Módulo: Conhecimentos Pedagógicos – SEC/BA 2010

O QUE É EDUCAR A palavra educar deriva da palavra latina educare, que significa "revelar o que está dentro", deixar florescer as habilidades e potencialidades, tornando explícitos os poderes inatos do homem. Faremos, por nossa conta, para fins de um melhor entendimento, uma distinção semântica do termo educação, ficando este como a instrução acadêmica e profissional passada de fora para dentro, ou seja, o conhecimento técnico transmitido pelo educador ao educando, independentemente do método pedagógico adotado. Chamaremos de educare a educação que aflora de dentro para fora, aquela que diz respeito ao ser, e não ao saber. Aquela que legará condutas morais e éticas responsáveis pelo norteamento da vida de cada um. A educação em valores humanos busca a união desses dois importantes conceitos. Educar é estabelecer uma troca com o educando. Educar não é um ato de "doação" de conhecimento, mas um processo que se realiza no contato do homem com o mundo vivenciado, o qual não é estático, mas dinâmico e em transformação contínua. A relação vertical, onde o educador é superior ao educando deve dar lugar à relação dialógica, a qual supõe troca, pois "os homens se educam em comunhão, mediatizados pelo mundo.” Para Paulo Freire, educador já não é aquele que apenas educa, mas o que, enquanto educa, é educado, em diálogo com o educando, que ao ser educado, também educa (...)". O saber construído dessa forma percebe a necessidade de transformar o mundo, porque assim os homens se descobrem como seres históricos. Para Paulo Freire, educar é construir, é libertar o homem do determinismo, passando a reconhecer o papel da História e onde a questão da identidade cultural, tanto em sua dimensão individual, como em relação à classe dos educando, é essencial à prática pedagógica proposta. Sem respeitar a identidade do educando, sem levar em conta as experiências vividas pelo educando antes de chegar à escola, o educador não terá êxito na sua tarefa, e o processo será inoperante, consistirá em meras palavras despidas de significação real. É um "ensinar a pensar certo" como quem "fala com a força do testemunho". É um "ato comunicante, co-participado", de modo algum produto de uma mente "burocratizada". O educador deve incentivar a curiosidade do educando valorizando a sua liberdade e a sua capacidade de aventurar-se. RELAÇÃO EDUCANDO-EDUCADOR A relação educador-educando não deve ser uma relação de imposição, mas sim, uma relação de cooperação, de respeito e de crescimento. O aluno deve ser considerado como um sujeito interativo e ativo no seu processo de construção de conhecimento. Assumindo o educador um papel fundamental nesse processo, como um indivíduo mais experiente. Por essa razão cabe ao professor considerar também, o que o aluno já sabe, sua bagagem cultural e intelectual, para a construção da aprendizagem. O professor e os colegas formam um conjunto de mediadores da cultura que possibilita progressos no desenvolvimento da criança. Nessa perspectiva, não cabe analisar somente a relação professor-aluno, mas também a relação aluno-aluno. Para Vygotsky, a construção do conhecimento se dará coletivamente, portanto, sem ignorar a ação intrapsíquica do sujeito. Assim, Vygotsky conceituou o desenvolvimento intelectual de cada pessoa em dois níveis: um real e um potencial. O real é aquele já adquirido ou formado, que determina o que a criança já é capaz de fazer por si própria porque já tem um conhecimento consolidado. Por exemplo, se domina a adição esse é um nível de desenvolvimento real. O potencial é quando a criança ainda não aprendeu tal assunto, mas está próximo de aprender, e isso se dará principalmente com a ajuda de outras pessoas. Por exemplo, quando ele já sabe somar, está bom próximo de fazer uma multiplicação simples, precisa apenas de um «empurrão». Vai ser na distância desses dois níveis que estará um dos principais conceitos de Vygotsky: as zonas de desenvolvimento proximal, que é definido por ele como: (..) A distância entre o nível de desenvolvimento que se costuma determinar através da solução independente de problemas, e o nível de desenvolvimento potencial, determinando através da solução de problemas sob a orientação de um adulto ou de companheiros mais capazes. (VYGOTSKY), “A formação Social da mente: O desenvolvimento dos processos psicológicos superiores”. São Paulo, Martins Fontes. 1989. Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP) é um conceito elaborado por Vygotsky, e define a distância entre o nível de desenvolvimento real, determinado pela capacidade de resolver um problema sem ajuda, e o nível de desenvolvimento potencial, determinado através de resolução de um problema sob a orientação de um adulto ou em colaboração com outro companheiro. Esse conceito abre uma nova perspectiva a prática pedagógica colocando a busca do conhecimento e não de respostas corretas. Ao educador, restitui seu papel fundamental na aprendizagem, afinal, para o aluno construir novos conhecimentos precisa-se de alguém que os ajude, eles não o farão sozinhos. Assim, cabe ao professor ver seus alunos sob outra 1

perspectiva, bem como o trabalho conjunto entre colegas, que favorece também a ação do outro na ZDP (zona de desenvolvimento proximal). Vygotsky acreditava que a noção de ZDP já se fazia presente no bom senso do professor quando este elaborava suas aulas. O professor seria o suporte, ou “andaime”, para que a aprendizagem do educando a um conhecimento novo seja satisfatória. Para isso, o professor tem que interferir na ZDP do aluno, utilizando alguma metodologia, e para Vygotky, essa se dava através da linguagem. Baseado nisso, dois autores Newman, Griffin & Cole, desenvolveram essa idéia. Para eles era através do diálogo do professor com o aluno que a ZDP se desenvolve na sala de aula. Com um esquema I-R-F (iniciação – resposta – feedback), que o professor “dando pistas” para o aluno iniciava o processo, assim o aluno teria uma resposta e o professor dava o feedback a essa resposta (GOMES, 2002). Nessa perspectiva, a educação não fica à espera do desenvolvimento intelectual da criança. Ao contrário, sua função é levar o aluno adiante, pois quanto mais ele aprende, mais se desenvolve mentalmente. Segundo Vygotsky, essa demanda por desenvolvimento é característica das crianças. Se elas próprias fazem da brincadeira um exercício de ser o que ainda não são, o professor que se contenta com o que elas já sabem é dispensável. RELAÇÃO PROFESSOR-ALUNO SEGUNDO PIAGET Para Piaget a aprendizagem do estudante será significativa quando esse for um sujeito ativo. Isso se dará quando a criança receber informações relativas ao objeto de estudo para organizar suas atividades e agir sobre elas. Geralmente os professores “jogam” somente os símbolos falados e escritos para os alunos, alegando a falta de tempo. Segundo Piaget esse tempo utilizado apenas para a verbalização do professor é um tempo perdido, e se gastá-lo permitindo que os alunos usem a abordagem tentativa e erro, esse tempo gasto a mais, será na verdade um ganho. O modelo tradicional de intervenção do professor consiste em explicar como resolver os problemas e dizer “está certo” ou “está errado”. Isso está contra a teoria da psicologia genética de Piaget, que coloca a importância da observação do professor sobre o aluno. Uma observação criteriosa, para ver o momento de desenvolvimento que a criança está vivendo, assim saber que atividade cognitiva aquele aluno estará apto a investigar. O professor será o incentivador, o encorajador para a iniciativa própria do estudante. Coloca-se também a importância da espontaneidade da criança. Muitas vezes o professor se mostra tão preocupado em ensinar que não têm paciência suficiente para esperar que as crianças aprendam. Dificilmente aguardam as respostas dos educandos, e perdem a oportunidade de acompanhar a estrutura de raciocínio espontânea de seus alunos. Com a concepção das respostas “certas” e sem o incentivo para pesquisa pessoal o estudante acaba por ter sua atividade dirigida e canalizada, podendo até dizer moldada pelo método de ensino tradicional. Por isso Piaget fixa tanto essa idéia da espontaneidade do aluno; porém, essa espontaneidade muitas vezes é distorcida em sua interpretação. Se um professor deixar a criança sem planejar sua atividade, achando que essa aprenderá sozinha, erroneamente estará aplicando o que Piaget diz. Ainda a respeito da relação professor-aluno, Piaget coloca que essa relação tem que ser baseada no diálogo mais fecundo, onde os “erros” dos estudantes passam a ser vistos como integrantes do processo de aprendizagem. Isso se dá porque à medida que o aluno “erra” o professor consegue ver o que já se está sabendo e o que ainda deve ser ensinado. Segundo Emilia Ferreiro e Ana Teberosky são esses “erros construtivos” que podem diferir das respostas corretas, mas não impedem que as crianças cheguem a ela. Piaget ainda reforça que o aprender não se reduz à memorização, mas sim ao raciocínio lógico, compreensão e reflexão. Diferentemente de Vygotsky, Piaget coloca que o aprendizado é individual. Será construído na cabeça do sujeito a partir das estruturas mentais que ele possui. Voltando a relação professor-aluno, Piaget a coloca baseada na cooperação de ambos. Assim, será através do debate e discussão entre iguais que o processo do desenvolvimento cognitivo se dará; e o professor assumindo o papel apenas de instigador e provocador, mantendo o clima de cooperação. As conseqüências serão à descentralização, à socialização, à construção de um conhecimento racional e dinâmico dos alunos. Dessa forma, a produção das crianças passa a fazer parte do processo de ensino e aprendizagem, buscando compreender o significado do processo e não só o produto.

EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE 2

A política de inclusão, na rede regular de ensino, dos alunos que apresentam necessidades educacionais especiais, não consiste somente na permanência física desses alunos na escola; mas no propósito de rever concepções e paradigmas, respeitando e valorizando a diversidade desses alunos, exigindo assim, que a escola crie espaços inclusivos. Dessa forma, a inclusão significa que não é o aluno que se molda ou se adapta à escola, mas a escola consciente de sua função que se coloca a disposição do aluno. As escolas inclusivas devem reconhecer e responder às diversas dificuldades de seus alunos, acomodando os diferentes estilos e ritmos de aprendizagem e assegurando uma educação de qualidade para todos mediante currículos apropriados, modificações organizacionais, estratégias de ensino, recursos e parcerias com a comunidade. A inclusão, na perspectiva de um ensino de qualidade para todos, exige da escola novos posicionamentos que implicam num esforço de atualização e reestruturação das condições atuais, para que o ensino se modernize e para que os professores se aperfeiçoem, adequando as ações pedagógicas à diversidade dos aprendizes. Deste modo, pode-se dizer que a escola inclusiva é aquela que acomoda todos os seus alunos independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais ou lingüísticas. Seu principal desafio é desenvolver uma pedagogia centrada no aluno, e que seja capaz de educar e incluir além dos alunos que apresentem necessidades educacionais especiais, aqueles que apresentam dificuldades temporárias ou permanentes na escola, os que estejam repetindo anos escolares, os que sejam forçados a trabalhar, os que vivem nas ruas, os que vivem em extrema pobreza, os que são vítimas de abusos e até mesmo os que apresentam altas habilidades como a superdotação, uma vez que a inclusão não se aplica apenas aos alunos que apresentam alguma deficiência. Para incluir a escola precisa, primeiramente, acreditar no princípio de que todas as crianças podem aprender e que todas devem ter acesso igualitário a um currículo básico, diversificado e uma educação de qualidade. As adaptações curriculares constituem as possibilidades educacionais de atuar frente às dificuldades de aprendizagem dos alunos e têm como objetivo subsidiar a ação dos professores. Constituem num conjunto de modificações que se realizam nos objetivos, conteúdos, critérios, procedimentos de avaliações, atividades e metodologias para atender as diferenças individuais dos alunos. Assim sendo, é preciso desenvolver uma rede de apoio (constituída por alunos, pais, professores, diretores, psicólogos, terapeutas, pedagogos e supervisores) para discutir e resolver problemas, trocar idéias, métodos, técnicas e atividades, com a finalidade de ajudar não somente aos alunos, mas aos professores para que possam ser bem sucedidos em seus papéis. A realização das ações pedagógicas inclusivas requer uma percepção do sistema escolar como um todo unificado, em vez de estruturas paralelas, separadas como uma para alunos regulares e outra para alunos com deficiência ou necessidades especiais. Os educadores devem estar dispostos a romper com paradigmas e manterem-se em constantes mudanças educacionais progressivas criando escolas inclusivas e de qualidades. Essas estratégias para a ação pedagógica no cotidiano escolar inclusivo são necessárias para que a escola responda não somente aos alunos que nela buscam saberes, mas aos desafios que são atribuídos no cumprimento da função formativa e de inclusão, num processo democrático, reconhecendo e valorizando a diversidade, como um elemento enriquecedor do processo de ensino e aprendizagem. Portanto, incluir e garantir uma educação de qualidade para todos os alunos é uma questão de justiça e equidade social. A inclusão implica na reformulação de políticas educacionais e de implementação de projetos educacionais inclusivo, sendo o maior desafio estender a inclusão a um maior número de escolas, facilitando incluir todos os indivíduos em uma sociedade na qual a diversidade está se tornando mais norma do que exceção. Por isso é preciso refletir sobre a formação dos educadores, uma vez que ela não é para preparar alguém para a diversidade, mas para a inclusão; porque a inclusão não traz respostas prontas, não é uma “multi” habilitação para atender a todas as dificuldades possíveis na sala de aula, mas uma formação na qual o educador olhará seu aluno de um outro modo, tendo assim acesso as peculiaridades dele, entendendo e buscando o apoio necessário. Por fim, cabe refletirmos sobre que é ser igual ou diferente? Pois, se olharmos em nossa volta, perceberemos que não existe ninguém igual, na natureza, no pensamento, nos comportamentos e/ou ações; e que as diferenças não são sinônimos de incapacidade ou doença, mas de equidade humana. EDUCAÇÃO COMO DIREITO Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

DA EDUCAÇÃO, DA CULTURA E DO DESPORTO 3

Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; III - pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; V - valorização dos profissionais do ensino, garantidos, na forma da lei, planos de carreira para o magistério público, com piso salarial profissional e ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos; VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei; VII - garantia de padrão de qualidade. Art. 207. As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. § 1º É facultado às universidades admitir professores, técnicos e cientistas estrangeiros, na forma da lei. § 2º O disposto neste artigo aplica-se às instituições de pesquisa científica e tecnológica. Art. 208. O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de: I - ensino fundamental, obrigatório e gratuito, assegurada, inclusive, sua oferta gratuita para todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria; II - progressiva universalização do ensino médio gratuito; III - atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino; IV - atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a seis anos de idade; V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um; VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do educando; VII - atendimento ao educando, no ensino fundamental, através de programas suplementares de material didático-escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde. § 1º - O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo. § 2º - O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Público, ou sua oferta irregular, importa responsabilidade da autoridade competente. § 3º - Compete ao Poder Público recensear os educandos no ensino fundamental, fazer-lhes a chamada e zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela freqüência à escola. Art. 209. O ensino é livre à iniciativa privada, atendidas as seguintes condições: I - cumprimento das normas gerais da educação nacional; II - autorização e avaliação de qualidade pelo Poder Público. Art. 210. Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental, de maneira a assegurar formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regionais. § 1º - O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental. § 2º - O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa, assegurada às comunidades indígenas também a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem. Art. 211. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão em regime de colaboração seus sistemas de ensino. § 1º A União organizará o sistema federal de ensino e o dos Territórios, financiará as instituições de ensino públicas federais e exercerá, em matéria educacional, função redistributiva e supletiva, de forma a garantir equalização de oportunidades educacionais e padrão mínimo de qualidade do ensino mediante assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios; § 2º Os Municípios atuarão prioritariamente no ensino fundamental e na educação infantil. § 3º Os Estados e o Distrito Federal atuarão prioritariamente no ensino fundamental e médio. § 4º Na organização de seus sistemas de ensino, os Estados e os Municípios definirão formas de colaboração, de modo a assegurar a universalização do ensino obrigatório. Art. 212. A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios vinte e cinco por cento, no mínimo, da receita resultante de impostos, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino. § 1º - A parcela da arrecadação de impostos transferida pela União aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, ou pelos Estados aos respectivos Municípios, não é considerada, para efeito do cálculo previsto neste artigo, receita do governo que a transferir. § 2º - Para efeito do cumprimento do disposto no “caput” deste artigo, serão considerados os sistemas de ensino federal, estadual e municipal e os recursos aplicados na forma do art. 213. 4

e foram anunciados padrões e métodos educacionais com ferramentas que impressionavam e davam subsídios diferentes nas formas de ensinar. Nessa era da 5 . corre-se o risco de exclusão do indivíduo no social. O PROFESSOR COMO PROFISSÃO A arte de ensinar é uma tarefa difícil demais para que alguém se envolva nela por comodismo. Nesta época foram instalados os recursos audiovisuais como suporte pedagógico. Devemos aliar forças para que isso não aconteça. o aluno era impedido de criar e pensar. Art. pois a educação tem por intenção a humanização do homem.promoção humanística. recolhida pelas empresas. O professor do século XXI deve ser um profissional da educação que elabora com criatividade conhecimentos teóricos e críticos sobre a realidade. onde o professor não se comportava como o transmissor de conhecimentos e sim um facilitador de aprendizagem. 208. sem afinidade com o social e alienado em suas relações com o global. podendo ser dirigidos a escolas comunitárias. Em 1964 tem início a Escola Tecnicista.Os recursos de que trata este artigo poderão ser destinados a bolsas de estudo para o ensino fundamental e médio. fechando-o em seu mundo. e a transmissão de emoções.Os programas suplementares de alimentação e assistência à saúde previstos no art.assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária.formação para o trabalho. II . na forma da lei. Os padres da Companhia de Jesus instalaram a primeira escola em 1549. nos termos do plano nacional de educação. § 2º . Já no século XXI. A escola tradicional permaneceu por aproximadamente trezentos e oitenta e três anos. no caso de encerramento de suas atividades. impedindo a atuação dialógica. serão financiados com recursos provenientes de contribuições sociais e outros recursos orçamentários. científica e tecnológica do País. A formação dos educadores não se baseia apenas na racionalidade técnica e/ou como apenas executores de decisões alheias. para os que demonstrarem insuficiência de recursos. II . quando houver falta de vagas e cursos regulares da rede pública na localidade da residência do educando.§ 3º . na forma da lei Art. § 5º O ensino fundamental público terá como fonte adicional de financiamento a contribuição social do salário-educação. O advento da escola nova foi em 1932. visando à articulação e ao desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis e à integração das ações do Poder Público que conduzam à: I . Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas. deu-se início à escola nova. Com o uso inadequado da tecnologia há a individualização do ser humano. Com a escola tecnológica. produzindo novos conhecimentos para a teoria e prática de ensinar. 214. Impediu-se a expressão dialética. falta de opções ou porque é preciso auferir ganhos (extras). observamos que na construção do saber a tecnologia passa a dominar os espaços locais e temporais. Com o governo de Getúlio Vargas.erradicação do analfabetismo. Na Escola Crítica havia articulação e interação entre o educador e o educando. cidadãos com competência e habilidade na capacidade de decidir. confessionais ou filantrópicas. V . 213. A formação identitária do professor abrange o profissional.universalização do atendimento escolar.melhoria da qualidade do ensino. Essa escola era uma escola democrática e divulgada para todos (o cidadão democrático). sendo empregados todos os contornos que possibilitavam a apreensão crítica e reflexiva dos conhecimentos com enfoque na construção e reconstrução do saber. onde o professor era o educador que orientava o contorno da aprendizagem com participação real do aluno. mas. A lei estabelecerá o plano nacional de educação. Com o tecnicismo empregado em todos os campos. de duração plurianual. que: I . Na escola tecnicista o social era ditado pelos militares que detinham o poder. Em 1983 deu-se o aparecimento da Escola Crítica. aluno que construía e ressignificava a história. pois a docência vai mais além do que somente dar aulas. III . a instrução programada e o ensino individualizado. constituiu fundamentalmente a sua atuação profissional na prática social.comprovem finalidade não-lucrativa e apliquem seus excedentes financeiros em educação. IV . tornando-o espectador e talvez um indivíduo sem estímulo para superar barreiras. ou ao Poder Público. sem articulação com os demais membros da sociedade. buscando todas as oportunidades em busca da criatividade.As atividades universitárias de pesquisa e extensão poderão receber apoio financeiro do Poder Público. aluno enfatizado como cidadão. § 1º . a interação. filantrópica ou confessional. ficando o Poder Público obrigado a investir prioritariamente na expansão de sua rede na localidade.A distribuição dos recursos públicos assegurará prioridade ao atendimento das necessidades do ensino obrigatório. Devemos ter em mente que os professores exercem um papel insubstituível no processo da transformação social. § 4º . e o modelo americano é instituído em nosso país. O ensino nesta época era tradicional. VII. onde o aluno era um ser ativo e participante e estava no centro do processo de ensino/aprendizagem. sem explicação dialética do dia-a-dia. definidas em lei.

