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UNESC - UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE CURSO: DIREITO (N) Disciplina: SOCIOLOGIA DO DIREITO (Turma 02 ) Professor(a): ISMAEL FRANCISCO DE SOUZA

Acadêmicos(as): Silvia Magagnin Sartor, Antonio Augusto Da Silva Vieira, Guilherme Milioli Buzzanello, Jaqueline Silveira Aguiar, Katleen Simão Emerim, Ramon Colombo Pizzoni.

PROJETO DE PESQUISA- LEI MARIA DA PENHA

Criciúma, 13 de Maio de 2011.

1-TITULO DO PROJETO: Violência doméstica contra a mulher e aplicação da lei Maria da penha na comarca de Araranguá. 2-PROBLEMA Entender quais os motivos que fazem com que as mulheres vitimas de violência domésticas, na comarca de Araranguá, não dêem andamento no processo. 3-JUSTIFICATIVA A cada dois minutos, cinco mulheres apanham no Brasil, segundo pesquisa feita pela Fundação Perseu Abramo, em 25 estados brasileiros. Esses dados já foram piores, há 10 (dez) anos atrás cerca de oito mulheres eram agredidas, essa diminuição se deu ao fato da criação da lei Maria da Penha (lei 11.340/06). ”A lei é uma expressão da crescente consciência do problema da violência contra as mulheres.” Segundo Gustavo Venturi, professor da universidade de São Paulo (USP). Sendo a violência, não um problema privado, mas social, que exige políticas públicas. “Entende-se por violência doméstica e familiar toda a espécie de agressão (ação ou omissão) dirigida contra mulher (vítima certa), num determinado ambiente (doméstico, familiar e de intimidade), baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou material.” (CUNHA, PINTO. Violência doméstica, 2008, p. 39) Segundo Maria Berenice Dias, em seu livro A LEI MARIA DA PENHA NA JUSTIÇA, a organização mundial da saúde, emitiu um relatório onde a maioria das violências domésticas ocorre dentro dos lares, junto à família, sendo o agressor, seu companheiro atual ou anterior. E segundo Berenice, as mulheres agredidas ficam em média convivendo um período superior a 10 anos com os agressores.

segundo as várias legislações. O Código Civil brasileiro de1916. . Baseados nos fatos obtidos em pesquisas. pressão psicológica e por não haver um abrigo adequado. No Brasil. e casamento com o uso das vias formais de litígio. segundo ele a família "é o conjunto de pessoas ligadas pelo vínculo de consangüinidade. No inicio da colonização brasileira. 4. apesar de sua qualidade técnica. seja pela prescrição do prazo para representar ou pelo pedido de arquivamento do caso. é grande o número de mulheres que. até a idéia de família expressa pelo autor Clóvis Beviláqua (1976) é uma definição que poderia ser justificada na época. Dessa forma. as designações para o termo família. que mesmo após a criação da referida lei. para ela e para os filhos ficarem. estavam estreitamente ligadas a consangüinidade. previsto na lei. mesmo sabendo de suas garantias e proteções. vários significados.Mesmo com a criação da referida lei. ainda se calam diante de agressões cometidas por aqueles à quem elas buscaram proteção. convivendo com o agressor. de dominação patriarcal. rural. onde tudo girava em torno da figura paterna máxima e absoluta no conceito de relações. cuja eficácia se entende. que visa à proteção às mulheres. e de épocas para épocas. a família já veio estruturada pela cultura Lusa. ou consangüíneo. ainda é grande o número de mulheres que não denunciam ou desistem de levar o processo adiante. cita família como laço matrimonial. companheirismo e respeito. e autoritária. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA / FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: O tema família tem no âmbito jurídico. foi elaborado ainda sob a influência do individualismo que comungava com o modelo de família patriarcal. Na maioria dos casos por dependerem financeiramente dos maridos. o trabalho vem demonstrar. ora mais larga. Por outras vezes. diferenciando-se de juristas para juristas. acabam voltando para casa. porem isso se transformou com o tempo. ora mais restritamente. e desatualizou conforme demonstra a historia.

