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Fatec Sorocaba

Apostila
ECONOMIA E FINANÇAS EMPRESARIAIS (EFE)
MACROECONOMIA (PARTE 2)
Prof. MSc. Adilson Rocha

REVISÃO AGOSTO / 2010

FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO.................................................................................................................. 1. 2. 3. CONTABILIDADE NACIONAL.............................................................................. 1.1. Conceitos para Fixação........................................................................................ O EMPREGO E A DISTRIBUIÇÃO DA RENDA NACIONAL.............................. 2.1. Conceitos para Fixação........................................................................................ TEORIA MONETÁRIA.............................................................................................. 3.1. A Origem e a Evolução da Moeda....................................................................... 3.2. As Funções da Moeda......................................................................................... 3.3. As Características da Moeda............................................................................... 3.4. Formas da Moeda................................................................................................ 3.5. Quase-Moedas..................................................................................................... 3.6. A Oferta Monetária............................................................................................. 3.7. Conceitos para Fixação....................................................................................... INFLAÇÃO................................................................................................................. 4.1. Conceitos............................................................................................................. 4.2. Tipos de Inflação................................................................................................. 4.3. Indicadores de Inflação no Brasil........................................................................ 4.4. Processo Inflacionário Brasileiro......................................................................... 4.5. Conseqüências da Inflação.................................................................................. 4.6. Considerações Finais........................................................................................... 4.7. Conceitos para Fixação....................................................................................... 03 04 09 10 12 13 13 20 20 21 21 22 24 27 27 27 28 30 36 37 38 39 39 40 40 42 43 44 44 45 46 47 47 50 50 50 51 51 52 53 53 54

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5. DESEMPREGO........................................................................................................... 5.1. A Taxa de Desemprego...................................................................................... 5.2. Tipos de Desemprego......................................................................................... 5.3. As Causas do Desemprego................................................................................. 5.4. Os Efeitos Econômicos do Desemprego............................................................ 5.5. Tentativas de Reduzir o Desemprego................................................................. 6. DISTRIBUIÇÃO DE RENDA..................................................................................... 6.1. Diferentes Enfoques da Distribuição de Renda.................................................. 7. O CRESCIMENTO ECONÔMICO; MEIO AMBIENTE; DESENVOLVIMENTO E SUBDESENVOLVIMENTO (EMERGENTES)........... 8. O COMÉRCIO INTERNACIONAL............................................................................ 8.1. Os Mercados de Câmbio...................................................................................... 8.2. Conceitos para Fixação......................................................................................... 9. SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL....................................................................... 9.1. O Sistema Financeiro Nacional................................................................................. 9.2. Os Segmentos do Sistema Financeiro Nacional........................................................ 9.3. Os Intermediários Financeiros................................................................................... 9.4. Os Serviços que as Instituições Financeiras Oferecem............................................. 9.5. Os Serviços Oferecidos pelos Bancos....................................................................... 10. BREVE PANORAMA DA ECONOMIA BRASILEIRA: PLANO REAL...................... 10.1. Breve Relato do Plano Real...................................................................................... REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS......................................................................................

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INTRODUÇÃO

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 O termo Macroeconomia foi introduzido pelo economista norueguês Ragnar Frisch (1895 – 1973) em 1933. Ele também foi criador do termo “Econometria”.  A macroeconomia estuda o comportamento do sistema econômico por um número reduzido de variáveis, como a produção ou produto total de uma economia, o emprego, o investimento, o consumo, o nível geral de preços etc. Por exemplo, se o Ministério da Fazenda diz que a inflação se reduziu em relação ao ano anterior em 2% e que o número de empregados aumentou em 300.000 pessoas, está destacando que, em sua opinião, esses são os aspectos mais significativos da evolução global da economia.  A macroeconomia busca a imagem que mostre o funcionamento da economia em seu conjunto. Seu propósito é obter uma visão simplificada do funcionamento da economia que, porém, permita ao mesmo tempo conhecer e atuar sobre o nível da atividade econômica de um determinado país ou de um conjunto de países.  A macroeconomia, para analisar o funcionamento da economia, centra-se no estudo de uma série de variáveis-chave que lhe permite estabelecer objetivos concretos e desenhar a política macroeconômica.  A política macroeconômica é integrada pelo conjunto de medidas governamentais destinadas a influir sobre a marcha da economia no seu conjunto.  Os objetivos da política econômica são: a inflação, o desemprego e o crescimento.

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1 CONTABILIDADE NACIONAL

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 A contabilidade nacional define e relaciona os agregados econômicos e mede seu valor. Mediante a série de contas que integram a contabilidade nacional, obtém-se um registro das transações realizadas entre os diferentes setores que fazem a atividade econômica do país.  A renda nacional ou produto nacional é o valor total de todos os bens e serviços finais produzidos em um ano por uma economia, descontando-se todos os bens e serviços intermediários utilizados para produzi-los.  O produto nacional mede o funcionamento do conjunto da economia, e é um conceito indispensável para analisar problemas, tais como inflação ou crescimento econômico. De fato, quando queremos estudar a evolução global da economia de um país, analisamos o nível de produção total, período por período, uma vez que essa é a medida-chave da atividade econômica de um país.  O fluxo circular da renda é o conjunto dos pagamentos das empresas feitos às famílias em troca de trabalho e outros serviços produtivos e o fluxo de pagamentos das famílias às empresas em troca de bens e serviços.
Compras de consumo

bens e serviços (alimentos, viagens etc.)

Economias domésticas

Empresas

Serviços produtivos (terra, trabalho, capital)

Salários, juros, lucros etc.

 

Fluxo real Fluxo monetário  Aparentemente, o método mais direto para se determinar o valor total da produção de uma economia durante um período de tempo determinado seria localizar todas as empresas que produziram algo durante o ano, calcular o valor do que foi produzido e somar as cifras de todas as empresas. Esse método não pode ser utilizado da maneira indicada, pois contaríamos várias vezes algumas mercadorias. Isso acontece porque muitos produtos atravessam diferentes etapas no processo de produção, de forma que são vendidas várias vezes antes de chegarem às mãos do consumidor final.
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 Por exemplo, suponhamos que uma fábrica de bicicletas compre raios metálicos para fazer rodas e também compre protetores de uma fábrica de pneus. Ao calcularmos o produto nacional, se usarmos o procedimento mostrado anteriormente, contaremos os raios e os protetores incorporados nas bicicletas duas vezes; primeiro dentro do produto total da fábrica de raios metálicos e de pneus, respectivamente, e na segunda vez, ao contabilizar as bicicletas vendidas aos consumidores.  Algo parecido ocorreria se, ao contabilizar-se o pão comprado pelos consumidores, se contabilizasse também a farinha utilizada para fazê-lo e que é feito pelo moinho, o que implicaria contabilizá-la duas vezes.  Relembrando: o produto nacional foi definido como a produção total de bens e serviços finais comprados pelas unidades familiares para serem consumidos, e por isso os bens intermediários devem ser excluídos.  Os bens intermediários são aqueles que sofreram alguma transformação, contudo eles ainda não alcançaram a etapa em que se transformaram em bens finais.  Os bens finais são os produzidos para uso final, e não para serem novamente vendidos ou para serem usados na produção de outros bens.  Para evitar a dupla contagem, calcula-se o valor adicionado em cada etapa de produção, subtraindo-se do valor do produto da fase em questão os custos dos bens intermediários e materiais que não foram produzidos nesta fase, mas comprados de outras empresas e que, pois, já estarão incluídos nas contas das respectivas empresas.  O valor adicionado é o valor do produto de uma empresa menos o custo dos produtos intermediários comprados de seus provedores externos.  Exemplo: O primeiro passo na produção de um pão é quando o agricultor cultiva o trigo e obtém um preço de R$ 0,05 pela quantidade necessária para produzir um pão. A segunda etapa consiste em moer o trigo para transformá-lo em farinha. O valor da farinha passa a ser de R$ 0,15, o que supõe que o valor adicionado nessa fase é de R$ 0,10. Na terceira fase a farinha transforma-se em pão no forno e o valor passa a ser de R$ 0,25, o que faz supor que o valor adicionado nesta é de R$ 0,10. Na última fase, o preço da venda do pão é de R$ 0,36 e o valor adicionado é de R$ 0,11. Como se pode observar, no quadro abaixo, o valor do produto final – os R$ 0,36 do pão – é igual à soma do valor adicionado em cada uma das etapas. Esse valor final é o único necessário de ser levado em conta para se calcular o produto nacional. Não se deve somar o valor de todas as transações, isto é, as requeridas na primeira coluna, que totalizaram R$ 0,81.

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05 0. Deve-se dizer que os pagamentos de transferências (entendendo por transferência do Estado os pagamentos que este realiza a um indivíduo em troca dos quais não é prestado nenhum serviço corrente) não formam parte do gasto público. parques etc. roupas) e serviços (transporte.25 0. O investimento privado inclui três categorias: Prof.25 0. Desse ponto de vista.15 0. Adilson . mas também bens de capital que contribuem para a produção futura. por exemplo. bens de consumo (alimentos.10 0. ou a outros recebedores que nada produzem. tais como defesa. justiça. e ainda constrói estradas.36 0. saneamento básico). automóveis). Consumo público (G).  Consumo privado (C) – O consumo é o maior componente do produto nacional e o que apresenta o comportamento mais estável ao longo do tempo. educação. quando o setor público realiza pagamentos de transferência aos aposentados. estes também não se incluem no produto nacional.11 TOTAL 0. e tendo-se em conta que o setor público e os residentes em outros países também realizam gastos. saúde. o produto nacional está integrado pelos seguintes componentes: Consumo privado (C).36  Os Principais Agregados da Contabilidade Nacional  O produto nacional pode ser medido via gasto e via produção.  Consumo público (G) – o setor público oferece uma série de serviços à sociedade. Investimento (I) e Exportações líquidas (X) – exportações menos importações.15 0. Assim.10 Bem Final Pão (varejo) 0.05 0.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba (1) Valor das Vendas (R$) (2) Custos dos produtos intermediários (R$) (3) Valor adicionado (1) – (2) = 3 6 Etapa da Produção Bens Intermediários Trigo Farinha Pão (atacado) 0.05 0.  Investimento (I) – em toda a economia não somente se produzem bens e serviços para o consumo. Os gastos em consumo podem ser divididos em três categorias: bens duráveis (televisores.00 0. Tudo isso implica uma série de gastos que estão incluídos no produto nacional sob a conta de consumo ou gasto público.

surgem duas definições de produto nacional: 1. b) Construção residencial. pois as instalações e os equipamentos existentes deterioraram-se ou se depreciaram durante o ano. b) Investimento líquido: investimento bruto menos depreciação ou amortização. Por importações entende-se o processo inverso. a construção de fábricas. são contados os consertos de automóveis. As exportações líquidas resultam da diferença entre as exportações e as importações. pois foi produzida durante o ano corrente. tais como automóveis de segunda mão. isto é.  Dependendo do tipo de investimento que é empregado. Obs. os que são vendidos para fora do país. pois eles representam uma produção corrente. Em conseqüência. a aquisição de maquinaria etc. um aumento no estoque de automóveis representa algo que se produziu e. Por isso. Contudo. deve-se distinguir entre: a) Investimento bruto: gastos em novas plantas e equipamentos mais a variação de estoques. Produto Nacional Bruto (PNB) = gastos em consumo privado + gasto público + investimento bruto + exportações líquidas 2. Produto Nacional Líquido (PNL) = gastos em consumo privado + gasto público + investimento líquido + exportações líquidas Prof. uma vez calculado o valor total de todas as fábricas e do equipamento produzido durante o ano. armazéns. c) Variação nos estoques. e a variação de estoques era apresentada separadamente. por isso ele não inclui a compra de bens duráveis usados. pois estes já foram contabilizados no ano de fabricação.: Na contabilidade nacional brasileira as primeiras categorias de investimento eram englobadas sob a rubrica de “Formação Bruta de Capital”. esta é parte do produto nacional. construção de habitações.  Exportações líquidas (X) – denominam-se exportações os bens e serviços que os países destinam ao exterior.  O Produto Nacional inclui somente os bens e serviços produzidos durante o ano.  Se. os bens e serviços que um país compra do exterior. é necessário reduzir da depreciação a quantia estimada. Adilson . é incluído no cálculo do produto nacional. a separação deixou de ser feita e a variação de estoques passou a ser incluída no Consumo Final das Famílias. Se uma sociedade emite ações para financiar a construção de uma fábrica. isto é. Dessa forma. portanto. devido ao uso e à Antigüidade. Todavia. se contabilizar o valor total das fábricas e dos equipamentos produzidos durante o ano corrente.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba 7 a) Investimento na planta e equipamento das empresas. ao analisar o investimento. o produto nacional fica superestimado. ao se calcular o produto nacional. a partir de 1985. mas somente transferência. pois não representam produção. isto é.  Também não fazem parte do produto nacional as ações adquiridas pelos indivíduos ou pelas instituições no mercado de valores.

1. Renda Nacional Disponível (RND) = Renda Nacional (RN) + Transferências líquidas do resto do mundo (T.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba 8  Dessas definições deduz-se que: PNL = PNB menos depreciação ou amortização.) é definido como valor dos bens e serviços produzidos em uma economia durante um período de tempo determinado. Mas. Assim. na prática. obtém-se a Renda Nacional Disponível (RND) somando-se as transferências líquidas do resto do mundo. o Produto Nacional Líquido (PNL) é a mais correta.  A partir do Produto Nacional Bruto (PNB) ou Renda Nacional (RN). Adilson .r.m. sobre o qual se dispõe de informação confiável. Isso quer dizer que os produtos são avaliados ao custo de produção.)  O Produto Interno Bruto ao custo de fatores (PIB c. dado que a depreciação é difícil de ser estimada. independentemente da nacionalidade dos proprietários dos recursos empregados. Prof. O termo interno faz referência à atividade produtiva desenvolvida dentro das fronteiras do país. uma empresa que é tributada pode aumentar o preço de seus produtos transferindo o imposto aos consumidores.f. Das duas medições do produto nacional.l. opta-se pelo cálculo do Produto Nacional Bruto (PNB). equipamento e estoques adquiridos pela empresa). A expressão custo de fatores indica que a valoração efetuada do produto nacional é realizada sem a inclusão dos impostos indiretos (os que não são suportados pelo produtor. mas transferidos* à pessoa que compra o produto) e adicionando-se as subvenções concedidas pelo Estado às empresas. pois ele leva em consideração o desgaste do equipamento e a maquinaria produzida durante o ano. que só exige o cálculo do investimento bruto (o valor da nova planta. * Um imposto é transferido quando o contribuinte inicial transfere parte ou a totalidade de um imposto a terceiros.

1 Conceitos para fixação:          9     Contabilidade Nacional – é um método de mensuração e interpretação da atividade econômica realizada durante um determinado período. Produto – é a soma dos valores monetários de todos os bens e serviços finais produzidos por um país num determinado período. Renda Pessoal Disponível (RPD): é a Renda Pessoal menos os impostos diretos pagos pelas pessoas.): é a soma dos valores monetários dos bens e serviços finais. Produto Interno Bruto a custo de fatores (PIB c. subtraindo-se os impostos indiretos e somandose os subsídios. é distribuída entre os fatores de produção trabalho e capital. ou seja. pensionistas. mais as transferências do governo. por período de tempo. Produto Interno Bruto a preços de mercado (PIB p. aluguéis. ou seja. juros e lucros. Adilson . salário-família e outros benefícios pagos pela previdência social mais os juros pagos. dividida pelo número de habitante do país. Produto Interno Líquido (PIL): é o Produto Interno Bruto a custo de fatores menos a parcela correspondente à depreciação. Prof. é distribuída entre as regiões desse país.f.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba 1. Distribuição inter-regional de renda: é a forma como a renda nacional de um país. Produto Interno Bruto (PIB): é a soma dos valores monetários dos bens e serviços finais. é o total dos salários. computando-se os impostos indiretos e subtraindo-se os subsídios. Renda Pessoal (RP): é a Renda Nacional menos os lucros retidos pelas empresas.): é a soma dos valores monetários dos bens e serviços finais.m. ou seja. Distribuição funcional de renda: é a forma como a renda de um país. Renda – é a soma das remunerações feitas aos fatores de produção empregados no processo produtivo durante um determinado período. Renda per capita: é a renda de um país. Produto Nacional Bruto (PNB): Produto Interno Bruto (PIB) + Renda Recebida do Exterior (RRE) – Renda Enviada ao Exterior (REE). as despesas com inativos. os impostos diretos das empresas (imposto de renda) e suas contribuições feitas à previdência social. o imposto de renda. num período. num período de tempo.

