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2º Coríntios

2º Coríntios

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A primeira edição da Bíblia King James foi publicada em Londres, em 1611 (temos uma réplica da página de apresentação original desta edição de 1611 no início do NTKJA), é justamente essa a edição sobre a qual estamos baseando o estilo: clássico, reverente e majestoso da nossa tradução em português. William Shakespeare foi o grande mentor da língua inglesa nessa época e influenciou sobremaneira o estilo da redação, o qual prevalece até nossos dias, ainda que, claro, com as devidas adaptações da linguagem que - de longe - se parece com a usada no Reino Unido do séc. XVII... Acesse http://www.bibliakingjames.com.br/.
A primeira edição da Bíblia King James foi publicada em Londres, em 1611 (temos uma réplica da página de apresentação original desta edição de 1611 no início do NTKJA), é justamente essa a edição sobre a qual estamos baseando o estilo: clássico, reverente e majestoso da nossa tradução em português. William Shakespeare foi o grande mentor da língua inglesa nessa época e influenciou sobremaneira o estilo da redação, o qual prevalece até nossos dias, ainda que, claro, com as devidas adaptações da linguagem que - de longe - se parece com a usada no Reino Unido do séc. XVII... Acesse http://www.bibliakingjames.com.br/.

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INTRODUÇÃO

2 CORÍNTIOS
Autoria Não há qualquer dúvida sobre o fato de que o apóstolo Paulo foi o autor dessa segunda carta endereçada à Igreja em Corinto. Alguns meses depois de escrever 1 Coríntios, Paulo decidiu que era necessário realizar um encontro pessoal aos irmãos coríntios, mesmo que essa visita fosse representar um momento doloroso para todos, era imperioso que acontecesse urgente. Os problemas e desvios doutrinários apontados por Paulo, em sua primeira carta, ainda não haviam sido corrigidos (2Co 2.1; 12.14; 13.1-2). Houve, ainda, uma terceira carta, enérgica e pesarosa (2.4), mas, segundo a providência divina, perdeu-se no tempo e no espaço sem jamais ter feito parte do cânon neotestamentário. Alguns historiadores e teólogos sugerem que os capítulos 10 a 13 poderiam ser parte da carta “corretiva ou severa”, contudo não há qualquer evidência real em favor de tal divisão em 2 Coríntios. Propósitos Essa é uma epístola apostólica enérgica e corajosa. O principal objetivo de Paulo, claramente expresso pela maneira fraternal, mas firme, com que profetiza a verdade e aplica a Palavra de Deus, é evitar que falsos mestres, que haviam se infiltrado na igreja, minassem a pureza do cristianismo, contestando sua integridade pessoal e autoridade apostólica. Paulo não escreve como mero líder autoritário, temeroso pela possível perda de sua posição de comando, mas sim como verdadeiro pai espiritual dos cristãos de Corinto, aos quais amava profundamente e se preocupava em que tivessem o maior e melhor crescimento espiritual, alimentando-se da verdade bíblica e livres das ideologias pagãs, místicas e judaizantes que se propagavam por toda a Corinto da época. A situação da Igreja em Corinto era de tamanha carnalidade e desrespeito às autoridades espirituais que Paulo precisou falar sobre sua própria pessoa e testemunho imaculado em Cristo. Embora tivesse apelado para o próprio conhecimento pessoal e íntimo que os coríntios tinham dele e de seu caráter, e ainda que tivesse recordado os enormes sofrimentos incorridos com o objetivo de levar-lhes a mensagem regeneradora e salvadora do Senhor, ele agiu com sensível humildade, transparência e sinceridade, expressando muitas vezes seu embaraço com a necessidade de evidenciar tais aspectos da sua vida e ministério em Cristo. Por todo o texto desta notável e rica epístola, percebemos a mais elevada dignidade, devoção, fé serena e inabalável, bem como a mais autêntica e intensa paixão do pastor por seu Deus e povo. Paulo tem a coragem de se apresentar aos seus leitores como o mais fraco e inútil dos homens, exemplo dos pecadores, mas perfeitamente consciente que é justamente por meio dessa fragilidade humana que o amor e o poder de Cristo se revelam ao mundo como fruto da Graça, soberana, infalível e perene de Deus (12.9). Esta epístola apostólica se aplica aos nossos dias em que o estrelato “gospel” parece ofuscar o brilho sublime e poderoso da glória de Deus nos homens de fé. Por isso, seu estudo e aplicação prática são mais do que oportunos. Sua nota especial está sobre a doutrina da reconciliação em Cristo; e seu tema de glória, por meio do sofrimento consciente, sincero e dedicado, que significa uma verdadeira renovação da visão e da vitalidade do povo de Deus. Data da primeira publicação ç Historiadores, arqueólogos e biblistas concordam que a segunda epístola de Paulo aos Coríntios foi p publicada no mesmo ano de 1 Coríntios, ou seja 55 d.C. , j Com base em 1Co 16.5-8, concluímos que 1 Coríntios foi escrita na cidade de Éfeso, antes do evento do Pentecostes (na primavera). Cerca de seis meses mais tarde, já na Macedônia, mas antes do inverno, o apóstolo se vê impelido a escrever 2 Coríntios (2Co 2.13 e 7.5). Em sua saudação inicial, Paulo deixa claro que a carta tinha como principais destinatários a Igreja em Corinto e todos os demais cristãos do vasto território da Acaia (província romana que englobava toda a região grega ao sul da Macedônia).

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Esboço geral 1. Saudações especiais com ações de graças (1.1-11) 2. Paulo responde direta e claramente a seus críticos (1.12 – 7.16) A. Mudança de planos missionários por amor aos coríntios (1.12 – 2.4) B. Orientações de como lidar com o pecador arrependido (2.5-11) C. Paulo se entristece por não encontrar Tito em Trôade (2.12-16) D. O ministério apostólico confiado por Cristo a Paulo (2.17 – 3.5) E. Comparação entre a Antiga e Nova Aliança (3.6-18) F. Filosofia de ministério de Paulo (4.1-6) G. A fé que movia Paulo sempre para frente (4.7 – 5.10) H. O maravilhoso ministério da reconciliação com Deus (5.11 – 6.10) I. Paulo apela ao coração dos cristãos em Corinto (6.11 – 7.4) J. Finalmente, Paulo se encontra com Tito na Macedônia (7.5-16) 3. A oferta dos crentes para socorrer a Igreja em Jerusalém (8.1 – 9.15) 4. Paulo precisa confirmar sua absoluta autoridade apostólica (10.1 – 13.14) A. Paulo responde às acusações de fraqueza espiritual (10.1-11) B. Paulo evita comparações e busca cumprir sua missão (10.12-18) C. Paulo persiste em defender seu apostolado sincero (11.1 – 12.18) D. Paulo adverte quem ousar opor-se à sua autoridade (12.19 – 13.10) E. Exortação, saudação e bênção apostólica (13.11-14)

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Saudações de Paz e Graça Paulo, apóstolo de Jesus Cristo pela vontade de Deus, e o irmão Timóteo, à Igreja de Deus em Corinto, com todos os santos, em toda a Acaia; 2 graça e paz sejam convosco, da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo.1

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Consolados para consolar 3 Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, Pai das misericórdias e Deus de toda consolação,2 4 que nos consola em todas as nossas tribulações, para que também sejamos capazes de consolar os que passam por qualquer tribulação, por intermédio da consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus. 5 Porquanto, da mesma maneira como os sofrimentos de Cristo transbordam sobre nós, igualmente por meio de Cristo transborda a nossa consolação. 6 Ora, se somos atribulados, é para vossa consolação e salvação; se somos consolados é, pois, para vossa consolação, a qual vos proporciona perseverança, a fim de que suporteis as mesmas aflições que nós também estamos passando. 7 E a nossa esperança a vosso respeito está firme, visto que sabemos que sois participantes dos sofrimentos e, de igual forma, o sereis da consolação.

Irmãos, não desejamos que desconheç çais as tribulações q atravessamos na ç que província da Ásia, as quais foram muito acima da nossa capacidade de suportar, de tal maneira que chegamos a perder a esperança da própria vida. 9 De fato, já tínhamos sobre nós a sentença de morte, para que não confiássemos em nós mesmos, mas somente em Deus, que ressuscita os mortos. 10 Ele nos livrou e seguirá nos livrando g de tão horrível perigo de morte. É nele que depositamos toda a nossa fé que continuará nos livrando, 11 contando também com a ajuda das vossas orações por nós, para que, pelo favor que nos foi concedido pela intercessão de muitos; da mesma forma, por muitos, sejam oferecidas ações de graças a nosso respeito.
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Mudanças por amor à igreja 12 Esta é a nossa glória: o testemunho da nossa consciência de que temos nos conduzido no mundo, especialmente em nosso relacionamento para convosco, em santidade e sinceridade que vêm de Deus, não em sabedoria carnal, mas de acordo com a graça de Deus,3 13 pois absolutamente nada vos escrevemos além dos assuntos que ledes e bem entendeis; e espero que os compreendais de forma plena,

1 Paulo reivindica sua plena autoridade apostólica (Mc 6.30; 1Co 1.1; Hb 3.1) em resposta às acusações de seus adversários (11.13). A Igreja de Deus é a comunidade dos crentes em Cristo, representantes locais da imensa Igreja universal (1Co 1.2). A palavra secular e original grega Ekklesia (Assembléia) é qualificada pela frase “de Deus”, como “Israel de Deus” em Gl 6.16. Os “santos” é uma outra expressão que se refere ao povo de Deus e significa “aqueles que foram separados para adorar e servir ao Senhor” (Rm 1.7). O nome Acaia diz respeito à Grécia, em oposição à Macedônia, situada ao norte. Embora Paulo tenha escrito em resposta aos coríntios, seu conteúdo e princípios teológicos beneficiaram muitas outras igrejas (até nossos dias) por meio das cópias que circularam por toda a Grécia. 2 Deus não é uma entidade invisível e desconhecida. Ele é o Pai e Deus de Jesus Cristo, o Messias, nosso Senhor. A expressão idiomática “Pai das misericórdias” significa que o Senhor é “fonte de toda a graça e perdão”. Deus “da consolação” quer dizer “Deus Paraclesis”, ou seja, “Deus Presente, Amigo, Encorajador”. 3 Para defender sua lealdade diante dos ataques mentirosos de seus inimigos, Paulo usa a expressão grega eilikrineia (sinceridade) que se refere ao processo de sacudir cereais numa peneira a fim de separá-los das cascas e de toda a sujeira. Por isso, Paulo se sente em paz diante do exame perscrutador de Deus e de qualquer investigação apurada dos irmãos (Sl 139.23). Afinal, o apóstolo não era um estranho, pois havia previamente convivido dezoito meses com a igreja quando chegara pela primeira vez em Corinto (At 18.11) e, portanto, seu caráter e dedicação ao serviço do Senhor tornaram-se evidentes diante de todos.

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assim como também já em parte nos compreendestes, de que somos o vosso motivo de orgulho, assim como sereis o nosso no Dia do Senhor Jesus.4 15 Confiando nisso, e para que recebêsseis um segundo benefício, planejei primeiro visitá-los 16 durante a viagem para a Macedônia, e de lá voltar até vós, e por vosso intermédio ser enviado à Judéia. 17 Será que ao planejar assim, o fiz com leviandade? Ou será que, ao tomar decisões, tenho agido de forma carnal, comprometendo-me ao mesmo tempo com “sim” e “não”? 18 Entretanto, como Deus é fiel, a nossa palavra em relação a vós certamente não é “sim” e “não” ao mesmo tempo.5 19 Porquanto, Jesus Cristo, o Filho de Deus, que entre vós foi anunciado por nós, isto é, por mim, Silvano e Timóteo, seguramente não foi um “sim” e “não”, mas nele sempre existiu o “sim”; 20 Pois, tantas quantas forem as promessas de Deus, todas têm em Cristo o “sim”. Por isso, por intermédio dele, o “Amém” é proclamado por nós para a glória de Deus. 21 Ora, é Deus quem faz com que nós e vós permaneçamos firmes em Cristo. Ele nos ungiu, 22 nos selou como sua propriedade e fez habitar o seu Espírito em nossos cora14

ções como garantia de tudo o que está por vir. 23 Portanto, invoco a Deus por minha testemunha de que foi para vos poupar que não voltei a Corinto. 24 Não que tenhamos domínio sobre a vossa fé, mas sim como vossos cooperadores para que tenhais alegria, pois é pela fé que estais firmados.6

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Sendo assim, decidi que não mais iria visitá-los com tristeza.1 2 Pois, se os entristeço, quem me alegrará senão vós, a quem eu tenho entristecido? 3 Escrevi como escrevi para que, quando eu for, não seja amargurado por aqueles que deveriam alegrar-me. Quanto a todos vós, eu estava convencido de que a minha alegria é a de todos vós. 4 Porquanto, vos escrevi em meio a grande aflição e angústia de coração, e com muitas lágrimas, não para constrangêlos, mas para que soubessem como é profundo o amor fraternal que alimento por vós.2 Perdoando o pecador 5 Se um de vós tem causado tristeza, não tem entristecido somente a mim pessoalmente, mas, em parte, para não ser severo demais, a todos vós. 6 Assim, a punição que foi imposta pela maioria a essa tal pessoa é suficiente.