da formação de suas capacidades. A ESCOLARIZAÇÃO E AS LUTAS DEMOCRÁTICAS A escolarização é o processo principal para oferecer a um povo sua real possibilidade de ser livre e buscar nesta mesma medida participar das lutas democráticas. A transformação da escola depende da transformação da sociedade. qualidade do ensino do povo. Algumas perguntas envolvendo a escolarização. sem deixar se seduzir pelos caminhos deslumbrantes dos anúncios publicitários. 2. pelas opiniões tendenciosas da mídia. AS TAREFAS DA ESCOLA PÚBLICA DEMOCRÁTICA Todos sabem da importância do ensino de primeiro grau para formação do indivíduo. deixando como resultado um enorme número de analfabetos na faixa de 5 a 14 anos. que aponta para um quadro onde a escola não consegue reter o aluno no sistema escolar. O FRACASSO ESCOLAR PRECISA SER DERROTADO O fracasso escolar é um grave problema do nosso sistema escolar. complementa dizendo que o professor deve descobri-lo e basear-se nisto em seus ensinamentos. políticas e culturais. Cabe então aos professores do século XXI a tarefa de apontar caminhos institucionais (coletivamente) para enfrentamento das novas demandas do mundo contemporâneo. com competência do conhecimento. afirma Libâneo. São exemplos de alguns fatores que promovem o fracasso escolar: dificuldades emocionais. A participação ativa na vida social é o objetivo da escola pública. O COMPROMISSO SOCIAL E ÉTICO DOS PROFESSORES 6 . como principal. Isto acontece devido aos planejamentos serem feitos prevendo uma criança imaginada e não a criança concreta. Só assim. imaturidade. Assegurar a transmissão e assimilação dos conhecimentos e habilidades. fracasso escolar. além do seu preparo para as exigências sociais que este indivíduo necessita. estaremos aptos a oferecer oportunidades educacionais aos nossos alunos para construir e reconstruir saberes à luz do pensamento reflexivo e crítico entre as transformações sociais e a formação humana. mas considera. Oferecer um processo democrático de gestão escolar com a participação de todos os elementos envolvidos com a vida escolar. o ensino é sem dúvida promotora de ações indispensáveis para ocorrer a instrução. Ética como compromisso profissional e social devem ser respondidas e solucionadas para a garantia de uma sociedade melhor. entre outros. Aponta muitos motivos para isto. sociais. pela maioria da população para participar da condução de decisões políticas e sociais. compreendendo os contextos históricos. os professores devem ser encarados e considerados como parceiros/autores na transformação da qualidade social da escola. de igualdade nas oportunidades em educação. Democracia poderia ser entendida como um conjunto de conquistas de condições sociais. falta de acompanhamento dos pais. dando a ele esta capacidade de poder estudar e aprender o resto da vida. metodológica e didática de procedimentos adequados ao trabalho com as crianças pobres. usando para isso a compreensão e a proposição do real. São tarefas principais das escolas públicas: 1.tecnologia. 3. O fator isolado mais importante que influencia a aprendizagem é aquilo que o aluno já conhece. aquela que esta inserida em um contexto único. Libâneo (1994) "A escolarização básica constitui instrumento indispensável à construção da sociedade democrática". mostrando a evasão escolar e a repetência como graves problemas advindos da falta de uma política pública. Assegurar o desenvolvimento do pensamento crítico e independente. DIDÁTICA E DEMOCRATIZAÇÃO DO ENSINO A democratização do ensino e a importância de oferecer este de qualidade e a toda sociedade é sempre uma reflexão importante. a falta de preparo da organização escolar. com profissionalismo ético e consciência política. e ressalta também os índices de escolarização no Brasil. e continua dizendo que a escola é o meio insubstituível de contribuição para as lutas democráticas. habilidades e atitudes. Somente o ingresso na escola pode oferecer um ponto de partida no processo de ensino aprendizagem. Proporcionar escola gratuita pelos primeiros oito anos de escolarização. culturais e organizacionais que fazem parte e interferem na sua atividade docente. 4.

As formas organizadas do ensino. ao escrever a primeira obra sobre a didática "A didática Magna". É fundamental nesta estruturação escolar. que se realiza em torno das matérias de ensino sob a direção do professor. 2. Libâneo ainda coloca que ensinar e aprender são duas facetas do mesmo processo. isto é de acordo com suas características de idade e capacidade. Entretanto. O homem deve ser educado de acordo com o seu desenvolvimento natural. 4. a didática aparece em obra em meados do século XVII. 3. o magistério é um ato político porque se realiza no contexto das relações sociais. por isto as coisas devem ser ensinadas uma de cada vez. no trabalho e na vida cultural e política. como toda a profissão. Destaca a importância da natureza do trabalho docente como a mediação da relação cognoscitiva entre o aluno e as matérias de ensino. O ensino deve seguir o curso da natureza infantil. 2. A finalidade da educação é conduzir a felicidade eterna com Deus. sendo influenciado por condições internas e externas. OBJETIVO DE ESTUDO: O PROCESSO DE ENSINO Sem dúvida. O trabalho docente visa também à mediação entre a sociedade e os alunos. e a metodologia como conjunto dos procedimentos de investigação quanto a fundamentos e validade das diferentes ciências.O primeiro compromisso da atividade profissional de ser professor (o trabalho docente) é certamente de preparar os alunos para se tornarem cidadãos ativos e participantes na família. com João Amos Comenio. o currículo como expressão dos conteúdos de instrução. Define assim a didática como mediação escolar entre objetivos e conteúdos do ensino. 3. Podemos daí determinar os elementos constitutivos da Didática: 1. DIDÁTICA: TEORIA DA INSTRUÇÃO E DO ENSINO É preciso conhecer os vínculos da didática com os fundamentos educacionais. 7. Libâneo afirma que. Sintetizando. Podemos definir o processo de ensino como uma seqüência de atividades do professor e dos alunos tendo em vista a assimilação de conhecimentos e habilidades. 4. a instrução como processo e o resultado da assimilação sólida de conhecimentos. Controle e avaliação da aprendizagem. Os métodos de ensino aprendizagem. afirmando daí o caráter essencialmente pedagógico desta disciplina. o objetivo do estudo da didática é o processo de ensino. Assim sendo. 6. na sua dimensão político. sendo as técnicas recursos ou meios de ensino seus complementos. Os conteúdos escolares. Aplicação de técnicas e recursos. social e técnica. Desde a Antigüidade clássica ou no período medieval já temos registro de formas de ação pedagógicas em escolas e mosteiros. A assimilação dos conhecimentos não se da de forma imediata. Ação de ensinar. Os objetivos sócio-pedagógicos. A situação didática em sala de aula esta sujeita também a determinantes econômico-sociais e sócioculturais. a didática coloca-se para assegurar o fazer pedagógico na escola. 5. os temas fundamentais da didática são: 1. o processo didático está centrado na relação entre ensino e aprendizagem. DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO DA DIDÁTICA E TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS A didática e sua história estão ligadas ao aparecimento do ensino. Os princípios didáticos. OS COMPONENTES DO PROCESSO DIDÁTICO O ensino. 3. 7 . estabelecendo na obra alguns princípios com: 1. 2. A DIDÁTICA COMO ATIVIDADE PEDAGÓGICA ESCOLAR Sabedores que a pedagogia investiga a natureza das finalidades da educação como processo social. compreender o objetivo de estudar e relacionar os principais temas da didática que são indispensáveis para o exercício profissional. afetando assim a ação didática diretamente. Conhecer estas condições é fator fundamental para o trabalho docente. envolve uma atividade complexa. por mais simples que pareça. Ação de aprender. Conteúdos da matérias.

centrando a atividade de ensinar no professor e usando a palavra (transmissão oral) como principal recurso pedagógico. d. e. Conhecimento dos programas oficias. que tornou a verdadeira inspiração para pedagogia conservadora. o autor levanta os principais pontos do planejamento escolar: a. Criar condições para o desenvolvimento de capacidades e habilidades visando à autonomia na aprendizagem e independência de pensamento dos alunos. Já a direção do ensino e aprendizagem requer outros procedimentos do professor: a. Dominar os meios de avaliação diagnóstica 8 . os procedimentos são: a. ajuda o aluno a aprender.Já mais adiante. Verificação continua dos objetivos alcançados e do rendimento nas atividades b. A tradicional vê a didática como uma disciplina normativa. Jean Jacques Rousseau (1712-1778) propôs uma nova concepção de ensino. com regras e procedimentos padrões. no Brasil. determinando que o fim da educação é a moralidade atingida através da instrução de ensino. antes. c. pois a aprendizagem é um processo. Conhecimento das funções didáticas Compatibilizar princípios gerais com conteúdos e métodos da disciplina Domínio dos métodos e de recursos auxiliares Habilidade de expressar idéias com clareza Tornar os conteúdos reais Saber formular perguntas e problemas Conhecimento das habilidades reais dos alunos Oferecer métodos que valorizem o trabalho intelectual independente Ter uma linha de conduta de relacionamento com os alunos Estimular o interesse pelo estudo Por parte do professor. Domínio do conteúdo e sua relação com a vida prática. Estes três itens se integram entre si. para a avaliação. vêm sendo realizados muitos estudos sobre a história da didática no nosso país e suas lutas. c. g. Compressão da relação entre educação escolar e objetivo sócio-políticos. o aluno é o sujeito deste processo e o professor deve oferecer condições propícias para estimular o interesse dos alunos por esta razão os adeptos desta tendência dizem que o professor não ensina. c. h. este autor não colocou suas idéias em prática. baseado nas necessidades e interesses imediatos da criança. É importante lembrar que as tendências progressivas só tomaram força nos anos 80. j. Os principais objetivos da atuação docente são: a. Estes três teóricos influenciaram muito Johann Friedrich Herbart (1776-1841). b. Depois. d. classificando as tendências pedagógicas em duas grandes correntes: as de cunho liberal e as de cunho progressivista. b. Capacidade de dividir a matéria em módulos ou unidades. cabendo mais adiante a outro pesquisador fazê-lo. com as denominadas "teorias críticas da educação A DIDÁTICA E AS TAREFAS DO PROFESSOR O modo de fazer docente determina a linha e a qualidade do ensino. Porém. b. Estas duas correntes têm grandes diferenças entre si. que trabalhava com a educação de crianças pobres. f. Conhecer as características sócio-culturais e individuais dos alunos. f. e. Manter-se bem informado sobre livros e artigos ligados a sua disciplina e fatos relevantes. Estes autores e outros tantos formam as bases para o que chamamos modernamente de Pedagogia Tradicional e Pedagogia Renovada. Henrique Pestalozzi (1746-1827). Domínio de métodos de ensino. Assegurar ao aluno domínio duradouro e seguro dos conhecimentos. TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS NO BRASIL E A DIDÁTICA Nos últimos anos. Orientar as tarefas do ensino para a formação da personalidade. i. Já a didática de cunho progressivista é entendida como direção da aprendizagem. g.

Permite um reajustamento com vista à processução dos objectivos pedagógicos pretendidos. porque é através dela que se consegue fazer uma análise dos conteúdos tratados nas unidades temáticas. ajudam o professor a melhorar a sua metodologia de trabalho. É através dela que vão sendo comparados os resultados obtidos no decorrer do trabalho conjunto do professor e dos alunos. Diagnóstica . criar hábitos de trabalho independente e consciencializar o grau consecutivo dos objectivos atingidos após um período de trabalho. AVALIAÇÃO A avaliação educacional é uma tarefa didática necessária e permanente no trabalho do professor. Segundo o professor Cipriano Carlos Luckesi "a avaliação é uma apreciação qualitativa sobre dados relevantes do processo de ensino e aprendizagem que auxilia o professor a tomar decisões sobre o seu trabalho. a avaliação é o processo de atribuir valores ou notas aos resultados obtidos na verificação da aprendizagem". o professor. deve exercitar o pensamento para descobrir constantemente as relações sociais reais que envolvem sua disciplina e a sua inserção nesta sociedade globalizada. Esta. determina o grau da assimilação dos conceitos e das técnicas/normas. A avaliação reflete sobre o nível do trabalho do professor como do aluno. determina o grau de assimilação dos conceitos. A avaliação tem a função diagnostica psico-pedagógica e didática. mas sim deve ser utilizada como um instrumento de coleta de dados sobre o aproveitamento dos alunos. contribui para a avaliação para correcção de erros de conhecimentos e habilidades e o desenvolvimento de capacidades cognitivas. representando algo que seja para a criança se comunicar a partir do vocabulário formal a partir de uma linguagem "normalizada" determinada pela sua evolução mental. ao mesmo tempo favorece uma atitude mais responsável do aluno em relação ao estudo. Por isto. habilidades e atitudes dos alunos. propostas nos objetivos. porém. experimentar.identifica as dificuldades do aluno e os conhecimentos prévios. A avaliação insere-se não só nas funções didáticas. daí. no ato profissional.c. A avaliação é um elemento muito importante no Processo de Ensino e Aprendizagem. continuo e sistemático que acompanha o desenrolar do ato educativo". conforme os objetivos propostos. por isso a sua realização não deve apenas culminar com atribuição de notas aos alunos. desconfiando do normal e olhando sempre por traz das aparências. através da verificação e qualificação dos resultados obtidos." Para GOLIAS (1995) a avaliação é "entendida como um processo dinâmico. A motivação do docente no ensino e a sua adequada formação deve dar o direito de comunicar ou se expressar. assumindo-o como um dever social. investigar. mas também na própria dinâmica e estrutura do Processo de Ensino e Aprendizagem (PEA). Pedagogico-Didáctica – refere-se ao papel da avaliação no cumprimento dos objetivos gerais e específicos da educação escolar."Avaliação é um processo contínuo de pesquisas que visa a interpretar os conhecimentos. Ajuda ao professor a constatar as falhas no seu trabalho e a decidir a passagem ou não para uma nova unidade temática. 9 . Conhecer os tipos de provas e de avaliação qualitativa Estes requisitos são necessários para o professor poder exercer sua função docente frente aos alunos e institutos em que trabalha. aprender e fazer. tendo em vista mudanças esperadas no comportamento dos alunos. NÉRICI (1985) "relaciona avaliação com a verificação de aprendizagem pois. a fim de que haja condições de decidir sobre alternativas de planificação do trabalho e da escola como um todo" PILETTII (1986). orientar a tomada de decisões em relação às atividades didáticas seguintes". também ajuda os alunos a desenvolverem a auto confiança na aprendizagem do aluno. Também ajuda o aluno a realizar um esforço de sinetes das diferentes partes do programa do ensino. com capacidades para descobrir. ela deve acompanhar todos os passos do processo de ensino e aprendizagem. Já LIBÂNEO (1991) define "avaliação como uma componente do processo de ensino que visa. IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO A importância da avaliação reside na sua função social e pedagógica. a determinar a correspondência destes com os objetivos propostos e. a fim de verificar progressos. para ele. aprofundando os seus conhecimentos no domínio da natureza e da sociedade. dificuldades e orientar o trabalho para as correcções necessárias. seja do livro didático ou mesmo de ações pré-estabelecidas.

Para o caso concreto da disciplina de biologia deve-se utilizar as provas objectivas. para melhor conhecer a sua personalidade. Conhecer o aluno: Pode-se orientar e guiar o aluno no processo educativo avaliando-o. 4. • Informa sobre os objetivos se estão ou não a ser atingidos pelos alunos. Com base nesses resultados deve. TAREFAS DA AVALIAÇÃO São tarefas da avaliação as seguintes: 1. os exercícios práticos. • Para avaliação Sumativa. Também pode apontar as dificuldades no mesmo caderno. escreve correctamente e conhece bem a Gramática. O professor pode organizar um caderno para anotar a progressão dos alunos em cada período. a ficha de observação ou qualquer instrumento elaborado pelo professor para melhor controle. Por exemplo. • Constata deficiências em termos de pré-requisitos. ETAPAS DA AVALIAÇÃO Durante o PEA podemos encontrar as seguintes etapas: • • • • Determinar o que vai ser avaliado.controla o Processo de Ensino e Aprendizagem (PEA). objectividade e precisão – são directas. do semestre/ trimestre. Estabelecer os critérios e as condições para a avaliação. É através desta avaliação que se faz o acompanhamento progressivo do aluno.alunos no decorrer das aulas. melhorar e completar o trabalho. na medida do possível. para verificar se houve um progresso do aluno desde o ponto de partida da aprendizagem até ao momento. Detectar as dificuldades de Aprendizagem: Ao avaliar. Este registo deve ser acompanhado de modo a superar as dificuldades. Orientar a aprendizagem: Os resultados obtidos pela avaliação devem ser utilizados para corrigir. ajuda o aluno a desenvolver as capacidades cognitivas. TIPOS DE AVALIAÇÃO a) Avaliação diagnostica: Este tipo de avaliação realiza-se no início do curso. aptidões. pois a observação visa a investigar. MÉTODOS DE AVALIAÇÃO Existem várias técnicas e instrumentos de avaliação: • Para a avaliação diagnostica. exercícios ou de meios auxiliares. etc. • Para avaliação formativa. para estimular o sucesso de todos. do ano letivo. 2. 3. adequar o ensino de forma que a aprendizagem se torne mais fácil e eficaz. encontramos os dois instrumentos mais utilizados que são as provas objetivas e subjetivas. • Identifica obstáculos que estão a comprometer a aprendizagem. Permite que haja um controle contínuo e sistemático no processo de interacção professor . Realizar a aferição dos resultados. atitude. da unidade ou de um novo tema e pretende verificar o seguinte: • Identificar alunos com padrão aceitável de conhecimentos. como técnica pode se utilizar o pré-teste. ao mesmo tempo fornece informações sobre o seu desempenho. Seleccionar as técnicas e instrumentos de avaliação. provas. que se apresentam com maior clareza. 10 . temos como técnicas a observação de trabalhos. como observação do desempenho e entrevista. interesses e dificuldades. identificar os fatores do ensino. o Carlos tem "problemas na representação do afastamento ou cota de um ponto".Função de Controle . fazendo com que o professor se adapte aos diferentes comportamentos dos alunos. Verificar os ritmos de progresso do aluno: É a colecta de dados sobre o aproveitamento dos alunos através de provas. o professor pode detectar algumas dificuldades dos alunos. • Constata particularidades b) Avaliação formativa: Esta avaliação ocorre ao longo do ano lectivo. exigindo mais dos professores.

Tempo disponível/duração. COMPARAÇÃO DOS DOIS MODELOS DE AVALIAÇÃO Visão tradicional • • • • • • Acção individual e competitiva Concepção classificatória Apresenta um fim em si mesma Postura disciplinadora e directiva do professor Privilégio à memorização Pressupõe a dependência do aluno Modelo adequado • Ação coletiva e consensual • Concepção investigativa e reflexiva • Atua como mecanismo de diagnóstico da situação 11 . do ano letivo. é crucial para a concretização do projecto educacional. As condições da sala de aula. segundo níveis de aproveitamento. Dos meios. È uma classificação final . MODELO TRADICIONAL E ADEQUADO DA AVALIAÇÃO Gadotti (1990) diz que a avaliação é essencial à educação. CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO A avaliação deve obedecer os seguintes critérios: • • • • • • • • Tem que ser benéfico. Número de alunos na turma. sobre a acção. O tipo do aluno. Acreditar em um processo avaliativo mais eficaz é o mesmo que cumprir sua função didático-pedagógica de auxiliar e melhorar o ensino/aprendizagem. O mito da avaliação é decorrente de sua caminhada histórica. questionar e transformar nossas acções. Deve ser justo e uniforme. c) Avaliação somativa: Esta avaliação classifica os alunos no fim de um semestre/trimestre. Deve ser global.• Localiza deficiência/dificuldades. OS CRITÉRIOS DA ESCOLHA DAS TÉCNICAS E INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DEPENDEM: • • • • • • • • Dos objectivos de avaliação. Tem a função classificadora. A idade dos alunos. O processo de avaliação deve ser aberto. segundo Luckesi (2002). A forma como se avalia. É ela que sinaliza aos alunos o que o professor e a escola valorizam. As conclusões finais devem ter certa validade e longo prazo. Deve estar ao alcance dos alunos. Deve ser eficaz na produção e mudanças no comportamento. Deve ser praticável e não deve ser incómodo e inútil. inerente e indissociável enquanto concebida como problematização. Ela se faz necessária para que possamos reflectir. sendo que seus fantasmas ainda se apresentam como forma de controle e de autoritarismo por diversas gerações. questionamento. Entende-se que a avaliação não pode morrer. Dos conteúdos/complexidade da matéria. reflexão. do curso.

