ELETRÔNICA BÁSICA

Versão 1.0

Wagner da Silva Zanco 2006
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Objetivo
O objetivo desta apostila é servir como parte do material didático utilizado no estudo de Eletrônica Básica, curso que pode ser ministrado de forma presencial ou semipresencial. Embora o material tenha sido desenvolvido inicialmente para a disciplina de Eletrônica Básica do curso de Eletrônica em nível técnico, não há impedimento para a sua utilização em disciplinas pertencentes a cursos técnicos de áreas afins, ou até mesmo em outros segmentos da educação profissional cujo conteúdo programático seja compatível. Os assuntos são abordados em uma seqüência lógica respeitando a visão consagrada por muitos professores no que diz respeito a progressiva complexidade na abordagem do tema, com exemplos e exercícios propostos que ajudarão o aluno na retenção do item estudado e no desenvolvimento do raciocínio exigido para a aprendizagem da Eletrônica.

10 JUNÇÃO PN 3.14 POLARIZAÇÃO REVERSA 3.7 TENSÃO MÉDIA NA CARGA 7.1 POLARIZAÇÃO DIRETA 2.16 TENSÃO DE RUPTURA CAPÍTULO 4: TRANSFORMADOR 4.7 TENSÃO DE PICO INVERSA (Vpi) CAPÍTULO 7: RETIFICADOR DE ONDA COMPLETA 7.Índice Analítico CAPÍTULO 1: DIODO_______________ 1.9 CORRENTE DE ELÉTRONS LIVRES E DE LACUNAS 3.1 SÍMBOLO DO TRANSFORMADOR CAPÍTULO 5: FONTES DE TENSÃO 5.6 CORRENTE MÉDIA (Icc) 6.5 SEMICONDUTORES 3.8 CORRENTE MÉDIA 7.6 LIGAÇÃO COVALENTE 3.4 SEMICICLO NEGATIVO 7.4 RESISTÊNCIA INTERNA DO DIODO(RI) 3 3 3 4 4 5 5 5 5 5 5 5 6 6 6 7 7 7 7 8 8 8 9 9 11 11 11 11 11 11 11 13 13 13 13 14 14 14 15 17 17 17 18 18 18 18 18 19 20 CAPÍTULO 3: ESTURUTURA INTERNA DO DIODO 3.11 CAMADA DE DEPLEÇÃO E BARREIRA DE POTENCIAL 3.1 TRANSFORMADOR 6.1 TRANSFORMADOR COM DERIVAÇÃO CENTRAL 7.6 CORRENTE NO RESISTOR DE CARGA 7.2 RETIFICADOR 6.4 TENSÃO MÉDIA (Vcc) 6.13 POLARIZAÇÃO DIRETA 3.3 CICLO 5.3 SEMICICLO POSITIVO 7.3 CARGA ELÉTRICA 3.5 FREQUÊNCIA ( ƒ ) 5.7 ELÉTRON LIVRE NO SEMICONDUTOR 3.2 ÁTOMO 3.9 TENSÃO DE PICO INVERSA .8 CRISTAL PURO 3.4 ELÉTRONS LIVRES 3.6 VALORES DA TENSÃO ALTERNADA SENOIDAL CAPÍTULO 6: FONTE DE ALIMENTAÇÃO (Conversor CA-CC) 6.5 CORRENTE NO RESISTOR DE CARGA 6.2 POLARIZAÇÃO REVERSA 2.3 RETIFICADOR DE MEIA ONDA 6.1 POLARIZAÇÃO DIRETA 1.5 FREQUÊNCIA NA CARGA 7.1 O ELÉTRON 3.2 RETIFICADOR DE ONDA COMPLETA 7.3 TENSÃO DE CONDUÇÃO DO DIODO 2.1 FONTE DE TENSÃO CONTÍNUA 5.4 PERÍODO (T) 5.12 DIODO DE JUNÇÃO 3.15 CORRENTE REVERSA 3.2 POLARIZAÇÃO REVERSA (INVERSA) ______ 1 1 1 CAPÍTULO 2: CURVA CARACTERÍSTICA DO DIODO 2.2 FONTE DE TENSÃO ALTERNADA 5.

8 FUSÍVEL 10.4 CARGA E DESCARGA 9.5 FONTE DE TENSÃO COM SAÍDA SIMÉTRICA 10.6 CORRENTE MÉDIA 8.3 FONTE ESTABILIZADA COM CI REGULADOR 10.3 TIPOS DE CAPACITORES 9.6 DISSIPADOR DE CALOR 10.6 ASSOCIAÇÃO DE FONTES DE TENSÃO EM SÉRIE 9.1 ESPECIFICAÇÃO MÁXIMA DE POTÊNCIA 10.4 CORRENTE NO RESISTOR DE CARGA 8.2 FONTE ESTABILIZADA A ZENER 10.7 RETIFICADOR DE MEIA ONDA COM FILTRO CAPACITIVO 9.5 RIGIDEZ DIELÉTRICA 9.3 FREQUÊNCIA NA CARGA 8.4 TENSÃO REGULADA COM SAÍDA NEGATIVA 10.CAPÍTULO 8: RETIFICADOR DE ONDA COMPLETA EM PONTE 8.10 CORRENTE MÉDIA 9.10 TENSÃO E CORRENTE NO LED BIBLIOGRAFIA 35 .1 CAPACITOR 9.9 DIODO EMISSOR DE LUZ (LED) 10.9 TENSÃO MÉDIA NA CARGA (Vcc) 9.2 SÍMBOLOS 9.2 SEMICICLO NEGATIVO 8.8 RETIFICADORES EM PONTE ENCAPSULADOS 21 21 21 21 21 21 22 22 22 24 24 24 24 24 25 25 25 25 27 27 27 29 29 30 30 33 33 33 33 33 34 34 CAPÍTULO 9: FILTRO CAPACITIVO 9.7 CI REGULADOR COM TENSÃO AJUSTÁVEL 10.11 TENSÃO DE PICO INVERSA CAPÍTULO 10: ESTABILIZAÇÃO DA TENSÃO 10.8 CARGA E DESCARGA DO CAPACITOR 9.1 SEMICICLO POSITIVO 8.7 TENSÃO DE PICO INVERSA 8.5 TENSÃO MÉDIA NA CARGA 8.

Sendo assim: dentro da eletrônica. permitindo a circulação da corrente. VT = VR + VD VT = ∅ + VD VT = VD Isto significa que toda a tensão da fonte aparece nos terminais do diodo. não tem corrente circulando no circuito. toda a tensão da fonte aparece em cima do resistor. TENSÃO NO DIODO Sendo o circuito série. calcule a intensidade de corrente elétrica? Wagner da Silva Zanco Capítulo 1: Diodo 1 . EXEMPLOS A) Dado o circuito abaixo. Não esqueça disso. Quando aplicamos uma tensão no diodo. como mostra a figura a seguir. I = ∅A Então. Como neste exemplo o terminal da fonte está mais próximo do anodo. dizemos que estamos polarizando o mesmo. VT = VR Isto significa que toda a tensão da fonte aparece no resistor em série com o diodo. como mostra a figura a seguir. Como o diodo se comporta como uma chave fechada. e sua principal característica é a de conduzir a corrente elétrica em um só sentido.2 POLARIZAÇÃO REVERSA (INVERSA) Um diodo está polarizado reversamente quando o terminal positivo da fonte estiver mais perto do catodo e terminal negativo do anodo. Com isso. A figura a seguir ilustra a idéia.1 POLARIZAÇÃO DIRETA Um diodo está polarizado diretamente quando o terminal positivo da fonte está mais próximo do anodo e o terminal negativo mais próximo do catodo. 1. VD = ∅V Então. caso contrário à fonte entra em curto. o diodo está polarizado diretamente. O diodo é um dispositivo de grande importância TENSÃO NO DIODO Como o diodo se comporta como uma chave aberta. VR = R. Desta forma. VT = VD + VR Como o diodo se comporta como um curto.I e. Quando o diodo está polarizado diretamente ele se comporta como se fosse uma chave fechada(diodo ideal). A primeira coisa a observar é se o diodo está polarizado diretamente ou inversamente. podendo ser substituído por uma chave fechada. pois esta idéia será vista bastante mais frente. VR = ∅v 1.ELETRÔNICA DIODO Capítulo 1 Dispositivo eletrônico fabricado a partir de materiais semicondutores como Silício e Germânio. o diodo se comporta como uma chave aberta bloqueando a passagem da corrente elétrica. é necessária a presença de um resistor em série com ele para limitar a corrente. Como a tensão em cima do diodo é ∅V. Existem dois tipos de polarização: POLARIZAÇÃO DIRETA POLARIZAÇÃO REVERSA Se.

calcule: VR=? VD=? I=? 4) Quais lâmpadas estão acesas e quais estão apagadas? a) Estando o terminal positivo da fonte mais próximo do catodo. calcule? a) tensão em cada diodo? b) tensão em cada resistor? c) corrente em cada braço? b) 2) Dado o circuito abaixo.3) Dado o circuito abaixo. podendo ser substituído por uma chave aberta. Com isso. o diodo encontra-se polarizado reversamente. toda a tensão da fonte aparece em cima do diodo VD = 12V. o que significa que a tensão em R também é ∅V. calcule? a) tensão em cada diodo? b) tensão em cada resistor? c) corrente em cada braço? 2 Capítulo 1: Diodo Wagner da Silva Zanco . EXERCÍCIOS 1) Dado o circuito abaixo. calcule? a) tensão em cada diodo? b) tensão em cada resistor? c) corrente em cada braço? B) Dado o circuito abaixo. Não haverá corrente circulando no circuito(I = ∅A).

suporta uma corrente máxima de 1A estando polarizado diretamente.7V).2V quando a corrente direta no diodo for de 3A. Como o diodo se comporta como uma chave aberta não tem corrente circulando no circuito e. Por exemplo: 2. por exemplo. VT = VD + VR Como. não tem tensão no resistor R. o diodo começa a conduzir. o diodo só começa a conduzir quando a tensão em seus terminais ultrapassa a tensão de condução(limiar). O mesmo. não acontece com a tensão nos terminais do diodo.1 POLARIZAÇÃO DIRETA Quando o diodo é polarizado diretamente. Vemos a seguir um diodo polarizado reversamente em série com um resistor. O diodo 1N4001. que aumenta modestamente para grandes aumentos na corrente direta. o diodo só conduz quando a tensão em seus terminais atinge o valor de limiar.7V. Desde que esta tensão reversa no diodo não ultrapasse o valor de ruptura o diodo irá se comportar como uma chave aberta.7V. em condução. que é 0. Como será visto mais adiante. A corrente no diodo aumenta bruscamente após a tensão em seus terminais ter ultrapassado o valor de limiar. Quando o diodo é polarizado reversamente ele se comporta como uma chave aberta até que a tensão em seus terminais ultrapasse o valor de ruptura. daremos ênfase a eles a menos que seja dito o contrário. I = 0 e VR = 0 Então. Por ora. Vemos a seguir um circuito com um diodo polarizado diretamente por meio de uma fonte variável. Na prática. esta corrente reversa possui duas componentes que são: corrente de fuga superficial e corrente dos portadores minoritários.ELETRÔNICA GRÁFICO DO DIODO Capítulo 2 CURVA CARACTERÍSTICA DO DIODO Na análise inicial nós consideramos o diodo polarizado diretamente como uma chave fechada(diodo ideal). quando então o diodo conduz intensamente e se destrói por excesso de dissipação de calor. podemos observar que a corrente permanece em zero até que a tensão nos terminais do diodo ultrapasse a tensão de limiar (0. grandes aumentos na corrente provoca pequena variação na tensão no diodo. saiba que a corrente de fuga superficial depende da tensão reversa nos terminais do diodo e que a corrente dos portadores minoritários depende da temperatura. sendo que todo o excedente de tensão da fonte aparecerá no resistor.7V a corrente tem um aumento brusco. Para efeito de cálculo esta pequena variação de tensão no diodo não é considerada. Um fabricante do diodo 1N5408 informa em seu datasheet que o mesmo pode ter uma tensão de 1. O resistor em série com o diodo polarizado diretamente é necessário porque.7V. ou seja. Isso significa que toda a tensão da fonte aparece nos terminais do diodo.3V para diodos de Germânio. O resistor em série com o diodo tem a função de não permitir que esta corrente aumente a ponto de danificar o diodo. permitindo a passagem dos elétrons. Se você for usar este diodo polarizado reversamente em um circuito certifique-se de que a tensão em seus terminais nunca irá ultrapassar 50V. Quando se leva em consideração a tensão de condução do diodo. Para efeito de cálculo nós consideramos que em condução o diodo tem em seus terminais uma tensão de 0. a corrente é zero. mesmo estando polarizado diretamente. o diodo praticamente não oferece oposição a passagem da corrente elétrica. Estas componentes da corrente reversa serão devidamente explicadas quando formos estudar a estrutura atômica do diodo. O diodo 1N4001. pois uma pequena corrente reversa circulará por ele mesmo estando reversamente polarizado. sua resistência interna é muito baixa. Como hoje praticamente todos os diodos fabricados são de Silício. o diodo não se comportará exatamente como uma chave aberta estando polarizado reversamente. VT = VD Na verdade. possui uma tensão de ruptura de 50V.2 POLARIZAÇÃO REVERSA 2.7V. Quando a tensão da fonte ultrapassa 0. conseqüentemente. mas lembre-se que na prática a tensão no diodo aumenta quando a corrente direta aumenta. Depois que o diodo começou a conduzir a tensão em seus terminais se mantém em 0. cuja finalidade é limitar a corrente no componente para que ele não seja destruído por excesso de dissipação de calor. dizemos que ele está se comportando como um diodo real. mesmo estando polarizado diretamente. Por este motivo que normalmente nós consideramos o diodo como um curto quando ele está polarizado diretamente.7V para diodos de Silício e 0. Uma vez em condução. A seguir vemos o gráfico da tensão versus corrente do diodo de Silício. Wagner da Silva Zanco Capítulo 2: Curva Característica do Diodo 3 . é necessário que seja ligado um resistor em série com o diodo quando ele estiver polarizado diretamente. Vemos no gráfico do diodo também que quando a tensão no diodo atinge 0. por exemplo. Vimos no gráfico do diodo que para esta faixa de tensão no diodo. Para tensões da fonte entre 0V e 0. o diodo continua se comportando como uma chave aberta. porém. Isto significa que. Para que a corrente no diodo não ultrapasse o valor nominal.