4 Alguns irmãos na igreja em Corinto haviam se deixado enganar pelas calúnias dos “falsos apóstolos” que estavam infiltrados entre os crentes. Paulo aponta para a volta gloriosa de Cristo como o “Dia do Senhor” (1Ts 2.19,20). 5 Os inimigos de Paulo tinham procurado persuadir os cristãos em Corinto de que, como mudara seus planos, sua palavra não era digna de crédito, pois ele seria uma pessoa instável e irresponsável. Paulo reafirma seu compromisso de amor para com Deus e seu ministério, e faz referência à mensagem do Evangelho que pregara aos coríntios: uma vez crendo no Evangelho, descobriram que era de todo verdadeira e isenta de ambigüidades, e por meio da experiência que tiveram com seu poder transformador, comprovaram ser uma grande afirmativa em Cristo, em que todas as promessas de Deus são, de fato, “sim”! 6 Paulo mudou seu plano inicial somente por causa da grande compaixão que sentia por seus “filhos na fé” em Corinto, pois não queria precisar usar a “vara da repreensão” contra os altivos e arrogantes que estavam tumultuando a igreja (1Co 4.21). Contudo, foi muito mal interpretado e difamado por alguns. Mesmo na qualidade de apóstolo, Paulo não deseja impor suas diretrizes de forma despótica; antes, deseja ser conselheiro e servo, promovendo a santificação e a alegria espiritual dos seus amados irmãos. Capítulo 2 1 Paulo faz referência a um segundo encontro com os irmãos em Corinto o qual lhe trouxe grande amargura. Não se trata da primeira visita, quando houve a fundação da igreja local na cidade, todavia não se sabe ao certo quando ocorreu esse encontro doloroso. Contudo, fica claro que a visita que está por acontecer será a terceira, e que Paulo deseja evitar outros dissabores e o constrangimento de precisar usar o rigor da sua autoridade apostólica (conforme 12.14; 13.1 e 1Co 4.21). 2 Paulo escreveu uma carta repreensiva entre 1Co e 2Co, mas que não foi preservada entre os textos canônicos da Bíblia. Juntamente com a severidade das palavras, lágrimas de amor fraterno acompanharam a admoestação do apóstolo de Cristo.

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Agora, todavia, deveis perdoar e encorajá-lo, para que não seja dominado por amargura excessiva. 8 Portanto, insisto convosco que confirmeis o vosso amor fraternal para com ele. 9 Foi também por esse motivo que vos escrevi, ou seja, saber se, por meio dessa prova, seríeis obedientes em tudo. 10 Se perdoardes alguma coisa a alguém, também eu perdôo; e aquilo que perdoei, se é que havia alguma falta a ser perdoada, perdoei na presença de Cristo, por amor de vós, 11 a fim de que Satanás não tivesse qualquer vantagem sobre nós; pois não ignoramos as suas artimanhas.3
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nos conduz vitoriosamente em Cristo, e por nosso intermédio exala em toda parte o bom perfume do seu conhecimento;5 15 porque para Deus somos o aroma de Cristo entre os que estão sendo salvos e mesmo para com os que estão perecendo. 16 Para estes últimos, somos cheiro de morte para a morte, mas para aqueles outros, a boa fragrância de vida para vida. Mas quem são os que estão capacitados para essas verdades?6 17 Ao contrário de muitos pregadores, não somos mercenários da Palavra de Deus, mas anunciamos a Cristo com sinceridade, da parte de Deus e na sua presença.7 Será que com isso estamos tentando nos recomendar novamente a nós mesmos? Será que necessitamos, como alguns, de cartas de recomendação para vós ou de vossa parte? 2 Vós mesmos sois a nossa carta, escrita em nosso coração, conhecida e lida por todos.1 3 Vós mesmos tendes demonstrado que

Ministros da Nova Aliança 12 Quando cheguei a Trôade para pregar o Evangelho de Cristo, ainda que essa porta me tivesse sido aberta pelo Senhor, 13 não tive plena paz em meu espírito, porque não encontrei ali meu amado irmão Tito. Por isso, me despedi deles e rumei para a Macedônia.4 14 Contudo, graças a Deus, que sempre

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3 Paulo refere-se a uma pessoa específica que o teria ofendido muito, mas que não se trata do homem incestuoso de 1Co 5.1, que Paulo não tolerou na igreja. Esse outro transgressor sofreu uma pena eclesiástica imposta, de forma democrática, por decisão da maioria da igreja. Contudo, como o culpado demonstrou arrependimento por seu pecado, Paulo exorta aos coríntios que encerrem o castigo e recebam o arrependido na comunhão da igreja. A disciplina na igreja, por mais necessária e importante que seja, não deve ser aplicada sem graça e esperança sincera de recuperação do penitente (Mt 18). 4 Paulo havia viajado rumo ao norte, de Éfeso a Trôade, famosa cidade no litoral do mar Egeu. Embora soubesse que seu amigo Tito (8.16-23) estava seguindo o mesmo itinerário, mas na direção inversa, ansiava poder encontrá-lo de passagem em Trôade, a fim de ter notícias dos coríntios, coisa que não ocorreu, e o fez partir rapidamente para a cidade de Filipos na Macedônia. 5 Paulo abre um parêntese na descrição do seu itinerário (que retoma em 7.5) e passa a refletir sobre a fé triunfante: um louvor a Deus por sua graça inesgotável e incessante para com todas as nossas situações de vida, mesmo as mais ameaçadoras e aparentemente destrutivas. Paulo usa a expressão grega “triunfo” que era aplicada aos glamourosos cortejos dos generais e imperadores, trazendo seus tesouros de guerra (em desfile por ruas perfumadas pela queima de grande quantidade de especiarias aromáticas), acompanhados de uma enorme fileira de cativos. No mesmo pensamento, o apóstolo faz referência aos sacrifícios aceitáveis a Deus no AT (Gn 8.21; Êx 29.18). 6 À medida que o aroma do Evangelho é espalhado no mundo, pelo testemunho cristão, todos podem experimentar o seu bom perfume. Entretanto, essa fragrância pode ser interpretada de duas maneiras: cheiro de vida eterna, pelos salvos; e cheiro de morte e destruição, por aqueles que estão perecendo. Não porque a mensagem do Evangelho possa exalar um cheiro mortífero, mas porque os incrédulos, ao rejeitarem a graça vivificante de Deus em Jesus Cristo, confirmaram sua escolha: a morte eterna. Quem são os capacitados a compreender esse mistério? (a resposta está em 3.5). 7 Paulo usa a palavra grega “mercadejar”; comum entre muitos caixeiros viajantes da época, que procuravam de todas as maneiras iludir e enganar seus clientes, com a finalidade de lhes vender suas mercadorias e obter lucros escorchantes, para fazer duas afirmações muito sérias: 1) Havia – já naquela época – falsos mestres, que aproveitando a explosão de crescimento do cristianismo tinham se infiltrado nas comunidades cristãs e, particularmente, na igreja de Corinto, com o principal objetivo de arrancar bens e dinheiro dos membros ingênuos da igreja; 2) Paulo defende sua sinceridade e lealdade para com o Senhor e com os irmãos, lembrando que havia decidido pregar o Evangelho sem nada receber em troca, sempre procurando não ser pesado financeiramente aos cristãos de qualquer igreja (11.7-12; 1Co 9.7-15). Capítulo 3 1 Corinto havia sido invadida por grande quantidade de falsos crentes e andarilhos milagreiros, que se diziam mestres da verdade apostólica. Por isso, os coríntios passaram a pedir cartas de recomendação aos missionários e mestres cristãos que chegavam

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sois uma carta de Cristo, resultante de nosso ministério, escrita não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de corações humanos!2 4 E é por intermédio de Cristo que temos tamanha confiança em Deus. 5 Não que possamos reivindicar qualquer coisa com base em nossos próprios méritos, mas a nossa capacidade vem de Deus.3 6 Ele nos capacitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do Espírito; porquanto a letra mata, mas o Espírito vivifica!4 A relevância da Nova Aliança 7 Com letras sobre pedras foi gravado o ministério que trouxe a morte; no entanto, esse ministério veio com tamanha glória que os filhos de Israel não conseguiam sequer fixar os olhos na face de

Moisés, por causa do resplendor do seu rosto, mesmo que esse brilho estivesse se desvanecendo.5 8 Não será o ministério do Espírito muito mais glorioso? 9 Ora, se o ministério que trouxe a condenação era glorioso, quanto mais ainda será o ministério que produz a justificação!6 10 Porquanto o que no passado foi glorioso, agora não tem o mesmo esplendor, quando comparado com essa glória insuperável. 11 E se o esplendor que estava dissipando se manifestou em glória, quanto maior será a glória do que permanece! 12 Sendo assim, visto que temos essa qualidade de fé, expressamos muita confiança.7 13 Não somos como Moisés, que se cobria com um véu sobre a face para que os filhos de Israel não observassem

à igreja. Paulo não precisava de qualquer recomendação, pois sua obra estava estampada na própria vida de muitos membros da igreja, transformados pelo poder do Evangelho. Entretanto, mesmo com todos os cuidados, alguns impostores conseguiam forjar falsas cartas de recomendação e se infiltrar nos ministérios da igreja. 2 Os documentos e as cartas eram comumente redigidos sobre pergaminho ou papiro. Paulo compara o desbotamento natural da tinta (letras) e sua facilidade de ser encoberta com a marca indelével e permanente do Espírito. A Palavra de Deus está escrita no coração dos crentes, não em placas de argila ou pedra como no Sinai (Jr 31.33; Ez 11.19; 36.26). Paulo explica, logo a seguir, a importância dessa diferença entre a antiga e a nova aliança (vv. 7- 18). 3 Paulo responde aqui a pergunta levantada em 2.16. Nossa força, capacidade, dons e talentos vêm do Senhor. O cristão maduro tem plena consciência dessa verdade e, por isso, desenvolve uma auto-estima equilibrada, louvando a Deus pela maneira como foi criado (Sl 139.13-17). 4 Os “ministros” são aqueles que “servem” à causa do Senhor (4.1; Rm 15.16; Cl 1.7; 4.7; 1Tm 4.6). Aqui, Paulo retoma o tema do v.3: “tábuas de corações humanos” (Hb 7.22 e 8 a 10). Paulo adverte a igreja sobre os judaizantes (judeus cristãos que queriam guardar a Torá e as leis rabínicas), os quais se diziam discípulos de Pedro (1Co 1.12; Hb 11.22), e revela que os cristãos, em cujos corações habita o Espírito, têm a Lei escrita em suas próprias almas pelo Senhor: o Deus vivo, conforme a promessa da nova aliança, entregue pelos profetas do AT (Jr 31.31-34; 32.39,40; Ez 11.19; 36.26). A expressão grega literal: “a letra mata, mas o Espírito dá vida” não quer dizer que o significado externo e literal da Bíblia seja mortífero ou inútil; e que o sentido interior, místico e subjetivo tenha maior valor. O termo original “letra” tem o sentido de “lei” ou “padrão de conduta” (Êx 24.12; 31.18; 32.15,16), diante do qual todos os seres humanos são culpados (pecadores – Rm 3.23) e, por isso, já estão condenados à separação eterna de Deus (morte). O sacrifício expiatório de Cristo pagou a pena de todos os que têm fé nesse ato salvífico do Senhor, e portanto, são agraciados com a habitação do “Espírito do Deus vivo” em seus corações, a fim de fortalecê-los e conduzi-los ao amadurecimento espiritual. É o Espírito Santo, que cumprindo a promessa da nova aliança escreve a Lei no interior da alma do crente, concede-lhe amor pelos mandamentos do Senhor, os quais ele antes odiava, e lhe abençoa com capacidade para viver uma vida cristã autêntica e testemunhar ao mundo o poder regenerador e transformador do Evangelho. Um poder que antes, por mais inteligente ou virtuoso que fosse, não dispunha. 5 A Lei, conforme a antiga aliança, entregue ao povo de Deus no Sinai, não era, de forma alguma, má ou infrutífera. Na verdade, Paulo a conceituava como santa, justa, boa e espiritual (Rm 7.12-14). O erro e a pecaminosidade está na alma e nas ações das pessoas que, como transgressores da Lei, trazem sobre si justa condenação e punição. A glória de Deus estava presente na entrega da Lei, e o seu brilho ficava refletindo no rosto de Moisés quando este descia da montanha (Êx 34.29,30). 6 O ministério do Espírito Santo produz justificação e vida, em vez de condenação e morte. A expressão original “justiça” tem um sentido objetivo de “justificação”, e pessoal de “santificação”. 7 Paulo comenta, no trecho que vai de 3.12 a 4.11, as duas principais dificuldades dos ministros (servos do Senhor): 1) a cegueira e surdez espiritual dos ouvintes e 2) a fraqueza do ministro.