diretor de avaliação da educação básica do Inep. organizadas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educaionais Anísio Teixeira (Inep) a partir de 1997. em que os estudantes respondem a questões de língua portuguesa e matemática. informações sobre alunos da 4ª e 8ª série do ensino fundamental e da 3ª série do ensino médio. com nome. a pesquisa. mas. bem como da estrutura física (número de laboratórios e bibliotecas. o Censo Escolar é o instrumento do governo federal que traz um raios-X quantitativo das escolas. ou seja. Ele possui uma série de instrumentos complementares: auto-avaliação. não é apenas um espaço social emancipatório ou libertador. municipal e particular. Os processos avaliativos são coordenados e supervisionados pela Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior (Conaes). garante. A operacionalização é de responsabilidade do Inep. dos cursos e do desempenho dos estudantes. Avaliação dos cursos de graduação e instrumentos de informação (censo e cadastro). data de nascimento. o desempenho dos alunos. professores. O Saeb é o instrumento nacional de avaliação do ensino básico no País e coleta. instituições acadêmicas e público em geral. para orientação da sua eficácia institucional e efetividade acadêmica e social. Desde 2003. Enade. As informações obtidas com o Sinaes são utilizadas pelas IES. na acepção de estar inteiramente vinculado a um momento histórico. pais de alunos.• Postura cooperativa entre professor e aluno • Privilégio à compreensão • Incentiva a conquista da autonomia do aluno. as instalações e vários outros aspectos. por exemplo. a extensão. diretora de estatística da educação básica do Inep. O objetivo é informatizar tudo e disponibilizar as informações na Internet em tempo real". a responsabilidade social. que deixará de ser amostral Diferente da análise qualitativa do Saeb. Ele é proposto pelo trabalho pedagógico nas escolas. Sendo um ambiente social. à determinada sociedade e às relações com o 12 . raça e etnia. Atualmente. as escolas públicas já têm disponível no site do Inep um resumo de dados por escola. O resultado das provas. o corpo docente. O Currículo educativo representa a composição dos conhecimentos e valores que caracterizam um processo social. AVALIAÇÃO DA INSTITUIÇÃO ESCOLAR Novos mecanismos da aplicação do Censo Escolar e do Sistema de avaliação do Ensino Básico no Brasil (SAEB) serão implementados no início de 2005. Os resultados das avaliações possibilitam traçar um panorama da qualidade dos cursos e instituições de educação superior no País. diretores e escolas. o Ministério da Educação pretende aperfeiçoar o objetivo desses diagnósticos. pelos órgãos governamentais para orientar políticas públicas e pelos estudantes. desde 1990. região e país. que é o de apoiar as Secretarias de educação na melhoria da qualidade do ensino. Realizados desde a década de 90 por amostragem de alunos das redes estadual. para orientar suas decisões quanto à realidade dos cursos e das instituições. o currículo é uma construção social. com número de alunos. afirma Dirce Gomes. de 14 de abril de 2004.861. obtido através do censo. Um dos focos mais importantes é o exame de múltipla escolha. o explicito e o formal. era mostrado sempre por Estado. nome da mãe. a gestão da instituição. turmas e profissionais. por exemplo). a estrutura física de escolas na mesma cidade. cada estudante terá um cadastro pessoal que permitirá o acompanhamento de sua trajetória escolar. tem um duplo currículo. mas também é um cenário de socialização da mudança. o oculto e informal. realizado em 1931 no governo Getúlio Vargas. A prática do currículo é geralmente acentuada na vida dos alunos estando associada às mensagens de natureza afetiva e às atitudes e valores. SINAES Criado pela Lei n° 10. tanto o Censo como o Saeb passarão a ter o foco no aluno. O Sinaes avalia todos os aspectos que giram em torno desses três eixos: o ensino. o resultado demorou sete anos para ser contabilizado. segundo Carlos Henrique Araújo. "Na época do primeiro Censo. Dessa forma. em 2005 toda escola e todo aluno da rede pública fará o exame. que permite comparar. o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) é formado por três componentes principais: a avaliação das instituições. A novidade é que ele passará a incluir os dados por aluno. CURRÍCULO A escola. avaliação externa. "Assim eliminaremos duplicidade de matrículas e alunos fantasmas".

sua essência e sua defesa. não é imparcial. valores e comportamentos que não fazem parte explícita do currículo. "o planejamento do Sistema de Educação é o de maior abrangência (entre os níveis do planejamento na educação escolar). também refletiremos em um currículo que atenderá. Planejamento Curricular é o "processo de tomada de decisões sobre a dinâmica da ação escolar. devem ser substituídos. O Currículo. A visão do currículo está associada ao conjunto de atividades intencionalmente desenvolvidas para o processo formativo. tendo em vista a situação presente e possibilidades futuras. É previsão sistemática e ordenada de toda a vida escolar do aluno". prever o acompanhamento e a avaliação da própria ação. mas considerando as condições do presente. setores de trabalho. As ciências nos mostram que não há desenvolvimento sustentado sem o capital social. através dos diversos componentes curriculares (VASCONCELLOS. pois a preocupação é com a proposta geral das experiências de aprendizagem que a escola deve oferecer ao estudante. das elites. axiologia (preocupa-se com a natureza do bom e mau. pois por trás das nossas diferenças. epistemologia (define a natureza dos conhecimentos e o processo de conhecer). multidisciplinar e pluridisciplinar. das práticas e da configuração espacial e temporal da escola”. que é a lista de disciplinas e conteúdos do currículo. incorporando as políticas educacionais. 13 . e ao respeito pelo outro. os aspectos contextuais e os pressupostos filosófico. que é o conjunto de ações pedagógicas e a matriz curricular. pensando e prevendo necessariamente o futuro". é um processo que "visa a dar respostas a um problema. e currículo é a opção realizada dentro dessa cultura. O ato de planejar é sempre processo de reflexão. Planejamento Educacional é processo contínuo que se preocupa com o 'para onde ir' e 'quais as maneiras adequadas para chegar lá'. 4. Planejar e avaliar andam de mãos dadas. O processo de busca de equilíbrio entre meios e fins. à participação cívica. gerador de inovação. 1995). cultural. entre recursos e objetivos. de modo a atingir objetivos antes previstos. as experiências do passado. 3. sendo o centro da ação educativa. visto que esta tem como características básicas: evitar a improvisação. em certo espaço e tempo histórico. instituições. há a mesma humanidade. em épocas diferentes a interesses. com a pluralidade cultural. mas os Parâmetros Curriculares Nacionais indicam que os modelos dominantes na escola brasileira. a educação e currículo são vistos intimamente envolvidos com o processo cultural. A cultura é o conteúdo da educação. visando à concretização de objetivos. dos rituais. como construção de identidades locais e nacionais. na medida do possível. essa modalidade de planejar constitui um instrumento que orienta a ação educativa na escola. estabelecendo fins e meios que apontem para sua superação. Há várias formas de composição curricular. PLANEJAMENTO É: 1. aparece o movimento de exigência dos grupos culturais dominados que lutam para ter suas raízes culturais reconhecidas e representadas na cultura nacional. de sociedade e de educação. Para Vasconcellos (1995). em sentido amplo. de tomada de decisão sobre a ação. 2001). Porém. Nesse sentido. implica relações de poder. processo de previsão de necessidades e racionalização de emprego de meios (materiais) e recursos (humanos) disponíveis. ao reconhecimento do belo. O currículo é um instrumento político que se vincula à ideologia. organizações grupais e outras atividades humanas. é social e culturalmente definido. prever o futuro. 2. Para elaboração de um currículo escolar devemos levar em consideração as vertentes caracterizadas pela: ontologia (trata da natureza do ser). Planejar também é uma atividade que está dentro da educação. para que o desenvolvimento da educação atenda tanto as necessidades da sociedade. E que a escolarização é a condição fundamental de acesso à cultura. mas que são implicitamente ensinados através das relações sociais. à estrutura social. a partir dos resultados das avaliações (PADILHA. Existe uma diferença conceitual entre currículo.conhecimento. estabelecer caminhos que possam nortear mais apropriadamente a execução da ação educativa. visando ao melhor funcionamento de empresas. da burguesia. o currículo oculto é “o conjunto de atitudes. estadual e municipal". em prazos determinados e etapas definidas. reflete uma concepção de mundo. Portanto. Hoje existem várias formas de ensinar e aprender e umas delas é o currículo oculto. Planejar. ao sentido crítico. Ao pensarmos no homem como um ser histórico. econômico e político de quem planeja e com quem se planeja. incluindo o estético). de responsabilidade e de participação cívica. quanto as do indivíduo. à cultura e ao poder. As teorias críticas nos informam que a escola tem sido um lugar de subordinação e reprodução da cultura da classe dominante. por uma perspectiva interdisciplinar e transdisciplinar. correspondendo ao planejamento que é feito em nível nacional. marcados por uma forte fragmentação. Para Silva.

7. esse nível de planejamento trata do "processo de tomada de decisões bem informadas que visem à racionalização das atividades do professor e do aluno. o sentido. O papel da educação como elemento de desenvolvimento social é reorientado. Abarca cada aspecto isoladamente e enfatiza a técnica. a transversalidade. em médio prazo e/ou longo prazo. através das diferentes disciplinas e além de toda disciplina e sua finalidade é compreender o mundo atual. Como vemos. "É um processo de racionalização. Currículo indica processo. a rota de uma pessoa ou grupo de pessoas. que é a noção da realidade. 8. nos projetos. A transdisciplinaridade é a investigação da acepção da vida através de relações entre os diversos saberes das ciências exatas. compartilha. centralizando-se na eficiência e na busca da manutenção do funcionamento. 1992). principalmente após a ampliação do ensino fundamental para nove anos. conhecimento e cultura. organização dos tempos e espaços escolares. consentindo que cada aluno perceba o conhecimento coletivo e construa o seu de maneira individual. Citando Paulo Freire. os instrumentos. quando existe correlação entre as capacidades exigidas para o exercício da cidadania e para as ações produtivas. pois a idéia é modernizar o debate sobre a importância do currículo. a preocupação é responder as perguntas "o quê". o funcionamento e a proposta pedagógica da instituição. áreas do conhecimento. diversidade e inclusão 14 . como a etimologia da palavra recomenda. procura parceria. articular teoria e prática. da cooperação e participação. currículo interdisciplinar não é apenas combinar algumas disciplinas em projetos. Tem sua expressão nos programas e. 2001). assim como. A preocupação central é definir fins. "como" e "com quê". momento de execução para solucionar problemas. buscar conceber visões globalizantes e de eficácia. percurso. mas para que a interdisciplinaridade aconteça é necessário a colaboração e a parceria entre as disciplinas do currículo para se chegar a um finalidade única. articulando a atividade escolar e a problemática do contexto social" (LIBÂNEO. numa forma interdisciplinar sem perder de vista os objetivos fundamentais elencados para a sua disciplina. O conceito de interdisciplinaridade foi organizado propondo-se restabelecer um diálogo entre as diversas áreas dos conhecimentos científicos. movimento. currículo. ou melhor. sendo sobretudo tarefa de administradores.5. Devemos lembrar que a exclusão proveniente da sociedade do consumo e do capitalismo poderá sofrer diminuição através da idéia de currículos que privilegiem áreas que estão em crescimento no momento atual. Planejamento de Ensino é o processo de decisão sobre atuação concreta dos professores. Planejamento Escolar é o planejamento global da escola. na situação de ensino-aprendizagem". Ao buscarmos um novo olhar interdisciplinar chegaremos ao olhar transdisciplinar com mais entrosamento e fortalecimento. envolvendo o processo de reflexão. envolvendo as ações e situações. O currículo deve ser entendido como componente central do procedimento da educação institucionalizada. Nessa expectativa compete ao professor. tratando prioritariamente dos meios. Uma sugestão curricular de alcance para a sociedade contemporânea deverá agregar as tendências atuais da ciência e da tecnologia nas atividades produtivas e nas interações sociais. adiciona. constatamos que a fala desse educador nos elucida ao colocar que devemos aproximar a atitude interdisciplinar da atitude transdisciplinar: porque encontraremos nas duas o coletivo instituinte. "para quem" e também com "o quê". no cotidiano de seu trabalho pedagógico. A transdisciplinaridade busca a compreensão do conhecimento. agrega. Na opinião de Sant'Anna et al (1995). o espaço de contestação das relações sociais e humanas e também o lugar da gestão. Currículo é o ambiente do conhecimento. o trabalho em grupo. 6. Planejamento Político-Social tem como preocupação fundamental responder as questões "para quê". onde a ênfase é o presente. estimulando a vinculação e indicando uma visão contextualizada do conhecimento. coopera. busca a inclusão. Os estudos serão estruturados em seis eixos temáticos: currículo e desenvolvimento humano. mais especificamente. educandos e o currículo. No Planejamento Operacional. O que é um currículo interdisciplinar? É o modo de viabilizar as interações e inter-relações entre as diferentes disciplinas existentes. A transdisciplinaridade considera o que está ao mesmo tempo entre as disciplinas. de decisões sobre a organização. da vida e do mundo. educadores de todo o país estão reunidos para discutir o entendimento do currículo no ensino infantil e fundamental. CURRÍCULO E INTERDISCIPLINARIDADE A palavra Currículo é de origem latina e significa o caminho da vida. humanas e artes. A interdisciplinaridade pode ser compreendida como sendo a troca de reciprocidade entre as disciplinas ou ciências. Mediante as demandas contemporâneas. "Tem o plano e o programa como expressão maior" (GANDIN. em constantes interações entre professor e alunos e entre os próprios alunos (PADILHA. organização e coordenação da ação docente. o diálogo. serve para situações de crise e em que a proposta é de transformação. 1994).

uma dimensão essencial da coerência do currículo. por um lado. Antes. ainda. cada vez mais. são consideradas relevantes tendo em conta as características da população escolar e as finalidades do sistema educativo. O trabalho com populações culturalmente discrepantes desse padrão. processualmente e sucessivamente. dicotomias curriculares quando entram em jogo variáveis multiculturais. CURRÍCULO E MULTICULTURALIDADE O currículo "coerente" é aquele que permanece uno. reforçaram o peso da diversidade e colocaram-na no centro do debate e das práticas educativas. estão unidas e ligadas pelo sentido da totalidade. quando a composição das classes for marcadamente discrepante daquela uniformidade. nos discursos e nas práticas escolares. Dicotomias que indiciam. A análise de alguns dados sobre a multiculturalidade em alguns cursos de formação inicial de professores. hoje. é. a prevalência de uma concepção de currículo dirigido a grupos definidos por uma suposta uniformidade cultural e social para os quais todos os professores devem ser formados e. parte dessa formação mas indicia que a sua abordagem é ainda bastante avulsa. professor de currículos que são multiculturais. Contempla os conhecimentos. é hoje. mostra que o tema é.Diante da constatação de necessidades contemporâneas. o contributo de peças associadas à multiculturalidade. de modos muito diferenciados. As raízes da persistência desta dicotomia encontram-se no peso das práticas monoculturais anteriores. a existência de um currículo oficial de um certo ciclo. freqüentemente. porque o ser humano é ser de múltiplas dimensões e aprendem em tempos e em ritmos diferentes. acentua as diferenças e na formação de professores que. é entendido como uma adaptação das competências exigidas pelo trabalho com classes padrão ou por competências adicionais a usar e desenvolver face aos contextos multiculturais. Hoje. as atitudes e as competências que. que faz sentido como um todo e cujas peças. freqüentemente. por outro. As transformações demográficas e culturais ocorridas nas duas últimas décadas. a concepção e realização das melhores formas de adequar o currículo à diversidade dos seus destinatários. A multiculturalidade é. os novos diplomados colocam a incidência da sua formação no elenco de competências para o trabalho com classes situadas num padrão cultural de referência. Embora reconhecendo teoricamente a importância da multiculturalidade na gestão do currículo. numa sociedade e num certo momento. descontínua e pouco integrada. una e pluralista do currículo e tornando mais óbvia a necessidade de incluir a vertente multicultural na preparação e no desempenho profissional de professores. reforça-os no sentido da afirmação de uma concepção coerente. A formação inicial constitui a etapa estruturante de concepções coerentes e pluralistas do currículo. qualquer currículo. por inerência. É condição para uma concepção una. Não será a crescente diversificação cultural da sociedade e das escolas que altera estes princípios. e sempre foi. e currículo e avaliação. em particular na Sociologia da Educação. quaisquer que sejam. inclusiva e pluralista do currículo. enquanto variável constante na construção e realização do currículo. Ignorar a diversidade. PLANO DECENAL DE EDUCAÇÃO PARA TODOS 15 . ano ou disciplina e. os eixos temáticos referentes aos estudos em andamento incorporam a preocupação dos educadores com a necessidade de um currículo que contemple a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade. qualquer professor é. o conhecimento deve ser construído e reconstruído. no discurso pedagógico e social em relação à multiculturalidade que. de modo mais ou menos implícitos. nas ideologias pessoais em relação às diferenças humanas. e orienta para concepções dicotômicas do currículo. de um currículo multicultural a que alguns professores deverão recorrer. por outro. a sua versão multicultural. No entanto prevalecem. Um currículo. multicultural seja qual for o sentido que queiramos atribuir à raiz (cultura) do termo. as ignora.social. por um lado. o currículo tem. e o conhecimento deve ser abordado em uma perspectiva de totalidade. como souberem e puderem. por inerência. A razão de ser e grande finalidade da teoria e da prática de organização e desenvolvimento curricular. Ou. Tem tido um peso significativo nas unidades curriculares da área das Ciências Sociais. mais ou menos lateral ou oculta. menos em Desenvolvimento Curricular e em algumas metodologias de ensino e é frágil na Intervenção/Prática Educativa. Enquanto totalidade integrada. significa ignorar muitos daqueles saberes e atitudes bem como o princípio da igualdade de oportunidades educativas.

conferindo maior eficiência e eqüidade em sua distribuição e aplicação. Lá o documento foi aprovado pelas duas organizações internacionais. para que possam viver em ambientes saturados de informações e continuar aprendendo. As idéias contidas no Plano Decenal. México. o Plano Decenal marca a aceitação formal. O plano expressa sete objetivos gerais de desenvolvimento da educação básica: 1. tendo em vista o novo cenário social advindo da sociedade da informação. estabelecendo posições consensuais entre os nove países participantes. até o ano 2003. Estabelecer canais mais amplos e qualificados de cooperação e intercâmbio educacional e cultural de caráter bilateral. ao consolidar e ampliar o dever do poder público com a educação em geral e em particular com o ensino fundamental. pela Unesco. PLANO DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO — PDE 16 . Os objetivos do Plano Decenal de Educação para Todos são lembrados na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. O Plano Decenal de Educação para Todos foi apresentado pelo governo brasileiro em Nova Delhi.que. Ampliar os meios e o alcance da educação básica. Bangladesh. Favorecer um ambiente adequado à aprendizagem. em todas as pessoas. 5. aprovada em 1996. Brasil. cujo objetivo mais amplo é assegurar.Documento elaborado em 1993 pelo Ministério da Educação (MEC) destinado a cumprir. 6. com eqüidade. recomendando o empenho de todos os países participantes em sua melhoria. social. das teses e estratégias que estavam sendo formuladas nos foros internacionais mais significativos na área da melhoria da educação básica. PNUD e Banco Mundial. conteúdos mínimos de aprendizagem que atendam a necessidades elementares da vida contemporânea". as resoluções da Conferência Mundial de Educação Para Todos. Esse documento é considerado "um conjunto de diretrizes políticas voltado para a recuperação da escola fundamental no país". Incrementar os recursos financeiros para manutenção e para investimentos na qualidade da educação básica. na luta pela satisfação das necessidades básicas de aprendizagem para todos. multilateral e internacional. 7. 3. as oportunidades de alcançar e manter níveis apropriados de aprendizagem e desenvolvimento. jovens e adultos. Dessa forma. têm origem na preocupação da comunidade internacional com a educação. expressam-se no Plano Decenal de Educação para Todos. política e cultural do país. Universalizar. realizada em Jomtien. constituindo-se em um compromisso da comunidade internacional em reafirmar a necessidade de que "todos dominem os conhecimentos indispensáveis à compreensão do mundo em que vivem". provendo-lhes as competências fundamentais requeridas para a participação na vida econômica. parcerias e compromisso. portanto. Satisfazer as necessidades básicas de aprendizagem das crianças. um corpo de conhecimentos essenciais e um conjunto mínimo de competências cognitivas. possuem mais da metade da população mundial. de garantir a satisfação das necessidades básicas de educação de seu povo. devendo desenvolver. em 1990. Egito. a educação fundamental tem sido considerada um "passaporte para a vida". Nesse sentido. 4. "os compromissos que o governo brasileiro assume. Segundo o Plano. pelo governo federal brasileiro. 2. Índia. Unicef. num encontro promovido pela Unicef e pelo Banco Mundial e que reuniu os nove países mais populosos do Terceiro Mundo Tailândia. Fortalecer os espaços institucionais de acordos. jovens e adultos. especialmente as necessidades do mundo do trabalho. Nigéria e Indonésia . no período de uma década (1993 a 2003). que também ajudaram a elaborar a Declaração de Nova Delhi. a Conferência de Jomtien é um marco político e conceitual da educação fundamental. na Tailândia. Paquistão. Em seu conjunto. juntos. a crianças.

