ANAMNESE

Na colheita da anamnese do doente pulmonar há aspectos que não podem ser esquecidos sendo fundamental e obrigatório: - Caracterizar o início, duração, intensidade e tipo de sintomas, assim como a sua periodicidade. - Investigar as características e modificações sintomáticas. - Pormenorizar as condições e ambiente laboral ou ocupacional e analisar eventuais relações com os sintomas. - Pormenorizar o tipo e a natureza dos produtos do local de trabalho. - Interrogar e analisar em profundidade todas as doenças anteriores, nomeadamente as do foro respiratório (superior e inferior). - Investigar doenças familiares e de conviventes. - Inquirir sobre os hábitos tabágicos e modo de consumo, assim como sobre os hábitos alcoólicos. - Conhecer medicações anteriores ou em curso e eventuais alergias.
SEXO

A patologia respiratória varia consoante o sexo do doente. O carcinoma do pulmão é mais frequente nos homens, enquanto que a asma brônquica é cerca de duas vezes mais frequente nas mulheres. A asma relaciona-se com a produção de imunoglobulinas que está associada com a produção de estrogénios que levam à libertação de serotonina e, por conseguinte, à doença.
IDADE

As broncopneumonais são mais frequentes nos velhos e nas crianças devido à perda da elasticidade pulmonar (redução da capacidade mucociliar de expulsar os organismos), no primeiro caso, e devido à activação bacteriana por modificações de temperatura, no segundo caso. A asma é mais frequente em crianças que contactam pela primeira vez com o alergeno, quando o sistema imunitário não está maduro ou houve alterações genéticas pré-determinadas.

RESIDÊNCIA

A humidade ambiente cria condições propícias ao desenvolvimento bacteriano. Por outro lado, o local de residência pode influenciar as patologias respiratórias. Em Portugal, a asma brônquica é mais frequente em Leiria devido à presença de um extenso pinhal.
RAÇA

As raças amarela e negra são mais susceptíveis a doenças respiratórias que a raça branca.
ANTECEDENTES FAMILIARES

Os síndromes alérgicos respiatórios têm um forte componente hereditário, bem como as capacidades imunológicas caracterizadas pelos índices alérgicos.
EXAME OBJECTIVO

INSPECÇÃO

Morfologia do tórax Deve-se ter em atenção as alterações que possam provocar perturbações da normal dinâmica respiratória. Caixa torácica - Assimetrias - Deformações: tórax em quilha, tórax em tonel Coluna vertebral - Cifose - Escoliose - Lordose Alterações cutâneas - Cianose - Circulação colateral - Erupções - Fístulas ou cicatrizes

Movimentos respiratórios A inspecção da dinâmica respiratória é de grande importância semiológica pois permite observar se a respiração é predominantemente do tipo abdominal ou torácica, assim como permite verificar a amplitude e a frequência dos movimentos respiratórios e movimentos antálgicos. Também pela inspecção pode verificar-se a existência de tiragem intercostal, supraesternal ou supraclavicular. São dados que possibilitam avaliar alterações estruturais e processos patológicos subjacentes, nomeadamente ventilatórios. - Tipo - Assimetrias respiratórias - Tiragem supra-esternal e/ou intercostal - Ritmo e frequência respiratória
PALPAÇÃO

A palpação do tórax permite colher dados importantes e verificar alterações sugestivas das modificações fisiopatológicas presentes no doente em análise. - Expansibilidade - Assimetrias torácicas - Pontos dolorosos - Alterações das mamas - Sensações tácteis anormais (atritos, pulsações) - Vibrações vocais (mantidas, diminuídas ou abolidas) - Modificações da traqueia (desvios e mobilidade) A palpação das vibrações vocais (frémito vibratório produzido na glote e transmitido até à parede torácica pela árvore traqueo-brônquica e parênquima pulmonar) deve ser além de sistematizada, feita de modo comparativo e simétrico nos dois hemitórax, com a palma da mão mas, preferentemente, com o bordo cubital da mão. As alterações do frémito toracovocal (diminuição ou aumento) devem ser interpretados de acordo, e conjuntamente, com os outros elementos do exame objectivo do tórax.

PERCUSSÃO

A percussão tem de ser suave e rítmica, para mais facilmente serem perceptíveis as diferenças de sonoridade. Para a avaliação torácica global é útil a percussão com uma pequena “palmada” nos diferentes níveis do tórax. No entanto, para se distinguirem pequenas alterações da sonoridade deve ser efectuada digitalmente, quer se utilize a percussão imediata (percussão directa da polpa do ou dos dedos sobre a caixa torácica) ou mediata (percussão como a anterior mas com a interposição de um dedo bem assente sobre o tórax e colocado nos espaços intercostais). A percussão digital mediata, percussão digito-digital ou método de Gerhardt, é a mais correntemente utilizada e a que se revela mais eficaz. Como na palpação das vibrações vocais, também na percussão devem ser utilizadas normas que implicam a sistematização e consequente comparação válida das áreas percutidas consoante as possíveis tonalidades sonoras obtidas. As alterações encontradas dependem obviamente da dimensão, volume e tipo de substância interposta. Assim, por exemplo, o som será maciço num grande derrame e sub-maciço num pequeno derrame. Do mesmo modo o grau de hipersonoridade será diferente no enfisema e no pneumotórax com colapso total. A percussão torácica posterior permite ainda avaliar a amplitude da excursão diafragmática que no indivíduo normal se situa entre os 3 e 6 cm na inspiração e expiração. AUSCULTAÇÃO Como na palpação das vibrações vocais e na percussão também a auscultação seve seguir as mesmas normas de observação sistematizada sequencial. A auscultação faz-se, na actualidade, através do estetofonendoscópio ainda que, na falta deste, seja possível a auscultação por aplicação directa do ouvido sobre o tórax. A auscultação permite detectar modificações dos ruídos normais provocadas pelos movimentos respiratórios que produzem um somatório de vibrações sonoras resultantes da passagem do ar na laringe e árvore traqueo-brônquica, da distensão do parênquima pulmonar e dos movimentos activos da caixa torácica.

Os processos patológicos podem condicionar o aparecimento de alterações auscultatórias importantes que conjugadas com os restantes elementos de observação permitem a sua perfeita avaliação e interpretação. No entanto, para se apreenderem aquelas alterações é necessário o conhecimento dos ruídos respiratórios da auscultação normal. Auscultação normal Na auscultação normal deve considerar-se: 1) a auscultação da respiração; 2) a auscultação da voz; 3) a auscultação peroral; 4) a ascultação da tosse e 5) a auscultação da percussão. Auscultação da respiração A auscultação da respiração deve ser feita com o doente a respirar com a boca aberta. - Sopro traqueal (ruído laringo-traqueal de Laennec) – é audível nos dois tempos respiratórios colocando o estetoscópio sobre a traqueia e a laringe (regiões esternal superior e supraesternal) e deve-se à normal passagem da corrente de ar inspirado e expirado na laringe e na traqueia. É mais audível na expiração porque as cordas vocais ficam mais próximas uma da outra. Na parte final da inspiração não se ouve porque o ar está a passar na periferia do pulmão. se for ouvido noutras regiões é sinal e patologia. - Murmúrio vesicular – audível em todo o tórax, ainda que com diferente intensidade consoante as estruturas das diversas áreas. Devido à turbulência do ar nos dois movimentos respiratórios, turbulência essa determinada pelas alterações do trajecto, angulações e redução do calibre brônquico e à distensão alveolar. Ouve-se em toda a inspiração e na fase inicial da expiração. Auscultação da voz A auscultação torácica da voz no indivíduo normal apenas permite ouvir uns sons confusos e longónquos. Se a voz é simplesmente ciciada não é perceptível. Auscultação peroral Colocando o estetoscópio em frente da boca aberta ouve-se, no indivíduo normal, um som soprado grave e contínuo quer na inspiração quer na expiração. Auscultaçáo da tosse A auscultação torácica da tosse, quando não existe patologia subjacente, apenas permite ouvir um som longínquo.

atelectasias e derrames pleurais). A tosse pode ser classificada segundo o seu tipo e características: Tosse seca e irritativa Pode estar presente em processos extrapulmonares (pleurais. de defesa das estruturas pulmonares. estase. etc). otorrinolaringológicos) ou em processos broncopulmonares em fase inicial e/ou aumento das secreções brônquicas (traqueobronquite aguda. e úlceras). reflexo ou consciente. SINTOMAS A tosse. A tosse pode ser desencadeada por processos inflamatórios (edema. neoplasias. As vias aferentes nervosas que atingem o centro da tosse provêm dos receptores sensitivos das zonas reflexogénicas situadas nas estruturas laringo-traqueobrônquicas (aritnoideia. líquidos ou sólidos. compressões. cordas vocais. tuberculose. São ainda de salientar a dor torácica e as hemoptises pela sua frequência e importância sintomática. TOSSE A tosse é um acto. torções brônquicas. hiperémia. O complexo mecanismo da tosse é causado por um centro coordenador situado no bulbo. carina e esporões da divisão brônquica) e situadas em localizações extra-pulmonares (pleura. o som comparativo auscultado deve ser semelhante quando não existem alterações patológicas. véu do paladar.Auscultação da percussão Ao ser feita a percussão nos dois hemitórax ou no esterno. por agentes poluentes (fumo e gases tóxicos ou irritantes). corpos estranhos. por causas mecânicas (corpos estranhos. seios perinasais e órgãos abdominais). neurológicos. a expectoração e a dispneia podem considera-se a tríade sintomática major em Pneumologia. mediastínicos. por factores térmicos (inalação de ar frio ou quente) e por causas neuropsicogénicas (patológicas ou neuróticas). inalação de gases e fumos. . faringe. Consiste numa expiração forçada contra a glote parcialmente fechada. secreções. canal auditivo. próximo dos centros respiratório e do vómito. geralmente precedida de uma inspiração profunda.

