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Coleção Fábulas Bíblicas Volume 23

A ESCRAVIDÃO

HUMANA
É BÍBLICA
Mitologia e Superstição Judaico-cristã

JL
jairoluis@inbox.lv

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Reflexão
Por que a escravidão e o comércio de seres humanos, tão
defendidos, organizados e regulados por Deus, por Jesus,
pelas igrejas, pelos homens santos e inspirados da Bíblia e
pelos cristãos em geral, até o século 19, foram
transformados em crimes em todos os países do mundo?
Deus estava errado?
É porque a Bíblia não tem nada a ver com deus algum. Foi
escrita por homens primitivos e relata seus costumes
primitivos, que hoje transformamos em crimes. Simples.
A escravidão, adorada por Deus, é crime.
O sacrifício humano, adorado por Deus, é crime.
O assassinato em massa, adorado por Deus, é crime.
O assassinato de descrentes, adorado por Deus, é crime.
A humilhação da mulher, adorada por Deus e Jesus, é crime.
Queimar pessoas em fogueiras em nome de Deus é crime.
Assassinar o filho para “salvar” a humanidade, é crime.
Perseguir outras religiões, adorado por Deus, é crime.
O estupro em massa, adorado por Deus, é crime.
Praticamente tudo o que Deus ama e prega na Bíblia, nós
transformamos em crime >>> porque são costumes
primitivos dos povos primitivos que escreveram a Bíblia e
inventaram um ser imaginário chamado Deus. Defender
esse deus e seus costumes bárbaros é sinal claro de doença
mental ou, no melhor dos casos, burrice ou desonestidade.

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Jesus reconheceu a escravidão como uma instituição que foi
legal entre os homens e regulou suas respectivas
obrigações. Afirmo então “… em primeiro lugar (e ninguém
o nega) que Jesus Cristo não aboliu a escravidão por
um mandato proibitivo; e em segundo lugar, afirmo: que
não introduziu nenhum novo princípio moral que
possa empregar-se para sua destruição”.
Reverendo Thomas Stringfellow, Virgínia, 1856.

PARA VERGONHA DE TODOS OS CRISTÃOS.

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Sumário
Introdução .................................................................................. 7
1 - Deus ama a escravidão ......................................................... 8
1 - Bíblia Sagrada da Escravidão Humana ....................................... 18
1 - A escravidão no cristianismo ................................................. 19
2 - A justificação da Bíblia ......................................................... 20
1 - Antigo testamento ............................................................ 20
2 - Novo testamento .............................................................. 21
3 - A Escravidão e os Pais da Igreja ............................................ 25
1 - São Tomás de Aquino ....................................................... 25
2 - Santo Agostinho de Hipona ................................................ 25
3 - São João Crisóstomo ........................................................ 26
4 - A Escravidão e a Igreja ........................................................ 27
1 - Cânones (Lei) .................................................................. 27
2 - Sobre a escravidão e os judeus .......................................... 39
3 - Declarações ..................................................................... 41
5 - A Escravidão e o Papado ...................................................... 43
1 - Gregório I ....................................................................... 44
2 - Nicolás V ......................................................................... 45
3 - Gregório IX ..................................................................... 46
6 - A Escravidão nos Estados Unidos ........................................... 47
7 - Conclusão .......................................................................... 53
2 - O Deus bíblico cria, apoia e regula a escravidão. >>> ................ 54
1 - Deus regula a escravidão ..................................................... 56
2 - Tipos de escravidão bíblica. .................................................. 57
1 - Escravidão por conquista ................................................... 57
2 - Escravidão por dívida ........................................................ 61
3 - Tipos de escravidão mental .................................................. 68
1 - Escravidão involuntária ..................................................... 68
2 - Escravidão voluntária ........................................................ 81

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4 - Conclusão .......................................................................... 87
3 - Mais bobagens do Cristianismo >>> ......................................... 88
Mais conteúdo recomendado ................................................... 89
Livros recomendados ............................................................. 90
Fontes: ................................................................................ 99

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Introdução

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1 - Deus ama a escravidão

A escravidão é um mandamento eterno de Deus, NO ANTIGO E
NO NOVO TESTAMENTO. Os escravos devem obedecer a seus
amos em tudo. Simplesmente não há o que discutir sobre isso. E
para piorar, Jesus não mudou nada, tanto que os cristãos usaram
e comerciaram com seres humanos até o século 19 ... com base
na Bíblia.
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Por que todos os cristãos atuais
descaradamente a Bíblia, Deus e Jesus?

desobedecem

Por que a escravidão e o comércio de seres humanos, tão
defendidos, organizados e regulados por Deus, por Jesus, pelas
igrejas, pelos homens santos e inspirados da Bíblia e pelos cristãos
em geral, até o século 19, foram transformados em crimes em
todos os países do mundo? Deus estava errado?
Antes de mais nada, aqui há 10 passagens da Bíblia que
demonstram claramente a posição de Deus quanto a escravidão:
Gênesis 17:12
12 - Todo homem, no oitavo dia do seu nascimento, será
circuncidado entre vós nas gerações futuras, tanto o que nascer
em casa, como o que comprardes a preço de dinheiro de um
estrangeiro qualquer, e que não for de tua raça.

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Nesta passagem, Deus entende que pessoas compram outras
pessoas e, obviamente, não critica este costume. Deus quer que
os escravos sejam circuncidados da mesma maneira que os nãoescravos.
Êxodo 12:43-45
43 - O Senhor disse a Moisés e a Aarão: “Eis a regra relativa à
Páscoa: nenhum estrangeiro comerá dela; 44 - todo escravo
adquirido a preço de dinheiro, e que tiver sido circuncidado, comerá
dela, 45 - mas nem o estrangeiro nem o mercenário comerão dela.

Novamente Deus mostra que aceita totalmente a escravidão e
ainda determina um tratamento especial aos escravos.
Êxodo 21:1-6
1 - “Estas são as leis que exporás (aos israelitas): 2 - quando
comprares um escravo hebreu, ele servirá seis anos; no sétimo
sairá livre, sem pagar nada. 3 - Se entrou sozinho, sozinho sairá;
se tiver mulher, sua mulher partirá com ele. 4 - Mas, se foi o seu
senhor que lhe deu uma mulher, e esta deu à luz filhos e filhas, a
mulher e seus filhos serão propriedade do senhor, e ele partirá
sozinho. 5 - Porém, se o escravo disser: ‘Eu amo meu senhor,
minha mulher e meus filhos; não quero ser alforriado’, 6 - seu
senhor o levará então diante de Deus e o fará aproximar-se do
batente ou da ombreira da porta, e furar-lhe-á a orelha com uma
sovela; desta sorte o escravo estará para sempre a seu serviço.

Aqui Deus descreve como se tornar escravo para sempre e mostra
que é completamente aceitável separar escravos de suas famílias.
Deus também apoia a marcação de escravos através
da mutilação.
Êxodo 21:20-21

10

20 - Se um homem ferir seu escravo ou sua escrava com um
bastão, de modo que ele morra sob sua mão, será punido. 21 - Se
o escravo, porém, sobreviver um dia ou dois, não será punido,
porque ele é propriedade do seu senhor.

Não só Deus perdoa a escravidão, como ele também aceita que
se espanquem seus escravos, contanto que não sejam mortos.
Êxodo 21:31-32
31 - Se o boi ferir um filho ou uma filha, aplicar-se-á a mesma lei.
32 - Mas, se ferir um escravo ou uma escrava, pagar-se-á ao seu
senhor trinta siclos de prata, e o boi será apedrejado.

Além de permitir a escravidão, Deus coloca um valor nos escravos
— 30 siclos de prata. Note que Deus não é sofisticado o suficiente
para entender o conceito de inflação. Já se passaram 3.000 anos
e um escravo perfurado ainda vale 30 siclos de prata, de acordo
com a palavra de Deus.
Levítico 22:10-11
10 - Nenhum estrangeiro comerá as coisas santas. Tampouco
comerão delas o hóspede e o servo de um sacerdote. 11 - Mas o
escravo adquirido a preço de dinheiro poderá comer, bem como
aquele que for nascido na casa: comerão desse alimento.

Aqui Deus mostra que filhos de escravos também são escravos e
está completamente feliz com este conceito.
Levítico 25:44-46
44 - Vossos escravos, homens ou mulheres, tomá-los-eis dentre as
nações que vos cercam; delas comprareis os vossos escravos,
homens ou mulheres. 45 - Podereis também comprá-los dentre os
filhos dos estrangeiros que habitam no meio de vós, das suas
famílias que moram convosco dentre os filhos que eles tiverem

11

gerado em vossa terra: e serão vossa propriedade. 46 - Deixá-loseis por herança a vossos filhos depois de vós, para que os possuam
plenamente como escravos perpétuos. Mas, quanto a vossos
irmãos, os israelitas, não dominareis com rigor uns sobre os outros.

Aqui Deus determina onde você pode comprar seus escravos e
especifica claramente que escravos são propriedades para serem
comprados, vendidos ou doados.
Lucas 7:2-10
2 - Havia lá um centurião que tinha um servo a quem muito
estimava e que estava à morte. 3 - Tendo ouvido falar de Jesus,
enviou-lhe alguns anciãos dos judeus, rogando-lhe que o viesse
curar. 4 - Aproximando-se eles de Jesus, rogavam-lhe
encarecidamente: Ele bem merece que lhe faças este favor, 5 pois é amigo da nossa nação e foi ele mesmo quem nos edificou
uma sinagoga. 6 - Jesus então foi com eles. E já não estava longe
da casa, quando o centurião lhe mandou dizer por amigos seus:
Senhor, não te incomodes tanto assim, porque não sou digno de
que entres em minha casa; 7 - por isso nem me achei digno de
chegar-me a ti, mas dize somente uma palavra e o meu servo será
curado. 8 - Pois também eu, simples subalterno, tenho soldados às
minhas ordens; e digo a um: Vai ali! E ele vai; e a outro: Vem cá!
E ele vem; e ao meu servo: Faze isto! E ele o faz. 9 - Ouvindo estas
palavras, Jesus ficou admirado. E, voltando-se para o povo que o
ia seguindo, disse: Em verdade vos digo: nem mesmo em Israel
encontrei tamanha fé. 10 - Voltando para a casa do centurião os
que haviam sido enviados, encontraram o servo curado.

Aqui Jesus mostra que também está à vontade com o conceito de
escravidão. Jesus cura os escravos sem cogitar livrar o escravo ou
punir o seu dono.
Colossenses 3:22-23

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22 - Servos, obedecei em tudo a vossos senhores terrenos,
servindo não por motivo de que estais sendo vistos, como quem
busca agradar a homens, mas com sinceridade de coração, por
temor a Deus. 23 - Tudo o que fizerdes, fazei-o de bom coração,
como para o Senhor e não para os homens,

Aqui Deus mostra que ele aceita a posição de escravidão e
encoraja escravos a trabalhar duro.
Tito 2:9-10
9 - Exorta os servos a que sejam submissos a seus senhores e
atentos em agradar-lhes. Em lugar de reclamar deles 10 - e
defraudá-los, procurem em tudo testemunhar-lhes incondicional
fidelidade, para que por todos seja respeitada a doutrina de Deus,
nosso Salvador.


Mais uma vez Deus mostra que está completamente de
acordo com a escravidão.
Deus ama a escravidão.

Se a Bíblia foi escrita por Deus e essas são as palavras do Senhor,
então só se pode chegar a uma única conclusão: Deus é um
defensor apaixonado da escravidão e apoia plenamente
o conceito. Como podem ver, estas passagens nos mostram uma
imensa contradição:
1. Por um lado, todos nós sabemos que a escravidão é um

ultraje e uma abominação moral. Como resultado,
escravidão é hoje completamente ilegal no nosso
mundo desenvolvido.
2. Por outro lado, a grande maioria dos cristãos clama que a
Bíblia veio de Deus. A palavra de Deus, o “criador do
universo” deixa claro que a escravidão é perfeitamente
aceitável. Espancar seus escravos está certo. Escravizar
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crianças está certo. Separar escravos de suas famílias está
certo. De acordo com a Bíblia, deveríamos estar praticando
a escravidão até hoje.
A intensidade desta contradição é gritante. Ela nos mostra
claramente que Deus não existe. Se Deus existisse e se estivesse
gerenciando qualquer regra deste planeta, ele eliminaria esta
conexão entre ele próprio e a escravidão. Não há como amar um
Deus que se permita ser mostrado como um defensor da
escravidão desta maneira tão clara e irrefutável.
Aqui está algo que eu quero ajudar você a entender:

Você, como um ser humano racional, sabe que escravidão
é errada. Você sabe disso. É por isso que cada uma das
nações do nosso mundo tornou a escravidão um ato ilegal.
Os seres humanos fizeram a escravidão ilegal, desafiando
diretamente a palavra de Deus, porque sabemos com
completa certeza que a escravidão é uma abominação.

O que seu bom senso lhe diz agora sobre a Bíblia apoiar a
escravidão, tanto no Antigo como no Novo Testamento?
Pelo simples fato de que a Bíblia aceita a escravidão, seu bom
senso deveria lhe estar dizendo que Deus não existe.
Entendendo as Desculpas
Muitos religiosos irão argumentar que Deus tinha que dizer desta
maneira no Antigo Testamento para poder “se encaixar” na cultura
dominante. Isto, claro, é bobagem. Na mitologia cristã, Deus é
quem criou os humanos e sua cultura. Além do mais, um Deus
que concorda com a escravidão de crianças e espancamento de
escravos em qualquer momento, é uma abominação. Um religioso
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pode dizer: “Bem, todos estes versos do Antigo Testamento não
se aplicam mais por causa de Jesus”. Esta linha de raciocínio nos
cria mais questões.
1. Por que então o Antigo Testamento continua a ser impresso
na Bíblia se Jesus o refutou?
2. Por que Deus iria nos dizer para bater em escravos?
O ponto mais importante desta linha de argumentação é que ela
esquece que Jesus especifica que as leis do Antigo Testamento
continuam valendo. Jesus diz em:
Mateus 5:17-20
17 - Não julgueis que vim abolir a lei ou os profetas. Não vim para
os abolir, mas sim para levá-los à perfeição. 18 - Pois em verdade
vos digo: passará o céu e a terra, antes que desapareça um jota,
um traço da lei. 19 - Aquele que violar um destes mandamentos,
por menor que seja, e ensinar assim aos homens, será declarado
o menor no Reino dos céus. Mas aquele que os guardar e os ensinar
será declarado grande no Reino dos céus. 20 - Digo-vos, pois, se
vossa justiça não for maior que a dos escribas e fariseus, não
entrareis no Reino dos céus.

De acordo com Jesus, o Antigo Testamento está vivo e bem. De
acordo com Isaías 40:8 (Seca-se a erva, e murcha a flor; mas a
palavra de nosso Deus subsiste eternamente). A noção de que o
Antigo Testamento não se aplica mais é completamente falsa de
acordo com a Bíblia.

Cristãos imaginam que elas “não se aplicam mais” como
uma forma de desculpar sua religião.

Outros religiosos dirão que Deus não escreveu as passagens sobre
escravidão na Bíblia. A Bíblia teria sido de alguma forma alterada
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por escravocratas. Neste caso, a questão óbvia a se perguntar é
esta: se a Bíblia foi alterada, como poderemos saber quais partes
dela vieram de Deus e quais partes foram inseridas por homens
primitivos? Não há nenhuma maneira de saber como. É quando
você começa a pensar na Bíblia desta maneira que você entende
uma coisa importante sobre a Bíblia. Ou ela toda é realmente a
palavra de Deus ou a Bíblia toda foi escrita por pessoas primitivas
que não tiveram nenhuma inspiração divina. Aqui está a razão
para esta linha divisória tão forte:

Se apenas algumas partes da Bíblia vieram de Deus e
outras partes vieram de homens primitivos, você não sabe
qual que é qual. Você não sabe se Jesus realmente
ressuscitou ou se esta parte foi acrescentada por homens
primitivos. Como saber se Deus escreveu mesmo os 10
mandamentos? Se qualquer parte da Bíblia tiver sido
alterada por homens primitivos, você precisa rejeitá-la
toda. Não há como saber quem escreveu o quê, então o
livro inteiro não vale nada.

