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a revista do engenheiro civil
téchne 136 julho 2008
apoio

IPT

Edição 136 ano 16 julho de 2008 R$ 23,00

techne
ARTIGO

www.revistatechne.com.br

COMO CONSTRUIR

Aquecedor solar de água

00136

■ Boom do segmento econômico fomenta novas tecnologias ■ Como homologar um sistema construtivo ■ Critérios da Caixa para a aprovação de métodos inovadores

9 77 0 1 04 1 0 50 0 0

ISSN 0104-1053

Laudo do metrô ■ Sistemas construtivos ■ Avaliação técnica de desempenho ■ Esquadrias ■ Aquecedor solar ■ Retrofit

EXCLUSIVO

Detalhes do laudo do IPT sobre a cratera do Metrô em São Paulo
ESQUADRIAS

60 anos de evolução Retrofit de fachadas
HABITAÇÃO ECONÔMICA

Sistemas construtivos

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SUMÁRIO
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CAPA
Industrialização econômica Boom imobiliário acelera corrida por novas tecnologias construtivas e resgasta sistemas esquecidos no passado

56 ARTIGO
Retrofit de fachadas: tecnologias européias Pesquisadora do IPT analisa o mercado e os materiais disponíveis para requalificação de fachadas

76 COMO CONSTRUIR
Dimensionamento e instalação de aquecedor solar Veja como dimensionar e instalar sistema solar de aquecimento de água
Divulgação Rodobens

30 DESABAMENTO DA LINHA 4
Roteiro acidental Confira um resumo do laudo do IPT sobre o acidente nas obras do metrô de São Paulo

SEÇÕES
Editorial Web Cartas Área Construída Índices IPT Responde Carreira Melhores Práticas Técnica e Ambiente P&T Obra Aberta Agenda 2 6 8 10 12 14 16 18 28 64 70 72

50 DESEMPENHO
Divulgação CEF

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ENTREVISTA
Financiamento construtivo Gerente nacional de Gestão, Padronização e Normas Técnicas da CEF explica critérios para financiar obras inovadoras

Excelência atestada Os ensaios e documentos necessários para homologar um sistema construtivo inovador

54 ESQUADRIAS – PINI 60 ANOS
Marco tecnológico Ao longo de 60 anos, a evolução das tecnologias que possibilitaram o salto de qualidade das esquadrias

Capa Layout: Lucia Lopes Foto: Roberto Allen

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EDITORIAL
Laudo da cratera: compromisso técnico
m fevereiro do ano passado, no Editorial da edição no 119, firmamos um compromisso com nossos leitores: apresentar as causas técnicas que teriam levado ao desabamento do túnel da Linha 4 do Metrô de São Paulo, que vitimou sete pessoas no dia 12 de janeiro de 2007. Compromisso que trazia uma ressalva importante: "(...) Téchne não irá especular.Aguardaremos o laudo do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo), para quem a missão foi sabiamente confiada. Será a partir desse documento (...) que vamos debater, do ponto de vista técnico, as causas diretas do desabamento". E assim foi. Passado um ano e cinco meses do acidente, voltamos ao assunto para mostrar bem mais do que foi noticiado e publicado pela imprensa desde a divulgação do laudo, no dia 9 de junho. Obtivemos junto ao Ministério Público do Estado de São Paulo um resumo em dois volumes do relatório do IPT. O texto que publicamos nesta edição sintetiza em 11 páginas, na mesma linguagem técnica do laudo, a versão do instituto sobre os fatores que teriam determinado o curso do desabamento. Importante ressaltar que nem o IPT nem o Ministério Público ou qualquer outra fonte envolvida se pronunciou sobre o documento. Téchne abre, desde já, suas páginas a todos os interessados, inclusive ao Consórcio Via Amarela, para que apresentem outras versões para os fatos. Quando se dispuserem a falar sobre o assunto, todas as partes serão ouvidas pela revista.A despeito de o IPT ser parceiro da PINI na publicação de Téchne desde a criação da revista, há 16 anos, não obtivemos informação privilegiada do instituto. Restringimosnos ao conteúdo do laudo entregue ao Ministério Público. Há, portanto, novos capítulos a serem escritos sobre essa história. VEJA EM AU

E

Arquitetura latino-americana Especial PINI 60 anos: vidros Entrevista: Roberto Segre

VEJA EM CONSTRUÇÃO MERCADO

Boom industrial Recuperação ambiental Avaliação de imóveis Imóveis econômicos

Paulo Kiss

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Vendas de assinaturas, manuais técnicos, TCPO e atendimento ao assinante Segunda a sexta das 9h às 18h
Fundadores: Roberto L. Pini (1927-1966), Fausto Pini (1894-1967) e Sérgio Pini (1928-2003)
Diretor Geral

4001-6400
principais cidades*

Ademir Pautasso Nunes

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demais municípios fax (11) 2173-2446 vendas web

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Diretor de Redação

Eric Cozza eric@pini.com.br Editor: Paulo Kiss paulokiss@pini.com.br Editora-assistente: Kelly Carvalho Repórter: Bruno Loturco; Renato Faria (produtor editorial) Revisora: Mariza Passos Coordenadora de arte: Lucia Lopes Diagramadores: Leticia Mantovani e Renato Billa Ilustrador: Sergio Colotto Fotógrafo: Marcelo Scandaroli Produtora editorial: Juliana Costa Conselho Administrativo: Caio Fábio A. Motta (in memoriam), Cláudio Mitidieri, Ercio Thomaz, Paulo Kiss, Eric Cozza e Luiz Carlos F. Oliveira Conselho Editorial: Carlos Alberto Tauil, Emílio R. E. Kallas, Fernando H. Aidar, Francisco A. de Vasconcellos Netto, Francisco Paulo Graziano, Günter Leitner, José Carlos de Figueiredo Ferraz (in memoriam), José Maria de Camargo Barros, Maurício Linn Bianchi, Osmar Mammini, Ubiraci Espinelli Lemes de Souza e Vera Conceição F. Hachich ENGENHARIA E CUSTOS: Bernardo Corrêa Neto Preços e Fornecedores: Juliana Cristina Teixeira Auditoria de Preços: Ariell Alves Santos e Anderson Vasconcelos Fernandes Especificações técnicas: Ana Carolina Ferreira Índices e Custos: Maria Fernanda Matos Silva Composições de Custos: Mônica de Oliveira Ferreira SERVIÇOS DE ENGENHARIA: Celso Ragazzi, Luiz Freire de Carvalho e Mário Sérgio Pini PUBLICIDADE: Luiz Oliveira, Adriano Andrade, Jane Elias, Eduardo Yamashita, Silvio Carbone e Flávio Rodriguez Executivos de contas: A C Perreto, Bárbara Monteiro, Daniele Joanoni, Danilo Alegre e Ricardo Coelho MARKETING: Ricardo Massaro EVENTOS: Margareth Alves LIVROS E ASSINATURAS: José Carlos Perez RELAÇÕES INSTITUCIONAIS: Mário S. Pini ADMINISTRAÇÃO E FINANÇAS: Durval Bezerra CIRCULAÇÃO: José Roberto Pini SISTEMAS: José da Cruz Filho e Pedro Paulo Machado MANUAIS TÉCNICOS E CURSOS: Eric Cozza ENDEREÇO E TELEFONES Rua Anhaia, 964 – CEP 01130-900 – São Paulo-SP – Brasil PINI Publicidade, Engenharia, Administração e Redação – fone: (11) 2173-2300 PINI Sistemas, suporte e portal Piniweb – fone: (11) 2173-2300 - fax: (11) 2173-2425 Visite nosso site: www.piniweb.com Representantes da Publicidade: Paraná/Santa Catarina (48) 3241-1826/9111-5512 Espírito Santo (27) 3299-2411 Minas Gerais (31) 2535-7333 Rio Grande do Sul (51) 3333-2756 Rio de Janeiro (21) 2247-0407/9656-8856 Brasília (61) 3447-4400 Representantes de Livros e Assinaturas: Alagoas (82) 3338-2290 Amazonas (92) 3646-3113 Bahia (71) 3341-2610 Ceará (85) 3478-1611 Espírito Santo (27) 3242-3531 Maranhão (98) 3088-0528 Mato Grosso do Sul (67) 9951-5246 Pará (91) 3246-5522 Paraíba (83) 3223-1105 Pernambuco (81) 3222-5757 Piauí (86) 3223-5336 Rio de Janeiro (21) 2265-7899 Rio Grande do Norte (84) 3613-1222 Rio Grande do Sul (51) 3470-3060 São Paulo Marília (14) 3417-3099 São José dos Campos (12) 3929-7739 Sorocaba (15) 9718-8337 téchne: ISSN 0104-1053 Assinatura anual R$ 276,00 (12 exemplares) Assinatura bienal R$ 552,00 (24 exemplares) Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva do autor e não expressam, necessariamente, as opiniões da revista.

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Confira no site da Téchne fotos extras das obras, plantas e informações que complementam conteúdos publicados nesta edição ou estão relacionados aos temas acompanhados mensalmente pela revista

Sistemas construtivos industrializados
Veja no site da Téchne a execução passo a passo de uma casa com blocos de EPS, desde a etapa de fundações até o acabamento. Material funciona simultaneamente como fôrma para concreto e isolamento térmico para o ambiente.

Fórum Téchne
O site da revista Téchne tem um espaço dedicado ao debate técnico e qualificado dos principais temas da engenharia. Confira o tema em andamento. Quem deve coordenar projetos? O coordenador de projetos não deve estar encarregado de executar qualquer um dos projetos (arquitetura, estrutura, elétrica, hidráulica, outros), mas deve saber exatamente do que o cliente precisa, como deve ser feito e quem pode fazê-lo. O fato de o profissional ser engenheiro ou arquiteto, considero de menor importância.

Divulgação Isocret

Paulo Roberto Gobbo [30/6/2008]

Homologação de sistemas construtivos
Leia as perguntas mais freqüentes sobre homologação de sistemas construtivos respondidas pelo engenheiro e pesquisador do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo) e membro do Sinat (Sistema Nacional de Avaliações Técnicas), engenheiro Cláudio Vicente Mitidieri Filho.

Marcelo Scandaroli

A coordenação dos projetos deve ser executada por um profissional especializado, multidisciplinar, que esteja atento às necessidades do cliente, inclusive as que porventura o cliente não entenda que as tenha, como, por exemplo, o respeito às determinações das normas técnicas. Com base nesse conhecimento multidisciplinar, o mais apto é o engenheiro, não afirmo que arquitetos não o possam fazer, mas terão que se aprofundar mais em ramos não conhecidos.
Alex Sandro Oliveira de Lira [27/6/2008]

Desabamento do túnel do Metrô
Confira trechos do laudo realizado pelo IPT com resumo das investigações dos escombros e detalhes de como se deu o desabamento. Veja também os maiores acidentes nos últimos 15 anos envolvendo obras subterrâneas, com estatísticas, causas e os aprendizados da engenharia com os desastres.

Evelson de Freitas/AE

Entendo que a coordenação de projetos deve ser realizada por engenheiro com formação acadêmica robusta e multidisciplinar, contratado pela construtora. Todavia, a arquitetura deve estar representada por profissional com poder de decisão nas reuniões deliberativas. Só assim resolvem-se todas as interferências e incongruências dos projetos, resultando no produto final econômica e tecnicamente idealizado.
José Maurício de Almeida [18/6/2008]

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CARTAS
Integração de projetos
Com relação à reportagem de capa de Téchne 135,é preciso distinguir coordenador e integrador. Quanto ao atributo do processo: o coordenador coordena as partes para interação ótima; o integrador integra as partes num sistema orgânico total. Quanto à intenção organizacional: o coordenador subordina forma à função; o integrador integra forma e função. Atitude do coordenador: síntese. Atitude do integrador: integração ou simultaneidade. Para integrar projetos deve-se dar ênfase máxima em projeto total, análise e feedback. Bibliografia Strutural Concepts and Systems for Architects and Engineers. T.Y. Lin; S. D. Stotesbury. Fundações no Projeto de Arquitetura Total: uma Abordagem Integrada. R. W. R. Duarte.
Ricardo Wagner Reis Duarte, engenheiro civil, mestre em Habitação pelo IPT

Envie sua crítica ou sugestão. techne@pini.com.br

Corpos-de-prova
Gostaríamos de notificar que a seção Melhores Práticas, Téchne 134, pág. 22, apresenta informação equivocada no item "Moldagem e identificação", a respeito da amostragem do concreto para moldagem dos corpos-de-prova. O trecho cita que "após descarregar 0,5 m³ do concreto do caminhão-betoneira, coletar uma amostra de aproximadamente 30 l". No entanto, a NBR NM 33/98, item 3.3.1 prescreve: "a coleta das amos-

tras deve ser realizada durante a operação de descarga, após a retirada dos primeiros 15% e antes de completar a descarga de 85% do volume total da betonada". E ainda, em complemento à citação da NBR 7212, essa norma prescreve que a quantidade mínima para ensaio é de dois exemplares por idade.
Emerson Busnello, engenheiro, gerente de Tecnologia e Qualidade da Cimpor Concreto

ERRATA
Na edição 135 de Téchne, na reportagem de capa "Projetos coordenados", foi informado erroneamente que Cíntia da Silva Vedovello é engenheira. Na verdade, a coordenadora de projetos da Método é arquiteta.

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ÁREA CONSTRUÍDA
Poli e Sabesp criam tubos de concreto reforçados com fibras
Fibras de aço começaram a ser utilizadas na confecção de tubos de concreto para sistemas de saneamento básico. Desenvolvido em parceria pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), o produto é uma alternativa aos tubos de concreto armados com telas de aço. Apesar de inovadores, esses tubos já são contemplados pela versão final da revisão da NBR 8890, norma de especificação para tubos de concreto para águas pluviais e esgoto publicada no final de 2007. A presença do produto na norma é indispensável para a sua utilização em obras públicas. Por esse motivo, o produto ainda não pôde ser avaliado em condições de uso, segundo seus desenvolvedores, o professor Antonio Domingues de Figueiredo, do Departamento de Engenharia de Construção Civil da PoliUSP, e Pedro Chamma Neto, engenheiro da Sabesp. No entanto, acreditam que o produto apresenta resistência e durabilidade melhores do que os tubos convencionais, pois as
Acervo pessoal Antonio Domingos de Figueiredo

fibras de aço reforçam uniformemente a peça em toda a sua espessura. Para as indústrias, o uso de fibras representa uma economia de tempo no processo de produção, já que elimina a etapa de colocação da armadura de tela. Os custos de produção são próximos aos do tubo armado convencional. Fábricas de São Paulo,Rio de Janeiro e Rio

Grande do Sul começam a adaptar suas instalações para a produção dessas peças, adquirindo equipamentos para a alimentação e mistura das fibras ao concreto. "As saídas das misturadoras de concreto, por exemplo, devem ser adequadas, porque o concreto reforçado com fibras é mais coeso e pode entupir essas conexões", afirma Figueiredo.

Seminário discutirá obras logísticas e industriais
O 1o Seminário "Obras Logísticas e Industriais – Uma visão de Valor" reunirá engenheiros de projetos, indústria, associações, construtoras e serviços ligados à qualidade e à produtividade em obras logísticas e industriais no Brasil para debater a evolução da qualidade e da produtividade no setor. O crescimento do mercado de obras logísticas e industriais, a importância do piso nessas operações, a demanda pela capacitação técnica do segmento e a evolução do setor como um todo serão os temas a serem debatidos no evento. O semi10

nário, promovido pela LPE Engenharia, será realizado no dia 6 de agosto no Club Transatlântico, em São Paulo. Palestras programadas: Wagner Gasparetto (LPE Engenharia): Mercado de pisos e marketing de serviços Alessandro C. Cezar (Mecalux do Brasil): Sistemas logísticos de alta produtividade Públio Penna Firme Rodrigues (LPE Engenharia): Evolução das técnicas de projeto e execução de pisos Luís Augusto Milano (Matec): Ge-

renciamento de obra e garantia da qualidade Daniel Fernandez (Sika): Necessidades das obras industriais J. R. Braguim (Abece) – Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural: Qualidade em Projetos Cláudio Borges (Dumont Engenharia): Pavimentos de concreto aeroportuários Lucio Vitor Soares (WTorre Empreendimentos Imobiliários): Necessidades e exigências dos clientes – Uso da engenharia para o sucesso em obras
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Argamassa ecológica será produzida em escala industrial
Uma nova argamassa que utiliza como matéria-prima resíduos finos gerados por serrarias de rochas será produzida em escala industrial no Rio de Janeiro. A tecnologia foi desenvolvida pelo Cetem (Centro de Tecnologia Mineral) e pelo INT (Instituto Nacional de Tecnologia) e licenciada para produção para a empresa Argamil. A fábrica foi instalada na cidade de Santo Antônio de Pádua, no noroeste fluminense, e inaugurada em junho. Cerca de seis mil pessoas trabalham no setor de rochas da região, que é o maior pólo mineral do Estado. Para a fabricação do novo produto, a empresa se valerá diretamente sem tratamento nos rios e riachos da região. Com a nova técnica, empresários locais do setor de rochas ornamentais "fornecerão" à fábrica a água poluída gerada em suas atividades. A mistura é encaminhada para um processo de secagem a partir do qual se obtém um resíduo sólido, que é aproveitado na formulação da argamassa. Segundo o Cetem e o INT, cerca de 720 t de resíduos finos são lançados mensalmente pelas serrarias de rochas ornamentais de Santo Antônio de Pádua. As instalações da Argamil têm capacidade de produzir cerca de 1,24 t/mês da nova argamassa.
Shutterstock Royalfive

de um sistema de reúso da água empregada no corte das pedras Miracema e Madeira – utilizadas em revestimentos de pisos e paredes pela Construção Civil. O "pó de rocha" gerado pelo processo de corte era lançado

Inscrições para o Prêmio de Inovação do Confea vão até o dia 1o/8
O Confea (Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia) criou o Prêmio de Inovação e Criatividade Tecnológica, de que poderão participar todos os seus associados. Os melhores trabalhos produzidos no País por profissionais das áreas abrangidas pela entidade serão contemplados em duas categorias: trabalhos escritos e produtos. A primeira é voltada à pesquisa e desenvolvimento em dissertações de mestrado, teses de doutorado ou pós-doutorado. A segunda engloba pesquisas de criação, materializados em produtos patenteados ou patenteáveis, apresentados em forma de projeto. Os vencedores de cada uma das categorias ganharão passagem, diárias e inscrição para participar de evento internacional relacionado à sua área de atuação. Os segundos melhores trabalhos serão premiados da mesma forma, mas para participar de evento realizado no Brasil. A premiação acontecerá em dezembro, durante a Soeaa (Semana Oficial da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia), em Brasília. Os interessados devem enviar, até o dia 1o de agosto, três exemplares impressos de seus trabalhos para a sede do Confea e uma cópia, por e-mail, para o endereço gri@confea.org.br. O Confea pretende realizar a premiação anualmente, sempre com o desfecho durante a Soeaa.

UFPA inaugura laboratório de pesquisa em eficiência energética e hidráulica
O segundo Lenhs (Laboratório de Eficiência Energética e Hidráulica em Saneamento) brasileiro já está em funcionamento no Laboratório de Engenharia Mecânica do Instituto de Tecnologia da UFPA (Universidade Federal do Pará), em Belém. A rede de laboratórios tem como objetivo se tornar centro de referência em eficiência energética e hidráulica para atividades de ensino, pesquisa aplicada e extensão. Nos laboratórios, serão realizados treinamentos para profissionais do setor de saneamento, cursos de extensão voltados para eficiência energética e redução das perdas de água, além de pesquisas para incorporação de inovações tecnológicas em metodologias e equipamentos. O primeiro Lenhs foi implantado na UFPB (Universidade Federal da Paraíba), em abril; outras unidades estão sendo implementadas em universidades de outras três regiões geográficas brasileiras: UFMS (Centro-Oeste), UFMG (Sudeste), UFPR e UFRGS (Sul).

Ponte pré-fabricada poderia ser construída em 15 dias
Estudo desenvolvido na Universidade Tecnológica de Chalmers, na Suécia, afirma ser possível construir pontes em apenas duas semanas com sistemas construtivos pré-fabricados. O sistema proposto pelos pesquisadores suecos, chamado i-bridge, seria constituído de segmentos leves montados in loco. A estrutura seria formada de vigas de fibra de vidro com seção em "V", reforçadas com fibras de carbono, e tabuleiro pré-fabricado com concreto de alta resistência reforçado com fibras de aço. A tecnologia proporcionaria à ponte, além da velocidade na execução, um aumento considerável em sua vida útil. Mas o preço é amargo: os desenvolvedores estimam que o custo de projeto e execução da ibridge seria duas vezes maior que o de uma ponte convencional.
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ÍNDICES
Inflação em junho
Pelo segundo mês consecutivo o aumento do diesel teve influência no custo do transporte de materiais

custo médio global de edificações encerrou o mês de junho com alta de 0,50%, percentual inferior à inflação de 1,98% apresentada pelo IGP-M (Índice Geral de Preços de Mercado) da Fundação Getúlio Vargas. A alta do IPCE foi impulsionada pelo aumento do preço da barra de aço CA-50 3/8"(Ø=10 mm/m=0,617 kg/m). Em maio seu reajuste foi de 11,23%. No mês de junho, o insumo sofreu inflação de 2,52% e seu preço subiu de R$ 3,52/kg para R$ 3,61/kg. Esses aumentos são reflexo do segundo reajuste do ano repassado pelas siderúrgicas no mês de maio. Pelo segundo mês consecutivo o aumento do diesel influenciou o custo dos transportes dos materiais. A pedra britada no 2, que no mês de maio já havia sofrido o impacto da inflação com aumento de 3,68%, sofreu novo reajuste de 3,60% em junho, passando de R$ 56,40/m³ para R$ 58,43/m³. A areia lavada média, que em maio custava R$ 64,65/m³, teve seu preço reajustado para R$ 66,44/m³ em junho, o equivalente ao aumento de 2,78%. Insumos como tubo soldável de cobre classe E (Ø=22mm) e tinta látex PVA (acabamento=fosco e aveludado) sofreram inflação de 7,21% e 1,53%, respectivamente. Devido à alta de preços em junho, não houve significativas deflações que contribuíssem para a queda do índice. Construir em São Paulo ficou, em média, 9,18% mais caro nos últimos 12 meses. Contudo, o percentual é inferior ao apresentado pelo IGP-M, que registrou alta de 13,44% no mesmo período.