Pode estar presente nas situações mais graves daquelas que desencadeiam a tosse rouca como o edema da glote. Tosse afónica É uma variante da anterior.). Tosse bitonal É devida à paralisia de uma corda vocal e caracterizada por ser constituída por dois sons roucos simultâneos.). da laringe. broncopneumonias. No adulto pode estar presente no aneurisma da crossa da aorta ou num tumor mediastínico com paralisia do nervo laríngeo recorrente e da corda vocal correspondente. tuberculose. etc. bronquiectasias. Surge em todos os processos patológicos acompanhados de hipersecreção brônquica (tuberculose. Tosse emetizante É a tosse acompanhada de vómito desencadeada pelos movimentos antiperistálticos do estômago. localizado junto ao centro tussígeno. Tosse coqueluchóide Variante da tosse quintosa quando acompanha de uma inspiração sibilante. .Tosse produtiva É aquela que é acompanhada de expectoração. Tosse rouca Pode surgir nos processos patológicos das cordas vocais e da laringe (tumores. Tosse quintosa É caracterizada por sucessivos e muito próximos acessos de tosse seca e é devida à irritação do nervo vago ou do nervo laríngeo (processos mediastínicos. Nas crianças pode surgir por adenopatias que comprimem a traqueia e provocam lesão desigual no nervo laríngeo recorrente. secundários aos movimentos abdominais dos mecanismos de tosse ou por estimulação do centro do vómito. Pelo seu timbre extremamente grave também é chamada de tosse canina ou tosse de cão. bronquite crónica. laringite. da traqueia e carina). etc.

secreções orais. É frequente na asma. A expectoração surge quando existe hipersecreção brônquica devida a inflamação. homogénea. Tosse sincopal Contrariamente à anterior. tóxicos ou nervosos. É devida a transudação serosa alveolar como sucede no edema pulmonar agudo. É devida à anoxia cerebral desencadeada pela tosse que por aumento da pressão intratorácica condiciona hipertensão intracraneana venosa e isquémica cerebral. . sendo quase que patognomónica se se demonstrar a presença de eosinófilos. Aliás.Pode surgir como consequência da tosse quintosa ou coqueluchóide e é mais frequente nas crianças. são as secreções brônquicas que condicionam este sintoma nas entidades nosológicas do foro pneumológico. conforme acontece nos processos supurativos broncopulmonares. infecção ou irritação do aparelho mucosecretor. secreções salivares e secreções nasais sendo as primeiras as suas mais importantes constituintes. espumosa e de cor amarelada ou rosada. Tem aspecto de clara de ovo e observa-se nos processos patológicos de hipersensibilidade. Podemos classificar a expextoração quanto à quantidade (escarro ou broncorreia se superior a 400-500 ml/dia). sendo de relembrar que a sua normal formação não se traduz por expectoração. EXPECTORAÇÃO A expectoração é formada pelas secreções brônquicas. forma. surge mais frequentemente nos indivíduos idosos. viscosidade. cor. Expectoração serosa Geralmente é abundante. inflamatórios. cheiro e sabor. O aumento da secreção brônquica a expulsar pela expectoração pode ainda ser devida a retenção por ineficácia da clearance mucociliar. ainda que possível em crianças com tosse convulsa. Expectoração mucosa Devida a uma exagerada secreção das glândulas mucosas.

no início das pneumonias a Pneumococus. de tonalidade acizentada e que surge. . por exemplo. a expectoração mucopurulenta abundante e coincidente com nítidas posições de drenagem sugere a existência de bronquiectasias. de cor amarela ou esverdeada. Expectoração hemoptoica Demonstrativa da presença de sangue na expectoração. surgir em quase todas as entidades do foro pneumológico. frequentemente. Expectoração mista Quando a expectoração é constituída pela mistura. hemopurulenta. Assim. Expectoração pseudomembranosa Expectoração em que se identificam placas de tecido necrosado como pode suceder nos processos neoplásicos e necrosantes do pulmão. etc. dos dois tipos de expectoração atrás referidas. do rosado ao avermelhado escuro. e consoante os seus constituintes. contudo. Denomina-se então. por exemplo. aponta para supurações broncopulmonares devidas a agentes microbianos anaeróbios. cheiro e cor da expectoração podem ser importantes indicadores semiológicos. Nas pneumonias a Klebsiella pneumoniae é frequente a expectoração tomar uma tonalidade vermelho-escura suja. Quando a tosse é acompanhada de expulsão de sangue puro deve antes falar-se de pequena hemoptise. Expectoração fibrinosa Expectoração muito viscosa. A sua tonalidade. Constituída especialmente por pús é característica dos processos supurativos (bronquiectasias ou cavidades tuberculosas por exemplo). A expecctoração fétida. de seromucosa. De refereir que o volume. Assim. A expectoração hemoptóica viva pode. mucopurulenta. a expectoração vermelha escura é sugestiva de secreções hemáticas retidas no aparelho respiratório e a cor ferruginosa ou de tijolo sugere a pneumonia lobar em evolução. varia consoante o tipo e quantidade de sangue presente. em várias proporções.Expectoração purulenta Expectoração opaca. por seu lado. O seu aspecto é semelhante ao encontrado na difteria.

6) contracção e retracção exageradas da parede abdominal. Assim. ou pode resultar. dispneias por perturbações nervosas 3. Nestes casos é um sinal para além de um sintoma semiológico. traqueais e/ou brônquicas . Contudo. 5) adejo nasal. a dispneia deve ser considerada de modo mais lato para poder ser um dado objectivo como sucede no doente em coma ou com ataque asmático. 3) aumento do tempo expiratório. dispneias por perturbação da condução do oxigénio ao sangue devidas a alterações da ventilação e alterações da relação ventilação-perfusão (difusão) 2. supraclavicular. intercostal e epigástrico). dispneias por perturbações metabólicas Dispneias por perturbação da condução do oxigénio ao sangue Este grupo de dispneias. uma redução da oxigenação sanguínea e uma retenção do anidrido de carbono. Como se sabe as causas etiopatogénicas da dispneia são múltiplas. Na realidade. Classicamente costumam-se classificar: 1. pode observar-se 1) aumento da frequência respiratória. o mais frequente. DISPNEIA Etimologicamente dispneia significa respiração difícil e pode definir-se como uma sensação subjectiva de desconforto ou dificuldade respiratória.Também as modificações da purulência da expectoração e do seu volume são importantes na avaliação evolutiva da infecção e na apreciação da eficácia da terapêutica instituída. Dispneia por alterações da ventilação Obstáculo à livre condução de ar na árvore laringo-traqueo-brônquica: ▪ estenoses laríngeas. é causado por alteração ventilatõria de etiopatogenias diversas que condicionam uma deficiente renovação de ar a nível das unidades funcionais respiratórias de que resulta. Estas dispneias são devidas a alterações da ventilação e a alterações da relação ventilação-perfusão. a observação de um doente com dispneia permite constatar um esforço suplementar ou diferente que está a ser feito no acto da respiração (inspiração e expiração). 2) tiragem (retracção e afundamento supraesternal. 4) aumento exagerado da amplitude da caixa torácica.

Dispneia por alterações da relação ventilação/perfusão ▪ Alterações importantes da distribuição ventilatória (obstrução bronquiolar difusa) ▪ Redução do número de alvéolos funcionantes (atelectasia. ressecções cirúrgicas. síndrome de dificuldade respiratória do adulto) ▪ Alterações hematológicas (poliglobulia. pulmão evanescente. Lesão dos centros nervosos centrais ▪ doenças bulbares ▪ encefalites ▪ hipertensão craneana ▪ acidente vascular cerebral . edema) ▪ Destruição dos septos alveolares e dos capilares pulmonares (enfisema pulmonar. etc. aumento da velocidade circulatória pulmonar) Dispneias por perturbações nervosas É habitual incluir neste grupo de dispneias todas as situações nosológicas do sistema nervoso e/ou periférico que possam desencadear alterações respiratórias. enfisema bolhoso) ▪ Aumento do espaço morto (tromboembolismo pulmonar) ▪ Aumento da espessura da “barreira alvéolo-capilar” (fibrose pulmonar difusa.▪ Corpos estranhos ▪ Tumores ▪ Asma ▪ Inundação brônquica Perturbações mecânicas: ▪ Derrame pleural ▪ Pneumotórax ▪ Encarceração pleural ▪ Rigidez do parênquima pulmonar ▪ Paralisia dos músculos respiratórios ▪ Obesidade (síndorme de Pickwick) ▪ Doenças ósseas do tórax.

Este tipo de respiração ampla pode encontrar-se ainda em situações de hipóxia das grandes altitudes ou em situação em que haja grande consumo de oxigénio em repouso. frequente nas afecções do sistema nervoso central ou da dispneia de tipo Kussmaul nas situações de acidose. Agudas ▪ De origem cardíaca ▪ Asma brônquica ▪ Embolia pulmonar ▪ Pneumotórax ▪ Corpos estranhos . Assim. É o caso da dispneia de tipo Cheyne-Strokes. Todas as situações referidas são susceptíveis de causar dispneia e eventual insuficiência respiratória (parcial ou global) no entanto a sua expressão clínica pode ser diversa.Lesão dos nervos periféricos ▪ poliomielite ▪ esclerose em placas ▪ fractura da coluna Dispneia por perturbações metabólicas São as dispneias que surgem no coma diabético ou na urémia. as dispneias podem classificar-se em agudas e crónicas sendo de realçar que estas últimas podem ser permanentes quando sem intervalos livres. devidas a cidose e que se caracterizam por grande amplitude dos movimentos respiratórios. e do decúbito (ortopneia) nas cardiopatias. alergias por exemplo) ou demonstrar a influência do esforço nas dispneias de causa cardíaca e respiratória. Do ponto de vista clínico. para a caracterização da dispneia é de importância crucial uma correcta anamnese que pode identificar factores desencadeantes (corpos estranhos endobrônquicos. o ritmo e amplitude dos movimentos respiratórios dão indicações preciosas sobre o processo patológico em causa. Classificação da dispneia quanto ao modo de aparecimento Quanto ao seu início e modo de aparecimento.