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que o resplendor em seu rosto estava se dissipando. 14 E, por isso, a mente dos israelenses se fechou, pois até hoje o mesmo véu permanece quando é lida a antiga aliança. Não foi retirado, porquanto é somente em Cristo que ele pode ser removido.8 15 De fato, até nossos dias, quando Moisés é lido, um véu cobre seus corações! 16 Contudo, quando alguém se converte ao Senhor, o véu é retirado.9 17 O Senhor é o Espírito; e onde quer que o Espírito esteja, ali há liberdade.10 18 Mas todos nós, que com a face descoberta contemplamos, como por meio de um material espelhado, a glória do Senhor, conforme a sua imagem estamos sendo transformados com glória crescente, na mesma imagem que vem do Senhor, que é o Espírito.11

O apóstolo é fiel ao ministério Portanto, tendo este ministério pela misericórdia que nos foi outorgada, não desanimamos.1 2 Pelo contrário, rejeitamos os procedimentos secretos e vergonhosos; não fazemos uso de qualquer tipo de engano, nem torcemos a Palavra de Deus. Mas, por meio do claro ensino público da verdade, recomendamo-nos à consciência de todas as pessoas, perante a Deus.2 3 Contudo, se o nosso evangelho está encoberto, para os que estão perecendo é que está encoberto. 4 O deus, desta presente era perversa, cegou o entendimento dos descrentes, a fim de que não vejam a luz do Evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus.3 5 Pois não pregamos a nós mesmos, mas a Jesus Cristo, o Senhor, e a nós mesmos como vossos servos por causa de Jesus.

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8 Moisés usava um véu para cobrir o rosto, a fim de impedir que os israelenses vissem a glória de Deus se desvanecendo e isso viesse prejudicar a fé e a obediência do povo (Êx 34.33-35). Esse mesmo véu ainda reside, figuradamente, na memória dos judeus e os impede de reconhecer o caráter temporário e insuficiente da antiga aliança. Somente as pessoas que recebem a Cristo como Deus e Salvador pessoal têm a capacidade de perceber como a nova aliança transcende e substitui para sempre a antiga. E isso, por causa da glória maior. 9 Paulo se refere à Torá ao dizer “quando Moisés é lido”. O versículo 16 é uma citação do texto de Êx 34.34 da Septuaginta (a tradução grega do AT). 10 O Senhor (em hebraico Yahweh) que significa Jeová, em Êx 34.34, corresponde ao Espírito na nova aliança anunciada pelo apóstolo Paulo. A presença do Espírito de Deus na alma do crente o liberta da Lei e do legalismo e o influencia a fazer a vontade do Pai por amor (Rm 8.14). Os termos: Espírito, Espírito de Cristo, Espírito de Deus, o Espírito Santo e Cristo são expressões intercambiáveis com, basicamente, o mesmo significado. Isso porque o Espírito Santo procede do Pai e do Filho, e as duas primeiras pessoas da trindade realizam seus propósitos mediante a ação do Espírito Santo (Rm 8.9-10; At 16.6,7; Gl 2.20). 11 Moisés, ao se aproximar do Senhor e ouví-lo, tinha seu rosto iluminado por Sua glória, que resplandecia e encorajava a todos à sua volta. Contudo, com o passar dos dias, o brilho da glória do Senhor, estampado em Moisés, começava a perder seu fulgor, e ele procurava esconder seu rosto natural. Paulo afirma que os cristãos estão sendo transformados dia após dia, com glória cada vez maior. O próprio Jesus Cristo é a glória de Deus na plenitude do seu esplendor (Hb 1.3); dele é a glória perene que não se dissipa nem perde o brilho. A mesma que tinha o Pai antes de haver criado o universo (Jo 17.5). Os cristãos fiéis são feitos participantes dessa glória à medida que caminham mais e mais em comunhão com o Espírito de Cristo. A essa caminhada espiritual, que dura a vida toda, se dá o nome de “santificação”. Capítulo 4 1 Quando o Senhor, por sua graça e misericórdia, nos chama para a realização de uma obra, juntamente com a missão nos concederá toda a capacidade e as forças necessárias para que possamos perseverar e vencer em meio às adversidades e obstáculos. Como Paulo, somos chamados ao glorioso ministério da reconciliação (3.6). É o poder de Deus que transforma o mais obstinado, cruel e cego dos corações, e não qualquer de nossas habilidades pessoais (At 1.8; Rm 1.16). 2 Na época do apóstolo Paulo, já havia os “atores pseudocristãos” (expressão derivada da palavra grega “hipocrisia”), falsos mestres evangélicos que usavam todo tipo de ardil e manipulação para convencer seu público sobre suas próprias crenças, com o objetivo de conquistar um grupo de patrocinadores para seus projetos pessoais. Paulo, entretanto, pode apelar para a consciência de cada um dos coríntios e invocar sua própria integridade diante do Senhor, porquanto a sua teologia, ética e prática missionária eram demonstradas em toda parte por meio da transparência, clareza e fidelidade com que expunha a verdade, sem jamais apelar para a fraude ou qualquer tipo de engano (1.12, 18-24). 3 Apesar de todas as possíveis explicações sobre o mal e a incredulidade sobre a terra, o fato é que há um poder invisível agindo eficazmente nos bastidores da existência humana, que emana da pessoa de Satanás, o arquiinimigo de Deus. As pessoas que defendem e praticam a impiedade e perversão da Palavra de Deus (de alguma forma) seguem ao Diabo e têm de fato feito dele seu deus. O apóstolo se refere a “era presente” em contraste com a “era eterna” purificada por Jesus para sempre (Gl 1.4),

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Porquanto foi Deus quem ordenou: “Das trevas resplandeça a luz!”, pois Ele mesmo resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo.4
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O poder do servo vem de Deus 7 Temos, porém, esse tesouro em vasos de barro, para demonstrar que este poder que a tudo excede provém de Deus e não de nós mesmos.5 8 Sofremos pressões de todos os lados, contudo, não estamos arrasados; ficamos perplexos com os acontecimentos, mas não perdemos a esperança; 9 somos perseguidos, mas jamais desamparados; abatidos, mas não destruídos; 10 trazendo sempre no corpo o morrer de Jesus, para que a vida de Jesus, da mesma forma, seja revelada em nosso corpo.6 11 Pois nós, que estamos vivos, somos cotidianamente entregues à morte por amor a Jesus, para que a sua vida também se manifeste em nosso corpo mortal. 12 De maneira que em nós opera a morte, entretanto em vós, a vida! 13 Assim está escrito: “Cri, por isso declarei!” Com esse mesmo espírito de fé, nós

igualmente cremos e, por esse motivo, falamos.7 14 Temos certeza de que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus dentre os mortos, da mesma forma nos ressuscitará com Ele e nos apresentará convosco. 15 Tudo isso é para o vosso benefício, para que a graça, que está alcançando mais e mais pessoas, faça transbordar as muitas ações de graça para a glória de Deus. O motivo e efeito das aflições 16 Portanto, não desanimamos! Ainda que o nosso exterior esteja se desgastando, o nosso interior está em plena renovação dia após dia. 17 Pois as nossas aflições leves e passageiras estão produzindo para nós uma glória incomparável, de valor eterno. 18 Sendo assim, fixamos nossos olhos, não naquilo que se pode enxergar, mas nos elementos que não são vistos; pois os visíveis são temporais, ao passo que os que não se vêem são eternos.8 A morada eterna do cristão Estamos certos de que, se esta nossa temporária habitação terrena em que

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e continua a usar o exemplo do véu sobre o rosto de Moisés no sentido de cobrir a glória divina aos que não desejam ver com os olhos da fé e receber o Evangelho, a verdadeira glória eterna (3.12-18). Jesus Cristo, o Filho, e a segunda pessoa da Trindade, é o único capaz de revelar plenamente a imagem de Deus, pois Cristo é o próprio esplendor da glória de Deus (Hb 1.3). Ele é a verdadeira Imagem de Deus (em latim Imago Dei) na qual o homem foi originalmente criado e na qual a humanidade salva está experimentando o poder da transformação, até que, no final dos tempos (dessa era decadente), na segunda e gloriosa volta de Cristo, todos os crentes sinceros serão feitos à semelhança de Jesus (1Jo 3.2). 4 Essa foi a expressão que Deus usou na criação (Gn 1.2-4), da mesma maneira como abençoa o novo nascimento (a nova criação) dos crentes em Cristo, à medida que as trevas e amarras do pecado são dissipadas pela poderosa luz do Evangelho. A glória que ilumina o coração de Paulo e dos cristãos fiéis é o esplendor do rosto de Cristo, que veio até nós da parte do Pai celeste para habitar em nossa alma e não apenas num tabernáculo no deserto (Jo 1.14). 5 Era costume esconder tesouros em vasos de barro, que exteriormente não tinham qualquer adorno nem chamavam a atenção. Foram em vasos simples como esses que se encontraram os conhecidos Rolos do Mar Morto, no monte Qunram próximo ao mar Mediterrâneo, e outros muitos tesouros. Paulo usa a idéia de que a insuficiência absoluta do ser humano revela a grandeza e a total suficiência de Deus em toda essa carta à igreja em Corinto. A fraqueza física de um ministro de Deus inclui: “temor e tremor” (1Co 2.3); enfermidades (2Co 12.7); e todo o tipo de tribulações e perseguições (vv. 8,9). 6 A fragilidade da pessoa humana, tão bem representada na figura do “vaso de barro” pode ser observada na própria vida diária do apóstolo Paulo, em suas constantes adversidades e perseguições que o esbofeteavam por amor do Evangelho e por meio das quais compartilhava as aflições e a glória de Cristo (v.1.5; Rm 8.17; Fp 3.10; Cl 1.24). 7 A fé no Senhor produz o testemunho cristão (Sl 116.10). Por isso, Paulo dedicava-se à vida missionária incansavelmente a fim de levar aos desconhecidos em todo o mundo a gloriosa Palavra da salvação: o Evangelho. O mesmo Espírito que nos concede a fé é o Espírito da: adoção (Rm 8.15), da sabedoria (Ef 1.17), da graça (Hb 10.29) e da glória (1Pe 4.14). 8 Nossos sofrimentos são reais e dolorosos, por vezes, desesperadores. Contudo, o cristão jamais os atravessa sozinho (Sl 23), mas sempre na solidária e poderosa companhia do Pai, em Cristo Jesus. Somos encorajados pelo apóstolo Paulo a fixar nosso olhar de fé na glória eterna, e não somente nos momentos circunstânciais e passageiros dessa nossa curta existência terrena. Alegrias e tristezas passam muito depressa, e não devemos, portanto nos prender a qualquer delas. Concentrar toda a nossa

