Planejamento e Controle de Materiais.

Prezados alunos, para fins didáticos utilizaremos como exemplo o ramo varejista, que sem dúvidas irá contribuir para aplicação em outras empresas e outros ramos de atividades. Bons estudos ! Prof. Cláudio.

1) INTRODUÇÃO Antes da época inflacionária, em virtude da quase inexistência de grandes redes varejistas e, portanto, pouquíssima competição, a maioria das lojas, e pequenas empresas, era gerenciada por seus proprietários e estes executavam a gestão de seus negócios utilizando sua experiência prática. Faziam reposição de mercadorias ou compra dos itens "da moda" quando visitados por representantes dos fornecedores, definindo quantidades a comprar de maneira empírica. Durante os 35 anos em que a inflação moldou a prática de gestão do varejo, apesar de começarem a aparecer grandes lojas individuais e algumas redes, a questão dos estoques não era uma preocupação muito grande pelo fato que ter estoque era garantia de valorização do dinheiro investido. Nesta última década três fatos começam a influenciar os administradores das empresas varejistas para que eles passem a dedicar maior atenção aos estoques e compras: • A redução das taxas de inflação, havendo anos em que esta taxa anualizada não passou de um dígito, levou os executivos varejistas a perceber que investir em estoques não era mais uma atividade lucrativa já que estes não mais se valorizavam com a subida dos preços das tabelas dos fornecedores, como na época inflacionária. O surgimento de sistemas computadorizados de gestão empresarial, já mais adaptados ao ambiente de varejo, que possuem parâmetros e algoritmos de cálculo das quantidades a comprar ou fabricar, das mercadorias comercializadas. Tais sistemas obrigaram, os profissionais de compras e, mais recentemente, de logística, começassem a se interessar em aprender as técnicas de planejamento de estoques e passassem a estabelecer políticas de gestão das mercadorias de maneira mais científica. O aumento da competição em boa parte promovido pela entrada dos primeiros grandes grupos de varejo internacional no mercado brasileiro, forçando as empresas brasileiras à uma rápida melhoria dos métodos de gestão, na área de estoques.

Além disso, o aumento do número de lançamento de produtos por parte das indústrias tornando a problemática de planejar as compras cada vez mais complexa, o início do novo formato de negócio através das vendas pela internet, e a necessidade de competir pela preferência de um consumidor cada dia mais exigente, tornaram o assunto de gestão dos estoques e das compras cruciais para a sobrevivência das empresas de um modo em geral. 2) A GESTÃO E PLANEJAMENTO DE ESTOQUES A gestão e planejamento de estoques é a procura do constante equilíbrio entre a oferta e a demanda. Este equilíbrio deve ser sistematicamente aferido através de, entre outros, os seguintes três importantes indicadores de desempenho: 1

mas. 2. conforme fórmula: estoque em determinada data (quantidade ou valor) Cobertura dos estoques = ______________________________________ previsão de vendas futuras (quantidade ou valor) Quanto menor for o estoque em relação à projeção de vendas teremos menor cobertura em dias. Este índice é. também se corre o risco de ter estoques obsoletos em face das mercadorias "saírem de moda" ou por perderem qualidade com o tempo de exposição na loja ou de permanência em depósito. isto é. aquele segmento de negócio em que o cliente quer receber a mercadoria imediatamente após a 2 . isto é. semanas. distorce completamente as médias de vendas passadas o que inviabiliza o uso destas para o cálculo da cobertura. etc. logicamente em menores lotes. com uma fórmula baseada em média de vendas passadas. com o índice de cobertura muito alto. sem que haja suprimento. recomenda-se o cálculo utilizando a projeção de demanda futura. Importante perceber que se a venda for lucrativa. Assim. Assim.2) COBERTURA DOS ESTOQUES O índice de cobertura dos estoques é a indicação do período de tempo que o estoque. muitas vezes.3) NÍVEL DE SERVIÇO AO CLIENTE O indicador de nível de serviço ao cliente para o ambiente do varejo de pronta entrega.1) GIRO DOS ESTOQUES O giro dos estoques é um indicador do número de vezes em que o capital investido em estoques é recuperado através das vendas. Usualmente é medido em base anual e tem a característica de representar o que aconteceu no passado. a existência de demandas sazonais e de eventos de grande impacto nas vendas. o giro é fundamental para obter lucro em ambiente competitivo onde as margens de lucro unitárias tendem a diminuir.• • • Giro dos estoques Cobertura dos estoques Nível de serviço ao cliente 2. No varejo. calculado de maneira errônea. também chamado de índice de rotação de estoques.. no caso contrário. se o valor recebido pela venda for superior ao custo direto da mercadoria. em determinado momento. sendo calculado pela fórmula mostrada abaixo: Custo das mercadorias vendidas x 100 GIRO = __________________________________ Custo do estoque médio no período Quanto maior for a freqüência de entregas dos fornecedores. Isto significa que se corre o risco de faltar mercadoria para atendimento ao cliente quando a cobertura de estoques for muito baixa. esta diferença é considerada como margem de contribuição da venda e servirá para pagar os custos fixos da empresa além de contribuir também para o lucro final do negócio. consegue cobrir as vendas futuras. Um alto índice de rotação dos estoques é fator fundamental na redução da necessidade de investimento em capital de giro para um determinado nível de vendas. maior será o índice de giro dos estoques. 2.

