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Papéis Legislativos

   
|  n.1,  maio  2011  |  

Papéis Legislativos | n.1 | maio 2011

Observatório Político Sul-Americano http://observatorio.iesp.uerj.br Núcleo de Estudos sobre o Congresso http://necon.iesp.uerj.br/

 

Papel Legislativo 2011
(ano5, n.1, 2011)

Fabiano Santos Mariana Borges Marcelo Barata Ribeiro

O Congresso e o Governo Dilma
Papéis Legislativos (ano 5, n.1, maio. 2011)

Introdução O governo Dilma pode ser considerado como de continuidade ao governo Lula, sobretudo no que tange à composição de uma ampla e heterogênea coalizão de partidos no seu ministério. Contudo, passados os 100 primeiros dias da nova Presidente, algumas inovações foram feitas, desde o aumento significativo do número de mulheres no gabinete até a mudança no perfil de alguns ministérios estratégicos no governo Lula para a política externa. No Congresso, o ambiente também é outro. Apesar da queda significativa da bancada dos partidos de oposição e a saída de algumas de suas principais lideranças, como destacado na edição passada deste Papel, Dilma terá que lidar com o Congresso mais fragmentado do recente período democrático. Ao mesmo tempo, muitos são os desafios que se colocam na agenda do governo e do Congresso, como a reforma política, que está sendo discutida pelos Deputados e Senadores, a reforma tributária, que é uma das prioridades da Presidente, e a continuidade da política externa que busca consolidar o papel do Brasil como importante ator internacional.

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Papéis Legislativos | n.1 | maio 2011

Neste Papel Legislativo o objetivo será traçar um panorama de como será relação Executivo-Legislativo através do perfil do primeiro gabinete de Dilma, do Congresso e de suas comissões. Pretende-se também vislumbrar como e se as mudanças introduzidas pelo novo gabinete da Presidente e a atual configuração do Congresso influenciarão no andamento da agenda da política externa brasileira e das principais pautas do Congresso. 1. O Gabinete Dilma e o aprendizado político do governo Lula A fim de traçar o perfil do primeiro gabinete de Dilma, faremos uma comparação com os que foram formados por seus predecessores, sobretudo os padrões de governança que foram consolidados por FHC e Lula. Desde o fracasso do governo Collor, que inicialmente montou seu gabinete com poucos ministros endossados por partidos políticos, todos os presidentes utilizaram de sua prerrogativa de nomearem livremente seus ministros de forma a consolidarem sua base de apoio no Congresso. Apesar do poder discricionário que o Presidente detém, a distribuição proporcional de pastas de acordo com o peso no Congresso dos diferentes partidos do gabinete demonstrou ser uma importante moeda de troca do chefe do Executivo para disciplinar os partidos de sua base (Amorim Neto, 2002). Segundo Zucco (2009), ao lado da ideologia e das emendas orçamentárias individuais, a distribuição de ministérios aos partidos é um dos fatores que determinam o comportamento parlamentar no Brasil. O governo FHC teria inaugurado o padrão de governança do presidencialismo de coalizão brasileiro distribuindo de forma relativamente proporcional os ministérios de acordo com a força legislativa dos partidos que compunham o seu gabinete. De acordo com Amorim Neto (2007), FHC, no primeiro gabinete de seu segundo mandato, formou o gabinete mais proporcional até hoje com o índice de proporcionalidade (coalescência)1 de 0,70. Para fins de comparação, conforme demonstra a Figura 1, o menos proporcional até hoje foi o último formado por Itamar com um índice de coalescência de 0,22 (Amorim Neto, 2007). O gabinete mais proporcional de Lula teve um índice proporcionalidade de 0,64 (Amorim Neto, 2007). Porém, na média, em seu primeiro mandato o índice foi de 0,6 (Amorim Neto, 2007), e no seu segundo a média foi aproximadamente a mesma. Os gabinetes de Lula foram menos proporcionais, conforme a Figura 1, que os de FHC.

                                                                                                               
1

O índice de coalescência de Amorim Neto varia de 0 a 1 e mede a relação entre os ministérios ocupados por um partido e sua contribuição à base legislativa do governo. O valor 1, portanto, corresponde ao gabinete em que a porcentagem de pastas de cada partido corresponde exatamente à sua força na Câmara dos Deputados.

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Papéis Legislativos | n.1 | maio 2011
Jornal Valor Econômico - CAD A - BRASIL - 10/3/2011 (21:5) - Página 6- Cor: BLACKCYANMAGENTAYELLOW Enxerto

A6 | Valor | Quinta-feira, 10 de março 2011

Política
   
Mandatos

Figura 1 Índice de Coalescência de Sarney a Dilma

A arte de recompensar os aliados
Sarney
Mar/85 a Mar/90

Dilma segue padrão de Lula ao distribuir ministérios de acordo com o peso dos partidos na Câmara

Collor
Mar/90 a Out/92

Itamar
Out/92 a Dez/94

FHC I
Jan/95 a Dez/98

FHC II
Jan/99 a Dez/02

Lula I
Jan/03 a Dez/06

Lula II
Jan/07 a Dez/10

Dilma
Desde Jan/11

Índice de proporcionalidade dos gabinetes*
0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1

Mar/85- Fev/86Fev/86 Mar/90

Mar/90- Out/90- Jan/92- Abr/92Out/90 Jan/92 Abr/92 Out/92

Out/92- Jan/93- Mai/93- Set/93- Jan/94Jan/93 Mai/93 Set/93 Jan/94 Dez/94

Jan/95- Abr/96Abr/96 Dez/98

Jan/99- Mar/99- Out/01- Mar/02Mar/99 Out/01 Mar/02 Dez/02

Jan/03- Jan/04- Jun/05- Ago/05- Set/05- Abr/06Jan/04 Jun/05 Ago/05 Set/05 Abr/06 Dez/06

Jan/07- Abr/07- Ago/09- Mar/10Abr/07 Ago/09 Mar/10 Dez/10

Desde Jan/11

Principais acontecimentos

Collor atrai PSDB, PTB e PL e tenta consertar o erro de um governo minoritário.

Saída do PTB marca o "fim de festa" do governo Itamar.

No início do segundo mandato, FHC monta o ministério mais proporcional até hoje.

PFL abandona o governo, e tucanos chamam ministros sem filiação partidária.