Saúde nas escolas e Olhar Brasil. ampliar e abrir cursos noturnos e combater a evasão são algumas das medidas. e os jovens de 15 a 29 anos.Luz para todos: programa no qual as escolas terão prioridade.Brasil Alfabetizado: terá dois focos: a Região Nordeste. 17 . A alfabetização de jovens e adultos será.Educação Superior: duplicar as vagas nas universidades federais.O Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) foi aprovado pelo Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva e pelo Ministro da Educação Fernando Haddad em 24 de abril de 2007.Índice de qualidade: avaliará as condições em que se encontra o ensino com o objetivo de alcançar nota seis no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). A prioridade é a Educação Básica. . . . .Formação: o programa Universidade Aberta do Brasil. em todas as suas etapas. . formar novos docentes e propiciar formação continuada. reestruturação e aquisição de equipamentos nas creches e pré-escolas. como Luz para todos. prioritariamente.Salas multifuncionais: ampliação de números de salas e equipamentos para a Educação Especial e capacitação de professores para o atendimento educacional especializado. entre outros. mas vai além por incluir ações de combate a problemas sociais que inibem o ensino e o aprendizado com qualidade. O prevê várias ações que visam identificar e solucionar os problemas que afetam diretamente a Educação brasileira.Transporte escolar: Caminho da Escola é o novo programa de transporte para alunos da Educação Básica que residem na zona rural. . que vai do Ensino Infantil ao Médio. . . . visa capacitar professores da Educação Básica pública que ainda não têm graduação. que concentra 90% dos municípios com altos índices de analfabetismo. O plano Compromisso Todos Pela Educação propõe as diretrizes e estabelece as metas para as escolas das redes municipais e estaduais de ensino. As ações deverão ser desenvolvidas conjuntamente pela União. . com o objetivo de melhorar a Educação no País. Ações do PDE: . os alunos do Ensino Médio terão acesso a obras literárias no local em que estudam. . . estados e municípios. no contra turno de sua atividade. do ensino profissionalizante e médio. feita por professores das redes públicas.Educação profissional: os Institutos Federais de Educação Tecnológica (IFETs) reorganizarão o modelo da educação profissional e atenderão as diferentes modalidades de ensino. em um prazo de quinze anos. por meio de um sistema nacional de ensino superior à distância.Gosto de ler: a Olimpíada Brasileira da Língua Portuguesa será realizada em 2008 e pretende resgatar o prazer da leitura e da escrita no Ensino Fundamental.Biblioteca na escola: com a criação desse programa.Provinha Brasil: instrumento de aferição do desempenho escolar dos alunos de seis a oito anos. . melhoria da infra-estrutura física.Estágio: alterações nas normas gerais da Lei do Estágio para beneficiar alunos da Educação Superior.Proinfância: construção.Piso do magistério: definição do piso salarial nacional de 850 reais para os professores. .Acesso facilitado: o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) aumentará o prazo para o aluno quitar o empréstimo após a conclusão do curso.

Professor-equivalente: a própria universidade poderá promover concurso público para a contratação de professores nas universidades públicas federais.Olhar Brasil: o programa identificará os estudantes com problemas de visão. .Mais Educação: alunos passarão mais tempo na escola. após declarar que a educação abrange “os processos formativos” que se desenvolvem em todas as instâncias da vida social. . aprovada após oito anos de discussão comandada pelo Congresso Nacional.Censo pela Internet: com o levantamento do Educacenso. predominantemente. . a lei nº 9 394/96 afirma destinar-se a disciplinar “a educação escolar. os gestores conhecerão detalhes da Educação do Brasil.Cidades-pólo: o Brasil terá 150 novas escolas profissionais.Educação Especial: monitorar a entrada e a permanência na escola de pessoas com deficiência. por meio do ensino. que receberão óculos gratuitamente. . materiais e processos. NÍVEIS DE ENSINO 18 . O SISTEMA EDUCACIONAL BRASILEIRO Atualmente o sistema escolar brasileiro é regido pela lei nº 9394/1996. .Guia de tecnologias: as melhores experiências tecnológicas educacionais serão um referencial de qualidade para utilização por escolas e sistemas de ensino. que se desenvolve. As escolas urbanas só receberão a verba se cumprirem as metas estabelecidas.Coleção educadores: a coleção Pensadores. será doada para as escolas e bibliotecas públicas da Educação Básica. que engloba 60 obras de mestres brasileiros e estrangeiros. .. Em seu artigo 1º. nos dispositivos que ainda vigoravam). com o objetivo de efetivar a política de acessibilidade universal. .Inclusão digital: todas as escolas públicas terão laboratórios de informática.Saúde nas escolas: o Programa Saúde da Família atenderá alunos e professores para prevenir doenças e tratar outros males comuns à população escolar sem sair da escola. terão mais atividades no contra turno e ampliação do espaço educativo. . .Dinheiro na escola: todas as escolas de Ensino Fundamental Pública Rural receberão a parcela extra de 50% do Programa Dinheiro Direto na Escola. com o objetivo de incentivar a leitura. e nº 7044/82 (que tornou opcional a profissionalização no 2º grau. nº 5 692/71 (que estabelecia as diretrizes e bases para o ensino de 1º e 2º grau). A ação faz parte do plano de expansão da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica. . que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. crianças e jovens de zero a dezoito anos atendidas pelo Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social (BPC). . em especial. Os estudos que faremos sobre o sistema escolar brasileiro devem ser sempre baseados na lei nº 9 394/96.Concurso: prevê a realização de concursos públicos para ampliação do quadro de pessoal do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e da expansão da rede profissional. . em instituições próprias” (§ 1º) que “a educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social”.Acessibilidade: as universidades terão núcleos para ampliação do acesso das pessoas com deficiência a todos os espaços.Pós-doutorado: jovens doutores terão apoio do governo para continuar no Brasil. a pesquisa e a busca pelo conhecimento. Esta lei. ambientes. . obrigatória pela lei de 1971). revogou as leis nº 4 024/61 (que foi nossa primeira lei de diretrizes e bases da educação.

As vagas para os cursos superiores. na maioria das vezes. Artes Plásticas. enquanto os pobres só conseguem fazer um curso superior em escolas particulares e com muita dificuldade. de diferentes níveis de abrangência. Jornalismo. cursos de especialização. intelectual e social. Deve ter a duração mínima de três anos (art. Ensino Médio. a lei nº 9 394/96 atribui ao ensino médio um caráter de formação geral básica: consolidação e aprofundamento de conhecimentos já adquiridos. então. Ao contrário da lei nº 5 692/71. História. Ensino Médio. O que acontece. as matérias são praticamente as mesmas em todas as escolas de ensino fundamental do país. Educação. Ao menos. Economia. Ensino fundamental. MODALIDADES DE ENSINO O ensino oferecido pelo sistema escolar brasileiro começa por uma base comum para todos. sendo disputadas por muitos candidatos. abertos a candidatos diplomados em cursos de graduação e que atendam às exigências das instituições de ensino. abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos em cada caso pelas instituições de ensino.32). 26). Geralmente. não pagam. é que os ricos. e da lei nº 7 044/82. ainda são bastante limitadas. primeira etapa da educação básica. De acordo com o artigo 29 da lei 9394/96. 24). complementando a ação da família e da comunidade”. que deixou em aberto a opção pela formação profissional nesse nível do ensino. e da clientela”. a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos pelas instituições de ensino. diversificando-se gradualmente até alcançar uma especialização em nível superior. A educação profissional será feita em cursos específicos. que instituiu a profissionalização compulsória. Direito. Será oferecida em creches. Tem a duração de oito anos letivos e é obrigatório. 40). que sempre termina por uma especialização profissional. exigida pelas características regionais e locais da sociedade. ensino fundamental e ensino médio) e da educação superior: Educação infantil. já que dispõem de melhores meios de estudar. abrangerá os seguintes cursos e programas: I – cursos seqüenciais por campo de saber. tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade. ou entidades equivalentes (até três PDEanos de idade). psicológico. III – de pós-graduação. é praticamente igual para todos. seja constituído de uma “base nacional comum. da cultura . aperfeiçoamento e outros. GESTÃO ESCOLAR 19 . 35). Geografia são apenas algumas entre as muitas habilitações oferecidas. Educação Superior. aprimoramento do educando como pessoa humana e compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos (art. em no mínimo 800 horas e 200 dias anuais de efetivo trabalho escolar (art. e gratuito na escola pública (art. conforme o artigo 30. abertos a candidatos que tenham concluído o ensino médio ou equivalente e tenham sido classificados em processo seletivo. articulados ou não com o ensino regular (art. formação básica para o trabalho e a cidadania. Para crianças até seis anos de idade. O desejável seria que a educação fosse pública e gratuita para todos. Ensino fundamental. deve ter um mínimo de 800 horas anuais em 200 dias de efetivo trabalho escolar (arts.De acordo com a lei (art. que poderiam pagar. pela lei (art. Administração. Medicina. II – de graduação. Embora. vencem aqueles que desfrutam de melhores condições socioeconômicas. IV – de extensão. em todos os níveis. por uma parte diversificada. o que pode acontecer é o seguinte: Educação infantil. Conforme o artigo 44. 21) a educação escolar compõe-se da educação básica (educação infantil. a ser complementada em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar. Em linhas gerais. Educação superior. e em pré-escolas (de quatro a seis anos). 24 e 32). Uma série de modalidades são oferecidas no ensino superior. Em parte isso acontece porque os sistemas de ensino e os estabelecimentos escolares têm dificuldades em adaptar-se às características culturais e sociais diversificadas coexistentes em nosso país. “a educação infantil.35). da economia. principalmente nas escolas públicas e gratuitas. compreendendo programas de mestrado e doutorado. em seus aspectos físico.

PARTICULARIDADES DA INSTITUIÇÃO ESCOLAR A partir de então. metas. Cuida de gerir o área educativa. o norte da escola. com efeito.relativamente recente . mas. e assume distinta configuração na política educacional.Para fim de melhor entendimento. O Diretor é o grande articulador da Gestão Pedagógica e o primeiro responsável pelo seu sucesso. Gestão Administrativa: Cuida da parte física (o prédio e os equipamentos materiais que a escola possui) e da parte institucional (a legislação escolar. embora muitas de suas funções que hoje lhe são atribuídas já existissem. atividades de secretaria). • A escola tem como tarefa especifica a gestão de seu pessoal. O conceito de Gestão Escolar . Segundo Vieira (2005). definindo caminhos e rumos que uma determinada comunidade busca para si e para aqueles que se agregam em seu torno. A mudança de denominação não foi apenas na escrita. surge para assegurar o princípio da Gestão Democrática do Ensino Público. em função dos objetivos e do perfil da comunidade e dos alunos. por possuir um caráter mais democrático. dos objetivos e o cumprimento de metas. Suas especificidades estão enunciadas no Regimento Escolar e no Projeto Pedagógico (também denominado Proposta Pedagógica) da escola. ainda. Avalia o desempenho dos alunos. e. pois esta se relaciona aos diferentes momentos da história que varia ao longo do tempo. a escola passa a ter uma nova função social. oferecendo. sim. um marco normativo foi a Constituição Federal de 1988 que institucionalizou a “Gestão Democrática do Ensino Público”. 23). de modo integrado ou sistêmico: GESTÃO PEDAGÓGICA GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS GESTÃO ADMINISTRATIVA 1.394/96. Essa é a primeira das leis de educação a dispensar atenção particular à gestão escolar. A partir dessa lei a organização escolar ganha um novo perfil. A proposta pedagógica é. nesse mesmo sentido. AUTONOMIA DAS ESCOLAS É importante salientar um importante aspecto da gestão escolar que é a autonomia das escolas para prever formas de organização que permitam atender as peculiaridades regionais e locais. a possibilidade de apreensão de competências e habilidades necessárias e facilitadoras da inserção social. da escola e da educação escolar. 12 da LDB). avaliação e treinamento da equipe escolar.Suas 20 . plano de curso. outras medidas são previstas em lei com o objetivo de promover uma cultura de sucesso escolar para todas as crianças. gerais e específicos. é um termo recente. Conseqüentemente. mas também de concepções teóricas a respeito dessa atividade. direitos e deveres. Elabora os conteúdos curriculares. Acompanha e avalia o rendimento das propostas pedagógicas. Estabelece objetivos para o ensino. como detalha Vieira (2005): • A elaboração e a execução de uma proposta pedagógica são as primeiras e as principais das atribuições da escola. Art. agora não mais embasada nas conjeturas da administração. que é a sua razão de ser. plano de aula. esta se situa no âmbito da escola e diz respeito a tarefas que estão sob sua esfera de abrangência. anteriormente nomeada Administração Escolar. • Acima de qualquer outra dimensão é incumbência da escola zelar pelo ensino e a aprendizagem. Origem Normativa No Brasil. na medida em que desejamos uma escola que atenda às atuais exigências da vida social: formar cidadãos. Gestão Pedagógica: É o lado mais importante e significativo da gestão escolar.é de extrema importância.A Gestão Escolar. reflete as transformações oriundas de um determinado contexto histórico. • Uma importante dimensão da gestão escolar é a relação com a comunidade (Art. que vem unir forças com a Constituição de 1988. funcionando interligadas. sendo dessa forma assegurada como o princípio da educação pública. 2. Propõe metas a serem atingidas. Parte do Plano Escolar (ou Plano Político Pedagógico de Gestão Escolar) também inclui elementos da gestão pedagógica: objetivos gerais e específicos. Outro marco foi a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) nº 9. Define as linhas de atuação. É auxiliado nessa tarefa pelo Coordenador Pedagógico (quando existe). além disso. às diferentes clientelas e necessidades do processo de aprendizagem (LDB. suas incumbências modificaram-se. do corpo docente e da equipe escolar como um todo. costuma-se classificar a Gestão Escolar em 3 áreas. e com o mesmo objetivo. nos princípios da Gestão. propriamente dita. de seus recursos materiais e financeiros.

53 . equipe escolar e comunidade) constitui a parte mais sensível de toda a gestão. podendo recorrer às instâncias escolares superiores. deveres. não tolhendo demais a autonomia das pessoas envolvidas com o trabalho escolar. Art. a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico.ECA Art. a gestão de recursos humanos se torna mais simples e mais justa.igualdade de condições para o acesso e permanência na escola. 13. 25. Art. formada por parentes próximos com os quais a criança ou adolescente convive e mantém vínculos de afinidade e afetividade. pois. 28.especificidades estão enunciadas no Plano Escolar (também denominado Plano Político Pedagógico de Gestão Escolar. sem prejuízo de outras providências legais.DO DIREITO À EDUCAÇÃO. independentemente da situação jurídica da criança ou adolescente. Parágrafo único. na realidade escolar. 1º Esta Lei dispõe sobre a proteção integral à criança e ao adolescente. moral. À CULTURA. mantê-las trabalhando satisfeitas. de forma a garantir a organicidade do processo educativo. Os casos de suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar da respectiva localidade. assegurando-se-lhes: I . Art. em condições de liberdade e de dignidade. e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade. corpo técnico. lidar com pessoas.de professores. aplica-se excepcionalmente este Estatuto às pessoas entre dezoito e vinte e um anos de idade. Nos casos expressos em lei. II . Art. atribuições .em termos de fracasso ou sucesso . contornar problemas e questões de relacionamento humano fazem da gestão de recursos humanos o fiel da balança . A colocação em família substituta far-se-á mediante guarda.direito de contestar critérios avaliativos. podendo ser deferida. A organização acima . para os efeitos desta Lei. explicativa. nem deixando lacunas e vazios sujeitos a interpretações ambíguas.correspondem a uma formulação teórica. CAPÍTULO IV . a gestão de pessoal . nos procedimentos de tutela e adoção. Art. todas as oportunidades e facilidades. espiritual e social. administrativa e de recursos humanos . 33. as três não podem ser separadas mas.direito de ser respeitado por seus educadores. Entende-se por família natural a comunidade formada pelos pais ou qualquer deles e seus descendentes. a pessoa até doze anos de idade incompletos. moral e educacional à criança ou adolescente. isto sim. exceto no de adoção por estrangeiros. liminar ou incidentalmente. AO ESPORTE E AO LAZER . ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE – ECA – Lei 8069/90 Art. preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho. 21 . rendendo o máximo em suas atividades.gestões pedagógica. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana. pais e comunidades .Sem dúvida. A guarda obriga a prestação de assistência material.Direitos. por lei ou por outros meios. pessoal administrativo. inclusive aos pais. visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa. alunos. § 1º A guarda destina-se a regularizar a posse de fato. devem atuar integradamente. Entende-se por família extensa ou ampliada aquela que se estende para além da unidade pais e filhos ou da unidade do casal.A criança e o adolescente têm direito à educação.alunos. tutela ou adoção. 2º Considera-se criança.de toda formulação educacional a que se pretenda dar consecução na escola. assegurando-se-lhes. nos termos desta Lei. III . 3.Quando o Regimento Escolar é elaborado de modo equilibrado. Parágrafo único. Art. mental. ou Projeto Pedagógico) e no Regimento Escolar. Gestão de Recursos Humanos: Não menos importante que a Gestão Pedagógica.estão previstos no Regimento Escolar. sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei. conferindo a seu detentor o direito de opor-se a terceiros.

artísticos e históricos próprios do contexto social da criança e do adolescente. esgotados os recursos escolares. serração. a ênfase na prática como atividade formadora aparece.acesso aos níveis mais elevados do ensino. Art. Art. É difícil pensar na possibilidade de educar fora de uma situação concreta e de uma realidade definida. em razão do que traz conseqüências decisivas para a formação profissional.IV . VI . currículo.atendimento no ensino fundamental. através de programas suplementares de material didáticoescolar. bem como participar da definição das propostas educacionais.Os dirigentes de estabelecimentos de ensino fundamental comunicarão ao Conselho Tutelar os casos de: I . é preciso integrar os conteúdos das disciplinas em situações da prática que coloquem problemas aos futuros professores e lhes possibilitem experimentar soluções. fazer-lhes a chamada e zelar. § 1° . à primeira vista. O caminho deve ser outro. III .atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a seis anos de idade. V . 56 . com vistas à inserção de crianças e adolescentes excluídos do ensino fundamental obrigatório.atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência. Isso significa ter a prática.Os Municípios. da pesquisa e da criação artística. Art.oferta de ensino noturno regular.maus-tratos envolvendo seus alunos. preferencialmente na rede regular de ensino.progressiva extensão da obrigatoriedade e gratuidade ao ensino médio.Compete ao Poder Público recensear os educandos no ensino fundamental.acesso a escola pública e gratuita próxima de sua residência. Desde o ingresso dos alunos no curso. garantindo-se a estes a liberdade de criação e o acesso às fontes de cultura. com apoio dos Estados e da União. Atualmente. 59 . FORMAÇÃO DE PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO As investigações recentes sobre formação de professores apontam como questão essencial o fato de que os professores desempenham uma atividade teórico-prática. transporte. inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade própria.O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo. didática e avaliação. III . § 3° . VII .Os pais ou responsável têm a obrigação de matricular seus filhos ou pupilos na rede regular de ensino. 58 . em termos mais amplos.ensino fundamental. junto aos pais ou responsável.É dever do Estado assegurar à criança e ao adolescente: I . § 2° . 54 . Parágrafo Único . a aproximação do futuro professor à realidade escolar acontece após ele ter passado pela formação "teórica".elevados níveis de repetência. V . metodologia. obrigatório e gratuito. IV . esportivas e de lazer voltadas para a infância e a juventude.No processo educacional respeitar-se-ão os valores culturais. II . estimularão e facilitarão a destinação de recursos e espaços para programações culturais. adequado às condições do adolescente trabalhador. A profissão de professor precisa combinar sistematicamente elementos teóricos com situações práticas reais. como 22 . como exercício formativo para o futuro professor. Por essa razão. 55 . ao longo do curso.O Poder Público estimulará pesquisas. alimentação e assistência à saúde.É direito dos pais ou responsáveis ter ciência do processo pedagógico. Art. ao se pensar um currículo de formação. tanto na disciplina especifica como nas disciplinas pedagógicas. é um dos aspectos centrais na formação do professor. segundo a capacidade de cada um.O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Público ou sua oferta irregular importa responsabilidade da autoridade competente. Art.direito de organização e participação em entidades estudantis. Art. II . 57 .reiteração de faltas injustificadas e de evasão escolar. pela freqüência à escola. experiências e novas propostas relativas a calendário. Entretanto. em boa parte dos cursos de licenciatura.