Não há mesmo meio-termo. Ou a Bíblia veio de Deus ou não veio.
Por isso, somente há duas explicações para as passagens bíblicas
acima:
1. A Bíblia está certa e Deus ama a escravidão. A Bíblia inteira

é a palavra de Deus, então estas passagens sobre
escravidão devem ser as palavras de Deus também. As leis
de todos os países do mundo, que dizem que escravidão é
ilegal, desafiam a palavra de Deus. Uma pessoa que prega
os 10 Mandamentos também deve apoiar a escravidão.
2. A Bíblia apoia a escravidão porque ela foi escrita por
escravocratas e não por Deus, porque Deus é imaginário.

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É provável que você tenha problemas com a primeira explicação.
Deus nunca apoiaria a abominação que é a escravidão. Portanto,
lhe resta apenas a segunda explicação.
Fonte: Por que Deus não cura amputados.

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1 - Bíblia Sagrada da Escravidão Humana

O fato inegável da Bíblia defender a escravidão como algo
agradável a Deus e o fato dos cristãos defenderam a Bíblia como
a palavra de um deus que é puro amor, nos pinta um quadro
perfeito da ilusão a que os coitados estão submetidos, como
vítimas da lavagem cerebral do cristianismo. Aos pobres diabos
não resta alternativa que a de defender o que a Bíblia nega e
negar o que a Bíblia defende, situação constrangedora e
humilhante em ambos os casos. O próprio estereótipo do deus
bíblico insano é o de um amo, enquanto todos debaixo dele são
seus escravos... ou servos, para disfarçar a palavra real. É como
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um amo déspota e tirano, que é tratado pelos crentes antigos e
modernos.
1 - A escravidão no cristianismo

O maior comércio de escravos do mundo foi criado pelas nações
cristãs europeias. Isto é um fato. É também um fato que a Bíblia
contém muitos versículos em defesa da escravidão. Nos Estados
Unidos, antes da Guerra Civil, a maioria dos cristãos evangélicos
estava totalmente convencida de que “sua relação pessoal com
Jesus Cristo” lhes dava autorização para possuir escravos. De
todas as nações cristãs, somente algumas facções evangélicas nos
últimos tempos se oporiam ao comércio de escravos na Inglaterra
e ajudaram a suprimi-lo no século XIX. O abolicionista radical John
Brown, defendeu seu ataque em Harper’s Ferry (Virginia, em
1859) como um ato contra a escravidão, que nascia de sua
convicção cristã. Entretanto, na maior parte da história cristã da
escravidão, esta foi uma realidade que recebeu a aprovação oficial
da igreja (incluídos os Protestantes e o resto das denominações).
Figuras importantes da Igreja católica, desde Santo Agostinho a
numerosos papas, consideravam que a escravidão de seres
humanos era uma prática perfeitamente aceitável e apoiada por
Deus. Depois da Reforma, foi uma tradição que teve lugar em
muitas seitas protestantes também.
As declarações abaixo mostram a profundidade do sentimento
cristão em favor da escravidão na história do próprio cristianismo.
Não pretende ser uma lista exaustiva, que seria muito extensa.
Pelo contrário, são apenas uma fração das justificativas baseadas
nas escrituras, que têm sido usadas para defender a existência da
escravidão.
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2 - A justificação da Bíblia

1 - Antigo testamento
Gênesis 9:25-27
25 - E disse: Maldito seja Canaã; servo (1) dos servos seja aos seus
irmãos. 26 - E disse: Bendito seja o SENHOR Deus de Sem; e seja-lhe
Canaã por servo. 27 - Alargue Deus a Jafé, e habite nas tendas de
Sem; e seja-lhe Canaã por servo.
Êxodo 21:2-6
2 - Se comprares um servo hebreu, seis anos servirá; mas ao sétimo
sairá livre, de graça. 3 - Se entrou só com o seu corpo, só com o seu
corpo sairá; se ele era homem casado, sua mulher sairá com ele. 4 Se seu senhor lhe houver dado uma mulher e ela lhe houver dado
filhos ou filhas, a mulher e seus filhos serão de seu senhor, e ele sairá
sozinho. 5 - Mas se aquele servo expressamente disser: Eu amo a meu
senhor, e a minha mulher, e a meus filhos; não quero sair livre, 6 Então seu senhor o levará aos juízes, e o fará chegar à porta, ou ao
umbral da porta, e seu senhor lhe furará a orelha com uma sovela; e
ele o servirá para sempre.
Êxodo 21:20-21
20 - Se alguém ferir a seu servo, ou a sua serva, com pau, e morrer
debaixo da sua mão, certamente será castigado; 21 - Porém se
sobreviver por um ou dois dias, não será castigado, porque é dinheiro
seu. (2)
Levítico 25:44-45
44 - E quanto a teu escravo ou a tua escrava que tiveres, serão das
nações que estão ao redor de vós; deles comprareis escravos e
escravas. 45 - Também os comprareis dos filhos dos forasteiros que
peregrinam entre vós, deles e das suas famílias que estiverem

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convosco, que tiverem gerado na vossa terra; e vos serão por
possessão.

Notas:
1 - Seguindo a explicação de Camilo Valverde Mudarra: Um
escravo (em hebraico: ebed) é um ser humano privado de
liberdade e a serviço de outro. É um servidor (em grego: doulos).
Em sentido estrito é uma pessoa que perde sua personalidade,
submetida, pois é privada do direito mais fundamental da pessoa,
a liberdade. Está praticamente equiparado a uma coisa, a um
objeto, do qual o dono pode dispor como lhe agrade. É uma
propriedade absoluta do senhor. Às vezes, era marcado com o
ferro da casa. Tal era sua degradação: “Então seu senhor o levará
aos juízes, e o fará chegar à porta, ou ao umbral da porta, e seu
senhor lhe furará a orelha com uma sovela; e ele o servirá para
sempre.” (Êx 21:6; Dt 15:17). As traduções mais tardias, ao
seguir a dinâmica de mudar a palavra “escravo” por “servo”,
deram uma leve disfarçada no sentido original dos textos
mascarando seu verdadeiro significado.
2 - Algumas traduções deixam mais claro a que se refere este
texto. Assim podemos ver este mesmo versículo em seu
verdadeiro contexto: “por que é escravo de sua propriedade” ou
“é propriedade sua” (como se “é dinheiro seu” não deixasse claro).

2 - Novo testamento
Mateus 24:45-46
45 - Quem é, pois, o servo fiel e prudente, que o seu senhor constituiu
sobre a sua casa, para dar o sustento a seu tempo? 46 - Bem-

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aventurado aquele servo que o seu senhor, quando vier, achar
servindo assim.
1 Timóteo 6:1-5
1 - Todos os servos que estão debaixo do jugo estimem a seus
senhores por dignos de toda a honra, para que o nome de Deus e a
doutrina não sejam blasfemados. 2 - E os que têm senhores crentes
não os desprezem, por serem irmãos; antes os sirvam melhor, porque
eles, que participam do benefício, são crentes e amados. Isto ensina
e exorta. 3 - Se alguém ensina alguma outra doutrina, e se não
conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, e com a
doutrina que é segundo a piedade, 4 - É soberbo, e nada sabe, mas
delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem
invejas, porfias, blasfêmias, ruins suspeitas, 5 - Contendas de homens
corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a
piedade seja causa de ganho; aparta-te dos tais.
Efésios 6:5-6
5 - Vós, servos, obedecei a vossos senhores segundo a carne, com
temor e tremor, na sinceridade de vosso coração, como a Cristo; 6 Não servindo à vista, como para agradar aos homens, mas como
servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus;
1 Pedro 2:13
Sujeitai-vos a toda autoridade humana por amor do Senhor, quer ao
rei, como soberano,
1 Pedro 2:18-25
18 - Vós, servos, sujeitai-vos com todo o temor aos senhores, não
somente aos bons e humanos, mas também aos maus. 19 - Porque é
coisa agradável, que alguém, por causa da consciência para com Deus,
sofra agravos, padecendo injustamente. 20 - Porque, que glória será
essa, se, pecando, sois esbofeteados e sofreis? Mas se, fazendo o bem,
sois afligidos e o sofreis, isso é agradável a Deus. 21 - Porque para

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isto sois chamados; pois também Cristo padeceu por nós, deixandonos o exemplo, para que sigais as suas pisadas. 22 - O qual não
cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano.
23 - O qual, quando o injuriavam, não injuriava, e quando padecia não
ameaçava, mas entregava-se àquele que julga justamente; 24 Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro,
para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça;
e pelas suas feridas fostes sarados. 25 - Porque éreis como ovelhas
desgarradas; mas agora tendes voltado ao Pastor e Bispo das vossas
almas.

Nota: A palavra “servo” (οικεται – G3610 N-NPM) dos textos em
grego não provém do princípio de servidão espiritual ligada a
alguns dos textos hebraicos do Tanak (ebed yahweh, “servo de
deus”), mas do exercício do Direito Romano ligado à figura do
escravo doméstico.

G3610 οἰκέτης oiketēs oy-ket’-ace.
Provém de G3611; servo doméstico de baixa categoria:
servo, criado.

A escravidão é a condição jurídica de uma pessoa que, por
nascimento, dívidas, por sentença judicial ou por direito de
conquista carece de direitos civis (1) e se converte na propriedade
de outra pessoa, que pode perde-la ou mudar sua condição,
emprega-la na atividade que considere oportuna e, em alguns
casos, inclusive dispor livremente de sua vida. Para o império
romano (Direito romano – Instituições I: Títulos III ao VIII), um
servo doméstico (mancipe) era considerado como um ser inferior.
Uma pessoa que passava a ser “servo doméstico” era considerada
como parte da família. Terminologicamente e em sentido estrito,
família deriva de famulus, servo, criado doméstico, onde família
equivaleria ao número de servos de una casa. Mas com família
também se indica o caudal e bens da mesma, a ascendência,
23

descendência, parentela e obviamente, o conjunto de pessoas que
vivem em uma casa, sob a potestade do dono dela. Neste último
sentido, segundo Ulpiano, chamamos família em sentido próprio
(familia proprio iure) a um grupo de pessoas vinculadas entre elas
pelo fato de estarem submetidas à vontade de um só, “o pater
famílias”. Com um significado mais amplo (familia communi iure),
família indica o conjunto de todas aquelas pessoas que estariam
submetidas à mesma autoridade se o “comum pater famílias” não
estivesse morto. Segundo isto, o conceito da família romana não
coincide com nossa noção atual da mesma: em Roma, o laço que
une as pessoas que pertencem à mesma família é exclusivamente
a sujeição à potestade de um pater, em nossos dias, a base de
toda família é normalmente o vínculo natural de consanguinidade
ou parentesco de sangue (cognação).

Fonte:
Direito Privado Romano, Antônio Ortega Carrillo de Albornoz

(1) Nota: O Direito civil é um conjunto de normas jurídicas e princípios
que regulam as relações pessoais ou patrimoniais entre pessoas privadas
ou públicas, tanto físicas como jurídicas, de carácter privado e público,
ou inclusive entre as últimas, sempre que atuem desprovidas de
imperium. (Imperium – termo latino que se traduz como «domínio»).

No pentateuco não se mostra nenhum direito que não seja o
próprio de escravidão (autoridade superior, com domínio sobre o
resto, ordenando e regulando a servidão para uma pessoa com
domínio sobre a anterior). Todos os direitos que o crente religioso
argumenta como desculpa diante das leis bíblicas que regulam a
escravidão são direitos vinculados ao exercício da escravidão.

24

3 - A Escravidão e os Pais da Igreja

1 - São Tomás de Aquino
“A escravidão entre os homens é natural, já que alguns são
naturalmente escravos, segundo demonstra o filósofo (Polit. I, 2).
“A escravidão pertence ao direito dos povos", como disse Isidoro.
(Etym. v, 4). Portanto, o direito dos povos é um direito natural”.

Fonte: onde se pode ver toda a retórica de defesa da escravidão.
Suma Teológica, ON JUSTICE (Questions [57] -62), Articulo 3 e
4.

Nota: A palavra “servo” é normalmente usada para referir-se a
escravos. Esta alteração é possível observar em webs como esta,
que oferecem uma tradução das obras de Tomás empregando a
palavra. O sentido continua sendo o mesmo.

2 - Santo Agostinho de Hipona
“A causa primeira da escravidão é o pecado, que submeteu o
homem ao jugo do homem e isso não se realizou sem a vontade
de Deus, em quem não há injustiça e sabe como atribuir punições
justas para toda variedade delitos”.

Fonte: onde se pode ver toda a retórica de defesa da escravidão.
Santo Agostinho de Hipona, Cidade de Deus, livro XIX, capítulo
15.

25

3 - São João Crisóstomo

“... - chamam de más não só as coisas que jamais podem
ser boas, mas também a algumas das indiferentes como a
pobreza, a prisão, a escravidão, a fome e outras parecidas,
que já demostramos que devem classificar-se entre as
indiferentes. Há muitos que chamam de más às coisas que
não o são”.

Fonte: São João Crisóstomo, “Homilia 1 sobre o texto: Isaías
45,7”

Você encontra mais defesa da escravidão em:

São João Crisóstomo, “Homilia 16 sobre 1 Timóteo, citado em
Philip Schaff, Crisóstomo y San Agustín (Nueva York: Prensa de
Whittaker, 1889), p. 465.
“Homilia 19 sobre I Coríntios (7:12-22)” citado em Philip Schaff,
Crisóstomo y San Agustín (Nueva York: Prensa de Whittaker,
1889), p. 108.
São João Crisóstomo, “Homilia 40 em Coríntios I (15:34)”.

26

4 - A Escravidão e a Igreja

1 - Cânones (Lei)
Seleção de cânones dos Concílios de Toledo sobre os escravos da
Igreja.
1 - “Se alguém ensina um escravo, com o pretexto da piedade, a
desprezar seu amo e a fugir de seu serviço, e não para servir a
seu próprio senhor com boa vontade e honrá-lo em tudo, seja
anátema”.

Fonte: Sínodo de Gangra, ca. 341 CE (Gangra é chamada
atualmente Çankırı, Turquia).

27

2 - O Primeiro Concílio de Toledo realizado no ano 396, estabelece
em seu cânon X que, para ser clérigo, o escravo precisa apenas
da aprovação de seu senhor ou patrão (ex-senhor). Assim, se
flexibiliza a lei do direito romano cristão, que exigia que o escravo
que se tornasse clérigo, devia ter a aprovação de seu senhor e
deixar um escravo substituto em seu lugar:

X. Que não se admita ao clericato sem consentimento
do senhor ou do patrono, ao que está obrigado a
outro.
“Não devem ser ordenados como clérigos os que se
encontrem obrigados a outros legalmente, a não ser que
sejam de vida muito provada e se acrescente, além disso,
o consentimento dos patrões (ex-senhor)."
Fonte: Canon X, Concilio I de Toledo, 396

3 - O Terceiro Concílio de Toledo foi realizado em 589, dois anos
após a conversão dos godos arianos ao catolicismo, a mando do
rei Recaredo I. O cânone V ameaça que os bispos venderão como
escravas - dando o dinheiro para os pobres - as esposas dos
antigos sacerdotes arianos convertidos ao catolicismo, suspeitas
de continuarem tendo sexo com o marido.

V. Que os sacerdotes e levitas vivam castamente com
suas mulheres.
“Chegou até este santo concílio, que os bispos, presbíteros
e diáconos convertidos da heresia, têm ainda cópula carnal
com suas mulheres, e para que isso não mais aconteça, se
reproduz o que já foi estabelecido pelos cânones anteriores,
isto é, que não lhes seja lícito viverem em sociedade
libidinosa, ... ou (inclusive) se sua virtude é suficiente,
faça que sua mulher habite em outra casa, a fim de
que a castidade tenha um bom testemunho diante de Deus
28

e dos homens. E se algum, após este concílio, escolher viver
obscenamente com sua mulher, seja transformado em
leitor (um cargo menor); mas os que sempre viveram sob
o cânon eclesiástico, se contra os estatutos antigos,
tiverem em sua companhia mulheres que possam produzir
suspeita infame, serão castigados canonicamente e as
mulheres vendidas pelos bispos e seu preço entregue
aos pobres.”
Fonte: Cânon V, Concilio III de Toledo, 589.