· Básica: Também chamada de mercadoria de reposição normal. é necessário que o sistema informatizado usado para a gestão dos estoques e compras tenham. 1998 – São Paulo: Atlas.312 Figura 12. 3) MÉTODOS DE CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS E ESTRUTURA DE PRODUTO.. resultados das vendas. Barton A. Fonte: LEVY. que durante o período analisado.Variações do ciclo de vida de categoria Comentando as características dos perfis de demanda exemplificados acima. conforme os seguintes dados. pode-se dizer que: · Novidade: É a mercadoria que aparece no mercado. p. Tradução de Erika Susuki da 3a edição. 2. o indicador de nível de serviço somente pode medir o número de ocorrências de faltas de estoque de uma mercadoria. Moda. qualquer cliente que tivesse entrado na loja não teria deixado de comprar alguma mercadoria por falta da mesma.escolha. Michael e WEITZ. Administração de Varejo. • Quanto ao perfil de demanda Levy e Weitz. desempenho de compradores. Básica.4) O IMPACTO DA FALTA DE MERCADORIA Axioma muito conhecido no varejo diz que "aquilo que não se expõe não se vende".: Sku (Stock Keepping Unit). conforme demonstrado pela fórmula abaixo: Nível de serviço ao cliente = número de skus em estoque x número de dias úteis do período x 100 ____________________________________________________ número total de skus em venda x número de dias úteis do período Obs. Um indicador de nível de serviço ao cliente de 100% significa que o sortimento de uma loja esteve totalmente presente nas prateleiras. ao menos. que mostra a composição detalhada de um produto final em relação a todos os componentes materiais que o constituem. permaneceram devidamente expostos na área de vendas. etc. os seguintes classificadores: • Estrutura Analítica do Produto. Não se vende aquilo que não tem estoque e também não se vende aquilo que não tem lugar na loja para ser exposto. Para efetuar estudos sobre estoques. classificam as mercadorias em quatro tipos de demanda. são aquelas mercadorias que tem uma demanda contínua durante muito tempo. não sendo muito afetadas pela mudança de design. Como é impossível no ambiente de varejo de pronta entrega saber se o cliente gostaria de comprar uma mercadoria que não existe em estoque. 3 . Considera-se que todos os skus que estavam sendo comercializados.6 .: Novidade. Sazonal. 2000. fornecedores. Um sistema informatizado que permita calcular o nível de serviço ao cliente também deve permitir que se calcule o valor das vendas perdidas através da multiplicação do preço dos produtos que estiveram em falta pelo número de dias em que esta falta ocorreu e ainda multiplicando pela média de demanda diária de tais itens. seja pelo self-service ou pelo e-commerce. atinge bons picos de venda. · Moda: É a mercadoria que normalmente se vende durante várias estações porém suas vendas podem variar dramaticamente de uma estação para outra face as mudanças de design. são unidades ou itens de produto. ou. porém tem um ciclo de vida muito pequeno. demonstra o número de oportunidades de venda que podem ter sido perdidas pelo fato de não existir a mercadoria em estoque. em outras palavras.

tipos e tamanhos.· Sazonal: São aquelas mercadorias que tem sua demanda afetada de forma dramática pelas estações do ano. Sortimento é o número de skus (unidades ou itens de produto) que serão vendidos dentro de uma categoria. Da mesma forma. Isto implica em conhecer. de acordo com o evento ou a estação em perspectiva. poderíamos. a partir das quais as compras devem ser iniciadas e terminadas. tamanho. tamanho. Se é uma loja de departamentos pode-se admitir um menor sortimento de cada categoria. sendo então chamados de ¨produtos com grade¨. além de se ver a disposição física de cada uma das mercadorias em quaisquer equipamentos de exposição de uma loja. a sua empresa será conhecida por ser uma especialista em vendas de determinada categoria ou uma generalista vendendo diversas categorias como uma loja de departamentos ou um hipermercado.. Muitos produtos possuem variação de cor. Desta forma. os diversos tipos de calças masculinas poderiam ser considerados como uma categoria. Um outro tipo de mercadoria que possui demanda bem específica é aquela vendida somente em datas definidas e chamada de mercadoria de evento. cor. no uso de técnicas diferenciadas para planejamento de estoques e na possibilidade de serem colocadas datas de validade nos sistemas de gestão. 4. etc.. os fornecedores e os produtos das categorias que o varejista quer trabalhar etc. A variedade é a mais importante decisão de um varejista pois. a tendência é ter um sortimento elevado da categoria trabalhada. entre outras coisas. por exemplo. Assim. A utilidade de usar a classificação por perfil de demanda está na identificação das respectivas fórmulas de projeção de vendas. quais itens e onde devem estes ficarem expostos face aos históricos de venda e de rentabilidade dos mesmos. estilo. é um sku individual. relacionando estes dados com os objetivos financeiros de cada loja. que. Com quantos produtos diferentes deveremos trabalhar em uma loja. face às limitações de espaço e de dinheiro para investir em estoques? 4. composição. etc. composição. São mercadorias vendidas em datas como carnaval. natal. o tamanho e equipamentos da loja. uma loja tem muita variedade quando oferece muitas categorias de produto aos seus clientes. 4) DEFININDO O SORTIMENTO DE CADA LOJA DA REDE Varejistas necessitam decidir sobre quais itens devem ser vendidos em cada uma das lojas de suas redes.1) O que é uma categoria? Uma categoria é um conjunto de itens que o cliente entende como substituíveis entre si. com suas diversas marcas. como uma categoria.2) Conceituando variedade e sortimento Variedade é o conjunto de categorias com o qual se deseja trabalhar em um departamento de uma loja. classificar os produtos chamados de achocolatados. Se o conceito for de especialista. Sortimento é também conhecido como profundidade e está também ligado ao conceito que se quer ter de uma loja.3) Fatores que influenciam a variedade e o sortimento 4 . somente voltarão a ser vendidas no ano seguinte. páscoa. 4. se possa também orientar os cálculos de quantos. se não vendidas naquelas datas. Cada interseção da grade. Dá-se o nome de planograma ao diagrama que ilustra a disposição das mercadorias em uma loja e os softwares existentes no mercado para ajudar na confecção de planogramas de lojas permitem que. estilo. Este conceito é importante para ajudar na tomada de uma decisão crucial. o tráfego de consumidores onde sua loja está instalada.

