Associação Juinense de Ensino Superior do Vale do Juruena – IES Instituto Superior de Educação do Vale do Juruena Pós-Graduação Lato

Sensu PROFª Ms: IEDA MARIA BRIGHENTI

Curso: EDUCAÇÃO INFANTIL Disciplina: ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO EM EDUCAÇÃO INFANTIL PROFª Ms: IEDA MARIA BRIGHENTI

Av. Integração Jaime Campos n 145 – Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000 www.ajes.edu.br – ajes@ajes.edu.br Todos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático. De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98.

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ORGANIZAÇÃO DO TEMPO E O ESPAÇO NA EDUCAÇÃO INFANTIL Gislei Rondom Para a criança, o espaço é o que sente o que vê o que faz nele. Portanto, o espaço é sombra e escuridão;é grande, enorme ou, pelo contrário Pequeno; é poder correr ou ter que ficar quieto, é esse lugar onde Pode ir olhar ler, pensar. O espaço é em cima, embaixo, é tocar ou não chegar a tocar; é barulho Forte, forte demais ou, pelo contrário, silêncio, são tantas cores, todas Juntas ao mesmo tempo ou uma única cor grande ou nenhuma cor.... O espaço,então,começa quando abrimos os olhos pela manhã em Cada despertar do sono; desde quando, com a luz, retornamos ao espaço. (Fornero, apud Zabalza, 1998, p.231) PASSOS DO ESPAÇO NA TRAJETÓRIA DA EDUCAÇÃO INFANTIL Inicialmente, é importante considerarmos que, no Brasil, a educação infantil percorreu um longo caminho, o qual, em certos momentos, vinculou-se à saúde em seus pressupostos higienistas; em outros, à caridade e ao amparo à pobreza e, em outros ainda, à educação. Nessa trajetória, toda política de educação infantil emanada do poder público se caracterizou, de um lado , por um jogo “de empurra” e, de outro, por uma visão acintosamente assistencialista. Como conseqüência da própria trajetória histórica da educação infantil, diferentes momentos emergiram nas propostas de trabalho desenvolvidas nas instituições de educação infantil no Brasil. A produção científica foi largamente ampliada, e as pesquisas sobre a infância, em suas diferentes dimensões, influenciaram em muito o referencial pedagógico para essa etapa de ensino. Organizar o cotidiano das crianças na Escola Infantil pressupõe pensar que o estabelecimento de uma seqüência básica de atividades diárias é, antes de tudo, o resultado da leitura que fazemos do nosso grupo de crianças, a partir, principalmente, de suas necessidades. É importante que o educador observe o que as crianças brincam como estas brincadeiras se desenvolvem, o que mais gostam de fazer, em que espaço prefere ficar, o que lhes chama mais atenção, em que momentos do dia estão mais tranqüilos ou mais agitados. Este conhecimento é fundamental para que a estruturação espaço-tempo tenha significado. É importante, também considerar o contexto sociocultural no qual insere a proposta pedagógica da instituição, que deverá lhe dar suporte. Falar de espaços, no âmbito educacional, implica resgatar, inicialmente, referências teóricas de autores que contribuem para essa discussão. Pensando em discutir o espaço educacional sob a perspectiva da arquitetura, a contribuição de Nayme Lima (1989) não pode ser desconsiderada, sobretudo no destaque que dá a abordagem histórica do espaço escolar: Sua ênfase recai sobre o modo como o espaço interfere no disciplinamento das crianças e no controle dos movimentos corporais. Suas considerações acerca desse tema nas décadas de 1950 e 1960, resultado de estudos realizados nas escolas públicas de São Paulo, mostram que os espaços escolares não eram muito diferentes dos da França e da Inglaterra do século XIX. Tais espaços impunham ordem e disciplina em detrimento às necessidades das crianças. A própria planta dos prédios escolares previa os espaços como modo de controle da disciplina, com salas de aula organizadas com filas de classes, corredores de circulação estreitos, etc. Nesse sentido, seus estudos evocam os postulados de Foucault. Seguindo nesta direção, seria interessante, antes de tudo, refletir a respeito das idéias Foucoultianas, principalmente no que se refere ao Panóptico de Bentham. Essas idéias explicitam o Panóptico de Bentham como sendo a figura central de uma construção em anel que circundava uma torre. Nela, largas janelas se abriam sobre o lado interno
Av. Integração Jaime Campos n 145 – Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000 www.ajes.edu.br – ajes@ajes.edu.br Todos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático. De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98.

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hospitais e escolas.48) afirma que as construções de diferentes instituições. das classes enfileiradas.br Todos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático. com sua tesoura. pensados principalmente para que todas as atividades girem em torno do adulto. em uma relação de mão única. Dentro dessa estrutura. Refletindo sobre alguns espaços de educação infantil. organizam seus espaços. A própria prática docente desenvolvida em muitas instituições de educação infantil defende o espaço como aliado ao controle dos corpos e dos movimentos considerados importantes no que é entendido como “pré-alfabetização”. Recentemente a mídia divulgou que. e os cantos de castigo desapareceram. No entanto. instalando o controle de cada um. Fischer (1999. em uma localidade dos Estados Unidos. abertura e transparência. Isto caracteriza a implantação do que podemos chamar “panóptico tecnológico”. Na educação infantil. no qual ocultamento e aprisionamento lutam contra visibilidade. isso não significou que tenham. mais especificamente as salas de aula. foram instalados nas escolas sistemas eletrônicos de controle sobre todos os seus espaços. não prevêem espaços para tarefas coletivas e têm dificuldades de orientar seu trabalho para escolhas feitas pelas crianças sem sua constante vigilância e ordenamento. pintando.Associação Juinense de Ensino Superior do Vale do Juruena – IES Instituto Superior de Educação do Vale do Juruena Pós-Graduação Lato Sensu PROFª Ms: IEDA MARIA BRIGHENTI do anel.br – ajes@ajes. o princípio é que o coletivo deve ser evitado.. a simples modificação de tal disposição lhe causa transtornos que o fazem retomar antigas práticas. como prisões e quartéis. os livros (quando existem). a dispersão e o barulho que um grupo de crianças pode fazer. entendendo-o como algo segmentado. Na verdade há uma intencionalidade de quem organiza os espaços. estar desenhando. elimina-se a possibilidade de ações coletivas. a qual também poderia ser aplicada ao espaço escolar. encostados nas paredes.edu. a prateleira Av. de fato. o contágio que podem sofrer os doentes. Em geral. Na maioria das Instituições de educação infantil. Em geral. e ao quadro-negro. o vigia vê a todos. Os estrados foram retirados. Como se percebe. provocando a sensação nos observados de estarem sendo vigiados. porém na realidade. como quartéis. quando o educador organiza a sala de aula fora da rotina das classes enfileiradas. encontramos certa relação com essas idéias quando verificamos de modo geral.ajes. assim como encontramos em outras instituições disciplinares de controle.recortando. o modo de conduzir a prática docente por parte dos professores reflete a existência do estrado. etc. essa organização do espaço de uma sala de aula quadrada ou retangular. inspiravam-se em modelos que evidenciavam a premissa de que o importante era a possibilidade de o vigilante ver a todos sem ser visto. se afirmou a estratégia de se controlar o pensamento das crianças por meio do controle dos movimentos. A maioria das escolas brasileiras ainda oferece um espaço que determina a disciplina. porém. Na realidade os espaços escolares sempre foram organizados para controlar e vigiar a ação infantil. Integração Jaime Campos n 145 – Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000 www. 3 . desenhos e nomes. com suas tintas. feitos individualmente. “sido retirados”. percebemos que sempre existe um “lugar nobre” destinado a mesas e cadeiras. Refere-se ainda a uma tripla função ( produtiva. como a organização de complôs pelos prisioneiros. mesmo sem a concretude disso. Lima (1989) apontou algumas modificações no modo como as escolas. Foucault entende a escola como algo limitado a um espaço fechado. mas eles não se vêem. Por muito tempo. simbólica e disciplinar) do trabalho. A construção periférica era dividida em selas que tinham duas aberturas: uma voltada para o interior e outra para o exterior. impossibilitando sua apropriação dos espaços através de objetos. a violência desencadeada nos loucos. Sobre tal assunto. É importante considerar que tais considerações não refletem apenas a realidade do Brasil e não estão distantes de nossa atualidade.edu. os educadores têm preferências por realizar trabalhos dirigidos. onde as mesas ocupam o lugar central e. o que legitima o fato de estar sentado. De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98. são comuns os arranjos espaciais não permitirem a interação entre as crianças. isso reforça o papel centralizador da professora que se desorganiza ante a possibilidade do “diferente”. cada criança com seu lápis. A dificuldade de alguns educadores em trabalhar “com corpos que se movimentam” é muitas vezes evidente. p. Dessa forma. Sem dúvida. Muitas vezes. na qual a criança é mantida em uma mobilidade artificial.

edu. Podemos inferir que o espaço e tempo não são esquemas abstratos nos quais desemboca a prática escolar. Os ambientes infantis eram decorados com obras de arte. em suas formas. os móveis devem ser flexíveis. Av. bem como o marcos da atividade sensorial e motora. o que. Assim sendo. Podemos resumir sua pedagogia em alguns princípios. cujos estímulos seriam transmitidos por mediação dos adultos e de práticas culturais. de atividade e de independência. Por isso. o que materializa todo um esquema de valores. Os chamados jardins-de-infância deveriam ter diferentes espaços. a percepção e a abstração das formas geométricas.Associação Juinense de Ensino Superior do Vale do Juruena – IES Instituto Superior de Educação do Vale do Juruena Pós-Graduação Lato Sensu PROFª Ms: IEDA MARIA BRIGHENTI de jogos. A grande inovação da época foi o fato de adequar os espaços às necessidades das crianças pequenas. O significado histórico do método Montessori se traduz também. os materiais eram especialmente construídos a fim de desenvolver todos os sentidos e todas as noções espaciais. e que ela pode aprender interagindo com objetos. ela está inserida em uma cultura e a desvela. 4 . Maria Montessori. cadeiras e poltronas de palha ou de madeiras fossem transportadas por elas. Essa qualificação do espaço físico é que transforma em um ambiente. o destaque especial na metodologia montessoriana era o equipamento. Para isso . na qual se destacavam os cuidados físicos e a educação dos sentidos. Baseada nas idéias de liberdade. aquário com peixes e quadro-de-giz compunham o ambiente. Integração Jaime Campos n 145 – Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000 www. em um espaço onde os alunos se movimentassem com liberdade na escolha de tarefas a serem realizadas. os quais refletiam a vida doméstica e foram pontos referenciais da metodologia. o local para dependurar trabalhos e mochilas. Podemos observar. Evidencia-se uma preocupação constante com a organização de um ambiente onde crianças pudessem descentrar da figura do adulto. a arquitetura escolar é por si só. Sob essa ótica. os materiais e o mobiliário. Froebel e Montessori foram os grandes precursores da importância da organização do espaço na metodologia do trabalho com crianças pequenas. a beleza do ambiente e o desafio dos objetos. Ao contrário disso. destacando-se os externos como maiores e mais significativos. Pias com altura acessível aos alunos.edu. o planejamento considera a criança em sua relação com os objetos. os professores parecem ignorar que o ato de brincar/jogar é algo muito sério para a criança. De acordo com Montessori (1948). propondo um arranjo espacial em ambientes muito diferentes dos vividos na época deles por crianças com menos de seis anos.ajes. os brinquedos da “casinha”. Sendo assim. cilindros e cubos. explorando e descobrindo o mundo. Forneiro (1998) afirma que um dos critérios que devem ser considerados quando pensamos em espaços desafiadores e provocadores de interações e aprendizagens na educação infantil é a possibilidade dessa organização espacial ser transformada. o controle passa do educador para o ambiente. estantes com cortinas coloridas. O modelo educativo de Froebel previa uma educação integral e harmônica que terá correspondência em um projeto arquitetônico com espaços abertos e fechados. entre outros aspectos. a observação desses objetos.br Todos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático.br – ajes@ajes. Paralelamente a isso. Nesta proposta destaca-se a importância dos jogos que desenvolvem a capacidade criadora dos alunos. o qual procura integrar princípios de liberdade e harmonia interior com a natureza. aproximava e introduzia a criança no mundo das artes. de certo modo. pela valorização da arte e estética. uma das condições essenciais de sua proposta era permitir as manifestações livres das crianças. deveriam estimular as crianças a agir. como o contato da criança com a natureza. como bolas. os objetos e materiais devem estar diretamente relacionados às situações imprevisíveis que ocorrem ao longo da jornada de trabalho e que não foram necessariamente planejadas. utilizando-se materiais simples. também permitia que mesas. transformando-o em um pano de fundo no qual se inserem emoções. por si só. É no espaço físico que a criança consegue estabelecer relações entre o mundo e as pessoas. desenvolveu uma metodologia para trabalhar com crianças de três a seis anos. Isto é. Já legitimavam um espaço organizado para crianças pequenas. Além de tudo ser adequado ao tamanho da criança. Um dos principais objetivos da metodologia Montessoriana era disciplinar pela atividade e pelo trabalho. De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98. de crenças. arranjos e adornos.