teve grandes mudanças em seu caráter de definições familiares.e com um descaso dos órgãos fiscalizadores. Redefiniu o termo família. a violência contra a mulher nunca teve uma legislação que abraçasse todas as idéias que envolviam as causas que lutavam a favor dos direito femininos.Porem. com as revoluções estudantis. ganhou este nome em homenagem à Maria da Penha Maia Fernandes. porem. agora a violência contra a mulher. e até criou o planejamento familiar. com a figura do líder se desvencilhando do patriarcal. e outros fatores.Ainda sim.Ainda caracterizou as entidades familiares. a urbanização das famílias. a instituída pelo casamento.Antes normais. que protege as mulheres contra a violência. mesmo com todos esses avanços. tecnológicas. a partir da metade do século XIX. o caráter patriarcal e dominador masculino ainda prevalece em algumas famílias na atualidade. mudou a lei do divorcio. A constituição de 1988. fizeram com que o termo família fosse mudando de sentidos.340/06. e a dominação masculina sobre as liberdades da mulher se tornou tema de discussão e repudio pela sociedade que com o tempo. os direitos da mulheres sendo adquiridos. Porém. . não fez com que houve-se a extinção da forma clássica do casamento. quais sejam.O termo começou a designar um numero menor de integrantes. Sancionada pelo presidente da República no dia 7 de agosto de 2006. A Lei 11. que por vinte anos lutou para ver seu agressor preso. deixou as responsabilidades e direitos dos cônjuges iguais perante a lei. também evolui de conceitos e deveres para com os da mesma espécie. sensibilizada com o contexto vivido. a lei Maria da Penha foi um marco para essa luta no Brasil. pela união estável e a família mono parental.Muito precárias.Porém. e com as relações matrimonias perdendo o caráter formal e legal de união. instituiu outros tipo de família. Porém as legislações anteriores não obtiveram tanto êxito com relação a esse tema.Criou uma legislação ampla e muito bem fundamentada para cuidar do tema. conhecida como Lei Maria da Penha.

formalizaram uma denúncia à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA). a condenação foi anulada. ou afetiva contra a mulher. Em 1983. em regime fechado. Isso gerou um sentimento de impunidade pela . Marco Antonio tentando acobertar o crime alegou que o tira havia sido disparado por um ladrão. juntamente com a vítima Maria da Penha. Após passar vários dias no hospital. desta vez ela procurou ajuda à sua família. A defesa apelou da sentença e. também. a denúncia só foi apresentada ao Ministério Público Estadual em setembro do ano seguinte e o primeiro julgamento só aconteceu 8 anos após os crimes. o marido de Maria da Penha apenas ficou preso por dois anos. Maria da Penha retornou para casa em uma cadeira de rodas. no ano seguinte. a biofarmacêutica cearense Maria da penha. disparada enquanto dormia pelo seu marido o professor universitário Marco Antonio Herredia Viveros. Em razão deste fato. a principal.apresentou grandes mudanças. A segunda tentativa de homicídio. Órgão Internacional responsável pelo arquivamento de comunicações decorrentes de violação de acordos internacionais. Seu marido a manteve presa dentro de casa. além de inovar no conceito de família. Um novo julgamento foi realizado em 1996 e uma condenação de 10 anos foi-lhe aplicada. paraplégico. sendo condenado a 15 anos de prisão. rompe com a dicotomia público/privado. um aumento da aplicabilidade e rigorosidade nas penas de violência domestica. iniciando-se uma série de agressões. o Centro pela Justiça pelo Direito Internacional (CEJIL) e o Comitê Latino-Americano de Defesa dos Direitos da Mulher (CLADEM). sofreu a primeira tentativa de assassinato advinda de uma arma de fogo. veio ocorrer meses depois quando ele a empurrou em sua cadeira de rodas em direção ao chuveiro tentando eletrocutá-la. advinda de seu marido. Apesar de a investigação ter começado em junho do mesmo ano. como seqüela. Porém.O espaço doméstico que estava destinado exclusivamente à mulher era inatingível. A lei Maria da Penha.

