Prof.

Jéferson Botelho Professor de Direito Penal I e III, Processo Penal I e Instituições de Direito Público e Privado Instituto de Ensino Superior Integrado ± IESI/FENORD ± Teófilo Otoni/MG; Pós-Graduado em Direito Penal e Processual Penal Faculdade do Vale do Rio Doce ± Governador Valadares/MG Delegado de Polícia Titular da Divisão de Tóxicos e Entorpecentes em Teófilo Otoni/MG. Pena: é a conseqüência natural imposta pelo Estado quando alguém pratica uma infração penal, abrindo a possibilidade para o Estado fazer valer o ius puniendi . Fundamentos da Pena:
y y y y y y

Denúncia: fazendo com que a sociedade desaprove a prática do crime. Dissuasão: desaconselhando as pessoas de um modo geral e, particularmente, o próprio criminoso à prática delitiva. Incapacitação: protegendo a sociedade do criminoso, retirando-o de circulação. Reabilitação: reeducando o ofensor da lei penal. Reparação: trazendo alguma recompensa à vítima. Retribuição: dando ao condenado uma pena proporcional ao delito cometido.

Características da pena: 1. Personalíssima: não podendo passar da pessoa do delinqüente ± artigo 5º, XLV, CF/88. 2. Submete-se ao princípio da legalidade: nulla poena sine praevia lege. 3. Inderrogável: não podendo deixar de ser aplicada, quando houver condenação. 4. Proporcional: equilíbrio entre a infração cometida e a sanção aplicada 5. Individualizada: significa que para cada indivíduo o Estado-juiz deve estabelecer a pena exata e merecida, evitando-se a pena-padrão ± artigo 5º, XLVI, da CF/88. 6. Humanizada: significando que o Brasil vedou a aplicação de penas insensíveis e dolorosas ± artigo 5º, XLVII, da CF/88. Sistemas Prisionais: 1. Pensilvânico: conhecido como celular, o preso era recolhido à sua cela, isolado dos demais, não podendo trabalhar ou mesmo receber visitas, sendo estimulado ao arrependimento pela leitura da bíblia. 2. Auburniano: Menos rigoroso que o anterior, permitia o trabalho dos presos, inicialmente, dentro de suas próprias celas e, depois em grupos. Isolamento noturno mantido. O silêncio entre os presos era mantido de forma absoluta. 3. Progressivo: Surgiu na Inglaterra, sendo o cumprimento da pena realizado em três estágios:

aqui. segundo Roxin. Penas previstas: Artigo 5º. inciso XLVI da CF/88: y y y y y privação ou restritiva da liberdade. inibindo-o ao cometimento de outros. permitindo o trabalho com observância do silêncio absoluto. promovendo em última análise. o preso era mantido completamente isolado. sopesando suas conseqüências. 1. 1. neutralização esta que ocorre com a sua segregação no cárcere. perda de bens. evitando-se. inciso XLVII da CF/88: . Teorias absolutas e relativas: Absolutas: advogam a tese da retribuição. A prevenção especial positiva. TEORIA ADOTADA PELO ART. prestação social alternativa. alcançava mais vantagens que o critério anterior. no chamado período de prova. entende que a pena presta-se não à prevenção negativa de delitos. exercitando a fidelidade ao direito. que as demais pessoas. A prevenção geral negativa também conhecida por prevenção por intimidação. tem a pena a missão unicamente em fazer com que o autor desista de cometer futuros delitos. permitia-se o livramento condicional. entende que a pena aplicada ao autor da infração tende a refletir junto à sociedade. A teoria relativa se fundamenta no critério da prevenção que se biparte em: y y prevenção geral ± negativa e positiva: prevenção especial ± negativa e positiva. assim. a integração social. suspensão ou interdição de direitos. A prevenção geral positiva também chamada por prevenção integradora. No 3º. Denota-se aqui. Penas proibidas: Artigo 5º. No 2º. 59 DO CÓDIGO PENAL: Teoria mista ou unificadora da pena. A prevenção especial negativa há a neutralização daquele que praticou a infração penal. o caráter ressocializador da pena.y y y No 1º. multa. 2. A retirada momentânea do agente do convívio social o impede de praticar novas infrações penais. Relativas: defendem a prevenção. que se encontram com os olhos voltados na condenação de um de seus pares. pelo menos junto à sociedade em que foi retirado. mas seu propósito vai além disso: ³ infundir na consciência geral a necessidade de respeito a determinados valores. 2. reflitam antes de praticar qualquer infração penal. fazendo com que o agente medite sobre o crime.

