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Curso de Direito

INTRODUÇÃO AO DIREITO II

2010.1

(Proibida a Reprodução)
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Expediente
Curso de Direito — Coletânea de Exercícios

Coordenação Nacional do Curso de Direito da Universidade Estácio de Sá


Profa. Solange Ferreira de Moura

Coordenação do Projeto
Prof. Sérgio Cavalieri Filho

Coordenação do Estado do Rio de Janeiro


Profª Márcia Sleiman

Coordenação Pedagógica
Profa. Sonia Fernandes
Profº Marcos Lima

Organização da Coletânea
Profa. Dra. Edna Raquel R.S. Hogemann
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APRESENTAÇÃO

Caro aluno

A Metodologia do Caso Concreto aplicada em nosso Curso de Direito é centrada na articulação entre teoria
e prática, com vistas a desenvolver o raciocínio jurídico. Ela abarca o estudo interdisciplinar dos vários ramos do
Direito, permitindo o exercício constante da pesquisa, a análise de conceitos, bem como a discussão de suas
aplicações.
O objetivo é preparar os alunos para a busca de resoluções criativas a partir do conhecimento acumulado,
com a sustentação por meio de argumentos coerentes e consistentes. Desta forma, acreditamos ser possível tornar as
aulas mais interativas e, consequentemente, melhorar a qualidade do ensino oferecido.
Na formação dos futuros profissionais, entendemos que não é papel do Curso de Direito tão somente
oferecer conteúdos de bom nível. A excelência do curso será atingida no momento em que possamos formar
profissionais autônomos, críticos e reflexivos.
Para alcançarmos esse propósito, apresentamos a Coletânea de Exercícios, instrumento fundamental da
Metodologia do Caso Concreto. Ela contempla a solução de uma série de casos práticos a serem desenvolvidos pelo
aluno, com auxílio do professor.
Como regra primeira, é necessário que o aluno adquira o costume de estudar previamente o conteúdo que
será ministrado pelo professor em sala de aula. Desta forma, terá subsídios para enfrentar e solucionar cada caso
proposto. O mais importante não é encontrar a solução correta, mas pesquisar de maneira disciplinada, de forma a
adquirir conhecimento sobre o tema.
A tentativa de solucionar os casos em momento anterior à aula expositiva, aumenta consideravelmente a
capacidade de compreensão do discente.
Este, a partir de um pré-entendimento acerca do tema abordado, terá melhores condições de, não só
consolidar seus conhecimentos, mas também dialogar de forma coerente e madura com o professor, criando um
ambiente acadêmico mais rico e exitoso.
Além desse, há outros motivos para a adoção desta Coletânea. Um segundo a ser ressaltado, é o de que o
método estimula o desenvolvimento da capacidade investigativa do aluno, incentivando-o à pesquisa e,
consequentemente, proporcionando-lhe maior grau de independência intelectual.
Há, ainda, um terceiro motivo a ser mencionado. As constantes mudanças no mundo do conhecimento – e,
por conseqüência, no universo jurídico – exigem do profissional do Direito, no exercício de suas atividades, enfrentar
situações nas quais os seus conhecimentos teóricos acumulados não serão, per si, suficientes para a resolução das
questões práticas a ele confiadas.
Neste sentido, e tendo como referência o seu futuro profissional, consideramos imprescindível que, desde
cedo, desenvolva hábitos que aumentem sua potencialidade intelectual e emocional para se relacionar com essa
realidade. E isto é proporcionado pela Metodologia do Estudo de Casos.
No que se refere à concepção formal do presente material, esclarecemos que o conteúdo programático da
disciplina a ser ministrada durante o período foi subdividido em 15 partes, sendo que a cada uma delas chamaremos
“Semana”. Na primeira semana de aula, por exemplo, o professor ministrará o conteúdo condizente a Semana nº1. Na
segunda, a Semana nº2, e, assim, sucessivamente.
O período letivo semestral do nosso curso possui 22 semanas. O fato de termos dividido o programa da
disciplina em 15 partes não foi por acaso. Levou-se em consideração não somente as aulas que são destinadas à
aplicação das avaliações ou os eventuais feriados, mas, principalmente, as necessidades pedagógicas de cada
professor.
Isto porque, o nosso projeto pedagógico reconhece a importância de destinar um tempo extra a ser utilizado
pelo professor – e a seu critério – nas situações na qual este perceba a necessidade de enfatizar de forma mais intensa
uma determinada parte do programa, seja por sua complexidade, seja por ter observado na turma um nível
insuficiente de compreensão.
A certeza que nos acompanha é a de que não apenas tornamos as aulas mais interativas e dialógicas, como
se mostra mais nítida a interseção entre os campos da teoria e da prática, no Direito.
Por todas essas razões, o desempenho e os resultados obtidos pelo aluno nesta disciplina estão intimamente
relacionados ao esforço despendido por ele na realização das tarefas solicitadas, em conformidade com as orientações
do professor. A aquisição do hábito do estudo perene e perseverante, não apenas o levará a obter alta performance no
decorrer do seu curso, como também potencializará suas habilidades e competências para um aprendizado mais denso
e profundo pelo resto de sua vida.
Lembre-se: na vida acadêmica, não há milagres, há estudo com perseverança e determinação. Bom trabalho.

Direção do Centro de Ciências Jurídicas


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PROCEDIMENTOS PARA UTILIZAÇÃO DAS COLETÂNEAS DE


EXERCÍCIOS

1- O aluno deverá desenvolver pesquisa prévia sobre os temas objeto estudo


de cada semana, envolvendo a legislação, a doutrina e a jurisprudência e
apresentar soluções, por meio da resolução dos casos, preparando-se para
debates em sala de aula.
2- Antes do início de cada aula, o aluno depositará sobre a mesa do professor
o material relativo aos casos pesquisados e pré-resolvidos, para que o docente
rubrique e devolva no início da própria aula.
3- Após a discussão e solução dos casos em sala de aula, com o professor, o
aluno deverá aperfeiçoar o seu trabalho, utilizando, necessariamente, citações
de doutrina e/ou jurisprudência pertinentes aos casos.
4- A entrega tempestiva dos trabalhos será obrigatória, para efeito de
lançamento dos graus respectivos (zero a um), independentemente do
comparecimento do aluno às provas.
4.1- Caso o aluno falte à AV1 ou à Av2, o professor deverá receber os casos
até uma semana depois da prova, atribuir grau e lançar na pauta no espaço
específico.
5- Até o dia da AV 1 e da AV2, respectivamente, o aluno deverá entregar o
conteúdo do trabalho relativo às aulas já ministradas, anexando os originais
rubricados pelo professor, bem como o aperfeiçoamento dos mesmos,
organizado de forma cronológica, em pasta ou envelope, devidamente
identificados, para atribuição de pontuação (zero a um), que será somada à
que for atribuída à AV1 e AV2 (zero a nove).
5.1- A pontuação relativa à coletânea de exercícios na AV3 (zero a dois) será a
média aritmética entre os graus atribuídos aos exercícios apresentados até a
AV1 e a AV2 (zero a um).
6- As provas (AV1, AV2 e AV3) valerão até 9 pontos e serão compostas de
quatro questões objetivas com respostas justificadas em até cinco linhas,
valendo 0,5 ponto cada e de 3 casos concretos, baseados nos casos
constantes das Coletâneas de Exercícios, valendo 2 pontos cada .
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SEMANA 1

Apresentação da disciplina. Indicação da bibliografia. A relação jurídica.


Conceito. Relações sociais comuns e relações jurídicas: características e
distinções. Elementos da relação jurídica: sujeito, objeto, fato jurídico, garantia
e vínculo.

CONTEÚDOS:

1 RELAÇÃO JURÍDICA
1.1 Conceito e distinções. Relação social comum e relação jurídica
1.2 Elementos da relação jurídica (sujeitos, objeto e vínculo jurídico ou de
atributividade)

OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

• Fornecer ao aluno o campo das relações sociais comuns e jurídicas.


• Discorrer sobre as diversas concepções acerca das trocas
intersubjetivas.
• Introduzir o entendimento do conceito de relação jurídica e dos seus
elementos constitutivos essenciais.

ESTRATÉGIA:

• Os casos e questões de múltipla escolha deverão ser abordados ao longo


da aula, de acordo com a pertinência temática;
• A resolução dos casos faz parte da aula;
• A abordagem dos casos permeia a exposição teórica.

BIBLIOGRAFIA / JURISPRUDÊNCIA:

Referência básica:
UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ. Programa do Livro Universitário. Introdução
ao estudo do direito II. Rio de Janeiro: Forense, 2008.

Referência complementar:
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CASO CONCRETO 1

Relações sociais comuns e relações jurídicas.

