SUMÁRIO PENSAMENTO GEOGRÁFICO..........................................................................................5 INTRODUÇÃO...............................................................................................................

5 SISTEMATIZAÇÃO DE HUMBOLDT E RITTER....................................................................5 RATZEL E A ANTROPOGEOGRAFIA.................................................................................6 VIDA DE LA BLACHE E A GEOGRAFIA HUMANA...............................................................6 DESDOBRAMENTOS DA PROPOSTA LABLACHIANA..........................................................7 ALÉM DO DETERMINISMO E POSSIBILISMO – HARTSHORNE............................................7 GEOGRAFIA PRAGMÁTICA.............................................................................................8 GEOGRAFIA CRÍTICA.....................................................................................................8 CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE GEOGRAFIA..................................................................9 REGIÃO........................................................................................................................9 ESPAÇO GEOGRÁFICO.................................................................................................10 PAISAGEM..................................................................................................................11 TERRITÓRIO...............................................................................................................11 LUGAR.......................................................................................................................12 AMBIENTE .................................................................................................................12 DOMÍNIOS MORFOCLIMÁTICOS....................................................................................13 CARACTERÍSTICAS GERAIS..........................................................................................13 AMAZÔNIA.................................................................................................................14 CERRADO...................................................................................................................16 MATA ATLÂNTICA.......................................................................................................16 CAATINGA..................................................................................................................17 MATA DE PINHAIS......................................................................................................17 CAMPOS SULINOS......................................................................................................18 ÁREAS DE TRANSIÇÃO................................................................................................19

TRANSIÇÃO NORDESTINA.........................................................19 TRANSIÇÃO DA REGIÃO SUL BRASILEIRA...................................19 PANTANAL...............................................................................19
DESERTIFICAÇÃO NO BRASIL.......................................................................................19 HIDROGRAFIA DO BRASIL...........................................................................................20

BACIA AMAZÔNICA...................................................................21 BACIA PLATINA........................................................................21 BACIA SÃO FRANCISCO.............................................................22 PROGRAMA DE TRANSPOSIÇÃO.................................................22 BACIAS SECUNDÁRIAS..............................................................23 PRINCIPAIS HIDROVIAS............................................................23 PORTOS NO BRASIL..................................................................25
CLIMA NO BRASIL.......................................................................................................25

O CLIMA COMO RECURSO NATURAL...........................................25 FENÔMENOS............................................................................27
DOMÍNIOS CLIMÁTICOS...............................................................................................27

RAZÕES DA SECA NO NORDESTE...............................................28
RELEVO NO BRASIL....................................................................................................28

OS ECOSSISTEMAS E AS CAUSAS DE SUA DEGRADAÇÃO.............30
REVOLUÇÃO CIÊNTIFICA TECNOLÓGICA.......................................................................31

A RCT E A GLOBALIZAÇÃO........................................................31
A REVOLUÇÃO DA TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO.........................................................32 O CAPITAL FINANCEIRO..............................................................................................33 DESNATURALIZANDO..................................................................................................34 A MÍDIA EM REDE.......................................................................................................34 O INTEMPORAL CASTELLIANO.....................................................................................35 CONCLUSÃO...............................................................................................................35 FORMAÇÃO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO.....................................................................35 HISTÓRICO DA OCUPAÇÃO DO TERRITÓRIO .............................................................35 HOROGENIA DO TERRITÓRIO BRASILEIRO....................................................................38

PERÍODO COLONIAL.................................................................38 O IMPÉRIO...............................................................................38 ERA RIO BRANCO.....................................................................39 A CONQUISTA DO HEARTLAND..................................................40
O BRASIL NO SÉC XXI – MILTON SANTOS.....................................................................40

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O TERRITÓRIO BRASILEIRO.........................................................................................40 DO NATURAL AO MEIO TÉCNICO CIÊNTIFICO INFORMACIONAL......................................41

O MOMENTO NATURAL.............................................................42 O MEIO TÉCNICO.....................................................................42 O MEIO TÉCNICO-CIÊNTIFICO-INFORMACIONAL...........................44 REGIÃO CONCENTRADA ...........................................................45
DINÂMICA DA QUESTÃO AMBIENTAL NO BRASIL...........................................................45 DESAFIOS DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL.............................................................45

TRATADOS QUE ENVOLVEM O BRASIL........................................46 AGENDA 21..............................................................................47 AGENDA 21 BRASILEIRA: TÓPICOS: TEMAS CENTRAIS DESTACADOS:..........................................................................47 DEFLORESTAMENTO NA AMÉRICA DO SUL .................................47 CONSERVAÇÃO E PRESERVAÇÃO AMBIENTAL NO BRASIL............48 SANEAMENTO BÁSICO E QUALIDADE DE VIDA NO BRASIL............48 MEIO AMBIENTE, SANEAMENTO E TRANSPORTE........................49 COMÉRCIO INTERNACIONAL E MEIO AMBIENTE...........................49
REPRESENTATIVIDADE DO BIOMA BRASILEIRO............................................................49 GESTÃO DA COSTA BRASILEIRA...................................................................................50

PROJETOS DE CONSERVAÇÃO DE ECOSSISTEMAS.......................51
OLHARES CONTEMPORÂNEOS SOBRE O URBANO.........................................................51

MUDANÇAS NO ESPAÇO BRASILEIRO - URBANIZAÇÃO ................51
PROCESSOS DE URBANIZAÇÃO E A REDE DE CIDADES..................................................52

A REDE DE CIDADES NO BRASIL................................................52
REDE INDUSTRIAL BRASILEIRA....................................................................................53

DINÂMICA DO INVESTIMENTO INDUSTRIAL NO BRASIL................53 NOVOS DETERMINANTES DA LOCALIZAÇÃO INDUSTRIAL.............54
TEORIAS DEMOGRÁFICAS...........................................................................................55 FOME X CRESCIMENTO POPULACIONAL.......................................................................55 ABORDAGEM SOBRE AS MIGRAÇÕES NO BRASIL..........................................................56

TENDÊNCIAS ATUAIS DAS MIGRAÇÕES NO BRASIL .....................58 MOVIMENTOS FRONTEIRIÇOS....................................................58 MIGRAÇÃO NA AMAZÔNIA.........................................................59 MIGRAÇÃO URBANA E NOVOS PÓLOS DE ATRAÇÃO.....................59
O BRASIL RURAL........................................................................................................60 HISTÓRICO DA AGRICULTURA NO BRASIL.....................................................................60

AGRICULTURA VOLTADA PARA O EXTERIOR...............................61
A MODERNIZAÇÃO DA AGRICULTURA...........................................................................61

O CASO BRASILEIRO.................................................................63 AS MODIFICAÇÕES NO CAMPO EM FACE À MODERNIZAÇÃO:........64 BIOTECNOLOGIA E AGROINDÚSTRIA..........................................65 O CENÁRIO DE COOPERAÇÃO EM BIOTECNOLOGIA .....................65
GESTÃO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO..........................................................................66 GEOGRAFIA ECONÔMICA DO BRASIL............................................................................66

ESPAÇO ECONÔMICO BRASILEIRO.............................................66
REGIÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS...................................................................................67

REGIÃO NORTE........................................................................67 REGIÃO NORDESTE ..................................................................67 REGIÃO CENTRO-OESTE............................................................68
ORGANIZAÇÃO REGIONAL DO ESPAÇO BRASILEIRO......................................................68

MODIFICAÇÃO DA CLASSIFICAÇÃO............................................68
PERSPECTIVAS DE INTEGRAÇÃO DA BACIA AMAZÔNICA................................................69

EM BUSCA DE UM PROJETO PAN-AMAZÔNICO.............................70
POSSIBILIDADE DE COOPERAÇÃO E A QUESTÃO FRONTEIRIÇA......................................70 PROGRAMA AMAZÔNIA SUSTENTÁVEL.........................................................................71

TERRITORIALIZAÇÃO: ESTRATÉGIA DE RECONHECIMENTO DA 2

SOCIOBIODIVERSIDADE DA REGIÃO...........................................71
A POLÍTICA BRASILEIRA DE COMBATE AO NARCOTRÁFICO............................................72 AQÜÍFERO GUARANI...................................................................................................73 PROJEÇÕES DO BRASIL PARA 2020.............................................................................75 FONTES DE ENERGIA.................................................................................................77 CENÁRIO ENERGÉTICO MUNDIAL. ...............................................................................77 NO BRASIL.................................................................................................................78 PETRÓLEO.................................................................................................................78

LOBATO, A PRIMEIRA DESCOBERTA...........................................78 A CRIAÇÃO DA PETROBRÁS.......................................................78 MUDANÇA NO PAPEL DO ESTADO..............................................79 BACIA SEDIMENTAR DO AMAZONAS..........................................79
PROÁLCOOL...............................................................................................................80 BIODIESEL.................................................................................................................80 GÁS NATURAL............................................................................................................81 CARVÃO MINERAL......................................................................................................82 GEOPOLÍTICA.............................................................................................................82 GEOPOLÍTICA DO BRASIL............................................................................................82

INTEGRAÇÃO NACIONAL...........................................................82 O PROBLEMA DA CAPITAL.........................................................83 REDIVISÃO TERRITORIAL..........................................................83 GEOPOLÍTICA DA BACIA DO PRATA............................................84
GEOPOLÍTICA NA VIRADA DO MILÊNIO: BERTHA BECKER..............................................84

HERANÇA DA GEOPOLÍTICA.......................................................84 HIPÓTESES GEOPOLÍTICAS SOBRE O PODER MUNDIAL ...............85 TECNOLOGIA ESPACIAL DO PODER DO ESTADO..........................85 DA ESTRATÉGIA À LOGÍSTICA....................................................86 LOGÍSTICA: INCLUSÃO E EXCLUSÃO...........................................86 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL...........................................87 REDEFINIÇÃO DA ESTRUTURA DE PODER GLOBAL.......................87 QUESTÕES FINAIS....................................................................88
GLOBALIZAÇÃO.........................................................................................................88 A AMÉRICA LATINA: HERANÇA COLONIAL, CONDIÇÃO PERIFÉRICA E INDUSTRIALIZAÇÃO TARDIA......................................................................................................................90 A INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRA E LATINO-AMERICANA.............................................91

GEOGRAFIA DO COMÉRCIO EXTERIOR........................................91 PRINCIPAIS AEROPORTOS E CONEXÕES....................................92 ESTRUTURAÇÃO E OS OBJETIVOS DO MERCOSUL........................93 CIÊNCIA E TECNOLOGIA NO MERCOSUL......................................94
A NOVA DIVISÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO.........................................................94 A COOPERAÇÃO TÉCNICA INTERNACIONAL...................................................................95 EXTRATOS JORNALÍSTICOS DE RELEVÂNCIA.................................................................96 AMAZÔNIA AZUL........................................................................................................96 FUNDO MUNDIAL PELA AMAZÔNIA..............................................................................96 CONSTRUÇÃO DE REDE LIGANDO SETE PAÍSES.............................................................97 USINAS NO PANTANAL...............................................................................................97 INTEGRAÇÃO DA INFRA-ESTRUTURA SUL-AMERICANA..................................................97 OBRA LIGARÁ O BRASIL AO PACÍFICO. ........................................................................99 CONVENÇÃO QUADRO SOBRE MUDANÇA DO CLIMA ...................................................100 PROGRAMA ANTÁRTICO BRASILEIRO.........................................................................100 OS BIOCOMBUSTÍVEIS ENTRAM NO JOGO GLOBAL/OPINIÃO.........................................101 O G-8 E AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS .........................................................................102 O PROTOCOLO DE KYOTO..........................................................................................103 KYOTO, O MUNDO E O BRASIL...................................................................................104 NA ONDA DA BIOENERGIA.........................................................................................105 A ALTERNATIVA DOS BIOCOMBUSTÍVEIS ...................................................................106 ETANOL, GEOPOLÍTICA E NAÇÃO...............................................................................107 CONTROLE DE DESMATE VAI INTEGRAR PÓS-KYOTO ..................................................108 LULA E BACHELET ASSINAM ACORDO COM MORALES.................................................109 O MERCADO NUCLEAR BRASILEIRO ...........................................................................109 BRASIL CRITICA IDÉIA DA UE DE LIGAR CLIMA E COMÉRCIO .......................................110

3

............................PROGRAMA DO BIODIESEL É EXEMPLO PARA O MUNDO..................................111 4 ........111 A AMAZÔNIA NÃO ESTÁ À VENDA.......................................................

Nesse período. curiosidades e áridos relatos estatísticos. na Europa. é elemento destacado da transição do feudalismo para o capitalismo. com Humboldt e Ritter. Não se pode compreender a Geografia sem o desenvolvimento capitalista na Alemanha. O segundo pressuposto era a existência de base empírica de informações sobre vários lugares da Terra. objetivado no processo de avanço e domínio das relações capitalistas. no aprimoramento das técnicas cartográficas como relevante para o comércio. Tales privilegia a medição do espaço e a discussão da forma da Terra. com os primeiros institutos. os das planícies eram bárbaros por estarem sujeitos a invasões. enquanto Heckel dá as bases a Ecologia – estudo das interrelações dos elementos que coabitam um espaço. os pressupostos históricos e as fontes da sistematização geográfica forjaram-se na “fase heróica” da burguesia. teorias e metodologias. que se inicia com as grandes navegações. Portanto. dotação diferenciada dos lugares. que tem por centro difusor a Europa. e a Confederação Germânica provoca um ideal de unidade. de Darwin e Lamarck. O evolucionismo. sem que a mínima conexão entre eles. de forma não homogênea. quando a Geografia é organizada como pensamento autônomo. iniciam os estudos de temas como apropriação do território e variação regional. as formas de poder e organização do Estado. na obra de um mesmo autor aparece a discussão de vários temas. XVIII. não é possível falar em conhecimento geográfico padronizado com temas. A transição do feudalismo para o capitalismo ocorreu. A constituição de um espaço mundial. O feudalismo “modernizado” produz para um mercado aberto. e propunha a explicação racional do mundo. com a descrição dos lugares. O mercado entre as unidades é moderado diante das barreiras alfandegárias. Resumia-se a relatos de viagem. forneceu o patamar imediato da legitimação científica. Assim. devido às necessidades práticas impostas pelo incremento do comércio. Até o final do séc. Assim. no campo das possibilidades da razão humana. eram temas relevantes para as classes dominantes: a constituição de um Estado nacional centralizado. Montesquieu. A sistematização aparece no início do séc. A economia política foi responsável pelas primeiras análises de fenômenos da vida social. Outra fonte foram os ideólogos burgueses a quem interessava o modo de produção emergente. a ausência de relações duráveis e os pontos de convergência econômicos. O objetivo era o conhecimento da extensão real do planeta. Condição que se aprofunda com o avanço do mercantilismo e os impérios coloniais. atividades econômicas e inventários de recursos. A burguesia desenvolve-se à sombra do Estado. em o Espírito das Leis. O Bloqueio continental de Bonaparte propicia industrialização incipiente e incremento do comércio interno. SISTEMATIZAÇÃO DE HUMBOLDT E RITTER Na Alemanha as relações capitalistas penetram sem alterar a ordem feudal. o conhecimento geográfico era disperso. elaborava teses deterministas: o povo das montanhas era pacífico por ter a proteção das montanhas. com conteúdo variado.PENSAMENTO GEOGRÁFICO INTRODUÇÃO O pensamento geográfico remonta a antiguidade grega. Muitas vezes. 5 . XVIII. No fim do séc. mas mantém as relações de trabalho. O terceiro. mas não o revoluciona. numa perspectiva regional. distâncias e aumento populacional. a filosofia a valora e sistematiza a Geografia. Discute produtividade do solo. hoje tidos Geográficos. onde está o eixo principal de desenvolvimento. XIX. pois a apropriação de dado território implicava estabelecer relação mais estreita com os elementos aí existentes para criar estabelecimentos perenes. Heródoto.

A proposta de Ritter é antropocêntrica.Humboldt inicia a sistematização e define a geografia como espécie de síntese de todos os conhecimentos relativos à Terra. Manteve a Geografia como ciência empírica pela análise e observação. Segundo. logo. VIDA DE LA BLACHE E A GEOGRAFIA HUMANA La Blache opõe-se às colocações de Ratzel. isolamento e suas conseqüências. diferente de Humboldt. La Blache representava. Sua teoria desdobrou a Geopolítica. Como Ratzel. a causalidade existente na natureza. o interesse das classes dominantes. servindo a geografia como ciência de ligação com o divino. mas a deixou de fora da partilha das coloniais. A unificação tardia da Alemanha não impediu o desenvolvimento interno. 6 . A geografia deveria estudar os arranjos individuais e compará-los. Seus discípulos: Kjelen criou a geopolítica. O revolucionário desenvolvimento do capitalismo ampliou a representação e o espaço de ação política. mas como suporte da vida humana. através do discurso científico. tendo em conta a conjuntura do conflito de interesses com a Alemanha. “o homem é produto do meio”. A sua geografia privilegia o elemento humano. distribuição dos povos e raças. Seu principal livro ANTROPOGEOGRAFIA definiu o objeto geográfico como o estudo da influência que as condições naturais exercem sobre a humanidade. Seus discípulos formaram a doutrina do determinismo geográfico – “as condições naturais determinam a História”. Elabora o conceito de “espaço vital” que representa proporção de equilíbrio. a natureza influenciaria a constituição social. e abriu várias frentes de estudo como formação do território. regional e valoriza a relação homem-natureza. primeiro na fisiologia e na psicologia dos indivíduos e esses na sociedade. “subdesenvolvimento como fruto da tropicalidade”. mas o primeiro abarca o Globo sem privilegiar o Homem. uma relação mais íntima com a natureza. “a indolência do homem tropical”. sem visão fatalista. Sua geografia era engajada e fazia elogio ao imperialismo. Ritter. Baseava seu entendimento na sua perspectiva religiosa. Ambos representam a Geografia Tradicional. sem a politização explícita. uma área delimitada e dotada de individualidade. através dos recursos do meio. O Ambientalismo que representa determinismo atenuado. e serve à legitimação expansionismo. entre a população de dada sociedade e os recursos disponíveis para suprir suas necessidades. Realizou extensa revisão sobre o tema da influência da natureza sobre o homem. A natureza atuaria na possibilidade de expansão de um povo. isto é. era ciência sintética. enquanto o segundo prioriza a região e o homem. onde a natureza não é vista como determinante. Cada arranjo abarcaria um conjunto de elementos. dedicada ao estudo da dominação dos territórios. o segundo manifestava um tom mais liberal. manifestadas nas necessidades de moradia e alimentação. pela riqueza que propicia. O progresso significaria um maior uso dos recursos do meio. o que alimentou um expansionismo. Trouxe as camadas populares e o socialismo militante. Mackinder desenvolveu a teoria das áreas pivô – heartland. Enquanto o primeiro exprimia o autoritarismo alemão. Afirma que a sociedade mantém relações duráveis com o solo. define o conceito de “sistema natural”. RATZEL E A ANTROPOGEOGRAFIA Ratzel vivencia a constituição do Estado Alemão. cria o Estado. o que influencia seu pensamento. preocupada com a conexão entre os elementos que busca através das conexões. Haushofer prioriza o caráter bélico. obstaculizando ou ampliando o isolamento ou a mestiçagem. Afirma que quando a sociedade organiza-se para defender o território. Essa influência atuaria. representando uma totalidade. a ação do Estado sobre o espaço.

no limite da tradicional. O homem transforma a matéria natural e cria formas sobre a superfície terrestre. Abriu espaço para falar sobre a missão civilizadora do europeu na África e endossar o colonialismo francês. afirmava que a Geografia é uma ciência dos lugares. transformando-o. Pode ser entendida como Ecologia do Homem. hábitos. Hettner a propõe como a ciência que estuda “a diferenciação das áreas”. Assim. estuda uma porção do planeta vivenciada por uma comunidade que a organiza. Valorizou o elemento humano que era passivo nas teorias de Ratzel. Geografia Histórica – dedica-se a temas como organização do espaço na Antigüidade. A teoria de Vidal concebe o homem como hóspede antigo de vários pontos da superfície terrestre. estimou a História. adaptando-se ao meio que o envolvia.A partir de La Blache. A partir da Região exprimir-se a forma dos homens organizarem o espaço terrestre. Afirma que o caráter singular das diferentes parcelas do espaço adviria da particular forma de inter-relação dos fenômenos existentes. DESDOBRAMENTOS DA PROPOSTA LABLACHIANA Geografia Regional . Recriminou a concepção fatalista e determinista da relação dos homens e da natureza. ao qual chamou de “gênero de vida”. é ponto de convergência. Assim a perspectiva Vidalina. Avaliava o contato com outros gêneros de vida como fundamental ao progresso. A geografia seria prioritariamente um trabalho de identificação das regiões do globo. Geografia Econômica – privilegia como objeto de sua análise a vida econômica de uma região. Colocou o homem como ser ativo. Foi um dos focos destacados de renovação do pensamento geográfico. A cidade. o conceito de Região balizou as pesquisas. discutindo fluxos. que sofre a influência do meio. mas apesar da carga humana. À geografia caberia estudar os gêneros de vida. Hostilizou o pensamento abstrato e especulativo. propondo o método empírico-indutivo. a que visa explicar “por que” e “em que” diferem as porções da superfície terrestre. criando um acervo de técnicas. como o exaurimento dos recursos(impulsionaria migrações). os motivos de sua manutenção. vê a natureza como possibilidades para a ação humana. difusão. usos e costumes. o expansionismo germânico. ALÉM DO DETERMINISMO E POSSIBILISMO – HARTSHORNE Hartshorne e Hettner desenvolveram a Racionalista pelo fato de ter menor carga de empirismo. transformação dos domínios. 7 . Definiu o objeto da Geografia como a relação Homem-Natureza. Privilegia o raciocínio dedutivo. e o homem busca as soluções para satisfazê-la. Enumera fatores que mudariam o gênero de vida. daí o nome de Possibilismo. a relação dos agrupamentos com o meio em que estão inseridos. trabalho e produção. A região seria escala de análise. É a partir de La Blache que se articula a Geografia Francesa. tendo em vista as formas visíveis criadas pela sociedade na sua relação histórica e cumulativa com o meio natural. isto é. as vias comerciais da Europa na Baixa Idade Média. O habitat é uma construção humana que expressa as múltiplas relações entre o homem e o ambiente que o envolve. Chegou a constituir ramo autônomo do pensamento geográfico.Criticou a teoria do espaço vital. Habitat – desenvolvido por Sorre. oficina da civilização. processos pelo qual o homem o transforma. não dos homens. enfim variados elementos do quadro regional. diferenciado e igualado em importância ao da Geografia Humana. na perspectiva da paisagem. não rompeu com suas formulações. isto é. Observou que as necessidades são condicionadas pela natureza. e através dele. em relação às anteriores. foi um prosseguimento. Apesar da crítica a Ratzel. unidade espacial dotada de individualidade. porém atua sobre ele.

Outros autores analisam o território. estudo da variação de áreas. Todas as questões tratadas. Vem na teoria dos jogos. Essa delimitação é processo de escolha do observador. diferenciada pelo observador). não se confundido com Geografia Urbana. como: cidades. etc. A Teorética é a base da renovação pragmática. as variações da paisagem. Café. ao contrário trabalharia suas inter-relações. aparecendo em inúmeras propostas. A da Percepção busca entender como os homens percebem o espaço. vinculam o conhecimento como ligado ao imperialismo e afirma: “A geografia é prática social em relação à superfície terrestre”. identificou os problemas. que vê a ação do homem como fruto de opções. vistos como realidades exteriores ao observador. Em si. Seria a representação das estruturas fundamentais da organização do espaço. Apóia-se na idéia dos fenômenos manifestaram-se por fluxos. critica o empirismo tradicional. Geografia Nometética – nela o pesquisador pararia na primeira integração e reproduzi-la-ia tomando os mesmo fenômenos e fazendo as mesmas inter-relações.Hartshorne propõe que as ciências seriam definidas por métodos próprios. Também deixou material para pesquisas posteriores com dados minuciosos para pesquisas posteriores. Mascara as contradições sociais e legitima a ação do capital sobre o espaço terrestre. que não vai aos fundamentos ou à base social. é benéfico. e finaliza a idéia de ciência síntese. como percebem e como reagem frente às condições e aos elementos da natureza ambiente. enfocam a expansão espacial do capitalismo e os fluxos gerados. A Sistêmica ou Modelista propõe o uso de modelos de representação e explicação no trato dos temas. GEOGRAFIA CRÍTICA É defendida pelos que posicionam transformação da realidade. empírica ou de contato. seriam passíveis de ser expressas em termos numéricos e compreendidas na forma de cálculo. Como saldo a Tradicional deixou uma ciência elaborada. que se transforma em ideologia. Uma corrente é a Geografia Quantitativa que defende o uso de modelos matemáticos para explicar o temário geográfico. as relações e inter-relações de fenômenos de elementos. unitária. como Petróleo. não por objetos. As comparações permitiriam chegar a um padrão de variação dos fenômenos tratados. A Pragmática desenvolve tecnologia de intervenção da realidade. Geografia Cultural – formulada por Carl Sauer propõe a análise das formas que a cultura de um povo cria na organização de seu meio. dessa forma. Pretende a renovação metodológica. Exemplo de Foucault nas colocações sobre a relação entre o espaço e o poder. Yves Lacoste. 8 . Conceitos básicos: área e integração (estudo de parcela da superfície. Assume conteúdo político do conhecimento e propõe geografia militante por sociedade mais justa. Permitia. Funciona como arma de dominação para os detentores do poder Estatal. a organização e a lógica do capital na ordenação dos lugares. centradas em temas. que busca explicar como a modernização penetra no meio social. busca novas técnicas e nova linguagem as novas tarefas postas pelo planejamento. isto é. O contato com outras ciências (filosofia. análises tópicas. assim. sistematizada. Essas propostas são as derradeiras da Geografia Tradicional. ou a difusão de inovações. Desenvolveu-se com estudos temáticos. é apenas acervo de técnicas. GEOGRAFIA PRAGMÁTICA Efetua crítica a insuficiência e o caráter não prático da análise tradicional. como se dá sua consciência em relação ao meio que os encerra. a área seria instrumento de análise. sociologia). O estudo geográfico não isolaria os elementos. ao contrário da região e território.

como no caso da região natural e da regiãopaisagem. emerge a partir do final da II GM. Este espaço social ou humano é histórico. indiferenciado e. considera a região a partir de propósitos específicos. produzir é produzir espaço. etapa superior capitalista. A terceira. Sua raiz está no verbo governar. vive-se a mobilidade dos homens. assim como de produtos. a partir dos anos 70. Na atualidade. As diferenças entre os lugares seriam naturais e históricas. mas dependente em maior ou menor grau. pois é agente de transformação. que não elimina as anteriores. estabelece divisão do trabalho. argumenta que é necessário discutir o espaço social e sua produção como objeto. Para Milton Santos. Há três acepções entre os geógrafos: A primeira apóia-se na natureza. cuja energia é a dinâmica social. ou seja. O espaço é campo de força. e impõe a hierarquização dos lugares. A fragmentação articulada que caracteriza a globalização é mais complexa. clima. Trata-se natural. CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE GEOGRAFIA REGIÃO O termo deriva do latim régio. industriais. torna mais complexa a fragmentação articulada da superfície terrestre. de tempos internos. uma única base empírica. não tendo a priori. É possível identificar regiões climáticas. conseqüentemente. baseados na geográfica crítica apoiam a idéia de persistência da diferenciação de áreas. que denomina “rugosidades”. o que atribui à região uma conotação política. o sistema agrícola e o habitat rural. A região natural e a região paisagem passam a ser uma das múltiplas possibilidades de recortar o espaço geográfico. não compartilhando a tese de que o mundo esteja se tornando homogêneo. de processos gerais. A globalização. e o grande criador de rugosidades. O capitalismo industrial criou. as regiões estejam desaparecendo: ao contrário. Seu traço é a desigualdade. A segunda origina-se de reação à matriz positivista. mas ratificaram as diferenças espaciais que já existiam. pois é acumulação de trabalho e capital na superfície terrestre. O Estado deve ser analisado. 9 . obra de trabalho. universais. a geografia permite perceber a relação entre espaço e movimentos sociais. que cria forma duráveis. A região passa a ser entendida como longo processo de transformação da paisagem natural em cultural. Hobsbawn aponta que a história de cada porção da superfície terrestre não é mais autônoma. de coexistência de tempo e espaço. Novos conceitos. nodais. aditem o processo de sua transformação. desfez unidades regionais nos diferentes continentes. que mudam de lugar. o mundo é composto pela singularidade de cada local. difusão e intermediário entre forças internas e externas. que evidencia transformações na relação espaço-tempo. O espaço seria um fator. imagens e idéias. vegetação. e entende a região como área de ocorrência de uma mesma paisagem cultural. O arranjo dos campos. Entende o lugar como eixo de sucessões. morada do homem. elege áreas. implicando na afirmação de múltiplos mosaicos que se acham irregularmente superpostos.Milton Santos. que se refere à unidade político territorial em que se dividia o Império Romano. pois a história do capital é seletiva. que conduz à desterritorialização ou de desculturalização. conceito adotado pelos geógrafos físicos e deterministas. em Por uma Geografia Nova. Enquanto a globalidade se identifica nos processos coletivos que se distribuem em diferentes espaços. A economia mundial e a globalização não geraram a homogeneização global. Concebe-a como porção da superfície terrestre identificada pela combinação de elementos de relevo.

como espaço absoluto. lugar de ocorrência 10 . tempo e espaço. a partir do materialismo histórico. que vão sendo substituídos por objetos fabricados. Faz-se necessário. A visão crítica. no início. No começo era a natureza selvagem. interessando a obra materializada e não as relações sociais. O espaço geográfico foi analisado como ciclo. Neste sentido. reconstruídas sob uma nova organização com formas novas em construção. assumiu concepção de tempo Kantiana. assim como o tempo. Esta separação constitui herança. mecanizados e. Este tendo sido. nesta perspectiva. Inicialmente. dessacralização da natureza. sociedade. a Geografia concebe a relação natureza-sociedade sob a ótica da apropriação. Sob esta perspectiva. Os geógrafos críticos observam que a mesma tendeu. transformando-a em objeto e o homem em sujeito conhecedor e dominador desta. então. o tempo projeta-se como determinação ou possibilidade. como veremos posteriormente. sucessão de fatos no espaço. onde a compreensão era de fatos sucessivos que voltam ao ponto inicial. parte da Geografia preocupa-se com o espaço geográfico. ao romper com a visão de estabilidade. não considerados isoladamente. formada por objetos naturais. a naturalizar o homem na medida em que o via como um constituinte do espaço geográfico. como de resto nas demais ciências. Esta concepção permite aos geógrafos.ESPAÇO GEOGRÁFICO Esse conceito baliza o campo de atuação da Geografia. a exemplo de Pierre George. A concepção de espaço geográfico está contido a categorias da natureza. aqui entendida como expressão da vida humana pelas relações sociais temporalmente estabelecidas. por vezes. espaço receptáculo. técnicos. Nesta perspectiva. "a Geografia é a ciência dos lugares e não dos homens". das idéias de Descartes de separação entre natureza e homem. Os fundadores da Geografia propõem que sob formas diferentes. solidário e contraditório. propor uma nova concepção de tempo-espaço indissociável. concebendo a natureza como recurso à produção. Esta visão modifica-se devido a aproximação da Geografia com a Sociologia. Natureza são os elementos ou o conjunto dos elementos formadores do planeta Terra. dos geógrafos. e da Geografia com a Economia e a Ciência Política. no início. o espaço geográfico. espaço continente. O espaço geográfico é a coexistência das formas herdadas. O espaço constituirá categoria central para a Geografia. depois cibernéticos fazendo com que a natureza artificial tenda a funcionar como uma máquina. Constitui o conceito mais abrangente e abstrato. confundido com o objeto próprio da Geografia. O tempo. A Geografia. Para Milton Santos. o espaço geográfico é formado por conjunto indissociável. o espaço foi concebido à maneira de Kant. é a coexistência do passado e do presente ou de um passado reconstituído no presente. como faz Milton Santos. ou seja. a concepção de espaço para os geógrafos foi e é concebida diferentemente. Da mesma forma que as demais categorias analisadas. concebendo-o linear. constitui-se algo externo ao homem. resgata outra categoria: a sociedade. de sistemas de objetos e sistemas de ações. Nesta articulação em seus primeiros momentos a Geografia trabalhou mais com o conceito de comunidade do que com sociedade. Neste momento. evoca a idéia de dinâmica estável. entendendo-o como resultado das formas como os homens organizam sua vida e suas formas de produção. Dizia La Blache. concebe o tempo como espiral. O conceito de natureza. refletir sobre como a Geografia concebeu e concebe estas categorias na construção do conceito de espaço geográfico. o objeto centrado na relação homem-meio (natureza). mas como um quadro único na qual a história se dá. O tempo perpassou e perpassa a análise geográfica através de seu conceito. por avanços e retornos. movimento que se repete.

Ou ainda. Para Álvaro Heidrich: "a diferenciação do espaço em âmbito histórico tem início a partir de sua delimitação. vinculado ao domínio de determinada área. Neste instante. é "estudada na sua morfologia. num dado momento. Para muitos. A cartografia de base e a localização absoluta foi em parte o suporte desta concepção. o limite da paisagem atrelava-se à possibilidade visual. é resultado de processo de articulação entre os elementos. nem outro em si mesmo. As transformações no pós-guerra associadas à novas concepções científicas permitem à Geografia falar de outro espaço: o relativo. O espaço existiria. num mesmo espaço coabitam tempos diferentes. Paisagem seria o sistema material. PAISAGEM É a expressão materializada das relações do homem com a natureza num espaço circunscrito. centrada na identidade nacional. os geógrafos passaram a falar de espaço como algo definível a partir de variáveis préestabelecidas. Assim. poderemos concebê-la enquanto forma (formação) e funcionalidade (organização). Adquiriu dimensões específicas. relativo (relação entre objetos) e relacional (contém e está contido nos objetos) . estrutura e divisão além da ecologia da paisagem. passível de delimitação. a partir dos objetivos de delimitação. podendo ser objetivamente delimitado em cartas e mapas. relativamente imutável. poderia ser de ordem exclusivamente natural (paisagens naturais) ou de ordem humana (paisagens culturais). nos permitindo reflexão sobre espaço como coexistência de tempos. É algo além do visível. Para Milton Santos "o espaço é acumulação desigual de tempos". que se transforma permanentemente. Desta forma. tempos tecnológicos diferentes. de localização. percebendo-a como processo de constituição e reconstituição de formas na sua conjugação com a dinâmica social. e afirma: "Paisagem é o conjunto de formas que. David Harvey concebe o espaço como sendo absoluto (material). exprimem as heranças que representam as sucessivas relações localizadas entre o homem e a natureza". É conceito operacional que nos permite analisar o espaço geográfico sob a conjunção de elementos naturais e tecnificados. Os geógrafos consideraram paisagem para além da forma. por sua apropriação como território. Paisagem é "transtemporal" junta passado e presente.do fenômeno geográfico. a defesa territorial é exercida diretamente pelos membros da 11 . situação única. espaço é sistema de valores. Neste contexto. nível máximo de interação entre os diferentes elementos". Espaço é sempre presente. tornou-se demarcável. O que significa conceber espaço como heranças. sócio-econômicos e culturais."o objeto existe na medida em que contém e representa dentro de si próprio as relações com outros objetos". Espaço–tempo são categorias indissociáveis. podendo transformar-se em um ou outro. definidas a priori. então. interpretando-a como forma. por outra parte. Considera que o espaço não é nem um. na origem. Esta análise. resultando daí inserções diferentes do lugar no sistema ou na rede mundial (mundo globalizado). em parte determinado pela necessidade e posse de recursos naturais para a conquista das condições de sobrevivência. de forma absoluta. Ao optarmos pela análise geográfica a partir da paisagem. Troll concebia-a como o conjunto das interações homem e meio. Milton Santos concebe paisagem como a expressão materializada do espaço geográfico. como representação. A paisagem se dá como conjunto de objetos reais concretos”. em sua visão. TERRITÓRIO Considera o espaço geográfico a partir do político ou dominação-apropriação. por sua ocupação física como habitat. dependendo das circunstâncias. isto é.

Historicamente. O conceito de lugar induz a análise geográfica a outra dimensão . a dimensão pontual. a exemplo do sentimento topofílico (experiências felizes). Por conseqüência. não é mais necessária. ou "teias ou redes de relações sociais". para Santos: "refere-se ao tratamento geográfico do mundo vivido". instituições. não há possibilidade de conceber " superposição absoluta entre espaço com seus atributos e o território como campo de forças”. a partir dela. Santos se refere ao lugar. Para Santos esta relação era local-local agora é local-global. Para Milton Santos. há população fixada territorialmente e socialmente organizada para produção de riquezas. Hoje. as ações. sistema. 12 . Trata-se de dimensão do espaço que desvincula as relações humanas e sociais de relação direta. o lugar expressa relações de ordem objetiva em articulação com relações resultantes do poder hegemônico. Segundo Souza. Essa ótica analítica norteou perspectivas vinculadas à idéia de poder sobre espaço e recursos: Estado-nação. onde tudo se funde. no caso. cooperação e conflito na base da vida comum". quais sejam os objetos. as noções e as realidades de espaço e tempo". conforme se refere Santos.coletividade. e sua origem histórica está vinculada à biologia. a partir do lugar como espaço de existência e coexistência. Nos remete a reflexão de nossa relação com o mundo. A natureza. Noutro. organismo". a técnica. cada indivíduo não mantém mais relação de domínio direto e repartido com o restante da coletividade sobre o território que habita. o lugar é resgatado na Geografia e passa a ser analisado de forma mais abrangente. Implica em compreender o lugar através de nossas necessidades existenciais. AMBIENTE Em seu período inicial. Recentemente. estes espaços concretos podem formar-se ou dissolverem-se de modo muito rápido.a da existência. Pode ser trabalhado na perspectiva de mundo vivido. pois "territórios são relações sociais projetadas no espaço". a expressão do espaço geográfico na escala local. se superpõe. o tempo. dialeticamente ao eixo das sucessões. Em seu desenvolvimento assume a concepção "de unidade de diversas manifestações entre si relacionadas. nosso próximo. interação com objetos e/ou pessoas. Recentemente. enquanto recurso associado ao território. o nosso estar no mundo. esse conceito flexibiliza-se e permite tratar de territorialidades como expressão da coexistência de grupos. que transmite os tempos externos das escalas superiores e o eixo dos tempos internos. entendendo-o como campo de forças. associa-se a idéia de natureza e sociedade configuradas por limite de extensão do poder. De um lado. extraindo a necessidade de domínio dos recursos naturais. referia-se a Geografia não ao ambiente. fala-se em complexidades territoriais. como expressa-se na concepção clássica de território. se singulariza a partir de visões subjetivas vinculadas a percepções emotivas. que é o eixo das coexistências. Identifica-se com a nossa corporeidade e. LUGAR O lugar consistiria. que leve em conta outras dimensões do espaço. localização. Resulta daqui sua visão de mundo vivido local–global. com o Estado. lugar constitui a dimensão da existência que se manifesta através "de cotidiano compartido entre as mais diversas pessoas. tendo muita força no contexto atual. dizendo: "no lugar. posição. Para o autor. imbricadas com relações horizontais de coexistência e resistência. enlaçando definitivamente. nos termos que o estruturalismo o redefiniu. por vezes num mesmo espaço físico em tempos diferentes. mas ao meio. a partir da Cartografia.

V. nele o homem se inclui não como ser naturalizado. área depressiva intermontanhas e de clima semi-árido.Pode ser lido como algo externo ao homem. neste caso "em única esfera cuja chave principal é constituída por processos naturais". Com esses aspectos é possível delimitar seis regiões. Domínio dos Mares de Morros – região leste (litoral brasileiro). IV. dividiu o Brasil em seis domínios: I. A idéia de ambiente elimina "a tensão essencial qual seja a de ser o homem sujeito". local de coxilhas subtropicais. área do habitat do pinheiro brasileiro (araucária). Na atualidade. VI. habitat e ecossistema. a ótica ambiental. Amazônico – norte. Mata de Araucária – sul. Ou. onde se encontra a floresta Atlântica que possui clima diversificado. DOMÍNIOS MORFOCLIMÁTICOS CARACTERÍSTICAS GERAIS Os domínios morfoclimáticos brasileiros são definidos a partir das características climáticas. botânicas. hidrológicas e fitogeográficas. A Geografia tem pensado o ambiente diferentemente da Ecologia. II. na perspectiva naturalista apóia-se em conceitos que não dimensionam a tensão sob as quais se originam os impactos. Cerrados – região central. designando o mundo exterior ao homem. região de planalto e de clima subtropical. de formações cristalinas. III. Devido à extensão territorial do Brasil o geógrafo Aziz Ab’Sáber (1970). Caatinga – nordeste (polígono das secas). mas como ser social produto e produtor. clima e floresta equatorial. Pradarias – sudeste gaúcho. pedológicas. O Ambiente contrapõe-se à paisagem. vegetação tipo cerrado e inúmeros chapadões. incluir o homem. terras baixas e grande processo de sedimentação. cuja preocupação seria estudar o funcionamento dos sistemas naturais. 13 . embora tenha se transformado no tempo e apropriada por outras definições como meio.

