UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA MECÂNICA





PROPOSTA DE UTILIZAÇÃO DE FERRAMENTAS CAE NO PLANEJAMENTO DO
PROCESSO DE MOLDAGEM POR INJEÇÃO DE TERMOPLÁSTICOS EM
MOLDES DE ESTEREOLITOGRAFIA





TESE SUBMETIDA À UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA
PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE
DOUTOR EM ENGENHARIA MECÂNICA





ARMANDO SÁ RIBEIRO JÚNIOR



FLORIANÓPOLIS, MAIO DE 2003


PROPOSTA DE UTILIZAÇÃO DE FERRAMENTAS CAE NO PLANEJAMENTO DO
PROCESSO DE MOLDAGEM POR INJEÇÃO DE TERMOPLÁSTICOS EM MOLDES DE
ESTEREOLITOGRAFIA

ARMANDO SÁ RIBEIRO JÚNIOR

ESTA TESE FOI JULGADA ADEQUADA PARA A OBTENÇÃO DO TÍTULO DE

DOUTOR EM ENGENHARIA

ESPECIALIDADE ENGENHARIA MECÂNICA E APROVADA EM SUA FORMA FINAL PELO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA MECÄNICA


___________________________________________
CARLOS HENRIQUE AHRENS, DR.ENG. - ORIENTADOR

___________________________________________
MARCELO KRAJNC ALVES, Ph.D. – CO-ORIENTADOR

_______________________________________
JOSÉ A. BELLINI DA CUNHA NETO, Dr. - COORDENADOR DO CURSO

BANCA EXAMINADORA

_________________________________________
CARLOS HENRIQUE AHRENS, DR.ENG. - PRESIDENTE

__________________________________
ANTÓNIO SÉRGIO DUARTE POUZADA, Ph.D.

__________________________________
JONAS DE CARVALHO, Dr.

__________________________________
ANDRÉ OGLIARI, DR.ENG.

__________________________________
GEAN SALMORIA, DR.ING.
































BIOGRAFIA DO AUTOR


Armando Sá Ribeiro Júnior, 34, é engenheiro mecânico formado em 1991 pela
Universidade Federal da Bahia onde é professor do Departamento de
Construção e Estruturas, desde 1996. Em 1995 defendeu sua dissertação de
mestrado na Universidade Federal de Santa Catarina na área Projeto e Análise
de Componentes Mecânicos.
































À Carol com todo o meu amor.
Aos meus pais pelo amor e carinho constantes.
Ao Deus todo poderoso que nos dá o dom da vida a cada dia.


AGRADECIMENTOS


Ao Prof. Carlos Henrique Ahrens pela orientação deste trabalho e por compartilhar
planos, anseios e dificuldades da vida docente.
Ao Prof. Marcelo Krajnc pelo incentivo e apoio nas tomadas de decisões.
To my foreign supervisor Dr. Neil Hopkinson who made possible the development of
the experiments at Loughborough University.
To Rod Springthorpe and Naguib Saleh for help me during the experimental works.
À CAPES pelo suporte financeiro através do programa PICDT.
Aos amigos do Cimject, Valter, Diovani, Foggiatto, Lelo, Gean, Lafrata, Malone,
Fraga, Fred, pelo ambiente agradável e discussões saudáveis que permitiram um
aprendizado constante.
To the Rapid Manufacture Group at Loughborough University, Rinat, John, Mark,
Richard, Russ, Andy, Candice, Farid, Choon, Dennis, Ruper, Saeed and Prof.
Phill Dickens, thanks very much.
AO Prof. André Ogliari pela amizade e incentivo constantes durante a jornada.
Aos baianos do Cimject Alan e Wesley pela gratidão, reconhecimento e amizade.
Ao Rodrigo e Pereira pelo auxílio nas análises com o Ansys.
Aos brasileiros em Loughborough, em especial Renato e Roberto que me
acolheram e facilitaram a minha adaptação em um país distante.


SUMÁRIO

LISTA DE FIGURAS
LISTA DE TABELAS
SIMBOLOGIA
RESUMO
ABSTRACT

1 - INTRODUÇÃO........................................................................................................ 1
1.1 - Evolução do processo de fabricação de protótipos.............................................. 1
1.2 - Objetivo do trabalho............................................................................................. 7
1.3 - Descrição dos capítulos....................................................................................... 7

2 - COMPORTAMENTO E PROPRIEDADES MECÂNICAS DAS RESINAS ............. 9
2.1 - Introdução............................................................................................................. 9
2.2 - Processo de fotopolimerização............................................................................ 9
2.3 - Comportamento mecânico das resinas SL........................................................... 15
2.3.1 - Efeito da pós-cura nas propriedades mecânicas das resinas SL.......... 15
2.3.2 - Efeito da temperatura nas propriedades mecânicas das resinas SL.... 20
2.3.3 - Efeito das temperaturas inerentes ao processo de injeção nas
propriedades mecânicas das resinas SL..........................................................

22
2.3.4 - Efeito das forças inerentes ao processo de injeção na resistência
mecânica das resinas SL..................................................................................

23
2.4 - Considerações finais............................................................................................ 24

3 - CARACTERÍSTICAS DE PROJETO E CAUSAS DE FALHAS DOS INSERTOS
SL.................................................................................................................................

26
3.1 - Introdução............................................................................................................ 26
3.2 - Sistemas de resfriamento utilizados nos insertos SL........................................... 26
3.3 - Análise de falhas em insertos SL.......................................................................... 32
3.3.1 - Esforços atuantes nos insertos SL........................................................ 33
3.3.2 - Tipos de falhas observadas no uso de insertos SL............................... 40
3.3.2.1 - Ruptura generalizada do inserto............................................. 40
3.3.2.2 - Ruptura de features................................................................. 41
3.3.2.3 - Ruptura localizada da camada superficial do inserto.............. 42
3.3.2.4 - Falhas devido a deformações excessivas............................... 43
3.4 - Avaliação da vida útil dos insertos SL.................................................................. 44
3.4.1 - Influência dos parâmetros de construção na vida útil dos insertos

SL................................................................................................................................. 45
3.4.1.1 - Espessura das camadas (Rugosidade).................................. 45
3.4.1.2 - Distância entre filetes.............................................................. 47
3.4.2 - Influência dos parâmetros de projetos na vida útil dos insertos SL....... 48
3.4.2.1 - Ângulo de saída...................................................................... 48
3.4.2.2 - Dimensões das features.......................................................... 50
3.4.2.3 - Linha de partição..................................................................... 50
3.4.3 - Influência dos parâmetros de injeção na vida útil dos insertos SL........ 51
3.4.3.1 - Efeitos da temperatura de injeção........................................... 51
3.4.3.2 - Efeitos da força de fechamento............................................... 52
3.4.3.3 - Efeitos das pressões de injeção e recalque............................ 52
3.4.3.4 - Efeitos do tempo de resfriamento da peça.............................. 52
3.5 - Considerações finais............................................................................................ 54

4 - AVALIAÇÃO DO EFEITO DOS CICLOS TÉRMICOS CARACTERÍSTICOS DO
PROCESSO DE INJEÇÃO NAS PROPRIEDADES MECÂNICAS DA RESINA
VANTICO SL 7560
®
......................................................................................................


56
4.1 - Introdução............................................................................................................. 56
4.2 - Desenvolvimento do experimento......................................................................... 55
4.2.1 - Justificativa e objetivos gerais........................................................................... 58
4.2.2 - Materiais e métodos.......................................................................................... 59
4.2.3 - Materiais e equipamentos utilizados................................................................. 60
4.2.4 - Etapa 1 – Descrição e resultados...................................................................... 61
4.2.5 - Etapa 2 – Descrição e resultados...................................................................... 67
4.2.6 - Etapa 3 – Descrição e resultados...................................................................... 70
4.2.7 - Etapa 4 – Descrição e resultados...................................................................... 74
4.3 - Considerações finais............................................................................................ 79

5 - SISTEMÁTICA PARA O PLANEJAMENTO DO PROCESSO DE INJEÇÃO EM
INSERTOS SL EMPREGANDO SISTEMAS CAE.......................................................

81
5.1 - Introdução............................................................................................................. 81
5.2 - Descrição da Sistemática..................................................................................... 82
5.2.1 - Descrição das simulações do processo de injeção utilizando sistemas CAE... 85
5.2.2 - Descrição das análises térmicas transientes utilizando sistemas CAE............. 89
5.3 - Considerações Finais........................................................................................... 91

6 - ESTUDO DE CASOS............................................................................................. 93
6.1 - Introdução............................................................................................................. 93
6.2 - Estudo de casos................................................................................................... 93

6.2.1 - Justificativas e objetivos gerais......................................................................... 93
6.2.2 - Materiais e métodos.......................................................................................... 94
6.2.2.1 - Projeto do Molde..................................................................... 94
6.2.2.2 - Definição das temperaturas de referência a serem adotadas. 94
6.2.2.3 - Processo de moldagem por Injeção........................................ 95
6.2.2.4 - Análises numéricas................................................................. 95
6.2.3 - Estudo de caso 1 - Descrição e resultados....................................................... 96
6.2.4 - Estudo de caso 2 - Descrição e resultados....................................................... 108
6.2.5 - Estudo de caso 3 - Descrição e resultados....................................................... 115

7 - CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES PARA TRABALHOS FUTUROS............. 123
7.1 - Conclusões........................................................................................................... 123
7.1.1 - Planejamento do processo de injeção em insertos SL...................................... 123
7.1.2 - Processo de injeção em insertos SL................................................................. 124
7.1.3 - Projeto do inserto SL......................................................................................... 125
7.1.4 - Comportamento das resinas SL........................................................................ 125
7.2 - Sugestões para trabalhos futuros......................................................................... 126

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................................................. 128
APÊNDICE A - RESULTADOS DOS ENSAIOS DE TRAÇÃO
APÊNDICE B - INSERTOS UTILIZADOS NOS EXPERIMENTOS
APÊNDICE C - DESCRIÇÃO DA MACRO


LISTA DE FIGURAS

Figura 2.1 - Classificação dos polímeros (Portsh & Michaeli, 1995)........................ 10
Figura 2.2 - Processo de estereolitografia................................................................ 11
Figura 2.3 - Processo de fotopolimerização (Jacob, 1997)...................................... 13
Figura 2.4 - Estilo de construção em camadas com as regiões não curadas.......... 14
Figura 2.5 - Superposição dos filetes de cura no processo de estereolitografia...... 14
Figura 2.6 - Influência da pós-cura térmica e da temperatura nas propriedades
mecânicas da resina Ciba SL 5170 (Mclaughlin Jr,1996).........................................

16
Figura 2.7 - Comportamento dimensional de corpos de prova a verde e pós-
curado 30 h em UV em função da temperatura (adaptado de Fernandes, 2001)....

19
Figura 2.8 - Variação da tensão de ruptura da resina SL 5170 em função da
temperatura (adaptado de Hague, 1997).................................................................

21
Figura 2.9 - Variação da tensão de ruptura da resina Vantico SL 7560 em função
da temperatura (adaptado de Saleh, 2003)..............................................................

21
Figura 2.10 - Variação do módulo de elasticidade da resina Vantico SL 7560 em
função da temperatura (adaptado de Saleh, 2002)..................................................

22

Figura 3.1 - Propriedades mecânicas de uma peça fabricada com material semi-
cristalino injetado em insertos SL e metálico (adaptado de Dusel et al., 1998).......

27
Figura 3.2 - Insertos fabricados em casca (Gomide, 2000)...................................... 28
Figura 3.3 - Tipos de sistemas de arrefecimento utilizados em insertos SL (Ahrens
et al., 2001).................................................................................................

29
Figura 3.4 - Procedimento para a fabricação de insertos providos de canais de
fluxo de calor (Ahrens et al., 2001)...........................................................................
30
Figura 3.5 - Inserto provido de canais de fluxo de calor........................................... 31
Figura 3.6 - Sistema de resfriamento avaliado por Lafrata (2003)........................... 32
Figura 3.7 - Forças atuantes em insertos SL durante a extração da peça............... 33
Figura 3.8 - Efeito degrau (adaptadado de Giang & Colton, 2002).......................... 35
Figura 3.9 - Efeito da cura na força de extração da peça, atuantes em um inserto
SL (adaptado de Cedorge et al., 1999).....................................................................

37
Figura 3.10 - Variação da força de extração com o número de peças injetadas
(adaptado de Cedorge et al., 1999) .........................................................................

38
Figura 3.11 - Tensões térmicas atuantes em um inserto SL.................................... 38
Figura 3.12 - Efeito do fluxo polimérico nas paredes do inserto............................... 40
Figura 3.13 - Ruptura generalizada em um inserto SL............................................. 40
Figura 3.14 - Rompimento de uma feature em um inserto SL.................................. 41
Figura 3.15 - Inserto com ruptura localizada da camada superficial......................... 42

Figura 3.16 - Deformações plásticas em um inserto SL........................................... 44
Figura 3.17 - Modelagem da rugosidade superficial dos insertos SL (Giang &
Colton, 2002)............................................................................................................

45
Figura 3.18 - Resultados do ensaio de dilatometria em peça fabricadas com
diferentes valores de espaçamento entre filetes (Salmoria et al., 2003)..................

48
Figura 3.19 - Influência da espessura de camada e do ângulo de saída na força
de extração (adaptado de Cedorge et al., 1999)......................................................

49
Figura 3.20 - Linha de partição de um inserto de estereolitografia.......................... 50
Figura 3.21 - Inserto metálico com rompimento na linha de abertura (em
destaque)..................................................................................................................

51
Figura 3.22 - Influência do tempo de resfriamento da peça nas forças de extração
(adaptado de Hopkinson, 1999)...............................................................................

53

Figura 4.1 - Principais parâmetros envolvidos no projeto e uso de insertos SL....... 56
Figura 4.2 - Insertos utilizados no experimento da Etapa 1...................................... 61
Figura 4.3 - Dimensões dos corpos de prova e das cavidades dos corpos de
prova..........................................................................................................................

62
Figura 4.4 - Posicionamento dos termopares 1 e 2................................................... 63
Figura 4.5 - Peças injetadas durante a determinação dos parâmetros de injeção... 64
Figura 4.6 - Ciclos térmicos para temperaturas de referência de 40
0
C (a) e 55
0
C
(b) lidos pelo termopar 2............................................................................................

65
Figura 4.7 - Novo leiaute do inserto móvel................................................................ 66
Figura 4.8 - Ciclos térmicos para temperaturas de referências de 40
0
C e 55
0
C..... 67
Figura 4.9 - Ciclo térmico para uma temperatura de referência de 30
0
C................. 68
Figura 4.10 - Folha de dados para acompanhamento do experimento..................... 71
Figura 4.11 - Tabela de um conjunto de corpos de prova......................................... 71
Figura 4.12 - Tempos de resfriamento do inserto para temperaturas de referência
adotadas....................................................................................................................

72
Figura 4.13 - Ciclos térmicos para as temperaturas de referência adotadas............ 73
Figura 4.14 - Programa computacional utilizado durante os ensaios a tração......... 74
Figura 4.15 - Ensaio de tração dos corpos de prova................................................ 75
Figura 4.16 - Resultados de tensão máxima para as temperaturas de referência
adotadas...................................................................................................................

76
Figura 4.17 - Valores médios da tensão máxima em função da temperatura de
referência adotada....................................................................................................

77
Figura 4.18 - Resultados módulo de elasticidade para as temperaturas de
referência adotadas...................................................................................................

78
Figura 4.19 - Valores médios do módulo de elasticidade em função da
temperatura de referência adotada...........................................................................

79

Figura 5.1 - Planejamento do processo de injeção em insertos SL.......................... 81
Figura 5.2 - Sistematização do planejamento do processo de injeção em insertos
SL..............................................................................................................................

83
Figura 5.3 - Simulação do processo de injeção em insertos SL utilizando
ferramentas CAE.......................................................................................................

86
Figura 5.4 - Etapas da análise térmica dos insertos SL utilizando Sistemas CAE... 90

Figura 6.1 - Inserto utilizado no Estudo de Caso 1................................................... 96
Figura 6.2 - Porta-insertos utilizado no Estudo de Caso 1........................................ 96
Figura 6.3 - Montagem do termopar no inserto móvel.............................................. 97
Figura 6.4 - Ciclos térmicos para temperaturas de referência de 40
0
C, 50
0
C e 60
0
C para o inserto do experimento realizado no Estudo de Caso 1............................

98
Figura 6.5 - Temperaturas máximas lidas pelo termopar para as temperaturas de
referência adotadas no Estudo de Caso 1................................................................

99
Figura 6.6 - Malha de elementos finitos para o inserto utilizado no Estudo de Caso
1.................................................................................................................................

100
Figura 6.7 - Condição de contorno aplicada nas superfícies de contato................... 101
Figura 6.8 - Resultados numéricos e experimentais da variação de temperatura
do inserto para o Estudo de Caso 1..........................................................................

104
Figura 6.9 - Comparação entre os valores numéricos e experimentais para uma
temperatura de referência de 40
0
C (Estudo de Caso 1)..........................................

105
Figura 6.10 - Comparação entre os valores numéricos e experimentais para uma
temperatura de referência de 50
0
C (Estudo de Caso 1)..........................................

106
Figura 6.11 - Comparação entre os valores numéricos e experimentais para uma
temperatura de referência de 60
0
C (Estudo de Caso1)...........................................

106
Figura 6.12 - Ciclos térmicos para temperaturas de referência de 50
0
C e tempo
de resfriamento de 20 e 40 segundos para o inserto do Estudo de Caso 2.............

109
Figura 6.13 - Tempo de resfriamento do inserto para os ciclos de injeção
utilizando tempo de resfriamento da peça de 20 segundos e 40 segundos (Estudo
de Caso 2)................................................................................................................


109
Figura 6.14 - Perfil de temperatura no inicio do ciclo de injeção para uma
temperatura de referência de 50
0
C..........................................................................

110
Figura 6.15 - Resultados numéricos de tempo de resfriamento da peça (Estudo
de Caso 2).................................................................................................................

112
Figura 6.16 - Resultados numéricos e experimental da variação de temperatura
do inserto para o Estudo de Caso 2..........................................................................

113
Figura 6.17 - Insertos utilizados no Estudo de Caso 3............................................. 115
Figura 6.18 - Ciclos térmicos para temperaturas de referência de 40
0
C, 50
0
C e
60
0
C para o inserto do experimento 2.2...................................................................

117

Figura 6.19 - Malhas de elementos finitos utilizadas no Estudo de Caso 3.............. 118
Figura 6.20 - Resultados numéricos e experimentais da variação de temperatura
do inserto para o Estudo de Caso 3..........................................................................

119
Figura 6.21 - Comparação entre os valores numéricos e experimentais para uma
temperatura de referência de 40
0
C (Estudo de Caso 3)..........................................

120
Figura 6.22 - Comparação entre os valores numéricos e experimentais para uma
temperatura de referência de 50
0
C (Estudo de Caso 3)..........................................

120
Figura 6.23 - Comparação entre os valores numéricos e experimentais para uma
temperatura de referência de 50
0
C (Estudo de Caso 3)..........................................

121










LISTA DE TABELAS

Tabela 2.1 - Propriedades de algumas resinas utilizadas no processo de
estereolitografia................................................................................................

12
Tabela 2.2 - Influência dos tratamentos de pós cura nas propriedades mecânicas
da resina Somos 7110 (Salmoria et al., 2002)............................................................

18
Tabela 2.3 - Efeitos da pós-cura térmica nas propriedades mecânicas da resina
Vantico SL 7560 (adaptado de Saleh, 2002)..............................................................

20

Tabela 3.1 - Valores medidos de rugosidade de insertos construídos com
diferentes espessuras de camadas (adaptado de Hopkinson et al., 1999)................

46

Tabela 4.1 - Parâmetros de processo utilizados no experimento 1.1......................... 64
Tabela 4.2 - Resultados dos ensaios à tração............................................................ 69

Tabela 6.1 - Parâmetros de injeção utilizados no experimento 2.1............................ 97
Tabela 6.2 - Condições de contorno aplicadas nas análises do Estudo de Caso 1... 102
Tabela 6.3 - Propriedades materiais utilizadas nas análises numéricas.................... 102
Tabela 6.4 - Erros percentuais entre os valores experimentais e numéricos para o
Estudo de Caso 1........................................................................................................

107
Tabela 6.5 - Parâmetros adotados nas análises reológicas do Estudo de Caso 2..... 111
Tabela 6.6 - Condições de contorno utilizadas nas análises transientes do Estudo
de Caso 2....................................................................................................................

113
Tabela 6.7 - Parâmetros de injeção utilizados no experimento 2.2............................ 116
Tabela 6.8 - Condições de contorno utilizadas nas análises transientes do Estudo
de Caso 3...................................................................................................................

118



SÍMBOLOGIA

Lista de símbolos

3D: Tridimensional;
CAD: Computer Aided Design, Projeto Auxiliado por Computador;
CAE: Computer Aided Engineering, Engenharia Auxiliada por Computador;
CAM: Computer Aided Manufacturing, Manufatura/Fabricação Auxiliada por
Computador;
DSC: Differential Scanning Calorimetriy, Calorimetria Diferencial de Varredura
RP: Rapid Prototyping, Prototipagem Rápida;
RT: Rapid Tooling, Processo de Fabricação Rápida de Ferramentas;
SLA: Stereolithography Apparatus, Máquina de Estereolitografia;
SL: Stereolithography, Estereolitografia;
STL: Structured Triangular Language, Linguagem por Estrutura de Triângulos;
Tg: Temperatura de transição vítrea;
UV: Ultra-Violeta.

Alfabeto grego

σ
máx
tensão máxima do material medida através de ensaio de tração.



RESUMO


Os processos de fabricação rápida de ferramentas (Rapid Tooling) têm
auxiliado as equipes multidisciplinares a desenvolver o projeto de peças de plástico
injetadas, considerando além das características do produto, os aspectos
relacionados com o seu processo de moldagem. Uma das técnicas que tem recebido
destaque é a que utiliza a estereolitografia para a fabricação de moldes para injeção,
em função de apresentar resultados satisfatórios com custos relativamente baixos.
Os moldes de estereolitografia (SL) caracterizam-se por apresentarem uma
vida útil limitada. Pesquisas anteriores revelaram que as falhas observadas durante
o uso deste tipo de ferramenta, ocorrem principalmente devido às mudanças que
ocorrem nas propriedades mecânicas do material dos moldes, quando a sua
temperatura é aumentada. Além disso, estes materiais apresentam baixos valores
de coeficiente de condutividade térmica, o que torna o processo de injeção em
moldes SL diferente daquele que utiliza moldes metálicos. Assim, o planejamento do
processo de injeção é essencial para evitar que o molde apresente ruptura após os
primeiros ciclos de injeção.
Apesar das várias investigações que estão sendo desenvolvidas com o intuito
de identificar as causas das falhas dos moldes SL, não há um consenso entre os
pesquisadores quanto à melhor estratégia a ser adotada durante o processo de
injeção. Técnicas como os métodos numérico-computacionais, têm sido aplicadas de
maneira discreta, sem apresentarem resultados significativos. Neste sentido, o
presente trabalho teve como objetivo propor uma sistemática baseada no emprego
de sistemas CAE e utilizada para auxiliar o planejamento do processo de injeção em
moldes de estereolitografia, que diminua o risco de falha da ferramenta. Dois moldes
foram construídos e utilizados para obter uma pré-série de peças plásticas injetadas
e a temperatura dos moldes foram monitoradas durante todo o processo. O
procedimento proposto foi avaliado, comparando os resultados determinados
numericamente com valores obtidos experimentalmente.


PLANNING THERMOPLASTIC INJECTION MOULDING IN SL MOULDS USING
CAE SYSTEMS

ABSTRACT


The use of Rapid Tooling processes during the product development has
aided the multidisciplinary teams to design injected plastic parts, considering the
product characteristics and the manufacture process that will be used.
Stereolithography injection moulds, for example, have been widely used to obtain
short runs of plastic injected parts. This process presents satisfactory results, with
relatively low costs.
The usage of stereolithography moulds has been limited mainly due to the
premature mould failure and a consequent lack of confidence in the process.
Previous researches have shown that catastrophic mould failure occurs during
injection moulding process due to the reduction of the resin ultimate tensile stress,
when the tool temperature is increased. The stereolithography resins present a low
thermal conductivity as well. These characteristics make the injection moulding
process in stereolithography moulds different than in metallic moulds. Therefore, it is
necessary to plan the injection moulding process carefully in order to avoid a
premature mould failure.
Some researches have been developed to identify the causes of the
stereolithography mould failure. However, the best strategy to be adopted during the
injection moulding process is not yet completely defined. Techniques as numerical
methods have been applied but significant results have not been obtained. In this
work a procedure to aid the planning of the injection moulding process using
stereolithography moulds, based on the use of CAE systems, has been developed.
The main objective of this procedure is to reduce the risk of mould failure. Two
moulds were built in stereolithography apparatus and used to obtain a pre series of
injected parts. During the injection moulding process the mould temperature was
monitored and the proposed procedure was assessed by comparing the experimental
and numerical results.

1
CAPÍTULO 1


INTRODUÇÃO


1.1 - Evolução do processo de fabricação de protótipos

Os produtos desenvolvidos atualmente exigem um aprimoramento cada vez
maior dos processos de fabricação existentes e o advento de novas tecnologias que
viabilizem a sua produção. A complexidade geométrica dos componentes, por
exemplo, é um parâmetro que limita a utilização de vários processos e muitas vezes
impossibilita a fabricação do componente desejado. Conscientes deste problema, os
projetistas buscam desenvolver sistemáticas que permitam projetar o produto
considerando as características do processo pelo qual este será fabricado,
envolvendo equipes multidisciplinares durante o processo de desenvolvimento do
produto.
Um recurso que está sendo bastante explorado por parte das equipes de
projeto no desenvolvimento de novos produtos é o emprego de protótipos. Com a
fabricação de um modelo preliminar, pode-se avaliar parâmetros relacionados com o
ciclo de vida do produto, como aspectos estéticos e funcionais, problemas de
montagem, ergonômicos, etc. Apesar de serem utilizados há séculos, os protótipos
apresentaram evoluções significativas nas últimas duas décadas devido às
exigências cada vez maiores da sua qualidade.
Existem divergências sobre as definições de protótipos e modelos. Alguns
autores consideram um protótipo uma réplica de um produto que ainda não foi
produzido industrialmente e que serve como uma primeira apresentação do mesmo
ao mercado consumidor. Neste caso, aqueles objetos construídos durante o
processo de desenvolvimento do produto para testes e validações são denominados
modelos. Estes por sua vez devem apresentar características especiais conforme
descrito por Baxter (1988). Neste trabalho não serão feitas distinções entre
protótipos e modelos, sendo neste caso adotada ambas as nomenclaturas para
definir os objetos ou aproximações matemáticas utilizados para avaliar uma
concepção.
2
Segundo Chee & Fai (1997), pode-se considerar três fases no processo
evolutivo de desenvolvimento dos protótipos: protótipos de fabricação manual,
protótipos virtuais e protótipos rápidos. Na primeira fase os modelos eram
geralmente construídos de forma artesanal e utilizados principalmente como
protótipos de visualização. A sua construção era lenta e restrita a geometrias mais
simples, dependendo muito da experiência e habilidade do artesão. No início da
década de oitenta, a utilização de sistemas CAE/CAD/CAM começou a ser difundida,
provocando alterações significativas na utilização de protótipos. Nesta nova fase
modelos computacionais, que permitem não apenas visualizar graficamente o
produto como também avaliá-lo mecanicamente através de métodos numérico-
computacionais, passaram a ser utilizados. Os sistemas CAD possibilitaram fazer
alterações significativas no projeto da peça rapidamente, agilizando o projeto
preliminar do produto.
Os sistemas CAE/CAD/CAM causaram uma grande evolução no processo de
desenvolvimento de produtos. Os modelos matemáticos simplificados, outrora
aplicados, limitavam-se a formas geométricas simples e impossibilitavam um ajuste
preciso das dimensões do produto. Técnicas como o método dos elementos finitos
admitem as mais variadas geometrias e representam de maneira satisfatória o
comportamento dos materiais que podem ser utilizados na fabricação do
componente. Os sistemas CAM, por sua vez, permitem planejar a fabricação do
componente de maneira mais rápida e eficiente.
A terceira fase do desenvolvimento dos protótipos iniciou-se em 1988 com o
advento da primeira máquina de prototipagem rápida, desenvolvida pela 3D Systems
Inc. (Califórnia, EUA), que utiliza um processo denominado estereolitografia para
fabricar um objeto a partir do seu modelo gráfico tridimensional. Esta técnica
possibilita a obtenção de protótipos rapidamente, independente da sua
complexidade geométrica. Isto auxilia uma rápida tomada de decisão por parte da
equipe de projeto a respeito de vários aspectos do produto, além de facilitar a
obtenção de soluções para problemas identificados.
O uso de técnicas de prototipagem rápida (RP - Rapid Prototyping) no
processo de desenvolvimento do produto, possibilitou a fabricação do protótipo
ainda na fase preliminar do projeto do produto. Os benefícios do uso destas
tecnologias são expressivos, uma vez que, após a fase de obtenção da concepção,
a etapa mais demorada do ciclo de desenvolvimento do produto é aquela onde
3
ocorre a fabricação do protótipo, portanto, uma rapidez maior desta tarefa contribui
significativamente para a diminuição do tempo total do ciclo. Em peças complexas
como aquelas fabricadas através do processo de moldagem por injeção, o ganho
obtido no uso de técnicas de prototipagem rápida é ainda mais relevante.
Enquanto os processos de fabricação convencionais têm como princípio
básico a conformação ou subtração de material, as técnicas de prototipagem rápida
fundamentam-se na adição de material. Nesta nova tecnologia, o modelo gráfico
tridimensional do objeto é secionado em várias camadas de pequenas espessuras
que são adicionadas sucessivamente até que o modelo seja totalmente construído.
Devido a esta característica, estes processos são denominados por alguns autores
como processos de fabricação por adição de camadas (Wholers, 2001; Karapatis et
al., 1998; Radstok, 1999). Os vários processos disponíveis diferenciam-se pelo tipo
de material e método de adesão das camadas que são utilizados e estas
características influenciam decisivamente nas propriedades do modelo produzido,
bem como na definição dos parâmetros de cada processo.
Os processos RP são sem dúvida técnicas poderosas no auxílio ao projetista
desde a fase preliminar do projeto do produto. A possibilidade de obter um modelo
em poucas horas permite avaliar a sua concepção sob o ponto de vista funcional e
estético, facilitando a identificação prematura de problemas e proporcionando uma
maior integração de uma equipe multidisciplinar à medida que auxilia a comunicação
entre os seus componentes. No entanto, há situações nas quais existe a
necessidade de obter protótipos fabricados com o mesmo material que será utilizado
na fabricação do produto em desenvolvimento ou aquelas onde se deseja avaliar o
processo de fabricação que será utilizado. Nestes casos são utilizados protótipos
técnicos que fornecem os subsídios necessários para avaliar os aspectos
correspondentes.
A primeira vista, os processos RP não permitem a fabricação de protótipos
com o material final do produto. Estas técnicas caracterizam-se por utilizarem
materiais específicos que possuem, na maioria das vezes, propriedades diferentes
daqueles que serão empregados para a fabricação do produto. Além disso, o uso
destas técnicas eleva o custo de fabricação quando é necessária uma quantidade
maior de protótipos. Outras aplicações onde a utilização de processos RP fica
comprometida, são aquelas onde é necessário avaliar o processo de fabricação do
4
produto, pois geralmente não há similaridades entre os processos RP utilizados na
confecção do protótipo e aquele utilizado na fabricação do produto.
O elevado custo é também um aspecto limitante dos processos de
prototipagem rápida. Segundo Karapatis et al. (1998), a aplicação destas técnicas
para a fabricação direta de produtos limita-se a pequenos lotes de peças na indústria
aeronáutica e militar, onde os custos envolvidos são relativamente altos. Até mesmo
na fabricação de protótipos, quando a avaliação exige um maior número de objetos,
a sua aplicação fica comprometida. Em vista destas restrições, foram desenvolvidas
pesquisas no intuito de viabilizar a fabricação de ferramentas através das técnicas
de prototipagem rápida, a partir das quais poderiam ser fabricados vários protótipos
ou até mesmo pequenos lotes de peças. Esta nova tecnologia, denominada
fabricação rápida de ferramentas (RT - Rapid Tooling), possibilitou o estudo do
processo de fabricação do produto ainda na fase preliminar do seu desenvolvimento,
proporcionando maior economia e qualidade ao mesmo.
Alguns autores como Radstok (1999), consideram os processos de
Fabricação rápida de ferramentas como um avanço natural dos processos de
prototipagem rápida. A utilização destas técnicas no desenvolvimento de
ferramentas, no entanto, requer um maior controle do processo devido às
características peculiares das ferramentas como tolerâncias dimensionais inferiores
àquelas requeridas na fabricação de protótipos.
As técnicas de fabricação rápida de ferramentas proporcionaram um avanço
considerável nos trabalhos das equipes de projeto, principalmente no
desenvolvimento de produtos fabricados através do processo de moldagem por
injeção. Neste caso, além dos recursos que os modelos funcionais e de visualização
oferecem, a fabricação rápida do molde e posteriormente a injeção da peça,
permitem avaliar o produto da maneira como este será apresentado ao cliente. Além
disso, estes processos fornecem informações essenciais para o projeto final da
ferramenta de injeção, etapa fundamental no desenvolvimento de componentes de
plástico injetado.
A utilização mais apropriada dos processos RT é no auxílio ao
desenvolvimento do produto, no planejamento da sua produção e no projeto da
ferramenta necessária para a sua fabricação. Contudo, estas técnicas podem ser
utilizadas para a fabricação direta de peças, nos casos onde o desenvolvimento de
um molde pelo processo convencional aumentaria excessivamente o custo final do
5
produto. Segundo Karapatis et al. (1998), há uma tendência do mercado mundial em
desenvolver produtos voltados para pequenos grupos de consumidores, haja vista
as exigências cada vez mais específicas dos clientes. Este novo conceito de
produção só será economicamente viável se forem utilizados processos de baixo
custo e recursos que acelerem a tarefa dos projetistas. A solução para estes
problemas pode estar no desenvolvimento das técnicas de fabricação rápida de
ferramentas.
Os processos de fabricação rápida de ferramentas são geralmente
caracterizados pelo tipo de processo de prototipagem rápida utilizado para a
fabricação da ferramenta. Isto é natural tendo em vista que várias destas técnicas
foram desenvolvidas pelos fabricantes dos equipamentos de prototipagem rápida ou
por institutos de pesquisas associados a estes. Uma descrição detalhada de várias
destas técnicas pode ser encontrada em Wohlers (2002) e Radstok (1999).
Os processos de fabricação rápida de moldes de injeção utilizam basicamente
duas técnicas de prototipagem rápida: a estereolitografia e a sinterização seletiva a
laser, como é o caso dos processos Direct AIM', Rapid Tool
TM
e Metal Tooling
TM
. O
processo RapidTool
TM
, desenvolvido pela empresa norte-americana DTM-
Corporation, consiste em fabricar o molde de metal, a partir do seu modelo em CAD,
pela sinterização a laser de um material em pó, composto de aço inoxidável
recoberto por um aglutinante a base de polímeros (Radstok,1999). Após a
construção do molde, é necessário retirar o aglutinante e completar o processo de
sinterização, o que é realizado em um forno apropriado. Uma última etapa do
processo e a infiltração metálica que melhora significativamente as propriedades
mecânicas da ferramenta.
O inconveniente do processo RapidTool
TM
é que as etapas posteriores da
sinterização seletiva a laser comprometem o controle dimensional da ferramenta.
Durante a retirada do aglutinante, a peça apresenta uma contração de até quarenta
por cento do seu volume original, sendo de 0,1 mm a máxima tolerância que se pode
obter, a depender da geometria e dos parâmetros de processo (Radstok,1999). Uma
alternativa que obteve ótimos resultados foi o processo de Metal Tooling
TM
,
apresentado pela EOS-Gmbh (Alemanha), que utiliza um composto de bronze e
níquel, que dispensa o processo de retirada de aglutinante. Através deste processo,
pode-se obter moldes com tolerâncias inferiores a 0,05 mm, porém o custo é
6
elevado pois exige do equipamento utilizado um laser de potência muito superior ao
requerido no processo de RapidTool
TM
. Em ambos os processos, podem ser obtidos
moldes que produzem milhares de peças injetadas.
A fabricação de insertos
1
para moldagem por injeção de termoplásticos
através do processo de estereolitografia apresentou boa aceitação pela indústria.
Este tipo de ferramenta, conhecida como insertos SL, alia uma boa precisão
dimensional com um custo relativamente baixo se comparado a outros tipos de
técnicas como, por exemplo, aquelas que utilizam pós-metálicos como material
base. Estas características tornam este processo adequado para ser utilizado em
várias aplicações, principalmente para a fabricação de pequenos lotes de peças de
plástico injetadas.
Muitos autores têm desenvolvido pesquisas envolvendo uso de insertos SL
para as mais variadas aplicações. Ferreira & Vandresen (2000), por exemplo,
avaliaram o uso da técnica do núcleo perdido para a fabricação de peças complexas
injetadas em insertos de estereolitografia. Segundo estes autores é possível obter
pequenos lotes de peças injetadas desde que o material do núcleo seja selecionado
adequadamente, em função do material injetado.
Beal (2002) avaliou o uso de insertos SL na fabricação de peças em pó
metálico injetado. Segundo este autor, é possível obter peças desta natureza,
utilizando este tipo de ferramenta, que podem inclusive ser submetidas ao pós-
tratamento de sinterização sem maiores problemas. Contudo os trabalhos
experimentais revelaram que as dimensões finais das peças apresentaram erros
superiores àqueles observados quando são injetadas em moldes metálicos.
Mais recentemente, autores como Connelly & Parunak (2002) demonstraram
interesse no uso de insertos SL para a fabricação de peças de espessuras inferiores
a 0.5 mm. Segundo estes autores, a baixa condutividade térmica das resinas SL
pode tornar possível a injeção de peças desta natureza aplicando pressões de
injeção baixas, uma vez que a região da cavidade do inserto permanece a uma
temperatura elevada ao longo do processo de injeção.
No quadro atual de desenvolvimento, os insertos SL apresentam-se como
uma ferramenta pouco eficiente em decorrência da sua vida útil ser muito limitada,

1
Inserto – parte do molde de injeção que compreende a região moldante (cavidade) e que é fabricada
separadamente e posteriormente montada nas placas do molde, como um postiço.
7
principalmente devido à maneira pouco criteriosa pela qual os insertos são
projetados e utilizados. Na maioria das vezes o projeto do inserto é desenvolvido
tendo como base dados obtidos em experiências anteriores, sem avaliações
criteriosas dos seus aspectos térmicos ou dimensionais. Em outras palavras, projeta-
se a ferramenta de acordo com as recomendações apresentadas por alguns
pesquisadores, sem adequá-las às condições particulares de cada aplicação.
Apesar das várias investigações que estão sendo desenvolvidas com o intuito
de identificar as causas das falhas observadas durante o uso dos insertos SL, não
há um consenso entre os pesquisadores sobre este tópico em especial, tampouco
quanto à melhor estratégia a ser adotada durante o processo de injeção. Técnicas
de análise como os métodos numérico-computacionais, têm sido aplicadas de
maneira discreta, sem apresentarem resultados significativos. É necessário,
portanto, desenvolver um procedimento que auxilie o planejamento do processo de
injeção em insertos SL que diminua o risco de falha da ferramenta.

1.2 - Objetivo do trabalho

Conforme descrito anteriormente, a complexidade do processo de injeção em
insertos SL motivou o desenvolvimento de várias pesquisas para identificar as
causas das suas falhas, bem como do melhor procedimento a ser adotado durante o
processo de moldagem por injeção. Entretanto, tais estudos não apresentaram
resultados conclusivos, haja vista que alguns aspectos sobre o processo ainda não
foram explorados.
Com base no exposto, este trabalho tem por objetivos avaliar os principais
fatores envolvidos na falha dos insertos SL e propor uma sistemática, baseada no
uso de ferramentas CAE, para auxiliar o planejamento do processo de moldagem
por injeção em moldes de estereolitografia, que proporcione uma diminuição do risco
de falha da ferramenta.

1.3 - Descrição dos capítulos

Inicialmente é apresentada no Capítulo 2 uma descrição dos principais
aspectos relativos às resinas SL, bem como uma descrição dos experimentos
desenvolvidos por vários autores a respeito dos efeitos da temperatura nas suas
8
propriedades mecânicas. No Capítulo 3, são apresentadas as concepções dos
insertos SL e avaliados os efeitos dos parâmetros de projeto e de processo na vida
útil dos mesmos.
No Capítulo 4 é descrito um experimento que foi desenvolvido para
complementar as informações, levantadas durante a pesquisa bibliográfica, a
respeito dos efeitos das temperaturas de injeção nas propriedades mecânicas das
resinas SL. Os resultados obtidos foram utilizados para fundamentar a proposta de
sistematização do planejamento do processo de injeção em insertos SL, através do
emprego de ferramentas CAE, baseado no procedimento de resfriar os insertos
entre ciclos de injeção consecutivos, conforme descrita no Capítulo 5. Um modelo
numérico utilizado para determinar a variação da temperatura dos insertos durante o
processo de injeção foi desenvolvido é avaliado através de estudo de casos que
envolveram análises experimental e numérica de dois insertos, conforme descrito no
Capítulo 6. Finalmente, as conclusões e sugestões para trabalhos futuros são
apresentadas no Capítulo 7.

9
Capítulo 2


COMPORTAMENTO E PROPRIEDADES MECÂNICAS DAS RESINAS SL


2.1 - Introdução

Para desenvolver o projeto estrutural e térmico de um molde de injeção é
necessário conhecer as propriedades e o comportamento do material com o qual
este será fabricado. O aço, que é o material tradicionalmente utilizado para a
fabricação deste tipo de ferramenta, possui características bem conhecidas pelos
projetistas e a sua utilização em outras aplicações fornece informações adicionais
sobre o seu comportamento que garantem uma maior confiabilidade no seu uso.
Além disso, uma combinação de boas propriedades mecânicas e térmicas torna este
material adequado para este tipo de aplicação.
Neste capítulo serão abordados o comportamento e as propriedades dos
materiais utilizados no processo de estereolitografia, cujo conhecimento é relevante
para o projeto e utilização de insertos para moldagem por injeção, fabricados através
deste processo. Serão apresentados os resultados obtidos por alguns
pesquisadores que realizaram estudos a respeito do comportamento destes
materiais, bem como uma discussão sobre a influência dos tratamentos de pós-cura
nas propriedades mecânicas de algumas resinas SL.

2.2 - Processo de fotopolimerização

Os materiais poliméricos possuem características distintas daquelas
apresentadas pelos metais. Este tipo de material é formado pela ligação de
pequenas moléculas denominadas monômeros cuja natureza influencia
decisivamente nas suas propriedades mecânicas. Estas moléculas são normalmente
formadas por carbono e hidrogênio com ligações duplas entre os átomos de
carbono. O monômero reage quimicamente formando as cadeias de monômeros.
Este processo de formação das cadeias de monômeros é denominado
polimerização.
10
O processo de polimerização, necessita de um catalisador para ser iniciado.
Os catalisadores mais comumente utilizados são os radicais livres que são
moléculas que reagem quimicamente com o monômero, quebrando as ligações
duplas entre átomos de carbono e formando novas ligações. Estas moléculas podem
ser geradas termicamente ou através da fotopolimerização (Jacobs, 1992).
A quantidade de ligações que cada monômero pode formar é denominada
grau de funcionalidade do monômero. Dessa forma, a estrutura molecular de um
polímero depende do grau de funcionalidade do monômero a partir do qual este é
formado (Bryant & Chartoff, 2000). Quanto maior for o grau de funcionalidade do seu
monômero, maior será a estabilidade dimensional, a resistência mecânica e a
temperatura de transição vítrea
2
do polímero.
Um monômero de funcionalidade dois pode unir-se a dois outros monômeros.
Neste caso, o crescimento da cadeia ocorre em uma única direção e, portanto, o
polímero é formado por uma cadeia linear de monômeros, como visto na Figura 2.1.
No caso de monômeros com funcionalidade igual ou superior a três, podem ocorrer
ligações cruzadas entre os átomos de carbonos da cadeia alterando
significativamente as características do material polimérico formado.


Cadeias lineares de
monômeros
Cadeias lineares
ramificadas de monômeros
Cadeias de monômeros com baixa
densidade de ligações cruzadas
Cadeias de monômeros com alta
densidade de ligações cruzadas
Termoplásticos
Termofixos


Figura 2.1– Classificação dos polímeros (Portsh & Michaeli, 1995).

2
Denomina-se temperatura de transição vítrea aquela temperatura acima da qual alguns materiais,
como os termofixos no estado sólido, apresentam alterações químicas e físicas

11
A presença de ligações químicas cruzadas entre as macromoléculas é tão
importante para as características dos materiais poliméricos, que estes são divididos
em duas classes de acordo com a existência ou não deste tipo de união (Portsh &
Michaeli, 1995): termoplásticos e termofixos. Os termoplásticos, por não
apresentarem tais ligações, são fundidos quando aquecidos a uma temperatura
superior à da transição vítrea, podendo ser moldados várias vezes. É o caso dos
materiais utilizados para a fabricação de peças injetadas como o polipropileno (PP),
polietileno (PE), poliamida (PA) entre outros. No caso dos termofixos, existem
ligações cruzadas entre as suas macromoléculas e o material, além de não fundir
após a polimerização, geralmente torna-se duro e frágil com o aumento da
temperatura.
Algumas técnicas de prototipagem rápida processam polímeros com
características de termofixos. É o caso do processo de estereolitografia onde o
objeto é construído utilizando um equipamento desenvolvido pela empresa 3D
Systems Inc. (EUA). Este aparelho é provido de um laser ultravioleta e um conjunto
de espelhos galvanométricos, cuja função é guiar o feixe de laser de tal forma que a
sua incidência ocorra apenas nas regiões delimitadas pelo contorno da camada
(Jacobs, 1992). Uma resina fotocurável é armazenada em um tanque onde há uma
plataforma perfurada sobre a qual o objeto é fabricado (Figura 2.2).

laser
cuba c/ resina fotosensível
lâmina
espelhos (xy)
Protótipo
suportes
nível da resina
coincidente com o
foco do feixe de
laser
plataforma
ótica
feixe do
laser
camada sendo
construída
e
l
e
v
a
d
o
r

(
z
)


Figura 2.2 - Processo de estereolitografia.
12
Inicialmente a plataforma é posicionada acima do nível da resina e desloca-se
verticalmente para baixo até ser coberta por uma camada de resina equivalente à
espessura da camada que será fabricada. Em seguida, o feixe de laser incide sobre
a região limitada pela geometria da camada, polimerizando a resina. Após a
construção da camada, a plataforma de construção desloca-se novamente para
baixo o suficiente para permitir a fabricação da camada subseqüente. O
procedimento é repetido até que o objeto seja completamente construído.
O material utilizado no processo de estereolitografia é um composto formado
por uma resina epóxi-acrilato como material base, acrescida de aditivos que
proporcionam algumas propriedades desejadas e fotos-iniciadores, necessários para
ativar o processo de fotopolimerização. O monômero da resina SL é estabilizado
para não reagir à temperatura ambiente, mantendo-se líquido antes do processo de
fotopolimerização. Na Tabela 2.1 são apresentadas algumas resinas utilizadas no
processo de estereolitografia.

Tabela 2.1 – Propriedades de algumas resinas utilizadas no processo de
estereolitografia.
Resina Fabricante Tg (ºC)
Viscosidade(cps)*
E (MPa) σ
máx
(MPa)

SL 5170 3D Systems 65-90 165-195 3,737 - 4,158 59-60
SL 6110 Somos 50-60 300-400 2,800 69
SL 7110 Somos 59-72 800 2,117 56
SL 7560 Vantico 60 200 2,400 - 2,600 42-62
* Propriedade da resina líquida a 30ºC Fonte: folha de dados dos fabricantes

A fotopolimerização da resina SL que ocorre durante o processo de
estereolitografia está ilustrada na Figura 2.3. Os fotos-iniciadores (F) presentes no
material, absorvem fótons a uma determinada freqüência, provenientes da incidência
do laser da máquina de estereolitografia, gerando assim os radicais livres (F*). Estas
moléculas por sua vez reagem com os monômeros (M) iniciando o processo de
formação das cadeias poliméricas. À medida que as reações ocorrem, a resina
torna-se sólida, aumentando a sua resistência mecânica e densidade. A distância
média entre as suas moléculas diminui significativamente, causando uma redução
do seu volume (Jacobs, 1997).
13


















Figura 2.3 – Processo de fotopolimerização (Jacob, 1997).

De acordo com Jacobs (1992), o processo de fotopolimerização destaca-se
pela sua eficiência se comparado à cura térmica. Segundo este autor, a energia
necessária para curar termicamente monômeros de acrilato, por exemplo, é cerca de
100 vezes maior do que aquela requerida pelo processo de fotopolimerização. Isto
reduz significativamente os custos de fabricação das peças.
A máquina de estereolitografia possui um dispositivo que ajusta a potência do
laser para compensar o gasto provocado pelo seu uso. Assim pode-se considerar
que o material sob a incidência do laser esteja praticamente curado ao final do
processo. Contudo, o feixe de laser não incide sobre todo o material devido ao seu
formato parabólico. Como pode ser visto na Figura 2.4, existem pequenas
quantidades de material não curado localizadas na região entre os caminhos
percorridos pelo feixe de laser.

14
profundida
de de cura
região não curada
espessura
da camada
sobre-cura
região curada ou
parcialmente curada


Figura 2.4 - Estilo de construção em camadas com as regiões não curadas.

A Figura 2.4 sugere que a peça à verde, aquela recém fabricada pelo
processo de estereolitografia, ainda estará passível à cura adicional. Uma maneira
de aumentar a eficiência de cura do laser durante a fabricação da peça pelo
processo de estereolitografia é alterar os parâmetros de processo como a espessura
de camada ou a superposição dos filetes de resina curada (ver Figura 2.5).
Equipamentos mais modernos como a 3D Systems SLA 7000 permitem a fabricação
de peças com espessuras de camadas de até 0,01 mm, o que também minimiza os
efeitos supracitados.

região não curada


Figura 2.5 – Superposição dos filetes de cura no processo de estereolitografia.

15
Para obter uma peça mais curada, geralmente a peça à verde é submetida a
tratamento de pós-cura em forno ultravioleta, durante o qual o excesso de resina
localizado na superfície da peça é curado. Outro processo de pós-cura comumente
utilizado é a pós-cura térmica onde a peça à verde é mantida aquecida por um
determinado período de tempo (geralmente entre trinta minutos e duas horas).
É importante ressaltar que no processo de pós-cura térmica, a cura adicional
ocorre devido ao aumento da mobilidade de radicais livres na peça à verde. Estes
radicais, que não formaram ligações cruzadas durante o processo de
fotopolimerização, alteram a sua posição aumentando assim a possibilidade de
reagir com outras moléculas. O processo de irradiação por UV por sua vez, pode
promover a formação de ligações cruzadas, segundo um mecanismo similar aquele
observado no processo de cura a laser (Jacobs, 1992).

2.3 - Comportamento mecânico das resinas SL

Conforme descrito anteriormente, as propriedades mecânicas de uma peça
fabricada pelo processo de estereolitografia dependem do material e dos parâmetros
de processo utilizados nas etapas de cura e pós-cura. A fim de obter um maior
discernimento a respeito do comportamento das resinas SL, muitos autores têm
desenvolvido pesquisas onde são avaliados os efeitos da temperatura e dos
tratamentos de pós-cura nas suas propriedades mecânicas. Este conhecimento é
fundamental para entender as causas das falhas dos insertos SL durante o processo
de injeção.

2.3.1 - Efeito da pós-cura nas propriedades mecânicas das resinas SL.

Gomide et al. (1999) realizaram testes com peças fabricadas com a resina
CibaTool SL 5170
©
fornecida pela empresa Ciba Geigy Corporation (EUA), que
mostraram que ocorre um amolecimento do material quando a sua temperatura
ultrapassa a temperatura de transição vítrea. Contudo, com o acréscimo de
temperatura, o material apresenta um comportamento similar ao de um termofixo,
tornando-se cada vez mais rígido e frágil até que este atinja a sua temperatura de
degradação.
16
McLaughlin Jr (1996) desenvolveu uma série de ensaios experimentais nos
quais foi avaliada a influência da temperatura na tensão de ruptura e no módulo de
elasticidade, além de outras características da resina CibaTool SL 5170
©
. Neste
trabalho, o autor fabricou vários modelos pelo processo de estereolitografia e
realizou ensaios de tração e compressão com estes corpos de prova a temperatura
ambiente e a temperatura de 80
0
C, um pouco acima da temperatura de transição
vítrea (60
0
C). Os resultados obtidos, conforme ilustrados na Figura 2.6, mostraram
que houve uma diminuição significativa dos valores destas propriedades com o
aumento de temperatura. No ensaio de tração, por exemplo, foi observado que a
resistência do material a 80
0
C é cerca de 60% menor se comparado ao valor obtido
à temperatura ambiente (Figuras 2.6-a). No mesmo experimento foi verificado um
decréscimo de 25% no seu módulo de elasticidade, enquanto que no ensaio de
compressão, estes percentuais aumentaram para 80% e 65% de decréscimo para a
tensão de ruptura e o módulo de elasticidade, respectivamente (Figuras 2.6-b).









(a) Tração








(b) Compressão

Figura 2.6 – Influência da pós-cura térmica e da temperatura nas propriedades mecânicas
da resina CibaTool SL 5170
®
(adaptado de McLaughlin Jr,1996).
1000
2000
3000
4000
0 30 60 90
Tempo de cura (min)
E

(
M
P
a
)
80
0
C
20
0
C
0
40
80
120
0 30 60 90
Tempo de cura (min)
T
e
n
s
ã
o

d
e

r
u
p
t
u
r
a

(
M
P
a
)
20
0
C
80
0
C
0
40
80
120
0 30 60 90
Tempo de cura (min)
T
e
n
s
ã
o

d
e

r
u
p
t
u
r
a

(
M
P
a
)
20
0
C
80
0
C
400
1000
1600
2200
2800
0 30 60 90
Tempo de cura (min)
E

(
M
P
a
)
80
0
C
20
0
C
17
Para avaliar a influência do tempo de pós-cura nas propriedades mecânicas
da resina CibaTool SL 5170
©
foto-curada, McLaughlin Jr (1996) avaliou os efeitos
destes processos na tensão de ruptura e no módulo de elasticidade deste material.
Tal avaliação foi efetuada através de ensaios de tração de três modelos curados
durante trinta, sessenta e noventa minutos, respectivamente. Os resultados
revelaram que não houve uma tendência nas mudanças dos valores das
propriedades medidas. Todavia, o autor verificou que para velocidades de
carregamento maiores, o tempo de cura exerce uma certa influência nas
propriedades da resina.
Os estudos desenvolvidos por McLaughlin Jr (1996) e Gomide (1999) não
envolveram avaliações dos parâmetros do processo nas propriedades da peça
fabricada. Além disso, outras resinas que são utilizadas no processo de
estereolitografia apresentam comportamentos similares, porém com algumas
particularidades e valores sensivelmente diferentes daquelas propriedades
apresentadas na Figura 2.6.
Uma avaliação do comportamento das resinas DuPont DSM Somos 6110
©
e
7110
©
foi apresentada por Colton & Blair (1999). Neste trabalho, peças prismáticas
foram fabricadas e submetidas a tratamentos de pós-cura térmica e em forno
ultravioleta, variando o tempo de exposição a estes efeitos. Posteriormente foram
realizados ensaios de dureza Shore D e Calorimetria Diferencial de Varredura (DSC)
para avaliar os efeitos dos pós-tratamentos na dureza e no grau de cura das resinas
respectivamente.
Os tratamentos utilizados por Colton & Blair (1999) não promoveram uma
pós-cura homogênea da peça. Por isso, estes autores optaram por avaliar através
do DSC, partes retiradas da superfície e do interior da peça. Os resultados
mostraram que ambos os tratamentos de pós-cura, térmica e ultravioleta, afetam o
grau de cura das peças fabricadas pelo processo de estereolitografia. Além disso, o
grau de cura depende do tempo de cura e da localização do material na peça.
Adicionalmente, os experimentos indicaram que o tratamento térmico é mais
eficiente do que aquele que utiliza luz ultravioleta.
Ao avaliar os resultados obtidos em seus experimentos, Colton & Blair (1999)
afirmam que as peças não estão completamente curadas após a sua fabricação pelo
processo de estereolitografia. Assim, ocorre uma pós-cura da peça por efeito dos
18
pós-tratamentos que afeta as propriedades da resina, aumentando a sua dureza.
Estes autores sugerem que a peça à verde pode ser completamente curada
submetendo-a a 150
0
C durante trinta minutos.
Um comentário pode ser feito a respeito dos resultados obtidos por Colton &
Blair (1999). Estes autores não descrevem os parâmetros de construção utilizados
para a fabricação das peças utilizadas nos seus experimentos. Portanto, a
quantidade de resina não curada existente, conforme ilustrado na Figura 2.4,
provavelmente foi significativa. Isto poderia explicar a cura adicional observada após
os tratamentos de pós-cura.
Salmoria et al. (2002) apresentaram resultados similares àqueles obtidos por
Colton & Blair (1999). Neste trabalho os autores avaliaram as propriedades
mecânicas bem como os modos de falha de peças fabricadas com a resina DuPont
Somos 7110
©
e submetidas à uma hora de pós-cura em forno UV, à irradiação de
microondas (4 minutos a 600 W) e ao aquecimento em forno convencional (30
minutos a 125
0
C). Os resultados, ilustrados na Tabela 2.1, mostraram que os
tratamentos utilizados alteram as propriedades da resina incrementando o módulo
de elasticidade e a tensão máxima. Adicionalmente, foi comprovado que a cura
térmica em forno convencional é o processo que promove uma pós-cura mais
eficiente em peças fabricadas por estereolitografia.

Tabela 2.2 - Influência dos tratamentos de pós cura nas propriedades mecânicas da resina
Somos 7110
©
(Salmoria et al., 2002)
Tipo de tratamento de pós-cura Propriedade mecânica do
material Forno UV Microondas Térmica

Módulo de elasticidade (MPa) 1210 1265 1320
Tensão máxima (MPa) 51 54 61
Tensão de ruptura (MPa) 38 44 52
Alongamento máximo (%) 9,6 8,8 8,6

A respeito da fratura de peças fabricadas em estereolitografia, Salmoria et al.
(2002) realizaram análises de fractografia nas peças que foram rompidas durante os
ensaios de tração. Os resultados revelaram que o processo de pós-cura,
19
particularmente a pós-cura em forno convencional, dificulta o fenômeno da fratura
uma vez que este aumenta o tamanho crítico das trincas. Além disso, estes
procedimentos diminuem a sensibilidade das peças a defeitos superficiais e
promovem um alívio de tensões nas mesmas.
Um aspecto interessante a respeito do efeito dos tratamentos de pós-cura nas
propriedades das resinas SL foi reportado por Fernandes (2001). Este autor avaliou
o comportamento termomecânico da resina SL 7110
®
utilizando corpos de prova à
verde e pós-curados em UV e termicamente. Os resultados, ilustrados na Figura 2.7,
revelaram o efeito dos tratamentos de pós-cura no coeficiente de expansão térmica
do material. Pode-se verificar que o material à verde apresentou uma contração
quando aquecido, até atingir a temperatura de transição vítrea (62
0
C). Os corpos de
prova submetidos a tratamentos de pós-cura não apresentaram tal comportamento.

-150
-100
-50
0
50
100
150
200
250
300
30 40 50 60 70 80 90 100
Temperatura (
0
C)

L

(
u
m
)
Material pós-curado
Material à verde


Figura 2.7 - Comportamento dimensional de corpos de prova a verde e pós-curado 30 h em
UV em função da temperatura (adaptado de Fernandes, 2001).

Saleh (2002) avaliou o efeito da pós-cura nas propriedades mecânicas da
resina Vantico SL 7560
®
. Os resultados, ilustrados na Tabela 2.2 mostraram que
houve uma redução de aproximadamente 33% da resistência ao impacto deste
material quando este foi submetido a 2 horas adicionais de pós-cura térmica a 80
0
C.
A tensão máxima por sua vez, apresentou um aumento de 14%.


20
Tabela 2.3 – Efeitos da pós-cura térmica nas propriedades mecânicas da resina Vantico SL
7560 (adaptado de Saleh, 2002).
Tipo de
Ensaio
Propriedade Mecânica PCUV* PCT**
Diferença
percentual
Tensão máxima (MPa) 55 62.84 + 14%
Alongamento máximo
(%)
8.27 9.6 +14%
Tração
Módulo de elasticidade
(MPa)
2707.7 2937.8 +8.5%
Resistência à flexão (MPa) 94.75 104.87 +10%
Flexão
Módulo de flexão (MPa) 2179.95 2230.68 +2.3%
Impacto
Resistência ao impacto
(kJ/m
2
)
2.4 1.595 -32.5%

* PCUV – Material pós-curado 30 minutos em forno UV
** PCT – Material pós-curado 30 minutos em forno UV + 2 horas a 80
0
C

Os valores de tensão de ruptura apresentados na Tabela 2.2, mostraram pouca
variação provavelmente devido ao tempo e à temperatura de cura, utilizados pelo
autor. Para obter resultados significativos é necessário um tempo maior de cura,
além do uso de temperaturas mais elevadas. Contudo, a considerável diminuição da
resistência ao impacto é um indicativo de uma possível causa de falhas dos insertos
fabricados com este material, quando esta ocorre durante o fechamento do molde.

