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DEZESSEIS

Maggie
Não posso deixar Caleb ir. Não agora. Não até que eu possa convencê-lo a voltar para casa e
fazer tudo certo. Se eu deixá-lo partir, talvez nunca poderei vê-lo novamente. Ele
desapareceu sem deixar rastro há oito meses e não vou deixar isso acontecer de novo. Não
quando tudo está as claras e não há mais mentiras entre nós.

"Você não tem escolha" digo a ele, batendo o pé.

Ele balança a cabeça. "Não me irrite mais do que já estou".

Ele anda pela calçada que leva para fora do campus. Eu o sigo. Se ele começar a correr, não
vai ter jeito de que eu possa acompanhá-lo.

"Não tenho intensão de te irritar" eu digo, igualando seu passo.

"Só arruinar minha vida?"

"Eu? Eu não arruinei sua vida, Caleb. Você fez isso muito bem por si mesmo".

"Faça-me um favor. Se você esta tão empenhada em se juntar a mim, mantenha o tagarelar
no nível mínimo".

"Você está mal-humorado".

"Cacete, pode ter certeza disso", ele pára e se vira para mim. "Você sabe o que fez comigo
hoje? Você me fez entregar o segredo que prometi levar pra sepultura. Eu me sinto como
merda".

"Se isso te faz sentir melhor, me sinto como uma merda também. Não quero que você fique
chateado ou triste, Caleb".

"Se você quer que eu seja feliz, volte para o dormitório".

Acho que ele realmente espera que eu pare de segui-lo. Mas não paro. Não posso.

Pelos próximos dez minutos, eu o sigo em silêncio. Seu ritmo é lento o suficiente para que
eu possa acompanhar.

"Qual é o plano?" Eu pergunto quando chegamos ao centro da cidade. Cada loja está
fechada e as ruas estão completamente escuras, exceto pelos ocasionais postes de
iluminação. "Espero que você tenha um".

"Não tenho", ele parece derrotado.


"Estamos juntos nessa pelo menos" digo, em uma fraca tentativa de animá-lo.

"Então me deixe carregar sua mochila".

Nossos passos na calçada fazem um som rítmico que ecoa através da noite. Caminhamos
por um bairro residencial na periferia da cidade. A cada quinze minutos ou mais, quando
Caleb avista uma grande rocha ou banco, ele me manda sentar e descansar a perna.

"Deveríamos parar aqui", diz ele quando chegamos a um parque infantil. No meio do
playground há um grande castelo com barras de se pendurar, pontes bambas, e
escorregadores anexados a cada lado da estrutura. Eu aceno.

Caleb me leva para o castelo. Temos que engatinhar para passar pela pequena entrada. É
difícil, mas ele escora minhas costas e me ajuda enquanto eu manobro para entrar dentro do
espaço apertado projetado para crianças.

Caleb se senta em um canto. Ele puxa uma jaqueta de sua mochila e a coloca no chão ao
lado dele. "Senta perto de mim", ele diz. "Você pode usar minha perna como travesseiro".

Estou contente por termos parado. Não tenho idéia de que hora é, mas o sol ainda não saiu e
eu estou esgotada.

Vejo um tubo de plástico azul saindo de sua mochila. "O que é isso?" pergunto apontando
para ele.

Ele o puxa e aperta um botão. O plástico azul se ilumina. "É meu sabre de luz".

"Lembro que você costumava perseguir Leah e eu ao redor de sua casa com essa coisa".

"Aqueles foram bons dias," Caleb ondula o sabre de luz ao redor, iluminando o interior do
castelo.

Eu o alcanço e tiro o sabre de luz dele. "Você acha que eu seria uma boa guerreira?"
pergunto.

"Não. Você segue o inimigo muito de perto".

"Você não é o inimigo" digo a ele, em seguida, desço o sabre de luz para atingir sua perna.

Ele pega o sabre de luz em sua mão antes que ele chegue a seu destino. Nossos olhos se
encontram, e a luz azul brilhante ilumina nossos rostos. "Eu sou o inimigo, Maggie. Você
apenas não percebeu ainda".

