CURSO DE COMISSÁRIOS DE VÔO CONHECIMENTOS GERAIS DE AERONAVES E AERODINÂMICA Este manual destina-se aos cursos teóricos de Piloto Privado

PP e Comissário de vôo. A matéria aqui contida está de acordo com as exigências da ANAC ± Agencia Nacional de Aviação Civil . Na primeira parte julgamos ser importantes tecer algum comentário histórico, e as outras partes abordamos os diversos tipos de aeronaves, partes, propulsores e manobras. Por experiência e valiosa contribuição de veteranos instrutores da NAV TREINAMENTOS, aceitamos que esta teoria, embora resumida, se aplica perfeitamente à prática. Silva Filho. RESUMO HISTÓRICO Leonardo, nascido em 1452 na cidade de Vinci, perto de Florença, estudou inicialmente as asas dos pássaros em 1486 e, 10 anos depois os primeiros ORNIPÓPTEROS, aparelhos de asas batentes movidas por energia humana.Definiu também o primeiro pára-quedas, demonstrando ter resolvido o problema do cálculo da superfície de sustentação e conhecer muitas regras fundamentais de física e de aerodinâmica. Como inventor, escreveu inúmeras obras e centenas de desenhos, projetou incontáveis máquinas. Morreu em 1519, e somente três séculos depois foram recuperados os documentos que revelaram para as gerações futuras, sua genialidade. OS IRMÃOS WRIGHT O Flyer I foi a primeira aeronave dos irmãos Wright, mais pesada que o ar, que voou a motor, a partir de um plano inclinado. No dia 17 de dezembro de 1903, às 10:35 horas, esse aparelho de madeira e de tela, dotado de um motor de quatro cilindro, manteve-se em vôo e durante 12 segundos, percorrendo uns 40 metros, na praia de Kill Devil Hill, na Carolina do Norte. No comando, encontrava-se Orvile Wright, seu inventor e construtor, com seu irmão Wilbur. SANTOS-DUMONT No dia 23 de outubro de 1906, em Bagatelle, perto de Paris, o brasileiro Alberto Santos-Dumont, no avião 14-BIS, de sua invenção e construção, realizou um vôo de 60 metros, tendo decolado diretamente do solo, utilizando exclusivamente os recursos do próprio aparelho (sem necessidade de plano inclinado). A prova se realizou perante milhares de pessoas e sob controle do Aeroclube de França. A 12 de novembro do mesmo ano, no mesmo local, e também utilizando somente os meios do próprio aparelho, SantosDumont voou 220 metros em 21 segundos, tornando-se o primeiro homem a alçar vôo por seus próprios meios.

CONHECIMENTOS GERAIS DE AERONAVES

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AVE: É t l l t t i t i i t t t 100 12. As aeronaves são classificadas em dois grupos: Aeróstato e aeródinos. AE l t TAT : i E T l j t l ti i l l ii í i l t

IMPORTANTE NA HIST RIA E EVOLUÇÃO DOS BALÕÊS t i l l ¶ i l i l it i i it l l i i li t t t í t í i t i l t í i t t t it i l Z í i í i t t t t i l t C t ii í i l l t li i t t l l l l l t i l l t l t t í l it i i i º î R t l i l ti i t t t t í i i t l ³ i i j t t li l t J ti i i l i : i il t t Éti lt M t ´ li ; i l t i

A montigolfieira t t R i M i t i charleira l t J C i t l

BALÃO CATIVO: É i j l í i t t BALÃO LIVRE: t i l t DIRIGÍVEIS: É l l i i i ili DIRIGÍVEIS RÍGIDOS: i t

DIRIGÍVEIS SEMI-RÍGIDOS: i NOTA HIST RICA: l C l i i t t i í i

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era dotado de quatro motores Mercedes Daimler de 85 hp. não dispondo de meios para se deslocar horizontalmente e sua capacidade ascensional depende do peso do volume do ar deslocado em relação ao peso total do balão. além de alojar tripulantes. pilotado pelo próprio conde. CONHECIMENTOS GERAIS DE AERONAVES 3 . membros estruturais da fuselagem. o protótipo. o motor (monomotor). AVIÃO: uma aeronave mais pesada que o ar. passageiros e cargas. As estruturas tubulares são formadas por tubos de aço especiais soldados. fuselagem. Suas partes principais são (asa. é também empregado como arma de guerra. até o ano de 1936. PAPAGAIO OU PIPA: Têm sua sustentação obtida pela ação do vento sobre superfícies inclinadas. O eppelin I tinha 128m de comprimento. As fuselagens se classificam em tubulares. monocoque e semimonocoque. propulsionada por um ou mais motores. realizou o primeiro vôo. L -I. Os gigantes do ar do industrial prussiano tiveram largo emprego durante a Primeira Guerra Mundial. tanques e controles. destinada ao transporte de pessoas ou cargas. trem-de-pouso. com cinco passageiros a bordo. podendo se elevar no BALÃO: espaço. e. Nas estruturas monocoques os esforços são suportados pelas cavernas e pelo revestimento.CURSO DE COMISSÁRIOS DE VÔO dia dois de julho desse ano. depois dela para uso civil. O avião e o papagaio de papel são aeródinos. PRINCIPAIS COMPONENTES ESTRUTURAIS FUSELAGEM nesta parte do avião que são fixadas as asas. Nas estruturas semi-monocoques existem cavernas e longarinas. grupo motopropulsor e a cabina ou nacele) um invólucro contendo gás mais leve que o ar. estabilizadores. AERÓDINO: Aparelho mais pesado que o ar que se eleva e se mantém no espaço por efeito da reação do ar denominada sustentação.

