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Capitulo_11 digital

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Eletrotécnica Geral – XI - Eletrônica Digital

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XI

Eletrônica Digital

Os circuitos eletrônicos podem ser classificados em dois grupos básicos: Circuitos Analógicos e Circuitos Digitais. Os circuitos analógicos processam informações na forma analógica. Entende-se como informação analógica àquela que nos é apresentada na forma de uma variação contínua no tempo como no caso da Tensão Alternada. Os circuitos digitais processam informação na forma digital. A informação digital é aquela que nos chega como uma variação que se dá através de acréscimos discretos em função do tempo, ou seja, de Pulsos. Uma onda quadrada na freqüência de 1 Hz pode ser tomada como informação digital. Neste capítulo pretende-se fazer uma introdução básica aos circuitos e sistemas digitais. Os circuitos digitais são alternadamente denominados de circuitos lógicos devido ao fato de que a álgebra utilizada para seu estudo (álgebra de Boole conforme será apresentado mais à frente) tem seus fundamentos na lógica formal, uma área da filosofia. Este capítulo será apresentado em três partes: Sistemas de Numeração, Álgebra de Boole e Circuitos Combinacionais.

XI.1 Sistemas de Numeração
Os sistemas de numeração classificam-se em dois grupos básicos que são os (i) Sistemas de Numeração Posicional e os (ii) Sistemas de Numeração não Posicional. No sistema posicional o valor do dígito depende da posição que o mesmo ocupa no número. Quando se toma o número 1987 como exemplo, pode-se afirmar que se o número estiver escrito em decimal, pela ordenação dos quatro dígitos, “1”, “2”, “3” e “4” o número 1 não representa uma unidade mas mil unidades; o número um representaria uma unidade somente se estivesse na posição mais à direita (no lugar do sete). O número 1987 pode ser decomposto como a soma de 1000 (1x103) com 900 (9x102) com 80 (8x101) com 7 (7x100), ou seja, há um peso para cada posição do número, com o peso crescendo da direita para a esquerda em potências de 10, a partir de 100. Caso o número tenha parte fracionária os pesos decrescem com potências de 10 da esquerda para a direita a partir da vírgula. Na representação posicional obtém-se uma forma simplificada de escrita para os números. Ao invés de um símbolo para cada número, pode-se representar qualquer número com um “alfabeto” restrito de dígitos (símbolos). O sistema decimal tem um alfabeto de 10 dígitos: 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9, sendo que qualquer número pode ser representado com estes dígitos. Pode-se então definir um sistema binário, ou sistema de base dois, como aquele que tem um alfabeto de dois dígitos: 0 e 1. Analogamente a base 10, na qual o peso das posições é potências de 10, na base 2 os pesos são potências de 2. O mesmo raciocínio pode ser utilizado para outras bases. Exemplo 1: Sistema Posicional Decimal – R = 10 (R: Base) Alfabeto = {0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9} Exemplo 2: Sistema Posicional Binário – R = 2 Alfabeto = {0, 1} Exemplo 3: Sistema Posicional Octal – R = 8
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Alfabeto = {0, 1, 2, 4, 5, 6, 7} Exemplo 4: Sistema Posicional Hexadecimal – R = 16 Alfabeto = {0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, A, B, C, D, E, F} Como sistemas de numeração não posicional pode-se citar o sistema de numeração romano, onde o valor dos símbolos não guarda nenhuma relação com a posição destes em um número. XI.1.1 Processo de Geração dos Inteiros em um Sistema Posicional A geração dos inteiros em um sistema posicional baseia-se na aplicação dos dois algoritmos apresentados a seguir. 1º Algoritmo – Avanço de Dígitos: “Avançar um dígito de um alfabeto ordenado consiste em substitui-lo pelo próximo dígito na hierarquia. O maior dígito é sempre avançado para o menor dígito na hierarquia”. 2º Algoritmo – Geração de Inteiros: “Os inteiros de um sistema numérico posicional são gerados pelo algoritmo abaixo que supõe ser o zero o menor dígito de qualquer alfabeto ordenado”: 1-) O primeiro inteiro é o zero; 2-) O próximo inteiro da lista é obtido do inteiro precedente da lista avançando-se seu dígito mais à direita. No caso deste dígito avançar para zero, avança-se então o digito. XI.1.2 Transformação de Base A seguir são apresentados os procedimentos para se obter uma transformação da base 10 para outra base R qualquer ou de uma base R qualquer para a base 10. Uma transformação entre duas bases R1 e R2 pode ser feita passando-se intermediariamente pela base 10. XI.1.2.1 Passagem de uma Base R para a Base 101 Regras: a-) converta a base e cada dígito do número no equivalente decimal b-) expresse o número de acordo com a estrutura posicional e usando aritmética decimal efetue as operações de produtos e somas. Exemplos 5: Transformar (1101)2 para a base 10. (1101)2 = 1x2 3 + 1x2 2+0x2 1+1x2 0 = 8 + 4 + 1 = 13 ð (1101)2 = (13)10. Exemplo 6: Transformar (23,2)8 para a base 10. (23,2)8 = 2x8 1 + 3x8 0 + 2x8 -1 = 16 + 3 + 2/8 = 19,25 ð (23,2)8 = (19,25)10. Exemplo 7: Transformar (10B5)16 para a base 10. (10B5)16 = 1x163 + 0x162 + 11x161 + 5x160 = 4277 ð (10B5)16 = (4277)10. XI.1.2.2 Passagem da Base 10 para uma Base R Regras: a-) Transformação da Parte Inteira: Deve-se dividir o inteiro decimal repetidamente pela base R, para a qual se deseja a transformação. A cada divisão deve-se guardar o resto, que será o dígito correspondente do alfabeto da base R. A divisão repetida
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(

)R ð lê-se como o número entre parênteses expresso na base R.