Desde julho de 2002. Fora do Brasil. atuando de forma direta na manutenção da soberania nacional. Suriname. Composto de satélites. durante os períodos glaciais do Quaternário. as diferenças culturais e o meio ambiente. transporte.000ha.A origem do mosaico botânico brasileiro é resultado da expansão e retração das florestas. com migrações oriundas do nordeste. respeitando as características regionais. reservas de minério e um dos maiores mananciais de água doce do planeta. pouco despovoada. explorou os minérios da região de caulim (um tipo de argila) e agropecuários: plantação de árvores para corte. Região de diversidade de fauna e flora. Características do Povoamento: pouco povoada.é rede de coleta e processamento de informações de caráter cooperativo entre as agências governamentais. Cobre 60% de todo território nacional.600. Peru e Bolívia. educação. como: • Projeto Jarí . Roraima. Venezuela. A partir dos cerrados do Centro-Oeste. Também visa aumentar o Poder Estatal Brasileiro na região. radares fixos e móveis. Contemplava produtos como a celulose. As florestas tropicais e outras formações abertas já existiam desde o inicio da era Pleistocênica e não foi destruído por geleiras. numa região de alta produtividade.na década de 60. a floresta separa-se por uma extensa faixa de matas secas. Nessa época. antes inóspita economicamente. Em 1982. o Projeto foi nacionalizado. com uma área de aproximadamente 5 milhões km² – equivalente a 60% do território – abrangendo Amazonas. o domínio Amazônico é a maior região morfoclimática do Brasil. A floresta pluvial que cobre a região tem seus limites definidos pela caatinga do Nordeste. cerrados e caatingas provocada pela alternância de climas úmidos e secos nas regiões tropicais. com a inauguração do SIVAM. A extração da borracha permitiu desenvolver área. Tocantins e Mato Grosso. está em operação uma imensa rede de monitoramento e controle do espaço aéreo. criação de búfalos etc. e vendido a brasileiros. energia e comunicações dos núcleos mais carentes da região norte. Amapá. O governo continuou auxiliando e orientando o desenvolvimento da região e incorpora em Manaus a Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) que trouxe indústrias transnacionais. arroz. as glaciações modificaram a distribuição de umidade. Com incentivos do Governo. muitas cidades foram afetadas com o crescimento gerado pelo capital. O governo em 1970. Colômbia. como no hemisfério norte. provocando a desintegração de espaços contíguos e favorecendo a expansão de vegetação de clima mais seco. Pará. Acre. Programa Calha Norte . SIVAM . Criado em 1985. em harmonia com os interesses nacionais. melhorar as condições de saúde. A necessidade de abastecer a fábrica levou a construção de Estrada de Ferro. No sul. realizou o programa de ocupação populacional na região amazônica. AMAZÔNIA Situação Geográfica: Situado a norte. devido a grande extensão territorial e dos difíceis acessos ao interior.programa desenvolvido para proteger a faixa de fronteira na Amazônia. estende-se pela Guiana Francesa. o empresário norte-americano Daniel Ludwig comprou na região área de 1. Em conjunto com outras ações de segurança. inibindo a proliferação de ações ilícitas e servindo de núcleo de colonização e de apoio às comunidades mais pobres. saneamento básico. proporcionado melhoria na qualidade de vida. Centros de Vigilância • • 14 . Outros projetos instalados pelo governo federal na região amazônica. Rondônia. atende à necessidade de promover a ocupação e o desenvolvimento ordenado da Amazônia. Maranhão.

a região sofre muita sedimentação fluvial e detém altas taxas de umidade. como o de Machadinho. pois com a retirada da vegetação transformam o solo em alvo da erosão Os tipos de matas encontradas: igapó – regiões inundadas. Em nível global: revalorização da natureza decorrente da crise ambiental. várzea –regiões inundadas ciclicamente e de terras altas – dificilmente inundadas. Condições Ambientais e Economicamente Sustentáveis: Devastação ambiental na Amazônia – queimadas.Em 1980 foi implantou projeto de exploração do minério de ferro. O transporte existente é influenciado pela rede hidrográfica. em 1987. • PoloNoroeste . Belém e Porto Velho). e teve como objetivos contribuir para a maior integração nacional. pois necessitava da floresta para o crescimento das seringueiras. extinção de espécies. atualização de mapas. mas foi idealizado com objetivos definidos: estabelecer a presença do Estado nas comunidades. mudanças climáticas • 15 . era uma economia viável ecologicamente. Características Bio-Hidro-Climáticas e Fisiográficas: Maior bacia hidrográfica do mundo. A extração da borracha. Grande Carajás . no rio Tocantins. Devido à existência de inúmeros rios. Dentre as ações do programa. estações de monitoramento ambiental e meteorológico. Solo não rico. exploração descontrolada. A rede hidrográfica é fonte de potencialidade econômica. entre Cuiabá (MT) e Porto Velho (RO). incluiuse a implantação de dezenas de projetos de colonização agrícola. mas a precipitação torna este domínio riquíssimo em floresta hidrófita e não o solo. Conseqüências dos projetos Agroindustriais: destruição da biodiversidade. destruição do solo pela retirada da floresta. e • Poloamazônia – de estimulo à produção agropecuária e extrativa mineral em faixas da Amazônia oriental. Apesar do custo de US$ 1. vida. controlar o tráfego aéreo interligado com o Cindacta. é relevante para o controle de queimadas. com o nome de Projeto Grande Carajás. O SIVAM não é apenas projeto militar. aviões EMB-145 e ALX. É floresta equatorial de frágil equilíbrio. deflorestamento.Abrangeu a área de influência da rodovia BR-364. Dois tipos de estações flúvio-climáticas: a estação das cheias e a da seca.Regionais (Manaus. Novo Significado do Patrimônio Natural da Amazônia: desafio do Contexto Sócio-Econômico e Político Contemporâneo. contrabando de armas e drogas e à invasão do espaço aéreo. desmatamentos. por exemplo. e deu início. proteção do meio ambiente. pois seus leitos fluviais são de grande piscosidade. à construção da hidrelétrica de Tucuruí. monitoramento das navegações. São poucas as atividades econômicas que não agridem a natureza.4 bilhão. Visa promover a adequada ocupação demográfica da região noroeste do Brasil. que sofre com a lixiviação. A diversidade da flora não deve ser confundida como potencialidade agrícola. aumentar a produção e renda de sua população. da revolução científico-tecnológica e da mercantilização de novos elementos (ar. visando o assentamento de pequenos agricultores sem-terras. água). O Clima equatorial de temperatura estável ao longo do ano. e não mero espaço de expansão da fronteira. vigilância das fronteiras. enquanto que o rodoviário é quase inexistente. com rotas não autorizadas. garimpo. o que torna a área num importante atrativo para o turismo e a população ribeirinha. só que em índices diferentes. porém esta última não interrompe o processo pluviométrico. reduzir as disparidades de desenvolvimento intra e inter-regionais. Em nível regional: a Amazônia como região em si. indústrias mineradoras e a agricultura tornam áreas de vegetação em solos de fácil erosividade. etc. Em nível nacional: retomada do crescimento econômico com inclusão social e conservação ambiental.

MATA ATLÂNTICA Primeiro nome dado à vegetação que separava o mar das terras interiores. é nome genérico à grande variedade de matas tropicais úmidas que ocorrem de forma azonal nas regiões costeiras. de Goiás. é dividido pelas formações de chapadas que ali existem. Ativa exploração mineral. seco e chuvoso. 16 . Com estes recursos. além de infra-estrutura. do Tocantins (sul). Flora única. o povoamento e a ocupação eram fracos até iniciarem os programas de políticas de interiorização do desenvolvimento nos anos 40 e 50. Com sua vegetação rasteira e de campos limpos. Dois períodos sazonais de precipitação. Possui solos de boa qualidade e lençóis freáticos que foram aproveitados para diversas culturas em esquemas predatórios (pequeno interesse em recompor o meio produtivo). onde encontramse as formações de chapadas ou chapadões como a Chapada dos Guimarães e dos Veadeiros. O solo formado por latossolos. deficiente em nutrientes e altas concentrações de alumínio. As florestas cobriam 90% desse território. e conseqüentemente ocorre um salto no crescimento populacional de cada Estado. Nesse sentido.aumentam a evapotranspiração e extresses e doenças trazidas pelas monoculturas. O mecanismo de distribuição da umidade da MPA é responsável pela sua exuberância e diversidade. Domínio da Mata Atlântica. A primeira é baseada na construção de Brasília e a segunda. sendo o segundo maior domínio por extensão territorial. tanto para pontos turísticos. constituída por árvores tortuosas e de aspecto seco. devido à composição do solo. do Maranhão (sudoeste) e de Minas Gerais (noroeste). como científicos. É da região do cerrado as três nascentes das principais bacias hidrográficas brasileiras: a Amazônica. Características: Centrada no planalto. nos incentivos aos grandes projetos agropecuários e extrativistas. A fauna e flora ali são de grande exuberância. Características do Povoamento: Devido a sua localização. Causou êxodo rural e problemas sociais nas áreas urbanas. areais quartzosas e podzólicos. hoje ocupam apenas 5%. fonte de devastação à natureza. com mais de 500 metros de altura. a criação de reservas bio-ecológicas. o que sugere comunicação em tempos remotos. como o ouro e o diamante. Tornou-se região de grande produção de grãos como a soja. e da política de integração nacional dos anos 70. Florestas. Boa adaptação dos gados zebu e nelore. A dilapidação da cobertura florestal: Diminui a matéria orgânica e a umidade do solo. limitam o planalto central e as planícies – como a Pantaneira. condiz a uma boa formação e um ótimo crescimento das plantas. da era Pré-Cambriana. Localizado na região central do Brasil detém uma área de 45 milhões de hectares. É fisionomicamente semelhante a Amazônica. o volume dos mananciais de água. do Mato Grosso do Sul. Apresenta características à fácil erosividade devido às estações chuvosas e degradação ambiental descontrolada. depois pelos colonos europeus. Hoje. Campos Meridionais e Zonas Litorâneas. Incluindo neste espaço os Estados: do Mato Grosso. Contribui para o desajuste climático global. o gaúcho e o caiçara. estradas e hidroelétricas. o controle biológico natural e o fornecimento de materiais e serviços para as populações locais. Ocupada pelo caipira. da Bahia (oeste). o clima tropical existente nesta área. a São-Franciscana e a do Paraná. Condições Ambientais e Ecologicamente Sustentáveis: O cerrado atraiu muita atenção para a agricultura (dependente de correção com fertilizantes). É a região mais industrializada. CERRADO Situação Geográfica: Formado pela vegetação de cerrado. a região vem a atrair investidores e mão-de-obra.

Algumas recebem 1100mm ano. O uso de agrotóxicos no Brasil aumentou 276% frente a um crescimento de 76% da área plantada. Manutenção da diversidade cultural. Outro problema: Contaminação: A produção de álcool gera 14 litros de vinhoto por litro de etanol. manejo integrado de pragas. Perde-se 50% dos insumos nos lençóis freáticos. herbicidas). “ecológica”. os agricultores perceberam a insustentabilidade econômica e ambiental das técnicas embutidas no “pacote tecnológico” da “Revolução Verde”. No polígono das secas. O consumo destes produtos está em escalada exponencial e há grandes interesses em jogo. Iniciou-se assim um processo de transição para uma agricultura menos dependente de insumos externos e menos predatória dos recursos naturais. São matas secas.2 bilhões de dólares em 1997. Recentemente se incorporaram uva. manejo integrado de pragas. soja. são ricas em espécies frutíferas. Agricultura dependente: A agricultura “dita moderna” depende de insumos externos: fertilizantes químicos solúveis e agrotóxicos (inseticidas. Áreas com solos profundos ainda permitem culturas predatórias.Ciclos de ocupação. Seu desenvolvimento se dá sob um solo fértil que pode ser arenoso ou pedregoso (litossolos). agricultura familiar. abertas. cítricos. deciduais.8 milhões de metros cúbicos de esterco líquido nos córregos e rios da região. uso de resíduos agrícolas. que perde folhas durante a seca (xeromórficas). a média anual chega a 350mm. trigo e culturas importadas. Apresenta alta perda de água por evaporação que pode chegar a 1800mm anuais. Problema: os Agrotóxicos: A soja. rotação de culturas. As caatingas arbustivas são mais raras e as cactáceas são representativas. “natural” e podem ser englobadas na proposta geral da Agroecologia. acaricidas. suinocultura e piscicultura. no passado. Compreende a Mata Seca. embora sejam concentradas em alguns meses. As principais escolas de agricultura alternativa são denominadas “orgânica”. MATA DE PINHAIS 17 . causou graves desastres nos rios. E o tratamento de resíduos industrias e resíduos urbanos tratados CAATINGA No tupi significa Mata Branca. A venda de agrotóxicos em 1990 foi de um bilhão de dólares. As propostas de preservação compreendem o plantio direto. sobretudo nas culturas que o deixam descoberto e onde existem declives. fixação biológica de nitrogênio. é predominante no Nordeste. A ocupação ocorreu em ciclos: milho e culturas nativas. integração vertical. plantas para fibra vegetal. A erosão do solo agrícola foi alta demais. mecanismos de solidariedade. café e criação extensiva de gado. Consciência e Busca de soluções: Com o fim dos subsídios ao crédito. a cana-de-açúcar e outros cultivos da “revolução verde” demandam volumes crescentes de fertilizantes químicos e agrotóxicos. mas. “biodinâmica”. fim das queimadas. Implementar sistemas integrados de produção de alimentos e energia. ceras e óleos. cana-de-açúcar. adubação verde. co-geração de energia. fungicidas. integração de produção vegetal e animal. É reciclada boa parte. que se desenvolvem em clima cuja estação de chuvas é bem marcada e cujo volume anual de umidade está abaixo de 700mm. A falta de água não é constante em toda a região. Apesar das condições. comitês de planejamento de bacia. A suinocultura do Oeste de Santa Catarina despeja diariamente 8. É mosaico de coberturas vegetais que formam uma diagonal que separa as duas florestas tropicais do Brasil (Amazônica e Atlântica). volume equivalente aos dejetos de uma metrópole. Em menos de dez anos o valor dobrou: 2. cacau.

Processo amplia-se rapidamente e origina o chamado deserto dos pampas. pois o solo é pouco espesso e têm pedras. Denominado um solo jovem. que por 18 . A condição de arbórea. que são até hoje marcas conhecidas dos pampas gaúchos. há anos vêem sofrendo com erosão. o domínio das araucárias ocupa uma área de 400. guarda materiais ferrosos e primários. as pradarias estagnam esse processo (ciclo do charque) com a venda de lotes de terras para militares. como: milho. Caracterizado por baixo povoamento. como a monocultura e as queimadas. denota-se um sério problema erosivo que origina as ravinas e posteriormente as voçorocas. o solo condiz ao mesmo. batata. Características do Povoamento: A região foi povoada. a região é sujeita a sofrer alguma estiagem durante o ano. o que o representa num solo de fácil adesão a processos erosivos. por imigrantes italianos. iniciados pela degradação humana e social. faz da região foco de estudos e projetos para estagnar esse processo.200 a 1. Assim. Condições Ambientais e Economicamente Sustentáveis: O domínio morfoclimático das Pradarias detém importantes reservas biológicas. Evidencia suas limitações agrícolas. de 80. O solo é formado principalmente por latossolos brunos e roxos. Compreende uma importante área no sul brasileiro. Passando por bandeirantes e tropeiros. A drenagem existente é perene com rios de grande vazão. condiz a solo profundo. CAMPOS SULINOS Situação Geográfica: Situado ao extremo sul brasileiro. mais exatamente a sudeste gaúcho. etc. destaca-se pelos latifúndios agropastoris. de coloração escura. As morfologias do relevo se destacam por uma forte ondulação até um montanhoso.Situação Geográfica: Encontrado desde o sul paulista até o norte gaúcho. o domínio morfoclimático das pradarias compreende uma extensão.200 m. a qual detém nível de conservação e reestruturação vegetal de importância. feijão. Devido ao mau uso da terra pelo homem. a vegetação é escassa e ausente em algumas áreas. geralmente com mais de 30 m de altura. Características Bio-Hidro-Climáticas e Fisiográficas: Área chamada de pradarias mistas. terras brunas e solos litólicos. Isso evidencia um clima subtropical em toda sua extensão com boa precipitação nesse domínio. Detém uma alta potencialidade agrícola. que o caracteriza como diferente dos outros domínios morfoclimáticos. essas podem originar as ravinas. Características do Povoamento: Território da cultura gauchesca. Devido a utilização. variando de 1. Estabelecido por um clima subtropical com zonas temperadas úmidas e sub-úmidas. alemães. como a do Parque Estadual do Espinilho (Uruguaiana e Barra do Quarai) e a Reserva Biológica de Donato (São Borja). existindo o paleossolo vermelho e o claro. Condições Ambientais Sustentáveis: Hoje a araucária é protegida por lei. Com a utilização do solo sem controle. no final do século XIX. Sua amplitude térmica alcança índices elevados.000 km² de acordo com Fontes & Ker – UFV. pelo governo federal. Os jesuítas iniciaram o povoamento com a catequização dos índios e posteriormente surgem as povoações de charqueadas. Características Bio-Hidro-Climáticas e Fisiográficas: Atualmente. Mas os questionamentos ambientais não estão somente na vegetação. cambissolos. Há indícios de desertificação que tende a crescer anualmente. como: Uruguai e Ibicuí. ucranianos. A região identifica-se com uma grande rede de drenagem em toda a sua extensão territorial.000 km² e de 45. que diversificaram a economia local e tornou essa região uma das mais prósperas economicamente. segundo Ab’Saber. A região das araucárias encontra-se no planalto meridional onde a altitude pode variar entre 500 e 1. poloneses. Segundo Ab’Saber.000 km². caracteriza-o a atividade pastoril.800 mm. em virtude de suas raízes estabelecerem a sustentação da própria árvore.

aves. caixas – canais que ligam lagoas. e vazante – cursos d´aguas existentes durante as chuvas. a seca e as cheias dos rios. flora. Compreende grande diversidade de fauna e flora. Eles estabelecem relação direta com a fauna. como: leite. Sua rede fluvial é composta por rios como o Cuiabá e Taquari. No litoral cearense encontram-se as dunas. em seu 19 . onde não sofrem alagamentos. floresta e cerrado. pois é nessa área principalmente. PANTANAL O pantanal é uma das principais zonas de transição no Brasil. Assim. essa região detém características e denominações únicas. que se faz à extração dos cocos. que constitui um bioma riquíssimo em decomposição de matéria. Situado em regiões serranas e em terras altas. É importante a preservação dessas zonas de transição para a existência dos domínios morfoclimáticos brasileiros. A zona costeira detém outra característica. o meio-norte detém economia na pecuária bovina e na criação do jegue. que se situa entre os domínios morfoclimáticos da Araucária e das Pradarias. A pecuária e a utilização de enormes monoculturas fazem o despejo de uma grande quantidade de agrotóxicos aos rios. Solo é arenoso e a morfologia do relevo é de leve ondulação. onde se encontra a vegetação de mangue. Sofre conseqüências ambientais com a exploração mineral. por encontrar-se numa depressão entre várias montanhas. que poluem intensamente os rios – considerados como os responsáveis pela existência da biodiversidade da região. representa uma importante fonte de renda à população nordestina. Espalhadas por todo o território nacional constituem importantes áreas ambientais e econômicas. facilitando a dispersão de areia ocasionados pela ação eólica. clima e morfologia. a Agenda 21. conservando o equilíbrio dos frágeis sistemas ecológicos. o Agreste. Outra faixa de transição é o agreste. as Pradarias. Como o pantanal passa por duas estações climáticas durante o ano. os sistemas naturais situados nessa região. considerados perenes. barreiros – depósitos de sal após a seca das salinas. A carnaúba e o óleo de babaçú são outras fontes de extrativismo.sua vez farão surgir às voçorocas. entre outras matérias primas para indústrias. encontra-se a zona de transição das Pradarias. O meio-norte se estabelece entre a caatinga do sertão e a Amazônia (Maranhão e Piauí). o Meio-Norte. que é uma região de montantes de areias depositados pela ação dos ventos e de constante remodelação. TRANSIÇÃO DA REGIÃO SUL BRASILEIRA Na região sul. São geralmente campos acima de serras e são encontradas vegetações do tipo araucárias. que é responsável pela produção de alimentos. TRANSIÇÃO NORDESTINA A zona dos cocais. o pantanal é considerado grande reservatório de água. salinas – regiões deprimidas que se tornam lagoas rasas e salgadas com as cheias dos rios. sisal. existindo somente durante as inundações. ÁREAS DE TRANSIÇÃO Encontrados entre os vários domínios morfoclimáticos brasileiros. as faixas de transições são: as Zonas dos Cocais. hidrografia. é uma importante região ambiental. Com uma diversidade de vegetação. como: “cordilheira” – que significa áreas mais altas. são de fundamental importância para o meio natural envolvente a ela. o Pantanal e as Dunas. a Zona Costeira. de campo. DESERTIFICAÇÃO NO BRASIL No documento resultante da Conferência do Rio.

dando origem a extensos areais e campos de dunas. conta com colaboração humana). c) Quanto à foz. entre eles as variações climáticas e as atividades humanas". com subunidades Paraná. a fauna reduz-se e o solo empobrece e. da vegetação e a redução da qualidade de vida das populações afetadas. São Francisco. Por degradação da terra compreende-se a degradação dos solos. com a destruição de solos agriculturáveis. Três pontos do semi-árido revelaram índices crescentes de desertificação: interior do Ceará. baixo São Francisco e a vertente interiorana da Chapada diamantina. O Brasil faz parte do programa de combate a desertificação. dos recursos hídricos. Sociais. tipo de geologia. com apoio do BID. cursos principais ou secundários. associadas a fatores como alterações na temperatura da água dos oceanos) e a ecológica (verifica-se quando os ecossistemas perdem sua capacidade de se regenerar. estabelece definição do termo desertificação. Há dois tipos de desertificação: a climática (redução progressiva de chuvas. HIDROGRAFIA DO BRASIL São originadas em sistemas naturais de drenagem de águas. as áreas susceptíveis são aquelas que correspondem às regiões semi-árida e sub-úmida seca. há predominância de estuário e são poucos os que formam delta como os rios Parnaíba e Piranhas. semi-áridas e sub-úmidas secas. correspondentes à destruição da fauna e da flora. e Convenção Internacional das Nações Unidas de Combate à Desertificação – UNCCD. originados da acumulação sedimentar de rios ou mar. etc. redução da disponibilidade de recursos hídricos e perda física e química dos solos. 20 . a foz do Amazonas é mista. divisores (obstáculos naturais).capítulo 12. e foz.Tem como características gerais: a) Existem três centros dispersores de água: O Planalto das Guianas (lado esquerdo do Amazonas). d) Além dos rios perenes. Parnaíba. acaba dando estrutura padronizada: cabeceiras (nascentes). o mais comum são lagos de barragem. No Brasil. No Brasil. encontrados no clima semiárido do Polígono das secas.PNCD. As bacias hidrográficas brasileiras são dependentes das características ambientais dominantes relacionadas a precipitações no espaço e no tempo. que. diferente de lagos tectônicos ou glaciares encontrados no resto do mundo. Paraguai. localizadas em sua grande maioria na Região Nordeste e no norte do Estado de Minas Gerais e na região sudoeste do Rio Grande do Sul. provocando migrações que se incorporam nas cidades. A desertificação provoca impactos ambientais. resultante de vários fatores. obrigadas pelos divisores de águas do relevo. solo dos terrenos e formas de ocupação que contribuem para o fornecimento de sedimentos para os rios. em virtude de sua estrutura geológica. b) O território brasileiro é pobre em formações lacustres (lagos). e) Predomina os rios de planalto com regime pluvial. tanto internacionalmente: Programa de Combate à Desertificação na América do Sul. Esses impactos ambientais geram uma perda considerável da capacidade produtiva. possui rios temporários. E internamente desenvolve o Projeto Áridas e o Programa Nacional de Combate à Desertificação . a Cordilheira dos Andes (rio Amazonas) e Planalto Brasileiro. normalmente. No Rio Grande do Sul houve caso típico de desertificação quando a prática agrícola sistemática em áreas de arenitos expôs as rochas matrizes. escoam em direção descendente. na qual as cheias e estiagens dependem da estação chuvosa e seca. como sendo "a degradação da terra nas regiões áridas. como dos Patos e Mirim. ratificada no Brasil desde 1996. e Econômicos.

O Rio Tocantins não é afluente do Amazonas.4% do Brasil. mas pertence à bacia por desaguar na Foz. Paraguai – Formada por rios de planície. O rio Amazonas e seus tributários oferecem boa condição para a navegação. é utilizado para navegação e possui pequeno potencial hidroelétrico. Com nascente em Goiás. nas na serra do Araporé (MT). Paranaíba. destacando-se o manganês. Possui regime tropical com cheias violentas. compreende 56% do Brasil. O rio Amazonas é um típico rio de planície. Estende-se da cordilheira Andina e avança por todo o norte do Brasil. próximo a Corrientes. de regime subtropical. e a vida. Grande. portanto de pequeno potencial hidroelétrico. portanto. A Bacia tem grande potencial hidráulico proveniente dos afluentes do rio principal. Paraná – Maior das três bacias. o principal afluente é o Araguaia. BACIA PLATINA Segunda maior bacia do mundo. Uruguai – Drena 2% do Brasil. Tietê e Paranapanema. Uruguai e Paraguai. Possui a maior potencia instalada de energia elétrica. navegação difícil. que são de planalto. comunicação e transportes na região dependem dos rios.BACIA AMAZÔNICA Maior bacia fluvial do mundo. mas algumas das usinas hidroelétricas possuem eclusas. ocupa 16. Em virtude de seus afluentes estarem nos dois hemisférios possui um duplo período de cheias. O Rio apresenta o fenômeno da pororoca. com desnível de apenas 60m no Brasil. É navegável e por ele são escoados muitos produtos. com duas cheias e duas vazantes anuais. quando marés quebram o equilíbrio e penetram o vale fluvial. compreende os rios Paraná. nos rios Paraná. Regime dependente das chuvas de verão. atravessa a depressão do Pantanal e nas épocas das cheias inunda uma vasta área. Desemboca no Rio Paraná. e. 21 .

a água aumentará a vazão das bacias locais. com o objetivo de dinamizar a economia. Em grande parte do vale as áreas mais propícias ao aproveitamento agrícola situam-se às margens do mesmo. conservação e preservação ambiental. PROGRAMA DE TRANSPOSIÇÃO Para enfrentar os problemas da regiã. diferem dos cursos anteriores. a elevação da qualidade de vida. A transposição associa-se às ações de revitalização. em função da transversalidade do tema. no baixo curso. com 208 km. O porto mais importante é o de Pirapora(MG).BACIA SÃO FRANCISCO Com 2. Os aluviões recentes. entre Piranhas(AL) e a foz. entre Pirapora(MG) e Juazeiro/Petrolina (dividido em trechos) e o baixo. À medida que penetra na zona semi-árida. enquanto os seus cursos médio e sub-médio atravessam áreas de clima bastante seco. nasce na Serra da Canastra. No médio e alto vales as maiores precipitações vão de novembro a março. responsável direto. Por esse motivo a maior parcela da população do vale se encontra nas proximidades do rio. gerida pelo MMA. A água será utilizada pela população urbana e pela indústria (cuja capacidade de pagamento possibilita o retorno econômico do investimento). apesar da intensa evaporação. Assim.371 km de extensão. diante da necessidade de recuperar e ampliar a sua disponibilidade hídrica. A coordenação da revitalização. graças ao mecanismo de retroalimentação. A hidrovia do São Francisco é interligada por ferrovias e estradas aos centros econômicos do Sudeste. As partes extremas superior e inferior da bacia apresentam bons índices pluviométricos. funcionam como esponjas ao reterem e liberarem as águas nos meses de estiagem. A viabilidade econômica justifica-se com a redução das despesas públicas com gastos emergenciais e assistenciais às populações. No baixo vale os meses mais chuvosos são de maio a julho. cuja área da bacia ali inserida é de apenas 37% da área total. Ressalta-se a redução das migrações para os grandes centros. interligado aos portos fluviais e marítimos. no Oceano Atlântico. o mínimo se dá dois meses após o mínimo pluvial. Apresenta dois estirões navegáveis: o médio. a ponto que. estimulando a produção agrícola dos seus vales férteis e a melhoria da manutenção dos açudes da Região. viabilizar a melhor convivência da população com a região. da baixa pluviosidade e dos afluentes temporários da margem direita. desemboca entre Sergipe e Alagoas. os arenitos e calcários. Foram desenhados dois eixos: Norte e Leste. nas cidades vizinhas a Juazeiro e Petrolina. No Norte. tem seu volume d'água diminuído. que evoluiu para a integração de bacias hidrográficas. A estiagem perdura de setembro a fevereiro. oferecer infra-estrutura hídrica. mediante o aumento da vazão da Bacia dos Rios Moxotó. decorrentes da seca. a hidrovia está ligada às capitais do Nordeste.800 km de extensão. a melhoria das condições sócioambientais da Bacia e o aumento da quantidade e da qualidade das águas. em Pirapora. Ao norte. mas mantém-se perene. representa 45% do vale e contribui com apenas 20% do deflúvio anual. que dominam boa parte da bacia de drenagem. O destaque é o projeto de transposição. Ipojuca e Paraíba. aliada à revitalização. conta também com a contribuição do MIN. com cerca de 1. a 22 . No Eixo Leste serão beneficiados os Estados de Pernambuco e da Paraíba. A área entre a fronteira Minas-Bahia e a cidade de Juazeiro. e faz parte do Corredor de Exportação Centro-Leste. Atravessa regiões com condições naturais diversas. As condições pluviométricas. Articulam-se atividades de recuperação. foi criado o Programa Conviver. cerca de 75% do deflúvio do São Francisco é gerado em Minas Gerais.

derrocamentos.O rio é totalmente navegável em 1. Rios temporários no alto e médio curso.5 m. permitindo. entre Pirapora(MG) e Juazeiro(BA)/Petrolina(PE). entre Porto Velho e sua foz. cerca de 2 milhões de t/a de cargas já são transportados pelo rio Madeira. O Rio Doce no SE atravessa região rica em minério e agropecuária. com foco na cidade de Barreiras. é realizado por rodovia até a cidade de Ibotirama na margem do São Francisco. Atualmente. Nas várzeas pratica-se a rizicultura e extração de babaçu. e deste.redução de gastos com a saúde pública e a abertura de perspectiva de desenvolvimento. quando da ocorrência do período crítico de estiagem. para a profundidade de projeto de 1.A hidrovia Guamá-Capim é um importante corredor de transporte de minérios provenientes das jazidas de caulim e de bauxita. com até 18. A partir da implantação do sistema multimodal. Sem saída para o Atlântico. Os investimentos na hidrovia. para o Porto 23 . o escoamento da produção agrícola do oeste da Bahia.000 t. de São Paulo até o Rio Grande do Sul.10% do território. balizamento e sinalização. Hidrovia do São Francisco (Corredor São Francisco) . por ferrovia. na região de Paragominas. em alguns trechos a navegação é possível.(Corredor Oeste-Norte) – É navegável numa extensão de 1. descendo o rio pelo transporte hidroviário até Juazeiro/Petrolina.Abrange 2.5% do território. BACIA DO SUL .056 km. PRINCIPAIS HIDROVIAS Hidrovia do Madeira . Hidrovia do Guamá-Capim (Corredor Araguaia-Tocantins) . compreendem dragagens. vai de Sergipe até São Paulo. BACIAS SECUNDÁRIAS BACIA DO NORDESTE . o rio São Francisco tem seu aproveitamento integrado ao sistema rodo-ferroviário da região. Os rios permanentes abrangem o Maranhão e Piauí. no rio Amazonas. mesmo na estiagem. A hidrovia está sinalizada e dragada. Hoje. Os temporários são de regime semi-árido e secam na estiagem. Predominam rios de planalto. BACIA DO LESTE . a navegação de grandes comboios. com rios perenes e temporários. observa-se a formação de relevantes pólos agropecuários. mas de pequeno potencial elétrico. com expectativa de movimentar 2 milhões t/a.371 km. como o Paraguaçu e Pardo. Pequeno potencial hidroelétrico.6% do território.

Sistema de transporte de utilização tradicional e natural. principalmente. desde Cáceres até o estuário do rio da Prata. além de três terminais privados expressivos. Ambas importantes para viabilização da produção agrícola da região CentroOeste.Implantação das hidrovias do Tocantins-Araguaia e do Tapajós. Hidrovias em projeto . a movimentação no rio Tietê aproxima-se de 2 milhões de toneladas.de Aratú (BA). nos 150 km próximos à Cáceres.100 km entre Conchas no rio Tietê e São Simão(GO). cascalho e cana de açúcar.400 km navegáveis. Por 3 meses ao ano.10 m de calado. deixar de navegar. respondendo à expectativa de interação comercial. Os fluxos de carga vêm crescendo. manganês e soja. que conecta o interior da América do Sul com os portos de águas profundas no curso inferior do rio Paraná e da Prata. 24 .000 t/a. Faz parte da Hidrovia do Sul as Lagoas dos Patos e Mirim. Hidrovia Tietê-Paraná (Transmetropolitano do Mercosul e Sudoeste) A hidrovia Tietê-Paraná permite a navegação em extensão de 1. atingindo 2. Outro trecho é o que se estende de Corumbá até a foz do rio Apa. O trecho da hidrovia Paraguai/Paraná pode ser dividido em dois segmentos. em estiagens rigorosas. com grandes reduções de custos. devido às peculiaridades de calado e formação dos comboios. a navegação no trecho sofre limitações. encaminhada aos portos do norte do País. Computadas as cargas de pequena distância como areia. entre Rio Grande e Porto Alegre. que constituem o estuário do Guaíba. Na Lagoa dos Patos a navegação é realizada por embarcações fluviomarítimas. a distância média de 700 km. de até 5. rio Paranaíba até ltaipu. cuja transposição é realizada através de eclusa. Corumbá e Ladário. e tem como principais portos: Cáceres. A movimentação anual fica em torno de 60. Hidrovia do Paraguai(Corredor do Sudoeste) . Ela já movimenta mais de um milhão de toneladas de grãos/ano. Com 3.442 km de extensão. e os comboios têm de operar com menos carga ou. A barragem de Sobradinho. As principais cargas transportadas no Brasil são: minério de ferro. o canal de São Gonçalo que liga o rio Jacuí ao Taquari.

PORTOS NO BRASIL CLIMA NO BRASIL É regulado pela dinâmica atmosférica. Mudança significativa do clima supõe variação nesse arcabouço. em domínio espacial determinado”. pelas zonas climáticas. as formas do relevo e a distribuição das terras e águas concorrem para completar a caracterização do mosaico climático nas escalas menores. é necessário entender o papel dos seguintes fatores: − A água e micropartículas presentes na atmosfera influem de forma relevante. Conforme a latitude ou estação do ano. e obedece a modelos conhecidos. como manifestação habitual da atmosfera em determinado ponto. umidade). − Finalmente. ventos. ambos impulsionados pelos grandes anticiclones estacionários. O clima. Pode ser identificado não apenas pela Em 1959 a Organização Meteorológica Mundial definiu o clima como “conjunto flutuante de condições atmosféricas caracterizadas pelos estados e evolução do tempo no curso de um período suficientemente longo. é um dos importantes recursos naturais à disposição do homem e foi considerada matéria de 25 . portanto. mas pelo conjunto dos seus elementos (precipitação. predominam os fluxos zonais ou meridianos. Para entender seu mecanismo. pois é responsável pela repartição da fauna e flora. temperatura. − A forma do planeta se explica pelas diferenças de latitude. − A inclinação do eixo de rotação e a translação permitem entender o ciclo anual dos fenômenos do clima. aquecimento e circulação. O CLIMA COMO RECURSO NATURAL Considera-se como recurso natural todo e qualquer componente da natureza que o homem pode usar em seu benefício.

assim carregando umidade marítima para a faixa leste mais próxima do litoral do Brasil.Massa Tropical Continental . a Tropical. as massas de ar que interferem mais diretamente no Brasil. Os esporádicos episódios de neve na região serrana do sul ocorrem quando um sistema de baixa pressão acompanha a massa de ar sobre a costa litorânea da região sul. recurso essencial. parte do nordeste e sudeste além de pequena área mais ao noroeste da região sul. onde suas características são bem individualizadas. e a Polar Atlântica que proporciona diferenciações climáticas.Estas massas interagem entre si. O alto calor associado à umidade provoca o surgimento de instabilidade que associadas à ZCIT provoca área de grande nebulosidade e temperatura. segundo o IBGE. pela condição do clima. seu relevo e a dinâmica das massas de ar sobre seu território.Originada na Amazônia central e influenciada pela ZCIT. tanto Continental como Atlântica. A massa pode ser de deslocamento continental e atlântica. Massa Equatorial Continental . As superfícies por onde se deslocam modificam suas características e qualidades. em grande parte. pois atua diretamente sobre as temperaturas e os índices pluviométricos nas diferentes regiões do país. Massa Tropical e Equatorial Atlântica . depois seca mEc mEa mTa mTc mPa Os avanços e recuos das massas é que vão determinar o clima. decorrentes de suas propriedades. possui uma diversificação climática bem ampla. A de deslocamento atlântico tem sua área de influência mais restrita e normalmente atinge apenas a região sul. É a responsável pelas ondas de frio no centro-sul do país. A água doce. porém de rápida duração. Denominação Equatorial Continental Equatorial Atlântica Tropical Atlântica Tropical Continental Polar Atlântica Massas de Ar que atuam no Brasil Centro de Origem Características Noroeste da Amazônia Quente e Úmida Anticiclone dos Açores Quente e Úmida Anticiclone de Santa Helena Quente e Úmida No Chaco Paraguaio e Boliviano Quente e Seca Patagônia inicia fria e úmida. Em especial. também Continental e Atlântica. são a Equatorial. porém durante os meses de verão pode atingir o centro-oeste. sua significativa extensão costeira. principalmente sobre a região norte. pois imprimem em cada área em que passam certas características. mas não causam chuvas significativas. pelas suas dimensões continentais. As faixas periféricas ou de transição são sempre de alto risco porque são mal definidas e podem apresentar flutuações.interesse comum da humanidade por decisão da ONU em 1989. que é a massa equatorial continental. Massa Polar . A ocorrência de precipitação anual significativa é uma das condições para se implantar uma hidroelétrica. A massa de ar provoca valores elevados de precipitação acumulada. tem sua distribuição e estoques determinados. Os ventos alísios. As práticas da agricultura têm mais sucesso quando exercida nas chamadas áreas core dos domínios climáticos. A frente fria que acompanha a massa na borda frontal causa chuvas de intensidade moderada a forte.Quentes e úmidas. isto é. A instabilidade produzida é responsável pela nebulosidade sobre a região central amazônica. e a passagem de centros de alta pressão sobre o oceano fazem os ventos voltarem-se para o continente. O encontro da polar com a tropical continental é a grande causa da formação das frentes frias. influenciada pela sua configuração geográfica. gerando geadas e neve no sul do Brasil e friagens no oeste amazônico. MASSAS DE AR Brasil. Esse último fator assume grande importância. Sua atuação é constante na região norte. 26 . o que acaba por transformá-la.

É o aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico.FENÔMENOS O acompanhamento de fenômenos como as fases quentes (El Niño) e as frias (La Niña) da Oscilação Sul são fundamentais para o País. Média de 24°C. a saber: • clima equatorial úmido – Compreende a Amazônia Enorme incidência solar. do Maranhão. Abrange os estados de Minas Gerais e Goiás. Seus efeitos na região Sul: passagens rápidas de frentes frias. No Centro-Oeste há a tendência de chuvas acima da média e temperaturas mais altas no sul do Mato Grosso do Sul. durante a estação chuvosa. No Norte ocorrem secas de moderadas a intensas. aumento da temperatura média do ar. carrega condensa e retorna como chuva. de fevereiro a maio. clima tropical próximo ao árido com médias pluviométricas inferior a 1000mm. exceto e parte do Centro-Oeste. No nordeste: secas de diversas intensidades no norte do Nordeste. que logo no Planalto das Guianas. Nesse clima. É um clima tropical típico. No Sertão há o encontro de quatro sistemas atmosféricos oriundos das massas de ar mEc. mTa. parte da Bahia. Altera o padrão normal de circulação atmosférica. As chuvas concentram-se num período de 3 meses. La Nina . El Niño . quando o ar ascende. grande quantidade de água e umidade. principalmente no litoral do Nordeste. principalmente por causa dos diferentes impactos climáticos que ocasionam. Modifica a circulação atmosférica. Mato Grosso do Sul. predominam no Brasil cinco grandes climas. do Piauí e do Ceará. clima tropical tendendo a ser seco Abrange o Sertão do Nordeste. no norte e no leste da Amazônia. DOMÍNIOS CLIMÁTICOS De acordo com a classificação climática de Arthur Strahler. parte de São Paulo. No Sudeste: temperaturas abaixo da média durante inverno e verão. Está associada a incêndios. • 27 .É o resfriamento das águas do Pacífico. Seus efeitos na região sul: precipitações abundantes (primavera) e chuvas intensas de maio a julho. com uma estação chuvosa (verão) e outra seca (inverno). No Nordeste: frentes frias. mPa. No Norte: chuvas abundantes no norte e nordeste. matas acrescentam muita muita umidade. No sudeste ocorre moderado aumento das temperaturas médias. • clima tropical alternadamente úmido e seco. quente e semi-úmido. mEa.

planos mais baixos encontrados nos escudos. ou maciços antigos. menor a irradiação terrestre que aquece o ar em contato com a superfície. geralmente alojadas em compartimentos de planaltos. Estão associados à presença de combustíveis fósseis . mas desiguais. aumentando os valores de albedo de 5 a 15%. que provoca chuvas fortes. Abrange o Brasil Meridional. e clima subtropical úmido das costas orientais e subtropicais. o carvão. Esse processo ocorre ainda hoje. Araguaio-Tocantins. sugerem a existência de mecanismo produtor de chuva. cuja grande extensão permite dividi-lo em seis: Sul-Amazônico. A massa de ar que exerce maior influência nesse clima é a tropical atlântica (mTa). E as massas de ar úmido que a atingem acabam provocando a chuva orogênica para a zona da mata ao chegar ao planalto da Borborema. preenchidos por detritos ou sedimentos das áreas próximas. por ser um ar mais frio. porção localizada ao sul do Trópico de Capricórnio. Não existem. com médias térmicas e índices pluviométricos elevados. o xisto e o gás natural. estáveis. Atlântico. produzindo as nuvens de chuva. No caso do Nordeste. portanto os dobramentos modernos. como as de Curitiba. RELEVO NO BRASIL O território brasileiro é formado por duas estruturas: os escudos. O índice médio anual de pluviosidade é elevado e as chuvas são bem distribuídas durante todo o ano. sendo. aproximadamente 64%. Gurupi e Bolívio Mato Grossense. • RAZÕES DA SECA NO NORDESTE O sistema atmosférico de circulação de ar é a melhor maneira de estudar os domínios climáticos. Correspondem à 36% de nosso território e divididos em duas porções: o escudo das Guianas. Os sistemas frontais (frentes frias) exercem influência sobre o sistema desempenham papel importante na precipitação. Os períodos de precipitação. dando origem às chuvas frontais com precipitações devidas ao encontro da massa quente com a fria. o que impedem que se produza ascensão de ar indispensável à formação de nuvens. Constituem grandes bacias como a Amazônia. é um clima quente e úmido. SulRio Grandense. O restante. magmático-plutônicas ou metamórficas. ao norte da Planície Amazônia. A base estrutural do nosso território é de natureza cristalina. tem freqüência de penetração de frente polar. O excesso populacional agrava um processo de desertificação existente. na parte Centro-Oriental do nosso país. No inverno. portanto. ou seja. e o escudo Brasileiro. São extensões resistentes. São depressões relativas. o trecho semi-árido é atingido pelo ar subsidente das Células de Walker (direção oeste-leste) e Hadley (norte-sul) no ciclo subsidente (ar seco que desce). Isso porque. desgastados e associadas à minerais metálicos. é coberta por terrenos sedimentares. ou o Recôncavo Baiano. As duas principais estações: verão (chuvoso) e inverno (menos chuvoso). 28 . ou pequenas bacias. processo que pode ser interrompido pelo El niño. e as bacias sedimentares.o petróleo. São blocos de rochas antigas. existentes. com o desnudamento do terreno. a provocar a ascensão de ar local.• clima litorâneo úmido Abrange o território brasileiro próximo ao litoral. Os fatores não naturais são a sobrecarga que o ser humano impõe ao local. com predominância da massa tropical atlântica. onde ocorre a condensação do vapor de água atmosférico. fazendo com que não exista a estação da seca. tende ao se deslocar para o Nordeste.

a classificação comum do relevo brasileiro foi a proposta do geógrafo Aroldo de Azevedo. dobramentos antigos e bacias sedimentares. em 1995. foi apresentada nova proposta. recortada e interrompida pro depressões. um grande trecho de planalto e uma enorme área de depressão. em associação com duas manifestações de plataformas e em associação com os dobramentos antigos. soerguendo as plataformas. e • Com as depressões. de Jurandyr Ross. sem que o processo fosse uniforme. Assim. na nova são identificadas como grandes depressões. A nova classificação introduz uma terceira: as depressões. Destaca-se o modo como se deu a erosão nas áreas em que havia contato entre os planaltos cristalinos e os sedimentares. há planaltos em associações com as bacias sedimentares. Ao longo de milhões de anos. O mesmo ocorre com outras áreas de terras rebaixadas. estes em áreas de escudos cristalinos e bacias sedimentares. o que explica por que o território brasileiro é marcado pelo predomínio planáltico de baixa altitude. A orogênese que deu origem aos dobramentos modernos na costa ocidental da América teria repercutido numa grande extensão do território sob a forma de epirogênese. Ao todo são onze planaltos. Assim. a perda de continuidade territorial dos planaltos e o destaque que Ross deu aos planaltos associados aos dobramentos pré-cambrianos. Entretanto. as formas de relevo foram desgastadas pela erosão que se processou por condições climáticas. a continuidade antes atribuída aos planaltos foi perdida. observam-se as seguintes diferenças: • A classificação tradicional identifica apenas planícies e planaltos. O resultado foi elevação das bacias sedimentares mais ou menos no nível das plataformas cristalinas. • A nova identifica. A erosão diferencial deve-se à menor resistência 29 . com poucas planícies e sem grandes depressões interiores. onze depressões e seis planícies. com dinâmica diferente de analisar o relevo. enquanto as anteriores classificavam de planície.Durante muito tempo. • Extensas áreas caracterizadas como planaltos. Confrontandose a proposta clássica com a nova. obtendo como resultado o aumento da nomenclatura dos segmentos do relevo. que anteriormente eram designadas como planícies e agora passaram a serem chamadas de depressões. na bacia Amazônica.

