RAIO X

Original de Hannah Kirchiro ( http://pt.scribd.com/doc/28890797/X -Ray ) Releitura por Douglas L. de Melo Queria tanto não ser vista, perdulando por aí, dissipada pelo vendaval e ninguém para impedir. No chão cinzento e marmóreo dispus minha visão à sargeta, de um ocre róseo quis afundar na solidão. Queria tanto não ser vista, Mas você me fez vista, e me viu doentemente, seus olhos vazios tiraram minha roupa compulsoriamente: meus olhos pios, em trevas e os seus forjando guerras. Ódio de você! De seu vulgo não saber, mas na sua essência de ser, identifiquei o seu intuito: em cada escárnio intransigente em cada uivo risidente em cada obscenidade incongruente há muito do seu cruel conhecer. Veja bem para quem vendem suas parcas rasas palavras: não me surpreendem, antes são alimento de larvas. Você é um alimento de larva. Ódio de você! Porque o raio-X que me vê esquadrinha minha alma. Mas ele não te mostra os rasgos sanguíneos que mantenho escondidas nos meus veios finos, tampouco as feridas externas expostas, ou as lágrimas malditas que pesam nas costas. Ódio de você, porque pra mim lança teu olhar, teu sorriso de laquê, e teu sórdido piscar grita pra mim às pompas, mas eu não sou vista no final das contas.

Imagem extraída deVila Mulher – Terra: http://imagem.vilamulher.terra.com.br/interacao/4282643/definicao-de-solidao-71251-1.jpg

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