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4375)10 para a base 2. b-) Transformação da Parte Fracionária: Deve-se multiplicar o número fracionário pela base R para a qual se deseja a transformação.7500 x 2 = 1.Eletrônica Digital 3/22 deve ser interrompida quando o quociente inteiro for reduzido a zero. Exemplos 9: Transformar (2798)10 para a base 16. Assim tem-se ð (0. Lendo no sentido do último quociente para o primeiro tem-se 2332 e então ð (342)10 = (2332)5. Os produtos devem ser feitos até que a parte fracionária se anule (quando se tem uma transformação exata) ou até que se considere a aproximação suficiente.5000 x 2 = 1. Os restos de cada divisão tomados no sentido do último para o primeiro expressarão o número transformado para a base R.5000 0.8750 x 2 = 1. Neste instante todo o processo é interrompido.Eletrotécnica Geral – XI . Exemplos 8: Transformar (342)10 para a base 5. 0.000 (transformação exata). (para o próximo produto transportar só a parte fracionária) A leitura deve ser feita do primeiro produto para o último.0111)2.4375)10 = (0. Para a parte inteira deve-se fazer a divisão conforme apresentado a seguir 20 0 2 10 0 2 5 2 © UNESP/FEG/DEE . 14 equivale a E e 10 equivale a A Assim tem-se ð (2798)10 = (AEE)16. A cada produto deve-se guardar a parte inteira e transportar apenas a parte fracionária para a próxima multiplicação por R. 342 2 5 68 3 5 13 3 5 2 2 5 0 Pode-se observar que cada divisão é interrompida no instante em que se obtém o quociente inteiro.8750 0. Exemplos 10: Transformar (0.7500 0.4372 x 2 = 0. Na última divisão (2÷5) não há quociente inteiro a não ser o zero. As partes inteiras de cada produto correspondem aos dígitos correspondentes no alfabeto da base R.3)10 para a base 2. 2798 14 16 174 14 16 10 10 16 0 Para a base 16. Exemplos 11: Transformar (20. As partes inteiras lidas da primeira para a última correspondem aos dígitos do número transformado.

6 0.6 x 2 = 1.4 x 2 = 0.8 0.1 Adição Regra: “A adição em um sistema posicional de base R é feita alinhando-se inicialmente os dígitos de igual valor posicional de ambos os números.”. a partir dos dois dígitos mais à direita.1. 0. Feito isso deve-se começar a somar os dígitos de valor posicional correspondentes.. Se a adição dos dígitos for maior que o maior dígito da base deve-se verificar em quantas vezes a base é ultrapassada. A multiplicação pode ser tomada como uma seqüência de adições e a divisão como uma seqüência de subtrações.1.6 x 2 = 1. A seguir serão detalhados os processos de adição e subtração.2 x 2 = 0.3.2 0.. XI. 1 1 3 8 2 2 4 9 6 © UNESP/FEG/DEE .3)10 = (10100.2 (a transformação não é exata) 1 2 0 A parte inteira do número equivale a “10100” e a parte fracionária a “010011. Quando a adição de dois dígitos não ultrapassar o valor do maior dígito do alfabeto não há problema e o resultado pode ser expresso pelo dígito correspondente a soma. Os dígitos de mesmo valor posicional estão alinhados.8 x 2 = 1.Eletrotécnica Geral – XI .010011. 1 3 8 2 2 4 9 6 1 3 8 2 2 4 9 6 8 A soma dos dígitos de mesmo valor posicional pode ser expressa com um dígito da base 10 que é o dígito oito.3 x 2 = 0. Este valor deve ser propagado para a próxima coluna (à esquerda) onde será adicionado ao resultado da adição correspondente. O peso do 2 de 1382 é 100 e o do 6 de 2496 também é 100. Na coluna anterior deve ficar apenas o resto da operação”.)2. Deve-se então passar a próxima coluna à esquerda.Eletrônica Digital 4/22 2 1 2 1 0 Para a parte fracionária deve-se fazer a multiplicação repetida apresentada a seguir.. XI.4 0.6 0. Exemplo 12: Adicionar (1382)10 e (2496)10..3 Operações Aritméticas nos Sistemas Posicionais As operações são essencialmente as mesmas feitas com aritmética decimal. Assim tem-se ð (20.

Complemento de 1: o complemento de 1 de um número binário é obtido trocando-se cada dígito 1 por zero e vice-versa. ou seja. Na coluna deve ficar apenas o resto (7) e o número de vezes que a base está contida em 17 (uma vez) deve ser transportada para ser adicionada na próxima coluna.2. deve-se adicionar 1 ao número obtido.3.Eletrônica Digital 5/22 7 8 A soma de 8 e 9 ultrapassa o valor do maior dígito da base que é 9. as operações de subtração são feitas eletronicamente por processos aditivos.1.2 Subtração Embora a subtração em uma base R genérica possa ser efetuada da mesma maneira utilizada para a base 10. pode-se definir dois tipos de complementos e conseqüentemente dois processos de subtração por complemento. Esta quantidade logicamente é 3. fica 7 e vai 1. 1 1 1 1 0 1 1 1 0 0 1 1 0 1 0 0 Assim tem-se que (1011)2 + (1001)2 = (10100)2. Um procedimento análogo deve ser utilizado para qualquer base. a subtração 8 – 5. A seguir é apresentada a finalização da operação. No sistema binário. XI. em sistemas digitais. O resultado desta soma será o complemento de 2 do número dado. Exemplo 13: Adicionar (1011)2 e (1001)2. Exemplo 15: Obter o complemento de 2 de (10110)2. neste texto este processo não será utilizado. e assim por diante.1 Subtração Utilizando a Técnica do Complemento de 1 © UNESP/FEG/DEE . 1 0 1 1 1 0 0 1 ? A soma 1 + 1 é igual a dois. C1(10111)2 = (01000)2 (notação para complemento de 1) Complemento de 2: o complemento de 2 de um número binário é obtido trocando-se inicialmente todos os zeros por uns e vice-versa. Desta maneira tem-se que o resultado da adição de 1382 e 2496 é 3878. uma máquina digital irá procurar a quantidade que deve ser adicionada ao subtraendo (5) para obter o minuendo (8).1. pois na prática. ou seja. Este processo é denominado de Subtração por Complementos. C2(10110)2 = (01001)2 + 1 = (01010)2 (notação para complemento de 2) XI. Exemplo 14: Obter o complemento de 1 de (10111)2.Eletrotécnica Geral – XI . Deve-se então ver de quantas vezes a base foi ultrapassada: 8 + 9 = 17 = 10 + 7.3. A seguir cada um destes procedimentos é especificado. objeto de estudo deste capítulo. 17 contém uma vez a base mais sete unidades (o resto). 1 + 1 = 2 = 2 + 0. 8 + 9 = 17. por exemplo. Assim. A seguir. Os dois tipos de complementos são o Complemento de 1 e o Complemento de 2. Ao invés de realizar. A base está contida uma vez em 2 e assim fica 0 e vai 1.