ele possui uma pequena resistência interna.7V. Diodo 1N914 1N4001 1N1185 1N4007 Tensão de Ruptura 75V 50V 120V 1000V ID (máxima corrente direta) 200mA 1A 35A 1A D) 2. o ponto de condução exato do diodo (a tensão na qual ele começa a conduzir) varia de diodo para diodo. mas mantenha este fato em mente sempre que for fazer alguma montagem com diodos.34Ω EXERCÍCIOS 1) Dado os circuitos a seguir. nós não precisamos nos preocupar com isso.7 ÷ 2. mas o diodo não se comporta exatamente como um curto.C) Veja a seguir as especificações de alguns diodos encontrados com certa facilidade no mercado. ou em algum outro valor em torno de 0. No exemplo acima nós podemos calcular a resistência interna do diodo. Esta resistência interna pode ser calculada dividindo a tensão no diodo pela corrente que passa por ele. considera-se o diodo em condução como uma chave fechada. A folha de dados do 1N4001 informa também que se ele estiver polarizado diretamente e estiver sendo percorrido por uma corrente de 1. 2.93V e 1.65V. Até diodos do mesmo tipo podem começar a conduzir em pontos diferentes de tensão. ela quase sempre é desprezada.1V se a temperatura ambiente for de 25ºC.4 RESISTÊNCIA INTERNA DO DIODO(RI) Na maioria dos casos. Como normalmente esta resistência interna é muito baixa. Felizmente para efeito de cálculo. Um diodo pode começar a conduzir a partir de 0. calcule: OBS: Diodo real a) Corrente em cada braço? b) Tensão em cada resistor? c) Tensão no diodo? A) F) E) B) 4 Capítulo 2: Curva Característica do Diodo Wagner da Silva Zanco .6V ou 0.3mA = 304. como mostrado a seguir.0A. a tensão em seus terminais pode ter qualquer valor entre 0.3 TENSÃO DE CONDUÇÃO DO DIODO Na verdade. RI = 0.

mudando apenas o sinal. Expressa no SI em Coulomb. mica. Na ligação covalente cada átomo compartilha um elétron com o átomo vizinho. A. estar quimicamente estável. circuitos integrados etc. os elétrons absorvem esta energia. e se esta for maior que a força exercida pelo núcleo. Milikan. Alguns exemplos de isolantes são: vidro. Na ligação covalente os átomos compartilham elétrons com os átomos que estão a sua volta. associado a força de atração mutua existente entre eles e os prótons. quando falarmos de semicondutores. quatorze prótons e quatorze nêutrons. Por isso. A menor quantidade de carga elétrica que um átomo pode adquirir é a carga de um próton ou a de um elétron. léptons. o valor numérico da carga elétrica fundamental de um elétron.5 SEMICONDUTORES Os semicondutores são substâncias cujos átomos possuem quatro elétrons na camada de valência(última camada). Elétron ⇒ carga elétrica negativa(--) fundamental da eletricidade. bósons etc. calor. estaremos falando do Silício. eletricamente neutro. onde se encontram os elétrons. É por isso que nós dizemos que o sólido de Silício é um cristal de Silício. Este é o estado normal de qualquer átomo. 3. O átomo de Silício possui quatorze elétrons. madeira etc.GRÁFICO DO DIODO ELETRÔNICA Capítulo 3 ESTURUTURA INTERNA DO DIODO 3. A figura a seguir ilustra a idéia. A eletricidade de que estamos acostumados a nos servir chega até as nossas casas pelo movimento de elétrons através dos fios. transistores. porcelana.6 x 10-19 C 3. Quanto mais afastado do núcleo estiver este elétron. nos chamados maus condutores ou isolantes.3 CARGA ELÉTRICA Eletricamente falando. e não existem ou praticamente não existem. ouro. Como exemplo de bons condutores podemos citar as ligas metálicas. borracha. 3. cada átomo ainda continua com quatro elétrons na camada de valência e quatorze no total. eletricamente falando. ou seja. Carregado positivamente ⇒ quando a quantidade de prótons é maior que a de elétrons. 3. Os semicondutores não são bons nem maus condutores de eletricidade. Os átomos de Silício se distribuem no sólido formando uma estrutura cúbica. tais como mésons. ou seja. a condutividade de um semicondutor depende da temperatura a qual ele está submetido. Os elétrons compartilhados não passam a fazer parte efetivamente do átomo central. Na verdade. A medida que a temperatura vai aumentando sua condutividade também aumenta. como vemos na figura a seguir. sendo a do próton igual em módulo. quaks. para formar o sólido o átomo precisa de oito elétrons na camada de valência. 3. Os elétrons livres se encontram em grande quantidade nos materiais chamados bons condutores.1 O ELÉTRON A eletrônica é a ciência que se dedica ao comportamento dos elétrons. A própria palavra eletrônica deriva do termo elétrons. Toda matéria é constituída de átomos.= 1. Para obter os oito elétrons na camada de valência os átomos se associam numa ligação chamada de ligação covalente.6 LIGAÇÃO COVALENTE Nós já sabemos que o átomo de silício possui quatro elétrons na camada de valência. O átomo se divide em duas partes: Núcleo. onde se encontram os prótons e os nêutrons e Eletrosfera. Quando aplicamos em certos materiais energia externa como luz. A corrente elétrica é nada mais que o movimento de elétrons livres. ferro. que é positiva é: e. Desta forma. A carga elétrica fundamental foi medida pela primeira vez em 1909 pelo físico norte americano R. pressão. Esta estrutura cúbica é normalmente chamada cristal. Sabe-se atualmente que existem dezenas de outras partículas diferentes no átomo. Neste caso dizemos que ele está em equilíbrio.2 ÁTOMO Nós sabemos que a matéria é tudo aquilo que possui massa e ocupa lugar no espaço. alumínio etc. onde os átomos ocupam os vértices do cubo. o elétron poderá se desprender do átomo tornando-se um elétron livre. O Silício e o Germânio são os semicondutores usados na construção de dispositivos eletrônicos como diodos. prata.4 ELÉTRONS LIVRES O que mantém os elétrons ligados aos seus respectivos átomos é o seu movimento em torno do núcleo. o que lhe dá um total de oito elétrons na camada de valência. O Germânio praticamente não é mais usado na construção de dispositivos semicondutores devido a sensibilidade à temperatura. Carregado negativamente ⇒ Quando a quantidade de prótons é menor que a de elétrons. Wagner da Silva Zanco Capítulo 3: Estrutura Interna do Diodo 5 . um átomo pode se encontrar em três situações diferentes: Neutro ⇒ quando a quantidade de prótons é igual a de elétrons. Contudo. afim de que eles sejam aproveitados em funções úteis. O movimento de elétrons que citamos é chamado de corrente elétrica. menor será esta força de atração mutua. Por exemplo. Portanto. neutrinos. e designa uma das partículas básicas da matéria. um cristal de silício se comporta como um isolante perfeito a temperatura de -273ºC. cobre. o átomo central apanha quatro elétrons emprestados. adquirindo estabilidade química para formar o sólido. Próton ⇒ carga elétrica positiva(+) fundamental da eletricidade Nêutron ⇒ não possui carga elétrica. de origem grega.

Se um elétron da camada de valência receber energia externa como luz calor etc. 3. saem pelo terminal negativo e entram na extremidade oposta do cristal. Cristal de silício puro Este fenômeno é chamado de quebra de ligação covalente. outros se recombinam e atravessam o cristal como elétron de valência. Este movimento de elétrons de valência (ou de lacunas). sendo o mesmo chamado de elétron livre. Uma vez na banda de condução o elétron está livre para se deslocar pelo cristal. O elétron do ponto 1 pode ser atraído pela lacuna. podemos concluir que a força de atração que atua nos elétrons das últimas camadas é menor que a força que atua nos elétrons das primeiras camadas. ocorre que a força centrífuga puxa os elétrons para fora do núcleo. Do mesmo modo. um elétron livre vagando pelo cristal pode passar perto de uma lacuna e ser atraído por ela. que puxa o corpo para fora do centro do movimento. Num condutor só existe corrente de elétrons livres. Se isso ocorrer. associada ao movimento circular do elétron em torno do núcleo. Tendo isto em vista. como mostra afigura a seguir. Se continuarmos este raciocínio. A figura a seguir mostra um cristal tipo N. Ao ir para a banda de condução. Existem dois trajetos para os elétrons se movimentarem dentro do cristal. À temperatura ambiente de 25ºC um cristal de silício puro possui uma quantidade de pares elétron-lacuna mais ou menos estável devido as constantes quebras de ligações covalentes produzidas termicamente. assim como recombinações. O movimento de elétrons de valência dentro do cristal pode ser visto como o movimento de lacunas em sentido contrário. a lacuna na extremidade deixará de existir e.. produzindo um cristal tipo N. como indica a seta. O equilíbrio destas duas forças é que mantém os elétrons ligados aos átomos. A corrente de elétrons de valência pode ser vista como uma corrente de lacunas em sentido contrário. como já vimos anteriormente. o silício é um isolante perfeito a uma temperatura de -273ºC. veremos que os elétrons estão se deslocando em direção ao terminal positivo e a lacuna em direção ao terminal negativo. seguem em direção ao terminal positivo da fonte. os elétrons de valência se deslocarão de um lado para outro do 6 Capítulo 3: Estrutura Interna Do Diodo Wagner da Silva Zanco . A corrente de lacunas nos semicondutores é apenas uma analogia. por esta característica. Na prática. o elétron deixa um vazio que nós chamamos de lacuna. entram na fonte.8 CRISTAL PURO Vemos na figura a seguir um cristal de silício puro. O elétron livre mostrado dentro do cristal será atraído pelo terminal positivo da fonte. se deslocando dentro do cristal pela banda de condução. chamada de banda de condução. Sabe-se que associado a todo movimento circular atua a força centrífuga.7 ELÉTRON LIVRE NO SEMICONDUTOR Já vimos que o que mantém os elétrons presos aos seus respectivos átomos é a força de atração exercida pelo núcleo. Se submetermos um cristal de silício puro a uma DDP. porque a esta temperatura não existe nenhum elétron livre. No caso dos elétrons. Para cada átomo de impureza pentavalente introduzido no cristal aparecerá um elétron livre. mas saiba que elas existem e que o uso dos semicondutores na construção de dispositivos eletrônicos se deu. Sendo a corrente elétrica o movimento de elétrons livres. o elétron pode subir para uma órbita acima da camada de valência. Os elétrons livres irão se deslocar de um lado para outro do cristal através da banda de condução. vai ocorrendo a quebra de ligações covalentes. não temos como medir a corrente de elétrons livres e de lacunas de forma independente dentro do cristal.cristal através das lacunas. nós vamos observar algo interessante. A lacuna no ponto 1 agora pode atrair o elétron do ponto 2. onde estava o elétron no ponto 1 terá uma lacuna. e esta for maior que a força de atração exercida pelo núcleo. Neste caso houve uma recombinação. 3. A medida que a temperatura vai aumentando. ou seja. como mostram as setas. é o que diferencia os semicondutores dos condutores. Alguns elétrons atravessam o cristal como elétrons livres. tenha isso sempre em mente. pulando de uma para a outra. onde passará a estar a lacuna. Esta quebra produz um par elétron-lacuna. Observe agora a lacuna mostrada na figura. que são átomos com cinco elétrons na última camada. Esta corrente de elétrons livres é de mesma natureza que a corrente que se estabelece nos materiais condutores. assim como recombinações. Cristal de silício puro 3. em grande parte.9 CORRENTE DE ELÉTRONS LIVRES E DE LACUNAS A figura a seguir mostra o cristal ampliado até a estrutura atômica submetido a uma DDP. teremos duas correntes elétricas: uma de elétrons livres e a outra de elétrons de valência. enquanto os prótons os puxam para dentro. Ao saírem pela extremidade do cristal. À temperatura ambiente existe um número mais ou menos estável de elétrons livres e de lacunas produzidos termicamente. tanto o elétron livre quanto o elétron de valência tornam-se elétrons livres. porque quem se movimenta na verdade são os elétrons de valência. Uma forma de aumentar a condutividade do cristal puro é introduzir no cristal impurezas pentavalentes.