Classificação da dispneia quanto ao ritmo O ritmo respiratório normal é de 16 a 20 ciclos por minuto. Ponopneia quando há dor no decúbito lateral homolateral da lesão. por vezes. Nos doentes com platipneia pode existir também ortodeoxia (hipoxémia que se agrava em posição ortostática nelhorando com o decúbito). Possiveis causas: .Crónicas ▪ Enfisema pulmonar ▪ Bronquite crónica ▪ Sequelas de tuberculose ▪ Sequelas pleurais extensas ▪ Insuficiência cardíaca Classificação da dispneia de acordo com a posição corporal A maioria das dispneias de origem pulmonar não são desencadeadas pelo decúbito o que permite a sua distinção com as dispneias de causa cardíaca. Platipneia Nas situações clínicas em que exista um importante curto circuito direito esquerdo pode surgir platipneia (dispneia ortostática que alicia com o decúbito). Pode surgir nos doentes cardíacos (intolerância para o decúbito lateral esquerdo) ou nos doentes com derrame pleural ou pneumotórax. é desencadeada pelo próprio decúbito pelo contacto com os alergenos do leito. dado que contudo. é importante pela diferença de aparecimentos em outros locais de decúbito. As dispneias inspiratórias são quase sempre devidas a obstrução alta e que se acompanham de tiragem e estridor. A asma brônquica é uma excepção a esta regra pois não só se agrava com o decúbito como. Trepopneia É a dispneia de surge em decúbito lateral. e que o doente asmático tem uma dispneia expiratória. Bradipneia Quando o ritmo respiratório está abaixo dos 16 ciclos por minuto diz-se que o doente está com bradipneia.

desiquilíbrios electrolítico. O aumento da amplitude designa-se por polipneia e pode surgir numa situação de acidose láctica. ▪ Obstrução parcial da traqueia desencadeia um mecanismo de defesa do centro respiratório. A diminuição progressiva do oxigénio promove inspiração e expiração prolongadas para aproveitar ao máximo o oxigénio disponível.▪ Diminuição da actividade do centro respiratório (enfarte ou tromboses múltiplas) ▪ Diminuição dos níveis de oxigénio. Dispneias parietais A causa mais frequente é a fractura costal têm como característica principal serem dispneias com respiração superficial e trepopneicas e acompanhadas de dor torácica. Na fase mais tardia aparece polipneia devido ao aumento da concentração de dióxido de carbono. Taquipneia Corresponde a uma respiração rápida por aumento da frequência (mais de 20 ciclos por minuto) com aumento ou diminuição da amplitude. laringite diftérica. Quando a respiração do doente apresenta-se com aumento da frequência e diminuição da amplitude resulta uma respiração superficial. diabetes e insuficiência renal. A taquipneia surge quando se ultrapassa o limite de tolerância de dióxido de carbono. Dispneias traqueais São semelhantes às laríngeas com a diferença semiológica importante dos doentes terem a cabeça em anteflexão. . corpos estranhos). Classificação topográfica e clínica da dispneia Dispneias laríngeas São geralmente bradipneias inspiratórias acompanhadas de estridor e tiragem e o doente coloca a cabeça em retroflexão para tentar facilitar a entrada do ar (neoplasias obstrutivas. como pode acontecer na insuficiência pulmonar e na insuficiência cardíaca. Dispneias mediastínicas A causa mais frequente são os processos neoplásicos por compressão. ▪ Diminuição da capacidade funcional do diafragma e do nervo frénico.

Dispneias psíquicas Caracterizam-se por uma polipneia superficial e hiperventilação e são próprias dos doentes neuróticos e /ou ansiosos sem substracto orgânico. Costuma haver tiragem supraesternal e epigástrica e hipomobilidade abdominal com diminuição das excursões diafragmáticas. a dispneia apresenta-se como bradipneia expiratória. suado. com o tórax em posição inspiratória. Dispneias nervosas A dispneia de Cheyne-Stokes ou a dispneia com arritmia respiratória são secundárias a lesão grave do sistema nervoso central. Dispneias pulmonares Encontra-se um doente com polipneia superficial de pequena amplitude (fibrose pulmonar). insuficiência cardíaca esquerda) ou por . ansioso.Dispneias traquoebrônquicas A causa mais frequente é a asma sendo a dispneia principalmente expiratória e com bradipneia devida à obstrução difusa dos brônquios e bronquíolos. No enfisema em que há perda de elasticidade pulmonar e obstrução bronquiolar. Assiste-se ao esforço suplementar dos músculos expiratórios acessórios que não funcionam em condições fisiológicas. À auscultação considera-se como tipico desta patologia as crepitações finas e secas.de que será exemplo os tumores e os corpos estranhos – é frequente encontrar-se hipomobilidade do respectivo tórax e à auscultação pode encontrar-se um sibilo fixo bastante característico ou sinais de atelectasia. O doente em crise está ortopneico. Quando o processo patológico é unilateral . Tipos particulares de dispneia Dispneia de Cheyne-Stokes A dispneia de Cheyne-Stokes ou ciclopneia ou dispneia periódica surge por déficit de irrigação cerebral (aterosclerose. Dispneias pleurais As pleuresias e o pneumotórax são situações de dificuldade respiratória em que é vulgar a trepopneia com polipneia e dor torácica.

sonolência. miose. Respiração de Biot É uma dispneia de causa central. O tratamento implica respiração assistida e a administração de antídoto no caso de uma intoxicação por agente conhecido. . Durante a fase decrescente ocorre uma série de respirações que vão diminuindo progressivamente de amplitude e frequência até ocorrer uma paragem respiratória de cerca de 10 a 15 segundos. É sugestiva de lesões do centro respiratório como memingite. etc. Este aspecto deve-se a que os bronquíolos. podendo mesmo dizer-se que grande parte das doenças pneumológicas evoluem sem qualquer manifestação dolorosa. É caracterizada por três fases: apneica. Consiste em breves pausas apneicas sucessivas. crescente e decrescente. o que constitui a fase crescente. Ao atingir o limiar de capacidade de estimulação do centro respiratório. inconsciência e diminuição da tensão arterial. intoxicação por monóxido de carbono). À inspecção o doente com coma diabético apresenta um hálito a maças reineta e a urina se estiver com IRA. embora nos intervalos a respiração seja regular e a amplitude normal. TORACALGIA É um sintoma multifacetado e que nem sempre é de causa respiratória. Após cada apneia o dióxido de carbono eleva-se e estimula novamente o centro respiratório e a respiração aumenta progressivamente de amplitude e frequência. o parênquima pulmonar e a pleura visceral são desprovidos de sensibilidade. Surge em situações de cetoacidose como no coma diabético e na hiperuricémia por insuficiência renal aguda. Dispneia de Kussmaul É caracterizada por duas fase: uma primeira constituida por uma inspiração forçada. a respiração pára mas por metabolismo intermediário o aumento do pH (alcalose) condiciona um novo ciclo respiratório. profunda e lenta e uma segunda de expiração brusca e rápida. Num doente em coma ou com perturbações psicológicas de transmissão de dados é necessário ter atenção a alguns indicadores da gravidade da intoxicação: cianose. intoxicação medicamentosa.hipoexcitabilidade do centro respiratório (traumatismo craniano. tumores ou hematoma. Uma causa habitual desta dispneia é a intoxicação por drogas depressoras do centro respiratório.

intensidade e localização da toracalgia. pode ter importância semiológica a caracterização do tipo. No entanto. da dor “ardente” sugerindo patologia inflamatória do esófago. Ainda que dependente de diversos factores. da dor vaga.Nervos: herpes zoster. factores desencadeantes.Por outro lado. contínua e incómoda que sugere envolvimento mediastínico. o esófago. Na avaliação da toracalgia é decisivo o conhecimento da topografia das estruturas nervosas envolvidas no fenómeno doloroso e sua respectiva projecção torácica e/ou extratorácica o que possibilita uma orientação sobre a sua origem. periodicidadem duração. a caixa torácica. infecciosa ou traumática. traumatismos e compressões de nervos intercostais ou de raízes nervosas. como o limiar da sensibilidade dolorosa ou a extensão e gravidade do processo nosológico. . são tantas as causas e origens possíveis da toracalgia que só um raciocínio clínico ponderado permitirá a sua interpretação. etc. etc. da dor tenebrante e latejante apontando para o aneurisma dissecante. o diafragma. . Assim. a toracalgia pode ser localizada (quando limitada ao local da genese da dor).Músculos: mialgias de causa inflamatória. Também é importante o conhecimento das diversas formas como a dor torácica se pode apresentar. conhecimento que se torna fundamental para uma correcta interpretação da toracalgia como dado semiológico. Não esquecer que a toracalgia pode ser consequente a processos patológicos intra-abdominais conforme será adiante particularizado. É o caso da dor aguda. De facto.. irradiada (quando consequência da lesão de todo um trajecto nervoso) ou reflexa (quando sentida no metâmero superficial correspondente à origem do estímulo doloroso visceral). a traqueia. Parede torácica . da dor constritiva. a dor não deve ser interpretada isoladamente mas sim de acordo com os restantes elementos clínicos e semiológicos. etc. etc. intensa e em pontada sugestiva de compromisso pleural. opressiva e intensa com ou sem irradiação que deve alertar para a lesão cardíaca. os brônquios principais. são múltiplas as estruturas torácicas e intratorácicas com sensibilidade dolorosa e de que são exemplo a pleura parietal.

Assim.Traqueítes. neoplasias. etc.Mediastinites agudas. úlceras gástrica ou duodenal. espasmo do cárdia. . corpos estranhos. etc. penumotórax. etc. pancreatite. aneurisma dissecante da aorta (da média). Por outro lado. .Abcessos subfrénicos. neoplasias. Mediastino . etc. no nariz. Árvore traqueo-brônquica . mastodinia. traqueo-bronquite. HEMOPTISE Define-se hemoptise como a emissão pela boca de sangue puro. quando o doente refere este sintoma é imprescindível excluir que esse sangue tenha a sua origem na boca.. Pleura . ácido e precedido de naúseas e/ou vómitos). pneumomediastino. colecistite. é necessário distinguir a hemoptise da hematemese (sangue proveniente do aparelho digestivo que geralmente é escuro. pericardite. enfarte do miocárdio. etc. aortite luética. artrite. grandes aneurismas da aorta. bronquite aguda. tumores esofágicos. neoplasias. e qualquer que seja a sua quantidade. neoplasias. apendicite. Coração e pericárdio .Angina do peito. hérnia do hiato. Abdómen . pneumonias de localização justa-pleural. Diafragma . processos inflamatórios. rotura brônquica. proveniente do aparelho respiratório inferior.Mamas: mastites. prolapso da válvula mitral. tumores do mediastino. esofagites agudas ou crónicas. espondilartrose. hérnia do disco.Neoplasias gástricas.Ossos e cartilagens: traumatismos e fracturas costais ou vertebrais. peritonite. etc. síndrome póscardiotomia. na faringe ou na laringe.Pleresias. traumatismos.

