Mecânica_dos_Solos_-_CEFET-RS

Centro Federal de Educação Tecnológica de Pelotas CEFET-RS Curso Técnico de Edificações

Mecânica dos Solos

Módulo Geral 1 Compilação: Cristiane Salerno Schmitz

ÍNDICE
1. ORIGEM E NATUREZA DOS SOLOS ___________________________________ 1 1.1 A Mecânica dos Solos na Engenharia Civil ___________________________ 1 1.2 As partículas constituintes dos solos _________________________________ 2 1.2.1 A origem dos solos ____________________________________________ 2 1.2.2 Classificação dos solos pela sua origem____________________________ 3 1.2.3 Solos orgânicos_______________________________________________ 4 1.2.4 Tamanho das partículas ________________________________________ 5 1.2.5 Constituição mineralógica ______________________________________ 6 1.2.6 Solos lateríticos ______________________________________________ 8 1.3 2. 2.1 2.2 3. 3.1 3.2 3.3 3.4 4. 5. Estrutura _______________________________________________________ 9 Índices físicos entre as três fases ___________________________________ 11 Cálculo dos índices de estado______________________________________ 14 Analise granulométrica __________________________________________ 17 Índices de consistência (Limites de Atterberg) _______________________ 20 Atividade das Argilas ____________________________________________ 22 Emprego dos índices de consistência _______________________________ 23 O ESTADO DO SOLO _______________________________________________ 11

IDENTIFICAÇÃO DOS SOLOS POR MEIO DE ENSAIOS ________________ 17

ESTADO DAS AREIAS – COMPACIDADE______________________________ 24 ESTADO DAS ARGILAS – CONSISTÊNCIA ____________________________ 26 5.1 5.2 Sensitividade das argilas _________________________________________ 26 Índice de consistência ____________________________________________ 28

6. 7.

IDENTIFICAÇÃO TÁTIL-VISUAL DOS SOLOS _________________________ 30 COMPRESSIBILIDADE _____________________________________________ 32 7.1 7.2 7.3 7.4 Introdução _____________________________________________________ 32 Analogia da Mecânica de Terzaghi_________________________________ 32 Compressibilidade dos Terrenos Pouco Permeáveis (Argila) ___________ 33 Compressibilidade dos Terrenos Permeáveis (Areia e Pedregulho) ______ 33 Atrito _________________________________________________________ 34 Coesão ________________________________________________________ 36 A importância da classificação dos solos ____________________________ 38 Classificação Unificada __________________________________________ 39 Sistema Rodoviário de Classificação _______________________________ 44

8

RESISTÊNCIA AO CISALHAMENTO__________________________________ 34 8.1 8.2

9.

CLASSIFICAÇÃO DOS SOLOS _______________________________________ 38 9.1 9.2 9.3

2

9.4

Classificações regionais __________________________________________ 45

3

ÍNDICE DE FIGURAS
Figura 1.1 – Perfil de solo residual de decomposição de gnaisse (Vargas, 1981) ______ 3 Figura 1.2 – Estrutura de uma camada de caulinita; (a) atômica, (b) simbólica_______ 7 Figura 1.3 – Estrutura simbólica de minerais com camada 2:1; (a) esmectita com duas camadas de moléculas de água, (b) ilita _______________________________________ 8 Figura 1.4 – Exemplo de estruturas de solos sedimentares; (a) floculada em água salgada, (b) floculada em água não salgada, (c) dispersa (Mitchel, 1976) ___________ 10 Figura 1.5 – Exemplo de estrutura de solo residual, mostrando micro e macroporos__ 10 Figura 2.1 – As fases do solo; (a) no estado natural, (b) separadas em volumes, (c) em função do volume dos sólidos ______________________________________________ 11 Figura 2.2 – Esquema de determinação do volume do peso específico dos grãos _____ 13 Figura 3.1 – Exemplo de curva de distribuição granulométrica do solo ____________ 17 Figura 3.2 – Esquema representativo da sedimentação _________________________ 18 Figura 3.3 – Curvas granulométricas de alguns solos brasileiros _________________ 19 Figura 3.4 – Limites de Atterberg dos solos ___________________________________ 21 Figura 3.5 – Esquema do aparelho de Casagrande para determinação do LL _______ 21 Figura 4.1 – Exemplos de formato de grãos de areia ___________________________ 24 Figura 4.2 – Comparação de compacidades de duas areias com e=0,65 ____________ 25 Figura 5.1 – Resistência de argila sensitiva, indeformada e amolgada _____________ 27 Figura 5.2 – Comparação de consistências de duas argilas ______________________ 28 Figura 7.1 – Analogia mecânica para o processo de adensamento, segundo Terzaghi _ 32 Figura 7.2 – Camada de argila limitada em uma (a) e duas faces (b) por camada drenante _______________________________________________________________ 33 Figura 8.1 – Esquemas referentes ao atrito entre dois corpos ____________________ 35 Figura 8.2 – Transmissão de forças entre partículas de areias e de argilas __________ 36 Figura 8.3 – Representação da envoltória de ruptura de Coulomb ________________ 37 Figura 9.1 – Granulometrias de areia bem graduada e mal graduada______________ 40 Figura 9.2 – Curvas granulométricas com diferentes coeficientes de curvatura ______ 41 Figura 9.3 – Carta de Plasticidade __________________________________________ 42 Figura 9.4 – Classificação dos solos finos no Sistema Rodoviário _________________ 44

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ÍNDICE DE TABELAS
Tabela 1.1 – Limites das frações de solo pelo tamanho dos grãos __________________ 6 Tabela 4.1 – Valores típicos de índices de vazios de areias _______________________ 25 Tabela 4.2 – Classificação das areias segundo a compacidade ____________________ 25 Tabela 5.1 – Consistência em função da resistência à compressão ________________ 26 Tabela 5.2 – Classificação das argilas quanto á sensitividade ____________________ 27 Tabela 5.3 – Estimativa da consistência pelo índice de consistência _______________ 29 Tabela 9.1 – Terminologia do Sistema Unificado ______________________________ 39 Tabela 9.2 – Esquema para classificação pelo Sistema Unificado _________________ 43 Tabela 9.3 – Esquema para classificação pelo Sistema Rodoviário ________________ 45

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importantes para justificar aspectos do comportamento dos solos. um acúmulo de insucessos em obras de engenharia civil no início deste século. 1773. A Química e a Física Coloidal.1 ORIGEM E NATUREZA DOS SOLOS A Mecânica dos Solos na Engenharia Civil Todas as obras de Engenharia Civil se assentam sobre o terreno e inevitavelmente requerem que o comportamento do solo seja devidamente considerado. Não era suficiente determinar em laboratório parâmetros de resistência e deformidade em amostras de solos e aplicá-los a modelos teóricos adequados àqueles materiais. chamado de engenharia Geotécnica ou engenharia de Solos. a Mecânica dos Solos não se restringe ao conhecimento das propriedades dos solos que a Mecânica pode esclarecer. engenheiro civil de larga experiência. dos quais se destacam as rupturas do Canal do Panamá e rompimentos de grandes taludes em estradas e canais em construção na Europa e nos Estados Unidos. Entretanto. são parte integrante da Mecânica dos Solos. como o concreto e o aço. A Mecânica dos Solos. como os clássicos de Coulomb. Apesar de seu nome. na qual o engenheiro civil se baseia para desenvolver seus projetos. 1 . ficou evidente que não se podiam aplicar aos solos leis teóricas de uso corrente em projetos que envolviam materiais mais bem definidos. são conhecidos como o marco inicial desta nova ciência de engenharia. constitui-se numa Ciência de Engenharia. no caso de escavações. Este ramo da engenharia. pelas peculiaridades que o material apresenta em cada local e pela engenhosidade freqüentemente requerida para a solução de problemas reais. que estuda o comportamento dos solos quando tensões são aplicadas. 1. O conhecimento do comportamento deste material. ou aliviadas. 1856. deveu-se em grande parte aos trabalhos de Karl Terzaghi. como nas fundações. enquanto que o conhecimento da Geologia é fundamental para o tratamento correto dos problemas de fundações. Rankine. sólido preparo científico e acurado espírito de investigação – internacionalmente conhecido como o fundador da Mecânica dos Solos. disposto pela natureza em depósitos heterogêneos e apresentando comportamento demasiadamente complicado para tratamentos teóricos rigorosos. costuma empolgar os seus praticantes pela diversidade de suas atividades. Seus trabalhos. hoje empregado internacionalmente. Trabalhos marcantes sobre o comportamento dos solos já foram desenvolvidos em séculos passados. identificando o papel das pressões da água no estudo nas tenções nos solos e a apresentação da solução matemática para a evolução dos recalques das argilas com o tempo após o carregamento. ou perante o escoamento de água nos vazios. Como apontou Terzaghi em 1936. 1856 e Darcy.1. mostrou a necessidade de revisão os procedimentos de cálculo.

entre outros fatores. Em alguns casos. de maneira geral encontram-se livres para deslocar entre si. troca de cátions. leva à formação dos solos que. nas quais penetra a água. que as partículas do solo se quebrem quando este é solicitado. A decomposição é decorrente de agentes físicos e químicos. uma pequena cimentação pode ocorrer entre elas. A presença da fauna e flora promove o ataque químico. na qual se fundamenta a Mecânica das Estruturas geralmente consideradas na engenharia civil. ou nos agregados de um concreto. para o que é imprescindível atentar para as peculiaridades dos solos com base no entendimento dos mecanismos de comportamento.1 A origem dos solos Todos os solos se originam da decomposição das rochas que constituíam inicialmente a crosta terrestre. quando verificada experimentalmente em obras de engenharia. Mais que qualquer dos materiais tradicionalmente considerados nas estruturas. que constituem a essência da Mecânica dos Solos. embora estas forças não sejam utilizadas em cálculos e modelos. 2 . atacando quimicamente os minerais.A Engenharia Geotécnica é uma arte que se aprimora pela experiência. o comportamento dos solos diverge daquele de um sólido deformável. O congelamento da água nas trincas. do que decorre maior fragmentação dos blocos.2. 1969). que são muito mais atuantes em climas quentes do que em climas frios. hidrólise. carbonatação. Não é raro. entretanto. oxidação. A maior ou menor concentração de cada tipo de partícula num solo depende da composição química da rocha que lhe deu origem. As partículas. O comportamento dos solos depende do movimento das partículas sólidas entre si e isto faz com que ele se afaste do mecanismo dos sólidos idealizados na Mecânica dos Sólidos Deformáveis. mas num grau extremamente mais baixo do que nos cristais de uma rocha ou de um metal. são misturas de partículas pequenas que se diferenciam pelo tamanho e pela composição química. o comportamento do solo só pode ser entendido pela consideração das forças transmitidas diretamente nos contatos entre as partículas. com conseqüente influência no seu desempenho. lixiviação. exerce elevadas tensões. alterandoo. em conseqüência. O conjunto destes processos. graças a sua simplicidade e por obterem comprovação aproximada de seus resultados com o comportamento real dos solos. 1. pela observação e análise do comportamento das obras. Os solos são constituídos por um conjunto de partículas com água (ou outro líquido) e ar nos espaços intermediários. por exemplo. Variações de temperatura provocam trincas. através de hidratação. Em diversas situações. A Mecânica dos Solos poderia ser adequadamente incluída na Mecânica dos Sistemas Particulados (Lambe e Witman.2 As partículas constituintes dos solos 1. etc. As soluções da Mecânica dos Sólidos Deformáveis são freqüentemente empregadas para a representação do comportamento de maciços de solo.

