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A Guitarra

Percurso de um instrumento singular

A Guitarra – percurso de um instrumento singular

A Guitarra – percurso de um instrumento singular

semestre I Ano lectivo: 2010/2011 Universidade de Évora.Página de Rosto Aluno: João Diogo Rosas Leitão Nº: 25151 Docente: Massimo Mazzeo Cadeira: Práticas Interpretativas. 24/01/2011 A Guitarra – percurso de um instrumento singular .

9 A Guitarra – percurso de um instrumento singular . 14 Pág. 6 Pág. 21 Pág. 22 3 – Guitarra Barroca/Espanhola Pág.Origens 2 – Guitarra Renascentista 4 – Guitarra Clássica 5 – Guitarra Moderna 6 – Conclusão 7 – Bibliografia Pág. 18 Pág. 5 Pág. 7 Pág.Indice Introdução 1 .

Devo. Espero que este trabalho possa esclarecer alguns pontos mais confusos na evolução da guitarra e ajudar a colocar a guitarra no seu merecido lugar na história da música. Nem sempre clara. A Guitarra – percurso de um instrumento singular . e os seus antecessores.Introdução A guitarra. apesar de muitas vezes ter sido negligenciada ou de ter vivido à sombra do alaúde e da vihuela. no entanto. tem estado presente na actividade musical e cultural do ser humano desde que há registos dessa actividade. muitas vezes confusa. a história deste instrumento confunde-se com a do alaúde e da vihuela. salientar que a guitarra sempre existiu enquanto instrumento independente e com as suas próprias caracteristicas.

braço longo e estreito e com a existência de alguns trastos. No entanto. Além do alaúde. Iconografia no reino da Mesopotâmia regista a existência de antecessores do alaúde (cerca de 2000 a. trazida pelos árabes? A Guitarra – percurso de um instrumento singular . até se transformar na guitarra curva e com “cintura” levada depois para Espanha. mas com um braço mais comprido. várias são as hipóteses para identificar os instrumentos antecessores da guitarra: há quem sugira a ancestral “ kithara” da Grécia Antiga devido à relação etimológica da palavra.). dúvidas e aberta a diversas opiniões. Terá sido usada e desenvolvida pelos Romanos. a origem mais provável são os alaúdes do antigo Egipto.Origens O passado e a origem da guitarra é uma história que se encontra mergulhada em especulações. por isso. É uma história que se confunde também com a história do alaúde e da vihuela e. tal como o alaúde. os árabes trouxeram para a Península Ibérica a guitarra mourisca – semelhante ao alaúde. Pertencente à categoria dos cordofones. como guitarra latina.C. encontrados em escavações e com uma caixa de ressonância cintada. ou foi. A dúvida permanece quanto ao desenvolvimento da guitarra: foi um instrumento desenvolvido pelos europeus. é necessário falar e perceber ambos os instrumentos para perceber a guitarra.

A única certeza é que foi influenciada pela afinação do alaúde. vihuela e guitarra. mais tarde. Quando os instrumentos começaram a ser construidos através da junção e colagem de diferente partes o antecessor da guitarra surgiu. só alguns conseguiram realmente sobreviver e vencer. quando comparada com a actual. havia dois tipos de afinação conforme o tipo de reportório que se queria tocar: – g′/g–c′/c′–e′/e′–a′ (temple nuevos) – f′/f–c′c′–e′/e′–a′ (temple viejos) A afinação temple viejos era utilizada para tocar antigos romances e música arpejada. Técnica A técnica da mão direita também foi influenciada pela técnica de alaúde. Segundo Juan Bermudo. era bastante mais pequena e mais estreita. Com o crescente interesse pela música instrumental os próprios instrumentos foram evoluindo. não havia uma afinação padronizada e universal. A questão da afinação é complicada. Tinha trastos de tripa que eram móveis. partilhando essa supremacia em diferentes períodos: alaúde.Guitarra Renascentista Só a partir do Renascimento europeu é que se pode começar a falar. da enorme quantidade de instrumentos que existiam e foram sendo criados. usada para tocar música polifónica. A guitarra renascentista. ou seja. Era um instrumento pequeno e tocado com uma palheta. sofrendo alterações e inovações observandose uma “selecção natural”. as ilhargas possuiam uma curvatura muito menos acentuada e a roseta no orificio do tampo era extremamente trabalhada. a vihuela) que eram afinadas em quartas e terceiras. Possuía quatro ordens de cordas (cordas duplas) de tripa (tal como os alaúdes e. sem grandes dúvidas. Deixou de se usar a palheta e passou e usar-se os dedos pulgar. Também surgiu a técnica do rasgueado. sendo a primeira ordem simples (apenas uma corda). mas em oitava dando origem ao “bordão” . como as outras ordens. Dos inúmeros instrumentos de cordas dedilhadas foram três os que dominaram. indicador e médio. no final do séc. ao contrário do que acontece hoje em dia e que foi definido no final do séc. A afinação temple nuevos era a mais adequada à música moderna. uma vez que. em história da guitarra. no seu “El libro llamado Declaración de instrumentos musicales” (Osuna. que consiste em passar repetidamente os diferentes dedos pelas cordas. XV. 1555). O termo “guittern” surge com frequência na Idade Média para designar um instrumento feito de apenas uma peça de madeira e com fundo redondo. A Guitarra – percurso de um instrumento singular .a corda mais grave. com o mindinho apoiado no tampo ou no cavalete para estabilizar a mão. Ambas as afinações têm uma caracteristica em comum: o último par de cordas é afinado não em uníssono. XVIII.