Eletrotécnica Geral – XI . Passo 1: obter o complemento de 1 C1(10100) = 01011 © UNESP/FEG/DEE .(10100)2. Exemplo 16: Efetuar a seguinte operação (11011)2 .Eletrônica Digital 6/22 Regra: “O minuendo é somado ao complemento de 1 do subtraendo. O bit que se propaga após a última coluna da adição é adicionado ao bit menos significativo do resultado da adição”.

27 – 20 = 7. As observações de Shannon foram divulgadas no trabalho “Uma Análise Simbólica de Relés e Circuitos de Comutação”. o resultado de (11011)2 . uma área de estudo da filosofia. é igual a (00111)2.2.(10100)2.322 AC) em seu tratado “De Interpretatione”. Boole percebeu que poderia estabelecer um conjunto de símbolos matemáticos para substituir certas afirmações da lógica formal criando desta maneira uma álgebra aplicável ao raciocínio lógico sobre o relacionamento entre sentenças isoladas.2 Álgebra de Boole A álgebra de Boole ou álgebra booleana é a álgebra dos circuitos lógicos e recebe esta denominação em homenagem a George Simon Boole (1815 .Eletrônica Digital 7/22 Passo 2: somar o minuendo com C1(subtraendo) 1 1 1 1 1 0 1 1+ 0 1 0 1 1 1 0 0 1 1 0 bit que se propaga após a última coluna de adição e que deve ser adicionado ao bit menos significativo do resultado da adição. 00110 + 1 = 00111.3. 27 – 20 = 7. Shannon mostrou que o mesmo poderia ser utilizado para descrever a operação de equipamentos de comutação telefônica.2 Subtração Utilizando a Técnica do Complemento de 2 Regra: “O minuendo é somado ao complemento de 2 do subtraendo. Os primeiros trabalhos de que se tem notícia sobre a lógica formal foram apresentados por Aristóteles (384 . ou seja. XI. As conclusões de Boole foram comunicadas no texto “Uma Análise Matemática da Lógica” em 1854.Eletrotécnica Geral – XI .(10100)2. Ao estudar os trabalhos de Aristóteles. ou seja. O bit que se propaga após a última coluna da adição é desprezado”.1864) que estabeleceu suas bases por volta de 1854.(10100)2. O trabalho de Boole permaneceu no esquecimento até 1938 quando o matemático Claude B. é igual a (00111)2. Assim. XI. Exemplo 17: Efetuar a seguinte operação (11011)2 . © UNESP/FEG/DEE . Assim. o resultado de (11011)2 . A álgebra booleana fundamenta-se nos princípios da lógica formal. Passo 1: obter o complemento de 2 C2(10100) = 01011 + 1 = 01100 Passo 2: somar o minuendo com C2(subtraendo) 1 1 1 0 1 1+ 0 1 1 0 0 1 0 0 1 1 1 bit que se propaga após a última coluna de adição e que é desprezado. ou seja.1.

1 Definição da Álgebra de Boole A álgebra booleana é um sistema matemático composto por um conjunto de operadores. muito embora sejam conceitualmente diferentes das operações de soma e produto da álgebra comum. A.) e o operador “ou” ou “OR” simbolizado por (+). XI. B Abaixo se apresenta a tabela verdade da função E para duas variáveis de entrada.) e (+) correspondem. B ) = A .2 Operações Fundamentais com Variáveis Booleanas XI. XI. zero (0) ou um (1). A diferença em relação à álgebra comum está no fato de que tanto uma variável como uma função booleana só pode assumir dois únicos valores. C .2. postulados e teoremas como qualquer álgebra. Os operadores da álgebra booleana são dois: o operador “E” ou “AND” simbolizado por (. B . A função lógica “E” (and) para duas variáveis de entrada é representada como: f ( A. B 0 0 0 1 Normalmente quando se representa a operação E entre duas ou mais variáveis elimina-se o ponto da representação simbólica: A. à intercessão e união da teoria de conjuntos. Na álgebra de Boole as operações (. regras. A função lógica e a tabela verdade para a operação lógica OU para duas variáveis de entrada são representadas abaixo.. A 0 0 1 1 B 0 1 0 1 f ( A. A álgebra booleana trabalha também com variáveis e funções. B ) = A .2.2 Operação “OU” (OR) A operação “OU” (OR) se divide em duas outras operações que são “OU INCLUSIVO” ou simplesmente “OU” e “OU EXCLUSIVO” algumas vezes denominada “OU-EX”.1 Operação “E” (AND) “A operação lógica “E” (and) é aquela na qual o resultado somente é 1 se todas as variáveis de entrada também estiverem no estado lógico 1”.Eletrônica Digital 8/22 Atualmente a álgebra booleana é um sistema matemático aplicável ao projeto de circuitos lógicos. B. Operação OU Inclusivo: “a operação lógica OU Inclusivo ou apenas OU (OR) é aquela na qual o resultado é 1 se pelo menos uma das variáveis estiver no estado lógico 1”. © UNESP/FEG/DEE . Ela permite que o objetivo de um circuito digital seja estabelecido em termos lógicos.Eletrotécnica Geral – XI . respectivamente. C.2. D. D. K) . C ≡ ABC XI. As variáveis booleanas serão representados por letras maiúsculas. A tabela verdade é uma tabela que mostra a resposta da função a todas as possíveis combinações das variáveis de entrada.2. A operação “AND” é também conhecida por produto lógico e a operação “OR” por soma lógica. B.2. .. e as funções pela notação f ( A.2.

Eletrotécnica Geral – XI . B) = A + B © UNESP/FEG/DEE .Eletrônica Digital 9/22 f ( A.