armazenagem e expedição. dependendo da sazonalidade ou do calendário de eventos.4) Qual o estoque que devo ter de cada SKU (Stock Keeping Unit) em cada loja? Obs. Um outro facilitador para obter menores estoques nas lojas é a utilização de métodos de previsão de vendas mais avançados. pois as mercadorias são compradas para atendimento a períodos pequenos de demanda. isto é. mercadorias que terão sua reposição calculada por métodos qualitativos e quantitativos (estudados na parte I). que auxilia as principais decisões quanto ao sortimento da empresa. efetuam-se os cálculos que permitem estabelecer os valores financeiros máximos que poderão ser gastos pelos compradores para manter as categorias de mercadorias pelas quais são responsáveis.Diversos são os fatores que influenciam na decisão que o varejista deve tomar quando está planejando a variedade e o sortimento de suas lojas: Não se pode comprar para uma loja um número de itens maior do que a capacidade de exposição da mesma. Os avanços obtidos através do Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos. 4. ainda. dentro das políticas de atendimento previstas e dentro das restrições e objetivos financeiros do planejamento estratégico da empresa. utilizando os conceitos de planejamento colaborativo nas atividades de previsão de vendas e programação das reposições. estão permitindo a redução dos estoques nas lojas. e vão sendo substituídas por novas ¨coleções¨ à medida que as estações ou eventos ocorrem. a estratégia de estocagem em CDs. Estabelecer a quantidade que devemos manter de cada item de estoque em uma loja consiste em equilibrar os benefícios de uma alta rotação com os riscos das faltas de estoque. que serão compradas para atender as vendas em períodos determinados e vendidas até o fim do estoque adquirido. são unidades ou itens de produto. o que obriga a ter menores estoques nas mesmas. É fato. 5) A ELABORAÇÃO DOS ORÇAMENTOS E PLANOS DE COMPRAS É o processo. isto é. quando se trata de redes de lojas. pois as mercadorias básicas tem comportamento de demanda com pouca variabilidade dentro de um mesmo período de tempo. ou métodos de planejamento de estoques e a estocagem em centros de distribuição que ajudam o processo de redução dos estoques das lojas ao mesmo tempo que permitem maior sortimento. os valores mensais orçados são desdobrados em dois orçamentos: 1º Orçamento para compras de mercadorias básicas. Na segunda etapa. 5. reduzindo os riscos de sobras e faltas. passando a utilizar.1) Os orçamentos de compras Na primeira etapa de estabelecimento dos orçamentos. não entrando no conceito de reposição continuada. 2º Orçamento para compras de mercadorias de moda e de eventos. Deve-se levar em conta que. assim como os avanços nas diversas atividades de transporte. A execução deste orçamento terá pouca influência do comprador. em conjunto com os planogramas das lojas. 5 . saindo alguns itens de exposição e entrando outros pertinentes aos eventos ou às estações. que estas estão tendo seus custos por metro quadrado cada dia maiores.: Sku. assim como criará metas de avaliação do desempenho dos compradores. de maneira a obter rapidez na reposição e melhor uso dos estoques de segurança. haverá alteração no sortimento. A execução deste orçamento é grandemente influenciada pelo comprador.

como esses são também de dois tipos: 5. 5.2) Os planos de compras Os planos de compras são baseados nos orçamentos de compra e. 6 . Os processos de liquidação dos estoques indesejáveis podem ser realizados de algumas maneiras como: • Por acordo com fornecedores. tais itens devem ser comprados com o máximo de cautela.2) Plano de compras de mercadorias de moda ou de eventos Produtos de moda e muitas mercadorias vendidas em eventos. efetuando-se a defasagem dos valores a pagar com base nos prazos médios de pagamento negociados com os fornecedores da empresa. 5. Quem entra tardiamente. impossibilitando. etc. normalmente fica com os encalhes. as substituem por mercadorias mais vendáveis ou da nova estação.2.2. As vendas de tais mercadorias não são possíveis de prever com antecedência e. Isto implica em um rápido atendimento da demanda e um efeito chicote muito intenso. Como na maioria dos casos estes produtos tem um ciclo de demanda muito rápido e preços iniciais com alta lucratividade.1) Plano de compras de mercadorias básicas O plano de compras de mercadorias básicas é a própria dinâmica de programação da reposição dos itens básicos mantidos em venda. As mercadorias que encalham por erro de compra. não podem ser planejadas utilizando os algoritmos tradicionais de planejamento. portanto. Podem ser derivados de novas invenções ou mesmo serem o resultado de novas "ondas" de consumo.: Tais orçamentos servem de entrada de dados nos sistemas de previsão de fluxo de caixa. Quem entra e sai rapidamente do mercado de tais itens. são rapidamente comercializadas pela maioria dos canais de distribuição disponíveis no mercado.2. Os valores mensais definidos no orçamento de compras devem sempre estar sendo confrontados com os planos de compra gerados pelo sistema para que seja possível tomar medidas de revisão orçamentária ou revisão nos parâmetros de planejamento de estoques visando adaptá-los á dinâmica de suprimento x demanda.Obs. 5. que utilizemos técnicas estatísticas para projetar vendas e compras de tais tipos de itens. Tendências da moda e comportamento do consumidor variam. É a perspicácia. em nível de sku e até de categorias. o que causa grandes estoques para os últimos varejistas entrantes no mercado. causadas por fatos como o aparecimento do produto em novelas. as que sofrem desgaste pelo tempo de exposição e aquelas que sobram ao final de uma estação são candidatas a serem liquidadas através de processos de redução de preços. conhecimento do mercado e alguma sorte que permite ao comprador tomar boas decisões sobre mercadorias de moda ou de eventos que ele deve comprar. Tal dinâmica é suportada por sistemas computadorizados de gestão de estoques. ganha bom dinheiro.3) Plano de compras de novidades Mercadorias chamadas novidades são produtos inusitados que aparecem no mercado. que recebem as mercadorias encalhadas como devolução e. entrevistas com pessoas de grande influência nos costumes. que utilizam diversos algoritmos de cálculo para comandar a reposição das lojas e dos centros de distribuição..

