Ilustração: Rubem Grilo

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B. TÉC. SENAC, RIO DE JANEIRO, V. 32, N. 1, jan./abr., 2006.

o trabalho que o corpo. porque vida é muito mais. Departamento de Sociologia (Mestrado e Doutorado em Sociologia). but it is an integral part of it. como também porque. não de pretensa certeza. 1967-1971. jan.br/.com. Concept. 2005)4. comparada ao trabalho humano consciente. RIO DE JANEIRO./abr. Quando uma categoria analítica pretende explicar tudo. * PhD em Sociologia pela Universidade de Saarbrücken. de modo inconsciente ou subconsciente. the more work is done – and generally only to survive. mercantil. planejada. não apenas monetário. tendo como um dos objetivos fundamentais a valorização do trabalho na vida humana (Antunes. mas sem previsão e planejamento. Immaterial Work. pensa. por mais que ciência e tecnologia permitam reduzir horas de trabalho produtivo mercantilizado. Labor. também trabalha.br. não se quer consagrar o trabalho como tudo na vida. it is still key to take into account that a life of alienation. que é preferível ver o trabalho com bons olhos.. Recebido para publicação em 08/02/2006. in such a way that the more time available. work is not a receding social category. pelo menos até certo ponto. assuming there is no end to this controversy.. Meu intento é apenas repor a discussão com outro contexto. Alemanha. For the vast majority. Self-realization. TÉC. 1999 . mas seria esdrúxulo assumir que trabalho é apenas atividade consciente.uol. Value. Talvez a noção de “valor” pudesse ser refeita: trabalho é toda atividade humana que gera algum valor. 2000. Ao contrário do que se propala. V. e pósdoutor pela University of California at Los Angeles (UCLA).2000. como imaginava Weber (2004)1. a categoria que mais poderia unificar a sociedade em torno de objetivos comuns (Gorz. no sentido de que poderia ser. 32. Prof. de sentido nórdico. Muita polêmica! Não tenho qualquer pretensão – nem condição – de dirimir a polêmica. Aquela célebre metáfora da abelha que trabalha incansavelmente. work is an inescapable desideratum. muitos de modo forçado sob o peso do assim dito trabalho precário. 2004)3. such as Marx would put it. Site: http://pedrodemo. Work is not the meaning of life. 5 . 2005)2. This is true only in a certain sense – for high-level work. As oito horas de sono por dia são trabalho. cessamos! Ainda assim. numa visão eurocêntrica desabrida. naquele sentido próprio da metade do século XIX (Negri/Hardt. Coloquei um ponto de exclamação no título para indicar que se trata de uma hipótese polêmica de trabalho. Keywords: Work. organizada. E-mail: pedrodemo@uol. não só porque. Contrary to presumptions. O trabalho produtivo é um tipo de trabalho. 2006. Knowledge. saindo do local de trabalho. se respirar também é trabalhar. por exemplo. SENAC. As razões marxistas precisam ser revistas. sinaliza horizontes pertinentes de análise. Hence. B. ademais de não ser correto identificar trabalho produtivo com trabalho capitalista. In the framework of a knowledge-intensive society (relative surplus value). quando cessa esta habilidade. 1. Não recupero aqui a “ética do trabalho”.sites. Titular da Universidade de Brasília (UnB). is a life of alienated labor. Defendo apenas. mas retomo a noção original marxista do trabalho como categoria fundante da sociedade. increasingly less. com. Quando o ser humano descansa. Political Theory. trabalho não vai desaparecendo na vida das pessoas hoje. N. mas vital. beyond the old society in which physical labor prevailed (absolute surplus value). se diverte. como já fiz uma vez (Demo. continuamos trabalhando.TRABALHO: SENTIDO DA VIDA! Pedro Demo* Abstract This article discusses the importance of work in people’s lives. até porque o trabalho não pode ser visto como única atividade que produz valor. tende a não explicar nada.. 1999)5.. it would seem that people work less. material ou imaterial.. realiza para manter-se.

na Na percepção de Marx. SENAC. mas é crucial perceber que realidades complexas. colocar limites. 2004)11. 1999)8. 2000)6. Referia-se ao “trabalho vivo”. . a superação do capitalismo não adviria pela via política da organização do trabalho. mais ao norte.. mas pelas contradições internas objetivas do próprio sistema produtivo (Demo. também dentro da Europa. foi tornando-se trabalho rentável. quando um lado assaca contra o outro preconceitos culturais. TÉC. mas preocupa-se em disciplinálo sob a forma do assalariamento. Tamanha criatividade tem que ser mantida com rédea curta. desde cedo. o mundo nórdico tende a ser mais desenvolvido que o sulista latino. entendido sempre como trabalho produtivo e que. ainda que isto nos leve a um terreno movediço. V. nunca cabe bem num cercado. entretanto. Este sempre foi o American dream. privilegia-se o trabalho como castigo. mas também de afirmação. o trabalho era fogo que dá a vida e forma. à incapacidade ou má vontade de trabalhar (O’Connor. O trabalho vivo é a força que. Precisamos definir os conceitos. Definir significa delimitar. 1970. Esta frase. Davies. não lineares. Não importaria nascer pobre. 2004)14. seguindo uma leitura da Bíblia (comer o pão com o suor do rosto). dialéticas não se reduzem a padronizações lineares (Demo. num processo de autovalorização produção e reprodução da sociedade. mas também a construção de uma alternativa. N. Assim como definir “vida” é pretensão perdida até hoje (Schrödinger. ele acentua. é carnaval o ano todo! Dispensável dizer o quanto tais estereótipos empanam uma realidade extremamente mais complexa. Em outras palavras. não é menos definir trabalho. hoje possivelmente um dos maiores pesadelos do sistema neoliberal. RIO DE JANEIRO. Em outros escritos (em especial em A Comuna de Paris) (Demo. 2002)7. uma força vital ativa desde sempre nas redes dinâmicas de cooperação. reluz o trabalho como sentido maior da vida. Predominam estereótipos. Por conta desta percepção da criatividade indomável do trabalho humano. no capitalismo. para Marx (nos Grundrisse). única) de valor. em particular quando pobreza é remetida tout court . confinado em geral na 6 B. um conjunto de ‘pré-requisitos do comunismo’. que corre dentro e fora do tempo imposto pelo capital” (Id. o que leva a sinalizar sua face positiva acima de tudo. determina constantemente não apenas a subversão do processo de produção capitalista. não das máquinas e ferramentas. Negri e Hardt (2004)10 relembram que. por trás da constituição das sociedades. Ironicamente. Dessa forma. isolada. DELIMITANDO TRABALHO O esforço de definição que aqui faço insere-se na discussão metodológica que ofereço no texto sobre “metodologia do conhecimento científico” (Demo. o trabalho é uma força ativa não apenas de negociação. um mais latino. está o esforço coletivo das pessoas. mas. as condições objetivas. Na própria etimologia do trabalho aparece a sugestão de tortura. Althusser. como se cristalizou no dito americanista do American way of life. o que se percebe atualmente com as táticas de desregulação do trabalho – enquanto o capital ganha liberdade total. No trabalho havia “uma semente que repousa sob a neve. trabalho expressa a capacidade humana de fazer coisas e de fazer-se sujeito. trabalha-se duro. Há aí diálogo de surdos. Neste. condições subjetivas assomam como importantes também. trabalhando duro. 1. Goode/ Maskovsky. pois. 1971)16. estaria por trás da habilidade de desenvolvimento. mas que é o terreno onde crescem boas categorias analíticas. lá de São Paulo para baixo. para além dos estigmas capitalistas e do tempo picado. 2001. 2001)9. esperando a maturação. de si. do trabalhador em pessoa. quando discorro sobre o que seria “definir”. “A afirmação do trabalho é a afirmação da própria vida” (Negri/Hardt. aponto dois estereótipos comuns. 2006. 2005)13. 1985)17. e deles é mister livrar-se. o conceito de trabalho ultimamente desgastou-se. outro mais nórdico. O capital. As subjetividades produzidas no processo de autovalorização do trabalho vivo são os agentes que criam uma sociedade alternativa.1. mas apresenta um esquema alternativo de valorização: a autovalorização do trabalho. já em ação na sociedade contemporânea. levantar uma cerca em torno de algo que. 32. de dentro. A vontade de trabalhar e de realizar-se no trabalho. porque eles vazam por todos os lados. Como é sabido. em especial na obra de Althusser (Althusser/Balibar.. Esta dialética “objetivista” sempre foi muito questionada. 1995)15. com positivismo indisfarçável comum à época.. Para simplificar./abr. No estereótipo latino. sem falar nos preconceitos injustos. jan. o capital não só se dedica a explorá-lo como fonte (para Marx. em primeiro lugar. percebeu que o trabalho não se esvaía na idéia da produtividade mensurada pelas horas de esforço manual ou mesmo mental. o trabalho é manietado a praças circunscritas onde pode ser visto e controlado (Matias. nos escritos centrais (em torno da obra O Capital). ou do self made man.)12. (Negri/Hardt. 1997. mas no contexto sugere que. vence-se facilmente na vida. é excessiva. o trabalho vivo não apenas nega a sua abstração no processo de valorização capitalista e de produção de mais-valia. Não é muito diferente da querela surda entre sulistas e nordestinos no Brasil. Mais ao sul.

