos pessoais. por exemplo. O Sol representa. A forma e o significado. então é também afetado pela experiência e a compreensão dessas pessoas. Ela está naturalmente relacionada com o Sol e o coração. para o sistema solar. Pode ser afetado por conceitos religiosos e pelo conhecimento de botânica. porque estas coisas se correspondem. Em parte por corresponder ao Sol. observam e usam os símbolos.

o Eu espiritual do homem. portanto. a fim de controlar a vida neste mundo e a vida no outro mundo. É a natureza arquétipa de símbolos mitológicos e religiosos que os faz parecer universais. Cada qual é composto de muitos elementos. manifesta no tipo mundano. é uma projeção da mente para o mundo ao redor do homem. Seus elementos básicos ocorrem no simbolismo de muitas épocas e muitos lugares. O mito egípcio de Osíris e os dramas de mistério osirianos são baseados em ciclos de crescimento e nos ciclos do Sol. Traduz uma representação imaginária do divino. explicam e controlam a natureza subjetiva. A mitologia trata da correspondência e relação entre os reinos divino. Símbolos mitológicos e religiosos sã basicamente arquétipos e. para uma história ou um conjunto de histórias. os significados estão baseados tanto em elementos cósmicos como em elementos materiais. e o iniciado. a fim de explicar a origem e a natureza dos três reinos. 164 . primordialmente psíquicos. que é projetada para o não-Eu. devido à sua natureza material. O jardim e a árvore podem representar união na multiplicidade. Além disso. Mitos explicam a ordem do universo por meio de uma ordem interna. Como todos os símbolos. mundano e humano. o símbolo mitológico é um produto das funções subconscientes ou psíquicas da mente. A mitologia e a religião. e sua relação para com o cosmos e o Ser Divino. o rei. O mito personifica o poder da natureza. mental. Ele é o símbolo arquétipo que representa a natureza. o Sol. mas consiste na união desses elementos. do mundano e do humano. Eles constituem a apreensão de um padrão arquétipo ou de uma ordem arquétipa.A forma destes símbolos corresponde a padrões e significados cósmicos ou arquétipos e os expressam. sua morte e ressurreição no mito do deus Osíris. porém. subconsciente e psíquica do homem.

A fra-grância ou a música apreendidas durante um período de harmonização estão baseadas em impressões sensoriais. e ambas são símbolos da harmonização. simboliza a vida e a Força Vital que é a manifestação da energia cósmica. ajudam a expansão de sua consciência.Além disso. símbolos místicos são primordialmente arquétipos e. são também extraídos do próprio indivíduo e são expressos através de seus processos psicológicos e psíquicos. Os símbolos psíquicos nascem ou resultam de: 165 . portanto. O principal valor dos símbolos psíquicos está na compreensão de si mesmo e na expansão da consciência. Símbolos psíquicos. sensações. impressões psíquicas e experiências psíquicas. mas é também o símbolo da divindade manifesta na Terra. mesmo quando provêm de uma fonte exterior. a manifestação do elemento cósmico ou divino e a união do mundano com o divino. seus desejos etc. mas. bem como um produto da mesma. O jardim significa. Eles vêm à mente porque representam parte da experiência do indivíduo. e os simbolizam. e são expressos e apreendidos por meio da experiência do indivíduo. Como ele é necessário à vida. são um produto da compreensão do próprio indivíduo. idéias. decorrem de suas emoções. Até certo ponto. representando os ensinamentos místicos. físicas. dependem dessa compreensão. não somente o jardim da flor ou da árvore. nisto. iluminação mística. psíquicos. Mesmo quando provêm de fontes exteriores ao indivíduo ou de intuição.. Ajudam o indivíduo a apreender e se ajustar a suas relações com o não-Eu e. portanto. O Sol simboliza luz e.

e decorre da experiência dessa harmonia. Símbolos podem ser adquiridos por instrução ou sugestão de outrem. e intuição. São produtos naturais destas práticas ou funções e simbolizam o estado de consciência. Estas fontes podem ser outras pessoas. ou estrela de seis pontas. O desenvolvimento psicológico e psíquico do próprio místico é representado em símbolos psíquicos e psicológicos. pode ser um símbolo de harmonia e integração. O duplo triângulo. Meditação. e não uma consecução. harmonização. são uma fonte de símbolos psíquicos. 2. representam. Podem provir de impressões intuitivas ou. Os símbolos tanto representam como promovem o desenvolvimento do místico. Símbolos podem ser recebidos telepaticamente de outros indivíduos. o símbolo representa uma necessidade. Freqüentemente. os sentimentos como o de paz. quando estas ainda não se realizaram. Experimentos de percepção extra-sensorial ou parapsicologia têm demonstrado isto. a voz do Eu interior. então. 4. ou a Mente Cósmica. no âmago do Eu ou com o Cósmico. por telepatia. A maioria de nós aprende a forma e o significado do símbolo da Rosa-Cruz 166 . atribuindo-a uma fonte exterior. Mas provém também do desejo de harmonia e integração. Desejos psicológicos. 5. este é o meio mais claro e talvez o único meio pelo qual pode o desenvolvimento ser apreendido.1. Mas esses símbolos podem ser o resultado dos processos mentais do próprio indivíduo e de sua experiência. 3. um Mestre. então. ou o êxtase da união mística. Com freqüência os místicos negam esta natureza interior. intelectuais e espirituais. de fontes exteriores ao indivíduo.

ouve ou lê. porém. Os símbolos que são aprendidos de escritos sagrados podem se apresentar como símbolos psíquicos. 6. Os símbolos psíquicos são produtos do pensamento deliberado. Esta auto-sugestão pode ser consciente. mas pode prosseguir inconscientemente. Símbolos psíquicos podem ser trazidos de encarnações anteriores. mas não consegue descobri-la ou encontrar uma resposta para sua indagação. 7. como já estudamos com relação à auto-sugestão. Uma das coisas que ele deve aprender é o caso em que o pensamento deliberado é a base de tais experiências e símbolos. 167 . se um estudante de misticismo acha que ver ou ouvir símbolos psíquicos é importante. embora possa não estar inteiramente consciente disto. pode lhe dar uma idéia que atue como uma espécie de auto-sugestão e que sua imaginação utilize para criar um novo símbolo. estes podem não constituir uma fonte decisiva. Só a análise e a prática podem ensinar isto. pode produzi-los simplesmente por desejálos. um pesquisador deseja muito conhecer alguma coisa. A imaginação unifica várias facetas da experiência e as transmuta de modo que elas se tornam irreconhecíveis sem uma análise minuciosa do símbolo psíquico. 8. Ele produz então uma resposta por seu próprio raciocínio e sua imaginação. Analogamente. Algo que o estudante vê.através de leitura ou por instrução oral. A imaginação e a fantasia desempenham assim um papel importante na simboliza cão. 9. embora utilizem elementos da experiência do indivíduo. Por exemplo. dos desejos do indivíduo.

como outros símbolos. as vibrações são traduzidas para uma imagem perceptiva. Deve-se compreender. Os símbolos são predominantemente materiais. Quando é um dos elementos. psíquicos. as quais adquirem significado simbólico. antes de se tornar Rosacruz na vida atual. e (3) outras mentes. o objeto é traduzido para uma imagem mental. que a memória de encarnações passadas não é a única e provavelmente não é a maior fonte de símbolos psíquicos. porém.Uma pessoa que tenha sido Rosacruz numa vida anterior pode conhecer e compreender a Rosa-Cruz. Os símbolos podem provir de experiências comuns de vidas anteriores. pessoas que se tornam símbolos. essa memória tem de ser despertada por experiências da vida atual. têm uma forma derivada do mundo material e um significado derivado dos processos mentais do próprio 168 . (2) os processos mentais do indivíduo. e do simbolismo do fogo e da água. Símbolos psíquicos. Este é o caso de edifícios. físicos. Tanto impressões psíquicas e outras. SUMÁRIO Na percepção visual. e vê-la psiquicamente. ou psíquicos. são derivados de três fontes ou são estimulados por três fontes: (1) o mundo material. Na percepção de fenômenos vibratórios superiores. como símbolos. Muitos símbolos são uma combinação destas três fontes.

assim. ou uma experiência psíquica.indivíduo. Um símbolo psíquico. Símbolos. que expressa esse desenvolvimento. é uma apreensão e interpretação de freqüências e energias vibratórias superiores. Os órgãos usados para perceber ou sentir essas vibrações são diferentes dos órgãos empregados para a percepção objetiva. Com freqüência não temos consciência da origem de percepções objetivas. O estudante de misticismo deve aprender a perceber a diferença entre impressões e símbolos originados internamente e originados externamente. psíquico e místico do indivíduo. mesmo quando derivado de fontes exteriores. São estimulados por freqüências vibratórias superiores e são produtos dessas freqüências. As imagens mentais originadas internamente parecem iguais às que se originam externamente. Os símbolos arquétipos são primordialmente psíquicos. 2. bem como de fontes exteriores. uma impressão psíquica. Isto é verdadeiro quanto a símbolos mitológicos e religiosos. A forma deve ser baseada na experiência do mundo material. Trata-se de um produto do desenvolvimento psicológico. cm origem. Isto é difícil por duas razões: 1. 2. constitui um símbolo. Uma impressão psíquica é uma tradução de vibrações ou energias para alguma outra coisa e. O significado. impressões e experiências de natureza psíquica são diferentes de outros de dois modos: 1. deve ser apreendido e compreendido pelo indivíduo. Todos os símbolos são fundamentalmente subconscientes ou psíquicos em origem e função. que 169 . natureza e função. Os seres humanos projetam suas idéias e emoções para as pessoas e o mundo que os cercam.

lê etc. místico e psicológico. Instrução ou sugestão de outrem 6. Encarnações anteriores 170 . Impressões recebidas telepaticamente 5. Auto-sugestão. Desejos psicológicos. Pensamento volitivo ou deliberado 9.são basicamente arquétipos. O principal valor dos símbolos psíquicos está na compreensão de si mesmo e na expansão da consciência. harmonização e intuição 2. intelectuais e espirituais 4. Imaginação e fantasia 8. Os símbolos psíquicos derivam de: 1. em função do que o indivíduo vê. do próprio místico 3. Desenvolvimento psíquico. Meditação. 7. Os símbolos místicos são também primordialmente arquétipos e psíquicos.

os símbolos. participam de experiências e símbolos místicos e psicológicos. na experiência individual do místico. E não devem ser separadas. e as expressam. Quanto a ele ser psicológico ou místico. depende da formação e da natureza do indivíduo. Elas são a base ou o meio pelo qual o místico alcança a união. o símbolo funciona psicológica e misticamente. A diferença entre estas e as experiências psíquicas estudadas no Capítulo anterior está em que as funções psíquicas pertencem à natureza das freqüências vibratórias. As funções místicas provêm de experiências místicas e das reações ou respostas emocionais e conceptuais às mesmas. psíquicas. Isto é. o símbolo da montanha pode aparecer num sonho. portanto. as pessoas que o cercam. mas estas funções. devem ser considerados e analisados nestes dois aspectos. em si mesmas. Por exemplo. também podem ser psicológicas. As funções psicológicas são funções mentais como a percepção e a emoção. As freqüências vibratórias mais altas. o desenvolvimento das funções psíquicas da mente é necessário ao desenvolvimento místico. Pertencem ao indivíduo e suas reações para consigo mesmo. Portanto. 171 . os símbolos são psíquicos em natureza.CAPÍTULO XV: FUNÇÃO PSICOLÓGICA E FUNÇÃO MÍSTICA DOS SÍMBOLOS – PERIGOS DA SIMBOLIZAÇÃO Para o místico. mas funcionam psicológica e misticamente. e o mundo em geral. e estas funções são na realidade dois aspectos do mesmo todo. ao passo que as funções psicológicas e místicas pertencem à natureza da experiência e das reações ou respostas a esta. Mais freqüentemente. são místicas e psicológicas.