separando os terrenos cristalinos do oriente dos derrames vulcânicos da Bacia do Paraná. com formas de topos planos ou levemente convexos. esculpidos nos sedimentos da formação do Solimões. Logo. Os planaltos e chapadas da Bacia do Paraná exibem terrenos sedimentares onde ocorreram derrames vulcânicos. as depressões ganham um imenso S. importante caminho de interiorização seguido pelos vaqueiros e criadores nordestinos. Há a questão do desaparecimento da Planície Amazônica. A elevação do Espigão Mestre separa os afluentes do rio São Francisco dos afluentes do Rio Tocantins. portanto um planalto. denominada Chaco. A rápida urbanização brasileira é fator que têm contribuído para a degradação ambiental em diferentes biomas. A Depressão Sertaneja e do São Francisco foram. A face leste recebe os ventos úmidos do litoral que provocam chuvas freqüentes e propiciam condições ideais para o cultivo de frutas tropicais. Trata-se da linha de serras dos Planaltos Residuais Norte-Amazônicos. Quanto à depressão ocidental. para definição dos quais consideram-se aspectos do relevo e dos climas. argentinas e bolivianas. Depressões: exibem predomínio de processos erosivos. A apropriação e a preservação de territórios e ambientes sem uso produtivo imediato é uma forma de controlar o capital natural para o futuro. No Sudeste: serras do Espinhaço (jazidas minerais do Quadrilátero Ferrífero) e da Mantiqueira (mares de morros). Pode-se afirmar que o empobrecimento dos solos. As escarpas aparecem na transição entre áreas rebaixadas e planaltos. existe frente de cuestas (escarpas típicas de erosão em bacias sedimentares). a fim de se alcançar o desenvolvimento sustentável. encontram-se alguns dos pontos mais elevados do Brasil. é bacia sedimentar marcada por topos convexos. 30 . como é o caso da Serra do Mar. No Sul e no Sudeste.do material sedimentar. A Chapada dos Parecis funciona como divisor entre as águas da Bacia do Paraguai e as da Bacia do Amazonas. embora não constitui um planalto. A parte oriental. As Planícies e Tabuleiros Litorâneos estendem-se do Maranhão ao Rio Grande do Sul. Ao norte das depressões amazônicas. Ao norte. funcionando como bacia de captação de cursos pluviais. exibe terrenos em torno de 200metros. A reflexão sobre o meio ambiente. o desequilíbrio ecológico e a perda da biodiversidade tiveram início no período colonial. chegando quase a desaparecer em trechos da costa Sul e Sudeste. Planaltos: áreas onde o processo de erosão predomina sobre o processo de deposição de sedimentos. A Planície e Pantanal Mato-Grossense é a mais típica planície brasileira. e junto às fronteiras com as Guianas e a Venezuela. o solo de maior fertilidade natural do país. Freqüentemente têm denominações tecnicamente inadequadas. OS ECOSSISTEMAS E AS CAUSAS DE SUA DEGRADAÇÃO Costuma-se denominar ecossistemas grandes domínios paisagísticos. exige paradigmas que alterem a relação homem/ natureza verificada desde o período colonial. A face oeste da Borborema está sujeita a longas secas. O planalto da Borborema se interrompe a depressão. que resultou em rebaixamentos nas bordas dos escudos cristalinos. no passado. Constitui parte de uma depressão relativa encaixada entre a Cordilheira dos Andes e os planaltos do Escudo Brasileiro. que abrange terras brasileiras. que raramente ultrapassam 300 metros e foram erodidos sobre sedimentos recentes. A decomposição do basalto deu origem à famosa terra roxa. Planícies: áreas onde a sedimentação se sobrepõe a erosão. e não pode ser indicada como planície. paraguaias. Os altos e médios vales dos rios Tocantins e Araguaia são depressões tipicamente caracterizadas. Esses rebaixamentos que ocorrem em todo o território são as depressões. a erosão é o processo que predomina na região. pois é uma área muito deprimida.

com eventual utilização de matéria prima importada. mas com habilidade manual. Rússia e China constituem os centros dessa economia supra-regional. maior 31 . movimentam capital internacional e expandem os serviços e o mercado de capitais e financeiro. A produção submete-se ao conhecimento cientifico – predomínio da ciência pura sobre a aplicada. Maiores recursos são destinados à evolução cientifica. Suas leis estão fundamentadas na substituição do trabalho diretamente produtivo e da divisão natural do trabalho. Japão. Os antecedentes vêm da IIGM. ampliação dos trabalhadores de serviços e do mercado informal. A pesquisa e desenvolvimento no interior das empresas a define. Abandonase a produção extensiva baseada na expansão das forças produtivas existentes. e o novo padrão tecnológico que tende a se generalizar por todo o sistema produtivo. Aumenta a competitividade internacional com fusões empresariais. automação e administração cientifica. geradas pela RCT e transferem parte da produção aos menos desenvolvidos. inicia-se um processo de integração dos sistemas produtivos mundiais. EUA. É nova etapa do desenvolvimento das forças produtivas. XIX sob a hegemonia da Inglaterra. Todas as regiões do mundo passam por processos de integração. Empresas multinacionais articulam um sistema complexo de produção a partir de diferentes pontos do globo. como competitiva. A partir de 45. Na sociedade surge tempo de trabalho excedente e de tempo livre. O processo de produção e organização do trabalho exige novo sistema de gestão das relações sociais. A passagem do fordismo ao toyotismo representa a concentração e centralização da produção. o que provoca mudanças radicais no desenvolvimento das forças produtivas. A nova divisão do trabalho tende a se estender internacionalmente. ou não. quando surgem ramos de produção dependentes do conhecimento cientifico como energia nuclear. A RCT E A GLOBALIZAÇÃO O surgimento da economia mundial passou a vincular vários universos econômicos regionais num mercado mundial. os processos de produção têm base local ou nacional. saúde. e entra a produção intensiva baseada na administração dessa base produtiva. com diminuição de produtores diretos agrícolas e industriais. se consolida no séc. A forma cientifica do conhecimento passa a ocupar papel central e articulador do conjunto da vida. O aumento das necessidades espirituais e o papel subjetivo na dinâmica social provocam a sofisticação da produção e a busca pela diversificação crescente para atender essa subjetividade e individualidade. EU. quando países desenvolvidos tendem a dedicarem-se as atividades novas. O leste europeu se reintegra na economia mundial. e paises menos desenvolvidos tendem a se isolarem e se marginalizarem. O Japão articula parte da economia asiática em torno da exportação para os EUA. Os paises de desenvolvimento médio recebem industria de produção e outras partes do complexo produtivo global. Até a IIGM. Exige-se mão-de-obra barata. A informação e preparação de quadros de pesquisa transformam-se em nova atividade econômica. A preocupação ambiental tende a deslocar as indústrias para os NICs. Inicia a articulação da CEE. habitação e lazer. em escala variadas.REVOLUÇÃO CIÊNTIFICA TECNOLÓGICA Theotonio dos Santos parte da premissa que o conhecimento cientifico possui papel relevante na organização das atividades produtivas. novos materiais e biotecnologia. Novos complexos produtivos em escala global reforçam o sistema de redes para articular flexivelmente um conjunto de empresas hierarquizadas. educação. Há modificação na estrutura de empregos.

Nessa condição. bolsas de valores e suas centrais de serviços auxiliares na rede dos fluxos financeiros. Aponta como características indesejadas do processo: Está associada ao processo econômico da divisão social do trabalho internacional ou interna. foram marginalizados. a fragmentação social expande-se na medida em que as identidades tornam-se mais especificas e difíceis de serem compartilhadas. São campos de coca e papoula. presente na lei de desenvolvimento desigual e combinado da economia capitalista. São sistemas de televisão. as redes constituem "a nova morfologia social de nossas sociedades. os padrões de comunicação ficam sob estresse permanente. São conselhos de ministros e comissários europeus da rede que governa a UE. − A pobreza incluída iniciou-se como um processo associado a problemas privados. posteriormente. − Com relação à dívida social. Para Castells. A REVOLUÇÃO DA TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO Para Castells. Para Castells a síntese de rede é o conjunto de nós interconectados: “O que é um nó depende do tipo de redes concretas. O conjunto de transformações das forças produtivas assume a forma de processo de globalização da economia mundial. mas a globalização não tem mudado o perfil dessa forma de pobreza. poder e cultura”. laboratórios clandestinos. assistencialistas e locais. e. os pobres já foram incluídos. que seriam: pobreza-marginalidade. pistas de aterrisagem. Reafirma-se o G8 como instância reguladora e coordenadora mundial provisória e introduz nos sistemas reguladores o conjunto das nações do globo. O aparelho institucional das relações internacionais converte-se numa camisa de força para os novos níveis de integração mundial. mais presente. por outro defende que a novidade está na existência de uma base material para sua expansão penetrante na estrutura social. e a difusão da lógica de redes modifica de forma substancial a operação e os resultados dos processos produtivos e de experiência. a pobreza-marginalidade é considerada a doença da civilização e o consumo apresenta-se como o centro da explicação das diferenças e das percepções das situações. e instituições financeiras para lavagem de dinheiro. sem dúvida. A regulação dos mercados exige formas supranacionais. Milton Santos afirma que os países subdesenvolvidos conheceram pelo menos três formas de pobreza e. atualmente.disponibilidade financeira em escala mundial e mudanças das intervenções empresariais no mercado. paralelamente. estão sendo excluídos. − A pobreza estrutural globalizada impôs-se como natural e inevitável nos tempos atuais. pobreza incluída e a pobreza estrutural globalizada. a sociedade esta estruturada em torno de oposição entre a rede e o ser. sociedades e Estados do mundo inteiro. Haveria tendência histórica dos processos dominantes na era da informação de se organizar em torno de redes. três formas de dívida social. baseada na coexistência de regimes diversos e até antagônicos. Essa − classificação está atrelada ao processo de globalização perversa. Se por um lado Castells reconhece que isso não é novo. hoje. A tecnologia de comunicação permite instantaneidade entre todos os paises. O mercado mundial é cada vez mais formado por acordos negociados entre os agentes econômicos. Desaparece a forma imperialista da economia mundial. pois há uma produção globalizada da pobreza. na segunda metade do século passado. em A Sociedade em Rede. Incorpora-se nova visão global da gestão. estúdios de 32 . nos países pobres.

trabalhadores e empresas devem voltar-se para a flexibilidade e adaptabilidade. A partir dessas redes é re-investido em todos os setores. embora sem dúvida dispense trabalhadores e elimine alguns postos de trabalho. cultura de desconstrução e reconstrução contínuas. Castells enfatiza a necessidade lógica de estar-em-rede: para não sucumbir é preciso estar nas redes. que compartilham os mesmos códigos de comunicação (valores ou objetivos de desempenho). na era da informação”. Nele. O capital financeiro condiciona o destino das indústrias de alta tecnologia. meios de computação gráfica. Caberia perguntar como podem os excluídos integrarem-se nas redes. o capital é global ou se torna global para entrar no processo de acumulação da economia em rede eletrônica. o que importa é sua circulação e seu consumo rápidos e geradores de enormes lucros. gerando novos nós. não resultou e provavelmente não resultará em desemprego em massa no futuro previsível”. O resultado da rede é zero: os perdedores pagam pelos ganhadores”. Ou a viabilidade de um caminho alternativo. a tecnologia e a informação são ferramentas decisivas para gerar lucros e apropriar fatias de mercado. capitais específicos elevam-se ou diminuem. Do ponto de vista do trabalho. Nessa sociedade em rede há primazia da morfologia sobre a ação social. É revertido para a metarrede de fluxos financeiros e transformado em commodities. devido à ampla incorporação de mulheres ao mecado de trabalho. definindo o destino de empresas. as relações sociais entre capital e trabalho "sofreram 33 . "configuram os processos e funções predominantes em nossas sociedades”.entretenimento. O CAPITAL FINANCEIRO Castells fala que o capitalismo mudou e tem como característica fundamental: ser global e estruturado. política destinada ao processamento instantâneo de novos valores e humores públicos. moedas e economias. Redes são instrumentos para a economia baseada na inovação. é uma fonte de drástica reorganização das relações de poder. Por outro lado. O capital flui e suas atividades induzidas de produção. conceitos mágicos do neoliberalismo. O que ocorre com a mão-de-obra e com as relações sociais de produção? Há mais empregos do que em outras épocas. transmitindo e recebendo sinais na rede global da nova mídia no âmago da expressão cultural e da opinião pública. “É na interação entre o investimento em empresas lucrativas e o uso dos lucros acumulados para fazê-los frutificar nas redes financeiras globais que o processo de acumulação se baseia”. o capital financeiro depende do conhecimento e da informação gerada pela tecnologia da informação. “A difusão das tecnologias da informação. Para Castells a inclusão/exclusão em redes e a arquitetura das relações entre redes. Por outro lado. Redes são estruturas abertas que tendem a se expandir. possibilitadas por tecnologias rapidíssimas da informação. equipes para cobertura jornalística e equipamentos móveis gerando. gerenciamento e distribuição espalhamse por redes interconectadas de geometria variável. organização social que visa a suplantação do espaço e invalidação do tempo. A acumulação de capital prossegue e sua realização de valor é cada vez mais gerada nos mercados financeiros estabelecidos pelas redes. trabalhadores e empresas voltadas para a flexibilidade e adaptabilidade. Não interessa o conteúdo circulante da rede. Fora delas não há salvação. globalização e concentração descentralizada. Para sua operação. Assim. para o trabalho. poupanças familiares. A lógica de redes gera “uma determinação social em nível mais alto que a dos interesses sociais específicos expressos por meio das redes: o poder dos fluxos é mais importante que os fluxos do poder”. Assim.

mas estar nela. especialmente pela incorporação maciça da mulher ao trabalho. como as de Seattle. e afirma que há mais postos de trabalho e uma proporção mais elevada de pessoas em idade de trabalhar empregadas que em nenhum outro momento da história. Essa contenção do otimismo funciona como um dique à adesão fácil. Analisa que o grande problema não está no desemprego. interesses e projetos”. que opera a partir do conceito naturalizado de rede. A difusão das tecnologias de informação não provoca desemprego.. Esse otimismo contido assim se formata: a sociedade em rede. "pois reduz tempo de trabalho por unidade de produção e aumenta a flexibilidade no trabalho. capital e trabalho tendem a existir em diferentes espaços e tempos: o espaço dos fluxos e dos lugares. mas em redes de resistência. A MÍDIA EM REDE Para Castells "as expressões culturais são retiradas da história e da geografia e tornam-se mediadas pelas redes de comunicação eletrônica que 34 . Dupas chama o posicionamento de Castells de "otimismo contido". fragmentada em sua organização.. Então. A mão-de-obra está desagregada em seu desempenho. A oferta de empregos migra para as regiões mais pobres. operando as tecnologias da informação. As redes convergem para uma metarrede de capital que integra os interesses capitalistas em âmbito geral e por setores e esferas de atividades (. pois "Embora as relações capitalistas de produção persistam. mas convive com a precarização do trabalho. condições de trabalho. É isso que restitui o espaço da política na construção de redes naturalizadas. etc. pelo fato de que as sociedades mais avançadas. não afirma a possibilidade de tratar no mesmo nível as redes que globalizam o capital e cultura. DESNATURALIZANDO Capital e trabalho parecem não necessitar mais de diplomatas ancorados na modernidade que realizem acordos. contra a OMC. Castells não fala em confronto. e apresentaram menores índices de desemprego". à medida que a existência do capital global depende cada vez menos do trabalho específico e cada vez mais do trabalho genérico acumulado. individualizando cada trabalhador". O que interessa não é estar em rede. tempo de redes computadorizadas versus tempo da vida cotidiana. O capital é global. a difusão das tecnologias da informação não tem como resultado um desemprego massivo. mas sim na deterioração das condições de trabalho. as redes de televisão. diversificada em sua existência. produz maravilhas. As transformações no mundo do trabalho no capitalismo flexível da era da informação não têm como conseqüência o aumento do desemprego.transformação profunda”. nem parece que o fará em um futuro previsível". apenas informa. “O informacionalismo leva à concentração e globalização do capital exatamente pelo emprego do poder descentralizador das redes. sem ter causado fraturas importantes no mercado. Isso poderia ser comprovado". operado por pequeno grupo que habita os palácios virtuais das redes globais". construindo um texto descritivo-informativo. criaram maior quantidade de postos de trabalho. Segundo ele. sem o qual não há eficácia.). mas não propõe modelos alternativos. o trabalho em geral é local. Mas. "fato demonstrado pela explosão do trabalho infantil na última década". eles vivem lado a lado sem se relacionarem. como os mercados de bolsas de valores. a circulação das drogas. que necessitam estar na rede para combater. Os trabalhadores perdem sua identidade coletiva. tornam-se cada vez mais individualizados quanto as capacidades. A definição iguala inúmeros tipos de redes.

As identidades legitimadoras dão espaço para a difusão das identidades de resistência na sociedade em rede. o conceito de "política" é desorientado. Desta forma. trinta anos após a descoberta. os excluídos da rede. O processo de colonização. Não que esses desapareçam. Não que toda política possa ser reduzida a isso. O INTEMPORAL CASTELLIANO Para Castells "o tempo intemporal parece ser o resultado da negação do tempo nas redes do espaço de fluxos. "germinada nos campos da história pelo poder da identidade". revelando os mecanismos discursivos na mídia. tal como 35 . a cultura é retirada da história. Com isso. Por isso é que a informação representa o principal ingrediente de nossa organização social. FORMAÇÃO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO HISTÓRICO DA OCUPAÇÃO DO TERRITÓRIO A decisão portuguesa de dar início à colonização da América. A liderança é personalizada e formação de imagem é geração de poder. mas politicagem. "Como a informação e a comunicação circulam pelo sistema de mídia. pode-se afirmar que aspecto primordial da primeira fase do capitalismo no Brasil se dá por meio da circulação das mercadorias. revolução industrial) e no novo estágio atual a qual a cultura se refere. A análise do discurso. cumprem função fundamental. restando a outra parcela. A construção das formas dominantes desenvolve rede que ignora as funções não essenciais. A política não é a arte da inscrição da voz excluída. com investimentos e políticas públicas dos países mais ricos. por fim incluídos em um hipertexto audiovisual digitalizado". nos perdemos com as mudanças simbólicas processadas por redes multiformes. Essa rede acolhe os objetos de discurso e sinais enviados pela sociedade já integrada a rede. Nesse sentido. Pelo fato de termos uma visão histórica de mudanças sociais meio fechada. Ou seja. É nesses "recônditos da sociedade". gera-se distância infinita entre essa rede e a maioria das pessoas. e os fluxos das mensagens e imagens constituem o encadeamento básico de nossa estrutura ". "marcada pela autonomia da cultura visà-vis as bases materiais de nossa existência". Em termos de relação entre natureza e cultura. Enquanto isso. É modelo cultural de interação e organização social.interagem com o público e por meio dele em uma diversidade de códigos e valores. em redes múltiplas. deveu-se ao perigo concreto de perdê-las para concorrentes europeus. mais individualizadas. transformando-se em digital. o tempo cronológico. suplantando a natureza a ponto dessa ser renovada artificialmente como forma cultural. mas seu sentido estrutural deixa de existir". atividades e locais. A construção dessa rede se fez passo a passo. que se nota a geração de uma nova sociedade. como os franceses. naturalizada. CONCLUSÃO Surge às portas da Era da informação crise de legitimidade que esvazia de sentido e de função as instituições da era industrial. O Estado perde suas bases políticas. como grupos subordinados e os territórios desvalorizados. é medido e avaliado diferencialmente para cada processo de acordo com sua posição na rede. o primeiro modelo foi o de dominação da natureza sobre a cultura. eles existem na mídia. e a sensível redução dos lucros do comércio oriental de especiarias. É o começo de nova existência. A sociedade em rede representaria "transformação qualitativa da experiência humana". o segundo foi o de dominação da natureza pela cultura (era moderna. desorganizando as bases da democracia liberal dos últimos dois séculos. mas sejam quais forem os atores. a prática política ali cresce.

Sudeste e Centro-Oeste ocorreu a partir do séc. Os núcleos litorâneos desenvolveram-se em função da exploração extrativista e da produção agrícola. o que permitiu a implantação de pequenos núcleos que. através de colonização oficial ou particular. Essa primeira etapa de ocupação territorial foi caracterizada por atividades predatórias voltadas para extração da madeira. o incremento demográfico teve importância na atividade agrícola canavieira. que contribuiu para uma expansão da ocupação do território. ou mesmo direcionando este movimento. XVII. a difusão cafeeira deu-se com a expansão da rede ferroviária. voltados para a subsistência. A ocupação do Nordeste. Posteriormente. Por volta do séc. A ocupação teve início a partir de sua faixa litorânea. contribuindo com a expansão dessa lavoura e favorecendo o crescimento demográfico do estado. a ação colonizadora instalou mais de vinte colônias que permaneceram até o fim do século. Neste. a população ficou bastante restrita ao litoral. Nos séculos XVI e XVII a lavoura canavieira e a criação de gado foram atividades que contribuíram para a efetivação da ocupação do espaço brasileiro. não prosperaram. altos custos dos meios de transporte e da escassez da mão de obra. XVII é que a penetração foi efetiva. No extremo sul do Brasil. exceto em algumas regiões. Essa ocupação inicial não mudou em quase nada as condições naturais. porém. indicando um vínculo e uma fraca articulação com o interior do território. o ritmo foi mais rápido que em São Paulo. 36 . subordinou-se ao processo de surgimento do capitalismo europeu de base mercantil e de sua afirmação ao longo da Idade Moderna. o uso inadequado dos solos cultivados com o café levou-as ao esgotamento rápido. As novas ocupações tiveram como objetivo principal à criação de animais e deu origem à formação dos primeiros núcleos urbanos no interior. a ocupação de seu interior deu-se através da instalação da pecuária bovina em áreas não propícias ao desenvolvimento da cana-de-açúcar. No sudeste surgia São Paulo. No litoral do nordeste. Como conseqüência dessa expansão. a descoberta de minerais provocou o deslocamento do povoamento para o interior. XIX. vinculados à exploração econômica de jazidas. onde. fatos que foram compensados pelo preço do açúcar no mercado europeu. como a área ao redor de Belém. Goiás e Mato Grosso. foi no sul do país que esse modo ocupacional de terras foi mais difundido. o que promovia o deslocamento constante da lavoura cafeeira em direção às novas áreas. temporariamente. que haviam se estabelecido em áreas de campo. apesar das dificuldades com o meio físico. No entanto. ao mesmo tempo em que surgiram novas aglomerações urbanas pela atividade cafeeira. No início do povoamento.nas demais colônias ibero-americanas. A mineração contribuiu para a formação dos primeiros núcleos urbanos dependentes da mineração. No Rio de Janeiro. ainda existiam extensas áreas ocupadas por matas. índios. destaca-se a cidade de São Paulo como centro de comercialização para integração das diferentes áreas povoadas. Revelou-se então a existência de importantes riquezas minerais em terras que hoje pertencem a Minas Gerais. tendo como finalidade a exportação do couro. desenvolvendo a pecuária. foi implantado também em outras regiões de mata. uma vez que baseada na exploração aluvial. no séc. A ocupação da Amazônia ocorreu pela à existência de muitos rios. o governo português concentrou esforços para difusão da produção de cana-de-açúcar. que encontrou condições ambientais favoráveis para o desenvolvimento. XX. XVII. ocorreu centralização de antigos núcleos urbanos dessas áreas. O sistema de apropriação de terras. Nessa época. No séc. iniciou-se com núcleos de colonos açoreanos. Essa região já havia sido objeto de incursões de criadores paulistas. Somente no séc.

Em meados do séc. consolidou-se a ocupação em terras de mata do norte do Paraná. visando investimentos privados em novas áreas. em direção ao planalto. a construção de uma nova capital deu-se num curto espaço de tempo. Na década de 70. Por iniciativa oficial. na segunda metade do séc. os estados do Sul estavam quase todos ocupados. O povoamento atingiu o norte do Paraná. A ocupação no Rio Grande do Sul. dando destaque às colônias do Vale do Rio Doce (SP). Esses aspectos favoráveis ao desenvolvimento 37 . dando origem a nova paisagem. deixando os campos nas quais se instalava uma atividade criatória extensiva. empresas participaram da ocupação dessas terras. A década de 70 caracterizou-se pela ocupação das terras das Florestas da Amazônia e pela valorização das terras de Cerrado. a colonização particular promovida por estrangeiros. São Paulo estava ocupado e desmatado. tornando-se uma das áreas mais prósperas do Brasil. favorecendo o aparecimento de diversos núcleos urbanos. Em Santa Catarina. XX. de Goiás e Uvá (GO). o que permitiu a incorporação de novas áreas à economia nacional. No fim da década de 40. onde encontrou. A preocupação do governo com o desenvolvimento das regiões periféricas e a tentativa de viabilização para exploração dos recursos naturais e das potencialidades produtivas beneficiaram mais as grandes empresas do que as populações presentes. e de Dourados (MS). provocando o desmatamento dessas áreas. responsáveis pela instalação de infra-estrutura rodoferroviária. as terras devolutas passaram a ser propriedades do Estado. onde as condições eram semelhantes. Já no fim da década de 40. Esta ocupação estendeu-se desde o Acre até o nordeste do Maranhão. restando apenas reservas ao longo do Rio Uruguai. predominou a colonização particular. não existiam mais terras “livres” no Rio Grande do Sul e praticamente todas as terras de matas haviam sido destruídas. fazendo surgir uma grande frente de expansão. Nessa área. assumindo diferentes graus de intensidade. no fim da década de 30. a frente de expansão gaúcha. destacando a implantação das rodovias em direção às capitais estaduais e às regiões de fronteiras. Com a República. Esse processo de ocupação se restringia às áreas de mata. A abertura de vias de penetração permitiu a ocupação de terras distantes. que contrastavam com as extensões cobertas por cafezais. XIX. outras áreas foram objetos de colonização oficial e particular. deu-se por maioria européia. promovida pelo capital comercial europeu. A valorização das terras do Cerrado ocorreu em função de dois aspectos: a proximidade dos grandes centros urbanos do País e a topografia plana que facilitava a mecanização de atividades agrárias. A ocupação da Amazônia foi acelerada pela tentativa de integração nacional. apoiado por incentivos fiscais. do Mato Grosso. Ocorreram mudanças no traçado da malha rodoviária nacional. XX. atraiu colonos de outros estados. a ação de empresas. Aos poucos os colonos foram ocupando encostas e vales do planalto meridional. existindo apenas pequenas áreas com matas. aliadas a uma despreocupação com a ecologia local. o Estado passou a desempenhar um importante papel na ocupação do território. as pequenas e médias propriedades e a colonização oficial visando a diminuição das tensões sociais existentes nas áreas rurais permitiram sua ocupação.Na primeira metade do séc. Ainda na metade do séc. acelerando o ritmo no interior do País. Isto contribuiu para acelerar a ocupação na direção oeste. impulsionando a ocupação do Brasil Central. No Paraná esse tipo de colonização expandiu-se até o norte e juntou-se à frente de expansão paulista. estabelecendo-se em unidades de pequena produtividade e provocando o aparecimento de centros urbanos no interior do Paraná e Santa Catarina. que haviam passado por São Paulo. XX. A partir daí.

o Suriname. O Rio Grande do Sul assenta-se sobre o Uruguai.948 km de fronteiras. O período colonial é responsável por apenas 2. obrou-se o trânsito de canoas. a oeste. O Tratado de Madri de 1750 foi negociado sob a influência da doutrina das fronteiras naturais. enquanto mais de metade da extensão dos limites de horogênese nacional originaram-se de arbitramento. Mas. O império delimitou 7. por Rio Branco. Em Santo Idelfonso. ressalta a importância da rede fluvial na expansão bandeirante à função de pontos de referência nas marchas rumo ao sertão.719 km. as missões de um lado e povoados de outro: o Rio Guaporé tornou-se fronteira especial.367 km e numa terrestre de 15. A díade do Suriname só foi limitada oficialmente. um tratado deixou de ser firmado em razão das pretensões francesas sobre a margem setentrional do Amazonas. adotado como fronteira natural pelo tratado de Madri. e associa-se a obstáculos naturais à expansão colonial dos bandeirantes que funcionariam também como marcos referenciais para as negociações diplomáticas. O Império foi o grande período de horogênese. como no caso de Tordesilhas. o Paraguai. na qual acreditava-se na existência de uma ligação entre o Rio Paraguai e o Rio Madeira. Viana Moog.063 km.086 km. pelas suas contravertentes de Mato Grosso. O mito do “vazio” não corresponde a construção histórica de décadas de coroas rivais. utilizando-se lagoas temporárias formadas nas cheias. após a solução arbitral dos complicados litígios guianenses com a França e a Grã-Bretanha. ou cerca de 17%. Pode-se afastar a possibilidade de um paralelo com a Europa. assegurando a posse lusitana dos Sete povos das missões e provocando as guerras guaraníticas. subdivididas numa sessão marítima de 7. As fronteiras naturais seriam o Amazonas. A linha de fronteira nasce na etapa intermediária. respondeu por quase o dobro: 5. O autor extraiu suas conclusões sobre o sistema centrífugo das correntes atlânticas do litoral e o sistema centrípeto do Prata-Amazonas. Perto de 30% da extensão dos limites de horogênese imperial originaram-se de guerras. classificada aqui como período nacional. destinada a delimitar as 38 .dessas terras vieram ao encontro da necessidade de expansão da agricultura gerada pelo modelo de País que privilegiava a produção agrícola exportável. PERÍODO COLONIAL Legou ao Estado apenas uma díade fronteiriça completa. A fronteira do Brasil estende-se por 23. em 1906. HOROGENIA DO TERRITÓRIO BRASILEIRO Horogênese: configuração dos limites dentro dos quais um poder político exerce sua soberania. A Ilha Brasil emana do conceito das fronteiras naturais. e os segmentos do Rio Grande do Sul e do Guaporé. à frente de dois expansionismos coloniais contrapostos e com estratégias distintas. A "era de Rio Branco". a conjuntura internacional desfavorável a Portugal condicionou o abandono desse critério. A mera definição abstrata de um traçado. ou 32%. O Mapa da Derrota das Canoas enfoca a trajetória imaginada das canoas entre as bacias. não gera uma fronteira. A atividade de consolidação do front passou pela construção dos fortes de Nossa Senhora da Conceição e Príncipe da Beira. Anteriormente. Em 1772. a da delimitação. Em 1750 havia o mito da ilha Brasil. a norte. e que o separam de uma outra configuração onde se exerce outra soberania. e o Rio da Prata ao sul. e teve em Alexandre de Gusmão o seu operador. pois o que chamam de sentimento nacional não exerceu aqui a influência verificada na Europa para recompor o mapa político nos moldes da Santa Aliança (1815).709 km. uma atividade diplomática ofensiva. O IMPÉRIO Contudo.

Não veladamente. alem de estabelecer que todo o Chaco Paraguaio ficaria com a Argentina. O encerramento da Farroupilha e os acordos de Caxias com Bento Gonçalves exigiam uma solução definitiva para os problemas de limites provinciais com a Banda Oriental. como expansionista ou imperialista. a aventar com o recurso à solidariedade monroista. relativo à Guiana francesa. A diade do Paraguai só se fixou após a guerra da Tríplice Aliança. restringia-se à interpretação dos tratados coloniais. em 1859. também consistiu na interpretação das disposições de um tratado colonial. e o ocidental. Na era Rio Branco. quando o Brasil instalou postos militares junto aos Rios Chapecó e Chopim e a Argentina protestou. do Rio Branco como o fundador da diplomacia da república. no Prata esse princípio foi imposto na ponta de baionetas. a partir da utilização do uti possidetis (posse efetiva). o que levou Rio Branco. A primeira questão de fronteiras protagonizada pelo Barão. no Barão do Rio Branco. relativo à integração do Brasil meridional ao núcleo político e econômico do território. nos Estados vizinhos. Deve-se a Duarte da Ponte Ribeiro. prevaleceu a noção de que os fundamentos do direito territorial deveriam ser invocados sobre a base dos tratados coloniais de limites – Santo Ildefonso. ERA RIO BRANCO A política de limites do Império foi descrita. pelo Rio Paraná. no tocante ao Brasil dispunha que seriam traçados limites apoiados. o Rio Grande do Sul ficaria unido ao restante do território por um corredor estreito de apenas 250 quilometros. Outro episódio. em 1851. Esse contencioso trouxe a tona antigo problema estratégico. em 1881. A primeira linha divisória foi definida nos tratados de Madri e Ildefonso. e passou a ser a doutrina oficial. enxergou na sua obra a configuração do corpo da pátria. em artigo secreto. No caso de derrota. o fixador dos seus limites. Helio Viana classificou o B. A demarcação das fronteiras no império encontrou no Barão da Ponte Ribeiro sua mais alta figura. Em 1887. Se na Amazônia o Império negociou os limites com base no uti possidetis. A área só se teria tornado litigiosa. o segmento oriental foi fixado no Oiapoque. na linha de cristas do divisor de águas da Serra do Parima. e da Venezuela. Nesse período. configurando um compromisso entre as posições do Barão da Ponte e de Honório Hermeto. porem a tarefa de limitação esbarrou nas divergências sobre os rio Igurei e Corrientes. apesar da ausência de guerras de fronteiras e constante recurso do arbitramento. Em 1885. O Tratado da Tríplice Aliança. relativa ao segmento de Palmas. o episodia acreano acabaria por reforçar as prevenções hispano-americanas. o Brasil foi declarado vitorioso. A era do Rio Branco teve seu ápice na complexa negociação que resultou na 39 . explícita ou implicitamente. os franceses acenaram com a hipótese de uma ação militar. Em 1844. o Tratado firmado com Carlos Lopes determinou que se prosseguissem as discussões tomando por base Ildefonso. Ambos tiveram em Alexandre de Gusmão seu ilustre predecessor. ao sul.fronteiras do Brasil. solucionado com o tratado que deu exclusividade da Lagou Mirim ao Brasil e fez a fronteira passar pelo Quarai. povoadores franceses chegaram a proclamar uma República. a elaboração daquela que viria a ser a doutrina imperial. Em 1900. Aspecto já ressaltado por Alexandre de Gusmão ao negociar o Tratado de Madri. As díades do Uruguai e do Paraguai respondem pela extensão de fronteiras originadas de guerras e materializam a conclusão da complexa política platina conduzida desde a transmigração. só foi deflagrada pelo império já perto da metade do século. a questão foi à arbitramento. e a República achou. já designado plenipotenciário em Missão especial. sob o princípio do uti possidetis de facto: a do Peru. O império delimitou duas díades amazônicas por meio de tratados.

A díade da Colômbia foi a última a ser delimitada. Travassos afirmava que o subcontinente entre as vertentes do Amazonas e do Prata. Professores somo Bachkheueser revelavam preocupação com a divisão políticoadministrativa do território. em geral. No Brasil imperial. o Peru transferiu à Colômbia a área do trapézio de Letícia. a extensão da planejada artéria estratégica par além dos limites do Brasil. que tecia considerações territoriais que ecoavam o mito da IlhaBrasil. São Paulo – Rio Grande destinava-se a soldar o pólo econômico e político do território à extremidade meridional. contrário à autonomia federal e preconizava redivisão baseada no principio da equipotência.incorporação do Acre ao território brasileiro. A CONQUISTA DO HEARTLAND Os estudos das estratégias de integração nacional no Brasil atribuem à centralização política da Revolução de 30 o papel de impulso inicial. Em 22. F. transferiu o Acre para o Brasil. No decênio que se seguiu à Guerra. passou a figurar em todos os mapas e Atlas com um vazio a ser preenchido pelas gerações seguintes. nasceram com o objetivo de alcançar Goiás e Mato Grosso. A E. se prestaria a ligar todo o sistema fluvial. ligando São Paulo. o planalto central. até o Pacífico. As tropas que partiram de São Paulo para o Mato Grosso demoraram mais de um ano para chegar. A transferência da capital federal é analisada no contexto do processo de integração territorial e das ideologias desenvolvimentistas que acompanharam o pós II GM. Os projetos de interligação supunham. todas as estradas que se projetaram e cuja construção se iniciou no planalto – Sorocabana e E. A Guerra do Paraguai revelou a vulnerabilidade do trajeto fluvial platino. F. Araraquara . Enfatiza-se a função de Vargas na construção do aparato administrativo e burocrático do Estado. atualizou as preocupações nesse sentido. quando a área não se encontra ocupada. permutas territoriais e a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.. a proclamação de independência e o arrendamento boliviano ao Bolivian Syndicate. O litígio de Palmas. como nos casos das ferrovias Madeira-Mamoré e Noroeste (problema das comunicações internas com o Mato Grosso). atribuindo o centro do triângulo bolivariano como região fundamental. 40 . finalmente alcançado. a partir dos bons ofícios brasileiros. O povoamento da região do Acre por seringueiros provocou crise militar em 1899. dotando-o de instrumentos para intervenção sobre a configuração geoeconômica do território. Ambos raciocinavam dentro do conceito de heartland. associada à livre navegação na bacia amazônica. O tratado de Petrópolis. E o retângulo desenhado pelo relatório Cruls. Em 1928. em 1851. Seguindo uma trilha brilhante. Articulava o Paraguai ao litoral atlântico brasileiro. desviando seu comércio exterior do trajeto fluvial do Rio da Prata. o tratado de Limites e Navegação fixava a divisória ao norte do Japurá. adiando o ajuste da linha ao sul em razão da disputa entre a Colômbia. apoiou a reinterpretação na jurisprudência internacional que confere o direito ao trecho superior de um rio ao pais que tem a soberania do trecho inferior. por ser o divisor de águas. levando a civilização aos sertões tropicais. a Colômbia aceitou a linha negociada entre Brasil e Peru. Em 1907. e por intermédio deste. Equador e Peru relativa à área. em troca de indenização de 2 milhões de libras. a febre ferroviária da segunda metade do séc XIX atualizava e dava forma à missão que a elite política e econômica se atribuía de construir a nação. a capital às duas províncias. de Mackinder. Para Varnhagen. O BRASIL NO SÉC XXI – MILTON SANTOS O TERRITÓRIO BRASILEIRO Por território entende-se geralmente a extensão apropriada e usada.

Para entendê-la um esforço de periodização é essencial. assim como os sistemas de movimento do homem. produtos e ordens. 41 . Um dos critérios para representar cada período histórico é o estudo da técnica. A divisão territorial do trabalho envolve a repartição do trabalho vivo nos lugares e. DO NATURAL AO MEIO TÉCNICO CIÊNTIFICO INFORMACIONAL A história do território brasileiro é a síntese das histórias de suas regiões. d) Apogeu da Colônia. a decadência do trabalho servil e sua abolição. c) Expansão da colonização. de outro. uma distribuição do trabalho morto e dos recursos naturais. XVIII. O meio técnico-ciêntifico-informacional é a expressão geográfica da globalização. O estudo do povoamento é indispensável ao entendimento das estruturas vigentes. Formação Econômica do Brasil.Enquanto a territorialidade humana refere-se a tudo aquilo que nos pertence. que propõe considerar oito momentos: a) Preliminares. Uma das mais frutuosas é a de Caio Prado. com dois sub-períodos. a pecuária e o povoamento do Nordeste. XVI e XVII. A divisão territorial do trabalho cria uma hierarquia entre lugares. séc. determinada pelo declínio do pacto colonial e aparecimento do capitalismo industrial. arcabouços normativos que configuram as funções do espaço geográfico. um novo equilíbrio econômico. a industrialização desponta como fundamento de uma boa parte das periodizações. uma forma e uma distribuição de trabalho. b) Ocupação efetiva. a imigração e a colonização. de 1530/1640. em cada momento. a industrialização e o imperialismo. de 1808/50. e h) A crise de um sistema a partir de 30. para as quais utilizamos a denominação de sistemas de engenharia. com o renascimento da agricultura e a incorporação do Rio Grande do Sul para a pecuária. Hoje. O uso do território pode ser definido pela implantação de infra-estrutura. c) economia escravagista mineira. serviços e formas de organização. marcada pela mineração e ocupação do Centro-Sul. distingue cinco etapas: a) fundamentos econômicos da ocupação (até a implantação da empresa agrícola). e também pelo dinamismo da economia e da sociedade. A urbanização significa ao mesmo tempo uma maior divisão do trabalho e uma maior fluidez no território. e o processo de reconstrução da sociedade e do território pode ser entendido a partir da categoria de formação sócio-espacial. de 1640/1770. Celso Furtado. distribuição da agricultura e indústria. e) Liberalismo. de 1770/1808. b) economia escravagista da agricultura tropical. definida pelo início da agricultura e suas atividades acessórias. f) Império escravocrata e aurora burguesa. caracterizados pela evolução agrícola. de 1850/89. capitais. num sentido mais estrito o território é um nome político para o espaço de um país. de 1889/1930. Entre historiadores. de 1500/30. sécs. g) República burguesa. São os movimentos da população. É questão central da história humana e constitui pano de fundo do estudo de suas diversas etapas. a colonização do Vale Amazônico e a colheita florestal. Por essa razão a redistribuição do processo social não é indiferente às formas herdadas. a ciência informacional que aparece como um complexo de variáveis que comanda o desenvolvimento do período atual. O peso do mercado externo acaba por orientar uma boa parcela dos recursos coletivos para a criação de infra-estruturas. a qual autoriza.

SC e RS). a incorporação de máquinas ao território (ferrovias. apenas na produção definem o Brasil como um arquipélago da mecanização incompleta. A irrupção do capitalismo monopolista caracteriza-se pela reorganização do mercado e do sistema de produção. a unidade era dada pela natureza. estaríamos autorizados a apontar um meio de circulação mecanizada e industrialização. XX. Para Florestan Fernades. a partir de prolongamentos não apenas do corpo do homem. O Brasil arquipélago constituía-se com a vinculação da demanda para o exterior. Posteriormente. e dura até a década de 50. pois ritmos e regras buscavam sobrepor-se a ordem natural. mas do próprio território. no século XX. As técnicas pré-máquina. Mais tarde. formando-se zonas econômicas e criam-se verdadeiras famílias e gerações de cidades testemunhando sucessão de divisões territoriais de trabalho em graus diversos de tecnificação. ela só se acentua no fim da década de 50 e caráter estrutural a partir da revolução de 64”. XIX. diamantes. Novas geografias desenham-se. com uma significativa hegemonia paulista. No pós-guerra. graças às estradas de rodagem. Todavia em áreas como a 42 . Esse processo não significou a implantação de próteses nos lugares. A fase de formação e expansão do capitalismo competitivo se caracteriza pela consolidação e disseminação desse mercado e por seu funcionamento como fator de diferenciação do sistema econômico. caracterizado pela urbanização interior e formação da Região Concentrada (Estados de RJ. por meio das operações comerciais e financeiras. Podem ser identificados 3 grandes momentos: O MOMENTO NATURAL É marcado pelos tempos lentos da natureza comandando as ações humanas. há três fases: “A fase da eclosão do mercado capitalista moderno é fase de transição neocolonial. constituindo verdadeiras próteses. era conseqüência da localização dos poderes político-administrativo e a centralização dos agentes. o movimento da sociedade e a transformação dos conteúdos e funções dos lugares podem ser entendidos pelas sucessivas divisões territoriais do trabalho. e e) economia de transição para um sistema industrial. com café. A busca de periodização do território brasileiro é ponto de partido para projeto ambicioso: falar a nação pelo território. Dáse uma integração do território e mercado. Embora haja tendências anteriores. Os locais utilizados por grupos humanos para desenvolver sua base material nos primórdios da história constituíram o que se chama de meio natural. A produção de cada lugar é o motor do processo. Sua delimitação pode ir da abertura dos portos até 1860. mas que não pode ser desvinculada de uma técnica de ocupação uma vez que com a presença do homem atribui-se valor às coisas.d) economia de transição para o trabalho assalariado. sobrevém a integração nacional. e depois as técnicas da máquina. O MEIO TÉCNICO Atenuou o império da natureza. Cidades do ouro. ES. imigração européia. séc. séc. porque transforma as relações do todo e cria novas vinculações entre as áreas. de colonização são tipos que assinalam o dinamismo da urbanização brasileira. SP. telégrafos). Aqui. a invenção e a difusão das máquinas e a elaboração de formas de organização mais complexas permitem outros usos do território. mas a imposição à natureza de um primeiro esboço de presença técnica. a transumância amazônica e a eliminação do trabalho escravo. A mecanização seletiva desse conjunto de ilhas que era o território identifica sub-períodos. MG. Compreende tanto o período de consolidação da economia urbano-comercial quanto à primeira transição industrial verdadeira. e a presença humana adapta-se ao sistema natural. e uma nova industrialização. PR.