 DISTRIBUIÇÃO DE RENDA = além dos diferentes agentes econômicos.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba 2 O EMPREGO E A DISTRIBUIÇÃO DA RENDA NACIONAL  DEMANDA AGREGADA = nível de gasto global da economia  DEMANDA AGREGADA = demanda de consumo + demanda de investimento  FAMÍLIAS = consumo + poupança  Quanto > renda > poupança 10  RENDA DISPONÍVEL = renda com a qual os indivíduos contam. é o resultado não só das rendas obtidas pelos fatores de produção. propriedade das economias domésticas. depois de pagarem os impostos e receberem os subsídios.)  VARIÁVEIS DO INVESTIMENTO    Expectativas empresariais sobre o futuro da atividade econômica Taxa de juros Nível da capacidade instalada usada pelas empresas  DISTRIBUIÇÃO DE RIQUEZA X DISTRIBUIÇÃO DE RENDA   Riqueza de um país = conjunto de ativos físicos.) x 100 Poupança  Propensão média a poupar = x 100 Renda Nacional Bruta Disponível (p. Adilson . Consumo Nacional  Propensão média a consumir = Renda Nacional Bruta Disponível (p.m.m. Prof.  PROPENSÃO AO CONSUMO = relação entre o consumo agregado das economias domésticas e a renda nacional. Renda de um país = é o produto da utilização de recursos produtivos durante um período determinado. mas também pela ação do setor público (impostos e subsídios).

Prof. fundamentalmente o trabalho e o capital.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba  Curva de Lorenz (estatístico norte-americano – 1905) 11  Serve para mostrar a relação que existe entre os grupos da população e suas respectivas participações na renda nacional. Adilson .  POLÍTICA DISTRIBUTIVA = conjunto de medidas cujo objetivo principal é modificar a redistribuição da renda entre os indivíduos ou grupos sociais (governo). Porcentagem da Renda Nacional 100 90 80 Distribuição Igualitária 70 60 50 40 30 20 10 0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 Curva de Lorenz O Porcentagem da População  DISTRIBUIÇÃO FUNCIONAL DA RENDA = reflete-se na sua repartição entre os fatores de produção. maior será a desigualdade da distribuição da renda nacional.  Aquelas medidas que implicam intervenção direta ao mecanismo de mercado.  Quanto mais afastada está a curva de Lorenz da diagonal.  INSTRUMENTOS DA POLÍTICA DISTRIBUTIVA  Sistema tributário  Gastos de transferência. entre os quais cabe destacar os que correspondem ao seguro-desemprego e os subsídios associados à política educacional.

 Princípio da demanda efetiva: o nível do produto é determinado pela demanda. superior à vida útil dos bens não-duráveis de consumo.  Igualdade fundamental da macroeconomia: Economia fechada e sem governo: S = I Economia fechada e com governo: S = I + (G – T) Economia aberta e com governo: S = I + (G .FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba 2. A variação nos estoques também é considerada investimento.  Poupança: é a parte da renda das pessoas que não é gasta com a aquisição de bens e serviços.T) + (X – M)  Componentes da demanda agregada: Trabalhadores: Consumo (Cw) Consumo (CL) Empresários: Investimento (I) Governo: Gastos (G) Setor externo: Exportações (X) Prof.  Agentes econômicos: trabalhadores. com vistas à satisfação de suas necessidades.  Investimento: é a parcela da renda destinada à compra de máquinas e equipamentos que visam aumentar a capacidade produtiva do sistema econômico.  Lei de Say: a oferta cria sua própria demanda. Adilson .  Igualdade fundamental da macroeconomia: Poupança igual a investimento (S = I). mais os estoques do início do período.  Bens de consumo duráveis: são os bens de consumo com vida útil bastante longa.  Estoques: é a parcela da produção de bens da economia que não é vendida no período em que foi produzida. governo e setor externo. empresários.1 Conceitos para fixação: 12  Serviços de consumo: são as despesas feitas pelas pessoas com serviços prestados por outras pessoas ou equipamentos. menos a depreciação do estoque em operação.

cada uma procurando formar a sua própria fronteira. e se utilizava da vegetação e da caça disponíveis na região que habitava. nenhum dos dois pode realizar negócios. Ainda que aconteça o fora do comum. no que se refere às quantidades e aos termos de troca exatos. entretanto.1 A Origem e a Evolução da Moeda: 13  Era da Troca de Mercadorias Nos primórdios. Para se ter uma idéia. Nas mais primitivas das culturas. o crescente número de produtos nos mercados passou a dificultar a prática rudimentar do escambo. Esse sistema. foram crescendo e começaram a se desmembrar em outros núcleos de famílias. uma boa caça era trocada por uma quantidade razoável de grãos. Essas minúsculas comunidades. delimitando as suas áreas para o plantio de alimentos e a caça. as operações de trocas de mercadorias se tornariam por demais trabalhosas. Enquanto uns se dedicavam à caça. se especializavam no plantio de grãos e assim por diante. o homem vivia em pequenas comunidades de uma única família. coincidam. outros. a economia funcionava à base de escambo – a troca pura e simples de mercadorias. portanto. Assim. ou então por uma produção de tubérculos.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba 3 TEORIA MONETÁRIA 3. Essa racionalização das atividades fez com que os núcleos passassem a trocar o excedente resultante da especialização. ainda. ansioso por vender castanhas e comprar maçãs. por outro lado. entretanto. a menos que um alfaiate faminto encontre um fazendeiro nu que tenha alimentos e o desejo de ter um par de calças. partindo-se do pressuposto de que hajam desejos duplamente coincidentes. entretanto. não só pela dificuldade cada vez maior de se estabelecerem relações justas e intercoerentes de troca. Esses recursos eram os únicos com os quais contava para a sua subsistência. para que se possa atender os desejos de um indivíduo nos dias de hoje. Seria uma coincidência fora do comum encontrar um outro indivíduo que tivessem gostos exatamente opostos. Prof. outros se dedicavam à produção de tubérculos. A quantificação dessas transações. como também pela dificuldade de se encontrar parceiros cujos desejos e disponibilidades fossem duplamente coincidentes. pois seriam necessárias inúmeras transações para que o indivíduo pudesse ter todas as suas necessidades satisfeitas. Iniciava-se assim o processo primitivo de divisão do trabalho e especialização. Adilson . Esses núcleos. não produziam todos os mesmos produtos. uma quantidade razoável de grãos poderia ser tocada por um número considerável de frutas. apresentava algumas dificuldades. pode ser obtida pela fórmula: TM = n(n – 1) 2 Onde: “TM” representa o número de trocas de mercadorias e “n” a quantidade de produtos ou itens disponíveis em uma economia. Da mesma forma. Imaginem um indivíduo que tenha maçãs e queira castanhas. Assim. não há garantias de que o desejo das duas partes.

FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba 14 Assim. nas diversas épocas da história da humanidade. No Quadro 1 podemos verificar que.950 Imaginem essas necessidades de trocas de mercadorias aplicadas aos dias de hoje. seria nula a necessidade de relações de troca (isso é óbvio.225 4. No Quadro 2 podemos verificar as mais diversas mercadorias utilizadas como moeda. passam a eleger um único produto como referencial de trocas: uma mercadoria que tivesse algum valor e que fosse aceita por todos. Se essas mesma economia dispusesse de dois produtos. a mercadoria eleita como moeda deveria atender a uma necessidade comum a ser rara o bastante para quem tivesse valor. Prof. Os indivíduos despenderiam todo o seu tempo disponível apenas para trocar mercadorias.  Era da Mercadoria-Moeda Com o passar do tempo. Nesse período. escravos. intermediadas por algum outro bem aceito por todos. tais como o gado. bastaria apenas uma troca de mercadoria. quanto maior o número de produtos para satisfazer um indivíduo. pois com um único item na economia não haveria necessidade de troca de mercadorias). sem que sobrasse tempo para produzir o bem necessário à realização da troca. passou-se para a chamada Era da Mercadoria-Moeda. e assim por diante. vários tipos de produtos foram utilizados como o referencial das relações de trocas de mercadorias. em uma economia hipotética que tivesse apenas um único produto. Os indivíduos. Adilson . de um produto por outro. Com a passagem das trocas diretas. então. sal etc. Quadro 1 – Relação entre produtos disponíveis e trocas de mercadorias necessárias Produtos Disponíveis (n) 2 3 4 5 6 10 20 30 40 50 100 Troca de Mercadorias (TM) 0 1 3 6 10 45 190 435 780 1. Para que isso ocorresse. um número significativamente maior de trocas se torna necessário. a evolução da sociedade impõe a necessidade de se facilitar as trocas. para as indiretas. fumo. com um certo valor intrínseco. azeite de oliva.

6ª ed. cereais. cereais Metais preciosos. se mostrou como a mercadoria-moeda mais utilizada. prata Gado.P. pérolas. Prof. escravos Animais domésticos. arroz IDADE MODERNA (1453 a 1789) Estados Unidos Austrália Canadá França Japão Fumo. mostrando a importância do gado na formação de palavras que representam riqueza. 1992. tecidos. cereais. J. chá. O Quadro 3 apresenta uma forma simples dessa evolução. carne Peles. Economia Monetária. prata. estanho. cereais IDADE MÉDIA (410 a 1453) Ilhas Britânicas Alemanha Islândia Noruega Rússia China Japão Moedas de couro. mais utilizada. O gado.C. Adilson . prata Arroz. sal. mel Gados.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba Quadro 2 – Principais mercadorias utilizadas como moeda 15 Regiões ANTIGÜIDADE (até 410) Egito Babilônia. gado Rum. trigo. Assíria Pérsia Bretanha Índia China Mercadorias-Moeda Cobre Cobre.. sedas. São Paulo: Atlas. prata Anéis de cobre. tendo dado origem aos termos atualmente utilizados. metais Conchas. escravos. cereais Arroz Fonte: LOPES. ROSSETTI. J.. madeira. tecidos Gado. arroz. cevada Gado Barras de ferro. sal. gado. bacalhau Gados. ouro. ao longo do tempo.

Quando foi feita a conta.? Em suma. tais são a casca da árvore do cravo. a sua cota consistia de três porcos. 23 perus.) deu um recital nas Ilhas Society. limões e laranjas (. o gado não podia ser dividido em trocados. W. além de um pouco de ouro trazido do interior das terras do Brasil. essa “moeda” aumentava por meio da reprodução. escreveu em seu livro Money and the mechanism of Exchange (A moeda e o mecanismo de câmbio).Stanley Jevons (1835-1882). donde vem todos anos uma frota mercante. explorador francês responsável pelo envio das primeiras amostras de borracha amazônica à Europa em 1736 relata em seu livro Relation abrégée d’un Voyage fait dans I’interieur de I’Amérique Méridionale uma passagem que merece ser transcrita: “ O comércio direto do Pará com Lisboa. o cacau. 5. sal etc.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba Quadro 3 – O gado na formação de termos que representam riqueza 16 Termo em Latim Pecuariu Pecuniariu Pecúnia Capita Termo em Português Pecuária Pecuniáriu Pecúnia Cabeça Significado Relativo a gado Relativo a dinheiro Dinheiro Parte anterior dos animais. a salsaparrilha.. além de uma quantidade considerável de bananas. A história nos apresenta um fato que ocorreu no Brasil e que mostra um exemplo típico de mercadoria-moeda. e. cntora do do Théâtre Lyrique de Paris(. o café. enquanto os indivíduos o guardavam como uma poupança. tanto proveniente dos rios que vêm confundir-se no Amazonas. que representa o papel-moeda corrente no país e faz a riqueza de seus habitantes”. “rendia juros”. sobretudo. que “Mademoiselle Zélie.. Em troca de uma ária de Norma e algumas canções. essas mesmas “moedas” apresentavam uma grande desvantagem: como dividir um boi para comprar arroz. Por sua vez. Adilson . o açúcar. Recebe mercadorias da Europa em troca de produtos do país.. 44 galinhas. o que Prof. riqueza ou valores disponíveis Capitale Capital Mas. que vantagens tinha o gado em relação a outras mercadorias que fizeram com que ele se tornasse uma mercadoria-moeda? A grande vantagem que ele apresentava era que. economista e pensador inglês. a baunilha. os mais variados artigos de utilidade. que são. cebola. Charles-Marie de La Condamine (1701-1775). Mas. ou seja. facilita à gente abastada toda a sorte de conforto. ela deveria receber um terço da receita.)Em Paris essa quantidade de animais e frutas poderia ser vendida por 4.. onde se situam o encéfalo e os órgãos Relativo a cabeça. primeiro livro-texto sobre a moeda.000 francos. por outro lado.000 côcos. feijão. quanto das margens deste.

um grande número de produto tem sido utilizado como mercadoria-moeda. esses metais foram deixados de lado. De modo geral. não melhora com o armazenamento. e como Mademoisellenão podia consumir nenhuma porção considerável da receita. Com o passar do tempo. cada um deles apresentando vantagens e desvantagens. a existência em abundância desses metais. alimentar os porcos e as aves domésticas com as frutas”. tornou-se necessário. Por essas razões é que os metais chamados não nobres foram pouco a pouco substituídos pelos metais nobres. Em outras palavras. perde valor. nos mostra as dificuldades apresentadas quando da utilização de mercadorias como moeda. o bronze.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba 17 teria sido uma boa remuneração em troca de cinco canções.   Ao longo da história da humanidade. que tende a melhorar. Divisibilidade: a mercadoria eleita como moeda deve poder subdividir-se em pequenas partes. Apesar de as mercadorias-moedas terem facilitado um pouco o dia-a-dia dos indivíduos. entretanto. Homogeneidade: qualquer unidade da mercadoria eleita como moeda deve ser rigorosamente igual às outras unidades dessa mercadoria. e Facilidade de manuseio e transporte: a utilização do bem eleito como moeda não pode ser prejudicada em função de dificuldades de manuseio e transporte. Nas Ilhas Society. pode-se dizer que os metais foram as mercadorias cujas características intrínsecas mais se aproximavam das características que se exigem dos instrumentos monetários. de forma que tanto as transações de grande porte quanto as de pequeno porte possam se realizar. para que uma mercadoria possa ser utilizada como moeda ela deve ter várias qualidades. Inicialmente. o azeite de oliva serve como uma bela moeda líquida que pode ser dividida em partes pequeníssimas se quiser. com o tempo. pois não serviam como reserva de valor. Esses dois metais são Prof. em especial. muitas dificuldades ainda persistiam. mas varia com o quadrado de seu tamanho – se for cortado em pedaços. por exemplo. dentre as quais destacamos:   Durabilidade: ninguém aceitaria como moeda algo que fosse perecível. O último exemplo. como o ouro e a prata. É quando então passamos para a Era da Moeda Metálica. A cerveja. os metais empregados como instrumentos monetários foram o cobre. o valor de um diamante não é proporcional ao peso. fez com que tais metais perdessem gradativamente seu valor. as moedas eram escassas. o ferro enferruja. em especial. associada. o ferro. ao contrário do vinho. porém. ressaltando a necessidade de se encontrar uma forma mais simples que facilitasse as transações comerciais.  Era da Moeda Metálica De maneira geral. à descoberta de novas jazidas e ao aperfeiçoamento do processo industrial de fundição. Adilson .