Evidentemente. São às vezes objeto de meditação. Um símbolo pode ter mais de dois níveis de significado. O estudante que omite os níveis psicológicos do significado está desprezando uma parte essencial de sua função. a montanha pode representar um desejo psicológico de atingir algum objetivo. a percepção e a memória dependem parcialmente da simbolização. apenas a representa. representa esse objeto.Em geral. bem como dos eventos. A imagem mental de uma página deste Capítulo não é a própria página. A forma da cruz. Os símbolos místicos são. a percepção do mundo objetivo é a base da forma de símbolos e de alguns dos seus significados. transmitir conhecimento etc. naturalmente. é 172 . Os animais aprendem a usar signos ou sinais. deve ser decidido por meditação e por uma análise que o indivíduo faça de sua própria natureza. Psicologicamente. Quanto a qual seja o significado predominante. usados em rituais e iniciações. A simbolização é uma função que distingue o homem dos animais. Uma imagem perceptual não é o próprio objeto. Os símbolos místicos com freqüência fazem parte de exercícios praticados para fins de desenvolvimento psíquico e místico. para instruir o estudante em princípios místicos básicos. São empregados em ensinamentos místicos. o uso de símbolos apresenta vantagens. emoções e experiências anteriores à sua consciência do símbolo. para induzir uma experiência psíquica e mística. mas não simbolizam. e podem ser um produto dessa meditação. Além disso. Símbolos místicos e psicológicos são usados para muitas finalidades. Pode ser principalmente psicológico mas ter mais de um significado psicológico. ou pode simbolizar a elevação da consciência e a consecução da união mística. como símbolo. além de um significado místico. das atitudes. símbolos como este têm mais de um nível de significado. para ajudar a alcançar harmonização.

A compreensão de si mesmos e do não-Eu é expressa por símbolos que podem ser lingüísticos. concretos. quando a formulamos para nós mesmos ou a expressamos para outrem. Esta forma pode ser derivada das quatro direções.. científicos. artísticos. cerâmica. em parte porque a transformação simbólica e a ordenação da experiência é diferente em cada um de nós.baseada em madeira. conceitos e emoções. Ao usarmos tais símbolos. religiosos. reagem e simbolizam de modos diferentes. estamos simbolizando essa experiência. Objetos. A expressão é um produto da compreensão da experiência. pessoas e eventos que se tornam simbólicos influenciam a percepção e a memória do indivíduo. Vemos as coisas diferentemente. que constituem um modo de dividir a Terra objetiva. A associação mental com outros objetos semelhantes permite ao homem classificar e. Isto faz parte do processo de ordenar o passado e projetar ordem para o futuro. conseqüentemente. Assim como dois pintores não pintarão uma cena do mesmo modo. Os símbolos são. ao mesmo tempo um produto da compreensão e um recurso para compreensão. mas. A percepção. lembrar. As coisas acontecem e nossa apreensão das mesmas é a base de emoções a seu 173 . etc. Mas esse passado lembrado e o futuro imaginado representam o passado e o futuro reais. A percepção é uma espécie de signo que identifica um objeto para o indivíduo que o vê. estamos também ajudando a compreensão. assim também as pessoas percebem. estamos também ajudando a aprofundar a nossa compreensão. dispostos na forma característica da cruz. metal etc. são reações à experiência. então. Quando expressamos em palavras uma experiência que tivemos. a reação e a simbolização estão intimamente relacionadas a ponto de serem inseparáveis. Pensamentos.

Símbolos de sonhos e de obras de arte são derivados dessa criadora auto-integração de funções psicológicas e natureza psicológica. impressões e símbolos de natureza psíquica. 174 . e estas sa"o apreendidas e expressas em símbolos. mas a formulação dos mesmos em nossa mente é possível parcialmente devido à capacidade de simbolização do homem. A harmonização desperta idéias e emoções. para instruir candidatos a iniciação. e a mãe o seu filho. Este é o caso de conceitos como de justiça e mal.respeito. isto é. Muitas dessas vantagens humanas se aplicam psiquicamente. emoções etc. porque tem de ser traduzida para símbolos de que as faculdades objetivas e subjetivas possam tomar consciência. que é um sistema de símbolos e signos. Tais pensamentos e emoções podem se tornar em si mesmos simbólicos. Um professor instrui sua classe. de natureza psíquica. ou o que pode ser feito a este respeito. ou seja. impressões e símbolos. Pensamentos. Várias formas de simbolização possibilitam a expressão de idéias. da união harmoniosa das diversas facetas de sua natureza psicológica. que lhe permite falar de eventos e da experiência. bem como psicologicamente. Os símbolos são um produto e uma expressão da integração psicológica do indivíduo. ou constituem tais reações. Símbolos místicos têm sido usados desde a antigüidade. A compreensão deve incluir experiências. estão associados a reações a fenômenos vibratórios superiores. por exemplo. os símbolos são também meios ou instrumentos para essa integração. são derivados de experiências. conceitos e emoções. Como já foi salientado. por meio da linguagem. e de pensamentos quanto a por que algo é justo ou mau. A percepção ou apreensão mental de fenômenos psíquicos depende igualmente (talvez mais) de símbolos.

como no caso das cartas com desenhos geométricos usadas em experimentos de percepção extra-sensorial (PES).Quando as experiências. 175 . especialmente no uso de símbolos psíquicos e místicos. As pessoas tendem a acreditar naquilo em que desejam acreditar. tanto na forma como no significado. O pensamento deliberado. As emoções do homem afetam sua interpretação de símbolos. o indivíduo tende a preencher os detalhes vagos. ambições. O primeiro é a interpretação errônea dos símbolos. podem ser usados para aprofundar a compreensão do indivíduo e para ele se instruir ou instruir a outrem. Experiências psíquicas ocorrem total ou parcialmente sob forma de símbolos. alterando a forma mentalmente percebida e criando uma representação para o significado ajustada a desejos. que ajudam a obter a consecução final. Se a impressão ou imagem do símbolo não é clara na mente. ou uma mensagem recebida de uma pessoa. iluminação e união. A experiência de harmonização ou união mística resulta em consciência de símbolos relativos a essa experiência. Uma impressão de uma pessoa. Eles podem ser um meio para se alcançar esses estados místicos de consciência. Fenômenos parapsicológicos se manifestam total ou parcialmente em forma de símbolos. e a não acreditar naquilo que temem. podem ocorrer em forma simbólica. temores etc. Há três perigos básicos na simbolização. O benefício final consiste. afeta os símbolos. são usados para fins de meditação. portanto. mas símbolos de harmonização. na integração do Eu e na união com Deus. e isto leva a uma interpretação errônea do significado e da forma. que são expressas e manifestas em símbolos. assim. as impressões e os símbolos são expressos em forma objetiva.

do Eu interior do próprio estudante. não constituem a própria experiência. A concentração em tais símbolos irá apenas bloquear o estudante em relação à meta por ele almejada. os símbolos representam a experiência e as emoções por ela despertadas. esses símbolos provieram do seu âmago. É melhor refletir sobre os símbolos após a experiência. Muitas vezes. Estudantes de misticismo às vezes projetam símbolos. Símbolos. se a mensagem não é verdadeira ou correta) do Eu interior. quando. ele está evitando o desenvolvimento que deseja. eles revelam algum significado que não foi percebido e podem ser usados posteriormente para meditação. 176 . dão ao estudante um forte sentimento de consecução. também nega a capacidade (ou a falta de capacidade. para alguém ou alguma coisa exterior a eles próprios. quando. impressões e experiências de natureza psíquica. e não significam mais do que o fato de que o indivíduo elevou seu nível de consciência. porém. impressões e mensagens. Isto evita responsabilidade e confere à mensagem ou ao símbolo a autoridade de um Mestre.O segundo perigo está no uso excessivo de símbolos e na concentração excessiva nos mesmos. bem como idéias. É verdade que a pessoa pode receber uma impressão em forma de símbolo. Isto é particularmente verdadeiro quanto à harmonização e à união mística. quando se tornam demasiadamente importantes. Todos os seres humanos tendem a projetar emoções e idéias para o nãoEu. porém. na realidade. o mundo e as pessoas que os cercam. Símbolos. especialmente psíquicos e místicos. que seja de fato uma mensagem a ser recebida e considerada. Então. na realidade. são com freqüência um produto secundário de experiências ou processos mentais.