4 - O Concílio IV de Toledo, realizado no ano 633, no cânon XLIII
dá uma norma no mesmo sentido:

XLIII. Que se vendam as mulheres que se saiba que
estão unidas aos clérigos.
Alguns clérigos, não tendo consorte legitima, apetecem os
consórcios proibidos de mulheres estrangeiras ou das
criadas; e, portanto, qualquer destas que se encontrem
assim unida aos clérigos, seja separada pelo bispo e
vendida, reduzindo os clérigos por algum tempo à
penitência, porque se mancharam com sua leviandade."
Fonte: Cânon XLIII, Concílio IV de Toledo, 633.

5 - No IV Concílio de Toledo, realizado 633 AD, o Canon LXVII
proíbe ao clérigo que não contribuiu com seus bens para a Igreja,
libertar escravos da Igreja. Se o fizer, a liberdade concedida será
invalidada.

LXVII. Dos libertos da Igreja
“Se é certo que aqueles que não distribuem nenhuma de
suas coisas entre os pobres de Cristo, serão condenados,
com quanto mais razão serão os que tiram dos pobres o
que não lhes deram? Portanto, os clérigos que, para
compensação, não trouxerem nada próprio à Igreja,
29

temam esta divina sentença e não se atrevam, para
sua condenação, a dar liberdade aos escravos da
família da igreja; pois é coisa ímpia que aqueles que não
acrescentaram nada do que é seu às igrejas de Cristo, as
causem dano, alienando os seus direitos. Semelhantes
libertos serão reclamados pelo bispo sucessor e, sem
oposição alguma, adjudicados ao direito da igreja; porque
não foi a equidade quem os alforriou, mas a maldade.”
Fonte: Canon LXVII, Concilio IV de Toledo, 633.

6 - O Canon LXVIII permite que o bispo dê a liberdade a um
escravo da Igreja sem obrigações com seu antigo dono, se
oferecer aos sacerdotes que o possuíam, dois escravos.


LXVIII. Das diferença entre os libertos da Igreja
“O bispo que deseja libertar um escravo da igreja sem
reservar o patrimônio eclesiástico, deverá oferecer aos
sacerdotes que subscrevam por via de permuta, dois
escravos do mesmo mérito.”
Fonte: Canon LXVIII, Concilio IV de Toledo, 633.

7 - O Canon LXIX permite ao sacerdote libertar escravos da Igreja
se acrescentou bens à Igreja, mesmo que tenha sido depois de
ser sacerdote.

LXIX. Que os sacerdotes possam libertar os escravos
da Igreja como recompensa de alguma coisa
adquirida pelos primeiros.
“O Concilio definiu de comum consentimento que os
sacerdotes que deixam as coisas à Igreja, mesmo que não
tenham nada, adquiram para ela alguns prédios ou famílias,
lhes seja lícito libertar alguns escravos da própria igreja
como recompensa do que conseguiram, segundo decreto
30

dos cânones antigos, mas de modo que fiquem com seus
bens sob o patrocínio da igreja, sendo úteis à ela até onde
puderem.”
Fonte: Canon XIX, Concilio IV de Toledo, 633.

8 - O Canon LXX do Concílio IV de Toledo do ano 633 prevê que
as obrigações do liberto com a Igreja se transmitam à sua
descendência. Se tratam de obrigações como as do direito
romano, previa que o liberto devia ter com seu antigo amo, que
exercia um patronato sobre ele.

LXX. Da profissão dos libertos da igreja.
“Os libertos da igreja, como sua patrona nunca morre,
jamais se livrarão de seu patrocínio, nem tampouco
sua posteridade, segundo decretaram os cânones
antigos; e se por acaso sua liberdade não estivesse
clara à prole futura e para que sua posteridade,
apoiando-se na ingenuidade natural, não se subtraia
do patrocínio da igreja, é necessário que tanto os
próprios (escravos) libertos, como seus descendentes
manifestem diante de seu bispo, que se tornaram livres
quando pertenciam à família da igreja; não devendo
abandonar seu patrocínio, mas tributá-la na proporção de
faculdades, obséquio e obediência.”
Fonte: Canon LXX, Concilio IV de Toledo, 633.

9 - No Concílio V de Toledo, realizado no ano de 636, o cânon IX
especifica que à morte de um sacerdote, os libertos submetidos ao
patronato da Igreja devem ser identificados como tais ao sacerdote
sucessor, sob pena de perder de novo sua liberdade.

IX. Das profissões e obediência dos libertos da igreja.
31

Ocorre muitas vezes que, pelo transcurso do tempo, não
está clara a condição da origem; pelo que já se decretou
em um cânon do concílio universal, que os libertos da igreja
devem fazer sua profissão (atualização de sua condição de
escravo liberto da igreja), na qual confessem que eles
foram alforriados das famílias da igreja e que jamais
abandonarão o obséquio desta. Ao que nós acrescentamos
que: sempre que o sacerdote morrer, todos os libertos da
igreja ou seus filhos, devem apresentar suas escrituras ao
novo pontífice e reiterar sua profissão diante da igreja; para
que eles obtenham a validade de seu estado e esta
tampouco se prive de sua obediência. Mas senão quiserem
manifestar as escrituras de liberdade ao recente pontífice
dentro do ano, ou não renovarem sua profissão, que
permaneçam as escrituras sem valor nem efeito e eles
voltem à sua origem, sejam perpetuamente escravos."
Fonte: Canon IX, Concilio V de Toledo, 636.

10 - No cânon X do Concílio IX de Toledo, realizado no ano 655,
se condena os filhos ilegítimos dos clérigos a serem
escravos perpétuos da igreja de seu pai. É uma novidade
como "causa de escravidão".

X. Da pena dos filhos dos sacerdotes e ministros.
Tendo-se promulgado muitos cânones para conter a
incontinência dos clérigos e não tendo-se conseguido de
modo algum, nos parece, que de agora em diante não sé
se há castigar aos que cometem maldades, mas também a
sua descendência. E, portanto, qualquer um, desde o bispo
ao subdiácono, constituídos em honra, que engendrarem
filhos de comércio detestável com mulher escrava ou
ingênua (livre), serão condenados a sofrer as censuras
canônicas; e a prole de semelhante profanação, não só não
32

receberá jamais a herança de seus pais, mas que
permanecerá sempre escrava daquela igreja em que servia
seu pai, como sacerdote ou ministro, para ignominia
própria."
Fonte: Cânon X, Concilio IX de Toledo, 655.

11 - O cânon XIII do Concílio IX de Toledo, realizado no ano de
655, proíbe aos libertos casar-se com pessoas livres (ingênuos),
sejam godos ou "romanos" (ou seja, hispano-romanos) para
evitar misturas indignas. No caso de fazerem, os filhos manterão
as obrigações dos libertos de ajudar à Igreja.

XIII. Que os libertos da igreja e os que procedem de
pessoas ingênuas (livres) sigam prestando-lhe o
devido obséquio.
... Assim pois, em conformidade com o estabelecido pelas
respeitáveis leis civis, se deve conservar a nobreza de todas
as linhagens, de maneira que nenhuma mescla alheia
manche o que a generosidade própria decorou; portanto,
proibimos a todos os libertos das igrejas, tanto homens
como mulheres, e à sua descendência, que de agora em
diante se casem com romanos ingênuos (livres) ou com
godos: e se alguma vez o fizerem, ordenamos, que a prole
que nascer desta mescla jamais mereça o direito da
dignidade indevida, nem se veja livre de prestar obséquios
à igreja por cujo benefício se sabe que conseguiu o dom da
liberdade."
Fonte: Cânon XIII, Concilio IX de Toledo, 655.

12 - Neste mesmo Concílio IX de Toledo (ano 655), o cânon XV
insiste sobre as obrigações dos libertos da Igreja:

XV. Do obséquio e disciplina dos libertos da igreja
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Os libertos da igreja e sua descendência prepararão
obséquios (favores) prontos e sinceros à basílica da qual
mereceram a graça da liberdade."
Fonte: Canon XV, Concilio IX de Toledo, 655.

13 - Um decreto do Concílio X de Toledo (ano 656), anulou o
testamento – declarado nulo e sem efeito - do Bispo de Dumio
(antiga cidade galega) Ricimiro. No testamento ele dava liberdade
aos escravos e ordenava distribuir entre os pobres as rendas do
bispado.

Decreto
... nos apresentou o testamento de Ricimiro, bispo da igreja
de Dume, lido o qual, conhecemos que seu próprio autor
havia posto ali condições contrárias à sua constiuição, que
tinha mandando que tudo que fosse adquiriro com os
tributos e rendas fosse entregue anualmente, sem
redução alguma, para os pobres, e que não havia
deixado coisa alguma que pudesse servir aos usos da igreja
mediante qualquer doação.
... Então por parte da igreja de Dumio se afirmou que tudo
quanto o próprio bispo Richimiro achou de toda espécie,
gênero e corpo, pertencente intrinsicamente aos usos
domésticos da igreja em tempo de sua ordenação, e tudo o
que ele pôde adquirir com o trabalho dos artífices de ambos
os sexos, da família da igreja ou com as cosas que parece
ter adquirido por sua provisão, ao morrer se desse aos
pobres.
Também ordenou que outras coisas se vendessem a um
preço tão baixo, que sua negociação deve ser considerada
mais uma perda do que uma venda; igualmente fez
libertos a certos escravos das famílias da igreja,
descobrindo-se que de ambos sexos chegavam a
34

mais de 500 (cinquenta, se diz em outros códices).
Conhecidos estes danos, e sabendo que se havia feito
uma distribuição tão indiscreta, de modo que não restava
nada para a dignidade da igreja; sendo assim que não havia
necessidade urgente a favor dos pobres, e sendo certo,
além disso, que nada havia dado ele em permuta, segundo
mandam os estatutos canônicos, pelos servos; nem que
tampouco havia trazido coisa alguma em recompensa pelos
escravos e pelas demais coisas dadas aos libertos, e que de
tal modo havia deixado seus bens em nome dos pobres,
que nada poderia tirar deles o uso eclesiástico,
determinamos atendendo tanto à razão, como ao edito das
sanções paternais, declarar nulo seu testamento, mesmo
não em todas as suas partes. De fato, constatando-nos que
o referido bispo Richimiro, há causado tantos danos aos
bens da igreja; ordenamos que todas as suas finanças, que
deixou para os pobres, seja possuída com pleno domínio
pela igreja de Dumio, até que se possa reparar este dano;
e que concluído o ressarcimento, se cumpra o testamento;
e que com respeito aos libertos da família da igreja, e a
todas as coisas que se sabe foram dadas ou em escravos
ou em outros corpos ou a aqueles ou a seus homens, fique
tudo à disposição do nosso venerável irmão, o bispo
Fructuoso; pois não obstante que a ordem evidente dos Pais
o torna nulo, entretanto, por misericórdia permitimos que
use de algum temperamento, de modo que nem se exceda
nas regras paternais, nem a severidade extinga a
misericórdia: de maneira que em atenção ao mérito dos
serventes, tire ou conceda a liberdade ou os donativos. Foi
dado este decreto no primeiro de dezembro do ano oitavo
do feliz reinado de nosso glorioso Senhor Recesvinto."
Fonte: Concilio X de Toledo, 656 (página 420) 656.
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14 - - Naquela sociedade visigoda, tinha também o problema dos
que se suicidavam para escapar de um castigo. Problema que em
épocas modernas também tiveram os plantadores do Caribe com
o suicídio de seus escravos. No cânon IV do Concílio XVI de
Toledo, realizado no ano 693, se excomungava os suicidas por
dois meses, se sobrevivessem.

IV. Dos desesperados.
… Sabemos, pois, que alguns homens se acham de tal modo
contagiados com o vício do desespero, que tão logo quanto
são punidos com a censura da disciplina, ou que, a fim de
purgar sua maldade, são reclusos para cumprir com a
penitência, se desesperam e preferem enforcar-se, matarse com arma branca ou suicidar-se de qualquer outro modo
... aquele que depois de tentar suicidar-se, e que por
qualquer motivo não conseguiu, fique privado por dois
meses da sociedade com os católicos.
Fonte: Cânon IV, Concilio XVI de Toledo, 693.

15 - O Concílio XVI de Toledo do ano 693, em seu cânon V
determinava que as igrejas que tivessem dez escravos deviam ter
presbítero próprio e as que não atingissem essa quantidade
deviam ser integradas em outras.

"V. Da reparação das igrejas; e de outras causas
diversas
... E por necessidade também ordenamos que sob
nenhuma circunstância se entregue a responsabilidade de
muitas igrejas para um único presbítero, porque não só
não pode ministrar em todos eles como ajudar as pessoas
com a lei sacerdotal e nem cuidar como deve de suas
coisas: devendo observar que igreja que possua 10

36

escravos deve ter um sacerdote próprio, e a que não os
tiver deve ser agregada a outra".
Fonte: Canon V, Concílio XVI de Toledo, 693.

16 - A ganância e a crueldade se apoderaram dos corações de
alguns que, apesar de se glorificarem com o nome de cristãos,
apoiam os sarracenos fornecendo armas e madeira para cascos,
convertendo-se assim em seus iguais, ou ainda superiores a eles
em maldade, fornecendo-lhes armas e o necessário para atacar
os cristãos. Alguns inclusive, para benefício próprio, atuam até
mesmo como capitães, pilotos ou nas cozinhas dos navios piratas
sarracenos. Portanto, declaramos que essas pessoas devem
ser cortadas da comunhão da igreja e excomungadas por
sua maldade, que os príncipes católicos e magistrados civis
confisquem seus bens e que se forem capturados
transformem-se em escravos de seus captores. –
Ordenamos que em todas as partes onde hajam igrejas em
cidades marítimas, a excomunhão frequente e solene seja
pronunciada contra eles.”

Fonte: Cânon 24, Terceiro Concílio de Latrão, 1179 CE.

17 - Com respeito aos pagãos brabantes, aragoneses, navarros,
bascos, coterelos (coterelli) e triaverdinos, que praticam esse tipo
de crueldade entre os cristãos sem tampouco respeitar igrejas
nem monastérios, nem viúvas, órfãos, jovens ou velhos, nem
idade nem sexo, mas que como os pagãos destroem e danificam
tudo, nós decretamos que aqueles que os amparem, escondam ou
ajudem, nos distritos onde rapinem, sejam denunciados
publicamente nos domingos e em outros dias solenes na Igreja e
sejam submetidos ao mesmo julgamento e castigo que os
anteriormente mencionados hereges e não sejam recebidos na
comunhão da igreja enquanto não abjurem de sua perniciosa
37

associação e heresia. Sempre e quando estas pessoas persistirem
em sua maldade, que todos os que estão obrigados (escravos) a
eles por qualquer pacto, saibam que estão livres de toda obrigação
de fidelidade, obediência, homenagem ou qualquer uma. Sobre
estes e sobre todo fiel impomos, para a remissão de
pecados, que eles se oponham a este látego com toda sua
força e por armas protejam o povo cristão contra eles. Seus
bens deverão ser confiscados e seus príncipes livres
submetidos à escravidão. Os que em dor verdadeira para com
seus pecados morram em um conflito, não deverão duvidar de
que eles receberão o perdão de seus pecados e o fruto da
recompensa eterna.”

Fonte: Cânon 27, Terceiro Concílio de Latrão, 1179 CE.

18 - A escravidão em si, considerada como tal, em sua
natureza essencial, não é de todo contrária à lei natural e
divina, e podem exisitir vários títulos de escravidão e estes são
referidos por teólogos aprovados e comentaristas dos cânones
sagrados. ... Não é contrário à lei natural e divina que um
escravo seja vendido, comprado, trocado ou dado. O
comprador deve examinar cuidadosamente se o escravo que está
vendendo foi justa ou injustamente privado de sua liberdade, e
que o vendedor não deve fazer nada que possa pôr em perigo a
vida, a virtude ou a fé católica do escravo."

Fonte: Instrução 20, O Santo Ofício (Sagrada Congregação
para a Doutrina da Fé), 20 de junho de 1866.

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2 - Sobre a escravidão e os judeus
1 - No Concílio IV de Toledo do ano de 633, o cânon LIX diz que
se liberte o escravo, se seu dono judeu o circuncidou.

LIX. Dos judeus que por algum tempo foram cristãos,
e depois voltaram ao rito antigo.
Muitos judeus admitiram a fé cristã por algum tempo e
agora, blasfemando contra Cristo, não só se entregam aos
ritos judaicos, mas até chegam a executar a abominável
circuncisão. E com respeito às pessoas a quem
circuncidaram, se ordene que, se são seus filhos, sejam
separados da companhia de seus pais; se são escravos,
pela injúria que cometeram em seu corpo, se lhes conceda
a liberdade."
Fonte: Cânon LIX, Concílio IV de Toledo do ano de 633.

