You are on page 1of 19

UMA MULHER VESTIDA DE SOL Ariano Suassuna Personagens: Cícero – Henrique Joaquim Maranhão – Careca Antonio Rodrigues – Adson

Rosa – Andressa Francisco - Wesley Donana – Janice Inocência - Nathalie Martim – Marcos Gavião – Suellem Caetano – Rafaela João – Felipe Manuel – Samanta Inácio - Sandro Joana – Jéssica Juiz – Juliana Delegado - Sara ATO I Cícero: E viu-se um grande sinal no céu, uma Mulher Vestida de Sol, que tinha a Lua debaixo de seus pés, e uma Coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça; e, estando prenhada, clamava com dores de parto, e sofria tormentos por parir. Entra o JUÍZ acompanhado de perto pelo DELEGADO Delegado – Aqui é o sertão, um tabuleiro de serra do sertão. O sol do fogo de dia e o frio da noite, pedras, bodes, Cabras e lagartos, com o Sol por cima e a terra parda embaixo. Juiz – Mas nem por isso os homens que aqui vivem estão excluídos ao poder da lei. Delegado – Em virtude da questão de terra surgida entre Antonio Rodrigues. Juiz – Senhor das Cacimbas Delegado – E Joaquim Maranhão. Juiz – Senhor da Jeremataia. Delegado – Eu como delegado aviso e afirmo que qualquer um dos dois que transgredir a lei que proíbe matar os outros, sofrerá o castigo merecido, seja qual for seu poder ou sua grandeza. Juiz – Vim por uma estrada parda, arriscando a vida, para também dizer e afirmar como Juiz,que nesta terra, ninguém pode matar o outro. E que o domínio e a possessão da terra pelos homens só podem ser resolvidos sob o chicote da lei. Delegado – Se bem que, Joaquim Maranhão. Senhor Juiz, é um homem perigoso. Eu, se fosse o senhor, não lutaria contra as leis criadas por ele para as terras dele, porque senão, ele pode nos matar. Juiz – Por outro lado, Antonio Rodrigues é bom, não é homem para matar ninguém. Delegado – A saída é mantermos as aparências e fazermos de conta que quem manda somos nós. Enquanto eles se resolvem entre si. (saem) A casa de JOAQUIM MARANHÃO e a de ANTONIO RODRIGUES separadas por uma cerca que divide o palco, do proscênio ao fundo, GAVIÃO e JOÃO defendem o lado de JOAQUIM MARANHÃO enquanto que CAETANO e MANUEL defendem o lado de ANTONIO RODRIGUES. De repente, fora, ouve-se um grito. João - (Erguendo-se e armando o rifle) Que foi isso ?

principalmente o de sua mulher. é querer bem Triste coisa.Deixe. que fez o enterro. Caetano. Caetano – Rosa não é mulher pro seu bico. Caetano – É por causa da mulher que morreu. Quando um homem faz correr sangue. em ronda. Caetano – O sol está vermelho e a terra treme na vista! Manuel – A casa de Joaquim Maranhão parece abandonada. não tem tempo. Gavião – Então Seu Joaquim Maranhão é o contrário de Manuel: este enterra os mortos e por isso gosta de ouvir falar em morte. Saem todos.. ela cai.Sou Manuel do Rio Seco e enterro Rosa também. João . pai do rebanho! João . Manuel ? Manuel – Sei somente onde estão os ossos.Uma casa vive de quem mora nela. Manuel .O que é que você quer dizer ? Manuel – É ou não é verdade o que se diz de Joaquim Maranhão e Rosa ? Caetano – Manuel. brigando com um galo velho como eu. com esse sol quente. Deixem a morta no lugar onde ela está. e hei de marcar ainda o de vocês todos. foi o homem que matou a mulher. João . eu quero ver até aonde vai esse pinto. seu cachorro! Quer levar um tiro na boca ? Gavião . você provavelmente morre antes de mim. é querer bem Quando há impedimento Quando quer falar não pode. . deixava essas histórias de lado. qualquer faísca aqui pega fogo! Que lugar. é ele e a filha. Sei o lugar onde está cada um que enterrei.É mentira. você quer que isso aqui pegue fogo ? Manuel . sabe onde ela anda a essas horas. se fosse você.Se Antonio Rodrigues resolver botar esta cerca abaixo. Gavião . que é mulher para um homem se perder nela.Caetano – (Mesmo movimento) Alguém gritou. ela vem aí! Manuel – Vamos. Gavião – Será mesmo por causa dela que a casa parece abandonada ? Caetano – É possível. Se os moradores vão embora. Você conhece o romance “a filha noiva do pai” ? Dizem que Joaquim está criando a garrota que tem em casa para o touro. cale a boca. queria eu.Não é motivo para se ouvir brincar com Rosa assim. Gavião – (Mesmo movimento) Foi na cerca ? Manuel – Do jeito que as coisas estão. João . Vamos nos calar. mas João é que está certo. é melhor vigiar a cerca para o lado de lá. com o tiroteio. o sangue marca as paredes para sempre. Quando pode. João . e quem lucra é ele. Os outros matam.. essa daí que há de morrer solteira! Com o pai toureando perto. Gavião – Brincar com ela.você quer saber de uma coisa ? Eu se fosse você.Que é isso ? Bote pra lá esse rifle! Caetano – Manuel. Gavião – E quem disse que é para o meu bico que eu quero essa moça ? Caetano – Cuidado. ROSA aparece como uma criança que veio para brincar: Na rama da melancia Escrevi não sei a quem Era um amor tão saudoso Triste coisa. deixava essa história de mão. não fale mais! Manuel – É ou não verdade que nessa casa amaldiçoada se passam coisas contra a Lei de Deus ? Primeiro. Agora. o velame e a malva ressecados pelo sol. pela cerca. Gavião – E será que ela está em algum lugar ? Você. Gavião – O meu também ? Manuel – Seu enterro eu tenho certeza de que faço. essa poeira. João .Eu. fazendo o enterro.