6) MODELOS DE PLANEJAMENTO DE ESTOQUES PARA O VAREJO Aqui. acrescido das ordens de reposição já colocadas. 6. Em tais casos as mercadorias são sempre vendidas a preços inferiores ao custo. e o de ponto de reposição por revisão periódica. ao passar 60 dias que a mercadoria entrou na loja. a mesma tem seu preço rebaixado em um percentual previamente fixado. utiliza a fórmula: PR = DM x TR + ES Onde PR = quantidade em estoque quando se deve iniciar providências para uma encomenda ao fornecedor DM = quantidade de demanda média diária TR = tempo em dias que se leva para colocar e receber a nova encomenda ES = Estoque de segurança. aquelas que foram causadas por promoções. Os principais tipos de sistemas de reposição baseados na demanda passada são o método de ponto de reposição de revisão permanente (contínua).1) Os métodos de ponto de reposição baseados na demanda do passado Os métodos de planejamento de estoques baseados na demanda passada são válidos somente para aquelas mercadorias com demanda bastante estável ou quando é possível retirar dos históricos de demanda. O sistema de planejamento deve permanentemente comparar o estoque existente. Logicamente que a estabilidade aqui mencionada não significa uma ausência de variação e sim uma variação pequena da demanda em torno da média. Caso tenha atingido ou ultrapassado o ponto de reposição. Estas lojas são montadas especificamente para trabalhar com preços baixos e mercadorias depreciadas como pontas de estoque.1. o sistema recomenda a colocação de uma nova encomenda em uma quantidade (LE) que é calculada pelo sistema obedecendo às políticas de estoque médio que se adote para a mercadoria.• • • Por transferência da mercadoria para lojas especiais da rede. quantidade que se deve manter em estoque para proteger o atendimento ao cliente se houver atrasos na entrega do fornecedor ou se a demanda tiver variação sensível acima da média. durante o tempo de reposição. Ao atingir 90 dias. ficando então um modelo de demanda estável. Por revenda das mercadorias encalhadas para varejistas especializados em vendas de saldos. não se tem a intenção de se aprofundar na discussão das técnicas. Por processos contínuos de depreciação em que se determinam faixas de desconto à medida que vai passando o tempo e a mercadoria não é vendida. face à existência de diversos livros que tratam o assunto em profundidade. é dado mais um desconto. Por exemplo. O propósito aqui é mostrar quais os modelos mais adequados ao Planejamento de Estoques de Mercadoria. mercadorias fora de estação e até mercadorias com pequenos defeitos. Por liquidações de fim de estação em que se aproveita a época em que as demais lojas de um shopping ou de uma região da cidade veiculam grande volume de propaganda chamando a atenção dos consumidores para as grandes liquidações de fim de estação. dentro das restrições de lotes mínimos e lotes múltiplos que o fornecedor 7 . e assim por diante até eliminar o estoque. procurando comentar. de cada método. Abaixo comentam-se estas duas técnicas: 6. sua melhor aplicabilidade. com o ponto de reposição.1) Ponto de reposição de revisão permanente O método de ponto de reposição de revisão permanente.

2) Reposição baseada nos parâmetros de Máximos e Mínimos ou método das quantidades fixas 8 .estabelecer e. 6. no momento da encomenda. ainda.1. pois não se pode definir um nível de estoque com base em valores financeiros. sempre pela lógica do maior giro possível. A fórmula do Ponto de Reposição para itens de reposição periódica é a seguinte: PR = DM (TR + IR/2) + ES Onde PR = quantidade em estoque quando se deve iniciar providências para uma encomenda ao fornecedor DM = quantidade de demanda média diária TR = tempo em dias que se leva para colocar e receber a nova encomenda IR = intervalo de tempo em dias. programação e comunicação da reposição feita automaticamente por computador. Alguns sistemas de reposição tem seus algoritmos de cálculo do lote de encomenda de maneira a permitir que o comprador. Quanto a classificação ABC.1. até se fazer nova reposição ES = quantidade que se deve manter em estoque para proteger o atendimento ao cliente se houver atrasos na entrega do fornecedor ou se a demanda tiver variação sensível acima da média. 6. Os cálculos de lote de encomenda sempre foram muito influenciados pelos conceitos de lote econômico e de classificação ABC. durante o tempo de reposição. Nestas datas. o sistema computadorizado determina a quantidade que deve ser reposta. negociações de longo prazo. transmissão eletrônica das notas fiscais dos fornecedores. ter-se-á que o estoque médio cobrirá o número de dias do estoque de segurança mais a metade do número de dias cobertos pelo lote de encomenda. considerando as encomendas já colocadas no fornecedor.2) Ponto de reposição por revisão periódica O método de planejamento de estoques por reposição periódica utiliza o conceito de que a reposição de um item ou de um conjunto deles. etc. coloque uma quantidade de dias que deseja que o estoque esteja coberto pela nova ordem.. o tempo de reposição e o estoque na data. O quanto comprar e o estoque de segurança devem ser definidos pela variação de demanda do item e pela dificuldade em se repor o mesmo. levando em consideração o intervalo de reposição. o conceito de lote econômico perde relevância face aos custos fixos de uma compra serem a cada dia menores. este é um conceito ultrapassado em termos de gestão de estoques. seja feita em intervalos de tempo regulares ou mesmo em datas previamente definidas.EM é dada pela fórmula: EM = LE/2 + ES Se os parâmetros de lote de encomenda (LE) e estoque de segurança (ES) forem transformados em dias de demanda. Com os modernos procedimentos de compra através da internet.1. O sistema então recalcula a ordem com base na nova informação dada pelo comprador. A quantidade a encomendar (LE) será calculada pelo sistema a semelhança do método de ponto de reposição de revisão permanente descrito em 6. descontando eventuais ordens colocadas nos fornecedores e ainda não recebidas. A política de estoque médio . o estoque de segurança.