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Data-base: mar/86 dez/92=100 IPCE – SÃO PAULO global materiais mão-de-obra Jun/07 113.900,14 53.671,02 60.229,13 jul 114.065,53 53.547,83 60.517,71 ago 114.197,13 53.679,42 60.517,71 set 114.636,80 54.119,10 60.517,71 out 114.860,42 54.342,72 60.517,71 nov 115.225,62 54.707,92 60.517,71 dez 115.335,12 54.817,42 60.517,71 jan 115.733,11 55.215,41 60.517,71 fev 116.040,01 55.522,30 60.517,71 mar 116.121,80 55.604,09 60.517,71 abr 116.185,57 55.667,86 60.517,71 mai 123.736,89 58.257,90 65.478,99 Jun/08 124.358,19 58.879,20 65.478,99 Variações % referente ao último mês mês 0,50 1,07 0,00 acumulado no ano 7,82 7,41 8,20 acumulado em 12 meses 9,18 9,70 8,72 Metodologia: o Índice PINI de Custos de Edificações é composto a partir das variações dos preços de um lote básico de insumos. O índice é atualizado por pesquisa realizada em São Paulo. Período de coleta: a cada 30 dias com pesquisa na última semana do mês de referência. Fonte: PINI MÊS E ANO
Suporte Técnico: para tirar dúvidas ou solicitar nossos Serviços de Engenharia ligue para (11) 2173-2373 ou escreva para Editora PINI, rua Anhaia, 964, 01130-900, São Paulo (SP). Se preferir, envie e-mail: economia@pini.com.br. Assinantes poderão consultar indíces e outros serviços no portal www.piniweb.com

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IPT RESPONDE
Aquecedor solar
Em São Paulo, uma lei impõe que 40% do aquecimento de água seja feito por via solar. Isso obrigará a casa a ter dois boilers de armazenamento? Edifícios terão que ter boiler coletivo, para misturar com a água do aquecedor?
Rui Dante Costa São Paulo

Envie sua pergunta para o email iptresponde@pini.com.br

O sistema de aquecimento solar de água residencial opera elevando gradualmente a temperatura da água no interior do reservatório térmico (boiler) ao longo do dia. Mesmo que o sistema seja projetado para atender a 100% da demanda de água quente,é recomendável a instalação de um sistema complementar para atuar em dias com baixo nível de radiação solar. O sistema complementar pode ser de acumulação ou instantâneo (de pas-

sagem) e utilizar energia elétrica ou gás combustível. Diversas configurações são adotadas no mercado. Não há obrigatoriedade de instalação de um segundo boiler, pois o sistema complementar pode estar integrado ao próprio reservatório térmico ou ser um aquecedor de passagem. O mais adotado para casas possui uma resistência elétrica instalada no interior do reservatório térmico. Caso a temperatura da água não atinja a temperatura desejada via aquecimento solar,o apoio elétrico entra em operação. De modo geral, existem duas alternativas em edifícios.A primeira (e mais adotada) é distribuir a água quente na temperatura de consumo.Nesse caso,o sistema solar e o complementar (elétrico ou gás) fazem parte de um sistema central coletivo responsável por todo forneci-

Marcelo Scandaroli

mento de água quente da edificação. A segunda é distribuir a água pré-aquecida pelo sistema solar central coletivo e o aquecimento complementar ser feito na unidade por um aquecedor individual (de acumulação ou instantâneo).
Daniel Sowmy, engenheiro civil Cetac-IPT (Centro de Tecnologia do Ambiente Construído/Laboratório de Instalações Prediais)

Rachaduras
Alexander Orlov/Shutterstock

Existe norma sobre limite de abertura de rachaduras em alvenaria? Como avaliar se há risco de colapso?
Marli Inez Gans Porto Alegre

Não existe nenhuma norma que estabeleça os limites perigosos para as aberturas de fissuras em alvenarias. Até porque os limites variariam muito em cada caso, função do tipo de material (concreto, cerâmica etc.), da natureza da parede (vedação ou estrutural), intensidade e tipo de tensões,esbeltez e espessura das paredes, distribuição e tamanho de vãos de portas ou janelas,

configuração dos septos e direção dos furos dos blocos, presença de armaduras nas paredes, tubulações, revestimentos e outros. Em geral, os limites perigosos são representados por

incidência considerável de fissuras verticais (causadas por fluxos isostáticos de tração, perpendiculares às isostáticas de compressão), acompanhadas de outras indicações do prejuízo à segurança: desaprumos/desalinhamentos das paredes; destacamentos/seccionamentos nos encontros com pisos, tetos ou mesmo outras paredes; esmagamentos ou destacamento de revestimentos; vazamentos/ruptura de tubulações; emperramento ou mau funcionamento de caixilhos; ruptura de placas de vidro etc.
Ercio Thomaz, engenheiro civil Cetac-IPT (Centro de Tecnologia doAmbiente Construído)

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CARREIRA

Benjamin Ernani Diaz
Experiência na Alemanha e criação de grupo de desenvolvimento tecnológico auxiliaram o engenheiro no desafio de projetar a ponte Rio–Niterói e as estruturas da Central Nuclear de Angra 2
specializado em projetos ligados ao concreto armado e protendido de obras pesadas, Diaz participou de projetos como a ponte Rio–Niterói, a Central Nuclear de Angra 2 e duas pontes sobre o rio Pinheiros, na cidade de São Paulo, além de ter prestado consultoria de estruturas para os viadutos da Ferrovia do Aço, dentre inúmeras outras obras de grande porte. O início da carreira se deu com um estágio que o responsabilizava pelo controle e verificação de todos os desenhos de execução do primeiro edifício de porte de aço no País, a estrutura do Edifício Avenida Central, no Rio de Janeiro. Devido à complexidade e responsabilidade da tarefa, o engenheiro considera essa uma de suas principais realizações profissionais. Na mesma época, trabalhou na montagem da ponte em arco de aço da Cachoeira dos Veados, localizada no Rio São Francisco a jusante da Barragem de Paulo Afonso, entre Alagoas e Bahia. As experiências mais importantes para o encaminhamento da carreira de Diaz, no entanto, se passaram na Alemanha, na década de 1960. Lá atuou por quase quatro anos como engenheiro de estruturas da firma Dyckerhoff & Widmann, desenvolvendo pontes em balanços sucessivos em parceria com o Dr. Herber Kupfer. Na Universidade Técnica de MuniAcervo pessoal

E

PERFIL
Nome: Benjamin Ernani Diaz Idade: 71 anos Nascimento: Rio de Janeiro Graduação: Engenharia Civil pela Escola Politécnica da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), em 1959 Especializações: em concreto protendido, em Munique, e doutorado na Escola Técnica de Hannover, ambas na Alemanha. É livre-docente na Escola Politécnica da UFRJ Empresas em que trabalhou: escritório de projeto de Paulo Fragoso, Dyckerhoff & Widmann, Aço Torsima, Noronha Engenharia, Promon Engenharia, Escola Politécnica da UFRJ, Prefeitura da UFRJ, Serviços de Engenharia B. Ernani Diaz Cargos exercidos: chefe de departamento da Escola Politécnica da UFRJ, professor titular e atualmente professor emérito, decidido pelo Conselho Universitário, prefeito do campus da UFRJ

que estudou matérias técnicas e preparou uma tese de doutorado sobre cascas. Para isso, não teve nenhuma orientação acadêmica, "como era comum na Alemanha", conta. Anos mais tarde, Kupfer, que foi "o mestre com quem pude aprender engenharia na prática", assumiria o cargo de professor titular de concreto armado e protendido na mesma Universidade. Sua "teoria de cascas com auxílio de funções hipercomplexas" também figura dentre as principais realizações. No desenvolvimento desse estudo aplicou uma álgebra diferenciada à análise de cascas. "A parte matemática é muito interessante. Foi feita uma discussão inteiramente nova sobre cascas formadas por superfícies de segunda ordem", comenta. Outro importante projeto pessoal foi a criação de um grupo de informática aplicada à engenharia na firma Noronha Engenharia. Esse grupo, nos idos de 1967, desenvolveu pela primeira vez um projeto totalmente concebido em computador. Também desenvolveram os primeiros programas de pontes, de distribuição transversal de pontes, de verificação de tensões em peças de concreto protendido. Utilizaram, de maneira inédita, programas de análise de estruturas reticuladas no Brasil. Todas essas iniciativas se basearam em estudos isolados de linguagem Fortran e de análise de estruturas.
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Dez questões para Benjamin Ernani Diaz
1 Obras marcantes das quais
participou: projeto da Ponte Rio–Niterói, como co-responsável juntamente com o engenheiro Antonio Alves de Noronha Filho; Central Nuclear de Angra 2, como chefe de projeto dos prédios principais; Ferrovia do Aço, como consultor em estruturas da Engefer no projeto e construção; e projeto da Ponte Bernardo Goldfarb, em São Paulo

5 Por que escolheu a
engenharia: devido à facilidade em lidar com matemática, física e problemas novos

6 Que tipo de formação falta aos
profissionais recém-saídos da universidade: a capacidade do aluno em desenvolver um projeto de engenharia em que seus conhecimentos sejam utilizados. O trabalho acadêmico deve ter esse enfoque, pois o que se forma são engenheiros, não pesquisadores

2 Obras significativas da engenharia
brasileira: os edifícios A Noite, Copacabana Palace e Hotel Glória, no Rio de Janeiro, a barragem da Usina Hidrelétrica de Itaipu, a ponte Rio–Niterói, as rodovias Rio–Petrópolis e São Paulo–Santos, o Metrô de São Paulo, a Central Nuclear de Angra 2, os túneis e viadutos da Ferrovia do Aço, as obras iniciais de Brasília

7 Conselho ao jovem
profissional: estudar, ler artigos técnicos, ficar atento às novidades, participar de palestras e congressos e se manter atualizado em técnicas computacionais

8 Principal avanço tecnológico 3 Realizações profissionais: minha tese
"Teoria de cascas com auxílio de funções hipercomplexas", a criação do primeiro grupo de informática em engenharia civil do Brasil, a ponte Rio–Niterói e a Central Nuclear de Angra 2 recente: a tecnologia de novos materiais, a técnica de processos construtivos e o uso cada vez mais maciço de computadores

9 Indicação de livro: os escritos
por Stephen Timoshenko. Em concreto armado e protendido, os de Fritz Leonhardt

4 Mestres: professor Lindolfo Dias, que
me passou conceitos importantes de análise matemática, Dr. Herbert Kupfer, com quem aprendi engenharia na prática na Dyckerhoff & Widmann, em Munique

10 Um mal da arquitetura: pensar
que um projeto possa ser feito sem interação entre as especialidades

O pioneirismo e o espírito de busca por inovação tecnológica, que inclusive determinaram a escolha da profissão, foram colocados à prova com o projeto e construção da ponte Rio–Niterói. Nela foram exploradas novas tecnologias de colagem de aduelas e de montagem, além de uma grande variedade de tipos de fundações, incluindo estacas escavadas até a rocha, no trecho de mar. "Foram eliminadas as transversinas intermediá-

rias de tabuleiros com longarinas múltiplas nos acessos da ponte sobre o mar", salienta. A admiração por essa obra vai além de sua complexidade técnica. Do ponto de vista estético, considera que a ponte foi bem inserida ao contexto da Baía de Guanabara, contando com continuidade arquitetônica entres os trechos em concreto e aço, mesmo tendo sido projetados por grupos diferentes. Os processos construtivos das

estruturas, considerados revolucionários, são, segundo diz, coerentes e adequados, sem "elementos supérfluos". Igualmente complexo foi o projeto da Central Nuclear de Angra 2, com inúmeros carregamentos, combinações de cargas e consideração de centenas de possibilidades de acidentes. Exigiu o uso de programas próprios automáticos de dimensionamento de peças de concreto armado. "Talvez o projeto mais bem-feito no Brasil quanto à qualidade de execução e controle impecável", afirma. De acordo com Diaz, o trabalho de dimensionamento das estruturas propiciou uma economia substancial de aço. Os conceitos exigidos para tantas análises vieram da base adquirida ainda na graduação, junto ao professor Lindolfo Dias, que passou conceitos importantes para a resolução de problemas de engenharia. Diaz também atuou no meio acadêmico, tendo sido professor-adjunto da Escola Politécnica da UFRJ, quando lecionou diversas disciplinas do departamento de estruturas. Assumiu o cargo de professor titular ao passar em concurso público. Na mesma época, foi convidado pelo então reitor, professor Paulo Gomes, a assumir a prefeitura da Cidade Universitária. Exerceu o cargo por quatro anos, em período integral de tempo, tendo participado de projetos de reflorestamento da Ilha do Fundão, projetos de urbanismo, iluminação, asfaltamento, de estudos de viadutos para conexão ao continente, de construção de obras civis, de subestações, de implantação do sistema digital de telefonia, dentre outros. Uma realização não ligada à engenharia é a composição do livro "Figueiras no Brasil", em parceria com o botânico Pedro Carauta. Organizado e montado por Diaz, incluindo a preparação fotográfica, a publicação traz a descrição detalhada de 50 espécies de figueiras nativas e exóticas encontradas no País.
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MELHORES PRÁTICAS
Corte de lajes de concreto
Correto posicionamento das máquinas de corte e obediência a procedimentos de segurança garantem qualidade na execução do serviço Posição do corte
No processo de locação, deve-se garantir que o corte não cause qualquer dano à estrutura ou às instalações da edificação. Para que isso não ocorra, é importante consultar os projetos do edifício. Para o corte em lajes armadas, podese lançar mão do ensaio de pacometria, de modo a evitar cortes de vergalhões importantes.

Fotos Marcelo Scandaroli

Furo nas extremidades
O processo de corte na laje começa pela realização de um furo nas extremidades da peça a ser cortada. Ele evita que a serra, que será utilizada na etapa seguinte, realize um corte mais extenso que o necessário. A base da extratora deve estar corretamente fixada: algumas contam com sistema de vácuo que confere maior rigidez ao posicionamento, outras devem ser travadas por meio de pinos cravados no piso.

Montagem do trilho
Após a realização dos furos nas extremidades onde ocorrerá o corte da laje, deve-se fixar o trilho por onde irá correr o corpo de serra circular. Esse posicionamento é fundamental para que o corte seja feito na posição correta.

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Ajuste da serra
Antes de se proceder ao corte da peça, é sempre importante verificar o nível de ajuste da serra de corte ao corpo do equipamento. Se os parafusos de fixação não estiverem corretamente apertados, poderá haver curvaturas e empenamentos no plano de corte, além de riscos de travamento e danos à serra.

Execução do corte
No momento do corte, seja com a serra circular, seja com a serracopo, a presença de água em abundância é importante para minimizar o desgaste do equipamento. A operação com controle remoto também é um fator promotor de segurança nesse tipo de serviço.

Fixação da placa
Antes de se realizar o corte da laje com a serra circular, é importante que se tomem os cuidados necessários para evitar a queda da laje. A fixação do trecho cortado pode ser feita de diversas maneiras: pode-se lançar mão da realização de um furo no centro da placa, como o exibido na foto; da cravação de pinos no teto e na parte superior do trecho a ser cortado; ou de tripés e cavaletes para sustentação da peça a ser cortada.

Colaboração: professor Antonio Domingues de Figueiredo, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, e Engefuro.

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Financiamento construtivo
Gerente de padronização e normas técnicas da Caixa explica os critérios do banco para financiar construções com sistemas inovadores
CLÓVIS MARCELO DIAS BUENO
Formado em engenharia civil pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), em 1983, e pósgraduado, em 2002, em Negócios Imobiliários, trabalha há mais de 25 anos na CEF (Caixa Econômica Federal). Já circulou entre as áreas de avaliação de imóveis, crédito imobiliário e perícias técnicas. Atualmente, é gerente nacional de Gestão, Padronização e Normas Técnicas da CEF. Nesse cargo desde 2006, responde pelas normas e padrões que regem as atividades especializadas de mais de mil engenheiros e arquitetos empregados da instituição.
Divulgação CEF

P

ara eliminar o déficit habitacional,o Brasil precisa construir 7,2 milhões de novas unidades. A participação da CEF (Caixa Econômica Federal) é fundamental para essa política social.A instituição opera recursos de financiamento e repasse para a produção de habitações,respondendo por mais de R$ 13 bilhões de novas contratações em 2007. A responsabilidade de lidar com tal montante de recursos se manifesta na preocupação com os padrões de desempenho mínimo exigidos dos sistemas construtivos que adota. A Caixa cuida para que os produtos, financiados por até 30 anos, durem por tempo suficiente para amortizar os investimentos. A avaliação dos resultados que o empreendi-

mento trará, portanto, extrapola o caráter meramente técnico. Os mais de mil engenheiros e arquitetos da CEF avaliam o valor mercadológico das unidades, bem como a infra-estrutura urbana das regiões onde serão inseridas. É imprescindível, ainda, a análise da adequação da tecnologia à região,conforme defendeu Clóvis Marcelo Dias Bueno. "É importante conscientizar o setor da construção de que deve considerar especificidades locais e agregar a inteligência e racionalidade do trabalho de arquitetos e engenheiros", afirmou. Para ele, é necessário estudar também a composição do custo de produção de habitações nas cidades, onde o insumo mais caro costuma ser o terreno.
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O que a Caixa Econômica Federal espera de um sistema construtivo?

Um sistema construtivo, convencional ou inovador, deve compatibilizar desempenho técnico e viabilidade econômica. Quando avalia um sistema construtivo, a Caixa, como banco público e instituição responsável pela operação das políticas públicas do Governo Federal voltadas para habitação e cidades, foca o desempenho do produto final e não o do processo de projeto e execução. Assim, uma unidade habitacional, casa ou apartamento, qualquer que seja a forma como foi construída, deve oferecer condições de segurança estrutural, segurança ao fogo, estanqueidade, durabilidade, conforto térmico e acústico.
E o que leva à adoção de sistemas não convencionais?

“É fundamental evitar que as normas técnicas se tornem apenas instrumentos de reserva de mercado a determinados fabricantes”
sas científicas, tais como o Habitare (Programa de Tecnologia de Habitação) e o Prosab (Programa de Pesquisas em Saneamento Básico), e ainda por patrocínios a eventos,pesquisas e publicações relacionados à tecnologia construtiva. Vale esclarecer que, alinhada com as políticas nacionais, a Caixa entende que a solução para a demanda habitacional não se restringe à produção rápida e industrializada de unidades. A tecnologia, que constitui elemento fundamental na construção das soluções, não responde por si completamente ao problema. Há muito espaço para avanços nas questões tecnológicas, seja pela pesquisa de novos materiais e procedimentos de aplicação e execução.
Qual a influência da mão-de-obra?

nentes ou sistemas construtivos, mediante comprovação, no que couber ao caso específico, de desempenho nos quesitos segurança estrutural, segurança ao fogo,estanqueidade,durabilidade, conforto térmico e conforto acústico. Esse desempenho é comprovado pela apresentação de resultados de ensaios realizados por instituição independente e de reconhecidos saber e experiência no tema em questão. Sendo assim, não atestamos qualidade e desempenho de tecnologias, apenas decidimos, a partir de elementos técnico-científicos, se determinada tecnologia pode ser empregada nas obras financiadas pela Caixa.
Por que uma instituição financiadora deve se preocupar com a qualidade e o desempenho dos sistemas construtivos?

Na aprovação de sistemas construtivos não convencionais ou inovadores, observamos a oportunidade de aplicação desse sistema frente à solução convencional,identificando vantagens em relação aos custos ou ao desempenho. Um sistema construtivo inovador deve oferecer custo menor e prazo reduzido, preservando desempenho mínimo no produto final.Ou ainda,em outra abordagem, resultar em desempenho muito superior com o mesmo custo da solução convencional.
Mais do que a redução de custos, a prioridade é elevar o desempenho?

Na habitação popular, em que escala e industrialização da produção costumam ser indicadas como soluções pelo setor da construção, a Caixa busca preservar a qualidade do produto final. Essa é a garantia do negócio de crédito imobiliário e o objetivo da política pública: prover acesso à moradia digna.
Qual é o papel da Caixa no desenvolvimento de novas tecnologias construtivas? A instituição atua como fomentadora para o desenvolvimento de técnicas que reduzam custos e aumentem a rapidez da construção popular?

Há que se qualificar a mão-de-obra para alcançar maior produtividade, inserir racionalidade nos processos de execução, minimizando desperdícios e retrabalhos. Temos que romper com o ciclo da ilegalidade e atender às normas e leis vigentes, sejam nacionais ou locais, ambientais, urbanísticas, trabalhistas ou do consumidor. Também é fundamental evitar que as normas técnicas se tornem apenas instrumentos de reserva de mercado a determinados fabricantes, em detrimento da concorrência, assim como fortalecer as entidades representativas do setor e valorizar o trabalho de arquitetos e engenheiros.
Quais os procedimentos da Caixa para aceitação de novas tecnologias? Ou seja, como atesta a qualidade e o desempenho das metodologias?

A preocupação da Caixa deve ser compreendida a partir de dois enfoques distintos. Como banco público, que deve apresentar resultados financeiros para a sociedade brasileira, os produtos financiados pela empresa, inclusive habitação, devem ser duráveis e corresponder a garantias reais, aceitas e comercializáveis em mercado. Produtos de melhor qualidade e desempenho têm preço melhor e são mais fáceis de vender. Sob outro enfoque, quando pensamos na política pública para habitação e cidades,que é operacionalizada pela Caixa,é importante garantir a melhor aplicação para os recursos disponíveis, produzindo com qualidade e desempenho, de forma a alcançar resultados efetivos no atendimento da demanda habitacional e na inclusão social.
Quantas empresas de construção civil mantêm relacionamento de crédito com a Caixa? Esse número é considerado suficiente para a liberação do crédito destinado à redução do déficit habitacional?

A Caixa fomenta o desenvolvimento de novas tecnologias construtivas por meio de programas de apoio às pesqui22

A Caixa acata a utilização de novas tecnologias, sejam esses materiais, compo-

A Caixa opera recursos de financiamento e repasse para produção habitacional. No crédito imobiliário, a Caixa responde por 31% dos recursos do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) e 51% dos recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo
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de Serviço), o que, em novas contratações, totalizou em 2007, respectivamente, R$ 5,8 e R$ 7,3 bilhões. Nos repasses do Orçamento Geral da União, em que os principais clientes são municípios e Estados, mantemos relacionamento com mais de 2.200 municípios brasileiros, sendo que as contratações habitacionais totalizaram R$ 6,2 bilhões em 2007. Esses recursos são aplicados conforme orienta a política do Governo Federal para enfrentamento do déficit habitacional.
Quais os critérios para que um empreendimento seja aprovado e conte com financiamento da Caixa?