No Brasil. quanto mais aberta e indefinida a estruturação do espaço. existe a possibilidade de as crianças se descentrarem da figura do adulto.34) Os materiais e jogos colocados ao alcance das crianças obedecem à própria temática dos cantos. prateleiras. as tesouras. Entretanto existe um espaço a ser povoado. Os pesquisadores constataram que. os jogos de montar nos tapetes ou nas mesas. o da música. móveis possibilitando à criança visualizar a figura do adulto. Existem os que vão mudando conforme o projeto desenvolvido Pela professora. vem-se acentuando o reconhecimento da importância dos componentes do ambiente sobre o desenvolvimento infantil e. por móveis. Campos de Carvalho.(Horn. Integração Jaime Campos n 145 – Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000 www. as tintas. Rubiano e Silva (1993) também constataram a importância do papel da organização de espaços na prática pedagógica desenvolvida com crianças de o há três anos pelos educadores. sua influência sobre a prática pedagógica nas instituições de educação infantil. de sentirem segurança e confiança ao explorarem o ambiente . Rubiano e RossettiFerreira (1989).Nesse modo de organizar o espaço. De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98. Os diferente cantos das salas de aula são separados por estantes. A organização da rotina se faz. o que permite a atuação do adulto. retrata hábitos e rituais que contam experiências vividas. e a Espanha. Exemplos de recantos registrados durante o tempo Que observava a escola foi: o do carnaval. nas Escolas Municipais de Barcelona. por exemplo. etc. a organização do espaço em cantos temáticos. mas não precisar dele para realizar diferentes atividades. principalmente. porque está data é bastante Festejada em Barcelona.ajes. o que possibilitou mais autonomia por parte das crianças. à higiene. com cores.. conseqüentemente.. com objetos. O registro de uma experiência observada em Barcelona.p. ao sono e às atividades individuais e coletivas Das crianças. onde destacam os diferentes cantos. caracterizados por zonas circunscritas. como conseqüência. de terem oportunidades para contato social e momentos de privacidade. tendo como referência básica a organização das salas de aula Em cantos e recantos. ou de acordo com os Interesses das crianças. o de biblioteca. Os espaços considerados mais bem organizados foram os de organizações semi-abertas. em uma escola infantil. como os de Campos de Carvalho (1989). limitados por estantes baixas. Campos de Carvalho e Rossetti-Ferreira (1993). com sua iluminação. Rubiano e Rossetti-Ferreira (1992). os livros no espaço. o da higiene. as colas. os pincéis nos espaços junto às mesas de trabalho. 1998. os brinquedos na casinha de bonecas. como a Itália.Esses modelos tem sido uma referência mundial para educação infantil.edu. com distribuição de móveis. o da tartaruga porque as crianças trabalhavam em torno deste tema. concluímos que o espaço é algo socialmente construído. com seu arejamento. Ele deve ser definido pelo professor e por seus alunos em uma construção solidária Av.edu. com bastante descontração De sua figura frente aos alunos. Sintetizando o que foi exposto. A organização dos espaços internos das instituições nos denominados “cantos” é hoje uma realidade em muitas escolas de educação infantil em diferentes partes do mundo. para ouvir e contar histórias. a partir dos horários destinaDos à alimentação. maior a concentração de crianças em torno do educador. os lápis. temos Zabalza e Fornero(1998). na Região de Reggio Emilia.Associação Juinense de Ensino Superior do Vale do Juruena – IES Instituto Superior de Educação do Vale do Juruena Pós-Graduação Lato Sensu PROFª Ms: IEDA MARIA BRIGHENTI Atualmente. Na realidade espanhola. refletindo normas sociais e representações culturais que não o tornam neutro e. Rubiano (1990).br Todos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático.br – ajes@ajes. desenvolvendo-se uma proposta pedagógica que visou à descontração da figura do adulto na prática cotidiana. Podemos afirmar que o lugar da sala de aula está organizado com suas paredes. aberturas. Entre os pesquisadores espanhóis que dão suporte teórico a esse modo de organizar o espaço. Ao lado destes. 5 .. Os cantos considerados fixos são O de casa de bonecas. encontramos em quase todas as escolas infantis municipais.. retrata a organização espacial em arranjo semi-aberto. Em alguns países europeus. ou conforme datas comemorativas importantes. recentes estudos sobre organização de espaços. houve uma mudança significativa na forma de conceber os espaços internos.

desde que não haja um número excessivo de crianças ocupando o espaço. Na realidade.br – ajes@ajes. nas relações interpessoais. permitem as crianças se certificarem. A organização do espaço físico. portanto pode ser uma boa solução. Tal idéia contraria a visão de criança ativa. que o educador está por perto e possibilitam que um número reduzido de parceiros se reúna em torno de uma zona estruturadora de atividades. pois carrega em sua configuração. entre outros fatores. ou que andam de trem etc. rotinas e novidades e podem então orientar seus próprios comportamentos. Integração Jaime Campos n 145 – Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000 www. Uma proposta para creche envolveria a organização de variadas atividades. cabendo ao educador controlar para que as crianças participem obedientemente da mesma. espaços. signos e símbolos que o habitam.br Todos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático.Associação Juinense de Ensino Superior do Vale do Juruena – IES Instituto Superior de Educação do Vale do Juruena Pós-Graduação Lato Sensu PROFª Ms: IEDA MARIA BRIGHENTI fundamentada nas preferências das crianças. O que observamos via de regra é que os professores se apoderam dos espaços. é possível depreender que concepção de criança e de educação o educador tem. brincadeiras. dão oportunidade para que as crianças se associem em pequenos grupos e desenvolvam atividades em grande parte sugeridas pelos “cenários” destas zonas de atividades. um canto para guardar carrinhos maiores como em garagem. Entre as conseqüências que isso acarreta. mostrando cultura em que está inserido através de ritos sociais. guarda-chuvas dependurados. posto de gasolina. canto de leitura etc. vendinha. cabeleireira.). No ambiente organizado. sempre repensando significações. etc.edu. sem nenhuma interferência das crianças que habitam o espaço. de colocação e de uso de objetos. Com isso elas têm mais autonomia. como se as crianças não pudessem trabalhar com outros enredos que não esses. motivada. etc. como território e lugar. pelo olhar. Entretanto. de relações interpessoais. possibilitando-as desde pequenas.edu. criadas por divisórias de pouca altura.ajes. fazer uma boa organização do trabalho na creche oferece. Zonas estruturadas ao redor de certos temas como: casinha. De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98. momentos em que retoma ações. como já afirmamos o espaço nunca é neutro. ocasiões para ela explorar e descobrir. excluindo as crianças disso. segurança às crianças. bolsas. figuras da Mônica e Cebolinha. paredes com bichinhos da Disney. sempre em movimento. Tais zonas podem ser um escorregador. Daí que. com diferentes materiais e em espaços físicos determinados para grupos de crianças. encontramos com freqüência. poderíamos citar uma ”infantilização” do processo de aprendizagem. a interagir com ele. Peças simples podem servir para estruturar cantinhos com cenários e enredos mais definidos (por exemplo. “caprichosamente” colados.. decorando-os e organizando-os a partir de uma visão centralizadora da prática pedagógica. Como organizar o espaço? Pesquisas têm demonstrado que áreas semi-abertas. chapéus. Av. grandes caixas onde as crianças podem fazer de conta que se escondem na floresta. compreenderem a forma como as situações sociais que vivem são geralmente organizadas. Por fim. podendo ser “lido” em suas representações. busca-se o equilíbrio entre aquilo que é novo para a criança. A ORGANIZAÇÃO DO TEMPO E DO ESPAÇO DE ATIVIDADES NA CRECHE Planejar atividades. pois percebem regularidades e mudanças. nos projetos a serem trabalhados. e aquilo que é familiar. devemos considerar a riqueza da dinâmica social típica do ser humano. uma casinha de bonecas. o espaço é rico em significados. Por meio da leitura das “paredes e das organizações dos espaços” das salas de aula de instituições de educação infantil. 6 . cabides com várias roupas. capaz de decidir. Na educação infantil. situações enfim disponíveis. Nestas atividades o educador cuidaria de interagir com as crianças e de favorecer a interação entre elas e delas com objetos. e como se elas não pudessem ter vontade própria. que busca agir com o outro. planejar atividades não se refere propriamente à previsão de uma seqüência de atos que serão obrigatoriamente cumpridos.

O pequeno grupo possibilita melhor coordenação das ações das crianças. com diversos objetos como: boné. pinturas. barro. e colocar ao redor dos berços colchões para que as crianças não se machuquem se caírem.edu. Um toco de madeira pintado poderá servir de barquinho. pias com torneiras. o que leva a criação de um enredo único de brincadeira. Não é necessário que todas as crianças estejam presentes. feitas com caixas de geladeira. móbiles baixos. especialmente para os menores de três anos que parecem “se perder” diante do grande número de propostas de ação que costumam surgir no grupo total de crianças de sua turma. Integração Jaime Campos n 145 – Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000 www. Na entrada da creche ou sala pode-se colocar um túnel com ou sem janelas. o que é uma situação confortável. fogãozinho). ou seu José. A criança entrará dentro dele e descobrirá muitas coisas legais. gravetos. eis algumas dicas: Podemos criar uma estrutura que aproveite os cantos do parque. desenhos. Com isso as crianças esperam menos para serem atendidas.br – ajes@ajes. para si.. pode ser convidado a contar às crianças histórias de quando ele trabalhava. Na hora de planejar o espaço. Fazer um cantinho para a estória do livro com banquinhos para elas se sentarem. Nas salas onde as crianças fazem as atividades poderemos colocar espelhos com prateleiras. Apresentaremos alguns exemplos da creche que hoje existe. fazendo-se um ambiente aconchegante para se contar histórias e cantar músicas. Assim pode-se utilizar o espaço fazendo oficina de argila. mais possibilitará a intencionalidade educativa.. mas variando para que não fiquem sempre os mesmos. complementaridade das ações com as da família. Desta forma não há necessidade de o educador atrair a atenção de todas as crianças. O cantinho dos berços pode oferecer momentos de privacidade. Podem-se fazer escadas com degraus baixos. De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98. Deve ter caixa de areia fina. Tocas e cortinas fazem um papel importante na delimitação do espaço.edu. Av. caixas de madeira podem ser penduradas nos muros (servem de bercinho. e um espaço para colocar livros enquanto estiverem brincando no parque. aproveitam este tempo em outras atividades interessantes. Quanto mais colocarmos objetos estimulantes no ambiente. acreditamos poder mudar algumas questões importantes no cotidiano das instituições. com almofadas. Nos muros podem ser feitos desenhos pelas próprias crianças para ficar bem mais alegre o parque. Um homem da comunidade que trabalha em marcenaria pode ser chamado para construir alguns brinquedos de madeira com as crianças. ao mesmo tempo. com bancadas. chapéus. aumentando a troca e aperfeiçoando a linguagem. ou melhor.ajes. criança como sujeito de direitos e que expressa por múltiplas linguagens e diversidade. Com algumas idéias simples. etc. pois nem todos dormem ao mesmo tempo. O parque pode proporcionar à criança um ambiente estimulante se for também planejado. colocar bichinhos nas paredes. brincadeiras de massinha. fantasias. Os educadores podem sair com as crianças para conhecer o espaço fora da creche ou podem trazer pessoas de fora para vir interagir com as crianças na creche. Nos trocadores. que são cuidar e educar de forma indissociável. areia de praia. bombeiro aposentado morador da vizinhança. pinturas.Associação Juinense de Ensino Superior do Vale do Juruena – IES Instituto Superior de Educação do Vale do Juruena Pós-Graduação Lato Sensu PROFª Ms: IEDA MARIA BRIGHENTI As áreas de atividades permitem que cada criança interaja com um pequeno número de companheiros. ampliando o conhecimento destas acerca do mundo. 7 . permitindo que as crianças brinquem com eles. pneus para as crianças se sentarem. deve-se ter como apoio os princípios da Educação Infantil. e os pais podem e devem participar junto com as crianças.br Todos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático.