 Moeda Fiduciária ou Papel-Moeda Com o passar do tempo. e que se tornou. pelo seu detentor. levavam apenas um pedaço de papel denominado certificado de depósito.  Era da Moeda-Papel A moeda representativa ou moeda-papel veio eliminar. o meio preferencial de troca e reserva de valor. A sua origem está na solução encontrada para que os comerciantes pudessem realizar os seus empreendimentos comerciais. as “Casas de Custódia”. enquanto uns faziam a troca de moeda-papel pelo metal. portanto as dificuldades que os comerciantes enfrentavam em seus deslocamentos pelas regiões européias. O seu uso acabou se generalizando de tal forma que os comerciantes passaram a transferir os direitos dos certificados de depósito diretamente aos comerciantes locais. No tocante às moedas cunhadas com esses metais. além de serem padronizadas e terem um valor intrínseco. que recebiam o metal e forneciam certificados de depósito (ou moeda-papel) totalmente lastreados. A utilização do ouro e da prata nas transações comerciais acabou trazendo grandes vantagens. elas eram pequenas e fáceis de carregar. facilitando a efetivação de suas operações comerciais e de crédito. ou seja. que era emitido por instituições conhecidas como “Casas de Custódia”. No seu destino. em função do peso das moedas e dos riscos de assalto a que estavam sujeitos os comerciantes durante suas viagens. 100% lastreada e com a garantia de plena conversibilidade. ao longo do tempo. e a descoberta de novas jazidas não chegavam a afetar o volume que se encontrava em circulação.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba 18 definidos como metais monetários por excelência. Apesar das grandes vantagens apresentadas pela moeda metálica. a qualquer momento. os comerciantes recorriam ás casas de custódia locais. pois tanto o ouro como a prata eram metais suficientemente escassos. ou quaisquer outros valores. especialmente entre as cidades italianas e a região de Flandres. Além disso. Prof. outros faziam novos depósitos em ouro e prata. seu poder de compra era equivalente ao valor do material utilizado na sua fabricação. Adilson . especialmente após o século XIV. Esse aspecto fazia com que essas moedas mantivessem estável o seu valor ao longo do tempo. sob garantia. iniciou-se a difusão de um instrumento monetário mais flexível: a moeda-papel. Estava assim criada a nova moeda. começam a perceber que os detentores desses certificados não faziam a reconversão ao mesmo tempo. e onde os comerciantes depositavam as suas moedas metálicas. fazendo com que esse certificados tomassem o lugar das moedas metálicas. esperando a melhor oportunidade para trocá-las por alguma mercadoria. Para contornar esse problema. onde trocavam os certificados de depósitos por moedas metálicas. com o crescimento dos fluxos comerciais na Europa. Isso era possível. Em vez de partirem carregando a moeda metálica. As moedas metálicas permitiam ainda às pessoas guardá-las. o que acabava por ensejar novas emissões. existia na época um inconveniente: o transporte a longas distâncias. uma vez que suas características se ajustam adequadamente às características que a moeda deve ter.

Ela é representada pelos depósitos à vista e a curto prazo nos bancos. e o padrão ouro entrou em colapso. as “Casas de Custódia” passaram a emitir certificados sem lastro em metal. dando origem à moeda fiduciária (baseada na fidúcia. a moeda passa a denominar-se moeda de curso forçado. O acordo de Bretton Woods trouxe a aceitação geral de um padrão ouro fundamentado no dólar dos Estados Unidos. o Estado foi levado a assumir o mecanismo de emissões passando a controlá-lo. Adilson .  Menor garantia de conversibilidade. a maioria dos sistemas é fiduciária. que passam a movimentar esses recursos por cheques ou ordens de pagamento. era um metal com reservas limitadas na natureza. entretanto. esse sistema passou a ser um entrave à expansão do comércio internacional e das economias. aceita por força de lei. Prof. A emissão de papel-moeda por particulares.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba 19 Assim é que. Numa primeira etapa. as principais moedas tinham valor em dólar sendo que o dólar era conversível em ouro. Ela é chamada de escritural. Com o advento da Primeira Guerra Mundial. gradativamente. De acordo com o mecanismo do padrão ouro. Segundo esse acordo. Houve tentativas de restaurar o padrão ouro depois da Primeira Guerra Mundial. No início. apresentando as seguintes características:  Inexistência de lastro metálico. Devido a isso. Dessa forma. a emissão de moeda estava atrelada à quantidade de ouro existente em cada país.  Moeda Bancária ou Escritural Com a evolução do sistema bancário. sendo o padrão ouro abandonado. passou-se à emissão de notas inconversíveis. da moeda-papel (ou moeda representativa) para o papel-moeda (moeda fiduciária). na confiança) ou papel-moeda. entretanto. desenvolveu-se uma outra modalidade de moeda: a moeda bancária ou escritural. O ouro. Paulatinamente. Por essa razão. a maioria das nações suspendeu a conversibilidade de suas moedas em ouro. e  Monopólio estatal das emissões. Esse acordo acabou em 1971. quando foi suspensa a conversibilidade do dólar em ouro. Hoje. o papel-moeda apresentou as seguintes características:  Lastro inferior a 100%. uma vez que diz respeito aos lançamentos (débito e crédito) realizados nas contas correntes dos bancos. e  Emissão feita por particulares. A emissão de moeda passou a ser feita a critério das autoridades monetárias de cada país. as emissões eram lastreadas em ouro (padrão ouro).  Inconversibilidade absoluta. acabou por conduzir esse sistema à ruína. então. não sendo mais lastreada em metais preciosos. da Grande Depressão e da Segunda Guerra Mundial. Passou-se. ou seja.

3. quando a empresa compra produtos. A razão principal para esta característica é o curso legal imposto pelo Estado. mas que possuam o mesmo valor de compra. Meio ou Instrumento de troca (facilidade de adquirir produtos). na ocasião do pagamento. 3. seu dinheiro terá poder de compra atual). 4. Divisibilidade – A moeda-padrão ou moeda principal de uma economia deve possuir múltiplos e submúltiplos. visam a proteção quanto às falsificações. Prof. certamente após algumas centenas de operações a cédula estará deteriorada. 20 2. que ela seja impressa com material de excelente qualidade. Reserva de Valor (certeza de quando for adquirir algo. devem ser rigorosamente iguais. Adilson . Assim. Homogeneidade – Diferentes unidades monetárias. que emite e garante o papel-moeda em circulação.Preço). Indestrutibilidade e Inalterabilidade – a moeda deve resistir às inúmeras relações de troca a que estiver sujeita. conseqüentemente. chamados moedas subsidiárias. As técnicas modernas de impressão do papel-moeda. ela registra-os pelo seu valor monetário . 2.3 As Características da Moeda 1. para que não perca suas características nem possa alterá-las. Padrão de Pagamentos Diferidos (A moeda seja utilizada no futuro. para evitar que a sua utilização seja dificultada e que. seu valor monetário não esteja defasado em relação a compra efetuada). Facilidade de Manuseio e Transporte – O papel-moeda de uma economia deve ser impresso de forma a facilitar o seu uso e o seu transporte. facilitando o processo de troca. Medida ou Unidade de Valor (necessidade das pessoas e empresas registrarem suas operações e transações econômicas em uma medida que seja comum a todos os bens e serviços. além de darem maior resistência às cédulas.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba 3. 5. ela seja descartada. portanto. 4.2 As Funções da Moeda 1. Se o papel utilizado para sua impressão não for de celulose pura. para permitir a realização de todos os tipos de transações comerciais. 3. Transferibilidade – A moeda deve circular na economia sem nenhuma dificuldade. A moeda deve estar valorizada para que. exigindo-se.

Prof. por imposição de curso legal. As principais quase-moedas que conhecemos são:  Títulos da dívida pública que estejam fora do Banco Central (Obrigações do Tesouro Nacional. Moeda Escritural É a moeda dos Bancos. 2. As moedas escriturais circulam sob a forma de cheques e ordens de pagamentos. servem também como unidade monetária fracionada. Bônus do Tesouro Nacional e Notas do Tesouro Nacional). Também circulam por força de dispositivo legal. é constituída pelos lançamentos feitos pelos Bancos a crédito de seus depositantes ou correntistas. três formas de moeda: 1. Moeda Metálica Emitidas pelo Banco Central. além de possuírem muitas propriedades da moeda. podermos pagar nossos compromissos. que lhes dá curso forçado no país. Depósitos de poupança. e que compreende. Letras do Tesouro Nacional.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba 21 3. concretizando-se apenas em seus registros. 3. facilitando o troco. Adilson . Depósitos a prazo (Certificados de Depósitos Bancários – CDB e Recibos de Depósitos Bancários – RDB). visam facilitar as operações de pequeno valor. Antes.4 Formas da Moeda Define-se por Sistema Monetário o conjunto de moedas utilizadas em um país. representando a contrapartida dos depósitos à vista e a curto prazo. Esses ativos são constituídos por compromissos assumidos pelas Instituições Financeiras e pelo Governo e se caracterizam pela sua extrema liquidez. temos de vender esses ativos. 3.   A razão principal para não chamarmos esses ativos de moedas se deve ao fato de não utilizarmos essas quase-moedas para pagamento de nossas despesas de consumo nem para pagamentos de contas. transformando-os em moeda para. Constituem pequena parcela da oferta monetária.5 Quase-Moedas As quase-moedas compreendem o conjunto de ativos do sistema financeiro não monetário. assim. nos dias de hoje. Papel-Moeda São cédulas emitidas pelo Banco Central e representam parcela significativa da quantidade de dinheiro em poder do público.

Depósito à vista são obrigações dos bancos com seus depositantes e podem ser resgatados a qualquer instante. Os Bancos são intermediários financeiros. Ao se observar como as transações são liquidadas. em ouro. O Banco Central é o emissor da moeda nacional e controla a oferta monetária no país. Depósitos = Reservas (R) + Empréstimos Bancários (EB) As Reservas (R) que os bancos constituem sobre os depósitos são de dois tipos: o Reservas Compulsórias = são a parcela dos depósitos que os bancos são obrigados legalmente a depositar em suas contas junto ao Banco Central para poderem fazer frente a suas obrigações. Zelar pelo valor da moeda nacional. b.6 A Oferta Monetária 22 Pode-se considerar a princípio que o Governo controla a quantidade de moeda ofertada na economia. moeda é o ativo para liquidar as transações. mais o total de depósitos à vista nos bancos comerciais que os depositantes podem sacar a qualquer momento para liquidar as transações. Já em um país sem lastro. como cheques. Assim. corre o risco de o depositante requerer seu depósito de volta e o banco não o possuir (risco de iliquidez). além do Banco Central. por exemplo. e c. Controlar a oferta monetária. tendo como principal responsabilidade zelar pela qualidade da moeda nacional. se o banco emprestar todo o dinheiro que recebeu como depósito. por exemplo. Como já foi abordado anteriormente. tem-se a chamada moeda fiduciária. ou seja. o Reservas Voluntárias = são recursos que os bancos mantêm junto ao Banco Central por opção. os bancos captam recursos dos clientes poupadores e depositantes e aplicam recursos em clientes tomadores (mediante aprovação de crédito). os bancos comerciais também podem afetar a oferta da moeda.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba 3. O total de meios de pagamentos na economia corresponde ao total de papel-moeda emitido pelo governo em poder do público. Adilson . e o responsável pelo controle da oferta de moeda é o Banco Central. As funções do Banco Central são: a. percebe-se que apenas uma pequena parte destas é feita com papel-moeda (incluindo moeda metálica) e que a maior parte é liquidada mediante outros recursos. Possui o monopólio da emissão da moeda nacional. Na linguagem bancária. Regular e fiscalizar o sistema financeiro. não existe a obrigação legal. Num sistema cuja moeda é lastreada. instituições que captam recursos dos poupadores (ofertantes de recursos) para emprestá-los aos investidores (demandantes de recursos). a quantidade de moeda em circulação depende do estoque de ouro no país. Prof. Assim.

para garantir o nível de taxa de juros. A oferta da moeda é endógena. a taxa de juros deve poder variar para garantir o equilíbrio entre a oferta e demanda de moeda. Meios de Pagamentos = é o conjunto de ativos utilizados para liquidar transações. Poupança Financeira  M4 = M3 + Títulos Públicos de Alta Liquidez (TPAL). Nesse caso.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba 23 Multiplicador Monetário (k) = o sistema bancário pode criar moeda baseando-se em uma injeção monetária inicial feita pelo Banco Central. Além disso.  M3 = M2 + Quotas de Fundo de Renda Fixa + Operações Compromissadas Registradas no Selic (OCRSelic). ou seja. Meios de Pagamentos Ampliados  M2 = M1 + Depósitos Especiais Remunerados (DER) + Depósitos de Poupança (DP) + Títulos Emitidos por Instituições Depositárias (TEID). ou seja: EB = DV – R Como: M1 = DV + PMPP BM = R + PMPP Pode-se deduzir que os EB correspondem à diferença entre M1 e BM. A Política Monetária Ativa = o Banco Central controla a quantidade dos agregados monetários. Deve-se observar que assumindo que os bancos ou emprestam ou constituem reservas: o total de empréstimos bancários (EB) é o total de depósitos à vista (DV) menos as reservas (R). Agregados Monetários: Meios de Pagamentos Restritos  M1 (ativos com liquidez absoluta) = Papel-Moeda em Poder do Público (PMPP) + Depósitos à Vista (DV). Adilson . A Política Monetária Passiva = o Banco Central visa determinar a taxa de juros e deixa a quantidade de moeda variar. Prof. A oferta da moeda é exógena. Esta moeda injetada inicialmente é a chamada Base Monetária. a moeda criada pelo sistema bancário. existe uma relação entre BM e M1 que corresponde ao multiplicador monetário: M1 = k x BM significando que uma variação da base monetária levará a uma variação mais que proporcional nos meios de pagamentos. A Base Monetária (BM) (High Powered Money) corresponde à soma entre o papelmoeda em poder do público mais as reservas dos bancos.

Prof. trazendo impresso o seu valor. pelo fato de a taxa de juros estar baixa e as pessoas aguardarem sua elevação para comprar títulos. Adilson . as pessoas precisam reter moeda para pagar suas despesas.  Depósito à vista são obrigações dos bancos com seus depositantes e podem ser resgatados a qualquer instante.  Papel-moeda: surgiu com a emissão de recibos pelos cunhadores. Assim. Essa porcentagem é determinada pelo Banco Central. Atualmente.  Demanda de moeda por precaução: refere-se àquela parte da renda das pessoas retidas para imprevistos.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba 3.  Moeda metálica: moeda cunhada em metal precioso que trazia impresso o seu peso.  Demanda de moeda para especulação: ocorre quando aquela parcela da renda das pessoas que poderia ser aplicada em títulos fica retida.  Encaixe: porcentagem dos depósitos feitos num banco que não pode ser emprestada. e assegurava ao seu portador uma certa quantidade de ouro expressa no documento. Atualmente.  Moeda fiduciária: emitida pelos bancos centrais de cada país. onde a oferta de moeda se iguala à sua demanda. num determinado período.  Mercado monetário: é onde se encontram a oferta e a demanda por moeda e onde se determina a taxa de juros e equilíbrio. é a moeda emitida pelos bancos centrais de cada país. são cunhadas em metal não precioso.  Padrão-ouro: sistema monetário em que o papel-moeda emitido pelas autoridades monetária tem uma relação com a quantidade de ouro que o país possui.  Taxa de juros de equilíbrio: é determinado no mercado monetário. através das autoridades monetárias.  Demanda de moedas para transações: como os recebimentos e pagamentos não são sincronizados. Atualmente. tendo curdo obrigatório por lei. não é mais seguido. ao emprestar ou aplicar uma quantidade de moeda superior à que era originalmente introduzida no sistema bancário como depósito em um dos bancos componentes do sistema.  Oferta de moeda: é a quantidade de moeda que o governo resolve emitir.  Moeda escritural: criada pelo sistema bancário. se o banco emprestar todo o dinheiro que recebeu como depósito. corre o risco de o depositante requerer seu depósito de volta e o banco não o possuir (risco de iliquidez).7 Conceitos para Fixação 24  Moeda: é todo objeto que serve para facilitar as trocas de bens e serviços numa economia.

