g ga aç çã ão o d de e L Li in nk ks s n no o N Ne et tB BS SD D - - P Pá ág g 7 74 4

n nB BO OR R - - F Fi ig gh ht ti in ng g G Ga am me es s P Pr ro og gr ra am m - - P Pá ág g 8 8l l
e ei io os s e e P Pr ro om mo oç çõ õe es s - - P Pá ág g l l3 3
ENTREVISTA
h ht tt tp p: :/ // /r re ev vi is st ta a. .e es sp pi ir ri it to ol li iv vr re e. .o or rg g | | # #0 02 20 0 | | N No ov ve em mb br ro o 2 20 0l l0 0
Carlos d'Andréa,
jornaIista e professor da UFV
A Internet das coisas - Pág l6
ACTA - O siIêncio continua - Pág 35
O Software Livre e o genoma humano - Pág 62
Gerência de Redes com Zabbix - Pág 74
GNU LibreDWG - Pág 85
COM LICENÇA
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
35
Pirataria. Um tema polêmico que divide opiniões, levanta questões
éticas/morais, sem falar que eleva ânimos de muitos enquanto causa tumulto e
prisões em certas situações. lsto tudo talvez porque os elementos necessários
para a fundamentação do conceito da palavra "pirata" tenham sido distorcidos
ao longo dos anos e atribuições indevidas foram feitas. Claro que, dadas as
devidas proporções, e também a certos interesses, muita coisa já foi falada
por entendidos (e desentendidos). lsso ajudou a disseminar uma imagem que
muito provavelmente não é a que encontramos nestes "novos piratas". A
Revista Espírito Livre tenta apresentar nessa edição, diversas visões,
apresentadas por vários colaboradores que aproveitam este veículo de
informação para fazer justamente o que ele se propõe a fazer: informar!
Muitos são levados a acreditar em significados distorcidos, julgamentos
prematuros e muitas vezes inconscistentes. Fique atento.
A edição 20 também traz a seus leitores uma matéria extensa e
bastante completa sobre Zabbix e seus agentes, sob a condução de Aécio
Pires e André Déo. William Stauffer Telles fala sobre segurança, mas sob uma
ótica não muito discutida pelos entendidos do assunto. Cezar Taurion levanta
um tema bastante interessante e que inclusive foi tema de palestra na
Latinoware 20l0, ocorrida neste mês em Foz do lguaçu: a lnternet das Coisas,
um conceito que visa mudar completamente a forma como temos acesso a
certas informações.
Entrevistamos o jornalista e professor da UFV, Carlos d'Andréa, que fala
sobre a influência do conceito wiki no jornalismo como conhecemos, sua
vantagens e itens a serem analisados. Carlisson Galdino, além de sua coluna
mensal, onde narra a Warning Zone, esta edição ainda publica dois de seus
cordéis, ambos sobre pirataria. Vale a pena conferir!
Uma nova colaboração é feita por Aline Abreu, que levanta a questão do
respeito dentro da comunidade, um fato nem sempre levado em consideração
por certos usuários. Waney Vasconcelos fala das dificuldades de comunidades
a que está inserido e como o Ubuntu - e o seu significado etimológico - pode
representar uma mudança de realidade. Hailton David Lemos encontra
similaridades entre o genoma humano e o conceito de software livre, relação
que merece ser conhecida.
Além dos colaboradores citados, vários colunistas e diversas
contribuições não somente através de artigos, mas em revisões e buscando
novos materiais, são realizados por vários bravos e respeitados parceiros. A
todos estes, o meu obrigado.
Nossos sorteios continuam e se você ainda não participou, esta é a
chance. Ouem sabe o próximo não seja você?! Além das promoções, se você
tem algo a nos dizer - sugestões, relatos, casos de sucesso ou simplesmente
um obrigado - não deixe de entrar em contato. A Revista Espírito Livre busca
os mais diversos tipos de colaborações, onde o agradecimento, a simples
leitura, a divulgação entre os amigos e muitas atitudes fáceis de serem feitas
são percebidas como contribuição! Então, vamos fazer da Revista Espírito
Livre um veículo de qualidade com cada vez mais participações dos leitores
com o único propósito de devolver a estes, material de
qualidade e de excelência. Um abraço a todos!
EDITORIAL / EXPEDIENTE
PoIêmicas a parte...
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
36
João Fernando Costa Júnior
Editor
EXPEDIENTE
Diretor GeraI
João Fernando Costa Júnior
Editor
João Fernando Costa Júnior
Revisão
Aécio Pires
Alexandre A. Borba
Carlos Alberto V. Loyola Júnior
Felipe Buarque de Oueiroz
José Afonso da Silva Carvalho
Murilo Machado
William Stauffer Telles
Arte e Diagramação
João Fernando Costa Júnior

JornaIista ResponsáveI
Larissa Ventorim Costa
ES00867-JP

Capa
Carlos Eduardo Mattos da Cruz
Contribuiram nesta edição
Aécio Pires
Albino Biasutti
Aline Abreu
André Gondim
André Déo
Alexandre Oliva
Cárlisson Galdino
Carlos d'Andréa
Cezar Taurion
Fátima Conti
Felipe Corrêa da Silva Sanches
Gilberto Sudré
Hailton David Lemos
Jamerson Albuquerque Tiossi
João Felipe Soares Silva Neto
João Fernando Costa Júnior
José James Figueira Teixeira
Noellen Samara
Rodrigo Rodrigues da Silva
Roney Médice
Thiago Araujo
Waney Vasconcelos
Walter Capanema
Wilkens Lenon
William Stauffer Telles
Yuri Almeida

Contato
revista@espiritolivre.org
O conteúdo assinado e as imagens que o integram, são de inteira
responsabilidade de seus respectivos autores, não representando
necessariamente a opinião da Revista Espírito Livre e de seus
responsáveis. Todos os direitos sobre as imagens são reservados
a seus respectivos proprietários.
EDIÇÃO 020
CAPA
Pirataria
Alexandre Oliva
23
SUMARI O
94 AGENDA 06 NOTICIAS
26
Entrevista com
CarIos d' Andréa
PAG. 57
Um só crime em vários formatos
Gilberto Sudré
3l
SL como aIternativa a pirataria
André Gondim
33
COLUNAS
A Internet das Coisas
Cezar Taurion
l6
Warning Zone - Episódio l4
Carlisson Galdino
20
Ouem são os piratas, afinaI?
Waney Vasconcelos
ACTA - O siIêncio continua
Fátima Conti
35
4l
O verdadeiro inimigo do SL
Walter Capanema
44
Copiar CD é Pirataria?
Roney Médice
47
Pirataria ou permissão impIícita?
Jamerson Tiossi
CordeI da Pirataria
Cárlisson Galdino
50
CordeI Piratas & Reis
Cárlisson Galdino
54
l0 LEITOR
l4 PROMOÇÕES
OUADRINHOS
Por João FeIipe Soares SiIva Neto
e José James Figueira Teixeira
ENTRE ASPAS
Citação de Simone de Beauvoir
EVENTOS
ReIato do Evento GNUTeco
Noellen Samara
COMUNIDADE
Parabéns a Tux-ES
Albino Biasutti Neto
DESIGN
GNU LibreDWG
Rodrigo Rodrigues e Felipe Sanches
FORUM
O SL e o genoma humano
Hailton David Lemos
62
Opiniões
Jamerson Tiossi
64
Ubuntu e as comunidades
Waney Vasconcelos
67
Liberdade e Respeito
Aline Abreu
7l
REDES
Zabbix: a função dos agentes
André Déo e Aécio Pires
74
85
89
92
90
94
SEGURANÇA
E por faIar em segurança...
William Stauffer Telles
83
KDE SC 4.6 beta l Iançado
O time de desenvolvi-
mento do KDE liberou a
versão 4.6 betal de Es-
paços de Trabalho, Apli-
cações e Frameworks
de Desenvolvimento, tra-
zendo significantes me-
lhorias à busca no
desktop, um melhorado
sistema de atividade e
um significante aumento de performance em ge-
renciamento de janelas e efeitos de desktop. Es-
forços em toda a base de código do KDE
compensam ao tornar os frameworks do KDE
mais adequados para uso em todos os dispositi-
vos. Este lançamento provê uma base de teste
para um lançamento estável em Janeiro de
20ll. O anúncio oficial você confere aqui:
Lançado MoodIe 2.0
Martin Dougiamas,
fundador do Moodle,
anuncia que, depois
de mais de dois
anos de trabalho, a
versão 2.0 encontra-
se agora disponível
para download. Ouan-
to a melhorias, o
Moodle 2.0 apresen-
ta um sistema de backup totalmente reescrito, su-
porte para comentários sobre as entradas de
blog e muito mais. Para saber mais sobre todas
as novidades, basta visitar o site oficial do proje-
to: http://moodle.org. É importante lembrar que o
Moodle está licenciado sob termos de GPL2 e já
conta com mais de l milhão de usuários registra-
dos.
Microsoft ajudando OpenStreetMap
A Microsoft anunciou
que contribuirá para o
projeto OpenStreet-
Map. Steve Coast, ar-
quiteto principal para
o Bing Mobile ajudará
a desenvolver melho-
res experiências de
mapeamento para
seus clientes e parcei-
ros e liderará esforços para engajar-se ao
OpenStreetMap e outros projetos de dados aber-
tos e código aberto. Saiba mais em
http://lwn.net/Articles/4l6994/ e aqui. Seria esta
uma estratégia frente a soluções dominantes e
gratuitas de mapas já disponíveis pelo Google,
Yahoo, Nokia, e tantos outros?
Lançado Stoq 0.9.l4
É com muita satis-
fação, que a equi-
pe Stoq anuncia a
versão 0.9.l4 do
Stoq. Entre os atra-
tivos desta versão
consta a integração dos plugins para ECF e NF-
e para empresas que necessitam da emissão
dos arquivos combinados. Com este recurso,
além do cupom fiscal, deverá ser emitida, tam-
bém, a Nota Fiscal eletrônica nos casos em que
a legislação exija este documento ou quando for
solicitado pelo adquirente da mercadoria. As
classes de impostos foram criadas para atender
as exigências da NF-e. Para maiores informa-
ções acesse o site oficial da solução:
http://www.stoq.com.br.
NOTICIAS
NOTICIAS
Por João Fernando Costa Júnior
39
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
NOTICIAS
3:
DisponibiIizado framework Jaguar no PortaI
do Software PúbIico
A Powerlogic lan-
çou, no primeiro
dia da Lationware
20l0, o JAGUAR,
uma contribuição
à comunidade de software livre que agora passa
a ter um framework de integração gratuito na ver-
são GPL2 e GPL3, criado a partir do software
jCompany Developer Suite. Durante os três dias
do evento os participantes puderam conhecer o
mais novo Software Público Brasileiro no estan-
de da Powerlogic, patrocinadora do evento. O JA-
GUAR traz uma arquitetura de software de alto
nível, reutilizável e extensível, baseada na inte-
gração de dezenas de frameworks de base
Open Source, que são líderes em seus segmen-
tos, aplicando generalizações de Orientação a
Objeto em uma arquitetura MVC2. O resultado é
uma solução com alto nível de abstração, pouco
código Java que utiliza recursos como loC, Dl e
AOP, de forma natural e padronizada. Além dis-
so, o JAGUAR produz aplicações Java EE 5
Full-Complient, incluindo interfaces Web 2.0
com alta usabilidade e aderente aos padrões de
mercado. Saiba mais em: http://www.softwarepu-
blico.gov.br/ver-comunidade?community_
id=259l3900.
Crie pIantas com o Sweet Home 3D
O Sweet Home 3D
possibita que usuá-
rios que não têm ha-
bilidade com
softwares específi-
cos para a arquitetu-
ra e engenharia
possam fazer qua-
se que infinitos modelos de design de interiores
em duas e três dimensões dos mais diversos ti-
pos de imóveis. Além de vir com uma vasta biblio-
teca de itens como janelas, portas e móveis, é
possível também importar outros arquivos desejá-
veis criados por usuários, através de sites como
Google 3D Warehouse, do Sketchup. Saiba
mais: http://www.sweethome3d.com.
Pesquisadores do MIT adaptam Kinect para
navegar na web com gestos
Um grupo de qua-
tro pesquisado-
res do MlT
criaram o
DepthJS, uma ex-
tensão para o navegador Chrome, que permite
ao internauta acessar sites e interagir com o
conteúdo da web utilizando as mãos. Aaron Zin-
man e outros três colegas, todos pesquisadores
do Media Lab, adaptaram o Kinect, novo siste-
ma que, acoplado ao XBOX 360, permite que o
jogador utilize o console apenas com movimen-
tos do corpo, para trabalhar com uma extensão
de software instalada no navegador Chrome, de-
senvolvido pelo Google. Como resultado, o inter-
nauta interage com os sites na internet por meio
de gestos simples. Veja o vídeo e surpreenda-
se: http://vimeo.com/l7l8065l.
CanonicaI migra 85.000 computadores da Po-
Iícia Francesa para Ubuntu
Recentemente, a Polícia
francesa revisou suas po-
líticas de Tl e teve como
resultado um mega proje-
to de migração, executa-
do pela Canonical,
empresa desenvolvedora
do Ubuntu. Tal medida li-
vrou a Polícia francesa
das licenças que a vinculavam à Microsoft. A mu-
dança para GNU/Linux e OpenOffice gerará
uma economia de aproximadamente 2 milhões
de euros ao ano. A Polícia afirma que acha o
Ubuntu muito mais simples para administrar e
manter que o Windows. O case completo você
encontra no site da Canonical: http://www.cano-
nical.com/sites/default/files/active/Casestudy-
GendarmerieNationale.pdf.
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
ACATE e SOFTEX promovem curso gratuito
de capacitação em Java para estudantes
A Associação Catarinense
de Empresas de Tecnolo-
gia e a V.Office promovem
curso gratuito de Programa-
ção em Java direcionado pa-
ra alunos que cursam o
último ano do ensino médio
e técnico na área de Tl, alu-
nos de cursos de Gradua-
ção em informática ou
áreas afins e alunos formados a menos de um
ano em cursos de nível médio e técnico na área
de Tl. O objetivo do projeto é proporcionar ao
participante a possibilidade de implemetação
dos conceitos de orientação a objetos na lingua-
gem Java, apresentando aspectos desta lingua-
gem e as classes mais utilizadas no processo
de desenvolvimento, bem como boas práticas
de programação e consulta de documentação
de ambientes P.O.O. lnformações no site
http://www.capacitacaojava.tangu.com.br.
AceIeração de Hardware para MoonIight
Moonlight, a parte do MO-
NO responsável especial-
mente pela reprodução de
conteúdo Silverlight para pla-
taforma Linux, pode agora
utilizar o hardware das pla-
cas gráficas para renderizar
efeitos 3D e fazer reprodu-
ção de vídeos. Ouem afir-
ma é o chefe de desenvolvimento de produtos
para Mono, Miguel de lcaza, que também infor-
ma que o Moonlight aparentemente, acelera to-
dos os pixel shaders, enquanto Microsoft
Silverlight só acelera algumas delas. Os usuári-
os interessados em experimentar o driver po-
dem encontrar o código na plataforma de
hospedagem GitHub. Mais informações no blog
de Miguel de lcaza: http://tirania.org/blog/archi-
ve/20l0/Nov-23.html.
KDE Project Iança OwnCIoud l.l
O projeto KDE infor-
ma o lançamento
da versão l.l do
ownCloud, um siste-
ma de código aber-
to, com base na
web, que roda no
servidor pessoal de um usuário. Diferentemente
de outras soluções baseadas em nuvem como o
Google Docs, o Dropbox, ou Ubuntu One, os
usuários não precisam carregar os seus dados
privados de um sistema centralizado. Com own-
Cloud, os usuários têm controle total sobre seus
dados e podem acessar suas informações pela
web a partir de uma variedade de dispositivos. A
versão l.l do ownCloud já está disponível para
download no site do projeto: http://owncloud.org.
NVIDIA CUDA TooIkit 3.2 já está disponíveI
A NVlDlA, gigante co-
nhecida por seus pro-
cessadores gráficos
(GPUs) e chip-sets,
lançou recentemente
a nova versão de seu
software CUDA (Com-
pute Unified Device Ar-
chitecture). Esta
versão 3.2 do Toolkit
CUDA apresenta novas bibliotecas matemáticas
e revisões de desempenho, entre outros. Para
aqueles que ainda não conhecem, o CUDA é
um modelo de programação e ambiente de de-
senvolvimento, que permite a desenvolvedores
fazer uso do poder de processamento das
GPUs NVlDlA. O conjunto de ferramentas CU-
DA 3.2 está disponível para download para Win-
dows, Mac OS X e Linux a partir de NVlDlA
Developer Zone. O uso do Toolkit CUDA é regi-
do por uma NVlDlA End User Licence Agree-
ment. Para o download, visite:
http://developer.nvidia.com/object/cuda_3_2_
downloads.html.
NOTICIAS
3;
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
Lançado Beta l do framework DemoiseIIe 2.0
O Demoiselle Fra-
mework é uma integra-
ção de várias
tecnologias de softwa-
re e uma arquitetura
de referência. A ver-
são 2.0 da ferramenta
implementa diversas
mudanças na forma como o framework lida com
persistência, transação, injeção de dependên-
cia, estereótipos, configuração, tratamento de ex-
ceções, inicializadores e a própria estrutura do
projeto. A próxima versão será um Release Can-
didate, que é o último passo para uma versão es-
tável. Mais informações aqui.
Fusion: AMD Iança drivers open-source para
o Ontario
Aí vai uma boa notícia para
aqueles que estavam preocu-
pados com a compatibilida-
de da plataforma AMD
Fusion no Linux: embora a
AMD ainda esteja devendo
drivers para a família Rade-
on HD 6xxx, ela acabou de
disponibilizar a versão inicial
dos drivers open-source para a plataforma Onta-
rio (a versão de baixo consumo, destinada a net-
books e tablets). Mesmo na versão inicial, os
drivers já estão bastante completos, oferecendo
suporte a 2D, X-Video (aceleração de vídeos) e
3D/OpenGL (com tanto suporte ao Mesa quanto
ao Gallium3D). Saiba mais no Phoronix.
Projeto Emesene pede ajuda
Um dos projetos mais promis-
sores de comunicador instan-
tâneo no desktop livre é o
Emesene, porém está enfren-
tando dificuldades para con-
cluir a versão 2.0. Um post
no Blog do Emesene está pe-
dindo por ajuda de desenvolvedores, empacota-
dores e testadores. Ou seja estão precisando
praticamente de todo tipo de ajuda. O programa
é escrito em Python e possui suporte para as re-
des MSN, Gtalk e Facebook. Vamos contribuir!
http://emesene.org.
Lançada nova versão de verificador ortográfi-
co para Firefox
A versão do verificador or-
tográfico para português
do Brasil para Firefox está
disponível com atualiza-
ções na base de dados e
suporte para Thunderbird,
SeaMonkey, Sunbird e
Fennec (aka Firefox Mobi-
le). Para mais informações, visite este link:
http://ateliedematematica.blogspot.com/20l0
/ll/verificador-ortografico-para-portugues.
MonaOS 0.3.l Iançado
O micro kernel Mona 0.3.l foi lançado. O tama-
nho do Kernel impressiona: são apenas l32KB.
O lançamento agora conta com BSD Socket, na-
vegador web baseado em texto w3m, KVM virtio-
net, block driver, FAT32, interpretador Mosh
Scheme. Para mais informações, visite o site ofi-
cial: http://www.monaos.org.
BrOffice.org e Itaipu BinacionaI anunciam cri-
ação do Centro de ExceIência em Software
Livre
lniciativa visa pre-
parar profissio-
nais para
contribuir no de-
senvolvimento de código do BrOffice e, futura-
mente, de outros projetos de software livre. As
atividades devem iniciar já no primeiro trimestre
de 20ll. O anúncio foi feito durante solenidade
de abertura da Latinoware 20l0, no último dia
l0 em Foz do lguaçu/PR. Para mais informa-
ções visite http://www.broffice.org.
NOTICIAS
3<
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
Olá caro leitor! Esta é a Coluna do Leitor, o seu
espaço. Aproveite-o para relatar alguma
sugestão, proposta ou dica de como podemos
melhorar ainda mais a Revista Espírito Livre.
Diga o que pensa a respeito das matérias,
entrevistas e artigos que são publicados a cada
mês por aqui. Mas não fique com vergonha: Se
algo não ficou legal e precisa ser mudado?
Avise-nos! Ajude-nos a melhorar a publicação,
tornando-a ainda melhor. Contribua, manifeste-
se e mostre a nós e aos demais leitores o quão
importante é ter o "espírito livre". Abaixo
listamos alguns comentários que recebemos
nos últimos dias:
A Revista Espirito Livre é uma das melhores
revistas do momento e que sempre está
atualizada com as novidades para nós leitores e
usuários do Software livre.
AIax Ricard de Souza SiIva - Cabo de Santo
Agostinho/PE
A melhor e mais abrangente revista digital sobre
SL.
Ricardo Esteves Pontes - Campinas/SP
Ótima revista para aprendizado e conhecimento
do open source.
CIeiton AIves de OIiveira - Carapicuiba/SP
Muito legal e aborda exatamente os interesses
dos leitores.
Leandro Tsujiguchi - Presidente Prudente/SP
Excelente opção de entretenimento, cultura e
atualidades em Tl. Umas das melhores mídias
alternativas, visto que é muito importante
termos profissionais competentes levantando a
bandeira do software livre. Para quem ainda
não conhece e para estarmos por dentro das
notícias do "mundo software livre".
AIexandre Ricardo C. de OIiveira - BeIém/PA
A melhor e mais completa no assunto, quando
se fala em software livre. Recomendada para
qualquer pessoa, desde estudantes a
especialistas, pra quem queira conhecer a
filosofia de software livre ou quem queira ficar
por dentro das novidades do mundo livre.
GuiIherme Leandro Freitas - Bom Jesus de
Goiás/GO
Essencial para o profissional de Tl, sempre com
ótimas matérias e entrevistas. Fundamental pra
quem trabalha com software livre.
AIessandro CarvaIho de MeIo - Manaus/AM
Muito boa, especialmente por ter coragem de
encarar o fato de além de ser gratuita não
perder a qualidade em seu conteúdo.
Ranyere Batista de Oueiroz Trindade/PE
Muito boa, rica em novidades open source e
essa sobre o Ubuntu foi nota l0! Gosto muito
do Ubuntu e gostei muito da revista!
PauIo Renato CavaIcanti Freire - Recife/PE
COLUNA DO LEITOR
EMAILS,
SUGESTÕES E
COMENTARIOS
Ayhan YlLDlZ - sxc.hu
43
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
Excelente! A Revista Espírito Livre traz as
melhores reportagens do momento. Para quem
está ligado no dia-a-dia da informática sabe
muito bem como é importante os assuntos
discutidos e apresentados em cada edição.
Continuem assim, parabéns pelo belo trabalho.
Francisco Pacheco dos Santos FiIho -
Curitiba/PR
Uma revista muito interessante, informativa e
sensacional.
Giovane da SiIva Sobrinho - PetrópoIis/RJ
Muito Massa! A revista é muito bem escrita,
informações sobre SL de primeira mão!
Romario Kionys de Freitas Dias - OIho
D'água do Borges/RN
A Revista Espírito Livre é para mim a melhor
revista da área de Software Livre, parabenizo a
todos que fazem parte desse limpo trabalho de
expansão de um estilo revolucionário de viver.
JosenaIdo Júnior CarvaIho Gomes -
TaiIândia/PA
Uma ótima revista pra se manter atualizado.
Thiago Reis de OIiveira - GuaruIhos/SP
Acho uma iniciativa muito boa devido a
ausência de boas publicações sobre software
livre. A revista com certeza supre a necessidade
abordando temas atuais.
MarceIino Rodrigo Saraiva - BeIém/PA
Uma revista atualizada com o mundo Software
Livre, bom conteúdo e o que é melhor, 0800!
Sempre que eu posso, acompanho as edições!
CarIos A. B. Macapuna - BeIém/PA
Muito boa. Tiro várias dicas dela.
Robson da Costa Medeiros - Rio de
Janeiro/RJ
A revista é sensacional, me impressiona a
preocupação crescente com a qualidade do
material, os constantes avanços, com certeza é
a melhor revista de tecnologia e software livre
que já vi!
Jose Afonso - Rio de Janeiro/RJ
Uma revista com entrevistas interessantes,
materias muito bem escolhidas e voltadas para
o dia a dia de quem utiliza e/ou pretende utilizar
Linux de uma forma Geral.
CarIos Frederico Santos BeIota - Manaus/AM
lnformações atualizadas e de forma clara. É
uma revista que a cada edição surpreende, sou
leitora assídua!
Vanini Bernardes Costa de Lima - Rio de
Janeiro/RJ
Melhor fonte editorial sobre Software Livre do
Brasil.
CeIso H. L. S. Junior - São Luis/MA
Uma revista show de bola com conteúdo
atualizado e bastante dinâmico.
Bruno Bione de França - GuaruIhos/SP
Faço bastante uso da revista aqui no trabalho.
Também a uso como ponto de partida para
manter as pessoas que estão conhecendo o
que é software livre informadas.
Ricardo do N. Francisco - Rio de Janeiro/RJ
Melhor publicação sobre o mundo do software
livre e as atualidades do mundo Linux.
MarceIo Andreas Janetzky - São José dos
Pinhais/PR
Maravilhosa! Realmente os usuários Linux não
se sentirão mais sozinhos. Esta revista tem
também tudo o que um iniciante no fantástico
mundo Linux precisa saber.
Rodrigo AIves de OIiveira - João Pessoa/PB
A Revista sempre trás, um conteúdo
diferenciado e de ótima qualidade.
Mateus Kern - Ivoti/RS
COLUNA DO LEITOR
44
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
É sempre um orgulho poder ler a Revista
Espírito Livre - Recheada de bom conteúdo -
elevando ainda mais o nosso conhecimento. Dá
gosto de ler!
Leandro CaIdas Siqueira - São GonçaIo/RJ
Muito rica em informações sobre código aberto!
Sou um fã do Ubuntu e gostei muito da revista!
PauIo Renato CavaIcanti Freire - Recife/PE
Uma excelente revista da área de software livre
e linux, sempre com conteúdos atuais que
proporcionam aprendizado tanto para leigos e
usuários avançados.
Fabrício Basto - São GabrieI da PaIha/ES
Uma excelente fonte de informações sobre o
universo do software livre. Acredito no
crescimento da revista para que mais pessoas
possam conhecer o potencial e as vantagens
em usar sistemas gratuitos com qualidade.
Tiago Ferreira Pinheiro - Juiz de Fora/MG
A Revista Espírito Livre é única, não conheço
nada do tipo voltado para o públido do software
livre. As matérias são excelentes e a revista
está melhorando a cada edição. Parabéns pelo
trabalho.
GabrieI dos Santos SobraI - Campinas/SP
A melhor revista sobre OpenSource. A cada
edição, abre nossa mente sobre o que é ser
livre para podermos escolher o
desenvolvimento justo e acessível à todos.
Anderson Peres de OIiveira - Paracatu/MG
Sensacional essa revista, sempre esperando
novos lançamentos!!
Adriano CarvaIho Batista - Santa Maria/DF
Uma alternativa muito interessante assim como
todos os SL que possuímos hoje no mercado
aberto. Estão de Parabéns.
Nathan Lopes de Moraes Longo - Rio
Pardo/RS
Como o próprio nome diz Espírito Livre.. Livre
eu me interesso muito. Gosto muito de
novidades. Gosto muito dessa revista.
GuiIherme Ferreira Marques - Arapongas/PR
É a melhor do brasil em conteúdo de software
livre, num fui tão bem informado sobre Tl livre.
BIenner Resende de CarvaIho Enes -
DivinópoIis/MG
Excelente iniciativa! Excelente trabalho!
Matérias muito boas e interessantes.
Luiz Antonio Faria - Campinas/SP
Show, muito interessante e com um conteúdo
atual.
