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Amor de Perdição – Camilo Castelo Branco

ANÁLISE DA OBRA

INTRODUÇÃO

Camilo Castelo Branco pertence à Segunda fase do Romantismo português, chamada Ultra-Romantismo
– corrente literária da segunda metade do século XIX que leva ao exagero os ideais românticos. Escreveu
vários gêneros de novelas: satíricas, históricas e de suspense. Nesta novela passional, de temática
romântica exemplar, considerada uma espécie de Romeu e Julieta lusitano, o escritor trata do amor
impossível e discute a oposição entre a emoção e os limites impostos pela sociedade à realização da
paixão. Segundo o autor, Amor de Perdição foi escrito em 15 dias em 1861, quando ele estava preso na
cadeia da Relação, na cidade do Porto, por ter-se envolvido em questões de adultério.

Estilo: pertence à época romântica


Gênero: novela passional
Foco Narrativo: Embora na Introdução narrador e autor se confundam, os fatos são narrados em 3ª
pessoa.
Tempo e Espaço: Portugal (Viseu, Coimbra e Porto), século 19.

PERSONAGENS
Tereza é a heroína romântica, a frágil opõe-se firmemente ao destino que a família quer lhe impor mas se
vê obrigada a cumprir as ordens do pai, o dominador Tadeu Albuquerque. Obstinada e apaixonada, luta
para não se casar com o primo baltazar coutinho e troca cartas com Simão, na tentativa de acalmar a
chama da paixão. Marginalizada e enclausurada num convento, reflete a fé na justiça divina e as injustiças
cometidas em função dos preconceitos da época, que se interpunham entre ela e a felicidade não
realizada.
Mariana é a amante silenciosa. Mulher mais velha, de 24 anos, criada no campo, Mariana pertence a uma
classe social mais popular. Dela o narrador diz ter “formas bonitas” e um rosto “belo e triste”, para realçar
a grandeza de seu amor-renúncia. O desprendimento que mostra - mando Simão em silêncio e, por isso,
ajudando-o a se aproximar da felicidade pela figura representada pela figura de Teresa – faz parte do
ideário romântico. Abnegada e fiel, Mariana jamais diz uma palavra e controla obstinadamente seu
ciúme. Na história de Camilo Castelo Branco, é a personagem que mais sofre no romance. Pode-se dizer
que a obra existe uma tríade romântica – Simão, Mariana e Teresa. Os três nunca se realizam
sentimentalmente e têm um final trágico.
João Da Cruz, o camponês rústico. Personagem popular, é um camponês que se transforma no protetor do
jovem Simão quando este volta à cidade de Viseu, atrás de Teresa. A princípio, cuida do jovem em
retribuição ao pai de Simão, que outrora o livrara de uma complicação judicial. Mas depois acaba
gostando tanto de Simão a ponto de matar para defender o rapaz.
Baltasar Coutinho, o burguês interesseiro. É o primo de Teresa, rapaz sem moral e sem brios, que não
ama a moça, mas está disposto a recorrer a quaisquer expedientes para vencer a disputa com Simão. Faz o
contraponto com o herói, na medida em que ambos vêm de famílias abastadas. Mas enquanto Simão se
move pelos mais nobres sentimento, Baltasar é norteado por intenções medíocres.
Tadeu De Albuquerque, o autoritário pai de Teresa, que a todo o momento toma o destino da moça nas
mãos, sem respeitar seus sentimentos. Por uma rivalidade particular com a família de Simão, decide
impedir a felicidade da filha, criando vários empecilhos para afastá-la de seu amor.
Manuel Botelho, o desmiolado e jovem irmão de Simão – que inicialmente critica o protagonista por sua
vida desordenada – envolve-se com uma mulher casada na época em que vai morar com Simão na cidade
de Coimbra. Arrependido, confirma sua dependência familiar quando pede ajuda aos pais para devolver
aos Açores a mulher casada com quem havia fugido.

Tema: A obra tem uma única trama central – a infeliz história de amor entre Teresa e Simão, repleta de
desavenças, infortúnios, crimes, mortes, fugas e tentativas de rapto -, em torno da qual se movimentam as
demais personagens.