6 P.3 Operação Complemento (Negação) “A operação de complementação de uma variável consiste simplesmente na troca do valor lógico da referida variável”. B) = A ⊕ B A 0 0 1 1 B 0 1 0 1 f ( A. Variável Operador (. B) = A + B 0 1 1 1 Operação OU Exclusivo: “a operação lógica OU Exclusivo entre duas variáveis A e B é aquela na qual o resultado é 1 se uma e somente uma das duas variáveis estiver no estado lógico “1”.4 ð ð ð ð ð conjunto ð intercessão ð união ð complementação do conjunto ð conjunto universo ð conjunto vazio P.2.3 P.) Operador (+) Complementação 1 0 P. f ( A) = A A 0 1 f ( A) = A 1 0 XI. B) = A ⊕ B 0 1 1 0 XI.0=0 0.1 P.Eletrônica Digital 10/22 A 0 0 1 1 B 0 1 0 1 f ( A.2. O significado dos postulados pode ser entendido facilmente ao se fazer uma associação com a Teoria dos Conjuntos.0=0 © UNESP/FEG/DEE .5 P.2 P. A função lógica e a tabela verdade para a operação lógica Complemento são representadas abaixo. f ( A. Deve-se ressaltar que a operação OU-EX deve possuir sempre duas variáveis de entrada.Eletrotécnica Geral – XI .8 ð ð ð ð 0+0=0 0+1=1=1+0 1+1=1 1= 0 A = 1 ou A = 0 1.1=1 1. A função lógica e a tabela verdade para a operação lógica OU Exclusivo são representadas abaixo.3 Postulados da Álgebra de Boole Ao se considerar as relações entre as variáveis booleanas pode-se estabelecer para a álgebra de Boole os nove postulados apresentados abaixo.7 P.2.

a .{ A B C = A (BC) = (A B )C T . 6 . a .Propriedade da Dupla Negação T. É válido ao se raciocinar pela Teoria dos Conjuntos. XI.  A (A + B) = A  A(A + B) = AB  T. 3 . 1. b .{A + A = A T .0 = 0. B = B . 1. o conjunto universo interceptado com o vazio dá o vazio.  AB + B = A + B AB + B = A + B  T . 8.2.Propriedade da Tautologia A + 0 = A T. 7 . 1 = A T. b . 7 . 2 . a . 8.4 Teoremas da Álgebra de Boole Tomando por base os postulados introduzidos acima se apresenta a seguir uma seqüência de teoremas.Eletrotécnica Geral – XI . 2 .{A .b . A = A T .{(A + B) (A + C) = A + BC T . 9 . 7 .3 tem-se 1.{ AB + AC = A(B + C) .{A .a .Propriedade Comutativa T .Eletrônica Digital 11/22 P. 4 .9 ð 0= 1 Exemplo 18: No postulado P.0 = 0 T . A. 3 .b . Os teoremas da álgebra de Boole listados a seguir são utilizados para simplificar expressões lógicas e para obter expressões equivalentes. a .Lei de DE MORGAN (Complementação de Expressões) T .a .{A .7 tem-se 1 + 1 = 1. A T .{A + A = 1 T . como na álgebra clássica atenção: diferente da álgebra clássica. A = 0 T . 5 .  (A + B) (B) = AB (A + B) (B) = AB  T .Propriedade da Absorção  A + AB = A  A + AB = A + B  T. Duas expressões são equivalentes quando elas têm o mesmo valor lógico para as mesmas combinações de variáveis. 8 .{A + B = B + A T .A = A T .4 .Propriedade dos Complementos T . ou seja. b .{ A + B + C = A + (B + C) = (A + B ) + C T . 5 .Propriedade associativa T . b . 9.A+B=A B { © UNESP/FEG/DEE . 5 .AB = A + B { T. ou seja. b . a . 9 . a . 3 . o conjunto universo unido com ele mesmo dá o próprio conjunto universo. b .Propriedade Distributiva T . Exemplo 19: No postulado P. 6 . T.1-) Propriedade de Intercessão A . 6 . A + 1 = 1 T . 2 .

(A + C) ( ) [ ( )] XI. ( A + B + C + 1))( B + AC) = ( A + B + C + 1) + ( B + AC) = = A. (A + B + C + 1) (B + AC) A complementação de uma expressão é obtida através de uma extensão da lei de DE MORGAN.5. A principal utilização dos teoremas da álgebra de Boole é dada pela simplificação de expressões Booleanas. A 0 0 0 0 1 1 1 1 B 0 0 1 1 0 0 1 1 C 0 1 0 1 0 1 0 1 A+B 0 0 1 1 1 1 1 1 A+C 0 1 0 1 1 1 1 1 BC 0 0 0 1 1 0 0 1 (A+B) (A + C) 0 0 0 1 1 1 1 1 A + BC 0 0 0 1 1 1 1 1 Exemplo 21: Obter o complemento da seguinte expressão. a) A 0 0 1 1 B 0 1 0 1 AB 0 0 0 1 BA 0 0 0 1 Como já foi dito duas ou mais expressões são equivalentes quando tem as mesmas respostas para as mesmas combinações de variáveis. Regras: a) Trocam-se todos os “. Exemplo 20: Demonstrar usando o método da tabela verdade os seguintes teoremas.a (A .7.3 Circuitos Combinacionais Os circuitos digitais básicos podem ser agrupados em duas classes bem definidas que são: Circuitos Combinacionais e Circuitos Seqüenciais. B. (A + C ) Pode-se simplificar esta expressão lembrando o teorema T. 1 + B. A + C = A . 0 = 0) e assim o resultado é: B .C . Entretanto como serão apresentados posteriormente métodos mais simples de minimizar (simplificar) expressões booleanas este texto não abordará em detalhes os teoremas.1.” por “+” e vice-versa b) Trocam-se todos os 0 por 1 e vice-versa c) Complementa-se cada literal d) Deve-se respeitar a ordem das operações da expressão original. a) T. para as mesmas combinações de estados lógicos das variáveis A e B. b) (A + B) (A + C) = A + BC ð deve-se lembrar que com 3 variáveis são possíveis 8 combinações.Eletrônica Digital 12/22 Os Teoremas da álgebra de Boole são facilmente compreendidos ao se fazer uma associação com a Teoria dos Conjuntos utilizada quando da apresentação dos postulados. Os circuitos digitais mais complexos apresentam por sua vez.b.a e b) T. B. uma parte que se refere à lógica combinacional e outra à lógica seqüencial sendo que nem © UNESP/FEG/DEE . C.Eletrotécnica Geral – XI . As respostas do produto AB são as mesmas do produto BA. 0 + B .

