Avaliação e Intervenção na Área das NEE

Índice

1. Avaliação das NEE................................................................ Pág. 3 1.1 Sistema Internacional da Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF): explicitação de conceitos.. Pág. 4 1.2 Aplicação da CIF na área das NEE........................... Pág. 10 1.2.1 Conceito de NEE............................................ Pág. 10 1.2.2 Modo de operacionalização da CIF no processo de avaliação das NEE............................. Pág. 13 2. Organização da Intervenção Educativa................................ Pág. 18 2.1 Conceito de currículo................................................. Pág. 18 2.2 A organização da resposta educativa para alunos com NEE de carácter prolongado: considerações gerais Pág. 21 Referências Bibliográficas......................................................... Pág. 27 Anexos ..................................................................................... Pág. 28

Nota
O presente documento constitui um instrumento de trabalho de apoio ao docente de educação especial no processo de Avaliação e Intervenção de alunos com NEE de carácter prolongado.

Adopta-se um modelo de classificação de funcionalidade dinâmico, interactivo e multidimensional, tendo por referência a CIF, Sistema de Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, da OMS (2001). Este corresponde a um paradigma em que as questões de funcionalidade do indivíduo são vistas à luz de um modelo que abrange diferentes dimensões, resultando a

funcionalidade de uma contínua interacção entre a pessoa e o ambiente que a rodeia.

Este instrumento de trabalho tem vindo a ser validado no terreno por profissionais de Educação, Segurança Social e Saúde e em Oficinas de Formação orientadas por esta DGIDC/DSEEASE

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Avaliação e intervenção na área das NEE

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Avaliação e intervenção na área das NEE

1. Avaliação das NEE

A avaliação das Necessidades Educativas Especiais (NEE) das crianças e jovens que frequentam as estruturas regulares de ensino é um processo de grande complexidade que envolve diferentes dimensões, não se devendo centrar exclusivamente nos problemas dos alunos, como também em todos os factores que lhe são extrínsecos e que podem constituir a causa primeira das suas dificuldades. O novo Sistema de Classificação Internacional da Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) da Organização Mundial de Saúde (2001) vai ao encontro das exigências decorrentes de uma avaliação dinâmica, interactiva e multidimensional das NEE, uma vez que pela sua estrutura e objectivos permite classificar não apenas os níveis de funcionalidade e incapacidade do indivíduo, como também os factores ambientais que podem funcionar como barreiras ou facilitadores dessa funcionalidade, implicando o envolvimento e o contributo de profissionais de diferentes áreas.

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elaborou-se o presente documento de trabalho.1 Sistema Internacional de Classificação da Funcionalidade.Avaliação e intervenção na área das NEE Sendo uma competência da Direcção Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular (DGIDC) o acompanhamento pedagógico do sistema educativo através da sua Direcção de Serviços da Educação Especial e do Apoio Sócio-Educativo (DSEEASE) foi elaborado um plano de formação em rede passível de responder às necessidades decorrentes da implementação deste novo paradigma de avaliação das NEE. 1. progressivamente.2001): explicitação de conceitos A CIF está dividida em duas partes. Tal como se pode verificar na figura seguinte. cada uma com duas componentes: Aspectos estruturais da CIF Parte 1. Incapacidade e Saúde (CIF. existe uma interacção dinâmica entre estas entidades podendo uma intervenção num elemento modificar um ou vários outros elementos. Paralelamente à formação. Factores Contextuais a) Factores Ambientais b) Factores Pessoais A funcionalidade de um indivíduo num domínio específico é uma interacção ou relação complexa entre a condição de saúde e os factores contextuais. Funcionalidade e Incapacidade a) Funções e Estruturas do Corpo b) Actividades e Participação Parte 2. OMS. abarcando. o qual se encontra organizado em duas partes distintas: numa primeira parte é feita uma breve explicitação dos conceitos associados à CIF. numa segunda parte é feita referência à aplicação da CIF na área da avaliação das NEE no contexto educativo/escolar. _______________________________________________________________________________ 5 . e tendo como principal objectivo facilitar a disseminação da informação que lhe está associada. os diferentes intervenientes no processo que exercem as suas funções no contexto educativo/escolar.

Em cada domínio há várias categorias e sub-categorias que constituem as unidades de classificação. Os qualificadores são códigos numéricos que especificam a extensão ou magnitude da funcionalidade ou da incapacidade numa determinada categoria. 2001) C a i xa 1 Condições de Saúde (perturbação ou doença) Funções e Estrutura do Corpo Actividade Participação Factores Am bientais Factores Pessoais Cada componente contém vários capítulos e domínios.Avaliação e intervenção na área das NEE Interacção entre as dimensões da CIF (OMS. A CIF utiliza o seguinte sistema alfa-numérico: b – funções do corpo s – estrutura do corpo d – actividade e participação e – factores ambientais 1º código numérico (um dígito) – capítulo 2º código numérico (dois dígitos) – categoria 3º código numérico (um dígito cada) – sub-categorias Exemplo Componente: Funções do Corpo _______________________________________________________________________________ 6 . ou em que medida um factor ambiental constitui um facilitador ou uma barreira.

regressivas ou estáveis.Avaliação e intervenção na área das NEE Capítulo 1 - Funções Mentais (Funções C a i xa 2 Mentais Específicas) b140 . As deficiências podem ser temporárias ou permanentes. Um problema pode significar uma deficiência. xxx. 3 – Problema GRAVE xxx. 4 – Problema COMPLETO Componente: Funções do corpo As Funções do Corpo são as funções fisiológicas dos sistemas orgânicos. dos sistemas Componente das Funções do Corpo Capítulo 2 Capítulo 3 Capítulo 4 hematológicos e imunológicos e do aparelho respiratório Capítulo 5 Funções do aparelho digestivo e dos sistemas metabólico e endócrino Capítulo 6 Capítulo 7 Funções genitourinárias e reprodutivas Funções neuromusculoesquelécticas e funções relacionadas com o movimento Capítulo 8 Funções da pele e estruturas relacionadas As deficiências são problemas nas funções ou estruturas do corpo. restrição ou barreira. limitação. 1 – Problema LIGEIRO xxx. 0 – Não há problema xxx. 2 – Problema MODERADO xxx. tais como. um desvio ou perda significativos. dependendo do constructo. As categorias da componente Funções do Corpo são quantificadas com um qualificador que indica a extensão ou _______________________________________________________________________________ 7 .Funções da Atenção b1400 – manutenção da atenção Todos os 3 componentes classificados na CIF são quantificados através de uma mesma escala genérica. Esta componente está dividida em 8 capítulos com a seguinte denominação: C a i xa 3 Capítulo 1 Funções mentais Funções sensoriais e dor Funções da voz e da fala Funções do aparelho cardiovascular. incluindo as funções psicológicas. intermitentes ou contínuas. progressivas.