tutelado ou curatelado. Espécies de penas: De acordo com o art. logo que passe em julgado. as penas podem ser: a. Banimento. Art. e não pode ser executada senão depois de sete dias após a comunicação. Pena de morte: Código Penal Militar: Art. A sentença definitiva de condenação à morte é comunicada. privativas de liberdade. quando o crime é cometido contra filho. Trabalhos forçados. exceto guerra declarada. Privativa de liberdade: Forma dicotômica: reclusão e detenção: Diferenças: y y y y A reclusão será cumprida nos regimes fechado. prestação de serviço à comunidade ou a entidades públicas. 69. a reclusão comporta internação. multa. pode ser imediatamente executada. A pena de morte é executada por fuzilamento. ao Presidente da República.Ralf Dahrendorf )) c. restritivas de direito( ³restrição ao padrão de vida´. semi-aberto e aberto. Na medida de segurança. perda de bens e valores. CP ) a reclusão será executada em primeiro lugar. já a detenção poderá submeter o agente a tratamento ambulatorial. Parágrafo único. já a pena de detenção será cumprida nos regimes semi-aberto e aberto. Certos efeitos da condenação são aplicáveis aos condenados por crimes apenados com reclusão. 32 do Código Penal.y y y y Morte. interdição temporária de direitos. Cruéis. 56. como é o caso da incapacidade para o exercício do poder parental. Se a pena é imposta em zona de operações de guerra. No caso de cúmulo material (art. b. tutela ou curatela. Espécies de penas restritivas de direitos: Artigo 43 do Código Penal e nova redação determinada pela Lei 9.714/98 y y y y prestação pecuniária. quando o exigir o interesse da ordem e da disciplina militares. . 57.

aplicada pena privativa de liberdade não superior a 4 (quatro) anos. foram criadas as penas de prestação pecuniária e de perda de bens e valores. nas infrações penais onde não haja vítima. PRESTAÇÃO PECUNIÁRIA ( artigo 45. personalidade. Prestação de outra natureza ± art. § 1º do CP ): Quando o juiz do processo de conhecimento condena o réu à pena de prestação pecuniária. Qualquer que seja a pena aplicada. 2. 2. se o crime for culposo. 43. b. § 2º do CP. proibição do exercício de cargo. proibição do exercício de profissão. y y y limitação de fim de semana. Inexistência de reincidência em crime doloso. y y y y y culpabilidade. 4. a vítima e seu dependentes têm prioridade no recebimento da prestação pecuniária. poderá a prestação pecuniária ser dirigida a entidade pública ou privada com destinação social. 55 do CP ± Terão a mesma duração da pena privativa de liberdade substituída. Requisitos para a substituição da pena: Objetivos: 1. vários detalhes devem ser observados: 1. 45. proibição de freqüentar determinados locais. suspensão da habilitação para dirigir veículo. Subjetivos. 3. Multa substitutiva ± artigo 60. Crime não for cometido com violência ou grave ameaça a pessoa. os motivos e circunstâncias indicarem que essa substituição seja suficiente. no prudente arbítrio do juiz.a. ainda. não podendo o juiz determinar o seu pagamento a entidade pública ou privada quando houver aqueles ( prejuízo material ou dano moral ). DURAÇÃO DAS PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS: Art. § 2º do CP. Sociabilidade recomendável na reincidência. sendo. antecedentes. 5. Com a nova redação dada ao art. 288 do CP). admitida a prestação de serviços a entidades públicas. d. c. Inexistência de reincidência específica. a exemplo do delito de formação de quadrilha ou bando ( art. . conduta social. 6.

seu representante legal ou seus herdeiros ainda poderão transitada em julgado a sentença penal. PROIBIÇÃO DO EXERCÍCIO DE CARGO. a condenação tem os seus limites estipulados em no mínimo 1(um) salário mínimo e no máximo 360 (trezentos e sessenta) salários. 45 do Código Penal que a perda de bens e valores pertencentes aos condenados dar-se-á. ressalvada a legislação especial. promover-lhe a execução. . em programas comunitários ou estatais. nos termos do artigo 63 do CPP. A entidade beneficiada encaminhará ao juiz da execução relatório circunstanciado das atividades do condenado. do CP. a vítima. em favor do Fundo Penitenciário Nacional. I. é facultado ao condenado ao condenado cumprir a pena substituída em menor tempo. y y sendo a perda em favor do FUNDO. PERDA DE BENS E VALORES: Preconiza o 3º do art. PRETAÇÃO DE SERVIÇOS À COMUNIDADE OU A ENTIDADES PÚBLICAS: y y y y y atribuição ao condenado de tarefas gratuitas a entidades assistenciais. orfanatos e outros estabelecimentos congêneres. FUNÇÃO OU ATIVIDADE PÚBLICA. Se a pena substituída for superior a um ano.714/98 nos fornece dois exemplos do que se pode entende por prestação de outra natureza: oferta de mão de obra e doação de cestas básicas. no caso de serem coincidentes os benefícios. INTERDIÇÃO TEMPORÁRIA DE DIREITOS: 1. fixada de modo a não prejudicar a jornada normal de trabalho. bem como a qualquer tempo. sendo que nunca será inferior à metade da pena privativa de liberdade fixada. o valor pago a vítima ou a seus dependentes será deduzido do montante em ação de reparação civil. devem ser cumpridas a razão de uma hora de tarefa por dia de condenação. para efeito de reparação de dano. em conseqüência da prática do crime. e seu valor terá como teto ± o que for maior ± o montante do prejuízo causado ou do proveito obtido pelo agente ou por terceiro.3. 4. será aplicada às condenações superiores a seis meses de privação de liberdade. comunicação sobre ausência ou falta disciplinar. Duas correntes disputam a constitucionalidade dessa prestação: ofensa ao princípio da legalidade e existência de oportunidade para interpretação menos estreita . SUBSTITUIÇÃO DA PRESTAÇÃO PECUNIÁRIA POR PRESTAÇÃO DE OUTRA NATUREZA: y y A exposição de motivos da Lei 9. escolas. a questão da impunidade do criminoso. hospitais. em razão de somente ter que restituir aquilo que por ele fora havido indevidamente. BEM COMO DE MANDATO ELETIVO: Não se confunde como o efeito da condenação previsto no artigo 92.