1989.) Educação infantil: muitos olhares.. OLIVEIRA. Av.O. 11ed. A. Z.ROSSETI-FERREIRA. afeto e amizade Expressar seus sentimentos Uma atenção especial durante seu período de adaptação Desenvolver sua identidade cultural. OLIVEIRA.C.S. M. Vigiar é punir. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: HORN.M. Portanto o imóvel deve apresentar condições adequadas de localização. acesso. Concluindo.MELLO. saneamento e higiene em total conformidade com a legislação.edu. como sujeito ativo da construção do seu conhecimento. 2002. A organização do espaço deve possibilitar as crianças da educação infantil:             Brincadeira Atenção individual Um ambiente aconchegante.br Todos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático.M. segurança.M. De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98.Petrópolis.R.br – ajes@ajes. 2004.edu. racial e religiosa. queremos lembrar que nada adianta o espaço mudar se a atitude do educador não mudar também. RJ : Vozes .Z. Petrópolis. Creches: crianças. como pessoa em processo de desenvolvimento. imaginação e capacidade de expressão Movimentos em espaços amplos Proteção.G.cores. salubridade. FOUCAULT.M. faz de conta & cia. São Paulo: Cortez.ajes. Integração Jaime Campos n 145 – Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000 www. RJ : Vozes. respeitadas as suas necessidades e capacidades. 2001.Associação Juinense de Ensino Superior do Vale do Juruena – IES Instituto Superior de Educação do Vale do Juruena Pós-Graduação Lato Sensu PROFª Ms: IEDA MARIA BRIGHENTI A proposta pedagógica de uma instituição de educação infantil deve estar fundamentada numa concepção de criança como cidadã.sons. 8 .( Org.M.aromas: a organização dos espaços na educação infantil. como sujeito social e histórico marcado pelo meio em que se desenvolve e que também o marca.Porto Alegre : Artmed. Sabores. e que é de fundamental importância o educador planejar pensando na criança e não só em que é mais cômodo para si.. 5ed. Para viabilizar a concretização da proposta é preciso que os espaços sejam projetados de acordo com a mesma a fim de oferecer o desenvolvimento das crianças de zero a seis anos. seguro e estimulante Contato com a natureza Higiene e saúde Alimentação sadia Desenvolver sua curiosidade.

porque não adianta ter um espaço rico que garanta todos os direitos da criança. não necessariamente. se o educador não mudar a sua prática.Associação Juinense de Ensino Superior do Vale do Juruena – IES Instituto Superior de Educação do Vale do Juruena Pós-Graduação Lato Sensu PROFª Ms: IEDA MARIA BRIGHENTI O ESPAÇO QUE TEMOS E O ESPAÇO QUE QUEREMOS NA EDUCAÇÃO INFANTIL Ana Lúcia Majewski Hoje. precisamos excluir ou quebrar com as estruturas das creches base existentes.. com diversos objetos como: boné. oportunidades para o contato social. Nas salas onde as crianças fazem as atividades poderemos colocar espelhos com prateleiras. que são. provocador das diversas formas de expressão: gráfica. permitindo que as crianças brinquem com eles. Av. fazem atividades. acreditamos poder mudar algumas questões importantes no cotidiano das instituições. promover o bem estar. musical.edu. O que temos hoje é a pedagogia escolarizada. privacidade para o crescimento e por fim. Há ainda a precariedade de equipamentos. recursos materiais ou quando os tem. cuidar e educar de forma indissociável. mobílias. geralmente. na grande maioria das creches. Estamos apresentando aqui. -->Tudo tem que ter como referência a criança.br – ajes@ajes. acreditarmos e nos encorajarmos na construção de uma pedagogia para a infância. mas variando para que não fiquem sempre os mesmos. dormem. criança como sujeito de direitos e que se expressa por múltiplas linguagens e diversidade. em uma estrutura objetivada no controle.ajes. motora. e a que queremos é a pedagogia da educação infantil. são orientadas para atender as necessidades dos adultos ou do grupo como um todo. almoçam tudo na mesma sala. pinturas. Na hora de planejar o espaço.edu. Basta termos boa vontade e criatividade e. Como organizar os espaços para proporcionar a vivência plena da infância nas creches Primeiramente. os espaços organizados para uma pedagogia da educação infantil devem ter como objetivo a vivência plena da infância. as crianças brincam. -->E. diremos que o espaço tem que mudar juntamente com a atitude do educador. e promover interação criança-criança. Com algumas idéias simples. Sabemos. 9 . Nos trocadores. portanto. deve-se ter como apoio os princípios da Educação Infantil. móbiles baixos. criançaadulto e criança-objeto. De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98.. Para que isso ocorra é necessário também planejarmos o espaço (ambiente) afim de que se tornem significativos e prazerosos para as crianças. complementaridade das ações com as da família. etc. chapéus. principalmente. na vigilância do adulto e numa concepção de criança incapaz de envolver-se e manter-se na mesma atividade sem a mediação do adulto. alguns exemplos da creche que hoje existe. promover a identidade pessoal. partindo dos princípios da educação infantil. Enfim. -->O projeto do/a educador/a deve estar coerente com a organização do espaço. O espaço deve ainda promover sensação de segurança e confiança. pois o/a bom/o/a educador/a é aquele/a que também planeja o ambiente. que a maioria das creches atendem famílias de baixa renda onde o número de crianças é muito grande para poucos profissionais. colocar bichinhos nas paredes. são usados de forma inadequada pelos/as profissionais. para garantir tudo isso. fantasias. Integração Jaime Campos n 145 – Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000 www.br Todos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático. -->Toda a instituição interna tem que se envolver. Em geral.

com almofadas. Referências Bibliográficas: Av. pinturas. O parque pode proporcionar à criança um ambiente estimulante se for também planejado. pneus para as crianças se sentarem. feitas com caixas de geladeira. fogãozinho).Associação Juinense de Ensino Superior do Vale do Juruena – IES Instituto Superior de Educação do Vale do Juruena Pós-Graduação Lato Sensu PROFª Ms: IEDA MARIA BRIGHENTI O cantinho dos berços.ajes. Tocas e cortinas fazem um papel importante na delimitação do espaço. pode oferecer momentos de privacidade. areia de praia. Fazer um cantinho para a estória do livro com banquinhos para elas se sentarem. desenhos.br – ajes@ajes. e colocar ao redor dos berços colchões para que as crianças não se machuquem se caírem. mais possibilitará a Na entrada da creche ou sala pode-se colocar um túnel com ou sem janelas. eis algumas dicas: Podemos criar uma estrutura que aproveite os cantos do parque. Nos muros podem ser feitos desenhos pelas próprias crianças para ficar bem mais alegre o parque.br Todos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático. Um toco de madeira pintado que servirá de banquinho. Caixas de madeira podem ser penduradas nos muros (servem de bercinho. Pode-se fazer escadas com degraus baixos. brincadeiras de massinha. A criança entrará dentro dele e descobrirá muitas coisas legais. e os pais podem e devem participar junto com as crianças. queremos lembrar novamente que nada adianta o espaço mudar se a atitude do educador não mudar também. Deve ter caixa de areia fina.edu. que a planta idealizada com nossas idéias dará ao leitor uma visão de um aproveitamento de espaço mais adequado. e que é de fundamental importância o educador planejar pensando na criança e não só em que é mais cômodo para si. gravetos. De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98. Quanto mais colocarmos intencionalidade educativa. barro. objetos estimulantes no ambiente. e um espaço para colocar os livros enquanto estiverem brincando no parque. Assim pode-se utilizar o espaço fazendo oficina de argila. fazendo-se um ambiente aconchegante para se contar estórias e cantar músicas. Concluindo. pois nem todos dormem ao mesmo tempo. etc. Essas e outras idéias de mudanças na creche foram elaboradas baseadas em discussões em aula sobre a organização do espaço. Não é necessário que todas as crianças estejam presentes. Integração Jaime Campos n 145 – Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000 www. Acreditamos assim. pias com torneiras. 10 . com bancadas.edu.

tudo funciona bem sem a necessidade de um direcionamento maior do adulto. Jogo.br – ajes@ajes. parque. tais como roda de história. incluindo atividades. 􀂃 Colocar almofadas aconchegantes num canto para ler. Este número é uma sugestão. leitura. responsabilizando-se por suas opções. brincadeira e a Educação. mas também do professor. que aprende a segurar seu impulso de sempre controlar a situação. MUITOS MUNDOS NUMA ÚNICA SALA Adriana Klisys Poderosa ferramenta de trabalho com as crianças pequenas. Dissertação de Mestrado. higiene e alimentação. Ilha de Santa Catarina.edu. Em geral. 5ªed.1993. para fazer uma barraca de feira.As Instituições que experimentam a proposta obtém resultados significativos A proposta de trabalhar em cantos de atividades diversificadas é uma modalidade de organização do espaço e do trabalho que oferece várias possibilidades de atividades ao mesmo tempo. cada professor deve decidir na situação qual é o melhor número. a brinquedos e atividades de expressão plástica. Espaço para autonomia O saudável trânsito da turma pela sala. o da transformação do próprio ambiente e da descoberta de que muitos mundos cabem numa única sala de aula! As possibilidades são variados e mutantes: 􀂃 Virar as mesas ao contrário e enrolar um pano em volta para formar um barco. Integração Jaime Campos n 145 – Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000 www. brinquedo. contando consigo própria e tendo amigos . De toda maneira. Tais momentos são diários e acontecem por um período delimitado. A arrumação da sala em cantos de atividades diversificadas proporciona também um importante aprendizado para as crianças. Quantos cantos? Uma média de cinco a seis crianças por proposta é um bom número.br Todos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático.Associação Juinense de Ensino Superior do Vale do Juruena – IES Instituto Superior de Educação do Vale do Juruena Pós-Graduação Lato Sensu PROFª Ms: IEDA MARIA BRIGHENTI COUTINHO. sendo seguidos e/ou precedidos de outras formas de organização do tempo didático.ajes. UFSC. é um momento privilegiado de exercício da autonomia infantil.e não somente o professor . De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98. A criança aprende a escolher e tomar decisões. S. O trabalho com cantos não constitui apenas um momento de aprendizagem da criança. Petrópolis.edu. Esses cantos consideram a necessidade de acesso. KISHIMOTO. São Paulo. Av. proporcionado por esta modalidade de organização.RJ: Vozes. entre 40 e 60 minutos. o professor não deixa de garantir seu papel de coordenador do grupo. a criança e educação.como parceiros de troca. As crianças no interior da creche: A educação e o cuidado nos momentos de sono. apesar de antiga em outros países. Tizuko Mochida. Cortez. lanche. 􀂃 Delimitar um pedaço de chão com caixotes para fazer uma pista para arremessar bolinha de gude sem deixar que se espalhem pela sala. 3ªed. sendo assim uma sala de 30 crianças poderá ter de cinco a seis cantos com propostas diferentes. 11 . na medida em que escolhe a forma de constituir o espaço e propõe desafios ao grupo. _________________. 􀂃 Empilhar uma mesa virada ao contrário sobre outra e passar um barbante circundando os pés da mesa virados para cima. a organização de cantos de atividades diversificadas ainda não é uma prática usual no Brasil. Jogos Infantis: o jogo. por exemplo. Fevereiro de 2002. O interessante deste modelo de organização é a simultaneidade de propostas. de modo que as crianças possam escolher onde estar e o que fazer. e também projetos e seqüências que possuem objetivos específicos de aprendizagem. 1999. Ângela M. Os rumos do aprendizado ficam mais nas mãos das crianças.

