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Ensino Profissional · Nível 3

PORTUGUÊS Módulos
1|2|3|4

Textos de carácter autobiográfico Módulo1


Textos expressivos e criativos e textos poéticos Módulo2
Textos dos media I Módulo3
Textos narrativos / descritivos I Módulo4

Olga Magalhães | Fernanda Costa

CADERNO
DO PROFESSOR
Resolução das actividades do manual

Fichas de avaliação (com soluções)

P
2 Módulo 1 Textos de carácter autobiográfico

| Textos | 1 2.1.
avaliado(a); analisado(a) em detalhe; c.
Antes de ler [pág. 17] afastamento, omissão; d.
1. O cartoon representa um sonho de um funcionário de uma relato sumário da sucessão de factos que marcam cultural e
repartição – nome dado aos locais onde funcionam secções e.
profissionalmente a carreira de uma pessoa;
de determinados serviços, muitas vezes ligados ao Estado. Nos
mais do que a capacidade de ler e escrever, é entendida
diversos momentos do sonho, o funcionário vê-se a si próprio a como a capacidade de compreender e usar a informação a.
atender diversos utentes sempre com uma atitude de grande escrita nas actividades do quotidiano;
simpatia e disponibilidade que se reflecte quer no sorriso
inevitável, que tem de ser tido em conta. b.
omnipresente quer na forma como se vai dirigindo a cada um
deles. A maneira como cumprimenta a primeira personagem 3. 1.a parte – do ponto 1 ao 7; 2.a parte – a partir de “Por
ou se despede da última, a solicitude que apresenta perante isso”.
todas as outras são exemplo da humanização que é tão pouco
3.1. O conector “Por isso”, que articula as duas partes referi-
vulgar neste tipo de locais, cujo atendimento é, por norma, frio
das, tem um valor consecutivo (indica que o que se segue é
e impessoal. Quando acorda, com um ar visivelmente assusta-
consequência do que atrás foi exposto).
do, o funcionário refere-se ao sonho como um ‘pesadelo’, atra-
vés de um acto ilocutório profundamente expressivo. É nesta 4. Por exemplo:
última vinheta que melhor se evidencia a função crítica deste Por isso, nos termos constitucionais e regimentais, venho
cartoon: aquilo que para os utentes seria, de facto, um ‘sonho’, requerer à Senhora Ministra da Educação que:
é, para o funcionário que os atende, um pesadelo. – explicite os critérios científicos ou outros que servem de
2. Esta ‘definição’ corresponde à ideia generalizada de burocra- base ao “apagamento” (…) que frequentam o 5.° ou 6.°
cia: o cliente que vai sendo empurrado de guichet em guichet. anos de escolaridade;
A mensagem deste texto opõe-se à ideia transmitida no so- – informe se obras como (…) chegaram a ser equacionadas
nho/pesadelo do funcionário público do cartoon de Luís Afonso. no processo de selecção levado a cabo;
– disponibilize a listagem de todas as obras e todos os
Compreender [pág. 19]
autores “avaliados” e torne públicas as justificações que
1.1. “(…) comprometemo-nos em coordenar as nossas levaram à exclusão daqueles que foram afastados da lista-
políticas (…); “(…) Com isto, comprometemo-nos a atin- gem dos “recomendados”;
gir estes objectivos (…)” – divulgue o curriculum (…) para o Plano Nacional de Leitura.
2. A nota deveria ser introduzida no texto a seguir a ECTS 5.1. Os pedidos do requerente não podem ser considerados
(quarto parágrafo, ponto 3). completamente satisfeitos, pois aí não se encontra esclare-
3.1. Nos três primeiros parágrafos da declaração, evidencia- cido o solicitado nos pontos 2. e 3. do requerimento e a res-
-se a evolução do processo europeu nos últimos anos, posta ao ponto 4. é vaga.
salienta-se que a Europa do conhecimento é um factor fun-
damental para o enriquecimento da cidadania europeia e
reconhece-se ser da máxima importância que as universida- | Textos | 2
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

des europeias se ajustem às novas exigências.


4. A afirmação falsa é a b. – a Declaração de Bolonha pre- Antes de ler [pág. 23]
tende incentivar, também, a mobilidade de professores, 1. Na BD assistimos à história de uma personagem masculi-
investigadores e pessoal administrativo (no reconhecimento na que se encontra dentro de um bar e que, depois de olhar
e na valorização dos períodos passados num contexto euro- apaixonadamente para a foto de uma mulher (Maria), decide
peu de investigação, de ensino e de formação, sem prejuízo escrever-lhe uma carta de amor para a qual vai fazendo e
dos seus direitos estatutários). recusando vários rascunhos. No momento em que se encon-
trava concentrado em mais uma tentativa, vê, estupefacto,
Compreender [págs. 21-22] Maria passar abraçada a outro homem. Na última vinheta
1. O destinatário é o Presidente da Assembleia da República, vemos a personagem feminina a ler a carta que acaba por
o requerente é o deputado do Grupo Parlamentar do PSD, receber: em vez de uma carta de amor, recebe um conjunto
Adão Silva, e o assunto é o Plano Nacional de Leitura. de insultos e impropérios.

2007 ISBN 978-972-0-91247-3


Este livro foi produzido na unidade industrial do Bloco Gráfico, Lda., cujo
Sistema de Gestão Ambiental está certificado pela APCER, com o n.° 2006/AMB.258
Produção de livros escolares e não escolares e outros materiais impressos.
Módulo 1 Textos de carácter autobiográfico 3

Compreender [pág. 25] hierarquia (administradores das roças/Governador). A carta B é


uma carta particular, dirigida por Luís Bernardo ao seu amigo
1. banalização: vulgarização; omnipresença: ubiquidade; tri-
João (Cf. fórmulas de tratamento e de despedida) e o assunto
vialidades : banalidades; grilheta : prisão; sequestrado :
é de índole pessoal – sentindo-se só e infeliz, Luís Bernardo
enclausurado; distendido: dilatado; fustigadas: flageladas;
faz um pedido desesperado ao amigo para que o venha visitar.
desfalecendo: desmaiando.
2.2.1. Hipótese de carta:
2.1. A nota explicativa seria inserida a seguir à seguinte pas-
sagem: “usando um direito inalienável de autodetermina-
Querido amigo Luís,
ção” (l. 7).
Estou a responder-te logo após ter recebido a tua
3. À medida que o telemóvel se foi vulgarizando, foi criando a carta que me deixou deveras preocupado.
fantasia de que “o outro” está sempre ‘presente’ e disponível; Não imaginava que te encontrasses tão profunda-
o facto de o contacto não ser estabelecido ou de não haver mente deprimido. Nada nas tuas cartas anteriores
uma resposta imediata do outro lado causa sofrimento. fazia antever tal situação.
Creio, porém, que estarás a exagerar e que, quan-
4. As “trivialidades” são as seguintes: ficar sem bateria ou do receberes esta missiva, já te encontrarás, certa-
sem rede ou desligar o telemóvel. mente, de melhor humor.
Infelizmente não vou poder aceder ao teu pedido:
5. Afirmação b..
não me é possível ir a S. Tomé este Verão, pois o tra-
balho no escritório não mo permite: vou ter apenas
Funcionamento da língua [págs. 25-26] uma semana de férias e tenho já hotel reservado na
Praia da Granja. Este último facto não seria grave e
1.1. SMS – Short Message Service; MMS – Multimedia tudo se poderia arranjar se não fosse a distância: é que
Messaging Service; PC – Personal Computer; CD – Compact uma semana de férias não dá sequer para aí chegar.
Disk; WWW – World Wide Web. Vou fazer os possíveis para te visitar no Natal.
Nessa altura penso que o trabalho terá acalmado e
2.1. Mail e messenger. que disporei de mais tempo para poder empreender
3.1. correspondência – mails, SMS, carta, postal dos cor- tão longa viagem. Até lá, aguenta-te, amigo! Sabes
reios (diferentes tipos de correspondência). que, em pensamento, estou a teu lado e lembra-te
da importante missão que aí estás a cumprir.
3.2. telegrama, encomenda, vale postal, fax, bilhete, memo-
Um grande abraço cheio de saudades deste teu
rando, nota.
amigo (que não se perdoa por não poder ir a correr
3.3. Epístola, missiva. ao teu encontro),

4.1.1. A segunda oração da frase – “para avaliar o impacto João


de um amor” – é uma oração não finita infinitiva com valor
final.
4.1.2. Sujeito nulo indeterminado; predicado – avaliar o
impacto de um amor; complemento directo – o impacto de | Textos | 3
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um amor; complemento do nome – de um amor.


Antes de ler [pág. 28]
4.2. Exemplo: Os segundos de resposta são contabilizados
pelos amantes. 2. Personagens: Sandra, Xana, Jonas Machibundo, Paulo,
Deolinda, Fragoso; Lugares: Moçambique; Tempo: Natal.
Oficina de escrita [pág. 27]
Compreender [págs. 29-30]
2.1. Na carta A o destinatário é tratado por “Excelentíssimo
Senhor ”, “Vossa(s) Excelência(s)”; trata-se de uma carta dirigi- 1.1. e 1.2. O destinatário é Sandra, mulher do remetente, já
da aos administradores das roças de S. Tomé e Príncipe pelo falecida (“Não sei se ainda estavas viva quando…” (ll. 6-7)).
Governador das ilhas, o emissor, que assina com o nome com- A relação entre ambos é esclarecida, por exemplo, através
pleto – Luís Bernardo Valença. É uma carta formal adequada das formas de tratamento (“querida”), pela evidente cumpli-
ao assunto em questão – a visita de um inglês às roças para, a cidade nascida da partilha da vida (“Porque os jovens, tu
mando do seu governo e do governo português, verificar as sabes…” (ll. 14-15), “…e subitamente exististe nesse sorri-
condições de trabalho dos trabalhadores – e às relações de so. Eras tu, querida, eu nunca… dela.” (ll. 22-23)), etc.
4 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual

1.3.1. Xana seria filha do remetente e de Sandra. Tem um | Textos | 5


filho pequeno (Paulo) e vive longe do pai. Depois de se sepa-
rar do companheiro (pai do filho) vai agora casar com um
Antes de ler [pág. 35]
homem “bastante mais velho”. Tem um sorriso parecido com
o da mãe. 1.1. Lembrança, recordação, fama, por exemplo.
1.3.2. A relação com o pai não parece muito próxima: telefona 1.2. Exemplos: “Não há memória de uma história assim.”;
(raramente) e escreve (“telegraficamente”), passou dois dias no “Este monumento foi erigido em memória do nosso primeiro
Natal com o pai, mas ele nunca lhe conheceu o companheiro. rei.”; “D. Dinis, rei de boa memória, foi também um grande
1.4.1. “Porque os jovens (…) têm uma grande incompreen- poeta.”
são do sentido do casamento.” (ll. 14-15). Com esta reflexão o 2. Podemos falar, em relação a este texto, de duas acep-
remetente expressa aquilo que lhe parece ser a forma levia- ções da palavra memória: nos dois primeiros parágrafos, as
na como os jovens encaram o casamento. duas referências à memória (ll. 2 e 6) enquadram-se no sen-
1.4.2. “Sorriso breve, o ar absorto…” (ll. 23-24). tido 1. do verbete (função geral de conservação de expe-
riência anterior, que se manifesta por hábitos ou por lem-
1.5. O que o pai de Xana lhe está a dizer com a resposta que branças); podemos, também, reportar-nos ao sentido 9. do
dá é que aquilo que a faz feliz a ela, mesmo que seja algo verbete [memória (pl.) – escrito narrativo em que se compi-
com que ele não esteja completamente de acordo, também o lam factos presenciados pelo autor ou em que este tomou
faz feliz a ele. parte].

Funcionamento da língua [pág. 30]


Compreender [págs. 36-37]
1.1. Por exemplo:
– Conta – disse-lhe eu. E ela contou: 1.1. Sendo embora ambos os tipos de texto exemplos de
– Vou-me casar. escrita autobiográfica, enquanto que a escrita das memó-
– Casar? – duvidei eu na minha estupefacção. rias é, normalmente, muito posterior aos acontecimentos
– Vou-me casar com um tipo que talvez conheças de no- narrados pelo seu autor ou em que este participou, o registo
me, o Fragoso, professor de… – confirmou ela. – Não estás do diário é, geralmente, quase simultâneo aos factos narra-
contente? dos que são, por norma, datados.
– Estou contente – disse-lhe eu olhando o miúdo que tinha
2.1. Marcas da primeira pessoa: formas verbais – acho,
um olhar mudo e espantado para nós –, se tu também estás.
sou, comecei, Tenho, acabamos (pl.), sei, sou, tenha, tenho,
2.1. Exemplos: desejaria, temos (pl.), quero, nasci, vim, conheci…; deter-

Prometo que vou aí no Natal. minantes possessivos – minhas (obsessões, avós, tias),

Quem me dera / Adoraria ir aí no Natal! nossa (individualidade) minha (vida, juventude, mãe), meu
3.1. apareceu, preparou, ajudou, estremeceu, chegou, per- (tempo); pronomes pessoais – mim, me, nos (pl.), Eu.
guntei, foi, voltou, disse, contou, duvidei. 3.2. Os três grandes factos que marcaram a vida do autor
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3.2.1. “Ela dissera-me tenho uma novidade para te dar…” são: a falência das profecias (3.° §), a cada vez maior partici-
(l. 11) pação das pessoas na sociedade (4.° e 5.° §) e a entrada das
mulheres na História (6.° §).
3.2.2. O pretérito mais-que-perfeito exprime uma acção
que teve lugar antes de outra acção já passada. 4. 1.-c.; 2.-f.; 3.-a.; 4.-d.

5.1. Por exemplo: certeza – “Eu não tenho dúvidas: quando


nasci, (…) não tinham ainda entrado na história.” (ll. 44-45);
| Textos | 4 incerteza: “Por isso me parece que a nossa individualidade
é talvez o bem mais precioso que temos.” (ll. 10-11).
Compreender [pág. 33]
5.2. Hipótese: “Garanto que / Estou convencido que / Estou
1. O excerto de diário aqui apresentado, pelo seu carácter fic- seguro que, etc., estes futurólogos, alguns reconhecidamen-
cionado e lírico, não corresponde a uma realidade estritamente te inteligentes, estavam apanhados pelo espírito do tempo,
factual mas a uma espécie de “fingimento” dessa realidade. uma espécie de vírus que apanha indiferentemente o inteli-
Daí a escolha de “imitação dos dias”. gente e o estúpido.”
Módulo 1 Textos de carácter autobiográfico 5

Funcionamento da língua [págs. 37-38] 1.2. Trata-se da comparação: “(…) que me deixa desampa-
rado como se me faltasse uma perna...”
1. Por exemplo: “Recordo com emoção todos os concertos
a que assisti no ano passado.”; “Os consertos de calçado 2.1. Nestes dois parágrafos o remetente fala de dois assun-
estão mais caros de dia para dia.” tos: da forma custosa como tem progredido a história que
está a escrever e do nascimento do bebé que “se aproxima a
2.1. grafar, grafia, graficamente, gráfica, gráfico, grafismo,
passos largos!”.
grafologia, grafonia, grafómetro, grafológico, grafema…
biografia, autobiografia, biografar, biografado, biográfico, 2.2. Através desta metáfora o remetente, falando do traba-
biografista, biógrafo, fotobiografia, filmografia, paleografia, lho que lhe tem dado a história que está a escrever, eviden-
serigrafia, xenografia, xilografia, epistolografia, discografia, cia que o mais difícil tem sido ser capaz de simplificar a sua
fotografia… escrita de forma a deixar ficar só “o essencial”.
3.1.1. e 3.1.2. a. Pretérito perfeito do indicativo – vim; pretéri- 2.3. a. Por exemplo: “(…) chego à hora de jantar cheio de
to imperfeito do indicativo – estava, comprava, ouvia, via. b. dores de cabeça por levar o dia a penar na prosa.” (ll. 13-14)
Presente do indicativo – tenho; pretérito perfeito do indicativo b. “Vais ver que é uma coisa de uma simplicidade imensa –
– nasci; pretérito mais-que-perfeito composto do indicativo – a gente deita-se e eles nascem.” (ll. 18-19)
tinham entrado.
3. “O principal tem sido mondar* isto de adjectivos supér-
3.1.3. No excerto a., a narração projecta-se apenas em fac- fluos, sacudir a árvore para só ficar o essencial.” (ll. 14-15)
tos passados e os tempos utilizados exprimem realidades
temporais diferentes: o pretérito perfeito evidencia uma II
acção passada com carácter pontual, enquanto que o preté-
rito imperfeito salienta o aspecto durativo da acção, a sua 1.1. O valor contextual dos dois “como” é substancialmente
extensão temporal. diferente, pois enquanto o primeiro estabelece uma compa-
No excerto b., o presente do indicativo marca que o mo- ração (é uma conjunção subordinativa comparativa), o
mento/tempo em que se situa o sujeito da enunciação coin- segundo remete para uma ideia de causalidade (é uma
cide/é simultâneo com o momento/tempo em que se situam conjunção subordinativa causal (= porque, já que)).
os factos narrados; o pretérito mais-que-perfeito assinala 1.2. Porque, já que, visto que, uma vez que…
uma acção anterior a outra também passada expressa pelo
2.1. “Caso se possa mandar daqui ou do Chiúme …”
pretérito perfeito.
2.2. “Se se puder mandar daqui ou do Chiúme encomendas
registadas, envio-te logo o primeiro caderno.”
Ficha formativa [págs. 41-43]
3. Dois exemplos possíveis: “No último filme de Almodóvar,
I Penélope Cruz volta a ser cabeça de cartaz.”; “Aquele rapaz
não tem cabeça: passa o tempo a fazer disparates!”
1.1. Marcas do remetente – o uso da primeira pessoa presen-
te nas formas verbais “tenho” e “tive” e no pronome pessoal 4. a. Acto ilocutório compromissivo; b. Acto ilocutório
“me”; marcas do destinatário – o pronome possessivo “tuas”. expressivo.
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6 Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos

Camões lírico merecem. Cf., entre outras, as seguintes passagens: “…em


matéria de indiferença pelos mais nobres dos seus filhos, se
essa nobreza for a do espírito, este país foi sempre terreno
| Textos | 1 fértil.” (ll. 4-6); “Camões pertence apenas a alguns poetas,
pois mais ninguém neste país o soube merecer.” (ll. 8-9); “Ora
Antes de ler [págs. 47-48] «a gente surda e endurecida» (…) ‘o favor com que mais se
acende o engenho’.” (ll. 14-16).
1. Proposta de roteiro cronológico:
1524/1525: Nasce Luís de Camões quase certamente em 2.1. Nestes versos da estrofe 145 do Canto X de Os Lusía-
Lisboa. Antes de 1550, Luís de Camões poderá ter aprendido das, Camões critica os portugueses (“gente surda e endure-
as primeiras letras numa das 40 escolas lisboetas de ensinar cida.”), reconhecendo que não é a “pátria” que o inspira pois
meninos. Neste primeiro período da sua vida, a sua lírica esta “… está metida / No gosto da cobiça e da rudeza / De
aponta uma estada em Coimbra, mas não há qualquer regis- uma austera, apagada e vil tristeza.” Camões observa o seu
to que prove a sua passagem oficial pela Universidade. país e, vendo-o no mais espantoso abatimento, não pode
deixar de evidenciar o seu desespero.
1552: Está em Lisboa. No dia de Corpus Christi, quando
Gonçalo Borges passeava a cavalo no Rossio, foi zombado,
defronte das casas de Pêro Vaz, na Rua de S. Antão, por dois
mascarados. Estalou briga rija. Luís de Camões acudiu em | Textos | 2
defesa dos mascarados seus amigos, rasgando com a espa-
da uma ferida no pescoço de Gonçalo Borges. O poeta é
Observação:
encarcerado no Tronco da cidade.
Sobre o ensino da poesia, aconselhamos a (re)leitura do
1553: Por carta de 7/3/1553, o rei D. João III perdoa-lhe.
excelente artigo de Clara Crabbé Rocha, “Didáctica do
Embarca nesse mesmo mês para a Índia. Chega a Goa em
texto poético”, publicado em Cadernos de Literatura,
princípio de Setembro.
Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de
1558: Data provável do naufrágio no Cambodja. O poeta Coimbra, número 10, 1981, INIC, nas páginas 42 a 55, do
perde tudo. Salva-se a ele e ao poema numa tábua. Dina- qual seleccionámos o seguinte excerto:
mene morre nas águas. “O trabalho do professor, relativamente ao texto poé-
1567: Camões em Moçambique. tico, é, portanto: 1) revelar esse texto como 'armadilha
1569: Embarca para Lisboa. Os amigos, entre eles Diogo do amorosa' (Barthes), ou seja, como agente de sedução
Couto, dão-lhe de comer e de vestir, pagam-lhe uma dívida e capaz de 'prender' o aluno; 2) para isso, um dos métodos
a passagem. que julgo pertinentes é ajudar o aluno a ver como funcio-
na o texto poético (tal como uma criança gosta de ver
1572: Publicação de Os Lusíadas em Lisboa.
como funciona um brinquedo e o adolescente um apare-
1575: D. Sebastião atribui a Camões uma tença de 15$000. lho, desmontando-o, observando as peças uma a uma), e
1580: Morre a 10 de Junho. O enterro é pago pela Com- mesmo como funciona o acto poético. Essa ‘desconstru-
panhia dos Cortesãos. Fica sepultado em campa rasa, sem ção’, que nada tem de destruição do texto, realiza-se
letreiro, da parte de fora do mosteiro de Santa Ana. através do comentário de textos e através de informa-
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António Borges Coelho, in Camões 1, Ed. Caminho, 1980 (adaptado) ções teóricas sobre o fenómeno a que a crítica recente
dá o nome de ‘poeticidade’ (ou seja, o quid que faz com
2. A pergunta do título repete-se, sob outras formas, ao que um texto seja poético). A título parentético, creio
longo do texto (Cf. ll. 16-19). Através dessas questões, o seu que teria ainda interesse o professor fazer com os alunos
autor pergunta-se se uma “pátria” que tão mal tratou uma breve reflexão de natureza histórico-cultural e
Camões e que ele tanto criticou terá o direito de se apropriar sociológica sobre dois aspectos: o pendor lírico do tem-
do seu nome para celebrar o 10 de Junho (Dia de Portugal, peramento português, e a consequente riqueza em poe-
de Camões e das Comunidades Portuguesas). sia lírica da nossa literatura; e a enorme produção de
poesia lírica do nosso tempo, quer publicada, quer desti-
Compreender [pág. 48] nada à gaveta e solitária (o que é aliás um reflexo da
1.1. e 1.2. A indignação do autor nasce da constatação do ‘massificação’ da produção literária; hoje toda a gente
triste hábito português de só se valorizarem as pessoas, em quer fazer a sua experiência de escrita), numa altura em
geral, e os nossos escritores, em particular, depois de mor- que se nos impõem meios de comunicação extremamen-
tas, não lhes dando, em vida, a atenção e o “amor”que te diversificados, eficazes e sedutores.”
Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos 7

