DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO

DIREITO CONSTITUCIONAL MARCELO NOVELINO
DIREITOS FUNDAMENTAIS: Constituição: é o conjunto de elementos que formam e organizam o Estado  sentido material: sempre existiu, desde que existe a idéia de Estado. Há estado sem constituição? Não, no sentido material. Constituição em sentido formal, escrita é uma idéia que aparece depois, o documento escrito é algo que data do século XVIII, está ligado diretamente aos direitos fundamentais. Movimento constitucionalista: adoção de constituição escrita; é um movimento que é indissociável do desenvolvimento da teoria dos direitos fundamentais, os marcos são comuns. Ambos derivam de uma necessidade, a de limitar o poder, sair do absolutismo estatal. Direitos fundamentais e direitos humanos têm conteúdos diferentes. No plano internacional a referência aos direitos fundamentais é feita como direitos humanos. No plano interno (direito positivo de um determinado estado), ou seja, no ordenamento jurídico nacional, a denominação mais adequada é de direitos fundamentais (CF/88). Os direitos fundamentais são os direitos humanos positivados no plano interno. José Afonso da Silva denomina direitos fundamentais do homem, cuja conceituação é a seguinte: são as prerrogativas e instituições que o direito positivo concretiza em garantias de uma convivência digna, livre e igual de todas as pessoas (universalidade). Não adianta apenas o ordenamento positivar os direitos, é necessário que eles sejam concretizados, torna-los prerrogativas reais do nosso dia-a-dia. São direitos, logo, exigíveis, formando uma relação jurídica obrigacional (credor – objeto – devedor). O credor é o homem, os direitos fundamentais são do homem, ser humano, e não dos animais ou da natureza. O direito ambiental ainda é um direito em que o homem está no centro, nos é que temos direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Declaração dos direitos do homem e do cidadão de 1789, França: durante a discussão dessa declaração chegou-se a debater se essa declaração abrangeria as mulheres, houve inclusive uma minuta de declaração de direitos das mulheres. São direitos, não liberalidade, obrigam, só há direito quando há coercibilidade, forma de torná-lo exigível. Não são quaisquer direitos, mas os fundamentais. Sob o ponto de vista formal, direito fundamental pode ser tudo aquilo que está formalmente colocado como fundamental, tudo o que está no título II da CF. Sob o ponto de vista material, direito fundamental é aquele que possui conteúdo essencial, direito indispensável à dignidade da pessoa humana. A fundamentalidade de um direito está ligada à necessidade da vida digna do ser humano, não basta viver, o que dá o conteúdo de fundamental é a dignidade da pessoa humana. Nem tudo o que está no título II ou no Art. 5º formalmente colocado como fundamental é também materialmente fundamental. Há dispositivos no Art. 5º 1 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE

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que podem ser suprimidos sem que com isso se afete a dignidade da pessoa humana (XXI, XXIX), enquanto outros são ao mesmo tempo formal e materialmente fundamentais. Parte da doutrina considera que a cláusula pétrea do Art. 60, § 4º, IV, deve ser entendida que os direitos materialmente fundamentais são cláusulas pétreas, os formalmente não são, porque podem ser suprimidos sem afetar a vida digna. Dentre os defensores dessa corrente, está o ministro Carlos Veloso. § 2º, Art. 5º: pode-se ter direitos fundamentais, sob o ponto de vista material, em qualquer lugar da CF e não apenas no título II. O STF já reconheceu a existência de direitos fundamentais fora do Art. 5º. Pode-se ter ainda direitos fundamentais implícitos, não formalizados expressamente na CF (ex: direito à alimentação, implícito ao próprio direito à vida), no ordenamento jurídico infraconstitucional e nos tratados. Os direitos fundamentais hoje são características do Estado democrático de direito. O reconhecimento desses direitos foi fruto de um processo histórico que tem as mesmas características da adoção da constituição escrita, o movimento constitucionalista se identifica com o movimento de reconhecimento de direitos fundamentais. Os documentos mais importantes são: Magna Carta de 1215 (Magna Charta Libertatum): foi um acordo firmado entre João sem terra e os barões do reino (senhores feudais) a respeito da tributação. Foi escrita em latim arcaico. Foi anulada por um papa (Inocêncio III) antes de vencida a sua duração, que seria de 3 meses. João Sem Terra alegou que foi coagido e pleiteou sua anulação ao papa. É o primeiro documento escrito de reconhecimento de limitação do poder do monarca. A autoridade maior, o rei reconhecendo limites a seus poderes, algo muito difícil na época. Não foi escrita sob a forma de artigos ou tópicos, a doutrina é que deu certa organização. Era dirigida apenas aos homens livres do reino. Esse documento ainda influencia a nossa vida hoje, porque muitos dispositivos dela estão reproduzidos na CF. Ex: há os princípios da legalidade tributária, da vedação do confisco, razoabilidade tributária, ampla publicidade; limites; razoabilidade da sanção penal, individualização da pena, impenhorabilidade, julgamento pelos pares; HC gratuito, devido processo legal, acesso ao judiciário, celeridade, não à corrupção, globalização econômica, sem barreiras alfandegárias, princípio da reciprocidade. Petition of rights de 1628: reafirma direitos já mencionado na magna carta. Hábeas corpus amendment act de 1679: texto voltado para a liberdade de locomoção. Bill of rights de 1689: primeiro documento de origem parlamentar a disciplinar direitos fundamentais. A revolução gloriosa faz reascender o poder do parlamento. 2