Corretamente usados. Mas isto significa. e não ajudam na autocompreensão e na compreensão do mundo e do Cósmico. criando o sentimento de que está progredindo em desenvolvimento psíquico e místico. 177 .Está apenas enganando a si mesmo. A meditação mística. constituem as verdadeiras metas. música. sim. e a expansão da consciência. que o estudante deve aprender a distinguir os que são valiosos dos que não o são. além de outros. e não um fim em si mesmos. consiste parcialmente em que se usem os poderes da mente e outros fenômenos vibratórios e naturais para objetivos místicos. ou qualquer outra coisa. por exemplo. funcionam segundo princípios psicológicos. Não se deve entender por isto que impressões e símbolos psíquicos não sejam valiosos. isto constitui a base dos seus padrões de comportamento. o verdadeiro estudante de misticismo não usará símbolos para fins mágicos. O homem funciona psicologicamente. são um meio para um fim. na consecução da união mística. a união. Esta espécie de magia é um uso errôneo. quer consistam em linguagem verbal. ajudam nessa compreensão e. Quando se tomam um fim em si mesmos. Os símbolos. Deve-se compreender que os benefícios e perigos que acabamos de esboçar se aplicam também a experiências e impressões psíquicas. e deve compreender que a harmonização. Finalmente. quando está apenas se ocupando em seguir caminhos laterais. pintura. uma degeneração de princípios místicos. não requer o uso de supostas forças ocultas. causam mais mal do que bem. através da mesma. Na medida em que experiências e símbolos psíquicos e místicos são individuais.

psíquicas. Assim como obras de arte são símbolos do indivíduo que as cria. impressões e experiências. e as expressam. como a percepção e a emoção. tanto para nós mesmos co mo para os outros. ao passo que as experiências psicológicas e místicas pertencem à natureza da experiência. Nossa conduta e nosso modo de falar nos representam. Funções místicas nascem de experiências e reações místicas e das respostas às mesmas. fazem parte da experiência e dos símbolos místicos e psicológicos. A diferença entre estas e as experiências psíquicas está em que as últimas pertencem à natureza das freqüências vibratórias. Elas dizem respeito ao indivíduo e a suas reações e respostas. assim também a linguagem e a vida de uma pessoa são um símbolo dela mesma.A compreensão de símbolos. SUMÁRIO Os símbolos funcionam psicológica e misticamente. do ponto de vista psicológico. Recomendamos que o leitor medite sobre sua vida e sua linguagem como símbolos pessoais. é uma base necessária ao discernimento e ao desenvolvimento psíquicos e místicos. As funções psicológicas são funções mentais. As freqüências vibratórias superiores. 178 .

Símbolos são um meio para um fim. além de outros. Símbolos são um produto e uma expressão de integração psicológica. do ponto de vista psíquico e místico. A simbolização possibilita a expressão de idéias. que são usados para meditação. 179 . Pensamentos. Muitos dos benefícios da simbolização se aplicam psíquica e psicologicamente. Objetos. Na medida em que experiências e símbolos psíquicos e místicos são individuais. Experiências psíquicas e fenômenos parapsicológicos manifestam-se em símbolos. A percepção e a memória dependem parcialmente da simbolização. emoções etc. tornam-se simbólicos. e não um fim em si mesmos. O terceiro está em que os símbolos sejam usados para fins de magia. Há também perigos na simbolização. O primeiro é a interpretação errônea dos símbolos.O uso de símbolos é benéfico. funcionam segundo princípios psicológicos. É recomendado que o leitor medite sobre a sua vida e a sua linguagem como símbolos pessoais. A compreensão dos mesmos do ponto de vista psicológico é uma base necessária ao discernimento e ao desenvolvimento. A compreensão de si mesmo e do não-Eu é expressa em símbolos. O segundo é o uso excessivo dos símbolos e a concentração excessiva nos mesmos. pessoas e eventos que se tornam simbólicos influenciam a percepção e a memória do indivíduo. e um meio para se alcançar essa integração. emoções e conceitos. A harmonização resulta em consciência de símbolos da experiência.

que será estudado no Capítulo final desta série. 180 . Mediante real simbolismo ou por implicação. simbolizam a criação e emanação das esferas que constituem os atributos de Deus. na Figura 1 da página 186. da Cabala Judaica. a harmonia e a unidade do universo.CAPÍTULO XVI: EXEMPLOS DE SÍMBOLOS MÍSTICOS HEINRICH KHUNRATH. e no conceito de macrocosmo e microcosmo. O símbolo de Khunrath representa a unidade de todo o Ser em função das correspondências da filosofia Hermética e do cabalismo. "assim como é em cima é em baixo". as partes individuais dessas esferas também se correspondem. como Heinrich Khunrath. Robert Fludd e Michael Maier. Estes símbolos indicam a ordem. ROBERT FLUDD. do homem e do Cósmico ou Deus. Uma delas é um símbolo que consiste em cinco círculos concêntricos. Representando a unidade das esferas ou dos reinos da Criação. Um reino corresponde a outro. "Anfiteatro da Sabedoria Eterna". À maneira da verdadeira filosofia cabalística. Mostram a hierarquia da Criação e são baseados no axioma Hermético. e da alquimia transcendental. assim. eles simbolizam a relação que existe entre esses reinos. que usam princípios da filosofia Hermética. obra de Khunrath publicada no começo do século dezessete. Todos são símbolos de origem cultural. e sua harmonia e similaridade. E MICHEL MAIER Exemplos de símbolos místicos são encontrados nas obras de Rosacruzes do século dezessete. Este símbolo é mostrado adiante. representam a relação do homem para com o resto do universo e o Cósmico. contém várias estampas na frente do livro.

com o nome de Deus num tetragrama. A citação logo abaixo do círculo dos Mandamentos é a seguinte: "Ama o Senhor teu Deus com todo o teu coração. Segue-se o alfabeto hebraico. e He. dividindo o primeiro e o último Mandamentos vê-se um triângulo apontando para cima. Shin. na base dos Mandamentos. que significa o Infinito. E apresenta a Hierarquia Celestial. Dentro do terceiro círculo vê-se um quarto círculo.O círculo externo contém os Dez Mandamentos do Velho Testamento. e toda a tua mente. He. o Deus oculto. o Mestre. O círculo interno final. portanto. A figura no centro. e "Ele foi o verdadeiro filho de Deus". na parte inferior do mesmo círculo. e a esfera clara. toda a tua fortaleza. Estas formam um outro pentagrama. Cabe lembrar que as letras hebraicas também representam números. Vau. de modo que formam um pentagrama com a ponta principal em baixo. O terceiro círculo contém os sephiroth (ou esferas) cabalísticos. com cinco chamas mais longas contendo as letras Yod. é Jesus. na ponta inferior direita do triângulo. A esfera escura na parte superior deste círculo tem a palavra hebraica para Ain Soph. a ave que renascia de suas próprias cinzas. 181 . A seus pés vê-se a figura da lendária Fênix. que são os atributos de Deus. e prosseguindo no sentido horário. com a ponta principal em cima. Neste círculo de fogo há ainda os dez nomes de Deus conforme o Velho Testamento. de fogo. de luz. e o teu próximo como a ti mesmo". contém as inscrições: "Por este sinal vencereis". toda a tua alma. Na parte superior. Estes sephiroth estão distribuídos em pares. começando por Aleph. contém a palavra para Verdade.

Vau. é portanto a manifestação da Divindade. Yod. significa que o Ser é número. Verdade. Uma delas mostra a montanha como uma caverna com degraus que levam ao Portal do Anfiteatro da Sabedoria Eterna. Ain Soph. Vau. O conjunto de letras. o Mestre ou o Iniciado. 182 . não só representa a Divindade. A Hierarquia Celestial 3. mas. Os Sephiroth 4. o incognoscível. portanto. representa o oculto. A figura inteira pode ser aplicada à rosa na Rosa-Cruz. dentro da montanha ou através dela. o imanifesto. e encerra apenas um significado simbólico da rosa com suas pétalas. Os Nomes de Deus Os cinco pares de sephiroth também correspondem às letras Yod. He. Os Mandamentos 2. He. Há uma correspondência entre as quatro séries de dez: 1. o círculo escuro abaixo do triângulo. O triângulo. O círculo claro. simboliza o nome de Jesus e foi obtido acrescentando Shin ao nome inefável de Deus. Shin.O triângulo simboliza Deus. como acreditavam os Pitagóricos. A montanha é usada duas vezes nas estampas de Khunrath. se é colocado na forma de uma tetractys pictagórica. Shin. He. e mostra a relação que existe entre a unidade e a multiplicidade. He. A figura no centro representa o Espírito Crístico e. Sua associação com a Fênix simboliza renascimento espiritual e união mística.

da famosa Placa ou Tábua de Esmeralda atribuída a Hermes Trismegistus. o que existe em baixo (ou é inferior) é como o que existe em cima (ou é superior). para que se realize a maravilha da unidade. E assim eu sou chamado de Hermes 183 . pois. portanto. De todos os poderes. A versão de Khunrath pode ser assim traduzida: "Verdadeiramente. o vento a carrega em seu ventre. para as quais esta é a maneira de trabalhar. deveis separar a terra do fogo. pela vontade e o comando do Ser Unificado que a criou. Essa placa expressava parte do fundamento filosófico dos escritos de Hermes e da alquimia. Assim tereis o esplendor de todo o mundo. assim todas as coisas nascem (ou emanam) dessa coisa única. Assim foi o todo criado. Seu pai é o Sol. por dispensação e união (ou adaptação). pode superar toda sutileza e penetrar tudo o que é sólido. sua irmã é a Terra. Como todas as coisas são criadas (ou restauradas) de uma única. e o sutil do grosseiro ou denso. este é o maior. Seu poder é perfeito quando é convertido em terra. e maravilhas foram realizadas. com grande compreensão e discrição. mas amorosamente. sua mãe é a Lua. em latim e alemão. Ele ascende da terra para o céu e desce novamente do céu para a terra. Este é o pai de toda perfeição neste mundo.A outra montanha tem a inscrição. e recebe de novo o poder de Cima e de Baixo. com toda certeza e em absoluta verdade. sem falsidade. e o que existe em cima é como o que existe em baixo. Assim foram originadas muitas raras combinações.