permitia o direito de dispor do corpo. e a polícia sequer podia prender o agressor em flagrante. sendo que a mulher ficará a salvo do agressor e. 5-HIPÓTESES OU PERGUNTAS CIENTÍFICAS: Qual o procedimento realizado na delegacia. A autoridade do marido. assim. Dessa forma.violência doméstica.1-GERAL: . como se o que acontecesse dentro da casa não interessasse a ninguém. Essa autoridade do homem/marido sempre foi respeitada de forma que a Justiça parava na porta do lar. e pela comunidade para amenizar estes casos? 6-OBJETIVOS: 6. e para onde é encaminhado? Quais os procedimentos realizados pelo Ministério Público? Por que na maioria dos casos não há andamento do processo após a manifestação da vítima? Quais são as medidas que podem ser tomadas pelo Estado. e um resgate dos direitos femininos. considera-se que a lei Maria da Penha representou um marco na proteção da instituição família. da saúde e até da vida da sua esposa. poderá denunciar as agressões sem temer que encontrará com o agressor no dia seguinte e poderá sofrer conseqüências ainda piores. após ocorrência da violência? Quais as medidas tomadas após a instauração do B.O(Boletim de ocorrência) do inquérito policial. no moldes da família patriarcal.

6. programas sociais para prevenção. 8-RESULTADOS ESPERADOS: Identificar os problemas ocorridos na comarca de Araranguá. delegado e escrivã da delegacia da comarca. Analisar as relações sociais por trás da violência. porque mesmo com a lei Maria da Penha. Identificar as relações jurídicas responsáveis pela defesa da mulher no contexto pós agressão.Compreender. o número de agressões contra mulheres ainda continua elevado. . O levantamento bibliográfico será realizado na biblioteca da Unesc. controle e defesa da mulher. 7-ESTRATÉGIAS DE AÇÃO/ METODOLOGIA: A pesquisa utiliza o método dedutivo. e o combate desta no seu contexto histórico. A pesquisa de campo envolverá entrevistas com agentes policiais. Será realizado levantamento documental no Ministério Público e delegacia da comarca de Araranguá.2-ESPECÍFICO: Descrever a Lei Maria da Penha e sua contribuição no combate a violência doméstica contra as mulheres. a respeito da violência contra a mulher. Analisar as ações.

em vigor desde 7 de agosto de 2006. É a mais grave forma de ilegalidade ou inconstitucionalidade. a violência acontece quando um individuo viola a liberdade individual de outro. conforme o escalão do princípio atingido. mas todo o sistema de comandos. subversão de seus valores fundamentais. contumélia . A desatenção ao princípio implica ofensa não apenas a um específico mandamento obrigatório. da convenção sobre a eliminação de todas as formas de discriminação contra as mulheres e da convenção interamericana para prevenir. 226 da Constituição Federal. o código penal e a lei de execução penal. explica em seu texto: cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. e dá outras providências. Cita-se Celso Antonio Bandeira de Mello: “Violar um princípio é muito mais grave do que transgredir uma norma. dispõe sobre a criação dos juizados de violência doméstica e familiar contra a mulher.Identificar o motivo de tanta demora em se implantar uma lei realmente eficaz de proteção à mulher. SOBRE OS PRINCÍPIOS VIOLADOS COM A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER A lei Maria da Penha. altera o código de processo penal. nos termos do § 8o do art. punir e erradicar a violência contra a mulher. porque representa ingerência contra todo o sistema. Estudar o porquê de o direito das mulheres ainda não ser respeitado mesmo com uma legislação severa com relação a elas. segundo Beccaria. A violação de princípios e direitos fundamentais fica evidente em qualquer tipo de violência.

mas quando uma coisa está acima de todo o preço e. independente de cor. portanto. de modo que criamos consciência de que a vida e o direito das pessoas têm o mesmo valor. quando alguém esteja cometendo. 451). Auto de Prisão em Flagrante. p. III. e o que tem dignidade: “No reino dos fins tudo tem ou um preço ou uma dignidade. usando de força abusiva em muitos dos casos. não podendo ser substituída. do CPP) . segundo Kant. deve-se respeitar o direito a vida. então tem ela dignidade (KANT.77).” Podemos perceber que a vida da mulher. instaurando-se um APF. ou acabe de cometer algum tipo de infração penal (art. ligando para a polícia militar. AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE Quando o crime de violência domestica é detectado no momento de sua ação. 302. Kant ensina que existe diferença entre o que tem preço. raça ou sexo. 1986. e o direito o bem mais protegido da nossa Constituição Federal. 1994. que reza de que todas as pessoas são iguais perante a Lei. seguindo o Princípio da Isonomia. e IV. Sendo a vida o bem mais precioso. o autor do delito por meio de ação da policia recebe voz de prisão em flagrante.irremissível a seu arcabouço lógico e corrosão de sua estrutura mestra (BANDEIRA DE MELLO. Quando uma coisa tem um preço. pode-se por em vez dela qualquer outra como equivalente. possui dignidade. p. O auto de prisão em flagrante consiste na restrição da liberdade de alguém. de natureza cautelar. sem que aja ordem judicial prévia. evidencia-se a covardia do homem que por sua própria composição física tem uma força desproporcional à da mulher.” Na violência contra a mulher. como também a do homem. não permite equivalente.