opondo-se à tendência do avião de guinar. O estabilizador verti al. fornece ao avião a estabilidade lateral ou direcional. ou somente motor. O estabilizador horizontal tem por fim opor-se à tendência do avião de oscilar.CURSO DE COMISSÁRIOS DE VÔO EMPENAGEM Definição: é a parte traseira do avião também. Consiste de motor ou motores e hélice ou hélices. profundos e leme de direção. também conhecido como deriva. estabilizador vertical. Empenagem tipoV¨: GRUPO MOTO PROPULSOR Serve para produzir a tração necessária para se vencer a resistência do ar. Empenagem tipo ¨T¨: 3. Função: Os estabilizadores são superfícies que têm por função aumentar a estabilidade do avião quando em vôo. Compõe-se de estabilizador horizontal. com seus respectivos compensadores. Empenagem tipo padrão: 2. ou seja. quando for convencional ou turbo-hélice. quando for turbo-jato. chamada de cauda. movimenta o nariz do avião para a direita ou para a esquerda (guinada). O profundor proporciona estabilidade da aeronave em torno do seu eixo lateral e o leme de direção tem por objetivo romper a estabilidade direcional. Tipos de Empenagens: 1. Empenagem tipo extra: 4. CONHECIMENTOS GERAIS DE AERONAVES 4 .

6. 2. COMANDO DE VÁLVULAS ± um eixo ou prato de ressaltos que comandam a abertura ou fechamento das válvulas. CONHECIMENTOS GERAIS DE AERONAVES 5 . CILINDRO ± Parte principal do motor em que se desloca o êmbolo (pistão). VÁLVULAS ± São peças móveis destinadas a vedar ou dar passagem aos gases. aquela que permite a entrada da mistura no aquela que permite a saída dos gases 5. VÁLVULA DE ESCAPAMENTO ± queimados para fora do cilindro. lubrificação e raspagem.CURSO DE COMISSÁRIOS DE VÔO COMPONENTES BÁSICOS DE UM MOTOR CONVENCIONAL 1. 3. VÁLVULA DE ADMISSÃO ± cilindro. CÁRTER ± Invólucro metálico que encerra o mecanismo do motor e no qual se prendem os cilindros. BIELAS ± São peças do motor que ligam o êmbolo (pistão) ao eixo-manivela. receber a força de expansão dos gases queimados para impulsionar o eixomanivela através da biela. Sua função é aspirar e comprimir a mistura e. destinado a receber a mistura e onde se efetua a transformação da energia térmica em mecânica. 8. ainda. PISTÃO OU ÊMBOLO ± uma peça que se desloca dentro do cilindro em movimento retilíneo alternativo. 4. AN IS DE SEGMENTO ± um conjunto de molas de anéis alojados nas ranhuras dos êmbolos. 9. 7. Existem 3 (três) tipos: vedação. Sua função é transformar o movimento alternado dos pistões em movimento rotativo por intermédio do eixo-manivela.

Sua função é transformar o movimento retilíneo alternado dos pistões em movimento rotativo contínuo. ou tubular mais de uma câmara. 2. 13. A dosagem é aproximadamente 1/16. as fases se passam todas dentro de um recipiente (cilindro) e.Duto pelo qual a massa de ar penetra no interior do motor. por isso.Tem a propriedade de comprimir uma massa de ar por meio de seu movimento de rotação. Pode ser anular .CURSO DE COMISSÁRIOS DE VÔO 10. são intermitentes.Na propulsão a jato a velocidade dos gases é muito superior à do avião. COMPRESSOR . IGNIÇÃO ± O sistema de ignição serve para inflamar a mistura dentro dos cilindros por meio de uma centelha (vela de ignição) no tempo exato. São três os tipos: pressão. DUTO DE ADMISSÃO . EIXO-MANIVELA ± o eixo do motor dotado de dois ou mais moentes e um ou mais munhões em que se articulam as bielas. Um compressor rotativo de um motor turbo-jato pode ser de dois tipos: Centrífugo ou axial. CONHECIMENTOS GERAIS DE AERONAVES 6 . SISTEMA DE LUBRIFICAÇÃO ± Tem a finalidade de evitar o atrito entre as partes do motor. CÂMARA DE COMBUSTÃO da mistura combustível/ar. 12. MOTORES A REAÇÃO . 11. ou seja. O funcionamento do motor a reação está fundamentado pela terceira lei de Newton A toda ação corresponde uma igual reação igual de sentido contrário . enquanto que no motor convencional. acionando a hélice e outros acessórios. PARTES DE UM MOTOR A REAÇÃO 1. 01 parte de gasolina para 16 partes de ar. A seqüência de fases do motor a reação é contínua e ocorre em diversas partes do mesmo. CARBURADOR ± Serve para dosar a quantidade exata de gasolina/ar e fornecer o necessário para qualquer regime de funcionamento do motor. salpique e misto.de uma só câmara. a parte do motor onde se processa a combustão 3.

onde uma parte de sua energia. geralmente em forma de concha e tem um efeito de frenagem. os gases são encaminhados ao bocal propulsor para que sua velocidade aumente para produzir uma grande força de ação e. geradores.CURSO DE COMISSÁRIOS DE VÔO 4. onde cerca de ¼ de todo o ar fornecido é usado para alimentar a chama do queimador e ¾ é usado para realizar a expansão. lanchas. motocicletas. aviões. AÇÃO DOS REVERSORES DE TRAÇÃO . FUNCIONAMENTO DE UM MOTOR A REAÇÃO A admissão de ar para o compressor ocorre de duas maneiras: sucção do compressor e impacto devido à velocidade do deslocamento do avião. uma força de reação que deslocará o avião. Possui uma série de pás e tem a função de transformar energia cinética em energia mecânica. funciona.Somente um motor. CONHECIMENTOS GERAIS DE AERONAVES 7 . não sendo. à base de gasolina. geralmente. com o objetivo maior de parar o avião após o pouso ou na necessidade de uma decolagem abortiva. em conseqüência.Conduto por onde escapam os gases expedidos pelo motor. O compressor comprime o ar que é enviado para a câmara de combustão.Parte componente do rotor do motor. é transformada em energia mecânica para acionar o compressor e outros dispositivos (hélices. etc). Trimotor ± Três motores. Bimotor ± Dois motores.Estes dispositivos encontram-se na parte posterior da turbina. 5. pois. Depois da turbina. rotores. TURBO DE DESCARGA . Classifi ação quanto ao Número de Motores Monomotor . TURBINA . MOTORES CONVENCIONAIS (EXPLOSÃO) ± Utilizam a força de expansão dos gases pela queima de uma mistura de gás e ar. A mistura de ar e gases queimados que saem da câmara em alta velocidade passam na turbina. Os motores de explosão são utilizados em automóveis. entre outros. O combustível utilizado é o querosene de aviação (QAV). queimado. cerca de ¾.

tanto no solo quanto em vôo.CURSO DE COMISSÁRIOS DE VÔO Quadrimotor ± quatro motores são denominadas 6 Aeronaves com maior número de motores são denominadas 6 motores. mas ainda aparecem junto à silhueta do avião. quadrireator. quanto ao tipo de trem-de-pouso Classifi ação Trem fixo: Os trens permanecem na mesma posição. Trem escamoteável: São aqueles que são recolhidos a um compartimento dotado de portas (carenagem) que completam o perfil da aeronave. TREM-DE-POUSO o dispositivo que objetiva suportar o peso do avião quando no solo e proporcionar condições necessárias à rolagem (táxi). Classificação quanto às posições das rodas Convencional: Quando tem roda na cauda (bequilha). Trem-de-pouso triciclo: Se a roda é no nariz (triquilha). decolagem. As rodas ficam semi-recolhidas. não oferecendo resistência ao avanço. amortecer os choques provenientes dessas operações. CONHECIMENTOS GERAIS DE AERONAVES 8 . aterragens (aterrissagens) e. 7 motores Com relação aos jatos. Retrátil ou Semi-escamoteável: este tipo é recolhido em vôo. ainda. procede-se da mesma forma. Bimotor a jato Quadrimotor a jato ou ainda bireator.

ou seja. tanque de combustível. máquinas fotográficas. metralhadoras. Hidroavião ± Superfície líqüida. etc. Pode servir também como alojamento de trem-de-pouso. triciclo litoplano hidroavião Anfíbio ASA Superfície plana. Anfíbias ± Ambas. CONHECIMENTOS GERAIS DE AERONAVES 9 . horizontal.CURSO DE COMISSÁRIOS DE VÔO Convencional Classificação quanto às superfícies utilizadas para o pouso: Litoplano ± Superfície sólida ± Terrestre. berço de motores. cuja principal finalidade é manter o avião no ar. produzir sustentação. As asas geram força de sustentação através de reações aerodinâmicas.

Linha imaginária que une o bordo de ataque ao bordo de fuga do aerofólio.Parte inferior ou ventre.Elemento estrutural que suporta os esforços de tração que atuam nas asas. intradorso. A estrutura da asa se compõe de : Longarina .Elemento estrutural preparado para suportar esforços de compressão que atuam nas asas. e CONHECIMENTOS GERAIS DE AERONAVES 10 . Quanto maior curvatura apresentar a linha. ou seja. Montante . Semi-cantilever . Classificação quanto ao tipo de fixação das asas na fuselagem: Cantilever . esta a linha que dá a idéia do grau de sustentação da asa.Parte superior ou dorso.CURSO DE COMISSÁRIOS DE VÔO Componentes da asa: bordo de ataque. um cabo de aço entre as nervuras. Tirante ou Corda de Piano . por onde o ar escoa. maior sustentação ocorrerá. extradorso. Extradorso . Intradorso .As longarinas são membros estruturais.Quando as asas estão ligadas à fuselagem por montantes. Partes imaginárias: LINHA DE CURVATURA M DIA DA ASA Linha eqüidistante ao extradorso e ao intradorso em todos os pontos.Parte traseira. sua finalidade é suportar os esforços de flexão causados pela reação aerodinâmica. Estendem-se da ponta até a raiz da asa e pode ser confeccionada em madeira especial. aço inoxidável ou liga de alumínio. suportes e estais externos. CORDA . ponta da asa e raiz da asa. Bordo de fuga .Parte dianteira que investe contra o ar.Quando a fixação das asas é feita sem suporte e sem estais externos. Bordo de ataque . o plano está diretamente ligado à fuselagem. bordo de fuga.

Perfil Assimétrico: Não pode ser dividido em duas partes iguais. a sustentação e a resistência ao avanço. O produto da envergadura pela corda chamamos de área da asa.transmitir os esforços para as longarinas. de uma ponta à outra. Na asa corresponde ao ângulo ótimo. transportado para a base da referida linha. Partes de uma asa: Envergadura ± a distância. Enflechamento ± Ângulo formado pela linha do bordo de ataque do aerofólio e o eixo lateral. . Ângulo de incidência ± o ângulo formado pela corda do aerofólio e o eixo longitudinal do avião. Proporciona a utilização de áreas mais restritas para o pouso e decolagem. em linha reta. CONHECIMENTOS GERAIS DE AERONAVES 11 .absorver os esforços de compressão entre as longarinas.dar forma aerodinâmica à asa. Flapes ± Superfície móvel auxiliar que integra o bordo de fuga das asas.CURSO DE COMISSÁRIOS DE VÔO Nervura . aumentando. Há vários tipos de perfil. Sua finalidade é auxiliar na estabilidade de rota do avião. próximo à fuselagem. assim. Aqui abordaremos apenas dois: Perfil Simétrico: Pode ser dividido em duas partes iguais.Elemento estrutural que tem as seguintes funções: . . e esta é representada pela letra ¨S Perfil o corte transversal de um aerofólio. Sua função é aumentar a curvatura do perfil da asa.

Intradorso ± a superfície inferior do perfil. Asa Alta: aquela que fica na parte superior da fuselagem. separada por montantes. Classificação quanto ao número de asas (planos). Linha de Curvatura Média ou Linha Média ± a linha eqüidistante do intradorso ao extradorso. Extradorso ± a superfície superior do perfil.CURSO DE COMISSÁRIOS DE VÔO Os principais elementos que compõem o perfil são: Bordo de Ataque ± a extremidade dianteira do perfil. Bordo de Fuga ± a extremidade traseira do perfil. Asa Média: Fica situada na parte média da fuselagem. Asa Baixa: Localizada na parte inferior da fuselagem Para sol Asa alta CONHECIMENTOS GERAIS DE AERONAVES 12 . Monoplano ± Somente uma asa Biplano ± Duas asas Triplano ±Três asas Classificação quanto à posição das asas com relação à fuselagem Pára-sol: Fica acima da fuselagem. Corda ± Linha que liga o bordo de ataque ao bordo de fuga.

Os movimentos de rotação do volante. tal qual o manche. ou seja. com o seu movimento lateral. Essa manobra modifica a sustentação da aeronave fazendo com que ela mova-se em torno de seu eixo longitudinal (rolamento).Essa superfície é fixada no estabilizador vertical e permite viragens através do eixo vertical.Volante inteiro ou seccionado que é utilizado na maioria dos aviões. substituem os movimentos laterais do manche. profundor ou leme de profundidade e o leme de direção. LEME DE DIREÇÃO . VOLANTE DE COMANDO . Ao puxar o manche o nariz do avião sobe (cabrar). Consistem em ailerons. com o seu movimento longitudinal. AILERON . COMANDO DAS SUPERFÍCIES PRIMÁRIAS: MANCHE . O leme é acionado pelos pedais e resulta na mudança de direção do nariz do avião.Duas superfícies móveis colocadas no bordo de fuga das asas e são acionados de modo que trabalhem alternadamente. Esses comandos de subida e descida são chamados de arfagem. 1. que comanda os profundores.uma alavanca de comando. ou seja. quando um baixa o outro levanta. Os aileron são comandados pelo manche (direita ou esquerda). Asa baixa CONHECIMENTOS GERAIS DE AERONAVES 13 . Os movimentos longitudinais comandam os profundores. para a direita ou para a esquerda.CURSO DE COMISSÁRIOS DE VÔO Asa média Asa média SUPERFÍCIES DE CONTROLE CLASSIFICAÇÃO DAS SUPERFÍCIES DE CONTROLE: SUPERFÍCIES PRIMÁRIAS DE CONTROLE Definição: são superfícies articuláveis para execução das diversas manobras. a superfície de comando fixada no estabilizador horizontal 3. PROFUNDOR acionada pelo manche (frente ou atrás). Estruturalmente os profundores assemelham-se às asas. localizada à frente do piloto. e os ailerons. ao empurrar o manche o nariz do avião desce (picar). acionam os ailerons. 2. Proporciona movimento da aeronave em torno de seu eixo transversal (sobe ou desce o nariz do avião). pois em sua constituição possuem longarinas e nervuras.

CURSO DE COMISSÁRIOS DE VÔO PEDAL . que movimenta o leme de direção. Fixos . 2. sem ação direta do piloto. Podem ser de três tipos: 1. Spoilers (lift dumper. Slots ± Instalado também no bordo de ataque (trata-se de uma fenda fixa). Comandáveis . Slats ± Instalado no bordo de ataque da asa (comandável). O freio opera do lado correspondente.Ajustados tão somente no solo. São conhecidas como compensadores .: minimizam os esforços de pilotagem e corrige pequena tendência. localizado na cabine.Ajustados pelo piloto em vôo. Flapes ± instalados no bordo de fuga da asa. air break e speed break): Freios aerodinâmicos.um dispositivo de comando.Movem-se automaticamente com a superfície de controle. quando acionado longitudinalmente. 3. Obs. quando acionado no sentido de rotação com a ponta dos pés. CONHECIMENTOS GERAIS DE AERONAVES 14 . Automáticos . Hipersustentadores: aumentam a sustentação. Tipos: Compensadores: Minimizar os esforços de pilotagem e corrigir pequenas tendências aerodinâmicas no vôo. SUPERFÍCIES SECUNDÁRIAS DE CONTROLE Definição: superfícies móveis ligadas e encaixadas dentro do bordo de fuga das superfícies primárias de controle.

que um corpo imerso na água se torna mais leve devido a uma força.. Aplicação Do Princípio De Bernoullè Um físico francês. As forças envolvidas e os efeitos resultantes são idênticos. e a força de empuxo ( ) .Inventor e matemático grego. enquanto tomava banho. exercida pelo líquido sobre o corpo. spray. hoje. Portanto. chamado Venturi. Arquimedes (282-212 AC). devida à sua interação com o líquido. a aerodinâmica pode também ser definida como a ciência ou o estudo das forças produzidas pelo movimento relativo entre o ar e os objetos. 15 CONHECIMENTOS GERAIS DE AERONAVES . baseou-se para construir o Tubo de Venturi.). é denominada empuxo ( ). Foi nesse conhecimento que outro físico. num corpo que se encontra imerso em um líquido. chamado Bernoullè. Essa força. ou do corpo através do ar. do líquido sobre o corpo.CURSO DE COMISSÁRIOS DE VÔO AERODINÃMICA a parte da física que estuda os movimentos na atmosfera. vertical e para cima. amplamente utilizado em uma diversidade de objetos (bomba de flit. que alivia o peso do corpo. que o sábio grego Arquimedes (282-212 AC) descobriu. Princípio de Arquimedes Contam os livros. devida à interação com o campo gravitacional terrestre. Usa-se o vocábulo relativo a fim de chamar a atenção para o fato de poder ser aquele movimento do ar passando pelo corpo. carburadores de autos e aeronaves.. agem duas forças: a força peso ( ) . provou que ao se aumentar a velocidade do fluído tem-se diminuída a pressão contra as paredes do tubo de escoamento.

i t t i i t i t i i i i i í i i i t i * * * i t l : i l (E < P). l i l l t í i (E > P) it l i t i t i i i : Todo corpo mergulhado num fluido (lí uido ou gás) sofre. por parte do fluido. AEROFÓLIO l í i t t j t i t t / t VENTO RELATIVO É lt i l li i i t t i li t li t i t l ti i t t RESISTÊNCIA AO AVANÇO É l SUPERFÍCIES AERODINÂMICAS: t it i í i t RESULTANTE AERODINÃMICA: i i i i i t R lt t i i ii i É lt t t t t RESISTÊNCIA ÚTIL: l tí i i t i t RESISTÊNCIA PARASITA: t t j t i = / ² t t t l til l i t i t t ti l i l i li t l i : it i i i i li t l i : C CM R R . uma força vertical para cima.C R C M R t t t l t i t lí i i l (E = P). cuja intensidade é igual ao peso do fluido deslocado pelo corpo.

O coeficiente de sustentação é máximo e a aeronave está na eminência do estol. ou seja. A menor velocidade possível em vôo horizontal é conseguida quando o avião voa com o ângulo de ataque crítico. criando um arrasto adicional. Isso provoca uma força dirigida para cima e para trás. SUSTENTAÇÃO . será preciso aumentar o ângulo de ataque.CURSO DE COMISSÁRIOS DE VÔO ARRASTO INDUZIDO O ar escapa do intradorso para o extradorso (onde a pressão é menor) pelas pontas das asas. ÂNGULO DE ATAQUE (a) .Ângulo formado entre a corda do aerofólio e o eixo longitudinal da aeronave. CONHECIMENTOS GERAIS DE AERONAVES 17 . o ar escoa pela asa de um avião com mais velocidade no extradorso. Ultrapassando o ângulo crítico o avião estola. que no intra-dorso. a sustentação diminui rapidamente. este escape gera um fluido de ar em forma de espiral. Se o piloto reduzir a velocidade do avião.Formado entre a corda de um aerofólio e a direção do vento relativo.Ângulo de ataque que quando superado em vôo causa rápida perda de sustentação. Pelo Princípio de Bernoullè concluiremos que a pressão no extradorso será menor que no intradorso. Essa velocidade chama-se velocidade de estol. Essa força chama-se Resultante Aerodinâmica. ÂNGULO DE ESTOL . VELOCIDADE DE ESTOL FORÇAS QUE ATUAM NO AVIÃO EM VÔO Num vôo normal. devido a sua curvatura acentuada. mantendo o vôo horizontal. È esta força que sustenta a aeronave. Essa força passa pelo Centro Aerodinâmico da aeronave (CP).a componente da resultante aerodinâmica perpendicular à direção do vento relativo. ÂNGULOS ÂNGULO DE INCIDÊNCIA .

EIXO TRANSVERSAL ou LATERAL .Ao longo da aeronave. o que chamamos de descolamento da camada limite. deste modo. que vai se opor à gravidade representada pela força peso. o ar que passa por cima percorre um maior caminho. ARRASTO . se movimenta no ar.Ao longo das asas. Na década de trinta o conceito aerodinâmico mudou a vida de toda a sociedade. TRAÇÃO . que o mantém colado às asas diminui.a componente da resultante aerodinâmica paralela à direção do vento relativo. o ar. A gravidade terrestre atrai esta imensa massa de gases da mesma forma que prende os objetos ao chão. por exemplo. os passageiros e o combustível a bordo.CURSO DE COMISSÁRIOS DE VÔO PESO . de acordo com a inclinação. onde as duas massas de ar têm de se deslocar ao mesmo tempo. as formas quadradas foram banidas e os desenhos de curvas suaves tomaram conta [tente reparar os carros e até eletrodomésticos da época]. Contudo é necessário que a asa assuma um ângulo específico. que produzindo um movimento pelo fluído (no caso do ar) cria a sustentação. ela é prejudicial. O movimento de levantar ou baixar o nariz do avião é feito em torno do eixo transversal. a massa de ar que passou por cima da asa tem que se deslocar mais rápido. e por isso deve ser minimizado o mais que possível. não mais do que dez graus. Para o componente peso importam a carga. sua forma especial faz com que o ar que passe por cima se movimente mais rápido do que o ar que passa por baixo. Este ângulo é muito pequeno. A diferença de pressão entre a parte de cima e parte de baixo da asa é que produz a força de sustentação. diz-se que o mesmo está sob o esforço de tração. Esse comando é efetuado através do movimento lateral do manche ou movimento rotacional do volante. Quando a velocidade de ar aumenta sua pressão sobre a asa diminui.Devido à curvatura da asa. Para compreender melhor estes princípios é necessário que conheçamos esta substância que nos rodeia. O movimento de levantar ou abaixar as asas em torno desse eixo chama-se: rolamento. Quando um perfil próprio para a sustentação.Isto se dá por um princípio da Física. Um avião em vôo está sendo tracionado pelo motor. OS EIXOS IMAGINÁRIOS: EIXO LONGITUDINAL .Quando uma ou mais forças atuam sobre um corpo tendendo a aumentar suas dimensões. que é o chamado ângulo de ataque. Entretanto considera-se o peso invariável em função de ser pequena a diferença da gravidade nos diversos locais. O Vôo Primeiro é preciso ter tração (de um motor convencional ou turbina).Força que depende da aceleração da gravidade local. como a asa. um ângulo de ataque muito grande faz com que o ar literalmente se descole da superfície. que pode até derrubar o avião. o arrasto é a força que se opõe à tração e é causada pela resistência do ar.Para que as mesmas massas de ar que se separaram no bordo de ataque da asa se encontrem novamente no bordo de fuga. Essa CONHECIMENTOS GERAIS DE AERONAVES 18 . se a asa inclina muito. criando assim a atmosfera. Isto porque a viscosidade do ar. bancagem ou inclinação lateral. torna-se não linear e acontece o estol (perda de sustentação gerada pelo não agrupamento dos filetes de ar no extradorso da asa).

Como resultado dessa glissada.: Se o diedro for nulo. Dependendo do diedro. ocorre perda total de sustentação.ESTABILI ADOR HORI ONTAL . ou seja. diedro positivo aumenta a estabilidade lateral e o diedro negativo diminui a estabilidade lateral.CURSO DE COMISSÁRIOS DE VÔO manobra chama-se arfagem ou tangagem.Quando uma aeronave está com as asas lateralmente desequilibradas. se o avião levantar o nariz. o nariz do avião desviar-se-á para a direita.ESTABILI ADOR VERTICAL . surge um vento lateral sobre a asa.Perpendicular com os outros dois. ESTABILIDADE DA AERONAVE EM TODOS OS PLANOS LATERAL . Obs. ela glissa na direção da asa mais baixa.ÂNGULO DE DIEDRO . o ângulo de ataque do estabilizador aumentará. Por exemplo. Manobra comandada pelo movimento dos pedais. INSTÁVEL E INDIFERENTE. ÂNGULO DE INCIDÊNCIA: é formado entre corda e o eixo longitudinal. CONHECIMENTOS GERAIS DE AERONAVES 19 . com o ponto de intersecção no centro de gravidade da aeronave. o avião poderá ser estável ou instável. ÂNGULO DE ESTOL: è o ângulo que quando ultrapassado. DIRECIONAL .Um avião é estável devido ao estabilizador que serve para fazer com que a aeronave retorne sempre à posição original de equilíbrio. LONGITUDINAL . (Cabrar ou picar) EIXO VERTICAL . O movimento de girar o nariz da aeronave para a esquerda ou para a direita em torno deste eixo chama-se: guinada. Movimento comandado pelo movimento longitudinal do manche ou volante. ESTABILIDADE TIPOS: ESTÁVEL. ÂNGULO DE ENFLECHAMENTO: é formado entre o bordo de ataque e o eixo transversal (lateral). durante o vôo.A estabilidade direcional refere-se ao equilíbrio de um avião em torno do eixo vertical. Ao se pressionar o pedal direito. ÂNGULOS DE FIXAÇÃO E DE CONSTRUÇÃO DA ASA: ÂNGULO DE DIEDRO: é formado entre o plano da asa e o eixo transversal (lateral). o avião tende a ser estaticamente indiferente. forçando a cauda para cima.

pois o CG pode oscilar e cair em qualquer ponto entre os limites máximos dianteiro e traseiro. o centro de gravidade. CENTRO DE PRESSÃO (CP) sempre atrás do CG. têm seu ponto de intersecção exatamente no centro de gravidade da aeronave. o ponto de aplicação da sustentação. LIMITES DO CENTRO DE GRAVIDADE A posição do CG varia com a distribuição do carregamento.Os três eixos. O avião não precisa estar necessariamente em equilíbrio. MANOBRAS DECOLAGEM: é a manobra que começa na cabeceira da pista. Os limites do CG são normalmente expressos em porcentagens da Corda Média Aerodinâmica (CMA) e são fixados pelo fabricante que determina as posições máximas do CG dentro dos padrões de segurança para um vôo.CURSO DE COMISSÁRIOS DE VÔO EQUILÍBRIO CENTRO DE GRAVIDADE . anteriormente abordados. Isso equivale dizer que o CG é o ponto de equilíbrio do avião. o ponto de aplicação do peso. Essas posições são denominadas Limite Máximo Dianteiro e Limite Máximo Traseiro. e deverá ficar CT O CENTRO DE TRAÇÃO é o ponto de aplicação da tração. A partir desse ponto é aplicada uma aceleração progressiva. também. com velocidade zero. de maneira a atingir a velocidade prevista para que o avião abandone o solo com segurança CONHECIMENTOS GERAIS DE AERONAVES 20 .

BALANCEAMENTO E PERFORMANCE: i i l t t t l l t l l j ti ii i t ii t l i t i i i t t i i l l l i . ti i i : i ili t t t t l ti l t l t i li it t t : t t l i li it l i t l l i l l t l l i j t i i i t C CM R R .C R SUBIDA: li ti i t C M R tí i i i l l i tí i l C t t VÔO DE CRUZEIRO (RETO E HORIZONTAL): t t t i l VÔO EM CURVA: l ti t t i i t tí i i ti i t l i l t it i l i l l t í l i li í l DESCIDA: i i i l i POUSO: j ti t i i t i t t t i l i li t TEORIA DE VÔO DE ALTA VELOCIDADE Definição Número de Mach: M i t l i l t l i / l i l i l i i i l i l i i l i Classificação quanto ao Número de Mach Subsônica Transônica ± Supersônica ± PESO.

P CENTRO DE PRESSÃO: t C CENTRO DE TRAÇÃO: É t t li li M i i i t li it C ti CM C t i it M i i t i i t ilí i i li it i i t i t t i t t DEFINIÇÕES DE PESO E BALANCEAMENTO BW (Basic Weight : C PESO BÁSICO: PB i i : t t l t l lt i : i l i t i : i ti t l i t i it l R l Ç i t : CR t i l i l ti ti l l i i t t t t i i : lti li t l t t l ti l t ti l t i l i t t i l l t t i i l l C it tit i i i t i tili t i t ti i l t i i i i t i l l i . : i li . COPAS (PANTRY : j i i t li PESO BÁSICO OPERACIONAL: PBO ou BOW B i i R C M C MB C it i t : B i .C R t C M i t tí l R ti i i t i C t i i t DESCRIÇÃO DOS TERMOS USADOS EM PESO E BALANCEAMENTO: t CENTRO DE GRAVIDADE: i t t t t t ilí i i Ét i i t i t i t i l i t t C li t LIMITES DO CENTRO DE GRAVIDADE: i C i iti i l t t C i l i t t i i i i it M i i i i t C il i l t t i C. ti l . C CM R R .

PESO DE POUSO ( LANDING WEIGHT): É o peso de decolagem menos o TRIP FUEL. C C M i t. C i :C C Útil C C PESO DE DECOLAGEM: i t : = ZC + l i t t it : tí l it l i t COMBUSTÍVEL A CONSUMIR NA VIAGEM (TRIP FUEL ti l l l j t para ser consumido desde o início da decolagem até o pouso no destino. B i . PAZC = PBO + CARGA PAGA ATUAL.C R C M R C : O PBO i t lt É i l +C t i t PESO OPERACIONAL: PO ou OW (Operational Weight : B i i l B = B i + C tí l l : C it i t lt t l t i l l i COMBUSTÍVEL À DECOLAGEM i t t t t COMBUSTÍVEL PARA O TÁXI i t t i l l t i l: É É tili t t l t t l tí l tí l É t t l Z l t t l ABASTECIMENTO DE COMBUSTÍVEL: Bl tí l i t t t t i í i l/t t l i t l PESO ATUAL ZERO COMBUSTÍVEL: PAZC OU AZFW i t C it i t : 1. i t lt Obs: O PAZC CARGA PAGA ATUAL t l l :Éi l i .(combustível consumido durante o vôo) . PESOS M t i : i i M t t it i : i i t i t i t it t i t i t i i t i li it i it i t i t ³ l ´ í i t t t l C CM R R . Carga Paga Atual. PBO. 2.

C R C M R PESO MÁXIMO ESTRUTURAL DE DECOLAGEM ± PMED M i i t M É i l l t i l i t li it l t t l it i t i l t i t t t i it li it l l i t i i i i l 2. t t t l i i ti i t t t t i t i i M M l il i MZC tí l Ét t t t t M i ti i i it i t i l t li it t t l i t i M l i t t t l i i i i t t t l i t i t i t t t il t ti i i M i l i i M M t i i i i i li it l i l i t i i t i t M i it l i t i t t l C CM R R . PESO MÁXIMO DE DECOLAGEM ± PMD M i i t M É t M i t M l M i M i É t t i M i M i É t i M i É t t t t l i i l i l t Z t C l l i i j t i t tí l li it t i t l l t i t i j i i t i i i t t t i i t i i j t t M i M i Z Z l C i t tí l MZ t l tí l i t t t l ilí i l t ti t .

t t i i t Táxi. B Ç ´ t ti i t l ti i C C CM t t i l ili l i t t M j t t i t t t li il i í l ti i i i it til t l t t l it it t i t l l i ti t i i t t j l i t i i li t t l l j t l t t li i l B : j i i M i i M : it M : i i i t í t RC til it R M C CM R R . lt PMD.C R C M R M i M i É l t t O PMT tí l l M M t it ³ t B : i l l ti M R i l l i i i M i t M l t t t i C R RZ Ç t RY i ti t l t it t R i lt ti ´ i i t i i i i i i CM t t t i ti í t t l i t t C i i C l i t C i i tili t tili lí i / í li t l li i ti l i i li li t i i i t l t t l i i i i ti í l l t ti l t t i i i í t l i i i i i i t i Ci l M i i i i i l l l l t i t t l C ³ ¶ i : l ti i i i i i i it i l i t PMD.

i l ti i l t til tili t i t : . t C CM R R . . . i .C R M i C C i l i ti i t C M É RC t i . R i i t .

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