2 Este qualificador deve ser utilizado nas situações em que seja inadequado aplicar um código específico. o utilizador pode inferir a deficiência a partir da observação do comportamento.3 xxx. Restrições de _______________________________________________________________________________ 8 . Participação é o envolvimento numa situação de vida. social e cívica ___________________ 1 Este qualificador deve ser utilizado sempre que não houver informação suficiente para especificar a gravidade da deficiência.8 2 xxx. Para aquelas deficiências que nem sempre podem ser observadas directamente (como é o caso das funções mentais). Esta componente está dividida em 9 capítulos com a seguinte denominação: C a i xa 4 Capítulo 1 Capítulo 2 Capítulo 3 Capítulo 4 Capítulo 5 Capítulo 6 Capítulo 7 Capítulo 8 Capítulo 9 Aprendizagem e aplicação de conhecimentos Tarefas e exigências gerais Comunicação Mobilidade Auto cuidados Vida doméstica Interacções e relacionamentos interpessoais Áreas principais de vida Vida comunitária. de acordo com a seguinte escala: xxx.2 xxx.4 1 xxx.9 NENHUMA deficiência Deficiência LIGEIRA Deficiência MODERADA Deficiência GRAVE Deficiência COMPLETA Não especificada Não aplicável Os valores atribuídos devem ter como referência.1 xxx. Limitações de actividade são as dificuldades que um indivíduo pode encontrar na execução de actividades.0 xxx. Componente: Actividade e Participação Componente da Actividade e Participação Actividade é a execução de uma tarefa ou acção por um indivíduo. os valores standard da população. sempre que possível.Avaliação e intervenção na área das NEE magnitude de deficiência.

___________________ 1 Este qualificador deve ser utilizado sempre que não houver informação suficiente para especificar a gravidade da deficiência. o prefixo d pode ser substituído por a ou p.0 xxx. Esta componente pode ser utilizada para designar a “actividades”. _______________________________________________________________________________ 9 . 2 Este qualificador deve ser utilizado nas situações em que seja inadequado aplicar um código específico. sempre que possível.9 Os valores atribuídos devem ter como referência. Os domínios para a componente Actividade e Participação estão incluídos numa lista única que cobre a faixa completa das áreas de vida.4 xxx.3 xxx. os valores standard da população.8 1 1 NENHUMA dificuldade Dificuldade LIGEIRA Dificuldade MODERADA Dificuldade GRAVE Dificuldade COMPLETA Não especificada Não aplicável xxx.2 xxx.1 xxx. Os domínios deste componente podem ser classificados pelos qualificadores de desempenho (o que o indivíduo faz no ambiente de vida habitual) e capacidade (aptidão de um indivíduo para executar uma tarefa ou acção). As categorias da componente Actividade e Participação são quantificadas através da seguinte escala: xxx. para designar “actividades” e “participação. Segundo o critério do utilizador. p “participação” ou ambas.Avaliação e intervenção na área das NEE participação são problemas que um indivíduo pode experimentar no envolvimento em situações reais da vida. respectivamente.

melhoram a funcionalidade e reduzem a incapacidade de uma pessoa. _______________________________________________________________________________ 10 . Estes factores incluem aspectos como um ambiente físico inacessível. enquanto que se estiver separado do código pelo sinal + indica um facilitador: xxx. sistemas e políticas inexistentes ou que dificultam o envolvimento de todas as pessoas com uma condição de saúde em todas as áreas de vida.0 xxx.4 xxx. ou sobre as funções ou estruturas do corpo. Barreiras são factores ambientais que. atitudes negativas das pessoas em relação à incapacidade. As influências positivas são consideradas facilitadores e as influências negativas barreiras. bem como os serviços. Esses factores são externos ao indivíduo e podem ter uma influência positiva ou negativa sobre o seu desempenho enquanto membro da sociedade. disponibilidade de tecnologia apropriada. Um coeficiente (0 a 4) separado por um ponto indica uma barreira. social e Componente dos Factores Ambientais atitudinal no qual as pessoas vivem e conduzem sua vida. sistemas e políticas que visam aumentar o envolvimento de todas as pessoas com uma condição de saúde em todas as áreas de vida.1 xxx.Avaliação e intervenção na área das NEE Componente: Factores Ambientais Os factores ambientais constituem o ambiente físico. através da sua ausência ou presença. sobre a sua capacidade para executar acções ou tarefas. Estes factores incluem aspectos como um ambiente físico que seja acessível. limitam a funcionalidade e provocam a incapacidade.3 xxx. falta de tecnologia de assistência apropriada. através da sua ausência ou presença.8 xxx.2 xxx. bem como serviços.9 NENHUMA barreira Barreira LIGEIRA Barreira MODERADA Barreira GRAVE Barreira COMPLETA Barreira não especificada Não aplicável xxx+ 0 xxx+ 1 xxx+ 2 xxx+ 3 xxx+ 4 xxx+ 8 xxx+ 9 NENHUM facilitador Facilitador LIGEIRO Facilitador MODERADO Facilitador GRAVE Facilitador COMPLETO Facilitador não especificado Não aplicável Facilitadores são factores ambientais que. atitudes positivas das pessoas em relação à incapacidade.

condição física. experiência passada e presente. sistemas e políticas Componente: Factores Pessoais Componente dos Factores Pessoais Os Factores Pessoais são o histórico particular da vida e do estilo de vida de um indivíduo e englobam as características do indivíduo que não são parte de uma condição de saúde ou de uma condição relacionada com a saúde. hábitos. 2 Aplicação da CIF na área das NEE 1. Esses factores podem incluir o sexo. carácter. nível de instrução. estilo de vida. 1.Avaliação e intervenção na área das NEE Esta componente está dividida em 5 capítulos com a seguinte denominação: C a i xa 5 Capítulo 1 Capítulo 2 Capítulo 3 Capítulo 4 Capítulo 5 Produtos e tecnologia Ambiente natural e mudanças ambientais feitas pelo homem Apoio e relacionamentos Atitudes Serviços. todas ou algumas das quais podem desempenhar um papel na incapacidade em qualquer nível. no contexto actual da Educação Especial.2. diferentes maneiras de enfrentar problemas. características psicológicas individuais e outras características. outros estados de saúde.1 Conceito de NEE Conceito de NEE A aplicação da CIF no processo de avaliação das NEE decorre do facto deste conceito. profissão. dever ser entendido numa perspectiva dinâmica. idade. Os factores pessoais não são classificados na CIF embora os utilizadores os possam incorporar nas suas aplicações da classificação. _______________________________________________________________________________ 11 . educação recebida. padrão geral de comportamento. interactiva e multidimensional. compatível com os princípios e estruturas veiculado por este sistema de classificação. antecedentes sociais.