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Declaração de direitos do bom povo da Virgínia de 1776: influência a constituição dos EUA, especialmente as 10 primeiras emendas da constituição norte-americana. Declaração dos direitos do homem e do cidadão francesa de 1789: é francesa, mas é dirigida a toda a sociedade, tem caráter universal e foi o primeiro documento com este caráter (universalidade). Declaração universal dos direitos do homem de 1948: adotada pela ONU no pós-guerra. Natureza jurídica: é uma recomendação da ONU, não é um tratado coercitivo, mas são direitos reconhecidos internacionalmente. É o primeiro documento internacional a disciplinar o catálogo de direitos humanos. Nenhum desses textos tem a natureza jurídica de constituição, a primeira constituição a trazer o catálogo dos direitos fundamentais não é unânime na doutrina: 1. A constituição da Bélgica de 1831; 2. A constituição brasileira de 1824; e 3. A constituição dos Estados Unidos, não a de 1787, mas no Bill of Rights (10 primeiras emendas de 1791 e não o bill of rights da Inglaterra) Características dos direitos fundamentais: 1. Historicidade: os direitos fundamentais são históricos, ou seja, como quaisquer direitos eles nascem, modificam-se, desaparecem, acompanhando a história. O conteúdo varia com a história. Eles não são imutáveis, herméticos. O que é necessário à vida humana digna se modifica com o passar da história. 2. Inalienabilidade: não têm conteúdo econômico patrimonial, não podem ser objeto de negócio jurídico. 3. Imprescritibilidade: não se perde o direito fundamental porque deixou de exercê-lo em determinado período. 4. Irrenunciabilidade: pode não exercer, mas renunciar não. 5. Personalidade: são personalíssimos, pertencem à pessoa do titular. 6. Limitalibilidade ou relatividade dos direitos fundamentais: não há direitos absolutos, todos são relativos. As próprias características supra não podem ser entendidas como absolutas. A inalienabilidade, por exemplo, pode ocorrer no direito à imagem, não é alienado, mas algum tipo de negócio jurídico sim, sem ofensa aos direitos fundamentais. BBB e os direitos fundamentais: intimidade, vida privada etc, não há ofensa, as pessoas são maiores e capazes, revertido em benefício delas mesmas, há liberdade de ir e vir, sabe da filmagem, transmissão etc. Em razão da relatividade dos direitos fundamentais não podem justificar o ilícito, justificar a irresponsabilidade civil, anular outros direitos constitucionais fundamentais.
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8.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO É possível a colisão entre os direitos fundamentais. ou seja. Não há apenas a perspectiva subjetiva (direito). Em qualquer lugar do planeta deve-se ter reconhecido os direitos fundamentais. a igualdade etc. mas em uma situação fática inconstitucional. mas nenhum deles será extinto. A vida é um valor que deve ser respeitado por cada um individualmente. Uma minoria é adepta do relativismo cultural. princípio da concordância prática. Só é possível uma solução concreta que só vale para o caso concreto determinado. Ela não é só um direito seu. a liberdade. A imposição de determinado estilo de vida em um país pode não ser compatível aos direitos fundamentais. um pode preponderar sobre o outro. a fim de se buscar uma solução que não existe em tese. A vida. 7. Vedação ao retrocesso: não é possível retroceder nas conquistas já sentidas pela sociedade. O estudo do controle de constitucionalidade pressupõe não só a lei em abstrato. Objetiva: vislumbram-se valores e não direitos. Não é aceita pela maioria. O que para uma agride para outra é costume. usando dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. deve-se usar o princípio da hermenêutica da harmonização. sabendo que eles são relativos. 9. Divergência entre os universalistas e os multiculturalistas. Não há hipótese de solução abstrata na colisão de direitos fundamentais. mais de um deles podem estar sendo exercido ao mesmo tempo. pois o Estado deve conceder ao menos a opção às pessoas. mas é preciso considerar a realidade fática. dignidade e Estado. além de direito é um valor da sociedade e do Estado. Ex: liberdade da mulher. Concorrência: acumulação de direitos fundamentais. Os valores mais importantes de uma sociedade são a vida. Eficácia dos direitos fundamentais: ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 4 . não existe a aplicação do “tudo ou nada” (expressão de Ronald Dworking). A lei pode ser em abstrato constitucional. As circunstâncias fáticas vão influenciar na harmonia desses direitos. não é possível sobrepor uma cultura a outra. Depende do interesse público em questão. objeto e devedor  homem. Há uma ponderação de interesses constitucionais. e ambos devem preservá-los. Perspectivas nas quais os direitos fundamentais podem ser entendidos: 1. Subjetiva: sob este ponto de vista eles são verdadeiros direitos que escondem uma relação jurídica obrigacional. Universalidade: para a maior parte da doutrina os direitos fundamentais são universais. Resolve-se com a ponderação de interesses (livro de Daniel Sarmento). mas também um valor que a pessoa deve preservar. diferentemente da solução dada às antinomias entre as leis (solução abstratamente prevista). segundo o modelo clássico: credor. 2. Ela pode influenciar o controle.