Não podemos esquecer que. b. entre outros). XVI.Notação A música para guitarra renascentista era escrita segundo o mesmo sistema notacional utilizado para o alaúde e vihuela: a tablatura. Repertório e Intépretes Ao contrário do que é a ideia generalizada.).primeiro trasto. Alonso Mudarra. virtuoso da vihuela e grande compositor. 1. No período em questão foi principalmente em França que a guitarra foi melhor acolhida e valorizada. intabulações de chansons e fantasias. cada uma delas representando uma ordem. que partilhavam a mesma base. Alonso Mudarra.corda solta.primeiro trasto. mas ibérica. essencialmente. Nestes livros encontram-se conjuntos de danças. Haviam dois sistemas de tablatura em vigor. em Espanha que se encontra o primeiro registo de música escrita para guitarra na publicação de Alonso Mudarra “Tres libros de musica en cifras para vihuela” (Seville. da independência. durante o séc. Apesar disto. Era o instrumento favorito do rei Henrique II e os grandes compositores franceses da época escreveram para guitarra. ou seja. principalmente.). não foi sempre em Espanha que a guitarra teve o seu epicentro de acontecimentos. O contrário acontecia na França (relação entre a linha mais alta e a ordem mais aguda). uma vez que era um instrumento mais limitado do que a vihuela ou o A Guitarra – percurso de um instrumento singular . para vihuela algumas peças à guitarra: quatro fantasias (uma nos temple viejos). e do papel secundário da guitarra. etc. O ritmo era escrito por cima de cada pauta. 1551) que também escreveu algumas fantasias para guitarra de quatro ordens. dizendo em que posição o intérprete deve pisar a corda. Estas publicações são dos primeiros anos de 1550. uma ‘pavana’ e umas variações de O guardame las vacas. Exemplo disso é o livro para alaúde de Melchiore de Barberiis “Opera intitolata contina … Intabolatura di lauto … libro decimo” (1549) onde se encontram quatro fantasias para guitarra e Alberto da Rippa (c. a vihuela era o instrumento predilecto da aristocracia e da nobreza. da ostentação. no entanto. em Espanha. O sistema espanhol utilizava números para indicar o trasto a ser pisado (0 – corda solta. O sistema francês usava letras (a . simbolizando a renúncia ao passado em que os árabes ainda habitavam e dominavam territórios espanhois (daí a decadência do alaúde – instrumento trazido pelos árabes) e a afirmação do poderio. É. Em Espanha e Itália a linha mais baixa representa a ordem mais aguda (estabelecendo uma relação fisica/visual entre o instrumento na posição para ser tocado e a música). etc. entre 1535 e 1546 (período durante o qual foram publicados os mais importantes livros de música para vihuela pelos maiores compositores e virtuosos do instrumento: Luys de Narvaez. Luis de Milan. Miguel de Fuenllana. A tablatura é uma forma de escrever a música indicando fisicamente cada nota. 1546). As publicações mais marcantes são as de Granjon e Fezandat com música de Guillaume Morlaye e Simon Gorlier e Le Roy and Ballard com música de Adrian Le Roy e Grégoire Brayssing. O segundo e quinto livros de Le Roy são inteiramente dedicados a repertório para voz e guitarra. do catolicismo e da nova riqueza não só espanhola. Em Itália também já se escrevia para guitarra. Eram utilizadas quatro linhas. dedica no seu livro com música.

alaúde (menos ordens). A Guitarra – percurso de um instrumento singular . Apesar da evolução que se seguiu. XIX. com registos até ao séc. 1569) .quase de certeza uma tradução e edição do livro perdido de Adrian Le Roy ”Briefve et facile instruction pour … la guiterne” (Paris. encontramos música escrita não só por Alonso Mudarra. a guitarra de quatro ordens ou renascentista. principalmente na música popular. e da qual falaremos de seguida. mas também por Miguel de Fuenllana no seu livro para vihuela “Orphenica lyra” (Seville 1554). manteve-se em uso. Também em Inglaterra (An Instruction to the Gitterne de James Rowbotham (Londres. 1551)) e Itália se encontra música para guitarra renascentista e diversos manuscritos foram preservados até hoje em bibliotecas.