Raimundo Soares Junior - FortaIeza/CE
Revista séria e com informações muito
atualizadas. Muito boa as informações
sugestões de cursos, eventos, pesquisas,
debates e outros. Parabéns.
Jorge Luis Camara RangeI - ViIa VeIha/ES
Uma ótima iniciativa que deu certo e que nos ajuda a
enxergar cada dia mais a beleza e o poder que o
software livre nos proporciona.
DuIcyeIIiton SiIva - Vitória de Santo Antao/PE
Uma revista altamente informativa e bem escrita
com um layout bem bolado e atraente.
Raimundo Antonio Santo SiIva - Senhor do
Bonfim/BA
É sempre bom poder ler mais e mais notícias de
qualidade sobre tecnologia ainda mais quando
estamos falando de um mercado em ascensão
como o "Open Source". No quesito qualidade a
Espírito livre veio para mostrar que não brinca
em serviço. Parabéns aos editores e que ela
continue sendo essa revista excelente e com
matérias de sobra pra satisfazer nossa fome de
conhecimento. Viva a comunidade Linux \o/
AIessandro Diego - BeIo Horizonte/MG
COLUNA DO LEITOR
45
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
lnteressante, principalmente pela forma de
abordagem dos assuntos propostos e escritos
nas edições... Prática, objetiva e ideal para
quem está começando agora a conhecer o
mundo GNU/Linux.
Francisco E. SiIva Júnior - Porto Seguro/BA
Parabéns pela contribuição a comunidade de
software livre espalhada no Brasil. Atitudes
como essas são louvaveis e merecem destaque
no cenário nacional e internacional. Parabéns a
equipe do Espírito Livre. Continuem, e vivam na
força desse trabalho!
Jonathas Ramos - Nossa Senhora do
Socorro/SE
A revista Espirito Livre é uma publicação
excelente, tanto em conteúdo quanto em
qualidade. É um ponto a mais na divulgação do
mundo Linux! Parabéns a toda a equipe!
Márcio André Fernandes Addario - BeIém/PA
Poucas revistas tratam tão bem assuntos
relacionados a Tl, quanto a Revista Espirito
Livre,principalmente no que diz respeito ao
mundo Free Software, parabéns a todos que
fazem essa excelente revista.
Hezrom da Conceição Nogueira - Parnaíba/PI
Um ótimo canal de informação sobre os
softwares livres.
Adão Keisaku Matida - Campo Grande/MS
De forma bem resumida, completamente
interessante, fundamentada e atual!
Afonso Henrique OIiveira - São Mateus/ES
Acho a Revista Espírito Livre muito bonita e
interessante, gosto muito dos assuntos que são
aboradados. Estão de parabéns!
Tiago David BarceIos - CoIatina/ES
Uma excelente fonte de consulta e pesquisa.
FIavio ApoIinário de Souza - Osasco/SP
Muito interessante, pois trata a respeito de um
sistema que ainda muita gente tem medo de
migrar, que faz as mesmas coisas que os
outros. Sendo bem melhor de administrar e
mais fácil para lidar com alguns programas.
Lizarb S. Pacheco - Teixeira de Freitas/BA
É notável e admirável a contribuição da revista
para todos que acompanha e que estão
começando no Software Livre e em notícias de
tecnologia em geral! Fonte de dados
indispensável.
Eduardo M. Santos de Brito - Juazeiro/BA
Muito boa, parabéns. Usando palavras com
clareza e simplicidade a revista Espírito Livre
consegue falar na mesma língua da
comunidade open source, Linux, ubuntu no
mundo Realmente é um trabalho de primeira, e
fico sempre esperando a próxima edição no
RSS reader que sou inscrito. Muito Obrigado e
continuem assim cada vez melhor.
Fabiano GastaIdi - JoinviIIe/SC
Perfeita. Cada edição surpreende com ótimas
matérias e entrevistas.
Leandro Rodrigues Gamito - GuaruIhos/SP
Estou gostando muito da revista. Leio todas as
edições e também recomendo a revista para
alguns meus amigos que querem conhecer
Linux.
Ricardo Tweeg - Rio de Janeiro/RJ
Comentários, sugestões e
contribuições:
revista@espiritoIivre.org
COLUNA DO LEITOR
46
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
PROMOÇÕES · RELAÇÃO DE GANHADORES E NOVAS PROMOÇÕES
PROMOÇÕES
47
Não ganhou? Você ainda tem chance! O
CIube do Hacker em parceria com a Revista
Espírito Livre sorteará associações para o
cIube. Inscreva-se no Iink e cruze os dedos!
A TreinaLinux em parceria com a Revista
Espírito Livre estará sorteando kits de
DVDs entre os Ieitores. Basta se
inscrever neste Iink e começar a torcer!
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
CLIOUE AOUI PARA PARTICIPAR!
O Projeto TutoIinux em parceria com a
Revista Espírito Livre estará sorteando
kits de bottons entre os Ieitores. Basta se
inscrever neste Iink e começar a torcer!
PROMOÇÕES · RELAÇÃO DE GANHADORES E NOVAS PROMOÇÕES
48
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
ReIação de ganhadores de sorteios anteriores:
Ganhadores da promoção V Seglnfo:
l. Guilherme Souza Gomes - Juiz de Fora/MG
2. Bárbara Araújo da Silva Borges - Niterói/RJ
Ganhadores da promoção PHP Conference Brasil 20l0:
l. Eduardo Silva Monteiro - Cruzeiro/SP
2. Cleiton Alves de Oliveira - Carapicuiba/SP
3. Fabiano Gastaldi - Joinville/SC
4. Leandro Senni Tsujiguchi - Presidente Prudente/SP
5. Alax R. Souza Silva - Cabo de Santo Agostinho/PE
Ganhadores da promoção Clube do Hacker:
l. Guilherme Ferreira Marques - Arapongas/PR
2. Raimundo Soares Junior - Fortaleza/CE
3. George Max - Porto Velho/RO
Ganhadores da promoção Virtuallink:
l. Afonso Henrique Oliveira - São Mateus/ES
2. Hezrom da Conceição Nogueira - Parnaíba/Pl
3. Jonathas Santos Ramos - Nossa Senhora do Socorro/SE
4. Alessandro Diego - Belo Horizonte/MG
5. Nanci de Brito Bonfim - Salvador/BA
Ganhadores da promoção TreinaLinux:
l. Francisco Luiz da Costa Ferreira - Teresina/Pl
2. Carlos Alberto Bezerra Júnior - Areia Branca/RN
Ganhadores da promoção V Seglnfo:
l. Guilherme Souza Gomes - Juiz de Fora/MG
2. Bárbara Araújo da Silva Borges - Niterói/RJ
Ganhadores da promoção ll WinLinux Day:
l. Alexandre Ricardo C. de Oliveira - Belém-PA
2. Josenaldo Junior Carvalho Gomes - Tailândia/PA
3. Romario K. Freitas Dias - Olho D'água do Borges/RN
4. Marcelino Rodrigo Saraiva - Belém/PA
5. Carlos A. B. Macapuna - Belém/PA
Um assunto que começa
a despertar interesse é a cha-
mada lnternet das Coisas. Nos
últimos dois meses fui convida-
do a dar quatro ou cinco entre-
vistas sobre o tema. Assim,
vamos abordar assunto aqui e
mostrar qual a relação entre a
lnternet das Coisas, Open Sour-
ce e Cloud Computing.
Bem, para começar pode-
mos definir a lnternet das Coi-
sas como uma infraestrutura
de rede global baseada em pa-
drão lP onde coisas físicas (ob-
jetos) ou virtuais, com suas
identidades únicas a atributos
interoperam entre si e com sis-
temas de informação. Na lnter-
net das Coisas, as coisas e
objetos participam ativamente
dos processos sociais e de ne-
gócios, compartilhando dados
e informações "sentidas" sobre
o ambiente em que se encon-
tram, reagindo de forma autô-
noma aos eventos do mundo
físico, influenciando ou modifi-
cando os próprios processos
em que se encontram, sem ne-
cessidade de intervenção hu-
mana.
A interação com as coi-
sas ou objetos inteligentes
("smart things") dá-se geral-
mente na forma de interfaces
para serviços, uma vez que es-
tes objetos fazem parte de um
conjunto maior. Por exemplo,
um semáforo inteligente pode
ter seu controle de tempo modi-
ficado por variáveis simples co-
COLUNA · CEZAR TAURlON
A INTERNET DAS COISAS
Por Cezar Taurion
49
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
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s
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h
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COLUNA · CEZAR TAURlON
4:
mo hora (maior ou menor fluxo
do trânsito) ou data (feriado ou
dia da semana), bem como a
partir de uma central que, base-
ado em algoritmos sofistica-
dos, analisa outras
informações e variáveis, oriun-
das de outros semáforos ou de
incidentes como uma colisão
em ruas próximas, que alteram
o fluxo do trânsito. O semáforo
faz parte de um serviço de con-
trole de trânsito. Por curiosida-
de, além do nome lnternet das
Coisas podemos achar tam-
bém na literatura os termos
Computação Pervasiva (Perva-
sive Computing) ou Computa-
ção Ubíqua (Ubiquitous
Computing).
Na lnternet das Coisas, a
comunicação se dará principal-
mente entre objetos e data cen-
ters, onde infraestruturas de
computação em nuvem (Cloud
Computing) disponibilizarão ca-
pacidade computacional elásti-
ca e flexível o suficiente para
acomodar esta grande deman-
da por recursos de armazena-
mento e processamento. O
uso de recursos computacio-
nais em nuvens é necessário,
pois à medida que a computa-
ção vai se tornando cada vez
mais onipresente, com objetos
interagindo uns com os outros
e etiquetas de produtos conten-
do chips com ldentificação por
Rádio Frequência (RFlD) cola-
dos em latas de cerveja e paco-
tes de sucrilhos, o volume de
dados que irão trafegar pelas
empresas e que precisarão ser
manuseados em tempo real se-
rá absurdamente maior que o
atual. A imprevisibilidade da de-
manda aumentará também de
forma exponencial e será im-
possível implementar sistemas
pelo tradicional método de di-
mensionamento de recursos pe-
lo consumo no momento de
pico, pois os custos serão sim-
plesmente astronômicos. Jun-
tando-se a necessidade de
acompanhar a flutuação das de-
mandas de mercado com o
crescimento dos volumes e ser-
viços prestados, e com a subuti-
lização dos recursos
computacionais hoje disponí-
veis nas empresas, chegamos
à constatação de que precisa-
mos de um novo modelo com-
putacional, mais flexível e
adaptável à velocidade das mu-
danças que ocorrem diariamen-
te no mundo dos negócios.
Nuvem computacional significa
que toda uma rede de computa-
dores estará disponível ao
usuário para executar seus pro-
gramas, sem que ele precise
saber exatamente qual ou
quais computadores estarão fa-
zendo o trabalho.
A lnternet das Coisas vai
criar uma rede de centenas de
bilhões de objetos identificá-
veis e que poderão interoperar
uns com os outros e com os
data centers e suas nuvens
computacionais. A lnternet das
Coisas vai aglutinar o mundo
digital e o mundo físico, permi-
tindo que os objetos façam par-
te dos sistemas de informação.
Com a lnternet das Coisas po-
demos adicionar inteligência à
infraestrutura física que molda
nossa sociedade.
Com tecnologias cada
vez mais miniaturizadas pode-
mos colocar inteligência (leia-
se software) nos limites mais
externos das redes, permitindo
A lnternet das Coisas
vai criar uma rede de centenas
de bilhões de objetos identificáveis
e que poderão interoperar uns
com os outros e com os data
centers e suas nuvens
computacionais.
Cezar Taurion
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
COLUNA · CEZAR TAURlON
4;
que os processos de negócio
sejam mais descentralizados,
com decisões sendo tomadas
localmente, melhorando o seu
desempenho, escalabilidade e
aumentando a rapidez das deci-
sões. Por exemplo, sensores
que equipam um automóvel en-
viam sinais em tempo real para
um algoritmo sofisticado em
um processador no próprio veí-
culo, que pode tomar decisões
que melhoram a segurança da
sua condução, evitando coli-
sões ou mau uso dos seus com-
ponentes. Outras informações
podem ser repassadas a uma
central que monitore o percur-
so, gerenciando a forma do
usuário dirigir o veículo e retri-
buir esta forma de direção em
descontos ou taxas adicionais
de seguros. Podem enviar infor-
mações que mostram que o veí-
culo está sendo furtado e
portanto decisões como o blo-
queio de sua condução e acio-
namento da força policial
podem ser tomadas.
lndiscutivelmente que o Li-
nux e o Open Source tem um
papel muito importante no cená-
rio da lnternet das Coisas. É
um cenário com peculiaridades
específicas. Os objetos inteli-
gentes apresentam uma ampla
diversidade de funcionalidades
e utilizam uma gama muito
grande de processadores. As in-
terfaces de acesso também
são variadas, indo de simples
teclados e mouses, a sensores
e atuadores especializados.
A maioria dos dispositivos
como sensores e atuadores
dispõe de pouco espaço, e,
portanto o software deve ope-
rar em ambientes de recursos
computacionais limitados, co-
mo memória ou ausência de
discos magnéticos. Outra ca-
racterística do software embar-
cado é que deve apresentar
alta estabilidade. Uma aerona-
ve ou uma usina nuclear não
pode apresentar falhas no
software. Claro que existem
dispositivos menos exigentes
quanto à falhas, como por ex-
emplo, uma máquina de venda
de refrigerantes (vending ma-
chine), onde uma eventual fa-
lha não causa maiores danos
ou riscos de vida. Mas os con-
troles de voo de uma aeronave
ou que controlam os freios de
um veículo não podem apre-
sentar falhas. O Linux, pela
qualidade de seu código, se in-
sere muito bem neste contex-
to. E outro impulsionador para
o uso do Linux em sistemas
embarcados é o próprio mode-
lo de software livre, que não
exige pagamento por licenças.
Como muitos destes dispositi-
vos são contados aos milhões,
pagamento de royalties torna-
ria o negócio inviável.
A lnternet das Coisas im-
plica em uma relação simbióti-
ca entre o mundo físico e o
mundo digital, com entidades fí-
sicas tendo também sua única
identidade digital, podendo
com esta comunicar-se e inte-
ragir com outras entidades do
mundo virtual, sejam estes ou-
lndiscutivelmente que o
Linux e o Open Source tem um
papel muito importante no cenário
da lnternet das Coisas. É um
cenário com peculiaridades
específicas. Os objetos inteligentes
apresentam uma ampla diversidade
de funcionalidades e utilizam uma
gama muito grande de
processadores.
Cezar Taurion
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
COLUNA · CEZAR TAURlON
tros objetos ou pessoas. E não
é futurologia, mas algo que já
é realidade.
Mas, como resolver a ques-
tão do endereçamento destas
centenas de bilhões de obje-
tos?
Recentemente, durante al-
gumas das minhas palestras so-
bre os conceitos de Smarter
Planet e Smarter Cities, fiz
uma pesquisa informal e desco-
bri, para meu espanto, que mui-
tos profissionais ainda não se
ligaram na importância do proble-
ma de endereçar um imenso nú-
mero de objetos e sensores e
as limitações do atual protocolo
lPv4. Assim, achei interessante
abordar, embora de forma sucin-
ta, esta questão aqui.
A maioria dos servidores e
estações cliente que estão em
uso na lnternet usam o lnternet
Protocol version 4 ou lPv4. Mas
o lPv4 apresenta diversas limita-
ções, principalmente o fato de
não conseguir endereçar o imen-
so volume de objetos que farão
parte da lnternet das Coisas. O
lPv6 foi desenhado para substi-
tuir o lPv4 e eliminar estas restri-
ções. Seu projeto está em
desenvolvimento e evolução des-
de meados dos anos 90 e nos úl-
timos anos vem recebendo
bastante atenção por parte dos
fornecedores de tecnologia e
dos principais governos do mun-
do. Um maior detalhamento e
as especificações do lPv6 po-
dem ser vistas no site do lETF
(lnternet Engineering Task For-
ce), em [l].
A principal razão para es-
te interesse é sua capacidade
muito maior de endereçamen-
to, permitindo que o conceito
de Planeta e Cidades lnteligen-
tes seja implementado em sua
potencialidade. O lPv4 conse-
gue enxergar cerca de 4,3 bi-
lhões de endereços e em fins
de 2008 apenas l5% (cerca
de 644 milhões) ainda esta-
vam disponíveis. Este número
é insuficiente para endereçar o
imenso volume estimado de ob-
jetos inteligentes que deverão
entrar em operação nos próxi-
mos anos. Basta pensar que so-
mos seis bilhões de pessoas e
em poucos anos pelo menos
2/3 desta população poderá ter
diversos aparelhos que se co-
municarão via lnternet
(smartphones, automóveis, câ-
meras digitais, etc) e portanto
este número já não comporta
esta demanda previsível. E
quando falamos em pelo me-
nos um trilhão de objetos, a
maioria dos quais trocando in-
formações pela lnternet, ve-
mos que inevitavelmente o
lPv4 já não é mais suficiente pa-
ra a lnternet das Coisas. Para
termos uma ideia da imensa po-
tencialidade de endereçamen-
to do lPv6 (que usa l28 bits
comparado aos 32 bits do
lPv4), se cada endereço fosse
uma molécula, elas formariam
um volume do tamanho da Ter-
ra no lPv6, enquanto os endere-
ços lPv4 formariam um volume
do tamanho de um simples
iPod.
O ritmo de adoção do
lPv6 deverá se acelerar em to-
do o mundo. Hoje, o seu nível
de utilização ainda é baixo, si-
tuando-se em torno do l% do
tráfego total da lnternet. Esti-
ma-se que chegue a 5% deste
tráfego já em 20l3, crescendo
de forma exponencial a partir
daí, à medida que mais e mais
objetos inteligentes começam
a conversar uns com os ou-
tros. Algumas estimativas apon-
tam que já em 20l8 cerca de
50% do tráfego na lnternet se-
rá lPv6.
A implementação do con-
ceito da lnternet das Coisas
passa pelo princípio que o
mundo está cada vez mais ins-
trumentado e conectado. Clara-
mente o lPv6 é parte essencial
deste cenário.
CEZAR TAURION é
Gerente de Novas
Tecnologias da lBM
Brasil.
Seu blog está
disponível em
www.ibm.com/develo
perworks/blogs/page/
ctaurion
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
Referências
[l] http://www.tools.ietf.org/html/rfc2460
4<
No episódio anterior, Darrell e Pandora chegam à
PerfWay destruída, mas conseguem chegar antes
que o grupo de Tungstênio, autonomeado SATAV
(SysAtom Technology/AtionVir), deixe o local.
Após uma discussão, o confronto se torna inevitá-
vel.
Montanha: Você nunca vai nos derrotar! Você
acha que pode conosco! Olhe para nós e olhe pa-
ra você mesmo! É patético, Cigano!
DarreII: Meu nome é Darrell!
Montanha: Tá, Cigano.
DarreII: E essa sua conversa está parecendo Ca-
valeiros do Zodíaco! Faça-me o favor...
Patinhas: Ah, véio, Cavaleiros era massa...
COLUNA · CARLlSSON GALDlNO
Por CarIisson GaIdino
53
Episódio l4
Porrada!
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
COLUNA · CARLlSSON GALDlNO
54
DarreII: Eu não quero lutar com vocês. Eu só que-
ro que vocês deixem de lado essa ideia louca de
dominação mundial e assassinatos.
Os três inimigos se olham por um tempo.
Montanha: Então não há acordo.
Patinhas: É! Para chegar até o santuário você te-
rá que nos derrotar, cavaleiro! Eita, eu podia ser o
Aldebaran! Ouero não ser mais Patinhas! Agora
me chamem de Aldebaran.
Seamonkey: Chega de conversa.
A ação ocorre de maneira simultânea. Seamon-
key corre por um lado, enquanto, como uma ação
totalmente isolada, Montanha dá uns passos em
direção a uma moto para levantá-la. Darrell corre
com a marreta em direção ao grupo. Pandora de
um lado e Patinhas [ ou melhor, Aldebaran [ do
outro, permanecem imóveis, como se estivessem
em choque, sem saber o que fazer.
Pandora vê a cena em câmera lenta, o tempo alte-
rado pela tal da adrenalina. Só vê o Darrell corren-
do em direção ao perigoso grupo, deixando-a
sozinha. Sente medo. Vê o Montanha levantar
uma moto e jogar quase exatamente em sua dire-
ção. Aquele objeto ameaçador vem pelo ar, em
sua direção.
Felizmente cai a ficha em tempo que, mesmo a vis-
ta sendo emocionante ela não estava em uma ses-
são de cinema 3D, e ela consegue se jogar no
chão, por pouco não sendo atingida. A moto cai
num enorme barulho.
DarreII: Pandora!!!
Pandora: Ai! Oi!
Ao perceber que Pandora está bem, Darrell se vol-
ta novamente ao combate, e completa os passos
que faltavam, acertando a marreta na canela do Al-
debaran.
AIdebaran: Putaquepariu! lsso dói!
Outro golpe rápido e um estrondo de obras de
construção. É a marreta acertando o Montanha,
na altura do que seria sua caixa torácica, ou do
que é sua caixa torácica. É difícil dizer se ainda
há uma caixa torácica por baixo dessa pele de pe-
dras.
Montanha dá um passo para trás e tenta tirar a
marreta de Darrell. Ouase consegue. Consegue
fazer com que ela caia das mãos de Darrell, mas
o fim do movimento faz com que seus olhos curio-
sos encontrem apenas um spray de pimenta.
Montanha: Meus olhos! lsso dói!
Darrell olha em volta rapidamente, procurando pe-
los dois inimigos restantes. Nem sinal de Tungstê-
nio, nem de...
DarreII: Ah, não...
O motivo da surpresa é claro e urgente: Ele vê
Pandora se debatendo contra um borrão, como
se a Seamonkey estivesse tentando "fagocitá-la".
E ele parte instantaneamente. Logo Seamonkey
cai, procurando aquele corpo que ela estava ten-
tando asfixiar há um segundo.
DarreII: Você está bem?
Pandora: Estou... Eu acho...
Ela responde, mal conseguindo respirar. Está mo-
lhada e claramente nada bem.
AIdebaran: Ai! Ai! Acho que quebrei alguma coi-
sa!
Darrell aparece por trás de um furgão. De lá avis-
ta o Montanha olhando em sua direção, com a
marreta nas mãos. Aldebaran permanece caído
como um jogador de futebol carente da atenção
do juiz. Seamonkey, mais perto, o encara de pé,
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
COLUNA · CARLlSSON GALDlNO
55
com olhar frio.
DarreII: Acho que por hoje basta. Ouero que pen-
sem no que eu disse a vocês hoje. E pensem nes-
sa loucura de dominação mundial. Não faz o
menor sentido! Oliver perdeu...
Montanha: É Tungstênio, maldito!
DarreII: ...o controle e o juízo. Se vocês forem na
onda dele terão um triste final, podem apostar.
Montanha: lsso é uma ameaça?
DarreII: Nós vamos fazer a nossa parte para que
isso aconteça.
AIdebaran: lsso o quê?! Ai...
Montanha: O final, chifrudo!
Então Montanha se volta para Darrell.
Montanha: Não delire. Somos quatro, vocês são
só dois. Você viu o que acontece se nos desafiar.
Por pouco a Seamonkey não acabou com a vida
da sua bonequinha paraguaia.
AIdebaran: Sua o quê?!
Montanha: Da próxima vez ela terá mais sorte
e... Espera um pouco. Por que a gente está con-
versando tanto ao invés de acabar de vez com is-
so?
AIdebaran: Não olhe pra mim...
Montanha: Seamonkey? Vamos lá!
Os dois correm e Darrell volta rapidamente para
trás do furgão. Seamonkey vai por um lado, en-
quanto o Montanha vai pelo outro. Os dois che-
gam atrás do furgão praticamente ao mesmo
tempo.
Montanha: Droga! Como ele faz isso?!
Montanha vira o furgão em fúria, ao ver o lugar va-
zio. Embaixo do furgão também não havia nada.
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
CARLISSON GALDINO é Bacharel em
Ciência da Computação e pós-graduado
em Produção de Software com Ênfase em
Software Livre. Já manteve projetos como
laraJS, Enciclopédia Omega e Losango.
Mantém projetos em seu blog, Cyaneus.
Membro da Academia Arapiraquense de
Letras e Artes, é autor do Cordel do
Software Livre e do Cordel do BrOffice.
É esquisito escrever sobre um assunto so-
bre o qual sei tão pouco. Não fosse por um livro
que Richard Stallman me emprestou ano passa-
do, eu provavelmente ainda estaria sob influência
de uma visão romântica sobre as origens e a práti-
ca da pirataria. Não mais.
Aprendi que piratas foram criminosos sangui-
nários, patologicamente violentos, capazes de tra-
tar com o mesmo rigor assassino tripulantes,
passageiros e escravos dos navios pilhados, e de
abandonar à própria sorte em ilhas desertas com-
panheiros que escondessem parte dos tesouros
saqueados só para si. Limites à sua crueldade,
aparentemente, não havia, com uma exceção co-
nhecida: forçar inimigos a caminhar sobre a pran-
cha com olhos vendados e mãos amarradas para
morrer no mar é fruto da imaginação de romancis-
tas, não encontrando respaldo na realidade.
CAPA · PlRATARlA
Pirataria
56
Por AIexandre OIiva
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
Strangeguy - sxc.hu
57
É certo que os navios piratas eram democrá-
ticos. Nem poderia ser diferente: num bando de
psicopatas valentões (as mulheres piratas, raríssi-
mas, eram igualmente valentonas), se a minoria
não entra de livre e espontânea vontade no esque-
ma da maioria, a livre e espontânea vontade da
maioria se impõe à força sobre a minoria sobrevi-
vente. Assim, democraticamente, se determinava
o capitão (em alguns casos dono da embarca-
ção), o código de conduta, a divisão dos futuros re-
sultados da empreitada, de preciosidades a
escravos, e as indenizações por eventuais ferimen-
tos em combate e consequentes amputações pe-
lo cozinheiro (!!!) de bordo.
Se combatiam alguma injustiça, era a má dis-
tribuição de ouro e munição: tratavam de oferecer
balas e metais cortantes aos menos favorecidos
em termos de armamento, em troca de seus me-
tais preciosos e de quantidade útil de escravos,
abandonando os demais ainda acorrentados à
nau-fragante ou na vila em chamas.
Singravam em seguida para algum porto ami-
go (entenda-se, previamente conquistado por pira-
tas) para eventuais reparos à embarcação e para
rapidamente distribuir a renda que lhes coube, des-
tilando-a em etanol, nos mais variados graus de
pureza, para mais animadamente se de(le)itarem
nas noitadas amaciando e esquentando carne hu-
mana, de pureza seguramente duvidosa, dada à
promiscuidade profissional.
Tão logo tomassem consciência de estarem
livres dos pesos dos crimes cometidos, assim co-
mo dos dobrões e lingotes, tratavam de tramar no-
va empreitada, em suas próprias embarcações,
quando as possuíam, ou nas de outros piratas ali
ancorados, repetindo o processo até um ferimen-
to fatal em combate ou uma condenação a enfor-
camento.
Melhor sorte tinham os corsários, piratas
contratados pelas coroas europeias para defen-
der intere$$e$ Reai$ da ameaça de que preciosi-
dades chegassem ao porto errado. Fração
significativa dos bens capturados pelos corsári-
os era devida ao reino, como pagamento pelo
aluguel da bandeira e pelo privilégio de serem
considerados integrantes da marinha real: por
força de tratados internacionais, seriam poupa-
dos da pena de morte nas cortes marciais que
os julgassem.
Tudo isso e muito mais aprendi ou confirmei
no livro "Under the Black Flag" (Sob a Bandeira
Negra), do historiador David Cordingly. Já o que
segue é resultado de pesquisa pessoal inspirada
não só pelo livro, mas por um pequeno trecho da
descrição de um curso oferecido pelo advogado
Stephan Kinsella, que traduzo: "Direito autoral
tem suas raízes na censura. Não é surpresa que
ainda conduza a censura hoje em dia. A lei de pa-
tentes tem suas origens na concessão de mono-
pólios mercantis, e até na pilhagem legalizada -
cartas de patente eram usadas para legalizar a pi-
rataria no século XVl - é irônico que sejam usa-
dos contra "piratas" modernos que não são, de
forma alguma, realmente piratas."