Acreditando que é ‘sob o signo da sedução’ que se Observação: Será importante fazer notar que o termo
deve analisar o texto poético, em geral, e Camões, em anáfora é usado na análise literária e na análise linguísti-
particular, relemos, com toda a atenção, A poesia lírica ca. São conceitos distintos, que não se podem confundir.
de Camões – uma estética da sedução (Cadernos FAOJ,
n.° 12), da mesma autora, e optámos, em grande 5.2. Antítese.
parte, por seguir o percurso aí sugerido.
Comparar [pág. 52]

Antes de ler [pág. 49]


2.
Exclusividade do objecto do amor
1.1. O Nascimento de Vénus A – “e a ela só por prémio pretendia.”
Tema: O quadro representa o nascimento de Vénus Ana- B – “Era só contigo que eu sonhava andar/Para todo o lado
diomede, ou seja, gerada pela espuma do mar. Sustentada e até quem sabe? Talvez casar”
por uma concha, a deusa é levada pelos ventos em direcção
Formas de sedução do objecto do amor
a terra, onde uma jovem mulher (Flora ou uma das Horas,
A – Servidão e dedicação incondicionais: “Sete anos de pas-
míticas divindades femininas) está à sua espera para a
tor Jacob servia”, “mas não servia ao pai, servia a ela”
cobrir com um manto purpúreo.
B – Persuasão e sacrifícios materiais: “A saliva que eu gas-
A obra distingue-se pela soberba harmonia do esmerado
tei para te mudar”, “Empenhei o meu anel de rubi”
desenho e pela elegante modulação do traço que cria efeitos
decorativos quase abstractos. Esta sensação emerge das Impedimentos à concretizaçãodo amor
ondas do mar, do entrelaçar dos corpos e da vista da costa A – O pai: “porém o pai, usando de cautela, / em lugar de
ondulada em golfos e promontórios. As cores frias e claras, Raquel lhe dava Lia.”
assim como as formas puras e idealizadas, encontram uma B – O próprio objecto do amor e o seu mundo: “Mas esse
perfeita expressão poética na gélida nudez da deusa. teu mundo era mais forte do que eu”, “Mesmo sabendo que
não gostavas”, “Não fizeste um esforço para gostar”
Composição: Botticelli dispõe as figuras num plano só, privi-
legiando a continuidade da linha. (...) Vénus é o centro da Decisão do sujeito
composição e na sua direcção convergem as linhas curvas dos A – Não desiste e propõe-se lutar pelo seu amor enquanto
ventos e da figura feminina. O nu é classicamente “pondera- viver: “começa de servir outros sete anos”
do” numa simétrica e plena correspondência dos membros: ao B – Desiste: “Nada mais por nós havia a fazer / A minha
braço dobrado corresponde a perna dobrada, ao braço esten- paixão por ti era um lume / Que não tinha mais lenha por
dido, a perna na mesma posição. Todo o corpo é circundado onde arder”
por uma linha ininterrupta, subtil mas evidente, que nunca é ‘Lição’ aprendida pelo sujeito
perturbada por cortes ou saliências. A pequena cabeça está A – “Mais servira, se não fora / para tão longo amor tão
inclinada e insere-se sem criar ângulos no longo pescoço sub- curta a vida.”
til, o que provoca, quase de forma espontânea, a dupla incli- B – “Não se ama alguém que não ouve a mesma canção.”
nação dos ombros. O abundante cabelo louro, desenhado fio a
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

fio, acompanha com suavidade as formas do corpo.


(in A Grande História da Arte, vol. II, Ed. Público, 2006)
| Textos | 3
Compreender [pág. 50] “Amor é um fogo…”

1. Mudam-se/muda-se/se muda/mudar-se; mudança. Compreender [pág. 54]

2. adjectivo: novas (v. 4); diferentes (v. 6); nome: novidades (v. 5); 1.1.1. A dificuldade de definir o amor e de enumerar os seus
verbo: converte (v. 11) diversos estados bem como a sua variedade.
3. Continuamente (v. 5); já (vv. 10 e 14); cada dia (= diariamen- 1.2. As antíteses e os oxímoros aliados à bipartição rítmica
te) (v. 12) do verso; a interrogação retórica do último terceto; a repeti-
ção anafórica; as metáforas....
4. O paralelismo está presente na repetição da mesma
estrutura frásica nos dois primeiros versos. A repetição dos 1.3. Sendo as contradições do amor o tema do soneto, quer
vocábulos mudam-se e muda-se no início das frases dos dois as antíteses quer a bipartição dos versos aparecem a subli-
primeiros versos evidencia o recurso à anáfora. nhar essa temática.
8 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual

1.4. Estes recursos intensificam a ideia central e acentuam a 1.2. Nos dois termos da comparação estamos perante uma
mensagem. situação de agressão em que uma das figuras (caçador/
/Frecheiro) é mais forte do que a outra (passarinho/coração) e
2.1. e 2.2. 1.a parte – as duas quadras e o primeiro terceto: a
actua de forma traiçoeira e dissimulada, valendo-se do des-
dificuldade de definição do amor e as contradições do estado
cuido, da fragilidade e da passividade do sujeito poético.
amoroso; 2.a parte – último terceto: o sujeito poético pergun-
ta-se como é possível que o amor, tendo em conta o seu 1.3.1. passarinho/coração; caçador/Frecheiro
carácter contraditório, possa estar tão presente nos corações.
1.3.2. passarinho – lascivo, doce; caçador – cruel, calado,
2.3. A conjunção coordenativa adversativa mas (v. 12) manso; coração – livre, destinado, descuidado; Frecheiro –
cego, escondido.
2.4.1. contrário
1.3.3. O sujeito poético identifica-se com o passarinho e o
2.4.2. Não sendo uma pergunta para a qual se espere res-
coração contra o caçador e o Frecheiro cego. Atente-se, por
posta, a interrogação retórica dá vivacidade e ênfase ao dis-
exemplo, na ternura dos três diminutivos que aparecem na
curso, criando cumplicidade com o interlocutor.
primeira quadra, e nos adjectivos que caracterizam o cora-
ção, no primeiro terceto, por oposição ao caçador, caracteri-
“Aquela triste e leda madrugada” zado como sorrateiro e dissimulado, tal como o Cupido que
se escondia nos olhos da mulher amada.
Compreender [pág. 55]
2. O tema é a paixão que apanha o coração desprevenido.
1.1. Ela (vv. 5, 9 e 12)
1.2. mágoa / piedade (v. 2); grande / largo (v. 11) Comentar [pág. 57]

1.3. apartar-se / apartada (vv. 7/8) 1. A estrutura bipartida deste soneto é marcada pelo conec-
tor assi sendo “anunciada”, logo no início do poema, pela
2.2. conjunção como.
triste Ao marinheiro do primeiro termo de comparação corresponde

“cheia de mágoa e de piedade” o eu lírico, no segundo, sendo a vista da amada comparada à

“saudade” tempestade. Uma vez que a sua contemplação (da tempesta-

“apartar-se” de/da amada) provoca medo, a fuga é a única salvação.

“lágrimas em fio” Ambos (marinheiro e eu lírico) prometem não voltar a cair

“palavras magoadas” noutra, não resistindo, porém, e repetindo o mesmo erro.
leda

“amena e marchetada”

“dando ao mundo claridade”
| Textos | 5
2.2.1. O sentimento predominante é a tristeza.
3.1. A madrugada é testemunha da separação de dois sujei- Compreender [págs. 58-59]
tos que estiveram juntos e do sofrimento que essa separa-
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

1. A beleza feminina (física e espiritual) e o fascínio que ela


ção provoca. (Cf. vv. 7-9). exerce no eu lírico.
3.2. A madrugada aparece como uma espécie de ‘morte’ por- 2.1.1. Neste retrato dá-se maior relevo aos traços morais (Cf.
que o nascer do dia é identificado com a separação (Cf. v. 14 vv. 1, 2, 3, 5, 6, 7, 8, 9, 10 e 11). Este conjunto de qualidades tende a
“almas condenadas”) produzir uma imagem de perfeição (estereotipada) e não a
3.3. Formas verbais: “saía”, “viu”; adjectivos: “triste”, “leda”. individualizar a mulher.

4.1. hipérbole (1.° terceto); paradoxo (vv. 7, 8 e 13). 3.1. 1.a parte – até ao verso 11, corresponde à acumulação
de atributos físicos e morais da figura feminina (descrição);
2.a parte – 2.° terceto corresponde à síntese desses atribu-
tos e à conclusão: o poder transformador/mágico do objecto
| Textos | 4 amado exercido sobre o sujeito.
3.2. O demonstrativo “Esta” funciona como um termo anafó-
Compreender [pág. 57]
rico que tem como função indicar os referentes no interior do
1.1. Dest’arte texto em que é usado: remete para todas as qualidades
Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos 9

expressas nos versos anteriores (atente-se, também, nos O seu (pronominalização) único rendimento era a tença de
dois pontos do verso 11) que são aqui resumidas na expres- 15 mil réis anuais, equivalente a uma reforma de soldado,
são “celeste fermosura”. que el-rei lhe (pronominalização) mandou pagar como
recompensa pela publicação da sua epopeia (sinonímia).
4.1. Poderão referir-se, entre outros: a enumeração assindéti-
ca (conferindo ritmo, vigor e musicalidade ao texto), a adjec- Entretanto, a sua (pronominalização) obra continua a ser
tivação, frequentemente dupla e valorativa, etc. admirada por todos. Além de Os Lusíadas [elipse] escreveu
muitas redondilhas, sonetos, odes, canções, sextinas e éclo-
4.2. Referimo-nos à metáfora – Circe/veneno – que confere gas, que nunca foram impressas pelo facto de o poeta (sino-
a ideia de encantamento e magia.
nímia) não ter recursos materiais, mas que estão a correr de
5. Os encavalgamentos (transição dos vv. 7-8 e 12-13-14, mão em mão, em cópias manuscritas.
aliados à enumeração assindética, conferem ao poema um
ritmo rápido e fluido que alterna com um ritmo mais lento e
sincopado conferido pelo uso da vírgula, do ponto e vírgula e
dos dois pontos.
| Textos | 7
6.1. O petrarquismo está presente ao nível do ideal de bele- Compreender [pág. 63]
za feminina aqui reproduzido. A beleza da mulher amada é o
1. Estas duas figuras femininas, sendo completamente dis-
resultado da conjugação das suas qualidades físicas e
tintas sob o ponto de vista físico, são em tudo semelhantes
morais (graça, recato, doçura, brandura, beleza celestial)
do ponto de vista psicológico. O sujeito poético canta, em
realçadas através de diversos nomes e adjectivos.
Descalça vai pera a fonte, o ideal de beleza petrarquista
oposta à beleza oriental da mulher cantada nas endechas
(contra as convenções do petrarquismo).
| Textos | 6 2.1. Jogos de palavras: cativa / cativo; porque nela vivo /
já não quer que viva; para ser senhora / de quem é cativa;
Compreender [pág. 61]
bem parece estranha / mas bárbora não .
1.1. A apóstrofe inicial – Lembranças, que lembrais meu ~
Metáforas (Ua graça / viva que neles lhe mora; Pretidão de
bem passado; as formas verbais na 2.a pessoa, duas delas no Amor; Presença serena / que a tormenta amansa).
imperativo, na continuação da apóstrofe – lembrais/deixai-
-me, se quereis,/não me deixeis. 2.2. Por exemplo os versos 9-12 e 25-28.

1.2. deixai-me – afastai-vos de mim; não me deixeis – não 2.3. Para além da medida do verso, é de referir o encavalga-
permitais. mento (por ex.: na transição dos versos 3-4, 19-20, 22-23-24,
etc.) que alterna com o ritmo binário.
2.1. Estão em confronto o bem passado, recordado pelo eu
lírico, e a angústia do mal presente.
Oralidade [pág. 64]
2.2. O facto de se lembrar do bem que já teve no passado
2.1. Lendo-se as estrofes seguidas (da 1 à 4), obtém-se um
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

agudiza mais ainda o sofrimento presente. ~ dama das feias do


retrato negativo de uma dama (Sois ua
2.3. As sucessivas antíteses: bem/mal, passado/presente, ~
mundo); a leitura “lado a lado”, “louva” uma dama (Sois ua
viver/morrer, deixai-me/não me deixeis. dama de grão merecer).
2.4. há-de ser – tendo perdido toda a esperança, o sujeito
lírico antecipa que a sua vida será também, no futuro, mar-
cada pelo sofrimento presente.
Ficha formativa [págs. 70-71]
2.5. sempre – eternamente, indefinidamente.
I
Funcionamento da língua [pág. 61] 1.1. A primeira parte corresponde às duas quadras e a
segunda aos dois tercetos.
1. Morreu ontem, na maior miséria, o autor de Os Lusíadas,
Luís Vaz de Camões. Abandonado por todos, [elipse] fale- 1.2. A primeira parte descreve a forma como o girassol
ceu (sinonímia) num hospital da cidade e [elipse] foi sepul- acompanha a trajectória do Sol acima da linha do horizonte
tado num coval aberto do lado de fora da Igreja de Santana. e a forma como esta flor é influenciada pela luz do astro-rei.
10 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual

1.3.1. Através da apóstrofe Meu Sol, o eu lírico dirige-se à b. A obra de Camões proporciona-nos um encontro com a nossa
mulher amada. história porque/visto que/já que a sua poesia foi utilizada, ao
longo dos tempos, como bandeira e como símbolo nacional.
1.3.2. Através desta metáfora – mulher amada/Sol – o sujei-
to poético compara-se a um girassol e à forma como este c. A poesia de Camões é dinâmica e, do ponto de vista cultural
depende do Sol, tal como ele vive inteiramente na depen- e artístico, densa e rica, portanto/logo/por isso a leitura da
dência do objecto do seu amor. sua obra é um instrumento para abrirmos o presente e o futuro.

1.4.1. A hipérbole.
1.4.2. Através deste recurso o sujeito poético hipervaloriza a
mulher amada, exagerando as suas qualidades e conferindo-
Poetas portugueses do século XX
-lhe até o poder de ‘criar’.
1.5. Ao longo deste soneto, o sujeito poético identifica-se | Textos | 1
com o girassol (“Uma admirável erva”) e identifica a mulher
amada com o Sol. Tal como o Sol faz florescer o girassol, Compreender [pág. 74]
também a amada do sujeito lírico alegra a sua “alma”. De 1. 1.° momento (vv. 1-23) ; 2.° momento (vv. 24-43).
igual modo, assim como o girassol “emurchece e se desco-
ra ” quando o Sol se põe, também o sujeito poético, na 2.1. O cansaço do sujeito poético nasce da monotonia da vida
ausência da mulher amada, “se murcha e se consome em (vv. 1-15), da constatação da falta de imaginação do homem
grão tormento.” (vv. 16-18), da miséria e da violência que o rodeiam (vv. 19-22).

2. O poema é um soneto e, portanto, é constituído por duas 2.2. sempre, nunca, não, também.
quadras e dois tercetos. Quanto à métrica, a medida do 2.3. Versos 6-9 e 15.
verso é o decassílabo. O esquema rimático é ABBA ABBA
CDE DEC, isto é, a rima é emparelhada e interpolada nas 2.4. não e ninguém – a diferença que poderia quebrar a
quadras e cruzada e interpolada nos tercetos. monotonia, a previsibilidade do mundo, é negada através da
reiteração do advérbio de negação e do pronome indefinido.
II 2.5.1. Cf. versos 16-23.
1. Proposta: 3.1. O sujeito poético exprime o desejo do espanto inicial, de
Nasci em Lisboa por volta de 1524, de uma família do ‘morrer’ para ‘renascer’. A vida cansa porque é sempre igual.
Norte (Chaves). Vivi algum tempo em Coimbra e lá frequen- “Morrer” é ausentar-se da vida temporariamente, libertar-se.
tei aulas de Humanidades no Mosteiro de Santa Cruz onde 3.2.1. …em cima dum divã / com a cabeça sobre uma almo-
tinha um tio padre. Regressei a Lisboa, levando aí uma vida fada, / confiante e sereno… sorriso / onde arde um coração
de boémia. Em 1553, depois de ter sido preso devido a uma em melodia: … suavemente, / velar por mim, subtil e cuida-
rixa, parti para a Índia. Fixei-me na cidade de Goa onde dosa, / pé ante pé
escrevi grande parte da minha obra. Regresso a Portugal
em 1569, pobre e doente, conseguindo publicar Os Lusía- 3.2.2. A figura feminina – meu amor do Norte – dá ao sujeito
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

das, em 1572, graças à influência de alguns amigos junto poético confiança e serenidade.
do rei D. Sebastião. Faleci em Lisboa no dia 10 de Junho de 3.2.2.1. “Velar” significa “vigiar”, “estar de guarda a”, “pas-
1580. Sou considerado o maior poeta português, e é costu- sar a noite junto de um morto”. São estas as “funções” que
me situar a minha obra entre o Classicismo e o Manei- o sujeito poético espera que a figura feminina cumpra.
rismo. Algumas das minhas obras mais conhecidas são: Os
Lusíadas (1572), Rimas (1595), El-Rei Seleuco (1587), Auto 3.3.1. a 3.3.3. O sujeito poético aparece dividido entre o
de Filodemo (1587) e Anfitriões (1587). desejo de viver e o cansaço que a vida lhe provoca. Morrer e
suicidar-se não representam, aqui, mais do que esquecer,
repousar. Veja-se a forma carinhosa como a Morte é perso-
III
nificada no último verso.
1.1.
a. A obra de Camões, que desempenha um papel importante Funcionamento da língua [pág. 74]
no crescimento da língua portuguesa, relata as contradições
1.2. Se.
do mundo complexo do seu tempo. (o que introduz uma ora-
ção subordinada adjectiva relativa explicativa) 1.3. caso.
Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos 11

1.4. e 1.5. pudesse – pretérito imperfeito do modo conjunti- 2.3. A repetição do pronome pessoal – “Tu” – transforma
vo. A propósito do emprego deste modo, leia-se o seguinte: esta segunda estrofe numa espécie de oração, evidenciando
o carácter singular do negrilho.
“Quando nos servimos do MODO INDICATIVO, consi-
3.1. O negrilho assume um papel protector (vv. 13-14) e espa-
deramos o facto expresso pelo verbo como certo, real,
lha, à sua volta, serenidade (vv. 11-12).
seja no presente, seja no passado, seja no futuro. Ao
empregarmos o MODO CONJUNTIVO, é completamente 4. O conceito de poesia apresentado caracteriza-se, entre
diversa a nossa atitude. Encaramos, então, a existência outros, por uma valorização da sabedoria da terra (v. 4), por
ou não existência do facto como uma coisa incerta, uma simplicidade poética inspirada na natureza (v. 10), pelo
duvidosa, eventual ou, mesmo, irreal.” ideal de harmonia e serenidade (vv. 8-9).
Celso Cunha e Lindley Cintra,
Nova Gramática do Português Contemporâneo (págs. 463-464) (respostas baseadas nos “Cenários de resposta” da prova de Exame
Nacional do Ensino Secundário de Português, 1.a fase, 1.a chamada, 2001)

1.6.1. Algumas hipóteses: “Seria feliz…”; “Descansaria…”

| Textos | 3
| Textos | 2 Compreender [pág. 78]

Compreender [pág. 76] 1. “Porque os outros”; “mas tu não”.