A coroa refere-se ao mais alto sephira da Cabala. (Vide Figura 2. da Tábua de Esmeralda. no alto. a quarta consiste num círculo de luz rodeado de nuvens. Simbolizam o princípio de que "assim como é em cima é em baixo". e a quinta e última esfera representa a Terra central e a água que a circunda. Sua "Meteorológica Cósmica" contém uma estampa simbólica que combina a filosofia da Cabala judaica e conceitos cristãos. Tudo o que eu disse quanto ao trabalho do Sol está cumprido. A segunda. como são elevadas!" "Aquele que se cobre de luz como uma veste". seguida das demais na ordem crescente dos tamanhos. tem a letra He. cada esfera contém as outras. das montanhas eternas". ligeiramente maior. Ao lado da segunda esfera. com a menor em cima. ou a Coroa. A segunda é: "Deus faz a luz maravilhosamente. A primeira citação. Kether. contendo a letra He. Por sugestão. a balança e o corpo. 184 . Vau. lêem-se as seguintes palavras: "Não está Deus no alto do céu? E vede a altura das estrelas." Nos símbolos de Fludd. é: "Deus habita o céu de antigos céus". bem como a harmonia e as correspondências entre suas partes. representam a unidade da Criação. aqui traduzidas do latim de Robert Fludd. A primeira esfera tem a letra hebraica Yod e uma coroa.) As esferas têm citações bíblicas ao lado. a terceira. Ela consiste em cinco esferas dispostas numa linha vertical.Trismegistus. porque tenho as três partes da sabedoria de todo o mundo. as esferas.

nos mais longínquos mares. O prato inferior é o céu elementar. que Jeová Deus vive no céu superno e na terra infernal. Trata-se do He superior. contendo a letra Yod e uma mão que sai da esfera e sustenta uma balança. tudo o que existe no céu e na terra é Teu. pesado. a Terra. O travessão que sustenta os dois pratos é o eixo do mundo ou axis mundanus. com a inscrição de um He 185 . Norte. e sua ligação com o travessão tem inscrito um He claro e a palavra aquilo. Finalmente. e "As espessas nuvens são o esconderijo de Deus. o poder. ao lado da quarta esfera: "Deus faz das nuvens sua carruagem".As duas citações ao lado da terceira esfera são: "Deus colocou seu tabernáculo no Sol". iluminando o universo. Senhor. na noite e nas trevas". a imortalidade. e não há nenhum outro". e És exaltado como Aquele que está acima de tudo". e "O Sol. Sua ligação com o travessão é o He inferior. nas regiões infernais. pois. leve e ígneo. e considerai isto em vossa alma. Teu é o reino. E. pertencem a magnificência. e "Vosso corpo é o Templo do Espírito Santo que em vós reside. e a majestade. meridies ou Sul. E as do lado esquerdo: "A Ti. para que Ele não nos veja e siga vagando pelos caminhos do céu". ao lado da última esfera: "O espírito de Jeová preencheu o globo terrestre". e "Sabei então. ó Senhor. As citações do lado direito da estampa são: "Deus está por toda parte no céu. a glória. Uma outra estampa simbólica de Fludd representa a esfera de luz no alto. A parte que a mão segura é rotulada com Vau. e que recebestes de Deus". O prato mais alto é o céu empíreo. prossegue no circuito do espírito".

intellectus ou intelecto. mente. Estas seções correspondem. e à esfera do espírito ou do empíreo. à Luz do Reino Divino. corresponde ao reino mais elevado ou empíreo. também. Fludd associa o corpo humano aos reinos empíreo. ou razão. e as quatro letras do nome de Deus. e. terra e água. a seguir. ao céu empíreo. no topo. enquanto o abdômen corresponde ao reino elementar. (Vide Figura 3. associadas aos quatro reinos: Yod. que é dividido em níveis correspondentes a fogo. à esfera de Deus ou da Luz incriada. o He superior. e elementar. e aos quatro humores da medicina antiga. paralelamente ao mesmo e entre os dois pratos.preto. Abaixo do travessão. ar. 186 . lêem-se as palavras: "Caelum Aethereum" ou Céu Etéreo. Vau. naturalmente. ou o "em Cima" e o "em Baixo". A cabeça. As três seções do crânio são associadas a mens. O tórax corresponde à esfera etérea. e o He final ao reino terrenal. etéreo. ratio. ao céu etéreo. finalmente.) Temos portanto o superior e o inferior. peso médio.

Figura 1 “ A EXEMPLOS DE SÍMBOLOS MÍSTICOS – HEINRICH KHUNRATH. t “ D e u 187 .

" tabernáculo do Sol." alto do céu? E vede a como são elevadas!” de luz como uma "Deus colocou seu "O Sol.” "O espírito de Jeová terrestre. iluminando no circuito do espírito. "Aquele que se cobre veste. E MICHAEL MAIER "Deus habita o céu "Deus faz a luz das montanhas eternas.” O universo.ROBERT FLUDD. prossegue "Deus faz das nuvens "As espessas nuvens são Deus. para que Ele não vagando pelos caminhos sua carruagem.” o esconderijos de nos veja e siga do céu." "Vosso corpo é o Templo em vós reside.” 188 ." de antigos céus.” maravilhosamente. "Não está Deus no altura das estrelas. e que preencheu o globo do Espírito Santo que recebeste de Deus.

189 .

sua mãe é a Lua. que perdeu uma corrida porque parou para apanhar uns pomos de ouro. Na edição original. por dispensação e união. Os Títulos de Maier são: "O vento a carrega em seu ventre" e "A Terra é sua irmã". Uma mulher coroada segura duas faixas. Esta obra diz: "Assim como todas as coisas são criadas de uma só. Seu pai é o Sol. O título da estampa XXVI é: "A sabedoria humana é o fruto da árvore da vida". Presumivelmente. e sua irmã é a Terra". isto simboliza a busca da Pedra Filosofal. o vento a carrega em seu ventre. "Atalanta Fugiens". 190 . Cada uma de suas cinqüenta estampas tem um título em cima. mitologia e filosofia hermética. Sua obra. ou "Investigação Alquímica dos Mais Ocultos Segredos da Natureza". foi publicada pela primeira vez em 1618 e reimpressa em 1687 com o título de "Secretioris Naturae Secretorum Scrutinium Chymicum".CAPÍTULO XVII: MICHAEL MAIER E O SIMBOLISMO ROSACRUZ DO SÉCULO DEZESSETE Michael Maier foi um Rosacruz da Alemanha. Os dois primeiros títulos são extraídos da Placa ou Tábua de Esmeralda atribuída a Hermes Trismegistus. um epigrama em baixo. a cada estampa corresponde ainda uma fuga musical. (Vide Figura 1 — página 192). pela vontade e o comando do Ser Uno que criou esta última. onde se lê: "Duração de dias e saúde" e "Glória e fortuna infinita". assim também todas as coisas emanam dessa coisa única. O título da primeira edição significa "A Fuga de Atalanta" e é uma referência ao mito grego da bela Atalanta. e as estampas são baseadas no simbolismo alquímico. e um ensaio de mais ou menos duas páginas. médico de Rudolf II e autor de livros que explicam o desenvolvimento místico do indivíduo em termos de alquimia.

pois o ápice da arte é isso ou aquilo de vós mesmos". O epigrama diz: "No topo da montanha está o abutre. são o líder.A estampa XXVII representa o jardim de rosas alquímico. Estas são as cores que simbolizam a transmutação alquímica. a experimentação e a leitura. a razão. Em vão lutais para alcançar as alturas do Parnasso. seguindo uma figura que representa a Natureza. amarelo e vermelho. Diz o título: "Para aquele que trabalha em alquimia. quando mal tendes força suficiente para vos sustentardes em solo plano". este é bem cuidado. Trata-se do jardim de Sophia ou Sabedoria. O mesmo acontece com o corvo. Absolutamente não engano". A estampa XLII mostra o alquimista ou eremita com a lâmpada. mas sem a qual não há meio de colher a rosa. o cajado. A única chave que pode abri-lo é uma coisa que tem pouco valor no mundo. mas a entrada está firmemente fechada. que de modo algum vos engana". (Vide Figura 2 — página 193). branco. mas o forte portão está sempre trancado. O abutre tem no bico uma faixa onde se lê: "Eu sou preto. os 191 . Em contraste com o jardim de Hamlet. que costuma voar sem penas pela noite escura e em meio à luz do dia. O epigrama que acompanha esta estampa do jardim diz: "O Jardim de Rosas de Sophia contém uma abundância de flores diversas. a natureza. e seu título é: "Aquele que entra no filosófico jardim de rosas sem a chave é como o homem que quer caminhar sem pés". A estampa XLIII representa um abutre no topo de uma montanha e um corvo mais abaixo. Uma outra estampa diz que o velho se torna novamente jovem ao comer do fruto da árvore que se encontra no jardim de Sophia. O título diz: "Escutai o abutre loquaz. amarelo e vermelho". repleto de flores de muitas espécies. (Vide Figura 3 — página 193). gritando constantemente: "Eu contenho branco e preto.

óculos e a chama". Deixai que a leitura com uma lâmpada transforme as trevas em luz. e por este meio sereis prazerosamente o servo da natureza. a menos que a própria Natureza seja a companheira da vossa vida. O epigrama diz: "Deixai que a natureza seja o vosso líder. de modo que possais prever e vos proteger contra muitas coisas e palavras". caminhais a esmo. (Vide Figura 4 — página 194). 192 . Dai à razão a força do cajado. a razão intensifica a luz que pode distinguir aquilo que está muito distante.

193 .

194 .

O esforço artístico transmuta as emoções e idéias. ou qualquer modalidade de simbolização. de alguma forma. É um produto desta relação e a simboliza. em força emocional. como foi escrito num longo período de tempo. 195 . em si mesmo e para o artista. o Eu interior. o mesmo acontece com a sua arte. de Goethe. Mas o simples fato de pintar ou escrever não garante uma boa obra artística nem a solução de um problema interno. da evolução do seu Eu interior para essa união mística. requer unidade e equilíbrio de elementos intelectuais. em algo que é construtivo. idealmente. objetivando-os em forma simbólica. arte é. mas o escritor necessita de um equilíbrio entre eles. também revela esse desenvolvimento. As nove sinfonias de Beethoven revelam um desenvolvimento em estilo. e em profundeza espiritual. a criação artística ajuda o desenvolvimento psicológico. Uma pintura ou um conto podem ajudar a resolver problemas internos.CAPÍTULO XVIII: ARTE E SIMBOLISMO Para o místico. em algo que encerra beleza. Como a auto-integração faz parte dessa união. em lugar de destrutivo. Sem essa expressão. Um poema pode acentuar um destes elementos. Em termos mais práticos. Auto-expressão é um motivo suficiente para se criar mesmo a pior arte. o desenvolvimento interior é inibido. emocionais e espirituais. A expressão criadora. pelo processo de simbolização. Isto depende do desejo e da capacidade do indivíduo. Trata-se de colocar a experiência no plano mais elevado. a expressão da união do homem com Deus ou o Cósmico. no processo da criação. O "Fausto". arte é o registro simbólico do desenvolvimento do homem. À medida que o artista se desenvolve.