Tornar-se corsário, ou pirata legalizado, era
um privilégio para poucos. Não bastava querer:
era necessário o favor da coroa, declarando sua
patente de corsário em carta aberta (em latim, lit-
terae patente), pela qual era incorporado à mari-
nha real. Uma carta de patente de corsário era
conhecida como carta de corso (do latim "cursus",
corrida, presumivelmente ao ouro de uma embar-
cação mais lenta) ou carta de marca (do germâni-
co "mark", fronteira, que o corsário tinha
permissão para desrespeitar, e/ou do provençal
"marcar", tomar como penhor, novamente se refe-
rindo ao ouro alheio), mas muitos outros tipos de
privilégios eram concedidos por reis através de
cartas patentes.
Por vezes favoreciam seus apadrinhados
concedendo-lhes exclusividade na importação, fa-
bricação e comércio de determinadas mercadori-
as. Na transição para democracias, a concessão
desses monopólios foi regulamentada e democra-
tizada, limitando o privilégio a invenções com apli-
cação industrial, por tempo pré-determinado,
transformando um arcaico privilégio real num in-
centivo à publicação de invenções, cujo inventor,
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
CAPA · PlRATARlA
na ausência do incentivo, poderia manter secre-
tas para gozar exclusiva e indefinidamente das
vantagens produtivas por elas propiciadas.
Algumas das mercadorias cobertas por deter-
minadas cartas patentes eram livros: monarcas to-
talitários viram por bem permitir seletivamente
sua impressão na nascente indústria editorial, cen-
surando a publicação, a importação e o comércio
de material contrário aos interesses reais. Na tran-
sição democrática, o arcaico privilégio real transfor-
mou-se em artifício para aumentar a
disponibilidade de livros para o público, conceden-
do aos autores o poder temporário de autorizar,
com exclusividade ou não, a impressão e o comér-
cio de suas obras, a título de incentivo para a publi-
cação de obras que, na ausência de ofertas
favoráveis pelos editores, poderiam permanecer in-
disponíveis.
lnfelizmente, a confusão hoje existente en-
tre marcas para proteção do consumidor, paten-
tes para acelerar o progresso científico e
tecnológico e direitos autorais para promover a di-
fusão da cultura provavelmente advém não de
sua origem no mesmo mecanismo arbitrário e ar-
caico de concessão de monopólios, as cartas aber-
tas reais, mas sim da distorção desses diversos
mecanismos, de privilégios monopolísticos limita-
dos, almejando cada qual um diferente tipo benefí-
cio para a sociedade democrática que os
concede, a um novo arcabouço único, agora en-
quadrado e refraseado como se fosse um tipo de
propriedade.
Tal enquadramento, além de buscar confun-
dir os diferentes mecanismos e esconder seus ob-
jetivos democráticos, tenta legitimar sua
expansão e enrijecimento muito além do ponto
em que supostamente trariam os benefícios soci-
ais originalmente almejados e jamais comprova-
dos, retornando à injustiça, à arbitrariedade e ao
totalitarismo das antigas monarquias, agora mono-
pólios.
Através da confusão, da distorção e do en-
quadramento falacioso como propriedade, os mo-
nopolistas que os propõem obtêm permissão e
apoio de nossas instituições governamentais, que
invadiram, corromperam e plutocratizaram, para
saquear nossa cultura, sitiar nossa tecnologia, en-
venenar nosso alimento, sequestrar nossa saúde
e escravizar nossos cidadãos. As atuais leis que
instituem esses monopólios nos remetem - Ocul-
tar texto das mensagens anteriores - às cartas de
marcas, cartas patentes, cartas de registro (já
nem mais necessário) de direitos autorais. São
cartas de corso, e a nação inimiga que os corsári-
os corporativos têm permissão governamental pa-
ra atacar são a humanidade.
Chega de corrupção, de humanos domesti-
cados servis à espécie dominante: os corsários
corporativos, violentos valentões psicopatas co-
mo os corsários e piratas de outrora. Já passou
da hora de reprogramar as corporações para colo-
car o respeito à humanidade acima do lucro imedi-
ato, insustentável e desumano. Ouando vamos
começar? Será que ainda dá tempo?
Copyright 20l0 Alexandre Oliva
Cópia literal, distribuição e publicação da íntegra deste artigo
são permitidas em qualquer meio, em todo o mundo, desde que
sejam preservadas a nota de copyright, a URL oficial do docu-
mento e esta nota de permissão.
http://www.fsfla.org/svnwiki/blogs/lxo/pub/pirataria
58
ALEXANDRE OLIVA é conselheiro da
Fundação Software Livre América Latina,
mantenedor do Linux-libre, evangelizador
do Movimento Software Livre e engenheiro
de compiladores na Red Hat Brasil.
Graduado na Unicamp em Engenharia de
Computação e Mestrado em Ciências da
Computação.
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
CAPA · PlRATARlA
A grande polêmica em torno das supostas
violações dos direitos autorais dos artistas e in-
dústria midiática do entretenimento através de re-
des como o P2P e outras tem tomado
proporções que chegam mesmo ao ridículo e
nos remete a reflexões sobre o verdadeiro signifi-
cado do que se chama direito autoral. Tudo
bem, é lei mas, e daí ? Ouantas outras coisas já
foram proibidas por leis que, com a evolução
dos tempos (leia-se com a conscientização e
pressão da população) demonstraram ser contra-
producentes e tiveram que ser revogadas, não ra-
ro dando origem a leis completamente opostas?
Até o século XlX, no Brasil, era direito garantido
por lei os senhores de escravos poderem espan-
cá-los e se servirem deles como bem lhes aprou-
vesse, bem como das mulheres. E hoje já temos
leis contra a discriminação por cor, escravidão
humana e a da Maria da Penha. E por que as te-
mos? Será que foi porque de repente uma cons-
cientização humanitária transcendental os
invadiu de repente? Ou foi, só pra variar, uma
conquista de lutas históricas de pessoas consci-
entes, incansáveis e organizada no compartilha-
mento de suas necessidades e objetivos? Além
do mais o que são leis? Ouem as faz e por que?
Atualmente nos dicionários já está agrega-
da à palavra "pirata" o sentido pejorativo de cópi-
as não autorizadas de obras artísticas e
literárias, mas na sua gênese o termo referia-se
ao roubo praticado nos mares de outrora. Como
os dicionários também são um produto cultural,
passíveis de se "piratear", portanto não isentos
de parcialidade, vou falar de pirataria usando
seu sentido etimológico inicial, a saber, o ato de
roubar, saquear. Gosto muito de analisar a es-
sência das palavras porque por trás delas se es-
condem elucidativos significados. Veja-se a
palavra "anarquista" que adquiriu (ou foi impos-
to?) um significado de bagunceiro, anti-Cristo,
CAPA · OUEM SÃO OS PlRATAS, AFlNAL?
OUEM SÃO OS PIRATAS,
AFINAL?
Por Waney VasconceIos
59
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
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5:
caótico, esquecendo-se seu sen-
tido histórico de luta política con-
tra a dominação possibilitada
pela existência do Estado e suas
forças repressoras. É uma tática
dos que querem se manter no do-
mínio, demonizar tudo que possa
oferecer alternativas libertárias
ao povo. E como as palavras são
um componente primordial no
ato e formatação do ato de co-
nhecer e interpretar a realidade,
tornam-se instrumentos condicio-
nantes para quem tem o interes-
se e os meios para divinizar ou
satanizar determinada coisa.
Mas voltemos à pirataria.
Ouem são os verdadeiros piratas nessa his-
toria toda? Ouem rouba quem?
A cultura artística atual, pra começar, em su-
as manifestações musicais, visuais, literárias,
etc, quase sempre é um roubo. Todo ser huma-
no tem a capacidade de criar e se manifestar
através de uma linguagem artística, mas o siste-
ma capitalista, como quer (e depende de) trans-
formar tudo em mercadoria, diz que artistas são
pessoas especiais que fazem coisas que outras
"comuns" não são capazes de fazer. Roubo du-
plo: das pessoas "comuns" por lhes subtrair a
possibilidade de desenvolver habilidades de ex-
pressão e terem de pagar para ter acesso a ex-
pressões padronizadas com as quais se
identificam, sendo obrigados a levar junto (pagan-
do ainda) toda uma mensagem sub liminar que
os escravizados artistas por subtrair deles uma
enorme parte de suas vidas se especializando
em suas artes para dar cada vez mais lucros pa-
ra as empresas para as quais trabalham, em no-
me de uma fama efêmera e ilusória ou dinheiro
igualmente efêmero, impossibilitando-os de usu-
fruir de outras parcelas do viver que não este-
jam ligadas à arte, causando não poucas vezes
problemas psicológicos irreversíveis que os le-
vam às drogas, alcoolismo e outros desvios de
comportamento. Casos como Van Gogh e Micha-
el Jackson não são raros no mundo artístico e
quanto mais doido ou doente o artista, mais ca-
ra sua obra, portanto, mais lucros para seus em-
presários. Sem falar que muitos desses
empresários ficam ansiosos para que os artistas
morram para que suas obras sejam ainda mais
valorizadas (financeiramente).
Acresce-se a isso o fato de essas mesmas
obras artísticas que consumimos serem um du-
plo roubo a nós: primeiro, o preço que pagamos
está sempre muito longe de ser justo; segundo,
a qualidade delas está muito aquém do que me-
recemos, tendo-se em vista toda a propaganda
que é feita para nos condicionar a gostar de pro-
dutos culturais que, ao invés de elevar nosso es-
pírito (consciência) faz é nos embrutecer mais
ainda e escravizar no sentido de não questionar
nada e reproduzir os mecanismos de domina-
ção existentes. Aliás, essas empresas de entre-
tenimento não poderiam mesmo aceitar isso
que chamam de "pirataria" porque a caríssima
propaganda/marketing que fazem de seus pro-
dutos e artistas para nos hipnotizar é arcada
justamente por nós mesmos quando pagamos o
preço por uma obra "legal".
lnfelizmente esse condicionamento do qual
somos vítimas, para gostar de determinados pa-
Atualmente nos dicionários
já está agregada à palavra "pirata" o
sentido pejorativo de cópias não
autorizadas de obras artísticas e
literárias, mas na sua gênese o
termo referia-se ao roubo praticado
nos mares de outrora.
Waney Vasconcelos
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
CAPA · OUEM SÃO OS PlRATAS, AFlNAL?
5;
drões de música, filme, literatura e tudo que se
refere à estética, inclusive à mulher (ou homem)
que achamos ideal, não é tão facilmente desfei-
to porque existe toda uma pesquisa científica,
desde Maquiavel a Hitler e G.W.Bush, para que
fosse consolidada. E somos "educados" (ames-
trados?) desde o jardim de infância e de progra-
mas infantis para esse gosto. Por que acham
que é tão difícil para as pessoas, mesmo as
mais revolucionárias, se desligarem do software
proprietário e adotarem o S.L.?
Patentes, na maioria das vezes nada mais
são do que um roubo à construção coletiva do co-
nhecimento e da arte, uma vez que não existe o
gênio que inventa algo a partir do nada. Para
que uma construção artística moderna pudesse
surgir foi necessário que um parente remoto co-
meçasse a riscar desenhos nas paredes das ca-
vernas ou descobrisse que de um bambu
perfurado podia tirar uma nota musical; e que to-
das as gerações subsequentes dessem continui-
dade a esses experimentos, dos quais somos
só mais um elo da cadeia de construção que ain-
da prosseguirá avançando para outras formas.
Tudo isso pra chegarmos no tecnológico século
XXl e uns poucos resolverem que tudo que foi
construído anteriormente e que é herança de to-
da a humanidade pertence a uma só pessoa ou
empresa...
lmaginem a cena: um índio do interior do
Amazonas está fazendo um re-
médio com uma planta nativa pa-
ra seu filhinho doente seguindo
uma receita milenar de sua cultu-
ra e, de repente, aparecem polici-
ais para prendê-lo porque está
violando direitos de patente! Pois
se não sabem, empresas, quase
sempre estrangeiras, estão pate-
nteando princípios ativos de plan-
tas da Amazônia. Já tentaram
patentear até o açaí! Estão paten-
teando sementes, de forma que,
quem quiser plantar vai ter que
pagar os (in)devidos royalties. As-
sim como as tecnologias de softwares proprietá-
rios tem a capacidade de tornar determinada
versão incompatível com seu próprio aplicativo,
forçando assim o usuário a atualizá-lo (pagan-
do, claro!), na indústria de sementes patentea-
das existe a tecnologia terminator que nada
mais é do que a impossibilidade dessa semente
produzir uma segunda geração fértil, ou seja, te-
rá que ser comprado outro lote para plantio. E o
Projeto Genoma, conhecem-no? Roubo e mais
roubo, ou seja, pirataria, e tudo em nome dos lu-
cros empresariais e da hegemonia de poder.
Embora já tenhamos ido um tanto longe,
voltemos aos primórdios do sentido de pirataria,
quando piratas eram os ladrões que navegavam
os mares. Eis que um belo dia Colombo e sua
trupe "descobrem" o novo mundo (Cabral viria
logo depois). No sentido literal da palavra: Pira-
tas. Saquearam, roubaram, trucidaram as civili-
zações nativas. No Brasil, em l850 patentearam
todo o fruto de sua pirataria: promulgaram a "Lei
da Terra", excluindo assim qualquer um que não
tivesse sido pirata como eles de ter acesso a
um pedaço de terra para viver sem ter que pa-
gar os royalties aos piratas, inclusive os antigos
moradores daqui, os "indígenas" que, se soubes-
sem, teriam patenteado as terras primeiro e aí
eu queria ver o que que ia virar! Novamente per-
gunto: quem são os verdadeiros piratas? Vem a
propósito uma piadinha: a professora para sua
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
Já tentaram patentear até o
açaí! Estão patenteando sementes,
de forma que, quem quiser plantar
vai ter que pagar os (in)devidos
royalties.
Waney Vasconcelos
CAPA · OUEM SÃO OS PlRATAS, AFlNAL?
5<
turma: - O oxigênio foi descoberto em, por. - o
Joãozinho: - Nossa, professora! E como as pes-
soas faziam pra respirar antes disso?!
Não são os grandes grupos de mídia e en-
tretenimento (rádios e tvs) que incentivam as
leis anti pirataria e ao mesmo tempo se utilizam
do espectro eletromagnético de transmissão,
que é público, mas têm concessões facilitadas
por "peixadas" no Planalto para usarem e abusa-
rem, os verdadeiros piratas? Ouanta burocracia
precisam as humildes rádios ou tevês comunitári-
as para se implantarem? E o quanto são exco-
mungadas e perseguidas as, novamente a
pecha, tevês e rádios "pirata"? A comunicação
deveria ser vista como um direito a nos comuni-
car, não de sermos comunicados. A lnternet nos
possibilita isso de produzirmos conhecimento, ar-
te, comunicação e compartilhar, não apenas con-
sumir. Cabe a nós brigar para impedir que nos
tirem isso que desde que o mundo é mundo
vem se esperando que aconteça e que agora
acontece: a possibilidade real desse meio virtual.
Por enquanto ainda estamos culturalmente
condicionados à maneira de pensar colonizada
e condicionados a leis, como a dos direitos auto-
rais e DRM, e ainda temos arraigado um senso
de honestidade que nos foi imposto para conter
nossa rebeldia necessária para fugir à domina-
ção, senso este que é mais do que reforçado pe-
la religião. Mas, não canso de dizer, a lnternet já
existe e todos esses padrões de pensamento e
comportamento impostos anteriormente a nós
agora tem como começar a ruir. Utilizemo-la (pa-
lavra mais estranha, né?) para nos mobilizar
por nossos direitos, aqueles que estão na Cons-
tituição e aqueles que ainda não estão, pois de-
veriam estar e, se nós não pressionarmos para
que estejam, jamais estarão! Hoje lutamos pelo
direito de baixar produtos culturais que muitas
vezes são porcarias em vista de tesouros que
não nos deixaram ter nem referencial para fruir,
e que muitas outras vezes ajudam a nos escravi-
zar a padrões imperialistas, mas mesmo
assim temos de lutar por esse direito. De-
pois lutaremos pela qualidade cultural
das obras. Lutemos pelo direito de ter-
mos direitos, pois os temos e, se não te-
mos, vamos criá-los dentro de nós
mesmos!
De tudo que foi exposto de modo
um tanto sumário, gostaria que ficassem
esses pontos para reflexão: a boniteza,
como diria Paulo Freire, da existência
dos softwares livres, do compartilhamen-
to de experiências, arquivos, etc, de veí-
culos como a revista Espírito Livre, do
Movimento Software Livre e da GNU, é al-
go que precisa ser preservado e difundi-
do e não podemos ficar só na utopia de
que o lado representante de interesses
mercantis e imperialistas vai finalmente
cair em si e juntar-se a nós pelo bem da
humanidade e todos então viverão felizes
para sempre. A História está repleta de
exemplos mostrando o contrário.
A comunicação deveria
ser vista como um direito a nos
comunicar, não de sermos
comunicados. A lnternet nos
possibilita isso de produzirmos
conhecimentos, arte,
comunicação e compartilhar,
não apenas consumir. Cabe a
nós brigar para impedir que
nos tirem isso...
Waney Vasconcelos
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
CAPA · OUEM SÃO OS PlRATAS, AFlNAL?
63
A Revolução Francesa, coisa
mais linda, com sua premissa de li-
berdade, igualdade, fraternidade,
depois de pouco tempo implantan-
do reformas populares para melho-
rar o país saqueado e arruinado
pelos nobres, que tinham, digamos
assim, patente de sangue, foi brutal-
mente sufocada, abrindo caminho
para nada mais nada menos do
que um império, o napoleônico. E,
para o povo, adeus liberdade, igual-
dade e fraternidade então...
O Brasil em l963 era um pro-
missor país de desenvolvimento po-
pular, com avanços em liberdade
intelectual e até começo de reforma agrária. Co-
mo nada disso agradava aos representantes na-
cionais e internacionais do sistema, facilmente
impôs-se a ditadura e acabou-se o que era do-
ce. Simples assim! Não tão simples foram as tor-
turas, assassinatos e deportações dos que
ousaram dizer algo contra.
Havemos de ter claro que tais liberdades pe-
las quais estamos dispostos a brigar (estamos?) di-
zem respeito diretamente ao modo em que está
estruturada toda a sociedade globalizada; é um
embate político, não adianta dizermos que trata-
se de idealismo ou ideologia porque não é só is-
so. É algo concreto e prático que diz respeito às
mudanças que essa mesma sociedade precisa efe-
tuar e que efetuará inexoravelmente e adiar tais
mudanças é represar o curso histórico natural, cau-
sando mais sofrimento durante esse represamen-
to e alguma catástrofe social, quem sabe até
natural, quando do rompimento da barragem. Pre-
cisamos nos informar e participar politicamente,
na lnternet, nas ruas, ir ao Planalto em marcha
até. Se a única maneira de protestar em que esta-
mos dispostos a nos envolver é escrever e postar
na lnternet na comodidade de nossas casas, para
garantir seus interesses os verdadeiros piratas uni-
dos e globalizados que sabemos quem são, estão
dispostos a usar até um arsenal nuclear, se preci-
so.
Não pretendo criar uma paranóia nem dei-
xar ninguém assustado, mas o modus operandi
dos que não querem deixar suas posições econô-
micas dominantes e privilégios políticos serem
simplesmente distribuídos livremente é recorrente
através da história e em diferentes campos: direi-
tos autorais na lnternet, royalties de sementes,
medicamentos viciantes, cultura de massa vician-
te, e uma infinidade de coisas que, vendo-me
vem à mente a imagem de que, desde que nasce-
mos começamos a ser programados para consu-
mir, trabalhar sem parar para... consumir (e não
ter tempo para pensar) e se tentamos sair desse
ciclo vicioso, somos processados!! Ou marginali-
zados, pode escolher! A vida é muito mais bela
que isso e nós somos muito mais do que máqui-
nas, afinal, se construímos e programamos máqui-
nas para fazer determinada atividade, deletemos
o software proprietário que nos impuseram e con-
tinuam a atualizá-lo diariamente desde nossa in-
fância e, de posse do código fonte de nosso
espírito, programemo-nos para sermos LlVRES!
WANEY VASCONCELOS é assentado da
reforma agrária e também luta por ela. Faz
arte (escultura, pintura artesanato) para
sobreviver, e, desde que se entende por
gente é educador popular, trabalhando com
oficinas de arte, teatro, informática, inglês e
espanhol como voluntário. Coordena o
telecentro (via GESAC) do assentamento
Oziel, divisa de Goiás com Mato Grosso.
Havemos de ter claro que
tais liberdades pelas quais estamos
dispostos a brigar dizem respeito
diretamente ao modo em que está
estruturada toda a sociedade
globalizada...
Waney Vasconcelos
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
CAPA · OUEM SÃO OS PlRATAS, AFlNAL?
Ouem está envolvido
com a área de tecnologia ou
usa um computador provavel-
mente já deve ter ouvido o ter-
mo "pirataria". Seu significado
mais comum é a ação de copi-
ar e/ou distribuir ilegalmente
software ou conteúdo (como
música, texto ou fotos) protegi-
do por direitos autorais.
Falando especificamente
em relação ao software, o que
pouca gente sabe é que há dife-
rentes modalidades de pirata-
ria. Conhecer as várias formas
desse furto de propriedade inte-
lectual pode proteger a você e
a sua empresa dessa prática,
mesmo que de forma não inten-
cional. Só para lembrar, esse
crime é passível de punição
com multa de até 2000 vezes o
valor da cópia pirata encontra-
da na empresa, e seus repre-
sentantes legais são
responsabilizados pelo ato.
Pirataria: um só crime em
vários formatos
Por GiIberto Sudré
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Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
CAPA · PlRATARlA: UM CRlME EM VARlOS FORMATOS
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A forma mais comum de
pirataria acontece quando o
usuário copia o software sem
ter a licença para seu uso. lsso
pode acontecer no ambiente
pessoal ou em empresas que
não controlam corretamente o
número de licenças adquiridas
e instaladas em seus computa-
dores. Outra situação a que de-
vemos ficar atentos é quando
adquirimos um computador
que já vem com sistema opera-
cional e aplicativos instalados.
Nesse caso, o usuário deve
conferir a nota fiscal para verifi-
car se ela relaciona todos os
aplicativos fornecidos. Essa é
a garantia de que os progra-
mas são legais.
Se você faz download de
programas por meio da inter-
net, também deve verificar se
o proprietário do aplicativo auto-
rizou sua distribuição. Nessa si-
tuação, a recomendação é
evitar sites de downloads "gené-
ricos" e sempre baixar os pro-
gramas a partir da página
oficial do fornecedor.
Ouem acha que não cor-
re riscos quando adquire aplica-
tivos em lojas pode ter
surpresas. Existem muitos ven-
dedores que oferecem progra-
mas falsos em embalagens
muito parecidas com as origi-
nais. Esses pacotes de softwa-
re normalmente incluem
cartões de registro falsificados
ou com números de série não
autorizados. Para ficar livre
desse problema, só adquira
programas em estabelecimen-
tos conhecidos e exija a nota
fiscal. Fique atento ao preço
do software. Se estiver barato
demais, há grande chance de
o produto ser pirata.
Se você não quer pagar o
preço do aplicativo proprietá-
rio, lembre-se de que sempre
existe a opção do software li-
vre, uma alternativa gratuita e
equivalente. Muitas pessoas já
migraram para esse tipo de
programa e estão muito satis-
feitas.
Ouem acha que não corre
riscos quando adquire aplicativos
em lojas pode ter surpresas.
Existem muitos vendedores que
oferecem programas falsos em
embalagens muito parecidas com
as originais.
Gilberto Sudré
GILBERTO SUDRE
é professor, consul-
tor e pesquisador da
área de Segurança
da lnformação. Co-
mentarista de Tecno-
logia da Rádio CBN.
Articulista do Jornal
A Gazeta e Portal
iMasters. Autor dos li-
vros Antenado na
Tecnologia, Redes
de Computadores e
lnternet: O encontro
de 2 Mundos.
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
CAPA · PlRATARlA: UM CRlME EM VARlOS FORMATOS
A pirataria é, com certeza, uma prática mui-
to comum no Brasil [l]. A sensação de impunida-
de com relação a isso é muito alta. Oual seria o
melhor caminho para evitar isso?
Primeiro, entender o que é a pirataria! A pi-
rataria consiste em obter algo ou fazer uso dele
sem pagar pelos seus direitos ao autor ou à em-
presa. lsso acaba prejudicando quem produz es-
se software, já que depende do dinheiro da
licença para se manter. Esse é o modelo do
software proprietário e seu copyright. Ouando al-
guém baixa, por exemplo, um filme como "Tropa
de Elite", as pessoas deixam de ir ao cinema.
Com isso, prejudica toda uma cadeia que produ-
ziu, criou, divulgou. Não estou dizendo que o
preço do ingresso é justo, mas que, se você qui-
ser usar determinado software, busque ser justo
e obedeça a sua licença.
CAPA · SOFTWARE LlVRE COMO ALTERNATlVA A PlRATARlA
P Po or r A An nd dr ré é G Go on nd di im m
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No software livre, o modelo de negócio é di-
ferente. Apesar de muita gente acreditar que to-
do software livre [2] é grátis, não é bem assim. A
liberdade de um software está no fato de ele res-
peitar as licenças livres, ser aberto, poder ser
usado à vontade, ter o código estudado, repassa-
do. Um desenvolvedor que deseje fazer do seu
programa um programa pago, pode fazê-lo pago
e livre ao mesmo tempo. Tal desenvolvedor ape-
nas cobrará pelo programa, mas, junto a ele, irá
repassar o código. O que garante a liberdade.
Uma possível solução é a adoção do
software livre, por ter custos menos elevados.
Ter estabilidade e segurança maiores em rela-
ção a software proprietários. Além de haver uma
filosofia de colaboração bem grande e uma co-
munidade que busca sempre melhorar a cada
dia.
O Ubuntu, bem como várias distribuições,
é um sistema operacional baseado na liberdade,
que não cobra por atualizações e não há uma
versão empresarial. lsso torna a implantação
de um parque tecnológico muito mais barata.
Um parque tecnológico, vamos supor, de
20 máquinas. Teríamos 20 licenças de Win-
dows, 20 licenças do Office, 20 licenças de anti-
vírus. Há um custo bem elevado na
implantação. Porém, se o mesmo usar Ubuntu,
seria apenas o custo do profissional que irá im-
plantar.
O Ubuntu [3] já vem a segurança Linux,
com a suíte de escritório completa e vários pro-
gramas adicionais, bem como a possibilidade de
se instalar mais de l3 mil programas, todos li-
vres, através da Central de Programas do Ubun-
tu. E há a possibilidade de adquirir alguns
programas proprietários também.
Por isso, uma boa maneira de evitar a pira-
taria é entender o que ela é, o que significa, en-
tender a filosofia do software livre, sua
segurança, liberdade e comunidade, e fazer a
escolha inteligente pelo software livre!!!
ANDRE GONDIM faz parte da comunidade
Ubuntu Brasil. lniciou pela parte de tradução
onde hoje é líder desde o FlSL l0. Já
contribuiu com documentação, suporte
(onde vez por outra ainda contribui seja com
post, seja na lista de usuários do Ubuntu).
Ubuntu Member desde 2007. Eleito membro
do Conselho Ubuntu Brasil em Agosto de
2009.
67
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
A pirataria é, com
certeza, uma prática muito
comum no Brasil. A
sensação de impunidade
com relação a isso é
muito alta.
André Gondim
CAPA · SOFTWARE LlVRE COMO ALTERNATlVA A PlRATARlA
Referências
[l] http://miud.in/j0e
[2] http://pt.wikipedia.org/wiki/Licença_Pública_GNU
[3] http://www.ubuntu-br.org
Há alguns anos vem sendo discutida a pro-
teção de direitos da propriedade intelectual, es-
pecialmente no que se refere aos direitos
autorais e patentes.