experiência física e lógico-matemática. articula-se com a formação inicial. a criança que ouve e começa a balbuciar em resposta à conversa ao seu redor gradualmente acomoda os sons que emite àqueles que ouve.o desenvolvimento humano é resultado de uma interação de fatores biológicos e ambientais. A adaptação ocorre através da organização. Piaget especializou-se nos estudos do conhecimento humano. Conhecer consiste em operar sobre o real e transformá-lo a fim de compreendê-lo. A adaptação possui dois mecanismos opostos. por controle do ambiente. pessoas. costumes são incorporadas à atividade do sujeito. também chamada de assimilação generalizadora (a criança não pega apenas um objeto. o conhecimento humano se constrói na interação homem-meio. Os esquemas afetivos levam à construção do caráter. Significa. Através da discriminação progressiva dos objetos. Por um lado. a criança reconstrói suas ações e idéias quando se relaciona com novas experiências ambientais. tendo a necessidade de serem repetidos (a criança pega várias vezes o mesmo objeto). cai por terra aquela idéia de que o estágio é aplicação da teoria. os esquemas são uma necessidade interna do indivíduo. O desenvolvimento seria fruto da aprendizagem e esta aconteceria por condicionamento. DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM Quais são as concepções de desenvolvimento? Concepção inatista – É inspirada nas teorias de Darwin e explica o desenvolvimento humano como resultado único de informações biológicas. ou seja. passando a falar de forma compreensível.Fruto de uma ciência positivista. A criança aprende a língua e assimila tudo o que ouve. Os esquemas cognitivos conduzem à formação da inteligência. Somos sujeitos ativos. que podem ou não dar algum prazer a ela. a formação inicial estaria estreitamente vinculada aos contextos de trabalho. ou seja. a criança identifica os objetos que pode ou não pegar. assim como os organismos vivos podem adaptar-se geneticamente a um novo meio. são: maturação. a pode ser feita na escola a partir dos saberes e experiências dos professores adquiridos na situação de trabalho. segundo Piaget. históricos e culturais. equilibração. indo os professores à universidade para uma reflexão mais apurada sobre a prática. o conhecimento é a equilibração/reequilibração entre assimilação e acomodação. Segundo FARIA (1998). tendo uma melhor organização em momentos sucessivos de adaptação ao objeto. ou seja. entendendo por ambiente os espaços sociais. situação em que o cognitivo está em supremacia em relação ao social e o afetivo. possibilitando pensar as disciplinas com base no que pede a prática. existe também uma relação evolutiva entre o sujeito e o seu meio. Fonte: aula professora Andrea Studart. sendo que o organismo discrimina entre estímulos e sensações. Concepção ambientalista . é algo que se dá a partir da ação do sujeito sobre o objeto de conhecimento. os alunos precisam conhecer o mais cedo possível os sujeitos e as situações com que irão trabalhar. transmissão ou experiência social. Em ambos os casos. entre os indivíduos e os objetos do mundo. que garantem o processo de desenvolvimento: a assimilação e a acomodação. Ou seja. a criança constrói sua realidade como um ser humano singular. são modos de sentir que se adquire juntamente às ações exercidas pelo sujeito sobre pessoas ou objetos. entende que o desenvolvimento acontece por causa do ambiente. concluindo que. Segundo Piaget. Por outro. Concepção interacionista . Outra propriedade do esquema é a ampliação do campo de aplicação. social e cultural. A acomodação é a modificação dos esquemas para assimilar os elementos novos. transformando isso em conhecimento seu. pega outros que estão por perto). ou seja.referente direto para contrastar seus estudos e formar seus próprios conhecimentos e convicções a respeito. As formas de conhecer são construídas nas trocas com os objetos. A assimilação é a incorporação dos dados da realidade nos esquemas disponíveis no sujeito. a formação continuada. é o processo pelo qual as idéias. selecionando aqueles que irá organizar em alguma forma de estrutura. Significa tomar a prática profissional como instância permanente e sistemática na aprendizagem do futuro professor e como referência para a organização curricular. capazes de construir nossas próprias características. ou seja. de acordo com as relações que estabelecemos com o meio físico. 23 . também. da capacidade chamada de assimilação recognitiva ou reconhecedora. A aprendizagem não influencia o desenvolvimento. estamos diante de modalidades de formação em que há interação entre as práticas formativas e os contextos de trabalho. mas complementares. o começo do conhecimento é a ação do sujeito sobre o objeto. FARIA salienta que os fatores responsáveis pelo desenvolvimento. a articulação entre formação inicial e formação continuada. Na perspectiva construtivista de Piaget. Para ele. sujeito-objeto. na EAPE TEORIA DO DESENVOLVIMENTO DE JEAN PIAGET Formado em Biologia.

valores e sentimentos. 24 . sejam eles do mundo físico ou cultural. Diante de um estímulo. Piaget afirma que. interagindo com objetos do conhecimento cada vez mais diferentes e abstratos. Para Piaget. fala egocêntrica para atingir o pensamento lógico. através da interação sujeito com os objetos que procura conhecer. A cada adaptação constituída e realizada. Também será mais fácil para essa criança. mas terá que modificar o esquema para chupeta. Para que ocorra uma adaptação ao seu ambiente.motivação. completa-se o processo a que Piaget chamou de adaptação. embora seja estimulado pelo objeto. deve passar por várias fases de desenvolvimento psicológico. O pensamento vai se tornando cada vez mais complexo e abrangente. Com sucessivas aproximações. uma suposta falta no conhecimento. a linguagem e a compreensão de regras sociais que não são inatas. nem resultado do simples registro de percepções e informações como comenta o empirismo. ela já tem esquemas assimilados. Resulta das ações e interações do sujeito com o ambiente onde vive. A base do processo de equilibração está na assimilação e na acomodação. é importante considerar o principal objetivo da educação que é autonomia. e experiência lógico-matemática – o sujeito age sobre os objetos de modo a descobrir propriedades e relações que são abstraídas de suas próprias ações. partindo do individual para o social.comporta ações diferentes em função dos objetos e consiste no desenvolvimento de ações sobre esses objetos para descobrir as propriedades que são abstraídas deles próprios. o desenvolvimento mental dá-se espontaneamente a partir de suas potencialidades e da sua interação com o meio. pois é este que se transforma para a elaboração de novos conhecimentos. até o pensamento formal. a partir da adolescência. O que promove este movimento é o processo de equilibração. o indivíduo pode olhar como desafio. através de estágios diferentes um do outro. a lógica. Por isso. ocorrendo por meio de graduações sucessivas através de estágios: período da inteligência sensório-motora. o esquema assimilador se torna solidificado e disponível para que a pessoa realize novas acomodações. Piaget chamou de acomodação. é necessário investigar como esses conhecimentos são adquiridos. ”A afetividade pode ser a causa de acelerações ou retardos no desenvolvimento intelectual e que ela própria não engendra estruturas cognitivas. supondo a atuação do sujeito sobre o meio. uma criança que já construiu o esquema de sugar. que não são impostas de dentro para fora e sim construídas pelo sujeito ao longo do desenvolvimento. Dolle (1993). faz com que a pessoa se “desequilibra” intelectualmente. estando o pensamento e a linguagem centrados na criança. Ela poderá ser: experiência física . A educação é um processo necessário. O processo de desenvolvimento mental é lento. promove a reversibilidade do pensamento. período da inteligência operatória-concreta. sendo o egocentrismo o elo de ligação das operações lógicas da criança. pela sua própria estrutura mental. Piaget procurou mostrar quais as mudanças qualitativas por quais passa a criança. pois é alcançado por meio de ações físicas e também mentais. uma é condição para o surgimento da outra. fica curioso. é o produto das ações do sujeito sobre o objeto. procura restabelecer o equilíbrio que é sempre dinâmico. interesses e valores. Segundo Piaget. é também possível graças à atividade do sujeito. a moral. Este questionamento é o interesse principal da epistemologia genética. período da inteligência pré-operatória. A aprendizagem será a aquisição que ocorre em função da experiência e que terá caráter imediato. No processo de egocentrismo. motivado e. resulta da coordenação das ações que o sujeito exerce sobre os objetos e da tomada de consciência dessa coordenação. o indivíduo deverá equilibrar uma descoberta. é um processo ativo de auto-regulação. de maneira que é necessário investigar. Todo o conhecimento é uma construção que vai sendo elaborada desde a infância. Segundo ele. construindo acomodações e assimilações. A adaptação do sujeito vai ocorrendo. uma ação com outras ações. para a criança adquirir pensamento e linguagem. isto é. com maior facilidade utiliza a mamadeira. assimilando tudo para si e ao seu próprio ponto de vista. que Piaget destaca. o falante passa por pensamento autístico. e período da inteligência operatório-formal. DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM PARA PIAGET Ao elaborar a teoria psicogenética. etc. instigado. lógico-dedutivo. A afetividade está correlacionada a esta inteligência e desempenha papel de uma fonte energética da qual dependeria o funcionamento da inteligência. nem modifica as estruturas do funcionamento nas quais intervém”. desde o estágio inicial de uma inteligência prática (período sensório-motor). A aprendizagem é sempre provocada por situações externas ao sujeito. Para que esta adaptação se torne abrangente. A este processo de ampliação ou modificação de um esquema de assimilação. através de assimilações e acomodações. ou seja. comer com colher. o conhecimento não pode ser aceito como algo predeterminado desde o nascimento ou de acordo com a teoria inatista. Os objetos do conhecimento têm propriedades e particularidades que nem sempre são assimiladas pela pessoa. conceito central na teoria construtivista. tanto intelectual como moral. Essas duas experiências estão inter-relacionadas. A criança vai usando o sistema. mediante experiências. a criança vê o mundo a partir da perspectiva pessoal.

ele não é adepto da idéia de que a criança cresce de maneira linear. a criança expressa seus desejos de participar e se diferenciar dos outros constituindo-se em sujeito próprio. não existindo linearidade no desenvolvimento. que emerge da imitação motora-gestual ou motricidade emocional. como um movimento que tende ao crescimento De acordo com GALVÃO no primeiro ano de vida. predominando a afetividade. por isso.No início do desenvolvimento existe uma preponderância do biológico e após o social adquire maior força. faz com que as idéias atinjam o sentimento de propriedade das coisas. contradição. isto é. suas condições de existência. sendo este descontínuo e. uma criança ou um adulto não são capazes de se desenvolver sem conflitos. TEORIA DO DESENVOLVIMENTO DE LEV S. para ele. predominam as atividades de investigação. que darão às suas ações e movimentos formato e expressão. Imitando. as ações da criança não mais precisarão ter origem na ação do outro. com seu mundo sócio-afetivo. podendo voltar-se para a imitação de cenas e acontecimentos. No simulacro. As crianças nascem imersas em um mundo cultural e simbólico. retrocessos. Antes do surgimento da linguagem falada. Nessa fase. A cultura e a linguagem fornecem ao pensamento os elementos para evoluir. isto é. O desenvolvimento humano tem momentos de crise. assim como Piaget. Assim como Vygotsky. é um desenvolvimento conflituoso. Dos 3 aos 6 anos. exploração e conhecimento do mundo social e físico. porém. definido pela simbiose afetiva da criança em seu meio social. Pela imitação. Neste estágio predominam as relações cognitivas da criança com o meio. as crianças comunicam-se e constituem-se como sujeitos com significado. no qual ficarão envolvidas em um "sincretismo subjetivo". As emoções intermediam sua relação com o mundo. No estágio da adolescência. o estágio impulsivo-emocional.TEORIA DO DESENVOLVIMENTO DE HENRY WALLON A criança. através da ação e interpretação do meio entre humanos. sofisticar. a criança está voltada novamente para si própria. Wallon propõe estágios de desenvolvimento. Este salto qualitativo da passagem do ato imitativo concreto e a representação é chamado de simulacro. como uma realidade viva e total no conjunto de seus comportamentos. sofre crises. a criança desdobra. sua compreensão das coisas dependerá dos outros. Durante esse período. Wallon argumenta que as trocas relacionais da criança com os outros são fundamentais para o desenvolvimento da pessoa. O autor estudou a criança contextualizada. morais. Na gênese da representação. no estágio personalístico. Os fenômenos típicos do pensamento sincrético são: fabulação. construindo suas próprias emoções. via expressões tônicas. tornando-se habilitada à representação da realidade. Aos 6 anos a criança passa ao estágio categorial trazendo avanços na inteligência. para Wallon. a criança coloca-se em oposição ao outro num mecanismo de diferenciar-se. A tarefa central é o processo de formação da personalidade. A parte cognitiva social é muito flexível. conflitos. A criança. Segundo GALVÃO (2000). Wallon identifica o sincretismo como sendo a principal característica do pensamento infantil. cada estágio estabelece uma forma específica de interação com o outro. que é seu primeiro sistema de comunicação expressiva. Esta redução do sincretismo e o estabelecimento da função categorial dependem do meio cultural no qual está inserida a criança. A criança começa a negociar. No estágio sensório-motor. ela vai “desprender-se” do outro. lentamente. os significados próprios. forma-se uma ponte entre formas concretas de significar e representar e níveis semióticos de representação. Para isso. de completa indiferenciação entre a criança e o ambiente humano. a nova capacidade que está a construir (pela participação do outro ela se diferenciará dos outros) formando sua subjetividade. por pelo menos três anos. tautologia e elisão. aparece a imitação inteligente. rupturas. que é a imitação em ato. VYGOTSKY 25 . a criança interage com o meio regida pela afetividade. permanece a subordinação a um sincretismo subjetivo (a lógica da criança ainda não está presente). Essa é a forma pela qual a criança se desloca da inteligência prática ou das situações para a inteligência verbal ou representativa. Wallon acredita que o social é imprescindível. Estes processos comunicativos-expressivos acontecem em trocas sociais como a imitação. mediada pela fala e pelo domínio do “meu/minha”. a qual constrói os significados diferenciados que a criança dá para a própria ação. é essencialmente emocional e gradualmente vai constituindo-se em um ser sóciocognitivo. a criança voltase a questões pessoais. A criança se desenvolve com seus conflitos internos e. Do estágio sensório-motor ao projetivo (1 a 3 anos). Ainda conforme GALVÃO é nesse estágio que se intensifica a realização das diferenciações necessárias à redução do sincretismo do pensamento.

generalizante. As funções psicológicas superiores aparecem. ampliando as possibilidades de transformar a natureza. A relação entre homem e mundo é uma relação mediada. ocorrem duas mudanças qualitativas no uso dos signos: o processo de internalização e a utilização de sistemas simbólicos. No início do desenvolvimento. que une a natureza ao homem e cria. um objeto social. exige-se a utilização de instrumentos para transformar a natureza e. sendo assim. Segundo Vygotsky. Os instrumentos são utilizados pelo trabalhador. assim como os instrumentos. no nível individual (no interior da criança. a mediação (necessária intervenção de outro entre duas coisas para que uma relação se estabeleça) com o adulto acontece espontaneamente no processo de utilização da linguagem. depois. Sendo assim. Para Vygotsky. etc. sendo produzido na intersubjetividade e marcado por condições culturais. assim. ou seja.). constitui-se como uma espécie de “dialeto pessoal”. e é nela que estabelece as primeiras relações com a linguagem na interação com os outros. a fala do outro dirige a ação e a atenção da criança. O trabalho humano. ou seja. o surgimento da fala egocêntrica indica a trajetória da criança: o pensamento vai dos processos socializados para os processos internos. A internalização é relacionada ao recurso da repetição onde a criança apropria-se da fala do outro. Desta maneira. a fala da criança torna-se intelectual. Estes elementos de mediação são os signos e os instrumentos. Esse impulso é dado pela inserção da criança no meio cultural. desenvolve a atividade coletiva. sendo capazes de transformar o funcionamento mental. no nível intrapsicológico). as relações sociais e a utilização de instrumentos. A fala interior. Vygotsky chama isto de fase pré-verbal do desenvolvimento do pensamento e uma fase pré-intelectual no desenvolvimento da linguagem. na qual. a ação coletiva.Para Vygotsky. as formas de mediação permitem ao sujeito realizar operações cada vez mais complexas sobre os objetos. que é a família. exige-se o planejamento. é a forma de linguagem interna. é no significado da palavra que a fala e o pensamento se unem em pensamento verbal. O conhecimento tem gênese nas relações sociais. A fala egocêntrica emerge quando a criança transfere formas sociais e cooperativas de comportamento para a esfera das funções psíquicas interiores e pessoais. sociais e históricas. se desenvolve mediante um lento acúmulo de mudanças estruturais. Os sistemas simbólicos organizam os signos em estruturas. para ele. planejem uma solução para um problema e controlem seu comportamento. então. na interação com adultos mais capazes da cultura que já dispõe da linguagem estruturada. isto é. Essa teoria apóia-se na concepção de um sujeito interativo que elabora seus conhecimentos sobre os objetos. permitindo o aprimoramento da interação social e a comunicação entre os sujeitos. de fazer uso de determinados instrumentos para alcançar determinados objetivos. fazendo com que as estruturas de fala que a criança já domina. A fala interior não tem a finalidade de comunicação com outros. tornando-a sua. signos são meios que auxiliam/facilitam uma função psicológica superior (atenção voluntária. antes dessa associação. que é dirigida ao sujeito e não a um interlocutor externo. é na interação com outros sujeitos que formas de pensar são construídas por meio da apropriação do saber da comunidade em que está inserido o sujeito. A capacidade humana para a linguagem faz com que as crianças providenciem instrumentos que auxiliem na solução de tarefas difíceis. da mesma forma. Pensamento e linguagem associam-se devido à necessidade de intercâmbio durante a realização do trabalho. a cultura e a história do homem. Para Vygotsky. Durante esse processo. sendo 26 . ela começa a falar para si mesma. o pensamento e a linguagem iniciam-se pela fala social. sempre mediado por significados fornecidos pela linguagem. e o pensamento torna-se verbal. no nível social (entre pessoas. em um processo mediado pelo outro. Os significados das palavras fornecem a mediação simbólica entre o indivíduo e o mundo. o grupo cultural fornece ao indivíduo um ambiente estruturado onde os elementos são carregados de significado cultural. no nível interpsicológico) e. ou discurso interior. Os signos também auxiliam nas ações concretas e nos processos psicológicos. Segundo Vygotsky. o desenvolvimento caminha do nível social para o individual. Nas interações cotidianas. Porém. Esta vai usando a fala de forma a afetar a ação do outro. a criança torna-se capaz de atuar sobre suas próprias ações por meio da fala. Essas duas mudanças são essenciais e evidenciam o quanto são importantes as relações sociais entre os sujeitos na construção de processos psicológicos e no desenvolvimento dos processos mentais superiores. Esta fala interior. tornem-se estruturas básicas de seu próprio pensamento. o homem se produz na e pela linguagem. formação de conceitos. Por volta dos 2 anos de idade. A fala para si mesma assume a função autoreguladora e. Os signos internalizados são compartilhados pelo grupo social. no desenvolvimento da criança. no contexto das situações imediatas. a criança tem a capacidade de resolver problemas práticos (inteligência prática). Como visto. ao mesmo tempo que a criança passa a entender a fala do outro e a usar essa fala para regulação do outro. com função simbólica. Para ele. duas vezes: primeiro. atingindo a fala interior que é pensamento reflexivo. Vygotsky destaca a importância da cultura. como diz VYGOTSKY (1987). a criança nasce inserida num meio social. passando pela fala egocêntrica. entre o homem e o mundo existem elementos que auxiliam a atividade humana. estas são complexas e articuladas. Signos e palavras são para as crianças um meio de contato social com outras pessoas. memória lógica. portanto. a comunicação social.

ou seja. é fundamental que as práticas pedagógicas trabalhem no sentido de esclarecer a importância da fala no processo de interação com o outro. Temos de levar em consideração que as crianças que assistem a esses episódios agressivos tendem a experimentar sensações como o medo e a ansiedade. costuma estar relacionado a problemas familiares. Esse comportamento. são sempre palavras do outro. quando apresentado por crianças. Ele explica esta conexão entre desenvolvimento e aprendizagem através da zona de desenvolvimento proximal (distância entre os níveis de desenvolvimento potencial e nível de desenvolvimento real). A mediação é a forma de conceber o percurso transcorrido pela pessoa no seu processo de aprender. Desta forma. A relação entre pensamento e palavra acontece em forma de processo. Segundo VYGOTSKY (1989). visuais e reais. É apenas pela relação da criança com a fala do outro em situações de interlocução. que sejam professores. ele poderá ser reproduzido em todo lugar. tais como: a) O que a criança consegue hoje com a colaboração de uma pessoa mais especializada. Não se pode ignorar o papel desempenhado pelas crianças ao se relacionarem e interagirem com outras pessoas. pois tal atitude penderia para fazer da criança delatora 27 . Vygotsky colocou que “as funções mentais superiores são produto do desenvolvimento sócio-histórico da espécie. se utilizando a mediação. b) A criança consegue autonomia na resolução do problema. A referência da zona de desenvolvimento proximal implica na compreensão de outras idéias que completa a idéia central. Quando o professor. abreviada. a agressividade não aparece só em escolas públicas. Lima (1990). em si mesmas. no início. a criança o fazia com colaboração de um adulto ou um companheiro. onde a criança era apta a resolver um problema sozinha. Por isso. a aprendizagem tem um papel fundamental para o desenvolvimento do saber. um “espaço dinâmico” entre os problemas que uma criança pode resolver sozinha (nível de desenvolvimento real) e os que deverá resolver com a ajuda de outro sujeito mais capaz no momento. o professor terá condições de não só utilizar meios concretos. Ao contrário do que muitas pessoas acreditam. DESENVOLVIMENTO PROXIMAL E DESENVOLVIMENTO REAL PARA VYGOTSKY Para Vygotsky (1987). incluindo aquele que aprende. que a criança se apropria das palavras.fragmentada. estamos tratando também de falas e atitudes hostis. a aprendizagem acelera processos superiores internos que são capazes de atuar quando a criança encontra interagida com o meio ambiente e com outras pessoas. A preocupação fica ainda maior quando nos remete o fato de que a escola é um local onde as crianças estão para aprender regras e valores. através da assistência e auxílio do adulto. aparece também nas escolas particulares. VYGOTSKY diz que o pensamento nasce através das palavras. chegar a dominá-los por si mesma (nível de desenvolvimento potencial). mas. a zona de desenvolvimento proximal representa o espaço entre o nível de desenvolvimento real. c) Segundo Vygotsky (1987). Todo e qualquer processo de aprendizagem é ensino-aprendizagem. Comportamento agressivo na escola vem se tornando um dos vários fatores que atrapalham a aprendizagem atualmente. pais e outras crianças mais velhas e mais experientes. sendo que a linguagem funciona como mediador”. consegue chegar à zona de desenvolvimento proximal. do conhecimento. com maior propriedade. por isso que a sua teoria ficou conhecida como sócio-interacionista. Esse processo passa por transformações que. ajudando à criança a superar suas capacidades. e o nível de desenvolvimento potencial. constituindo-se em um movimento contínuo de vaivém do pensamento para a palavra e vice-versa. para com os colegas ou até mesmo com os professores. através dos “porquês” e dos “como”. Os estudantes podem ter em casa um modelo de solucionar problemas de forma agressiva ou explosiva. que. ou por outra criança mais velha. mais tarde poderá realizar sozinha. Causa ansiedade nas crianças expectadoras por nada poderem fazer para ajudar o colega agredido. Do mesmo modo que não se vê diferença entre as escolas da área rural e urbana nesse aspecto. E uma vez o comportamento aprendido. fazer uso de recursos que se reportem ao pensamento abstrato. aquele momento. É importante afirmar que não estamos falando somente de agressões físicas. já que não são somente as crianças que praticam ou sofrem agressões que se prejudicam nesse caso. ele pode atingir maneiras através das quais a instrução será mais útil para a criança. AGRESIVIDADE E APRENDIZAGEM O crescente aparecimento de comportamentos agressivos nas escolas tem cada vez mais preocupado pais e principalmente professores. inclusive na escola. podem ser consideradas um desenvolvimento no sentido funcional. O autor ressalta a importância de que esses processos sejam internalizados pela criança. aquele que ensina e a relação entre eles. para em seguida. formando desta forma uma construção dinâmica entre aprendizagem e desenvolvimento.