Melhor infra-estrutura e novas formas de participação do país na fase industrial do modo de produção permitiram às cidades beneficiárias aumentar seu comando sobre o espaço regional. transportes). A formação de capital em SP é um dos fatores dessa diversificação. quase sempre. para diferenciá-lo do crescimento industrial não intencional dos anos 30. O desequilíbrio industrial entre Rio e SP afirma-se quando a indústria paulista conhece uma diversificação. o tempo lento para dentro do território para um tempo rápido para fora. tanto a força local ou a regional dependia de fatores regionais (propriedade. O golpe de 64 pode ser considerado um novo passo de internacionalização da economia. A construção de Brasília foi um passo importante. consumo. herança da época colonial pré-mecânica. Cidades no interior desenvolvem-se. o território brasileiro. Antigas metrópoles costeiras perdiam importância. e esses. assim. Esse movimento corresponde. enquanto a navegação. Havia de um lado mudança no esquema produtivo. O rádio teve papel importante ao prover o conhecimento da existência de outros lugares com melhores condições de vida aos iletrados. O crescimento populacional criou excedentes no campo. cada vez mais numerosos dirigiram-se para as cidades. dado por uma integração do Sul e Sudeste. crescimento industrial e predominância do Centro-Sul. e o consumo mais difuso que a produção constituem o conteúdo mais visível no novo processo territorial. quando se estabelece uma rede brasileira de cidades com hierarquia nacional. renda. o avião. a região mais avantajada passava a dispor de condições para competir com outras regiões na própria zona de influência. a modernização do aparelho estatal. A política cambial. É diferenciado entre as regiões. A indústria precisa ampliar seu mercado e a extinção das barreiras à circulação de mercadorias entre os Estados da União marcou um avanço fundamental no processo de integração econômica. mas iniciou-se em meados década de 40. Paralelamente. A partir do século XIX. A partir de 45 e 50 a indústria ganha novo ímpeto com o chamado crescimento industrial intencional. importante para o comércio exterior. Uma transição pode ser observada entre o período anterior. No Sul a política de imigração assinalou a forma de povoamento e trabalho. Rompia-se. Mas quando da primeira unificação. Durante quatro séculos lentos. ensejava um mínimo de contatos entre as diversas capitais regionais. No período anterior à unificação do mercado interno. melhor inserção na economia internacional e facilidades a entrada de capital estrangeiro alavanca o processo. com velhas estruturas sociais. em áreas como a Bahia foram a base de uma produção fundada na criação de um meio técnico muito mais dependente do trabalho direto e concreto do home do que da incorporação de capital à natureza. A estrada. aumento acelerado da população. 43 . a produção e o território se mecanizam. A industrialização e a produção agrícola mais moderna. a uma preocupação pela melhoria de vida. São Paulo tornou-se metrópole industrial. e a verdadeira integração nacional. e maior seletividade geográfica mediante uma polarização. pela construção da rede de estradas e expansão do consumo.Amazônia. e nova hierarquia era firmada. com a influência da guerra fria e de acordos assinados para tornar segura a entrada de capitais. A partir de 1930. aproximando áreas de crescimento facilitam os contatos e a propagação de novidades. o país inteiro foi obrigado a concretizar a integração nacional. Ao acompanhar esse despertar industrial. Em São Paulo constituía mão de obra qualificada e desejosa por consumo. ainda impunha-se o meio natural. com usinas e trens. Manaus e Santos crescem integradas pelos transportes. Foram criadas as condições de formação do que é hoje a região polarizada do país.

Por isso as diferenças regionais passam a ser diferenças sociais e não mais naturais. A IIGM mostrou as dificuldades provocadas pela ausência de rede nacional de transportes um país como o Brasil. e revigorouse com os novos recursos da informação. mídia. preservam-se uma série de condições de subdesenvolvimento. sociedade e política. não dando margem à apropriação do excedente econômico. que se torna global. representa papel indireto. No Brasil. era o caminho da integração do território. O território ganha novos conteúdos e impõe novos comportamentos. quando o meio técnico se difunde. A política de crescimento estimula a produção de bens de capital. Moderniza-se a agricultura. ou substituir esses recursos. Sobre isso. muitas vezes agravadas pelo crescimento econômico. o imperativo de afirmar o Estado sobre a nação e a indispensabilidade de um comando central eram argumentos de peso. petróleo. e o trabalho. impõe-se ao setor público. Para Mamigonian. como era restrito a algumas áreas. embora ideológicos. por revolução nas telecomunicações. Concomitante.O MEIO TÉCNICO-CIÊNTIFICO-INFORMACIONAL Caracterizou-se. da mesma forma que antes se fazia com a mão-de-obra. quando havia necessidade de mudanças no corpo social e político associados à diminuição de atividade econômica. Distinguem-se áreas onde a informação e as finanças têm maior importância. para o qual não existe mercado interno. aumenta a importância da área concentrada. É o momento da implantação dos pólos industriais. a região concentrada cresce em importância com a predominância paulista. Uma nova divisão territorial do trabalho esboça-se no Brasil a partir da necessidade de transformar minérios. Agravam-se as diferenças regionais. e inicia-se a ocupação de áreas periféricas com produção moderna. A globalização passa a configurar uma nova geografia. idéias e informações. Os intercâmbios aumentam e cresce o setor de serviços. de transportes e de bancos. a industrialização dependente provocou novos problemas. distinguindo lugares segundo a presença ou escassez das novas variáveis chave. religião e trabalho. em áreas contínuas no Sudeste e no Sul ou constituindo manchas e pontos no resto do país. Para realizá-los era necessário equipar e integrar o território com recursos modernos. A ideologia do consumo. as necessidades de consumo interno. A união entre ciência e técnica transformou o território brasileiro. definindo-se novos usos e uma nova escassez. dinheiro. juntamente com a economia. A década de 70 marcou o fim do ciclo. Mas. graças às enormes possibilidades de produção e. o que exige a investimentos públicos numerosos para manter a atividade. produtos. 44 . A dependência manifestou-se com o crescimento do envio de lucros e royalties. mais densas e modernas. nos anos 70. pois há maior necessidade de organização dos serviços públicos e privados. a partir do período da globalização e sob a égide do mercado. A questão da fluidez do espaço apresenta-se agora em outros termos: informação e finanças são primordiais na arquitetura social e espacial de um país. ensino. a adaptação ao modelo capitalista com a ideologia da racionalidade e modernização a qualquer preço ultrapassa o setor industrial. tornado abstrato. ordens e homens. expandem-se as fronteiras agrícolas. É a irradiação do meio técnico-científico-informacional que se instala sobre o território. Ampliam-se as redes de transporte. petroquímicos e siderúrgicos. do crescimento econômico e do planejamento foram os grandes instrumentos políticos e os grandes provedores das idéias que iriam guiar a reconstrução ou remodelação dos espaços nacionais. em situação que exigia governos autoritários. pois o contingente de mão-de-obra e tecnologia não criou empregos suficientes com pequena renda. da circulação de insumos. O capital comanda o território. Nos países subdesenvolvidos ocorria a corrida pelo crescimento e desenvolvimento.

a função de suporte aos segmentos modernos da economia do país e caráter de encruzilhada na expansão do meio técnicocientífico-informacional. os recursos energéticos mais utilizados no mundo são o carvão. Rio de Janeiro. É em São Paulo que se elabora e concentra a maior parcela das informações sobre economia. Nessa região. tendo como pólo as metrópoles de São Paulo e do Rio de Janeiro. assim como a disseminação da pobreza em outros. divulgado pelo documento "Nosso Futuro Comum". submetido às pressões do crescimento exponencial da população e da produção econômica. e quando estes são passíveis de se estender ao conjunto da humanidade. O conceito de desenvolvimento sustentável. o petróleo e o gás natural. As metrópoles de São Paulo e do Rio de Janeiro sediam os escritórios das mais poderosas firmas nacionais e das filiais das empresas globais. os estados do Sul (Paraná. A Conferência de Estocolmo. a crise ambiental foi associada à explosão demográfica dos países pobres. como florestas e peixes. são fatores de risco global. a modernização generalizada e a intensa circulação interna e com outras regiões e países correspondem a uma marcada divisão territorial do trabalho.REGIÃO CONCENTRADA Região concentrada é a área onde os acréscimos de ciência e tecnologia ao território se verificam de modo contínuo. grande parte da crise ambiental contemporânea é resultante de padrões de produção e de consumo adotados por parcela relativamente pequena da população mundial. sociedade e território. O Relatório Bruntland (87) aborda de maneira integrada as questões ambientais. DINÂMICA DA QUESTÃO AMBIENTAL NO BRASIL DESAFIOS DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Na Conferência das ONU sobre Meio Ambiente. não é preciso esgotar os recursos renováveis. O desenvolvimento sustentável só existe quando se cumprem os requisitos ambientais para a continuidade dos padrões de produção e consumo desejados. Entretanto. lazer e serviços modernos. a sua função de centro informacional lhe concede uma nova hierarquia no sistema urbano brasileiro. O uso intensivo de recursos naturais e a manutenção de padrões de consumo acima das possibilidades ecológicas em certas regiões do planeta. essa área concentra. que têm papel de controle do mercado nacional e de comando do respectivo território. Expressão mais intensa do meio técnicocientífico-informacional. demográficas e sociais. correspondem a cerca de 90% da oferta mundial de energia. os níveis superiores dos sistemas de saúde. realizada em Estocolmo (72). Como o território deve ser usado. Minas Gerais e São Paulo). recomendou diminuir a utilização dos principais recursos energéticos. Sede da agricultura mais moderna do Brasil e do mais expansivo desenvolvimento industrial e financeiro. A acumulação de atividades intelectuais assegura a essa metrópole o predomínio das atividades produtivas de ponta. Atualmente. Santa Catarina e Rio Grande do Sul) e dois estados do Centro-oeste (Mato Grosso do Sul e Goiás). Em geral. como a publicidade. com o conhecimento simultâneo das ações empreendidas em lugares distantes. educação. hoje. cujas demandas são garantidas pelo consumo dessa grande concentração produtiva e populacional. a água e os minerais radioativos: juntos. desde que sejam usados dentro dos limites de regeneração de crescimento 45 . também. essa região abrange os estados do Sudeste (Espírito Santo. O planeta é um sistema finito de recursos. se contrapõe em muitos sentidos às concepções predominantes da reunião de Estocolmo.

• Convenção de Viena para Proteção da camada de ozônio e Protocolo de Montreal para substancias que agridam a camada de ozônio. dirigidas às questões de soberania sobre os recursos marinhos provenientes de zonas costeira. um vasto programa de ações de curto. em vigor a partir de 94.exceto o Brasil . que gerou a proposta de Kyoto cujo texto foi aprovado em 97 e sobre o qual existem fortes dissidências e questões polêmicas. Trata-se de criar um mecanismo de defesa para os países "importadores" de OVMs sem restringir o comércio. No período pós-Rio 92 a diplomacia brasileira tem atuado com papel estratégico nas negociações dos seguintes tratados: • Convenção de Biodiversidade Biológica. • Convenção da Basiléia para os movimentos transfronteiriços de rejeitos perigosos e sua disposição final. Surgido no bojo da Convenção de Diversidade Biológica da Rio-92. a partir de 1992. quando ciclos naturais de nutrientes tornaram-se ativos parceiros nas atividades econômicas. em segundo plano. No tocante a recursos não-renováveis. em vigor a partir de 1989.a não ratificar o protocolo variam e são particulares de cada país. e é um dos pilares da Agenda 21. médio e longo prazo aprovado pela conferência no sentido de garantir a sustentabilidade ambiental dos novos investimentos produtivos e recuperar áreas já degradadas pelo uso predatório dos recursos naturais. em vigor a partir de 75 e na qual o Brasil tem papel essencial pela diversidade de ecossistemas designados como áreas úmidas de importância global. 46 . e a probabilidade de se obterem substitutos para ele. incidindo especificamente sobre o ambiente marinho. A preocupação principal é com a biossegurança e os possíveis efeitos negativos dos OVMs sobre a biodiversidade do país receptor e. mas com diversas questões pendentes relacionadas à regulamentação para bioprospecção e valoração do conhecimento tradicional. Tanto as razões para aderir como as que levaram praticamente todos os grandes exportadores de alimentos . em vigor a partir de 96. dirigida a paises de 4 regiões afetados pelo problema. entre eles os transgênicos. sobre a saúde das pessoas e dos animais. refere-se basicamente ao fluxo entre fronteiras de organismos vivos modificados (OVMs). em vigor a partir de 93. regulamentação e pesquisa.natural. TRATADOS QUE ENVOLVEM O BRASIL Podem ser citados: • Convenção sobre o Tráfico Internacional de Espécies ameaçadas (CITES). (94). e • Convenção da ONU para combate à desertificação (UNCCD). os níveis de uso devem levar em conta a disponibilidade do recurso. O conceito de desenvolvimento sustentável foi um dos fios condutores dos debates da Conferência Rio 1992. com o objetivo de controlar e prevenir a extinção de espécies ameaçadas pelo comércio ilegal. • O Protocolo de Cartagena. • Convenção sobre terras úmidas (RAMSAR). em vigor a partir de 75. • Convença da ONU para mudanças climáticas (UNFCCC). Sustentabilidade é um conceito que envolve sinergia entre fenômenos naturais e ações humanas. de tecnologias que minimizem seu esgotamento. por meio de barreiras técnicas impostas em nome de suposto interesse global. • Convenção da ONU para os oceanos (UNCLOS). • Convenção para proteção do patrimônio cultural e natural (HERITAGE) em vigor a partir de 75 e gerenciada pela UNESCO.

Além das convenções, que têm força de lei, a partir da Rio 92, compromissos de grande impacto internacional foram estabelecidos através de alguns instrumentos de forte alcance em torno do compromisso do desenvolvimento sustentável, como a Agenda 21 e a Carta da Terra e outros princípios de cunho setorial.

AGENDA 21
É programa de ação baseado em 40 capítulos, que constitui a mais ousada e abrangente tentativa já realizada de promover, em escala planetária, um novo padrão de desenvolvimento, conciliando métodos de proteção ambiental, justiça social e eficiência econômica. Nasceu em Estocolmo (72). Seus tópicos: Promoção do desenvolvimento agrícola, rural e sustentável. Promoção do desenvolvimento industrial sustentável Integração do Meio Ambiente nas decisoões Acesso as informações para tomada de decisões Gerenciamento de Ecossistemas frágeis Dinâmica demográfica e sustentabilidade AGENDA 21 BRASILEIRA: TÓPICOS: TEMAS CENTRAIS DESTACADOS: • Cidades Sustentáveis • Agricultura Sustentável • Infraestrutura e Integração Regional • Gestão de Recursos Naturais • Redução das desigualdades sociais • Ciência e tecnologia para o Desenvolvimento sustentável. A Agenda 21 Global está estruturada em quatro seções: • Dimensões sociais e econômicas • Conservação e gestão dos recursos para o desenvolvimento • Fortalecimento do papel dos principais grupos sociais • Meios de implementação Conceitos chave da Agenda 21 Global: • Cooperação e parceria • Educação e desenvolvimento individual • Equidade e fortalecimento dos grupos socialmente vulneráveis • Planejamento • Desenvolvimento da capacidade institucional • Informação. As premissas para a elaboração da Agenda 21 Brasileira: • Envolver os diferentes atores da Sociedade no estabelecimento de parcerias • Incorporar o principio federativo • Possuir um caráter gerencial e mobilizador de meios • Adotar abordagem integrada e sistêmica das dimensões econômicas, social, ambiental e político-institucional do desenvolvimento sustentável. • • • • • •

DEFLORESTAMENTO NA AMÉRICA DO SUL

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CONSERVAÇÃO E PRESERVAÇÃO AMBIENTAL NO BRASIL
Influenciados pela crítica à controvertida participação em Estocolmo (72) e pela polêmica gerada em torno da proposta brasileira de desenvolvimento a qualquer custo, foi criada a Secretaria Especial do Meio Ambiente, em 1973, e o IBAMA (responsável pela política nacional de unidades de conservação). As leis brasileiras prevêem além da cidade de conservação, metade da terra incluída em qualquer projeto econômico deve ser mantida como floresta (onde houver). Uma estação ecológica é extensão de área natural, de valor ecológico, destinado à pesquisa e à experimentação científica. Essas áreas compreendem porções de relevante interesse para a proteção, com vistas a assegurar as condições ecológicas locais. Os parques urbanos objetivam preservar áreas verdes locais de lazer.

SANEAMENTO BÁSICO E QUALIDADE DE VIDA NO BRASIL
O predomínio do crescimento horizontal que marcou, pelo menos até a década de 1970, a expansão da mancha urbana das metrópoles brasileiras não impediu o aparecimento de "ilhas de verticalização". Essa tendência à horizontalização foi determinada pelo atraso na implantação de um esqueleto de vias férreas e de metrô para o transporte urbano de massas. A ausência dessa "armadura ferroviária" condicionou uma expansão da área no urbanizada ao longo do eixo das avenidas radiais. As metrópoles brasileiras assumiram feição espalhada e disforme. A expansão desordenada gera pressão crescente por serviços públicos. As conseqüências ambientais da ocupação desordenada dos espaços periféricos são de gravidade semelhante. Esse modelo expansionista entrou em crise na última década. A redução do movimento migratório em direção às cidades maiores e a desaceleração do crescimento

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vegetativo contribuem para o encerramento dessa etapa de descontrolada expansão horizontal. Como conseqüência do esgotamento desse modelo, aumentam as favelas e os cortiços nas áreas mais antigas e estabilizadas das cidades.

MEIO AMBIENTE, SANEAMENTO E TRANSPORTE
A Conferência Habitat II deu ênfase à questão urbana ambiental ao definir a sustentabilidade como princípio e assentamentos humanos sustentáveis como objetivo a ser perseguido. No entanto, a preocupação com os problemas ambientais urbanos (brown agenda) ainda não recebeu a mesma atenção da agenda verde. É recente a explicitação do componente ambiental nas políticas urbanas e de saneamento, como acesso a água e esgoto, apesar de 80% dos domicílios possuírem coleta de lixo. A principal fonte de poluição atmosférica ainda é o monóxido de carbono produzido pela frota de veículos. A inexistência de sistemas adequados de tratamento de resíduos, tanto das atividades econômicas quanto das atividades domésticas, tem provocado altos índices de poluição hídrica.

COMÉRCIO INTERNACIONAL E MEIO AMBIENTE
Os últimos 50 anos foram de liberalização do comércio, mas novas formas de protecionismo foram desenvolvidas. Na OMC segue-se o princípio de que as políticas comerciais devem ser usadas com fim estritamente comercial e de que o livre comércio, a não-discriminação e a reciprocidade trazem benefícios para todos. A OMC tenta restringir as práticas comerciais associadas a imposições de normas ambientais, da mesma maneira que procede com as restrições econômicas e sociais. As referências à conduta ambiental foram debatidas na Rodada Uruguai. O fundo é o Princípio da Nação Mais Favorecida e a Definição de Produtos Nacionais que têm por objetivo minimizar o recurso abusivo às barreiras comerciais. As Barreiras Técnicas têm de ser justificadas e estabelecem as discriminações permitidas, como exceção à regra geral. As discriminações podem ser toleradas se aplicadas para proteger a ordem pública, a moral e a conservação. Não há menção quanto aos recursos naturais, restringindo-se às plantas, animais e recursos minerais, produtos e serviços associados ao Desenvolvimento Sustentável. O artigo em referência deixa dúvidas sobre a questão da extraterritorialidade, vez que o importador não poderia impor normas técnicas cujo impacto ultrapasse as fronteiras do país de origem. A OMC define os subsídios como “acionáveis” ou “não-acionáveis”, como os subsídios destinados ao combate à poluição, que não são interpretados como dados diretamente às exportações. Dessa forma, a valoração do custo da degradação ambiental enfrenta dificuldades, face à complexidade da cadeia de fatores a serem considerados. A OMC não possui normas específicas sobre poluição das atividades econômicas, que só podem ser consideradas em situações de “poluição transfronteiriça”, isto é, quando o processo de produção de um país afeta o país vizinho, como é o caso do fenômeno de chuvas ácidas e do Protocolo de Montreal relativo à camada de ozônio. Sendo assim, a OMC vem recomendando e incentivando a homogeneização de padrões de produtos, de gestão e de processos na área ambiental ou fora dela.

REPRESENTATIVIDADE DO BIOMA BRASILEIRO
O Brasil é o país de maior biodiversidade do Planeta. Foi o primeiro signatário da Convenção sobre a Diversidade Biológica (CDB), e é considerado megabiodiverso – país que reúne ao menos 70% das espécies vegetais e animais do Planeta. A biodiversidade pode ser qualificada pela diversidade em ecossistemas, em espécies biológicas, em endemismos e em patrimônio genético.

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recifes e praias de areias monazíticas (mineral de cor marrom-escura). basicamente. todos apresentando diferentes espécies animais e vegetais. Hoje. É marcado por recifes calcíferos e areníticos. ainda em movimento. É dominada pela Serra do Mar e tem a costa muito recortada. Também os manguezais. o ecossistema da região é riquíssimo em aves. O litoral sul começa no Paraná e termina no Arroio Chuí. recifes de corais e outros ambientes importantes do ponto de vista ecológico. É preciso lembrar que abriga. lacunas. O litoral amazônico vai da foz do rio Oiapoque ao delta do Parnaíba. mas há outras espécies: ratão-do-banhado. estuários. 49 ecorregiões. A densidade demográfica média da zona costeira brasileira é superior à média nacional. É a área mais povoada e industrializada do país. ilhas. uma identificação e análise de lacunas.Devido a sua dimensão continental e à grande variação geomorfológica e climática. matas de várzeas de marés. Enfim. também. o que impacta os ecossistemas litorâneos. com várias baías e pequenas enseadas. O litoral nordestino começa na foz do rio Parnaíba e vai até o Recôncavo Baiano. É na zona costeira que se localizam as maiores presenças residuais de Mata Atlântica. O ecossistema mais importante dessa área é a mata de restinga. GESTÃO DA COSTA BRASILEIRA A costa brasileira abriga ecossistemas de alta relevância ambiental. restingas. já classificadas. lontras (ameaçada de extinção). Ao longo do litoral brasileiro podem ser encontrados manguezais. cumprem funções essenciais na reprodução biótica da vida marinha. peixes e aves. Isso se deve. de expressiva ocorrência na zona costeira. e dunas. distribuição de áreas protegidas e antropismo. os espaços litorâneos possuem riquezas significativas de recursos naturais e ambientais. o Brasil abriga sete biomas. Obtém-se. Nota-se que a formação territorial foi estruturada a partir da costa. que tem a fauna ameacada. Nas águas do litoral nordestino vivem o peixe-boi marinho e as tartarugas. com intuito de padronizar procedimentos e eficiência nas ações. Possuem falésias. e incalculáveis ecossistemas. tais áreas constituem-se nos principais espaços críticos para o planejamento ambiental da zona costeira do Brasil. Esses estudos levam em consideração diversos elementos tais como. campos de dunas e praias. praias. restingas e matas. Apresenta grande extensão de manguezais. ambos ameaçados de extinção. projetos de preservação de espécies etc. Os métodos de identificação de ecorregiões. corredores ecológicos. no Rio Grande do Sul. Com muitos banhados e manguezais. baías. capivaras. Os estudos têm por objetivo verificar como os diversos ecossistemas estão sendo representados por meio de ações conservacionistas como áreas protegidas. Há ainda manguezais. com enorme variedade de espécies vegetais. estão sendo empregados pelas principais instituições conservacionistas mundiais. falésias. Apresenta uma rica biodiversidade em espécies de crustáceos. brejos. dunas. a maior rede hidrográfica existente e rica diversidade sociocultural. mas a intensidade da ocupação desordenada vem colocando em risco todos os ecossistemas presentes na costa litorânea. riqueza biológica. costões rochosos. gestão biorregional e ecorregional. O litoral sudeste segue do Recôncavo Baiano até São Paulo. E as grandes cidades litorâneas abrigam grande número de complexos industriais dos 50 . Não há dúvida em defini-las como as maiores fontes de contaminação do meio marinho. que deverão ser consideradas na definição de prioridades de conservação. A biota terrestre possui a flora mais rica do mundo. às diferenças climáticas e geológicas da costa brasileira. Dada a carências de serviços urbanos. vegetação. tendo o litoral como centro difusor de frentes povoadoras. metade da população brasileira reside numa faixa de até 200km do mar. assim.

O projeto desenvolve ações de conservação. A urbanização com industrialização serviu para a saída da crise dos anos 20 quando se esgotou o antigo modelo exportador colonial. petroquímica. forças de mercado se acumulam e atuam no sentido de quebrar 51 . Órgãos federais de políticas urbanas para o interurbano e o intraurbano. passou para 76% em 1996. A área sedimentar denominada de Lençóis Maranhenses resultou da ação combinada dos ventos. Aí estão encadeados parques nacionais e APAs estaduais. ondas e correntes marítimas e formam dunas. Fase do autoritarismo assume grande dimensão a modernização administrativa e investimento dirigido para o espaço construído urbano. metodologia para determinar os diferentes impactos a que vêm sendo submetidos os manguezais e os valores correspondentes ao custo de reposição dessas áreas. uso sustentável dos recursos naturais e ordenamento da ocupação do espaço territorial. • • • • • • • • No campo urbano se sucederam as revoluções de instâncias ideológicas e políticas que influíram na condução da política econômica. que de 32% da população total em 1940. Enfim. PROJETOS DE CONSERVAÇÃO DE ECOSSISTEMAS Gestão Biorregional dos Lençóis Maranhenses/Delta do Parnaíba Abrange complexo de ecossistemas costeiros e marinhos. objetiva avaliar as atividades e impactos ambientais ocorrentes nas bacias de drenagem do Recôncavo Baiano que comprometem a manutenção dos ciclos naturais dos manguezais e outros ecossistemas associados.URBANIZAÇÃO • • • A urbanização preside as mudanças econômicas no Brasil. marcado pela transição de ambientes terrestres e marinhos. Criação de enclaves da modernidade – Brasília. Foi associada com o estabelecimento de sistemas produtivos industrializados. Projeto de Valoração Econômica do Recôncavo Baiano Originalmente conhecido como Projeto de Conservação e Valoração Socioeconômica dos Ecossistemas de Manguezais na América Tropical – Recôncavo Baiano. No contexto a cidade aparece como o meio em que. enfatizou-se a infra-estrutura interurbana para unir o arquipélago regional econômico. Valoração Econômica dos Manguezais de Santa Catarina Tem por objetivo desenvolver e aplicar. Ao longo do processo a população ia se transferindo do quadro rural para o urbano. apesar de todas as desigualdades. constituído pelos Lençóis Maranhenses e o Delta do Parnaíba. Destacou-se a ação de governo(Vargas) na criação de instituições sociais urbanas. A metodologia Pressão–Estado–Resposta retrata a relação de casualidade entre as atividades humanas. por meio de função dose-resposta (método OCDE). Foi o campo de práticas do governo para alargar a classe média e ampliar o mercado interno. observa-se que a zona costeira apresenta situações que necessitam tanto de ações preventivas como corretivas para o seu planejamento e gestão. a fim de atingir padrões de sustentabilidade para estes ecossistemas.setores de maior impacto sobre o meio ambiente (química. OLHARES CONTEMPORÂNEOS SOBRE O URBANO MUDANÇAS NO ESPAÇO BRASILEIRO . celulose). O desenvolvimento dos anos 50. Envolve ecossistemas de relevância ambiental. o estado do meio ambiente e a reação social decorrente.

Atividades modernas presentes em diversos pontos do país necessitam se apoiar em São Paulo para um número crescente de tarefas. A REDE DE CIDADES NO BRASIL As metrópoles nacionais: São Paulo e Rio de Janeiro. Em um primeiro momento. Trata-se de fato novo. A nova divisão do trabalho territorial atinge a própria região concentrada.cidades . a mecanização acelerada da agricultura e a concentração da propriedade da terra impulsionaram uma transferência acelerada da população rural para o meio e o urbano e fluxos migratórios para as novas frentes pioneiras do Centro-Oeste e da Amazônia. quando o mercado nacional se constitui. houve a formação de mercado único. o movimento migratório para o Sudeste transferia populações do campo nordestino para cidades dos estados de São Paulo. quando há mercado único mas segmentado. não é uniforme. Depois. A região Sul viveu um processo lento e limitado até década de 1970: estrutura agrária familiar policultora. de modo complementar e contraditório.mercado PROCESSOS DE URBANIZAÇÃO E A REDE DE CIDADES Conheceu uma aceleração notável desde a década de 1950. Minas Gerais e Rio de Janeiro. Fortaleza e Belém. limitado à Sudeste e à Sul.antigas estruturas. Porto Alegre. todavia faltavam condições de simultaneidade que somente hoje se verificam. As metrópoles regionais: Belo Horizonte. Se. reteve a força de trabalho no campo. nacionais e estrangeiras. privilegiando a cidade de São Paulo. A urbanização do Brasil. mercado e território. Salvador. As questões de centro e periferia ficam ultrapassadas. A ocupação do espaço rural por grandes propriedades acentuou a tendência urbanizadora. o espaço tornava-se unificado e fluido. O processo da urbanização foi concentrador: gerou cidades grandes e metrópoles. 52 . Brasília não chegou a se tornar uma metrópole regional completa. ou melhor. Trata-se de "dissolução da metrópole". Hoje a metrópole está presente em toda parte instantaneamente. incentivado pela modernização técnica do trabalho rural e pela concentração da propriedade fundiária. o movimento urbanizador foi menos intenso. E o quarto momento. A organização do Centro-Oeste foi impulsionada pela fundação de Brasília e pelas rodovias de integração nacional. Até a década de 1980. A metrópole informacional assenta sobre a metrópole industrial. que comandam o território com o apoio do Estado. O terceiro momento. mas já não é a mesma metrópole. Mercado e espaço. Curitiba. um mercado hierarquizado e articulado por firmas hegemônicas. Na região Norte. O novo princípio da hierarquia é a hierarquia das informações. Dispersão e concentração dão-se de modo dialético. Recife. Apoiou-se no êxodo rural. O processo teve pois o sentido Estado . o crescimento relativo da população urbana tem sido mais lento. são sinônimos. continuamente. único e diferenciado. condição do funcionamento da sociedade econômica e da sociedade política. Prova de que sua força não depende da indústria é que aumenta seu poder organizador ao mesmo tempo em que se nota uma desconcentração da atividade fabril. A persistência de uma elevada participação da população rural decorre da estrutura minifundiária e familiar tradicional da faixa do agreste. No Nordeste. o Brasil urbano era arquipélago e suas metrópoles comandavam suas zonas de influência. Temos agora o fenômeno da "metrópole transnacional" cuja força deriva do poder de controle sobre a economia e o território. ancorada no parcelamento da propriedade da terra. Num segundo momento. completamente diferente da metrópole industrial. apesar de geral.

com empresas formadas com capital local e com tecnologia. a industria desenvolveu-se em torno das metrópoles regionais. quando foi deflagrada processo geopolítico visando a criação de centro industrial na Amazônia. Criada em 67. estende-se região industrial periférica. em função de a sistemática do processo produtivo básico equalizar os incentivos para o conjunto do país. De forma análoga. abrangendo o leste de SP. que passaram de regionais a nacionais. A economia cafeeira respaldou o arranque industrial paulista. Iniciadas pelos imigrantes qualificados. para o Nordeste. observa-se perda de participação do Rio de Janeiro e de São Paulo em relação ao restante do Brasil. Transformada em porto livre para o comércio exterior. No Nordeste. o que gerou mercados consumidores e força de trabalho. Bandeirantes-Anhanguera e Castelo Branco potencializaram essa dinâmica. o Sul beneficia-se dessa tendência já que sua participação no setor secundário apresenta notável crescimento. a aceleração do crescimento industrial alterou a localização das regiões fabris que transbordou os limites do município. Contudo. Com mercados consumidores extra-regionais. As mudanças mostram alteração na dimensão espacial do desenvolvimento. Motivados por essa aparente desconcentração. como telecomunicações e informática. Tendências indicam continuidade da desconcentração para o Centro-Sul. A industrialização do RJ apoiou-se em seu mercado consumidor e na proximidade com as empresas estatais e da nascente indústria petroquímica. esses novos padrões não serão uniformes. Mas. no caso das indústrias intensivas em mão-de-obra. O sistema viário: AnchientaImigrantes. Apesar de os diversos rounds da guerra fiscal tenderem a igualar o nível de benefícios concedidos. os impactos do programa de 53 . sendo as primeiras áreas industriais localizadas junto aos eixos ferroviários que ligavam a cidade ao Rio de Janeiro. é inegável que a maior agressividade das unidades menos industrializadas reforça ainda mais essa trajetória de desconcentração.REDE INDUSTRIAL BRASILEIRA O triangulo Rio-SãoPaulo-BH é o grande pólo industrial do Brasil. onde os eixos rodoviários substituíram as linhas de trem. seus capitais são transnacionais. utilizando-se de ampla gama de incentivos. e crescimento maior das antigas periferias nacionais e importância maior do conjunto das cidades médias. até mesmo. No pós-guerra. Em paralelo. também se identifica um processo de concentração regional dos investimentos em setores com grande potencial de crescimento. de Porto-Alegre a Curitiba. em que a desconcentração das últimas décadas deve ser acompanhada por aumento da heterogeneidade das regiões brasileiras. predomina a industria voltada para bens não-duráveis. No Sul. processo de descentralização (nacional) e concentração (regional). por muito baseados na agricultura. o destaque vai para a Zona Franca de Manaus. Sua industria moderna é fruto do planejamento governamental e de incentivos fiscais destinados a atrais capitais do Centro-Sul. Revela. o RJ e avançando pelo sul do ES. na qual encontra-se complexo heterogêneo de atividades secundárias. No Norte. dependentes de matérias-primas vegetais e agropecuárias. com o surgimento de ilhas de produtividade em quase todas as regiões. São Paulo tem sido palco de processo de dispersão industrial. simultaneamente. vários estados e municípios têm-se lançado em programas arrojados de atração de investimentos. com isenção de impostos. DINÂMICA DO INVESTIMENTO INDUSTRIAL NO BRASIL Analisando-se a participação da produção física e indicadores de emprego. limitadas a Zona da Mata. teve sucesso e passou a concentrar quase metade da população do Estado. o sul de MG. como conseqüência da expansão econômica para o interior.

em diferentes estados do país. foi a matriz de investimentos da economia brasileira: insumos básicos. demandem mão-de-obra de maior qualificação. Apesar das diferenças setoriais. o esforço exportador possibilitou alternativas localizadas de dinamismo econômico. como também ao ajuste local. foram importantes para algumas regiões. empecilhos ao desenvolvimento industrial de certas áreas do país. em primeiro lugar. Porque as empresas já instaladas nessa área devem privilegiar inversões em outras regiões. não significando desindustrialização. A avaliação desse panorama é difícil visto que os fenômenos em curso. alguns pontos comuns relacionam-se à natureza do ajuste praticado pelas empresas. diante da inexistência de pressões de sucateamento das plantas já instaladas. Esse fato é válido para a indústria de bens intermediários herdada do II PND(química e extrativa mineral são exemplos). ou que. a abertura econômica.privatização ampliam o peso das áreas mais industrializadas do país. reestruturação das empresas a partir dos anos. bens intermediários. vale chamar atenção que: • em conjunturas de elevado investimento. investimentos desde o final da década de 70 ainda repercutiram sobre as bases regionais da indústria e trouxeram consigo componente de desconcentração. portanto. • em casos isolados a desconcentração assumiu a forma de traslado de plantas. a exemplo dos investimentos em papel e celulose. Em segundo lugar. provocam impactos nada desprezíveis na configuração regional da indústria brasileira. apesar de incapazes de ancorar novo padrão de crescimento a economia. a racionalização das atividades desenvolvidas levando em consideração os diferenciais de custo. Em qualquer alternativa. o menor peso direto do Estado no investimento produtivo. Em terceiro lugar. dá-se em estreita relação com a concentração demográfica. de logística e de qualificação de mão-de-obra dos sítios em que estava localizada cada planta. Pode-se chegar a algumas conclusões: − A expansão da indústria brasileira. • • • a desconcentração relativa a partir do final dos anos 70 deve ser explicada no contexto do que. para a Zona Franca de Manaus. por diversas razões. a estratégia das empresas foi a de alterar o mix de produtos e de atividades. − As indústrias mais desenvolvidas do país localizam-se em áreas onde houve implantação de ferrovias e de estradas de rodagem. Assim. ganhos de produtividade. NOVOS DETERMINANTES DA LOCALIZAÇÃO INDUSTRIAL Para analisar o significado do rearranjo espacial da indústria brasileira é importante não se ater apenas à mudança relativa da produção corrente. aumento do conteúdo importado e mudanças organizacionais. Desde logo. etc. extrativa mineral ou siderurgia. tanto por intermédio da racionalização das atividades quanto pelo fechamento de antigas plantas. que. São Paulo irá continuar perdendo peso na produção industrial. Isso não descarta os prováveis efeitos negativos de reestruturação produtiva mais intensa sobre as metrópoles brasileiras. desde então. e blocos regionais. cada um a seu modo. e O ajuste da localização espacial aponta a tendência de manter nas antigas áreas industriais exclusivamente as linhas de maior conteúdo tecnológico. a tendências das novas atividades industriais localizarem- • 54 . a desconcentração industrial pode ser identificada em novas unidades produtivas. Em particular. − Transporte e estrutura agrária têm sido obstáculos à circulação de mercadorias e. a exemplo do segmento de áudio e vídeo. bens intensivos.

sacrificando outras áreas. a questão do crescimento populacional e suas relações com a vida social. Essa trajetória deve vir acompanhada de aumento da heterogeneidade no desenvolvimento das regiões brasileiras. saliento dois aspectos: a tendência a reforçar a relação entre fornecedores e montadoras. acentuando os aspectos problemáticos nas áreas mais industrializadas. Em especial. No entanto. e cresce em progressão geométrica. pois a via como a melhor forma de se reduzir a natalidade. TEORIAS DEMOGRÁFICAS FOME X CRESCIMENTO POPULACIONAL Desde a Antiguidade. sustentando que o rendimento do solo não cresce em proporção à intensificação progressiva do trabalho ou ao aumento do trabalho. e o rearranjo de mix de produto e linhas de produção nos segmentos multiplantas. A Teoria Neomalthusiana também propõe o controle da natalidade. E. não progridem rapidamente. O resultado parece indicar a continuidade da desconcentração. Surgiu após a IIGM em decorrência da necessidade de uma resposta às inquietações de um mundo dividido em ricos e pobres. As populações jovens exigem grandes investimentos em educação e saúde. sobretudo as assentadas sobre a agroindústria e bens intermediários. As chamadas periferias. Malthus baseou-se na lei dos rendimentos decrescentes. os meios de subsistência. estabelece os seguintes princípios de que o crescimento não é detido por nenhum obstáculo. elaborada pelos economistas clássicos. as práticas anticoncepcionais e a sujeição moral. a teoria é refutada por não ser possível aceitar que o desenvolvimento econômico seja o aumento da renda per capita. é necessário ter em conta a dimensão do ajuste microeconômico da empresa industrial.se fora das áreas metropolitanas. sendo portanto chamada de antinatalista. fugindo das deseconomias de aglomeração das grandes cidades (menor disponibilidade de terrenos. denominada Malthusiana. A primeira liberal. mesmo em condições favoráveis. na qual o indivíduo não se casaria até tiver recursos suficientes. como os de grupos farmacêuticas. crescimento relativo maior das antigas periferias nacionais e importância maior das cidades médias. a desconcentração recente passou a ser determinada também pelo impacto diferenciado da crise sobre as estruturas econômicas regionais. porque conseguiu mais facilmente ampliar suas exportações. com o surgimento de ilhas de produtividade em quase todas as regiões. A renda per capita é sacrificada pelo elevado número de indivíduos. maiores custos de instalação e operação). seguindo uma progressão aritmética. surgiram teorias para as várias tendências. econômica e política sempre constituiu motivo de preocupações. Pode representar o interesse oculto de classes sociais desejosas em controlar a natalidade. Em quarto lugar. Os Reformistas contrapõem-se aos neomalthusianos. principalmente as produtivas. Por fim. que nem sempre são captados pelas estatísticas da produção corrente. Deste modo. Pode ser resumida no fato de que o crescimento demográfico acelerado dificulta o desenvolvimento econômico. ao não acreditar que o crescimento populacional seja a causa da situação precária em que vivem muitas 55 . A sujeição moral constitui a chave da teoria malthusiana. viam-se em melhor posição relativa. que traz consigo uma série de impactos locacionais. por ser uma simples média aritmética. ainda que menos intensa em função do menor investimento agregado. Os obstáculos ao crescimento seriam as epidemias. com perdas da RM de São Paulo e Rio de Janeiro.

a pobreza produz crescimento demográfico exagerado. Introduz-se o sentido da articulação processual que permite visualizar a mudança e não mais o "motor". atraídos pela prosperidade na exportação de borracha. À idéia do motor acoplava-se o arranque da economia no país e seus efeitos sobre o território. A relativa estagnação da economia açucareira e a descoberta de metais em Minas Gerais levou milhares de nordestinos para aquela área. Assim para alcançar o desenvolvimento necessita de um grande mercado interno de consumo. No entanto. A partir disso propõe reformas sociais e econômicas para melhor distribuição dos recursos. Migração não é mais migração pura e simplesmente. expulsou pequenos trabalhadores rurais. com crescimento do tamanho médio das propriedades e a mecanização. Até 1970. O século XVII assistiu ao primeiro fluxo intra-regional. O período de 1940 a 1960 correspondeu ao Êxodo Rural. XIX. com predomínio da Região Sudeste. a política brasileira foi natalista e populacionista. sobre este espaço desigualmente organizado e articulado compreende-se a coexistência de processos espaciais. A região Nordeste foi a primeira grande área de atração populacional do País. o êxodo nordestino ganhava a região norte. a ação do Estado produzindo as bases para mudanças sobre o território traria à existência uma série de processos espaciais que incorreria numa gama variada de fenômenos e fluxos em várias direções do território 56 . pelo que se pode inferir uma política de crescimento. registrando participação crescente no total da população brasileira. explicação e caracterização dos efeitos de repulsão e atração de cada área. Pode ser caracterizada como reformista. E a mudança não é somente a hipérbole do êxodo rural e da urbanização. afirmam que os paises subdesenvolvidos não podem copiar o desenvolvimento capitalista. A legislação trabalhista privilegia o salário-família (5% do s. contrária à tese neomalthusiana. propõe mudanças sociais. Os que defendem a Tese do Grande Mercado de Consumo. sendo necessárias reformas sociais. Ao longo da década de 70. As declarações oficiais sempre argumentaram em favor do povoamento do território.coletividades.m. atração (chegada) e repulsão (saída). novo deslocamento para as regiões de expansão cafeeira. isto é. ABORDAGEM SOBRE AS MIGRAÇÕES NO BRASIL A migração corresponde a movimento de população sobre o espaço. XX. no qual a migração era um vetor de movimento. inicialmente a ênfase da idéia de migração recaía sobre o local de origem ou de residência da população e suas causas e conseqüentes alterações. cuja prosperidade no negócio agrícola atraiu colonos portugueses. a industrialização opera profunda transformação na economia. articulando as diversas regiões produtivas às necessidades da acumulação industrial. não suficiente para o crescimento. Ao mesmo tempo em que analisa as implicações de uma população numerosa sobre a economia. p/ filho menor) e o auxílio maternidade. Os estudos incorporavam conceitos e analogias com processo físico-mecânicos como motor (impulso para migração). a introdução do cultivo intensivo de soja alterou a estrutura agrária. a Região Sul comportou-se como área de atração. No séc. grande mercado é somente uma condição. Oficialmente. Deste modo áreas de atração e áreas de repulsão ganham um novo significado. A partir de 70. Ao contrário. necessitam voltar-se para si mesmos. Na segunda metade do séc. E. A interpretação baseada na Teoria Clássica da Migração: identificação. novos e diferentes tipos de fluxos migratórios se realizam. O movimento migratório revela o movimento de constituição das disparidades e desigualdades espaciais. Com o declínio da mineração. Nem sempre a idéia de migração esteve ligada a dinâmica da sociedade.