“Um sistema construtivo inovador deve oferecer custo menor e prazo reduzido, preservando desempenho mínimo no produto final”
vados esses aspectos, que na maior parte dos casos são definidos externamente, as propostas são livres.
Mas como a Caixa estimula a busca por qualidade nas habitações?

bilidade. Não é possível aceitar que uma residência financiada em 30 anos não resista a cinco anos de utilização. Esse risco é importante e diretamente relacionado à adoção irresponsável de tecnologias sem desempenho comprovado.
Há motivos tecnológicos para o déficit habitacional do País?

As análises para aprovação de um empreendimento incluem aspectos cadastrais, jurídicos, de risco de crédito, sociais e de engenharia. Considerando apenas os aspectos de engenharia, um empreendimento precisa atender às normas técnicas, à legislação ambiental e urbanística, além de oferecer condições adequadas de infra-estrutura urbana para atendimento dos futuros moradores. As análises de engenharia objetivam, ainda, verificar a viabilidade técnica do empreendimento, em especial a inserção mercadológica das unidades que serão produzidas.
O que essas análises consideram?

Evidentemente, quando falamos de crédito imobiliário, a Caixa tem prerrogativa para escolha dos negócios que pretende apoiar, privilegiando os bons projetos, independente da faixa de renda alcançada. Acreditamos que a habitação social merece qualidade em seus projetos e que é nesse segmento onde residem os maiores desafios para arquitetos e engenheiros.
Como e para que esses manuais são desenvolvidos?

A tecnologia deve ser encarada como parte da solução do problema habitacional. O enfrentamento do déficit passa por medidas distintas, tais como intervenção efetiva nos processos especulativos que ocorrem nas cidades brasileiras, oferta regular de recursos para habitação e para infra-estrutura urbana, articulação entre instituições públicas e privadas, facilitação do crédito de longo prazo para famílias de menor renda e pela tecnologia de construção. Uma habitação é um bem caro. Preservadas as condições de desempenho do produto final, quanto mais rápida a construção, menor o custo financeiro envolvido, quer para a empresa construtora, quer para a família beneficiada. Daí a importância da racionalização e da industrialização das obras.
E qual a importância da escala?

Englobam vistoria da área de intervenção e entorno, além da verificação de projetos, especificações, custos, incorporações e viabilidade econômico-financeira, sendo que, nas propostas, são observados os aspectos inerentes à concepção, funcionalidade, exeqüibilidade técnica, custos, prazos e necessidade de intervenções complementares.
Esses projetos devem ser, obrigatoriamente, concebidos a partir dos manuais internos da Caixa?

Os manuais têm abrangência nacional e respondem pelos padrões de análise e acompanhamento de empreendimentos a serem observados em todo o País. São desenvolvidos internamente, pelo grupo de arquitetos e engenheiros da Caixa, e têm escopo restrito aos critérios já comentados anteriormente.O quadro de funcionários da Caixa, que é a maior contratante de arquitetos do País, conta com mais de mil profissionais de engenharia e arquitetura.
Quais os riscos, para uma instituição financiadora, da adoção de tecnologias ou sistemas construtivos sem desempenho comprovado?

As propostas devem atender a critérios mínimos, definidos pela Caixa conforme o recurso e o programa, relacionados às garantias das operações de crédito, ao cumprimento da legislação aplicável, especialmente ambiental e urbanística, e ao atendimento do consumidor final. Obser24

Como o problema é grande e varia no território – o produto demandado em São Paulo é diferente do produto para o interior do Piauí,por exemplo –,não há solução, sem alternativas tecnológicas, que alcance a produção massiva e também a individual. O desafio é grande. A construção civil brasileira experimenta grandes contrastes. Às vezes, no mesmo bairro, temos obras com a melhor tecnologia disponível de gestão, projeto e execução, e temos obras péssimas, em que qualquer leigo observa desorganização e desperdícios. Some-se a isso a autoconstrução sem assistência técnica, responsável por parcela significativa da produção habitacional para a população de menor renda.
A redução do déficit habitacional depende, obrigatoriamente, do estímulo à autoconstrução assistida?

Como banco público que opera recursos públicos e deve oferecer retorno à sociedade brasileira, a Caixa não pode ser leviana ao aceitar como garantia de crédito unidades habitacionais que não oferecem segurança estrutural ou dura-

O enfrentamento do déficit passa por escala e velocidade, o que mantém forte correlação com a tecnologia. Isso não
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significa que se tenha que desprezar a autoconstrução assistida, que responde hoje como opção preferencial de produção habitacional das classes C e D, via crédito para aquisição de material de construção, e desempenhará, sem dúvida, importante papel na solução do déficit.
Ainda assim, o senhor acredita que o nicho de moradias populares é atraente e pode ser explorado por construtoras?

pela deficiência nas estruturas de garantias e seguros, que estão sendo repensadas pelas instituições interessadas em atuar nesse segmento.
A busca por novas tecnologias, que atendam a esse segmento, caminha no sentido da industrialização ou, ao contrário, da busca por materiais locais e técnicas simplificadas de construção?

cos, seja o cimento, o aço ou a madeira, no preço final da habitação, importa o valor da terra. Daí a necessidade de ampliar a discussão para o custo de produção das cidades. Hoje, o desafio de disponibilizar cidade digna, com serviços, transporte e infra-estrutura,aliado à industrialização e boa técnica, constituem as principais dificuldades para moradias populares eficazes.
Onde estão os maiores custos de construção habitacional? Como reduzi-los?

Não tenho dúvidas de que o segmento é atraente. Estamos falando de mais de 60% da demanda, em um período favorável como nunca antes. Essa população experimentou nos últimos anos aumento relativo expressivo em renda, que ainda não foi capturada para atendimento das necessidades habitacionais. Uma família com R$ 800,00 de renda mensal é consumidora de crédito para bens como televisores e geladeiras, mas não consegue obter crédito habitacional. Isso acontece um pouco

A solução é mista. Os produtos habitacionais demandados nos diversos territórios do País, da metrópole à pequena cidade do interior, são diferenciados. Nem todos serão executados em escala e com industrialização. Hoje vemos espaço também para as soluções simplificadas e tradicionais.
De que maneira a alta dos preços dos insumos afeta o segmento de moradias populares?

Hoje, o principal insumo em uma unidade habitacional é a terra urbanizada. No mesmo patamar dos insumos bási-

Como disse, o maior custo é a terra, o lugar onde se constrói. Daí a importância do planejamento urbano como caminho para minimizar a especulação imobiliária nas cidades. Desde 2001, contamos com o marco regulatório, que é o Estatuto da Cidade.Ao lado da questão da terra urbanizada, temos o custotempo e custo-desperdício,que também são significativos. Daí a importância de aprimoramento da gestão das obras.
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TÉCNICA E AMBIENTE
Fina e eficiente
Desenvolvimento de argamassa de pequena espessura para revestimento interno reduziu o consumo de material e a geração de resíduos, além de diminuir os custos com mão-de-obra
Resolução Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) no 307, em vigor há seis anos, ao responsabilizar o gerador pelo destino dado ao entulho visa diminuir a quantidade de resíduos depositados em botaforas. De acordo com o texto, os resíduos de gesso não podem ser descartados juntamente com os demais, uma vez que esse material não conta com tecnologia de reciclagem economicamente viável. A partir desse fato, a F A Oliva Empreendimentos Imobiliários passou a buscar uma alternativa de revestimento que gerasse menos resíduos no canteiro de obras. Foi assim que a Comunidade da Construção de Campinas, em parceria com a Abai (Associação Brasileira de Argamassa Industrializada), a ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) e empresas de cimento, desenvolveu um revestimento cimentício de pequena espessura para uso em interiores. Vicente Paulo de Souza, engenheiro da F A Oliva e membro do Conselho da Comunidade da Construção, explica que a empresa colocou uma de suas obras à disposição para a realização de testes. Os trabalhos de desenvolvimento do produto demandaram também treinamento de mão-deobra para obtenção da produtividade almejada. A argamassa, obtida à base de cimento, cal, areia e aditivos não tóxicos, tem tempo em aberto controlado. Foi atestada conforme a NBR 13281 – Argamassa para Assentamento e ReDivulgação FA Oliva

A

Seqüência do desenvolvimento do revestimento de baixa espessura
1. Disponibilidade da obra 2. Caracterização do revestimento de gesso 3. Experimentação com revestimento de argamassa – aplicação manual 4. Observações comparativas dos sistemas 5. Expectativas e resultados

vestimento de Paredes e Tetos – Requisitos, em vigor desde 2005. Inicialmente, o produto foi aplicado nas paredes internas de quatro unidades do Residencial Torres da Ponte, localizado na cidade de Jundiaí, no interior paulista. Os resultados positivos motivaram a F A Oliva a adotar o revestimento, em detrimento do gesso, nas 52 unidades de outro empreendimento na mesma cidade. Dentre as

vantagens observadas, Souza destaca a qualidade do acabamento final, a velocidade de execução, a limpeza com menor geração de resíduos e o desempenho. "O custo ficou próximo do que tínhamos com o gesso", conta. Um dos motivos para o custo competitivo foi a possibilidade de usar mão-deobra própria, sem a necessidade de terceirização. "Antes, contratávamos gesseiros", explica Souza.
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Para a aplicação, manual, foi adotado método semelhante ao do gesso. "O maior tempo em aberto ajudou no desempenho dos operários", observa Souza. Usou-se desempenadeira plástica para a aplicação, corrugada para desempeno, e lisa para o acabamento final. O desempenho da aplicação foi atestado com medições de tempo de cada etapa, desde a preparação até o acabamento final. A forma de aplicação foi fundamental para a economia de material. Em vez do sistema convencional – chapado com colher de pedreiro – a desempenadeira com argamassa é comprimida contra o substrato. Isso possibilitou que o revestimento tivesse 5 mm de espessura, com consumo de 9 kg de arga-

massa por metro quadrado de parede. Os revestimentos cimentícios convencionais consomem até 16 kg de argamassa para recobrir a mesma área. O volume de resíduos em comparação ao total consumido não chega a 4%. A produtividade dos pedreiros atendeu às expectativas da Comunidade da Construção campineira. Cada operário tem executado aproximadamente 5,5 m2 de revestimento por hora, no caso das paredes, e 4 m2 por hora, quando se trata de teto. "Houve também resultados positivos obtidos com ensaios de cisalhamento e resistência à aderência", comemora Souza. Por se tratar de um procedimento em desenvolvimento, alguns pontos estão sendo observados para aprimora-

mento. Um deles é a própria forma de aplicação. Embora a construtora perceba melhoras na performance da mãode-obra, a Comunidade da Construção está avaliando os benefícios da mecanização da aplicação. A intenção é eliminar a etapa de sarrafeamento com a projeção da argamassa já na espessura desejada. Outro ponto é a aplicação de massa corrida. "Acabamos utilizando um pouco a mais desse material do que o utilizado para corrigir as imperfeições do gesso", conta Souza. É importante ressaltar que revestimentos tão delgados podem "fotografar" as juntas dos blocos. Também pode ocorrer rápida evaporação da água, o que prejudica a aderência da camada ao substrato.
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DESABAMENTO DA LINHA 4

Roteiro acidental
Laudo do IPT reconstrói suposta seqüência de fatores que teriam culminado no desabamento do túnel da Linha 4 de São Paulo. Resumimos aqui os principais pontos do relatório

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Os trabalhos do IPT começaram em maio de 2007 e envolveram 30 profissionais em campo. Além disso, 5.800 documentos foram analisados

epois de um ano e cinco meses de trabalho, foram entregues ao Ministério Público, no dia 6 de junho último, os 29 volumes e dois CDs que compõem o relatório elaborado pelo IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo) sobre o colapso do túnel da linha 4 do Metrô de São Paulo, ocorrido no dia 12 de janeiro de 2007, na futura estação Pinheiros. O acidente vitimou sete pessoas e deixou mais de 200 desalojadas. A matéria que se segue baseia-se exclusivamente nas informações contidas na cópia do laudo fornecida pelo Ministério Público, uma vez que, por impedimento legal,nem o IPT nem o próprio MP ou fontes ligadas à investigação puderam se manifestar até a data de fechamento desta edição. Também não se encontrará aqui a defesa do Consórcio Via Amarela, que preferiu analisar a totalidade do laudo antes de fazer qualquer manifestação. Trata-se, portanto, de uma sinopse dos principais trechos do laudo, sem quaisquer comentários, opiniões ou pareceres que não estejam contidos nos volumes. Os trabalhos do IPT na cratera do pátio de obras de Pinheiros tiveram início em maio de 2007 e envolveram 30 pesquisadores. No total, 25 mil m³ de escombros (rochas, concreto e armaduras de aço) foram objeto de verificações, ensaios e análises. Com as atividades de campo encerradas no dia 4 de abril, os trabalhos custaram R$ 6,55 milhões, pagos pelo Metrô de São Paulo, contratante do laudo, conforme estabelecia o TAC (Termo de
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Antes e depois: o desabamento do túnel sob a rua Capri estendeu-se até o poço de acesso à estação Pinheiros, que teve parte de sua área soterrada. Ao todo, 25 mil m3 de escombros foram retirados

Ajustamento de Conduta) promovido pelo Ministério Público e assinado por todas as partes envolvidas. O laudo foi realizado pari passu à retirada das várias camadas de escombros, para que nada passasse despercebido. À escavação, seguia-se a contenção, para garantir a segurança dos técnicos no local do acidente. Do lado de fora da cratera,uma outra frente trabalhava na reunião de informações e depoimentos de testemunhas e de empregados do consórcio, totalizando 5.800 documentos. Em essência, segundo o relatório do IPT, os fatores contributivos e de risco que levaram ao acidente estão ligados a falhas nos processos de engenharia (projeto e construção), de gestão da obra (controle da qualidade e gestão da comunicação) e de gerenciamento de riscos (identificação de perigos, plano de ações de contingência e de emergência).
Falhas de engenharia, gestão da obra e gerenciamento de riscos

laudo. Recalques muito acentuados em relação aos previstos pelo projeto, com nítido aumento de velocidade a partir do dia 15/12/2006, foram observados em praticamente todas as seções instrumentadas, independentemente da posição da frente de escavação. Em 11 de janeiro de 2007,com a intensificação dos deslocamentos e o agravamento da situação, decidiu-se tomar providências e reforçar o maciço para interromper a ruína em curso.A execução dessas ações foi prejudicada pelo número insuficiente de tirantes em estoque,informa o relatório. Também não foram interrompidas as detonações, cujo ritmo prosseguiu acelerado. Além disso, a não existência de uma definição clara sobre a necessidade de paralisação da obra, segundo o IPT, aponta para falhas de gestão, planejamento e comunicação. E por fim, falhas no plano de ações de contingência. Próximo ao horário do acidente, entre os indícios iniciais (trincas no interior do túnel) até as manifestações

Fotos extraídas do relatório do IPT

mais alarmantes do colapso, passaram-se de dez a 15 minutos. Isso, deduz o laudo, evidencia as deficiências do plano de ações de emergência: falha na evacuação de operários (no interior do túnel e da obra) e dos moradores e transeuntes em superfície e não interrupção do tráfego de veículos, o que culminou em sete mortes (seis transeuntes e um operário). O laudo conclui que, embora os níveis numéricos de atenção e de alerta não tenham sido especificados pelo projeto, os valores, a distribuição em planta e a evolução temporal dos recalques e do restante dos dados monitorados eram típicos de um processo de ruína lento, mas progressivo. Essa situação, conflitante com o comportamento usual observado em escavações subterrâneas, indicava uma anomalia, que, se percebida a tempo, seria suficiente para cumprir os quesitos qualitativos estabelecidos no projeto para os níveis de atenção e de alerta. O relatório acrescenta que a proxi-

Para o IPT, a estrutura causal do acidente se inicia num projeto executivo frágil, sujeito a condições críticas de estabilidade durante a escavação do rebaixo do túnel. Passa a seguir por um processo construtivo que incorpora desvios de projeto significativos, e que é considerado pelo laudo como completamente desconectado do projeto. Os primeiros sinais do comportamento anômalo do túnel-estação sentido Faria Lima poderiam ter sido notados desde dezembro de 2006, revela o

Esquema simplificado da estrutura causal do acidente
Acidente: Colapso + consequências Presença de transeuntes por falha do plano de ações de emergência

Colapso estrutural do túnel-estação

Projeto executivo não validado

Processo construtivo não validado e gestão deficiente

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túnel do terminal central do aeroporto de Heathrow, em Londres, levaram a comunidade tuneleira internacional a rever a questão e estabelecer diretrizes para promover a melhor prática na gerência de riscos e reduzir a probabilidade de ocorrência de acidentes. O relatório do IPT afirma que tipos de contrato não são responsáveis por sucessos ou insucessos de obras. O importante, segundo a avaliação do IPT, é entender a modalidade contratual, preparar o projeto base de licitação e especificá-lo corretamente, incluindo meios e métodos de controle, consolidados num plano de gerenciamento de projeto. Isso requer treinamento de equipes para desempenhar as funções. Ou a contratação de empresas independentes e especializadas. Uma junta de consultores é sempre benéfica, ressalta o laudo, para fazer verificações em marcos relevantes nas diversas etapas do empreendimento, além de blindar e reforçar as relações entre as partes. Na avaliação do IPT, o Metrô de São Paulo, devido à falta de experiência com contratos turnkey, não avaliou adequadamente a possibilidade de participar mais no processo de projeto e construção da obra. Limitou-se a designar técnicos para acompanhar a obra, com a responsabilidade de verificar se o que estava sendo executado obedecia às características físicas e funcionais do projeto. O

Esquema simplificado da linha causal do colapso estrutural do túnel-estação sentido Faria Lima, com origem no projeto executivo
Projeto executivo frágil (não validado) associado a índices alarmantes de instrumentação

Validação do projeto com base na instrumentação Alterações de projeto (ICE) sem fundamentação sólida

Mapeamentos precários

Projeto executivo frágil (não verificado)

Modelo geomecânico

Concepção estrutural do túnel

Cálculos e dimensionamento

midade do acidente teria sido notada se os dados de instrumentação tivessem sido rotineiramente interpretados e analisados por profissionais experientes, que motivariam o disparo de um plano de ações de contingência. E, caso necessário, ações de emergência para tentar impedir ou mitigar as conseqüências de um eventual colapso.
NATM e contrato turnkey

Em relação ao contrato tipo turnkey, utilizado em diversos países na contratação de obras subterrâneas, há vários exemplos de sucesso. Entretanto, insucessos verificados em casos semelhantes, em especial o colapso do

Linha do tempo

Quanto ao método especificado, o NATM (New Austrian Tunnelling Method), amplamente utilizado e conhecido da engenharia brasileira, a opção, segundo o IPT, foi acertada, por suas características de flexibilidade geométrica e pelas condições de maciço. Conforme o laudo, o acidente não pode ser atribuído ao método construtivo em si. Porém, o NATM exige cuidadosa monitoração, fundamental para a segurança da obra. Principalmente em maciços com condições geológico-geotécnicas complexas como as existentes nessa obra.
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Fonte: relatório do IPT

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laudo afirma que as equipes do Metrô de São Paulo não interagiam com a projetista e, portanto, não se certificavam se essa estava efetivamente avaliando o comportamento estrutural dos túneis, com base na monitoração, embora recebessem diariamente os dados da instrumentação implantada na obra. A verificação do projeto, por elas realizadas, não contemplava aspectos relacionados com a estabilidade das estruturas temporárias. O contrato facultava ao Metrô de São Paulo a competência para paralisar os serviços se julgasse existir motivo para isso. Nada o impedia de manter seu controle próprio sobre o andamento da obra, explica o laudo do IPT. O Metrô contratou uma empresa para fazer auditoria técnica da construção, com a responsabilidade de fazer a verificação dos ensaios correntes de controle da qualidade, o que foi feito, e também de apoiar a interpre-

tação da instrumentação, inclusive com retroanálise da estabilidade dos túneis da via e das plataformas das estações. Esses estudos, entretanto, não foram feitos, não tendo, tanto a contratada como o Metrô de São Paulo, entendido que o escopo fosse tão abrangente. Os recursos alocados a esse contrato eram muito inferiores aos requeridos para o cumprimento das atividades contratadas, analisa o IPT. E conclui que o entendimento, por parte do Metrô de São Paulo, do papel que lhe competia na condição de contratante de uma obra em regime de Preço Global, fez com que ele não se sentisse co-responsável pela obra e, por conseguinte, não atuasse no sentido de detectar práticas capazes de comprometê-la.
Estudos geológico-geotécnicos

O local da escavação da Estação Pinheiros foi alvo de estudo geológico-

geotécnico aprofundado para o projeto básico, utilizado para a licitação. As características geológicas da região, e a disponibilidade de tempo para investigações, em virtude do retardamento do início das obras, inicialmente previsto para 1994, justificaram o detalhado mapeamento da região. O número de investigações fornecidas, por ocasião da licitação (2001), ultrapassou as quantidades internacionalmente admitidas como adequadas. Após a contratação da obra, cabia ao Consórcio Via Amarela realizar os estudos complementares que julgasse necessários. Sondagens adicionais foram feitas e as investigações realizadas na fase de projeto executivo confirmaram o modelo geológico-geotécnico elaborado na fase de projeto básico. Foram confirmadas as alternâncias de litotipos e seus respectivos graus de alteração, as famílias de descontinuidades presentes e reafirmada a hipóte-