(sai) Entra GAVIÃO e JOÃO vigiando a cerca do lado de Joaquim Maranhão. Para que esses pensamentos tristes ? Sou sua prima. Minervina o que guardou ? Eu não guardei mais nada Nosso amor já se acabou. Sei por que você não me quer. Não estou esquecida de nada. Martim – Quero avisa-la: Inocência tem vindo aqui para conversar com sua avó e você. Na primeira punhalada. Rosa – (abaixando a cabeça) Francisco não tem nada a ver com essas brigas. Se seu pai avista-la do lado de cá da cerca. (ela começa a sair) Rosa. Joaquim Maranhão está ? Ouvi dizer que estava na Espinhara.Naquele tempo. (sai. Martim – Mas seu coração está longe! Você pensa que eu não sei ? Sei de tudo. perdão.Pra quê ? Pra você me insultar a cada instante. Martim – Que diferença do tempo em que éramos crianças! Você ia passar dias em nossa casa. Em seguida. Martim – Rosa! Há três dias você não fala comigo! Rosa – Ede quem é a culpa? Você me tratou mal! Martim – Eu. dele que você gosta. quem é seu pai. Cícero ? Cícero . foi-se embora. Martim – E pensar que talvez seja por causa de um morto que você não quer mais nem ouvir falar de mim! Rosa – Meu tio mandou procura-lo. à espera de um momento em que possa te falar. Martim – Tenho a esperança de que você mude um dia. O que eu sei é que minha tia Inocência é a mãe de Francisco e é irmã de meu pai. (sai) Martim – Rosa. Minervina estremeceu . a vida se acabou para mim. tratá-la mal ? Eu vivo como um louco escondendo o que sinto por você. que pode morrer de tiro ou faca. Ô de casa. não me deixe! Fique mais um pouco! Rosa . atira nela. porque você é desses cujo sangue tem vontade de queimar.. E somente porque a você. Você sabe como é esse povo..Louvado seja o Seu Santo nome. Martim – E você se alegra com a vinda de um homem que venha talvez para matar seu pai ?! Rosa – Não tenho nada a ver com essa mortes por causa de terra.MARTIM entra enquanto ela está cantando e fica olhando de canto até ela terminar. mas a mulher morreu. Cícero atravessa a cerca e vai até o outro canto) Cícero – É aqui. sabia disso. Rosa – Na irmã dele ? Martim – você sabe.Não sei. somente à você. É por ele que você vive esperando. entra CÍCERO. É possível isso Rosa ? Rosa .. A casa é a mesma. Cícero – E talvez seja você também.. Eu sou homem de paz e religião. Donana está em casa. logo hoje ? Se o barulho começar. É do filho do inimigo. Rosa. Gavião . fica só João guardando a cerca. elas apareceram depois que ele foi embora! Martim – Se ao menos ele gostasse de você! E se ele tiver morrido Rosa? Rosa – Se ele morreu. Cícero – Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo! João ..O povo diz muita coisa por este mundo. no sol.O povo diz que você dá azar. Rosa. João – Por que veio aqui. mudou muito! Rosa – Quem mudou foi você!Deixe tudo isso de lado. Acho que não. você diz que estou te tratando mal ? Rosa – Já lhe pedi que não falasse mais nisso. você me tratava bem. pode perguntar à ela. digo o que sinto.. sua amiga de sempre. É melhor acabar com isso. Gavião – Esteve. talvez seja você o primeiro a matarem. mas chegou. Agora.

(sai) Donana – Viu ? É assim. Joaquim – O quê ? Cícero – Não se pode estar seguro nem da vida nem da morte. Joaquim – E Rosa ? Donana – Foi para a cacimba.olá Cícero. Coitada. num mundo e num tempo como estes. se Joaquim nos pega falando nisso. só podia ser você. vou lhe dar um conselho: arrume suas coisas e vá embora. ouviu ? A situação está ruim. Cícero – Ninguém pode estar seguro de nada. Vou queimar a casa. Acho que ninguém mais sabe essa cantiga. sem que ninguém saiba por quê. está ouvindo? Quanto a você. Donana – Antonio é seu cunhado. para me provocar. com a faca na mão. Joaquim – Pois. E cuidado com você também. quando eu dou as costas. sempre o mesmo homem perverso e perigoso. entendeu ? Cícero – Sou homem de religião.Joaquim. hoje vai pegar fogo.. Donana – Já vou. outras morre-se moço. proibiu que falássemos com você. Inocência vem aqui falar com você e Rosa.. Joaquim – Sozinha ? Donana – Sim Joaquim – Cuidado com ela. E tem outra coisa: soube que. Isso aqui. pelo amor de Deus! Você vai cercar a casa de Antônio ? Joaquim – Ele não mandou chamar o filho ? Certamente poensa qye me intimida e vai derrubar a cerca. DONANA responde de dentro da casa. atiro me um por um. mulher. Cícero! Eu não posso me esquecer do dia em que ela morreu. Assim. se quiser falar com ela. e quando eles saírem. Desculpe. . Joaquim – Que é que você quer dizer ? Cícero – Nada Joaquim – Não gosto dessa coisas esquisitas. Joaquim Maranhão.. Às vezes. saiu ? Donana – Saiu. de religião ou não. Donana . parecia que vivia adivinhando que ia morrer daquele jeito! Donana – Cuidado. Não quero minha filha com esse povo não. talvez piore hoje e quero estar seguro de tudo. Terá sido Minervina Que matou. depois morreu ?!? CÍCERO bate palmas. Fala de morte e sangue.Na segunda o sangue veio. ela morreu. (começa a dar menção de que vai chorar) Cícero – Cuidado. Então você também se lembra. Joaquim – E ele se lembrou disso quando tomou minha terra ? Manda fazer uma casa preto da cerca. agora mesmo. quando Joaquim entrou. mude-se pra lá e fique de vez. No caminho caiu um galho Na cova meu chapéu. Cícero – Era o romance que sua filha cantava. a não ser nós dois. Na terceira. Ela estava cantando esse romance mesmo. ele vem aí! Entra JOAQUIM MARANHÃO. Entra INOCÊNCIA. ele está na várzea. Inocência – Joaquim. Joaquim – Meu cavalo está pronto ? Donana – Está.. ali quando fala na morte da moça. vinda da casa de ANTONIO RODRIGUES. mas ele. de frente da minha. é capaz de nos matar também! Mas agora. é melhor ataca-lo antes. aqui na minha terra. como você sabe. E você tem rosários demais. mas é preciso cuidado. vive-se muito tempo.

Inocência . Cícero . Antonio – E eu não reconheço isso ? Acredite: por mim. Quantas vezes já vi e. Uma bala. como meu pai pensou em mim. chaga me dá uma agonia. A mãe dela. porque ela era alegre e boa. balançando dentro duma rede que pinga sangue nessa estrada. na minha terra. Antonio – Então proíba seu povo de vir aqui na cerca quando ela estiver perto. meu irmão ? Você sabe perfeitamente que a terra é de Antonio. mas JOAQUIM entra antes. seja gado ou gente. Inocência – Será que Rosa sabe tudo o que se passou ? Donana – E eu sei ?! Tenho esperança que não. eu lhe peço de joelhos! Rosa – Minha tia. vendo sua filha assassinada daquele jeito. já perdi meu filho. o milho morrendo sem amparo na terra quente. Vi minha mulher e meus filhos morrerem de fome na estrada. é o medo. minha filha. Joaquim – E fui eu que invadi a terra ? Foi o gado. se é vivo ou morto.Quando vejo este sol. a velhice. Cícero – ele esquece tudo por causa de terra. Inocência – De todas nós. que ninguém sabe. saia pelo amor de Deus! INOCÊNCIA vai sair de junto da cerca. Inocência – Eu sei. Dizer que tudo era mentira. sem encontrar cerca. Cícero – Mulher. É de viver nesses matos. cantando. eu vim falar com seu pai! Você é a única pessoa que seu pai ouve. se você se mexer eu atiro! Ela está na minha terra! Joaquim – Mas eu não quero que ela venha falar com o meu povo. e.Por mim. na cama. Ele nunca precisou dessa terra pra nada. foi você a que mais sofreu. minha mulher anda por onde tiver vontade. Mas um dia ele me paga! Cícero – foi a vontade de Deus! Meu Deus. Ele puxa o revólver e dirige-se para ela. uma doença. mas se arrepende quando vê a tia e começa a sair) Rosa. deixe de lado o que já passou! Donana – E eu posso deixar todo aquele sangue de lado ? Minha filha estava cantando quando foi assassinada. Joaquim vem aí! Donana – Mulher. Inocência – E eu. Antonio – Joaquim. já teria desistido. estarei melhor ? Estou vendo a hora de morrer meu marido. já estou habituado. porque. a esta hora. o que é que eu posso fazer ? (sai) Inocência – Meu Deus. que. uma cobra. Já faz muitos anos e é sempre assim. (Rosa entra. o sol. Veja. Cícero. uma briga. mas meu filho pode voltar e tenho que pensar nele. Donana – Sofrer. nunca fez nada nela! Quem derrubou o mato fui eu. mulher! Donana – Ele a matou porque quis. ela nem me ouviu! Donana – Levante-se Inocência! Não repare. Rosa é um bicho brabo. Joaquim – Eu não disse a você que deixasse meu povo em paz ? ANTONIO aparece e surpreende JOAQUIM. Ainda sinto o cheiro de mato queimado! Quem ajeitou o pasto pro gado ? Fui eu! Não vou renunciar a tudo agora. Inocência – Por que essa briga toda. Minha filha não o enganava. sonho Francisco chegando em casa. sem ver ninguém. mesmo. Inocência – Vim pra falar com você Joaquim. .Inocência – Eu venho para falar com ele. porque não se pode dizer o que quer. quem queimou fui eu. tudo calado e de dia a boca da gente pegando fogo. Joaquim – Não quero ouvir o que você quer dizer. não sei! Aquilo será sofrer ? De noite. quando vim pra cá. tudo tem de morrer um dia. foi morta do jeito que você sabe. foi entrando. é preciso que Joaquim se lembre de que sou irmã dele.