junta com possíveis provas. . Em seguida é feito na delegacia. em seguida é encaminhado à policia civil. e para o presídio. e todos os tramites. e envia para o Ministério Público dar entrada nos tramites legais das denúncia. 74) Após o B. relacionando veículos e objetos. a escrivã realiza os procedimentos. testemunhos. feito por especialistas para a valoração das provas. descrevendo pessoas envolvidas. de ordem técnica. ou seja. a fim de que se descubra a autoria. e feito o exame de corpo de delito.Logo em seguida é feita a nota de culpa. registrando horários. o inquérito policial. realiza-se o inquérito policial. por uma escrivã. além de provas. determinados locais. exame de corpo de delito. O Manual de Polícia Judiciária da Polícia Civil do Estado de São Paulo (2000) esclarece que boletim de ocorrência: "é o documento utilizado pelos órgãos da Polícia Civil para o registro da notícia do crime. a materialidade. quem o prendeu. emitido posteriormente para o Ministério Publico. 73) e "presta-se fielmente à descrição do fato. suspeitas. Em seguida são recolhidas provas. São meios técnicos de avaliar as provas. chamam-se os envolvidos para serem ouvidos na delegacia de policia civil.O. testemunho.. identificando partes etc." (p. aqueles fatos que devem ser apurados através do exercício da atividade de Polícia Judiciária" (p. para que este ofereça a denuncia e de entrada no processo. deixando o preso ciente dos motivos pelos quais foi preso. é feito um boletim de ocorrência dos fatos a serem relatados. que consiste em exames realizados para valorar as provas. um instrumento de natureza administrativa que tem por finalidade expor o crime em sua primeira fase. BOLETIM DE OCORRÊNCIA Quando decide-se realizar a denuncia após a ocorrência do delito. circunstâncias do crime.

em conjunto ou separadamente. 22 LMP). entre as quais: a) Aproximação da vítima. fixando limite mínimo de distância. e dada à sentença condenatória. Estas medidas poderão ser aplicadas de imediato ao agressor. c) Freqüentar determinados lugares para preservar a integridade física e psicológica da vítima. seus familiares e testemunhas por qualquer meio de comunicação. • Prestação de alimentos provisionais ou provisórios (art. . • Restrição ou suspensão de visitas aos dependentes menores.A prisão então só ocorre dada os fins nos trâmites legais. domicílio ou local de convivência com a vítima. MEDIDAS DE PROTEÇÃO DE URGÊNCIA SOBRE O AGRESSOR: • Suspensão da posse ou restrição do porte de armas. b) Contato com a vítima. ou absolutória do juiz. ouvida a equipe de atendimento multidisciplinar ou serviço similar. com comunicação ao órgão competente. • Afastamento do lar. seus familiares e testemunhas. • Proibição de determinadas condutas.

Importante: • É obrigatório o acompanhamento de advogado (a) para a mulher em todos os atos processuais. parentesco ou convivência. cíveis e criminais – exceto para pedir medida protetiva (art. 23 LMP). Muitas vezes. 27). com atendimento específico e humanizado (art. sem prejuízo dos direitos relativos a bens. após afastamento do agressor. • Determinar a recondução da vítima e seus dependentes ao domicílio. . A LMP prevê justamente algumas medidas que podem ser requeridas ao JVDFM para a proteção patrimonial. guarda dos filhos e alimentos. • Toda mulher tem direito ao serviço de Defensoria Pública ou Assistência Judiciária Gratuita na polícia e na justiça.MEDIDAS DE PROTEÇÃO DE URGÊNCIA À VÍTIMA: • Encaminhar a vítima e os dependentes até um programa oficial/comunitário de proteção/atendimento. • Determinar o afastamento da vítima do seu lar.340/06) abriu um leque de atuações do Ministério Público podendose mencionar como institucionais. as mulheres não têm como se defender ou se reparar da violência patrimonial sofrida no âmbito das suas relações íntimas de afeto. 28). PROCEDIMENTOS INTERNOS DO MP A lei (11. administrativas e funcionais. • Determinar separação de corpos (art.