relações de direito público. que é a material. Os direitos fundamentais devem garantir o pluralismo. uma abstenção: não tirar a liberdade. XXXIX. Os direitos fundamentais podem ser ainda classificados em gerações. Art. ou seja. De proteção perante terceiros: outras pessoas também podem violar os direitos fundamentais. Art. o seu papel é que vai revelar quais são os direitos reconhecidos. Funções dos direitos fundamentais: é uma classificação de Canotilho. Isso porque o Estado pode ser o inimigo (Leviatã). É exigido do Estado uma obrigação de não-fazer. Não discriminação: função de promoção da igualdade. entre particulares. Ex: direito à propriedade. O poder era absoluto e o liberal torna o Estado “mínimo”. Ex: declaração da ONU. além de serem aplicados também nas relações privadas. logo. obrigações de fazer. O capitalismo estava em risco e alguns direitos fundamentais deveriam não mais ser apenas os de não-fazer. logo. CF (todos nós somos credores e devedores do direito à educação). De defesa ou de liberdade: exige-se que o Estado se abstenha de invadir a esfera do cidadão. institui penas. Ligado à idéia de direitos negativos. É uma função muito ligada a uma obrigação de não-fazer. De prestação: garantir às pessoas determinadas prestações positivas. Estado do bem-estar social (welfare state). 1. O Estado é o principal devedor dos direitos fundamentais. a propriedade etc. 2. presente nas relações entre o cidadão e o Estado. igualdade etc. garantir os direitos das minorias.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Vertical: é a clássica. 1ª Geração: num primeiro momento surgiram com a Revolução Francesa na declaração de 1789. mas também a necessidade de um Estado-providência. a fim de garantir condições mínimas para as pessoas. LIBERDADE. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 5 . a vida. momentos históricos em que direitos com determinadas características são tidos como fundamentais. 3. a tolerância. 225. 4. Horizontal: eficácia entre iguais. poder judiciário etc). Estado abstencionista (aquele que não interfere na vida das pessoas). 205. não só o Estado. ele tem que dar essa garantia por meio de mecanismos (polícia administrativa e judiciária. Direitos civis e políticos. O homem tem também deveres fundamentais porque os direitos fundamentais têm um valor que deve ser respeitado. CF. aplicáveis nas relações de direito privado. 2ª Geração: a revolução industrial no século XIX modificou a situação até então estabelecida. Art. Estão ligados ao modelo de Estado que a revolução francesa admitiu – Estado liberal. ele tem também a função de proteção em face dos demais seres humanos.