mais uma vez. É da autoria de Fuenllana também o primeiro registo de música para um instrumento de cinco ordens (‘vihuela de cinco ordenes’). fantasias e intabulações de música vocal que necessitavam um instrumento com a afinação da guitarra (começando a partir da quinta ordem. Registos iconográficos mostram a existência de instrumentos parecidos com a guitarra de cinco ordens desde o final do séc.e a primeira ordem passa a ser simples. de Madrid. por exemplo.Guitarra Barroca/Guitarra Espanhola A grande inovação da guitarra de quatro ordens/ renascentista para a guitarra barroca é a adição de mais uma ordem. especialmente em Itália. de acordo com o reportório a interpretar. a afinação não é definitiva e é deixada à escolha do intérprete. uma vez que preocupações com inversões de acordes e outros aspectos composicionais não existiam. incluindo a guitarra de quatro ordens. Joachim Tielke e o famosíssimo Antonio Stradivari. XV. René e Alexander Voboam. quarta-quarta-terceira maior-quarta). mantendo praticamente todas as características da guitarra de quatro ordens. Giovanni Tessler. A guitarra barroca era ligeiramente maior que a guitarra renascentista e tinha o fundo ou plano ou redondo. ou seja a ordem mais grave é a terceira – sistema chamado “re-entrant” .IV). escreve sobre a ‘vihuela de Quatro Ordenes. a Vicente Espinel. a afinação passa a ser a/a–d′/d′–g/g–b/b–e′. XVI. de diversos contrutores tais como Matteo e Giorgio Sellas. No entanto. certas fontes espanholas sugerem a utilização de bordões na quinta e quarta ordens. explicando que tal se obtia adicionando uma nova corda uma quarta acima da primeira ordem. Fuenllana (f. A inovação é atribuida. até aos nossos dias vários exemplares deste instrumento. XVII. O termo italiano‘viola’ era aplicado a este instrumento assim como a instrumentos com seis e sete ordens. A afinação da guitarra barroca difere em várias coisas da afinação da guitarra de quatro ordens: deixam de existir bordões a partir do séc. A altura em que a quinta ordem surge na guitarra e os termos referentes a este “novo” instrumento não são. A utilização dos bordões na música popular era indiferente. Já no repertório erudito tal preocupação era constante e permitia sonoridades únicas que ajudaram a diferenciar. Mais uma vez. tal como no alaúde. a utilização ou não de bordões na quarta e quinta ordens: a'/a–d′/d–g/g–b/b–e′. cada vez mais. no final do séc. sendo as campanelas uma das marcas distintivas – efeito sonoro possibilitado pela afinação “re-entrant” que consistia na maior duração das notas. Chegaram. ligando-as umas às outras e dando um efeito de sinos. a guitarra do alaúde e da vihuela. Os termos ‘viola’ e ‘viola da mano’ (e o equivalente espanhol ‘vihuela’) eram usados para designar instrumentos deste tipo.5 cm pode ser um exemplo da ‘guitarra de cinco ordenes’referida por Bermudo. A Guitarra – percurso de um instrumento singular . claros. A guitarra de cinco ordens construida por Belchior Dias em 1581 (exposta no Royal College of Music. Juan Bermudo faz referência a uma ‘guitarra de cinco ordenes’. Que Dizen Guitarra’. por alguns. composta só por uma corda – chaterelle. Londres) com apenas 76. principalmente os mais ornamentados. felizmente.