2.3.2 - Efeito da temperatura nas propriedades mecânicas das resinas SL.

Outro aspecto importante a ser considerado em relação às resinas utilizadas
no processo de estereolitografia é o efeito da temperatura na tensão máxima deste
tipo de material. Normalmente os materiais utilizados na engenharia apresentam
uma redução nos valores desta grandeza quando têm sua temperatura elevada.
Porém, pesquisas revelaram que este efeito é ainda mais significativo quando se
tratam das resinas SL.
A Figura 2.8 mostra o decréscimo que ocorre na tensão de ruptura da resina
CibaTool 5170
©
quando a sua temperatura é aumentada (Hague, 1997). Pode-se
21
verificar que o valor desta grandeza diminui cerca de 90% quando a sua temperatura
atinge 100
0
C. Estes valores dependem do grau de cura da peça à verde que, por
sua vez, varia com os parâmetros de processo, bem como com o tempo de
exposição às elevadas temperaturas, conforme descrito anteriormente.
0
20
40
60
80
20 30 40 50 60 70 80 90 100
Temperatura (
0
C)
σ

m
á
x

(
M
P
a
)

Figura 2.8 – Variação da tensão máxima da resina CibaTool SL 5170
®
em função da
temperatura (adaptado de Hague, 1997).

A influência da temperatura na tensão de ruptura da resina Vantico SL 7560
®

foi avaliada por Saleh (2002), conforme ilustrado no gráfico da Figura 2.9. Os valores
medidos para esta grandeza a 20
0
C e 80
0
C são 70.74 MPa e 17.84 MPa,
respectivamente, o que equivale a uma redução de aproximadamente 75% para
uma variação de 60
0
C.

0
10
20
30
40
50
60
70
80
-40 -20 0 20 40 60 80 100 120 140
Temperatura (
0
C)
σ
m
á
x

(
M
P
a
)


Figura 2.9 – Variação da tensão máxima da resina Vantico SL 7560
®
em função da
temperatura (adaptado de Saleh, 2002).
22
O módulo de elasticidade das resinas SL apresenta um comportamento
similar àquele observado para a tensão máxima, porém com variações mais
significativas. De acordo com os resultados apresentados por Saleh (2002) e
ilustrados na Figura 2.10, ocorre uma redução de 94 % do valor desta grandeza
quando a temperatura do material é aumentada de 20
0
C (2882 MPa) para 80
0
C
(168 MPa). Cabe salientar que os resultados obtidos por Saleh (2002) foram através
de ensaio à tração de peças submetidas a apenas uma hora e meia de pós-cura em
forno UV. Portanto, o material poderia estar ainda suscetível a pós-cura adicional por
efeito do aquecimento durante os ensaios.

0
500
1000
1500
2000
2500
3000
3500
4000
4500
-40 -20 0 20 40 60 80 100 120
Temperatura (
0
C)
E

(
M
P
a
)


Figura 2.10 – Variação do módulo de elasticidade da resina Vantico SL 7560
®
em função da
temperatura (adaptado de Saleh, 2002).

2.3.3 - Efeito das temperaturas inerentes ao processo de injeção nas propriedades
mecânicas das resinas SL.

Durante o processo de injeção utilizando insertos SL, o material do inserto é
submetido a esforços mecânicos como forças de extração e fechamento, pressões
de injeção e recalque, além das temperaturas características deste processo. Estes
carregamentos podem provocar alterações nas propriedades mecânicas da resina.
Embora os experimentos de Colton & Blair (1999) e Salmoria et al. (2002)
tenham mostrado que a temperatura promove uma pós-cura na peça à verde, os
resultados não podem ser generalizados para a situação de utilização dos insertos
23
durante o processo de moldagem por injeção. Neste caso específico, a temperatura
e principalmente o tempo de exposição do material são significativamente inferiores.
Assim, não é possível afirmar que existe uma alteração expressiva nas propriedades
mecânicas dos insertos SL durante a sua utilização, mesmo usando os parâmetros
de fabricação adotados por estes autores.
Um indicativo de que os efeitos da temperatura durante o processo de injeção
afetam menos as propriedades do material dos insertos, se comparados aos
tratamentos de pós-cura térmica, foram os resultados obtidos por Colton et al.
(2001). Neste trabalho os autores avaliaram as alterações nas propriedades
mecânicas de peças fabricadas com as resinas CibaTool 7510
©
e DuPont Somos
7110
©
, quando submetidas a pós-cura térmica. As peças foram submetidas à
temperatura de 80
0
C e, portanto, similar àquelas observadas durante o processo de
injeção. Os resultados mostraram que as alterações foram insignificantes mesmo
quando tempos maiores (6 horas) foram utilizados.
Outro aspecto importante a respeito dos efeitos das temperaturas inerentes
ao processo de injeção nas propriedades mecânicas da resina SL é que, neste caso,
o carregamento térmico é aplicado ciclicamente. Desta forma, os experimentos
descritos anteriormente não consideraram um eventual envelhecimento do material
decorrentes deste tipo de carregamento.

2.3.4 - Efeito das forças inerentes ao processo de injeção na resistência mecânica
das resinas SL.

As peças fabricadas através do processo de estereolitografia podem
apresentar micro-trincas e pontos de concentração de tensões, devido ao estilo de
construção por camadas. Assim os esforços aos quais os insertos SL são
submetidos durante o processo de injeção, podem provocar fadiga mecânica nos
mesmos. Esta poderia ser a causa da ruptura dos insertos que não suportariam um
número maior de ciclos de injeção.
Outro fator que propicia o efeito de fadiga nos insertos SL é o decréscimo de
tensão máxima com o aumento da temperatura da resina, representado pela Figura
2.9. Assim, a propagação de micro-trincas é facilitada uma vez que a resistência do
24
material diminui significativamente, apesar do número de ciclos de carga atuantes
nos insertos SL durante o seu uso ser relativamente baixo.
Colton et al. (2001) avaliaram os efeitos da pós-cura térmica e do
envelhecimento mecânico na resistência à fadiga das resinas CibaTool 7510
©
e
DuPont Somos 7110
©
. Neste trabalho foram analisados dois conjuntos de corpos de
prova, submetidos a uma e seis horas de pós-cura térmica a 80
0
C, respectivamente.
Um terceiro conjunto de corpos de prova foi submetido a um envelhecimento
mecânico, durante o qual foram aplicados mil ciclos de flexão com um milímetro de
amplitude a 30
0
C. Todos os corpos de prova foram submetidos ao ensaio de fadiga
e os resultados mostraram que o aumento da temperatura reduz significativamente o
número de ciclos necessário para romper a peça.
Segundo Colton et al. (2001) as peças submetidas a seis horas de pós-cura
térmica suportaram um maior número de ciclos do que as peças pós-curadas em
uma hora. Este efeito, ainda segundo estes autores, foi decorrência do aumento da
tensão máxima e do módulo de elasticidade do material, uma vez que o fator de
intensidade de tensão K
Ic
não foi afetado pela pós-cura e portanto, este tratamento
não influenciou a resistência do material à propagação da trinca.

2.4 - Considerações finais

As propriedades mecânicas das resinas SL curadas dependem de vários
fatores como a natureza da resina e os parâmetros de construção utilizados. Peças
fabricadas utilizando pequenas espessuras de camadas e com a superposição dos
filetes de cura, provavelmente apresentaram grau de cura mais elevado. Portanto
estes objetos serão menos susceptíveis a alterações nas suas propriedades
mecânicas quando submetidos ao processo de pós-cura ou expostas a elevadas
temperaturas (Salmoria et al., 2003).
Os experimentos desenvolvidos por McLaughlin Jr (1996) utilizando a resina
CibaTool SL 5170
©
mostraram que propriedades mecânicas desta resina não se
alteram quando esta é submetida à pós-cura em forno UV. Colton & Blair (1999) e
Salmoria et al. (2002) por sua vez, mostraram que as resinas DuPont Somos 6110
©

e 7110
©
podem apresentar alterações nestas grandezas quando submetidas a
tratamentos subseqüentes ao processo de estereolitografia. Contudo, estes autores
25
mostraram que a tensão máxima e o módulo de elasticidade destas resinas
aumentam quando o seu grau de cura é incrementado. Desta forma é improvável
que esta alteração esteja provocando a ruptura dos insertos SL durante o seu uso.
Além disso, a falha deste tipo de ferramenta ocorre geralmente após a injeção de um
pequeno número de peças, quando os efeitos das temperaturas de injeção são
insuficientes para causar tais alterações no material.
Os resultados experimentais apresentados por Saleh (2002) e Hague (1997)
revelaram que as resinas Vantico SL 7560
©
e CibaTool SL 5170
©
apresentaram uma
redução significativa das suas propriedades mecânicas quando aquecidas. Portanto,
pode ser esta a provável causa das falhas prematuras verificadas no uso de insertos
SL, uma vez que a redução é mais acentuada na faixa de temperatura de trabalho
da resina SL durante o processo de moldagem por injeção.
26
CAPÍTULO 3


CARACTERÍSTICAS DE PROJETO E CAUSAS DE FALHAS DOS INSERTOS SL


3.1 - Introdução

As recomendações usuais para o projeto de moldes para injeção têm uma
conotação especial quando se tratam de ferramentas produzidas pelo processo de
estereolitografia. As características do material utilizado nesta técnica, conforme
descritas anteriormente, tornam limitada a sua aplicação na fabricação de insertos,
tendo em vista que este material apresenta valores sensivelmente baixos de
algumas propriedades relevantes como a condutividade térmica e a resistência
mecânica. A principal conseqüência destas características é a reduzida vida útil
observada neste tipo de ferramenta, o que restringe a sua aplicação à fabricação de
pequenos lotes de peças.
Neste capítulo serão apresentadas as principais características dos insertos
SL. Inicialmente serão descritos e avaliados os sistemas de resfriamento propostos e
utilizados por alguns autores, bem como os tipos de falhas que geralmente ocorrem
durante a utilização deste tipo de ferramentas. Será abordada a influência de
parâmetros de processo e de construção e das variáveis de projeto na vida útil dos
insertos. O capítulo é finalizado com um sumário dos problemas apresentados.

3.2 - Sistemas de resfriamento utilizados nos insertos SL

O sistema de resfriamento dos insertos de estereolitografia é sem dúvida o
aspecto funcional que mais compromete a sua utilização. Várias tentativas de
desenvolvimento de estratégias que melhore o seu desempenho foram realizadas,
sem contudo apresentarem resultados significativos quando comparados aos moldes
metálicos tradicionais. A principal dificuldade é que a resina apresenta um
coeficiente de condutividade térmica cerca de 300 vezes menor do que aquela
apresentada pelos aços. Tal característica provoca um aumento considerável no
27
tempo de resfriamento da peça e do inserto. Assim, os efeitos da temperatura nas
propriedades mecânicas da resina, conforme descritos na seção 2.1, são agravados.
A qualidade da peça injetada em insertos SL também é comprometida pela
baixa condutividade térmica das resinas SL. Segundo Dusel et al. (1998), um
resfriamento lento altera significativamente as propriedades de materiais
semicristalinos como os polipropilenos e poliamidas devido ao tempo maior de
cristalização, o que os torna mais rígidos e frágeis. Estas observações são
apresentadas por estes autores através de uma tabela comparativa onde são
apresentadas as propriedades de uma peça injetada em moldes de aço e de
estereolitografia (Figura 3.1).

0
500
1000
1500
2000
2500
3000
3500
4000
Inserto SL
Inserto metálico


Figura 3.1 - Propriedades mecânicas de uma peça fabricada com material semi-cristalino
injetado em insertos SL e metálico (adaptado de Dusel et al., 1998).

Para contornar as dificuldades decorrentes dos baixos valores de
condutividade térmica apresentados pelas resinas SL, alguns autores procuraram
desenvolver técnicas que melhorassem o desempenho térmico dos insertos SL.
Decelles & Barritt (1996) e Gomide (2000) por exemplo, utilizaram um procedimento
onde o inserto é fabricado em forma de casca e a sua parte interna é preenchida
com um material metálico, geralmente a base de estanho, introduzindo
adicionalmente um sistema de tubos de cobre pelo qual passa o fluido de
resfriamento (água a temperatura ambiente) (Figura 3.2). A deposição do material
metálico fundido sobre a resina pode danificar o inserto, porém dados experimentais
Módulo de elasticidade
A
l
o
n
g
a
m
e
n
t
o

m
á
x
i
m
o

(
%
)

40
35
30
25
20
15
10
5
0
M
ó
d
u
l
o

d
e

e
l
a
s
t
i
c
i
d
a
d
e

(
M
P
a
)

Alongamento máximo
28
demonstraram uma certa eficiência deste tipo de sistema de resfriamento. Contudo,
autores como Hopkinson et al. (1999) afirmam que este ganho é irrelevante.



Figura 3.2 - Insertos fabricados em casca (Gomide, 2000).

Outro exemplo destas experiências é descrito por Yu Li et al. (2000) que
estudaram a eficiência de três técnicas de resfriamento: preenchimento com metal
da parte traseira de um inserto fabricado em forma de casca, utilização de canais de
resfriamento fabricados no próprio inserto (Conformal Cooling) e recobrimento da
superfície do inserto com metal, criando assim uma distribuição uniforme de
temperatura. Segundo estes autores, a estratégia que obteve o melhor desempenho,
apesar de bastante inferior a um molde fabricado com alumínio, foi aquele que usou
canais de resfriamento fabricados no próprio inserto.
A experiência relatada por Yu Li et al. (2000) apresentou um fato curioso que
foi a idéia inovadora de uniformizar a temperatura do molde para contornar o
problema de resfriamento em insertos SL. Segundo estes autores, apesar da
utilização desta última técnica não ter apresentado bons resultados do ponto de vista
térmico, houve uma significativa melhora do acabamento superficial das peças
injetadas. A Figura 3.3 apresenta os tipos de sistemas de resfriamento mais comuns,
descritos por Ahrens et al. (2001) e avaliados por Yu Li et al. (2000).





29













Figura 3.3 -Tipos de sistemas de resfriamento utilizados em insertos SL (Ahrens et al.,
2001).

Um sistema de resfriamento alternativo para insertos SL foi proposto por
Ahrens et al. (2001). Esta técnica, denominada “Sistema de Canais de Fluxo de
Calor”, permite a extração de calor da peça moldada através do contato direto entre
a peça e a liga metálica de preenchimento nas regiões de maior concentração de
calor do inserto. O processo inicia-se com a obtenção dos moldes SL em forma de
casca. Neste caso particular, a casca é modelada em CAD com pequenos furos na
sua superfície para promover o contato direto do moldado com a liga metálica de
preenchimento. Para viabilizar o preenchimento da casca com a liga metálica, os
orifícios são projetados e fabricados com finos selos que são removidos
posteriormente na operação de pós-processamento. A seqüência de operações é
demonstrada na Figura 3.4.

#1 - Inserto em Casca
#2 - Inserto Sólido #3 - Conformal Cooling
água
peça
injetada
macho
cavidade
tubo de cobre
cascas SL
material de
preenchimento
macho
cavidade
peça
injetada
insertos sólidos
água
macho
cavidade
peça
injetada
insertos sólidos
canais fabricados no
inserto
linha de abertura
30
macho
em
casca
preenchimento
da parte traseira
selo
orifícios
com selos
superfície
do inserto
remoção dos selos
e acabamento
superficial
Peça
injetada
água
cavidade
tubo de cobre
cascas
SL
canais de fluxo
Sistema de Canais de Fluxo de Calor
macho


Figura 3.4 - Procedimento para a fabricação de insertos providos de canais de fluxo
de calor (Ahrens et al., 2001).

Os selos são necessários para que a liga metálica seja contida durante o seu
preenchimento. Após a solidificação da liga é realizado o pós-processamento dos
insertos, onde as superfícies são lixadas para amenizar o efeito degrau,
característico do processo de fabricação por camadas, e melhorar o acabamento
superficial. Nesta etapa são removidos os selos e a superfície da liga metálica é
exposta, sendo polida para ficar incorporada à superfície do molde. Pode-se optar
pela utilização de tubos de cobre no inserto SL para auxiliar a extração do calor do
metal. A Figura 3.5 ilustra um inserto fabricado utilizando esta técnica.





31









Figura 3.5 - Inserto provido de canais de fluxo de calor.

A eficiência do Sistema de Canais de Fluxo de Calor foi avaliada
numericamente e apresentou uma melhoria significativa em relação ao processo em
casca convencional, porém, a sua eficácia depende muito da geometria da peça.
Existem também alguns aspectos que ainda não foram estudados. Por exemplo, os
furos localizados no inserto podem originar concentração de tensões e tornar o
inserto suscetível à falha. Uma limitação do uso desta técnica refere-se ao
acabamento superficial da peça injetada, uma vez que os canais deixam marcas na
mesma.
Lafrata (2003) propôs um sistema de resfriamento baseado no uso de líquido
refrigerante sob pressão no qual um fluido exerce a função auxiliar de aumentar a
resistência mecânica da ferramenta. A solução adotada por este autor consiste em,
durante as fases de preenchimento e recalque, confinar o fluido refrigerante para
que ele faça o papel de suporte estrutural, através da aplicação do Princípio de
Pascal. Assim, o fluido age como uma porção “sólida”, e a pressão aumenta
conforme a intensidade do esforço aplicado. Este confinamento é realizado através
do fechamento de válvulas, posicionadas entre as tubulações conectadas aos
insertos e as mangueiras de distribuição do fluido de resfriamento (Figura 3.6). Ao
final da fase de recalque, as válvulas são abertas e inicia-se a fase de resfriamento
do moldado e do inserto.
canais de fluxo
de calor
32


Figura 3.6: Sistema de resfriamento avaliado por Lafrata (2003).

Segundo Lafrata (2003), o uso de fluidos de resfriamento confinados, como
suporte estrutural, a princípio cumpre sua função, desde que se garanta que o
módulo de elasticidade volumétrico ou coeficiente de compressibilidade do fluido
seja maior ou igual ao módulo de elasticidade da resina de estereolitografia. A
primeira vista, com base em simulações, o efeito da dilatação térmica do fluido de
resfriamento confinado – a água – sobre a deformação do inserto, não apresentou
valores significativos. Se o comportamento do módulo de elasticidade da resina
empregada, em função da variação de temperatura de operação, não for conhecido
à escolha do fluido de resfriamento adequado fica comprometida.

3.3 - Análise de falhas em insertos SL

Ao avaliar a vida útil dos insertos SL, deve-se ter em mente qual o objetivo do
usuário ao escolher este tipo de ferramenta. Frente ao atual estado de
desenvolvimento e pesquisa relativa ao uso de insertos SL é evidente que o campo
de aplicação desta técnica limita-se à fabricação de pequenos lotes de peças
plásticas injetadas. Portanto, não é razoável esperar que se obtenha resultados
similares aos dos moldes tradicionais, em termos de vida útil. A falha do inserto
ocorre quando torna-se impossível obter peças com a qualidade desejada com a sua
utilização.
33
A seguir serão descritos os esforços atuantes nos insertos durante o processo
de moldagem por injeção, bem como apresentados os tipos de falhas mais comuns
observadas no uso de insertos SL.

3.3.1 - Esforços atuantes nos insertos SL

Os carregamentos aos quais os insertos SL são submetidos durante o
processo de injeção não diferem muito daqueles observados em moldes metálicos.
Entretanto, os efeitos destas forças nos insertos SL são maiores haja visto os baixos
valores das propriedades mecânicas das resinas SL.
As forças de extração que atuam nos insertos SL dependem basicamente dos
parâmetros de processo, da geometria da peça e das propriedades dos materiais do
inserto e moldado. Durante o processo de injeção, a temperatura do moldado diminui
e a temperatura do inserto aumenta à medida que ocorre a troca de calor entre os
mesmos. Assim, a peça contrai e o inserto expande, promovendo uma interferência
entre as superfícies de contato. A força de extração (F
e
) deve ser superior a força de
atrito (F
at
), considerando o ângulo de saída θ utilizado. Esta por sua vez é avaliada
pelo produto da força de contato (F
N
) pelo coeficiente de atrito entre as superfícies
do inserto e do moldado (u), conforme ilustrado na Figura 3.7.









Figura 3.7 - Forças atuantes em insertos SL durante a extração da peça.

Alguns autores sugerem modelos teóricos para avaliar as forças de extração em
insertos SL (Hopkinson & Dickens, 2000; Giang & Colton, 2002). Estas
aproximações têm como objetivo avaliar a influência dos diversos parâmetros no
θ
Fe
Fat
F
N
Inserto Móvel
Peça
34
valor desta grandeza e propor alterações e procedimentos que visem minimizar os
seus efeitos. Hopkinson & Dickens (2000) por exemplo, avaliaram a utilização da
equação

( )
| | ) 4 / ( 2 / t D t D D
A E D T T
F
e m
e
γ
u α


= , (3.1)
onde
F
e
representa a força de extração;
T
m
a temperatura de amolecimento do material injetado;
T
e
a temperatura do material injetado no instante da extração;
A a área de contato entre a peça e o inserto na direção da extração;
D o diâmetro do núcleo (para o caso de geometrias similares àquela ilustrada
na Figura 3.7);
E o módulo de elasticidade do material injetado à temperatura T
e
;
α o coeficiente de expansão térmica do material injetado;
u o coeficiente de atrito entre as superfícies da peça e do inserto;
γ o coeficiente de Poisson do material injetado e
t a espessura da peça injetada.

A Equação 3.1 foi proposta por Glanville & Denton (1965) para avaliar forças de
extração em moldes convencionais para efeito de dimensionamento de pinos
extratores. Os resultados obtidos por Hopkinson & Dickens (2000) utilizando esta
equação, apresentaram valores aproximadamente 30% abaixo daqueles medidos
experimentalmente.
Segundo Giang & Colton (2002), a equação de Glanville & Denton (1965) não
considera a influência das propriedades do material do molde, o que compromete a
sua utilização para avaliar as forças atuantes em insertos SL. Estes autores
apresentaram um modelo teórico alternativo para avaliar as forças de extração neste
tipo de ferramenta, que considera não apenas as propriedades do material do
inserto como também dos parâmetros de construção utilizados. Este modelo é
baseado na seguinte equação (Giang & Colton, 2002):

F
e
= F
fric,therm
+ F
def, stair
(3.2)
35

onde
F
e
representa a força de extração;
F
fric,therm
a parcela da força devido aos efeitos da contração térmica e
F
def, stair
a parcela da força devido ao efeito degrau, proveniente do processo
de fabricação por camadas (ver Figura 3.8).

θ
l
δ

Figura 3.8 - Efeito degrau (adaptadado de Giang & Colton, 2002).

Os valores de F
fric,therm
e F
def,stair
podem ser determinados através das
equações


1 1
) ( * ) Sen - Cos ( * SA
F
2 2
2 2
therm fric,


+
|
|
.
|

\
|
+

+
∆ − ∆
=
m
m
p
m P
m P
P
m
m m m P P P
E r r
r r
E
r
r T r T
υ
υ
α α θ θ u
, e (3.3)


1 1
* *
* SA
F
2 2
2 2
2
stair def,


+
|
|
.
|

\
|
+

+
=
m
m
p
m P
m P
P
m
E r r
r r
E
r l
υ
υ
δ
, (3.4)
onde

os índices P e m representam peça e inserto respectivamente;
SA representa a área de contato entre as superfícies do inserto e do moldado;
u o coeficiente de atrito entre as superfícies da peça e do inserto;
θ o ângulo de saída;
α o coeficiente de expansão térmica;
36
∆T a mudança de temperatura ocorrida entre o início e o término do processo
de injeção;
E o módulo de elasticidade;
ν o coeficiente de Poisson;
r o raio hidráulico característico da aproximação utilizada (cilindro de paredes
espessas);
l a espessura de camada utilizada e
δ um fator geométrico, conforme ilustrado na Figura 3.8.

Giang & Colton (2002) aplicaram as equações para determinar as forças de
extração em insertos com vários tipos de geometrias (triangular, retangular,
hexagonal e circular). Os resultados obtidos apresentaram erros de
aproximadamente 10% em relação aos valores obtidos experimentalmente para a
geometria circular. Para as demais geometrias avaliadas os erros foram maiores,
cerca de 30%. Segundo estes autores os valores de forças calculadas a partir das
equações de Glanville & Denton (1965) apresentaram erros superiores àqueles
obtidos com as equações 3.3 e 3.4.
Os valores teóricos de força de extração calculados por Giang & Colton
(2002) foram obtidos utilizando valores experimentais de temperatura na Equação
3.3. Estes autores também sugerem o uso de um modelo numérico para determinar
a temperatura do conjunto inserto e peça. Tal aproximação no entanto, considera a
temperatura inicial em todo o inserto igual a 50
0
C, desprezando assim o gradiente
de temperatura existente no mesmo. Os resultados mostraram que, apesar do
modelo apresentar valores de temperatura próximos àqueles medidos
experimentalmente no ponto monitorado, os valores de forças de extração obtidos
apresentaram erros de até 40%.
A determinação das forças de extração atuantes em insertos SL não é trivial
uma vez que os parâmetros envolvidos não são fáceis de serem determinados.
Muitas vezes as forças avaliadas analiticamente não consideram certas
particularidades do processo. Por exemplo, se a extração da peça ocorrer
prematuramente, esta provavelmente irá aderir ao inserto provocando esforços
excessivos no mesmo. Como o inserto não permanece a uma temperatura
37
constante, a probabilidade deste tipo de problema ocorrer é muito grande, haja vista
a dificuldade de determinar o momento adequado para a extração da peça.
Outro parâmetro difícil de ser considerado na avaliação das forças de
extração é o efeito da pós-cura nas propriedades da resina. Cedorge et al. (1999)
apresentaram resultados experimentais que revelaram que insertos construídos com
a resina DuPont Somos SL 7110
©
e submetidos a um tratamento térmico posterior
apresentaram valores menores de força de extração (Figura 3.9). Segundo estes
autores, a alta rigidez e a fragilidade apresentada pelo material após a cura térmica,
torna-o menos passível a aderir à peça injetada. Além disso, ocorre uma diminuição
do coeficiente de expansão térmica do material, o que contribui para a diminuição da
força de extração, à medida que reduz a interferência entre o inserto e a peça.

0
20
40
60
80
100
120
140
160
2 3 4 5
Tempo de resfriamento (min)
F
e
x
t

(
N
)
Material pós-curado
Material à verde


Figura 3.9 - Efeito da cura na força de extração da peça, atuantes em um inserto SL
(adaptado de Cedorge et al., 1999).

Um fato observado por Cedorge et al (1999) foi a diminuição da força de
extração com o aumento do número de peças injetadas (Figura 3.10). Segundo
estes autores isto ocorre devido aos efeitos da cura térmica do material durante a
injeção no inserto, quando este fica exposto às altas temperaturas. Além disso, com
o aquecimento do inserto há uma diminuição na contração da peça e
conseqüentemente um decréscimo na aderência entre os mesmos.

38
0
20
40
60
80
100
120
140
0 10 20 30 40 50 60
Número do ciclo
F
o
r
ç
a

d
e

e
x
t
r
a
ç
ã
o
(
N
)
Força de extração
Força de extração (linear)


Figura 3.10 - Variação da força de extração com o número de peças injetadas (adaptado de
Cedorge et al., 1999).

Durante o processo de injeção, ocorre um gradiente de temperatura no inserto
que varia com o número de peças injetadas. Assim o inserto estará submetido a
tensões decorrentes deste carregamento. A Figura 3.11 apresenta as tensões
atuantes em um inserto 20 segundos após a injeção da peça, determinadas
numericamente. Pode-se observar que ocorrem valores altos de tensão que
aumentam ao longo do processo de injeção devido ao aquecimento do inserto














Figura 3.11 - Tensões térmicas atuantes em um inserto SL.
-4.9 -3.6 -2.3 -1.0 0.25 1.5 2.8 4.1 5.4 6,7 (MPa)
Insertos SL Bucha de injeção
39
As tensões térmicas geralmente são negligenciadas quando são avaliadas as
forças atuantes em insertos SL durante o processo de injeção. Estes esforços no
entanto são consideráveis, uma vez que o coeficiente de expansão térmica das
resinas é cerca de 10 vezes superior ao dos aços. Tais solicitações atuam durante
todo o processo e portanto combinadas com outros esforços como forças de
extração e de fechamento e pressões de recalque e injeção.
Outro esforço ao qual os insertos SL estão submetidos durante o processo de
moldagem por injeção é a força de fechamento, necessária para manter o molde
fechado durante o ciclo de injeção. O seu valor pode ser estimado multiplicando o
valor da pressão de recalque pela área projetada da cavidade. Os valores de
pressão utilizados no processo de injeção em insertos SL são relativamente baixos,
comparados àqueles utilizados em moldes convencionais (Beal et al., 2002). Assim,
as forças de fechamento requeridas quando se utilizam insertos SL são
normalmente baixas.
Durante o processo de injeção, é comum o operador inexperiente provocar a
ruptura do inserto SL, na tentativa de corrigir defeitos de rebarbas excessivas na
peça injetada, aumentando o valor da força de fechamento. Na maioria dos casos
este problema pode ser contornado reduzindo a velocidade de preenchimento ou
pressão de injeção. Porém, esta estratégia é ineficaz quando o problema de
rebarbas é decorrente de defeitos de planicidade das superfícies dos insertos. Neste
caso, a melhor solução é ajustar as superfícies de fechamento dos insertos antes do
seu uso.
As pressões de injeção, que promovem o fluxo de material polimérico através
dos canais de alimentação do inserto, podem provocar ruptura por cisalhamento ou
flexão em features
3
mais frágeis da cavidade, conforme ilustrado na Figura 3.12.
Valores altos de velocidade de injeção provocam rebarbas excessivas e até um
aumento da temperatura do polímero decorrente de atrito durante o preenchimento
da cavidade. A pressão de recalque por sua vez atua no inserto provocando tensões
de compressão no mesmo. Além disso, quanto maior a pressão de recalque
utilizada, maior será a força de fechamento requerida.



3
Termo que identifica características geométricas de um componente como saliências ou ressaltos.
40











Figura 3.12 - Efeito do fluxo polimérico nas paredes do inserto.

3.3.2 - Tipos de falhas observadas em insertos SL

Não há um entendimento claro entre os pesquisadores com relação aos tipos
de falhas que ocorrem nos insertos SL durante o processo de injeção e das suas
respectivas falhas. Entretanto é possível classificar os tipos de falhas em quatro
categorias gerais, de acordo com a sua localização no inserto, com base em
observações e de resultados apresentados por diferentes pesquisadores.

3.3.2.1 - Ruptura generalizada do inserto

A falha generalizada ocorre principalmente de maneira catastrófica com uma
rachadura do inserto na região da cavidade (ver Figura 3.13). Acredita-se que este
tipo de falha ocorre geralmente devido a uma combinação de esforços atuando no
inserto quando a sua resistência é reduzida por efeito das temperaturas de injeção.










Figura 3.13 - Ruptura generalizada em um inserto SL.
fluxo de material
polimérico
feature
inserto fixo
inserto móvel

41
O uso de forças de fechamento excessivas pode provocar a ruptura dos
insertos SL no primeiro ciclo de injeção. Em outros casos, o inserto quebra após a
injeção de um determinado número de peças devido a uma combinação dos efeitos
da força de fechamento e da temperatura, que causam uma diminuição da
resistência do material ao impacto e um aumento das tensões térmicas.
Os efeitos combinados de temperatura e esforços de extração podem
provocar a ruptura generalizada dos insertos SL. À medida que peças são injetadas,
a temperatura e conseqüentemente as tensões de compressão devido à expansão
térmica do inserto aumentam enquanto que a tensão de ruptura da resina SL
diminui. O inserto torna-se então menos resistente a esforços de flexão e pode
romper por efeito das forças de extração.

3.3.2.2 - Ruptura de features

A ruptura localizada do inserto na região de features foi reportada por
Rahmati & Dickens (1997) e Cedorge et al. (1999). Estes autores mostraram que a
utilização de pressão ou velocidade de injeção alta pode provocar a ruptura de
features cuja relação entre a altura e a espessura seja muito superior a 1. Este tipo
de falha, ilustrada na Figura 3.14, ocorre devido à flexão e ao cisalhamento
provocado pelo fluxo polimérico, combinado com a redução na tensão de ruptura do
material devido ao seu aquecimento.











Figura 3.14 – Rompimento de uma feature em um inserto SL.

42
A força de extração, considerada por muitos autores a principal causa da
falha de insertos SL (Hopkinson, 1999; Cedorge et al., 1999), também provoca a
ruptura de features. Este problema pode ocorrer quando a temperatura do inserto
está muito alta ou quando o tempo de resfriamento utilizado é muito grande, o que
provoca uma aderência maior entre peça e o inserto. Finalmente, o inserto pode
apresentar falhas em features no momento do fechamento do molde devido à
interferência entre as superfícies causada pela expansão térmica, caso a linha de
partição não tenha sido definida adequadamente.

3.3.2.3 - Ruptura localizada da camada superficial do inserto

Algumas resinas como a DuPont Somos SL 7110
©
e a Ciba Tools SL 5170
©

tornam-se excessivamente frágeis e quebradiças devido à sua exposição às
temperaturas de injeção. Assim é comum parte da camada superficial do inserto se
soltar durante a sua utilização. Isto ocorre principalmente na região próxima ao ponto
de injeção onde as temperaturas são maiores (ver Figura 3.15). Este tipo de falha,
apesar de não ser catastrófica, na maioria das vezes inutiliza os insertos pois
inviabiliza a obtenção de peças com o acabamento superficial desejado. Além disso,
torna a região em questão mais suscetível a romper-se por efeito de outros tipos de
carregamentos.










Figura 3.15 - Inserto com ruptura localizada da camada superficial.

43
A afinidade química entre o material injetado e a resina também pode ocasionar
a ruptura da camada superficial do inserto. Dependendo da temperatura nas regiões
de contato (se elevadas) e da afinidade química entre os materiais, o material
injetado pode aderir ao inserto, aumentado a força de extração e as tensões
atuantes nas regiões de cantos vivos onde o efeito degrau é mais acentuado. Cabe
salientar que no caso de polímeros, as temperaturas nas quais o processo de
difusão pode ocorrer são bem menores do que nos metais. Este efeito é ainda mais
significativo quando as propriedades mecânicas da resina estão reduzidas devido ao
aquecimento do inserto, conforme citado anteriormente.

3.3.2.4 - Falhas devido a deformações excessivas

As deformações permanentes, que ocorrem nos insertos SL durante o
processo de injeção, podem comprometer a sua utilização devido a problemas
dimensionais. Conforme ilustrado na Figura 2.10, o módulo de elasticidade do
material apresenta uma redução significativa quando a sua temperatura é
aumentada, o que torna o inserto suscetível a deformações excessivas. Assim é
comum os insertos apresentarem problemas de falta de planicidade e,
conseqüentemente, rebarbas excessivas na peça, após um determinado número de
peças serem injetadas.
Na Figura 3.16 é apresentado um inserto após o uso na fabricação de peças
plásticas injetadas. Pode-se verificar que ocorreram deformações permanentes ao
redor da cavidade e do canal de alimentação, devido à ação das forças inerentes ao
processo de injeção, atuando no inserto aquecido. As peças injetadas apresentaram
rebarbas excessivas.








44








Figura 3.16 - Deformações plásticas em um inserto SL.

3.4 - Avaliação da vida útil dos insertos SL

A falha dos insertos de estereolitografia gera uma insegurança nos eventuais
usuários desta tecnologia. O número de peças que podem ser moldadas em insertos
SL depende de vários fatores como parâmetros do processo de injeção, parâmetros
de construção do inserto, comportamento do material e principalmente da sua
geometria. Para obter o maior número de peças possível é necessário conhecer a
influência de cada uma destas variáveis na resistência dos insertos e nos esforços
atuantes nos mesmos. Desta forma, pode-se projetá-los e usá-los com maior
discernimento e conseqüentemente explorar melhor os recursos que esta técnica
oferece.
De acordo com o descrito anteriormente, as maiores dificuldades observadas
até o momento no uso dos insertos SL são decorrentes da ineficiência do sistema de
resfriamento, haja vista a baixa condutividade térmica apresentada pelas resinas SL.
Contudo, este problema pode ser minimizado se determinados aspectos forem
considerados durante o projeto e uso dos insertos. A seguir será avaliada a
influência de vários parâmetros na vida útil dos insertos SL, bem como apresentadas
algumas recomendações baseadas em resultados experimentais obtidos por autores
que desenvolvem pesquisas nesta área.



deformações permanentes
45
3.4.1 - Influência dos parâmetros de construção na vida útil dos insertos SL

Os parâmetros utilizados durante a fabricação dos insertos SL (ver Figura 2.4)
determinam o grau de cura do inserto e a sua rugosidade. Estes por sua vez
influenciam nas propriedades mecânicas do material e nas forças de extração
respectivamente. Desta forma, mudanças em variáveis como a espessura da
camada, a orientação de construção e a distância entre os filetes, alteram a
resistência mecânica do inserto e os esforços aos quais estes estarão submetidos
durante o processo de injeção.

3.4.1.1 - Espessura das camadas (Rugosidade)

Giang & Colton (2002) sugerem uma equação para quantificar a rugosidade
dos insertos SL em função dos parâmetros de construção. Esta expressão (Equação
3.5) também foi utilizada na dedução da Equação 3.4
.
A Figura 3.17 ilustra os
parâmetros envolvidos no cálculo da rugosidade de acordo com a proposta destes
autores.

+
|
|
.
|

\
|
+
− = θ θ Sen l Cos
l OC
OC
C R
Lw a
1 * 25 . 0 (3.5)

LW
CLW
l
OC
δ
θ

Figura 3.17 - Modelagem da rugosidade superficial dos insertos SL (Giang & Colton,
2002).
Giang & Colton (2002) desenvolveram experimentos utilizando as resinas
DuPont Somos SL 7510
©
e SL 7110
©
para fabricar e testar insertos com várias
46
geometrias, para validar a equação acima. Os resultados mostraram que, como
esperado, um acréscimo da espessura de camada utilizada durante a construção
aumenta a rugosidade do inserto. O mesmo comportamento foi observado para a
força de extração.
Hopkinson et al. (1999) estudaram a influência da espessura de camada e
conseqüentemente da rugosidade do inserto nas forças de extração. Estes autores
fabricaram insertos com a resina CibaTool SL 5190
©
, utilizando espessuras de 0.05
mm, 0.1 mm e 0.15 mm. Conforme ilustrado na Tabela 3.1, quanto maior a
espessura da camada, maior será a rugosidade do inserto. Nesta tabela também são
apresentados os valores de rugosidade do inserto após a injeção de 40 peças. Os
resultados mostraram que não ocorrem mudanças significativas nos valores desta
grandeza decorrentes do processo de injeção, apesar do pequeno aumento
verificado naquele inserto fabricado utilizando uma espessura de camadas de 0.15
mm.

Tabela 3.1 - Valores medidos de rugosidade de insertos construídos com diferentes
espessuras de camadas (adaptado de Hopkinson et al., 1999)
Espessura da Camada
(mm)
Rugosidade média
antes da moldagem
(u)
Rugosidade média
após a moldagem (u)
Forças de
extração medidas
(N)

0.05 3 3 183
0.1 10 9 290
0.15 15 17 497

A Tabela 3.1 apresenta os valores medidos de forças de extração em função
da espessura de camadas utilizadas na construção. Como pode ser visto,
espessuras de camadas maiores e conseqüentemente maiores rugosidades, induz
em maiores valores de forças de extração devido ao aumento da força de atrito entre
as superfícies do inserto e do moldado. Este resultado contraria aqueles previstos
pela Equação 3.4 uma vez que a espessura de camada “l” aparece no denominador
daquela expressão (apesar de também influenciar o valor de δ). Os resultados
experimentais obtidos por Giang & Colton (2002) também sugerem esta tendência.
47
De uma maneira geral o uso de pequenas espessuras de camadas promove
um melhor acabamento superficial do inserto SL. Assim, a rugosidade do inserto é
menor e conseqüentemente as forças atuantes no mesmo durante a extração da
peça injetada são também minimizadas. Portanto, pode-se esperar um aumento da
vida útil do inserto quando espessuras mínimas de camadas são utilizadas, apesar
do aumento do seu custo de fabricação.

3.4.1.2 - Distância entre filetes de cura

A máquina de estereolitografia permite ao usuário determinar a distância entre
os filetes curados durante a fabricação da peça (ver Figuras 2.4 e 2.5). Quando esta
grandeza é definida de maneira tal que haja uma superposição das trajetórias do
laser, provavelmente a quantidade de resina não curada será menor. Assim, a pós-
cura da resina devido aos efeitos das temperaturas de injeção serão minimizados.
Além disso, a probabilidade da ocorrência de micro-fissuras será também reduzida.
O efeito descrito no parágrafo anterior foi avaliado por Salmoria et al. (2003).
Estes autores construíram peças com a resina DuPont Somos 7110
©
utilizando
espaçamento entre filetes de 0.05 mm, 0.1 mm e 0.15 mm e avaliaram o
comportamento termomecânico de cada peça fabricada. Os resultados, ilustrados na
Figura 3.18, revelaram que a peça fabricada utilizando espaçamento entre filetes de
0.15 mm apresentou maiores contrações (resultados similares àqueles ilustrados na
Figura 3.6), mostrando que a resina estaria mais propícia a apresentar cura adicional
devido aos efeitos da temperatura.


48
Dilatometria em Z (diferentes linhas)
-4
0
4
8
12
16
20
24
0 50 100 150 200 250
Temperatura (
o
C)
d
L
/
L

(
e
e
-
0
3
)

Figura 3.18 – Resultados do ensaio de dilatometria em peça fabricadas com diferentes
valores de espaçamento entre filetes (Salmoria et al., 2003).

3.4.2 - Influência dos parâmetros de projetos na vida útil dos insertos SL

3.4.2.1 - Ângulo de saída

O ângulo de saída tem grande influência na rugosidade e nas forças de
extração atuantes nos insertos SL. Como pode ser visto na Figura 3.7, quanto maior
o ângulo de saída θ, menor será a força de extração F
e
. Contudo esta relação não é
direta quando se trata de insertos fabricados pelo processo de estereolitografia,
conforme descrito por alguns autores.
Cedorge et al. (1999) estudaram a influência do ângulo de saída e da
espessura de camadas nas forças de extração. Estes autores construíram insertos
com a resina Vantico SL 7110
©
, variando o ângulo de saída de 1 a 6 graus e
utilizando espessuras de camadas de 0.05 mm, 0.1 mm e 0.2 mm, respectivamente.
Os resultados revelaram que a relação entre o ângulo de saída e a força de extração
depende da espessura de camada utilizada na fabricação do inserto. Conforme
ilustrado na Figura 3.19, um aumento da espessura da camada torna o inserto tão
sensível à rugosidade que um acréscimo do ângulo de saída pode até mesmo
aumentar a força de extração da peça. Além disso, o efeito degrau torna-se mais
significativo para ângulos maiores.

0.15 mm
0.10 mm
0.05 mm
49
0
10
20
30
40
50
60
70
80
1 5
Ângulo de saída
F
e

(
N
)

0
50
100
150
200
250
1 2 3 4 5
Ângulo de saída
F
e

(
N
)


(a) Espessura de camada 50 um (b) Espessura de camada 203 um

Figura 3.19 - Influência da espessura de camada e do ângulo de saída na força de extração
(adaptado de Cedorge et al., 1999).

Os resultados apresentados por Cedorge et al (1999) mostraram que o ângulo
de saída a ser adotado no projeto dos insertos SL deve ser definido considerando-se
a espessura de camadas utilizada, a fim de garantir menores forças de extração da
peça. Assim os efeitos deste carregamento podem-se minimizados.

3.4.2.2 - Dimensões das features

A influência das dimensões das features na vida útil dos insertos SL foi
estudada por Cedorge et al. (1999). Estes autores construíram insertos utilizando a
resina DuPont Somos SL 7110
©
variando a razão de aspecto (relação largura e
espessura) e razão de comprimento (relação comprimento e espessura) das
nervuras. Peças foram injetadas até que ocorresse a ruptura do inserto. Os
resultados mostraram que a utilização de features com maior razão de aspecto e
menor razão de comprimento pode aumentar a vida útil do inserto.
Os resultados obtidos por Cedorge et al. (1999) revelaram também que as
dimensões das features, bem como a sua localização, determinam como estas irão
falhar. Features localizadas próximas ao ponto de injeção falharam por flexão devido
ao fluxo polimérico. Pequenos pedaços das nervuras que apresentavam maior razão
de aspecto quebraram devido à força de extração. Finalmente, as que apresentavam
razão de comprimento elevada foram completamente removidas. Ao avaliarem estes
50
resultados os autores afirmam que a razão de comprimento é determinante para a
vida útil do inserto

3.4.2.3 - Linha de partição

A linha de partição é definida como o contorno onde ocorre o contato entre os
insertos fixo e móvel durante o fechamento do molde (Figura 3.20). Este talvez seja
o parâmetro de projeto que mais influencia na vida útil do inserto e na qualidade da
peça injetada. As peças fabricadas pelo processo de estereolitografia estão sujeitas
a variações dimensionais maiores do que aquelas fabricadas pelos processos
convencionais de corte. Assim, é comum os insertos SL apresentarem espaços entre
as suas superfícies após o fechamento do molde, ou seja, o molde não fecha
completamente causando rebarbas excessivas nas peças.









Figura 3.20 – Linha de partição de um inserto de estereolitografia.

Outro problema que pode ocorrer nos insertos SL decorrente de uma linha de
partição mal definida é a ruptura de uma pequena parte do inserto. Linhas de
partição que necessitam de uma maior precisão dimensional podem acarretar em
interferência entre as superfícies e conseqüentemente a falha localizada, até mesmo
em insertos metálicos (Figura 3.21). Este problema pode ser agravado pelo
aquecimento do material durante o processo de injeção, uma vez que o coeficiente
de expansão térmica das resinas SL são normalmente dez vezes superior aos dos
aços.

51













Figura 3.21 – Inserto metálico com rompimento na linha de partição (em destaque).

3.4.3 - Influência dos parâmetros de injeção na vida útil dos insertos SL

3.4.3.1 - Efeitos da temperatura de injeção

A temperatura de injeção promove um aquecimento do inserto ao longo do
processo de injeção. Portanto, este parâmetro irá promover, para alguns casos, uma
pós-cura térmica do material do inserto, alterando as suas propriedades mecânicas,
conforme descrito na Seção 2.1.2. Outro efeito das temperaturas de injeção é a
diminuição das propriedades mecânicas da resina SL à medida que peças são
injetadas e a temperatura do inserto aumenta (ver Figuras 2.8 e 2.9).
Além dos efeitos sobre as propriedades mecânicas da resina, a temperatura
de injeção também influencia nos esforços atuantes nos insertos. Quanto maior a
temperatura de injeção maior será a temperatura média do inserto após a
estabilização do processo e portanto maiores serão as tensões térmicas atuantes.
Assim, espera-se que com a utilização de insertos SL para fabricação de peças com
termoplásticos cujas temperaturas de injeção recomendadas sejam altas, a vida útil
do inserto seja reduzida. Recomenda-se portanto a utilização de temperaturas
inferiores àquelas recomendadas pelo fornecedor do material injetado, haja vista que
52
neste caso a temperatura do molde é superior àquela observada durante o uso de
moldes metálicos.

3.4.3.2 - Efeitos da força de fechamento

As forças de fechamento podem causar a falha do inserto no primeiro ciclo de
injeção se não forem corretamente estabelecidas. O choque entre as superfícies do
inserto no momento do fechamento do molde pode quebrá-lo, uma vez que as
resinas SL diminuem a sua resistência ao impacto quando aquecidas. A
recomendação usual é aumentar gradualmente a força de fechamento e utilizar o
menor valor possível.

3.4.3.3 - Efeitos das pressões de injeção e recalque

As baixas resistências mecânicas apresentadas pelas resinas SL tornam os
insertos SL suscetíveis a falhas sob ação das pressões de injeção e recalque. Tal
como no caso da força de fechamento, a recomendação usual é utilizar os menores
valores possíveis destas grandezas, sem contudo comprometer a qualidade da peça
injetada. Altas pressões de injeção podem provocar a ruptura de features, conforme
ilustrado na Figura 3.12.

3.4.3.4 - Efeitos do tempo de resfriamento da peça

A determinação do tempo de resfriamento da peça depende basicamente da
geometria, do material injetado e das propriedades do material do molde. Para os
moldes metálicos, este parâmetro é definido considerando-se o tempo necessário
para que a peça seja extraída sem apresentar deformações excessivas. Neste caso,
tempos de resfriamento longos são indesejáveis pois diminui a produtividade do
processo.
O tempo de resfriamento da peça tem uma conotação diferente quando se
trata de injeção em insertos SL. Como se trata de um processo utilizado para a
fabricação de pequenos lotes de peças, o fator produtividade é secundário. Assim,
deve-se considerar fundamentalmente a influência desta variável na vida útil do
inserto na sua determinação, a fim de garantir que um maior número de peças possa
53
ser injetada. Além disso, como o inserto aumenta a sua temperatura gradativamente,
a determinação desta grandeza não é trivial e deve ser realizada considerando a
temperatura do inserto no início do ciclo de injeção, quando for utilizado o
procedimento de resfriar o inserto entre os ciclos de injeção.
Hopkinson (1999) avaliou os efeitos do tempo de resfriamento da peça nas
forças de extração atuantes em insertos SL. Como pode ser visto na equação 3.1,
quanto menor o valor da temperatura do moldado no instante da injeção (T
e
) e
portanto a diferença (T
m
- T
e
), maior será o valor da força calculada. Esta tendência
foi comprovada experimentalmente por este autor, conforme apresentado
graficamente na Figura 3.22, onde a força de extração aumenta à medida que se
permite um maior tempo de resfriamento da peça antes da sua extração.

0
100
200
300
400
500
600
0 100 200 300 400 500
Tempo de resfriamento da peça (segundos)
F
o
r
ç
a

d
e

e
x
t
r
a
ç
ã
o

(
N
)

Figura 3.22 – Influência do tempo de resfriamento da peça nas forças de extração
(adaptado de Hopkinson, 1999).

Os experimentos realizados por Hopkinson (1999) mostraram que a
temperatura do inserto no instante da extração deve ser considerada na
determinação do tempo de resfriamento a ser adotado. Os resultados apresentados
indicaram que a peça deve ser extraída o mais cedo possível, quando as forças
necessárias para a sua extração são menores. Contudo, a temperatura do inserto
aumenta lentamente devido à baixa condutividade térmica da resina SL. Assim, abrir
o molde prematuramente pode não ser a melhor estratégia uma vez que a
resistência mecânica do inserto pode estar reduzida por efeito das altas
temperaturas.
54
3.5 - Considerações finais

Os trabalhos experimentais desenvolvidos por vários pesquisadores
forneceram informações importantes que permitiram um maior discernimento a
respeito do uso de insertos SL. Estes estudos revelaram, por exemplo, que a
influência de parâmetros de projeto como dimensões das features e ângulo de saída
devem ser definidos, considerando aspectos particulares como estilo de construção
utilizado e a baixa resistência mecânica das resinas SL.
Os esforços atuantes nos insertos SL durante o processo de injeção,
aparentemente são diferentes daqueles que agem nos moldes metálicos. Hopkinson
(1999) por exemplo, mostrou experimentalmente que os valores de forças de
extração atuantes em insertos SL são cerca de 40% maiores do que aqueles que
atuam em insertos de alumínio, para as condições utilizadas por este autor. As
tensões térmicas por sua vez, não foram consideradas nas análises desenvolvidas
pelos pesquisadores citados neste capítulo, apesar das resinas SL apresentarem um
coeficiente de expansão térmica cerca de dez vezes superior aos dos aços.
Os parâmetros de injeção também devem ser definidos cuidadosamente pois
a sua influência na vida útil do inserto é decisiva. De uma forma geral, os valores
destas grandezas são significativamente menores para insertos SL comparados
àqueles utilizados em moldes metálicos. Um parâmetro mal definido pode provocar a
ruptura generalizada do inserto SL nos primeiros ciclos de injeção.
A principal discordância observada entre os trabalhos publicados sobre o uso
de insertos SL reside na melhor técnica de resfriamento a ser adotada e no
momento mais adequado para a extração da peça. Análises experimentais e
numéricas mostraram que a fabricação de insertos em forma de casca e o
preenchimento posterior da parte traseira com metal, não aumenta
significativamente a eficiência térmica do inserto, principalmente durante os
primeiros ciclos de injeção. Em relação ao momento da extração, Decelles & Barrit
(1996) sugerem um tempo maior de resfriamento da peça enquanto que Hopkinson
(1999) sugere que a peça seja extraída o quanto antes, para evitar a falha do inserto
por ação das forças de extração.
Apesar de Rahmati & Dickens (1997) sugerirem que a falha dos insertos SL
ocorre devido à fragilidade do material a elevadas temperaturas, as pesquisas
subseqüentes buscaram avaliar os fatores que influenciam nas forças de extração,
55
visando minimizar os seus efeitos. Em outras palavras, os pesquisadores preferiram
minimizar os efeitos dos esforços ao invés do efeito da temperatura nas
propriedades mecânicas da ferramenta.
56
CAPÍTULO 4


AVALIAÇÃO DO EFEITO DOS CICLOS TÉRMICOS CARACTERÍSTICOS DO
PROCESSO DE INJEÇÃO NAS PROPRIEDADES MECÂNICAS DA RESINA
VANTICO SL 7560
®



4.1 - Introdução

Com base no que foi descrito nos Capítulos 2 e 3 é possível verificar que as
falhas dos insertos SL durante a moldagem por injeção têm ocorrido
fundamentalmente em função do comportamento do material e dos esforços
atuantes na moldagem e na extração da peça injetada. Em decorrência disto, os
pesquisadores têm procurado avaliar isoladamente a influência dos diferentes
efeitos, apresentados no diagrama da Figura 4.1, desconsiderando, no entanto, os
possíveis efeitos causados pelos ciclos térmicos característicos do processo de
injeção nas propriedades mecânicas das resinas SL.















Figura 4.1 - Principais parâmetros envolvidos no projeto e uso de insertos SL.

Falhas dos insertos
Sl
Esforços atuantes
Comportamento
do material
Fadiga mecânica
Envelhecimento
térmico
Efeito da
temperatura

rup
x temp)
Forças de
fechamento
Forças de extração
Pressões de injeção e
recalque
Tensões térmicas
Temperatura
constante
Ciclos
térmicos
57
Colton et al. (2001) mostraram que não ocorreu fadiga mecânica nas resinas
CibaTool 7510
®
e DuPont Somos 7110
®
quando mil ciclos de flexão com um
milímetro de amplitude foram aplicados. Portanto, parece ser improvável que este
fenômeno ocorra durante o processo de injeção quando o número e a amplitude dos
ciclos são expressivamente mais baixos. Além disso, as pesquisas desenvolvidas
por estes autores revelaram que o fator de intensidade de tensão K
Ic
e, portanto, a
resistência destes materiais à propagação de trincas, foi praticamente inalterada
pelo processo de pós-cura.
McLaughlin Jr (1996), Colton & Blair (1999) e Salmoria et al. (2002)
mostraram que as resinas CibaTool 5170
®
e DuPont Somos 6110
®
e 7110
®

apresentam um aumento nas suas propriedades mecânicas a temperatura ambiente
(tensão máxima e módulo de elasticidade) quando submetidos a tratamentos
térmicos. Estes resultados sugerem que a exposição destes materiais a elevadas
temperaturas não promove um envelhecimento térmico dos mesmos. Entretanto,
estes autores não avaliaram os efeitos dos ciclos térmicos nestas propriedades.
Os efeitos da temperatura nas propriedades mecânicas das resinas CibaTool
SL 5170
®
e Vantico SL 7560
®
, ilustrados nas Figuras 2.7 e 2.8, foram apresentados
por Hague (1997) e Saleh (2002), respectivamente. Os resultados mostraram que
ocorre uma diminuição de até 90 % destas grandezas quando estes materiais são
aquecidos a 100
0
C, tornando o inserto sujeito à falhas devido à ação dos esforços
inerentes ao processo de injeção.
Alguns autores assumem que a força de extração é a principal causa das
falhas dos insertos SL. Contudo, os resultados apresentados por Cedorge et al.
(1999) e Hopkinson et al. (1999) revelaram que esta grandeza não aumenta com o
número de peças injetadas (Figura 3.10). Outros esforços como as pressões de
injeção e recalque e a força de fechamento também não apresentam alterações que
justifiquem a falha dos insertos. Assim, pode-se considerar que, se o inserto não
quebra no início do processo por efeito destes esforços, é improvável que esta seja
a única razão para a sua falha.
Durante o processo de injeção a temperatura do inserto é aumentada até que
o processo estabilize, quando então o perfil de temperatura do mesmo apresenta-se
em regime permanente cíclico. Desta forma, o que ocorre durante o processo de
injeção é um aumento das tensões térmicas e uma redução da resistência mecânica
58
da resina por efeito do incremento de temperatura. Portanto, é provável que a falha
do inserto ocorra devido a uma combinação de esforços atuando neste, quando o
material está a uma temperatura mais elevada e conseqüentemente menos
resistente.
Acredita-se que uma maneira de aumentar a vida útil dos insertos SL é iniciar
o ciclo de injeção quando a sua temperatura estiver mais baixa, ou seja, quando o
inserto estiver mais resistente aos esforços aos quais estará submetido. Isto pode
ser realizado adotando o procedimento de resfriar o inserto entre ciclos de injeção
consecutivos, considerando uma temperatura de referência determinada a partir do
gráfico da tensão máxima versus temperatura da resina utilizada. Contudo, existem
alguns aspectos que devem ser avaliados antes de adotar a estratégia supracitada,
a fim de garantir que este procedimento não venha afetar as características do
material do inserto.
O procedimento de resfriar o inserto entre ciclos de injeções consecutivos
altera a amplitude dos ciclos, apesar de diminuir a temperatura máxima atingida pelo
inserto. Os experimentos descritos nos capítulos 3 e 4 e desenvolvidos por diversos
autores para avaliar os efeitos da temperatura nas propriedades mecânicas da
resina, não avaliaram os efeitos dos ciclos de temperatura nestes parâmetros,
tampouco o que ocorre com o material quando estes ciclos são alterados. Sendo
assim, torna-se necessário desenvolver um experimento para avaliar tal
comportamento, antes de se estabelecer uma sistemática para o uso dos insertos SL
considerando esta estratégia.

4.2 - Desenvolvimento do experimento

4.2.1 Justificativa e objetivos gerais

Ensaios experimentais realizados com resinas utilizadas no processo de
estereolitografia mostraram que este tipo de material apresenta uma significativa
redução nas suas propriedades mecânicas quando aquecidos (Colton & Bryan,
1999). Experimentos adicionais mostraram que os tratamentos de pós-cura térmica
aos quais estes materiais são geralmente submetidos, onde são aquecidos e
mantidos a altas temperaturas durante um determinado período de tempo,
aumentam os seus valores de tensão máxima e módulo de elasticidade. Estes
59
resultados sugerem que a falha dos insertos SL pode ser causada pelo seu
aquecimento durante o processo de injeção.
Baseados nos resultados supracitados, autores sugerem o procedimento de
resfriar o inserto entre ciclos de injeção consecutivos de maneira a minimizar os
efeitos da temperatura na tensão máxima do material. Neste caso, o inserto estaria
sendo submetido a ciclos de aquecimento e resfriamento subseqüentes durante a
sua utilização, com valores máximo e mínimo inferiores àqueles observados durante
o processo tradicionalmente utilizado. Sendo assim, faz-se necessário avaliar se
este tipo de carregamento térmico tende a promover alguma alteração significativa
nas propriedades mecânicas da resina. Neste contexto, o experimento descrito a
seguir tem por objetivo avaliar o eventual envelhecimento térmico de resinas SL,
durante o processo de injeção, utilizando a resina Vantico SL 7560
®
, bem como
determinar as propriedades mecânicas deste material.

4.2.2 - Materiais e métodos

Os efeitos dos ciclos de injeção nas propriedades mecânicas da resina
Vantico SL 7560
®
foram avaliados submetendo corpos de prova de tração à ação da
temperatura durante o processo de injeção e posteriormente ao ensaio de tração.
Para isso foi necessário projetar um inserto, onde os corpos de prova foram
posicionados, e utilizá-lo na fabricação de peças injetadas. Desta forma, o
experimento foi desenvolvido em quatro etapas que podem ser descritas como
segue.