a publicação do Decreto-Lei 319/91. e não obstante o carácter inovador e bem intencionado deste conceito. da década de 90. um pouco por toda a Europa os quais vieram pôr em causa. não tendo em consideração muitos dos factores que lhe são extrínsecos e que podem constituir a causa primeira dessas dificuldades. No entanto. pautado pelos princípios da flexibilização. estavam a ser educados em ambientes segregados. _______________________________________________________________________________ 12 . os sistemas de categorização das deficiências. Este conceito foi adoptado no nosso país no final da década de 80 tendo. cujas dificuldades ou incapacidades podem ir de grau ligeiro a severo e cujas necessidades educativas podem ter um carácter mais ou menos prolongado. não comuns à maioria dos alunos da mesma idade. para efeitos da intervenção educativa.Avaliação e intervenção na área das NEE O conceito de NEE foi introduzido pelo Warnock Report. por apresentarem dificuldades ou incapacidades que se reflectem numa ou mais áreas de aprendizagem (Bairrão. sendo que muitos dos alunos considerados com NEE poderão necessitar. no Reino Unido. o conceito de NEE abarca todos os alunos que exigem recursos ou adaptações especiais no processo de ensino/aprendizagem. até então. de 23 de Agosto. em 1978. adequação e estratégias de diferenciação pedagógica e não necessariamente de medidas de educação especial. colocando antes a tónica na avaliação das características individuais dos alunos e responsabilizando-se a escola regular pela activação de medidas e recursos educativos especializados adequados a cada situação específica. Neste contexto. na sequência dos movimentos de integração que se faziam sentir. constituído um marco decisivo na garantia do direito de frequência das escolas regulares de muitos alunos que. acaba por estar ainda muito centrado nos problemas dos alunos. verifica-se que o mesmo ao abarcar um grupo muito heterogéneo de alunos. acima de tudo. 1998). de um ensino de qualidade. Referimo-nos concretamente a problemas relacionados com todo o processo de escolarização.

relativos aos novos modelos de gestão curricular. comunicação. os quais circunscrevem a modalidade de Educação Especial aos alunos com NEE de carácter prolongado. estar atento às diferentes dimensões em análise. numa perspectiva mais próxima dos actuais modelos de intervenção nesta área: “Consideram-se Definição de NEE de carácter prolongado alunos com necessidades educativas especiais de carácter prolongado aqueles que experienciam graves dificuldades no processo de aprendizagem e participação no contextos escolar. familiar e comunitário. decorrentes da interacção entre factores ambientais (físicos. _______________________________________________________________________________ 13 .” Esta definição insere-se já num modelo dinâmico de interacção pessoa/ambiente. segundo o qual o grau de envolvimento e nível de desempenho nas actividades de cada indivíduo resulta das interacções e influências mútuas que constantemente se estabelecem entre o meio e a pessoa sendo necessário. Uma avaliação deste tipo remete-nos directamente para as questões relacionadas com a avaliação das NEE. por isso.Avaliação e intervenção na área das NEE É neste contexto que. linguagem e fala. na sequência da publicação dos DecretosLei nº 6 e nº7 de 2001. emocional e personalidade. respectivamente. cognitivo. a DGIDC avança com a seguinte definição deste conceito. nos ensinos básico e secundário. sociais e atitudinais) e limitações de grau acentuado ao nível do seu funcionamento num ou mais dos seguintes domínios: sensorial (visão e audição). motor. numa perspectiva que contemple simultaneamente variáveis de diferentes naturezas e que tenha em consideração os resultados das interacções que entre elas se estabelecem.

1. pelos seus objectivos. todas as dimensões relacionadas com as NEE. por outro. estrutura e modos de aplicação.Avaliação e intervenção na área das NEE A CIF. como qualquer processo de avaliação. Fases do processo de avaliação das NEE C a i xa 6 Fases de avaliação das NEE Análise conjunta da informação Equipa Pluridisciplinar e Família Recolha de informação diferenciada medidas educativas especiais a adoptar Tomada de decisão _______________________________________________________________________________ 14 . A CIF enquanto elemento facilitador do processo de avaliação das NEE surge como um elemento facilitador de todo o processo de avaliação das NEE. tal como podemos observar na figura.2. vai contemplar uma série de componentes (funções e estrutura do corpo. na medida em que vai permitir. envolve três fases distintas que entre si se complementam de modo a formar um todo coerente. numa perspectiva dinâmica. por um lado. actividade e participação e factores contextuais) que abarcam.2 Modos de operacionlização da CIF no processo de avaliação das NEE A avaliação das NEE. bem como uma estrutura de trabalho comum para a descrição da saúde e dos estados relacionados com a saúde e. uma linguagem unificada e padronizada.

NEE Caso se justifique uma avaliação especializada. previamente. Deste modo. não existem nos agrupamentos. devendo-se. as equipas deverão ser constituídas a partir das necessidades específicas de cada criança/jovem que vai ser avaliada. recorrendo-se quer aos profissionais que já interagem com os mesmos. a primeira questão que se coloca. Para o efeito será necessário que. os elementos dos órgãos de gestão e coordenação do agrupamento. docentes de ensino regular. terão que ser uma vez que. é a de se saber se estamos perante uma situação que exija uma avaliação especializada efectuada por técnicos de diferentes formações para se aferir da necessidade de aplicação da modalidade de Educação Especial ou se. profissionais das equipas de saúde escolar. avaliação das neste caso. em articulação com os respectivos elementos dos serviços especializados de apoio educativo. psicólogos e técnicos de serviço social). profissionais dos projectos de parceria estabelecidos ao abrigo das Portarias 1102/97 e 1103/97. trabalhar numa óptica de rentabilização de recursos. nomeadamente. como sabemos. pelo contrário. à partida. equipas constituídas. etc. Constituição das equipas activados os mecanismos necessários para a constituição da pluridisciplinares responsáveis pela equipa pluridisciplinar responsável pela mesma. quer a outros profissionais que exercem a sua intervenção na escola ou noutros serviços da comunidade e se encontram disponíveis para esse efeito. estamos perante uma situação que não vai exigir essa avaliação. analisem toda a informação já existente sobre o aluno e decidam sobre o percurso a seguir.Avaliação e intervenção na área das NEE Neste contexto. _______________________________________________________________________________ 15 . profissionais dos serviços especializados de apoio educativo (docentes de educação especial. para esse efeito.

