You are on page 1of 4

Linfocitose

1. Os linfócitos

Os linfócitos são um grupo heterogêneo de células que podem ser facilmente distinguíveis de
outros leucócitos por suas características morfológicas. Entretanto, esta morfologia é
compartilhada pelos três principais subtipos de linfócitos: os linfócitos T, B e Natural Killer. O
estudo de antígenos de superfície com o uso de anticorpos monoclonais permite a caracterização
dos diferentes subtipos.

Os linfócitos B e plasmócitos produzem imunoglobulinas com uma imensa diversidade de


especificidades. Participam na defesa imune através das imunoglobulinas com a ativação do
complemento ou promovendo a aderência de complexos imunes em receptores de leucócitos e
conseqüente eliminação do organismo estranho. Os linfócitos T reconhecem o antígeno através
dos receptores de células T (TCR) quando apresentados por uma célula apresentadora de
antígeno. As células Natural Killers têm a propriedade de mediar a citotoxicidade de células alvo
além de secretar citoquinas.

Os linfócitos são células de 10 -16 mm de diâmetro. Há um predomínio de linfócitos pequenos


que apresentam um núcleo redondo, cromatina densa e pequeno halo de citoplasma. Cerca de
10% dos linfócitos circulantes são maiores, com citoplasma mais abundante existindo uma
associação entre a morfologia de linfócitos grandes granulares com as células NK.

2. Linfócitos Atípicos

Em repostas a infecções virais e outros estímulos imunológicos, ocorre uma alteração da


morfologia dos linfócitos com um aumento de tamanho e de basofilia citoplasmática, padrão
cromatínico mais frouxo e, muitas vezes, presença de nucléolo.

3. Linfocitose

É um aumento da contagem absoluta de linfócitos acima dos niveis de referência para o


indivíduo normal da mesma idade. Para adultos, contagens acima de 3500/mm3 são indicativos de
linfocitose.

A linfocitose com atipia linfocitária ocorre característicamente na mononucleose infecciosa mas


pode ocorre na citomegalovirose e outras viroses assim como em reações de hipersensibilidade a
drogas.

As crianças apresentam reatividade maior do que os adultos sendo que não raramente,
crianças normais apresentam alguns linfócitos atípicos.
3. 1. Linfocitose Reacional

3. 1. 1. Mononucleose Infecciosa

Doença aguda caracterizada por linfocitose, atipia linfocitária marcante, com mais de 50% de
linfócitos atípicos. Os pacientes freqüentemente apresentam febre, faringite, linfadenopatia
podendo ser diagnosticados por meio de sorologia.

A causa mais freqüente da síndrome da mononucleose infecciosa é o virus Epstein-Barr.


Quadro semelhante pode ser causado pelo citomegalovirus , Toxoplasma gondii, HIV.

3.1.2. Linfocitose Infecciosa Aguda

A linfocitose freqüentemente atinge 30.000/mm3 podendo chegar a 100.000/mm3 e pode


persistir por semanas, algumas vezes, com eosinofilia. O paciente pode estar assintomático ou
apresentar febre, dor abdominal e diarréia. Alguns casos foram associados a infecções agudas por
Coxsackievirus B2 5.

3.1.3. Coqueluche ( Bordetella Pertussis)

Linfocitose de até 70.000/mm3 sendo freqüente valores de 30.000/mm3. A linfocitose é às


custas de células T CD4+ , sem presença de atipia linfocitária significativa. Hoje, mais rara devido
à vacina tríplice, DPT.

3.1.4. Linfocitose decorrente de stress


A linfocitose pode estar associada a cirurgias, trauma, choque séptico, infarto do miocárdio.

3.1.5. Linfocitose persistente

A presença de linfocitose persistente associa-se a diversas situações clínicas: doenças auto-


imune, neoplasias particularmente em timomas, doenças inflamatórias crônicas como a sarcoidose,
fumo.

3.2. Doenças linfoproliferativas

Leucemia Linfocítica Crônica (L.L.C.)

É uma doença de indivíduos idosos caracterizados por hepatoesplenomegalia e


linfoadenopatia e, hematológicamente, pela proliferação de linfócitos B na maioria dos casos. Os
linfócitos em geral são pequenos , com alta relação núcleo-citoplasmática e com condensações
cromatínicas (padrão em mosaico). O citoplasma é em geral escasso e com basofilia leve. Muitas
vezes o diagnóstico se faz através do achado de linfocitose em hemograma realizado por outros
motivos.

A grande maioria das LLC são de linhagem B e imunofenotipagem demonstra linfócitos que
além dos antígenos de linhagem B CD19, CD20, CD79, característicamente expressam CD5,
CD23, imunoglobulina de superfície de baixa densidade e não expressam FMC7.

Outras doenças linfoproliferativas crônicas B que se manifestam no sangue periférico são a


leucemia pro-linfocítica crônica, linfoma folicular, leucemia “hairy cell”, linfoma esplênico e linfoma
da zona do manto. As doenças linfoproliferativas crônicas de linhagem T com manifestação em
sangue periférico são a LLC-T, leucemia prolinfocítica, leucemia linfoma de células T do adulto,
sindrome de Sézary/micose fungóide .

Referências Bibliográficas:

1 - Bain B.J . Blood Cells – a practical guide , 1st ed. Gower Medical Publishing, 1989.

2 - Hutchinson R.E, Kurec A.S., Davey F.R.: Lymphocytic markers in lymphoid leukemoid
reactions. Clin Lab Med 8 : 237, 1988.

3 - Brown K.A.: Non malignant disorders of lymphocytes. Clin Lab Sci 10: 329, 1997.

4 - Beutler E., Lichtman, M.A., Coller, B.S., Kipps, T., Seligsohn, U. Wiliiams Hematology, 6th ed.
McGraw –Hill, 2001.

5 - Scott C.S., Richard S.J., Sivakumaran M.: Transient and persistens expansions of large granular
lymphocytes (LGL) and NK-associated (Nka) cells: the Yorkshire Laukaemia Group Study. Br J
Haematol 83: 505., 1993.

6 - Deneys V, Michaux L, Leveugle P, Mazzon AM, Gillis E, Ferrant A, Scheiff JM, De Bruyere M.:
Atypical lymphocytic leukemia and mantle cell lymphoma immunologically very close: flow
cytometric distinction by the use of CD20 and CD54 expression. Leukemia. 9: 1458, 2001.
7 - Matutes E. Pollack A Morphological and immunophenotypic features of chronic lymphocytic
leukemia.. Rev Clin Exp Hematol. 4: 22, 2000.