Lula incorpora o PMDB, mas lhe dá apenas duas pastas no governo.

Após a reeleição, Lula mantém patamar semelhante de distribuição aos aliados.

Volta do PR e do PRB ao ministério Lula aumenta índice de proporcionalidade.

Taxa de 0,61 é igual à média dos gabinetes do segundo mandato de Lula.

Fonte: Octavio Amorim (EPGE/FGV-Rio) e Núcleo de Estudos sobre o Congresso (Necon/Iesp-Uerj). *O indicador mede a relação entre os ministérios ocupados por um partido e sua contribuição à base legislativa do governo - também chamado de grau de coalescência.

Fonte: rno Presidente distribuiu Pastas de Valor Econômico, Brasil, A6, 10 de março de 2011. GoveDados de Amorim Neto no Jornal modo tão proporcional aos partidos quanto antecessor

 

grande concentração de gabine- mais insatisfação do quenas mãos critério, como o or- partido do Presidente. timo (0,60) e o último (0,56) ministérios contenta- adoção de outro do PT, Cristian Klein Segundo Amorim Neto (2007, p. 57) das 30 pastas do primeiro ministério de
De São Paulo

Ministério de Dilma segue cartilha de Lula
Uma das razões para a menor proporcionalidade dos gabinetes de Lula é a
LEO PINHEIRO/VALOR