 A Política Monetária Ativa = o Banco Central controla a quantidade dos agregados monetários. sob a promessa de recebê-la no futuro. pela promessa de pagamento futuro.  Os Bancos são intermediários financeiros. não existe a obrigação legal.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba 25  As Reservas (R) que os bancos constituem sobre os depósitos são de dois tipos: o Reservas Compulsórias = são a parcela dos depósitos que os bancos são obrigados legalmente a depositar em suas contas junto ao Banco Central para poderem fazer frente a suas obrigações. para garantir o nível de taxa de juros. O devedor é a parte que deve pagar o empréstimo.  Credor e devedor: são as partes envolvidas na operação de crédito. Possui o monopólio da emissão da moeda nacional.  O Banco Central é o emissor da moeda nacional e controla a oferta monetária no país. tendo como principal responsabilidade zelar pela qualidade da moeda nacional. b) Zelar pelo valor da moeda nacional. o Reservas Voluntárias = são recursos que os bancos mantêm junto ao Banco Central por opção.  Meios de Pagamentos = é o conjunto de ativos utilizados para liquidar transações. Adilson . instituições que captam recursos dos poupadores (ofertantes de recursos) para emprestá-los aos investidores (demandantes de recursos).  Política monetária: medidas adotadas pelo governo que visam reduzir a quantidade de moeda em circulação na economia. Nesse caso. A oferta da moeda é endógena. Prof.  Crédito: é a troca de um bem.  As funções do Banco Central são: a) Controlar a oferta monetária. os bancos captam recursos dos clientes poupadores e depositantes e aplicam recursos em clientes tomadores (mediante aprovação de crédito).  Multiplicador Monetário (k) = o sistema bancário pode criar moeda baseando-se em uma injeção monetária inicial feita pelo Banco Central.  Base Monetária (BM) (High Powered Money) corresponde à soma entre o papelmoeda em poder do público mais as reservas dos bancos.  A Política Monetária Passiva = o Banco Central visa determinar a taxa de juros e deixa a quantidade de moeda variar. ou seja. e c) Regular e fiscalizar o sistema financeiro. Na linguagem bancária. a taxa de juros deve poder variar para garantir o equilíbrio entre a oferta e demanda de moeda. ou a concessão de uma quantia de moeda. A oferta da moeda é exógena. A primeira é a que empresta a quantia em moeda.

Sobre essa média é aplicado um redutor para excluir expectativas inflacionárias.  Crédito a médio prazo: é o crédito cujo prazo para pagamento é superior a cinco meses e inferior a cinco anos. Constitui a remuneração do sistema financeiro. como as despesas de investimento ou giro.  Crédito para o Estado: é o crédito que o governo utiliza para as despesas de investimento ou consumo.  Crédito a longo prazo: é o crédito cujo prazo para pagamento é superior a cinco anos.  TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo): utilizada principalmente pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). os bancos adotam as taxas para suas linhas de crédito. É corrigida a cada três meses. As taxas são coletadas diariamente e a TR de um dia corresponde a média do dia. Adilson .  Crédito a curto prazo: é o crédito cujo prazo para pagamento é igual ou inferior a cinco meses. Prof.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba 26  Crédito de produção: é concedido às empresas para que elas possam arcar com as despesas decorrentes da produção. Seu objetivo é possibilitar o alongamento de prazos no mercado financeiro. realizado pelo sistema financeiro. A partir dessa taxa. evidentemente maiores que a Selic. É utilizada como indexador de contratos e para o reajuste da caderneta de poupança.  Intermediação financeira: é o processo de transferência de recursos dos agentes superavitários para os deficitários. Em seu cálculo é considerada a taxa de juros dos títulos da dívida externa (25%) e da dívida interna federal (75%).  Política fiscal: medidas do governo que objetivam diminuir a demanda com o aumento da carga tributária.  TR (Taxa Referencial de juros): calculada pela média das taxas de juros dos CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) dos 30 maiores bancos.  Spread: é a diferença entre a taxa de juros cobrada pelo sistema financeiro dos agentes deficitários e a taxa de juros paga aos agentes superavitários.  Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia): é a taxa de negociação dos títulos públicos.  Sistema financeiro: é o conjunto de instituições privadas e públicas que transferem recursos dos agentes superavitários para os deficitários. do dia anterior e do dia seguinte.  Crédito de consumo: é concedido às pessoas para que elas possam adquirir bens de consumo.

pois não há perigo de concorrência. Os trabalhadores lutam por aumentos de salários. Indexação: é o reajuste do valor das parcelas dos diversos tipos de contrato (trabalho.  Inflação Inercial: é a resistência que os preços de uma economia oferecem às políticas de estabilização que atacam as causas primárias da inflação. indica que há um excesso de procura dos bens e serviços. Um fator agravante é o controle do mercado (monopólio ou oligopólio). Se a inflação passa para 15% no mês seguinte. Quando o obtém. Adilson . os empresários repassam esse aumento para os preços de seus bens / serviços. 4. aluguel. Conflito distributivo: é a disputa entre trabalhadores e empresários por uma participação maior na renda. pode-se dizer que é moderada (ou rastejante). existe uma aceleração inflacionária. em que os preços estão em média subindo e subindo cada vez mais – a inflação é cada vez mais alta. Índices de preços: fórmulas matemáticas que medem a evolução dos preços de um conjunto de bens e serviços num determinado período de tempo. Prof. repassados para o consumidor pelo aumento do preço do produto. Quando se diz que a inflação foi de 10% em determinado mês (ou ano) está-se dizendo que naquele período os preços em média aumentaram em 10%. a inflação não diminui mesmo se eliminada suas causas primárias. Dependendo do tamanho da inflação.2 Tipos de Inflação  Inflação de demanda: causada pelo aumento da demanda.  Inflação de custos: tem origem na oferta de bens e serviços. ou que ocorre uma hiperinflação. A inflação está estabilizada em 10%. quando os aumentos dos preços são grandes. ou seja.1 Conceitos 27 A Inflação é definida como um aumento generalizado e contínuo dos preços dos bens e serviços produzidos em uma economia. uma baixa generalizada e contínua dos preços dos bens e serviços produzidos em uma economia. Se essa taxa se mantém constante nos meses (ou anos) seguintes. Índices de Preços ao Consumidor: números-índice que pesquisam os aumentos de preços dos bens e serviços consumidos pelas famílias. financiamento) pela inflação do período passado. que permite aos empresários obterem lucros extraordinários pelo aumento dos preços dos seus produtos. mas não os preços.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba 4 INFLAÇÃO 4. isso significa que os preços continuam a subir em média 10% por mês (ou ano). Quando ocorre um aumento dos preços temos a Inflação. quando os aumentos dos preços são pequenos. Índices Gerais de Preços: números-índice que medem a evolução dos preços de todos os bens e serviços representativos de uma economia. 20% no subseqüente. Na Deflação ocorre o contrário. É causada pela elevação dos custos de produção. Como resultado.

Belém. b) Universo da pesquisa: renda familiar de 1 a 40 salários mínimos. Recife. Salvador. c) Período de coleta: primeiro ao último dia do mês de referência. Fortaleza. d) Área de cobertura: Município de São Paulo. c) Período de coleta: primeiro ao último dia do mês de referência.  Índice de Preços ao Consumidor (IPC-Fipe) a) Instituição responsável: Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (Fipe/USP). d) Área de cobertura: regiões metropolitanas do Rio de Janeiro. Adilson . Fortaleza. Belo Horizonte. Recife. São Paulo. f) Observação: a Fipe divulga semanalmente os dados sobre o índice (dados quadrissemanais). Enquanto alguns deles medem a evolução dos preços no nível do consumidor. comparando as últimas quatro semanas em relação às quatro semanas imediatamente anteriores. bem como a região de cobertura do indicador e a abrangência. b) Universo da pesquisa: renda familiar de 2 a 6 salários mínimos. auferindo um índice mensalizado para cada semana do mês. outros medem o comportamento dos preços no atacado. Belo Horizonte. deflacionamento de salários e utilização generalizada. Distrito Federal e Goiânia. em termos de orçamento familiar.  Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) a) Instituição responsável: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Belém. O período de coleta também varia. e) Utilização: balizador de reajustes salariais. Prof. Distrito Federal e Goiânia. e) Utilização: correção de balanços e demonstrações financeiras trimestrais e semestrais das companhias abertas. b) Universo da pesquisa: renda familiar de 1 a 8 salários mínimos. Porto Alegre. Curitiba. São Paulo. e) Utilização: reajustes de contratos. Salvador. c) Período de coleta: primeiro ao último dia do mês de referência.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba 28 4. d) Área de cobertura: regiões metropolitanas do Rio de Janeiro.3 Indicadores de Inflação no Brasil Existem vários indicadores da inflação no Brasil. Curitiba. Porto Alegre. Uma síntese das informações sobre os principais indicadores de preços utilizados na economia brasileira é apresentada a seguir:  Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA) a) Instituição responsável: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em relação a esses índices. f) Observações: o IPA é composto de 18 subíndices regionais em que o peso de cada mercadoria é determinado pela sua participação no valor adicionado. Índice de Preços ao Consumidor (30%) e Índice Nacional da Construção Civil (10%). Se os dados referem-se a todo o país. mudando apenas o período de coleta de dados.  Índice Geral de Preços no Mercado (IGP-M) a. d) Área de cobertura: Rio de Janeiro. São Paulo e 10 regiões. no conceito disponibilidade interna (DI). São divulgadas prévias de 10 em 10 dias. c) Período de coleta: primeiro ao último dia do mês de referência.  Índice de Preços por Atacado (IPA) a) Instituição responsável: Fundação Getúlio Vargas (FGV). Adilson . o IGP é calculado em dois conceitos: no conceito oferta global (OG) são consideradas a produção interna e as importações. pode-se utilizar o IPC-Fipe ou o ICV-Dieese. c) Período de coleta: primeiro ao último dia do mês de referência. são excluídas as importações do conceito oferta global. e) Utilização: acordos salariais e deflacionamento de séries salariais. b. b) Universo da pesquisa: renda familiar de 1 a 30 salários mínimos.  Índice Geral de Preços (IGP) a) Instituição responsável: Fundação Getúlio Vargas (FGV). d) Área de cobertura: Brasil. Prof. que é do dia 11 do mês anterior ao de referência até o dia 10 do mês de referência. c) Período de coleta: primeiro ao último dia do mês de referência. e) Utilização: contratos.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba  Índice de Custo de Vida (ICV-Dieese) 29 a) Instituição responsável: Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). devem ser utilizados índices com maior abrangência possível. vale observar que sua utilização dependerá do objetivo que se está pretendendo atingir com a aplicação do índice. representam uma antecipação do IGP. É a mesma metodologia do IGP. Já se as informações referem-se ao Município de São Paulo. Assim. b) Universo da pesquisa: de 1 a 33 salários mínimos (incluir preços no atacado e construção civil). e) Utilização: contratos. f) Observações: o IGP é uma composição de três outros índices: Índice de Preços por Atacado (60%). d) Área de cobertura: Município de São Paulo. b) Universo da pesquisa: preços no atacado. que na realidade. verifica-se que séries relativas à capacidade de compra dos salários devem ser deflacionadas por índices de preços ao consumidor.

enquanto o IPCA aumentou 8. mas sim o equilíbrio das contas externas. b) O déficit público foi reduzido. Prof.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba 30 Além disso. a partir de diferentes períodos da história econômica recente. o IGP subiu 20. como mudanças de preços no mercado internacional e desvalorizações da taxa de câmbio. Essas experiências são relatadas a seguir.2%. d) Controle monetário e aumento das taxas de juros. 223. Para acompanhar mais de perto a evolução da inflação. c) Pressões de custos derivadas da desvalorização (num quadro de indexação. em 1979. mas permaneceu alto.8%. b) Arrocho salarial (reajustes de acordo com uma porcentagem da inflação).4 Processo Inflacionário Brasileiro Até a implantação do Plano Real. As principais medidas adotadas foram: a) Desvalorização cambial (máxi) e variação cambial igual à inflação. o Brasil assinou um acordo com o FMI. o Brasil viveu diferentes experiências em termos de processo inflacionário. A inflação não cedeu por três motivos básicos: a) Não houve “quebra” dos mecanismos de indexação (ao contrário. Em 1999 (ano da desvalorização cambial). os preços por atacado são mais sensíveis a fatores externos. a partir de então. a inflação (medida pelo IGP-DI) continuou acelerando-se:  1981  1982  1983  1984 95. Apesar dessas medidas. os reajustes salariais haviam passado de anuais para semestrais). a utilização do indicador de preços depende do período em que o mesmo estará disponível. pode-se utilizar o IGP-M (dados a cada 10 dias) ou o IPC-Fipe (dados quadrissemanais).0%. 211. por exemplo. Adilson . 99.9%. pressões de custos aceleram a inflação).7%. cujo objetivo central não era o combate à inflação.0% e o IPA elevou-se 28. c) Corte de gastos públicos e aumento de tributos. 4. Por outro lado.9%.  Período 1981 – 1984 Nesse período.

 Plano Bresser Tentou conciliar a busca de equilíbrio externo e o combate à inflação. b) Congelamento de preços. Adilson .  Aumento expressivo do salário real.  dezembro/1987 (último mês da gestão Bresser): 15. indexador para corrigir salários). mas subiu muito depois do descongelamento:  fevereiro/1986 (último mês antes do Cruzado): 22.  março/1986 : . adotando as seguintes medidas: a) Duas minidesvalorizações cambiais e variação cambial igual à inflação a partir de então.3%.  julho/1987: 9. Prof. d) Elevação das taxas de juros.  Política monetária expansionista com aumento da oferta de moeda além do necessário e taxas de juros reduzidas. As causas do desequilíbrio inflacionário pós-descongelamento foram:  Política fiscal expansionista com aumento de gastos e queda de receita (redução do IR na fonte). b) Congelamento de preços e salários (criação da URP.0%. c) Congelamento do salário pela média dos últimos seis meses mais um aumento real de 8%. A evolução da inflação (IGP-DI) mostrou queda inicial e depois reaceleração:  junho/1987 (último mês antes do Plano Bresser): 25.9%. d) “Gatilho salarial” de 20%.  junho/1987 (último mês do Cruzado) : 25. A evolução da inflação (IGP-DI) foi favorável num primeiro momento.9%.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba  Plano Cruzado 31 Foi um programa de combate à inflação baseado única e exclusivamente na tentativa de eliminação da inércia inflacionária (por meio de congelamento de preços e salários).9%.1.6%. c) Aumento de impostos.  A conjugação desses fatores leva a um quadro de explosão de demanda e conseqüente desequilíbrio externo. As principais medidas foram: a) Congelamento do câmbio.

c) A recuperação das tarifas públicas. podem-se encontrar: 32  Ampliação do déficit público (o governo aumentou a arrecadação. com redução da periodicidade dos reajustes. a inflação iniciou o ano com 19% e encerrou com quase 28. Entre as causas da aceleração. Adilson .  Desvalorização cambial.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba Entre as causas da reaceleração inflacionária. cabe destacar: a) Desequilíbrio do setor público (causado pelo próprio déficit público e pelas operações oficiais de crédito). e) Salários definidos pela média real de 1988. O objetivo era apagar a memória da inflação.  Reindexação por meio da URP. d) Crescimento da indexação. por meio das seguintes medidas: a) Redução de despesas públicas. com o crescimento da produção ficando em segundo plano. Vale observar que a tentativa de desindexar a economia estava presente no congelamento do câmbio.6% em fevereiro). notadamente a partir de junho. Para isso. mas sem aumentos reais. evitando que o crescimento passado dos preços alimentasse a inflação futura.  Plano Verão (1989) O objetivo do plano era o de reduzir a inflação.9% ao mês. que eram os indexadores da época. procurava desindexar a economia e reduzir a demanda agregada. mas ampliou os gastos. d) Extinção da URP e das OTN’s (Obrigações do Tesouro Nacional). b) Dificuldades de controle monetário devidas ao superávit externo. c) Desvalorização cambial de 17% e congelamento posterior do câmbio. em 1988. mas passou a apresentar tendência de aceleração muito rápida. chegando aos 84% em março de 1990. o país registrou US$ 19. A inflação cedeu num primeiro momento (3.2 bilhões de saldo comercial e US$ 7 bilhões no balanço de pagamentos. sem desarrumar as contas externas. Prof. b) Restrições ao crédito e aumento significativo das taxas de juros. notadamente na área de pessoal e encargos).  Política do “Feijão com Arroz” (1988) Em 1988. na extinção da URP e da OTN e no congelamento de preços.