ETAPA 1 - PROJETO E AVALIAÇÃO DO INSERTO

O objetivo desta etapa foi projetar e avaliar o inserto utilizado no processo de
moldagem por injeção. Desta forma foi projetado um inserto provido de cavidades
onde os corpos de prova de tração foram posicionados. Foi realizado um teste
preliminar onde o inserto foi construído e utilizado na fabricação de peças injetadas
para avaliar o seu projeto.

60
ETAPA 2 – DETERMINAÇÃO DOS PARÂMETROS DE PROCESSO

O objetivo desta etapa foi definir os parâmetros de processo como, por
exemplo, o número de peças injetadas para cada corpo de prova. Assim, o inserto
foi utilizado no processo de moldagem por injeção, durante o qual a temperatura de
um determinado ponto do inserto foi monitorada. Os resultados indicaram que o
ponto monitorado foi submetido a ciclos de temperatura durante o processo de
injeção. Além disso, a temperatura máxima atingida pelo ponto variou em função da
sua temperatura no início do ciclo de injeção.

ETAPA 3 – APLICAÇÃO DOS CICLOS DE INJEÇÃO NOS CORPOS DE PROVA DE TRAÇÃO

Nesta etapa os corpos de prova de tração foram submetidos aos ciclos de
injeção. O inserto foi resfriado entre ciclos de injeção consecutivos até a sua
temperatura atingir um determinado valor, denominado de temperatura de
referência. Foram adotados diferentes valores de temperaturas de referência e
número de peças injetadas, para submeter os corpos de prova a varias condições de
carregamento térmico.

ETAPA 4 – ENSAIOS A TRAÇÃO

Nesta etapa foi avaliada a variação das propriedades mecânicas do material
devido à sua exposição aos ciclos térmicos. Foi realizado um ensaio de tração em
um conjunto de peças submetido apenas a pós-cura em forno Ultra Violeta. Estes
resultados foram considerados padrão de comparação para identificar as eventuais
variações das propriedades mecânicas da resina.

4.2.3 – Materiais e equipamentos utilizados

Todos os insertos e corpos de prova utilizados foram construídos no
equipamento 3D Systems SLA 7000
®
usando a resina Vantico SL7560
®
. As
dimensões dos corpos de prova foram definidas segundo a norma BS EN ISO 527-2:
1996, para ensaios de tração em peças plásticas. Após a fabricação e limpeza, as
61
peças foram submetidas à radiação de luz ultravioleta durante 1 hora em um forno
apropriado.
Uma injetora Battenfeld
®
(TM 750/210) foi utilizada para injetar polipropileno
fornecido pela Solvay. Termopares tipo K, acoplados a um sistema de aquisição de
dados conectado a um computador Pentium 133 MHz, foram fixados no inserto
móvel para monitorar a temperatura do mesmo durante o processo de moldagem por
injeção.
Para desenvolver os ensaios de tração foi utilizada uma Zwick - Material Test
Machine (TC-FR030TH.A1K) conectada a um computador Pentium 266 MHz.

4.2.4 - ETAPA 1 – DESCRIÇÃO E RESULTADOS

Inicialmente foi projetado o inserto ilustrado na Figura 4.2. Este inserto é
provido de seis cavidades em forma de réguas e cavidades adicionais no formato do
corpo de prova para o ensaio de tração, nos quais estes foram posicionados. Como
pode ser visto na figura, os insertos móvel e fixo permitem que dois conjuntos de
seis corpos de prova sejam posicionados. Assim, os conjuntos de corpos de prova
foram submetidos a ciclos de temperatura diferentes.

FIXO MÓVEL











Figura 4.2 - Insertos utilizados no experimento da Etapa 1.

cavidades para
posicionamento dos
canal de injeção cavidades de preenchimento
em forma de réguas
62
O primeiro conjunto de corpos de prova foi posicionado no inserto móvel,
entre duas cavidades adjacentes. O segundo conjunto foi posicionado no inserto fixo
sobre a cavidade e, portanto, em contato direto com o plástico injetado. Para cada
conjunto de corpos de prova, cinco peças foram usadas no ensaio de tração (dez no
total), para efeito de controle estatístico. O sexto corpo de prova poderia ser utilizado
como sobressalente.
Uma dificuldade encontrada no início do projeto do molde foi na determinação
das dimensões adequadas das cavidades nas quais os corpos de prova seriam
posicionados. Tais dimensões deveriam permitir a fácil montagem dos corpos de
prova, bem como evitar que estes se deslocassem antes que a quantidade desejada
de peças fosse injetada. Dois testes preliminares foram realizados alterando as
dimensões originais das cavidades dos corpos de prova, obtendo assim suas
dimensões finais, conforme ilustrado na Figura 4.3. Para facilitar a desmontagem
dos corpos de prova, foram construídos cortes na extremidade do inserto (Figura
4.3). Assim, uma chave de fenda poderia ser utilizada para auxiliar a retirada dos
corpos de prova após o processo de injeção.













Figura 4.3 - Dimensões dos corpos de prova e das cavidades dos corpos de prova.

Dois termopares foram utilizados para monitorar a temperatura dos corpos de
prova durante o processo. Um dos termopares foi posicionado em um corpo de
prova (termopar 1) e outro no inserto móvel, a 1 mm de distância da superfície da

5 mm
10 mm
3
0

m
m
8
,
5

m
m
5,35 mm
10,4 mm
3
0
,
3

m
m
8
,
6
3

m
m
dimensões dos
corpos de prova
dimensões das cavidades
dos corpos de prova
63
cavidade (termopar 2), para que fosse obtida a variação de temperatura referente ao
ponto médio da espessura dos corpos de prova. Para viabilizar a instalação dos
termopares foram projetados canais no molde conforme ilustrado na Figura 4.4. A
fixação foi realizada utilizando cola Araldite
®
, a base de epóxi, para minimizar a
interferência do material adesivo nos resultados da leitura.

corpo de prova
termopar 1
inserto
móvel
inserto fixo

corpo de prova
peça injetada
termopar 2
inserto
móvel
inserto fixo

Figura 4.4 - Posicionamento dos termopares 1 e 2.

Os corpos de prova foram construídos e pós-curados sob as mesmas
condições para evitar a influência de outros parâmetros nos resultados, permitindo
assim que os valores das propriedades medidas pudessem ser comparados. Além
disso, foi utilizada apenas 1 hora de pós-cura em forno UV, o suficiente para curar o
excesso de resina na superfície dos corpos de prova. Todas as peças foram
mantidas em ambiente com temperatura controlada (20
0
C) sem exposição à luz de
qualquer natureza, até que fossem utilizados no processo de injeção.
O processo de injeção iniciou-se com valores baixos de velocidade e pressão
de injeção e força de fechamento. Como resultado, as peças injetadas apresentaram
rebarbas em excesso, além de haver um preenchimento incompleto da cavidade. A
partir destes resultados iniciais, os parâmetros foram alterados, aumentando a força
de fechamento e diminuindo a velocidade de injeção até que peças completamente
preenchidas e com o mínimo de rebarbas pudessem ser obtidas (ver Figura 4.5). Os
parâmetros finais estão relacionados na Tabela 4.1.

64


Figura 4.5 – Peças injetadas durante a determinação dos parâmetros de injeção.

Tabela 4.1 – Parâmetros de processo utilizados no experimento 1.1
Parâmetro Valores
Temperatura de injeção 200
0
C
Vazão 3 cm
3
/s
Tempo de resfriamento da peça 50 seg
Volume de material injetado 13.6 cm
3

Pressão de recalque Sem recalque

Obtidos os parâmetros de injeção, procurou-se determinar, alterando o tempo
de resfriamento do molde, os ciclos térmicos que seriam aplicados aos corpos de
prova. Para isso, foram utilizadas duas temperaturas de referência: 40
0
C e 55
0
C.
Peças foram injetadas até que os ciclos de temperaturas ilustrados na Figura 4.6
fossem atingidos. Durante o experimento, os valores de temperaturas medidos pelos
termopares apresentavam mudanças bruscas durante a abertura e o fechamento do
molde. Posteriormente foi verificado que os termopares haviam sido esmagados
entre as placas do porta-insertos, o que causou a ruptura dos mesmos. Assim
sendo, os valores de temperaturas abaixo das temperaturas de referência para cada
ciclo, conforme visto no gráfico da figura 4.6, foram desconsiderados na análise.

65
20
30
40
50
60
70
80
1 104 207 310 413 516 619 722 825
Tempo (segundos)
T
e
m
p
e
r
a
t
u
r
a

(
0
C
)
20
30
40
50
60
70
80
1 58 115 172 229 286 343 400
Tempo (segundos)
T
e
m
p
e
r
a
t
u
r
a

(
0
C
)

Ciclo térmico 1 (40
0
C) Ciclo térmico 2 (55
0
C)

Figura 4.6 - Ciclos térmicos para temperaturas de referência de 40
0
C e 55
0
C lidos pelo
termopar 2.

Como pode ser visto nos gráficos da Figura 4.6, os corpos de prova
posicionados sobre as réguas atingiram valores máximos de temperatura acima da
temperatura de transição vítrea da resina em ambos os ciclos de temperatura (69.1
0
C e 76.7
0
C para 40
0
C e 55
0
C de temperaturas de referência respectivamente). Por
outro lado, os corpos de prova posicionados entre duas réguas adjacentes
apresentaram uma variação de temperatura inferior a 25,5
0
C, pouco significativa
para promover eventuais alterações nas propriedades mecânicas da resina.
Durante o processo de injeção verificou-se que a peça injetada permanecia
presa ao molde fixo após a abertura do molde, dificultando a sua extração. Além
disso, alguns corpos de prova não permaneciam na posição original quando a peça
era extraída, provavelmente como conseqüência das dimensões erradas das
cavidades dos corpos de prova (as cavidades dos corpos de prova do inserto fixo
estavam maiores que o projeto original). Para viabilizar o uso do inserto, os corpos
de prova foram então fixados utilizando parafusos. Outro problema identificado foi a
presença de rebarbas na peça injetada, decorrentes da penetração do polipropileno
nas cavidades dos corpos de prova, o que dificultava ainda mais a extração da peça
(ver Figura 4.5).
A pressão de fechamento do molde provocou deformações permanentes nos
corpos de prova, o que poderia afetar os resultados dos ensaios de tração. Isto
ocorreu provavelmente devido à ação da força de fechamento atuando sobre o
66
corpo de prova aquecido a temperaturas próximas à temperatura de transição vítrea
da resina.
A partir dos problemas detectados no uso do inserto promoveu-se alterações
no seu projeto original. Primeiramente foram eliminados os corpos de prova
posicionados entre cavidades adjacentes. Optou-se por adotar o procedimento de
permitir o resfriamento do inserto entre ciclos de injeção consecutivos usando
temperaturas de referências diferentes, para se obter ciclos de temperatura também
distintos. Desta forma, poderiam ser avaliadas as eventuais mudanças nas
propriedades mecânicas da resina sob várias condições de carregamentos térmicos.
Para evitar a deformação dos corpos de prova, a profundidade das cavidades dos
corpos de prova foi incrementada de 0.2 mm para diminuir a pressão do molde sobre
estes.
Para contornar o problema da extração da peça, foi proposta uma alteração
do leiaute dos canais de alimentação, conforme ilustrado na Figura 4.7, para
minimizar o efeito das rebarbas e manter a peça presa no inserto móvel após a
abertura do molde. Além disso, acreditava-se que os canais, após solidificarem-se,
seriam responsáveis pelo deslocamento dos corpos de prova durante a extração da
peça. Feitas as alterações supracitadas, um novo conjunto de insertos foi construído
e utilizado na fabricação de peças plásticas injetadas.



Figura 4.7 - Novo leiaute do inserto móvel.

Na fase preparatória do uso do inserto verificou-se que os corpos de prova
utilizados na Etapa 1 não puderam ser montados nas saliências do novo inserto fixo.
Isto sugeriu que houve uma contração do material, provavelmente devido à pós-cura
canais de
alimentação
67
térmica. Como conseqüência, descartou-se a possibilidade de utilizar parafusos para
fixar os corpos de prova no inserto, uma vez que este procedimento poderia
provocar tensões residuais e alterar os valores das grandezas que seriam avaliadas
nos ensaios de tração.
Conforme descrito anteriormente, as saliências existentes entre duas réguas
adjacentes foram eliminadas no novo projeto. Sendo assim, foi necessário utilizar
apenas o termopar posicionado a um milímetro da superfície da cavidade (termopar
2). A sua montagem foi realizada de maneira similar àquela adotada na Etapa 1.
Para evitar a quebra do termopar um furo de 4 mm de diâmetro foi usinado na parte
posterior do porta-insertos, de maneira tal que os fios pudessem transpassar a placa
móvel e serem fixados no sistema de aquisição de dados.

4.2.5 - Etapa 2 – Descrição e resultados

Após a montagem do sistema de aquisição de dados, dos corpos de prova no
novo inserto e deste último no porta-moldes, iniciou-se o processo de injeção.
Novamente as primeiras peças injetadas apresentaram problemas de preenchimento
incompleto, porém não foi identificado excesso de rebarbas. Os parâmetros de
injeção foram alterados, até que peças com qualidade desejada fossem obtidas. A
seguir foram realizados ciclos de injeção adicionais seguindo o mesmo procedimento
utilizado durante a Etapa 1, até que os gráficos ilustrados na Figura 4.8 fossem
obtidos.
30
40
50
60
70
80
1 150 299 448 597 746 895
Tempo (segundos)
T
e
m
p
e
r
a
t
u
r
a

(
0
C
)

30
40
50
60
70
80
90
1 188 375 562 749 936 1123
Tempo (segundos)
T
e
m
p
e
r
a
t
u
r
a

(
0
C
)

Ciclo térmico 1 (40
0
C) Ciclo térmico 2 (55
0
C)

Figura 4.8 - Ciclos térmicos para temperaturas de referências de 40
0
C e 55
0
C.
68
Pode-se observar que as temperaturas medidas pelo termopar foram
superiores aos valores obtidos na Etapa 1. Isto ocorreu devido ao posicionamento
do termopar mais próximo da superfície da cavidade no novo inserto. Após a análise
destes resultados, optou-se por avaliar o uso de uma temperatura de referência
menor (30
0
C), para a obtenção de um novo ciclo térmico no qual a temperatura
máxima atingida pelo corpo de prova estivesse abaixo da temperatura de transição
vítrea da resina (62
0
C) (ver Figura 4.9). A temperatura máxima para este novo ciclo
foi 66
0
C e, portanto, acima da temperatura de transição vítrea.
20
30
40
50
60
70
1 184 367 550 733 916 1099
Tempo (segundos)
T
e
m
p
e
r
a
t
u
r
a

(
0
C
)

Ciclo térmico 3 (30
0
C)

Figura 4.9 - Ciclo térmico para uma temperatura de referência de 30
0
C.

A partir destes resultados, optou-se por adotar o procedimento para aplicação
dos ciclos térmicos aos corpos de prova, o qual consiste em:
1. Submeter um conjunto de corpos de prova pós-curado em forno UV ao ensaio
de tração, para avaliar as propriedades mecânicas da resina;
2. Adotando o ciclo térmico 2 (temperatura de referência 55
0
C), aplicar 30 ciclos
ao primeiro conjunto de corpos de prova e submeter os corpos de prova ao
ensaio de tração;
3. A partir dos resultados obtidos, definir as características e o número de ciclos
térmicos que serão aplicados;
As razões para adotar este procedimento podem ser entendidas mediante a
explicação a seguir. O ciclo térmico 2 pode ser considerado o mais agressivo sob o
ponto de vista térmico, uma vez que submete a resina às temperaturas mais altas
durante um tempo maior. Por outro lado, adotar o ciclo térmico 3 pode não ser
69
suficiente para provocar alterações significativas no inserto. O mesmo raciocínio
poderia ser usado para determinar o número de ciclos a serem aplicados na primeira
etapa (por exemplo, 100 ciclos). Contudo, a utilização de 100 ciclos, além de
demorada, poderia acarretar na falha do inserto. Desta forma optou-se por adotar
parâmetros intermediários e avaliar os resultados antes de desenvolver novas
análises.
O procedimento descrito foi adotado e o resultado está ilustrado nas Tabela
4.2. Nesta tabela são apresentados os valores de tensão máxima (σ
máx
) e do módulo
de elasticidade (E) para o conjunto de corpos de prova submetidos ao processo de
injeção de 30 peças, adotando uma temperatura de referência de 55
0
C
(envelhecido), bem como do conjunto padrão, submetido à apenas ao tratamento em
forno UV. Uma descrição mais detalhada do procedimento utilizado durante o ensaio
de tração é apresentada na Seção 4.2.7.

Tabela 4.2 – Resultados do ensaio à tração
Conjunto padrão Conjunto envelhecido
Corpo de
Prova
σ
máx
(MPa) E (MPa) σ
máx
(MPa) E (MPa)
1 70,26 2838,80 73,33 3137,40
2 70,67 2970,30 72,18 2963,60
3 70,12 2975,10 72,22 2876,30
4 68,91 3013,60 69,91 2954,80
5 69,88 3008,60 69,58 2941,00
Média 69,97 2961,28 71,44 2974,62

Pode-se verificar que aparentemente as propriedades mecânicas avaliadas
não apresentaram alteração na tendência de aumento verificada quando aplicados
pós-tratamentos térmicos, conforme descrito no Capítulo 2. Sendo assim, estes
resultados preliminares indicam que o efeito do procedimento de resfriar o inserto
entre dois ciclos de injeção consecutivos, apenas reduz o efeito das altas
temperaturas nos diagramas supracitados. Contudo, novos testes foram realizados
visando comprovar esta tendência.
Um problema que foi verificado neste experimento diz respeito ao tempo
dispensado para aplicar os ciclos térmicos aos corpos de prova. Foi necessário
70
aumentar o tempo de resfriamento do inserto antes do próximo ciclo ser aplicado, à
medida que o número de peças injetadas aumentava. Isto sugere que, adotar
temperaturas de referência muito baixas (por exemplo, 30
0
C) para injetar um
número grande de peças, pode ser inviável, haja vista o tempo total que seria
necessário para desenvolver este experimento.
A partir dos resultados obtidos, optou-se por adotar os seguintes parâmetros:
ciclos térmicos com temperaturas de referência de 40
0
C, 50
0
C e 60
0
C
respectivamente, injetando 20, 40, 60 e 80 peças para cada ciclo considerado. A
escolha destes parâmetros pode ser explicada avaliando-se um ciclo de injeção
típico quando insertos de estereolitografia são utilizados. O que ocorre normalmente
é um ciclo longo com baixa amplitude térmica para cada ponto do inserto, devido à
baixa condutividade térmica da resina. Sendo assim, optou-se por avaliar os
resultados quando a diferença de temperatura de um mesmo ponto, no intervalo de
um ciclo, fosse aumentada gradativamente. O ciclo térmico com temperatura de
referência de 60
0
C seria uma representação grosseira de um processo sem
resfriamento do inserto entre os ciclos de injeção.

4.2.6 - Etapa 3 – Descrição e resultados

Baseado na experiência obtida durante o desenvolvimento das Etapas 1 e 2,
foram organizadas as planilhas de acompanhamento do experimento conforme visto
no exemplo da Figura 4.10. Esta planilha possui três campos distintos a saber. No
primeiro campo, são descritos os dados de referência do experimento em questão.
No segundo campo há espaço para observações relevantes durante o processo de
injeção. Finalmente, no terceiro e último campo, foram listados o tempo total para
ciclos intermediários com os quais foram traçados os gráficos de tempo de ciclo x
número do ciclo.






71

Conjunto de corpo de provas: 7 - Vermelho/Azul

Acompanhamento do processo
Data: 19/08/02 Ciclo Tempo (min)
Início: 10:56 hs
Fim: 18:30 hs 13 4.75
Temperatura de Referência: 40
0
C 27 5.25
Número de peças injetadas: 80 37 5.50
Temperatura máxima: 76
0
C 47 5.62
Temperatura ambiente: 23
0
C 57 5.62
Arquivo de dados: Exp2_40_4.dat 67 5.70
77 5.78
Observações

Figura 4.10 - Folha de dados para acompanhamento do experimento

Os conjuntos de corpos de prova também foram organizados e identificados
através de uma combinação de cores, representadas por adesivos posicionados na
extremidade de cada corpo de prova. Além dos valores médios das dimensões dos
corpos de prova (largura L e espessura T), o desvio padrão das leituras (δ) e a
média das medidas, as tabelas contêm ainda informações sobre o experimento ao
qual o conjunto em questão foi submetido. Assim, dados como a temperatura de
referência do ciclo térmico aplicado e a quantidade de peças injetadas, foram
também relacionados (ver Figura 4.11). Para cada dimensão descrita nas tabelas,
foram realizadas 5 leituras em pontos diferentes dos corpos de prova. No exemplo
dado, o corpo de prova 3 foi descartado por apresentar a espessura com erro
superior a 10%, de acordo com a norma BS EN ISO 527-2: 1996.









*Dimensões em mm

Figura 4.11 - Tabela de um conjunto de corpos de prova.
B/G
N
0
L* δ T** δ L δ T δ
1 5,08 0,011 2,00 0,011 5,09 0,027 2,02 0,011
2 5,07 0,009 1,93 0,000 5,10 0,025 1,95 0,008
3 5,04 0,004 2,25 0,011 5,07 0,028 2,27 0,025
4 5,04 0,000 2,11 0,000 5,05 0,026 2,13 0,015
5 5,07 0,009 2,07 0,016 5,11 0,021 2,09 0,009
6 5,03 0,005 2,13 0,005 5,09 0,023 2,17 0,013
Média 5,06 0,01 2,08 0,01 5,08 0,03 2,09 0,01
Set 6 - 60
0
C - 60 peças - Exp2_60_3
Antes Depois
72
Durante a realização deste experimento, confirmou-se a expectativa de ciclos
de injeção com tempos longos, o que inviabiliza a utilização de temperaturas de
referência mais baixas ou número de peças injetadas maiores (ver Figura 4.12).
Pode-se verificar, por exemplo, que para uma temperatura de referência de 40
0
C,
obteve-se tempos de aproximadamente 5 minutos e 50 segundos (5.78 minutos).
Neste caso, seriam necessárias pouco menos de duas horas para injetar 20 peças
adicionais. No entanto, verificou-se também que existe uma convergência do tempo
de ciclo para cada temperatura de referência considerada, o que é importante sob o
ponto de vista do planejamento do processo.

4,00
4,40
4,80
5,20
5,60
6,00
13 27 37 47 57 67 77
Número do Ciclo
T
e
m
p
o

(
m
i
n
)

2,00
2,40
2,80
3,20
3,60
4,00
5 15 25 36 45 55 65 75
Número do Ciclo
T
e
m
p
o

(
m
i
n
)

(a) 40
0
C (b) 50
0
C
2,00
2,20
2,40
2,60
2,80
3,00
5 15 25 36 45 55 65 75
Número do Ciclo
T
e
m
p
o

(
m
i
n
)

(c) 60
0
C
Figura 4.12 - Tempos de resfriamento do inserto para temperaturas de referência adotadas.

Para evitar a influência de parâmetros de processo nas avaliações, não foram
realizadas alterações destes para ciclos de temperatura diferentes. Em outras
palavras, todas as peças foram injetadas considerando os parâmetros de processo
listados na Tabela 4.1. Assim, o ciclo térmico considerando uma temperatura de
resfriamento de 40
0
C foi aquele no qual foram obtidas as peças com melhor
qualidade. No ciclo de 60
0
C de temperatura de referência, por exemplo, os canais
73
de injeção quebravam pois não havia tempo de resfriamento suficiente para estes se
solidificarem por completo. Contudo, para todos os ciclos térmicos, as seis
cavidades foram completamente preenchidas.
A Figura 4.13 ilustra os ciclos térmicos para as três temperaturas de
referência adotadas. As temperaturas máximas medidas pelo termopar durante o
processo de injeção foram 76
0
C, 82
0
C e 88
0
C, para as temperaturas de referência
de 40
0
C, 50
0
C e 60
0
C, respectivamente.

30
40
50
60
70
80
90
1 162 323 484 645 806 967
Tempo (segundos)
T
e
m
p
e
r
a
t
u
r
a

(
0
C
)


Figura 4.13 - Ciclos térmicos para as temperaturas de referência adotadas.

O ciclo de 60
0
C de temperatura de referência foi aquele mais difícil de ser
aplicado, haja vista que o problema de extração das peças persistiu e não havia
tempo suficiente entre os ciclos para extrair a peça manualmente. Porém, este
problema ocorreu para todos os ciclos térmicos, apenas no início de cada etapa,
pois como foi dito anteriormente, o tempo total para cada ciclo aumentada
gradativamente. Foi observada uma ruptura parcial do inserto quando foram
injetadas 60 peças considerando 60
0
C como temperatura de referência,
provavelmente devido ao efeito das tensões térmicas. O inserto apresentou uma
nova ruptura localizada quando foram injetadas 80 peças considerando esta mesma
temperatura de referência.

40
0
C
50
0
C
60
0
C
74
4.2.7 - Etapa 4 - Descrição e resultados

Após a utilização durante o processo de injeção os corpos de prova foram
submetidos ao ensaio à tração utilizando a Zwick - Material Test Machine (TC-
FR030TH.A1K). O programa computacional testXpert foi utilizado para fornecer os
dados de entrada e para a visualização dos resultados, conforme ilustrado na Figura
4.15.



Figura 4.14 - Programa computacional utilizado durante os ensaios a tração.

De acordo com a norma BS EN ISO 527-2: 1996 para ensaios de tração em
peças plásticas, foram necessários submeter cinco peças para cada medida de
propriedades mecânicas avaliadas, para efeito de controle estatístico. Todos os
ensaios foram realizados no mesmo dia, adotando o seguinte procedimento (Figura
4.16) para cada conjunto de corpo de prova:

75

(a) (b)

(c) (d)
Figura 4.15 - Ensaio de tração dos corpos de prova.

1. A largura e a espessura dos corpos de prova de um determinado conjunto,
definidos pela combinação de cores, conforme descrito anteriormente, foram
medidas utilizando um paquímetro digital conectado ao computador (Figura
4.16 – a). Para cada medida foram realizadas três leituras;
2. O primeiro corpo de prova foi posicionado na máquina de ensaio a tração.
Iniciou-se então a tração do corpo de prova até que o equipamento indicasse
o momento adequado para posicionar o extensômetro ( Figura 4.16 – b);
3. O extensômetro por sua vez foi fixado no corpo de prova (Figura 4.16 – c) e o
ensaio prosseguiu até que o equipamento indicasse quando o extensômetro
deveria ser a retirado. Neste instante, o valor do módulo de elasticidade do
material medido foi fornecido pelo programa. O extensômetro foi então
destacado e o ensaio prosseguiu ate a ruptura da peça (Figura 4.16 – d),
quando então o programa fornece os valores medidos das propriedades
mecânicas do material.
4. O procedimento foi repetido para cada corpo de prova do conjunto
considerado e os valores médios das propriedades mecânicas avaliadas
foram calculados;

76
Os gráficos da Figura 4.17 apresentam os valores da tensão máxima para
cada temperatura de referência adotada. Para todo valor de número de ciclos
aplicados são indicados no gráfico os valores máximo, médio e mínimo desta
grandeza, obtidos no ensaio dos corpos de prova do conjunto em questão. A tensão
máxima obtida para o conjunto de corpos de prova padrão (70.5 MPa), está
representada pela linha pontilhada. Este valor foi usado como referência para avaliar
as eventuais mudanças nas propriedades mecânicas da resina. Na Figura 4.18 são
mostrados os valores médios para cada conjunto de corpos de prova em função da
temperatura de referência adotada. Os valores das propriedades mecânicas, obtidos
para cada corpo de prova avaliado, estão listados no Apêndice A
62
64
66
68
70
72
74
76
0 20 40 60 80 100
Número de ciclos
σ

(
M
P
a
)

62
64
66
68
70
72
74
76
0 20 40 60 80 100
Número de ciclos
σ

(
M
P
a
)

(a) 40
0
C (b) 50
0
C
62
64
66
68
70
72
74
76
0 20 40 60 80 100
Número de ciclos
σ

(
M
P
a
)

(c) 60
0
C

Figura 4.16 - Resultados de tensão máxima para as temperaturas de referência adotadas.

77
Os resultados indicam que a tensão máxima da resina apresentou uma
redução após ter sido submetida aos ciclos de injeção, no entanto, o efeito foi
mínimo. A diferença entre o menor valor médio obtido (68.3 MPa) e o valor médio foi
de aproximadamente 3%. Acredita-se que esta diferença tenha sido proveniente dos
erros do sistema de medição da grandeza avaliada.

67.00
68.00
69.00
70.00
71.00
40 50 60
Temperatura (
0
C)
σ

(
M
P
a
)
80 peças
60 peças
40 peças
20 peças

Figura 4.17 - Valores médios da tensão máxima em função da temperatura de referência
adotada.

Um aspecto importante verificado nos gráficos das Figuras 4.17 e 4.18 é que
as alterações nas propriedades mecânicas da resina aparentemente não
apresentam uma tendência em função da temperatura ou do número de ciclos
aplicados. Em outras palavras, não é possível afirmar que o valor da tensão máxima
aumenta ou diminui quando ciclos térmicos adicionais são aplicados ou a
temperatura de referência é aumentada. Estes resultados sugerem que a tensão
máxima da resina pode apresentar uma pequena redução decorrente do processo
de injeção, mas que a continuidade do processo ou o uso de temperaturas de
referência superiores provavelmente não irão afetar significativamente os resultados
obtidos.
Os gráficos da Figura 4.19 e 4.20 mostram os resultados obtidos para o
módulo de elasticidade em função do número de ciclos de injeção aplicados para
cada uma das temperaturas de referência adotadas. O valor de referência, indicado
pela linha pontilhada, foi de 2887 MPa.

78
2200
2400
2600
2800
3000
3200
0 20 40 60 80 100
Número de ciclos
E

(
M
P
a
)

2200
2400
2600
2800
3000
3200
0 20 40 60 80 100
Número de ciclos
E

(
M
P
a
)

(a) 40
0
C (b) 50
0
C
2200
2400
2600
2800
3000
3200
0 20 40 60 80 100
Número de ciclos
E

(
M
P
a
)

(c) 60
0
C

Figura 4.18 - Resultados módulo de elasticidade para as temperaturas de referência
adotadas.

Os resultados encontrados para o módulo de elasticidade revelaram um
comportamento similar àquele observado para a tensão máxima. A resina Vantico
SL7560 apresentou uma pequena redução nos valores desta grandeza quando
submetida aos ciclos de injeção, sem indicar uma tendência dos valores em função
da temperatura de referência ou do número de ciclos aplicados. A maior redução
observada foi de 8%, portanto maior do que a da tensão máxima em termos
percentuais.

79
2600.00
2650.00
2700.00
2750.00
2800.00
40 50 60
Tempertura (
0
C)
E

(
M
P
a
)
20 peças
40 peças
60 peças
80 peças


Figura 4.19 - Valores médios do módulo de elasticidade em função da temperatura de
referência adotada.

4.3 Considerações finais

A escolha dos parâmetros de injeção adotados neste experimento foi
baseada nas condições típicas de processamento quando insertos SL são utilizados.
Este tipo de ferramenta é geralmente usada para a obtenção de pequenos lotes de
peças de plástico injetadas, devido aos ciclos de injeção longos e principalmente
devido à sua vida útil limitada. As eventuais mudanças ocorridas nas propriedades
mecânicas da resina foram avaliadas, aumentando gradativamente a temperatura de
referência e o número de peças injetadas.
O experimento foi desenvolvido para avaliar se as mudanças que ocorrem
nas propriedades mecânicas da resina, durante o processo de injeção, poderiam
causar a falha do inserto. Os resultados mostraram que as alterações apresentadas
pela tensão máxima e pelo módulo de elasticidade do material foram mínimas e,
portanto, insuficientes para provocar a ruptura do inserto. Outro aspecto importante é
o indicativo de que o processo de injeção promove menos alterações nas
propriedades mecânicas da resina do que os tratamentos de pós-cura normalmente
utilizados.
Os resultados obtidos neste experimento sugerem que a falha dos insertos é
mais suscetível de ocorrer devido à diminuição da resistência do material por efeito
das altas temperaturas de injeção, conforme abordado na Seção 3.1.2, do que
devido a efeito deste carregamento ao longo do tempo. Conseqüentemente, os
80
insertos fabricados com a resina Vantico SL 7560
®
provavelmente terão uma vida
útil maior se os efeitos da temperatura ilustrados pelos gráficos das Figuras 3.8 e 3.9
forem minimizados, permitindo que o inserto seja resfriado entre ciclos de injeção
consecutivos. Técnicas, tais como o uso de ventiladores, pode auxiliar a retirada de
calor do inserto, diminuindo o tempo de ciclo.
O uso de termopares para controlar a temperatura do inserto durante o
resfriamento pode ocasionar problemas durante a fase de preparação do mesmo. Se
o termopar não estiver em contato direto com as paredes do inserto, provavelmente
as leituras de temperatura não serão corretas e irão comprometer o processo de
resfriamento do inserto. Além disso, não é tarefa trivial determinar qual o ponto do
inserto que deverá ter a sua temperatura monitorada durante o processo de injeção.
Estes problemas podem ser contornados através de uma análise utilizando
ferramentas CAE, com a qual podem ser determinadas as regiões de maior
concentração de calor e sujeitas à ruptura, bem como o tempo necessário para
resfriá-las adequadamente.

81
CAPÍTULO 5


SISTEMÁTICA PARA O PLANEJAMENTO DO PROCESSO DE INJEÇÃO EM
INSERTOS SL EMPREGANDO SISTEMAS CAE


5.1 - Introdução

Conforme comentado no Capítulo 4, o risco de falha dos insertos SL durante
o seu uso pode ser minimizado resfriando-o entre ciclos de injeção consecutivos. No
entanto, o processo de resfriamento do inserto durante o processo de injeção deve
ser planejado criteriosamente, de acordo com a Figura 5.1, para garantir que a sua
temperatura esteja suficientemente baixa quando este estiver submetido aos
esforços inerentes ao processo. Para tal, os efeitos da temperatura nas propriedades
mecânicas do material do inserto devem ser considerandos.

Processo de moldagem por
injeção
Material
Peças plásticas
injetadas
Insertos de
estereolitografia
Planejamento do processo
de injeção
Parâmetros de injeção
Tempo de resfriamento do
inserto entre ciclos consecutivos

Figura 5.1 - Planejamento do processo de injeção em insertos SL

82
Neste capítulo é apresentada uma proposta de sistemática para o
planejamento do processo de moldagem por injeção em insertos SL, baseada no
procedimento de resfriar o inserto entre ciclos de injeção consecutivos. Tal
sistemática é fundamentada no emprego de ferramentas CAE para determinar a
variação de temperatura do inserto durante o processo de injeção, bem como o
tempo necessário para resfriá-lo até que a sua temperatura atinja um valor
adequado.

5.2- Descrição da Sistemática

Existem dois aspectos do procedimento de resfriar os insertos SL entre ciclos
de injeção consecutivos que são determinantes para o sucesso do processo: a
temperatura de referência a ser adotada e a região cuja temperatura deve ser
monitorada. O primeiro deve ser estabelecido considerando o gráfico da tensão
máxima em função da temperatura do material do inserto e o tempo necessário para
resfriá-lo, haja visto que tal procedimento torna o processo de injeção longo, caso
sejam adotadas temperaturas de referência muito baixas.
Os pontos a serem monitorados devem ser escolhidos avaliando as regiões
de maior concentração de calor e mais solicitadas do inserto. Porém, identificar tais
regiões, baseado apenas em experiência prévia, não é tarefa fácil de ser realizada,
uma vez que este parâmetro é fortemente dependente da geometria da peça. Uma
análise térmica do inserto através de métodos numéricos computacionais pode
fornecer informações valiosas para esta tomada de decisão.
Durante o desenvolvimento do experimento descrito no Capítulo 4, observou-
se que a temperatura do inserto varia ao longo do processo de injeção até atingir um
estado permanente cíclico. O tempo necessário para resfriar o inserto até que um
ponto atinja uma determinada temperatura apresenta comportamento similar,
conforme ilustrado na Figura 4.12. Assim sendo, a sistemática proposta que será
apresentada a seguir é fundamentada no uso de programas computacionais
baseados no Método dos Elementos Finitos para avaliar a variação da temperatura
dos insertos durante o processo de injeção. Através do uso desta técnica, pode-se
determinar aproximadamente a temperatura máxima atingida pelo ponto monitorado,
bem como o tempo necessário para resfriá-lo até a temperatura de referência (T
ref
)
83
escolhida. Este procedimento, sistematizado na Figura 5.2, pode ser descrito como
segue:

Elaboração do
leiaute do inserto
(1)
Análise reológica do
processo de injeção
(2)
Tempo de
resfriamento
adequado
(4)
Organização dos
resultados
(6)
Alterar T
ref
(5)
sim
Análise térmica
transiente
(3)
não
sim
- Modelo geométrico da peça;
- Dimensões do porta-insertos;
- Valores dos ângulos de saída
Dados de Entrada Dados de Saída
- Modelo 3D do inserto;
- Modelo geométrico do inserto;
- Temperatura do inserto;
- Material injetado;
- Características da injetora
- Pressão/velocidade de injeção;
- Tempo de injeção;
- Tempo de resfriamento da peça;
- Temperatura de injeção
- Modelo 3D do inserto;
- Materiais do inserto e da peça;
- Tempo de injeção;
- Tempo de resfriamento da peça;
- Temperatura de injeção;
- Temperatura de referência
- Perfil de temperatura do inserto;
- Temperatura máxima do inserto;
- Tempo de resfriamento do
inserto;
- Resultados das análises;
- Planilha com os parâmetros de
injeção;
- Tempo de resfriamento da peça
determinado numericamente;


Figura 5.2 - Sistematização do planejamento do processo de injeção em insertos SL

1. Inicialmente o leiaute do inserto deve ser elaborado considerando as
características peculiares dos insertos SL. Parâmetros como o ângulo de
saída, as dimensões das features e principalmente a linha de partição do
inserto, devem ser cuidadosamente definidos em acordo com as observações
apresentadas no Capítulo 3;
2. A seguir deve ser realizada uma simulação do processo de injeção para
determinar a temperatura de injeção e o tempo de resfriamento da peça.
84
Estes dados são necessários para desenvolver as análises subseqüentes.
Além disso, o perfil de temperatura da peça pode ser avaliado para
determinar a região cuja temperatura será monitorada. Como se tratam de
insertos SL, alguns aspectos devem ser considerados durante esta análise,
tais como:
a) A baixa condutividade térmica do material do inserto promove um
resfriamento lento da peça e portanto as propriedades térmicas do
inserto devem ser consideradas na análise;
b) A temperatura do inserto SL é normalmente mais alta do que nos
insertos metálicos;
c) A baixa resistência da ferramenta, o que requer o uso de
parâmetros de injeção menos agressivos (menores forças de
fechamento e pressão de injeção);
3. Com os dados de tempo de resfriamento, temperatura de injeção e as
propriedades dos materiais do inserto e do material injetado, análises
térmicas transientes devem ser desenvolvidas para avaliar se é necessário
um tempo muito grande para resfriar o inserto entre os ciclos de injeção
consecutivos, para a temperatura de referência inicialmente adotada;
4. Caso o tempo requerido no processo de resfriamento do inserto seja muito
grande, a temperatura de referência pode ser aumentada, avaliando o gráfico
da tensão máxima em função da temperatura do material do inserto. Neste
caso, deve ser considerada a hipótese de realizar uma nova simulação do
processo de injeção, caso a nova temperatura de referência seja muito maior
do que aquela adotada na primeira análise. A razão para esta avaliação é que
um aumento da temperatura de referência pode alterar significativamente o
tempo necessário para resfriar a peça;
5. Uma análise térmica transiente adicional deve ser realizada para avaliar se a
alteração da temperatura de referência não comprometeu o critério de
resistência mecânica da ferramenta e para determinar o tempo necessário
para resfriar o inserto sob esta nova condição.
85
A seguir serão descritas com maiores detalhes a simulação do processo de
injeção e a análise térmica transiente, envolvidas na sistemática proposta.

5.2.1 - Descrição das simulações do processo de injeção utilizando sistemas CAE

A utilização de um programa computacional apropriado para simular
numericamente o processo de injeção é útil para obter uma avaliação inicial dos
seus resultados. Através desta análise preliminar, os valores dos parâmetros do
processo que serão utilizados na prática podem ser estabelecidos de maneira
aproximada, diminuindo assim o tempo de preparação da máquina e a margem de
erro do operador. Em outras palavras, os resultados encontrados poderão ser
utilizados como ponto de partida para determinar os parâmetros ótimos de injeção
ou para sugerir alterações no projeto da peça ou do inserto, quando for necessário.
Para a sistemática proposta, a simulação do processo de injeção permite
determinar, aproximadamente, o tempo necessário para resfriar a peça injetada
antes da abertura do inserto, bem como o tempo de injeção. A seguir será
apresentada uma sugestão para proceder está verificação utilizando o programa
MoldFlow
®
, com a descrição de cada etapa envolvida, conforme ilustrado na Figura
5.3.

86
Análise preliminar da
geometria (malha grosseira)
(2)
Modelamento do sistema de
canais de alimentação
(6)
Modelamento geométrico 3D
(1)
Análise preliminar do
preenchimento da cavidade
(7)
Modelamento do canal de
refrigeração
(8)
Há problemas
na malha
Corrigir os problemas
detectados
(5)
Análise de preenchimento,
recalque e resfriamento
(9)
Análise dos resultados
(10)
não
sim
Há problemas
no modelo 3D
não
sim
(3)
(4)
- Modelo geométrico da peça;
- Dimensões do porta-insertos;
- Valores dos ângulos de saída
- Modelo 3D do inserto;
Dados de Entrada Dados de Saída
- Modelo geométrico do inserto;
- Temperatura do inserto;
- Material injetado;
- Pressão/velocidade de injeção;
- Tempo de injeção;
- Tempo de resfriamento da peça;
- Temperatura de injeção;
- Perfil de temperatura do inserto;
- Identificação de problemas como
vazios, descontinuidades geométricas,
features mal formadas, etc.
- Dimensões da bucha de injeção;
- Dimensões do porta-inertos;
- Posição do ponto de injeção;
- Modelo 3D do sistema do (s)
canal de injeção
- Modelo geométrico do inserto;
- Modelo 3D do canal de alimentação
- Temperatura do inserto;
- Material injetado;
- Modelo geométrico do inserto;
- Modelo 3D do canal de alimentação
- Modelo 3D do canal de refrigeração
- Temperatura do inserto;
- Material injetado;
- Pressão/velocidade de injeção;
- Tempo de injeção;
- Tempo de resfriamento da peça;
- Temperatura de injeção
- Planilha com parâmetros de injeção;
- Pontos de monitoramento;
Dimensões do inserto - Modelo 3D do sistema de refrigeraçã
- Parâmetros de injeção (preliminares)



Figura 5.3 - Simulação do processo de injeção em insertos SL utilizando ferramentas CAE



87
(1) Modelagem geométrica do inserto em um Sistema CAD 3D;
(2) Como normalmente o programa utilizado para modelar a geometria do inserto
é diferente daquele utilizado para desenvolver a análise, é comum ocorrerem
problemas durante a transferência do arquivo gráfico. Assim, é necessário
gerar uma malha de elementos finitos grosseira para identificar eventuais
descontinuidades ou distorções;
(3) Caso sejam identificados problemas no modelo 3D, é necessário corrigir tais
defeitos no modelador CAD. No caso do MoldFlow
®
, o formato de arquivo STL
é utilizado e portanto alguns problemas podem ser eliminados alterando as
opções de geração deste arquivo, como a dimensão dos triângulos,
aumentando assim o refinamento da malha triangular;
(4) Outra avaliação que deve ser realizada é a verificação detalhada da malha de
elementos finitos gerada. Problemas como interseção ou sobreposição de
elementos, vazios, nós desconectados ou elementos com razão de aspecto
muito elevada, devem ser identificados nesta etapa;
(5) No caso de problemas na malha de elementos finitos, os comandos de edição
do programa podem ser utilizados para corrigir tais defeitos ou promover um
refino localizado da malha;
(6) Os canais de alimentação são geralmente modelados no CAE. Nesta fase a
localização do(s) ponto(s) de injeção deve ser determinada considerando
aspectos particulares do insertos SL, sem comprometer as recomendações
usuais sugeridas por vários autores, como Menges, (1993) e Pötsch &
Michaeli (1995), para o projeto de moldes metálicos;
(7) O passo seguinte consiste em avaliar a malha gerada. Para isso, as
condições de contorno do problema tais como a temperatura de injeção, a
temperatura do inserto e o tipo de material injetado devem ser fornecidos e
uma análise preliminar do preenchimento da cavidade deve ser realizada;
(8) A análise preliminar não considera a influência das propriedades térmicas do
material do inserto (calor específico, condutividade térmica e densidade) nos
resultados. Assim sendo, é necessário realizar uma análise simultânea de
88
preenchimento e resfriamento do inserto para que tais efeitos sejam
considerados. Contudo o programa não permite a análise de resfriamento
sem que sejam modelados os canais de resfriamento. O procedimento
adotado aqui consiste em modelar um canal de resfriamento “ineficiente”,
aplicando condições no fluido refrigerante de maneira tal que a troca de calor
entre este e o inserto seja minimizada. O valor recomendado para o número
de Reynolds durante esta análise é 1000. No caso de insertos providos de
canais de cobre, por exemplo, a análise pode ser desenvolvida modelando os
canais e considerando as características deste sistema de refrigeração;
(9) Aplicadas as condições de contorno necessárias, uma nova análise é
efetuada, considerando as fases de preenchimento, recalque (quando for o
caso) e resfriamento;
(10) A última etapa consiste no tratamento e análise dos resultados. Caso
os valores fornecidos pelo programa sejam coerentes, pode-se avaliar o perfil
de temperatura da peça ao longo do processo para determinar a região onde
a temperatura do inserto deve ser monitorada durante o processo de injeção.
Adicionalmente, o tempo necessário para o completo resfriamento da peça,
determinado na análise, pode ser utilizado nas análises transientes térmicas
subseqüentes.
O tempo de resfriamento da peça pode ser estimado analiticamente, caso o
projetista não disponha de um programa para simulação do processo de injeção.
Pode-se considerar, para o caso de moldes metálicos, que o tempo de resfriamento
é aproximadamente dado pela equação (Menges,1993)

|
|
.
|

\
|


=
W E
W M
c
T T
T T 8
ln
a
s
t
2 2
2
π π
, (5.1)
onde
t
c
representa o tempo de resfriamento;
s a maior espessura da peça;
T
M
a temperatura de amolecimento do material injetado;
T
W
a temperatura do molde nas paredes da cavidade;
T
E
a temperatura de desmoldagem;
89
e “a” a difusividade térmica do material injetado, dada por

p
C
k
a
ρ
= , (5.2)
onde
k representa a condutividade térmica do material injetado,
ρ a sua densidade e
C
p
seu o calor específico

Pode-se observar que a Equação 5.1 não considera as propriedades do
material do inserto na estimativa do tempo de resfriamento. Desta forma,
recomenda-se, quando for o caso, adotar um valor acima daquele determinado
através desta fórmula. Outra maneira de estimar o tempo de resfriamento da peça
consiste em avaliar os resultados de temperatura da peça, obtidos através de uma
análise térmica transiente.

5.2.2 - Descrição das análises térmicas transientes utilizando sistemas CAE

O procedimento proposto para ser utilizado para desenvolver as análises
térmicas nos insertos SL utilizando sistemas CAE, está ilustrado em Figura 5.4. O
objetivo das avaliações é determinar numericamente a variação de temperatura de
um determinado ponto do inserto até que o regime permanente cíclico seja atingido.
As etapas do processo iterativo são descritas a seguir.

90
- Modelo geométrico da peça;
- Dimensões do porta-insertos;
- Valores dos ângulos de saída.
Dados de Entrada
Dados de Saída
- Modelo 3D do inserto.
- Modelo geométrico do inserto;
- Temperatura inicial do inserto;
- Material injetado;
- Material do inserto;
- Tempo de resfriamento da peça;
- Posição do(s) ponto(s) monitorado(s).
- Temperatura máxima do(s)
ponto(s) monitorado(s);
- Temperatura do inserto.
- Modelo discreto utilizado na análise (2);
- Temperaturas determinadas na análise
(2);
- Posição do(s) ponto(s) monitorado(s).
Simulação térmica do
processo de injeção da peça
(2)
T
máx
> T
ref
(3)
A variação de
Tmax foi
significativa
(5)
Regime permanente
cíclico foi atingido
(6)
Análise de resfriamento
do inserto
(4)
Injetar uma
nova peça
sim
não
Modelamento geométrico
3D
(1)
sim
não
- Tempo necessário para resfriar
o inserto;
- Temperatura do inserto no final
do processo de resfriamento.
- Tempo necessário para resfriar o inserto;
- Temperatura do inserto no final do processo
de resfriamento.

Figura 5.4 – Etapas da análise térmica dos insertos SL utilizando Sistemas CAE.

(1) Modelagem geométrica do inserto em um Sistema CAD 3D;
(2) Na primeira etapa do processo iterativo é desenvolvida uma análise
térmica transiente para determinar o gradiente térmico do molde durante
a injeção da peça. Para tal, considera-se a temperatura inicial do inserto
igual à temperatura do inserto no final da análise precedente ou a uma
temperatura ambiente, caso seja o primeiro ciclo de injeção. A
temperatura de injeção é aplicada nos nós da malha de elementos finitos
91
que representam a peça injetada e o gradiente térmico é avaliado para
um determinado tempo de resfriamento da peça. O perfil de temperatura
obtido na primeira análise também pode ser utilizado como critério para
escolher a região cuja temperatura será monitorada;
(3) Após a primeira etapa é necessário verificar se a temperatura máxima
dos nós monitorados é maior do que a temperatura de referência T
ref
. A
temperatura de referência é aquela temperatura escolhida de forma tal
que esta seja a temperatura máxima da região monitorada do inserto,
antes da injeção da próxima peça. Caso estes valores sejam mais
baixos do que a temperatura de referência, nova peça deverá ser
injetada;
(4) A simulação do processo de resfriamento do inserto, etapa realizada
após a simulação do resfriamento da peça deve ser desenvolvida
considerando os efeitos de convecção, representando assim a iteração
insertos-ar;
(5) Caso a temperatura máxima dos nós monitorados ultrapassarem o valor
T
ref
é necessário verificar se o regime permanente cíclico foi atingido.
Isto pode ser realizado comparando os valores das temperaturas
máximas atingidas pelo ponto nos dois últimos ciclos. Caso a diferença
entre estes valores seja muito pequena, a análise está concluída;
(6) Após o inserto atingir o regime permanente cíclico, a temperatura
máxima no ponto monitorado será conhecida. O tempo de resfriamento
a ser adotado durante o processo de injeção será aquele necessário
para resfriar o inserto no passo anterior.

5.3 - Considerações Finais

Neste capítulo foi apresentada uma proposta de sistematização do
planejamento do processo de injeção em insertos SL. Tal proposta baseia-se no
emprego de ferramentas CAE para avaliar termicamente o inserto, considerando o
procedimento de resfriar o inserto entre ciclos consecutivos. O objetivo deste
92
planejamento é obter um número maior de peças injetadas, diminuindo o risco de
falha da ferramenta decorrente da redução das suas propriedades mecânicas, por
efeito do seu aquecimento, observado durante o processo de injeção.
O emprego de ferramentas CAE para desenvolver análises transientes
térmicas no inserto permite observar prematuramente o perfil de temperatura deste,
durante o processo de injeção. Com base nestas informações, o projetista pode
avaliar o quanto a ferramenta está suscetível a falhas decorrentes dos efeitos
térmicos nas propriedades mecânicas do material do inserto e planejar o seu uso
com maior segurança, adotando o procedimento de resfriar os insertos entre os
ciclos de injeção consecutivos. Além disso, pode-se determinar regiões dos insertos
suscetíveis à falhas e estimar o tempo necessário para que a nova peça possa ser
injetada com segurança, sem a necessidade de uso de termopares.
A estimativa do tempo de resfriamento através da Simulação do processo de
injeção pode acarretar em valores muito grandes desta grandeza, o que
comprometerá as análises transientes térmicas subseqüentes. Os programas
comerciais utilizados para simular numericamente o processo de injeção foram
desenvolvidos adotando simplificações nas formulações como, por exemplo, aquela
que considera a temperatura do molde constante ao longo do processo. Tais
simplificações podem comprometer os resultados obtidos e, portanto, o uso desta
técnica para simular o processo de injeção em insertos SL deve ser cuidadosamente
avaliado.
93
CAPÍTULO 6


ESTUDO DE CASOS


6.1 - Introdução

A aplicação da sistemática descrita no Capítulo 5 requer o desenvolvimento
de um modelo numérico necessário para efetuar as análises térmicas e simular o
processo de moldagem por injeção. Para obter tais modelos foram desenvolvidos
estudos de casos que envolveram análises numéricas e experimentais. Dois insertos
foram utilizados para obter pequenos lotes de peças plásticas injetadas, alterando os
parâmetros de injeção de maneira a obter condições igualmente distintas, o que
permitiu observar o uso do referido procedimento para várias condições de
processo. Neste capítulo são apresentadas tais avaliações através da descrição
detalhada das análises experimentais e numéricas desenvolvidas para cada caso
estudado.

6.2 - Estudo de casos

6.2.1 - Justificativas e objetivos gerais

Antes de utilizar um modelo numérico na análise térmica de insertos SL é
necessário validar tal modelo através da comparação dos resultados obtidos na
análise numérica de uma determinada geometria, com aqueles obtidos em ensaios
experimentais. Desta forma, pode-se avaliar adequadamente as condições de
contorno do problema e generalizar o uso do modelo proposto para a análise de
geometrias mais complexas. Sendo assim, faz-se necessário um estudo prévio da
variação da temperatura de um inserto através de ensaios experimentais, para
validar ou alterar um modelo numérico proposto.
Com base no exposto, os estudos de casos apresentados a seguir foram
desenvolvidos com o objetivo de determinar e validar modelos numéricos utilizados
para desenvolver a simulação do processo de injeção e avaliar termicamente os
94
insertos SL. Através destes modelos numéricos pode-se viabilizar a aplicação da
sistemática proposta no Capítulo 5 e utilizada para planejar o processo de injeção
em insertos fabricados pelo processo de estereolitografia.

6.2.2 - Materiais e métodos

Para atingir os objetivos expostos foram utilizados dois insertos SL durante o
processo de moldagem por injeção, adotando o procedimento de resfriar os insertos
entre ciclos de injeção consecutivos, alterando a temperatura de referência adotada
para obter várias condições de processo. Para cada avaliação, a variação da
temperatura de um determinado ponto do inserto durante o processo de injeção foi
monitorada. Posteriormente foram desenvolvidas análises numéricas, seguindo o
procedimento descrito nas Seções 5.2.1 e 5.2.2, adotando como condições de
contorno, as mesmas condições observadas durante os experimentos. A avaliação
foi realizada comparando os resultados experimentais com aqueles determinados
numericamente. O seguinte procedimento foi adotado para cada estudo de caso
desenvolvido.

6.2.2.1 - Projeto do Molde

Inicialmente foi definida a geometria dos insertos que foram utilizados no
processo de moldagem por injeção. Utilizou-se como critério, a escolha de pelo
menos uma geometria simétrica, por apresentar uma distribuição de temperatura
uniforme, além de facilitar a geração da malha de elementos finitos;

6.2.2.2 - Definição das temperaturas de referência a serem adotadas

Após o seu projeto, onde foi considerada a posição dos termopares, o inserto foi
construído na máquina de estereolitografia. Os termopares foram posicionados no
inserto e este último montado no porta-insertos, conectado ao sistema de aquisição
de dados. Em seguida, o inserto foi utilizado obter peças injetadas e parâmetros de
injeção foram determinados. As temperaturas de referência foram definidas
considerando a temperatura máxima atingida pelo inserto durante um ciclo e o
tempo necessário para resfriá-lo;
95
6.2.2.3 - Processo de moldagem por Injeção

Após a definição das temperaturas de referência, peças foram injetadas até
que a temperatura máxima medida pelo termopar apresentou uma variação pequena
entre ciclos de injeção consecutivos. Este foi o critério adotado para considerar que
o inserto atingiu o regime permanente cíclico. O inserto foi então resfriado
completamente antes de ser utilizado para injetar novas peças. Informações tais
como a temperatura inicial dos insertos, a temperatura ambiente e os parâmetros de
injeção, necessários para desenvolver as análises numéricas, foram registradas
durante os experimentos;

6.2.2.4 - Análises numéricas

As análises numéricas foram desenvolvidas após o processo de moldagem por
injeção para representar, aproximadamente, as mesmas condições observadas
durante o experimento. Para cada inserto uma malha de elementos finitos foi gerada
com um nó na região onde a temperatura foi monitorada para possibilitar a
comparação entre os resultados numéricos e experimentais;
Todos os insertos utilizados nos experimentos foram construídos no
equipamento 3D Systems SLA 7000
®
usando a resina Vantico SL7560
®
. Após a
fabricação e limpeza as peças foram submetidas à radiação de luz ultravioleta
durante 1 hora em um forno apropriado. Uma injetora Battenfeld (TM 750/210) foi
utilizada para injetar polipropileno fornecido pela Solvay. Termopares tipo K,
acoplados a um sistema de aquisição de dados que, por sua vez, foi conectado a um
computador, foram fixados nos insertos móveis, para monitorar a temperatura dos
mesmos durante o processo de moldagem por injeção.
Para desenvolver as simulações numéricas, foi utilizado o programa comercial
Ansys 5.6
®
(Ansys Inc, USA). Todas as análises foram desenvolvidas utilizando um
computador Athlon XP
®
1600 MHz com 256 MHz de memória RAM.




96
6.2.3 - Estudo de caso 1 - Descrição e resultados

A geometria definida para ser utilizada no Estudo de Caso 1 está ilustrada na
Figura 6.1. A escolha desta geometria deve-se a alguns fatores a serem
considerados. Inicialmente, trata-se da geometria utilizada por Hopkinson (1999) no
seu trabalho de doutoramento, portanto o projeto estava concluído e o porta-insertos
disponível na Universidade de Loughborough (UK), local onde foram realizados os
experimentos. Além disso, havia um menor risco de falha do inserto. Finalmente, por
se tratar de uma geometria axisimétrica, a geração da malha de elementos finitos foi
facilitada.
MÓVEL FIXO


Figura 6.1 - Inserto utilizado no Estudo de Caso 1

Como pode ser visto na Figura 6.2, foram utilizados três pinos extratores
posicionados na parte inferior da peça. Assim, peças poderiam ser injetadas com
temperaturas de referência maiores, uma vez que o tempo de extração seria
reduzido.









Figura 6.2 - Porta-insertos utilizado no Estudo de Caso 1
pinos extratores
97
O termopar usado para monitorar a temperatura do inserto foi posicionado no
inserto móvel a 16 mm de distância da superfície, conforme ilustrado na Figura 6.3,
seguindo o mesmo procedimento adotado no experimento descrito no Capítulo 4. A
temperatura deste ponto também foi utilizada para controlar o procedimento de
resfriamento do inserto entre ciclos consecutivos.










Figura 6.3 - Montagem do termopar no inserto móvel.

Inicialmente o inserto foi utilizado para avaliar os parâmetros de injeção que
foram utilizados. Os valores para estas grandezas estão relacionados na Tabela 6.1.
Foi observado que o tempo necessário para resfriar o inserto era muito longo e
portanto descartou-se a utilização de temperaturas de referências abaixo de 40
0
C.

Tabela 6.1 - Parâmetros de injeção utilizados no experimento 2.1.
Parâmetro Valores utilizados
Vazão 10 cm
3
/s
Temperatura de injeção 200
0
C
Tempo de resfriamento 40 segundos
Pressão de recalque 100 MPa
Tempo de recalque 5 segundos
Ciclo 1 Ciclo 2 Ciclo 3
Temperaturas de referência
40
0
C 50
0
C 60
0
C

Como pode ser visto na Tabela 6.1 optou-se por adotar as mesmas
temperaturas de referência utilizadas no experimento descrito no Capítulo 4. Os
parâmetros listados foram mantidos constantes para todos os experimentos,
permitindo a comparação dos resultados. Assim, um tempo de resfriamento de 40
inserto
móvel
peça
injetada
16 mm
termopar
98
segundos, necessário para resfriar completamente a peça para o ciclo 3, foi adotado
para os ciclos 1 e 2.
O procedimento adotado pode ser descrito como segue. Inicialmente foram
registrados dados iniciais como tempo de injeção, tempo total de ciclo, temperatura
inicial do inserto, temperatura ambiente e temperatura de referência adotada. A
primeira peça foi então injetada e a temperatura do inserto e o tempo total de ciclo
foram monitorados. Após o inserto atingir a temperatura máxima para o primeiro
ciclo de injeção, o valor da temperatura e do tempo necessário para atingi-la foram
anotados e nova peça foi injetada. O procedimento foi repetido até o inserto atingir
uma temperatura maior do que a temperatura de referência adotada. Finalmente os
ciclos de injeção posteriores iniciaram após o resfriamento do inserto, quando a sua
temperatura atingiu a temperatura de referência. Os ciclos térmicos para todos
valores adotados de temperaturas de referência estão ilustrados graficamente na
Figura 6.4.