Inácio – Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo! Todos . Deus queira que se saia disso tudo sem sangue! Donana – Adeus Antônio. meu Deus. a briga vai começar! Joana – ( à Inácio) Pelo amor de Deus.. na cerca. pelo amor de Deus não diga uma coisa dessa! Você não tem medo dum castigo ? Joaquim . Vim ver se acho trabalho.Joaquim – ah. cabisbaixa. Joaquim atirou nele com o rifle.Soube que você mandou gente procura-lo. defendendo a terra pra ele. JOAQUIM entra.A fome é muita por aqui.Dona. Que sol! Essas terras estão cheias de homens armados. Ele respondeu com uma garrucha. Joaquim! Mas uma coisa eu quero deixar claro: nisso tudo.. pelo amor de Deus! Meu filho ficou lá longe. ROSA entra em casa. moça. Se pudesse ser comida. Joaquim – eu também tenho que pensar em mim e na minha filha. que foi que houve ? Gavião – O rapaz estava montado na cerca. Joana – Ah. seu filho. na cerca. Joana – Estou com cuidado em Neco. Eu venho pagar. moça. ou não. me dê uma esmola para minha família. não. Inácio – Não tenha medo! Ele ficou ali. Viu um enxu no oco de uma estaca e disse que ia tirar o mel pra nós. É leite com farinha. ele já devia está aqui. senão atiro na sua cabeça. INÁCIO senta-se com JOANA enquanto esperam a comida. Não se tem muito. Deus o acompanhe. (ouve-se 2 tiros) Meu Deus! Neco! Entra GAVIÃO. o que menos lhe interessa são os direitos de Rosa. Donana – Tenho guardado uns pratos de comida. Antonio – Você é rico..(grita de dentro) Estão derrubando a cerca! Donana – A cerca! Nossa Senhora. INÁCIO e sua mulher JOANA. desde ontem que a gente não come nada. Joana – Minha nossa Senhora. vá atrás de Neco! (à Rosa) Moça. Só estava tirando mel! (ouve mais um tiro) Gavião – Ta morto.Louvado seja Seu Santo nome! Inácio . Inácio – Dona. Rosa – Aqui está. Pela estrada chegam dois retirantes. nunca mais o perdoará. (corre para fora com Inácio) Saem JOANA e INÁCIO seguidos de perto por GAVIÃO. Entra ROSA com dois pratos. . devo cumprir minha obrigação. Dona. Antonio – Adeus. num tempo melhor. É unicamente por sua causa. saia. enquanto é tempo. Mas será que Francisco vem ? Tendo brigado com você. Donana – Gavião. Antonio – Goste de mim. mulher. Donana – Saiu muita gente de sua terra ? Inácio – Muita. Inácio – O que você trouxer é bom. Mas parece que está ferido. Rosa – De onde vêm vocês ? Inácio – De longe. eu vou lhe dizer uma coisa: essa terra é amaldiçoada! Joana – Homem. Que será ? Inácio – Não sei. O qu você nunca pôde perdoar foi Inocência ter casado comigo. ROSA entra. Joana – Estou com medo! Com todo esse pessoal armado. eu agradeceria muito. e correu. JOAQUIM sai. Deus lhe pague.. Joaquim – Saia daqui agora mesmo. Donana – Ele não estava derrubando a cerca. é uma questão de ódio pessoal a mim.

Manuel – Francisco ?!? Caetano – Saia. O enterro fica por minha conta. não tenho nada a ver com isso. se tem coragem. meu irmão ? A briga ainda nem começou e. em seguida já entra o enterro. pergunte a ele. Enquanto ROSA e FRANCISCO ficam na boca de cena. JOAQUIM sai. não ? Francisco – Não recebi nada. O rapaz morreu foi de tiro. ele também é nosso. eu só podia pensar que era para derrubar. Martim – Cuidado! Eu aconselharia você a voltar para o lugar de onde veio. mordeo o coitado bem no meio da testa. a cobra de ferro morde você! O homem mata quem olha para ela. Gavião – Que é isso. JOANA na frente. Quando eu lá chegar. sim. Dai o meu rosário Pra nele eu rezar Mas Nossa Senhora Quando eu lá chegar. não tenho nada a ver com as brigas de meu pai! Manuel – Você não veio para ajudar ? Não recebeu o recado de seu pai. Francisco – Antonio Rodrigues ? Martim – Não. é você ? . E diga ao pai do menino que eu o matei por engano. Francisco – Uma cobra ? Martim – Não ligue. que ele vá lá em casa que eu estou disposto a pagar o que ele pedir. vamos para o outro lado da cerca! Francisco – Espere. Atirei pra matar. Todos saem cantando logo atrás entra Francisco. Francisco – Esta terra não é dele ?!? Gavião – Pois vá dizer isso a ele. Quem morreu? Martim – Um rapaz que ia se retirando e que. parente por parente. Joaquim Maranhão. se retirou de vez para o céu. estou chegando por acaso! Mas esperem: quem é aquela ? Gavião – Ah. Martim – Façam o que quiserem. Francisco – Morreu de fome ? Gavião – Não. de cobra! Uma cobra de dentes de ferra. aquela é a filha do dono da cobra de ferro que matou o menino! Francisco – Rosa! Manuel – É Rosa. Com muita alegria Rosário de prata Da Virgem Maria. Você ainda se lembrava dela ? Francisco – Não como ela está agora! Gavião – Se você olhar muito. Francisco – Rosa! Rosa – Meu Deus. Você é daqui ? Francisco – Mais ou menos. Francisco – Isso foi um enterro ? Gavião – Foi. Francisco – Por quê ? Gavião – Por nada.Donana – Por que você fez isso ? Ele não tinha nada a ver com o pessoal de Antonio! Joaquim – Como é que eu podia saber? Estava na minha cerca. é meu irmão e fala demais. os outros personagens voltam a vigiar a cerca. Morreu por engano Francisco – É o que acontece cm todo mundo. Posso perguntar quem é você ? Francisco – (indicando Manuel que vem chegando) Manuel me conhece. Que o matou ? Gavião – O dono da terra que você está pisando. aqui.