32. tomado em sentido vital amplo. ele. trabalho não é só constitutivo da sociedade capitalista. jan. não cabe fechar o trabalho B. na qual o trabalho é aviltado. acredito ser um olhar unilateral. não é menos corpóreo do que intelectual. As redes de cooperação de trabalho cada vez mais complexas. no qual fica claro. porém. tornando-se parte da sua natureza. conviver. o trabalho está aí aprisionado e desfigurado. recursos de toda ordem. uns abundantes. na verdade. a presença do trabalho no centro da vida e a extensão da cooperação social através da sociedade tornam-se totais. V.. mesmo tendendo à imaterialidade. 2006. O mundo é trabalho. ocupa o centro do palco.. Embora em toda mercadoria haja trabalho e seja Tomando essa discussão preliminar como pano de fundo. Trabalho é capital. não é mais suficiente. Essas novas formas de trabalho são imediatamente sociais. É preciso também incluir no trabalho dimensões novas que surgem agora. em que trabalhar é viver. na era pós-industrial. que a natureza e as condições de trabalho foram profundamente modificadas e também que o que era reconhecido como trabalho mudou radicalmente: mas são exatamente essas transformações que. Primeiro. para imaginar uma sociedade aberta e criativa. na qual assistimos à globalização do sistema capitalista enquanto sociedade-fábrica e ao triunfo da produção computadorizada. talvez tenha cometido um erro. Parece. determinações e consistências históricas: por exemplo. mas certamente não podem retirá-lo da realidade. em que é marcado pela lógica abstrata da mercadoria. O esvaziamento histórico do problema do trabalho corresponde à sua máxima plenitude como substância da ação humana. É óbvio que a classe operária industrial perdeu sua posição central na sociedade. Toda sociedade tem capitais (materiais e imateriais. não se reduz. e a forma do Estado e da sua lei é transformada de acordo com as modificações da natureza do trabalho. É fundamental superar a sociedadefábrica. a organização do Estado e da sua lei está. pois determinam diretamente as redes da cooperação produtiva que criam e recriam a sociedade. 7 . justamente quando o conceito de trabalho é marginalizado do discurso dominante. à condição de mercadoria. assim dita ética capitalista e destituído de desejos e prazeres. que o trabalho do General Intellekt. a maioria escassos). (2004)18. Não é menos valor a produção da sociedade e das subjetividades. que tentavam tornar compreensível o sentido da nossa história em nome da centralidade do trabalho proletário e da sua redução quantitativa à norma do desenvolvimento capitalista. ligada à necessidade de construir uma ordem de reprodução social baseada no trabalho. Apesar da falência das primeiras leis do valor-trabalho. de aventar que o problema central não é o capital. a formatação multidimensional das expressões humanas. jamais. As práticas sociais que criam valores vitais para a sociedade são. Quando Marx reconheceu o trabalho como substância da história humana. RIO DE JANEIRO. porém. aparecendo. De fato. A visão de Marx. não se pode negar uma série de fatos. Apêndices cibernéticos são integrados ao corpo ‘tecnologizado’. dos desejos e prazeres. seria estranho. Produzindo-se valor com o trabalho. o papel histórico das condições subjetivas também: as lutas operárias contra o trabalho assalariado para transformar o próprio trabalho. em vez de marginalizar o conceito de trabalho. repropõem sua centralidade acentuada. N.. também. a presença virtual.. à medida que trabalho. mas o capitalismo. poderíamos sugerir que o conceito de trabalho vai muito além de sua versão capitalista. não estando aí o problema propriamente dito. a informatização de uma vasta gama de processos de trabalho caracterizaram a atual mudança da natureza do trabalho. como o ciberespaço.trabalho o que lhe dá valor. Marx tentava entender essas transformações através do conceito de General Intellekt. num processo de autovalorização. no que divergiria de Mészáros (2002)19. que. no mínimo. porque postula uma sociedade sem capital. então. é igualmente negação do capitalismo. SENAC. 1.. Nesse sentido. o que. Gostaria. O problema está na versão capitalista do capital. trabalho. neste contexto. Sua função é de ruptura. desbordamos a esfera da mais-valia. Para além disso. mas não precisa ser capitalista. a integração do trabalho afetivo no espectro da produção. não por ter avançado demais. mas por não ter ido longe o bastante. trabalho expressa a capacidade humana de fazer coisas e de fazer-se sujeito. então. simbólicos e políticos que sistematicamente são apresentados no lugar da lei do valor como elementos constitutivos do liame social servem para retirar o trabalho do âmbito da teoria. Os horizontes monetários. em grande parte./abr. como apontam Negri e Hardt. TÉC. Embora a interpretação de Mészáros tenha base na obra de Marx. das alternativas.