1.1. O poeta a que se refere o sujeito poético é o negrilho. 2. “Porque” – conjunção subordinativa causal.
1.2. O negrilho é uma árvore de grande porte e de copa 3. Sugestões: “Ainda há esperança porque…”; “Tudo pode
abundante (“bosque suspenso”), antiga (nela o “tempo” faz mudar porque…”, etc.
“ninho”); é um espaço protector a que se acolhem o “eu”,
4.1. “Tu ”/ ”os outros”.
“os pássaros e o tempo”. Sendo o único poeta da terra natal
do sujeito lírico, o negrilho é um ser com estatuto humano, 4.2. mas tu não (vv. 1, 4, 7, 10, 13)
dotado quer de atributos físicos – a voz (“conversamos”) e
4.3. Os outros: dissimulação; falsidade/hipocrisia; medo;
os “olhos” –, quer de traços psicológicos, pois é definido
cedência; calculismo. Tu: ousadia; denúncia; aventura/risco;
como sábio (“revela o mundo visitado”) e sonhador.
honestidade.
1.3. O sujeito poético identifica-se com o negrilho, conside-
6. Nos versos 11 e 12, a conjunção coordenativa e tem um
rando-o o seu mestre e a origem da sua poesia (“Os meus
valor adversativo (estabelece entre as duas orações uma
versos são folhas dos seus ramos.”) e sente admiração por
ele visto que ele simboliza a harmonia da natureza. ideia de contraste), podendo ser substituída pelas conjun-
ções coordenadas adversativas mas, porém, todavia, contu-
2.1. A alteração de pessoa verbal – de “ele” para “tu” – entre do…
as duas estrofes faz sobressair a proximidade entre o sujeito Sobre os valores particulares de algumas conjunções coor-
poético e o negrilho. Na primeira estrofe, o sujeito poético
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

denativas, consulte-se Celso Cunha e Lindley Cintra, in ob.


enfatiza o carácter excepcional daquela árvore e da sua relação cit., págs. 578 a 581.
com ela, mas mantém, através do discurso de terceira pessoa,
um tom contido de aparente distanciamento. Ao dirigir-se ao
negrilho, na segunda estrofe, tratando-o por “tu”, dá expressão
dramática à sua relação com a árvore, revelando, em toda a | Textos | 4
sua intensidade, o envolvimento afectivo que a caracteriza.
Compreender [págs. 81-82]
2.2. A primeira apóstrofe – “mestre da inquietação / Serena!”
– aponta para um ideal de harmonia e serenidade; a segunda 1.1. O tema comum aos três poemas é anunciado pelos res-
– “imortal avena / Que (…) maninho.” – salienta a simplicida- pectivos títulos: o valor das palavras na poesia.
de poética e a relação da poesia com a natureza; a terceira –
2.1. cristal, punhal, incêndio, orvalho.
“gigante a sonhar” – evidencia a expressão do sonho humano
de elevação e de integração na ordem cósmica; a última – 2.1.1. Cristal remete para ‘transparência’; punhal e incêndio
“bosque suspenso / Onde (…) ninho!” – remete para o carác- para ‘agressão’, ‘dor’, ‘destruição’; orvalho conota ‘leveza’,
ter protector da árvore. ‘frescura’.
12 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual

2.1.2. O carácter ambíguo das palavras está em evidência 4.4. A relação das palavras com o sujeito poético mudou pro-
neste poema porque o sujeito poético apresenta um conjun- vavelmente porque aquelas se “fartaram da rédea” que as
to de vocábulos que transportam consigo sentimentos diver- prendia, do rigor e da simplicidade com que o sujeito poético
sos e, por vezes, até antagónicos. as usava (vv. 6-9). Em alternativa, o sujeito poético sugere
que, se calhar, se tornou mais exigente e que agora só pro-
2.1.3. Comparação e metáfora.
cura “as mais encabritadas”.
Observação: Na 1.a estrofe, os versos 3 a 6 podem ter 4.6. Através desta imagem (conjunto de metáforas) o sujeito
subentendido “são como”; nesse caso não haveria metá- poético refere que as palavras, que outrora eram o seu ‘sus-
fora, mas apenas comparação: Algumas [são como] um tento’ quotidiano, hoje são muito menos dóceis e mais difí-
punhal, / [como] um incêndio. / Outras [são como] orva- ceis de ‘domar’. Provavelmente, este facto deve-se também
lho apenas. à maior exigência que o sujeito poético tem na selecção das
palavras (“já só procuro as mais encabritadas”).
2.2. Adjectivação, enumeração, personificação.
2.3. A antítese luz/noite remete, uma vez mais, para o carác- Actuar [pág. 82]
ter contraditório da palavra poética. 1.1. Esta canção encontra-se no CD dos Trovante intitulado
2.4. O adjectivo “ pálidas ”, que sugere “desmaiadas”, Baile no Bosque, da EMI-Valentim de Carvalho ou no CD
“ténues”, remete para a ‘morte’ das palavras que, mesmo Poesia Encantada, da mesma editora.
quando ‘enfraquecidas’, trazem ainda boas memórias. 2.2. Depois de ouvir o poeta, será a vez de os alunos pratica-
rem a leitura oral de alguns poemas. A brochura Leitura,
2.5. Através destas interrogações, o sujeito poético lança
um apelo para que as palavras sejam escutadas, cuidadas, do ME-DES (1999), propõe a seguinte ficha de avaliação
protegidas. de leitura em voz alta:

2.6. Tendo em conta que o poema nos chama a atenção para o ■


Hesitar ■
Ter ritmo de leitura
facto de as palavras poderem apresentar diferentes significa- ■
Usar o dedo ou outro guia ■
Acrescentar
dos, ele aproxima-se de uma definição (poética) de polissemia. ■
Ler com expressividade ■
Omitir
3.1.1. A interrogação do primeiro verso, como aliás todas as

Fazer leitura palavra a palavra ■
Aglutinar sílabas
outras do poema, dirige-se a um “tu”, destinatário do discur-

Respeitar a pontuação ■
Ter problemas de dislexia
so, que se pode eventualmente identificar com um “eu” – o

Errar em pequenas palavras ■
Fazer autocorrecção.
sujeito poético seria o eu e o tu. Para cada um destes pontos serão usados os parâmetros
Nunca, Raramente, Algumas vezes, Muitas vezes, Sempre.
3.1.2. Através desta interrogação, o sujeito poético pede
Nesta ficha haverá, ainda, lugar para observações e
contas a um “tu”/ “eu” acerca do que terá ele feito das pala-
estratégias de remediação.
vras, fazendo-nos supor que o apelo por ele lançado no
poema anterior não teve eco.
3.2.1. As vogais são “de um azul (…) apaziguado” e as
consoantes ardem “entre o fulgor / das laranjas e o sol dos | Textos | 5
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

cavalos”.
3.2.2. Vogais e consoantes são opostas pois, enquanto que Compreender [pág. 84]
as primeiras são suaves e ‘tranquilas’, as segundas são 1.1. vv. 7-8: água, fogo, lenha, vento, primavera, pátria, exí-
quentes e fulgorosas; porém, só quando as juntamos pode- lio; v. 10: navio; v.14: tempestade; v. 15: sangue; v. 16: amor,
mos fazer palavras. Daí o seu carácter complementar. morte, navio; v. 17: chama; v. 19: rosa, cardo.
4.1. “agora” – vv. 1 e 15. 1.2. Por exemplo, os pares água/fogo , pátria/exílio ,
4.2. Os tempos do passado são o pretérito perfeito (farta- amor/morte, rosa/cardo. A liberdade é água, pátria, amor e
ram-se, tive, gostaram) e o pretérito imperfeito (dançavam, rosa mas, frequentemente, a luta por ela é fogo e cardo,
encontrava, fazia, sustentavam). implica exílio e morte.

4.3. No passado, as palavras “gostaram” do sujeito poético: 2.1. Por exemplo versos 17-20.
andavam à volta dele e “aqueciam-no”; no presente, “estão 2.2. A relação sujeito poético-pátria-liberdade é uma relação de
ariscas” (v. 16), “resmungam” (v. 3), “arreganham os dentes” tudo ou nada: só existe pátria em liberdade e por elas o sujeito
(v. 17), desobedecem-lhe e desrespeitam-no (cf. vv. 3-5). poético está disposto a tudo – ao exílio, ao cativeiro, à morte.
Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos 13

Actuar [pág. 84]


A poesia é também a língua. E para mim a língua
1. Para encontrar outros poetas portugueses, da segunda começa em Camões, que tinha uma flauta mágica.
metade do século, que escreveram sobre o tema da liberda- A música secreta da língua. A arte e o ofício da língua
de, consultar o site http://www.bib-camilo-castelobran- e da linguagem. (…) O poeta, dizia Cioran, “é aquele
co.rcts.pt/librdd5.html e http://www.uc.pt/cd25a/ (Centro de que leva a sério a linguagem”. E o que é levar a sério
Documentação 25 de Abril, da Universidade de Coimbra). a linguagem? Eu creio que é estar atento aos sinais.
Os sinais mágicos da palavra. (…) É então que a poe-
sia acontece. Isto é o que sei de poesia. Talvez seja
Oralidade [pág. 84] muito pouco. Mas não sei se é possível saber mais.
Texto a ler aos alunos: Manuel Alegre, texto escrito e lido durante uma sessão consagrada
a “Trinta Anos de Poesia” na Faculdade de Letras da Universidade
Católica de Viseu, em Maio de 1965, in 30 anos de poesia,
A poesia não se explica... Publ. Dom Quixote, 1997 (texto com supressões)

Não sei falar de literatura. Não sei falar de poesia.


Sobretudo não sei se a poesia tem alguma coisa a
ver com a literatura. Talvez esteja antes ou depois
da literatura. Sei que a poesia não se explica, a | Textos | 6
poesia implica, como costuma dizer a minha amiga
Sophia de Mello Breyner. Sei que a energia, como Compreender [pág. 86]
diz o meu amigo Herberto Hélder, é a essência do
mundo e que “os ritmos em que se exprime consti- 2.1. Sossegado/Calmo como os Árabes; Ardente/Ardoro-
tuem a forma do mundo”. Sei, como o poeta russo so/Veemente como os Africanos; Robusto/Belo como os
Mandelstam, que “escrever é um acontecimento Gregos; Ambicioso como os Romanos; Ardiloso como os
cósmico”. E que cada palavra é um pedaço de uni- Orientais ; Apaixonado como os Latinos ; Subtil como os
verso. Ou como dizia Klebnikov: “na natureza da Europeus.
palavra viva, esconde-se a matéria luminosa do uni-
verso”. Talvez tudo isto seja a poesia. Ou talvez ela 2.2. Hipóteses: incoerente; hipócrita; falso.
não seja mais do que o primeiro verso, aquele que
3. “nem anjo nem bruto” refere a essência humana do ho-
nos é dado, como sempre dizia Miguel Torga, por-
que os outros têm de ser conquistados. Talvez tudo mem com todos os seus defeitos mas também com as suas
esteja nesse primeiro verso, que é o instante da virtudes.
revelação e da relação mágica com o mundo atra- 4.1. “Recorda-te que tu és pó e em pó te hás-de tornar” (cf.
vés da palavra poética. Talvez o poeta, afinal, não
Génesis, 3, 19).
seja muito diferente daquele sujeito que vemos nas
tribos primitivas, de plumas na cabeça, repetindo 4.2. A forma verbal encontra-se no modo conjuntivo (Me
palavras mágicas enquanto dança e pula ao ritmo levante), expressando um desejo do sujeito poético: que,
de um tambor. O poeta é esse feiticeiro. Dança com depois da morte, ressuscite puro e imaculado.
palavras ao som de um ritmo que só ele entende.
Ou é talvez o adivinho. Como já não pode ler nas
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

vísceras das vítimas, procura decifrar os sinais dos


tempos através de múltiplos sentidos ou do sem-
-sentido da palavra. De qualquer modo, como nas Poetas de expressão portuguesa
sociedades primitivas, que tinham uma concepção
mágica do mundo, o poeta de hoje é como esse do século XX
xamã antigo que, através da repetição rítmica de
palavras e imagens, convoca as forças benfazejas ou “Não vale a pena pisar” [pág. 89]
tenta exorcizar as forças maléficas.
A poesia é, assim, antes de tudo, uma forma de Tópicos de análise
medição. Um presságio do Sul, como diz o meu Todo o poema é uma longa metáfora – tal como o capim,
amigo José Manuel Mendes. que nasce espontaneamente da força da terra, quando é
Uma encantada, encantatória e desesperada tenta-
destruído pelo fogo, renasce após a primeira chuvada, tam-
tiva de captar a essência do mundo e de, através da
bém aqueles que são explorados guardam em si uma raiva
palavra, “mudar a vida”, como queria Rimbaud. Uma
forma de alquimia. Que procura o impossível. Ou calada, pronta a “explodir” a qualquer instante. A calma ilu-
seja: o verso que não há. sória dos oprimidos explodirá em força logo que as condi-
ções sejam propícias.
14 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual

“Terra” [pág. 90] silêncio a que os carrascos obrigam; tudo se passa no interior –
“Eu sei o teu nome…”, mas não posso pronunciá-lo (vv. 13 e 19);
A literatura cabo-verdiana: temática

os quatro tercetos iniciais, construídos com base numa
Há um conjunto de constantes na literatura de Cabo Verde repetição anafórica (“É como se alguém…”) seguida de uma
que derivam, inevitavelmente, do condicionamento geoeco- construção antitética: pisasse/risse; batesse/cantasse; cus-
nómico a que as ilhas estão sujeitas: pisse/passasse indiferente; apunhalasse/abraçasse; os últi-

a seca e a fome, que provocam o desejo de evasão (hora mos versos de cada um desses tercetos, isolados por um tra-
di bai – hora da partida); vessão, constituem-se como uma espécie de prolongamento

o sentimento colectivo de que a emigração constitui a do título do poema.
única solução possível e, paradoxalmente, a impossibilidade ■
metáforas de “esperança” (vv. 3, 6, 9, 12, 14-18, 20-21).
de partir, determinada pela situação financeira dos que aspi- ■
a esperança de mudança concretizada no último verso –
ram à emigração; esperança = vento da certeza.

a saudade dos que partem (a ruptura dos laços que pren-
dem o homem à sua terra natal) e o desejo do regresso. “Negra” [pág. 92]
A solução da partida é inevitável mas provisória – abando- Tópicos de análise
nar as ilhas, atravessar a imensa fronteira líquida, procurar ■
África vista de fora (“Gentes estranhas com seus olhos cheios
fixar-se numa região de trabalho bem remunerado para
doutros mundos”) – imagem falsa, oca e artificial (vv. 11-18);
regressar o mais depressa possível. É a tragédia do êxodo, a
eterna diáspora cabo-verdiana.

só os africanos – “do mesmo sangue, mesmos nervos, carne,
alma, / sofrimento” (vv. 21-22) – conseguem perceber o sentido
Dois ritmos polarizam, assim, a vida colectiva: (verdadeiro) de África – MÃE, remetendo para o título Negra.

o ritmo telúrico (vida ligada à terra);

o ritmo pelágico (das eternas partidas e regressos). “Os vínculos timorenses” [pág. 93]

Em relação ao crioulo cabo-verdiano, aconselha-se o site Tópicos de análise


http://www.priberam.pt/dcvpo/ onde um dicionário e uma ■
vv. 1 a 4 – metáfora de Timor aprisionado;
gramática de crioulo podem ser consultados on-line. ■
vv. 5 e 6 – esperança no ressurgimento futuro e desejado;

vv. 7 a 10 – identificação profunda com o povo timorense
Tópicos de análise através do símbolo da bandeira; sangue/pacto (v. Nota no

v. 1 – Nha: pron. pess. 2.a pessoa sing. fem. – a senhora Manual); metáfora da candeia acesa;
(tratamento cortês usado apenas com as mulheres velhas ou ■
vv. 13 a 18 – identificação do sujeito poético com Timor: fala
muito respeitadas pelo falante); pela voz de Timor expressando o desejo à autodeterminação;

vv. 6 a 15 – razões que provocam a partida – seca, fome, ■
vv. 19 a 24 – apelo de que o sujeito poético se faz eco;
morte; ■
v. 25 – Timor fenece; espécie de grito de morte anunciada.

vv. 16 a 20 – lugares mais desejados; o sonho de quem
parte ou almeja partir;
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

“Lá no ‘Água Grande’” [pág. 94]



vv. 21 a 36 – sentimento de quem fica: por um lado a resig- Tópicos de análise
nação, por outro a esperança de que as coisas se alterem –
Num comentário a este poema, o escritor e crítico literário
que venha a chuva e traga consigo a abundância, a fartura;
Manuel Ferreira salienta os dois “mundos” em que se movem

vv. 37 a 43 – os dois ritmos que polarizam a vida das ilhas as crianças são-tomenses: “o reino da aparência e do ‘real’ –
– campos (telúrico)/mares (pelágico); o ciclo do sonho/espe- a máscara e o rosto”.
rança, ciclo da terra, ciclo da vida: “…sonhos/que um dia ■
as quatro primeiras estrofes correspondem ao mundo da
esvaem-se/ – mas surgem sempre…”.
aparência, à máscara;

na quinta estrofe a máscara cai e revela o rosto, isto é, a
“Esperança” [pág. 91]
realidade;
Tópicos de análise ■
“gemidos cantados” – expressão que revela a verdadeira

o título é a palavra-chave para decifrar o poema: Esperança, natureza dos cantos das crianças;
palavra que nunca aparece no poema embora todo ele reme- ■
valor expressivo dos adjectivos “mudos” e “quedos”, repor-
ta para esse sentimento; carácter simbólico deste facto: o tando-se à realidade.
Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos 15

“Canção” [pág. 94] ■


relação bola/mulher/touro – necessidade de tratar com
malícia, astúcia, atenção, carinho (vv. 11-12).
Tópicos de análise
Tema: A paz só se alcança quando se abdica do sonho/A
morte do sonho; Ficha formativa [págs. 96-97]
a

abundância de marcas da 1. pessoa (pus, abri, chorarei, (o)
I
meu, (as) minhas, meus);

expressão dos sentimentos do sujeito lírico que estão na 1. S. Leonardo, capitão no seu posto de comando, vai sulcan-
base da sua decisão de ‘matar’ o sonho – solidão (areias do as ondas da eternidade, à proa dum navio de penedos, a
navegar num doce mar de mosto, sem pressa de chegar ao
desertas), desilusão, cansaço, tristeza...;
cais divino.

1.a quadra – relação sonho/navio/mar/mãos; valor simbóli-
co das mãos – atitude deliberada do sujeito poético; 2. O antecedente do advérbio “Lá” é a expressão nominal
“cais divino”.

marcas do “crime” – mãos molhadas; cor que escorre dos
dedos – morte do sonho pelas suas próprias mãos; 3. O conector “Por isso” traduz a ideia de consequência,

a
3. quadra – vento/noite/frio – conjugação dos elementos resultado ou efeito.
naturais que se aliam à tristeza provocada pela morte do sonho; 4. Na primeira estrofe predomina o presente (é, ruma, vai); na

a
4. quadra – hipérbole dos dois primeiros versos; o sofri- segunda estrofe predomina o futuro (terá, serão, deixarão);
mento mata o sonho; na terceira estrofe volta a predominar o presente (se aproxi-
ma, avança, gasta).

5.a quadra – valor simbólico do conector temporal “depois”;
a ordem/a perfeição equivalem a ausência de dor/ausência 5. Duas hipóteses possíveis:
de sonho. ■
O poema poderá ser dividido em três partes lógicas, corres-
pondendo cada uma delas a cada uma das estrofes. Assim,
“No meio do caminho” [pág. 95]
na primeira estrofe, vemos S. Leonardo, “ancorado e feliz no
cais humano”, a iniciar a sua viagem em direcção ao “cais
Tópicos de análise divino”. Na segunda estrofe é feita a antevisão (daí o tempo
Sobre o poema No meio do caminho: verbal futuro) do que espera S. Leonardo quando chegar ao
“Este poema pode simbolizar dignamente a poesia moder- seu destino, no “cais divino”. Na terceira estrofe retoma-se
nista brasileira e as reacções de entusiasmo ou de repulsa o presente de S. Leonardo que, porque sabe o que o espera
que provocou podem simbolizar as que sempre provoca a arte na “bem-aventurança”, avança, agora, devagar e sem pressa
nenhuma de lá chegar.
de vanguarda; mas pode simbolizar igualmente a novidade, a
importância da poesia drummondiana; na sua simplicidade, ■
O poema pode dividir-se em duas partes: a viagem em
na sua brevidade, na sua ambiguidade, ele faz de um aparen- direcção ao cais divino, na qual S. Leonardo se demora para
temente banal acidente de percurso um grande acontecimen- poder apreciar a paisagem (constituída pelas estrofes 1 e 3),
to obsessivo, dramático, absurdo, e fá-lo com uma espantosa e a antevisão de como será o referido cais (estrofe 2).
economia lexical (à base dos lexemas inqualificados “cami- 6.1. Locução adverbial: “sem pressa” (v. 8); advérbios: “deva-
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

nho” e “pedra”, que naturalmente são investidos de grande gar” (v. 21) “lentamente” (v. 23).
energia simbólica) e sem mais ênfase que a da repetição.”
6.2. Os adjectivos são “ancorado” e “feliz” (v. 9).
Arnaldo Saraiva, “Um poeta universal”, Nota introdutória a
Obras Completas de Carlos Drummond de Andrade, Obra Poética, 6.3. S. Leonardo não tem pressa de chegar ao seu destino (o
1.° vol., Publ. Europa-América, s/d ‘cais divino’) porque se sente ‘feliz’ no ‘cais humano’ onde
tem tudo aquilo de que gosta e cujas sensações agradáveis
pretende prolongar o mais possível já que sabe que no local
“O futebol brasileiro evocado da Europa” [pág. 95]
para onde vai não terá nada daquilo que tanto aprecia (Cf.
Tópicos de análise vv. 10-11: “É num antecipado desengano…”).

o futebol, símbolo de um país (Brasil); 7. Entre outras, poderiam citar-se as seguintes passagens:

bola/touro – definição por oposição (vv. 1-2) e por seme- “socalcos” e “vinhedos”, “um navio de penedos”, o cheiro a
lhança (v. 8); “mosto”, a “terra” e a “rosmaninho”.

aparente simplicidade da bola (vv. 3-4) versus a real dificul- 8.1. “Nem vinhedos (a)”; “Na menina dos olhos (b) deslum-
dade em lidar com ela (vv. 7-8); brados”.
16 Módulo 3 Textos dos media I

| Textos | 1 4.2. População de Murray River: 5 = petchval petchval enea


(4 + 1); população de Kamilaroi: 7 = bulan bulan guliba (4 + 3)
Antes de ler [pág. 101] 5. “Os números foram ordenados e agrupados em unidades
2. No original, era esta a divisão: cada vez maiores, geralmente pelo uso dos dedos de uma das
1.° § – Introdução; 2.° § – Ciência – um estudo de tudo!;
mãos ou das duas…” (ll. 15-16); “A divisão começou quando
3.° § – Como funciona a ciência; 4.° e 5.° § – Tecnologia – 10 se exprimiu como ‘metade de um corpo’…” (ll. 45-46).
a ciência em acção. 6. Partindo do princípio da contagem pelos dedos, “metade
do corpo” seriam dez dedos.
Compreender [pág. 103]
7. Aula de Matemática
3.2. a. “Contudo” (l. 43); b. “Em suma” (l. 44). ■
Através deste texto é-nos dada uma visão subjectiva do
mundo (interior e exterior); o sujeito poético usa os conceitos
Funcionamento da língua [págs. 103-104] matemáticos de uma forma muito pessoal que reflecte as
suas ideias e sentimentos.
2. 1.° § – “A Terra (…) não haverá mais.” (ll. 1-4)

Dá, sobretudo, importância à forma.
2.° § – “A História (…) gerações futuras.” (ll. 4-8)
3.° § – “As ilhas (…) estão ameaçados.” (ll. 8-12)

Tem uma intenção estética: predomina a função poética.
Utilizam-se recursos estilísticos e uma linguagem profunda-
4.° § – “No entanto (…) conquistas tecnológicas.” (ll. 12-17)
mente conotativa.
5.° § – “Tenho esperança (…) própria vida.” (ll. 17-19) ■
A verdade da mensagem não é uma preocupação funda-
mental.