quem avalia e como se avalia. _______________________________________________________________________________ 16 . posteriormente. Para o efeito. Importa aqui realçar o facto de já poder existir informação suficiente para a classificação de algumas categorias. há que planificar conjuntamente toda a fase de recolha de informação diferenciada. e uma O que avaliar vez que se tem por referência a CIF. Planificação do processo de recolha de informação de modo a não se perder tempo com recolha de informação sobreposta ou perder informação que pode vir a ser considerada pertinente. apenas as categorias para as quais vai ser necessário ou nova ou mais informação. Nesta fase será necessário analisar. assinalando-se as restantes categorias para a fase de análise conjunta da informação. Relativamente à questão sobre o que se pretende avaliar. de modo a melhor se orientar todo o processo de recolha de informação e se impedir o confronto com informação sobreposta.Avaliação e intervenção na área das NEE 1ª Fase – Recolha de informação Uma vez constituída a equipa. toda a informação que já existe sobre o aluno para. previamente. tendo por referência as categorias constantes na checklist e a condição específica de cada criança/jovem. nesta fase. irão ser objecto de classificação. pelo que se terá que ter o cuidado de seleccionar. a qual deverá integrar igualmente elementos da família da criança/jovem. primeiramente. se poder decidir sobre as seguintes questões: o que avaliar. as categorias que. torna-se evidente que essa mesma avaliação irá recair na identificação do perfil de funcionalidade do aluno relativamente às funções e estrutura do corpo e à actividade e participação e nos factores ambientais que poderão funcionar como barreiras ou facilitadores dessa mesma funcionalidade. No que diz respeito à questão de quem avalia. em cada componente. será importante Quem avalia ficar definido à partida qual a informação (e para que efeito) que cada um irá recolher. ter-se-ão que seleccionar.

a selecção das categorias relativas a cada componente da CIF que irão ser objecto de classificação e aspectos relativos ao modo como cada elemento da equipa pluridisciplinar irá proceder à recolha da informação necessária a essa mesma classificação. Para efeitos da planificação do processo de recolha de informação foi efectuado um documento de trabalho (ver anexo1) intitulado Roteiro de Avaliação que contempla a descrição da situação actual do aluno. em equipa. que permite determinar o seu perfil interindividual. ainda. permitindo-nos determinar com alguma exactidão. cada um. _______________________________________________________________________________ 17 . as fontes e os instrumentos de avaliação que vão ser utilizados no processo de recolha da informação pela qual. 2ª Fase – Análise conjunta da informação Uma vez na posse da informação que já existia sobre o aluno e daquela que foi recolhida por diferentes técnicos. A descrição do perfil intraindividual do aluno é determinante em termos da planificação da intervenção educativa uma vez que permite sintetizar a informação mais relevante.Avaliação e intervenção na área das NEE Como se avalia Quanto ao modo de avaliar. será necessário Descrição do perfil de funcionalidade do aluno proceder-se à análise conjunta da mesma de modo a se poder definir o perfil de funcionalidade do aluno o qual é composto por duas componentes que entre si se complementam: uma de carácter mais descritivo e que nos dá o perfil intraindividual do aluno e outra. relativa a cada um dos componentes. não obstante se poder partilhar. dever-se-á salvaguardar sempre o modo específico como cada profissional exerce as suas funções. a identificação dos elementos da equipa pluridisciplinar que irá proceder à avaliação e. ficou responsável. o que o aluno já sabe e é capaz de fazer em determinadas condições. de carácter mais normativo. bem como. e o que poderemos fazer para o levar a alcançar níveis superiores de desempenho.

O preenchimento da checklist ficará facilitada se efectuarmos uma “análise de conteúdo” da síntese descritiva acima referenciada. os objectivos curriculares de cada ano e ciclo de escolaridade ou. quer para efeitos da planificação da intervenção educativa. objecto de classificação.Avaliação e intervenção na área das NEE A elaboração desta síntese descritiva constitui um momento privilegiado para a partilha de informação diferenciada. _______________________________________________________________________________ 18 . para podermos inferir sobre as possibilidades de minimizar os efeitos das mesmas em função das potencialidades do aluno e das características da intervenção. as condições ambientais consideradas mais adequadas para uma efectiva melhoria da funcionalidade presente do indivíduo. Verificamos assim que. O perfil interindividual do aluno. as etapas de desenvolvimento em diferentes áreas. quer para efeitos da tipificação das NEE. por seu lado. numa perspectiva partilhada. cada uma delas. partindo-se dos indicadores encontrados e dos nossos referentes para a atribuição dos respectivos qualificadores. dando-se assim a oportunidade para a abertura de canais de comunicação imprescindíveis para um trabalho de equipa de natureza transdisciplinar. permite calcular a discrepância existente entre o nível de desempenho actual de um aluno com determinadas problemáticas e o desempenho esperado para os seus pares da mesma faixa etária e sem essas problemáticas. bem como a natureza e dimensão das barreiras que se colocam à sua aprendizagem e participação. Esses referentes terão por base. recolhida por diferentes técnicos. É esta componente do perfil do aluno que se prende directamente com o preenchimento da checklist composta pelas categorias previamente seleccionadas e que constituem. ainda. consoante as categorias a classificar. estas duas componentes do perfil do aluno vão permitir a toda a equipa estar mais apta para a fase de tomada de decisões.

constituir o currículo do regime educativo comum o marco regulador de todas as modificações a introduzir no processo de ensino e de aprendizagem. numa perspectiva inclusiva. devendo.” Zabalza (2001:12) define currículo como o “conjunto de pressupostos de partida. Diferentes concepções de currículo Ribeiro (1999:13) apresenta a seguinte definição de currículo “ modo de transmitir de geração em geração o conjunto acumulado do saber humano. Para efeitos do registo dos dados de avaliação foi efectuado um documento de trabalho (ver anexo2) que contempla o registo da síntese descritiva e da checlist para cada componente da CIF. etc. através da aplicação das medidas de educação especial consideradas mais adequadas. sistematicamente em matérias organizado ou e tradicionalmente consagrado disciplinas fundamentais. Planificação da intervenção educativa deverá igualmente ser uma decisão tomada conjuntamente tendo por base o perfil de funcionalidade do aluno efectuado a partir dos pressupostos acima referenciados.1 Conceito de currículo O conceito de currículo tem tido ao longo dos tempos diversas concepções. que são considerados importantes para serem trabalhados na escola ano após ano . das metas que se deseja alcançar e dos passos que se dão para as alcançar: é o conjunto de conhecimentos.Avaliação e intervenção na área das NEE 3ª Fase – Tomada de Decisões A tomada de decisões para efeitos da planificação da intervenção educativa. sugerindo-nos perspectivas e abordagens diferenciadas. habilidades. Organização da Intervenção Educativa 2. atitudes.” _______________________________________________________________________________ 19 . 2. bem como. umas mais restritas e outras mais abrangentes. as tomadas de decisão relativamente as medidas do regime educativo especial a aplicar para cada situação.