7V. se transforma em um íon negativo. Resumindo. O que nós acabamos de descrever é na verdade um fluxo de elétron. ou seja. Uma outra forma de aumentar a condutividade de um cristal puro é a dopagem com impurezas trivalentes. um íon é um átomo que adquiriu carga elétrica. conforme mostram as setas na figura acima. que são átomos com três elétrons na última camada. Semicondutor tipo P 3. Ocorre que os elétrons mais próximos da junção são atraídos pelas lacunas que estão mais próximas. são produzidos termicamente.13 POLARIZAÇÃO DIRETA 3. produzindo um cristal tipo P.11 CAMADA DE DEPLEÇÃO E BARREIRA DE POTENCIAL As colunas de íons que se formaram próximas à junção devido a recombinação de elétrons e lacunas é chamada de camada de depleção. O terminal ligado ao lado P é o anodo (A) e o terminal ligado ao lado N é o catodo(k). de forma que o terminal positivo da fonte fique mais próximo do anodo e o terminal negativo mais próximo do catodo. Da mesma forma. 3. quando o diodo é polarizado diretamente e a tensão em seus terminais atinge o valor da barreira de potencial o diodo começa a conduzir corrente.3V e nos de silício é de 0. Chegará um momento que a região próxima à junção ficará esgotada de elétrons livres e lacunas. Uma vez dentro da região P os elétrons livres descem da banda de condução para a camada de valência e atravessam a região P como elétrons de valência.7V. Isto significa que o diodo se comporta quase como um curto. Cada recombinação fará aparecer um par de íons próximos da junção. a camada de depleção estará tão comprimida que permitirá que os elétrons livres da região N atravessem a junção e entrem na região P. Isto resultará em uma coluna de íons positivos do lado N e um a coluna de íons negativos do lado P. permite que os elétrons cruzem a junção. Para polarizar um diodo diretamente temos de submete-lo a uma diferença de potencial. pois ele perdeu um elétron. ou seja.10 JUNÇÃO PN Se nós doparmos a metade de um cristal puro com impurezas trivalentes e a outra metade com impurezas pentavalentes produziremos um diodo de junção.7V para o silício). A figura a seguir mostra um cristal tipo P. a resistência entre os terminais do diodo cai drasticamente. VT > 0. quando seguem para o terminal positivo da fonte. Quando a tensão entre os terminais do diodo atingir o valor da barreira de potencial (0.12 DIODO DE JUNÇÃO Na figura a seguir vemos a estrutura interna de um diodo de junção. o que justifica o fato de que sempre veremos um resistor em série com o diodo quando ele estiver polarizado diretamente. entram na região N do diodo pelo terminal do catodo. Na figura acima o íon negativo está representado por um sinal negativo com um círculo em volta. 3. saem pelo terminal negativo. pulando de lacuna em lacuna até saírem pelo terminal do anodo. o lado do cristal dopado com impurezas trivalentes terá muitas lacunas e o lado dopado com impurezas pentavalentes terá muitos elétrons livres. este átomo se transforma em um íon positivo. A figura a seguir ilustra a idéia. Esta DDP nos diodos de Germânio é de 0. estabelecendo-se assim um equilíbrio. Quando o elétron deixa o átomo para se recombinar com a lacuna. A faixa cinza próxima a junção é a camada de depleção. assim como as poucas lacunas vistas no lado N. Esta recombinação irá ocorrer com todos os elétrons e lacunas que estiverem próximos da junção. ou diodo semicondutor. A coluna de íons negativos do lado P irá repelir qualquer elétron que tentar atravessar a junção em busca de alguma lacuna. Quando isso ocorre. Os poucos elétrons livres vistos no lado P. ou uma corrente elétrica. Esta repulsão provocará a compressão da camada de depleção. e o íon positivo por um sinal positivo com um círculo em volta. ganhou ou perdeu elétrons. atravessam a região N como elétrons livres. entram na fonte. Não confunda íon com elétron livre ou lacuna. Existe entre as duas colunas de íons uma DDP que é chamada de barreira Uma vez em condução. o terminal positivo da fonte irá repelir as lacunas do lado P. Para cada átomo de impureza trivalente introduzido no cristal aparecerá uma lacuna. Wagner da Silva Zanco Capítulo 3: Estrutura Interna do Diodo 7 . e o terminal negativo irá repelir os elétrons livres do lado N. Sua função é limitar a intensidade de corrente elétrica que passa pelo diodo. o átomo ao qual pertencia a lacuna. ou seja. cruzam a junção e assim sucessivamente. como mostra a figura a seguir. que irá se comprimir ou se expandir quando o diodo for submetido a uma diferença de potencial.Semicondutor tipo N de potencial.

mas na prática circulará pelo diodo uma pequena corrente reversa devido aos portadores minoritários produzidos termicamente. Existe uma outra componente que contribui para a corrente reversa. o processo continua até ocorrer uma avalanche de elétrons (alta corrente elétrica).15 CORRENTE REVERSA Teoricamente. Esta componente depende da tensão reversa aplicada ao diodo. o terminal positivo da fonte irá atrair os elétrons livres da região N e o terminal negativo irá atrair as lacunas da região P.14 POLARIZAÇÃO REVERSA Um diodo está polarizado reversamente quando o terminal positivo da fonte está mais próximo do catodo e o terminal negativo mais próximo do anodo.0µA. o diodo se comportará como uma chave aberta. a dos portadores minoritários. ou seja. A intensidade desta corrente reversa depende da temperatura e não da tensão aplicada. de choques. um diodo polarizado reversamente se comporta como uma chave aberta. por hora. danificando-se por excesso de dissipação de calor. Se a tensão reversa nos terminais do diodo ultrapassa o valor de ruptura o mesmo conduz intensamente. que depende da tensão reversa aplicada aos terminais do diodo. O que ocorre com a camada de depleção quando um diodo é polarizado diretamente ou reversamente? Quando polarizado reversamente. e a 100ºC é de 1. Um dos motivos do uso em grande escala do Silício na confecção de componentes eletrônicos é que a corrente reversa nos componentes fabricados com Silício é menor do que nos fabricados com Germânio. Isto provocará a expansão da camada de depleção. quando o diodo está polarizado reversamente circula por ele uma pequena corrente reversa causada pelos portadores minoritários. 3. EXERCÍCIOS: 1) 2) 3) 4) 5) 6) 7) 8) 9) 10) O que é uma ligação covalente? Qual a carga elétrica de um elétron? O que é necessário para que um eletrôn se trone livre? O que caracteriza um material semicondutor? Porque o Silício normalmente é chamado de cristal? O diferencia um material condutor de um semicondutor do ponto de vista da condutividade? O que é dopagem? Qual a sua finalidade? Explique como é obtido um diodo de junção. um 1N4001 suporta no máximo 50V quando polarizado reversamente. Devido a impurezas (por exemplo poeiras) localizadas na superfície do cristal. Veja como a corrente reversa aumenta com o aumento de temperatura. Estes choques podem desalojar elétrons de valência enviando-os para a banda de condução. um trajeto ôhmico pode ser criado viabilizando a circulação desta corrente reversa pela superfície do cristal. ou seja. Por exemplo. O motivo desta condução destrutiva na ruptura é um efeito conhecido como avalanche. a uma temperatura de 25ºC é tipicamente de 50pA. Resumindo. Um aumento na tensão reversa pode acelerar estes portadores minoritários podendo causar o choque destes com os átomos do cristal.16 TENSÃO DE RUPTURA Temos de ter cuidado quando vamos polarizar um diodo reversamente. pois existe um valor de tensão máxima que cada diodo suporta estando polarizado desta forma. que depende da temperatura e a corrente de fuga superficial. 3. Por isso costuma-se dizer que ele se comporta como uma chave aberta quando está polarizado reversamente. dificultando ainda mais a difusão de elétrons livres através da junção. conseqüentemente. equipadas com ar condicionado para funcionar. Não se preocupe. o Silício e menos sensível à temperatura. Quando isso ocorre. a resistência entre os terminais do diodo é muito alta.3. que causará a destruição do diodo. Defina camada de depleção e barreira de poten cial. normalmente ela é tão pequena que na maioria dos casos é desprezada. com a corrente reversa. mais o número de elétrons livres e. O datasheet de um diodo 1N4001 informa que a sua corrente reversa. duas componentes contribuem para a corrente reversa. somando-se aos portadores minoritários. aumentando ainda 8 Capítulo 3: Estrutura Interna Do Diodo Wagner da Silva Zanco . que é a corrente de fuga superficial. que é a tensão de ruptura. Esta corrente reversa é muita das vezes inconveniente e pode prejudicar o bom funcionamento do circuito. Isso responde porque certos equipamentos eletrônicos precisam de salas climatizadas.

a ligação entre os dois enrolamentos é apenas magnética. sendo conhecida a tensão no primário e a relação de espiras. não esqueça disto. Observe que não existe contato elétrico entre os enrolamentos primário e secundário.GRÁFICO DO DIODO ELETRÔNICA Capítulo 4 constante no núcleo. não aparecerá tensão alguma no secundário do transformador. A corrente alternada que circula pelo enrolamento primário dará origem a um campo magnético variável. elevando ou abaixando a tensão aplicada no enrolamento primário. Este é o princípio de funcionamento do transformador: Uma tensão alternada é aplicada ao enrolamento primário. se for menor será abaixador de tensão. não havendo tensão induzida. Quando movimentamos um condutor dentro de um campo magnético. onde são enrolados os enrolamentos primário e secundário. ou seja. a tensão calculada no secundário será eficaz. Isso significa que não haverá movimento relativo entre o campo magnético e o condutor. Para cada dez espiras no primário. Como foi usado o valor eficaz de tensão no primário. que por sua vez produzirá um campo magnético Observe que N1=10 e N2=1. A principal razão que faz o transformador ser elevador ou abaixador de tensão é a relação existente entre o número de espiras nos enrolamentos primário e secundário. Se o número de espiras do enrolamento secundário for maior que o número de espiras do enrolamento primário. uma tensão induzida aparecerá em seus extremos devido ao campo magnético variável ao qual está submetido. EXERCÍCIOS Wagner da Silva Zanco Capítulo 4: Transformador 9 . existe uma no secundário. Vpri = Tensão no enrolamento primário (eficaz ou de pico). a intensidade do campo magnético também varia. aparece em seus extremos uma DDP. Ex. É necessário. que se estabelecerá no núcleo do transformador. o valor calculado no secundário seria de pico. Sabe-se que quando a corrente elétrica passa por um condutor se estabelece em torno do condutor um campo magnético. cuja intensidade depende da quantidade de elétrons que estejam passando por segundo no condutor (intensidade de corrente elétrica). A figura a seguir mostra um condutor percorrido por uma corrente elétrica e o campo magnético em torno do condutor. normalmente com fios de cobre. que haja um movimento relativo entre o campo magnético e o condutor para que apareça nos extremos dele uma tensão induzida. o secundário terá cem espiras. tendo a mesma forma de onda e freqüência que a tensão no secundário. 4. O transformador altera apenas o nível de tensão. Sua principal função é aumentar ou abaixar uma tensão aplicada em seu enrolamento primário. A fórmula a seguir nos permite calcular a tensão no enrolamento secundário.: Qual a tensão no enrolamento secundário do transformador a seguir? Se a intensidade da corrente que percorre o condutor varia.1 SÍMBOLO DO TRANSFORMADOR TRANSFORMADOR O transformador é formado por um núcleo de ferro. Isso acontece porque uma fonte de tensão contínua produzirá uma corrente constante no enrolamento primário. O princípio de funcionamento do transformador é baseado num fenômeno conhecido como indução eletromagnética. aparecerá em seus terminais uma tensão induzida. N2 = Número de espiras no secundário. representado pelas linhas de forças. portanto. Como o enrolamento secundário está enrolado em torno do núcleo. o transformador será elevador de tensão. que é chamada de tensão induzida. se o enrolamento primário tiver mil espiras. No exemplo acima a tensão aplicada no primário é senoidal. O mesmo irá acontecer se o condutor se mantiver em repouso e movimentarmos o campo magnético. Uma outra observação importante sobre o transformador é que o mesmo não altera a forma da onda nem a freqüência da tensão aplicada no enrolamento primário. Como o condutor está submetido ao campo. o que fará circular por ele uma corrente alternada. N1 = Número de espiras no primário. Se for aplicada uma tensão contínua no enrolamento primário. Se tivesse sido usado o valor de pico de tensão no primário. Vsec = Tensão no enrolamento secundário (eficaz ou de pico). Isto não significa que o enrolamento primário possui dez espiras e o secundário uma espira.

quantas espiras possui seu enrolamento secundário? 5) O que define se o transformador é elevador ou abaixador de tensão? 10 Capítulo 4: Transformador Wagner da Silva Zanco .1) Qual a tensão eficaz que aparecerá no enrolamento secundário de um transformador que possui uma relação de espiras de 20:4 e uma tensão de 250Vef em seu enrolamento primário? 2) Qual a tensão de pico no secundário do trafo a seguir? 3) Se a tensão medida no secundário de um transformador é 30Vef e a sua relação de espiras é 15:3. Qual a tensão aplicada no seu enrolamento primário? 4) Se um transformador tem 2000 espiras no seu enrolamento primário e a sua relação de espiras é 5:2.

ocorre uma mudança de polaridade. o terminal positivo é sempre positivo e o negativo é sempre negativo. bateria de celular etc. 5. Observe que a tensão se mantém constante ao longo do tempo.5 FREQUÊNCIA ( ƒ ) É a quantidade de ciclos gerados a cada segundo. agora é negativo. fazendo com que o mesmo se aqueça com a mesma temperatura.1 FONTE DE TENSÃO CONTÍNUA A polaridade da tensão nos terminais de fonte de tensão contínua não se altera nunca. A tensão aumenta até chegar ao máximo negativo (-VP). A tensão na tomada de luz de nossa casa tem uma freqüência de 60Hz. É a faixa de tensão entre o pico positivo e o pico negativo. 5. são exemplos de fontes de tensão alternada senoidal. A fonte de tensão contínua mantém constante a DDP entre os seus terminais. EXEMPLOS O termo senoidal deriva do fato do gráfico da tensão alternada senoidal ser idêntico ao gráfico da função seno. 5. A fonte de tensão alternada não tem polaridade definida. é o valor eficaz desta tensão alternada. Um ciclo é composto por dois semiciclos.Valor de pico .4 PERÍODO (T) É o tempo gasto para se completar um ciclo. ou seja. Suponha que ligamos uma fonte de tensão alternada aos terminais de um resistor durante um minuto. Veja a seguir como a tensão alternada senoidal varia com o tempo. As tomadas de luz. são gerados sessenta ciclos de tensão a cada segundo. ora um terminal é positivo. 5. Quando a tensão entra no semiciclo negativo (começa aumentar negativamente). a diminuir até chegar a zero. A DDP entre os terminais da fonte de tensão alternada varia a todo instante. VP Valor eficaz (Vef) → É o valor que a tensão alternada deveria ter se fosse contínua para produzir a mesma quantidade de calor. a partir do qual começa um novo ciclo. levando o mesmo se aquecer a 100ºC. geladeira e eletrodomésticos em nossa casa.6 VALORES DA TENSÃO ALTERNADA SENOIDAL Existem várias formas de se representar numericamente uma tensão alternada senoidal. um positivo e um negativo. Sua unidade é o segundo.GRÁFICO DO DIODO ELETRÔNICA Capítulo 5 começa. Estes são: . Uma tensão alternada pode ter várias formas. Valor de pico a pico (VPP) → É o dobro do valor de pico. Como exemplos de fontes de tensão contínua podemos citar a pilha de controle remoto.2 FONTE DE TENSÃO ALTERNADA VPP = 2 . o terminal que era positivo no semiciclo positivo. FONTES DE TENSÃO 5. a que nos interessa no momento é a tensão alternada senoidal. É o inverso do período. bateria de automóvel.Valor de pico a pico . quando A) Qual o período de uma tensão alternada senoidal com uma freqüência de 60Hz? B) Quais os valores de pico a pico e eficaz de uma tensão alternada senoidal que tem um valor de pico de 180V? Wagner da Silva Zanco Capítulo 5: Fontes de Tensão 11 . Vemos a seguir o gráfico da tensão versus tempo de uma fonte de tensão contínua. O valor de tensão contínua aplicada ao mesmo resistor durante o mesmo tempo. ora negativo. e sua unidade é o Hertz (Hz). os valores voltam a se repetir. onde nós ligamos a televisão.3 CICLO Ciclo de uma tensão alternada senoidal é a seqüência de valores onde. 5. então. sobe até o valor máximo (VP). No semiciclo positivo a tensão sai de zero. onde a partir do qual começa a diminuir até chegar novamente a zero.Valor eficaz Valor de pico (VP) → É o valor máximo atingido pela senoide A tensão atinge o valor de pico uma vez a cada semiciclo. a partir do qual.

quais os seus valores de pico e de pico a pico? 2) Dado o circuito abaixo.EXERCÍCIOS 1) Se uma tensão alternada tem um valor eficaz de 150V. calcule: a) Vef no resistor? b) Vpp no resistor? c) Corrente eficaz? 3) tendo uma tensão alternada senoidal um valor de pico a pico de 250V. calcule: a)Vef? b)Vp? 4) Qual a freqüência da tensão alternada abaixo? 12 Capítulo 5: Fontes de Tensão Wagner da Silva Zanco .