sem prejuízo de outras atribuições. nos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher. 8o A política pública que visa coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher far-se-á por meio de um conjunto articulado de ações da União. do Distrito Federal e dos Municípios e de ações não-governamentais. uma diz a respeito de poderes de polícia. Art. que. que servirão para compor as estatísticas de violência contra a mulher. trabalho e habitação. assistência social. 8° da referida lei: Art. ou seja. Essas informações serão encaminhadas ao sistema de dados dos órgãos competentes dos Governos Federal e Estadual. Dentro das atribuições de ordem administrativa. de imediato. quando necessário: II . onde cada um dará sua parcela de contribuição na sua esfera de atuação. 26 c/c 38: Art. as medidas administrativas ou judiciais cabíveis no tocante a quaisquer irregularidades constatadas. públicas ou privadas. como consta no art. dos Estados. 8o A política pública que visa coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher far-se-á por meio de um . inc. e adotar. previsto em seus arts 8°. o Ministério Público deve atuar de forma concomitante aos demais órgãos e entidades. pois cabe ao Ministério Público fiscalizar.A determinação institucional diz respeito à integração operacional. Outra atribuição administrativa diz respeito à realização de cadastros e levantamentos de casos práticos que chegam a promotoria de justiça. saúde. tendo por diretrizes: I .fiscalizar os estabelecimentos públicos e particulares de atendimento à mulher em situação de violência doméstica e familiar. 26. II.a integração operacional do Poder Judiciário. do Ministério Público e da Defensoria Pública com as áreas de segurança pública. educação. Caberá ao Ministério Público. de forma direta ou indireta estejam ligados a proteção da mulher. inspecionar estabelecimentos públicos e particulares de atendimento a mulher em situação de violência domestica.

quando não for parte. As Secretarias de Segurança Pública dos Estados e do Distrito Federal poderão remeter suas informações criminais para a base de dados do Ministério da Justiça. As estatísticas sobre a violência doméstica e familiar contra a mulher serão incluídas nas bases de dados dos órgãos oficiais do Sistema de Justiça e Segurança a fim de subsidiar o sistema nacional de dados e informações relativo às mulheres. I. a intervenção do Ministério Público Art. 26. 26. com a perspectiva de gênero e de raça ou etnia. às conseqüências e à freqüência da violência doméstica e familiar contra a mulher. Art. inc. estatísticas e outras informações relevantes. o agente ministerial tem poderes de requisição de força policial. obrigatoriamente. concernentes às causas.conjunto articulado de ações da União. Art. tendo por diretrizes: II . 25. e a avaliação periódica dos resultados das medidas adotadas. verbis: Art... nos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher. sem prejuízo de outras atribuições. Caberá ao Ministério Público. nos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher. uma vez que a lei determinou que nas causas cíveis e criminais haja. No aspecto funcional. sua atuação é ampla. 38. No plano criminal. do Distrito Federal e dos Municípios e de ações não-governamentais. dos Estados.cadastrar os casos de violência doméstica e familiar contra a mulher. quando necessário: I – requisitar força policial (. para a sistematização de dados. consoante o art. quando necessário: III . sem prejuízo de outras atribuições. Caberá ao Ministério Público. O Ministério Público intervirá. a serem unificados nacionalmente.a promoção de estudos e pesquisas. podendo dirigir-se diretamente à autoridade policial civil ou militar. para a proteção da mulher agredida. quando for necessário.) . 26. nas causas cíveis e criminais decorrentes da violência doméstica e familiar contra a mulher. Parágrafo único.