"Você tá errado," quando ele apaga o sabre de luz e coloca de volta na mochila, eu me
inclino para ele e me coloco na posição mais confortável que consigo. "Não seria um
máximo se isto fosse um castelo de verdade?"
"Só se eu fosse o rei dele," ele olha pro céu. "Mas prefiro um castelo com um teto sobre
ele".

"Podemos fingir, não podemos?"

"Sim, podemos fingir".

Fingir é bom, especialmente quando isto leva para longe seus problemas e preocupações.
"Você pensa alguma vez na Sra. Reynolds?"

"Ela era hilária". Sua boca se curva para cima, lembrando. "Eu amava o olhar na sua cara
quando ela te fazia usar aquele vestido para plantar flores".

"Era um muumuu".

'Era feio como o pecado".

"Eu sei. Penso nela todos os dias. Se não fosse por ela..."

"Se não fosse por ela, você provavelmente não estaria aqui deitada em um chão de madeira
com um ex-presidiário fugindo da lei. Você estaria em uma cama quente no dormitório".

"Gosto mais de ficar aqui com você".

Ele balança a cabeça. "Você tá louca, sabe disso?"

Sim.

Ele coloca o braço ao meu redor. "Durma. Sei que está cansada".

"E você?"

"Minha mente esta muita agitada e não vou conseguir dormir essa noite, então você
deveria".

Eu me aninho em seu colo e tento esquecer como e o porquê e chegamos a esta situação. Eu
só continuo dizendo a mim mesma que tudo ficará bem. Nós vamos dar um jeito de resolver
isso. No final, vou me assegurar de que Caleb se reúna com sua família em Paradise. Não
sei exatamente como vou orquestrar isso, mas eu vou.

Eu tenho.

"Você ainda está bravo comigo?" murmuro contra sua coxa.

"Definitivamente".

"O que eu posso fazer pra te deixar menos bravo?"


"Fique o inferno longe de mim, Maggie".

"Isso é realmente e verdadeiramente o que você quer?" pergunto.

"Não me faça responder essa pergunta" diz ele, rindo cinicamente.

"Por que não?"

"Maggie, eu tenho que lhe dizer algo." Percebo que as linhas de expressão em seu rosto
estão pronunciadas.

"O quê?"

"Estar com você nunca foi um erro" ele dá uma risada breve. "Diabos, estar com você me
manteve são enquanto eu estive em casa. Você e a Sra. Reynolds fizeram estar em Paradise
suportável".

Eu o alcanço e afago sua barba por fazer com a ponta dos meus dedos. "Obrigada, Caleb. Eu
precisava ouvir isso. Sei que não sou o ideal, e nunca serei normal-".

"Maggie, nunca mais diga isso, okay?"

"Mas-"

"Não há 'mas'. Você está aqui comigo, e eu não mereço seu tempo, sem falar de seu apoio.
Eu menti pra você, desapontei você, e te deixei. O porquê de você estar aqui comigo está
além da minha compreensão".

"Você sabe porque estou aqui" digo a ele. "Eu acredito em você".

"Sim, pelo menos você acredita". Sem outra palavra,ele envolve seus braços ao meu redor e
me abraça apertado. "Sinto muito por ter mentido pra você", ele sussurra.

"Sei que você sente".

Sentindo-me segura com os braços de Caleb ao meu redor, permito-me relaxar e fico
sonolenta.

Ele tira meus cabelos dispersos do rosto. A última coisa que lembro, é Caleb levemente
traçando padrões aleatórios no meu braço, perna, e costas. É tão bom que me deixo ir a
deriva no sono.

Ele não mudou. Ele é o mesmo garoto por quem me apaixonei em Paradise.

Eu te amo.

As palavras pairam na ponta da minha língua, e eu sinto meus lábios formando as silabas,
mas nenhum som sai enquanto minhas pálpebras caem e Caleb afaga suavemente meu
cabelo repetidas vezes.

De manhã, acordo para encontrá-lo me observando.

"Bom dia," digo, enquanto me estico. Minha perna está cobrando seu preço por ter dormido
sobre a madeira tosca, mas tento esconder a dor dele. "Já temos um plano?"

"Sim, tenho um plano" ele diz, "Mas você não vai gostar".

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