4 . temos que utilizar um circuito normalmente conhecido como conversor CA-CC.3 RETIFICADOR DE MEIA ONDA O nome meia onda deriva do fato de que apenas um dos semiciclos da tensão de entrada é aproveitado. 3 . pois o terminal positivo da fonte está mais próximo do anodo. como mostra a figura a seguir.Retificador: Transforma tensão alternada (CA) em tensão contínua (CC) pulsante. Um retificador pode ser de meia onda. Durante o semiciclo negativo o diodo não conduz (chave aberta) impedindo que o semiciclo Wagner da Silva Zanco Capítulo 6: Fonte de Alimentação 13 . Quando o semiciclo positivo termina. isto é. Como o diodo está aberto. 1 . dependendo da localidade. dependendo da posição do diodo. mais comumente chamado de fonte de alimentação. Pode ser que você veja transformadores em fontes com tensão no secundário diferente da faixa citada aqui. não tem corrente circulando pelo resistor. Pode ser o semiciclo positivo ou o negativo. 2 .1 TRANSFORMADOR Na maior parte das fontes de alimentação. Vamos convencionar que durante o semiciclo positivo o terminal superior da fonte seja o positivo e o terminal inferior seja negativo. Neste caso o diodo se comportando como uma chave fechada (diodo ideal). o transformador abaixa o nível da tensão de entrada para valores eficazes na faixa de 5Vef a 30Vef.Filtro: Converte a tensão CC pulsante vinda do retificador em contínua CC com ondulação. o retificador converte tensão alternada em tensão contínua pulsante. a tensão da fonte entra no semiciclo negativo. onda completa ou em ponte. comportando-se como uma chave aberta. 6. Veja a seguir o diagrama em blocos de um conversor CA-CC. Esta inversão na polaridade da fonte faz com que o diodo seja polarizado reversamente no semiciclo negativo.Estabilizador: Tem a função de transformar a tensão CC com ondulação em Tensão CC pura. como mostra a figura a seguir. normalmente de 3V a 30V. Isto faz com que a tensão em seus terminais seja nula durante todo o semiciclo negativo. 6. Para transformar a tensão alternada disponível na tomada de luz em tensão contínua. Isto provoca uma inversão na polaridade da fonte. que é a tensão utilizada pelos equipamentos eletrônicos.Transformador: Sua função é reduzir o nível de tensão disponível nas tomadas de luz (110V/220V) para níveis compatíveis com os equipamentos eletrônicos. bloqueando o semiciclo negativo. o semiciclo positivo da tensão da fonte aparecerá nos terminais do resistor de carga. isto é.2 RETIFICADOR Como já foi dito. Resumindo: Quando a tensão da fonte entra no semiciclo positivo o diodo conduz (chave fechada) fazendo com que todo o semiciclo positivo da tensão de entrada apareça nos terminais do resistor de carga. Observe que. O que o diodo fez na verdade foi deixar passar para o resistor de carga apenas o semiciclo positivo da tensão da fonte. com esta polaridade da fonte de tensão. o terminal superior da fonte passa a ser negativo e o inferior positivo. 6. os terminais da fonte ficam ligados diretamente aos terminais do resistor de carga (RL).GRÁFICO DO DIODO ELETRÔNICA Capítulo 6 FONTE DE ALIMENTAÇÃO (Conversor CA-CC) A maioria dos equipamentos eletrônicos são alimentados com tensão contínua. o diodo fica polarizado diretamente. só o tempo vai dizer. Nós sabemos que a fonte de tensão alternada não tem polaridade definida. como mostra a figura a seguir. Isto significa que a tensão nos terminais do resistor será a mesma da fonte. O dispositivo utilizado nos retificadores é o diodo devido a sua característica de conduzir a corrente elétrica em um sentido apenas. Com o diodo em condução. um terminal ora é positivo ora é negativo. Ocorre que a tensão disponível nas tomadas de luz de nossas casas são 110V ou 220V alternada. veja a seguir um circuito retificador de meia onda. ou seja.

A tensão nos terminais do resistor de carga é chamada de contínua pulsante. Observe que o semiciclo positivo da tensão de entrada aparece no resistor de carga e o semiciclo negativo da tensão aparece em cima do diodo. temos que usar outro recurso para medir a tensão nos terminais do resistor de carga. Como o diodo está em série com o resistor de carga. 6.6 CORRENTE MÉDIA (Icc) Se for ligado um amperímetro CC em série com o resistor de carga. e pulsante porque só aparece no resistor de carga os semiciclos positivos da tensão da fonte. Em outras palavras. Icc servirá como referência para especificação do diodo. Icc pode ser calculada dividindo a tensão média no resistor de carga pela sua resistência. Caso este circuito seja montado na prática. EXEMPLOS Vcc = Vp / π Vcc = Tensão média Vp = Tensão de pico π = pi 6. mas como nem sempre temos um osciloscópio à mão. 14 Capítulo 6: Fonte de Alimentação Wagner da Silva Zanco . que nada mais é do que a média dos valores instantâneos de tensão em cada ciclo. 6.5 CORRENTE NO RESISTOR DE CARGA Como o resistor de carga é um componente ôhmico (que obedece a lei de Ohm). ele vai medir a tensão média. Contínua porque mantém sempre a mesma polaridade. a corrente que o diodo suporta deverá ser maior que Icc. Se um voltímetro CC for ligado nos terminais do resistor de carga . Normalmente Icc aparece nas folhas de dados como Io. ou seja.negativo chegue aos terminais do resistor de carga. Vemos a seguir os gráficos das tensões da fonte. ele vai medir a corrente média na carga. A fórmula a seguir pode ser usada para medir a tensão média na carga. o gráfico da corrente será idêntico ao da tensão. resistor e diodo respectivamente.4 TENSÃO MÉDIA (Vcc) Os gráficos acima podem ser visualizados com um osciloscópio. a corrente que passa pelo resistor de carga passa também pelo diodo. isto significa que a corrente no resistor de carga está em fase com a tensão em cima dele.

porém de que margens maiores resultam em componentes mais caros. Esta tensão é chamada de tensão de pico inversa. uma vez que existem projetistas que utilizam uma margem de 50%. pois o mesmo tem uma tensão de ruptura de 75V. como mostra o exemplo acima. faça com que o valor Icc em funcionamento seja 70% do valor nominal de corrente do doido. Quando a tensão da fonte atinge o valor de pico negativo (-Vp).O diodo a ser escolhido deve suportar uma corrente de no mínimo 7. que pode ser definida como a máxima tensão reversa no diodo em funcionamento. Como o diodo 1N914 tem uma tensão de ruptura de 75V.7 TENSÃO DE PICO INVERSA (Vpi) Quando a tensão de entrada está no semiciclo negativo o diodo está bloqueado. Quem trabalha com projetos sabe que em primeiro lugar temos de zelar pela eficácia do projeto. No exemplo acima. faça com este valor (Vpi) seja 70% do valor da tensão de ruptura do diodo. muito maior que os 20V de tensão de pico inversa que ele terá sobre ele no circuito em funcionamento.71mA pode ser usado. depois pelo custo. Não esqueça. Neste caso: 3) Porque o retificador de meia onda tem este nome? Wagner da Silva Zanco Capítulo 6: Fonte de Alimentação 15 . Talvez R$0.4mA. calcule: . qualquer diodo que suporte uma corrente direta maior que 7.24V pode ser usado no circuito acima. pois a corrente média que irá passar por ele no circuito em funcionamento é de 5. outros até de 100%. Deste modo.97 = 70% X = 100% X = 24. chamada de tensão de ruptura. Vd e I = ? 2) Faça o gráfico de tensão no resistor de carga? O diodo 1N914 poderia ser usado neste circuito. Neste caso a diferença é de R$1. mas imagine uma produção de 10.000 peças. sendo que ele suporta 200mA.00. Nós sabemos que todo diodo suporta um valor máximo de tensão reversa. Ao longo do nosso curso nós usaremos a margem de 30%.considere o diodo ideal a) Vcc = ? b) Icc = ? c) Vef(sec) = ? d) Vp(sec) = ? e) Gráficos Vr. uma vez calculada a tensão de pico inversa. 16. como o 1N914 suporta 200mA. Uma boa regra para dimensionamento do diodo é usar uma margem de 30%. Uma ciosa é certa.000. quanto maior a margem segurança utilizada menor a probabilidade do componente apresentar defeito. o mesmo pode ser usado sem problemas. Esta regra dos 30% de margem de segurança é apenas uma orientação. a tensão de pico inversa no diodo será igual a tensão de pico no secundário do transformador Vpi = Vp(sec) = 16. ou seja. EXERCÍCIOS 1) dado o circuito abaixo.24V Qualquer diodo com uma tensão de ruptura maior que 24. ou seja. ele vai funcionar perfeitamente. A tensão de ruptura suportada pelo diodo tem que ser maior que a tensão de pico inversa. o mesmo acontece com a tensão em cima do diodo. O diodo 1N914 pode ser usado no circuito acima.71mA.10 possa não fazer diferença na compra de um componente. por se mostrar uma boa opção na relação eficácia versus custo. Vamos usar a mesma margem de 30% de segurança para o dimensionamento do diodo quanto a tensão de ruptura.97V 6. e isso faz com que todo o semiciclo negativo da tensão de entrada apareça em cima do diodo.

como ficará o gráfico de tensão no resistor de carga? 16 Capítulo 6: Fonte de Alimentação Wagner da Silva Zanco .4) Dado o circuito abaixo.Considere o diodo real .Use a margem de segurança de 30% 5) Se no circuito acima o diodo entrar em curto permanente. calcule as especificações de corrente direta (Io) e tensão de ruptura (Vr) para o diodo? .

1 TRANSFORMADOR COM DERIVAÇÃO CENTRAL O transformador com derivação central possui uma derivação na metade do enrolamento secundário fazendo com que o enrolamento secundário seja divido em dois: enrolamento secundário superior e enrolamento secundário inferior. Observe a derivação central. ou seja. como mostra a figura 1C. quem é positivo passa a ser negativo e vice-versa. Quando aplicamos uma tensão alternada no enrolamento primário do transformador (trafo). Durante o semiciclo positivo. as polaridades das tensões no primário e no secundário serão como mostradas na figura 1A quando a tensão de entrada estiver no semiciclo positivo. secundário superior e secundário inferior. mas para o enrolamento secundário inferior sua polaridade é positiva durante o semiciclo positivo de tensão de entrada. como mostra a figura 1B. Para o enrolamento secundário superior sua polaridade é negativa. V1 = tensão no enrolamento secundário superior V2 = tensão no enrolamento secundário inferior 7. Se medirmos a tensão em cada enrolamento secundário com um osciloscópio tomando como referência a derivação central. No semiciclo negativo da tensão de entrada a polaridade da tensão se inverterá. Wagner da Silva Zanco Capítulo 6: Fonte de Alimentação 17 . veremos a figura 2A no semiciclo positivo. Vemos a seguir o diagrama de tempo completo das tensões nos enrolamentos secundário. D1 conduz fazendo com que toda a tensão do enrolamento superior apareça em cima do resistor de carga RL. Durante o semiciclo negativo da tensão de entrada D2 conduz fazendo com que apareça no resistor de carga toda a tensão do enrolamento inferior. e a tensão no enrolamento secundário está em fase. Observe que o circuito aproveita os dois semiciclos da tensão de entrada.2 RETIFICADOR DE ONDA COMPLETA Vemos a seguir um retificador de onda completa.GRÁFICO DO DIODO ELETRÔNICA Capítulo 7 RETIFICADOR DE ONDA COMPLETA 7. e a figura 2B no semiciclo negativo da tensão de entrada.