Adoção do critério dias-multa. Recebe o nome de prisão descontínua. § 2º do CP). Comete falta grave o condenado à pena restritiva de direitos: ( artigo 51 da LEP). O valor do dia-multa será fixado pelo juiz. embora aplicada no máximo. no máximo de 360 dias-multa. pela impossibilidade de fiscalização do seu cumprimento pelo condenado. poderá haver a inabilitação para dirigir veículo. se o crime praticado for de natureza culposa e relacionado com a condução de veículo automotor. 4. em casa de albergado ou outro estabelecimento adequado. Substituição da expressão multa de por multa ( art. SUSPENSÃO DE AUTORIZAÇÃO OU DE HABILITAÇÃO PARA DIRIGIR VEÍCULO: somente será cabível. haverá audiência de justificação. Se praticado dolosamente o delito. no mínimo de 10 e. PROIBIÇÃO DO EXERCÍCIO DE PROFISSÃO QUE DEPENDAM DE HABILITAÇÃO ESPECIAL. LIMITAÇÃO DE FIM DE SEMANA: y y y Consiste na obrigação de permanecer. não podendo ser inferior a um trigésimo do valor do maior salário mínimo mensal vigente à época do fato.209/84). PENA DE MULTA: y y y y y y y Consiste no pagamento ao Fundo penitenciário de quantia fixada na sentença. CONVERSÃO DAS PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS: y y y y a pena restritiva de direito converte-se em privativa de liberdade quando ocorrer descumprimento injustificado da restrição imposta. pois. III do CPB. foi um arroubo´ (GUILHERME NUCCI ). como efeito da condenação. ³Estabelecer tal proibição. DE LICENÇA OU DE AUTORIZAÇÃO DO PODER PÚBLICO: O condenado pode atuar fora da área específica. O valor poderá ser aumentado até o triplo se o juiz considerar que é ineficaz. aos sábados e domingos. A multa poderá substituir a pena aplicada desde que a condenação seja igual ou inferior a um ano( Artigo 44. 3. nem superior a cinco vezes esse salário. Deve-se respeitar um saldo mínimo de 30 dias de detenção ou reclusão. Atende à necessidades atuais de descarcerização. como pena restritiva de direitos autônoma e substitutiva da privativa de liberdade. Antes da conversão.2. PROIBIÇÃO DE FREQUENTAR DETERMINADOS LUGARES: recebeu severas críticas de nossos doutrinadores. com a devida vênia. porque o condenado fica privado da liberdade durante o período da sua condenação. por cinco horas diárias. nos termos do artigo 92. A multa será. 2º da Lei 7. caso contrário eqüivaleria a uma verdadeira condenação à fome. Durante a permanência poderão ser ministrados ao condenado cursos e palestras ou atribuídas atividades educativas. .

Não havendo pagamento nem o parcelamento. A cobrança da multa pode efetuar-se mediante o desconto no vencimento ou salário do condenado. para fins de execução. ser parcelado mensalmente. tendo publicado a SÚMULA 02. Rogério Greco para a 1ª opção. . podendo a requerimento do conde nado. TJMG ± pela 1ª. a multa será considerada dívida de valor ± aplicam-se as normas relativa à dívida ativa da Fazenda Pública. deverá ser extraída certidão da sentença condenatória com trânsito em julgado.y y y y y y Uma vez transitada em julgado a sentença penal condenatória. Competência para a execução da pena de multa: MP e VEP ou PF e JEF? Luiz Flávio Gomes inclina para a 2ª opção. a multa deverá ser paga dentro de 10 dias. que valerá como título executivo judicial. Transitada em julgado a sentença penal condenatória.