nomeadamente dos tumores broncopulmonares. . a hemoptise é um sintoma que não deve ser menosprezado. não sendo tão extremistas. mesmo quando único e de pequena intensidade. em determinada fase da sua evolução.) e grandes (hemorragia superior a 500 c. Contudo. qualquer que seja a sua incidência nas doenças broncopulmonares é incontestável a sua importância como sintoma. Estas classificações das hemoptises segunda a sua intensidade e frequência têm pouco interesse do ponto de vista de caracterização etiológica. aceitar que mais de 90% das hemoptises se filiam naquela etiologia. que se mantém ou repete durante alguns dias. médias (hemorragia inferior a 500 c. segundo a sua frequência em hemoptises única. como era habitual há algumas dexenas de anos. No entanto.c. No entanto. aquele fervilhar só se verifica quando a perda sanguínea atinge determinado volume.Em geral.).c. Quanto à sua intensidade. De qualquer modo é difícil especificar qual a entidade nosológica broncopulmonar em que as hemoptises surgem com mais frequência pois os resultados encontrados por diferentes autores que se sebruçaram sobre o assunto apresentam disparidades apreciáveis. e hemoptise periódica que surge com intervalos de tempo mais ou menos regulares. pois pode ser um sinal revelador e de alarme e interesse indiscutível no diagnóstico precoce de determinadas entidades. considerar que hemoptise é sinónimo de tuberculose ou. hemoptise persistente. o doente apercebe-se do aparecimento da hemoptise pois esta é precedida de um fervilhar em determinado ponto do tórax a que se segue tosse desencadeada pelos reflexos tussígenos da árvore traqueo-brônquica. Genericamente pode dizer-se que a hemoptise pode surgir em qualquer processo broncopulmonar o que torna este sintoma muito frequente em Pneumologia pois aparece em 15% a 25% dos doentes broncopulmonares. pois não podemos já. as hemoptises podem classificar-se em hemoptises mínimas (emissão de sangue limitado a um ou vários escarros hemoptóicos puros). As hemoptises podem ainda ser consideradas. das quais a expressão máxima conducente à morte se denomina hemoptise fulminante.

mas intermitentemente. o que não se verifica na vómica. tromboembolismo pulmonar. quistos. quando colocada em copo graduado. doença de Waldenström e drepanocitose). Por outro lado. O líquido constituinte da vómica pode ter proveniência: ▪ broncopulmonar (abcessos. a seguir à eliminação a temperatura corporal baixa e sobe progressivamente à medida que o material purulenta vai acumulando. mas que devem ser correctamente valorizados no contexto do doente em estudo. linfomas. relativamente a outras situações essencialmente não broncopulmonares que podem surgir com este sintoma. No entanto. as hemopatias (doença de Werlhof. mieloma. são de considerar a patologia cardiovascular (cardiopatias congénitas. Vómica É a expulsão brusca. isto é.Convém porém não esquecer que as hemoptises não são apanágio dos processos patológicos broncopulmonares e que podem surgir noutros tipos de entidades nosológicas. hipertensão essencial ou secundária. Quando a colecção líquida não se esvazia de uma só vez. Assim. SINTOMAS MENORES Incluem-se nesta rúbrica os sintomas menos frequentes e menos característicos de doença pneumológica. qualquer que seja a entidade responsável por uma hemoptise. denomina-se de vómica fraccionada. leucemias. porém de modo súbito e abundante. certas valvulopatias. de grande quantidade de líquido purulento ou não. aneurismas e fístulas arterio-venosas). provavelmente da árvore respiratória (vómica massiva). certas alterações hormonais e a doença de Rendu-osler. trombocitémias secundárias. na expectoração a febre tem um padrão de secreção pois é tanto maior quanto maior a expulsão de material pela boca. em presença de um doente com esse sintoma torna-se fundamental não só determinar a sua causa etiológica como localizar e caracterizar a zona sangrante recorrendo a todos os necessários métodos complementares de diagnóstico. A distinção entre vómica e expectoração abundante faz-se pela observação da estratificação em camadas desta última. coagulopatias congénitas ou secundárias. coagulopatias de consumo. bronquiectasias). . a febre tem padrão de retenção na vómica. pela boca.

Febre Presente em muitos processos patológicos do foro respiratório. não têm características que orientem para um diagnóstico etiológico. pode ser o primeiro sintoma e sinal de paralisia do nervo recorrente por invasão neoplásica. precedidade de calafrio. também determina a sua intensidade. os valores da febre podem ser elevados e apresentar variações diárias importantes. . abcessos ossifluentes). não tem. para além de poder ser indicadora da existência de doença infecciosa local e pulmonar (tuberculose por exemplo). em planalto. Rouquidão A rouquidão. em formas de tuberculose mais grave ou noutras situações infecciosas como pneumonais e abcessos. Na pneumonia lobar é considerada característica a subida brusca da temperatura. mas inespecíficos. Soluços Os soluços são contracções clónicas do diafragma que podem surgir em lesões frénicas. de modo geral. e a sua manutenção. fétida e de cor achocolatada ou ainda esverdeada pela presença de bílis. na tuberculose pouco activa. distúrbios metabólicos e alterações bruscas de temperatura. pode limitar-se a valores vespertinos inferiores a 38ºC. ▪ extratorácica (abcessos subfrénicos. ▪ mediastiníco (mediastinites supuradas). Adinamia e astenia Presentes em muitos processs infecciosos agudos e/ou conuptivos.▪ pleural (empiema). aspectos semiológicos característicos. abcessos e quistos hepáticos. de certo modo. Anorexia e emagrecimento São sintomas frequentes. A vómica da rotura do quisto hidático é constituída por um líquido límpido (semelhante a “água de rocha”) de sabor salgado e nela podem ser identificadas membranas hidáticas de aspecto comparável a peles de uva. e dependentes da gravidade da situação clínica que. seguida de descida em lise ao fim de alguns dias. No entanto. Por outro lado. A vómica do abcesso hepático é geralmente fraccionada.

Ocorre quando a concentração de hemoglobina reduzida no sangue é superior a 5 g por cada 100 ml de sangue. nariz. ▪ cianoses por compromisso da barreira alveolo-capilar. ▪ cianoses por hipoventilação alveolar. ALTERAÇÕES DA COLORAÇÃO DA PELE E MUCOSAS Palidez Sugerindo anemia tão frequente em doenças crónicas e consuptivas. pontas dos dedos. Para a cianose tem importância o valor absoluto de hemoglobina e não a relação entre a hemoglobina reduzida e a hemoglobina total. Distinguem-se clinicamente das cianoses periféricas pela presença de cianose na face inferior da língua. anterior e posterior. um doente com policitémia pode desenvolver cianose enquanto num doente anémico será pouco provável. Os braços devem estar pendentes para se conseguir avaliar a distensibilidade torácia. leitos ungueais) uma tonalidade arroxeada. A deficiente oxigenação e saturação de oxigénio do sangue arterial pode originar: ▪ cianoses por curto-circuito (englobam todas as situações em que parte do sangue de circulação pulmonar passa por territótio alveolar não ventilado). Cianoses centrais As cianoses centrais são devidas a deficiente hematose. Icterícia Apontando para envolvimento hepato-biliar Cianose Presente quando existe um aumento da quantidade absoluta de hemoglobina no sangue ou quando a saturação hemoglobínica é deficiente o que conferem à pele e mucosas (lábios. . ▪ cianoses por baixa tensão de oxigénio no ar. que terá de ser igual do lado direito e esquerdo. O alargamento dos espaços intercostais à esquerda e à direita tem de ser homogénea.INSPECÇÃO A inspecção deve ser feita observando o doente sentado e despido da cintura para cima para se conseguir visualizar a dinâmica respiratória. Assim.

Se estiver com coloração nornal então a causa da cianose é periférica. ▪ Metahemoglobinémia ▪ Talassémia ▪ Hemoglobinémia fetal ▪ Hemoglobina de Kansas ▪ Anemia falciforme Em termos de semiologia diferencial a avaliação de um doente com cianose deve incluir a inspecção do freio da língua. Se também estiver cianosado a cianose é de origem central ou hematológica. ALTERAÇÕES DA FACE Fácies séptico Infecções graves.Cianoses periféricas As cianoses periféricas são devidas a redução da velocidade circulatória do sangue na periferia e consequente perda excessiva de oxigénio para os tecidos. a Doença de Raynaud) As cianoses das poliglobulias são devidas ao aumento absoluto da hemoglobulina reduzida. Fácies cushingóide Indicando corticoterapia prolongada Lesões da região malar e nasal sugestivo de lúpus eritematoso disseminado Herpes peribucal Aponta para pneumonia. São exemplo: ▪ Insuficiência cardíaca congestiva direita ▪ Obstáculo na circulação de retorno (flebite) ▪ Compressão dos troncos venosos ▪ Transtornos vaso-motores (por exemplo. Neste tipo de cianose as extremidades encontram-se frias para além de arroxeadas. Cianoses por alterações hemoglobínicas As cianoses por alterações hemoglobínicas devem-se a alterações bioquímicas. .

que pode ocorrer por tumores do mediastino ou trombose.Fácies tísica ou tuberculosa O doente apresenta pestanas compridas. Fácies mediastínica Doente com pestanas curtas. exoflatmia e aumento da fenda palpebral. Surge no contexto de um síndrome da veia cava superior. olhos brilhantes e palidez. enofltalmia e diminuição da fenda palpebral. cabelo baço e escasso. Observa-se ainda retracção dos vértices pulmonares. MODIFICAÇÕES DO NARIZ Obstrução e fácies adenoideia O doente tem a boca aberta resultante da obstrução naso-faríngea por hipertrofia adenóide. indicador de lesão ou compromisso do simpático cercico-torácico Síndrome de Pourfour de Petit – midríase. olhos e malares salientes. com sinais de dor e angústia. engurgitamento jugular (sinal de Kussmaul) com edema da face. Adejo nasal – evidencia dispneia grave ALTERAÇÕES DA BOCA Infecções dentárias e gengivais – podem alertar para a aspiração de material infectante Infecções micóticas da muca – aponta para uma redução de defesas local ou geral. pescoço e braços. . Fácies bronco-pneumónica Observa-se uma assimetria do tronco num doente com fácies contraído. indicador de lesão ou compromisso do simpático cercico-torácico. Nas crianças traduz-se por respiração bucal com os lábios semi-cerrados. Surge no contexto de uma eventual rinite alérgica ou sinusobroncopatia. olhos e bochechas encovadas. ALTERAÇÕES OCULARES Anisocoria e outras alterações pupilares Conjuntivite flictenar – pode associar-se à primo-infecção tuberculosa Exoflatmia – secundária a bócio intratorácico ou à sindrome de Hard-SchüllerChristian Síndrome de Claude-Bernard-Horner – miose. ausência de musculatura facial.