na sua possibilidade de pensar e agir. De olho no relógio O tempo de permanência das crianças nos cantos está ligado à grade de horários da escola. por sua vez. Segundo: precisamos desmistificar a cisão brincar/aprender. a não subestimar as capacidades infantis.A.. De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98. sem integração com os demais grupos de diferentes idades.br Todos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático. em duplas. O CEI da Mina experimentou esta forma de organização e avalia o aprendizado nestas situações como muito positivo e instigante. mesmo porque há tantas outras atividades necessárias no dia a dia. Em algumas instituições educativas. pais pedreiros. Observar constantemente o interesse das crianças é necessário para replanejar propostas e não cair numa rotina acomodada sem desafios. No Canto do Faz-de-Conta. Em algumas escolas. Integração Jaime Campos n 145 – Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000 www. Deve ser um tempo que permita a exploração e dedicação em algumas atividades. individuais. Tudo Av. são feitos um ou dois grandes cantos em cada sala. 12 . os cantos contemplam um maior número de crianças. os pequenos precisam experimentar diferentes propostas: momentos mais coletivos. Nos outros dias da semana. com propostas mais dirigidas) com outros nos quais crianças e professor compartilhem as ações. Se o canto da massinha. É sempre bom terminar uma atividade com gosto de “quero mais” para o dia seguinte.V. Ter uma constância de propostas que vão sendo incrementadas ao longo dos dias ajuda as crianças a aprenderem a aprofundar seus conhecimentos. expor as fotos em um painel com legendas. É importante que o coordenador e o diretor se engajem neste trabalho tanto para levar sua equipe de educadores a pensar propostas desafiantes. Afinal. como produto? É preciso. com base no Referencial Nacional Curricular de Educação Infantil. Há que se trabalhar momentos de planejamento com a equipe para que todos educadores percebam a potencialidade e a condição das crianças em se apropriar do espaço da sala e aprender a compartilhar momentos de convivência sem ter unicamente no adulto a condução das ações. fotografá-las nestas atividades. por exemplo..edu. professores acham que podem substituir um espaço diário desta proposta por um único dia da semana inteiro com cantos ou ainda utilizando mais tempo em apenas dois dias da semana. Os professores deixam as crianças circularem entre as salas. considerar tanto o processo. quanto à natureza de conhecimento que os objetos e as interações proporcionam. Aqui há dois aspectos a serem contemplados. tanto no que diz respeito à natureza lúdica das propostas. em pequenos grupos. precisa também cuidar de informar aos pais e à comunidade o porquê de suas ações educativas. com embalagens. podem ajudar a pensar formas de representar sua profissão na escola. Aprendem.ajes. É melhor a constância da proposta e em menor tempo. uma vez por semana. Neste caso. já está dado o limite de crianças na área. por que não os dois? Por que não integrar aspectos formais e informais na escola. deve-se propor uma mesa grande com espaço para 8 a 10 crianças durante um determinado período. 3 para não oferecer perigo. sacolas plásticas. caixas de papelão que servem como carrinhos de supermercado. Primeiro: se o professor realmente acredita na proposta. Gravar em vídeo momentos de cantos ressaltando a autonomia das crianças. escrever textos informativos são excelentes formas de incluir os pais no projeto educativo da escola. inclusive em campanhas para ajudar na montagem dos cantos. é muito procurado. sobretudo.Associação Juinense de Ensino Superior do Vale do Juruena – IES Instituto Superior de Educação do Vale do Juruena Pós-Graduação Lato Sensu PROFª Ms: IEDA MARIA BRIGHENTI Num canto com apenas um jogo para quatro jogadores. havendo integração entre as crianças de diferentes idades.br – ajes@ajes. Por exemplo: um canto bem montado de supermercado. como para incluir os pais.edu. na medida certa do interesse da criança. caixas registradoras e leitores ópticos improvisados com sucatas. por serem amplos. Ou se brinca ou se aprende.lembrar que o brincar perpassa tanto o conhecimento de mundo quanto à formação pessoal e social. as ambientações ocorrem nas próprias salas. Os professores aprendem a confiar mais na organização das crianças. Baldes e muitas caixas de leite envolvidas com jornal para que fiquem rijas. pá de pedreiro encapada com E. Vale intercalar momentos nos quais a condução da sala é realizada pelo professor (quando há uma intencionalidade específica do ensino e aprendizagem. Trena. “O que vão dizer” Este questionamento é comum quando professores começam a trabalhar com cantos.

Associação Juinense de Ensino Superior do Vale do Juruena – IES Instituto Superior de Educação do Vale do Juruena Pós-Graduação Lato Sensu PROFª Ms: IEDA MARIA BRIGHENTI isso pode formar um kit para brincar de pedreiro. empilhadas. concebendo-o como parte integrante do currículo. é claro.br O Copolímero de Etileno-Acetato de Vinila (EVA) é comercializado em formato de placas macias e sem cheiro e não é um material tóxico. tecido. mas quando souberam que a instituição passava também por dificuldades. é o adulto que dá o norte para esta organização.artesanatos variados e também na indústria de calçados. Quem vê hoje os cantos convidativos desta instituição não pode imaginar como era antes. Também vale introduzir novos cantos e incrementar ainda mais os já existentes. uma simples toalha em cima da mesa já tira o ar de carteira escolar. são necessárias propostas e idéias para compor os cantos. E por que não usar mais o chão: pistas de carrinhos. Integração Jaime Campos n 145 – Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000 www. por exemplo. Av.mec. Todos ajudam nesta tarefa! Uma forma de intervenção educativa é pensar na modificação do ambiente. sabendo incluí-las cada vez mais na organização do ambiente. mas deve incluir gradativamente as crianças neste aprendizado. Convidar opai em questão para falar de seu trabalho pode inclusive incrementar o faz-de-conta. Se há um jogo novo que todos querem jogar. quem sabe estipular uma partida por grupo? Nada que uma boa conversa não resolva. A educadora Maria do Socorro Feitosa. cria-se um contexto interessante para as crianças poderem usar estes instrumentos que foram inventados para a medição.Quando se oferecem trenas e fita métricas num canto de faz-de-conta de marcenaria. O RCNEI é um documento que se constitui a partir das concepções de criança. Lembrar que a disposição das carteiras. usando para isso tocos de madeira. Numa casinha de faz-de-conta. revistas sugerindo a decoração da mobília ou fazer nova casa de bonecas. Por ser material leve e de fácil manuseio vem sendo utilizado na fabricação de brinquedos.br Todos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático. Sabendo disso de antemão. infância e educação.ajes. pois certamente a procura pela novidade será intensa. Volumes disponíveis no site: www. é evidente que terá uma grande procura por este espaço. Educador atuante Aprender a gerir o espaço. campanhas para arrecadação de material. deve ser mudada: arrastadas. saber cuidar dos materiais de uso coletivo é um desafio para as crianças. A diretora e a coordenadora do CEI da Mina assumem que consideravam não ter condições financeiras para oferecer às crianças propostas instigantes nos cantos. e oferece diretrizes curriculares a todos que atuam na área de Educação Infantil. esteiras ou almofadas para leitura? Sobretudo deve-se olhar para que direção vai a brincadeira das crianças e o interesse nas atividades. contar com uma formação continuada dos educadoresque apóia soluções criativas para ampliar as possibilidades de trabalho com as crianças.edu. se um professor leva pela primeira vez uma casinha de bonecas de papelão com cinco bonecas tipo manequim. Hoje. De qualquer forma. sobretudo. montar e desmontar os cantos.edu. o que compreende. De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98. oficina de construção de brinquedos e jogos e.gov. construção. mesas cobertas com tecidos viram cabanas ou divisórias de ambientes e assim por diante. Lembram de quando tiveram formação com a equipe do Instituto Avisa Lá e assistiram ao vídeo “Prá que Canto eu Vou?”. causando disputas. se animaram. rodas de conversa prévias e posteriores à organização dos cantos ajudam as crianças a irem construindo autonomia no uso do espaço coletivo. sempre com informações culturais. Novas saídas foram encontradas: idas a sebos para adquirir livros mais em conta. cola. O professor precisa tomar cuidado para não escolarizar as propostas na configuração do ambiente. do CEI da Mina. Saídas criativas Mais do que material. Observar e registrar estes momentos de cantos diversificados. 13 . bem como construir portfolios com as diferentes propostas que dão certo no dia-a-dia educativo ajudam a construir um olhar mais apurado para as necessidades das crianças. nos ensina o que podemos fazer com caixas de papelão. por exemplo. quando acontece uma “superlotação” num dos cantos é preciso fazer combinados e ver uma forma de rodízio das crianças. que trazia ricas situações de atividadesorganizados com diferentes materiais. Comentaram que achavam que a creche do filme devia ser muito rica. Assim. Nesse sentido. Rosangela e Ana riem desta observação ao verem quanto estão modificando os espaços das salas.fazendo-as participar. No início. propor no canto Faça Você Mesmo a construção de mobília para a casinha de bonecas. pode propor atividades que sejam instigantes: quem sabe numa das mesas deixar massinha com novos apetrechos.br – ajes@ajes.

􀂃 Cantos de Expressão Plástica: modelagem. dados.edu. paisagens. pizzaria. A equipe do CEI da Mina arrumou cantos de leitura com banquetas especiais feitas com caixas de papelão cheias de jornal. veterinário.ajes. No Canto do Faz-de-Conta. marcenaria. fazer massinha caseira. De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98. esta delimitação é particularmente importante para que haja a possibilidade de aprofundamento na brincadeira com espaços que também tragam informações culturais. onde decidimos se amamos nossas crianças o bastante para não expulsálas de nosso mundo e abandoná-las a seus próprios recursos. No CEI da Mina. ao pensarmos a educação que pretendemos oferecer para as crianças que irão viver em nosso país nos próximos anos. além de pedagógico. esteiras.Associação Juinense de Ensino Superior do Vale do Juruena – IES Instituto Superior de Educação do Vale do Juruena Pós-Graduação Lato Sensu PROFª Ms: IEDA MARIA BRIGHENTI Outra dica importante é a delimitação dos espaços para que os materiais não fiquem dispersos ou espalhados. a necessidadede planejar bem os espaços. tais como: cenários para dinossauros. 􀂃 Canto Faça Você Mesmo: aqui o que está em jogo é a construção dos brinquedos: fazer teatro de sombra e personagens para brincar. onde não haja interrupção ou muita circulação. pintura. Um simples pano no chão para colocar os livros permite o Vídeo produzido por Instituto Avisa lá/ IBM – Adriana Klisys e Elza Corsi. recorte e colagem. há caixas para as crianças guardarem os materiais. aviãozinho. 􀂃 Canto da Curiosidade Científica: pode ser recheado com matérias instigantes sobre assuntos de natureza e sociedade que estão sendo estudadas ou então que digam respeito à curiosidade infantil. também. jogo da velha na lousa ou qualquer outro jogo gráfico etc. podemos constatar que a escrita de um projeto educacional. Um faz-de-conta organizado no centro da sala ou próximo à porta de entrada tende a se desorganizar facilmente. preparando-as em vez disso com antecedência para a tarefa de renovar um mundo comum. pega-varetas. porém.br Todos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático. Mil cantos No CEI da Mina. iô-iô. pequeno engenheiro ou retalhos de madeira. super trunfo (jogo da Grow). jogos de construção tipo monta-tudo.impressão com carimbos. por exemplo. e tampouco arrancar de suas mãos a oportunidade de empreender alguma coisa nova e imprevista para nós.edu. 14 . carreto. pião. boneca de papel. sorveteria. globo terrestre. casinhas para bonecas miniaturas. ambientes para super heróis. gibis. revistas de viagens. pistas para carrinhos etc. inventar novas formas de brincar de cama-de-gato etc. tapetes. 􀂃 Canto de Leitura: deixar à disposição livros de literatura. cuidado com os mesmos e ainda possibilita que as crianças possam se esticar em almofadas. bolinha de gude. temos um certo receio da palavra política. Integração Jaime Campos n 145 – Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000 www. 􀂃Cantos de Faz-de-Conta: casinha. uso de diferentes maquetes. os professores planejam diferentes cantos no decorrer da semana.lavanderia. etc. é também uma decisão profundamente política. desenho. baralho. confeccionar pipa.br – ajes@ajes.” Hannah Arendt Av. Por isso. fazendinha. escritório. algumas propostas já desenvolvidas: 􀂃 Cantos de Jogos: trilhas. A seguir. encapadas e decoradas para servirem de uma espécie de sala de estar de leitura. Fichário com coleções de cartões postais de diferentes países e regiões brasileiras. jornais. apreciação de livros e imagens de artes. lupas e outros materiais de pesquisapodem estar à disposição nestes momentos. Não é à toa que chamamos de cantos e não centros: devem ser espaços mais reservados. livros sobre animais. PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO PARA A EDUCAÇÃO INFANTIL Maria Carmem Silveira Barbosa Por que projeto político-pedagógico? Muitas vezes. nave espacial. “A educação é. revistas. guias turísticos. cinco marias. caixas de imagens etc. navio pirata.