20
30
40
50
60
70
1 375 749 1123 1497 1871 2245
Tempo (segundos)
T
e
m
p
e
r
a
t
u
r
a

(
0
C
)

20
30
40
50
60
70
80
1 252 503 754 1005 1256 1507
Tempo (segundos)
T
e
m
p
e
r
a
t
u
r
a

(
0
C
)

(a) Ciclo 1 - 40
0
C (b) Ciclo 2 - 50
0
C
20
30
40
50
60
70
80
90
1 198 395 592 789 986 1183
Tempo (segundos)
T
e
m
p
e
r
a
t
u
r
a

(
0
C
)

(c) Ciclo 3 - 60
0
C
Figura 6.4 - Ciclos térmicos para temperaturas de referência de 40
0
C, 50
0
C e 60
0
C para o
inserto do experimento realizado no Estudo de Caso 1.
99
As temperaturas máximas medidas pelo termopar foram 66.5
0
C, 71.9
0
C e 77.9
0
C para temperaturas de referência de 40
0
C, 50
0
C e 60
0
C, respectivamente. Para
garantir a convergência dos valores de temperatura, o valor máximo desta grandeza
e o tempo necessário para resfriar o inserto até a temperatura de referência, foram
monitorados regularmente. O regime permanente cíclico foi considerado atingido,
quando a variação da temperatura máxima foi inferior a 0.5
0
C e do tempo de
resfriamento inferior a 5 segundos, durante 3 ciclos. Os valores da temperatura
máxima, registrados pelo termopar, nos primeiros dez ciclos estão ilustrados na
Figura 6.5. Os resultados mostraram mais uma vez que a temperatura do inserto se
estabiliza após um determinado número de peças serem injetadas

50
55
60
65
70
75
80
1 3 5 7 9
Número do ciclo
T
e
m
p
e
r
a
t
u
r
a

(
0
C
)


Figura 6.5 - Temperaturas máximas lidas pelo termopar para as temperaturas de referência
adotadas no Estudo de Caso 1

Para desenvolver as análises numéricas foi escolhida a Análise 2
(temperatura de referência intermediária) para determinar o grau de refino da malha
bem como o incremento de tempo que seria adotado. A Figura 6.6 ilustra o modelo
discretizado através de elementos finitos representativo da geometria do inserto
utilizado. O elemento linear PLANE55 (axisimétrico) foi utilizado para a discretização
do domínio, considerando as características do problema estudado. A malha é
formada por 10486 elementos e foi gerada automaticamente pelo programa,
adotando um parâmetro de comprimento máximo de 0,5 mm para os elementos. Os
valores de temperaturas do nó 430, posicionado sobre o eixo de simetria a 38 mm
40
0
C
50
0
C
60
0
C
100
da base da cavidade, foram utilizados para comparar os resultados numéricos e
experimentais.
















Figura 6.6 - Malha de elementos finitos para o inserto utilizado no Estudo de Caso 1

Outro modelo foi criado adotando um comprimento máximo de 1,0 mm para
os elementos finitos, para avaliar o efeito do refino da malha nos resultados
numéricos. Neste caso, foram gerados 4837 elementos. Os dois modelos foram
testados adotando incrementos de tempo de 0.1 segundos e 1 segundo,
respectivamente. Adicionalmente, foi avaliada a possibilidade de adotar tempo
variável, a partir de 0.01 segundos, no início da análise. Este último procedimento
teve como objetivo minimizar os efeitos dos altos gradientes térmicos decorrentes
das condições de contorno adotadas, haja vista que no início da análise, as
temperaturas iniciais foram assumidas ser 200
0
C e 20
0
C nos elementos
posicionados nas superfícies da peça e do conjunto bucha de injeção e insertos,
respectivamente.
Os resultados obtidos para as combinações de parâmetros descritos acima
indicaram não haver diferença significativa dos resultados quando a malha de
elementos finitos é refinada ou o incremento de tempo adotado é minimizado. Como
inserto móvel
inserto fixo
peça
bucha de
injeção
canal de
injeção
nó 430
eixo de
revolução
101
o tempo de processamento para a malha mais refinada (ilustrada na Figura 6.6) não
foi excessivamente grande, optou-se por adotar como parâmetros a malha mais
refinada e um incremento de tempo de 1 segundo para desenvolver todas as
análises.
O programa computacional Ansys
®
assume que as superfícies externas dos
sólidos são adiabáticas, caso não sejam fornecidas condições de contorno de
radiação ou convecção. Assim, foi necessário utilizar um artifício para promover a
troca de calor entre os entes considerados (insertos, peça e bucha de injeção). A
estratégia adotada neste modelo, ilustrada na Figura 6.7, consiste em gerar a malha
com nós coincidentes nas superfícies de contato (nós com as mesmas coordenadas)
e aplicar uma condição de contorno na qual cada par de nós deveriam sempre ter as
mesmas temperaturas durante a simulação do preenchimento da cavidade e
resfriamento da peça.









Figura 6.7 - Condição de contorno aplicada nas superfícies de contato.

As condições de contorno utilizadas nas simulações no Estudo de Caso 1
estão relacionadas na Tabela 6.2. Para todas as análises foram utilizados os valores
de coeficiente de convecção de 10 W/m
2 0
C, para representar a convecção natural. A
temperatura da peça foi considerada igual à temperatura de injeção do polipropileno
(200
0
C). O tempo do ciclo foi considerado aquele compreendido entre o início do
preenchimento da cavidade e a abertura do inserto.





nós
coincidentes
superfícies de
contato
Inserto
móvel
peça
injetada
inserto
fixo
102
Tabela 6.2 - Condições de contorno aplicadas nas análises do Estudo de Caso 1
Análises
Condições de contorno
Análise 1 Análise 2 Análise 3

Temp. inicial do inserto (
o
C) 19,8 20,5 22,5
Temp. ambiente (
o
C) 19,8 20,5 22,5
Temp. de referência (
o
C) 40 50 60
Tempo do ciclo (seg) 42* 42* 42*
* Considerando o tempo de resfriamento e tempo de preenchimento

Na Tabela 6.3 são apresentados os valores das propriedades materiais,
utilizados nas análises. Os valores referentes à resina Vantico SL7560 foram obtidos
junto ao fabricante deste material. Para os demais materiais, polipropileno Solvay e
material da bucha de injeção, foram utilizados os valores fornecidos no banco de
dados de material dos programas MoldFlow® e Ansys®, respectivamente.

Tabela 6.3 – Propriedades materiais utilizadas nas análises numéricas
Materiais
Propriedades
Resina* PP** Aço 1020
Calor específico (J/kg
*
0
C) 2300 2672 419
Condutividade térmica (W/m
*
0
C) 0,17501 0,195 46,7
Densidade (kg/m
3
) 1220 943,58 7850
* Valores obtidos junto ao fabricante da resina Vantico SL7560.
** Valores obtidos no banco de dados do MoldFlow® para o polipropileno Solvay.

As simplificações adotadas no modelo numérico podem ser descritas como
segue:
1. As variações de temperatura da peça e do inserto durante o preenchimento
da cavidade foram desprezadas. Em outras palavras foi assumido que a troca
de calor entre estes os sólidos inicia-se após o completo preenchimento da
cavidade. Contudo, foi considerado o tempo de preenchimento na
determinação do tempo de ciclo, conforme mostrado na Tabela 6.2;
2. Foram desprezadas as variações que ocorrem nas propriedades térmicas dos
materiais envolvidos, durante o processo de injeção, em função da variação
103
da temperatura. As propriedades listadas na Tabela 6.3 correspondem aos
valores determinados à temperatura ambiente;
3. Foram desprezadas as variações volumétricas da peça e dos insertos
decorrentes da variação da temperatura, durante as análises. Assim, o
contato entre os sólidos foi considerado perfeito, conforme ilustrado na Figura
6.7;
De acordo com a sistematização descrita na Seção 5.2.2, a análise transiente
utilizando as ferramentas CAE consiste em um processo onde são realizadas
simulações sucessivas dos ciclos de injeção e de resfriamento dos insertos SL. Além
disso, os dados de saída de uma análise são utilizados como condições de contorno
para a análise subseqüente. Trata-se portanto de uma tarefa trabalhosa para ser
realizada manualmente. Assim, foi implementado um pequeno programa
computacional denominado “macro”, descrito no Apêndice C, onde as várias etapas
são desenvolvidas automaticamente, considerando os dados fornecidos pelo
usuário. Através do programa macro, os resultados desejados podem ser obtidos,
definindo previamente as condições de contorno iniciais do problema e a quantidade
de ciclos a serem avaliados.
Os resultados numéricos apresentados a seguir foram obtidos considerando a
malha de elementos finitos ilustrada na Figura 6.6 e um incremento de tempo de 1
segundo. Na Figura 6.8 são apresentados os ciclos térmicos obtidos para cada
temperatura de referência nas análises experimentais e numéricas.




104
16
24
32
40
48
56
64
72
0 500 1000 1500 2000 2500 3000
Tempo (segundos)
T
e
m
p
e
r
a
t
u
r
a

(
º
C
)
Experimental
Numérico

18
26
34
42
50
58
66
74
0 500 1000 1500 2000
Tempo (segundos)
T
e
m
p
e
r
a
t
u
r
a

(
º
C
)
Experimental
Numérico

40
0
C 50
0
C
20
30
40
50
60
70
80
0 500 1000 1500 2000
Tempo (segundos)
T
e
m
p
e
r
a
t
u
r
a

(
º
C
)
Experimental
Numérico

60
0
C
Figura 6.8 - Resultados numéricos e experimentais da variação de temperatura do inserto
para o Estudo de Caso 1

Os gráficos da Figura 6.9 mostram a variação da temperatura máxima e do
tempo de resfriamento necessário para atingir a temperatura de referência adotada
(neste caso 40
0
C) em função do número de ciclos. De acordo com os resultados,
pode-se afirmar que para ambos os casos (experimental e numérico), houve uma
convergência dos valores das grandezas avaliadas ao longo do processo. Contudo,
os valores obtidos numericamente comparados aos dados experimentais,
apresentaram diferenças que devem ser consideradas.
A temperatura máxima atingida pelo ponto do inserto monitorado durante o
experimento foi de 66.3
0
C, enquanto que o valor desta grandeza determinada
105
numericamente foi de 62.1
0
C, um erro portanto de aproximadamente -6.4%. Os
tempos médios de resfriamento por sua vez, apresentaram erros maiores. No
procedimento experimental foram necessários 487 segundos em média para que o
ponto monitorado atingisse a temperatura de 40
0
C, inferior portanto àquele valor
obtido numericamente (533 segundos). O erro neste caso foi de aproximadamente
+9%.

46
50
54
58
62
66
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11
Ciclo
T
e
m
p
e
r
a
t
u
r
a

M
á
x
i
m
a

(
0
C
)

Experimental
Numérico

280
340
400
460
520
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11
Ciclo
T
e
m
p
o

d
e

r
e
s
f
r
i
a
m
e
n
t
o
(
s
e
g
u
n
d
o
s
)

Experimental
Numérico


Figura 6.9 - Comparação entre os valores numéricos e experimentais para uma temperatura
de referência de 40
0
C (Estudo de Caso 1)

Os resultados de temperatura e tempo de resfriamento do inserto, para uma
temperatura de referência de 50
0
C são mostrados graficamente na Figura 6.10. As
temperaturas máximas do ponto monitorado, medida pelo termopar e determinado
numericamente foi 71.8
0
C e 68.8
0
C, respectivamente. O erro portanto foi de 3
0
C
(cerca de -4%). O tempo médio necessário para o ponto monitorado atingir a
temperatura de referência durante o experimento foi de 335 e o valor desta grandeza
determinado numericamente foi de 391 segundos, uma diferença de 53 segundos
(aproximadamente +16.9% de erro).

106
20
70
120
170
220
270
320
370
420
1 3 5 7 9 11 13
Ciclo
T
e
m
p
o

d
e

r
e
s
f
r
i
a
m
e
n
t
o

(
s
e
g
)

Experimental
Numérico
20
70
120
170
220
270
320
370
420
1 3 5 7 9 11 13
Ciclo
T
e
m
p
o

d
e

r
e
s
f
r
i
a
m
e
n
t
o

(
s
e
g
)

Experimental
Numérico


Figura 6.10 - Comparação entre os valores numéricos e experimentais para uma temperatura
de referência de 50
0
C (Estudo de Caso 1)

Os valores de temperatura máxima e tempo de resfriamento, avaliados
experimentalmente e numericamente, quando adotada uma temperatura de
referência de 60
0
C, apresentaram um comportamento similar àqueles observados
anteriormente (ver gráficos da Figura 6.11). Os resultados experimentais e
numéricos para estas grandezas foram 77,6
0
C e 75,3
0
C (erro de -3.0%) para as
temperaturas máximas e 261 segundos e 297 segundos para o tempo médio de
resfriamento (erro de +13.9 %).

50
56
62
68
74
80
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13
Ciclo
T
m
e
p
e
r
a
t
u
r
a

M
á
x
i
m
a

(
0
C
)

Experimental
Numérico

230
240
250
260
270
280
290
300
310
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13
Ciclo
T
e
m
p
o

d
e

r
e
s
f
r
i
a
m
e
n
t
o

(
s
e
g
u
n
d
o
s
)

Experimental
Numérico


Figura 6.11 - Comparação entre os valores numéricos e experimentais para uma temperatura
de referência de 60
0
C (Estudo de Caso1).

A Tabela 6.4 relaciona as diferenças percentuais entre os valores obtidos
numericamente e experimentalmente para cada temperatura de referência adotada.

107
Tabela 6.4 - Erros percentuais entre os valores experimentais e numéricos para o Estudo de
Caso 1
Erro (%)
Temperatura de referência (
0
C) 40 50 60
Temperatura mínima (
0
C) +1.1 +1.6 +1.4
Temperatura máxima (
0
C) -6 -4 -2.7
Tempo de resfriamento (seg) +9.3 +16.9 +13.9
Tempo de aquecimento (seg) +16.7 +18.4 +15

Análise dos resultados

As análises desenvolvidas no Estudo de Caso 1 tiveram como objetivo definir
e avaliar modelos numéricos de análises com o intuito de viabilizar a aplicação da
sistemática descrita no Capítulo 5 para planejar o uso de insertos SL na fabricação
de peças plásticas injetadas. Para isso foi utilizado o inserto ilustrado na Figura 6.1
no processo de injeção de peças plásticas, considerando o procedimento de resfriá-
o entre ciclos consecutivos. Posteriormente foram realizadas análises numéricas
utilizando o programa comercial ANSYS®, aplicando as mesmas condições
observadas durante os experimentos.
Os valores de tempo de resfriamento do inserto, bem como a temperatura
máxima atingida pelo ponto monitorado, determinados numericamente e
experimentalmente, convergiram para um determinado valor após alguns ciclos. Isto
significa que é possível determinar aproximadamente, a variação de temperatura dos
insertos durante o processo de injeção, através de análises térmicas transientes
utilizando ferramentas CAE.
As diferenças entre os resultados numéricos e experimentais de tempo de
resfriamento não apresentaram uma tendência em função da temperatura de
referência. De acordo com a Tabela 6.4, os erros percentuais entre estas medidas
para uma temperatura de referência de 50
0
C foram maiores do que aqueles
determinados para temperaturas de referência de 40
0
C e 60
0
C. Os resultados de
temperatura máxima atingida pelo ponto monitorado por sua vez, revelaram que
valores menores de temperatura de referência adotada apresentaram erros
108
percentuais maiores, entre os valores medidos experimentalmente e determinados
numericamente.
As maiores diferenças ocorreram para os tempos de resfriamento e
aquecimento. Os valores numéricos, no entanto, foram sempre maiores do que
aqueles determinados experimentalmente, ou seja, o procedimento de determinar
numericamente os valores do tempo de resfriamento revelou ser mais conservativo,
quando comparado ao processo experimental. Os valores de temperatura por sua
vez, apresentaram erros pequenos e os valores numéricos foram menores
comparados aos experimentais.

6.2.4 - Estudo de caso 2 – Descrição e resultados

O estudo de caso descrito a seguir teve como objetivo avaliar a utilização de
ferramentas CAE para a determinação do tempo de resfriamento dos insertos SL,
através da simulação do processo de injeção, de acordo com a sistemática
apresentada no Capítulo 5.
Para avaliar os resultados de tempo de resfriamento obtidos através das
análises numéricas, foi utilizada a mesma geometria adotada no Estudo de Caso 1.
Assim, um ciclo de injeção adicional foi adotado, usando 50
0
C como temperatura de
referência e considerando os mesmos parâmetros apresentados na Tabela 6.2. O
tempo de resfriamento usado foi de 20 segundos, parâmetro este determinado
experimentalmente considerando o valor necessário para resfriar completamente a
peça. Os ciclos térmicos resultantes são mostrados graficamente na Figura 6.12.
Para efeito de comparação foram traçados os gráficos dos ciclos térmicos obtidos
utilizando 40 segundos de tempo de resfriamento.









109









Figura 6.12 - Ciclos térmicos para temperaturas de referência de 50
0
C e tempo de
resfriamento de 20 e 40 segundos para o inserto do Estudo de Caso 2.

Como pode ser visto nos gráficos da Figura 6.13, houve diferenças entre os
resultados obtidos para distintos tempos de resfriamento da peça. As temperaturas
máximas atingidas no primeiro ciclo de injeção foram 50.2
0
C e 55
0
C para tempos
de resfriamento de 20 segundos e 40 segundos, respectivamente. As máximas
temperaturas lidas pelo termopar foram 68.4
0
C e 71.9
0
C. O tempo de resfriamento,
grandeza determinada nas análises numéricas, apresentou uma diferença de 9%.









Figura 6.13 – Tempo de resfriamento do inserto para os ciclos de injeção utilizando tempo de
resfriamento da peça de 20 segundos e 40 segundos (Estudo de Caso 2).

As simulações numéricas desenvolvidas no Estudo de Caso 2 consistiram nas
análises do processo de injeção e nas análises transientes térmicas. O procedimento
adotado em cada análise pode ser descrito como segue.
110
160
210
260
310
360
410
460
1 2 4 6 8 10 12 14
Número do Ciclo
T
e
m
p
o


(
s
e
g
u
n
d
o
s
)
20 seg
40 seg
20
30
40
50
60
70
80
1 250 499 748 997 1246 1495
Tempo (segundos)
T
e
m
p
e
r
a
t
u
r
a

(

0
C
)
40 segundos
20 segundos
110
Para determinar qual temperatura seria adotada para os insertos na
simulação do processo de injeção, foi avaliado o perfil de temperatura dos insertos
durante o processo. Como os parâmetros necessários para realizar as análises
transientes térmicas não são conhecidos previamente, valores médios desta
grandeza podem ser adotados para determinar o padrão dos gradientes de
temperatura dos insertos. Neste caso em particular, foi considerada a variação de
temperatura obtidas na Análise 2 do Estudo de Caso 1.
A Figura 6.14 representa o perfil de temperatura do inserto obtido no instante
em que o ponto monitorado atinge a temperatura de referência (50
0
C). Pode-se
verificar que a temperatura média do inserto é menor do que a temperatura de
referência e portanto pode-se escolher um valor de 40
0
C para a temperatura do
inserto, uma vez ser esta a temperatura na região próxima à cavidade. Isto ocorre
devido à posição central do ponto monitorado. Caso este seja escolhido um ponto
posicionado na região externa, a temperatura de referência poderia ser adotada
como temperatura do inserto durante a simulação do processo de injeção.

















Figura 6.14 - Perfil de temperatura no inicio do ciclo de injeção para uma temperatura de
referência de 50
0
C.
17.6 21.2 24.8 28.4 32.1 35.7 39.4 43.0 46,6 50,3
(
0
C)
111
Apesar do perfil de temperatura ilustrado na Figura 6.14 indicar a condição de
contorno de 40
0
C para a temperatura do inserto como a mais adequada, optou-se
por desenvolver três análises, considerando as temperaturas de referência (40
0
C,
50
0
C e 60
0
C) como valor desta grandeza, para efeito comparativo. Assim, foram
adotados os parâmetros relacionados na Tabela 6.5. Para todas as análises foi
utilizada uma malha de 2235 elementos e adotado o material Sequel 1440 (Solvay
Engineered Polymers) como contratipo.

Tabela 6.5 – Parâmetros adotados nas análises reológicas do Estudo de Caso 2
Valores adotados
Parâmetros das análises
Análise 1 Análise 2 Análise 3

Temperatura do inserto (
0
C) 40 50 60
Temperatura de injeção (
0
C) 200 200 200
Pressão de recalque (% da pressão de injeção) 80 80 80
Tempo de recalque (seg) 10 10 10
Velocidade de injeção (cm
3
/s) 261.6 293.3 240.3
Volume de material injetado (cm
3
) 8.7 8.7 8.7
Temperatura do fluido de resfriamento (
0
C) 25 25 25
Número de Reynolds 1000 1000 1000

Os resultados de tempo de resfriamento para as análises desenvolvidas estão
ilustrados na Figura 6.15. Os tempos necessários para resfriar o canal de
alimentação (mesmo parâmetro considerado durante o experimento), adotando 40
0
C, 50
0
C e 60
0
C como temperaturas do inserto, foram 23.1 segundos, 49.4
segundos e 49.1 segundos, respectivamente. O valor do tempo estimado
considerando o inserto mais quente (60
0
C), apresentou um resultado menor
comparado àquele obtido para uma temperatura intermediária (50
0
C). Contudo, o
valor determinado experimentalmente foi de 20 segundos e portanto é provável que
o erro esteja no valor obtido para a temperatura intermediária.




112











40
0
C 50
0
C











60
0
C
Figura 6.15 - Resultados numéricos de tempo de resfriamento da peça (Estudo de Caso 2).

De acordo com os resultados, a análise cujo valor de tempo de resfriamento
estimado mais se aproximou do valor usado experimentalmente (20 segundos) foi
aquela que considera a temperatura do inserto 40
0
C (23.1 segundos), com um erro
de aproximadamente 3 segundos. O resultado numérico do tempo de preenchimento
da cavidade para esta temperatura foi de aproximadamente 0.8 segundos. O tempo
de resfriamento da peça, determinado através do uso da Equação 5.1 conforme
sugerido no Capítulo 5, foi de aproximadamente 17.82 segundos.
113
As análises térmicas desenvolvidas no Estudo de Caso 2 seguiram o mesmo
procedimento descrito no Estudo de Caso 1. As condições de contorno contudo,
foram alteradas de acordo com a Tabela 6.6. Foram desenvolvidas duas análises
considerando tempos de ciclo distintos. A Análise 1 corresponde às condições
observadas experimentalmente enquanto que a Análise 2 considera o tempo de
resfriamento determinado na simulação do processo de injeção.

Tabela 6.6 – Condições de contorno utilizadas nas análises transientes do Estudo de Caso 2
Valor utilizado
Condições de contorno
Análise 1 Análise 2

Temperatura inicial do inserto (
o
C) 21 21
Temperatura ambiente (
o
C) 21 21
Temperatura de referência (
o
C) 50 50
Tempo do ciclo (seg) 22* 24*
* Considerando o tempo de resfriamento e tempo de preenchimento

A Figura 6.16 ilustra os resultados comparativos da variação de temperatura
do ponto monitorado em função do tempo. O tempo médio necessário para resfriar o
inserto determinado experimentalmente foi de 293.4 segundos, enquanto que os
resultados numéricos apresentaram valores de 329.5 segundos e 334.2 segundos
para as análises 1 e 2, respectivamente. Portanto a diferença observada entre os
valores numéricos e experimentais foi de +12.3% (Análise 1) e +10.5% (Análise 2).
16.00
24.00
32.00
40.00
48.00
56.00
64.00
72.00
0 500 1000 1500 2000
Tempo (segundos)
T
e
m
p
e
r
a
t
u
r
a

(
º
C
)
Experimental
Numérico 1
Numérico 2

Figura 6.16 - Resultados numéricos e experimental da variação de temperatura do inserto
para o Estudo de Caso 2.
114
O valor médio de temperatura máxima atingida pelo ponto monitorado durante
os experimentos foi de 68.2
0
C. Os resultados numéricos obtidos para esta grandeza
foram 64,74
0
C e 65,26
0
C para as análises 1 e 2, respectivamente. Portanto, o erro
do valor numérico da temperatura máxima do ponto monitorado, quando
considerado o tempo de resfriamento utilizado experimentalmente, foi de
aproximadamente +5,1 %. Este parâmetro apresentou um erro de +4.3% quando foi
considerado o tempo de resfriamento determinado através da simulação do
processo de injeção.

Análise dos resultados

O Estudo de Caso 2 foi desenvolvido para avaliar o uso da sistemática
descrita no Capítulo sem o conhecimento prévio dos parâmetros de injeção. Em
outras palavras, foi avaliado o uso de métodos numéricos para determinar o tempo
de resfriamento da peça, através da simulação do processo de injeção. Assim, os
ciclos de temperatura do inserto e conseqüentemente o tempo necessário para
resfriá-lo, poderiam ser determinados antes da sua construção e utilização.
Durante o desenvolvimento das análises, o valor de tempo de resfriamento
determinado através da simulação do processo de injeção, considerando a
temperatura do inserto 40
0
C, revelou ser o mais adequado. Este resultado sugere
que o procedimento de avaliar o perfil de temperatura do inserto determinado
numericamente, pode ser utilizado para estimar a temperatura do inserto. O uso da
Equação 5.1 para estimar o tempo de resfriamento da peça revelou não ser
apropriado, uma vez que esta estimativa não considera a temperatura e as
propriedades térmicas do inserto.
A diferença entre os valores de tempo de resfriamento obtidos nas análises 1
e 2 foi de apenas 5 segundos. Isto ocorreu devido aos valores próximos de tempo de
ciclo adotados nestas análises (22 segundos e 24 segundos, respectivamente). O
erro percentual entre os valores numérico e experimental (12.3%) foi inferior àquele
obtido no Estudo de Caso 1 (15.8%). Este resultado sugere que quanto maior o
tempo de ciclo, maior será o erro do valor do tempo de resfriamento determinado
através da simulação numérica.
Os valores das temperaturas máximas atingidas pelo ponto monitorado não
apresentaram o mesmo comportamento observado para o tempo de resfriamento do
115
inserto. O erro percentual entre os valores temperaturas máximas determinados
experimentalmente e na análise 1, onde foram adotados os mesmos parâmetros, foi
de 5.1%. Esta mesma diferença foi de 4% na análise correspondente do Estudo de
Caso 1.

6.2.5 - Estudo de caso 3 – Descrição e resultados

O tempo total necessário para o preenchimento durante o processo de injeção
das peças dos Estudos de Casos 1 e 2 foi de aproximadamente 2 segundos. Como
era de interesse avaliar se a simplificação adotada durante a simulação, que
considera o início da troca de calor entre a peça e o inserto após a cavidade ser
completamente preenchida, optou-se por adotar outra geometria, cujo tempo de
injeção fosse maior. Além disso, poderia ser avaliado o uso do modelo para
determinar os gradientes térmicos em geometrias mais complexas.
A geometria utilizada no Estudo de Caso 3 está ilustrada na Figura 6.17. A peça
injetada é provida de dois snaps diametralmente opostos com dimensões diferentes.
Dois pinos extratores foram posicionados nos snaps para auxiliar a extração da
peça. Esta peça havia sido injetada em moldes metálicos, porém, insertos SL não
foram utilizados até então. A idéia inicial era tentar preencher a cavidade usando a
menor velocidade de injeção possível, aumentando assim o tempo de
preenchimento da cavidade.

MÓVEL FIXO


Figura 6.17 – Insertos utilizados no Estudo de Caso 3.

Os insertos ilustrados na Figura 6.17 foram construídos com canais de 3 mm de
diâmetro e um termopar foi posicionado a 4 mm da extremidade superior do núcleo,
canais de
alimentação
canal de
injeção
116
de maneira similar àquela mostrada na Figura 6.3. O primeiro conjunto de insertos
foi utilizado para determinar os parâmetros de injeção relacionados na Tabela 6.7.
No entanto, os valores medidos pelo termopar apresentaram uma variação de 3
0
C
durante o processo de injeção. Possivelmente, não houve um preenchimento
completo do canal com Araldite
®
e portanto não havia contato da extremidade do
termopar com as paredes do inserto. O outro conjunto de insertos foi então utilizado
para obter os dados experimentais de temperatura.

Tabela 6.7 - Parâmetros de injeção utilizados no experimento 2.2
Parâmetro Valores utilizados

Volume de material injetado 13.5 cm
3

Vazão 1 cm
3
/s
Temperatura de injeção 200
0
C
Tempo de resfriamento 30 segundos
Pressão de recalque 50 MPa
Tempo de recalque 5 segundos
Ciclo 1 Ciclo 2 Ciclo 3
Temperaturas de referência
40
0
C 50
0
C 60
0
C

Para esta geometria, o tempo de preenchimento da cavidade foi de 18 segundos
e portanto superior àquele adotado para a geometria do Estudo de Caso 1. As peças
injetadas apresentaram excesso de rebarbas devido a não planicidade das
superfícies dos insertos, apesar da operação de lixação promovida após a sua
fabricação. No entanto este problema não afetou as medidas de temperatura
obtidas.
Na Figura 6.18 são traçados os gráficos da temperatura versus tempo para as
temperaturas de referência adotadas. Pode-se observar que a variação de
temperatura do ponto monitorado foi pequena comparada àquela medida no ponto
monitorado do inserto utilizado no Estudo de Caso 1 e 2. Outro aspecto interessante
apresentado pelo gráfico (c) é que foram necessários quatro ciclos para que a
temperatura medida atingisse o valor da temperatura de referência (60
0
C).
117
20
30
40
50
60
1 394 787 1180 1573 1966
Tempo (segundos)
T
e
m
p
e
r
a
t
u
r
a

(
0
C
)

20
30
40
50
60
1 321 641 961 1281 1601 1921
Tempo (segundos)
T
e
m
p
e
r
a
t
u
r
a

(
0
C
)

(a) 40
0
C (b) 50
0
C

20
30
40
50
60
70
1 251 501 751 1001 1251 1501
Tempo (segundos)
T
e
m
p
e
r
a
t
u
r
a

(
0
C
)

(c) 60
0
C

Figura 6.18 - Ciclos térmicos para temperaturas de referência de 40
0
C, 50
0
C e 60
0
C para o
inserto do experimento 2.2.

A Figura 6.19 ilustra a malha de elementos finitos utilizada nas análises
numéricas do Estudo de Caso 3. Um total de 20876 elementos quadráticos SOLID87
foi usado para a discretização do domínio, considerando um comprimento máximo
de 3 mm para cada elemento próximos à cavidade. Nós coincidentes foram gerados
nas superfícies de contato e condições de contorno de temperaturas foram aplicadas
de maneira similar àquela descrita no Estudo de Caso 1.

118


Inserto fixo Peça Inserto móvel

Figura 6.19 - Malhas de elementos finitos utilizadas no Estudo de Caso 3.

As propriedades dos materiais utilizados nas análises foram as mesmas
utilizadas no Estudo de Caso 1 e relacionadas na Tabela 6.3. As condições de
contorno aplicadas em cada análise estão listadas na Tabela 6.8. O tempo de ciclo
foi calculado somando o tempo de resfriamento da peça (30 segundos) ao tempo de
preenchimento da cavidade (18 segundos). Um incremento de tempo de 1 segundo
foi adotado para todas as análises.

Tabela 6.8 - Condições de contorno utilizadas nas análises transientes do Estudo de Caso 3
Valor utilizado
Condições de contorno
Análise 1 Análise 2 Análise 3

Temperatura inicial do inserto (
0
C) 20 20.5 18
Temperatura ambiente (
0
C) 20 20.5 18
Temperatura de referência (
0
C) 40 50 60
Tempo do ciclo (seg) 48 48 48

Os gráficos da variação da temperatura do ponto monitorado em função do
tempo, para as três temperaturas de referência adotadas estão ilustrados na Figura
6.20. pode-se verificar que houve uma defasagem maior entre os ciclos
determinados experimentalmente e numericamente, comparado aos resultados
obtidos nos Estudos de Caso 1 e 2.
119
16
24
32
40
48
56
0 500 1000 1500 2000
Tempo (segundos)
T
e
m
p
e
r
a
t
u
r
a

(
º
C
)
Experimental
Numérico

20
30
40
50
60
0 500 1000 1500 2000
Tempo (segundos)
T
e
m
p
e
r
a
t
u
r
a

(
º
C
)
Experimental
Numérico

(a) 40
0
C (b) 50
0
C
15
30
45
60
75
0 400 800 1200 1600
Tempo (segundos)
T
e
m
p
e
r
a
t
u
r
a

(
º
C
)
Experimental
Numérico

60
0
C
Figura 6.20 - Resultados numéricos e experimentais da variação de temperatura do inserto
para o Estudo de Caso 3.

Os resultados de tempo de resfriamento e temperatura máxima atingida pelo
ponto monitorado em cada ciclo, para uma temperatura de referência de 40
0
C, são
mostrados graficamente na Figura 6.21. O valor médio de tempo de resfriamento
apresentou uma inversão de valores, se comparados com aqueles obtidos nas
análises anteriores. Neste caso, o valor experimental (353 segundos) foi 2.5%.
superior ao valor determinado numericamente (344 segundos). O comportamento da
média das temperaturas máximas atingidas pelo ponto monitorado também
apresentou alteração. Os valores numérico e experimental desta grandeza foram de
50.3
0
C e 49.4
0
C, respectivamente. Um erro, portanto, de +0.35%.

120
36
40
44
48
52
56
1 2 3 4 5 6 7 8 9
Ciclo
T
e
m
p
e
r
a
t
u
r
a

M
á
x
i
m
a

(
0
C
)

Experimental
Numérico

0
100
200
300
400
500
1 2 3 4 5 6 7 8 9
Ciclo
T
e
m
p
o

d
e

r
e
s
f
r
i
a
m
e
n
t
o

(
s
e
g
)
Experimental
Numérico


Figura 6.21 - Comparação entre os valores numéricos e experimentais para uma temperatura
de referência de 40
0
C (Estudo de Caso 3).

Como pode ser visto nos gráficos da Figura 6.22, o comportamento dos
resultados numéricos observado para uma temperatura de referência de 50
0
C, foi
diferente daquele revelado nos gráficos da Figura 6.21. O valor médio de tempo de
resfriamento obtido na análise (246.8 segundos) foi cerca de 5.75% superior àquele
obtido experimentalmente (233 segundos), revelando portanto uma tendência de
aumento da diferença com um incremente da temperatura de referência. Os valores
médios das temperaturas máximas atingidas pelo ponto monitorado, obtidos
experimentalmente e numericamente, foram 56.32
0
C e 57.7
0
C, respectivamente.
Portanto, um erro percentual de +2.5 %.

36
40
44
48
52
56
60
1 2 3 4 5 6 7 8
Ciclo
T
e
m
p
e
r
a
t
u
r
a

M
á
x
i
m
a

(
0
C
)

Experimental
Numérico

0
40
80
120
160
200
240
280
1 2 3 4 5 6 7 8
Ciclo
T
e
m
p
o

d
e

r
e
s
f
r
i
a
m
e
n
t
o

(
s
e
g
)
Experimental
Numérico


Figura 6.22 - Comparação entre os valores numéricos e experimentais para uma temperatura
de referência de 50
0
C (Estudo de Caso 3).

121
O comportamento dos resultados obtidos para uma temperatura de referência
de 60
0
C comprovou a tendência de aumento do tempo de resfriamento uma vez que
apresentou erros maiores comparados aos resultados para uma temperatura de
referência de 50
0
C. O tempo médio de resfriamento determinado numericamente
por exemplo (182 segundos), foi cerca de 12.2% superior ao valor medido (162
segundos). A média das temperaturas máximas atingida pelo ponto monitorado por
sua vez, apresentou um erro de aproximadamente +4% (63.1
0
C e 65.7
0
C valores
experimental e numérico, respectivamente).

36
40
44
48
52
56
60
64
68
1 2 3 4 5 6 7 8 9
Ciclo
T
e
m
p
e
r
a
t
u
r
a

M
á
x
i
m
a

(
0
C
)

Experimental
Numérico

0
40
80
120
160
200
240
1 2 3 4 5 6 7 8 9
Ciclo
T
e
m
p
o

d
e

r
e
s
f
r
i
a
m
e
n
t
o

(
s
e
g
)
Experimental
Numérico


Figura 6.23 – Comparação entre os valores numéricos e experimentais para uma
temperatura de referência de 50
0
C (Estudo de Caso 3).

Análise dos resultados

O modelo numérico utilizado para desenvolver as análises térmicas
transientes nos insertos SL, considera um contato perfeito entre as superfícies da
peça injetada e do inserto. Além disso, o procedimento adotado durante as análises
assume que a troca de calor entre o material injetado e as paredes do inserto, ocorre
apenas após o completo preenchimento da cavidade. Esta simplificação é razoável
uma vez que o tempo de injeção é relativamente pequeno comparado ao tempo de
resfriamento da peça, principalmente nos casos onde insertos SL são utilizados.
Durante o experimento desenvolvido no Estudo de Caso 3 procurou-se adotar
a menor velocidade de injeção possível que permitisse o preenchimento da
cavidade. Assim, foram necessários 18 segundos para que todo o material fosse
injetado, o que não é apropriado na prática mesmo quando se trata de uso de
122
insertos SL. O objetivo no entanto foi avaliar o quanto o tempo de preenchimento
influencia os resultados numéricos obtidos através do modelo que considera a
simplificação supracitada.
Os resultados revelaram que os ciclos de temperaturas obtidos
experimentalmente e numericamente apresentaram uma defasagem maior
comparados aos resultados obtidos nos estudos de caso 1 e 2. Esta diferença torna-
se maior com o aumento da temperatura de referência adotada. Isto ocorreu porque
neste caso, não apenas o tempo de resfriamento como também o tempo necessário
para que o ponto monitorado atingisse a temperatura máxima foram maiores. No
caso do tempo de resfriamento, há uma tendência de aumento do erro entre os
valores numérico e experimental quando a temperatura de referência é aumentada.
Outra característica importante dos resultados obtidos no Estudo de Caso 3,
refere-se aos valores numéricos de temperatura máxima atingida pelo ponto
monitorado que superaram aqueles obtidos experimentalmente. Isto sugere que a
quantidade de calor absorvida pelo inserto nas simulações foi maior do que nos
experimentos. Estes resultados demonstram a influência do tempo de
preenchimento nas análises.
Apesar da inversão de comportamento observado nas análises do Estudo de
caso 3, os valores de temperatura do inserto bem como do tempo de resfriamento,
obtidos numericamente e experimentalmente apresentaram erros pequenos. Isto
sugere que a simplificação adotada não comprometeu a utilização do modelo para
estimar o tempo necessário para resfriar o inserto.
123
CAPÍTULO 7


CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES PARA TRABALHOS FUTUROS


Neste capítulo são apresentadas as principais conclusões concernentes à
pesquisa descrita neste trabalho, bem como algumas recomendações e sugestões
para futuros estudos na área correlata.

7.1 - Conclusões

7.1.1 - Planejamento do processo de injeção em insertos SL
A utilização de ferramentas CAE para desenvolver análises transientes térmicas
do insertos SL, baseado no procedimento descrito no Capítulo 5, revelou ser um
instrumento eficiente para auxiliar no planejamento do uso dos insertos SL. As
análises numéricas permitem determinar o tempo necessário para o inserto
atingir a temperatura desejada e conseqüentemente planejar de maneira
criteriosa o processo de injeção;
Apesar de Hopkinson & Dickens (1999) não terem obtido resultados aceitáveis
através de análises térmicas utilizando programas computacionais baseados no
método dos elementos finitos, os estudos de caso descritos no Capítulo 6
revelaram que é possível obter resultados satisfatórios mesmo utilizando
modelos numéricos simplificados. Os tempos necessários para resfriar os
insertos entre os ciclos de injeção consecutivos determinados numericamente,
apresentaram erros na faixa de -2.5% a +15%, o que não inviabiliza o seu uso.
Os valores de temperatura máxima atingida pelos insertos por sua vez,
apresentaram erros inferiores a 6%, portanto menores que aqueles observados
para o tempo de resfriamento.
O procedimento de resfriar o inserto entre ciclos de injeção consecutivos pode
evitar a sua falha e conseqüentemente aumentar a sua vida útil. Se a peça for
injetada quando a temperatura do inserto for elevada, o risco de ruptura é maior
124
uma vez que a resistência mecânica da resina é menor. Recomenda-se,
portanto, uma avaliação do gráfico da tensão de ruptura versus temperatura da
resina, para avaliar uma temperatura de referência a ser adotada no processo de
resfriamento do inserto;
A temperatura do inserto, nas regiões de maior concentração de calor, pode ser
controlada através do uso de termopares. Todavia, este procedimento revelou-se
difícil sob o ponto de vista prático, uma vez que podem ocorrer problemas como
ruptura ou perda de contato dos termopares com a superfície do inserto durante
a sua instalação. Além disso, a determinação das regiões nas quais a
temperatura deve ser monitorada torna-se difícil se o perfil de temperatura do
inserto não for previamente conhecido;

7.1.2 - Processo de injeção em insertos SL
O instante adequado para a extração da peça deve ser determinado
considerando o efeito do tempo de resfriamento da peça nas forças de extração
e o gráfico da tensão máxima versus temperatura do material do inserto. Uma
extração prematura pode provocar o rompimento do inserto uma vez que, mesmo
que as forças de extração sejam menores, o material do inserto apresenta uma
redução ainda maior da sua resistência devido ao aquecimento;
Durante os experimentos descritos nos capítulos 4 e 6, foi observado que a
temperatura do inserto aumenta gradativamente à medida que peças são
injetadas. Contudo, cada ponto do inserto atinge determinadas temperaturas
máxima e mínima, caracterizando assim ciclos de temperatura em cada ponto.
Para uma mesma geometria e mesmos parâmetros de fabricação do inserto, a
amplitude dos ciclos térmicos de cada ponto depende da temperatura de injeção,
bem como de parâmetros de injeção tais como tempo de resfriamento e
temperatura do inserto no início do ciclo;



125
7.1.3 - Projeto do inserto SL
A utilização do sistema de refrigeração proposto por Decelles e Barrit (1996), não
reduz o risco de ruptura superficial dos insertos SL. Durante o resfriamento da
peça, a maior parte do calor retirado do moldado fica concentrado na superfície
do inserto. Assim, o metal de preenchimento exerce pouca influência na
distribuição de temperatura desta região. Contudo, tais técnicas provavelmente
diminuem o tempo de resfriamento do inserto no caso de uso do procedimento de
resfriá-lo entre ciclos de injeção consecutivos;
O sistema de refrigeração proposto por Ahrens et al. (2001) pode reduzir o risco
de falha dos insertos SL uma vez que esta técnica promove uma redução
significativa da temperatura na superfície dos insertos. Contudo, as aletas podem
diminuir a resistência mecânica dos insertos se o seu projeto não for adequado;
O projeto do inserto é fundamental para garantir que peças possam ser
injetadas com a qualidade desejada. Dentre os parâmetros geométricos
envolvidos, aquele que apresentou-se como o mais importante, sem considerar
as limitações geométricas usuais para projeto de peças plásticas injetadas, foi a
linha de abertura do inserto. Se este parâmetro não for definido adequadamente,
podem ocorrer problemas como preenchimento incompleto, rebarbas em excesso
e quebra do inserto devido a interferências que ocorrem entre as superfícies dos
insertos móvel e fixo.

7.1.4 - Comportamento das resinas SL

Os ciclos de temperatura aos quais o inserto é submetido durante o processo de
injeção, não afetam significativamente a tensão de ruptura e o módulo de
elasticidade da resina Vantico SL 7560
®
à temperatura ambiente. Este resultado
sugere que a falha observada no inserto durante a realização do experimento
descrito no Capítulo 4, foi causada pelos esforços inerentes ao processo de
injeção, atuando no material do inserto, quando a sua resistência estava reduzida
devido ao seu aquecimento;
126
As resinas SL apresentam comportamentos diferentes quando submetidas aos
ciclos de injeção. Portanto, as características da resina utilizada devem ser
avaliadas para decidir qual a melhor estratégia a ser adotada durante o processo
de injeção. O projetista deve avaliar dentre os materiais disponíveis qual aquele
que satisfaz as suas necessidades particulares. Insertos fabricados com a resina
Vantico SL 7560
®
por exemplo, mostraram-se capazes de produzir mais peças
do que a resina CibaTool SL 5170
®
, porém a precisão dimensional ficou
comprometida;
7.2 - Sugestões para trabalhos futuros
- A utilização da sistemática proposta no Capítulo 5 depende do critério adotado
para a escolha da região do inserto cuja temperatura deve ser monitorada
durante o processo de injeção. Uma maneira de definir tal região é através de
análise estrutural, a partir da qual os pontos mais solicitados do inserto podem
ser determinados. Uma sugestão seria determinar um modelo estrutural para
desenvolver esta avaliação, considerando os resultados numéricos determinados
nas análises térmicas transientes;
- Uma avaliação do comportamento de outras resinas, quando submetidas aos
ciclos de injeção, é necessária para estender o uso da sistemática proposta neste
trabalho para outras aplicações. Isto pode ser realizado repetindo o experimento
descrito no Capítulo 4 aplicando os ciclos térmicos em corpos de prova
fabricados com outros materiais;
- A definição dos parâmetros de injeção de peças plásticas em insertos SL deve
ser realizada considerando as características particulares deste tipo de
ferramenta. É necessário desenvolver um procedimento para estimar os valores
iniciais destas variáveis, a fim de não comprometer a vida útil da ferramenta;
- A utilização de ferramentas CAE para simular termicamente os insertos SL
durante o processo de injeção pode ser mais eficiente se as propriedades
térmicas da resina forem conhecidas. Um trabalho que pode ser desenvolvido
para melhorar os resultados numéricos é avaliar tais propriedades e aprimorar o
modelo proposto, considerando a variação destas propriedades em função da
temperatura;
127
- A utilização de sistemas de refrigeração alternativos como aquele proposto por
Ahrens et al. (2001) pode otimizar o processo de injeção diminuindo o tempo de
resfriamento entre os ciclos. Faz-se necessário, no entanto, avaliar a relevância e
o comprometimento do uso desta concepção de insertos;
- O maior discernimento a respeito do uso de insertos SL permite ampliar o
campo de aplicação desta técnica. O projeto e uso de insertos SL, providos de
movimentos laterais, podem ser avaliados. Uma idéia que pode viabilizar tal
aplicação seria o uso de insertos SL compostos de partes metálicas;
- As limitações geométricas usuais de peças plásticas injetadas têm uma
conotação especial quando se tratam de peças fabricadas em insertos SL. Uma
sugestão é definir critérios para o projeto da peça voltado para injeção em
insertos não metálicos, considerando as características particulares deste tipo de
ferramenta.
128
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.











APÊNDICES
















APÊNDICE A







RESULTADOS DOS ENSAIOS DE TRAÇÃO













RESULTADOS DOS ENSAIOS DE TRAÇÃO

Serão apresentados a seguir os resultados obtidos nos ensaios de
tração dos corpos de prova utilizados no experimento descrito no Capítulo 4. Na
Figura A-1 são mostrados os diagramas tensão versus deformação típicos, obtidos
no ensaio de um conjunto de corpos de prova.

0 2 4 6 8 10
0
20
40
60
80
Strain in %
S
t
r
e
s
s

i
n

M
P
a



Figura A-1 – Diagramas tensão versus deformação para um conjunto de corpos de prova




Conjunto Padrão

Área
Tensão de
ruptura
Alongamento
máximo
Módulo de
elasticidade

10.26 69.89 11.68 2931.80
10.93 69.12 14.10 2775.90
10.25 70.82 11.02 2917.70
10.65 71.65 12.40 2921.20
10.95 70.95 13.06 2892.60
Média 70.49 12.45 2887.84
Min 69.12 11.02 2775.90
Max 71.65 14.10 2931.80
Desvio Padrão 1.975580927 2.394760948 128.4142204


Conjunto Azul
Temperatura de referência 40
0
C
Número de peças injetadas 20

Área
Tensão de
ruptura
Alongamento
máximo
Módulo de
elasticidade

mm² MPa % MPa
9.86 70.02 11.69 2842.80
10.44 70.35 11.91 2723.80
11.03 68.76 11.65 2735.60
10.91 69.32 11.63 2566.40
10.58 69.82 11.09 2727.00
Média 69.65 11.59 2719.12
Min 68.76 11.09 2566.40
Max 70.35 11.91 2842.80
Desvio Padrão 1.247685858 0.606234278 197.422714









Conjunto Verde/Azul
Temperatura de referência 40
0
C
Número de peças injetadas 40

Área
Tensão de
ruptura
Alongamento
máximo
Módulo de
elasticidade
mm² MPa % MPa

10.56 69.30 11.38 2658.20
10.42 69.60 13.28 2656.10
10.37 69.58 10.59 2671.80
10.11 68.97 12.48 2669.80
10.18 68.18 13.94 2625.90
Média 69.13 12.33 2656.36
Min 68.18 10.59 2625.90
Max 69.60 13.94 2671.80
Desvio Padrão 1.174870206 2.728941187 36.74631954




Conjunto Azul/Vemelho
Temperatura de referência 40
0
C
Número de peças injetadas 60

Área
Tensão de
ruptura
Alongamento
máximo
Módulo de
elasticidade
mm² MPa % MPa

10.07 68.32 12.50 2568.30
10.63 68.05 12.57 2790.90
10.33 69.11 11.83 2784.90
9.77 69.67 12.33 2786.50
10.18 69.45 12.98 2686.10
Média 68.92 12.44 2723.34
Min 68.05 11.83 2568.30
Max 69.67 12.98 2790.90
Desvio Padrão 1.412940197 0.83443394 194.3383441





Conjunto Vemelho/Azul
Temperatura de referência 40
0
C
Número de peças injetadas 80

Área
Tensão de
ruptura
Alongamento
máximo
Módulo de
elasticidade
mm² MPa % MPa

9.49 71.68 9.98 2971.00
9.7 69.74 9.23 2791.70
11.1 64.98 8.91 2588.50
10.03 68.21 9.39 2409.70
11.33 70.19 11.87 2627.00
Média 68.96 9.88 2677.58
Min 64.98 8.91 2409.70
Max 71.68 11.87 2971.00
Desvio Padrão 5.091424162 2.360830362 425.8778557


Conjunto Verde/Amarelo
Temperatura de referência 50
0
C
Número de peças injetadas 20

Área
Tensão de
ruptura
Alongamento
máximo
Módulo de
elasticidade
mm² MPa % MPa

11.05 68.78 12.21 2628.90
9.91 70.55 11.95 2785.20
10.36 69.63 11.79 2765.80
9.98 69.24 12.94 2708.30
11.15 67.66 13.46 2693.70
Média 69.17 12.47 2716.38
Min 67.66 11.79 2628.90
Max 70.55 13.46 2785.20
Desvio Padrão 2.133794742 1.414708451 124.1408394







Conjunto Vermelho
Temperatura de referência 50
0
C
Número de peças injetadas 40

Área
Tensão de
ruptura
Alongamento
máximo
Módulo de
elasticidade
mm² MPa % MPa

10.27 69.56 12.16 2617.10
9.88 68.29 10.44 2681.90
9.75 68.80 10.66 2695.70
10.99 67.15 13.32 2545.80
10.13 67.69 10.17 2655.20
Média 68.30 11.35 2639.14
Min 67.15 10.17 2545.80
Max 69.56 13.32 2695.70
Desvio Padrão 1.879436086 2.689535276 120.3473805


Conjunto Amarelo/Verde
Temperatura de referência 50
0
C
Número de peças injetadas 60

Área
Tensão de
ruptura
Alongamento
máximo
Módulo de
elasticidade

10.74 70.04 13.64 2666.00
9.91 70.92 12.72 2770.40
10.26 70.62 12.84 2635.70
10.62 70.34 13.95 2663.20
10.45 70.93 12.96 2709.20
Média 70.57 13.22 2688.90
Min 70.04 12.72 2635.70
Max 70.93 13.95 2770.40
Desvio Padrão 0.767072356 1.082256901 105.2115963








Conjunto Azul/amarelo
Temperatura de referência 50
0
C
Número de peças injetadas 80

Área
Tensão de
ruptura
Alongamento
máximo
Módulo de
elasticidade

10.25 69.86 11.31 2813.30
9.8 70.84 11.50 2817.30
9.91 70.64 13.79 2697.20
10.42 68.88 13.27 2660.00
11.05 70.18 13.44 2669.60
Média 70.08 12.66 2731.48
Min 68.88 11.31 2660.00
Max 70.84 13.79 2817.30
Desvio Padrão 1.545833109 2.329265979 155.4774196




Conjunto Amarelo/Vermelho
Temperatura de referência 60
0
C
Número de peças injetadas 20

Área
Tensão de
ruptura
Alongamento
máximo
Módulo de
elasticidade

10.96 68.84 11.65 2755.10
10.23 68.92 12.43 2713.70
9.81 69.62 11.78 2732.70
10.23 68.74 10.25 2655.90
10.21 68.76 14.28 2637.50
Média 68.98 12.08 2698.98
Min 68.74 10.25 2637.50
Max 69.62 14.28 2755.10
Desvio Padrão 0.733975476 2.930235485 100.6918467







Conjunto Vermelho/Amarelo
Temperatura de referência 60
0
C
Número de peças injetadas 40

Área
Tensão de
ruptura
Alongamento
máximo
Módulo de
elasticidade

10.13 70.44 11.95 2683.70
11.35 68.55 14.40 2728.40
10.3 69.61 13.47 2709.40
10.55 69.15 12.53 2709.60
9.95 68.52 13.06 2692.20
Média 69.25 13.08 2704.66
Min 68.52 11.95 2683.70
Max 70.44 14.40 2728.40
Desvio Padrão 1.60577707 1.863942059 34.71357083



Conjunto Verde/Vermelho
Temperatura de referência 60
0
C
Número de peças injetadas 60

Área
Tensão de
ruptura
Alongamento
máximo
Módulo de
elasticidade

10.13 70.47 11.61 2781.40
10.15 68.59 10.07 2724.60
10.21 68.65 10.72 2672.30
10.69 69.25 12.17 2667.80
10.04 67.01 8.83 2956.50
Média 68.79 10.68 2760.52
Min 67.01 8.83 2667.80
Max 70.47 12.17 2956.50
Desvio Padrão 2.502382864 2.623204148 237.7270452








Conjunto Vermelho/Verde
Temperatura de referência 60
0
C
Número de peças injetadas 80

Área
Tensão de
ruptura
Alongamento
máximo
Módulo de
elasticidade

10.54 68.23 12.68 2685.00
10.28 69.43 13.57 2734.00
10.26 69.70 13.17 2613.30
10.36 69.13 11.87 2659.20
10.18 69.98 13.48 2757.90
Média 69.29 12.95 2689.88
Min 68.23 11.87 2613.30
Max 69.98 13.57 2757.90
Desvio Padrão 1.346447177 1.397469141 115.7707562











APÊNDICE B




INSERTOS UTILIZADOS NOS EXPERIMENTOS



INSERTO UTILIZADO NO EXPERIMENTO COMPLEMENTAR

Ø 185
8
,
0
3
8
,
0
Ø 162,0
2
,
0
2
,
2
R 4,3
R 9,0
6
0
°
2
,0
Ø 9,0
Ø 5,0
8
7
,
0
5
,
0
1
8
,
0

Dimensões em milímetros

Ø 9,0
Ø 185
Ø 5,0
8
,
0
5
,
0
2
,
0
3
8
,
0
Ø 162,0
Ø

3
,
0
30,0
1
0
,
0
6
0
°
R
1
5
,2
R
3
,5
3,0
3
5
,
5
2
,0
R
1
,
5
4,5
4
,
0
3
5
°
1
5
°


Dimensões em milímetros






INSERTO UTILIZADO NOS ESTUDOS DE CASO 1 E 2































Dimensões em milímetros

18
40
80
60
dia 8.1
1.5
o
10
o

5
25
45
63
40
20
5
53
71
33

INSERTO UTILIZADO NO ESTUDO DE CASO 3 (INSERTO FIXO)

79,80
59,80
1
4
,
0
0
3
,
0
0
3
,
0
0
R
2
,
5
0
30,00
6,80
5
,
5
0
4
2
,
7
5
4
8
,
2
5
2
5
,
7
0
18,00
1
0
0
,
0
°
1
0
1
,
0
°
20,00
5
,
0
0
7
,
0
0
4
,
0
5
1
8
,
5
0
8
,
0
0
R
2
,
0
0

Dimensões em milímetros

INSERTO UTILIZADO NO ESTUDO DE CASO 3 (INSERTO MÓVEL)

9,20
19,90
21,20
21,90
7
,
4
0
2
,
9
0
4
3
R
1
R
2
3
8
6
3
1
4
2
2
15
14
79,80
59,80
R
2
,
5
0
2
,
5
0
1
,
5
0
1
2
0
°
120°
26,75
23,50
2
,
5
0
5
,
5
0
3
9
,
7
5
6
0
,
7
5
1
0
1
°
8
4
,
9
°
8
4
,
4
°
1
1
7
,6
°
1
0
0
°
1

Dimensões em milímetros















Apêndice C



DESCRIÇÃO DO PROGRAMA “MACRO”



DESCRIÇÃO DO PROGRAMA “MACRO”






Será apresentado a seguir o programa computacional desenvolvido para
auxiliar as análises térmicas transientes utilizando o Ansys 5.6. A maioria dos
comandos utilizados corresponde aos comandos de linha específicos da linguagem
de programação do Ansys. Contudo, alguns são comuns àqueles encontrados na
linguagem de programação Fortran.