Muitas obras de arte são representativas 196 . o pensamento ou a emoção que se deseja expressar. ou num poema descritivo. de modo a abranger todas as espécies de arte. O artista. ler etc. Em outras palavras. estes três elementos. de um desenho ou uma pintura a ficção. O significado de uma obra de arte pode ser representativo. Pode variar. A idéia é o começo. A concepção ou formação da escultura ou do soneto. Se uma abstração é completamente geométrica. emoção e intuição. ao criar sua obra. Não obstante. o artista. ou as emoções derivadas da atividade criadora. a forma criada. a satisfação. ouvir. Este é um outro modo de dizer que o místico deve ser em parte artista e. ou realista. na mente. O último passo é a real objetivação. tende a omitir os elementos emocional e espiritual. ou de ver. devem participar em harmonia. como em todo simbolismo. Há três passos na simbolização artística. emocional e espiritual da natureza do artista. estamos usando a palavra arte em seu sentido mais amplo. O místico usa ainda a intuição ou inspiração. Faz ele uso da Mente Divina. em favor do intelectual. rituais e liturgias. A criação artística deve ser um processo contínuo de auto-descoberta ou descoberta de Deus. em parte místico. Pode também ser o prazer estético. por trás da mesma deve haver um acordo ativo entre os aspectos intelectual. a expressão final. numa escultura de ser humano. a semente. inclusive artes folclóricas e artesanatos. tem de usar a razão e emoções. simbólica. através do seu próprio subconsciente. A forma representa aquilo que o artista está tentando transmitir ao espectador ou observador. e drama. é o segundo passo. A arte usa a forma para simbolizar o significado.Seja a arte abstrata. poesia. razão. como numa pintura de paisagem.

A criação artística é uma transformação simbólica. Pode ter origem na tradição cultural. e serve a mais de um objetivo. portanto. É uma recriação imaginativa. bem como de outras. na experiência pessoal. natural e artificial. A obra tem fundamento nos estudos alquímicos de Goethe. para as funções objetivas. Pode servir a quaisquer dos objetivos explicados no Capítulo Terceiro. Usualmente. pode. individuais. ser individual. Uma obra de arte é em si mesma um símbolo. seja representativa ou abstrata. na assimilação de outras culturas. o "Fausto". Símbolos religiosos são usados em pinturas e esculturas. Uma obra abstrata que tem sentido estético não é representativa. de Goethe. Mas tudo isto tem ainda forma e significado pessoais. na intuição. no "Fausto". E há simbolismo mitológico. Por exemplo. Um tema bem conhecido. que é cultural. objetiva e subconsciente. e essa recriação pode modificar estes elementos a tal ponto que eles não sejam prontamente reconhecidos. mas Goethe a tornou também individual. Grande parte da obra é também arquétipa ou Cósmica. Está baseada no simbolismo arquétipo comum. cultural. de modo que grande parte do seu simbolismo é derivado desta fonte cultural. está baseado na lenda de Fausto. da experiência ou da realidade interior. mas também usa símbolos como as metáforas e imagens da poesia e do drama ou teatro. e arquétipa.em significado e esteticamente deleitosas. psicológicas e psíquicas do homem. ou na memória de encarnações passadas. tem mais de uma origem. Uma pintura representativa ou figurativa não tem necessariamente um significado ou sentido estético para todas as pessoas. na telepatia. usado por um compositor. de alguns elementos da experiência. Arte é transformação simbólica. pode ser um símbolo de emoções e experiências. uma obra de arte se enquadra em mais de um tipo. como o casamento 197 .

Ele amplia esse significado. Um indivíduo que lê um poema recebe pelo menos algo do significado pretendido pelo poeta. um em relação ao outro. cores e desenhos. que é artificial. Primeiro. em função de sua própria realidade interior. Terceiro. representa a relação entre o Eu e o campo. do indivíduo. sim. simboliza a compreensão e experiência do homem quanto ao Cósmico (ou sua falta de compreensão e experiência neste particular). No caso de certas artes. e assume esse significado. ou por ele realizado. e cada qual a vê e interpreta segundo sua natureza e sua experiência. que projeta para o poema. simboliza o mundo. A segunda parte. Nenhum destes elementos existe isoladamente e. visto pelos olhos do artista. isto constitui uma interação entre o artista e o grupo. abstratos. Finalmente. Uma pintura exposta numa galeria expressa e simboliza a experiência do artista. que são naturais. o campo. 198 . as atitudes etc. representa a experiência.. bem como natural ou artificial. em especial. em seu significado. mas é vista por outros indivíduos. portanto. a forma pode ser abstrata. Simboliza o artista. sentindo-o como se ele fosse originalmente seu. Mostra como ele interpreta sua experiência e o que ele projeta de si mesmo para o mundo ao seu redor e. Uma pintura pode representar um homem ou um cavalo.alquímico ou espiritual. para a sua arte. Segundo. Pode representar um edifício. Quando qualquer tipo de arte é apresentado a um grupo. ou o não-Eu. seu Eu. é precipuamente mística. A arte é simbólica de quatro modos. E pode representar contornos.

O quarto nível é o Cósmico. A forma. ou o modificam. arquétipos. como é o caso do medo ou da necessidade de amor. trabalhos com metais. e Cósmico.Alguns tipos de arte criam o ambiente. e. assim. e arquitetura. de que somos inconscientes ou apenas parcialmente conscientes. naturalmente. como em todos os símbolos. e a obra pode ser precipuamente objetiva. ou provém de Harmonização Cósmica e intuição. Tudo isto faz parte do processo de transformação simbólica. A arte funciona em quatro níveis de consciência: objetivo. Esses padrões emergem do próprio ser do artista. ou ser por eles estimulada. Qualquer espécie de arte deve afetar as atitudes do indivíduo para com o campo ou ambiente e.. é por assim dizer a moldura para a qual projetamos o significado que emerge dos níveis subjetivo e subconsciente. idéias etc. 199 . Tais obras são usualmente criadas pelas funções subconscientes mais profundas da mente e as expressam. A obra artística expressa idéias e emoções subjetivas. e dele assume. cósmicos. este elemento pode ser dominante. subconsciente. modifica aquilo que ele projeta para o campo. ampliam-no. ou o modificam. como num poema de amor. Uma obra de arte pode ser derivada de padrões. como numa pintura de contornos. é objetiva. num lar ou numa galeria. nele percebe. É este o caso de artes como cerâmica. A forma objetiva. ampliam o campo em que vivem as pessoas. cores e desenhos abstratos. subjetivo. Pinturas e gravuras. mas este é apreendido através das funções subconscientes.

interpretá-la diferentemente. é um produto da mesma. O fato de uma obra ser ou não ser mística não depende tanto da forma da própria obra. Isto pode ser interpretado como forma ou desenho objetivo. e a expressa. o observador. O artista pretende então que ela seja mística. A interpretação do observador não é necessariamente a do artista. Pode ser interpretado como algo que desperta prazer subjetivo. porém. Uma obra artística pode ter também um nível místico de significado. E pode ser entendido com o significado de totalidade ou união mística e forma perfeita. Ele assume então o significado. sem que o artista a tenha pretendido assim. ele o projeta para fora de si mesmo. como da natureza do artista e dos apreciadores da obra.Estes quatro níveis. usa e provém de todos os níveis funcionando como uma unidade. Primeiro. ela objetiva o que o indivíduo pensa e sente e. são essencialmente um. Uma pintura pode consistir numa simples forma circular. ao objetivá-lo. como foi explicado num capítulo anterior. A criação artística pode ser um auxílio importante para o desenvolvimento místico. Uma obra de arte expressa. O artista pode ter criado a obra com um sentido e. O artista projeta e objetiva o que recebe de sua percepção e 200 . Como já foi dito. porque provém da natureza psicológica do homem. constitui simbolismo psicológico resultante do processo de transformação simbólica da experiência do homem e da atualidade exterior a ele. a mente e a consciência são uma só. Toda obra artística tem necessariamente um nível psicológico de significado. O observador pode interpretar uma obra num sentido místico. mas isto não é necessariamente verdadeiro.

ou pintada. porém. subjetivas e subconscientes. mas. A imagem de um símbolo ou uma pintura. Não tem o poder emocional que teria se fosse objetivada. também objetiva mais suas idéias. através de percepção e experiência psíquica. se ela não é desenhada. o místico faz o melhor possível quanto à obra. não só esclarece ele o que pensa e sente. sua prática consiste parcialmente em harmonização ou integração em seu próprio âmago e harmonização com a natureza. de intuição. Sexto: A real criação da obra artística é necessária ao autodesenvolvimento. Terceiro: Assumindo aquilo que projeta. Ele pratica harmonização e comunicação com os níveis mais profundos de sua própria consciência. mas é o resultado ou efeito da mesma que é importante para ele próprio e os apreciadores da obra.. Ela tem de ser expressa numa forma objetiva. Assim. por exemplo. tem de ser realizada na mente. e harmonização. emoções etc. Assim aprofundando sua compreensão de si mesmo.experiência objetiva. 201 . Segundo: O processo de projeção e objetivação de uma pintura ou um poema esclarece o que o artista pensa e sente. e compreendendo isto que está fazendo. Isto pode alterar também a forma. permanece incompleta. imaginação. ele dá nova forma ao significado. promove ele o seu desenvolvimento. Quarto: Se o indivíduo é um místico praticante. outras pessoas e o Cósmico. Esclarece sua própria natureza e experiência. a harmonização e o desenvolvimento são mais importantes do que a qualidade da obra. descrita em palavras. para ele mesmo. Naturalmente. Quinto: Do ponto de vista místico. para que se torne efetiva e promova harmonização e desenvolvimento.

É recomendável que o estudante tente escrever. a concepção ou formação na mente. Essa transformação pode ser de qualquer tipo e servir a qualquer propósito. psicológicas e psíquicas. Trata-se de uma transformação simbólica da experiência ou realidade interior. A expressão criadora requer unidade e equilíbrio dos elementos intelectual. como um meio de auto-expressão e autoconhecimento. a forma representa aquilo que o artista está tentando transmitir ao observador. A arte usa formas para simbolizar significados. E procure exemplos de simbolismo ou expressão simbólica em arte e literatura. do homem. A criação artística deve ser um processo contínuo de autodescoberta e descoberta de Deus. SUMÁRIO Arte é a expressão da união do homem com Deus e o Cósmico. O significado pode ser representativo ou pode constituir prazer estético. A simbolização artística se processa em três passos: a idéia. 202 . pelas funções objetivas. a criação artística ajuda o desenvolvimento psicológico. e a objetivação ou expressão. Como a auto-integração faz parte dessa união. emocional e espiritual. ou criar símbolos de alguma forma. pintar.