tes de Lula foi de apenas 0,04, o de mento ao novo parceiro. Ciente de çamento, também não captaria o Itamar Franco foi de 0,26 (com a saí- seu peso para o sucesso do governo, peso de pastas como Casa Civil e ReO PMDB reclamou, o PSB não fi- da do PTB) e o de Fernando Henri- o PMDB passou a cobrar pelo apoio e lações Exteriores, que formam a licou muito contente, mas o primei- que registrou 0,31. O então PFL, a reivindicar ainda mais espaço. nha de frente do governo, mas têm ro ministério da presidente Dilma maior aliado do PSDB, abandonou o Geralmente, além da indicação baixa dotação orçamentária. Rousseff é tão proporcional ao pe- governo tucano, num cisma que já de ministros, as moedas mais utiliO pesquisador considera que a so das bancadas dos partidos alia- antecipava as dificuldades dos par- zadas em troca de apoio são as boa distribuição de ministérios aos dos na Câmara dos Deputados ceiros em permanecer no poder. emendas parlamentares e os cargos aliados é uma questão prioritária. quanto foi o do ex-presidente Luiz Collor é outra exceção, pois inver- de segundo e terceiro escalões. Ou Talvez mais que a formação de coaliInácio Lula da Silva. teu, duplamente, os movimentos mesmo pagamentos em espécie. zões supermajoritárias, que se transEsse éo resultado doscálculos fei- mais comuns. A proporcionalidade Estaria aí uma das explicações formaram numa obsessão. Govertos, a pedido do Valor, pelo cientista de seu ministério começou em que- para a origem do escândalo do nos minoritários, em sua opinião, político Octavio Amorim, da Escola da acentuada em relação à de Sarney mensalão. Resistente em ceder mi- não deveriam ser descartados. de Pós-Graduação em Economia, da e terminou em ascensão. Era uma nistérios, Lula teria trocado a estra“É uma experiência que vale a peFundação Getúlio Vargas do Rio. tentativa desesperada e tardia — ao tégia de negociar o apoio no ataca- na ser tentada. Há quem defenda O índice de proporcionalidade do atrair PSDB, PTB e PL —de consertar a do e foi para o pior lado do varejo. que Lula não deveria ter chamado o ministério Dilma — 0,61 — é exata- montagem de seu governo. “Jamais saberemos o que foi exa- PMDB, em 2004. Poderia ter contimente o mesmo da média dos quaPara Amorim, a formação do mi- tamente o mensalão. As informa- nuado sem uma maioria folgada no tro gabinetes formados por Lula em nistério de Dilma foi bem feita. “O ções não são sólidas. Mas o descon- Parlamento. Negociaria ponto a seu segundo mandato. Cada gabine- governo foi bem montado, nada in- tentamento da base tem a ver indire- ponto com a oposição, em bases te representa uma formação minis- dica que haverá riscos. Ele é muito tamente com o episódio”, diz Amo- programáticas, comofez nareforma terial, marcada pela inclusão ou saí- parecido com o segundo gabinete rim. Só depois do escândalo, Lula da Previdência, em 2003”, diz. da de um partido do governo. de Lula. Faz sentido, pois é um gover- rendeu-se à cartilha de FHC, ou ao Uma das evidências de que proA distribuição mais ou menos no de continuidade”, afirma. “livro-texto do presidencialismo de blemas de governabilidade são ineequânime de ministérios entre os A proporcionalidade do ministé- coalizão”, segundo expressão cu- vitáveis — formando-se ou não um parceiros da coalizão é tida como rioDilmaocorre apesardachamada nhada pelo cientista político inglês ampla base de apoio —é que, hoje, o um dos principais indicadores de “tendência monopolista” do PT. O Timothy Power. Fernando Henrique, centro gravitacional do conflito tegovernabilidade, ao lado do tama- comportamento da legenda é con- além de ter costurado uma base am- ria se deslocado dos embates entre nho da base parlamentar aliada. firmado pelos números. Compara- pla, a contentou com uma distribui- oposição e o governo para confronEntre janeiro e abril de 1992, ano do a outros partidos presidenciais, o ção proporcional, cujo índice, de tos no interior da base. de seu impeachment,Fernando Col- PT é o que mais ocupa ministérios. 0,70, no primeiro gabinete do seNão é à toa, lembra Amorim, que lor de Mello tinha um ministério cu- Enquanto no primeiro gabinete de gundo mandato, é o maior até hoje. a indisciplina do PDT — numa votajo índice de proporcionalidade era Sarney, o PMDBestava 17% sobrerreAmorim reconhece que o indica- ção do salário mínimo em que o go- 2 de 0,30. Associado à falta de susten- presentado em relação aos parcei- dor de proporcionalidade tem limi- verno venceu por boa margem — tetação parlamentar — Collor contava ros, e o PSDB esteve 40%, no primeiro tações pois se baseia apenas no nú- nha recebido mais atenção do Palácom o apoio de apenas 26,3% da Câ- ministério de FHC, o PT, no governo mero de ministérios e não na impor- cio do Planalto do que os movimenmara — isso refletia um presidente Dilma, está 77% acima de uma situa- tância deles. Mas argumenta que a tos da enfraquecida oposição. Amorim: “Ministério de Dilma é muito parecido com o segundo gabinete de Lula” isolado, vulnerável, cercado de mi- ção deigualdade em relaçãoao peso nistros sem filiação partidária e mais das siglas que compõem a base. propenso a serderrubado. “O goverA bancada do PT na Câmara, de 88 no Collor não era apenas minoritá- deputados, corresponde a 27% da rio, mas também muito mal consti- base aliada de 326 parlamentares, Mauro Zanatta Mas espera-se que o bom senso im- os corredores para pedir a aprova- to da Amazônia, isso é de interesse tuído. Não à toa as consequências fo- mas o partido ocupa 48% dos 37 mi- De Brasília pere”, afirma Trennepohl. O executi- ção do relatório do deputado Aldo nacional, (o projeto) não limita a 3 ram desastrosas”, afirma Amorim. vo arrisca uma sugestão aos con- Rebelo (PCdoB-SP). Ambientalis- competência do Ibama”, avalia. “Na nistérios. O PMDB contribui com Dilma, além de contar com ampla 24%, mas detém 17% das pastas. Às vésperas da mobilização na- gressistas: “Que, por exemplo, não se tas reforçaram teses científicas pa- regulamentação dessa nova lei, vai base parlamentar saída das urnas, Amorim afirma que a maior pre- cional planejada por ruralistas no desobrigue a preservação de encos- ra rejeitar as mudanças propostas. ser estabelecido o que permanece maior que a obtida por Lula, seguiu sença do PT no governo reflete al- Congresso, o novo presidente do tas.Está sabidoque desmatarencosO Ibama também tem preocupa- como interesse nacional. Pantanal, o padrão forjado pelo antecessor, guns traços característicos do parti- Instituto Brasileiro de Meio Am- tas e topos de morro leva a desastres ções com alterações na legislação Cerrado, devem permanecer sob depois de erros eacertos. Em relação do, como a existência de várias fac- biente (Ibama), Curt Trennepohl, naturais”, afirma, em referência à re- que possam prejudicar suas atribui- responsabilidade federal”. ao último gabinete de Lula, cuja taxa ções que precisam ser atendidas e o entrou no debate sobre a reforma cente tragédia na região serrana do ções. Um projeto em tramitação no Em defesa do Conama, do qual é foi de 0,56, o ministério de Dilma é fato de ser uma organização muito do Código Florestal ao defender Rio. E completa: “Espera-se que não Senado (PLC 1) retira poderes do membro, o presidente do Ibama re2 até um pouco mais proporcional — forte, disciplinada, e que tem pre- “bom senso” e exigir mais “preser- haja tanta bondade na discussão e Ibama e do Conselho Nacional de jeita que o colegiado, principal alvo Osaumento considerado normal e sençaà composição doiogabinete dos governonovo código”. do primeiro(Conama), delegan- Lula são de um dados referentes também fora do Congresso, vac nismo” das leis ambientais. aprovação do FHC e Meio Ambiente governo dos ruralistas, tenha “postura amcíclico, como Neto (2007). vários tentáculos na sociedade Recém-empossado no cargo, o Na avaliação de Trennepohl, o Có- do a Estados e municípios o papel de bientalista”, mas admite que é uma com Amorim ressalta Amorim. Desde a afirma 3 Veja a redemocratização, roda pé sindicalismo, nos movi- advogado gaúchonas regrasque li- digo Florestalprecisa mudarconcei- emissores de licenças osão li- instância “presresoluçõesta” necesnota de as civil — no n. 7 e a figura n. 4 para anão a tos. “Ele trata bemsobre quais partidos ambientais. sária. “Hoje, as ervacionis do Conaexplicação mais da utilização Trennepohl afirma que projeto classificados duas maiores quedas de proporcio- mentos sociais, no funcionalismo, eventual mudança como de relacionadas a finsde entre os intelectuais, nae de clientelistas e atornará de recursos naturais do que de sua mita desses de fiscalização ma complementam essa legislação nalidade estão direita, de esquerda igreja etc. mitará a ação do Ibama, mas evolução das bancadas a competência blocos. governo em que o presidente não teA tendência monopolista do PT, “menos exigentes”as leis ambientais preservação”, diz. “Mesmo quando é ao órgão licenciador. “Em primeiro que é nova e dinâmica. O Conama ve direito a um novo mandato. Foi o contudo, tem sido posta à prova des- cujo cumprimento é sua atribuição. preservacionista, grande parte da lugar, rezo para que o Senado altere não pode desaparecer porque terecaso deItamar Franco ede Fernando de a chegada do partido ao poder “O Código Florestal não limita nossa preocupação é econômica”. Mas isso esse dispositivo específico”, diz. “De- mos que normatizar, por decreto, Henrique Cardoso. em 2003. Em janeiro de 2004, Lula — competência, mas torna menos exi- não é, segundo ele, exclusividade pois, existe a possibilidade de a Pre- uma enormidade de matérias que É o “fim de festa”, quando cada depois de ter se recusado a seguir, gente, é umpouco mais permissivo”, das florestas. “O código das águas, sidência vetar isso. Ou a regulamen- hoje tem seu aval. Ele é uma necessi3 partido está buscando seu caminho após a vitória na eleição, a sugestão disse ao Valor. por exemplo, diz que sua finalidade tação poderá deixar esses macropro- dade como forma de não engessar o diante das possibilidades de reali- de seu futuro chefe da Casa Civil, José O governo tem evitado novas po- é preservar a água como insumo do cessos ainda fiquem sobre a atuação processo ambiental”, avalia. A funnhamento numa nova eleição. ção do Conama, diz, é “compensar do Ibama”, afirma Trennepohl. Dirceu —resolveu finalmente incluir lêmicas com a bancada ruralista, já processo produtivo”. A alta popularidade de Lula, no o PMDBno governo, o quemarcou o que negocia nos bastidores mudanMesmo com as alterações propos- ou mitigar” o custo ambiental. “Seu No Congresso, os lobbies estão a entanto, criou uma exceção. Diante início de seu segundo gabinete. ças menos bruscas no código. O pre- mil. Ruralistas e ambientalistas tas,relatadas pelasenadoraruralista papel hoje é importante para nor-