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Pinheiros. A concepção estrutural do túnel-estação – dimensionada nas memórias de cálculo do Consórcio, considerando as hipóteses simplificadoras e parâmetros geomecânicos adotados –, aprovada no projeto executivo, mostrou-se sujeita a condições críticas de estabilidade durante a etapa de escavação do primeiro rebaixo, o que foi confirmado pelas análises de verificação efetuadas na investigação do IPT. O plano de instrumentação proposto para o túnel-estação sentido Faria Lima, essencial para o processo de validação do projeto e método construtivo NATM, pode ser considerado como o mínimo aceitável para esses fins, avalia o laudo. No entanto, os valores numéricos referentes aos níveis de atenção e alerta para instrumentos-chave de controle não foram definidos, o que dificulta decisões em relação ao próprio processo de validação e de disparo de eventuais ações de contingência e emergência. Além do mais, segundo o IPT, não se justifica a adoção, ao se estabelecer o estado de tensões in situ, de um coeficiente de empuxo em repouso (Ko) igual a 0,33 para o saprolito e o maciço rochoso, tendo em vista que ensaios pressiométricos na região indicaram valores superiores e a experiência nacional sugeria, para maciços rochosos, valores bem mais elevados. A execução prévia do poço, com grande influência no estado de tensões iniciais do maciço a ser perfurado pelo túnel, conforme determinado em análise apresentada no estudo do IPT, resultando em valores de Ko superiores a um, não foi considerada. O baixo valor de Ko tem grande influência no projeto, como mostram os resultados das análises efetuadas. Apesar de todas essas deficiências de cálculos, assevera o laudo, o próprio memorial do Consórcio aponta para zonas críticas de estabilidade durante a escavação do primeiro rebaixo. Diversos outros detalhes do projeto do suporte primário da Estação Pinheiros são questionáveis, como mostra o relatório do IPT. O aspecto que mais chama a atenção é o de que, para uma região tão heterogênea, uma
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se de presença de falha geológica nessa região. De modo geral, as características geológico-geotécnicas da região eram bem conhecidas, no contexto do que é necessário para esse tipo de obra. O relatório observa que a própria execução da obra, com a escavação do poço, que expõe in loco o material escavado, é uma investigação geológica tão importante quanto as sondagens anteriormente feitas. Não se localizou, na investigação, um mapeamento geológico do poço Capri, embora se saiba que as observações efetuadas durante sua escavação, indicando menor cobertura de rocha sobre a calota do túnel-estação sentido Faria Lima, tenham motivado a revisão do projeto desse túnel, ressalta o laudo. Os mapeamentos da escavação ao longo do túnel-estação foram feitos somente em dez seções na calota e em duas seções no primeiro rebaixo. Com mais de 20 frentes de escavação em cada etapa, a boa prática recomendaria que todas fossem mapeadas. Além disso, os mapeamentos não seguiram as normas correntes de registro das características geológicas, afirma o IPT. Restringiramse somente às frentes de escavação, não incluindo tetos e paredes laterais. Essa deficiência de dados pode ser atribuída à reduzida equipe alocada para essa importante atividade. O relatório do IPT cita, por exemplo, que um geólogo da equipe de Acompanhamento Técnico de Obra era responsável pelo acompanhamento de oito frentes de escavação simultâneas. Não há registro, também, de que essa atividade tenha merecido atenção devida,avalia o laudo,pois nem o fato dos croquis estarem sendo apresentados em escala equivocada foi percebido por quem deveria verificá-los e interpretá-los. O modelo geológico observado durante a remoção dos escombros é o mesmo estabelecido nos documentos de licitação e no projeto executivo elaborado antes do início da escavação dos túneis da estação. O relatório do IPT conclui, portanto, que não cabe qualquer tipo de reivindicação com base em surpresas geológicas ou condições diferentes do maciço, como queria o relatório apresentado pelo inglês
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Uma investigação preliminar do Consórcio feita pelo especialista inglês Nick Barton atribuiu o colapso à existência de uma rocha de 15 mil t, não identificada nas sondagens

Nick Barton, contratado pelo Consórcio Via Amarela para dar um parecer sobre o acidente. Caso o modelo geológico ainda não tivesse sido confirmado, antes do início da obra ocorreram pelo menos mais duas oportunidades de observação, uma durante as escavações do poço Capri e outra nas escavações da calota do túnel.
Simplificação do projeto

O memorial técnico do projeto do túnel-estação sentido Faria Lima se inicia pela apresentação das feições geológicas do local, mostrando as famílias de descontinuidades do maciço rochoso. Entretanto, de acordo com o laudo do IPT, o projeto apresentado pelo Consórcio no memorial não faz mais referência a essas características do maciço e o considera como um meio contínuo equivalente, formado de camadas horizontalizadas de materiais com características distintas: aterro, argilas, areias, solo residual, saprolito e rocha, não levando em consideração as feições geológicas. Assim, segundo o laudo do IPT, o modelo geomecânico adotado no projeto executivo do túnel apresenta simplificações excessivas em relação ao modelo geológico-geotécnico estabelecido, não contemplando feições estruturais do maciço condicionantes para o comportamento dos túneis da Estação

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Como foi realizado o trabalho do IPT
O IPT faz questão de informar que não faz parte do escopo do Relatório Técnico identificar os responsáveis pelo colapso do túnel-estação sentido Faria Lima e nem apontar nomes de técnicos ou de empresas que eventualmente tenham cometido falhas, erros ou negligência, em quaisquer etapas do empreendimento. Nas análises contidas nos anexos do relatório completo, alguns técnicos são nominalmente citados como fonte de informações. O objetivo da investigação ficou restrito aos aspectos técnicos e gerenciais do colapso da Estação Pinheiros e aos processos de engenharia empregados. Para a realização dos trabalhos de investigação, a diretoria do IPT, por meio de uma Resolução, instituiu a equipe de investigação composta por um gestor, um gerente técnico e mais nove coordenadores de equipes técnicas específicas. A equipe de investigação foi composta, ainda, por quatro consultores nacionais, dois consultores internacionais e pelas equipes da Gestão da Qualidade e de Apoio Administrativo do IPT. A equipe de investigação contou, também, com o apoio dos laboratórios do próprio Instituto para ensaios em amostras de aço, concreto, rocha e solo. O Instituto alocou duas salas para abrigar 30 profissionais, com montagem de uma rede interna para proteção contra a invasão de hackers nos computadores utilizados nos trabalhos. Além de toda a infra-estrutura necessária para a execução dos trabalhos, como telefone, fax, rede internet, computadores e mão-de-obra de apoio. Por sugestão do IPT, o Metrô de São Paulo implantou um sistema para acompanhamento das atividades desenvolvidas, cujo escopo foi avaliar a qualidade e os procedimentos adotados pelo IPT. Dessa forma, o projeto foi estruturado com base em conceitos de gestão de projeto e gestão da qualidade.

Extração de testemunhos de concreto A monitoração das atividades desenvolvidas foi realizada por meio do gráfico de Gantt, elaborado com o software MS Project, e contribuiu para o controle no tocante ao escopo, prazos, custos, qualidade, recursos humanos e comunicação. Essa estruturação foi validada pela Rina Brasil Serviços Técnicos Ltda., empresa especializada em certificação da qualidade contratada pelo Metrô de São Paulo, que acompanhou todo o trabalho do IPT e considerou-o realizado de modo adequado. Nas entrevistas realizadas com os observadores que presenciaram o colapso do túnel, as quais auxiliaram no estabelecimento da cronologia do acidente, adotou-se o princípio do método Bourdieu de caráter qualitativo e sociológico, fundamentado no encadeamento de estímulos, com o intuito de recuperar a memória referente a um período de tempo ou conjunto de fatos de interesse. Além dessa técnica de entrevistas, realizaram-se reuniões técnicas com a finalidade de obter informações não disponibilizadas em documentos ou para dirimir dúvidas em decorrência de divergências existentes na documentação analisada. Nessas reuniões, compareceram apenas os técnicos do Metrô de São Paulo e um técnico da empresa que realizava trabalho de auditoria da qualidade dos serviços, embora o convite tivesse sido estendido aos técnicos do Consórcio Via Amarela e de empresas subcontratadas, que realizavam atividades na Estação Pinheiros. A dificuldade em entrevistar os demais técnicos do Consórcio motivou os técnicos do IPT a participarem das oitivas realizadas na 3a Delegacia Seccional de Polícia, quando os profissionais do Consórcio e de seu Consórcio de Projetistas prestaram informações por meio de Termo de Declaração. Quanto aos documentos técnicos do projeto e do acompanhamento da execução da obra, o IPT recebeu todos os que foram solicitados, totalizando mais de 5.800 unidades compostas por relatórios, plantas, fichas de acompanhamento, desenhos de projetos, entre outros. Foco dos trabalhos de investigação do IPT: Levantamento das informações básicas disponíveis no processo de licitação. Análise do contrato do Lote 2. Avaliação do gerenciamento de risco, do sistema da qualidade e da gestão da obra, durante a construção. Avaliação do projeto e da construção da Estação Pinheiros. Identificação do mecanismo de ruptura. Avaliação técnica do método construtivo adotado e da qualidade na execução da obra. Análise dos fatores técnicos e gerenciais relacionados com o colapso da Estação Pinheiros.

única seção transversal tenha sido objeto de análise numérica, ainda assim não a menos favorável. Uma estação como essa requereria um projeto bem mais elaborado, com estudos paramétricos com diferentes valores dos parâ-

metros mecânicos, para as diferentes geometrias existentes, para diferentes estados iniciais de tensão etc. Esse conjunto de estudos serviria de referência para o acompanhamento da obra, com os dados da monitoração.

Além disso, o relatório enfatiza que a experiência internacional mostra que, numa obra por NATM, o custo do item tecnologia, compreendendo investigações,projeto e acompanhamento por instrumentação, é da ordem de
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Foto extraídas do relatório do IPT

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dicadores do nível d'água foram instalados, não permitindo a avaliação de eventual carga hidráulica atuante no sistema de suporte do túnel. Em resumo,de acordo com o relatório do IPT, a instrumentação do túnelestação sentido Faria Lima foi suficiente para identificar comportamentos anormais durante a escavação, mas insuficiente em termos de informações mais completas que permitissem a realização de retroanálises mais elaboradas. Em particular, a instrumentação associada ao acompanhamento hidrogeológico foi insuficiente, em termos de instalação de piezômetros destinados a confirmar a hipótese de que o maciço escavado encontrava-se efetivamente drenado.
Controle tecnológico

Esquema simplificado da linha causal do colapso estrutural do túnel-estação sentido Faria Lima, com origem no Processo Construtivo

5% do valor do contrato de construção, ultrapassado na Linha 2 do Metrô de São Paulo (Verde), por exemplo. Já na Linha 4 (Amarela), esses serviços foram contratados por um valor que não chega a 2,5% do custo total da obra. Tal limitação de recursos, deduz o laudo, afetou tanto a qualidade do projeto, como a da instrumentação. Diante das questões apontadas pelo relatório do IPT,em termos de comportamento estrutural, o projeto executivo continha riscos associados, que foram transferidos para a etapa de construção da obra, e estava sujeito a condições críticas de estabilidade durante a etapa de escavação do primeiro rebaixo. Tais riscos poderiam ser identificados e, eventualmente,mitigados no ciclo de validação de projeto e método construtivo, preconizado pelo NATM.
Plano de monitoração do maciço

O relatório do IPT observa que o método NATM é observacional, um processo no qual o projeto pré-elaborado é revisto com o avanço da escava36

ção, conforme as características do material escavado, os condicionantes geológico-geotécnicos encontrados e os dados da monitoração. Isso é conhecido como processo de validação do projeto e do método construtivo. Nesse contexto, os resultados da monitoração são vitais, pois dão suporte à comparação do desempenho versus previsão do projeto, retroanálise do comportamento, análise do nível de segurança e eventuais adequações do projeto e/ou método construtivo. O plano de monitoração, portanto, é de fundamental importância na construção de túneis pelo método NATM. O IPT constatou que na Estação Pinheiros, o plano elaborado e implantado era deficiente para um bom acompanhamento da obra, provavelmente em conseqüência da pequena alocação de recursos para o item tecnologia (investigações, projeto e monitoração). O número de tassômetros e de marcos superficiais era reduzido. Em número muito abaixo do previsto no projeto, poucos piezômetros e in-

Em relação ao concreto projetado, principal peça estrutural do sistema de suporte primário do túnel, não existiu um controle sistemático e com freqüência adequada de sua resistência a baixas idades e do seu teor de fibras,em alguns trechos empregadas em menor quantidade que o especificado. Tais controles são fundamentais, destaca o laudo do IPT, pois afetam o tempo a partir do qual se pode contar com o concreto projetado como parte do sistema de suporte. Ocorreram ainda descuidos na concretagem do pé da parede do rebaixo, o que resultou em trechos sem apoio e sem suporte (falta de contato com o piso em rocha). Em relação aos materiais empregados, telas de aço, cambotas treliçadas e tubulações de aço Schedule das enfilagens, embora não tenham sido submetidos durante a obra a todos os procedimentos de verificação e controle, atenderam aos requisitos mínimos exigidos pelo projeto, com base em amostragens e ensaios realizados durante a remoção dos escombros. O controle da instalação das enfilagens foi precário, dadas as condições em que foram encontradas junto aos escombros. Inspeções visuais mostraram que a injeção de calda de cimento foi falha, pois foram encontrados tubos com preenchimento interno apenas parcial e vazios entre os tubos e o maciço.
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Processo construtivo e desvios de projeto

O procedimento construtivo, conforme estabelecido em projeto, previa a escavação da seção parcializada (calota e dois rebaixos), por meio de escavação a fogo. De acordo com o trabalho do IPT, na calota não houve maiores discrepâncias entre o previsto e o executado, mas na escavação do primeiro rebaixo houve desvios de projeto com impactos importantes na segurança da obra. Tais desvios nos procedimentos de escavação do primeiro rebaixo incluem inversão do sentido de escavação, aumento da altura da bancada escavada e alterações na seqüência do plano de fogo, que não respeitou a escavação do caixão central avante dos alargamentos laterais alternados prevista em projeto. Esse conjunto de desvios, conclui o IPT, pode ser considerado uma violação do projeto e deveria implicar necessariamente um processo de verificações e ajustes e, conseqüentemente, novas previsões de projeto. Do contrário, afirma o laudo, pode-se dizer que existe uma desconexão entre o projeto executivo e o processo construtivo efetivamente executado. A inversão do sentido de escavação do primeiro rebaixo, executado a partir do túnel de via em direção ao poço Capri, gerou uma redistribuição de tensões mais desfavoráveis ao sistema maciço-suporte do túnel do que a situação prevista inicialmente em pro-

jeto (do poço Capri ao túnel de via). Isso é agravado pela execução prévia do poço Capri, que gerou tensões menores no maciço no sentido do eixo longitudinal do túnel (descompressão do maciço) e tensões mais elevadas no sentido transversal (compressão). Portanto, a inversão do sentido de escavação do rebaixo é consideravelmente mais desfavorável do que o previsto em projeto, analisa o laudo. Os trabalhos de investigação no campo mostraram que a altura escavada do primeiro rebaixo foi de 5,2 m, em média. Maior do que os 4 m previstos no projeto executivo, correspondendo a um acréscimo de 30%. O aumento da bancada do rebaixo também é mais desfavorável às condições de estabilidade do túnel, afirma o laudo. No levantamento da documentação técnica sobre a escavação do primeiro rebaixo, o IPT constatou que inexistem Instruções Complementares de Execução ou outro documento que forneça suporte técnico, como análises, cálculos e justificativas, para as alterações de inversão do sentido da escavação,de altura da bancada e da parcialização da escavação (bancadas laterais avante do caixão central), o que constitui em violações de projeto, afirma o relatório.
Acompanhamento técnico da obra

Os trabalhos do IPT apuraram que a gestão da qualidade da obra era precária. As principais falhas puderam ser vistas nos mapeamentos de

frentes de escavação, na interpretação do monitoramento de deslocamentos do maciço, no controle da qualidade conduzido por pessoal não devidamente qualificado, e nas auditorias internas que deixaram de cumprir os procedimentos estabelecidos. Além disso, houve falha quanto ao planejamento da qualidade, que não estabeleceu limites precisos de atenção e de alerta, o que dificultou a aplicação de um critério de decisão contingencial para garantia de segurança da obra e não possibilitou o acionamento de um plano de emergência, quando essas condições de segurança deterioraram. As leituras da instrumentação (tassômetros, pinos de convergência etc.) eram feitas com freqüência aceitável ao andamento dos trabalhos. Mas as detonações de explosivos para desmonte das rochas ficaram muito pouco documentadas, constatou o IPT, não havendo indicação detalhada das cargas aplicadas em cada ocasião e da posição correta dos explosivos. O IPT apurou que o trabalho do engenheiro consultor de fogo do Consórcio, segundo seu depoimento, limitava-se a verificar os registros das vibrações provocadas na superfície do terreno, e, estando elas abaixo do limite previamente estabelecido, autorizar a continuidade dos trabalhos. Sua participação se fazia no canteiro da obra, sem que ele descesse ao fundo do poço e à plataforma da estação.

Os 11 fatores decisivos do acidente
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A complexidade geológica do maciço rochoso não foi incorporada ao projeto da estação Pinheiros.

Foi constatada a presença de uma coluna de água acima do teto do túnel, indicando que o maciço estava sendo escavado sob condição não drenada, ao contrário do que considerava o projeto.

A rampa de ligação entre os túneis de via e de estação foi significativamente aumentada, contrariando o projeto.

Fonte: relatório do IPT

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tanto,a magnitude de alguns desses deslocamentos foi bastante elevada em relação ao previsto no projeto,chegando a ser sete vezes maior para os recalques internos dos pinos laterais, e seis vezes para as medidas dos tassômetros laterais, em relação ao previsto em projeto. Durante a execução do primeiro rebaixo, etapa para a qual não se previam grandes recalques na calota (inferiores a 1 mm), observaram-se recalques muito acentuados, com nítido aumento de velocidade a partir do dia 15/12/2006, em praticamente todas as seções instrumentadas, independentemente da posição da frente de escavação, relata o laudo do IPT. Próximo ao Natal, quando estavam escavados cerca de 55% do primeiro rebaixo, os recalques internos no túnel-estação já chegavam a 12 vezes, o deslocamento dos tassômetros a sete vezes e a convergência a 53 vezes os respectivos valores esperados no projeto para todo o período de escavação do rebaixo. Esses dados já indicavam que o comportamento da escavação se afastava das previsões de projeto, requerendo retroanálises e ajustes no projeto e/ou no método executivo, afirma o laudo do IPT. Apesar desses indícios, houve continuidade da escavação no início de janeiro de 2007, levando a obra a uma condição que exigia a tomada imediata de ações de contingência e até mesmo de emergência, pondera o relatório do IPT. Por volta do dia 08/01/2007, procurou-se convocar uma reunião para

Tirantes já instalados na parede remanescente do poço Capri

O IPT afirma que não há registro da sistemática de acompanhamento dos dados obtidos na monitoração. Apurou que havia reuniões quinzenais entre o Consórcio Via Amarela e o Consórcio Projetista. Segundo as atas das reuniões a que o IPT teve acesso, tratava-se de medidas administrativas, como a fixação de datas para entrega de plantas do projeto ou solicitação de instrumentos. Não há registro de que se tenha discutido nessas reuniões o comportamento da obra e alterações no projeto em virtude dos dados de monitoração, informa o laudo. Embora o mapeamento das frentes de escavação (no túnel-estação sentido Faria Lima) tenha registrado, sistematicamente, a existência de rocha classe

III na faixa central da frente escavada e de rocha classe IV nas laterais, constituição completamente distinta da seção transversal típica adotada no projeto, o IPT não encontrou registro de que essa diferença – entre o maciço observado e o adotado nos modelamentos numéricos – tivesse sido objeto de qualquer atenção. Isso, de acordo com o relatório do IPT, deveria ter justificado pelo menos uma retroanálise da estabilidade da escavação. A análise dos dados da instrumentação do túnel-estação sentido Faria Lima, feita pelo IPT, indicou que ao final da escavação da calota,no início de novembro de 2006, os deslocamentos que eram monitorados no túnel estavam praticamente estabilizados. Entre-

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Embora a instrumentação indicasse comportamento anômalo, não foram efetuadas retroanálises para avaliar a segurança.

O primeiro rebaixo foi escavado em sentido contrário ao especificado no projeto.

A profundidade do primeiro rebaixo foi significativamente aumentada em relação à especificada no projeto.

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analisar o comportamento da obra, mas essa só se realizou no dia 11/01/2007, o que mostra que a preocupação com o assunto não era generalizada. Nesse dia, reuniram-se no canteiro da obra engenheiros da construtora e responsáveis pelo projeto, quando se decidiu que, para aumentar a estabilidade dos túneis escavados, seriam instalados 174 tirantes em cada um dos túneis (sentido Faria Lima e sentido Butantã), dispostos em três níveis nas paredes. A eventual necessidade dessa medida já estava prevista no projeto original. Por outro lado, apurou o IPT, contrariando ao especificado nas notas de projeto, não havia tirantes suficientes disponíveis no canteiro da obra, razão pela qual a execução não teve início imediato. Apesar da importância do assunto, pondera o relatório do IPT, não ficou registrada na Instrução Complementar de Execução, emanada nessa reunião, a necessidade da escavação ser paralisada até que esses tirantes fossem feitos. Segundo o IPT, participantes da reunião alegam que teria ficado subentendido que a obra seria paralisada até a execução dos tirantes, outros que o assunto não teria sido abordado. Diante do desenvolvimento dos recalques que estava ocorrendo e da necessidade reconhecida de executar o reforço, era de se esperar que as obras fossem paralisadas, pois não havia razão que justificasse seu urgente prosseguimento, ressalta o relatório. De acordo com as conclusões do IPT, tudo indica que a suspensão

Configuração geral das estruturas de contenção envolvendo a área de estudo

temporária da escavação, enquanto o reforço era executado, poderia ter evitado o acidente.
Desestabilização e colapso

Diferentes tipos de análises da estabilidade da escavação (apresentadas no relatório do IPT) indicaram que a segurança do conjunto maciço-suporte, tal como foi construído, ficou abaixo da recomendável para túneis e estações subterrâneas de metropolitanos escavados em áreas urbanas. Nas paredes do primeiro rebaixo,o conjunto maciçosuporte, tal como concebido, portanto, sem a aplicação de nenhum tipo de reforço estrutural suplementar, não suportaria, com a segurança requerida, a redistribuição do campo de tensões decorrente das escavações. Além disso, segundo o laudo, o desmonte a fogo do maciço, tendo sido

pouco controlado, provavelmente o danificou além do usual em trabalhos do gênero, reduzindo sua resistência. O resultado é que o conjunto maciço-suporte, sem nenhum reforço estrutural extra,não foi capaz de resistir à redistribuição das tensões acarretadas pelas escavações. Em alguma zona dos apoios da calota ou das paredes do primeiro rebaixo, iniciou-se um processo de ruptura, seguido de nova redistribuição de tensões para os segmentos contíguos que, à medida que a escavação se aproximava do poço, também não resistiram ao acréscimo de solicitações decorrentes dessa redistribuição, desestabilizando-se, quase que simultaneamente, todos eles. A manifestação da ruptura se dá pelas paredes do primeiro rebaixo, conclui o trabalho do IPT. As escavações realizadas após a ruptura mostraram as paredes do primeiro

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Na escavação do primeiro rebaixo, não foi respeitada a escavação do caixão central avante dos alargamentos laterais, como prevista em projeto.