ser capaz de pensar no lugar e na posição do outro. do bairro. Integração Jaime Campos n 145 – Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000 www. funcionários. Neste texto. isto é. os seres humanos. Conhecemos. docentes. como segundo item. avós. credos. ao elaborarem uma Proposta Pedagógica. A política surge a partir da constatação de que os seres humanos são dependentes entre si. gênero. criando e gestando um novo contexto. mas sim da argumentação. a LDB e as normas dos Sistemas Estaduais ou Municipais. “O campo da política é o do diálogo no plural que surge no espaço da palavra e da ação – o mundo público – cuja existência permite o aparecimento da liberdade. não sobrevivemos sem a existência de outros seres que nos cuidem. De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98. 15 . também. que se relacionam e. na qual se analisa a situação de empregabilidade. como será acompanhada e avaliada.edu. assim. lendo os dados estatísticos do perfil do bairro. acreditamos que a construção do seu projeto educativo deve emergir da discussão entre todos aqueles que estão envolvidos em sua composição: administradores. quem elaborou. pois ela é um produto da ação/diálogo dos seres humanos no espaço coletivo.br Todos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático. a Declaração dos Direitos das Crianças (ONU). na qual são apresentados os objetivos do documento. A nossa Lei de Diretrizes e Bases (LDB n. As portas da escola precisam estar abertas para criar um campo de discussão dos diferentes pontos de vista.edu. somos seres sociais. Geralmente. precisam formular possibilidades de convivência. o nível de escolarização dos adultos e jovens e as aspirações educativas da comunidade. o Estatuto da Criança e do Adolescente. porém compartilhamos o mesmo mundo. sua estrutura.” Hannah Arendt Construir um Projeto Político-Pedagógico de uma escola é poder exercitar a política. em seu artigo 12. Nossa condição humana nos faz diferentes em termos de etnias. argumentar. eduquem e auxiliem a crescer. Estes dados brutos. pais.br – ajes@ajes. através não da coerção. 9. levantamos alguns aspectos que consideramos essenciais para serem discutidos na proposta final do texto. confrontar. por quanto tempo será prevista a sua ação. Como se constrói um Projeto Político-Pedagógico (PPP)? Um PPP pode ser construído de diferentes modos e cada instituição deve ter a liberdade para criar um documento que represente realmente o pensamento da escola.394/96) define. estar de acordo com aquelas do seu sistema de ensino. Discutir. A construção de um Projeto Político-Pedagógico pode fazer avançar e instalar um novo modo de viver a experiência educativa da instituição. precisam ser interpretados e é também neste Av. por serem diversos. idades. na qual se faz uma apresentação das características gerais da comunidade. Temos muitos modos de realizar este trabalho: trazendo pessoas da comunidade para informar. Isto é.Associação Juinense de Ensino Superior do Vale do Juruena – IES Instituto Superior de Educação do Vale do Juruena Pós-Graduação Lato Sensu PROFª Ms: IEDA MARIA BRIGHENTI Nós. decidir são ações que exercitam a criatividade e a tolerância de todos e que colocam as idéias e a vida em movimento. das diversidades de concepções. levantados empiricamente. Podemos ter. as características de identidade da comunidade escolar. chegar a consensos sobre o que é o mais adequado e importante para a educação das suas crianças. etc. que os estabelecimentos de ensino. A política é a capacidade de conviver com o pensamento plural. os documentos pedagógicos apresentam uma INTRODUÇÃO. organizando pesquisas em que visitamos as famílias e procuramos conhecer um pouco mais da comunidade. entrevistando lideranças. procurando. das famílias residentes.ajes. a CONTEXTUALIZAÇÃO. a proposta não pode ferir as leis maiores como a Constituição Federal. e a política é a capacidade de construção do diálogo com os outros com os quais devemos chegar a um acordo. crianças e a comunidade em geral2 todos precisam ser ouvidos na elaboração do projeto político-pedagógico da escola. etc. Quem constrói esta proposta político-pedagógica? Se considerarmos que a escola é um espaço público1. elaborar. precisam respeitar as leis e normas comuns do país e.

Nesta descrição. recursos materiais. psicologia.ajes. Creio que. o que valorizamos. Também as relações educativas entre as crianças como grupo social. em salas cheias de mesas e cadeiras. equipamentos e material pedagógico. quais os instrumentos de intervenção Av. é fundamental ter uma perspectiva mais abrangente sobre a sociedade e sobre o papel da educação e da escola nesta sociedade. também é preciso mostrar as características de identidade da instituição: quem somos. retirando daí os seus princípios gerais.edu. nossas concepções promovem um tipo de organização do ambiente de trabalho e de interação entre as crianças que. Quanto aos objetivos gerais. é preciso constituir muita clareza conceitual sobre estes dois aspectos para não torná-los extremamente simples. dos seus direitos. Como as instituições de Educação Infantil têm os seus objetivos visivelmente centrados no cuidar e educar3. serem transformados em OBJETIVOS GERAIS da instituição. a organização do trabalho pedagógico do professor. sintéticos e reconhecidos por todos. como ela estabelecerá a relação escola-família (desde a adaptação até a constante comunicação do acompanhamento da criança). Os princípios educacionais podem agora. a Proposta Político-Pedagógica deve informar como será a ORGANIZAÇÃO DA AÇÃO EDUCATIVA. de suas potencialidades humanas. a participação.. brincalhões.br Todos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático. De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98. Agora é preciso situar melhor a instituição descrevendo a ORGANIZAÇÃO DO CENTRO OU ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL. seu papel. que será realizado com crianças muito pequenas (de 4 meses até 6 anos).Associação Juinense de Ensino Superior do Vale do Juruena – IES Instituto Superior de Educação do Vale do Juruena Pós-Graduação Lato Sensu PROFª Ms: IEDA MARIA BRIGHENTI momento que a presença de todos é importante para que não façamos análises estereotipadas da comunidade e de seus valores. pedagogia.. é importante que valores como a igualdade. pais. como será realizado o planejamento: a organização das rotinas. ter claro uma concepção de infância.edu. nem extensos. Agora talvez venha uma das partes mais importantes do PPP. Os princípios não precisam ser muitos. as relações entre as educadoras e as crianças e entre os adultos entre si são temas de importante discussão. Muitas vezes. da programação5 (quais os conhecimentos e saberes que serão privilegiados). Isto é. disciplinares. criativos. qual a nossa história. não podemos construir uma proposta em que as crianças precisem ficar muito tempo em atividades dirigidas. os recursos humanos. que são os PRINCÍPIOS EDUCACIONAIS. onde estamos em nosso processo. formação. etc. neste momento de análise.br – ajes@ajes. Assim. pois ambos são conceitos complexos que. As visões sobre o cuidar e educar e a sua inter-relação irão colaborar na elaboração das perspectivas do projeto político-pedagógico e darão elementos de identidade para a escola. isto é. conseqüentemente. crianças podem também ser alimentados pela filosofia. antropologia. é preciso estar presente tanto a organização pedagógica como a administrativa nos aspectos físicos. de suas identidades pessoais. 16 . discutidos e sintetizados. além de serem discutidos a partir do sentido comum para educadores. sendo operacionalizáveis na ação educativa concreta dos educadores. a solidariedade e a felicidade sempre sejam lembrados. inicialmente. é importante que eles sejam claros. lembrando que estas concepções precisam permear todos os integrantes da instituição. depois de pesquisados. Além das características da comunidade. Integração Jaime Campos n 145 – Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000 www. o importante é que sejam pontos de vista compartilhados por todos e que possam vir a ser operacionalizados no dia-a-dia da educação. Finalmente. podemos contar com técnicos que nos auxiliem a interpretar e compreender a realidade que emerge dos dados e dois campos disciplinares podem nos ser úteis neste momento: a sociologia e a antropologia. Numa sociedade que defende a democracia. terá efeitos na construção dos sujeitos. Se o que pretendemos é formar seres sensíveis. É preciso também afirmar a especificidade do nosso trabalho educativo. Refletir sobre os valores que acreditamos serem fundamentais para as crianças também nos leva a pensar as práticas pedagógicas para a construção social destes sujeitos.

Hannah. ARENDT. agir. da integração escola-comunidade. 17 . O regimento é o documento básico que contém as determinações legais e as linhas norteadoras da organização formal da escola e devendo explicitar como será executada a aplicação do PPP.br – ajes@ajes. do tempo e dos diferentes tipos de brinquedos e materiais. Uma Proposta Político-Pedagógica é um documento de compromisso com as crianças brasileiras e com a sua educação. dos dias letivos. que descrevam quais seriam as noções6 que deveriam ser adquiridas no decorrer de certo tempo de presença na instituição freqüentando por determinado grupo. também vai dispor acerca do calendário escolar.edu. da formação em serviço dos educadores. Hannah. Ele é um documento com características diferenciadas.de . registrar. refletir. seja explicitado como ela será implementada e também como serão realizados seu acompanhamento e sua avaliação. as propostas de relacionamento com a comunidade. muito mais normativas que o PPP.Associação Juinense de Ensino Superior do Vale do Juruena – IES Instituto Superior de Educação do Vale do Juruena Pós-Graduação Lato Sensu PROFª Ms: IEDA MARIA BRIGHENTI pedagógica privilegiados (observar. da forma de organização dos grupos. contribuindo para que o reconhecimento do outro e a constatação das diferenças entre as pessoas sejam valorizadas e aproveitadas para sua própria felicidade. propor). assim. Av. socializarem-se. organização do espaço (do ambiente físico e humano). com os seus efeitos. Integração Jaime Campos n 145 – Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000 www. e outras definições. como será o registro e o acompanhamento das aprendizagens. As crianças sentem necessidade de movimentarem-se. brincarem de faz . da classificação dos alunos. assim a instituição. O Regimento Interno de um centro ou escola de Educação Infantil vai tentar especificar direitos e deveres das crianças e adultos (os professores. deve constantemente estar abrindo o diálogo e a reflexão coletiva sobre o seu PPP. Referências bibliográficas ARENDT. administração e funcionários). São Paulo. De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98. A qualidade destas relações exerce influências no temperamento e na personalidade deste indivíduo. Editora Bertrand Brasil. da freqüência. como espaço público. verificando como a mesma se desdobra na prática. para desenvolver-se. quais as propostas para as atividades de alimentação.br Todos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático. etc. Importância do espaço na Educação Infantil Etiane Carlesso No nascimento existem potencialidades que. mas confrontá-la com a prática. 1999. na tentativa de não sedimentar apenas a experiência vivida. da progressão escolar. O que é política. Rio de Janeiro. da administração das finanças e pessoal. não necessitam somente dos processos orgânicos. criar espaços favoráveis para estas vivências que permitirão o desenvolvimento dessas potencialidades. do modelo de gestão. Isto é. é preciso formular uma proposta de acompanhamento da execução desta proposta. Entre o passado e o futuro. a organização dos grupos de crianças (vertical ou horizontal). desenvolverem suas habilidades e terem noções claras de limites e regras. higiene. Perspectiva. Alguns Sistemas de Ensino estão solicitando que as escolas ou centros de Educação Infantil elaborem Planos de Estudos.conta. Pois nessas interações sociais é que se dá a ampliação dos laços afetivos que as crianças podem estabelecer com outras crianças e com os adultos. da supervisão do trabalho docente. com seus ganhos e perdas e. É preciso que na própria Proposta Político-Pedagógica das instituições. poder estar em constante reflexão e em permanente reconstrução.edu. das funções dos diferentes setores. isto é. E o regimento interno? O regimento interno é um documento escrito na seqüência da elaboração do Projeto PolíticoPedagógico. mas principalmente da relação que a criança estabelece com outras pessoas. Cabe a nós educadores. 2003. descanso.ajes.

do seu conhecimento e da sua felicidade.Associação Juinense de Ensino Superior do Vale do Juruena – IES Instituto Superior de Educação do Vale do Juruena Pós-Graduação Lato Sensu PROFª Ms: IEDA MARIA BRIGHENTI Podemos considerar o espaço da educação infantil como um elemento a mais no processo educativo. percebendo. se expressa com prazer. “A criança ao fazer uso do seu espaço. e não somente um local de trabalho.br Todos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático. Por meio dos sentidos.br – ajes@ajes. É importante ressaltar que a brinquedoteca não é apenas um lugar que tem muitos brinquedos. desenvolvendo o potencial que Deus lhe deu> Talvez tenhamos parado poucas vezes para observar crianças brincando. Quando ela utiliza o espaço melhora o conhecimento de seu corpo. que deveria iluminar os processos educacionais. Sentindo. cultive-se. potencializa o movimento. que vão provocar a construção do conhecimento da criança.(baseada em Tereza Godall e Anna Hospital) Proporcionando a criança um amplo campo de ação. A infância tem que ser respeitada. estaremos desperdiçando as melhores oportunidades de tornar a criança integrada e capaz de ser feliz. Através de vivências lúdicas como na brincadeira e na recreação. Escola. então. desenvolvendo autoconfiança e tornando-se independente. A criança. vamos aprender muito sobre elas. por fazer a mediação entre o indivíduo e sociedade. vai deixando de Av. a criança descobre o mundo e pode ser atraída pelos seus encantos e mistérios. Elas representam o reconhecimento do direito de brincar e a valorização do brinquedo como fonte de desenvolvimento e equilíbrio. As brinquedotecas surgiram para resgatar a infância e proporcionar à criança o acesso ao mundo mágico de brincar. socialize-se ou. que vai desde o conhecimento e a consciência que a criança possa adquirir de seu próprio corpo até a possibilidade que tem de se mover com eficiência e expressar-se através desse corpo. 18 . se relaciona consigo mesma. Criar os espaços modificados e aproveitar os objetos variados e disponíveis no ambiente. explorando seu corpo e o se espaço. as sensações e a interpretação de símbolos. com os colegas. sobre os caminhos que levam o ser humano à construção da sua inteligência. Ao transmitir a cultura. bem como a organização e a reorganização de movimentos e habilidades motoras em geral”. promovendo dessa forma sua autonomia. exercendo o seu direito e seu dever de crescer harmonicamente. das sensações. principalmente. construindo o esquema corporal. permite que a criança humanize-se. pensando. proporcionam novas possibilidades para brincar e ao mesmo tempo desenvolvem as destrezas. mas uma instituição baseada numa proposta educacional voltada para a criatividade e afetividade. São os desafios encontrados na vivência das diferentes experiências. Entende-se que este ser em desenvolvimento precisa expandir-se. a individualidade. o raciocínio da criança.edu. sociedade e vida A escola apresenta-se hoje como uma das mais importantes instituições sociais.ajes. é antes de tudo um recurso. De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98. um parceiro do professor na sua prática educativa. seus limites e possibilidades. numa palavra eduque-se. é preciso que ela interaja com estes espaços para vivê-lo intencionalmente. além de aguçar sua curiosidade em explorar. e se explora. Segundo Forneiro (1998) afirma que um dos critérios que devem ser considerados quando pensamos em espaços desafiadores e provocadores de interações e aprendizagens na educação infantil é a possibilidade dessa organização espacial ser transformada . Brinquedoteca Espaço criado para atender necessidades lúdicas e afetivas A sabedoria. de forma a terem um crescimento sadio. não somente sobre elas mas. As necessidades lúdicas e afetivas da criança tem a mesma importância que as suas necessidades físicas. Portanto não basta a criança estar em espaços modificados de modo a desafiar suas competências. a criança não é um adulto em miniatura. Elas necessitam de espaços para exercerem sua criatividade e manifestarem seus desaprovamentos.com o meio. se não as atendermos. perdeu-se quando desrespeitou a importância desse momento em que a criança brinca com tranqüilidade.edu. pois se sabe que a criança é manipulada por outros e através destes e outros que suas atitudes serão assimiladas e incorporadas pelo resto de suas vidas. Integração Jaime Campos n 145 – Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000 www. de posturas e movimentos a criança poderá compreender e aprender a usar o espaço. mas se o fizermos.