2000)21. ao contrário das máquinas tecnológicas atuais: estas. do ponto de vista do observador. Maturana. na condição de sujeito relativamente autônomo. Maturana é questionado. que. colocamos tudo no mesmo saco. o corpo trabalha ininterruptamente. um século depois. como dizem alguns biólogos (Maturana/Varela. forçado. trabalho é dinâmica autopoiética. como. tratado como mercadoria. Saber pensar é muito menos uma questão de investimento temporal do que de habilidade e inteligência (Lewis. com esgotamento do corpo através de muitas horas). . fazer exercícios físicos. não cabe entender trabalho como atividade imposta de fora. trabalhos próprios de crianças e adolescentes. jan. 1997)25. e. 2001)23. O trabalho. funcionam de fora para dentro. apesar disso. como estudar. não consta como trabalho o estudo. como se observa nitidamente na sociedade informacional em rede (Castells. embora a maldição bíblica não seja fatal. Na prática./abr. razão pela qual proibimos as crianças e adolescentes de trabalhar. Essa percepção deu azo ao “construcionismo”. lembrando a maldição bíblica. Mesmo assim. é imprescindível despender energia. Preocupado em preservar as crianças e adolescentes para que se 8 B. por Varela (Varela/Thompson/Rosch. não é caso trabalhar . sendo trabalho dinâmica vital. caberia ver trabalho como produção e uso da energia vital humana. brincar. de si. 1999)27. O que seria inapropriado é um tipo irreversível de desgaste que já seria motivo para não poder trabalhar mais. 32. interpretativa. quando se delineou mais claramente o que se tem chamado de economia intensiva de conhecimento. porque esta medida já não é central. TÉC. conversar. Segundo. muito menos produtiva capitalista. quanto para produzir todo e qualquer perspectiva de valor. 1997)20. Quando dormimos. numa penada. ainda que predomine o gesto autopoiético. se esta cessa. desde produções extenuantes. 2006. perde espaço. e o mais avançado era o inglês. 1996)22. cessa a vida. porque. Significa que todo ser vivo é máquina que funciona de dentro para fora. porque num sentido forte. conhecimento é a principal força produtiva. físico. poetar. Torna-se bem possível produzir mais e melhor com menor tempo de trabalho. Entre nós. a “força de trabalho”. Essa idéia aparece com força no conceito de mais-valia absoluta. a do capitalismo. em parte pelo menos.na dimensão produtiva. encurralado na dinâmica da mais-valia. Mas o corpo não pára. Marx imaginava que a época da mais-valia relativa – produtividade com base em ciência e tecnologia – surgiria ainda em sua vida na Inglaterra. que vale a pena. como regra.. Quarto. Essa visão não se efetivou e somente apontou. como pensar. de certa forma. em geral. vida é aprendizagem. muito. softwares e hardwares. mas como dinâmica reconstrutiva. Pode-se chegar à extenuação. haveria que fazer uma ressalva: há trabalhos desgastantes. cuidar de criança pequena. dizemos que estamos descansando e isto é. mas trabalhar bem. no sentido do desgaste corporal. N. não cabe encerrar o trabalho em atividades que pressupõem cansaço. teclado. bombeando sangue para todo o corpo. a produtividade pende para atividades imateriais dependentes de habilidades formativas humanas. Há aí confusão desnecessária: há que proibir trabalho estranho. 1995) 24 . também trabalha a vida toda. com o conceito de “enação”: esta leva em conta também a pressão do meio ambiente (o que vem de fora). segundo sua expectativa teórica. é desgastante. em especial para manter o cérebro em bom funcionamento. Para manter-se vivo. RIO DE JANEIRO. por ser exagerado em seu construcionismo. sucumbindo à lógica abstrata da mercadoria (Kurz. mas com uma construção mental dela. porque. reconhecendo-se que não trabalhamos com a realidade diretamente. trabalho é dinâmica humana própria de sua natureza. corrigido. como o computador. continua respirando. em grande parte. porque. 1. precisam de tomada. esgotamento físico. Conforme tese comum hoje. desde a necessária para manter-se vivo. Schiller. surge outra maldição. 2004)26. nem há que sugerir que o trabalho mais comum seja aquele da mais-valia absoluta (braçal. desgaste corporal. praticar esporte. SENAC. porque. porém. Terceiro. até aquelas mais suaves. verdade. aviltante. e. o socialismo só seria viável no capitalismo avançado. No entanto. assim como aprende a vida toda. de outro. 2000. e. em sentido mais concreto. onde se encontrava à época. porque o cérebro humano não é como xérox que copia. faz o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) (Demo. tais autores rejeitam o instrucionismo em educação. seria suplantada pela maisvalia relativa: nesta. De um lado. V. mantendo a temperatura. como o próprio Marx previa. Como a aprendizagem (Demo. mas alegaríamos. reproduz. Por isso. interna ou externa ao capitalismo. mas não de estudar. por exemplo. Há. mas. em metodologia. Para produzir. queremos impedir o trabalho produtivo capitalista espoliador. compensadores. como seria. . 1997. solapa as expectativas de auto-realização e de realização coletiva. se chama “objeto construído” (Demo.

perdem o sentido da vida. na escola e na universidade. por exemplo). as pessoas. focando no lado positivo. individual e coletiva. formar-se. na esfera capitalista. por exemplo. ainda que haja. Ver televisão também cansa./abr. portanto. em especial da cidadania. pode-se manter a idéia de que trabalho é toda atividade que gere valor vital. tutelado. Os atletas profissionais. Boehm. Esta perspectiva é hoje melhor visualizada em momentos em que. se definirmos valor como todo processo e produto de atividade humana que seja capaz de autorealização e de realização coletiva. uma proposta muito pouco pedagógica.. deixando de trabalhar. portanto. por exemplo) (Burke. por vezes muito sangrentas. estudar como afinco. preferir a autoridade do argumento ao argumento de autoridade (Demo. o destino em suas mãos. esse tipo de trabalho é obrigatório (ensino fundamental). imaginamos que já não o que trabalhar.. até certo ponto. trabalhar. trabalhos certamente compensadores. Imaginase dar conta de uma problemática drástica e dramática como essa com pedagogias e assistências tipo “água benta”. Entende-se por politicidade a habilidade humana – hoje reconhecida nos animais também (Waal. nos fazemos. Caberia inserir trabalho no conceito de “politicidade” humana (Demo. Por uma confusão apressada. crescer. organizar-se politicamente. torna-se trabalho de “mentirinha”. sugerindo que. . no eco da expectativa marxista do trabalho como gerador de valor. outro modo de trabalhar. em torno do conhecimento criativo. estudar pode ser trabalho extraordinariamente decisivo. deixando de lado o desafio da sobrevivência e. Por vício e submissão capitalista. é possível ser mais preciso. colocado sempre sob suspeita. Quinto. viver e morrer é trabalho – nesse percurso fazemos muitas coisas e. 2006. existencial humano. através do qual pode construir espaços e principalmente construir-se em sociedade. alternativo. e. Em vez de ler um livro inteiro. no sentido mais denso de atividade própria da natureza humana na sua dimensão existencial social. Sexto. 2003) 32 . Por vezes. sobretudo. deixar de trabalhar ainda é viver e. 32. Esta autonomia é claramente relativa. 1. prefere-se um resumo ou o que consta da orelha do livro. não poderia ficar de fora do trabalho o desafio de saber pensar. TÉC. será trabalho também o não-trabalho. como. porque se viver é trabalhar. perceberíamos mais facilmente quanta energia se despende. Está em jogo aí toda produção e uso de energia humana com sentido realizador e auto-realizador. Se olhássemos mais atentamente as disputas milenares. em condições apropriadas. 2004)31. Em certa idade. para desenvolveremse bem.. evita-se pensar. sentimos falta da exploração. O resultado é um conceito pífio de trabalho. entre elas aprender. imposto (Shattuck. 2000. B. será trabalho também o nãotrabalho. porque se viver é trabalhar. o valor educativo que o trabalho pode ter. trabalhar. quando seria possível dedicar-se melhor à auto-realização. Nesta ótica. em vez de se sentirem mais realizadas. Quem se decide a fazer mestrado e/ou doutorado tem idéia do cansaço implicado. 2002)28. escutamos a alegação de que saber pensar cansa. por cessar este. Estipula-se isso por conta do valor que representa. a rigor. quanto principalmente para a auto-realização pessoal e coletiva. mas pode ser alargada. o conceito de valor pode aguar-se irremediavelmente. por vezes extenuante. Mas. não só no sentido físico de que o cérebro consome energia incessantemente para manter-se em funcionamento. Valor pode ser aproximado a esta noção de realização e auto-realização. Entretanto. e até mesmo forçado (vestibular. 9 . É o caso precípuo da aposentadoria. Sétimo. Rir demais enjoa. desperdiça e gira em torno dessa atividade considerada uma das mais fundamentais da existência humana. material ou imaterial. na diversão. principalmente. porque só pode realizar-se em convivência com outras autonomias (Demo. dependendo de colocar em marcha estratégias e habilidades de sua construção incessante. 1996. ampliar sua abrangência interpretativa. N. Nascer. tomando.desenvolvam adequadamente. V. mesmo sendo. saber pensar é um dos trabalhos mais pertinentes humanos. o ECA esquece que. no esporte. A discussão atual em torno da construção de subjetividades pelo trabalho é emblemática (Negri/ Hardt. trabalham até morrer (literalmente). tendemos a não ver trabalho no lazer. deixar de trabalhar ainda é viver e. tanto para realizar expectativas de sobrevivência e qualificação profissional. sem falar em conhecimento proibido. há que trabalhar muito e bem. RIO DE JANEIRO. mas principalmente no sentido imaterial de constituir-se sujeito capaz de história própria. Por certo. 1987)33. porque já pode ser qualquer coisa. Rescher. Referência central da politicidade humana é trabalho. disruptivo (a Inquisição. conhecer. pedagogicamente. e que. SENAC. A aposentadoria é. por vezes. para evitar cansaço. 2005)30. fundamento essencial das tecnologias e. jan. Aqui aparece o desvirtuamento capitalista: cessa o trabalho capitalista. 2005a)34. 1999) 29 – de construir espaços ampliados de autonomia. quando se consegue.