a tensão do enrolamento superior é aplicado diretamente aos terminais de RL com a polaridade mostrada. de modo que não circula corrente no enrolamento inferior durante este semiciclo de tensão de entrada. aparece um novo semiciclo positivo em RL. Durante o semiciclo positivo D2 fica polarizado reversamente.6 CORRENTE NO RESISTOR DE CARGA Como nós já sabemos. colocarmos um voltímetro CC em paralelo com o resistor de carga. a tensão no enrolamento inferior aparece nos terminais da carga. por isso ele é chamado de retificador de onda completa. não circula corrente no enrolamento superior durante o semiciclo negativo de tensão de entrada.4 SEMICICLO NEGATIVO No semiciclo negativo da tensão de entrada as polaridades das tensões nos enrolamentos primário e secundário se invertem fazendo com que D1 fique polarizado reversamente e D2 diretamente. o gráfico da corrente na carga é idêntico ao gráfico da tensão. Observe que os dois semiciclos da tensão de entrada são aproveitados pelo retificador. Como a polaridade positiva da tensão está mais próxima do anodo de D1. como mostra a figura 3B. Isto significa que durante o semiciclo positivo de tensão de entrada aparece nos terminais da carga um semiciclo positivo. a freqüência da tensão na carga será 120Hz. como mostra a figura 4A. Observe que a polaridade da tensão em RL é igual à polaridade da tensão durante o semiciclo positivo.3 SEMICICLO POSITIVO Observe na figura 3A as polaridades da tensão nos enrolamentos superior e inferior. nos diodos e no resistor de carga. que é o dobro da freqüência da tensão de entrada. Observe que o circuito foi redesenhado. ele fica polarizado diretamente durante todo o semiciclo positivo. que é uma tensão contínua pulsante. A seguir vemos os gráficos das tensões no enrolamento secundário. 18 Capítulo 6: Fonte de Alimentação Wagner da Silva Zanco . Por isso. Com D2 em condução. Observe na figura 5 que para cada ciclo de tensão de entrada aparece dois ciclos de tensão no resistor de carga. Portanto. 7.7 TENSÃO MÉDIA NA CARGA A figura 5 mostra a forma da tensão que veremos se colocarmos um osciloscópio em cima do resistor de carga. ou seja. visto que cada semiciclo de tensão de entrada equivale a um ciclo de tensão de saída. mediremos a tensão CC na carga(Vcc). Como D1 é um curto. mas sem alteração.5 FREQUÊNCIA NA CARGA 7. comportando-se como uma chave fechada.7. Se ao invés de um osciloscópio. como mostra a figura a seguir. funciona da mesma forma. 7. Isto significa que a corrente é diretamente proporcional a tensão no resistor de carga. se a freqüência de entrada for 60Hz. 7. Uma observação importante a fazer sobre a tensão no resistor de carga é com relação a sua freqüência. o resistor é um componente ôhmico. Como D1 está polarizado reversamente. ou seja.

Como D1 é uma chave fechada e D2 uma chave aberta. VP(res) ) / π Icc = Vcc / RL Ip(res) = VP(res) / RL Como cada diodo fornece corrente para a carga durante um semiciclo de cada ciclo da tensão de entrada. e também nos informa que a tensão média no retificador de onda completa é o dobro da tensão média no retificador de meia onda. toda a tensão no enrolamento secundário aparece nos terminais de D2. Observe que D1 está polarizado diretamente e D2 polarizado reversamente.7. VPI = Vp(sec) . como mostra figura a seguir. a fórmula acima é válida para os dois diodos. a corrente direta que cada diodo deverá suportar tem que ser maior que Icc(diodo). 7.8 CORRENTE MÉDIA Se um amperímetro CC for colocado em série com a carga ele irá medir a corrente média na carga. Veja agora que D1 está polarizado reversamente e D2 polarizado diretamente. O circuito foi redesenhado para facilitar a nossa análise. VPI = Vp(sec) VPI = tensão de pico inversa Vp(sec) = tensão de pico entre os extremos do enrolamento secundário O mesmo raciocínio pode ser usado para o semiciclo negativo da tensão de entrada. A fórmula a seguir nos mostra como calcular a tensão média no retificador de onda completa. Mais uma vez a regra dos 30% de tolerância pode ser usada sem problemas. é lógico deduzir que a corrente média em cada diodo é a metade da corrente média na carga. Podemos dizer então que a máxima tensão de pico inversa em D2 é o valor de pico da tensão no secundário. embora possamos usar um valor de tolerância maior. enquanto o retificador de meia onda só aproveita um semiciclo. VP(res) = (Vp(sec) /2) – 0. Wagner da Silva Zanco Capítulo 6: Fonte de Alimentação 19 . A regra dos 30% de tolerância poder ser usada como referência. Todas as fórmulas deduzidas nesta seção levaram em consideração o diodo como sendo ideal. a tensão de pico inversa nominal de cada diodo deve ser maior que VPI. Quando a tensão no secundário chega ao seu valor máximo ou de pico. nunca menor. ou seja.0. Quando a tensão no secundário do trafo atinge o valor de pico. o mesmo acontece com a tensão no diodo D1. Portanto.7 Vcc = (2 . VD2 = Vp(sec).9 TENSÃO DE PICO INVERSA Na figura a seguir nós vemos o circuito equivalente do retificador de onda completa durante o semiciclo positivo da tensão de entrada.7 No caso de projeto. A fórmula a seguir pode ser usada para calcular a corrente média na carga (Icc). Veja a seguir as mesmas fórmulas levando em consideração o diodo como sendo real. a tensão reversa em D2 também chega ao seu valor máximo. É simples chegar a esta conclusão visto que o retificador de onda completa aproveita os dois semiciclos da tensão de entrada. Ao projetar um retificador de onda completa. como mostra a fórmula a seguir.

utilizando a regra dos 30% de tolerância? 20 Capítulo 6: Fonte de Alimentação Wagner da Silva Zanco . Cite uma vantagem e uma desvantagem do retificador de onda completa com relação ao retificador de meia onda? Qual o valor máximo de corrente no primário do transformador? Utilize a regra dos 30% para calcular o valor do fusível a ser colocado no primário do transformador. especifique os valores nominais mínimos de corrente direta e de tensão de pico inversa para cada diodo.EXERCÍCIOS 1) Dado o circuito abaixo. se Icc = 300mA e o trafo tem uma tensão no secundário de 12V. usando a corrente calculada na questão anterior como base de cálculo? Qual a forma de onda de tensão e da corrente na carga no circuito a seguir? 6) 7) No projeto de um retificador de onda completa. calcule: Obs – diodo ideal a) b) c) d) Tesão média na carga (Vcc)? Corrente média na carga (Icc)? Tensão de pico inverso (VPI) ? Gráfico da tensão no resistor de carga? 2) 3) 4) 5) Repita os calculas da questão nº 1 considerando o diodo real.

os dois ciclos de tensão de entrada são aproveitados.2 SEMICICLO NEGATIVO No semiciclo negativo da tensão de entrada as polaridades das tensões nos enrolamentos primário e secundário se invertem fazendo com que D1 e D3 fiquem polarizados reversamente e D2 e D4 diretamente. nos diodos e no resistor de carga. o resistor é um componente ôhmico.3 FREQUÊNCIA NA CARGA Observe na figura 4 que para cada ciclo de tensão de entrada aparecem dois ciclos de tensão no resistor de carga.4 CORRENTE NO RESISTOR DE CARGA Como nós já sabemos. Como o circuito é um retificador de onda completa. A seguir vemos os gráficos das tensões no nrolamento secundário. A condução de D1 e D3 faz com que os terminais do resistor de carga sejam ligados diretamente aos terminais do enrolamento secundário. como mostra a figura 3a. se a freqüência de entrada for 60Hz. ou seja. fazendo com que ambos.5 TENSÃO MÉDIA NA CARGA Se um voltímetro CC for ligado em paralelo com o resistor de carga como mostra a figura a seguir. 8. ou seja.1 SEMICICLO POSITIVO Observe na figura 2a a polaridade da tensão no enrolamento secundário. 8. A figura a seguir mostra um retificador em ponte. Com D2 e D4 em condução. mediremos a tensão CC na carga(Vcc). Como a polaridade positiva da tensão está mais próxima do anodo de D1 e a polaridade negativa mais próxima do catodo de D3. ou seja. Wagner da Silva Zanco Capítulo 8: Retificador de Onda Completa em Ponte 21 . Isto significa que a corrente é diretamente proporcional a tensão no resistor de carga. A fig 2b mostra o circuito com os diodos representados como chaves(diodo ideal). apenas a metade da tensão no secundário chega aos terminais da carga. fiquem polarizados reversamente. a freqüência da tensão na carga será 120Hz. ambos estão polarizados diretamente. o gráfico da corrente na carga é idêntico ao gráfico da tensão. Portanto. Uma vantagem do retificador em ponte com relação ao retificador de onda completa com dois diodos é que no primeiro toda a tensão do enrolamento secundário é aproveitada. 8. a freqüência no resistor de carga é o dobro da freqüência da tensão de entrada. 8. Observe que a polaridade da tensão em RL é igual à polaridade da tensão durante o semiciclo positivo. fazendo com que todo o semiciclo positivo de tensão no secundário seja aplicado aos terminais do resistor de carga com a polaridade mostrada. Observe que os dois semiciclos da tensão de entrada são aproveitados pelo retificador. Por isso. 8. Veja que D1 e D3 estão fechados(polarização direta) e D2 e D4 estão abertos(polarização reversa). Observe que o circuito foi redesenhado. aparece um novo semiciclo positivo em RL.GRÁFICO DO DIODO ELETRÔNICA Capítulo 8 RETIFICADOR DE ONDA COMPLETA EM PONTE O retificador de onda completa em ponte utiliza quatro diodos e não necessita de transformador com derivação central. Observe ainda na fig 2a que a polaridade positiva da tensão no enrolamento secundário está mais próxima do catodo de D4 e a polaridade negativa está mais próxima do anodo de D2. por isso ele é chamado de retificador de onda completa. no outro. funciona da mesma forma. neste semiciclo. toda a tensão do enrolamento secundário aparece nos terminais da carga. visto que cada semiciclo de tensão de entrada equivale a um ciclo de tensão de saída. mas sem alteração no circuito. enquanto que.

ou seja. A regra dos 30% de tolerância poder ser usada como referência. a corrente direta que cada diodo deverá suportar tem que ser maior que Icc(diodo). como mostra a fórmula a seguir. Portanto. D1e D3 estão polarizados diretamente e D2 e D4 polarizados reversamente. Veja que agora D1e D3 estão polarizados reversamente e D2 e D4 polarizados diretamente. Se você for projetar um retificador de onda completa. 8. O mesmo raciocínio podemos usar para D3 e D4. visto que o retificador de onda completa aproveita os dois semiciclos da tensão de entrada. A fórmula a seguir pode ser usada para calcular a corrente média na carga (Icc). Icc = Vcc / RL Ip(res) = VP(res) / RL VPI = Vp(sec) . Podemos dizer então que a máxima tensão de pico inversa em D2 é o valor de pico da tensão no secundário. Todas as fórmulas deduzidas nesta seção levaram em consideração o diodo como sendo ideal. A fórmula a seguir nos mostra como calcular a tensão média no retificador de onda completa. Veja a seguir algumas formas de pontes retificadoras encontradas no mercado. Estes parâmetros são válidos para cada diodo que faz parte da ponte. toda a tensão no enrolamento secundário aparece nos terminais de D2. Por exemplo. é lógico deduzir que a corrente média em cada diodo é a metade da corrente média na carga.6 CORRENTE MÉDIA Se um amperímetro CC for ligado em série com a carga ele irá medir a corrente média na carga.4V Vcc = (2 .5 A e uma tensão de pico inversa de 50V. O mesmo ocorre com D4. VD4 = Vp(sec) quando a tensão no secundário chega ao valor máximo.redesenhado para facilitar a nossa análise. a tensão reversa em D2 também chega ao seu valor máximo. Quando a tensão no secundário chega ao seu valor máximo ou de pico. a ponte retificadora 3N246. 8. VP(res) = Vp(sec) – 1. veja a seguir as mesmas fórmulas levando em consideração o diodo como sendo real. suporta uma corrente direta máxima de 1. VP(res) ) / π Como cada diodo fornece corrente para a carga durante um semiciclo de cada ciclo da tensão de entrada. nunca menor. O mesmo raciocínio pode ser usado para o semiciclo negativo da tensão de entrada. Cada diodo que compõe a ponte possui uma corrente direta máxima e uma tensão que pico inversa máxima que é especificado pelo fabricante quando a ponte é fabricada. VD2 = Vp(sec). VPI = Vp(sec) VPI = tensão de pico inversa Vp(sec) = tensão de pico entre os extremos do enrolamento secundário 8. O circuito foi 22 Capítulo 8: Retificador de Onda Completa em Ponte Wagner da Silva Zanco . fabricada pela Fairchild. como mostra figura a seguir.0.8 RETIFICADORES EM PONTE ENCAPSULADOS Os retificadores em ponte São tão comuns que os fabricantes lançaram vários modelos de retificadores em ponte montados em um encapsulamento de plástico selado. ou seja. enquanto o retificador de meia onda só aproveita um semiciclo. o mesmo acontece com a tensão no diodos D1 e D3. a fórmula acima é válida para os quatro diodos. embora você possa usar um valor de tolerância maior. É simples chegar a esta conclusão.7 TENSÃO DE PICO INVERSA Na figura a seguir nós vemos o circuito equivalente do retificador em ponte durante o semiciclo positivo da tensão de entrada. Como D1 é uma chave fechada e D2 uma chave aberta. Quando a tensão no secundário do trafo atinge o valor de pico. a tensão de pico inversa nominal de cada diodo deve ser maior que VPI. Mais uma vez a regra dos 30% de tolerância pode ser usada sem problemas.7 No caso de projeto. e também nos informa que a tensão média no retificador de onda completa é o dobro da tensão média no retificador de meia onda.

usando a corrente calculada na questão anterior como base de cálculo? Qual a forma de onda de tensão e corrente na carga no circuito a seguir? 4) 5) 6) 7) No projeto de um retificador de onda completa. especifique os valores nominais mínimos de corrente direta e de tensão de pico inversa para cada diodo. calcule: Obs – diodo ideal a) b) c) d) Tesão média na carga (Vcc)? Corrente média na carga (Icc)? Tensão de pico inverso (VPI) ? Gráfico da tensão no resistor de carga? 2) 3) Repita os cálculos da questão nº 1 considerando o diodo real. Cite uma vantagem e uma desvantagem do retificador de onda completa em ponte com relação ao retificador de onda completa com trafo com derivação central ? Qual o valor máximo de corrente no primário do transformador no circuito da questão 1? Utilize a regra dos 30% para calcular o valor do fusível a ser colocado no primário do transformador. se Icc = 200mA e se o trafo tem uma tensão no secundário de 15Vrms. utilizando a regra dos 30% de tolerância? Qual a freqüência da tensão na carga ligada na saída de um retificador em ponte se a freqüência da tensão de entrada é de 100Hz? 8) Wagner da Silva Zanco Capítulo 8: Retificador de Onda Completa em Ponte 23 .EXERCÍCIOS 1) Dado o circuito abaixo.

