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Energia Ativacao

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL Instituto de Química

Relatório referente á prática de Energia de Ativação

Márcio Ferreira

Porto Alegre, de março de 2001

obtém-se: ln k = lnA . Após um estudo extensivo. a partir da observação do tempo necessário para o consumo de uma quantidade constante do íon persulfato. sendo satisfatório para o procedimento utilizado. por Van’t Hoff e por Arrhenius. partindo-se de medições de velocidade (ou de observáveis físicos relacionados) em diferentes temperaturas. pode-se demonstrar que. R é a constante universal dos gases ideais e T é a temperatura absoluta. Normalmente. energia de ativação e constante de velocidade. a fração de moléculas que possuem energia pelo menos igual à energia de ativação molar é: e-Ea/RT (1) onde Ea é a energia de ativação. a extensão deste aumento é característica de cada reação. a diversas temperaturas. Por observação empírica e em concordância com o fator apontado em (1). encontrados na literatura2. a energia mínima necessária para que a colisão entre duas moléculas seja efetiva e haja formação de produto.8 kcal. um aumento de temperatura implica aumento de velocidade. num conjunto de moléculas reagentes. em comparação com experimentos realizados de forma semelhante. Sumário: Neste experimento apresentamos a determinação da energia de ativação Introdução Denomina-se energia de ativação. A equação de Arrhenius3 é útil porque expressa a relação quantitativa entre temperatura. A relação entre a constante de velocidade k de uma reação química e a temperatura na qual ela se desenvolve foi descoberta. Sua grande utilidade é a determinação da energia de ativação de uma reação (alvo de muitos experimentos de cinética química). Arrhenius definiu a expressão: k = Ae-Ea/RT (2) onde A é o chamado fator de freqüência. Ea. mostrada abaixo: dln k = Ea (3) dT RT2 Integrando esta equação. O resultado obtido foi de 11. a velocidade de uma reação química é alterada pela temperatura. No século passado. supondo que Ea é constante quanto à variação de temperatura.Ea (4) 2 .« 2SO4-2 + I2 . utilizando o princípio do relógio de iodo1. Utilizando-a. Maxwell e Boltzmann desenvolveram independentemente uma relação envolvendo a distribuição das velocidades e energias moleculares em um gás. Sabendo que a equação de Arrhenius também é encontrada sob a forma diferencial. independentemente.da reação S2O8-2 + 2I .mol-1. entretanto.

t (10) Trocando k por k’ na equação (2) e tomando-se o logaritmo da expressão resultante: 3 . e plotando em um gráfico. em situação de primeira ordem em relação ao íon persulfato. torna-se: . Baseia-se na redução de uma alíquota de tiossulfato de sódio pelo iodo formado na reação anterior. Um exemplo clássico de aplicação baseia-se na oxidação do íon iodeto pelo íon persulfato. conforme a equação: 2S2O3-2 + I2 « S4O6-2 + 2I (6) Quando todo o tiossulfato (S2O3-2) é consumido. a equação (8) assume a forma integrada: é a ù k1t = ln ê ú ® k1t = b ë (a . É possível calcular a energia de ativação para uma reação determinando o valor da constante de velocidade desta reação a várias temperaturas. o aparecimento da coloração azul é indicativo de conversão de uma quantidade fixa de substrato. o que caracteriza uma reação do tipo “relógio de iodo”.] dt (7) que. o iodo excedente é detectado por formação de um complexo azul com amido. a energia de ativação é. quando temos excesso de iodeto.4 A reação química pode ser representada pela equação: S2O8-2 + 2I .d [ S 2 O8 -2 ] = k 1 [ S 2 O8 -2 ] dt (8) onde k1 = k2[I-]. Definindo-se uma constante aparente de velocidade da reação k’ igual a k1/b: k¢ = 1 .« 2SO4-2 + I2 (5) que é uma reação de segunda ordem. o coeficiente angular da reta formada em um gráfico de ln(k) versus 1/T. Considerando-se que a concentração inicial de íon persulfato seja a.1 Empregando-se quantidade constante de tiossulfato em diferentes misturas reacionais.d [ S 2 O8 -2 ] = k 2 [ S 2 O8 -2 ][ I . já que sua velocidade depende da concentração dos dois íons. e que a concentração em um tempo t seja (x .a).RT onde lnA é uma constante de integração.x ) û (9) em que b é uma constante. A equação de velocidade de (5) é dada pela expressão: . Um conveniente método de velocidade inicial para o estudo cinético dessa reação foi proposto por King e Jacobs.

sendo que em um deles ficava a solução de de K2S2O8 e em outro a de Na2S2O3 com KI. permaneciam imersos dois tubos de vidros fixos por agarradores. a determinação da energia de ativação a partir do coeficiente angular. em diferentes temperaturas. a partir do método apresentado. O banho permanecia sob agitação constante para homogeneização da temperatura. Neste banho.ln B + a . Neste trabalho. a partir do conhecimento de k’ ou t e de 1/T para diferentes reações em que houve conversão constante do substrato.ln k ¢ = ln B - Ee E ® ln t = . RT RT (11) Em que B é igual a bA. A energia de ativação para o processo é calculada a partir de (11). apresenta-se a determinação da energia de ativação para a oxidação do iodeto a iodo pelo íon persulfato. 4 . os tempos de reação para o consumo de uma quantidade constante de tiossulfato. mediram-se. Empregando soluções diluídas dos reagentes numa situação de pseudo-primeira ordem em relação a persulfato. Este aparato é constituído de um copo de bécker de 3 litros preenchido com água. que era controlada manualmente. adicionando-se gelo ou água quente até atingir o valor desejado. Parte Experimental Para a determinação experimental da energia de ativação da reação entre os íons persulfato e iodeto foi utilizado um equipamento representado na Figura 1. As expressões em (10) são equações lineares e permitem. mantido sob temperatura constante medida através de um termômetro.