Apesar de existirem várias entidades nacio-
nais ou internacionais que tratam desses assun-
tos, um conjunto de organizações que
representam interesses da indústria do disco, ci-
nema, medicamentos, software e patentes têm
tentado fazer com que alguns dos mais podero-
sos países do mundo assinem um novo acordo
comercial.
Assim, foi estabelecido ACTA - "Anti-Coun-
terfeiting Trade Agreement", Acordo de Comér-
cio Anti-Pirataria, impulsionado por grandes
empresas e que deve garantir a existência de
um Estado policial digital em todos os países
que o assinarem.
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O objetivo declarado do acordo é aumen-
tar os direitos dos detentores de propriedade inte-
lectual, por meio de uma maior cooperação e
coordenação entre as agências governamentais
internacionais.
Participação nas discussões
O texto final sobre esses direitos está emer-
gindo de uma série de reuniões, a maioria secre-
ta, do grupo dos 8 países mais ricos, o G8, e
mais algumas nações: Estados Unidos, União
Europeia, Suíça, Japão, Coreia do Sul, Canadá,
México, Austrália, Nova Zelândia, República da
Coreia, Jordânia, Marrocos, Cingapura, Emira-
dos Arabes Unidos e Canadá.
Durante as negociações, curiosamente:
- uma quantidade muita pequena de informação
foi disponibilizada publicamente pelos governos
sobre o conteúdo do acordo;
- lobistas das grandes empresas de música, fil-
mes, software, jogos de vídeo, bens de luxo e fár-
macos tiveram acesso a documentos
preparatórios e puderam influenciar as negocia-
ções;
- não houve representação da sociedade civil na
grande maioria das reuniões. lnclusive, pedidos
de informação feitos oficialmente foram nega-
dos. Não foi dada participação nem mesmo para
entidades civis internacionais como a Organiza-
ção Mundial do Comércio, a Organização Mundi-
al de Propriedade lntelectual e o grupo sobre
Propriedade lntelectual da Coligação Econômi-
ca da Asia-Pacífico.
Medidas a serem impIementadas
Aparentemente, de acordo com a legisla-
ção de cada país, diferentes medidas podem
ser postas em prática. Há pelo menos três gru-
pos que se pode ressaltar:
l. Alfândegas: Funcionários de alfândegas pode-
rão revistar aparelhos eletrônicos tais como celu-
lares, mp3 e notebooks, em busca de violações
de direitos autorais. Se encontrado algum indí-
cio, o aparelho poderá ser confiscado ou destruí-
do e o portador será multado.
2. Cooperação dos Provedores: Os provedores
de serviços a internet deverão ser obrigados a
fornecer informações sobre clientes às autorida-
des, inclusive sem o devido mandato, ou aval da
justiça.
3. Entidades de Fiscalização: O projeto também
prevê a criação de uma ou mais agências que
implementem medidas para fiscalizar e regula-
mentar as ações a serem tomadas. Compartilha-
dores de arquivos podem passar a ser alvo de
sanções penais e não civis. E é preciso lembrar
que países diferentes tem diversos sistemas le-
gais, com implicações também diferentes na vi-
da de seus cidadãos.
Entretanto, há outras consequências possí-
veis. Por exemplo, admite-se até a limitação da
comercialização dos medicamentos genéricos
nos países em desenvolvimento.
Outras medidas
Aparentemente, outros itens foram discuti-
dos e podem ser colocados em diferentes paí-
ses:
- Proprietários de imóveis alugados também seri-
am responsabilizados caso seus inquilinos infrin-
gissem alguma lei de proteção a direitos
autorais;
- Países com alto índice de pirataria terão veta-
das a importação de policarbonato ótico (usado
para fazer CDs e lentes), prensas e outras maté-
rias-primas para a confecção de mídias;
Haverá permissão para que autoridades judici-
ais possam dar continuidade a processos, mes-
mo sem identificar os processados.
- Todos os produtos suspeitos de conter material
pirateado na alfândega devem ser imediatamen-
te destruídos, salvo em condições especiais;
- Haverá exigência que provedores de serviços
de internet não permitam o uso de aplicações
que possam vir a ser utilizadas como meio de in-
fringir as leis de proteção intelectual, mesmo
que elas tenham outras finalidades;
- Provedores de serviço de internet poderão ser
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
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responsabilizados por quaisquer tipos de viola-
ção aos diretos autorais.
Objetivos do acordo
É licito pensar, portanto, que alguns dos re-
ais objetivos do acordo são:
- Vigiar todas as atividades de todas as pessoas
no uso da lnternet, pelos provedores;
- lnterferir no "uso justo" de direitos autorais so-
bre obras culturais. A cópia única, sem objetivo
comercial, que garante a educação pessoal se-
ria inexequível, mesmo sendo permitida em mui-
tos países, como nos E.U.A.;
- Criminalizar a comunicação ponto a ponto, que
possibilita o compartilhamento de arquivos de
grande tamanho, notadamente de obras cultu-
rais, sistemas operacionais de computadores, li-
vros, discos e filmes e;
- Minar o acesso aos medicamentos genéricos,
de baixo custo.
É importante notar que desde l994, quan-
do ocorreu a conclusão do acordo OMC sobre
os Aspectos dos Direitos de Propriedade lntelec-
tual, (WTO - Agreement on Trade-Related lssu-
es of lntellectual Property - TRlPS), muitos dos
novos acordos de propriedade intelectual foram
criados fora de espaços multilaterais, simples-
mente por meio de acordos bilaterais e regio-
nais de comércio celebrados pelos Estados
Unidos ou pela Comunidade Europeia, com
seus respectivos parceiros comerciais.
Portanto, embora alijados da discussão so-
bre o ACTA, os países em desenvolvimento po-
derão ser praticamente obrigados a aceitar o
que quer que tenha sido decidido, pois o atendi-
mento ao ACTA fará parte de qualquer acordo
de comércio livre. lndia e Brasil já encaminha-
ram considerações e protestos ante tais fatos.
Por que é um acordo e não um trata-
do?
O ACTA está sendo concebido como um
"acordo executivo", e não como um "tratado".
Por que?
É importante notar que acordos não reque-
rem aprovação congressual. E, consequente-
mente, não há como responsabilizar seus
signatários perante o público.
Nos E.U.A., por exemplo, essa forma de
conduzir o assunto aparentemente levará juízes
a considerar que, se existem acordos comerci-
ais que seu país assinou, eles não podem ser
descumpridos.
Em muitos países também deve ocorrer al-
go semelhante. Assim, o próprio sistema judiciá-
rio, passará sobre as liberdades individuais e
tornará a política do ACTA uma realidade.
Democracia e faIta de transparência
Nos E.U.A. a defesa das liberdades civis, a
privacidade, a livre expressão, e os direitos dos
consumidores no mundo digital, diz respeito à
Primeira Emenda da Constituição.
Essa emenda impede o Congresso de esta-
belecer ou dar preferência a uma religião ou
proibir o livre exercício de qualquer religião. Tam-
bém proíbe o Congresso de limitar a liberdade
de expressão e a liberdade de imprensa. E ga-
rante o direito de livre associação pacífica pelos
cidadãos, inclusive de fazer petições ao governo
com o intuito de reparar agravos.
E também existe o "Freedom of lnformati-
on Act", FOlA, uma lei que exige que as agênci-
as do governo federal dos E.U.A. divulguem a
grande maioria dos documentos administrativos
sempre que um cidadão estadunidense solicitar.
Portanto, se vai existir um acordo internaci-
onal sobre assuntos essenciais para a troca de
informações e de conhecimento, esse tratado
não pode ser feito em segredo.
A falta de transparência durante as negoci-
ações de um acordo que pode afetar os direitos
fundamentais dos cidadãos do mundo, é funda-
mentalmente antidemocrática. E a revisão dos
textos pela sociedade civil só pode ajudar a evi-
tar problemas imprevistos na aplicação do acor-
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6:
do. Assim, é evidente que é necessário um deba-
te público para esclarecer esses conceitos e pre-
ocupações.
Recentemente, vários professores de Direi-
to nos Estados Unidos assinaram uma carta en-
dereçada ao presidente Obama, mostrando
todas as incongruências, inclusive vários pontos
em que a lei dos E.U.A. será atingida, a ausên-
cia de participação civil, e a falta de transparên-
cia.
Cabe perguntar, diante da atual crise finan-
ceira, como reagirá o líder americano?
O desconhecimento das pessoas
Um fato incrível é que mesmo pessoas que
têm alguma informação sobre o ACTA, não pen-
sam que o acordo trata de propriedade intelectu-
al, o que não inclui apenas direitos autorais. e
não o associa com patentes, nem com medica-
mentos, nem com equipamentos, nem com proce-
dimentos e, em geral, sabe pouco sobre os
próprios direitos de autor.
Assim, poucos sabem que a indústria farma-
cêutica será uma grande beneficiária imediata do
ACTA, pois não se poderá criar cópias. E, por ex-
emplo, nenhum outro governo poderá fazer o que
o Brasil fez no caso da AlDS, e que ocasionou um
vitorioso meio de tratamento dessa doença.
Assim, as grandes empresas de Farmácia
se livrarão dos medicamentos genéricos, deixan-
do milhões de pessoas praticamente sem acesso
a tratamentos que utilizem remédios.
Mas, quantas patentes não só sobre medica-
mentos, mas também sobre equipamentos e pro-
cedimentos devem ser afetadas?
Ou seja, efetivamente, quanto dinheiro está
em jogo?
Será que alguém tem condições de saber?
Sinceramente, acho que não.
É disso que o ACTA efetivamente trata. De to-
da essa "dinheirama", cuja quantidade é impossí-
vel de se calcular.
Informática e ACTA
O ACTA não respeita que o conhecimento
humano deva servir a todos os homens, inde-
pendentemente de sua classe social. lgnora que
a passagem da informação e a possibilidade do
conhecimento deve ser oportunizada a todos e
não simplesmente a quem possa pagar por mei-
os físicos, tais como discos e livros.
O usuário tem que pagar por cópias. E, evi-
dentemente, não para os criadores dessas
obras. Mas para grandes empresas distribuido-
ras.
O ACTA não
respeita que o
conhecimento humano deva
servir a todos os homens,
independentemente de sua
classe social. lgnora que a
passagem da informação e
a possibilidade do
conhecimento deve ser
oportunizada a todos e
não simplesmente a quem
possa pagar por meios
físicos, tais como discos ou
livros.
Fátima Conti
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O usuário não pode fazer cópias,
- nem para possibilitar sua educação, ou se-
ja, o "fair use" - criação de cópia única, com fins
estritamente educacionais - que existe em mui-
tos países será afetado.
- nem para proteção de mídias que tenha
comprado e que queira proteger, durante um pe-
ríodo de uso intenso (exemplo: CDs).
O usuário não pode fazer cópias, mesmo
que possua um instrumento que permite criá-
las, como um computador. Necessariamente o
usuário deve comprar unidades de empresas re-
produtoras.
É isso que está lá, na prática. Sem respei-
to pelas pessoas e pelos direitos humanos.
A internet cresceu e se transformou na mai-
or biblioteca que os homens construíram porque
é livre, porque está baseada numa rede não cen-
tralizada, porque não tem dono, porque a todos
foi dado o direito de se expressar, sobre os mais
variados assuntos. E todos que têm acesso po-
dem contribuir e muitos contribuíram.
Evidentemente, a retirada da liberdade não
beneficia a internet, nem a sociedade. Só age
em prol de certos grupos econômicos.
Grupos que já ganharam enormes quantida-
des de dinheiro, por exemplo, reproduzindo e
vendendo o meio físico que contém obras cultu-
rais, como livros e discos.
Mas a tecnologia os ultrapassou. Seu mode-
lo de negócios, baseado apenas na venda de có-
pias, ainda pode ser necessário em muitos
casos, mas não é mais tão importante.
Cabe aqui uma pergunta: por que a socie-
dade deve pagar os altos custos de manutenção
das grandes indústrias reprodutoras de cópias,
se as pessoas têm como criar suas próprias cópi-
as?
E por que não pagar a obra diretamente ao
criador? Porque atravessadores devem ser privi-
legiados?
Note-se que mesmo que haja alguma regu-
lação após a criação e implantação do ACTA, is-
so também pode ter grandes efeitos daninhos,
pois, com certeza, as grandes gravadoras e dis-
tribuidoras poderão abocanhar enormes peda-
ços da cultura popular, de todas as áreas, e
colocarão ferozes advogados pra defender seus
"direitos".
E comprarão políticos e juízes para manter
prazos de direitos autorais e patentes cada vez
maiores, só visando a manutenção de seus lu-
cros, como tem acontecido e deixando obras cul-
turais cada vez mais longe do uso
indiscriminado por todos. Pode -se lembrar aqui,
por exemplo, que o Mickey já tem mais de l00
anos e ainda não está sob domínio público, não
pertence à todos. Por que?
Entretanto, um caso particularmente com-
plicado envolvendo lnformática, é quando se
considera o Software Livre sob o ACTA.
Como esse tipo de programação é basea-
do na cultura do compartilhamento e das cópias
com e sem modificações, poderá sofrer muitas
restrições pois envolve downloads e atividades
em redes P2P como nenhum outro tipo de ativi-
dade na lnformática.
E no BrasiI?
Em 05/08/l0 o deputado Pinto ltamaraty
(PSDB) apresentou parecer favorável ao Al5digi-
tal, o Projeto de Lei n° 84 de l999, ignorando to-
dos os argumentos e movimentos sociais dos
últimos três anos e ressuscitando o Projeto Aze-
redo.
É importante lembrar que o referido proje-
to causou grande revolta entre quem entende e
respeita a internet. lnclusive, um abaixo-assina-
do contrário conseguiu mais de l57.000 assina-
turas (http://www.petitiononline.com/veto2008/),
havendo forte mobilização contra a sua implanta-
ção, congregando diferentes entidades, desde a
USP (Universidade de São Paulo) ao lDEC (lns-
tituto Brasileiro de Defesa do Consumidor).
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Curioso é o fato que um deputado não ree-
leito (Regis de Oliveira, PSC-SP) deu andamen-
to à "Lei Azeredo" em 5 de outubro, logo após
as eleições, quando ninguém prestava atenção
a projetos "parados", aparentemente como parte
de uma estratégia para fugir á opinião pública.
Petições
Pouca coisa resta fazer ao cidadão comum
ante tantos perigos. Uma delas é falar com seus
representantes políticos, e solicitar que se fir-
mem contra os projetos que em cada país serão
a face do ACTA.
Outra é assinar petições, pois efetivamen-
te elas são uma uma arma das sociedades demo-
cráticas, menos eficazes, mas muito mais
rápidas que consultas populares, e que podem
convencer políticos sobre os desejos de seu elei-
torado.
Eis algumas das petições atualmente em vi-
gor:
- Pelo veto ao projeto de cibercrimes - Em defe-
sa da liberdade e do progresso do conhecimen-
to na lnternet Brasileira
http://www.petitiononline.com/veto2008/
- Apelo pela não votação do PL 84/l999 - Trami-
tando no congresso, do GPOPAl-USP
http://www.petitiononline.com/pl84/petition.html
- Petição da FSF - Software Livre
http://www.fsf.org/campaigns/acta/acta-declarati-
on
- Petição da Avaaz - ACTA: Genéricos ameaça-
dos
http://www.avaaz.org/po/acta/?cl=
769890970&v=7287
Outros textos, com mais informações
- Afinal, o que é o cibercrime?
http://www.dicas-l.com.br/interessa/interes-
sa_200808l4.php ou em
http://www.scribd.com/doc/42ll633/afinall ou
em http://meganao.wordpress.com/2009/05/09/
afinal-o-que-e-o-cibercrime/
- O silêncio sobre o ACTA
http://xocensura.wordpress.com/2008/09/22/o-si-
lencio-sobre-o-acta/ ou em http://www.dicas-l.
com.br/interessa/interessa_2008l007.php
- Projeto de Lei 84/99 [ Serve a quem?
http://xocensura.wordpress.com/2008/07/20/pro-
jeto-de-lei-8499-%e2%80%93-serve-a-quem/ ou
em http://www.dicas-l.com.br/interessa/interes-
sa_20080902.php
- Oue tal apoiar a FSF contra o ACTA?
http://www.dicas-l.com.br/interessa/interessa_
20l00624.php
- Subserviência ao G8. O ACTA - Primeiras im-
pressões
http://xocensura.wordpress.com/2008/07/ll/sub-
serviencia-ao-g8-o-acta-primeiras-impressoes/
ou em http://www.dicas-l.com.br/interessa/inte-
ressa_20080903.php
- Vigilantismo e razões econômicas
http://xocensura.wordpress.com/2008/ll/l5/vigi-
lantismo-e-razoes-economicas/ ou em
http://www.dicas-l.com.br/interessa/interessa_
2008ll22.php
73
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
FATIMA CONTI coordena o lablnfo-lCB da
UFPA e dedica-se às áreas de ensino e
extensão, sobre fundamentos de Estatística
e lnformática, utilizando software Livre.
Criadora e mantenedora do "Muitas Dicas"
(http://www.cultura.ufpa.br/dicas/)
C CA AP PA A · · A AC CT TA A - - O O S Sl lL LÊ ÊN NC Cl lO O C CO ON NT Tl lN NU UA A
E a condenação é esta:
Oue a luz veio ao mundo, e os
homens amaram mais as trevas
do que a luz, porque as suas
obras eram más.
Porque todo aquele que faz o mal
odeia a luz, e não vem para a luz,
para que as suas obras não
sejam reprovadas. Mas quem
pratica a verdade vem para a luz,
a fim de que as suas obras sejam
manifestas, porque são feitas
em Deus.
JOÃO, 2:l9-2l
Não raro alguns alunos debatem comigo
sobre o ato de compartilhar o código e o fato de
não estar clara a maneira como os desenvolve-
dores irão ganhar dinheiro. Falta, é claro, uma
visão mais helenista da difusão do conhecimen-
to e mais moderna das estratégias de empreen-
dedorismo.
Richard Stallman, quando criou o conceito
software livre, quis dar à palavra "livre" um signi-
ficado diferente de "livre de custo" ou "gratuito".
Ele quis dar o significado de "livre de amarras",
entendendo que os programas estariam disponí-
veis a quem interessasse e que poderiam ser
usados para quaisquer fim [l].
Stallman entendia que alguém tinha que
pagar pelo software livre/código aberto (SL/CA),
seja direta ou indiretamente. Vamos lá, então.
Diretamente, seriam empresas que financi-
ariam os programadores. Empresas estas que
sentiriam que o monopólio era ruim e que isto
Pirataria ou
permissão impIícita?
Por Jamerson Tiossi
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CAPA · PlRATARlA OU PERMlSSÃO lMPLlClTA?
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
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não ia de encontro aos seus interesses econômi-
cos. Não se nota aqui nenhuma bondade por par-
te das empresas, mas de uma estratégia que
permitisse um mercado concorrido. Explico:
num mercado com monopólio de sistema operaci-
onal, a empresa que o desenvolveu poderia inici-
ar uma campanha para popularizar esta ou
aquela empresa de hardware. lmagine, hipoteti-
camente, se o sistema operacional "W" indicas-
se que o melhor processador para seu
programa é o processador "D".
Ao mesmo tempo, essas empresas teriam
uma estratégia secundária. Ao financiar o
SL/CA, elas permitiriam que ele estivesse em pé
de igualdade de funcionabilidade com o softwa-
re proprietário, e este último, para reagir, teve
que acrescentar recursos gráficos para torná-lo
mais aprazível, mais belo aos olhos dos mortais
comuns. Para tanto, as máquinas teriam que ter
um processamento melhor. Assim, as indústrias
de hardware, ao financiar o SL/CA, ganhariam
em várias áreas:
l - Na difusão do conhecimento;
2 - Na possibilidade de elas próprias desenvolve-
rem projetos usando aquele código e tecnologia;
3 - No impulso da indústria de software proprietá-
rio em desenvolver uma tecnologia que utilizas-
se mais recursos de hardware, e assim
alavancar as vendas do mercado de processado-
res;
4 - Na proibição implícita de que a indústria de
software proprietário comece a indicar apenas
um padrão de tecnologia de hardware pertencen-
te à uma indústria específica.
Nota-se claramente que não é uma prática
humanitária que guia as empresas que financi-
am o SL/CA, mas uma estratégia de mercado
pensada e analisada friamente.
Além deste financiamento direto, temos o in-
direto, com a mão-de-obra do desenvolvimento,
checagem, distribuição e revisão do código. O
ser humano comum contribui financeiramente
com o SL/CA quando fornece suas horas vagas
para dedicar-se ao código. Em nenhum momen-
to, poderá receber um retorno direto e financeiro
por isso além da satisfação e dos lucros advin-
dos do uso da ferramenta que estava desenvol-
vendo em parceria.
Mas por que isso?
Brian Sam-Bodden, presidente e arquiteto
de software chefe da lntegrallis Software [2], tal-
vez nos indique o caminho com a frase "Um dos
motivos pelo qual a comunidade de código aber-
to é tão prolífica é que tudo, menos o software
mais trivial, é difícil e caro de ser produzido e as
soluções prontas fornecidas pelos produtores co-
merciais muitas vezes não conseguem gerar
uma solução completa."
Cai por terra também a questão da bonda-
de pela bondade [ mas não totalmente. O ser
humano percebe que, ao colaborar com o de-
senvolvimento de um sistema operacional, está
criando um modelo de gestão de conhecimento
que irá permitir que seja possível, em breve, o
devolvimento de outros softwares, sejam eles to-
cadores de músicas, clientes de correiro eletrôni-
co, navegadores de internet ou programas mais
...num mercado
com monopólio de sistema
operacional, a empresa
que o desenvolveu poderia
iniciar uma campanha
para popularizar esta ou
aquela empresa de
hardware.
Jamerson Tiossi
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
CAPA · PlRATARlA OU PERMlSSÃO lMPLlClTA?
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sofisticados [ como lDE's, editores de vídeo e
imagem ou programas de acompanhamento ge-
rencial de indústrias. Ao colaborar com a base
(um sistema operacional), todos estão possibili-
tando o caminho nessa direção.
Sobre as motivações dos colaboradores
de SL/CA, aconselho a leitura essencial de
Software Livre e a Perspectiva da Dádiva: uma
análise sobre a produção colaborativa no Proje-
to GNOME, do autor Vicente Macedo de Aguiar.
Trata-se de um dos textos presentes no livro
Software Livre, Cultura hacker e ecossistemas
de colaboração [3]. É uma excelente oportunida-
de para entender melhor as motivações e a orga-
nização de um projeto gigantesco.
O código proprietário é oculto, desconheci-
do. São as trevas que não permitem a evolução
natural da espécie humana. Você pode respon-
der que o código aberto também não lhe permi-
te a leitura completa, por não saber os
significados. Mas é possível contratar alguém
que informe que não haverá prejuízo real e ou fu-
ga de informação ao utilizar aquele programa.
A indústria do software livre/código aberto
(SL/CA) esbarra na facilidade da pirataria relacio-
nada ao software proprietário, o que impede seu
real crescimento. É de se supor que existam inte-
resses das empresas de software proprietário
em permitir que seus sistemas sejam pirateados
e desconstruídos para serem reinstalados nos
mais longínquos lugares. Existe toda uma indús-
tria que ganha com a dificuldade de se trabalhar
com determinados softwares. É essa indústria
que gera cursos de altos custos para o usuário.
Alguns softwares facilmente chegam à casa de
R$ l0 mil! Em promoção!
Permitir a pirataria é uma resposta pensa-
da friamente pelas indústrias de software proprie-
tário. Ainda que eventualmente essas empresas
ataquem instituições que estão utilizando cópias
não licenciadas (um parêntese aqui: sempre ou-
vi boatos sobre essas fiscalizações, mas não ve-
jo documentação do fato), não se vê um
programa real de proteção de cópias simples-
mente porque é interessante para essas mes-
mas empresas tornarem-se referências
naquelas áreas. Um exemplo? Pense em edição
de fotos e, por lógica, você imaginará dois ou
três softwares proprietários para fazer uma edi-
ção. Para você, é mais fácil usar o programa "P"
porque a rede de usuários é ampla e permite
que todos saibam como resolver as dúvidas. Uti-
lizando o SL/CA, você terá que reaprender al-
guns passos e nem sempre o resultado é o
mesmo.
Numa lógica fria, é melhor para a indústria
do software proprietário vender mil cópias [ que
irão pagar seus custos e permitir algum lucro [
e não perseguir os outros nove mil usuários,
pois assim suas marcas estão em contato cons-
tante com os usuários.
A pirataria só existe por que a indústria do
software proprietário sabe que, se apertar a fis-
calização, os usuários irão utilizar outros softwa-
res para executarem as mesmas funções.
lmagine se, em algum momento, os usuários
descobrem o SL/CA? Haverá uma perda maior
a longo prazo.
JAMERSON ALBUOUEROUE TIOSSI é
Gestor de Sistemas lnformatizados, pós-gra-
duado em Engenharia de Software (com ên-
fase em software livre), e bacharelando em
Administração Pública. Trabalha com Java,
NetBeans, Ubuntu e MySOL. Mantêm um
blog sobre quadrinhos e mídias em http://osi-
lenciodoscarneiros.blogspot.com.
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CAPA · PlRATARlA OU PERMlSSÃO lMPLlClTA?
Referências
[l] STALLMAN, Richard. "A GNU GPL e o modo americano de
viver", citado em "PoIítica e Linguagem nos debates sobre
software Iivre" de Rafael Evangelista, disponível em "Software
Livre, CuItura Hacker e Ecossistemas de CoIaboração"
Momento Editorial, 2009.
[2] SAM-BODDEN, Brian. DesenvoIvimento em POJOs - Do
iniciante ao ProfissionaI. Alta Books, 2006.
[3] AGUlAR, Vicente Macedo de. Software Livre, CuItura
hacker e ecossistemas de coIaboração. Momento Editorial,
2009.
Introdução
O software livre, sem sombra de dúvida, é
um conceito fascinante que, no mesmo tempo
que protege a criação do programador (ou do gru-
po de programadores), permite o compartilhamen-
to, normalmente gratuito, do seu conteúdo e do
seu código-fonte.
Essa característica de compartilhamento do
software livre ocasionou a formação de uma ver-
dadeira comunidade, que compartilha informa-
ções, dicas e tutoriais. Com isso, é fácil obter a
notícia de qualquer alteração ou bug do progra-
ma, às vezes, em questão de horas.
A vantagem econômica, por sua vez, é evi-
dente com a sua não onerosidade, razão pela
qual os consumidores e, principalmente as empre-
sas, podem investir uma maior quantia em
hardware (placas de vídeo, memória, hard disks).
CAPA · O VERDADElRO lNlMlGO DO SOFTWARE LlVRE: A PlRATARlA
O verdadeiro inimigo do
software Iivre: a pirataria
Por WaIter Aranha Capanema
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Todavia, apesar dessas evidentes qualida-
des, ainda há resistência à sua implantação, es-
pecialmente no Brasil, tendo como principal
inimigo a pirataria.
A pirataria
A pirataria já é um fenômeno mundial,
abrangendo toda a sorte de dados digitais: jo-
gos, aplicativos, música (MP3), filmes, progra-
mas de TV, e-books, HOs e tudo aquilo que
estiver em bits e bytes.
É um problema que parece ser incontrolá-
vel e irreversível: por mais que as empresas lesa-
das instalem dispositivos antipirataria em seus
produtos, mais ela cresce, tornando-se uma con-
duta aceita pela sociedade. Um pirata, segundo
esse raciocínio, é só alguém que tem interesse
e curiosidade em "baixar" um programa. Não te-
ria a intenção de causar prejuízos financeiros a
quem quer que seja.
Com esse raciocínio, programas de escritó-
rio, aplicativos de fotografia digital, editores de ví-
deo e de animação, todo software comercial,
são "baixados" e vendidos impunemente, a céu
aberto, nas cidades.