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8 Sendo assim, caminhamos em confiança,

vivemos for destruída, temos da parte de Deus um edifício, uma casa eterna nos céus, não construída por mãos humanas.1 2 Enquanto estivermos morando nessa tenda, gememos, almejando ser revestidos da nossa morada celestial, 3 porquanto, se de verdade estivermos vestidos, não seremos surpreendidos sem roupa.2 4 Porque, enquanto estivermos residindo nesse tabernáculo, murmuramos e somos angustiados, pois não queremos ser despidos, mas sim revestidos da nossa casa celestial, para que aquilo que é mortal seja completamente absorvido pela vida.3 5 Ora, foi Deus mesmo quem nos preparou para isso, e concedeu-nos o Espírito como plena garantia do que está por vir. 6 Portanto, andamos sempre confiantes, cientes de que enquanto presentes nesse corpo, estamos distantes do Senhor. 7 Pois vivemos por fé e não pelo que nos é possível ver.4

e preferimos estar ausentes desse corpo para estarmos completamente presentes com o Senhor. 9 Por isso, temos a ambição de lhe sermos agradáveis, quer estejamos vivendo nesse corpo, quer o deixemos.5 10 Porquanto, todos nós deveremos comparecer diante do tribunal de Cristo, a fim de que cada um receba o que merece em retribuição pelas obras praticadas por meio do corpo, quer seja o bem, quer seja o mal.6 Perfeita reconciliação com Deus 11 Portanto, compreendendo o que significa temer ao Senhor, procuramos persuadir todas as pessoas. O que somos está manifesto diante de Deus e esperamos que semelhantemente esteja bem claro em vossas consciências. 12 Não estamos tentando outra vez nos recomendar a vós, mas vos concedemos a oportunidade de vos orgulhardes por nossa causa, de maneira que tenhais

atenção nos eventos do dia-a-dia (visíveis) pode nos levar ao desânimo (v. 1,16). Apesar das realidades não palpáveis (invisíveis) não terem aparência de realidade (Hb 11.1-27), têm valor eterno e são imperecíveis. Por isso, somos estimulados a olhar para o céu, de onde vem chegando nosso Salvador em glória e onde vamos viver para sempre, não para as aparências transitórias dos cenários deste mundo que agoniza (Fp 3.20; Hb 12.2). Capítulo 5 1 Paulo chegou a uma perfeita compreensão sobre a temporalidade e fragilidade do nosso corpo e o equiparou a uma simples tenda nômade (vulnerável e passageira), como o tabernáculo dos judeus no deserto (2Pe 1.13). Nossa habitação no céu, entretanto, é sólida e permanente como uma construção de alvenaria (edifício): uma obra das mãos de Deus (Hb 9.11). Só receberemos o corpo ressurreto por ocasião do iminente glorioso retorno de Jesus Cristo (Jo 14.2; Fp 1.23; Lc 16.9; 23.43; 2Co 12.24). 2 Nossa casa eterna (refúgio seguro), provida por Deus, é retratada por Paulo como algo que o cristão veste. Um corpo sem sua roupagem é o estado daqueles cuja habitação temporária e terrena foi – de uma hora para outra – destruída pela morte. 3 Os cristãos sinceros participam da vida e da ressurreição de Cristo, portanto, não serão consumidos pela morte (como se diz desde a antigüidade), mas “absorvidos pela vida” em Cristo, conforme a alteração feita por Paulo no antigo adágio popular. A morte e a sepultura sempre foram consideradas as grandes devoradoras da vida. Cristo alterou maravilhosamente o destino dos seres humanos que nele crêem (Sl 69.15; Pv 1.12; Is 25.8; 1Co 15.54; Fp 3.21). 4 Ainda que nossa alma resida temporariamente em uma casa (corpo) terrena, isso não significa que o cristão esteja privado da presença espiritual do Senhor para ajudá-lo em sua peregrinação diária. Essa é a missão do Espírito Santo em nossas vidas (Rm 8). 5 Paulo sabia que o crente, após a morte do corpo, segue para um estado intermediário entre a morte e a ressurreição. Contudo, esse estado incorpóreo e incomunicável com os que ainda vivem na terra não é um limbo (lugar para onde vão as almas das crianças sem batismo, segundo a teologia católica do séc.XIII), pois o cristão sincero, assim que morre é acolhido na casa do Pai e começa a receber as recompensas à sua fé; e isso é incomparavelmente melhor do que a vida nesse nosso corpo (Fp 1.23). Paulo usa literalmente a expressão grega: philotimoumetha, que significa: “fazemos nossa ambição”, para dizer da sua paixão em fazer a vontade de Deus, quer estivesse com vida, quando da segunda vinda do Senhor, quer já houvesse adormecido e deixado seu corpo terreno. 6 Mediante a fé sincera na pessoa e no sacrifício remidor de Cristo, todo cristão é alcançado pela graça da justificação plena e eterna de Deus (Rm 5.1). Entretanto, será necessário que cada crente seja julgado e responda por suas ações (1Co 3.1315). Portanto, compareceremos à presença do Senhor com nossas memórias, sobretudo, o quanto realizamos por meio do corpo durante nossa existência na terra. Logo em seguida, entretanto, reconheceremos que nossos pecados e faltas foram

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resposta para os que se orgulham das aparências e não do que está no coração. 13 Pois, se enlouquecemos, é por amor a Deus; se conservamos o juízo, é porque vos amamos.7 14 Porquanto o amor de Cristo nos constrange, porque estamos plenamente convencidos de que Um morreu por todos; logo, todos morreram. 15 E Ele morreu por todos para que aqueles que vivem já não vivam mais para si mesmos, mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou. 16 Assim, de agora em diante, a ninguém mais consideramos do ponto de vista meramente humano. Ainda que outrora tivéssemos considerado a Cristo assim, agora, contudo, já não o conhecemos mais desse modo. 17 Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação; as coisas antigas já passaram, eis que tudo se fez novo!8 18 Tudo isso provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por intermédio de Cristo e nos outorgou o ministério da reconciliação. 19 Pois Deus estava em Cristo reconci-

liando consigo mesmo o mundo, não levando em conta as transgressões dos seres humanos, e nos encarregou da mensagem da reconciliação. 20 Portanto, somos embaixadores de Cristo, como se Deus vos encorajasse por nosso intermédio. Assim, vos suplicamos em nome de Cristo que vos reconcilieis com Deus. 21 Deus fez daquele que não tinha pecado algum a oferta por todos os nossos pecados, a fim de que nele nos tornássemos justiça de Deus.9

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E nós, como cooperadores de Deus, vos exortamos a não acolher a graça de Deus de forma inútil.1 2 Porquanto diz o Senhor: “Eu te ouvi no tempo oportuno e te socorri no dia da salvação” Com certeza vos afirmo que esse é o momento propício, agora é o dia da salvação!2 As marcas do ministério 3 Não damos motivo de escândalo em atitude alguma, a fim de que nosso ministério não seja achado em falta.

todos lavados e apagados para sempre pelo poder do sangue de Cristo (1Jo 1.9). As Escrituras não oferecem base teológica sustentável para a doutrina de um purgatório, onde as almas dos cristãos passariam por um período de punições e purificação até poderem adentrar aos céus. Os pagãos e incrédulos passarão por um outro tipo de julgamento (Rm 2.5-16), a fim de serem condenados à separação eterna de Deus (morte). Aqui, no entanto, Paulo trata especificamente dos cristãos. 7 Normalmente, os falsos líderes cristãos não se preocupam com o desenvolvimento de uma espiritualidade genuína, sadia e profundamente alicerçada em Cristo. Eles se concentram na popularidade e na própria riqueza. Por isso, os inimigos de Paulo, o acusavam de algum tipo de desequilíbrio mental ou emocional, pois sua história de conversão e a paixão sincera com que pregava e exercia o ministério missionário eram além do normal. Paulo, contudo, procurava manter a sensatez por amor aos coríntios (1Co 2.1-5). 8 Deus toma a iniciativa de reconciliar a humanidade consigo mesmo. Ele é o reconciliador, que une o pecador rebelde ao seu Criador (reúne – religa – religião ou religare, em latim). Cristo, o Filho de Deus, é o agente vital dessa reconciliação (18,19). A redenção é o cumprimento dos propósitos de Deus na criação, e isso ocorre em Cristo, por quem tudo o que existe foi criado (Jo 1.3; Cl 1.16; Hb 1.12) e em quem todas as coisas são perfeitamente restauradas em nova criação (Rm 8.18-23; Ef 2.10). Nós, os reconciliados, somos os ministros (servos e embaixadores) e devemos proclamar a mensagem de reconciliação ao mundo (o Evangelho). 9 Deus se fez humano em Cristo e se identificou com o pecado da raça humana, sem pecar, como única forma legal de cumprir toda a Lei e redimir todo aquele que crê nesse último, suficiente e eterno sacrifício vicário: Jesus na cruz do Calvário (Is 53.6; Jo 20.21). Essa é a lógica do Evangelho: o único homem, completamente justo, tomou sobre si nosso pecado e suportou o castigo que merecíamos. Desta maneira nos outorgou sua justiça e, por intermédio dela, a plena reconciliação com Deus (1Co 1.30). Capítulo 6 1 O cristão que anda egoisticamente e não busca viver o Evangelho de forma coerente à vontade do Espírito Santo e à Palavra de Deus, transforma a graça divina apenas numa religião vã e ritualística (5.15). 2 O tempo “aceitável” ou “sobremodo oportuno” refere-se, em seu sentido geral, a todos os atos salvíficos de Deus ao longo da história da humanidade, contudo, seu cumprimento mais específico concretiza-se nessa época da graça, entre a primeira e a segunda vinda de Jesus Cristo. Os crentes em Deus do AT foram contemplados com a mesma graça salvadora do Senhor por meio das promessas que viram e acolheram à distância, pela fé, e que se cumpriram plenamente na pessoa e obra de Cristo (Jo 8.56; Hb 11.13).

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Ao contrário, como servos de Deus, recomendamo-nos de todas as maneiras: em muita perseverança; em sofrimentos, privações e tristezas;3 5 em açoites, prisões e tumultos; em trabalhos árduos, noites sem dormir e jejuns; 6 em pureza, conhecimento, paciência e bondade; no Espírito Santo e no amor sincero; 7 na Palavra da verdade e no poder de Deus; com as armas da justiça, tanto no ataque como na defesa, 8 por honra e por desonra, por difamação e por boa reputação; tidos por desonestos, mas sendo verdadeiros; 9 como desconhecidos, porém bem conhecidos; caminhando como quem está prestes a morrer, mas eis que vivemos; torturados, mas não mortos; 10 entristecidos, mas sempre felizes; pobres, mas enriquecendo a muitas pessoas; nada tendo, mas possuindo tudo.4
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falo como a filhos, abri, pois, também os vossos corações. 14 Jamais vos coloqueis em jugo desigual com os descrentes. Pois o que há de comum entre a justiça e a injustiça? Ou que comunhão pode ter a luz com as trevas? 15 Que harmonia entre Cristo e Belial? Que parceria pode se estabelecer entre o crente e o incrédulo? 16 E que acordo pode existir entre o templo de Deus e os ídolos? Porquanto somos santuário do Deus vivo. Como declarou o próprio Senhor: “Habitarei neles e entre eles caminharei; serei o seu Deus, e eles serão meu povo!” 17 Portanto, “saí do meio deles e separaivos, diz o Senhor, e não toqueis em nada que seja impuro, e Eu vos receberei. 18 Serei para vós Pai e sereis para mim filhos e filhas”, diz o Senhor Todo-Poderoso!5 Amados, visto que temos essas promessas, purifiquemo-nos de tudo o que possa contaminar o corpo e, por conseguinte a alma, aperfeiçoando a santidade no temor de Deus.1 Consolo em meio às aflições 2 Acolhei-nos em vosso coração; a ninguém tratamos com injustiça, a nenhu-

Exortação a uma vida santa ç 11 Ó, irmãos em Corinto, temos falado francamente convosco, com nosso coração aberto! 12 Nosso amor fraternal por vós não está restrito, contudo, vós tendes limitado vosso afeto para conosco. 13 Em termos de justa retribuição, vos

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3 A palavra original grega hupomone, traduzida em algumas versões por “paciência”, tem o sentido de “seguir com a firme esperança de chegar a um final feliz”. Um dos pais da Igreja, Crisóstomo, chamou essa virtude de “a raiz de todos os bens”, ao considerar a “perseverança” como um dos fundamentos da vida cristã. Paulo zelava por sua vida com Deus e por seu testemunho como apóstolo (missionário e ministro de Cristo). Diferentemente dos falsos mestres de seu tempo (que viviam muito bem em função do dinheiro que extorquiam de religiosos incautos), Paulo pagava um preço muito alto por sua conduta sincera e verdadeira. Sua carta de apresentação era escrita com suas próprias marcas (no corpo e na alma) em favor das igrejas, especialmente dos cristãos de Corinto (4.8-12). 4 Paulo havia aprendido que as verdadeiras e eternas riquezas não se consistem em bens mundanos, mas em ser “rico para com Deus” (Lc 12.15-21). O cristão não é impedido de ser próspero materialmente, mas deve preservar seu maior e mais importante bem: a herança de Cristo (1Co 1.4,5; 3,21; Ef 2.7; 3.8; Fp 4.19; Cl 2.3). 5 Os inimigos de Paulo tentaram jogar os coríntios contra ele, alegando que o apóstolo era neurastênico e desprovido de real fraternidade pelos cristãos (5.13). Paulo, no entanto, está preocupado em evitar que a igreja de Corinto seja arrastada para o pecado por falsos mestres, que usam de lisonja e demagogia, a serviço do Diabo (Beliall é um termo derivado do hebraico para designar Satanás – Dt 13.13). Por isso, o apóstolo faz menção à proibição das “misturas de fé” (Dt 22.10). Se os coríntios se aliarem a esses “pregadores de si mesmos”, portanto, “não cristãos”, se colocarão em “jugo desigual” e quebrarão a harmonia e a comunhão que os mantém em sintonia com Cristo. Paulo adverte aos crentes que não podem voltar à idolatria, pois agora foram feitos moradia do Espírito de Deus (tabernáculos, templos) ao se entregarem ao Evangelho (1Ts 1.9). Como edifícios (pedras vivas), separados para a residência permanente do Senhor, não é concebível que estabeleçam qualquer aliança de fé e comunhão com pessoas que andam sem o Espírito de Deus habitando em suas vidas (1Co 6.19,20). Capítulo 7 1 A vontade de Deus sempre foi estabelecer uma relação sincera de amor e adoração entre sua maior criação: o ser humano, e seu Criador (6.16-18). Para que essa comunhão ocorra, é necessário que o homem se separe de toda imundícia contaminadora. Quanto mais progredimos no processo de santificação, mais próximos de Deus desejamos estar (1Ts 4.7; 1Jo 3.3).