1.2 Classificação dos solos pela sua origem A classificação dos solos pela sua origem é um complemento importante para o conhecimento das ocorrências e para a transmissão de conhecimentos acumulados. Para que eles ocorram. Os solos podem ser classificados em dois grandes grupos: solos residuais e solos transportados. As condições existentes nas regiões tropicais são favoráveis a degradações mais rápidas da rocha. a indicação da origem do solo é tão ou mais útil do que a classificação sob o ponto de vista da constituição física.1 – Perfil de solo residual de decomposição de gnaisse (Vargas. Solos residuais são aqueles resultantes da decomposição das rochas que se encontram no próprio local em que formaram. Vargas (1981) identifica as seguintes camadas. 1981) Os solos residuais se apresentam em horizontes com grau de intemperização decrescente. é necessário que a velocidade de decomposição da rocha seja maior do que a velocidade de decomposição por agentes externos. Figura 1.1. razão pela qual as maiores ocorrências de solos residuais ocorrem nestas regiões. A velocidade de decomposição depende de vários fatores. Algumas vezes. 3 . entre elas o Brasil. Solo residual maduro: superficial ou sotoposto a um horizonte “poroso” ou “húmico”. entre os quais a temperatura. o regime de chuva e a vegetação. e que perdeu toda a estrutura original da rocha-mãe e tornou-se relativamente homogêneo. conforme mostra a Figura 1.2. cujas transições são gradativas.

etc. mas com pequena ocorrência no Brasil. mas perdeu a consistência da rocha. Rocha alterada: horizonte em que a alteração progrediu ao longo de fraturas ou zonas de menor resistência.2. mas apresenta pequena resistência ao manuseio. os de gnaisse são siltosos e os granitos apresentam teores aproximadamente iguais de areia média. Solos residuais de basalto são predominantemente argilosos. bem como aluviões muito argilosos. O teor de 4 . massas de materiais muito diversos e sujeitos a movimentações de rastejo. devidas a diversas épocas e regimes de deposição. Visualmente pode confundir-se com uma rocha alterada. muito freqüentes na Europa e nos Estados Unidos. Têm sido também classificados como coluviões. Entre eles estão os escorregamentos das escarpas da Serra do Mar. As areias constituintes dos arenitos brasileiros são arredondadas. Solos resultantes do carregamento pela água são os aluviões. é de grande interesse a indicação da rochamãe. É também chamado de solo residual jovem ou solo de alteração de rocha. pois ela condiciona. os solos orgânicos são de fácil identificação.Saprolitro ou solo saprolítico: solo que mantém a estrutura original da rocha-mater. silte e argila. O transporte por geleiras dá origem aos drifts. A norma norte-americana classifica como solo orgânico àquele que apresenta LL de uma amostra seca em estufa menor do que 75% do LL de amostra natural sem secagem em estufa. entre outras coisas. ou solos aluvionares. Geralmente argilas ou areias finas. em vários estágios de decomposição. O transporte eólico provoca o arredondamento das partículas. formando os tálus nos pés do talude. O transporte pelo vento dá origem aos depósitos eólicos. Existem aluviões essencialmente arenosos. 1. Registra-se também a ocorrência de camadas sobrepostas de granulometrias distintas. por ser esta uma rocha sedimentar com partículas previamente transportadas pelo vento. solos superficiais do planalto brasileiro depositados sobre solos residuais. Solos formados por ação da gravidade dão origem a solos coluvionares.3 Solos orgânicos São chamados solos orgânicos àqueles que contém uma quantidade apreciável de matéria decorrente de decomposição de origem vegetal ou animal. Em se tratando de solos residuais. As características dos solos são função do agente transportador. Solos transportados são aqueles que foram levados ao seu local atual por alguns agentes de transporte. comuns nas várzeas quaternárias dos córregos e rios. a própria composição física. em virtude do seu atrito constante. pela cor escura e pelo odor característico. deixando intactos grandes blocos da rocha original. Sua composição depende da velocidade das águas no momento de deposição.

ocorre uma importante concentração de folhas e caules em processo incipiente de decomposição. apresentam elevados índices de vazios. o grão de areia citado ficaria com diâmetros da ordem de 100 a 200 metros. São materiais extremamente deformáveis. Num solo. podem estar envoltos por uma grande quantidade de partículas argilosas. geralmente convivem partículas de tamanhos diversos. um quarteirão. Solos orgânicos geralmente são problemáticos por serem muito compressíveis. como os grãos de pedregulho ou a areia do mar. variam conforme os sistemas de classificação. as duas formações são muito semelhantes. normalmente adensados. Eles são encontrados no Brasil principalmente nos depósitos litorâneos.2. mas muito permeáveis. em espessura de dezenas de metros. e nas várzeas dos rios e córregos. enquanto a partícula arenosa revestida é facilmente reconhecida pelo tato. devidos a carregamentos externos. 5 . simplesmente porque parecem todos muito pequenos perante os materiais com os quais se está acostumado a lidar. entretanto. A diversidade do tamanho dos grãos é enorme. permitindo que os recalques. e que outros têm os grãos tão finos que.matéria orgânica pode ser determinado pela secagem em mufla a 540°C. Em algumas formações. Denominações específicas são empregadas para as diversas faixas de tamanhos de grãos. por exemplo. Numa primeira aproximação. se transformam numa pasta (barro). 1. pode-se identificar que alguns solos possuem grãos perceptíveis a olho nu. formando as turfas. Quando secas.4 Tamanho das partículas A primeira característica que diferencia os solos é o tamanho das partículas que os compõem. O teor de matéria orgânica em peso tem variado de 4 a 20%. Não se percebe isto num primeiro contato com o material. Existem grãos de areia com dimensões de 1 a 2mm. Não é fácil identificar o tamanho das partículas pelo simples manuseio do solo. seus limites. se uma partícula de argila fosse ampliada de forma a ficar com o tamanho de uma folha de papel. e por serem de sedimentação recente. ficando com o mesmo aspecto de uma aglomeração formada exclusivamente por uma grande quantidade destas partículas. porque grãos de areia. Os valores adotados pela ABNT –Associação Brasileira de Normas Técnicas – são os indicados na Tabela 1. ocorram rapidamente. possuem baixa capacidade de suporte e considerável compressibilidade. não podendo se visualizar as partículas individualmente.Quando úmidas. finíssimas.1. Mas alguns são consideravelmente menores do que outros. em camadas de 3 a 10 m de espessura. e existem partículas de argila com espessuras da origem de 10 Å (0.000001 mm). quando molhado. a aglomeração de partículas argilosas se transforma em uma pasta fina. Isto significa que. Por sua característica orgânica. entretanto.

042 mm de 0. Os feldspatos são os minerais mais atacados pela natureza. correspondente à abertura da peneira nº 200. são constituídas freqüentemente de agregações de minerais distintos.0 cm de 0. que permite compreender o comportamento dos solos argilosos perante a água.075 mm.05 mm inferior a 0. uma síntese do assunto.042mm a 2. é bastante resistente à desagregação e forma grãos de silte e areia. Não só o reduzido tamanho mas.2. SiO2. como feldspato. O quartzo. Os argilo-minerais apresentam uma estrutura complexa. gipsita.6 cm a 25 cm de 4. é apresentada a seguir. É mais comum. calcita e mica.6 cm de 2. dando origem aos argilo-minerais. 1.002 mm. com freqüência.1 – Limites das frações de solo pelo tamanho dos grãos Fração Matacão Pedra Pedregulho Areia grossa Areia média Areia fina Silte Argila Limites definidos pela Norma da ABNT de 25 cm a 1 m de 7. também podem ser encontrados neste tamanho. dentre os pedregulhos. geralmente com dimensão inferior a 2 mm. que corresponde ao tamanho mais próximo das partículas de constituição mineralógica dos minerais-argila. que constituem a fração mais fina dos solos. Outros minerais. Uma abordagem detalhada deste tema foge ao intuito desta apostila. a separação entre as frações silte e areia é freqüente tomada como 0. entretanto.8 cm a 7.05 mm a 0. enquanto o conjunto areia e pedregulho é denominado fração grossa ou grosseira do solo.0 cm a 4. a constituição mineralógica faz com que estas partículas tenham um comportamento extremamente diferenciado em relação ao dos grãos de silte e areia. principalmente. presente na maioria das rochas. as partículas são equidimensionais. como cubos ou esferas. a fração argila é considerada. Por outro lado.8 cm de 0. Algumas partículas maiores. tomando-se como exemplo três dos minerais mais comuns na 6 .5 Constituição mineralógica As partículas resultantes da desagregação de rochas dependem da composição da rocha matriz. como a fração abaixo do diâmetro de 0. e ele apresenta baixa atividade superficial. Sua composição química é simples. que as partículas sejam constituídas de um único mineral.005 mm a 0. O conjunto de silte e argila é denominado como a fração de finos do solo.Tabela 1.005 mm Diferentemente desta terminologia adotada pela ABNT.

As camadas ficam livres. cuja estrutura está representada na Figura 1. A superfície específica (superfície total de um conjunto de partículas dividida pelo seu peso) das caulinitas é da ordem de 10 m²/g. a ilita e a esmectita). (b) simbólica Noutros minerais o arranjo octaédrico é encontrado entre duas estruturas do arranjo tetraédrico (estrutura de camadas 2:1). Na composição química das argilas.000 Å. que apresentam comportamentos bem distintos.000 Å.2 – Estrutura de uma camada de caulinita. pois as placas se quebram por flexão. em que íons O²+ da estrutura tetraédrica se ligam a OH. .3. cujas estruturas simbólicas estão apresentadas na Figura 1. Alguns minerais-argila são formados por uma camada tetraédrica e uma octaédrica (estrutura de camada 1:1).natureza (a caulinita. sendo a diferença de superfície específica uma indicação da diferença de comportamento entre os solos com distintos minerais-argila.000m²/g. as ligações entre as camadas se fazem por íons O².000 Å. e as partículas. As camadas assim constituídas encontram-se firmemente empacotadas. no caso das esmectitas. sendo sua dimensão longitudinal de cerca de 10. 7 . Sua dimensão longitudinal também é reduzida. Nestes minerais. com átomos de oxigênio que pertencem simultaneamente a ambas. As forças de superfície são muito importantes no comportamento de partículas coloidais.e O²+ dos arranjos tetraédricos. Figura 1. As partículas de esmectita apresentam um volume 10-4 vezes menor do que as de caulinita e uma área 10-2 vezes menor. ficam com a espessura da própria camada estrutural. definindo uma espessura de cerca de 10 Å.2. a superfície das partículas de esmectita é 100 vezes maior do que das partículas de caulinita. (a) atômica. Com esta constituição estão as esmectitas e as ilitas. determinando uma espessura da ordem de 7 Å (1 Angstron = 10-10 m). como a caulinita. que é de 10 Å. Isto significa que para igual volume ou massa. com ligações de hidrogênio que impedem sua separação e que entre elas se introduzam moléculas de água. principalmente na presença de água. que são mais fracos que a ligações entre camadas de caulinita. ficando com cerca de 1. enquanto que a das esmectitas é de cerca de 1.da estrutura octaédrica. A partícula resultante fica com espessura da ordem de 1. existem dois tipos de estruturas: uma estrutura de tetraedros justapostos num plano.