integração internacional e política de atração de capital externo de risco. congelamento de preços e posterior liberalização. Apesar disso.  Excesso de proteção à produção doméstica. a curto prazo.  A base monetária expandiu-se excessivamente devido às pressões do setor externo. c) Desindexação. com aumento substancial de impostos. com redução da proteção à produção doméstica. confisco da dívida interna e atraso de pagamentos ao setor privado. num primeiro momento. O programa procurava. que. Adilson . com o PIB crescendo 3. visando a uma maior inserção do país no comércio internacional. num segundo momento (quando as taxas se reduziram) estimulou o consumo (efeito-riqueza). A médio e longo prazos. saindo de um resultado operacional de – 6.3% em 1989 e o setor externo registrando saldo comercial de US$ 16 bilhões (em 1989). livre negociação de salários. com bloqueio de ativos financeiros (US$ 110 bilhões bloqueados de um total de US$ 150 bilhões). o setor produtivo não se desestruturou (ao contrário da Argentina). salários. ativos financeiros etc. As causas eram conhecidas:  Déficit público (6.). o país vivia a beira da hiperinflação (84% em março).FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba Entre os fatores que explicam a aceleração da inflação.  O pagamento de 1/3 do salário relativo às férias. O Plano Collor I propunha mudanças radicais na economia brasileira. sofreram um processo de queda real. que levou os consumidores a antecipar as compras e as empresas a aumentar os estoques. derrubar a inflação a qualquer preço. câmbio.3% (1990). estabelecido pela Constituição. redução de salários do funcionalismo. que se elevou em função da redução do Imposto de Renda na fonte em janeiro.  O aumento da riqueza. com a adoção do câmbio flutuante. b) Contração monetária. o objetivo era internacionalizar a economia brasileira.  Indexação generalizada (preços . Prof.  Expansão monetária excessiva. a partir das seguintes medidas: a) Ajuste fiscal profundo. privatização e aumento da eficiência do Estado. cabe destacar: 33  A renda disponível dos assalariados. voltaram a se recuperar a partir de março.  A expectativa criada quanto à possibilidade de que os preços poderiam disparar após o congelamento.  Mesmo os salários.9% do PIB).  Plano Collor I Por ocasião da posse do presidente Fernando Collor de Melo. principalmente devido à atuação sindical.9% do PIB (1989) para +1.  O governo não promoveu o ajuste fiscal prometido.  Ineficiência do Estado. propiciado pelas elevadas taxas reais de juros.

 Redução das taxas reais de juros. de outro. porém. caiu para 7. atingindo 22. mas não cedeu: de um lado. notadamente com pessoal e encargos. porque as reformas estruturais necessárias para recuperar a política fiscal não foram executadas. no final de 1993. a inflação passou do patamar de 22% para a casa dos 40%. em função de:  Pressão para liberação de cruzados. Tal estratégia.  Gestão Marcílio Marques Moreira Com a devolução dos cruzados bloqueados a partir do segundo semestre de 1991. A aceleração da inflação leva o governo a adotar. Com a política de juros elevados. a inflação. dadas as pressões expansionistas estabelecidas na própria Constituição. mas. Essa aceleração pode ser atribuída a:  Expansão dos gastos do governo.  Período de Transição (início da gestão Itamar Franco) O início do governo Itamar Franco foi caracterizado pela freqüente troca de ministros na área econômica. que havia atingido 21. porque a indexação da economia manteve-se e.  Nova política salarial com aumento da indexação de salários.  Plano Collor II O fracasso do Plano Collor I levou o governo a adotar novo congelamento de preços e salários em fevereiro de 1991.  Falta de ajuste fiscal nos Estados e Municípios. Imaginava-se que a TR funcionaria como uma libor. A inflação ao longo de 1992 manteve-se relativamente constante no patamar de 22 a 24% ao mês. verificou-se que a inflação caiu de 84% para cerca de 10% em maio de 1990 e depois voltou a subir até atingir 20% em janeiro de 1991. voltou a acelerar. o chamado Plano FHC. flutuando de acordo com a inflação futura.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba 34 Como resultado. Dessa vez. a inflação manteve-se estável. Com isso. até a entrada do então senador Fernando Henrique Cardoso. Prof. que vai até o final de 1993.  Conflito distributivo por causa da recessão. na realidade. Nesse período tumultuado e no início da gestão FHC.2% no mês seguinte.1% em dezembro de 1991. que seria a base para a criação do Plano Real. Pode-se dizer que os resultados esperados não foram alcançados. revelava a total incapacidade do governo de controlar a política fiscal.1% em fevereiro de 1991. Adilson . o congelamento veio acompanhado de forte elevação de tarifas públicas e uma nova tentativa de desindexação. a política econômica passa a ser concentrada exclusivamente na prática de juros elevados. com a criação da TR (Taxa Referencial). a exemplo dos outros planos.

em Reais. Tal queda. é explicada pela “quebra” do sistema de indexação. o governo instala a terceira fase de seu plano. Embora nem todos os preços estivessem convertidos em URV. em 01/07/1994. Cofins. ajuste fiscal e desindexação. Prof.5% em setembro de 1994. Os preços passam a ser livres e apenas a política salarial seria mantida por um prazo de um ano. “despencou” para 3.2% a.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba  Plano Fernando Henrique Cardoso (FHC) 35 O Plano baseado em duas questões essenciais. Em termos de resultados. na segunda fase do Plano. com a extinção da URV. obviamente. Na área monetária. para reposição da inflação residual do período anterior ao Real. foi estruturado em três etapas: 1ª Etapa Foi baseada na busca de um ajuste fiscal provisório com aumento da carga tributária (antecipação do prazo de recolhimento de impostos. que é a criação do Real. para dar maior flexibilidade à política fiscal. seria a ocasião de desindexar a economia.  Criação do Real A criação do Real vem acompanhada de um amplo programa de desindexação e reforma monetária. Para isso. a inflação em Cruzeiros Reais acelerou (de 36.m. para dar suporte legal à desindexação. 2ª Etapa A segunda etapa foi a fase preparatória para a “quebra” dos mecanismos de indexação. e nem mesmo a inflação estabilizada. passam a ser cotados. do IPMF. com a substituição da moeda e extinção do indexador. não há mais indexador e os preços. aumento de IOF etc. as aplicações financeiras etc. em virtude ao aumento do grau de indexação. quebra-se o mecanismo de indexação. o mesmo acontecendo com os salários.3% em agosto de 1994 e 1. no mesmo montante. o Cruzeiro Real é substituído pelo Real.) e criação do Fundo Social de Emergência (FSE). Com isso. Adilson . ficava proibido qualquer reajuste de contrato com intervalo inferior a um ano. até então definidos em URV. em que os preços foram definidos em URV (que acompanhava a cotação do dólar). Já na terceira etapa.6 em junho de 1994). sem traumas do congelamento. na seguinte condição: R$ 1 = US$ 1 = 1 URV Por outro lado. Com isso. em dezembro de 1993 para 46. procurava-se “alinhar” os preços e. o governo procurou conduzir a economia para uma fase inicial de superindexação. no momento em que todos estivessem definidos em URV e a inflação estável (embora em patamar elevado). Além disso.

Sobre a balança comercial: com a inflação.000. b) Plano Verão:   Data: janeiro de 1989. Principais medidas: congelamento de preços e salários e reforma monetária que transformou Cz$ 1. Principais medidas: retenção dos saldos superiores a NCz$ 50.00 das contas correntes.00.  Plano Bresser   Data: junho de 1987. Prof. as incertezas dos empresários em relação aos lucros levam-os a uma diminuição nos investimentos. os donos de imóveis têm suas propriedades valorizadas e os profissionais liberais podem aumentar seus honorários. levando as pessoas a aumentarem o consumo das mercadorias importadas. o que contribui para o déficit na balança comercial. c) Plano Collor I:   Data: março de 1990. Por outro lado. ao passo que os preços de bens e serviços sobem quase diariamente. poupanças e outras aplicações financeiras. b. Sobre a distribuição de renda: os trabalhadores saem perdendo.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba 4. A alta taxação desses produtos é uma forma de governo evitar esse desequilíbrio. a) Plano Cruzado:   Data: fevereiro de 1986. pois seus salários são reajustados periodicamente. Sobre as expectativas: num processo inflacionário.000. Principais medidas: congelamento de preços e salários e reforma monetária que transformou Cr$ 1. e reforma monetária que transformou NCz$ 1. Os empresários defendem seus ganhos repassando o aumento de seus custos para o consumidor elevando o preço de seus produtos.00 em Cr$ 1.00.00 em Cz$ 1. d) Plano Collor II:   Data: fevereiro de 1991. os preços dos bens e serviços produzidos internamente tendem a ficar mais elevados do que os dos importados.5 Consequências da Inflação 36 a.00. reduzindo a capacidade produtiva do sistema econômico. Adilson . c. Principais medidas: congelamento de preços e salários.00 em NCz$ 1. Principais medidas: congelamento de preços e salários por um período de aproximadamente três meses.000.

514.8 14. pago pelo processo de aceleração da inflação.750.406.8 15.6 480.1 65.2 95.8 40.093.1 fonte: Fundação Getúlio Vargas (FGV) Prof. Adilson .6 1.0 Anos 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 Inflação 1.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba e)   Plano Real: Data: 1º de julho de 1994. c) A indexação.708. “esconde” as distorções e acaba adiando a tomada de decisões mais profundas para enfrentar o problema. b) Nenhuma teoria isolada esgota a explicação do processo inflacionário do país.0 63.0 2. Depois da experiência bem-sucedida de combate à inflação do governo Castelo Branco (1964-1965).573. pode contribuir para gerar mais segurança e ampliar o prazo das operações financeiras.782.2 1.6 Considerações Finais A experiência brasileira de combate ao processo inflacionário permite extrair uma série de conclusões importantes: a) A consciência de que não existe artificialismo no processo de superação dos problemas inflacionários.00. se utilizada adequadamente.0 223. a história brasileira é marcada por uma profunda seqüência de descontroles. f) A inflação é um dos elementos mais perversos no processo de distribuição de renda. que criou o real com a seguinte paridade: R$ 1.037.5 34. IGP-DI em % (dezembro a dezembro) Anos 1970 1971 1972 1973 1974 1975 1976 1977 1978 1979 Acumulado na década Inflação 19.476. Tabela 1 Taxas de Inflação – Brasil.8 77.2 1. 4.6 1.582.8 9.00 = CR$ 2.5 1.5 29.148. d) A maior abertura da economia ao exterior pode ser um fator importante para reduzir a inflação. na presença de desequilíbrios fiscais e monetários profundos. como se pode observar na Tabela 1.3 7.4 46.7 20. há um razoável grau de complementação entre elas.7 211.9 50.0 415. e) A irresponsabilidade na condução da política fiscal impõe um alto preço. o congelamento de preços e salários foi corretamente “excluído” da literatura econômica brasileira. na realidade.8 1.3 38. principalmente num país que protegia excessivamente a produção doméstica.7 15. mas.7 Anos 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 Inflação 110.8 235. 37 Principais medidas: equilíbrio das contas públicas e reforma monetária. até a implantação do Plano Real.158.2 99.2 19.

148. 50. Os trabalhadores lutam por aumentos de salários. quando os aumentos dos preços são grandes.1% nos anos 90. os empresários repassam esse aumento para os preços de seus bens / serviços.  Conflito distributivo: é a disputa entre trabalhadores e empresários por uma participação maior na renda.  Índices Gerais de Preços: números-índice que medem a evolução dos preços de todos os bens e serviços representativos de uma economia.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba 38 O descontrole do processo inflacionário brasileiro pode ser notado na inflação acumulada em cada década: 1. em janeiro de 1999.  Aceleração Inflacionária: é quando os preços estão em média subindo e subindo cada vez mais – a inflação é cada vez mais alta (se a inflação passa para 15% no mês seguinte.  Tamanho da Inflação: pode-se dizer que é moderada (ou rastejante).7 Conceitos para Fixação  Inflação: é definida como um aumento generalizado e contínuo dos preços dos bens e serviços produzidos em uma economia.7% nos anos 70. Prof. na história recente do Brasil. somente depois do Plano Real o país conseguiu conviver com um período grande de inflação controlada. financiamento) pela inflação do período passado.  Índices de preços: fórmulas matemáticas que medem a evolução dos preços de um conjunto de bens e serviços num determinado período de tempo. a inflação não diminui mesmo se eliminada suas causas primárias.  Deflação: quando ocorre uma baixa generalizada e contínua dos preços dos bens e serviços produzidos em uma economia. mesmo após a desvalorização cambial.573.406.  Indexação: é o reajuste do valor das parcelas dos diversos tipos de contrato (trabalho.514. Quando o obtém. 20% no subseqüente).  Índices de Preços ao Consumidor: números-índice que pesquisam os aumentos de preços dos bens e serviços consumidos pelas famílias. apesar dos bons resultados do Real. 4. Na realidade. ou que ocorre uma hiperinflação.0% na década de 80 e 63. quando os aumentos dos preços são pequenos.582. Como resultado. aluguel. Adilson .

os economistas têm consciência de que a industrialização não vai resolver o grave problema mundial de desemprego. publicado pelo IBGE. é um fator de disseminação de desemprego nos sistemas capitalistas. que se espalham pelo interior do Brasil. 5. deixando para os governos a responsabilidade de encontrar formas para distribuir renda da economia. que é a má distribuição de renda” (Celso Furtado). responsável pela retração da demanda. este aumento não tem se dado de forma generalizada. expresso em porcentagem. Segundo dados do Dieese. A origem direta desse problema é a concentração de renda. Mesmo que os índices oficiais do desemprego. e nos inúmeros bolsões de trabalhadores sem terra e sem trabalho. que lotam as calçadas das ruas dos grandes centros e dividem espaço nos engarrafamentos e sinais de trânsito.4 milhões de desempregados. A globalização. A taxa de desemprego é o quociente entre o número de pessoas desempregadas e o de ativos. através da distribuição da renda e da geração de emprego. “Há três objetivos principais que devem ser perseguidos simultaneamente: conseguir uma inserção dinâmica internacional. embora o IBGE apresente taxa de desemprego aberto bem mais modesto. porque o sistema capitalista que se baseia na acumulação de lucros não o fará por si mesmo. segundos dados do Dieese. o desemprego total passa de 18%. Hoje. que se expande mesmo com redução no uso do fator trabalho e a concentração de renda age pelo lado do mercado consumidor. apesar de ter consciência de que sua sobrevivência depende da formação do mercado. que é a falta de emprego. Adilson .177 postos formais de trabalho no período entre agosto de 1994 e março de 1997. e a elevação da capacidade de produção atingida em todos os setores da indústria.1 A Taxa de Desemprego A porcentagem de pessoas desocupadas em relação ao total da população ativa (os ocupados mais os desempregados) é conhecida como taxa de desemprego. só a Grande São Paulo fecharam o ano de 1997 com mais de 1. sua expressão está na presença constante de vendedores ambulantes. e acatar outro problema universal. Embora o nível de ocupação tenha crescido em algumas regiões do país. porque obriga as empresas no mundo todo a adotarem técnicas de produção cada vez mais poupadoras de mão-de-obra. de serviços e da agricultura. combater a tragédia moderna da pós-industrialização. Os sistemas automatizados de produção atuam no desemprego pelo lado da oferta.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba 5 DESEMPREGO 39 O desemprego é. à medida que concentra a renda nas mãos da minoria e deixa as grandes massas quase sem poder de compra. tendo como resultado a eliminação de 733. Taxa de = Desemprego Desempregados População Ativa Total X 100 Prof. não reconheçam a gravidade do problema que o país atravessa por falta de melhores oportunidades. o problema econômico mais grave deste início de milênio. No Brasil. sem dúvida. que difunde tecnologias cada vez mais eficientes.