iniciam-se com o Boletim de Ocorrência perante a Autoridade Policial (delegado).340/06. vejamos: 1º COMUNICAÇÃO DA OCORRÊNCIA . abrangidos pela lei nº 11. ressalta-se que assim como os demais procedimentos criminais. encaminha-se o procedimento ao MP. após serem realizados os procedimentos iniciais na delegacia. 3º ENCAMINHAMENTO AO MINISTÉRIO PÚBLICO. autor do delito. Dito isso. para melhor entendimento sobre o assunto.O. que não necessariamente acarretará num Inquérito Policial.. uma vez que a comunicação do crime não restringe-se a parte ofendida. possibilitando com isso o esclarecimento do ocorrido. tais como: Analise do crime e identificação da ação penal correspondente: . como forma de chegar mais próximo possível da verdade.B. feito pela própria vítima ou policiais ou até mesmo terceiros. testemunhas). sendo que o Promotor de Justiça irá analisar o procedimento e conforme o crime (caso concreto) irá tomar as providências cabíveis. requerer a busca e apreensão de objetos utilizados no crime etc. sendo dever de todo e qualquer cidadão a comunicação de um crime assim que ter conhecimento de sua ocorrência. necessário a divisão em tópicos de alguns procedimentos realizados na prática. os relacionados a violência doméstica. a qual conforme o caso concreto irá analisar e verificar a necessidade de colher depoimentos (da vítima (parte ofendida). 2º ANÁLISE PRELIMINAR DA AUTORIDADE POLICIAL. colher demais provas disponíveis.PROCEDIMENTOS REALIZADOS NA PRÁTICA PELO MINISTÉRIO PÚBLICO Primeiramente.

Então.Ex 1º: a mulher foi ameaçada de morte pelo marido. o qual se procede mediante queixa-crime. antes do recebimento da denúncia e ouvido o Ministério Público . requererá a baixa dos autos á delegacia de polícia para que formalize-se a representação. ao analisar o procedimento. outros tem entendido que necessita-se do termo de representação no inquérito policial.340/06. trata-se de crime de ameaça. a mera comunicação da vítima do delito. o procedimento muda.340/06: Art. art. Portanto. 11. 140 do CP c/c art. 16 LEI 11.340/06: IMPORTANTE: GERA NULIDADE ABSOLUTA A INEXISTÊNCIA DA DESIGNAÇÃO DA AUDIÊNCIA PARA OS FINS DO ART.340/06. 7º da Lei nº. 4º AUDIÊNCIA ART. verificar a inexistência da representação. o MP. pois em se tratando de delito perquirido mediante ação penal pública condicionada a representação. verifica-se que conforme a ação penal correspondente. 7º lei 11. Ex 2º: a mulher foi ofendida por seu marido dos seguintes impropérios: puta. vagabunda. 16 DA LEI 11. que nos casos de violência doméstica segundo o entendimento de alguns operadores jurídicos. 147 do CP. só será admitida a renúncia à representação perante o juiz. faz-se necessário a representação da parte ofendida (vítima). Contudo. subentende-se seu desejo em representar em face do autor do fato. capitulado no art. podendo inclusive solicitar a realização de demais diligências ao delegado. o qual é perquirido mediante representação da vítima. cumulado com o art. em audiência especialmente designada com tal finalidade. Trata-se de crime de injúria. Nas ações penais públicas condicionadas à representação da ofendida de que trata esta Lei. 16.

. como logo após o registro do B.340/03 veda expressamente as medidas impostas pela lei 9. outros. 17 da lei.099/95. de penas de cesta básica ou outras de prestação pecuniária. por inúmeros motivos. que é possível a aplicação de transação penal (art.O.Na prática essa audiência tem sido realizada não somente para a retratação a representação. mas também como uma audiência de conciliação. retratando a representação. fazendo com que seja realizado a referida audiência como forma de prevenir a movimentação jurisdicional desnecessária. É vedada a aplicação. prejudicando a eficácia da lei. cuja pena não ultrapassa 2(dois) anos. bem como a substituição de pena que implique o pagamento isolado de multa. casos em que se trata de crime de menor potencial ofensivo. valendo o princípio da economia processual. contudo há divergências. lesão corporal leve. como por ex: ameaça. seguem o disposto no art.099/95: É importante destacar que a lei 11. tortura física e psicológica. uma vez que dispõe: Art. uma vez que alguns promotores entendem ser inconstitucional a não aplicação de tais benefícios por infringir o princípio da igualdade. uma vez que muitas vezes a vítima devido aos laços familiares existentes com o autor do delito. deixa de dar prosseguimento do feito. condições financeiras. 17. 89 da mesma lei).099/95) ou a suspensão condicional do processo (art. não são aplicados nos casos de Maria da Penha. Então. 5º INAPLICABILIDADE DA lei 9. e assim oferecem e aplicam os referidos. o que ocorre a qualquer momento. 76 da lei 9. a política familiar tem vigorado. problemas de saúde. entre os quais. nos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher. ou mesmo após o oferecimento da denúncia. Assim.