A arte é simbólica em quatro sentidos: (1) Representa experiência. (3) Representa a relação entre o Eu e o campo. subconsciente. ou o não-Eu. pelo observador da mesma. 203 . Esclarece esses pensamentos e sentimentos. atitudes. não depende tanto da forma da própria obra. O místico faz isto por harmonização e integração em seu próprio âmago. A interpretação de uma obra de arte. constitui uma interação entre o artista e o grupo. e por harmonização com a natureza. e o Cósmico. e Cósmico. A real criação da obra artística é necessária ao desenvolvimento pessoal. o campo. etc. outras pessoas. O fato de uma obra artística ser ou não ser mística. (4) Simboliza a compreensão e a experiência do homem. ele pode alterar a forma. quanto ao Cósmico. Ao projetá-la e assumi-la. como da natureza do artista e dos apreciadores da obra. (2) Simboliza o mundo. Ela objetiva aquilo que o indivíduo pensa e sente. subjetivo. dando-lhe novo significado. não é necessariamente a do artista. ou é por ele realizada. A criação artística pode ser um importante auxílio para o desenvolvimento místico. Quando a arte é apresentada a um grupo. A arte funciona em quatro níveis de consciência: objetivo.

que constam dos versos 9 e 10. de modo que encerra elementos individuais. e ser também místico. Emprega a forma poética porque ela se ajusta melhor à sua própria natureza e às idéias e emoções que resultam de harmonia em si mesmo e harmonização com a natureza. que é uma outra base da filosofia. por expressar em forma simbólica os princípios do misticismo e a experiência da união cósmica. o homem. culturais e. Um poema pode ser precipuamente filosófico. Isto é enfatizado nas palavras "superior" e "inferior". Os versos 3 e 4 parafraseiam o axioma hermético. arquétipos. e o Cósmico. É usada para qualquer dos objetivos estudados no Capítulo Terceiro. O "Ensaio sobre o Homem".CAPÍTULO XIX: POESIA E SIMBOLISMO O poeta místico usa sua arte para expressar princípios místicos ou a experiência da união mística. Pode até expressar idéias ou princípios científicos. Usa metáforas e imagens. que indicam sua fundamentação na filosofia hermética.. de Alexander Pope. e na corrente mencionada nos versos 5 e 13—14. religioso. é bem conhecido. A poesia mística é também um meio de instrução. Os versos 19 e 20 afirmam o panteísmo místico. "assim como é em cima é em baixo".. que em si mesmas são símbolos. ou arquétipas. Como outras formas de arte. didático.". ou lírico. as quais podem ser também individuais. O 204 . culturais. talvez. a poesia é uma transformação simbólica da experiência do autor. O trecho que começa dizendo. Alguns poemas nascem de meditação e são usados pelo poeta e seus leitores para meditação e para alcançar harmonização e integração. "Todas as coisas são partes de Um imenso todo. é um trecho citado sem os versos anteriores. e ser ao mesmo tempo místico.

através deste ar. Pois.. em oposição à nossa parte mundana ou material. "Vê. Qualquer que seja o elo que da corrente da Natureza firas. pode ou não ser derivado de Robert Fludd. homem. informa nossa parte mortal". quão altaneira e progressiva pode a vida ser! À volta. "Deus. inseto que olho nenhum pode ver. ave. do mesmo modo quebrada será a corrente. do Infinito para ti. médico e Rosacruz inglês. Besta. isto é. destruída é a grande escala. humanas. De ti para o Nada — Para poderes superiores Evoluir deveríamos e. peixe. deste oceano e desta terra. Toda a matéria ativa. Ou na Criação um vazio deixar.. Em cima.uso que Pope faz da palavra informar. quão ampla! E quão profunda em baixo se estendendo! Vasta corrente do Ser! Que de Deus início teve. um só estágio supresso. Naturezas etéreas. O décimo ou o décimo milésimo. 205 . Nenhum telescópio pode alcançar. em nós introduz o elemento psíquico ou Cósmico. mas o significado é o mesmo: a parte imaterial ou psíquica do mundo e do homem. inferiores. a nascer irrompendo. angélicas. para os nossos. que é introduzida neste último quando de sua criação.

em colapso entra.E. Ao espantoso Todo igualmente essencial. A menor desordem num somente. Como no Serafim jubiloso que adora e resplandece. não o Todo. não em todos. nem grande nem pequeno. encerra. Quando um elo da 206 . Tão plena. Brilha nas estrelas e floresce nas árvores. nada é alto nem baixo. Em nossa alma respira. tão perfeita. Ele preenche. como no reino etéreo. tão perfeita. Indiviso difunde-se e sem se consumir sua ação manifesta. num cabelo como no coração. Tão plena. nossa parte mortal informa." A fala de Ulisses em "Troilus e Cressida" (I.. E só um tal sistema. Com a Natureza por corpo e Deus por alma. e tudo iguala. iii) explica a hierarquia da Criação e a interdependência ou unidade de suas partes. Para Ele. no Homem comum que chora. liga. E ele aquece no Sol e refresca na brisa.. Todas as coisas são partes de um imenso todo. mas em tudo o mesmo. se cada sistema em gradação se move. Grandioso na Terra. Vive em toda a vida e se estende por todo o espaço. Transmutado em tudo.

A palavra "fixidez" indica que os planetas e o firmamento têm uma ordem fixa. "Este Centro" significa a Terra. Os elos ou degraus são o "Grau" mencionado nessa fala. Quando essa ordem é perturbada. E como o Decreto de um Rei se impõe. Mas quando os Planetas. prioridade e lugar. Função e costume. E por isto goza o glorioso astro Sol De nobre eminência. Que Pragas. O trecho em geral expressa praticamente a mesma filosofia do trecho de Pope. Fixidez. dentre os demais Entronizado e centralizado. para o bem ou o mal. que agouros. isto afeta os demais. que tremor da Terra. estação. Sem Oposição. e que por seu curativo olho Dos maus Astros os danosos Aspectos corrige. Em malévola combinação para a desordem se desviam. usando-se a simbologia da árvore. e este Centro. forma. Observam grau. os Planetas. mas a individualidade de cada poeta é evidente na própria forma poética e no jogo de imagens. a unidade é "desraizada". proporção.corrente ou um degrau da escada está em desordem. "O próprio Firmamento. A expressão "desafinar essa corda" usa a simbologia do teclado. curso. Que furor do Oceano. em toda classe de Ordem. 207 . que revolta.

a Vontade no Apetite. mudanças e horrores. e o dia infindável empregado por Herrick." Em "Eternidade". porém. O grande projeto enfermo fica. o oceano da eternidade. que temores. E. (Ele que é a escada para todos os altos desígnios). Desfaça-se esse Grau. Haverão de desviar e fender. De sua fixidez? Ó. Então.. tragar a si mesmo. ou a condição sem espaço nem tempo do reino psíquico e cósmico. E o Apetite (um Lobo universal. provavelmente significa a união mística. o poeta parte para o infinito e a eternidade. Seu poema é um exemplo da 208 . O Poder na Vontade. todas as coisas se incluem no Poder. por fim. ferir e desraizar A unidade. quando o Grau é abalado... a matrimonial calma dos Estados. Duplamente secundado pela Vontade e o Poder) Deve necessariamente fazer uma presa universal. de Robert Herrick. que é muitas vezes expressa em símbolos como luz. Isto poderia ser interpretado com o significado de morte.. E veja-se a Discórdia que se seguirá: as coisas se chocarão em mera oposição.Que comoção dos ventos. desafine-se essa corda.

Afogadas serão em Dia infindável. Pode ser entendida como uma meditação sobre Vida." "A Invocação". "Ó Anos! e Eras! Adeus. Mas.. Onde nunca as Estrelas A Lua afetará. é também. portanto.eu parto. .poesia metafísica do século dezessete e. tipicamente. Para onde sei Que a infinidade vou habitar. Vede . poesia metafísica do século dezessete. que têm um significado especial para os Rosacruzes. Essa interpretação há de variar conforme os elementos culturais e pessoais que o leitor projete para o poema. Luz e Amor. constitui simbolismo precipuamente cultural. E estes meus olhos verão Todos os tempos. 209 . ela e a Noite. como eles Perdidos estão no Oceano Da vasta Eternidade. Este poema está composto em termos tão universais que pode ser interpretado de vários modos. de George Herbert.

Verdade que todo conflito extingue. Coração que em amor se Rejubila. é a polia com que Deus atrai o homem. "Logo que Deus o homem fez. minha Luz. disse Ele "sobre o homem tudo o que derramar possamos. também de Herbert. meu Amor. minha Verdade. podemos dizer. Amor que ninguém pode separar. Vem. Vida que mata a Morte."Vem. Força que me faz seu hóspede. meu Caminho. meu Júbilo." "A Polia". minha Festa. Repouso ou. "Derramemos". minha Vida! Caminho que nos dá alento. dispersas como estão. meu Coração! Júbilo que ninguém pode afetar. Vem. paz. minha Força! Luz que mostra a festa. Que do mundo as riquezas. usa o objeto material (a polia) como símbolo da atração ou harmonização mística entre o homem e Deus. Ao lado um cálice de bênçãos. Festa que melhora sempre. 210 .

ambos perdedores seríamos. entre a poesia anterior e a de John Keats. que o tédio Ao Meu peito o atire". de todo o Seu tesouro. deteve-se O Deus. Que ele fique no entanto com o resto. para que ao menos. Há também uma diferença pessoal. Assim. E à Natureza se dedicaria. Mas com arrependida inquietação o mantenha. honra e deleite. depois sabedoria. Ela adoraria Minhas dádivas e não a Mim. Quando quase tudo emanado fora. Fortaleza. E emanou a beleza.Num só momento contraídas sejam". não ao Deus da Natureza. "Pois. primeiro se produziu. Somente repouso no fundo restava. então. Onde Herbert diz 211 . Ao perceber que. Há uma diferença cultural em estilo e jogo de imagens. se esta jóia Também à Minha criatura concedesse Eu. Que seja ele rico e entediado. Se a virtude a Mim não o trouxer. disse Ele.