NAND (a ser definida) e NOR (a ser definida). tem saída no estado lógico 1 apenas quando todas as entradas também estiverem neste nível lógico.3. Os circuitos lógicos são construídos pela interconexão de cinco blocos lógicos básicos que efetuam as funções: AND. Esta função por outro lado descreve a saída deste circuito. XI. Isto quer dizer que os circuitos seqüenciais apresentam a capacidade de memória já que armazenam eventos anteriores que influirão nas respostas presentes.1 Bloco AND O bloco lógico AND é aquele que realiza a função E. simplificar uma expressão lógica. XI. Neste texto apenas os circuitos combinacionais serão abordados.Eletrotécnica Geral – XI . ou seja. Os Circuitos Combinacionais são aqueles nos quais o estado de uma saída depende única e exclusivamente do estado lógico das entradas naquele instante. Os Circuitos Seqüenciais são aqueles nos quais o estado lógico de uma saída é função não somente do estado lógico das entradas naquele instante mas também dos estados lógicos anteriores. Tanto os circuitos combinacionais como os circuitos seqüenciais aceitam entradas binárias e tem saídas binárias. através do uso dos Postulados e Teoremas da Álgebra de Boole. Em suma: a simplificação de uma expressão booleana está relacionada com a simplificação do circuito lógico associado. NOT (complemento).1. Foi apresentado anteriormente que é possível. apenas tomam decisões enquanto que os circuitos seqüenciais são estruturas capacitadas a memorizar eventos e usálos para influir nas respostas a excitações de entradas. Em termos de blocos pode-se representar cada um dos circuitos da seguinte maneira: Circuito Combinacional Entradas Binárias Saídas Binárias Entradas Binárias Circuito Sequencial Saídas Binárias Realimentação Binária Um circuito lógico de um modo geral pode ser representado através de uma função booleana na qual as variáveis estão associadas às entradas binárias. A diferença entre os dois tipos de circuitos está justamente neste detalhe: os circuitos combinacionais não armazenam informação. Símbolo: © UNESP/FEG/DEE . Estes blocos lógicos (também chamados de portas lógicas) são obtidos através da integração de circuitos eletrônicos analógicos.Eletrônica Digital 13/22 sempre esta divisão fica claramente definida. o símbolo e a tabela verdade.3. OR. Isto implica em dizer também que quando se tem um circuito lógico é possível a obter-se outros mais simples que realizam a mesma função.1 Definição dos Blocos Lógicos Básicos A seguir é dada a definição de cada bloco lógico básico incluindo-se também a função.

C . .Eletrônica Digital A B Z 14/22 Função: .Eletrotécnica Geral – XI . f ( A. . Z ) = ABC K Z © UNESP/FEG/DEE .K. B.

.1.Eletrotécnica Geral – XI .Eletrônica Digital 15/22 Tabela Verdade (Para Duas Variáveis): A 0 0 1 1 B 0 1 0 1 f ( A.4 Bloco NAND O bloco lógico NAND é simplesmente um bloco AND cuja saída passa por um inversor.3. Desta maneira a saída de um bloco NAND estará no nível lógico 0 somente quando todas as entradas estiverem no nível lógico 1. B) = A + B 0 1 1 1 XI. Símbolo: A B Z . . Função: f ( A. Símbolo: A Função: f ( A) = A Tabela Verdade: A 0 1 f ( A) = A 1 0 XI. C . O mesmo tem apenas uma entrada (a variável da função a ser complementada) e uma saída onde se obtêm o complemento (negação) da entrada.2 Bloco OR O bloco lógico OR é aquele que realiza a função OU ou seja tem saída no nível lógico 0 apenas quando alguma das entradas também estiver neste nível lógico (lembrar que se trata da função OUInclusivo).3.K.3. B.1. B ) = AB 0 0 0 1 XI.1.3 Bloco NOT (mais conhecido como inversor) O bloco lógico inversor é aquele que realiza a função de complementação de uma variável ou função. © UNESP/FEG/DEE . Z ) = A + B + C + K + Z Tabela Verdade (Para Duas Variáveis): A 0 0 1 1 B 0 1 0 1 f ( A.

. Z ) = A + B + C + K + Z = A B C K Z Tabela Verdade (Para Duas Variáveis): A 0 0 1 1 B 0 1 0 1 f ( A.K. Desta maneira a saída de um bloco NOR está no nível lógico 1 somente quando todas as entradas estiverem no nível lógico 0.Eletrotécnica Geral – XI .3. A saída de um bloco OU-EX está no estado lógico 1 apenas quando uma e apenas uma de suas duas entradas estiver no nível lógico 1. o mesmo não pode ser tomado como um bloco básico já que a função OU-EX pode ser implementada pela combinação de dois blocos AND e um bloco OR. .1. . Z ) = ABC K Z = A + B + C + K + Z Tabela Verdade (Para Duas Variáveis): A 0 0 1 1 B 0 1 0 1 f ( A. B. No entanto são disponíveis circuitos integrados em um único bloco com esta função. C .Eletrônica Digital 16/22 Símbolo: A B Z . B) = A ⊕ B © UNESP/FEG/DEE . Símbolo: A B Função: f ( A. Função: f ( A.K . B.6 Bloco OU-EX (ou exclusivo) O bloco OU-EX realiza a função OU-Exclusivo. B) = A + B 1 0 0 0 XI. B ) = AB 1 1 1 0 XI. Função: f ( A. C .1. .5 Bloco NOR O bloco lógico NOR é simplesmente um bloco OU cuja saída passa por um inversor.3. Símbolo: A B Z . Rigorosamente falando.