Curioso verificar que, muito embora esses
piratas sejam sempre encontrados nos mesmos
lugares e - pasmem - anunciem em jornais livre-
mente de grande circulação, não há uma repres-
são por parte das empresas lesadas, tanto
quanto se identifica uma significativa tolerância
com o próprio Poder Publico.
Permissividade e pirataria
Ouestiona-se qual a razão para que tais em-
presas atuarem de forma omissa, permitindo o
uso ilegal e impune de seus produtos.
A resposta para essa pergunta é até cho-
cante: tais empresas preferem sofrer um prejuí-
zo e ver seu programa ser utilizado ilegalmente,
do que competir com o software livre, impedindo
a criação e uma disseminação de uma cultura
free.
Conversando com alunos, já verifiquei que
uma parcela considerável prefere usar uma suí-
te de escritório pirata do que utilizar o fantástico
BrOffice, que, além de gratuito, é rápido, peque-
no e permite salvar documentos no formato PDF
(muito útil no processo eletrônico, em que os Tri-
bunais exigem o envio de petições e documen-
tos no formato da Adobe).
E o mais maquiavélico é que essa conduta
omissiva/permissiva dessas empresas de
software não pode ser considerada crime. Não
há tipo penal em permitir que seu programa de
computador seja copiado ilegalmente por tercei-
ros.
Aliás, do ponto de vista da moderna doutri-
na do Direito Penal, poder-se-ia ver aqui a figura
do consentimento do ofendido, a constituir cau-
sa supralegal de exclusão da ilicitude. Em ou-
tras palavras, a aceitação da vítima impediria a
condenação do criminoso.
Vê-se, todavia, que essa atividade configu-
A pirataria já é um
fenômeno mundial,
abrangendo toda a sorte
de dados digitais: jogos,
aplicativos, música
(MP3), filmes, programas
de TV, e-books, HOs e
tudo aquilo que estiver
em bits e bytes.
Walter Capanema
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
CAPA · O VERDADElRO lNlMlGO DO SOFTWARE LlVRE: A PlRATARlA
WALTER CAPANEMA é professor da
Escola da Magistratura do Estado do Rio de
Janeiro [ EMERJ (Brasil). Formado pela
Universidade Santa Úrsula - USU. Advogado
no Estado do Rio de Janeiro. Email:
waltercapanema@globo.com e site:
www.waltercapanema.com.br
raria um verdadeiro dumping oculto [l]. Entende-
se por dumping a prática, no âmbito comercial,
em que uma empresa, com o objetivo de mono-
polizar o mercado, cobra, por seus produtos e
serviços, um valor excessivamente baixo (quan-
do não oferece gratuitamente), afastando os
seus concorrentes.
O dumping na pirataria consistiria na per-
missão de aplicação ilegal de programas, mas
com o objetivo de afastar do mercado a concor-
rência, especialmente quando, como no caso do
software livre, também apresenta produtos simi-
lares.
ConcIusão
O software livre não é apenas uma forma
de distribuição de programas de computador. É
uma verdadeira cultura, que prega a dissemina-
ção de conhecimento e de cultura. A sua gratui-
dade é uma característica que permite a sua
utilização por todos os espectros da sociedade.
Vê-se que a pirataria, tolerada pelas em-
presas de software, não visa apenas a retirar do
mercado tantos programas livres fantásticos
(BrOffice, GlMP, Blender etc), mas, principalmen-
te, impedir uma cultura que estimule o desenvol-
vimento do software livre.
Cabe à sociedade ficar alerta a essa estra-
tégia empresarial, e lutar para proteger a nossa
cultura tecnológica livre.
O dumping na
pirataria consistiria na
permissão de aplicação
ilegal de programas, mas
com o objetivo de afastar
do mercado a
concorrência,
especialmente quando,
como no caso do
software livre, também
apresenta produtos
similares.
Walter Capanema
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Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
Referências:
l. Não há esse conceito na legislação e na doutrina. Foi
criado pelo autor.
CAPA · O VERDADElRO lNlMlGO DO SOFTWARE LlVRE: A PlRATARlA
Antigamente, nossos pais entravam em
uma loja de discos a procura daquele vinil que ti-
nha acabado de ser lançado no mercado, que
fazia sucesso nas festas americanas onde to-
dos se reuniam levando um prato de salgado ou
doce, animados pelas músicas de Roberto Car-
los, Rita Lee e outros cantores da velha guarda.
Eram coleções e mais coleções que fica-
vam enfurnados dentro de gavetas, armários,
caixas e outros locais que eram destaque na ca-
sa, local obrigatório de passagem de todo o visi-
tante que entrava na casa, onde o proprietário
da coleção fazia questão de colocar alguns dis-
co de vinil para tocar e alegrar o ambiente.
Os tempos mudaram e aquele chiado emiti-
do do disco de vinil foi substituído por mídias di-
gitais, os chamados Compact Disc (CD) com
qualidade sonora digital, que revolucionou a in-
dústria fonográfica, levando aos ouvintes de mú-
sica, um produto de melhor qualidade,
compacto e prático.
Copiar CD para uso pessoaI é
Pirataria?
Por Roney Médice
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CAPA · COPlAR CD PARA USO PESSOAL É PlRATARlA?
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Mas essa evolução trouxe um outro proble-
ma que antigamente não existia: o problema da
pirataria. Naquela época, não se falava em copi-
ar um disco de vinil, baixar músicas da internet
então, nem pensar, pois a internet ainda não exis-
tia. Enfim, o disco de vinil fez história e durante
o seu momento de existência, não existiu maio-
res problemas a não ser o problemas de quebra
de agulha, disco de vinil arranhado, etc.
Atualmente, estamos passando por um mo-
mento que tudo é passível de reprodução, se-
jam produtos importados, de marca, roupas,
sapatos, bolsas e principalmente CD's. Não exis-
te mais a preocupação em querer saber quanto
vale no mercado um CD de música. A questão
agora é saber onde é possível arranjar o CD de
forma ilícita, se pode ser baixada pela internet
ou se algum conhecido possui o CD para poder
emprestar e assim, gerar o MP3 (padrão de ar-
quivo digital de som).
lremos abordar uma visão um pouco dife-
rente do que foi levantado até o momento. Anali-
saremos a situação em que o consumidor
comprou um CD de música na loja, com nota fis-
cal e ele quer agora, transformar as faixas de
música do CD comprado em MP3 para poder es-
cutar em seu lpod, um equipamento eletrônico
que tem a finalidade de reproduzir músicas MP3.
No Brasil, em l998, foi instituído um instru-
mento jurídico para incentivar e proteger a cria-
ção intelectual, a Lei de Direito Autoral nº
9.6l0/98 [l]. No artigo 5º da referida lei, em seu
inciso Vl, podemos notar que a lei refere-se a
"Vl - reprodução - a cópia de um ou vários
exemplares de uma obra literária, artística ou ci-
entífica ou de um fonograma, de qualquer forma
tangível, incluindo armazenamento permanente
ou temporário por meios eletrônicos ou qualquer
outro meio de fixação da propriedade ou posse".
Dessa forma, quando copiamos uma músi-
ca original de um CD que compramos na loja,
mesmo com nota fiscal e passamos a reproduzir
(tocar) a música no lpod, por exemplo, estamos
sujeito aos efeitos legais da Lei de Direito Auto-
ral. Neste caso, especificamente, a música de
CD é considerada uma obra protegida conforme
o artigo 7º, inciso V, que trata das composições
musicais, tendo ou não letra.
Não se pode reproduzir um CD inteiro ou
somente uma faixa do CD sem a autorização
prévia e expressa do autor. No artigo 29, inciso l
da Lei 9.6l0/98 deixa bem claro que ninguém
pode reproduzir parcial ou integral a obra se não
houver essa autorização dada previamente. Ou
seja, você está cometendo um crime quando co-
pia uma faixa ou um CD completo para dentro
do seu equipamento eletrônico de música, que
toca no formato de arquivo de áudio MP3.
Entretanto, essa mesma lei também excep-
ciona um momento em que não há violação de
direito autoral, que é quando for feita uma repro-
dução (cópia) de pequenos trechos da música
para uso próprio de quem estiver reproduzindo
o trecho e que não tenha intuito de lucro, exce-
ção essa legitimada pelo artigo 47, inciso ll da
Lei de Direito Autoral.
Todavia, sabemos que dificilmente iremos
comprar um CD na loja para escutar somente
Não existe mais a
preocupação em querer
saber quanto vale no
mercado um CD de
música. A questão agora
é saber onde é possível
arranjar o CD de forma
ilícita...
Roney Médice
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
CAPA · COPlAR CD PARA USO PESSOAL É PlRATARlA?
trechos da faixa de música em nossos equipa-
mentos eletrônicos de MP3, ocasião em que fa-
zemos a reprodução de todo o conteúdo do CD
para o lpod ou equipamento semelhante, devido
a praticidade de se escutar as faixas musicais
em aparelhos mais compactos, trazendo confor-
to e praticidade ao usuário.
Diante do exposto, percebemos uma movi-
mentação do Ministério da Cultura em propor
uma reforma na Lei de Direitos Autorais, através
de consulta pública em que as pessoas pude-
ram se manifestar sobre o assunto, já que deter-
minadas ações como o de reproduzir um CD por
inteiro para escutar no lpod são atividades consi-
deradas "normais" pela sociedade atual, embala-
da pela evolução tecnológica.
Esse consulta pública teve o seu prazo pa-
ra recebimento de sugestões encerrada no fim
do mês de agosto desse ano e muitas ideias po-
lêmicas sugeridas dividem a classe artística.
Uma das sugestões enviadas é que seria permiti-
do ao usuário fazer uma cópia completa do CD
para uso particular, sem intuito de lucro. Entretan-
to, uma prática comum nos dias de hoje continua-
ria a ser considerada como crime: fazer uma
cópia do CD de música para presentear alguém,
mesmo que essa ação não gere lucro.
Existem outros casos mais complexos que
precisamos analisar melhor cada situação como
é o caso de um dono de bar que compra um CD
na loja para uso particular. Enquanto ele estiver
escutando o CD no seu equipamento de som
dentro de casa, perfeitamente estará sendo aten-
dido a Lei dos Direitos Autorais. A partir do mo-
mento que ele pegar esse CD e colocar à
disposição de seus clientes como música ambi-
ente, ele já estará infringindo a Lei, pois o seu ob-
jetivo é trazer ao seu negócio um local mais
agradável e acolhedor, mas com isso, ele preci-
sa pagar o direito autoral por utilizar o CD de for-
ma pública.
Portanto, podemos verificar que os brasilei-
ros não respeitam mesmo a Lei de Direitos Auto-
rais, pois o que mais vimos no carnaval são
carros com som potentes tocando CD's de músi-
ca em um ambiente público. É a mesma infra-
ção hoje para quem copiar uma faixa inteira ou
um CD para escutar em outro equipamento ele-
trônico mesmo que para uso próprio. Precisa-
mos repensar isso.
Atualmente,
estamos passando por
um momento que tudo é
possível de reprodução,
sejam produtos
importados, de marca,
roupas, sapatos,
bolsas e principalmente
CD's.
Roney Médice
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Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
RONEY MEDICE é coordenador de seguran-
ça da informação do Terminal Retroportuário
Hiper Export S/A, no Porto de Vitória, com
mais de l0 anos de experiência na área.
Consultor de Segurança da lnformação do
Grupo Otto Andrade. Perito Digital com certi-
ficação CDFl. Membro fundador do CSA -
Cloud Security Alliance - Chapter Brazil,
membro do Comitê ABNT/CB-2l.
Referências:
[l] http://www.planalto.gov.br/ccivil/leis/L96l0.htm
CAPA · COPlAR CD PARA USO PESSOAL É PlRATARlA?
CAPA · CORDEL DA PlRATARlA - CARLlSSON GALDlNO
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Naquele tempo antigo
Dos grandes descobrimentos
Navios cruzavam mares
Levando dor e tormento
Às terras por toda a vida
Fossem novas ou antigas
Sem respeito e violentos
lam à costa africana
Com suborno ou então bravos
Deixavam terra levando
Dezenas de homens, escravos
Outros levavam empregados
E muitos deles, coitados,
Eram mortos por centavos
Esses homens nesses barcos
Dominavam o mar selvagem
Subjugando outros povos
Mas tinham uma boa imagem
Pois nos livros de História
Ainda hoje levam glória
Por cada dessas viagens
Nesse mar, sem ter direito
A ter u'a vida de gente
Muitos se reagruparam
Num caminho diferente
Nessa realidade ingrata
Criaram as naus piratas
E enfrentaram o mar de frente
Piratas, os homens livres
Diferiam dos demais
Dentro da embarcação
Tinham direitos iguais
Cultivavam parceria
Contra toda a tirania
Confrontando as naus reais
Atacavam naus tiranas
Roubando o que foi roubado
Matavam os ocupantes
Escravos, são libertados
Onde gastar o obtido?
Tudo o que era conseguido
Mundo afora era trocado
Esses eram os piratas
Daquela época esquecida
Oue se ergueram contra reis
Nessa tortuosa vida
De "crimes", mas foi assim
Pois em alto mar, no fim,
Não tinham outra saída
Mas vamos falar agora
De algo dos dias atuais
Oue é estranho e nasceu
Já nem tanto tempo faz
Hoje o tema da poesia
Chamam de pirataria
E os direitos autorais
Para contar essa história
De leis, direito e valor
Temos que entender primeiro
Como a gente aqui chegou
Por isso, como esperado
Vamos voltar ao passado
Onde tudo começou
No ano de 62
Do século XVll
O país, a lnglaterra
E a censura, um canivete
Cortava a produção
De tudo que era impressão
Pois besta em tudo se mete
E os livreiros desse tempo
Cada editora antiga
Precisava de um aval
Para que imprimir consiga
O aval do Rei, do Estado
Oue se não for do agrado
Deles, a impressão não siga
Um monopólio formado
Pra controlar a leitura
Terminou dando poderes
Além do que se procura
Dessa forma os livreiros
Cresceram muito ligeiro
Nessa forma de censura
Já no século XVlll
Bem lá no ano de l0
Naquela mesma lnglaterra
Uma nova lei se fez
Hoje ninguém lembra mais
De direitos autorais
Foi ela a primeira lei
Right em inglês é direito
E copy é copiar
O Estatuto de Anne
Só disso ia tratar
Direito direcionado
Aos livreiros, que afetados
Tinham que se acostumar
Pois copyright falava
De cópia em larga escala
E o direito é o monopólio
Sobre cada obra criada
E esse direito, notamos
Durava quatorze anos
E o monopólio acabava
Note que essa nova lei
Não veio favorecer
Os livreiros da lnglaterra
E o monopólio a nascer
Não era bem algo novo
E era o bem ao povo
Oue essa lei veio fazer
Nasceu o Domínio Público
Nesta distante ldade
Os livreiros exploravam
Seus direitos à vontade
Mas terminado o prazo
Toda obra era, no caso
Doada à Humanidade
Os livreiros reclamaram
Pedindo ampliação
Para aquele monopólio
Mas não teve apelação
Pois se fosse concedida
Mais outra seria pedida
E o prazo seria em vão
CAPA · CORDEL DA PlRATARlA - CARLlSSON GALDlNO
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
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lsso lá naquele tempo
Eles podiam prever
Oue se o prazo aumentasse
De novo iam querer
Sempre após mais alguns anos
E o prazo se acumulando
No fim "pra sempre" ia ser
Mas o mais interessante
Pros livreiros e editores
É que o que eles previam
Houve com novos atores
E hoje o direito autoral
Vale tanto, que é anormal
Pra agradar exploradores
Por que, vê se faz sentido
A desculpa que eles dão
Pra monopólio de livros
É incentivo à criação
Se é assim, por que, ora pois
Ele dura anos depois
Da morte do cidadão?
Oue eu saiba depois de morto
Eu garanto a você
Por grande artista que seja
Ele não vai escrever
Só se for, caso aconteça
Com um médium, mas esqueça
Não é o que a Lei quis dizer
O direito agora vale
Por toda a vida do autor
Depois mais setenta anos
Depois que a morte chegou
Pra incentivar o defunto
Mesmo estando de pé junto
Continuar a compor
Por que funciona assim
Não é difícil notar
"lncentivo" é só desculpa
Para o povo aceitar
Ouem lucra são editores
Sendo atravessadores
É a Lei da Grana a mandar
As empresas mais gigantes
Oue corrompem os governos
Oue publicam propagandas
De produtos tão maneiros
Com um gigantesco ganho
Artistas são seu rebanho
E a Lei garante o dinheiro
Toda essa exploração
Funciona desse jeito
O pobre artista cria
O seu trabalho perfeito
Um trabalho bom e novo
Ele faz é para o povo
Poder ver o que foi feito
Para o povo ter acesso
Ao que ele produziu
Não é algo assim tão fácil
Atingir todo o Brasil
Pra isso que produtores,
Gravadoras, editores
Tudo isso se construiu
Porém esse monopólio
Garantido ao autor
É o preço que eles cobram
Pra fazer esse "favor"
Se a editora tem confiança
Facilmente a obra alcança
Além do que se sonhou
O autor perde o direito
Sobre a sua criação
Ouem vende é atravessador
E lhe paga comissão
Alguns centavos pingados
E o maior lucro somado
É da empresa em questão
Vejam só que curioso
São "direitos autorais"
Mas pra chegar no mercado
Alguns contratos se faz
E os direitos de repente
A que tanto se defende
Do autor não serão mais
Como se vendesse a alma
Para uma empresa privada
Nem ele pode copiar
A obra por ele criada
Mesmo quando ele morrer
A empresa é que vai dizer
Como a obra é usada
Autores bem talentosos
Oue se encontram no caixão
Sem obras suas à venda
Com fãs, uma legião
Mesmo a pedidos dos fãs
Toda essa força é vã
Pra ter republicação
Pois o direito estará
Numa empresa transferido
Oue é quem dirá se é viável
Atender a esse pedido
E se ela não publicar
Nenhuma outra poderá
Pois o direito é exclusivo
Esse jogo de direitos
llude a maioria
Dos artistas existentes
Como uma loteria
Onde muita gente investe
Mas pra poucos acontece
Algum sucesso algum dia
E os artistas que investiram
Enriquecendo a empresa
Olham para os de sucesso
Não percebem serem presas
Sonhando chegarem lá
Seguem a financiar
Essa indústria com firmeza
Ouem tem direito exclusivo
Cobra o quanto quiser
Esse é o mal do monopólio
Mas sempre é assim que é
Ouando surge alternativa
A essa prática nociva
Reclamam, não saem do pé
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CAPA · CORDEL DA PlRATARlA - CARLlSSON GALDlNO
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Copiar é ilegal?
É, mas a Lei que hoje vale
Foi feita por essa gente
Oue corromper tudo sabe
Alterando o Direito
Para funcionar do jeito
Oue melhor a elas agrade
Desde os tempos mais antigos
Alguém canta uma cantiga
Outro aumenta um pouquinho
E ela cresce e toma vida
Na cultura popular
Logo ela se tornará
Bem melhor do que a antiga
Com cultura é desse jeito
Oue se faz evolução
Sempre se inspira nos outros
Na imagem, prosa ou canção
Do Teatro à Literatura
Cultura gera cultura
Não queira fingir que não
Hoje com toda mudança
Oue fizeram, quem diria?
Compartilhar e expandir
Chamam de Pirataria
E o direito à cultura?
Criou-se uma ditadura
Como há muito se temia
O que querem impedindo
O poder da interação
É tornar todos iguais
Seja massa a multidão
É uma questão de Poder
Pra mais lucro acontecer
Todos com o mesmo feijão
Deixo então esta pergunta
Oue ainda não tem solução
Num país de tradições
Oue futuro elas terão?
O que será da cultura
Vivendo na ditadura
Dos livreiros, da opressão?
Piratas no fim das contas
Apoiavam igualidade
Hoje chamam de pirata
Ouem age contra a maldade
E compartilha o que tem
Dando cultura por bem
Ouem tem solidariedade
CARLISSON GALDINO é Bacharel em
Ciência da Computação e pós-graduado
em Produção de Software com Ênfase em
Software Livre. Já manteve projetos como
laraJS, Enciclopédia Omega e Losango.
Mantém projetos em seu blog, Cyaneus.
Membro da Academia Arapiraquense de
Letras e Artes, é autor do Cordel do
Software Livre e do Cordel do BrOffice.
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Num reino não tão distante
Com enorme população
Havia um rei poderoso
Mandando no que há sobre o chão
Seu reinado foi construído
Pelo poder que outros lhe dão
E o rei tinha ouro e castelo
Exército: espada e canhão
E tinha ministros e nobres
Coroa e anéis na mão
Mandava em tudo
Era absoluto
O rei era o deus da nação
O poder que ele detinha
Não podia desperdiçar
Pois mesmo cheio de dinheiro
Muito mais queria juntar
E cobrava altos impostos
Sobre o que não tinha sentido
Dizia proteger o povo
E era adorado e temido
Se dissesse que o céu é verde
Ninguém podia dizer que não
Pois era o rei
Sua palavra, a lei
O rei era o deus da nação
Até que um dia ouviu
Falar de um mundo além
Um mundo cheio de riquezas
Oue não pertenciam a ninguém
E o rei dessa terra distante
Desejou ter tudo tomado
Toda essa riqueza sem dono
Para engrandecer seu reinado
E assim lançar homens ao mar
Era a única solução
Mandou-os além
Por mal ou por bem
O rei era o deus da nação
Mas aquele rei soberano
Não era o único rei
Em terras vizinhas àquelas
Havia ao menos mais seis
E começou a correria
Navios gigantes ao mar
Para expandir a tirania
E essas novas terras domar
E nas terras já conhecidas
Começou a competição
Com várias nações
Cada uma, um rei
O rei era o deus da nação
Os barcos reais navegavam
Movidos por pura ambição
Tirando da terra o que tinha
Deixando lá escravidão
O ouro e os outros metais
Em exploração que não pára
E dentre a vegetação
As plantas que lhes fossem caras
E assim o rei seguiu seu plano
De enriquecer à exaustão
Às custas dos outros
Sem oposição
O rei era o deus da nação
Do meio dos mares nasceram
Os homens que não tinham pátria
Em barcos hostis e ligeiros
Chamados sempre de piratas
Tais homens e barcos ligeiros
E a Pirataria se fez
Ousados como ninguém mais
Viraram os rivais dos reis
Um pano preto de bandeira
Tão fácil de identificar
À espreita primeiro
E um bote certeiro
Nação de pirata é o mar
Navios pequenos velozes
Furiosa tripulação
Danavam-se no mar hostil
Sem lei, sem coroa ou brasão
O mar nunca guarda seus rastros
A terra não dá proteção
Pra quem só queria ser livre
Tornou-se a única opção
E assim saqueavam navios
Pra poderem se sustentar
Eram qual ladrões
Oue roubam ladrões
Nação de pirata é o mar
Zombavam das leis soberanas
De todos tiranos, dos reis
E entre seus próprios parceiros
Criaram suas próprias leis
Com muitos amigos no mundo
Em portos em que confiar
Em outros piratas e índios
Pra um ao outro ajudar
Com uma caveira gravada
No negro pano a flamular
Com sua própria lei
Bandeira e sem rei
Nação de pirata é o mar
É claro que sua existência
Aos reis era algo ruim
Pois lhes saqueavam tesouros
Afundando barcos por fim
Marinhas caçavam piratas
Pra findar sua ação insolente
Ouanto mais o tempo passava
A guerra era mais evidente
Reis querendo novos tesouros
Roubados de selvas e matas
lnterceptados
Então saqueados
No embate de rei e pirata
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CAPA · CORDEL PlRATAS & RElS - CARLlSSON GALDlNO
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Piratas não roubavam reis
Mas só o que estava no mar
Oue reis em imensa arrogância
Roubaram de um outro lugar
E o rei em seu trono de ouro
Longe, na maior proteção
Temia o capitão pirata
Oue agia com a tripulação
O grande tirano das terras
E o bravo capitão sem lei
Brigando sem dó
Ouem leva a melhor?
No embate de pirata e rei
A luta acontece até hoje
Estranho notar que é assim
Piratas e reis guerreando
Em uma batalha sem fim
Chamados piratas de hoje
Não matam, nem roubam no mar
O mar de hoje é a lnternet
E o que fazem é compartilhar
Os seus barcos-navegadores
Garantem acesso ligeiro
A toda a cultura
Em meio à loucura
Dos reis, que têm muito dinheiro
Os reis, soberanos das terras
Do mundo concreto, real
Protegendo ouro ilusório
Cercando o imaterial
Tratar cultura como coisas
É o erro dessa geração
Oue para manter seus negócios
Sabota toda inovação
Hoje são empresas de mídia
No lugar de antigos governos
Se importa é poder
É bom entender
Reis são os de muito dinheiro
Pessoas são presas no mundo
Pra serem lição, de aviso
Empresas distorcem verdades
Alegando altos prejuízos
E os reis subvertem governos
Com medo dessa nova era
E o povo acha justo copiar
E os interesses levam à guerra
E a guerra se faz novamente
Como era séculos atrás
Por mais proteção
Ou socialização
Piratas e reis digitais
O que os novos reis desejam
É controlar toda cultura
Pois isso lhes dá o dinheiro
Por isso desejam censura
E o que os piratas desejam:
Poder compartilhar sem dano
Afinal acesso à cultura
É também um direito humano
A história não foi concluída
A guerra prossegue ainda mais
Ouem vence no fim
Depende de nós
Piratas ou reis digitais?
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
CARLISSON GALDINO é Bacharel em
Ciência da Computação e pós-graduado
em Produção de Software com Ênfase em
Software Livre. Já manteve projetos como
laraJS, Enciclopédia Omega e Losango.
Mantém projetos em seu blog, Cyaneus.
Membro da Academia Arapiraquense de
Letras e Artes, é autor do Cordel do
Software Livre e do Cordel do BrOffice.
CAPA · CORDEL PlRATAS & RElS - CARLlSSON GALDlNO
A "wikificação do jornalismo" foi um dos
temas abordados durante o #gpciber [l] do
#intercom20l0 pelo Carlos d' Andréa [2]. A
proposta de relacionar a "filosofia wiki" as
rotinas jornalísticas é deveras interessante, por
isso Yuri Almeida e Thiago Araújo [3]
entrevistaram o Carlos d' Andréa. A entrevista
está excelente e vai para o "ar" na íntegra.
Carlos d'Andréa é professor do
Departamento de Comunicação Social da
Universidade Federal de Viçosa (UFV).
Jornalista graduado pela UFMG, especialista
em Gestão Estratégica da lnformação e mestre
em Ciência da lnformação pela ECl/UFMG.
Cursa doutorado em Estudos Linguísticos na
Fale/UFMG (linha Linguagem e Tecnologia),
onde estuda produção colaborativa de textos na
Wikipédia.
A wikificação do jornaIismo é mais uma postura em
reIação à produção e edição de textos do que uma
questão tecnoIógica, diz CarIos d'Andréa
Por Yuri AImeida e Thiago Araújo
8:
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
ENTREVISTA · ENTREVlSTA COM CARLOS D'ANDRÉA
8;
Revista Espírito Livre - No
#intercom20l0 você apresentou um artigo
sobre a wikificação do jornaIismo. Ouais as
principais características desse processo?
Carlos d'Andréa - A noção de "wikificação
do jornalismo" parte de um esforço de
aproximar as possibilidades e desafios dos wikis
e, em especial, da Wikipédia, às rotinas (cada
vez mais esvaziadas de processos, diga-se) do
jornalismo na web. Ao propor este conceito
inspiro-me no que o neurocientista Kenneth
Kosik chamou de "wikificação do conhecimento".
São as características essenciais dessa
wikificação:
- A atualização contínua de textos jornalísticos
publicados na web, em detrimento da
publicação de muitas páginas sobre o mesmo
assunto e/ou com poucas informações
adicionais sobre um acontecimento.
- A participação, em maior ou menor escala, do
público na edição dos textos publicados.
Não necessariamente estas características
têm que ser conjugadas, assim como nem todo
conteúdo jornalístico em texto pode e deve ser
wikificado.