nossa tarefa é ajudar os alunos em seu aprendizado. Segundo Tisatto e Simadon (2002). sem perder sua autonomia. nível intelectual. Concretizar tudo isso não é fácil. assim. etc. o sucesso da aprendizagem se caracteriza como resultado da afetividade por parte do professor. para que desse modo todos possam compartilhar suas dificuldades e dúvidas. o seu gosto estético. as características diferenciadas englobam alguns fatores. É no respeito às diferenças das crianças e na condução adequada de formas de tratamento a todos com igualdade. Como se pode perceber. é preciso que este profissional esteja se identificando e se sinta realizado em sua profissão. e a qualidade de nossa relação com os alunos podem ser determinantes para conseguir nosso objetivo profissional. as práticas. Uma influência específica vem da relação do professor com os alunos (disponibilidade. a sua linguagem. Muitas vezes. transgride os princípios fundamentalmente éticos de nossa existência (FREIRE 1999). Pelo contrário. O professor que desrespeita a curiosidade do educando. execução e avaliação das matérias escolares. Ser educador requer muita responsabilidade. amor e afeto que o aluno terá sucesso na aprendizagem cognitiva. ensinar e aprender. descartar a frase: “na sala de aula. Saber lidar com elas é uma arte necessária ao sucesso de qualquer atividade humana. aparência. boa preparação das aulas.]” Quando o professor interage com os alunos de maneira afetiva. ao estudo. e ao trabalho. porque sua realização como pessoa não poderá construir-se estando embasada em ilusões. a sua inquietude. agir e refletir. cada uma com maneiras diferentes de perceber. Assim. 1999). toda a turma sai prejudicada por essas circunstâncias. Se levar em consideração que os alunos possuem características comuns. evidentemente. mas também características diferenciadas entende-se que as características comuns são a manifestação pelo desejo de aprender e a expectativa de que a escola possa melhorar sua vida. Por outro lado.. interesse manifestado por todos os alunos. de maneira participativa e afetiva. Para que seu trabalho seja realizado com amor. comprometimento e muito amor pelo que faz. o professor estará respeitando o aluno. respeito e afeto. Para solucionar ou amenizar o problema. Sendo assim. o professor que ironiza o aluno que o minimiza.). “todas as pessoas são merecedoras da confiança. e de como eles podem agir para reverter à situação. formas imaginárias. de interpretar o que está ao seu redor. Cabe ao educador respeitar e despertar a curiosidade dos seus educandos. O professor precisa saber buscar. carinho. os alunos terão apatia ou simpatia pela disciplina que ele leciona. os exercícios. mais precisamente a sua sintaxe e a sua prosódia. mais do que ninguém.lo sem medo de ser ignorado e/ou contrariado pelo professor. mas também em suas atitudes. o aluno deve manifestar livremente suas opinião e até mesmo ser estimulado a fazê . construindo uma relação interativa com os alunos. As crianças. oportunizando o acesso e a construção do conhecimento. E grande parte das crianças sente medo de passar por tal situação. onde possam existir trocas de experiências. sociabilidade.Uma relação afetiva com os seus alunos. Para que a escola possa orientar os pais sobre como o comportamento da criança na escola pode ser reflexo do comportamento da família em casa. tais como constituição física. não implica diminuir a autonomia docente em sala de aula. Além disso.. eu me limito a ensinar. Neste sentido. antecedentes familiares e condições socioeconômicas. Essas sensações descritas não são adequadas para um ambiente de aprendizado. podem influenciar notavelmente não só no aprendizado dos conteúdos ou habilidades dos alunos. Isto quer dizer que o aluno tem o direito de participar das atividades de planejamento. mas somente se estiver pautada na realidade concreta e iluminada pela esperança de 28 . a ênfase na emoção e na afetividade humana imprime ao professor a essência humanizadora de seu próprio ser. com relação à matéria. quer se pretenda conscientemente quer não..). auxiliando-o a lidar com os problemas em casa e dessa forma fazendo com que a agressividade diminua. quando as crianças chegam à escola. buscamos seu êxito e não seu fracasso. a aprendizagem se torna intencionalmente significativa. que manda que ‘ele se ponha no seu lugar (. Cabe. é necessária a mudança da prática educativa visando à formação do aluno e promovendo a sua participação: ver o aluno como um sujeito social com direitos e deveres. da amizade e do respeito dos outros”. AFETIVIDADE E APRENDIZAGEM Somos profissionais do ensino. Em outros casos mais agravados. etc. relaciono-me com os alunos apenas fora da classe [. Conforme o professor se apresenta e ministra suas aulas. precisam ser recebidos com amor. Vive-se em relação com as outras pessoas nas diversas esferas da vida. assim como a respeito de si mesmos (MORALES. paciência.o próximo alvo. em alguns casos é viável fazer um trabalho psicológico com o aluno agressivo. se faz necessário um trabalho de parceria da escola com a família.. precisam da ajuda do professor para uma interação com a escola e com outras crianças. os métodos utilizados na sala de aula. temperamento. Para Werneck (2002): É preciso que ele ame o que faz e o espaço físico em que trabalha.

estimular a construção de novo conhecimento e principalmente despertar o desenvolvimento de uma habilidade operatória. devido a sua capacidade de absorver o indivíduo de forma intensa e total. mas de pessoas e ideais compartilhados. e neste sentido. satisfazem uma necessidade interior. o desenvolvimento de uma aptidão ou capacidade cognitiva e apreciativa específica que possibilita a compreensão e a intervenção do indivíduo nos fenômenos sociais e culturais e que o ajude a construir conexões. estimulando o pensamento. De modo que a definição deixou de ser o simples sinônimo de jogo. pois é o espaço para expressão mais genuína do ser. canalizando as energias no sentido de um esforço total para consecução de seu objetivo. vislumbrando novas possibilidades e interpretações do real. criando um clima de entusiasmo. seleciona idéias. o termo lúdico estaria se referindo apenas ao jogar. o que é mais importante. Ela reproduz muitas situações vividas em seu cotidiano. um lugar onde todos compartilhem suas experiências e opiniões proporcionam o envolvimento de todos os segmentos que dela fazem parte. A participação da família também é muito importante para o sucesso e faz parte integrante desse processo. respeito mútuo e democracia. A ludicidade. por si só. uma situação de aprendizagem. na idade infantil e na adolescência a finalidade é essencialmente pedagógica. simpatia. As regras e a imaginação favorecem a criança comportamento além dos habituais. Assim. A escola que cria um clima de afeto. estabelece relações lógicas. Caso achasse confinada a sua origem. • As situações lúdicas mobilizam esquemas mentais. pois o ser humano apresenta uma tendência lúdica. compreensão. a iniciativa e a auto-estima. a ludicidade é portadora de um interesse intrínseco. 29 . ou seja. ou seja. O lúdico possibilita o estudo da relação da criança com o mundo externo. Em geral. Sendo uma atividade física e mental. o elemento que separa um jogo pedagógico de um outro de caráter apenas lúdico é este: desenvolve-se o jogo pedagógico com a intenção de provocar aprendizagem significativa. as atividades lúdicas são excitantes. O Lúdico apresenta valores específicos para todas as fases da vida humana. a socialização. Ele é considerado prazeroso. preparando-se para ser um cidadão capaz de enfrentar desafios e participar na construção de um mundo melhor. Através da atividade lúdica e do jogo. Através deles. confiança em si mesmo e certeza de que a estrada é longa e que. ao movimento espontâneo. mas também requerem um esforço voluntário. emocional e intelectual e sempre estiveram presentes em qualquer povo desde os mais remotos tempos. É importante que o educando seja orientado e motivado para a busca efetiva da construção do conhecimento. O jogo e a brincadeira são. A escola deve facilitar a presença dos pais no cotidiano escolar porque uma escola não se faz de paredes. integra percepções. A convivência de forma lúdica e prazerosa com a aprendizagem proporcionará a criança estabelecer relações cognitivas às experiências vivenciadas. faz estimativas compatíveis com o crescimento físico e desenvolvimento e. É este aspecto de envolvimento emocional que o torna uma atividade com forte teor motivacional. tão importante para a saúde mental do ser humano é um espaço que merece atenção dos pais e educadores. que através do “faz-de-conta” são reelaboradas criativamente. capaz de gerar um estado de vibração e euforia. o pensamento. Várias são as razões que levam os educadores a recorrer às atividades lúdicas e a utilizá-las como um recurso no processo de ensino-aprendizagem: • As atividades lúdicas correspondem a um impulso natural da criança. LUDICO E APRENDIZAGEM O lúdico tem sua origem na palavra latina "ludus" que quer dizer "jogo”. O lúdico passou a ser reconhecido como traço essencial de psicofisiologia do comportamento humano. não a percorremos sozinhos. contudo. vai se socializando. Portanto. integrando estudos específicos sobre a importância do lúdico na formação da personalidade. ao brincar.que é possível mudar. a ludicidade aciona e ativa as funções psico-neurológicas e as operações mentais. bem como relacioná-la as demais produções culturais e simbólicas conforme procedimentos metodológicos compatíveis a essa prática. a criança forma conceitos. com as pessoas e com os objetos. • O lúdico apresenta dois elementos que o caracterizam: o prazer e o esforço espontâneo. é o espaço e o direito de toda a criança para o exercício da relação afetiva com o mundo. Esta relação afetiva constitui incentivo para o desenvolvimento da aprendizagem cognitiva. O APRENDER ATRAVÉS DO BRINCAR O brincar e o jogar são atos indispensáveis à saúde física. a criança desenvolve a linguagem. Em virtude desta atmosfera de prazer dentro da qual se desenrola.

uma vez que este reconhece que a aprendizagem é um processo pessoal. testar hipóteses. contar histórias. foi que os professores das séries iniciais afastam o lúdico da vivência dos alunos em sala de aula. 2004). enfim. pintura. é que o lúdico e o brincar estão mais presentes na educação infantil do que nas séries iniciais. Estimula a observar e conhecer as pessoas e as coisas do ambiente em que se vive.Segundo Redin (2000): A criança que joga está reinventando grande parte do saber humano. ao contrário. MOTIVAÇÃO E APRENDIZAGEM Atualmente a motivação dos alunos para a aprendizagem é o centro das atenções no processo educaticional. maior será o material disponível e acessível a sua imaginação. Educação requer Ação e como resultado dessa ação. utilizando suas potencialidades de maneira integral. além do tateio. inicialmente. recursos para fazer com que o 30 . Os jogos. corresponde a uma profunda exigência do organismo e ocupa lugar de extraordinária importância na educação escolar. amadurece e aprende ao mesmo tempo. motivação quer dizer exposição de motivos ou causas. pode-se constatar que estar motivado é estar animado. brincar e/ou jogar com seus próprios ritmos. se da primeira alternativa não obteve o resultado esperado. ela está livre para explorar. Nesta. o forma e o transforma e. a vontade de aprender. do brinquedo e da brincadeira. e é uma das formas mais natural e prazerosa no processo de aprendizagem. da imaginação. pois ao brincar se sente livre para criar e recriar o mundo ao seu modo. favorecendo o advento e o progresso da palavra. para autocontrolar suas atividades. jogo de memória e a educação física. rodas e cantigas. As crianças estão sempre dispostas a jogar e brincar. os brinquedos e as brincadeiras são atividades fundamentais nas áreas de estimulação da educação infantil e nas séries iniciais. constatamos que os jogos e brincadeiras mais freqüentes na educação infantil são: massinha de modelar. longe dos gostos das crianças. Isso também ocorre na educação. brinquedos e brincadeiras. daí a necessidade do professor ampliar. pelos quais o mundo tem seus limites ultrapassados: a criança cria o mundo e a natureza. A ludicidade deve permear o espaço escolar a fim de transformá-lo num espaço de descobertas. que envolvam os alunos e o conhecimento. Quanto mais rica for à experiência pela criança. neste momento. sabendo que eles trazem enormes contribuições ao desenvolvimento da habilidade de aprender e pensar. Pois trabalhar de forma lúdica exige mais tempo. é necessário primeiro a vontade de realizá-la. Eles devem ter em mente que o jogo não é simplesmente um “passatempo” para distrair os alunos. que é a maneira privilegiada de contato com o mundo. O jogo é essencial para que a criança manifeste sua criatividade. cada vez mais. há o APRENDIZADO. É somente sendo criativo que a criança descobre seu próprio eu (TEZANI. sobretudo no aspecto intelectual. O professor deve descobrir estratégias. as faculdades intelectuais. as vivências da criança com os jogos. proporcionando uma aprendizagem de qualidade. o rigor e a disciplina são mantidos em nome dos padrões institucionais. A hora do recreio e a hora da saída se tornam os únicos momentos em que as crianças desnudam da responsabilidade da escola para permitir-se brincar e ser criança. entusiasmo. ao invés de aproveitarem como instrumento facilitador da aprendizagem. Cabe ao educador propor atividades que promovam essa motivação. é necessário ter motivos para se chegar a esse estado. Além do valor inconteste do movimento interno e externo para os desenvolvimentos físicos. entusiasmado. nesse caso. Através do jogo o indivíduo pode brincar naturalmente. muitas vezes é reforçada com respostas imediatas de sucesso ou encorajada tentar novamente. A impressão que tivemos. brincadeiras livres com brinquedos e atividades no parquinho da escola. explorar toda a sua espontaneidade criativa. a coordenação muscular. num lugar onde as crianças sintam prazer pelo ato de aprender. Já nas séries iniciais geralmente são utilizados os jogos educativos. Através das observações e da prática em sala de aula. Os educadores e pais devem estar cientes que brincar só faz bem para a criança. Mas o que pudemos observar nas realizações dos estágios. Segundo o dicionário Silveira Bueno. psíquicos e motor. e que ela desenvolve. além de prazeroso também é um mundo onde a criança está em exercício constante. No jogo. senão nada acontece. a sala de aula é apresentada como coisa séria. Qualquer coisa que se faça na vida. tais como. que haja a VONTADE. envolvimento e dedicação e muitos não estão dispostos a sair de suas posições cômodas. Para isso. ela se cria e se transforma. Os professores estão mais preocupados com o conteúdo. de imaginação. O brincar se resume em ouvir histórias ou cantar algumas músicas. reflexivo e sistemático que depende do despertar das potencialidades do educando. de maneira sozinha ou com a ajuda do educador. com o silencio e a organização na sala de aula. da imaginação e do simbólico. de criatividade. brincadeiras e/ou jogos que são necessários para as crianças. não permitindo espaço para o divertimento. jogos matemáticos. a criança sadia possui a capacidade de agir sobre o mundo e os outros através da fantasia. O mundo da fantasia. Mas para que se realize a ação e esta resulte no aprendizado é necessário. do jogo. animação. Segundo Santos (2000): Educadores e pais necessitam ter clareza quanto aos brinquedos. quebra-cabeça. mas. Estimula o crescimento e o desenvolvimento. Através dessas definições. a iniciativa individual. o que torna o ambiente infantil artificial. não apenas nos aspectos físicos ou emocionais.

idéias e conceitos o conhecimento surge como um produto resultante dessas aprendizagens. Há diversas possibilidades de aprendizagem. há diversos fatores que nos leva a aprender um comportamento que anteriormente não apresentávamos um crescimento físico. emocionais. Através dela o sujeito 31 . mas como todo produto é indissociável de um processo. ou seja. processa-se quando um novo conteúdo (idéias ou informações). Por isso a ação educativa da escola deve propiciar ao aluno oportunidades para que esse seja induzido a um esforço intencional. estes são quatro categorias representativas dos estilos de aprendizagem. familiar. estável e organizada de forma adequada. que despertem no educando motivação para interação com o objeto do conhecimento. fazem parte de um todo que depende. o conceito de aprendizagem não é tão simples assim. tentativas e erros. relaciona-se com conceitos relevantes. para a Psicologia. Já a aprendizagem significativa. com seus colegas e com os próprios professores. sendo assim assimilado. fazendo ligações àqueles já existentes. etc. estilo e ritmo. estejam ligados à realidade do aluno. Embora haja discordâncias entre os estudiosos. A aprendizagem é resultante do desenvolvimento de aptidões e de conhecimentos. cuja síntese constitui o processo educativo. inclusive os objetivados como instituições que. No nível social podemos considerar a aprendizagem como um dos pólos do par ensino-aprendizagem. E durante o seu trajeto educativo tem a possibilidade de adquirir uma estrutura cognitiva clara. Como por exemplo: • Dar tratamento igual a todos os alunos. isto é. psicossociais e culturais. Porque. O principal objetivo da educação é o de levar o aluno com um certo nível inicial a atingir um determinado nível final. específica (escola) ou secundariamente (família). incluir temas que tenham relação. cada pessoa aprende a seu modo. complementares e relacionados de alguma forma. tendo a vantagem de poder consolidar conhecimentos novos. envolvendo aspectos cognitivos. De acordo com Bock o processo de organização das informações e de integração do material à estrutura cognitiva é o que os cognitivistas denominam aprendizagem. interior à pessoa e que se manifesta por uma modificação de comportamento. bem como da transferência destes para novas situações. A abordagem cognitivista diferencia a aprendizagem mecânica da aprendizagem significativa. descobertas. o processo de construção do conhecimento dá-se na diversidade e na qualidade das suas interações. que se implicam mutuamente e que embora possamos analisá-los separadamente. É necessário refletir que cada indivíduo apresenta um conjunto de estratégias cognitivas que mobilizam o processo de aprendizagem. • Procurar elevar a auto-estima do aluno. podemos então olhar o conhecimento como uma atividade intelectual através da qual é feita a apreensão de algo exterior à pessoa. promovem a educação. Cabe aos educadores proporcionar situações de interação tais. sendo resultado de construção e experiências passadas que influenciam as aprendizagens futuras. No entanto. respeitando-o e valorizando-o. Bock destaca que a aprendizagem mecânica refere-se à aprendizagem de novas informações com pouca ou nenhuma associação com conceitos já existentes na estrutura cognitiva. 1999) A aprendizagem é um fenômeno extremamente complexo. mesmo que a aprendizagem ocorra na intimidade do sujeito. Tal processo compreende todos os comportamentos dedicados à transmissão da cultura. orgânicos. visando resultados esperados e compreendidos. ou seja. então terá registrado um processo de aprendizagem. segundo a autora. O conhecimento pode ainda ser aprendido como um processo ou como um produto. • Ser paciente e compreensivo com o aluno. em outras palavras. quer na sua natureza. Ao aprender o sujeito acrescenta aos conhecimentos que possui novos conhecimentos. quer na sua qualidade. Dessa forma a aprendizagem numa perspectiva cognitivoconstrutivista é como uma construção pessoal resultante de um processo experimental. a sua história de vida. respeitando a sua vida social. Quando nos referimos a uma acumulação de teorias. DESENVOLVIMENTO A aprendizagem está envolvida em múltiplos fatores. mostrar que ele pode contar sempre com o professor. Se conseguir fazer com que o aluno passe de um nível para outro. • Mostrar-se disponível para o aluno. • Aproveitar as vivências que o aluno já tem e traz para a escola no momento de montar o currículo. ensino. (BOCK. de uma série de condições internas e externas ao sujeito. O processo de aprendizagem é pessoal.aluno queira aprender. deve fornecer estímulos para que o aluno se sinta motivado a aprender. Em outras palavras. • Utilizar métodos e estratégias variadas e propostas de atividades desafiadoras. claros e disponíveis na estrutura cognitiva.