Lula, 60% delas eram do PT, que, contudo, somava apenas 35% das cadeiras do gabinete na Câmara dos Deputados. Mesmo o governo FHC sendo o mais 40% sobrerrepresentado no primeiro gabinete do segundo mandato, segundo proporcional até então, o PSDB, partido do Presidente na época, chegou a estar

Amorim Neto. Contudo, uma das explicações dadas para a exacerbação dessa tendência com o PT é o fato de que grande parte dos partidos que compuseram os gabinetes de Lula, com exceção a partir de 2004 do PMDB, serem partidos com o seu peso no Legislativo (Amorim Neto, 2007).

pequenos. Dessa forma, apenas um ministério seria suficiente para equilibrar

FHC também contou com gabinetes menos fragmentados e heterogêneos

quando comparado com os do primeiro governo de Lula . Os gabinetes de FHC foram compostos por, no máximo, 6 partidos. Já no primeiro governo Lula, na

média, houve 7,6 partidos em cada gabinete, sendo que no quinto gabinete houve 9 partidos. Tal variação refletiu a diferença nas bancadas no Legislativo dos partidos de direita e de esquerda em cada governo. A bancada na Câmara eram amplamente majoritárias nas legislaturas eleitas em 1994 e 1998, somaram

Presidente do Ibama critica relatório do Código Florestal

dos Deputados dos partidos de centro-direita (PSDB e DEM) e de centro (PMDB)

                                                                                                               

Papéis Legislativos | n.1 | maio 2011

57,3 e 56% das cadeiras respectivamente. A ampla bancada de partidos ideologicamente mais próximos ao presidente, permitiu que FHC dependesse menos do apoio dos partidos menores e com perfil mais clientelista para obter a maioria no Congresso. Já nos dois governos de Lula a bancada dos partidos de esquerda era menor do que as dos partidos de direita e centro-direita durante o governo FHC. Com a decisão inicial no primeiro gabinete de Lula de manter o partido de centro, o PMDB, fora, ele ficou ainda mais dependente de compor com os partidos menores e clientelistas e da cooperação do PSDB e PMDB, já que seu primeiro gabinete era minoritário (Santos, 2003). Mesmo com a vinda do PMDB em 2004, a soma da bancada desse partido mais a dos de esquerda ainda era minoritária, daí a necessidade de Lula de compor com mais partidos e partidos ideologicamente heterogêneos. A distribuição das pastas ministeriais entre os diferentes partidos da coalizão governamental garantiu aos dois governos, na maior parte do tempo, uma maioria no Legislativo. A não ser no período pré-eleitoral de fim de governo em 2002, a base dos partidos governistas durante FHC contou sempre com mais de 50% das cadeiras. No primeiro governo Lula, apenas o seu primeiro gabinete, que ainda não contava com o PMDB, foi minoritário na Câmara dos Deputados. A maior dependência de Lula em compor com mais partidos em relação ao FHC também pode ser verificada pela taxa de ministros sem filiação partidária, que, segundo Amorim Neto (2007), costumam ser especialistas em alguma área da administração pública. Enquanto que na média dos dois governos FHC houve 37% de ministros apartidários, no primeiro governo Lula tal média foi da apenas 18% (Amorim Neto, 2007). Outra variável relacionada ao capital político dos ministros de um gabinete é a porcentagem deles que em algum momento de sua carreira foram legisladores. Aqui também se verifica uma diferença entre os padrões de FHC e de Lula. Como é de se esperar, já que no governo FHC houve mais ministros sem vínculo partidário, na média de seus dois mandatos apenas 33% deles tinham experiência legislativa, enquanto que no primeiro governo Lula tal média foi bem maior, de 52% (Figueiredo, 2007). O primeiro gabinete formado pela Presidente Dilma seguiu em linhas gerais o mesmo padrão do segundo governo Lula. Na Figura 2, há um resumo das principais características desse gabinete. O índice de proporcionalidade é de 0,61, o que é relativamente mais proporcional do que a média do primeiro governo Lula

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e mais próximo da média do segundo governo Lula. A continuidade da formação de um ministério composto por políticos endossados pelos partidos na coalizão também é verificada pelo pequeno número de ministros sem filiação partidária, apenas 17%, quase o mesmo percentual do primeiro governo Lula. É também alto o número de ministros que já passaram pelo Congresso como legisladores, 40% Figura 2 Dados principais do primeiro gabinete de Dilma
% Cadeiras Gabinete na CD

Partidos no Gabinete (n. de pastas) PT (17), PMDB (6), PSB (2), PCdoB (1), PDT (1), PP (1), PR (1)

Índice de Proporcionalidade

% Ministros apartidários

% Ministros legisladores

% Ministras

63,5

0,61

17

40

26

No primeiro governo Lula, a má incorporação do PMDB com apenas dois ministérios, proporcionalmente muito inferior ao seu peso no Legislativo, foi corrigida no segundo governo, quando se alocou mais pastas ao partido (Amorim Neto & Coelho, 2008). No governo Dilma, o PMDB está representado em seis ministérios, ainda que em dois deles - de Minas e Energia e da Defesa - a indicação não tenha sido do próprio partido4. Porém, a concentração de pastas no PT também continua; ele detém dezessete pastas, equivalente a 49% do total, sendo que representa apenas 27% das cadeiras do gabinete na Câmara dos Deputados. A coalizão de governo de Dilma possui sete partidos cujas bancadas na Câmara dos Deputados somam 63,5%, amplamente majoritária, portanto. É também menos fragmentada do que a do governo Lula. Além disso, a saída do PTB da base governista conferiu a esta uma maior homogeneidade ideológica relativamente ao governo anterior. Apesar disso, PP e PR, os outros partidos de direita com perfil clientelista, ainda estão presentes no gabinete de Dilma. Eles são, respectivamente, o terceiro e o quarto partido da coalizão no Legislativo, ambos com quarenta e um deputados, sendo que cada um detém uma pasta. O PSB, entretanto, que em cadeiras fica atrás do PP e PR, detém dois ministérios,

                                                                                                               
4

Artigo Jornal Folha de S. Paulo, disponível em http://www1.folha.uol.com.br/poder/855582conheca-os-ministros-do-governo-dilma-rousseff.shtml.