não pode ser considerado como se estivesse numa situação transitória entre dois empregos.3 As Causas do Desemprego Para justificar a aparição do desemprego. pode-se recorrer basicamente a dois tipos de explicações:  O funcionamento do mercado de trabalho. a capacitação e a experiência de certos trabalhadores não sejam as desejadas. 5. O normal é que a maior parte dos desempregados friccionais não tarde muito em encontrar um emprego. 5.2.2. ela diminui.2. durante certos períodos de tempo. O desemprego estrutural também pode originar-se pelo deslocamento de uma indústria de uma zona geográfica para outra. Durante as fases em que a atividade econômica é muito fraca. O mesmo acontece com o Turismo e comércio no final de ano.1 Desemprego Sazonal É causado por variações na demanda de trabalho em diferentes momentos no ano. O desemprego friccional e o desemprego estrutural formam o chamado desemprego involuntário.2 Desemprego Cíclico Acontece quando os trabalhadores e. e  O nível da demanda agregada. quando se diz que a economia passou por uma “recessão” ou que está “estancada”. só há duas opções: enfrentar um prolongado período de desemprego ou trocar drasticamente de ocupação. na agricultura. o desemprego resultante é um desemprego cíclico. A existência de um certo nível de desemprego friccional é normal. porque a mobilidade de trabalhadores de um emprego para outro ou de uma cidade para a outra requer um certo tempo e o mesmo ocorre com as pessoas que se incorporam pela primeira vez ao mercado de trabalho. Assim. porque algumas empresas estão atravessando uma crise ou porque os novos membros da força de trabalho levam certo tempo procurando emprego. A renovação tecnológica e a automação fazem com que. dadas as novas condições de produção. ficam ociosos devido ao fato de o gasto da economia.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba 5. os fatores produtivos.3 Desemprego Friccional É originado pela saída de seus empregos de alguns trabalhadores que procuram outros melhores. nas fases de recuperação e expansão. Representam o montante de trabalhadores que desejam empregar-se ao salário real vigente e que não encontram emprego. 40 Assim. a taxa de desemprego aumenta. o desemprego pode apresentar fortes variações sazonais em função das épocas do plantio e da colheita.2 Tipos de Desemprego 5. em geral. 5. Adilson . e. 5. ser insuficiente para dar emprego a todos os recursos. O trabalhador que está desempregado por motivos estruturais – diferentemente do que ocorre com o desemprego friccional –.2. de fato.4 Desemprego Estrutural Deve-se a desajustes entre a qualificação ou localização da força de trabalho e à qualificação ou localização requerida pelo empregador. Prof.

de modo imediato. Em uma perspectiva keynesiana. o que implica certo intervencionismo.3. ao procurarem as empresas. defende-se que o desemprego acima do friccional é involuntário e ele ocorre porque o nível da demanda agregada é insuficiente. L. tais como salários mínimos – e pela pressão dos sindicatos por salários mais altos.  Os ajustes devem recair não só sobre os salários. o desemprego deve-se. se na economia brasileira aumenta-se o gasto agregado de forma brusca. VARIÁVEIS CONTROLE DA INFLAÇÃO KEYNESIANOS  O controle sobre a quantidade de dinheiro não é o único meio. Esse desemprego é qualificado como voluntário. Assim. Prof. R. DÉFICIT PÚBLICO  Uma política fiscal expansiva pode incrementar a produção.  Os efeitos redistributivos do gasto público são desejáveis. Mesmo assim. Em uma perspectiva clássica ou monetarista. há a possibilidade de que o aumento do gasto transfira-se para os preços. produtivo pode ser MONETARISTAS  Controle estrito dos agregados monetários (oferta monetária).  Deve-se reduzir a intervenção do setor público ao mínimo possível.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba 5. porque as fábricas estão obsoletas ou porque não se dispõe dos meios necessários para produzir os bens desejados. fundamentalmente. Fonte: TROSTER. F. Tem de ser evitado todo o excesso de liquidez sobre as necessidades que apresenta a economia.  Um déficit admissível. Esquema 1 – Diferentes opções diante dos grandes problemas da política econômica. no desejo dos trabalhadores de receberem salários excessivamente elevados. mas também sobre os excedentes. segundo os economistas. possivelmente não se poderia atender. em particular. numa quantidade importante. 2002. os gastos com investimentos das empresas e o gasto público ou as importações deverão ser estimulados. Introdução à economia.3. Dessa forma. Adilson . A competitividade e a produtividade têm de ser consideradas. muito emprego. Essa atitude dos trabalhadores.  Uma política fiscal expansiva não consegue aumentar a produção. o desemprego acima do friccional devese a uma política de salários inadequada. necessariamente.  O desemprego deve-se basicamente ao fato de os salários serem muitos elevados: crescem a um ritmo maior que a produtividade do trabalho. LUTA CONTRA O DESEMPREGO  Estimular a demanda agregada. já que ele pode ser canalizado para a importação de bens do exterior. O emprego só aumentará se aumentar o gasto total da economia e para isso o consumo das economias domésticas. a toda demanda por produtos nacionais. p.  O equilíbrio orçamentário deve ser a norma.356 5.2 O Nível de Demanda Agregada Para os economistas keynesianos. ao nível insuficiente da demanda agregada por bens e serviços. o aumento do gasto não criará. SP: Pearson. aumentar os seus lucros. é motivada pela própria legislação – que introduz normas.1 O Funcionamento do Mercado de Trabalho 41 Conforme os economistas monetaristas (clássicos) a explicação do desemprego baseiase no funcionamento do mercado de trabalho e. & MOCHÓN.

normalmente. inclusive para a sociedade.4. pode-se afirmar que o desemprego é o primeiro elemento determinante da pobreza. O subsídio do desemprego cobre partes mínimas e as suas receitas são menores do que aqueles que estão ocupados. ou seja. 5. Porém. 5. Prof.4 Os Efeitos Econômicos do Desemprego 42 O desemprego de uma parte importante da população ativa é provavelmente o maior problema que um grande número de países enfrenta. por causa da produção que poderia ter sido efetivada. e  Efeitos sobre a economia. e deve-se lembrar que nem toda a população tem acesso ao seguro-desemprego. Por isso. num período de igual ou superior a seis meses. é prejudicial que uma parte da população ativa encontre-se durante certo período desempregada. o subsídio do desemprego. pode haver consequências degradantes para quem se vê obrigado a ficar parado. sua produção potencial perde-se para sempre. os trabalhadores empregados contribuem para financiar os maiores custos derivados do pagamento do seguro-desemprego. no desemprego de longa duração.3 Efeitos sobre a Economia No nível de macroeconômico. quando existem recursos ociosos. Quem mais sofre com esse efeito é. 5. em parte. Assim. o desempregado. Dessa forma. por meio de quotas ou impostos mais elevados.4. tais como o alcoolismo. Quando o desemprego perdura. um primeiro custo para a sociedade são os recursos não produzidos quando existe certo volume de mão-de-obra desocupada. Adilson . quando o nível de desemprego aumenta. pois são obrigados a pagar parte do custo do desemprego. Este problema apresenta-se. a drogas ou o suicídio. não evita todos os males.1 Efeitos sobre os Desempregados É importante salientar que.4. o desempregado sofre psiquicamente e se sente envergonhado e a margem da sociedade. O seguro-desemprego é financiado pelas quotas do seguro social dos trabalhadores e das empresas e.2 Efeitos sobre os que Trabalham Aqueles que estão ocupados também pagam pelos desempregados. por meio de quotas ou impostos mais elevados. Felizmente o seguro-desemprego está em grande parte generalizado e a grande maioria daqueles que não encontram emprego podem recorrer a ele. pelas contribuições do setor público. contudo. o desemprego também implica um alto custo. o desemprego de longa duração (período de igual ou superior a seis meses) é mais grave em suas consequências sobre um indivíduo e sua família que o desemprego de curta duração. O montante deste seguro pode ser inferior ao salário nominal. Portanto. Os efeitos do desemprego podem ser analisados estudando as três categorias:  Efeitos sobre os desempregados. Os bons hábitos de trabalho e a própria produtividade potencial dos trabalhadores serão negativamente afetados.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba 5. podendo levá-lo a problemas sociais. evidentemente.  Efeitos sobre os que trabalham. Com isso.

Uma delas é incentivar as micro e pequenas empresas. Waldir (texto: Perfil Social do Desemprego Recente – Unicamp fevereiro/2009 – http://www. Outros países serão levados a melhorarem tecnologicamente suas empresas para competirem com o Japão. é a nova legislação do contrato temporário de trabalho. para vencer a crise que atravessa a sua economia.0 bilhões para fortalecer suas empresas. as quais são mais intensivos em mão-de-obra. as mulheres. pois o empregador muitas vezes se beneficia dos financiamentos para modernizar sua unidade produtora. estes dois estratos sociais que cresceram significativamente no período de expansão econômica (2004-2008). Com isso. algumas soluções para reduzir o desemprego têm sido adotadas sem muito sucesso. promete investir cerca de US$ 127. com uma proporção de jovens negras superior àquela das mulheres negras no conjunto dos desocupados. Por fim. No Brasil. onde igualmente são majoritárias. discute-se com profundidade a redução da jornada de trabalho. os maiores de 50 anos e as pessoas com reduzida qualificação. de modo que a redução de custos não tem limites e.5 Tentativas de Reduzir o Desemprego A pressão para a redução dos custos de produção é muito grande no mundo inteiro. aprovado pelo Congresso no mês de janeiro de 1998. O Japão. Coréia. através de máquinas mais poupadoras de mão-de-obra. através de financiamentos favorecidos e redução de carga tributária. EUA. devido a perda da qualidade do emprego. destaca-se a desigual distribuição entre a população ativa. o que constitui importante vulnerabilidade social em um cenário futuro de queda expressiva no crescimento econômico. pois atinge diretamente as micro e pequenas empresas. enquanto que os trabalhadores serão cada vez mais empurrados para o desemprego e subemprego. Conforme estudos. como solução para o desemprego. Outra medida importante. Os desocupados acompanharam o movimento de mobilidade social ascendente dos estratos sociais inferiores. mas com resultados discutíveis. Conforme QUADROS. 5. com agravamento do desemprego e retração dos rendimentos.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba 43 Em relação ao custo social do desemprego. Adilson . O lançamento do Simples – Sistema Tributário Simplificado colaborou com a redução do desemprego.unicamp. conseqüentemente.pdf): “O crescimento econômico recente (até 2007) não foi capaz de reduzir significativamente a massa e a proporção de desocupados. nestes segmentos mais jovens de desocupados predominam aqueles com 2º grau de escolaridade.eco. O financiamento a empresas com taxas de juros reduzidas pode não gerar os resultados almejados. com taxas expressivas de 3º grau nas faixas etárias pertinentes. Na Europa. China e assim sucessivamente. os mais afetados pelo desemprego são os jovens sem experiência. modernidade e eficiência. situando-se majoritariamente na baixa classe média (remediada) e na massa trabalhadora (pobre). Isso significa respeitável aporte de capital para modernizar ainda mais o seu sistema produtivo e tornar suas empresas mais competitivas. as empresas são levadas cada vez mais para a automação. encontram-se bastante vulneráveis no novo cenário mais desfavorável e podem sofrer sério processo de mobilidade descendente.br/docdownload/publicacoes/textosdiscussao/texto156. Examinando-se o perfil dos desocupados em 2007 verifica-se que eles continuam fortemente concentrados nas faixas etárias mais jovens.” Prof.

refere-se à análise dentro de um segmento do mercado de fatores. o debate foi ampliado. que. A partir daí. a qual vai se reduzindo. Para analisar os vários ângulos da questão distributiva (enfoques estruturais. como a renda é distribuída entre os fatores que participam do processo produtivo (salários. sem dúvida. a escala tributária do governo. verificou-se. O primeiro deles refere-se à distribuição internacional. reforça as restrições ao uso do PIB isoladamente como indicador do nível de bem-estar da sociedade brasileira. a participação de outros fatores (juros e aluguéis) e. embora algumas teorias procurem explicá-la por meio de outra abordagem (distribuição funcional. Existe ainda a questão da distribuição de salários. A discussão sobre a questão distributiva ocupou muito espaço. A evolução setorial dos países mostra numa primeira fase do desenvolvimento uma grande participação do setor agrícola. A segunda ótica refere-se à distribuição setorial da renda.1 Diferentes Enfoques da Distribuição de Renda A questão da distribuição de renda pode ser analisada sob vários aspectos. no Brasil. isto é. “roubando” participação. qual seja. evolução da concentração. a qual está relacionada às diferentes condições de renda observadas entre os países. Adilson . indústria (secundário) e serviços (terciário). inevitavelmente. inclusive. Prof. juros. muitas vezes. do setor industrial. as várias correntes. como o próprio nome diz. com a escalada dos juros nos Estados Unidos. entre agricultura (primário). Posteriormente. nesse caso. por exemplo. têm se concentrado muito na relação “salários versus lucros”.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba 6 DISTRIBUIÇÃO DE RENDA Introdução 44 Uma das características mais marcantes da economia brasileira é seu elevado grau de concentração de renda. o caso da Bolívia). perdão para as dívidas dos países de renda extremamente baixa (como foi. e esta é. por exemplo). sob o enfoque de diferentes correntes. principalmente. as propostas etc. a partir de trabalho realizado por Langoni em meados dos anos 70. quando foi constatado um aumento no grau de concentração de renda entre 1960 e 1970.) é preciso inicialmente caracterizar de maneira adequada o significativo do termo “distribuição de renda”. O quarto enfoque concentra a análise na distribuição pessoal da renda. lucros e aluguéis). a terceira fase é caracterizada por uma participação crescente dos serviços. e os conceitos normalmente utilizados para mensurar o grau de concentração. ao mesmo tempo em que a indústria ganha participação (segunda fase). Essa discussão exacerbou-se na década de 80 em função do pesado ônus imposto aos devedores externos. a remuneração do trabalho. por parte dos países industrializados. a uma redução do “bolo” a ser distribuído. A terceira forma de olhar a questão é por meio da distribuição funcional da renda. que conduz. As discussões. a questão mais relevante. principalmente. Mais recentemente. Tal constatação. esquecendo. 6. e manteve-se até os dias atuais.

altos índices de analfabetismo. A luta contra a contaminação nos afeta a todos. As estratégias para sair do subdesenvolvimento são escassas. A chave do crescimento econômico baseia-se no aumento da produtividade. Adilson . DESENVOLVIMENTO E SUBDESENVOLVIMENTO (EMERGENTES) O crescimento econômico é um aspecto de outro processo mais geral: o desenvolvimento de uma sociedade. junto à potenciação das vantagens comparativas. O aumento da produção também incide favoravelmente sobre o nível de emprego. Um deles seria o sacrifício do consumo presente. exigido para se aumentar o investimento. O desenvolvimento do capital endógeno. débil estrutura sanitária. Estas podem ser resumidas em: baixa renda per capita. de um modo ou de outro: como consumidores. fortes diferenças na distribuição da renda elevadas taxas de crescimento da população.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba 45 7 O CRESCIMENTO ECONÔMICO. A efetivação de receitas baseadas no livre jogo de mercado cria. As causas do subdesenvolvimento podem ser resumidas nos seguintes pontos: escassez de capital físico. A contaminação aparece como um cisto que a sociedade deve pagar pelo crescimento econômico. em certas ocasiões. insuficiência de capital humano. que está condicionada por uma série de fatores. dificuldades derivadas da própria debilidade do mercado nacional. Os países em via de desenvolvimento caracterizam-se por uma série de insuficiências. Por crescimento entende-se um processo sustentado em longo prazo. O Banco Mundial desempenha um papel importante no financiamento de programas de desenvolvimento. o progresso tecnológico. O crescimento econômico tem certos inconvenientes. uma vez que o setor público desses países tem uma estrutura muito limitada. impõe-se como uma estratégia a ser seguida. A sociedade deve encontrar a forma mais apropriada para combater a poluição. MEIO AMBIENTE. baixa taxa de poupança. Prof. as economias de escala a qualidade de mão-de-obra e a modalidade dos fatores produtivos. A reciclagem apresenta-se como uma iniciativa potencial. como contribuintes ou como ofertantes de trabalho. dado que ela reduz a necessidade de se empregarem recursos naturais e limita a quantidade de resíduos jogados no meio ambiente. Outro tipo de sacrifício são as externalidades negativas que o aumento da produtividade gera ao meio ambiente. ele oferece uma margem para se realizarem políticas redistributivas. elevadas taxas de desemprego estrutural. nos quais os níveis de atividade econômica aumentam. entre os quais. estrutura produtiva desequilibrada definida por um peso excessivo da agricultura. O crescimento econômico pode ser a chave para alcançar um nível de vida mais elevado e. relações de dependência entre os países desenvolvidos e os subdesenvolvidos. a taxa de investimento. além disso. se comparados com os países desenvolvidos. O crescimento econômico pode ser medido em termos de PIB real ou PIB por habitante.