nas bronquiectasias e alterações da permeabilidade alveolar. É comum na presença de enfisema por retenção de grande quantidade de ar. ALTERAÇÕES DO PESCOÇO Nódulos ou aumento da tiróide Adenopatias Engurgitamento da jugular – indicativo de bstrução da veia cava superiot. recordando o tórax das aves.Telangiectasias bocais – frequentes nos aneurismas arteriovenosos pulmonares. Tórax piriforme Dilatado no terço superior e muito pequeno abaixo. . Sugere ptose dos órgãos abdominais ou problemas no diafragma. Esta conformação torácica é típica dos doentes asmáticos e resulta da atrofia dos músculos respiratórios inferiores. ALTERAÇÕES DO TÓRAX Movimentos respiratórios Os movimentos respiratórios devem produzir uma distensibilidade regular. Há um alargamento dos espaços intercostais e aumento diâmetro ânteroposterior do tórax. com expansão dos espaços intercostais e sem movimentos paradoxais. Assimetrias Pectum escavatum compressão do esterno com diminuição do diâmetro ântero-posterior do tórax. Tórax tísico Atrofia das partes moles. Tórax em tonel Aumento do diâmetro ântero-posterior e lateral do tórax. insuficiência cardíaca congestiva ou pericardite constritiva ou ainda engurgitamento venoso cervical do enfisema. Tórax em quilha O esterno projecta-se para a frente com concavidade posterior.

nomeadamente da veia cava superior. Resulta de anóxia dos tecidos moles que levam à proliferação da camada muscular dos dedos. Indica dificuldade ventilatória provocada por eventuais tumores ou pneumonias fibrosantes. Circulação colateral venosa superficial indicativa de obstrução circulatória intratorácica. Mamas e mamilos modificações da estrutura normal sugere patologia subjacente. TIRAGEM Consiste na retracção inspiratória das fossas supra e infraclaviculares. pela deficiente entrada de ar pelas vias respiratórias. dos espaços intercostais ou do epigastro devido a uma incapacidade do pulmão em acompanhar o movimento expansivo da caixa torácia.Tórax raquítico É próprio das crianças com deficiência de cálcio. e aparecem nódulos em rosário (rosário raquítico). DESVIOS TRAQUEAIS Lateralização – por repuxamento ou por obstrução e atelectasia pulmonar. nas quais se desenvolve um enfraquecimento das costelas com fibrose das articulações condro-costais. Nos adultos verifica-se retracção dos espaços intercostais com a inspiração. ALTERAÇÕES DOS MEMBROS Dedos hipocráticos (osteoartropatia de Pierre-Marie) Dedos em baqueta de tambor e unhas em vidro de relógio. Arritmias respiratórias Enfisema subcutâneo resulta da passagem de ar para o tecido celular subcutâneo. . Propulsão anterior – devida a empurramento por processos patológicos mediastínicos.

fim pede-se ao paciente que inspire profundamente. Nódulos eritematosos de localização preferencial na região tibial– eritema nodoso possível na tuberculose. condensações. derrames volumosos. doença de Gilchrite. pneumotórax. enquanto se observa a divergência dos polegares e se sente a amplitude e simetria dos movimentos respiratórios. .Trata-se de um síndrome de hipertrofia dolorosa das partes ósseas e molesa das extremidades que está presente em inúmeras entidades pneumológicas ou não e de que se destacam as supurações crónicas e os tumores do pulmão. Pode ser hereditário. Tuberculides papulo-necróticas da disseminação tuberculosa hematogénea. sarcoidose. pneumonias extensas. sarcoidose ou artrite reumatóide. Tromboflebite dos membros inferiores Eventual responsável por tromboembolismo pulmonar. atelectasias. Artrite e outras artropatias Podem chamar a atenção para diversas entidades com envolvimento pulmonar como síndrome de Caplan. por fim. Particularmente apreciáveis nos processos unilaterais (pneumotórax sob tensão. insuflação. etc. enfisema). desliza-se as mãos um pouco para dentro a fim de elevar pregas cutâneas frouxas entre os polegares e a coluna e. enfisema. PALPAÇÃO ALTERAÇÕES DA RESISTÊNCIA OU ELASTICIDADE TORÁCICAS E TRANSTORÁCICAS Grandes derrames. ALTERAÇÕES DA EXPANSIBILIDADE E MOBILIDADE TORÁCICAS Para avaliar a expansão torácica deve-se colocar os polegares ao mesmo nível e paralelos à 10ª costela com as mãos a envolver a região lateral da caixa torácica. processos fibrosantes.

Durante uma inspiração normal os vértices retraem-se e fogem das mãos e durante uma expiração normal vão ao seu encontro. coloca a mão esquerda sobre a região infraclavicular esquerda por forma a que o dedo anelar assente sobre a 2ª costela (na linha médio-clavicular). osteocondrite. etc. tumores da costela. . os ombros e os músculos esternocleidomastoideus. Sinal de Petruschky Dor provocada pela pressão nos processos espinhosos desde D3 a D7 por eventuais metástases ósseas ou tuberculose. Pontos de Valleix Na nevralgia intercostal há uma franja cutânea que dói à pressão nos pontos em que o nervo intercostal ou um dos seus ramos se torna superficial e que pode ser comprimido contra um plano ósseo adjacente (ponto vertebral. Manobra de Loewenberg Permite avaliar a distensibilidade das áreas infra-claviculares anteriores colocando as mãos espalmadas abaixo e paralelamente às clavículas. ALTERAÇÕES DA SENSIBILIDADE Para se identificar zonas hipersensíveis do tórax deve-se palpar cuidadosamente qualquer região onde haja relato de dor ou lesões evidentes sugestivas de fracturas costais. posicionado no seu lado direito. Manobra de Hoover O doente está em decúbito dorsal enquanto o médico. com os braços cruzados. o dedo médio sobre a 3ª costela (entre as linhas médio-clavicular e axilar anterior) e o indicador sobre a 4ª costela (na linha axilar anterior) Tal como a manobra anterior permite avaliar a distensibilidade pulmonar. Esta manobra é um processo de encontrar precocemente tumores malignos nomeadamente o tumor de Pancoast que atinge os vértices pulmonares e se caracteriza clinicamente por diminuição da expansão torácica no lado afectado. ponto lateral e ponto esternal).Manobra de Raoult O médico posiciona-se atrás do doente e coloca as mãos espalmadas de forma a abranger as fossas claviculares superiores. nevrite intercostal.

Roncos palpáveis Sugestivos de patologia brônquica e que desaparecem com a tosse. Se na auscultação se ouvir um atrito identifica-se processo inflamatório das pleuras. Edema secundário a infecção subjacente ou estase no território da veia cava superior – edema em estola. Batimento epigástrico – secundário à hipertrofia do ventrículo direito das hipertensões pulmonares. ALTERAÇÕES DO CHOQUE DE PONTA DO CORAÇÃO Desvios para a região para-esternal por atelectasia contralateral ou pneumotórax e derrame homolateral. SENSAÇÕES TÁCTEIS ANORMAIS Atritos pleurais e pericárdicos Indicativos de patologia dessas serosas. colocando o bordo medial da mão paralela aos espaços intercostais. Numa zona com frémito é possível sentir também contractibilidade muscular resultante da dor provocada pela inflamação e enchimento do espaço interpleural. Deve-se avaliar a presença de frémitos. O diagnóstico diferencial entre patologia cardíaca e respiratória faz-se pedindo ao doente para fazer uma apneia e se ainda estiver presente o frémito a causa é do foro cardíaco.ALTERAÇÕES CUTÂNEAS OU SUBCUTÂNEAS Variações de temperatura por processos inflamatórios.no situs inversus e síndrome de Kartagener. . que dão uma sensação de roçar. Desvios para a região axilar – atelectasia homolateral ou grande derrame e pneumotórax contralateral e ainda por cor pulmonale crónico. crepitação subcutânea evidenciando a presença de ar no tecido celular subcutâneo. Choque da ponta à direita . Frémitos Os frémitos torácicos são sinais palpatórios das alterações dos movimentos dos fluidos (patologia cardíaca) ou do ar contido na árvore respiratória (patologia respiratória).

enfisema. Diminuídas bilateralmente – derrames bilaterais. pouco dolorosos e móveis. A sua presença é normal em atletas. Pelo contrário. é sugestivo de metástases por cancro gástrico ou hepático. produzido pela entrada de ar nos doir brônquios. . enfisema bolhoso. fibrotórax. Numa neoplasia os gânglios linfáticos apresentam-se duros. insuflação valvulada. num processo infeccioso podem-se encontrar dolorosos e pouco móveis. PALPAÇÃO DAS CADEIAS GANGLIONARES DO TÓRAX Os gânglios torácicos podem revelar através da palpação alterações da morfologia e tamanho sugestivas de determinadas patologias. Gânglios axilares Estes gânglios devem ser palpados com o médico posicionado atrás do doente e este com a mão na nuca. Um aumento destes gânglios sugere doença hemogénica e tumores pulmonares. ALTERAÇÕES DAS MAMAS Nódulos. insuflação do asmático.Frémito laringo-traqueal Detectado na zona pré-esternal e manubrial durante uma inspiração. pneumotórax. ALTERAÇÕES DA TRANSMISSÃO DAS VIBRAÇÕES VOCAIS Diminuídas unilateralmente no derrame. Gânglios do pescoço Devem-se palpar os gânglios das cadeias cervicais anterior (no bordo anterior do músculo esternocleidomastoideu) e posterior. Gânglios supraclaviculares Estes gânglios estão situados nos escavados supraclaviculares e se aumentado o do lado esquerdo. aumento da temperatura – mastodinias. Aumentadas – processos condensantes como as pneumonias. neoplasias e mastites. tumores. Se forem detectados gânglios sugere patologia da mama ou do aparelho respiratório. designado por gânglio de Troisier ou Virchow. Perante um processo inflamatório os gânglios apresentam evidência com halo inflamatório.

permite a perfeita delimitação das áreas e zonas patológicas como é o caso da curva de Ellis-Damoiseau – linha parabólica de concavidade superior correspondente ao limite superior de um derrame em cavidade livre com o doente em posição supina. mesmo que dificultada por grandes massas musculares ou adiposidade. macicez. entre a linha axilar anterior e a média. TÉCNICA DE PERCUSSÃO TORÁCICA A percussão do tórax pode ser feita através de duas técnicas diferentes. SONS DETECTADOS PELA PERCUSSÃO Já anteriormente se referiram as alterações percutórias possíveis – submacicez. PERCUSSÃO Os sinais colhidos por percussão são fundamentais na observação sequencial do doente e complemento imprescindível dos dados anormais obtidos pela palpação. a mediata e a imediata. A técnica imediata ou método de Auenbrugger é menos utilizada e útil apenas na percussão das bases e das clavículas. relaxado e suspenso. timpanismo . e sugere inflamação do tórax. parcialmente flectido. . Som parenquimatoso Corresponde ao som claro próprio do pulmão e tem características intermédias entre o som timpânico e o som maciço. No vértice pulmonar (istmo de Kronig) detecta-se à percussão um som de submacicez através da técnica de ortopercussão de Plesch. em ângulo agudo com a palma da mão. Uma percussão cuidada. hipersonoridade. extensão e conteúdos que condicionam aquelas alterações dos sons obtidos numa percussão normal.dependentes do volume. especialmente no que se refere às vibrações vocais. Faz-se percutindo a área com os quatro dedos da mão unidos.O gânglio de Zelowsky palpa-se no 4º ou 5º espaço intercostal. apresentando baixa frequência e longa duração. Na técnica mediata ou digito-digital de Gerhardt utiliza-se o dedo médio da mão esquerda (plessímetro) em hiperextensão sobre a área a percutir e sobre a articulação interfalângica distal golpear com o dedo médio direito.