É importante ainda dizer que o wiki, mais
do que uma ferramenta, é uma metáfora que
visa explorar, ao mesmo tempo ou em
separado, as possibilidades de agregação de
informações textuais em uma mesma página e
de uma escrita efetivamente coletiva.
REL - A wikificação do jornaIismo
proporciona uma "atuaIização contínua" das
notícias, por outro Iado, a notícia não é beta.
Como aIiar atuaIização com exatidão da
reportagem?
CD - "A notícia não é beta". É preciso
admitir que esta frase é instigantei
É fundamental explorarmos a palavra
"beta". No desenvolvimento de aplicativos,
softwares etc, um programa está na versão
"beta" quando chega à sua primeira versão
completa, mais ainda passível de ajustes a
serem feitas a partir de testes, inclusive com
usuários finais. Duas das mudanças possíveis
com a web 2.0 são a idéia de "beta perpétuo",
pois torna-se viável a incorporação de melhorias
(e consertos) ad infinitum, e abertura total dos
testes para o usuário comum, algo viável uma
vez que os aplicativos estão em rede.
Assim, se consideramos algo beta é como
algo passível de erros cujos impactos para os
usuários são menores do que o benefício das
correções posteriores a serem realizadas, a
resposta é: não, a notícia não é beta. A busca
pela precisão é e continuará sendo uma
característica estruturante do jornalismo. Neste
sentido, é inocente pensar que uma proposta de
wikificação do jornalismo toleraria, ou mesmo
incentivaria a publicação de notícias não-
validadas, ou de rascunhos de textos.
E mais: não são os wikis (como
ferramentas) que inaugurariam esta
possibilidade de correção a posteriori no
jornalismo. Em portais e blogs os editores
frequentemente corrigem informações, muitas
vezes de fácil checagem prévia, após sua
publicação. Às vezes sinalizam as correções,
outras vezes não. Neste sentido, os wikis são
inclusive mais transparentes, porque mantêm
aberto o acesso ao histórico de edições.
Um outro aspecto do beta é a idéia de que
um bem informacional, seja um software, seja
uma notícia, não precisa ser um bem acabado,
isto é, é passível de melhorias constantes,
inclusive a partir de um trabalho distribuído e em
rede. Neste sentido, penso sim que o jornalismo
e a notícia podem ser beta. Axel Bruns, no livro
"Gatewatcher", traz a ideia de "unfinished
news", que é uma das características do modo
"open news" proposto por ele. Para o autor,
trabalhar com notícias não-finalizadas é
reconhecer de que elas nunca estão prontas,
pois estão inseridas em um ambiente dinâmico
e submetidas a uma diversidade de
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
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perspectivas que torna necessária sua
atualização e reelaboração constantes.
Partindo da ideia de que toda notícia
advém de um fato reconhecido como de
interesse jornalístico, uma discussão que
enriqueceria bastante este debate é retormar a
própria noção de "fato jornalístico", conceito
básico das teorias da área. Será que todas as
matérias publicadas em site noticioso têm como
ponto de partida um fato jornalístico que de fato
as justifiquem? Ainda que os critérios de
noticiabilidade sejam negociados caso a caso,
eu responderia com certeza que não, nem todas
as matérias publicadas trazem um fato
efetivamente novo e relevante. Assim, pergunto:
não poderia ser um texto editado posteriormente
com acréscimo de informações que não
contradizem o fato jornalístico que a originou?
Na perspectiva da wikificação, sim.
Esse é um dos pontos de partida para
futuras pesquisasi
REL - O jornaIismo dos mass media
ainda é muito "autoraI" potenciaIiza-se mais
o "saber fazer" de cada repórter do que o
conjunto de "saberes" da redação. Nessa
perspectiva de "edição coIaborativa" quais
os impactos nas rotinas produtivas
jornaIísticas?
CD - Sim, o jornalismo como conhecemos
é essencialmente autoral, e tem no repórter uma
figura central na rede de produção, ainda que
(antigamente pelo menos) uma série de outros
profissionais (do pauteiro ao editor) tivessem
funções importantes para que o trabalho do
"autor" fosse mesmo bem acabado. Não custa
lembrar que o repórter-autor é também o
protagonista do grande mito que se construiu
em torno do jornalismo no século XX. O super-
man jamais podeia ser um editor, quero dizer.
Neste contexto, tem pouco glamour o texto
wikificado - basta lembrar que um wiki
caracteriza-se mais pelo trabalho duro e
contínuo do que pelo esforço pelo
reconhecimento público dos colaboradores. Um
texto jornalístico wikificado, por ser fruto do
trabalho de muitos, em geral não tem a marca
clara de nenhum de seus colaboradores, pois
tem um pouco, mas o suficiente de cada um
deles. Pessoalmente, preocupo-me com o
resultado final: guardadas todas as ressalvas e
circunstâncias, um texto jornalístico wikificado
pode ser melhor, quero dizer, mais informativo,
mais completo e - porque não - mais agradável
de ler do que um texto autoral.
Um outro aspecto importante aqui é o
resgate do papel da edição. Pesquisas no Brasil
e no exterior mostram que, especialmente em
redações online, há um esvaziamento da edição
jornalística. Cada vez menos os editores sentam
com seus repórteres para discutir uma matéria
ou mesmo a lêem antes de publicação. A
wikificação é uma das formas possíveis de
retormar a edição, desta vez, porém, de forma
aberta para os todos ou alguns membros da
redação e, talvez, também para o público.
REL - Ouais seriam as habiIidades
necessárias que o jornaIista deve
desenvoIver para trabaIhar em um ambiente
de rotinas wikificadas?
CD - Do ponto de vista técnico, creio que
são muito poucas as habilidades adicionais
perto do que um repórter de uma redação online
já faz. Um wiki, ou um CMS que dê suporte à
wikificação, caracterizam-se pela simplicidade
de uso. Creio que as novas habilidades estão
bem mais ligadas à postura, ao modo de lidar
com a autoria, como dissemos na questão
anterior. Seria necessário tornar-se um jornalista
com "espírito wiki", isto é, um foco constante na
colaboração, na melhoria permanente do
conteúdo, com respeito e espírito crítico em
relação ao trabalho do colega. Acredito que
estas habilidades são mais difíceis do que o
domínio técnico de qualquer ferramentai
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8<
REL - A edição coIaborativa impIica
também incorporar a participação dos
Ieitores nas etapas produtivas. Como
moderar e incentivar esse processo?
CD - Como disse antes, entendo que não
necessariamente, ou imediatamente deve-se
incorporar os leitores no processo de
wikificação. O "ideal" (no sentido da inovação,
da pluralidade etc) é que sim, mas
principalmente este tem que ser um processo
planejado e avaliado constantemente.
Sem fugir do debate, devolvo esta
pergunta aos demais estudiosos e editores do
jornalismo colaborativo. A questão central de
qualquer projeto de jornalismo colaborativo é
como dosar a abertura dos portões de entrada
e, especialmente, de saída de informações.
O que os wikis têm de específico? Se
pensarmos na Wikipédia, a possibilidade de
publicar um conteúdo sem aprovação prévia.
lsso é uma ruptura e tanto para as práticas
editoriais que conhecemos. Mas pensemos no
recurso Revisões Assinaladas, adotado há
pouco mais de um ano pela Wikipédia em
alemão. Ele permite que uma informação seja
publicada com destaque apenas após a
aprovação de um dos vários editores
previamente credenciados. Assim, criaram uma
espécie de "sala de espera" da informação. O
leitor pode optar pela leitura de uma versão
mais atual, mas não verificada, ou ler a versão
assinalada. Desde que a diferença entre as
duas versões do texto fique bem clara, parece-
me uma boa opção, inclusive para o jornalismo.
De todo modo, preciso dizer que minha
tendência é ser conservador, até para que os
avanços na parceira da redação e do pública
sejam significativos e duradouros. Acredito ser
melhor abrir pouco os portões no início, e
aumentar o espaço para participação externa
com o tempo, e mesmo fechar quando
necessário.
REL - No artigo você defende que a
"wikificação" do jornaIismo pode evitar um
número excessivo de páginas pubIicadas.
Penso que taI modeIo fortaIece também a
memória jornaIística diante de um fato. Esse
seria um modeIo a ser seguido peIos jornais,
tendo em vista que eIes são "fontes
históricas" da sociedade?
CD - A memória é um ponto chave desta
proposta! Em geral pensamos a memória
jornalística como uma fonte de pesquisa para
retomarmos ou entendermos algum momento
histórico muito importante ou mais antigo.
Temos que pensar, no entanto, que com o
advento dos mecanismos de busca o hábito de
recuperar informações se tornou uma prática
mais do que rotineira - é a principal atividade de
A noção de
wikificação do jornalismo
parte de um esforço de
aproximar as
possibilidades e desafios
dos wikis e, em especial,
da Wikipédia, às
rotinas (cada vez mais
esvaziadas de processos,
diga-se) do jornalismo
na web.
Carlos d'Andréa
93
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
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muitos usuários na internet, aliás. Ouando uma
pessoa usa um mecanismo de busca interno de
um portal para procurar informações gerais
sobre uma pessoa ou um acontecimento, em
geral o que aparece? Uma lista enorme de
páginas publicadas sobre o assunto, e não uma
página que o ajude a sintetizar o fato e
encontrar caminhos para aprofundar a pesquisa.
Sintetizar um fato sempre foi uma função
das enciclopédias e publicações afins, alguém
dirá. E a memória oferecida pelo jornalismo se
dá apenas a partir dos fatos pontuais noticiados.
lsso fazia todo o sentido no tempo em que o
papel (e o noticiário) do jornal de ontem tinha
como destino as gavetas de colecionadores, os
arquivos públicos e, principalmente, os balcões
de peixarias. Não custa lembrar que, nessa
época, enciclopédias eram atualizadas em
anuários, e olhe lái Pensando na era que
conjuga instantaneidade excessiva,
mecanismos de busca e bases de dados, eu me
pergunto se o jornalismo não deve enfrentar de
frente a responsabilidade pela memória do
passado recente, ou mesmo mais remoto.
REL - AIém da ferramenta wiki, quais
outras formato você enxerga para a
incorporação em rotinas jornaIísticas?
CD - Como disse, entendo o prefixo wiki
da expressão wikificação mais como uma
metáfora do que como um condicionamento
tecnológico. Neste sentido, tenho a impressão
que a maioria dos CMS, desde que
devidamente adaptados, poderia incorporar
características técnicas que permitiram a
wikificação.
Uma característica fundamental da
wikificação, ao meu ver, é o acesso aberto ao
histórico de edições de um texto - isso as
ferramentas wiki têm como função técnica
nativa, mas outras plataformas têm condições
de absorver. Por exemplo, o site do The
Guardian exibe, em cada matéria, um link
chamado "Article History" onde estão listados as
principais ações editoriais realizadas naquele
texto: data e hora de publicação, da última
modificação, eventual destaque na página
principal. lsso é um indício claro que a matéria
foi modificada, e que dar visibilidade a estas
edições é algo relevante na relação de
confiança estabelecida com o leitor. Ao rigor,
este recurso do The Guardian é apenas uma
versão melhorada do "Atualizado emi "
adotado por alguns dos principais sites
jornalísticos. Numa visão mais otimista, por
outro lado, pode ser visto como uma visibilidade
à wikificação já praticada.
Voltando à pergunta, e retomando as
questões anteriores, novamente aqui a
wikificação parece-me mais uma postura em
relação à produção e edição de textos do que
uma questão tecnológica.
94
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
YURI ALMEIDA é jornalista, especialista
em Jornalismo Contemporâneo, pesquisa-
dor do jornalismo colaborativo e edita o
blog herdeirodocaos.com sobre cibercultu-
ra, novas tecnologias e jornalismo. Contato:
hdocaos@gmail.com / twitter.com/herdeiro-
docaos.
THIAGO OLIVEIRA DE ARAUJO estuda
Comunicação Social com habilitação em
Jornalismo na Universidade Federal de
Viçosa. Responsável pelo blog "De Zero a
Cem" onde tenta falar sobre as escolhas,
os desafios e as descobertas que faz
durante sua vida universitária.
Referências
[l] http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/20l0/lista_area_
DT5-Cl.htm
[2] Site pessoal: www.carlosdand.com / E-mail:
carlosdand@gmail.com / Twitter: @carlosdand
[3] Blog: http://dezeroacem.todearaujo.com / Twitter:
@todearaujo
E EN NT TR RE EV VI IS ST TA A · · E EN NT TR RE EV Vl lS ST TA A C CO OM M C CA AR RL LO OS S D D' 'A AN ND DR RÉ ÉA A
Têm sido espetaculares os avanços realiza-
dos pela tecnologia da computação nos últimos
tempos - avanços estes impulsionados pela Lei
de Moore, que afirma sobre a capacidade de
processamento dos computadores. Mas, mes-
mo assim, nada ainda se compara aos nossos
l00 bilhões de neurônios que funcionam lenta-
mente e utilizam uma quantidade mínima de
energia e, juntos, desempenham funções impos-
síveis de serem realizadas pelos nossos compu-
tadores mais poderosos. Fazendo uma
analogia, o computador feito de componentes
eletrônicos e fios, controlados por programas,
de certo modo, não deixa de ser um organismo -
inanimado, é verdade, mas comparável a um or-
ganismo vivo. Tal organismo ainda está longe do
que seria um ser vivo em plena atividade, mas
funcionalmente desempenha o papel de uma cri-
atura. Em busca do entendimento e conhecimen-
FORUM · O SOFTWARE LlVRE E O GENOMA HUMANO
O Software Livre e o
Genoma Humano
Por HaiIton David Lemos
95
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
to e não distante dessa realidade, os
recursos de informática têm uma im-
portância cada vez maior na Biologia,
e vice-versa, por meio do desenvolvi-
mento de ferramentas de software e
hardware que são indispensáveis às
pesquisas e às novas descobertas.
Dentre essas pesquisas desenvolvi-
das, o projeto do genoma humano foi
um ambicioso esforço internacional pa-
ra determinar a sequência completa
do DNA não só dos seres humanos,
mas de vários outros organismos vivos.
Na maioria das células, existe
um núcleo onde se encontra algo es-
sencial: o genoma, uma estrutura con-
tendo o projeto de construção e funcionamento
dos organismos vivos. O genoma humano é en-
contrado no núcleo das células sob a forma de
46 filamentos enrolados em pacotes chamados
cromossomos, que incluem também moléculas
de proteínas associadas. Se desenrolássemos
esses fios e os ligássemos em série, eles formari-
am um frágil cordão com cerca de l metro e
meio de comprimento, e apenas 20 trilionésimos
de largura! Do ponto de vista descritivo, o DNA
é uma cadeia muito longa composta de quatro le-
tras: G, A, T, e C (Guanina, Adenina, Timina e Ci-
tosina). Essas letras são abreviações para as
quatro unidades químicas que formam os de-
graus da escada de DNA de dupla hélice. O obje-
tivo do projeto genoma é determinar a ordem
das letras na sequência. O tamanho da sequên-
cia é impressionante, mas não particularmente in-
compreensível. Tem cerca de três gigabytes de
espaço de armazenamento e, para fazer esse
processamento à linguagem Perl, com sua gran-
de capacidade de desenvolvimento e manipula-
ção de strings, processamento de textos,
acesso a dados remotos, e a criação rápida de
um protótipo, ela tem sido a linguagem escolhi-
da para programação e análises de dados bioló-
gicos. Mesmo sendo a programação uma área
distante para a maioria dos biólogos, o advento
do acesso à enorme quantidade de dados bioló-
gicos depositados em bancos de dados públicos
tem criado uma procura pelo conhecimento da
programação, especialmente as que envolvem
software livre - como as linguagens Perl,
Python, dentre outras - e sistemas operacionais
como o Linux.
96
HAILTON DAVID LEMOS (hailton@terra.
com.br) Bacharel em Administração de
Empresas, Tecnologo em lnternet e Re-
des, Especialista em: Tecnologia da lnfor-
mação, Planejamento e Gestão
Estratégica, Matemática e Estatistica. Tra-
balha com desenvolvimento de Sistema
há mais de 20 anos, atualmente desenvol-
ve sistemas especialistas voltados à pla-
nejamento estratégico, tomada de
decisão e normas lSO utilizando platafor-
ma Java e tecnologia Perl, VBA, OWC, é
membro do GOJAVA (www.gojava.org).
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
FORUM · O SOFTWARE LlVRE E O GENOMA HUMANO
Em busca do
entendimento e conhecimento e
não distante dessa realidade, os
recursos de informática têm uma
importância cada vez maior na
Biologia...
Hailton David Lemos
Figura l: Cadeia de DNA
Ao criticar a posição de governos que in-
centivam o Software Livre/Código Aberto
(SL/CA), o presidente da Microsoft América Lati-
na disse que estes não incentivam a inovação e
o empreendedorismo. É uma opinião como tan-
tas outras que existem no mundo. Escolha a
sua e defenda sua bandeira.
O sr. Hernan Rincon estava defendendo a
camisa da empresa que trabalha. Mas ele não
mentiu, apenas disse o que achava correto dian-
te de sua posição e de seus princípios.
Eu humildemente discordo do senhor Rin-
con, pois acredito que o SL/CA traz vários bene-
fícios, tais como sua gratuidade e a difusão do
código, facilitando que as pessoas cadastradas
tenham acesso ao código de programas total-
mente ou parcialmente funcionais, permitindo
assim que a sociedade organizada consiga re-
solver os problemas daquele código, melhorá-lo
e torná-lo relevante para a própria sociedade.
OPINIÕES
Por Jamerson Tiossi
97
FORUM · OPlNlÕES
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
D
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G
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g
l
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e
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s
x
c
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h
u
98
Dizer que o SL/CA não favorece o empreen-
dedorismo é um absurdo tamanho que elimina a
existência de todas as empresas que estão legal-
mente constituídas e fornecem o código livre pa-
ra a sociedade. Dizer que a Free Software
Foundation (FSF) não é empreendedora, tendo
ela sozinha mudado o perfil de 6% da popula-
ção usuária de sistemas operacionais desktops,
lutando contra o poderio econômico das gran-
des potências como Microsoft e Apple, significa
apenas admitir que o SL/CA está incomodando
a Microsoft, ao ponto deles terem que atirar pa-
ra todos os lados, fazendo declarações com mei-
as verdades.
Ouanto à inovação, peço a licença poética
dos meus leitores e crio um cenário fictício. lma-
gine que a Microsoft liberasse o código de seu
sistema, de modo que a comunidade e não ape-
nas uma empresa, seja ela a Microsoft, a Apple
ou mesmo a FSF, pudesse corrigir as falhas, es-
pecialmente as brechas de sistema que permi-
tem a invasão de programas maliciosos.
Ouem ganharia com isso?
A sociedade com certeza, que teria um pro-
duto inovador, fruto do raciocínio de dezenas de
centenas de cabeças pensantes, produzindo al-
go que seja único, acessível e cosmopolita.
Mais inovador que isto impossível.
Tudo depende do prisma que queremos
dar às coisas.
Agora em três de outubro, durante a elei-
ção, utilizei o programa "Divulga20l0" do TSE
para acompanhar o resultado da apuração dos
votos - por sinal, elogio o TSE que entre l8 e 22
horas tinha totalizado 99,99% de l35 milhões
de votos, num país com mais de 8 milhões de
quilômetros quadrados.
O software rodou direitinho em minha má-
quina Ubuntu 9.04 (atualizado até a data), mas
necessitava de alguns conhecimentos específi-
cos. No Ubuntu, eu não consigo executar o
"shell" (cujo equivalente no Windows é o "bat")
via duplo-clique. Tive que ir ao terminal, entrar
nas pastas e executar o arquivo shell script com
o incômodo "./" na frente. No Windows não teria
que fazer isto, mas estaria suscetível à progra-
mas maliciosos.
É uma questão de escolha: facilidade de
uso versus insegurança diante do sistema opera-
cional.
O prisma que prefiro olhar não é do dificul-
dade de acessar ao programa - que por sinal ti-
nha farta documentação na lnternet - mas que a
linguagem de desenvolvimento do aplicativo foi
o JAVA, uma linguagem livre, flexível e com acei-
tação no mercado.
Uma das maiores questões para a aceita-
ção do Java é que seu código é portável. Ou se-
ja, pode ser executado tanto em Windows,
quanto em Linux e em Mac OS X, com o mínimo
de alteração - geralmente nenhuma, mas este
cuidado quem tem que tomar é o desenvolvedor.
Dizer que o
SL/CA não favorece o
empreendedorismo é um
absurdo tamanho que
elimina a existência de
todas as empresas que
estão legalmente
constituídas e fornecem o
código livre para a
sociedade.
Jamerson Tiossi
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
FORUM · OPlNlÕES
99
JAVA permite a difusão do conhecimento?
Sim!
Oualquer um pode realmente aprender JA-
VA com o somatório de boa vontade, boa literatu-
ra e um computador com o Kit de
desenvolvimento JAVA instalado.
Tanto permite a difusão do conhecimento e
melhoria da sociedade, que o TSE entendendo
as facilidades embutidas na linguagem, preferiu
desenvolver seu produto neste perfil, sabendo
que erros que poderiam existir no código seriam
facilmente encontrados e depurados.
Ainda que existam outras linguagens tão ri-
cas de opções no âmbito do desenvolvimento,
qual permitiria que o código fosse distribuído e
corrigido? Oual poderia rodar em qualquer plata-
forma? Oual poderia rodar em qualquer máqui-
na produzida nos últimos dez anos e não
apenas em máquina TOP de linha recentes?
Oual linguagem o usuário poderia ter em sua má-
quina sem estar infligindo alguma lei de copy-
right? Oual linguagem permitiria que todos
pudessem ler o código, não ocultando em códi-
go binário instruções secretas que poderiam es-
tar servindo a interesses particulares e
estrangeiros?
JAVA!
Algumas pessoas perguntam o que podem
fazer para auxiliar o software livre. Copio a res-
posta de outros desenvolvedores e distribuido-
res: Use o software livre!
Se você quer fazer mais pelo SL/CA, apren-
da JAVA. O SL/CA precisa de bons desenvolve-
dores JAVA que possam ler, corrigir e redistribuir
código e conhecimento pelo mundo... mesmo
que empresários preocupados com a queda de
ganhos futuros digam que não.
Uma das
maiores questões para
a aceitação do Java é
que seu código é portável.
Ou seja, pode ser
executado tanto em
Windows, quanto em
Linux e em Mac OS X,
com o mínimo de
alteração - geralmente
nenhuma...
Jamerson Tiossi
JAMERSON ALBUOUEROUE TIOSSI é
Gestor de Sistemas lnformatizados, pós-gra-
duado em Engenharia de Software (com ên-
fase em software livre), e bacharelando em
Administração Pública. Trabalha com Java,
NetBeans, Ubuntu e MySOL. Mantêm um
blog sobre quadrinhos e mídias em http://osi-
lenciodoscarneiros.blogspot.com.
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
FORUM · OPlNlÕES
A comunidade na qual estou inserido imedi-
atamente, morando, produzindo os meios de vi-
da, se chama Oziel Alves, assentamento rural,
Goiás. A disponibilidade que temos de acesso à
lnternet é a partir de tecnologias 3G particula-
res e do sinal de satélite GESAC, no telecentro
comunitário (Ministério de Minas e Energia, Fur-
nas C.E., MDA, lNCRA, Banco do Brasil, MST,
CooperOziel).
A Fundação Banco do Brasil doou computa-
dores usados, para oficinas e montagem do tele-
centro, com Debian instalado. Para a grande
maioria das pessoas aqui, era o primeiro conta-
to com software livre. Depois, com equipamen-
tos que Furnas doara junto com a parceria
GESAC/MDA/lNCRA/comunidade local para o si-
nal satélite e protocolos burocráticos, instalamos
o Mandriva. Logo depois, o Ubuntu, que usamos
até hoje. Decorrendo todo esse processo entre
2004 e agora.
Com tanta hipocrisia patrocinada pela pro-
paganda e pelo marketing atuais, mais do que
nunca precisamos questionar o sentido das pala-
vras que, às vezes, falam de anjos e pianíssimo,
quando na verdade querem significar feras e
dissonia caótica. Mas tem aquelas que passam
pela malha fina de escrutínio e se mostram au-
tênticas. Me deixo impregnar pelo significado da
palavra Ubuntu, que segundo entendedores e
publicações, inclusive de muitos colunistas da
Espírito Livre, quer dizer 'sou o que sou pelo
que nós somos', tendo origem em comunidades
originárias do continente sul africano. Me permi-
to também fazer um contraponto dessa palavra
com ahamkara, de origem hindu, cultura na qual
não existe o Diabo ocidental, servindo-se eles
dessa palavra para exprimir o cmaldentre os se-
res humanos, tendo o sentido de ilusão do eu,
egocentrismo, egoísmo. Para eles, a origem de
todo mal, o diabo em pessoa. Concordo porque
FORUM · UBUNTU E AS COMUNlDADES
UBUNTU E
AS COMUNIDADES
Por Waney VasconceIos
9:
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
9;
o egoísmo faz as pessoas pensa-
rem que seu bem estar individual
é muito mais importante que o do
coletivo, da comunidade, justifi-
cando assim a ideia de posse e
propriedade material e intelectual
que, por sua vez, dá origem a ex-
ploração do homem pelo homem
(homem no sentido genérico, cla-
ro) que se manifesta em toda a
cadeia produtiva do capitalismo,
inclusive no sistema de softwa-
res proprietários e de leis canti-pi-
ratariad; reflete-se até na vida
privada de cada um, quando o
marido acha que a esposa é uma
posse sua, ou quando é a espo-
sa que acha isso do marido. E o
egoísmo institucionalizado e glo-
balizado (ahamkara) dificulta a vi-
são de compartilhamento, de
comunidade, de satisfazermos
nossas necessidades prescindin-
do do dinheiro, vil metal, quer que eu seja o que
sou pelo que o capitalismo é não pelo que nós,
enquanto irmandade biológica, sapiens, somos
(Ubuntu) e podemos vir a ser com muitos traba-
lhando em conjunto para adicionar sempre mais
um elo positivo na sequencia do código fonte do
existir humano.
O Oziel é um assentamento cujas terras,
de cerca de 44.000 hectares, foram desapropria-
das de uma empresa alemã que fazia criação
bovina extensiva aqui, área de cerrado. Se as
quase 2.000 pessoas que ocuparam inicialmen-
te a fazenda não tivessem tido um mínimo de
percepção comunitária e organização prática, es-
taríamos ainda inchando as periferias de Goiâ-
nia ou outras cidades do interior, espalhados. E
aqui dentro, a 45 km da cidade mais próxima,
sem um senso de sobrevivência comunitária,
não nos manteríamos.
O senso/necessidade comunitários do ser
humano fez com que ele povoasse também a di-
mensão/espaço virtual com comunidades e mei-
os de interação humano-humano. Essa vivência
comunitária na rede nos possibilita um intercâm-
bio de experiências locais que vão se agregan-
do e construindo um novo paradigma cultural
em nível de espécie humana em tempo real e
atual, e vamos cada vez mais entendendo que
somos o que a unidade de todo espécime hu-
mano é. Minhas características subjetivas estão
na dimensão subjetiva, que não é menos impor-
tante que a coletiva, mas parece depender dire-
tamente dela. É uma parte do todo.
É significativo minha comunidade de assen-
tamento poder se conectar com outras comuni-
dades como as virtuais. Como vivi, inclusive na
área rural, um tempo em que não havia nem ce-
lulares muito menos lnternet, nos ver agora nes-
ses sertões goianos podendo nos comunicar
com o mundo todo, nos relacionar e participar
da construção coletiva da atualidade, com o uso
de recursos técnicos livres e podendo aprender
a construção do código de software para poder-
mos criar ferramentas que nossa necessidade
Me deixo impregnar pelo
significado da palavra Ubuntu, que
segundo entendedores e
publicações, inclusive de muitos
colunistas da Espírito Livre, quer
dizer 'sou o que sou pelo que nós
somos', tendo origem em
comunidades originárias do
continente sul africano.