contingenciamento e subsídios à exportação. por outro. Outros obstáculos são de caráter administrativo. As transações registradas agrupam-se em duas grandes categorias: as que integram o balanço de transações correntes e as que fazem parte do balanço de conta do capital. os investimentos em carteira. durante um período de tempo determinado. As transações contidas no balanço de transações correntes incluem. Entre estes cabe destacar procedimentos aduaneiros complexos e normas sanitárias e de qualidade muito estritas. riqueza mineral.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba 8 O COMÉRCIO INTERNACIONAL 46 O Comércio Internacional consiste no intercâmbio de bens e serviços entre países. Dessa maneira. raramente ocorre uma especialização absoluta de um país na produção de uns poucos bens. Ainda que do livre comércio houvesse vantagens para todos os países. as transações unilaterais correntes. as transações de capital e as variações de reservas em ouro e divisas. Adilson . Na vida real. tecnologia e dotação de fatores propiciam a especialização e o intercâmbio. Teoria das Vantagens Comparativas (David Ricardo): teoria segundo a qual os países devem especializar-se na produção dos bens em que possuem vantagens comparativas para trocá-los por bens produzidos nas mesmas condições em outros países. Estrutura do Balanço de Pagamentos BALANÇO DE PAGAMENTOS BALANÇO COMERCIAL (BC) Exportações Importações Donativos BALANÇO DE SERVIÇOS (BS) Fretes pagos Fretes recebidos Juros TRANSFERENCIAS UNILATERAIS (TU) SALDO DO BALANÇO DE PAGAMENTOS EM CONTA CORRENTE (TC) (TC) = (BC) + (BS) + (TU) MOVIMENTOS DE CAPITAIS AUTÔNOMOS (KA) Amortização Investimentos diretos Empréstimos e financiamentos Capitais de curto prazo SALDO TOTAL DO BALANÇO DE PAGAMENTOS (BP) (TC) + (KA) MOVIMENTO DE CAPITAIS COMPENSATÓRIOS (KC) Prof. por um lado. as importações e exportações de mercadorias (balança comercial) e os serviços (balanço de serviços) e. os créditos a longo prazo. são frequentes os obstáculos ao mesmo. O balanço de conta de capital inclui os investimentos diretos. Esses se resumem em tarifas. os créditos a curto. aumenta-se o nível de bem-estar dos países envolvidos no comércio internacional. O Balanço de Pagamentos é um documento contábil que registra sistematicamente o conjunto de transações econômicas de um país com o resto do mundo. As diferenças entre os diversos países quanto às condições climáticas.

Um sistema desenvolvido de comércio internacional exige um mercado onde uma moeda possa ser trocada por outra. Quando um país apresentava um déficit persistente no balanço de pagamentos. o país em questão teria de valorizar sua moeda. estava fixado ao ouro. o valor de uma moeda fixou-se em termos de dólar. o mecanismo pode não funcionar devido. como por exemplos: café. entre outras coisas. soja e açúcar entre outros e também minérios. por sua vez.  Contas de Caixa: são as contas que registram a contrapartida dos lançamentos das contas operacionais. No caso em que o país apresentava um balanço de pagamentos com superávit. Adilson . A taxa de câmbio é a razão pela qual uma moeda é trocada por outras. ou seja. Nessas circunstâncias diz-se que a taxa de câmbio é livre ou flutuante. É um sistema que parte da ideia da conversabilidade. é a intervenção do Banco Central no mercado cambial vendendo ou comprando divisas para manter a taxa de câmbio num determinado valor.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba 8. como por exemplos: aço.  Currency Board: método de administração monetária em que um país só pode emitir moeda quando possui reservas em igual valor de moeda estrangeira. entretanto. Dentro do sistema de taxa de câmbio do Fundo Monetário Internacional (FMI). Na prática. ouro e cobre entre outros. o sistema de taxas câmbio flutuante corrigiria automaticamente qualquer tendência no balanço de pagamentos de gerar um déficit ou superávit. 8. Teoricamente.  Contas Operacionais: são as contas que identificam a transação que deu origem à entrada ou saída de divisas.1 Os Mercados de Câmbio 47 A heterogeneidade das moedas pelos diferentes países dificulta as relações econômicas internacionais. que.2 Conceitos para Fixação  Apreciação e Depreciação da Moeda: apreciação da moeda é quando uma moeda está valorizada em relação à outra e depreciação da moeda é o inverso. As principais commodities são produtos agrícolas. era permitido desvalorizar-se sua moeda. da possibilidade de trocar moeda nacional por dólar ou outra moeda forte. contribuindo para o equilíbrio do balanço de pagamentos. a taxa de câmbio é o número de reais que se entrega para se obter um dólar. Num mercado livre a taxa de câmbio será determinada pelas forças da oferta e da demanda. A oferta de dólares é feita pelos exportadores nacionais e pelos investidores norte-americanos no Brasil. Supondo-se que a única moeda estrangeira seja o dólar.  Defesa de Câmbio: no caso brasileiro. Dessa forma. esta tarefa é desenvolvida no mercado de câmbios. suas exportações ficariam mais baratas em termos de moeda estrangeira e a importações mais caras. Para isso.  Commodity: utilizado em transações comerciais internacionais para designar um tipo de mercadoria em estado bruto ou com um grau pequeno de industrialização. Os bancos centrais eram responsáveis por manter os valores das moedas dentro das faixas determinadas. às mudanças nas importações e exportações que podem ser pouco sensíveis às alterações de taxa de câmbio. enquanto a demanda de dólares corresponderá à dos importadores nacionais e dos investidores brasileiros nos EUA. Prof. deveriam atuar como ofertantes e demandantes da moeda nacional no mercado de câmbio.

variedade e qualidade de bens à disposição dos consumidores. também.  Derivativos: é o nome que recebem os títulos representativos de contratos de operações de compra e venda de ativos diversos. por exemplo. as despesas podem aumentar ou diminuir. uma empresa brasileira pode fazer um hedge.  Mercado de Divisas: é o mercado no qual se defrontam os compradores e os vendedores de divisas. safar-se.  Serviço da Dívida soma das importâncias pagas ao título de amortização e juros. café. reduzido nível de poupança e insuficiente dotação tecnológica. por exemplo. o mesmo acontecendo com as receitas.  Definição Macroeconômica de Taxa de Câmbio: é o preço relativo que reflete a competitividade do país em relação aos outros países.  Protecionismo: doutrina e prática de impor tarifas altas para proteger da concorrência estrangeira os produtos nacionais. Como o comportamento do mercado é imprevisível e volátil. Esta lógica é a mesma para negócios feitos com dólar ou juros ou demais tipos de ativos negociados na BM&F.  Globalização – Problemas: desemprego e perda da autonomia dos governos na elaboração de suas políticas econômicas.  Mercado Futuro de Câmbio: nesse mercado. Adilson .  Desvalorização Cambial: é o processo pelo qual a taxa de câmbio é desvalorizada numa proporção menor que a necessária para atingir a taxa de câmbio real.  Risco Cambial: é o risco que ocorre um agente que tem de pagar ou receber uma quantia em divisas. dólar e até juros. ouro.  Mercado Futuro: é o mercado no qual são negociados os derivativos.  Hedge: em inglês significa resguardar-se.  Subdesenvolvimento (Emergentes): Situação caracterizada pela baixa renda por habitante. pode acontecer que no dia do recebimento da máquina o Euro esteja mais caro do que a data contratada. garantem um lucro mínimo ao invés de registrarem perdas. Se a taxa de câmbio variar. sem incluir as variações de reservas. a um preço previamente estabelecido. que ao comprar uma máquina alemã.  Globalização – Benefícios: aumenta a eficiência do sistema econômico.  Subsídio à Exportação: ajuda ao fabricante nacional de determinados bens para exportar a preços mais competitivos. reduz os preços e eleva a quantidade. No mercado financeiro o termo define a operação de venda de contratos na Bolsa e Mercadorias e Futuros (BM&F) como soja. para entrega e pagamento numa data futura. Prof. se no futuro o preço da saca de café. tudo o que limita o crescimento econômico.  Saldo de Balanço de Pagamentos é igual ao saldo de balanço de transações correntes mais o saldo do balanço de conta de capital. Existem casos. o objeto de negociação é a taxa de câmbio. estiver abaixo daquele acertado na data do fechamento do contrato. como ações.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba 48  Definição Microeconômica de Taxa de Câmbio: é o número de unidades de moeda nacional necessário para comprar uma unidade de moeda estrangeira. divisas ou mercadorias. pois como o contrato será fechado em Euro. É muito usado por exportadores e importadores que querem se proteger do risco cambial.

Normalmente é utilizado esse tipo de sistema quando se troca moeda ou há medidas econômicas que pretendem segurar a inflação (num primeiro momento). uma vez que o grau de incerteza que envolve essas previsões é sempre muito alto. um alto risco nessas aplicações. Ambos (Swap e Opções) são classificados como Derivativos – que são operações feitas no mercado financeiro em que o valor das transações deriva do comportamento futuro de outros mercados. Esse tipo de sistema foi utilizado inúmeras vezes no Brasil. considerando que o país está operando em Economia de Mercado e não há interferência direta do Governo Federal. portanto. Contudo.  Swap: t(do inglês: troca ou permuta) contrato que permite trocar em uma data futura pré-determinada. É o sistema apreciado pelos investidores estrangeiros.  Taxa de Câmbio Fixo: Taxa de câmbio que é fixada pelas autoridades monetárias. Outro tipo de derivativo é Futuros – servem para proteger o investidor das flutuações nos preços normais (mercadorias negociadas pelo seu preço de entrega no futuro – dias.  Tarifa: Imposto de importação incidente sobre cada unidade de uma mercadoria importada de um país. é possível fazer a troca de ações por opções.  Taxa de Câmbio Flexível (ou Flutuante): Taxa de câmbio que não é fixada pelas autoridades monetárias e pode variar em resposta às variações nas condições de oferta e demanda.  Taxa de Câmbio Real: é aquele que preserva a relação dos preços entre dois países num determinado período. por exemplo. Dessa forma.  Superávit Orçamentário: Montante no qual as receitas orçamentárias excedem os gastos. Opções – são muito usadas no mercado de commodities e mercado futuro de ações – são contratos que reservam ao seu portador o direito de comprar ou vender mercadorias ou títulos em uma data futura e a um preço pré-determinado.  Tarifa Alfandegária: Imposto sobre um bem importado. Adilson . os seus ganhos também podem ser exorbitantes. Prof. como o de ações ou de juros. inclusive no início do Plano Real. Há. um investimento por outro. meses e anos). como a regra diz quanto maior o risco maior o retorno. por exemplo.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba 49  Superávit (déficit) do Balanço de Pagamentos: Resultado positivo (negativo) do Balanço de Pagamentos.

fechou em 1839. Em 1833.asp?cod=165 Em 1808. provocou escassez de alimentos pela perda de colheitas. O novo estabelecimento se consolidou e se expandiu por vários Estados. a recessão se generalizou. processo iniciado em 1889 e durando até 1891.000 escravos em 1888 aniquilou fortunas rurais.07. João VI e a família real. O rei de Portugal abriu os portos e realizou acordos comerciais com a Europa e as colônias.br/artigos. Em 1836.freitas. de 05. Em 1851. de 08. mas não conseguiu integralizar o capital para a sua instalação (Lei nº 59. João VI teria levado para Portugal boa parte do lastro metálico depositado e o banco teria perdido dinheiro em exportações. O sistema financeiro é constituído pelo conjunto de instituições que intermedeiam os demandantes e ofertantes de recursos financeiros. determinou novo surto inflacionário. O encilhamento. 9. cujo sucesso motivou o surgimento de outros bancos comerciais na Bahia. nasceram os primeiros bancos estrangeiros: o "London & Brazilian Bank" e o "The Brazilian and Portuguese Bank". nasceu o Banco Comercial do Rio de Janeiro. Na virada do século. Em 1838. ambos sediados no Rio de Janeiro.newton. Mas o primeiro BB iniciou as atividades em 1809 e fechou em 1829. como bancos comerciais. financeiras. por sugestão de Irineu Evangelista de Souza. Maranhão e Pernambuco. gerou inflação. sediada no Rio de Janeiro. A libertação de 800.1853). nasceu a primeira caixa econômica.10.08. Com vida curta. Em 1853. nasceu o primeiro banco comercial privado: o Banco do Ceará. Adilson . e está apoiado num esquema institucional que se concretiza numa série de intermediários específicos.nom. nasceu o segundo Banco do Brasil. a qual nos três primeiros anos implementou um esforço de estabilização. mas não obteve sucesso. o visconde de Mauá (Decreto nº 801. nasceu o terceiro Banco do Brasil. mas conduziu à primeira onda de industrialização. nasceu o primeiro Banco do Brasil. D. viabilizado pela vinda de d. Em 1863. que o sistema econômico tenha superado o estágio primitivo das trocas diretas em espécie.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba 9 SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL 50 A existência da intermediação financeira pressupõe como requisitos fundamentais. Começou em 1892 e perdurou até 1906 a Contra-Reforma. de controle privado.1 História do Sistema Financeiro Nacional (Viagem de 1808 a 2002) http://www. Prof. originário da primeira fusão bancária: o Banco do Brasil criado em 1851 uniu-se ao Banco Comercial do Rio de Janeiro (Lei nº 683.1851). Em 1831. caixas econômicas etc.1833). nasceu o quarto Banco do Brasil. relaxado nos dois anos seguintes. os intermediários financeiros brasileiros mais importantes são os bancos comerciais e os bancos múltiplos. O sistema financeiro nasce como resposta a uma demanda de recursos para fins produtivos e de consumo. de 02.

sob a responsabilidade do Banco do Brasil.21. surgiu a Câmara de Compensação de São Paulo. de 16. em New Hampshire.525.1905).30) e da Carteira de Mobilização e Fiscalização Bancária (criada pelo Decreto nº 21. Em 1932.230.122.455.34.82.20. Em 1988.66. de 31.230.52. O CMN regulamentou esse tipo de instituição financeira através da Resolução nº 45. o BNDES geriu e executou o Programa de Reaparelhamento Econômico com o objetivo de criar uma infra-estrutura adequada ao desenvolvimento. A Lei nº 5.45.04.499. A . de 30.12. e no artigo 2º da Lei nº 4. Criado pela Lei nº 1. Em 1983.11.182. de 20.427. de 15.182. secretário-adjunto para Assuntos Internacionais do Tesouro dos EUA. Adilson . nasceram as Caixas Econômicas Federais através do Decreto nº 24. transformou o BNDE em BNDES. prevista no artigo 5º do Decreto nº 4.419. (BASA) e deu-lhe a função de agente financeiro da política do governo federal para o desenvolvimento da Amazônia legal. de 28. através do Decreto-Lei nº 7. surgiu o Sistema Integrado Regional de Compensação (SIRC). Prof. resultado da Conferência de Bretton Woods. nasceram o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial. e pelo Decreto nº 19.02.11.06.71. área correspondente a 59% do território nacional. Incumbida de exercer o "controle do mercado monetário". de 02. Em 1942. de 13. Em 1920.06. de 30. O atual Banco do Brasil é a continuidade da fase iniciada em 1906.20. nasceu a Superintendência da Moeda e do Crédito (SUMOC). mudou a denominação para Banco da Amazônia S . Na década de 70.20.06.12. sob a forma de autarquia. Em 1944. transformado em empresa pública pela Lei nº 5. surgiu a Compensação de Recebimentos. de 21.03.32.06. e de John Maynard Keynes. de 31. de 13. de 26.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba 51 Em 1906. nasceu a Câmara de Compensação de Cheques do Rio de Janeiro. a SUMOC recebeu do Banco do Brasil as atribuições da Carteira de Redesconto (criada pela Lei nº 4. Em 1952. a qual interligou todo o País.05. surgiu a Compensação Eletrônica.66. fruto de nova fusão: o Banco do Brasil de 1853 uniu-se ao Banco da República do Brasil (Decreto nº 1. sob a influência de Harry Dexter White. Em 1969. nasceu o Banco de Crédito da Borracha.293.12. alterado pelo Decreto-lei nº 6. o qual permitiu a integração de praças localizadas em uma mesma região.628.662. financiamento e investimento (financeira). surgiu a Compensação Nacional. de 09.728. Em 1921. alterada pela Lei nº 4.20. banco de fomento com o objetivo financiar a longo prazo os empreendimentos que contribuam para o desenvolvimento do País.12. nasceu o BNDE. aprovou o regulamento para a fiscalização dos bancos e das casas bancárias.44). nasceu a primeira sociedade de crédito. Em 1946. Em 1945. de 24.940. Passou a fomentar o desenvolvimento de novas atividades e adotou a denominação de Banco de Crédito da Amazônia. O Decreto nº 14. Em 1934. de 19. nasceu o quinto Banco do Brasil. nasceu a Inspetoria Geral dos Bancos. O Decreto-lei nº 1.09.12.