aquele que nos fornece os significados que permitem pensar o mundo a nossa volta. dos erros. principalmente. ou seja. prender a atenção. 1985) Assim.histórico exercita. A motivação está também incluído o ambiente que estimula o organismo e que oferece o objeto de satisfação. do processo de generalização. como modo de privilegiar seus interesses. ciência e tecnologia. nessa perspectiva pode-se dizer que a motivação é a força que move o sujeito a realizar atividades. entretanto. cita algumas sugestões de como criar interesses: 1. para que deseje saber. uma intenção. e uma forma de criar este interesse é dar a ele a possibilidade de descobrir. ter a disposição. Segundo Vygotsky uma vez admitido o caráter histórico do pensamento verbal. também. que o aluno “fique a fim” de aprender. mas é determinado por um processo histórico-cultural e tem propriedades e leis específicas que não podem ser encontradas nas formas naturais de pensamento e fala. Vygotsky defende a idéia de que não há um desenvolvimento pronto e previsto dentro de nós que vai se atualizando conforme o tempo passa ou recebemos influência externa. o que faz referência às capacidades. um trabalho de atrair. Pode-se afirmar que a aprendizagem acontece por um processo cognitivo imbuído de afetividade. 2. Segundo a concepção de Vygoysky se a aprendizagem está em função não só da comunicação. na motivação está incluído o objeto que aparece como a possibilidade de satisfação da necessidade. sendo que o meio influencia o processo de ensino-aprendizagem. de querer saber sempre. relação e motivação. a partir de uma relação estabelecida entre o ambiente. às estratégias e às destrezas necessárias. uma atitude que garanta o desejo mais duradouro de saber. nossos interesses e emoções. na base da motivação. está sempre um organismo que apresenta uma necessidade. o pensamento verbal não é uma forma de comportamento natural e inata. Para Vygotsky. a análise qualitativa das “estratégias”. Bruner é defensor desta proposta. utilizando o que a criança gosta de fazer como forma de engajá-la no ensino. para isso é necessário “querer” fazê-lo. um interesse. Motivar passa a ser. portanto. Uma das grandes virtudes da motivação é melhorar a atenção e a concentração. que são válidas para qualquer fenômeno histórico na sociedade humana. (PAÍN. Nas situações escolares. Desejar saber deve passar a ser um estilo de vida. o que conduz à necessidade de integrar tanto os aspectos cognitivos como os motivacionais. para aprender é imprescindível “poder” fazê-lo. Isso significa que. A motivação é um processo que se dá no interior do sujeito. encantar. por fim. a intenção e a motivação suficientes. a necessidade e o objeto de satisfação. Uma compreensão plena e verdadeira do pensamento de outrem só é possível quando entendemos sua base afetivo-volutiva. Trata-se de compreender como funcionam esses mecanismos mentais que permitem a construção dos conceitos e que se modificam em função do desenvolvimento. Por trás de cada pensamento há uma tendência afetivo-volitiva. Com isso entende-se que o desenvolvimento do individuo é um processo que se dá de fora para dentro. para as teorias de aprendizagem e ensino. particularmente. na concepção Vygotskyana. adquire então relevo especial – além da análise do processo de comunicação – análise do modo como o sujeito constrói os conceitos comunicados e. desenvolver nos alunos uma atitude de investigação. seduzir o aluno. tendo grande importância na análise do processo educativo. o interesse é indispensável para que o aluno tenha motivos de ação no sentido de apropriar-se do conhecimento. por nossos desejos e necessidades. isto é. Vygotsky diz ainda que o pensamento propriamente dito é gerado pela motivação. Veja bem. A motivação apresenta-se como o aspecto dinâmico da ação: é o que leva o sujeito a agir. os alunos necessitam de colocar tanta voluntariedade como habilidade. Para ter bons resultados acadêmicos. aos conhecimentos. Ao sentir-se motivado o individuo tem vontade de fazer alguma coisa e se torna capaz de manter o esforço necessário durante o tempo necessário para atingir o objetivo proposto. um desejo. Diante desse contexto percebe-se que a motivação deve ser considerada pelos professores de forma cuidadosa. usa utensílios. o processo que mobiliza o organismo para a ação. Propiciando a descoberta. Assim. aquilo do que ela gosta. a decidir a sua prossecução e o seu termo A motivação é. devemos considerá-lo sujeito a todas as premissas do materialismo histórico. Bock. A preocupação do ensino tem sido a de criar condições tais. a orientá-la em função de certos objetivos. seus professores e colegas. E. estando. O aluno deve ser desafiado. uma vontade ou uma predisposição para agir. portanto. procurando mobilizar as capacidades e potencialidades dos alunos a este nível. fabrica e reza segundo a modalidade própria de seu grupo de pertencimento. a aprendizagem sempre inclui relações entre as pessoas. A relação do individuo com o mundo está sempre medida pelo outro. mas também do nível de desenvolvimento alcançado. Essa atitude pode 32 . o que o leva a iniciar uma ação. Não há como aprender e apreender o mundo se não tivermos o ouro. A autora Bock (1999) destaca que a motivação continua sendo um complexo tema para a Psicologia e. A motivação é um fator que deve ser equacionado no contexto da educação. intimamente ligado às relações de troca que o mesmo estabelece com o meio. Torna-se tarefa primordial do professor identificar e aproveitar aquilo que atrai a criança.

É fundamental que o aluno queira dominar alguma competência. que geram fracasso. O professor deve descobrir estratégias. para ele. bem como da transferência destes para novas situações. o aluno se dedica às tarefas inerentes até se sentir satisfeito. Não deve expurgar a responsabilidade de um fracasso escolar. São os conhecimentos que o aluno já possui que influenciam o comportamento do aluno em cada momento. Para ser responsável por seus atos. uma ruína. Os conhecimentos que o aluno apresenta e que correspondem a um percurso de aprendizagem contínuo são fundamentais na aprendizagem de novos conhecimentos. 4. A busca incansável e imediata pela perfeição leva à rotulação daqueles que não se encaixam nos parâmetros impostos. A estrutura cognitiva do aluno tem que ser levada em conta no processo de aprendizagem. ora a família. Por meio dessa necessidade. envolvendo aspectos cognitivos. Assim. emocionais. Mas será que existe mesmo um culpado para a nãoaprendizagem? Se a aprendizagem acontece em um vínculo.As técnicas de incentivo que buscam os motivos para o aluno se tornar motivado. psicossociais e culturais.ser desenvolvida com atividades muito simples. deve fornecer estímulos para que o aluno se sinta motivado a aprender. Porém. A aprendizagem é resultante do desenvolvimento de aptidões e de conhecimentos. Porém mau êxito em quê? De acordo com que parâmetro? O que a nossa sociedade atual define como sucesso? Daí a necessidade de analisar o fracasso escolar de forma mais ampla. O professor deve utilizar as estratégias que permitam ao aluno integrar conhecimentos novos. ora uma determinada classe social. A sociedade busca cada vez mais o êxito profissional. . aprendizagem é também motivação. Ele é definido por um mau êxito. O aluno não “fica a fim”. percebe-se um jogo onde ora se culpa a criança. SUCESSO E FRACASSO ESCOLAR O fracasso escolar aparece hoje entre os problemas de nosso sistema educacional mais estudados e discutidos.. pois ensinar está relacionado à comunicação. em geral. político e social. ora todo um sistema econômico. se ela é um processo que ocorre entre subjetividades. o espaço das relações (vínculos do ensinante e aprendente). supõe-se algo que deveria ser atingido. e tarefas fáceis. orgânicos. não esquecendo do papel fundamental que a motivação apresenta neste processo.É necessário refletir sobre o que é o conhecimento e perceber que é algo de complexo que deve ser entendido como um processo de construção e não como um espelho que reflete a realidade exterior. os objetos que fazem parte de seu mundo físico e social. O ensino só tem sentido quando implica na aprendizagem. nunca uma única pessoa pode ser culpada. uma vez que disponibiliza os recursos para a aptidão. a partir daí. está no nível imaginário” O contrário da culpa é a responsabilidade. Ao estimular o aluno. Falar ao sempre numa linguagem acessível. utilizando para tal métodos adequados e um currículo bem estruturado. captando a atenção do aluno. por isso é necessário conhecer como o professor ensina e entender como o aluno aprende. O desejo de realização é a própria motivação. O propósito é discuti-lo como um elemento resultante da integração de várias “forças” que englobam o espaço institucional (a escola). que não desafiam. Conclusão: A aprendizagem é um fenômeno extremamente complexo. 3. é necessário poder sair do lugar da culpa.Não há aprendizagem sem motivação. Quando se fala em fracasso. Somos sempre “ a fim” de aprender coisas que são úteis e têm sentido para nossa vida. torna-se comum o surgimento em todas 33 . Essas observações sistematizadas vão gerar duvidas (por que as coisas são como são?) e aí é preciso investigar. considerando-o como peça resultante de muitas variáveis. assim o professor deve fornecer sempre ao aluno o conhecimento de seus avanços. Tarefas muito difíceis. que começam pelo incentivo á observação da realidade próxima ao aluno – sua vida cotidiana . Aqueles que não conseguem responder às exigências da instituição podem sofrer com um problema de aprendizagem. de fácil compreensão. a família e a sociedade em geral. a competência a qualquer custo e a escola também segue esta concepção. Compreender a utilidade do que se está aprendendo é também fundamental. o considerar-se culpado. levam à perda do interesse. só assim o processo educativo poderá acontecer e o aluno conseguirá aprender a pensar. onde os motivos provocam o interesse para aquilo que vai ser aprendido. recursos para fazer com que o aluno queira aprender. a sentir e a agir. descobrir. o que ocorre muitas vezes é a busca pelos culpados de tal fracasso e. assim um aluno está motivado quando sente necessidade de aprender o que está sendo tratado. Os exercícios e tarefas deverão ter um grau adequado de complexidade. Não é difícil para o professor estar sempre retomando em suas aulas a importância e utilidade que o conhecimento tem e poderá ter para o aluno. proporcionam uma aula mais efetiva por parte do docente. 5. o educador desafia-o sempre. Alicia Fernández nos lembra que “a culpa.

ao conceder este rótulo à criança. Perde-se o sujeito. Alicia Fernández cita uma pesquisa com famílias de classe baixa facilitadoras da aprendizagem. teatro. Na escola os alunos vão mal. Esta situação pode estar ligada a algum acontecimento escolar. Assim acontece com o fracasso escolar. se esquece da interferência afetiva na não aprendizagem. cotidianas. Claparéde diz que a escola pode provocar na criança conflitos que influenciarão seu gosto pelo aprender. em termos de dificuldades. A família. Esses problemas tornam-se parte da identidade da criança. podemos definir aprendizagem como uma construção singular que o sujeito vai fazendo a partir de seu saber e assim ele vai transformando as informações em 34 . Outra questão referente à escola é que esta. um sintoma não deve ser considerado de forma única. APRENDIZAGEM X FRACASSO ESCOLAR: QUAL O LIMITE QUE OS SEPARA? Ao falarmos de fracasso escolar. Também contribuem para o fracasso escolar a própria instituição educativa que muitas vezes não leva em consideração a visão de mundo do aprendente. uma função. além de tentarmos analisar os fatores que contribuem para seu surgimento. Ela define como autoria “o processo e o ato de produção de sentidos e de reconhecimento de si mesmo como protagonista ou participante de tal produção”. ele passa a ser sua dificuldade. porém em situações naturais. hiper-ativas. Para aprender. Desta forma. Isso não é apenas uma diferença terminológica. daquilo que ela reflete em termos do sistema em que se insere. A aprendizagem tem um caráter subjetivo. na escola zero” que trata do ensino da matemática. analisando a história de vida do sujeito e buscando uma significação das fantasias relacionadas ao ato de aprender. conhecimento e informação. Em seu livro. O que caracteriza estas famílias é a criação de um espaço favorável para que cada membro possa escolher e responsabilizar-se pelo escolhido. não se observa em quais circunstâncias ela apresenta tais dificuldades (ele está assim e não é assim). seu corpo e sua inteligência construídos em interação e a dimensão inconsciente. pois o aprender implica em desejo que deve ser reconhecido pelo aprendente. própria dele. ela revela uma possibilidade de mudança. que se dá no vínculo entre ensinante e aprendente. Ou seja. Em nosso sistema educacional. pois implica no inconsciente. ao passar pelo portão da escola. O perguntar é possível e favorecido. Porém. portanto entre subjetividades. a criança assume o papel que lhe foi atribuído e tende a correspondê-lo. muitas vezes os profissionais da educação não conseguem transpor o conhecimento ensinando para a realidade do aprendente. o conhecimento é considerado conteúdo. Daí a necessidade de buscar o significado do “não aprender”. pelo desejo. há facilidade de aceitar as diferentes opiniões e idéias. agressivas. não ocorrendo de fato uma aprendizagem. isolado. já que os pais são os primeiros ensinantes e as atitudes destes frente às emergências de autoria do aprendente. e que necessitam de um raciocínio matemático eles vão muito bem. disléxicas. nos quais o aprendente é levado a memorizar conteúdos e não a pensá-los. A partir disso. A aprendizagem é a articulação entre saber. Condições estas que não são comuns em famílias produtoras de problemas de aprendizagem. uma informação a ser transmitida. propiciando um espaço para a autoria de pensamento. ao valorizar a inteligência. segundo Maud Mannoni. etc. ocorre. Entretanto é possível a existência de facilitadores de autoria de pensamento mesmo convivendo com carências econômicas. Seus valores. Esta última é o conhecimento objetivado que pode ser transmitido. dentro da família. Este caráter informativo da educação se manifesta até mesmo nos livros didáticos. A sociedade do êxito educa e domestica. Quando se fala em “famílias possibilitadoras de aprendizagem” tem-se uma tendência a excluir as famílias de classes baixas já que estas não podem fornecer uma qualidade de vida satisfatória. de “crianças fracassadas”.instituições educativas de “crianças problemas”. É preciso distinguir aquilo que é próprio da criança. pela ação sobre ele. etc). o conhecimento é o resultado de uma construção do sujeito na interação com os objetos (PIAGET) e o saber é a apropriação desses conhecimentos pelo sujeito de forma particular. As atividades visam à assimilação da realidade e não possibilitam o processo de autoria do pensamento tão valorizada por Alicia Fernández. É importante lembrar que o desejar é o terreno onde se nutre a aprendizagem. por sua vez. computador. “O saber em jogo”. o acesso a diversas formas de cultura (cinema. mas sim dentro de um contexto muito mais amplo e repleto de significados. o ser humano coloca em jogo seu organismo herdado. cursos. se repetidas constantemente. uma alimentação adequada. Aprender passa pela observação do objeto. também é responsável pela aprendizagem da criança. mitos relativos à aprendizagem muitas vezes levam muitos ao fracasso. O sujeito pode estar em dificuldades de aprendizagem por ter ligado este fato a uma situação de desprazer. Isso pode ser exemplificado no livro: “Na vida dez. Já mencionamos que a aprendizagem é um processo vincular. irão determinar a modalidade de aprendizagem dos filhos. é necessário conceituar aquilo que viria a ser seu oposto: a aprendizagem. ele pode assumir. Além disso. As discrepâncias entre o desempenho fora e dentro da escola são significativas. ou seja.

e a deficiência mental tem incidência pequena na população. mas eu. A proporção nacional. ou seja. O terceiro refere-se à gestão da educação. Relativamente às características dos alunos. Os números da educação no Brasil de 2003. Os condicionantes originados no ambiente escolar podem ser agrupados em três grandes conjuntos. Este processo se difere bastante do fracasso escolar que pode evidenciar uma falha nesta relação vincular ensinante. 1994). O segundo conjunto refere-se ao clima escolar. aos resultados das interações sociais e intelectuais entre alunos. Alicia Fernández fala de um enfoque clínico que significa preocupar-se com os processos inconscientes e não somente com a patologia. constatava-se que mais de 50% dos alunos repetiam a primeira série do ensino fundamental. na 4ª série do ensino fundamental. sobressaem-se o seu universo familiar. ações que maximizam as chances de sucesso. É preciso combater o fracasso escolar representado pela repetência. Para a obtenção do sucesso.1%. Os estudantes com um ano de atraso obtiveram 166 pontos. é de praticamente 48%. Conclui-se que a diferença da medida de aprendizagem. distribuindo-se entre fatores ligados diretamente aos alunos e às escolas. Os condicionantes do fracasso são diversos. tentando também engajar a família no projeto de atendimento para ampliar seu conhecimento sobre a dificuldade. Esta é motivada pelo ingresso tardio da criança na escola. recentemente divulgados.aprendente. O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) tem produzido um volume significativo de dados sobre os desempenhos dos alunos e os seus fatores associados. conforme a trajetória escolar. problema de aprendizagem e deficiência mental.conhecimento. incluindo desde a administração superior até a da escola propriamente dita.8%. Escolas com clima degradado. não perdendo de vista qual o papel da escola na construção do problema de aprendizagem apresentado. é fazer uma escuta particular do sujeito que possibilite não só encontrar as causas do não. é de magnitude considerável. revelam que as taxas decaíram. São ainda elevadas. contra 177 da média nacional. para as próximas décadas. Em 1990. A INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICA: Considerando os fatores implicados no processo da aprendizagem. na segunda série. acima da média nacional que é de 169. Alicia Fernández diferencia fracasso escolar. tenho um problema de ensinagem com ele”. seja por falta de coordenação do trabalho docente. O psicopedagogo deve buscar o que significa o aprender para esse sujeito e sua família. Nessa etapa.aprendizado. pouco contribuem para o bom aprendizado dos estudantes. As avaliações educacionais têm constatado que são altas as taxas de repetência e baixos os níveis de aprendizado na educação básica. Para ela no fracasso escolar “a criança não tem um problema de aprendizagem. Conhecer como se dá a circulação de conhecimento na família. pelo abandono das salas de aula e pela reprovação ao final do ano letivo. Quase 11% dos alunos da região mais rica (Sudeste) refazem a primeira série. são necessárias ações claras e racionais de alcance de metas. na região mais pobre (Nordeste) o número é de 43%. inclusive em tarefas do cotidiano escolar. mas também organizar metodologias para facilitar a aprendizagem e o desempenho escolar. efetivando o pleno desenvolvimento de habilidades e competências em todos os componentes curriculares. Os resultados do Saeb de 2003 mostram que cerca de 38% dos alunos. qual a modalidade de aprendizagem da criança. na primeira série do ensino fundamental é de 30. seja por aspectos disciplinares. como docente. de 19. O grupo de alunos. O problema de aprendizagem pode ser um sintoma de outros conflitos ou ainda uma inibição cognitiva. e. Em matemática. É certo que o principal desafio da educação brasileira. é o da qualidade. monitoramento e avaliação do trabalho docente e de seus resultados junto aos alunos. Esses números são sinais de como as oportunidades educacionais estão distribuídas de forma não equânime. o grupo sem defasagem obteve média de 189 pontos. Os dados de fluxo mostram que as chances de repetência são bem maiores no Nordeste e no Norte do país. O primeiro diz respeito à formação e atuação dos professores que. As evidências mostram que familiares mais escolarizados atribuem maior valor à educação. em muitos casos são deficitárias. poderíamos pensar no papel de psicopedagogo com relação ao fracasso escolar. (FERNANDEZ. deixando sua marca como autor e vivenciando a alegria que acompanha a aprendizagem. teve média de 158 pontos. com pelo menos um ano de atraso. acompanham e incentivam os seus filhos. Uma educação bem sucedida deve conjugar um fluxo escolar regular com o progresso cognitivo dos estudantes. tentando descobrir a função do não aprender. portanto. o nível socioeconômico e a escolaridade dos pais. modificando seu modo de pensar e de agir com relação à criança. uma diferença de 23 pontos. na avaliação de leitura. professores e funcionários escolares. estão em situação de atraso escolar. constituindo-se um sério problema para a educação. No Norte. 35 . os alunos que estão na idade correta auferiram nota média de 182 pontos.

A teoria gestaltista. É o ler para aprender. composição de sinfonias musicais. a percepção brusca. Este é um tema central de desenvolvimento da nação com impactos nas relações sociais e econômicas. criatividade e neurose têm a mesma fonte de origem:os conflitos do inconsciente. como debate sobre textos de jornais e revistas. que o indivíduo 36 . É a tese da “catarsis criadora”.A ação pública no setor educacional pode combater o fracasso minimizando efeitos não desejáveis de progressão escolar sem aprendizado. estudo de textos explorando as diferenças entre fatos e opiniões. porque a noção de criatividade abrange um conjunto de fronteiras incertas. pai da psicanálise. Suas fantasias podem ser tanto desejos eróticos quanto desejos de engrandecimento. passando a elaborar desejos imaginários. foge da realidade. no seu ambiente. É necessário. textos de gêneros variados. Wertheimer. passa a fantasiar. Ao perder a ligação com os objetos reais das brincadeiras. Portanto. Koffka e W.As teorias sicológicas modernas em muito contribuíram para uma melhor compreensão do complexo fenômeno da criatividade. poesias. o domínio da associação entre fonema e grafema. o indivíduo só aparentemente desiste desta grandiosa fonte de prazer. A teoria humanista de Carl Rogers enfatiza que criatividade pode ser tanto a teoria da relatividade de Einstein. desde a criação de trabalhos artesanais. para superar o fracasso evidenciado e experimentado por boa parte dos estudantes no sistema educacional brasileiro. considera a criatividade como a habilidade do indivíduo reverter à relação figura/fundo. é amplo e muitas vezes até controvertido. É o aprender a ler. provavelmente. Segundo Freud. Práticas. de se atingir indiretamente algo que. o oposto de imitação. de novas possibilidades de ação. O pensamento criador é. Melhorar os processos de alfabetização. parte/todo. É necessário abandonar a idéia de que essa é uma etapa simples do processo de escolarização. tentando encontrar melhores explicações. à solução do problema. O “insight” envolve a percepção ou reconhecimento súbito da associação entre duas unidades de pensamento. A criatividade tem sido abordada de maneiras distintas. é a gratificação do seu próprio inconsciente inacessível. que o levam. estabelecendo-se. educadores. quanto uma nova receita de bolo feito por uma cozinheira. Os professores podem e devem iniciar mudanças em suas práticas docentes cotidianas para o alcance desse objetivo. entretanto. ela origina-se num conflito dentro do inconsciente. são algumas das medidas. primariamente. Parando de brincar ao se tornar adulto. a fluência na leitura. que eram anteriormente separadas. de cópia. com competência. CRIATIVIDADE Criatividade é. Um aspecto importante é a necessidade de melhorar as condições da escolarização nas séries iniciais. O artista ou criador. A criação é uma forma de sublimação. seus fatores condicionantes. Para que tais habilidades sejam desenvolvidas plenamente é importante dotar os docentes das competências para o seu ensino. leitura e discussão de diversificados gêneros textuais. cujos líderes são M. conscientemente. Esta habilidade modifica-se nas diferentes idades. o indivíduo cria para aliviar certos impulsos. Em tempos passados. a consciência fonológica e fonêmica são metas incontornáveis para o sucesso dos estudantes. chegouse a considerar a criatividade como inspiração divina – o criador como um ser divinamente inspirado – ou tém como loucura – considerando o ato de criação como proveniente de um acesso de loucura. quase que instantaneamente. O indivíduo criativo é aquele que aceita livremente as idéias que surgem do ID. Para Sigmund Freud. Populares aplicam a palavra indiscriminadamente para uma série de produtos finais. seja entre psicólogos. Seu conceito. Isto se dá. uma reconstrução de configurações. instrumentos de avaliação. criar é o seu consolo. ou seja. de uma forma geral. Algumas das principais evidências do Saeb revelam que o ensino de língua portuguesa centrado na evolução da capacidade de leitura dos estudantes obtém melhores resultados. Kohler. através dos tempos. é “insight”. na etapa de alfabetização. até as descobertas da física e da matemática. filósofos ou mesmo outros profissionais. Ela é crucial e irá contribuir para uma boa trajetória posterior da ampla maioria dos estudantes. mais precisamente. o desenvolvimento da capacidade dos estudantes em utilizar a linguagem escrita e ler. definições operacionais. É a reconstrução do campo perceptivo do indivíduo. É urgente e imprescindível buscar obsessivamente a qualidade na Educação. não está longe de ser um neurótico. Criatividade é uma forma de reduzir tensão. Uma etapa necessária é a do letramento. Segundo Freud. uma nova conexão. K. não se teria condição de fazê-lo. para superar os problemas de fluxo educacional e de aprendizado é necessário adotar políticas de transformação da vida cotidiana das famílias e das escolas. exercícios de gramática relacionados com os textos. desta forma. bem-sucedidas de aprendizado. como não possui os meios de alcançar determinadas satisfações. desenvolvendo as habilidades centrais. incluir atividades desta natureza no material didático e prever a melhor forma de avaliar o progresso dos alunos. tais como a codificação e decodificação.