Foram observadas não conformidades nos aspectos construtivos e o controle da qualidade era deficiente.

Apesar de terem sido realizados os furos para o atirantamento de reforço das canbotas, não havia na obra tirantes suficientes.

Fonte: relatório do IPT

Fotos extraídas do relatório do IPT

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seqüência de detonações que não obedeceu à escavação do caixão central avante de alargamentos laterais alternados, e escavação da bancada com altura maior que os 4,0 m previstos. Com exceção das falhas de decisão, as demais falhas observadas são sistêmicas e derivam da ausência de um planejamento mais rigoroso do processo gestor, descreve o IPT. Um sistema de gestão adequado envolve a elaboração de documentação otimizada e o envolvimento das equipes para o atendimento das diretrizes estabelecidas.
Gerenciamento de riscos

rebaixo sempre sob os escombros do suporte da calota, indicando que o início da ruptura ocorreu no maciço ao lado do suporte do primeiro rebaixo, provocando o seu tombamento. Com isso, o arco estrutural da calota perdeu seu apoio e se projetou na escavação, junto com o maciço que suportava. Tal evidência exclui definitivamente a possibilidade da ruptura ter se iniciado pela calota, atesta o relatório do IPT. A conclusão do IPT é que diante desses fatos a decisão tomada na reunião do dia 11/01/2007, da qual resultou uma ICE, determinando a execução de um reforço estrutural do maciço com três linhas paralelas de tirantes, estava na direção correta e o colapso da Estação Pinheiros, possivelmente, teria sido evitado. Para tanto, era essencial que as escavações tivessem sido imediatamente interrompidas e retomadas somente após a conclusão das obras de reforço.
Gestão da obra

Na documentação disponibilizada para a investigação do IPT não foi encontrado um plano consistente e coerente que envolvesse todas as etapas de gestão do projeto. Havia documentos de diversas espécies,tais como planos da qualidade ou os programas de gerenciamento ambiental. Mas, segundo apurou o trabalho do IPT, não havia um documento central de gestão e, portanto, a condução do processo dependia muito da capacidade dos gestores para encontrar soluções em cada caso. Em um sistema de gestão deve existir a preocupação em implantar as siste-

máticas descritas nos documentos. No caso da obra em análise, esses planos e programas apresentaram problemas quanto à aderência ao previsto e à exeqüibilidade. Exemplo disso, aponta o laudo, é que havia disparidade entre os planos da qualidade do Consórcio Via Amarela e do Consórcio Projetista tornando a administração da qualidade, entre diferentes empresas, mais complexa. Outra falha descrita, foi que o modelo geológico-geotécnico estava bem estabelecido e conhecido por ocasião da elaboração do projeto executivo, mas o modelo geomecânico oriundo era extremamente simplificado, indicando um problema de gestão da comunicação. Não houve ação rápida das equipes envolvidas na obra da Estação Pinheiros, quanto aos resultados da instrumentação, na época anterior ao recesso de final do ano de 2006 e nos primeiros dias de janeiro de 2007, antes do colapso. Para o IPT, isso sugere que houve falha de gestão da comunicação e/ou outro problema de gestão. A gestão de risco era praticamente inexistente e, portanto, não havia sistema de identificação de riscos, nem plano de contingência capaz de evitar o colapso e nem plano de emergência capaz de evitar as graves conseqüências que se sucederam ao colapso. O relatório aponta ainda falhas de decisão relativas à execução da obra, que não emitiu documento de alteração de projeto (ICE) conforme previsto no Plano da Qualidade da Coordenação Geral das Projetistas em pelo menos três situações: escavação do rebaixo em sentido inverso ao estabelecido em projeto,

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Apesar dos indícios de anomalias no comportamento do solo, as detonações não foram interrompidas.

O Consórcio não possuía um sistema de gestão de riscos, tampouco planos de contingência e de emergência.

Uma obra como a construção de um túnel urbano requer um Programa de Gestão de Riscos que deve incluir pelo menos os seguintes processos: identificação de perigos; dimensionamento qualitativo e quantitativo de riscos, avaliação integrada de riscos e planejamento de resposta aos riscos. Essa obra, segundo o IPT, não incorporou esses processos. Não houve um trabalho de identificação de riscos capaz de constatar que colapsos são eventos que podem ocorrer e merecem cuidados específicos. Também não havia planos de respostas aos riscos (contingência e emergência) capazes de conduzir as tomadas de decisão quando foram necessárias. Um exemplo da precariedade do plano de emergência é que, desde os primeiros sinais do início do processo de ruptura até o colapso, decorreram cerca de 10 a 15 minutos, tempo esse suficiente para que o tráfego e a circulação de transeuntes fossem interrompidos. Uma medida desse tipo, que teria evitado as conseqüências trágicas do acidente, não se toma de imediato, sem que haja um treinamento antecipado; é por isso que se fazem simulações de acidente. Segundo o IPT, é compreensível que as pessoas envolvidas, aos primeiros sinais da ruptura, não tivessem noção do vulto da catástrofe que se prenunciava e das conseqüências que teria. Entretanto, numa obra da importância como a do túnel-estação, todas as medidas de segurança deveriam ter sido previamente adotadas.
Seleção e organização: Heloisa Medeiros

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Fonte: relatório do IPT

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Industrialização econômica
Sistemas construtivos industrializados ganham força com expansão do segmento residencial econômico
urante muitos anos os engenheiros civis se perguntaram se era possível que a construção no Brasil deixasse seu caráter artesanal para seguir o caminho da industrialização nos canteiros de obra. Após o fim da Segunda Guerra Mundial, os países desenvolvidos da América do Norte, Europa e Ásia passaram a se valer com maior intensidade de sistemas construtivos prontos, pré-fabricados, que proporcionassem maior produtividade e economia de mão-de-obra – de custo muito alto nessas regiões.

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Agora, o momento parece ter chegado. A oportunidade surge com a expansão dos empreendimentos voltados ao segmento econômico: como a margem de lucro sobre cada unidade é pequena, o negócio só se viabiliza economicamente com a produção de unidades habitacionais em grandes volumes. E produção em larga escala implica industrialização, desde os macrossistemas construtivos – estrutura e vedação – até os elementos construtivos menores – como

as instalações elétricas e hidráulicas e as coberturas. Confira a seguir algumas das soluções disponíveis no País para empreendimentos do segmento, sejam eles horizontais (casas e sobrados) ou verticais (edifícios multipavimentos). Vale lembrar que está em vigor, desde maio de 2008, a Norma de Desempenho que traz requisitos específicos para edifícios residenciais de até cinco pavimentos.
Renato Faria

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Fotos divulgação Rodobens Negócios Imobiliários

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Condomínios horizontais
Os construtores têm encarado a moldagem in loco de paredes de concreto como a alternativa industrializada mais viável para a produção de unidades habitacionais em larga escala. Alta produtividade, custos competitivos e familiaridade com material e processo de execução são fatores importantes na escolha dessa solução tecnológica. A Rodobens Negócios Imobiliários entrou de cabeça na tecnologia. No ano passado foram construídas 360 casas térreas com o sistema na cidade de São José do Rio Preto (SP). As primeiras fôrmas utilizadas eram de plástico e alugadas no Brasil. Prevendo a expansão do segmento e a possível falta de equipamentos no mercado interno, a empresa importou dos Estados Unidos jogos de fôrmas de alumínio. Quando necessário, a Rodobens se vale também do aluguel no Brasil de fôrmas de alumínio e aço. Até o fechamento desta edição, a empresa executava 4.566 unidades em todo o País. Segundo Geraldo Cesta, gerente técnico da Rodobens Negócios Imobiliários, na época dos estudos o sistema se mostrou mais competitivo em comparação com o steel frame e com as paredes prémoldadas. "O pré-moldado demanda

equipamentos para movimentação das peças. O custo do aço e do material de preenchimento do steel frame era inviável para um produto destinado a camadas de menor poder aquisitivo", explica o engenheiro. A aceitação dos consumidores é outro aspecto importante. Segundo Cesta, os compradores acreditam que a solidez das paredes monolíticas transmite maior sensação de segurança. "O steel frame é uma solução técnica fantástica, mas acho que ele não atende cultural e financeiramente a esse público." Executadas com concreto celular autoadensável, as unidades são produzidas pela Rodobens Negócios Imobiliários à razão de uma a cada dois dias. As fôrmas de alumínio, adquiridas pela empresa, podem ser utilizadas 1.500 vezes. "Mas a

Sobre a fundação tipo radier são erguidas as paredes de concreto com instalações hidráulicas e elétricas embutidas

produtividade com a fôrma não é tudo, você precisa ter uma grande escala de produção que possibilite uma economia na compra dos outros insumos", lembra Cesta.

Steel frame
O steel frame desembarcou no Brasil como uma solução construtiva industrializada para construções de alto padrão. O arquiteto Alexandre Mariutti, diretor da construtora Seqüência, que trabalha há seis anos com a tecnologia, conta que era preciso esperar a tecnologia se consolidar nesse segmento para depois aplicá-lo a empreendimentos econômicos. "Acreditamos que já é hora de popularizá-lo", afirma. A construtora já desenvolveu alguns modelos de casas para o ramo popular e o que se mostrou financeiramente mais viável empregava fechamentos em placas cimentícias. Até o momento, um protótipo foi erguido e uma réplica está sendo avaliada pelo IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo). Mariutti estima que, em escala de produção industrial, cada unidade de 48 m² possa ser construída em cerca de uma semana. No entanto, o preço dos componentes ainda é um fator que pressiona a competitividade do custo do sistema. A começar pelo aço, commodity cujo preço é puxado para as alturas pelo aumento da demanda mundial, sobretudo da China. O arquiteto critica também a falta de competição entre fornecedores de placas cimentícias e de drywall, o que mantém, em sua opinião, os preços desses produtos em patamares mais elevados. Se o sistema construtivo completo ainda tem um caminho para trilhar rumo à viabilização econômica e técnica, pelo menos parte dele pode ser empregada de imediato em qualquer tipo de construção
Divulgação Construtora Seqüência

Até o momento a construtora executou apenas um protótipo de casa popular em steel frame. Preço do aço e dos componentes de vedação pressionam competitividade econômica do sistema

residencial industrializada. "Já há empresas nos procurando para desenvolver as coberturas metálicas para casas de PVC, por exemplo", revela Mariutti.

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PVC+Concreto
As primeiras casas construídas no Brasil com a tecnologia PVC+Concreto foram as 130 unidades de um condomínio em Canoas (RS), entre 2001 e 2002. Os perfis de PVC, que ainda não eram produzidos no País, foram importados da Argentina. Entre obras industriais, comerciais e residenciais, já foram construídos por aqui mais de 70 mil m² com a tecnologia. Os elementos que formam o conjunto são os painéis vazados para paredes em PVC – modelados com um duplo encaixe macho-e-fêmea –, marcos de portas e contramarcos de janelas. Após a montagem dos perfis de parede vazados, são inseridos os reforços de aço e as instalações elétricas e hidráulicas. Por fim, executa-se a concretagem dos perfis-fôrmas. Segundo Carlos Eduardo Torres, gerente geral da Royal do Brasil Technologies, fornecedora do sistema construtivo,

Primeiras casas construídas no Brasil com o sistema PVC+Concreto foram concluídas em 2002, com perfis importados da Argentina uma equipe de quatro pessoas é capaz de erguer uma casa de 40 m² em dez dias, a um custo médio de R$ 475 o metro quadrado. Com a produção em larga escala, entretanto, a produtividade pode aumentar e alcançar a marca de uma casa a cada três dias, de acordo com Torres.

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Divulgação Royal do Brasil Technologies

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Casa de madeira
Um dos materiais mais comuns empregados na construção de casas norteamericanas e canadenses, a madeira ainda sofre, no Brasil, resistência cultural por parte da população. "É uma síndrome dos Três Porquinhos, as pessoas acham que as casas de madeira são mais frágeis que as de alvenaria", brinca Carlos Alberto Szücs, professor da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e coordenador do Grupo Interdisciplinar de Estudos da Madeira. Os testes realizados nos laboratórios da Universidade, porém, atestam o bom desempenho do material em itens como durabilidade, resistência, conforto térmico e acústico. "Observadas as questões de projeto, de tratamento adequado e de manutenção, são moradias previstas para 50 anos", explica. Soluções construtivas industrializadas com o material têm potencial de uso em construções em larga escala de condomínios econômicos, sobretudo os próximos a regiões madeireiras. A universidade desenvolveu e avaliou, em parceria com a iniciativa privada, um sistema construtivo leve chamado "Sistema Plataforma". Composto por painéis

Sistemas construtivos industrializados em madeira são alternativas para condomínios em regiões madeireiras estruturais revestidos e estruturados em madeira, o sistema suporta os esforços verticais e horizontais sem apoio de vigas e colunas tradicionais. O "esqueleto" dos painéis é feito de réguas de seção 4 cm x 8 cm e fechado com chapas de OSB ou madeira compensada. Como as paredes de steel frame ou drywall, é preenchido com material isolante térmico e absorvente acústico e tem as instalações elétricas e hidráulicas embutidas. O sistema ainda não foi utilizado em larga escala, mas no protótipo construído junto com a fabricante Batistella, os pesquisadores conseguiram erguer uma casa de 40 m² em 30 dias com uma equipe de três pessoas. "A casa foi produzida em um processo de baixo nível de industrialização, com algum retrabalho e em um período chuvoso", explica Szücs. Em um sistema mais industrializado de produção, o professor prevê que a habitação possa ser produzida entre dez e 15 dias. O sistema pode ser utilizado, com segurança estrutural, em edifícios de até quatro pavimentos.

Kits hidráulicos e elétricos
As construtoras que pretendem ser competitivas no segmento residencial econômico devem pensar também na industrialização das instalações elétricas e hidráulicas. Diferentemente das construções de médio e alto padrão, os projetos padronizados possibilitam essa solução. "Com ambientes de dimensões conhecidas, fabricantes de fios e cabos, por exemplo, conseguem montar chicotes elétricos para cada uma das unidades", afirma Roberto Barboza, diretor técnico da instaladora Sanhidrel. Segundo o engenheiro, dependendo da familiaridade da construtora com processos industrializados de produção, é possível reduzir em até 15% a mão-de-obra necessária para a execução das instalações hidráulicas de um apartamento. "Atualmente, pré-montamos as instalações dos ramais dos edifícios de médio e alto padrão, mas em geral as prumadas ainda

Kits hidráulicos são montados no próprio prédio da Sanhidrel e entregues prontos no canteiro da construtora são artesanais", afirma. "Quando a obra permite, as prumadas são pré-numeradas e pré-montadas. Apenas barriletes e instalações especiais são montados no local, porque não há repetição." A empresa já firmou parcerias com algumas construtoras para o desenvolvimento de kits de elétrica e hidráulica para grandes empreendimentos do segmento econômico. Detalhes técnicos, porém, estão sob sigilo. "Essas informações serão divulgadas com o tempo, com a construção das primeiras unidades", afirma Barboza.

Fotos divulgação Sanhidrel

Carlos Alberto Szücs

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Blocos de EPS
A construção em larga escala de habitações do segmento econômico pode viabilizar o uso de tecnologias baseadas em materiais alternativos para alvenaria. É o caso, por exemplo, dos blocos de EPS vazados que, armados e preenchidos com concreto, irão compor o fechamento da unidade residencial. A tecnologia é de origem alemã e existe há 30 anos no exterior. Trazido ao Brasil pela Isocret em 1999, somente agora o sistema está sendo divulgado com maior intensidade entre as construtoras. O motivo, segundo o engenheiro José Acilino dos Reis Filho, da Isocret, foram anos de testes e avaliações para atender os requisitos técnicos da Caixa Econômica Federal e do Governo do Estado de São Paulo. O primeiro contrato para produção de casas em larga escala foi firmado com a CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São

Blocos de EPS são montados e posteriormente concretados, funcionando ao mesmo tempo como fôrmas para o concreto e isolamento termoacústico. Casas podem ser construídas em até uma semana Paulo) para a execução de 152 unidades de 51 m² cada em Bocaina, interior de São Paulo. Antes disso, algumas obras já haviam sido executadas no País com a tecnologia, entre elas uma escola em Bocaina (SP), o prédio de uma universidade em Rio Claro (SP), instalações administrativas em São Paulo. Com uma equipe de quatro pessoas, pode-se construir uma casa de 45 m² em até sete dias. As casas de Bocaina, por exemplo, custarão à CDHU cerca de R$ 450 o metro quadrado, segundo José Acilino. Coberta com uma camada de chapisco rolado, a superfície de EPS do bloco pode receber qualquer tipo de revestimento. Ainda de acordo com Reis, os blocos podem ser utilizados em edifícios de até 12 pavimentos. O consumo médio de concreto, com o sistema, é de 1 m³ para cada 17 m2 de parede.

Painéis cerâmicos pré-fabricados
A Jetcasa começou a desenvolver há dez anos seu sistema de painéis cerâmicos pré-fabricados. Utilizados como paredes internas e externas, os painéis são produzidos com blocos cerâmicos estruturados com nervuras de concreto armado e revestidos com argamassa. Instalações hidráulicas e elétricas são embutidas. A ligação mecânica entre os painéis é realizada com soldas de barras e chapas de aço especiais e as juntas são protegidas da infiltração de água de chuvas ou de áreas molháveis com selantes flexíveis. A tecnologia pode ser utilizada na produção de casas térreas e sobrados. Segundo Marcelo Bergamaschi, diretor comercial da Jetcasa, as peças podem ser produzidas no próprio canteiro ou confeccionadas na fábrica e transportadas até a obra. Caso a primeira opção seja a mais viável para o empreendimento, é necessária uma área de 100 m x 15 m para a instalação da pista de produção. A empresa fornece a ponte rolante e as fôrmas e a construtora entra com o caminhão-guindaste. A produtividade média com o sistema é de três casas por dia, sendo necessária uma equipe de cinco pessoas para a montagem das casas e de outras 48 para a produção dos painéis. De acordo com Marcelo Bergamaschi, para que o uso da tecnologia seja economicamente viável em empreendimentos do segmento econômico, a área construída mínima deve ser de 10 mil m², equivalentes a 250 casas de 40 m², em média. O preço de venda do metro quadrado das casas varia entre R$ 450 e R$ 600, dependendo da sofisticação do acabamento interno das unidades. Desde o ano 2000, aproximadamente oito mil unidades já foram ou estão sendo executadas com a tecnologia – 75% dos contratos foram fechados desde o ano passado. Até o fim de 2008, a empresa acredita que deva fechar contrato para a produção de mais dez mil unidades.

Painéis cerâmicos estruturais podem ser produzidos na fábrica ou no canteiro. Sistema é composto por blocos cerâmicos e nervuras de concreto armado

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Divulgação Secretaria de Estado de Infra-estrutura do Mato Grosso

Divulgação Jetcasa

Fotos divulgação Isocret

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Escalada de produtividade
A Sergus Construtora desenvolveu o sistema construtivo com fôrmas tipo banche, que permite produzir edifícios multipiso com paredes de concreto em dois ciclos de concretagem por pavimento. Ele é composto por fôrmas metálicas (paredes) e chapas de madeira (lajes). O sistema dispensa escoramento, pois as vigas de sustentação das chapas das lajes são apoiadas nas paredes estruturais anteriormente concretadas. A espessura mínima das paredes é de 12 cm; a das lajes é de 8 cm. Ambas são armadas com telas de aço soldadas CA 60, com reforços localizados em barras e treliças de aço CA 50 ou CA 60, de acordo com o projeto estrutural. Segundo Sérgio Cristiano, diretor técnico da Sergus, o sistema possibilita grande variedade de layout às unidades, já que as fôrmas usadas

Fôrmas tipo banche permitem executar pavimentos com paredes de concreto em dois ciclos. Sistema possibilita maior variedade de layout das unidades, pois fôrmas para paredes e para lajes são independentes para as paredes e para as lajes são independentes. As fôrmas metálicas suportam até 500 utilizações. Para sua movimentação, é necessária a instalação de uma grua no canteiro. Para eventuais reparos e manutenções, Cristiano recomenda reservar no canteiro uma área livre de cerca de 100 m².

Divulgação Sergus

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Paredes pré-moldadas de concreto
O sistema PAC, criado pelo grupo InMax em 1982, é composto por painéis portantes pré-moldados de concreto e pré-lajes. Apenas a capa das pré-lajes é moldada in loco no atual sistema da InMax. "No passado, erguemos alguns edifícios com a caixa do elevador moldada in loco, elemento que dava rigidez ao conjunto. Porém, com a evolução do sistema, conseguimos eliminar essa estrutura e fazer quase todo o edifício em pré-moldados", afirma André Aranha Campos, diretor da InMax. Nos últimos 26 anos, a tecnologia havia sido aplicada somente na execução de edifícios de quatro ou mais pavimentos. No entanto, a empresa começa a desenvolver projetos para a utilização em casas térreas e sobrados. "Nós nunca tínhamos feito isso porque nunca houve uma demanda que justificasse", afirma Aranha. Cerca de quatro mil apartamentos já foram produzidos com o sistema; até 2010, a empresa projeta a produção de mais de oito mil unidades entre condomínios horizontais e verticais. A execução das torres com o sistema PAC exige gruas para a movimentação dos elementos pré-moldados e uma área no canteiro para a instalação dos jogos de fôrmas usados na confecção das peças de concreto. Nesse sistema, as instalações elétricas e hidráulicas e o espaço para os caixilhos também são posicionados e montados antes da concretagem. O processo possibilita a produção de um apartamento por dia, cada um com 50 m2 ou 60 m² de área útil. A maioria dos painéis tem função estrutural, o que limita a algumas paredes a flexibilidade

Sistema para produção de edifícios multipavimentos é composto por painéis de parede estruturais, escadas e pré-lajes, todos pré-moldados no canteiro de abertura de vãos. As fôrmas – metálicas ou de fibra de vidro – são projetadas pela própria InMax e conferem acabamento final liso às paredes de concreto. Segundo Aranha, isso proporciona redução no consumo de massa corrida durante a execução do acabamento. "Não há a necessidade de correção de rugosidade, apenas se fecham microporos." Depois de posicionadas no pavimento, as juntas entre os painéis são grauteadas. Por fim, a execução das lajes é feita em duas etapas – a primeira, de montagem das pré-lajes, que incorporam as armaduras positivas e os pontos de iluminação; seguida pela segunda etapa, em que ocorrem a montagem da armadura negativa, das passagens elétricas e a concretagem final, que solidariza as peças pré-moldadas.