PROGRAMA “MACRO”

!arg1: temperatura de controle
!arg2: temperatura de injeção
!arg3: Temperatura inicial do molde
!arg4: Temperatura do ar
!arg5: TEmpo de molde fechado
(usar 4 segundos a menos do que
o indicado nos arquivos)
!arg6: tempo de resfriamento (Valor
grande 800s +-)
!arg7: numero de ciclos

!OBS=> nessa macro já são
considerados os 4 segundos de
"delay"

TAMANHO=1000
*dim,TEMPO,ARRAY,TAMANHO
*DIM,TERMOPAR,ARRAY,TAMAN
HO
n=1

*DO,n,1,ARG7,1

/SOLU
ANTYPE,4
TRNOPT,FULL
LUMPM,0
THOPT,FULL,0.05,64,15,300,
EQSLV, , ,0,
PRECISION,0
MSAVE,0
TOFFST,273.15,
ALLSEL,ALL
ICDELE
LSCLEAR,ALL

*IF,n,NE,1,THEN
ldread,temp,,,TEMPOINICIAL+4,2,
ANALISE,RTH
ASEL,S, , , 3
NSLA,S,1
NPLOT
FLST,2,1027,1,ORDE,2
FITEM,2,9375
FITEM,2,-10401
IC,P51X,TEMP,arg2,
ASEL,INVE
APLOT
LSLA,S
LPLOT
FLST,5,8,4,ORDE,6
FITEM,5,6
FITEM,5,-9
FITEM,5,17
FITEM,5,-18
FITEM,5,33
FITEM,5,-34
LSEL,R, , ,P51X
LPLOT
NSLL,S,1
NPLOT
FLST,2,285,1,ORDE,13
FITEM,2,193
FITEM,2,234
FITEM,2,-353
FITEM,2,4202

FITEM,2,-4278
FITEM,2,4521
FITEM,2,4562
FITEM,2,-4580
FITEM,2,10402
FITEM,2,-10458
FITEM,2,10471
FITEM,2,10527
FITEM,2,-10535
IC,P51X,TEMP,arg2,
ALLSEL,ALL
NPLOT

*ELSE

FLST,2,11150,1,ORDE,2
FITEM,2,2
FITEM,2,-11151
IC,P51X,TEMP,arg3,
ASEL,S, , , 3
NSLA,S,1
NPLOT
FLST,2,1027,1,ORDE,2
FITEM,2,9375
FITEM,2,-10401
IC,P51X,TEMP,arg2,
ASEL,INVE
APLOT
LSLA,S
LPLOT
FLST,5,8,4,ORDE,6
FITEM,5,6
FITEM,5,-9
FITEM,5,17
FITEM,5,-18
FITEM,5,33
FITEM,5,-34
LSEL,R, , ,P51X
LPLOT
NSLL,S,1
NPLOT
FLST,2,285,1,ORDE,13
FITEM,2,193
FITEM,2,234
FITEM,2,-353
FITEM,2,4202
FITEM,2,-4278
FITEM,2,4521
FITEM,2,4562
FITEM,2,-4580
FITEM,2,10402
FITEM,2,-10458
FITEM,2,10471
FITEM,2,10527
FITEM,2,-10535
IC,P51X,TEMP,arg2,
ALLSEL,ALL
NPLOT

*ENDIF

OUTRES,NSOL,ALL,
TIME,arg5
AUTOTS,-1
DELTIM,1, , ,1
KBC,0

TSRES,ERASE
/STATUS,SOLU
SOLVE

!Pós processamento da parte1
/POST26
NSOL,2,430,TEMP, ,Termopar
/output,CICLO_A,txt,,,
PRVAR,2, , , , , ,
/OUTPUT

/syp, md , %n%
/syp, copy CICLO_A.TXT ,%n%
/syp, copy ANALISE.rth ,%n%
/sys, del CICLO_A.TXT

/POST1
RESET

! parte 2

!MOVIMENTAÇãO DAS PARTES
/PREP7
FLST,3,2,5,ORDE,2
FITEM,3,2
FITEM,3,4
AGEN, ,P51X, , , ,0.05, , , ,1
FLST,3,1,5,ORDE,1
FITEM,3,1
AGEN, ,P51X, , , ,-0.05, , , ,1

CPDELE,1,999999999,,ANY

/PREP7
CPINTF,TEMP,1e-007,

/AUTO,1
EPLOT

!APLICAÇAO DAS CONDIÇOES E
SOLUÇAO

/SOLU
ANTYPE,4
TRNOPT,FULL
LUMPM,0
THOPT,FULL,0.05,64, , ,
EQSLV, , ,0,
PRECISION,0
MSAVE,0
TOFFST,273.15,
LSCLEAR,ALL
ICDELE
FLST,2,12,4,ORDE,6
FITEM,2,6
FITEM,2,-11
FITEM,2,15
FITEM,2,-18
FITEM,2,33
FITEM,2,-34
/go
SFL,P51X,CONV,10, ,ARG4,
ldread,temp,,,arg5,2,ANALISE,rth
/GST,1,0
OUTRES,NSOL,ALL,
TIME,ARG6

AUTOTS,-1
DELTIM,1, , ,1
KBC,0
TSRES,ERASE

solve

!Pos processamento
/POST26
NSOL,2,430,TEMP, ,termopar
/output,CICLO_B,txt,,,
PRVAR,2, , , , , ,
/OUTPUT

/syp, copy CICLO_B.txt ,%n%
/sys, ren ANALISE.rth
Analise_b.rth
/syp, copy ANALISE_B.rth ,%n%
/sys, del CICLO_B.txt
/sys, ren Analise_b.rth Analise.rth

! Lógica do ciclo
VGET,TEMPO(1),1,0,0
VGET,TERMOPAR(1),2,0,0

TEMPOINICIAL=0
FALTOURESFRI=0
TEMPMAX=0

*DO,CONTADOR,1,TAMANHO,1
*IF,TERMOPAR(CONTADOR),GT,
ARG1,THEN
FALTOURESFRI=1
*IF,TERMOPAR(CONTADOR+1),N
E,0,THEN
*IF,TERMOPAR(CONTADOR+1),L
T,ARG1,THEN
TEMPOINICIAL=(TEMPO(CONTA
DOR)+TEMPO(CONTADOR+1))/2
FALTOURESFRI=0
*EXIT
*ENDIF
*ENDIF
*ENDIF

*IF,TERMOPAR(CONTADOR),EQ,
ARG1,THEN
*IF,TERMOPAR(CONTADOR+1),N
E,0,THEN
*IF,TERMOPAR(CONTADOR+1),L
T,ARG1,THEN
TEMPOINICIAL=TEMPO(CONTAD
OR)
FALTOURESFRI=0
*EXIT
*ENDIF
*ENDIF
*ENDIF

*IF,TERMOPAR(CONTADOR),LT,
ARG1,THEN
*IF,TERMOPAR(CONTADOR),GT,
TEMPMAX,THEN
TEMPMAX=TERMOPAR(CONTAD
OR)

TEMPOINICIAL=TEMPO(CONTAD
OR)
FALTOURESFRI=0
*ENDIF
*ENDIF

*ENDDO

*IF,FALTOURESFRI,EQ,1,THEN
*MSG,UI
AUMENTE O TEMPO DE
RESFRIAMENTO
*EXIT
*ENDIF

RESET

!REARRANJANDO PARA A
INJEÇAO
!MOVIMENTAÇãO DAS PARTES
/PREP7
FLST,3,2,5,ORDE,2
FITEM,3,2
FITEM,3,4
AGEN, ,P51X, , , ,-0.05, , , ,1
FLST,3,1,5,ORDE,1
FITEM,3,1
AGEN, ,P51X, , , ,+0.05, , , ,1


CPDELE,1,999999999,,ANY

/PREP7
CPINTF,TEMP,1e-007,

/AUTO,1
EPLOT

*ENDDO

N=1
Limpar os dados da análise
anterior
Aplicar resultados da análise
anterior gravados em STEPC como
temperatura inicial do inserto
Aplicar
condições iniciais
Aplicar temperatura de injeção
como temperatura inicial da
peça
sim
Configurar parâmetros da
análise (tempo de ciclo)
Análise tansiente térmica do
preenchimento da cavidade
Criar arquivo ciclo_A.txt
contendo os rsultados da
análise corrente para o (s) nó
(s) monitorado (s)
Looping sobre o
número de ciclos
de injeção “N”
não





Criar pasta com nome “N”
Copiar arquivo “análise.rth”
para a pasta “N”
Mover arquivo “ciclo_A.txt”
para a pasta “N”
Abrir o inserto
Eliminar condição de contorno
dos nós coincidentes
Limpar os dados da análise
anterior
Aplicar convecção nas superfícies
internas do inserto, considerando
temperatura ambiente
Aplicar resultados da análise
anterior como temperatura
inicial do inserto




Configurar parâmetros da
análise (tempo de resfriamento
do inserto)
Análise tansiente térmica do
resfriamento do inserto
Criar arquivo ciclo_B.txt
contendo os rsultados da
análise corrente para o (s) nó
(s) monitorado (s)
Mover arquivo “ciclo_B.txt”
para a pasta “N”
Copiar arquivo
“análise.rth”como
“análise_B.rth” para a pasta
“N”
T
*
nó(s)
< Tref
Erro !
O tempo de resfriamento
deve ser aumentado
T* = tempertura no último
passo da análise anterior
não
sim





T
nó(s)
< T
ref
Salvar em STEPC as temperaturas dos nós
no instante onde o (s) nó (s) monitorado (s)
atingem o (s) valor máximo
não
Salvar em STEPC as temperaturas dos nós
no instante onde um dos nó s monitorados
atinge a temperatura de referência
Fechar o inserto
Aplicar condições de contorno
nos nós coincidentes
Looping sobre o
número de ciclos
de injeção “N”


PROPOSTA DE UTILIZAÇÃO DE FERRAMENTAS CAE NO PLANEJAMENTO DO PROCESSO DE MOLDAGEM POR INJEÇÃO DE TERMOPLÁSTICOS EM MOLDES DE ESTEREOLITOGRAFIA ARMANDO SÁ RIBEIRO JÚNIOR ESTA TESE FOI JULGADA ADEQUADA PARA A OBTENÇÃO DO TÍTULO DE DOUTOR EM ENGENHARIA ESPECIALIDADE ENGENHARIA MECÂNICA E APROVADA EM SUA FORMA FINAL PELO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA MECÄNICA

___________________________________________ CARLOS HENRIQUE AHRENS, DR.ENG. - ORIENTADOR ___________________________________________ MARCELO KRAJNC ALVES, Ph.D. – CO-ORIENTADOR _______________________________________ JOSÉ A. BELLINI DA CUNHA NETO, Dr. - COORDENADOR DO CURSO BANCA EXAMINADORA _________________________________________ CARLOS HENRIQUE AHRENS, DR.ENG. - PRESIDENTE __________________________________ ANTÓNIO SÉRGIO DUARTE POUZADA, Ph.D. __________________________________ JONAS DE CARVALHO, Dr. __________________________________ ANDRÉ OGLIARI, DR.ENG. __________________________________ GEAN SALMORIA, DR.ING.

BIOGRAFIA DO AUTOR

Armando Sá Ribeiro Júnior, 34, é engenheiro mecânico formado em 1991 pela Universidade Federal da Bahia onde é professor do Departamento de Construção e Estruturas, desde 1996. Em 1995 defendeu sua dissertação de mestrado na Universidade Federal de Santa Catarina na área Projeto e Análise de Componentes Mecânicos.

Aos meus pais pelo amor e carinho constantes. . Ao Deus todo poderoso que nos dá o dom da vida a cada dia.À Carol com todo o meu amor.

To Rod Springthorpe and Naguib Saleh for help me during the experimental works. Ao Prof. reconhecimento e amizade. Saeed and Prof. Ruper. Dennis. John. Malone. Fraga. Diovani. anseios e dificuldades da vida docente. Andy. To the Rapid Manufacture Group at Loughborough University. André Ogliari pela amizade e incentivo constantes durante a jornada. Phill Dickens. Marcelo Krajnc pelo incentivo e apoio nas tomadas de decisões. Carlos Henrique Ahrens pela orientação deste trabalho e por compartilhar planos. Foggiatto. Lelo. Rinat. Candice. Richard. To my foreign supervisor Dr. AO Prof. Russ. Fred. Aos brasileiros em Loughborough. Valter. thanks very much. Farid. em especial Renato e Roberto que me acolheram e facilitaram a minha adaptação em um país distante. Choon. Mark. . pelo ambiente agradável e discussões saudáveis que permitiram um aprendizado constante. Lafrata. Ao Rodrigo e Pereira pelo auxílio nas análises com o Ansys. À CAPES pelo suporte financeiro através do programa PICDT. Gean. Neil Hopkinson who made possible the development of the experiments at Loughborough University. Aos amigos do Cimject.AGRADECIMENTOS Ao Prof. Aos baianos do Cimject Alan e Wesley pela gratidão.

..............3.....Processo de fotopolimerização..............................................3 . 2..................... 3...................4 .4..Efeito da pós-cura nas propriedades mecânicas das resinas SL..........................Objetivo do trabalho..................2 ..................Falhas devido a deformações excessivas.............1 ......................................INTRODUÇÃO...1 ......2 ............3............CARACTERÍSTICAS DE PROJETO E CAUSAS DE FALHAS DOS INSERTOS SL.........3......................................1 .....3....2...... 3 ...................................................Efeito da temperatura nas propriedades mecânicas das resinas SL.............. 3................................Ruptura de features............ 3.........................................Introdução............Considerações finais......................Esforços atuantes nos insertos SL... 3................................................ 32 3.............................1 .....Comportamento mecânico das resinas SL..................Introdução......2............................1 ................................2 ..........................Influência dos parâmetros de construção na vida útil dos insertos 26 26 26 33 40 40 42 44 23 24 22 1 1 7 7 9 9 9 15 15 20 3.....SUMÁRIO LISTA DE FIGURAS LISTA DE TABELAS SIMBOLOGIA RESUMO ABSTRACT 1 ............................ 3............3................4 .........Avaliação da vida útil dos insertos SL..........3 ............3 ........................................................3.................2.Ruptura generalizada do inserto..... 1.......Tipos de falhas observadas no uso de insertos SL........ 1...............2 ...Efeito das forças inerentes ao processo de injeção na resistência mecânica das resinas SL...................Ruptura localizada da camada superficial do inserto........4 .................. 41 3................1 .. 43 .................................................................COMPORTAMENTO E PROPRIEDADES MECÂNICAS DAS RESINAS ...........2........................................................................3 .3 ................................4 .................................... 3............3.........Efeito das temperaturas inerentes ao processo de injeção nas propriedades mecânicas das resinas SL.........................................................................1 ......... 2..... 2................................. 3........... 2..Sistemas de resfriamento utilizados nos insertos SL..3.... 3............................ 2 .................................3.............. 2.....2 ..........Evolução do processo de fabricação de protótipos..... 2.. 1.............................................2 ............ 2.Análise de falhas em insertos SL.....................3......Descrição dos capítulos....................... 2.............

.................... 3.........4 ....2.2 ..Dimensões das features..............Introdução......Etapa 1 – Descrição e resultados..........Efeitos das pressões de injeção e recalque............... 56 4..............................2..........................................................1 ...................4......4.............................3 .......2.....Etapa 3 – Descrição e resultados..........................3................1 ....... 3..........................Efeitos da força de fechamento..........Introdução......SISTEMÁTICA PARA O PLANEJAMENTO DO PROCESSO DE INJEÇÃO EM INSERTOS SL EMPREGANDO SISTEMAS CAE......... 6.......... 4.............................Considerações finais.................................................1.................7 ..............................1 ...........................................................Ângulo de saída........ 6 ........3 ....................................... 5...4........... 5.Linha de partição.2......... 5...............................Desenvolvimento do experimento.Influência dos parâmetros de injeção na vida útil dos insertos SL..............................2 ... 55 4.. 3.4...... 4................Efeitos do tempo de resfriamento da peça.............Materiais e equipamentos utilizados............................ 5 ......3............................................... 3........................4................4...2..........................................................................2........ 3....... 61 4................................4......2 ............. 81 81 82 85 89 91 93 93 93 70 74 79 .................................Etapa 2 – Descrição e resultados.........Considerações finais........................... 4........................ 50 VANTICO SL 7560.................1 .................3 ........2....... 3......................................1 . 3....3........4........1.......................2................................ 4.4........................................Considerações Finais....2 ...5 .....4............ 3..............................1 .......................................... 4..............3..................1 ....2......Materiais e métodos........ 56 58 59 60 4...........................................Efeitos da temperatura de injeção.....................Descrição da Sistemática.2 ..................Distância entre filetes..Justificativa e objetivos gerais....2 .......2 ..Espessura das camadas (Rugosidade)...AVALIAÇÃO DO EFEITO DOS CICLOS TÉRMICOS CARACTERÍSTICOS DO PROCESSO DE INJEÇÃO NAS PROPRIEDADES MECÂNICAS DA RESINA 45 45 47 48 48 50 51 51 52 52 52 54 3............2 ...Introdução......................................1 ........2...........................................3 ..........................................................................................3 ..... 5...........................Descrição das análises térmicas transientes utilizando sistemas CAE........................... 3............ESTUDO DE CASOS..... 6.....................6 .........................................................................................................................2.....................4.............................. 5............................................................................3 ........................................ 4 ..................... 3.....Etapa 4 – Descrição e resultados............................2...................5 ................................................................. 67 4....................... 3......Influência dos parâmetros de projetos na vida útil dos insertos SL....................Estudo de casos....2 .....Descrição das simulações do processo de injeção utilizando sistemas CAE.........4 ......SL.

.......... APÊNDICE A .........................4 ...................Justificativas e objetivos gerais.............4 .............................................INSERTOS UTILIZADOS NOS EXPERIMENTOS APÊNDICE C .................Sugestões para trabalhos futuros.................................... 6........................1 ....................... 6...3 .2....Descrição e resultados.......... 6............................2............Estudo de caso 3 .....3 .....3 ...................Análises numéricas........................CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES PARA TRABALHOS FUTUROS..................2...............................................Processo de moldagem por Injeção.........Descrição e resultados.....................................6.... 6........1.........2..........1 .............................1 ...........2......................................................Projeto do Molde.... 7.......Planejamento do processo de injeção em insertos SL. 7.......... 7...................................... 6....2..................... 7..Estudo de caso 1 ....... 7.....1..2 .......................RESULTADOS DOS ENSAIOS DE TRAÇÃO APÊNDICE B ................Projeto do inserto SL...........2............2...Processo de injeção em insertos SL... REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.... 7 .............Descrição e resultados................2................Comportamento das resinas SL................................Estudo de caso 2 ...2...DESCRIÇÃO DA MACRO 93 94 94 94 95 95 96 108 115 123 123 123 124 125 125 126 128 ................................Definição das temperaturas de referência a serem adotadas............... 7.......2.... 6.............................2...............2 ....1 .............................2.......................... 6..............1...........5 ......................................Conclusões......4 .....2 ..2 .....1......... 6..Materiais e métodos........................

.....9 . Figura 3....................7 ............................................................13 .............. fluxo de calor (Ahrens et al................... Figura 2.............Variação do módulo de elasticidade da resina Vantico SL 7560 em função da temperatura (adaptado de Saleh.. 1995)..... Figura 2............................... Figura 3....... Figura 3..................15 ...........................1996)...3 ...... Figura 3.7 . Figura 3... Figura 2..Inserto com ruptura localizada da camada superficial.Estilo de construção em camadas com as regiões não curadas....Variação da tensão de ruptura da resina SL 5170 em função da temperatura (adaptado de Hague........................................... 2003)................. Figura 3........... 38 38 40 40 41 42 37 31 32 33 35 29 Figura 3.. Figura 2.......Ruptura generalizada em um inserto SL........... 1997)..............1 .........Sistema de resfriamento avaliado por Lafrata (2003).Classificação dos polímeros (Portsh & Michaeli......... 1999) ..................1 . Figura 2...............Variação da força de extração com o número de peças injetadas (adaptado de Cedorge et al............Efeito do fluxo polimérico nas paredes do inserto..............................Tensões térmicas atuantes em um inserto SL...........Tipos de sistemas de arrefecimento utilizados em insertos SL (Ahrens et al.......................2 .........................3 ... Figura 3...................Processo de estereolitografia....6 .....12 ...........4 ....5 ......................8 .... 2001)................6 .................14 ...............................Superposição dos filetes de cura no processo de estereolitografia...11 ........Efeito da cura na força de extração da peça....5 ......10 .................................... Figura 3....LISTA DE FIGURAS Figura 2...........8 ........................Inserto provido de canais de fluxo de calor........... Figura 2....... Figura 3..........2 ............... Figura 3........... Figura 2........................................9 ............ Figura 3............................... Figura 3.................... Figura 3............................... 2001)..Procedimento para a fabricação de insertos providos de canais de 30 27 28 22 21 21 19 16 10 11 13 14 14 ..Rompimento de uma feature em um inserto SL.... 1999).............. 2002)................Influência da pós-cura térmica e da temperatura nas propriedades mecânicas da resina Ciba SL 5170 (Mclaughlin Jr.Efeito degrau (adaptadado de Giang & Colton..4 ............Processo de fotopolimerização (Jacob.............. 2001)..........10 .... Figura 3................ 1997).... atuantes em um inserto SL (adaptado de Cedorge et al.Variação da tensão de ruptura da resina Vantico SL 7560 em função da temperatura (adaptado de Saleh....... 2000)...Comportamento dimensional de corpos de prova a verde e póscurado 30 h em UV em função da temperatura (adaptado de Fernandes..Insertos fabricados em casca (Gomide.... Figura 2........ 2002)....................Propriedades mecânicas de uma peça fabricada com material semicristalino injetado em insertos SL e metálico (adaptado de Dusel et al..Forças atuantes em insertos SL durante a extração da peça.. Figura 2.. 1998)..

..............................Valores médios do módulo de elasticidade em função da temperatura de referência adotada.. 63 Figura 4.........................................Peças injetadas durante a determinação dos parâmetros de injeção................................ Figura 3......................................6 ...........................Valores médios da tensão máxima em função da temperatura de referência adotada..........17 ....8 ......Inserto metálico com rompimento na linha de abertura (em destaque). Figura 3.............................. Figura 4..........................12 ..............Resultados do ensaio de dilatometria em peça fabricadas com diferentes valores de espaçamento entre filetes (Salmoria et al......Tabela de um conjunto de corpos de prova.....................21 .. 62 Figura 4............ 1999)........................................3 ..........................................Posicionamento dos termopares 1 e 2........... 65 Figura 4.........Influência da espessura de camada e do ângulo de saída na força de extração (adaptado de Cedorge et al................... Figura 3...........................Resultados de tensão máxima para as temperaturas de referência adotadas..... Figura 4......Tempos de resfriamento do inserto para temperaturas de referência adotadas.......................................18 ........................... Figura 4... Figura 4.............. 79 78 77 76 72 73 74 75 0 0 0 0 0 64 66 67 68 71 Figura 4..................10 ................ Figura 4.....................................Influência do tempo de resfriamento da peça nas forças de extração (adaptado de Hopkinson.......20 ......19 ...... Figura 3.. Figura 3... Figura 4.................................17 ............ Figura 4.....11 .........Deformações plásticas em um inserto SL............................16 ......4 ...................... 2003)...........................................................Dimensões dos corpos de prova e das cavidades dos corpos de 44 45 48 49 50 51 53 56 61 prova.........Ciclos térmicos para temperaturas de referências de 40 C e 55 C...................... Figura 4...... 2002)............................Figura 3.....16 ............ Figura 4....7 .........Resultados módulo de elasticidade para as temperaturas de referência adotadas. 1999)..............Ciclos térmicos para as temperaturas de referência adotadas..............14 ...................1 ...........9 ..........................................2 .............. Figura 4...............................15 ................... Figura 4.......................................... Figura 3.................Linha de partição de um inserto de estereolitografia......................................Folha de dados para acompanhamento do experimento...........................Ensaio de tração dos corpos de prova.......................... Figura 4............................................. Figura 4..................13 ... Figura 4....Principais parâmetros envolvidos no projeto e uso de insertos SL............................................Ciclo térmico para uma temperatura de referência de 30 C.....................................................18 .Ciclos térmicos para temperaturas de referência de 40 C (a) e 55 C (b) lidos pelo termopar 2................................Novo leiaute do inserto móvel......... Figura 4............................. 71 ...............Insertos utilizados no experimento da Etapa 1..5 ........22 .......19 ...........Modelagem da rugosidade superficial dos insertos SL (Giang & Colton...............................Programa computacional utilizado durante os ensaios a tração.

.....Comparação entre os valores numéricos e experimentais para uma temperatura de referência de 50 0C (Estudo de Caso 1)...................Montagem do termopar no inserto móvel.............................................Resultados numéricos e experimental da variação de temperatura do inserto para o Estudo de Caso 2.................. Figura 6. Figura 6........Perfil de temperatura no inicio do ciclo de injeção para uma temperatura de referência de 50 0C............Ciclos térmicos para temperaturas de referência de 50 C e tempo de resfriamento de 20 e 40 segundos para o inserto do Estudo de Caso 2.............Sistematização do planejamento do processo de injeção em insertos SL..Comparação entre os valores numéricos e experimentais para uma temperatura de referência de 40 0C (Estudo de Caso 1).....10 ..............1 . Figura 6....Etapas da análise térmica dos insertos SL utilizando Sistemas CAE......................................................... Figura 6..........Inserto utilizado no Estudo de Caso 1.............. Figura 6............................18 .. Figura 6.......15 ....... Figura 5...........................6 .........................Temperaturas máximas lidas pelo termopar para as temperaturas de referência adotadas no Estudo de Caso 1.............................................14 ...Condição de contorno aplicada nas superfícies de contato...... Figura 6..............9 ......................... Figura 6................... Figura 5.......2 .....................Resultados numéricos de tempo de resfriamento da peça (Estudo de Caso 2)........ 50 C e 60 0 0 0 81 83 86 90 96 96 97 98 99 C para o inserto do experimento realizado no Estudo de Caso 1................................Simulação do processo de injeção em insertos SL utilizando ferramentas CAE.............................Ciclos térmicos para temperaturas de referência de 40 C..3 .......7 ..................................1 ...Resultados numéricos e experimentais da variação de temperatura do inserto para o Estudo de Caso 1..... Figura 6.......................3 ....................... Figura 6...............13 .............................................................. Figura 6..................................4 ...2 ..................... Figura 6............................... Figura 6............ 100 Figura 6............................................................................................................16 .......17 ............................Figura 5............. 101 Figura 6.........Malha de elementos finitos para o inserto utilizado no Estudo de Caso 1....Ciclos térmicos para temperaturas de referência de 40 C................. Figura 5..........................8 ............................Tempo de resfriamento do inserto para os ciclos de injeção utilizando tempo de resfriamento da peça de 20 segundos e 40 segundos (Estudo de Caso 2)......2... Figura 6.....................................................Planejamento do processo de injeção em insertos SL.........................................................5 .........4 ..................................12 ......... 117 0 0 0 104 105 106 106 109 109 110 112 113 115 .....11 ........................Porta-insertos utilizado no Estudo de Caso 1.....................Insertos utilizados no Estudo de Caso 3............. Figura 6...................... Figura 6......................................................................Comparação entre os valores numéricos e experimentais para uma temperatura de referência de 60 0C (Estudo de Caso1)..... 50 C e 60 0C para o inserto do experimento 2...

Figura 6..................................... Figura 6..................19 ........ Figura 6..................Resultados numéricos e experimentais da variação de temperatura do inserto para o Estudo de Caso 3......... 118 119 120 120 121 ..........20 ...................................Figura 6......................Comparação entre os valores numéricos e experimentais para uma temperatura de referência de 50 0C (Estudo de Caso 3).....22 .........21 ............Malhas de elementos finitos utilizadas no Estudo de Caso 3...Comparação entre os valores numéricos e experimentais para uma temperatura de referência de 50 0C (Estudo de Caso 3).... Figura 6....Comparação entre os valores numéricos e experimentais para uma temperatura de referência de 40 0C (Estudo de Caso 3)............................23 ...

............................Parâmetros adotados nas análises reológicas do Estudo de Caso 2.......Erros percentuais entre os valores experimentais e numéricos para o 97 102 102 Estudo de Caso 1...............................................1 ..... 12 Tabela 2.......1 .........LISTA DE TABELAS Tabela 2.....................................3 ..........Propriedades materiais utilizadas nas análises numéricas.......... Tabela 2........................ Tabela 4.............2 .Condições de contorno aplicadas nas análises do Estudo de Caso 1...... Tabela 6..........................................Resultados dos ensaios à tração...............................Parâmetros de injeção utilizados no experimento 2.......... Tabela 6.......................... 2002). 1999)..........................Parâmetros de processo utilizados no experimento 1......................3 .........1 .. Tabela 6...........2 .......................Propriedades de algumas resinas utilizadas no processo de estereolitografia.......7 ......... Tabela 6.... 2002)...............................Condições de contorno utilizadas nas análises transientes do Estudo de Caso 2.... 107 Tabela 6............. Tabela 3..............Valores medidos de rugosidade de insertos construídos com diferentes espessuras de camadas (adaptado de Hopkinson et al......................................2... Tabela 6........8 ........Efeitos da pós-cura térmica nas propriedades mecânicas da resina Vantico SL 7560 (adaptado de Saleh....................6 ..........2 ......... Tabela 4.................1 .................Parâmetros de injeção utilizados no experimento 2....Influência dos tratamentos de pós cura nas propriedades mecânicas da resina Somos 7110 (Salmoria et al.................. 118 113 116 111 ..............Condições de contorno utilizadas nas análises transientes do Estudo de Caso 3......................1..................5 ..............................4 ..1.. Tabela 6.......................................... 46 64 69 20 18 Tabela 6....

Tg: Temperatura de transição vítrea. CAD: Computer Aided Design. Manufatura/Fabricação Auxiliada por Computador. SLA: Stereolithography Apparatus. Processo de Fabricação Rápida de Ferramentas. Engenharia Auxiliada por Computador. Alfabeto grego σmáx tensão máxima do material medida através de ensaio de tração. Máquina de Estereolitografia. UV: Ultra-Violeta. RT: Rapid Tooling. CAM: Computer Aided Manufacturing.SÍMBOLOGIA Lista de símbolos 3D: Tridimensional. Estereolitografia. . SL: Stereolithography. Projeto Auxiliado por Computador. Linguagem por Estrutura de Triângulos. STL: Structured Triangular Language. Prototipagem Rápida. CAE: Computer Aided Engineering. Calorimetria Diferencial de Varredura RP: Rapid Prototyping. DSC: Differential Scanning Calorimetriy.

não há um consenso entre os pesquisadores quanto à melhor estratégia a ser adotada durante o processo de injeção. quando a sua temperatura é aumentada. Apesar das várias investigações que estão sendo desenvolvidas com o intuito de identificar as causas das falhas dos moldes SL. o que torna o processo de injeção em moldes SL diferente daquele que utiliza moldes metálicos. Técnicas como os métodos numérico-computacionais. O procedimento proposto foi avaliado. . Os moldes de estereolitografia (SL) caracterizam-se por apresentarem uma vida útil limitada. ocorrem principalmente devido às mudanças que ocorrem nas propriedades mecânicas do material dos moldes.RESUMO Os processos de fabricação rápida de ferramentas (Rapid Tooling) têm auxiliado as equipes multidisciplinares a desenvolver o projeto de peças de plástico injetadas. têm sido aplicadas de maneira discreta. considerando além das características do produto. comparando os resultados determinados numericamente com valores obtidos experimentalmente. em função de apresentar resultados satisfatórios com custos relativamente baixos. o planejamento do processo de injeção é essencial para evitar que o molde apresente ruptura após os primeiros ciclos de injeção. Uma das técnicas que tem recebido destaque é a que utiliza a estereolitografia para a fabricação de moldes para injeção. os aspectos relacionados com o seu processo de moldagem. o presente trabalho teve como objetivo propor uma sistemática baseada no emprego de sistemas CAE e utilizada para auxiliar o planejamento do processo de injeção em moldes de estereolitografia. Além disso. estes materiais apresentam baixos valores de coeficiente de condutividade térmica. Dois moldes foram construídos e utilizados para obter uma pré-série de peças plásticas injetadas e a temperatura dos moldes foram monitoradas durante todo o processo. Neste sentido. Pesquisas anteriores revelaram que as falhas observadas durante o uso deste tipo de ferramenta. sem apresentarem resultados significativos. Assim. que diminua o risco de falha da ferramenta.

Techniques as numerical methods have been applied but significant results have not been obtained. The stereolithography resins present a low thermal conductivity as well. Therefore. This process presents satisfactory results. have been widely used to obtain short runs of plastic injected parts. . Stereolithography injection moulds. Two moulds were built in stereolithography apparatus and used to obtain a pre series of injected parts. when the tool temperature is increased. Previous researches have shown that catastrophic mould failure occurs during injection moulding process due to the reduction of the resin ultimate tensile stress. Some researches have been developed to identify the causes of the stereolithography mould failure. In this work a procedure to aid the planning of the injection moulding process using stereolithography moulds. with relatively low costs. for example. considering the product characteristics and the manufacture process that will be used. based on the use of CAE systems. the best strategy to be adopted during the injection moulding process is not yet completely defined. The main objective of this procedure is to reduce the risk of mould failure. These characteristics make the injection moulding process in stereolithography moulds different than in metallic moulds. During the injection moulding process the mould temperature was monitored and the proposed procedure was assessed by comparing the experimental and numerical results.PLANNING THERMOPLASTIC INJECTION MOULDING IN SL MOULDS USING CAE SYSTEMS ABSTRACT The use of Rapid Tooling processes during the product development has aided the multidisciplinary teams to design injected plastic parts. However. it is necessary to plan the injection moulding process carefully in order to avoid a premature mould failure. The usage of stereolithography moulds has been limited mainly due to the premature mould failure and a consequent lack of confidence in the process. has been developed.

. Conscientes deste problema. os projetistas buscam desenvolver sistemáticas que permitam projetar o produto considerando as características do processo pelo qual este será fabricado. Existem divergências sobre as definições de protótipos e modelos. Neste caso. os protótipos apresentaram evoluções significativas nas últimas duas décadas devido às exigências cada vez maiores da sua qualidade. Com a fabricação de um modelo preliminar. como aspectos estéticos e funcionais. etc. aqueles objetos construídos durante o processo de desenvolvimento do produto para testes e validações são denominados modelos.1 . ergonômicos. Apesar de serem utilizados há séculos. A complexidade geométrica dos componentes. Um recurso que está sendo bastante explorado por parte das equipes de projeto no desenvolvimento de novos produtos é o emprego de protótipos. Alguns autores consideram um protótipo uma réplica de um produto que ainda não foi produzido industrialmente e que serve como uma primeira apresentação do mesmo ao mercado consumidor.1 CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO 1. é um parâmetro que limita a utilização de vários processos e muitas vezes impossibilita a fabricação do componente desejado. sendo neste caso adotada ambas as nomenclaturas para definir os objetos ou aproximações matemáticas utilizados para avaliar uma concepção.Evolução do processo de fabricação de protótipos Os produtos desenvolvidos atualmente exigem um aprimoramento cada vez maior dos processos de fabricação existentes e o advento de novas tecnologias que viabilizem a sua produção. Estes por sua vez devem apresentar características especiais conforme descrito por Baxter (1988). pode-se avaliar parâmetros relacionados com o ciclo de vida do produto. envolvendo equipes multidisciplinares durante o processo de desenvolvimento do produto. problemas de montagem. por exemplo. Neste trabalho não serão feitas distinções entre protótipos e modelos.

por sua vez. a utilização de sistemas CAE/CAD/CAM começou a ser difundida. que permitem não apenas visualizar graficamente o produto como também avaliá-lo mecanicamente através de métodos numéricocomputacionais. agilizando o projeto preliminar do produto. Nesta nova fase modelos computacionais. Os modelos matemáticos simplificados. passaram a ser utilizados. dependendo muito da experiência e habilidade do artesão. protótipos virtuais e protótipos rápidos. além de facilitar a obtenção de soluções para problemas identificados. uma vez que. limitavam-se a formas geométricas simples e impossibilitavam um ajuste preciso das dimensões do produto. após a fase de obtenção da concepção. possibilitou a fabricação do protótipo ainda na fase preliminar do projeto do produto. independente da sua complexidade geométrica. Os sistemas CAM. Técnicas como o método dos elementos finitos admitem as mais variadas geometrias e representam de maneira satisfatória o comportamento dos materiais que podem ser utilizados na fabricação do componente. Isto auxilia uma rápida tomada de decisão por parte da equipe de projeto a respeito de vários aspectos do produto.Rapid Prototyping) no processo de desenvolvimento do produto. permitem planejar a fabricação do componente de maneira mais rápida e eficiente. Na primeira fase os modelos eram geralmente construídos de forma artesanal e utilizados principalmente como protótipos de visualização. a etapa mais demorada do ciclo de desenvolvimento do produto é aquela onde . Os sistemas CAD possibilitaram fazer alterações significativas no projeto da peça rapidamente. provocando alterações significativas na utilização de protótipos. No início da década de oitenta. EUA). Os benefícios do uso destas tecnologias são expressivos. Os sistemas CAE/CAD/CAM causaram uma grande evolução no processo de desenvolvimento de produtos. A terceira fase do desenvolvimento dos protótipos iniciou-se em 1988 com o advento da primeira máquina de prototipagem rápida. outrora aplicados. pode-se considerar três fases no processo evolutivo de desenvolvimento dos protótipos: protótipos de fabricação manual. Esta técnica possibilita a obtenção de protótipos rapidamente. que utiliza um processo denominado estereolitografia para fabricar um objeto a partir do seu modelo gráfico tridimensional.2 Segundo Chee & Fai (1997). O uso de técnicas de prototipagem rápida (RP . A sua construção era lenta e restrita a geometrias mais simples. (Califórnia. desenvolvida pela 3D Systems Inc.

o modelo gráfico tridimensional do objeto é secionado em várias camadas de pequenas espessuras que são adicionadas sucessivamente até que o modelo seja totalmente construído. 1998. uma rapidez maior desta tarefa contribui significativamente para a diminuição do tempo total do ciclo. portanto. são aquelas onde é necessário avaliar o processo de fabricação do . Estas técnicas caracterizam-se por utilizarem materiais específicos que possuem. Em peças complexas como aquelas fabricadas através do processo de moldagem por injeção. estes processos são denominados por alguns autores como processos de fabricação por adição de camadas (Wholers. A possibilidade de obter um modelo em poucas horas permite avaliar a sua concepção sob o ponto de vista funcional e estético. facilitando a identificação prematura de problemas e proporcionando uma maior integração de uma equipe multidisciplinar à medida que auxilia a comunicação entre os seus componentes. bem como na definição dos parâmetros de cada processo. Os processos RP são sem dúvida técnicas poderosas no auxílio ao projetista desde a fase preliminar do projeto do produto. Os vários processos disponíveis diferenciam-se pelo tipo de material e método de adesão das camadas que são utilizados e estas características influenciam decisivamente nas propriedades do modelo produzido. Outras aplicações onde a utilização de processos RP fica comprometida. os processos RP não permitem a fabricação de protótipos com o material final do produto. Radstok. A primeira vista. propriedades diferentes daqueles que serão empregados para a fabricação do produto. Nesta nova tecnologia. Nestes casos são utilizados protótipos técnicos que fornecem os subsídios necessários para avaliar os aspectos correspondentes. as técnicas de prototipagem rápida fundamentam-se na adição de material. Karapatis et al. há situações nas quais existe a necessidade de obter protótipos fabricados com o mesmo material que será utilizado na fabricação do produto em desenvolvimento ou aquelas onde se deseja avaliar o processo de fabricação que será utilizado. o uso destas técnicas eleva o custo de fabricação quando é necessária uma quantidade maior de protótipos. 1999). No entanto. o ganho obtido no uso de técnicas de prototipagem rápida é ainda mais relevante.. Além disso.3 ocorre a fabricação do protótipo. Devido a esta característica. Enquanto os processos de fabricação convencionais têm como princípio básico a conformação ou subtração de material. na maioria das vezes. 2001.

Segundo Karapatis et al. Neste caso. no planejamento da sua produção e no projeto da ferramenta necessária para a sua fabricação. proporcionando maior economia e qualidade ao mesmo. Contudo. etapa fundamental no desenvolvimento de componentes de plástico injetado. pois geralmente não há similaridades entre os processos RP utilizados na confecção do protótipo e aquele utilizado na fabricação do produto. possibilitou o estudo do processo de fabricação do produto ainda na fase preliminar do seu desenvolvimento. a fabricação rápida do molde e posteriormente a injeção da peça. denominada fabricação rápida de ferramentas (RT . Em vista destas restrições. no entanto.Rapid Tooling).4 produto. a sua aplicação fica comprometida. consideram os processos de Fabricação rápida de ferramentas como um avanço natural dos processos de prototipagem rápida. principalmente no desenvolvimento de produtos fabricados através do processo de moldagem por injeção. O elevado custo é também um aspecto limitante dos processos de prototipagem rápida. (1998). requer um maior controle do processo devido às características peculiares das ferramentas como tolerâncias dimensionais inferiores àquelas requeridas na fabricação de protótipos. Esta nova tecnologia. onde os custos envolvidos são relativamente altos. As técnicas de fabricação rápida de ferramentas proporcionaram um avanço considerável nos trabalhos das equipes de projeto. a aplicação destas técnicas para a fabricação direta de produtos limita-se a pequenos lotes de peças na indústria aeronáutica e militar. Além disso. foram desenvolvidas pesquisas no intuito de viabilizar a fabricação de ferramentas através das técnicas de prototipagem rápida. estas técnicas podem ser utilizadas para a fabricação direta de peças. estes processos fornecem informações essenciais para o projeto final da ferramenta de injeção. além dos recursos que os modelos funcionais e de visualização oferecem. quando a avaliação exige um maior número de objetos. permitem avaliar o produto da maneira como este será apresentado ao cliente. Até mesmo na fabricação de protótipos. A utilização mais apropriada dos processos RT é no auxílio ao desenvolvimento do produto. nos casos onde o desenvolvimento de um molde pelo processo convencional aumentaria excessivamente o custo final do . Alguns autores como Radstok (1999). A utilização destas técnicas no desenvolvimento de ferramentas. a partir das quais poderiam ser fabricados vários protótipos ou até mesmo pequenos lotes de peças.

Uma descrição detalhada de várias destas técnicas pode ser encontrada em Wohlers (2002) e Radstok (1999). O processo RapidToolTM. pela sinterização a laser de um material em pó. o que é realizado em um forno apropriado.1999). Isto é natural tendo em vista que várias destas técnicas foram desenvolvidas pelos fabricantes dos equipamentos de prototipagem rápida ou por institutos de pesquisas associados a estes. consiste em fabricar o molde de metal. Os processos de fabricação rápida de moldes de injeção utilizam basicamente duas técnicas de prototipagem rápida: a estereolitografia e a sinterização seletiva a laser.5 produto. desenvolvido pela empresa norte-americana DTMCorporation. que utiliza um composto de bronze e níquel. haja vista as exigências cada vez mais específicas dos clientes. Os processos de fabricação rápida de ferramentas são geralmente caracterizados pelo tipo de processo de prototipagem rápida utilizado para a fabricação da ferramenta. Rapid ToolTM e Metal ToolingTM.05 mm. a peça apresenta uma contração de até quarenta por cento do seu volume original. a depender da geometria e dos parâmetros de processo (Radstok. composto de aço inoxidável recoberto por um aglutinante a base de polímeros (Radstok. Uma última etapa do processo e a infiltração metálica que melhora significativamente as propriedades mecânicas da ferramenta. apresentado pela EOS-Gmbh (Alemanha). pode-se obter moldes com tolerâncias inferiores a 0. a partir do seu modelo em CAD. A solução para estes problemas pode estar no desenvolvimento das técnicas de fabricação rápida de ferramentas. Uma alternativa que obteve ótimos resultados foi o processo de Metal ToolingTM. é necessário retirar o aglutinante e completar o processo de sinterização. Durante a retirada do aglutinante. Após a construção do molde. sendo de 0. Através deste processo. como é o caso dos processos Direct AIM. Segundo Karapatis et al.1 mm a máxima tolerância que se pode obter. Este novo conceito de produção só será economicamente viável se forem utilizados processos de baixo custo e recursos que acelerem a tarefa dos projetistas. O inconveniente do processo RapidToolTM é que as etapas posteriores da sinterização seletiva a laser comprometem o controle dimensional da ferramenta. que dispensa o processo de retirada de aglutinante. porém o custo é . há uma tendência do mercado mundial em desenvolver produtos voltados para pequenos grupos de consumidores.1999). (1998).

5 mm. principalmente para a fabricação de pequenos lotes de peças de plástico injetadas. No quadro atual de desenvolvimento. por exemplo. que podem inclusive ser submetidas ao póstratamento de sinterização sem maiores problemas. é possível obter peças desta natureza. Muitos autores têm desenvolvido pesquisas envolvendo uso de insertos SL para as mais variadas aplicações. Em ambos os processos. avaliaram o uso da técnica do núcleo perdido para a fabricação de peças complexas injetadas em insertos de estereolitografia. uma vez que a região da cavidade do inserto permanece a uma temperatura elevada ao longo do processo de injeção. alia uma boa precisão dimensional com um custo relativamente baixo se comparado a outros tipos de técnicas como. Segundo estes autores. Beal (2002) avaliou o uso de insertos SL na fabricação de peças em pó metálico injetado. Ferreira & Vandresen (2000). Segundo estes autores é possível obter pequenos lotes de peças injetadas desde que o material do núcleo seja selecionado adequadamente. em função do material injetado. por exemplo. Estas características tornam este processo adequado para ser utilizado em várias aplicações. A fabricação de insertos1 para moldagem por injeção de termoplásticos através do processo de estereolitografia apresentou boa aceitação pela indústria. podem ser obtidos moldes que produzem milhares de peças injetadas. como um postiço. autores como Connelly & Parunak (2002) demonstraram interesse no uso de insertos SL para a fabricação de peças de espessuras inferiores a 0. Este tipo de ferramenta. Segundo este autor. os insertos SL apresentam-se como uma ferramenta pouco eficiente em decorrência da sua vida útil ser muito limitada. aquelas que utilizam pós-metálicos como material base. Inserto – parte do molde de injeção que compreende a região moldante (cavidade) e que é fabricada separadamente e posteriormente montada nas placas do molde. Contudo os trabalhos experimentais revelaram que as dimensões finais das peças apresentaram erros superiores àqueles observados quando são injetadas em moldes metálicos. 1 . a baixa condutividade térmica das resinas SL pode tornar possível a injeção de peças desta natureza aplicando pressões de injeção baixas.6 elevado pois exige do equipamento utilizado um laser de potência muito superior ao requerido no processo de RapidToolTM. utilizando este tipo de ferramenta. conhecida como insertos SL. Mais recentemente.

que proporcione uma diminuição do risco de falha da ferramenta. baseada no uso de ferramentas CAE. a complexidade do processo de injeção em insertos SL motivou o desenvolvimento de várias pesquisas para identificar as causas das suas falhas. bem como uma descrição dos experimentos desenvolvidos por vários autores a respeito dos efeitos da temperatura nas suas . tais estudos não apresentaram resultados conclusivos.3 . Técnicas de análise como os métodos numérico-computacionais. 1.Objetivo do trabalho Conforme descrito anteriormente. 1. portanto. tampouco quanto à melhor estratégia a ser adotada durante o processo de injeção. sem avaliações criteriosas dos seus aspectos térmicos ou dimensionais. desenvolver um procedimento que auxilie o planejamento do processo de injeção em insertos SL que diminua o risco de falha da ferramenta.2 . para auxiliar o planejamento do processo de moldagem por injeção em moldes de estereolitografia. sem apresentarem resultados significativos. haja vista que alguns aspectos sobre o processo ainda não foram explorados. Em outras palavras.Descrição dos capítulos Inicialmente é apresentada no Capítulo 2 uma descrição dos principais aspectos relativos às resinas SL.7 principalmente devido à maneira pouco criteriosa pela qual os insertos são projetados e utilizados. sem adequá-las às condições particulares de cada aplicação. este trabalho tem por objetivos avaliar os principais fatores envolvidos na falha dos insertos SL e propor uma sistemática. Entretanto. Na maioria das vezes o projeto do inserto é desenvolvido tendo como base dados obtidos em experiências anteriores. não há um consenso entre os pesquisadores sobre este tópico em especial. têm sido aplicadas de maneira discreta. projetase a ferramenta de acordo com as recomendações apresentadas por alguns pesquisadores. Apesar das várias investigações que estão sendo desenvolvidas com o intuito de identificar as causas das falhas observadas durante o uso dos insertos SL. É necessário. bem como do melhor procedimento a ser adotado durante o processo de moldagem por injeção. Com base no exposto.

baseado no procedimento de resfriar os insertos entre ciclos de injeção consecutivos. Um modelo numérico utilizado para determinar a variação da temperatura dos insertos durante o processo de injeção foi desenvolvido é avaliado através de estudo de casos que envolveram análises experimental e numérica de dois insertos. as conclusões e sugestões para trabalhos futuros são apresentadas no Capítulo 7. No Capítulo 4 é descrito um experimento que foi desenvolvido para complementar as informações.8 propriedades mecânicas. conforme descrito no Capítulo 6. através do emprego de ferramentas CAE. são apresentadas as concepções dos insertos SL e avaliados os efeitos dos parâmetros de projeto e de processo na vida útil dos mesmos. No Capítulo 3. conforme descrita no Capítulo 5. Finalmente. levantadas durante a pesquisa bibliográfica. . a respeito dos efeitos das temperaturas de injeção nas propriedades mecânicas das resinas SL. Os resultados obtidos foram utilizados para fundamentar a proposta de sistematização do planejamento do processo de injeção em insertos SL.

1 . cujo conhecimento é relevante para o projeto e utilização de insertos para moldagem por injeção. O aço. Este processo de formação das cadeias de monômeros é denominado polimerização. Serão apresentados os resultados obtidos por alguns pesquisadores que realizaram estudos a respeito do comportamento destes materiais. bem como uma discussão sobre a influência dos tratamentos de pós-cura nas propriedades mecânicas de algumas resinas SL. fabricados através deste processo. Neste capítulo serão abordados o comportamento e as propriedades dos materiais utilizados no processo de estereolitografia.Processo de fotopolimerização Os pequenas materiais moléculas poliméricos possuem características cuja distintas natureza daquelas influencia apresentadas pelos metais.9 Capítulo 2 COMPORTAMENTO E PROPRIEDADES MECÂNICAS DAS RESINAS SL 2. uma combinação de boas propriedades mecânicas e térmicas torna este material adequado para este tipo de aplicação. Além disso. 2. Este tipo de material é formado pela ligação de denominadas monômeros decisivamente nas suas propriedades mecânicas. .Introdução Para desenvolver o projeto estrutural e térmico de um molde de injeção é necessário conhecer as propriedades e o comportamento do material com o qual este será fabricado. Estas moléculas são normalmente formadas por carbono e hidrogênio com ligações duplas entre os átomos de carbono. que é o material tradicionalmente utilizado para a fabricação deste tipo de ferramenta. possui características bem conhecidas pelos projetistas e a sua utilização em outras aplicações fornece informações adicionais sobre o seu comportamento que garantem uma maior confiabilidade no seu uso.2 . O monômero reage quimicamente formando as cadeias de monômeros.

portanto. Um monômero de funcionalidade dois pode unir-se a dois outros monômeros. No caso de monômeros com funcionalidade igual ou superior a três. 1995). 1992). 2000). A quantidade de ligações que cada monômero pode formar é denominada grau de funcionalidade do monômero. Quanto maior for o grau de funcionalidade do seu monômero. o polímero é formado por uma cadeia linear de monômeros. Estas moléculas podem ser geradas termicamente ou através da fotopolimerização (Jacobs. maior será a estabilidade dimensional. apresentam alterações químicas e físicas . a resistência mecânica e a temperatura de transição vítrea2 do polímero. como visto na Figura 2. Cadeias lineares de monômeros Termoplásticos Cadeias lineares ramificadas de monômeros Cadeias de monômeros com baixa densidade de ligações cruzadas Termofixos Cadeias de monômeros com alta densidade de ligações cruzadas Figura 2.1. Dessa forma. quebrando as ligações duplas entre átomos de carbono e formando novas ligações. necessita de um catalisador para ser iniciado.1– Classificação dos polímeros (Portsh & Michaeli.10 O processo de polimerização. 2 Denomina-se temperatura de transição vítrea aquela temperatura acima da qual alguns materiais. podem ocorrer ligações cruzadas entre os átomos de carbonos da cadeia alterando significativamente as características do material polimérico formado. a estrutura molecular de um polímero depende do grau de funcionalidade do monômero a partir do qual este é formado (Bryant & Chartoff. o crescimento da cadeia ocorre em uma única direção e. Neste caso. Os catalisadores mais comumente utilizados são os radicais livres que são moléculas que reagem quimicamente com o monômero. como os termofixos no estado sólido.

Uma resina fotocurável é armazenada em um tanque onde há uma plataforma perfurada sobre a qual o objeto é fabricado (Figura 2. podendo ser moldados várias vezes. são fundidos quando aquecidos a uma temperatura superior à da transição vítrea.2). geralmente torna-se duro e frágil com o aumento da temperatura. .Processo de estereolitografia. que estes são divididos em duas classes de acordo com a existência ou não deste tipo de união (Portsh & Michaeli. Algumas técnicas de prototipagem rápida processam polímeros com características de termofixos. É o caso dos materiais utilizados para a fabricação de peças injetadas como o polipropileno (PP). ótica espelhos (xy) feixe do laser elevador (z) laser camada sendo construída lâmina nível da resina coincidente com o foco do feixe de laser Protótipo plataforma suportes cuba c/ resina fotosensível Figura 2. polietileno (PE). 1995): termoplásticos e termofixos. além de não fundir após a polimerização. poliamida (PA) entre outros. por não apresentarem tais ligações. existem ligações cruzadas entre as suas macromoléculas e o material. 1992).11 A presença de ligações químicas cruzadas entre as macromoléculas é tão importante para as características dos materiais poliméricos.2 . cuja função é guiar o feixe de laser de tal forma que a sua incidência ocorra apenas nas regiões delimitadas pelo contorno da camada (Jacobs. Os termoplásticos. Este aparelho é provido de um laser ultravioleta e um conjunto de espelhos galvanométricos. (EUA). No caso dos termofixos. É o caso do processo de estereolitografia onde o objeto é construído utilizando um equipamento desenvolvido pela empresa 3D Systems Inc.

provenientes da incidência do laser da máquina de estereolitografia.3.158 2. polimerizando a resina.2.117 2. a plataforma de construção desloca-se novamente para baixo o suficiente para permitir a fabricação da camada subseqüente. acrescida de aditivos que proporcionam algumas propriedades desejadas e fotos-iniciadores. Estas moléculas por sua vez reagem com os monômeros (M) iniciando o processo de formação das cadeias poliméricas. 1997). Os fotos-iniciadores (F) presentes no material. O material utilizado no processo de estereolitografia é um composto formado por uma resina epóxi-acrilato como material base. aumentando a sua resistência mecânica e densidade.1 são apresentadas algumas resinas utilizadas no processo de estereolitografia. causando uma redução do seu volume (Jacobs. . Resina SL 5170 SL 6110 SL 7110 SL 7560 Fabricante 3D Systems Somos Somos Vantico Tg (ºC) 65-90 50-60 59-72 60 Viscosidade(cps)* 165-195 300-400 800 200 E (MPa) 3. mantendo-se líquido antes do processo de fotopolimerização. necessários para ativar o processo de fotopolimerização. O monômero da resina SL é estabilizado para não reagir à temperatura ambiente.400 . a resina torna-se sólida.4.1 – Propriedades de algumas resinas utilizadas no processo de estereolitografia. absorvem fótons a uma determinada freqüência.600 σmáx (MPa) 59-60 69 56 42-62 * Propriedade da resina líquida a 30ºC Fonte: folha de dados dos fabricantes A fotopolimerização da resina SL que ocorre durante o processo de estereolitografia está ilustrada na Figura 2.737 . Em seguida. O procedimento é repetido até que o objeto seja completamente construído.800 2. Tabela 2. Na Tabela 2. o feixe de laser incide sobre a região limitada pela geometria da camada. À medida que as reações ocorrem. A distância média entre as suas moléculas diminui significativamente.12 Inicialmente a plataforma é posicionada acima do nível da resina e desloca-se verticalmente para baixo até ser coberta por uma camada de resina equivalente à espessura da camada que será fabricada. Após a construção da camada. gerando assim os radicais livres (F*).

Contudo. Segundo este autor. por exemplo. existem pequenas quantidades de material não curado localizadas na região entre os caminhos percorridos pelo feixe de laser. A máquina de estereolitografia possui um dispositivo que ajusta a potência do laser para compensar o gasto provocado pelo seu uso. 1997). Assim pode-se considerar que o material sob a incidência do laser esteja praticamente curado ao final do processo. o feixe de laser não incide sobre todo o material devido ao seu formato parabólico. é cerca de 100 vezes maior do que aquela requerida pelo processo de fotopolimerização.13 Figura 2.4. . Como pode ser visto na Figura 2. De acordo com Jacobs (1992). o processo de fotopolimerização destaca-se pela sua eficiência se comparado à cura térmica. Isto reduz significativamente os custos de fabricação das peças.3 – Processo de fotopolimerização (Jacob. a energia necessária para curar termicamente monômeros de acrilato.

A Figura 2. Equipamentos mais modernos como a 3D Systems SLA 7000 permitem a fabricação de peças com espessuras de camadas de até 0. região não curada Figura 2. Uma maneira de aumentar a eficiência de cura do laser durante a fabricação da peça pelo processo de estereolitografia é alterar os parâmetros de processo como a espessura de camada ou a superposição dos filetes de resina curada (ver Figura 2. .4 . ainda estará passível à cura adicional.Estilo de construção em camadas com as regiões não curadas. aquela recém fabricada pelo processo de estereolitografia.5).4 sugere que a peça à verde.5 – Superposição dos filetes de cura no processo de estereolitografia.01 mm.14 região não curada profundida de de cura espessura da camada sobre-cura região curada ou parcialmente curada Figura 2. o que também minimiza os efeitos supracitados.

Este conhecimento é fundamental para entender as causas das falhas dos insertos SL durante o processo de injeção. Estes radicais. muitos autores têm desenvolvido pesquisas onde são avaliados os efeitos da temperatura e dos tratamentos de pós-cura nas suas propriedades mecânicas. geralmente a peça à verde é submetida a tratamento de pós-cura em forno ultravioleta. 2. O processo de irradiação por UV por sua vez.3 .15 Para obter uma peça mais curada.Efeito da pós-cura nas propriedades mecânicas das resinas SL. pode promover a formação de ligações cruzadas. com o acréscimo de temperatura. durante o qual o excesso de resina localizado na superfície da peça é curado.1 . 1992). Gomide et al.3.Comportamento mecânico das resinas SL Conforme descrito anteriormente. alteram a sua posição aumentando assim a possibilidade de reagir com outras moléculas. (1999) realizaram testes com peças fabricadas com a resina CibaTool SL 5170 fornecida pela empresa Ciba Geigy Corporation (EUA). segundo um mecanismo similar aquele observado no processo de cura a laser (Jacobs. a cura adicional ocorre devido ao aumento da mobilidade de radicais livres na peça à verde. que não formaram ligações cruzadas durante o processo de fotopolimerização. o material apresenta um comportamento similar ao de um termofixo. A fim de obter um maior discernimento a respeito do comportamento das resinas SL. Outro processo de pós-cura comumente utilizado é a pós-cura térmica onde a peça à verde é mantida aquecida por um determinado período de tempo (geralmente entre trinta minutos e duas horas). Contudo. as propriedades mecânicas de uma peça fabricada pelo processo de estereolitografia dependem do material e dos parâmetros de processo utilizados nas etapas de cura e pós-cura. que mostraram que ocorre um amolecimento do material quando a sua temperatura ultrapassa a temperatura de transição vítrea. tornando-se cada vez mais rígido e frágil até que este atinja a sua temperatura de degradação. . 2. É importante ressaltar que no processo de pós-cura térmica.

um pouco acima da temperatura de transição vítrea (60 0C). Neste trabalho. .1996). mostraram que houve uma diminuição significativa dos valores destas propriedades com o aumento de temperatura.6 – Influência da pós-cura térmica e da temperatura nas propriedades mecânicas da resina CibaTool SL 5170® (adaptado de McLaughlin Jr. foi observado que a resistência do material a 80 0C é cerca de 60% menor se comparado ao valor obtido à temperatura ambiente (Figuras 2. além de outras características da resina CibaTool SL 5170. por exemplo. respectivamente (Figuras 2. o autor fabricou vários modelos pelo processo de estereolitografia e realizou ensaios de tração e compressão com estes corpos de prova a temperatura ambiente e a temperatura de 80 0C. 120 Tensão de ruptura (MPa) 4000 E (MPa) 3000 80 0C 80 20 C 0 40 0 0 30 60 90 Tempo de cura (min) 80 0C 2000 1000 0 30 60 90 Tempo de cura (min) 20 0C (a) Tração Tensão de ruptura (MPa) 120 20 0C 80 C 0 2800 E (MPa) 2200 1600 1000 80 40 0 0 30 60 90 Tempo de cura (min) 80 0C 20 0C 400 0 Tempo de cura (min) 30 60 90 (b) Compressão Figura 2. conforme ilustrados na Figura 2. No mesmo experimento foi verificado um decréscimo de 25% no seu módulo de elasticidade.6-b). No ensaio de tração. Os resultados obtidos.6-a). enquanto que no ensaio de compressão.6.16 McLaughlin Jr (1996) desenvolveu uma série de ensaios experimentais nos quais foi avaliada a influência da temperatura na tensão de ruptura e no módulo de elasticidade. estes percentuais aumentaram para 80% e 65% de decréscimo para a tensão de ruptura e o módulo de elasticidade.

17 Para avaliar a influência do tempo de pós-cura nas propriedades mecânicas da resina CibaTool SL 5170 foto-curada. Todavia. ocorre uma pós-cura da peça por efeito dos . o grau de cura depende do tempo de cura e da localização do material na peça. outras resinas que são utilizadas no processo de estereolitografia apresentam comportamentos similares.6. McLaughlin Jr (1996) avaliou os efeitos destes processos na tensão de ruptura e no módulo de elasticidade deste material. térmica e ultravioleta. o tempo de cura exerce uma certa influência nas propriedades da resina. Assim. o autor verificou que para velocidades de carregamento maiores. estes autores optaram por avaliar através do DSC. Neste trabalho. Adicionalmente. respectivamente. peças prismáticas foram fabricadas e submetidas a tratamentos de pós-cura térmica e em forno ultravioleta. Colton & Blair (1999) afirmam que as peças não estão completamente curadas após a sua fabricação pelo processo de estereolitografia. Posteriormente foram realizados ensaios de dureza Shore D e Calorimetria Diferencial de Varredura (DSC) para avaliar os efeitos dos pós-tratamentos na dureza e no grau de cura das resinas respectivamente. Os estudos desenvolvidos por McLaughlin Jr (1996) e Gomide (1999) não envolveram avaliações dos parâmetros do processo nas propriedades da peça fabricada. Os resultados mostraram que ambos os tratamentos de pós-cura. sessenta e noventa minutos. Além disso. variando o tempo de exposição a estes efeitos. afetam o grau de cura das peças fabricadas pelo processo de estereolitografia. Os resultados revelaram que não houve uma tendência nas mudanças dos valores das propriedades medidas. Além disso. Uma avaliação do comportamento das resinas DuPont DSM Somos 6110 e 7110 foi apresentada por Colton & Blair (1999). os experimentos indicaram que o tratamento térmico é mais eficiente do que aquele que utiliza luz ultravioleta. Os tratamentos utilizados por Colton & Blair (1999) não promoveram uma pós-cura homogênea da peça. porém com algumas particularidades e valores sensivelmente diferentes daquelas propriedades apresentadas na Figura 2. Tal avaliação foi efetuada através de ensaios de tração de três modelos curados durante trinta. Ao avaliar os resultados obtidos em seus experimentos. partes retiradas da superfície e do interior da peça. Por isso.