Ca++. mas com força relativamente pequena. o que não impede a entrada de água entre as camadas. existem cátions livres nos solos. Uma argila esmectita com sódio absorvido. O tipo de cátion presente numa argila condiciona o seu comportamento. Os cátions e íons são facilmente trocáveis por percolação de soluções químicas. átomos de alumínio estejam substituídos por outros átomos de menor valência. e que na estrutura octaédrica. é muito mais sensível à água do que tendo cálcio absorvido. Daí a diversidade de comportamentos apresentados pelas argilas e a dificuldade de correlacioná-los por meio de índices empíricos. mas íons negativos neutralizam estas cargas. É comum.3 – Estrutura simbólica de minerais com camada 2:1. resultantes das descontinuidades da estrutura molecular. a ocorrência de um átomo de alumínio. As bordas das partículas argilosas apresentam cargas positivas. como o magnésio. 1. substituindo um de silício. mas as partículas resultam com uma carga negativa. Para neutralizar as cargas negativas. entretanto. A liberdade de movimento das placas explica a elevada capacidade de absorção de água de certas argilas. Na+. (a) esmectita com duas camadas de moléculas de água.2. cálcio. ou sódio.Figura 1. Si4+. aderidos às partículas. dando origem a horizontes distintos. Estas alterações são definidas como substituições isomórficas. Mg++. Al³+. (b) ilita O comportamento das argilas seria menos complexo se não ocorressem imperfeições na sua composição mineralógica. por exemplo. na estrutura tetraédrica. pois não alteram o arranjo dos átomos.6 Solos lateríticos A pedologia é o estudo das transformações da superfície dos depósitos geológicos. por exemplo. sua expansão quando em contato com a água e sua contração considerável ao secar. Estes cátions atraem camadas contíguas. ocorrendo tanto em solos residuais 8 .

que se refere à disposição das partículas na massa de solo e às forças entre elas. orientando-se em relação às cargas externas. (3) organismos vivos. o que resultaria num equilíbrio de cargas. Os dois átomos de hidrogênio. Do movimento constante dos átomos resulta um comportamento para a água que poderia ser interpretado como se os dois átomos de hidrogênio estivessem em posições que definiriam um ângulo de 105° com o centro no oxigênio. 9 . geralmente. A denominação de lateríticos se incorporou na terminologia dos engenheiros. daí sua pequena capacidade de suporte. Na engenharia civil. Quando duas partículas de argila. estão muito próximas. Os solos lateríticos apresentam-se na natureza. Nogami e vem sendo empregada por alguns órgãos rodoviários do País.3 Estrutura A água é um mineral de comportamento bem mais complexo do que sua simples composição química (H2O) sugere. foi desenvolvida pelo Prof. Estes sais se encontram. em órbita em torno do átomo de oxigênio não se encontram em posições diametralmente opostas. sendo por isto muito empregado em pavimentação e em aterros. A identificação dos solos lateríticos é de particular interesse para o Brasil. embora não seja mais usada nas classificações pedológicas. com regime de chuvas moderadas a intensas. e estrutura dispersa. Em conseqüência. (4) topografia. na água. Da combinação das forças de atração e de repulsão entre as partículas resulta a estrutura dos solos. Os fatores que determinam as propriedades dos solos considerados na pedologia são: (1) a rocha matriz. Uma metodologia de classificação. entretanto. um solo laterítico apresenta contração se o teor de umidade diminuir. já que são típicos da evolução de solos em climas quentes. Quando compactados. geralmente não-saturados e com índice de vazios elevado. Depois de compactado. Job S. donde vem sua peculiar coloração avermelhada. ainda que através da água adsorvida. que lidam com solos superficiais e que encontram úteis correlações entre o comportamento de pavimentos e taludes com estas classificações. face a face. (2) o clima e a vegetação. mas não apresenta expansão na presença de água. que permite a identificação dos solos de comportamento laterítico. Lambe (1953) identificou dois tipos básicos de estruturas: estrutura floculada. sua capacidade de suporte é elevada. quando os contatos se fazem entre faces e arestas. e (5) o tempo de exposição a estes fatores. ocorrem forças de atração e de repulsão entre elas. recobrindo agregações de partículas argilosas. 1. as classificações pedológicas são utilizadas principalmente pelos engenheiros rodoviários. Os solos lateríticos têm sua fração argila constituída predominantemente de minerais cauliníticos e apresentam elevada concentração de ferro e alumínio na forma de óxidos e hidróxidos. a água atua como um bipólo.como nos transportados. quando as partículas se posicionam paralelamente.

Figura 1. Esta diferenciação é importante para o entendimento de alguns comportamentos dos solos como. existem aglomerações de partículas argilosas que se dispõem de forma a determinar vazios de maiores dimensões. Em águas salgadas. a posição relativa das partículas é mais elaborada. A Figura 1. aglomerações de partículas minerais se apresentam envoltas por deposições de sais de ferro e de alumínio (agentes cimentantes). por exemplo. sendo este aspecto determinante para seu comportamento. por exemplo. observa-se que em solos evoluídos pedologicamente. principalmente em climas quentes e úmidos (comportamento laterítico). No caso de solos residuais e de solos compactos. embora haja um relativo paralelismo entre as partículas. (b) floculada em água não salgada. 10 . (c) dispersa (Mitchel. mostrando micro e macroporos Por outro lado.As argilas sedimentares apresentam estruturas que dependem da salinidade da água em que se formaram. Figura 1. 1976) O modelo de estrutura mostrado acima é simplificado. a sensitividade das argilas. como se mostra na Figura 1.5. a estrutura é bastante aberta.4 ilustra esquematicamente estes tipos de estrutura. Estruturas floculadas em água não salgada resultam da atração das cargas positivas das bordas com as cargas negativas das faces das partículas. (a) floculada em água salgada. como se estudará. Intimamente. O conhecimento das estruturas permite o entendimento de diversos fenômenos notados no comportamento dos solos. ainda que apresentando considerável parcela de partículas argilosas.4 – Exemplo de estruturas de solos sedimentares. como.5 – Exemplo de estrutura de solo residual. Existem microporos nos vazios entre as partículas argilosas que constituem as aglomerações e macroporos entre as aglomerações. a elevada permeabilidade de certos solos residuais no estado natural.

no que se refere às partículas que o constituem.2.que o solo é constituído de três fases: partículas sólidas. Diversas relações são empregadas para expressar as proporções entre elas. simplificadamente. Na Figura 2.1 O ESTADO DO SOLO Índices físicos entre as três fases Num solo. e a compressão do solo pode provocar a saída de água e ar. 11 . Os volumes de cada fase são apresentados à esquerda e os pesos à direita. a resistência aumenta. O volume restante costuma ser chamado de vazios. as três fases que normalmente ocorrem nos solos. reduzindo o volume de vazios. O comportamento de um solo depende da quantidade relativa de cada uma das três fases (sólido.1 (a). mas seu estado se altera. por exemplo. as quantidades de água e ar podem variar. A evaporação pode fazer diminuir a quantidade de água.1 (b). embora esteja ocupado por água ou ar. (c) em função do volume dos sólidos Em princípio. só parte do volume total é ocupado pelas partículas sólidas. Na figura 2. 2. que se acomodam formando uma estrutura. em alguns casos. As diversas propriedades do solo dependem do estado em que se encontra. Deve-se reconhecer. todos os vazios possam estar ocupados pela água. permanece o mesmo. O solo. portanto. ainda que.água e ar. substituindo-a por ar. (a) no estado natural. Quando diminui o volume de vazios. (b) separadas em volumes. Figura 2. facilitando a definição e a determinação das relações entre elas. água e ar).1 – As fases do solo. as três fases estão separadas proporcionalmente aos volumes que ocupam. estão representadas.

Costuma se situar entre 0. P h = a × 100 Ps Índice de vazios – Relação entre o volume de vazios e o volume das partículas sólidas. P γg = s Vs 12 . É a operação mais freqüente em um laboratório de solos. mas é calculado a partir dos outros índices.5 e 1. podendo ocorrer valores muito baixos (solos secos) ou muito altos (150% ou mais). superior a 3 vezes o volume de partículas sólidas). pesa-se o solo no seu estado natural. V e= v Vs Porosidade – Relação entre o volume de vazios e o total. É expresso pela letra e. mas argilas orgânicas podem ocorrer com índices de vazios superiores a 3 (volume de vazios. Não pode ser determinado diretamente. a umidade é calculada. V S = a × 100 Vv Peso específico dos sólidos (ou dos grãos) – É uma característica dos sólidos. Valores geralmente entre 30 e 70%. no caso com água. Relação entre o peso das partículas sólidas e o seu volume. É expresso pela letra h. empregam-se índices que correlacionam os pesos e os volumes das três fases. Para sua determinação. Tendo-se o peso das duas fases.1): Umidade – Relação entre o peso da água e o peso dos sólidos. É expresso pela letra n. V n = v × 100 Vt Grau de saturação – Relação entre o volume de água e o volume de vazios. Os teores de umidade dependem do tipo de solo e situam-se geralmente entre 10 e 40%. Expresso pela letra S.5. mas calculado. Varia de zero (solo seco) a 100% (solo saturado). É expresso pelo símbolo γg.Para identificar o estado do solo. seca-se em estufa a 105°C até constância e peso e pesa-se novamente. Estes índices são os seguintes (vide esquema da Figura 2. Não é determinado diretamente. Indica a mesma coisa que o índice de vazios.

Deste peso. É expresso pelo símbolo γnat. valores até 30 kN/m³. Grãos de quartzo (areia) costumam apresentar pesos específicos de 26. Peso específico natural – Relação entre o peso total do solo e seu volume total. adotase sempre como igual a 10kN/m³. tem-se o peso específico. Peso específico da água – Embora varie um pouco com a temperatura. Vs = ( P p + Pa ) + ( Ps ) − ( P p + Ps + Pa ') Com o peso e o volume. é o peso da água que foi substituído pelo solo.Figura 2. em virtude da deposição de sais de ferro. calcula-se o volume de água que foi substituído pelo solo e que é o volume do solo. É expresso pelo símbolo γa. a não ser em certos procedimentos de laboratório. não permite identificar o solo em questão. menos o peso do picnômetro com solo e água. P γ nat = t Vt 13 . por si. γg = Ps ( P p + Pa ) + ( Ps ) − ( P p + Ps + Pa ') O peso específico dos grãos dos solos varia pouco de solo para solo e. mais o peso do solo. Os valores situam-se em torno de 27 kN/m³. sendo este valor adotado quando não se dispõe do valor específico para o solo em estudo. mas é necessário para cálculos de outros índices.2 – Esquema de determinação do volume do peso específico dos grãos É determinado em laboratório. O peso do picnômetro completado só com água (Pp+Pa). Coloca-se um peso seco conhecido do solo (Ps) num picnômetro e completa-se com água.5 kN/m³ e argilas. determinando o peso total (Pp+Ps+Pa’).

mas calculado a partir do peso específico natural e da umidade. o peso específico natural é denominado peso específico úmido. servindo para a programação de ensaios ou a análise de depósitos de areia que possam vir a se saturar. é da ordem de 20 kN/m³. é estimado como igual a 20 kN/m³. o corpo deve ser previamente envolto por parafina. O peso total dividido pelo volume é o peso específico natural. Tratando-se de compactação do solo. Situa-se entre 13 e 19 kN/m³ (4 a 5 kN/m³ no caso de argilas orgânicas moles). O peso específico natural não varia muito entre os diferentes solos. É igual ao peso específico natural menos o peso específico da água. Para sua determinação. podem apresentar pesos específicos de 14 kN/m³. Serve para cálculos de tensões efetivas. algumas vezes. quando não conhecido.A expressão “peso específico natural” é. Expresso pelo γsat. Expresso pelo símbolo γs. Para tal. Peso específico submerso – É o peso específico efetivo do solo quando submerso.Relação entre o peso dos sólidos e o volume total. É expresso pelo símbolo γsub. Pode ser um pouco maior (21 kN/m³) ou menor (17 kN/m³). P γs = s Vt Peso específico aparente saturado – Peso específico do solo se viesse a ficar saturado e se isto ocorresse sem variação de volume. portanto com valores da ordem de 10 kN/m³. É de pouca aplicação prática. Peso específico aparente seco . Corresponde ao peso específico que o solo teria se viesse a ficar seco. obtendo-se o volume por meio do peso imerso n’água. o peso específico dos grãos (γg) e o peso específico natural 14 . molda-se um cilindro do solo cujas dimensões conhecidas permitem calcular o volume. Caso especiais. O peso específico também pode ser determinado a partir de corpos irregulares. Situa-se em torno de 19 e 20 kN/m³ e. substituída só por “peso específico” do solo. como as argilas orgânicas moles.2 Cálculo dos índices de estado Dos índices vistos anteriormente. se isto pudesse ocorrer sem que houvesse variação de volume. Não é determinado diretamente em laboratório. γ sub = γ nat − γ a 2. só três são determinados diretamente em laboratório: a umidade (h). por isso.