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ma pessoa prejudicamos, de ninguém jamais nos aproveitamos. 3 Não digo isso para de alguma forma vos condenar, pois já afirmei que estais em nosso coração para juntos morrermos ou vivermos. 4 A minha confiança em vós é grande, e muito me orgulho por vossa causa; sinto-me grandemente confortado e transbordante de júbilo em toda a nossa tribulação.2 É Deus quem consola o abatido 5 Pois, nem quando chegamos à Macedônia tivemos descanso; pelo contrário, em tudo fomos atribulados; externamente, lutas; internamente, temores. 6 Deus, contudo, que consola os abatidos; consolou-nos com a chegada de Tito;3 7 e não somente com a vinda dele, mas semelhantemente com a consolação que Tito recebeu de vós. Ele nos relatou sobre a saudade, a tristeza e a preocupação que tendes por mim, de maneira que me alegrei ainda mais. 8 Porquanto, mesmo que vos tenha entristecido com a minha carta, não me arrependo. De fato, a princípio me arrependi, pois percebi que aquelas palavras vos entristeceram, ainda que por pouco tempo. 9 Agora, no entanto, me alegro, não porque fostes contristados, mas porque o efeito da tristeza vos levou ao arrependimento. Porquanto, segundo a vontade de Deus é que fostes entristecidos, a fim

de que não sofrêsseis prejuízo algum por nossa causa. 10 A tristeza, conforme o Senhor, não produz remorso, mas sim uma qualidade de arrependimento que conduz à salvação; porém, a tristeza do mundo traz a morte.4 11 Pois vede o que esse constrangimento, segundo a vontade de Deus produziu em vós: que dedicação, mas igualmente que defesa própria, que indignação, que temor, que saudade, que preocupação, que anseio por ver a justiça estabelecida! Em todos os aspectos, provastes estar inocentes nessa questão. 12 Portanto, ainda que eu vos tenha escrito, não foi por causa daquele que praticou o mal, nem por causa daquele que foi prejudicado, mas para que diante de Deus vos fosse possível perceber a si mesmos como sois dedicados fraternalmente a nós. 13 Por todas essas manifestações de afeto, fomos revigorados. Além do ânimo que recebemos, alegramo-nos muito mais ao contemplar a alegria de Tito, porquanto sua alma semelhantemente foi contemplada com o encorajamento que recebeu de todos vós. 14 Pois eu havia declarado a ele que estava orgulhoso de vós, e não fui decepcionado por vós; mas como tudo que vos afirmamos era verdade, assim também o orgulho que manifestamos a Tito se provou verdadeiro. 15 E o carinho dele para convosco é ainda

2 Paulo havia sido acusado por falsos cristãos de ser injusto, destrutivo, ranzinza e fraudulento, erros que eles próprios praticavam. A demorada digressão que começou em 2.14 termina aqui, com uma exclamação de satisfação. As notícias que Paulo havia aguardado com tanta ansiedade da igreja de Corinto se revelaram boas e tranqüilizadoras, proporcionando grande alegria à alma do apóstolo. 3 Paulo retoma a narrativa que iniciara em 2.12,13, quando compartilhava como sua esperança de se encontrar com Tito em Trôade fora frustrada e como, ansioso por obter notícias e mais depressa voltar aos coríntios, rumou para a Macedônia. Agora, contudo, explica que ao chegar na Macedônia encontrou-se com seu amado amigo Tito, o qual lhe trouxe boas notícias da igreja em Corinto, acrescentando que ele próprio havia sido muito bem recebido pela igreja, o que muito alegrou o coração de Paulo. 4 A palavra original grega metanoia significa “arrependimento”, mas no sentido de uma convicção prática em relação a mudança de atitude ou caminho. Decisão necessária para a conversão e salvação de qualquer pessoa (Lc 13.3,5). A “tristeza conforme o Senhor” refere-se ao sincero e profundo sentimento (conclusão) de se ter pecado contra a vontade explícita de Deus e, por isso, estar condenado à separação eterna de Deus (morte). Seguida de arrependimento, confissão e mudança, possibilita a salvação (Mt 11.28). Por outro lado, a “tristeza do mundo” é um tipo de depressão e frustração egoísta, motivada pelas conseqüências dolorosas das atitudes pecaminosas praticadas, e não por um arrependimento teocêntrico.

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mais intenso ao recordar da obediência de todos vós e de como o recebestes com temor e tremor. 16 Alegro-me por poder depositar plena confiança em vós. Contribuir com generosidade Agora, irmãos, desejo que tenhais pleno conhecimento da graça que Deus concedeu às igrejas da Macedônia.1 2 No meio da mais severa tribulação, a grande alegria e a extrema pobreza deles transbordaram em rica generosidade.2 3 Porquanto posso dar testemunho de que contribuíram de livre vontade na medida de seus bens, e até mesmo acima disso!3 4 Pois nos solicitaram, com muita insistência, o privilégio de participar da assistência em favor dos santos. 5 E não simplesmente fizeram o que esperávamos, mas primeiramente deram a si mesmos ao Senhor, e a nós pela vontade de Deus.4 6 De tal maneira que pedimos a Tito que, assim como já havia começado, semelhantemente completasse essa expressão de graça da vossa parte.5

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Todavia, assim como tendes transbordado em tudo, em fé, em palavra, em conhecimento, em toda a dedicação e no amor que temos despertado em vós, vede que igualmente transbordeis nesse privilégio de contribuir. 8 Não vos digo isso como quem dá ordens, mas para provar a sinceridade do vosso amor, mediante a comparação com a dedicação de outros. 9 Pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, tornou-se pobre por vossa causa, para que fosseis enriquecidos por sua pobreza.6 10 Portanto, esse é meu conselho: convém que façais vossas contribuições, já que desde o ano passado fostes os primeiros, não somente a contribuir, mas também a sugerir esse plano de cooperação. 11 Agora, pois, completai a obra, a fim de que a forte disposição de realizá-la seja igualada ao zelo em concluí-la, de acordo com os bens que possuís. 12 Porque, se existe disposição, isso é aceitável conforme o que alguém possui, e não segundo o que não tem.7 13 Entretanto, nosso desejo não é que outros sejam aliviados enquanto sejais
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1 Os capítulos 8 e 9 revelam conceitos de Deus sobre o ministério dos crentes de contribuir; com suas vidas, bens e dinheiro para o progresso do Evangelho em todo o mundo. A contribuição para o sustento e avanço da obra de Cristo ou para assistência social deve alicerçar sua motivação principal na mesma graça divina que levou Jesus a entregar-se por nossa salvação em sacrifício perpétuo (v.9). 2 Paulo salienta que os macedônios não contribuíram do que lhes sobejava, mas tirando sem medida da sua própria pobreza ofertaram com generosidade e grande alegria. A expressão grega original haplotetos, aqui traduzida por “generosidade”, tem o sentido de “singeleza de coração”. Somos motivados a contribuir com liberalidade (literalmente: sem calcular quanto estamos deixando de poupar), livres de motivos egoístas (Rm 12.8). 3 Quando a graça do Senhor inunda a vida do crente, sua contribuição não somente é teocêntrica (dirigida pelo Espírito), espontânea e generosa, como também realizada com muita alegria interior. Portanto, não é necessário que os crentes pressionem ou sejam pressionados a cooperar. O testemunho de Paulo e de outros irmãos serviram de grande testemunho e motivação. 4 Antes da motivação para a contribuição material e financeira com o ministério da Igreja, o crente é impulsionado pelo Espírito Santo a doar sua vida a Jesus, seu Salvador e Senhor. Os macedônios se ofereceram como missionários ao lado de Paulo, e para cooperar de todas as formas com a expansão do Reino de Deus por todo o mundo. O crente sincero chega à conclusão de que pessoas (almas) são muito mais importantes do que dinheiro (12.9,10). 5 A coleta das ofertas havia começado entre os coríntios sob a orientação de Tito, acerca de um ano atrás (v.10; 9.2). Entretanto, pelos problemas surgidos na igreja, tal plano de ação havia perdido o interesse geral. Paulo, então, está enviando Tito de volta à Igreja em Corinto, levando consigo essa carta de encorajamento. 6 Deus-Filho em sua encarnação e morte expiatória na cruz do Calvário, no lugar de todo crente, esvaziou-se da sua glória e riqueza absoluta para que, por meio da sua pobreza, nós pudéssemos ser enriquecidos. Esse é o grande incentivo e motivação de toda a generosidade cristã sobre a terra até o glorioso retorno do Senhor. 7 Ao contribuir, o mais importante é a sinceridade e a boa vontade, independente do valor monetário da oferta. Nosso exemplo mais notável é o da viúva pobre, observado por Jesus em Mc 12.41-44. O método de arrecadação usado em Corinto tinha sido proposto pelo próprio apóstolo em sua primeira carta (1Co 16.1,2).

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sobrecarregados, mas que haja justo equilíbrio. 14 No presente momento, a vossa fartura suprirá a grande necessidade deles, para que, de igual modo, a abundância deles venha a suprir a vossa privação, e assim haja igualdade. 15 Como está escrito: “Quem muito havia colhido não o fez em excesso, para que nada faltasse a quem pouco recolhera”.8 Zelo na coleta das ofertas 16 Agradecemos a Deus por ter colocado no coração de Tito a mesma dedicação por vós; 17 pois Tito não apenas aceitou a nossa solicitação, mas já partiu para vos visitar, com muito entusiasmo e por iniciativa própria. 18 E juntamente com ele estamos enviando o irmão, que é recomendado por todas as igrejas por seu serviço no evangelho.9 19 E não apenas por esse motivo, mas ele também foi escolhido pelas igrejas para ser nosso companheiro de viagem, enquanto ministramos essa graça para a glória do Senhor e para demonstrar nossa boa vontade. 20 O nosso cuidado é evitar que alguém nos acuse em relação ao modo de administrar essa generosa oferta, 21 pois estamos empregando todo o zelo necessário para fazer o que é correto, não somente ao olhos do Senhor, mas também perante aos olhos dos homens.10 22 Além de tudo, estamos enviando com

eles o nosso irmão que, muitas vezes e de várias maneiras, já nos provou ser zeloso, e agora ainda mais dedicado, por causa da grande confiança que ele tem em vós. 23 Quanto a Tito, ele é meu companheiro e cooperador para convosco; quanto a nossos irmãos, eles são apóstolos das igrejas e glória para Cristo.11 24 Portanto, diante das demais igrejas, manifestai a esses irmãos a prova do amor que tendes e a razão do orgulho que temos de vós. Orientações quanto à coleta Ora, quanto à assistência em favor dos santos, não há necessidade de que vos escreva, 2 porquanto estou convicto da vossa total disposição, da qual me orgulho de vós diante dos macedônios, informando que a Acaia está pronta para contribuir desde o ano passado. E a vossa dedicação tem incentivado muitos outros. 3 No entanto, estou enviando esses irmãos, com o propósito de que nosso orgulho por vós, nesse aspecto, não se torne inútil, a fim de que estejais preparados, como afirmei que de fato estariam, 4 a fim de que, se alguns macedônios forem comigo e os encontrarem despreparados, nós, para não vos mencionar, não sejamos envergonhados por tanta confiança que depositamos em vós. 5 Sendo assim, considerei necessário pedir a esses irmãos que vos visitassem e

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8 Os cristãos de Corinto eram economicamente mais prósperos que os macedônios. No entanto, Paulo lhes lembra da instabilidade da vida, onde as situações podem se alterar de uma hora para outra (Rm 15.27). Assim, no futuro, os crentes judeus (na época necessitados da oferta) poderão ajudar os coríntios de alguma forma. Paulo faz referência a Êx 16.18,19 e lembra uma passagem na vida dos israelitas, quando colheram diariamente o maná no deserto. Os idosos e fracos juntavam menos do que necessitavam, enquanto os jovens e vigorosos recolhiam mais. Entretanto, a distribuição era equânime, de modo que o excesso de uns compensava a falta de outros, e todos tinham suas necessidades supridas. Esse é o sentido do termo “igualdade” na doutrina bíblica. 9 Tanto aqui como no v.22, não se é possível precisar quem é “o irmão” citado por Paulo. Tudo indica que sejam Lucas e Tíquico (At 20.4; Ef 6.21; Cl 4.7). De qualquer maneira, homens de Deus, bem conhecidos por sua fidelidade ao ministério. 10 É muito importante que o servo do Senhor seja avaliado não somente por Deus, que a tudo contempla, mas pelo povo da igreja, sobre a maneira bíblica, correta, ética e honesta com que vive e administra a obra de Cristo. 11 Paulo usa o termo original grego apostolos, no sentido técnico e missiológico do NT, isto é, “mensageiro” (Fp 2.25). São representantes legais da igreja, oficialmente eleitos pelos cristãos por sua fidelidade indiscutível ao Senhor para servirem ao povo como delegados eclesiais. Poucos irmãos podem ser escolhidos como apóstolos, mas todo crente pode refletir a glória de Cristo em sua vida (3.18; At 20.4).