E meus pais ? Caetano – Vou chama-los. Manuel – Está bem.Francisco – Ainda sabe quem sou ? Rosa – Peço-lhe. vou avisar o seu pai. não chegue perto de mim. te mata na mesma hora! Francisco – Não tenho nada a ver com as brigas de meu pai. vá pra sua terra. Eu virei.Afinal.. Escolha uma hora em que ela esteja só e à noite. Francisco – Está bem. que é que há por aqui ? Que tenho eu a ver com tudo isso ? Por que Rosa falou assim comigo ? Manuel – Vá procura-la a noite. se meu pai me avistar com você. eu volto. Ela talvez diga muita coisa. E você sabe se não é assim que eu quero morrer ? Rosa – Eu devia ter fingido que não o reconhecia. mas não esperava isso e não pude! Meu Deus! (começa a sair) Francisco – Rosa! Rosa – Não.. Mas não quero nem ouvir falar no que se passou entre nós. Francisco – Não. que não fique aqui. Francisco – Diga que quando escurecer. (sai) Francisco – Rosa. (sai) FIM DO ATO I . logo que puder. por tudo quanto é sagrado.

ANTONIO encara FRANCISCO e sai sem dizer nenhuma palavra. não tente adivinhar. Francisco está de volta ? Gavião – Está. (sai) Francisco – Briga de família. essa morte.. modos por modos. Joaquim .. Francisco – Meu pai. a lembrança e a ameaça de sangue. essa terra. MARTIM e CAETANO. esse Francisco! Gavião – Que tem ele ? Martim – Todas essas manobras. Entra FRANCISCO. Talvez porque eu seja de uma terra mais baixa. gostaria que você deixasse esse Francisco a meu cuidado. CAETANO sai para chamar ANTONIO em casa. O dono da terra é ele. Está esfriando aos poucos. essa briga que começa.. onde até as noites são quentes. Francisco – Dirija-se ao meu pai. Martim – Que sujeito. . Joaquim – Caetano! Caetano – Que há ? Joaquim – Diga a Antonio que apareça. cada coisa tem seu tempo. esse mistério! Só pensa em chamar a atenção de todo o mundo! Gavião – Você parece que não gosta muito dele. Martim – Vamos sair daqui Gavião! Saem MARTIM e GAVIÃO. FRANCISCO se aproxima de JOÃO e CAETANO. Joaquim – Espere. entra ANTONIO sozinho. mas disse que voltaria assim que escurecesse. Ao ouvir estas palavras.. foi para o cercado. com meu pai. estou em casa..Que é que há ? Martim – Não sei meu irmão. querendo morder todo o mundo antes do tempo. Antonio – Você quer falar comigo ? Que há ? Gavião – Aí vem o rapaz. é assim que me recebe ? Joaquim – Você está armado? Francisco – Não.ATO II Mesmo lugar. Quero falar com ele. depende dele. talvez seja tudo isso. seja qual for o tempo. Joaquim – Ele foi ao cercado ? Fazer o quê ? Martim – Joaquim. que é isso ? Abaixe esse rifle! E o senhor. Como poderia discutir qualquer acordo sobre uma terra que não me pertence ? só depois que meu pai morrer é que posso me apossar de tudo. portanto. estão em cena GAVIÃO. mesmo na seca. se houver luta. JOÃO. (entra em casa) Cícero – Eu gosto da noite.Afinal que é que você tem? Desde hoje que está pelos cantos. Discuta.. JOAQUIM arma o rifle e ANTONIO também. Aqui nestas alturas. eu não.A situação não permite falta de cuidado. os seus são muito estranhos. questão de terra. pouco depois. Cícero – É verdade. a noite é boa. Entram CÍCERO e JOAQUIM Joaquim – Gavião! Martim! Venham cá! É verdade o que Cícero me disse. Joaquim – Então com seu pai vivo. Não há dúvidas. calado. E. meu tio.

Francisco – Foi nosso avô que deu à mulher como presente de casamento.Quero lhe dar algo. Rosa – Que era que você tava fazendo ? Francisco – Eu estava abrindo uma cacimba. Francisco – Você. Francisco . Francisco . ROSA aparece em sua casa e. e. com a noite e a lua. (Beija a faca) Eu quero ser sua mulher. Francisco – É a terra nova. Francisco – foi de lá do jardim de Rosa ? João – Foi Francisco – Então deixe. Vivi toda a minha vida presa. Francisco. seca e parda. mas agora não tenho medo de nada. Tome esta faca para você. Os homens começaram a cantar e eu vim ouvir. antes que você se vá. aproxima-se dele. Rosa. Francisco é verdade o que você me diz? Francisco – Eu lhe juro. Rosa – Não. FRANCISCO vai até a cerca. Rosa – Ah. tão perto da cerca ? Rosa – Nada. senão ele nos mata! Vá pelo amor de Deus! E se ele desconfiar de alguma coisa. ouvi você dizer isso uma vez. calada e com você longe. se meu pai nos encontra aqui. Espere! Que é isso que você está escondendo aí ? . espumando. Francisco – No começo a terra está dura. macia e mansa. Joaquim – Não quero você aqui perto. mesmo que meu Pai me mate. por favor.. JOÃO e CAETANO saem. que eu mesmo quero abrir a cacimba e plantar a rosa. desde que a avistei que penso nisso. Rosa – É preciso cuidado. que me perdoe. negue de todo jeito. Francisco – Ele gosta de mim. mais úmida. Terra morena e boa. Gosto da água. comigo não se importa. pelo tempo todo que sumi. E de cortar a terra também.. de repente. chama por Rosa de dentro) Rosa – Meu pai! Vá embora! Francisco – Não! Rosa – Vá. Quero que você saiba que vou me casar com você. não se aproxime. a terra que a enxada abriu. plantando o galho. é só você o que eu quero agora! Rosa – Então beije a faca que me deu! Francisco – (obedece e a abraça) Rosa! (Joaquim. e a lua está boiando nela.Rosa! Você está linda agora. Rosa – Você arriscaria a sua vida? Eu não quero que você morra. foi Gavião que me deu esse galho de roseira e eu estou abrindo uma nova cacimba para planta-la. vai ficando mais escura. agora. Rosa – Daqui já se pode sentir o cheiro. FRANCISCO sai. meu Deus.Francisco – Que é que você está fazendo ? João – Nada. enquanto FRANCISCO acaba de cavar e amassar a terra. peço-lhe de todo o coração. Venha! A água está ficando cada vez mais limpa. Francisco ? Francisco – Quero. Venha ver. Francisco – Não tenha medo. ele nos mata. Agora é sua. a enxada cortou um veio novo e a água encheu tudo. não quer. Quero que saiba que desejo me casar com você. Mas. digam eles o que disserem! Você me quer também. Rosa! Rosa – Então está tudo bem.estava esperando que você viesse. Foi ficando mais molhada. entra JOAQUIM Joaquim – Que é que você está fazendo aqui. depois. molhada. Você nega ? (Joaquim chama de novo) Francisco – Está bem! Rosa – Jura ? Francisco – Juro. Rosa – Eu sei. meu pai me mata. Rosa – Não. perto dela. em louvor do Anjo e da cacimba aberta. meu amor. Rosa – Francisco. Rosa – É linda. mesmo que isso nos leve a morte. Rosa. com cheiro de raiz.