Um é adotado. que a “tensão” admissível aplicada numa sapata é de 5 t/m² (não é correto. Entretanto. o peso específico da água.mas se omite o complemento força). O peso específico é. que no Sistema Técnico de unidades. razão pela qual se optou por apresentar os índices físicos nestes termos. A relação entre valores numéricos que expressão as duas grandezas é constante Se um solo tem uma massa específica de 1. de 18 kN/m³. e expressos geralmente em kN/m³. que vem sendo paulatinamente substituído pelo Sistema Internacional. que varia conforme a posição no globo terrestre e que vale em torno de 9. kg/ dm³ ou g/cm³. 15 . 10m/s²). determina-se massas e as normas existentes indicam como se obter massas específicas. adotase. A seqüência natural dos cálculos. Na realidade. é a seguinte: γ γ s = nat 1+ h e= γg γ  s   −1   S= γ g ⋅h e ⋅γ a Massas específicas Relações entre pesos e volumes são denominados pesos específicos. e expressas geralmente em ton/m³. simplificadamente. No laboratório. a pressão aplicada é de 50kN/m². ou estimado. seu peso específico é o produto deste valor pela aceleração da gravidade.8 t/m³. na prática da engenharia. Algumas correlações resultam diretamente da definição dos índices: n= e 1+ e γ nat = γ g (1 + h ) 1+ e γs = γg 1+ e γ sat = γ g + e ⋅γ a 1+ e Outras resultam de fáceis deduções. um decímetro cúbico de água tem uma massa de um quilograma (1kg) e um peso de dez Newtons (10N) no Sistema Internacional e um peso de um quilograma força no Sistema Técnico (1kgf). resultante da ação da massa de 5 toneladas por metro quadrado. ainda é comum que se diga no meio técnico. a partir de valores determinados em laboratório. Os outros são calculados a partir dos determinados.(γnat). Por exemplo. por outro lado. as unidades de peso tem denominação semelhante às das unidades de massa no Sistema Internacional. Deve ser notado. Assim. portanto. como acima definidos. é mais conveniente trabalhar com pesos específicos.81 m/s² (em problemas de engenharia prática. Relações entre quantidade de matéria (massa) e volume são denominadas massa específicas. por exemplo.

16 . Como esta é igual a 1 kg/dm³. mas é adimensional. Como a relação entre o peso específico de um material e o peso específico da água a 4°C é igual à relação das massas específicas. kg/dm³ ou ton/m³). é comum se estender o conceito de densidade relativa à relação dos pesos e se adotar como peso específico a densidade relativa do material multiplicada pelo peso específico da água.A expressão densidade se refere á massa específica e densidade relativa é a relação entre a densidade do material e a densidade da água a 4°C. resulta que a densidade relativa tem o mesmo valor que a massa específica (expressa em g/cm³.

1 Analise granulométrica Num solo. esta em escala logarítmica. Portanto.1. Nem sempre é fácil identificar as partículas porque grãos de areia. é fundamental que ele se encontre bastante úmido. em geral. numa tentativa de identificação tátil-visual dos grãos de um solo. 3. que consiste. como se mostra na Figura 3. as duas formações são dificilmente diferenciáveis. podem estar envoltos por uma grande quantidade de partículas argilosas. IDENTIFICAÇÃO DOS SOLOS POR MEIO DE ENSAIOS Para identificação dos solos a partir das partículas que os constituem.1 – Exemplo de curva de distribuição granulométrica do solo Para o reconhecimento do tamanho dos grãos de um solo. geralmente convivem partículas de tamanhos diversos. de duas fases: peneiramento e sedimentação. e representado graficamente em função da abertura da peneira. Figura 3. entretanto. a análise granulométrica e os índices de consistência. a aglomeração de partículas argilosas se transforma em uma pasta fina. são empregados correntemente dois tipos de ensaios. Quando secas. finíssimas. Quando úmidas. enquanto que a partícula arenosa revestida é facilmente reconhecida pelo tato. O peso do material que passa em cada peneira. apresentando o mesmo aspecto de uma aglomeração formada exclusivamente por estas partículas argilosas. por exemplo. realiza-se a análise granulométrica. é considerado como a “porcentagem que passa”. A 17 .3. referido ao peso seco da amostra.

cuja abertura é de 0. Trata-se. Diversas leituras do densímetro. do peso específico do fluído. a densidade na parte superior do frasco diminui. a relação entre a densidade existente e a densidade inicial indica a porcentagem de grãos com diâmetro inferior ao determinado pela Lei de Stokes. Quando as partículas maiores caem. por sinal. Colocando-se uma certa quantidade de solo (uns 60g) em suspensão em água (cerca de um litro).1. na qual. evidentemente. mais são pouco resistentes e por isso não são usadas rotineiramente.2 – Esquema representativo da sedimentação As densidades de suspensão são determinadas com um densímetro. e do diâmetro da esfera. da viscosidade do fluído. está representada a situação depois de decorrido um certo tempo. que não pode ser tão pequena quanto o diâmetro de interesse. À direita do frasco. como se mostra na Figura 3. as partículas cairão com velocidades proporcionais ao quadrado de seus diâmetros.075 mm. determinarão igual número de pontos na curva granulométrica. estão indicados grãos com quatro diâmetros diferentes igualmente representados ao longo da altura. em diversos intervalos de tempo. Mesmo estas. de um “diâmetro equivalente”. a sua densidade é igual ao longo de toda a profundidade.2. têm aberturas muito maiores do que as dimensões das partículas mais finas do solo. pois as partículas não são esféricas. que se baseia na Lei de Stokes: a velocidade de queda de partículas esféricas num fluído atinge um valor limite que depende do peso específico do material da esfera. A menor peneira costumeiramente empregada é a de nº 200.abertura nominal da peneira é considerada como o “diâmetro” das partículas. em um certo momento. emprega-se a técnica da sedimentação. complementando a parte da curva 18 . Considere-se a Figura 3. Existem peneiras mais finas para estudos especiais. Quando há interesse no conhecimento da distribuição granulométrica da porção mais fina dos solos. o que corresponde ao início do ensaio. à esquerda do frasco. Figura 3. No instante em que a suspensão é colocada em repouso. Numa profundidade qualquer. que também indica a profundidade correspondente. A análise por peneiramento tem como limitação a abertura da malha das peneiras.

3 apresenta exemplos de curvas granulométricas de alguns solos brasileiros. esta preparação da amostra é necessária (destorroamento). Diâmetro equivalente da partícula é o diâmetro da esfera que sedimenta com velocidade igual à da partícula. se não for feita. é freqüente que as partículas estejam agregadas ou floculadas. de forma que elas possam sedimentar isoladamente.obtida por peneiramento. como na Figura 3.1 (item 1. determinar-se-ão os diâmetros dos flocos e não os das partículas isoladas. Para esta desagregação. ficarão retidas nas peneiras agregações de partículas muito mais finas. 19 . Figura 3. existem denominações específicas. Mesmo quando se realiza só o ensaio de peneiramento. deixa-se a amostra imersa em água por 24 horas e provoca-se uma agitação mecânica padronizada. com ação defloculante. como definidas na Tabela 1. que uma das operações mais importantes é a separação de todas as partículas. o que se determina é um diâmetro equivalente. Na situação natural. Se estas aglomerações não forem destruídas.3 – Curvas granulométricas de alguns solos brasileiros Deve-se notar que as mesmas designações usadas para expressar as frações granulométricas de um solo são empregadas para denominar os próprios solos. Deve-se frisar. A figura 3.1. pode-se determinar a porcentagem correspondente a cada uma das frações acima especificadas.2. Diz-se. Para diversas faixas de tamanho de grãos. Conhecida a distribuição granulométrica do solo. pois. pois as partículas não são as esferas às quais se refere a Lei de Stokes. neste caso.4). adiciona-se um produto químico. Novamente.

as partículas de minerais-argila diferem acentuadamente pela estrutura mineralógica. À procura de uma forma mais prática de identificar a influência das partículas argilosas. ainda que contenha partículas com diâmetros correspondentes às frações silte e areia. o solo pode ter comportamento muito diferente. Este fato é bem ilustrado pelo comportamento do mineral transportado e depositado por rio ou córrego que transborda invadindo as ruas da cidade. mas não exclusivamente correspondentes à fração argila. e quando mais seco. embora partículas de outras frações possam estar presentes. São estes minerais que conferem a plasticidade característica aos solos argilosos. ele se comporta como um líquido. como visto nos itens 1. Por outro lado. Arthur Casagrande. Estes minerais se apresentam geralmente em formato de placas e em tamanhos reduzidos. bem como pelos cátions adsorvidos. baseada no comportamento do solo na presença de água. torna-se quebradiço. uma família de minerais cujo arranjo de átomos foi descrito no item 1. No caso de argilas. pesquisador do comportamento dos solos sob o aspecto agronômico. Os limites se baseiam na constatação de que um solo argiloso ocorre com aspectos bem distintos conforme o seu teor de umidade. uma areia é um solo cujo comportamento é ditado pelos grãos arenosos que ele possui. No dia 20 . predominantemente. dependendo das características dos minerais presentes. quando perde parte de sua água. o emprego de ensaios e índices propostos pelo engenheiro químico Attemberg.2. Todos estes fatores interferem no comportamento do solo. maior a superfície específica (superfície das partículas dividida por seu peso ou por seu volume). fica plástico. O comportamento de partículas com superfícies específicas tão distintas perante a água é muito diferenciado.5 e 1. a engenharia a substituiu por uma análise indireta. que um solo é uma argila quando o seu comportamento é o de um solo argiloso.5.3. Quanto menores as partículas. A fração fina dos solos tem uma importância muito grande neste comportamento. Da mesma forma. adaptados e padronizados pelo professor de Mecânica dos Solos. Generalizou-se. o barro resultante se comporta como um líquido: quando um automóvel passa. Desta forma.por exemplo. para a mesma porcentagem de fração argila. um terceiro sentido pode estar sendo empregado: os “minerais-argila”.2 Índices de consistência (Limites de Atterberg) Só a distribuição granulométrica não caracteriza bem o comportamento dos solos sob o ponto de vista da engenharia. Um cubo com 1 cm de aresta tem 6 cm² de área e volume de 1 cm³. mas o estudo dos minerais-argila é muito complexo. Logo que o rio retorna ao seu leito. o barro é espirrado lateralmente.2. 3. Já certos tipos de argilas chegam a apresentar 300 m² de área por cm³ (1 cm³ é suficiente para cobrir uma sala de aula!). Um conjunto de cubos com 0.05 mm (siltes) apresentam 125 cm² por cm³ de volume. Quando muito úmido. para isto.