reporta-se a necessidades educativas e engloba actividades. sendo uma construção social. o currículo é um conceito que admite múltiplas interpretações. a história política e social de um povo. o currículo enquanto campo de estudo emergiu recentemente. Este compreende os objectivos a atingir. não deixando de fora sequer os próprios processos de avaliação dos alunos. éticas que se vão alterando ao longo do tempo. Em Portugal.Avaliação e intervenção na área das NEE Para Roldão (2001) currículo na escola é entendido como o conjunto de aprendizagens sociais. Os diferentes conceitos de currículo exprimem. relacionando-se sempre com o conjunto de aprendizagens consideradas necessárias num determinado contexto e tempo e à organização adoptada para as desenvolver ou concretizar. funcionais. de interesses e de necessidades. de acordo com as mudanças de situação. no sentido em que se reflecte nas aprendizagens que se consideram importantes para um grupo numa determinada época. De natureza polissémica. susceptível a vários factores. Num sentido mais restrito o currículo pode ser entendido como programa (enquanto listagem de conteúdos ou de matérias). ou como plano de estudos (englobando os diferentes programas de um curso ou ciclo de estudos ou até do sistema global de ensino). métodos e meios de ensino . embora tenha adquirido uma importância crescente na educação. fornecendo informações acerca da evolução da sociedade.aprendizagem. Daqui se pode depreender que o conceito de currículo tenha sofrido alterações ao longo do tempo. _______________________________________________________________________________ 20 . linguísticas.

atingidos.Avaliação e intervenção na área das NEE Durante muito tempo o modelo de currículo que prevaleceu pressupunha uma concepção mais restrita. define o currículo como o “conjunto de experiências de aprendizagem planeadas bem como de resultados de aprendizagem previamente definidos. Este tipo de currículo. ensinar todos os alunos da mesma maneira. sob os auspícios da escola e em ordem ao desenvolvimento permanente do educando nas suas competências pessoais e sociais. devendo diferenciar os processos de ensino/aprendizagem. significativas e relevantes. Este era concebido. a investigação e a colaboração. Assim. devendo este ser entendido como um projecto integrado construído tendo por base a reflexão. pois mostrava um desfasamento entre os objectivos planeados e aqueles que eram. _______________________________________________________________________________ 21 . num processo dinâmico. independentemente.” Nesta concepção de currículo estão integradas quer o que se pode planear. A massificação do ensino. mostrando que não era possível. com vista ao desenvolvimento integral do aluno. verdadeiramente. foi posto em causa. face à diversidade dos alunos que caracteriza a escola actual. evidenciou a individualidade do ensino. que engloba as experiências do aluno planificadas e conduzidas pela escola. Nesta perspectiva Ribeiro (1990:17). quer as vivências. sendo conotado com programa. sendo estes processos imprescindíveis para tornar as aprendizagens mais integradas. formulando-se umas e outras mediante a reconstrução sistemática de experiência e conhecimentos humanos. foram-se tomando medidas no sentido da abertura do currículo. dos contextos onde as práticas se desenvolviam. o resultado da sua implementação. devido à escolaridade obrigatória. era aplicado pelos professores. a nível central.

a nível de escola e em articulação com a comunidade em que se insere. do tempo e dos materiais. compreensiva e fundamentada dessas mesmas NEE.2 A organização da resposta educativa para alunos com NEE de carácter prolongado: considerações gerais A organização da resposta educativa para alunos com NEE de carácter prolongado deve ser encarada no âmbito de uma gestão Organização da resposta educativa a alunos com NEE de carácter prolongado numa perspectiva inclusiva curricular flexível que permita uma progressiva adequação do currículo nacional ao contexto de cada escola. Uma avaliação deste tipo permitir-nos-á assim avançar para uma planificação da intervenção educativa numa perspectiva cada vez mais inclusiva na medida em que. tal como foi referido no ponto 1 deste capítulo. o que vai exigir de cada professor a capacidade de pôr em prática uma grande diversidade de actividades. 2. tornando-se. _______________________________________________________________________________ 22 . assim. facilitará uma eventual reestruturação dos mesmos com base num ensino pautado pelos princípios da diferenciação. de cada turma e de cada aluno em particular. adequação e flexibilização os quais vão ao encontro de um ensino de qualidade para todos os alunos. pela regulação individualizada dos processos e itinerários de aprendizagem o que passa pela selecção apropriada de métodos de ensino adequados às estratégias de aprendizagem de cada aluno em situação de grupo.Avaliação e intervenção na área das NEE O trabalho desenvolvido pelos docentes. é fundamental no processo de desenvolvimento curricular. claro o papel central que o professor assume na gestão e na construção das aprendizagens pretendidas para todos os alunos. ao não se centrar exclusivamente nos problemas dos alunos e ao permitir pôr em causa uma série de factores de natureza contextual. grosso modo. Tais princípios terão que ser operacionalizados através de estratégias de diferenciação pedagógica as quais se traduzem. métodos e estratégias que contemplem desde o grande grupo ao aluno individual e que requerem diferentes formas de organização do espaço. devendo ter sempre por base os dados obtidos através de uma avaliação abrangente.

por outro. na introdução de medidas do regime educativo especial as quais implicam. no âmbito das estratégias de diferenciação pedagógica acima referenciadas e. formas e critérios de avaliação a utilizar e a estruturação do tempo dedicado às aprendizagens.Avaliação e intervenção na área das NEE No caso dos alunos identificados com NEE de carácter prolongado. Para o efeito terão que se ter em consideração os componentes Adaptações curriculares para alunos com NEE de carácter prolongado essenciais do currículo passíveis de serem sujeitos a modificações. p. Isabel e Leite. Teresa. ou seja. passando por adequações ao nível das estratégias e das actividades a desenvolver.107) _______________________________________________________________________________ 23 . modificações mais profundas no currículo comum. devendo estas partir sempre de um menor para um maior afastamento do currículo comum. dos recursos educativos a afectar. conforme se pode observar na figura seguinte: Níveis de adaptação curricular C a i xa 6 N ível 1 2 3 4 5 6 7 E lem entos C urriculares O rganização e disposição do espaço E stratégias e actividades R ecursos educativos M om entos. até adequações mais profundas ao nível dos objectivos e conteúdos. form as e critérios de avaliação E struturação do tem po C onteúdos O bjectivos R elação com o currículo com um M enor afastam en to do currículo com um M aior afastam ento do currículo com um (Madureira. as modificações a introduzir nos respectivos processos de ensino/aprendizagem ir-se-ão inserir. 2003. necessariamente. dos momentos. de adequações ligeiras ao nível da organização e disposição do espaço. por um lado.