grande parte das lojas tinha em anexo seus depósitos onde guardavam as mercadorias que seriam expostas na área de vendas. muito utilizado pelo varejo por causa de sua simplicidade operacional deve ser utilizado apenas para aqueles itens em que as médias estatísticas de demanda são muito pouco representativas. A fórmula do método de máximos e mínimos é dada pela expressão: PR = estoque < ou = nível mínimo Ao se determinar o estoque mínimo devem ser feitos os cálculos similares ao método de ponto de reposição por revisão permanente. o que normalmente acontece naqueles itens de pequenos quantitativos de venda. 6. ou seja: Q = (C. em relação ao estoque de segurança. Não se recomenda a utilização deste método para as demais mercadorias já que ele facilita o aumento dos estoques.TPOP Conforme dicionário da APICS. Podemos Considerar que esse método é o mais simples para controlar os estoques.5) A influência das centrais de distribuição no planejamento de estoques No passado.O estoque que inicia o processo é armazenado nessas duas caixas ou gavetas. TR) + Em A caixa B possui um estoque equivalente ao consumo previsto no período. A caixa A tem uma quantidade de material suficiente para atender ao consumo durante o tempo de reposição. isso indica que deverá ser providenciada uma reposição de material. Com o processo de redução do tamanho das lojas. a instalação de lojas em shopping centers. A e B. tornou-se quase impossível manter tais depósitos junto às lojas. pedido de compra. Imaginem um shopping center com 200 lojas tendo que ter espaço e equipamentos para receber e descarregar veículos de entrega de todos os fornecedores das lojas ali instaladas. No método. passa-se a atender às requisições pelo estoque da Caixa ou Gaveta A . A grande vantagem desse método consiste numa substancial redução do processo burocrático de reposição de material. considera-se que o nível máximo do estoque corresponde a quantidade que deve servir como estoque objetivo no momento em que se coloca uma encomenda. e as restrições de tráfego de caminhões de entrega nos grandes centros urbanos.chega a 0 (zero). a quantidade a repor é calculada diminuindo-se do estoque máximo a quantidade de estoque existente no momento. Para não interromper o ciclo de atendimento. O nível mínimo é o que se chama de ponto de reposição. 6. 6. inclusive com a possibilidade de indicar ao fornecedor do item em análise não somente as encomendas firmes como as previsões de encomendas futuras.4) Sistema duas Gavetas. quando esse estoque (caixa ou gaveta). TPOP é o método de gestão dos estoques dos itens de demanda independente. onde as necessidades brutas se originam da previsão de venda e/ou de encomendas de clientes e os cálculos são baseados na lógica MRP. As requisições de material que chegam ao almoxarifado são atendidas pelo estoque da caixa B.3) Ponto de reposição baseado nas demandas de períodos de tempo futuros . 9 . Por sua simplicidade é recomendável a utilização para as peças classe C. mais o estoque de segurança. Tem seu uso bastante difundido em revendedores de autopeças e no comércio varejista de pequeno porte. A vantagem deste método é que o comprador/administrador estará sempre visualizando um horizonte de tempo que julgue necessário. Assim.Este método. Imaginemos duas caixas ou gavetas.