5 – Esquema do aparelho de Casagrande para determinação do LL Diversas tentativas são realizadas. como se mostra na Figura 3.seguinte. Em condições normais. mas sua passagem provoca o desprendimento de pó. Figura 3. são definidos como: Limite de Liquidez (LL) e limite de Plasticidade (LP) dos solos. A diferença entre estes dois limites. que indica a faixa de valores em que o solo se apresenta plástico. tendo evaporado parte da água. como ilustrado na Figura 3. Os teores de umidade correspondentes às mudanças de estado. anotando-se o número de golpes para fechar a ranhura. os veículos deixam moldado o desenho de seus pneus no material plástico em que se transformou o barro. Figura 3. obtendo-se o limite pela 21 . só são apresentados os valores do LL e do IP como índices de consistência dos solos.5. O LP só é empregado para a determinação do IP.4 – Limites de Atterberg dos solos O Limite de Liquidez é definido como o teor de umidade do solo com o qual uma ranhura nele feita requer 25 golpes para se fechar numa concha. com o solo em diferentes umidades. é definida como o índice de Plasticidade (IP) do solo. Secando um pouco mais.4. os pneus dos veículos já não penetram no solo depositado.

rolando-se o solo com a palma da mão. cinzas. com o mesmo mineral-argila. A definição dos limites acima descrita é arbitrária. praticamente universal. de fato. Quando se quer ter uma idéia sobre a atividade da fração argila. Certos solos com teores elevados de argila podem apresentar índices mais baixos do que aqueles com pequenos teores de argila. Isto não diminui seu valor. mas com diferentes teores de areia. numa razão aproximadamente constante. Mas os índices determinados são também função da areia presente. É isto que mostra o índice de atividade de uma argila. apresentarão índices diferentes. com a variação da umidade. Na Tabela 3. pois os resultados são índices comparativos.1 – Índices de Atterberg de alguns solos brasileiros Solos Residuais de arenito (arenosos finos) Residual de gnaisse Residual de basalto Residual de granito Argilas orgânicas de várzeas quaternárias Argilas orgânicas de baixadas litorâneas Argila porosa vermelha de São Paulo Argilas variegadas de São Paulo Areias argilosas variegadas de São Paulo Argilas duras. O Limite de Plasticidade é definido como o menor teor de umidade com o qual se consegue moldar um cilindro com 3 mm de diâmetro. são apresentados resultados típicos de alguns solos brasileiros. Isso pode ocorrer porque a composição mineralógica dos argilo-minerais é bastante variável. 002 mm) 22 .3 Atividade das Argilas Os Índices de Attemberg indicam a influência dos finos argilosos no comportamento do solo. A padronização dos ensaios é que é importante. Pequenos teores de argila e altos índices de consistência indicam que a argila á muito ativa. O procedimento de ensaio é padronizado no Brasil pela ABNT (Método NBR 6459). definido na relação: Índice de Atividade = índice de plasticidade (IP) fração argila (menor que 0. Deve ser notado que a passagem de um estado para outro ocorre de forma gradual. os índices devem ser comparados com a fração argila presente. de São Paulo LL% 29 . Tabela 3. O procedimento é padronizado no Brasil pelo Método NBR 7180.44 45 – 55 45 – 70 45 – 55 70 120 65 a 85 40 a 80 20 a 40 64 IP% 11 .1. sendo. Solos de mesma procedência.20 20 –25 20 –30 14 – 18 30 80 25 a 40 15 a 45 5 a 15 42 3.interpolação dos resultados. tanto maiores quanto maior teor de argila.

009(LL -10) De maneira análoga. Desta forma. com base em experiência anterior. Quando o índice é menor que 0. Desta forma. muitas vezes com uso restrito para solos de uma mesma determinada região ou de uma certa formação geológica.25.4 Emprego dos índices de consistência Os índices de consistência têm se mostrado muito úteis para a identificação dos solos e suas classificações. é de se esperar que as correlações estabelecidas com base em comportamento de solos transportados não se apliquem adequadamente a solos saprolíticos e lateríticos. Solos saprolíticos apresentam significativa influência da estrutura da rocha mater. apresentam aglomeração de partículas envoltas por deposições de sais de ferro ou alumínio. eles representam bem os solos em que as partículas ocorrem isoladamente. diversas correlações empíricas vêm sendo apresentadas. 3. Correlações específicas a estes solos devem ser estabelecidas. por sua vez. estabeleceu-se a seguinte correlação: Cc = 0. com o seu conhecimento. 23 . Tais procedimentos alteram a estrutura original do solo. como é o caso dos solos transportados. resultante de observação de que os solos são tanto masis compressíveis (sujeitos a recalques) quanto maior for o seu LL. ela é considerada ativa. Solos lateríticos. quando o índice é maior que 1.A argila presente num solo é considerada normal quando seu índice de atividade se situa entre 0. considera-se a argila como inativa e. que ocorrem em regiões tropicais.25. sob o ponto de vista da engenharia. Deve ser notado que os Índices de Attemberg são uma indicação do tipo de partículas existentes no solo. Tendo-se a compressibilidade expressa pelo índice de compressão (Cc). pode-se prever muito do comportamento do solo.75. Uma primeira correlação foi apresentada por Terzaghi.75 e 1. Os ensaios de limites são feitos com a amostra previamente seca ao ar e destorroada e amassada energicamente com uma espátula durante a incorporação de água. Desta maneira.

fornece pouca informação sobre o comportamento da areia. uma areia pode estar compactada e outra fofa. no estado seco. 24 . Formatos distintos são ilustrados na Figura 4.esfericidade A – arredondamento Figura 4. vertida através de um funil com pequena altura de queda. Os valores são tanto maiores quanto mais angulares são os grãos e quanto mais mal graduadas as areias. como as forças se transmitem pelo contato entre as partículas as de formato mais angulares são mais suscetíveis a se quebrarem. e. Vibrando-se uma areia dentro de um molde. Pode-se. As areias se distinguem também pelo formato dos grãos. Embora as dimensões dos grãos não sejam muito diferentes segundo três eixos perpendiculares. ESTADO DAS AREIAS – COMPACIDADE O estado em que se encontra uma areia pode ser expresso pelo seu índice de vazios. ficará no seu estado mais fofo possível. como ocorre com as argilas. E . entretanto. determinar seu peso específico e dele calcular o índice de vazios máximo. É necessário analisar o índice de vazios natural de uma areia em confronto com os índices de vazios máximo e mínimo em que ela pode se encontrar. Por outro lado. por exemplo. A ele corresponde o índice de vazios mínimo. a rugosidade superficial é bem distinta. enquanto os grãos de areia do rio Tietê são menos esféricos e muito angulares.4. Este dado isolado.1 – Exemplos de formato de grãos de areia O formato dos grãos de areia tem muita importância no seu comportamento mecânico. pois. for colocada cuidadosamente em um recipiente. que mostra projeções de grãos naturais de areias de diferentes procedências. pois determina como eles se encaixam e se entrosam. então. quando solicitados por forças externas. ela ficará no seu estado mais compacto possível. como eles deslizam entre si. Os índices de vazios máximo e mínimo dependem das características da areia.1.1. em contrapartida. Os grãos da areia de Ottawa são bem esféricos (dimensões segundo os três eixos semelhantes) e arredondados (cantos bem suaves). Se uma areia pura. Valores típicos estão indicados na Tabela 4. com o mesmo índice de vazios.

65.10 0.45 0. pelo índice de compacidade relativa: −e e CR = max nat emax − e min Quanto maior a CR.65 O estado de uma areia. a areia A estará compacta e a areia B estará fofa. dependem também de outros fatores.Tabela 4. a compacidade é um fator importante.2).1 – Valores típicos de índices de vazios de areias Descrição da areia Areia uniforme de grãos angulares Areia bem graduada de grãos angulares Areia uniforme de grãos arredondados Areia bem graduada de grãos arredondados emin 0.70 0. Estas características. em relação a estes valores externos.4 e “e máximo” igual a 0.2 – Comparação de compacidades de duas areias com e=0. mais compacta é a areia.35 emax 1.75 0. entre as diversas areias.66 acima de 0. Figura 4. como a distribuição granulométrica e o formato dos grãos.33 e 0. Entretanto.7 (ver figura 4. ou sua compacidade. pode ser expresso pelo índice de vazios em que ele se encontra. Tabela 4.9 e uma areia B com “e mínimo” igual a 0.2.45 0.66 25 . Terzaghi sugeriu a terminologia apresentada na Tabela 4.75 0.33 entre 0.65 Consideremos uma areia A com “e mínimo” igual a 0.6 e “e máximo” igual a 0.2 – Classificação das areias segundo a compacidade Classificação Areia fofa Areia de compacidade média Areia compacta CR abaixo de 0. Em geral. Se as duas estiverem com e= 0. areias compactas apresentam maior resistência e menor deformidade.

que ocorre de maneira diferente conforme a formação argilosa. mas com o mesmo índice de vazios. O segundo com um corpo de prova feito com o mesmo solo após completo remoldamento. Em função da resistência à compressão simples. percebe-se uma certa consistência. ao contrário das areias que se desmancham facilmente. geralmente cilíndrico. A consistência das argilas pode ser quantificada por meio de um ensaio de compressão simples. foi chamado de sensitividade da argila. Sua consistência após o manuseio (amolgada) pode ser menor do que no estado natural (indeformado). em kPa < 25 25 a 50 50 a 100 100 a 200 200 a 400 > 400 5. Por esta razão. que consiste na ruptura por compressão de um corpo de prova de argila. Tabela 5. ainda que o índice de vazios seja mantido constante. o estado em que se encontra uma argila costuma ser indicado pela resistência que ela apresenta. A relação entre a resistência no estado natural e a resistência no estado amolgado foi definida como sensitividade da argila: S= resistência no estado indeformado resistência no estado amolgado 26 . dividida pela área deste corpo é denominada resistência à compressão simples da argila (a expressão simples expressa que o corpo de prova não é confinado. Este fenômeno. ESTADO DAS ARGILAS – CONSISTÊNCIA Quando se manuseia uma argila. Foi observado que quando se submetem certas argilas ao manuseio.5. a sua resistência diminui. procedimento muito empregado em Mecânica dos Solos). O primeiro com a amostra no seu estado natural.1 – Consistência em função da resistência à compressão Consistência Muito mole Mole Média Rija Muito rija Dura Resistência.1. A carga que leva o corpo de prova a ruptura.1. Exemplo de resultados destes dois ensaios está mostrado na Figura 5. a consistência das argilas é expressa pelos termos apresentados na Tabela 5. A sensitividade pode ser bem visualizada por meio de dois ensaios de compressão simples.1 Sensitividade das argilas A resistência das argilas depende do arranjo entre os grãos e do índice de vazios em que se encontra.