Francisco – Manuel. o senhor precisa entender que.. também está tudo bem. a cerca fica onde está. mas isso é contra a Lei de Deus... cuidado. eu resolvo. Francisco – Não temos tempo! Onde arranjar um Padre que nos casasse agora ? CÍCERO que estava ouvindo a conversa se aproxima do casal Cícero – Se a dificuldade é essa.. mato os dois. Gavião.. Antonio – Quem é ? Quem Chamou ? Joaquim . ele pode querer atirar. Caetano – Francisco ? Cícero – Meus filhos.... está ouvindo ? Rosa – Estou. aqui? Rosa – Não. Francisco. Joaquim – Deixe ver.. Rosa – É verdade ? Sem pecado ? Cícero – Sem pecado. precisamos de seu auxílio para testemunhar o casamento de Rosa e Francisco.. Gavião – Então. Francisco – Com a situação como está.. Gavião – Casamento.. De quem é essa faca ? Rosa – De minha avó. Francisco – Você não confia em mim ? Rosa – Confio. Joaquim – Mentira! Você pensa que é a primeira vez que estou vendo essa arma ? Ela era de meu pai e ficou para Inocência! Quem lhe deu a faca? Rosa – Foi minha tia Inocência. Joaquim – E por que você mentiu ? Rosa – Porque o senhor tinha me proibido de falar com ela. meu pai. se tentar alguma coisa para o lado dela. eles são de confiança.. sem que o outro lado possa reclamar.. Rosa – Gavião. Gavião – Sim. Vamos fugir. Chamem Caetano e Gavião para testemunhar.. Manuel – Pra mim. Joaquim – Se eu pegar você com ele.Rosa – Nada. Joaquim – Deixe de ser maldoso e desconfiado. Joaquim – Eu sei com que obediência posso contar! Antonio Rodrigues. não há outro jeito.. está sujeito a morte. morre! Sai JOAQUIM e ANTONIO. Rosa – Não. ficam FRANCISCO e ROSA Rosa – Francisco ! Francisco – Que há ? Rosa – Meu pai vai me mandar para a Espinhara. Donana. fugida não. Quem desrespeitar o limite. não tem perigo. Antonio – Francisco. Antonio – Quais são as suas condições para a trégua ? Joaquim – Por enquanto. Quero falar com você e Francisco. com a simples passagem para o outro lado. Joaquim – Eu não quero entender nada e quero avisa-lo imediatamente de que. homem! Estou chamando você porque quero uma trégua. Antonio – Para quê isso ? Joaquim – Este seu filho está rondando minha filha e quero ter o direito de mata-lo se ele vier aqui! Francisco – Espere. Manuel – Isso não vai nos trazer problemas ? Cícero – Se não for contado a ninguém. Rosa. . por mim tudo bem. Francisco – Quando ? Rosa – De madrugada. não? Você estava com ele. Joaquim – Não foi de Francisco que você recebeu isso.Fui eu.

Sou encarregado pela defesa dessas terras e tenho que matar quem passar pro lado delas. Manuel. Passa a porteira. Ela foi roubada. passem o corpo para o outro lado e fiquem aqui na cerca. Ponha a mão na dele. diante de Deus. Mas não mantenho palavra agora. Gavião – Joaquim. Francisco – Corra Rosa. Martim – Estão derrubando a cerca! Gavião – Martim. você aceita Francisco por esposo.. Sai CÍCERO. você o matou! Manuel – Matei para defender Francisco. palavra é palavra. ela foi feita cumprindo uma ordem minha.GAVIÂO e JOAQUIM conversam no Proscênio. Gavião – (Para Francisco) Você há de pagar a vida dele! Entram JOAQUIM e ANTONIO acompanhado de CAETANO Joaquim – Que foi que houve aqui ? Manuel – O primo do senhor desrespeitou o acordo. (sai) FIM DO ATO II . Passem o corpo para cá. MARTIM cai. Chame todo mundo.Cícero – Então podemos continuar. Antonio – Assumo a responsabilidade dessa morte. esse cachorro do Francisco está com ela em casa! Joaquim – Eu sei. Martim – (tentando passar a porteira) Rosa! Francisco – Não venha pra cá. Joaquim – É verdade. GAVIÂO vai até a cerca. Aparece MARTIM. Cícero – Então estão casados. FRANCISCO ajuda ROSA atravessar a cerca. não. meu irmão! Martim – Adeus. Eu fingi não saber. e eu o matei. Passou a cerca armado. que se trata da honra de Rosa.quando ouvi o tiro. ROSA corre em direção a casa de ANTONIO.. Rosa. Caetano. como manda nossa Santa Mãe. Francisco. MANUEL atira. Antonio – Está bem. tive um pressentimento e fui logo ao quarto dela. Gavião! Diga a Rosa que eu morro por ela! Gavião – Manuel! Cachorro. que morre! Martim – Rosa! Cachorro. Estava vazio. foi para defender Rosa que Martim morreu. ANTONIO entra em casa. para não prevenir os outros e me vingar melhor. a Igreja ? Rosa – Aceito. Cícero – E você. a Igreja ? Francisco – Aceito. para a casa de ANTONIO. Todo cuidado é pouco. porque vou tomar minha filha de volta e aquele cachorro morre hoje. espere. Rosa – Eu também juro. sejam felizes. Tem alguma coisa a dizer contra Joaquim ? Joaquim – Não. Gavião – Martim. Cícero – Vocês juram se apresentar ao padre assim que puderem. para regularizar tudo ? Francisco – Juro. Gavião ? Gavião – É. MANUEL E CAETANO arrastam o corpo de MARTIM até passar para o outro lado. aceita Rosa por esposa. diante de Deus como manda no Mãe. quero que ele seja sepultado em terra minha. eu vou lhe mostrar.