o promotor oferece a denúncia. e o entendimento do promotor de justiça. que faz com que o MP por seu representante (promotor) seja um tanto de psicólogo ao lidar com casos desse porte. mais da metade sofrem . Injúria).340/06). 18 lei 11. é um fenômeno muito delicado. pesquisas apontam que muitas vezes as mulheres recusam-se a utilizar os recursos legais para defender-se do agressor. que na prática não tem tido muito efeito. uma vez que na maioria das vezes as vítimas não dão prosseguimento do processo. Não sendo possível a conciliação ou não havendo a retratação. por suas condições econômicas e psicológicas. visto que trata-se de relação familiar.O ou mesmo após. poderá a própria vítima solicitar (a qualquer momento. MOTIVOS QUE LEVAM AS MULHERES A ESCONDEREM A AGRESSÃO OU RETIRAR A DENÚNCIA. tanto na hora de fazer o B. e havendo elementos suficientes para a deflagração da ação penal correspondente (indícios de autoria e prova da materialidade). ou mediante a requisição do MP. se não for crime mediante queixa-crime (ex. que segue o rito normal dos demais procedimentos. construir isso e sofrer uma ruptura em função da violência é difícil para muitas mulheres. as quais influenciam diretamente. assim que houver a necessidade e fundamentos) ou o juiz de ofício.340/06. No Brasil. Partilhar um projeto de vida com alguém. O fato de muitas mulheres não denunciarem seus agressores. os procedimentos mudam na Lei 11. conclui-se que conforme o caso concreto. MEDIDA PROTETIVA: Caso seja necessário uma ou mais medidas protetivas a vítima e a seus familiares (ex: filhos) nos casos previsto em lei ( art.Assim.

16. e acabam lembrando-se do início do relacionamento onde havia a felicidade. buscam entender e justificar o que o companheiro fez.” Como se vê. as que pensam “ruim com ele. só faz referência à renúncia. pior sem ele”. constrangimento. essa renúncia só pode ocorrer perante juiz.caladas e não pedem ajuda.340/2006 (mulher em ambiência doméstica. Em se tratando de crime que tenha como vítima a mulher de que cuida a Lei 11. não haverá como retirar a queixa perante a Delegacia onde foi feito o Boletim de Ocorrência. embora as coisas estejam mudando e hoje não é mais aceitável que um homem maltrate e/ou bata em uma mulher. “É necessária a manifestação da vítima em se retratar. ou seja. 2010). dependem emocionalmente ou financeiramente do agressor. “foi só daquela vez”. Há aquelas que se omitem em falar por causa dos filhos. O artigo 16 da Lei 11. Nesta nova lei. Para a vítima. familiar ou íntima). ou acreditam que isso é provocado pela bebida.” (Maria Berenice Dias.340/06 prevê: “Nas ações penais públicas condicionadas à representação da ofendida de que trata esta Lei. como nos mostra o art. medo. não cabe ao juiz designar audiência para questionar a vitima sobre o desejo de renunciar a representação. antes do recebimento da denúncia e ouvido o Ministério Público. outras acham que a violência é temporária. ouvido o Ministério Público. é difícil dar um basta naquela situação. muitas são as que querem retirar essa denúncia. Entre vitimas que denunciam. Depois que esta já foi oferecida só cabe retratação. além das que têm medo de serem perseguidas pelo agressor se fizerem a denúncia. Muitas sentem vergonha. é ato unilateral que ocorre antes do oferecimento da representação. que quando bebe o marido se transforma. . em audiência especialmente designada com tal finalidade. A Renúncia significa abdicação do direito de representar. só será admitida a renúncia à representação perante o juiz.