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em grande parte devido ao peso político que o partido conquistou ao controlar o Executivo de seis Estados. Dos trinta e cinco ministros5, nove deles estavam presentes no governo Lula, quinze foram indicados por algum partido político da coalizão, doze por Dilma, cinco por Lula e dois deles, Aloizio Mercadante e Paulo Bernardo por Dilma e Lula. Vinte e dois ministros, ou seja, 63% deles, são filiados a partidos de esquerda. A grande inovação do gabinete de Dilma foi o percentual de ministras mulheres. Lula, em seu primeiro governo, já havia superado seus antecessores com 11% de seu gabinete sendo composto de mulheres (Amorim Neto, 2007). Dilma nomeou nove mulheres, um percentual de 26%, bem acima de Lula. É interessante observar, contudo, que das nove ministras, cinco foram indicações diretas de Dilma, uma de Lula e apenas três delas (Iriny Lopes, Ideli Salvatti e Maria do Rosário) foram indicadas por um partido, o PT. Nenhum outro partido da coalizão indicou uma mulher para a composição do gabinete de Dilma. A distribuição das pastas entre os partidos
6

também

permaneceu

essencialmente a mesma do segundo governo Lula . A mudança que ocorreu foi um rearranjo de pastas entre PT e PMDB. Este perdeu o controle dos Ministérios da Saúde e das Comunicações, que foram os focos dos escândalos de corrupção (FUNASA e Correios) no governo Lula, para o PT. Tais pastas passaram a ser chefiadas, respectivamente, pelos ministros Alexandre Padilha e Paulo Bernardo, ambos indicações diretas de Dilma. Isto mostra que a Presidente quer acompanhar mais de perto esses dois ministérios. O PMDB, por sua vez, também perdeu o Ministério da Integração Regional para o PSB. Em contrapartida, angariou os ministérios da Previdência Social, Turismo e a Secretaria de Assuntos Estratégicos. Já o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) chefiado por Sérgio Rezende do PSB passou para Aloizio Mercadante do PT. A montagem política do primeiro ministério de Dilma seguiu, portanto, o padrão mais proporcional de divisão das pastas entre os partidos da coalizão que houve durante o governo Lula. Com exceção do rearranjo de ministérios considerados mais problemáticos no período anterior e o maior número de mulheres no governo, Dilma segue o padrão de governança estabelecido por seu antecessor. Apesar de continuar a maior concentração de pastas no PT, há um grande percentual de ministros políticos, ou seja, endossados por algum partido

                                                                                                               
5

O número de 35 ministérios não engloba os titulares do Banco Central, Advocacia Geral da União e Defensoria Pública da União, que possuem status de Ministros. 6 Os dados referentes à composição do gabinete do segundo governo Lula são de Amorim Neto & Coelho (2008).

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Papéis Legislativos | n.1 | maio 2011

como forma de garantir o apoio do governo no Congresso. Portanto, diante da distribuição mais proporcional dos ministérios entre os partidos, Dilma deve conseguir o apoio da bancada governista no Legislativo para seus projetos. Mesmo que muitos partidos da base ainda esperem a nomeação de seus indicados para grande parte dos postos do segundo escalão. 2. O Congresso No Congresso, Dilma possui uma base de governo consolidada, que vem crescendo desde a primeira eleição de Lula, como se observa na Figura 3. Em 2003, a coalizão de Lula era minoritária tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado. Em 2006, já tendo incorporado o PMDB, o governo ainda enfrentava dificuldades para conseguir aprovar emendas constitucionais no Senado. Em 2011, Dilma conta com ampla maioria nas duas casas. O enfraquecimento da oposição deu-se, sobretudo, em virtude da grande perda de cadeiras dos partidos de centro-direita, como foi destacada no Papel Legislativo anterior. Principalmente o DEM, que no Senado chegou a perder dois terços de seus senadores e diminuirá sua bancada em pelo menos 11 deputados com a criação do novo partido do prefeito de São Paulo, o PSD, de Gilberto Kassab. Figura 3 Evolução da base do governo na Câmara dos Deputados (2002-2011)

Na Figura 4, há a evolução das bancadas de acordo com blocos de direita, centro, esquerda e partidos clientelistas juntamente com os chamados nanicos7.

                                                                                                               
7

São considerados partidos de (i) direita e centro-direita: DEM e PSDB; (ii) centro: PMDB; (iii) esquerda e centro-esquerda: PT, PCdoB, PPS, PCdoB, PV, PDT, PSB e PSOL; (iv) clientelistas: PTB, PP

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Além da queda acentuada da centro-direita e do crescimento contínuo da centroesquerda, o resultado das eleições de 2010 foi bastante favorável para os partidos com perfil mais clientelista. Eles aumentaram significativamente a sua bancada. Principalmente o PR, que saiu de menos de 5% de cadeiras para 8% e os micro partidos, que ao todo somam 8% das cadeiras da Câmara dos Deputados. A soma da bancada dos partidos nanicos é a maior desde 1994. Figura 4 Evolução das bancadas segundo blocos na Câmara dos Deputados (19942011)

 
A reconfiguração dessas bancadas, sobretudo a acentuada queda da direita e o crescimento dos nanicos, está refletida no aumento da volatilidade eleitoral8 Figura 5 - em relação ao ano de 2006. Apesar desse incremento, é importante frisar que a volatilidade eleitoral da Câmara dos Deputados está longe de indicar que o sistema partidário brasileiro tornou-se instável. Como destaca Santos (2008), o índice de volatilidade brasileiro não está muito acima do que se encontra em democracias desenvolvidas que apresentam, como o Brasil, representação proporcional. Os cinco maiores partidos representados na Câmara continuam sendo, respectivamente, o PT, o PMDB, o PSDB, o PP e o DEM; com a diferença que o PP é agora maior do que o DEM e que o PT, como em 2002, voltou a ser o maior partido. Contudo, com a criação do PSD e a saída de 11

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                           
e PR e micro partidos, que são todos aqueles que tiverem menos de 3% das cadeiras da Câmara dos Deputados e cujo perfil ideológico não é definido. 8 O índice de volatilidade eleitoral varia de 0 a 1, em que o valor 0 representa a situação em que cada partido repete a votação que teve na eleição anterior, enquanto 1 significa que cada voto foi dado a partidos que não concorreram na eleição anterior.