de faca. O que me preocupa é que. Assim que o Sol sair. Que há ? (entra Antonio e fica ouvindo) Delegado – Vamos embora daqui. vi tudo. Então. posso morrer antes de mata-lo. a Justiça acompanha. Manuel – É o retirante! Você voltou ? Antonio – Que é que você veio fazer aqui ? Inácio – Ao senhor. você deixa minha casa por trás e vai para a estrada. É ela. uma vez que é inimigo do outro: vim vingar a morte de meu filho. Entram INÀCIO e ANTONIO. resolva o assunto entre você e Joaquim. Espere. Deixei a família na rodagem. Era disso que eu sentia falta. se ouvirem barulho de tiro por aqui. Juiz – Diga senhor delegado. aceito. Vou aproveitar a escuridão da noite e vou-me embora desse lugar. Saem. até que o dia amanheça ? Antonio – Isso posso fazer. ele estava cercado de homens armados. senão eu atiro! INÁCIO entra se arrastando por debaixo da cerca Inácio – Não atire. A filha de Joaquim Maranhão está aqui. Entra ANTONIO chamando por MANUEL e CAETANO Antonio – Manuel! Caetano! (eles entram) Ouvi um barulho. É o que venho fazer agora. Irei para a estrada. Eu tinha de me fazer conformado. Juiz – Tem certeza ? Delegado – Tanta que não fico aqui mais nem um minuto. Francisco – A madrugada está alta. já. mas mesmo assim. sou eu. uma vez que o homem da guerra foge. Caetano – Não será melhor ficarmos aqui com o senhor ? Já tem gente lá em cima. debaixo de um juazeiro e vim. posso dizer. e está no quarto. Vocês sabem de alguma coisa ? É verdade ? Caetano – É. estava muito escuro. Rosa! Ah. ou morro pra ficar com ele. A terra daqui é cheirosa. pode ser que Joaquim rompa o acordo. se essa mulher está aqui. O senhor me deixa ficar em sua casa. Que acha Meritíssimo ? Juiz – Acho que a prudência é a rainha das virtudes. Vai haver tanto tio que já estou sentindo o cheiro da pólvora. principalmente de noite. na cama do rapaz. se você tivesse um filho! Será que o que aconteceu hoje já dá ? . vocês já sabem que o acordo foi rompido. Vão para o alto e. Daí em diante. pra pegá-lo desprevenido. no quarto do rapaz. derrubem a cerca. saí de casa e ouvi o Juiz e o Delegado conversando. contanto que você não se valha de minha casa para emboscá-lo. como não tenho rifle. se for cercado. FRANCISCO e ROSA saem de mãos dadas. Antonio – Eu bem que gostaria de lhe dar um rifle. e. Antonio – Ele roubou Rosa ? Bem. ele passará por lá.ATO III DELEGADO sai da de ANTONIO e chama o JUIZ pela cerca que sai da casa de JOAQUIM Delegado – Senhor Juiz! Senhor Juiz! Juiz – Quem é ? Quem me chama ? Delegado – Sou eu. a mim não interessa nem ela nem ele. e a noite cheirando muito. mas agora não posso. vem alguém do lado da cerca! Quem vem lá ? Pare. não tenho mais nada com isso. Eles disseram que Rosa está no quarto com Francisco. Juiz – Você está louco ? Delegado – Não. porque se eu for de faca. Aí vingo meu filho. Mas. vim pedir ao senhor que me arranje um. Inácio – Está bem. Por que não me pediu logo depois que seu filho morreu ? Inácio – Naquela hora. quando estava longe.

amordaçando-a. de acordo com o que foi jurado pelo senhor e por meu tio. Em último caso. leve-a para a sala e se ela quiser sair. Vou matálo por causa do que vocês fizeram. foi prende-la. mesmo que não concorde. Mas terá que se conformar. Francisco! Você está armado ? Francisco – Não. Rosa – Então. vou mata-lo. Antonio . Será que estão atacando a casa por trás ? Vou ver. Você passa a porteira. por mim. GAVIÃO por trás de ROSA. Joaquim – Rosa. é ou ela ou você! Francisco – O que você pretende fazer ? Joaquim – Mata-lo já disse. Rosa – Francisco! Joaquim – Gavião. mas eu juro por Deus. ela veio porque quis! O que fiz. Rosa – Então pegue o rifle na sala. Depois do que aconteceu. aqui. ao mesmo tempo que JOAQUIM surge diante dela. desarmado e. Francisco. Francisco – O que é que você pretende com isso ? Joaquim – O que é que eu pretendo ? Você ainda pergunta. atire. de acordo com a palavra que deu. na minha terra. Mas aí era tarde. Francisco – Você é um traidor. FRANCISCO entra. que vim casada. Rosa – E quando meu pai descobrir Francisco ? Francisco – Ele vai descobrir de qualquer jeito. Eu não sei nada sobre isso. você vai morrer. Joaquim – (vendo que Gavião já vai conseguir segura-la) Se fui eu que dei. Mas eu só acredito se ouvir isso de você mesma. mesmo que fosse. senão fica desonrada. Assim que o sol nascer. E meu tio sabendo que nós casamos. você tem que ficar comigo. Gavião. O primeiro passa a cerca e vai se aproximando de ROSA. Ela já estava na minha terra e eu a prendi em casa. que aterrorizada não diz uma palavra. JOAQUIM passa rapidamente pela porteira. Rosa – Que foi isso ? Francisco – Parece que foi lá em casa. Mas mata-lo sem perigo. ele terá de respeitar a palavra que deu. Vim somente para falar com você. senão Rosa morre agora mesmo. Retira a mordaça. nem para mim. pelo corpo a gente vê. quero ficar aqui e espero que o senhor respeite a terra de Francisco. exercendo meu direito. GAVIÂO e JOAQUIM saem do esconderijo. ele vai sentir sua falta. mas você me ensinará. porque. Francisco – Covarde! Você me paga! Joaquim – Quem vai pagar é você! Solte o rifle. Mas agora. Francisco – Você foi feita para ter filhos. mas já depois que ela estava na minha terra! Francisco – Mentira sua! Para que ela iria aí ? Joaquim – Veio pedir que eu a perdoasse e não matasse você. não se importará.Rosa – Não sei. Foi aí que você veio. Disseram aqui que você tinha ido a casa daquele cachorro.. como uma cadela no cio. É verdade ? Rosa – É verdade. domina a filha e leva-a para seu lado da cerca. acho que não. porque não acredito no que estão dizendo. passa-lhe um lenço na boca. meu pai. não tenha medo. que isso era impossível. Não tenho palavra quando se trata de ver minha filha transformada numa égua! Agora. Minha palavra está de pé. nem para a terra. quis correr de volta. eu mesmo posso tirar. um homem sem honra! Como é que você ainda tem a falta de vergonha de falar em palavra quando tirou Rosa daqui ? Joaquim – Eu não tirei. assim é melhor que seja logo. Rosa – Meu Deus. cachorro ? Eu não lhe disse que não tocasse na minha filha ? Francisco – Ela já é minha mulher! Joaquim – Ela não é mulher de cachorro nenhum. Quando soube. Joaquim – Para mim não faz diferença.

SE estiver. esse acordo com ele ? Francisco – Fiz. vai ficar comigo. é até melhor morta. Assim que eu deixar Rosa ir para perto de você. Rosa – Eu já conheço seus acordos meu pai. Fique ali. Mas se Rosa entender que fizemos uma troca. pode ficar descansado.. (Gavião obedece) Vigie Francisco. eu atiro nela. jura que deixa os dois irem para a casa de meu pai ? Joaquim – O filho sim. mas. Não tinha criado você pra isso. ROSA vai em direção de FRANCISCO que vem ao seu encontro. Fiz então uma proposta e ele aceitou. Ela já está desonrada. Você dá sua palavra de que não resiste ? Francisco – Dou. É melhor que eu diga outra coisa. Mas o primeiro movimento que você fizer.Rodrigues não terá nada a reclamar. porque ele passou a cerca. não quero seu sangue na minha casa. eu quero falar com você. Francisco – Se eu obedecer. preciso me prevenir. quanto mais fácil correr tudo. porque a hora chegou. Joaquim – É justo. elle deixava eu viver com você. para mim tanto faz. Fiz um acordo com Francisco. Francisco – E se ela tiver um filho meu. que é minha vida pela dela. Francisco – E se eu não obedecer ? Joaquim – Bem. Leva FRANCISCO para o fundo da cena.. Assim. se o casamento fosse aprovado pelo padre. Joaquim – Então pode vir pra cá. não aceita.O senhor deixa eu viver com ele meu pai ? Joaquim – Deixo. não vou dar a ele o gosto de vingar o filho tomando a terra de volta. Rosa – Quando é que você vai embora ? . Rosa – Estou vendo. Você vai dizer a ela que vai embora de novo para o lugar de onde veio. Você então confirme o que eu disser. Pode ir falar com ele. Mas ela. se não tem outro jeito. aí Rosa morre. Mas quero me garantir de que você vai cumprir a palavra. deixo. Francisco – Rosa! Rosa – É verdade o que me u pai me disse? Você vai embora? Francisco – Vou Rosa – Meu pai disse ainda que. Francisco – Já dei minha palavra. Você vai deixar que eu fale com Rosa. enquanto eu me informo com o Padre se esse casamento está certo mesmo. Rosa – Francisco. Rosa – Mas eu queria ouvir isso de Francisco. Agora venha. Joaquim – Foi para isso que eu chamei você. quando você voltasse. Joaquim – Rosa. Se você desobedecer. melhor. Joaquim – O que acontece é que resolvi pensar melhor a respeito do casamento de vocês dois. Joaquim – (segurando-a) Não deixe os dois se aproximarem. traga Rosa. Eu quero falar com Rosa antes de você. aceito. Francisco – Manda trazer Rosa. Rosa . Você fez. já tinha direito a isso. Joaquim – Pra mim. eu deixo você viver com ele. escolha. Joaquim – Gavião. Joaquim – Você jura que não vai tentar toma-la de mim ? Francisco – Eu já dei minha palavra. junto da cerca. mesmo. ele está armado. Quero somente me despedir dela. Francisco vai voltar para o lugar de onde veio. você garante a vida dela ? Joaquim – Garanto. Joaquim – Você está vendo Francisco em minha terra ? Se eu quisesse mata-lo. porque não fica essa vergonha me olhando a toda hora. Francisco – Está bem. não. não deixe que ele se aproxime daqui de jeito nenhum! Cuidado. Francisco – Não tenho para onde fugir.