Waney Vasconcelos
FORUM · UBUNTU E AS COMUNlDADES
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
9<
específica demanda, viver tudo isso agora pare-
ce uma acelerada boa na formação de vínculos
mentais e sociais necessários a um viver digno.
Ubuntu se presta muito bem a isso por ter as fer-
ramentas para interação na lnternet e com a má-
quina, favorecendo assim o aspecto comunitário
interdependente do pensar/fazer e humano/má-
quina, bem como a liberdade de customizar a coi-
sa, possibilitando nossos neurônios
inaugurarem entre si novas conexões que, se
não estimuladas e sem a possibilidade de agir li-
vremente, jamais seriam feitas. Se fosse um sis-
tema proprietário imaginem o caso, nós,
comunidade afastada da cidade, computadores
reciclados, transporte precário, poucas fontes
de renda, com os recursos do telecentro tería-
mos que montar uma LAN House comercial pa-
ra garantir a manutenção básica do software,
modelo esse que não se sustentaria desde seu
mais básico aspecto: o da oferta e da procura,
no caso para o serviço de LAN. Sem falar do la-
do prático/teórico do que é estar preso à cadeia
viciosa do modelo proprietário, que entraria de
cara em contradição com o senso de liberdade
arraigado no meu povo. Claro que ainda muita
gente aqui tem resistência em migrar para o SL,
mas no fundo percebem que se podemos man-
ter um telecentro funcionando dentro do assenta-
mento, fornecendo conexão banda larga, sendo
mantida voluntariamente pela própria comunida-
de, que se estende às comunidades virtuais inter-
nacionais usando um sistema de softwares que
não demandam gastos financeiros viciosos, se a
comunidade consegue ter e fazer esse tipo de
serviço, talvez possamos dizer que estamos in-
cluídos na nossa parte de conceber o mundo e
sermos responsáveis pelo que concebemos; qua-
lidade de dignidade seria talvez a palavra. Sou o
que sou: homo sapiens, pelo que nós somos: ho-
mo coletivus. E agora já somos também homo in-
ternaeticus!
O GESAC está realizando capacitação teóri-
ca técnica social com os monitores dos telecen-
tros, que são as pessoas que a comunidade
aponta para operacionalizar o acesso dos de-
mais ao serviço de lnternet, bem como monito-
rar os equipamentos. A capacitação visa
maximizar todo o contexto dos Pontos de Pre-
sença do programa na comunidade e capacitar
os monitores a promoverem o contato dos mem-
bros da comunidade com tecnologias virtuais,
bem como possibilitar agentes de ensino a dis-
tância. Na mais recente etapa presencial do cur-
so, ocorrida em 24 e 25 de setembro/20l0, no
lFG, Goiânia, com representantes de Goiás, Ma-
to Grosso do Sul e Distrito Federal, ficou propos-
to e pré combinado aos telecentros de nossa
região instalarem o Ubuntu. Porque é efetivo na
funcionalidade e de fácil assimilação pelos nova-
tos migrantes, impregnados de condicionamento
proprietário, aspecto no qual o Ubuntu também
facilita por sua interface ser bem parecida com a
dos tradicionais proprietários. Ouem utiliza o
nosso telecentro não tem dificuldades maiores
de entender como funciona a ferramenta que
precisa pra determinada coisa, seja lnternet, es-
critório ou multimídia. As reclamações são geral-
mente quanto à velocidade de acesso, que
nesse caso é responsabilidade da Embratel e
Oi, e dos recursos que nossas máquinas recicla-
das permitem. Mas a tendência é de 'a culpa é
do Linux'. Depois de muitos companheiros da-
qui verem um Windows XP que mantínhamos
no telecentro como exemplar de museu, travar
diversas vezes e ter problemas com vírus, esse
tipo de ver as coisas está mudando aos poucos
(e o Windows também virou Ubuntu). Mas o que
levou milênios para ser imposto em nossas men-
tes não é daqui pra ali que vai simplesmente se
extinguir e oportunizar uma vivência outra. Mas
todo longo caminho precisa da atitude do primei-
ro passo.
Além da contribuição da cooperativa local,
CooperOziel, na manutenção da energia elétrica
gasta no espaço do telecentro e ser a lnstituição
Responsável juridicamente por ele, temos a par-
ticipação das escolas municipal e estadual que
funcionam dentro do assentamento e dos mem-
bros voluntários da comunidade (entre os quais
eu) que monitoram a utilização do espaço e são
FORUM · UBUNTU E AS COMUNlDADES
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
:3
responsáveis pela manutenção física do mes-
mo, bem como dos computadores (l0 máqui-
nas). Tudo isso permite à comunidade ter
acesso gratuito a serviços informatizados e à ln-
ternet. Estamos ainda tentando trazer mais um
telecentro, em vista de que o local onde está ins-
talado o atual fica a cerca de 40 quilômetros da
extremidade sudoeste do assentamento e como
muitas famílias não dispõem de recursos para ad-
quirir computadores nem pagar uma mensalida-
de de fornecimento 3G, por menor que seja,
uma vez que até mesmo a alimentação básica é
um problema em muitos casos, possibilitar esse
tipo de acesso à cultura digital e cinternéticadme
parece de extrema utilidade. Estamos ainda na
tentativa de conscientizar as coordenações de
outros assentamentos vizinhos a se organiza-
rem com o objetivo de levar telecentros para ca-
da um deles, tendo-se em vista os vários
projetos para isso que frequentemente são publi-
cados.
Desde que aqui chegamos, em 2003, pas-
samos cinco anos sem energia
elétrica, portanto sem televisão,
geladeira, aparelhos de som, etc,
contando apenas com o velho e
bom rádio a pilha para nos infor-
mar e entreter, e lampiões, velas
e lamparinas para iluminação. ln-
ternet só na cidade, em LAN Hou-
ses, a quase 50 km daqui. Mas
na sede da antiga fazenda, como
tínhamos energia elétrica, já funci-
onávamos oficinas de introdução
à informática e ao software livre.
Ao possibilitar o acesso e a
autogestão num modelo de com-
partilhamento e possibilidade de
desenvolver atividades informáti-
cas e de acesso à internet a co-
munidades como a nossa e
diversas outras, o software livre,
com destaque ao Ubuntu pelas
razões supracitadas, desempe-
nha um papel crucial na retoma-
da do sentido quase esquecido de comunidade
auto suficiente. E com o recente conceito de co-
munidade virtual global, desempenha o papel de
verdadeiro sentido de comunidade, aquele que
pressupõe cooperação, colaboração e comparti-
lhamento para superar os limites e avançar ru-
mo a um viver repleto de recursos necessários
ao sentido intrínseco de liberdade + dignidade,
uma vez que a filosofia/prática do software livre
disponibiliza os recursos informáticos já construí-
dos e prevê a possibilidade de qualquer comuni-
dade construir aqueles que ainda faltam.
Realizemos ubuntu para anular o famigera-
do ahamkara humano!
WANEY VASCONCELOS é assentado da
reforma agrária e também luta por ela. Faz
arte (escultura, pintura artesanato) para
sobreviver, e, desde que se entende por
gente é educador popular, trabalhando com
oficinas de arte, teatro, informática, inglês e
espanhol como voluntário. Coordena o
telecentro (via GESAC) do assentamento
Oziel, divisa de Goiás com Mato Grosso.
Ouem utiliza nosso
telecentro não tem dificuldades
maiores de entender como funciona
a ferramenta que precisa pra
determinada coisa, seja lnternet,
escritório ou multimídia. As
reclamações são geralmente
quanto à velocidade de acesso e
dos recursos que nossas máquinas
recicladas permitem.
Waney Vasconcelos
FORUM · UBUNTU E AS COMUNlDADES
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
"Disciplina é liberdade!" Essa frase perten-
ce a uma música da banda Legião Urbana, ex-
tinta em l996 logo após a morte de seu
vocalista, Renato Russo.
Apesar de ser clichê, há tempos penso
nessa frase associada ao software livre. Discipli-
na é liberdade...
Por que disciplina é liberdade? Porque a li-
berdade é feita de direitos e deveres. Muitas ve-
zes, quando pensamos em liberdade, estamos
presos a um conceito de que ser livre é fazer o
que se quer, a hora em que se quer e do jeito
que se quer. Não é bem assim, até mesmo a li-
berdade tem regras.
A nossa liberdade termina quando os direi-
tos das outras pessoas começam.
Aonde quero chegar? Vamos lá:
Para usar software livre, é preciso saber
respeitar os desenvolvedores, os contribuintes,
os usuários. Ouando usamos um software livre,
LIBERDADE E RESPEITO
Por AIine Abreu
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FORUM · LlBERDADE E RESPElTO
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julgamos o trabalho de outras pessoas muitas ve-
zes sem contribuir com o projeto. Falo aqui de
contribuição financeira e de mão-de-obra.
Ouando somos aficionados por uma distri-
buição Linux, muitas vezes deixamos de respei-
tar as escolhas alheias. lsso é oprimir a
liberdade do outro. Às vezes, entro nos fóruns e
vejo alguém com uma dúvida qualquer, usando
uma distribuição X ou Y. Então sempre, SEM-
PRE, aparecem pessoas com respostas do tipo:
"Essa ai não presta, instala a Z...", E isso ocorre
com muitas distribuições, não só com as peque-
nas. Aonde leva essa atitude? Leva o usuário ini-
ciante a voltar para o Windows, sistema em que,
de uma maneira ou de outra, ele sempre obtém
a ajuda necessária para fazer o que quer.
Eu sou uma pessoa muito paciente e persis-
tente nesse ponto, pois, caso contrário, teria de-
sistido na primeira vez em que entrei em um
fórum, há cerca de 5 anos. Eu comprei um com-
putador e quis instalar Linux nele, de qualquer jei-
to. Um amigo me deu um CD do Kurumin 5.0.
lnstalei com facilidade, o que me impressionou,
pois era a primeira vez que eu estava usando
um computador assim, dessa maneira, mais
avançada. Eu NUNCA havia formatado um com-
putador antes.
Pronto! Kurumin instalado, consegui confi-
gurar meu softmodem e me conectar à internet.
Eu tinha uma impressora HP, tentei instalar e
não consegui. Acessei a internet, entrei no busca-
dor e digitei:
"Como instalar a impressora X no Kurumin
5.0?". Achei várias coisas, vários posts, muitos
deles falavam de um tal de HPLlP, que eu não fa-
zia ideia de como usar.
Pesquisei: "Como instalar o HPLlP no Kuru-
min 5.0?". Depois de muito pesquisar, não conse-
gui instalar a impressora. Entrei em um fórum e
coloquei que eu tinha uma determinada impres-
sora, que havia pesquisado em determinados si-
tes, tinha achado sobre o HPLlP, mas não
estava conseguindo instalar e configurar correta-
mente. Escrevi um post relativamente grande, ex-
plicando TUDO que eu tinha feito e colocando
no título: COMO lNSTALAR A lMPRESSORA X
NO Kurumin 5.0. A primeira resposta que obtive
foi: "lnstala o HPLlP". Assim mesmo, mais nada.
Fiquei com raiva, pois a pessoa não tinha nem
se dado ao trabalho de ler o que eu escrevi.
Mas, pensando melhor, refleti que as pessoas
eram voluntárias ali e não tinham obrigação de
me ajudar.
Naquele momento, tomei uma decisão: eu
iria usar a distro que eu quisesse e, sempre que
tivesse dificuldade, eu escreveria e, quando ti-
vesse conhecimento suficiente, ajudaria pesso-
as que estivessem na mesma situação em que
eu estava naquele momento.
Outras pessoas me ajudaram, eu consegui
usar a impressora e segui usando o Kurumin
por um bom tempo, até ele morrer.
Para usar
software livre, é preciso
saber respeitar os
desenvolvedores, os
contribuintes, os usuários.
Ouando usamos um
software livre julgamos
o trabalho de outras
pessoas muitas vezes
sem contribuir com o
projeto.
Aline Abreu
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
FORUM · LlBERDADE E RESPElTO
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Nessa mesma época, comprei um computa-
dor novo e passei a usar o lnsigne 5.0. Dificulda-
des de adaptação sempre existem, mas,
vencida essa barreira, comecei a fuçar nele, e
descobri que a quantidade de material sobre ele
na internet era muito baixa. Comecei a escrever
tutoriais e comentários em meu blog e em fó-
runs, procurando ajudar usuários iniciantes - al-
gumas vezes, até adicionando no MSN e
fazendo o possível para que o primeiro contato
das pessoas com Linux e/ou com computador
fosse agradável, e que essas pessoas ouvissem
o mínimo possível de respostas errôneas e gros-
seiras.
Certa vez, encontrei em um fórum um usuá-
rio que queria mandar uma imagem via MSN pa-
ra um amigo. Essa pessoa recebeu dezenas de
respostas de como instalar drivers de webcam,
foi pedido a ele lsusb, etc. etc. Lendo o post de-
le mais atentamente, perguntei: "Você já com-
prou uma webcam?". Sabe qual foi a resposta?
"Não, eu não sabia que precisava, achei que o
computador viesse completo...".
lsso é óbvio? Talvez para você, para mim.
Mas quando um usuário que nunca mexeu com
computador começa a usá-lo, sem ter noção al-
guma, esse é o tipo de dúvida que surge, princi-
palmente quando lojas por aí anunciam o
computador como completo. As pessoas não sa-
bem o que é completo, o que tem que vir, o que
não tem.
Voltando à liberdade e à disciplina. Para
sermos livres verdadeiramente, precisamos ter
disciplina para respeitar essas pessoas, esses
usuários que mal sabem o que estão fazendo.
Eles vão aprender.
Precisamos ter a disciplina de agradecer
aos desenvolvedores e, se possível, contribuir,
mas principalmente reconhecer que eles dedica-
ram tempo e energia naquele aplicativo, e que
não estão cobrando nada por ele.
Para sermos livres, precisamos conhecer e
respeitar as outras partes envolvidas em nossa
liberdade. lncluindo as partes que têm a liberda-
de de usar um software proprietário.
Precisamos
ter a disciplina de
agradecer aos
desenvolvedores e, se
possível, contribuir, mas
principalmente reconhecer
que eles dedicaram tempo
e energia naquele
aplicativo, e que não
estão cobrando nada
por ele.
Aline Abreu
ALINE ABREU tem 25 anos, nascida em
Rio Claro, Analista de Testes de OEM e tem
formação Técnica em lnformática pelo
Centro Paula Souza "Bayeux".
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
FORUM · LlBERDADE E RESPElTO
No artigo Gerência de redes com Zabbix
[l], publicado na edição de setembro, nós mos-
tramos a importância de gerenciar uma rede de
computadores, os componentes, as característi-
cas e funcionalidades do Zabbix, bem como en-
sinamos a instalar o servidor Zabbix no Ubuntu
e CentOS.
Dando continuidade à série, vamos falar
sobre a função do agente, mostrar os tipos de
agentes suportados pelo Zabbix e ensinar a mo-
nitorar hosts pelo Zabbix fazendo uso de agen-
tes, do protocolo SNMP e das checagens
simples.
O que são agentes?
São softwares presentes nos dispositivos
gerenciados, tais como: servidores, switches, ro-
teadores, no-break, etc. Esses softwares podem
REDES · GERÊNClA DE REDES COM O ZABBlX
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Por André Déo e Aécio Pires
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
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David Monniaux - wikimedia.org
ser uma versão do agente SNMP (Simple
Network Management Protocol, protocolo de ge-
renciamento de redes) ou podem ser uma ver-
são agente da aplicação de gerenciamento, por
exemplo, um agente do Zabbix.
OuaI o papeI dos agentes?
A função principal é o atendimento das re-
quisições enviadas pelo gerente (função exerci-
da pelo servidor Zabbix), leitura de informações
(variando de acordo com as características do
dispositivo) e o envio automático de avisos ao ge-
rente, indicando a ocorrência de algum evento
inesperado.
Assim, temos duas situações: na primeira,
o gerente solicitou previamente uma informação
X a cada intervalo de tempo Y ou solicitou ser
avisado caso algum limite fosse atingido; e na se-
gunda, ocorreu algo não previsto e o agente co-
munica o gerente imediatamente, são os
chamados traps ou interrupções de software,
que ocorrem em situações de desligamento, alte-
rações de configurações locais, tentativas inváli-
das de leitura de informações, etc.
Como ocorre a comunicação entre o compo-
nente agente e gerente?
Essa comunicação varia de acordo com o
software agente que está sendo utilizado. No ca-
so do protocolo SNMP, é usado o protocolo
UDP para transporte das informações usando a
porta l6l para comunicação entre gerente e
agente e a porta l62 para o envio de traps.
No caso do Zabbix, são utilizados os proto-
colo TCP e UDP, sendo a porta l0050 para co-
municação entre o agente e gerente e a porta
l005l para o envio e recebimento de traps.
InstaIando o agente Zabbix
Antes de instalar o agente, certifique-se de
que o servidor Zabbix está funcionando. Ele não
é pré-requisito à instalação do agente, mas é ne-
cessário instalá-lo em algum computador da re-
de para que ele possa receber e processar as
informações enviadas pelos agentes. Se você
ainda não instalou o servidor Zabbix, leia o arti-
go "Gerência de Redes com Zabbix" [l] para ob-
ter o tutorial de instalação.
No wiki da comunidade Zabbix Brasil há
três tutoriais de instalação do agente Zabbix:
http://tinyurl.com/284cttt => Tutorial de instala-
ção do agente Zabbix no ambiente Windows.
http://tinyurl.com/23es3jc => Tutorial de instala-
ção do agente Zabbix no ambiente Linux.
http://tinyurl.com/2ddty6h => Ao acessar este
link será iniciado o download do tutorial de insta-
lação do agente Zabbix no ambiente Windows,
Ubuntu, Debian, OpenSuse, Fedora e CentOS.
Ouanto a instalação do agente SNMP, nós
não a abordaremos neste artigo, pois há vários
documentos na lnternet que ensinam como fa-
zer isso de acordo com as características de ca-
da equipamento e sistema operacional.
Portanto, ao monitoramos um equipamento atra-
vés do agente SNMP, assumiremos que ele está
instalado e devidamente configurado para funci-
onar na porta l6l com a comunidade public. Se
precisar de ajuda, consulte-nos na lista de dis-
cussão da comunidade Zabbix Brasil[2].
Monitorando os agentes
Com os agentes devidamente instalados, o
próximo passo é monitorar os hosts e criar os
primeiros gráficos.
Agente Zabbix
Supondo que você instalou o agente Zab-
bix num computador e cadastrou-o no Zabbix
com o template Linux Servers, vamos criar um
gráfico para monitorar a memória RAM disponí-
vel. Para isso, acesse a interface Web do servi-
dor Zabbix. Clique na aba Configuração
(Configuration) e depois clique em Hosts. No
campo Grupos (Groups), selecione a opção To-
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Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
REDES · GERÊNClA DE REDES COM O ZABBlX
dos (AII) para exibir todos os hosts cadastrados
conforme mostra a figura l.
Clique no link Gráficos (Graphs), como
mostrado na figura l. Em seguida, clique no bo-
tão Criar Gráfico (Create Graphs). Será exibi-
da a página de configuração do novo gráfico.
lnforme o nome "Memória RAM disponível" no
campo Nome (Name). Deixe os outros campos
com os valores padrão. Ao lado do nome Itens
(Items), clique no botão Adicionar (Add). Será
aberta uma janela suspensa, também chamada
de pop-up, como mostrada na figura 2.
Ao lado do nome Parâmetro (Parameter),
clique no botão SeIecionar (SeIect). Será aber-
ta outra janela pop-up com uma lista de parâme-
tros. Nela, certifique-se de que o host a ser
monitorado está selecionado, observando os
campos Grupos (Groups) e Host, e clique so-
bre o parâmetro AvaIiabIe Memory.
No campo EstiIo (StyIe), mostrado na figu-
ra 2, escolha a opção Região preenchida (FiI-
Ied region). Depois disso, clique no botão
Adicionar (Add). A configuração final do gráfico
deverá ficar semelhante a figura 3.
Pronto! Clique no botão SaIvar (Save) pa-
ra finalizar a configuração.
Para visualizar o gráfico, acesse a aba Mo-
nitomento (Monitoring) e depois clique em
Gráficos (Graphs). Certifique-se de selecionar
o host nos campos Grupos (Groups) e Host e,
em seguida, escolha o gráfico recém criado.
Agente SNMPvl
Considerando que o SNMP já está instala-
do e configurado no equipamento a ser gerencia-
do, vamos cadastrá-lo na interface web do
Zabbix. Para isso, clique no menu Configura-
ção (Configuration) e depois clique em Hosts.
Clique no botão Criar Host (Create Host). Será
exibida uma página semelhante a mostrada nas
figuras 4a e 4b.
No campo Nome (Name), como mostrado
na figura 4a, digite o nome do equipamento. No
Campo Grupos (Groups) você pode escolher de
qual grupo o equipamento fará parte.
Figura l - Exibindo os hosts cadastrados
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Figura 2 - Adicionando um item ao gráfico
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REDES · GERÊNClA DE REDES COM O ZABBlX
Figura 3 - Configuração do gráfico de monitoramento da memória
Figura 4a - Tela de cadastro do cliente snmp
:;
Você também pode criar um novo grupo, pa-
ra isso não selecione nenhum grupo e no campo
Novo grupo (New group) digite o nome do grupo
que deseja criar, por exemplo snmp.
Preencha os campos Nome DNS (DNS Na-
me) e Endereço IP (IP address) com o nome e
o lP do equipamento. No campo Conectar a
(Connect to), selecione se o host deverá ser lo-
calizado por nome DNS ou lP.
No campo Porta do agente Zabbix (Zab-
bix agent port), informe a porta l6l (Porta pa-
drão do protocolo SNMP). Os campos restantes
podem ficar com os valores padrão.
Do lado direito da tela, mostrado na figura
4b, temos a opção Associado aos tempIates
(Linked tempIates). Clique no botão Adicionar
(Add). Será exibido uma janela pop-up com
uma lista de templates de monitoramento. Em
Grupo (Group), escolha a opção TempIates, se-
lecione a opção TempIate_SNMPvl_Device e
clique no botão SeIecionar (SeIect).
Clique no botão SaIvar (Save). Pronto! O
equipamento foi cadastrado.
Criando o gráfico
Agora vamos criar um gráfico para testar o
monitoramento. Criaremos um gráfico para moni-
torar o tráfego de entrada e saída da interface
de rede.
Clique na aba Configuração (Configurati-
on) e depois clique em Hosts. No campo Gru-
pos (Groups), selecione a opção Todos (AII).
Clique no link Gráficos (Graphs), conforme
exemplificado na figura l. Depois disso, clique
no botão Criar Gráfico (Create Graphs). Será
exibida a página de configuração do novo gráfi-
co.
No campo Nome (Name), informe "Tráfe-
go de entrada e saída". Deixe os outros campos
com os valores padrão. Ao lado do nome Itens
(Items), clique no botão Adicionar (Add). Será
aberta uma janela pop-up como mostrada na fi-
gura 2.
Ao lado do nome Parâmetro (Parameter),
clique no botão SeIecionar (SeIect). Nela certifi-
que-se de que o host a ser monitorado está sele-
cionado, observando os campos Grupos
(Groups) e Host, e depois clique sobre o parâ-
metro iflnOctets2 (representa o tráfego de entra-
da ou download da interface de rede). Em
seguida, clique no botão Adicionar (Add).
Repita este procedimento para adicionar o
item ifOutOctets2 (representa o tráfego de saí-
da ou upload da interface de rede), escolhendo
outra cor para a linha que representará este tipo
de tráfego. A configuração final do gráfico deve-
rá ficar semelhante a figura 5.
Para visualizar o gráfico, acesse a aba Mo-
nitomento (Monitoring) e depois clique em
Gráficos (Graphs). Certifique-se de selecionar
o host nos campos Grupos (Groups) e Host e,
em seguida, escolha o gráfico recém criado.
Agente SNMPv2
Para cadastrar o host com o agente
SNMPv2, siga os mesmos passos usados para
cadastrar o host com o SNMPvl. A única mudan-
ça é o template TempIate_SNMPv2_Device.
O processo de criação do gráfico é o mes-
mo usado para monitorar o agente SNMPvl.
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REDES · GERÊNClA DE REDES COM O ZABBlX
Figura 4b - Tela de cadastro do cliente snmp
:<
Agente SNMPv3
O Zabbix não traz por padrão um template
para o SNMPv3, isso devido aos vários parâme-
tros de autenticação que são necessários. O
que é possível fazer é anotar os parâmetros de
um item SNMPvl ou SNMPv2 existentes no tem-
plate e criar um novo item com as mesmas carac-
terísticas, porém usando os parâmetros de
autenticação do SNMPv3.
Ao acessar o link http://tinyurl.com/23bqar2
você obterá um tutorial que ensina a monitorar
um host com o SNMPv3 configurado.
Monitorando via SimpIe Check
Muitas vezes precisamos realizar a checa-
gem de dispositivos embarcados como catra-
cas, no-breaks, câmeras de vigilância, etc; ou
seja, equipamentos que frequentemente não
vem com suporte a SNMP e não suportam a ins-
talação de um agente. Em outras situações pre-
cisamos monitorar se determinados serviços
estão em execução, como SMTP, FTP, lMAP,
POP3, SSH, HTTP, etc.
Para estes casos, o Zabbix possibilita o
uso de SimpIe Checks, checagens que não ne-
cessitam de SNMP ou de agentes instalados,
checagens que nos retornam "sim" ou "não",
c0dou cld.
Neste tutorial utilizamos a distribuição Cen-
tOS, mas os procedimentos são genéricos, com
exceção da instalação do fping.
Para utilização do Simple Check é neces-
sário a instalação do fping:
# yum -y install fping
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REDES · GERÊNClA DE REDES COM O ZABBlX
Figura 5 - Configuração do gráfico de monitoramento do tráfego de entrada e saída
;3
Verifique se o fping possui permissão para
o root e a flag SUlD habilitada:
# ls -las /usr/sbin/fping
24 -rwsr-xr-x l root root 23468 Jul 30 2007
/usr/sbin/fping
Se for necessário altere:
# chown root:root /usr/sbin/fping
# chmod a+s /usr/sbin/fping
Teste o funcionamento do fping com o co-
mando abaixo.
# /usr/sbin/fping lP
A resposta deve ser:
lP is alive
Configurando o zabbix_server.conf:
# vi /etc/zabbix/zabbix_server.conf
Descomente a linha abaixo:
FpingLocation=/usr/sbin/fping
Reinicie o processo do zabbix_server:
# ps -aux | grep zabbix_server
# kill -l5 PlD do primeiro processo
# /etc/zabbix/zabbix_server
Configurando o SimpIe Check de um host
Na interface web do Zabbix, acesse o me-
nu Configuração (Configuration) e depois cli-
que em Hosts. Em seguida, clique no botão
Criar Host (Create Host). Conforme demonstra-
do acima no Agente SNMPvl, as únicas diferen-
ças são que a porta será 0, uma vez que não
vamos usar nenhum tipo de agente e o template
será o TempIate_StandaIone.
Clique na aba Configuração (Configurati-
on) e depois clique em Hosts. No campo Gru-
pos (Groups) selecione a opção Todos (AII).
Clique no link Gráficos (Graphs), conforme
exemplificado na figura l. Depois disso, clique
no botão Criar Gráfico (Create Graphs). Será
exibida a página de configuração do novo gráfi-
co.
No campo Nome (Name) informe "Ping".
Deixe os outros campos com os valores padrão.
Ao lado do nome Itens (Items), clique no botão
Adicionar (Add). Será aberta uma janela pop--
up como mostrada na figura 2.
Ao lado do nome Parâmetro (Parameter),
clique no botão SeIecionar (SeIect). Nela certifi-
que-se de que o host a ser monitorado está sele-
cionado, observando os campos Grupos
(Groups) e Host, e depois clique sobre o parâ-
metro ICMP ping. Em seguida, clique no botão
Adicionar (Add). A figura 6 mostra exemplifica
a configuração final do gráfico.