2 - Segundo o cânon LXVI do Concílio IV de Toledo, do ano de
633, se dará a liberdade aos escravos cristãos dos judeus.

LXVI. Que os judeus não tenham escravos cristãos.
Por decreto do gloriosíssimo príncipe, estabeleceu este
sagrado Concílio que não seja lícito para os judeus terem
como escravos fiéis católicos, nem comprar escravos
cristãos, nem adquiri-los por liberdade de ninguém, pois é
uma maldade que os membros de Cristo sirvam aos
ministros do Anticristo. E se de agora em diante os judeus
tiverem escravas ou escravos cristãos, eles serão tirados
de seu domínio ganharão a liberdade pelo príncipe".
Fonte: Cânon LXVI, Concilio IV de Toledo do ano 633.

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3 - No cânon LXII deste Concílio IV de Toledo (ano 633), se diz
que se um judeu batizado se reúne com os judeus infiéis seja
"entregue aos cristão".

LXII. Dos judeus batizados que se reúnem com os
judeus infiéis.
Se muitas vezes a companhia dos maus corrompe também
os bons, com muito mais razão corrompe aqueles que são
inclinados aos vícios. Não tenham pois de agora em diante,
relação alguma, os hebreus convertidos ao cristianismo
com os que ainda conservam o rito antigo, para que não
sejam pervertidos por eles; e qualquer um que não evitar
sua companhia, será castigado do seguinte modo: se é
hebreu batizado, entregando-lhe aos cristãos e se não é
batizado, acoitando-lhe publicamente."
Fonte: Cânon LXII, Concílio IV de Toledo do ano 633.

4 - O Concílio XVII de Toledo do ano 694, em seu Cânon VIII
transforma todos os judeus e sua descendência em
escravos. Em troca, ordena libertar alguns escravos cristãos dos
judeus para que continuem pagando os impostos que seu dono
pagava. São acusados de que a conversão imposta pelos Concílios
anteriores e pelas leis, tinha sido falsa; de conspirar contra o rei;
e com os muçulmanos desejosos de invadir a Espanha (não
sabiam que seria um visigodo, aspirante ao trono, quem facilitaria
a invasão do ano 711).


VIII. Da condenação dos judeus.
... mandamos que por sentença deste nosso decreto sejam
castigados com irrevogável reprovação:...
se trate de extirpá-los com mais rigor, privando-lhes de
todas as suas coisas, aplicando-as ao fisco, ficando, além
disso, sujeitos à perpétua escravidão em todas as
40


províncias da Espanha, as pessoas dos próprios pérfidos,
suas mulheres, filhos e toda a sua descendência,
despejados de seus lugares e dispersado, devendo servirem
àqueles a quem a generosidade real os ceder; nem por
nenhum motivo, enquanto continuem na obstinação de sua
infidelidade, se lhes permita voltar ao estado de
ingenuidade (liberdade), porque ficaram completamente
difamados pelo grande número de suas maldades. E
decretamos também que, por nomeação de nosso príncipe,
se designem alguns dos escravos cristãos dos próprios
judeus, para que recebam as propriedades destes ...; e que
os referidos servos contribuam, sem alegar desculpa
alguma, com o que até aqui pagavam ao fisco os próprios
judeus ... "
(...)
E a respeito de seus filhos de ambos os sexos, decretamos
que assim que completem os sete anos, sejam
separados da companhia de seus pais, sem permitir
nenhum contato com eles, devendo seus próprios
senhores entregá-los a cristãos fidelíssimos, para que os
eduquem com o objetivo de que os varões cheguem a
casar-se com mulheres cristãs e vice-versa...
Fonte: Cânon VIII, Concílio XVII de Toledo do ano 694.

3 - Declarações
Em 1686 quando Carlos II concede assento (permissão, privilégio
de tráfico) a um protestante, a Inquisição alarmada intervém e o
rei nomeia uma comissão investigadora. Tal comissão declarou:

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"A introdução dos negros não é apenas desejável, mas
absolutamente necessária (...) pois cultivam as fazendas e não
há outros que poderiam fazê-lo, por falta de índios. Sem tráfego,
levaria América à ruína absoluta (...). Quanto a saber se a
escravidão é permitida, muitos autores o discutem (...) O
Conselho [das Índias] acredita que não pode haver dúvida quanto
à necessidade desses escravos para o apoio do reino das Índias,
nem quanto à importância do bem-estar público na continuação e
manutenção deste procedimento inalterado; e quanto à questão
de consciência, se prova pelas razões acima expostas, as
autoridades citadas e seu longo e geral costume nos reinos de
Castela, América e Portugal, sem qualquer objeção por parte
de Sua Santidade ou do estado eclesiástico, muito pelo
contrário, com a tolerância de todos eles ... "

42

5 - A Escravidão e o Papado

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1 - Gregório I
"Na verdade, as ações dos superiores não devem ser feridas com
a espada da boca, mesmo quando está bem pensado que
merecem a sua censura. E se às vezes a lingua se desliza na crítica
a eles, por menor que seja, o coração deve ser dominado pela dor
da penitência. Convém refletir sobre si mesmo, e quando tiver
ofendido o poder colocado nele, deve temer a sentença proferida
por Aquele que nomeou seus superiores. Porque quando
ofendemos aqueles estabelecidos sobre nós, nos opomos à
ordenança Daquele que os colocou acima de nós."

Fonte: O Papa Gregório I, ca. 540-604 CE, citado em Henry
Davis, Pastoral de la Salud; antiguos escritores cristianos
de la serie, n º 11, (Westminster, MD: Prensa Newman,
1950), p. 100.

Os amos e os escravos devem ser amoestados de maneiras
diferentes.
Aos escravos, que tenham sempre em mente a humildade de sua
condição; aos amos, que não se esqueçam que por sua natureza,
em nada são superiores a seus servos.
Advirta-se aos escravos que não devem desprezar seus
amos, pois ofenderiam a Deus, se com arrogância se
rebelarem contra a divina ordenação; advirta-se aos amos,
que usurpam de Deus seu domínio e suas funções, se não
reconhecem por iguais na participação da natureza humana, aos
que por sua humilde condição lhes estão submetidos.
Saibam estes, que são servos de seus senhores; e não
esqueçam aqueles, que são conservos de seus próprios servos.
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São Paulo adverte a estes: “Escravos, obedeçam em tudo a
seus senhores terrenos”. (Col 3:22); e em outra parte lhes diz:
“Todos os que estão sob o jugo da escravidão devem considerar
seus senhores como dignos de todo o respeito”. (1 Tm 6:1). E
adverte àqueles: “Vocês, senhores, tratem seus escravos da
mesma forma. Não os ameacem, uma vez que vocês sabem que
o Senhor deles e de vocês está nos céus”, (Ef 6:9).

Fonte: Gregório I, O Livro da Regra Pastoral, Parte III,
Capítulo V.

“A escravidão em si … não é de todo contrária à lei natural
e divina … O comprador [do escravo] deve examinar
cuidadosamente se o escravo que se põe à venda foi justa ou
injustamente privado de sua liberdade; e que o vendedor não faça
nada que possa pôr em perigo a vida, a virtude ou a fé católica do
escravo.”

Fonte: Declaração do Santo Oficio da Santa Sé, de 1866.

2 - Nicolás V

Este papa, na bula “Divino amore communiti”, de 18 de maio de
1452, autorizava Alfonso V a fazer a guerra contra os sarracenos
e invadir, conquistar e subjugar os territórios ocupados por eles,
mesmo que pertencessem a outros príncipes cristãos. A esta bula
breve se soma o seguinte, onde reforçava mais ainda o tema:
“... lhe outorgamos o poder pleno e livre, através da
autoridade apostólica pelo presente edito, para invadir,
conquistar, combater, submeter aos sarracenos, pagãos e
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outros infiéis e outros inimigos de Cristo ... e para levar
suas pessoas à escravidão perpétua, e aplicar aos reinos e
apropriados, ducados, principados, palácios reais, e outros
domínios, possessões e bens desta natureza para você e seu uso
e seus sucessores, os reis de Portugal.”

Fonte: Nicolas V, Bula Dum Diversas, 18 de Junho de 1452.
Fonte: Nicolás V, Bula Romanus Pontifex, 08 de janeiro
1455.

3 - Gregório IX
“Sem dúvida, é uma questão de fé que este tipo de escravidão
onde um homem serve a seu amo como seu escravo, é
totalmente legal. Isto é o resultado da Sagrada Escritura.
Também se há demonstrado mediante a razão, de que não é
irracional que tal como as coisas que se capturam em uma
contenda passem ao poder e propriedade dos vencedores, as
pessoas capturadas na guerra passem a ser igualmente
propriedade de seus captores. Todos os teólogos são unânimes
nisto”.
Fonte: Leander, Quaestiones theologicae Morales, Lyon 16681692, VIII Tomé, De Quarto Decalogi Praecepto, Tracto. IV, Disp.
I, P. 3. (O link conduz ao livro em latim).

46

6 - A Escravidão nos Estados Unidos

“... Para os homens do norte, que observei durante muitos anos
um desconhecimento palpável da vontade divina com referência à
instituição da escravidão. ...
... Proponho, portanto, examinar brevemente o livro sagrado e,
se não estou muito equivocado, vou ser capaz de demonstrar que
a instituição da escravidão recebeu, em primeiro lugar:

Primeiro. A aprovação do Todo Poderoso na era patriarcal.
2º. Que se constituiu na única Constituição Nacional, que
alguma vez já emanou de Deus.

47

3º. Que sua legalidade foi reconhecida, assim como seus
deveres regulamentados, por meio de Jesus Cristo em seu
reino, e
4º. Que está cheia de misericórdia.

“… Agora, meu querido senhor, se a partir das provas contidas na
Bíblia, para demonstrar que a escravidão tem uma relação legal
entre o povo de Deus em cada dispensação, a afirmação que
continua fazendo na cara desta evidência, que a escravidão
sempre foi o maior dos pecados – em todas as partes e em todas
as circunstâncias – pode você, ou pode qualquer homem em seu
juízo perfeito, atrever-se a crer que a mente capaz de tal decisão
(criticar a escravidão) não é capaz de pisotear a Palavra de Deus
sobre qualquer outro tema?”

Fonte: Reverendo Thomas Stringfellow, Um breve exame
do testemunho das Escrituras sobre a Instituição da
Escravidão (Locust Grove, IL, 1841).

_____
Jesus reconheceu isto (ou seja, a escravidão) como uma
instituição que foi legal entre os homens e regulou suas relativas
obrigações. Afirmo então “… em primeiro lugar (e ninguém o
nega) que Jesus Cristo não aboliu a escravidão por um mandato
proibitivo; e em segundo lugar, afirmo: que não introduziu
nenhum novo princípio moral que possa empregar-se para sua
destruição”.

Fonte: Reverendo Thomas Stringfellow, Uma visão bíblica
da escravidão, Condado de Culpeper, Virgínia, 1856.

48

_____
“… O direito de exploração dos escravos está claramente
estabelecido nas Sagradas Escrituras, tanto por preceito como por
exemplo; No Antigo testamento, os israelitas foram ordenados a
comprar seus escravos e escravas das nações pagãs; excetuandose os cananeus, já que estes deviam ser destruídos. E se declarou
que as pessoas compradas deviam ser seus “escravos para
sempre”; e uma “herança para eles e seus filhos.” Eles não deviam
ser libertados no ano do jubileu, como os hebreus que haviam sido
adquiridos. Aqui: a linha foi claramente traçada entre eles ….
No Novo Testamento, a história do Evangelho ou a representação
dos Atos, nos apresenta uma visão que corresponde com a que
nos tem sido proporcionada por outras autênticas histórias antigas
sobre o estado do mundo no começo do cristianismo: Os
poderosos romanos tiveram êxito; no império, os gregos eram os
ilustrados; e sob ambos os impérios, os países que possuíram e
governaram estavam cheios de escravos. Muitos destes, juntos
com seus amos, se converteram à fé cristã e juntos com eles,
foram recebidos pela Igreja cristã enquanto ainda estava sob o
ministério dos apostoles inspirados. Nas coisas puramente
espirituais, parecem ter desfrutado dos mesmos privilégios, mas
a sua relação como amos e escravos nunca foi dissolvida. Suas
respectivas funções estão estritamente ordenadas. Os amos não
estão obrigados a emancipá-los, mas a dar-lhes as coisas que são
justas e igualitárias, abstendo-se de ameaças e recordando
também que possuem um amo no céu. Os “criados sob o jugo”
(servos por obrigação ou escravos) mencionados por Paulo a
Timóteo, que possuem “amos fiéis”, não estão autorizados por ele
a exigir deles a emancipação ou a empregar meios violentos para
conseguir, mas são ordenados a “considerar seus amos como
dignos de toda a honra”, e “não desprezá-los, porque são seus
49

irmãos” na religião; “antes sirvam-nos melhor, porque são fiéis e
amados, e partícipes do benefício cristão”. Diretrizes similares são
dadas por ele em outros lugares e pelos demais Apóstolos. E isto
dá grande peso ao argumento. Diretrizes similares são dadas por
ele e por outros Apóstolos em outros lugares. E dá grande peso à
argumentação, o fato de que Paulo segue suas instruções relativas
aos escravos, encarregando a Timóteo, como evangelista, para
ensinar e exortar os homens a observar esta doutrina ....
Se a exploração dos escravos tivesse sido um mal moral, seria
impensável supor que os apóstolos inspirados, que não temiam
aos rostos dos homens e estavam dispostos a sacrificar suas vidas
pela causa de seu Deus, a tivessem tolerado, por um momento
sequer, na Igreja Cristã. Se eles tivessem feito assim desde um
princípio de acomodação (1), nos casos onde os amos
permaneceram pagãos, para evitar ofensas e a comoção civil;
mas, com certeza, onde tanto o amo como o servo eram cristãos,
como no presente caso, eles teriam feito cumprir a lei de Cristo e
teriam exigido que o amo libertasse a seu escravo em primeiro
lugar. Mas, em vez disso, eles deixaram esta relação permanecer
intacta, como legal e justa, e insistiram nos seus respectivos
deveres.
Como prova deste tema, temos a justificação dada pela
autoridade das Escrituras e sua moral também é demonstrada
porque a Lei Divina nunca aprova ações imorais.

Fonte: Dr. Richard Furman reverendo, Presidente da
Convenção Estatal Batista, exposição das opiniões dos
batistas, relativas à população de cor nos Estados Unidos
em uma comunicação ao Governador da Carolina do Sul
(1838).

50

(1): O princípio da acomodação ou condescendência, é a
desculpa, usada em teologia, de porque Deus, apesar de
ter uma natureza incognoscível e inalcançável, se
comunicou com a humanidade de uma maneira em que os
humanos possam entende-lo e responder-lhe. O conceito
inventado por estas pessoas é que a escritura se acomodou
à linguagem original da audiência e a um nível geral de
compreensão.
Devido aos avanços científicos produzidos no século XVI,
Calvino propôs este princípio como solução aos diversos
conflitos que começavam a surgir entre conhecimento
científico e religião. Este princípio foi determinante, já que
dividiu a igreja entre literalistas (biblicistas) e não
literalistas. Conflito que ainda continua muito vivo entre as
infindáveis variantes cristãs atuais.

_____
“Se fica demonstrado que a escravidão doméstica é, em geral,
uma instituição natural e necessária, se elimina o maior obstáculo
à crença na Bíblia, porque se bem que os textos, individualmente
e arrancados de seu contexto, podem ser utilizados para qualquer
outro propósito, não se pode encontrar nenhum que vá contra a
escravidão.

Fonte: George Fitzhugh, Todos os canibais! ou escravos
sem Mestres (Richmond, VA, 1857).

_____
“Temos uma grande lição a ensinar ao mundo no que diz respeito
à relação entre raças: que certas raças são permanentemente
inferiores em suas capacidades com relação a outras e que o
51

africano, que é confiado ao nosso cuidado, só pode alcançar a
civilidade e o desenvolvimento de que é capaz – só pode contribuir
para o benefício da humanidade na posição em que Deus lhe
colocou entre nós (ou seja, a de escravo)”.