Você garante a minha ? . Rosa! Agora! De outra forma não terei coragem de ir. Se você estiver grávida. se é que morre por causa de Rosa e do filho que ela possa ter. Quanto a mim. vou viajar de novo. Gavião – Seu amaldiçoado. por isso eu falei desse modo. que transformou minha filha numa égua! Francisco – Cachorro! (vai para cima de Joaquim) Gavião – Cuidado. Não quero seu sangue na minha casa. Rosa. Francisco – Tenho um pedido a lhe fazer. Eu tive você e você me teve.Francisco – Agora mesmo. JOAQUIM. Joaquim – O que é ? Francisco – Quero rezar antes de morrer e quero ser enterrado na cacimba que mandei cavar. nós esperamos um pouco e depois ficamos juntos para o resto da vida. Bem. Joaquim – Está certo. Rosa – Eu quero ir com você. Francisco. agora você está desarmado e posso lhe dizer que você vai morrer em vão. Joaquim – O que eu fiz não pode ter testemunhas. vou-me embora. Rosa – Adeus! ROSA entra em casa com GAVIÂO atrás. que cai no chão. (entrega) Francisco – Vai ser agora ? Joaquim – Vai. Francisco! Você me chamou e eu vim. Se eu puder. e não se esqueça nunca do que ouvir. Francisco – Não pode ser não. é melhor que não nasça menino nenhum.Eu então atirei em Francisco. Rosa – Não pode ficar para nós ? Por quê ? O que é que você quer dizer ? Francisco – Nada. somente isso mesmo que disse. Veja que atirei nele garantindo minha terra e minha vida. Joaquim – Agora me dê o rifle. É melhor assim. porque se ele nascer. Rosa. Adeus. morre no mesmo dia. eu prometi a seu pai. Mas nós falamos tão pouco um com o outro. por trás de GAVIÂO. já que não pode ficar para nós. Francisco – Onde ? Joaquim – Aqui mesmo. Rosa – Francisco! Você vai me deixar agora! Francisco – Escute o que vou dizer. digo a seu pai. Rosa – Por que tão depressa ? Francisco – Foi seu pai que exigiu. Mas você vai demorar tanto assim ? Francisco – Talvez. por que você fez isso ? Joaquim – Ele pediu para ser enterrado na cacimba que mandou cavar. você vai embora de novo! Para onde ? Francisco – Eu vou voltar para o Circo. atira nele. se ele nascer? Rosa – Cuido. sem termos que brigar a vida toda contra ele. e seu filho invadiu minha terra para retoma-la. a terra vai ficar para o menino. ANTONIO entra com MANUEL e CAETANO. adeus Gavião! Dá-lhe outro tiro. GAVIÂO morre. não sei. Tem gente que passa a vida toda esperando o que nós tivemos e nunca consegue. Antonio – Que foi que houve aqui ? Francisco! Meu filho! Joaquim – Rosa quis voltar para casa. Nós tivemos tudo. Você cuida de meu filho. volto antes. Gavião correu para impedi-lo e Francisco matou-o. Seu pai vai renunciar à terra agora. Assim. Joaquim! GAVIÂO atira em FRANCISCO. Não tenho palavra para um cachorro. Antonio Rodrigues. Rosa. Antonio – Meu filho. eu fui sempre tão calada! Agora. E saiba também que tirei Rosa de sua terra à força. Rosa – Foi tão pouco o tempo que nós tivemos. (se abraçam) Joaquim – Acabem com essa cachorrada aí! Francisco – Entre em casa.

foi por isso que ele resolveu prende-la para o resto da vida. Você quer tentar ? Inácio – Quero. dei minha palavra de rspeitar a terra e a casa dele. Caetano – Se Antonio! Patrão! Antonio – Que é ? Caetano – Venha cá. Eu não disse nada. (entra Inácio acompanhado de Caetano) Antonio – Ah. tão bonito! Antonio – Deixe. plantei meu roçado. Caetano – Inácio. entra INOCÊNCIA. como sempre esteve. é Antonio. Inocência – Francisco. o retirante! Ele não deu a palavra nem o senhor deu por ele. Inocência – Pobre de meu filho! Antonio – Não se incomode não. Vá buscar o retirante. Mãe de Deus. por mim e por meus homens. minha mulher! O assassino dele vai pagar essa morte! Inocência – Pagar! Pagar como ? O sangue de meu filho já está na terra e eu estou sozinha de novo! Como é que eu vou viver agora ? O sangue de meu filho não tem preço que pague. prata ou diamante.Antônio – Minha palavra está de pé. ainda podia se defender. eu vou agora mesmo! Antonio – Não posso dar esta ordem. Rosa! Veja (mostra o corpo) Rosa – Foi meu pai! . Inácio. Venha para cá minha filha! Rosa – (obedecendo) Francisco! Onde está ele ? Antonio – Francisco está morto. naquela casa e é preciso soltá-la. houve aqui alguma trapaça! Antonio – Fogo do inferno! É preciso saber o que aconteceu. Antonio – É coisa muito arriscada! Inácio – Joaquim Maranhão matou seu filho e o meu. MANUEL e CAETANO passam o corpo de FRANCISCO para o outro lado da cerca. O seu. ele vai para a terra e estou sozinha de novo! Antonio – Venha rezar. era homem feito. consinto. Agora. Agora. cheia de graça. Rosa deve saber alguma coisa. pela estrada. Quando terminam. A briga dele é outra! Antonio – É verdade Caetano! Se tudo der certo. o Senhor é convosco. meu filho! Tão moço. É preciso tirar Rosa de lá. Inocência e Antonio – Santa Maria. amém. como ajudarei você a matar Joaquim. Quando você me procurou há pouco não pude atender a seu pedido. bendita sois vós entre as mulheres. Antonio – O quê ? Que é que você está me dizendo ? Deixe ver! É verdade! Caetano – Então Seu Joaquim mentiu. INÀCIO atravessa a cerca e chama ROSA. Inocência – Criei meu filho. Joaquim – Então. o meu era um menino.Que há. agora e na hora de nossa morte. ficarei seu devedor para o resto da vida. Está descarregado. podem vir buscar o corpo dele. rogai por nós pecadores. Caetano – Se o senhor quer. Era dia e noite cavando a terra. Caetano – Avistei o rifle de Francisco e puxei-o para o lado de cá. perto da cerca. seja ouro. porque é de fora e não tem nada conosco. não só lhe darei o rifle que você pediu. é preciso acabar o enterro. Jesus. ver uma coisa! Antonio . Um dia ele foi embora. Inácio – Dona Rosa (saem Rosa e Donana) Rosa – Quem é ? Antonio – (da cerca) Rosa. Você consente que Gavião seja enterrado com ele ? Antônio – Se você me pede isso como coisa de religião. O que me aparecer e me ajude a me vingar é bom! Antonio – A única pessoa capaz de esclarecer se isso realmente aconteceu está ali. mulher! Manuel – Ave Maria. bendito é o fruto do vosso ventre.