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preparassem de antemão a vossa contribuição, que já havia sido prometida, para que esteja pronta como oferta generosa e não como algo arrancado da avareza.1 Semeando e colhendo fartura 6 Lembrai-vos: “aquele que pouco semeia, igualmente, colherá pouco, mas aquele que semeia com generosidade, da mesma forma colherá com fartura”.2 7 Cada pessoa coopere conforme tiver proposto em seu coração, não com pesar ou por constrangimento, pois Deus ama o doador que contribui com alegria. 8 Certos de que Deus é poderoso para fazer que toda a graça vos seja acrescentada, a fim de que em todas as áreas da vida, em todo o tempo, tendo todas as vossas necessidades satisfeitas, transbordeis em toda boa obra. 9 Como está escrito: “Distribuiu, doou dos seus bens aos necessitados; a sua fidelidade será eternamente reconhecida”. 10 Aquele que oferta a semente ao que semeia, e pão ao que tem fome, também vos suprirá e multiplicará a semente e fará desenvolver os frutos da vossa fidelidade. 11 Sereis enriquecidos em todas as áreas de vossas vidas, a fim de que possais ser generosos em qualquer ocasião e, por nosso intermédio, a vossa boa vontade resulte em ações de graças a Deus.

12 Porquanto, ao ministrar essa assis-tência

não apenas estais suprindo as necessidades dos santos, mas semelhantemente promovendo o transbordamento de variadas expressões de louvor e gratidão a Deus.3 13 Por intermédio dessa prova de verdadeiro serviço ministerial, muitos outros louvarão a Deus pela obediência que acompanha a vossa confissão do Evangelho de Cristo e pela generosidade do vosso coração em compartilhar vossos bens com eles e com todos os outros. 14 E eles, orando em vosso favor, demonstram a profunda afeição que têm por vós, por causa da extraordinária graça de Deus que vos foi concedida. 15 Graças a Deus por nos haver oferecido seu maior e mais indescritível dom!4 A autoridade apostólica de Paulo E eu mesmo, Paulo, vos rogo pela paciência e bondade de Cristo; eu, que segundo dizem, quando vos confronto face a face sou “humilde”, entretanto, quando ausente sou “ousado” no falar; 2 suplico-vos que, quando estiver convosco, não seja obrigado a usar de rigor e audácia, tal como penso que ousarei agir, para com alguns que imaginam que nos conduzimos por padrões meramente humanos. 3 Porquanto, embora vivendo como seres

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1 A doutrina do NT sobre a contribuição econômica e financeira enfatiza os seguintes princípios: a total liberdade e espontaneidade (At 5.4; 2Co 8.11); a paz e alegria em contribuir (v.7), especialmente com os irmãos em Cristo (Gl 6.10). Entretanto, a falta de cooperação com a Igreja demonstra ausência de sensibilidade ao Espírito de Deus (1Jo 3.17; Tg 2.15,16). As ofertas ou contribuições regulares têm a finalidade de manter e expandir a obra do Senhor e possibilitar que nenhum membro da família de Cristo precise viver em miséria (8.14). Testemunhos de doação sempre provocarão expressões de louvor e gratidão a Deus (9.12). A responsabilidade espiritual de contribuir com a Igreja é própria dos membros do Corpo de Cristo (Mt 25.34-46). Contudo, os pobres não podem usar qualquer princípio bíblico para evitar a necessidade de trabalhar com afinco, nem reivindicar eventuais direitos sobre as posses dos mais prósperos. Tanto o egoísmo como a ociosidade são atitudes contrárias à vontade expressa de Deus (2Ts 3.10). 2 Adágio rabínico bem conhecido, mas não presente no livro de Provérbios do AT. A doação cristã é sempre uma cooperação com Deus e seu Reino, e deve ser espontânea, fruto do amor. As bênçãos decorrentes de se obedecer à voz do Espírito são certas e inevitáveis (Lc 6.38). 3 Paulo salienta que o efeito da doação generosa dos coríntios vai ultrapassar em muito os limites da Igreja em Jerusalém (destino específico dessa oferta), chegando à Igreja em todo mundo (e todas as épocas), promovendo em toda parte e em muitos povos profundas manifestações de louvor ao Senhor (vv.13,14). 4 O próprio Deus a quem servimos é o maior exemplo de generoso doador, pois deu a si mesmo, na pessoa do seu Filho Jesus Cristo, por nossa eterna salvação. Nesse sentido, qualquer contribuição cristã é apenas uma maneira de manifestar nossa adoração, gratidão e louvor por essa dádiva inefável (8.9; 1Jo 4.9-11).

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humanos, não lutamos segundo os padrões deste mundo.1 4 Pois as armas da nossa guerra não são terrenas, mas poderosas em Deus para destruir fortalezas! 5 Destruímos vãs filosofias e a arrogância que tentam levar as pessoas para longe do conhecimento de Deus, e dominamos todo o pensamento carnal, para torná-lo obediente a Cristo.2 6 E estaremos preparados para repreender qualquer atitude rebelde, assim que alcançardes a perfeita obediência.3 7 Por hora, observais tão somente a aparência externa dos eventos. Se alguém está convicto de que pertence a Cristo, deveria considerar este fato: assim como essa pessoa, nós também somos propriedades de Cristo.4 8 Pois ainda que eu tenha me gloriado um pouco mais da autoridade que o Senhor nos outorgou, não me envergonho desse sentimento, pois essa autoridade é para edificá-los e não para destruí-los.

Não desejo que vos pareça que minha intenção é amedrontá-los com minhas cartas. 10 Pois, como alardeiam alguns: “as cartas dele são duras e exigentes, contudo ele pessoalmente não impressiona, e sua pregação é desprezível”.5 11 Considerem tais pessoas que aquilo que somos em carta quando estamos distantes, seremos em atitudes, quando estivermos presentes. 12 Pois não ousamos igualarmo-nos ou compararmo-nos com alguns que se recomendam a si mesmos. Entretanto, estes, medindo-se e comparando-se entre si, demonstram quão faltos de sabedoria são. 13 Nós, porém, não nos orgulharemos além do limite adequado, mas limitaremos nosso gloriar ao âmbito da ação que Deus mesmo nos confiou, o qual vos alcança inclusive! 14 Com certeza, não estamos indo longe demais em nosso orgulho, como seria se não tivéssemos chegado até vós, porquan9

1 Os primeiros nove capítulos dessa carta demonstram que Paulo já havia conseguido solucionar alguns dos muitos problemas da Igreja em Corinto. Entretanto, um remanescente arrogante, rebelde e faccioso continuava perturbando a paz da igreja com ilações e calúnias contra a autoridade apostólica de Paulo. Esse grupo propagou a falsa idéia de que Paulo era neurastênico, inconstante e inseguro (1Co 1.20; 4.10; 14.3). Eles alegavam que, em suas cartas, o apóstolo se beneficiava da distância e da impessoalidade para ser enérgico e corajoso. Mas, em suas visitas pessoais, era dócil e fraco. Paulo apela à mansidão e benignidade de Cristo, características típicas do Messias (Zc 9.9), para confrontar firmemente seus opositores, antecipando-lhes que terão oportunidade de comprovar a autoridade espiritual que ele recebeu de Deus; e que no Reino de Deus, segurança e poder não têm nada a ver com retórica e violência. 2 Paulo está preparado para a guerra, suas armas não são mundanas e de uso comum por parte daqueles que pretensiosamente confiam apenas em sua capacidade intelectual e carisma pessoal. O apóstolo zela por estar em comunhão com Deus e pleno do Espírito Santo, e não teme rechaçar os ataques dos falsos pregadores que procuram desviar o povo do caminho santo do Senhor para as fronteiras da perdição (1Co 2.13,14). Armas contaminadas pelo mal são incapazes de combater o pecado e conquistar almas para Cristo (Zc 4.6). Portanto, todo o pensamento deve ser oferecido a Cristo em sacrifício, somente assim o âmago do nosso ser ficará plenamente submisso ao governo do Espírito Santo (Rm 12.1,2). 3 Paulo procura não visitar os irmãos em Corinto até que a igreja, de forma geral, esteja submissa ao Espírito e, portanto, obediente aos princípios da Palavra ministrados pelo apóstolo. Pois quem não é dirigido pelo Espírito Santo não tem qualquer respeito ou temor à Palavra. Contudo, em breve, os “desobedientes e rebeldes” sentirão o poder e o rigor da disciplina apostólica (Mt 16.19). 4 Um dos problemas na igreja dos coríntios era o partidarismo. Vários grupos dividiam doutrinariamente a igreja. Havia um grupo que se autodenominava “de Cristo” (1Co 1.12) e, justamente esses crentes se aliaram aos falsos mestres, para questionarem a experiência pessoal de Paulo com Cristo e seu chamado ao apostolado. Paulo, que tivera um encontro real e marcante com o Senhor ressurreto, tendo sido convocado ao ministério por Ele, e recebido do próprio Senhor o conteúdo do Evangelho que ensinava, afirma categoricamente pertencer a Cristo tanto quanto qualquer crente convicto (At 9.3-9; 22.6-11; 26.12-18; Gl 1.12; 2Co 12.2-7). 5 Paulo não abdicou de sua erudição e notável inteligência, apenas deu maior destaque e expressão à sua experiência com Cristo e ao poder do Espírito Santo em sua vida. Por isso, desprezou a eloqüência formal e a ostentação de conhecimento acadêmico, em prol de maior transparência e autenticidade na pregação da Mensagem (Cristo, o Messias, Filho do Deus vivo, crucificado em nosso lugar, para a salvação eterna do crente) e no discipulado dos cristãos, especialmente, na Igreja em Corinto (11.6; 1Co 2.1-5). Os falsos mestres e inimigos do Evangelho faziam uso da arte da retórica com o principal objetivo de extorquir bens e dinheiro daqueles que se deixavam envolver pela lábia, lisonja e falsa simpatia. O amor e a franqueza de Paulo eram tão verossímeis que seus próprios críticos e opositores não conseguiam “desprezar” o poder de suas palavras.

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to vos alcançamos com o Evangelho de Cristo. 15 E da mesma forma, não caminharemos além de nossos limites, orgulhandonos de trabalhos que outros realizaram; pelo contrário, nossa esperança é que, à medida que for desenvolvendo a fé que habita em vós, semelhantemente o nosso ministério se estabeleça ainda em vosso meio, 16 para que assim nos seja possível pregar o Evangelho nas regiões que estão além de vós, sem nos vangloriarmos em campo de atuação de outro. 17 Apesar de tudo, “quem se gloriar, glorie-se no Senhor”,6 18 porquanto, quem se vangloria não será aprovado, mas sim aquele a quem o Senhor recomenda. Cuidado com a lábia do Diabo Quisera eu me suportásseis ainda um pouco mais na minha loucura! Rogo-vos que sejais pacientes comigo.1 2 Pois tenho verdadeiro ciúme de vós e esse zelo vem de Deus, pois vos consagrei em casamento a um único esposo, que é Cristo, a fim de vos apresentar a Ele como virgem pura.2 3 Entretanto, receio que, assim como a

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serpente enganou Eva com sua astúcia, também a vossa mente seja de alguma forma seduzida e se afaste da sincera e pura devoção a Cristo. 4 Porquanto, se alguém vos tem pregado um Jesus que não é aquele que ensinamos, ou se recebeis um outro espírito, que não o Espírito que creio, terdes recebido, ou ainda um evangelho diferente do que tendes abraçado, a tudo isso muito facilmente, tolerais. 5 Contudo, não me julgo em nada inferior a esses “eminentes apóstolos”.3 6 Pois, ainda que não use de eloqüente oratória, no entanto, não me falta conhecimento. Em verdade, nós vos temos demonstrado isso em todo tipo de situação. 7 Será que cometi algum pecado ao humilhar-me com o propósito de vos exaltar, pois vos preguei gratuitamente o Evangelho de Deus? 8 Para vos servir, despojei outras igrejas de seus recursos, recebendo delas sustento financeiro. 9 Mas, quando estava presente convosco, e passei necessidade financeira, não me permiti ser pesado a ninguém, pois quan-do os irmãos vieram da Macedônia, supriram toda a minha necessidade. Em