Por esta razão. a resistência original. a sensitividade é também referida como índice de estrutura.2.5 m de aterro. 27 . devido à interrelação química das partículas. Como esta argila tem uma sensitividade da ordem de 3 a 4.2 – Classificação das argilas quanto á sensitividade Sensitividade 1 1a2 2a4 4a8 >8 Classificação Insensitiva Baixa sensibilidade Média sensibilidade Sensitiva Ultra-sensitiva (quick clay) A sensitividade pode ser atribuída ao arranjo estrutural das partículas. quando deixada em repouso. Exemplo disto se tem nos solos argilosos orgânicos das baixadas litorâneas brasileiras. não suporta mais do que 0.1 – Resistência de argila sensitiva. a resistência será muito menor. Tentando-se colocar aterros com maiores alturas. sem que atinja.Figura 5. A sensitividade das argilas é uma característica de grande importância. A argila. depois de rompido. se a argila vier a sofrer uma ruptura. Uma argila amolgada. volta a ganhar resistência. O terreno. ao longo da superfície de ruptura. As forças eletroquímicas entre as partículas podem provocar um verdadeiro “castelo de cartas”. ficará amolgada. ocorrerá ruptura. sua resistência após esta ocorrência é bem menor. ainda que o índice de vazios seja o mesmo.5 m. estabelecido durante o processo de sedimentação. entretanto. sua resistência cai a um terço ou um quarto da inicial. pois indica que. Rompida esta estrutura. Tabela 5. como na região de mangue da Baixada Santista. indeformada e amolgada As argilas são classificadas conforme a Tabela 5. arranjo este que pode evoluir ao longo do tempo pela interrelação química das partículas ou pela remoção de sais existentes na água em que o solo se firmou pela percolação de águas límpidas. A argila orgânica presente é de tão baixa resistência que só pode suportar aterros com altura máxima de cerca de 1.

não indica a compacidade das areias. como é muito comum que as argilas se encontrem saturadas. ainda que suas umidades sejam diferentes. as duas estarão com aspectos semelhantes. é possível que a argila A esteja com 60% de umidade e a argila B com 40%. por si só. com a consistência que corresponde ao limite de liquidez (ver Figura 5.5. Entretanto. Estes teores são os limites de consistência.LP 28 . variando linearmente com ela. quando “sentimos” que a argila A está tão úmida quanto a argila B. Quando a argila A estiver com h= 80% e a argila B estiver com h= 50%. Considere-se uma argila A que tenha LL= 80% e LP= 30%. No caso do exemplo da Figura 5. Terzaghi propôs o índice de consistência. e uma argila B que tenha LL= 50% e LP= 25%. Até porque a umidade da argila é determinada diretamente e o seu índice de vazios é calculado a partir desta. Figura 5. Da mesma maneira como o índice de vazios.2.2 Índice de consistência Quando uma argila se encontra remoldada. o estado em que a argila se encontra costuma ser expresso pelo teor de umidade. não indica o estado das argilas. por si só.h LL . o seu estado pode ser expresso por seu índice de vazios. quando argilas diferentes se apresentam com umidade correspondente aos seus limites de plasticidade (h=30% para a argila A e h=20% para a argila B). com a seguinte expressão: IC = LL . o teor de umidade. É necessário analisa-lo em relação aos teores de umidade correspondentes a comportamentos semelhantes. Para indicar a posição relativa da umidade aos limites de mudança de estado. o que se percebe não é propriamente o teor de umidade.2 – Comparação de consistências de duas argilas Da mesma forma. Quando se manuseia uma argila e se avalia sua umidade. mas a umidade relativa.2). elas apresentam comportamentos semelhantes. e neste caso o índice de vazios depende diretamente da umidade.

o que indicaria um índice de consistência alto. no sentido de realçar a dependência da resistência ao teor de umidade e.5 a 0.3 – Estimativa da consistência pelo índice de consistência Consistência Mole Média Rija Dura Índice de consistência < 0. o teor de umidade é muito elevado e a resistência é muito reduzida. com a conseqüente redução do índice de vazios e o ganho de resistência. conseqüentemente. IC=0. Esta tabela apresenta valores aproximados e é aplicável a solos remoldados e saturados.Quando o teor de umidade é igual ao LL. o IC aumenta.5 0. pois eles podem estar com elevado índice de vazios e baixa resistência e sua umidade ser baixa. O índice de consistência é especialmente representativo do comportamento de solos sedimentares. nota-se que ela ganha resistência progressivamente. conforme a Tabela 5. À medida que o teor de umidade diminui. 29 . Quando estes solos se formam. ao adensamento que a argila sofre pela sobrecarga que ela suporta. ficando maior do que 1 quando a umidade fica menor do que o LP.0 > 1.0 O índice de consistência não tem significado quando aplicado a solos não saturados.75 0. Da mesma forma. Tem sido proposto que a consistência das argilas seja estimada por meio do índice de consistência.75 a 1. À medida que novas camadas se depositam sobre as primeiras.3. quando uma amostra de argila é seca lentamente. Seu valor é primordialmente didático. o peso deste material provoca a expulsão da água dos vazios do solo. Tabela 5.

Grãos de pedregulho são bem distintos. como as que se seguem. Ao contrario. ainda que visíveis individualmente a olho nu. Só a experiência pessoal e o confronto com resultados de laboratório permitirá o desenvolvimento desta habilidade. Definido se o solo é uma areia ou um solo fino. é necessário descrever um solo sem dispor de resultados de ensaios. À classificação inicial. Com muita freqüência. O tipo de solo e o seu estado têm de ser estimado. 30 . de forma que os torrões de argila se desmanchem. nota-se o surgimento de água na superfície. O primeiro aspecto a considerar é a provável quantidade de grossos (areia e pedregulho) existente no solo. podem ser confundidos com agregações de partículas argilo-siltosas. quando quebrada. IDENTIFICAÇÃO TÁTIL-VISUAL DOS SOLOS Foi visto como os solos são classificados em função das partículas que os constituem. quando se bate esta mão contra a outra. Isto é feito por meio de uma identificação tátil-visual. manuseando-se o solo e sentindo sua reação ao manuseio. a proporção de finos e grossos pode ser estimada esfregando-se uma pequena porção do solo sobre uma folha de papel. Se a amostra de solo estiver seca. As partículas finas (siltes e argilas) se impregnam no papel. em que ensaios de laboratório não são disponíveis. mas grãos de areia. seja porque se está em fase preliminar de estudo. importa conhecer o estado em que o solo se encontra. podem ajudar. Apertando-se o torrão com os dedos polegar e indicador da outra mão. mesmo os menores. pois têm diâmetros superiores a cerca de um decímetro de milímetro. se acrescenta a informação correspondente à compacidade (das areias) ou à consistência (das argilas). a) Resistência ao seco – Umedecendo-se uma argila. resta estimar se os finos apresentam características de siltes ou de argilas. b) “Shaking Test” – Formando-se uma pasta única (saturada) de silte na palma da mão. é necessário que o solo seja umedecido. podem ser sentidos pelo tato no manuseio. Neste caso. Algumas indicações. Os grãos de areia. pelotas semelhantes de siltes são menos resistentes e se pulverizam quando quebradas. a água reflue para o interior da pasta (é semelhante à aparente secagem da areia da praia. Alguns procedimentos para esta estimativa são descritos a seguir. Cada profissional deve desenvolver sua própria habilidade para identificar os solos. moldando-se uma pequena pelota ficará muito dura e. podem se encontrar envoltos por partículas mais finas. seja porque o projeto não justifica economicamente a realização de ensaio de laboratório. Para que se possa sentir nos dedos a existência de grãos de areia. Em geral. ficando isolada as partículas arenosas.6. dividir-se-á em pedaços bem distintos.

no entorno do pé. nota-se que as argilas apresentam-se mais resistentes quando nesta umidade do que os siltes. À informação relativa ao tipo de solo deve-se acrescentar a estimativa de seu estado. quando nela se pisa no trecho saturado bem junto ao mar). d) Velocidade de secagem – A umidade que se sente de um solo é uma indicação relativa ao LL e LP do solo. 31 . No caso de argilas. A compacidade das areias é de mais difícil avaliação. por exemplo. Secar um solo na mão do LL até o LP. pois as amostras mudam de compacidade com o manuseio. Estes parâmetros geralmente são determinados pela resistência que o solo apresenta ao ser amostrado pelo procedimento padronizado as sondagens. é tanto mais rápido quanto menor o intervalo entre os dois limites. ou seja. o IP do solo. É necessário que se desenvolva uma maneira indireta de estimar a resistência da areia no seu estado natural. A consistência de argilas é mais fácil de ser avaliada pela resistência que uma porção do solo apresenta ao manuseio. c) Ductilidade – Tentando moldar um solo com umidade em torno do limite de plasticidade nas próprias mãos. o impacto das mãos não provoca o aparecimento de água.

a redução do volume se dará pela redução de altura.1.2 Analogia da Mecânica de Terzaghi Compreende-se facilmente esse mecanismo de transferência de pressões. 32 .1 – Analogia mecânica para o processo de adensamento. um caso de grande importância prática é aquele que se refere à compressibilidade de uma camada de solo.1 COMPRESSIBILIDADE Introdução Uma das principais causas de recalques é a compressibilidade do solo. onde as molas representam as partículas sólidas do solo. o volume dos seus vazios vai diminuindo e. Como a camada está confinada lateralmente.7. a redução do seu volume sob a ação das cargas aplicadas. ou seja. 7. os seus vazios. saturada e confinada lateralmente. Tal situação condiciona os chamados recalques por adensamento. segundo Terzaghi Com a expulsão da água intersticial da camada compressível considerada. nas partículas sólidas) aumenta à medida que a água escapa pelos furos (através dos vazios do solo). em particular. Esta redução de altura é o que se denomina recalque por adensamento. utilizando-se a analogia da mecânica de Terzaghi – Figura 7. e os furos capilares nos êmbolos. Figura 7. conseqüentemente. o seu volume total. É claro que a pressão nas molas (ou seja. 7.

que se denominada compressão primária ou adensamento propriamente dito. por serem muito atenuados pela extrema lentidão com que as deformações ocorrem . as deformações se produzem de maneira muito rápida. são em geral negligenciados na prática. pois a pressão efetiva é praticamente igual a pressão aplicada e. considera-se ainda a compressão inicial ou imediata – a qual se atribui a uma deformação da estruturada argila ante a aplicação brusca da carga e à compressão instantânea da fase gasosa quando esta existir – e a compressão ou adensamento secundário. irreversíveis as deformações nos terrenos permeáveis. Tanto os efeitos à compressão inicial como os ocasionados pelo adensamento secundário. que é o comum. em muito maior grau que nas argilas. a sua variação de altura. (a) (b) Figura 7. podemos considerar o processo como essencialmente unidirecional. o qual se explica como uma compressão das partículas sólidas do solo. por uma camada drenante.2 (a) e (b). conseqüentemente. às vezes. Desses três tipos de compressão. responsável por uma apreciável fração do recalque total.O objeto de estudo é aquele em que uma camada de argila se encontra limitada.3 Compressibilidade dos Terrenos Pouco Permeáveis (Argila) No caso de camada de argila. em uma ou duas faces (Figura 7. 7.4 Compressibilidade dos Terrenos Permeáveis (Areia e Pedregulho) Em se tratando de terrenos muito permeáveis. 33 . o processo de adensamento não se apresenta como acabamos de expor. e por isso de interesse prático. representa apenas uma fase particular de compressão. Nesse caso. apenas o primeiro tem importância especial. dados os seus efeitos sobre as construções. Além desta. daí serem. e de acordo com o mecanismo anteriormente descrito. em virtude de seu pequeno valor. os primeiros. Tais deformações explicam-se simplesmente como devidas a um reajuste de posição das partículas do solo. respectivamente).2 – Camada de argila limitada em uma (a) e duas faces (b) por camada drenante 7. os outros. muito embora o adensamento secundário seja. com as areias e os pedregulhos.