É um texto literário.
| Textos | 2
Antes de ler [pág. 105]
| Textos | 3
1. Esta é a primeira fase do trabalho a completar na per-
gunta 7. da página 108, onde, recordando as noções de Antes de ler [pág. 109]
texto literário e de texto não literário, os alunos irão
completar uma grelha. 1.1. Neste cartoon, podemos observar uma personagem
masculina, sentada num sofá em frente à televisão, com ar
enfastiado. Numa mão tem o comando do aparelho e, na
Compreender [págs. 107-108]
outra, uma taça de pipocas. No chão, três latas de refrige-
1.1. O anúncio apresenta-nos um quadro preto típico das rante vazias, pipocas espalhadas e o jornal abandonado
escolas, onde está escrita uma frase com símbolos matemá- aberto na página que fornece informações sobre os progra-
ticos: A matemática deve ser tão fácil de perceber mas de televisão. Na televisão reconhecemos a imagem do
como as palavras. Rambo. De dentro da casa alguém pergunta se a guerra já
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

1.2. A mensagem subjacente a este anúncio, patente no começou, ao que o homem responde que não, queixando-
texto que o acompanha, é uma tentativa de desmistificar a se que os programas de televisão nunca começam à hora
dificuldade da matemática – “… a matemática não tem de prevista.
ser um problema.” e “… pode ser divertida e acessível a 1.2. Para além de todos os estereótipos que o cartoonista
todos.” Ora, o texto “As origens da Matemática” mostra-nos aqui põe em evidência – o fim do dia de muitas famílias por-
como esta disciplina entrou naturalmente nas nossas vidas e tuguesas em que o homem se acomoda no sofá, ‘comandan-
está presente, de forma muitas vezes inconsciente, em mui- do’ a televisão enquanto a mulher arruma a cozinha, há uma
tos gestos do nosso dia-a-dia. Por isso, ela é tão natural e íntima relação entre este cartoon e a resposta que L. Afonso
“… tão fácil de perceber como as palavras.” dá à primeira pergunta da entrevista – a guerra ‘anunciada’,
2. Adição (l. 9), subtracção (l. 18), multiplicação (l. 41) e divisão ‘com hora marcada’ para aparecer na televisão, numa total
(l. 45). inversão realidade/ficção: não é a realidade que passa a fic-
ção mas a ficção que “salta” para a realidade. O ‘público’
3. O desenvolvimento das actividades comerciais (Cf. l. 14).
espera pelo início da guerra como quem espera por um filme
4.1. A adição. ou uma série que passa a determinada hora na televisão. E o
Módulo 3 Textos dos media I 17

que é certo é que este tipo de ‘programa’ tem audiência: 4.2. O autor afirma que “vai sendo um castigo” ou uma
“correu bem em termos de bilheteira…” (l. 16). imprudência ser-se professor de Português pois estes pro-
fessores são frequentemente colocados “ na posição de
Compreender [págs. 112-113] réus” e constantemente “colocados em trabalhos e tormen-
tos”; os outros professores acusam-nos de serem responsá-
1.1. b.; 1.2. a.; 1.3. b.; 1.4. a.; 1.5. b.; 1.6. b. veis pela “pobreza vocabular” dos alunos e a redacção de
2.1. b. actas e outros documentos é encarada como uma obrigação
destes ‘puristas’ da escrita.
2.2.1. O título da entrevista é uma frase do entrevistado (cf.
uso da primeira pessoa do singular), que constitui uma espé- 5.1. O autor faz esta afirmação porque os erros ortográficos
cie de tributo ao pai e àquilo que o cartoonista aprendeu proliferam apesar dos esforços dos professores.
com ele relativamente à forma como se posiciona perante os
acontecimentos. Funcionamento da língua [págs. 117-119]

2.2.2. Na introdução faz-se uma espécie de síntese do con- 1.1. O grupo nominal a que se refere “nele” é “o erro orto-
teúdo da entrevista, chamando particularmente a atenção do gráfico” que só aparece na linha 22. Acrescente-se que “o
leitor para o facto de o cartoonista se inspirar naquilo que o erro ortográfico” é ainda antecipado por diversas elipses
rodeia e para as suas constantes dúvidas e inquietações, (“[ele] Está também…; [ele] circula…”, etc.).
que, como o título já anunciava, Luís Afonso ‘herdou’ do pai. 1.2. Anáforas: “o/lo” (ll. 24, 34, 35, 38 e 43); “dele/deles” (ll. 23, 26),
2.3.1. O entrevistador adopta um tom formal, usando a 3.a “ele” (l. 36), “lhe” (l. 42).
pessoa quando se dirige directamente ao entrevistado. 2.1. Hipóteses possíveis: “as pessoas tinham-se excedido
Nota-se que a entrevista foi bem preparada: o entrevistador um pouco”; “era uma pista onde a prova tinha decorrido”.
conhece bem o percurso do entrevistado e a sua obra, faz
perguntas pertinentes (que muitos leitores gostariam, certa- 3.1. A ordem dos parágrafos é: c., b., a., d..
mente, de fazer). Não podemos dizer que o entrevistador 3.2. “Para incorporar palavras novas, os léxicos das línguas
tenha formulado juízos de valor sobre as respostas dadas ou dispõem basicamente de três mecanismos distintos: a cons-
tenha procurado influenciar de forma óbvia o entrevistado. trução de palavras, recorrendo a regras da própria língua
No entanto, nas duas primeiras perguntas, podemos entre- (1); a reutilização de palavras existentes, atribuindo-lhes
ver uma tomada de posição em relação aos factos. novos significados (2); a importação de palavras de outras
línguas (3).”
4.1. A ordem é a seguinte: Ora, actualmente, é lógico que,
| Textos | 4 mas.
4.2. Exemplos possíveis: Assim; hoje em dia/nos nossos
Compreender [pág. 117]
dias; logicamente; porém/todavia/contudo [colocados após
1.1. O erro ortográfico encontra-se nos tapumes das obras, “que carece”: que carece, no entanto,...].
nos painéis publicitários, nas legendas televisivas, nos pla-
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

4.3. O antecedente é “os léxicos”. Trata-se de uma retoma


cards, nas “coisas” da Câmara, nos autocarros, nos muros,
anafórica pronominal.
nas faixas, etc.
2. e 2.1. O maior erro, na opinião do autor, é não reconhecer-
mos o erro ortográfico quando o vemos e este facto é grave
na medida em que o perpetua. | Textos | 5
3.1. Segundo o autor, os professores das disciplinas científi- Antes de ler [pág. 121]
cas “deixaram de o corrigir”, os das ciências sociais “limi-
1.1. Na primeira foto vemos, destacado, um homem com ar
tam-se a sublinhá-lo” e os docentes de Português “ não
triste, preocupado. Embora não apareça em primeiro plano, é
sabem que peso atribuir-lhe”.
ele que está destacado já que a mulher que se encontra à
4.1. Temeridade – ousadia perante um perigo quase certo; sua frente (bem como o resto da foto) se apresenta desfoca-
audácia; acto ou dito irreflectido com possíveis consequên- da. Esta forma de destaque poderá indicar que o homem
cias desagradáveis ou perigosas; imprudência. está desorientado, isolado em relação àquilo que o rodeia,
(in Grande Dicionário Língua Portuguesa, Porto Editora) ignorado pelos outros figurantes da foto. Podemos situar a

CPPORT14CP-02
18 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual

foto em Lisboa pela placa atrás do homem. Na segunda foto, 3.2. A vida destes “novos lisboetas” não lhes pertence pois
assistimos a uma cena dentro de um autocarro: uma mãe têm que lidar com uma série de problemas que, a maior
com um bebé ao colo, olhando-o com ar sereno e embeveci- parte das vezes, não dependem deles nem da sua vontade.
do. Ao lado, uma outra criança observa a cena que se passa
3.3. Através desta personificação, Lisboa, que representa
também em Lisboa (no autocarro que se vê ao fundo pode
todo o país, é identificada com os seus habitantes; são eles
ler-se Restelo).
(os lisboetas/os portugueses) quem acolhe os imigrantes ou
1.2. As mensagens são opostas pois enquanto que na pri- quem os ignora.
meira há uma mensagem de solidão e isolamento, na segun-
3.4. A ausência dos “verdadeiros” lisboetas do filme é expli-
da a tónica é posta na esperança das gerações futuras (quer
cada pelo facto de eles se comportarem desse mesmo modo
o bebé que está ao colo da mãe e para quem ela sonha, cer-
“face ao Outro”, isto é, no dia-a-dia estes “verdadeiros” lis-
tamente, um futuro melhor do que o seu presente, quer na
boetas estão ausentes/invisíveis em relação aos imigrantes.
criança que não os ignora e demonstra, até, uma certa curio-
Por isso, segundo o autor deste texto de opinião, o realizador
sidade em relação às duas outras personagens).
deste filme ‘esqueceu-os’: é como se eles não existissem.

Compreender [págs. 123-124] 3.5. Através desta frase, o crítico chama a atenção do leitor
para o facto de não haver grandes diferenças entre nós e os
1.1. Evidenciam incerteza, por si só, expressões como: “Não imigrantes que recebemos: tirando os problemas de ordem
estou bem seguro de que…”, “talvez”, “Nem sei também burocrática (legalização, contratos de trabalho, etc.), todos nós
se…”, “creio que…”. Contribuem também para manifestar a estamos irmanados tanto nas dificuldades como nos sonhos.
incerteza do locutor a expressão “E nesse caso…” aliada ao
uso da forma condicional “faria” e o recurso ao futuro (“será”, 4.1. Por exemplo: clarividência (l. 99) e distanciamento (ll. 99-
“poderá ter-se tratado”, “poderá ter”, “terá Tréfaut querido -100).

(…) mostrar-nos”) que não assume, aqui, uma ideia temporal 4.2. Através daquilo que o crítico classifica como “filmar a
de situar uma acção num tempo posterior ao tempo em que se ‘seco’”, isto é, o realizador mantém em relação às persona-
situa o acto de fala, antes expressa um facto dependente de gens uma “dose correcta de distanciamento”.
uma hipótese, ou seja, introduz um valor modal: o ponto de
vista do sujeito locutor em relação àquilo que é dito. 4.3. A opção pelos grandes planos justifica-se pela vontade
do realizador de não interpretar mas sim de ‘mostrar’, de
1.2. Reescrita possível: “Lisboetas. Estou seguro de que no ‘dar a conhecer’.
início do genérico do novo filme de Sérgio Tréfaut o gentílico
surgia no écran com capitular, e não assim, com caixa baixa, 5.1. Por exemplo: o uso do adjectivo valorativo em relação
lisboetas. Sei também que a questão não será de importân- ao trabalho do realizador (enorme, imparcial, correcta, emo-
cia relativa ou menor. Propositadamente optou-se por lisboe- cional, …).
tas com minúscula. A letra pequena faz bastante diferença 5.2. Referimo-nos a expressões do tipo: na minha opinião, a
na leitura da mensagem.” meu ver, em meu entender, parece-me que, acho que, penso
2.1. Se o título tiver sido grafado com maiúscula inicial, o que, etc.
realizador terá querido salientar que estes ‘lisboetas’, os
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

imigrantes retratados no filme, são ‘verdadeiros lisboetas’, Funcionamento da língua [págs. 124-125]
isto é, cidadãos de Lisboa iguais a todos os outros; caso con- 1.1. Trata-se de um sujeito nulo subentendido [Nós].
trário, poderia tratar-se de uma chamada de atenção para o
estatuto de menoridade destes imigrantes. 1.2. Orações coordenadas: “Nós agradecemos e eles retri-
buem.” Sujeitos: Nós/eles; Predicados: agradecemos/retri-
2.2.1. Sendo intencional, o uso da maiúscula no vocábulo buem.
“Outro” revela a preocupação do autor em evidenciar a
importância destes cidadãos, de lhes conferir o estatuto de Observação: Os verbos “agradecer” e “retribuir” são
‘verdadeiros lisboetas’. transitivos directos e indirectos, embora os respectivos
2.2.2. Por exemplo: em início de frase, nos topónimos complementos directo e indirecto não estejam expres-
(“Lisboa”, “África”, …) nos antropónimos (“Sérgio Tréfaut”), sos. Será uma boa ocasião para explicar aos alunos que
nos nomes relativos a meses do ano (“Janeiro”). mesmo os complementos seleccionados pelo verbo (ou
pelo nome) podem, em algumas circunstâncias, ser supri-
3.1. Os “novos lisboetas” são os imigrantes que vêm de todo midos da superfície lexical da frase.
o lado, em particular de África e dos países de Leste.
Módulo 3 Textos dos media I 19

1.3. Embora ambas remetam para aquelas pessoas que 2.3.1. … em que todas as pessoas sabem qual é a posição

abandonam o seu país de origem para se estabelecerem da sua equipa e o que ela fez para lá chegar. // … na famí-
num outro, emigrante remete para um movimento de dentro lia das nações houvesse mais competições deste género.
para fora (isto é, aquele que deixa o seu país) e imigrante ■
… de que todas as pessoas do planeta gostam muito de
implica um movimento de fora para dentro (ou seja, aquele falar. // … que houvesse mais conversas deste género no
que se instala num país que originalmente não é o seu). mundo em geral.
1.4. A palavra melhor é, aqui, o comparativo de superiorida- ■
… em que todos estão sujeitos às mesmas regras, em que
de do adjectivo bom. todos os países têm oportunidade de participar em condi-
2. “OBRIGADO, Elaine.”: deveria haver uma vírgula a isolar o ções de igualdade. // … que tivéssemos mais factores de
vocativo. No fim da frase, poderia optar-se pelo ponto final, nivelamento como estes na esfera internacional.
pelo ponto de exclamação ou, até, pelas reticências, em fun- ■
… que ilustra os benefícios da polinização cruzada entre
ção da intencionalidade que se pretenda atribuir à frase. povos e países. // … todos compreendessem que a migra-
ção humana em geral pode dar origem a uma tripla vitória –
Oficina de escrita [pág. 126] para os emigrantes, para os seus países de origem e para as
sociedades que os acolhem.
4. Proposta de resumo:
“Outrora país de emigrantes, Portugal tornou-se, no sécu- 2.3.2. As questões que preocupam Kofi Annan são, entre
lo XXI, país de acolhimento de diversos povos, oriundos outras, as seguintes: o respeito pelos direitos humanos; o
sobretudo de Leste. Por todo o lado e a todo o momento, os aumento das taxas de sobrevivência infantil e de matrículas
“novos lisboetas” vão-se adaptando à cultura portuguesa.” no ensino secundário; a obtenção de melhores resultados ao
[36 palavras] nível do Índice de Desenvolvimento Humano; as emissões de
carbono; as infecções pelo VIH; a necessidade de mais fac-
5. Proposta de resumo:
tores de nivelamento entre países, de trocas livres e justas;
“A palavra “instalação”, originalmente significando “pro-
uma melhor compreensão da questão da migração humana
cedimentos e (…) técnicas de exposição de obras de arte
em geral e das vantagens que este fenómeno pode trazer ao
em espaços próprios”, alargou o seu conceito, na segunda
mundo.
metade do século XX, abrangendo, hoje, uma multiplicidade
de campos artísticos cujas fronteiras se diluíram. 2.4. Por exemplo: ”Por fim...,” “Finalmente...” “Em suma…”,
Além disso, havendo uma relação específica entre a obra “Em resumo…”, “Em conclusão…”.
de arte e o espaço em que é inserida – o site specific –,
qualquer instalação deve manter-se no espaço para que foi 3.1. “(…): o Campeonato do Mundo é um evento em que
criada. Transitórias por definição, as instalações tornam-se, efectivamente se obtêm resultados. Não me refiro apenas
frequentemente, permanentes.” aos golos que um país marca; refiro-me também ao resulta-
[78 palavras] do mais importante de todos – estar lá, fazer parte da famí-
lia das nações e dos povos, celebrar a nossa humanidade
comum.” (ll. 138-146)
| Textos | 6
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

3.2. O que Kofi Annan realmente inveja é o facto de um


evento deste tipo conseguir aquilo que a ONU não consegue:
Compreender [pág. 130] fazer com que todas as nações sejam uma família e que
1.1. Trata-se do Campeonato do Mundo de Futebol. celebrem juntas a sua “humanidade comum”. (ll.138-146)

1.2. Este tema interessa ao secretário-geral das Nações 3.3. Nos dois últimos períodos do texto, Kofi Annan revela-
Unidas por se tratar de um dos poucos fenómenos que é tão -se o ‘adepto’ comum: aquele que, na hora do jogo, vai tor-
universal como (ou até mais universal do que) a própria cer pela sua equipa (o Gana) e desejar que ela ganhe.
ONU. Daí o facto de ele confessar, em relação a este fenó-
meno, um sentimento de inveja. 4. As principais características da crónica estão aqui presen-
tes: o texto parte de um facto da actualidade; é um texto
2.1. Os conectores são: “Em primeiro lugar…”, “Em segundo
curto, pelo facto de ser publicado numa revista; é subjectivo,
lugar…”, “Em terceiro lugar…” e “…em quarto lugar…”.
pois expressa a opinião do seu autor; o foco narrativo é cen-
2.2. Os três últimos poderiam ser substituídos por conectores trado no emissor (1.a pessoa) e no referente (3.a pessoa); há
do tipo: “De seguida…”, “Depois…”, “Seguidamente…”, uma espécie de diálogo virtual com o leitor; o discurso é
“Por último…”, “Finalmente…”, etc. directo e espontâneo; predomina a função emotiva.
20 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual

| Textos | 7 ■
variedade brasileira do português: assinalar as diferen-
ças encontradas em relação à variedade europeia:
Compreender [pág. 134] a. forma escrita diferente: “crônica”, “cotidiano”
1. a. O tema é o processo criativo que está na base de uma b. plano lexical: utilização de variantes lexicais de diferentes
crónica. origens – “botequim”, “garçom”, …
b. Por exemplo: “Como nasce uma crónica”/ “O escritor à c. planos morfológico e sintáctico:
procura da crónica”. – utilização do determinante possessivo sem artigo: “de
seu disperso” (l. 5); “meu café” (l. 9); “de seus três anos”
2.1. O animal (pacaça): “pata”, “pescoço”, “cabeça”, “cora-
(ll. 15-16); “nossos olhos” (l. 65)
ção”, “patas”, “chifres”, “olho”, “pele”, “macho”, “fêmea”,
– colocação do pronome átono antes do verbo: “me assusta”
“costas”, “cauda”, “coice”, “cornada”, etc.; o texto (cróni-
(l. 2); “se afasta” (l. 25); “se mune” (l. 33); “ a se convencer”
ca): “palavra”, “crónica”, “frase”, “período”, “romances”,
(ll. 62-63), etc.
“papel” , “bloco” , “página” , “esferográfica” , “revista” ,
“livros”, “escritores”, “caneta”, “advérbio”, “adjectivo”, – construção aspectual (utilização do gerúndio): “estou
“imagem”, etc. adiando” (l. 2); “está olhando” (l. 57);
– diferente utilização das preposições: “Visava ao circuns-
3. a. V; b. V; c. F; d. F; e. V; f. V. tancial” (l. 6); “em torno à mesa” (l. 18; l. 32); “parabéns pra
você” (l. 50).
Funcionamento da língua [pág. 135]

1.1. “Estou aqui…” (l. 1); “[A crónica] continua acolá…” (l. 48).
Ficha formativa [págs. 139-141]
Estes dois advérbios marcam a distância entre o enunciador do
discurso (eu) e o ‘objecto’ a que se refere. I
1.2. O deíctico “isto” apela ao saber compartilhado já que 1. Na origem desta crónica esteve uma notícia que a cronis-
faz parte de uma expressão que retrata um gesto que tem ta leu no jornal Público sobre palavras de difícil tradução.
que ser conhecido pelo interlocutor – “não se deslocou nem
isto” significa “não se deslocou nem um bocadinho”. 2. A presença da autora é explícita quer através das marcas
de primeira pessoa (pronomes pessoais – me, eu; formas
2.1. As expressões que conferem a este excerto coesão verbais na 1.a pessoa do singular – leio, suspeito, gozei, etc.
sequencial/temporal são as seguintes: “E então…” (l. 10), – e na 1.a pessoa do plural – olhamos, nos apercebemos ); de
“De início…” (l. 16), “Depois…” (l. 19), “É altura de…” (ll. 23- salientar, ainda, a opção por verbos que exprimem uma opi-
-24) e “quando…” (l. 28). nião (parece-me, prefiro, opto) que configuram actos ilocutó-
2.2.1. c. a crónica. (l. 30) rios assertivos, isto é, actos que traduzem uma verdade
assumida pelo locutor.
2.3.1. [Eu] nunca tenho uma ideia: [eu] limito-me a aguardar
a primeira palavra, a que traz as restantes [palavras] consi- 3. a. V; b. V; c. F (Através destas frases a cronista explicita
go. Umas vezes [a palavra] vem logo, outras [vezes] [a pala- exactamente a opinião contrária: a saudade é um sentimen-
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

vra] demora séculos. to que ela não aprecia particularmente. Os saudosistas, apri-
sionados ao passado, dificilmente progridem e são infelizes.)
3.1. b. directivo. d. V; e. F (O advérbio “talvez” introduz um tom de dúvida no
3.2. Hipótese possível: “Não se importam de se debruçar discurso.)
mais?”
II
1.1. Embora a palavra saudade seja de difícil tradução, tra-
| Pretextos | duzi-la-emos.
2.1. Traduzir determinadas palavras é quase impossível.
Tópicos de análise do Texto 2 [págs. 137-138]
3.1. Trata-se dos pronomes indefinidos “muitos” e “outros”.