Na figura a seguir vemos o símbolo de um capacitor eletrolítico de 220µF. Este fluxo de elétrons é chamado de corrente de descarga(ID). Os capacitores mais comuns são os de ar. Esta característica está associada a sua capacitância. 9.3 TIPOS DE CAPACITORES Os capacitores comerciais são denominados de acordo com o seu dielétrico. O capacitor utilizado em fontes de alimentação como filtro capacitivo é o eletrolítico. O tempo que o capacitor leva para atingir a tensão da fonte durante a carga pode ser aumentado se um resistor for colocado em série com o capacitor. o mesmo se carrega com a tensão da fonte imediatamente após chave ser colocada na posição A. A principal característica de um capacitor é a de armazenar Quando a chave é colocada na posição A. ou seja. que é a capacidade que tem o capacitor em armazenar cargas elétricas. 24 Capítulo 9: Filtro Capacitivo Wagner da Silva Zanco . os elétrons em excesso na placa inferior irão fluir para a placa superior com o objetivo de restabelecer o equilíbrio. ou seja.2 SÍMBOLOS Se após o capacitor estar carregado com a tensão da fonte a chave for colocada novamente na posição 0. o que significa que o capacitor estará descarregado. fornecendo corrente ao resistor. Assim como na carga. ele só pode se carregar num único sentido.4 CARGA E DESCARGA Na figura a seguir temos um circuito que podemos usar para demonstrar o funcionamento do capacitor. Como não tem resistor em série com o capacitor durante a carga. Se a chave agora for colocada na posição B. o capacitor irá manter-se carregado por tempo indeterminado. como mostra a fig 2. maior a sua capacidade em armazenar cargas elétricas. não haverá mais DDP entres as placas do capacitor. a DDP em seus terminais é zero.GRÁFICO DO DIODO ELETRÔNICA Capítulo 9 FILTRO CAPACITIVO 9. normalmente chamado de dielétrico. 9. Quanto maior o valor do resistor de descarga. ou seja. fazendo com que o mesmo se carregue com a tensão da fonte e com a mesma polaridade. Isto significa que o capacitor só pode se carregar com a polaridade mostrada. ou seja. como mostra a Fig 4. o tempo de descarga pode ser alterado se o resistor for substituído por outro de valor diferente. mica. cerâmica.1 CAPACITOR O capacitor é um dispositivo elétrico constituído de duas placas condutoras separadas por um material isolante. A polaridade vem impressa em seu corpo. Esta é uma idéia importante de se fixar porque ela será usada quando formos estudar fonte de tensão com filtro capacitivo. maior o tempo que o capacitor leva para se descarregar. como mostra a fig 3. 9. poliester e eletrolítico. os terminais do capacitor ficarão ligados diretamente aos terminais da fonte. Quanto maior a capacitância do capacitor. a placa superior só pode se carregar com cargas positivas e a placa inferior com cargas negativas. O capacitor eletrolítico possui polaridade. Como o capacitor está descarregado. A unidade de cacitância é o Farad (F). Quando todos os elétrons em excesso na placa inferior voltarem para a placa de origem(superior) a corrente de descarga cessará. papel. Observe que enquanto o capacitor está se descarregando ele funciona como se fosse uma fonte de tensão temporária. Suponha que o capacitor esteja completamente descarregado e a chave esteja posicionada na posição 0. as duas placas voltarem a estar neutras. o capacitor ira se descarregar em cima do resistor. No instante em que o circuito de descarga for fechado. Observe as polaridades. cargas elétricas.

nós consideramos o capacitor descarregado após cinco constantes de tempo. como mostra a Fig 6b. Após cinco constantes de tempo (T = 5. o capacitor estará com 0. Neste caso dizemos que as fontes tem a mesma polaridade. a tensão no capacitor se torna ligeiramente maior que a tensão no secundário porque a tensão no mesmo não diminui na mesma velocidade. Por outro lado.Sem o capacitor Veja a seguir o gráfico de tempo de descarga do capacitor. Caso você vá usar este capacitor em algum circuito. Porque? Observe que a tensão que chega nos terminais do diodo é a diferença entre as tensões no secundário do transformador e no capacitor. Observe que a tensão no capacitor tem a mesma polaridade da tensão no secundário. ou seja. A figura a seguir mostra o capacitor carregado.6 ASSOCIAÇÃO DE FONTES DE TENSÃO EM SÉRIE Toda vez que tivermos duas fontes de tensão ligadas em série na forma como está mostrado na Fig 6a. para efeito prático. quando a tensão no secundário atingir o pico positivo. ele não irá se carregar com uma tensão maior que 25V. e o diodo então para de conduzir. se as fontes estiverem ligadas em série e com polaridades opostas. certifique-se de que sob quaisquer condições de funcionamento. como mostra a figura a seguir. o pólo positivo ligado ao negativo e vice versa. Wagner da Silva Zanco Capítulo 9: Filtro Capacitivo 25 . 9. a tensão no capacitor também será igual à Vp. a tensão equivalente entre os pontos A e B será a soma das tensões de cada fonte. Durante a primeira metade do semiciclo positivo. Se o capacitor se carrega com uma tensão acima do valor especificado pelo fabricante. Este valor de tensão é tão próximo de zero que normalmente. 9. a tensão equivalente entre os pontos A e B será a diferença entre as tensões de cada fonte.R. a tensão no secundário vai aumentando até atingir o pico positivo. Esta tensão é chamada de rigidez dielétrica. acontecendo o mesmo com a tensão no capacitor. Quando a tensão no secundário começa a diminuir após o pico positivo.8 CARGA E DESCARGA DO CAPACITOR A ondulação que observamos na tensão de saída com o capacitor no circuito existe porque o capacitor fica se carregando e descarregando durante cada ciclo de tensão de entrada.5 RIGIDEZ DIELÉTRICA Quando um capacitor é projetado o fabricante especifica um valor máximo de tensão que o mesmo pode ter em seus terminais. Se o diodo for considerado ideal. o capacitor começa a se descarregar em cima do resistor de carga. Vamos analisar nesta seção como isto acontece. o que faz com que a tensão em seus terminais comece a diminuir. Com o capacitor 9. No primeiro semiciclo positivo de tensão no secundário.7% da tensão inicial que é 10V. Isto que faz com que prevaleça a polaridade da tensão no capacitor. ou seja. prevalecendo a polaridade da fonte maior. um capacitor de 220µF/25V não pode ter em seus terminais uma tensão maior que 25V. como mostra a figura a seguir.7 RETIFICADOR DE MEIA ONDA COM FILTRO CAPACITIVO Nos podemos transformar a tensão contínua pulsante presente na saída de um retificador numa tensão contínua com ondulação se colocarmos um capacitor em paralelo com a carga. Com o diodo polarizado reversamente. pólo positivo ligado com o pólo positivo ou vice-versa. o que polariza o diodo reversamente. 9. o diodo conduz e liga os terminais do capacitor diretamente aos extremos do enrolamento secundário.C). Logo depois que a tensão no secundário atinge o valor de pico ela começa a diminuir. Este é um gráfico da tensão nos terminais do capacitor em função do tempo. o capacitor se danifica. devidos as suas polaridades. Por exemplo. como mostram as figuras a seguir.

Isso fará com que o diodo volte a conduzir. A seguir vemos a fórmula para calcular a tensão de ondulação de pico a pico( Vpp(ond)) no capacitor de filtro. Quando a tensão no secundário atinge o pico negativo. O tempo de descarga(TD) é o tempo em que o diodo se mantém aberto. a polaridade da tensão no secundário se inverte. o capacitor se descarrega durante um intervalo de tempo duas vezes menor. o diodo terá em seus terminais aproximadamente 2. Quando a tensão no secundário do transformador ultrapassa o pico positivo. período em que o capacitor recupera sua carga. Os dois semiciclos são aproveitados e. fazendo com que o capacitor torne a se carregar até atingir o valor de pico. Observe que no retificador de onda completa a ondulação é bem menor. em conseqüência disto. Chegará um momento que a tensão no secundário do transformador irá ultrapassar a tensão no capacitor. visto que a tensão em seus terminais agora é a soma das tensões do secundário e no capacitor. Agora temos a tensão no secundário do transformador aumentando. No próximo semiciclo positivo. e a tensão no capacitor diminuindo devido à descarga. a polaridade da tensão no secundário do transformador volta a inverter. se VP=15V. como mostra a figura a seguir. 26 Capítulo 9: Filtro Capacitivo Wagner da Silva Zanco . É importante observar que o diodo só conduz durante uma parte do semiciclo positivo. ligando os terminais do capacitor aos extremos do enrolamento secundário. O gráfico a seguir mostra a tensão ondulada na carga com todas as indicações importantes. dando início a um ciclo de carga e descarga até que o circuito seja desligado.Quando a tensão de entrada entra no semiciclo negativo. A ondulação de pico a pico é a diferença entre a tensão máxima(Vp(res)) e a tensão mínima(Vmin) na carga. Para que o circuito funcione corretamente da forma como foi descrita. Por exemplo.C) deve ser pelo menos dez vezes maior que o período da tensão de entrada. Num projeto prático esta ondulação deve ficar abaixo dos 10% do valor máximo de tensão na carga(Vp(res)). Quanto maior o resistor de carga menor a ondulação da tensão na carga. a constante de tempo(T= RL. Uma outra forma de reduzir a ondulação é usarmos um retificador de onda completa ao invés de um retificador de meia onda. Esta é a máxima tensão que o diodo terá em seus terminais quando polarizado reversamente. Vpp(ond) não deve ser maior que 1. Isto garante que o tempo de descarga seja muito maior que o tempo de carga. fazendo com que o capacitor recupere sua carga. o diodo abre novamente e o capacitor volta a se descarregar em cima do resistor de carga. A freqüência de ondulação é igual à freqüência de entrada se o retificador for de meia onda. o que significa que a ondulação é duas vezes menor.Vp(sec)(duas vezes a tensão de pico no secundário). O tempo de carga(TC) é o tempo durante o qual o diodo se mantém em condução.5V. fazendo com que o diodo fique mais reversamente polarizado. fazendo com que o capacitor se descarregue em cima do resistor de carga. condição que deve ser satisfeita para que o diodo pare de conduzir logo após o pico positivo. e o dobro da freqüência de entrada se for de onda completa.

o diodo do retificador de meia onda com filtro capacitivo tem uma tensão máxima reversa de 2Vp em seus terminais quando a tensão no secundário atinge o pico negativo. Observe que a tensão de ondulação de pico a pico está abaixo de 10% da tensão máxima na carga. Icc(diodo) > Icc / 2 Para projeto. o diodo deve suportar uma corrente direta de no mínimo 30% acima do valor de Icc se o retificador for de meia onda. Nestes casos o capacitor não influencia na tensão de pico inversa como no retificador de meia onda. VPI = 2Vp(sec) Nos retificadores de onda completa e em ponte a tensão reversa máxima que cada diodo tem em seus terminais ocorre quando a tensão no secundário atinge os picos e é igual a Vp(sec).Exemplo: Dado o circuito a seguir. calcule a ondulação de pico a pico na carga? Se o retificador for de meia onda. após S1 ser fechada. isto significa que a especificação do diodo tem que ser maior que a metade de Icc. A tensão que chega nos terminais do diodo é dada pela somas das tensões no capacitor e no enrolamento secundário devido as suas polaridades. Neste caso: Vcc = Vp(res) – (Vpp(ond) / 2) VPI = Vp(sec) EXERCÍCIOS 1) No circuito a seguir. A figura a seguir ilustra o evento. 2) Icc = Vcc / RL Icc = corrente média na carga Vcc = tensão média na carga RL = resistor de carga 3) Como é chamada a forma da tensão na carga de um retificador com filtro capacitivo? O que é tensão de ondulação de pico a pico? Wagner da Silva Zanco Capítulo 9: Filtro Capacitivo 27 . No retificador de meia onda o diodo deve suportar uma tensão reversa maior que 2Vp no secundário. Quanto maior o resistor de carga menor a ondulação. isto significa que o capacitor foi especificado corretamente. Porém. e de no mínimo 30% acima de Icc/2 se o retificador for de onda completa. por isso aparece nos terminais do diodo 2Vp. cada diodo só conduz durante um semiciclo da tensão de entrada. Veja a seguir o gráfico da tensão na carga. uma tolerância de no mínimo 30% deve ser utilizada para a escolha do diodo. se desejarmos obter um valor mais preciso de Vcc podemos usar a fórmula a seguir. como mostra a fórmula abaixo. As vezes nós consideramos a tensão média na carga (Vcc) aproximadamente igual ao valor máximo de tensão na carga(Vp(res)) quando o resistor de carga tem um valor muito alto. 9. a especificação de corrente do diodo tem de ser maior que a corrente média na carga. Observe que o capacitor também tem em seus terminais Vp.11 TENSÃO DE PICO INVERSA Como já visto anteriormente. quanto tempo o capacitor leva para se descarregar? 9. ou seja. Icc(diodo) > Icc Se o retificador for de onda completa. Para calcularmos Icc basta dividirmos Vcc por RL.9 TENSÃO MÉDIA NA CARGA (Vcc) O capacitor de filtro eleva o nível CC da tensão na carga.10 CORRENTE MÉDIA Se um amperímetro CC for ligado em série com o resistor de carga ele irá medir a corrente média na carga (Icc). 9.

incluindo os valores máximos e mínimos.4) Qual o valor do capacitor de filtro para o circuito a seguir? 5) Se no circuito da fig 21 o retificador for substituído por um de meia onda. e calcule o valor médio da tensão na carga? 6) 7) 8) O que é rigidez dielétrica? Calcule as especificações de corrente direta e tensão de pico inversa para os diodos dos circuitos das questões nos 4. calcule o novo valor da capacitância do capacitor? Faça o gráfico da tensão de carga para o circuito da figura a seguir. 5 e 6? 28 Capítulo 9: Filtro Capacitivo Wagner da Silva Zanco .