1606) de Girolamo Montesardo. a linha seria feita por. Domenico Mazzochi (RISM 1621¹6) e Cavalli (RISM 16347). Este tipo de notação implicava que o executante fosse capaz de pensar em termo de blocos verticais de harmonia.Técnica A técnica de mão direita mantém-se baseada no rasgueado e no tirando/punteado. G. represantando acordes específicos. Colonna (1620. 1637. senza numeri e note” (Florença.). 1623).P.G. Milanuzzi. Carlo Milanuzzi (1622. Monteverdi (Milanuzzi.B. Abatessa (1627. 1624. A Guitarra – percurso de um instrumento singular . Frescobaldi (VogelB 1621²).A. Millioni e Lodovico Monte (1627. RISM 16347). 1627). Antonio Carbonchi (1643). Os guitarristas deste período eram também executantes de baixo contínuo. 1652). Andrea Falconieri. G. Allessandro Grandi. 1635. Millioni (1624. G. Tomaso Marchetti (1635). É também uma excelente mostra da importância social que a guitarra barroca detinha. O primeiro registo impresso do sistema do alfabeto é “Nuova inventione d’intavolatura per sonare li balletti sopra la chitarra spagnuola. Corbetta (1639).B. mas a notação italiana do alfabeto foi a que se tornou mais comum. tal como acontecia anteriormente. Agostino Trombetti (1639). Vitali. Foscarini (1629). Algumas fontes espanholas substituem o alfabeto por números. 1623. Notação No final do séc. 1644. 1650. por exemplo. um violoncelo. etc. G. e o guitarrista executaria o resto do contínuo. 1627) e Sigismondo d’India (1621. 1623. A única fonte que encontro para comentar a forma como se segurava a guitarra é o quadro do pintor holandês Jan Vermeer (1632-1675) “Rapariga com Guitarra” em que mostra uma rapariga segurando uma guitarra ornamentada pousada na perna direita. XVII surgiram muitos livros dedicados a este sistema. Por baixo de palavras ou de sitios onde haviam mudanças na harmonia apareciam letras minúsculas do alfabeto. escritos por diferentes compositores: Foriano Pico (1608). Guglielmo Miniscalchi. Durante o ínicio do séc. Sanseverino (1620). 1637). Carlo Calvi (1646). ainda que a guitarra não tivesse um registo grave. Supõe-se ter aparecido pela primeira vez num manuscrito italiano de 1580. Além dos livros para guitarra solo há uma enorme quantidade de publicaçãoes de árias italianas acompanhadas pela guitarra escritas por alguns dos melhores compositores: Stefano Landi (1620. G. Kapsperger. Biagio Marini. 1625). Giovanni Bottazzari (1663). Giovanni Pietro Ricci (1677) e Antonio di Michele (1680). XVI surgiu uma forma notacional especifica para a guitarra de cinco ordens – um sistema de símbolos para representar acordes de cinco notas.

1682) e Roncalli (1692). gigue. Valdambrini (1646. especialmente nas suas tardias passacalles de 1697. 1650. é a figura mais importante com o seu “Instrucción de Música sobre la Guitarra Española”(8 edições entre 16741697). 1647). Publicou dois importantes livros: “Livre de guittarre dédié au roy” (1682) e “Livres de pièces pour la guittarre” (1686). Francesco Corbetta (1639. levou para os circulos aristocraticos franceses a guitarra barroca popularizando-a. tendo-se perdido outras duas. Compôs cinco colecções de livros. Matteis (1680. 1680. considerado o maior virtuoso do seu tempo e estabelecido como um grande professor. utilizando um estilo equilibrado entre os acordes arpejados e rasgueados e o punteado (tirando/pizzicato). o ainda jovem. Emilio de Cavalieri (ca. 1550– 1602). 1651. Gaspar Sanz (1640-1710). Francesco Corbetta (Pavia. Em 1709 é lhe atribuido o cargo de cantor da câmara real em reconhecimento do seu serviço à corte. Encontram-se inúmeras danças barrocas espanholas (folía. 1684). podendo A Guitarra – percurso de um instrumento singular . 1615. Juntamente com Corbetta. Giovanni Battista Granata (1646.Repertório e Intépretes O idiomatismo do rasguear acordes da guitarra. Cidade do México. Corbetta. Francesco Asioli (1674. Também há registos de acompanhamento feito pela guitarra para as melodias de compositores como Giulio Caccini (ca. Codice Saldívar. mudando-se para a corte francesa para ensinar. canario e españoleta) e italianas nas suas publicações. 1545–1618). guitarrista. Novamente. Outro compositor espanhol de grande importância foi Santiago de Murcia e as suas obras Resumen (1714). como hoje em dia se utiliza. sarabande. O grande nome deste leque é. Domenico Pellegrini (1650). 1674. a partir de cerca de 1650. sendo o melhor exemplo da nova música requintada que junte o idiomatismo da guitarra à técnica utilizada no alaúde (o pizzicato ou. courante. 1655). 1676). 1643. Paris. 1659. 1648) Angelo Michele Bartolotti (1640. a guitarra mostrou-se como um instrumento extremamente versátil. Em Espanha. não foi a única vertente composicional da guitarra barroca. Mais uma vez. não foi em Espanha que a guitarra viu a maior produção artistica. Robert de Visée (1650 – 1725) foi tutor do rei a partir de 1719 (oficialmente. representa o auge da música barroca francesa para guitarra. que levou à grande produção referida em cima. Passacalles y obras(1732) e colecções de danças (Arquivo de Elisa Osorio Bolio de Saldívar. pois já lhe dava aulas desde 1695). herdeiro do trono britânico. 4). passacaille e outras. Actuava regularmente na corte de Versalhes e era um músico extremamente respeitado. O seu principal discípulo e figura central na história da guitarra foi Robert de Visée. compositor e padre. Desta feita foi em Itália com nomes como Foscarini. Os seus dois livros “La guitarre royalle” de 1674 foram dedicados ao rei Luis XIV e também a Carlos II. 1681). Jacopo Peri (1561–1633) e Claudio Monteverdi (1567–1643). rei Luis XIV. tirando). ambos contendo suites compostas por um preludio e seguidas de danças – allemande. sem dúvida. refugiado na corte francesa que se rendeu aos encantos deste instrumento.