Neste trabalho os autores avaliaram as propriedades mecânicas bem como os modos de falha de peças fabricadas com a resina DuPont Somos 7110 e submetidas à uma hora de pós-cura em forno UV.8 Térmica 1320 61 52 8. Isto poderia explicar a cura adicional observada após os tratamentos de pós-cura.6 Microondas 1265 54 44 8.. . Salmoria et al. foi comprovado que a cura térmica em forno convencional é o processo que promove uma pós-cura mais eficiente em peças fabricadas por estereolitografia. à irradiação de microondas (4 minutos a 600 W) e ao aquecimento em forno convencional (30 minutos a 125 0C). (2002) realizaram análises de fractografia nas peças que foram rompidas durante os ensaios de tração. Portanto. conforme ilustrado na Figura 2. Salmoria et al. Estes autores não descrevem os parâmetros de construção utilizados para a fabricação das peças utilizadas nos seus experimentos. aumentando a sua dureza. ilustrados na Tabela 2.1. provavelmente foi significativa. a quantidade de resina não curada existente.2 . mostraram que os tratamentos utilizados alteram as propriedades da resina incrementando o módulo de elasticidade e a tensão máxima. 2002) Propriedade mecânica do material Módulo de elasticidade (MPa) Tensão máxima (MPa) Tensão de ruptura (MPa) Alongamento máximo (%) Tipo de tratamento de pós-cura Forno UV 1210 51 38 9.18 pós-tratamentos que afeta as propriedades da resina.Influência dos tratamentos de pós cura nas propriedades mecânicas da resina Somos 7110 (Salmoria et al.4. Os resultados revelaram que o processo de pós-cura.6 A respeito da fratura de peças fabricadas em estereolitografia. (2002) apresentaram resultados similares àqueles obtidos por Colton & Blair (1999). Estes autores sugerem que a peça à verde pode ser completamente curada submetendo-a a 150 0C durante trinta minutos. Adicionalmente. Tabela 2. Os resultados. Um comentário pode ser feito a respeito dos resultados obtidos por Colton & Blair (1999).

A tensão máxima por sua vez. ilustrados na Tabela 2. Os corpos de prova submetidos a tratamentos de pós-cura não apresentaram tal comportamento.7 . apresentou um aumento de 14%. até atingir a temperatura de transição vítrea (62 0C).2 mostraram que houve uma redução de aproximadamente 33% da resistência ao impacto deste material quando este foi submetido a 2 horas adicionais de pós-cura térmica a 80 0C.19 particularmente a pós-cura em forno convencional. ilustrados na Figura 2. dificulta o fenômeno da fratura uma vez que este aumenta o tamanho crítico das trincas. Os resultados. Este autor avaliou o comportamento termomecânico da resina SL 7110® utilizando corpos de prova à verde e pós-curados em UV e termicamente. 300 250 200 150 100 50 0 -50 -100 -150 30 40 Material pós-curado Material à verde ∆L (µm) 50 60 70 80 0 Temperatura ( C) 90 100 Figura 2. Saleh (2002) avaliou o efeito da pós-cura nas propriedades mecânicas da resina Vantico SL 7560®.7. 2001). Pode-se verificar que o material à verde apresentou uma contração quando aquecido. estes procedimentos diminuem a sensibilidade das peças a defeitos superficiais e promovem um alívio de tensões nas mesmas. revelaram o efeito dos tratamentos de pós-cura no coeficiente de expansão térmica do material.Comportamento dimensional de corpos de prova a verde e pós-curado 30 h em UV em função da temperatura (adaptado de Fernandes. . Um aspecto interessante a respeito do efeito dos tratamentos de pós-cura nas propriedades das resinas SL foi reportado por Fernandes (2001). Além disso. Os resultados.

Normalmente os materiais utilizados na engenharia apresentam uma redução nos valores desta grandeza quando têm sua temperatura elevada.Efeito da temperatura nas propriedades mecânicas das resinas SL.3 – Efeitos da pós-cura térmica nas propriedades mecânicas da resina Vantico SL 7560 (adaptado de Saleh. Pode-se . Contudo. Porém. Para obter resultados significativos é necessário um tempo maior de cura.4 PCT** 62.7 94.5% +10% +2. 2002).5% Tração (%) Módulo de elasticidade (MPa) Resistência à flexão (MPa) Módulo de flexão (MPa) Resistência ao impacto (kJ/m2) Flexão Impacto * PCUV – Material pós-curado 30 minutos em forno UV ** PCT – Material pós-curado 30 minutos em forno UV + 2 horas a 80 0C Os valores de tensão de ruptura apresentados na Tabela 2.2 . utilizados pelo autor.87 2230. 1997).95 2.595 Diferença percentual + 14% +14% +8.3% -32.2. 2.27 2707. mostraram pouca variação provavelmente devido ao tempo e à temperatura de cura.3. A Figura 2. Tipo de Ensaio Propriedade Mecânica Tensão máxima (MPa) Alongamento máximo PCUV* 55 8.6 2937. a considerável diminuição da resistência ao impacto é um indicativo de uma possível causa de falhas dos insertos fabricados com este material. Outro aspecto importante a ser considerado em relação às resinas utilizadas no processo de estereolitografia é o efeito da temperatura na tensão máxima deste tipo de material.8 104.75 2179.20 Tabela 2.84 9. pesquisas revelaram que este efeito é ainda mais significativo quando se tratam das resinas SL.8 mostra o decréscimo que ocorre na tensão de ruptura da resina CibaTool 5170 quando a sua temperatura é aumentada (Hague. quando esta ocorre durante o fechamento do molde.68 1. além do uso de temperaturas mais elevadas.

por sua vez.21 verificar que o valor desta grandeza diminui cerca de 90% quando a sua temperatura atinge 100 0C.9. Os valores medidos para esta grandeza a 20 0C e 80 0C são 70. 80 70 60 50 40 30 20 10 0 -40 -20 0 20 40 60 80 100 120 140 0 Temperatura ( C) Figura 2. varia com os parâmetros de processo. σmáx (MPa) . 2002). Estes valores dependem do grau de cura da peça à verde que. 1997).84 MPa.9 – Variação da tensão máxima da resina Vantico SL 7560® em função da temperatura (adaptado de Saleh. conforme descrito anteriormente.8 – Variação da tensão máxima da resina CibaTool SL 5170® em função da temperatura (adaptado de Hague.74 MPa e 17. o que equivale a uma redução de aproximadamente 75% para uma variação de 60 0C. respectivamente. 80 σ máx (MPa) 60 40 20 0 20 30 40 50 60 70 80 0 Temperatura ( C) 90 100 Figura 2. A influência da temperatura na tensão de ruptura da resina Vantico SL 7560® foi avaliada por Saleh (2002). bem como com o tempo de exposição às elevadas temperaturas. conforme ilustrado no gráfico da Figura 2.

Durante o processo de injeção utilizando insertos SL. 2002).3. De acordo com os resultados apresentados por Saleh (2002) e ilustrados na Figura 2.3 . pressões de injeção e recalque.10 – Variação do módulo de elasticidade da resina Vantico SL 7560® em função da temperatura (adaptado de Saleh. 2. ocorre uma redução de 94 % do valor desta grandeza quando a temperatura do material é aumentada de 20 0C (2882 MPa) para 80 0C (168 MPa). além das temperaturas características deste processo. Embora os experimentos de Colton & Blair (1999) e Salmoria et al. Cabe salientar que os resultados obtidos por Saleh (2002) foram através de ensaio à tração de peças submetidas a apenas uma hora e meia de pós-cura em forno UV. (2002) tenham mostrado que a temperatura promove uma pós-cura na peça à verde. o material poderia estar ainda suscetível a pós-cura adicional por efeito do aquecimento durante os ensaios.22 O módulo de elasticidade das resinas SL apresenta um comportamento similar àquele observado para a tensão máxima. os resultados não podem ser generalizados para a situação de utilização dos insertos E (MPa) . porém com variações mais significativas.Efeito das temperaturas inerentes ao processo de injeção nas propriedades mecânicas das resinas SL. Portanto. o material do inserto é submetido a esforços mecânicos como forças de extração e fechamento. 4500 4000 3500 3000 2500 2000 1500 1000 500 0 -40 -20 0 20 40 60 80 100 120 0 Temperatura ( C) Figura 2.10. Estes carregamentos podem provocar alterações nas propriedades mecânicas da resina.

representado pela Figura 2. Assim. portanto. os experimentos descritos anteriormente não consideraram um eventual envelhecimento do material decorrentes deste tipo de carregamento. (2001). Assim os esforços aos quais os insertos SL são submetidos durante o processo de injeção. o carregamento térmico é aplicado ciclicamente. mesmo usando os parâmetros de fabricação adotados por estes autores.3. neste caso. não é possível afirmar que existe uma alteração expressiva nas propriedades mecânicas dos insertos SL durante a sua utilização. 2. Neste caso específico. Um indicativo de que os efeitos da temperatura durante o processo de injeção afetam menos as propriedades do material dos insertos.Efeito das forças inerentes ao processo de injeção na resistência mecânica das resinas SL. Desta forma. As peças fabricadas através do processo de estereolitografia podem apresentar micro-trincas e pontos de concentração de tensões.4 . Outro fator que propicia o efeito de fadiga nos insertos SL é o decréscimo de tensão máxima com o aumento da temperatura da resina. similar àquelas observadas durante o processo de injeção. Os resultados mostraram que as alterações foram insignificantes mesmo quando tempos maiores (6 horas) foram utilizados.23 durante o processo de moldagem por injeção. quando submetidas a pós-cura térmica. Neste trabalho os autores avaliaram as alterações nas propriedades mecânicas de peças fabricadas com as resinas CibaTool 7510 e DuPont Somos 7110. Esta poderia ser a causa da ruptura dos insertos que não suportariam um número maior de ciclos de injeção. a temperatura e principalmente o tempo de exposição do material são significativamente inferiores. se comparados aos tratamentos de pós-cura térmica. a propagação de micro-trincas é facilitada uma vez que a resistência do . podem provocar fadiga mecânica nos mesmos. Assim. Outro aspecto importante a respeito dos efeitos das temperaturas inerentes ao processo de injeção nas propriedades mecânicas da resina SL é que.9. As peças foram submetidas à temperatura de 80 0C e. devido ao estilo de construção por camadas. foram os resultados obtidos por Colton et al.

Peças fabricadas utilizando pequenas espessuras de camadas e com a superposição dos filetes de cura. Contudo. mostraram que as resinas DuPont Somos 6110 e 7110 podem apresentar alterações nestas grandezas quando submetidas a tratamentos subseqüentes ao processo de estereolitografia. 2. respectivamente.4 . Este efeito. (2001) as peças submetidas a seis horas de pós-cura térmica suportaram um maior número de ciclos do que as peças pós-curadas em uma hora.24 material diminui significativamente. apesar do número de ciclos de carga atuantes nos insertos SL durante o seu uso ser relativamente baixo. Os experimentos desenvolvidos por McLaughlin Jr (1996) utilizando a resina CibaTool SL 5170 mostraram que propriedades mecânicas desta resina não se alteram quando esta é submetida à pós-cura em forno UV. Um terceiro conjunto de corpos de prova foi submetido a um envelhecimento mecânico. 2003). estes autores . durante o qual foram aplicados mil ciclos de flexão com um milímetro de amplitude a 30 0C. Neste trabalho foram analisados dois conjuntos de corpos de prova. (2001) avaliaram os efeitos da pós-cura térmica e do envelhecimento mecânico na resistência à fadiga das resinas CibaTool 7510 e DuPont Somos 7110. submetidos a uma e seis horas de pós-cura térmica a 80 0C. Segundo Colton et al. ainda segundo estes autores.. foi decorrência do aumento da tensão máxima e do módulo de elasticidade do material.Considerações finais As propriedades mecânicas das resinas SL curadas dependem de vários fatores como a natureza da resina e os parâmetros de construção utilizados. Colton et al. (2002) por sua vez. Todos os corpos de prova foram submetidos ao ensaio de fadiga e os resultados mostraram que o aumento da temperatura reduz significativamente o número de ciclos necessário para romper a peça. Portanto estes objetos serão menos susceptíveis a alterações nas suas propriedades mecânicas quando submetidos ao processo de pós-cura ou expostas a elevadas temperaturas (Salmoria et al. este tratamento não influenciou a resistência do material à propagação da trinca. Colton & Blair (1999) e Salmoria et al. uma vez que o fator de intensidade de tensão KIc não foi afetado pela pós-cura e portanto. provavelmente apresentaram grau de cura mais elevado.

25 mostraram que a tensão máxima e o módulo de elasticidade destas resinas aumentam quando o seu grau de cura é incrementado. uma vez que a redução é mais acentuada na faixa de temperatura de trabalho da resina SL durante o processo de moldagem por injeção. quando os efeitos das temperaturas de injeção são insuficientes para causar tais alterações no material. pode ser esta a provável causa das falhas prematuras verificadas no uso de insertos SL. a falha deste tipo de ferramenta ocorre geralmente após a injeção de um pequeno número de peças. . Além disso. Portanto. Os resultados experimentais apresentados por Saleh (2002) e Hague (1997) revelaram que as resinas Vantico SL 7560 e CibaTool SL 5170 apresentaram uma redução significativa das suas propriedades mecânicas quando aquecidas. Desta forma é improvável que esta alteração esteja provocando a ruptura dos insertos SL durante o seu uso.

Sistemas de resfriamento utilizados nos insertos SL O sistema de resfriamento dos insertos de estereolitografia é sem dúvida o aspecto funcional que mais compromete a sua utilização. O capítulo é finalizado com um sumário dos problemas apresentados. A principal dificuldade é que a resina apresenta um coeficiente de condutividade térmica cerca de 300 vezes menor do que aquela apresentada pelos aços. Várias tentativas de desenvolvimento de estratégias que melhore o seu desempenho foram realizadas. Será abordada a influência de parâmetros de processo e de construção e das variáveis de projeto na vida útil dos insertos.Introdução As recomendações usuais para o projeto de moldes para injeção têm uma conotação especial quando se tratam de ferramentas produzidas pelo processo de estereolitografia. A principal conseqüência destas características é a reduzida vida útil observada neste tipo de ferramenta. Tal característica provoca um aumento considerável no .26 CAPÍTULO 3 CARACTERÍSTICAS DE PROJETO E CAUSAS DE FALHAS DOS INSERTOS SL 3.2 . Inicialmente serão descritos e avaliados os sistemas de resfriamento propostos e utilizados por alguns autores. bem como os tipos de falhas que geralmente ocorrem durante a utilização deste tipo de ferramentas. Neste capítulo serão apresentadas as principais características dos insertos SL. conforme descritas anteriormente. tornam limitada a sua aplicação na fabricação de insertos. tendo em vista que este material apresenta valores sensivelmente baixos de algumas propriedades relevantes como a condutividade térmica e a resistência mecânica. sem contudo apresentarem resultados significativos quando comparados aos moldes metálicos tradicionais. 3.1 . o que restringe a sua aplicação à fabricação de pequenos lotes de peças. As características do material utilizado nesta técnica.

1 . porém dados experimentais . A qualidade da peça injetada em insertos SL também é comprometida pela baixa condutividade térmica das resinas SL. o que os torna mais rígidos e frágeis. os efeitos da temperatura nas propriedades mecânicas da resina.27 tempo de resfriamento da peça e do inserto. A deposição do material metálico fundido sobre a resina pode danificar o inserto. Estas observações são apresentadas por estes autores através de uma tabela comparativa onde são apresentadas as propriedades de uma peça injetada em moldes de aço e de estereolitografia (Figura 3. Módulo de elasticidade (MPa) 4000 3500 3000 2500 2000 1500 1000 500 0 Inserto SL Inserto metálico 40 35 30 25 20 15 10 5 0 Módulo de elasticidade Alongamento máximo Figura 3. utilizaram um procedimento onde o inserto é fabricado em forma de casca e a sua parte interna é preenchida com um material metálico. Segundo Dusel et al. são agravados.1).. conforme descritos na seção 2. introduzindo adicionalmente um sistema de tubos de cobre pelo qual passa o fluido de resfriamento (água a temperatura ambiente) (Figura 3. 1998). Decelles & Barritt (1996) e Gomide (2000) por exemplo.1.Propriedades mecânicas de uma peça fabricada com material semi-cristalino injetado em insertos SL e metálico (adaptado de Dusel et al. um resfriamento lento altera significativamente as propriedades de materiais semicristalinos como os polipropilenos e poliamidas devido ao tempo maior de cristalização. alguns autores procuraram desenvolver técnicas que melhorassem o desempenho térmico dos insertos SL. Para contornar as dificuldades decorrentes dos baixos Alongamento máximo (%) valores de condutividade térmica apresentados pelas resinas SL. (1998). geralmente a base de estanho. Assim.2).

apesar de bastante inferior a um molde fabricado com alumínio.2 . A experiência relatada por Yu Li et al. Figura 3. apesar da utilização desta última técnica não ter apresentado bons resultados do ponto de vista térmico. houve uma significativa melhora do acabamento superficial das peças injetadas. (2001) e avaliados por Yu Li et al. Segundo estes autores. foi aquele que usou canais de resfriamento fabricados no próprio inserto. 2000). Outro exemplo destas experiências é descrito por Yu Li et al.3 apresenta os tipos de sistemas de resfriamento mais comuns. descritos por Ahrens et al. (1999) afirmam que este ganho é irrelevante.28 demonstraram uma certa eficiência deste tipo de sistema de resfriamento. Contudo. (2000) apresentou um fato curioso que foi a idéia inovadora de uniformizar a temperatura do molde para contornar o problema de resfriamento em insertos SL. (2000). A Figura 3. criando assim uma distribuição uniforme de temperatura. autores como Hopkinson et al. a estratégia que obteve o melhor desempenho. Segundo estes autores.Insertos fabricados em casca (Gomide. utilização de canais de resfriamento fabricados no próprio inserto (Conformal Cooling) e recobrimento da superfície do inserto com metal. (2000) que estudaram a eficiência de três técnicas de resfriamento: preenchimento com metal da parte traseira de um inserto fabricado em forma de casca. .

(2001). denominada “Sistema de Canais de Fluxo de Calor”.3 -Tipos de sistemas de resfriamento utilizados em insertos SL (Ahrens et al.Conformal Cooling água insertos sólidos peça injetada peça injetada macho macho macho cavidade tubo de cobre cavidade cavidade canais fabricados no inserto linha de abertura Figura 3. os orifícios são projetados e fabricados com finos selos que são removidos posteriormente na operação de pós-processamento. Um sistema de resfriamento alternativo para insertos SL foi proposto por Ahrens et al. permite a extração de calor da peça moldada através do contato direto entre a peça e a liga metálica de preenchimento nas regiões de maior concentração de calor do inserto. Esta técnica. O processo inicia-se com a obtenção dos moldes SL em forma de casca. ..Inserto em Casca água cascas SL material de preenchimento peça injetada #2 . a casca é modelada em CAD com pequenos furos na sua superfície para promover o contato direto do moldado com a liga metálica de preenchimento.4.Inserto Sólido insertos sólidos #3 . 2001).29 #1 . Neste caso particular. Para viabilizar o preenchimento da casca com a liga metálica. A seqüência de operações é demonstrada na Figura 3.

e melhorar o acabamento superficial.5 ilustra um inserto fabricado utilizando esta técnica.30 Sistema de Canais de Fluxo de Calor orifícios com selos selo preenchimento da parte traseira macho em casca superfície do inserto água cascas SL canais de fluxo macho remoção dos selos e acabamento superficial Peça injetada cavidade tubo de cobre Figura 3.4 .Procedimento para a fabricação de insertos providos de canais de fluxo de calor (Ahrens et al. 2001). característico do processo de fabricação por camadas. Nesta etapa são removidos os selos e a superfície da liga metálica é exposta. Pode-se optar pela utilização de tubos de cobre no inserto SL para auxiliar a extração do calor do metal. onde as superfícies são lixadas para amenizar o efeito degrau. Após a solidificação da liga é realizado o pós-processamento dos insertos. Os selos são necessários para que a liga metálica seja contida durante o seu preenchimento. A Figura 3. .. sendo polida para ficar incorporada à superfície do molde.

Assim. Lafrata (2003) propôs um sistema de resfriamento baseado no uso de líquido refrigerante sob pressão no qual um fluido exerce a função auxiliar de aumentar a resistência mecânica da ferramenta. confinar o fluido refrigerante para que ele faça o papel de suporte estrutural.5 . Uma limitação do uso desta técnica refere-se ao acabamento superficial da peça injetada. posicionadas entre as tubulações conectadas aos insertos e as mangueiras de distribuição do fluido de resfriamento (Figura 3. a sua eficácia depende muito da geometria da peça. porém. A solução adotada por este autor consiste em. o fluido age como uma porção “sólida”. Ao final da fase de recalque.6). as válvulas são abertas e inicia-se a fase de resfriamento do moldado e do inserto. . Existem também alguns aspectos que ainda não foram estudados.31 canais de fluxo de calor Figura 3. e a pressão aumenta conforme a intensidade do esforço aplicado. os furos localizados no inserto podem originar concentração de tensões e tornar o inserto suscetível à falha. A eficiência do Sistema de Canais de Fluxo de Calor foi avaliada numericamente e apresentou uma melhoria significativa em relação ao processo em casca convencional. uma vez que os canais deixam marcas na mesma.Inserto provido de canais de fluxo de calor. Por exemplo. Este confinamento é realizado através do fechamento de válvulas. durante as fases de preenchimento e recalque. através da aplicação do Princípio de Pascal.

. o efeito da dilatação térmica do fluido de resfriamento confinado – a água – sobre a deformação do inserto.6: Sistema de resfriamento avaliado por Lafrata (2003). Portanto.Análise de falhas em insertos SL Ao avaliar a vida útil dos insertos SL. A primeira vista. Frente ao atual estado de desenvolvimento e pesquisa relativa ao uso de insertos SL é evidente que o campo de aplicação desta técnica limita-se à fabricação de pequenos lotes de peças plásticas injetadas. não for conhecido à escolha do fluido de resfriamento adequado fica comprometida. não apresentou valores significativos. com base em simulações.32 Figura 3. desde que se garanta que o módulo de elasticidade volumétrico ou coeficiente de compressibilidade do fluido seja maior ou igual ao módulo de elasticidade da resina de estereolitografia. em função da variação de temperatura de operação. como suporte estrutural. Segundo Lafrata (2003). a princípio cumpre sua função. 3.3 . não é razoável esperar que se obtenha resultados similares aos dos moldes tradicionais. deve-se ter em mente qual o objetivo do usuário ao escolher este tipo de ferramenta. em termos de vida útil. o uso de fluidos de resfriamento confinados. A falha do inserto ocorre quando torna-se impossível obter peças com a qualidade desejada com a sua utilização. Se o comportamento do módulo de elasticidade da resina empregada.

1 . bem como apresentados os tipos de falhas mais comuns observadas no uso de insertos SL. Assim. a temperatura do moldado diminui e a temperatura do inserto aumenta à medida que ocorre a troca de calor entre os mesmos.3. Giang & Colton. os efeitos destas forças nos insertos SL são maiores haja visto os baixos valores das propriedades mecânicas das resinas SL. Durante o processo de injeção.7 . A força de extração (Fe) deve ser superior a força de atrito (Fat). Esta por sua vez é avaliada pelo produto da força de contato (FN) pelo coeficiente de atrito entre as superfícies do inserto e do moldado (µ). As forças de extração que atuam nos insertos SL dependem basicamente dos parâmetros de processo.7. conforme ilustrado na Figura 3. 2000. 2002). Entretanto. da geometria da peça e das propriedades dos materiais do inserto e moldado. a peça contrai e o inserto expande. considerando o ângulo de saída θ utilizado. FN Peça θ Fe Fat Inserto Móvel Figura 3. 3. Alguns autores sugerem modelos teóricos para avaliar as forças de extração em insertos SL (Hopkinson & Dickens.33 A seguir serão descritos os esforços atuantes nos insertos durante o processo de moldagem por injeção. promovendo uma interferência entre as superfícies de contato.Esforços atuantes nos insertos SL Os carregamentos aos quais os insertos SL são submetidos durante o processo de injeção não diferem muito daqueles observados em moldes metálicos. Estas aproximações têm como objetivo avaliar a influência dos diversos parâmetros no .Forças atuantes em insertos SL durante a extração da peça.

A a área de contato entre a peça e o inserto na direção da extração. α o coeficiente de expansão térmica do material injetado. Os resultados obtidos por Hopkinson & Dickens (2000) utilizando esta equação.7). avaliaram a utilização da equação Fe = α (Tm − Te ) D E A µ . que considera não apenas as propriedades do material do inserto como também dos parâmetros de construção utilizados. Tm a temperatura de amolecimento do material injetado.1) onde Fe representa a força de extração. a equação de Glanville & Denton (1965) não considera a influência das propriedades do material do molde. A Equação 3. Segundo Giang & Colton (2002). Te a temperatura do material injetado no instante da extração. D [D / 2t − ( D γ / 4t )] (3.1 foi proposta por Glanville & Denton (1965) para avaliar forças de extração em moldes convencionais para efeito de dimensionamento de pinos extratores. o que compromete a sua utilização para avaliar as forças atuantes em insertos SL. stair (3.2) . µ o coeficiente de atrito entre as superfícies da peça e do inserto.therm + Fdef. Este modelo é baseado na seguinte equação (Giang & Colton. E o módulo de elasticidade do material injetado à temperatura Te. γ o coeficiente de Poisson do material injetado e t a espessura da peça injetada. Estes autores apresentaram um modelo teórico alternativo para avaliar as forças de extração neste tipo de ferramenta. D o diâmetro do núcleo (para o caso de geometrias similares àquela ilustrada na Figura 3.34 valor desta grandeza e propor alterações e procedimentos que visem minimizar os seus efeitos. 2002): Fe = Ffric. Hopkinson & Dickens (2000) por exemplo. apresentaram valores aproximadamente 30% abaixo daqueles medidos experimentalmente.

µ o coeficiente de atrito entre as superfícies da peça e do inserto. l θ δ Figura 3. stair a parcela da força devido ao efeito degrau.Efeito degrau (adaptadado de Giang & Colton. θ o ângulo de saída.4) onde os índices P e m representam peça e inserto respectivamente.8).Sen θ ) * (α P ∆TP rP − α m ∆Tm rm ) . proveniente do processo de fabricação por camadas (ver Figura 3.therm e Fdef. (3.stair podem ser determinados através das equações Ffric.35 onde Fe representa a força de extração. Ffric.therm a parcela da força devido aos efeitos da contração térmica e Fdef. 2002).8 .e 2  1  rP2 + rm  1 −υ m  rm   2 2 +υ p  +   E  m    E P  rP − rm SA * δ 2  1  r2 + r2  1 −υ m  l * rm *   P2 m +υ p  +  r − r2  E  m    EP  P m (3.therm = SA * ( µ Cosθ . stair = . . α o coeficiente de expansão térmica. Os valores de Ffric.3) Fdef. SA representa a área de contato entre as superfícies do inserto e do moldado.

Segundo estes autores os valores de forças calculadas a partir das equações de Glanville & Denton (1965) apresentaram erros superiores àqueles obtidos com as equações 3. Para as demais geometrias avaliadas os erros foram maiores. Por exemplo. esta provavelmente irá aderir ao inserto provocando esforços excessivos no mesmo. os valores de forças de extração obtidos apresentaram erros de até 40%. Como o inserto não permanece a uma temperatura . Tal aproximação no entanto. Os valores teóricos de força de extração calculados por Giang & Colton (2002) foram obtidos utilizando valores experimentais de temperatura na Equação 3.4.8. Os resultados obtidos apresentaram erros de aproximadamente 10% em relação aos valores obtidos experimentalmente para a geometria circular. ν o coeficiente de Poisson. desprezando assim o gradiente de temperatura existente no mesmo. A determinação das forças de extração atuantes em insertos SL não é trivial uma vez que os parâmetros envolvidos não são fáceis de serem determinados. retangular. Giang & Colton (2002) aplicaram as equações para determinar as forças de extração em insertos com vários tipos de geometrias (triangular.36 ∆T a mudança de temperatura ocorrida entre o início e o término do processo de injeção. conforme ilustrado na Figura 3. considera a temperatura inicial em todo o inserto igual a 50 0C. hexagonal e circular). Os resultados mostraram que.3. Muitas vezes as forças avaliadas analiticamente não consideram certas particularidades do processo.3 e 3. apesar do modelo apresentar valores de temperatura próximos àqueles medidos experimentalmente no ponto monitorado. se a extração da peça ocorrer prematuramente. cerca de 30%. E o módulo de elasticidade. Estes autores também sugerem o uso de um modelo numérico para determinar a temperatura do conjunto inserto e peça. l a espessura de camada utilizada e δ um fator geométrico. r o raio hidráulico característico da aproximação utilizada (cilindro de paredes espessas).

1999). Além disso. haja vista a dificuldade de determinar o momento adequado para a extração da peça. a alta rigidez e a fragilidade apresentada pelo material após a cura térmica.37 constante. Segundo estes autores isto ocorre devido aos efeitos da cura térmica do material durante a injeção no inserto. quando este fica exposto às altas temperaturas.9 . torna-o menos passível a aderir à peça injetada. ocorre uma diminuição do coeficiente de expansão térmica do material. atuantes em um inserto SL (adaptado de Cedorge et al. o que contribui para a diminuição da força de extração. 160 140 120 100 80 60 40 20 0 2 3 4 5 Tempo de resfriamento (min) Material pós-curado Material à verde Figura 3.Efeito da cura na força de extração da peça. Outro parâmetro difícil de ser considerado na avaliação das forças de extração é o efeito da pós-cura nas propriedades da resina. Além disso. com o aquecimento do inserto há uma diminuição na contração da peça e conseqüentemente um decréscimo na aderência entre os mesmos. Cedorge et al. Segundo estes autores.10). a probabilidade deste tipo de problema ocorrer é muito grande. Fext (N) .. (1999) apresentaram resultados experimentais que revelaram que insertos construídos com a resina DuPont Somos SL 7110 e submetidos a um tratamento térmico posterior apresentaram valores menores de força de extração (Figura 3.9). Um fato observado por Cedorge et al (1999) foi a diminuição da força de extração com o aumento do número de peças injetadas (Figura 3. à medida que reduz a interferência entre o inserto e a peça.

0 0.4 6.9 -3.5 2.38 140 120 Força de extração(N) 100 80 60 40 20 0 0 10 20 30 40 Número do ciclo 50 60 Força de extração Força de extração (linear) Figura 3.3 -1.6 -2.7 (MPa) Figura 3. determinadas numericamente. Pode-se observar que ocorrem valores altos de tensão que aumentam ao longo do processo de injeção devido ao aquecimento do inserto Bucha de injeção Insertos SL -4.11 apresenta as tensões atuantes em um inserto 20 segundos após a injeção da peça.25 1.10 .. Assim o inserto estará submetido a tensões decorrentes deste carregamento. A Figura 3.8 4. Durante o processo de injeção.1 5.Tensões térmicas atuantes em um inserto SL.Variação da força de extração com o número de peças injetadas (adaptado de Cedorge et al.11 . 1999). ocorre um gradiente de temperatura no inserto que varia com o número de peças injetadas. .

podem provocar ruptura por cisalhamento ou flexão em features3 mais frágeis da cavidade. necessária para manter o molde fechado durante o ciclo de injeção. Na maioria dos casos este problema pode ser contornado reduzindo a velocidade de preenchimento ou pressão de injeção. Assim. conforme ilustrado na Figura 3. Estes esforços no entanto são consideráveis. comparados àqueles utilizados em moldes convencionais (Beal et al. 2002). . As pressões de injeção. 3 Termo que identifica características geométricas de um componente como saliências ou ressaltos. na tentativa de corrigir defeitos de rebarbas excessivas na peça injetada..39 As tensões térmicas geralmente são negligenciadas quando são avaliadas as forças atuantes em insertos SL durante o processo de injeção. maior será a força de fechamento requerida. Outro esforço ao qual os insertos SL estão submetidos durante o processo de moldagem por injeção é a força de fechamento. é comum o operador inexperiente provocar a ruptura do inserto SL. Tais solicitações atuam durante todo o processo e portanto combinadas com outros esforços como forças de extração e de fechamento e pressões de recalque e injeção. A pressão de recalque por sua vez atua no inserto provocando tensões de compressão no mesmo. as forças de fechamento requeridas quando se utilizam insertos SL são normalmente baixas. Os valores de pressão utilizados no processo de injeção em insertos SL são relativamente baixos. quanto maior a pressão de recalque utilizada. que promovem o fluxo de material polimérico através dos canais de alimentação do inserto. Durante o processo de injeção. a melhor solução é ajustar as superfícies de fechamento dos insertos antes do seu uso. aumentando o valor da força de fechamento. O seu valor pode ser estimado multiplicando o valor da pressão de recalque pela área projetada da cavidade. Neste caso. Valores altos de velocidade de injeção provocam rebarbas excessivas e até um aumento da temperatura do polímero decorrente de atrito durante o preenchimento da cavidade. Além disso.12. Porém. esta estratégia é ineficaz quando o problema de rebarbas é decorrente de defeitos de planicidade das superfícies dos insertos. uma vez que o coeficiente de expansão térmica das resinas é cerca de 10 vezes superior ao dos aços.

Entretanto é possível classificar os tipos de falhas em quatro categorias gerais. com base em observações e de resultados apresentados por diferentes pesquisadores.12 . de acordo com a sua localização no inserto. 3. Figura 3. Acredita-se que este tipo de falha ocorre geralmente devido a uma combinação de esforços atuando no inserto quando a sua resistência é reduzida por efeito das temperaturas de injeção.3.2 .13).Tipos de falhas observadas em insertos SL Não há um entendimento claro entre os pesquisadores com relação aos tipos de falhas que ocorrem nos insertos SL durante o processo de injeção e das suas respectivas falhas.3. .2.40 inserto fixo inserto móvel feature fluxo de material polimérico Figura 3.1 . 3.Ruptura generalizada em um inserto SL.Ruptura generalizada do inserto A falha generalizada ocorre principalmente de maneira catastrófica com uma rachadura do inserto na região da cavidade (ver Figura 3.13 .Efeito do fluxo polimérico nas paredes do inserto.

14 – Rompimento de uma feature em um inserto SL. Estes autores mostraram que a utilização de pressão ou velocidade de injeção alta pode provocar a ruptura de features cuja relação entre a altura e a espessura seja muito superior a 1. Este tipo de falha. a temperatura e conseqüentemente as tensões de compressão devido à expansão térmica do inserto aumentam enquanto que a tensão de ruptura da resina SL diminui. (1999). combinado com a redução na tensão de ruptura do material devido ao seu aquecimento. ocorre devido à flexão e ao cisalhamento provocado pelo fluxo polimérico. que causam uma diminuição da resistência do material ao impacto e um aumento das tensões térmicas. o inserto quebra após a injeção de um determinado número de peças devido a uma combinação dos efeitos da força de fechamento e da temperatura.2 .41 O uso de forças de fechamento excessivas pode provocar a ruptura dos insertos SL no primeiro ciclo de injeção.3.14. À medida que peças são injetadas. 3.Ruptura de features A ruptura localizada do inserto na região de features foi reportada por Rahmati & Dickens (1997) e Cedorge et al.2. Os efeitos combinados de temperatura e esforços de extração podem provocar a ruptura generalizada dos insertos SL. ilustrada na Figura 3. O inserto torna-se então menos resistente a esforços de flexão e pode romper por efeito das forças de extração. . Em outros casos. Figura 3.

Além disso. torna a região em questão mais suscetível a romper-se por efeito de outros tipos de carregamentos. . 3. Figura 3. considerada por muitos autores a principal causa da falha de insertos SL (Hopkinson.2.Inserto com ruptura localizada da camada superficial.42 A força de extração. na maioria das vezes inutiliza os insertos pois inviabiliza a obtenção de peças com o acabamento superficial desejado.. Este tipo de falha. 1999). Finalmente. Este problema pode ocorrer quando a temperatura do inserto está muito alta ou quando o tempo de resfriamento utilizado é muito grande. Cedorge et al.15 . 1999. o inserto pode apresentar falhas em features no momento do fechamento do molde devido à interferência entre as superfícies causada pela expansão térmica.3 . apesar de não ser catastrófica. Assim é comum parte da camada superficial do inserto se soltar durante a sua utilização. Isto ocorre principalmente na região próxima ao ponto de injeção onde as temperaturas são maiores (ver Figura 3.Ruptura localizada da camada superficial do inserto Algumas resinas como a DuPont Somos SL 7110 e a Ciba Tools SL 5170 tornam-se excessivamente frágeis e quebradiças devido à sua exposição às temperaturas de injeção. também provoca a ruptura de features.3. caso a linha de partição não tenha sido definida adequadamente.15). o que provoca uma aderência maior entre peça e o inserto.

43 A afinidade química entre o material injetado e a resina também pode ocasionar a ruptura da camada superficial do inserto. conseqüentemente. Assim é comum os insertos apresentarem problemas de falta de planicidade e.10. As peças injetadas apresentaram rebarbas excessivas. Dependendo da temperatura nas regiões de contato (se elevadas) e da afinidade química entre os materiais. Cabe salientar que no caso de polímeros. após um determinado número de peças serem injetadas. Na Figura 3. o material injetado pode aderir ao inserto.16 é apresentado um inserto após o uso na fabricação de peças plásticas injetadas. rebarbas excessivas na peça. Conforme ilustrado na Figura 2. podem comprometer a sua utilização devido a problemas dimensionais.Falhas devido a deformações excessivas As deformações permanentes. conforme citado anteriormente.2. . que ocorrem nos insertos SL durante o processo de injeção. aumentado a força de extração e as tensões atuantes nas regiões de cantos vivos onde o efeito degrau é mais acentuado. Pode-se verificar que ocorreram deformações permanentes ao redor da cavidade e do canal de alimentação. o que torna o inserto suscetível a deformações excessivas. o módulo de elasticidade do material apresenta uma redução significativa quando a sua temperatura é aumentada. atuando no inserto aquecido. as temperaturas nas quais o processo de difusão pode ocorrer são bem menores do que nos metais. devido à ação das forças inerentes ao processo de injeção. 3. Este efeito é ainda mais significativo quando as propriedades mecânicas da resina estão reduzidas devido ao aquecimento do inserto.3.4 .

bem como apresentadas algumas recomendações baseadas em resultados experimentais obtidos por autores que desenvolvem pesquisas nesta área.16 . Para obter o maior número de peças possível é necessário conhecer a influência de cada uma destas variáveis na resistência dos insertos e nos esforços atuantes nos mesmos. A seguir será avaliada a influência de vários parâmetros na vida útil dos insertos SL.Deformações plásticas em um inserto SL. De acordo com o descrito anteriormente. comportamento do material e principalmente da sua geometria. este problema pode ser minimizado se determinados aspectos forem considerados durante o projeto e uso dos insertos. O número de peças que podem ser moldadas em insertos SL depende de vários fatores como parâmetros do processo de injeção. .4 . 3.44 deformações permanentes Figura 3. Desta forma.Avaliação da vida útil dos insertos SL A falha dos insertos de estereolitografia gera uma insegurança nos eventuais usuários desta tecnologia. Contudo. parâmetros de construção do inserto. haja vista a baixa condutividade térmica apresentada pelas resinas SL. as maiores dificuldades observadas até o momento no uso dos insertos SL são decorrentes da ineficiência do sistema de resfriamento. pode-se projetá-los e usá-los com maior discernimento e conseqüentemente explorar melhor os recursos que esta técnica oferece.

5) LW CLW l OC θ δ Figura 3. Giang & Colton (2002) desenvolveram experimentos utilizando as resinas DuPont Somos SL 7510 e SL 7110 para fabricar e testar insertos com várias .   OC Ra = 0. Esta expressão (Equação 3.17 . mudanças em variáveis como a espessura da camada.Espessura das camadas (Rugosidade) Giang & Colton (2002) sugerem uma equação para quantificar a rugosidade dos insertos SL em função dos parâmetros de construção. A Figura 3.1.1 .4.Influência dos parâmetros de construção na vida útil dos insertos SL Os parâmetros utilizados durante a fabricação dos insertos SL (ver Figura 2. a orientação de construção e a distância entre os filetes.25 C Lw *1−  OC + l       Cosθ + l Senθ      (3. alteram a resistência mecânica do inserto e os esforços aos quais estes estarão submetidos durante o processo de injeção. Estes por sua vez influenciam nas propriedades mecânicas do material e nas forças de extração respectivamente.5) também foi utilizada na dedução da Equação 3.4) determinam o grau de cura do inserto e a sua rugosidade.1 .45 3. 3.17 ilustra os parâmetros envolvidos no cálculo da rugosidade de acordo com a proposta destes autores.4. 2002).Modelagem da rugosidade superficial dos insertos SL (Giang & Colton. Desta forma.4.

05 0..1 apresenta os valores medidos de forças de extração em função da espessura de camadas utilizadas na construção. Conforme ilustrado na Tabela 3. para validar a equação acima. 0. quanto maior a espessura da camada. induz em maiores valores de forças de extração devido ao aumento da força de atrito entre as superfícies do inserto e do moldado. Os resultados mostraram que. . Como pode ser visto. apesar do pequeno aumento verificado naquele inserto fabricado utilizando uma espessura de camadas de 0. Os resultados mostraram que não ocorrem mudanças significativas nos valores desta grandeza decorrentes do processo de injeção. como esperado.15 3 9 17 A Tabela 3.05 mm. espessuras de camadas maiores e conseqüentemente maiores rugosidades.15 mm. maior será a rugosidade do inserto.1 0. Este resultado contraria aqueles previstos pela Equação 3. Nesta tabela também são apresentados os valores de rugosidade do inserto após a injeção de 40 peças. Os resultados experimentais obtidos por Giang & Colton (2002) também sugerem esta tendência.15 mm.1.1 mm e 0.4 uma vez que a espessura de camada “l” aparece no denominador daquela expressão (apesar de também influenciar o valor de δ). Estes autores fabricaram insertos com a resina CibaTool SL 5190.1 . Hopkinson et al. 1999) Espessura da Camada (mm) Rugosidade média antes da moldagem (µ) 3 10 15 Rugosidade média após a moldagem (µ) Forças de extração medidas (N) 183 290 497 0.46 geometrias. um acréscimo da espessura de camada utilizada durante a construção aumenta a rugosidade do inserto. Tabela 3. (1999) estudaram a influência da espessura de camada e conseqüentemente da rugosidade do inserto nas forças de extração.Valores medidos de rugosidade de insertos construídos com diferentes espessuras de camadas (adaptado de Hopkinson et al. utilizando espessuras de 0. O mesmo comportamento foi observado para a força de extração.

a rugosidade do inserto é menor e conseqüentemente as forças atuantes no mesmo durante a extração da peça injetada são também minimizadas.05 mm.47 De uma maneira geral o uso de pequenas espessuras de camadas promove um melhor acabamento superficial do inserto SL. ilustrados na Figura 3. Portanto.4 e 2. Quando esta grandeza é definida de maneira tal que haja uma superposição das trajetórias do laser. .1 mm e 0.4.15 mm e avaliaram o comportamento termomecânico de cada peça fabricada.15 mm apresentou maiores contrações (resultados similares àqueles ilustrados na Figura 3. Assim.1. (2003). Além disso. Assim. provavelmente a quantidade de resina não curada será menor. mostrando que a resina estaria mais propícia a apresentar cura adicional devido aos efeitos da temperatura.Distância entre filetes de cura A máquina de estereolitografia permite ao usuário determinar a distância entre os filetes curados durante a fabricação da peça (ver Figuras 2. 3. apesar do aumento do seu custo de fabricação. O efeito descrito no parágrafo anterior foi avaliado por Salmoria et al. pode-se esperar um aumento da vida útil do inserto quando espessuras mínimas de camadas são utilizadas. a póscura da resina devido aos efeitos das temperaturas de injeção serão minimizados. a probabilidade da ocorrência de micro-fissuras será também reduzida. revelaram que a peça fabricada utilizando espaçamento entre filetes de 0.6). 0.2 . Os resultados.18.5). Estes autores construíram peças com a resina DuPont Somos 7110 utilizando espaçamento entre filetes de 0.

Ângulo de saída O ângulo de saída tem grande influência na rugosidade e nas forças de extração atuantes nos insertos SL.48 Dilatometria em Z (diferentes linhas) 24 20 dL/L (ee-03) 16 12 8 4 0 -4 0 50 100 150 200 o Temperatura ( C) 250 0. Conforme ilustrado na Figura 3. variando o ângulo de saída de 1 a 6 graus e utilizando espessuras de camadas de 0. Contudo esta relação não é direta quando se trata de insertos fabricados pelo processo de estereolitografia. Estes autores construíram insertos com a resina Vantico SL 7110.1 mm e 0.4. .10 mm 0.4. menor será a força de extração Fe.7.Influência dos parâmetros de projetos na vida útil dos insertos SL 3. Além disso.19. 3.2. quanto maior o ângulo de saída θ. 2003).05 mm Figura 3. conforme descrito por alguns autores. Os resultados revelaram que a relação entre o ângulo de saída e a força de extração depende da espessura de camada utilizada na fabricação do inserto.05 mm. Como pode ser visto na Figura 3. respectivamente..18 – Resultados do ensaio de dilatometria em peça fabricadas com diferentes valores de espaçamento entre filetes (Salmoria et al. o efeito degrau torna-se mais significativo para ângulos maiores.1 . Cedorge et al. 0.2 . um aumento da espessura da camada torna o inserto tão sensível à rugosidade que um acréscimo do ângulo de saída pode até mesmo aumentar a força de extração da peça.2 mm. (1999) estudaram a influência do ângulo de saída e da espessura de camadas nas forças de extração.15 mm 0.

a fim de garantir menores forças de extração da peça..49 80 70 60 50 40 30 20 10 0 1 5 250 200 Fe (N) Fe (N) 150 100 50 0 1 2 3 4 5 Ângulo de saída Ângulo de saída (a) Espessura de camada 50 µm (b) Espessura de camada 203 µm Figura 3. bem como a sua localização. (1999). as que apresentavam razão de comprimento elevada foram completamente removidas. Assim os efeitos deste carregamento podem-se minimizados. 1999).2 . Os resultados apresentados por Cedorge et al (1999) mostraram que o ângulo de saída a ser adotado no projeto dos insertos SL deve ser definido considerando-se a espessura de camadas utilizada. Os resultados mostraram que a utilização de features com maior razão de aspecto e menor razão de comprimento pode aumentar a vida útil do inserto. Finalmente.4.2. (1999) revelaram também que as dimensões das features.Dimensões das features A influência das dimensões das features na vida útil dos insertos SL foi estudada por Cedorge et al. Features localizadas próximas ao ponto de injeção falharam por flexão devido ao fluxo polimérico. Peças foram injetadas até que ocorresse a ruptura do inserto. Pequenos pedaços das nervuras que apresentavam maior razão de aspecto quebraram devido à força de extração. Ao avaliarem estes . Os resultados obtidos por Cedorge et al. Estes autores construíram insertos utilizando a resina DuPont Somos SL 7110 variando a razão de aspecto (relação largura e espessura) e razão de comprimento (relação comprimento e espessura) das nervuras. determinam como estas irão falhar. 3.Influência da espessura de camada e do ângulo de saída na força de extração (adaptado de Cedorge et al.19 .

é comum os insertos SL apresentarem espaços entre as suas superfícies após o fechamento do molde.Linha de partição A linha de partição é definida como o contorno onde ocorre o contato entre os insertos fixo e móvel durante o fechamento do molde (Figura 3. o molde não fecha completamente causando rebarbas excessivas nas peças. .20 – Linha de partição de um inserto de estereolitografia. ou seja.3 .50 resultados os autores afirmam que a razão de comprimento é determinante para a vida útil do inserto 3.2. Este talvez seja o parâmetro de projeto que mais influencia na vida útil do inserto e na qualidade da peça injetada.20). até mesmo em insertos metálicos (Figura 3. Linhas de partição que necessitam de uma maior precisão dimensional podem acarretar em interferência entre as superfícies e conseqüentemente a falha localizada.4. As peças fabricadas pelo processo de estereolitografia estão sujeitas a variações dimensionais maiores do que aquelas fabricadas pelos processos convencionais de corte. uma vez que o coeficiente de expansão térmica das resinas SL são normalmente dez vezes superior aos dos aços. Outro problema que pode ocorrer nos insertos SL decorrente de uma linha de partição mal definida é a ruptura de uma pequena parte do inserto. Este problema pode ser agravado pelo aquecimento do material durante o processo de injeção. Figura 3. Assim.21).

4. Assim.9). Outro efeito das temperaturas de injeção é a diminuição das propriedades mecânicas da resina SL à medida que peças são injetadas e a temperatura do inserto aumenta (ver Figuras 2. para alguns casos.1 .4.Efeitos da temperatura de injeção A temperatura de injeção promove um aquecimento do inserto ao longo do processo de injeção. a vida útil do inserto seja reduzida. espera-se que com a utilização de insertos SL para fabricação de peças com termoplásticos cujas temperaturas de injeção recomendadas sejam altas.Influência dos parâmetros de injeção na vida útil dos insertos SL 3.2. Quanto maior a temperatura de injeção maior será a temperatura média do inserto após a estabilização do processo e portanto maiores serão as tensões térmicas atuantes. uma pós-cura térmica do material do inserto. alterando as suas propriedades mecânicas. Além dos efeitos sobre as propriedades mecânicas da resina. conforme descrito na Seção 2.8 e 2. 3.51 Figura 3.3 . Portanto.21 – Inserto metálico com rompimento na linha de partição (em destaque). Recomenda-se portanto a utilização de temperaturas inferiores àquelas recomendadas pelo fornecedor do material injetado.1.3. a temperatura de injeção também influencia nos esforços atuantes nos insertos. este parâmetro irá promover. haja vista que .

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neste caso a temperatura do molde é superior àquela observada durante o uso de moldes metálicos. 3.4.3.2 - Efeitos da força de fechamento As forças de fechamento podem causar a falha do inserto no primeiro ciclo de injeção se não forem corretamente estabelecidas. O choque entre as superfícies do inserto no momento do fechamento do molde pode quebrá-lo, uma vez que as resinas SL diminuem a sua resistência ao impacto quando aquecidas. A recomendação usual é aumentar gradualmente a força de fechamento e utilizar o menor valor possível. 3.4.3.3 - Efeitos das pressões de injeção e recalque As baixas resistências mecânicas apresentadas pelas resinas SL tornam os insertos SL suscetíveis a falhas sob ação das pressões de injeção e recalque. Tal como no caso da força de fechamento, a recomendação usual é utilizar os menores valores possíveis destas grandezas, sem contudo comprometer a qualidade da peça injetada. Altas pressões de injeção podem provocar a ruptura de features, conforme ilustrado na Figura 3.12. 3.4.3.4 - Efeitos do tempo de resfriamento da peça A determinação do tempo de resfriamento da peça depende basicamente da geometria, do material injetado e das propriedades do material do molde. Para os moldes metálicos, este parâmetro é definido considerando-se o tempo necessário para que a peça seja extraída sem apresentar deformações excessivas. Neste caso, tempos de resfriamento longos são indesejáveis pois diminui a produtividade do processo. O tempo de resfriamento da peça tem uma conotação diferente quando se trata de injeção em insertos SL. Como se trata de um processo utilizado para a fabricação de pequenos lotes de peças, o fator produtividade é secundário. Assim, deve-se considerar fundamentalmente a influência desta variável na vida útil do inserto na sua determinação, a fim de garantir que um maior número de peças possa

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ser injetada. Além disso, como o inserto aumenta a sua temperatura gradativamente, a determinação desta grandeza não é trivial e deve ser realizada considerando a temperatura do inserto no início do ciclo de injeção, quando for utilizado o procedimento de resfriar o inserto entre os ciclos de injeção. Hopkinson (1999) avaliou os efeitos do tempo de resfriamento da peça nas forças de extração atuantes em insertos SL. Como pode ser visto na equação 3.1, quanto menor o valor da temperatura do moldado no instante da injeção (Te) e portanto a diferença (Tm - Te), maior será o valor da força calculada. Esta tendência foi comprovada experimentalmente por este autor, conforme apresentado graficamente na Figura 3.22, onde a força de extração aumenta à medida que se permite um maior tempo de resfriamento da peça antes da sua extração.

600 Força de extração (N) 500 400 300 200 100 0 0 100 200 300 400 500 Tempo de resfriamento da peça (segundos)

Figura 3.22 – Influência do tempo de resfriamento da peça nas forças de extração (adaptado de Hopkinson, 1999).
Os experimentos realizados por Hopkinson (1999) mostraram que a temperatura do inserto no instante da extração deve ser considerada na determinação do tempo de resfriamento a ser adotado. Os resultados apresentados indicaram que a peça deve ser extraída o mais cedo possível, quando as forças necessárias para a sua extração são menores. Contudo, a temperatura do inserto aumenta lentamente devido à baixa condutividade térmica da resina SL. Assim, abrir o molde prematuramente pode não ser a melhor estratégia uma vez que a resistência mecânica do inserto pode estar reduzida por efeito das altas temperaturas.

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3.5 - Considerações finais Os trabalhos experimentais desenvolvidos por vários pesquisadores

forneceram informações importantes que permitiram um maior discernimento a respeito do uso de insertos SL. Estes estudos revelaram, por exemplo, que a influência de parâmetros de projeto como dimensões das features e ângulo de saída devem ser definidos, considerando aspectos particulares como estilo de construção utilizado e a baixa resistência mecânica das resinas SL. Os esforços atuantes nos insertos SL durante o processo de injeção, aparentemente são diferentes daqueles que agem nos moldes metálicos. Hopkinson (1999) por exemplo, mostrou experimentalmente que os valores de forças de extração atuantes em insertos SL são cerca de 40% maiores do que aqueles que atuam em insertos de alumínio, para as condições utilizadas por este autor. As tensões térmicas por sua vez, não foram consideradas nas análises desenvolvidas pelos pesquisadores citados neste capítulo, apesar das resinas SL apresentarem um coeficiente de expansão térmica cerca de dez vezes superior aos dos aços. Os parâmetros de injeção também devem ser definidos cuidadosamente pois a sua influência na vida útil do inserto é decisiva. De uma forma geral, os valores destas grandezas são significativamente menores para insertos SL comparados àqueles utilizados em moldes metálicos. Um parâmetro mal definido pode provocar a ruptura generalizada do inserto SL nos primeiros ciclos de injeção. A principal discordância observada entre os trabalhos publicados sobre o uso de insertos SL reside na melhor técnica de resfriamento a ser adotada e no momento mais adequado para a extração da peça. Análises experimentais e numéricas mostraram que a fabricação de insertos em forma de casca e o preenchimento posterior da parte traseira com metal, não aumenta significativamente a eficiência térmica do inserto, principalmente durante os primeiros ciclos de injeção. Em relação ao momento da extração, Decelles & Barrit (1996) sugerem um tempo maior de resfriamento da peça enquanto que Hopkinson (1999) sugere que a peça seja extraída o quanto antes, para evitar a falha do inserto por ação das forças de extração. Apesar de Rahmati & Dickens (1997) sugerirem que a falha dos insertos SL ocorre devido à fragilidade do material a elevadas temperaturas, as pesquisas subseqüentes buscaram avaliar os fatores que influenciam nas forças de extração,

os pesquisadores preferiram minimizar os efeitos dos esforços ao invés do efeito da temperatura nas propriedades mecânicas da ferramenta. Em outras palavras.55 visando minimizar os seus efeitos. .

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CAPÍTULO 4

AVALIAÇÃO DO EFEITO DOS CICLOS TÉRMICOS CARACTERÍSTICOS DO PROCESSO DE INJEÇÃO NAS PROPRIEDADES MECÂNICAS DA RESINA VANTICO SL 7560

4.1 - Introdução Com base no que foi descrito nos Capítulos 2 e 3 é possível verificar que as falhas dos insertos SL durante a moldagem por injeção têm ocorrido fundamentalmente em função do comportamento do material e dos esforços atuantes na moldagem e na extração da peça injetada. Em decorrência disto, os pesquisadores têm procurado avaliar isoladamente a influência dos diferentes efeitos, apresentados no diagrama da Figura 4.1, desconsiderando, no entanto, os possíveis efeitos causados pelos ciclos térmicos característicos do processo de injeção nas propriedades mecânicas das resinas SL.
Fadiga mecânica Temperatura constante Comportamento do material Envelhecimento térmico Efeito da temperatura (σrup x temp ) Forças de fechamento Ciclos térmicos

Falhas dos insertos Sl

Forças de extração Esforços atuantes Pressões de injeção e recalque

Tensões térmicas

Figura 4.1 - Principais parâmetros envolvidos no projeto e uso de insertos SL.

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Colton et al. (2001) mostraram que não ocorreu fadiga mecânica nas resinas CibaTool 7510 e DuPont Somos 7110 quando mil ciclos de flexão com um milímetro de amplitude foram aplicados. Portanto, parece ser improvável que este fenômeno ocorra durante o processo de injeção quando o número e a amplitude dos ciclos são expressivamente mais baixos. Além disso, as pesquisas desenvolvidas por estes autores revelaram que o fator de intensidade de tensão KIc e, portanto, a resistência destes materiais à propagação de trincas, foi praticamente inalterada pelo processo de pós-cura. McLaughlin Jr (1996), Colton & Blair (1999) e Salmoria et al. (2002) mostraram que as resinas CibaTool 5170 e DuPont Somos 6110 e 7110 apresentam um aumento nas suas propriedades mecânicas a temperatura ambiente (tensão máxima e módulo de elasticidade) quando submetidos a tratamentos térmicos. Estes resultados sugerem que a exposição destes materiais a elevadas temperaturas não promove um envelhecimento térmico dos mesmos. Entretanto, estes autores não avaliaram os efeitos dos ciclos térmicos nestas propriedades. Os efeitos da temperatura nas propriedades mecânicas das resinas CibaTool SL 5170 e Vantico SL 7560, ilustrados nas Figuras 2.7 e 2.8, foram apresentados por Hague (1997) e Saleh (2002), respectivamente. Os resultados mostraram que ocorre uma diminuição de até 90 % destas grandezas quando estes materiais são aquecidos a 100 0C, tornando o inserto sujeito à falhas devido à ação dos esforços inerentes ao processo de injeção. Alguns autores assumem que a força de extração é a principal causa das falhas dos insertos SL. Contudo, os resultados apresentados por Cedorge et al. (1999) e Hopkinson et al. (1999) revelaram que esta grandeza não aumenta com o número de peças injetadas (Figura 3.10). Outros esforços como as pressões de injeção e recalque e a força de fechamento também não apresentam alterações que justifiquem a falha dos insertos. Assim, pode-se considerar que, se o inserto não quebra no início do processo por efeito destes esforços, é improvável que esta seja a única razão para a sua falha. Durante o processo de injeção a temperatura do inserto é aumentada até que o processo estabilize, quando então o perfil de temperatura do mesmo apresenta-se em regime permanente cíclico. Desta forma, o que ocorre durante o processo de injeção é um aumento das tensões térmicas e uma redução da resistência mecânica

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da resina por efeito do incremento de temperatura. Portanto, é provável que a falha do inserto ocorra devido a uma combinação de esforços atuando neste, quando o material está a uma temperatura mais elevada e conseqüentemente menos resistente. Acredita-se que uma maneira de aumentar a vida útil dos insertos SL é iniciar o ciclo de injeção quando a sua temperatura estiver mais baixa, ou seja, quando o inserto estiver mais resistente aos esforços aos quais estará submetido. Isto pode ser realizado adotando o procedimento de resfriar o inserto entre ciclos de injeção consecutivos, considerando uma temperatura de referência determinada a partir do gráfico da tensão máxima versus temperatura da resina utilizada. Contudo, existem alguns aspectos que devem ser avaliados antes de adotar a estratégia supracitada, a fim de garantir que este procedimento não venha afetar as características do material do inserto. O procedimento de resfriar o inserto entre ciclos de injeções consecutivos altera a amplitude dos ciclos, apesar de diminuir a temperatura máxima atingida pelo inserto. Os experimentos descritos nos capítulos 3 e 4 e desenvolvidos por diversos autores para avaliar os efeitos da temperatura nas propriedades mecânicas da resina, não avaliaram os efeitos dos ciclos de temperatura nestes parâmetros, tampouco o que ocorre com o material quando estes ciclos são alterados. Sendo assim, torna-se necessário desenvolver um experimento para avaliar tal comportamento, antes de se estabelecer uma sistemática para o uso dos insertos SL considerando esta estratégia. 4.2 - Desenvolvimento do experimento 4.2.1 Justificativa e objetivos gerais Ensaios experimentais realizados com resinas utilizadas no processo de estereolitografia mostraram que este tipo de material apresenta uma significativa redução nas suas propriedades mecânicas quando aquecidos (Colton & Bryan, 1999). Experimentos adicionais mostraram que os tratamentos de pós-cura térmica aos quais estes materiais são geralmente submetidos, onde são aquecidos e mantidos a altas temperaturas durante um determinado período de tempo, aumentam os seus valores de tensão máxima e módulo de elasticidade. Estes

59 resultados sugerem que a falha dos insertos SL pode ser causada pelo seu aquecimento durante o processo de injeção. Neste caso. Desta forma. Foi realizado um teste preliminar onde o inserto foi construído e utilizado na fabricação de peças injetadas para avaliar o seu projeto.Materiais e métodos Os efeitos dos ciclos de injeção nas propriedades mecânicas da resina Vantico SL 7560 foram avaliados submetendo corpos de prova de tração à ação da temperatura durante o processo de injeção e posteriormente ao ensaio de tração. Baseados nos resultados supracitados. Desta forma foi projetado um inserto provido de cavidades onde os corpos de prova de tração foram posicionados. e utilizá-lo na fabricação de peças injetadas. Para isso foi necessário projetar um inserto. faz-se necessário avaliar se este tipo de carregamento térmico tende a promover alguma alteração significativa nas propriedades mecânicas da resina. bem como determinar as propriedades mecânicas deste material. utilizando a resina Vantico SL 7560. durante o processo de injeção. com valores máximo e mínimo inferiores àqueles observados durante o processo tradicionalmente utilizado.PROJETO E AVALIAÇÃO DO INSERTO O objetivo desta etapa foi projetar e avaliar o inserto utilizado no processo de moldagem por injeção. o inserto estaria sendo submetido a ciclos de aquecimento e resfriamento subseqüentes durante a sua utilização.2 . . autores sugerem o procedimento de resfriar o inserto entre ciclos de injeção consecutivos de maneira a minimizar os efeitos da temperatura na tensão máxima do material. o experimento foi desenvolvido em quatro etapas que podem ser descritas como segue. o experimento descrito a seguir tem por objetivo avaliar o eventual envelhecimento térmico de resinas SL. ETAPA 1 . Sendo assim. onde os corpos de prova foram posicionados.2. Neste contexto. 4.