lazer. do ser humano . no discernimento. a convivência possível até à lógica abstrata da mercadoria. em vez de. surpreendente. mas principalmente porque os “trabalhadores livres associados” continuam “trabalhadores”. desiludidos com a aposentadoria. disputar lugar próprio. Trabalho não é apenas sina. menos orientado por suas promessas altissonantes de uma sociedade mais igualitária.como aqueles de altos salários. no “saber pensar” (Demo. 32. certamente livres da lógica abstrata da mercadoria. a religião. Disso sabem as crianças que precisam estudar firme para divisar um futuro melhor. mas aquele que realiza valores e sobretudo auto-realiza as pessoas e comunidades. jan. por prazer. interpretativa e hermenêutica. TÉC. viver mais e melhor. não aquele trabalho fastidioso e vazio da fábrica. mas daquele insubstituível. . trabalho sinaliza o pulsar profundo da natureza que precisa trabalhar para evoluir. fazer-se. Daí a injustiça flagrante que desconhece como trabalho o trabalho das mulheres em casa. sobreviver. 2.. muitas vezes acolhido pelos empresários como “motivação”. melhor será ver o trabalho com bons olhos. N. quando desabrochamos a subjetividade em experiências de sociabilidade alternativa. sendo trabalho a categoria fundante da sociedade em Marx. Assim como todo ser vivo luta para aprender. gostariam de trabalhar. uma espécie de investimento em e de si mesmo. 2006. Disso sabem os trabalhadores. 2000a. Por ser tipicamente conhecimento criativo. é comum a expectativa de que o “homem novo” não trabalha. que precisa trabalhar para formar-se.. informatizável. Disso sabem os voluntários que querem trabalhar para os outros. não só porque. a relação capitalista do trabalho incute no trabalhador o trabalho como único sentido da vida. todo dia. rumo a um tipo de sociedade alternativa. V. na qual conhecimento tornou-se a “principal força produtiva” (2005)35. seja industrial ou de serviços. por isso substituíveis pela máquina. do ser humano que precisa trabalhar para formar-se. Disso ninguém reclama. Se assim é. mas sempre trabalhadores. Quem condena ou desprestigia trabalho quase sempre não precisa “trabalhar”. os trabalhadores aprendem de maneira não predeterminada. mas é próprio da comunicação 10 B. como se cuidar da família fosse coisa apenas de mulheres ou coisa irrelevante que não geraria valor vital para a sociedade. disso sabem os idosos que.. SENAC. No marxismo. É por isso fundamental saber entender ócio. da ordem sintática. o que é absurdo. quando conseguimos trabalhar com prazer. Não se trata do tipo de conhecimento formalizado. trabalho sinaliza o pulsar profundo da natureza que precisa trabalhar para evoluir. Todo especialista bem formado também o gera. RIO DE JANEIRO. por isso. assim os seres humanos não podem evitar trabalhar como condição de existência. manter-se vivo. nos perdemos em solidariedades abrangentes. propriamente criativo. de autoorganização e de comunicação”36. para além das disputas e competitividades. na capacidade de coordenação. todo trabalho. semântico. tortura. contém “um componente de saber cuja importância é crescente”. Oitavo. existir. surpreendente. possivelmente mais realizadores e auto-realizadores. Cessando o trabalho. aposentadoria como horizontes alternativos de trabalho. morre antes. fazer-se. TRABALHO IMATERIAL Valho-me da análise do trabalho imaterial de Gorz. valor e capital”. em especial no tempo de trabalho. porque a “maisvalia” aí embutida vale a pena! De certa maneira. muitas vezes roubando-lhe as melhores horas da vida. afastando-se de paradigmas anteriores fundados em unidades de produção. mas interessado na percepção criativa de novas condições do trabalho na sociedade atual. sem perder de vista suas faces negativas. nem ditada. Disso sabem as mulheres que precisam dividir as energias entre maternidade e profissão. 1./abr. mesmo quando espoliados ignobilmente pelo capitalismo. padronizável. resultante da própria dinâmica produtiva inovadora da ciência e tecnologia. é realização e auto-realização. quando. que apreendemos no “saber da experiência. Abarca um mundo sem fim de potencialidades que vão desde a arte. 2005a)37 complexo. Exige envolver-se com a dinâmica mais genuína da aprendizagem reconstrutiva e desconstrutiva. não linear. não haveria como não trabalhar. A economia do conhecimento é “uma forma de capitalismo que procura definir suas categorias principais – trabalho. Não trabalhar é morrer. na economia do conhecimento. numa palavra. ou explora trabalho alheio. crítico e autocrítico. não sabe o quê fazer e. De fato.