Neste texto, encontramos o autor à procura de tema para
uma crónica. E vai encontrá-lo, como é norma no que se 4.1. Por exemplo: Assim – Desta forma; ao passo que –
refere às crónicas, numa cena do quotidiano: a festa de ani- enquanto que; É claro que – obviamente; se há muitos –
versário improvisada de uma menina pobre. embora/ainda que haja; Ainda assim – Mesmo assim.
Módulo 3 Textos dos media I 21

5.1. Predicativo do sujeito. nicamente sem sorte”. A palavra japonesa "Naa", da área
Kansai, foi a terceira mais difícil de traduzir e significa “enfa-
5.2. Por exemplo: “Nunca está feliz e vive preso ao passa-
tizar declarações” ou “concordar com alguém”. “Apesar de as
do.” (orações coordenadas copulativas).
definições parecerem bastante precisas, o problema é tentar
transmitir as referências locais associadas a tais palavras”,
III afirma a presidente da Today Translations, Jurga Zilinkiene,
1. Eis a notícia que surgiu no Público: que conduziu a sondagem.
in Público, 25-06-2004 (adaptado)
Palavra “saudade” é de difícil tradução
A palavra portuguesa “saudade” foi considerada o sétimo 2. Proposta de resumo:
vocábulo estrangeiro mais difícil de traduzir, segundo uma Proveniente do grego (mythos – narrativa, lenda), o mito é
votação realizada por mil linguistas, levada a cabo pela agên- uma crença, uma fábula, uma história contada para aclarar
cia londrina de tradução e interpretação Today Translations. um conceito abstracto.
A mais votada foi “ilunga”, de uma língua falada numa região Assim, tendo uma função social inegável, o mito garante a
da República Democrática do Congo e que significa “uma unidade do grupo, disciplinando e favorecendo os comporta-
pessoa que está disposta a perdoar qualquer abuso pela pri- mentos e a solidariedade sociais.
meira vez, a tolerar uma segunda vez, mas nunca uma tercei- Em suma, ao contar histórias sagradas, povoadas de deu-
ra vez”. Em segundo lugar ficou “shlimazl”, que é a palavra ses e heróis, os mitos explicam factos incompreendidos, atri-
em iídiche (língua falada por algumas comunidades de judeus buindo-os à actuação de entes sobrenaturais.
oriundos da Europa central e oriental) para uma “pessoa cro- [65 palavras]
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor
22 Módulo 4 Textos narrativos/descritivos I

| Textos | 1 corredor enorme” (l. 16). Cada um destes espaços é descrito


também através dos objectos que os enchem – “A sala,
Antes de ler [pág. 146] cheia de vidros e quadros de gôndolas e açudes” (ll. 7-8) “o
corredor enorme, povoado de mesas, espelhos nas paredes
3. 1.a personagem: “um homenzinho magro” – ll. 15-16, (…) e armários, muitos armários” (ll. 16-23). Finalmente, o
20-24, 29-30, 34-38; 2.a personagem: “uma jovem loura” narrador centra-se na roupa que é guardada dentro dos
– ll. 41-46; 48-50; 3.a personagem: “O velho, de barba armários.
branca” – ll. 85-88.
2.2. A repetição do adjectivo “inteiro” evidencia a duração
temporal – foi uma vida inteira que a Graciete passou
Compreender [pág. 148]
“debruçada sobre o enorme bastidor de madeira”.
1.1. O cenário é um móvel com dois tampos, próprio para
computador e impressora (ll. 1-20). Funcionamento da língua [pág. 151]
2.1. Primeiro, o espanto, a surpresa – “Não foi esta a primei- 1.1. e 1.2. A posição do adjectivo qualificativo é tipicamente
ra vez que me vi assediado por personagens. (…) pós-nominal. O adjectivo anteposto ao nome deixa de desig-
Agora, uma personagem de doze centímetros de altura, nar uma qualidade objectiva, passando a avaliativo (valor sub-
magrita, a saltar ao alcance dos meus dedos é que nunca me jectivo): a casa não era apenas grande em tamanho (“uma
tinha acontecido.” (ll. 29-32) casa grande”). É esta mesma diferença de sentidos que pode-
De seguida, algum medo ‘disfarçado’ – primeiro do “ho- mos encontrar, por exemplo, em “uma mulher grande/uma
menzinho ginasticado”: “O que pensei logo foi ‘com este grande mulher; uma amiga velha/uma velha amiga”.
posso eu bem’. (...) E se ele estivesse armado? Pelo aspecto
não parecia.” (ll. 33-39); depois receio de que a personagem 2.1. e 2.2. Os advérbios de tempo: “nunca” (quatro ocorrên-
feminina lhe riscasse a secretária com os saltos. (ll. 46-47) cias) e “sempre” (duas ocorrências) – remetem para um
Seguidamente, a vontade de interferir – que acaba por con- estado de permanência, de inalterabilidade. Os advérbios de
trolar – “Sobreveio a tentação de lhe dar uma ajuda com os modo “lentamente” e “cuidadosamente” apontam para o
dedos. Mas resolvi não interferir.” (ll. 63-66) desvelo e para o tempo que era dedicado a estas tarefas
Logo depois, algum enternecimento – “Eu comecei a enter- (inúteis).
necer-me...” (ll. 95-96) 2.3. O tempo verbal predominante é o pretérito imperfeito do
Então, é assaltado pela inquietação o que o leva a pedir indicativo – “era”, “abria”, “dizia”, “assustava”, “acumula-
ajuda a um amigo – “Mas o receio de que pudessem surgir va”, “servia”, “se enchia”, “desatavam” – tempo típico da
mais personagens inquietou-me.” (ll. 98-99) descrição que sugere o aspecto durativo ou habitual e aponta
Finalmente, decide “aprisionar” as personagens no texto. para a repetição de uma acção no passado.
(ll. 146-148)
3.1. A partida da Graciete para o Canadá.
2.2.2. O narrador não segue o primeiro conselho pois não
quer arriscar-se a que as personagens, ao serem atiradas 3.2. A pontualidade da acção é marcada pela expressão tem-
pela janela, causem algum dano aos “utentes da via pública”; poral “Um dia…” e pelo recurso ao pretérito perfeito –
quanto ao segundo, não o segue por questões de humanida- “foi”, “arrumou-se”, “estremeceu”, etc.
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

de: por mais insignificantes que sejam, as personagens


“sempre são gente.” Oficina de escrita [pág. 151]

3.1. “… toc, toc,…” (l. 92) “…o tique-tique dos saltos...” (l. 53) 1.2. Eis os dois últimos parágrafos do texto original:
3.2. As onomatopeias são palavras acusticamente formadas “Hoje regresso à casa, na urgência do senhorio que me dá
com o objectivo de imitar sons ou ruídos. três meses para a ‘desfazer’. Rasgo papéis de uma vida
inteira, olho para fotografias a sépia, de gente de quem já
nem recordo o nome, distribuo louças, quadros, jarras, sapa-
tos, camisolas, casacos; há sempre um parente de um paren-
| Textos | 2 te que me faz saber que isto ou aquilo ‘lhe faria imenso
jeito’, ou um rosto que não reconheço mas que me bate à
Compreender [pág. 150]
porta e me enche a cara de beijos, pedindo ‘apenas uma
1.2. A descrição é feita do geral para o particular, à medida lembrança, eu era tão amiga dela!’
que se vai percorrendo a casa – “uma grande casa” (l. 1); Só não consigo tocar nos armários dos lençóis. Recordo a
“uma sala grande” (l. 11) “muito fria e escura” (ll. 13-14); “o Graciete, debruçada no bastidor, ganhando rugas na cara e
Módulo 4 Textos narrativos/descritivos I 23

calos nos dedos à medida que o linho se enchia de flores, 5.1. Uma interpretação possível: Cada um dos anjos dá-nos
grinaldas, aves do paraíso – e receio que as visitas, esses uma lição: com o primeiro e o segundo podemos aprender que
seres misteriosos que povoaram a minha infância, não me a humildade e a capacidade de adaptação do discurso à situa-
perdoem por não ter sabido continuar a esperar por elas.” ção de comunicação nos ajudam a conseguir os nossos objec-
tivos; a lição do terceiro anjo parece ser a de que a obediência
cega não é um bom princípio; com o quarto anjo, a grande
lição parece ser que podemos conseguir mesmo aquilo que
| Textos | 3 aparentemente é impossível. Para tal, é preciso acreditar.

Antes de ler [pág. 153]


Funcionamento da língua [pág. 156]
1. Podem ser apontadas, por exemplo, a imprudência, a 1.1. Acto ilocutório directivo (pretende conduzir o interlocu-
temeridade, a desobediência, a ambição. tor à realização de uma acção).
2. 1.° anjo – “lhe faltava o essencial, a fé, além de uma 1.2. Por exemplo, “ordenou-lhe”, “exigiu-lhe”, “mandou”.
educação um pouco mais esmerada” (ll. 16-17); 2.° anjo –
1.3. O princípio de cortesia pode determinar, entre outros,
“um sujeito mais cordato e delicado” (l. 19), “humilde, sem
uma certa suavidade da força ilocutória dos actos directivos.
sombra de arrogância” (l. 27); 3.° anjo – “mais prático e des-
Assim, poderíamos ter, por exemplo: “Não te importas de
temido” (l. 33), “respeitoso e de poucas palavras” (l. 34), “o
tirar as asas e voar?” ou “E se agora tirasses as asas e expe-
que lhe sobrava em disciplina, faltava-lhe em fé” (ll. 40-41);
rimentasses voar?”
4.° anjo – “um anjo alegre, até um pouco simplório (…)
grande talento.” (ll. 46-48). 2.1. Exemplos possíveis: porém/contudo; já que/porque;
embora.
Compreender [pág. 155] 3.1. “Sem dúvida”, expressão que evidencia um grau máxi-
mo de certeza.
1.1. b.
3.2. O segundo anjo era, talvez/provavelmente/quiçá, um
1.2. a. sujeito mais cordato e delicado.
2.1. Quando o primeiro anjo lhe desobedeceu, Deus “num
rápido gesto de enfado, descriou-o”. Quando o segundo anjo Observação: O exercício 3. remete para o conceito de
se recusou a voar sem asas, o Criador apiedou-se dele e dei- modalidade.
xou-o ir.
4.1. Coesão interfrásica (Após), anáfora pronominal (lhe/
2.2. A forma como Deus reage à recusa dos dois anjos /aquilo) e elipse (“[Deus] explicou-lhe…”)
está directamente relacionada com a forma como cada um
5.1. Trata-se de um advérbio.
deles a formula: enquanto que o segundo anjo se dirige a
Deus respeitosamente, o primeiro anjo opta por escolhas 5.2. Desempenha a função sintáctica de modificador da frase.
linguísticas não adequadas ao tipo de relação entre os 6.1. Paronímia.
interlocutores (É o ‘a quem se vai dizer’ que condiciona o
6.2. Homonímia.
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

‘o quê/como se vai dizer’). Assim, o segundo anjo, ao con-


trário do primeiro, respeita claramente um dos princípios 6.3. Homofonia.
pragmáticos que é determinante no desenrolar da interac-
ção discursiva: o princípio de cortesia.
3. O sentido da metáfora é resumido na frase que se lhe | Textos | 4
segue: “Enfim, voava.”, ou seja, voava mal, mas voava.
“Criar” significa “dar existência”; o prefixo des- exprime, Antes de ler [pág. 157]
entre outras, a ideia de acção contrária. O neologismo “des-
criou-o” significa, portanto, “tirar a existência”. Observação: Através da leitura deste mito tradicional
chinês, sensibilizam-se os alunos para o conto sobre as
4.1. Provavelmente porque o segundo anjo se libertou da origens, também chamado conto etiológico – relativo ao
mão criadora e vive, sem obrigações, em comunhão com a estudo sobre a origem das coisas ou das causas de cer-
natureza. Ao contrário, o quarto anjo transformou-se num tos factos, fenómenos – tão frequente nas culturas afri-
‘instrumento’ de Deus: “Diz-se que esse anjo sem asas se cana, asiática e ameríndia.
passeia entre os homens (…) incógnita.” (ll. 56-58).
24 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual

4.3.1. A origem do cacimbo (nevoeiro denso que se forma à


No conto de Mia Couto, ‘explica-se’ a origem do cacim-
noitinha em alguns pontos de África; chuva miudinha).
bo: “Sobre as primeiras folhas da madrugada, tombam
gotas de cacimbo. São lagriminhas do pássaro que 4.3.2. Ver Observação em Antes de ler.
sonhou pousar na lua.” (ll. 45-46, pág. 158)
Funcionamento da língua [pág. 160]
1.
1.1. e 1.2. “[A] Minha filha” (l. 1); “[no seu] em seu poleirinho”

luarejar (l. 6) e luarar-se (ll. 19-20): verbos formados a partir (l. 13); “[O] Seu sonho” (l. 14); “[Os] Seus colegas” (l. 17). “Me
de lua (= transformar-se em lua)
deu” (l. 10) [deu-me]; “Lhe inventei” [inventei-lhe] (l. 11); “Os

imensidava (l. 14): forma do verbo “imensidar” (= crescia, outros lhe chamavam à térrea realidade” (l. 16) [chamavam-na].
agigantava)

insistonto (ll. 16-17): insistente + tonto 2.1.1. Recorrência:

menineira (l. 18): esta palavra existe como adjectivo, com o

nominal com repetição do nome: avezita (l. 34)
significado de “que tem aparência ou modos de menina(o); ■
nominal, com substituição lexical – passarinho* (ll. 16, 19),
infantil; que é amigo de crianças”. No texto, Mia Couto utili- ave* (ll. 25, 31), pássaro* (ll. 27, 30, 46), passarinho sonhador
za menineira como nome (= criancice, infantilidade) (ll. 43-44), avezinha enluarada (ll. 44-45)

desalisou (l. 29): des- + alisou. O prefixo des- exprime aqui * Nota: as palavras assinaladas aparecem duas vezes – as duas primeiras –
a noção de reforço (como, por exemplo, em desgastar , e três vezes – a terceira – pelo que, nesta perspectiva, falaremos também de
desinquieto) repetição do nome.

estrelinhada (l. 43): = estrelada. ■
pronominal – lhe (l. 16), ele (ll. 19, 21, 22), ela (ll. 33, 35)
Pode ainda referir-se a recorrência pela repetição do deter-
Compreender [pág. 159] minante possessivo: seu (ll. 13, 14, 24, 30, 34), seus (ll. 17, 23), sua
(ll. 27, 31).
1. Ver pergunta 1. de Antes de ler.
3.1. Deixis pessoal: Eu, tu, me
2.1. e 2.2.1. Neste conto aparece encaixada a história que o
Deixis espacial: aqui, vinhas (verbo de movimento)
narrador conta à sua filha. O narrador é o mesmo.
Deixis temporal: sonhei, vinhas, sonhaste, há (desinências
3.1. A primeira parte do conto é uma espécie de introdução à verbais de tempo).
história da avezita, permitindo compreender o contexto em
que ela surge.
3.2. Rita tem dificuldade em adormecer porque é assaltada
por medos.
| Textos | 5
3.3.1. É “ser lua”, “luarejar”. Antes de ler [pág. 161]

3.3.2. Rita ouve na rua relatos de crenças tradicionais que 1. 1. f.; 2. i.; 3. e.; 4. m.; 5. l.; 6. h.; 7. j.; 8. c.; 9. b.; 10. d.;
aumentam o seu fascínio em relação à lua. 11. g.; 12. a.
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

3.4.1. O pai de Rita não consegue o seu intento de a adorme- 2. Cf., entre outras, ll. 16, 35-39, 76-88, 89-91, 94-95…
cer contando histórias. A menina quer sempre mais.
3.4.2. “… para fazer pousar o sonho dela e desencorajar os Compreender [pág. 165]
seus infindáveis ‘e depois.’ ” (ll. 10-11). 1. Américo Pedrinha é casado com D. Aida (l. 10) e tem dois
3.4.3. Ainda não foi desta vez que conseguiu o seu intento filhos – “um rapaz solene (…) e uma rapariga (…)” (ll. 28-29).
já que, no final desta história, voltou a ouvir a pergunta de Era “um homem folgazão de barriguinha inchada” (l. 16), “calvo
sempre. e baixote” (l. 35) e mostrava uma educação pouco esmerada
(“soltava estrepitosas (…) digestões.” (ll. 35-37)). Tinha, com
4.1. Situação inicial – ll. 13-15; parte preparatória – ll. 16- frequência, “indisposições” “negras, rosnadas, trovejantes”
-20; nó da intriga – ll. 21-42; desenlace – ll. 43-46.
mas passageiras (ll. 98-100). Embora gostasse de apreciar as
4.2.1. De tanto sonhar, a avezita acabou por ver o seu sonho mulheres que via passar, não era dado a aventuras (ll. 80-88).
tornar-se realidade. O uso dos adjectivos “cativa” e “aprisio- Apesar dos pequenos desacordos típicos de qualquer família,
nada” sugerem que, provavelmente, a avezita não estaria Américo Pedrinha “era feliz e ninguém sustentava qualquer
muito satisfeita com a situação (“Triste, ela chorou.” (l. 33)). dúvida a respeito de tal felicidade.” (ll. 91-92).
Módulo 4 Textos narrativos/descritivos I 25

2.1. Os dois adolescentes não tinham orgulho na figura do Funcionamento da língua [pág. 167]
pai (Cf. ll. 37-38). Provavelmente sentiam-se envergonhados
1.1. A expressão temporal “Antes de…” introduz um conjun-
com a forma como ele se comportava e daí o amor que sen-
to de verbos no pretérito imperfeito: “sentiam”, “era”, “sol-
tiam em relação a ele ser “enervado e arisco”.
tava”, “arrotava”, “tinha”. Depois da conjunção subordinati-
2.2. Os filhos fizeram constar que o pai “andava viajando va temporal “Quando…”, os verbos aparecem no pretérito
pelo mar” (l. 39), chegando mesmo a forjar provas dessa via- perfeito: “desapareceu”, “começaram”. A expressão tempo-
gem, talvez para não terem que passar por aquilo que senti- ral “Ainda agora…” remete-nos para o presente pelo que os
riam como sendo mais uma vergonha perante os amigos. verbos se encontram no presente do indicativo: “forjam”,
“mostram”, “falam”, “são”.
3.1. Por exemplo: o facto de D. Aida e os filhos fazerem con-
tas à ‘herança’, pensando vender a “quintinha” que era a 1.2. O advérbio “enfim” introduz uma conclusão e “enquanto”
menina dos olhos do pai (Cf. “Deste sonho inteirinho se apo- é um conector temporal (conjunção subordinativa temporal)
derara D. Aida (…) femininas.” (ll. 27-28) e “E até os filhos que remete para acções simultâneas.
(…) projectavam na venda da quintinha todas as suas espe-
1.3. O pronome demonstrativo com valor anafórico “aquilo”
ranças…” (ll. 28-31)).
remete para o desaparecimento de Américo Pedrinha.
3.2. Há alguma frieza na forma como esta questão é encara-
2.1. Trata-se do discurso indirecto livre.
da: a filha tinge os vestidos de preto porque “a moda era o
preto” (l. 51); a mãe, por sua vez, decidiu não pôr luto, depois 2.2. Por exemplo:
de se aconselhar com “a velha Felisberta”, para não “pare- – Pois é certo que as coisas no escritório não andam
cer a Deus e às línguas deste mundo” que tinha “pressa de famosas – comentam os colegas. E acrescentam: – De um
se encontrar viúva.” (ll. 57-58), mas também porque gostava momento para o outro, isto pode fechar. Mas isso é mal
de cores fortes (“adorava azul-turquesa” (l. 54)). geral pelo país fora. Olha agora se todos se lembrassem de
4.1. Por exemplo: “Nos seus tempos – (…) do bom vinho dizer ‘Passem bem’ e de voltar as costas? Além do mais, cá
francês.” (ll. 15-26); “Na manhã desse dia (…) – comentaram vai correndo o tempo e o escritório ainda não fechou.
os amigos.” (ll. 93-116) 2.3. Discurso indirecto: “Américo Pedrinha disse-lhes que
4.2. A analepse consiste no relato de acontecimentos ante- passassem bem, que ia morrer e que estava farto daquilo.”
riores ao presente da acção. Nos dois exemplos da alínea
anterior, a primeira analepse dá-nos conta do ‘sonho’ de
Américo Pedrinha e a segunda relata os últimos aconteci-
mentos antes do seu desaparecimento.
| Textos | 6
5.1. D. Aida “ suspeitava (…) que o homem se deixara Antes de ler [pág. 168]
encantar por alguma mocinha” (ll. 68-69) como acontecia
2. Ver resposta a 1. de Compreender.
“em folhetins (…) e nas novelas da televisão.” (ll. 70-71). Os
colegas de escritório imaginavam que ele poderia ter parti-
do porque “as coisas no escritório não andavam famosas” Compreender [págs. 173-174]
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

(ll. 123-124). Arnaldinho, ao contar o enredo do filme em que 1. Situação inicial – “Viveu em tempos (…) contra os seus
“os índios sentem chegar a morte e se retiram, (…) seus planos e expectativas.” (ll. 1-32). Apresentação de Tijoleiro,
cavalos.” (ll. 133-136) e os efeitos que essa história terá tido “homem moderno” e apreciador dos prazeres da vida.
em Américo Pedrinha, sugere que ele terá feito algo de
Parte preparatória – “Pouco tempo após (...) um bilhete de
semelhante.
domingo.” (ll. 33-102). Tijoleiro visita o Museu Histórico e, ao
5.2. A suspeita de D. Aida é contrariada pelos testemunhos almoço, toma uma pílula que havia roubado de uma das salas
dos amigos de Américo Pedrinha que “juravam a pés juntos do Museu, dirigindo-se, de seguida, ao Jardim Zoológico.
que não lhe conheciam aventuras.” (l. 80). Nó da intriga – “Com um sorriso (...) miscelânea de todos os
5.3. A versão de Arnaldinho não foi tida em consideração animais.” (ll. 103-150) – Desenrolam-se, a partir da linha 103,
porque “ninguém sabia o que fazer com ela.”, talvez por ser um conjunto de peripécias que vão levar ao desenlace, e
considerada absurda, talvez por nem sequer ser bem com- desvenda-se o mistério da situação estranha que a persona-
preendida ou por ter saído da boca de um homem estranho gem estava a viver (ll. 117-119).
“que cultiva nespereiras na varanda” (ll. 128-129) e, por isso, Desenlace – “Desesperado (…) para um manicómio.” (ll. 151-
não merecer credibilidade. -155). Tijoleiro parece enlouquecer e é levado para o manicómio.
26 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual

2.2. “… e foi imenso o que nele se perdeu, porquanto teve 5.1. Neste último parágrafo, Tijoleiro passa do desespero à
um fim precoce e estranho, muito contra os seus planos e vergonha de si próprio, está profundamente transtornado e
expectativas.” (ll. 30-32) desorientado.
Note-se que, no início da segunda parte, é apresentado mais 5.2. Ao arrancar do corpo as peças de vestuário e adereços,
um indício: “Talvez tenha sido este, precisamente, o seu Tijoleiro tenta, desesperadamente, deixar de se parecer com
mal, pois não é bom que o homem fique só.” (ll. 35-36) os homens que os animais tinham acabado de desmascarar
3.1. Cf. ll. 41-45, 54-57, 62-63. diante dos seus olhos e que se tinham transformado numa
“desagradável sociedade de seres semelhantes a animais,
3.2. No Museu Histórico, Tijoleiro passeia por três salas que
degenerados, emproados, mentirosos…”.
têm expostos objectos diversos, sendo a última dedicada às
superstições na Idade Média. De seguida, a acção desenro- 6. As sequências desta narrativa são encadeadas, pois o
la-se num restaurante e, finalmente, Tijoleiro entra no átrio tempo da acção desenrola-se de forma linear, de tal modo
do Jardim Zoológico. que o fim de uma sequência é o início da seguinte.