adicionou-se a segunda solução à primeira. o que indicava o consumo de uma quantidade constante de íon persulfato. Após a mistura. iniciou-se a contagem do tempo necessário para a mudança de coloração da solução para azul. foram mergulhados no bécker para a estabilização da temperatura.01 N e 10 gotas de solução de amido 0.5%.5 N. onde: a) Copo de Bécker. a temperatura do banho foi mantida inicialmente em 5 o C e os tubos com as soluções de K2S2O8 e Na2S2O3 com KI. foi repetido mais 4 vezes aumentando a temperatura em aproximadamente 5 oC a cada medida. é possível determinar a energia de ativação da reação (5). A segunda solução foi preparada com 20 ml de K2S2O8 0. 10 ml de Na2S2O3 0. Decorridos cinco minutos. Após preparadas as soluções. c) Tubo de vidro com a solução de Na2S2O3 e KI.2 N. No preparo da primeira solução. d) Termômetro. pipetou-se 20 ml de KI 0. b) Tubo de vidro com a solução de K2S2O8. Resultados A partir das medidas experimentais do tempo necessário para o consumo de uma quantidade constante de íon persulfato. Este procedimento. 5 . O procedimento experimental constituía-se inicialmente do preparo de duas soluções distintas. e) Agitador. inclusive a preparação das soluções.Figura 1: Desenho esquemático do equipamento utilizado no experimento.

4 5.25 .99912 e o desvio padrão de 0.2 5.58 6 1. T (K) mpo t (s) n (t) (s) .5 278.77 .0896 94 10.7007 57 Com os dados da Tabela 1. a seguir: Tabela 1: Valores obtidos experimentalmente para o consumo de uma quantidade constante de íon persulfato em uma reação com excesso de íon iodeto.7122 11 15. abaixo: 6.8 (± 143. construímos a Tabela 1.4 6.Com os valores obtidos experimentalmente. 11 4 3.3325 10 19. 14 5 3.8 4. 298. 30 5 3.6 4.47 0 1 6.55 . Com o software Microcal Origin 5.41 9 0 9.0 4.0091 30 24.8 5. e obtivemos: ln t = A + B.02664.00340 0.00330 0.0 5. 288.00355 0.00365 T -1 (K ) -1 Gráfico 1: Dados experimentais do logaritmo neperiano do tempo necessário para consumir uma quantidade constante de íon persulfato em função do inverso da temperatura. 6 . 20 5 3.4 0.00345 0. 283.00335 0.T-1 Onde: A = -15. reportados do Anexo 1.00350 0.6 ln t (s) 5.95 .0 fizemos a regressão linear da reta.02 .00360 0.279 (± 0. 44 6 3.10 (K ) mp.35 9 0 0. 293.53 1 2 2.2 6. (°C) 5. Te Tem te l T1 -3 -1 p.500) B = 5946.9) A correlação foi de 0. construiu-se o gráfico 1.

tende a aumentar o erro experimental. A reação estudada é na verdade.8 Kcal. obtendo valores para Ea de 12. T. Foram encontrados dois valores distintos para a energia de ativação. G. É sabido que a diluição dos reagentes modifica a força iônica do meio.Comparando a equação obtida com a equação (11). a comparação dos dados experimentais é dificultada. a consideração da reação ser primeira ordem. principalmente nos patamares mais elevados. uma vez que se estabeleceu como tempo zero o momento da mistura dos reagentes e este tempo pode conter uma pequena variação de um experimento para outro..mol-1 Com uma imprecisão de ± 0. O valor obtido experimentalmente em nosso trabalho. a energia de ativação não é uma propriedade que se encontre quantificada em tabelas ou manuais. Bibliografia 1.3 -1 kcal. Ed. dependendo sua velocidade da concentração dos íons persulfato e iodeto. J.mol-1 (± 0. Segundo este trabalho. implicando pequenas variações na temperatura do experimento. C.6 e 11. interferindo na constante de velocidade da reação. nos trabalhos de H. foi de 11. por ser uma determinação visual. 1037 (1984).9869 cal.8 kcal. Shurvell.K-1.mol-1. J.mol-1. Chem. Discussão Para a grande maioria das reações.mol1 . Assim: Ea = 11.8 kcal. Logo. o que representa um valor idêntico ao valor obtido pelo segundo grupo. sendo que o primeiro grupo realizou o experimento para 7 temperaturas e o segundo.3 Kcal.F. Desta maneira. dois grupos de estudantes realizaram o mesmo experimento. 8 temperaturas.mol ). O controle da temperatura. mostrando dessa forma a grande reprodutibilidade do experimento. Erros referentes as medidas de tempo podem ser citados. temos: Ea/R = 5946. A determinação do ponto final. uma reação de segunda ordem. 61. foi bastante trabalhoso. é apenas uma aproximação do comportamento real da reação. 7 . Fina. temos que o valor de R é igual à 1. Outra possível fonte de erro mensurável foram vestígios de água de lavagem dos tubos entre cada experimento... segundo o método utilizado. Lambert. uma vez que não tínhamos um banho termostático.8 Da literatura5.

8 . W. Degrève. 279 (1982). Bueno. S. J. Chem. 43. H. 2ª ed. International Critical Tables of Numerical Data. 555 (1966).. Manual de Laboratório de Físico-Química. R. Chem. J... Chemistry and Technology. 59. Logan. 1. 18 (1926). 4. Mc Graw-Hill Book Company. Ed. A. 3.2... L.. Educ. Physics. 139-141 (1978) 5. Shurvel. F.

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