pedras. ou a "cozinha". Av. de nossa sociedade e de nosso cotidiano. Objetos e cores mudam conforme seu próprio arbítrio. porém esta não pode ser considerada a única responsável pela criação da mão de obra submissa e pela reprodução dos valores dominantes. entre outros. Circulam e brincam livremente nas três salas que compõem o Espaço. fazer pão e geléias. pois ela participa deste jogo social. para que as crianças tenham uma vivência do social nas refeições ou em algumas atividades. zelar pelo desenvolvimento da sociedade e. Importa lembrar a adequação que os brinquedos devem ter. como a família.Na idade pré-escolar. O material oferecido é variado e natural: como sementes.edu. Há cavaletes. precisa criar indivíduos capazes de produzir riquezas. costurar. de criar. Integração Jaime Campos n 145 – Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000 www. tarefas da vida e organizacionais como: cozinhar. vivenciando diferentes atitudes e avaliando suas possibilidades como participante de um grupo. De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98. A sala se compõe também de pequenos ambientes como "o quarto das bonecas". Para os maiores. A vida escolar deve estar articulada com a vida social Educação Infantil e o Espaço Bem Viver No jardim da infância tem início um período onde a criança vê o mundo através de forma mágica. ampliando seu campo de atuação.br – ajes@ajes. toquinhos.edu.e oferecido no ambiente capas. Com seus colegas estabelece contatos sociais. são os utensílios necessários.br Todos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático. pois esta ambigüidade ao mesmo tempo nos coloca a necessidade de estarmos presos à realidade social e de sermos críticos e inovadores. É estimulada a dramatização – que para a criança é real. arrumar. para isso. formando os indivíduos necessários à sua manutenção. papel. O ambiente dessas salas é muito importante. experimentando e descobrindo múltiplos materiais. abrangendo outras instituições sociais. panos. Na verdade. É parte dela e por isso. Diante desse desafio. A escola constitui um importante local de troca. desenvolve-se em grande parte. É preciso ter clareza desta ambigüidade da escola no trabalho educacional. Muito do aprendizado para o trabalho acontece no ambiente escolar.O Espaço Bem Viver trabalha somente com 20 crianças por período e conta com duas professoras e uma auxiliar. há mesas grandes. O modo de brincar da criança é influenciado pela imitação e pela fantasia. No brincar a criança tem oportunidade de satisfazer sua curiosidade. saias e outras fantasias. lápis de cera. com relação às diferentes etapas do desenvolvimento infantil. inovar. é tarefa da escola. consertar brinquedos. As crianças não são separadas por idades. cortar. para que possam contribuir positivamente à realização de cada criança. a escola não pode ficar presa ao passado. Na escola podemos aprender que nem todas as pessoas pensam e agem da mesma forma e que essa diferença no modo de pensar e agir deve ser valorizada por todos nós. a "venda".Associação Juinense de Ensino Superior do Vale do Juruena – IES Instituto Superior de Educação do Vale do Juruena Pós-Graduação Lato Sensu PROFª Ms: IEDA MARIA BRIGHENTI imitar os comportamentos adultos para aos poucos apropriar-se dos modelos e valores transmitidos pela escola. lã de carneiro e panos grandes. de obtenção de informações e de aprendizado e investigação. Outra ferramenta importante no Jardim da Infância são os contos de fadas. mas as transformações sociais ocorrem de forma mais ampla. é o espaço no qual podemos adquirir a idéia do tempo histórico e da transformação que a humanidade produziu. É nela que formulamos grande parte das respostas e das perguntas necessárias à compreensão de nossas vidas. os meios de comunicação de massa. No entanto. O conteúdo dos contos sempre se refere às grandes verdades de vida e morte. ao antigo. conchas. aumentando assim sua autonomia e seu pertencimento ao grupo social. mas por atividades. massinha de modelar. sob a simples forma de brinquedo. transformar.ajes. bonecas pouco elaboradas. sementes. a atuação da criança. que possibilitem a imaginação da criança. pregadores e panos para construção de cabanas. a escola como instituição social. lidar com diferentes materiais e texturas etc. estabelece um vínculo ambíguo com a sociedade. bem e mal. 19 . A criança vivencia diariamente os conteúdos dos contos de fadas.A sala para Educação Infantil dispõe do espaço e materiais necessários para dar livre curso à fantasia da criança: pedaços de madeira. bolas variadas. trabalha para ela. inventar. tintas de aquarela.

quando afirma que os professores devem estar em permanente formação. é preciso que os profissionais da Educação Infantil tenham acesso ao conhecimento produzido na área da Educação Infantil e da cultura em geral. celebradas no decorrer do ano. A maneira como é trazida para as crianças no Jardim Waldorf a passagem pelo tempo. .. efetivamente participar da sua concepção. educa o ouvir e desenvolve qualidades como atenção. Mas infelizmente ainda encontramos muitas lacunas no modo como essa educação vem sendo desenvolvida na prática. mais do que “implantar” currículos ou “aplicar” propostas à realidade da creche/pré-escola em que atuam. Isso vai depender da forma como essa criança é estimulada e incentivada. Há o horário para brincar dentro da sala e outro para brincar fora. assim como as atividades semanais tem seu dia certo. As crianças do Jardim da Infância. O Espaço Bem Viver cria um ambiente propício para a formação e não com as informações ou ensino formal. construção e consolidação. artes e comidas. (p. para repensarem suas práticas. nutrição.ajes. Integração Jaime Campos n 145 – Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000 www. o cultivo dos bons hábitos de higiene. danças. água. A Educação Infantil enquanto fase inicial da educação formal tem o poder de despertar na criança o gosto pela leitura. constantemente.As festas das estações. De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98. o principal é a Kântele. escorregadores. balanças. dá forma a sua natural reverência pela natureza e um sentido de continuidade e segurança. xilofone e em alguns casos a própria flauta doce. Afinal.. Nesse sentido é que nos propomos a apresentar algumas sugestões de como podemos explorar essa fase fundamental na formação das crianças. mas sim de listar algumas alternativas que possibilitem o professor dar alguns passos em direção a um ensino de qualidade. Por sua suavidade. As cordas são quase acariciadas. Seu som suave e envolvente leva calma às crianças. Av. a cada dia cresce o número de trabalhos que se propõe a refletir sobre essa fase. Não temos a pretensão de fornecer “receitas”. galinheiro e ovelha. respeito e socialização. pontes. é o ritmo que traz às crianças a maior confiança no mundo exterior. Desses. Algumas idéias. Ela sabe o que vai acontecer e adquire auto confiança Educação Infantil vem se constituindo enquanto espaço de inúmeras discussões. teatros.. pois assim terão a oportunidade de “construir” e “reconstruir” suas práticas pedagógicas. mas todo o tempo e comando de atividades. concentração e veneração. se reconstruírem enquanto cidadãos e atuarem enquanto sujeitos da produção de conhecimento. a importância do desenvolvimento dos sentidos.A música é um importante meio de cultivo da arte para as crianças.Além do canto que povoa não só a parte rítmica.br Todos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático.Associação Juinense de Ensino Superior do Vale do Juruena – IES Instituto Superior de Educação do Vale do Juruena Pós-Graduação Lato Sensu PROFª Ms: IEDA MARIA BRIGHENTI Para os menores. veneração. O pátio do Espaço Bem Viver é muito arborizado com árvores frutíferas. de cinco a seis anos de idade experimentam a Kântele uma vez por semana.edu. Através de canções. E para que possam. já que desde a Educação Infantil podemos auxiliar na formação de cidadãos menos individualistas e mais críticos e participativos na sociedade. As atividades diárias tem horário definido .br – ajes@ajes. histórias.edu. caixas de areia. Busca-se. escrita e matemática entre muitos outros.. usamos alguns instrumentos adequados aos primeiros anos do desenvolvimento: Kantele. muitas tradições são vivenciadas. 20 . A maneira de segurá-lo é através de um gesto envolvente e acolhedor. Para conseguirmos esses objetivos concordamos com Kramer (1994). ajudam as crianças a entrar no ritmo do ano. A criança deve sentir-se como em um prolongamento do lar e não na ante-sala do ensino escolar.19).

meninos ou meninas? Quantas crianças estão ausentes? A sala de Educação Infantil também não pode deixar de ter um calendário. para fazer um trabalho artístico.Associação Juinense de Ensino Superior do Vale do Juruena – IES Instituto Superior de Educação do Vale do Juruena Pós-Graduação Lato Sensu PROFª Ms: IEDA MARIA BRIGHENTI Nesse sentido. Depois de abrir a caixa.edu. O crachá é um importante recurso e deve conter o primeiro nome. para as datas comemorativas. É importante que a criança não comente com os colegas o que viu. despedir. Poderá utilizar palitos de fósforo. O professor deve aproveitar a oportunidade e trabalhar a auto-estima e o valor de cada um na sala de aula. Os trabalhos devem ser expostos para toda escola. Como forma de estimular o valor de cada aluno é importante na Educação Infantil um trabalho com os nomes. Integração Jaime Campos n 145 – Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000 www. raspas de pontas de lápis de cor.edu. entre outros. Ela será entregue ao professor na porta da sala de aula. Cada aluno é convidado a ver o que há na caixa. uma dupla de alunos para serem os ajudantes da sala. pedir licença. Cada criança receberá uma folha com a primeira letra do seu nome. como: cumprimentar. O professor fala o nome de uma criança que deve pegar o seu crachá e colocar na sua frente. Na área livre da escola o professor desenha várias casinhas no chão. Os alunos devem ficar em círculo e de posse com seus crachás. no chão. O professor deve chamar a atenção de todos para os aniversários da turma. o professor relatará sua alegria ao receber aquele presente e instigará os alunos a descobrirem o que há na caixa. Os nomes dessas crianças podem ser fixados em um cartaz próprio para a função. O professor pode explorar várias atividades com o mesmo. desculpar-se.ajes. dias da semana. dizer “por favor”. numerais. Outra forma é colar os crachás no quadro e pedir que cada aluno reconheça o seu e busque-o. Criar com a turma um cartaz de “combinados” através de discussões sobre o que podemos ou não fazer na escola. agradecer. portanto. giz de cera. meses do ano. brocal. Á medida que as crianças se vêem no espelho sentem uma grande alegria. entre elas: crianças organizadas em círculo e os crachás no meio. O mesmo ficará muito feliz ao recebê-la. entre outros. As crianças gostam de serem úteis. cada uma com uma letra. Para explorar a matemática o professor pode contar com a turma diariamente o números de crianças presentes na sala e questionar: Quantos somos hoje? Há mais. no início das atividades. • • • • • • • Av.br – ajes@ajes. De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98. essa fase em que as crianças começam a freqüentar a escola deve ser marcada com muita alegria. A brincadeira continua com o professor mostrando e “cantando” outras letras. 21 . escrito em letra de imprensa maiúscula. o professor pode sortear diariamente. Vejamos algumas sugestões: • O professor enfeita uma caixa de papel e cola um espelho no fundo. O professor mostra e diz uma letra. de modo visível a todos. ser gentil e elogiar quando necessário. As crianças que possuem aquela letra no início do seu nome devem correr e entrar na casinha daquela letra.br Todos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático. O professor pode aproveitar a oportunidade e refletir com as crianças sobre algumas questões de boas maneiras.