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deputados do DEM, o PR deve se tornar o quinto maior partido na Câmara dos Deputados. Figura 5 Evolução do índice de volatilidade eleitoral na Câmara dos Deputados (1994-2011)

Fonte: 1986-2006 Santos (2008)

O

pequeno

aumento

da

volatilidade,

contudo,

trouxe

uma

maior

fragmentação. Ao todo, em 2011, vinte e um partidos tem assento na Câmara dos Deputados. O número efetivo de partidos passou de 9,3 (Anastasia & Melo, 2009) para 10,5. Se na Câmara eleita em 2006 os quatro maiores partidos somavam 59,1% das cadeiras (Anastasia & Melo, 2009), em 2011, eles somam apenas 51,1%. Apenas PT e PMDB elegeram entre 12 e 17% de deputados, enquanto que três partidos (PSDB, PP e DEM) detém entre 8 e 12% das cadeiras e oito deles entre 2 e 5% das cadeiras. No Senado, a fragmentação também aumentou, indo o número efetivo de partidos em 2006 de 6,3 (Anastasia & Melo, 2000) para 7,75 em 2011. Mesmo com o aumento da fragmentação no Congresso Nacional, Dilma montou um gabinete com menos partidos do que a média dos dois governos de Lula. Com o aumento da bancada de esquerda e a forte queda dos partidos de centro-direita na oposição, Dilma conseguiu poupar a distribuição política de alguns ministérios. Ainda assim ela conta no Congresso com o apoio de partidos não representados no gabinete, como é o caso do PTB e de outros nanicos, PRB, PMN, PSC, PTdoB, PRTB, PRP, PTC e PSL, que, como se viu, em conjunto somam

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uma

bancada

considerável.

A

oposição

vai

diminuir

ainda

mais

com

a

formalização do novo partido, o PSD, que abriga políticos que estavam insatisfeitos com sua condição de oposição. Nesse contexto, é de se esperar uma oposição com dificuldades de exercer seu papel de fiscalizador do governo. É provável que os confrontos com o governo no Legislativo ocorram, sobretudo, dentro da sua própria base, como foi o caso da alta taxa de infidelidade do PDT na votação do novo salário mínimo. Na próxima seção, analisaremos a distribuição das comissões entre os partidos. Sendo as comissões um dos principais instrumentos que a oposição tem para fiscalizar o governo, a sua estruturação é vital para vislumbrar os âmbitos possíveis da sua atuação. 3. Os Ministérios e as Comissões do Congresso As comissões exercem um papel fundamental na atividade legislativa, sobretudo em relação à sua função de fiscalizar o Executivo. Para que tal papel seja exercido em sua plenitude, o ideal é que para cada Ministério haja uma correspondente comissão tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado. É desejável também que os membros dessas comissões tenham alguma experiência prévia no assunto para assim poderem bem exercer a função de controle e de agenda em determinado assunto. É buscando verificar em que medida o atual Congresso estruturou os mecanismos de controle frente ao Executivo que essa seção irá analisar a correspondência entre os Ministérios e as comissões da Câmara e do Senado. Como se pode observar na Figura 6, da mesma forma como verificou Anastasia & Melo (2009) para a Legislatura eleita em 2006, há um número muito maior de ministérios do que comissões permanentes no atual Congresso eleito.

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Figura 6 Distribuição Partidária dos Ministérios e Comissões da Câmara dos Deputados e Senado
Ministérios/Secretarias Agricultura, Pecuária e Abastecimento (PMDB) Cidades (PP) Ciência e Tecnologia (PT) Comunicações (PT) Cultura (S.F.P) Defesa (PMDB) Desenvolvimento Agrário (PT) Desenvolvimento Social e Combate à Fome (PT) Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (PT) Educação (PT) Esporte (PCdoB) Fazenda (PT) Integração Nacional (PSB) Justiça (PT) Meio Ambiente (S.F.P) Minas e Energia (PMDB) Planejamento, Orçamento e Gestão (PT) Previdência Social (PMDB) Relações Exteriores (S.F.P) Saúde (PT) Trabalho e Emprego (PDT) Transportes (PR) Turismo (PMDB) Políticas para as mulheres (PT) Pesca e Aquicultura (PT) Especial de Direitos Humanos (PT) Política de Promoção de Igualdade Racial (PT) Especial de Portos (PSB) Comissão Permanentes Câmara dos Deputados Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (DEM) Desenvolvimento Urbano (PMDB) Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (PSDB) Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (PSDB) Educação e Cultura (PT) Relações Exteriores e de Defesa Nacional (PSDB) Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (DEM) Seguridade Social e Família (PMDB) Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio (PR) Educação e Cultura (PT) Turismo e Desporto (PSB) Finanças e Tributação (PT) Fiscalização Financeira e Controle (PSC) Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento regional (PP) Constituição e Justiça e de Cidadania (PT) Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (PDT) Minas e Energia (PT) Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio (PR) Seguridade Social e Família (PMDB) Relações Exteriores e de Defesa Nacional (PSDB) Seguridade Social e Família (PMDB) Trabalho, de Administração e Serviço Público (PTB) Viação e Transportes (PMDB) Turismo e Desporto (PSB) Direitos Humanos e Minorias (PCdoB) Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (DEM) Direitos Humanos e Minorias (PCdoB) Direitos Humanos e Minorias (PCdoB) Viação e Transportes (PMDB) Comissões Permanentes Senado Agricultura e Reforma Agrária (PDT) ----Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informação (PMDB) Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informação (PMDB) Educação, Cultura e Esporte (PMDB) Relações Exteriores e Defesa Nacional (PTB) Agricultura e Reforma Agrária (PDT) Assuntos Sociais (DEM) Assuntos Econômicos (PT) Educação, Cultura e Esporte (PMDB) Educação, Cultura e Esporte (PMDB) Assuntos Econômicos (PT) Desenvolvimento Regional e Turismo (PP) Constituição, Justiça e Cidadania (PMDB) Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (PSB) Serviços de Infraestrutura (PSDB) Assuntos Econômicos (PT) Assuntos Sociais (DEM) Relações Exteriores e Defesa Nacional (PTB) Assuntos Sociais (DEM) Assuntos Sociais (DEM) Serviços de Infraestrutura (PSDB) Desenvolvimento Regional e Turismo (PP) Direitos Humanos e Legislação Participativa (PT) Agricultura e Reforma Agrária (PDT) Direitos Humanos e Legislação Participativa (PT) Direitos Humanos e Legislação Participativa (PT) Serviços de Infraestrutura (PSDB)