Para visualizar o gráfico, acesse a aba Mo-
nitomento (Monitoring) e depois clique em
Gráficos (Graphs). Certifique-se de selecionar
o host nos campos Grupos (Groups) e Host e,
em seguida, escolha o gráfico recém criado.
Criando o gráfico para resposta do Ping em
miIisegundos
Além de monitorar o estado da conexão é
interessante também monitorar a resposta em
milisegundos do ping. lsto pode ser usado inclu-
sive para monitorar a qualidade do sinal da sua
rede sem fio. ;-)
Na interface web do Zabbix, acesse o me-
nu Configuração (Configuration) e depois Hosts,
clique em ltens (ltems) do host que está sendo
monitorado. Em seguida, clique no item lCMP
ping e clique no botão Clone. Faça as seguintes
alterações:
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
REDES · GERÊNClA DE REDES COM O ZABBlX
;4
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
REDES · GERÊNClA DE REDES COM O ZABBlX
Figura 6 - Criando um gráfico para monitoramento de um host com Simple Check
Figura 7 - Criando um item
Description: lCMP ping ms
Key: icmppingsec
Type of information: Numeric (float)
Use muItipIier: Custom multiplier
Custom muItipIier: l000
Clique no botão Save (SaIvar). A figura 7
mostra a configuração final do item.
Precisamos alterar o Custom multiplier pa-
ra l000, pois o fping responde em milissegun-
dos e o icmppingsec, como o própio nome já
diz, responde em segundos, por isso precisa-
mos multiplicar por l000, para recebermos o va-
lor correto nos gráficos.
Agora basta você criar um gráfico com es-
te novo item. A figura 8 mostra um exemplo do
gráfico de monitoramento da resposta do ping
em milissegundos.
Considerações finais
Neste artigo conhecemos a função do com-
ponente agente, vimos os tipos de agentes supor-
tados pelo Zabbix, ensinamos a instalá-los,
cadastramos no Zabbix os hosts que fazem uso
do agente Zabbix, SNMP e das checagens sim-
ples e criamos os primeiros gráficos de monitora-
mento.
Nos próximos artigos mostraremos deta-
lhes da interface web do Zabbix e como monito-
rar alguns equipamentos e serviços.
Até a próxima!
AECIO PIRES é Tecnológo em Redes de
Computadores pelo lFPB, está se
especializando em Segurança da
lnformação na Faculdade iDEZ e trabalha
como Administrador de Sistemas na
Dynavídeo. Email: aeciopires@gmail.com |
http://aeciopires.com.
Referências
[l] DEO, André e PlRES, Aécio. Gerência de Redes com
Zabbix. Revista Espírito Livre Ed. l8 págs. 69 a 73. Disponível
em: http://www.revista.espiritolivre.org/?p=693 Acessado em: l5
de outubro de 20l0.
[2] Lista de Discussão da comunidade Zabbix BrasiI.
Disponível em: http://br.groups.yahoo.com/group/zabbix-brasil/
Acessado em: l5 de outubro de 20l0.
[3] Wiki da comunidade Zabbix BrasiI. Disponível em:
http://zabbixbrasil.org/wiki/ Acessado em: l5 de outubro de 20l0.
[4] SimpIe Checks ManuI do Zabbix. Disponível em:
http://www.zabbix.com/documentation/l.8/complete#simple_
checks Acessado em: l5 de outubro de 20l0.
ANDRE DEO é bacharel em Sistemas de
lnformação, com Especialização em Redes
de Computadores, atualmente é
Administrador de Redes no Gabinete do
Reitor da Unicamp e Professor Universitário
na Faculdade Policamp, usuário de Linux
desde 2002 (Slackware e CentOS). Email:
andredeo@gmail.com |
http://andredeo.blogspot.com.
;5
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
REDES · GERÊNClA DE REDES COM O ZABBlX
Já se vão alguns anos desde que se come-
çou a falar em Segurança em Processamento
de Dados. Dias após o início do processo de
downsize da tecnologia da informação, profissio-
nais de informática buscaram extrair o máximo
dos recursos computacionais para garantir aos
usuários de Tl disponibilidade, integridade e con-
fidencialidade para suas informações.
Lembro bem que, no final dos anos l980,
para compilar e rodar meus programas em CO-
BOL lá no Ministério da Aeronáutica, era neces-
sário perfurar diversos cartões - um para cada
linha de programa -, torcer com todas as forças
pra não tropeçar em nada na hora de levá-los
para a leitora, e lá colocá-los para leitura e com-
pilação. Por mais engraçado que possa parecer,
meu maior medo era tropeçar e cair com aquela
maçaroca de cartões perfurados, pois, se isso
acontecesse, é possível que fosse mais fácil eu
refazer todo o processo que tentar reordenar os
fatídicos cartões.
E por faIar em segurança...
Por WiIIiam Stauffer TeIIes
;6
SEGURANÇA · E POR FALAR EM SEGURANÇA...
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
A
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s
x
c
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h
u
;7
O que eu quero com essa história é mostrar
que a Segurança da lnformação é um PROCES-
SO, e não um fato, como alguns teimam em
achar. E um processo que precisa contemplar to-
do o escopo de operação, envolvendo desde
hardware, software, processos e PESSOAS.
Por mais que se tenha falado bastante nas
normas da família lSO 27000, como a lSO 2700l,
por exemplo, tem-se difundido muito pouco sobre
o assunto nas micro e pequenas empresas. lnfo-
Sec não pode ser apenas uma sigla aplicável às
grandes corporações.
Em todo treinamento que ministro sobre Se-
gurança da lnformação, recebo a mesma pergun-
ta: como posso tornar a área de informática lá da
empresa mais segura? Pois é.... É aí mesmo em
que reside o problema. Ouem foi que disse que se-
gurança da informação é uma questão que tem
de ser resolvida somente pela Tl? Ouem, na em-
presa, é responsável pelo estabelecimento dos
processos de negócio? Ouem, na empresa, reali-
za as contratações de pessoal? Ouem, na empre-
sa, opera os programas de computador
disponibilizados pelos "patinhos feios" lá da Tl?
Compreendeu agora?
De acordo com a lSO 2700l, em seu item
A.5.l.l, temos o seguinte: "Um documento de polí-
tica de segurança da informação deve ser aprova-
do pela direção, publicado e comunicado para
todos os funcionários e partes externas relevan-
tes" (negritos por minha conta). A não ser que eu
esteja enganado, esse texto deixa claro que segu-
rança da informação é uma questão de responsa-
bilidade GLOBAL dentro da organização!
Só para exemplificar: se um operador de cai-
xa de supermercado deixa de registrar, proposita-
damente, determinado produto de um cliente, ele
é culpado pelo crime de furto/roubo, mas também
é o grande responsável pela inconsistência de da-
dos que acabam de ser gerados no controle de es-
toque, fato que irá repercutir no controle
financeiro, que, por sua vez, irá afetar a receita
operacional disponibilizada e orçada para efetuar
o pagamento do tal funcionário!
Meus caros, se segurança fosse uma ques-
tão exclusiva da Tl, o que nós teríamos é o ca-
chorro tomando conta da linguiça! Não podemos
criar processos e sermos responsáveis pelo seu
cumprimento. Novamente, temos a lSO 2700l
nos apoiando em seu ponto A.6.l.2: "As ativida-
des de segurança da informação devem ser co-
ordenadas por representantes de diferentes
partes da organização, com funções e papéis re-
levantes".
Pensar em um ambiente seguro para as in-
formações pessoais ou organizacionais é muito
bom, mas pensamento sem ação não produz
nem nunca produziu resultado. É preciso mais
AÇÃO, e basta boa vontade pra começar a im-
plementar pequenas e boas práticas de seguran-
ça, como instalar e manter atualizado um
antivírus em seu computador. Por falar nisso, já
atualizou seu antivírus hoje? Viu o log do fi-
rewall? Conferiu os acessos não autorizados no
proxy? lnstalou patchs de atualização crítica de
segurança? Verificou se houve tentativa de aces-
so não autorizado nos AP's? Ufa... por falar em
segurança, o bluetooth do seu celular está liga-
do agora???
Não podemos
criar processos e sermos
responsáveis pelo seu
cumprimento.
William Stauffer Telles
WILLIAM STAUFFER TELES é engenheiro
da computação, especialista em Ciência da
Computação Forense. Mais de 20 anos
atuando em Tl. Membro da HTClA. Membro
do Comitê Gestor CB2l/CE27 de Segurança
da lnformação da ABNT. Diretor Técnico da
NlD Forensics, criadora e mantenedora da
Certificação Certified Digital Forensic
lnvestigator - CDFl.
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
SEGURANÇA · E POR FALAR EM SEGURANÇA...
Todo engenheiro ou arquiteto usuário de
software livre já deve ter reclamado da falta de
opções de softwares livres para CAD ou, ainda,
do estágio prematuro da maioria das opções
existentes. Para quem não sabe do que esta-
mos falando, a Wikipedia pode ajudar: "Compu-
ter-Aided Design (CAD) (em inglês), ou desenho
assistido por computador, é o nome genérico de
sistemas computacionais utilizados pela enge-
nharia, geologia, arquitetura, e design para facili-
tar o projeto e desenho técnicos. No caso do
design, este pode estar ligado especificamente
a todas as suas vertentes (produtos como ves-
tuário, eletroeletrônicos, automobilísticos, etc.),
de modo que os jargões de cada especialidade
são incorporados na interface de cada progra-
ma."
Sabendo dessa deficiência e no intuito de
evitar que um escritório de engenharia recém
convertido ao software livre voltasse a instalar
softwares proprietários procurando suprir suas
necessidades de CAD, iniciamos um projeto de
pesquisa para mapear as principais soluções li-
vres existentes nessa área, identificar as defici-
ências que impedem que usuários CAD migrem
para elas e, finalmente, atuar ativamente para
que essas deficiências deixem de existir, seja
GNU LibreDWG: Iibertando
arquivos CAD
Por Rodrigo Rodrigues da SiIva e FeIipe Corrêa da SiIva Sanches
;8
DESIGN · GNU LlBREDWG: LlBERTANDO AROUlVOS CAD
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
;9
apenas relatando bugs e feature requests junto
às comunidades, ou por meio da implementação
de novos recursos.
A busca
Nossa pesquisa apresentou um resultado
muito claro: de todas as ferramentas analisadas,
cerca de duas dezenas, nenhuma suportava o for-
mato DWG. DWG é um formato de arquivos cria-
do na década de 70 usado por padrão para o
armazenamento de dados do AutoCAD, a princi-
pal suíte CAD (proprietária) do mercado. Devido à
popularidade do AutoCAD, a grande maioria dos
arquivos CAD que são distribuídos e compartilha-
dos estão nesse formato e, consequentemente,
até pouco tempo, eram totalmente inacessíveis
sem o uso de algum software proprietário.
Considerando o lock-in [0] causado pelo
DWG como uma barreira à sua entrada no merca-
do CAD, em l998 alguns concorrentes da Auto-
desk, com o intuito de viabilizar a migração de
usuários para suas próprias ferramentas - todas
elas proprietárias -, formaram um consórcio cha-
mado Open Design Alliance [l], que tinha como ob-
jetivo realizar um processo de engenharia reversa
do formato DWG. Um dos resultados desse con-
sórcio foi a publicação de uma especificação não-
oficial do formato [2]. Trata-se de um documento
de cerca de l80 páginas que contém os detalhes
técnicos sobre como a informação de um projeto,
composto por desenhos, partes, vistas, sólidos, de-
finições, etc, é armazenada dentro de um arquivo
DWG.
Além da especificação, publicada em seu
website, a ODA desenvolveu uma biblioteca, na
época chamada de OpenDWG, que implementa-
va o formato. O termo open, nesse caso, leva os
desavisados a um tremendo equívoco: a bibliote-
ca não pode ser considerada livre nem open
source. Apesar de inicialmente distribuída gratui-
tamente - o que, por sua vez, impeliu vários de-
senvolvedores de programas CAD livres a
utilizarem-na em seus projetos - hoje ela está
disponível apenas para membros do consórcio,
cujo grau de associação mínimo (usuário final)
demanda uma taxa anual de US$l,500.00. Não
queremos aqui condenar o fato de a biblioteca
ser paga, afinal, software livre não quer dizer ne-
cessariamente software gratuito; mas sim alertar
os leitores sobre as possíveis armadilhas do
software proprietário e gratuito, em geral conhe-
cido como freeware.
Todo engenheiro
ou arquiteto usuário de
software livre já deve ter
reclamado da falta de
opções de softwares livres
para CAD ou, ainda,
do estágio prematuro
da maioria das opções
existentes.
Rodrigo Rodrigues e
Felipe Sanches
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
DESIGN · GNU LlBREDWG: LlBERTANDO AROUlVOS CAD
;:
ResuItados
Depois de algum tempo procurando por bi-
bliotecas livres para manipulação de arquivos
no formato DWG, chegamos à LibDWG [3], uma
biblioteca coincidentemente escrita por um brasi-
leiro e que suportava apenas cerca de 20% da
especificação OpenDWG. Porém essa bibliote-
ca possuía uma característica muito peculiar,
que, para a maioria dos possíveis colaborado-
res, seria um entrave: seu autor, como bom espe-
rantista, escrevera toda a documentação,
nomes de variáveis e comentários do código em
Esperanto, a pretensa língua internacional - ape-
nas as palavras reservadas do C em inglês.
Sem julgar o mérito do Esperanto, conside-
ramos que a dificuldade em aprender uma nova
língua antes de começar a programar seria uma
barreira à evolução de um software livre, e, usu-
fruindo dos direitos proporcionados pela licença
GNU GPLv3 [4], em l5 minutos fizemos um fork
do projeto e começamos a traduzi-lo para o in-
glês, a lingua franca no meio hacker.
Após algumas aulas on-line de Esperanto
e umas duas semanas de tradução, praticamen-
te todo o código já estava traduzido para o in-
glês e devidamente publicado no Google Code.
A partir daí passamos a implementar os pontos
faltantes da especificação, como os objetos gráfi-
cos do DWG, e suporte a outras versões além
da R2000, até então a única suportada - a cada
duas ou três versões do AutoCAD a Autodesk
cria uma nova versão do formato, potencialmen-
te incompatível com e substancialmente diferen-
te, nos aspectos internos, das versões
anteriores. Nascia, assim, a LibreDWG [5].
LibreDWG e o Projeto GNU
A Free Software Foundation mantém uma
lista de projetos considerados prioritários para o
Software Livre [6]. Tendo já trabalhado por al-
guns dias na LibreDWG, descobrimos que um
destes projetos era exatamente a implementa-
ção de uma biblioteca livre que substituísse a bi-
blioteca proprietária da Open Design Alliance. A
libDWG, assim como outras iniciativas que tam-
bém pretendiam implementar o formato mas ain-
da não o haviam feito, como a VectorSection [7],
era apenas citada como possível projeto. Como
já tínhamos alguma proximidade com a Free
Software Foundation e o Projeto GNU, resolve-
mos atender à solicitação feita pelo próprio Ri-
chard Stallman, com quem havíamos
conversado em uma recente passagem pelo
Brasil, e inscrever a LibreDWG como candidata
a se tornar um pacote GNU.
Um pacote GNU é um subprojeto relativa-
mente independente do Projeto GNU, que imple-
menta alguma funcionalidade específica do
sistema GNU. Devido à relevância do projeto e
ao fato de ele estar na lista de projetos prioritári-
os da FSF, e após atendermos a algumas suges-
tões feitas pelo avaliador designado para nossa
proposta, o projeto foi aprovado. Um detalhe cu-
rioso é que uma das condições para ser aprova-
do como pacote GNU é que o código seja
escrito em inglês.
Como contribuir
Para contribuir com a LibreDWG não é ne-
cessário ser um especialista em programação.
O código é todo feito na linguagem C - nada de
outro mundo como o código do dropdown da
GTK! Mesmo quem não programa pode contri-
buir escrevendo documentação, testando a Li-
breDWG em seus arquivos (temos um
conversor experimental de DWG para SVG) ou
ainda fornecendo arquivos DWG para nossa suí-
te de testes. Em nosso wiki [8] há um guia pas-
so a passo sobre como instalar e utilizar a
LibreDWG, além dos nossos canais de contato.
Estamos sempre abertos a sugestões e a auxili-
ar contribuidores e possíveis usuários interessa-
dos. Compile a LibreDWG e tente converter um
dos seus arquivos DWG para SVG. Caso a con-
versão não fique boa, por favor mande-nos um
e-mail pois seu arquivo pode nos ajudar a achar
falhas na biblioteca.
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
DESIGN · GNU LlBREDWG: LlBERTANDO AROUlVOS CAD
;;
Universidade e software Iivre
Todo o processo que levou à criação da Li-
breDWG, desde o levantamento da necessidade
de suporte a DWG até o início do desenvolvimen-
to, ocorreu dentro do PoliGNU - Grupo de Estu-
dos de Software Livre da Poli/USP [9].
Acreditamos que a atividade em grupo tenha si-
do essencial para o levantamento das deficiênci-
as dos CADs livres e à identificação de um item
prioritário.
Caso o leitor tenha interesse em criar (ou
já tenha criado) um grupo parecido em sua uni-
versidade, entre em contato para trocarmos expe-
riências. Gostaríamos de replicar o processo de
fomento a grupos de estudos de software livre
por meio do desenvolvimento de outros itens es-
tratégicos, como os listados pela FSF.
Estado atuaI e perspectivas
No momento em que escrevemos essa ma-
téria, o projeto conta com cerca de 5 contribuido-
res mais ou menos (in)constantes. Já cobrimos
cerca de 99% da especificação OpenDWG para
as versões Rl3, Rl4, R2000 e R2004. O supor-
te à escrita foi desenvolvido recentemente com
o apoio financeiro do programa Google Summer
of Code [l0], e está próximo de ser lançado. Já
temos bindings para outras linguagens de progra-
mação como Python e Perl no forno.
A biblioteca está próxima do lançamento
de uma versão alpha, e já temos em vista a sua
inclusão no repositório do Debian e seu uso em
alguns softwares CAD livres, como o FreeCAD.
O GRASS [ll], um poderoso software livre de
análise geográfica, já possui um plugin (quase
pronto) que substitui o antigo plugin dependente
de software proprietário. Caso você esteja envol-
vido com o desenvolvimento de algum software
que necessite suporte DWG, contate-nos e contri-
bua!
Happy hacking!
FELIPE CORRÊA DA SILVA SANCHES
(juca@members.fsf.org) é desenvolvedor e
evangelista do software livre, e contribui com
projetos como lnkscape, Universal Subtitles
e GNU. Membro fundador do Grupo de
Estudos de Software Livre da Poli/USP
(PoliGNU) e mantenedor da biblioteca livre
GNU LibreDWG.
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
DESIGN · GNU LlBREDWG: LlBERTANDO AROUlVOS CAD
RODRIGO RODRIGUES DA SILVA
(pitanga@members.fsf.org) é engenheiro de
computação e mestrando pela Escola
Politécnica da Universidade de São Paulo. É
membro do projeto GNU e contribui para o
desenvolvimento de CAD's livres. Membro
fundador do Grupo de Estudos de Software
Livre da Poli/USP (PoliGNU) e mantenedor
da biblioteca livre GNU LibreDWG.
Referências
[0] http://pt.wikipedia.org/wiki/Aprisionamento_tecnológico
[l] http://opendesign.com
[2] http://opendesign.com/files/guestdownloads/DwgFormatSpecl3-
2007.rtf
[3] http://libdwg.sourceforge.net
[4] http://www.gnu.org/licenses/gpl.html
[5] http://gnu.org/software/libredwg
[6] http://www.fsf.org/campaigns/priority-projects/
[7] http://vectorsection.org/
[8] http://groups.fsf.org/wiki/LibreDWG
[9] http://polignu.org
[l0] http://code.google.com/soc
[ll] http://grass.osgeo.org
© 20l0 Rodrigo Rodrigues da Silva e Felipe Corrêa da Silva Sanches
Este texto é disponibilizado nos termos da licença Creative Commons
Atribuição Compartilhamento pela mesma licença,
http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0/br
Nós da Comunidade de Software Livre do
Espírito Santo, Tux-ES, temos o prazer de anun-
ciar a todos, o nosso primeiro ano de vida! É mui-
to satisfatório, principalmente para mim, que
criei a comunidade, ver o grande envolvimento
de todos.
Me iniciei no Linux praticamente na mes-
ma época em que criei a Tux-ES, com o objetivo
de ajudar, divulgar, promover eventos com o
Software Livre e, principalmente, movimentar o
Software Livre no Espírito Santo. Com a ajuda
da Tux-CE (Comunidade Cearense), com o Mar-
celo Cavalcante, demorou apenas um pequeno
período para que a ideia saísse do papel e se
transformasse no portal.
Passado pouco tempo da criação da comu-
nidade, conheci João Fernando, da Revista Espí-
rito Livre, e juntos realizamos alguns eventos,
como por exemplo O Dia da Liberdade dos Docu-
mentos (DFD - Document Freedom Day) e o FLl-
SOL (Festival Latino Americano de lnstalação
de Software Livre). Eventos estes que foram óti-
mos para a comunidade, pois tivemos grandes
palestrantes e participantes muito interessados,
o que nos rendeu visibilidade, novos membros e
artigos na revista.
Com o intuito de manter a "interatividade"
dentro da comunidade, criamos o Liberdade lnte-
rativa, um evento baseado nos eventos "Day",
que acontece a cada dois meses e, atualmente,
conta com duas Palestras/Workshops por even-
to. Nele, as pessoas podem trocar ideias, com-
partilhar conhecimento e, porque não, fazer um
bom networking.
Como toda comunidade, tudo o que a Tux-
ES faz é em conjunto. Todas as ideias são discu-
tidas. Opiniões, criticas e sugestões são ouvidas
e assim conseguimos atingir nossos objetivos e
realizar nossos eventos. Ouero agradecer a to-
dos que ajudam nesses processos, mesmo de
longe, apenas com palavras, e também a todos
que ajudam diretamente, se esforçando na medi-
da do possível. Esperamos que a cada ano que
passe mais e mais eventos sejam realizados, e
mais e mais pessoas fiquem satisfeitas com o
nosso trabalho.
COMUNIDADE · PARABÉNS A TUX-ES
Por AIbino Biasutti Neto
;<
ALBINO BIASUTTI NETO é graduando
em Sistema de lnformação, membro da
comunidade Tux-ES. Trabalha com
Redes, Servidores Linux e Windows, e
programação em C. lntegrante do
movimento Software Livre e Linux.
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
Dez realmente é um número mais do que
especial, é a soma dos quatro primeiros núme-
ros, tornando-se conhecido como Tetraktys Pita-
górica (l+2+3+4=l0). Simboliza o sentido da
totalidade e de uma conclusão. Representa a por-
ta aberta para a eternidade, já que sua energia
é guiada pelo princípio da mudança, afirmando
que nada é permanente na vida.
Dez é também a nova versão do Ubuntu,
l0.l0, lançado no dia l0/l0/20l0. Com tanto sig-
nificado e filosofias presentes, somente o Ubun-
tu poderia realmente ser a inspiração para
tantas comemorações pela comunidade de
Software Livre. Dentre essas comemorações nes-
se dia memorável, temos mais um orgulho a
apresentar: O GNUtéco.
O GNUtéco veio para reforçar ainda mais
os laços e interações com encontros entre comu-
nidades que propõem e incentivam o uso do
Software Livre. Nosso objetivo é aproximá-las ca-
da vez mais, visando a troca de experiências e
a difusão da informação. E nossa primeira edi-
ção foi um sucesso!!!
lnspirados pelo lançamento do Ubuntu, con-
cretizamos nossa iniciativa comemorando e con-
fraternizando com pessoas interessadas em
levar essa ideia adiante. De uma forma despoja-
da, divertida e aconchegante, nos encontramos
na pizzaria República Pizza Bar, em Campinas,
para um bate papo amistoso e cordial sobre
Software Livre.
O Edson Lima fez uma breve apresenta-
ção sobre os motivos que o levaram a defender
o Software Livre, e principalmente o Ubuntu. Ou-
vimos o relato de uma jovem usuária que migou
a pouco tempo, e decidiu que outros Sistemas
Operacionais definitivamente são águas passa-
das. A Ursinha esclareceu algumas dúvidas e
principalmente estendeu o convite para novos
participantes. Dessa forma simples, mas cativan-
te, observamos que realmente uma comunidade
é mais do que apenas ter interesses em co-
mum, é participar, partilhar expectativas e valo-
res, contribuindo com o enriquecimento de
todos. Esse dia foi realmente um "l0 perfeito".
Muito obrigada a todos que compareceram
e aos que ajudaram a divulgar: a comunidade
de lndaiatuba [l] ou [2], a comunidade de Cam-
pinas [3] e a todos que, a partir de agora, se pro-
puseram a apoiar cada vez mais o nosso grupo
e a difusão do Software Livre em nossa região,
foi um prazer e uma satisfação conhecer a to-
dos, e desde já, vamos nos programar para o
próximo ;-)
Fiquem atentos ao nosso próximo encon-
tro, basta acompanhar pelo site do GNUteco [4]
nossa programação.
[l] http://comunidadelinuxindaiatuba.com.br/forum/
[2] http://comunidadelinuxindaiatuba.blogspot.com/
[3] http://www.ubuntucampinas.org/
[4] http://www.gnuteco.org/
EVENTO · RELATO DO EVENTO: GNUTECO - CAMPlNAS/SP
GNUtéco: nosso
ponto de encontro
para comunidades
de Software Livre
Por NoeIIen Samara
<3
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
<4
NOELLEN SAMARA É Estudante de
lnformática para Gestão de Negócios
na FATEC de Jundiaí, apaixonada por
Software Livre e sua filosofia. Trabalha
com desenvolvimento e customização
de sistemas ERP e às vezes divaga
no blog http://www.tecnologialivre
acesso.blogspot.com.
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
EVENTO · RELATO DO EVENTO: GNUTECO - CAMPlNAS/SP
OUADRINHOS
<5
OUADRINHOS
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
Por João FeIipe Soares SiIva Neto e José James Figueira Teixeira
<6
OUADRINHOS
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
DEPARTAMENTO TECNICO
DEZEMBRO/20l0
Evento: Pensando TI
Data: 0l/l2/20l0
Local: Rio de Janeiro/RJ
Evento: 3º Simpósio
Hipertexto e Tec. na Educação
Data: 02 e 03/l2/20l0
Local: Recife/PE
Evento: l5º EDTED
Data: 04/l2/20l0
Local: Recife/PE
Evento: Seminário 20l0
TcheIinux
Data: 04/l2/20l0
Local: Porto Alegre/RS
Evento: Seminário
Gerenciamento de HeIp-
Desk/Service Desk
Data: 07/l2/20l0
Local: São Paulo/SP
Evento: PaIestra técnica do
CISL - Apresentação
ApIicações Críticas
Data: 07/l2/20l0
Local: Rio de Janeiro/RJ
Evento: 7º FGSL
Data: l0 e ll/l2/20l0
Local: Goiânia/GO
Evento: II Forum de Software
Livre
Data: ll/l2/20l0
Local: Duque de Caxias/RJ
Evento: PaIestra Técnica do
CISL - Videoconferência Web
com o OpenMeetings
Data: l6/l2/20l0
Local: Fortaleza/CE
JANEIRO/20ll
Evento: PaIestra Técnica do
CISL - Software Livre - uma
visão de futuro
Data: l3/0l/20ll
Local: Recife/PE
Evento: Campus Party 20ll
Data: l7 a 23/0l/20ll
Local: São Paulo/SP
Evento: PaIestra Técnica do
CISL - Python em sistemas
corporativos
Data: 26/0l/20ll
Local: São Paulo/SP
AGENDA · O OUE TA ROLANDO NO MUNDO DE Tl
AGENDA
Revista Espírito Livre | Novembro 20l0 | http://revista.espiritolivre.org
<7
O homem é livre; mas ele encontra a lei na sua
própria liberdade.
Simone de Beauvoir - FiIósofa, ensaísta e escritora francesa
Fonte: Wikiquote
ENTRE ASPAS · ClTAÇÕES E OUTRAS FRASES CÉLEBRES