embora seu valor mercantil. já violentamente. mais é útil à sociedade. como regra. criando artificialmente a escassez. tais fatores são compreendidos como “capital humano” das empresas. sem que com isso sejam solucionados os problemas fundamentais de um capitalismo que aproveita cada vez menos trabalho. o capitalismo impõe a apropriação privada do conhecimento. à revelia do fato de não poder ser manipulado como mercadoria. A capitalização do conhecimento chegou a uma fronteira nova. na condição de capital humano da empresa.despadronizadora. São os dissidentes do capitalismo digital. Embora me pareça B. O crescimento econômico. A criação do valor das mercadorias passa a depender muito mais deste componente comportamental e motivacional. Riqueza é que o conhecimento se torna bem comum acessível a todos. produzindo miséria em vez de prosperidade e impondo como riqueza a concentração mercantilizada de bens privadamente apropriados. subsumindo- Insinua-se uma redefinição da riqueza. Entre seus ativistas. garantindo ele mesmo sua formação permanente. ao desmonte da coletividade. tornando-o escasso. dando conta. objetivada em máquinas. Gorz destaca os hackers. tornando-se cada vez mais imaterial. da concorrência. Uma verdadeira sociedade do saber seria igualitária. softwares mais criativos e nisto confrontando-se abertamente com o monopólio capitalista. RIO DE JANEIRO. Seus custos de produção. O aproveitamento capitalista do conhecimento se faz pela via do saber “morto”. como era comumente visto na condição de valor produzido em cada mercadoria. com um excedente de capital sobre uma carência de demanda solvente e a subtrai às bases de uma sociedade. composto de conhecimentos e informações. com freqüência. jan. entra a “autoexploração e a autocomercialização do ‘Eu S/A’. sua valoração depende do julgamento dos chefes ou dos clientes. Segundo Gorz38. freqüentemente. quando reagem. dissemina. No lugar da exploração. 1. com base no saber pensar coletivo. do ensino. pelo menos numa parte deles. N. 32. entra em cena o empresário de sua própria força de trabalho. uma economia autêntica do conhecimento poderia corresponder a um tipo de comunismo do saber. da aprendizagem ao mesmo tempo criativa e comprometida. o saber aí não aparece como um saber objetivado. tendendo a zero. mensurado por horas de trabalho acumuladas. por iniciativa própria de aprendizagem ilimitada. à privatização do saber. Em vez do trabalhador que depende do salário. deixa de ser mensurável. oferecendo à coletividade. mas sim como atividade social que constrói relações comunicativas. instalações e processos padronizáveis. 2006. cujos custos de estruturação e reprodução ele procura economizar mediante a privatização dos serviços públicos. O fenômeno fundamental se conhecimento à lógica abstrata da mercadoria. um estilo alternativo de sociedade mais livre e cooperativa. da saúde e da previdência social40. porque seus padrões são fluidos como toda interpretação semântica. em vez do tirocínio aí despendido. SENAC. no qual relações monetárias e de troca seriam dispensáveis. socialização e organização do saber”41. passando a uma condição de multiplicação quase sem custos. não submetidas a um comando”42. distribui cada vez menos moedas. Em geral. podendo ser utilizado ilimitadamente por máquinas de padrão universal. Assim. a saber. A qualidade da produção. A pressão da concorrência é respondida pela habilidade potencializada ad infinitum de cada empregado.. do conhecimento e do bem comum. como ocorre sob a forma de software. que rendem lucros às grandes empresas clientes do autoempresário”39. à modernização predatória dos países em desenvolvimento. cujos critérios de medida não são usuais. pois todo conhecimento formalizável. disseminação. Aparece neles a criatividade desimpedida capaz de sinalizar. Riqueza deveria ser o bem comum enriquecido em nome de todos. o capital propriamente criativo e alternativo. padronizável pode ser abstraído de seu suporte material e humano. deveria ser o bem comum enriquecido em nome de todos./abr. Monopolizar o conhecimento é a saída do capitalismo. uma vez desfeitas as relações salariais convencionais. seu valor mercantil não coincide com tempo de trabalho gasto em sua criação. TÉC. o modo como o capital regula os seres humanos tomou outra configuração: os empregados são forçados a se conceberem como empresários de si mesmos. exercitado permanentemente por processos sempre reavivados de aprendizagem reconstrutiva. decaia na mesma proporção. 11 . Na prática. daquela que o computador até o momento não conseguiu digitalizar. não podem ser determinados. porém a criação de valor e a criação de riqueza se afastam uma da outra de modo cada vez mais visível. V. É isso que buscam os movimentos antiglobalização. o trabalho. “Em contraste com as concepções correntes. No fundo. por atuarem na “esfera mais importante para o capital : a esfera da produção. ao contrário. Quanto mais se espraia. depende desse comprometimento. funda-se na pilhagem do bem comum e no desmonte da coletividade. com base no saber pensar coletivo. aquela produtividade competitiva que garante a dianteira de empresas criativas. quando for de domínio público. Nesse sentido. Para evitar esse efeito igualitário.

para reduzir tudo à lógica abstrata da mercadoria. é aquela voltada contra uma ciência subordinada ao capital (Aronowitz. Esta sempre esteve vinculada/subordinada ao capital. controlar o processo para extrair mais-valia. A crítica mais pertinente. valor aos produtos. segue a redefinição da ciência. aquele capitalismo amparado na valorização de grandes massas de capital fixo material é. Entra em cena a crise da mensuração do valor. V. Laymert G. isolando o mundo sensível e concebendo a realidade como sistema de relações encaixado na lógica do cálculo matematizado da razão instrumental. de si. substituído por uma dinâmica pós-moderna que valoriza o capital imaterial. Tais transformações implicam metamorfoses do trabalho. 32. A medida da riqueza transfere-se para o “nível geral da ciência e do progresso da tecnologia” (Marx. havendo outros horizontes mais alternativos e que. para vendê-los com lucro máximo: é a capacidade que uma empresa tem de se ligar a uma clientela. quando o tempo socialmente necessário para produzir algo se torna incerto. mensurável em unidades de produto por unidade de tempo. sem falar no apreço a um tipo exacerbado de biotecnologia que poderia reinventar o ser humano como máquina artificial (Hayles. tornar-se propriedade privada. estético. nem à troca comercial. sem grandes custos. Ao transformar conhecimento em capital imaterial. hoje. 2006. fazê-la comprar. valorizar e subsumir uma dinâmica produtiva imaterial que já não se prende ao estilo de produção anterior.um pouco romântica essa visão dos hackers.. ‘capital conhecimento’ ou ‘capital inteligência’” (Gorz./abr. Santos. 2005)46.. O valor simbólico. no debate sobre ciberespaço não faltam tendências de combate ao corpo e à subjetividade (Silva. para manter-se nos padrões de acumulação física para economizar mais trabalho do que originalmente custou. N. social se sobrepõe ao uso prático e o valor de troca. 1953)48. 1. Redefinindo o conceito de riqueza cultural e economicamente. a miragem está na apropriação privada do que é. O capital quer capitalizar o conhecimento. intuição. mas. 1999)44. Na Bolsa. Saber pensar não se presta à apropriação privada. 2003) 45 . preparou o caminho para ele. fidelizá-la. Vários modos de produção coexistem hoje. Conhecimento aparece como força produtiva principal. vão do cálculo matemático à retórica e à arte de convencer. implicamos contestar igualmente a orientação da ciência e do modo como vem sendo construída. nem à troca comercial. O parentesco entre ciência e capital é flagrante. por exemplo. Gorz enfatiza o que dá. Haveria uma espécie de conluio entre esta quantificação obsessiva da realidade e a inteligência artificial. A dimensão imaterial dos produtos passa a levar vantagem sobre sua realidade material. é possível divisar neles um tipo de reação crítica criativa. as últimas novidades. jan. gratuito. pois. RIO DE JANEIRO. O fato de a globalização competitiva saber aproveitar-se das novas mídias não faz dessas vilões inevitáveis da história. tornando o trabalhador cada vez mais supérfluo. para todos e de todos. vira trabalho imaterial. por exemplo. persuadi-la do valor incomparável do que se oferece. ao contestarmos a instrumentalização do humano e do vivo. cada vez mais. Saber pensar Cumpre questionar a racionalidade cognitiva experimental. pois não se reduz a uma substância materializada cambiável. não se reduz a quantidades seqüenciais abstratas ou a produtos mensuráveis49. monopolizada. Para o capital. 2001. é crucial restringir conhecimento a uma mercadoria privatizável. Ela designa uma variedade de habilidades heterogêneas. o capitalismo opera um milagre que vira logo uma miragem. “qualificado também de ‘capital humano’. TÉC. não mensurável. e. sem medida comum. Trabalho material. 2000. apercebida esta como tentativa de emancipar o capital do planeta e de seus habitantes. Mas isso é um lado da questão. SENAC. Gorz lembra que o próprio Marx já notara que o conhecimento se tornaria “die grösste Produktivkraft” (a maior força produtiva)47. senso estético. porque há muitos que apenas confirmam o caráter predatório do capitalismo de mercado. já que. da pesquisa técnico-científica à invenção de normas estéticas. a incerteza invade o valor de troca. são os dos hackers bem intencionados. entre elas a de que o trabalho abstrato simples tido como fonte do valor é substituído por trabalho complexo. Esta inteligência geral. diferente do conhecimento padronizável e objetivado. parece-me. . 2002)43. De fato. por fim. nível de formação e informação. isso ocorre com freqüência cada vez maior: enquanto o capital fixo material é 12 B. julgamento. não se presta à apropriação privada. pois não se reduz a uma substância materializada cambiável. capacidade de aprender e de se adaptar a novas situações imprevistas. Este é o problema do capital agora: apropriar-se de. O milagre está na abundância à vista.