A resistência ao cisalhamento de um solo pode ser definida como a máxima tensão de cisalhamento que o solo pode suportar sem sofrer ruptura. 8. proporcionalidade entre a força tangencial e a força normal. Experiências feitas com corpos sólidos mostram que o coeficiente de atrito é independente da área de contato e da força (ou componente) normal aplicada. ou tensão de cisalhamento do solo no plano em que a ruptura estiver ocorrendo. Atingido este ângulo. a força horizontal T necessária para fazer o corpo deslizar deve ser superior a f. atingindo. como esquematizado na Figura 8. a relação expressa pela equação. na situação limite. Sendo N a força vertical transmitida pelo corpo. Esta relação pode ser também escrita da seguinte forma: T = N ⋅ tan ϕ sendo ϕ. Existe. portanto. como o ângulo máximo que a força transmitida pelo corpo à superfície pode fazer com a normal ao plano de contato sem que ocorra deslizamento. o ângulo formado pela resultante das duas forças com a força normal.1 (c). A seguir ver-se-á algumas idéias sobre o mecanismo de deslizamento entre corpos sólidos. que altera as componentes normal e tangencial ao plano do peso próprio. O ângulo de atrito pode ser entendido. Isto acontece. Em particular. como se mostra na Figura 8. a componente tangencial é maior do que a resistência ao deslizamento.1 (b).N. quando uma sapata de fundação é carregada até a ruptura ou quando ocorre o escorregamento de um talude. chamado ângulo de atrito. esquematizado na Figura 8.1 (a). Só em condições especiais ocorrem rupturas por tensões de tração. que depende da componente normal. entre as partículas do solo. Assim. por extensão. por exemplo.8 RESISTÊNCIA AO CISALHAMENTO A ruptura dos solos é quase sempre um fenômeno de cisalhamento. a 34 . sendo f o coeficiente de atrito entre os dois materiais. analisemos os fenômenos de atrito e coesão. O deslizamento também pode ser provocado pela inclinação do plano de contato. e.1 Atrito A resistência por atrito entre as partículas pode ser simplificadamente demonstrada por analogia com o problema de deslizamento de um corpo sobre uma superfície plana horizontal. também.

resistência ao deslizamento é diretamente proporcional à tensão normal e pode ser representada por uma linha reta. a diferença dos contatos entre os grãos de areia e os de argila. Esta característica é responsável pelo adensamento secundário. Figura 8. Nos contatos entre os grãos de areia. podendo eles deslizarem entre si ou rolarem uns sobre os outros. sendo a força transmitida num único contato. como na figura 8.1 (d). comparativamente. acomodando-se em vazios que encontrem no percurso. A Figura 8. De outra parte. 35 . Existe também uma diferença entre as forças transmitidas nos contatos entre os grãos de areia e os grãos de argila. e são elas as responsáveis pela transmissão das forças.2 mostra.1 – Esquemas referentes ao atrito entre dois corpos O fenômeno do atrito nos solos se diferencia do fenômeno do atrito entre dois corpos porque o deslocamento se faz envolvendo um grande número de grãos. No caso das argilas. As forças de contato não são suficientes para remover estas moléculas de água. o número de partículas é muitíssimo maior. geralmente as forças transmitidas são suficientemente grandes para expulsar a água da superfície. as partículas de argila são envolvidas por moléculas de água quimicamente adsorvidas a elas. de tal forma que os contatos ocorrem geralmente entre os dois minerais. extremamente reduzida.

Esta. Entretanto. a coesão aparente.Figura 8. como se uma cola tivesse sido aplicada entre os dois corpos mostrados na Figura 8. onde a tensão normal que a determina é conseqüente da pressão capilar. Embora leve o mesmo nome. devida à tensão entre partículas resultante da pressão capilar da água. A coesão real deve ser bem diferenciada da coesão aparente. a atração química entre estas partículas pode provocar uma resistência independente da tensão normal atuante no plano e que constitui uma coesão real. A parcela de coesão em solos sedimentares. que apresentam parcelas de coesão real de significativo valor. esta parcela da resistência desaparece. donde provém o nome de aparente. existem solos naturalmente cimentados por agentes diversos. indica simplesmente o coeficiente linear de uma equação de resistência válida para uma faixa de tensões mais elevada e não para tensão normal nula ou próxima de zero. é muito pequena perante a resistência devida ao atrito entre os grãos. O fenômeno físico de coesão também não deve ser confundido com a coesão correspondente a uma equação de resistência ao cisalhamento. um fenômeno de atrito.2.2 Coesão A resistência ao cisalhamento dos solos é essencialmente devida ao atrito entre as partículas.2 – Transmissão de forças entre partículas de areias e de argilas 8. é uma parcela da resistência ao cisalhamento de solos úmidos. em geral. onde é clássico o exemplo das esculturas de areias feitas nas praias. 36 . na realidade. Embora mais visível nas areias. entre os quais os solos evoluídos pedologicamente. A coesão aparente é. Saturando-se o solo. Entretanto. é nos solos argilosos que a coesão aparente assume os maiores valores. não saturados.

Figura 8. podendo este ser expresso como a tangente de um ângulo. coesão e coeficiente de atrito interno. denominado ângulo de atrito interno.3 – Representação da envoltória de ruptura de Coulomb 37 . respectivamente. Os parâmetros c e f são denominados. A curva pode ser representada pela equação τ = c + f ⋅σ onde c e f são constantes do material e σ a tensão normal existente no plano de cisalhamento.A coesão correspondente a uma equação de resistência ao cisalhamento pode ser vista no gráfico da Figura 8.3.

1 CLASSIFICAÇÃO DOS SOLOS A importância da classificação dos solos A diversidade e a enorme diferença de comportamento apresentada pelos diversos solos perante as solicitações de interesse da engenharia levou ao seu natural agrupamento em conjuntos distintos. Entretanto. pelo menos. sob o ponto de vista de engenharia. baseada em parâmetros físicos por ele apresentados. Mesmo aqueles que criticam os sistemas de classificação não têm outra maneira sucinta de relatar sua experiência. senão afirmado que. ter limites bem definidos. é necessário que a designação seja entendida por todos.vindo a adotar parâmetros inadequados para os solos. Entretanto. jamais poderá ser uma informação mais completa do que os próprios parâmetros que o levam a ser classificados. obteve certo resultado. Outra crítica aos sistemas de classificação advém do perigo de que técnicos menos experientes supervalorizem a informação. 38 . “um sistema de classificação sem índices numéricos para identificar os grupos é totalmente inútil”.9. Se. A esta objeção. embora possam ter comportamentos mais semelhantes do que de um mesmo grupo de classificação. a expressão areia bem graduada compacta for empregada para descrever um solo. qualquer sistema cria grupos definidos por limites numéricos descontínuos. É muito discutida a validade dos sistemas de classificação. aos quais podem ser atribuídas algumas propriedades. Os objetivos da classificação dos solos. é importante que o significado de cada termo desta expressão possa ser entendida da mesma maneira por todos e. a classificação é necessária para a transmissão de conhecimento. é necessário que exista um sistema de classificação. Desta tendência racional de organização da experiência acumulada. enquanto solos naturais apresentam características progressivamente variáveis. São tantas as peculiaridades dos diversos solos que um sistema de classificação que permitisse um nível de conhecimento adequado para qualquer projeto teria de levar em conta uma grande quantidade de índices. Pode ocorrer que solos com índices próximos aos limites se classifiquem em grupos distintos. eles ajudam a organizar as idéias e a orientar os estudos e o planejamento das investigações para obtenção dos parâmetros mais importantes para cada projeto. é o de poder estimar o provável comportamento do solo ou. Este perigo realmente existe e é preciso sempre enfatizar que os sistemas de classificação constituem-se num primeiro passo para a previsão do comportamento dos solos. pode-se acrescentar que a classificação de um solo. num determinado tipo de solo. Quando um tipo de solo é citado. De um lado. o de orientar o programa de investigação necessário para permitir a adequada análise de um problema. ou seja. Conforme apontado por Terzaghi. surgiram os sistemas de classificação dos solos. deixando totalmente de ser aplicação prática. 9. se possível. por exemplo. tendo aplicado um tipo de solução.

o primeiro aspecto a considerar é a porcentagem de finos presente no solo. Nestes sistemas. todos os solos são identificados pelo conjunto de duas letras.1. os índices empregados são geralmente a composição granulométrica e os índices de Attemberg. como pela sua origem. para depois discutir suas vantagens e suas limitações. Casagrande para obras de aeroportos. pela estrutura. Os sistemas de classificação que se baseiam nas características dos grãos que constituem os solos têm como objetivo a definição de grupos que apresentam comportamentos semelhantes sob os aspectos de interesse da engenharia civil. é utilizado principalmente pelos geotécnicos que trabalham em barragens de terra. Assim. tendo seu emprego sido generalizado. pela sua evolução.como apresentados na Tabela 9. SW corresponde a areia bem graduada e CH a argila de alta compressibilidade.2 Classificação Unificada Este sistema de classificação foi elaborado originalmente pelo Prof. pelo preenchimento dos vazios. Se esta porcentagem for inferior a 50. As cinco letras superiores indicam o tipo principal do solo e as quatro seguintes correspondem a dados complementares dos solos.1 – Terminologia do Sistema Unificado G S M C O W P H L Pt pedregulho Areia Silte argila solo orgânico bem graduado mal graduado alta compressibilidade baixa compressibilidade Turfas Para a classificação. 9. pela presença ou não de matéria orgânica. o solo será 39 .075 mm).Existem diversas formas de classificar os solos. Os sistemas baseados no tipo e no comportamento das partículas que constituem os solos são os mais conhecidos na engenharia de solos. Atualmente. por este sistema. Neste sistema. Tabela 9. considerando-se finos o material que passa na peneira nº 200 (0. Estudaremos os dois sistemas mais empregados universalmente.

Identificado que um solo é areia ou pedregulho. criando um entrosamento. Esta característica dos solos granulares é expressa pelo “coeficiente de não uniformidade”. dependendo de qual destas duas frações granulométricas predominar. o solo será classificado como pedregulho ou areia. ele será classificado como areia – S.considerado como solo de granulação grosseira.1. Solos granulares Sendo de granulação grosseira. Nos solos mal graduados há predominância de partículas com um certo diâmetro. como ilustrado na Figura 9.1 – Granulometrias de areia bem graduada e mal graduada A expressão “bem graduado” expressa o fato de que a existência de grãos com diversos diâmetros confere ao solo. Se o material tiver poucos finos. importa conhecer sua característica secundária. Por exemplo. Figura 9. se o solo tem 30% de pedregulho. definido pela relação: CNU = D60 D10 40 . enquanto que nos solos bem graduados existem grãos ao longo de uma faixa de diâmetros bem mais extensa. G ou S. deve-se verificar como é a sua composição granulométrica. menos de que 5% passando na peneira nº 200. M. do qual resulta menor compressibilidade e maior resistência. o solo será considerado de granulação fina. C ou O. 40% de areia e 30% de finos. em geral. melhor comportamento sob o ponto de vista de engenharia. As partículas menores ocupam os vazios correspondentes às maiores. Se for superior a 50. Os solos granulares podem ser “bem graduados” ou “mal graduados”.