controle efetivo sobre vastos e despovoados territórios. A migração diferentemente da mobilidade do trabalho implicaria na desterritorialização do grupo ou indivíduo. apenas na regulação econômica da constituição do mercado nacional e regional. aumento da oferta de alimentos. É possível perceber que diferenciam-se migração de mobilidade espacial do trabalho. A infra-estrutura de transportes e o sistema de comunicação intensificaram para os núcleos urbanos o afluxo de pessoas que dependendo do nível sócio-econômico e educacional estariam mais ou menos apta a se fixarem ou partirem para nova etapa. O Projeto de Integração Nacional de Médici tinha objetivos geo-estratégicos de ocupação territorial através da construção da Transamazônica e da Cuiabá-Santarem. industrialização e estagnação econômica. cujo fluxo migratório atraiu mais pessoas do que a capacidade de absorção. causando inchaço urbano. pelo desenvolvimento dos transportes e das comunicações. Este fato se explica nas diferentes formas estimuladas pela ação de integração do Estado. política controlada de terras. através da expansão horizontal do capital e pelos mecanismos diversos que produzem os movimentos de população. as articulações da dinâmica própria da reprodução ampliada do capital com a intervenção estatal sobre o território que revelaram afinal a relação entre Estado e migrações internas. maior será a probabilidade de permanecer fixado. A retenção migratória estaria associada aos níveis hierárquicos dos centros urbanos e aos níveis sócio-econômicos dos migrantes. Mas. Ainda nesse período. As atuais formas de organização capitalista incluem um padrão cada vez mais organizado através da dispersão. Os dados censitários apontam ainda nos anos 70. primeiro em Goiás. Tais mercados não são estanques ou isolados. No caso da Amazônia brasileira foi através de subsídios. O recente estágio de interiorização da população brasileira estaria atrelado à criação das bases para a constituição do espaço físico e social e na formação dos mercados regionais de trabalho. Tudo isso acompanhado por pesadas 57 . informação e mercadorias – a rede urbana. Um outro movimento de população fruto do contexto supracitado passa a ter grande visibilidade: a expansão da fronteira agrícola em direção ao centro-oeste e à Amazônia. Rondônia recebeu recursos do Programa Polonoroeste para asfaltamento e colonização. existindo diferentes formas de relação entre eles. estabelecidas diretrizes governamentais a orientar a expansão: absorção do excedente demográfico e diminuição de tensões por terra. Incentivou-se projetos de colonização privada. força de trabalho. A importância da ação do Estado não estaria. A migração seria vista assim como estratégia para as pessoas maximizarem o seu acesso às oportunidades irregularmente repartidas no espaço e desigualmente disponíveis no tempo. emigração e despovoamento tudo inserido dentro da mesma região. mas teve fôlego curto e não obteve o sucesso esperado. com projetos de colonização. depois no Mato Grosso. o crescimento da população do Centro-Oeste. Concomitantemente verifica-se a ocorrência de movimentos diferenciados como frentes pioneiras. as migrações interurbanas constituíam o apoio logístico fundamental nas diversas etapas que compunham o grande movimento do Êxodo Rural. da mobilidade geográfica e das respostas flexíveis nos mercados de trabalho e nos mercados de consumo. o centro-norte do país como área de despovoamento. e o mais importante: uma política urbana necessária para o incentivo à implantação da rede de captura e acionamento de capital. partindo do princípio que tanto maior o nível sócio-econômico. Os projetos de novas estradas transformaram a região em área de atração populacional. Foram alimentadas pela modernização rural. Como resultado. Em menor escala.nacional. nas quais os fluxos migratórios foram importantes. e não é apenas o Êxodo Rural configura espacialmente este processo.

tomou-se conhecimento que o mercado de trabalho nacional extrapolava suas fronteiras com a ida de trabalhadores para as plantações em solo paraguaio. a efetiva ocupação por parte de diversos segmentos populacionais realiza-se na forma de uma urbanização desarticulada com presença de cidades em torno da faixa de fronteira de ambos os lados (por exemplo a cidade de Corumbá no Brasil e Santa Cruz de la Sierra na Bolívia). deve torná-la mais regulada. MOVIMENTOS FRONTEIRIÇOS A interiorização da urbanização no Brasil e a expansão espacial da agricultura modernizada atreladas a uma forte concentração fundiária impeliu a população para uma maior continentalização. O desenvolvimento de um arco de cidades em zona fronteiriça tem dinamizado pontos de apoio na circulação da força de trabalho inter-fronteiras que muitas vezes dirigem-se para as frentes de trabalho agrícola e garimpeira. mais valor é agregado aos espaços e territórios. Portanto. mais territórios e recortes eles contém e acumulam. transformação da metrópole. Para o sul tencionam-se os conflitos com a população urbana e os agricultores que adentram no Paraguai. Na fronteira da Amazônia equatorial a intensidade da ocupação tende a tencionar as áreas especiais de povoamento como as terras indígenas ou unidades de conservação. como a tecnologia. A ocupação da faixa de fronteira sempre teve destaque no discurso geopolítico militar. podendo ser sazonais em áreas de modernização agrícola ou inter-municipais em áreas urbanas. especialistas apontam para a situação de "migrações de curta distância". no sentido da geo-estratégia das formas sociais de reprodução e novas oportunidades espaciais. O MERCOSUL pode intensificar mais ainda a mobilidade populacional. uma eterna possibilidade ou impossibilidade de ficar ou sair. Argentina e Uruguai. Através dos brasiguaios. Na verdade. uma resistência.doses de inovação tecnológica. A "migração de retorno" estaria associada a trabalhadores aposentados ou que se integram a uma rede estratégica familiar. blocos econômicos. espaços sub-nacionais. Projetos de colonização para efetiva posse e controle nacionais conduziram ao longo destas últimas décadas munição para a iminente intervenção no território. mais se produzem territórios. No que tange às mudanças estruturais pode-se partir do reconhecimento que a década de 90 trouxe o advento de fatos que marcaram o destino da economia mundial e nova hierarquização dos espaços envolvendo globalização. predominantemente intra-regionais. de informação e institucional. No atual estágio ainda se luta pela regulamentação dos contratos de trabalho e da previdência. TENDÊNCIAS ATUAIS DAS MIGRAÇÕES NO BRASIL Considera-se como tendências atuais dos movimentos migratórios no Brasil as conjunturas espaciais que passaram a configurar sintomas das mudanças recentes da política sócio-econômico do país que reverberam na estrutura territorial do país. Na medida em que cada vez mais se abrem fronteiras (lato sensu). 58 . Concomitantemente ao fato dos espaços conterem cada vez mais formas de poder. a migração é uma estratégia. de produto. Embora o projeto ainda não tenha sido levado a cabo. No Brasil. Para àqueles cujo poder de aporte de investimentos na maioria das vezes significa apenas a venda da força de trabalho. porque envolverá segmentos de trabalhadores especializados. anos 80. Deve-se esperar que os fluxos transitem de um país para outro ao sabor das possibilidades de ocupação ou de crises políticas ou econômicas. A tendência à "migração solitária" e a constituição de famílias unipessoais que comportam subcategorias como migrantes e albergados.

noroeste de Mato Grosso. vem sendo incorporado através de investimentos em diferentes setores da atividade agrária. Na Amazônia Oriental. 2. frutas eletrodomésticos de Manaus. A região. a criação de áreas de livre comércio no Amapá -Bonfim e Santana vêm direcionando fluxo migratório qualificado em função do comércio de mercadorias e do abastecimento comercial da população de Belém. incluindo um raio de ação mais amplo que busca o mercado consumidor de São Luiz. A cada refluxo da atividade corresponde a uma nova "parada" nas cidades do entorno. A expansão territorial dos investimentos recoloca no mapa das migrações algumas áreas. pois as cidades das regiões mais dinâmicas da Amazônia vêm assinalando um crescimento cada vez maior em função: 1. 4. principalmente com a Bolívia. necessidade de serviços urbanos demandados pela própria agricultura. O modelo de incorporação da fronteira conduziu para os núcleos urbanos uma sucessão de fluxos migratórios. Novos pólos de atração surgem localizados tanto em novas cidades da fronteira agrícola. Terezina e Fortaleza. Àqueles que se voltaram para opções dentro da própria região encontraram no garimpo uma das alternativas. entre elas Boa Vista e Caracaraí vêem suas populações aumentarem em função das expectativas para a região. já acordado a venda de eletricidade da hidrelétrica de Guri e a venda de produtos hortifrutigranjeiros. As cidades de Roraima. A urbanização torna-se uma estratégia. Em Humaitá (AM) a hidrovia se interligará com a rodovia Transamazônica até o município de Apuí (AM). MIGRAÇÃO URBANA E NOVOS PÓLOS DE ATRAÇÃO O mapa do emprego urbano no Brasil vem mudando aceleradamente. como a Amazônia Ocidental. acentuados pela experiência urbana dos próprios migrantes. independentes de sua posição na hierarquia urbana. 5. Para Santos o modelo econômico 59 . modernização cada vez mais acentuada da agricultura (soja em MT e RO) que utiliza de forma sazonal a mão de obra. Muitos agricultores vêm se deslocando da região de Rondônia para Roraima. Em contrapartida sai do Brasil peixe. onde a hidrovia do Rio Madeira para atender ao escoamento da soja produzida no norte de Mato Grosso e em Rondônia deve incrementar rede de cidades ribeirinhas. enquanto a agropecuária avançou em conquista aos cerrados e à floresta. novos padrões de consumo entre a população rural por produtos industrializados e serviços urbanos. que passa então a residir nas cidades. O novo projeto de escoamento da soja inverte a direção que antes seguia para o porto de Paranaguá. O Vale do Guaporé. quanto pela redefinição econômica e ampliação da prestação de serviços em cidades de porte médio do interior dos estados brasileiros. municípios vêm incorporando vantagens em função do asfaltamento. com o aumento da população urbana e novas municipalidades. menor acesso à terra devido à concentração fundiária e à legislação trabalhista. Um outro eixo se estende em torno da BR-174 que liga Manaus à Venezuela. localizada em faixa de fronteira deverá comandar uma maior mobilidade. Na esteira da expansão hidroviária e da infra-estrutura portuária vem sendo incorporada nova região produtora de soja ao sul do estado do Amazonas.MIGRAÇÃO NA AMAZÔNIA A década de 90 consagrou a intensidade do processo de urbanização na Amazônia. O comércio com a Venezuela vem se intensificando. Devido à velocidade de deslocamentos entre as áreas torna-se difícil o mapeamento das áreas de garimpo. retração do mercado de trabalho nas grandes cidades. 3. A importância explica-se pelo fato de que todo processo contou com o apoio logístico dos centros urbanos locais. de onde a população migrante se redistribuía em função das atividades econômicas.

A análise da Lei de Terras faz crer que: em 1850 o café já ocupava o primeiro lugar na pauta de exportações. da demanda por serviços que estariam relacionados: a) aumento do trabalho intelectual.exportador ao incrementar culturas agrícolas modernas e o conseqüente crescimento de aglomerações urbanas introduz nova forma de regulação no território. a urbanização. Com a Lei de Terras (1850). A introdução do cultivo da cana-de-açúcar na colônia implicou a doação. a partir de 1530 é sua característica. o critério de acesso às terras foi modificado . terceirização e. as terras cansadas passaram a sofrer um retalhamento e foram ocupadas pela agricultura voltada ao abastecimento do mercado interno. A venda pública subsidiava a imigração. educação e do lazer. ou mesmo as capitais de estado de menor porte como Vitória (ES) e Florianópolis(SC). b) ampliação do consumo. de distribuição e do trabalho vem ampliando a demanda por urbanização. ao lado do consumo sempre crescente de produtos de bens de consumo imediatos e duráveis. e apesar da pequena extensão. por conseguinte. Liquidou os meios tradicionais de acesso à terra. Venda em hasta pública. Ao elevar o preço das terras privilegiou o grande proprietário. cuja contrapartida locacional fica dependente da infra-estrutura viária. a doação baseava-se na avaliação do pretendente. A tecnologia voltada à produção agrícola. Baseavase no princípio de que numa região onde o acesso à terra era fácil. Assim. Proibia outros meios que não a compra. e difusão dos sistemas bancários criam condições de localização de investimentos produtivos em cidades. Configura-se novo mapa urbano. O BRASIL RURAL HISTÓRICO DA AGRICULTURA NO BRASIL Desde o início. O PNAD indica tendência ao menor ritmo de crescimento das metrópoles em detrimento das cidades com status de capital regional. Além da exploração colonial havia os colonos que se estabeleciam em um pedaço de terra que não havia sido doado pela coroa. uso dos sistemas informacionais. de grandes porções de terra (sesmarias) a quem desejasse dedicar-se a essa atividade. derivava do arbítrio real e não de um direito inerente ao pretendente. O desdobrar deste processo revela fatores de urbanização realizados pelo aumento gradativo do consumo e. eram considerados ilegais e discriminados. com preços mínimos elevados. saúde. pelo rei. O que explica as indústrias que têm se instalado no Brasil e. Regulamentava o tamanho das posses. a ocupação das terras brasileiras pelos portugueses assumiu as características de exploração voltada para o exterior. portanto. apesar de regulamentada. Entretanto. Processo intensificado com a crise de 29. Esta nova forma de regulação. aporte de investimentos nas cidades com mínimo de infra-estrutura e nicho de mão de obra barata. sacramentar de vez a vocação de pólo metalmecânico do país e do MERCOSUL na nova divisão territorial do trabalho mundial. A introdução da agroindústria canavieira em grande propriedade. extensividade do atendimento médico e educacional. 60 . Como a marcha do café se fez por meio de uma agricultura itinerante. era impossível obter mão-de-obra. Incentivo à migração da classe média metropolitana ávida por melhor qualidade de vida alcança os centros médios do interior dos estados. Em 64. Pressão inglesa contra o tráfico de escravos (lei Eusébio de Queiroz 1851). e determinava a devolução para o Estado de toda terra não ocupada. a aquisição das terras. do status social e dos serviços prestados à coroa. com grandes lucros. o Estatuto da Terra definiu os imóveis rurais em minifúndio.

lhe absorva a força de trabalho e seja capaz de proporcionar rendimento de subsistência e progresso social e econômico. correspondente a 1000 jornadas anuais. como soja. acompanhando as transformações dos demais setores. através da sua circulação e distribuição e de seu consumo. Mobilidade Social – O destino do homem rural em termos de mudança de classe e status social não comporta alterações significativas. mostrando-se uma das grandes contagiadas pela revolução tecnológica. Somente no presente século conhece ação contínua de mudanças e globalização. se não na sua produção. Isto se deve ao fato da revolução tecnológica ter atingido esta atividade. cultural e social mais homogêneas que as urbanas. A caracterização é baseada no módulo rural que significa área explorável por um conjunto familiar (4 pessoas). pois a exigência de território não permite grandes populações. Não há dedicação. o Brasil e outras colônias ficaram como fornecedores de produtos agrícolas e matérias primas. a qual incorpora seus principais signos. atingindo a organização de novo modelo técnico. a não ser eventual. vez que se mostravam incompatíveis com as novas formas de produção. como fonte de divisas e saldo positivo na balança comercial. A área de contato do membro de uma comunidade rural é mais estreita e limitada e baseadas em relações comunitárias e de vizinhança. conseqüentemente. Economia agrário-exportadora: continua no séc XXI. Não há muita diversidade de classes sociais. • • • • • A MODERNIZAÇÃO DA AGRICULTURA Desde o início do comércio em grande escala. distribuição e consumo. culminando em transformações econômicas e. a agricultura se realiza de forma globalizada. 61 . Interações sociais – A interação voluntária ou não é menor do que a do homem urbano. O que ocorre é apenas prosperidade ou decadência econômica das atividades. • • MUNDO RURAL ANTERIORMENTE À MODERNIZAÇÃO: • Atividades econômicas – diretamente ligadas à agricultura e à criação de animais. tecnologia e informação para aumentar e melhorar a produção. e de fontes de energia renovável como álcool e bio-diesel. sócio-espaciais. a qual o homem acrescenta trabalho. e Preços internacionais: podem incentivar produtos. Assim. o anterior 'sistema de objetos' e 'sistema de ações' foram substituídos. Natureza – Força produtiva fundamental no mundo rural. Hoje. econômico e social. Quase a totalidade dos habitantes rurais dedicava-se a esse ramo. profissões ou ocupações. Instituições de pesquisa governamental privilegiam esses produtos. ao processamento industrial dos produtos. Ciclos naturais condicionam a vida e os ritmos de produção. Homogeneidade social – As comunidades tendem a ser étnica. os gêneros de exportação suplantam o mercado interno de alimentos. mesmo que necessárias ao consumo interno. ou depreciar outras. Demografia – As populações que trabalham a terra estão dispersas no espaço. Este se baseia na incorporação da ciência. Para Milton Santos. a atividade agrícola apresentou crescente processo de internacionalização. AGRICULTURA VOLTADA PARA O EXTERIOR O fato de as culturas basearem-se no mercado externo pode ser atribuído a: • Passado colonial: na divisão internacional do Trabalho. latifúndio de exploração e por dimensão.empresa rural.

a produção agrícola tem seu funcionamento cada vez mais regulado pelo mercado. transformando os tradicionais sistemas agrícolas e abrindo inúmeras novas possibilidade. a agricultura passou a ser um empreendimento totalmente associado à racionalidade do período. o comércio. no Período Técnico-Científico significou o fim do isolamento que a atividade manteve em relação aos demais setores econômicos. transformando radicalmente as forças produtivas da agropecuária. assim. Uma transformação importante é a reorganização da relação entre estes três fatores tradicionais da produção. uma das principais orientações do progresso tecnológico na agricultura teve como intuito a produção de insumos artificiais. se ocorrerem pragas e doenças. insumos químicos e biotecnologia. Assim. aperfeiçoou e expandiu seu processo produtivo. ficando restrita a poucas áreas a produção de subsistência. parâmetro considerado ideal para obter maior crescimento e acumulação. aduba-se. perdendo a autonomia que manteve em relação aos outros setores da economia durante séculos. Para Milton Santos. Para Milton Santos. Desta forma. graças a uma crescente interdependência com o desenvolvimento geral da economia. seja na atividade humana voltada para a transformação da natureza. apresentando as mesmas possibilidades das demais atividades para a aplicação de capital e para auferir alta lucratividade. ter um maior controle sobre o ciclo biológico das plantas e dos animais. provocando metamorfoses. se os solos não forem suficientemente férteis. capazes de substituir parte dos insumos naturais e. um dos caminhos buscados pela pesquisa tecnológica voltada para o setor visou justamente uma aproximação do seu processo produtivo com o funcionamento da indústria. de forma cada vez mais intensa. Para José Graziano da Silva. Um instrumento primordial para a modernização da agricultura foi o amplo emprego de máquinas. Nesse sentido. quando grande parte dos circuitos espaciais da produção se esgotavam no interior do próprio estabelecimento agrícola. a produção agropecuária deixou de ser uma esperança ao sabor das forças da natureza para se converter numa certeza sob o comando do capital. quando do início da aceleração 62 . ocorrendo um processo contínuo de fusão com capitais dos demais setores. os “circuitos espaciais da produção agrícola e os círculos de cooperação necessários a sua realização extrapolam. Antes do processo de difusão de inovações na agricultura. visando o aumento de produtividade e a redução de custos. Diante disso. Com a pesquisa tecnológica foi possível reestruturar o conjunto de elementos técnicos empregados neste conjunto de atividades. transformando parte da agricultura numa atividade associada ao 'circuito superior da economia”. fornecidos pela atividade industrial. A rentabilidade do capital almejada pela economia globalizada tornou necessária a existência de formas mais eficazes de produção. irriga-se. em função das demandas urbanas e industriais. utiliza-se defensivos químicos ou biológicos. deixando-o menos vulnerável. objetivando a troca. Com tais transformações. O estreitamento de relações entre a produção agrícola e o restante da economia é um fator importante quando se quer distinguir a agricultura contemporânea daquela existente antes da revolução tecnológica. uma vez que o uso intensivo de capital e tecnologia elevou a produtividade do trabalho no setor. sendo que o aumento da extensão da área cultivada deixou de ser o fator exclusivo de crescimento da produção agrícola. de uma região ou de um país. considerar que o campo. a produção era destinada ao autoconsumo.A aplicação dos procedimentos e métodos científicos para a realização da produção agropecuária. Hoje. que se transforma cada dia mais de terra-matéria em terra-mercadoria. produzidos em escala industrial. os limites de uma propriedade rural. se as chuvas forem insuficientes.

observa-se sensíveis modernizações no perfil produtivo desta sua atividade. Séculos de história não se apagam de um dia para o outro. pela intensificação da divisão do trabalho e das trocas intersetoriais e pela especialização crescente da produção. as culturas e os produtores que não foram incorporados a modernização exercem papéis periféricos na organização da produção agrícola que se processa nas últimas décadas. seja em estado bruto ou passando por algum tipo de transformação industrial. promovendo desenvolvimento cada vez mais desigual. direta ou indiretamente. aumentando seu valor adicionado. com uma forte concentração territorial das formas resultantes do 63 . Construiu-se. que se intensificou de forma notável nas décadas seguintes. já que não oferece resistência ao seu contágio. sendo que o meio natural e o meio técnico vêm sendo rapidamente substituídos pelo meio técnico-científico-informacional. e a distribuição de crédito rural ocorreu de maneira não uniforme. A enxada. etc) mudou o seu processo produtivo. assim. possuindo uma flexibilidade muito superior à apresentada pelas cidades. cada vez menos dedicadas à subsistência. com forte repercussão na sua organização territorial. direcionando-se para atender a crescente demanda do mercado urbano interno e à produção de produtos exportáveis. A difusão de inovações. O espaço rural não foi homogeinizado. Hoje. Hoje a modernização da agricultura atinge. pela substituição da economia natural por atividades agrícolas integradas à indústria. O emprego de amplo leque de insumos industriais modernos (fertilizantes. a modernização da agricultura brasileira se realizou abalizada na racionalidade do atual sistema temporal. tecnologia e informação. aumentando a proporção da natureza social sobre a natural. aumentando de forma estrondosa sua fronteira agrícola. nas áreas onde hoje a produção agropecuária se dá com importante participação da ciência. assim como todas as tradicionais formas de distribuição e consumo da sua produção. constituindo setor baseado em estrutura dual. sementes e mudas. tendo seu funcionamento regulado pelas relações de produção e distribuição globalizadas. O tamanho continental de seu território. distribuição e consumo têm influência direta sobre as condições gerais da agricultura de todo o país. As áreas. mas as novas formas de produção. O movimento de mudança da agropecuária brasileira se caracteriza. a mão-de-obra escrava e a monocultura estão entre os mais fortes elementos associados à história da atividade agrícola brasileira. era um espaço menos rugoso de formas representativas de períodos históricos anteriores. aliadas à forte concentração fundiária e a existência de um parque industrial em expansão foram fatores favoráveis às transformações que se processaram no setor agrícola. a paisagem bucólica associada à vida no campo não é mais do que mera lembrança. estas repletas de capitais mortos. Por tudo isso. a produção agropecuária moderna existe como realidade em áreas espacialmente restritas. afetando todos os níveis da produção. vez que desigualmente atingido. o latifúndio. A partir da difusão de novos sistemas de objetos e de novos sistemas de ações. transformando as relações econômicas e sociais até então vigentes. com extensas áreas pouco rugosas. O CASO BRASILEIRO O Brasil é um dos países que mais reorganizou sua atividade agropecuária calcada em bases científico-técnicas. defensivos químicos. tem se mostrado um dos 'locus' preferenciais de introdução do capital tecnológico. todo o país.contemporânea. Desde os anos de 1960. dessa forma. um espaço seletivo. mas a força das variáveis inerentes ao Período Técnico-Científico vem se difundindo cada vez mais rapidamente no setor. mas processou-se de forma seletiva. A utilização de métodos e procedimentos científicos possibilitou o aumento de produtividade e a ocupação de inúmeras áreas antes não utilizadas para a atividade.

Assim a diversidade social aumenta com a fluidez do território. adubos. Homogeneidade social – Está sendo quebrada pela mobilidade espacial de trabalhadores que procuram atividades sazonais. principalmente as exportadoras. cana-de-açúcar). É. é comum o processo de substituição das culturas voltadas ao mercado interno(arroz. Foram muitos e complexos os impactos no território brasileiro. pulverizadores. portanto.processo de modernização da agricultura. Muitas vezes moram na cidade e vivem no seu tempo livre um modo de vida urbano. Nas áreas agrícolas que mais têm calcado seu desenvolvimento de forma integrada aos demais setores e em bases científico-técnicas. Os tradicionais produtos de exportação. Mas o trabalho em algumas áreas aproxima-se do fabril e os empregados não residem no local de trabalho. tratores. Natureza – Com a modernização tecnológica nas atividades agropecuárias a dependência em relação à natureza diminui. Em torno da prosperidade de algumas regiões agrícolas há um adensamento urbano associado. Lambert afirma a organização de dois Brasis: um. por contarem com um sistema de transporte e armazenamento modernos e por todos os demais signos da produção agrícola brasileira moderna. áreas previamente consideradas impróprias são aproveitadas. feijão. Demografia – continua de baixa densidade. milho). refrigerantes. A produtividade aumenta. AS MODIFICAÇÕES NO CAMPO EM FACE À MODERNIZAÇÃO: • Atividades econômicas – Sofre mudança radical em algumas regiões do Brasil. semi-prontos. formada pelos Estados que compõem as Regiões Sudeste. como o café e o algodão se apresentam em desvantagem perante as novas culturas voltadas à indústria e à exportação. desenvolveu-se um moderno parque industrial. gerando uma nova e mais profunda divisão social e territorial do trabalho agrícola no Brasil. o que produz alimentos para o mercado interno e de outro o que produz matéria-prima para as modernas agroindústrias. voltados para a exportação.as agroindústrias. As atividades ainda têm como base a agricultura e pecuária. metamorfoseando esta atividade. Assim. que mais se produzem os produtos para a exportação. Paralelamente à modernização da agricultura. Destaca-se a Região Concentrada como a que mais adotou inovações científico-técnicas e especificamente aquelas associadas à agricultura. seja das indústrias para suprir novas demandas da atividade agrícola e pecuária (fertilizantes. pelas voltadas à exportação (soja. Tudo isso acabou acarretando a transformação de funções historicamente exercidas por determinadas áreas de produção agrícola e por determinados produtos agrícolas. como alimentos instantâneos. É na 'Região Concentrada'. O desenvolvimento da agroindústria introduziu novos hábitos de consumo alimentar. por terem acesso ao capital financeiro e às inovações científicas. O processo obedece ao ritmo do planejamento humano. • • • 64 . entre outros. óleo de soja. seja das indústrias para transformar os resultados desta produção. ou mesmo moradia definitiva em áreas distantes. porém houve transformação. reorganizando toda sua produção agrícola e seu espaço rural. Sul e partes da Região Centro-Oeste. com preços mais competitivos. difícil distinguir o campo da cidade. ganham destaque áreas que passam a produzir produtos agropecuários industrializados ou semi-industrializados. Estas passam a ocupar parte significativa da pauta de exportações e caracterizam-se por serem produzidas em grandes propriedades. rompe-se a sazonalidade de algumas culturas e a produção está cada vez mais próxima da indústria. etc). É o caso da cana e laranja. ou as ligadas ao turismo.

ou ácido lúrico. inserindo-o no mundo moderno. em que as aplicações biotecnológicas no campo farmacêutico superam as voltadas para a agroindústria. vários estudos comprovam que a biotecnologia no Brasil está ainda limitada a atividades realizadas nas universidades e em certas instituições públicas de pesquisa. Um resultado da chegada ao mercado dos cultivares transgênicos foi a brutal concentração na indústria de sementes. e variedades "tropicalizadas" de trigo. Assim. como a Fundação Osvaldo Cruz. Diferentemente do padrão internacional. para aumentar o conhecimento sobre as variedades cultivadas no país visando melhor eficiência no combate a doenças e aumento de produtividade. Leis de biosegurança). Novartis e Dupont. e algumas parcerias com instituições de pesquisa na área da saúde. técnicos agrícolas e informática). O CENÁRIO DE COOPERAÇÃO EM BIOTECNOLOGIA A preocupação internacional com a conservação do meio ambiente e o debate sobre a biotecnologia têm sido acompanhados pelos cientistas brasileiros. dois aspectos cruciais para a competitividade brasileira no setor de sucos. necessárias para mover uma agropecuária com alto conteúdo técnico-científico. A biotecnologia permite o desenvolvimento de kits-diagnóstico para a identificação de doenças e a escolha do melhor método de propagação de mudas para torná-las imunes a doenças. que produz diferentes rendimentos e diferentes oportunidades. As pequenas empresas biotecnológicas têm número reduzido e atuam pontualmente. que passa agora a efetivar-se como uma divisão das líderes agroquímicas mundiais: Monsanto. sementes). • BIOTECNOLOGIA E AGROINDÚSTRIA A biotecnologia tem importância crucial para o aumento da produtividade agrícola e abre a possibilidade de melhoramento genético da qualidade e variedade de espécies. cosméticos e farmacêutica. tanto é possível obter importante variedade rica em ácido graxo. utilizado na fabricação de sorvetes. para a agroindústria (papel e celulose. Aumentaram as ligações com as cidades.• Mobilidade social – A modernização favorece a mobilidade social pela multiplicação das profissões técnicas (operários. utilizam a biotecnologia no melhoramento e na produção de mudas. Grande parte das atividades em biotecnologia se referem a insumos para a agricultura (inoculantes. Entretanto. a começar pelo fato de que muitos foram morar na cidade. Torna-se necessário o aprimoramento institucional (Lei de Patentes. Através das ferramentas da análise genômica podem-se identificar novos princípios ativos ou plantas com níveis mais elevados de determinadas proteínas de uso na indústria de alimentos. e Interações sociais – Os contatos ampliam-se e diversificam-se. O assalariamento também representa uma nova relação. facilitadas pela maior fluidez do espaço. operadores de máquinas. O telefone e a circulação de jornais e revistas especializados são elementos que expandem o universo de relações do homem do campo. produção de enzimas) e. As oportunidades tecnológicas abertas pela biotecnologia vão desde o processo de obtenção de novas variedades até a melhor exploração da biodiversidade. Congresso e 65 . Agrevo. o que contribui para tornar o debate cada vez mais uma questão de regulação multilateral. Apenas alguns segmentos de grandes empresas. como papel e celulose. como a Embrapa e o Instituto Agronômico de Campinas (IAC). Zêneca. no Brasil o panorama se inverte.

embora a maioria dos modernos produtos biotecnológicos ainda não tenha alcançado as maiores cadeias de alimentação ou as farmácias. No Brasil. Muitas tentativas têm sido feitas para prejudicar a introdução de organismos geneticamente modificados na prática agrícola. O tamanho e a força do espaço econômico não depende só da vontade nacional – A modernização tardia e dependente de capitais externos. pois a indústria de calçados que produz para os EUA somente completa seu ciclo nos EUA. Até o momento. No Brasil. É interpenetrado por outros espaços econômicos nacionais . acompanhado pela melhoria do padrão de vida da população. desde o fim da IIGM. desigualdades podem ser percebidas e explicadas pela distribuição diferenciada de infra-estrutura econômica moderna. GESTÃO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO GEOGRAFIA ECONÔMICA DO BRASIL Com o foco na organização das atividades econômicas. como com freqüência se pensa. pois as relações econômicas apresentam alto grau de inserção mundial. redução das exportações de produtos primários. orientadas por suas contrapartes européias. históricas e territoriais). No entanto. Assim. moldou um espaço • • • 66 . precisa para se realizar. as corporações alargaram seus interesses e não atuam mais tendo como referência qualquer pais. migração de mão-de-obra e menor dependência externa. As organizações não-governamentais preocupadas com o meio ambiente no Brasil.agências do governo para saúde. cultural ou econômico entre diferentes setores da população. mas criam seus espaços econômicos usando o território dos países e interagem com o mercado de mão-de-obra e de mercadorias. É interpenetrado por relações econômicas das transnacionais . deu ensejo sobre o que seria desenvolvimento: • o desenvolvimento resultaria das características próprias de cada país (situações geográficas. e • Deveriam ser ampliados e integrados geograficamente os mercados nacionais. as relações econômicas dos EUA também compõem o espaço brasileiro. Essa discussão alcançou a sociedade brasileira. O desenvolvimento pode ser entendido como o crescimento econômico no âmbito de um país. envolvendo o território e estendendo-se além dele. pode ser descrito como: • O espaço econômico brasileiro tem a dimensão de que a economia brasileira. • as mudanças seriam o avanço da atividade industrial. meio ambiente e ciência. e distribuição territorial do crédito e dos investimentos. Não criam território. tal como é. alguns processos são essenciais para entender o processo: modernização e o desenvolvimento sócioeconômico. têm tentado impedir os produtos biotecnológicos de chegarem ao mercado e continuam a agir dessa maneira. buscando-se superar o isolamento social. mas a dimensão do espaço geográfico geral de uma sociedade que expressa o conjunto das relações econômicas. o que indicava que o desenvolvimento deveria ser industrial e urbano. ESPAÇO ECONÔMICO BRASILEIRO O espaço econômico não é a totalidade de um país. esse processo vem superando estruturas sociais tradicionais e a produção industrial ganhou importância. A desigualdade entre os paises. tanto o Governo quanto a iniciativa privada têm sido capazes de bloquear com eficiência essas tentativas. o mercado atingiu escala nacional e o território foi integrado.

incluía a região semi-árida do norte de Minas Gerais. Além do nordeste. representava a área core do país naquela década.econômico arrastado para um conjunto de relações que. no caso da fiação. Rondônia. O projeto da ALUMAR tem peso na indústria maranhense. devido à devastação promovida pelo bicudo na produção de algodão no Nordeste. Complexo minero-metalúrgico do Maranhão: Desdobramentos de Carajás e ao interesse multinacional em diversificar suas fontes de matérias-primas. na vegetação do bioma cerrado. com 67 . foram criadas a Sudeco e a Sudesul. Amazonas. Em mundo envolvido por intensas relações entre os povos. apresenta como particularidades: − O Sudeste do Brasil. REGIÃO NORDESTE Apresenta uma crescente heterogeneidade de suas estruturas econômicas. outros elementos criam fronteiras. além do oeste do estado do Maranhão. internacionalmente. Pará. em virtude de sua atualização tecnológica. REGIÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS A Sudene(1959) foi o primeiro organismo permanente de planejamento regional brasileiro. não se encaixam com as necessidades reais do país. No Centro-Oeste. como câmbio. A CVRD implantou infra-estrutura para a exploração e exportação de ferro. sócio-econômica. que atualmente engloba os estados do Acre. viabilizado com a participação de capitais privados nacionais e multinacionais e com o suporte estatal (Petrobrás). O encadeamento do pólo cearense com a base agrícola da região é reduzido. Pólo têxtil e de confecções de Fortaleza: é competitivo nacionalmente e. A divisão regional. ajudou a dinamizar e a instalação de usinas de ferro-gusa e de ferroliga ao longo de sua extensão. É hoje considerada uma das últimas fronteiras de recursos do mundo. muitas vezes. definida nos anos 60. Dominada em grande parte por floresta densa de mata alta. não lhe assegurava autonomia econômica. A Estrada de Ferro Carajás contribuiu para dinamizar o pólo agrícola do sul do Maranhão. O Nordeste pertencia às chamadas áreas deprimidas. resultante da abertura da fronteira agrícola e da urbanização. tecnológica e cultural é sua principal característica. já que são exportados 95% do produto. Complexo agroindustrial de Petrolina e Juazeiro: surgiu nos anos 70. O Sul era região rica e populosa em razão do desenvolvimento da agricultura voltada para a exportação e de matérias-primas para outras regiões do Brasil. Mato Grosso. A criação da Sudam (1966) definiu a Amazônia legal. A aumentou o peso do setor secundário na economia baiana e contribuiu para a elevação das exportações desse estado. A mais importante riqueza da Região Norte reside na diversidade de seus ecossistemas. barreiras alfandegárias e políticas protecionistas. impostos. REGIÃO NORTE A diversidade ambiental. Amapá. Estratégia que revela a centralização do poder político desse período. iniciava-se processo de desmatamento. Pólo petroquímico de Camaçari: produção de bens intermediários. embora apresentasse estrutura industrial incipiente. No ano seguinte. região que emergira com o crescimento cafeeiro e com a − − − industrialização. • As fronteiras que demarcam o espaço econômico são frágeis – A interpenetração e a sobreposição das relações econômicas ocorre de forma desigual. Tocantins e Roraima. Representa hoje uma possível base para a esperada verticalização da matriz industrial da petroquímica regional. As articulações pelo uso do alumínio são reduzidas.

Mas. dois terços dos indigentes rurais do país estão no Nordeste. TO e MA) e Nordeste. As zonas cacaueiras. apresentaram grau reduzido de operacionalização. Oeste da Bahia: expansão da soja. No semi-árido. pode ser incluído na Centro-Sul. o Estado passou a intervir no processo de ocupação. indústria de carnes. A Amazônia teve seu território ampliado para os limites da Amazônia Legal. É que despontou atividades como avicultura. • natureza e densidade dos fixos criados pelo homem. No Mato Grosso houve grandes projetos de colonização pública e privada com incentivos fiscais. Segundo o Mapa da Fome feito pelo IPEA. A partir de 1970 e nos anos 80. ORGANIZAÇÃO REGIONAL DO ESPAÇO BRASILEIRO MODIFICAÇÃO DA CLASSIFICAÇÃO Os processos sociais e econômicos a partir de 1950 modificaram o espaço brasileiro dividindo-o em Centro-Sul. II – Centro-Sul . REGIÃO CENTRO-OESTE A partir da década de 40. suinocultura. caracteriza maior instabilidade. a crise do algodão contribui para tornar ainda mais difícil e frágil a sobrevivência do contingente populacional. O acesso a terra é precário. do Prodecer. • modos e intensidades como se verifica a circulação e gestão das atividades. e diferenciam-se por apresentar distintas: • especializações produtivas. A industrialização por substituição de importações passou a requerer da agricultura dupla atribuição: produzir excedentes de alimentos a custos razoáveis e fornecer recursos para financiar o desenvolvimento urbano-industrial. por processos de diferenciação sócioeconômica do território.É a área core do país. Permanência de velhas estruturas. O Nordeste avança pelo Norte inteiro. atividade de produção de insumos próprios para a agricultura. o que acirra os conflitos. o processo de concentração fundiária tem aumentado e o monopólio da cana sobre as áreas cultiváveis se ampliou. enquanto o Mato Grosso e norte de Goiás possuem frentes especulativas. foram criados no fim da década de 1960 com objetivos de favorecer a inserção de grandes investimentos. Amazônia (mais MG. como fornecedora de matérias-primas para a indústria. As três grandes regiões podem ser reconhecidas como expressão de uma nova divisão territorial do trabalho vinculada à dinâmica da acumulação capitalista internacional e brasileira. associando capital fundiário e financeiro. O processo de ocupação fundiária verificado tem componentes especulativos. O desaparecimento da região Centro-Oeste foi viabilizado pela fragmentação políticoadministrativa que se verificou na década de 80. As chapadas sedimentares do oeste-baiano passam pela modernização agrícola. canavieiras e o sertão semi-árido são áreas resistentes à mudança. meios e relações de produção. inter-regional e internacional. implantada por agricultores do sul do país.A questão fundiária permanece praticamente intocada. envolvendo produtos. do Provárzea e do Profir. a agricultura passa a se inserir e em um processo de verticalização. foram decisivos os estímulos do Polocentro. com base na implantação de grandes projetos de irrigação. Na Zona da Mata. com reduzido impacto no volume de produção e vendas.apoio Estatal. O Mato Grosso do Sul e o sul de Goiás tem vigorosas frentes de agricultura moderna. Os instrumentos de incentivos fiscais.e • níveis de articulação interna. com as seguintes características: 68 . Na viabilização econômica dos cerrados. Áreas de moderna agricultura de grãos: estendem-se dos cerrados do oeste baiano ao sul do Maranhão e Piauí. Pólo de fruticultura do Vale Açu: empresas especializadas na exportação. com relações como a parceria. administrados pela Sudam.

mas não de caráter nacional expressivo. peões. a Suframa e os eixos viários de integração: rodovias Belém-Brasília. • Diferentes tipos de conflitos sociais. seringueiros. 4– Porto Alegre à Caxias do Sul. menor relevância das culturas canavieira. • Correntes migratórias para a região. A abertura de rota viária amazônica para o pacífico de forma a ligar Rio Branco até Pucallpa (Peru) é um projeto polêmico. a Sudam. Compreende Brasil (cerca de 69% da área total). Cuiabá-Porto Velho. SP como pólo de atração. IV – Amazônia – definida como a fronteira do capital. • Integração ao mercado do centro sul. 2– Zona Metalúrgica de BH. para a Amazônia. Foi a mais afetada pelo processo de modernização da agricultura. uma nova integração regional ao sistema capitalista. latifúndios. • Densa rede de circulação. • As perdas são explicadas pelo fato de suas atividades serem voltadas para fora. III – Nordeste. tem a terra no centro do conflito. rede ferroviária mais densa e de telecomunicações. como mamona e frutas produzidas sob moderna tecnologia. Sorocaba. • Produção industrial organizada em 4 regiões. cidades importantes como Campinas. com os principais portos. Bolívia. e alto poder político. 1. • Perda demográfica. que começa a se concretizar no final de 2005. alta desigualdade social. Equador. cacau. circulação e distribuição. características: • Importância declinante da agropecuária. Menor variedade e densidade das formas espaciais. compensados por boa produtividade. • Centros metropolitanos importantes como BH. 3– Nordeste de Santa Catarina. e onde se percebe a mais nítida divisão territorial do trabalho. aeroportos. Venezuela e Guianas. e possui as relações que conferem maior valor. algodão. concentram as redes sociais das corporações privadas vinculadas à produção. • Principal área agropecuária do país. portos e aeroportos. enorme variedade de produção. Blumenau e Caxias do Sul. aliada a integração com o Centro-Sul. com a construção de rodovias. PERSPECTIVAS DE INTEGRAÇÃO DA BACIA AMAZÔNICA A Amazônia Internacional é constituída em sua maior parte por terras baixas florestadas equatoriais drenadas pela bacia do Rio Amazonas. pós 1970. mineração e Manaus. • Principal área política do país e de concentração de capital. A ação da sudene contrabalançou o processo. estende-se à Baixada Santista. originando áreas especializadas. Vale do Paraíba até Rio de Janeiro. etc. para exploração mineral ou pastoril. Mobilidade intra-regional também acentuada.epicentro em São Paulo. No caso brasileiro. a partir dos anos 70. pequenos produtores.• Concentra centros de gestão econômica e política. O Projeto Calha Norte (1985) prevê a instalação de uma rede integrada de bases militares do Exército e da Marinha acompanhado as fronteiras 69 . tanto para o Centro-Sul. • Pequeno grau de articulação interna e de divisão intra-regional de trabalho. • Urbanização decorrente da magnitude industrial. Peru. como. complexidade e densidade ao espaço. Cuiabá-Santarém e Transamazônica. • Dizimação física e cultural dos índios e da população afeita às especificidades locais. Porto Alegre e Curitiba. • Investimentos em hidroelétricas. • Baixo nível de renda e escolaridade. É objeto de diferentes estratégias nacionais de desenvolvimento. • Principal área em termos de mobilidade demográfica. Porto-Velho-Manaus. a região das perdas. índios. como a BelémBrasília-São Paulo. em processo diferente do ciclo da borracha. • Apropriação dos recursos naturais. envolvidos empresas.

muito maior e mais desenvolvida. e no grau de governabilidade e poder de traficantes POSSIBILIDADE DE COOPERAÇÃO E A QUESTÃO FRONTEIRIÇA A partir da década de 1970. que são as linhas divisórias entre soberanias. Dentre os esforços. projetos de colonização e redes viárias precárias. cidades que vivem em função de Letícia. a soberania contestada pela ocupação conflitiva e descontrolada. onde vivem isolados num regime semi-escravagista nas colônias bolivianas ou em seringais de próprios brasileiros. com uma realidade sócio-econômica e psicológica diferente da do restante de cada território nacional. Tem como elementos comuns a visão latino-americana que alia desenvolvimento à segurança. Narcotráfico na fronteira ocidental. a Venezuela. na diversidade de condições geológicas. destaca-se o Tratado de Cooperação Amazônica (1978). Comércio legal e ilegal em torno de Boa Vista (RR). que lhes imprime uma identidade própria. devido aos investimentos franceses em infra-estrutura. A Guiana francesa é tida como terra prometida para muitos brasileiros que lá vivem. de revestimento florestal e de extensão das diversas amazônias. Fronteiras são áreas. 70 . Tabatinga (AM)/Letícia (Colômbia). que são o lugar dos problemas e também da sua solução. quando comerciantes guianeses compram mercadorias em Boa Vista e revendem em Lethem (Guiana). colombianos e peruanos fogem para Tabatinga e Villa Bittencourt. faixas. Os países da Amazônia sul-americana são heterogêneos com relação a alguns fatores como no nível de desenvolvimento econômico-social. o Suriname e a Guiana Francesa. a industrialização por substituição de importações e o forte crescimento demográfico valorizaram a Amazônia como fronteiras agrícolas nacionais. Os traficantes operam livremente. A Amazônia é selva organizada. a Guiana. o fortalecimento das elites regionais. segundo as oportunidades. Só recentemente se desencadeou a rápida ocupação da Amazônia sul-americanas. na medida em que a maior parte da população e suas atividades regionais se concentra nos núcleos urbanos. Grande porta de entrada do narcotráfico no Brasil. pela pressão ecológica e financeira internacional e pelo narcotráfico.Área Yanomami como área clandestina de garimpeiros brasileiros na Venezuela. práticas governamentais inadequadas. e problemas de soberania. Fronteiras não devem ser confundidas com limites. Entre 1930 e 1960. Por conta da guerra do narcotráfico na Colômbia. comum aos dois lados da linha divisória. Estravazamento da exploração da borracha brasileira: fluxo de seringueiros brasileiros para as matas bolivianas.Brasileiros revendem em Boa Vista dólares e combustível adquiridos na Venezuela.setentrionais do Brasil com a Colômbia. Rio Catrimani (entre Roraima e Venezuela) . EM BUSCA DE UM PROJETO PAN-AMAZÔNICO A maior dificuldade para soldar um pacto supranacional reside na ausência de projetos capazes de compatibilizar projetos internacional e regional. sendo muito mais bem equipados do que o exército. as fronteiras vêm experimentando processo de ocupação desordenada. Movimentos migratórios tendem a ultrapassar os limites políticos de cada país. No externo. Guajará-Mirim e Costa Marques (RO) / Peru e Bolívia. com atividades ilegais (ouro e droga). Brasiléia. é contestada pela imbricação de empresas e organismos internacionais no processo de ocupação. Palmarito (MT)/Bolívia. instaladas com desconhecimento das condições locais. No plano interno. Fluxo de mão-de-obra brasileira para a Guiana francesa: ocorre entre Oiapoque (AP) e Saint Georges.