ou seja. invadindo sua vida privada sem peias. se opõem ponto por ponto àquelas do capital em sentido econômico. Alienação do Daí a pergunta que Gorz quer apresentar: estaríamos rumo a um comunismo do saber? O que seria. avolumando como nunca B. 13 . ao contrário. riqueza? Não sendo saber mercadoria qualquer. não é mais aquele econômico. enquanto a privatização o depreda. O ser humano perde sua essência ao encontrar-se alienado. do trabalho como mercadoria e das trocas comerciais (Gorz. 2005)51. e não tem como destinação primária a de servir à produção de sobrevalor. no sentido usual. em suma. finalmente. Torna-se mais rico enquanto se partilha. 2006. da linguagem. precisa usar recurso farto – a inteligência humana –. não mais na rota da mercantilização de tudo e que a tudo degrada. de inteligência. o valor monetário não se fixa e prende. simbólico. no sentido usual. como ocorre na relação mercantilizada laboral. Entretanto. humano. 1. transformando tudo em mercadoria. Emerge outra noção de riqueza. 3. Qualquer trabalho é melhor que trabalho nenhum. Essa nova forma de capital não é originalmente acumulada para servir de meio de produção. combinando tudo com o caráter imaterial desse processo produtivo. ao trabalho. nem mesmo de valor. aceitando qualquer condição de trabalho. marca o trabalho sua intensa ambigüidade. Ela não resulta do sobrevalor tirado da exploração do trabalho. é difícil saber se é o caso aplaudir ou condenar. TÉC. a paixão de conhecer. porque não é produzido ou adquirido como propriedade privada. de conhecimento ou cognitivo. Ele não é capital.desvalorizado ou ignorado. Por ser imaterial. TRABALHO REALIZAÇÃO E REALIZAÇÃO COMO AUTO- Quando Marx falava de alienação. o capital imaterial é estimado sem base mensurável. A manipulação da linguagem tornase estratégia frontal. entretanto. Quando escutamos empregados recentes. natural. até o vilipêndio mais deletério. mas para satisfazer a necessidade. terem conseguido um lugar. transformando essa fartura em escassez. ela é riqueza e fonte de riqueza mesmo quando dela não nasce nada que possa ser vendido. Esta expressão é exagerada. no sentido de atiçar seus desejos e vontades. quanto para criar símbolos irresistíveis. para penetrar a verdade do que está além das aparências e das utilizações. na qual categorias centrais da economia política perderiam seu valor e a força produtiva mais importante ficaria disponível sob custo zero. no interior do capitalismo. entendido como essência humana. O ser humano perde sua essência ao encontrarse alienado. N. 2005)50. financeiras e materiais do capital. referiase. A resposta predatória do capitalismo vigente é tentar monopolizar o conhecimento. de educação. bem concretamente. A intimidade é devassada e vendida a público na mídia. aumenta a fecundidade. V. mas. também de salário mínimo. ao contrário: é ao se difundir como bem acessível a todos que ela engendra conhecimentos suplementares. social. SENAC. para afirmar-se como capitalismo do saber. como sua denominação poderia fazer acreditar. tanto para produzir esferas de consumo. A autêntica economia do saber evoluiria para a economia comunitária. Um dos horizontes mais ambíguos vemos hoje no anseio desesperado de desempregados que querem entrar no mercado a qualquer custo. jan. trabalho coincidia com alienação da essência humana. Ela não pode aumentar ao circular sob a forma valor. O capitalismo. aí. Com isso alastra-se o trabalho precário. Gorz cita a inflação do conceito de capital: cultural. mas quase sempre a custos proibitivos. que vai desde a maior dignidade e a própria construção da dignidade. esse processo produtivo permite que se produza o consumidor. É tarefa difícil para o capital apropriar-se da imaginação coletiva. quando ele é alterado por sua associação com as formas tradicionais. estranhamento. pode multiplicar-se sem fim e sem custos. Uma vez digitalizado. manifestando visível satisfação por.. de experiência. O ‘capital conhecimento’ não pode funcionar como capital senão no quadro. um horizonte totalmente divorciado da idéia da OIT de “emprego decente” (UNDP. Alienação do trabalho coincidia com alienação da essência humana. porque vaza por todas as partes. Ele não significa o advento de um hipercapitalismo ou de pancapitalismo. 32. Esse tipo de capital. RIO DE JANEIRO. da semântica social. contém os germes de uma negação e de uma superação do capitalismo. mas como confluência da afluência comum./abr. ou melhor. mas ele assim pensava. Suas propriedades. A propagação não o gasta.

trabalho pode ter valor produtivo. no outro lado da medalha. superficial. já obsessivo. pois. coisa em geral fútil. TÉC. Apesar de sua tremenda ambigüidade. num primeiro momento. 1. o sistema educacional é subserviente a esta idéia: por mais que jure dedicar-se à formação humana (Demo. não só para esquecer outros problemas da vida (ocupar a cabeça). mas principalmente como componente de um projeto auto-realizador de vida. O comunismo não é uma sociedade em que não se trabalha. aos poucos. 2004a)53. iv) construir personalidade suficientemente disciplinada. Como vimos. pessoas que sabem trabalhar aquilo que lhes proporciona profundo prazer possuem chances muito mais elevadas de auto-realização. possui enorme potencialidade. 2003)52. mas que pode. RIO DE JANEIRO. ainda que isso não possa acobertar o apego obsessivo ao trabalho (workalcoholic). assomar a expectativa de que trabalho seria algo a ser evitado. v) focar atividades de reconhecimento social./abr. evitando depender dos outros. seja lá o que for. Trabalho pode ter enorme valor pessoal. entende-se esse horizonte como “hobby”. elaborando a ojeriza do trabalho. como aparece na expressão vulgar da “pessoa trabalhadora”. N. Não há nada mais triste do que todo dia ir trabalhar o que se detesta. expresso em atividades que implicam doses intensas de energia positiva (Seligman. De pouco valem leis que se postam contra tais vilipêndios se as pessoas precisam desesperadamente trabalhar. jan. . para muitos não existe coisa mais importante na vida do que trabalhar. 2002)55. tamanha é a premência social. o que está em xeque. Coisa pobre para o pobre (Demo. para designar que não é ociosa. Entretanto. como sabem todos os pais e educadores. algo que considero totalmente estranho em Marx. um dos trabalhos mais edificantes do ser humano. mas. bem como auto-realização. o foco mais observado em nossa sociedade. É equívoco de políticas sociais excluir o trabalho produtivo de processos de ressocialização de jovens. Trabalho 14 B. porque trabalho é a energia fundamental deste processo histórico. já que é a sociedade dos “trabalhadores livres associados”. Muitas vezes. porque é instrumento crucial de formação humana. ver também o lado alvissareiro do trabalho. ter valor educativo eminente. ii) agregar aportes próprios a esforços coletivos. mas para dar sentido ao tempo. subrepticiamente. chegando a invadir espaços dos direitos mais fundamentais como trabalho infantil ou escravo. Mais do que nunca. mas perde o chão se ignorar o mercado. Ficar sem fazer nada pode ser desgraça insuportável. como a estigmatização unilateral da ociosidade. por exemplo. não confiável. Urge. acenando para modos de sobrevivência marcados pela dependência assistencialista. Trabalho pode ter valor cultural. Ou seja. perfazer o sentido da vida. como se trabalho de mentirinha fosse preferível. fazem mal os educadores que resistem a tomar em conta a importância do trabalho produtivo na vida das pessoas. V. Educação não tem como orientação maior o mercado. então. se soubermos entender a construção histórica da cultura comum como trabalho coletivo. aí trabalhar faz bem. desde cultivar a terra até fazer poesia ou discutir política em praça pública. É comum essa noção em certa esquerda que busca interpretar o “homem novo” como alguém liberto do trabalho. Obviamente. não apenas para passar o tempo. Trabalho pode ter também valor terapêutico. mas da produção da existência como empreitada comum. De certo modo. Em geral. facilmente fixamos o olhar nisso e vamos. fazendo parte da noção e da prática da felicidade pessoal. essa expectativa decai para moralismos fúteis.. tomando trabalho como “qualquer coisa” só para não ficar desocupado. Parece. atingindo já dois terços da população economicamente ativa no Brasil. 2004)54. Neste caso. Para Marx. Este sarcasmo penetra o tecido social inteiro. É assunto decisivo para aposentados que precisam ocupar-se. não existe realização humana. como regra. iii) saber ocuparse produtivamente. dada a vícios e a malefícios. A libertação preconizada por Marx é a libertação do trabalho espoliado no modo de produção capitalista. como requer trabalho bem feito. Não se trata apenas de trabalho produtivo. porque é caminho possível de construção da autonomia. SENAC. Mesmo assim. afora isso. sistemática.o assim chamado setor informal. Preocupados com o abuso do trabalho. 32. é um lugar eminente no mercado (Ioschpe. 2006. em determinadas circunstâncias. Muitas faces podem ser valorizadas: i) auto-sustentarse. trabalho legalizado é coisa minoritária. sem trabalho. sem produzir alienações apressadas. no qual se reconhece a criatividade própria. Aqui a importância do trabalho manifestase na sua revelia. trabalho pode. estudar é trabalhar. facilmente encontrada em ambientes assistencialistas.