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Com exceção das pastas não relacionadas a temas substantivos (Casa Civil, Relações Institucionais, Secretaria Geral, Assuntos Estratégicos, Comunicações Sociais e Gabinete de Segurança Institucional), são 29 o número de ministérios que são fiscalizados pelas Comissões. Na Câmara dos Deputados, há 20 comissões permanentes e, atualmente, 6 comissões temporárias. Das permanentes, duas delas não se relacionam diretamente a nenhum ministério (Defesa do Consumidor e Legislação Participativa), fazendo com que haja na média 1,6 ministério por Comissão Permanente na Câmara dos Deputados. No Senado, esse número é ainda maior; com apenas 11 comissões permanentes, há 2,6 ministérios por comissão. O grande número de ministérios a ser acompanhado por cada comissão dificulta o controle e a fiscalização que os parlamentares devem exercer. Porém, deve-se ressaltar, que dentro de cada comissão há subcomissões, as quais, atualmente, são 30 apenas no Senado. Há inclusive um projeto de resolução do Senador Walter Pinheiro (PT/BA) para que se limite a duas as subcomissões possíveis dentro de cada comissão. De acordo com Santos & Almeida (2005), a teoria informacional indica que um ator político moderadamente contrário a uma proposição legislativa será mais informativo do que um extremamente contrário, favorável ou neutro. Levando esse raciocínio para as comissões, a seleção de presidentes das comissões de legisladores da oposição poderia sugerir agentes políticos com maior capacidade de fiscalizarem o governo. Contudo, apenas 30% das comissões da Câmara dos Deputados são controladas por partidos da oposição, enquanto que no Senado tal percentual é de 18%. Como se pode observar na Figura 6, são presididos por deputados oposicionistas as seguintes comissões: Relações Exteriores, Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, Ciência e Tecnologia e a de Agricultura e Pecuária. Já no Senado, são controladas pela oposição as comissões de Assuntos Sociais e a de Serviços de Infraestrutura. Mesmo que o governo conte com a maioria em todas as comissões e consiga aprovar seus projetos, é nelas que a oposição pode oferecer mais resistência ao governo, sobretudo naquelas por ela controladas. Esse foi o caso da Comissão de Relações Exteriores do Senado (CRE) presidida pelo senador Eduardo Azeredo do PSDB durante o segundo mandado do governo Lula. Não obstante o governo ter aprovado a maioria de seus projetos, ele enfrentou grande resistência da oposição para aprovar importantes matérias, sobretudo porque o governo não contava com a maioria absoluta na Casa. Atualmente a CRE é presidida pelo Senador Fernando Collor de Melo do PTB, partido que não faz parte da composição do gabinete de Dilma, mas apoiou o governo em todas as votações

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até agora e provavelmente deve ser beneficiado nos cargos de segundo escalão. Além disso, o governo, atualmente, detém maioria absoluta no Senado. Nesse sentido, é de se esperar que um dos principais focos de resistência da oposição deixe de ser, no Senado, a CRE e passe para as comissões de Infraestrutura e Assuntos Sociais. Sobretudo para a Comissão de Infraestrutura, porque é nela que são discutidos alguns dos projetos prioritários de governo Dilma, como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e as obras para as Olimpíadas e Copa do Mundo que serão sediadas no Brasil. Um último fator importante para medir a qualidade dos trabalhos das comissões é o grau de expertise sobre políticas públicas de seus membros. De acordo com Santos (2002), como a reeleição para a Câmara não é prioridade dos deputados, há um padrão muito instável de nomeações para as comissões, o que não permite aos seus integrantes especializarem-se em determinadas temáticas durante seus mandatos. Diante dessa falta de especialização adquirida pela experiência legislativa, ainda segundo o autor, a forma dos líderes partidários aferirem o grau de especialização de um deputado em um tema relacionado a uma comissão é verificar sua prévia experiência profissional. E conforme demonstra Santos (2002), as nomeações dos membros das comissões pelos líderes partidários para as duas principais comissões da Câmara dos Deputados, a de Constituição e Justiça e a de Finanças e Tributação, estão positivamente correlacionadas com a especialização profissional prévia dos parlamentares. Com o intuito de verificar em que medida os membros das comissões da nova legislatura contam com parlamentares com alguma prévia expertise, analisamos o perfil biográfico dos presidentes de todas as comissões da Câmara dos Deputados. A sua grande maioria, 70% deles, não está em seu primeiro mandato como Deputado Federal e, portanto, já detém alguma experiência parlamentar. Além disso, dos vinte presidentes de comissões, oito tem sua especialização profissional prévia relacionada com o tema da comissão que presidem, ou seja, 40% deles podem ser considerados especialistas. Isso demonstra que, apesar da alta taxa de renovação da Câmara dos Deputados, os líderes partidários, responsáveis pelas nomeações dos membros das comissões, buscam garantir a qualidade dos trabalhos legislativos nomeando parlamentares cuja especialização profissional esteja relacionada aos temas das comissões.