Leia a notícia publicada em 20/03/2009 no jornal Expresso de


Notícias:
“ CENA DE SANGUE NUM BAR DA AVENIDA SÃO JOÃO.
Rodney Silva, vulgo Ericléia de Sá, esfaqueou seu amante Roservaldo de Tal
durante uma cena de ciúme, num bar localizado nos arredores do Bairro Nova
Hortolandina. Em depoimento, Rodney justificou seu desvairado ato pelo fato
de ter descoberto que Roservaldo era casado e tinha oito filhos.”

a) A notícia veiculada na matéria jornalística acima trata, entre outras, de


uma relação homoafetiva. Esta é uma relação social comum ou jurídica?

b) Identifique as relações jurídicas existentes no caso narrado:

c) Pode um namoro vir a ser considerado como uma relação jurídica?

CASO CONCRETO 2
Relação Jurídica. Conceito.

Terminou mal a festa de aniversário da sociality Nádia Toyotta. O internacional


Buffet Fuchão contratado para fornecer os comes e bebes serviu caviar fora do
prazo de validade. O resultado foi infecção intestinal generalizada entre os
convidados. Pior foi o que aconteceu com o magnata Armando Ara Pucca, pois
acabou engolindo um pedaço de madeira que veio no meio do caviar e teve
que ser submetido a uma cirurgia para a retirada do corpo estranho. A cirurgia
foi realizada na Casa de Saúde SOS Dor.
Diante da situação acima narrada, responda:

a) Identifique as espécies de relações jurídicas apresentadas em relação aos


sujeitos, aos objetos e a seus efeitos jurídicos.

b) Identifique os sujeitos da primeira relação jurídica apontada.

c) Identifique o objeto da relação jurídica em que figura com sujeito ativo


Armandinho Ara Pucca e o hospital. Justifique a resposta.

d) Identifique o fato jurígeno da relação jurídica apresentada. Justifique a


resposta.
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e) Identifique o vínculo de atributividade da primeira relação jurídica


apresentada. Justifique a resposta.

Referência complementar:
GOMES, Orlando. Introdução ao Direito Civil, 19ª. Ed., RJ:Forense, 2007.
Cap.8.
GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro, vol I Parte Geral, SP:
Saraiva, 2004,pp. 73-74.
REALE, Miguel. Lições Preliminares de Direito. 27ª. Ed., SP:Saraiva, 2006.
cap. XVII.
RIZZARDO, Arnaldo. Parte Geral do Código Civil, 5ª. Ed. Revista e atualizada,
RJ: Forense, 2007. cap. V.
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Universidade Estácio de Sá
Campus Recreio
IED II – noite
Professor: Marcílio Cunha
Aluna: Anna Karina Serodio

SEMANA 2

As espécies de relações jurídicas: abstratas, concretas, simples, complexas,


principais, acessórias, pessoais, obrigacionais, reais, absolutas e relativas,
públicas e privadas. Relações jurídicas de direito material: constitucional, penal,
administrativa, tributária, trabalho, civil e comercial. Relações jurídicas de
direito processual. Conceito e distinções.

CONTEÚDOS:

1 AS ESPÉCIES DE RELAÇÃO JURÍDICA


1.1 Relações jurídicas abstratas e concretas;
1.2 Relações jurídicas simples e complexas;
1.3 Relações jurídicas principais e acessórias;
1.4 Relações jurídicas públicas e privadas;
1.5 Relações jurídicas pessoais, obrigacionais, reais;
1.6 Relações jurídicas absolutas e relativas;
1.7 Relação jurídica de direito material e de direito processual.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

• Discorrer sobre as diversas espécies de relações jurídicas


• Introduzir o entendimento da classificação de relação jurídica quanto ao
sujeito, ao objeto, ao fato jurígeno e ao vínculo.

ESTRATÉGIA:

• Os casos e questões de múltipla escolha deverão ser abordados ao longo


da aula, de acordo com a pertinência temática;
• A resolução dos casos faz parte da aula;
• A abordagem dos casos permeia a exposição teórica.

BIBLIOGRAFIA / JURISPRUDÊNCIA:

Referência básica:
UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ. Programa do Livro Universitário. Introdução
ao estudo do direito II. Rio de Janeiro: Forense, 2008.
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CASO CONCRETO 1

Espécies de relações jurídicas

Antonio Marcos Cantareira, recebeu de herança de seus pais um iate e dois


jets skys, entre outros bens móveis e imóveis. Desejando promover a defesa
das baleias azuis, Marcos doa o iate e os jets skys a uma associação sem fins
lucrativos de nome SAVE BALEIAS BLUE, com a obrigação de que fossem
utilizados para monitorar as baleias azuis no Oceano Pacífico, durante o
período de acasalamento, no prazo máximo de três anos.
Após quatro anos o doador verificou que a obrigação não foi cumprida e ele
pretende agora retomar e vender o iate e os jets skys. Observando as relações
jurídicas acima descritas, responda justificadamente:
a) Quem são os sujeitos, o conteúdo e o vínculo das relações jurídicas
descritas?

b) Classifique cada relação jurídica quanto à espécie:

CASO CONCRETO 2

Espécies de relações jurídicas

A Casa de Saúde Grana’Dor, é uma sociedade civil que se dedica à prestação


de serviços médico-hospitalares. Há cerca de um mês, recebeu intimação do 1º
Ofício de Protestos de Macapá, sobre o protesto de uma duplicata, relativo à
suposta dívida com a Lavanderia Branco White. Entretanto, jamais realizou
qualquer negócio com esta Lavanderia. A Casa de Saúde Grana’Dor nega
existir causa lícita para a emissão dessa duplicata e somente pode reputar que
se trata de meio indevido de cobrança de valores ilegítimos e inexigíveis.
Assim, propõe na Justiça uma ação de declaração de inexistência de relação
jurídica em face da Lavanderia.
Considerando o conceito e as espécies de relação jurídica possíveis, responda:

a) No caso acima narrado existe alguma relação jurídica material entre a


Casa de Saúde e a Lavanderia? Por quê?
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b) O caso narrado é possível vislumbrar a existência de uma de relação


jurídica de ordem pública. Qual? Como se caracteriza?

Referência básica:
GOMES, Orlando. Introdução ao Direito Civil, 19ª. Ed., RJ:Forense, 2007.
Cap.8.
Referência complementar:
GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro, vol I Parte Geral, SP:
Saraiva, 2004,pp. 73-74.
REALE, Miguel. Lições Preliminares de Direito. 27ª. Ed., SP:Saraiva, 2006.
cap. XVII.

SEMANA 3

Elementos externos da relação jurídica: sujeito ativo e passivo. Pessoas


reconhecidas pela ordem jurídica: naturais e jurídicas. A personalidade jurídica:
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modos de aquisição e perda. Natureza jurídica do nascituro.

CONTEÚDOS:

1 ELEMENTOS EXTERNOS DA RELAÇÃO JURÍDICA


1.1 Sujeito ativo e passivo
1.2 Pessoas reconhecidas pela ordem jurídica: naturais e jurídicas.
1.3 A personalidade jurídica: modos de aquisição e perda.
1.4 Natureza jurídica do nascituro.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

• Fornecer ao aluno os conhecimentos relativos aos elementos externos


das relações jurídicas
• Discorrer sobre as diversas concepções acerca das diversas pessoas no
âmbito das relações jurídicas
• Introduzir o entendimento do conceito de personalidade jurídica ou civil.
• Apresentar a questão conflituosa a respeito da natureza jurídica do
nascituro.

ESTRATÉGIA:

• Os casos e questões de múltipla escolha deverão ser abordados ao longo


da aula, de acordo com a pertinência temática;
• A resolução dos casos faz parte da aula;
• A abordagem dos casos permeia a exposição teórica.

BIBLIOGRAFIA / JURISPRUDÊNCIA:

Referência básica:
UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ. Programa do Livro Universitário. Introdução
ao estudo do direito II. Rio de Janeiro: Forense, 2008.

Referência complementar:

CASO CONCRETO 1

Personalidade jurídica: modos de aquisição.

A revista Época do mês de julho de 2004 publicou reportagem cujo título é “O fim da
tortura dos tribunais”, que dava notícia da possibilidade de gestantes com diagnóstico
de gerarem bebês anencéfalos, interromperem a gravidez sem precisar recorrer ao
Poder Judiciário para obter autorização para tal, em razão da liminar então concedida
pelo Ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio de Mello. A mesma
reportagem contou a história de duas mães grávidas de bebês anencéfalos: Gabriela
de Oliveira Cordeiro e Thiany da Penha. Maria Vida, filha de Gabriela, nasceu em 28
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de fevereiro e durou apenas sete minutos. Thiany pariu um feto morto. (Referência
Jurisprudencial: ADPF 54-8 DF)

A partir dos fatos relatados, responda às questões, JUSTIFICANDO todas as suas


respostas:
a) A reportagem acima apresenta questões que possuem relevância jurídica na
medida em que envolvem conceitos como o de personalidade jurídica. Então,
conceitue personalidade civil.

b) A filha de Gabriela adquiriu personalidade civil?

c) O filho de Thiany adquiriu personalidade civil?