• Nas áreas vulneráveis (concentração florestal e de reservas). em especial ao longo dos eixos de ocupação familiar (aumento da fiscalização e possibilidade de demarcação de terras indígenas e novas UCs). Suas estratégias: • Apoio e fortalecimento da indústria sustentável da madeira (certificação). Estratégias: • Regularização fundiária de frentes de expansão. “entrega” de serviços às populações locais (nos núcleos urbanos). principalmente pelas rodovias. Prevê a sub-regionalização da Amazônia.Arco povoado do sul e leste da Amazônia. inclusão social e cidadania. • Disseminar práticas produtivas sustentáveis na atividade madeireira. utilização de ZEE. concentrando 3 frentes de expansão –Cunha do Tapajós. infra estrutura para o desenvolvimento. dentro de cada mesoregião. TO e MA e áreas fortemente antropisadas do sudeste do Pará. produção sustentável com inovação e competitividade. • Controle da expansão da soja e apoio aos agricultores na diversificação produtiva.PROGRAMA AMAZÔNIA SUSTENTÁVEL Iniciativa de 2003. AMAZÔNIA OCIDENTAL . AMAZÔNIA CENTRAL . Inovação como ferramenta básica à integração competitiva do setor produtivo local (criar vínculos entre a agenda regional e a estrutura produtiva local). e • Ampliar o acesso ao crédito e a capacitação para empreendimentos agroflorestais. • Gerenciamento costeiro para controle dos recursos do arco da embocadura. indo do centro do Pará e norte do Mato Grosso à estrada Porto Velho–Manaus e Hidrovia do Madeira. • Consolidação de iniciativas de conservação (Fronteira de Preservação). a integração das 3 esferas de governo. novo padrão de financiamento). corredor do Araguaia-Tocantins. 71 . como forma de produzir bem-estar. distante das grandes obras de infraestrutura. Roraima e parte do Acre. Macrorregiões: ARCO DO POVOAMENTO ADENSADO . TERRITORIALIZAÇÃO: ESTRATÉGIA DE RECONHECIMENTO DA SOCIOBIODIVERSIDADE DA REGIÃO A estratégia se articula a partir de uma nova proposta de divisão territorial da Amazônia para o planejamento dos projetos e políticas.elaboração de ZEE. Rondônia e sul do Acre. com extensões de cerrado do MG. com políticas de desenvolvimento para três mesoregiões (arco do povoamento adensado. Adota fundamentos da Teoria de Desenvolvimento Local. Opera com a formação de consensos para os conflitos. e ações organizadas em eixos temáticos (gestão territorial e ordenamento territorial. opções do biodiesel e consórcio. Amazônia Central e Amazônia Ocidental) e sub-áreas específicas. a descentralização e transversalidade das ações federais. e iniciativas de pagamento pelos serviços ambientais como forma de remunerar os amazonenses por estes serviços. • Apoio e fortalecimento aos APLs potenciais com agregação de valor (em especial no Vale do Amazonas e Frentes de Ocupação). que engloba os estados do Amazonas. reconhecendo e considerando a diversidade e heterogeneidade que caracterizam a região. Terra do Meio e Corredor do Madeira. procura valorizar o capital social e natural e adota o princípio da diversidade como vetor de desenvolvimento sustentável. Ampliação das escalas de comercialização dos produtos da floresta. riqueza com menor pressão ambiental e diminuição do êxodo para as capitais.Tendência à expansão do povoamento em algumas sub-regiões. além do enclave do Pólo Industrial de Manaus / Zona Franca de Manaus. • Manejo sustentável de recursos hídricos. Tem como pontos estratégicos: • Estimular ocupação de áreas abandonadas.Área com vastas extensões de floresta e baixos índices de perturbação dos ecossistemas naturais.

A Política Brasileira de Combate ao Narcotráfico A Secretária Nacional Antidrogas ressalta a importância da cooperação internacional para a superação da questão das drogas.) e apoio ao extrativismo florestal (Manaus). As prioridades têm sido coibir o abuso e a demanda dentro das fronteiras e praticar política 72 .• • • • • • Apoio à mudança de escala da produção extrativista. e Integração a partir do fortalecimento das cidades gêmeas(Letícia-Tabatinga. etc. bem como estímulo à implantação de corredores ecológicos no AM. Apoio ao Pólo gás-químico e de informática do PIM. adotado na ONU. Apoio à Pesquisa e Desenvolvimento de novos produtos florestais(como fármacos. já não se estabelece diferenças entre países produtores.). Utilização do instrumento de ZEE nas regiões de fronteira. fragrâncias. etc. extratos vegetais. O Brasil tem adotado política no controle de drogas e combate ao tráfico. Estímulo ao ecoturismo (Entorno de Manaus e Alto Rio Negro. consumidores e de trânsito. Segundo o princípio da responsabilidade compartilhada. em paralelo à necessidade de aumento da vigilância e controle). cabendo a todos engajarem-se no combate ao tráfico e uso indevido de drogas.

visando reduzir a demanda por narcóticos. Da mesma forma.de cooperação com outros países. o Brasil é parte contratante dos tratados mais relevantes relacionados ao controle de drogas. bem como as atividades de recuperação de dependentes. uso indevido e produção não autorizada de entorpecentes. coordenar. AQÜÍFERO GUARANI 73 . O País desenvolve série de programas visando combater o narcotráfico ao longo das fronteiras e vem tomando medidas para atualizar e melhorar sua legislação. cujo trabalho está em consonância com as orientações internacionais. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras coordena esforços com vistas a lavagem de dinheiro. Neste sentido. o Brasil é signatário de vários acordos de cooperação para a prevenção do uso abusivo. em nível regional. No plano bilateral. supervisionar e controlar as atividades de prevenção e repressão ao tráfico ilícito. A Secretaria Nacional Antidrogas é o órgão encarregado de planejar. o País participa ativamente do trabalho da Comissão Interamericana para o Controle do Abuso de Drogas da OEA. para a reabilitação e para a troca de informações sobre legislação e jurisprudência.

Nos dias de hoje. ocorreria retirada de até 1 milhão de litros por hora. estendendo-se pelo Brasil. permiti aumentar o conhecimento técnico sobre o recurso e propor marco técnico. A espessura total varia em até 800 metros. A água é "commodity" preciosa e cada vez mais escassa. por unidade. muitas vezes jorrante. São Paulo. Estima-se que as reservas permanentes sejam da ordem de 45. Mato Grosso do Sul. e em países como China e Israel. Sua maior ocorrência se dá em território brasileiro (2/3 da área total). A combinação de boa qualidade da água. Minas Gerais. com dois pontos pendentes: a possibilidade de um dos Estados poder paralisar uma ação de exploração do recurso aqüífero. e ocupa uma área de 1. Santa Catarina e Rio Grande do Sul. caso entenda que possa prejudicar os interesses dos demais. visando à sua preservação. em discussão no Banco Mundial. Tanto no âmbito da ONU quanto no Mercosul. Paraguai. faz com que do Aqüífero o manancial mais econômico e flexível para abastecimento do consumo humano.O Aqüífero Guarani é o maior manancial de água doce subterrânea transfronteiriço do mundo. e como resolver esses conflitos potenciais. apenas cerca de 10% do total das reversas de água terão sido utilizadas. O Projeto para a Proteção Ambiental e Desenvolvimento Sustentável do Sistema Aqüífero Guarani. de forma a possibilitar uma utilização mais racional. As tratativas para um acordo se encontram em fase final no âmbito do Mercosul. Num período de cem anos. necessitando maiores estudos. O uso de recursos compartilhados de rios é motivo de rivalidades e de discórdias entre países. Sua recarga natural anual (principalmente chuvas) é de 160 Km³/ano. A partir de poços profundos. Paraná. 74 . o Aqüífero pode atender à demanda de 360 milhões de pessoas em base sustentável. A quantidade de água no sistema equivale ao total do volume de água que corre pelo Rio Paraná durante 20 anos. o que está sendo discutido é como regulamentar a exploração e a preservação dos reservatórios. Uruguai e Argentina. legal e institucional para sua gestão coordenada. sendo que 40 Km³/ano constitui o potencial explorável sem riscos. Esse reservatório foi formado por derrames de basalto ocorridos no Triássico. Jurássico e Cretáceo. abrangendo os Estados de Goiás.000 Km. sabe-se que a escassez de água começa a ser um real e problema em algumas regiões. sua dinâmica ainda é pouco conhecida. Inexistem até aqui mecanismos legais e regulatórios para o uso adequado desses recursos subterrâneos. Já foi causa de guerras. A sua grandeza e a coincidência de estender-se exatamente abaixo do território do Mercosul torna-o importante manancial hídrico. possibilidade de captação nos locais onde ocorrem demandas. Considerando-se como sendo de 300 litros por dia o consumo de água per capita. como a Califórnia. As águas são de boa qualidade para o abastecimento público e podem produzir vazões superiores a 700 m³/h. boa proteção contra poluição. verdadeira reserva estratégica para o abastecimento da população e para o desenvolvimento socioeconômico da região. Por ter extensão continental com característica confinada.2 milhões de Km². Está localizado na região centro-leste da América do Sul. É constituído pelos sedimentos arenosos na Base e arenitos no topo.

que apenas inicia-se no país. recorrente em nossa história política. tendem a constituir enclaves extrativistas. e o nível de desperdício de recursos que imperam até hoje (trato das florestas. A exploração de petróleo off shore também deverá ter expandida sua área de exercício. o país se constrói sob o signo da expansão territorial. jogará a fronteira leste do Brasil para 350 milhas náuticas da linha da costa. A importância dos meios marinhos. O desenvolvimento da maricultura. o que resultaria numa expansão do setor pesqueiro.PROJEÇÕES DO BRASIL PARA 2020. E de fato. Sabe-se que mais de 90% da poluição marinha origina-se de fontes terrestres. induzem à formação de uma área de adensamento. dos solos ou dos recursos hídricos). e conhece uma via colonial de estruturação. Assim. e em função da intensificação dos fluxos mercantis oceânicos. induzida pelos zoneamentos em curso e pelas demais legislações restritivas. Nesse sentido. novos padrões de avaliação da terra. duas macrozonas emergem como grandes reservas potenciais de valor: a região amazônica e a área marítima sob jurisdição brasileira. Nas localidades amazônicas associadas à exploração de recursos minerais de alto valor. passarão a operar num universo de estoques cada vez mais restritos. como fonte de recursos. Quanto ao mar brasileiro. pode-se prever um uso mais intenso de seus recursos. ocorrerá um avanço do povoamento e um adensamento populacional. o projeto REMIZEE visa identificar as jazidas existentes e seu potencial econômico. políticas e ideológicas . decorrente da globalização. Quanto à região amazônica mantida a atual diretriz de ocupação. Como resultado. notadamente. aqueles ecossistemas que cumprem papéis vitais na reprodução da vida marítima. com baixa internalização local de valor.ao longo de nossa formação. dominante em nossa formação. com o estabelecimento da dimensão da plataforma "jurídica" brasileira. e a formação de viveiros artificiais no mar completariam o quadro de intensificação do uso dos recursos vivos marinhos. uma vez que o padrão extensivo do povoamento e das estruturas produtivas. já observável na ocupação hodierna da Amazônia. Nesse sentido. a conclusão do projeto LEPLAC. porém seletiva e concentrada. Trata-se de uma sociedade que sempre teve na conquista de espaço um forte elemento de identidade e coesão. (Antonio Robert Moraes) O Autor salienta a centralidade da dimensão espacial na formação histórica do Brasil que foi gerado no processo de constituição da economia-mundo capitalista. 75 . Questiona o momento na qual estarão esgotadas as reservas de espaço. O projeto REVIZEE que objetiva a definição dos estoques de recursos vivos da ZEE e dos níveis de captura sustentáveis. quanto ao domínio do subsolo marinho. não raro se definiu a arte de governar como a capacidade de produzir e ordenar o espaço. os quais serão efetivamente explorados. A existência de extensas áreas protegidas e de um grande número de unidades de conservação na região atuará na acentuação do marcado padrão urbano. sugere revalorização no uso dos recursos ambientais e naturais disponíveis. Quando localizadas em zonas isoladas. ou mesmo redirecionam o sentido dos fluxos. fato de extrema importância geopolítica para o Atlântico Sul. Vale lembrar que. coloca a questão do controle da sua degradação. quando próximas a eixos de povoamento/circulação. o olhar planejador deve se voltar para as zonas litorâneas e para as atividades ali desenvolvidas. está associada à ocupação de novas áreas e à montagem do território. Em termos da exploração mineral da zona marítima. não poderá mais se reproduzir. como os manguezais. A idéia de "construir o país". a existência de grandes fundos territoriais cumpriu múltiplas funções econômicas. seja pela prospecção na Baía de Santos ou em áreas setentrionais do país.

estando o outro correndo pelo Vale do Paraíba dependerá sobremaneira da redinamização da metrópole carioca. Estas.O litoral brasileiro está se urbanizado progressivamente. As estradas que interligam espaços transnacionais possuem uma importância ainda maior para a reflexão geoestratégica. A preocupação com o ordenamento da ocupação da zona costeira não pode se restringir apenas ao planejamento preventivo. com avanço de residências e a instalação ou ampliação de atividades litorâneas. Estas duas aglomerações representam as porções mais adensadas do chamado "polígono industrial" brasileiro. pelo eixo da rodovia Anhanguera. O binômio de urbanização e industrialização. Pode-se prever adensamento no interior desse espaço. O litoral de São Paulo e Rio de Janeiro definirão porção contínua de múltiplos usos que deverá constituir elo de ligação.que terá a zona costeira como um dos eixos de conurbação. Enfim. e comporá também o perfil generalizado da ocupação do litoral das regiões Sul e Sudeste do país. Nesse padrão. na estruturação dos eixos de povoamento. as regiões de Campinas (já conurbada) e de Sorocaba. com a malha ferroviária que demanda o complexo de Carajás e os arredores de Brasília. A carta de densidade demográfica do Brasil apresenta com clareza o adensamento existente no curso da Belém-Brasília ou da Cuiabá-Porto Velho. As demais metrópoles regionais crescerão em ritmos mais lento. mas a atuações corretivas. incorpora no primeiro processo as atividades turísticas e de veraneio. incorporando a Baixada Santista. A orla nordestina que ainda conhece setores de baixa densidade populacional vivenciará um maior povoamento dessas áreas. em função do desempenho das economias regionais que presidem. O papel das estradas. a outra é a expansão areolar paulistana num sentido concêntrico. dependentes de sua articulação com os circuitos globalizados. A velocidade de constituição dessa estrutura espacial . observa-se uma competição locacional envolvendo duas direções possíveis: uma é exatamente a fusão das manchas metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro. que teria como similar a costa leste dos EUA. Vale mencionar que no movimento da área core brasileira. Cabe comentar que estas iniciativas 76 . Também deverá aumentar o movimento dos portos de Rio Grande e de Paranaguá em virtude da intensificação dos fluxos no âmbito do Mercosul. nem mesmo nas zonas rurais remanescentes. o qual envolveria também as regiões metropolitanas de BH. e seus entornos. por exemplo. no que tange ao saneamento básico e ao tratamento de efluentes domésticos e fabris. caracteriza suas performances. hoje. estruturando parte da primeira megalópole nacional. com o crescimento da rede de cidades. que levaria à consolidação de uma macrometrópole. o que poderá ocorrer com a instalação do teleporto no Rio de Janeiro e do porto de Sepetiba no eixo litorâneo. a ligação da malha rodoviária nacional com porto peruano no Pacífico (via Acre) e a construção da ponte Buenos Aires/Colonia (importante elo da articulação da capital portenha com a área core do Brasil). e o Vale do Paraíba paulista. como a portuária. Essa segunda opção apresenta hoje uma tendência no sentido norte-noroeste. até conformar padrão. No momento atual esboçam-se algumas iniciativas nesse sentido: a relação de Manaus com a Venezuela e com o Caribe (via Paramaribo). O padrão de urbanização conhecerá nódulos de adensamento muito em razão das relações que se estabeleçam entre as localidades litorâneas e a hinterlândia. atuam como importantes fatores na definição do sentido geográfico desse movimento. através do litoral e do macroeixo do Vale do Paraíba. A função portuária se destaca nesse particular. para o triângulo mineiro. não se pode falar mais em atividades agrárias. Curitiba. em particular das rodovias. as estradas cumprem uma função clara de vetor de ocupação num país formado num processo de expansão territorial e.

Carvão .020. ar) ou por medidas de conservação (vegetação).3%) são os maiores produtores mundiais. de gás natural e de carvão têm prazo limitado.8% na produção total. dependendo da circulação praticada em cada um. estão em operação cerca de 400 reatores. o motor a explosão com o uso do petróleo. energia do sol e. É possível antever que o traçado da ligação Buenos Aires-São Paulo influirá bastante na dinâmica territorial das regiões atravessadas. apresenta atualmente o maior crescimento de consumo. a disparidade entre as diversas unidades da federação é alto e se repete na capacidade produtiva. as fontes renováveis. China (33.6%). recentemente.Segundo os dados da AIE.3%) são os maiores produtores mundiais. apesar do Brasil configurar uma economia efetivamente "nacional" (superando a mera somatória das economias "regionais"). A produção mundial de energia. dos quais 86. nos sentidos sul.8%). Nível de integração. aproveitamento das quedas d’água (hidroeletricidade). segundo os dados da Agência Internacional de Energia. termoelétricas e nas indústrias. mesmo em sociedades industrializadas ainda coexistem formas rudimentares de transformação e uso da energia. os acidentes em Tree Mile 77 .1%) e da Europa (25. Vários acidentes reforçaram a posição antinuclear. principalmente os EUA. no consumo de energia e em várias matérias. hoje. que relacionam a queima desse combustível com a acidificação das chuvas e a formação do smog urbano. estima-se que aproximadamente 1/3 da população mundial não tem acesso à energia elétrica e. Toda evolução de uso das fontes de energia provocou modificações na vida do homem. Diversas atividades beneficiaram-se das novas formas de energia. Motivos ambientais e econômicos. aquelas que podem se renovar espontaneamente (água. É alternativa de energia para automóveis. Atualmente. As reservas conhecidas de petróleo. a máquina a vapor utilizando a hulha. apesar da queima resultar em CO2. a energia atômica.8% do total produzido.5 mil megatoneladas de petróleo.8%). por isso é apontado pelo Departamento de Energia dos EUA como a fonte primária que terá maior crescimento no uso até 2. são responsáveis por apenas 13. EUA (22. Atualmente. oeste e norte. A América do Norte é o maior consumidor. Rússia (24. na geração de renda.2% são de fontes não renováveis. a força dos ventos. Cenário Energético Mundial.contemplam saídas pelos distintos quadrantes terrestres do país. embora possa haver redução do consumo em decorrência do aproveitamento de outros insumos. até 1997. era a segunda principal fonte de energia mundial. podem vir a constituir futuros eixos de povoamento. A análise do consumo energético é um dos critérios para medir o nível de desenvolvimento econômico. Energia Nuclear – Contribui com 6. no entanto. contribui com 35.6% da produção total. em 1997. EUA (25. contribuíram para a redução no consumo.6%) e Índia (8. seguida da América (31. A maior desvantagem é o risco de vazamento do material radioativo. A Ásia é a maior produtora de energia (34%). a produção industrial aumentou e o homem dispõe de mais conforto. Depois a calorífica produzida pela madeira e carvão vegetal. Petróleo . FONTES DE ENERGIA Através dos tempos. Gás Natural . somou o equivalente a 9. a utilização das fontes de energia pelo homem passou por várias fases: inicialmente a energia humana e animal.6%) e Canadá (7. As perspectivas de especialistas apontam que a predominância desta sobre outras fontes ainda deverá perdurar durante as próximas décadas. Embora de uso crescente.Principal fonte primária de energia. Depois do boom da construção de centrais nas décadas de 1960 e 1970.Por seu teor menor de poluição. Em seguida.

Até o final dos anos 30. Paraná.Para alguns países a energia nuclear é a única alternativa disponível. Além disso. Em 1941. incentivou novas pesquisas do CNP na região do Recôncavo baiano. a ser obrigatoriamente realizada por brasileiros. um dos poços perfurados deu origem ao campo de Candeias. que não tem petróleo. A primeira sondagem oficial ocorreu em 1919. No Brasil. mesmo sendo considerada subcomercial. o interesse pela pesquisa de petróleo começou no século XIX. A Convenção sobre Segurança Nuclear (1994). refino e transporte do petróleo e seus derivados e criou a Petrobras. toda a atividade petrolífera passou. A produção nuclear japonesa que gerava 0. foram registradas concessões na região costeira dos estados da Bahia e do Maranhão. esse material costuma ser encapsulado em tambores de aço e enterrado. carvão ou recursos hídricos capazes de gerar energia. mas somente 38 ratificaram o compromisso até 2. A partir de 1938. Por faltar tecnologia adequada para o tratamento dos resíduos nucleares. para pesquisa e lavra nas proximidades de Ilhéus . Declarou de utilidade pública o abastecimento de petróleo e regulou as atividades relacionadas. enquanto o CNP estendia seus trabalhos a outros estados. Sergipe. Chernobyl (86) tiveram forte impacto na opinião pública. fluida e oleosa de hidrocarbonetos. Perfurado na região de Marechal Mallet. LOBATO. As descobertas prosseguiram na Bahia. enquanto outros eram favoráveis à participação da iniciativa privada. Atualmente. Os altos custos de construção e a pressão de ambientalistas fizeram vários países. como a Itália e a Espanha.6% de toda eletricidade consumida saltou para 30% em 1996. É formado por uma mistura natural. A Alemanha. obtiveram resultados desanimadores. mas foi abandonado no ano seguinte. As primeiras concessões foram registradas em 1858. em 1939. A PRIMEIRA DESCOBERTA. A descoberta de petróleo em Lobato. foi assinada na ocasião por 65 países. NO BRASIL PETRÓLEO Da mesma forma que o carvão mineral. as jazidas de petróleo. foi criado o CNP. a Suíça e a França. que produz 75% de sua energia elétrica por meio de 56 reatores nucleares. o poço chegou aos 84 metros de profundidade. na Bahia. Encontrado na forma líquida (petróleo). o presidente Getúlio Vargas assinou. de cor pardonegra ou amarelada. Alagoas e Amazonas. As opiniões divergiam: grupos defendiam o regime do monopólio estatal. Depois de intensa campanha popular. cresceu a polêmica sobre a melhor política a ser adotada pelo Brasil em relação à exploração do petróleo. com 51 reatores. por lei.000. o Japão tem o terceiro maior parque nuclear instalado do mundo. 78 . trata do transporte de lixo radioativo e estabelece normas para construção e funcionamento de usinas. Até 1907. gasosa (gás natural) e sólida (betume – do qual o asfalto é derivado). além de obedecer a rígidos critérios de segurança. uma série de pesquisas na Bahia. para avaliar os pedidos de pesquisa e lavra de jazidas. desistirem ou cancelarem indefinidamente seus programas nucleares. o primeiro a produzir petróleo no Brasil. A CRIAÇÃO DA PETROBRÁS No final da década de 40. Nesse ano. a lei que instituiu o monopólio estatal da pesquisa e lavra. embora ainda não localizadas.Island.Bahia. É o caso do Japão. passaram a ser consideradas patrimônio da União. estão organizando cronogramas para fechamento das instalações existentes. em outubro de 1953. e em São Paulo. é encontrado em áreas sedimentares. A escolha dos locais para depósito envolve uma série de questões técnicas e políticas.

derivados mais nobres (de alto valor agregado) como diesel e nafta. Em 1986. a partir de meados da década de 80. resultaram na concessão de blocos exploratórios à Petrobras e a várias outras empresas internacionais. No entanto. Entretanto. Para atuar nesse novo papel foi criada a Agência Nacional do Petróleo. Barracuda e Roncador. localizadas em diferentes regiões do país. BACIA SEDIMENTAR DO AMAZONAS Cerca de uma dezena de bacias sedimentares estão situadas na Amazônia Legal Brasileira. Na época da criação da Petrobras. também no mar (a primeira descoberta. que passou a regular e fiscalizar a indústria de petróleo no Brasil. a Bacia de Campos é a maior província produtora de petróleo do país e uma das maiores províncias produtoras de petróleo em águas profundas do mundo.5 bilhões de metros cúbicos. culminando com descobertas de campos gigantes. como Marlim. O esforço permitiu o constante aumento das reservas. O petróleo de Urucu é considerado o de melhor qualidade no país e dele são produzidos. a quebra do monopólio atingiu o setor de exploração e produção (upstream). A região Amazônica já é auto-suficiente em petróleo e parte de sua produção é exportada para outras refinarias da Petrobras.478) em agosto 1997. instituiu não apenas um conjunto de mudanças de caráter técnico-administrativo. Três delas: Solimões. Solimões é a terceira bacia sedimentar em produção de óleo no Brasil. mas uma redefinição no papel do Estado.700 barris por dia (consumo de 170 mil barris diários). 9. Em agosto de 1997. Nas outras duas bacias também têm sido encontradas acumulações de gás. principalmente. as licitações realizadas. mas principalmente pelo seu potencial. Hoje.são as mais importantes. determinado pela Lei do Petróleo (n. o Brasil passou a admitir a presença de outras empresas para competir com a Petrobras em todos os ramos da atividade petrolífera. litoral de Sergipe. em 1969). a primeira descoberta na Bacia de Campos. Rio de Janeiro. Amazonas e Paranaíba . Nesses anos de atuação da ANP. não só pelo tamanho. MUDANÇA NO PAPEL DO ESTADO O fim do monopólio. em função da Lei 9. intensificaram-se atividades exploratórias e formaram seu corpo técnico. Uma das ocupações da ANP é promover licitações para a concessão de áreas ou blocos destinados à exploração de petróleo e de gás natural. sobretudo para as regiões de águas profundas da Bacia de Campos. O estado do Amazonas tem a segunda maior reserva brasileira de gás natural. De produtor e provedor o Estado passa para regulador e fiscalizador. Até o momento. com 44. vez que existem apenas duas refinarias privadas e a Petrobras continua responsável por cerca de 95% das atividades. a principal vocação da Amazônia é o gás natural.478. Para alguns especialistas está é uma tendência natural do mercado internacional. a Petrobras dirigiu suas atividades de exploração. vinculada ao Ministério de Minas e Energia. Posteriormente. distribuição e transporte (downstream). a produção nacional era de 2. Albacora. o monopólio foi ampliado. a prospecção petrolífera na Amazônia tornou-se realidade com a descoberta da província do Urucu. A partir de então. a partir de 1968. no refino. o campo de Guaricema. abrangendo também as atividades de importação e exportação de petróleo e seus derivados.Em 1963. o setor permanece praticamente inalterado. primeiro nas bacias terrestres e. 79 . a 600 km de Manaus. perfazendo quase 2/3 dessa área. um marco foi a localização do campo de Garoupa. Em 1974.

BIODIESEL O país tem em sua geografia grandes vantagens agrônomas: situa-se em região tropical. Os veículos leves bi-combustíveis tiveram. podendo causar crise de escassez com efeitos que podem superar as rupturas decorrentes dos choques dos anos 1970.para realizar uma das poucas iniciativas de inovação de alcance global já ocorridas no Brasil.História dos fluxos de petróleo PROÁLCOOL Os choques do petróleo e crise no mercado internacional de açúcar levaram à criação do Proálcool. Para atender ao aumento esperado no consumo. O êxito do Proálcool foi o de promover sinergias. Os preços dos combustíveis fósseis crescem significativamente. melhorar o balanço de pagamentos. com altas taxas de luminosidade e temperaturas médias anuais. expandir a produção de bens de capital e gerar empregos. o percentual de 51. agricultura . planejamento energético. O programa Biodiesel visa utilizar terras inadequadas para gêneros alimentícios. o Brasil deve se preparar para produzir algo como 100 bilhões de litros de etanol combustível em 20 anos. reduzir disparidades regionais de renda. sempre com o apoio continuado de organismos governamentais em diversas áreas – tecnologia.9% do total de vendas internas. 80 . Já se pode perceber os efeitos disso. Os esforços para superar os choques do petróleo fizeram os setores agrícola e industrial da cana-de-açúcar experimentarem grande desenvolvimento tecnológico. regularidade de chuvas e a fronteira para expansão agrícola. é possível hoje se produzir álcool a custo inferior ao da gasolina. Tal meta irá exigir desafios tecnológicos e a formulação de políticas governamentais. estima-se que em 2010 possa chegar a 80%. disponibilidade hídrica. As perspectivas para o álcool no Brasil indicam que produção mundial de petróleo deve atingir seu pico em menos de 20 anos. política industrial. com o objetivo de diminuir a dependência externa de energia. Devido aos ganhos de eficiência obtidos pelo sistema agroindustrial da cana-de-açúcar. aliando indústrias e instituições de pesquisa. em junho de 2005.

seguiria para São Luiz. Por ser biodegradável. que possa substituir parcial ou totalmente combustíveis de origem fóssil. mas a ele pode ser adicionado em qualquer proporção. A primeira etapa prevê a ligação das bacias de Puerto Ordaz e Carajás (PA). Estimado em U$20 bi. o que o tornaria o segundo do mundo. o que gera demanda pelo produto. Seu desenvolvimento proporcionou aumento no uso da matéria-prima.478 redefiniu a política energética nacional e instituiu a ANP. A implantação de usinas de Termeletricidade contribuiu para o crescimento da oferta de energia. girassol e amendoim no Sul. Sudeste e Centro-Oeste. o gasoduto tem extensão prevista de 8. O gasoduto Bolívia-Brasil representou grande avanço no fornecimento de gás natural no país. soja. o biocombustivel é derivado de biomassa renovável para uso em motores a combustão interna. e conseqüentemente. As bacias do Recôncavo. Para isso. com capacidade de transportar até 30 milhões m³ dia. GÁS NATURAL A utilização do Gás Natural no Brasil começou por volta de 1940. com as descobertas na Bahia. O Governo tem como meta elevar a participação do GN. e daí até Montevidéu e Buenos Aires.000 km. Uberaba (MG). Projetos de Gás na Europa QuickTimeª and a TIFF (Uncompressed) decompressor are needed to see this picture. Sergipe e Alagoas eram destinadas quase em sua totalidade a fabricação de insumos industriais e combustíveis para a refinaria Landulfo Alves e o Pólo Petroquímico de Camaçari. Na definição da legislação brasileira. A sinergia entre o complexo oleaginoso e o setor de álcool combustível traz a necessidade de aumento de produção de álcool. e mamona para o semi-árido nordestino. como palma e babaçu no Norte. esforços como a privatização e a lei 9. elevando a participação do GN na matriz energética nacional. ou para geração de outro tipo de energia. atendendo ao Recôncavo Baiano. que não contem petróleo. De Carajás. viabilizando a produção local de aço e alumínio. o desenvolvimento do setor sucroalcooleiro.Há grande diversidade de opções para produção de biodiesel. Alguns projetos estão em estudo para exploração da Bacia do Solimões. É combustível alternativo de queima limpa. O marco é a Bacia de Campos. interconectando-se à rede do Nordeste. região Norte do país. 81 . interligando-se à malha do Sudeste e ao gasoduto BolíviaBrasil. O projeto do gasoduto Venezuela-Brasil-Argentina poderá assegurar a interligação energética de quase todo o subcontinente. não tóxico e praticamente livre de enxofre e aromáticos é considerado combustível ecológico.

O Maranhão. com sede em São Luis. indecisão quanto à forma do Estado: central ou federal. foi um recurso ideológico utilizado para ampliar o controle do território nacional e encobrir as políticas seletivas espaciais e sociais. 82 . Apresenta a forma de S. criou-se um governo-geral com sede em Salvador. A modernização conservadora reconheceu que eram necessárias a autonomia tecnológica e a instrumentalização do espaço como bases para a acumulação de riqueza e a legitimação do Estado. O Império recém criado prometia ser liberal e constitucional. de 1573 a 1578 e de 1608 a 1613. que se estende do Sul de São Paulo até Bagé. no Rio de Janeiro. Os desafios conjunturais levaram Portugal. Perdurou de 1621 a 1774. Pedro dissolveu a assembléia. estão a revolução científico-tecnológica e a crise ambiental. o Brasil com governos. O império era conservador e centralizador. em três ocasiões. mantendo as mesmas instituições coloniais. devido as correntes marinhas e ventos. com contato mais fácil com Lisboa. e o território nacional tampouco é a única escala de referência de poder. A bacia sedimentar do Paraná é caracterizada por sedimentos continentais e nela destacam-se os terrenos permocarboníferos. não atendia prioritariamente ao plano de ação das Forças Armadas. iniciado no pós-guerra. mas D. com sede em Salvador. na perspectiva da modernização conservadora. José Bonifácio levantou problemas com os da necessidade de abolição gradual da escravidão. em Salvador e. O maior produtor é Santa Catarina. Não havia oposição organizada e os proprietários de terra temiam revolta. lacunas que foram preenchidas pelo poder técnico-econômico. dependentes da metrópole e sem qualquer vínculo entre elas. Em 1549. INTEGRAÇÃO NACIONAL Sempre houve. transferida para Belém. integração indígena e transferência da capital para o interior. à exceção do produzido em Santa Catarina (em Tubarão). Durante a colonização. o espaço foi dotado de operacionalidade. o território foi dividido em capitanias hereditárias. no Brasil. e outra com governo no Sul no Rio de Janeiro. e modestamente pelo Paraná. demorou a submeter-se. após 1763. Maranhão. e na terceira. GEOPOLÍTICA DO BRASIL O projeto geopolítico de modernização brasileira. inicialmente. A transferência da corte portuguesa para o Brasil e a elevação da Colônia à condição de Reino fez que o processo de independência tomasse forma sui generis. A integração territorial brasileira. mas sem valor econômico. dividido no Norte. por isso. a dividir o Brasil em áreas administrativas: Nas primeiras. seguido do Rio Grande do Sul.CARVÃO MINERAL A região sul é a principal produtora. Na região Norte e Nordeste (bacia sedimentar da Amazônia) e no Meio Norte (Maranhão e Piauí) descobriram-se reservas. na fronteira com a Argentina. GEOPOLÍTICA A globalização econômica não ajudou a manter a unidade dos territórios nacionais rompida durante a Guerra Fria e marcada pelo esgotamento do padrão de acumulação e de relações de poder calcado tanto na centralização quanto na produção em larga escala. Não é carvão destinado ao beneficiamento para produzir carvão metalúrgico. Entre as causas de instabilidades no mundo atual. reprimiu com energia os movimentos regionais. Os republicanos foram contidos e as capitanias foram obrigadas a submeter-se. O Estado deixou de ser a principal representação política.

Uma comissão chegou a ser nomeada para escolher uma localização no planalto Goiano. As razões de transferência mudaram (segurança e vulnerabilidade de capital no litoral). A inauguração de Brasília possibilitou a abertura de uma série de estradas de grande valor geopolítico que a ligaria aos mais diversos pontos fronteiriços. para uma cidade a ser construída em área de formação das 3 grandes bacias hidrográficas. Vargas não interferiu com os grandes Estados. A CF/1946 restaurou a autonomia dos Estados. Os dois últimos foram devolvidos aos Estados de Origem pela CF/46. como unitário. Sudesul sem atribuições político-administrativas. mas com povoamento. Guaporé. a Cuiabá-Santarém. funcionava. O Estado Novo aplicou modelo corporativista. Iguaçu (do Paraná e Santa Catarina). formalmente uma federação. que sugeriam uma localização no Triângulo Mineiro. mas com influência econômica.Na primeira república. A capital no interior provocaria a abertura de estradas e a valorização de terras para a agricultura. fazendo desaparecer símbolos como a bandeira e o hino. a Perimetral Norte. Manaus-Boa-Vista e outras. REDIVISÃO TERRITORIAL É tema que vêm do império. mas o sistema tributário os colocava em dependência com a união. a autonomia dos Estados desapareceu por razões políticas e tributárias. sendo governados por interventores. tanto que em quase sete décadas de império foram criadas apenas as províncias do Paraná e Amazonas. Ponta Porã (Mato Grosso). atual Rondônia (do Amazonas e Mato Grosso). que os militares incorporaram ao Rio de Janeiro. A federação foi condenada por estudiosos. voltaram ao sistema de intervencionista. Durante o governo militar estradas como a Transamazônica. A Estrada Belém-Brasília significou abertura do Norte a São Paulo. passando a território militar. mas desmembrou áreas subpovoadas e fronteiriças. Sudeco. As reivindicações de autonomia local eram reprimidas ou esquecidas. O crescimento dos desníveis de desenvolvimento tem despertado rivalidades regionais e levou o governo a criar superintendências como Sudam. Durante a IIGM. visando integrar o território nacional e levar as posições brasileiras às suas fronteiras com os países latino-americanos da Amazônia. e a transferência da capital para Brasília criou o Estado da Guanabara. Durante o Estado Novo foram criados os territórios Amapá (do Pará). Sudene. A CF/88 foi palco de pressões para concessão de autonomia a diversas regiões. área interior. Após 1930. Esquecidos até Marechal Dutra reativar os estudos. extinguiu a autonomia estadual. a CuiabáPorto-Velho. tinham pouca autonomia. apesar de possuírem assembléias. iniciando a política dos governadores. os Estados perderam autonomia. O Brasil. A república concedeu autonomia aos Estados. 83 . mas em razão dos custos. políticos como Joaquim Nabuco defendia a formação de federação e o direito de eleger os presidentes de província. a fim de que não se formassem grandes Estados ao lado de pequenos. Somente no fim do Império. O PROBLEMA DA CAPITAL A transferência da capital já era debatido com CF/1891 que determinou a mudança para o Planalto Central.As províncias. somente Tocantins foi criado. até 1935. Fernando de Noronha foi desmembrado de Pernambuco. e após o período constitucional de 35 a 37. Com o golpe de 64. as províncias transformamse em Estados e o Território do Acre foi criado. que defendiam a anulação de fronteiras estaduais existentes e a divisão por linhas geométricas. apesar da pretensão do Amazonas na anexação. outras foram projetadas como a Brasília-Acre e Brasília-Fortaleza. de fato. O Mato Grosso foi dividido. A criação de territórios atendia aos princípios dos geopolíticos mais exaltados como Backhauser e Freitas.

e a crise ambiental. á ética. a questão é o escoamento da produção até o Atlântico. o Realismo pressupõe o Estado como unidade básica do sistema internacional. Paraguai e Bolívia. devendo ser estendida até Arica no Chile. Novas territorialidades surgem acima e abaixo da escala do Estado e desafiam a possibilidade do desenvolvimento autárquico. 84 . Os componentes que estão alterando a Geopolítica são a revolução científicotecnológica. que transforma a base produtiva. As produções industriais e agrícolas complementares possibilitam um intercâmbio vantajoso para ambos. Entretanto. e o determinismo geográfico. significando a recuperação do político e da cultura expressos em conflitos pela definição dos territórios. Ambas redefinem os estilos de vida. a dinâmica políticosocial e a organização do espaço global e dos territórios nacionais. Para Morgenthau. Esgota-se o padrão de acumulação e de relações de poder calcados na produção em grande escala e na centralização do poder. Enquanto Itaipu aumentou a dependência paraguaia em relação ao Brasil. em suas dimensões militar e econômica. HERANÇA DA GEOPOLÍTICA O paradigma da Geopolítica é o realismo. e as unidades se relacionam para otimizar os interesses respectivos visando o equilíbrio de poder. As disputas militares entre Brasil e Argentina foram substituídas por uma política de colaboração e integração econômica. A herança da geopolítica possui dois pressupostos: excepcionalismo nacional. Para Becker. No Uruguai os interesses brasileiros se expandem além da linha de fronteira. as mesmas condições negam o Estado como única política do sistema internacional. A queda do Muro de Berlim e o rompimento do sistema bipolar é um marco e trouxe à luz as diferenciações espaciais. que impõe novos padrões com a natureza. a Argentina continua a pressionar o Paraguai para construir Corpus e Yaciretá. O dinamismo de São Paulo vem fazendo que a influência brasileira no sul da Bolívia venha se intensificando. há a manifestação de rápidas e intensas transformações em curso no planeta. a influência Argentina vem desde o século XX pelo sistema ferroviário. como os de Gás Natural das jazidas bolivianas. o Brasil oferece a rodovia que liga Assunção à Paranaguá e facilidades nesse porto. aonde estancieiros brasileiros possuem terras e o mercado é disputado com a Argentina. a influência do Brasil aumentou nos últimos 60 anos com a construção da ferrovia Brasil-Bolívia ligando Santa Cruz a Santos. Enquanto a Argentina oferece a navegação nos rios Paraná e Prata. A moeda de ambos circula largamente no mercado. As novas tendências de globalização rompem as fronteiras dos Estados introduzindo diferenciações nos territórios nacionais. que garante o seu exercício. dando margem à realização de acordos econômicos. mesmo nos momentos de integração econômica. e o território como fundamento do poder. Partes do território Paraguaio são ocupadas por brasileiros e argentinos que cultivam cereais e criam gado. na qual o poder advém do território. poder entendido como a capacidade de alterar o comportamento de outro para o seu interesse. centrado no Estado-Nação. que gerou conflitos.GEOPOLÍTICA DA BACIA DO PRATA Área de interesse e o Brasil continua a disputar influência. No Paraguai. Na Bolívia. Há disputa de influência sobre o Uruguai. cujo atributo principal é o poder. GEOPOLÍTICA NA VIRADA DO MILÊNIO: BERTHA BECKER Há retomada de interesse pela Geopolítica que significa a revalorização da prática do poder sobre o espaço geográfico.

as terras peninsulares da Eurásia onde se concentram a população. O arsenal tecnológico desenvolvido após a IIGM tornou obsoleta as hipóteses geoestratégicas. a Geopolítica utiliza essa informação para planejar a política do Estado. o mundo conhecido foi ampliado e passou a visão do mundo dividido em dois hemisférios. que corresponde às áreas insulares que circulam o heartland. os recursos e as linhas marítimas. E o crescente marginal. na qual haveria diversas regiões de poder fragmentadas pelo globo. HIPÓTESES GEOPOLÍTICAS SOBRE O PODER MUNDIAL No contexto da instrumentalização do espaço pelo Estado que se desenvolveu a prática estratégica do poder. para conter a expansão do poder soviético. a ilha mundial – heartland. pois é do espaço que se atribui poder. Nesse contexto o fator físico era determinante de poder. a relação do Estado com seu território resume-se. A última. de Mackinder. e por regiões costeiras ou crescente marginal que o circulam. à avaliação com fundamento do poder nacional em extensão. Pan-África. e traduz a relação do Estado com guerra. com o globo dividido em duas grandes unidades. a prática estratégica de conquista e controle do território é a raiz da Geografia. A visão europeicêntrica só começa a se modificar na segunda metade do século XIX em decorrência dos avanços tecnológicos introduzidos pela revolução industrial e da afirmação gradativa do Estado Moderno. a massa continental Eurasiana. de onde se estendem eixos montanhosos em três direções. Era uma ideologia para contrabalançar o poder Alemão. O poder mundial decorreria da superposição de variáveis que atribuem valor a certas partes do globo. isoladas em mares contínuos. Enquanto a geografia informaria apenas sobre o espaço. religião e ideologia. o discurso do destino manifesto da Geopolítica compreende a relação do poder hegemônico com o espaço fazem imperativos estratégicos fundados na lógica militar. A distribuição de terras e mares é simples.Por sua vez. Reconhecendo que a tecnologia permite o ataque à distância. de Hauschoffer. TECNOLOGIA ESPACIAL DO PODER DO ESTADO Afirma que o Estado não é uma forma acabada. que formam um anel quase completo sobre o Ártico. atribuir o poder à configuração das terras e mares ao contexto do território é seguir o determinismo e omitir o homem na tomada de decisão política dos Estados que moldam a geografia. Com base neste fato foram elaboradas três teorias: A primeira. em seguida aos moradores dos climas temperados. de Spykamn. Inicialmente. que elegeu como área estratégica para o poder o Rimland. do Rimland. mas um processo. A parte central e sudeste da Ásia é o coração das terras do globo. Com as navegações. que se vincula ao espaço por uma relação complexa. do poder terrestre. Para Lacoste. a produção de um espaço 85 . somente na primeira metade do século XX que a expansão dos transportes e comunicação altera-se a visão. particularmente. posição e recursos. que tem a cidade como centro. etc. entendese que o poder é divisível e que o controle de uma via de movimento é inútil. idealizou a formação de PanRegiões. Terras emersas correspondem a 28% do globo. ao espaço europeu temperado e posição marítima foi atribuído valor estratégico. Essa foi a teoria seguida. associação ao Estado. Como se observa. Era uma ideologia para contrabalançar o poder Inglês. Mas. o meio físico. após a guerra. como a Pan-Americana. A partir daí. privilegiado em relação aos trópicos. forma histórica de organização da sociedade. Alguns momentos cruciais foram a produção de um espaço físico. Para Becker. configurando-se uma geopolítica de equilíbrio de poder. Há mais terras no Norte. das Pan-Regiões. A segunda. o privilégio era dos portentores das terras férteis.