Foram adotados diferentes valores de temperaturas de referência e número de peças injetadas. as . ETAPA 4 – ENSAIOS A TRAÇÃO Nesta etapa foi avaliada a variação das propriedades mecânicas do material devido à sua exposição aos ciclos térmicos. para submeter os corpos de prova a varias condições de carregamento térmico. o número de peças injetadas para cada corpo de prova. ETAPA 3 – APLICAÇÃO DOS CICLOS DE INJEÇÃO NOS CORPOS DE PROVA DE TRAÇÃO Nesta etapa os corpos de prova de tração foram submetidos aos ciclos de injeção. por exemplo. Além disso. denominado de temperatura de referência. Assim. Após a fabricação e limpeza. Estes resultados foram considerados padrão de comparação para identificar as eventuais variações das propriedades mecânicas da resina. Os resultados indicaram que o ponto monitorado foi submetido a ciclos de temperatura durante o processo de injeção.60 ETAPA 2 – DETERMINAÇÃO DOS PARÂMETROS DE PROCESSO O objetivo desta etapa foi definir os parâmetros de processo como. As dimensões dos corpos de prova foram definidas segundo a norma BS EN ISO 527-2: 1996. Foi realizado um ensaio de tração em um conjunto de peças submetido apenas a pós-cura em forno Ultra Violeta. durante o qual a temperatura de um determinado ponto do inserto foi monitorada. O inserto foi resfriado entre ciclos de injeção consecutivos até a sua temperatura atingir um determinado valor. 4.2. o inserto foi utilizado no processo de moldagem por injeção.3 – Materiais e equipamentos utilizados Todos os insertos e corpos de prova utilizados foram construídos no equipamento 3D Systems SLA 7000 usando a resina Vantico SL7560. a temperatura máxima atingida pelo ponto variou em função da sua temperatura no início do ciclo de injeção. para ensaios de tração em peças plásticas.

Insertos utilizados no experimento da Etapa 1. foram fixados no inserto móvel para monitorar a temperatura do mesmo durante o processo de moldagem por injeção.ETAPA 1 – DESCRIÇÃO E RESULTADOS Inicialmente foi projetado o inserto ilustrado na Figura 4. Assim. Uma injetora Battenfeld (TM 750/210) foi utilizada para injetar polipropileno fornecido pela Solvay.4 . Para desenvolver os ensaios de tração foi utilizada uma Zwick . Como pode ser visto na figura.2.A1K) conectada a um computador Pentium 266 MHz.Material Test Machine (TC-FR030TH.2 . Este inserto é provido de seis cavidades em forma de réguas e cavidades adicionais no formato do corpo de prova para o ensaio de tração.61 peças foram submetidas à radiação de luz ultravioleta durante 1 hora em um forno apropriado. Termopares tipo K. .2. acoplados a um sistema de aquisição de dados conectado a um computador Pentium 133 MHz. os insertos móvel e fixo permitem que dois conjuntos de seis corpos de prova sejam posicionados. nos quais estes foram posicionados. FIXO MÓVEL cavidades de preenchimento em forma de réguas canal de injeção cavidades para posicionamento dos Figura 4. 4. os conjuntos de corpos de prova foram submetidos a ciclos de temperatura diferentes.

63 mm 8. 8. entre duas cavidades adjacentes. em contato direto com o plástico injetado. a 1 mm de distância da superfície da 30. portanto. Dois termopares foram utilizados para monitorar a temperatura dos corpos de prova durante o processo. Para cada conjunto de corpos de prova. O sexto corpo de prova poderia ser utilizado como sobressalente. obtendo assim suas dimensões finais. Assim. para efeito de controle estatístico.3 mm 30 mm 5 mm 5.Dimensões dos corpos de prova e das cavidades dos corpos de prova.62 O primeiro conjunto de corpos de prova foi posicionado no inserto móvel. uma chave de fenda poderia ser utilizada para auxiliar a retirada dos corpos de prova após o processo de injeção. conforme ilustrado na Figura 4. cinco peças foram usadas no ensaio de tração (dez no total).4 mm dimensões dos corpos de prova dimensões das cavidades dos corpos de prova Figura 4.3 .3). Dois testes preliminares foram realizados alterando as dimensões originais das cavidades dos corpos de prova. O segundo conjunto foi posicionado no inserto fixo sobre a cavidade e. Tais dimensões deveriam permitir a fácil montagem dos corpos de prova.3.5 mm 10 mm 10.35 mm . bem como evitar que estes se deslocassem antes que a quantidade desejada de peças fosse injetada. Um dos termopares foi posicionado em um corpo de prova (termopar 1) e outro no inserto móvel. Para facilitar a desmontagem dos corpos de prova. foram construídos cortes na extremidade do inserto (Figura 4. Uma dificuldade encontrada no início do projeto do molde foi na determinação das dimensões adequadas das cavidades nas quais os corpos de prova seriam posicionados.

Como resultado. Todas as peças foram mantidas em ambiente com temperatura controlada (20 0C) sem exposição à luz de qualquer natureza. . a base de epóxi. além de haver um preenchimento incompleto da cavidade. A fixação foi realizada utilizando cola Araldite. O processo de injeção iniciou-se com valores baixos de velocidade e pressão de injeção e força de fechamento. para minimizar a interferência do material adesivo nos resultados da leitura.Posicionamento dos termopares 1 e 2. Para viabilizar a instalação dos termopares foram projetados canais no molde conforme ilustrado na Figura 4.63 cavidade (termopar 2). até que fossem utilizados no processo de injeção. as peças injetadas apresentaram rebarbas em excesso.4 . Além disso. foi utilizada apenas 1 hora de pós-cura em forno UV. A partir destes resultados iniciais. o suficiente para curar o excesso de resina na superfície dos corpos de prova. Os corpos de prova foram construídos e pós-curados sob as mesmas condições para evitar a influência de outros parâmetros nos resultados. os parâmetros foram alterados. permitindo assim que os valores das propriedades medidas pudessem ser comparados. para que fosse obtida a variação de temperatura referente ao ponto médio da espessura dos corpos de prova.5). Os parâmetros finais estão relacionados na Tabela 4.1. aumentando a força de fechamento e diminuindo a velocidade de injeção até que peças completamente preenchidas e com o mínimo de rebarbas pudessem ser obtidas (ver Figura 4. inserto fixo inserto fixo corpo de prova corpo de prova peça injetada inserto móvel termopar 1 inserto móvel termopar 2 Figura 4.4.

.1 Parâmetro Temperatura de injeção Vazão Tempo de resfriamento da peça Volume de material injetado Pressão de recalque Valores 200 0C 3 cm3/s 50 seg 13. Tabela 4.6 fossem atingidos. conforme visto no gráfico da figura 4. procurou-se determinar.6 cm3 Sem recalque Obtidos os parâmetros de injeção.64 Figura 4.6. os ciclos térmicos que seriam aplicados aos corpos de prova. Peças foram injetadas até que os ciclos de temperaturas ilustrados na Figura 4. foram desconsiderados na análise.5 – Peças injetadas durante a determinação dos parâmetros de injeção. Para isso. o que causou a ruptura dos mesmos. Posteriormente foi verificado que os termopares haviam sido esmagados entre as placas do porta-insertos. os valores de temperaturas abaixo das temperaturas de referência para cada ciclo.1 – Parâmetros de processo utilizados no experimento 1. Assim sendo. alterando o tempo de resfriamento do molde. os valores de temperaturas medidos pelos termopares apresentavam mudanças bruscas durante a abertura e o fechamento do molde. Durante o experimento. foram utilizadas duas temperaturas de referência: 40 0C e 55 0C.

1 0 C e 76. decorrentes da penetração do polipropileno nas cavidades dos corpos de prova. os corpos de prova foram então fixados utilizando parafusos. o que dificultava ainda mais a extração da peça (ver Figura 4. provavelmente como conseqüência das dimensões erradas das cavidades dos corpos de prova (as cavidades dos corpos de prova do inserto fixo estavam maiores que o projeto original). os corpos de prova posicionados sobre as réguas atingiram valores máximos de temperatura acima da temperatura de transição vítrea da resina em ambos os ciclos de temperatura (69. Como pode ser visto nos gráficos da Figura 4.6. Além disso. pouco significativa para promover eventuais alterações nas propriedades mecânicas da resina. Durante o processo de injeção verificou-se que a peça injetada permanecia presa ao molde fixo após a abertura do molde.7 0C para 40 0C e 55 0C de temperaturas de referência respectivamente). Para viabilizar o uso do inserto.6 . o que poderia afetar os resultados dos ensaios de tração. dificultando a sua extração. alguns corpos de prova não permaneciam na posição original quando a peça era extraída. os corpos de prova posicionados entre duas réguas adjacentes apresentaram uma variação de temperatura inferior a 25. Por outro lado. A pressão de fechamento do molde provocou deformações permanentes nos corpos de prova.5 0C.5).Ciclos térmicos para temperaturas de referência de 40 0C e 55 0C lidos pelo termopar 2. Isto ocorreu provavelmente devido à ação da força de fechamento atuando sobre o . Outro problema identificado foi a presença de rebarbas na peça injetada.65 80 Temperatura ( C) 80 Temperatura ( C) 70 60 50 40 30 20 1 104 207 310 413 516 619 722 825 Tempo (segundos) 0 70 60 50 40 30 20 0 1 58 115 172 229 286 343 400 Tempo (segundos) Ciclo térmico 1 (40 0C) Ciclo térmico 2 (55 0C) Figura 4.

após solidificarem-se. Para contornar o problema da extração da peça. Na fase preparatória do uso do inserto verificou-se que os corpos de prova utilizados na Etapa 1 não puderam ser montados nas saliências do novo inserto fixo. Além disso. canais de alimentação Figura 4. conforme ilustrado na Figura 4.7 . Desta forma. Para evitar a deformação dos corpos de prova. Primeiramente foram eliminados os corpos de prova posicionados entre cavidades adjacentes. um novo conjunto de insertos foi construído e utilizado na fabricação de peças plásticas injetadas. Optou-se por adotar o procedimento de permitir o resfriamento do inserto entre ciclos de injeção consecutivos usando temperaturas de referências diferentes.7.Novo leiaute do inserto móvel. Isto sugeriu que houve uma contração do material. acreditava-se que os canais. foi proposta uma alteração do leiaute dos canais de alimentação. poderiam ser avaliadas as eventuais mudanças nas propriedades mecânicas da resina sob várias condições de carregamentos térmicos. para se obter ciclos de temperatura também distintos.66 corpo de prova aquecido a temperaturas próximas à temperatura de transição vítrea da resina. Feitas as alterações supracitadas. para minimizar o efeito das rebarbas e manter a peça presa no inserto móvel após a abertura do molde. a profundidade das cavidades dos corpos de prova foi incrementada de 0.2 mm para diminuir a pressão do molde sobre estes. A partir dos problemas detectados no uso do inserto promoveu-se alterações no seu projeto original. provavelmente devido à pós-cura . seriam responsáveis pelo deslocamento dos corpos de prova durante a extração da peça.

80 70 Temperatura (0C) 60 50 40 30 1 150 299 448 597 746 895 Tempo (segundos) 90 80 Temperatura ( C) 70 60 50 40 30 1 188 375 562 749 936 1123 Tempo (segundos) 0 Ciclo térmico 1 (40 0C) Ciclo térmico 2 (55 0C) Figura 4.8 fossem obtidos. de maneira tal que os fios pudessem transpassar a placa móvel e serem fixados no sistema de aquisição de dados. até que peças com qualidade desejada fossem obtidas.2.Ciclos térmicos para temperaturas de referências de 40 0C e 55 0C. A sua montagem foi realizada de maneira similar àquela adotada na Etapa 1. iniciou-se o processo de injeção. Os parâmetros de injeção foram alterados. uma vez que este procedimento poderia provocar tensões residuais e alterar os valores das grandezas que seriam avaliadas nos ensaios de tração. descartou-se a possibilidade de utilizar parafusos para fixar os corpos de prova no inserto. Como conseqüência. as saliências existentes entre duas réguas adjacentes foram eliminadas no novo projeto. Sendo assim. foi necessário utilizar apenas o termopar posicionado a um milímetro da superfície da cavidade (termopar 2). dos corpos de prova no novo inserto e deste último no porta-moldes. Para evitar a quebra do termopar um furo de 4 mm de diâmetro foi usinado na parte posterior do porta-insertos.5 .8 . porém não foi identificado excesso de rebarbas.67 térmica. A seguir foram realizados ciclos de injeção adicionais seguindo o mesmo procedimento utilizado durante a Etapa 1. Novamente as primeiras peças injetadas apresentaram problemas de preenchimento incompleto.Etapa 2 – Descrição e resultados Após a montagem do sistema de aquisição de dados. Conforme descrito anteriormente. . até que os gráficos ilustrados na Figura 4. 4.

Submeter um conjunto de corpos de prova pós-curado em forno UV ao ensaio de tração. definir as características e o número de ciclos térmicos que serão aplicados. O ciclo térmico 2 pode ser considerado o mais agressivo sob o ponto de vista térmico. 70 60 Temperatura ( C) 0 50 40 30 20 1 184 367 550 733 916 1099 Tempo (segundos) Ciclo térmico 3 (30 0C) Figura 4. A partir dos resultados obtidos. optou-se por adotar o procedimento para aplicação dos ciclos térmicos aos corpos de prova. Adotando o ciclo térmico 2 (temperatura de referência 55 0C). uma vez que submete a resina às temperaturas mais altas durante um tempo maior. portanto. As razões para adotar este procedimento podem ser entendidas mediante a explicação a seguir.68 Pode-se observar que as temperaturas medidas pelo termopar foram superiores aos valores obtidos na Etapa 1. adotar o ciclo térmico 3 pode não ser . aplicar 30 ciclos ao primeiro conjunto de corpos de prova e submeter os corpos de prova ao ensaio de tração. Isto ocorreu devido ao posicionamento do termopar mais próximo da superfície da cavidade no novo inserto. para a obtenção de um novo ciclo térmico no qual a temperatura máxima atingida pelo corpo de prova estivesse abaixo da temperatura de transição vítrea da resina (62 0C) (ver Figura 4. A temperatura máxima para este novo ciclo foi 66 0C e.9 . 2. A partir destes resultados.9). optou-se por avaliar o uso de uma temperatura de referência menor (30 0C). Por outro lado. para avaliar as propriedades mecânicas da resina. 3.Ciclo térmico para uma temperatura de referência de 30 0C. o qual consiste em: 1. Após a análise destes resultados. acima da temperatura de transição vítrea.

estes resultados preliminares indicam que o efeito do procedimento de resfriar o inserto entre dois ciclos de injeção consecutivos. Contudo. a utilização de 100 ciclos.80 2941. apenas reduz o efeito das altas temperaturas nos diagramas supracitados.80 2970.10 3013. O procedimento descrito foi adotado e o resultado está ilustrado nas Tabela 4.2.58 71. submetido à apenas ao tratamento em forno UV. adotando uma temperatura de referência de 55 0 C (envelhecido).44 E (MPa) 3137. novos testes foram realizados visando comprovar esta tendência.60 2876.60 2961. poderia acarretar na falha do inserto.30 2954.33 72.40 2963. Tabela 4. Foi necessário . Contudo.28 σ máx (MPa) 73.30 2975.91 69.69 suficiente para provocar alterações significativas no inserto.7. O mesmo raciocínio poderia ser usado para determinar o número de ciclos a serem aplicados na primeira etapa (por exemplo.62 Pode-se verificar que aparentemente as propriedades mecânicas avaliadas não apresentaram alteração na tendência de aumento verificada quando aplicados pós-tratamentos térmicos.97 E (MPa) 2838. Nesta tabela são apresentados os valores de tensão máxima (σmáx) e do módulo de elasticidade (E) para o conjunto de corpos de prova submetidos ao processo de injeção de 30 peças. Sendo assim.60 3008. Uma descrição mais detalhada do procedimento utilizado durante o ensaio de tração é apresentada na Seção 4.18 72.91 69. além de demorada.00 2974.12 68.2.2 – Resultados do ensaio à tração Corpo de Prova 1 2 3 4 5 Média Conjunto padrão Conjunto envelhecido σmáx (MPa) 70.26 70. conforme descrito no Capítulo 2. bem como do conjunto padrão. Desta forma optou-se por adotar parâmetros intermediários e avaliar os resultados antes de desenvolver novas análises.88 69. Um problema que foi verificado neste experimento diz respeito ao tempo dispensado para aplicar os ciclos térmicos aos corpos de prova. 100 ciclos).67 70.22 69.

Esta planilha possui três campos distintos a saber.70 aumentar o tempo de resfriamento do inserto antes do próximo ciclo ser aplicado. no intervalo de um ciclo. O ciclo térmico com temperatura de referência de 60 0 C seria uma representação grosseira de um processo sem resfriamento do inserto entre os ciclos de injeção.10.2. 60 e 80 peças para cada ciclo considerado. foram organizadas as planilhas de acompanhamento do experimento conforme visto no exemplo da Figura 4. No primeiro campo.Etapa 3 – Descrição e resultados Baseado na experiência obtida durante o desenvolvimento das Etapas 1 e 2. No segundo campo há espaço para observações relevantes durante o processo de injeção. injetando 20. devido à baixa condutividade térmica da resina. à medida que o número de peças injetadas aumentava. foram listados o tempo total para ciclos intermediários com os quais foram traçados os gráficos de tempo de ciclo x número do ciclo. optou-se por avaliar os resultados quando a diferença de temperatura de um mesmo ponto. 40. haja vista o tempo total que seria necessário para desenvolver este experimento. O que ocorre normalmente é um ciclo longo com baixa amplitude térmica para cada ponto do inserto. 4. Finalmente. Sendo assim. 30 0C) para injetar um número grande de peças. 50 0 C e 60 0 C respectivamente. são descritos os dados de referência do experimento em questão. pode ser inviável. A partir dos resultados obtidos. no terceiro e último campo. Isto sugere que. fosse aumentada gradativamente. A escolha destes parâmetros pode ser explicada avaliando-se um ciclo de injeção típico quando insertos de estereolitografia são utilizados. adotar temperaturas de referência muito baixas (por exemplo. . optou-se por adotar os seguintes parâmetros: ciclos térmicos com temperaturas de referência de 40 0 C.6 .

11 5.93 2.Exp2_60_3 B/G Antes L* 5.011 0.028 0.008 0.11 2.25 2.004 0.01 N 1 2 3 4 5 6 Média 0 *Dimensões em mm Figura 4. de acordo com a norma BS EN ISO 527-2: 1996.000 0.27 2.08 Depois δ 0. o desvio padrão das leituras (δ) e a média das medidas.009 0.60 0C . .03 5.04 5.01 T** 2.05 5.62 5.13 2.11 .Tabela de um conjunto de corpos de prova.11). Além dos valores médios das dimensões dos corpos de prova (largura L e espessura T).005 0.60 peças .09 δ 0.07 5.027 0.005 0. foram realizadas 5 leituras em pontos diferentes dos corpos de prova.009 0.07 2.71 Conjunto de corpo de provas: 7 . No exemplo dado.03 T 2.10 5.09 5.08 5.016 0.25 5.62 5. o corpo de prova 3 foi descartado por apresentar a espessura com erro superior a 10%.Vermelho/Azul Data: 19/08/02 Início: 10:56 hs Fim: 18:30 hs Temperatura de Referência: 40 0C Número de peças injetadas: 80 Temperatura máxima: 76 0C Temperatura ambiente: 23 0C Arquivo de dados: Exp2_40_4.Folha de dados para acompanhamento do experimento Os conjuntos de corpos de prova também foram organizados e identificados através de uma combinação de cores. as tabelas contêm ainda informações sobre o experimento ao qual o conjunto em questão foi submetido.000 0.50 5.000 0.026 0.13 2. foram também relacionados (ver Figura 4.09 2.17 2.011 0.021 0.06 δ 0.009 0. Assim.015 0.011 0.011 0.01 L 5. representadas por adesivos posicionados na extremidade de cada corpo de prova. dados como a temperatura de referência do ciclo térmico aplicado e a quantidade de peças injetadas.04 5.023 0.78 Figura 4.07 5.dat Observações Acompanhamento do processo Ciclo 13 27 37 47 57 67 77 Tempo (min) 4.013 0.09 5.75 5. Set 6 .00 1.08 δ 0.10 .02 1.025 0.95 2.70 5.07 5. Para cada dimensão descrita nas tabelas.025 0.

todas as peças foram injetadas considerando os parâmetros de processo listados na Tabela 4.60 4. 6.00 2.72 Durante a realização deste experimento.00 13 27 Tempo (min) 37 47 57 67 77 3.00 5 15 25 36 45 55 65 75 Número do Ciclo (c) 60 0C Figura 4.12).20 2. os canais .40 2.00 5.80 4. No ciclo de 60 0C de temperatura de referência.78 minutos). não foram realizadas alterações destes para ciclos de temperatura diferentes. Pode-se verificar.12 . o ciclo térmico considerando uma temperatura de resfriamento de 40 0C foi aquele no qual foram obtidas as peças com melhor qualidade. obteve-se tempos de aproximadamente 5 minutos e 50 segundos (5. o que inviabiliza a utilização de temperaturas de referência mais baixas ou número de peças injetadas maiores (ver Figura 4. seriam necessárias pouco menos de duas horas para injetar 20 peças adicionais.00 3.Tempos de resfriamento do inserto para temperaturas de referência adotadas.40 4.80 2. Para evitar a influência de parâmetros de processo nas avaliações.40 2.20 4. Assim. o que é importante sob o ponto de vista do planejamento do processo. por exemplo. que para uma temperatura de referência de 40 0C.60 Tempo (min) 5.00 Número do Ciclo 5 15 25 36 45 55 65 75 Número do Ciclo (a) 40 0C 3. Neste caso. Em outras palavras.20 2.1.60 2.80 (b) 50 0C Tempo (min) 2. confirmou-se a expectativa de ciclos de injeção com tempos longos. No entanto. por exemplo. verificou-se também que existe uma convergência do tempo de ciclo para cada temperatura de referência considerada.

. apenas no início de cada etapa.73 de injeção quebravam pois não havia tempo de resfriamento suficiente para estes se solidificarem por completo. pois como foi dito anteriormente. A Figura 4.13 . este problema ocorreu para todos os ciclos térmicos. 50 0C e 60 0C. o tempo total para cada ciclo aumentada gradativamente. Contudo. haja vista que o problema de extração das peças persistiu e não havia tempo suficiente entre os ciclos para extrair a peça manualmente. para todos os ciclos térmicos. provavelmente devido ao efeito das tensões térmicas. Porém. As temperaturas máximas medidas pelo termopar durante o processo de injeção foram 76 0C. as seis cavidades foram completamente preenchidas. para as temperaturas de referência de 40 0C.13 ilustra os ciclos térmicos para as três temperaturas de referência adotadas. respectivamente. 90 80 Temperatura (0C) 70 60 50 40 30 1 162 323 484 645 806 967 Tempo (segundos) 40 0C 50 0C 60 0C Figura 4. 82 0C e 88 0C. O ciclo de 60 0C de temperatura de referência foi aquele mais difícil de ser aplicado. Foi observada uma ruptura parcial do inserto quando foram injetadas 60 peças considerando 60 0 C como temperatura de referência. O inserto apresentou uma nova ruptura localizada quando foram injetadas 80 peças considerando esta mesma temperatura de referência.Ciclos térmicos para as temperaturas de referência adotadas.

14 .Material Test Machine (TCFR030TH.7 . Figura 4. foram necessários submeter cinco peças para cada medida de propriedades mecânicas avaliadas. Todos os ensaios foram realizados no mesmo dia. De acordo com a norma BS EN ISO 527-2: 1996 para ensaios de tração em peças plásticas. adotando o seguinte procedimento (Figura 4.15.Etapa 4 .2.74 4. para efeito de controle estatístico.A1K). conforme ilustrado na Figura 4.16) para cada conjunto de corpo de prova: . O programa computacional testXpert foi utilizado para fornecer os dados de entrada e para a visualização dos resultados.Programa computacional utilizado durante os ensaios a tração.Descrição e resultados Após a utilização durante o processo de injeção os corpos de prova foram submetidos ao ensaio à tração utilizando a Zwick .

16 – c) e o ensaio prosseguiu até que o equipamento indicasse quando o extensômetro deveria ser a retirado. 2. O extensômetro foi então destacado e o ensaio prosseguiu ate a ruptura da peça (Figura 4. A largura e a espessura dos corpos de prova de um determinado conjunto.16 – a).16 – d). 3. Para cada medida foram realizadas três leituras.15 . 1. O procedimento foi repetido para cada corpo de prova do conjunto considerado e os valores médios das propriedades mecânicas avaliadas foram calculados. O extensômetro por sua vez foi fixado no corpo de prova (Figura 4. foram medidas utilizando um paquímetro digital conectado ao computador (Figura 4.Ensaio de tração dos corpos de prova.16 – b).75 (a) (b) (c) (d) Figura 4. 4. quando então o programa fornece os valores medidos das propriedades mecânicas do material. Iniciou-se então a tração do corpo de prova até que o equipamento indicasse o momento adequado para posicionar o extensômetro ( Figura 4. conforme descrito anteriormente. definidos pela combinação de cores. O primeiro corpo de prova foi posicionado na máquina de ensaio a tração. o valor do módulo de elasticidade do material medido foi fornecido pelo programa. . Neste instante.

17 apresentam os valores da tensão máxima para cada temperatura de referência adotada.76 Os gráficos da Figura 4. A tensão máxima obtida para o conjunto de corpos de prova padrão (70. Na Figura 4.5 MPa). . obtidos no ensaio dos corpos de prova do conjunto em questão. médio e mínimo desta grandeza.16 . Para todo valor de número de ciclos aplicados são indicados no gráfico os valores máximo.Resultados de tensão máxima para as temperaturas de referência adotadas. está representada pela linha pontilhada. Os valores das propriedades mecânicas. obtidos para cada corpo de prova avaliado. estão listados no Apêndice A 76 74 72 70 68 66 64 62 0 20 40 60 80 100 76 74 σ (MPa) σ (MPa) 72 70 68 66 64 62 0 20 40 60 80 100 Número de ciclos Número de ciclos (a) 40 0C 76 74 72 70 68 66 64 62 0 20 40 60 80 100 (b) 50 0C σ (MPa) Número de ciclos (c) 60 0C Figura 4. Este valor foi usado como referência para avaliar as eventuais mudanças nas propriedades mecânicas da resina.18 são mostrados os valores médios para cada conjunto de corpos de prova em função da temperatura de referência adotada.

20 mostram os resultados obtidos para o módulo de elasticidade em função do número de ciclos de injeção aplicados para cada uma das temperaturas de referência adotadas. 71.17 . A diferença entre o menor valor médio obtido (68.Valores médios da tensão máxima em função da temperatura de referência adotada. indicado pela linha pontilhada.00 70. . o efeito foi mínimo. Um aspecto importante verificado nos gráficos das Figuras 4. Em outras palavras.17 e 4. mas que a continuidade do processo ou o uso de temperaturas de referência superiores provavelmente não irão afetar significativamente os resultados obtidos.00 67.18 é que as alterações nas propriedades mecânicas da resina aparentemente não apresentam uma tendência em função da temperatura ou do número de ciclos aplicados. O valor de referência. no entanto.19 e 4.00 σ (MPa) 69.3 MPa) e o valor médio foi de aproximadamente 3%.00 68.00 40 50 Temperatura ( C) 0 80 peças 60 peças 40 peças 20 peças 60 Figura 4. Acredita-se que esta diferença tenha sido proveniente dos erros do sistema de medição da grandeza avaliada. Estes resultados sugerem que a tensão máxima da resina pode apresentar uma pequena redução decorrente do processo de injeção. Os gráficos da Figura 4. não é possível afirmar que o valor da tensão máxima aumenta ou diminui quando ciclos térmicos adicionais são aplicados ou a temperatura de referência é aumentada.77 Os resultados indicam que a tensão máxima da resina apresentou uma redução após ter sido submetida aos ciclos de injeção. foi de 2887 MPa.

Resultados módulo de elasticidade para as temperaturas de referência adotadas. A maior redução observada foi de 8%. Os resultados encontrados para o módulo de elasticidade revelaram um comportamento similar àquele observado para a tensão máxima. . sem indicar uma tendência dos valores em função da temperatura de referência ou do número de ciclos aplicados. portanto maior do que a da tensão máxima em termos percentuais.78 3200 3000 E (MPa) 3200 3000 E (MPa) 2800 2600 2400 2200 0 20 40 60 80 100 Número de ciclos 2800 2600 2400 2200 0 20 40 60 80 100 Número de ciclos (a) 40 0C 3200 3000 E (MPa) 2800 2600 2400 2200 0 20 40 60 80 100 Número de ciclos (b) 50 0C (c) 60 0C Figura 4. A resina Vantico SL7560 apresentou uma pequena redução nos valores desta grandeza quando submetida aos ciclos de injeção.18 .

Os resultados mostraram que as alterações apresentadas pela tensão máxima e pelo módulo de elasticidade do material foram mínimas e. aumentando gradativamente a temperatura de referência e o número de peças injetadas.00 2650.00 40 50 0 Tempertura ( C) 60 20 peças 40 peças 60 peças 80 peças Figura 4. os . insuficientes para provocar a ruptura do inserto.00 E (MPa) 2700.79 2800. poderiam causar a falha do inserto.Valores médios do módulo de elasticidade em função da temperatura de referência adotada. As eventuais mudanças ocorridas nas propriedades mecânicas da resina foram avaliadas.1.00 2600.2.19 . do que devido a efeito deste carregamento ao longo do tempo.00 2750. devido aos ciclos de injeção longos e principalmente devido à sua vida útil limitada. Conseqüentemente. Este tipo de ferramenta é geralmente usada para a obtenção de pequenos lotes de peças de plástico injetadas. portanto. Os resultados obtidos neste experimento sugerem que a falha dos insertos é mais suscetível de ocorrer devido à diminuição da resistência do material por efeito das altas temperaturas de injeção. O experimento foi desenvolvido para avaliar se as mudanças que ocorrem nas propriedades mecânicas da resina.3 Considerações finais A escolha dos parâmetros de injeção adotados neste experimento foi baseada nas condições típicas de processamento quando insertos SL são utilizados. Outro aspecto importante é o indicativo de que o processo de injeção promove menos alterações nas propriedades mecânicas da resina do que os tratamentos de pós-cura normalmente utilizados. 4. durante o processo de injeção. conforme abordado na Seção 3.

Além disso. provavelmente as leituras de temperatura não serão corretas e irão comprometer o processo de resfriamento do inserto. tais como o uso de ventiladores. Estes problemas podem ser contornados através de uma análise utilizando ferramentas CAE. Técnicas.8 e 3. com a qual podem ser determinadas as regiões de maior concentração de calor e sujeitas à ruptura.80 insertos fabricados com a resina Vantico SL 7560 provavelmente terão uma vida útil maior se os efeitos da temperatura ilustrados pelos gráficos das Figuras 3. bem como o tempo necessário para resfriá-las adequadamente. . diminuindo o tempo de ciclo. permitindo que o inserto seja resfriado entre ciclos de injeção consecutivos.9 forem minimizados. Se o termopar não estiver em contato direto com as paredes do inserto. não é tarefa trivial determinar qual o ponto do inserto que deverá ter a sua temperatura monitorada durante o processo de injeção. pode auxiliar a retirada de calor do inserto. O uso de termopares para controlar a temperatura do inserto durante o resfriamento pode ocasionar problemas durante a fase de preparação do mesmo.

de acordo com a Figura 5. Para tal.Planejamento do processo de injeção em insertos SL . para garantir que a sua temperatura esteja suficientemente baixa quando este estiver submetido aos esforços inerentes ao processo. Material Processo de moldagem por injeção Peças plásticas injetadas Insertos de estereolitografia Planejamento do processo de injeção Parâmetros de injeção Tempo de resfriamento do inserto entre ciclos consecutivos Figura 5. No entanto. o processo de resfriamento do inserto durante o processo de injeção deve ser planejado criteriosamente. o risco de falha dos insertos SL durante o seu uso pode ser minimizado resfriando-o entre ciclos de injeção consecutivos.Introdução Conforme comentado no Capítulo 4.1.1 .81 CAPÍTULO 5 SISTEMÁTICA PARA O PLANEJAMENTO DO PROCESSO DE INJEÇÃO EM INSERTOS SL EMPREGANDO SISTEMAS CAE 5. os efeitos da temperatura nas propriedades mecânicas do material do inserto devem ser considerandos.1 .

conforme ilustrado na Figura 4.12. baseado apenas em experiência prévia.82 Neste capítulo é apresentada uma proposta de sistemática para o planejamento do processo de moldagem por injeção em insertos SL. bem como o tempo necessário para resfriá-lo até que a sua temperatura atinja um valor adequado. O tempo necessário para resfriar o inserto até que um ponto atinja uma determinada temperatura apresenta comportamento similar. O primeiro deve ser estabelecido considerando o gráfico da tensão máxima em função da temperatura do material do inserto e o tempo necessário para resfriá-lo. Porém. bem como o tempo necessário para resfriá-lo até a temperatura de referência (Tref) . Os pontos a serem monitorados devem ser escolhidos avaliando as regiões de maior concentração de calor e mais solicitadas do inserto. pode-se determinar aproximadamente a temperatura máxima atingida pelo ponto monitorado. Uma análise térmica do inserto através de métodos numéricos computacionais pode fornecer informações valiosas para esta tomada de decisão. uma vez que este parâmetro é fortemente dependente da geometria da peça. Assim sendo. 5.2. Durante o desenvolvimento do experimento descrito no Capítulo 4. não é tarefa fácil de ser realizada. identificar tais regiões. Através do uso desta técnica. caso sejam adotadas temperaturas de referência muito baixas. Tal sistemática é fundamentada no emprego de ferramentas CAE para determinar a variação de temperatura do inserto durante o processo de injeção. observouse que a temperatura do inserto varia ao longo do processo de injeção até atingir um estado permanente cíclico. baseada no procedimento de resfriar o inserto entre ciclos de injeção consecutivos. haja visto que tal procedimento torna o processo de injeção longo. a sistemática proposta que será apresentada a seguir é fundamentada no uso de programas computacionais baseados no Método dos Elementos Finitos para avaliar a variação da temperatura dos insertos durante o processo de injeção.Descrição da Sistemática Existem dois aspectos do procedimento de resfriar os insertos SL entre ciclos de injeção consecutivos que são determinantes para o sucesso do processo: a temperatura de referência a ser adotada e a região cuja temperatura deve ser monitorada.

Perfil de temperatura do inserto. . Organização dos resultados (6) . .Tempo de resfriamento da peça determinado numericamente. pode ser descrito como segue: Dados de Entrada . . . .Tempo de injeção. 2. . sistematizado na Figura 5. . Parâmetros como o ângulo de saída. Tempo de resfriamento adequado (4) sim não Alterar T ref (5) .Pressão/velocidade de injeção.2 . A seguir deve ser realizada uma simulação do processo de injeção para determinar a temperatura de injeção e o tempo de resfriamento da peça.Temperatura de referência Análise reológica do processo de injeção (2) sim . .Material injetado.Dimensões do porta-insertos. .Temperatura máxima do inserto.Modelo 3D do inserto. . Figura 5. .Tempo de injeção. .Temperatura de injeção.Tempo de resfriamento do inserto. . .2.Modelo geométrico da peça.Tempo de resfriamento da peça.Valores dos ângulos de saída Dados de Saída Elaboração do leiaute do inserto (1) . . Análise térmica transiente (3) .Modelo geométrico do inserto. as dimensões das features e principalmente a linha de partição do inserto. Este procedimento.Temperatura do inserto. devem ser cuidadosamente definidos em acordo com as observações apresentadas no Capítulo 3.83 escolhida.Temperatura de injeção .Planilha com os parâmetros de injeção. . Inicialmente o leiaute do inserto deve ser elaborado considerando as características peculiares dos insertos SL.Resultados das análises. .Materiais do inserto e da peça.Sistematização do planejamento do processo de injeção em insertos SL 1.Modelo 3D do inserto.Tempo de resfriamento da peça.Características da injetora .

Caso o tempo requerido no processo de resfriamento do inserto seja muito grande. caso a nova temperatura de referência seja muito maior do que aquela adotada na primeira análise. c) A baixa resistência da ferramenta. A razão para esta avaliação é que um aumento da temperatura de referência pode alterar significativamente o tempo necessário para resfriar a peça. análises térmicas transientes devem ser desenvolvidas para avaliar se é necessário um tempo muito grande para resfriar o inserto entre os ciclos de injeção consecutivos. 5. temperatura de injeção e as propriedades dos materiais do inserto e do material injetado. avaliando o gráfico da tensão máxima em função da temperatura do material do inserto. Neste caso. o perfil de temperatura da peça pode ser avaliado para determinar a região cuja temperatura será monitorada. o que requer o uso de parâmetros de injeção menos agressivos (menores forças de fechamento e pressão de injeção). Além disso. Com os dados de tempo de resfriamento. para a temperatura de referência inicialmente adotada. b) A temperatura do inserto SL é normalmente mais alta do que nos insertos metálicos. 4. Como se tratam de insertos SL. deve ser considerada a hipótese de realizar uma nova simulação do processo de injeção.84 Estes dados são necessários para desenvolver as análises subseqüentes. tais como: a) A baixa condutividade térmica do material do inserto promove um resfriamento lento da peça e portanto as propriedades térmicas do inserto devem ser consideradas na análise. . 3. alguns aspectos devem ser considerados durante esta análise. Uma análise térmica transiente adicional deve ser realizada para avaliar se a alteração da temperatura de referência não comprometeu o critério de resistência mecânica da ferramenta e para determinar o tempo necessário para resfriar o inserto sob esta nova condição. a temperatura de referência pode ser aumentada.

com a descrição de cada etapa envolvida.85 A seguir serão descritas com maiores detalhes a simulação do processo de injeção e a análise térmica transiente. Para a sistemática proposta. diminuindo assim o tempo de preparação da máquina e a margem de erro do operador. o tempo necessário para resfriar a peça injetada antes da abertura do inserto. envolvidas na sistemática proposta. bem como o tempo de injeção. A seguir será apresentada uma sugestão para proceder está verificação utilizando o programa MoldFlow®. 5. a simulação do processo de injeção permite determinar.1 . conforme ilustrado na Figura 5. os resultados encontrados poderão ser utilizados como ponto de partida para determinar os parâmetros ótimos de injeção ou para sugerir alterações no projeto da peça ou do inserto.3. . quando for necessário.2. Através desta análise preliminar.Descrição das simulações do processo de injeção utilizando sistemas CAE A utilização de um programa computacional apropriado para simular numericamente o processo de injeção é útil para obter uma avaliação inicial dos seus resultados. os valores dos parâmetros do processo que serão utilizados na prática podem ser estabelecidos de maneira aproximada. aproximadamente. Em outras palavras.

. . . .Modelo 3D do canal de alimentação . descontinuidades geométricas. sim features mal formadas. . .Temperatura do inserto. Análise dos resultados (10) Figura 5.Identificação de problemas como vazios.Tempo de resfriamento da peça.Material injetado. Há problemas no modelo 3D (3) não Há problemas na malha (4) não sim Corrigir os problemas detectados (5) .Tempo de resfriamento da peça.Perfil de temperatura do inserto.86 Dados de Entrada . . .Modelo 3D do inserto.Temperatura do inserto.Modelo geométrico do inserto.Temperatura de injeção Análise de preenchimento.Modelo geométrico do inserto.Temperatura do inserto.3 .Material injetado. .Valores dos ângulos de saída .Material injetado.Modelo 3D do canal de refrigeração .Dimensões do porta-inertos.Dimensões do porta-insertos. . .Tempo de injeção.Posição do ponto de injeção. .Modelo 3D do sistema de refrigeraçã . . . Dados de Saída Modelamento geométrico 3D (1) .Simulação do processo de injeção em insertos SL utilizando ferramentas CAE .Pressão/velocidade de injeção.Tempo de injeção.Temperatura de injeção. . recalque e resfriamento (9) . .Pontos de monitoramento.Dimensões da bucha de injeção. . .Parâmetros de injeção (preliminares) Modelamento do canal de refrigeração (8) . Dimensões do inserto Modelamento do sistema de canais de alimentação (6) Análise preliminar do preenchimento da cavidade (7) . etc.Modelo 3D do canal de alimentação . .Pressão/velocidade de injeção.Modelo geométrico da peça.Modelo geométrico do inserto. .Planilha com parâmetros de injeção. Análise preliminar da geometria (malha grosseira) (2) .Modelo 3D do sistema do (s) canal de injeção . .

o formato de arquivo STL é utilizado e portanto alguns problemas podem ser eliminados alterando as opções de geração deste arquivo. devem ser identificados nesta etapa. é necessário realizar uma análise simultânea de . (8) A análise preliminar não considera a influência das propriedades térmicas do material do inserto (calor específico.87 (1) Modelagem geométrica do inserto em um Sistema CAD 3D. nós desconectados ou elementos com razão de aspecto muito elevada. é necessário corrigir tais defeitos no modelador CAD. é comum ocorrerem problemas durante a transferência do arquivo gráfico. como Menges. Problemas como interseção ou sobreposição de elementos. (1993) e Pötsch & Michaeli (1995). (4) Outra avaliação que deve ser realizada é a verificação detalhada da malha de elementos finitos gerada. para o projeto de moldes metálicos. as condições de contorno do problema tais como a temperatura de injeção. Assim. a temperatura do inserto e o tipo de material injetado devem ser fornecidos e uma análise preliminar do preenchimento da cavidade deve ser realizada. sem comprometer as recomendações usuais sugeridas por vários autores. (6) Os canais de alimentação são geralmente modelados no CAE. Para isso. Nesta fase a localização do(s) ponto(s) de injeção deve ser determinada considerando aspectos particulares do insertos SL. (7) O passo seguinte consiste em avaliar a malha gerada. (3) Caso sejam identificados problemas no modelo 3D. (2) Como normalmente o programa utilizado para modelar a geometria do inserto é diferente daquele utilizado para desenvolver a análise. Assim sendo. é necessário gerar uma malha de elementos finitos grosseira para identificar eventuais descontinuidades ou distorções. vazios. No caso do MoldFlow®. (5) No caso de problemas na malha de elementos finitos. condutividade térmica e densidade) nos resultados. aumentando assim o refinamento da malha triangular. como a dimensão dos triângulos. os comandos de edição do programa podem ser utilizados para corrigir tais defeitos ou promover um refino localizado da malha.

O valor recomendado para o número de Reynolds durante esta análise é 1000.   (5. TE a temperatura de desmoldagem. caso o projetista não disponha de um programa para simulação do processo de injeção. Pode-se considerar. No caso de insertos providos de canais de cobre. s a maior espessura da peça. o tempo necessário para o completo resfriamento da peça. uma nova análise é efetuada. TW a temperatura do molde nas paredes da cavidade. aplicando condições no fluido refrigerante de maneira tal que a troca de calor entre este e o inserto seja minimizada. a análise pode ser desenvolvida modelando os canais e considerando as características deste sistema de refrigeração.1993)  8 T −T s2 tc = ln  2 M W 2  π T −T aπ E W   . considerando as fases de preenchimento.88 preenchimento e resfriamento do inserto para que tais efeitos sejam considerados. Contudo o programa não permite a análise de resfriamento sem que sejam modelados os canais de resfriamento. pode ser utilizado nas análises transientes térmicas subseqüentes. para o caso de moldes metálicos. . Adicionalmente. (9) Aplicadas as condições de contorno necessárias.1) onde tc representa o tempo de resfriamento. determinado na análise. recalque (quando for o caso) e resfriamento. (10) A última etapa consiste no tratamento e análise dos resultados. por exemplo. pode-se avaliar o perfil de temperatura da peça ao longo do processo para determinar a região onde a temperatura do inserto deve ser monitorada durante o processo de injeção. O tempo de resfriamento da peça pode ser estimado analiticamente. que o tempo de resfriamento é aproximadamente dado pela equação (Menges. O procedimento adotado aqui consiste em modelar um canal de resfriamento “ineficiente”. TM a temperatura de amolecimento do material injetado. Caso os valores fornecidos pelo programa sejam coerentes.

recomenda-se. obtidos através de uma análise térmica transiente. dada por k .1 não considera as propriedades do material do inserto na estimativa do tempo de resfriamento. está ilustrado em Figura 5. . Desta forma.2) onde k representa a condutividade térmica do material injetado. As etapas do processo iterativo são descritas a seguir. O objetivo das avaliações é determinar numericamente a variação de temperatura de um determinado ponto do inserto até que o regime permanente cíclico seja atingido. adotar um valor acima daquele determinado através desta fórmula. ρ Cp a= (5. 5. ρ a sua densidade e Cp seu o calor específico Pode-se observar que a Equação 5.2. Outra maneira de estimar o tempo de resfriamento da peça consiste em avaliar os resultados de temperatura da peça.2 . quando for o caso.Descrição das análises térmicas transientes utilizando sistemas CAE O procedimento proposto para ser utilizado para desenvolver as análises térmicas nos insertos SL utilizando sistemas CAE.4.89 e “a” a difusividade térmica do material injetado.

Dimensões do porta-insertos. Modelamento geométrico 3D (1) . . A temperatura de injeção é aplicada nos nós da malha de elementos finitos . (2) Na primeira etapa do processo iterativo é desenvolvida uma análise térmica transiente para determinar o gradiente térmico do molde durante a injeção da peça. (2) .Material do inserto. .Modelo discreto utilizado na análise (2).Temperatura do inserto no final do processo de resfriamento.Posição do(s) ponto(s) monitorado(s). . .Tempo necessário para resfriar o inserto. caso seja o primeiro ciclo de injeção.Tempo necessário para resfriar o inserto.Modelo geométrico do inserto.Tempo de resfriamento da peça. Simulação térmica do .Posição do(s) ponto(s) monitorado(s). . sim A variação de Tmax foi significativa (5) .Temperatura inicial do inserto.Temperatura do inserto. processo de injeção da peça . (4) . Tmáx > Tref (3) não Injetar uma nova peça sim . .Temperatura do inserto no final do processo de resfriamento. .Modelo 3D do inserto. não Regime permanente cíclico foi atingido (6) .4 – Etapas da análise térmica dos insertos SL utilizando Sistemas CAE. . Figura 5.Material injetado.Modelo geométrico da peça. considera-se a temperatura inicial do inserto igual à temperatura do inserto no final da análise precedente ou a uma temperatura ambiente.Temperatura máxima do(s) ponto(s) monitorado(s). Para tal. (1) Modelagem geométrica do inserto em um Sistema CAD 3D. . .90 Dados de Entrada Dados de Saída .Valores dos ângulos de saída.Temperaturas determinadas na análise Análise de resfriamento do inserto (2).

(5) Caso a temperatura máxima dos nós monitorados ultrapassarem o valor Tref é necessário verificar se o regime permanente cíclico foi atingido. considerando o procedimento de resfriar o inserto entre ciclos consecutivos. nova peça deverá ser injetada. a temperatura máxima no ponto monitorado será conhecida. 5. antes da injeção da próxima peça. Caso a diferença entre estes valores seja muito pequena. O perfil de temperatura obtido na primeira análise também pode ser utilizado como critério para escolher a região cuja temperatura será monitorada. etapa realizada após a simulação do resfriamento da peça deve ser desenvolvida considerando os efeitos de convecção. (6) Após o inserto atingir o regime permanente cíclico. O tempo de resfriamento a ser adotado durante o processo de injeção será aquele necessário para resfriar o inserto no passo anterior. Isto pode ser realizado comparando os valores das temperaturas máximas atingidas pelo ponto nos dois últimos ciclos. representando assim a iteração insertos-ar. (3) Após a primeira etapa é necessário verificar se a temperatura máxima dos nós monitorados é maior do que a temperatura de referência Tref. a análise está concluída. (4) A simulação do processo de resfriamento do inserto. O objetivo deste . Caso estes valores sejam mais baixos do que a temperatura de referência.91 que representam a peça injetada e o gradiente térmico é avaliado para um determinado tempo de resfriamento da peça. A temperatura de referência é aquela temperatura escolhida de forma tal que esta seja a temperatura máxima da região monitorada do inserto. Tal proposta baseia-se no emprego de ferramentas CAE para avaliar termicamente o inserto.Considerações Finais Neste capítulo foi apresentada uma proposta de sistematização do planejamento do processo de injeção em insertos SL.3 .

observado durante o processo de injeção. o que comprometerá as análises transientes térmicas subseqüentes. . A estimativa do tempo de resfriamento através da Simulação do processo de injeção pode acarretar em valores muito grandes desta grandeza.92 planejamento é obter um número maior de peças injetadas. portanto. o uso desta técnica para simular o processo de injeção em insertos SL deve ser cuidadosamente avaliado. aquela que considera a temperatura do molde constante ao longo do processo. diminuindo o risco de falha da ferramenta decorrente da redução das suas propriedades mecânicas. sem a necessidade de uso de termopares. Além disso. Os programas comerciais utilizados para simular numericamente o processo de injeção foram desenvolvidos adotando simplificações nas formulações como. adotando o procedimento de resfriar os insertos entre os ciclos de injeção consecutivos. por efeito do seu aquecimento. Com base nestas informações. O emprego de ferramentas CAE para desenvolver análises transientes térmicas no inserto permite observar prematuramente o perfil de temperatura deste. pode-se determinar regiões dos insertos suscetíveis à falhas e estimar o tempo necessário para que a nova peça possa ser injetada com segurança. o projetista pode avaliar o quanto a ferramenta está suscetível a falhas decorrentes dos efeitos térmicos nas propriedades mecânicas do material do inserto e planejar o seu uso com maior segurança. Tais simplificações podem comprometer os resultados obtidos e. por exemplo. durante o processo de injeção.

Justificativas e objetivos gerais Antes de utilizar um modelo numérico na análise térmica de insertos SL é necessário validar tal modelo através da comparação dos resultados obtidos na análise numérica de uma determinada geometria.1 . com aqueles obtidos em ensaios experimentais. 6.1 . os estudos de casos apresentados a seguir foram desenvolvidos com o objetivo de determinar e validar modelos numéricos utilizados para desenvolver a simulação do processo de injeção e avaliar termicamente os . Com base no exposto. alterando os parâmetros de injeção de maneira a obter condições igualmente distintas. Dois insertos foram utilizados para obter pequenos lotes de peças plásticas injetadas.93 CAPÍTULO 6 ESTUDO DE CASOS 6. Desta forma.Introdução A aplicação da sistemática descrita no Capítulo 5 requer o desenvolvimento de um modelo numérico necessário para efetuar as análises térmicas e simular o processo de moldagem por injeção.Estudo de casos 6. Neste capítulo são apresentadas tais avaliações através da descrição detalhada das análises experimentais e numéricas desenvolvidas para cada caso estudado. o que permitiu observar o uso do referido procedimento para várias condições de processo. Sendo assim. pode-se avaliar adequadamente as condições de contorno do problema e generalizar o uso do modelo proposto para a análise de geometrias mais complexas. para validar ou alterar um modelo numérico proposto. Para obter tais modelos foram desenvolvidos estudos de casos que envolveram análises numéricas e experimentais.2. faz-se necessário um estudo prévio da variação da temperatura de um inserto através de ensaios experimentais.2 .

2.2. Para cada avaliação. O seguinte procedimento foi adotado para cada estudo de caso desenvolvido.1 .1 e 5. 6. alterando a temperatura de referência adotada para obter várias condições de processo. a variação da temperatura de um determinado ponto do inserto durante o processo de injeção foi monitorada.2. A avaliação foi realizada comparando os resultados experimentais com aqueles determinados numericamente.2. seguindo o procedimento descrito nas Seções 5. As temperaturas de referência foram definidas considerando a temperatura máxima atingida pelo inserto durante um ciclo e o tempo necessário para resfriá-lo.2 .2 .Definição das temperaturas de referência a serem adotadas Após o seu projeto. o inserto foi utilizado obter peças injetadas e parâmetros de injeção foram determinados. conectado ao sistema de aquisição de dados. adotando como condições de contorno. as mesmas condições observadas durante os experimentos.Materiais e métodos Para atingir os objetivos expostos foram utilizados dois insertos SL durante o processo de moldagem por injeção. 6.2. Através destes modelos numéricos pode-se viabilizar a aplicação da sistemática proposta no Capítulo 5 e utilizada para planejar o processo de injeção em insertos fabricados pelo processo de estereolitografia.2. onde foi considerada a posição dos termopares.Projeto do Molde Inicialmente foi definida a geometria dos insertos que foram utilizados no processo de moldagem por injeção. 6. Em seguida. Utilizou-se como critério. .2. o inserto foi construído na máquina de estereolitografia. Posteriormente foram desenvolvidas análises numéricas. adotando o procedimento de resfriar os insertos entre ciclos de injeção consecutivos. por apresentar uma distribuição de temperatura uniforme. além de facilitar a geração da malha de elementos finitos.94 insertos SL. Os termopares foram posicionados no inserto e este último montado no porta-insertos.2. a escolha de pelo menos uma geometria simétrica.

as mesmas condições observadas durante o experimento. Termopares tipo K. Para desenvolver as simulações numéricas. para monitorar a temperatura dos mesmos durante o processo de moldagem por injeção. Uma injetora Battenfeld (TM 750/210) foi utilizada para injetar polipropileno fornecido pela Solvay.2. 6. Todos os insertos utilizados nos experimentos foram construídos no equipamento 3D Systems SLA 7000 usando a resina Vantico SL7560. necessários para desenvolver as análises numéricas. aproximadamente. foi conectado a um computador. por sua vez. O inserto foi então resfriado completamente antes de ser utilizado para injetar novas peças.3 .Análises numéricas As análises numéricas foram desenvolvidas após o processo de moldagem por injeção para representar. Para cada inserto uma malha de elementos finitos foi gerada com um nó na região onde a temperatura foi monitorada para possibilitar a comparação entre os resultados numéricos e experimentais.6 (Ansys Inc. USA).2. foram registradas durante os experimentos. Informações tais como a temperatura inicial dos insertos.95 6.4 . a temperatura ambiente e os parâmetros de injeção.Processo de moldagem por Injeção Após a definição das temperaturas de referência.2. Após a fabricação e limpeza as peças foram submetidas à radiação de luz ultravioleta durante 1 hora em um forno apropriado. . peças foram injetadas até que a temperatura máxima medida pelo termopar apresentou uma variação pequena entre ciclos de injeção consecutivos. foram fixados nos insertos móveis. acoplados a um sistema de aquisição de dados que. foi utilizado o programa comercial Ansys 5.2. Todas as análises foram desenvolvidas utilizando um computador Athlon XP 1600 MHz com 256 MHz de memória RAM. Este foi o critério adotado para considerar que o inserto atingiu o regime permanente cíclico.

1 . Inicialmente. por se tratar de uma geometria axisimétrica. trata-se da geometria utilizada por Hopkinson (1999) no seu trabalho de doutoramento.3 .Descrição e resultados A geometria definida para ser utilizada no Estudo de Caso 1 está ilustrada na Figura 6. local onde foram realizados os experimentos.1. Assim.96 6. Finalmente. Além disso.Porta-insertos utilizado no Estudo de Caso 1 . uma vez que o tempo de extração seria reduzido.Inserto utilizado no Estudo de Caso 1 Como pode ser visto na Figura 6.2 .Estudo de caso 1 . pinos extratores Figura 6.2. foram utilizados três pinos extratores posicionados na parte inferior da peça. portanto o projeto estava concluído e o porta-insertos disponível na Universidade de Loughborough (UK). havia um menor risco de falha do inserto. MÓVEL FIXO Figura 6.2. a geração da malha de elementos finitos foi facilitada. peças poderiam ser injetadas com temperaturas de referência maiores. A escolha desta geometria deve-se a alguns fatores a serem considerados.

Parâmetros de injeção utilizados no experimento 2.97 O termopar usado para monitorar a temperatura do inserto foi posicionado no inserto móvel a 16 mm de distância da superfície. Foi observado que o tempo necessário para resfriar o inserto era muito longo e portanto descartou-se a utilização de temperaturas de referências abaixo de 40 0C.1 optou-se por adotar as mesmas temperaturas de referência utilizadas no experimento descrito no Capítulo 4. Assim. Os parâmetros listados foram mantidos constantes para todos os experimentos.Montagem do termopar no inserto móvel. permitindo a comparação dos resultados. Tabela 6.3 . peça injetada 16 mm inserto móvel termopar Figura 6.1. Os valores para estas grandezas estão relacionados na Tabela 6. Parâmetro Vazão Temperatura de injeção Tempo de resfriamento Pressão de recalque Tempo de recalque Temperaturas de referência 10 cm /s 200 0C 40 segundos 100 MPa 5 segundos Ciclo 1 40 0C 3 Valores utilizados Ciclo 2 50 0C Ciclo 3 60 0C Como pode ser visto na Tabela 6.1. um tempo de resfriamento de 40 . conforme ilustrado na Figura 6. A temperatura deste ponto também foi utilizada para controlar o procedimento de resfriamento do inserto entre ciclos consecutivos. Inicialmente o inserto foi utilizado para avaliar os parâmetros de injeção que foram utilizados.1 . seguindo o mesmo procedimento adotado no experimento descrito no Capítulo 4.3.

Os ciclos térmicos para todos valores adotados de temperaturas de referência estão ilustrados graficamente na Figura 6. Após o inserto atingir a temperatura máxima para o primeiro ciclo de injeção. foi adotado para os ciclos 1 e 2.4 . 50 0C e 60 0C para o inserto do experimento realizado no Estudo de Caso 1.98 segundos. . o valor da temperatura e do tempo necessário para atingi-la foram anotados e nova peça foi injetada. Inicialmente foram registrados dados iniciais como tempo de injeção.4. tempo total de ciclo.40 0C 90 80 Temperatura ( C) 70 60 50 40 30 20 1 0 0 (b) Ciclo 2 .50 0C 198 395 592 789 986 1183 Tempo (segundos) (c) Ciclo 3 . necessário para resfriar completamente a peça para o ciclo 3.60 0C Figura 6. quando a sua temperatura atingiu a temperatura de referência. temperatura ambiente e temperatura de referência adotada.Ciclos térmicos para temperaturas de referência de 40 0C. 70 Temperatura ( C) Temperatura ( C) 80 70 60 50 40 30 20 1 252 503 754 1005 1256 1507 Tempo (segundos) 60 50 40 30 20 1 375 749 1123 1497 1871 2245 Tempo (segundos) 0 (a) Ciclo 1 . A primeira peça foi então injetada e a temperatura do inserto e o tempo total de ciclo foram monitorados. O procedimento adotado pode ser descrito como segue. O procedimento foi repetido até o inserto atingir uma temperatura maior do que a temperatura de referência adotada. temperatura inicial do inserto. Finalmente os ciclos de injeção posteriores iniciaram após o resfriamento do inserto.

9 C e 77. Os resultados mostraram mais uma vez que a temperatura do inserto se estabiliza após um determinado número de peças serem injetadas 80 Temperatura ( C) 75 70 65 60 55 50 1 3 5 7 Número do ciclo 9 0 40 0C 50 0C 60 0C Figura 6.Temperaturas máximas lidas pelo termopar para as temperaturas de referência adotadas no Estudo de Caso 1 Para desenvolver as análises numéricas foi escolhida a Análise 2 (temperatura de referência intermediária) para determinar o grau de refino da malha bem como o incremento de tempo que seria adotado.5 mm para os elementos.5 C.5. A Figura 6. Para garantir a convergência dos valores de temperatura. o valor máximo desta grandeza e o tempo necessário para resfriar o inserto até a temperatura de referência.6 ilustra o modelo discretizado através de elementos finitos representativo da geometria do inserto utilizado. foram monitorados regularmente. O regime permanente cíclico foi considerado atingido. adotando um parâmetro de comprimento máximo de 0.99 As temperaturas máximas medidas pelo termopar foram 66. considerando as características do problema estudado.9 0 0 0 C para temperaturas de referência de 40 0C. registrados pelo termopar. A malha é formada por 10486 elementos e foi gerada automaticamente pelo programa. durante 3 ciclos. quando a variação da temperatura máxima foi inferior a 0. 50 0C e 60 0C. posicionado sobre o eixo de simetria a 38 mm . O elemento linear PLANE55 (axisimétrico) foi utilizado para a discretização do domínio.5 . 71. Os valores da temperatura máxima. respectivamente.5 0C e do tempo de resfriamento inferior a 5 segundos. nos primeiros dez ciclos estão ilustrados na Figura 6. Os valores de temperaturas do nó 430.