3.3. Entre outros, a descrição do fato e da bengala de Tijoleiro 7. Esta personagem é dinâmica, modelada e principal.
(ll. 41-44) e dos objectos expostos nas diferentes salas (ll. 49-50,
8. Uma leitura possível: O julgamento que fazemos acerca
59-60, 65-74, 81-86).
dos outros e do mundo é apenas o ‘nosso’ olhar. Não deve,
3.5. No museu, o momento em que Tijoleiro rouba a pílula pois, ser considerado como único, nem anular outros pontos
(ll. 87-88) e no restaurante o momento em que decide tomá-la de vista. O conceito do que é ‘normal’ não pode nunca ser
(ll. 97-98). separado do contexto social e cultural.

4.1. “Com um sorriso de boa disposição…” (l. 103); “Hor-


rorizado num susto indescritível…” (l. 107); “… atónito e
desorientado…” (l. 113); “… ficou aterrado até ao mais Ficha formativa [págs. 177-179]
fundo do seu coração.” (l. 117); “Perturbado…” (l. 140); “…
a sua angústia e o seu pavor…” (l. 142); “Mas ficou desi- I
ludido.” (l. 146).
1. Lena – caracterização física directa: “Vinha de sapatos
4.2. ll. 117-119. pretos, meias pretas, bibe preto. E, sobre os cabelos claros,
um grande laço preto. Toda ela vestia de luto carregado.
4.3.1., 4.3.2. e 4.3.3. O chimpanzé (ll. 104-109) – “grande”,
Mas os seus movimentos eram leves e cheios de vivacidade.
“com voz grossa”, primeiro amável e, depois, um pouco atre-
Passou, sentindo o prazer da corrida, airosa e veloz. O vento
vido, apelida Tijoleiro de “ orgulhoso ” e “ estúpido ”; os
abriu-lhe o bibe e, por momentos, apareceu a descoberto o
macacos Maqui (ll. 110-113), “despreocupados” e brinca-
colo muito branco que formava com o rosto uma mancha
lhões, chamam-lhe “unhas-de-fome”; o alce (ll. 116-122),
alva no meio do luto.” (ll. 4-8); “– Parece uma andorinha (…)”
“belíssimo”, “majestoso”, com “dois grandes olhos casta-
(l. 9); “É bem bonita, a Lena...” (l. 38).
nhos ”, cujo “ olhar expressava nobreza, resignação e
tristeza” manifestava, em relação a Tijoleiro, um “profundo Luciano – é caracterizado psicologicamente pelas suas ati-
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

desdém, um tremendo desprezo.”; o cabrito-montês, a ca- tudes e reacções, portanto, de forma indirecta. É orgulhoso,
murça, o lama, o gnu, os javalis, os ursos (ll. 125-130) impulsivo, um pouco arrebatado. Gosta de Lena mas, como
“todos o desconsideraram” e não compreendiam por que não gosta da família dela, usa esse facto como pretexto para
razão estavam eles presos enquanto que os homens, “bípe- dizer que também não gosta dela. No fundo, não tem cora-
des horríveis, malcheirosos e indecorosos” e “emproados”, gem para assumir esse sentimento.
andavam em liberdade; o puma (ll. 132-133) digno e sábio; a Júlio – é também caracterizado sobretudo psicologicamente
pantera (ll. 133-135), aristocrática e comedida, achava os visi- e indirectamente. Gosta de Lena, como ele próprio o confes-
tantes uma “gentalha”; o leão (l. 135), o falcão-das-torres sa e como se vê através de muitas das suas atitudes, mas
(ll. 137-138), “sombrio e altivo”, “melancólico”; os gaios (ll. como está convencido de que ela gosta de Luciano, não
138-139) suportando “a sua prisão com decoro” e “cheios de declara esse sentimento a Lena. Nota-se, nele, alguma tris-
humor”. teza quando fala com Juliano pois gostaria de estar no seu
lugar.
4.4.1. Tijoleiro procurava encontrar nos seus semelhantes
algum sinal de compreensão da “sua angústia” e do “seu 2. Júlio e Luciano são amigos, brincam juntos e estão ambos
pavor”. apaixonados por Lena.
Módulo 4 Textos narrativos/descritivos I 27

3. A acção passa-se num largo cujo chão, onde os rapazes 6.1. O que Lena pretendia, correndo em círculos cada vez
jogam berlinde, é de “pó alvacento” (l. 12). Trata-se de um mais largos, era aproximar-se de Luciano. A forma como se
lugar sossegado, sem circulação de viaturas. refere ao carreiro de formigas (“exclamou ela, numa exage-
rada surpresa”) vem destacar esta vontade de chamar a
4.1. É através do primeiro diálogo – entre Luciano e Júlio –
atenção de Luciano que insistia em fingir que a ignorava.
que ficamos a perceber as relações entre as três personagens:

Embora o negue, Luciano gosta de Lena mas não da família 7.1. Substituições possíveis: 1. a ocorrência: “ declarou ”,
dela; “comentou”…; 2.a ocorrência: “reagiu”, “protestou”, excla-
mou”…

Júlio gosta de Lena mas sabe que não tem qualquer hipó-
tese de ser correspondido; 8. Proposta de discurso indirecto:
Júlio disse a Luciano que não o percebia. Acrescentou que

Lena gosta de Luciano.
ela [Lena] andava sempre à volta dele e que ele corria com
O segundo diálogo é esclarecedor quanto à personalidade de ela e que, naquele momento, ela tinha passado sem o olhar
Luciano (“... com um ar superior...” l. 54), que vai tendo para e ele tinha ficado danado.
com Lena atitudes que contrariam aquilo que sente por ela.
Luciano cortou dizendo que tal não tinha acontecido/não
Em conclusão, o diálogo caracteriza indirectamente as per-
era verdade.
sonagens e contextualiza o narratário.
Júlio sorriu com tristeza e replicou que bem tinha visto
5. A comparação utilizada por Júlio (l. 9) é extremamente que ele tinha ficado danado, acrescentando que, se fosse
expressiva e revela carinho e admiração por Lena. com ele, já ele a namoraria.
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor
28 Bloco informativo

| Ficha informativa | 4 [págs. 197-199] 10. b. predicativo do complemento directo

1. c. 11. a. 3; b. 1; c. 7; d. 5; e. 1; f. 8; g. 4; h. 2; i. 6; j. 9; l. 9;
m. 5; n. 5
1.1. a. ele : pronome; b. Ontem: advérbio; d. meteorológico:
adjectivo; e. Enquanto: conjunção; f. Bolas! : interjeição. 12.1. e. Existe na I e na II.

2. d. testemunha 13. a. Eles regressaram a casa.; b. Pus o despertador junto


de mim.
3. d. vítima
14. a. O meu irmão mais novo adoeceu. ➜ modificador do
4. a. sapientíssimo; b. fidelíssimo; c. dulcíssimo; d. amarís- nome restritivo
simo; e. fragilíssimo.
b. É necessária uma revisão do contrato. ➜ complemento
5.1. a. por um verbo auxiliar aspectual + preposição “de” + do nome
verbo no infinitivo c. A decisão do Governo foi bem recebida. ➜ comple-
b. por um verbo auxiliar modal + preposição “de” + verbo no mento do nome
infinitivo d. Tito, o meu primo, chega hoje. ➜ modificador do nome
c. um verbo copulativo apositivo
e. O Rui, que vive no Porto, foi colocado em Beja. ➜ modi-
6. d. nascer comprar estar chover
■ ■ ■

ficador do nome apositivo


7. a. arroz inteligente nadar até
■ ■ ■
f. O jantar de aniversário foi muito participado. ➜ modifi-
8. b. conjunção subordinativa condicional cador do nome restritivo
g. A condenação do réu era esperada. ➜ complemento do
9. b. interjeição
nome
10. e. quantificador determinante nome verbo adjectivo
■ ■ ■ ■

11. e. interjeição conjunção preposição


■ ■

12. a. 5; b. 7; c. 6; d. 3; e. 6; f. 4; g. 1; h. 2; i. 1; j. 4; l. 7; m. 5 | Ficha informativa | 6 [págs. 213-217]

13. a. 2; b. 5; c. 4; d. 3; e. 1; f. 2 + 1; g. 2; h. 4; i. 1; j. 5; l. 2 1.1. c.
2. Exemplos:
a. Eles trabalharam toda a noite, portanto devem estar can-
| Ficha informativa | 5 [págs. 204-207] sados. ➜ orações coordenadas conclusivas
b. Corri dois quilómetros, mas não estou cansado. ➜ ora-
1. b. Chegaremos por volta das cinco da manhã.
ções coordenadas adversativas
2. a. Anoiteceu de repente.; e. Ali não há nada interessante. c. Ficas a estudar ou vens ao cinema? ➜ orações coordena-
3. a. Soa o canto do pintassilgo. ➜ sujeito simples das disjuntivas
d. Nunca me diverti tanto na minha vida nem andei tão des-
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

4. b. Sujeito simples, tendo por núcleo “letras”. contraída. ➜ orações coordenadas copulativas
5. b. complemento directo 3. b.
6. d. predicativo do sujeito 4. Exemplos:
7.1. b. modificador preposicional a. Quando o Sol se põe (…) ➜ oração subordinada temporal
7.2. c. um vocativo b. (…) porque não esteve atento. ➜ oração subordinada
causal
8. d. complemento agente da passiva c. (…) para que sejam feitas obras. ➜ oração subordinada
9. a. A avenida foi ocupada pelos manifestantes. final
b. Uma mulher idosa era visitada pela Laura, todos os dias. d. Porque se atrapalhou (…) ➜ oração subordinada causal
c. Os bilhetes serão comprados pelo Pedro, na próxima e. (…) onde há silêncio. ➜ oração subordinada relativa sem
semana. antecedente
d. A representação do Auto da Barca do Inferno foi vista por f. (…) antes que os convidados tivessem chegado. ➜ oração
todos os alunos. subordinada temporal
Bloco informativo 29

g. (…) embora houvesse barulho. ➜ oração subordinada d. Os automóveis que andam a gasóleo são mais económicos.
concessiva e. O calçado que é fabricado em Portugal é exportado para
h. (…) se tu não estiveres presente. ➜ oração subordinada vários países.
condicional f. As saias que têm pregas usam-se muito este ano.
5. Exemplos: 11. a. O resultado que obtiveste é fraco.
a. Fiquei em casa nas férias para que o trabalho fosse con- b. Ele vive na casa onde tu moraste.
cluído. c. Ele comprou tudo quanto havia na loja.
b. O teu rosto está branco como a cal. d. O livro de que me falaste é interessantíssimo.
c. Enquanto não me pedires desculpa, não te telefonarei. e. Esta é a rapariga a quem o Rui se declarou.
d. Ele nada disse embora vontade não lhe faltasse. f. Ele acredita em tudo quanto lhe dizem.
e. Ele devolveu o aparelho porque estava avariado. g. São uns indivíduos estranhos dos quais pouco se conhece.
f. Só te telefonarei se chegar cedo a casa.
g. Ele falava tão baixinho que os alunos não o ouviam. 11.1. a. orações subordinadas relativas restritivas

6. Exemplos: 12. De acordo com a frase a., apenas os alunos que tiveram
boas notas vão à visita de estudo; já na frase b. afirma-se
a. Logo que começou o filme na televisão, todos se senta-
que todos os alunos vão à visita de estudo.
ram confortavelmente.
b. Como o Sol brilhava intensamente, a rapariga vestiu uma 12.1. a. Os alunos vão à visita de estudo ➜ oração subordi-
roupa fresca. nante; que tiveram boas notas ➜ oração subordinada relati-
c. O Tomás teria desenhado a sua própria casa caso tivesse va restritiva
tirado o curso de Arquitectura. b. Os alunos vão à visita de estudo ➜ oração subordinante;
d. Ele sentou-se num lugar da primeira fila para ver tudo. que tiveram boas notas ➜ oração subordinada relativa
e. A Maria cortou o cabelo à Rita como se fosse uma profis- explicativa
sional. 13. a. 5; b. 4; c. 1; d. 3; e. 3; f. 2; g. 1; h. 2.
f. O Raul combinou uma saída com os amigos, embora saiba
14. e 14.1. Exemplos:
que a mãe não concorda.
a. Quero que me apoies. ➜ complemento directo
g. Aquela peça era tão monótona que muitos espectadores
foram embora no intervalo. b. É importante que tu participes. ➜ sujeito
c. Preocupa-os imenso que os filhos estudem. ➜ complemen-
7. a. (…) como se fosse um pequeno selvagem. ➜ oração
to directo
subordinada comparativa
d. Pediram-me que tivesse paciência. ➜ complemento directo
b. Como lhe doíam as costas (…) ➜ oração subordinada causal
e. É evidente que o Rui está interessado na Clara. ➜ sujeito
c. (…) como se eu fosse transparente. ➜ oração subordina-
f. Ele perguntou que horas eram. ➜ complemento directo
da comparativa
15. e 15.1. Exemplos:
8. a. (…) que todos a respeitavam. ➜ oração subordinada
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

consecutiva a. A Raquel disse que ia ao cinema.


b. (…) que viesse cedo. ➜ oração subordinada completiva b. É já uma certeza que ele foi admitido.
c. (…) que eu. ➜ oração subordinada comparativa c. É uma pena que não venhas connosco.
d. (…) que ficaram exaustos. ➜ oração subordinada con- d. Eles lembram-se de que tu fazes anos hoje.
secutiva e. Convém que te despaches.
f. O jornalista perguntou se os impostos iam aumentar.
9.1. a. Ele conduz melhor que o pai.
g. A aluna pediu para sair da sala.
b. A Rita come mais fruta do que doces.
c. Ela trata a criança com mais cuidado que a própria mãe. 16. a. A Joana declarou sentir um grande cansaço.
b. O réu afirmou estar inocente.
10.1. a. Algumas pessoas envolvem-se em discussões que
não servem para nada. c. Nós queremos falar com o teu pai.
b. Afasta-te das pessoas que são agressivas. 17.1. Diz-se ➜ oração subordinante; que dizia ➜ oração
c. Os indivíduos que são bondosos tornam a vida dos outros subordinada completiva; como nunca ninguém disse ➜ ora-
melhor. ção subordinada comparativa.
30 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual

18. c. oração finita (III) e orações não finitas (I, II e IV) 13.1. situações extremas; que surgem como última hipótese.
19. Exemplos: 13.2. composto morfossintáctico.
a. Era necessário que acabássemos o trabalho. 13.3. situação-limite.
b. Mal chegue a casa, vou tomar um banho.
13.4. Nos compostos morfossintácticos, o valor semântico
c. Como se lembrou dos netos, a avó fez um bolo.
do nome da esquerda é modificado pelo valor semântico do
d. Quando terminou o espectáculo, voltámos para casa.
nome da direita; a flexão em número apenas afecta o nome
e. Porque estavam preocupadas com o encerramento da da esquerda.
fábrica, algumas pessoas manifestaram-se.

| Ficha informativa | 8 [págs. 221-222]


| Ficha informativa | 7 [págs. 219-220]
1. c. zelo – cuidado
1. d. pernoitar [palavra formada por parassíntese]
2. e. economizar – gastar
2. a. derivação (por sufixação)
3. a. colher (nome) – colher (verbo) ➜ homógrafas
3. b. derivação (por prefixação)
b. peão – pião ➜ parónimas
4. d. psicólogo c. rio (nome) – rio (verbo) ➜ homónimas
5. c. previsão (anterioridade) d. cem – sem ➜ homófonas
6. b. transpor – sobrecarga e. era – hera ➜ homófonas
7.1. hiper- e super- ➜ usa-se hífen antes de r e h; sobre- f. sesta – sexta ➜ parónimas
➜ usa-se hífen antes de h; anti- ➜ usa-se hífen antes de 4. a. ratificar (confirmar) / rectificar (corrigir)
h, i, r e s. b. acidente (desastre) / incidente (acontecimento de impor-
8. c. alcatifa tância menor)
8.1. ouvir ➜ audiovisual; ar ➜ aeronave; longe ➜ televisão; c. comprimento (extensão) / cumprimento (saudação)
luz ➜ fotografia; água ➜ hidrogénio d. despensa (lugar onde se guarda algo) / dispensa (permis-
são para não cumprir algo)
9. c. imigrante
e. descrição (acto de descrever) / discrição (qualidade de
10. a. derivação quem é reservado)
11. a. correcção: sofás-camas f. elegível (que pode ser eleito) / ilegível (que não se conse-
gue ler)
12. a. bibliofilia ➜ amor aos livros; lusofilia ➜ simpatia por
Portugal ou pelos Portugueses; cinefilia ➜ paixão do cine- g. espiar (espreitar) / expiar (pagar por uma falta)
ma; zoofilia ➜ amizade aos animais. h. estrato (camada) / extracto (que foi extraído; fragmento)
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

b. xenofobia ➜ aversão a pessoas estrangeiras; hidrofobia 5. a. cela (quarto) / sela (verbo selar ; assento)
➜ horror à água; homofobia ➜ ódio em relação aos homos-
b. apreçar (indagar o preço) / apressar (acelerar)
sexuais; agorafobia ➜ medo dos espaços abertos e dos
sítios públicos. c. concerto (espectáculo musical) / conserto (arranjo)
c. biblioteca ➜ lugar onde se guardam livros; discoteca ➜ d. coser (costurar) / cozer (cozinhar)
colecção de discos; pinacoteca ➜ colecção de quadros; e. houve (verbo haver) / ouve (verbo ouvir)
hemeroteca ➜ colecção de publicações periódicas. f. cheque (forma de pagamento) / xeque (lance do jogo de
d. ortografia ➜ forma correcta de escrever as palavras; geo- xadrez)
grafia ➜ descrição da Terra; caligrafia ➜ arte de escrever g. cinto (adereço de vestuário) / sinto (verbo sentir)
bem à mão; radiografia ➜ registo fotográfico obtido por
h. cegar (ficar cego) / segar (ceifar)
meio de radiações.
e. arqueologia ➜ estudo das civilizações antigas; filologia 6. a. (…) Alguns veículos (…).
➜ estudo dos textos escritos de uma língua; grafologia ➜ b. (…) o tratamento desta doença (…).
estudo sobre a escrita; teologia ➜ estudo de uma religião. c. O álcool e o tabaco são drogas/vícios a evitar.
Bloco informativo 31

d. (…) São estas as minhas flores preferidas. 4. e 4.1. a. roseira (todas as outras palavras pertencem ao
e. Uma mistura de sentimentos o invadiu (…). campo lexical de árvore); b. cama (todas as outras palavras
pertencem ao campo lexical de medicina); c. sorte (todas as
7. a. estrela s.f. astro outras palavras pertencem ao campo lexical de futebol);
b. água s.f. líquido
5.1. Campo lexical de religião: igreja, padre, fiéis, deus,
c. ouro s.m. metal crença…
8. a. castanheiro s.m. árvore (…) Campo lexical de sintaxe: sujeito, predicado, grupo verbal,
b. gruta s.f. cavidade (…) vocativo, subordinação…
c. cinema s.m. arte (…) 6. a. escreve; b. guardei / coloquei / arrumei; c. pendura;
d. acrescenta; e. pousaram; f. plantar; g. introduziu; h. deposi-
tar; i. instalar; j. definiu / determinou / indicou; l. atribuir.

| Ficha informativa | 9 [págs. 223-224]

1. Polissemia é a propriedade de algumas palavras de apre-


sentarem mais do que um significado.
| Ficha informativa | 11 [págs. 227-228]

1.1. a. acrónimo, sigla, acrónimo, acrónimo, sigla


2. geógrafo s.m. especialista em geografia; fonologia s.f.
b. uma onomatopeia
LINGUÍSTICA disciplina linguística que estuda e descreve os
sons como unidades distintas (fonemas) e a sua função no c. interjeições
sistema linguístico; poliedro s.m. sólido geométrico limitado 2. bem-bem-bem; bão-bão-bão.
por faces que são polígonos planos.
(Grande Dicionário Língua Portuguesa, Porto Editora)
São vocábulos monossémicos.
| Ficha informativa | 13 [págs. 233-234]
3.1. De um artigo científico exige-se objectividade e rigor; de
1.1. Na última fala do Pai Natal não foi respeitada a máxi-
uma notícia espera-se a apresentação objectiva dos factos.
ma da relevância, isto é, o enunciado por ele produzido
4.1. [fig.] = sentido figurado. não tem qualquer relação com a observação anteriormente
4.2. Sentido conotativo. feita pela criança e, portanto, não é pertinente.