menores poderão ser os estoques de segurança. visando obter o sincronismo mencionado. Quando esta rede de lojas tem vendas para entrega na casa do cliente como tipicamente as lojas que vendem eletrodomésticos ou quando também possuem vendas pela internet. desde os fornecedores das matérias primas básicas. compartilham as informações de demanda. etc. de operação. A necessidade de manter estoques de segurança é uma função da combinação das incertezas do suprimento e da demanda. Os custos de transporte para manter as lojas abastecidas tendem a crescer.. planos promocionais. o estoque em trânsito entre o depósito central e as lojas começa a ser significativo. Como cada loja anteriormente deveria fazer seus próprios estoques de segurança. o estoque de segurança consolidado será matematicamente menor para um mesmo nível de atendimento. quanto menor e mais confiável for o tempo de reposição mais capacidade de reação se pode ter em relação às variações de demanda e. passando pelas indústrias de transformação e atacadistas. Para este cenário. etc. A conveniência de ter um ou mais centros de distribuição para atendimento ao suprimento de uma rede de lojas é um estudo logístico complexo. Sob esta perspectiva. ao concentrarmos os estoques em um CD. E DA REPOSIÇÃO. se procure a sincronização entre todos os elementos de uma cadeia de suprimentos. é o trabalho conjunto de múltiplas empresas de maneira a obter mútuos benefícios. para subsidiar a decisão de quantos CDs devem ser instalados e qual a melhor localização para os mesmos. exigindo simulações de custos de transporte. um dos caminhos de solução é a instalação de centrais de distribuição – CD. em negócios. únicos ou múltiplos. as lojas mais distantes tendem a aumentar sua estocagem para fazer face ao tempo de reposição das mercadorias. Em termos de estoques. Aspecto fundamental desta colaboração e sincronização é a atividade de planejamento colaborativo da demanda e da reposição. até os varejistas que atenderão os consumidores. Em termos de cadeia de suprimentos é compartilhar informações. tem significativa influência nos estoques e no nível de atendimento às lojas e aos clientes.. os problemas logísticos se avolumam. E O Colaboração. lançamentos de produtos. os problemas de atendimento ao cliente se avolumam e os custos de atendimento passam a ser parte significativa do custo logístico total. conhecimento. Para atender este conjunto de desejos dos consumidores é preciso que além da ótica de colaboração em negócios. a tendência é de que se reduzam os estoques mantidos nas lojas desde que se implante roteiros de entregas às lojas em pequenos intervalos de tempo. entretanto. 7) O PLANEJAMENTO COLABORATIVO DA DEMANDA GERENCIAMENTO DOS ESTOQUES PELO FORNECEDOR. de instalações e de manutenção de estoques. compartilhando tais benefícios também com os consumidores finais. São inegáveis. riscos e lucros para reduzir custos.A medida em que as redes de varejo se dispersam geograficamente em busca de clientes. que utilizando de maneira intensiva os softwares de gestão e comunicação além de um processo negocial avançado. A implantação de CDs. políticas de estoque. com menores custos logísticos totais. tempos de atendimento e estoques e obter maior produtibilidade. os benefícios que a instalação de CDs proporcionam em termos de maior velocidade na reposição das lojas e na entrega aos clientes. 10 .

Através deste estudo. Neste momento se envia cópia do pedido ao representante para que ele execute eventuais conferências sobre o que foi combinado. O valor de consumo anual ou valor de demanda anual é determinado multiplicando-se o preço ou custo unitário de cada item pelo seu consumo ou sua demanda anual. 7. A partir de então. pois isto reduziria o interesse de seus clientes face ao sortimento pouco interessante. 8) Análise ABC dos Estoques O princípio da classificação ABC ou curva 80 – 20 é atribuído a Vilfredo Paretto. desenvolver e manter controle sobre um fornecedor são altos e. como resultado de uma típica classificação ABC. para a definição de políticas de vendas. diretamente à fábrica que irá fornecer os itens encomendados. um renascentista italiano do século XIX. tal princípio de análise tem sido estendido a outras áreas e atividades tais como a industrial e a comercial. na grande maioria dos casos. sendo mais amplamente aplicado a partir da segunda metade do século XX. para a programação da produção e uma série de problemas usuais de empresas. para o planejamento da distribuição. ou valor de consumo anual quando se tratarem de produtos em processo ou matérias-primas e insumos. quer sejam estas de características industriais. muitas vezes requerido por este tipo de análise.1) Utilizando a internet para o envio de pedidos e programar as entregas Os ciclos de compra sempre estiveram atrelados ao ciclo de visitas dos representantes dos fornecedores. Os custos de selecionar. É preciso entender.7. Esta prática deve ser abolida. Trata-se de uma ferramenta gerencial que permite identificar quais itens justificam atenção e tratamento adequados quanto à sua importância relativa. principalmente em ambientes industriais. que em 1897 executou um estudo sobre a distribuição de renda. percebeu-se que a distribuição de riqueza não se dava de maneira uniforme. A curva ABC tem sido bastante utilizada para a administração de estoques. O desenvolvimento e a utilização de computadores cada vez mais baratos e potentes tem possibilitado o surgimento de "softwares mais amigáveis" que conduzem ao rápido e fácil processamento do grande volume de dados. largamente utilizado hoje na indústria deve nortear também a atividade de compras do varejo. comerciais ou de prestação de serviços. Aproveitava-se a visita do representante para emitir o pedido e o representante levava o pedido assinado para sua fábrica ou para seu representado. que devemos evitar trabalhar com fornecedores que contribuam com valores de venda pouco significativos.3) Com quantos fornecedores diferentes deve-se trabalhar? O conceito de fornecedores únicos. tornando a atividade de envio de pedidos ou de programas de entrega – quando temos um pedido em aberto com o fornecedor – uma atividade a ser realizada via EDI ou internet. em se tratando de produtos acabados. entretanto. surgirão grupos divididos em três classes. 8.1) A Técnica ABC Classicamente uma análise ABC consiste da separação dos itens de estoque em três grupos de acordo com o valor de demanda anual. portanto. como segue: 11 . não pode se restringir a uma única marca de produto de cada categoria. devemos tentar reduzir o número de fornecedores ao mínimo que os clientes desejam. havendo grande concentração de riqueza ( 80% ) nas mãos de uma pequena parcela da população ( 20% ). É lógico que o varejista. Assim sendo.