passaram a ser admitidos mesmo após a oferta da denúncia. Essas geralmente não têm conhecimento do que irá acontecer.1984) passaram a ter uma nova leitura. sentirem-se mais seguras e legitimar seu sentimento de injustiça. mas sim na intervenção de uma autoridade.Batista Pinto. nos casos de violência doméstica e familiar. A partir da Lei Maria da Penha.340/06 estabeleceu a obrigatoriedade do país em priorizar a política pública. outras as retiram por falta de alternativa em relação a um novo estilo de vida. os arts 25 do CPP onde diz que “A representação será irretratável. que dependem financeiramente de seus companheiros e por isso. por manter com ele laços afetivos ou relações familiares. voltada para a .” (Redação dada pela Lei nº 7. n. acabam por voltar atrás da decisão de denunciá-los. em geral. depois de oferecida a denúncia” e o 102 CP “A representação será irretratável depois de oferecida a denúncia.” (Sanches Cunha.Já a Retratação é o “ato pelo qual alguém retira a sua concordância para realização de determinado ato. MEDIDAS TOMADAS PELO ESTADO E PELA COMUNIDADE Diante da violência sofrida pela mulher.66. do acesso à informação e da educação que receberam. 90). e quando acabam tendo o conhecimento de que o agressor será punido.7. Outro “problema” é que muitas procuram a delegacia não necessariamente em busca da punição do agressor. 2008) O motivo dessa desistência é que elas acabam não vendo que tal violência é uma violação de seus direitos e denunciam apenas para dar um “susto” no agressor. são mulheres que não trabalham fora de casa. que dependia de sua autorização” (Enciclopédia Saraiva do Direito. não pretendendo que a denúncia resulte na prisão do agressor. econômicas. e isso depende entre outros fatores das suas condições sociais.209. para cessar a violência. A Lei Maria da Penha admite a retratação até o recebimento da denúncia pelo juiz e não até o seu oferecimento como dispõe o CP e o CPP. de tal maneira que a retratação. acabam desistindo. de 11. o legislador ao criar a lei 11.

se possível. Em Santa Catarina segundo o site do planalto. na região da comarca de Araranguá vê-se que há a Delegacia e Postos de Atendimento Especifico pra a mulher (as DEAM). em todo o país existem quase 400 delegacias no ano de 2008. os Estados.340/06). É recomendável que além do treinamento especifico dos atendentes eles. com função de ampará-los. pois transmitem maior segurança as vítimas que procuram as DEAM. foi à criação das casas-abrigos previstas no art. cujas são destinadas ao acolhimento provisório de mulheres em situação de violência e para seus filhos. § 4° (CRFB/88). Violência doméstica: Lei Maria da Penha (11. sejam mulheres. funcionamento e atendimento. Outra medida tomada pelo Estado e pela comunidade para amenizar o fato. concedendo-lhe oportunidades de trabalho e para que a mesma seja capaz de superar seu condicionamento histórico de inferioridade. que iniba que as agressões ocorram. 35. tentando lhe ajudar a melhorar sua qualidade de vida. melhorando sua auto-estima. II (lei 11. E conforme Rogério Sanches Cunha e Ronaldo Batista Pinto. . em 2009 existiam 14 DEAM. Entre os mecanismos criados para a prevenção e o atendimento a mulher. É uma estratégia fundamental. os município e também as organizações nãogovernamentais (ONGs). uma integração em que envolve a União. segundo a secretaria Especial de Políticas para mulheres.340/2006): comentada artigo por artigo. o Distrito Federal. Essa política pública deve ser um conjunto de ações. administrado pelo Ministério da Justiça através da Secretaria de Estado de Direitos Humanos junto com o Conselho Nacional de mulheres e ele delineia parâmetros básicos de estrutura. pois em muitos casos acaba significando para a vítima uma opção temporária de sobrevivência. que fazem parte de uma das diretrizes impostas na lei e consta no artigo 144. encaminhar a mulher para tratamentos. em seu livro. O governo federal disponibiliza recursos.mulher que sofre de violência doméstica.

39. cabe fazer dotações orçamentárias para a implementação das medidas estabelecidas na lei. a qual destina nosso trabalho. . A ambos. não há uma casa de abrigo destinada às mulheres vítimas de violência e seus filhos sendo que o principal motivo para não haver a casa é a falta de motivação da comunidade. façam-se cumprir para que o número de vítimas de violência diminua. segundo o art. comunidade e Estado cabem o papel de ajudar as vítimas e fazer com que os mecanismos estabelecidos. na comarca de Araranguá.Porém. já ao estado.

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