novas mudanças fisicas no instrumento iniciavam-se e tudo isto. como ao serviço da melhor música erudita. mais uma vez. mas sim na França e na Itália também. A Guitarra – percurso de um instrumento singular .estar ao serviço da música popular. Novas mudanças se adivinhavam. no entanto. não via apenas em Espanha o grande impulso. Além do progressivo abandono da tablatura e da adopção do sistema de claves normal.

começou-se a usar a técnica do apoyando – o dedo. a rosácea trabalhada deu lugar a um buraco na caixa de ressonância. XVIII que as alterações se processaram. Foram várias as alterações que a guitarra sofreu ao longo do séc. A partir de 1760. depois de tocar uma corda. Fernando Sor (1778–1839) apoiava a guitarra na perna direita e levantava-a numa mesa. A Guitarra – percurso de um instrumento singular . XIX. A forma de segurar o instrumento varia de intérprete para intérprete: Aguado usava uma corda á volta do pescoço presa à guitarra e inventou também um sistema para segurar a guitarra chamado “tripodion”.Guitarra Clássica Não é possível apontar um responsável e uma data precisa. repousa na corda superior. em Espanha era já comum a guitarra com seis cordas (tinha sido acrescentado um baixo). Técnica Também no domínio da técnica algumas mudanças importantes estavam-se a operar: começava-se a questionar o apoio do dedo mindinho no tampo da guitarra para apoio do mão. Por volta de 1785 em Marselha e Nápoles os construtores já só construiam guitarras de seis cordas simples . O fundo plano tornou-se padronizado e as proporções do instrumento alteraram-se para permitir a colocação do décimo segundo trasto na junção do braço com a caixa. Alguns construtores importantes foram José Pagés e Josef Benedid (Cádiz). usado para tocar certas notas na sexta corda. por vezes. a ponte foi subia e o braço tornou-se mais estreito. O pulgar da mão esquerda é. me fecit. para as novas inovações da guitarra. o que a afastou ainda mais do alaúde e da vihuela: foram utilizados afinadores mecânicos. O sistema de barras no interior da caixa começou também a ser utilizado.tinham sido retiradas as cordas duplas (uma das razões era a maior facilidade na afinação): E-A-D-G-B-e O instrumento de seis cordes mais antigo conhecido está no Gemeentemuseum (Haia) com a legenda: ‘Francisco Sanguino. Tudo isto permitiu um aumento significativo da sonoridade. René François Lacôte de Paris e Louis Panormo de Londres. En Sevilla año de 1759’. os trastes passaram a ser fixos (primeiro em marfim ou ébano e mais tarde em metal. em vez da tripa). A cabeça da guitarra passou a ser a marca artistica e distintiva dos diferentes construtores.e uso de unhas na mão direita é defendido por Dionysio Aguado (1784–1849). mas foi a partir da segunda metade do séc.