5.1. Neste contexto, “queimar” significa “desperdiçar”, “dei- 1.2. A última fala do Pai Natal contribui para a intenção críti-
xar passar”, “desaproveitar”. ca do cartoon exactamente porque aquilo que aí é dito não
tem qualquer relação com a observação feita pela criança. O
5.2. Exemplos: 1. Deixei queimar a sopa. [= torrar]; 2. Todas as Pai Natal tenta fugir à questão colocada pela criança pois
noites, ele queima montes de dinheiro. [= gasta]; 3. Ele quei- tem consciência de que não consegue dar-lhe uma resposta
mou-se com água a ferver. [= sofreu queimaduras, escaldou- satisfatória.
-se]; 4. Com o incêndio tudo ficou queimado. [= reduzido a cinza]
1.3. Por exemplo: “– Eu sou o Pai Natal, mas não faço mila-
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

6. No anúncio, joga-se com dois dos significados de “esta- gres!”


ções”: os quatro períodos em que se divide o ano – as qua- 2. a. Utilização de uma frase interrogativa em vez de uma
tro estações do ano – e os locais de atendimento ao público frase imperativa, com o objectivo de atenuar uma ordem.
dos CTT – as estações de correio. Estas últimas não são b. A inserção da expressão Peço desculpa.
apenas quatro, mas mil.
c. O uso do modo condicional (Preferiria) em vez do presente
(Prefiro).
d. O emprego do verbo auxiliar modal poder atenua uma
| Ficha informativa | 10 [págs. 225-226] ordem: Vai ter comigo à escola.
1. a. contrato; b. escorreito; c. belíssimo 3. Anúncio A.: nega um eventual acto ilocutório compro-
missivo (“Não prometa!”), produzindo um acto ilocutório
2. embelezar beleza belíssimo belamente Florbela /
■ ■ ■ ■ ■

directivo (“Faça.”) (pretende conduzir o interlocutor à reali-


belas-artes / bel-prazer
zação de uma acção). Anúncio B.: acto ilocutório compro-
3. efeminado indefinido trovoada privilegiado dese-
■ ■ ■ ■ ■
missivo (exprime um “compromisso” do locutor em relação
quilíbrio à realização de uma acção futura).
32 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual

4.1. Este enunciado configura um acto ilocutório indirecto 2.3. através da substituição por pronomes, por exemplo:
porque, tendo um valor imperativo, está formulado como se “Foi assim que começou o ciclo da água. Esta encheu as
de uma pergunta se tratasse. Quando o locutor, tendo em depressões que havia no globo terrestre e nasceram os
conta a capacidade do seu interlocutor para interpretar o oceanos. Neles, muitos milhões de anos depois...”
enunciado, utiliza uma expressão cujo sentido literal é dife-
2.4. mediante elipse ou supressão, por exemplo: “Sem
rente da intenção de comunicação, estamos em presença de
água, não haveria vida. [Sem água] Não haveria plantas,
um acto ilocutório indirecto.
nem animais, nem seres humanos para os observar.”
4.2. Por exemplo: “Não vamos deixar que isto aconteça!”
3. Proposta de solução:
5. Trata-se de um acto ilocutório compromissivo (… juro por A palmeira mais conhecida possui folhas que se abrem
minha honra…). exactamente no seu tronco, semelhantes aos dedos de uma
mão aberta. Mas existem mais de mil espécies [...] e nem
6.1. Por exemplo:
todas elas são árvores. Algumas […] são arbustos e outras
a. “João, se eu estivesse no teu lugar, estudava para o teste
[…] são trepadeiras. A maioria delas cresce em climas
de Português.”
quentes.
b. “Fico contente por estares a estudar para o teste de As palmeiras são plantas úteis. Fabricam-se tapetes e
Português, João.” cestos com as suas folhas.
c. “Já começaste a estudar para o teste de Português,
João?” 4.1., 4.2. e 4.3.
d. “João, precisas de ajuda para estudares para o teste de Conectores Hipótese de
Valor
Português?” textuais substituição

7.1. Por exemplo: exprimir um facto dado


Sem dúvida Indubitavelmente
como certo
a. Apaga a luz da sala!
quiçá,
b. Não deixes tudo para a última hora! talvez exprimir a dúvida
possivelmente
c. Pese-me esta fruta, por favor.
articular ideias de contraste,
d. Põe a mesa. mas porém
oposição
As frases interrogativas passam a imperativas (a., c., d.) ou exprimir um facto dado Na realidade,
declarativas (e.). A verdade é que
como certo Naturalmente que
Especialmente exemplificar Particularmente
provavelmente exprimir a dúvida porventura,
| Ficha informativa | 15 [págs. 241-243]
articular ideias de contras-
1. A ordem é: 2, 1, 4, 3. No entanto Contudo
te, oposição

2.1. repetição do nome, por ex.: água, magma, Terra, plane- por exemplo exemplificar nomeadamente
ta – a este processo dá-se o nome de renominalização:
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

processo que consiste na repetição do nome (continuidade exprimir um facto dado


a verdade é que de facto
temática) quando a referência se pode perder. Por exemplo, como certo
o nome Terra aparece no 2.° parágrafo e é repetido no 4.°. esclarecer, explicar uma Isto é, Por outras
Ou seja
ideia palavras
2.2. substituição lexical por hiperonímia e hiponímia:
“Sem água, não haveria vida. Não haveria plantas, nem ani- adicionar e agrupar
E Além disso
mais nem seres humanos para os observar. (…) Neles, mui- elementos e ideias
tos milhões de anos depois, reuniram-se as substâncias No fundo resumir, reafirmar Em resumo
químicas que dariam origem à vida: o metano, o hidrogénio articular ideias de contraste,
e o oxigénio.” – os três primeiros elementos sublinhados Mas Todavia
oposição,
funcionam, aqui, como hipónimos do hiperónimo [formas de]
vida e os três segundos como hipónimos do hiperónimo 5.1. Por mais… que parece-me que muito menos Na
■ ■ ■

substâncias químicas. minha opinião Bem sabemos que justamente Porém


■ ■ ■ ■

Substituição lexical por sinonímia: água, fluido, líquido...; Depois, e finalmente inquestionavelmente, e sem margem

Terra, planeta, globo terrestre. para dúvidas Em suma Acredito que E, certamente
■ ■ ■
Bloco informativo 33

6. a. e b. Porque; visto que – anunciam uma ideia de causa. Hipótese de substituição do verbo introdutor de relato
c. e d. Apesar de; embora – anunciam uma ideia de oposição. de discurso: desabafou
e. Se – indica uma hipótese. Discurso directo: “Quando o último dos meus cinco filhos
f. desde que – indica uma condição. se tornou independente, resolvi concretizar o meu desejo.
No dia em que a minha filha recebeu o seu ordenado, inscre-
vi-me numa escola de condução para tirar a carta de pesa-
dos e articulados. Tinha eu 50 anos”, lembra a camionista.
| Ficha informativa | 17 [págs. 246-248]
Hipótese de discurso indirecto: A camionista lembra que
1.1.,1.2. e 1.3. quando o último dos seus cinco filhos se tornou independen-
te, resolveu concretizar o seu desejo. No dia em que a sua
Discurso directo: “Os meus pais tinham uma herdade em
filha recebeu o seu ordenado, inscreveu-se numa escola de
Angola, onde plantavam de tudo. Todos os filhos ajudavam
condução para tirar a carta de pesados e articulados. Tinha
muito, e eu, especificamente, conduzia um tractor com atrela-
do que transportava os caixotes de fruta. Foi aqui que come- ela 50 anos.
çou a minha paixão pelo pesado”, recorda Maria Baptista. Hipótese de substituição do verbo introdutor de relato
de discurso: esclarece
Hipótese de discurso indirecto: Maria Baptista recorda
que os seus pais tinham uma herdade em Angola. Todos os 2. Proposta de discurso directo:
filhos ajudavam muito, e ela, especificamente, conduzia um A mulher que me serve café todas as manhãs quando
tractor com atrelado que transportava os caixotes de fruta. soube que eu era português disse-me:
Foi ali que começou a sua paixão pelo pesado. – Lisboa é linda.
– Conhece Portugal? – perguntei-lhe. E ela disse-me:
Hipótese de substituição do verbo introdutor de relato
– Não. Vi um filme. Um filme de que não me lembro o
de discurso: relembra
nome. Passou na televisão.
Discurso directo: “Trabalhei em fábricas, fui costureira
3. No original, os verbos são os seguintes: disse, respondeu-
de peles, depois numa loja de roupas com a minha filha, fui
-lhe, espantou-se, filosofou, duvidou, concluiu.
doméstica... Mas sentia uma terrível frustração”, contou-
nos. 4. Passagens em discurso indirecto livre:
Hipótese de discurso indirecto: [Maria Baptista] contou- a. “(…) e passara menos mal, desde a Páscoa. A não ser a
-nos que tinha trabalhado em fábricas, que tinha sido costu- desavergonhada da garganta…”
reira de peles, de seguida numa loja de roupas, com a sua b. “(…) Não, Gracinha não sabia. Mas era natural, agora
filha, que tinha sido doméstica… mas que sentia uma terrí- que tanto se demorava em Lisboa, pouco se aproveitava da
vel frustração. Feitosa, tão linda quinta…”
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

CPPORT14CP-03
34 Ficha de avaliação – Módulo 1

Lê atentamente o texto. De seguida, responde às questões formuladas.

O célebre caso da não-criação de porcos...


(…)
A economia (…) deixou de ter qualquer relação com a realidade para se passar por
dentro da cabeça dos economistas que resolvem as grandes crises financeiras à mesa dos
seus gabinetes. Julgo que não estou a exagerar se disser que a economia tende para ser
uma realidade virtual. Como dizia o meu querido amigo Millôr Fernandes: “A economia
5 compreende toda a actividade do mundo. Nenhuma actividade do mundo compreende a
economia.”
Já há para aí trinta anos que descobri uma carta que um senhor americano escreveu
ao seu ministro da Agricultura, numa altura em que, perante uma superprodução de por-
cos, o governo resolveu limitar a sua produção, subsidiando os produtores que não os
10 criassem. A carta é assim:
“Excelentíssimo Senhor Ministro,
O meu amigo Richard Hamilton recebeu este ano um cheque de 1000 dólares porque
não criou porcos. Estimulado por este seu êxito decidimos iniciar na nossa propriedade o
negócio da não-criação de porcos. O assunto parece-me cheio de interesse, diria mesmo
15 apaixonante, além do muito que nos alegrará sabermos que deste modo estamos a contri-
buir para o bem-estar de várias pessoas que possamos utilizar nesta exploração e que por
esta forma serão outros tantos empregados com ocupação, o que pode vir minorar um
atroz problema social. Neste quadro de circunstâncias, pretendíamos, Senhor Ministro, que
nos mandasse informar quais são as regiões mais apropriadas para a não-criação de porcos
20 e qual a melhor raça de porcos para não criar. (…)
O que se nos afigura mais difícil nesta exploração é fazer o inventário dos porcos que
não criaremos. O meu amigo Richard é muito optimista quanto ao futuro da nossa explora-
ção. Segundo afirma, vem criando porcos há muitos anos, o que lhe permitia em média reti-

P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor


rar um lucro anual de 350 dólares e houve mesmo um ano particularmente rentável em que
25 ganhou 400 dólares, enquanto, neste último ano, por não criar porcos ganhou 1000 dólares.
(…)
Se é possível receber 1000 dólares por não criar 500 porcos nós poderíamos receber o
dobro por não criarmos 1000. Fazíamos tenção de começar modestamente pela não-criação
de 2000 porcos que nos daria um lucro de 4000 dólares. Se os nossos planos forem cum-
pridos dentro das normas de uma sã administração e com uma produtividade sempre cres-
30 cente esperamos muito brevemente atingir a não-criação de 40 000 porcos, o que nos daria
um lucro de 80 000 dólares, podendo nessa altura considerar a empresa dimensionada de
modo a constituir um factor de progresso e engrandecimento da nossa região.
(…)
Ficar-vos-emos extraordinariamente reconhecidos se nos responder o mais rapidamen-
te possível porquanto julgamos que esta época do ano será a melhor para a não-criação de
35 porcos e, por isso, gostaríamos de começar quanto antes.
Queira V. Exa., Senhor Ministro, receber os protestos da minha maior consideração.
fotocopiável

(…)”
António Alçada Baptista, A Cor dos Dias – Memórias e Peregrinações, Ed. Presença, 2003 (texto adaptado e com supressões)
Ficha de avaliação – Módulo 1 35

I 75 pontos

1. Relê o primeiro parágrafo do texto.

1.1. Segundo o autor, a economia “tende para ser uma realidade virtual.” (ll. 3-4) porque… 10

a. passou a ser tratada apenas através das novas tecnologias.


b. os economistas não têm contacto directo com a realidade.
c. os economistas só se interessam por grandes crises financeiras.

2. Lê, agora, mais uma vez, a carta reproduzida por Alçada Baptista.

2.1. Explica qual é a sua função relativamente ao assunto do texto. 15

2.2. Aponta duas razões que, segundo o emissor da carta, terão estado na ori- 20

gem da decisão de iniciar a actividade de não-criação de porcos.

2.3. Indica a meta que a exploração terá de atingir para poder “constituir um fac- 10

tor de progresso e engrandecimento” (l. 32) da região.

2.4. Explica, sucintamente, em que reside o humor desta carta. 20

II 75 pontos

1. Reescreve a afirmação que se segue de modo a que passe a configurar um acto 10

ilocutório compromisso explícito:


“(…) estamos a contribuir para o bem-estar de várias pessoas (…)” (ll. 15-16)

2. Retoma as palavras de Millôr Fernandes (ll. 4-6) substituindo a forma verbal “com-
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

10

preende”, nas suas duas ocorrências, por um sinónimo adequado ao contexto.

3. Escreve duas frases, simples ou complexas, que permitam distinguir inequivoca- 15

mente a diferença de significado dos seguintes pares de vocábulos:


a. “tenção” (l. 27) / tensão
b. “cumpridos” (ll. 28-29) / compridos

4. Esta carta é dirigida ao ministro da Agricultura americano.

4.1. Faz o levantamento dos elementos que provam que se trata de uma carta formal. 10

4.2. Reescreve o último parágrafo do texto (antes da fórmula de despedida) ima- 15

ginando que o emissor se expressa no singular e que a relação entre o emis-


sor e o destinatário da carta é de grande proximidade.
fotocopiável

5. Faz a análise sintáctica da seguinte frase simples: “Nenhuma actividade do 15

mundo compreende a economia.” (ll. 5-6)


36 Caderno do Professor | Fichas de avaliação

III 50 pontos

Selecciona uma das duas propostas, assinalando a respectiva alínea na tua


folha de prova:

A. Observa a imagem e redige um texto, de cento e cinquenta a cento e noventa


palavras, em que, depois de descreveres o cartoon, analises a sua função crítica.

Luís Afonso, in Pública, 18-12-2005

P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor


B. Transforma a carta que integra a crónica de Alçada Baptista num requerimento.

Não te esqueças de deixar bem claro o motivo que está na origem da tua petição
e de obedecer às regras formais que um requerimento deve respeitar.
Total
200 pontos
fotocopiável
Ficha de avaliação 1 – Módulo 2 37

Lê atentamente o poema. De seguida, responde às questões formuladas.

Como quando
do mar tempestuoso
Como quando do mar tempestuoso
o marinheiro, lasso1 e trabalhado2,
de um naufrágio cruel já salvo a nado,
só o ouvir falar nele o faz medroso,

5 e jura que, em que veja bonançoso3


o violento mar e sossegado,
não entra nele mais, mas vai, forçado
pelo muito interesse cobiçoso4;

assi, Senhora, eu, que da tormenta5


10 de vossa vista fujo, por salvar-me,
jurando de não mais em outra ver-me:

minh’alma, que de vós nunca se ausenta,


dá-me por preço ver-vos, faz tornar-me
donde fugi tão perto de perder-me.
Luís de Camões, Lírica Completa, II, IN-CM

1. lasso: cansado. 2. trabalhado: maltratado. 3. bonançoso: calmo, sossegado. 4. cobiçoso: ambicioso.


5. tormenta: tempestade.
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

I 120 pontos

1. Este poema apresenta uma estrutura bipartida.

1.1. Delimita as duas partes lógicas que o compõem. 20

1.2. Explicita o valor contextual da locução subordinativa que marca essa divisão. 10

2. Atenta nas duas primeiras estrofes.

2.1. Identifica o sentimento do marinheiro em relação ao mar. 10

2.2. Indica a decisão tomada pelo marinheiro expressa na segunda quadra. 10


fotocopiável

2.3. Assinala a passagem em que se dá conta das razões do incumprimento da jura 10


do marinheiro.
38 Caderno do Professor | Fichas de avaliação

3. Relê, agora, os dois tercetos.

3.1. Identifica o recurso através do qual se identifica o interlocutor do sujeito lírico. 10

3.2. O excerto “(…) da tormenta / de vossa vista fujo, por salvar-me,” (vv. 9-10), significa: 10

a. “ausento-me da vossa presença a fim de me salvar”;


b. “fujo da tormenta para me aconchegar sob o vosso olhar”;
c. “ausento-me da tormenta porque o vosso olhar me salva”.

3.3. Explica, por palavras tuas, o sentido do verso 11. 10

4. Num breve resumo do assunto do poema, faz corresponder os elementos da pri- 20


meira parte da comparação aos da segunda.

5. Analisa o poema sob o ponto de vista formal (esquema estrófico, métrica e rima). 10

II 80 pontos

Selecciona uma das duas propostas, assinalando a respectiva alínea na tua


folha de prova:

A. Recordando que “a autobiografia é um género narrativo em prosa em que o


autor real, que é simultaneamente o narrador e a personagem principal, relata
retrospectivamente a sua vida”, elabora, num texto com cerca de cento e vinte
palavras, devidamente estruturado, a tua autobiografia (real ou imaginada).

B. Pensa na tua vida durante alguns momentos e selecciona um episódio muito bom

P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor


ou muito mau. Depois, em forma de diário, relata esse episódio num texto que
tenha entre cem e cento e vinte palavras.
Não te esqueças que deves usar o discurso na 1.a pessoa e prestar especial
atenção aos tempos verbais usados e à articulação lógica das diferentes
ideias. Total
200 pontos
fotocopiável
Ficha de avaliação 2 – Módulo 2 39

Lê atentamente o poema. De seguida, responde às questões formuladas.

Não passarão
Não desesperes, Mãe!
O último triunfo é interdito
Aos heróis que o não são.
Lembra-te do teu grito:
5 Não passarão!

Não passarão!
Só mesmo se parasse o coração
Que te bate no peito.
Só mesmo se pudesse haver sentido
10 Entre o sangue vertido
E o sonho desfeito.

Só mesmo se a raiz bebesse em lodo


De traição e de crime.
Só mesmo se não fosse o mundo todo
15 Que na tua tragédia se redime.

Não passarão!
Arde a seara, mas dum simples grão
Nasce o trigal de novo.
Morrem filhos e filhas da nação,
20 Não morre um povo!
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

Não passarão!
Seja qual for a fúria da agressão,
As forças que te querem jugular1
Não poderão passar
25 Sobre a dor infinita desse não
Que a terra inteira ouviu
E repetiu:
Não passarão!

Miguel Torga, Poesia Completa, Publ. Dom Quixote

1. jugular: extinguir, degolar, decapitar, matar.


fotocopiável
40 Caderno do Professor | Fichas de avaliação

I 140 pontos

1. Atenta no título do poema.

1.1. Antecipa o seu sentido, considerando, nomeadamente, o valor do advérbio 15


de negação e do tempo verbal utilizado e a indeterminação do sujeito da
frase.

2. A primeira estrofe esclarece o título do poema.

2.1. Comprova a veracidade da afirmação de 2. 15

2.2. Interpreta o uso da maiúscula utilizada na apóstrofe “Mãe!”. 10

2.3. Clarifica o valor do modo verbal utilizado nos versos 1 e 4. 15

3. Relê, agora, as estrofes dois e três.

3.1. Identifica a anáfora literária aí presente. 10

3.2. Encontra a forma verbal que está subentendida nessa anáfora. 10

3.3. Substitui a repetição anafórica por uma conjunção ou locução conjuntiva con- 10

dicional que não altere o sentido dos versos onde aquela aparece.

3.4. Explica o predomínio do modo conjuntivo nestas duas estrofes. 15

4. Relê a quarta estrofe.

4.1. Indica os dois nomes que aí retomam a apóstrofe “Mãe!” do primeiro verso 10
do poema.

4.2. Explicita o sentido da metáfora presente nos versos 17 e 18. 10

5. A última estrofe é uma espécie de síntese de tudo quanto atrás foi dito.

5.1. Explica, por palavras tuas, o sentido desses versos. 10

P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor


6. Comenta a importância da repetição do verso “Não passarão!” e do recurso ao 10
encavalgamento na construção do ritmo do poema.

II 60 pontos

Um diário é um texto narrativo orientado, tal como o texto lírico, para a expressão do
eu, que se caracteriza, entre outros aspectos, pelo uso do discurso na 1.a pessoa.
Num texto que tenha entre cento e vinte e cento e quarenta palavras, faz o regis-
to em forma de diário de acontecimentos que tenhas testemunhado ou de que
tenhas sido personagem, num dos dias da passada semana.
Total
200 pontos
fotocopiável
Ficha de avaliação – Módulo 3 41

Lê atentamente o texto. De seguida, responde às questões formuladas.

O passeio da fama
Há vinte anos, os jogadores de futebol eram seres já idolatrados mas socialmente des-
considerados.
(…)
A imagem dos futebolistas era a de uns tipos transpirados, analfabetos, vindos quase
sempre das classes mais baixas, e que apenas se distinguiam por saberem dar uns ponta-
5 pés na bola. Como a sua função era jogar com os pés, os futebolistas não tinham obvia-
mente de ser bonitos. (…)
Hoje, para um jogador ser famoso, já não basta jogar bem à bola.
O que importa, num jogador, já não é só a sua capacidade futebolística – mas aquilo
que se pode designar por “potencial mediático”.
10 A imagem dos grandes jogadores é vendida diariamente em todo o mundo nas pági-
nas dos jornais e revistas, nos ecrãs das televisões, na Internet, em vídeos, “posters”, cro-
mos, etc.
Ora essas imagens terão tanto mais sucesso quanto melhor for o aspecto dos futebolistas.
(…)
Desde que os clubes se transformaram abertamente em empresas, os futebolistas dei-
15 xaram de ser apenas futebolistas. São “activos”. E os activos serão tanto mais rentáveis
quanto, a par do seu rendimento em campo, puderem render fora do campo.
Quanto mais mediático for um jogador, maior será o número de camisolas vendidas
com o seu nome (e o negócio das camisolas é hoje um importante negócio), o número de
contratos publicitários que assina, o número de vezes que aparece em acontecimentos não
20 desportivos.
E tudo isso reverte, também, a favor do clube – dos seus cofres e do seu prestígio.
(…)
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

Beckham ou Figo até podem estar a jogar mal – mas, continuando as suas imagens a
vender-se (ou as imagens dos respectivos casais, bonitos e felizes), eles continuam a ser
excelentes negócios.
25 E, com todas estas mudanças, o lugar dos futebolistas na sociedade também mudou.
A ideia dos jogadores como homens rudes e analfabetos passou – e as portas das fes-
tas de sociedade e das revistas de sociedade abriram-se-lhes.
(…)
Claro que isto também é um sinal de que, de há vinte anos para cá, a sociedade
mudou muito.
30 O vazio de valores das sociedades ocidentais conduziu a uma preocupação obsessiva
com a fama, o dinheiro e a imagem. Procuram-se desesperadamente pessoas bonitas e
famosas e os futebolistas não poderiam escapar à voragem.
Foram reciclados, melhorados, produzidos.
A transformação de homens suados e feios em modelos perfumados e atraentes é a
35 mesma que tende a substituir o mundo real por um mundo de ilusão.
fotocopiável

Que acaba por ser, também, de cruéis desilusões.


José António Saraiva, in Expresso, 13-09-2003 (texto adaptado e com supressões)
42 Caderno do Professor | Fichas de avaliação

I 80 pontos

1. Identifica o facto da actualidade que esteve na origem desta crónica. 15

2. Diz se as afirmações que se seguem são verdadeiras (V) ou falsas (F), tendo em 20

conta o texto:
a. Há duas décadas, os jogadores de futebol eram já considerados ídolos e ocu-
pavam um lugar de relevo na sociedade.
b. O “potencial mediático” é a capacidade que um jogador tem de exercer bem
a sua profissão.
c. As transformações que os futebolistas sofreram nas últimas décadas relacio-
nam-se directamente com as alterações operadas nos clubes.
d. A crescente valorização social da beleza e da fama é directamente proporcio-
nal ao aumento do vazio de valores da sociedade actual.