6 Segundo um dos pais da Igreja, Clemente de Roma, o apóstolo Paulo, em cumprimento ao seu chamado missionário (apostólico) chegou até as regiões da Espanha, muito “além” das terras gregas. Quanto aos rebeldes e opositores de Corinto, nem seus nomes passaram para a história (At 19.21; Rm 1.11-15; 15.23-28). Paulo havia aprendido a não se orgulhar de suas capacidades, experiências e dons pessoais, mas a glorificar o Nome do Senhor em sua vida, por isso cita o profeta Jeremias (Jr 9.24). Capítulo 11 1 Com o objetivo de tornar evidente a falsidade de alguns auto-intitulados “apóstolos de Cristo”, Paulo se vê obrigado a comparar sua vida e obras em Cristo com as atitudes desses falsos mestres que estavam dividindo a Igreja em Corinto e colocando os cristãos contra o verdadeiro mensageiro do Senhor. Ao ter que apresentar suas credenciais e falar de suas virtudes para aqueles a quem tanto amava e tanto conhecia, Paulo ironiza sua situação e comunica aos seus leitores que só estando fora de si para verbalizar tantas jactâncias e obviedades; como, aliás, apreciavam fazer os falsos apóstolos. 2 Zelo é a expressão que retrata o cuidado extremo (ciúme) de Deus para com seu povo (noiva) Israel no AT (Is 54.5; 62.5; Os 2.19-20). Cristo é, muitas vezes, identificado no NT como o Noivo, sendo a Igreja, personificada como sua noiva (Mt 9.15; Jo 3.29; Rm 7.4; 1Co 6.15; Ef 5.23-32; Ap 19.7-9; 21.2). Paulo era reconhecido como pai espiritual dos coríntios (6.13), e “amigo do Noivo” (Jo 3.29). Por isso, tinha a responsabilidade de garantir a saúde e a educação (espiritual e moral) da “virgem” (a Igreja não maculada por falsas doutrinas) e conduzí-la pura ao casamento fiel e eterno com o Noivo. 3 A estratégia da falsidade é que ela, de fato, não é toda mentirosa, há sempre elementos de verdade em seu contexto, e isso a torna ainda mais sagaz e perniciosa. Os inimigos de Paulo eram judeus também e estavam apresentando um Jesus de acordo com as suas próprias doutrinas judaicas (v.22). Os coríntios estavam aceitando conceitos de um “espírito” de escravidão, medo e mundanismo (Rm 8.15; 1Co 2.12; Gl 2.4; Cl 2.20-23) em vez de apresentarem o fruto do “Espírito”: liberdade, amor, alegria, paz, coragem e poder (3.17; Rm 14.17; Gl 2.4; 5.1-22; Ef 3.20; Cl 1.11; 2Tm 1.7). Historicamente, líderes religiosos, hereges, despóticos e carismáticos têm sido mais ovacionados pelo mundo do que os santos servos do Senhor. Por isso, os crentes e as igrejas precisam ter cuidado para não se deixarem influenciar pelos “superapóstolos” ou “eminências”, conforme a ironia usada por Paulo, e, assim, em se afastar da verdade (Gl 1.6-9).

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18 Considerando que há muitos que se orgulham de acordo com padrões mundanos, ora, eu de igual modo posso me orgulhar. 19 Assim, vós que sois tão lúcidos, certamente sabeis acolher os desequilibrados! 20 Porquanto, de fato, acolheis até quem vos escraviza ou vos explora, ou aqueles que sobre vós se exaltam, e até mesmo suportais quem vos esbofeteia. 21 Para minha vergonha, devo admitir que fomos fracos. Todavia, naquilo em que todos os outros se atrevem a orgulhar-se, falando como louco, também eu me atrevo. 22 Ora, são eles hebreus? Eu também sou. São israelitas? Eu também sou. São descendentes da Abraão? Eu também sou. 23 São servos de Cristo? Eu ainda mais, me expresso como se estivesse enlouquecido, pois trabalhei muito mais, fui encarcerado mais vezes, fui açoitado mais severamente em perigo de morte várias vezes.6 24 Cinco vezes, recebi dos judeus trinta e nove açoites. 25 Três vezes fui espancado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, passei um dia e uma noite exposto à fúria do mar.7 26 Muitas vezes, passei por perigos em viagens, perigos em rios, perigos entre assaltantes, perigos entre meus próprios compatriotas, perigos entre os gentios,

tudo evitei ser um peso para vós, e assim continuarei a caminhar.4 10 Tão certo como a verdade de Cristo está em mim, absolutamente ninguém na região da Acaia poderá privar-me dessa glória. 11 Por quê? Será porque não vos tenho dedicado amor fraternal? Ora, Deus sabe que vos amo! 12 O que faço, e seguirei fazendo, tem o objetivo de não dar oportunidade aos que procuram ocasiões de serem considerados iguais a nós nas obras de que se orgulham.5 13 Porquanto, tais homens são falsos apóstolos, obreiros desonestos, fingindose apóstolos de Cristo. 14 E essa atitude não é de admirar, pois o próprio Satanás se disfarça de anjo de luz. 15 Portanto, não é surpresa alguma que seus serviçais finjam que são servos da justiça. O fim dessas pessoas será de acordo com o que as suas ações merecem. Fracos na carne, fortes em Cristo 16 Afirmo, uma vez mais, que ninguém me considere louco. Mas, se assim pensais, recebei-me como quem acolhe a um fraco de juízo, pois assim, ao menos, terei algo de que me orgulhar. 17 Ao declarar esse orgulho, não o estou fazendo segundo o Senhor, mas como quem perdeu a sensatez.

4 Paulo usa uma expressão muito rara em grego para construir uma metáfora em relação ao procedimento dos falsos apóstolos. O termo, aqui traduzido por “pesado”, tem a ver com a atitude predatória de um peixe oriental que primeiro paralisa (hipnotiza) sua presa para, em seguida, devorá-la tranqüilamente. 5 Era comum nas regiões da Grécia (a província de Acaia ficava ao sul, onde se localizava a cidade de Corinto), no século I, os mestres religiosos e filósofos itinerantes receberem por qualquer ensino que ministravam. Paulo, contudo, havia decidido em seu coração, não cobrar nada pela proclamação do Evangelho e discipulado cristão, embora aceitasse ofertas voluntárias, conforme o ensino de Cristo (Lc 10.7; Gl 6.6). Os falsos apóstolos alegavam que o ensino de Paulo era fraco e sem qualidade acadêmica, por isso era de graça. Na verdade, desejavam que Paulo passasse a cobrar por seu ministério, e assim se igualasse a eles. O apóstolo se nega a proceder assim e insiste em continuar sua jornada de pregar e testemunhar o dom gratuito de Deus. Irmãos da Macedônia e da Igreja em Filipos foram movidos pelo Espírito e supriram todas as necessidades do apóstolo do Senhor (At 18.5; Fp 4.15). 6 Paulo usa uma expressão grega, semelhante a “alucinado ou doido”, para expressar figuradamente seu estado hipotético de total descontrole emocional e psíquico, em função de ter que dar provas da verdade transparente e inegável que vive desde que conheceu a Cristo. 7 Os judeus costumavam aplicar um castigo, muitas vezes mortal, chamado “quarentena”, que consistia de uma sessão de 40 chibatadas menos uma (Mt 10.17). Oito fustigações são mencionadas aqui, cinco pelas mãos dos judeus (Dt 25.1-3) e três por autoridades romanas, que usavam varas nessas ocasiões; apesar da cidadania romana de Paulo, que deveria tê-lo protegido desse tipo de castigo (At 16.22-29).

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perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, perigos entre falsos irmãos.8 27 Trabalhei arduamente; por diversas vezes, fiquei sem dormir, passei fome e sede, e, muitas vezes atravessei longos períodos em jejum; suportei frio e nudez. 28 Além de tudo isso, pesa diariamente sobre mim a responsabilidade que tenho para com todas as igrejas. 29 Ora, quem se enfraquece, que eu semelhantemente não me sinta enfraquecido? Quem se escandaliza, que eu de igual forma não fique indignado? 30 Se, portanto, devo me orgulhar, então que seja nas atitudes que revelam minha própria fraqueza.9 31 O Deus e Pai do Senhor Jesus, que é bendito por toda a eternidade, sabe que não estou falseando a verdade. 32 Em Damasco, o governador da cidade, sob a autoridade do rei Aretas, vigiava a cidade dos damascenos com o firme propósito de prender-me.10 33 Todavia, através de uma janela, desce-

ram-me muralha abaixo dentro de um cesto. E assim, fui livrado das mãos dele. O espinho na carne e a glória Considerando, pois, ser necessário que vos exponha minhas glórias, embora não me seja vantajoso orgulhar-me, passarei às visões e revelações do Senhor. 2 Conheço um homem em Cristo que há catorze anos foi arrebatado ao terceiro céu. Se foi no corpo ou fora do corpo, não entendo exatamente, Deus o sabe. 3 Mas sei que esse homem, se isso ocorreu no corpo ou fora do corpo, não sei, mas certamente Deus o sabe,1 4 foi arrebatado ao paraíso e ouviu palavras inexprimíveis, as quais não é concedido ao homem comentar. 5 Nesse homem me orgulharei, mas não em mim mesmo, a não ser em minhas próprias fraquezas.2 6 Ainda que eu decidisse gloriar-me não seria, de fato, insensato, porquanto estaria narrando verdades. Contudo, evito falar sobre isso para que ninguém pense

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8 Em todos os lugares, todos os dias, Paulo corria risco de vida por causa do Evangelho e dos amados irmãos, como nos relata seu amigo Lucas no livro dos Atos dos Apóstolos: Icônio (14.5), Listra (14.19), Filipos (16.22), Tessalônica (17.5), Éfeso (19.26). 9 Paulo reconhece que sua própria fraqueza e as limitações humanas abrem caminho para que ele possa experimentar todo o esplendor e poder da graça superabundante do Senhor. Por isso, ele chega à conclusão de que se há qualquer motivo de orgulho e glória, é na obra que a misericórdia de Cristo realizou em sua vida, e não em sua pessoa, ou em algum trabalho que tenha realizado. O servo de Deus que exorta os crentes a não se preocuparem, várias vezes se desesperou por amor à Igreja de Cristo (At 20.19; Cl 2.1). 10 Paulo refere-se ao rei Aretas IV, sogro de Herodes Antipas, que reinou sobre os árabes da Nabatéia de 9 a.C. a 40 d.C. Nessa época, o terrível imperador romano, Calígula, havia devolvido Damasco para Aretas, pois essas terras já haviam lhe pertencido no passado. Capítulo 12 1 Paulo usa de um recurso lingüístico, em seu texto original grego, para narrar sua extraordinária experiência pessoal de arrebatamento (extática ou êxtase), preservando, quanto possível, a humildade e a confidência diante do privilégio de vivenciar tal fenômeno, no qual viu e ouviu manifestações inefáveis do Senhor. A maneira de Paulo se colocar (um homem em Cristo) indica que ele não se considerava merecedor de tamanha graça, nem ao menos compreendia se tal evento se deu como uma visão magnífica e extasiante ou se seu corpo físico foi trasladado para um plano celestial, contudo recebeu o fato de boa vontade como prova do seu chamado apostólico. Paulo não induziu ou conquistou sua experiência especial com Cristo, por isso não se sentia no direito de dar ocasião a qualquer autoglorificação (vv. 5,6). Esse evento extraordinário aconteceu há catorze anos passados, o que indica que Paulo estava em Tarso, logo antes da sua primeira viagem missionária (At 9.30; 11.25). 2 Paulo tem certeza de sua experiência arrebatadora, diferentemente dos falsos apóstolos que apenas teorizavam sobre visões e revelações divinas. Ainda que os rabinos israelenses acreditassem em sete céus, Paulo aqui se refere ao “terceiro céu” como um lugar chamado “paraíso”, o céu mais elevado, situado muito além do céu imediato formado pela atmosfera terrestre, e fora do espaço exterior com todos os seus astros e galáxias, chegando onde Deus tem seu trono (Dt 10.14). Por isso, declara-se que Jesus Cristo ressurreto e glorificado passou pelos céus e, agora, tendo sido elevado além de todos os céus, está exaltado acima do “terceiro céu”, onde as almas dos crentes que já deixaram seus corpos materiais descansam na presença do Senhor (Hb 4.14; 7.26; Fp 1.20-23). A grandeza e as maravilhas presenciadas por Paulo ampliaram extraordinariamente sua fé e poder espiritual; entretanto, para que se mantivesse consciente de sua humanidade limitada e se preservasse humilde, uma aflição permanente e dolorosa lhe foi imposta (v.7). Sua glória deveria estar sempre e somente no Deus de toda a graça (1Pe 5.10).