escalas ou frases tocadas ao longo de todo o braço. mudou-se para Paris em 1803 e foi o primeiro a revelar ao público parisiense as capacidades expressivas. XVIII que a tablatura (e também o sistema de alfabeto) foi definitivamente abandonada e se adoptou o sistema de claves. L’utile et l’agréable op. São vários os nomes a citar: em Espanha. Enquanto professor foram várias as suas contribuições: Méthode op. Carulli. e foi em Paris que todos eles se encontraram – vivia-se uma verdadeira guitaromanie. XVIII e XIX que surgiram os primeiros grandes virtuosos da guitarra. o próprio Paganini dedicou-se à guitarra enquanto executante e enquanto compositor contribuindo com uma Grande Sonata e com vários duos para guitarra e violino. escrevendo em clave de Sol. numa época em que o piano e o violino dominavam o panorama intrumental. violino e viola. harmónicas e virtuosas da guitarra.276 (1825). No entanto. além do repertório a solo. pièce historique op. onde se encontram os famosos 24 Preludios. guitarra e trio de cordas e guitarra e quarteto de cordas . Escreveu o único tratado teórico A Guitarra – percurso de um instrumento singular . sempre compostas por guitarristas. apesar da primeira obra ser “Obra para guitarra de seis órdenes” (1780) de Antonio Ballesteros e de outros métodos terem surgido em 1799: “Arte de tocar la guitarra española” de Fernando Ferandiere e “Principios para tocar la guitarra de seis órdenes” de Federico Moretti – que influenciou Fernando Sor e Aguado na questão da escrita para guitarra (abandono da tablatura).Notação Foi na segunda metade do séc. A sua obra mais marcante da época foi o “Méthode complette op. só para referenciar algumas das obras mais importantes. também da música de câmara da guitarra através da composição de vários concertos com orquestra.27. representando mais de metade dos seus 366 opus. o Morceaux faciles op.114 (?1817). soando o som real uma oitava abaixo do que aquilo que é realmente escrito – sistema que perdurou até hoje.327 (1830). passagens rápidas em terceiras. sextas e oitavas. trios e quartetos com várias formações de cordas e de sopros. foram Fernando Sor e Dionysio Aguado quem mais se destacaram e são. Ferdinando Carulli foi responsável pela expansão.120 (1817 ou 1818) e Un peu de tout op.306 (1827) e La prise d’Alger op.27” (1810 ou 1811). abrindo caminho para toda uma nova geração.85 (1814). Repertório e Intépretes Foi no séc. concertos duplos com flauta e orquestra e vários duos. ainda hoje. mostrando tanto de virtuosismo como de evolução técnica: arpejos rápidos. referências incontestáveis. Além de Matteo Carcassi e Ferdinando Carulli. trios para guitarra. La Paix. Algumas das suas obras para guitarra solo: Sonata sentimentale (Napoleone il Grande) (1807). uso do legato na mão esquerda. glissandos e harmónicos são alguns exemplos. assim como surgiram muitas das grandes obras do repertório guitarrístico. timbricas. Ferdinando Carulli (Nápoles. muitas vezes em oitavas. o divertimento La girafe à Paris op. 14 Feb 1841). 9 Feb 1770. levou para a guitarra recursos técnicos e musicais usados nesses instrumentos. Paris. foi de Itália que surgiram os primeiros grandes virtuosos.

um pastiche de temas de Rossini. Paganini no violino e Rossini no canto. Paris. juntamente com o construtor René Lacote uma guitarra de dez cordas. ter sido ele o primeiro a adoptar a técnica de levantar o braço da guitarra através do apoio do pé num pequeno banco e repousando a guitarra na perna esquerda. Rossini e Giuliani era amigos e. Giuliani dominava completamente a linguagem guitarristica e era um seguidor do seu contemporâneo Gioachino Antonio Rossini. virtuosas e excitantes. 61 e Sonata Heroíca.30.60 e Méthode complète pour la guitare.59 (Paris. op. à qual deu o nomde de “decacordo” para a qual também escreveu um “Méthode complete”. estudos e métodos completos. três concertos (op. uma obra para guitarra. 36 e 70) com especial relevo para o primeiro. A jovem não apareceu na varanda para os conhecer … Matteo Carcassi (Florença. Enquanto compositor. segundo reza a história. XIX “L’harmonie appliquée à la guitare” (1825). uma noite juntaram-se os três para fazer uma serenata a uma jovem dama – Giuliani na guitarra. onde viveu entre 1806 e 1819 e onde deu diversos recitais. levou o virtuosismo ao extremo e obrigou o intérprete a atingir niveis nunca antes vistos. possivelmente. quer enquanto intérprete virtuoso e concertista. 1836).65). As suas Rossiniane.conhecido do inicio do séc. Giuliani foi essencial no desenvolvimento da guitarra contribuindo com várias variações. quer enquanto compositor para guitarra.19) e três peças para guitarra e quarteto de cordas (op. Salientam-se 25 études. tal como Giuliani e Carulli era um professor de renome que escrevia as suas lições. Paganini. Mauro Giuliani (1781–1829) foi. Tendo ganho fama em Viena. A Guitarra – percurso de um instrumento singular . diversos duos para guitarra e flauta ou violino. onde podemos ouvir e imaginar uma orquestra a tocar uma abertura ou uma secção de uma ópera de Rossini. provavelmente. o que mais se destacou. expressando essa influência através das suas composições extremamente orquestrais. op. voltou a Itália onde continou a sua actividade concertista. É particularmente importante o facto de. tal como ainda hoje é feito por muitos guitarristas. op. op. 16 Jan 1853). Pioneiro da guitarra de seis cordas foi também pioneiro na guitarra de dez cordas: em 1826 construiu e patenteou. violino e violoncelo(op. Exemplos perfeitos disso são as suas obras Grande Abertura. Uma curisosidade sobre Giuliani é o facto de ele ter sido também um bom violoncelista e de ter tocado na estreia da sétima sinfonia de Beethoven (8 de Dezembro de 1813).293 (1826). 1792.