CASO CONCRETO 2

Personalidade jurídica: aquisição e perda

Mary Big Foot de Orleans e Bragança, milionária, solteirona, de hábitos


estranhos e sem parentes próximos, famosa freqüentadora das baladas na
noite paulista, aos trinta e oito anos de idade, descobriu ser portadora de mal
incurável e que lhe restavam poucos meses de vida.
Em razão desse fato, dispôs sobre seu valioso patrimônio (um terreno de
10.000 metros quadrados em Búzios/RJ, uma mansão na praia de Canoa
Quebrada, em Fortaleza/CE, dois apartamentos na Côte D’Azur francesa, uma
frota de 30 aviões Boeing e 57 ônibus de turismo e um abrigo para alpinistas
em Lugano, nos Alpes suíços) em testamento público, determinando que o
mesmo fosse distribuído; sendo um terço para seu cão de estimação, da raça
labrador, chamado “Good Dick”, e os dois terços restantes para seus fieis
serviçais Giovanna e Roberto, desde que tomassem conta de Good Dick.
Tendo em vista que pouco tempo depois de testar Mary faleceu, pergunta-se:

a) Atualmente como é diagnosticado o evento biológico morte e quais as


conseqüências jurídicas desse diagnóstico?

b) O cão “Good Dick” pode receber a parte que lhe cabe da herança de
Mary sob a forma de cuidados efetuados por pessoal especializado e
ração canina de primeira qualidade?

c) “Good Dick” poderia ser representado por um curador?

QUESTÃO OBJETIVA

Natureza jurídica do nascituro.


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A 1ª. Câmara do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, proferiu a seguinte decisão


numa ação de alimentos proposta por esposa grávida que fora abandonada pelo
marido antes do nascimento de sua filha, cuja ementa segue abaixo transcrita:
¨Alimentos. Direito do nascituro. Inadimplemento do marido. Inteligência dos arts. 19
da Lei 5.478/ 68 e 733 do CPC. São devidos alimentos à esposa e a filha, mencionada
como nascituro no momento da propositura da ação.”(TJ / RJ, Ac. 1ª Câm. Cív. ,
ApCív. 14954, rel. Des. Pedro Américo Rios Gonçalves, in RT 560 :220 )

Diante do acima narrado e com base em suas pesquisas bibliográficas, responda:

a) O que se entende juridicamente por nascituro?

b) A maioria dos autores defende que o nascituro não possui personalidade


jurídica, até mesmo pela redação da primeira parte do art. 2º do Código Civil
Brasileiro. Por que o acórdão acima citado reconhece ao nascituro a
capacidade de ser parte ativa em uma relação jurídico- processual e titular do
direito material aos alimentos?

Referência básica:
NADER, Paulo. Curso de Direito Civil – Parte Geral, vol. 1, RJ:Forense, 2007,
Capítulo IX, itens 58, 59.

Referência complementar:
GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro, vol I Parte Geral, SP:
Saraiva, 2004,pp. 69-71.
REALE, Miguel. Lições Preliminares de Direito. 27ª. Ed., SP:Saraiva, 2006.
cap. XVIII.

SEMANA 4

Capacidade de direito ou gozo e capacidade de fato ou de exercício da pessoa


física. Maioridade e emancipação. Hipóteses legais de incapacidade civil:
absoluta e relativa. Suprimento e cessação da incapacidade civil.
CONTEÚDOS:

1 CAPACIDADE JURÍDICA OU CIVIL E DIREITOS DA PERSONALIDADE


1.1 Conceito e distinções.
1.2 Capacidade de direito ou gozo e capacidade de fato ou de exercício da
pessoa física
1.3 Hipóteses legais de incapacidade civil: absoluta e relativa.
1.4 Maioridade e emancipação.
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OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

• Prover ao aluno os conhecimentos relativos à noção de capacidade civil


das pessoas naturais.
• Discorrer sobre as diversas limitações à capacidade jurídica plena:
incapacidade absoluta, relativa.

ESTRATÉGIA:

• Os casos e questões de múltipla escolha deverão ser abordados ao longo


da aula, de acordo com a pertinência temática;
• A resolução dos casos faz parte da aula;
• A abordagem dos casos permeia a exposição teórica.

BIBLIOGRAFIA / JURISPRUDÊNCIA:

Referência básica:
UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ. Programa do Livro Universitário. Introdução
ao estudo do direito II. Rio de Janeiro: Forense, 2008.

CASO CONCRETO 1
Capacidade civil da pessoa física.

Maria de Lourdes de Oliveira e Benevides acaba de receber uma casa de dois


quartos, em um condomínio simpático no centro de Búzios, como doação de
sua madrinha, a multi milionária Carla MacDuck. A mãe de Maria de Lourdes
fica muito feliz, pois estão passando por situação financeira muito difícil e
poderão alugar a casa neste verão.
Sabendo que Maria de Lourdes está com 5 (cinco) anos de idade, responda:

a) Sendo Maria de Lourdes menor de 5 anos de idade, esta doação é válida?


Por quê?

b) Estando a casa em nome de Maria de Lourdes, poderá a mesma ser


alugada? Caso seja possível, como será feito?

c) O advogado da família informou à mãe de Maria de Lourdes que ela deverá


ser representada e não assistida, por ser absolutamente incapaz. O que isso
significa?
QUESTÕES OBJETIVAS
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1) Uoston Roberto Pessoa, com dezessete anos de idade, tendo ocultado


dolosamente sua idade, efetuou pela Internet diversas transações eletrônicas,
com débito bancário, assumindo obrigações futuras que acabariam por lhe
causar graves prejuízos, tudo em razão de sua inexperiência. Pode-se afirmar
que Uoston: (JUSTIFIQUE sua opção)

a) celebrou contratos nulos de pleno direito;


b) não poderá eximir-se das obrigações assumidas invocando sua
situação de pessoa relativamente incapaz;
c) poderá deixar de cumprir as obrigações que não lhe trouxeram qualquer
vantagem;
d) poderá invocar o benefício da restituição, ao atingir a maioridade;
e) terá direito a obter, no banco que efetivou os débitos, a restituição dos
respectivos valores, compensando-se os lucros com os prejuízos.

2) O art. 1ºdo Código Civil prescreve: “Toda pessoa é capaz de direitos e


deveres na ordem civil “:

a) o texto consagra a chamada capacidade de exercício ou de fato;

b) o texto consagra, a um só tempo, a chamada capacidade de gozo ou de


direito e a intitulada capacidade de exercício ou de fato;
c) o texto consagra a chamada capacidade de gozo ou de direito;
d) o texto apenas se refere à legitimação para os atos da vida civil;

e) nenhuma opção é correta .

CASO CONCRETO 2
Capacidade civil da pessoa natural

Depois de treze anos de casamento e de três tentativas frustradas de


inseminação artificial, José e Maria, adotaram um filho, Davi, hoje com seis
anos de idade. A recente descoberta da bisexualidade de José põe fim ao
relacionamento. Maria procura um advogado para que este ajuíze ação de
alimentos em face de José para obter pensão alimentícia somente para seu
filho David, já que ela possui meios próprios de subsistência. O advogado,
então, inicia sua petição da seguinte forma:
“Davi da Silva, relativamente incapaz, assistido por sua mãe Maria da Silva,
domiciliado na Rua da Paz, s/n°, vem, por seu advogado ao final subscrito,
propor a presente ação de alimentos em face de José da Silva, domiciliado na
Rua Ermelinda Rita, s/n° pelos fatos e fundamentos que a seguir expõe (...)”.
Após a distribuição (ato de dar entrada) da referida petição inicial, para
começar o processo judicial, determina o juiz da vara de família que seja
emendada (corrigida) essa petição inicial.
Responda às questões seguintes, JUSTIFICANDO suas respostas.
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a) Em razão de sua idade Davi da Silva é incapaz civilmente. Qual a


espécie de incapacidade o atinge?
b) O juiz determinou que a petição inicial do advogado fosse emendada,
ou seja, fosse corrigida. Porquê? Faça a correção necessária.
c) Qual a finalidade do instituto da incapacidade ?
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Universidade Estácio de Sá
Campus Recreio
IED II
Professor: Marcílio Cunha
Aluna: Anna Karina Serodio

SEMANA 5

Direitos da Personalidade (noções). Comoriência e ausência: caracterização e


efeitos jurídicos. Morte presumida: caracterização. Declaração de ausência:
finalidade.

BIBLIOGRAFIA / JURISPRUDÊNCIA:

Referência básica:
UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ. Programa do Livro Universitário. Introdução
ao estudo do direito II. Rio de Janeiro: Forense, 2008.

CASO CONCRETO 1

Término da existência da Pessoa Natural. Ausência

Wandercreyson da Silva, camelô bem sucedido no ramo das utilidades


domésticas, na cidade de Belford Roxo/RJ, 40 anos, chega em casa
carregando algumas latas de cerveja e avisa a mulher e aos filhos que estava
muito feliz, pois seu time ganhou o hexacampeonato e que ia à padaria
comprar mortadela para comemorarem juntos. Wandinho saiu e nunca mais
voltou, já fazem nove anos, oito meses e quinze longos dias. Sendo certo que
não deixou representante ou procurador.
Pergunta-se:

a) O caso de Wandinho se trata de ausência ou morte presumida?


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b) Após todo esse tempo desaparecido, é correto afirmar que a propriedade


dos bens de Wandinho poderá ser definitivamente entregue aos seus
herdeiros?

c) E se Wandinho aparecer nove anos e onze meses depois alegando que fora
seqüestrado por membros de uma torcida organizado do time adversário, terá
direito a ter seus bens de volta?

QUESTÃO OBJETIVA

Direitos da Personalidade

Considere as duas afirmativas abaixo:


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I - Os direitos da personalidade, como por exemplo, os direitos à vida, à


liberdade, à honra, à imagem, ao nome, etc. em relação aos seus efeitos
jurídicos, são considerados direitos absolutos
PORQUE
II - podem ser opostos apenas por pessoas determinadas , na condição de
sujeitos passivos da relação jurídica.

Em relação às duas afirmativas, escolha dentre as alternativas abaixo a


CORRETA:
a) Se as duas são verdadeiras e a segunda justifica a primeira.
b) Se as duas são verdadeiras e a segunda não justifica a primeira.
c) Se a primeira é verdadeira e a segunda é falsa.
d) Se a primeira é falsa e a segunda é verdadeira.
e) Se as duas são falsas.

Referência básica:
NADER, Paulo. Curso de Direito Civil – Parte Geral, vol. 1, RJ:Forense, 2007,
Capítulo IX, itens 60, 61.
Referência complementar:
GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro, vol I Parte Geral, SP:
Saraiva, 2004,pp. 69-71.
REALE, Miguel. Lições Preliminares de Direito. 27ª. Ed., SP:Saraiva, 2006.
cap. XVIII.

Universidade Estácio de Sá
Campus Recreio
IED II
Professor: Marcílio Cunha
Aluna: Anna Karina Serodio
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SEMANA 6

Pessoa jurídica: conceito, natureza jurídica, classificação, e constituição,


representação e extinção.

BIBLIOGRAFIA / JURISPRUDÊNCIA:

Referência básica:
UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ. Programa do Livro Universitário. Introdução
ao estudo do direito II. Rio de Janeiro: Forense, 2008.

CASO CONCRETO 1
Espécies de pessoas jurídicas de direito privado.

Antonio Aderbaldo de Freitas, ao chegar na garagem de seu prédio, para ir ao


seu trabalho, observou que seu automóvel encontrava-se amassado e com a
lanterna esquerda quebrada. Diante do fato, Antônio procurou o Síndico para
que este tomasse providências no sentido de ressarcir o dano causado ao
automóvel de sua propriedade. Entretanto, foi surpreendido pelo Síndico que
lhe informou nada poder fazer uma vez que o carro pertencia à massa falida
das Organizações Luckness que se encontra em processo falimentar na justiça
e que, por isso, não é pessoa jurídica, logo, não pode ser responsabilizada
pelos danos por ventura provocados por seu carro. Igualmente, o condomínio
não poderia ser responsabilizado por não ser pessoa jurídica. Em dúvida sobre
o que fora dito pelo síndico, Antonio procura você, seu vizinho e estudante de
Direito da Estácio, para uma consulta jurídica.
À luz do caso acima narrado, responda justificadamente:
a) Está correta a afirmação do Síndico? Justifique.
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b) O condomínio pode figurar no pólo passivo de uma relação jurídica?


Justifique.

c) Se Antonio descobrisse que seu carro fora amassado pelo filho de 11 anos
do síndico quando manobrava o carro do pai, quem seria acionado na justiça
para responder pelos danos causados?

Universidade Estácio de Sá
Campus Recreio
IED II
Professor: Marcílio Cunha
Aluna: Anna Karina Serodio

SEMANA 7
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Pessoas jurídicas: Nacionalidade e domicílio. De direito público e privado.


Regime jurídico das associações e fundações. Desconsideração da
Personalidade Jurídica.

BIBLIOGRAFIA / JURISPRUDÊNCIA:

Referência básica:
UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ. Programa do Livro Universitário. Introdução
ao estudo do direito II. Rio de Janeiro: Forense, 2008.

CASO CONCRETO 1

Pessoa jurídica: Desconsideração da personalidade jurídica.

A empresa Dirthy Serviços de Limpeza Ltda, prestadora de serviço de limpeza,


foi despejada da sua sede, por falta de pagamento de alugueres. De fato,
parou de exercer suas atividades, pois dispensou seus empregados por
telegrama e encontra-se em local incerto e não sabido. Além dos ex-
empregados que não receberam um tostão sequer pela rescisão do contrato de
trabalho, diversos credores tentaram receber seus créditos, em vão. No curso
de um dos processos ajuizados por uma empresa credora, a Detergentes
Clariol Ltda, foi constatado que um dos sócios da Dirthy Serviços de Limpeza
Ltda. transferiu sua parte na sociedade para o manobrista da garagem de seu
prédio, além de contrair de má-fé diversas dívidas em nome da empresa. A
sociedade não possui qualquer ativo para pagar suas dívidas.

Pergunta-se:

a) O caso narrado aborda questões relativas a uma empresa, civilmente tratada


como pessoa jurídica. Qual a principal característica da pessoa jurídica?

b) A empresa Dirthy Serviços de Limpeza Ltda. está legalmente extinta?


23

c) Qual solução jurídica para os credores receberem seus créditos?

QUESTÃO OBJETIVA

Pode-se afirmar que a diferença entre associação e fundação reside no fato de


que: (JUSTIFIQUE)
a) a associação não tem finalidade lucrativa e a fundação sim;
b) a associação refere-se à união de bens e a fundação de pessoas;
c) a associação tem fins lucrativos e a fundação não;
d) não há diferença entre associação e fundação;
e) a associação refere-se à união de pessoas e a fundação de bens.

Referência básica:
NADER, Paulo. Curso de Direito Civil – Parte Geral, vol. 1, RJ:Forense, 2007, Capítulo X.

Referência complementar:
GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro, vol I Parte Geral, SP: Saraiva, 2004, pp.
181-229.
REALE, Miguel. Lições Preliminares de Direito. 27ª. Ed., SP:Saraiva, 2006. cap. XVIII.
Universidade Estácio de Sá
Campus Recreio
IED II – noite
Professor: Marcílio Cunha
Aluna: Anna Karina Serodio

SEMANA 8

Domicílio civil dos sujeitos de direito: conceito, importância da fixação do


domicílio e classificação. Distinção entre domicílio e residência.

BIBLIOGRAFIA / JURISPRUDÊNCIA:

Referência básica:
24

UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ. Programa do Livro Universitário. Introdução


ao estudo do direito II. Rio de Janeiro: Forense, 2008.

CASO CONCRETO 1

Domicílio civil. Classificação.

Mario de Arruda Falcão, órfão, 17 anos, abandonou de vez sua vida de skatista
radical e resolveu tomar juízo, afinal foi aprovado em Concurso Público
promovido pela Secretaria de Esporte e Lazer da Prefeitura de Miradouro do
Agreste, no sertão do Cariri. Ocorre que André também é estudante de artes
marciais, por conta de seus treinos, reside alguns dias da semana em Serrinha
Dourada e outros dias da semana, reside na cidade de Corcorema, no interior
do Estado, onde mora sua tutora, a querida tia Lilica Lima Falcão, atleta
profissional, com quem aprendeu caratê, desde pequenino. Com base nas
informações acima fornecidas responda:
a) Onde será(ão) considerado(s) o(s) domicílio(s) de Mário? Justifique sua
resposta com fundamento no Código Civil.

b) Qual(is) a(s) espécie(s) de domicílio(s) se apresenta(m) no caso em tela?

CASO CONCRETO

Domicílio da pessoa jurídica.

Marcos Alberto Albernaz, morador do bairro do Leblon, no Rio de Janeiro,


médico e surfista, compra uma geladeira em aço inox numa loja de
eletrodomésticos no bairro da Tijuca, também na cidade do Rio de Janeiro,
com entrega prevista para 05 dias a contar da data da compra. Passadas duas
semanas sem receber a geladeira comprada Marcos vai até a loja reclamar, e
foi informado pelo gerente que a reclamação deveria ser realizada na matriz da
loja, localizada na cidade de São Paulo.
a) Com base na classificação legal que relaciona às espécies de domicílio,
podemos afirmar que a informação prestada pelo gerente a Marcos
encontra amparo legal quanto ao domicílio da reclamação?
25

b) A hipótese levantada revela a necessidade da determinação de domicílio


de pessoa jurídica? Porquê?

c) E se no contrato de compra e venda assinado por Marcos constasse


uma cláusula em que o domicílio da empresa para todos os fins seria o
da filial Duque de Caxias/RJ, poderia Marcos utilizar o endereço da
Tijuca por ter feito a compra nele?

Referência básica:
NADER, Paulo. Curso de Direito Civil – Parte Geral, vol. 1, RJ:Forense, 2007,
Capítulo IX, item 62.

Referência complementar:
GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro, vol I Parte Geral, SP:
Saraiva, 2004, pp. 141-149.
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Campus Recreio
IED II
Professor: Marcílio Cunha
Aluna: Anna Karina Serodio

SEMANA 9

Elementos externos da relação jurídica (continuação): Objeto. Conceito e


Espécies. Noção de patrimônio. Distinção entre bens e coisas.

BIBLIOGRAFIA / JURISPRUDÊNCIA:

Referência básica:
UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ. Programa do Livro Universitário. Introdução
ao estudo do direito II. Rio de Janeiro: Forense, 2008.
26

CASO CONCRETO 1

Noção de patrimônio. Distinção entre bens e coisas.

Este poderia ser um caso real e nos foi contado pelo professor José Barros,
aqui do Rio de Janeiro:
JAIRO SILVA SANTOS, jovem tímido de 19 anos é convidado pelos colegas de
escola para participar de um luau na praia do Peró, em Cabo Frio/RJ. A noite
estava estrelada, a música envolvente e aquela gente toda dançando
freneticamente deixavam o jovem ainda mais deslocado. Até que conhece
MARIA PRISCILA, que o leva para o outro lado da praia e com quem acaba
tendo sua primeira noite de amor. No calor do momento, JAIRO enterra uma
das mãos no chão e segura um punhado de grãos de areia que resolve guardar
como recordação daquele momento especial.
Ao voltar para a festa, JAIRO tropeça num objeto semi-enterrado na areia,
descobrindo que se trata de uma carteira de couro da grife Giorgio Armani
contendo R$200,00.
Diante do caso acima relatado, responda:
a) Em razão do grande valor sentimental que aquele punhado de areia possui
para Jairo, pertence ele a seu patrimônio? Por quê?

b) Como JAIRO não conseguiu identificar o dono da carteira ela passa a fazer
parte de seu patrimônio? Por quê?

c) É possível, de acordo com o Direito Civil brasileiro, uma pessoa ser


destituída de todo e qualquer patrimônio?
27

CASO CONCRETO 2

Noção de patrimônio.

Desencantada da vida após romper um namoro de mais de dez anos, por


descobrir que seu ex-namorado Renato Villaverde era em verdade Renata
Villaverde, transexual feminina operada há 11 anos, MARIANA TINHORÃO
resolve entrar para a comunidade religiosa ADORADORES DO SENHOR DOS
ANÉIS em que os bens materiais individuais são considerados impuros.
Somente pouquíssimos bens, essenciais, para a sobrevivência do grupo, são
passíveis de serem aceitos e passam a pertencer à comunidade. Sua mãe,
viúva milionária, a adverte de que não poderá se desfazer de todos os seus
bens por causa da teoria do estatuto jurídico do patrimônio mínimo.

a) MARIANA TINHORÃO poderá se desfazer do patrimônio que possui,


herança de seu pai?

b) A advertência da mãe de MARIANA TINHORÃO está correta?

Referência básica:
NADER, Paulo. Curso de Direito Civil – Parte Geral, vol. 1, RJ:Forense, 2007,
Parte II, Capítulo XI.

Referência complementar:
GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro, vol I Parte Geral, SP:
Saraiva, 2004, pp. 233-239.
28

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SEMANA 10
Classificação dos bens: os bens considerados em si mesmos.

BIBLIOGRAFIA / JURISPRUDÊNCIA:
Referência básica:
UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ. Programa do Livro Universitário. Introdução
ao estudo do direito II. Rio de Janeiro: Forense, 2008.

CASO CONCRETO 1

Classificação dos Bens.


Pertencente a uma expressiva coleção particular mineira - de onde nunca saíra
antes a não ser para retrospectivas e salões de arte - a tela Casamento na
roça, de INIMÁ DE PAULA, vai ao mercado. O leilão será no dia 16, na Vitor
Braga Rugendas Galeria de Arte, em Belo Horizonte. A obra datada de 1947
traz no verso o carimbo do Salão Nacional de Belas Artes de 1949, onde
obteve a medalha de prata. Lance inicial: R$ 230 mil.
29

Além dessa obra também serão leiloados: 137 calças blue jeans da grife Live
Alive, um automóvel Calhan Beck, exemplar único, fabricado especialmente
para o ditador italiano Benito Mussolini, em 1939, com desenho do ateliê
Pininfarina, cinco anéis de brilhante, duas pulseiras de esmeraldas, os dois
últimos lotes de vinho tinto da marca Jacy Bourreau, safra 1977, confiscados
pela Receita Federal e um terreno de 2.000 m² localizado na Av. Paulista/SP.

a) Levando em consideração a classificação dos bens, estabeleça a natureza


jurídica dos bens objeto do leilão ? JUSTIFIQUE sua resposta.

b) As roupas referidas no caso acima são consideradas bens consumíveis ou


inconsumíveis?

CASO CONCRETO 2

Classificação dos bens

Situada na zona rural da aprazível cidade de Campo Grande/MS, a fazenda


adquirida por LEONARDO LUCIANO DE CAMARGO possui uma plantação de
eucalipto e laranjeiras que cobre a maior parte da área de 40.000 m², utilizada
inclusive para a produção de mel-de-abelhas. Ocorre que LEONARDO resolve
mudar de ramo e recebe autorização especial do IBAMA para transformar tudo
em lenha. Assim, após o corte das árvores e o preparo da terra planta grama e
passa a criar gado bovino leiteiro e de corte.

a) Com base na classificação dos bens em móveis e imóveis, estabeleça a


natureza jurídica das árvores da fazenda e da lenha conseguida pelo seu corte:
30

b) Qual a importância desta distinção?

Referência básica:
NADER, Paulo. Curso de Direito Civil – Parte Geral, vol. 1, RJ:Forense, 2007,
Capítulo XII.

Referência complementar:
GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro, vol I Parte Geral, SP:
Saraiva, 2004, pp. 240-257.

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Aluna: Anna Karina Serodio

SEMANA 11

Classificação dos bens: os bens reciprocamente considerados e os bens


públicos.

BIBLIOGRAFIA / JURISPRUDÊNCIA:

Referência básica:
UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ. Programa do Livro Universitário. Introdução
ao estudo do direito II. Rio de Janeiro: Forense, 2008.

CASO CONCRETO 1

Os bens reciprocamente considerados.


Três amigos que há muito não se viam encontram-se por acaso no corredor da
1ª. Vara Cível de Ourinhos/SP, enquanto aguardam suas respectivas
audiências. Papo vai papo vem acabam por revelar o motivo que os levou até
lá.
LAURO, professor de educação física, construíra de boa-fé uma piscina
olímpica no terreno do imóvel que alugara para ali instalar sua academia de
natação; DAGOBERTO, também de boa-fé, construíra uma piscina na casa
que alugara para passar os fins-de-semana e WALDOMIRO, sempre na maior
31

das boas-fés, construíra uma piscina no imóvel alugado em que funcionava a


escola de ensino fundamental que dirigia. Todos os amigos, após a rescisão de
seus contratos de locação, recusaram-se a deixar os respectivos imóveis e
entraram na justiça buscando a indenização pelo que gastaram e pela
valorização dos imóveis, com base em pretenso direito de retenção.
Pergunta-se:

a) A natureza jurídica da benfeitoria realizada por cada um dos amigos por se


tratar de uma piscina é a mesma? Afinal, o que é uma benfeitoria?

b) Quais as espécies de benfeitorias previstas no Código Civil e qual o


referencial para classificar-se cada uma delas?

c) O que significa esse “direito de retenção” alegado por todos os amigos como
base para não saírem dos imóveis alugados? Todos eles são titulares de tal
direito?

d) E se o proprietário da casa alugada por DAGOBERTO passasse a cobrar


ingresso de seus vizinhos para utilizarem a piscina construída, faria
diferença no caso em análise?
32

e) E o que são pertenças?

CASO CONCRETO 2

Os bens públicos.

A Administração Pública do Estado de São Paulo resolveu alienar um prédio


onde funciona a sede de uma empresa de iluminação do estado, para saldar
dívidas contraídas frente a algumas empresas contratadas para fazerem obras
de reforma em dois hospitais e cinco escolas, estabelecidos no interior do
estado.
Com base no caso proposto, é admissível a alienação do imóvel em questão
perante nosso ordenamento jurídico? Justifique sua resposta

QUESTÃO OBJETIVA
1) Assinale a afirmativa correta, justificando as incorretas:
a) ( ) o patrimônio corresponde ao ativo pertencente a uma pessoa;
b) ( ) o ouro extraído das minas é uma espécie de fruto natural;
c) ( ) a pintura em relação à tela pode ser considerada uma benfeitoria;
d) ( ) os bens de uso comum do povo são aqueles de que o povo se utiliza,
gratuita ou onerosamente.

Referência básica:
NADER, Paulo. Curso de Direito Civil – Parte Geral, vol. 1, RJ:Forense, 2007,
Capítulo XIII.
33

Referência complementar:
GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro, vol I Parte Geral, SP:
Saraiva, 2004, pp. 257 a 269.

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Aluna: Anna Karina Serodio

SEMANA 12

Noções distintivas sobre fatos, atos jurídicos e negócio jurídico. Conceito e


distinção. Requisitos de validade do negócio jurídico.

BIBLIOGRAFIA / JURISPRUDÊNCIA:

Referência básica:
UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ. Programa do Livro Universitário. Introdução
ao estudo do direito II. Rio de Janeiro: Forense, 2008.

CASO CONCRETO 1

Fatos, atos jurídicos e negócio jurídico. Conceito e distinção.

Yasmin de Menezes Caldeira, 13 anos, mora com sua tia e tutora Ivy Maria Caldeira. A
menina possui uma casa, localizada na cidade de Doha, no Qatar, herança de seus
pais que faleceram num acidente aéreo, no fatídico vôo 447 quando viajavam para
Paris. A casa foi reformada e depois alugada para Mohamed Almeida, sendo o
contrato firmado sob as leis brasileiras, por eleição. Após 1 ano de locação e depois
de uma tempestade de inverno que alagou o local, o locatário, alegando
compensação, deixou de pagar o aluguel, afirmando que realizou obras necessárias
no imóvel, trocou o piso de madeira da sala e dos quartos, por um outro, de pedra, por
considerá-lo melhor e de mais fácil limpeza, além de conservar a casa mais fresca em
razão do calor que faz no local, próximo ao deserto.
Classifique os acontecimentos do caso concreto acima, como fatos, atos e negócios
jurídicos.
34

QUESTÕES OBJETIVAS

1) Assinale o item correto, JUSTIFICANDO-O:

I- Os fatos naturais, em razão de serem provenientes de forças da natureza,


não possuem repercussão no mundo jurídico.
II- Apenas os atos lícitos conduzem à vontade pretendida pelo agente.
III- O negócio jurídico para ser válido há de ser, necessariamente, bilateral.
IV- Fato Humano é sinônimo de Ato.

a) I, II e IV corretas.
b) II, III e IV corretas.
c) todas corretas.
d) II e IV corretas.
e) I, III e IV estão corretas.

2- (Concurso público para o cargo de Delegado de Polícia Civil do Mato Grosso


do Sul – 2006).
Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar
direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete:
a) Ato falho.
b) Ato ilícito.
c) Ato impróprio.
d) Ato decisório.
e) Ato legal.
35

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Aluna: Anna Karina Serodio

SEMANA 13
Noções sobre as nulidades do negócio jurídico.

BIBLIOGRAFIA / JURISPRUDÊNCIA:
Referência básica:
UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ. Programa do Livro Universitário. Introdução
ao estudo do direito II. Rio de Janeiro: Forense, 2008.

CASO CONCRETO 1

Das nulidades do negócio jurídico


Se Ananias Caldas, adquire de Bonifácio Loyola, conhecido como Boni, uma
obra de arte, por influência de Carlos Carvalhosa de Andrade que o convence
de sua raridade, sem que Boni, ouvindo tal disparate, alerte o comprador que a
mesma é uma cópia falsa:

a) O negócio é suscetível de nulidade relativa ou absoluta? Por qual motivo?


Justifique e fundamente.

b) Se Ananias fosse um jovem de 17 anos e soubesse que a obra de arte não


era uma raridade o negócio jurídico acima destacado possuiria validade
jurídica?
36

c) Quais as causas para a anulabilidade de um negócio jurídico?

d) Quais as causas para a nulidade de um negócio jurídico?

CASO CONCRETO 2

Requisitos de validade do negócio jurídico.

PAULO Quaresma, com 17 anos de idade, é considerado por todos um gênio


da informática e pelos colegas é tido com um cara bem estranho que passa
horas a fio na Internet se dedicando a encontrar sites com imagens exóticas e
filmes antigos. Certa feita, PAULO acessou a página de uma empresa
finlandesa, encontrando o que procurava: um programa para a construção de
um ambiente virtual, uma comunidade cibernética povoada por andróides
canibais. Todavia, a proposta da empresa era de locação do programa,
mediante o pagamento da quantia de R$100,00 por mês, sendo certo que a
contratação se daria pelo prazo de 6 meses, arcando o contratante com o
pagamento de multa por rescisão antecipada. PAULO decidiu solicitar a
locação, preenchendo o formulário virtual. No mesmo, Paulo forneceu seus
dados sendo que, no item data de nascimento, informou ano a maior, para
omitir sua idade, já que havia aviso indicando que os contratos somente
poderiam ser feitos por maiores de 18 anos.

De acordo com o caso acima, responda ao que se pede, de forma justificada:

a) No caso acima se pode afirmar que todos os requisitos de validade do


negócio jurídico foram observados? Indique os mesmos.
37

b) Qual a conseqüência para inobservância dos requisitos de validade do


negócio jurídico?

c) Caso PAULO se arrependesse do negócio jurídico realizado, poderia o


mesmo, alegando ser relativamente incapaz, requerer a declaração da
anulabilidade do mesmo?

Referência básica:
NADER, Paulo. Curso de Direito Civil – Parte Geral, vol. 1, RJ:Forense, 2007,
Capítulos XX e XXI.

Referência complementar:
GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro, vol I Parte Geral, SP:
Saraiva, 2004, pp. 313 a 318.
38

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Professor: Marcílio Cunha
Aluna: Anna Karina Serodio

SEMANA 14

Conseqüências dos fatos jurídicos: nascimento, aquisição, modificação e


extinção de direitos. Espécies de aquisição: originária e derivada. Aquisição
pelo próprio adquirente, por representação, por força de lei e por ato de
vontade.

BIBLIOGRAFIA / JURISPRUDÊNCIA:

Referência básica:
UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ. Programa do Livro Universitário. Introdução
ao estudo do direito II. Rio de Janeiro: Forense, 2008.

CASO CONCRETO 1

Espécies de aquisição de direito.

Severino Silva é um jovem pobre da periferia de Salvador. Sempre trabalhou


desde menininho para ajudar a mãe viúva. No início ajudava sua mãe a vender os
abadás que ela costurava, na época do carnaval. Assim, não lhe sobrou tempo
para ir para a escola. Hoje, aos 19 anos, já tem sua própria família e sustenta a
mulher e os dois filhos, com frutos auferidos de sua atividade como catador de
material reciclado, ou seja, Severino é catador de lixo. Nesta semana teve
bastante sorte: encontrou 300 garrafas tipo pet, vazias, jogadas num terreno
baldio. Recolhidas, apurou um “bom dinheirinho” ao vendê-las para a empresa
“REI DA SUCATA”.

a) Identifique as formas de aquisição de direitos sobre as garrafas pet pelos


sujeitos existentes no caso apresentado.

b) Se Severino usasse o dinheiro para dar entrada na compra de um aparelho


39

de TV a ser pago em 17 prestações, qual seria a forma de aquisição deste


bem?

CASO CONCRETO 2

Espécies de aquisição de direitos

Com a morte de seu pai, APOSTTOLOS, natural de Atenas, na Grécia, foi


beneficiado com uma grande herança(1) e após anos de trabalho na empresa
do falecido pai, veio passar férias no Rio de Janeiro. Passeou pela cidade e fez
muitas compras(2). Decidido a vir ao Brasil mais vezes, deixou procuração para
que um amigo lhe comprasse um imóvel. PAULO, procurador do grego,
comprou(3) para o mesmo um lindo apartamento em frente a praia de Ipanema,
onde APOSTTOLOS achou uma concha(4) que escolheu como amuleto da
sorte.

a) A partir dos trechos acima numerados, indique as espécies de aquisição de


direitos subjetivos que ocorreram.

QUESTÃO OBJETIVA

PAULA acha em um terreno baldio, num “lixão”, uma penteadeira abandonada,


pintada de verde. Resolve levar o móvel para seu barraco e restaurá-lo. Como
não entende dessas coisas, procura seu ONOFRE um gentil senhor que
sempre leva donativos para o pessoal da favela. Seu ONOFRE pede a seu
empregado HONESTINO que faça o serviço. Ao retirar a tinta, seu
HONESTINO percebe que o móvel era muito antigo e de madeira de lei.
Restaurado ficou belíssimo. Seu ONOFRE resolve então comprar a
penteadeira de PAULA que prontamente aceita o negócio.
Dadas as alternativas:
I A aquisição da penteadeira por Paula é originária
II A aquisição da penteadeira por Paula é derivada
III A aquisição por seu Onofre é derivada
40

IV A aquisição por seu Onofre é originária

Marque a opção CORRETA e JUSTIFIQUE:


( a) I e V estão corretas
( b) II e IV estão corretas
( c ) I, III e V estão corretas
( d ) I e III estão corretas

Referência complementar:
GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro, vol I Parte Geral, SP:
Saraiva, 2004, pp. 278 a 282.

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41

Aluna: Anna Karina Serodio

SEMANA 15
Posições jurídicas dos indivíduos. Posição jurídica ativa: direito subjetivo,
direito potestativo, poder jurídico e faculdade jurídica.

BIBLIOGRAFIA / JURISPRUDÊNCIA:
Referência básica:
UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ. Programa do Livro Universitário. Introdução
ao estudo do direito II. Rio de Janeiro: Forense, 2008.

CASO CONCRETO 1

Direito subjetivo, direito potestativo, poder jurídico e faculdade jurídica.

MARIO CLÁUDIO, depois de ganhar uma fortuna nas corridas de cavalo,


resolveu investir em depósitos a prazo fixo e para tal contatou seu gerente do
Banco Square Garden S.A. Ocorre que o gerente acabou por realizar algumas
operações de risco que resultaram em prejuízo para MARIO CLAUDIO. Depois
de consultar especialistas no ramo MARIO CLAUDIO chegou à conclusão de
que fora prejudicado por seu gerente e resolveu então procurar um advogado,
a fim de que fossem tomadas todas as providências assecuratórias e
necessárias para a devida reparação judicial dos danos sofridos. Ficou
acordado que os serviços advocatícios prestados pelo doutor José Gustavo
Guerra custariam R$ 23.000,00 (vinte e três mil reais). O processo judicial foi
iniciado então. Ocorre que, no decorrer do processo, MARIO CLAUDIO ficou
insatisfeito com os serviços prestados e resolveu revogar o mandato, pelo qual
havia conferido poderes ao advogado
Tendo em vista o caso narrado, responda:
a) A revogação do mandato, praticada pelo senhor MARIO CLAUDIO é
hipótese de direito subjetivo ou de direito potestativo? Por quê?

b) Qual a diferença entre o direito subjetivo e o direito potestativo?


42

CASO CONCRETO 2

Direito subjetivo, direito potestativo, poder jurídico e faculdade jurídica.

Dona ALMERINDA teve três filhos, que estão hoje todos criados e muito bem
casados. Está viúva há treze anos. Desde então administra pessoalmente seu
conglomerado de empresas ligadas ao ramo do agronegócio avaliadas em torno de
alguns milhões de reais, localizadas em Macapá, no Amapá.
Dona ALMERINDA conta com a ajuda de CARLOS ROBERTO, seu filho mais novo,
em uma das empresas.
Além de CARLOS, os únicos parentes vivos que Dona ALMERINDA possui são seus
filhos Marcos e Ricardo irmãos mais velhos de Carlos e seus inimigos mortais.
Como Dona ALMERINDA não possui um testamento escrito, MARCOS e RICARDO
resolvem exigir que o testamento seja feito o quanto antes e que Dona ALMERINDA
deixe a empresa em que CARLOS trabalha para ele e os demais bens sejam divididos
entre os dois. Como Dona ALMERINDA se recusa, afirmando que tem a faculdade
jurídica de fazer ou não qualquer testamento, seus dois filhos contrargumentam
afirmando que como ela tem somente os filhos como parentes é obrigada a fazer o
testamento sim, em razão de um dever jurídico.

A partir do caso acima narrado responda:

a) Afinal, Dona ALMERINDA tem faculdade jurídica ou dever jurídico em


relação a seu testamento?

b) Se os filhos MARCOS e RICARDO obrigassem Dona ALMERINDA,


através de meios coercitivos, a fazer um testamento estariam violando
sua faculdade jurídica de testar?

c) O que é um dever jurídico?


43

d) Existe distinção entre faculdade jurídica e direito potestativo? Por quê?

QUESTÃO OBJETIVA

1. Lucas Alberto Py ajuizou ação com pedido de indenização em face de Maria


Eduarda Poh, pelos danos causados ao seu carro em um acidente de trânsito.
Para representá-lo durante o referido processo escolheu o advogado Clóvis
Coutinho, para quem estabeleceu uma procuração com os poderes específicos
necessários à atuação deste profissional. O direito de Lucas de desconstituir o
seu advogado, revogando a procuração outorgada, é:
a) Direito subjetivo.
b) Direito potestativo constitutivo.
c) Direito potestativo extintivo.
d) Direito potestativo modificativo.
e) Expectativa de direito.

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Aluna: Anna Karina Serodio

SEMANA 16
Conseqüências dos fatos jurídicos: Posições jurídicas dos indivíduos. Posições
jurídicas passivas: dever jurídico, sujeição, obrigação e ônus.

BIBLIOGRAFIA / JURISPRUDÊNCIA:
44

Referência básica:
UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ. Programa do Livro Universitário. Introdução
ao estudo do direito II. Rio de Janeiro: Forense, 2008.

CASO CONCRETO 1
Dever jurídico, sujeição, obrigação e ônus.

EMERSON RICARDO CRUZ está vivendo o que considera os melhores dias de sua
existência. Afinal, concluiu seu curso de Informática com louvor e conseguiu um
excelente emprego na capital, o que significa que poderá deixar a cidadezinha do
interior onde sempre viveu.
Finalmente este dia chegou. Depois de assinar o contrato de locação, receber o
regulamento do condomínio e fazer a mudança para instalar-se num apartamento
conjugado no Edifício Condados do Tajmahal, em Fortaleza/CE, EMERSON resolveu
tirar o fim-de-semana para ler com calma toda a papelada que recebera e assinara.
EMERSON ficou meio assustado com o que viu: como locatário não poderia violar o
direito de posse/propriedade alheio, teria que pagar o aluguel estabelecido
mensalmente, conservar e restituir o imóvel; como condômino tinha que submeter-se
às regras do condomínio e se por acaso deixasse de pagar o aluguel e fosse acionado
na justiça teria que, como réu, contestar a ação.

a) Aponte a natureza jurídica de cada uma das tarefas assumidas por


EMERSON:

b) Por que essas tarefas possuem natureza jurídica distinta? Justifique-as.

CASO CONCRETO 2
A professora LINDAURA LAFAYETTE acaba de colocar os seguintes
conceitos no quadro:

Dever jurídico, é a necessidade imposta pelo direito (objetivo) a uma pessoa de


observar determinado comportamento. É uma ordem, um comando, uma injunção
dirigida à inteligência e à vontade dos indivíduos, que só no domínio dos fatos podem
cumprir ou deixar de o fazer .O dever jurídico corresponde aos direitos subjetivos, não
se confunde com o lado passivo das obrigações. Ao dever jurídico podem contrapor-
se, no lado ativo da relação não só os direitos públicos, mas ainda, no âmbito restrito
do direito privado, tanto os direitos de crédito como os direitos reais, os direitos de
personalidade, os direitos conjugais e dos direitos de pais e filhos.

Ao final, solicitou à turma que forneça um exemplo de cada:


45

Referência básica:
GOMES, Orlando. Introdução ao Direito Civil, 19ª. Ed., RJ:Forense, 2007.
Cap.9.
Referência complementar:
GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro, vol I Parte Geral, SP:
Saraiva, 2004, pp. 278 a 283.
NADER, Paulo. Curso de Direito Civil, Parte Geral, vol. 1, 4ª. Ed. Ver. E
atualizada, RJ: Forense, 2007. cap. XV.

SEMANA 17

Classificação dos direitos subjetivos: absolutos, relativos, patrimoniais


(subdivisão), extrapatrimoniais (subdivisão), originários, derivados, principais e
acessórios. Direitos subjetivos transmissíveis e intransmissíveis. A questão da
inalienabilidade, da sub-rogação e da sucessão.

CONTEÚDOS:
46

1. CLASSIFICAÇÃO DOS DIREITOS SUBJETIVOS.


1.1 Direitos absolutos, relativos, patrimoniais (subdivisão), extrapatrimoniais
(subdivisão), originários, derivados, principais e acessórios.
1.2 Direitos subjetivos transmissíveis e intransmissíveis.
1.3 A questão da inalienabilidade, da sub-rogação e da sucessão.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

• Fornecer os conceitos relativos à classificação dos direitos subjetivos


• Estabelecer a distinção entre direitos transmissíveis e intransmissíveis
• Apresentar as questões relativas à inalienabilidade, sub-rogação e
sucessão.

ESTRATÉGIA:

• Os casos e questões de múltipla escolha deverão ser abordados ao longo


da aula, de acordo com a pertinência temática;
• A resolução dos casos faz parte da aula;
• A abordagem dos casos permeia a exposição teórica.

BIBLIOGRAFIA / JURISPRUDÊNCIA:

Referência básica:
UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ. Programa do Livro Universitário. Introdução
ao estudo do direito II. Rio de Janeiro: Forense, 2008.

Referência complementar:

CASO CONCRETO 1

Classificação dos direitos subjetivos.

Seu LEONELIO LIMA CASTRO JR. e sua mulher Dona SINHÁ, domiciliados no
Distrito rural de Chapéu D’Uvas, em Juiz de Fora/MG, adquiriram, há dez anos,
um terreno com 40.000 m² com uma casa construída, no bairro de Benfica, na
mesma cidade, pertencente ao coronel JOSÉ CARÍSSIMO, primo distante de
Delmiro Gouveia, que lá vivera por mais de 30 anos, e adquirira a titularidade
do imóvel por usucapião.
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O referido imóvel foi alugado para JOAQUIM ONORINO e sua irmã Tereza,
pelo valor mensal de R$11.000,00 (onze mil reais), mas encontra-se vazio há
seis meses. Há cerca de quinze dias um vizinho do imóvel telefonou para
LEONELIO, noticiando que o terreno fora parcialmente invadido por JOSÉ
CARVALHO SÓLON, que ali construiu um campo de futebol, um vestiário e um
pequeno bar, ocupando aproximadamente 3.000 m².. Convencido de que o
imóvel pertence à Prefeitura, SÓLON se recusa a desocupá-lo.
Em vista das informações apresentadas, responda o que se pede.

a) Aponte e identifique as formas de aquisição da propriedade encontradas


no caso acima:

b) Se o terreno fosse mesmo de propriedade da Prefeitura de Juiz de Fora,


poderia Sólon usucapir ao final de 15 anos? Justifique fundamentando
na Constituição Federal sua resposta.

CASO CONCRETO 2

Direitos subjetivos transmissíveis e intransmissíveis.

LÚCIA MARGARETH DE CASTRO, fotógrafa famosa da cidade de Almeirão do


Brejo, no interior das Alagoas, participa de um concurso de fotografia
patrocinado pelo BANCO INTERNACIONAL S.A. É premiada com a 3ª
colocação e receberá dois mil reais. Após a assinatura de cessão de seus
direitos sobre a fotografia, através de contrato, o banco torna-se o proprietário
dos direitos à mesma, oponível inclusive à LÚCIA.

a) É correto afirmarmos que, tanto o BANCO, quanto LÚCIA, conforme as


relações jurídicas evidenciadas, possuem direito absoluto, como titulares
do direito subjetivo à fotografia premiada?

b) Podemos também classificar esse mesmo direito como direito subjetivo


relativo, a partir de outra relação jurídica configurada no caso
apresentado?

Referência básica:
GOMES, Orlando. Introdução ao Direito Civil, 19ª. Ed., RJ:Forense, 2007.
Caps.9 e 10.
Referência complementar:
GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro, vol I Parte Geral, SP:
Saraiva, 2004, pp. 278 a 283.
NADER, Paulo. Curso de Direito Civil, Parte Geral, vol. 1, 4ª. Ed. Ver. E
atualizada, RJ: Forense, 2007. cap. XV.
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PEREIRA, Caio Mario da Silva. Instituições de Direito Civil, vol I, 22ª. Ed.,
RJ:Forense, 2008. cap. XVI.
REALE, Miguel. Lições Preliminares de Direito. 27ª. Ed., SP:Saraiva, 2006.
cap. XIX.

SEMANA 18

Direito adquirido: conceito. Distinção entre expectativa de direito e direito


adquirido. A tutela constitucional do direito adquirido. A figura do abuso do
direito.

CONTEÚDOS:

1. DIREITO ADQUIRIDO.
1.1 Conceito
1.2 Distinção entre expectativa de direito e direito adquirido.
1.3 A tutela constitucional do direito adquirido.
1.4 A figura do abuso do direito.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

• Fornecer os conceitos relativos à figura do instituto do direito adquirido


• Estabelecer a distinção entre direito adquirido, expectativa de direito e
abuso de direito.
• Apresentar a forma como se manifesta a tutela constitucional do direito
adquirido.

ESTRATÉGIA:

• Os casos e questões de múltipla escolha deverão ser abordados ao longo


da aula, de acordo com a pertinência temática;
• A resolução dos casos faz parte da aula;
• A abordagem dos casos permeia a exposição teórica.

BIBLIOGRAFIA / JURISPRUDÊNCIA:

Referência básica:
UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ. Programa do Livro Universitário. Introdução
ao estudo do direito II. Rio de Janeiro: Forense, 2008.

Referência complementar:
49

CASO CONCRETO 1

Distinção entre expectativa de direito e direito adquirido. A tutela


constitucional do direito adquirido.

ANDRÉA COSTA CALDAS, filha única, está inconformada com a conduta


de seus pais,pois jamais pensou que a pudessem tratar desta maneira.
Finda por procurar um advogado para ingressar com uma ação em face dos
mesmos, pois ambos possuem um patrimônio vastíssimo e decidiram não
ajudá-la a realizar o grande sonho de sua vida que é cursar um Doutorado
em Harvard. O advogado profere um parecer informando Mônica a
impossibilidade do pedido sob alegação de que atualmente Mônica possui
em relação ao patrimônio dos pais somente expectativa de direito e não
direito adquirido, razão pela qual não poderá nada juridicamente exigir. Sem
saber bem o que isto significa, ANDRÉA procura ADAUTO seu amigo e
estudante de Direito para esclarecer-se e faz-lhe as seguintes perguntas:

a) O que significa uma expectativa de direitos?


b) Quando é que se tem direito adquirido?
c) Diferencie direito adquirido de expectativa de direito.

CASO CONCRETO 2

Expectativa de direito, direito adquirido e abuso de dreito

No século passado, Clovis Bevilaqua costuma dizer que "no exercício do


nosso direito, desde que não transponhamos o círculo de ação, que ele nos
traça, devemos ser garantidos pela ordem jurídica. Há, entretanto, limitações,
que essa mesma ordem impõe ao exercício do nosso direito, como sejam, por
exemplo, as que são estabelecidas para o direito de propriedade imóvel em
atenção às necessidades públicas, ou ao interesse dos vizinhos".

Assim, supondo que depois de anos aguardando a morte do velho, JOÃO


GILBERTO NONATO NETO herda de seu único tio, VINÍCIUS DE MORAES
NONATO, um imóvel na rua Nascimento Silva, n°107, casa 1. Dona ELIZETE
TELLES CARDOSO mora no mesmo endereço, casa 2 fundos, sendo certo
que dona ELIZETE se utiliza de um corredor que passa no terreno de João
como único acesso possível à rua e ele resolve fechar esse corredor. Eis
assim, que teremos então, segundo o mestre Clóvis, no trecho acima citado,
um tipo especial de conflito decorrente do exercício de direitos.

Dona ELIZETE entra com uma ação na justiça em face de JOÃO para que
possa voltar a utilizar-se daquela servidão de passagem e logra êxito, tendo a
sentença transitado em julgado.

Com base nas informações acima responda:


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a) No trecho citado, ocorreu um tipo especial de conflito decorrente do


exercício de direitos. Qual? Por quê?

b) Se JOÃO é o titular do direito de propriedade de seu imóvel porque teve


que permitir que dona ELIZETE também o usasse? Existe alguma
previsão legal específica neste sentido?

QUESTÃO OBJETIVA

Escolha a alternativa CORRETA, JUSTIFIQUE E FUNDAMENTE


Vovô Reinaldo e vovó Ana se casaram em 1976, numa cerimônia linda no átrio
da Igreja de Nossa Senhora do Pilar. Depois, foram morar numa bela casa de
dois pavimentos e quintal cheio de árvores frutíferas, herança deixada pelos
pais de Reinaldo. Até esta época o regime legal de bens no casamento, no
Brasil, era o da comunhão universal. Após 1977, com a Lei do Divórcio, o
regime legal passou a ser o da comunhão parcial de bens. Em 2002,
infelizmente vovô Reinaldo separa-se de vó Ana e vai morar no estrangeiro. Na
partilha, fundamentado na lei em vigor, o advogado de vovô Reinaldo não inclui
a casa herdada de seus pais. Por sua vez, o advogado de vó Ana inclui a casa
herdada por vovô Reinaldo alegando:

(a) expectativa de direito e princípio da irretroatividade da lei


(b) direito adquirido e princípio da retroatividade da lei
(c) ato jurídico perfeito e princípio da retroatividade da lei
(d) direito adquirido e princípio da irretroatividade da lei

Referência básica:
GOMES, Orlando. Introdução ao Direito Civil, 19ª. ed., RJ:Forense, 2007.
Cap.10.
Referência complementar:
GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro, vol I Parte Geral, SP:
Saraiva, 2004, pp. 278 a 283.
NADER, Paulo. Curso de Direito Civil, Parte Geral, vol. 1, 4ª. ed. Ver. E
atualizada, RJ: Forense, 2007. cap. XXII.
REALE, Miguel. Lições Preliminares de Direito. 27ª. ed.,SP:Saraiva, 2006. cap.
XIX.