Fonte: Reverendo James Miles Warley, Deus na História:
um discurso pronunciado na Universidade de Charleston
(29 de março de 1863).

_____
O Sul não é mais culpado da escravidão dos negros que o Norte.
Nossos escravos foram roubados da África pelos capitães ianques.
Quando um escravista chegou a Boston, seu piedoso clérigo
puritano ofereceu uma oração pública de agradecimento dizendo
que “A Graça e a Providência tiveram o prazer de trazer à esta
terra da liberdade, outro carregamento de gentes ignorantes para
desfrutar das bênçãos de uma dispensação do evangelho.”

Fonte: Ministro Batista Thomas F. Dixon, Jr., The
Clansman: Um Romance Histórico da Ku Klux Klan (Nova
York: Doubleday, 1905)

52

7 - Conclusão
Está amplamente demonstrada a moralidade (ou melhor,
imoralidade) bíblica e a moralidade duvidosa daqueles que a
defendem, além dos que a seguiram e a seguem depois de tê-la
lido em sua totalidade. O verdadeiro crente religioso, que aceita
dito livro e as afirmações que se fazem nele como corretas, é
quem, baseando-se em uma série de preceitos estabelecidos por
um povo durante a idade do bronze, luta por manter esses
preceitos apesar dos avanços morais e do conhecimento
conseguido desde que foram redigidos. Somente uma pessoa com
uma moral duvidosa, ambígua e dotada de certo fundamentalismo
é capaz de apoiar esses preceitos com a justificativa de sua
suposta procedência divina. Ao longo da história, têm sido sempre
estas pessoas as que, presumindo-se como “eleitos” ou uma
autoridade totalitária e absolutista, tentaram impedir a igualdade
social e de direitos. Casualmente, estas pessoas e a maioria dos
que os seguiram foram (casualmente?) crentes religiosos. (O
judeu-cristianismo não seria diferente).


Fontes:
A fonte original é este artigo:
http://www.worldfuturefund.org/wffmaster/Reading/Religion/sla
very.htm. Ao artigo original foram acrescentados dados
complementares e links para as fontes mencionadas, além de
notas explicativas sobre os termos empregados no texto, links e
imagens da web.

53

2 - O Deus bíblico cria, apoia e regula a escravidão. >>>

Algo que não deveria ter jamais acontecido na história da
humanidade é a escravidão. Nos cremos e queremos nos
considerar superiores ao resto das espécies, mas demonstramos
ser sempre exatamente o contrário. Quando criamos os Deuses
nós os fizemos donos de tudo o que conhecíamos e, ao mesmo
tempo, nos convertemos em escravos de nós mesmos e de nossas
crenças. Desde o panteísmo, passando pelo politeísmo e acabando
no monoteísmo mais incoerente temos dotado a esses deuses do
poder suficiente para justificar nossas ações, declarando nossos
atos como ordens divinas. Ao deus hebreu não falta nenhum dos
54

defeitos dos autores que o inventaram. A prova disso está no livro
que seus próprios seguidores lhe transformaram em autor.
Como não podia deixar de ser, o povo hebreu (proveniente de
culturas como a suméria e a egípcia) também copiou, ou melhor
dizer, usou a pratica que mantinham essas culturas, quanto à
escravidão. Disso deixou testemunho a Bíblia. Nela se encontram
tanto narrações como preceitos diretamente dados por seu deus
(Yahvéh).
Uma forma de manter em vigor qualquer lei era inclui-la nas
“sagradas escrituras”, dotando-as assim de certa imutabilidade e
tornando-as por sua vez inquestionáveis (ninguém poderia negar
uma lei que viesse diretamente de um deus onipotente e
onipresente).
Embora o tipo de escravidão fosse ligeiramente diferente da que
conhecemos do período greco-romano, as bases e sua definição
eram as mesmas (situação na qual um indivíduo está sob o
domínio de outro, perdendo a capacidade de dispor livremente de
si mesmo).

55

1 - Deus regula a escravidão
Muitos crentes defendem a atitude passiva por parte do deus
hebreu em relação à escravidão humana com frases idiotas e
risíveis como:



“Deus regula a escravidão para que não se cometessem
abusos”.
“Deus regula a escravidão para que um homem pudesse
pagar sua dívida”.
“O escravo hebreu era diferente porque era um escravo por
vontade própria”.
“O escravo hebreu podia chegar a amar seu estado de tal
forma, que podia pedir a seu amo para ser escravo ou servo
por toda a vida”.
Etc.…

São apenas frases carentes de consciência e típicas do crente de
qualquer época. Lembrem-se de como após a chegada à América,
dos cristãos nos tempos dos reis “Católicos”, usaram as mesmas
desculpas para escravizar à população indígena ou como os
cristãos ingleses, durante a colonização da América do Norte,
capturaram milhões de pessoas na África para convertê-los em
escravos. Que casualidade que a maioria dos cristãos republicanos
dos EUA tenha a mesma mentalidade fechada e racista que seus
antepassados!

56

2 - Tipos de escravidão bíblica.

1 - Escravidão por conquista
O povo hebreu narra em diversos capítulos da Bíblia como seu
Deus lhe ordena submeter e escravizar a todo povo conquistado,
para mais tarde regular leis de tratamento para esses mesmos
escravos (exatamente o mesmo que fizeram e faziam os sumérios
e os egípcios).
Deuteronômio 20:10-18
10 - Quando te achegares a alguma cidade para combatê-la,
apregoar-lhe-ás a paz. 11 - E será que, se te responder em paz, e te
abrir as portas, todo o povo que se achar nela te será tributário e te
servirá (serão teus escravos). 12 - Porém, se ela não fizer paz contigo,
mas antes te fizer guerra, então a sitiarás. 13 - E o SENHOR teu Deus
a dará na tua mão; e todo o homem que houver nela passarás ao fio
da espada. 14 - Porém, as mulheres, e as crianças, e os animais; e
tudo o que houver na cidade, todo o seu despojo, tomarás para ti; e
comerás o despojo dos teus inimigos, que te deu o SENHOR teu Deus.
15 - Assim farás a todas as cidades que estiverem mui longe de ti,
que não forem das cidades destas nações. 16 - Porém, das cidades
destas nações, que o SENHOR teu Deus te dá em herança, nenhuma
coisa que tem fôlego deixarás com vida. 17 - Antes destrui-las-ás
totalmente: aos heteus, e aos amorreus, e aos cananeus, e aos
perizeus, e aos heveus, e aos jebuseus, como te ordenou o SENHOR
teu Deus. 18 - Para que não vos ensinem a fazer conforme a todas as
suas abominações, que fizeram a seus deuses (sacrifícios e oferendas
como os que também faziam os hebreus a Yahvé), e pequeis contra o
SENHOR vosso Deus.

Bem, Deus (ou melhor dizer, o narrador bíblico que inventa estas
leis) poderia ter proibido a guerra, mas em vez disso se dedica a
dar leis sobre o que fazer com os prisioneiros capturados. No caso
57

das mulheres estava ou está (se a Bíblia for considerada como a
palavra de um Deus eterno) mais claro o tema:
Deuteronômio 21:10-14
10 - Quando saíres à peleja contra os teus inimigos, e o SENHOR teu
Deus os entregar nas tuas mãos, e tu deles levares prisioneiros, 11 E tu entre os presos vires uma mulher formosa à vista, e a cobiçares,
e a tomares por mulher, 12 - Então a trarás para a tua casa; e ela
rapará a cabeça e cortará as suas unhas. 13 - E despirá o vestido do
seu cativeiro, e se assentará na tua casa, e chorará a seu pai e a sua
mãe um mês inteiro; e depois chegarás a ela, e tu serás seu marido e
ela tua mulher. 14 - E será que, se te não contentares dela, a deixarás
ir à sua vontade; mas de modo algum a venderás por dinheiro, nem a
tratarás como escrava, pois a tens humilhado.

Nota sarcástica: Já que matou o marido e praticamente toda
sua família em combate, o que poderia ser melhor do que
convertê-la à força em tua mulher? E se com o tempo, não te
agradar mais, podes deixá-la que se vá “em liberdade” e sem
absolutamente nada. Todo isso com o extra de ser considerada
uma “mulher repudiada” (algo muito bem visto naqueles tempos).
Passado algum tempo, a mulher podia gozar de certos direitos,
isso com alguns porém. Se o filho da escrava fosse o primogênito,
ele teria como direito a herança do pai.
Deuteronômio 21:15-17
15 - Quando um homem tiver duas mulheres, uma a quem ama e
outra a quem despreza, e a amada e a desprezada lhe derem filhos, e
o filho primogênito for da desprezada, 16 - Será que, no dia em que
fizer herdar a seus filhos o que tiver, não poderá dar a primogenitura
ao filho da amada, preferindo-o ao filho da desprezada, que é o
primogênito. 17 - Mas ao filho da desprezada reconhecerá por
primogênito, dando-lhe dobrada porção de tudo quanto tiver;

58

porquanto aquele é o princípio da sua força, o direito da primogenitura
é dele.

Os “porém” ficam mais visíveis aqui, quando o filho deste é
desobediente ou não agrada ao papai.
Deuteronômio 21:18-21
18 - Quando alguém tiver um filho contumaz e rebelde, que não
obedecer à voz de seu pai e à voz de sua mãe, e, castigando-o eles,
lhes não der ouvidos, 19 - Então seu pai e sua mãe pegarão nele, e o
levarão aos anciãos da sua cidade, e à porta do seu lugar; 20 - E dirão
aos anciãos da cidade: Este nosso filho é rebelde e contumaz, não dá
ouvidos à nossa voz; é um comilão e um beberrão. 21 - Então todos
os homens da sua cidade o apedrejarão, até que morra; e tirarás o
mal do meio de ti, e todo o Israel ouvirá e temerá.

Nota: Hoje em dia existem filhos adotados cujas mães não se
casaram com homens que haviam matado seus seres queridos
(pais naturais destes ou membros de sua família) e ainda assim a
relação com estes pais não é a idílica e perfeita que todo mundo
desejaria ter. Agora imagine ser o filho de um pai que matou o
marido de tua mãe, que esta mãe seja a escrava forçada a casarse com esse pai e descobrir isso… Seguirias adorando e
obedecendo da mesma forma a esse teu pai? Ou suponha o caso
em que este pai gostasse mãos do filho da esposa não escrava
que do filho da escrava. Acredita seriamente que esse pai (e mais
ainda vindo de uma cultura de saqueadores e assassinos) teria
muitos escrúpulos em mentir para desfazer-se do filho da mulher
escrava? Não que todos os pais fizessem isso, mas a Bíblia nos
deixa claro o tipo de barbárie que as pessoas de Deus eram
capazes por esse tempo.
Números 31:25-54

59

25 - Falou mais o SENHOR a Moisés, dizendo: 26 - Faze a soma da
presa que foi tomada, de homens e de animais, tu e Eleazar, o
sacerdote, e os cabeças das casas dos pais da congregação, 27 - E
divide a presa em duas metades, entre os que se armaram para a
peleja, e saíram à guerra, e toda a congregação. 28 - Então para o
SENHOR tomarás o tributo dos homens de guerra, que saíram a esta
peleja, de cada quinhentos uma alma, dos homens, e dos bois, e dos
jumentos e das ovelhas. (E como Jeová não se apresenta para pegar
a sua parte, devido à sua inexistência, tudo isso é para o sacerdote)
29 - Da sua metade o tomareis, e o dareis ao sacerdote Eleazar, para
a oferta alçada do SENHOR. (Sacrifícios, ou melhor, recompensas ao
sacerdote) 30 - Mas, da metade dos filhos de Israel, tomarás um de
cada cinquenta, um dos homens, dos bois, dos jumentos, e das
ovelhas, e de todos os animais; e os darás aos levitas que têm cuidado
da guarda do tabernáculo do SENHOR. (Graças a isto, sabemos o valor
das pessoas para Deus, o mesmo que objetos ou coisas). 31 - E
fizeram Moisés e Eleazar, o sacerdote, como o SENHOR ordenara a
Moisés. 32 - Foi a presa, restante do despojo que tomaram os homens
de guerra, seiscentas e setenta e cinco mil ovelhas; 33 - E setenta e
dois mil bois; 34 - E sessenta e um mil jumentos; 35 - E, das mulheres
que não conheceram homem algum, deitando-se com ele, todas as
almas foram trinta e duas mil. (Mulheres virgens ou supostamente
virgens usadas como recompensa o botim de guerra - Deus ordena).
36 - E a metade, que era a porção dos que saíram à guerra, foi em
número de trezentas e trinta e sete mil e quinhentas ovelhas. 37 - E
das ovelhas, o tributo para o SENHOR foi de seiscentas e setenta e
cinco. 38 - E foram os bois trinta e seis mil; e o seu tributo para o
SENHOR setenta e dois. 39 - E foram os jumentos trinta mil e
quinhentos; e o seu tributo para o SENHOR sessenta e um. 40 - E
houve de pessoas dezesseis mil; e o seu tributo para o SENHOR trinta
e duas pessoas. (32 pessoas sacrificadas em holocausto a um deus
imaginário). 41 - E deu Moisés a Eleazar, o sacerdote, o tributo da
oferta alçada do SENHOR, como o SENHOR ordenara a Moisés. 42 - E
da metade dos filhos de Israel que Moisés separara da dos homens
que pelejaram, 43 - (A metade para a congregação foi, das ovelhas,
trezentas e trinta e sete mil e quinhentas; 44 - E dos bois trinta e seis

60

mil; 45 - E dos jumentos trinta mil e quinhentos; 46 - E das pessoas
humanas dezesseis mil). (Escravos para os filhos de Israel - Deus
ordena). 47 - Desta metade dos filhos de Israel, Moisés tomou um de
cada cinquenta, de homens e de animais, e os deu aos levitas, que
tinham cuidado da guarda do tabernáculo do SENHOR, como o
SENHOR ordenara a Moisés. 48 - Então chegaram-se a Moisés os
oficiais que estavam sobre os milhares do exército, os chefes de mil e
os chefes de cem; 49 - E disseram a Moisés: Teus servos tomaram a
soma dos homens de guerra que estiveram sob as nossas ordens; e
não falta nenhum de nós. 50 - Por isso trouxemos uma oferta ao
SENHOR, cada um o que achou, objetos de ouro, cadeias, ou manilhas,
anéis, arrecadas, e colares, para fazer expiação pelas nossas almas
perante o SENHOR. 51 - Assim Moisés e Eleazar, o sacerdote,
receberam deles o ouro, sendo todos os objetos bem trabalhados.
(Para que os não digam que os ateus são materialistas…). 52 - E foi
todo o ouro da oferta alçada, que ofereceram ao SENHOR, dezesseis
mil e setecentos e cinquenta siclos, dos chefes de mil e dos chefes de
cem 53 - (Pois cada um dos homens de guerra, tinha tomado presa
para si). 54 - Receberam, pois, Moisés e Eleazar, o sacerdote, o ouro
dos chefes de mil e dos chefes de cem, e o levaram à tenda da
congregação, por memorial para os filhos de Israel perante o SENHOR.