natural de Barcelona. mas foi o seu método que lhe eu e continua a dar um lugar de destaque enquanto compositor. 22. Tal como Fernando Sor. 14 Feb 1778. 1826). o que o obrigou a fugir aquando da partida dos Franceses). devido às invasões napoleónicas. Les deux amis. pela fama que têm.7. Os últimos anos de vida de Aguado foram passados em Madrid onde reeditou o seu método como “Nuevo metodo para guitarra” (1843). O seu “Escuela de guitarra” (Madrid. op. Aguado escreveu vários estudos. 9. Sor. ainda hoje utilizado dada a abrangência e a inteligência com que todos os aspectos técnicos são trabalhados. as suas opiniões. Apesar da amizade e do respeito que nutriam um pelo outro. Viveu em Paris até à sua morte. o Andante Largo op. enquanto Sor usava apenas a polpa do dedo obtendo um timbre mais cheio e quente. Fernando Sor e Dionysio Aguado conheceram-se em Paris e fomentaram um grande amizade tendo tocado em duo várias vezes. danças e fantasias. diferiam: Aguado usava unhas defendendo uma maior clareza e definição do som. além de ter mostrado por toda a Europa a sua arte. que vivia no centro das actividades musicais. Fernado Sor escreveu um duo especialmente pensado neles os dois. op. Dionysio Aguado (8 April 1784 . A sua ida para Paris proporcionou-lhe o contancto com outros virtuosos como Matteo Carcassi (1792–1853) e Ferdinando Carulli (1770–1841).29 Dec 1849). nascido em Madrid publicou “Colección de estudios para guitarra” em 1820. de Mozart. só para citar algumas obras. compôs na linha de Mozart e Haydn.41. op. 5 nº 5 e a Fantasie pour la guitarre (largo) op. onde ganhou de imediato grande fama enquanto intérprete e professor. Paris. 10 Julho 1839). enquanto músico e compositor inteligente e sensível. O seu “Méthode pour la Guitare” de 1830 é. sendo um reconhecido compositor (não só para guitarra). Wencesclas Matiegka (1773-1830) e Johann Kaspar Mertz (1806-1856) A Guitarra – percurso de um instrumento singular . no que à técnica de mão direita diz respeito. Luigi Legnani.Fernando Sor (bap. Outros nomes igualmente importantes são os de Napoléon Coste (1806-1883). 1825) foi traduzido para Francês por François de Fossa como “Méthode complète pour la guitare” (Paris. rondós. às sonatas e fantasias destacam-se. esquecendo a tradição popular da guitarra. partiu de Espanha em direcção a Paris em 1813 (enquanto os Franceses dominaram Espanha. as variações sobre um tema de A flauta mágica. o rondo da Grande Sonata. Fernando Sor aceitou um cargo administrativo. prejudicado pelas invasões francesas mudou-se para Paris em 1825. O seu volume composicional para guitarra é enorme: desde os estudos. Viajou e actuou em Londres e em Moscovo. já reconhecido como grande compositor.

Marcelo Barbero. a não utilização do mindinho. e a incorporação de um método de barras internas em forma de leque à caixa de ressonância. As duas grandes alterações feitas por Torres foram o aumento do tamanho do corpo da guitarra. Técnica A partir do surgimento da guitarra moderna várias mudanças. Apesar de a guitarra clássica ter ganho uma sexta corda e ter passado a ser constituida por cordas simples. o tamanho manteve-se praticamente o mesmo da guitarra barroca. tornando a caixa mais larga e mais cintada. mais tarde. Podem-se dividir as suas guitarras em duas períodos: Sevilha de 1852–1870 e Almería de 1871-1893. com a ajuda e conselhos do guitarrista Julian Arcas. Manuel Ramirez.Guitarra Moderna Pela primeira vez na história da guitarra é possível identificar. Tornou-se carpinteiro em 1835 e em 1845 mudou-se para Sevilha onde começou a construir guitarras. Finalmente. com a forma de 8 que hoje em dia possui. foi só em 1946 que as cordas de tripa foram substituidas pelas cordas de nylon. As suas guitarras eram de tal forma inovadoras que foram o modelo para o que se seguiu em Espanha e no resto do mundo. as suas guitarras detêm um som claro e equilibrado. Ainda que com menos projecção sonora que as actuais guitarras. a utilização do anelar. a utilização das unhas da mão direita. Enrique García. A Guitarra – percurso de um instrumento singular . A sua guitarra mais antiga que sobreviveu até hoje data de 1854. No entanto. evoluindo um sistema já iniciado pelos seus antecessores de Sevilha e Cádiz. Torres definiu assim as dimensões e a construção da guitarra que se tornou modelo para a maior parte do séc. com timbre redondo e firme. XX. que já se tinham visto nos séculos passados tornaram-se prática comum: o apoio da guitarra na perna esquerda. sem dúvidas e claramente. definiu-se um tamanho padrão da guitarra. o responsável pelos desenvolvimentos do instrumento. a utilização do apoyando e tirando e. com um comprimento de 65cm de corda que vibra. Alguns dos construtores contemporâneos de Antonio Torres eram Vicente Arias.1817-1892) luthier espanhol foi o principal impulsionador dos futuros desenvolvimentos na guitarra. Antonio de Torres (Almeria. Miguel Llobet e Francisco Tárrega usaram as suas guitarras.