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4. A Agenda do Governo no Congresso, as grandes reformas e a política externa Em sua mensagem ao Congresso, Dilma destacou que entre as prioridades de seu governo, além da luta pela erradicação da miséria, estão a reforma tributária e a reforma política. Contudo, a Presidente preferiu deixar nas mãos do Congresso a iniciativa para a reforma política, enquanto que ainda não apresentou nenhuma proposta para a reforma tributária. Dilma ainda citou em sua mensagem outras prioridades, como a desoneração dos investimos e dos bens de consumo popular – que podem ser incluídos na reforma tributária - e a criação de novos marcos legais para as agências reguladoras, para a distribuição dos royalties do pré-sal e para a reforma universitária. Mesmo sem ter ainda apresentado nenhum projeto de reforma tributária, a Presidente anunciou em março que irá fatiá-la para facilitar a sua aprovação. No Congresso, a opinião dos partidos do governo e da oposição já se divide. Enquanto o líder do PSDB na Câmara, o deputado Duarte Nogueira (SP) destaca como prioridade a desoneração da folha de pagamentos, o ex-presidente da comissão de Finanças e Tributação, Pedro Eugênio (PT/SP), dá ênfase à diminuição do caráter regressivo do atual sistema. O único consenso que parece existir entre governo e oposição é sobre a necessidade de simplificação do sistema. Contudo, se a simplificação vier pela unificação dos impostos em um único, não há convergência entre os parlamentares. Como ocorreu na tentativa de reforma em 2008, a perspectiva de unificação dos impostos existe traz o temor de que as receitas concentrem-se na União e de que alguns estados possam ser prejudicados com a nova repartição de receitas, não sendo devidamente ressarcidos pela União. Como é sabido, na reforma tributária, além das divergências entre os partidos, a questão da distribuição entre os entes federados também tem que ser levada em consideração. Enquanto o governo não apresenta nenhum projeto, o Congresso já começa a se movimentar em torno da questão. Na Câmara, foi criada no fim de abril uma subcomissão especial para tratar da Reforma Tributária a pedido do atual presidente da comissão de Finanças e Tributação, Deputado Cláudio Puty (PT/PA), que afirmou ser a prioridade da comissão a reforma. No Senado, por iniciativa do Senador Aloysio Nunes (PSDB/SP), foi criada uma Subcomissão Permanente para Avaliação do Sistema Tributário Nacional, que também está discutindo a reforma tributária.

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A reforma política está sendo discutida em duas Comissões Especiais diferentes, uma na Câmara dos Deputados e outra no Senado. A Presidente Dilma em sua mensagem ao Congresso apenas afirmou ser necessária uma reforma que fortaleça o sentido dos partidos políticos no país. Enquanto a comissão da Câmara ainda está realizando audiências regionais por todo o país visando escutar a população, no Senado, a Comissão Especial já aprovou diversos pontos que, se forem ratificados posteriormente, implicarão em uma substancial mudança do sistema político brasileiro. Dentre as principais mudanças que foram aprovadas pela Comissão do Senado está a mudança do sistema eleitoral proporcional para o sistema de lista fechada. Contudo, tal mudança não foi unânime: dos vinte senadores da Comissão, nove votaram pela lista fechada, sete pelo sistema do “distritão” e quatro abstiveram-se. Outros pontos menos controversos aprovados são o fim das coligações partidárias para as eleições proporcionais, o financiamento público das campanhas eleitorais, o estabelecimento de cotas para as mulheres (de 50% caso seja aprovada a lista fechada) e uma cláusula de desempenho de três representantes de diferentes estados para o partido possuir assento na Câmara dos Deputados, entre outras modificações. Além disso, os Senadores também aprovaram a realização de um referendo para que a população aprove as mudanças. O texto da Comissão Especial ainda deve passar pela Comissão de Constituição e Justiça e depois seguir para o Plenário e, se aprovado, para a Câmara dos Deputados. Todavia, o sistema de lista fechada, que tem que ser aprovado por emenda constitucional e, portanto, pela maioria absoluta do Congresso, enfrenta ainda bastante resistência de muitos parlamentares e dificilmente deve ser ratificado, sobretudo diante da maior fragmentação partidária atual. São mais favoráveis à lista fechada os parlamentares de esquerda, principalmente do PT, cuja legenda é a que conta com maior identificação no eleitorado, mas que, como vimos acima, não atingem sozinhos a maioria absoluta dos votos em nenhuma casa. Finalmente, com relação à política externa, incialmente Dilma deve contar com menor resistência da oposição. Além de ter uma maioria folgada no Senado e na Câmara dos Deputados e da CRE não ser presidida pela oposição, a Presidente vem adotando uma postura mais rígida sobre o respeito aos direitos humanos nos foros internacionais. Notadamente, houve uma mudança de posicionamento do Brasil em relação ao Irã e aos direitos humanos com o voto favorável do Brasil na ONU à instalação de um investigador independente de direitos humanos para o Irã. Há também os esforços da Presidente para uma

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maior aproximação comercial com os Estados Unidos e com a China, como ficou claro com a visita do Presidente Barack Obama ao Brasil e com a ida de Dilma à China. Esses eram dois pontos que mais encontravam resistência da oposição durante o governo Lula: a postura do Brasil em relação aos direitos humanos no Irã e a prioridade para as relações comerciais Sul-Sul em detrimento das grandes potências, como os Estados Unidos. Contudo, no que tange à política de fortalecimento à integração regional, o governo ainda deve enfrentar resistência da oposição, como vem ocorrendo com a revisão do Tratado de Itaipu. Apesar dessas mudanças, o eixo da política externa do governo Lula, com o fortalecimento do Mercosul e da Unasul, a diversificação das parcerias e a busca por um maior protagonismo do país no cenário mundial, continua no governo Dilma, segundo o Ministro Antonio Patriota. Em audiência na CRE no dia 27 de abril, ele destacou que a prioridade nas relações exteriores no governo Dilma são ainda os países sul-americanos, tanto que o primeiro país a ser visitado pela Presidente foi a Argentina. O ministro também é entusiasta da política de abertura de novas embaixadas no exterior, especialmente nas regiões antes ignoradas como a África e o Oriente Médio. Segundo Patriota, isso seria uma forma de sinalizar nos meios internacionais de decisão o crescente papel político do Brasil. E mesmo com o reposicionamento do Brasil acerca dos direitos humanos no Irã, o governo Dilma continua mostrando autonomia em relação aos Estados Unidos ao se abster de votação que chancelou o ataque à Líbia. A continuidade da política externa do governo Lula com Dilma ocorre apesar das mudanças que ocorreram em três dos quatro ministros que durante o governo Lula foram responsáveis pela sua formulação, a saber, o Ministro da Defesa, Nelson Jobim, o Ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, o Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim e o Ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), Samuel Pinheiro Guimarães. Sobretudo, com a saída do último da SAE e a nomeação de Moreira Franco, a pasta perdeu a parceria que tinha na formulação da política externa. Nos outros ministérios, Nelson Jobim permanece e tanto Antonio Patriota quanto Aloizio Mercadante, no MCT, são comprometidos com o fortalecimento da integração regional buscada no governo Lula.

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