A nova tecnologia espacial do poder estatal. e por outro. que conclui a Geografia Política como base de uma tecnologia espacial de poder do Estado. criam-se condições para a internacionalização da economia num mercado unificado. no sentido de que é o conjunto de ligações e comunicações. que é o próprio Estado. de fluxos. Tende a controlar os fluxos e estoques econômicos. são resultado de decisões políticas e estratégias organizacionais. como fonte de informação. como as relações sociais e de poder. A inovação tecnológica representada pelas redes transnacionais de circulação e comunicação permite a um só tempo a globalização como a diferenciação espacial. São dois os elementos essenciais para a relação Estado-espaço que se revelam a partir da produção do território nacional. A reorganização do espaço não é apenas a expressão de processos econômicos e tecnológicos que. 86 . No que tange à lógica instrumental de acumulação. do espaço. A busca de leis gerais sobre a relação Estado-espaço. complexo e regulador do território nacional. o valor estratégico do espaço não se resume mais aos recursos e posições geográficas. o político. a essência do vetor tecnológico é a velocidade. Na medida que a crise ambiental estabelece limites à exploração predatória de recursos naturais. o novo modelo industrial atribuiu outro significado à natureza. conjunto de instituições hierárquicas. criando um espaço global fragmentado. A Geografia deveria ser um instrumento para os dirigentes que a instrumentalizam. e impõe uma ordem espacial global. contraditória à prática local. inovação contínua. isto é. LOGÍSTICA: INCLUSÃO E EXCLUSÃO Questão crucial da Geopolítica é saber se existe nova racionalidade que estabelece nexos sob a ordem global. a ciência e a tecnologia constituem o fulcro do poder valorizando as diferenças espaciais. que tende a superarem fronteiras. que passa a se reproduzir nas relações econômicas e sociais de produção. as novas tecnologias valorizam os elementos da natureza num outro patamar. uma vez que a população pode ser diversificada. capaz de alterar não só o setor produtivo. Tem-se como hipótese que a logística é a nova racionalidade capaz de explicar a simultaneidade da globalização e da questão ambiental. mas resgata a diferenciação do espaço. vale dizer.social. o Estado transforma sua condição histórica anterior e engendra relações produzindo seu próprio espaço. que se torna o elemento chave da transformação. É também um espaço político. Afirma que a velocidade é a essência da tecnologia. e que a logística é a nova fase da inteligência militar. DA ESTRATÉGIA À LOGÍSTICA A partir da IIGM. ao teorizar a relação do Estado com seu território. superando a estratégia que a ela se torna subordinada. A valorização da dimensão política do espaço também se relaciona à redefinição da natureza e suas relações. leis. político. com características próprias e metas específicas. à cultura e o território. As tendências de reestruturação tecnoeconômicas. O espaço produzido e gerido pelo Estado é racional e social. tenta-se utilizar menos matérias primas e energia. busca que reside na ligação estreita do Estado com o solo. Para Becker. é necessário passar pela escola do espaço. Por um lado. como tomar o terreno e a concepção da situação geográfica como um dispositivo militar. na verdade. A partir do desenvolvimento do capitalismo. considerado a única base material da unidade do Estado. Na base do poder: a inovação permanente aciona a economia e a guerra. O primeiro momento é analisado por Ratzel. devem ser confrontados com projetos vindos da sociedade. Para compreender a natureza de um império.

Trata-se de uma tentativa de ajustar o sistema capitalista por meio de conciliação das tendências da lógica da acumulação com as da lógica cultural e ambientalistas. e c) Descentralização – parceria entre todos os atores do desenvolvimento. como tal. No contexto da revolução tecnológica. à semelhança de outros. DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Emergindo como proposta de cooperação internacional com base em nova relação sociedade-natureza. na medida em que todos os Estados tem hoje problemas. e é mais explícita ao nível da firma. A gestão é uma prática que visa superar a crise do planejamento centralizado associada à crise do Estado. menor tempo e reutilização. Entretanto. A globalização retira do Estado controle sobre o conjunto do processo produtivo e afeta a soberania. identificamse sistemas logísticos sobre a reorganização conflitiva do território. Ele representa um mecanismo de regulação do uso do território que. que se fragmenta do restante. b) Diferença – professa a necessária inovação contínua pela diversidade de mercados e recursos. nem a uma questão técnica. E. tal como exposto no relatório Bruntland. empresas terceirizam um espaço numa cidade. questionados pelo poder econômico e financeiro. Enquanto a reconversão produtiva se implementa na prática e na teoria econômicas para atender as exigências do final do milênio. Criou-se a ideologia ecológica. alteram a noção de valor até então associada a bens obtidos através do trabalho e da natureza que passa a ser visto como capital de realização futura. o modelo de acumulação não é o resultado do livre jogo das forças de mercado e não está predeterminado pelo avanço tecnológico. Assume-se que o desenvolvimento sustentável não se resume à harmonização da relação economia ecologia. Ela expressa um fato novo: a incorporação do princípio das relações de poder. Ela avança sobre o setor produtivo. e expressa a nova racionalidade. na qualidade do produto. Dependendo do nível de observação. viabilizado por técnicas e informação. é uma feição da geopolítica atual. a versão contemporânea dos modelos de ordenamento do território. integra o aproveitamento máximo dos recursos e o movimento perene. configura-se a questão com conflitos de valores de existência como estoque de vida e condição de bem-estar. o desenvolvimento sustentável constitui a face da nova racionalidade logística. REDEFINIÇÃO DA ESTRUTURA DE PODER GLOBAL O contexto de instabilidade e valorização da dimensão política do espaço e do território afeta o cerne dos pressupostos geopolíticos. A noção de sustentabilidade é uma expressão da nova racionalidade. gerando a valorização máxima e seletiva das potencialidades. de forma exclusiva. energia. tenta ordenar a desordem global. mas a sua reutilização futura. e não apenas por ele mesmo. Tem três princípios básicos: a) Eficácia – no uso de recursos através da informação e novas tecnologias capazes de consumir menos matéria-prima. é instrumento político.Logística entendida como preparação contínua dos meios para guerra ou competição. a competição se acirra e a ecologia é também utilizada pelos interesses dominantes atribuindo-lhe um papel na geopolítica mundial. O setor público. mas por um 87 . dada sua estrutura tem mais dificuldade em operar a logística. quanto em sua face interna pela tendência em produzir enclaves articulados com o espaço transnacional. O que conta é a seleção de vetores para o movimento perene. o desenvolvimento sustentável. Define-se a gestão do território como a prática estratégica do poder que dirige. Simultaneamente. Ou seja.

valores e auto-identificação. significa que o nacionalismo deixa de ser programa político global como vetor de desenvolvimento. substituídas por federações de Estados. a semiperiferia contribui para acentuar a instabilidade da ordem planetária. segundo seu conteúdo científico-tecnológico e informacional. Trata-se. A nova forma de produção e as demandas por autonomia requerem organização social e política flexível que favoreça a competição. mas de conflitos relacionados à cultura. o sistema de Estados assegura a distinção necessária entre Estados para a troca desigual. O mercado. Há busca de uniformidade. e como vetor de emancipação no séc. O mesmo não acontece em relação aos movimentos sociais. O Estadonação permanece no mundo contemporâneo. gerando condições de periferia. como no séc. e massas populacionais nos países centrais e semi-periféricos. atingidos por desemprego estrutural. a questão de exclusão é uma feição perversa gerada pelo poder tecno-econômico. XIX. A reduzida autonomia dos Estados exige uma geopolítica de negociação e arranjos políticos. em que somente os ambientalistas obtiveram êxito. QUESTÕES FINAIS O Estado não é a unidade única representativa do poder nem o território nacional a única escala de poder. no centro. que afeta dos os países. mas de mudança em sua natureza. na verdade. imputando aos Estados os custos do sistema presente. A globalização tem seu preço. apresenta-a como fábula. é apresentado como capaz de homogeneizar o planeta. na obra Por uma outra globalização. representados por bolsões de pobreza. GLOBALIZAÇÃO Milton Santos. por meio da unicidade da técnica. Além de conter a maior parcela da dívida do sistema financeiro internacional. gerando clivagem civilizacional que substitui o nacionalismo. O poder tecnoeconômico é efetivo. com a exclusão de grandes massas populacionais. Apesar da concepção idealista do Relatório Bruntland. portanto. enquanto o Estado garante o direito de propriedade e realiza a gestão da moeda e do mercado de trabalho. imigrantes não absorvidos. XX.processo social e político. Apresenta-a como perversa. A teoria do Choque de Civilizações afirma a importância da cultura na reorganização do cenário internacional. Globalização mais humana. Não se trata de movimentos sociais. avassalador. como na África. O retrocesso das economias nacionais. de culto ao consumo. mas de forma diferente. ideológica ou econômica. afetando a direção e a natureza da transformação capitalista na historia. A política internacional deixa de ser ocidental para tornar-se política entre ocidentais e não ocidentais. Tudo isso é possível se essas bases técnicas forem postas a serviço do social e do político. não do fim do Estado. e entre os Estado e destes com a sociedade civil organizada. as diferenças locais são aprofundadas. Apesar das criticas. o mundo como nos fazem vê-lo. em que pese o domínio e a posição das redes em termos da capacidade de organizar e de negociar. vez que após a queda do Muro de Berlim os conflitos internacionais não seriam mais de natureza militar. é lícito o reconhecimento da lógica cultural como um poder de resistência à lógica instrumental. E por último. da convergência dos momentos e do conhecimento do planeta. vez que são excluídos do sistema logístico países inteiros. mas de grupamentos unidos pela “civilização”. Atribuindo valor estratégico aos territórios. mas em papéis menores e subordinados. o mundo como ele pode ser. confirmando posições que os afirmavam como efêmeros. Defende a necessidade de uma outra globalização. quando. mas o mundo se torna cada vez mais desunido. desemprego e baixos salários. Os indicativos da possibilidade de mudança 88 .

onde todo e qualquer território se torna funcional às necessidades e usos dos Estados e das empresas. O mercado global. a informação é ideologizada. os não-hegemônicos continuam defasados. Em nossa época. A competitividade da globalização se dá por meio das empresas. o Estado se fortalece com a globalização. Reconhece uma violência no uso da informação. que buscam maior fluidez em seus contínuos processos de expansão. é o responsável pela globalização perversa. porém. pois é ele que regula. Não é local. É resultado da convergência de causas em diversos níveis. A soluções para ela parte diretamente dos atores hegemônicos. A Convergência de momento (informações e técnicas) não é generalizada porque é intermediada pelas grandes empresas da informação. e. mistura de filosofia. Elabora definições de pobreza: − Incluída. − Marginal. A contrário dos ditames atuais. O pobre é classificado segundo a sua capacidade de consumir. mas globalizada. O período atual do capitalismo distingue-se dos demais porque ele é um período (as variáveis instalam-se em toda a parte e a tudo influenciam) ao mesmo tempo é uma crise (no sentido de que as variáveis construtoras do sistema estão continuamente se chocando.são a mistura de povos. produzida em certos momentos do ano. A urbanização leva a um ambiente social onde se concentra em um só espaço o conhecimento humano. e populações aglomeradas em áreas cada vez menores (sociodiversidade). Nas áreas onde a agricultura científica se instala. a existência de novo sistema de técnicas e resultado de ações que asseguram a emergência do mercado global (responsável pelo processo político). Os pobres são excluídos dos meios produtivos. raças. de gostos. em grande parte. utiliza o território em função dos seus fins próprios. é manipulado. Por isso. residual ou sazonal. É da luta entre as empresas que os Estados se associam ao círculo da competitividade (por meio da produção de condições favoráveis àquelas dotadas de maior poder). produzida pelo processo econômico da divisão do trabalho. em todos os continentes. a crise é estrutural. que é acidental. Aponta a Globalização como o ápice da internacionalização do mundo capitalista. há uma demanda de bens e de assistência técnica. por meio de suas normas e de suas instituições. possibilitando o desenvolvimento de uma maior capacidade de agregar a informação ao uso científico e técnico. os pobres não eram excluídos da sociedade. utilizando-a em seu benefício. Identifica a funcionalidade da globalização. Sua correção se dava por meio da ação governamental. portanto. o que é representativo do sistema de técnicas é a informação (meio científico-técnico-informacional). em conjunto com o sistema de técnicas. Esse processo leva ao desemprego. e exclusivamente em função desses fins. exigindo novas definições e novos arranjos). que decorre da dívida social. Assim. o que os impede de melhorarem a sua condição de vida. − Estrutural. pois em função dos objetivos particulares dos atores hegemônicos. gerando urbanização ou abertura de novas áreas pioneiras. internacional ou interna. A elabora a partir do conceito de que ocorreria em um mundo não dominado pelo consumo. o mercado financeiro e a infra-estruturas para o aporte de recursos produtivos. Nesse período da marginalidade o consumo tem importância. o que é transmitido. A urbanização crescente eleva a 89 . Cada empresa. Os produtos são escolhidos segundo os ditames do mercado de consumo e da racionalização. Enquanto novas técnicas são utilizadas pelos atores hegemônicos. tendendo a participar de sua própria natureza e de sua própria característica.

Até hoje. No México. O baixo custo da força de trabalho e a presença de uma base industrial erguida pelo Estado contribuíram para o fluxo de investimentos externos. A moderna Argentina industrial nasceu após a IIGM. já que eles é que são os prejudicados pelo sistema baseado no dinheiro e na economia. O Chile conheceu uma urbanização rápida e precoce. A AMÉRICA LATINA: HERANÇA COLONIAL. a classe média começa a perceber os problemas decorrentes da escassez. Conseqüências da evolução da globalização são a emergência das massas (período demográfico ou popular) e nova significação da cultura popular. A PEMEX estabeleceu o monopólio estatal da exploração das reservas de petróleo da região do Golfo do México. com ingresso de capitais norte-americanos. multiplicaram seus investimentos tanto na mineração 90 . decorre de um fenômeno com relação estrutural com o aumento da produção industrial e agrícola. No pós-guerra. A história fornece o quadro material e a política molda as condições que permitem a ação. chumbo e cobre) e a indústria de transformação mineral representam parcela significativa das exportações nacionais. o milagre econômico também ensejou na informalidade. as condições iniciais para a industrialização foram estabelecidas pelo complexo rural exportador: capitais britânicos. as idéias e práticas políticas que fundamentarão o processo socioeconômico não estaria centrado no dinheiro. que procura rivalizar com a cultura de massas (fruto da globalização com ensejo no econômico e no dinheiro) Defende que as mudanças na maneira como se conduz a globalização surgirá entre os países subdesenvolvidos (ao contrário das outras mudanças precedentes). do modelo político e dos projetos urbanísticos adotados no Brasil. No Chile. já que muitos não conseguiram se incluir no crescimento urbano brasileiro. zinco. As técnicas de informação fazem o elo entre as demais técnicas utilizadas pelo homem (e essa é a diferença entre o atual período e os períodos anteriores do mundo). ferrovias e o porto de Buenos Aires. Mas. Para Milton Santos. imigrantes. Dispondo do vasto mercado consumidor norte-americano. O crescimento abrupto da classe média a partir do chamado milagre econômico brasileiro. Argentina. e a depressão de 1930 provocaram o surto em inicial de substituição de importações. CONDIÇÃO PERIFÉRICA E INDUSTRIALIZAÇÃO TARDIA. empresas transnacionais. enquanto os demais permaneceram com economias primárias. O comércio exterior do país. Transformou-se em um país urbano e industrial. A "década de Perón" foi marcada pelo crescimento industrial do país (setor alimentício e exportador e de bens de consumo não duráveis). direcionado principalmente para a Europa Ocidental e América latina. Na Argentina. mas sim no próprio homem. a economia mineradora transformou-se no centro da vida nacional após a independência. México. na década de 1970. cabendo à ela fomentar um novo modelo de gerenciamento. a modernização industrial baseou-se investimentos estatais e transnacionais e em uma vasta oferta de recursos minerais. do transporte e da necessidade de informação. fortemente polarizada pela capital.qualidade do conhecimento. mas o lastro de sua economia continua a repousar no complexo rural (processamento de alimentos). a mineração (prata.M. na nova fase que está por vir do capitalismo. Santiago. Chile e Brasil viveram acentuado processo de industrialização. exibe forte predominância dos produtos de origem primária. do comércio. Estado das técnicas se interliga com o estado da política. Foi a grande beneficiária do crescimento econômico. o México optou por não ingressar na Opep. principalmente norte-americanas. Com a globalização e o fim de certos privilégios fornecidos pelo Estado (o fim do bem estar social). A I G.

O 91 . São Sebastião e Angra dos Reis atuam como terminais importadores de carvão e petróleo. Rio Grande e Paranaguá destacam-se. No Sudeste. A industrialização da Venezuela assenta-se na base econômica propiciada pela extração. O sistema Vitória/Tubarão funciona como porto exportador de minérios e produtos siderúrgicos. e que se comércio exterior ser realizado basicamente pelo mar. O segundo. Goiás. pela vastidão da costa. dominou o ambiente cultural de 1955 a 1964. comercialização e exportação do petróleo. Destacam-se ainda.como no parque industrial. b) a teoria da dependência. Deve-se destacar a navegação de cabotagem. sendo o maior exportador de cobre do mundo. as minas norte-americanas de cobre. com vantagens comparativas em relação a Buenos Aires. Mato Grosso do Sul e do sul de Minas. agropecuária e calcados. atividade pesqueira. Essa infra-estrutura é fundamental ao centralizar as mercadorias produzidas na sua interlândia para exportação ou iniciar o processo de distribuição das importações. que popularizou a expressão "a industrialização por substituição de importação". em águas profundas. que prosseguiria com a democratização (1989). principalmente de manufaturas. Augusto Pinochet pôs em prática amplo programa de privatizações e de abertura da economia para o capital estrangeiro. O Brasil pode ser considerado país marítimo. com agropecuária e manufaturas. c) a teoria dos ciclos econômicos. saídas rodoviárias e ferroviárias. Desde 65. com restrições a participação estrangeira e a qual se inclui os barcos de apoio que tem o menor preço de combustível fornecido. São atividades que dinamizam a vida econômica dos núcleos urbanos. cias de navegação. enfatizou a subordinação da industrialização aos interesses do centro do sistema capitalista. Os principais pontos de saída de exportações/importações estão concentrados no Sudeste. Belém. os portos de Salvador. Em 1973. GEOGRAFIA DO COMÉRCIO EXTERIOR Representa uma das principais pontes entre o Brasil e o mundo e envolve infra-estruturas que viabilizam o transporte de mercadorias de exportação e importação. a forte integração com o mercado mundial é a principal característica da economia chilena. A INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRA E LATINO-AMERICANA a) a teoria da Cepal. reconhece o enorme dinamismo do processo de acumulação capitalista brasileiro. Os demais países que ficaram alijados da decolagem industrial seguem dependendo de exportações de produtos agrícolas e minerais. funciona como porto livre para o comércio exterior paraguaio. realizada entre portos brasileiros. o que reflete o predomínio dos centros industriais e urbanos dessa região como fontes de mercadorias e de consumo. que teve grande aceitação no período seguinte ao golpe militar. com grande aceitação recente. o sistema bancário e muitas industriais foram nacionalizados. Durante Allende. O programa de reforma agrária foi acelerado e aprofundado. extrair 80% de seu petróleo e gás do mar. 1970. Portos e aeroportos concentram conjunto de atividades econômicas com despachantes aduaneiros. trabalha com couro. O cobre responde por cerca de 40% do total de vendas. O primeiro. abrange os estados de São Paulo. Santos e Rio de Janeiro são portos emissores e receptores. No Sul. Atualmente. Devem se beneficiar do aprofundamento do Mercosul. Manaus e São Luis. através da Rodovia BR-277. O primeiro. atua como importante exportador de produtos agrícolas e agroindustriais.

Dallas (2). Atlanta (1). notavelmente de grandes aeronaves em 2035 92 . Anvers. Hamburgo. Long Beach. Tokyo (2). Roterdã. Principais portos do mundo. em movimentação são: Cingapura. os principais aeroportos. Los Angeles (2). Hong-Kong. Segundo estudo da Airbus. Nova Iorque (2). Nagoya. Kwangiu. pelo crescimento da procura por aviões de grande capacidade de passageiros e cargas. A estrutura atual de muitos aeroportos poderá não comportaria essa mudança estrutural.ultimo. Há perspectivas de mudanças nos quadros aeroportuários. Ulsan. Chiba. Shangai. PRINCIPAIS AEROPORTOS E CONEXÕES Principais cidades de movimentação aeroportuária são: Londres (5 aeroportos). Chicago (2). atuando com Carajás. Frankfurt (1) e Houston(3). Paris (2). especializou-se com alumínio extraído no Maranhão.

interligou o Centro-Sul do Brasil aos mercados de Argentina. Montevidéu desenvolveu forte centro financeiro que passou a receber investimentos especulativos provenientes da Argentina e do Brasil. O projeto ser complementado com a 93 . viabilizada pelas reclusas de Jupiá e Três Irmãos. O pampa concentra a maior parte da riqueza da população do país. em julho de 1986. Em 1991. O núcleo geoeconômico do Mercosul é a região platina. No campo dos transportes terrestres. a taxa de urbanização é elevada. Apesar de a economia do Uruguai fundamentar-se nas atividades primárias. em grande parte controladas por empresários rurais brasileiros. Paraguai e Uruguai. favoreceria o complexo industrial nas capitais dos estados da região sul do Brasil. o Tratado de Assunção definiu os contornos do Mercosul. Condição prévia foi a redemocratização política. proposto pelas lideranças industriais. O traçado dessa estrada é objeto de debate. atingindo 85%.seriam: ESTRUTURAÇÃO E OS OBJETIVOS DO MERCOSUL O MERCOSUL nasceu da aproximação brasileiro-Argentina. Córdoba. A estrutura fundiária é baseada no domínio da grande propriedade com pecuária extensiva e culturas mecanizadas. A estruturação do território da Argentina realizou-se sobre a hegemonia do porto de Buenos Aires. A entrada em operação da hidrovia do Tietê-Paraná. Junto ao Brasil. A Amazônia brasileira e a Patagônia Argentina são frentes de expansão do povoamento da área do Mercosul. rosário). O passo inicial foi o Programa de Integração e Cooperação Econômica Brasil-Argentina (PICE). Lá se encontra o cinturão industrial do país (Buenos Aires. No transporte fluvial. vertebrada pelos rios Paraná. Paraguai e Uruguai. O traçado litorâneo. O único obstáculo de porte é o desnível de Itaipu. a hidrovia do Mercosul é o projeto de maior envergadura. Na fronteira oriental do Paraguai estendem-se grandes regiões agropecuárias. aparecem áreas de agricultura comercial. um projeto de forte impacto é o da auto-estrada São Paulo-Buenos Aires. São vastos espaços de baixas densidades demográficas e elevada potencialidade econômica.

A melhoria da qualidade de bens e serviços é fundamental na busca da competitividade. A experiência brasileira tem norteado suas ações. a coordenação de políticas macroeconômicas.. A REC&T reporta-se diretamente ao GMC. de forma a beneficiar os produtores rurais dos três estados. e tem como temas a harmonização de redes de computação. da complementação dos diferentes setores da economia. Política de Qualidade e Produtividade . Agora. intimamente relacionadas com normatização técnica. Dessa forma. os de industrialização parcial e tardia e os que adotaram a chamada economia de enclave. A mundialização da economia pressupõe a descentralização e a difusão da atividade industrial. 94 . Os conceitos básicos que os fundamentam as atividades constam do Tratado de Assunção. exame das atividades de cooperação bilateral em curso no Mercosul e cooperação com terceiros países. secundário) em níveis de qualificação dentro de cada ramo industrial. a divisão internacional do trabalho distinguiria três níveis de países: os altamente industrializados. o melhoramento das interconexões físicas. Os empresários e políticos do interior dos Estados do Sul propõem a interiorização da estrada. no norte do Chile. com a produção qualificada. ou ainda pela presença de atividades de execução e montagem desqualificadas. Já não bastava um mundo dividido em países produtores de bens industrializados e produtores de matérias primas. A NOVA DIVISÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO A Globalização tem como pressuposto nova divisão internacional do trabalho. através de fusões ou filiais e cria bases para a produção industrial adaptada às necessidades desses mercados nacionais. O incremento do nível de desenvolvimento tecnológico das indústrias da região é condição fundamental para a consecução dos objetivos expressos no Tratado de Assunção.Subgrupo trata da demanda tecnológica do setor produtivo. “. a preservação do meio-ambiente. Esse processo de expansão sobrepôs a divisão vertical à antiga divisão horizontal do trabalho... caracterizados pela presença de engenharia e tecnologias avançadas. Uma ligação ferroviária entre o porto de Santos e esse mesmo porto chileno também está em projeto. planeja-se uma ligação rodoviária entre o porto de Rio Grande e o porto de Antofagasta. unindo Buenos Aires a Colônia.”. infraestrutura de laboratórios. quer agrícola.esse objetivo deve ser alcançado mediante o aproveitamento eficaz dos recursos disponíveis..construção de uma ponte sobre o Rio da Prata. para ampliar a oferta e a qualidade dos bens e serviços disponíveis." Política Tecnológica . flexibilidade e equilíbrio. programas de formação e treinamento.. combina-se a antiga divisão por setores (primário. tendo como objetivo a integração das instituições regionais de pesquisa e a formulação de linhas básicas para política científica e tecnológica do MERCOSUL. CIÊNCIA E TECNOLOGIA NO MERCOSUL Em 1992 foi criada a Reunião Especializada de Ciência e Tecnologia (REC&T). quer minerais. ou pela presença de atividades produtivas padronizadas.necessidade de promover o desenvolvimento científico e tecnológico dos Estados e de modernizar suas economias.. a fim de melhorar as condições de vida de seus habitantes. ou zonas francas. Além da auto-estrada. explicita e implicitamente: ". com base no princípio de gradualidade. em estreita articulação com a RECT. Para Lipietz há a formação de três tipos de áreas de concentração da força de trabalho. Assim a indústria multinacional implanta-se em todos os mercados nacionais.

complementação de infra-estrutura necessária para realizar os trabalhos previstos. Entre as diretrizes de Governo podem ser destacadas: • concentrar esforços em programas e projetos vinculados às prioridades nacionais e dos países parceiros. voltada para o desenvolvimento de atividades de pesquisa. no caso da multilateral.A COOPERAÇÃO TÉCNICA INTERNACIONAL A cooperação técnica internacional constitui importante instrumento de promoção das relações externas do Brasil e de apoio ao desenvolvimento. A ABC fornece as instruções necessárias para a formulação de projeto de cooperação técnica. São constituídos de conjunto complexo de atividades executadas visando alcançar objetivos específicos. universalidade e neutralidade. Por meio dos programas e projetos de cooperação técnica. a instituição executora nacional é geralmente entidade técnica. • priorizar os projetos que possibilitem a criação de efeitos multiplicadores e que promovam mudanças duradouras. o Brasil transfere para outros países. conhecimentos técnicos e suas experiências em diversas áreas. Não obstante a simplicidade. não existem projetos vez que se constituem de ações simples. ou por meio de organismo internacional e uma ou mais instituições nacionais. com os quais mantém Acordos. Em alguns casos. previamente definidos. Nestes casos. Tendo em vista a disseminação dos conhecimentos técnicos. em caráter não comercial. Da mesma forma. econômicas e comerciais. a cooperação é operacionalizada por meio de atividades. bem como impactos positivos e relevantes nos segmentos beneficiários. países parceiros e organismos internacionais transferem para o Brasil. sem fins lucrativos. treinamento de pessoal. Os projetos são instrumentos de operacionalização da cooperação técnica. no caso de organismos internacionais. O repasse desses conhecimentos pode se dar por meio de trabalhos conjuntos de duas ou mais instituições. de ensino e/ou de apoio ao setor produtivo. A transferência e a absorção de conhecimentos técnicos específicos constituem aspectos fundamentais da cooperação. enfatizando aqueles de maior impacto a nível nacional. • dar preferência a projetos que provoquem o adensamento das relações políticas. Os esforços da cooperação são desenvolvidos na expectativa de promover salto qualitativo e duradouro nas instituições participantes. experiências e conhecimentos técnicos. Podem ser mencionados como exemplos: treinamentos e visitas técnicas. esclarecem o escopo do apoio pretendido. no caso da cooperação bilateral. 95 . inspirados nos conceitos de multilateralidade. Eles utilizam os seguintes mecanismos para atingir seus objetivos: apoio de especialistas para consultorias.

à extensão de até 350 milhas. definindo a leste a fronteira do País. estudos indicam possibilidades de jazidas minerais a serem exploradas com novas tecnologias. a negociação de metas nacionais de redução de desmatamento. são repositórios de moléculas de interesse farmacológico e cosmético. pois organismos marinhos. A zona pretendida a norte. entende-se da ZEE do Amapá até a ZEE do Atol das Rocas e Fernando de Noronha.2 milhões de km2. A delegação brasileira levará proposta de valorização das florestas no combate ao aquecimento. A proposta brasileira é pela criação de fundo internacional. como se fosse terra. O Brasil marítimo está dividido em 3 categorias: Até 12 milhas é mar territorial. que forma um oito inclinado à nordeste até o arquipélago de São Pedro e São Paulo. Há preocupação com biopirataria. o país terá direito sobre tudo o que está no solo. A possibilidade é aberta pela Convenção da ONU sobre o Direito do Mar que permite. internamente. A proposta explora premissas do acordo climático.EXTRATOS JORNALÍSTICOS DE RELEVÂNCIA AMAZÔNIA AZUL A Amazônia terrestre possui 3. não signatário). Além de petróleo e gás. Caso o pleito seja acatado. o Brasil acrescentará 900mil km2 ao território. a Azul (marítima) 3. a lógica está em xeque. namorado e cherne. o trânsito de embarcações é livre. sem significar assumir novos compromissos quanto ao protocolo de Kyoto. é uma extensão da costa. 96 . FUNDO MUNDIAL PELA AMAZÔNIA No final de novembro ocorreu a 11ª Conferência das partes da Convenção da ONU sobre mudanças no Clima e negociar as responsabilidades e obrigações de cada pais quanto ao futuro climático. A zona pretendida a sul inicia no litoral do Rio Grande do Sul ate fazer uma ponte de ligação com a ZEE continental e a ZEE das Ilhas de Trindade e Martin Vaz que se localiza ao leste do Espírito Santo. centrada em combustíveis fósseis. nos casos em que a plataforma continental se prolonga além dessa distância. que reuniria recursos para reforçar os programas de combate ao desmatamento.5 milhões. com suporte financeiro internacional. e até 350 milhas. O Brasil tem sofrido pressões para ampliar as metas de emissão de gases estufa. Há grande quantidade de esponjas. que é o apoio financeiro e tecnológico a programas de redução de emissões nos países em desenvolvimento. É trabalho difícil. mas o Brasil é dono de todos os recursos vivos e não vivos da água. subsolo e sobre as espécies marinhas. A resposta tem sido que a colocação de metas seria uma limitação injusta ao crescimento socioeconômico do país. do solo e subsolo. podendo passar a 4. A proposta foi enviada a ONU em 2004 e aguarda uma recomendação final para abril de 2006. O que mais interessa ao Brasil é a inclusão das florestas na pauta de discussões da Convenção sobre o Clima (Ausente em Kyoto). assim como os da floresta. Diante das estatísticas de que 75% das emissões nacionais de carbono provêm do desmatamento. equivalentes a metade do território terrestre brasileiro. Simultaneamente ocorre a Reunião do Protocolo de Kyoto (sem os EUA. Admite-se. peixes como batata. De 12 até 200 milhas é Zona Econômica Exclusiva. Pedido com base nos 10 anos de estudo do Plano de Levantamento da Plataforma Continental Brasileira. dentro do qual o país tem soberania absoluta sobre os recursos e trânsito de embarcação.5 milhões. A convenção fala apenas sobre a importância da manutenção dos chamados “sumidouros” de carbono. tanto na superfície quanto nas diferentes profundidades.

Assim. requer investimentos de longa maturação e tem forte impacto ambiental. um programa de integração física denominado IIRSA . terá uma vida econômica de 25 anos. Com exceção do Uruguai. caso os desenvolvidos às cumpram. no qual os países produtores poderão colocar o seu gás no mercado comum. O projeto permite a construção de usinas com estudo de impacto ambiental. a hidrelétrica. com isso a competência é federal. Na segunda fase. A rede terá 10 mil quilômetros de extensão e custará US$ 20 bilhões. são de que os países desenvolvidos tenham reduzido as emissões 5. No Brasil.5 trilhões e a meta é 11 trilhões de pés cúbicos. O manuseio inadequado pode contaminar com vinhoto. depois de pronta. INTEGRAÇÃO DA INFRA-ESTRUTURA SUL-AMERICANA Em setembro de 2000. O país dispõe de 150 trilhões de pés cúbicos de reservas provadas e estima-se que elas possam chegar a 200 trilhões. Afirma-se que o projeto fere o artigo 225 da CF que afirma que o Pantanal é patrimônio nacional e. porém diferenciada. seria a integração dos países em desenvolvimento. podendo chegar a 35 trilhões. O risco é a contaminação com vinhoto. O país vem contribuindo por meios dos MDL. Apesar de não ser ainda Pantanal.Iniciativa de Integração da Infra-estrutura Regional Sul-americana. USINAS NO PANTANAL Projeto Estadual visando a criação de empregos em usinas de álcool e açúcar. E é fonte de energia limpa. a área inclui a Bacia do Rio Paraguai. pois a topografia favoreceria a contaminação dos rios que nascem na região e deságuam no Pantanal. E em várias regiões os rios acompanham o fluxo de cheias e secas. causando menos problemas ambientais do que outras opções. Argentina. autoriza a construção de usinas de álcool no Mato Grosso do Sul. A diplomacia brasileira espera estímulo e apoio financeiro e transferência de tecnologia dos desenvolvidos para os em desenvolvimento. as reservas provadas são de 8.As metas de Kyoto. os quais invertem o sentido de acordo com o regime de chuvas. incentivando a sua comercialização. A construção do "grid". deverá modificar a composição da matriz energética brasileira.2% abaixo do que emitiam em 1990. acima do Aqüífero Guarani. CONSTRUÇÃO DE REDE LIGANDO SETE PAÍSES Finalizou em Caracas os detalhes de um acordo para a construção de uma rede de gasodutos ligando Brasil. em uma faixa chamada pré-pantaneira contra uma Lei estadual de 82 e resolução do CONAMA. podendo contaminar o aqüífero Guarani. a rede criará uma espécie de "condomínio". A construção da malha de gasodutos deverá levar cinco anos. A Bolívia tem reservas provadas de 27 trilhões." A fonte mais barata. O gás venezuelano terá peso desproporcional. Venezuela. Paraguai e Uruguai. já que praticamente todo o gás é queimado. para 2012. durante reunião presidentes dos países da América do Sul. e. como é chamada a malha de dutos. a maioria dos países é ao mesmo tempo consumidora e produtora de gás. a qual a Bacia do Paraguai não é rica por fluir lentamente. Os compromissos atuais são baseados no princípio da responsabilidade comum. "O gás é a segunda fonte mais barata de energia elétrica. que alimenta boa parte dos rios pantaneiros. o então presidente do Brasil lançou. incentivo ao uso de combustíveis renováveis. Bolívia. cujas metas teriam de ser negociadas. A iniciativa definida como processo multi-setorial para desenvolver e integrar as áreas de transporte. energia e telecomunicações entre os 12 países. Chile. com os objetivos: 97 . que consome muito oxigênio. como álcool e biodiesel e programas de combate ao desmatamento.