10. a tensão nos terminais do zener permanece praticamente constante em 12V. O circuito a seguir mostra como utilizar o zener como estabilizador de tensão. Em símbolos: Se a tensão de entrada subir para 40V. a intensidade da corrente que estiver passando por ele (Iz) deva estar compreendida entre os valores máximo (Iz max) e mínimo (Iz min). seguido de um aumento da corrente praticamente constante. Iz min → É a corrente mínima que deve passar pelo diodo zener. Wagner da Silva Zanco Capítulo 10: Estabilização da Tensão 29 . A diferença entre a tensão de entrada e a tensão Vz é absorvida por Rs. Quando o zener entra na região de ruptura a sua impedância interna é quase zero. Num diodo zener a ruptura tem um joelho muito pronunciado. A figura a seguir mostra a curva característica de um típico diodo zener. Pz = Vz x Iz PZ = Potência dissipada Vz = Tensão zener Iz = Corrente zener Desde que Pz seja menor que a sua especificação máxima de potência. Porém. Caso Iz seja menor que Iz min o zener perde a capacidade de estabilização. Uma vez atingida a região de ruptura o zener conduz normalmente. a tensão de entrada deve ser maior que Vz. o zener precisa que a corrente que passe por ele seja maior que Iz min para ele estabilizar a tensão em seus terminais. Zener BZX79C5V1 BZV6DC12 BZW03C15 Vz 5mA 50mA 75mA Iz 5.1 ESPECIFICAÇÃO MÁXIMA A potência dissipada por um diodo zener é igual ao produto da tensão em seus terminais pela corrente que estiver passando por ele. estando o mesmo funcionando na região de ruptura. Vo = Tensão estabilizada Quando o diodo zener é polarizado reversamente ele funciona como uma chave aberta até que a tensão em seus terminais alcance o valor de ruptura (Vz). e só se danifica se for ultrapassada a sua especificação de potência. Se a corrente no zener for menor que Iz min ele perde a capacidade de estabilizar a tensão. O mesmo não acontece com um diodo zener. com especificação de potência de 1/4 W a mais de 50W. como mostra a figura a seguir. o Zener manterá estabilizada a tensão em seus terminais. além de operar na ruptura. Vemos a seguir o símbolo de um diodo zener. Iz min é fornecida pelo fabricante. Se um diodo comum atingir a região de ruptura ele se queima por excesso de dissipação de potência. Por outro lado. Veja que a tensão em Rs é a diferença entre a tensão de entrada e a tensão no zener.GRÁFICO DO DIODO ELETRÔNICA Capítulo 10 ESTABILIZAÇÃO DA TENSÃO O diodo zener é um diodo de silício cuja estrutura interna foi alterada para permitir que ele possa trabalhar na região de ruptura. com as suas respectivas tensões de funcionamento e corrente máxima reversa. para manter o funcionamento como estabilizador de tensão. para que o zener estabilize a tensão de saída. se a corrente que passa por ele for maior que Iz max o zener irá se danificar por excesso de dissipação de calor. Além disso. Esta característica faz do diodo zener um dispositivo fundamental para a estabilização da tensão. enquanto a tensão em cima de Rs sobe para 28V. Desde que VT seja maior que Vz e a corrente no zener seja maior que Iz min. Existe no mercado zeners com tensões de ruptura que pode variar de 2V a mais de 200V. A figura a seguir ilustra a idéia. para que o zener funcione como estabilizador de tensão é necessário que. Veja que polarizado diretamente o diodo zener se comporta exatamente como um diodo comum. A tabela a seguir mostra alguns modelos de zeners encontrados no mercado.1V 12V 15V O diodo zener é comumente chamado de regulador de tensão porque mantém a tensão em seus terminais constante mesmo que a corrente que passe por ele varie. Como já dito anteriormente. o zener pode funcionar na região de ruptura sem ser destruído. Por isso é que sempre veremos em série com o zener um resistor Rs que serve para limitar a corrente zener em níveis abaixo da sua especificação máxima de corrente (Iz max). estando ele na região de ruptura.

Para que circuito funcione corretamente é preciso que sejam observadas todas as questões abordadas anteriormente neste capítulo. CI 7905 7906 7908 7909 7912 7915 7918 7924 Tensão de Saída -5V -6V -8V -9V -12V -15V -18V -24V Corrente de Saída 1A 1A 1A 1A 1A 1A 1A 1A 10. Com o tempo o zener foi substituído nas fontes de alimentação lineares por um circuito integrado chamado CI regulador. A figura a seguir mostra o CI regulador 7805 utilizado para fornecer uma tensão de saída estabilizada na saída da fonte de tensão de 5V. determine as correntes mínima e máxima que irão passar pelo diodo zener. 2) Calcule as correntes máxima e mínima no zener colocando um resistor de carga de 2K nos terminais de saída no circuito do exercício nº 1. e podem fornecer vários níveis de tensão de saída. suas respectivas tensões de saída e corrente máxima de trabalho.EXERCÍCIO: 1) Dado o circuito a seguir. mantenha a tensão mínima de ondulação acima de 8V. Veja que a tensão com ondulação presente nos terminais do capacitor é estabilizada pelo conjunto Zener e Rs. A figura a seguir mostra um CI regulador no encapsulamento TO-220. Embora o circuito tenha duas malhas. e os da família 79XX fornecem tensão de saída negativa. A diferença entre eles é que os da família 78XX fornecem tensão de saída positiva. a tensão em seus terminais permaneceu constante. Os CIs reguladores mais utilizados são os das famílias 78XX e 79XX. a idéia permanece a mesma. certifique-se de que na entrada dele não tenha menos de 8V sob quaisquer condições de funcionamento.2 FONTE ESTABILIZADA A ZENER A figura a seguir mostra um circuito que foi muito utilizado no passado para fornecer tensão estabilizada. Estes CIs reguladores são estabilizadores de tensão com limitação interna de corrente e compensação de temperatura.3 FONTE ESTABILIZADA COM CI REGULADOR Existe no mercado uma série de CIs reguladores de tensão que podem ser utilizados em conversores CA-CC como elemento de estabilização da tensão de saída. porém. Um cuidado deve ser tomado no uso de CIs reguladores. Principalmente com relação a tensão de ruptura e a corrente zener. e sabendo que a tensão de entrada varia entre 20V e 40V. A tensão de entrada dever ser de pelo menos 3V maior que a tensão de saída fornecida pelo componente. Um resistor de carga pode ser conectado aos terminais do zener dispondo da tensão constante fornecida pelo zener. que pode ser muito maior com a utilização de um CI regulador do que com um diodo zener. A tabela a seguir mostra alguns dos CIs reguladores da família 78XX. A figura a seguir ilustra a idéia. Veja que a corrente no zener aumentou de 8mA para 28mA. Colocando os valores calculados no gráfico do zener nós teremos: 10. encontrado com muita facilidade no mercado a um custo muito baixo. CI 7805 7806 7808 7809 7812 7815 7818 7824 Tensão de Saída 5V 6V 8V 9V 12V 15V 18V 24V Corrente de Saída 1A 1A 1A 1A 1A 1A 1A 1A A tabela a seguir mostra alguns dos CIs reguladores da família 79XX. O capacitor de 100nF na saída do CI regulador é para eliminar pequenas variações de tensão na saída que por ventura não o CI regulador não consiga eliminar. 30 Capítulo 10: Estabilização da Tensão Wagner da Silva Zanco . Este é um dos motivos pelo qual o diodo zener é amplamente utilizado como estabilizador de tensão. suas respectivas tensões de saída e corrente máxima de trabalho. Ao especificar o valor do capacitor de filtro e os parâmetros do transformador. se você for utilizar o CI 7805 na sua fonte de alimentação. Uma das vantagens da utilização de um CI regulador no lugar do zener é a potência máxima de saída. Por exemplo.

Utilizando a tolerância de 30% para Icc. Sendo assim. Diodos: Como o retificador em ponte foi o escolhido para o projeto.0. conseqüentemente. Neste caso.1V. Trafo: A tensão no secundário do trafo deve ser escolhida de forma que a tensão em cima do capacitor de filtro não caia abaixo de 8V sob quaisquer condições de funcionamento.5V.7 = 16. Neste caso.1V Wagner da Silva Zanco Capítulo 10: Estabilização da Tensão 31 . deverá ser de: RD(cap) = (15. Vamos escolher. nós teremos: Vond(pp) = 15.55) C = 1075µF O valor comercial mais próximo é 1000µF.9 – 1. quando a tensão no enrolamento secundário atingir os picos.Vond(pp) Vmin(cap) = 15. uma vez que a corrente máxima que esta fonte deverá fornecer é de 200mA.57 – 1. a rigidez dielétrica (RD(cap)) dele. 12V. como especificação inicial.02V. o que não provocará nenhum prejuízo para o bom funcionamento do circuito. 8V é a tensão mínima a ser aplicada no CI regulador 7805 para que ele não perca a capacidade de regulação da tensão de saída.02V Veja que a tensão mínima no capacitor é de 14.55V A tensão mínima nos terminais do capacitor e. para este projeto.7V VPI = 16.9V Capacitor: Vamos optar por um retificador em ponte. do CI 7805.4 = 15. A figura a seguir mostra o diagrama esquemático de parte da fonte. Neste caso. 18V.5 x 100) / 70 Função Comum Entrada Saída RD(cap) = 22. Na maioria das vezes os transformadores comerciais são projetados para operar com tensões eficazes no primário de 127V e 220V. Neste caso: Icc(diodo) = Icc / 2 Icc(diodo) = 200m / 2 = 100mA. a tensão de pico no secundário será de: Vp(sec) = Vef x √2 Vp(sec) = 12 x √2 = 16. o trafo 127Vef/12Vef e 500mA de capacidade de corrente no secundário. Vemos a seguir uma tabela com a função dos pinos dos CIs reguladores das famílias 78XX e 79XX. será de: Vmin(cap) = Vp(cap) . Esta é a tensão mínima que será aplicada na entrada do CI regulador. o capacitor especificado para este projeto será de 1000µF/25V. Os valores de tensão eficaz no secundário dos transformadores comerciais mais facilmente encontrados no mercado são: 3V. 78XX Pino 1 2 3 Exemplo 1: Projeto de uma fonte estabilizada de 5 V/200mA com CI regulador 7805. 6V.5 / 10 Vond(pp) = 1. Observe que este valor é um pouco menor que o calculado.2V Utilizando a tolerância de 30% teremos: VPI = (16. Muito maior do que os 8V mínimos necessários. utilizando uma tolerância de 30%. uma vez que ele não precisa de um trafo com derivação central.55 = 14.4 Vp(cap) = 16. a corrente direta mínima que cada diodo deverá suportar será de: Icc(diodo) = (100m x100) / 70 Icc(diodo) = 142.85mA A máxima tensão reversa que cada diodo terá em seus terminais no semiciclo em que ele não estiver conduzindo será de: VPI = Vp(sec) .1V Para que o capacitor funcione corretamente ele deve suportar uma tensão de trabalho maior que 22. e 30V. as tensões máxima e mínima no capacitor de filtro serão de: Vp(cap) = Vp(sec) – 1. O capacitor terá em seus terminais uma tensão máxima de 15.2 x 100) / 70 VPI = 23. Isto fará com que a ondulação seja levemente superior a 10%.C = 200m / (120 x 1. 15V.9 – 0. para uma tensão de entrada de 127/220Vef. a corrente média que passará em cada diodo será a metade da corrente média na carga. 24V. O valor mais próximo é 25V.5V Adotando uma ondulação de 10% de Vp(cap) para a tensão na entrada do CI regulador. O valor do capacitor será de: C = Icc / (F(saída) x Vond(pp) ) Função Entrada Comum Saída Pino 1 2 3 79XX A figura a seguir mostra o gráfico da tensão no capacitor com os valores máximo e mínimo da tensão de ondulação. 9V.