Durante a inspiração profunda o pulmão desce e o espaço de Traube diminui. enquanto que se houver retracção pulmonar não há diminuição à inspiração. OUTROS SONS DE MENOR IMPORTÂNCIA Além destes sinais semiológicos da percussão podem ser. tuberculose ou derrame pleural superior a 400 c. na correspondente à parte superior do fígado e do baço. Se nos campos pulmonares se ouve macicez deve-se considerar a presença de uma zona de densificação que pode surgir por pneumonia.Macicez A detecção de macicez no tórax pela percussão é normal nas áreas pré-cordial. Ruído de vaso rachado Som rouco mas “aflautado” audível na expiração com a boca aberta. mais raramente. Timpanismo Ouve-se um som timpânico normal ao percutir o espaço semi-lunar de Traube que corresponde à câmara de ar gástrica limitada em cima pela ponta do coração até ao baço e abaixo pelo rebordo costal. Nos campos pulmonares o som timpânico é sinónimo de pneumotórax traumático ou espontâneo. Já perante um derrame pleural o espaço pode desaparecer e reaparecer após reabsorção do líquido. Skodismo Som claro e agudo audível na percussão das regiões superiores do limite dos derrames pleurais. . observados outros de menor importância diagnóstica: Ressonância anfórica Som de tipo timpânico que se pode encontrar nos pneumotórax sob pressão ou nas grandes cavidades de paredes lisas e comunicantes com a árvore brônquica.. tumor. ao percutir o tórax de doentes com grandes cavidades em comunicação com os brônquios.c. atelectasias intensas. Também se detecta macicez abaixo da linha de convexidade superior de um hidropneumotórax (curva parabólica de Damoiseau e Ellis) e no vértice da axila.

A auscultação das alterações. regular e de pequena intensidade em ré do violino. 3) auscultação peroral. . TÉCNICA DE AUSCULTAÇÃO Para que a auscultação pulmonar seja eficaz o doente deve estar sempre que possível sentado e com o tórax totalmente descoberto. Lei da profundidade mínima Alterações produzidas a 2-3 cm de profundidade da periferia não serão detectadas a não ser que tenham um volume muito alto. RENTABILIDADE DA AUSCULTAÇÃO (AMEUILLE) Lei do volume mínimo Quer os ruídos patológicos quer as modificações de ruído tem que ter intensidade suficiente para que possam ser auscultadas o que implica um volume de lesão superior a 2 ou 3 c. Lei da transmissão A lesão tem de estar localizada perto de uma via de transmissão como os brônquios livres ou a pleura para ser audível pela auscultação. eventualmente encontradas nas diferentes entidas nosológicas incide sobre a: 1) auscultação da respiração. AUSCULTAÇÃO DA RESPIRAÇÃO Murmúrio vesicular Durante a inspiração o murmúrio vesicular corresponde à soma dos ruídos elementares produzidos pelo ar a ser aspirado por milhões de alvéolos durante a inspiração.c. abaixo das clavículas e nas regiões infraescapulares. 2) auscultação da voz sobre o tórax. Devem-se auscultar as duas bases.AUSCULTAÇÃO A auscultação constitui o último acto do exame torácico permitindo a colheita de sinais fundamentais para a interpretação das alterações patológicas do aparelho respiratório inferior. É mais audível nas axilas. as regiões inter-escapulo-vertebrais e as regiões supraclaviculares sempre de forma simétrica para se detectar diferenças entre os hemitórax direito e esquerdo. É um som suave.

Sopros parenquimatosos (audíveis nos dois tempos respiratórios) . Podem ser primários (autóctones) por obstrução intrinseca ou extrínseca traqueal ou brônquica. O tempo de inspiração está diminuido quando a expansão normal do pulmão está dificultada como por exemplo na dor torácica.Durante a expiração o murmúrio vesicular é um som repentino e muito intenso. São sons semelhantes ao ruído laringo-traqueal mas deslocado da sua zona habitual. em dó-bemol. Observa-se diminuição generalizada do murmúrio vesicular no enfisema pulmonar e diminuição localizada no pneumotórax. consiste na transmissão do sopro traqueal (normal) para os campos pulmonares por alterações . Alterações do murmúrio vesicular Alterações da intensidade Há um aumento da intensisade do murmúrio vesicular nas crianças porque estas têm mais fibras elásticas e menor ossificação das costelas que permitem uma grande elevação do tórax com maior passagem de ar pelos alvéolos. cantores líricos e músicos de intrumentos de sopro o murmúrio vesicular também está fisiologicamente aumentado. Nos atletas. enfisema obstrutivo localizado. derrame pleural.Sopro tubário ou de condensação – é o sopro mais frequente. Há aumento do tempo de expiração no enfisema e na asma brônquica. fibrotórax. É sinal de patologia nas pneumectomias (mecanismo de vicariância em órgãos) e nas dispneias (aumento bilateral). paquipleurite. ou secundários (de transmissão) por propagação a partir de parênquima consolidado. atelectasia. Nas situações mais graves e extensas o murmúrio vesicular pode estar mesmo abolido. audível no primeiro terço da expiração e que resulta da passagem do ar pelos bronquíolos. etc. Alterações do ritmo O aumento do tempo de inspiração é fisiológico na vicariância funcional e patológico nas dispneias por aumento do dióxido de carbono nas situações de stress. tabagismo. Sopros Surgem quando líquido ou ar é obrigado a passar num estreito e terminar numa área de volume igual à de origem. enfisema crónico e obstrução das vias aéreas.

pouco intenso. É audível nos processos tuberculosos com aquelas características. Também denominado de sopro cavernoso é predominantemente inspiratório e a sua fase expiratória é de timbre mais agudo e com “ressonância cavitária”. É considerado sinal clássico das pneumonias – por isso também chamado de sopro pneumónico – ainda que possa ser audível em enfartes e atelectasias. como é o caso das secreções. Ruídos adventícios de origem brônquica Roncos Ruído de tonalidade grave e resultando da passagem do ar em brônquios principais com irregularidades.condensantes do parênquima. Sopros pleurais . . Sobretudo expiratório. Tem uma ressonãncia especial sendo o som comparável ao que se obtém por sopro para uma garrafa ou ânfora. suave e longínquo.Sopro cavitário – modificação do sopro tubário dada por cavidade comunicante com um brônquio. Sibilos Ruídos como um pequeno silvo de tonalidade mais aguda e fina que os roncos. . reduções ou estenoses no seu calibre e lúmen. Audíveis nos dois tempos respiratórios. Tal como os roncos são audíveis nos dois tempos respiratórios e modificam-se se a sua causa não é orgânica. estenose cicatricial.Sopro anfórico – audível nos pneumotórax sob tensão pode ainda ser encontrado nos doentes com grandes cavidades pulmonares insufladas com valvulação brônquica. . Pressupõe a existência de um brônquio permeavél junto a uma zona condensada. no interior de uma condensação. Se localizados.Sopro pleurítico ou tubopleurítico – é típico dos derrames pleurais. persistentes e imutáveis com a tosse apontam para um processo estenosante fixo (neoplasia. ou em brônquios muito estenosados ou de lúmen muito reduzido por edema ou secreções. Deve-se à transmissão do sopro através da pequena camada do líquido pressupondo a existência de um brônquio permeável. É essencialmente inspiratório. Resultam da passagem do ar em brônquios de menor calibre. corpo estranho). uma condensação pulmonar peribrônquica e um derrame pleural. Associa-se a egofonia e macicez à percussão. Associados a broncopneumonia e inflamações brônquicas.

Quando muito intensos podem ser palpáveis. as condensações ou nas fases resolutivas das pneumonias denominando-se então de fervores de retorno. Fervores cavernosos São uma variante dos fervores subcrepitantes ouvindo-se como que um rebentar sucessivo de pequenas bolhas. São especialmente audíveis após uma tosse ligeira provocada por doentes com cavidades pulmonares. líquido alveolar). Ruídos adventícios de origem alveolar Fervores subcrepitantes ou bolhosos Constituídos por um som gorgolejante provocado pelo “borbulhar” do ar ao passar pelos brônquios cheios de secreções. alveolites. sarcoidose. bronquiolite) e na bronquite auda e crónica por exemplo. as bronquiectasias. etc. Audíveis nos subedema pulmonar. tumores). pneumonia. granulomatose de Wegener. asma cardíaca.Presentes nas dispneias de tipo asmatiforme (asma brônquica. Para a detecção nos casos menos graves é fundamental a execução de expiração forçada. .). Podem ouvir-se nos processos patológicos pleurais (pleuresias. O som é seco e fino comparável ao produzido pelo celofane ao ser amachucado e parece ser devido a alterações do surfactante. O som dos fervores crepitantes costuma ser comparado ao produzido pelo apertar de cabelos entre os dedos. médias e grandes bolhas consoante a sua tonalidade acústica. Crepitações Ruídos perceptíveis nos dois tempos respiratórios ainda que muito mais intensamente na inspiração. Atritos pleurais Devidos ao roçar dos folhetos pleurais quando perdem a sua normal “lubrificação” e se tornam “rugosos” por depósitos de fibrina. Audíveis nos dois tempos respiratórios costumam classificar-se em fervores subcrepitantes de pequenas. Frequentes em processos patológicos brônquicos e boncopulmonares hipersecretantes como a bronquite. nos dois tempos da respiração e recordam o ranger de couro novo. Fervores crepitantes Aparecem no final da inspiração e são dependentes de alterações alveolares (despregueamento. enfarte do pulmão. Podem ser ouvidos nos processos fibrosantes do pulmão (granulomatoses de causa inalatória. histiocitose X.