3. B. b) Obtenção da tabela verdade da função booleana que o circuito realiza. 2.1)( A + B + C + K + Y + Z ) Exemplo 22: Um sistema eletrônico deve controlar a operação de três máquinas em uma indústria de acordo com condições pré-estabelecidas.1)( A B C KY Z ) + f (0.1.1.0. K. Para a obtenção da função lógica será utilizada a Fórmula de Interpolação de Lagrange. B. f (1. Para a versão soma de produtos a fórmula de Lagrange é dada por: f ( A.0)( A + B + C + KY + Z )].Eletrônica Digital 17/22 Tabela Verdade: A 0 0 1 1 B 0 1 0 1 f ( A.0.0. Esta fórmula pode ser apresentada em duas versões que permitem que a função seja dada ou como uma soma de produtos ou como um produto de somas.1.1. Se as condições falharem um alarme deve soar em uma sala de controle. K.2 Implementação de Circuitos Combinacionais A seqüência básica para o desenvolvimento de um projeto usando lógica combinacional deve seguir os seguintes passos: a) Obtenção de uma tabela verdade que sintetize a operação que se quer do circuito. já que as minimizações (simplificações) podem ser feitas através do trabalhoso processo de utilização dos postulados e teoremas da álgebra de Boole. K . A máquina A não pode operar ao mesmo tempo em que a máquina B.0. Y . B ) = A ⊕ B 0 1 1 0 XI.1. Z ) = f (0. O mesmo pode ser dito para o passo (c).0. K. d) Montagem do circuito lógico a partir da função booleana simplificada do circuito.1.1. K. © UNESP/FEG/DEE .Eletrotécnica Geral – XI .0. As condições são: 1. Neste item será apresentado como se obter uma função lógica d uma tabela verdade e também como implementar o circuito e associado à função lógica obtida.1. [ f ( 0. K.1) ( A + B + C + K + Y + Z )]. K. C.0.0.0) ( A + B + C + K + Y + Z ).1.1)( ABC KYZ ) A versão produto de somas é dada por: f ( A.1.0)( A B C KY Z ) + f (0.K . Y .0)( ABC KYZ ) + f (1. K .K .0. As três máquinas não podem parar ao mesmo tempo.0)( A B C KYZ ) + K + f (1. Z ) = [ f ( 0.3. O que deve ser feito para a realização do passo (a) já foi apresentado.1.0.1.1. C .0. c) Simplificação da função booleana.0.0. f (1. As três máquinas não podem operar ao mesmo tempo sob risco de sobrecarga do sistema.0. K. K .

como as respostas de combinações que não acionam o alarme.0) = 0 f(0. © UNESP/FEG/DEE .1) = 0 f(1.0. Para a primeira opção (F=1 – f ) trabalha-se com a primeira versão da fórmula de Lagrange enquanto que com a segunda opção (F=0 – f ) tem-se a segunda versão da fórmula de Lagrange.0) = 1 f(0. aquelas que levam a F = 0.1) = 0 f(0.1.1.1) = 1 f(1.0. ou seja. isto é. A máquina B não pode operar ao mesmo tempo em que a máquina C. para a combinação 000. 0 . Solução: do enunciado do problema pode-se verificar que são três máquinas e uma saída de controle de alarme F. Logo se deve fazer uma tabela verdade de três variáveis (23=8 estados). o produto associado é A B C . Para a combinação 010 o produto é A BC pois 0 .Eletrônica Digital 18/22 4.0) = 0 f(1. Máquina parada ð 0. Por exemplo.0) = 1 f(1. 0 = 1 e assim por diante. aquelas que levam a F = 1.Eletrotécnica Geral – XI .0. A seguir apresenta-se o desenvolvimento para cada uma das versões. associados a cada uma das 8 combinações de estados lógicos e montados de tal modo que levem a um valor 1. 1ª Versão da Fórmula de Lagrange: Como se tem 3 variáveis existirão 23 = 8 possíveis combinações das mesmas. A 0 0 0 0 1 1 1 1 B 0 0 1 1 0 0 1 1 C 0 1 0 1 0 1 0 1 F 1 0 0 1 0 0 1 1 Na apresentação desta tabela foi suposto o seguinte: • • • • Máquina funcionando ð 1.0. Logo a fórmula de Lagrange neste caso tem 8 termos (aqueles da tabela): f(0.1. Alarme parado ð 0.1.1. ou seja. Pede-se obter a função lógica que descreva o controle de alarme. 0 .1) = 1 Respostas de cada uma das 8 possíveis combinações das variáveis de entrada ð ð ð ð ð ð ð ð ABC ABC A BC A BC AB C AB C ABC ABC Produtos lógicos formados pelas variáveis de entrada. Na descrição da tabela verdade pode-se observar tanto as respostas de combinações que acionam o alarme. 0 = 1 . Alarme funcionando ð 1.

Adotando o mesmo procedimento nas outras linhas com saída 0 tem-se: f ( A. f ( A. ( ABC ) + 1 . C ) = A B C + A BC + ABC + ABC o circuito equivalente é dado por: A B C f (A. ou seja: f ( A.Eletrônica Digital 19/22 A fórmula de Lagrange é a soma dos produtos de cada termo produto com sua resposta correspondente. usando os símbolos correspondentes. B=0 e C=1. 2ª Versão da Fórmula de Lagrange: deve-se localizar os “0´s” da tabela verdade e montar nesta linha uma soma das variáveis de entrada de tal modo que o resultado seja 0. B. O estado lógico das variáveis nesta linha é 001. sendo que cada termo é o produto de três variáveis (4 blocos AND de três entradas) com alguns blocos AND tendo entradas negadas (Blocos Inversor). ( A + B + C ) Esta fórmula é equivalente a soma dos produtos obtida anteriormente. Depois basta multiplicar estes termos soma para obter a função. C ) = A B C + A BC + ABC + ABC Na prática basta fazer o seguinte: identificar os “1´s” da tabela verdade e montar para esta linha um produto das variáveis de entrada de tal modo que o resultado seja 1. ( A BC ) + 0 . ( A + B + C) . ( AB C ) + 0 . ( ABC ) ∴ f ( A. a segunda linha da tabela verdade apresenta uma resposta f=0. B. © UNESP/FEG/DEE . Logo a soma das variáveis que leva ao estado 0 nesta linha é A + B + C pois ao se substituir A=0. ( A B C ) + 0 . C ) = ( A + B + C ) . B. basta seguir a hierarquia lógica da própria função. Assim para a primeira função. ( A B C ) + 1 .Eletrotécnica Geral – XI . C ) = 1. tem-se A + B + C = 0 + 0 + 1 = 0 . B. Para a implementação do circuito lógico associado à função. ( A B C ) + 0 . Neste exercício. Depois basta somar estes termos produto para montar a função.C) Tem-se para a figura acima uma soma de quatro termos (Bloco OR de quatro entradas). ( AB C ) + 1 . ( A + B + C ) .B.