Este tem que. satisfazê-lo e. maximizar a possibilidade de emergência da criatividade. conjugação de verbos e. mesmo que estas já lhes sejam conhecida. que debates de estudiosos concluem que a criatividade é um conceito muito abrangente. o que vale observar é o nível de significância que pode resultar de cada uma delas.possua a habilidade de lidar com conceitos e elementos. O que se pretende é valorizar outros tipos de aprendizagem que possibilitem o desenvolvimento do pensamento divergente e da criatividade. causam estranheza e têm tendência a não serem aceitas de imediato. técnicas de movimentos esportivos. influi em sua habilidade de criar algo novo. Ressalta. Sefchovich & Waisburd (1995) e Capra (1982) assinalam que a cultura ocidental sempre valorizou o pensamento dedutivo racional. em segundo plano. gerando um estilo de criatividade estreitamente relacionado com o produto. trazendo como conseqüência o aprender. Isso ocorre quando a aprendizagem possibilita o estabelecimento de relações e vínculos. como forma de construção de conhecimento e de aprendizagem significativa. Central para todo tipo de atividade criativa é o que ele chama de “abertura à experiência”. para haver criatividade. de Expressar o ridículo. inter pessoal e irracional. o sistema educativo deveria se preocupar em oferecer experiências que promovessem o desenvolvimento da criatividade em todas as áreas de expressão. entre o novo conteúdo e as experiências vividas ou com os conhecimentos já adquiridos. o processo educativo é insuficiente para desenvolver a criatividade e a educação formal não tem oportunizado o ensino do pensamento criativo. Não é o caso de se desprezar a aprendizagem mecânica. O contexto sócio-histórico-cultural pode fomentar ou inibir a criatividade. uma aprendizagem que provoca mudança no comportamento. emocional. Mesmo entendendo que os dois tipos de aprendizagem não ocorrem de forma pura. Outra condição importante. à sociedade. igualmente. Mudança. Apoiando-nos em Ausubel e Rogers . relações. sair da rotina são experiências que causam temor. Quando o indivíduo descobre algum fato que já foi revelado por outros. ainda. Encontramos na literatura vários conceitos e definições sobre criatividade que apontam para uma capacidade humana. um fenômeno multifacetado. Quando se oferece ao aluno oportunidade para ser criativo está se oferecendo também uma abertura para a expressão de sentimentos. em atitudes e na personalidade. emoções. É necessário. que o próprio indivíduo julgue o ato de criação. ainda assim representa uma realização criadora. O fato de o indivíduo perceber ou não as categorias. atitudes que muitas vezes chocam outras pessoas. que haja liberdade psicológica e que não se faça uma avaliação do indivíduo. Dieckert (1985 e 1984) prefere o termo criatividade pedagógica. em quantidade e qualidade. por considerála um sistema de atitudes capaz de modificar-se e adaptar-se. esclarecendo que o professor deve incentivar o aluno a encontrar suas próprias idéias. Se aprendizagem for conceituada como toda nova reorganização que tem caráter de permanência e disponibilidade no tempo. de algo concreto ou de uma forma de comportamento que seja nova para quem o fez. enquanto que a civilização oriental privilegia a experiência subjetiva como forma de conhecimento. podemos concluir que é inevitável se trabalhar com a criatividade na sala de aula”. que é. a expressão de uma idéia. pois conteúdos factuais são melhor ensinados e aprendidos por meio de repetição e memorização. como predeterminadas. formas. apenas. cores. Aí estariam incluídos princípios. social. exatamente. originado de múltiplas fontes: cognitiva. que: "ao considerarmos a noção de aprendizagem como um ato onde se encontram elementos cognitivos. entendemos a aprendizagem significativa como a aquisição de conhecimentos em que somos capazes de atribuir significado ao conteúdo aprendido. transformação.P. segundo Rogers. emocionais e sociais. primeiramente. O meio ambiente pode. pode-se supor que toda aprendizagem é primeiramente uma criação. Apesar da aceitação do conceito de criatividade e da proliferação dos trabalhos nesta área. de brincar espontaneamente com idéias. assustam. no caso da Educação Física. transformar os elementos. que gera um tipo de pensamento divergente. Por aprendizagem mecânica ou repetitiva entende-se a aquisição de conhecimentos que nos possibilita memorizá-los e repeti-los literalmente quando somos questionados. Guilford. tem como base experiências anteriores e resulta em algo produtivo para o indivíduo ou para a sociedade. quantas vezes seja necessário. de ver a vida de uma forma nova e significativa. que interagem para trazer a motivação e o envolvimento com a tarefa. Os primeiros autores vêm à criatividade como uma forma de vida. é que a avaliação do produto final seja feita internamente. A educação tem sido questionada por dar ênfase à aprendizagem mecânica ou de memorização e por não estimular uma forma autônoma de pensar e de agir. um estilo de criatividade mais centrada no ser humano e no seu desenvolvimento pessoal. fórmulas. 37 . Estimular o potencial de alunos faz parte de um tipo de prática pedagógica que envolve mudanças. Outra importante contribuição na área da criatividade foi à análise fatorial de J. A ação criativa é uma situação onde se produz o novo. Desde o ponto de vista pedagógico. para converter cada situação em uma possibilidade de aprendizagem e ensino. Wechsler (1995) comenta a esse respeito. uma pessoa é criativa na medida em que realiza suas pontencialidades como ser humano. o oposto de defesa psicológica.

elaboração (número de detalhes). Geralmente a infância de pessoas consideradas criativas são ricas em estímulo intelectual. aventureiros. o que ocorre apenas em uma pessoa psicologicamente saudável. a variedade e riqueza de experiências estão em relação direta com a atividade criadora. Algumas características do comportamento de pessoas criativas são consideradas inadequadas ou negativas e acabam por rotulá-las como pessoas difíceis. demonstram extrema ousadia e ambição em sua maneira de agir. a exemplo de atletas e bailarinos. Ser curioso. egocentrismo. No entanto. estupidez.um dos requisitos para o desenvolvimento de habilidades de pensamento divergente .são vistas muitas vezes como condutas que atrapalham a aula. seriam criativos. populares e bem aceitos pelos colegas . a qualidade técnica. “A estimulação intelectual e a privação emocional podem produzir um gênio. atenciosos. De certa forma. CARACTERÍSTICAS DE ALUNOS CRIATIVOS Um aspecto comprovado é a tendência dos docentes em privilegiar características de indivíduos criativos que se relacionam mais ao produto que este apresenta. geralmente. interesseiros. Para o primeiro autor.Em nosso entender o desconhecimento de características de personalidade e da forma de agir e se expressar. aponta para uma certa inconstância entre o discurso. Estaria implícito aí o conceito de motricidade.traços negativos do ponto de vista social. As características de aluno criativo que mais chamam a atenção de docentes de Educação Física estão ligadas ao aspecto motor. forma de agir ou mesmo de personalidade do indivíduo são incompatíveis com aquelas mais enfatizadas pela sociedade em geral e pelo professor em particular. pessoas que pouco se incomodam em sacrificar o bem estar pessoal ou mesmo suas relações afetivas em troca do desenvolvimento de sua obra. espontâneos. A mesma autora.variáveis positivas no aspecto social. descontrolados. Uma delas é a determinação em fazer algo. Segundo Vigotski (1998). às técnicas esportivas. e “querer saber de tudo”. trabalhadores. Possuir um bom repertório de movimentos. No entanto. sinceros. São. 38 . o conceito de criatividade e o de pessoa sadia e plenamente humana talvez resultem a mesma coisa. o que se percebe nos discursos de alguns docentes é a associação que se faz da capacidade de se “expressar bem corporalmente" com a habilidade física. a depreciação dos outros e a auto promoção destes indivíduos. flexíveis. esses estudos vão contra as concepções de Maslow (1998) e Rogers (1985) em relação à criatividade como auto realização. mas pobres em comodidade emocional. A originalidade (respostas inovadoras). Isso não significa que estejam relacionadas. mas também podem gerar pessoas frustradas e insatisfeitas. na capacidade que o indivíduo possui de utilizar movimentos corporais para expressar uma idéia. obstinação. algumas características de sua conduta. Características associadas à criatividade. Algumas pesquisas sugerem que apesar de a criatividade ser considerada importante como habilidade de pensamento e como fator de desenvolvimento humano. Parece existir “discordância" em relação ao que se entende por técnicas no esporte e dança e vivência corporal diversificada que um indivíduo adquiriu em sua história de vida. Rogers (1985 a e b) acredita que a criatividade envolve toda uma orientação do organismo e não apenas a mente consciente. A outra dimensão revela a tendência à conservação de traços ou aspectos menos atraentes da infância: egoísmo.atitudes que parecem facilitar a disciplina em sala de aula. estes estudantes são também originais. que acaba por conduzi-los a tornarem-se marginalizados. o que pode gerar uma idéia errônea de que somente os indivíduos com performance corporal. e as práticas docentes que indicam um comportamento convergente. que pode ou não incluir técnicas esportivas. a flexibilidade (riqueza das respostas). intolerância. ao estudar indivíduos altamente criativos. de julgamento. fluidez (quantidade de respostas). desordenados. Antunes (1999) comenta que alunos considerados criativos comparados com figuras históricas consideradas geniais por sua criatividade. comenta as duas dimensões pessoais que os coloca como pessoas difíceis. necessariamente. espontaneidade não foram consideradas importantes.” Gardner (1996 e 1999). a estética dos movimentos. em vários outros trabalhos. aponta que mais de 95% dos professores gostariam que seus alunos fossem obedientes. contrários às regras . intuição. metodologias de ensino que estimulem formas de pensamento divergente e canalizem o agir para mudanças positivas também representam um obstáculo para o desenvolvimento do potencial criativo dos alunos. Alencar (1993) ao analisar as características e comportamentos desejados e encorajados pelos professores em sala de aula. Estudantes criativos em relação aos não criativos são instáveis. vivências motoras ou domínio corporal implica experiências anteriores. despertando insensibilidade de amigos ou mesmo da sociedade. ser questionador durante as aulas. curiosidade. cultos. referem-se ao produto que o sujeito apresenta e nos esclarecem pouco sobre atitudes e comportamentos da pessoa criativa nos momentos de sua atuação. que valoriza a criatividade. como a independência de pensamento. artísticos .

De acordo com Mackinnon (1980) pessoas criativas são as que apresentam mais indicadores de feminilidade. Pensar de forma diferente. para o sexo feminino. Esportes e Dança oferecem grandes oportunidades para desenvolver a capacidade humana de diversidade. de serem criativos. Mosston & Ashworth (1996). As pesquisas sobre criatividade no Brasil têm sido realizadas principalmente com alunos e professores do ensino fundamental e médio e relatam estudos 39 . Em nossas pesquisas uma das causas alegadas pelos docentes universitários como dificuldade para identificar alunos criativos é o medo e a vergonha que os alunos têm de se expor. Os sentimentos negativos em relação ao próprio corpo geram um tipo de ansiedade que é pouco produtiva para a expressão de idéias e emoções por meio da motricidade. de inventar novas formas de relação com o grupo. como esses educadores proporcionam aos estudantes oportunidade para canalizar sua energia criativa. acaba por criar barreiras à expressão criativa do aluno. simbólicos. nas quais o professor e o conteúdo a ser aprendido são o centro do processo ensino-aprendizagem. Expressar a criatividade por meio da motricidade é um problema na maioria das vezes. descobrimento. as formas de manifestação corporal ditadas pela sociedade moderna. acabam por inibir e aparecimento de formas de expressão individuais. ainda. Estudos comprovam que o medo aumenta com a idade e é na fase da adolescência (fase também de transformações corporais) que se pode observar melhor o temor de se expor. Torre (1997:9) adverte que os conteúdos não devem ser obstáculos para o desenvolvimento da criatividade. especialmente nas atividades motoras. em um dos mais importantes trabalhos sobre metodologias de ensino em Educação Física. existem numerosas oportunidades para aprender de forma mais criativa. associada a uma resistência ao que novo ou diferente. mas como maior interesse por atividades estéticas que envolvem emoção e sentimentos. como por exemplo o medo de ser avaliado negativamente por outros (pais. O culto ao corpo perfeito. as formas estereotipadas das danças transmitidas pelos meios de comunicação. com os ganhos e mais com o processo. Isso exige que o professor esteja preparado para proporcionar aos alunos problemas e situações relevantes. Concepções de ensino em que são privilegiadas e valorizadas a reprodução de conhecimento e a memorização de fatos são projetadas para que os alunos adquiram conhecimento de forma passiva. METODOLOGIAS DE ENSINO Uma questão que é sempre presente nas discussões sobre criatividade no processo educacional versa sobre como os educadores reconhecem e cultivam uma forma de pensar divergente e autônoma de seus alunos e. Alencar (1993) aponta a liderança. sendo o professor mediador e facilitador da construção de conhecimento do aluno. mas sim um veículo para acrescentar a ideação através dos conteúdos figurativos. A utilização de metodologias de ensino diretivas. As mulheres se comprometem menos com os produtos. amigos. a independência e a iniciativa como características mais exigidas para o sexo masculino e a intuição. aceitar e valorizar as idéias e as soluções encontradas pelos alunos. O receio e a vergonha de se expor em atividades motoras está relacionado ao fracasso. tentar novas formas de expressão. Parece que para as meninas essa situação é mais comum que para os meninos. Cabe ao professor criar ambientes de respeito e aceitação que oportunizem as diferentes formas de expressão de criatividade do aluno.MEDO DE SE EXPOR Muitas pessoas têm dificuldades e. que pode ter diferentes causas. Ruiz Perez (1995) acrescenta que. espontaneidade e sensibilidade. que nós é imposta pela sociedade acaba por intimidar nossa capacidade de criar novos movimentos. semânticos ou comportamentais. A inibição na utilização do corpo como linguagem de expressão. Isso pode ser observado já nas primeiras séries escolares e mesmo na educação não formal. questionar são encaradas com receio. até certo ponto. medo de serem diferentes. descrevem formas de trabalho ou estilos de ensino nas quais o aluno é protagonista do processo e a principal meta é sua autonomia. Aquelas velhas e tão conhecidas frases do tipo “isso não é pergunta que se faça”. não como desvio de sexualidade. “menino não dança assim” ou “meninas não se comportam desta maneira”. Isso também foi evidenciado em nossa pesquisa realizada com docentes universitários de Faculdades de Educação Física (Tibeau. embora numerosas atividades na Educação Física reclamem um pensamento convergente e reprodutor. Para Maslow (1990) os exemplos de criatividade sempre fazem referência a produtos masculinos. invenção e de ir mais além do conhecido. ainda são comuns em nossa sociedade. Afirmam que as áreas de Educação Física. professores). que colocam o êxito e o triunfo em evidência. de manusear materiais de forma inusitada . a falta de tempo e o pouco conhecimento que têm sobre a criatividade impossibilitam o reconhecimento da capacidade criativa dos alunos. 2001): estar preso a programas e conteúdos.

Geralmente.sobre avaliação da criatividade em alunos. idéias novas. conformismo. fluência. isto funciona como um incentivo ao desenvolvimento de suas próprias idéias. A psicologia admite que. Qualquer indivíduo. á avaliação do pensamento produtivo. principalmente. dependendo do meio ambiente em que os mesmos se desenvolvam. devem ser devidamente estimulados. com novas idéias e soluções. o humor. julgarem. A educação formal. abandonando. diante do volume e da complexidade dos problemas dos tempos atuais e da rapidez com que se processam as mudanças. fatores inibidores e promotores da criatividade e. para ser autocrítica. a classificarem. Os condicionamentos agem. A emergência da era industrial e conseqüente modernização e automação da sociedade definiram muito as características das transformações que o processo educacional deveria incorporar. A FORMAÇÃO PROFISSIONAL Estudos realizados na área de formação de professores têm evidenciado a carência dos cursos de licenciatura em fornecer meios ao futuro profissional de desenvolver e aprimorar sua própria capacidade criativa e para reconhecer e valorizar esta forma de pensar e agir em seus alunos. fundamental que. inteligência ou nível sócio-econômico. sexo. autônomo. È. de acordo com uma série de valores introjetados. Estabelecer um relacionamento criativo com uma determinada realidade é. soluções originais). como a emergência de originalidade e individualidade. E como bem o afirma Ostrower: “Criar é tão difícil ou tão fácil como viver. A criatividade. e os métodos de ensino reformulados. a descobertas de outras. projetando-se no futuro. assim. as atividades relacionadas ao pensamento divergente (fantasias. para oferecer condições para o desenvolvimento de formas de pensamento crítico. divergente e de trabalhar os conteúdos de maneira questionadora e indagadora. portanto. pois. tais como a auto-confiança. procurando tornar o indivíduo sensível aos estímulos ambientais. na formação de profissionais da educação. especialmente no Brasil. flexibilidade. para a descoberta de melhores respostas aos obstáculos e desafios do mundo moderno. compararem. De uma certa forma. é encontrada em cada indivíduo. quando este é encorajado a manipular objetos e idéias. há uma tendência para levar os indivíduos a interpretarem fatos. muito freqüentemente. na maioria das vezes. no sentido de estimularem os indivíduos a elaborarem e transformarem as suas idéias. Tendências e traços da personalidade criativa. destruída ou incentivada. Segundo Maria Helena Novaes (1975). todas as habilidades em potencial. em graus diferentes. espera-se que o professor tenha sido preparado no seu curso de formação profissional para atuar de maneira crítico-reflexiva em relação aos conteúdos a serem ensinados e a valorizar a construção do conhecimento dos alunos. é necessário incrementar um tipo de ensino que combine o esforço de pensar com o de aprender. ao treinar e incentivar as atividades relacionadas com o pensamento convergente (reprodução de fatos conhecidos). a educação sem criação não é uma educação de verdade. Wechsler (1995) vai mais longe e assinala o próprio despreparo do futuro profissional para entender. as pessoas possuem. o indivíduo utilize o seu potencial criador contribuindo. potencial presente em todos os indivíduos por ocasião do nascimento. Relatam também a falta de preparo dos professores. que o indivíduo recebe. com uma predisposição ao pensamento criativo. em muitos pesquisadores na área da criatividade. autogeradora. consequentemente. E é do mesmo modo necessário”. Há uma tendência. A velocidade das informações e dos conhecimentos enfatiza a necessidade de o Homem se adaptar continuamente a novas situações a fim de responder. habilidade para sentir problemas. entre outros. independente de idade. habilidade para reestruturar idéias. pode melhorar sua capacidade de pensamento criativo. exceto em casos patológicos. a velhos problemas. romper com o passado e o presente. deve ser suficientemente aberta. valorizar e lidar com sua própria criatividade. assim. Questionam também a própria forma de atuação do professor. influência da criatividade no rendimento escolar. Mudanças tecnológicas e científicas que ocorrem neste final de século têm ocasionado uma crise na universidade e. para considerar que a educação formal suprime muito a criatividade natural. portanto. curiosidade inteletual. a abertura à percepção. pode ser inibida. Boa Sorte! 40 . metodologias e programas para o desenvolvimento de diferentes formas de expressão da criatividade. Criatividade.