assim como a broncofonia. Egofonia Nas pleuresias a voz alta é audível como uma tonalidade comparável à voz de polichinelo ou de cabra. na pneumonia aguda inicial em fase de hepatização). Audível na inspiração. . A pectoriloquia. sobre o bordo esquerdo do esterno. Pectoriloquia áfona Continuam a ser perceptíveis as palavras e sílabas. Sinal de Hamman Sinal característico do enfisema mediastínico é constituído por crepitações secas e finas. cavernas. As palavras também podem ser ampliadas por vicariância com bronquiectasias. Pode ser um sinal de melhoria clínica após a broncofonia. AUSCULTAÇÃO DA VOZ SOBRE O TÓRAX Broncofonia Quando a voz normal se ouve mais intensamente e ressonante que o normal mas sem se distinguirem as palavras. Este sinal pode ser encontrado na parte superior de pequenos derrames pleurais. Surge nas condensações pulmonares com líquido com espaços aéreos ainda livres (por exemplo. podem ser encontradas quando existem condensações pulmonares. Voz anfórica Som ressonante semelhante ao obtido a falar ou soprar para uma ânfora ou para um garrafão e corresponde à voz transmitida por cavidade sob pressão ou penumotórax.Tinido metálico Típicos dos grandes penumotórax e hidropneumotórax (geralmente fistulizados). e mesmo quando a voz é apenas ciciada. com ou sem cavidade subjacente. Pectoriloquia Quando se percebem nitidamente as palavras e as sílabas. rítmicas com os batimentos cardíacos. O ruído ouvido é o de um curto e agudo vibrar metálico sendo a sua génese de difícil explicação. pneumotórax e pleuresia.

insuficiência cardíaca congestiva. glote ou laringe. síndrome de Meigs. com parênquima lesada à volta e comunicação com brônquio. A sua tonalidade é grave. Causas Tuberculose. Estridor Som sibilante indicativo de obstrução alta. Cornage Sibilância de tonalidade mais grave que o estridor é francamente audível mesmo sem recurso ao estetoscópio. . pulmão reumatóide.Voz cavernosa Quando a transmissão da voz é dada por cavidade de grandes dimensões. linfoma. etc. de boca aberta. AUSCULTAÇÃO PERORAL Este tipo de auscultação efectua-se pedindo ao doente para respirar. que podem não ser perceptivéis quando a auscultação é torácica. hipoproteinémia. abcesso sub-frénico. pancreatite. rouca e com ressonãncia cavernosa. tumores primários ou secundários da pleura. derrames parapneumónicos e metapneumónicos. Indicativa de obstrução da porção superior da traqueia. embolia pulmonar. É resultante da acumulação de secreções na traqueia. cirrose hepática. lúpus eritematoso disseminado. Pieira oral É o sinal de auscultação peroral mais frequente. tumores broncopulmonares. para o estetoscópio. SÍNDROMES SEMIOLÓGICOS EM PNEUMOLOGIA SÍNDROME DE DERRAME PLEURAL Consiste na presença de uma cavidade pleural total ou parcialmente preenchida por líquido.

Sinais A maior ou menor exuberância dos sinais de derrame pleural depende do volume do derrame e de se é em câmara livre ou septado. etc). abolição das vibrações vocais até ao nível do derrame e aumento das vibrações vocais acima desse nível. pleuroscopia. Palpação Diminuição da expansibilidade do hemitórax. de egofonia e acima do derrame de pectoriloquia áfona. toracentese. Auscultação Abolição do murmúrio vesicular. SÍNDROME DE PNEUMOTÓRAX Consiste na presença de ar no espaço pleural. desvio contralateral da traqueia e desvio do choque de ponta do coração. . de sopro pleurítico. Inspecção Abaulamento e redução da mobilidade do hemitórax. Sinais Inspecção Redução da mobilidade e abaulamento do hemitórax sede do pneumotórax. Palpação Diminuição da expansibilidade do hemitórax atingido. abolição das vibrações vocais e desvio do choque da ponta do coração e contralateral da traqueia. possível a existência de atritos pleurais. Percussão Macicez limitada por curva parabólica superior (linha de Ellis-Damoiseau). carcinoma. Causas Rotura espontânea de vesículas ou bolhas subpleurais ou secundária a processos patológicos ou a iatrogenia (tuberculose. traumatismo. Percussão Hipersonoridade e eventual desaparecimento da macicez hepática e cardíaca.

abolição das vibrações vocais e desvio do choque da ponta do coração e contralateral da traqueia. abcesso. voz anfórica e tinido metálico quando existe fístula broncopleural.Auscultação Ausência ou diminuição do murmúrio vesicular. Causas Tuberculose. neoplasia escavada. SÍNDROME DE HIDROPNEUMOTÓRAX Consiste na presença de líquido e ar no espaço pleural. quisto infectado. etc. tinido metálico e sucussão hipocrática (sensação de conteúdo hidroaéreo ao movimentar o tórax do doente). sopro anfórico (mais audível na inspiração). quisto hidático supurado. SÍNDROME CAVITÁRIA Consiste na formação de cavidade por substituição. necrose ou supuração de tecido parenquimatoso. Percussão Macicez na base e hipersonoridade acima da macicez separadas por linha horizontal. Auscultação Abolição do murmúrio vesicular. penumotórax infectado – espontâneo ou secundário – abcesso hepático. derrames metapneumónicos ou parapneumónicos. tumores. Palpação Diminuição da expansibilidade do hemitórax. Sinais Inspecção Redução da mobilidade e abaulamento do hemitórax sede do pneumotórax. abcessos pulmonares. . Causas Tuberculose.

Auscultação Possível ouvirem-se fervores cavernosos. Palpação Diminuição da expansibilidade numa mesma região. voz anfórica ou voz cavernosa. Auscultação Diminuição ou abolição do murmúrio vesicular. enfarte pulmonar. broncofonia. . Percussão Hipersonoridade localizada nas grandes cavidades superficiais ou submacicez localizada quando existe condensação peri-cavitária ou líquido intracavitário. Causas Pneumonias. fervores crepitantes (e subcrepitantes finos). Percussão Submacicez ou macicez lobar ou pulmonar.Sinais Inspecção Incaracterística. SÍNDROME DE ATELECTASIA Consiste na obstrução brônquica que condiciona a jusante retracção segmentar. aumento da transmissão de vibrações vocais. broncofonia e pectoriloquia na zona patológica. pectoriloquia. SÍNDROME DE CONDENSAÇÃO PULMONAR Consiste na perda da normal estrutura pulmonar de um segmento. Palpação Aumento das vibrações vocais quando existir condensação peri-cavitária. sopro tubário. carcinoma. Sinais Inspecção Redução da mobilidade na região afectada. lobar ou pulmonar por reabsorção do ar intraparenquimatoso. supurações. lobo ou pulmão por exsudado alveolar ou hepatização. sopro cavitário ou anfórico. tuberculose.

Percussão Macicez ou submacicez na região patológica e hipersnoridade circunvizinha. SÍNDROME DE ENFISEMA Consiste na destruição difusa das paredes alveolares com aumento do volume de gás intratorácico.Causas Tumores endo ou peri-brônquicos. diminuição acentuada da transmissão das vibrações vocais. Auscultação Abolição ou diminuição muito acentuada do murmúrio vesicular. Auscultação Quase que abolição do murmúrio vesicular. generalizada. retracção da mesma zona com redução dos espaços intercostais. aumento da rigidez torácica. redução da amplitude dos movimentos . pus ou sangue. Causas Doença pulmonar crónica obstrutiva. corpos estranhos. rolhões de muco. desvio da traqueia para o lado patológico. Sinais Inspecção Mobilidade torácica diminuída na região afectada. estenoses brônquicas. Palpação Redução da elasticidade torácica. Percussão Hipersonoridade diafragmáticos. Palpação Redução da expansibilidade torácica e diminuição das vibrações vocais. adenopatias. Sinais Inspecção Tórax em inspiração com horizontalização dos arcos costais e quase que abolição da mobilidade torácica.

se for inferior a 5 mm o teste é negativo. . Se for superior a 10 mm o teste é considerado positivo e o doente terá sido infectado ou vacinado. É necessário atenção à possibilidade de complicações sistémicas. Prova da tuberculina Faz-se injecção intradérmica da tuberculina e após 48 horas avalia-se o diâmetro da induração cutânea. entre 5 e 10 mm o teste é inconclusivo. PROVAS SEROLÓGICAS CINTIGRAFIA PULMONAR De ventilação inalação de agente marcado com radioisótopo De perfusão albumina marcada iv De ventilação-perfusão Usada no diagnóstico da tromboembolia pulmonar (TEP) demonstra defeito de perfusão sem defeito de perfusão correspondente.MÉTODOS COMPLEMENTARES DE DIAGNÓSTICO EXAMES RADIOLÓGICOS Radiografia de tórax Tomografia TAC RM Ecografia PROVAS CUTÂNEAS Nas provas cutâneas podem ser usados antigénios específicos como a tuberculina e alergenos através de injecção intradérmica de produto ou por gota com escarificação cutânea.

de sangue arterial para medição dos níveis gasosos das artérias radial.PROVAS DE FUNÇÃO PULMONAR Espirometria Capacidade vital respiratória (CVR) = VRI + VT +VRE Capacidade pulmonar total (CPT) = VRI + VT + VRE + VR Capacidade inspiratória = VT + VRI Capacidade residual funcional (CRF) = VRE + VR Capacidade vital forçada (CVF) = VT + VRE (volume total expirado) Volume expiratório forçado (VEF 1) = volume expirado no primeiro segundo = 80% Índice de Tiffenaud = acima de 70% Padrões de alteração da função pulmonar Síndrome obstrutivo DPOC (doença pulmonar obstrutiva crónica) – enfisema.VEF1/CVF N/↑ (Índice de Tiffenaud) GASIMETRIA ARTERIAL Colheita de cerca de 1-2 c.45 pCO2 = 35 – 45 mmHg pO2 = 82 – 108 mmHg [HCO3] = 21 – 28 mEq/l BE = -3 a + 3 Sat = 95 .VEF1/CVF ↓ Síndrome restritivo . Valores normais pH = 7.VEF 1 ↓ .CVF ↓ -VEF 1 N .99% .c. bronquite . umeral ou femoral.35 – 7. asma.CVF ↓ .