As funções dadas abaixo são formas canônicas: F (A. ( A + B + C ) .Eletrônica Digital 20/22 A segunda função f ( A. C ) = ( A + B + C ) . © UNESP/FEG/DEE . sendo que cada termo é dado por uma soma de três variáveis (Bloco OR de três entradas) com alguns blocos OR tendo algumas entradas negadas (Blocos Inversor). respectivamente. f ( A.3 Formas Canônicas das Funções Booleanas Uma função é expressa em uma Forma Canônica quando cada termo produto ou cada termo soma daqueles que a formam é um produto ou uma soma.C) Tem-se para a figura acima um produto de quatro termos (Bloco AND de quatro entradas). Cada uma destas entradas é a saída de um bloco AND que tem também duas entradas (algumas negadas). B. B. que envolve todas as variáveis do problema.B) XI. implemente um circuito lógico que a realize. portanto é dada por: A B f (A. A. C e cada termo produto contém todas as três variáveis. Ela é uma Forma Canônica de Soma de Produtos. ( A + B + C ) . B. ( A + B + C ) implementada da seguinte maneira: A B C é f (A.B. B ) = A B + AB Esta função é composta de um bloco OR de duas entradas. Exemplo 23: Dada a função lógica abaixo.Eletrotécnica Geral – XI . B. A implementação.3. C) = (A + B + C) (A + B + C) ( A + B + C) ( A + B + C) A primeira é uma função de três variáveis. C) = ABC + AB C + ABC e F (A.

. B=0 e C=0 (4 em binário) sendo substituídas fornece como resultado 1: A B C ≡ 1 . (0) = 1 © UNESP/FEG/DEE . A 0 0 0 0 1 1 1 1 B 0 0 1 1 0 0 1 1 C 0 1 0 1 0 1 0 1 mintermos (m) m0 = A B C m1 = A B C m2 = A B C m3 = A B C m4 = A B C m5 = A B C m 6 = A BC m7 = A B C maxitermos (M) M0 = A + B + C M1 = A + B + C M2 = A + B + C M3 = A + B + C M4 = A + B + C M5 = A + B + C M 6 = A + B+C M7 = A + B + C Pode-se notar que: a) é utilizado “m” para mintermo e “M” para maxitermo. 1. Os termos produtos de uma função na forma canônica de soma de produtos são também denominadas mintermos. b) os índice (0. c) o mintermo m4 é um produto lógico que. “Maxitermo é uma soma lógica de variáveis feita de tal modo que a combinação de estados correspondentes leve ao estado lógico 0”. Ela é uma Forma Canônica de Produto de Somas. Os termos soma de uma função na f orma canônica de produto de somas são denominados maxitermos.. Como exemplo pode-se analisar o problema para três variáveis. É claro que a extração da função da tabela verdade é sempre feita em sua forma canônica (veja fórmulas de Lagrange). com as variáveis A=1. Em termos gerais pode-se dizer que: • • “Minitermo é produto lógico de variáveis feito de tal modo que a combinação de estados correspondente leve ao estado lógico 1”.Eletrônica Digital 21/22 A segunda função também é de três variáveis e cada termo soma contém as mesmas três variáveis. Para 3 variáveis existem 23 = 8 combinações de estados lógicos e pode-se portanto escrever 8 mintermos e 8 maxitermos. Este caso apresenta 8 possíveis combinações de estados e portanto 8 possíveis mintermos e maxitermos. (0) . Como existem 2n possíveis combinações de estados para “n” variáveis existem 2n mintermos e também 2n maxitermos.Eletrotécnica Geral – XI .. Logo as formas canônicas são uma expressão direta da tabela verdade. Tendo uma função na forma canônica é sempre possível escrever a tabela verdade correspondente.7) indicam o número decimal associado à combinação binária que o mintermo ou o maxitermo representa.. Uma combinação de estados lógicos de um determinado universo de variáveis tem sempre um mintermo ou um maxitermo associado. Esta denominação se deve ao fato de o produto lógico ser análogo à intercessão e a intercessão de vários conjuntos é um conjunto menor (min) ou igual ao menor dos conjuntos envolvidos na operação. A tabela abaixo apresenta estes mintermos e maxitermos. A soma lógica é análoga a união da teoria dos conjuntos e a união de vários conjuntos é um conjunto maior (maxi) ou igual ao maior dos conjuntos envolvidos na operação.

Uma função pode ser levada da forma reduzida à forma canônica através de dois artifícios que são apresentados nos dois exemplos que seguem.Eletrônica Digital 22/22 d) maxitermo M4 é uma soma lógica que. Exemplo 24: Obter as funções booleanas nas duas formas canônicas que representam a tabela verdade abaixo. ( C ) é uma forma reduzida porque no primeiro termo soma falta a variável C e no segundo termo faltam as variáveis A e B.5 ou f ( A.7 As funções lógicas que não se apresentam na forma canônica são ditas estar em uma Forma Reduzida. A 0 0 0 0 1 1 1 1 B 0 0 1 1 0 0 1 1 C 0 1 0 1 0 1 0 1 D 0 0 1 1 0 1 0 0 0 1 2 3 4 5 6 7 f ( A. C ) = m2 + m3 + m5 = ∑ 2. C ) = ( A + B) . Exemplo 27 – Artifício 1: Dada a função abaixo se pede que se encontre sua forma canônica e que se recomponha a partir desta forma canônica sua tabela verdade.M 7 = ∏ 0. C ) = M 0 . M 1 . B=0 e C=0 (4 em binário) sendo substituídas fornece como resultado 0: A + B + C ≡ ( 1 ) + (0) + (0) = 0 Deve-se observar também o fato de que o complemento de um mintermo gera o maxitermo correspondente e vice-versa: m4 = A B C = A + B + C = M4 logo: m i = M i e M i = m i De posse das definições de mintermo e maxitermo pode-se estabelecer uma notação concisa para as funções booleanas.Eletrotécnica Geral – XI .1. Deve-se lembrar que a função é extraída da tabela verdade fazendo-se ou a soma dos mintermos correspondentes a cada resposta de saída igual a 1 ou o produto dos maxitermos correspondentes a cada resposta de saída igual a 0. Exemplo 25: f ( A. B. Utilize a notação concisa. © UNESP/FEG/DEE .M 4 .3. B. Basta indicá-las como um somatório (Σ) de mintermos ou um produtório (Π) de maxitermos. com as variáveis A=1. Exemplo 26: f ( A.6. B.4.M 6 . B. C ) = ( A) + ( B C ) é uma forma reduzida porque no primeiro termo da soma faltam as variáveis B e C e no segundo termo falta a variável A.