podem-se estabelecer níveis de serviços diferenciados para as diversas classes. 95% para itens B e 85% para itens C. normalmente ocorre. Tem-se ainda que os restantes 50% dos itens e 10% do valor de consumo anual serão considerados de classe C. é importante observar que o princípio ABC no qual uma pequena percentagem de itens é responsável por uma grande percentagem do valor de demanda ou consumo anual. Classe B : Itens que possuem um valor de demanda ou consumo anual intermediário. em se tratando de curva ABC a classificação não deve ter como regra rígida ser composta por três classes. Assim. alguns fatores que afetam a importância de um item e que podem ser utilizados como critérios qualificadores numa análise ABC: . A seguir. • cuidados de armazenagem para um item. por exemplo: 99% para itens A. Classe C : Itens que possuem um valor de demanda ou consumo anual baixo. 8.2) Classificando os Estoques e Determinando Prioridades Em várias empresas. apesar da análise ABC ser usualmente ilustrada através do valor de consumo anual. Embora reconheça-se que tais percentuais de classificação possam variar de empresa para empresa. uma análise ABC deve obrigatoriamente refletir a dificuldade de controle de um item e o impacto deste item sobre os custos e a rentabilidade. Os itens B representam 30% do total de número de itens e 25% do valor de demanda ou consumo anual.custo unitário. reduzindo tanto o capital investido em estoques como os custos operacionais. uma análise ABC é preparada freqüentemente para determinar o método mais econômico para controlar itens de estoque. A B C Gráfico ABC Uma classificação ABC de itens de estoque tida como típica apresenta uma configuração na qual 20% dos itens são considerados A e que estes respondem por 65% do valor de demanda ou consumo anual. pois. Apesar da configuração acima ser válida como "padrão típico".• • • Classe A : Itens que possuem alto valor de demanda ou consumo anual. este é apenas um dos muitos critérios que pode afetar a classificação de um item. de forma a reduzir o 12 . conduzir uma análise ABC é com freqüência um passo muito útil no projeto de um programa de ação para melhorar a performance dos estoques. • custos de falta de material. Dentro do critério ABC. Deve-se ter em mente ainda que. • mudanças de engenharia (projeto). o que de certa maneira pode variar de empresa para empresa. Assim. através dela torna-se possível reconhecer que nem todos os itens estocados merecem a mesma atenção por parte da administração ou precisam manter a mesma disponibilidade para satisfazer os clientes.

minimizar o esforço total de gestão. os itens tidos como classe C não justificam a introdução de controles muito precisos. a simples aplicação do princípio ABC sem considerar aspectos diferenciados inerentes aos materiais quanto à sua utilização. já que o custo adicional para um estudo mais minucioso destes itens é compensado. Tais considerações valem tanto para ambientes nos quais busca-se gerenciar a formação de estoques por demanda dependente – ex: modelos como MRP (definições no item 10). Bastante utilizados pelas empresas. como para ambientes nos quais gerencie-se a formação de estoques por demanda independente – ex: modelos como ponto de pedido. muitas vezes são chamados de dente serra por causa de sua semelhança com os dentes de uma serra. Em contrapartida. É inegável a utilidade da aplicação do princípio ABC aos mais variados tipos de análise onde busca-se priorizar o estabelecimento do que é mais ou menos importante num extenso universo de situações e. estabelecer-se o que merece mais ou menos atenção por parte da administração. são uma representação gráfica da variação do estoque de um item (ou vários) em função do tempo. aplicação e aquisição. Porém. particularmente no que diz respeito às atividades de gestão de estoques. por conseqüência.capital empregado em estoques. Já os itens que foram classificados como B poderão ser submetidos a um sistema de controle administrativo intermediário entre aqueles classificados como A e C. poderá trazer distorções quanto à classificação de importância e estratégias de utilização dos mesmos. e Kanban. 9) GRÁFICO DENTE DE SERRA Os gráficos de estoques. 13 . favor elaborar o gráfico correspondente aos dados acima. assim. Dia Estoque Inicial (unidades) segunda-feira 830 terça-feira 2880 quarta-feira 2430 quinta-feira 1980 sexta-feira 4030 Recebimentos (unidades) 2500 0 0 2500 0 Consumo (unidades/dia) 450 450 450 450 450 Estoque Final (unidade) 2880 2430 1980 4030 3580 Tarefa: Assumindo a hipótese de que os itens são recebidos e contabilizados no fim do expediente do respectivo dia. reposição periódica ou estoque mínimo. e que o consumo dá-se de forma uniforme durante 8 horas do dia de trabalho. decorre que os materiais considerados como classe A merecem um tratamento administrativo preferencial no que diz respeito à aplicação de políticas de controle de estoques. ou podem-se usar métodos diferentes para controlar o estoque e. devendo receber tratamento administrativo mais simples. Do exposto acima.