Alcalose respiratória ▪ Hipóxia ▪ Hiperventilação ▪ Doença pulmonar Há eliminação de CO2 e de bicarbonato (diminuição da reabsorção tubular e da formação de bicarbonato). edema pulmonar) ▪ Desequilíbrio da ventilação-perfusão – perfusão em áreas não arejadas do pulmão (DPOC) Hipercápnia A hipercápnia consiste num aumento da pressão parcial de CO2 no sangue arterial devido a um mecanismo de hiperventilação. Hipocápnia A diminuição da pressão parcial de CO2 no sangue arterial resulta de mecanimos de hiperventilação. de stress ou febre. Acidose respiratória ▪ Destruição das vias aéreas (DPOC com enfisema) ▪ Depressão do centro respiratório ▪ Doença neuromuscular ▪ Doença pulmonar ▪ Doença torácica extra-pulmonar O CO2 não é eliminado e não se desdobra em ácido carbónico o que provoca uma acumulação de iões hidrogénio que provocam acidose.TCO2 = 23 – 30 mEq/l Alteração dos gases respiratórios Hipoxémia ▪ Hipoventilação alveolar – por pressão parcial de O2 baixa (ex: depressão do centro respiratório. doença neurológica) ▪ Derivação veno-arterial – devido à mistura entre sangue arterial e venoso (ex: doença cardíaca congénita) ▪ Difusão diminuída – baixa oxigenação (ex: fibrose pulmonar. O mecanismo de .

frequentemente. constituída por pús. ▪ Expectoração fibrinosa . e estimulo renal para aumento da excreção renal de bicarbonato. típica de doentes com edema agudo do pulmão. de expectoração por dia. amarela ou esverdeada e viscosa. ou em caso de doentes que não tenham o reflexo da tosse conservado através de aspiração gástrica. Caso isso não seja possível pode-se recorrer à aspiração gástrica sempre em jejum. brônquica ou transtraqueal. não infectada. no início das pneumonias a Pneumococus. a viscosidade e o cheiro. . ▪ Expectoração purulenta – opaca. ▪ Expectoração serosa – espuma branca ou rosada abundante.muito viscosa. à aspiração brônquica através da broncoscopia ou à aspiração trans-traqueal. Aspecto macroscópico Em termos macroscópicos podemos avaliar a expectoração quanto à quantidade a cor. EXAME DA EXPECTORAÇÃO Colheita São colhidas em recipiente estéril três amostras em dias consecutivos.c.compensação resulta da estimulação dos corpos carotídeos e aórticos que provocam estímulo da respiração e hiperventilação. de predomínio matinal. de tonalidade acizentada e que surge. Exame macroscópico Colheita A expectoração deve ser colhida em recipiente estéril. Em situações normais um indivíduo produz menos de 5 c. caso se trate de um fumador ou doente asmático estas quantidades podem ser habitualmente maiores. através da qual há formação de CO2 . A amostra pode ser colhida após tosse espontânea ou estimulada com um irritante como o soro salino hipertónico. Devem ser colhidas três amostras em dias consecutivos após ser encenada a tosse pelo doente ou após provocação com um irritante como o NaCl hipertónico. o que é particularmente útil em crianças que não sabem expectorar. ▪ Expectoração mucosa – cor branca tipo clara de ovo. típica de doentes asmáticos.

▪ Tampões de Dittrich – massas de gordura de 7 a 10 mm com mau cheiro devido à degradação de ácidos gordos que surgem em processo abcedados. ▪ Fragmentos de membranas ▪ Restos de tecidos ▪ Corpos estranhos – fios de sutura. retorcidos em espiral com os extremos transparentes. em várias proporções.constituída pela mistura. Exame microscópico Exame microbiológico ▪ Micobactérias: o bacilo de Koch pode ser identificado por exame directo (Zhiel-Neelsen). de seromucosa. hemopurulenta. etc. Ao microscópio observa-se um filamento central rodeado por outros filamentos e com elementos celulares (eosinófilos e cristais de Charcot-Leydem). consoante o tipo e quantidade de sangue presente. Denomina-se então. .▪ Expectoração pseudomembranosa . vermelha ou cor de tijolo. após homogeneização ou cultura (meio de Lowestein).com placas de tecido necrosado como pode suceder nos processos neoplásicos e necrosantes do pulmão. Surgem habitualmente na bronquite asmática crónica e no edema agudo do pulmão. e consoante os seus constituintes. Outros elementos macroscópicos Podemos ainda identificar a olho nú várias características macroscópicas que podem ajudar a fazer o diagnóstico da patologia subjacente: ▪ Moldes brônquicos – fibrinoses com forma de bronquíolos que surgem na bronquite. mucopurulenta. etc. ▪ Espirais de Curshmann – são tubos esbranquiçados com 2 cm de comprimento. que podem apresentar pequenas borbulhas de ar. ▪ Expectoração mista . inoculação. ▪ Pneumólitos – cálculos com origem em cavernas calcificadas. Deve ser feito o teste de sensibilidade aos antibióticos. dos vários tipos de expectoração atrás referidas. ▪ Expectoração hemoptoica – rosada. O seu aspecto é semelhante ao encontrado na difteria.

Aparecem em situações de hipersensibilidade como a asma. . ▪ Fungos: exame directo (pedido especificamente) e cultura. Bilhanzia. ▪ Células hemáticas – neutrófilos e piócitos (supuração por abcessos). células de Langhans (tuberculose). eosinófilos (reacções de hipersensibilidade – asma brônquica. gangrena ou bronquites pútridas. aspirar secreções e seguir o trajecto dos brônquios. linfogranuloma maligno). cilíndricas (traqueia e brônquios). ou atevés de um broncofibroscópio de fibra óptica que permite igualmente fazer biopsias. parasitose). testes serológicos apenas em laboratórios especiais. ▪ Cristais de ácidos gordos – podem surgir na pneumonia. plasmócitos (doença de Hodgkin. alveolares ou pneumócitos. linfócitos (tuberculose). ▪ Células neoplásicas – benignas ou malignas (carcinoma é o mais frequente). tuberculose ou neoplasias ▪ Cristias de Charcot-Leyden – agulhas ponteagudas e transparentes provenientes da desintegração ou modificação dos eosinófilos. fascíolas. Conferem um cheiro fétido à expectoração. Outros elementos ▪ Fibras elásticas – processo destrutivo (abcesso. ▪ Vírus: muito raramente (apenas em epidemias). Filaria. cavernas). Entamoeba histolítica. ▪ Parasitas: Taenia echinococcus (diagnóstico por expectoração é raro). Ascaris lumbricoides Exame citológico ▪ Células normais da árvore respiratória: pavimentosas (mucosa buçofaríngea e laríngea).▪ Bactérias banais: exame directo e cultura. BRONCOSCOPIA A broncoscopia é um exame endoscópico que pode ser realizado através de um broncoscopio rígido através do qual se consegue destruir neoplasias por laser e retirar corpos estrnhos de grandes dimensões.

células neoplásicas Bacteriologia Bacilo de koch.BRONCOGRAFIA Exame que consiste na introdução de produto de contraste na árvore brônquica e fazer o estudo de bronquiectasias e malformações brônquicas. Antes da incisão faz-se a anestesia local. ▪ Pseudoquiloso ▪ Bilioso – fístulas biliares que drenam para a àrvore respiratória ▪ Fétido ou gangrenoso ▪ Colesterínico Exame microscópico Citologia Leucócitos e eritrócitos. TORACOCENTESE A toracocentese permite colher líquido de um derrame pelural para efeitos de diagnóstico eterapêutica. Técnica O doente deve estar sentado com o membro superior levantado do lado que se pretende puncionar de forma a alargar ao máximo os espaços intercostais. Exame macroscópico ▪ Citrinoso – provavelmente trata-se de um transudato. dois espaços intercostais abaixo do limite superior do derrame delimitado por percussão. bactérias típicas e fungos. A toracocentese é feita na linha axilar posterior.~ ▪ Seroso ▪ Serofibrinoso ▪ Hemorrágico – neoplasia ou traumatismo prévio ▪ Purulento ▪ Quiloso – leitoso e com gordura pode resultar de ruptura do canal torácico. .

pneumotórax e enfisema subcutâneo. A amostra é obtida por punção. guilhotina e gancho (agulha de Ramel – toracocentese. Exsudato Seroso ou serofibrinoso. Num recipiente com água e ácido acético coloca-se uma gota de líquido pleural. Pode-se complicar por hemorragia. LDH. colesterol.018 a 1. punção). se não ocorrerem alterações o líquido é provavelmente um transudato. se a gota descer deixando uma nuvem resultante da coagulação de proteínas pelo acido acético trata-se de um exsudato. quiloso.015 < 1000/mm3 Estéril Negativa Derrame de causa mecânica ou por insuficiência cardíaca BIÓPSIA PLEURAL Está indicada a biopsia pleural em casos de derrame pleural.006 a 1. hemorrágico. infecção. triglicerídeos e pH.030 > 1000/mm3 Estafilococos. BK Positiva Neoplasia. glicose. ANGIOGRAFIA PULMONAR E BRÔNQUICA Permite diagnosticar o local de origem de hemorragias e tromboembolias pulmonares. Aspecto Coagulação Glicose LDH Proteínas Densidade Citologia (leucócitos) Bacteriologia Prova de Rivalta purulento. patologia Situações patológicas inflamatória em que o excesso de proteínas torna o líquido muito denso Transudato Citrino ≈ Glicémia ↓↓ < 3 g/dl < 1. quiliforme + Inferior à sérica ↑↑ > 3 g/dl > 1.Bioquímica Prova de rivalta consiste numa forma rápida de distinguir um exsudato de um transudato. A análise bioquímica deve quantificar os seguintes elementos: proteínas. . adenosina desaminase.

Permite fazer o estudo de adenomegálias e massas tumorais. por endoscopia ou durante uma cirurgia. .MEDIASTINOSCOPIA Incisão na base do pescoço e inserção de endoscópio de fibra óptica que pode fazer punção. BIÓPSIA PULMONAR A biopsia pulmonar pode ser feita guiada por TAC através de abordagem transparietal ou transtorácica.

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