(iii) necessidade de aprendizagem de técnicas ou conteúdos curriculares específicos (ex: Braille. ou seja. A aplicação da modalidade de Educação Especial passa assim a ter que ser equacionada com base num processo sério e rigoroso Aspectos a considerar na aplicação da modalidade de Educação Especial de recolha e análise de informação diferenciada passível de se determinar com exactidão os seguintes aspectos: (i) dificuldades acentuadas do aluno em aceder ao estabelecido no projecto curricular de turma. nos podemos confrontar. de modo a melhor se poder efectuar.Avaliação e intervenção na área das NEE A elaboração deste tipo de adequações vai exigir aos responsáveis pelas mesmas. (ii) necessidade de intervenção docentes de de profissionais especializados. por vezes. por outro. o conhecimento profundo da estrutura e dos conteúdos do Currículo Nacional. Nestas circunstâncias. nomeadamente. As adaptações ao nível dos objectivos e conteúdos são. competências sócio-cognitivas). língua gestual portuguesa. o cálculo da discrepância existente entre o desempenho actual dos alunos para os quais se vão efectuar as referidas adequações curriculares e o que seria esperado tendo em consideração a faixa etária dos mesmos e. (v) necessidade de redução do número de alunos na turma. (iv) necessidade de alterações das condições de frequência e de avaliação. tornando-se necessário ter em consideração as diferentes perspectivas curriculares com as quais. educação especial. por um lado. a este nível. das competências. Adaptações curriculares ao nível dos objectivos e conteúdos aquelas que vão exigir alterações mais profundas no currículo comum podendo as mesmas traduzir-se na substituição. o tipo e o nível de adequações a efectuar. o currículo regular deixa de constituir a única e/ou principal referência no âmbito da selecção dos objectivos e conteúdos mais adequados aos alunos. de facto. se torna necessário recorrer a outro tipo de currículos para estruturar a resposta educativa ao aluno. eliminação e/ou introdução dos referidos objectivos e conteúdos pelo que. _______________________________________________________________________________ 24 . que se espera que todos os alunos desenvolvam ao longo dos vários anos e ciclos de escolaridade. gerais e específicas.

cit in: Bénard da Costa et al. 1996 _______________________________________________________________________________ 25 . da comunicação e da autonomia pessoal. De um modo geral. os currículos desta natureza encontram-se subdivididos pelas diferentes áreas de desenvolvimento (desenvolvimento perceptivo. sendo cada área. por seu turno. não devendo haver alteração nessa ordem. baseiam-se Currículos de modelo funcional essencialmente na análise dos ambientes de vida da criança e do jovem com deficiência e das competências necessárias ao seu funcionamento o mais autónomo e eficiente possível nesses mesmos ambientes. _____________ 1 Brown. Deste modo considera-se que a ordem lógica que deverá presidir à elaboração do conteúdo curricular dos alunos é a do desenvolvimento normal. os pré-requisitos de outras que se lhe seguem.Avaliação e intervenção na área das NEE No nosso país. Os currículos de modelo funcional. estando estes geralmente enquadrados num dos seguintes modelos: o modelo curricular desenvolvimentalista e o modelo curricular funcional. acompanhando-se os pequenos passos que constituem a evolução do desenvolvimento humano1. tem sido sobretudo ao nível da organização da resposta educativa para crianças e jovens com limitações intelectuais acentuadas que mais se tem investido relativamente à elaboração de currículos específicos/especiais. por sua vez. subdividida em objectivos gerais e específicos. Os currículos de modelo desenvolvimentalista têm por base a Currículos de modelo desenvolvimentalista “teoria dos estádios” desenvolvendo-se o currículo da “base para o topo”. das relações interpessoais. constituindo muitas das aquisições efectuadas ao longo do processo evolutivo infantil. entre outros). cognitivo. bem como pelas actividades em relação às quais se determinam as competências exigidas para as realizar. motor. 1979..

1996. da Comunidade. aumento do número de ambientes e do contacto social. gestão e implementação de recursos e medidas diferenciadas a introduzir no processo de ensino e de aprendizagem de crianças e jovens com NEE de carácter prolongado. Em todo o processo de adequação do Currículo Nacional às Papel do docente de educação especial na organização da resposta educativa a alunos com NEE de carácter prolongado necessidades educativas especiais evidenciadas pelos alunos. participar na organização. cit in: Costa et al.. possibilidade de prática. nomeadamente. no âmbito do agrupamento de escolas a que pertence. 1996. 2 Brown 1979.. Após se delinear e inventariar os ambientes e sub-ambientes em que os alunos funcionam ou podem vir a funcionar no futuro. 1989. e sobretudo no que se refere às adequações de carácter mais profundo. e de acordo com Brown2. torna-se necessário seleccionar as actividades de aprendizagem que melhor poderão proporcionar o desenvolvimento de competências funcionais.Avaliação e intervenção na área das NEE Tratam-se de currículos estruturados do “topo para a base” podendo ser definidos como “currículos que têm como objectivo facilitar o desenvolvimento das competências essenciais à participação numa variedade de ambientes integrados”1. e de acordo com Brown3 deveremos ter por base. 3 Brown 1986 _______________________________________________________________________________ 26 . entre outros. da Escola. As áreas em que os currículos de modelo funcional se subdividem prendem-se com os ambientes onde decorre a vida de todos os indivíduos. ____________________ 1 Falvey. adequação à idade cronológica. o papel do docente de educação especial assume uma particular importância uma vez que este tem como principal função. as áreas da Casa. aos seguintes critérios: funcionalidade. Na selecção dessas actividades. cit in: Costa et al. utilidade na vida adulta e correspondência às expectativas dos pais e interesses do aluno. da Recreação e do Lazer e do Trabalho.

(ii) implementação de um trabalho cooperativo entre os diferentes intervenientes no processo educativo dos alunos. em função da especificidade de cada situação.Avaliação e intervenção na área das NEE A sua acção deverá assim ser encarada numa perspectiva transversal. abarcando os vários níveis de educação e ensino. Neste sentido. salas de aula. participar activamente no processo de identificação e implementação de respostas educativas diferenciadas em contextos integrados e promissores de uma efectiva aprendizagem e participação de todos os alunos. nomeadamente. integradora das aprendizagens e conhecimentos dos alunos nos diferentes contextos educativos. entre outros. (iii) alargamento da intervenção directa a uma grande diversidade de contextos educativos. Para o efeito dever-se-á ter por base toda uma série de possibilidades deixadas em aberto por uma intervenção flexível que contemple. encontrar-se-á numa posição privilegiada para. salas de apoio. os seguintes aspectos: (i) eficaz gestão e optimização dos recursos existentes na escola e na comunidade envolvente. unidades especializadas. domicílios e outros espaços da comunidade. _______________________________________________________________________________ 27 .