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a meu respeito mais do que seja capaz de observar em minha vida ou de mim pode ouvir. 7 E, para impedir que eu me tornasse arrogante por causa da grandeza dessas revelações, foi-me colocado um espinho na carne, um mensageiro de Satanás para me atormentar.3 8 Por três vezes, roguei ao Senhor que o removesse de mim. 9 Entretanto, Ele me declarou: “A minha graça te é suficiente, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza”. Sendo assim, de boa vontade me gloriarei nas minhas fraquezas, a fim de que o poder de Cristo repouse sobre mim.4 10 Por esse motivo, por amor de Cristo, posso ser feliz nas fraquezas, nas ofensas, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias. Porquanto, quando estou enfraquecido é que sou forte!5 As credenciais do apóstolo 11 Tornei-me insensato porque vós me obrigastes a isso. De fato, eu devia ser recomendado por vós, visto que em nada fui inferior aos “superapóstolos”, mesmo considerando que eu nada seja. 12 Os sinais distintivos de um apóstolo foram demonstrados entre vós com

grande perseverança, por meio de obras extraordinárias, maravilhas e milagres. 13 Assim, em que fostes inferiores às outras igrejas, a não ser no fato de que eu mesmo jamais ter me constituído num peso para vós? Perdoai-me por esta ofensa! O amor missionário em ação 14 Eis que, pela terceira vez, estou preparado para partir ao vosso encontro, e não vos serei pesado; pois não vou em busca de vossos bens, mas procuro a vós mesmos. Porquanto, não são os filhos que devem poupar seus bens para os pais, mas sim os pais para os filhos. 15 Desta forma, de boa vontade e por amor de vós, investirei tudo o que possuo e também me desgastarei pessoalmente em vosso favor. Assim, visto que os amo tanto, serei menos amado por vós? 16 Seja como for, não tenho sido um peso sobre vós; no entanto, como sou “ardiloso”, vos “conquistei com astúcia”.6 17 Ora, será possível que eu vos tenha explorado por meio de algum missionário que vos enviei? 18 Eu mesmo orientei a Tito para que vos visitasse, acompanhado de outro irmão. Porventura Tito vos explorou? Não mi-

3 Muitas são as conjeturas e especulações acerca da natureza desse “espinho na carne”, que afligia permanentemente a pessoa do apóstolo e o fazia se sentir fraco e humilhado. Paulo, no entanto, jamais foi claro sobre isso nas Escrituras, nem seus discípulos e amigos. Para Lutero, se tratava das constantes perseguições; especialmente por parte dos judeus, seus próprios irmãos, aos quais Paulo dedicava tanto amor (Rm 9.3). De fato, nos textos hebraicos do AT, o termo “espinhos” pode significar também “inimigos” (Nm 33.55; Js 23.13). Por outro lado, esse fora o “espinho na carne” do próprio Lutero em sua luta pela Reforma. Paulo teve muitos sofrimentos físicos, padeceu de malária (Gl 4.13), de uma doença que muito lhe prejudicara a visão (Gl 4.15) e de fortes enxaquecas. Isso, sem falar, de todas as lutas espirituais e psicológicas que um servo de Deus da estatura de Paulo certamente enfrentou. 4 Assim como Jesus no Getsêmani, Paulo insistiu com Deus para que o livrasse daquele tormento. Entretanto, o Senhor preferiu cobrir o sofrimento do apóstolo com Graça e Poder. É assim, que muitas vezes, Deus nos abençoa nessa terra: não destruindo ou retirando o mal que nos aflige e enfraquece, mas transformando nosso sofrimento em motivo de fé, crescimento espiritual e testemunho da sua graça e amor eterno. Paulo havia aprendido a desfrutar da Graça do Senhor mesmo em meio aos sofrimentos, fraquezas e lutas dessa vida. Por isso, usou expressões que tinham a ver com a glória de Deus (em hebraico Shekinah) pousando sobre o templo (Jo 1.14; Ap 7.15). O termo “repouse” (em grego episkenőse) tem o sentido de “fazer seu tabernáculo”. 5 Paulo aprendeu a fazer as pazes com o sofrimento. Aceitou sua condição e se apropriou da glória e do poder espiritual que Deus lhe oferecia. Substituiu sua fraqueza humana pelo poder de Cristo, a arrogância natural pela humildade que deriva de uma fé inabalável no amor e na graça de Deus. Paulo chegou ao estágio de sentir-se feliz nas experiências angustiantes - sem ser masoquista - por meio da certeza (fé) de que todas as coisas contribuíam – de alguma forma – para seu bem e o tornavam ainda mais forte no Senhor (Rm 8.28; Jo 15.5; Fp 4.13). 6 Os “superapóstolos”, assim chamados irônica e literalmente por Paulo, caluniavam o apóstolo do Senhor, alegando que ele usava as arrecadações em favor dos cristãos pobres de Jerusalém em seu benefício pessoal e, por isso, não precisava ser “pesado” às igrejas onde ministrava. Na verdade, entretanto, esses falsos cristãos é que fraudavam tanto a teologia bíblica quanto a prática moral (11.13-15).

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nistramos nós pelo mesmo Espírito? Não seguimos juntos o mesmo caminho? Deus é nosso Juiz e Salvador 19 Pensais que durante todo esse tempo estamos tentando nos defender diante de vós? Ora, é diante de Deus que apresentamos nossa defesa em Cristo, e todas as nossas atitudes, amados irmãos, têm o propósito de vos fortalecer.7 20 Porquanto, temo que, ao visitá-los, não os veja como eu gostaria, e que vós também não me encontrem como esperavam. Receio que haja entre vós brigas, invejas, ódio, ambições egoístas, calúnias, mexericos, arrogância e muita confusão. 21 Temo ainda de que, quando estiver convosco outra vez, o meu Deus me humilhe diante de vós, e que eu lamente por muitos dos que pecaram anteriormente e que ainda não chegaram à conclusão que precisam se arrepender da impureza, das relações sexuais ilícitas e da devassidão moral que viviam praticando. Exercer a autocrítica cristã Esta será a terceira vez que vou visitar-vos. Sendo assim, “toda questão precisa ser confirmada pelo depoimento de duas ou três testemunhas”.

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Já vos adverti quando estive entre vós, pela segunda vez. Agora, estando ausente, volto a dizer aos que anteriormente pecaram e a todos os demais que, quando retornar, com certeza não os pouparei, 3 visto que estais exigindo que apresente uma prova de que Cristo fala por meu intermédio. Ele não é fraco ao lidar convosco, mas sim, poderoso entre vós. 4 Porque, apesar de haver sido crucificado em fraqueza, Ele vive, e isso pelo poder de Deus. Semelhantemente, somos fracos nele, mas, pelo poder de Deus viveremos com Ele para vos servir.1 5 Examinai, portanto, a vós mesmos, a fim de verificar se estais realmente na fé. Provai a vós mesmos. Ou não percebeis que Jesus Cristo está em vós? A não ser que já estejais reprovados.2 6 Mas tenho a esperança de que compreendais que nós não fomos reprovados. 7 Agora, oramos a Deus para que não pratiqueis mal algum; não para que os outros observem que temos sido aprovados, mas para que façais o que é correto, embora pareça que tenhamos falhado. 8 Porquanto, nada podemos fazer contra a verdade, mas somente a favor dela.3 9 Pois nos alegramos quando somos enfra2

7 Paulo se submeteu à loucura de ter que apresentar suas credenciais apostólicas e defender sua própria pessoa e ministério, não para manter seu prestígio elevado e reputação ilibada perante os cristãos de Corinto, mas especialmente por causa do nome do Senhor. É diante de Deus que ele se levanta, pois sua posição está na pessoa e na obra de Cristo. Longe de ser egocêntrico, sua preocupação está em cooperar com o crescimento espiritual dos irmãos em Cristo. Essa é a principal finalidade de sua vida e ministério (10.8). Capítulo 13 1 Paulo adverte que não hesitará em tomar duras medidas disciplinares contra aqueles que, se declarando cristãos, insistem em se manter rebeldes à Palavra de Deus, e cita Dt 19.15 para ordenar-lhes que restabeleçam a ordem na igreja (v.1). Essa rebeldia contra as palavras de Paulo é uma afronta à pessoa de Cristo que o nomeou Seu apóstolo. A autoridade do apóstolo é a mesma autoridade do seu Mestre, e quem quiser se opor a Paulo, contando com sua suposta fraqueza e insegurança, descobrirá que Cristo é Deus falando por meio do Seu apóstolo, e que Ele não é fraco, mas poderoso e justo (Fp 2.8; 4.13; Rm 1.4; 6.4; 1Pe 3.18). 2 Em vez de se entregarem às exigências e reivindicações imaturas e perversas (influenciados pelos falsos apóstolos), os cristãos são encorajados a examinar suas próprias consciências e avaliarem suas atitudes para com Deus, em relação aos seus semelhantes, e àqueles que lealmente doam suas vidas em favor do ministério. O termo “examinai” (em grego original peirazõ) significa “testar”, “avaliar” o quanto estamos sendo “dignos” de nossa “convocação para sermos cristãos” (2Ts 1.11,12). O cristão que realmente procura viver o Evangelho e, portanto, está firme na fé, tem prazer em favorecer a ação do Espírito Santo na produção do Seu fruto (Gl 5.22; Mt 7.16). Paulo usa ainda a expressão “provai” (no original grego dokimazõ) que era usada quando alguém precisava “confirmar” ou “testar” o valor e a autenticidade de uma moeda. Alguns falsários fabricavam moedas de chumbo com a estampa das moedas de prata. No entanto, quando eram jogadas sobre o mármore, o som que produziam na colisão contra a pedra, logo denunciava a moeda falsa. Assim, o crente demonstra sua verdadeira fé, especialmente, quando sob provações. 3 Paulo não pede muito. Seguindo o pensamento grego, apela para a simples e definitiva expressão da verdade. Sendo assim, é impossível exercer a plena autoridade apostólica de uma maneira que não tenha a verdade como fundamento. Portanto, se a

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quecidos, e vós sois fortalecidos; rogamos por vosso aperfeiçoamento contínuo.4 10 Por esse motivo, escrevo estas palavras estando ausente, para que, quando eu estiver convosco pessoalmente, não necessite ser rigoroso no uso da autoridade que o Senhor me outorgou para edificálos, e não para destrui-los. Saudações finais aos coríntios 11 Sem mais, irmãos, despeço-me de vós! Procurai agir com maturidade, tende

bom ânimo, encorajai-vos mutuamente, tende um só pensamento principal e vivei em harmonia. E o Deus de amor e paz estará convosco. 12 Saudai-vos uns aos outros com o beijo santo. 13 Todos os santos vos enviam saudações. A bênção apostólica 14 A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós!5

verdade, que é Cristo, for reconhecida pelos cristãos até sua chegada em Corinto, não mais haverá necessidade de constrangimentos e correções disciplinares, pois a própria igreja se submeterá ao Espírito Santo e voltará ao bom senso cristão. 4 Paulo não se importava em sacrificar-se, desde que isso contribuísse para o aperfeiçoamento espiritual dos seus filhos na fé. Os cristãos de Corinto eram “fortes”, pois haviam sido abençoados com toda a graça e dons espirituais. No entanto, estavam confusos (ludibriados por falsos líderes cristãos e suas doutrinas espúrias) e não exercitavam seus dons com altruísmo e dedicação, necessitando, portanto, de aperfeiçoamento (Ef 4.12), ou seja, uso e preparação das virtudes espirituais para vencer os dias de luta e aflição. Esse preparo espiritual se adquire somente pela experiência sincera, dedicada e perseverante em Cristo (2Tm 2.15). 5 A partir daqui, a bênção apostólica ou trinitária passa a ser uma tradição do culto cristão em todo o mundo. A graça de Cristo nos revela o amor do Pai (v.11) que, por sua vez, nos concede o selo (o direito legal) para sermos filhos de Deus (Jo 1.12) por intermédio do Espírito Santo que produz comunhão fraternal entre os filhos de Deus em todos os povos, línguas e culturas. A santa trindade é um mistério conhecido como verdadeiro, não por meio de qualquer teorização lógica ou filosófica, mas simplesmente mediante a própria experiência cristã dos santos apóstolos e discípulos, por meio da qual o ser humano é alcançado pela graça salvadora e transformadora do Cristo ressurreto, reconhecendo o amor e o perdão de Deus-Pai, e consagrando sua vida aos cuidados do Espírito Santo, procurando viver em comunhão com as três pessoas do único, poderoso e eterno Deus.

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