Tárrega apresentou também. após recitais em Paris e Londres. A técnica de mão direita empregue por Tárrega veio influenciar toda uma geração de guitarristas: o pulso colocado com um ângulo maior e a utilização da parte esquerda dos dedos para tocar as cordas. Castellón. foi convidado por Julian Arcas para estudar guitarra com ele em Barcelona. Começa. Barcelona. Tárrega já dava vários concertos e era professor de Miguel Llobet e Emilio Pujol (seus futuros seguidores. Após muitas peripécias. Enrique Granados. Tárrega dá inicio àquilo que seria. em 1869 adquiriu uma guitarra de Antonio Torres e em 1874 entrou no Conservatório de Paris onde estudou teoria. Do seu grupo de amigos faziam parte figuras do romantismo espanhol como: Isaac Albéniz. uma nova forma de segurar a guitarra: dada a maior dimensão da nova guitarra. 15 Dec 1909). 21 Nov 1852. sem unha. A importância de Tárrega estende-se também à evolução técnica. além de Daniel Fortea e Josefina Robledo). O apoyando (já utilizado por Aguado) é empregue definitavamente como técnica base. definitivamente. nos últimos anos passou a usar apenas a polpa do dedo. Nos anos 70. além do tirando. sendo seguido pelos seus pupilos. Apesar de ter usado unhas curtas na mão direita durante quase toda a sua vida. Joaquin Turina e Pablo Casals. Num período em que a guitarra era considerada apenas um instrumento de acompanhamento e o piano dominava a produção musical. usando um pequeno banco para levantar a perna – esta forma de segurar o instrumento ainda hoje persiste entre a maioria dos guitarristas. tendo composto algumas das mais famosas obras como são o Recuerdos de la Alhambra ou Capricho Árabe. Mendelssohn e Isaac Albéniz que ainda hoje fazem parte do repertório guitarrístico. era mais fácil apoiá-la e segurá-la na perna esquerda. dado o dominio do piano na cena musical e dada a escassez de repertório para guitarra. Nos anos 80. agora sim. com apenas 10 anos. Chopin. a partir daí.Reportório e Intépretes Com este novo instrumento surgiu uma nova fase da guitarra. A Guitarra – percurso de um instrumento singular . a utilização do mindinho apoiado no tampo já tinha sido completamente excluida. Com o conhecimento do piano que Tárrega tinha. uma prática comum entre os guitarristas – a transcrição de obras de outros instrumentos. era apelidado como “o Sarasate da guitarra”. Por esta altura. harmonia e piano. surge uma figura que ajudaria a mudar o rumo da história da guitarra. por essa altura a compôr as suas primeiras obras para guitarra. com principal foco em Espanha. Francisco Tárrega (Villarreal. De entre as várias transcrições (cerca de 120) de Tárrega contam-se obras de Beethoven. após este ter dado um concerto a que Arcas assistiu.

quer a nivel de construção. Em pleno séc. XX. XXI a guitarra continua a evoluir a passos largos. de certa forma. e vai continuar a ser nos próximos anos. Muito ficou por dizer e ficam aqui as minhas desculpas à memória de tantos e tantas que contribuiram para a evolução da guitarra. traçado. desde José Ramirez a Greg Smallman. Novos construtores surgiram. desde André Segovia a Dejan Ivanovich. o caminho para a guitarra no séc. um instrumento em grande evolução. XX e XXI estava. A Guitarra – percurso de um instrumento singular .Conclusão Após Tárrega e Torres. elevaram o nivel técnico e virtuosistico até limites anteriormente inimagináveis e o repertório expandiu-se substancialmente em quantidade e qualidade com muitos contributos dos grandes compositores não guitarristas do séc. novos e inúmeros intérpretes. quer a nivel de executantes e de repertório. Novas inovações foram sendo feitas naquele que é.

Editorial Estampa Vários. Choc de Classica http://www.org/features/iidguitar/classical.bsmny. Luís L.oxfordmusiconline. Guido.htm (The Metropolitan Museum of A Guitarra – percurso de um instrumento singular . 5ª edição. História da Música Clássica.Bibliografia – Art) – – – – – – – – http://www.org http://www. Instrumentos Musicais. Guitarra. Carlos. Fundação Calouste Gulbenkian Boffi..php http://www.metmuseum.wikipedia.com Site do Museu da Música de Barcelona Henrique. Edições 70 Bonell. A Guide To Period Instruments.org/toah/hd/guit/hd_guit.

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