chuvoso. propagandas. Av. Em seguida pedir que faça a tentativa de escrita do seu nome. para que os pais leiam para as crianças ou vice-versa. das ilustrações e constrói sua própria história. pedir aos alunos que nomeiem objetos que estão dentro ou fora do círculo. Desenvolver comparações de “menor” ou “maior” com as crianças utilizando sucatas.ajes. rótulo. Integração Jaime Campos n 145 – Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000 www. muitas dessas crianças não tem acesso a livros em casa. Com o uso de fichas que contenham desenhos. afinal. Pode-se também pedir que as crianças relatem o que tem dentro da mochila. entre outros. quem faz aniversário primeiro. nublado. Uma forma é formar fileiras de cinco alunos que imitarão um “trenzinho”. Nesse sentido. cor do cabelo. O primeiro da fila é o maquinista. rótulos. cada um pode contar para turma o que desenhou. É importante que os alunos registrem experiências através de desenhos. • • • • • • • • • • • • • • 22 . plantas. A turma poderá ter também uma “mini-biblioteca”. caixa com letrinhas. que permitirá aos alunos levarem para casa literatura. agendas. Em seguida questionar: Quem está na frente de todos? Quem está atrás de todos? Quem está atrás do maquinista? Para trabalhar conceitos como “dentro” e “fora” o professor pode mediante círculos traçados no chão do pátio. Para explorar a questão de “direita” e “esquerda” o professor pode utilizar o “banho de papel”. No final de cada semana o professor pode pedir que cada aluno escolha um livro para levar para casa. e com esse tipo de trabalho ela poderá perceber que a escrita está em todos os lugares. propagandas. a criatividade e a linguagem oral das crianças.br Todos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático. entre outros.Associação Juinense de Ensino Superior do Vale do Juruena – IES Instituto Superior de Educação do Vale do Juruena Pós-Graduação Lato Sensu PROFª Ms: IEDA MARIA BRIGHENTI • A respeito dos aniversariantes. pessoas. álbuns ilustrados. O professor pode questionar qual é o nome com mais letras. bucha na mão direita. Os fantoches de varas também são uma excelente alternativa. livros. objetos. dicionários. Pedir que as crianças recortem de revistas gravuras de animais. o que as levará a perceber sua posição em relação a tudo que a cerca. De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98. Em seguida pedir que cada um conte uma história sobre a mesma. Em seguida. entre outros. Para desenvolver a imaginação. da lancheira. Com intuito de trabalhar também a questão da observação é importante dialogar com os alunos a questão do tempo. o professor pode pedir que as crianças observem e relatem o aspecto do dia: ensolarado. É importante criar um ambiente alfabetizador. é importante também um cartaz no qual são fixados os nomes das crianças que fazem aniversário no presente mês. entre outros.edu. Pedir que cada aluno recorte de uma revista uma foto que se pareça com ela e cole em uma folha. lavem o joelho esquerdo. professor e alunos podem com o uso de sucatas construírem um teatro de fantoches e seus personagens. O cantinho da Leitura é uma alternativa para que a criança possa escolher o livro que mais lhe interessa. flores e montem uma cena. jornais. O professor pode registrar no quadro uma história contada por um aluno e deixar que ele a ilustre. pois são práticos e divertidos. entre outros. Mesmo que não seja alfabetizada ela já faz a leitura da capa. Com o papel embolado servindo de bucha o professor dirige o banho: esfreguem a orelha direita. revistas em quadrinhos. O professor pode desenvolver em seus alunos noções topológicas através de experiências concretas. formato do rosto. qual contém menos letras. os próprios alunos podem construir um cartaz sobre o tema. Os alunos devem ter a oportunidade de explorar materiais escritos de diversos tipos como: revistas.br – ajes@ajes. Ao colar os trabalhos da turma no mural o professor poderá fazer uma votação da gravura mais parecida com a criança ou levar a classe a comparar as características físicas. Nesse espaço deve haver o maior número possível de portadores de texto: literaturas infantis variadas. jornais.edu.

Enquanto o professor conta uma história elas devem interpretá-la através de movimentos corporais. O professor deve ficar em uma posição destacada para liderar a brincadeira e diz: _ Este é o meu pé. NEGRINE. Currículo de Educação Infantil e a Formação dos Profissionais de Creche e Préescola: questões teóricas e polêmicas. 1994. Editora Lê. Ângela. levar as crianças para o pátio e pedir que fiquem em semicírculo. In: MEC/SEC/COEDI. KRAMER. Artes Médicas. BETTELHEIM. 1997. mas quando utilizadas podem conduzir a resultados fantásticos. materiais de limpeza. 1984.ajes. enquanto o outro fará traçados do seu corpo com giz. a critério dos alunos: alimentos. FRANCO. Integração Jaime Campos n 145 – Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000 www. De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98. Com a sala dividida em grupos. 4ª edição. Brasília-DF.. . Brasília: MEC/SEF. Belo Horizonte. 1994. Por uma política de formação do profissional de Educação Infantil. Construtivismo: Uma ajuda ao professor. eles deverão separar as embalagens de acordo com as semelhanças existentes entre elas. detergentes. Um deles deitará sobre uma folha de papel grande. Através do lúdico as crianças com certeza serão mais alegres. Av.br Todos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático. Referencial Curricular para a Educação Infantil. Pedir as crianças para formarem duplas.br – ajes@ajes. e devem então mostrar o pé.edu. felizes e motivadas. Sonia. Secretaria de Educação Fundamental. 23 . sucos. refrigerantes.edu. Pedir que as crianças fiquem em pé no pátio da escola. 1998. Airton.. entre outros. As crianças deverão estar atentas para seguir o que o professor diz e não ao seu gesto. Bibliografia BRASIL. pedir que os alunos tragam de casa rótulos e partes de embalagens diversas como: biscoitos. bebidas. • • • Algumas considerações Como podemos perceber essas alternativas para a Educação Infantil são simples. O aluno estará inserido em um espaço propício a aprendizagem e aprenderá de forma interessante o que antes era trabalhado de forma mais cansativa. gelatinas. Para trabalhar a questão da atenção. E mostra a cabeça. por exemplo. Os desenhos poderão se utilizados para salientar partes do corpo. Bruno.Associação Juinense de Ensino Superior do Vale do Juruena – IES Instituto Superior de Educação do Vale do Juruena Pós-Graduação Lato Sensu PROFª Ms: IEDA MARIA BRIGHENTI • Para trabalhar noções de conjunto. Psicanálise da Alfabetização. Aprendizagem e desenvolvimento Infantil. Ministério da Educação e do Desporto. Porto Alegre: Prodil.

envia mensagens e. e de que só o professor é responsável pelo desenvolvimento de todas as potencialidades da criança. de liberdade de ir e vir. Todavia é importante esclarecer que essa relação não se constitui de forma linear. propondo desafios cognitivos e motores que a farão avançar no desenvolvimento de suas potencialidades. que possibilita descobertas pessoais num espaço onde será realizado um trabalho individualmente ou em pequenos grupos. p.Associação Juinense de Ensino Superior do Vale do Juruena – IES Instituto Superior de Educação do Vale do Juruena Pós-Graduação Lato Sensu PROFª Ms: IEDA MARIA BRIGHENTI ESPAÇO FÍSICO E SUA RELAÇÃO NO DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM DA CRIANÇA Vera Lucia Costa Hank INTRODUÇÃO Buscando uma perspectiva de sucesso para o desenvolvimento e aprendizagem do educando no contexto da educação infantil o espaço físico torna-se um elemento indispensável a ser observado. A organização deste espaço deve ser pensada tendo como principio oferecer um lugar acolhedor e prazeroso para a criança.br – ajes@ajes. A criança através do meio cultural. mas sim como alguém mais experiente que aprende e permite ao educando aprender de forma mais lúdica possível. vol 1..br Todos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático. De acordo com Oliveira (2000. de partilhas. o espaço infantil deve priorizar remeter a história da criança para o seu contexto e através disto promover a troca de saberes entre as crianças. Reconhecendo que a criança é fortemente marcada pelo meio social em que se desenvolve. O espaço criado para a criança deverá estar organizado de acordo com a faixa etária da criança. Devemos destruir a crença de que a criança só aprende se um professor ensinar. p. os que aprendem. Diferentes ambientes se constituem dentro de um espaço. 24 . isto é. p. As interações que ocorrem dentro dos espaços são de grande influência no desenvolvimento e aprendizagem da criança. enfim. A influência do meio através da interação possibilitada por seus elementos é contínua e penetrante. apesar de todas as relações que ocorrem em todos os níveis sociais. De acordo com Horn (2004. pois a semelhança entre eles não significa que sejam iguais. Gandini (1990. respondem a elas. O conhecimento não se constitui em cópia da realidade. de se divertir aprendendo. As crianças e ou os usuários dos espaços são os verdadeiros protagonistas da sua aprendizagem. um lugar onde as crianças possam brincar.158): O ambiente.. em uma relação de interação total. Integração Jaime Campos n 145 – Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000 www. p. Av.] nessa dimensão o espaço é entendido como algo conjugado ao ambiente e vice-versa. Eles se definem com a relação que as pessoas constroem entre elas e o espaço organizado. De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98. fruto de um intenso trabalho de criação.edu.150) diz que: “o espaço reflete a cultura das pessoas que nele vivem de muitas formas e. revela até mesmo as camadas distintas dessa influência cultural”. criar e recriar suas brincadeiras sentindo-se assim estimuladas e independentes. e que também deixa suas próprias marcas neste meio. com ou sem o conhecimento do educador. na vivência ativa com outras pessoas e objetos. que tem a sua família como o seu principal referencial. da suas interações com o meio seja em um trabalho individual ou coletivo é a verdadeira construtora do seu conhecimento. transformando-o em um pano de fundo no qual se inserem emoções [. 21-22): “as crianças constroem o conhecimento a partir das interações que estabelecem com as outras pessoas e com o meio em que vivem. em um mesmo espaço podemos ter ambientes diferentes. isto é. de prazer. O espaço deve estar povoado de objetos que retratem a cultura e o meio social em que a criança está inserida. mas sim. Segundo o Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil (1998. Os espaços construídos para criança e com a criança devem ser explorados pela mesma. Assim sendo.edu. significação e ressifignificação”. em um exame cuidadoso.ajes. 28): É no espaço físico que a criança consegue estabelecer relações entre o mundo e as pessoas. de individualidades. de aprendizagem. O educador não deve ser visto como figura central do processo de ensino aprendizagem. de troca de saberes entre os pares.

isto é. 56). p... p. 1993. Lima. oportunidades para provar diferentes sabores”. (apud DAVIS e OLIVEIRA. pois só assim o desenvolvimento ocorrerá de forma a possibilitar sua autonomia. 25 . descer e pular. social e motor. desde objetos pessoais como também os brinquedos. seus anseios. o ruído da chuva.] e que os esquemas de assimilação vão se modificando progressivamente. através de várias tentativas.br Todos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático. institucionais ou naturais. A sensação de segurança e confiança é indispensável visto que mexe com o aspecto emocional da criança.edu. quente. considerando os estágios de desenvolvimento”. aromas e flores e de alimentos sendo feitos. Carvalho & Rubiano (2001. David & Weinstein citados por Carvalho e Rubiano (2001. tornar a criança competente é desenvolver nela a autonomia e a independência. Segundo Vygotsky: “o ser humano cresce num ambiente social e a interação com outras pessoas é essencial ao seu desenvolvimento”. bem como as interações entre os pares e o papel do educador nos espaços oferecidos para a criança. privados. Oliveira.Associação Juinense de Ensino Superior do Vale do Juruena – IES Instituto Superior de Educação do Vale do Juruena Pós-Graduação Lato Sensu PROFª Ms: IEDA MARIA BRIGHENTI OBJETIVO Este estudo tem como finalidade discutir a importância do espaço físico no desenvolvimento e aprendizagem da criança. músicas e vozes. os quais discutem a importância da interação entre os pares e da organização dos espaços do brincar. Segundo Piaget citado por Kramer (2000. suas fantasias. macio. segurança e que acima de tudo possibilitem sua socialização com o mundo e com as pessoas que a rodeiam.16): “o espaço é muito importante para a criança pequena. Referencial Curricular para a Educação Infantil e Gandini.ajes.edu. Todo ser humano carrega desde sua concepção conhecimentos e através da interação com o meio vai desenvolvendo estes conhecimentos. áspero. duro. das aprendizagens que ela realizará em seus primeiros anos de vida estão ligadas aos espaços disponíveis e/ou acessíveis a ela”. onde ela sinta o prazer de pertencer a aquele ambiente e se identifique com o mesmo e principalmente um ambiente em que ela possa estabelecer relações entre os pares.109) afirmam que: Av. p. Oliveira. o calor do sol. Oportunizando as crianças de interagirem e em certos momentos que desejarem ficarem sozinhas brincando. Personalizar o ambiente é muito importante para a construção da identidade pessoal da criança. Um ambiente que permite que o educador perceba a maneira como a criança transpõe a sua realidade. Experimentando também diferentes texturas: liso. pois muitas. um ambiente que estimule os sentidos das crianças. Vygotsky já enfatiza a troca de conhecimentos que ocorrem através das interações entre individuo / meio/ individuo. 29): “o desenvolvimento resulta de combinações entre aquilo que o organismo traz e as circunstâncias oferecidas pelo meio [. subir.br – ajes@ajes. Sentindo a brisa do vento. Ao oferecer um ambiente rico e variado se estimulam os sentidos e os sentidos são essenciais no desenvolvimento do ser humano. Segundo Lima (2001. Os espaços devem ser organizados de forma a desafiar a criança nos campos: cognitivo. na Educação Infantil. p. Oportunizando a criança de andar. Piaget considera a interação indivíduo / meio apenas sem considerar as interações entre as crianças e suas diferentes culturas. Z.111) dizem que: “a variação da estimulação deve ser procurada em todos os sentidos: cores e formas. que permitam a elas receber estimulação do ambiente externo. METODOLOGIA Esta pesquisa foi realizada baseada em revisão bibliográfica. de alimentos sendo preparados. Horn. Integração Jaime Campos n 145 – Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000 www. Portanto um ambiente estimulante para a criança é aquele em que ela se sente segura e ao mesmo tempo desafiada. De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98. assim a criança estará aprendendo a controlar o próprio corpo. Espaços estes de direito de todas as crianças sejam eles: públicos. p. O ESPAÇO FÍSICO E SUA RELAÇÃO COM A APRENDIZAGEM DA CRIANÇA Desde que nasce a criança precisa de espaços que ofereçam liberdade de movimentos. como cheiro de flores. sendo considerados os seus principais referenciais teóricos: Vygotsky. bem como sua socialização dentro das suas singularidades. Os ambientes devem ser planejados de forma a satisfazer as necessidades da criança. frio. tudo deverá estar acessível à criança.

