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O Primeiro Sonho de Dora:
Uma casa estava em chamas. Meu pai encontrava-se de pé ao lado da minha cama e me despertou. Vesti-me rapidamente. Mamãe queria parar e salvar sua caixa de jóias; mas papai disse: ³Recuso-me a deixar que eu e meus dois filhos sejamos queimados por causa de sua caixa de jóias´. Descemos as escadas, e logo que me encontrei fora de casa, despertei (FREUD, 1905, p.61).

Freud, baseado nos relatos de sua paciente, observa que o sonho de Dora ocorrera logo após o acontecimento da cena do lago com Herr K., concluindo assim, que este sonho seria uma reação aquela experiência (p.63). Ainda no relato do sonho de Dora, Freud retoma a sua Obra a Interpretação dos Sonhos, de 1900, e afirma que:
Todo sonho é um desejo que se representa como satisfeito, que a representação atua como um disfarce se o desejo for reprimido, pertencendo ao inconsciente, e que salvo no caso dos sonhos das crianças, somente um desejo inconsciente ou aquele que atinja o inconsciente possui a força necessária para formação de um sonho (FREUD, 1905,p.64).

Assim, Freud ao analisar o relato do sonho de Dor a, verifica que o comportamento da mesma ia muito além do que teria sido apropriado a uma filha ± ela sentia e agia mais como uma esposa ciumenta (p.53). Isto nos remete à teoria do Complexo de Édipo, que no caso da menina, a criança fantasísticamente colo ca-se no lugar da mãe para manter relações sexuais com o pai.

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O Segundo sonho de Dora:
Eu caminhava a esmo por uma cidade desconhecida. As ruas e praças me eram estranhas. Cheguei, então, a uma casa onde eu morava, fui para o meu quarto e lá encontrei uma carta de mamãe. Esta dizia que, como eu saíra de casa sem o conhecimento de meus pais, ela não desejara escrever-me para contar que o pai estava doente. ³Agora ele está morto, e, se você quiser, pode voltar´. Dirigi -me então para estação e indaguei umas cem vezes: ³Onde fica a estação?´ E sempre me respondiam: ³À cinco minutos daqui´. Vi então uma floresta espessa a minha frente, e nela penetrei, lá encontrando um homem a quem fiz a pergunta. Ele respondeu: ³À duas horas e meia daqui´. Ele ofereceu-se para acompanhar-me. Mas recusei e continuei sozinha. Vi a estação à minha frente, mas não conseguia alcança-la. Ao mesmo tempo, tive a mesma sensação de ansiedade que se experimenta nos sonhos quando não se consegue mover. A seguir, estava em casa. Devo ter viajado nesse meio tempo, mas nada me recordo quanto a isso. Entrei no alojamento do porteiro, e perguntei por nosso apartamento. A criada abriu a porta e respondeu que mamãe e os outros já estavam no cemitério (FREUD, 1905, p.91-92).

Neste sonho, Freud enfatiza a questão da morte do pai de Dora, e se remete a carta de despedida que a mesma fez, com o intuito de provocar um susto em seu pai para que o mesmo abandonasse Frau K.. Assim, Freud conclui que a situação que formou o sonho, ser ia na verdade, uma vingança da moça dirigida ao seu pai (p.95). De acordo com Cabas (1982), a identificação opera com a instauração da pulsão de morte, onde a mesma dessexualiza a relação

com o objeto, tendo como fórmula: parecer -se para não acasalar -se (p.202). Fato este, que nos remete a identificação que Dora faz com Sra. K, que conforme Freud (1905) afirma, sua paciente identificava -se com a mulher que seu pai amava, concluindo que a afeição desta moça ao seu genitor, seria mais forte do que ela pensa va ser: ela o amava (p.53).