O pior caso acontece quando a fonte for ligada no momento em que o valor instantâneo da tensão de entrada estiver no valor de pico. Isto significa que ele pode suportar. A sua finalidade é limitar a corrente de carga inicial do capacitor de filtro.21 – 1. a corrente máxima no secundário passa a ser de: Vp(sec) = Vef x √2 Vp(sec) = 15 x √2 = 21.98V --------------------------------------Vmin(cap) = Vp(cap) . normalmente menor que 10Ω. uma vez que um capacitor descarregado se comporta como um curto. A rigidez dielétrica do capacitor agora será: RD(cap) = (Vp(cap) x 100) / 70 RD(cap) = (19.51V Utilizando a tolerância de 30% teremos: VPI = (20.55) C = 2688µF Temos um problema aqui. o novo valor do capacitor de filtro será: Exemplo 2: Vamos redimensionar a fonte de alimentação projetada no exemplo 1 de forma a ampliar a sua capacidade de fornecimento de corrente para 500mA. Vamos redimensionar o transformador para uma tensão no secundário de 15Vef. porém.98 = 17.8 / 10 Vond(pp) = 1.8V ----------------------------------------Vond(pp) = 19.3V IMAX(sec) = (500m x 100) / 70 IMAX(sec) = 714.28V O valor comercial mais próximo é de 35V.8 x 100) / 70 = 28. ao invés de 12Vef e ver se o problema será resolvido. O Rsurto tem valor baixo. 32 Capítulo 10: Estabilização da Tensão Wagner da Silva Zanco . Vamos. a corrente nos diodos retificadores pode atingir valores acima da sua capacidade máxima. a única resistência que irá limitar a corrente de carga do capacitor é a resistência interna do enrolamento secundário somada a resistência interna dos diodos que estiverem em condução no momento. 1º .51 x 100) / 70 VPI = 29. A potência dissipada pelo Rsurto é convertida em calor. Com isso nós podemos aumentar Vond(pp) sem ultrapassar os 10% de Vp(cap). O circuito completo do conversor CA-CC é mostrado na figura a seguir. Esta é a opção recomendada. O circuito completo do conversor CA-CC é mostrado na figura a seguir. Para evitar a utilização de resistor shunt.4 = 19. no entanto.98) C = 2104µF Veja que o problema foi resolvido. Capacitores com capacitância muito elevada levam mais tempo para se carregar. Capacitor: O novo valor do capacitor de filtro será: C = 500m / (120 x 1. O diodo 1N4001 possui uma corrente de surto de 30A. o capacitor utilizado como filtro será de 2200µF/35V.0. portanto aproveitada pela carga. uma vez que ele suporta uma corrente direta (Id) = 1A e uma tensão de ruptura (Vr) = 50V. Neste caso.7 = 20. é recomendada a utilização de um resistor em série com o diodo.28mA O valor comercial mais próximo é de 1A. não sendo. uma vez que ele suporta uma corrente direta (Id) = 1A e uma tensão de ruptura (Vr) = 50V.O diodo 1N4001 pode ser o modelo escolhido para a ponte retificadora.Manter a tensão no secundário do transformador em 12Vef e aumentar a tensão de ondulação de pico a pico para uma taxa acima de 10% de Vp(cap). Sendo assim. Diodos: Icc(diodo) = Icc / 2 Icc(diodo) = 500m / 2 = 250mA.4 Vp(cap) = 21. menos que os 2200µF máximo recomendado.Vond(pp) Vmin(cap) = 19. vamos manter o capacitor de filtro com valor abaixo de 2200µF.21 – 0. não é uma opção recomendada.Aumentar a tensão no secundário do transformador. Não é recomendada a utilização de capacitores acima de 2200µF neste tipo de fonte de tensão. Nos casos em que a corrente de surto ultrapassa a corrente IFSM do diodo utilizado como retificador. chamado Resistor Surto. Neste caso. O capacitor agora tem uma capacitância de 2104µF.7V VPI = 21. no momento em que a fonte é ligada. 2º . Esta. Utilizando a tolerância de 30% para Icc.8 – 1. e dissipa uma potência considerável. uma corrente de 30A durante um ciclo de tensão de entrada sem ser danificado.21V ----------------------------------------Vp(cap) = Vp(sec) – 1. Vamos então optar por um transformador de 127V/220V / 12V – 1A. Como vamos então resolver o problema do capacitor de filtro cujo valor calculado foi de 2688µF? Temos duas saídas: O diodo 1N4001 pode ser o modelo escolhido para a ponte retificadora. A figura a seguir ilustra a idéia. Em primeiro lugar temos de olhar para o transformador e ver se ele se adapta ao novo valor de corrente de saída.82V ---------------------------------------C = 500m / (120 x 1. Neste caso. manter os 12Vef de tensão no secundário e ver se este valor se adapta aos novos parâmetros da fonte. É recomendado que deixemos uma margem de segurança de pelo menos 30%. mantendo os 5V de tensão de saída. A corrente mencionada neste parágrafo é identificada nos datasheets como corrente de surto (IFSM). a corrente direta mínima que cada diodo deverá suportar será de: Icc(diodo) = (250m x100) / 70 Icc(diodo) = 357. Dependendo do valor instantâneo da tensão de entrada na hora em que a fonte é ligada.14mA A máxima tensão reversa que cada diodo terá em seus terminais no semiciclo em que ele não estiver conduzindo será de: VPI = Vp(sec) .

5 FONTE DE TENSÃO COM SAÍDA SIMÉTRICA Muitas aplicações. As fórmulas utilizadas para o dimensionamento do capacitor de filtro.7 = 20. O dissipador de calor ajuda o CI regulador a liberar o calor na mesma velocidade com que ele é produzido. tensões na faixa de 1. No semiciclo negativo da tensão de entrada o enrolamento secundário superior fornecerá corrente para o CI regulador 7912 através do diodo D4. enquanto que neste semiciclo o enrolamento secundário inferior fornecerá corrente para o CI regulador 7912 através do diodo D3. No semiciclo positivo da tensão de entrada o enrolamento secundário superior fornecerá corrente para o CI regulador 7812 através do diodo D1. o CI regulador 79XX fornece tensão negativa na sua saída. necessitam de uma fonte de alimentação simétrica. consultar o datasheet. uma positiva e outra negativa. Veja a seguir alguns dissipadores encontrados no mercado.25V – 25V.6 DISSIPADOR DE CALOR A maioria dos CIs reguladores possuem uma proteção contra aumentos excessivos de temperatura. A figura a seguir mostra um exemplo de uma aplicação com o CI LM317. Vemos a seguir os símbolos mais utilizados para representar um fusível. Capacitores C1 e C2: Vp(sec) = Vef x √2 Vp(sec) = 15 x √2 = 21. muitas vezes é necessária a utilização de um dissipador de calor. Observe que o transformador utilizado tem um enrolamento secundário com derivação central.7 CI REGULADOR COM TENSÃO AJUSTÁVEL Existem no mercado vários CIs reguladores que fornecem uma tensão de saída que pode ser ajustada dentro uma faixa de tensão. como aquelas que utilizam amplificadores operacionais.51 – 2. 10. Um dissipador de calor pode ser improvisado aparafusando uma barra de alumínio na parte metálica do CI regulador. que pode fornecer na sua saída. 10.51 / 10 Vond(pp) = 2. superior e inferior. Á área da barra de alumínio deverá ter uma relação com a potência de saída (Vo x Icc) gerada pela fonte. interrompe a passagem da corrente e.21V ----------------------------------------Vp(cap) = Vp(sec) – 0. dos diodos retificadores e do transformador para uma fonte de tensão simétrica são as mesmas utilizadas anteriormente para a fonte de tensão simples.05V --------------------------------------- a tensão de saída pode ser obtida por meio da fórmula mostrada a seguir. Wagner da Silva Zanco Capítulo 10: Estabilização da Tensão 33 . ou seja.4 TENSÃO REGULADA COM SAÍDA NEGATIVA Como já foi dito. Isto impedirá que ele se aqueça demasiadamente.51V ----------------------------------------Vond(pp) = 20. 10. A tensão de saída é ajustada por meio do potenciômetro de 5KΩ conectado entre o pino de ajuste e o terra. tanto no semiciclo positivo quanto no semiciclo negativo da tensão de entrada.8 FUSÍVEL É altamente recomendável a utilização de fusíveis em fonte de alimentação.Vmin(cap) = Vp(cap) . Para maiores informações. É importante observar que a corrente circulará pelos dois enrolamentos secundários.5µF 10. VP(sec) / 2. dos diodos retificadores e do transformador são as mesmas utilizadas para o CI 78XX. Uma fonte simétrica fornece duas tensões de alimentação. 10. A figura a seguir é uma proposta para uma fonte de alimentação simétrica utilizando Cis reguladores.21 – 0.05) C = 2032. desliga o circuito. A figura a seguir é uma proposta para uma fonte de alimentação de –12V/200mA.7 Vp(cap) = 21. Uma vez que a intensidade de corrente elétrica que passa pelo fusível ultrapassa o seu valor nominal ele se abre.05 = 18. enquanto que neste semiciclo o enrolamento secundário inferior fornecerá corrente para o CI regulador 7812 através do diodo D2.46V ---------------------------------------C = 500m / (120 x 2. O fusível é um dispositivo fabricado proteger o circuito contra sobrecorrente . fabricado pela National Semiconductor.Vond(pp) Vmin(cap) = 20. Existem no mercado dissipadores fabricados para determinadas potências dissipadas. Os fabricantes de dissipadores inclusive disponibilizam tabelas onde podem ser encontrados diversos modelos de dissipadores nos mais diferentes tamanhos e formas. conseqüentemente. Se a temperatura interna atingir um determinado valor o CI regulador é desligado. Para que o CI regulador não se aqueça demasiadamente. As fórmulas utilizadas para o dimensionamento do capacitor de filtro. Com a exceção de que o cálculo da tensão no capacitor deve ser efetuado tomando como base a tensão em um dos enrolamentos secundários.

laranja. ou até mesmo emitir luz infravermelho. vamos especificar o valor do resistor para uma tensão no led de 2V e para uma corrente no led de 10mA. Isto justifica o fato do fusível ser ligado no enrolamento primário. ele se comporta como um curto. ele apenas transfere para o secundário a potência recebida no enrolamento primário. (luz invisível). Sabemos que o transformador não gera potência. Vejamos o circuito a seguir. A figura a seguir mostra o diagrama esquemático de uma fonte de tensão com. A idéia é calcular a intensidade da corrente que passa pelo enrolamento primário a partir da intensidade da corrente que passa pelo enrolamento secundário.5V a 2. fusível. basta aumentar a corrente que passa por ele. Sendo assim: P(RIM) = P(SEC) V(PRI) x I(PRI) = V(SEC) x I(SEC) Deduzindo I(PRI) teremos: VT = VR + Vled VT = (I x R) + Vled Deduzindo R na fórmula teremos: I(PRI) = (V(SEC) x I(SEC)) / V(PRI) Uma boa aproximação para o cálculo de I(PRI) é utilizarmos os valores eficazes para as tensões V(PRI) e V(SEC) e o valor de Icc para a corrente do secundário. azul. 10. Como já foi dito no parágrafo anterior. Se. Veja que a intensidade de corrente no enrolamento primário é quase dez vezes menor que no enrolamento secundário. led de sinalização e chave geral liga/desliga (Sg). Entretanto. Neste caso. O fusível normalmente é ligado em série com o enrolamento primário. 10.10 TENSÃO E CORRENTE NO LED O led tem uma quede de tensão típica de 1. I(PRI) será: V(PRI) = 127Vef. da tensão de saída do CI regulador. Um resistor de 270Ω manterá a corrente ligeiramente acima de 10mA. Quando vamos excitar um led com uma fonte de tensão temos de especificar o valor para o resistor que deverá ficar ligado em série com ele para manter a corrente que passa pelo led nos níveis normais. Nos diodos comuns essa energia é irradiada na forma de calor. V(SEC) = 15Vef e Icc = R = (5 – 2) / 10m = 300Ω O valor comercial mais próximo é 270Ω. o led pode ser colocado na saída do CI regulador. Exercícios: 1) 2) 3) 4) 5) 6) 7) 8) 9) 10) Qual a principal diferença entre um diodo comum e um diodo zener? Quais as condições necessárias para que o diodo zener funcione como estabilizador de tensão? Qual a função dos CIs reguladores? Quais as duas famílias de CIs reguladores mais utilizadas? Projete uma fonte de tensão estabilizada de 9V-300mA com chave liga/desliga.05m x 100) / 70 = 84. A medida que os elétrons caem da banda de condução para a camada de valência eles irradiam energia. atravessam a junção e se recombinam com as lacunas para atravessar a região P como elétrons de valência. Os diodos comuns são feitos de silício. A queda de tensão exata no led depende da 34 Capítulo 10: Estabilização da Tensão Wagner da Silva Zanco .36mA O valor comercial superior mais próximo é de 100mA. mas nos leds a energia é irradiada na forma de luz. não oferecendo nenhuma oposição a passagem da corrente elétrica. Os leds vêm substituindo as lâmpadas incandescentes em várias aplicações devido a baixa tensão.5V para correntes que variam de 10mA a 50mA. Arsênio e Fósforo.05mA. se for necessário aumentar o brilho do led. Enquanto a intensidade da corrente que passa pelo fusível não ultrapassa o valor nominal. fusível e led indicador. Dependendo do material utilizado um led pode emitir luz da cor verde. Os leds utilizam elementos como Gálio. vida longa e rápido chaveamento. Para efeito de cálculo nós utilizaremos uma queda de 2V para uma corrente de 10mA.9 DIODO EMISSOR DE LUZ (LED) Em um diodo com polarização direta os elétrons atravessam N como elétrons livres. Utilizando uma tolerância de 30%. O led está sendo acionado por uma fonte de tensão de 5V. por exemplo. que é a intensidade corrente máxima que ele suporta sem se romper. R = (VT – Vled) / I Sendo assim. um material opaco que bloqueia a passagem da luz. O led é freqüentemente utilizado em fontes de alimentação para sinalizar que a fonte está ligada. obviamente. Isto pode feito diminuindo o valor do resistor R. fusível e led indicador.intensidade da corrente que estiver passado por ele. O resistor R deverá manter a corrente em 10mA. o valor de R será: Todo fusível possui uma corrente nominal. Qual a função do Resistor Surto? Qual a função do dissipador de calor? Como é produzida a luz em um led? Projete uma fonte simétrica estabilizada de +5V /-5V – 400mA com chave liga/desliga. I(PRI) = (15 x 500m) / 127 = 59. Redimensione a fonte da questão anterior para uma corrente de saída de 600mA. O valor do resistor R dependerá. 500mA. o valor da corrente nominal do fusível I(FUS) será: I(FUS) = (59. Neste caso. Intensidade de corrente suficiente para que o led brilhe com uma intensidade perfeitamente visível.

ALBERT PAUL. Eletricidade Básica. JHON. CAVALCANTI. PAULO JOÃO MENDES.BIBLIOGRAFIA MALVINO. São Paulo: Mc Graw-Hill. O´MALLEY.br/artigo/artigo. Wagner da Silva Zanco Bibliografia 35 . 12ª edição.sel. EDMINISTER. BRASIL.sc. Circuitos Elétricos.para Técinos em Eletrônica. A HISTÓRIA DA ELETRICIDADE. Acesso em: 01 de Agosto de 2005.br/protecao/conteudodehistorico. MILTON. 4ª Edição.htm. Eletrônica Vol I e II. São Paulo: Mc Graw-Hill. São Paulo: Graw-Hill. Acesso em: 10 de Agosto de 2005. 1985. São Paulo: Mc Graw-Hill.usp. 1997. GUSSOW. Rio de Janeiro: Freitas Bastos.com. 2005. 1983. 1985. 2ª edição.1980. A HISTÓRIA DA ELETRÔNICA. Eletrotécnica . BRASIL. 2005. Análise de Circuitos. JOSEP A. Disponível em: http://www. Disponível em: http://www.eesc.htm.wagnerzanco.

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