edu. Vygotsky citado por Rego (2002. desenvolvimento de competência. o qual encoraje e consolide o desenvolvimento de normas e valores sociais”. se constituindo como individuo e compartilhando significados. ajuda-os a julgar as muitas variáveis presentes nas interações sociais e a ser empático em relação aos outros. Ao brincar a criança expressa seus anseios. quando brinca.70): “o brinquedo sempre fez parte da vida das crianças.br Todos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático. Sendo eles os próprios construtores do seu conhecimento com a mediação de alguém mais experiente. ele exerce uma enorme influência no desenvolvimento infantil”. Portanto não devemos conceber a infância longe do brinquedo visto a importância do mesmo aqui referenciada... investiga e amplia seus conhecimentos sobre si mesma e sobre o mundo que está ao seu redor. sua maneira de como está percebendo o mundo que a cerca e principalmente está vivendo a sua infância. Segundo Horn (2004. Av. enfim de ser ativo em um ambiente seguro. 53) : Brincando (e não só) a criança se relaciona.109): . através da interação com seus pares. imitar. BRINQUEDOS E BRINCADEIRAS: SUA RELAÇÃO COM A APRENDIZAGEM DA CRIANÇA O Brinquedo faz parte da vida da criança independente do nível social ou cultural a que pertence. em situações sociais. Segundo Carvalho & Rubiano (2001.é altamente recomendável que ambientes institucionais ofereçam oportunidade para as crianças desenvolverem sua individualidade. pensamentos e entendimentos coerentes e lógicos. habilidades. adquirir competências. Temos aí então a importância de se oferecer um espaço povoado de objetos disponíveis e acessíveis à criança.ajes. dominar.80): “considera o brinquedo uma importante fonte de promoção de desenvolvimento. Tem também suas necessidades satisfeitas que são: adquirir novos conhecimentos. criança / educador e até mesmo respeitando os momentos em que a criança prefere brincar sozinha. Através da brincadeira podemos saber como as crianças vêem o mundo e como gostariam que fosse. Ajuda no desenvolvimento da confiança em si mesmo e em suas capacidades e. personalizar seu espaço e. Afirma que. é fundamental no seu desenvolvimento. a criança brinca com os alimentos. Portanto ao proporcionar diversos espaços para a criança brincar e agir dentro do espaço. por exemplo as de escolher. sensação de segurança e confiança. De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98. adquirem conhecimentos e transmitem conhecimentos.Associação Juinense de Ensino Superior do Vale do Juruena – IES Instituto Superior de Educação do Vale do Juruena Pós-Graduação Lato Sensu PROFª Ms: IEDA MARIA BRIGHENTI Todos os ambientes construídos para crianças deveriam atender cinco funções relativas ao desenvolvimento infantil. que retrate a identidade da criança e de livre acesso ao mesmo. como. ela cria sua própria brincadeira interagindo com todos que a rodeiam. 71): “o brinquedo satisfaz as necessidades básicas de aprendizagens das crianças. se estará propondo novos desafios que tornarão a criança um agente da sua própria aprendizagem de forma mais lúdica. permitindo-lhes ter seus próprios objetos. As crianças que brincam em diversos ambientes ricos de informações e demonstram interesse por estar ali brincando. expressando a forma como pensam.edu. Até mesmo ao se alimentar. De acordo com Horn (2004. E principalmente de proporcionar o brinquedo em ambientes preparados para que a criança brinque com liberdade de ação e em total interação com outras crianças. Brincar em um ambiente aconchegante. Isso acontece porque. De acordo com Fantin (2000. a criança cria uma situação imaginária que surge a partir do conhecimento que possui do mundo em que os adultos agem e no qual precisa aprender a viver. p. p. pois só assim se respeitará a individualidade da criança. bem como oportunidades para contato social e privacidade. p. p. sempre que possível participar nas decisões sobre a organização do mesmo. oportunidades para crescimento. independentemente de classe social ou cultural em que está inserida”. experimenta. p. Brincar para a criança é principalmente estar presente no ambiente. 1 ESPAÇOS. organizam e entendem esse mundo. Integração Jaime Campos n 145 – Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000 www.br – ajes@ajes. É intrínseco da criança o hábito do brincar. 26 . Reconhecendo-se em um meio e como parte do mesmo. visto que se estará promovendo a interação entre criança / criança. apesar do brinquedo não ser o aspecto predominante da infância. no sentido de promover: identidade pessoal.

assim como suas capacidades sociais e dos recursos afetivos e emocionais que dispõe”.15) “o olhar de um educador atento e sensível a todos os elementos que estão postos em uma sala de aula. O que acontece é que muitas vezes o educador. trocar saberes. segundo Horn (2004.27) : Consciente da importância da ação que realiza. é uma atividade enriquecedora visto que. cuja função é propiciar e garantir um ambiente rico. as trocas de saberes que ocorrerão naturalmente através das diversas linguagens sejam elas:oral. de troca de saberes. o desenvolvimento da criança. Av. onde tanto a criança quanto o adulto vêem somente paredes e espaços vagos é um ambiente sem vida.br Todos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático. Cabe ao educador confiar nas crianças e valorizar o seu agir contribuindo para ampliação das descobertas e não apenas estar ao seu lado permitindo toda e qualquer ação.ajes. registrando suas capacidades de uso das linguagens. p. Segundo Carvalho (2003.edu. proporcionando momentos de interação. 27 . prazeroso. de recíproca. pelos materiais ou contexto em que ocorre. p. O educador deve considerar a brincadeira segundo o Referencial Curricular Para a Educação Infantil (1998. permitindo a criança principalmente viver a sua própria infância. que não propõe desafios cognitivos à criança e não amplia o conhecimento. que deverá intervir quando necessário e também ter uma participação quando perceber o interesse da criança em tê-lo como parceiro nas brincadeiras. o adulto passa a atender os processos da criança com um significado que só pode ser construído tendo como referencial a criança no período de formação em que ela está e não no adulto feito que será. musical retratando a realidade de cada um. 28): “como um meio de poder observar e constituir uma visão dos processos de desenvolvimento das crianças em conjunto e de cada uma em particular. saudável de experiências educativa e social variadas. promovendo interações em grupos para que possam assim: criar. De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98. p. construir e principalmente brincar. O educador também precisa estar atento ao ambiente pois. corporal. A criança ao agir com fantasia é estimulada a usar de criatividade. possibilitando assim. tem a visão de que: proporcionar a criança o brincar é deixá-la fazer o que quer e onde quer. sem considerar a brincadeira como um processo de organização. portanto o meio sozinho não dá conta de desenvolvê-lo e é aí que entra o papel do educador e dos colegas através das relações. A criança desde o nascimento necessita da mediação do outro para se desenvolver. o educador favorece o envolvimento das crianças em brincadeiras entre elas. gestual.154): “ao estruturar e organizar continuamente sua sala. Podemos dizer então que o educador torna-se o mediador entre crianças e os objetos de conhecimento. O modo como organizamos materiais e móveis. acesso à cultura. imaginar. organizando e propiciando espaços e situações de aprendizagens que articulem os recursos e capacidades afetivas. De acordo com Lima (2001. O educador constitui-se portanto. possibilitando mediações de várias naturezas.Associação Juinense de Ensino Superior do Vale do Juruena – IES Instituto Superior de Educação do Vale do Juruena Pós-Graduação Lato Sensu PROFª Ms: IEDA MARIA BRIGHENTI Brincando nos espaços com seus brinquedos e objetos variados e escolhendo o espaço que deseja brincar e com quem deseja brincar. um parceiro mais experiente. visando o meio cultural em que a criança está inserida. usando como parâmetro o seu mundo infantil. Um ambiente carente de recursos. A INTERVENÇÃO DO EDUCADOR O brincar é sempre estruturado pelo ambiente. Ao educador cabe então participar como uma pessoa mais experiente. sociais e cognitivas de cada criança aos seus conhecimentos prévios. vol 1.edu. dessa forma ele fica mais disponível para aquelas crianças que procuram interagir com ele”. sem necessidade de interferência direta. e a forma como as crianças e adultos interagem com eles são reveladores de uma concepção pedagógica”. emocionais. p. Integração Jaime Campos n 145 – Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000 www.br – ajes@ajes. Portanto ao educador cabe planejar os espaços para a criança e com a criança.

Maria Campos de. ed. desenvolvendo suas potencialidades e propondo novas habilidades sejam elas: motoras. CARVALHO. promovendo e construindo espaços adequados para as crianças. 2003. Zilma Morais. cognitivas ou afetivas. Muitas são as propostas apresentadas por vários autores mas que só serão praticadas o dia em que o educador infantil tomar consciência da importância de oferecer espaços ricos de informações na vida das crianças. buscando sempre melhorar a sua prática elaborando sempre novas alternativas de construir o conhecimento de um grupo como um todo. Porque as crianças gostam de áreas fechadas? Espaços circunscritos reduzem as solicitações de atenção do adulto. tendo a mesma como própria construtora de seu conhecimento. São Paulo: Cortez. O educador deve ter a sua proposta voltada para o bem estar da criança. CARVALHO. 2001. Bonagamba. O papel do adulto no espaço é o de um parceiro mais experiente que promove as interações.) Educação Infantil: muitos olhares. Integração Jaime Campos n 145 – Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000 www. 28 .47. In: OLIVEIRA. De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98. São Paulo: Cortez. que planeja e organiza atividades com o objetivo de através das relações dentro do espaço que oferece. Maria Clotilde Rosseti. 1. (org. Maria Campos de. Vol.Associação Juinense de Ensino Superior do Vale do Juruena – IES Instituto Superior de Educação do Vale do Juruena Pós-Graduação Lato Sensu PROFª Ms: IEDA MARIA BRIGHENTI CONSIDERAÇÕES FINAIS A organização dos espaços na educação infantil é fundamental para o desenvolvimento integral da criança. RUBIANO. cap. 1998. As aprendizagens que ocorrem dentro dos espaços disponíveis e ou acessíveis à criança são fundamentais na construção da autonomia. A criança que vive em um ambiente construído para ela e por ela vivência emoções que a farão expressar sua maneira de pensar. facilitando as interações.ajes.edu. Márcia R. 6. Av. ed.br Todos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático. 5.br – ajes@ajes. O conhecimento se constrói a cada momento em que a criança tem a possibilidade de poder explorar os espaços disponíveis a ela. Organização dos Espaços em Instituições Pré-Escolares. In: FERREIRA. passando a reconhecer a importância das trocas que ocorrem nos espaços oferecidos como um fator essencial na vida da criança. Os Fazeres na Educação Infantil. Referencial Curricular Para a Educação Infantil.edu. buscar o desenvolvimento integral de todas as potencialidades da criança. Brasília: MEC/SEI. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. bem como a maneira como vivem e sua relação com o mundo.

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