2 - Escravidão por dívida
Só precisa ler as “sagradas escrituras” desde Êxodo 20 passando
por Levítico 25 para compreender a que tipo de escravidão foi
submetido o povo hebreu nas mãos de seus líderes políticoreligiosos (Sacerdotes – Fonte sacerdotal), para que estes
continuassem mantendo o sistema econômico que os fazia ricos e
assim permanecerem no poder indefinidamente. Em nível
narrativo apenas mudaram as leis de um faraó pelas de um Deus
imaginário e imperecível.
61

Nota: Em muitas traduções das escrituras se traduz do hebreu a
palavra “servo”, embora a tradução mais correta e usada em
muitas das versões seja “escravo”.
Veja a diferença em diferentes versões (espanhol e português) do
mesmo versículo:









Gálatas 3:28
ΠΡΟΣ ΓΑΛΑΤΑΣ 3:28 NT Grego.
οὐκ ἔνι Ἰουδαῖος οὐδὲ Ἕλλην, οὐκ ἔνι δοῦλος (escravo) οὐδὲ
ἐλεύθερος, οὐκ ἔνι ἄρσεν καὶ θῆλυ· πάντες γὰρ ὑμεῖς εἷς ἐστε
ἐν Χριστῷ Ἰησοῦ.
A Bíblia das Américas
No hay judío ni griego; no hay esclavo ni libre; no hay
hombre ni mujer; porque todos sois uno en Cristo Jesús.
Nova Bíblia dos Espanhóis
No hay Judío ni Griego; no hay esclavo ni libre; no hay
hombre ni mujer, porque todos son uno en Cristo Jesús.
Reina Valera (1960).
Ya no hay judío ni griego; no hay esclavo ni libre; no hay
varón ni mujer; porque todos vosotros sois uno en Cristo
Jesús.
Reina Valera (1909).
No hay Judío, ni Griego; no hay siervo, ni libre; no hay
varón, ni hembra: porque todos vosotros sois uno en Cristo
Jesús.
Sagradas Escrituras (1569).
No hay aquí judío, ni griego; no hay siervo, ni libre; no hay
macho, ni hembra: porque todos vosotros sois uno en
Cristo Jesús.
Almeida Corrigida e Revisada Fiel (Port)

62





Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não
há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo
Jesus.
Almeida Revisada Imprensa Bíblica (Port)
Não há judeu nem grego; não há escravo nem livre; não há
homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo
Jesus.
NVI (Port.)
Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem
mulher; pois todos são um em Cristo Jesus.
Sociedade Bíblica britânica (Port)
Não pode haver judeu nem grego, não pode haver escravo
nem livre, não pode haver homem nem mulher, pois todos
vós sois um em Cristo Jesus.

Partindo da existência de Deus: O deus hebreu poderia ter
terminado com a escravidão de uma forma mais simples, sábia e
humanitária; proibindo-a e criando leis para que as pessoas
perdoassem as dívidas em vez de cobrá-las por meio da servidão
obrigatória. Em vez disso, Deus se dedica a regulamentá-la.
Levítico 25:39-50
39 - Quando também teu irmão empobrecer, estando ele contigo, e
vender-se a ti, não o farás servir como escravo. 40 - Como diarista,
como peregrino estará contigo; até ao ano do jubileu te servirá; 41 Então sairá do teu serviço, ele e seus filhos com ele, e tornará à sua
família e à possessão de seus pais.
Deus poderia ter ordenado o perdão, mas claro, é melhor que te
paguem o que te devem durante 7 anos (o devedor e toda sua família).
42 - Porque são meus servos, que tirei da terra do Egito; não serão
vendidos como se vendem os escravos. 43 - Não te assenhorearás
dele com rigor, mas do teu Deus terás temor.

63

Aqui Deus poderia perfeitamente ter proibido a escravidão ou
servidão. Mas já sabemos que ele prefere regulamentá-la. Talvez Deus
perdesse o temor do povo se tirasse seus escravos.
44 - E quanto a teu escravo ou a tua escrava que tiveres, serão das
nações que estão ao redor de vós; deles comprareis escravos e
escravas. 45 - Também os comprareis dos filhos dos forasteiros que
peregrinam entre vós, deles e das suas famílias que estiverem
convosco, que tiverem gerado na vossa terra; e vos serão por
possessão. 46 - E possui-los-eis por herança para vossos filhos depois
de vós, para herdarem a possessão; perpetuamente os fareis servir;
mas sobre vossos irmãos, os filhos de Israel, não vos assenhoreareis
com rigor, uns sobre os outros.
Sempre é melhor não ter falta no estoque quanto a escravos: se ficar
sem, ainda podes comprar os filhos dos forasteiros e que estes passem
a ser servos de teus filhos.
47 - E se o estrangeiro ou peregrino que está contigo alcançar riqueza,
e teu irmão, que está com ele, empobrecer, e vender-se ao
estrangeiro ou peregrino que está contigo, ou a alguém da família do
estrangeiro, 48 - Depois que se houver vendido, haverá resgate para
ele; um de seus irmãos o poderá resgatar;
49 - Ou seu tio, ou o filho de seu tio o poderá resgatar; ou um dos
seus parentes, da sua família, o poderá resgatar; ou, se alcançar
riqueza, se resgatará a si mesmo. 50 - E acertará com aquele que o
comprou, desde o ano que se vendeu a ele até ao ano do jubileu, e o
preço da sua venda será conforme o número dos anos; conforme os
dias de um diarista estará com ele.
Isto significa que se o amo fica sem dinheiro e o servo tem o suficiente,
o amo passa a ser servo.

O autor bíblico põe na boca de Deus uma série de leis para libertar
o escravo ou o servo por dívida:
64

Deuteronômio 15:16-18
16 - Porém se ele te disser: Não sairei de ti; porquanto te amo a ti, e
a tua casa, por estar bem contigo; 17 - Então tomarás uma sovela, e
lhe furarás a orelha à porta, e teu servo será para sempre; e também
assim farás à tua serva. 18 - Não seja duro aos teus olhos, quando
despedi-lo liberto de ti; pois seis anos te serviu em equivalência ao
dobro do salário do diarista; assim o SENHOR teu Deus te abençoará
em tudo o que fizeres.

Depois de explorar o miserável e sua família por 6 anos, ainda
recebe a bênção de Deus (ou seria do Diabo?!).
Direitos dos escravos
Eram poucos os privilégios que os escravos possuíam, mas os
tinham. E claro, todos de carácter religioso (os direitos humanos
jamais tiveram qualquer valor para o deus-monstro hebreu).
Êxodo 20:10
Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR teu Deus; não farás nenhuma
obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a
tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro
das tuas portas.

Uma norma genérica, pois não se aplica só aos escravos, mas a
todo mundo. É comum nas webs cristãs encontrá-la como um dos
direitos do escravo.
Deuteronômio 16:8-12
8 - Seis dias comerás pães ázimos e no sétimo dia é solenidade ao
SENHOR teu Deus; nenhum trabalho farás. 9 - Sete semanas
contarás; desde que a foice começar na seara iniciarás a contar as
sete semanas. 10 - Depois celebrarás a festa das semanas ao SENHOR
teu Deus; o que deres será oferta voluntária da tua mão, segundo o
SENHOR teu Deus te houver abençoado. 11 - E te alegrarás perante o

65

SENHOR teu Deus, tu, e teu filho, e tua filha, e o teu servo, e a tua
serva, e o levita que está dentro das tuas portas, e o estrangeiro, e o
órfão, e a viúva, que estão no meio de ti, no lugar que o SENHOR teu
Deus escolher para ali fazer habitar o seu nome. 12 - E lembrar-te-ás
de que foste servo no Egito; e guardarás estes estatutos, e os
cumprirás.

Veja como a palavra escravo encaixa melhor aqui. Os tradutores
bíblicos preferiram usar “escravo” para o povo hebreu nas mãos
de seus inimigos e “servo” para as pessoas capturadas pelo
amoroso povo hebreu. Outro versículo que poderia acrescentarse à generalização anterior e que as webs judaico-cristãs somam
aos direitos do escravo. Um grande direito para um escravo era
poder assistir às festas nacionais do povo que os converteu no que
são…
Deuteronômio 23:15-16
15 - Se um escravo refugiar-se entre vocês, não o entreguem nas
mãos do seu senhor. 16 - Deixem-no viver no meio de vocês pelo
tempo que ele desejar e em qualquer cidade que ele escolher. Não o
oprimam.

Algo que cristãos defensores da escravidão deveriam responder
é: por que um escravo fugiria de seu amo, como alegam, se o
escravo hebreu gozava de tantos “privilégios” e era um escravo
diferente dos de outras culturas? Sem falar que defende a
apropriação de escravos alheios, o furto de escravos.
Deuteronômio 31:9-13 e 25-30
9 - Moisés escreveu esta lei e a deu aos sacerdotes, filhos de Levi, que
transportavam a arca da aliança do Senhor, e a todos os líderes de
Israel. 10 - E Moisés lhes ordenou: "Ao final de cada sete anos, no ano
do cancelamento das dívidas, durante a festa das Cabanas, 11 quando todo o Israel vier apresentar-se ao Senhor, ao seu Deus, no

66

local que ele escolher, vocês lerão esta lei perante eles para que a
escutem. 12 - Reúnam o povo, homens, mulheres e crianças, e os
estrangeiros que morarem nas suas cidades, para que ouçam e
aprendam a temer o Senhor, o seu Deus, e sigam fielmente todas as
palavras desta lei. 13 - Os seus filhos, que não conhecem esta lei,
terão que ouvi-la e aprender a temer o Senhor, o seu Deus, enquanto
vocês viverem na terra da qual tomarão posse quando atravessarem
o Jordão".
...
25 - deu esta ordem aos levitas que transportavam a arca da aliança
do Senhor: 26 - "Coloquem este Livro da Lei ao lado da arca da aliança
do Senhor, do seu Deus, onde ficará como testemunha contra vocês.
27 - Pois sei quão rebeldes e obstinados vocês são. Se vocês têm sido
rebeldes contra o Senhor enquanto ainda estou vivo, quanto mais
depois que eu morrer! 28 - Reúnam na minha presença todos os
líderes das suas tribos e todos os seus oficiais, para que eu fale estas
palavras de modo que ouçam, e ainda invoquem os céus e a terra para
testemunharem contra eles. 29 - Pois sei que depois da minha morte
vocês com certeza se corromperão e se afastarão do caminho que lhes
ordenei. Nos dias futuros a desgraça cairá sobre vocês, porque vocês
farão o que o Senhor reprova e o provocarão à ira por aquilo que as
mãos de vocês terão feito". O sacerdote que escreveu estas leis sabia
que o homem acabaria por não cumpri-las. Então, o que melhor que
uma ameaça em forma de profecia? 30 - E Moisés recitou as palavras
desta canção, do começo ao fim, na presença de toda a assembleia de
Israel:

Estes versículos aparecem nas webs cristãs como um dos direitos
do escravo (o direito de assistir a leitura da “Lei”). O indivíduo
capturado na guerra não apenas era convertido em escravo, mas
tinha que assistir a leitura das leis do povo que o capturou. E como
podemos ler nos versículos anteriores, a razão pela qual TODO
mundo devia assistir a leitura da “Lei” era bem clara (a ameaça).
Não passa de uma obrigação mediante ameaça para ouvir mais
ameaças.
67

3 - Tipos de escravidão mental

Não existe apenas a escravidão física que sofreram os povos e
pessoas que viveram naquela época, nas mãos do povo hebreu
sob ordens divinas, (dos religiosos) como narrado na Bíblia. Tanto
naqueles tempos como hoje em dia padecemos de outro tipo
muito diferente de escravidão. Esta escravidão é induzida
psicologicamente pelos religiosos com ânsias de poder, no
ambiente que nos rodeia, em um círculo vicioso que parece não
ter fim.

1 - Escravidão involuntária

Da mesma forma como aconteceu com nossos pais, estamos
sendo induzidos constantemente por nosso ambiente, de maneira
involuntária e quase sem nos dar conta, à religião (seja qual for).
Desde muito pequenos nos inculcam uma série de crenças
estúpidas já pré-determinadas, com as quais cresceremos e
conviveremos toda nossa vida.
Ao nascer:
Mal nascemos e nossos pais nos levam à missa para seguir um
ritual inútil e sem sentido (molhar-se com água, quando ainda não
temos consciência de absolutamente nada) em um ato público,
cujo único objetivo é reforçar suas crenças primitivas e do resto
das pessoas que o assistem. O justo seria dar a essa criança a
oportunidade de crer no que ela quiser depois que tiver
conhecimento das coisas. No que se refere à moral, desde quando
68

a religião é justa? Veja todos os atos cometidos pelos próprios
líderes religiosos, na Bíblia e fora dela (na história real).
Infância:

Em meu caso, quando era criança, já era (e continua sendo para
muitas famílias) costume levar-te à missa todos os domingos
quase por obrigação. Durante essas missas o sacerdote recita uma
série de histórias (geralmente do Novo Testamento) que são
sempre as mesmas e escolhidas sempre pela conveniência da
igreja. O resto das histórias (uns 80% do narrado na Bíblia) jamais
se ouvirá da boca de nenhum dos sacerdotes, pregadores e bispos
que passam por tua vida. Mas não é só isso, das leituras feitas
nas missas por esses sacerdotes, se omitem todos os dados
69

importantes: versículos inteiros, tanto posteriores como
anteriores à leitura, que demonstram que o Deus oferecido pela
igreja é completamente desprovido de moral e escrúpulos, com o
objetivo de ser adorado, elogiado e servido (mesmo sendo
onipotente).
Muitas crianças já são enfiadas em colégios religiosos onde se lhes
inculca (como é lógico, por serem colégios religiosos) a disciplina
de religião. Essa disciplina não mostra todas as religiões por igual.
Nela a criança aprenderá, dependendo de onde se encontre esse
colégio, uma versão adulterada e pueril das escrituras de sua
religião (católicos, protestantes, mórmons, testemunhas de
Jeová, etc.): as histórias horripilantes narradas na Bíblia são
passadas pelos ajustes necessários para que os personagens
bíblicos e seu Deus sejam os bons e o resto dos personagens os
malvados.
A tudo isso se soma uma publicidade extra através de frases feitas
que ouvirás durante toda a vida:
“Graças a Deus”, “Isso foi um milagre”, “é uma bênção”, etc.
Inclusive as negativas contêm a afirmação da existência do Deus
bíblico e toda sua parafernália:
“Vá para o inferno”, “És um demônio”, “Foda-se Deus”, … (Como
se amaldiçoar com algo inexistente tivesse mais sentido).
Como se tudo isso não fosse suficiente, são produzidos filmes
baseados nas narrações bíblicas. Também mostrando os
personagens bíblicos apoiados por Deus como os heróis bons
(Noé, Moisés, Abraão, Salomão, Sansão, etc.) e acrescentando e

70

omitindo coisas da Bíblia que demonstram exatamente o
contrário.

Ou versões animadas muito mais corrompidas que as anteriores
e menos literais que o narrado na Bíblia.

A certa idade chega “a comunhão”. Um ato em que a criança pode
sentir-se até um marginalizado social se não comparece vestido
de marinheiro ou outra coisa, à igreja com seus companheiros e
amigos. Esse dia é comemorado com banquetes em que se reúne
71

toda sua família. Como não vai ter sentido uma religião que une
a todos os teus seres queridos? Muito simples, pense: por que
teve que ser necessária essa festa para que se reunissem e por
que não podem reunir-se sem tal parafernália mitológica. Não
deveria ser este o caso?

72

Adolescência:
Acrescentando mais marketing ao anterior, acabamos vendo
batismos, bodas e comunhões (que comicamente se conhece
como BBC) de outros familiares, nos quais temos que passar por
missas e demais atos religiosos. Também verás, em país cristão,
que fora as festas dominicais também existe outra série de festas
nas quais a igreja faz ostentação de seu poderio e sai a reluzir
todas as suas imagens (virgens, Cristos, etc.), enquanto seus
líderes religiosos se mostram enfeitados com joias (anéis e
colares, certamente de ouro puro) e túnicas não exatamente
baratas, em procissões e eventos públicos oficiais, parecendo
mais espantalhos saídos de Alice no país das Maravilhas.

Tudo isso fazendo caso omisso de um dos verdadeiros dez
mandamentos dados por Deus na Bíblia:
73

Êxodo 20:4
Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do
que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas
debaixo da terra.

Deuteronômio 5:8-10
8 - Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma
do que há em cima no céu, nem em baixo na terra, nem nas águas
debaixo da terra; 9 - Não te encurvarás a elas, nem as servirás;
porque eu, o SENHOR teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a
iniquidade dos pais nos filhos, até à terceira e quarta geração daqueles
que me odeiam. 10 - E faço misericórdia a milhares dos que me amam
e guardam os meus mandamentos.

Além de converter seus ícones religiosos em algo contrário ao
ditado por seu Deus nas leis bíblicas:
1 Timóteo 2:9
Que do mesmo modo as mulheres se
ataviem em traje honesto, com pudor e
modéstia, não com tranças, ou com
ouro, ou pérolas, ou vestidos preciosos,
1 Pedro 3:3
O enfeite delas não seja o exterior, no
frisado dos cabelos, no uso de joias de
ouro, na compostura dos vestidos;

Isto faz com que toda cristã enfeitada com joias como
crucifixos, rosários, virgens, (geralmente de ouro) etc., esteja
pecando contra uma lei direta de seu Deus, que jamais foi
anulada.
74

E depois vem a “confirmação”! À catequese que o adolescente
teve que ir quando comungou, se acrescenta a catequese que terá
que assistir para ser” “confirmado”. Um ato inútil se partirmos do
fato que não leu a Bíblia inteira uma única vez (e por mais que
quisesse, primeiro teria que escolher que versão e revisão entre
milhares) e nunca te deram respostas às perguntas mais
importantes: Por que o que é dito nessas escrituras é verdade?