Sinopse- A história se desenvolve em torno do amor impossível dos jovens Simão e Teresa, separados por
rivalidades entre suas famílias – os Albuquerque e os Botelho, moradores da cidade de Viseu, em
Portugal, e inimiga por questões financeiras.
Lá, adota os ideais igualitários da Revolução Francesa e acaba preso durante seis meses por
badernas e arruaças. Quando sai da cadeia, volta a Viseu, onde conhece e se apaixona por Teresa, sua
vizinha que tem 15 anos e é filha de uma família inimiga da sua. Com o objetivo de separar Simão e
Teresa, o pai da moça ameaça mandá-la para o convento, enquanto Domingos Botelho envia Simão de
volta a Coimbra. Uma velha mendiga faz o papel de pombo-correio do casal, levando as cartas trocadas
entre os dois jovens apaixonadas.
Movido pelo amor a Teresa, Simão decide se regenerar e estudar muito. A irmã caçula de Simão
– Ritinha – faz amizade com Teresa. O pai da heroína quer casá-la com o primo Baltasar Coutinho –
ordem que a moça se nega a cumprir. As intenções do pai de sua amada fazem Simão retornar
clandestinamente para Viseu, hospedando-se na casa do ferreiro João da Cruz, antigo conhecido da
família Botelho. Simão combina encontrar-se às escondidas com Teresa no dia do aniversário da moça,
mas o encontro é transferido porque Teresa é seguida.
Na data combinada, Simão vai ao encontro marcado levando consigo o ferreiro João da Cruz e
outros amigos. Depara-se com Baltasar que, na companhia de alguns criados, fora até o local para matar
Simão. Na briga, dois dos criados de Baltasar são mortos. Ferido, Simão convalesce na casa de João da
Cruz. Mariana, filha do ferreiro apaixonada por Simão, empresta a ele suas economias para que vá atrás
de Teresa, dizendo que o dinheiro pertence à mãe do próprio Simão.
No dia previsto para que Teresa mude de convento, Simão decide raptá-la. Dá-se um novo
confronto com Baltasar Coutinho, que leva um tiro na testa e morre. Simão entrega-se à polícia e dispensa
a ajuda da família para sair da cadeia. Levado a julgamento, é condenado à forca. Enquanto isso, Mariana
enlouquece de amor e a saúde de Teresa definha no convento. Na cadeia, Simão passa os dias lendo e
escrevendo cartas. João da Cruz é assassinado pelo filho do criado de Baltasar Coutinho.
Mariana, que estava na cidade do Porto, volta a Viseu para tomar posse da herança, confiada a
Simão. Tardiamente, o pai de Simão pede que sua pena seja comutada em dez anos de prisão, mas o filho
rejeita a ajuda paterna. Prefere o desterro para as Índias. Na data em que a nau dos condenados parte,
Teresa morre no convento. Ao saber da morte de sua amada, Simão adoece, vindo a falecer no décimo dia
de viagem.
Quando seu corpo é jogado ao mar, Mariana que o havia acompanhado lança-se da proa,
suicidando-se abraçada à mortalha do amado.