como preço unitário. Todos os produtos da linha de fabricação devem ser "explodidos" em todos os seus componentes. é fornecida uma quantidade bem maior de dados sobre o produto. Plano mestre: o plano mestre 14 . Hoje em dia é cada vez maior o número de autores que chamam o MRP II de ERP. seja interna ou externamente.10) MRP – Planejamento das Necessidades de Materiais e a Lógica do MRP MRP é a sigla de material requirement planning. Como a sigla de manufacturing resources planning (MRP) é a mesma de material requirement planning (MRP). para a pessoa correta e no momento correto. tem-se um módulo de estoques e um outro de MRP. verificando se há disponibilidade nos estoques e. que pode ser traduzido por planejamento dos recursos de manufatura. como greves. que pode ser traduzido por planejamento das necessidades de materiais. 10. essas alterações podem ser facilmente programadas. O resultado é uma organização com um fluxo de dados consistente que flui entre as diferentes interfaces do negócio. Permite que a empresa padronize seu sistema de informações. O MRP considera a fábrica de forma estática. os softwares mais usuais tratam as duas coisas como módulos do sistema. é um software que irá processar todos os dados. Quando se trata de um software baseado em MRP II. operando em uma plataforma comum que interage com um conjunto integrado de aplicações. roteiros de fabricação e respectivos centros de custos. 10. Dependendo das aplicações. O MRP usa uma filosofia de planejamento. quando for o caso. inundações. o ERP pode gerenciar um conjunto de atividades que permitam o acompanhamento dos níveis de fabricação em balanceamento com a carteira de pedidos ou previsão de vendas. ou seja. ERP é definido como uma arquitetura de software que facilita o fluxo de informações entre todas as atividades da empresa como fabricação. evidentemente. mão-de-obra utilizada por categorias profissionais. mesmo já atuando no mercado há anos. praticamente imutável. É um sistema amplo de soluções e informações. subcomponentes e peças. Como o número de empresas que dispõem de sistemas computadorizados de controle de estoques é maior que o das que dispõem de um MRP. ferramentas utilizadas e respectivo consumo. Em muitos softwares hoje disponíveis no mercado. um subproduto do MRP. um para o pessoal de custos e outra para a fabricação e compras. o que normalmente é uma atribuição da engenharia. Um grande número de empresas. Controle de estoques: a informação sobre os estoques disponíveis são essenciais para a operação de um sistema MRP. Estoques de segurança devem ser contemplados nos sistemas MRP. ficando por conta do software efetuar as alterações nas datas previstas. finanças e recursos humanos. consolidando todas as operações do negócio em um simples ambiente computacional. o MRP como hoje o conhecemos só se viabilizou com o advento do computador. convencionou-se chamar a primeira de MRP II. ser integrados. sigla de Enterprise Resource Planning. O MRP utiliza softwares cada vez mais sofisticados – alguns deles chegando a custar mais de um milhão de dólares. logística. etc. alterações no BOM e datas a partir das quais entrarão em vigor. Outra dificuldade é manter atualizada a lista de material. equipamentos. Assim. Lista de material (BOM): é a parte mais difícil e trabalhosa do projeto. processo de fabricação. Algumas outras dispõem de duas. etc. A lista de materiais ou BOM (bill of material).1) O que o ERP realmente faz ? O ERP é a espinha dorsal do empreendimento. que podem. planejamento dos recursos da empresa.2) Elementos de um Sistema MRP. o ERP propicia a informação correta. consolidando os itens comuns a vários produtos. não dispõe de relação de materiais. Um banco de dados único. A ênfase está na elaboração de um plano de suprimentos de materiais. Os softwares com maiores capacidades de processamento passaram a ser denominados sistemas de manufacturing resources planning. Assim. fornecedores. emitindo lista de itens faltantes. Na essência. a fim de absorver eventuais ocorrências não previstas. e algumas vantagens. As constantes mudanças na tecnologia e nas exigências do mercado tornam constantes tais alterações.

com base unicamente na experiência. Não é mais possível para uma rede de varejo ou mesmo para uma grande loja única. Fonte: Bibliografia Básica e Complementar. A partir dessa listagem o departamento de compras pode atuar. Custos. muitos usuais nas fábricas ainda hoje. Trata-se do EDI (Electronic Data Interchange) que atualmente está sendo substituido com vantagens pela Extranet/Internet. levando ao conhecimento detalhado de todos os seus componentes. deixam de existir os sistemas informais. seja no nível de estoques. Os mais comuns. Com a implantação do MRP. Nesses sistemas a informação sobre um determinado produto por vezes fica armazenada "na cabeça de Fulano". por exemplo. gerir estoques e compras (suprimentos). nas empresas em geral. Reduz a influência dos sistemas informais. das dificuldades das empresas se livrarem da alta incidência da carga tributária e tendo que satisfazer consumidores cada dia mais exigentes e atentos. necessitam de capacidades plenas nas técnicas de gestão de estoques e compras para o varejo. seja na demanda. Com o advento das parcerias. Para tanto. como já mencionado. no caso do MRP II. 15 . necessidades de equipamentos e demais insumos produtivos. é grande o número de empresas que têm seus sistemas interligados. os profissionais. Isto posto. fazem os cálculos periodicamente. o sistema MRP deve contemplar as possibilidades de alteração nas demandas previstas. Situações de diferentes cenários de demanda podem ser simuladas e ter seus efeitos analisados. Compras: um dos produtos do MRP. necessidades de capital de giro.retrata a demanda a ser atendida. já depurada dos fatores externos. Permite o planejamento de compras. existem sistemas que trabalham em tempo real. de contratações ou demissões de pessoal. e do ramo varejista é um dos elementos principais para que esta obtenha bons resultados em suas operações. Ë um excelente instrumento para a tomada de decisões gerenciais. e os pedidos de reabastecimento são feitos diretamente pelo computador. de um recebimento. fica fácil o cálculo detalhado voltado justamente para o custeio dos produtos. necessita de elevado nível de treinamento em aspectos financeiros da gestão de estoque e vendas. Instrumento de planejamento. em resposta a qualquer alteração. Simulação. Como o MRP baseia-se na "explosão" dos produtos. além de suas naturais habilidades de negociador. Aliás. de todos os demais insumos necessários à fabricação. Por se tratar de uma previsão. e. o sistema atualiza imediatamente todos os dados. através de um bom Planejamento e Controle de Materiais. ou seja. entretanto. _______________________________________________________________________________ 11) CONCLUSÃO GERAL O Administrador de Recursos Materiais e Patrimoniais . é uma relação dos itens que devem ser comprados. Com o aumento da competição. Isto é. aquilo que deve ser efetivamente produzido. decorrente. em geral uma vez por dia. completo domínio das diversas técnicas de gestão dos estoques de acordo com os perfis de demanda dos itens que negocia e estar disposto a adotar a filosofia de colaboração que hoje é fundamental no processo de criação e manutenção de cadeias de suprimento lucrativas. contém as incertezas inerentes ao futuro. como já visto.