renovando as formas primitivas de violência na acumulação. em especial do trabalho imaterial. Os empregos escasseiam. Força bruta é bem menos importante do que habilidades mentais. perfazendo a reserva necessária para rebaixar salários. a ferro e fogo. V. 15 . Unese a auto-realização com a realização comum. naturalmente. advindo de um equipamento comum que todo ser humano possui (cérebro e sentidos). maquiado. por vezes. no sentido de ser contribuição própria para projetos ligados ao bem comum. O A classe trabalhadora se expande. na empresa liofilizada. qualificado. A resposta conhecida é assistência. aumentando também os modos de controle e de subordinação dos sujeitos do trabalho. Mendigar por trabalho. Quem inventar um trabalhador crítico. para o trabalho imaterial. construir sua autonomia relativa. de recuperar o liberalismo americano de empurrar. jan. 2005)58. reprime a qualidade política. SENAC. TÉC. a base material corporal. o trabalho morto. O trabalho mais profundo do ser humano é B. os pobres para o mercado.) porque a gestão do ‘conhecimento e da competência’ está inteiramente conformada pelo receituário e pela pragmática presente na ‘empresa enxuta’. O trabalho imaterial supõe.pode ter valor coletivo. há uma qualitativa alteração e ampliação das formas e mecanismos de extração do trabalho” 59 . Nisto Marx mantém sua razão: poucas coisas aviltam mais o ser humano do que roubar-lhe o trabalho. Não se trata trabalho mais profundo do ser humano é a habilidade de fazer-se sujeito de história própria. que. N. disruptiva para lucro próprio e também porque teme o questionamento (Collins/ Pinch. (. corporal. porque sua lógica competitiva globalizada se posta avessa completamente. sobretudo inovar-se. ao apropriar-se da dimensão cognitiva do trabalho. Um dos traços mais marcantes dessa mudança está na passagem do trabalho braçal. uma vez que se utilizam de mecanismos ainda ‘mais coativos. poderia ser assumido como patrimônio comum. “Ao contrário. embalado hoje pelas novas tecnologias representadas pelo computador e a nova mídia. O combate à pobreza torna-se farsante quando esquece a dimensão do trabalho. 2004)61. Cabe nas sobras orçamentárias.. a mais-valia relativa significaria enorme mudança na produtividade que ele sequer conseguia antever. 2003)57. Também ambígua (nem sempre quem sabe pensar aprecia que outros também saibam). os capitais ampliam as formas e os mecanismos da geração do valor. deve reduzir ainda mais o trabalho vivo e ampliar sua dimensão tecnocientífica. Mas o horizonte do trabalho imaterial é muito mais incomensurável. Gandelman. do fim ou da redução de relevância da teoria do valor-trabalho. É preciso estar atento às metamorfoses do trabalho (Castel. mirabolantes. para ser competitiva. o acalma e o sistema gasta pouco. aquela de teor semântico interpretativo. porque não há pensamento sem massa cinzenta. De todos os modos. O que está em jogo é a inovação criativa permanente. ao mesmo tempo. uma vez que – paradoxalmente –. Pleno emprego é balela. Como previu Marx. Por isso parte o saber pensar em duas metades esquizofrênicas: fica com a qualidade formal. sinalizam outros questionamentos importantes. um proletariado cibernético (Huws. Inovar. tipicamente igualitária. 1. embora reestruturada. 2003. 2006. há que alargar os horizontes positivos do trabalho. ao apoderar-se de sua dimensão intelectual. Trata-se de alcançar que as pessoas consigam auto-sustentar-se como proposta mais digna de vida. RIO DE JANEIRO. O neoliberalismo perdeu toda condição de dar conta da inserção maciça da população ativa no mercado. Mas é desta balela que imensas populações correm atrás. Ocorre degradação do trabalho também na “gestão do conhecimento”. arquitetar mundos alternativos. autopoiético./abr. E. 1998)56. porque. 32. cujo resultado não é outro senão o aumento da informalidade. Ao mesmo tempo.. Se daí poderia surgir uma sociedade alternativa. até porque esta pressão supõe o que não existe: emprego decente à vontade. em especial a habilidade de saber pensar. é a sorte que resta a muitos. Trabalhar mal vai se tornando a tônica. Inserir no mercado parece conto da carochinha. ao propor coisa pobre para o pobre. O mercado capitalista tenta aprisionar esta energia indomável. é promessa a ser verificada. o saber pensar. mas não autocrítico. as empresas necessitam cada vez mais da cooperação ou ‘envolvimento’ subjetivo e social do trabalhador' (Antunes. fora da lógica abstrata da mercadoria. da precarização do trabalho e do desemprego estrutural em escala global. onde se desenha já um “cibertariado”. em especial para a multidão desqualificada. O exército de reserva está hoje mais avolumado. qualquer trabalho. aponta para a capacidade humana de construção da autonomia relativa e inovação incessante. da terceirização. portanto. burilado. Embora as idéias de Gorz (2005)60 pareçam. é condição crucial de realização e de auto-realização. em especial por conta do trabalho virtual. ou seja. Mudam fortemente as condições de trabalho. também à sua inserção no mundo virtual.