Jamais terá outra resposta além desta.

Nessas catequeses, melhor dizer lavagem cerebral, tudo parte do
princípio de que a existência do deus judaico-cristão é um fato
consumado e não se debate absolutamente nada, é praticamente
uma hipnose no infeliz do adolescente. É tal a desinformação do
adolescente que vai fazer a sua “confirmação” que, por mais que
quisesse debater sobre essa religião, não saberia por onde
75

começar e ficaria exposto diante de um sacerdote, de maior idade
e que foi preparado para saber (teoricamente) tudo referente a
Bíblia. Digo teoricamente por que nem os próprios sacerdotes
sabem responder a perguntas tão diretas como: “Que provas tens
da existência de teu deus?”, sem recorrer a uma conversação
evasiva e circular, na qual sua resposta final sempre vai a ser “a
fé”, que é o mesmo que nada.
Às meninas lhes empurram estereótipos como contos, filmes e
demais merchandising: joias, roupas, hotéis, etc. Que a levarão à
conclusão falsa de que um final feliz sempre deve passar pelo
matrimônio: onde elas “se vestirão de branco” (segundo a
tradição cristã ocidental) e todos os seus seres queridos (e alguns
não tão queridos) a verão “ir ao altar” de uma igreja majestosa
onde um sacerdote “dirá as palavras mágicas” e seu querido noivo
pronunciará o “sim”.
O que a adolescente desconhece (pagando mais tarde pelas
consequências) é que antes disso ela deve passar por uns
cursilhos “pré-matrimoniais”, entrar em uma lista de espera
(algumas durante anos dependendo da igreja) para serem
casadas nesse lugar, pagar o sacerdote por oficiar a boda, etc.
etc. etc.… O que converterá o caminho para chegar a “esse final
feliz” em “um verdadeiro inferno”.
Não estou dizendo que toda essa parafernália materialista não
seja agradável visualmente e dotada de certo romantismo. O que
acontece é que não deveria ser necessário todo esse ritual inútil
para demonstrar o amor que se tem por uma pessoa. Afinal de
contas, por mais ritual que se faça diante de umas estátuas de
madeira, pedra e gesso em um edifício antigo; a única coisa que
vai fazer com que essas pessoas durem como parceiros felizes
pelo resto de suas vidas, será a confiança e o respeito que tenham
76

um pelo outro. Claro que, se a igreja (todos os líderes religiosos)
dissesse e reconhecesse isso como o verdadeiro pilar da relação,
em vez de todas as palavras e juramentos inúteis diante de um
deus imaginário, veria uma redução drástica em seus ingressos
financeiros.
Algo incompreensível é: Se – segundo o cânon cristão – é
obrigatório casar-se para estar com a pessoa amada, por que há
que pagar por isso a um sacerdote? Não é sua obrigação
simplesmente casar as pessoas? Isso é como se te obrigassem a
fazer uma coisa (sendo castigado eternamente se não fizer) e
ainda por cima tivesse que pagar por isso.
Some-se a isso a compra do traje e vestido (com os anúncios de
lojas especializada e filmes onde milhares de protagonistas
aparecem vestidas como princesas), o banquete de boda
(também com anúncios de restaurantes) e a lua de mel (com os
anúncios das agências de viagens. Convertendo-nos assim, além
de escravos da religião, em escravos do consumismo.
Maturidade:
Quando chegas na idade em que já conviveu o suficiente com tua
parceira, vem o momento em que precisa decidir se casa ou não.
Geralmente casará e o fará pelos ritos da religião que,
involuntariamente, adotou devido a todos esses anos rodeado da
propaganda dessa mesma religião. E quando o fizer, estará, por
sua vez, influenciando outros meninos que mais tarde seguirão
teus passos, convertendo-os ao círculo vicioso e consumista do
qual nós mesmos fomos partícipes desde a adolescência.
Velhice:

77

Chega ao ponto em que - por medo - começarás a ser mais e
mais supersticioso. Geralmente quando vemos a morte próxima
recorremos a coisas mais absurdas e nos aferramos a elas com a
esperança de que ao morrer não formemos parte do nada. Querer
que tua vida tenha significado algo e o medo a perde-la te fazem
ver as coisas de outro modo. É neste momento que a religião se
faz notar com mais força. Se o homem criou e ainda mantém a
religião é por sua ignorância e medo do desconhecido. Ao não
saber se há algo ou não depois da morte, decidimos inventar uma
continuação (possivelmente maravilhosa) da nossa vida, onde a
eternidade junto aos seres mais queridos que perdemos seja
nossa recompensa. Querer que essa eternidade exista nos faz
consolidar mais ainda qualquer religião que tivemos ao longo de
nossa vida. É o medo infantil – nunca superado - da morte.
Morte:
Ao morrer passarás por outro ato, do qual não serás partícipe por
estar morto, mas que marcará por toda a vida as pessoas que te
rodearam. Teus entes queridos não vão querer preocupar a seus
(ou teus) filhos e/ou netos e então lhes contarão o que jamais
souberam ou saberão com certeza (a maior mentira que se pode
contar a una pessoa): que estás “indo para o céu”.

Ter um mandamento que não especifica quando ou porque
mentir, torna a sua religião contraditória. Por isso a religião
inventou as “mentiras piedosas”.

Deveríamos saber que tudo em nossas vidas nos influencia, mais
ainda se o que nos influencia são experiências com a morte. Ver
um ser morrer não é uma experiência agradável. Se a isso
somamos toda a parafernália religiosa que oficia o evento teremos
como resultado algo inesperado. Começamos a pensar, desejar,
78

querer e até crer que tudo isso é verdade. Queremos crer que ao
morrer nós nos encontraremos com essas pessoas queridas que
perdemos pelo caminho.

Massacre religioso de Jonestown

O grande mal é que crer que há uma vida após a morte, faz com
que esta vida perca importância (o que sempre é lucrativo para a
religião e para os parasitas que dela sobrevivem). Muitas pessoas
abandonaram a si mesmos e outras até se suicidaram pensando
que ao morrer iriam a um lugar melhor que este. Por isso que a
religião é perigosa e prejudicial. Nos dá respostas (falsas) a algo
que nem os próprios autores dessas resposta conheceram... são
simples hipócritas, mentirosos e desonestos.
Influência do ambiente
79

Já mencionamos todo o merchandising como: anéis, pulseiras,
colares, chaveiros, postais, posters, fotos, camisetas, botons,
bandeiras, etc. que cotidianamente nos vendem em postos,
tendas e centros comerciais. Assim como as frases feitas, refrãos
e canções populares. Somamos a isso os filmes (diretamente
religiosos e indiretamente religiosos), obras de teatro e música
(tanto clássica como atual). E acabamos com festas o ano todo e
atos populares… ainda assim não teremos nem a metade de coisas
que nos influenciam quanto ao que se refere à religião:
- Todos os dias do ano foram atribuídos a um “Santo” (Um morto.
Santolatria=idolatria das imagens+idolatria dos mortos).
- Quando nascemos, o mais provável é que o nome que nos
ponham seja de origem religiosa (no ocidente há uns 80% de
probabilidades de que seja de origem hebraica).
- Provavelmente o dia livre no seu trabalho caiando fim de semana
e seja no Domingo, dia escolhido pela Igreja Católica como o dia
de descanso, apesar de Deus ter determinado o Sábado por um
dos dez mandamentos: Êxodo 16:23: “E ele disse-lhes: Isto é o
que o SENHOR tem dito: Amanhã é repouso, o santo sábado do
SENHOR;”; Êxodo 16:29: “Vede, porquanto o SENHOR vos deu o
sábado, portanto ele no sexto dia vos dá pão para dois dias; cada
um fique no seu lugar, ninguém saia do seu lugar no sétimo dia.”;
Êxodo 16:23: “Não acendereis fogo em nenhuma das vossas
moradas no dia do sábado”.
- Cidades com nomes religiosos.

Uns 99% das festas nessas cidades são de carácter
religioso. Ao que há que acrescentar que cada cidade tem
suas próprias religiosas.
80

Essas cidades também possuem esculturas como crucifixos,
estátuas, emblemas, etc.

- Durante cerca de 2000 anos o cristianismo se expandiu e
construiu tantos templos que agora temos, no mínimo, uma igreja
por povoado e cidade, pelas quais passarás mais de uma vez,
mesmo que não queiras.
- Ali onde há analfabetismo a igreja faz presença. A simples vista
parece um ato caridoso que igrejas como a católica construam
escolas em países pobres. Mas não esqueçamos que nesta vida
tudo tem um preço e a igreja sempre põe preço em tudo. Se vives
em um país ou zona com carências educativas e queres colocar
teu filho na escola, terá que colocá-lo em um colégio construído
pela igreja, onde além das disciplinas básicas, os professores lhe
ensinarão religião... e que religião? A sua, obviamente! A
liberdade de crenças não tem lugar. Embora lhe expliquem que
existem outras religiões; a teu filho dirão que a única e autêntica
é a que eles te ensinam. Convertendo-o assim em outro escravo
mental, incapaz de analisar objetivamente seu ambiente sem
atribuir efeitos sobrenaturais a causas que têm sempre uma
explicação científica e racional, se as buscas com determinação,
como fizeram muitas pessoas, graças as quais hoje desfrutamos
de todos os conhecimentos e avanços que possuímos.

2 - Escravidão voluntária

Se depois de tudo o que vimos ainda não é capaz de pensar por ti
mesmo de forma objetiva, chega a hora de outro tipo de
escravidão. Esta escravidão ocorre de forma teoricamente
81

voluntária. Digo teoricamente porque sempre dependerá de certos
fatores:
Fatores sentimentais e emocionais
Sentir-se excluído socialmente é um dos fatores a se considerar.
Tanto na infância como na adolescência surgem mudanças que
fazem com que às vezes alguém se sinta só e excluído. É neste
momento de vulnerabilidade, que a religião parece ser a única
cura para todos os males. A ideia infantil de ter um pai protetor
imaginário que sempre estará ao seu lado e vela sempre por ti é
talvez mais reconfortante que enfrentar a realidade. Muitos
perderão seus entes queridos nessa época e será mais
reconfortante imaginar que estarão ainda presentes e em algum
lugar próximo, para nos proteger e nos dar consolo quando mais
necessitemos.
É bem conhecido que a gente sempre espera que tudo o que
desejamos se realize. Mas a maioria de nós não se dá conta de
que, dependendo das causas, algumas coisas se cumprirão e
outras não. O crente, afim de manter essa esperança intacta,
recorre à crença inútil de que cada coisa boa que acontece é por
causa do Deus ele ora. E tudo de ruim é porque tinha que
acontecer, por acaso, causalidade, etc. Prejudicar a imagem desse
deus imaginário feito por nós, não tem lugar na mente do crente,
pois ele teria que admitir o fracasso da própria invenção – como
se não fosse mais que visível... e é aqui onde a diversão começa
para os ateus, com as desculpas engraçadas e idiotas inventadas
pelos crentes.
Também existe outro tipo de sentimento: o egocentrismo. Não
podemos suportar a ideia tão simples de que somos apenas mais
uma espécie neste planeta. Queremos nos sentir especiais e
eleitos por um ente divino protetor, que tudo foi feito sob medida
82

por nós e para nós, que um deus (seja qual for) nos criou à sua
“imagem e semelhança”, etc. Todas essas ideias enchem nosso
ego nos dando falsas expectativas e um falso otimismo. Porque a
esse otimismo temos que acrescentar um requisito fundamental
em todas as religiões: o temor a seu castigo.
Fatores Morais
A melhor forma que a religião possui de nos controlar é utilizando
nossa moralidade inata, aumentando-a e reforçando-a com a ideia
mentirosa, desonesta e de má fé, de um Deus ou Deuses
vigilantes. Durante a história se tem visto como líderes carentes
de moral utilizaram a moral generalizada das pessoas para seguir
mantendo o controle de uma forma quase invisível. Os autores
bíblicos foram escrevendo novas normas e leis morais à medida
em que o tempo passava, para tapar todas as brechas que iam
surgindo no controle sobre seu povo. Uma forma de dar
autoridade a essas normas era atribuindo sua autoria a um Deus
onipotente, onisciente, onipresente e eterno. Inventando um Deus
poderoso, sábio, que está em todas as partes e não tem fim, quem
poderia discuti-las? Ao Deus hebreu também deram uma
invisibilidade característica até em seu nome (o qual,
teoricamente, não pode ser citado, embora tenha recebido muitos
nomes). Para que o povo inculto cumpra as normas inventadas
por seus líderes religiosos, não há nada melhor do que narrar as
virtudes e poderes com os quais ele pode aniquilar milhões de
pessoas e animais, além de enviá-los para uma inventada
eternidade no inferno?
Ninguém consegue cumprir os mandamentos divinos, até porque
a maioria deles é hoje considerada crime em todos os países do
mundo civilizado, o que sobra ao crente é a invenção de desculpas
83

idiotas e engraçadas para justificar o não cumprimento dos
absurdos divinos.
O medo
Graças a essas narrações bíblicas o deus inventado ganha respeito
por parte do povo temeroso. E claro, como esse deus não existe,
necessita que alguém fale por ele e quem melhor que sempre uns
poucos escolhidos? Devido à casualidade que esses poucos
eleitos, tanto na Bíblia como fora dela, sempre “falam” com Deus
quando ninguém está presente e só eles (“pobres servos desse
deus”) podem ouvi-lo. Essas pessoas (desonestas e mentirosas)
não deixarão de repetir a todo aquele que lhe escute que “se não
acatar a vontade desse deus (logicamente a dele) sofrerão a
condenação eterna em suas mãos”. Quem nunca ouviu sobre falar
o “o temor a Deus” alguma vez? E mesmo sabendo que é absurdo
e contraditório que um Deus ao qual se atribui qualidades como a
benevolência, a misericórdia e o amor, cause danos contra suas
criaturas agirem exatamente como ele as projetou e criou, que
pessoa o suficientemente supersticiosa vai querer provar a sorte?
Superstição
Outra forma desonesta de envolver as pessoas é com a
superstição
e
utilizando
o
sobrenatural,
teoricamente
incompreensível. Digo teoricamente incompreensível, porque à
medida em que esta humanidade vai experimentando e
descobrindo coisas, vai explicando fenômenos que se acreditava
que eram obras divinas (tormentas, terremotos, vulcões,
enfermidades, etc.). Se ao medo e à ignorância se acrescenta a
superstição e a credulidade de muitas pessoas, teremos o
protótipo do crente de “fé cega”, que prefere ir embora antes de
84

escutar qualquer um que possa demonstrar que sua religião é a
maior mentira jamais contada.
O medo do desconhecido e a falta de conhecimento fazem aqui
seu maior dano. A religião se compões de mitos e fantasias
narradas em textos escritos em uma época na qual o
conhecimento humano era praticamente inexistente. A todo
fenômeno ou fato narrado na Bíblia se acrescentavam enfeites e
exageros criando assim milagres inexplicáveis.

Como podemos saber que a Bíblia foi escrita por humanos
e com suas próprias ideias primitivas?
Absolutamente todos os personagens bíblicos (incluído
Yahvé ou El) possuem exatamente as mesmas virtudes e
defeitos que qualquer pessoa de hoje em dia.

Por muito que um personagem pudesse fazer brotar água do
nada, matar milhares de pessoas com uma queixada ou
ressuscitar um enfermo, esse personagem a nível emocional não
possuiria nenhum dos atributos e qualidades que se atribuiriam a
um ser supremo tal como faz a igreja hoje em dia.
Um Deus onisciente e onipotente que não é capaz de resolver
nada facilmente e sem causar mortes. Um deus dotado de uma
moralidade superior e misericordioso, mas que busca vingança
por atos que qualquer pessoa de hoje em dia perdoaria. Que dá
ordens cruéis e nada equitativas, apesar de ser todo justiça, como
querem nos vender os crentes...
O Deus que tem o poder de criar tudo e desfrutar de sua criação,
apesar de sua eternidade e de seu poder, é incapaz de solucionar
os problemas que ele mesmo cria, sem cometer genocídios. Na
Bíblia, o povo judeu, adiciona todos esses genocídios como
85

exemplos do poder de seu Deus “bondoso e misericordioso”, então
como uma pessoa suficientemente supersticiosa e crédula, não vai
querer crer e obedecer a um Deus de tal índole? (Embora caia
irremediavelmente na “Aposta de Pascal”).
Essa pessoa carregada de temores do desconhecido verá
fantasmas e crerá nos espíritos da mesma forma que fez o
narrador quando contava todos esses mitos plagiados, adaptados
e reinventados de culturas anteriores. Essa pessoa será escrava
de seus próprios medos e crerá firmemente em qualquer
explicação agradável do que numa lógica, racional, mais complexa
e real.