pois f ( A. C ) = ( A + B ).0 .1 + 1.Eletrotécnica Geral – XI .4.5.Eletrônica Digital 23/22 f ( A. C ) = m7 + m6 + m5 + m4 + m1 = ∑ 7.a) tem-se: f ( A.6.B = 0 C .C ). 1 = ( B C ) Sabe-se também que a soma de qualquer variável com seu complemento é igual a 1.B + C ) Aplicando a distributividade do produto em relação à soma (teorema T. C) = M 3 . B.C = 0 Assim tem-se que: f ( A.1.( A. C ) = A. Então: A. B. A = 0 B .M 2 . B.C = ( A + B + 0). Então: f ( A.M 0 = ∏ 3. Então: A+ B + 0 = A+ B C+0=C Sabe-se também que a intercessão de qualquer variável ou função com o seu complemento dá zero. B.( 0 + 0 + C ) = ( A + B + C. ou seja: f ( A.( B + B ). C ) = ( A + B ). B. Então: A. 2.7. f ( A. Exemplo 28 – Artifício 2: Dada a função abaixo se pede que se encontre sua forma canônica e que se recomponha a partir desta forma canônica sua tabela verdade.1 = A e ( B C).b) obtém-se: © UNESP/FEG/DEE . B. C ) = ( A) + ( B C ) Sabe-se que o produto de qualquer variável ou função por 1 não a altera.7.B C = A. C ) = ABC + ABC + AB C + AB C + AB C + A B C que é uma forma canônica.1 Estes mintermos levam a função a 1.( C + C ) + ( A + A) B C Aplicando a distributividade da soma em relação ao produto (T. B. e assim pode-se construir a tabela verdade: A 0 0 0 0 1 1 1 1 B 0 0 1 1 0 0 1 1 C 0 1 0 1 0 1 0 1 f 0 1 0 0 1 1 1 1 De uma forma análoga poder-se-ia ter obtido a tabela verdade através dos maxitermos. Esta forma canônica pode ser expressa também em função de seus mintermos. A + B.C Sabe-se que a soma de qualquer variável ou função com zero não a altera.

M 3 . A + B + C ). Esta forma canônica pode ser expressa também em função de seus maxitermos (levam a função a zero).( A + B + C ). A seguir são apresentadas as variáveis que devem ser controladas.( A + B + C ). que se restringem em movimento para a esquerda e movimento para a direita.( A + B + C ).( A. C ) = ( A + B + C ). B. A = 1 ) tem-se: f ( A. Os movimentos são controlados através de um painel que contém dois botões normalmente abertos. C ) = ( A + B + C ).M 1 . B.2 .0 Assim a tabela verdade é dada por: A 0 0 0 0 1 1 1 1 B 0 0 1 1 0 0 1 1 C 0 1 0 1 0 1 0 1 F 0 0 1 0 1 0 1 0 De uma forma análoga poder-se-ia ter obtido a tabela verdade através dos mintermos. B.( A + B + C ). PROJETO: Deseja-se construir um circuito lógico para controlar os movimentos de uma ponte rolante. pois f ( A. nas extremidades devem ser instalados sensores de fim de curso.Eletrotécnica Geral – XI .( A.( A + B + C ).( A + B + C ). Como medida de segurança. C ) = m6 + m4 + m2 = ∑ 6.( A + B + C ) Eliminando-se agora os termos redundantes ( A.( A + B + C ) que está representado na forma canônica. B. ou seja: f ( A. B.( A + B + C ). Variáveis de entrada: E ð Botão que determina movimento para a esquerda D ð Botão que determina o movimento para a direita S e ð Sensor de fim de curso da extremidade da esquerda S d ð Sensor de fim de curso da extremidade da direita Variáveis de saída: M e ð Motor ligado para a esquerda M d ð Motor ligado para a direita Determinação da lógica utilizada: E = 1 ð Botão do movimento para a esquerda acionado © UNESP/FEG/DEE .3.4.M 5 . A + B + C ) f ( A.( A + B + C ). Um deles serve para movimentar o carro da ponte para a esquerda e o outro para a direita.Eletrônica Digital 24/22 f ( A. C ) = ( A + B + C ).1.5. C ) = M 7 .M 0 = ∏ 7.

tracionando para a esquerda M e = 0 ð Motor desligado M d = 1 ð Motor ligado. tracionando para a direita M d = 0 ð Motor desligado Pede-se determinar a tabela verdade e as expressões lógicas das duas saídas. 7404 1 2 3 4 5 6 7 7411 14 13 12 11 10 9 8 1 2 3 4 5 6 7 1A 1Y 2A 2Y 3A 3Y GND VCC 6A 6Y 5A 5Y 4A 4Y 1A 1B 2A 2B 2C 2Y GND VCC 1C 1Y 3C 3B 3A 3Y 14 13 12 11 10 9 8 © UNESP/FEG/DEE . M d e M e assim como o circuito equivalente que deve ser montado com os seguintes dispositivos 7404 (6 inversores) e 7411 (3 portas AND de 3 entradas).Eletrotécnica Geral – XI .Eletrônica Digital 25/22 E = 0 ð Botão do movimento para a esquerda não acionado D = 1 ð Botão do movimento para a direita acionado D = 0 ð Botão do movimento para a direita não acionado S e = 1 ð Sensor de fim de curso da esquerda acionado S e = 0 ð Sensor de fim de curso da esquerda não acionado S d = 1 ð Sensor de fim de curso da direita acionado S d = 0 ð Sensor de fim de curso da direita não acionado M e = 1 ð Motor ligado.

tem-se: M e = m8 + m9 = E . Sd . S e . D . ( Sd + S d ) M e = E. S e . S d + E . ( S e + S e ) M d = E . tem-se: M d = m4 + m6 = E . D . D . S e . D . D . S e . D . S e .Eletrotécnica Geral – XI . D . Se Analisando os mintermos (função leva a 1) para a saída Md. Sd M d = E . D . S d + E . S d M e = E . Sd © UNESP/FEG/DEE .Eletrônica Digital 26/22 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 E 0 0 0 0 0 0 0 0 1 1 1 1 1 1 1 1 Entradas D Se 0 0 0 0 0 1 0 1 1 0 1 0 1 1 1 1 0 0 0 0 0 1 0 1 1 0 1 0 1 1 1 1 Sd 0 1 0 1 0 1 0 1 0 1 0 1 0 1 0 1 Saídas Me Md 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 1 0 0 1 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Analisando os mintermos (função leva a 1) para a saída Me.

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