2001..S.W. cit.. 11Id. cit. 2000.a habilidade de fazer-se sujeito de história própria. O trabalho de Dionísio: para a crítica ao Estado pósmoderno. Trabalho. New York : Simon & Schuster. 2005. Paredes. E. 23 MATURANA 7Id. ibid. Magro e V.com. 2004. br – Demo. E. 18NEGRI. E. 41Id. Criativa ao extremo em sua biodiversidade. BALIBAR. México : Siglo XXI. Poverty knowledge: social science. RESCHER. Cognição. VARELA G. São Paulo : Cortez. 27Id. 1987.. E. Baltimore: The John Hopkins University Press. 1996. p.. 16. 10. L. 1. valor e I. 13 ss.. Paulo : Atlas. 11.com. 12. (2005) op. ALTHUSSER. 9O’CONNOR. 16ALTHUSSER.cultvox. arquitetar mundos alternativos. Editora Companhia. 1997. Educação e trabalho: uma tentativa de ver o trabalho com bons olhos. H. Ética protestante e o espírito do capitalismo. São Paulo : Boitempo. MASKOVSKY. Por isso. M.. H. 2005a. São Paulo: Boitempo Editorial. usando expressão de Prigogine (1996)62. New York : New York University Press. 31NEGRI. J. 33SHATTUCK. 2004. R. 10. de política social participativa. Médicas. O colapso da modernização: da derrocada do socialismo de caserna à crise da economia mundial. cit. ibid. 3NEGRI. trabalha em silêncio. 2001. DAVIES. Não trabalhar também é trabalho. 42Id.F./abr. Petrópolis. M. 1997. M. ciência e vida cotidiana. 2GORZ. 1. ibid. Para leer el capital. SCHILLER. 2003. Unesp. J. ibid. Ser professor é cuidar que o aluno aprenda. R. Rio de Janeiro : Zahar. 26DEMO. A. P. 10NEGRI. 34DEMO. ibid. Complexidade e aprendizagem: a dinâmica não linear do conhecimento. São Paulo : Atlas. N. The new poverty studies: the ethnography of power. Metodologia científica em ciências sociais.. da natureza. 24. 2002. ROSCH. trabalha. BOEHM. (2004) op. 29WAAL. desprezando todas as outras dimensões infinitas das expressões de desenvolvimento.. 2001. Forbidden knowledge: from Prometheus to pornography. P. RJ : Vozes. Reidl Publisher Co. a não ser quando cessamos de vez. de C. 2005. V. trabalhar pode ser prazer. L. 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(2004) op. 2004. La revolución teórica de Marx. cit.. cit. 1999. O que é vida? O aspecto físico da célula viva. trabalha como condição de existência. O corpo não é massa inerte que. 21LEWIS. é a dialética da natureza. M. A . 2005. Participação é conquista: noções P.. disruptivo pode ser visualizada na evolução em geral silenciosa. (2004) op.. 17DEMO. v. criativo. A. The new new thing: a silicon valley story. P. cit. Os sentidos do trabalho: ensaio sobre a afirmação e a negação do trabalho.

A.cit. 19. 16. (1953) op. Unesp. T.. 44HAYLES. Antropologia do Ciborgue: as vertigens do pós-humano. detendo também a propriedade do saber pensar de cariz semântico.P. Laymert G. Politizar as novas tecnologias: o impacto sócio-técnico da informação digital e genética. jan. 2001. 61COLLINS. p. N. 51UNDP. (2005) op. 2004a. p. 52DEMO. más se trabajaría y eso. 2003. é uma 56CASTEL. 2003. 599 do Grundrisse). 1. MARX. 2004. Nunca fomos humanos. Trata-se tanto do ‘nível geral da ciência’ (der allgemeine Stand der Wissenschaft). Contrariamente a lo que se supone. ora da ‘formação artística. (1953) op.. cit. R. The knowledge factory: dismantling the corporate university and creating true higher learning. São Paulo : Ed. 58ANTUNES. caos e as leis da natureza. p. únicamente para sobrevivir. apanhado em sua estrutura sintática reprodutiva. PINCH. Poder e conhecimento na economia global: o regime internacional da propriedade intelectual: da sua formação às regras de comércio atuais. usa “conhecimento” na acepção do saber de estilo científico formalizado.. considerando que se trata de una controversia interminable. 16-17. 50GORZ. como produção de capital fixo. GANDELMAN. DEMO. ‘do ponto de vista do processo de produção imediata. New York : UN. (2005) op. seqüencial. porém subalterno em relação à atividade científica geral’ (p. K. Petrópolis.. cit. 2002. Unesp. cit. H. São Paulo : Francis. 1999. O Golem: o que você deveria saber sobre ciência. 55SELIGMAN. K. 592. del trabajo predominantemente manual (plusvalía absoluta). V. Para la gran mayoría de la población. el trabajo no es una categoría social en retroceso. Palabras clave: Trabajo. científica. 594 dos Grundrisse).. Boston : Beacon Press. Rio de Janeiro : Civilização Brasileira. cada vez menos. The Making of a cybertariat: virtual work in a real world. TÉC. que o indivíduo poderá adquirir graças ao ‘acréscimo do tempo livre’. 2005. 18. ora das ‘potencialidades gerais do cérebro humano’ (die allgemeinen Mächte des menschlichen Kopfes). Teoría política.. 593. É interessante notar a hesitação na terminologia marxiana. T. 48MARX. ora se trata do general intellect. RJ : Vozes. N. em sua potencialidade disruptiva. 47Expressão encontrada nos Grundrisse. RJ : Vozes. Trabajo: ¡sentido de la vida! Este texto discute la importancia del trabajo en la vida de las personas. 46GORZ.43SILVA. 587 dos Grundrisse). cit. New York : Free Press.K. RESUMEN Pedro Demo. GORZ. (2005) op. S.. Sociologia da educação: sociedade e suas 54IOSCHPE. São Paulo : Editora 34. (2005a)./abr. I. 2002. Por eso sigue siendo fundamental tomar en cuenta que – como decía Marx – una vida enajenada es una vida de trabajo enajenado. cit. 59Id. Concepto. knowledge) (p. 2004. Brasília : Plano. 57HUWS. Conhecimento. Chicago : University of Chicago Press. pero es parte de ella. pareciera que ya se trabaja menos. A ignorância custa um mundo: o valor da educação no desenvolvimento do Brasil. já nos manuscritos de 1857-1858. 60GORZ. esse capital fixo being man himself’ (p. 49Gorz B. p. A idéia de ‘capital humano’ se encontra. O que faz a liberação do tempo ‘para o pleno desenvolvimento do indivíduo’ pode ser considerada. p. A. mas então apenas ‘como um momento indispensável. M. na condição de conhecimento congelado. irreprodutível. As metamorfoses da questão social: uma crônica do salário. Valor. R. Id. Nesta acepção. 53. 2003. Human Development Report. T. capaz de ser armazenado em computador dentro da lógica digital. ibid. Gorz interpreta passagens surpreendentes dos Grundrisse: “‘O trabalho imediato e sua quantidade não mais aparecem como o principal determinante da produção’. G. RIO DE JANEIRO. cit. Conocimiento. pois. New York : Monthly Review. O ‘processo de produção’ não poderá mais ser confundido com um ‘processo de trabalho’. El trabajo no es el sentido de la vida. P. M..E. quanto dos ‘conhecimentos gerais da sociedade’ (das allgemeine gesellschaftliche Wissen. Trabajo inmaterial. 45ARONOWITZ. Pero eso sólo tiene validad en un cierto sentido.’. Petrópolis. literature. P. SANTOS. Belo Horizonte : Autêntica. dinâmica desconstrutiva e reconstrutiva. 1996. How We became posthuman: virtual bodies in cybernetics. (2005) op. p. and informatics. talvez o conceito mais apropriado seria o de “informação”. etc. oportunidades. 2006. O fim das certezas: tempo. A. p. 2003. São Paulo: Ed. 53Id. En el contexto de una sociedad en la cual el conocimiento es intensivo (plusvalía relativa) y que rebasa aquella otra. cristalizado. lógico. con relación al trabajo más noble. e que ‘retroage sobre a força produtiva do trabalho’. Autorrealización. 17 . U. op. . Belo Horizonte : Autêntica. Pobreza da pobreza. SENAC. antigua. A. 62PRIGOGINE. cit. 1998. (2005) op. Authentic happiness: using the new positive psychology to realize your potential for lasting fulfillment. trabajar es un fatal desiderátum y tanto es así que más tiempo hubiera. intransmissível. 2000. por lo general. 32.