O rifle estava sem balas. quero vingar a morte de Francisco! Donana – Joaquim mata você. o que fiz foi vingar meu marido! Foi assim que o senhor o matou! Antonio – Achei meu filho também. agora que Francisco está morto ? Antonio – Está bem. eu estou na frente. foi aquele desgraçado! Você não teve culpa. Rosa – Deixe. o senhor pode mata-lo. Antonio – Não minha filha. ele me mandou entrar em casa. Nós queremos que você morra como morreram meu filho e o dele: desarmado. filha dele. Você viu Francisco morrer ? Rosa – Não. Enquanto ele se informa de como eu saí do quarto. agora. Rosa ? Rosa – Estou. que é a de emboscar Joaquim pelas costas. meu tio! Meu pai tem mais gente do que o senhor. A minha. porque não tem mais nada a fazer aqui. eu sei! Antonio – Não posso pensar nisso. ao mesmo tempo que ANTONIO aparece com o rifle apontado. meu tio. está feito! Era isso que eu queria saber. sem poder fazer nada! Se quer rezar. vamos então os dois. cachorro ? Rosa me contou tudo.Antonio – Rosa. reze. Inocência – Minha filha. ANTONIO e INÀCIO. Antonio – Pois é hora. porque vai morrer! Joaquim – Não. Inácio – Joaquim Maranhão. meu tio. eu mantive até o fim. Joaquim . ficando só ROSA em cena. nem eu! Quem podia imaginar que Joaquim faltasse à lei sagrada da palavra ? Eu teria acreditado! Não admira que você. Manuel! Caetano! Vamos juntar lenha e queimar essa casa amaldiçoada! Rosa – É perigoso. Rosa – Não. O mesmo vai lhe acontecer agora. e não terei mais para mim senão essa morte. não quero rezar.. morre também! Antonio – Saia da frente. E se é Rosa que leva Joaquim Maranhão à morte. e agora posso me vingar. Os dois se escondem.. meu pai. sem poder se defender. já sabemos quanto vale sua palavra. Meu filho morreu primeiro do que o seu. . meu filho! Você é muito mais moço do que eu e está vivo. morto como um cachorro. ele morreu desarmado. Não se meta com um morto. Está pronta. o sangue de meu filho cairia sobre minha cabeça! Rosa – E sobre a minha também! A morte dele quem vai vingar sou eu. Eu me levantei da poeira para trazer a sua morte. que ele morra logo. o senhor vai me perdoar. mas quem vai sou eu! Antonio – Não Inácio – Eu já estou com meu rifle e não estou pedindo isso ao senhor não. que só está ainda no mundo para se vingar. nem Francisco. vamos! Inácio – Senhor Antonio Rodrigues. Joaquim – Rosa! Você me traiu. ainda se lembra de mim ? Sou o pai do menino que você matou. somente você viu o que se passou aqui. O senhor venha para cá e se esconda. aqui. Rosa – Meu Pai! Meu Pai! Socorro! Joaquim – Rosa! Que é isso ? Que houve ? Você saiu ? INÀCIO salta sobre JOAQUIM. Eu vou voltar par ao lado de lá e chamar meu pai. Vocês fiquem aqui.. Voltei para me vingar e causei sua perdição. minha filha! Rosa – Que é que eu tenho a perder. de olho.. Mas ouvi tiros! Meu Deus! Francisco! A culpa foi minha. vamos! Passam a cerca ROSA. desarma-o e aponta o rifle para ele. Já estou no fim da vida. E se o senhor se meter. Você ficará encarregado da parte mais importante. não quero mais nada! Rezar pra quê ? Vivi minha vida toda por essa menina. Está pronto ? ATIRE.Você passou a cerca e faltou à palavra! Antonio – E é você quem fala nisso. Inácio – E eu terei outra coisa ? Eu que nunca tive nada ? Antonio – Está bem. estou dizendo que vou! Quem vai matar Joaquim Maranhão sou eu. acreditasse um pouco mais do que nós! Mas o que está feito.

Agora somos três mortos. minha filha! Antonio – Ela nos enganou. Uma mulher vestida de sol. Deus a tenha em sua guarda! Ela deve ficar aqui. Quanto a mim. já vou! (apunhala-se) Caetano – Moça! Rosa – Peçam a Nossa Senhora para que minha morte seja perdoada. Adeus. CAETANO e MANUEL Rosa – Já cobriram Francisco inteiramente ? Manuel – Não. que tinha a lua debaixo de seus pés. adeus. ajoelha-se. menos ROSA. Cícero – E viu-se um grande sinal no céu. foi feito! Inocência – Venha morar em nossa casa. que já tarda a chegar. minha filha. clamava com dores de parto. Rosa! Rosa – Adeus. minha filha! O que tinha de ser feito. Inocência – Adeus. Donana –Rosa. deve ele terminar. Donana – Minha filha. cercados de mortos. Manuel – Acabou-se. e sofria tormentos por parir. Rosa – Ele pediu para ficar aqui. Antonio – Então. para que eu possa suportar estes meses de espera com a coragem de não morrer. Rosa – Adeus. seguidos por MANUEL e CAETANO. como disse Rosa.INÀCIO atira em JOAQUIM. não quero mais ver ninguém. Um amor que começou desse jeito. Sou uma morta. minha filha! Rosa – Adeus. para ficar só. Peço apenas que levem minha avó. Aqui hei de ficar. Entram todos na casa de ANTONIO. Francisco. Antonio – Que foi isso ? Manuel – A moça se matou com o punhal de Francisco! Donana – Rosa.. como podia terminar senão assim ? Então com o punhal com que começou meu casamento. minha mãe. Deus abençoe você! Rosa – Há de abençoar. . Manuel e Caetano se afastam) Francisco! Ele me deu este punhal. E estando prenhada. estou com medo! Rosa – Não tenha medo. Entram em casa amparando DONANA. quero ficar aqui. e uma coroa de doze estrelas sobre sua cabeça. morreu! Você sabia que ela estava com a faca ? Caetano – Não! Entram todos de volta. todos à espera da morte. cuide da minha avó. solta na terra à espera da morte. não foi ? Manuel – Foi. foi a aliança de casamento que conheci. Rosa – Não. Donana – Adeus. minha vó. fazendo companhia a Francisco. Antonio – Rosa.. Rosa – (vai até o corpo.

Related Interests