Ao contrário das duas outras. a curva tende a ser muito uniforme na sua parte central. “D10” é o diâmetro que. Na Figura 9. esteja entre 1 e 3. razão pela qual este coeficiente é muitas vezes ignorado. Então. é necessário que o coeficiente de curvatura. Além disto. Quando CC é menor que 1. mais bem graduada é a areia. Outro coeficiente. os pedregulhos ou areias 41 . Figura 9.2 estão representadas curvas de três areias com CNU = 6 e com diferentes CC. pois importa mais saber das propriedades destes finos. Quanto maior o coeficiente de não uniformidade. corresponde `porcentagem que passa igual a 10%. analogamente. a curva granulométrica se desenvolve suavemente. há falta de grãos com um certo diâmetro. verificada experimentalmente. Areias com CNU menor do que 2 são chamadas de areias uniformes. a curva tende a ser descontínua. é o coeficiente de curvatura. Considera-se que o material é bem graduado quando o CC está entre 1 e 3. a uniformidade da granulometria já não aparece como característica secundária. definido como: CC = ( D30 ) 2 D10 ⋅ D60 Se o coeficiente de não uniformidade indica a amplitude dos tamanhos de grãos. na curva granulométrica. o coeficiente de curvatura detecta melhor o formato da curva granulométrica e permite identificar eventuais descontinuidades ou concentração muito elevada de grãos mais grossos no conjunto.onde “D60” é o diâmetro abaixo do qual se situam 60% em peso das partículas e. não tão empregado quanto o CNU. É rara a ocorrência de areias com CC fora do intervalo entre 1 e 3. Quando CC é maior que 3. O “D10” é também referido como “diâmetro efetivo do solo” denominação que se origina da boa correlação entre ele e a permeabilidade dos solos. CC. e que uma areia é bem graduada quando seu CNU é superior a 6. mas é justamente para destacar os comportamentos peculiares acima apontados que ele é útil. Quando o solo de granulação grosseira tem mais do que 12% de finos.2 – Curvas granulométricas com diferentes coeficientes de curvatura O Sistema Unificado considera que um pedregulho é bem graduado quando seu coeficiente de não uniformidade é superior a 4. quando o CC está entre 1 e 3.

que no seu trecho inicial. ter-se-ão classificações intermediárias. ele será classificado como silte (M). Casagrande notou que colocando o IP do solo em função do LL num gráfico. São os índices de consistência que melhor indicam o comportamento argiloso. Solos de granulação fina (siltes e argilas) Quando a fração fina do solo é predominante. argila (C) ou solo orgânico (O). Assim. ainda que argilosos. areia mal graduada. uniformidade de granulometria e propriedades dos finos. O que determinará esta classificação será o posicionamento do ponto representativo dos índices de consistência na Carta de Plasticidade. como. não em função da porcentagem das frações granulométricas silte ou argila. Figura 9. como apresentado na Figura 9. solos orgânicos. pois como foi visto anteriormente. Analisando os índices e o comportamento dos solos. por exemplo.3. SP-SC. e solos siltosos são representados por pontos localizados abaixo da Linha A. mas também a sua atividade. denominada Linha A. os solos de comportamento argiloso se faziam representar por um ponto acima de uma reta inclinada. o Sistema recomenda que se apresentem as duas características secundárias. argilosa. Quando o solo de graduação grosseira tem de 5 a 12% de finos.3 – Carta de Plasticidade 42 . conforme se verá adiante.serão identificados secundariamente como argilosos (CG ou SG) ou siltosos (GM ou SM). é substituía por uma faixa horizontal correspondente a IP de 4 a 7. o que determina o comportamento argiloso do solo não é só o teor de argila.

Os solos orgânicos se distinguem dos siltes pelo seu aspecto visual. Embora a simbologia adotada só considere duas letras. basta a localização do ponto correspondente ao par de valores IP e LL na Carta de Plasticidade. etc. Tabela 9. que são os solos muito orgânicos onde a presença de fibras vegetais em decomposição parcial é preponderante.2 – Esquema para classificação pelo Sistema Unificado 43 . Quando os índices indicam uma posição muito próxima às linhas A ou B (ou sobre a faixa de IP 4 e 7). Como já visto. este aspecto é desconsiderado. cinza. é indicada sua compressibilidade. O Sistema considera ainda a classificação de turfa (Pt). respectivamente. pois se apresentam com uma coloração escura típica (marrom escura. em função do LL ser superior ou inferior a 50. um solo SW pode ser descrito como areia (predominantemente) grossa e média. o Sistema adjetiva secundariamente como de alta compressibilidade (H) ou de baixa compressibilidade (L) os solos M. Como característica complementar dos solos finos. cinza escuro ou preto). C ou O. bem graduada. Quando se trata de obter a característica secundária de areia e pedregulhos. Exemplos: SC-SM.Para a classificação destes solos. constatou-se que os solos costumam ser tanto mais compressíveis quanto maior seu Limite de Liquidez. a descrição deverá ser a mais completa possível. Por exemplo. Assim. com grãos angulares. CL-CH. é considerado um caso intermediário e as duas classificações são apresentadas. como se mostra na Carta. correspondentes às características principal e secundária do solo.

Correspondem. com mais de 50% passando na peneira nº 40 e menos de 10% passando na peneira nº 200.42 mm) e menos de 15%passando na peneira nº 200. A-1b – Solos grossos. com menos de 50% passando pela peneira nº 40 e menos de 25% na peneira nº200. Correspondem às SP. com menos de 50% passando na peneira nº 10 (2. A-2 – São areias em que os finos presentes constituem a característica secundária. também se inicia a classificação pela constatação da porcentagem de material que passa na peneira nº 200. em função dos índices de consistência. os solos com mais de 35% passando na peneira nº200 formam os grupos A-4. aproximadamente. menos de 30% passando na peneira nº 40 (0. Figura 9. SW. Estes são os solos dos grupos A-1. areias finas mal graduadas. A-2-5. Neste Sistema. Os solos grossos são subdivididos em: A-1a – Solos grossos. São.0 mm). também com IP menor que 6. O IP dos finos deve ser menor do que 6.4 – Classificação dos solos finos no Sistema Rodoviário 44 . A-2 e A-3. conforme o gráfico da Figura 9.4. A –3 – Areias finas. muito empregado na engenharia rodoviária em todo o mundo. foi originalmente proposto nos Estados Unidos. com IP nulo.9. Corresponde à areia bem graduada. GW. São subdivididos em A-2-4. aos pedregulhos bem graduados. A-6 e A-7. e não 50% como na Classificação Unificada. E também baseado na granulometria e nos limites de Atterberg. do Sistema Unificado. só que são considerados solos de graduação grosseira os que têm menos de 35% passando nesta peneira. A-5. A-2-6 e A-2-7.3 Sistema Rodoviário de Classificação Este Sistema. portanto.

verifica-se que eles são bastante semelhantes.Os solos finos. e os próprios solos finos com base exclusivamente nos índices de Attemberg. 9. Já os engenheiros de fundações não empregam diretamente nenhum destes sistemas. De 45 . a exemplo do Sistema Unificado.4 Classificações regionais No Brasil.3 – Esquema para classificação pelo Sistema Rodoviário Acompanhando-se a sistemática de classificação pelos dois sistemas expostos. O exercício de acompanhar as sistemáticas de classificação é útil na medida em que familiariza o estudante com os aspectos mais importantes na identificação dos solos. de acordo com a Figura 9. dão ênfase à curva granulométrica só no caso de solos graúdos com poucos finos e classificam os solos graúdos com razoável quantidade de finos. Tabela 9. e o Sistema Unificado é sempre preferido pelos engenheiros barrageiros. são subdivididos só em função dos índices. o Sistema Rodoviário é bastante empregado pelos engenheiros rodoviários. já que consideram a predominância dos grãos graúdos ou miúdos. O que distingue um solo A-4 de um solo A-2-4 é só a porcentagem de finos.4.

as “argilas cinzas duras”. as “areias basais”. este solo apresenta comportamento típico de argila. são reconhecidos diversos tipos de solos cujas características vão sendo progressivamente pesquisas e incorporadas ao conhecimento técnico. eles seguem uma maneira informal de classificação dos solos. Nogami. Uma proposta de sistema de classificação dos solos tropicais vem sendo desenvolvida pelo Prof. Outra maneira de controlar a dificuldade tem sido o das classificações regionais. Por exemplo. a “argila porosa vermelha”. tanto que espontaneamente recebeu a denominação que o caracteriza. depósitos de areias bastante puras que ocorrem no centro da cidade em grandes profundidades. para os quais os índices de consistência não podem ser interpretados da mesma maneira como o são para os solos transportados. pois seus índices de consistência indicam um ponto abaixo da Linha A. certamente. os “solos variegados”. Na Cidade de São Paulo. ocorrendo no espigão da Avenida Paulista. que ocorrem abaixo da cota do nível d’água do rio Tietê. A pouca utilização dos sistemas de classificação decorre do fato deles nem sempre confirmarem a experiência local. Neste Sistema. mas parâmetros obtidos em ensaios de compactação com energias diferentes. nas várzeas dos rios Tietê e Pinheiros. que pode ter tido origem nestes sistemas. O sistema é voltado para a prática rodoviária e se baseia em solos do Estado de São Paulo. 46 . que lhe ocorre abaixo. não são empregados os índices de consistência. ao fato destes serem freqüentemente solos residuais ou solos lateríticos. e as “argilas orgânicas quaternárias”. que ocorrem numa grande parte da cidade e que se caracterizam pela grande diversidade de cores com as quais se apresentam. e secundariamente em lateríticos e saprolíticos. siltes e argilas. Entretanto. são reconhecidos a “argila vermelha rija”. Nesta classificação. bem regional. da Escola Politécnica da USP. os solos são classificados primariamente em areias. que é um solo característico da Cidade de São Paulo. seria classificada pelo Sistema Unificado como “silte de alta compressibilidade”. Além da “argila porosa vermelha” já referida. onde os sistemas vistos foram elaborados. As discrepâncias entre as classificações clássicas e o comportamento observado de alguns solos nacionais se devem. de ocorrência nos países de clima temperado.modo geral. inclusive na Cidade Universitária. por exemplo. ainda que informais.

Homero Pinto. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos Editora.NOTA Esta apostila é uma compilação do livro do Professor Carlos de Souza Pinto. 6 ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS PINTO. São Paulo: Oficina de Textos. 47 . 234 p. da Escola Politécnica da USP. 2000. Carlos de Souza. CAPUTO. Curso Básico de Mecânica dos Solos. em 16 Aulas. Mecânica dos Solos e suas Aplicações. 1988. 1 ed. 247 p. adaptada ao escopo da disciplina de Mecânica de Solos do Módulo Geral 1 do Curso de Edificações do CEFET-RS. Foram introduzidas ainda algumas citações pertinentes do livro de autoria de Homero Pinto Caputo.

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