Então. somos "alquimizados" ou transmutados.que repouso é a polia. escuta. Da rosa a pétala enrola E sorri mansamente. visto que Apoio e Orfeu são a ela associados. O seguinte trecho é de "Endymion". isto é. A música. E com emocionado toque. versos 77—97: "Onde está a felicidade? Naquilo que nossa mente ansiosa A divino companheirismo atrai. simbolicamente. até brilharmos. lírica magia de seu lúcido ventre liberar. "passamos a/Uma espécie de unidade". velhas canções de sombrios túmulos 212 . Quando sentimos as coisas mencionadas por Keats. Eis A translúcida religião do Céu! Em teus afilados dedos. até que nos tornamos livres do espaço como o Eu interior. E velhas baladas sobre a cova de seu pai suspirarão. De tudo alquimizados e livres do espaço. conhecemos a união mística. porém. Um companheirismo com a essência. Livro I. despertarão. Keats sente que a felicidade está naquilo que atrai a mente para divino companheirismo. Também ele usa o símbolo da luz. quando a vibração aérea Do beijo da música os ventos impregnar. enfatiza o sentimento.

e suas três partes são resultantes de meditação. Em toda parte onde o menino Orfeu dormiu. naturalmente. e nosso estado É como o de um espírito que paira. para ajudar a compreensão do significado dessas palavras e auxiliar o estudante a senti-las em si mesmo. Vida projeta amor." estas coisas? — nesse momento de bronze despertam e debilmente O próximo poema. é intitulado "Meditações sobre Luz. Amor reflete luz. mas. Por toda parte que de Apolo o pé pisou. Sem amor Não pode haver vida. 213 . de Ruth Phelps. Onde há muito gigantesca batalha houve. "Luz emana vida. Vida e Amor". Sentimos passamos A uma espécie de unidade. Sem vida Não pode haver luz. E da gleba um acalento ecoa. podem ser usadas para meditação. Clarins anunciam.De melodiosas profecias fantasmas se agitam.

"Eu sou aquele que é nada e é tudo. amor." Finalmente. Cada qual é um. Todos em mim. Estes três. Ruth Phelps usa o símbolo da Rosa-Cruz para expressar o paradoxo da experiência de união. vida. O amor é imensurável. Eu sou a cruz que se estende Pelos quatro cantos da Terra. Luz. A luz é eterna. Vida é amor. Cada qual é o outro." "A vida é imortal. Amor é luz.Sem luz Nada pode existir. Estes Um." * * * "Luz é vida. Eu sou a rosa que cresce 214 . Que não está em parte alguma e está em toda parte. Cada qual é meu. em "Meditação sobre a União".

Da semente-centro da cruz, Que encerra o homem, Que encerra o cosmos. Eu sou o que é só no vasto deserto, O que é só no espaço total, O que é só no Todo Cósmico.

Não sou eu nem Deus, E sou eu e Deus.

Aquilo que eu sou, eu sou. Aquilo que tu és, eu sou. Aquilo que Deus é, eu sou. Eis a verdade."

NOTA — Fizemos tradução livre dos poemas constantes deste Capítulo, apenas para que o leitor fizesse uma boa idéia do uso de simbolismo na linguagem poética. O leitor interessado em se aprofundar no assunto deverá por seus próprios esforços procurar traduções mais primorosas, em livrarias e bibliotecas.

215

CAPITULO XX: CONCEITOS BÁSICOS DO SIMBOLISMO MÍSTICO
Muitos símbolos místicos são baseados em dois conceitos muito antigos mas ainda correntes. Um é o axioma hermético: "assim como é em cima é em baixo". Isto é derivado, em parte, da Placa ou Tábua de Esmeralda, atribuída a Hermes Trismegistus. O outro é o de macrocosmo, o grande mundo ou universo, e microcosmo, o pequeno mundo ou o ser humano. Estes dois últimos conceitos estão relacionados entre si e também podem ser expressos em termos da filosofia hermética: o Cosmos é feito à imagem de Deus, e o homem é feito à imagem do Cosmos. A Placa de Esmeralda é uma das mais antigas obras relativas a alquimia e filosofia hermética, e existe em várias versões. Isto foi estudado no Capítulo XVI, onde foi apresentada uma tradução da versão de Khunrath. O "em cima" é o reino Superior, cósmico ou celestial, que corresponde ao macrocosmo, ao grande mundo ou universo. O "em baixo" é o reino inferior, terreno ou elementar, que corresponde ao microcosmo, o pequeno mundo ou o ser humano. Todavia, macrocosmo e microcosmo são conceitos relativos. Se o macrocosmo é o Cósmico, o microcosmo é o universo, ou o mundo, ou o homem. Se o macrocosmo é o universo, o microcosmo é o mundo ou o ser humano. Se o macrocosmo é a Terra, então o microcosmo é o ser humano. Segundo aquela Placa, o que existe em cima é semelhante ao que existe em baixo; em outras palavras, o macrocosmo é semelhante ao microcosmo. Ambos são criados conforme o mesmo padrão arquétipo e funcionam segundo as mesmas leis. Dois dos símbolos usados para expressar esta idéia são a escada e a corrente. A escada é encontrada no simbolismo egípcio e, na Bíblia, na escada de 216

Jacó, que se estendia da Terra ao Céu, e pela qual os anjos subiam e desciam. A corrente, na mitologia grega, estendia-se do trono de Zeus para a Terra. Ambas as figuras simbolizam os elos de ligação, os reinos ou a hierarquia da Criação, entre o reino divino, que está em cima, e o terreno, que está em baixo. Além disso, esta hierarquia da Criação é ordenada. Sejam quantos forem os reinos simbolizados em qualquer cosmologia, eles são interdependentes e semelhantes. Diferem em que o reino mais elevado é a própria divindade, enquanto cada reino seguinte é menos divino e mais mundano. Não obstante, eles constituem uma série de reinos ou planos de existência semelhantes. Um plano, com o seu conteúdo, corresponde a qualquer outro plano. Todas as coisas fazem parte do Cósmico ou Deus, mas numa série descendente. Quanto mais baixas na escada ou na corrente, menos contêm do elemento divino e psíquico. Estas idéias estão presentes em muitas mitologias, religiões, filosofias e literaturas, e em muitos termos e símbolos. Alguns destes símbolos são derivados da literatura hermética; muitos, porém, não têm ligação com esta tradição filosófica, e são símbolos e conceitos arquétipos. O "em cima" e o "em baixo" estão ainda associados à dualidade do mundo e do homem, de interior e exterior. Assim como é o homem interior, assim é o exterior. Os reinos de luz e de trevas, da filosofia de Jacob Boehme, são uma concepção deste gênero. Os três reinos de Robert Fludd, o eterno, o aeval, e o elemental, são sereis descendentes de esferas basicamente semelhantes. Na literatura védica, o reino cósmico é chamado de Aquilo e, o reino terreno, de Isto. Aquilo é o macrocosmo e, Isto, o microcosmo; Aquilo está em cima, ao passo que Isto está em baixo.

217

O Templo, ou qualquer outro local sagrado, simboliza o macrocosmo e o microcosmo, e é um elo de ligação entre os dois planos. É um lugar onde os dois reinos se encontram e se unificam. Em muitas mitologias antigas, o centro do Templo, ou a árvore sagrada, ou o poste no centro do solo sagrado, representa a descida do elemento sagrado ou divino, o campo onde o iniciado pode ascender ao reino divino ou cósmico. Assim como os reinos Cósmico e mundano se correspondem, também se correspondem o reino Cósmico e o mundano no homem. O plano psíquico é como o físico, e o físico é como o psíquico. Os planos objetivo e subconsciente se correspondem, assim como o Eu e o não-Eu ou ambiente. É verdade que as pessoas pensam no Céu, ou no outro mundo, ou nos planos Cósmicos, como semelhantes à vida na Terra, porém, idílicos e sem problemas. Isto não passa de mera analogia ou idealização. Trata-se de uma projeção daquilo que se deseja. Isto não explica o fundamento metafísico dos dois conceitos místicos, o axioma hermético e o conceito de macrocosmo e microcosmo. Há dois elementos nesse axioma, seja ele expresso mito-logicamente, ou filosoficamente:

1. A analogia entre o terreno e o cósmico. 2. A doutrina metafísica ou mística das correspondências cios reinos ou das esferas da Criação, entre si e para com o reino cósmico ou divino.

Com isto em mente, consideremos alguns exemplos dos escritos herméticos.

218

no Livro bíblico de Gênesis. e a do Kosmos é o Aeon. O padrão arquétipo e o padrão mundano são o "em cima" e o "em baixo"."Sagrado és Tu. E todo esse corpo. depende do Aeon. o Kosmos se move no Aeon. o Tempo passa no Kosmos. está pleno da alma. "O Aeon se mantém firme em ligação com Deus. cujo esplendor a natureza não obscureceu. assim como o homem. e a mente está plena de Deus. que por Tua palavra fizeste tudo o que existe. e o Vir-a-ser ocorre no tempo. A alma preenche 219 . o Aeon é o poder de Deus. e o Kosmos ou universo. Um livro hermético descreve a escala descendente do Eão (Aeon). Sagrado és Tu. o macrocosmo e o microcosmo. mas está sempre sendo gerado pela ação do Aeon. assim como o Aeon depende de Deus. então. que é o poder de Deus. e a obra do Aeon é o Kosmos. a fonte de existência do Aeon é Deus." A natureza é uma imagem do Cósmico ou Deus. Uma imagem é uma semelhança e corresponde àquilo de que é imagem. a alma está plena da mente. então. de quem toda a natureza é uma imagem. é a fonte de todas as coisas. é criado à imagem de Deus." Deus. que nunca teve começo. em que todos os corpos estão contidos. O Kosmos. Sagrado és Tu.