3. O texto pode ser dividido em três partes lógicas.

3.1. Delimita-as. 15

3.2. Redige, para cada uma delas, uma frase complexa que dê conta da ideia-chave 30

aí desenvolvida.

II 70 pontos

1. Relaciona os tempos verbais predominantes nos dois primeiros parágrafos com a 20

P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor


expressão temporal que os introduz.

2. Identifica, no texto, os antecedentes dos vocábulos sublinhados no excerto que 15

se segue:
“E tudo isso reverte, também, a favor do clube – dos seus cofres e do seu prestí-
gio.” (l. 21)

3. Noutros tempos, os jogadores de futebol eram idolatrados.

3.1. Identifica as funções sintácticas dos constituintes desta frase simples. 15

4. Considera as duas frases simples:


Os clubes transformaram-se em empresas. Os jogadores passaram a “activos”.

4.1. Transforma-as numa frase complexa, recorrendo a: 20


fotocopiável

a. uma conjunção subordinativa causal;


b. uma conjunção subordinativa temporal.
Ficha de avaliação – Módulo 3 43

III 50 pontos

Resume o texto informativo a seguir transcrito, constituído por duzentas e quinze


palavras, num texto de noventa e cinco a cento e dez palavras.

Futebol
Modalidade desportiva que teve a sua origem em Inglaterra, por volta
de 1840, onde era jogado por rapazes estudantes, embora se possam identi-
ficar jogos mais antigos, noutros países, com características comuns. A uni-
formização das suas regras passou, numa primeira fase, pela Universidade
5 de Cambridge, em 1843, e vinte anos depois pela fundação da Associação
Inglesa de Futebol, que estabeleceria as regras que hoje conhecemos.
(…) O jogo propagou-se a outros países, que também passaram a
organizar campeonatos. Em 1904, surgiu a Federação Internacional de
Futebol (FIFA), que viria a uniformizar as regras do jogo a nível internacio-
10 nal. (…) A partir de 1930, a FIFA tornou-se a entidade responsável pela rea-
lização dos Campeonatos do Mundo de futebol, que se realizam de quatro
em quatro anos. (…)
Nos nossos dias, o futebol é um desporto fortemente mediatizado e
massificado. Aos campos de futebol acorrem milhares de adeptos, que
15 apoiam as respectivas equipas. Em termos económicos, cada jogador ou
treinador pode valer milhões. (…) O futebol ultrapassou rapidamente o
âmbito do terreno de jogo para ser dirigido por conhecidos empresários ou
políticos. As equipas mais importantes são geridas à imagem e semelhança
das grandes empresas. Por outro lado, como desporto de multidões que é,
20 o futebol marca presença no imaginário colectivo contemporâneo, sendo
um elemento cultural e social a que os estudiosos têm dedicado merecida
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

atenção.
futebol, in Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2006. [Consult. 2006-08-18]
Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/E1.jsp?id=45761>. (texto adaptado e com supressões)

Total
200 pontos
fotocopiável
44 Ficha de avaliação – Módulo 4

Lê atentamente o texto. De seguida, responde às questões formuladas.

A bolsa ou a vida
Sofia e Alexandra, gémeas idênticas, são filhas do primeiro casamento da minha mãe.
Sofia é mais velha – nasceu cinco minutos antes de Alexandra, e foi sempre muito forte e
determinada, uma espécie de segunda mãe para a mais nova. Esta semana, Sofia foi assal-
tada no Rio de Janeiro. Ou melhor, não chegou a ser assaltada. Sofia tem andado muito
5 deprimida. O namorado pediu-lhe um tempo para pensar. Conhecem a frase, não?! Claro
que conhecem. Quando um homem nos pede um tempo para pensar é porque, primeiro,
não tem muita imaginação, e depois já pensou em tudo. Só existe uma maneira de enfren-
tar este terrível lugar-comum sem perder a dignidade: faça das tripas coração, sorria, e
diga-lhe que não precisa de pensar mais; confesse, a meia voz, que está apaixonada por
10 outro. Refreie a vontade de o esbofetear e despeça-se dele com um beijo na face. A seguir
vá para casa, feche-se no quarto e chore à vontade. Foi o que a minha irmã fez. Chorou
muito. Comprou uma mini-saia azul, Gianni Versace, com a certeza de que jamais a vesti-
ria. Cortou o cabelo. Comeu uma caixa inteira de chocolates. Na manhã seguinte, porém,
acordou ansiosa, com palpitações, uma sensação de desastre iminente, e compreendeu que
15 teria de tomar medidas radicais. Pediu duas semanas de férias e comprou um bilhete para
o Rio de Janeiro. Não conhecia ninguém no Brasil. Nunca tinha estado lá. Pareceu-lhe a
escolha acertada. Hospedou-se no Copacabana Palace e logo nessa noite vestiu a mini-saia
azul, do Gianni Versace, e atravessou a avenida com a intenção de se sentar um pouco na
areia, a contemplar o mar. Sentou-se, afundou os olhos nas águas escuras, e nesse instante
20 um jovem alto, moreno, com um brinco no nariz, encostou-lhe uma faca à garganta:
“A bolsa”, sussurrou: “A bolsa ou a vida.”
O texto gasto, a falta de imaginação, fez com que a minha pobre irmã se lembrasse do
namorado e então, coitada!, rebentou ali mesmo num choro incontrolável. Foi isso que a
salvou. O assaltante, aflito, enfiou a faca num dos bolsos da bermuda e tentou consolá-la:

P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor


25 “Não chore mais, moça. Mulher triste eu não assalto, dá até azar. É como matar pas-
sarinho.”
Convidou-a a tomar um chope. Sofia achou que era demais – a cerveja. Mas aceitou
um cafezinho numa esplanada a dois passos dali, bem iluminada, e quando deu por isso
estava a contar ao rapaz toda a sua tragédia íntima. Ele ouviu-a com atenção. Sabia ouvir,
30 o que é raro nos homens, e, mais raro ainda, sabia dar conselhos, sem parecer nem um
velho professor entediado nem um sedutor de telenovela. Além disso, tinha um extraordi-
nário sentido de humor. Fez com que ela se risse. Mostrou-lhe o seu próprio mundo – que
era um inferno – como se fosse um grande circo, cheio de feras e de monstros, mas tam-
bém de palhaços e de bailarinas. Finalmente escoltou-a até ao hotel, sempre muito solícito,
35 muito respeitador, recomendando-lhe mais cuidado quando, no futuro, decidisse passear à
noite pelas ruas de Copacabana.
Ao regressar a Lisboa, Sofia encontrou o namorado, no aeroporto, com um enorme
ramo de flores. A minha irmã agradeceu as flores e pediu um tempo para pensar. Telefonei-
-lhe há pouco para lhe perguntar se não tinha ficado com o telefone do assaltante. Só eu sei
fotocopiável

40 a falta que em certos dias, como hoje, por exemplo, me faz um assaltante assim.
Faíza Hayat, O Evangelho Segundo a Serpente, Publ. Dom Quixote, 2006 (excerto)
Ficha de avaliação – Módulo 4 45

I 80 pontos

1. Atenta nos seis primeiros períodos. (“Sofia e Alexandra (…) para pensar.” (ll. 1-5)).
1.1. Explica a funcionalidade deste excerto em relação à história que é contada. 15

2. Justifica o recurso sistemático ao modo conjuntivo com valor imperativo na passa- 15


gem que vai desde “Conhecem a frase, não?!” (l. 5) até “(…) e chore à vontade.” (l. 11).

3. Considera, agora, o excerto que vai da linha 11 (“Foi o que a minha irmã fez.”)
até à linha 36 (“(…) pelas ruas de Copacabana.”).
3.1. Esclarece por que razão o Brasil pareceu a Sofia a “escolha acertada.” (l. 17). 10

3.2. Explica o que é que, no momento do assalto, lhe fez lembrar o namorado. 10

3.3. Enumera as características que Sofia encontrou no assaltante que o distin- 10


guiam dos outros homens.

4. Comenta a atitude de Sofia em relação ao namorado que a foi esperar ao aeroporto. 10

5. Propõe um outro título para o texto que, sendo embora apelativo, não desvende 10
ao leitor a história que vai ser contada.

II 70 pontos

1. Na terceira linha do texto, o narrador utiliza a expressão “Ou melhor” para: 10

a. reformular o seu discurso.


b. exprimir a confirmação da ideia expressa anteriormente.

2. O complexo verbal “tem andado” (l. 4) expressa: 10

a. a pontualidade da acção narrada.


b. uma situação que se repete regularmente durante um determinado período de
tempo.
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

3. O conector “porém” (l. 13): 10

a. introduz uma conclusão em relação à ideia principal.


b. articula ideias opostas.

4. Indica o antecedente do termo anafórico “lá” (l. 16). 10

5. Transforma as três frases simples seguintes numa frase complexa, recorrendo a 15


conectores que respeitem o sentido das frases no contexto: “Não conhecia nin-
guém no Brasil. Nunca tinha estado lá. Pareceu-lhe a escolha acertada.” (ll. 16-17).

6. Passa para o discurso indirecto a fala do assaltante (ll. 25-26). 15

III 50 pontos

Imagina uma pequena história que surpreenda o leitor pelo insólito dos aconteci-
mentos relatados. O teu texto, que deverá ter entre cento e cinquenta e duzentas
fotocopiável

palavras, deve ser narrativo, com recurso à descrição e ao diálogo, e os verbos Total
devem estar predominantemente no pretérito perfeito e no pretérito imperfeito. 200 pontos
46 Soluções das fichas de avaliação

Ficha de avaliação – Módulo 1 5. Sujeito – Nenhuma actividade do mundo; predicado –


compreende a economia; complemento directo – a econo-
I mia; complemento do nome – do mundo.

1.1. Resposta b.
III
2.1. A carta apresentada vem ilustrar a opinião do autor
acerca do desfasamento entre a economia e a realidade, A. Uma proposta:
através do relato de um caso extremo e absurdo. No cartoon podemos ver duas personagens: uma repre-
2.2. Segundo o emissor da carta, a decisão de iniciar a acti- sentando a cultura ocidental, com ar saudável, vestida, cal-
vidade de não-criação de porcos nasceu da constatação do çada e usando gravata; outra representando a cultura africa-
êxito de um amigo nessa actividade e, em simultâneo, do na, vestida apenas com uma tanga e extremamente magra.
Num ambiente de deserto, a primeira mostra, com ar satis-
desejo de contribuir para o desenvolvimento da região atra-
feito, um computador portátil à segunda que o olha com um
vés da criação de postos de trabalho, ajudando, desta forma,
ar que transmite um misto de espanto e de desconfiança.
a combater o desemprego (Cf. ll. 12-20).
A personagem ocidental expõe à outra a importância do
2.3. Para conseguir alcançar este desiderato a exploração acesso à Internet pelos países pobres.
terá de “atingir a não-criação de 40 000 porcos, o que (…) A função crítica deste cartoon reside na ideia da contradi-
daria um lucro de 80 000 dólares” (ll. 30-31). ção presente entre ‘as boas intenções’ e o valor real que
estas podem ter em determinados contextos. Repare-se nas
2.4. O humor desta carta reside no carácter surreal de toda a palavras da personagem ocidental que tenta mostrar à outra
proposta que é feita pelo remetente que, partindo de uma como vai ser importante ser capaz de passar a conhecer,
situação económica real – o facto de o governo ter resolvido através da Internet, coisas que ela nem fazia ideia que exis-
limitar a produção de porcos, subsidiando os produtores que tiam e da crítica que é feita a estas palavras através das
não os criassem –, decide levá-la aos limites do absurdo. imagens que aparecem no monitor do computador – pão e
bife. Há uma crítica evidente do cartoonista ao facto de,
muitas vezes, na ajuda que se presta a povos mais necessi-
II tados, não haver o discernimento de começar pelas necessi-
1. Por exemplo: “Garantimos/prometemos que…”. dades básicas.
[185 palavras]
2. Hipóteses possíveis: A economia contém/abrange/inclui
toda a actividade do mundo. Nenhuma actividade do mundo B. Uma proposta:
entende/percebe a economia.
REQUERIMENTO
3. Hipóteses possíveis:
Exmo. Sr.
a. Faço tenção de ir ao cinema logo./A tensão entre ambos Ministro da Agricultura
era de cortar à faca. ou A minha tensão arterial está um
Eu, abaixo-assinado, John Do, morador no Texas,
pouco alta., etc.
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

em representação de um grupo de agricultores que


b. Os estatutos da organização não estão a ser cumpridos./ pretende implementar o negócio de não-criação de
No Verão os dias são mais compridos do que no Inverno. porcos e, desta forma, contribuir para o progresso e
engrandecimento do nosso país, venho requerer a
4.1. A formalidade da carta é evidente, sobretudo nas for- V.a Ex.a que se digne informar quais são as regiões
mas de tratamento honorífico utilizadas quer na fórmula de mais apropriadas para a não-criação de porcos e
interpelação (“Excelentíssimo Senhor Ministro,”) e na fórmu- qual a melhor raça para não criar.
la de despedida (“Queira V. Exa., Senhor Ministro, receber Pede deferimento.
os protestos da minha maior consideração.”), quer no corpo
Local e data
da carta (Senhor Ministro).
Assinatura do Requerente
4.2. Proposta:
“Ficar-te-ei extraordinariamente reconhecido se me res-
ponderes o mais rapidamente possível porquanto julgo que
esta época do ano será a melhor para a não-criação de por-
cos e, por isso, gostaria de começar quanto antes.”
Soluções das fichas de avaliação 47

Ficha de avaliação 1 – Módulo 2 “Mãe”) e, por outro, explicita o sujeito que, no título, apare-
cia indeterminado: os “heróis que o não são.”
I 2.2. O uso da maiúscula na apóstrofe “Mãe!” remete para o
1.1. A primeira parte é constituída pelas quadras e a segun- uso metafórico deste nome. Mãe será sinónimo de pátria,
da pelos tercetos. nação.

1.2. A locução subordinativa “Como (v. 1) … assi (v. 9)” esta- 2.3. O modo conjuntivo com valor imperativo (“Não deses-
belece uma comparação. peres” (v. 1)) e o modo imperativo (“Lembra-te” (v. 4)) são utili-
zados ao serviço do grito de incitamento dirigido à “Mãe” (v. 1).
2.1. Na primeira quadra, o marinheiro manifesta medo em
relação ao mar (Cf. v. 4). 3.1. A anáfora consiste na repetição da locução “Só mesmo
se” no início dos versos 7, 9, 12 e 14.
2.2. Na segunda quadra dá-se conta de que o marinheiro
“jura” não voltar ao mar nem mesmo quando este estiver 3.2. “Só [passariam] mesmo se”
calmo (Cf. vv. 5-7). 3.3. Hipóteses possíveis: a não ser que/a menos que/salvo se.
2.3. Trata-se dos versos 7 e 8: “(…) mas vai, forçado/pelo 3.4. O modo conjuntivo é exigido pela locução conjuntiva
muito interesse cobiçoso”. Através da conjunção coordenativa condicional e coloca uma hipótese que se torna longínqua
adversativa “mas”, evidencia-se que a ambição é mais forte por aparecer aliada à locução “Só mesmo se”.
do que o medo do marinheiro, pois obriga-o a voltar ao mar.
4.1. Trata-se dos nomes “nação” e “povo”.
3.1. O interlocutor do sujeito lírico é identificado através de
uma apóstrofe: “Senhora,” (v. 9). 4.2. É possível estabelecer uma correspondência directa entre
os versos 17/18 e os versos 19/20: a “seara” que “arde” é a
3.2. a. “ausento-me da vossa presença a fim de me salvar”. “nação” cujos filhos “morrem”; a capacidade regeneradora
3.3. No verso 11, o sujeito poético afirma ter-se comprometi- “dum simples grão” a partir do qual “Nasce o trigal de novo.”
do a não repetir os erros do passado, isto é, a fugir da sua Esta metáfora remete-nos directamente para a força de um
amada para não voltar a perder-se. “povo” que resiste e se levanta sempre face ao poder avassa-
lador daqueles que o querem “jugular” (v. 23). O valor desta
4. Ao marinheiro do primeiro termo de comparação corres-
metáfora sai ainda reforçado pela presença do articulador
ponde o eu lírico; no segundo, a vista da amada é comparada
adversativo “mas” (v. 17) e pela antítese (“Arde (…) / Nasce
à tempestade. Uma vez que a sua contemplação (da tempes-
(…) / Morrem / Não morre” (vv. 17, 18, 19, 20)).
tade/da amada) provoca medo, a fuga é a única salvação.
Ambos (marinheiro e eu lírico) prometem não voltar a cair 5.1. Na última estrofe, o sujeito poético deixa claro que,
noutra, não resistindo, porém, e repetindo o mesmo erro. independentemente da “fúria da agressão” (v. 22), “As forças
que (…) querem jugular” (v. 23) o povo não conseguirão o seu
5. O poema é um soneto e, portanto, é constituído por duas
objectivo já que “a terra inteira” assumiu como seu o grito
quadras e dois tercetos. Quanto à métrica, a medida do
“Não passarão!”
verso é o decassílabo. O esquema rimático é abba abba
cde cde, isto é, a rima é emparelhada e interpolada nas 6. O ritmo do poema alterna entre as pausas marcadas pela
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

quadras e interpolada nos tercetos. repetição da expressão “Não passarão!”, que funciona como
uma espécie de refrão, e um ritmo mais rápido conferido
pelos sucessivos encavalgamentos, que criam um efeito
de coesão entre os versos.
Ficha de avaliação 2 – Módulo 2

I
1.1. O título configura uma espécie de grito de resistência
Ficha de avaliação – Módulo 3
face a um sujeito plural mas indeterminado. O uso do futuro
I
do indicativo transmite-nos a certeza do sujeito poético rela-
tivamente à realização da acção expressa pelo verbo que é 1. O facto da actualidade que esteve na origem desta cróni-
negada pelo advérbio “não”. ca é a transformação dos jogadores de futebol em estrelas
mediáticas.
2.1. A primeira estrofe esclarece o título do poema já que,
por um lado, identifica o emissor do grito “Não passarão!” (a 2. a. F; b. F; c. V; d. V.
48 Caderno do Professor | Soluções das fichas de avaliação

3.1. A primeira parte é constituída pelos dois primeiros Ficha de avaliação – Módulo 4
parágrafos; a segunda vai desde “Hoje…” (l. 7) até “…
abriram-se-lhes.” (l. 27); a terceira compreende os cinco I
últimos parágrafos.
1.1. Neste excerto inicial ficamos a conhecer algumas carac-
3.2. Primeira parte – Há vinte anos, embora fossem já ido- terísticas da personagem principal da história – Sofia – e
latrados, os futebolistas não tinham de ter grande preocupa- aquilo que se estava a passar com ela, ou seja, os aconteci-
ção com a imagem. mentos anteriores à história que vai ser narrada.
Segunda parte – Actualmente, o “potencial mediático” dos
2. A partir de certa altura, o narrador dá uma série de conse-
jogadores é fundamental para os seus clubes que se trans-
lhos à(s) leitora(s) que venha(m) a passar por uma situação
formaram em verdadeiras empresas.
semelhante àquela em que Sofia se encontra. Daí o uso do
Terceira parte – A transformação dos jogadores em estre- modo conjuntivo com valor imperativo.
las mediáticas tem a ver com o vazio de valores da socieda-
de ocidental na qual a preocupação com a fama e o dinheiro 3.1. O Brasil pareceu-lhe “a escolha acertada.” porque lá
veio criar um mundo irreal. não conhecia ninguém. Deduz-se, assim, que Sofia queria
estar sozinha.
3.2. Aquilo que no assaltante fez lembrar a Sofia o namora-
II
do foi o facto de a frase que ele utilizou para a abordar ser
1. A primeira parte do texto é introduzida pela expressão tão vulgar nesta situação como aquela que o namorado utili-
temporal “Há vinte anos” e, portanto, o tempo verbal predo- zou para acabar com o namoro, revelando, ambas, falta de
minante é o pretérito imperfeito do indicativo já que a imaginação.
referida expressão implica um relato em que se dá conta do
3.3. O assaltante, ao contrário da generalidade dos homens,
aspecto durativo da acção.
“sabia ouvir”, “sabia dar conselhos” e “tinha um extraordi-
2. “tudo isso” reporta-se aos factos narrados no parágrafo nário sentido de humor”.
anterior; o antecedente de “seus” e “seu” é “clube”.
4. Sofia parece ter aprendido uma lição com o assaltante de
3.1. Modificador do grupo verbal – Noutros tempos; sujei- Copacabana: ao regressar, e perante o recuo do namorado
to – os jogadores de futebol; predicado – eram idolatrados; que parecia querer retomar a relação, decide “pedir um
modificador do nome restritivo – de futebol; predicativo tempo”. Durante a conversa com o assaltante, Sofia terá,
do sujeito – idolatrados. talvez, percebido que o namorado não era bem aquilo que
4. Por exemplo: a. Os jogadores passaram a “activos” por- ela queria.
que os clubes se transformaram em empresas. b. Os jogado- 5. Por exemplo: “Um tempo para pensar”, “Assalte-me, por
res passaram a “activos” quando os clubes se transforma- favor!”,…
ram em empresas.

II
III
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

1. a. reformular o seu discurso.


Proposta de resumo:
2. b. uma situação que se repete regularmente durante um
O futebol nasceu em Inglaterra, cerca de 1840, embora determinado período de tempo.
as suas características possam ser encontradas anterior-
mente. As regras a que hoje obedece foram uniformizadas 3. b. articula ideias opostas.
em 1863 pela Associação Inglesa de Futebol. 4. O antecedente do termo anafórico “lá” é “no Brasil”.
Entretanto, o futebol desenvolveu-se noutros países, sur-
gindo, em 1904, a FIFA que uniformizou as suas regras inter- 5. Por exemplo: “Não conhecia ninguém no Brasil já que
nacionalmente e que, desde 1930, organiza os Campeonatos nunca tinha estado lá e, por isso, pareceu-lhe a escolha
do Mundo. acertada.”
Hoje, o futebol é um desporto de massas que vale milhões e 6. Hipótese possível: O assaltante, aflito, enfiou a faca num
as equipas são empresas dirigidas por empresários e políticos. dos bolsos da bermuda e tentou consolar a moça dizendo-
Por outro lado, devido à sua massificação, o futebol trans- -lhe que não chorasse mais. Acrescentou que não assaltava
formou-se num fenómeno cultural e social muito estudado. mulher triste porque dava até azar e que era como matar
[95 palavras] passarinho.