Biografia - Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco (1825 - 1890) teve uma vida que pode ser confundida
com uma de suas próprias novelas, ou seja, uma vida dramática e tão cheia de atribulações que chega a
espelhar as histórias que escreveu.
Nascido em Lisboa a 16 de Março de 1825, na freguesia dos Mártires, Camilo ficou órfão de mãe aos
dois anos e de pai aos dez, passando a ser criado por uma tia e uma irmã. Aos 16 anos casou-se com
Joaquina Pereira e, dois anos depois, em 1843, matricula-se na Faculdade de Medicina, porém, não
conclui o curso. A partir de 1848, passa a viver do jornalismo e a freqüentar a boêmia.
Com 21 anos, rapta Patrícia Emília e vai viver com ela na cidade do Porto. Logo depois é acusado e preso
por bigamia. Depois de libertado, Camilo tem alguns amores passageiros até encontrar, por volta de 1856,
Ana Plácido, a "mulher de sua vida". Porém a relação não é tranqüila, pois Ana é casada com Pinheiro
Alves, um rico comerciante local.
Frustrado, Camilo busca refúgio na religião e ingressa no Seminário do Porto, porém passa a ter um caso
amoroso com a freira Isabel Cândida. Camilo permanece nesse seminário por dois anos e, depois de tentar
o suicídio, consegue viver junto à sua amada, que abandona o marido para viver com o escritor. Logo
depois o casal é preso pelo crime de adultério. Os dois são julgados, absolvidos e vão morar em Lisboa.
Camilo e Ana têm dois filhos com problemas de saúde e, enfrentam sérios problemas financeiros. Camilo
passa a escrever por encomenda, tornando-se o primeiro escritor português a viver exclusivamente da
literatura. Em 1888 Ana e Camilo finalmente se casam. Nesse ano o escritor começa a sentir os primeiros
sintomas de cegueira, causada por uma sífilis crônica. Em 1890, a novela da vida de Camilo chega ao fim.
Ele suicida-se com um tiro de pistola em 1º de junho.
Obras literárias- Dentre a vasta obra composta por Camilo Castelo Branco podemos encontrar novelas de
terror, satíricas, históricas e as passionais - gênero que mais caracteriza o ultra-romantismo português.
Nelas são apresentadas personagens que, devido os obstáculos encontrados para a realização do amor,
tornam-se verdadeiros mártires desse sentimento. As obras que merecem maior destaque são: Amor de
Perdição , Amor de Salvação"

*Fontes de Consulta
http://www.bibvirt.futuro.usp.br/textos/biografias/autores/camilo_castelo_branco
www.mundocultural.com.br
http://www.portrasdasletras.com.br/ resumos
Profa. Anna Servelhere
A HORA DA ESTRELA – CLARICE LISPECTOR
ANÁLISE LITERÁRIA DA OBRA

I - Introdução (Tema): O livro conta a vida de uma nordestina que com a morte de sua tia foi tentar a vida
em uma cidade grande (Rio de Janeiro). Vivendo solitária, sem dar valor a nada e achando que era sempre
feliz.

II - Desenvolvimento
a. Contexto Histórico: Essa obra foi escrita, com o término da segunda guerra mundial, onde as atenções
estavam voltadas para o plano internacional, e, os problemas internos do país vêm novamente à tona.
Aconteceram fatos marcantes na época: 1945- aconteceu a deposição de Getúlio Vargas. 1951- Vargas
assume a presidência, desta vez eleita pelo povo e 1960- Inauguração de Brasília e eleição de Janio
Quadros.
b.Contexto filosófico: Sondagem psicológica. A autora, com sua literatura intimista, penetra no interior
da personagem analisando seu mundo interior, com seu texto penetrante sonda complexos mecanismos
psicológicos.

III - Biografia do Autor: Clarice Lispector (1925-1977). A família veio para o Brasil quando a escritora
era recém-nascida, instalando-se no Recife. Mais tarde, Clarice Lispector viveu no Rio de Janeiro, onde
se formou em direito. Casou-se com um diplomata, e conheceu vários países.
Entre suas obras podemos destacar: •Perto do coração selvagem(1944); •O lustre(1946); •Paixão segundo
G.M.(1964); •Água Viva(1973); •A hora da estrela(1977)

IV - Estilo Literário : A obra faz parte do modernismo- terceira fase

V - Análise da obra (Sinopse):


A hora da estrela nos relata a vida de uma nordestina que se chamava Macabéa, que era uma
virgem, inócua, que com a morte de seus pais foi morar com sua tia no Maranhão. Com a morte de sua tia
ela foi para o Rio de Janeiro tentar uma vida melhor. Lá conseguiu uma moradia e um cantinho com
quatro companheiras e também um emprego de datilógrafa.
Macabéa levava uma vidinha muito boba, do trabalho para casa e da casa para o trabalho. Seu
único prazer era escutar o rádio relógio de onde ela ficava informada e via o tempo passar. Em uma
dessas suas idas e vindas do trabalho, num dia de muita chuva, em um botequim, avistou um homem
muito bonito, que se chamava Olímpico, paraibano, que desejou muito tê-lo em sua casa.
No outro dia , Macabéa faltou ao trabalho, coisa que era muito difícil acontecer. Então ela
começou a namorar com ele. Olímpico trabalhava de operário em uma metalúrgica e se julgava ser uma
pessoa muito inteligente, com classe. Mas era tudo ao contrário, era uma pessoa muito vingativa. O
namoro era muito monótono, e Olímpico não demonstrava gostar de Macabéa e nunca dizia coisas
bonitas para ela.
Um certo dia, Macabéa apresentou Olímpico a sua amiga de trabalho - Glória - uma mulher
loira , bonita e o que mais o atraiu foi saber seu pai que era açougueiro bem sucedido. Assim Olímpico
parou de ir ao ponto de ônibus que era o seu local de encontro e começou a namorar Glória.
Macabéa ficou triste, mas não demonstrava isso para ninguém. Glória arrependida de ter tomado
o namorado de Macabéa chamou-a para tomar café no domingo em sua casa. Macabéa adorou aquilo
tudo.
No outro dia, Macabéa pintou a boca de vermelho, e Glória perguntou-lhe se ela se preocupava
com seu futuro, com sua aparência e ela foi à cartomante Madama Carlota que acertou tudo sobre seu
passado e presente. Macabéa ficou impressionada pois o seu futuro previa que iria encontrar um
estrangeiro maravilhoso, que seu chefe não iria despedi-la e o Olímpico ía se arrepender e chamá-la de
volta.
Macabéa adorou aquilo e saindo dali viu que iria começar uma vida nova , realmente encontrar
seu príncipe encantado e levar uma vida de luxo. Mas o destino não foi muito boa com Macabéa , ela
acabou de sair da casa da Madame Carlota e quando foi atravessar a rua foi atropelada por uma Mercedes.
Batera a cabeça na quina da calçada e ficara caída , a cara mansa, mente voltada para sarjeta. E da cabeça
um fio de sangue inesperadamente e rico. De repente havia várias pessoas envolta dela e nisso ela se
abraçou fortemente quando ela vomitou um pouco de sangue e foi morrendo aos poucos.

VI - Personagens
a.Principal:a nordestina que se chamava Macabéa.
b.Secundário: Olímpico que era namorado de Macabéa. O narrador que se chamava Rodrigo. Glória que
era amiga de Macabéa. Madama Carlota que era cartomante e as quatro Marias que eram companheiras
de quarto.

VII – Espaço(Local): A história ocorre na maioria das vezes no quarto onde ela morava com suas
companheiras. No ponto de ônibus e no botiquem, onde Macabéa se encontrava com Olímpico que era
seu namorado.

VIII - Tempo : Psicológico: o livro a Hora da Estrela demonstra um tempo psicológico , onde
descobrimos durante a leitura.

IX - Ambiente: Na maior parte da história se vivia num ambiente de solidão. E no final , Macabéa estava
ansiosa para começar uma vida nova.

X- Ideologia da obra (o que essa leitura traz para o leitor) : A obra quer passar o sofrimento que uma
mulher solitária que desconhece a felicidade , com os mínimos acontecimentos de sua vida ela já é feliz.

XI - Importância da obra no conjunto de obras do autor : Esta obra é uma mostra perfeita da prosa
intimista da moderna literatura brasileira. Ela assume uma importância maior quando representa com
fidelidade as características que fazem-na retratar a autora.
É uma obra introspectiva, intimista que apresenta um questionamento do ser, o estar no mundo, há aí um
jogo entre o eu e o não - eu, entre o ser e o não ser. Como a própria autora cita: "Não tem pessoas que
cosem para fora? Eu coso para dentro."

XII - Conclusão : O livro tenta mostrar que muitas vezes as pessoas não dão valor à vida, e acham que são
felizes com o pouco que têm: ou quando começam a ter uma vida melhor e lutar para ser feliz, sua vida
chega ao fim como foi o caso da nordestina Macabéa.

XIII - Ficha catalográfica: Bibliografia - LISPECTOR,Clarice-25 edição. São Paulo,Francisco Alves


editora,1977

PROFESSORA: ANNA SERVELHERE


Título da obra: A Viuvinha
ANÁLISE LITERÁRIA DA OBRA

Autor: José de Alencar : Jornalista, romancista, dramaturgo, poeta, jurisconsulto e político brasileiro, cujo
o nome completo era José Martiniano de Alencar. Nasceu em Mescejana (CE) em 1º de maio de 1829,
morreu no Rio de Janeiro em 12 de dezembro de 1877. Formado pela faculdade de Direito de São Paulo
em 1850 (cursou o 4º ano em Olinda), além de advogado foi professor de Direito Mercantil, consultor de
negócios da Justiça, deputado geral pelo Ceará em várias legislaturas e Ministro da Justiça. Jornalista
Militante, 1856 dirigiu o Diário do Rio, onde entre outras obras, publicou as novelas Cinco minutos, A
Viuvinha e o romance O Guarani, um dos marcos mais extraordinários da literatura brasileira, a obra-
prima do indianismo brasileiro, de que foi a maior expressão.
Depois de O Guarani publicou comédias e dramas, entre os quais O Jesuíta e Mãe. Retornando ao
romance escreveu Lucíola(1862), As Minas de Prata(1862-1865), Diva(1863), Iracema(1865), espécie de
poema em prosa, onde o indianismo tem melhor expressão poética e em que realça o sentimento de
brasilidade, característico de toda a obra de Alencar; Ubirajara, O Gaúcho(1870), A Pata da
Gazela(1870), O Trono do Ipê(1871), Til(1872), Sonhos de Ouro(1873), Alfarrábios(1873), Guerra dos
Mascates(1873), O Sertanejo(1875), Senhora(1875) e Encarnação(1877).

Tema : O livro conta as aventuras da jovem viúva Carolina, que passa por mil peripécias antes de
encontrar seu verdadeiro amor. - A obra retrata uma realidade passado do autor, mas não vivida e sim
assistida.

Resumo do livro: A Viuvinha foi "escrita pelo mesmo autor" de Cinco Minutos a mesma "prima",
contando a história de um jovem casal Jorge, que é um jovem que foi criado por Sr. Almeida e
"Carolina"( O autor diz que esses não são os nomes verdadeiros). Eles são namorados e casam-se, mas no
dia do casamento Almeida, antigo tutor de Jorge, lhe dá a notícia da desonra e miséria do nome de seu
pai, por causa de algumas dívidas e que portanto ele está falido e endividado. Isso faz com que Jorge se
sinta culpado em se casar com Carolina e na sua noite de núpcias forja sua morte para ter tempo para
limpar o nome de seu pai . Com esse falso suicídio Jorge passa a se dedicar a recuperar a fortuna e o bom
nome da família , usando o nome falso de Carlos e viaja para aos EUA. Depois de algum tempo, com
honra e dinheiro volta para seu grande amor que mesmo que sempre de luto, se tornara a sensação dos
bailes, mas nunca desistiu de o esperar. Após um breve interlúdio de mistério para descobrir se Carolina
ainda o queria (o mistério antecedendo a resolução é uma característica dos românticos).

O foco narrativo: Narração na terceira pessoa, pois o narrador é somente observador dos fatos

As personagens:
Carolina: forma junto com Jorge o casal protagonista da obra, é jovem, perfil suave e delicado, olhos
negros e brilhantes, cílios longos, tranças que realçavam sua fronte pura, rica e apaixonada.
Jorge: jovem que já fora muito rico e agora se mostrara simples nos atos e na existência.
Dona Maria: mãe de Carolina, senhora de idade.
Sr. Almeida: negociante, ex-tutor de Jorge, velho de têmpera antiga, calvo, com energia no caráter,
vivacidade no olhar e porte firme.

O clímax : Jorge se sente culpado em se casar com Carolina ao saber de sua falência e endividamento e na
sua noite de núpcias forja sua morte para ter tempo para limpar o nome de seu pai.

O desfecho Dá-se na casa de Carolina, com o retorno do amado por quem ela tanto esperou...

O ambiente/local: Físico/social: a casa de Carolina, as ruas do Rio, o bar, a construção

O tempo : Cronológico :"Se passasse há dez anos...."

Escola literária ROMANTISMO: Teve início no século XIX, como a obra Suspiros Poéticos (1836) de
Gonçalves de Magalhães, tem como característica o culto ao eu, o individualismo, a constante busca pelas
forças inconscientes da alma, o coração acima da razão...o mal do século. A natureza passa a ser a
expressão da perfeição de Deus.... "...aquela doce intimidade de um amor puro e tranqüilo."
Conclusão - A obra é um lindo romance que dá asas a imaginação, tem como tema o amor entre um
homem e uma mulher, tema atual em todos os tempos e por isso prende a atenção dos leitores mais
variados. Importante dentro do seu movimento literário.
A mensagem - Mensagem de amor e honra....Amor eterno e incondicional e honra pelo nome...

PROFESSORA : Anna Servelhere


DOM CASMURRO, DE MACHADO DE ASSIS

ANÁLISE DA OBRA

Ficha catalográfica: Dom Casmurro foi publicado em 1900, embora a data da edição seja de 1899. Essa
obra continua a trajetória de renovação iniciada com a publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas,
em 1881.

Tema: A obra significou, por mais de 60 anos, mais um exemplo de adultério feminino explorado na
literatura realista, mas em 1960, a professora Helen Cadwel propôs a sua releitura, apontando Bentinho, e
não a esposa, Capitu, como o problema central a ser desvendado. Dom Casmurro é um livro complexo
onde há um narrador que, diz que foi traído e o leitor não consegue decidir-se se ele está mentindo ou
não.

Biografia do autor: Joaquim Maria Machado de Assis é considerado um dos mais importantes escritores
da literatura brasileira. Nasceu no Rio de Janeiro em 21/6/1839, filho de uma família muito pobre. Mulato
e vítima de preconceito, perdeu na infância sua mãe e foi criado pela madrasta. Superou todas as
dificuldades da época e tornou-se um grande escritor. Na infância, estudou numa escola pública durante o
primário e aprendeu francês e latim. Trabalhou como aprendiz de tipógrafo, foi revisor e funcionário
público.Publicou seu primeiro poema intitulado Ela, na revista Marmota Fluminense. Trabalhou como
colaborador de algumas revistas e jornais do Rio de Janeiro. Foi um dos fundadores da Academia
Brasileira de letras e seu primeiro presidente.
As obras de Machado de Assis em duas fases: Na primeira fase (fase romântica) os personagens de suas
obras possuem características românticas, sendo o amor e os relacionamentos amorosos os principais
temas de seus livros.
Na Segunda Fase ( fase realista ), Machado de Assis abre espaços para as questões psicológicas dos
personagens. É a fase em que o autor retrata muito bem as características do realismo literário. Machado
de Assis faz uma análise profunda e realista do ser humano, destacando suas vontades, necessidades,
defeitos e qualidades. Nesta fase destaca-se as seguintes obras: Memórias Póstumas de Brás Cubas
(1881), Quincas Borba (1892), Dom Casmurro (1900) e Memorial de Aires (1908). Machado de Assis
também escreveu contos, tais como: Missa do Galo, O Espelho e O Alienista. Machado de Assis morreu
de câncer, em sua cidade natal, no ano de 1908.

Estrutura da obra
O romance Dom Casmurro é dividido em 148 capítulos de diversas dimensões, predominando os curtos
(técnica já ultilizada em Memórias Póstumas de Brás Cubas).

Ação - O enredo da obra não é dinâmico, já que predomina o elemento psicológico. A narrativa é,
interrompida todo o tempo por fugas da do tempo linear para acrescentar pensamentos ou lembranças
fragmentadas do narrador.

Foco narrativo - O romance é narrado em primeira pessoa, por Bento Santiago, que escreve a história de
sua vida.

Tempo - O tempo é cronológico, cuja primeira referência é o ano de 1857, no momento que José Dias
sugere a D. Glória a necessidade de apressar a ida de Bentinho para o seminário. Em 1858, Bentinho vai
para o seminário. Em 1865, Bentinho e Capitu casam-se. Em 1872, Bentinho e Capitu separam-se. Entre
a ida de Bentinho para o seminário e o casamento decorrem sete anos, entre este último e a separação
mais sete anos. Essa “suposta coincidência”, dá a perceber que cada período forma um ciclo completo:
ascensão, plenitude e declínio ou morte do sentimento amoroso.

Espaço - A história se passa inicialmente em Itaguaí, onde a família de Bentinho possuía uma fazendola,
alguns escravos, que foram vendidos após a morte de Pedro de Albuquerque, pai de Bentinho, quando D.
Benta decidiu mudar-se para um lugar perto da Igreja onde fora sepultado. Desde o Engenho Novo, onde
escreve sua obra, até a Rua de Matacavalos, onde passou sua infância e conheceu Capitu.

Personagens principais
Capitu, "criatura de 14 anos, alta, forte e cheia, apertada em um vestido de chita, meio desbotado. Os
cabelos grossos, feitos em duas tranças, com as pontas atadas uma à outra, à moda do tempo, morena,
olhos claros e grandes, nariz reto e comprido, tinha a boca fina e o queixo largo. Capitu possuía "olhos de
cigana oblíqua e dissimulada", para Bentinho os olhos "Traziam não sei que fluido misterioso e
energético, uma força que arrastava para dentro, com a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca".

Bentinho, personalidade ciumenta, invejosa, cruel e perversa aponto de destruir aqueles que ama por uma
suspeita que o leitor atento percebe ser no mínimo discutível.
Não pretendia ser padre como determinara sua mãe, mas tencionava casar-se com Capitu, sua amiga de
infância que traçava os planos, para ele não entrar no seminário, É o narrador e pseudo-autor da obra. Na
velhice, momento da narração, era um homem fechado, solitário e triste. As lembranças de um passado
triste e doloroso, tornaram-no um indivíduo de poucos amigos, inseguro, e esse foi o fato gerador dos
ciúmes da suspeita de adultério que estragaram sua vida.

As personagens secundárias
Dona Glória, mãe de Bentinho, que desejava fazer do filho um padre, devido a uma antiga promessa,
mas, ao mesmo tempo, desejava tê-lo perto de si, retardando a sua decisão de mandá-lo para o Seminário..

Tio Cosme, irmão de Dona Glória, advogado, viúvo, "tinha escritório na antiga Rua das Violas, perto do
júri... trabalhava no crime"; "Era gordo e pesado, tinha a respiração curta e os olhos dorminhocos". Ocupa
uma posição neutra: não se opunha ao plano de Bentinho, mas também não intervinha como adjuvante.

José Dias, agregado, "amava os superlativos", "ria largo, se era preciso, de um grande riso sem vontade,
mas comunicativo... nos lances graves, gravíssimo", "como o tempo adquiriu curta autoridade na família,
certa audiência, ao menos; não abusava, e sabia opinar obedecendo", "as cortesias que fizesse vinham
antes do cálculo que da índole". Tenta, no início, persuadir Dona Glória à mandar Bentinho para o
Seminário, passando-se, depois, para adjuvante. Depois de muitos anos em casa de D. Glória, passou a
fazer parte da família, sendo ouvido pela velha senhora.

Prima Justina, prima de Dona Glória. Egoísta, ciumenta e intrigante. Viúva, e segundo as palavras do
narrador: "vivia conosco por favor de minha mãe, e também por interesse", "dizia francamente a Pedro o
mal que pensava de Paulo, e a Paulo o que pensava de Pedro".

Pedro de Albuquerque Santiago, falecido, pai de Bentinho. A respeito do pai o narrador coloca: "Não me
lembro nada dele, a não ser vagamente que era alto e usava cabeleira grande; o retrato mostra uns olhos
redondos, que me acompanham para todos os lados..."

Sr. Pádua e Dona Fortunata, pais de Capitu. O primeiro, "era empregado em repartição dependente do
Ministério da Guerra" e a mãe "alta, forte, cheia, como a filha, a mesma cabeça, os mesmos olhos claros".
Jamais opuseram-se à amizade de Capitu e Bentinho.

Padre Cabral, personagem que encontra a solução para o caso de Bentinho; se a mãe do menino
sustentasse um outro, que quisesse ser padre, no Seminário, estaria cumprida a promessa.

Escobar, amigo de Bentinho, seminarista, "era um rapaz esbelto, olhos claros, um pouco fugitivos, foi
colega de seminário de Bentinho e, como este, não tinha vocação para o sacerdócio. Melhor amigo de
Bentinho. Gostava de matemática e do comércio. Quando saiu do seminário, conseguiu dinheiro
emprestado de D. Glória para começar seu próprio negócio. Casou com Sancha, melhor amiga de Capitu.
Morreu afogado depois de enfrentar a ressaca do mar.

Sancha, companheira de Colégio de Capitu, que mais tarde casa-se com Escobar.

Ezequiel, filho de Capitu e Bentinho. Tem o primeiro nome de Escobar. Quando pequeno, imitava as
pessoas. Vai para a Europa com a mãe, estudou antropologia e mais tarde volta ao Brasil para rever o pai.
Morre na Ásia de febre tifóide perto de Jerusalém.

Estilo literário - O Realismo é um estilo de época da segunda metade do séc. XIX, marcado por uma forte
oposição às idealizações românticas, as personagens realistas apresentam mais defeitos do que
qualidades, destacando-se as temáticas do adultério, dos interesses econômicos, da ambição desmedida,
da dissimulação e da vaidade.Seu estilo não é linear, como nos demais realistas, mas parece conduzir o
leitor por caminhos tortuosos através de sua memória e seus pensamentos antes de decifrar seu passado.

SINOPSE:
Bentinho, chamado de Dom Casmurro por um rapaz de seu bairro, é órfão de pai e protegido do
mundo pelo círculo doméstico e familiar. Morando em Matacavalos com sua mãe (D. Glória, viúva), José
Dias (o agregado), Tio Cosme (advogado e viúvo) e prima Justina (viúva), Bentinho possuía uma vizinha
que conviveu como "irmã-namorada" dele, Capitolina - a Capitu.
Seu projeto de vida era claro, sua mãe havia feito uma promessa, em que Bentinho iria para um
seminário e tornaria-se um padre.
Cumprindo a promessa Bentinho vai para o seminário, mas sempre desejando sair, pois
tornando-se padre não poderia casar com Capitu.
Apesar de comprometida pela promessa, também D. Glória (mãe de Bentinho) sofre com a idéia
de separar-se do filho único, interno no seminário. Por expediente de José Dias (amigo da família),
Bentinho abandona o seminário e, em seu lugar, ordena-se um escravo.
José Dias, que sempre foi contra ao namoro dos dois, é quem consegue retirar Bentinho do
seminário, quase convencendo D. Glória que o jovem deveria ir estudar no exterior, José Dias era
fascinado por direito e pelos estudos no exterior.
Correm os anos e com eles o amor de Bentinho e Capitu. Entre o namoro e o casamento,
bentinho de formou em Direito e fez estreita amizade com um ex-colega de seminário, o Escobar, que
acaba se casando com Sancha, amiga de Capitu.
Do casamento de Bentinho e Capitu, nasce Ezequiel. Escobar morre afogado e, durante seu
enterro, Bentinho julga estranha a forma pela qual Capitu contempla o cadáver.
Percebe que Capitu não chorava, mas aguçava um sentimento fortíssimo. A partir desse
momento começa o drama de Bentinho. Ele percebe que o seu filho (?) era a cara de Escobar e ele já
havia encontrado, às vezes, Capitu e Escobar sozinhos em sua casa.
Embora confiasse no amigo, que era casado e tinha até filha, o desespero de Bentinho é imenso.
Cresce, Ezequiel se torna cada vez mais parecido com Escobar. Bentinho, muito ciumento, chega a
planejar o assassinato da esposa e do filho, seguidos pelo seu suicídio, mas não tem coragem. A tragédia
dilui-se na separação da casal.
Capitu viaja com o filho para a Europa, onde morre anos depois. Capitu escreve-lhe cartas, a
essas altura, a mãe de Bentinho já havia morrido, assim como José Dias. Ezequiel um dia vem visitar o
pai e conta da morte da mãe.
O pai, que apenas constata a semelhança entre o filho e o antigo amigo de seminário. Ezequiel
volta a viajar e pouco tempo depois, Ezequiel também morre, mas a única coisa que não morre no
romance é Bentinho e sua dúvida.

(A visão esfumaçada do adultério é intencional. Dele o leitor só tem provas subjetivas, a partir da ótica
do narrador, que nele acredita.)

PROFESSORA: Anna Servelhere

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