728. nasceu o Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC). segundo Stephen Kanitz. O Decreto nº 2. O sistema intensificou o financiamento tanto da produção como do consumo. o CMN facilitou às empresas a obtenção de recursos originários do mercado financeiro internacional. assolada por constantes secas. A Lei nº 4. A . através da Lei nº 1. através da Resolução nº 351. O SELIC eliminou o uso do cheque para a liquidação de operações com títulos públicos. regulamentou o mercado de capitais. com a estabilidade da moeda. Em 1970. (BNB).12. através da Lei nº 6.12. nasceram os bancos de investimento. através da Lei nº 4. de 17. o qual.85. empresa de liquidação financeira. da Lei nº 4. através da Resolução nº 1.1967.385. nasceram as sociedades de arrendamento mercantil. O ministro Horário Lafer realizou viagem ao Nordeste para verificar os efeitos da seca de 1951 e.291/86 extinguiu o BNH. A CETIP também se constitui em um mercado de balcão organizado para registro e negociação de valores mobiliários de Prof. ao retornar. através da Lei nº 4. viabilizou o Brasil crescer da 46ª para a 9ª economia do mundo. nasceu também o Banco do Nordeste do Brasil S . O CMN. do CMN. O CMN assumiu a função normativa do SFH. de 19.02.66. negociava as Letras do Tesouro Nacional (LTN) e as Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional (ORTN). nasceu a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). do CMN. com o objetivo de fomentar o desenvolvimento da região.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba 52 Em 1952. nasceram também o Conselho Monetário Nacional (CMN) e o Banco Central do Brasil. O BCB substituiu a SUMOC. sucedido pela CEF. Em 1966.380.07. sugeriu ao presidente Getúlio Vargas a criação do BNB. alicerçado no artigo 4º. instituição financeira sob a forma de empresa pública (Decreto-lei nº 66.08. Em 1979. de 07.12. do CMN.64. A Resolução nº 63.649. à época. de 18.65. A liquidação eletrônica deu mais segurança às operações do mercado.08.07. Em 1976. o qual passou a realizar a custódia e a liquidação financeira das operações envolvendo títulos públicos. O SFN experimentou uma fase de crescimento nas operações de crédito a partir de 1967.595.728.65.03. de 31. de 14. Em 1967. Adilson . o qual cresceu estimulado pelo maior acesso das pessoas ao crédito (Crédito Direto ao Consumidor).595/64. de 14. liberou para o regime de mercado as taxas de juros praticadas pelas instituições financeiras. Em 1964.52. de 05. Essa abertura.76.70). e isso possibilitou grande afluxo de capitais. nasceu a Caixa Econômica Federal. Em 1974. nasceu a Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos (CETIP).07. Em 1964. a qual regulamentou o mercado de valores mobiliários. nasceram o Sistema Financeiro da Habitação (SFH) e o Banco Nacional da Habitação (BNH). a qual regulamentou o Sistema Financeiro Nacional (SFN).11. de 06. de 21. autorizou os bancos a captarem empréstimos externos destinados a repasse às empresas no País.64. de 23.303. Em 1986.064. à luz do artigo 29 da Lei nº 4. instituídos pela Resolução nº 18. inciso IX.95.

introduziu a sistemática de "metas para a inflação" como diretriz para a fixação do regime de política monetária. instituiu nove níveis de risco para indicar a qualidade das operações de crédito. do CMN. de 22. Há muito tempo. através da Resolução nº 2. criada pela Resolução nº 2. nasceu também a Central de Risco de Crédito.925. instituídos pela Resolução nº 1.05.10.02. começou a funcionar em 22.03. de 21.97. liquidada sempre no mesmo dia.97. de 14. Em 1996.06.06. com a redação dada pela Circular nº 3. O artigo 5º. através da Lei nº 9. Em 2002.514. tem como objetivo estabelecer diretrizes da política monetária. A Cédula de Crédito Bancário é instrumento ágil. Adilson . que o "sistema financeiro nacional. nasceu a Cédula de Crédito Bancário. estruturado de forma a promover o desenvolvimento equilibrado do País e a servir aos interesses da coletividade. sejam elas de empréstimos. O COPOM. O Decreto nº 3.10.99. Em 1997. mantida pelo Banco Central do Brasil.390. de 27.99.2002. de 21. nasceram os bancos múltiplos.698. definir a meta da Taxa SELIC e seu eventual viés e analisar o Relatório de Inflação.11. nasceu o Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI).524.86.09.214. O Sistema de Transferência de Reservas (STR). e a Transferência Eletrônica Disponível (TED) é o instrumento para a realização de transferência eletrônica de fundos entre os bancos.2001. instituídos pelo item III da Resolução nº 1. X e XII. A CETIP eliminou o uso do cheque para a liquidação de operações com títulos privados. regulamentado pela Lei nº 10. Em 1997. através da Medida Provisória nº 1. o mercado financeiro necessitava de um título de crédito que espelhasse como realidade as relações jurídicas entre as instituições financeiras e seus clientes e que tornasse a formalização das diversas operações de crédito menos onerosa e complicada.04. o CMN em 12. A Constituição Federal de 1988 dispôs. do CMN. será regulado em lei complementar".12. Em 1999.102.2000.010. de 20. de 17.88. em seu artigo 192. Ainda para criar um ambiente favorável à concessão do crédito com segurança. de 28. da Carta Magna consagrou o sigilo bancário.96. simples e padronizado e que pode abrigar a possibilidade de contratação de todas as espécies de operações de crédito. do CMN. do BCB. instituído pela Circular nº 2. nasceu o novo Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB). operado pelo Banco Central do Brasil. Em 1988.682.088. de 20. sejam de financiamentos ou de repasses.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba 53 renda fixa. nasceu o Comitê de Política Monetária (COPOM). Prof. instituto já previsto no artigo 38 da Lei nº 4. A criação da CETIP permitiu a introdução dos Depósitos Interfinanceiros (DI ou CDI).99.595/64.

exercida em conjunto pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil e.3 Os Segmentos do Sistema Financeiro Nacional São quatro grandes mercados: 9. de médio e de longo prazo. A criação de uma Autoridade Monetária definida e a regulamentação do conjunto de instituições que compõe o Sistema Financeiro ocorreu. entre os quais incluem as instituições financeiras.: Fundo-Ouro.3. debêntures (Título que garante ao comprador uma renda fixa. disciplinar e fiscalizar o Sistema Financeiro Nacional. A oferta de liquidez nesse mercado é afetada pelas operações de mercado aberto. regular as condições de constituição. open market. organizar.3 Mercado de Capitais – esse mercado supre as exigências de recursos de médio e de longo prazo. controlar as operações de crédito. As principais decisões desta reforma são: (a) criar a Autoridade Monetária.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba 9. Adilson . A Comissão de Valores Mobiliários está especificamente voltada para o desenvolvimento. funcionamento e fiscalização das instituições financeiras. cambial e a de relações financeiras com o exterior. hot money. cambial e creditícia. por parte dos exportadores. Ex.3. executadas pelo Banco Central.1 Mercado Monetário – nesse segmento são realizadas as operações de curtíssimo prazo com a finalidade de suprir as necessidades de caixa de diversos agentes econômicos. 9. a venda. no Brasil. com vista à realização de investimento em capital. ao contrário do acionista. executar e acompanhar as políticas monetária. capital de giro etc. cuja renda é variável. e venda/compra.2 O Sistema Financeiro Nacional 54 O Sistema Financeiro Nacional constitui um conjunto de instituições financeiras voltadas para a gestão da política monetária do governo. CDI etc. somente a partir de 1964/1965. 9. tem por objetivo principal estimular a aplicação de poupança no mercado acionário. e disciplinar os instrumentos de política monetária e cambial. Prof.: crédito rápido. Ao Banco Central – que é uma autarquia federal sob a orientação do Conselho Monetário Nacional – cabem as funções de formular. ao contrário das ações.4 Mercado Cambial – nele é realizada a compra e venda de moedas estrangeiras. desconto de duplicatas. que é um dos proprietários dela) etc. mantendo o princípio da especialização por atuação. 9. (b) disciplinar as demais instituições.2 Mercado de Crédito – aqui são atendidas as necessidades de recursos de curto. Ex. para importação.3. como compra de câmbio.3. para atender as diversas finalidades. O portador de uma debênture é um credor da empresa que a emitiu. a disciplina e a fiscalização do mercado de valores mobiliários não emitidos pelo sistema financeiro e pelo Tesouro Nacional – basicamente. cupões desses títulos e bônus de subscrição. sob a orientação do Conselho Monetário Nacional (CMN). emitir papel-moeda e moeda metálica e executar o serviço do meio circulante. Ex: compra e venda de ações. 9. para viagens e turismo. Ao Conselho Monetário Nacional (CMN) compete estabelecer as diretrizes gerais das políticas monetária. o mercado de ações e debêntures. assegurar o funcionamento eficiente e regular das Bolsas de Valores e outras instituições auxiliares que operam nesse mercado.

oferecem a seus clientes a possibilidade de pagar contas. que podem ser agrupados em três categorias: pessoas físicas. b) Ser cofre de segurança.5 Os Serviços que as Instituições Financeiras Oferecem O banco procura atrair as poupanças das famílias para que sejam depositadas na entidade financeira.6 Os Serviços Oferecidos pelos Bancos 9. como assessoria financeira. de obter dinheiro de outros lugares e de transferir dinheiro de uns indivíduos a outros. pagando certa quantia ao depositante.1 Depósitos a) À Vista: são as contas correntes. 9. sendo que os principais serviços que oferecem a esses clientes são: a) Como proprietários: a possibilidade de guardar seu dinheiro em um lugar seguro e de obter juros pelas poupanças depositadas nas instituições financeiras.6. para adquirir fundos do público e posteriormente oferecê-los às empresas e aos indivíduos ou ao setor público. tanto de consumo como de investimento. 9.6. Os intermediários financeiros procuram obter lucro e o fazem cobrando pelos serviços que oferecem e emprestando dinheiro a uma taxa de juros mais alta do que a que paga pelos depósitos que recebem de seus clientes. que é a taxa de juros. c) Receber depósitos. A diferença entre a taxa de juros que cobram e a taxa de juros que recebem. por exemplo. Os intermediários financeiros especializaram-se em atuar entre os clientes.4 Os Intermediários Financeiros 55 Os intermediários financeiros emitem obrigações financeiras. Adilson . Das pessoas que obtêm esses empréstimos. Os serviços oferecidos pelas instituições financeiras podem ser resumidos como: a) Conceder empréstimos. Prof. tais como: Certificado de Depósito Bancário (CDB) ou Letra de Câmbio (LC) –. empresas (pessoas jurídicas) e setor público. os bancos obtêm os seus lucros. c) Como transferidores de dinheiro (meio de pagamento). as entidades financeiras cobram uma taxa de juros pelo serviço que oferecem. os bancos concedem empréstimos a pessoas e empresas que necessitam de financiamento para fazerem frente aos gastos de consumo e investimento.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba 9.2 Transações a) São os serviços que os bancos realizam a seus clientes. c) A Prazo: não podem ser retirados sem uma penalização. Não dispõe de cheques. Gozam de uma disponibilidade imediata. b) De Poupança: são os depósitos de poupanças. De acordo com os depósitos recebidos. 9. b) Consistem em aceitar cheques e ordens de transferências de dinheiro de uma conta para a outra. e e) Outros serviços. d) Realizar transações. b) Como emprestadores: oferecem a possibilidade a seus clientes de pedirem emprestado dinheiro para financiar seus gastos.

passaram a oferecer serviços mais rápidos e sofisticados. Os bancos.6. ao procurarem atrair sempre um maior número de clientes.6. oferece caixa automático. retira numerário.5 Outros b) Assessoria financeira. cheques especiais. custódia e ordens de pagamento etc. 9. dispor de dinheiro sem tê-lo. sendo que essa agilização acabou beneficiando os correntistas. Prof. Adilson .3 Empréstimos 56 a) Os empréstimos são concedidos aos clientes que necessitam de financiamento. Atualmente. c) Troca de moeda estrangeira. como a de prestação de serviços. o banco instala caixas avançados em grandes clientes.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba 9. principalmente os correntistas institucionais. 9. e d) Planos de pensões. sendo a princípio utilizados os carnês. cartões de crédito.6. Aliado a esses serviços.4 Cofres a) Os bancos dispõem de cofres nos quais os indivíduos depositam seus objetos de valor. credita a cobrança no mesmo dia de pagamento. As instituições passaram a criar convênios com os bancos. cheques de viagens. isto é. b) Os bancos permitem à seus clientes ficar no “vermelho”. paga seus empregados e fornecedores. os bancos exercem outras funções.

O Plano Real promoveu uma transformação estrutural irreversível na economia brasileira. Os choques foram importantes na medida em que condicionaram o Policy Mix (combinação de instrumentos de política) no decorrer dos anos. Prof. A partir desse momento. que variava diariamente. A fase da URV – durou quatro meses. houve ganhos de eficiência em todos os setores e a economia se abriu mais ao resto do mundo. Três economistas são considerados como os arquitetos mais importantes do plano: André Lara Resende. A fase anterior à URV iniciou-se em maio de 1993. quando Fernando Henrique Cardoso assumiu o Ministério da Fazenda durante o governo do presidente Itamar Franco. Iniciou-se em 1º de março de 1994 e terminou em 30 de junho do mesmo ano. Adilson . índices de inflação muito baixos. combinações de instrumentos de política e tratamentos mais gradualistas ou de choque. uma crise de inadimplência em 1995 e alguns choques externos ao longo do tempo. consistentes com um crescimento econômico expressivo. Muitas tentativas de estabilização ocorreram com diferenças em diagnósticos. o real tornou-se a moeda nacional. Todavia. nenhuma foi tão bem sucedida como o Plano Real em 1994. Os três conceberam o Plano Real em três fases: a fase anterior à Unidade Referencial de Valor (URV). a fase da URV e a fase do Real. Edmar Bacha e Pérsio Arida. Os horizontes de investimentos se ampliaram. O país voltou a crescer.FATEC Faculdade de Tecnologia de Sorocaba 10 – BREVE PANORAMA DA ECONOMIA BRASILEIRA: PLANO REAL 10. O Brasil apresenta todas as condições para retomar um desenvolvimento sustentado na virada do milênio. O Brasil teve. Essa primeira fase tinha o objetivo de criar condições institucionais para uma política fiscal e monetária mais efetiva na fase do real. A fase do real iniciou-se em 1º de julho de 1994. O objetivo era fazer com que todos os preços variassem sincronizadamente. nos anos seguintes. porém as taxas menores que a dos outros países em condições semelhantes. Nessa fase todos os preços em cruzeiros reais foram atrelados à URV. A fase do real foi marcada por muitos fatos: uma euforia de consumo logo no início.1 Breve Relato do Plano Real 57 O fim da inflação foi visto como um pré-requisito para a retomada do desenvolvimento.

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