Lisboa: Instituto de Inovação Educacional. C. F. Santos. Gestão Curricular: Fundamentos e Práticas. • Ribeiro. • Zabalza. Incapacidade e Saúde (CIF) . Porto: Edições Asa.N. M. Desenvolvimento Curricular. Currículos Funcionais. San Diego: College Hill Press. IThe « Why Question » in Instructional Programs for People who are Severely Intellectually Disable. Classificação Internacional da Funcionalidade. Lisboa: Direcção Geral de Saúde. 139-153. J.Avaliação e intervenção na área das NEE Referências Bibliográficas: • Bénard da Costa.. A . Necessidades Especiais de Educação. • Roldão. Pinto.. Planificação e Desenvolvimento Curricular na Escola. I. (1996). Calculator (Eds) Communication Asessment and Intervention for Adults with Mental Retardation.. M.M. J..V.R. et al (1986). L. Leite. (2001). Lisboa: Texto Editores.. In: Bredidian e S. M. Lisboa: Universidade Aberta. _______________________________________________________________________________ 28 . Leitão. (1999). T (2003). Lisboa: Ministério da Educação. • Madureira. • Brown. A. • OMS (2001). C. (1999). Fino.

Avaliação e intervenção na área das NEE Anexo 1 Roteiro de Avaliação _______________________________________________________________________________ 29 .

I. / Escola: ________________________ DESCRIÇÃO DA SITUAÇÃO DO ALUNO _______________________________________________________________________________ 30 .Avaliação e intervenção na área das NEE Documento de Trabalho PLANIFICAÇÃO DO PROCESSO DE AVALIAÇÃO (recolha de informação por referência à CIF) ROTEIRO DE AVALIAÇÃO DADOS DE IDENTIFICAÇÃO DO ALUNO Nome: _____________________________________________________ Data de Nascimento: _____ / ____ / ____ Ano de Escolaridade: _____ J.

Avaliação e intervenção na área das NEE EQUIPA PLURIDISCIPLINAR Nome Função/serviço a que pertence O QUE AVALIAR ? Funcionalidade e Incapacidade Categorias Informação a recolher 31 Dados já existentes Capítulos Código Descrição _______________________________________________________________________________ Componente: Funções do corpo .

Avaliação e intervenção na área das NEE ROTEIRO DE AVALIAÇÃO O QUE AVALIAR ? Funcionalidade e Incapacidade Categorias Capítulos Código Informação a recolher 32 Dados já existentes Descrição _______________________________________________________________________________ Componente: Actividade e participação .

Avaliação e intervenção na área das NEE ROTEIRO DE AVALIAÇÃO O QUE AVALIAR ? Factores Contextuais Categorias Informação a recolher 33 Dados já existentes Capítulos Código Descrição _______________________________________________________________________________ Componente: Factores ambientais .

Avaliação e intervenção na área das NEE _______________________________________________________________________________ Outros factores contextuais relevantes. incluindo factores pessoais 34 .

Avaliação e intervenção na área das NEE ROTEIRO DE AVALIAÇÃO Responsável pela recolha da informação: COMO AVALIAR ? Componentes Categorias Fonte de informação Instrumentos a usar Calendarizaç ão _______________________________________________________________________________ Factores Ambientais Actividade Participação Funções do Corpo 35 .

Documento de trabalho Anexo 2 Resultados da Avaliação _______________________________________________________________________________ 36 .

Síntese Descritiva Funções do Corpo Actividade e Participação Factores Ambientais Factores Pessoais _______________________________________________________________________________ 37 .Documento de trabalho Avaliação das Necessidades Educativas Especiais Resultados da avaliação Nome: ___________________ Idade: ____ Ano de escolaridade: ___________ PERFIL DE FUNCIONALIDADE 1.

9. 2 Este qualificador deve ser utilizado nas situações em que seja inadequado aplicar um código específico.Documento de trabalho 2.Deficiência ligeira.Deficiência grave. 1 _______________________________________________________________________________ 38 . não especificadas Funções do sistema hematológico Funções do sistema imunológico Funções da respiração Este qualificador deve ser utilizado sempre que não houver informação suficiente para especificar a gravidade da deficiência. dos sistemas hematológico e imunológico e do aparelho respiratório b410 b420 b429 b430 b435 b440 Funções cardíacas Funções da pressão arterial Funções cardiovasculares.Funções do aparelho cardiovascular. à frente de cada categoria.Não aplicável2 Qualificadores Capítulo 1 – Funções Mentais (Funções Mentais Globais) b110 Funções da consciência b114 Funções da orientação no espaço e no tempo b117 Funções intelectuais b122 Funções psicossociais globais b126 Funções do temperamento e da personalidade b134 Funções do sono (Funções Mentais Específicas) b140 Funções da atenção b144 Funções da memória b147 Funções psicomotoras b152 Funções emocionais b156 Funções da percepção b164 Funções cognitivas de nível superior b167 Funções mentais da linguagem b172 Funções do cálculo Capítulo 2 – Funções sensoriais e dor b210 Funções da visão b215 Funções dos anexos do olho b230 Funções auditivas b235 Funções vestibulares b250 Função gustativa b255 Função olfactiva b260 Função proprioceptiva b265 Função táctil b280 Sensação de dor Capítulo 3 – Funções da voz e da fala b310 Funções da voz b320 Funções de articulação b330 Funções da fluência e do ritmo da fala 0 1 2 3 4 8 9 Capítulos 4 .Deficiência moderada 3. 2. 4Deficiência completa.Não especificada1. Checklist Funções do Corpo Nota: Assinale com uma cruz (X). 8. o valor que considera mais adequado à situação de acordo com os seguintes qualificadores: 0. 1.Nenhuma deficiência.

Involuntário b770 Funções relacionadas com o padrão de marcha b780 Funções relacionadas c/ os músculos e funções do mov. voluntário b765 Funções relacionadas com o controle do mov.Documento de trabalho Qualificadores 0 1 2 3 4 Capítulo 5 – Funções do aparelho digestivo e dos sistemas metabólicos e endócrino b515 Funções digestivas b525 Funções de defecção b530 Funções de manutenção do peso b555 Funções das glândulas endócrinas Capítulo 6 – Funções genitourinárias e reprodutivas b620 Funções miccionais Capítulo 7 – Funções neuromusculoesqueléticas e funções relacionadas com o movimento b710 Funções relacionadas com a mobilidade das articulações b715 Estabilidade das funções das articulações b730 Funções relacionadas com a força muscular b735 Funções relacionadas com o tónus muscular b740 Funções relacionadas com a resistência muscular b750 Funções relacionadas com reflexos motores b755 Funções relacionadas com reacções motoras involuntárias b760 Funções relacionadas com o controle do mov. Outras funções corporais a considerar 8 9 _______________________________________________________________________________ 39 .