dado que este.todo o corpo interiormente. em cima. na Terra. Sua parte material consiste de fogo. e com isto vemos que elas não são muitas. a todas as criaturas vi-ventes. torna-se o meio da ordem correta para o Kosmos. é primeiro. Uma outra seção pode ser resumida assim: Deus. é um só todo composto de diversas partes. de maneira que ele é capaz de se elevar ao Céu. E se o homem assume tudo o que lhe é atribuído. mas fez o homem como um ser complexo para governar em combinação com Ele. ou antes. e coisas perceptíveis para os sentidos são unidas a coisas que ultrapassam o alcance dos sentidos. ela muda conforme as coisas vêm a existir. e ar. todas as coisas estão unidas. A parte divina é composta de "elementos" superiores. Diz o Asclepius: "Assim as coisas mortais são unidas às coisas imortais. mente. No Céu. água. O homem foi constituído de modo que cada uma de suas duas partes é feita de quatro elementos. Pois. ligadas umas às outras numa corrente que se estende da mais baixa para a mais elevada. e por isto ele é mortal e permanece na terra. quais sejam. Deus. mas o controle supremo está sujeito à vontade do Mestre que está acima de tudo. E. ela dá vida a esta maravilhosa e perfeita criatura e. exteriormente. o criador do Kosmos e de todas as coisas que nele existem. assim sendo. há duas imagens de Deus: o Kosmos é uma e o homem é a outra. intelecto. o Kosmos é segundo. em baixo. rendendo louvores e graças a Deus. a alma persiste em permanecer a mesma. o homem é terceiro. O homem pode conhecer a si mesmo e ao Kosmos. desde que tenha em mente o papel que deve desempenhar. e o envolve exteriormente. espírito e razão. e esteja cônscio de que ele próprio é a segunda imagem de Deus. terra. e o Kosmos para ele. 220 . e reverenciando a imagem de Deus (o Kosmos). como o Kosmos. o Senhor da Eternidade. interiormente. rege todas as coisas. todas são uma só". dando vida ao universo.

mas gera numerosas e diferentes cópias de si mesmo. a todas as espécies de seres do Kosmos. é e sempre será um ser vivo. Analogamente. conforme o caráter da mente que lhe corresponde. o Kosmos proporciona todas as coisas que parecem boas aos mortais. A vida é infusa no Kosmos e. qualquer que seja sua espécie. quais sejam. O Paraíso é um Céu baseado numa existência terrena idealizada. Assim. o macrocosmo e o microcosmo. como Deus é bom. portanto. a formação. e delas deriva. o mundo ou o universo e o homem também 221 . segundo suas próprias idéias e seus ideais. a alma e a vida. O Kosmos é a imagem de Deus e. o Kosmos também é bom. tem as características desta espécie. é em parte uma criação e projeção com base nas funções psicológicas humanas. ou seja. os homens são individualmente diferentes. embora a espécie humana tenha uma forma comum. este. comentada anteriormente neste Capítulo. Se o Kosmos foi. o tipo permanece inalterado. do mundo e do Cósmico. são expressões da humana apreensão da dualidade do próprio ser humano. então. infunde vida em todas as coisas que existem nele próprio. nada nele é mortal. que rege todos os seres vivos. o homem concebe essa analogia de macrocosmo e microcosmo. O "em cima" e o "em baixo". Mas os indivíduos de uma espécie são diferentes entre si.Um outro livro das obras herméticas afirma que todo ser vivo. Em função dessa apreensão. Por exemplo. Isto e a visão que o homem tem do mundo simbolizam o arquétipo "em cima e em baixo" e. o crescimento e o amadurecimento dos frutos da terra. O movimento do Kosmos é duplo. O Kosmos é um segundo Deus. os sentidos. A analogia entre o terreno e o Cósmico. a sucessão de nascimentos no tempo. tanto os que têm alma como os inanimados. Deus dispensa e distribui dádivas. etc.

aí encontramos então a semelhança do mundo espiritual invisível. da Cabala. Boehme. e consideramos a vida da criatura. O axioma hermético é um princípio que consta das obras de muitos místicos. 222 . John Heydon. a união essencial dos dois. como Thomas Vaughan. e as letras simbólicas do simbólico "Livro da Natureza". Cosmogonias como a representação ptolomaica do universo representam esse universo ou macrocosmo. portanto. e percebemos que o Deus oculto está próximo de tudo e existe em tudo. judaica ou cristã. está baseado na correspondência entre o "em cima" e o "em baixo". representa o macrocosmo e o microcosmo. etc. o macrocosmo e o microcosmo. devido à correspondência existente entre eles. A cidade celestial. seja chinesa. O significado de tais símbolos não depende tanto dos próprios símbolos como do fato de que os indivíduos que os interpretem sejam místicos. O simbolismo das letras. simboliza o macrocosmo o macrocosmo e o microcosmo e. que está oculto no visível.. ou o pequeno universo. Ele é o fundamento da teoria e do simbolismo de ciclos e das correspondências entre letras. explica o axioma hermético em termos do visível e do invisível: "Quando consideramos o mundo visível. porém. explica a emanação das dez esferas que são atributos de Deus. como o Adão Kadmon ou o Golém. totalmente oculto à essência visível. também representam o homem. O homem cósmico. o homem artificialmente criado. em "Mysterium Magnum". números. o Sepher Yezirah. com sua essência. dos signos astrológicos. assim como a alma no corpo. mas.simbolizam esta dualidade. e Robert Fludd. O "Livro da Criação".

A essência visível vem à existência em função da expressão ou espiração do poder invisível. segundo a qual os níveis. são uma essência do invisível. assim como a alma opera com o corpo e através dele.Pois. Ele é metafísico e cosmológico. apresentam certos sinais. as coisas visíveis. hieróglifos ou caracteres externos. Se as coisas se correspondem. tangíveis. da alquimia. isto é. tanto práticas como transcendentes. Um é a lei de correspondências. Segue-se a doutrina dos sinais. no uso da analogia e da metáfora. Se o "em cima" e o "em baixo" são semelhantes. O corolário final é o de que o axioma original cobre muitos aspectos diferentes da existência. do invisível e incompreensível procede o visível e compreensível. de modo que pode ser expresso em termos diferentes. O Verbo espiritual invisível. Este é o fundamento da cabala. ou as séries da Criação. correspondem-se entre si. é ao mesmo tempo um conceito e um símbolo." É importante compreender alguns conceitos básicos sobre o axioma hermético. do poder divino. como foi indicado acima. que indicam sua similaridade. É também baseado nas funções semânticas e psicológicas da mente humana. com base em padrões e princípios cósmicos ou arquétipos. Segundo: Há o que podemos chamar de corolários do axioma. opera com a essência visível e através dela. Primeiro: seu fundamento é duplo. os reinos. que são formas de simbolização. então o 223 . que é associada à lei das correspondências. da magia e da astrologia.

assim a consciência humana pode ascender ao Cósmico. envolvem também o conceito de macrocosmo e microcosmo. assim como no positivo é no negativo. portanto. O axioma. da escada. Em quinto lugar. as projeções do homem. Portanto. em que a Terra fica em baixo e o céu em cima. O Cósmico e o mundano são encarados nestes termos porque os comparamos com o mundo físico espacial. Em quarto lugar. ou são objetivadas em sonhos. Essas projeções consistem de idéias e emoções de que somos inconscientes ou apenas parcialmente conscientes. assim como no Cósmico é no mundano. metaforicamente falando. mundano. a idéia de "em cima e em baixo" é uma metáfora espacial. assim como no subconsciente é no objetivo. o arquétipo é o protótipo do tipo manifesto. Tais idéias e emoções são projetadas para o mundo que vivenciamos. e de nossas reações a estes campos. O arquétipo. Isto explica as muitas expressões do axioma que podem ser encontradas em obras mitológicas e filosóficas. simboliza a união mística do homem com Deus. pode ser apreendido e expresso de muitas maneiras. Assim como no sonho de Jacó. os anjos sobem e descem. é a imagem do cósmico ou arquétipo. conforme a realidade e os hábitos mentais e culturais daqueles que o expressam. Um conceito ou símbolo é arquétipo porque é um elemento básico do padrão divino ou eterno. O terceiro conceito básico a ser compreendido é o de arquétipo e tipo. O tipo manifesto. Compõem-se de nossa experiência e percepção do macrocosmo e do microcosmo. contudo. Fazem parte de nós mesmos. projetamo-las de volta ao mundo exterior a nós. em outras palavras. Ou. sejam elas psicológicas ou psíquicas. símbolos do macrocosmo 224 . porém. criações da imaginação. fantasias.interior e o exterior também o são: assim como no interior é no exterior.

E analise os símbolos do ponto de vista dos dois princípios estudados neste Capítulo. São criados conforme o mesmo padrão arquétipo. terreno ou elementar. que corresponde ao macrocosmo. com o nãoEu ou macrocosmo. O macrocosmo e o microcosmo são conceitos relativos. Como representam eles o macrocosmo e o microcosmo. que corresponde ao microcosmo. como exercício final.e do microcosmo são uma combinação do homem. Alguns conceitos básicos sobre o axioma podem ser assim resumidos: 225 . O axioma hermético se compõe de dois elementos: (1) A analogia entre o plano terreno e o Cósmico. O "em baixo" é o reino inferior. Recomendamos que. Fludd e Maier. O "em cima" é o reino superior ou celestial. o leitor revise o Capítulo sobre Khunrath. Dois dos símbolos usados neste particular são a escada e a corrente. que é o microcosmo. e sua relação? SUMÁRIO Muitos símbolos místicos são baseados no axioma hermético e na Placa de Esmeralda. (2) A doutrina metafísica ou mística das correspondências.

a doutrina dos sinais. é recomendado que o leitor revise os capítulos sobre Khunrath. metafísica e psicológica. 3. analisando-os com a matéria deste Capítulo em mente. o axioma cobre muitos aspectos da existência e pode ser expresso em diferentes termos. 226 .1. Sua base é dual. As projeções psicológicas e psíquicas do homem envolvem o macrocosmo e o microcosmo. 2. Como exercício. 4. Fludd e Maier. O tipo mundano é a imagem do arquétipo. 5. A idéia de "em cima" e "em baixo" é uma metáfora espacial. O axioma tem os seguintes corolários: • • • • a lei das correspondências.

227 .

000 .AMORC CAIXA POSTAL 307 80.CURITIBA – PARANÁ 228 . Da GRANDE LOJA DO BRASIL .BIBLIOTECA ROSACRUZ A Biblioteca Rosacruz consiste de muitos livros interessantes que vão descritos nas páginas seguintes e que podem ser adquiridos no Departamento de Suprimentos.

  considere  seriamente a possibilidade de adquirir o original.google.google.  http://groups.Este  livro  é  distribuído  GRATUITAMENTE  pela  equipe  DIGITAL  SOURCE  e  VICIADOS  EM  LIVROS  com  a  intenção de facilitar o acesso ao conhecimento a quem  não  pode  pagar  e  também  proporcionar  aos  Deficientes  Visuais  a  oportunidade  de  apreciar  mais  uma manifestação do pensamento humano.    Se  você  tirar  algum  proveito  desta  obra.    Incentive o autor e a publicação de novas obras!    Se quiser outros títulos nos procure.    Será um prazer recebê‐lo em nosso grupo.com/group/Viciados_em_Livros  http://groups.com/group/digitalsource  229 .

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful