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Governo libera contratação de professor sem concurso

em federal
Docente temporário poderá atuar em novas universidades e campi

BRENO COSTA
DE BRASÍLIA

O governo federal poderá preencher vagas em novas universidades e escolas técnicas


sem a necessidade de promover concursos públicos para a contratação de professores
efetivos.
Medida provisória editada pela presidente Dilma Rousseff coloca a expansão das
instituições de ensino federais, uma das principais promessas da presidente, na categoria
de "excepcional interesse público".
Com isso, fica liberada a contratação de professores temporários, que gozam de regime
trabalhista mais precário, para preencher vagas nessas instituições. A MP é editada
justamente no momento em que o governo se prepara para cortar R$ 50 bilhões do
Orçamento.
O limite de vagas de temporários nas federais ainda será definido.
Na prática, a MP vale só para novas universidades ou novos campi. No caso de
professores efetivos que entram em licença, por exemplo, já existe a figura do professor
substituto, que é um outro tipo de professor temporário. Agora, com a MP, vagas
"virgens" também podem ser ocupadas por temporários.
Além de salários menores (o pagamento é feito por horas trabalhadas), esses professores
não têm direito a férias, nem acesso ao plano de carreira que profissionais efetivos
desfrutam.
Em discursos e entrevistas, Dilma costuma reforçar sua preocupação com a "valorização
dos professores".
De acordo com o texto da MP encaminhada na segunda-feira ao Congresso, a
contratação desses profissionais temporários deve respeitar o prazo de um ano,
prorrogável por igual período.
O texto não deixa claro, porém, se a vaga temporária poderá ser preenchida por outro
professor, também em caráter temporário, após o fim do prazo máximo de dois anos. A
MP afirma só que "as contratações serão feitas por tempo determinado".
O Ministério da Educação nega que exista a possibilidade de a vaga ser perpetuada
como "temporária". Segundo o MEC, depois dos dois anos, ou mesmo antes disso,
haverá contratação, via concurso, de professor efetivo.
A política de contratação de professores temporários, em detrimento de concursos, é
alvo de críticas por parte de sindicatos dos docentes, por conta da precariedade da
relação trabalhista.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1602201108.htm
CONCURSOS EM SEGUNDO PLANO

COMO FUNCIONA HOJE


Não há previsão de contratação temporária de professores para suprir vagas abertas com
a criação de novas universidades ou com a abertura de novos campi nas instituições que
já funcionam. O que existe é a previsão para contratação de professores substitutos, que
devem cobrir exonerações, aposentadorias, falecimentos ou licenças. Além disso, pela
lei atual, o percentual desses professores substitutos não pode passar 10% do total do
quadro docente de uma universidade

COMO FICARÁ
As contratações temporárias para "suprir demandas decorrentes da expansão das
instituições federais de ensino" passam a ser permitidas, por prazo máximo de dois
anos. Ou seja, o governo fica dispensado de abrir concurso público e pode fazer a
contratação temporária para novas vagas em universidades. Em relação aos professores
substitutos, fica estabelecido um limite de 20% do total de professores efetivos da
instituição

Fonte: MP nº 525, de 14 de fev. de 2011, e Lei 8.745/1993