Engate rápido
Sistema Techouse/Casa Dez, fornecido pela gaúcha Lig e Lev, é um conjunto de painéis-sanduíche, cada um formado por duas placas de concreto estruturadas com malhas e vigas de aço eletrossoldadas e preenchidas com instalações elétricas e hidráulicas e EPS. Os painéis são unidos e fixados por meio de encaixes autotravantes nas bordas das placas. Sua montagem exige a presença de um caminhãoguindaste para o transporte das peças no canteiro

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Divulgação Lig e Lev

Fotos divulgação InMax

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DESEMPENHO

Excelência atestada
Para comprovar a qualidade das soluções inovadoras desenvolvidas e abrir o caminho para obtenção de financiamentos, empresas buscam a avaliação técnica de desempenho
para um em que é mais convencional", resume Mitidieri. Na prática, significa que o DATec é dispensado porque, teoricamente, ao comprar chapas e perfis que atendam à norma e instalar conforme o preconizado, o desempenho está garantido. O principal motivo que estimula uma empresa a buscar o DATec para o sistema construtivo que comercializa é a possibilidade de garantir aos contratantes que, mesmo inovador, esse é confiável e compete, quanto ao desempenho, de igual para igual com os convencionais. No caso da Sergus Construções, a necessidade pela RT do IPT veio das tentativas frustradas de viabilização de seu sistema construtivo junto a agentes de financiamento à produção. "Em projetos públicos em que era possível sugerir a metodologia, ficava difícil ofertar o sistema sem embasamento", lembra o engenheiro Adalberto Magina, coordenador da qualidade da empresa. Conforme afirma Magina, a RT para o sistema com fôrmas tipo banche veio como um diferencial de mercado, uma garantia ao comprador de que houve a avaliação de um órgão com credibilidade. "Não imaginávamos que o sistema seria submetido a tantos ensaios", comenta. No caso da Sergus, a RT já foi renovada e agora recebe o nome de RT-25A – Sistema Construtivo Sergus com Fôrmas tipo Banche. O fato de um sistema contar com o DATec não significa que pode ser adotado aleatoriamente, mas sim que
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Fotos Sofia Mattos

A avaliação técnica de sistemas construtivos é feita por meio de uma bateria de ensaios em laboratórios especializados. Os parâmetros são obtidos a partir de normas técnicas nacionais ou estrangeiras

palavra homologação remete ao conceito de reconhecimento oficial com posterior divulgação. Ou seja, a partir da comprovação, ratificação ou confirmação,por instituição autorizada para tal, das características e propriedades de determinado objeto, disseminase o que se atesta. Tal objeto pode, portanto, ser um sistema construtivo. E nesse caso, a palavra homologação é substituída pelo DATec (Documento de Avaliação Técnica) que se aplica para verificar o desempenho de sistemas construtivos. "Adotamos esse termo no Brasil. No IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo) existe a RT (Referência Técnica)", explica o engenheiro Cláudio Vicente Mitidieri Filho, pesquisador do Instituto.

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Na construção civil,o DATec,é aplicado nos sistemas considerados inovadores. Isso porque os sistemas convencionais já carregam um histórico de uso ou, também, são contemplados por normas prescritivas. Um bom exemplo para entender a necessidade do DATec é o gesso acartonado. No começo de sua aplicação no Brasil, a indústria do drywall foi ao IPT obter Referências Técnicas para os sistemas construtivos. No total,foram seis.Atualmente,no entanto, nenhuma delas está ativa. O motivo: aos poucos o sistema vai sendo normalizado pela ABTN (Associação Brasileira de Normas Técnicas), com regulamentação para a chapa, os perfis, os acessórios e a forma de instalação. "Começa a sair de um ambiente inovador

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tem o uso balizado. Conforme salienta Mitidieri e estampa a RT da Sergus, os sistemas são aprovados pelo IPT – ou, no caso de outros processos de avaliação técnica, por outras instituições – apenas para os usos avaliados. "O DATec pode até ter restrições dizendo que é adequado para algumas regiões climáticas e outras não", exemplifica o pesquisador. A RT da Sergus diz que o "desempenho acústico do sistema é satisfatório", mas "pode ser melhorado revestindo-se os pisos com materiais apropriados". Logo, como a empresa entrega o imóvel sem carpetes, o manual do proprietário recomenda que o revestimento seja aplicado para diminuir a geração de ruídos entre salas superpostas e, conseqüentemente, melhorar o conforto acústico.
Caixa de exigências

Ao chegar ao País, indústria do drywall buscou atestar desempenho do sistema inovador junto ao IPT. Com o passar do tempo, o uso do sistema tornou-se mais consagrado e ganhou normas para materiais e instalação

Produto aperfeiçoado
Ao procurar o IPT para obtenção do DATec para seu sistema construtivo, uma empresa que atua no segmento de edifícios multipavimentos teve sua solução questionada. De acordo com o Instituto, a segurança ao fogo do sistema, que se valia de fôrmas tipo túnel, não era suficiente para obtenção do documento. Isso porque as fôrmas, nesse caso, são retiradas pela fachada, que tem que ser fechada com outro sistema. A empresa fazia o fechamento com caixilhos de alumínio, que, de acordo com os ensaios, não impediriam a chamada "língua de fogo", a propagação das chamas de um andar para o superior. Para obter o DATec bastou, então, mudar a forma de fechamento da parte inferior da fachada. A empresa passou a fazer com alvenaria ou, eventualmente, com concreto, e obteve o DATec. No entanto, parecia um retrocesso em termos de racionalização para um sistema que já contava até mesmo com negativos nas fôrmas para as tubulações e shafts para as prumadas e instalações elétricas. Além disso, as tendências comerciais de mercado começaram a apontar inadequações daquela tecnologia. Sendo assim, a empresa desenvolveu um sistema que lançava mão de fôrmas tipo banche, que são retiradas não pela fachada, mas por cima, possibilitando uma gama maior de desenhos, com reentrâncias em planta. Uma vez que o foco do DATec é sempre o desempenho do produto acabado, muitos tópicos estavam praticamente pré-aprovados para a avaliação do novo sistema. Muitos dos ensaios não precisaram ser repetidos e a migração foi relativamente simples.

Se os institutos que realizam a avaliação de desempenho não contam com critérios próprios para afirmar se determinado sistema atende ou não aos requisitos mínimos, a Caixa (Caixa Econômica Federal) também não. Ambos se baseiam nas normas nacionais – ou, na ausência dessas, em outras referências, incluindo normas estrangeiras. Atualmente, a Norma de Desempenho para edifícios habitacionais de até cinco pavimentos tem servido como referência geral para avaliar o desempenho estrutural, o conforto térmico e acústico, a estanqueidade à água, a durabilidade e a segurança contra incêndios. Mesmo assim, a Caixa tem critérios diferentes a depender do tipo de

Ensaios do sistema construtivo antes de receber o DATec:
Ensaios de caracterização: para os materiais e componentes que integram o sistema construtivo. Podem variar dependendo da constituição e natureza. Ensaios de desempenho: Desempenho estrutural: compressão excêntrica, cargas laterais distribuídas e concentradas, cargas verticais distribuídas e concentradas, cargas de uso, como peças suspensas e solicitações transmitidas por portas, impactos de corpo mole e de corpo duro Estanqueidade à água: de paredes externas e internas de áreas molháveis, de pisos, à água de chuva de telhados Segurança ao fogo: resistência ao fogo, propagação de chamas, densidade de fumaça, gases tóxicos Desempenho térmico: simulação do desempenho, resistência térmica, condutividade térmica, calor específico, densidade, medidas no local Desempenho acústico: isolação a sons aéreos, isolação a ruídos de impacto, medições de campo Durabilidade: ensaios de envelhecimento acelerado (névoa salina, câmara de umidade, de SO2, ultravioleta) e outros ensaios dependendo da natureza do material.

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DESEMPENHO

Desempenho padrão
Ao mesmo tempo em que pretende estimular o desenvolvimento tecnológico, a comunidade técnica nacional sabe que precisa minimizar o risco de insucesso no processo de inovação. Para tanto, foi criado o Sinat (Sistema Nacional de Avaliações Técnicas), que dá suporte à operacionalização de um conjunto de procedimentos de avaliação dos novos produtos para a construção civil. De acordo com o site do PBQP-H (Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat), a proposta do Sinat é "suprir, provisoriamente, lacunas da normalização técnica prescritiva". Isso significa que se volta a produtos que ainda não contam com normas técnicas prescritivas. Mais importante ainda é a homogeneização dos critérios e procedimentos, pois garante que o processo de avaliação considera todos os aspectos relevantes ao comportamento em uso de um produto ou sistema. Além disso, traz resultados padronizados mesmo quando a avaliação parte de instituições diferentes. Na prática, quando uma ITA (Instituição Técnica de Avaliação) recebe uma proposta para avaliar um sistema construtivo inovador, tem que criar diretrizes para os ensaios e análises e as validar junto ao Comitê Técnico do Sinat. A partir da validação, sempre que uma instituição ligada ao Sistema for realizar avaliações para sistemas semelhantes, é obrigada a seguir as diretrizes já definidas. Esse comitê é formado por representantes de toda a cadeia construtiva. "É um sistema descentralizado, mas que torna a avaliação homogênea", explica Cláudio Vicente Mitidieri Filho, pesquisador do IPT. O Instituto, que é uma ITA, já contava com procedimentos padronizados para a emissão de sua RT (Referência Técnica). De acordo com Mitidieri, os procedimentos propostos pelo Sinat foram baseados na estruturação da RT. Confira na ilustração a estrutura do Sinat e como se dá o encaminhamento das propostas de avaliação técnica de desempenho em seu âmbito.

construção. É o que conta o engenheiro Luiz Guilherme de Matos Zigmantas, da Gidur-SP (Gerência de Desenvolvimento Urbano de São Paulo), da Caixa. "As exigências para conjuntos habitacionais são muito maiores do

Marcelo Berzamasco

que as para unidades isoladas", afirma. Ainda quanto às exigências, se o benefício social do empreendimento for muito elevado, atendendo a famílias com renda de um salário mínimo, por exemplo, pode haver flexibilização quanto ao conforto. "Nunca para exigência estrutural ou segurança ao fogo", salienta Zigmantas. O referencial para a adoção sem flexibilização das normas brasileiras são as unidades com mais de 35 m2, dois dormitórios e valor acima de R$ 25 mil.

No caso de produtos ou elementos fabricados fora do canteiro, mesmo que o processo seja idêntico, o documento de avaliação técnica é válido para cada planta de produção

Ensaios para comprovação do desempenho independem dos materiais ou do método executivo empregados. O interesse está no desempenho do sistema concluído e em operação

A emissão do Documento de Avaliação Técnica leva em consideração também requisitos mínimos de desempenho acústico e térmico. No caso de habitação de interesse social, itens de conforto podem ser flexibilizados

Nesses casos, não há redução dos critérios, e propostas de tecnologias inovadoras passam por todo o procedimento básico de aceitação, que envolve a viabilidade prévia e definitiva do sistema construtivo. Assim, para conseguir a viabilidade prévia, o proponente do sistema deve comprovar o desempenho junto aos institutos de tecnologia e universidades capacitados para realizar os ensaios e análises necessárias. Aprovado nesse nível, o projeto está liberado para a construção de unidades isoladas e conjuntos habitacionais com até 50 unidades. Durante a execução, há acompanhamento da obra e da padronização do processo produtivo da construtora, assim como há avaliação pós-ocupação para comprovar o desempenho. "Se o sistema passa por essas etapas sem patologias, recebe a viabilidade definitiva", explica Zigmantas. Como o processo não difere muito daqueles adotados por institutos técnicos como o IPT, não há nenhum caso de sistema com DATec que tenha tido problemas para ser aprovado na Caixa. Uma das diferenças é que, para obter a viabilidade definitiva da Caixa, o sistema tem que ser aprovado na avaliação pós-ocupação. O advento da norma de desempenho trouxe, além de uma referência nacional para a definição de critérios,
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Como funciona o Sistema Nacional de Avaliações Técnicas

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uma tendência por padronização da linguagem adotada pelos laboratórios. Ainda há, mas em menor grau, conforme atesta Zigmantas, interpretações e níveis de análise destoantes entre institutos em todo o País. "Isso tem criado constrangimentos", aponta o engenheiro da Caixa em referência à adoção de critérios considerados insuficientes pela instituição financeira. Ele cita o exemplo do Cefet-PA

(Centro Federal de Educação Tecnológica do Pará), que passou a usar os parâmetros da norma e já apresenta relatórios com padrão semelhante ao do IPT paulista. "Um Estado com pouca tradição de desenvolvimento tecnológico já apresenta ensaios relativamente completos", comemora. Ainda sobre a flexibilização de critérios para aprovação de financiamento, Zigmantas questiona se não

merece ser discutida, no Brasil, a transição entre a casa de palafita e a unidade habitacional com critérios mínimos de desempenho de conforto. "Não há dinheiro suficiente para fazer a passagem principal", afirma. Por isso, acredita que pode haver benefícios ao flexibilizar as exigências para que a grande demanda comece a ser atendida com unidades mais baratas.
Bruno Loturco

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ESQUADRIAS – PINI 60 ANOS

Marco tecnológico
Mercado exige esquadrias que propiciem maior eficiência energética às construções. Indústria se adaptou e disponibiliza produtos que atendam a essas novas necessidades
crescente preocupação de arquitetos e construtores com a eficiência energética das novas edificações mudou a maneira de se especificar os caixilhos. De elementos isolados, sem muita interação com outros subsistemas da construção, as esquadrias passaram a ser vistas como um sistema importante no desenvolvimento de projetos com boa performance térmica e energética. A tendência é a procura por produtos que maximizem a entrada de luz natural no ambiente ao mesmo tempo em que bloqueiem as trocas de calor com o exterior. A indústria de esquadrias nacional desenvolveu seus processos e produtos para atender à demanda mais sofisticada. Até a década de 1950, apenas esquadrias em madeira ou aço eram fabricadas no Brasil, dada a abundância desses materiais. Eram, em geral, confeccionadas artesanalmente por serralharias e marcenarias, sob medida e com desenhos e estilos rebuscados. No caso das metálicas, utilizavam-se perfis em forma de T, L e I. A herança do pioneirismo se reflete no domínio do mercado brasileiro por esse tipo de esquadrias: juntos, os produtos em madeira e em aço ou ferro respondem por mais da metade das unidades fabricadas no País. Seu principal mercado consumidor é o segmento popular. A produção industrializada dos caixilhos foi possibilitada pela introdução de perfis tubulares e abertos, obtidos a partir de chapas de aço. É
Marcelo Scandaroli

A

Além dos caixilhos, também a tecnologia dos vidros evoluiu no País. Se há 20 anos era preciso importar até vidros laminados, hoje o mercado já conta com grande variedade de vidros duplos insulados e refletivos

nesse momento que começam a ser fabricadas as primeiras esquadrias padronizadas – janelas venezianas, de correr, basculantes e em outros formatos. O alumínio começava a ser utilizado "timidamente" nas peças e componentes dos caixilhos. A estréia desse material como protagonista no mercado de esquadrias ocorreu em um momento marcante da história da engenharia brasileira: a construção de Brasília.As fornecedoras

de perfis começaram a atentar para o mercado da construção civil e a aprimorar sua tecnologia de extrusão,apresentando perfis mais adequados à produção de caixilhos. O Brasil importava alumínio primário até a década de 1980, quando passou de um dos maiores importadores dessa matéria-prima a quinto maior exportador do mundo – em 2008, o País deve alcançar a meta de produção de um milhão de toneladas do produto.As esquadrias produziTÉCHNE 136 | JULHO DE 2008

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Com uma fatia de 20% do mercado de esquadrias, caixilhos de alumínio têm forte presença no segmento residencial de médio e alto padrão

Durante décadas, vidros temperados precisaram ser importados. Hoje, mercado dispõe de variedade de vidros insulados e refletivos

das com esse material ganharam participação no mercado e respondem hoje por 20% do volume de caixilhos fabricados no País, de acordo com informações da Afeal (Associação dos Fabricantes de Esquadrias de Alumínio). Com menor participação no mercado estão as esquadrias de PVC, cerca de 2%, marca ainda distante das esquadrias de madeira, de aço e de alumínio. E parte da "culpa" pode ser atribuída ao baixo desempenho dos primeiros caixilhos do tipo produzidos no Brasil. "Na década de 1980 houve esse problema porque os perfis importados eram desenvolvidos para resistir às condições climáticas européias", afirma Miguel Bahiense Neto, diretor-executivo do Instituto do PVC. A melhoria foi feita na década seguinte, quando alguns fabricantes reformularam o composto para adaptá-lo ao clima brasileiro. Para conquistar espaço no mercado, os fabricantes apostam nas características do material para atender às novas exigências dos consumidores. Além da leveza, Bahiense aponta a alta capacidade do PVC em impedir as trocas de calor entre os ambientes internos e externos. "Esses produtos têm maior potencial de manutenção térmica, o que possibilita economia de energia com sistemas de ar-condicionado e sistemas de calefação", argumenta.

Fórmula do PVC europeu foi alterada para adaptar resistência do material às condições climáticas brasileiras. Essas esquadrias têm boa performance no isolamento térmico e acústico

Além do caixilho, o vidro também é responsável pelo conforto térmico do ambiente. E a tecnologia desse componente evoluiu rápido, acompanhando a demanda dos consumidores. A diversidade de produtos atualmente disponíveis no mercado nacional é incomparável com o que havia há 20 anos. "Durante décadas foi preciso importar até mesmo vidros laminados", lembra Papaiz, da Afeal. Hoje, os consumidores têm à disposição produtos como os vidros duplos insulados e o Low-e, por exemplo, que apresentam ótimo desempenho quanto à emissividade, ao isolamento térmico, à transparência e à refletividade.

Os arquitetos passaram a vislumbrar novas possibilidades, como o uso mais intensivo das fachadas-cortina em edifícios comerciais. E nesse segmento, afirma Papaiz, "o alumínio se impôs e atualmente está presente na maioria dos edifícios comerciais e corporativos". "Da pele de vidro ao mais atual sistema de instalação das fachadas-cortinas, o unitizado, passando pelo structural glazing, esse segmento evoluiu muito", conclui. Uma tendência que vem se consolidando na Europa e já foi até aplicada no Brasil é o uso de esquadrias mistas em edifícios históricos. Desgastadas pela ação do tempo, as janelas em madeira vêm sendo substituídas por caixilhos que mesclam a madeira e outros materiais. Do lado de fora, atende-se às exigências de preservação da fachada original; dentro, os benefícios de uma estrutura mais resistente. Bahiense, do Instituto do PVC, conta que a solução foi adotada recentemente na restauração e transformação do Convento do Carmo, no bairro do Pelourinho, em Salvador, em um hotel de luxo. "O PVC proporcionava, além do conforto térmico, isolamento acústico aos ambientes internos", explica. "Com a banda Olodum passando na rua, o isolamento precisa ser muito bom", brinca.
Renato Faria

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ARTIGO

Envie artigo para: techne@pini.com.br. O texto não deve ultrapassar o limite de 15 mil caracteres (com espaço). Fotos devem ser encaminhadas separadamente em JPG.

Retrofit de fachadas: tecnologias européias
primeira discussão sobre retrofit diz respeito à sua definição, surgindo dessa forma alguns questionamentos: os diferentes tipos de intervenção num edifício acabado são todos considerados como retrofit? Quando se fala em renovação, fala-se em retrofit? Qual a diferença entre renovação, retrofit e reabilitação? As operações de restauro coincidem com alguma dessas? Buscando conceituar esses termos para facilitar a explicação do objeto deste artigo, adotam-se, baseado em bibliografia francesa e suíça (Choay, 1992 e Koelliker et al, 1999), as seguintes definições: reabilitação: ação de restabelecer o empreendimento ao seu estado de origem, utilizando tecnologias disponíveis, restabelecendo seu valor venal e prolongando sua vida útil, mas não necessariamente incorporando novas tecnologias; renovação: ação de restabelecer o empreendimento ao "novo" por "profundas" transformações que tornam o empreendimento em melhor estado e com "novo" aspecto, incorporando modernas tecnologias. A renovação, diferente da restauração, é sinônimo de perda de características históricas; restauro: ação de restabelecer o edifício ao estado original, buscando salvaguardar tanto a obra de arte quanto o testemunho histórico. As operações de restauro são geralmente feitas em edifícios tombados como patrimônio histórico e devem obedecer às regras específicas ditadas em documentos como a Carta de Veneza de maio de 1964.