à frente de cada categoria.Dificuldade moderada 3. 4 Este qualificador deve ser utilizado nas situações em que seja inadequado aplicar um código específico. 4Dificuldade completa. o valor que considera mais adequado à situação ao nível do desempenho (o que o indivíduo faz no ambiente de vida habitual. 9.Não especificada3.Dificuldade grave. 1.Nenhuma dificuldade.Dificuldade ligeira.Não aplicável4 Qualificadores Capítulo 1 – Aprendizagem e Aplicação de Conhecimentos d110 Observar d115 Ouvir d130 Imitar d140 Aprender a ler d145 Aprender a escrever d150 Aprender a calcular d155 Adquirir competências d160 Concentrar a atenção d163 Pensar d166 Ler d170 Escrever d172 Calcular d175 Resolver problemas d177 Tomar decisões Qualificadores Capítulo 2 – Tarefas e exigências gerais d210 Levar a cabo uma tarefa única d220 Levar a cabo tarefas múltiplas d230 Levar a cabo a rotina diária Capítulo 3 – Comunicação d310 Comunicar e receber mensagens orais d315 Comunicar e receber mensagens não verbais d325 Comunicar e receber mensagens escritas d330 Falar d335 Produzir mensagens não verbais d340 Produzir mensagens na linguagem formal dos sinais d345 Escrever mensagens d350 Conversação d355 Discussão d360 Utilização de dispositivos e de técnicas de comunicação Capítulo 4 – Mobilidade d410 Mudar as posições básicas do corpo d415 Manter a posição do corpo d420 Auto-transferências d430 Levantar e transportar objectos d435 Mover objectos com os membros inferiores d440 Actividades de motricidade fina da mão d445 Utilização da mão e do braço d450 Andar d455 Deslocar-se Capítulo 5 – Auto-cuidados d510 Lavar-se d520 Cuidar de partes do corpo d530 Higiene pessoal relacionada com as excreções d540 Vestir-se d550 Comer 3 0 1 2 3 4 8 9 0 1 2 3 4 8 9 Este qualificador deve ser utilizado sempre que não houver informação suficiente para especificar a gravidade da dificuldade. 8.Documento de trabalho Actividade e Participação Nota: Assinale com uma cruz (X). _______________________________________________________________________________ 40 . 2. de acordo com os seguintes qualificadores: 0.

Documento de trabalho d560 Beber Capítulo 6 – Vida doméstica d620 Adquirir bens e serviços d630 Preparar refeições d640 Realizar o trabalho doméstico d650 Cuidar dos objectos domésticos Capítulo 7 – Interacções e relacionamentos interpessoais d710 Interacções interpessoais básicas d720 Interacções interpessoais complexas d730 Relacionamento com estranhos d740 Relacionamento formal d750 Relacionamentos sociais informais Capítulo 8 – Áreas principais da vida d815 Educação infantil d820 Educação escolar d825 Formação profissional Capítulo 9 . social e cívica d910 Vida comunitária d920 Recreação e lazer Outros aspectos da Actividade e Participação a considerar _______________________________________________________________________________ 41 .Vida comunitária.

construção e acabamentos de prédios para uso privado Capítulo 2 – Ambiente Natural e Mudanças Ambientais feitas pelo Homem e225 Clima e240 Luz e250 Som Capítulo 3 – Apoio e Relacionamentos e310 Família próxima e320 Amigos e325 Conhecidos.Facilitador/barreira moderado 3Facilitador/barreira grave. práticas e ideologias sociais Capítulo 5– Serviços. à frente de cada categoria. construção e acabamentos de prédios de utilização pública e155 Arquitectura. Sistemas e Políticas e515 Relacionados com a arquitectura e a construção e540 Relacionados com os transportes e570 Relacionados com a segurança social e575 Relacionados com o apoio social geral e580 Relacionados com a saúde e590 Relacionados com o trabalho e o emprego e595 Relacionados com o sistema político Outros factores ambientais a considerar _______________________________________________________________________________ 42 . de acordo com os seguintes qualificadores: 0.Nenhum facilitador/barreira 1.) se a está a considerar como barreira ou com o sinal (+) se a está a considerar como facilitador. com (. para cada categoria.Facilitador/barreiracompleto. 4. colegas e membros da comunidade e440 Atitudes individuais de prestadores de cuidados pessoais e assistentes pessoais e450 Atitudes individuais de profissionais de saúde e465 Normas.Não especificada. vizinhos e membros da comunidade e330 Pessoas em posição de autoridade e340 Prestadores de cuidados pessoais e assistentes pessoais e360 Outros profissionais Capítulo 4– Atitudes e410 Atitudes individuais dos membros da família próxima e420 Atitudes individuais dos amigos e425 Atitudes individuais de conhecidos. pares. a recreação e o desporto e150 Arquitectura. As diferentes categorias podem ser consideradas enquanto barreiras ou facilitadores. medicamentos) e115 Para uso pessoal na vida diária e120 Para facilitar a mobilidade e o transporte pessoal e125 Para a comunicação e130 Para a educação e135 Para o trabalho e140 Para a cultura. Assinale com uma cruz (X). 2.Documento de trabalho Factores Ambientais Nota: Podem ser tidas em consideração todas as categorias ou apenas aquelas que se considerem mais pertinentes em função da condição específica da criança/jovem. 8.Facilitador/barreira ligeiro.Não aplicável Qualificadores Barreira ou facilitador 0 1 2 3 4 8 9 Capítulo 1 – Produtos e Tecnologia e110 Para consumo pessoal (alimentos. 9. Assinale. o valor que considera mais adequado à situação. pares. colegas.

Documento de trabalho TOMADAS DE DECISÃO 1. Necessidade de educação especial (assinale com uma cruz) a) Não se confirma a necessidade de uma intervenção especializada de educação especial b) Confirma-se a necessidade de uma intervenção especializada de educação especial 1. tendo em consideração a limitação mais acentuada ao nível do seu funcionamento nos diferentes domínios Tipificação das NEE Comunicação.2 Se assinalou a opção b) assinale com uma cruz a categoria de NEE.1 Se assinalou a opção b) identifique e fundamente a intervenção especializada de educação especial (medidas e recursos): 1. Motor e / Sensorial Saúde física 43 . fala e linguagem Emocional Sensorial Cognitivo Audição e visão Audição Visão Motor Data: _____ / _____ / ____ Assinaturas dos intervenientes: _______________________________________________________________________________ Cognitivo.

Documento de trabalho _______________________________________________________________________________ 44 .

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