Pavimentar rodovias para permitir o acesso da soja do Brasil. abrangendo vários países que "concentram ou que possuem potencial para desenvolver fluxos comerciais. Antofogasta/Chile-Jujuy/Argentina-Assunção/Paraguai-Porto 98 . tendo como prioridades a conexão entre bacia Amazônica e bacia do Prata. Apoiar a integração de mercados para melhorar o comércio intra-regional. 3. Colômbia-Equador-Peru-Brasil. sendo que 4 tem pelo menos uma parte na Amazônia. visando formar cadeias produtivas". Reduzir o custo sul-américa através da criação de uma plataforma logística vertebrada e inserida na economia global. 2. Eixo Central do Amazonas. aproveitando primeiramente as oportunidades de integração física mais evidentes. Andino. Potencial de constituir-se em corredor bioceânico e intermodal entre portos do Pacífico e o Amazonas. 3. No desenho atual são desenvolvidos 9 eixos. Venezuela-Colômbia-Equador-Peru-Bolívia. 2. De Capricórnio.1. Apoiar a consolidação de cadeias produtivas para alcançar a competitividade nos grandes mercados mundiais. Estes eixos foram considerados como faixas geográficas. e a cada eixo são integrados outros projetos. 1. As bases do IIRSA foram "12 Eixos de Integração".

sem barragens ou obstáculos para navegação. aos portos marítimos peruanos de 99 .Alegre/Brasil. com Mato Grosso do Sul. O elemento articulador será o transporte intermodal. no Acre. Talcahuano-Concepción/Chile-Neuquén-BahíaBlanca/Argentina). Sul. a região petroleira e de soja (Bolívia) e o Oceano Atlântico. Facilitação do transporte fluvial nos rios Paraguai e Uruguai. Potencial de desenvolvimento da competitividade dos produtos da região. A coordenação operacional está a cargo da Corporación Andina de Fomento (CAF). o BNDES passou a ter papel de destaque na viabilização da Iniciativa. Necessidade de novas opções de transporte entre o Rio da Prata e a Cordilheira dos Andes. Articula os pólos industriais de BH. 8. mesmo não participando da estrutura coordenadora. O Corredor Viário Interoceânico Sul. Construção de três rotas alternativas para articular Iñapari (Peru -Brasil) e os portos marítimos de San Juan e Ilo . nome oficial da rodovia. foi lançada a Autoridade Sul-Americana de Infra-estrutura. Investimento nas conexões elétricas entre os países da região. na Argentina. 5. coordenadora geral do IIRSA que cuidaria de promover. Venezuela-Suriname-Guiana-Brasil. até Buenos Aires. A partir do governo Lula. A infra-estrutura de integração necessita ser desenvolvida e o fluxo de comércio é pequeno. Possui o maior intercâmbio comercial da América do Sul. Escudo Guayanés. 9. Modernização dos passos de fronteira para aumentar a competitividade das indústrias da região. no Mato Grosso. Em 2005. Investimentos para resolver os obstáculos e finalizar as rotas que vão permitir a conexão interoceânica. corta metade da América do Sul. já começou a ser construído. Peru / Brasil / Bolívia. Desenvolvimento desse eixo envolve a utilização dos recursos naturais (minério de ferro.oceânico Central. Infra-estrutura consolidada. apesar das barreiras naturais que deverão ser suplantados para acelerar a integração. vai desde Cáceres. aproveitamento do potencial de hidroeletricidade. Peru-Chile-Bolívia-Paraguai-Brasil. recursos florestais). A rodovia ligará Inapari. 6. Rio e São Paulo. Inter . Mato Grosso (Brasil). 7. Espaços com nível de desenvolvimento diferentes e sem articulação entre si. Com 3. Por atravessar a região do Pantanal. Infra-estrutura consolidada. Interconexão com a Hidrovia Paraná-Paraguai. Hidrovia Paraguai–Paraná. bauxita. OBRA LIGARÁ O BRASIL AO PACÍFICO. Todo o percurso é em corrente livre.442 quilômetros. 4. Explorar as sinergias de desenvolvimento de infraestrutura para o transporte de gás natural. em parceria dos governos de Peru e Brasil. ouro. do BID e do Fundo Financeiro para o Desenvolvimento da Bacia do Prata (Fonplata). possibilidade de constituir-se em uma zona de trânsito das exportações brasileiras para o Oceano Pacífico. Mercosul /Chile. ao potencial produtivo e às considerações sócio-ambientais. mas necessita melhorias quanto à capacidade das rodovias e conservação. a hidrovia tem seu desenvolvimento vinculado a um compromisso do governo brasileiro com a conservação do meio-ambiente. cidade peruana situada na fronteira com Assis Brasil. Brasil-Uruguai-Argentina-Chile. Desenvolvimento da infraestrutura deve responder às necessidades da demanda. captar empréstimos e fazer investimentos sem necessariamente estar sob as restrições orçamentárias dos países.

na fronteira com o Peru. pela BR 317. operação e manutenção de 1.009 quilômetros de estradas asfaltadas e o custo estimado é de US$ 700 milhões. criando chuvas localizadas. a parcela de emissões globais originárias desses países crescerá uma vez que eles tendem a satisfazer suas necessidades sociais e de desenvolvimento. crescimento de áreas desérticas. As temperaturas geralmente positivas no verão renderam ao arquipélago o apelido de "cinturão de bananas". moldam o ambiente. pelo lado brasileiro. o alto índice de chuvas provoca enchentes. históricas e atuais de gases de efeito estufa é originária dos países desenvolvidos. maior freqüência de tempestades violentas. A camada de ozônio absorve a maior parte da radiação ultravioleta que atinge a superfície da Terra. em Rondônia e. A ilha Rei George. A primeira delas é pela BR 364. além de outras substâncias sintéticas como o metilclorofórmio. que deve ser inaugurada ainda este ano. Com 63 módulos. É o oceano Austral que influencia 100 . no Mato Grosso. capital do Acre. abriga 45 pessoas no verão e 1/3 disso no inverno. enquanto correntes frias refrescam as terras quentes. As montanhas espalharem vento e umidade. em grande parte pela presença do CFC. embora as emissões per capita dos países em desenvolvimento ainda sejam relativamente baixas. Reconhece também que. os fenômenos que mais ameaçam a atmosfera são a destruição da camada de ozônio e o efeito estufa. Seu gerenciamento ambiental causa impacto quase nulo e já recebeu elogios do Greenpeace. A eliminação do ozônio está ocorrendo. O empreendimento prevê a construção. que interliga Campo Grande. O objetivo: “alcançar a estabilização das concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera num nível que impeça interferência perigosa no clima. local da estação Ferraz. a Cuiabá. A convenção “Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima” foi assinada durante a ECO-92. carregam chuvas e calor o ano inteiro e para os pólos levam o inverno. Para os trópicos. vez que o clima do planeta é gerado nos pólos. acionadas pela energia solar. A outra rota vai de Manaus. no Amazonas. Mais ainda o da América do Sul. PROGRAMA ANTÁRTICO BRASILEIRO Iniciado em 1982. Matarani e San Juan. região climática vinculada à Antártida. Alguns indícios de alteração do clima são o aumento de temperatura.Ilo. De lá a Porto Velho. halons e compostos de bromo. até Porto Velho pela hidrovia do Rio Madeira e segue o trajeto da BR 364 até Rio Braço e BR 317 até Assis Brasil. Depois. devendo estes estabelecerem medidas de redução de suas emissões. é local estratégico. Hoje. conforme observações e estudos científicos. A conexão entre Brasil e Peru será feita pela ponte sobre o rio Acre. e assegure que a produção de alimentos não seja ameaçada e permita ao desenvolvimento econômico sustentável. Qualquer alteração neste ciclo pode ocasionar sérias conseqüências. CONVENÇÃO QUADRO SOBRE MUDANÇA DO CLIMA As correntes oceânicas e marítimas que cruzam o planeta. Por esta troca. no Mato Grosso do Sul. Os estudos climáticos são um dos pontos-chave da nova política de ciência e tecnologia da Antártida. É considerada uma das melhores estações de pesquisa da península. onde se encontra a maioria das estações científicas e bases militares do continente. Esse nível deverá ser alcançado num prazo suficiente que permita aos ecossistemas adaptarem-se à mudança do clima. segue de Rio Branco a Assis Brasil. O clima altera-se por terra e mar.” A convenção reconhece que a maior parcela das emissões globais. o planeta e seu clima criam um ao outro. inclui duas rotas fundamentais. A logística de integração. depois a Rio Branco.

quando uma convenção que regulamentaria a exploração mineral começou a ser negociada. todas as reivindicações territoriais sobre o continente. a Antártida era vista como potencial mina de ouro. com as evidências do aquecimento global resultaram nesta modificação. Acredito que a combinação de altos preços do petróleo. sem anular. No início deste ano a reação do público à redução da disponibilidade de álcool na entressafra de cana foi 101 . os mercados de açúcar e de álcool disputavam a mesma cana e logo nos demos conta que o preço de um dos produtos poderia subir relativamente ao outro. Até 2006. Não fosse a grande extensão do Oceano Pacifico livre de gelo entre Antártida e América do Sul. OS BIOCOMBUSTÍVEIS ENTRAM NO JOGO GLOBAL/OPINIÃO Consolidou-se nova tendência. nos anos setenta. os consumidores reagiram deixando de comprar carros a álcool e. O sucesso do tratado se deve à engenhosidade de seu artigo 4º. quando a alta do preço do açúcar resultou em desabastecimento de etanol. Em 1991 era assinado o Protocolo sobre Proteção Ambiental ao Tratado Antártico. Foi o que aconteceu em 1989. influenciado pelo sucesso do Ano Geofísico Internacional de 1957 e pelo temor dos EUA de que a Guerra Fria chegasse à Antártida. inclusive a URSS. A situação só foi resolvida de forma completa há pouco tempo. atividades humanas no continente devem buscar impacto ambiental zero. Quando o governo federal criou o Proantar. competitivo sem subsídios e que exige apenas um barril de petróleo para economizar oito). ou Protocolo de Madri. a aceitação dos biocombustíveis parece normal. afetando o equilíbrio de ambos. gás natural e outros minérios da região. instrumentos visivelmente insuficientes para ajustar o mercado. Há. o clube tem 47 membros. todo o lixo produzido deve ser recolhido e devolvido aos países de origem. Pelas regras do acordo. os biocombustíveis na matriz energética global. ainda. por outro ele estimulou mais ainda a pesquisa ambiental. com a inovação dos carros de motor flexível.as correntes da costa brasileira. especialmente à pesquisa científica. acostumados com o sucesso do etanol (único combustível renovável. Plantas e animais não podem ser levados ao continente. Se por um lado o Protocolo de Madri anulou o interesse econômico na Antártida. Para nós. que vigora até 2048. Os membros do tratado apostavam em ganhar dinheiro com a futura exploração das jazidas de petróleo. No início dos anos 80. questão controversa entre meteorologistas: a origem das massas de ar frio que atingem o país. Para a agricultura a grande modificação vai se dar no mercado de grãos. e a frágil flora antártica deve ser preservada. teríamos um clima glacial também na América do Sul. A indústria do petróleo passou a incorporar etanol e biodiesel no seu portfólio. a Antártida é dedicada a usos pacíficos. Até a Petrobras realizou levantamentos no continente. o programa morreu. Até então. em 1982. Qualquer manobra militar ou teste de armamento fica proibida. Pelo acordo. Hoje. Doze países firmaram o documento. O tratado assinado em 1958. e alguma exportação de álcool. Longas discussões sobre um estoque regulador nunca resultaram em algo aproveitável. produzindo abundância em um mercado e escassez no outro. O manto de gelo é o maior sorvedouro de calor da Terra e define as temperaturas no Brasil. carvão. que suspende. as variáveis de ajuste consistiam na variação do porcentual de mistura do anidro na gasolina. na prática. pois a lógica da produção de alimentos se mistura com a lógica do mercado de energia. o número de adesões ao tratado pulou de 24 para 39. Quando se lançou o Proálcool. que modifica rapidamente a massa polar. Para o resto do mundo é revolução. o setor de petróleo tratava como exóticos os produtos provenientes da agricultura.

pois vão influir nas negociações sobre o regime pós-2012. ao contrário do Brasil. Segurança. Isto só se dissipou com o pacote tecnológico que permitiu a incorporação ao processo produtivo das terras. que apresentam janelas de complementaridade. tensões no Oriente Médio. de tempos distintos e valores próprios. No caso do milho. de ciclo médio. e é nestes mercados que veremos a dificuldade de ajustar demanda de alimentos com a demanda de energia. desenvolvimento da África e mudanças climáticas foram aspectos priorizados. de ciclo relativamente curto. e a leitura empresarial. pela primeira vez lotes expressivos de milho foram comercializados. Entretanto. é altamente provável uma queda das quantidades vendidas ao exterior em termos absolutos. a pressão da demanda de grãos implicará numa elevação do custo de produção de carnes. bem como soja. Este quadro exigiu. carnes e até de leite. O Brasil será ganhador neste processo. Este mecanismo permite uma opção de ganhos mútuos. Os avanços e recuos sobre esses temas terão fortes implicações. Foram precisos quase 30 anos para que se encontrassem mecanismos de convivência e equilíbrio na produção simultânea de alimentos e biocombustíveis. as mudanças climáticas exigem três leituras simultâneas. Com seus reflexos globais. Quais deverão ser as principais conseqüências destas transformações? A disputa por terras tende a aumentar. É o caso do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo. aproveitando o bom momento. o país é dos poucos que tem condições de incorporar novas áreas ao processo produtivo elevando simultaneamente a produção de alimentos e energia. a maior parte dos biocombustíveis será produzida a partir de grãos. reforçada pela incorporação de milhões de novos consumidores na Ásia. concomitante à contínua elevação da produtividade da cana. na medida em que diminui os 102 . Muitos produtores venderam futuro. sem detrimento da produção de cana e biodiesel. São avaliações conflitantes. Para o mundo como um todo. O agronegócio está começando a sair de uma sucessão de anos difíceis e não pode continuar pagando estes custos. foi preparada em ambiente de crescente complexidade política. os primeiros anos do Proálcool foram marcados pelo receio que a disputa por terras prejudicasse a produção de alimentos. de ciclo longo. Exportações de milho e frango nos Estados Unidos tendem a perder competitividade. além de apreciação cuidadosa. em Gleneagles. o que levou ao ajuste dos mercados. não é demais reafirmar que as atuais e renitentes deficiências na área de logística e de defesa sanitária são cruciais. ações que façam do encontro oportunidade de afirmar valores e interesses convergentes. O G-8 E AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS A reunião do G-8.notável: rapidamente os motoristas aprenderam a mudar para a gasolina sempre que houvesse diferencial de preços. Além do equilíbrio álcool/açúcar. Abrem-se possibilidades do país se tornar exportador regular de milho. As recentes altas de preços ocorreram simultâneas ao plantio. com prováveis ganhos para o milho. Finalmente. revertendo o ânimo do agricultor. movimentando todo o complexo de grãos e resultando em altas de nas cotações. a leitura política. resultando em expectativas de baixos estoques e cotações em alta. que oferece conciliação das visões mencionadas. O mercado de milho nos EUA já vinha pressionado pela procura das novas plantas de etanol. É por desafio semelhante que passará a agricultura mundial. A leitura científica. Afinal. quando uma quebra na safra de trigo em vários países elevou seus preços e empurrou os fabricantes de rações a buscar milho e soja. principalmente em regiões maduras. Um início deste processo já se tornou visível. A demanda de soja para biodiesel se elevou.

elaboração de projetos para redução de emissões e gestão do lixo urbano. Desde os anos 1990 o Brasil tem avançado na observação de suas condições atmosféricas e na geração de dados sobre os seus ecossistemas. fiadores do cumprimento dos acordos e da verdade econômica. em função do aquecimento da temperatura dos oceanos. Investidores institucionais. É momento que fortalece "partidos verdes" e organizações dedicadas à causa ambiental. que permitiu o lançamento dos automóveis de consumo híbrido. a leitura científica observa que. política e empresarial para estratégia de desenvolvimento sustentável. em função da contribuição histórica de cada país na acumulação de gases de efeito estufa na atmosfera. Infelizmente. Em algumas áreas já foram adotadas políticas públicas indutoras da inovação para o desenvolvimento de tecnologias limpas e utilização de energias renováveis. além do rigor econômico. Para os países que compartilham a responsabilidade pela Bacia Amazônica. esses esforços não foram suficientes. Assim prossegue em nosso tempo. assegurando a entrada em vigor do Esquema Europeu de Comércio de Emissões. quando Svante Arrenhuis fez os primeiros cálculos para sustentar sua hipótese de correlação entre as emissões de CO2 e a temperatura do nosso planeta. Os dirigentes mundiais. entrou em vigor o Protocolo de Kyoto. A reunião foi oportunidade para as lideranças afirmarem sua missão. porém diferenciada. impõem a responsabilidade ambiental como parte do seu processo decisório. antes mesmo da entrada de Kyoto.custos da redução de emissões de gases de efeito estufa em países desenvolvidos e estimula a sustentabilidade ambiental e social nos países em desenvolvimento. respondem também pela garantia da paz. produção de energias alternativas. Mercados e financiadores que. Foram iniciativas que resultaram em avanços tecnológicos significativos para a redução de emissões. movida pela lógica do poder. A leitura política. Eis aí um dos motivos que levaram empresas a adotar iniciativas voluntárias de redução das suas emissões de gases de efeito estufa. defesa da liberdade. dá prioridade a interesses locais e regionais. com os resultados que indicam. Outra motivação está no acesso a mercados que exigem padrões de emissões ou a financiamentos por meio de agentes que aderiram ao protocolo verde. As leituras estiveram presentes em 1997. Foi assim desde 1896. Nos EUA. É o caso da bioenergia. terão elas impacto ainda insuficiente. consolidação democrática e preservação da natureza como forma suprema de garantir o bem-estar das gerações vindouras. Desde então. privilegiam corporações voltadas para políticas de sustentabilidade. mesmo atingidas as metas. A leitura empresarial é movida pela lógica dos resultados. Estratégias têm sido implementadas na educação ambiental. mudanças significativas na distribuição dos cardumes. Respaldando com saber multidisciplinar a importância histórica de Kyoto. A negociação política. incluindo o Brasil. marca oportuna reconciliação da defesa da natureza com as leis do mercado. A leitura científica é movida pela lógica do conhecimento e tem caráter universalista em horizonte de longo prazo. Anunciado como divisor de águas na luta contra as mudanças climáticas. siderúrgico e de saneamento. Faltam avanços no conhecimento da realidade amazônica e no combate ao desmatamento. quando foi aceito o princípio de responsabilidade comum. Sofreu o desgaste de sete anos 103 . governadores e prefeitos têm respondido aos anseios dos eleitores agindo em prol da redução de emissão de gases de efeito estufa. como fundos de pensão. por exemplo. no entanto. o Brasil tem empreendido ações nos setores sucroalcooleiro. O PROTOCOLO DE KYOTO Em fevereiro de 2005. o principal desafio é compatibilizar a leitura científica.

de debate, a ausência do maior poluidor do mundo(EUA) e sua quase derrocada, evitada em 2004 pela ratificação de uma Rússia pressionada pela UE. É o primeiro tratado global sobre ambiente que tem o poder legal de estabelecer um limite diferenciado para a emissão de gases-estufa por países industrializados. É um documento político com esqueleto científico, mas os cientistas dizem que o efeito obtido pela redução total é insuficiente para estabilizar o clima. O que Kyoto vai reduzir? Seis gases: dióxido de carbono, proveniente da queima de combustíveis fósseis; metano, gerado na agricultura, pecuária e em aterros sanitários; óxido nitroso, decorrente de veículos; e hidrofluorocarbonos, perfluorocarbonos e hexafluoretos de enxofre, resultado de outros processos industriais. Como surgiu? Em 1997, em Kyoto, foi negociado acréscimo à Convençãosobre Mudança do Clima para impedir a interferência da ação do homem. O protocolo só entraria em vigor quando fosse ratificado por pelo menos 55 nações, incluindo os países industrializados que respondiam por 55% das emissões de carbono em 1990. As divergências criaram o princípio de responsabilidades iguais, porém diferenciadas. A primeira diferença foi feita entre os países industrializados - que se beneficiaram por mais tempo da Revolução Industrial. Os países industrializados formam o Anexo I e possuem metas a serem cumpridas entre 2008 e 2012. As nações em desenvolvimento participantes, como o Brasil, estão no Anexo II. Sua responsabilidade será discutida durante o primeiro período e implementada a partir de 2013. Algumas nações comunistas - "países em transição", escolheram outra data face seu colapso econômico. Como funcionam as metas? As medições são geralmente feitas a partir de 1990. Cada país tem de informar anualmente ao secretariado da convenção quais são as emissões e como caminha seu plano. Há anomalias, como meta única de 8%, em relação aos níveis de 1990, para a União Européia, pois alguns países tinham economias mais avançadas do que outros, mas não anula os objetivos de cada nação separadamente. Quais são os instrumentos? Além das medidas domésticas, existem outras formas. Envolve trabalhar com outros países para reduzir suas emissões. O raciocínio por trás disso é que a atmosfera não se importa em que país essas reduções se originam. Uma das ferramentas é a adoção de um método limpo de produzir eletricidade, como energia solar. Outro método é o comércio de carbono, que beneficia países em desenvolvimento e ex-comunistas. Pode-se exigir cumprimento? Como tratado legal, há penalidades. Os governos que não atingirem sua meta terão de prestar contas. Vistos como descuidados, podem ser excluídos dos acordos comerciais ligados ao protocolo. Outra penalidade é assumir uma meta multiplicada por 1,3 no segundo período.

KYOTO, O MUNDO E O BRASIL.
Há três reflexões a fazer, no momento em que entra em vigência o Protocolo de Kyoto. A primeira, à própria iniciativa da comunidade internacional, da adoção de controles e mecanismos de preservação ambiental. A segunda reflexão a fazer concerne aos diferentes graus de responsabilidade das nações do globo quanto ao volume de emissão de gases que tem produzido o "efeito estufa". É evidente que as maiores emissões de gases poluentes na atmosfera ocorrem em países que se industrializaram há mais tempo e com maior intensidade. O Brasil, embora grande emissor de gases, tem contribuído há menos tempo para a formação do "efeito estufa", vez que a maior parte da sua industrialização ocorreu depois de 1950, e mesmo o grande desmatamento da Amazônia começou ainda mais recentemente, na

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década de 1970. Pelo que foi acertado em Kyoto, só os países mais desenvolvidos deverão reduzir suas emissões numa primeira etapa, entre 2008 e 2012. Está em aberto a discussão internacional sobre o que deverá ocorrer a partir de 2013, visto que, de acordo com estudos da ONU, entre os anos de 2015 e 2020 os países hoje em desenvolvimento - como Brasil, China, Índia México, Nigéria deverão ultrapassar os desenvolvidos, no tocante à emissão de gases de efeito estufa. Também está em vigor, paralelamente ao Protocolo de Kyoto o MDL, pelas quais países desenvolvidos que não tenham condições de reduzir suas emissões poderão investir em projetos industriais de redução de emissão em países em desenvolvimento, o que lhes conferiria "créditos de carbono" - ou aumento permitido de sua "cota poluidora". Há no Brasil projetos pioneiros dentro desse mecanismo, como o destinado a transformar gás em energia elétrica. Com investimentos do Banco Mundial e da Holanda, deve resultar na redução de 14 milhões de toneladas de CO2 por 21 anos. E há a estimativa de 30 outros projetos semelhantes a serem aprovados. Quer dizer, o MDL pode significar um bom rol de oportunidades de investimentos, no País. Apesar de não obrigar os países signatários "em desenvolvimento" a uma redução de emissões na primeira fase (2008 a 2012), Kyoto trouxe outros compromissos, dentro da Convenção. Assim, obrigamo-nos, por exemplo, a elaborar nosso "inventário de emissões", a fazer planos de mitigação, proteger os estoques de carbono e cooperar no desenvolvimento científico e tecnológico, nessa área. Uma coisa é certa: estejamos ou não no compasso desejável - ou possível em relação aos compromissos assumidos pelas nações em Kyoto, inserido está o País nesse processo fundamental de preservação da qualidade de vida e, em última instância, de sobrevivência da espécie humana na superfície do globo terrestre. NA ONDA DA BIOENERGIA Com investimentos anunciados de US$ 16 bilhões até 2012, o Brasil tem a chance de se tornar grande produtor mundial na área de combustíveis renováveis. Mas precisa organizar melhor os estoques de álcool e a divisão de matérias-primas para o biodiesel. Poucos países do mundo podem ser considerados potências dos agronegócios, se pesarem nessa definição volume de produção, eficiência, diversificação de cadeias, importância para a economia doméstica e influência no mercado externo. Os EUA há décadas são a maior dessas potências, puxados por imbatível gigantismo em trigo e milho, as duas principais commodities agrícolas globais. Mas o Brasil também está entre elas, muitas vezes dividindo espaço, prestígio e liderança. Portanto, é revolução de envergadura capaz de abalar os alicerces do setor, e faça estardalhaço nas potências que têm no campo boa parte de seu PIB. Despertado pela disparada dos preços do petróleo e pelo barulho de ambientalistas em torno das ameaças à vida no planeta, os biocombustíveis transformaram-se em "febre". Planos para a adoção de etanol e biodiesel pululam em diversos países, investimentos para a fabricação dos energéticos são anunciados todos os dias em algum lugar, produções agrícolas são deslocadas para alimentar a nova onda. E o campo brasileiro fervilha. Em etanol e biocombustíveis, os aportes em curso para expandir a oferta chegam perto de US$ 7 bilhões, a partir de matérias-primas como soja, mamona, pinhão manso e até gorduras animais. Até 2012, projetos já anunciados poderão absorver investimentos da ordem de US$ 16 bilhões. Foi loucura da humanidade construir sua evolução sobre combustível fóssil, finito e poluente. O Brasil, pode duplicar sua produção de álcool por hectare nos

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próximos dez anos, tem condições de liderar a mudança rumo a outra matriz energética. Os biocombustíveis podem ser a ponte para isso, sem concorrer com os alimentos. É uma oportunidade. Para os mais ponderados, ela poderá se transformar em decepção caso a falta de organização que predomina no mercado, envolvendo estoques e a divisão de matérias-primas para biodiesel, se solidifique. Pouquíssimas áreas da economia mantêm elevados níveis de remuneração o tempo todo, e na agroenergia não será diferente. Incipiente em biodiesel, mas muito forte no álcool, a agroenergia já provoca reflexos positivos sobre os macroresultados do setor no país. A agroenergia já deixa reflexos positivos. O caso do milho é emblemático. Nos EUA, bilhões estão sendo aplicados em usinas de etanol, o Brasil começa a ganhar espaço no exterior e pode se transformar em exportador regular, apesar de ainda não apresentar produtividade à altura de EUA e Argentina, os maiores exportadores. Essa corrida levou exportadores brasileiros a acertar entregas no exterior em janeiro de 2008 - de produção que sequer foi plantada - está sustentando as cotações internacionais do milho e ajudando a puxar a soja. Junto com o trigo, com problemas de quebra de safra em importantes produtores como Austrália, as commodities reagiram em Chicago, e as perspectivas para os próximos anos mudaram para melhor. A pujança da cana deixou efeitos positivos sobre as vendas de fertilizantes, defensivos e máquinas agrícolas. Nos três segmentos, simples divisão geográfica das vendas comprova que nas regiões canavieiras tradicionais do país houve aumento dos negócios, enquanto nas áreas de grãos, em fase final de crise de liquidez e renda, o mercado mostrou-se mais travado. O papel do governo é zelar pela qualidade dos produtos brasileiros e nesse ponto os investimentos em ações de defesa sanitária são fundamentais. "Sanidade é o novo nome do protecionismo", repete Pratini de Moraes. Apesar dos problemas, o Brasil tende a manter a liderança mundial nas exportações de carnes bovina e de frango em 2006. No total, as exportações nacionais de produtos de origem animal deverão alcançar US$ 9 bilhões no ano, ou 20% do total previsto pelo Ministério da Agricultura para os embarques dos agronegócios.

A ALTERNATIVA DOS BIOCOMBUSTÍVEIS
Em Bruxelas, abrirei(Lula), com o presidente da Comissão Européia, Conferência Internacional sobre Biocombustíveis. Será oportunidade de chamar a atenção internacional para tema prioritário da agenda global: as fontes alternativas de energia. Multiplicam-se catástrofes naturais, conseqüência do aquecimento climático, assim como as incertezas em torno do fornecimento dos combustíveis fósseis. O mundo está confrontado com duplo desafio: como alcançar a segurança energética sem causar desequilíbrios ambientais? Como reduzir padrões de consumo e atender às aspirações ao bem-estar? O programa brasileiro de biocombustíveis mostra que temos à disposição resposta promissora para essa questão. Ao adicionar 25% de etanol à gasolina ou utilizar álcool puro em carros "flexfuel", reduzimos em 40% o consumo e a importação de combustíveis fósseis e deixamos de emitir, desde 2003, mais de 120 milhões de toneladas de gás carbônico. O potencial das biomassas vai além da geração de energia limpa e renovável. A indústria do etanol já criou, diretamente, 1,5 milhão e, indiretamente, 4,5 milhões de postos de trabalho no Brasil. O programa do biodiesel já emprega mais de 250 mil pessoas, sobretudo pequenos agricultores em zonas semi-áridas, gerando renda e ajudando a fixar a população à terra. Esses programas reduzem migrações

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em 2008. Conferência Mundial sobre Biocombustíveis. sem deixar ninguém para trás. Por isso. apoiadas por efetivo fluxo internacional de recursos e tecnologia. ao invés de investir em custosas inovações para tornar menos poluentes os combustíveis convencionais. GEOPOLÍTICA E NAÇÃO A mídia esteve ocupada com o etanol. Não é necessário forçar os países em desenvolvimento a escolha injusta: reduzir seu ritmo de crescimento ou adotar novas tecnologias onerosas. nos últimos três anos. sociais e ambientais. portanto. Nada disso diminui a responsabilidade dos países desenvolvidos de adotar sérias normas de controle de emissões. Juntos. as taxas de desmatamento e. nem hipotecar o futuro das novas gerações. Países em desenvolvimento gerarão empregos e renda. sociais e trabalhistas consagrados na legislação e exigidos pela sociedade. ETANOL. Diminui a pressão de garimpeiros e agricultores sobre florestas nativas. Ocorre em regiões distantes da Amazônia. esse conjunto de medidas permitiu reduzir em mais de 50%. Os biocombustíveis não ameaçam a segurança alimentar. A resposta à ameaça do aquecimento global não está em restringir o acesso de populações pobres a padrões mínimos de bem-estar. Essa é a mensagem que levo à Conferência de Bruxelas: estão ao nosso alcance experiências testadas e comprovadas para responder a desafio que se avoluma a cada dia. de emissão de gases de efeito estufa.não têm. que poderá ser extraída de praticamente qualquer dejeto orgânico. vamos garantir que toda a cadeia de produção dos biocombustíveis no país respeite critérios ambientais. poderemos construir estratégia global. Por essa razão. Queremos desenvolver a próxima geração desses combustíveis. Além de vultosos recursos. e divisas para dinamizar suas economias. justa e duradoura. A expansão da cana tem contribuído para recuperar áreas degradadas. cujo solo e clima são inadequados para o cultivo da cana. Os biocombustíveis devem ocupar lugar central em estratégia planetária de preservação do meio ambiente. pois 107 . Aí reside a grande força dos programas brasileiros de biocombustíveis: eles fazem parte de estratégia ambiental. o Brasil defende esforço para difundir essa revolução das biomassas. de baixo ou nenhum potencial agrícola. Países desenvolvidos poderão acessar fontes de energia limpas a preço competitivo. além da criação de 20 milhões de hectares em unidades de conservação. Juntamente com a concessão de terras para a exploração sustentável de madeira. E será a base de toda uma alternativa orgânica à petroquímica.desordenadas. Caribe e África unindo tecnologia brasileira a condições climáticas e de solo favoráveis nessas regiões. É esse o sentido da proposta brasileira de incentivos aos países em desenvolvimento que desacelerarem o desmatamento. E tempo é o que os países mais pobres . Todos saem ganhando. pois sua produção ocupa em torno de 2% das terras agriculturáveis. o Brasil está organizando. Urge implementar políticas que ajudem a garantir que a humanidade prosperará como um todo. em qualquer parte do mundo. Não diminuirá a disposição de países em desenvolvimento em implementar políticas de redução de emissões. O programa de biocombustíveis se soma assim às ações governamentais em defesa da biodiversidade amazônica: repressão ao desmatamento e à grilagem de terras. centrada no desenvolvimento sustentável em termos econômicos. Por meio de sistema nacional de certificação. Acordos que assinamos com EUA e que estamos estabelecendo com países europeus prevêem a implantação de projetos triangulares na América Central.e nosso planeta . esses avanços requererão tempo. Considero correta a posição do governo de exigir a redução do subsídio e recusar-se a disputar cota do mercado americano.

A Petrobras terá que investir R$ 4 bilhões para este estoque. Em resumo. detinha cota do mercado americano. evoluir para articulação continental. que lhe conferirá uma posição empresarial forte como empresa de energia. sem subsídios haverá mais milho como alimento e o Brasil dominará. EUA e Ásia na decisiva questão do evanescimento progressivo da economia do petróleo. a atividade sucroalcooleira é notável pois utiliza energia autoproduzida (bagaço e. Não necessitamos de ajuda. líder na produção e equipamentos para açúcar. manteremos esta posição.seria fácil atribuir resistências a manutenção do subsídio e propor ao Brasil cota bilateral. que expira em 2012. proximamente. a palha). É correta a posição de preservar o potencial energético renovável brasileiro. Dispondo o Brasil de energia que substituirá as fontes fósseis. Abrir mão da presença nacional nesta questão estratégica abre janela para a subordinação do Brasil ao apetite energético dos Estados Unidos. o desmatamento evitado de florestas tropicais como forma de reduzir a emissão de gases do efeito estufa já foi incluída no “mapa de Bali” conjunto de diretrizes que os países seguirão até 2009 para costurar um novo regime internacional de controle do aquecimento global. substituto Kyoto. A produtividade energética do etanol de cana é quatro vezes superior ao etanol de milho e seu custo é muito inferior. Tem balanço térmico adequado para o meio-ambiente nacional e mundial. o mundo ainda assistirá conflitos na região petrolífera. Do ponto de vista energético. Talvez seja possível combinar produção de cana e soja e libertar os equipamentos mecânicos da lavoura do uso de combustível fóssil. Os povos do Oriente Médio amaldiçoados pelo petróleo. em grande parte. A maioria das usinas era de capitais estrangeiros. temos a Dedine. Além do mais. CONTROLE DE DESMATE VAI INTEGRAR PÓS-KYOTO Negociador do Brasil diz que novo pacto antiaquecimento incluirá oficialmente. Temos o melhor programa mundial de bioenergia. historicamente estivemos na ponta agronômica em pesquisa agrícola tropical. Contudo. que assuma o risco. se convertem em arena dos piores conflitos geopolíticos. É correta a decisão de constituir estoque regulador de álcool. a produção de açúcar cresceu no Caribe porque prevaleceu reserva de mercado. O sol é nosso aliado e permite a utilização das instalações agroindustriais quase que o ano inteiro.O Brasil defende a criação de fundo voluntário. Fortalecendo a Embrapa. Nos tempos coloniais. Fora do açúcar. o mercado mundial de bioenergia. Nós sinalizaremos com nossa posição perspectiva nacional e poderemos. pelo processo de integração sulamericana. Cuba tinha a manufatura de charutos e era parque de diversões para adultos daquele país. O Brasil sempre deteve alta produtividade canavieira. Se algum deles quiser relação íntima (bilateral via cota de acesso ao mercado norte-americano). substituindo-o por biodiesel derivado da soja associada com a lavoura de cana. Sua presença é salvaguarda para o complexo bioenergético que o Brasil desenvolverá. o que permitiu a criação de 108 . etanol e bioenergia. Cuba pré-Castro era fornecedora de açúcar. alimentado pelos ricos. Ao longo do eixo da Ferrovia de Carajás e nas mesopotâmias da Bacia do Rio Madeira. devemos desde logo não aceitar nenhum Cavalo de Tróia de suposta boa vontade. para o país pobre que demonstre resultados mensuráveis no controle do desmatamento. O Brasil é o único país em desenvolvimento que mantém monitoramento periódico por satélite do desmatamento de sua floresta tropical. nas negociações da COP-13. o Brasil poderá construir gigantesco campo de energia renovável para ajudar Europa. Em matéria industrial.

Na Bolívia. e de alguns serviços do ciclo de combustível sofreram variações expressivas. o GLP e a gasolina natural.00 para algo em torno de US$ 500. de US$ 373 milhões. o trecho está pavimentado.No Brasil. A Petrobrás e a YPFB devem constituir empresa conjunta para explorar três novas áreas. faz parte de série de acordos que serão assinados. a segunda.50 para US$ 95. Com as preocupações com as mudanças climáticas. qualquer obra de integração passará pelo país. No Chile.00 por quilo de urânio (Fonte: UxC Nuclear Fuel Prices Indicators).O grande desafio é a mudança na equação econômica que sustenta a lógica do desmatamento. por isso. o desenvolvimento de tecnologia de reatores nucleares demanda tempo bem mais longo que o início de produção de poço de petróleo e gás em águas profundas. São cerca de 4 mil km de estradas que facilitarão o comércio. com aportes nos campos de San Alberto. A Bolívia terá os maiores aportes. San Antonio e Ingre. “O projeto vai permitir que nosso comércio flua e garantirá maior desenvolvimento”. O setor de petróleo e gás já estão amadurecidos podem representar alívio as necessidades de médio prazo. A queda parece ter sido conseqüência de situação econômica mais ações de governança. O projeto.00 para US$ 135. BID e UE. O mercado nuclear brasileiro A questão energética é crítica para o desenvolvimento de qualquer país e nenhum pode se descuidar dela. petróleo. Lula afirmou que estatal tem condições de ampliar em até 8 milhões de metros cúbicos por dia sua produção. LULA E BACHELET ASSINAM ACORDO COM MORALES Brasil. 109 . O presidente anunciará o retorno dos investimentos da Petrobrás. a libra-massa de yellow cake saltou de US$ 9. para pavimentação de 50 km de estradas e construção de aduana. os preços do minério de urânio. no Chile. avaliou Bachelet. São duas rotas: a primeira chega à Bolívia por Corumbá. Os investimentos no projeto serão financiados por Corporação Andina de Fomento. a possibilidade de escassez e suas implicações no crescimento econômico é motivo de preocupações de acadêmicos. a conversão de 1 quilo de óxido de urânio para hexafluoreto de urânio. além de requerer elevado montante de recursos financeiros. Isso provocou o ressurgimento mundial da geração nucleoelétrica.“Não podemos conceber o desenvolvimento da região dando as costas para os países vizinhos”. como o etano. Bolívia e Chile anunciaram investimentos para a conclusão de corredor rodoviário bioceânico. empresários e de setores do governo.50 para US$ 12. ligando o porto de Santos aos de Arica e Iquique. concentrado e purificado (yellow cake). e o custo de fabricação dos elementos combustíveis. gás natural e minério de urânio possuem importâncias similares. O corredor bioceânico faz parte da IIRSA.A estatal brasileira pagará valor adicional de US$ 180 milhões por ano por frações nobres do gás. Do ponto de vista da energético. os investimentos são de US$ 93 milhões. No mercado internacional. orçado em US$ 500 milhões. por Cuiabá. o custo do enriquecimento subiu de US$ 90. de US$ 275. Por outro lado. para a pavimentação de 611 km de estradas entre Puerto Suarez e Santa Cruz de la Sierra. dizendo que a Bolívia é “o coração da América do Sul” e.registro histórico. em 5 anos.00. dois anos após a nacionalização do setor no país. os países desenvolvidos voltaram seus olhos para a energia nuclear como opção limpa. Como conseqüência disto. No caso do Brasil. A subida (recente) mostra que é preciso ajuda externa. de US$ 5. afirmou o presidente Lula.50.00 por unidade de trabalho. espera-se que a companhia pague valores retroativos a abril.

ainda. Brasil critica idéia da UE de ligar clima e comércio A UE defende acordos setoriais globais que abriguem as indústrias a reduzir o uso de energia na produção e combatam as mudanças climáticas. da mesma forma como vem ocorrendo com as reservas de petróleo e gás. poderíamos encarar a situação como oportunidade de negócios e ser participante ativo deste mercado. a comercialização total das reservas não seria recomendável e poderia comprometer nossas necessidades de geração elétrica. com o acordo BrasilAlemanha e com o programa autônomo da Marinha. Entretanto.1 bilhões. o setor pode gerar os recursos necessários para seu próprio financiamento. o Brasil poderia se transformar em exportador de tecnologia de centrais nucleares e de serviços do ciclo do combustível. Em números aproximados. se considerarmos reatores nucleares típicos. alterados pela EC 9/95. gerando recursos para o nosso desenvolvimento. o enriquecimento. correndo.300 MW. que possui reservas consideráveis urânio e domínio do ciclo. Obviamente.000 MW durante 50 anos. típico de reatores PWR. a lavra. Esse sistema permite que empresas incapazes de reduzir suas emissões comprem créditos daquelas menos poluentes. Com a comercialização controlada. enfatizada em Bali. Entretanto. é de US$ 64 bilhões. outros US$ 32. Diante do esforço já realizado pelo país. impedindo a entrada de novos atores. nossas reservas poderiam gerar em torno de 11 bilhões de GWh. mais US$ 17. Decisões sobre nosso desenvolvimento nuclear são urgentes. nossas reservas proporcionariam receita bruta de US$ 94 bi. tendo em vista a inexistência de mercado interno. A conversão das reservas em hexafluoreto de urânio resultaria em adicionais US$ 3. A proposta. o artigo 177 da CF. através do "Emissions Trading Scheme" (ETS). Diante do exposto.Considerando-se as condições do Brasil. 2 e 3 irão gerar apenas 3. dependendo apenas de um posicionamento político do governo e o estabelecimento de um novo marco regulatório para este segmento estratégico. Segundo a Indústrias Nucleares do Brasil. resultando em dinamização e avanço tecnológico. as usinas nucleares Angra 1. hoje. a retomada da prospecção de urânio poderá ampliá-las. e a fabricação de elementos combustíveis.3 bi. a empresa poluente que exportasse para a UE teria de comprar permissão de emissão. 110 . o enriquecimento do urânio a 4%. em seu inciso V.3 bilhões. Pela idéia francesa. referentes a petróleo e gás. o reprocessamento. concentração e beneficiamento deste minério encontra-se estimado em US$ 22 bilhões e o valor de mercado do produto final. Conclui-se que a comercialização de parte de nossas reservas poderia gerar receitas para viabilizar o desenvolvimento do setor nuclear brasileiro sem comprometer as reservas de urânio. o país dispõe de 309 mil toneladas de minério de urânio. resultando em diferença líquida de US$ 42 bilhões. juntas. Não podemos esquecer que estas reservas se encontram estagnadas há mais de dez anos. Porem. este mesmo artigo teve seus incisos I a IV. contribuindo assim para a UE cumprir o Protocolo de Kyoto. O custo de exploração. sob pena de perdermos as oportunidades geradas pelo mercado nuclear aquecido. constitui a pesquisa. a industrialização e o comércio de minérios e minerais nucleares e seus derivados em monopólios da União. o risco de deteriorarmos ou tornarmos obsoleta nossa capacidade tecnológica do ciclo do combustível e em alguns segmentos da tecnologia de reatores nucleares. o que corresponde à geração contínua de 27. serve para engavetar sugestão da França de taxar importações de produtos industriais de países onde as normas ambientais são menos estritas. São números expressivos se observarmos que.

Em 2010. A Amazônia não está à venda COM FREQÜÊNCIA circulam notícias sobre interesses com relação à região amazônica. hoje. agricultores familiares. "Toda vez que eles [EUA e UE] procuram estabelecer relação entre comércio e meio ambiente é sempre para conseguir proteger seus mercados ou aumentar as vendas de seus produtos".A reação foi dura por parte de países emergentes como Brasil. O Brasil atribui importância a mudança no clima. A causa principal da mudança do clima é conhecida: pelo menos 80% do problema tem origem na queima de combustíveis fósseis a partir de meados do século 19. Apenas pequena parcela resulta das mudanças no uso da terra. Programa do biodiesel é exemplo para o mundo O ano de 2008 marca o início da adição de 2% de biodiesel ao diesel. iniciativas com o objetivo de adquirir terras na Amazônia para fins de conservação ligadas à preocupação com a mudança do clima e ao possível papel do desmatamento nesse processo. sobretudo países emergentes. que participará de reunião em Bali. surgem. que tiveram suas rendas complementadas. a sua produção traz benefícios ao meio rural. O desmatamento atual em escala global é preocupante. O viés mais importante é o fato de aliar a produção de combustível verde. O PNPB está dando certo e poderá ser referência para países em desenvolvimento. etc). são produtores que se capacitaram. ambientalmente sustentável com inclusão social. o Brasil está fazendo sua parte. O conhecimento e a tecnologia acumulados pelo Brasil na produção de biodiesel representam grande oportunidade para impulsionar o desenvolvimento do nosso país e ajudar o mundo a encontrar alternativas energéticas ambientalmente sustentáveis. mas o foco deve ser a alteração da matriz energética e o uso mais intensivo de energias limpas. Nos últimos leilões realizados pela ANP a agricultura familiar participou com 162 mil hectares de oleaginosas (mamona. A Convenção do Clima e seu Protocolo de Kyoto são claros: àqueles que causaram o problema (países industrializados) cabem metas de reduções e a obrigação de agir primeiro. deve subir para 5% e. Pela primeira vez. novos percentuais poderão ser estabelecidos. As oleaginosas são cultivadas em consórcio com outras culturas. aprenderam a plantar novas culturas e hoje participam da cadeia de produção do biocombustível. Como é combustível que se planta. E. São propostas que desconhecem a realidade da floresta amazônica. no exterior. especialmente no semi-árido. O Programa inclui 100 mil famílias no cultivo de oleaginosas em todo o país. Embora não tenha metas mandatórias de redução. amendoim. focar a atenção nas atuais emissões é errado. experimentam relações de produção que lhes dão segurança para seguir trabalhando e produzindo. O que se vê. Celso Amorim. afirmou o subsecretário de assuntos econômicos do Itamaraty. têm pouca responsabilidade pelo aquecimento global. México e Argentina. Alguns dos atuais emissores. Possuímos matriz energética limpa. Índia. Assim. cobrará propostas que não sejam discriminatórias contra países em desenvolvimento e que não sirvam só para os ricos subsidiarem sua indústria e favorecer suas vendas. É importante assinalar que as oleaginosas para biodiesel não substituem a produção de alimentos. girassol. dependendo do desempenho do setor. Ignoram também importantes dados científicos. Há consenso de que o fenômeno está sendo acelerado pela ação humana. palma. O Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel completa 2 anos. Nossos programas de biocombustível são 111 . incluindo o desmatamento.

e não está à venda. O manejo sustentável de florestas é campo propício à cooperação. Nos últimos anos. Da Amazônia nós estamos cuidando de acordo com modelos de desenvolvimento baseados em princípios de sustentabilidade definidos pela sociedade brasileira. Nessa área. proposta que visa promover incentivos aos esforços nacionais voluntários de redução das taxas de desmatamento. conseguimos importante redução das taxas de desmatamento. dessa forma. A Amazônia é um patrimônio do povo brasileiro. apresentaremos. por intercâmbio de experiências e capacitação técnica. É esforço multissetorial e de longo prazo. O Brasil espera que os países industrializados cumpram suas obrigações de redução de emissões. para o desenvolvimento sustentável da sociedade brasileira e para a redução global das emissões de gases de efeito estufa. 112 . ao que se somam mais 11% no período 05/06. Acreditamos que essa é forma adequada de os países desenvolvidos apoiarem a conservação das florestas tropicais. No âmbito da Convenção do Clima. A proposta é contribuição do Brasil para o esforço comum de redução de emissões de gases de efeito estufa. O Brasil participa ativamente dos debates internacionais sobre florestas. Contribuímos. em novembro próximo.exemplo. O Brasil está implementando política integrada de combate ao desmatamento. na Conferência de Nairóbi. a redução confirmada foi de 32%. Indivíduos bem-intencionados que se preocupam com o planeta devem dedicar-se a influenciar seus governos no sentido da mudança de padrões insustentáveis de produção e consumo e da utilização de energias renováveis. A sociedade brasileira não aceita mais os padrões insustentáveis de desenvolvimento que levaram a perdas ambientais irreparáveis. Em 04/05. o Brasil tem muito a oferecer em conhecimento e tecnologia. com ações de valorização da floresta em pé e de apoio ao desenvolvimento socioeconômico das comunidades que dela dependem.

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