A

Luciana A. Oliveira Pesquisadora do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo) M.Sc. Doutoranda da Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo) – Departamento de Engenharia de Construção Civil – Epusp/PCC e-mail: luciana@ipt.br Ercio Thomaz Prof. Dr. Pesquisador do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo) e-mail: ethomaz@ipt.bt Silvio B. Melhado Prof. Dr. da Escola Politécnica da USP – Departamento de Engenharia de Construção Civil – Epusp/PCC e-mail: silvio.melhado@poli.usp.br

A norma de desempenho brasileira (NBR 157575-1) define retrofit como remodelação ou atualização do edifício ou de sistemas, pela incorporação de novas tecnologias e conceitos, o qual, normalmente visa valorização do imóvel, mudança de uso, aumento da vida útil e melhoria da eficiência operacional e energética. Comparando a definição de bibliografias européias e brasileira, conclui-se que na Europa está sendo denominado de "renovação" o que o setor da construção civil brasileira tem denominado de retrofit. No Brasil, o mercado de conservação e renovação de edifícios, ou seja, aquele que considera operações de

reabilitação, renovação, restauro e conservação, é ainda pequeno comparado ao Europeu, mas apresenta um grande potencial de crescimento, especialmente nos grandes centros urbanos, como São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e outros, em razão: da necessidade de modernizar fachadas e instalações face às novas tecnologias e exigências funcionais ou estéticas atuais; do número crescente de edifícios com mais de 40 anos, quase sempre carentes por renovação; do surgimento de leis fiscais que visam incentivar ações para revitalização ou renovação de fachadas, como por exemplo as leis da cidade de São Paulo no 12.350 de 1997 e no 14.223 de 2006 (ambas prevêem descontos de IPTU para edifícios que recuperem ou renovem suas fachadas) etc. Na Europa, o mercado de renovação é reconhecidamente importante, tanto ou mais que o mercado de construções novas. Na França, por exemplo, o volume de negócios do setor de construção, particularmente do segmento de edificações, é expressivo para obras de conservação e renovação, conforme ilustra a figura 1. Observa-se que a participação das atividades de manutenção e renovação é bastante expressiva no setor da construção francesa, em razão, entre outras, das várias operações de reurbanização das principais cidades da França (veja www.grandsprojets.paris.fr) e da quantidade de edifícios antigos que precisam ser conservados, renovados ou reabiliTÉCHNE 136 | JULHO DE 2008

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tados (grande quantidade de edifícios construídos no início do século 20). As operações de reabilitação, ou renovação, especialmente das fachadas dos edifícios europeus acontecem porque essas já não atendem a algumas exigências de desempenho, sejam estéticos, de durabilidade, de segurança ou outro. Especialmente na França, uma das razões para renovar ou reabilitar as fachadas é o incremento do desempenho térmico dessas fachadas, visando melhorar a eficiência energética do edifício (o desempenho térmico de um edifício depende, entre outros, do comportamento interativo da fachada, cobertura e pisos). Cabe observar que a renovação na Europa não significa necessariamente alterar totalmente as características arquitetônicas da fachada; pois caso as fachadas tenham alguma importância no contexto histórico da região, pode-se, por exemplo, substituir os componentes antigos por outros tecnologicamente mais apropriados, mantendo-se as características arquitetônicas originais. Ainda, no processo de renovação e/ou reabilitação deve-se analisar a viabilidade técnico-econômica dessas operações. Para tanto, quanto menos for necessário interferir nas fundações e na estrutura do edifício, maior a probabilidade de que essas operações sejam viáveis. Assim sendo, o emprego de componentes leves nesse tipo de operação é quase obrigatório. Por isso, as tecnologias de fachadas leves são as tecnologias comumente empregadas nas operações de renovação e reabilitação dos edifícios europeus. Dessa forma o objetivo deste artigo é descrever algumas tecnologias de fachadas leves empregadas nas operações de renovação de edifícios europeus, isso baseado em visitas a obras e consultas a catálogos técnicos e à bibliografia.
O que são fachadas leves?

Figura 1 – Participação percentual das atividades no setor da construção, segmento edificações (Ministére de l'Ecologie, du Developpement et d'Amenegement Durable, 2007. Disponível em: http://www.btp.equipement.gouv.fr)
Face externa (componente de vedação) Estrutura secundária metálica Camada isolante Dispositivos de fixação Face interna (componente de vedação) Juntas Figura 2 – Esquema em corte longitudinal de fachada leve (adaptado da Dissertação de V.G. Silva, Escola Politécnica da USP 1998) ,

A norma francesa NF P28-001 (Façade Légère – Définitions – Classifications – Terminologie),1990,e a UEATC (Union Européenne pour l'Agrément Technique dans la Construction) definem fachada leve como "um elemento construtivo constituído por compo-

nentes pré-fabricados, com função de vedação vertical externa, constituído de várias camadas,sendo que pelo menos a camada mais externa tem massa inferior a 100 kg/m2". As fachadas leves são geralmente constituídas pelos componentes mostrados na figura 2. componentes de fechamento e/ou revestimento: placas de vidro, placas cimentícias, placas metálicas, placas de rocha, placas cerâmicas, painéis de materiais sintéticos etc. (componentes pré-fabricados cujo peso é menor que 100 kgf/m2); isolantes térmicos: placas de poliestireno expandido ou extrudado, placas em lã mineral etc.; estrutura secundária: na Europa utiliza-se estrutura secundária em madeira ou metálica. No Brasil, esse tipo de estrutura é mais comumente encontra-

do em perfis metálicos, que têm a função de apoiar os componentes de fechamento, revestimentos e materiais isolantes, suportar cargas laterais, como a ação do vento,e absorver deformações provenientes da estrutura principal e também da própria fachada; dispositivos de fixação: são responsáveis por fixar a estrutura secundária da fachada à estrutura principal do edifício, e/ou fixar os componentes de fechamento ou revestimento à estrutura principal, quando esses são autoportantes; componentes de preenchimento das juntas: selantes, gaxetas em perfis termoplásticos extrudados e membranas flexíveis. A NF P28-001 (Façade Légère – Définitions – Classifications – Terminologie) também classifica as fachadas leves segundo seu posicionamento com relação à estrutura principal do edifício (face exterior das vigas de borda) em: fachada-cortina: fachada leve, constituída de uma ou mais camadas, posicionada totalmente externa à estrutura do edifício formando uma pele sobre o mesmo. Em francês essa classificação é conhecida pela expressão façade rideaux e em inglês curtain-wall; fachada semicortina: fachada leve, constituída de uma ou mais camadas, cuja camada exterior é posicionada externa à estrutura do edifício e a camada interior interna e entre pavimentos. Essa norma considera que a camada interior não deve ser obrigatoriamente leve, existindo casos em que a camada interior da fachada semicortina é uma parede em alvenaria, ou em concreto, e a camada exterior um revestimento não-aderido constituído de componentes pré-fabricados leves. Em francês essa classificação é conhecida como façade semi-rideaux. Algumas bibliografias americanas e inglesas tratam essa classificação como cladding wall. As figuras 3 e 4 ilustram as fachadas leves segundo seu posicionamento no edifício. As tecnologias de fachadas leves, classificadas como fachada semicortina, tendem a ser as mais convenientes
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Fachada leve

a) janela posicionada na camada interna

b) janela posicionada na camada externa

c) janela dupla

d) janela posicionada na camada interna e placas envidraçadas na camada externa

Figura 3 – Esquema da secção longitudinal de fachadas-cortina constituídas por várias camadas

Figura 4 – Esquema da secção longitudinal de fachadas semicortina constituídas por várias camadas, sendo a camada interior formada por paredes em alvenaria ou em concreto

europeus, antes de serem aplicados nas obras, são obrigatoriamente objetos de avaliação, especialmente das suas características de desempenho, até porque existe a necessidade de que tais componentes apresentem uma certificação (marca CE). Essa certificação foi criada em função das regras de comércio da Comunidade Européia, ou seja, os produtos da construção a serem comercializados no mercado comum europeu devem apresentar resultados de ensaios e controles conforme especificações de normas européias. Alguns dos componentes relacionados com a tecnologia de fachadas leves e que têm a marca CE são: placas cimentícias reforçadas com fibra de vidro, ou fibras sintéticas, com acabamento incorporado; painel composto por placas metálicas (alumínio) com miolo em poliestireno expandido ou extrudado; placas de resinas acrílicas, cujo acabamento superficial pode imitar placas de granito; painel com placas de vidro insulado, os quais empregam venezianas ou painéis fotovoltaicos internamente.O vidro insulado é uma combinação de vidros float simples, formando um conjunto múltiplo de placas intercaladas com gases inertes (como argônio ou criptônio). Um aspecto que tem sido amplamente explorado nos painéis de vidro insulado é a inserção de algum componente na câmara de ar, como persianas, brises e materiais transparentes que diminuam a entrada de radiação solar. A figura 5 ilustra uma fachada renovada, cuja camada externa é formada por placas cimentícias com revestimento incorporado.
Empreendimentos de renovação e/ou reabilitação com fachadas leves

para aqueles casos de renovação de fachadas nos quais se pretende aproveitar a parede (vedo) existente que, em função de diversos problemas, já não atende integralmente sua função como vedação vertical externa. Dessa forma, adicionam-se à parede existente outras camadas, gerando uma parte adicional, cujo conjunto deve atender aos requisitos de desempenho de uma fachada. A expressão em inglês utilizada para esses casos é overcladding e
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quando se faz necessária a substituição de todos os elementos da fachada, inclusive do vedo existente, utiliza-se comumente a expressão recladding.
Tecnologias de fachadas leves

Uma das principais diferenças entre as fachadas leves empregadas no Brasil e na Europa diz respeito à quantidade de componentes de fechamento atualmente existentes no mercado europeu. Ressalte-se ainda que os componentes

A tabela 1 mostra alguns exemplos de empreendimentos de renovação ou reabilitação realizados na França, país que pode ser considerado pioneiro em obras de revitalização urbana em larga escala, com o emprego da tecnologia de fachadas leves.
Considerações relevantes

Na Europa, diferentemente do Brasil, o mercado de renovação de fachaTÉCHNE 136 | JULHO DE 2008

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Fotos acervo do autor

Figura 5 – Fachada leve após renovação, do tipo semicortina, cujos componentes de fechamento são em placas cimentícias com acabamento incorporado Tabela 1 – EXEMPLOS DE APLICAÇÃO Item Aplicação Fachada após operação de renovação/reabilitação 1 Renovação das fachadas Fachada renovada constituída de placas de de uma escola pública revestimento em madeira, câmara de ar, estrutura secundária em madeira, isolante e parede de concreto (anteriormente existente). 2 Reabilitação das fachadas Fachada reabilitada formada de painéis de um edifício, com mudança pré-fabricados com estrutura em aço de uso, mantendo as galvanizado divididos em duas partes: parte características arquitetônicas inferior, placas sintéticas (face externa), da época da construção isolante e placa de gesso acartonado (face interna); parte superior: painel de vidro insulado, constituído de duas placas de vidro laminado. 3 Renovação das fachadas Fachada renovada composta de painéis de de um edifício educacional vidro insulado azul, fixos a uma estrutura secundária em alumínio, a qual foi fixada na parede existente do edifício. 4 Renovação das fachadas Fachada renovada composta de painéis (figura 6) cimentícios fixados a uma estrutura secundária em perfis de aço galvanizado conformados a frio, câmara de ar e parede de concreto (existente). 5 Reabilitação das fachadas Fachada renovada formada por um conjunto incorporando elementos de painéis pré-fabricados constituídos de três inovadores, porém mantendo partes: a) quadros em perfis tubulares de as características alumínio; b) parte inferior em placa cimentícia arquitetônicas da época reforçada com fibra de vidro fixada diretamente de construção da obra sobre os perfis de alumínio, camada de ar, placa de isolante em lã de rocha e placa de aço galvanizado; c) parte superior: placa de vidro insulado formada por vidros laminados.

Figura 6 – Fachada renovada com painéis cimentícios

especial de avaliação – ATE (Aprovação Técnica Européia). Pode-se dizer também que existem na Europa diversos consultores e escritórios de projetos especializados nesse nicho de mercado, sendo, portanto, as práticas de construção bem mais consolidadas que no Brasil. Além disso, observa-se que uma das grandes preocupações e objetivos da renovação é, mais que a valorização do empreendimento, o incremento do seu desempenho térmico e energético, colocando-se em prática medidas que contribuem com as políticas de preservação ambiental européias.

LEIA MAIS
NBR 15575 – Desempenho de Edifícios Habitacionais de até Cinco Pavimentos – Partes 1 a 6. ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), 2008. NFP 28.001 – Façade Légère – Définitions – Classification – Terminologies. AFNOR (Association Française de Normalisation), 1990. L'Allégorie du Patrimoine. F. Choay, Paris, Seuil, 1992. Évider, Rénover, Restaurer et Réhabiliter: Dix Interventions de la Ville de Genève Sur son Patrimoine. Publication:Conservation du Patrimoine Architectural de la Ville de Genève. M. Koelliker; P Marti; D. . Ripoll. Département des Affaires Culturelles, 1999. Disponível em: www.ville-ge.ch/geneve/ amenagement/patrimoine/biblio.htm.

das é expressivo e existem normas e legislações pertinentes, além da grande quantidade e diversidade de produtos existentes, especialmente no que diz respeito aos componentes de fechamento. Os componentes de fechamento existentes atendem a requisitos mínimos de qualidade, em função da garantia decenal obrigatória que o fa-

bricante deve oferecer, além da marca CE, a qual garante que o componente atenda no mínimo à normalização européia vigente. Entretanto, quando um produto de construção ainda não tem normas européias nem normas nacionais reconhecidas (produto não tradicional), este, antes de ser comercializado, deve passar por um processo

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PRODUTOS & TÉCNICAS
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CANTEIRO DE OBRA

COBERTURA, IMPERMEABILIZAÇÃO E ISOLAMENTO

COBERTURA, IMPERMEABILIZAÇÃO E ISOLAMENTO

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Por apresentar maior resistência que os cimentos comuns, segundo a fabricante Camargo Corrêa Cimentos, o Cauê Estrutura é um produto indicado para situações que exigem maior segurança. O CPV-ARI é embalado em sacos de 40 kg, que garantem, de acordo com a empresa, o mesmo rendimento de um saco de 50 kg comum. Cimento Cauê 0800-703-9003 www.cimentocaue.com.br

ISOLAÇÃO ISOLAMENTO ACÚSTICO
As mantas Sais, da Caça Ruídos, são produzidas em microfibra de elastômero reciclável. Com espessuras de 3 mm e 5 mm, são projetadas para uso sob piso laminado para absorver os ruídos causados pela circulação de pessoas ou quedas de objetos. Caça Ruídos (41) 3029-8629 www.cacaruidos.com.br Midfelt é o sistema de isolação da Isover para coberturas com telhas duplas. Feltro leve e flexível em lã de vidro aglomerada por resinas sintéticas, o produto é apresentado em rolos para facilitar sua aplicação em coberturas de dupla telha. Saint Gobain Isover 0800-55-3035 www.saint-gobain-isover.com.br

Produzidas a partir do perfil RT17, as telhas RTC Calandra Ondulada, da Regional Telhas, são pré-pintadas e pós-pintadas. O produto está disponível em uma ampla gama de cores para adequar-se a qualquer projeto arquitetônico. Regional Telhas (18) 3421-7377 www.regionaltelhas.com.br

COBERTURA, IMPERMEABILIZAÇÃO E ISOLAMENTO

CONCRETO E COMPONENTES PARA A ESTRUTURA

MANTA DE ISOLAMENTO
A AGS Soluções Ambientais chega a São Paulo oferecendo tecnologia de isolamento termoacústico. As mantas Isoten à base de fibras de polipropileno possuem, segundo o fabricante, maior coeficiente de isolamento térmico e são atóxicas e antialérgicas. AGS (51) 3264-5777 www.agsambiental.com.br

EXECUÇÃO DE ESTRUTURAS
Há mais de duas décadas a CPI Engenharia executa obras com elementos de concreto préfabricados em usina própria, pré-moldados em canteiro ou estruturas moldadas in loco. Dentre as obras de que já participou, estão o estádio do Engenhão, no Rio de Janeiro, o Shopping Cidade Jardim, em São Paulo, e o edifício da Petrobras, em Macaé (RJ). CPI Engenharia (11) 4789-4144 www.cpiengenharia.com.br

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PRODUTOS & TÉCNICAS
CONCRETO E COMPONENTES PARA A ESTRUTURA INSTALAÇÕES COMPLEMENTARES E EXTERIORES

CORDOALHAS
Criadas especialmente para utilização em concreto protendido, as cordoalhas para protensão Belgo Bekaert são feitas em aço-carbono. Comercializadas sem revestimento – para protensão aderente – e com graxa e revestimento plástico – para protensão simples de edifícios, pisos industriais e radiers. Grupo ArcelorMittal Belgo 0800-151-221 www.arcelor.com/br/

PRÉ-FABRICADOS PROTEÇÃO ESTRUTURAL
As telas de guarda-canto da Perame são usadas como proteção e reforço para cantos de paredes, evitando quebra e fissura por contato. São produzidas com fios de aço galvanizado, que proporcionam maior resistência à corrosão. Perame (11) 3857-7455 www.perametelas.com.br No mercado há mais de 27 anos, a Lajes Leste possui as mais variadas alturas em painéis e lajes treliçadas, atendendo com grande versatilidade as exigências de cada projeto – residencial, comercial ou industrial. Lajes Leste (11) 6141-0533 www.lajesleste.com.br

PLACAS SINALIZADORAS
A Fixtil lança a linha Sinalizando, composta por 84 placas sinalizadoras fabricadas em alumínio. Adesivadas, podem ser aplicadas diretamente sobre superfícies lisas, isentas de umidade, poeira ou sujeira. As medidas variam entre 5 cm x 15 cm e 15 cm x 23 cm. Fixtil (11) 5034-1436 www.fixtil.com.br

MÁQUINAS, EQUIPAMENTOS E FERRAMENTAS

INSTALAÇÕES ELÉTRICAS E TELECOMUNICAÇÕES

INSTALAÇÕES ELÉTRICAS E TELECOMUNICAÇÕES

BOMBAS
A Itubombas é uma empresa especializada na locação de conjuntos motobomba diesel auto-escovantes. Os aparelhos são usados em obras de hidrelétricas, contenções, fundações e rebaixamento de lençóis freáticos. Itubombas (11) 4013-1116 www.itubombas.com.br

ELÉTRICA
A Heading tem desenvolvido e aprimorado soluções de projetos e quadros para todos os tamanhos, circuitos e correntes até quatro mil ampères. A empresa oferece uma ampla gama de quadros, com dimensões variadas, seja em metal, seja em plástico. Heading (11) 3903-0099 www.heading.com.br

CAIXA PARA MEDIDORES
A Taf disponibiliza ao mercado caixas para instalações de medidores monofásicos e polifásicos. Os produtos asseguram, segundo a empresa, total proteção contra chamas, choques elétricos, impactos e corrosões. Taf (47) 3441-9100 www.taf.ind.br

DIMMER
Os variadores de luminosidade da Pial Legrand contam com 100% de amplitude no controle da variação da luz. O produto é compatível com lâmpadas incandescentes, halógenas e dicróicas sem transformador. Disponível para tensões 110 V e 220 V. Pial Legrand (11) 5644-2400 www.legrand.com.br

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INSTALAÇÕES HIDRÁULICAS

JANELAS, PORTAS E VIDROS

JANELAS, PORTAS E VIDROS

INSTALAÇÕES HIDRÁULICAS
A Unikap oferece o sistema PPR, desenvolvido para atender a todos os requisitos para a condução de água quente e fria. Os tubos e conexões que compõem o sistema são fabricados com Polipropileno Copolímero Random Tipo 3, que atendem às especificações técnicas exigidas por normas brasileiras. Unikap (11) 2088-3937 www.unikap.com.br

FECHADURAS PORTA
A porta sanfonada Tecnodoor é adequada para ambientes internos, especialmente os que carecem de espaço. Leves e de fácil instalação e limpeza, segundo o fabricante, são fornecidas nas larguras de 60 cm a 90 cm e nas cores branca, cinza, marfim e mogno. Tecnoperfil (47) 3431-1200 www.tecnoperfil.com.br A nova linha Elegance de fechaduras, da Aliança Metalúrgica, tem acabamento de espelho em aço inox e design sem parafuso aparente. O produto está disponível em três modelos de maçanetas e quatro acabamentos de cores – Bronze Latonado, Antique Verde e Antique cromado. Aliança Metalúrgica (11) 2951-1500 www.aliancametalurgica.com.br

JANELAS DE PVC
Desenvolvido com tecnologia internacional, o sistema Claris de Portas e Janelas em PVC tem, segundo o fabricante, grande aceitação na Europa e nos Estados Unidos. As linhas de produtos contam com vários modelos de janelas – maxim-ar, de abrir, de correr, oscilobatente, veneziana, entre outros. Claris 0800-703-8133 www.clarisportasejanelas.com.br

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OBRA ABERTA
Livros

Engenharia Legal – Novos Estudos * Tito Lívio Ferreira Gomide 168 páginas Leud (Livraria e Editora Universitária de Direito) Fone: (11) 3105-6374 www.editoraleud.com.br A obra é composta por artigos anteriormente publicados no site do Ibape/SP (Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de São Paulo) e na revista Construção Mercado, da Editora PINI entre 2005 e 2007. Os temas abordados recorrem a aspectos polêmicos e às novidades da engenharia legal, como as avaliações imobiliárias, a engenharia diagnóstica e perícias da engenharia. O autor apresenta de maneira lógica, simples e clara a necessidade do conhecimento da engenharia para a realização dos trabalhos de avaliações e perícias. São 18 capítulos que tratam de inspeção imobiliária, sustentabilidade na engenharia legal, manutenção predial, qualidade predial total, fator humano na manutenção, perícia em fachadas e de incêndio, entre outros tópicos.

Geotecnia Ambiental * Maria Eugenia Gimenez Boscov 248 páginas Oficina de Textos Fone: (11) 3085-7933 www.ofitexto.com.br A geotecnia ambiental se dedica à proteção do meio ambiente contra impactos antrópicos, atentando à operação e monitoramento de locais de disposição de resíduos, avaliação do impacto ambiental, prevenção da contaminação do solo superficial, do subsolo e das águas superficiais e subterrâneas, dentre outros. A publicação é voltada a alunos de graduação de engenharia civil, ambiental e de minas e geologia. O conteúdo, baseado na disciplina de mesmo nome lecionada na Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo), parte do pressuposto de que os alunos tenham noções básicas de Mecânica dos Solos e Obras de Terra.

Resistência dos Materiais – para Entender e Gostar Manoel Henrique Campos Botelho 248 páginas Editora Edgard Blücher Fone: (11) 3078-5366 www.blucher.com.br O livro aborda a resistência dos materiais enquanto disciplina fundamental ao ensino da engenharia e da arquitetura. Do mesmo autor de publicações como "Concreto armado – Eu te amo" e "Instalações Hidráulicas Prediais", a publicação traz exemplos de resistência de elementos, como o comportamento de pilares e colunas de edificações frente a cargas de compressão. Ou, ainda, como cabos de sustentação resistem a esforços de estiramento. Também aborda a ocorrência de cortes (cisalhamento) e a resultante de flexões, dentre outros esforços estruturais. O autor, como ocorre em outros de seus livros, procura apresentar o conteúdo de forma simples e prática, sem prejuízo do rigor conceitual.