. a partir de 0. Neste caso. Este último procedimento teve como objetivo minimizar os efeitos dos altos gradientes térmicos decorrentes das condições de contorno adotadas. respectivamente. no início da análise.0 mm para os elementos finitos. para avaliar o efeito do refino da malha nos resultados numéricos. inserto fixo canal de injeção bucha de injeção peça nó 430 eixo de revolução inserto móvel Figura 6. foi avaliada a possibilidade de adotar tempo variável.Malha de elementos finitos para o inserto utilizado no Estudo de Caso 1 Outro modelo foi criado adotando um comprimento máximo de 1. haja vista que no início da análise. foram utilizados para comparar os resultados numéricos e experimentais. foram gerados 4837 elementos.100 da base da cavidade.1 segundos e 1 segundo. Os resultados obtidos para as combinações de parâmetros descritos acima indicaram não haver diferença significativa dos resultados quando a malha de elementos finitos é refinada ou o incremento de tempo adotado é minimizado.6 .01 segundos. Adicionalmente. Como 0 C e 20 0 C nos elementos posicionados nas superfícies da peça e do conjunto bucha de injeção e insertos. as temperaturas iniciais foram assumidas ser 200 respectivamente. Os dois modelos foram testados adotando incrementos de tempo de 0.

7. optou-se por adotar como parâmetros a malha mais refinada e um incremento de tempo de 1 segundo para desenvolver todas as análises. Assim. caso não sejam fornecidas condições de contorno de radiação ou convecção. peça e bucha de injeção). A estratégia adotada neste modelo. consiste em gerar a malha com nós coincidentes nas superfícies de contato (nós com as mesmas coordenadas) e aplicar uma condição de contorno na qual cada par de nós deveriam sempre ter as mesmas temperaturas durante a simulação do preenchimento da cavidade e resfriamento da peça.101 o tempo de processamento para a malha mais refinada (ilustrada na Figura 6. .2. O tempo do ciclo foi considerado aquele compreendido entre o início do preenchimento da cavidade e a abertura do inserto. Inserto peça inserto móvel injetada fixo nó superfícies de contato nós coincidentes Figura 6. As condições de contorno utilizadas nas simulações no Estudo de Caso 1 estão relacionadas na Tabela 6.6) não foi excessivamente grande. foi necessário utilizar um artifício para promover a troca de calor entre os entes considerados (insertos.7 . Para todas as análises foram utilizados os valores de coeficiente de convecção de 10 W/m2 0C.Condição de contorno aplicada nas superfícies de contato. para representar a convecção natural. O programa computacional Ansys assume que as superfícies externas dos sólidos são adiabáticas. ilustrada na Figura 6. A temperatura da peça foi considerada igual à temperatura de injeção do polipropileno (200 0C).

2. durante o processo de injeção.5 50 42* Análise 3 22. em função da variação . Para os demais materiais.5 20. Foram desprezadas as variações que ocorrem nas propriedades térmicas dos materiais envolvidos. foram utilizados os valores fornecidos no banco de dados de material dos programas MoldFlow® e Ansys®.2 .5 60 42* * Considerando o tempo de resfriamento e tempo de preenchimento Na Tabela 6. ** Valores obtidos no banco de dados do MoldFlow® para o polipropileno Solvay.5 22. de referência (oC) Tempo do ciclo (seg) o Análises Análise 1 19.102 Tabela 6.17501 1220 PP** 2672 0. foi considerado o tempo de preenchimento na determinação do tempo de ciclo. utilizados nas análises. inicial do inserto (oC) Temp.3 são apresentados os valores das propriedades materiais.58 Aço 1020 419 46. Tabela 6. Em outras palavras foi assumido que a troca de calor entre estes os sólidos inicia-se após o completo preenchimento da cavidade.2. respectivamente. As variações de temperatura da peça e do inserto durante o preenchimento da cavidade foram desprezadas. polipropileno Solvay e material da bucha de injeção.8 40 42* Análise 2 20. As simplificações adotadas no modelo numérico podem ser descritas como segue: 1. ambiente ( C) Temp.3 – Propriedades materiais utilizadas nas análises numéricas Propriedades Calor específico (J/kg* C) Condutividade térmica (W/m* C) Densidade (kg/m3) 0 0 Materiais Resina* 2300 0. conforme mostrado na Tabela 6. Os valores referentes à resina Vantico SL7560 foram obtidos junto ao fabricante deste material. Contudo.195 943.7 7850 * Valores obtidos junto ao fabricante da resina Vantico SL7560.8 19.Condições de contorno aplicadas nas análises do Estudo de Caso 1 Condições de contorno Temp.

8 são apresentados os ciclos térmicos obtidos para cada temperatura de referência nas análises experimentais e numéricas.2. os dados de saída de uma análise são utilizados como condições de contorno para a análise subseqüente. os resultados desejados podem ser obtidos. De acordo com a sistematização descrita na Seção 5. As propriedades listadas na Tabela 6.2. Além disso. considerando os dados fornecidos pelo usuário. Trata-se portanto de uma tarefa trabalhosa para ser realizada manualmente. Através do programa macro. o contato entre os sólidos foi considerado perfeito. Na Figura 6. a análise transiente utilizando as ferramentas CAE consiste em um processo onde são realizadas simulações sucessivas dos ciclos de injeção e de resfriamento dos insertos SL. onde as várias etapas são desenvolvidas automaticamente. durante as análises. .103 da temperatura. Assim. Foram desprezadas as variações volumétricas da peça e dos insertos decorrentes da variação da temperatura.7. Assim. foi implementado um pequeno programa computacional denominado “macro”. Os resultados numéricos apresentados a seguir foram obtidos considerando a malha de elementos finitos ilustrada na Figura 6.3 correspondem aos valores determinados à temperatura ambiente.6 e um incremento de tempo de 1 segundo. descrito no Apêndice C. 3. definindo previamente as condições de contorno iniciais do problema e a quantidade de ciclos a serem avaliados. conforme ilustrado na Figura 6.

De acordo com os resultados.Resultados numéricos e experimentais da variação de temperatura do inserto para o Estudo de Caso 1 Os gráficos da Figura 6.8 . enquanto que o valor desta grandeza determinada . apresentaram diferenças que devem ser consideradas. A temperatura máxima atingida pelo ponto do inserto monitorado durante o experimento foi de 66. houve uma convergência dos valores das grandezas avaliadas ao longo do processo. Contudo.3 0C.104 72 64 Temperatura (ºC) Temperatura (ºC) 74 66 58 50 42 34 26 18 Experimental Numérico 0 500 1000 Tempo (segundos) 1500 2000 56 48 40 32 24 16 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 Tempo (segundos) Experimental Numérico 40 0C 80 70 Temperatura (ºC) 60 50 40 30 20 0 500 1000 Tempo (segundos) 1500 Experimental Numérico 50 0C 2000 60 0C Figura 6. pode-se afirmar que para ambos os casos (experimental e numérico).9 mostram a variação da temperatura máxima e do tempo de resfriamento necessário para atingir a temperatura de referência adotada (neste caso 40 0C) em função do número de ciclos. os valores obtidos numericamente comparados aos dados experimentais.

8 0C e 68.105 numericamente foi de 62. medida pelo termopar e determinado numericamente foi 71. apresentaram erros maiores. No procedimento experimental foram necessários 487 segundos em média para que o ponto monitorado atingisse a temperatura de 40 0C. um erro portanto de aproximadamente -6. As temperaturas máximas do ponto monitorado.10. respectivamente. para uma temperatura de referência de 50 0C são mostrados graficamente na Figura 6. . O tempo médio necessário para o ponto monitorado atingir a temperatura de referência durante o experimento foi de 335 e o valor desta grandeza determinado numericamente foi de 391 segundos. inferior portanto àquele valor obtido numericamente (533 segundos).8 0C.Comparação entre os valores numéricos e experimentais para uma temperatura de referência de 40 0C (Estudo de Caso 1) Os resultados de temperatura e tempo de resfriamento do inserto. O erro portanto foi de 3 0C (cerca de -4%).9 . Os tempos médios de resfriamento por sua vez.1 C.4%. O erro neste caso foi de aproximadamente +9%. uma diferença de 53 segundos (aproximadamente +16. 0 Temperatura Máxima ( C) 0 66 62 58 54 50 46 1 2 3 4 5 6 Ciclo 7 8 9 10 11 Experimental Numérico Tempo de resfriamento(segundos) 520 460 400 340 280 1 2 3 4 5 6 Ciclo 7 8 9 10 11 Experimental Numérico Figura 6.9% de erro).

apresentaram um comportamento similar àqueles observados anteriormente (ver gráficos da Figura 6.11). quando adotada uma temperatura de referência de 60 0C. .0%) para as temperaturas máximas e 261 segundos e 297 segundos para o tempo médio de resfriamento (erro de +13. A Tabela 6.Comparação entre os valores numéricos e experimentais para uma temperatura de referência de 60 0C (Estudo de Caso1). Os resultados experimentais e numéricos para estas grandezas foram 77.Comparação entre os valores numéricos e experimentais para uma temperatura de referência de 50 0C (Estudo de Caso 1) Os valores de temperatura máxima e tempo de resfriamento.11 .4 relaciona as diferenças percentuais entre os valores obtidos numericamente e experimentalmente para cada temperatura de referência adotada.3 0C (erro de -3. Tempo de resfriamento (segundos) Tmeperatura Máxima ( C) 80 74 68 62 56 50 1 2 3 4 5 6 7 Ciclo 8 Experimental Numérico 9 10 11 12 13 310 300 290 280 270 260 250 240 230 1 2 3 4 5 6 7 Ciclo 8 9 10 11 12 13 0 Experimental Numérico Figura 6.6 0C e 75.9 %).10 .106 Tempo de resfriamento (seg) 420 370 320 270 220 170 120 70 20 1 3 5 7 Ciclo 420 370 320 270 220 170 120 70 20 1 3 5 7 Ciclo Tempo de resfriamento (seg) Experimental Numérico 9 11 13 Experimental Numérico 9 11 13 Figura 6. avaliados experimentalmente e numericamente.

Os valores de tempo de resfriamento do inserto. Os resultados de temperatura máxima atingida pelo ponto monitorado por sua vez.4 60 +1.107 Tabela 6. através de análises térmicas transientes utilizando ferramentas CAE.4 -2. determinados numericamente e experimentalmente.6 -4 +16. revelaram que valores menores de temperatura de referência adotada apresentaram erros 0 0 0 40 +1. Isto significa que é possível determinar aproximadamente. a variação de temperatura dos insertos durante o processo de injeção. As diferenças entre os resultados numéricos e experimentais de tempo de resfriamento não apresentaram uma tendência em função da temperatura de referência.9 +18. os erros percentuais entre estas medidas para uma temperatura de referência de 50 0C foram maiores do que aqueles determinados para temperaturas de referência de 40 0C e 60 0C.4 . Para isso foi utilizado o inserto ilustrado na Figura 6. convergiram para um determinado valor após alguns ciclos. aplicando as mesmas condições observadas durante os experimentos. bem como a temperatura máxima atingida pelo ponto monitorado. considerando o procedimento de resfriáo entre ciclos consecutivos.1 -6 +9.7 +13.7 50 +1.Erros percentuais entre os valores experimentais e numéricos para o Estudo de Caso 1 Erro (%) Temperatura de referência ( C) Temperatura mínima ( C) Temperatura máxima ( C) Tempo de resfriamento (seg) Tempo de aquecimento (seg) Análise dos resultados As análises desenvolvidas no Estudo de Caso 1 tiveram como objetivo definir e avaliar modelos numéricos de análises com o intuito de viabilizar a aplicação da sistemática descrita no Capítulo 5 para planejar o uso de insertos SL na fabricação de peças plásticas injetadas. Posteriormente foram realizadas análises numéricas utilizando o programa comercial ANSYS®.4.9 +15 .3 +16.1 no processo de injeção de peças plásticas. De acordo com a Tabela 6.

através da simulação do processo de injeção.12.108 percentuais maiores. usando 50 0C como temperatura de referência e considerando os mesmos parâmetros apresentados na Tabela 6.4 .2. entre os valores medidos experimentalmente e determinados numericamente. o procedimento de determinar numericamente os valores do tempo de resfriamento revelou ser mais conservativo. Para avaliar os resultados de tempo de resfriamento obtidos através das análises numéricas. quando comparado ao processo experimental. O tempo de resfriamento usado foi de 20 segundos. . no entanto. Assim. apresentaram erros pequenos e os valores numéricos foram menores comparados aos experimentais. Os valores numéricos. um ciclo de injeção adicional foi adotado. parâmetro este determinado experimentalmente considerando o valor necessário para resfriar completamente a peça. foram sempre maiores do que aqueles determinados experimentalmente.Estudo de caso 2 – Descrição e resultados O estudo de caso descrito a seguir teve como objetivo avaliar a utilização de ferramentas CAE para a determinação do tempo de resfriamento dos insertos SL. foi utilizada a mesma geometria adotada no Estudo de Caso 1. de acordo com a sistemática apresentada no Capítulo 5. ou seja. Os ciclos térmicos resultantes são mostrados graficamente na Figura 6. 6. As maiores diferenças ocorreram para os tempos de resfriamento e aquecimento. Os valores de temperatura por sua vez.2. Para efeito de comparação foram traçados os gráficos dos ciclos térmicos obtidos utilizando 40 segundos de tempo de resfriamento.

9 0C. grandeza determinada nas análises numéricas. As simulações numéricas desenvolvidas no Estudo de Caso 2 consistiram nas análises do processo de injeção e nas análises transientes térmicas. O procedimento adotado em cada análise pode ser descrito como segue. houve diferenças entre os resultados obtidos para distintos tempos de resfriamento da peça.12 .4 0C e 71. 460 410 360 310 260 210 160 110 Tempo (segundos) 20 seg 40 seg 1 2 4 6 8 10 Número do Ciclo 12 14 Figura 6. apresentou uma diferença de 9%. Como pode ser visto nos gráficos da Figura 6.13. As temperaturas máximas atingidas no primeiro ciclo de injeção foram 50. .13 – Tempo de resfriamento do inserto para os ciclos de injeção utilizando tempo de resfriamento da peça de 20 segundos e 40 segundos (Estudo de Caso 2). respectivamente. O tempo de resfriamento.Ciclos térmicos para temperaturas de referência de 50 0C e tempo de resfriamento de 20 e 40 segundos para o inserto do Estudo de Caso 2. As máximas temperaturas lidas pelo termopar foram 68.109 80 Temperatura ( 0C) 70 60 50 40 30 20 1 250 499 748 997 1246 1495 Tempo (segundos) 40 segundos 20 segundos Figura 6.2 0C e 55 0C para tempos de resfriamento de 20 segundos e 40 segundos.

Neste caso em particular. 17.6 21.Perfil de temperatura no inicio do ciclo de injeção para uma temperatura de referência de 50 0C. Isto ocorre devido à posição central do ponto monitorado.4 32. uma vez ser esta a temperatura na região próxima à cavidade.8 28.14 representa o perfil de temperatura do inserto obtido no instante em que o ponto monitorado atinge a temperatura de referência (50 0C). foi avaliado o perfil de temperatura dos insertos durante o processo. Pode-se verificar que a temperatura média do inserto é menor do que a temperatura de referência e portanto pode-se escolher um valor de 40 0C para a temperatura do inserto.2 24. Caso este seja escolhido um ponto posicionado na região externa. . foi considerada a variação de temperatura obtidas na Análise 2 do Estudo de Caso 1. valores médios desta grandeza podem ser adotados para determinar o padrão dos gradientes de temperatura dos insertos.14 . a temperatura de referência poderia ser adotada como temperatura do inserto durante a simulação do processo de injeção.110 Para determinar qual temperatura seria adotada para os insertos na simulação do processo de injeção.4 43.7 39.3 ( C) 0 Figura 6.1 35. Como os parâmetros necessários para realizar as análises transientes térmicas não são conhecidos previamente.6 50. A Figura 6.0 46.

Tabela 6. o valor determinado experimentalmente foi de 20 segundos e portanto é provável que o erro esteja no valor obtido para a temperatura intermediária.1 segundos. para efeito comparativo. considerando as temperaturas de referência (40 0C.4 0 segundos e 49.14 indicar a condição de contorno de 40 0C para a temperatura do inserto como a mais adequada.7 25 1000 Análise 2 50 200 80 10 293.1 segundos.7 25 1000 Análise 3 60 200 80 10 240.3 8. Para todas as análises foi utilizada uma malha de 2235 elementos e adotado o material Sequel 1440 (Solvay Engineered Polymers) como contratipo. respectivamente. Assim.15. foram 23.5. O valor do tempo estimado considerando o inserto mais quente (60 C).111 Apesar do perfil de temperatura ilustrado na Figura 6. . Os tempos necessários para resfriar o canal de alimentação (mesmo parâmetro considerado durante o experimento).3 8. 49.6 8. apresentou um resultado menor comparado àquele obtido para uma temperatura intermediária (50 0C). adotando 40 0 C. 50 0C e 60 0C como temperaturas do inserto. optou-se por desenvolver três análises. foram adotados os parâmetros relacionados na Tabela 6. Contudo.7 25 1000 Temperatura do inserto (0C) Temperatura de injeção ( C) Pressão de recalque (% da pressão de injeção) Tempo de recalque (seg) Velocidade de injeção (cm3/s) Volume de material injetado (cm3) Temperatura do fluido de resfriamento (0C) Número de Reynolds 0 Os resultados de tempo de resfriamento para as análises desenvolvidas estão ilustrados na Figura 6.5 – Parâmetros adotados nas análises reológicas do Estudo de Caso 2 Parâmetros das análises Valores adotados Análise 1 40 200 80 10 261. 50 0C e 60 0C) como valor desta grandeza.

112

40 0C

50 0C

60 0C Figura 6.15 - Resultados numéricos de tempo de resfriamento da peça (Estudo de Caso 2).
De acordo com os resultados, a análise cujo valor de tempo de resfriamento estimado mais se aproximou do valor usado experimentalmente (20 segundos) foi aquela que considera a temperatura do inserto 40 0C (23.1 segundos), com um erro de aproximadamente 3 segundos. O resultado numérico do tempo de preenchimento da cavidade para esta temperatura foi de aproximadamente 0.8 segundos. O tempo de resfriamento da peça, determinado através do uso da Equação 5.1 conforme sugerido no Capítulo 5, foi de aproximadamente 17.82 segundos.

113
As análises térmicas desenvolvidas no Estudo de Caso 2 seguiram o mesmo procedimento descrito no Estudo de Caso 1. As condições de contorno contudo, foram alteradas de acordo com a Tabela 6.6. Foram desenvolvidas duas análises considerando tempos de ciclo distintos. A Análise 1 corresponde às condições observadas experimentalmente enquanto que a Análise 2 considera o tempo de resfriamento determinado na simulação do processo de injeção.

Tabela 6.6 – Condições de contorno utilizadas nas análises transientes do Estudo de Caso 2 Condições de contorno Temperatura inicial do inserto (oC) Temperatura ambiente (oC) Temperatura de referência (oC) Tempo do ciclo (seg) Valor utilizado Análise 1 21 21 50 22* Análise 2 21 21 50 24*

* Considerando o tempo de resfriamento e tempo de preenchimento

A Figura 6.16 ilustra os resultados comparativos da variação de temperatura do ponto monitorado em função do tempo. O tempo médio necessário para resfriar o inserto determinado experimentalmente foi de 293.4 segundos, enquanto que os resultados numéricos apresentaram valores de 329.5 segundos e 334.2 segundos para as análises 1 e 2, respectivamente. Portanto a diferença observada entre os valores numéricos e experimentais foi de +12.3% (Análise 1) e +10.5% (Análise 2).
72.00 64.00 Temperatura (ºC) 56.00 48.00 40.00 32.00 24.00 16.00 0 500 1000 Experimental Numérico 1 Numérico 2 1500 2000

Tempo (segundos)

Figura 6.16 - Resultados numéricos e experimental da variação de temperatura do inserto para o Estudo de Caso 2.

114
O valor médio de temperatura máxima atingida pelo ponto monitorado durante os experimentos foi de 68.2 0C. Os resultados numéricos obtidos para esta grandeza foram 64,74 0C e 65,26 0C para as análises 1 e 2, respectivamente. Portanto, o erro do valor numérico da temperatura máxima do ponto monitorado, quando considerado o tempo de resfriamento utilizado experimentalmente, foi de aproximadamente +5,1 %. Este parâmetro apresentou um erro de +4.3% quando foi considerado o tempo de resfriamento determinado através da simulação do processo de injeção. Análise dos resultados O Estudo de Caso 2 foi desenvolvido para avaliar o uso da sistemática descrita no Capítulo sem o conhecimento prévio dos parâmetros de injeção. Em outras palavras, foi avaliado o uso de métodos numéricos para determinar o tempo de resfriamento da peça, através da simulação do processo de injeção. Assim, os ciclos de temperatura do inserto e conseqüentemente o tempo necessário para resfriá-lo, poderiam ser determinados antes da sua construção e utilização. Durante o desenvolvimento das análises, o valor de tempo de resfriamento determinado através da simulação do processo de injeção, considerando a temperatura do inserto 40 0C, revelou ser o mais adequado. Este resultado sugere que o procedimento de avaliar o perfil de temperatura do inserto determinado numericamente, pode ser utilizado para estimar a temperatura do inserto. O uso da Equação 5.1 para estimar o tempo de resfriamento da peça revelou não ser apropriado, uma vez que esta estimativa não considera a temperatura e as propriedades térmicas do inserto. A diferença entre os valores de tempo de resfriamento obtidos nas análises 1 e 2 foi de apenas 5 segundos. Isto ocorreu devido aos valores próximos de tempo de ciclo adotados nestas análises (22 segundos e 24 segundos, respectivamente). O erro percentual entre os valores numérico e experimental (12.3%) foi inferior àquele obtido no Estudo de Caso 1 (15.8%). Este resultado sugere que quanto maior o tempo de ciclo, maior será o erro do valor do tempo de resfriamento determinado através da simulação numérica. Os valores das temperaturas máximas atingidas pelo ponto monitorado não apresentaram o mesmo comportamento observado para o tempo de resfriamento do

A geometria utilizada no Estudo de Caso 3 está ilustrada na Figura 6. onde foram adotados os mesmos parâmetros. optou-se por adotar outra geometria. aumentando assim o tempo de preenchimento da cavidade. 6.2. Dois pinos extratores foram posicionados nos snaps para auxiliar a extração da peça. poderia ser avaliado o uso do modelo para determinar os gradientes térmicos em geometrias mais complexas. Esta mesma diferença foi de 4% na análise correspondente do Estudo de Caso 1. Além disso.115 inserto. canal de injeção Os insertos ilustrados na Figura 6.17 foram construídos com canais de 3 mm de diâmetro e um termopar foi posicionado a 4 mm da extremidade superior do núcleo.Estudo de caso 3 – Descrição e resultados O tempo total necessário para o preenchimento durante o processo de injeção das peças dos Estudos de Casos 1 e 2 foi de aproximadamente 2 segundos. cujo tempo de injeção fosse maior. Como era de interesse avaliar se a simplificação adotada durante a simulação.5 . MÓVEL FIXO canais de alimentação Figura 6.17 – Insertos utilizados no Estudo de Caso 3.1%.17. O erro percentual entre os valores temperaturas máximas determinados experimentalmente e na análise 1. foi de 5. . A peça injetada é provida de dois snaps diametralmente opostos com dimensões diferentes. que considera o início da troca de calor entre a peça e o inserto após a cavidade ser completamente preenchida. A idéia inicial era tentar preencher a cavidade usando a menor velocidade de injeção possível. porém. Esta peça havia sido injetada em moldes metálicos. insertos SL não foram utilizados até então.

Possivelmente. O outro conjunto de insertos foi então utilizado para obter os dados experimentais de temperatura. As peças injetadas apresentaram excesso de rebarbas devido a não planicidade das superfícies dos insertos. Tabela 6. Pode-se observar que a variação de temperatura do ponto monitorado foi pequena comparada àquela medida no ponto monitorado do inserto utilizado no Estudo de Caso 1 e 2.116 de maneira similar àquela mostrada na Figura 6. não houve um preenchimento completo do canal com Araldite e portanto não havia contato da extremidade do termopar com as paredes do inserto. Outro aspecto interessante apresentado pelo gráfico (c) é que foram necessários quatro ciclos para que a temperatura medida atingisse o valor da temperatura de referência (60 0C). No entanto este problema não afetou as medidas de temperatura obtidas. apesar da operação de lixação promovida após a sua fabricação.2 Parâmetro Volume de material injetado Vazão Temperatura de injeção Tempo de resfriamento Pressão de recalque Tempo de recalque Temperaturas de referência 13.3.Parâmetros de injeção utilizados no experimento 2. No entanto.7. O primeiro conjunto de insertos foi utilizado para determinar os parâmetros de injeção relacionados na Tabela 6.7 . o tempo de preenchimento da cavidade foi de 18 segundos e portanto superior àquele adotado para a geometria do Estudo de Caso 1. os valores medidos pelo termopar apresentaram uma variação de 3 0C durante o processo de injeção. Na Figura 6. .5 cm3 1 cm3/s 200 0C 30 segundos 50 MPa 5 segundos Ciclo 1 40 0C Ciclo 2 50 0C Ciclo 3 60 0C Valores utilizados Para esta geometria.18 são traçados os gráficos da temperatura versus tempo para as temperaturas de referência adotadas.

Um total de 20876 elementos quadráticos SOLID87 foi usado para a discretização do domínio.18 .19 ilustra a malha de elementos finitos utilizada nas análises numéricas do Estudo de Caso 3. A Figura 6.2. Nós coincidentes foram gerados nas superfícies de contato e condições de contorno de temperaturas foram aplicadas de maneira similar àquela descrita no Estudo de Caso 1. considerando um comprimento máximo de 3 mm para cada elemento próximos à cavidade.117 60 Temperatura ( 0 C) Temperatura ( 0 C) 60 50 40 30 20 50 40 30 20 1 394 787 1180 1573 1966 Tempo (segundos) 1 321 641 961 1281 1601 1921 Tempo (segundos) (a) 40 0C 70 Temperatura ( 0 C) 60 50 40 30 20 1 251 501 751 1001 1251 1501 Tempo (segundos) (b) 50 0C (c) 60 0C Figura 6.Ciclos térmicos para temperaturas de referência de 40 0C. 50 0C e 60 0C para o inserto do experimento 2. .

As propriedades dos materiais utilizados nas análises foram as mesmas utilizadas no Estudo de Caso 1 e relacionadas na Tabela 6.Condições de contorno utilizadas nas análises transientes do Estudo de Caso 3 Condições de contorno Temperatura inicial do inserto (0C) Temperatura ambiente ( C) Temperatura de referência ( C) Tempo do ciclo (seg) 0 0 Valor utilizado Análise 1 20 20 40 48 Análise 2 20. . As condições de contorno aplicadas em cada análise estão listadas na Tabela 6.20.8.118 Inserto fixo Peça Inserto móvel Figura 6.5 50 48 Análise 3 18 18 60 48 Os gráficos da variação da temperatura do ponto monitorado em função do tempo.8 . comparado aos resultados obtidos nos Estudos de Caso 1 e 2.5 20. pode-se verificar que houve uma defasagem maior entre os ciclos determinados experimentalmente e numericamente. para as três temperaturas de referência adotadas estão ilustrados na Figura 6. Um incremento de tempo de 1 segundo foi adotado para todas as análises. Tabela 6.3. O tempo de ciclo foi calculado somando o tempo de resfriamento da peça (30 segundos) ao tempo de preenchimento da cavidade (18 segundos).Malhas de elementos finitos utilizadas no Estudo de Caso 3.19 .

Um erro.5%.3 0C e 49.21. superior ao valor determinado numericamente (344 segundos). para uma temperatura de referência de 40 0C.35%. respectivamente. portanto. O valor médio de tempo de resfriamento apresentou uma inversão de valores.20 .4 0C. O comportamento da média das temperaturas máximas atingidas pelo ponto monitorado também apresentou alteração. Neste caso. . Os valores numérico e experimental desta grandeza foram de 50. o valor experimental (353 segundos) foi 2. se comparados com aqueles obtidos nas análises anteriores.Resultados numéricos e experimentais da variação de temperatura do inserto para o Estudo de Caso 3. de +0. Os resultados de tempo de resfriamento e temperatura máxima atingida pelo ponto monitorado em cada ciclo. são mostrados graficamente na Figura 6.119 56 Temperatura (ºC) 60 40 32 24 16 0 500 1000 1500 2000 Tempo (segundos) Experimental Numérico Temperatura (ºC) 48 50 40 30 Experimental Numérico 20 0 500 1000 1500 2000 Tempo (segundos) (a) 40 0C 75 Temperatura (ºC) 60 45 30 15 0 400 800 1200 1600 Tempo (segundos) (b) 50 0C Experimental Numérico 60 0C Figura 6.

120 Tempo de resfriamento (seg) Temperatura Máxima ( C) 56 52 48 44 40 36 1 2 3 4 Experimental Numérico 5 6 7 8 9 500 400 300 200 100 0 1 2 3 4 Experimental Numérico 5 6 7 8 9 0 Ciclo Ciclo Figura 6.Comparação entre os valores numéricos e experimentais para uma temperatura de referência de 50 0C (Estudo de Caso 3). O valor médio de tempo de resfriamento obtido na análise (246.21 . Tempo de resfriamento (seg) Temperatura Máxima ( C) 60 56 52 48 44 40 36 1 2 3 4 5 Experimental Numérico 6 7 8 280 240 200 160 120 80 40 0 1 2 3 4 5 Experimental Numérico 0 Ciclo Ciclo 6 7 8 Figura 6. foi diferente daquele revelado nos gráficos da Figura 6.7 0C. Portanto.Comparação entre os valores numéricos e experimentais para uma temperatura de referência de 40 0C (Estudo de Caso 3).75% superior àquele obtido experimentalmente (233 segundos). o comportamento dos resultados numéricos observado para uma temperatura de referência de 50 0C.22.32 0C e 57.22 . respectivamente.21.8 segundos) foi cerca de 5. . obtidos experimentalmente e numericamente. foram 56. um erro percentual de +2.5 %. Como pode ser visto nos gráficos da Figura 6. revelando portanto uma tendência de aumento da diferença com um incremente da temperatura de referência. Os valores médios das temperaturas máximas atingidas pelo ponto monitorado.

0 Tempo de resfriamento (seg) Temperatura Máxima ( C) 68 64 60 56 52 48 44 40 36 1 2 3 4 240 200 160 120 80 40 0 1 2 3 4 5 6 Experimental Numérico 0 Experimental Numérico 5 6 7 8 9 Ciclo Ciclo 7 8 9 Figura 6.2% superior ao valor medido (162 segundos). considera um contato perfeito entre as superfícies da peça injetada e do inserto. Durante o experimento desenvolvido no Estudo de Caso 3 procurou-se adotar a menor velocidade de injeção possível que permitisse o preenchimento da cavidade. foram necessários 18 segundos para que todo o material fosse injetado. A média das temperaturas máximas atingida pelo ponto monitorado por sua vez. Além disso. o procedimento adotado durante as análises assume que a troca de calor entre o material injetado e as paredes do inserto. principalmente nos casos onde insertos SL são utilizados. o que não é apropriado na prática mesmo quando se trata de uso de . O tempo médio de resfriamento determinado numericamente por exemplo (182 segundos).1 0C e 65.7 0C valores experimental e numérico. ocorre apenas após o completo preenchimento da cavidade.23 – Comparação entre os valores numéricos e experimentais para uma temperatura de referência de 50 0C (Estudo de Caso 3). Esta simplificação é razoável uma vez que o tempo de injeção é relativamente pequeno comparado ao tempo de resfriamento da peça.121 O comportamento dos resultados obtidos para uma temperatura de referência de 60 C comprovou a tendência de aumento do tempo de resfriamento uma vez que apresentou erros maiores comparados aos resultados para uma temperatura de referência de 50 0C. apresentou um erro de aproximadamente +4% (63. Análise dos resultados O modelo numérico utilizado para desenvolver as análises térmicas transientes nos insertos SL. foi cerca de 12. Assim. respectivamente).

No caso do tempo de resfriamento. Isto sugere que a quantidade de calor absorvida pelo inserto nas simulações foi maior do que nos experimentos. Isto sugere que a simplificação adotada não comprometeu a utilização do modelo para estimar o tempo necessário para resfriar o inserto. O objetivo no entanto foi avaliar o quanto o tempo de preenchimento influencia os resultados numéricos obtidos através do modelo que considera a simplificação supracitada. . não apenas o tempo de resfriamento como também o tempo necessário para que o ponto monitorado atingisse a temperatura máxima foram maiores. Isto ocorreu porque neste caso. os valores de temperatura do inserto bem como do tempo de resfriamento. refere-se aos valores numéricos de temperatura máxima atingida pelo ponto monitorado que superaram aqueles obtidos experimentalmente. Esta diferença tornase maior com o aumento da temperatura de referência adotada. Outra característica importante dos resultados obtidos no Estudo de Caso 3. Estes resultados demonstram a influência do tempo de preenchimento nas análises.122 insertos SL. obtidos numericamente e experimentalmente apresentaram erros pequenos. Apesar da inversão de comportamento observado nas análises do Estudo de caso 3. há uma tendência de aumento do erro entre os valores numérico e experimental quando a temperatura de referência é aumentada. Os resultados e revelaram que os ciclos de temperaturas defasagem obtidos maior experimentalmente numericamente apresentaram uma comparados aos resultados obtidos nos estudos de caso 1 e 2.

5% a +15%.1 . Se a peça for injetada quando a temperatura do inserto for elevada.1 . bem como algumas recomendações e sugestões para futuros estudos na área correlata.123 CAPÍTULO 7 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES PARA TRABALHOS FUTUROS Neste capítulo são apresentadas as principais conclusões concernentes à pesquisa descrita neste trabalho.1. apresentaram erros na faixa de -2. Os valores de temperatura máxima atingida pelos insertos por sua vez. os estudos de caso descritos no Capítulo 6 revelaram que é possível obter resultados satisfatórios mesmo utilizando modelos numéricos simplificados.Planejamento do processo de injeção em insertos SL A utilização de ferramentas CAE para desenvolver análises transientes térmicas do insertos SL. 7. Apesar de Hopkinson & Dickens (1999) não terem obtido resultados aceitáveis através de análises térmicas utilizando programas computacionais baseados no método dos elementos finitos. apresentaram erros inferiores a 6%. portanto menores que aqueles observados para o tempo de resfriamento. revelou ser um instrumento eficiente para auxiliar no planejamento do uso dos insertos SL. Os tempos necessários para resfriar os insertos entre os ciclos de injeção consecutivos determinados numericamente. o que não inviabiliza o seu uso. o risco de ruptura é maior . As análises numéricas permitem determinar o tempo necessário para o inserto atingir a temperatura desejada e conseqüentemente planejar de maneira criteriosa o processo de injeção.Conclusões 7. O procedimento de resfriar o inserto entre ciclos de injeção consecutivos pode evitar a sua falha e conseqüentemente aumentar a sua vida útil. baseado no procedimento descrito no Capítulo 5.

124 uma vez que a resistência mecânica da resina é menor. para avaliar uma temperatura de referência a ser adotada no processo de resfriamento do inserto. Contudo. mesmo que as forças de extração sejam menores.1. Recomenda-se. a amplitude dos ciclos térmicos de cada ponto depende da temperatura de injeção. 7. A temperatura do inserto. a determinação das regiões nas quais a temperatura deve ser monitorada torna-se difícil se o perfil de temperatura do inserto não for previamente conhecido. Além disso.2 . portanto. o material do inserto apresenta uma redução ainda maior da sua resistência devido ao aquecimento. Uma extração prematura pode provocar o rompimento do inserto uma vez que. cada ponto do inserto atinge determinadas temperaturas máxima e mínima. bem como de parâmetros de injeção tais como tempo de resfriamento e temperatura do inserto no início do ciclo. uma avaliação do gráfico da tensão de ruptura versus temperatura da resina. foi observado que a temperatura do inserto aumenta gradativamente à medida que peças são injetadas. caracterizando assim ciclos de temperatura em cada ponto. nas regiões de maior concentração de calor. Todavia.Processo de injeção em insertos SL O instante adequado para a extração da peça deve ser determinado considerando o efeito do tempo de resfriamento da peça nas forças de extração e o gráfico da tensão máxima versus temperatura do material do inserto. Durante os experimentos descritos nos capítulos 4 e 6. Para uma mesma geometria e mesmos parâmetros de fabricação do inserto. pode ser controlada através do uso de termopares. este procedimento revelou-se difícil sob o ponto de vista prático. uma vez que podem ocorrer problemas como ruptura ou perda de contato dos termopares com a superfície do inserto durante a sua instalação. .

tais técnicas provavelmente diminuem o tempo de resfriamento do inserto no caso de uso do procedimento de resfriá-lo entre ciclos de injeção consecutivos.3 . . O projeto do inserto é fundamental para garantir que peças possam ser injetadas com a qualidade desejada. a maior parte do calor retirado do moldado fica concentrado na superfície do inserto.1. sem considerar as limitações geométricas usuais para projeto de peças plásticas injetadas.Projeto do inserto SL A utilização do sistema de refrigeração proposto por Decelles e Barrit (1996). Contudo.4 . foi causada pelos esforços inerentes ao processo de injeção.1. Dentre os parâmetros geométricos envolvidos.Comportamento das resinas SL Os ciclos de temperatura aos quais o inserto é submetido durante o processo de injeção. podem ocorrer problemas como preenchimento incompleto. quando a sua resistência estava reduzida devido ao seu aquecimento. o metal de preenchimento exerce pouca influência na distribuição de temperatura desta região. Assim. não reduz o risco de ruptura superficial dos insertos SL. O sistema de refrigeração proposto por Ahrens et al. não afetam significativamente a tensão de ruptura e o módulo de elasticidade da resina Vantico SL 7560 à temperatura ambiente. as aletas podem diminuir a resistência mecânica dos insertos se o seu projeto não for adequado. foi a linha de abertura do inserto.125 7. Este resultado sugere que a falha observada no inserto durante a realização do experimento descrito no Capítulo 4. 7. (2001) pode reduzir o risco de falha dos insertos SL uma vez que esta técnica promove uma redução significativa da temperatura na superfície dos insertos. aquele que apresentou-se como o mais importante. rebarbas em excesso e quebra do inserto devido a interferências que ocorrem entre as superfícies dos insertos móvel e fixo. Durante o resfriamento da peça. Contudo. Se este parâmetro não for definido adequadamente. atuando no material do inserto.

as características da resina utilizada devem ser avaliadas para decidir qual a melhor estratégia a ser adotada durante o processo de injeção. Uma maneira de definir tal região é através de análise estrutural. Uma sugestão seria determinar um modelo estrutural para desenvolver esta avaliação. mostraram-se capazes de produzir mais peças do que a resina CibaTool SL 5170. a partir da qual os pontos mais solicitados do inserto podem ser determinados.2 .A utilização de ferramentas CAE para simular termicamente os insertos SL durante o processo de injeção pode ser mais eficiente se as propriedades térmicas da resina forem conhecidas. Insertos fabricados com a resina Vantico SL 7560 por exemplo. . considerando os resultados numéricos determinados nas análises térmicas transientes. considerando a variação destas propriedades em função da temperatura. Isto pode ser realizado repetindo o experimento descrito no Capítulo 4 aplicando os ciclos térmicos em corpos de prova fabricados com outros materiais. quando submetidas aos ciclos de injeção. .A definição dos parâmetros de injeção de peças plásticas em insertos SL deve ser realizada considerando as características particulares deste tipo de ferramenta.Sugestões para trabalhos futuros . a fim de não comprometer a vida útil da ferramenta. Portanto. Um trabalho que pode ser desenvolvido para melhorar os resultados numéricos é avaliar tais propriedades e aprimorar o modelo proposto. . . É necessário desenvolver um procedimento para estimar os valores iniciais destas variáveis.126 As resinas SL apresentam comportamentos diferentes quando submetidas aos ciclos de injeção.Uma avaliação do comportamento de outras resinas. é necessária para estender o uso da sistemática proposta neste trabalho para outras aplicações. porém a precisão dimensional ficou comprometida. 7. O projetista deve avaliar dentre os materiais disponíveis qual aquele que satisfaz as suas necessidades particulares.A utilização da sistemática proposta no Capítulo 5 depende do critério adotado para a escolha da região do inserto cuja temperatura deve ser monitorada durante o processo de injeção.

podem ser avaliados.127 . no entanto.As limitações geométricas usuais de peças plásticas injetadas têm uma conotação especial quando se tratam de peças fabricadas em insertos SL. Uma sugestão é definir critérios para o projeto da peça voltado para injeção em insertos não metálicos. avaliar a relevância e o comprometimento do uso desta concepção de insertos.A utilização de sistemas de refrigeração alternativos como aquele proposto por Ahrens et al. (2001) pode otimizar o processo de injeção diminuindo o tempo de resfriamento entre os ciclos. providos de movimentos laterais. considerando as características particulares deste tipo de ferramenta. O projeto e uso de insertos SL. . . Faz-se necessário. Uma idéia que pode viabilizar tal aplicação seria o uso de insertos SL compostos de partes metálicas.O maior discernimento a respeito do uso de insertos SL permite ampliar o campo de aplicação desta técnica. .

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APÊNDICES .

APÊNDICE A RESULTADOS DOS ENSAIOS DE TRAÇÃO .

Na Figura A-1 são mostrados os diagramas tensão versus deformação típicos.RESULTADOS DOS ENSAIOS DE TRAÇÃO Serão apresentados a seguir os resultados obtidos nos ensaios de tração dos corpos de prova utilizados no experimento descrito no Capítulo 4. 80 60 40 20 0 Stress in MPa 0 2 4 6 Strain in % 8 10 Figura A-1 – Diagramas tensão versus deformação para um conjunto de corpos de prova . obtidos no ensaio de um conjunto de corpos de prova.

80 2723.76 70.02 70.69 11.90 2917.95 70.84 2775.35 1.90 2931.975580927 Padrão Alongamento máximo 11.32 69.68 14.80 2735.44 11.86 10.12 2566.91 10.95 Média Min Max Desvio Padrão ruptura 69.394760948 Módulo de elasticidade 2931.63 11.45 11.12 71.06 12.25 10.82 71.91 11.606234278 Módulo de elasticidade MPa 2842.40 13.60 2887.80 128.89 69.70 2921.65 68.65 1.00 2719.09 11.91 0.Conjunto Tensão de Área 10.80 197.93 10.02 14.26 10.4142204 Conjunto Temperatura de referência Número de peças injetadas Tensão de Área mm² 9.65 11.82 69.20 2892.80 2775.60 2566.59 11.10 11.49 69.35 68.65 10.12 70.40 2727.40 2842.03 10.02 12.09 11.58 Média Min Max Desvio Padrão ruptura MPa 70.247685858 Azul 40 0C 20 Alongamento máximo % 11.10 2.422714 .76 69.65 70.

77 10.10 2723.20 2656.11 69.98 0.98 12.11 10.18 69.10 2671.33 10.30 2790.80 2669.37 10.42 10.94 12.90 2671.412940197 Azul/Vemelho 40 0C 60 Alongamento máximo % 12.59 12.57 11.30 69.18 Média Min Max Desvio Padrão ruptura MPa 68.60 69.56 10.59 13.32 68.33 9.45 68.90 194.50 2686.48 13.63 10.07 10.58 68.90 2656.94 2.97 68.50 12.30 2790.67 69.18 69.60 1.67 1.34 2568.3383441 .80 2625.83 12.Conjunto Temperatura de referência Número de peças injetadas Tensão de Área mm² 10.36 2625.83443394 Módulo de elasticidade MPa 2568.174870206 Verde/Azul 40 0C 40 Alongamento máximo % 11.74631954 Conjunto Temperatura de referência Número de peças injetadas Tensão de Área mm² 10.05 69.28 10.44 11.92 68.18 Média Min Max Desvio Padrão ruptura MPa 69.83 12.33 12.90 2786.38 13.80 36.05 69.728941187 Módulo de elasticidade MPa 2658.13 68.90 2784.

49 9.05 9.Conjunto Temperatura de referência Número de peças injetadas Tensão de Área mm² 9.70 2971.98 71.55 69.70 2627.88 8.46 1.66 69.74 64.00 425.360830362 Módulo de elasticidade MPa 2971.70 2588.46 12.87 2.8778557 Conjunto Temperatura de referência Número de peças injetadas Tensão de Área mm² 11.1 10.7 11.94 13.36 9.21 70.15 Média Min Max Desvio Padrão ruptura MPa 68.91 10.98 11.98 9.79 12.133794742 Verde/Amarelo 50 0C 20 Alongamento máximo % 12.20 2765.80 2708.20 124.98 68.90 2785.23 8.00 2791.95 11.78 70.55 2.96 64.91 9.58 2409.91 11.19 68.79 13.90 2785.63 69.17 67.39 11.30 2693.47 11.091424162 Vemelho/Azul 40 0C 80 Alongamento máximo % 9.03 11.87 9.70 2716.24 67.38 2628.1408394 .68 69.50 2409.21 11.66 70.33 Média Min Max Desvio Padrão ruptura MPa 71.00 2677.414708451 Módulo de elasticidade MPa 2628.68 5.

Conjunto Temperatura de referência Número de peças injetadas Tensão de Área mm² 10.27 9.88 9.75 10.99 10.13 Média Min Max Desvio Padrão ruptura MPa 69.56 68.29 68.80 67.15 67.69 68.30 67.15 69.56 1.879436086

Vermelho 50 0C 40 Alongamento máximo % 12.16 10.44 10.66 13.32 10.17 11.35 10.17 13.32 2.689535276 Módulo de elasticidade MPa 2617.10 2681.90 2695.70 2545.80 2655.20 2639.14 2545.80 2695.70 120.3473805

Conjunto Temperatura de referência Número de peças injetadas Tensão de Área 10.74 9.91 10.26 10.62 10.45 Média Min Max Desvio Padrão ruptura 70.04 70.92 70.62 70.34 70.93 70.57 70.04 70.93 0.767072356

Amarelo/Verde 50 0C 60 Alongamento máximo 13.64 12.72 12.84 13.95 12.96 13.22 12.72 13.95 1.082256901 Módulo de elasticidade 2666.00 2770.40 2635.70 2663.20 2709.20 2688.90 2635.70 2770.40 105.2115963

Conjunto Temperatura de referência Número de peças injetadas Tensão de Área 10.25 9.8 9.91 10.42 11.05 Média Min Max Desvio Padrão ruptura 69.86 70.84 70.64 68.88 70.18 70.08 68.88 70.84 1.545833109

Azul/amarelo 50 0C 80 Alongamento máximo 11.31 11.50 13.79 13.27 13.44 12.66 11.31 13.79 2.329265979 Módulo de elasticidade 2813.30 2817.30 2697.20 2660.00 2669.60 2731.48 2660.00 2817.30 155.4774196

Conjunto Temperatura de referência Número de peças injetadas Tensão de Área 10.96 10.23 9.81 10.23 10.21 Média Min Max Desvio Padrão ruptura 68.84 68.92 69.62 68.74 68.76 68.98 68.74 69.62 0.733975476

Amarelo/Vermelho 60 0C 20 Alongamento máximo 11.65 12.43 11.78 10.25 14.28 12.08 10.25 14.28 2.930235485 Módulo de elasticidade 2755.10 2713.70 2732.70 2655.90 2637.50 2698.98 2637.50 2755.10 100.6918467

Conjunto Temperatura de referência Número de peças injetadas Tensão de Área 10.13 11.35 10.3 10.55 9.95 Média Min Max Desvio Padrão ruptura 70.44 68.55 69.61 69.15 68.52 69.25 68.52 70.44 1.60577707

Vermelho/Amarelo 60 0C 40 Alongamento máximo 11.95 14.40 13.47 12.53 13.06 13.08 11.95 14.40 1.863942059 Módulo de elasticidade 2683.70 2728.40 2709.40 2709.60 2692.20 2704.66 2683.70 2728.40 34.71357083

Conjunto Temperatura de referência Número de peças injetadas Tensão de Área 10.13 10.15 10.21 10.69 10.04 Média Min Max Desvio Padrão ruptura 70.47 68.59 68.65 69.25 67.01 68.79 67.01 70.47 2.502382864

Verde/Vermelho 60 0C 60 Alongamento máximo 11.61 10.07 10.72 12.17 8.83 10.68 8.83 12.17 2.623204148 Módulo de elasticidade 2781.40 2724.60 2672.30 2667.80 2956.50 2760.52 2667.80 2956.50 237.7270452

48 12.28 10.00 2613.00 2734.68 13.7707562 .26 10.23 69.54 10.87 13.88 2613.29 68.346447177 Vermelho/Verde 60 0C 80 Alongamento máximo 12.70 69.13 69.17 11.30 2757.Conjunto Temperatura de referência Número de peças injetadas Tensão de Área 10.98 69.23 69.397469141 Módulo de elasticidade 2685.30 2659.90 2689.57 13.87 13.95 11.36 10.90 115.57 1.98 1.43 69.20 2757.18 Média Min Max Desvio Padrão ruptura 68.

APÊNDICE B INSERTOS UTILIZADOS NOS EXPERIMENTOS .

0 2.0 .2 5.0 8.0 87.3 2.0 Ø 9.0 Ø 162.0 Ø 5.0 18.0 R 9.INSERTO UTILIZADO NO EXPERIMENTO COMPLEMENTAR Ø 185 R 4.0 ° 60 Dimensões em milímetros 38.0 2.

0 Ø 5.0 35° Ø 162.0 4.0 3.0 R1 5 R3 2.0 8.5 38.5 30.0 .0 3.0 60 ° 15° 10.5 2.0 4.0 R1 .5 .2 Dimensões em milímetros 35 .0 5.0 Ø .Ø 185 Ø 9.

1 1.INSERTO UTILIZADO NOS ESTUDOS DE CASO 1 E 2 80 18 dia 8.5o 10o 5 40 60 63 25 45 40 71 33 5 20 Dimensões em milímetros 53 .

50 42. 10 7.5 0 3.00 .INSERTO UTILIZADO NO ESTUDO DE CASO 3 (INSERTO FIXO) 79.00 18.25 14.00 3.70 4.00 0° 0.00 6.00 5.80 R2 .0 R2 20.00 0 . 10 18.80 30.80 59.50 48.00 8.00 0° 1.05 Dimensões em milímetros 5.75 25.

40 10 10 1° 1 2 0° 2.80 59.75 60.50 39.20 19.INSERTO UTILIZADO NO ESTUDO DE CASO 3 (INSERTO MÓVEL) 79.4 ° 9.50 6 R2 .20 R1 ° 7.90 2 2 .6 11 Dimensões em milímetros 5.75 23.90 3 84 . ° .5 0 7. 0° 12 50 2.75 15 14 4 R2 14 8 50 1.90 21.5 0 3 3 120° 21.80 26.9 84 .

Apêndice C DESCRIÇÃO DO PROGRAMA “MACRO” .

alguns são comuns àqueles encontrados na linguagem de programação Fortran.6. A maioria dos comandos utilizados corresponde aos comandos de linha específicos da linguagem de programação do Ansys. Contudo. .DESCRIÇÃO DO PROGRAMA “MACRO” Será apresentado a seguir o programa computacional desenvolvido para auxiliar as análises térmicas transientes utilizando o Ansys 5.

-18 FITEM.n.4.193 FITEM. ASEL...5.arg2.P51X.-34 LSEL. ALLSEL. .0 TOFFST.4 TRNOPT.5.2.0.0 MSAVE.2.ORDE.2.5.-9 FITEM.5.FULL LUMPM.1 NPLOT FLST.ORDE.2.2. PRECISION.INVE APLOT LSLA.234 FITEM.ARG7. .ALL nessa macro já são *IF.8.S.13 FITEM. ANALISE.TEMPO.0.S.TAMANHO *DIM.33 FITEM.-353 FITEM.S LPLOT FLST.ARRAY.5.PROGRAMA “MACRO” !arg1: temperatura de controle !arg2: temperatura de injeção !arg3: Temperatura inicial do molde !arg4: Temperatura do ar !arg5: TEmpo de molde fechado (usar 4 segundos a menos do que o indicado nos arquivos) !arg6: tempo de resfriamento (Valor grande 800s +-) !arg7: numero de ciclos !OBS=> "delay" TAMANHO=1000 *dim.2.2.FULL. .n.TEMP.17 FITEM.TERMOPAR.-10401 IC.ARRAY.273.15. . .05.ORDE.2 FITEM.S.5.NE.1 NPLOT FLST.P51X LPLOT NSLL.5.2.1.temp.4202 considerados os 4 segundos de 3 ICDELE LSCLEAR.9375 FITEM.RTH ASEL.TEMPOINICIAL+4. NSLA.0 THOPT.1.300.285.1027.R. EQSLV.6 FITEM. .1.1 /SOLU ANTYPE.1.ALL .TAMAN HO n=1 *DO.64.THEN ldread.15.2.6 FITEM.

5.10402 FITEM.ORDE.1.193 FITEM.2. .2.R.-11151 IC.5.4562 FITEM.1.2.2 FITEM.2.-10401 IC.arg2. ALLSEL.P51X. ASEL.17 FITEM.4521 FITEM.-18 FITEM.2.9375 FITEM.-4278 FITEM.8.4562 FITEM. .-10458 FITEM.2.5. .2.arg3.2.2.1 NPLOT FLST.TEMP.1 KBC.4.-10458 FITEM.2.P51X.5.2.TEMP. ALLSEL.2.-1 DELTIM. . .2.2.2.S.5.2. .TEMP.-10535 IC.FITEM.2.10471 FITEM.0 .S LPLOT FLST.1.-34 LSEL.6 FITEM.P51X.4202 FITEM.P51X. TIME.ORDE.-4580 FITEM.1027. ASEL. NSLA.2.-9 3 FITEM.NSOL.S.2.13 FITEM.TEMP.2.2.P51X LPLOT NSLL.-4580 FITEM.2 FITEM.ORDE.arg5 AUTOTS.2 FITEM.2.234 FITEM.6 FITEM.arg2.1 NPLOT FLST.10402 FITEM.2.2.-4278 FITEM.10527 FITEM.285.10471 FITEM.2.ALL NPLOT *ENDIF OUTRES.INVE APLOT LSLA.11150.2.5.2.-10535 IC.2.1.2.arg2.5.ALL NPLOT *ELSE FLST.33 FITEM.ALL.10527 FITEM.S.ORDE.4521 FITEM.-353 FITEM.

ORDE.FULL. .0 TOFFST.1 !Pós processamento da parte1 /POST26 NSOL.1 FLST..6 FITEM.temp.. .2.2 FITEM. TIME.0.999999999.2 FITEM.15 FITEM. copy CICLO_A..2. del CICLO_A. .P51X.0 OUTRES.TXT .. .5. . ldread.ERASE /STATUS.2. /AUTO.05. . LSCLEAR.-0.ANY EPLOT !APLICAÇAO DAS CONDIÇOES E SOLUÇAO /SOLU ANTYPE.12. md .0.1.ORDE.ANALISE.Termopar /output.3.1 CPDELE.430.3. . . .TEMP.15.2.05.P51X. . copy ANALISE. . .10.0 THOPT.%n% /syp.2. .P51X.%n% /sys.1. %n% /syp. . .3.4.2.5.rth . PRVAR.4 AGEN.2.1 FITEM. .0 MSAVE.txt.ARG4. /OUTPUT /syp.ALL.273.2.ARG6 . .rth /GST. .1 AGEN. .arg5.CICLO_A. . .4 TRNOPT.-18 FITEM.1.6 FITEM.2.2.64.-11 FITEM. .-34 /go SFL.CONV.3.TEMP.2.NSOL.0. PRECISION.1e-007.ALL ICDELE FLST. .SOLU SOLVE /PREP7 CPINTF. EQSLV.FULL LUMPM. .33 FITEM..3. .TXT /POST1 RESET ! parte 2 !MOVIMENTAÇãO DAS PARTES /PREP7 FLST.05.ORDE.TSRES.

TEMPMAX.ERASE solve !Pos processamento /POST26 NSOL.-1 DELTIM.EQ. del CICLO_B.430.THEN *IF.txt.2.termopar /output.0.TERMOPAR(1).. .%n% /sys.CONTADOR. ARG1.1.2.LT. /OUTPUT /syp.0 TEMPOINICIAL=0 FALTOURESFRI=0 TEMPMAX=0 *DO. ARG1.L T.GT.L T.%n% /sys. ren Analise_b. copy CICLO_B.TERMOPAR(CONTADOR+1). ren ANALISE.1.1.rth Analise_b.0 TSRES. .rth Analise.CICLO_B. PRVAR.rth .1 KBC.0.ARG1.THEN *IF. copy ANALISE_B.1 *IF.TERMOPAR(CONTADOR+1).THEN TEMPMAX=TERMOPAR(CONTAD OR) .THEN TEMPOINICIAL=TEMPO(CONTAD OR) FALTOURESFRI=0 *EXIT *ENDIF *ENDIF *ENDIF *IF. . .TERMOPAR(CONTADOR+1).ARG1.THEN TEMPOINICIAL=(TEMPO(CONTA DOR)+TEMPO(CONTADOR+1))/2 FALTOURESFRI=0 *EXIT *ENDIF *ENDIF *ENDIF *IF.0.txt .THEN *IF..AUTOTS.TERMOPAR(CONTADOR).TAMANHO.2. .THEN FALTOURESFRI=1 *IF.0 VGET. . .TEMPO(1).N E.0.rth /syp. ARG1.rth ! Lógica do ciclo VGET.GT.TERMOPAR(CONTADOR+1).TERMOPAR(CONTADOR).TERMOPAR(CONTADOR).TERMOPAR(CONTADOR).txt /sys. .THEN *IF.TEMP.N E.

.TEMPOINICIAL=TEMPO(CONTAD OR) FALTOURESFRI=0 *ENDIF *ENDIF CPINTF.TEMP.1 EPLOT *ENDDO *ENDDO *IF. .+0..3.2 FITEM.ANY /PREP7 .UI AUMENTE *EXIT *ENDIF RESET !REARRANJANDO INJEÇAO !MOVIMENTAÇãO DAS PARTES /PREP7 FLST.5. . . .4 AGEN. .P51X.1 FITEM.3.EQ.ORDE.05.1e-007.FALTOURESFRI. .5. .2 FITEM.1. .1 AGEN. .ORDE. /AUTO.1 FLST.3.1 PARA A O TEMPO DE RESFRIAMENTO CPDELE.1.1.P51X. .3. .999999999.-0.THEN *MSG. .3. .05.2.

txt contendo os rsultados da análise corrente para o (s) nó (s) monitorado (s) .Looping sobre o número de ciclos de injeção “N” Limpar os dados da análise anterior N=1 sim Aplicar condições iniciais não Aplicar resultados da análise anterior gravados em STEPC como temperatura inicial do inserto Aplicar temperatura de injeção como temperatura inicial da peça Configurar parâmetros da análise (tempo de ciclo) Análise tansiente térmica do preenchimento da cavidade Criar arquivo ciclo_A.

txt” para a pasta “N” Abrir o inserto Eliminar condição de contorno dos nós coincidentes Limpar os dados da análise anterior Aplicar convecção nas superfícies internas do inserto. considerando temperatura ambiente Aplicar resultados da análise anterior como temperatura inicial do inserto .rth” para a pasta “N” Mover arquivo “ciclo_A.Criar pasta com nome “N” Copiar arquivo “análise.

txt” para a pasta “N” Copiar arquivo “análise.Configurar parâmetros da análise (tempo de resfriamento do inserto) Análise tansiente térmica do resfriamento do inserto Criar arquivo ciclo_B.rth” para a pasta “N” T* nó(s) < Tref não Erro ! O tempo de resfriamento deve ser aumentado sim T* = tempertura no último passo da análise anterior .txt contendo os rsultados da análise corrente para o (s) nó (s) monitorado (s) Mover arquivo “ciclo_B.rth”como “análise_B.

Tnó(s) < T ref não Salvar em STEPC as temperaturas dos nós no instante onde o (s) nó (s) monitorado (s) atingem o (s) valor máximo Salvar em STEPC as temperaturas dos nós no instante onde um dos nó s monitorados atinge a temperatura de referência Fechar o inserto Aplicar condições de contorno nos nós coincidentes Looping sobre o número de ciclos de injeção “N” .

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