86

4 - Conclusão
Se você é capaz de pensar livremente e racionalmente,
consequentemente (ser só você o responsável por seus atos)
sendo consciente da realidade que te rodeia, sem necessitar de
religiões e mitos criados na pré-história: certamente viverás tua
vida plenamente e possivelmente seja uma pessoa melhor (não
precisará de uma recompensa divina por teus atos, diferente
daqueles que esperam o céu por comportarem-se como deveriam
fazê-lo sem temor de um castigo imaginário). Se você não é
assim, lamento, mas você é apenas um escravo da religião e de
seu materialismo.

KRISHNA
3228 AC

BUDA
600 AC como Sidarta
3000 AC como avatar de
Vishnu

JESUS CRISTO
300 DC

Trata aos demais como
gostaria que te
tratassem. Não faças a
teu próximo algo que
não gostaria que ele te
fizesse. Homem
consegue um verdadeiro
padrão de conduta, se
ver o seu próximo como
a si mesmo.

Não faças dano aos demais
com o que te faz sofrer.

Amarás a teu próximo
como a ti mesmo.
(Plagiando Levítico 19:18:
Não te vingarás nem
guardarás ira contra os
filhos do teu povo; mas
amarás o teu próximo
como a ti mesmo.)

87

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88

Mais conteúdo recomendado

89

Livros recomendados

570 páginas
Mentiras Fundamentais da
Igreja Católica é uma
análise profunda da Bíblia,
que permite conhecer o
que se deixou escrito, em
que circunstâncias, quem o
escreveu, quando e, acima
de tudo, como tem sido
pervertido ao longo dos
séculos. Este livro de Pepe
Rodriguez serve para que
crentes e não crentes
encontrem as respostas
que sempre buscaram e
posaam
ter
a
última
palavra.
É
uma
das
melhores
coleções
de
dados sobre a formação
mitológica do cristianismo
no Ocidente. Um a um,
magistralmente, o autor
revela
aspectos
mais
questionáveis
da

judaico-cristã.

317 páginas

198 páginas

Com grande rigor histórico
e
acadêmico
Fernando
Vallejo desmascara uma fé
dogmática que durante
1700 anos tem derramado
o sangue de homens e
animais
invocando
a
enteléquia de Deus ou a
estranha mistura de mitos
orientais que chamamos de
Cristo, cuja existência real
ninguém
conseguiu
demonstrar. Uma obra que
desmistifica e quebra os
pilares de uma instituição
tão arraigada em nosso
mundo atual.
Entrevista
AQUI.

com

o

autor

Originally published as a
pamphlet in 1853, and
expanded to book length in
1858, The Two Babylons
seeks to demonstrate a
connection between the
ancient
Babylonian
mystery
religions
and
practices of the Roman
Catholic
Church.
Often
controversial, yet always
engaging,
The
Two
Babylons comes from an
era when disciplines such
as
archeology
and
anthropology were in their
infancy, and represents an
early attempt to synthesize
many of the findings of
these areas and Biblical
truth.

90

600 páginas

600 páginas

“Dois informadíssimos volumes de Karlheinz Deschner
sobre a política dos Papas no século XX, uma obra
surpreendentemente silenciada peols mesmos meios de
comunicação que tanta atenção dedicaram ao livro de
João Paulo II sobre como cruzar o umbral da esperança a
força de fé e obediência. Eu sei que não está na moda
julgar a religião por seus efeitos históricos recentes,
exceto no caso do fundamentalismo islâmico, mas alguns
exercícios de memória a este respeito são essenciais para
a
compreensão
do
surgimento
de
algumas
monstruosidades políticas ocorridas no século XX e outras
tão atuais como as que ocorrem na ex-Jugoslávia ou no
País Basco”.
Fernando Savater. El País, 17 de junho de 1995.
“Este segundo volume, como o primeiro, nos oferece uma
ampla e sólida informação sobre esse período da história
da Igreja na sua transição de uma marcada atitude de
condescendência com regimes totalitários conservadores
até uma postura de necessária acomodação aos sistemas
democráticos dos vencedores ocidentais na Segunda
Guerra Mundial”.

312 páginas

"Su visión de la historia de
la Iglesia no sólo no es
reverencial, sino que, por
usar
una
expresión
familiar, ‘no deja títere con
cabeza’. Su sarcasmo y su
mordaz
ironía
serían
gratuitos
si
no fuese
porque van de la mano del
dato
elocuente
y
del
argumento racional. La
chispa de su estilo se nutre,
por lo demás, de la mejor
tradición volteriana."
Fernando Savater. El País,
20 de mayo de 1990

Gonzalo Puente Ojea. El Mundo, 22 de outubro de 1995.
Ler online volume 1 e volume 2 (espanhol). Para comprar
(Amazon) clique nas imagens.

91

136 páginas

480 páginas

304 páginas

De una manera didáctica, el
profesor Karl Deschner nos
ofrece una visión crítica de la
doctrina de la Iglesia católica
y
de
sus
trasfondos
históricos. Desde la misma
existencia de Jesús, hasta la
polémica transmisión de los
Evangelios, la instauración y
significación
de
los
sacramentos o la supuesta
infalibilidad del Papa.

“Se bem que o cristianismo
esteja hoje à beira da
bancarrota espiritual, segue
impregnando
ainda
decisivamente nossa moral
sexual, e as limitações
formais de nossa vida erótica
continuam
sendo
basicamente as mesmas que
nos séculos XV ou V, na
época de Lutero ou de Santo
Agostinho. E isso nos afeta a
todos no mundo ocidental,
inclusive aos não cristãos ou
aos anticristãos. Pois o que
alguns pastores nômadas de
cabras pensaram há dois mil
e quinhentos anos, continua
determinando os códigos
oficiais desde a Europa até a
América;
subsiste
uma
conexão tangível entre as
ideas sobre a sexualidade
dos
profetas
veterotestamentarios ou de
Paulo e os processos penais
por conduta desonesta em
Roma, Paris ou Nova York.”

"En temas candentes como
los del control demográfico,
el uso de anticonceptivos, la
ordenación sacerdotal de las
mujeres y el celibato de los
sacerdotes, la iglesia sigue
anclada en el pasado y
bloqueada en su rigidez
dogmática. ¿Por qué esa
obstinación
que
atenta
contra la dignidad y la
libertad de millones de
personas? El Anticatecismo
ayuda eficazmente a hallar
respuesta a esa pregunta.
Confluyen en esta obra dos
personalidades de vocación
ilustradora y del máximo
relieve en lo que, desde
Voltaire, casi constituye un
Género literario propio: la
crítica de la iglesia y de todo
dogmatismo obsesivamente
<salvífico>.

Todos estos asuntos son
estudiados, puestos en duda
y expuestas las conclusiones
en una obra de rigor que,
traducida
a
numerosos
idiomas,
ha
venido
a
cuestionar
los
orígenes,
métodos y razones de una de
las
instituciones
más
poderosas del mundo: la
Iglesia católica.

Karlheinz Deschner.

92

1 – (365 pg) Los
orígenes, desde el
paleocristianismo hasta
el final de la era
constantiniana

2 - (294 pg) La época
patrística y la
consolidación del
primado de Roma

3 - (297 pg) De la
querella de Oriente hasta
el final del periodo
justiniano

4 - (263 pg) La Iglesia
antigua: Falsificaciones y
engaños

5 - (250 pg) La Iglesia
antigua: Lucha contra los
paganos y ocupaciones
del poder

6 - (263 pg) Alta Edad
Media: El siglo de los
merovingios

93

7 - (201 pg) Alta Edad
Media: El auge de la
dinastía carolingia

8 - (282 pg) Siglo IX:
Desde Luis el Piadoso
hasta las primeras luchas
contra los sarracenos

9 - (282 pg) Siglo X:
Desde
las
invasiones
normandas
hasta
la
muerte de Otón III

Sua obra mais ambiciosa, a “Historia
Criminal do Cristianismo”, projetada em
princípio a dez volumes, dos quais se
publicaram nove até o presente e não se
descarta que se amplie o projeto. Tratase da mais rigorosa e implacável
exposição jamais escrita contra as formas
empregadas pelos cristãos, ao largo dos
séculos, para a conquista e conservação
do poder.
Em 1971 Deschner foi convocado por uma corte em Nuremberg acusado
de difamar a Igreja. Ganhou o processo com uma sólida argumentação,
mas aquela instituição reagiu rodeando suas obras com um muro de
silêncio que não se rompeu definitivamente até os anos oitenta, quando
as obras de Deschner começaram a ser publicadas fora da Alemanha
(Polônia, Suíça, Itália e Espanha, principalmente).

94

414 páginas
LA BIBLIA DESENTERRADA
Israel Finkelstein es un arqueólogo y
académico
israelita,
director
del
instituto
de
arqueología
de
la
Universidad de Tel Aviv y coresponsable de las excavaciones en
Mejido (25 estratos arqueológicos, 7000
años de historia) al norte de Israel. Se
le
debe
igualmente
importantes
contribuciones a los recientes datos
arqueológicos
sobre
los
primeros
israelitas en tierra de Palestina
(excavaciones de 1990) utilizando un
método que utiliza la estadística (
exploración de toda la superficie a gran
escala de la cual se extraen todas las
signos de vida, luego se data y se
cartografía por fecha) que permitió el
descubrimiento de la sedentarización de
los primeros israelitas sobre las altas
tierras
de
Cisjordania.

Es un libro que es necesario conocer.

639 páginas
EL PAPA DE HITLER: LA VERDADERA
HISTORIA DE PIO XII
¿Fue Pío XII indiferente al sufrimiento
del pueblo judío? ¿Tuvo alguna
responsabilidad en el ascenso del
nazismo? ¿Cómo explicar que firmara
un
Concordato
con
Hitler?
Preguntas como éstas comenzaron a
formularse al finalizar la Segunda
Guerra Mundial, tiñendo con la
sospecha al Sumo Pontífice. A fin de
responder a estos interrogantes, y con
el deseo de limpiar la imagen de
Eugenio Pacelli, el historiador católico
John Cornwell decidió investigar a
fondo su figura.

El profesor Cornwell plantea unas
acusaciones acerca del papel de la
Iglesia en los acontecimientos más
terribles del siglo, incluso de la historia
humana, extremadamente difíciles de
refutar.

95

513 páginas
En esta obra se describe a
algunos de los hombres
que ocuparon el cargo de
papa. Entre los papas hubo
un
gran
número
de
hombres casados, algunos
de los cuales renunciaron a
sus esposas e hijos a
cambio del cargo papal.
Muchos eran hijos de
sacerdotes,
obispos
y
papas.
Algunos
eran
bastardos, uno era viudo,
otro un ex esclavo, varios
eran
asesinos,
otros
incrédulos, algunos eran
ermitaños,
algunos
herejes,
sadistas
y
sodomitas;
muchos
se
convirtieron
en
papas
comprando
el
papado
(simonía), y continuaron
durante sus días vendiendo
objetos
sagrados
para
forrarse con el dinero, al
menos uno era adorador de
Satanás, algunos fueron
padres de hijos ilegítimos,
algunos eran fornicarios y
adúlteros en gran escala...

326 páginas

Santos
e
pecadores:
história dos papas é um
livro que em nenhum
momento soa pretensioso.
O subtítulo é explicado pelo
autor no prefácio, que
afirma não ter tido a
intenção de soar absoluto.
Não é a história dos papas,
mas sim, uma de suas
histórias. Vale dizer que o
livro originou-se de uma
série para a televisão, mas
em nenhum momento soa
incompleto
ou
deixa
lacunas.

480 páginas
Jesús de Nazaret, su
posible descendencia y el
papel de sus discípulos
están de plena actualidad.
Llega así la publicación de
El puzzle de Jesús, que
aporta un punto de vista
diferente y polémico sobre
su figura. Earl Doherty, el
autor, es un estudioso que
se ha dedicado durante
décadas a investigar los
testimonios acerca de la
vida
de
Jesús,
profundizando hasta las
últimas consecuencias...
que a mucha gente le
gustaría no tener que
leer. Kevin Quinter es un
escritor
de
ficción
histórica
al
que
proponen escribir un
bestseller sobre la vida
de Jesús de Nazaret.

96

576 páginas

380 páginas

38 páginas

First published in 1976,
Paul
Johnson's
exceptional
study
of
Christianity has been
loved and widely hailed
for its intensive research,
writing, and magnitude.
In a highly readable
companion to books on
faith and history, the
scholar
and
author
Johnson has illuminated
the Christian world and
its fascinating history in a
way that no other has.

La Biblia con fuentes
reveladas (2003) es un
libro del erudito bíblico
Richard Elliott Friedman
que se ocupa del proceso
por el cual los cinco libros
de la Torá (Pentateuco)
llegaron a ser escritos.
Friedman sigue las cuatro
fuentes del modelo de la
hipótesis
documentaria
pero
se
diferencia
significativamente
del
modelo S de Julius
Wellhausen
en varios
aspectos.

An Atheist Classic! This
masterpiece,
by
the
brilliant atheist Marshall
Gauvin is full of direct
'counter-dictions',
historical evidence and
testimony that, not only
casts doubt, but shatters
the myth that there was,
indeed, a 'Jesus Christ',
as Christians assert.

97

391 páginas
PEDERASTIA EM LA IGLESIA CATÓLICA
En este libro, los abusos sexuales a
menores, cometidos por el clero o por
cualquier otro, son tratados como
"delitos", no como "pecados", ya que en
todos
los
ordenamientos
jurídicos
democráticos del mundo se tipifican como
un delito penal las conductas sexuales con
menores a las que nos vamos a referir. Y
comete también un delito todo aquel que,
de forma consciente y activa, encubre u
ordena encubrir esos comportamientos
deplorables.
Usar como objeto sexual a un menor, ya
sea mediante la violencia, el engaño, la
astucia o la seducción, supone, ante todo y
por encima de cualquier otra opinión, un
delito. Y si bien es cierto que, además, el
hecho puede verse como un "pecado" según el término católico-, jamás puede
ser lícito, ni honesto, ni admisible
abordarlo sólo como un "pecado" al tiempo
que se ignora conscientemente su
naturaleza básica de delito, tal como hace
la Iglesia católica, tanto desde el
ordenamiento jurídico interno que le es
propio, como desde la praxis cotidiana de
sus
prelados.

Robert Ambelain, aunque defensor de la
historicidad de un Jesús de carne y hueso,
amplia en estas líneas la descripción que
hace en anteriores entregas de esta
trilogía ( Jesús o El Secreto Mortal de los
Templarios y Los Secretos del Gólgota) de
un Jesús para nada acorde con la
descripción oficial de la iglesia sino a uno
rebelde: un zelote con aspiraciones a
monarca que fue mitificado e inventado,
tal y como se conoce actualmente, por
Paulo, quién, según Ambelain, desconocía
las leyes judaicas y dicha religión, y quien
además usó todos los arquetipos de las
religiones que sí conocía y en las que
alguna vez creyó (las griegas, romanas y
persas) arropándose en los conocimientos
sobre judaísmo de personas como Filón
para crear a ese personaje. Este extrajo
de cada religión aquello que atraería a las
masas para así poder centralizar su nueva
religión en sí mismo como cabeza visible
de una jerarquía eclesiástica totalmente
nueva que no hacía frente directo al
imperio pero si a quienes oprimían al
pueblo valiéndose de la posición que les
había concedido dicho imperio (el consejo
judío).

98

Fontes:
Por que Deus não cura amputados
http://www.ateoyagnostico.com/
Bíblia Sagrada
http://pt.wikipedia.org
http://www.worldfuturefund.org/wffmaster/Reading/Religion/slavery.htm

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