Tecnologia do Concreto Estrutural Péricles Brasiliense Fusco 180 páginas Editora PINI Vendas pelo portal www.lojapini.com.br Os temas abordados são imprescindíveis ao projeto, execução e utilização das construções de concreto. Por isso, o autor, que é projetista de estruturas e tem mais de 25 anos de experiência, atacou os conceitos e idéias que condicionam as decisões diretamente relacionadas à durabilidade e segurança das estruturas. Com foco na resistência mecânica e na capacidade de resistir a ataques do meio externo, considera o entendimento dos fenômenos básicos do comportamento químico dos cimentos. Também analisa a proteção das armaduras contra a corrosão e esclarece o controle da resistência por meio dos corpos-de-prova. Apresenta, em detalhes, a teoria geral da flexão do concreto estrutural, contida em tópicos referentes ao estado limite último de compressão.

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AGENDA
Seminários e conferências
Obras Logísticas e Industriais – Uma Visão de Valor 6/8/2008 São Paulo O seminário organizado pela LPE Engenharia tem como objetivo debater a evolução da qualidade e da produtividade do setor de obras logísticas industriais no Brasil. Entre os temas que serão discutidos, está a evolução das técnicas de projeto e execução de pisos, pavimentos de concreto aeroportuário, o aumento da demanda por capacitação técnica, necessidade das obras industriais e sistemas logísticos de alta produtividade. Fone: (11) 5093-4209 www.lpe.eng.br/seminario2008 Empreendimentos Imobiliários Sustentáveis – Viabilidade, Projeto e Execução 19/8/2008 São Paulo O fórum organizado pela Editora PINI mostrará como investir em empreendimentos sustentáveis utilizando os melhores projetos e materiais de construção, de forma a evitar a perda de dinheiro e o desrespeito às legislações do setor. Serão ministradas cinco palestras no dia, entre elas: Oportunidades de Negócios com Empreendimentos Imobiliários Sustentáveis e Projetos de Ecoeficiência em Edificações: Desempenho Ambiental e Energético. Fone: (11) 2173-2465 sustentabilidade@pini.com.br www.piniweb.com/sustentabilidade Construmetal 2008 9 a 11/9/2008 São Paulo A 3a edição do Construmetal terá conferencistas brasileiros e internacionais que discutirão os principais avanços tecnológicos e inovações da construção metálica. O evento é organizado pela ABCM (Associação Brasileira da Construção Metálica) com o apoio da AARS (Associação do Aço do Rio Grande do Sul), do CBCA (Centro Brasileiro da Construção do Aço), do Ilafa (Instituto Latinoamericano del Fierro y el Acero) e do AISC (American Institute of Steel Construction). Fone: (11) 3816-6597 www.construmetal.com.br Tecnologia de Edificações para Obras Rentáveis 21/10/2008 São Paulo Discutir e auxiliar os profissionais de engenharia civil, construção e arquitetura a desenvolver soluções técnicas inovadoras de projeto e execução para agilizar e rentabilizar empreendimentos. Esse é o objetivo desse seminário, promovido pela PINI, que será realizado no âmbito do Construtech 2008. Cases de projetistas, construtoras e incorporadoras e soluções industrializadas para eliminação de gargalos de materiais e mão-de-obra constam entre os principais temas a serem abordados pelos palestrantes. Fone: 4001-6400 (regiões metropolitanas) ou 0800-596-6400 (demais regiões) www.piniweb.com/Construtech/ Engenharia de Custos no Boom Imobiliário 22/10/2008 São Paulo Como desenvolver diferenciais competitivos para construtoras e incorporadoras em um momento de crescimento do setor. Esse é o objetivo principal do seminário, promovido pela PINI, que será realizado no âmbito do Construtech 2008. Análise da qualidade do investimento em empreendimentos imobiliários, perspectivas de evolução dos custos de materiais e mão-de-obra, metodologias e técnicas para estimativas orçamentárias, orçamentos de obras e estudos de casos constam entre os principais temas a serem abordados pelos palestrantes. Fone: 4001-6400 (regiões metropolitanas) ou 0800-596-6400 (demais regiões) www.piniweb.com/Construtech/ 80o Enic 22 a 24/10/2008 São Luís O Enic (Encontro Nacional da Indústria da Construção) debaterá as perspectivas e os desafios do crescimento do setor nos próximos anos. O evento atrairá diversos profissionais da construção e as inscrições já podem ser feitas no site do evento. Fone: (62) 3214-1005 www.qeeventos.com.br Arquitetura e Soluções Estruturais – Desafios de Forma e Técnica para Arquitetos e Engenheiros de Estruturas 23/10/2008 São Paulo O objetivo do evento, promovido pela PINI no âmbito do Construtech 2008, é discutir a relação indissociável entre arquitetura e estrutura, entre forma e material, arte e ciência. Pretende desmistificar o aparente desinteresse de alguns arquitetos pela engenharia e a questionável descrença dos arquitetos na engenharia. Vai apresentar projetos e obras nas quais o bem-sucedido encontro foi capaz de tornar imperceptíveis as barreiras que costumam separar tais campos do conhecimento. Abordará temas como a nova plataforma BIM (Building Information Modeling) e a relação da arquitetura e da engenharia estrutural na obra de Oscar Niemeyer. O fórum contará com a presença do arquiteto chileno Sebastian Irarrazaval. Fone: 4001-6400 (regiões metropolitanas) ou 0800-596-6400 (demais regiões) www.piniweb.com/Construtech/ Fórum Nacional de Compras e Suprimentos na Construção Civil 23/10/2008 São Paulo

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Em tempos de altas de preços e eventual desabastecimento de alguns insumos e equipamentos, o desafio de comprar e contratar equilibrando custo, prazo e qualidade torna-se ainda maior. Ferramentas eletrônicas para especificação e compras na construção civil, qualificação e relacionamento com fornecedores de materiais e serviços e cases de grandes empresas, como Cyrela e Método, farão parte do evento promovido pela PINI no âmbito do Construtech 2008. Fone: 4001-6400 (regiões metropolitanas) ou 0800-596-6400 (demais regiões) www.piniweb.com/Construtech/

Feiras e Exposições
Fenasan 2008 19 a 21/8/2008 São Paulo A Feira Nacional de Materiais e Equipamentos para Saneamento chega à sua 19a edição e reunirá mais uma vez profissionais, técnicos, empresários, gestores, pesquisadores, fabricantes e fornecedores de materiais e serviços para saneamento. O encontro proporcionará a troca de informações, a demonstração de novos produtos e tecnologias para o setor. O evento é realizado pela Aesabesp (Associação dos Engenheiros da Sabesp). Fone: (11) 3871-3626 fenasan@acquacon.com.br www.fenasan.com.br Concrete Show South América 2008 27 a 28/8/2008 São Paulo O evento é dirigido para a indústria de concreto tanto nacional quanto internacional e reunirá exposições, demonstrações, seminários, workshops e palestras para apresentar novas tecnologias, aplicações e forma de uso do material na América do Sul. O objetivo é estimular negócios e parcerias entre diversos construtores e distribuidores. Fone: (11) 4689-1935 www.concreteshow.com.br Construtech 2008 – Fórum PINI de Tecnologias & Negócios da Construção 21 a 23/10/2008 São Paulo

O encontro internacional dos profissionais da indústria da construção alia um ciclo de palestras e uma área de exposição com os mais avançados sistemas e tecnologias desenvolvidas para o setor. Nesse momento de crescimento, as empresas e profissionais devem buscar cada vez mais produtividade e expertise para se diferenciarem em um mercado de grande competitividade. Tudo isso levando em conta novas e importantes preocupações, tais como a sustentabilidade, o respeito ao meio ambiente e a responsabilidade social. Os temas escolhidos para as palestras e as empresas expositoras do Construtech 2008 refletem tal realidade e os desafios atuais do construbusiness. Fone: 4001-6400 (regiões metropolitanas) ou 0800-596-6400 (demais regiões) www.piniweb.com/Construtech/ Bauma China 2008 25 a 28/11/2008 Shangai A maior e mais importante plataforma da indústria do mundo vai ser aberta pela quarta vez para a visitação de especialistas em materiais, equipamentos, veículos e máquinas de construção. A idéia é que os fabricantes possam mostrar seus produtos, adquirir novos lançamentos e principalmente aproveitar a oportunidade de novos negócios. www.bauma-china.com

Cursos e Treinamentos
MBA Economia da Construção e Financiamento Imobiliário A partir de 8/2008 São Paulo O número de financiamentos imobiliários aumentou cerca de sete vezes entre 2002 e 2008. A principal proposta do MBA oferecido pela Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança) em parceria com a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) e a OEB (Ordem dos Economistas do Brasil), é apresentar para os profissionais do setor as diversas alternativas de crédito imobiliário disponíveis no mercado atualmente, além dos próprios aspectos sociais, jurídicos e ambientais da construção civil brasileira. As inscrições podem ser realizadas até o dia 30 de julho. Fone: (11) 3286-4859 mba@abecip.org.br

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COMO CONSTRUIR

Leonardo Chamone Cardoso Engenheiro de Aplicação/Gerente técnico Transsen Aquecedor Solar

Dimensionamento e instalação de aquecedor solar
dimensionamento é uma das etapas mais importantes no projeto de implantação de um aquecedor solar em uma residência, pois é a partir dele que se chega ao volume de água quente e à área coletora ideal para atender às necessidades diárias de água quente dos usuários e com isso atingir a sua satisfação plena. Apesar disso, é comum encontrar no mercado diferenças significativas entre dimensionamentos e especificação de produtos de diferentes fabricantes, o que faz com que o consumidor sinta-se perdido e com grandes dificuldades de identificar qual dos dimensionamentos e configuração de produto que de fato atenderão as suas necessidades diárias. Normalmente, essa situação acontece por falta de capacitação técnica do profissional de vendas ou por não haver consenso quanto à necessidade do cliente. De qualquer forma, para evitar que situações como essas aconteçam, segue uma síntese das principais informações quanto a produto, projeto, instalação e manutenção do sistema de aquecimento solar. Essas informações permitirão entender o processo de inserção do aquecedor solar e com isso ter condições de avaliar se de fato o sistema atenderá às suas necessidades.
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O

Divulgação Transen

Materiais

Antes de entrarmos no dimensionamento propriamente dito, é importante entender que um sistema de aquecimento solar é composto principalmente de: Coletor solar: elemento ativo do sistema e responsável pela conversão da energia solar em energia térmica por aquecimento da água. A maior parte dos coletores solares são fabri-

cados de materiais nobres como alumínio e cobre. Reservatório térmico: reservatório isolado termicamente responsável pela armazenagem de toda a água quente para que seja utilizada de acordo com o perfil de consumo dos usuários. O reservatório térmico normalmente é fabricado de aço inoxidável e possui uma cobertura de alumínio. É fundamental sempre optar por
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um fabricante que possui a sua linha de produtos etiquetados pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial). Dessa forma o consumidor tem a segurança de que o produto é de qualidade e tem a sua eficiência térmica conhecida, fato esse essencial para o dimensionamento. Para isso, exija do fabricante o selo do Inmetro ou pesquise na internet. No site do Inmetro é possível encontrar uma relação com todos os fabricantes de aquecedores solares que possuem produtos certificados.Além disso, é possível comparar o rendimento térmico e produção de energia de cada um deles.
Projeto

Vidro dividido em três partes

Aleta de alumínio enegrecido Isolamento térmico em PU e/ou kraft sanfonado

Serpentina de tubo de cobre

Fundo e perfis em alumínio

Vista expandida indicando componentes

A B C

Para dimensionar um sistema de aquecimento solar, é necessário primeiramente que se faça uma visita técnica, cujo objetivo é levantar o perfil de consumo de água quente do cliente,ou seja, conhecer as suas necessidades.Para isso, podem ser feitas as seguintes perguntas: Quais os pontos de consumo de água quente? Qual a vazão prevista ou em uso? Qual o tempo médio de uso? Qual o número de usuários? Qual a freqüência de uso? Qual a temperatura de consumo? Além disso, a visita técnica também tem o objetivo de levantar as condições de instalação do aquecedor solar disponíveis na residência. Para isso, é necessário estar seguro de que: Há espaço disponível para instalação do sistema de aquecimento solar? O local de instalação possui resistência estrutural compatível? A orientação e inclinação dos coletores solares são adequadas? O tipo de telhado permite a fixação dos coletores? Não haverá sombreamento nos coletores solares? A qualidade da água é compatível? Há circuito hidráulico de água quente na residência? Com base nas informações levantadas na visita técnica, é possível

Termostato D Ligação elétrica

Apoio Isolamento térmico progressivo

Resistência

Saída consumo/ respiro (S) Retorno de água quente para os coletores (R)

Entrada de água fria e saída para os coletores (S)

Vista expandida indicando componentes boiler

fazer o dimensionamento do aquecedor solar. Para isso, primeiramente é dimensionado o volume de água quente. Esse cálculo é feito seguindo a equação abaixo. Vconsumo = n=i

Σ

vazão do ponto de utilização x tempo de utilização x frequência de uso Onde:

Vconsumo é volume de consumo diário em m³; Vazão dos pontos de consumo em m³/s; Tempo de utilização da peça de consumo em segundos; Freqüência de uso da peça de consumo. A partir dessa equação é possível quantificar o volume de água quente consumido diariamente, não esquecendo que esse volume total corres77

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COMO

CONSTRUIR

Área coletora =

(kWh/mês)* (kWh/m2/mês)**

Válvula de segurança

Consumo de água quente

Mínimo 10 cm

*Demanda energética mensal **Produção específica de energia A demanda energética mensal pode ser calculada usando a equação: DE = V . ρ . cp . (TF - TI) x 30 dias 3.600 Onde, DE: Demanda energética mensal, em kWh; V: Volume de água quente em m³; ρ: Peso específico da água, considerando 1.000 kg/m³; cp : Calor específico da água, 4,18 kJ/kgºC; TF: Temperatura de armazenagem da água quente, em ºC; Ti: Temperatura de água fria, em ºC. Quanto à produção específica de energia do coletor solar, essa pode ser calculada para qualquer condição cli78
Coletor solar N

Retorno dos coletores inclinação mínima 3%

Mínimo 30 cm
Alimentação exclusiva de água fria Dreno
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ponde à quantidade de água quente na temperatura de banho, que varia entre 36ºC e 40ºC. Isso significa dizer que parte dessa água consumida vem do aquecedor solar e parte vem da caixa de água fria. A relação entre água quente e água fria varia de acordo com a característica climática da região. Na prática, trabalha-se com as seguintes relações na maior parte dos casos: Duchas: 40 l a 60 l/banho; Cozinha: 10 l a 15 l/pessoa; Lavatório e ducha higiênica: 3 l a 5 l/pessoa Lavanderia: 10 l a 15 l/kg de roupa seca Depois de dimensionado o volume de água quente, chega-se ao volume final do reservatório térmico. Em seguida, é dimensionada a área coletora necessária. Para isso é feito um balanço de energia que consiste em levantar a demanda energética necessária para aquecer o volume dimensionado e a produção específica de energia do coletor solar dentro da condição de instalação levantada na visita técnica. A equação abaixo esclarece melhor o conceito.

Fotos: divulgação Transen

Cecomtur Executive Hotel em Criciuma (SC ) – 4 mil l – 36 coletores de 2 m

Válvula ventosa Válvula de retenção Registro

Máximo 7m Alimentação dos coletores inclinação mínima 3%

Instalação vista expandida termo

mática, desde que se tenha acesso às dimensões do coletor solar e à curva de eficiência térmica do mesmo, de onde são retirados os parâmetros adimensionais FRUL e FRτα. Para isso é fundamental que o coletor solar seja testado e etiquetado pelo Inmetro. O gráfico acima demonstra a influência do clima no desempenho térmico do coletor solar.

Além disso, as condições de instalação também têm influência grande na produção de energia do coletor solar, principalmente a orientação do mesmo em relação ao norte geográfico, conforme é demonstrado no gráfico. Naturalmente o balanço de energia determinará uma área coletora que irá variar ao longo do ano em função

Mínimo 50 cm

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das características climáticas de cada mês, conforme o gráfico. Com isso é definida uma linha de corte que determinará a área coletora final, além de prever quais os meses em que o sistema solar será auto-suficiente e os meses em que será necessário fazer uso do sistema de aquecimento auxiliar. Em linhas gerais, esse é o procedimento usado para dimensionar um sistema de aquecimento solar. Para melhor ilustrar a metodologia, veja na página seguinte um exemplo de dimensionamento passo-a-passo de um sistema de aquecimento solar residencial.
Execução

Residência em Cotia (SP) – 1.600 l – 16 placas coletoras

Produção de Energia x Clima 2 Coletor Vertical KPU.5 (1,72 m ) 180

Produção de Energia x Orientação Coletor Vertical KPU.5 2 (1,72 m ) 180
(kWh/mês)

120 60 0 Jan Salvador São Paulo Dez Belo Horizonte Curitiba

120 60 0 Jan Norte geográfico Desvio 90° Dez Desvio 45°

Área Coletora Necessária 6,7 Linha de Corte 4,6 5,1 4,1 4,0 6,0 6,4 5,8 5,2 4,9 5,4 5,5

O custo de execução torna-se menor, à medida que a construção da residência passa a ser planejada para receber o aquecedor solar. Isso implica a adequação do projeto arquitetônico de forma a permitir que haja entre caixa d’água, coletores solares e reservatório térmico os desníveis mínimos para que a circulação de água em termossifão possa acontecer. Nesse caso, a radiação solar incide sobre o coletor solar que aquece a água. Essa por sua vez torna-se menos densa, mais leve e tem a tendência de migrar para a parte superior do sistema em direção ao reservatório térmico,a água mais fria,mais densa,tende a descer e ocupar o lugar da água mais quente. Dessa forma, a circulação natural ou circulação em termossifão acontece, ou seja, a diferença de temperatura entre água quente e água fria gera uma diferença de densidade que,por sua vez, provoca a circulação da água. Caso a arquitetura da residência não permita a instalação em termossifão, é possível fazer a instalação bombeada, onde a circulação acontece com o uso de uma bomba hidráulica de baixa potência.
Controle da qualidade

(kWh/mês)

Jan

Fev Mar Abr

Mai Jun

Jul

Ago

Set

Out Nov Dez

Assim como é fundamental que os produtos utilizados possuam o selo do Inmetro, também é diferencial que a instalação seja executada por uma empresa que possua o selo Qualisol. Esse selo foi criado recentemente, tem o apoio do Inmetro e o objetivo de
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Área (m²)

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COMO

CONSTRUIR
Manutenção

atestar a qualidade do serviço de instalação dos sistemas de aquecimento solar. Esse programa ainda está em fase inicial, contudo terá grande força no mercado a curto prazo.

Para garantir uma longa vida útil ao aquecedor solar e que o sistema estará sempre trabalhando com o máximo de eficiência, é fundamen-

tal que o usuário siga à risca o programa de manutenção preventiva indicado pelo fabricante. O ideal é que a manutenção preventiva seja feita, pelo menos, a cada 12 meses. As principais ações são: Inspeção e lavagem de vidros dos coletores solares (excepcionalmente todo mês); Inspeção e teste na alimentação elétrica; Teste de funcionamento da(s) resistência(s) elétrica(s); Teste de funcionamento do(s) termostato(s) de acionamento do(s) aquecimento(s) auxiliar(es); Inspeção de toda a tubulação hidráulica; Inspeção e teste de todos os registros, válvulas, respiro(s) e acessórios de segurança; Drenagem de todo sistema de aquecimento solar; Inspeção, teste de funcionamento e verificação da corrente elétrica da(s) bomba(s) hidráulica(s); Inspeção e teste de funcionamento do quadro de comando elétrico; Inspeção, limpeza e teste de funcionamento do(s) aquecedor(es) de passagem a gás; Inspeção do(s) anodo(s) de sacrifício; Inspeção do suporte metálico dos coletores solares; Inspeção da base de sustentação do(s) reservatório(s) térmico(s); Inspeção visual do(s) reservatório(s) térmico(s) quanto à deformação ou deterioração.

Exemplo de dimensionamento
1. Dimensionamento de reservatório térmico – Boiler Considerações: No de pessoas na residência: 5 Frequência de banhos diários: 2 Pontos de utilização de água quente: x Banheiro: 50 l/pessoa Cozinha Lavanderia

Banheira

DIMENSIONAMENTO – RESERVATÓRIO TÉRMICO Etapas Memória de cálculo Volume Volume máximo de VMC = no de pessoas x consumo/ 500 l água quente (VMC) pessoa + volume da banheira = Volume médio de VMCD = VMC 500 l água quente (VMCD) Volume do reservatório VRT = VMCD 500 l térmico (VRT) Reservatório térmico Volume de água 500 l dimensionado (RTD) quente recomendado Referência: Normas NBR 7198, NBR 15569 e procedimentos de dimensionamento Transsen 2. Dimensionamento da área coletora Considerações: Coletor solar Transsen etiquetado pelo Inmetro, modelo: Itapuã V2.0 Orientação do local da instalação: Norte geográfico Inclinação do local da instalação: Latitude + 10º Temperatura de consumo: 40°C Temperatura de armazenagem: 45°C Característica climática: Quente Temperatua ambiente: 23°C DIMENSIONAMENTO – ÁREA COLETORA Etapas Memória de cálculo Resultado Demanda energética DE = [(VMCD x *Cp x **ΔT x 435,91 mensal (DE) 30 dias) + Perdas térmicas] / kWh/mês 3.600 KJ / kWh Produção de energia PE = ***Produção estimada de energia 140,00 por coletor (PE) em média mensal por coletor kWh/mês No de coletores NCD = DE / PE 3,11 dimensionados (NCD) coletores No de coletores Número de melhor balanceamento 3 recomendados (NCR) hidráulico e desempenho = coletores Área coletora (AC) Área coletora equivalente 6,06 m2 * 4,18 KJ/KGOC, calor específico da água a pressão constante. ** Ganho de temperatura: temperatura de ajusta de termostato – temperatura ambiente da água. *** Produção de energia mensal do coletor solar em condições de trabalho considerando o posicionamento dos coletores (inclinação e orientação) e características climatológicas do local de instalação.

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NBR 15569 – Sistema de Aquecimento Solar de Água em Circuito Direto – Projeto e Instalação Manual Técnico – Transsen Aquecimento Solar Procedimento de Dimensionamento – Transsen Aquecimento Solar

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TÉCHNE 136 | JULHO DE 2008

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