à informação etc. e por isso a utilização do termo geração é criticada pela doutrina. Direitos Individuais.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO ajudando. As ameaças são globais. econômicos. que são direitos ligados à globalização. o titular dos direitos de 1ª e 2ª gerações era tido apenas como sujeito individual. culturais. mas as ameaças à dignidade humana ultrapassam essas fronteiras. IGUALDADE. Direitos e Garantias – (diferença) Rui Barbosa Direitos: são disposições declaratórias que imprimem existência legal de valores reconhecidos e declarados no plano normativo. É mais adequado utilizar dimensões de direitos fundamentais. 12 e ss CF). Classificação inspirada no autor alemão JELLINEK: * Direitos de defesa . patrimônio cultural. que são os direitos ligados à titularidade difusa ou coletiva (não tem titularidade determinada. até então uma decisão judicial envolvida um autor e um réu. direitos das minorias. coletivos. As três gerações não se excluem. entre eles. Classificação com base na CF/88: Direitos fundamentais – é gênero (Titulo II CF) : direitos individuais. exigem uma atuação do Estado (prestações materiais e judiciais). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 6 . tem caráter negativo. há uma soma e não uma substituição. a partir daí a decisão judicial influencia uma coletividade. * Direito de participação – tem tanto caráter positivo como negativo. democracia plena em sentido global. obrigações de fazer. Consagra o princípio da solidariedade. 3ª Geração: ainda no século XX. Modificação do papel do poder judiciário. Tem o Estado que fazer prestações positivas. 6º CF). direitos do consumidor (rol exemplificativo). FRATERNIDADE. Surgiu a 3ª geração. Paulo Bonavides. porque exigem uma abstenção do Estado. aumentando significativamente a importância do judiciário (ACP). Direitos a Nacionalidade e Políticos (Art. já falam na 4ª geração. * Direitos a prestações (ou prestacionais) – atitude positiva do Estado. Essa dimensão é reconhecida. Transforma um valor em norma. pertencem a um grupo indeterminados): ambiente. só que as ameaças à vida humana digna passa a não mais ser individualizável. Surgem os direitos sociais. sociais. Direitos Sociais (art. Direitos 5ª geração (Paulo Bonavides): direito a paz – art. Por isso. vários autores. 4º VI CF. os direitos fundamentais também têm que ser. direito ao pluralismo. Os direitos são prestações positivas. é uma forma de universalizar os direitos fundamentais. assim.ligados à liberdade do individuo. Direitos Coletivos. Até a 3ª geração elas consideram as fronteiras estatais. nacionais e políticos.

saúde. DIREITOS SOCIAIS Os direitos sociais podem ser divididos em dois grandes grupos sistematizados: Direitos sociais do cidadão: enunciados no Art. não são apenas os Remédios Constitucionais. Direitos sociais do trabalhador: direitos individuais (Art. O bem-estar social também está expresso na parte dogmática da CF. 6º e um detalhamento no título “Da ordem social” (seguridade . e em primeiro lugar. que se desincumbe do ônus de promover sozinho o bem-estar social. abrange outros valores. que tem como característica atender às necessidades do cidadão. mas não delimita em que consistem. bem como ao princípio do mínimo existencial (limite mínimo). O Art. 8º. diferentemente dos de 1ª dimensão. Além disso. são direitos positivos de 2ª dimensão. diz que há o direito. do Estado que deixa de ser liberal. família. Isso não impediu que a partir de 90 até hoje a presença de emendas neo-liberais (crescimento do 3º setor e do mercado – 2º setor). 6º é uma disposição declaratória. para ser um Estado de bem-estar social. Observância do princípio da reserva do possível. o que não é tecnicamente exato. Ex: hábeas corpus. porque também os não cidadãos poderão usufruir. e deixar para a livre negociação). 7º) e direitos coletivos (associação. uma proposta de diminuição do papel do Estado. isso demonstra uma opção do constituinte pela maior preocupação com o social em face do individual. adolescente. ou seja. que está limitado pelo orçamento de que dispõe. São um meio de proteção dos direitos substanciais. O preâmbulo da CF já assegura o bem-estar social. meio ambiente. assistência e previdência -. ciência e tecnologia.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Garantias: são disposições assecuratórias que protegem os direitos em face do Poder do Estado. ele assegura o exercício dos direitos sociais para só depois citar os individuais. É uma disposição geral. O Art. desporto. Arts. Todos os princípios processuais são garantias. Vários dos direitos sociais previstos estão sendo repassados ao particular. 170 assegura a todos existência digna com base na justiça social. criança. no Art. Os direitos sociais nascem no início do século XX. 10 e 11). mas parte da doutrina denomina “do cidadão”. a exemplo da flexibilização da legislação trabalhista (acabar com os direitos mínimos do trabalhador. o conteúdo e alcance 7 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . 9º. comunicação social. índios). Principio da Legalidade. o fato de a CF ter previsto títulos específicos para tratar do social é prova do modelo de bem-estar social da CF/88. idoso. aquilo que o dinheiro disponível permite (limite máximo). cultura. educação. São direitos que exigem a implementação de políticas públicas para a concretização. demandando ainda mais custos para o Estado. Melhor seria denominar direitos gerais. voltada a uma obrigação de fazer e dar por parte do Estado. 193. greve. participação e representação. Todos eles serão usufruídos por qualquer cidadão. Principio do Devido Processo Legal.

em razão da delimitação em tema de implementação de políticas públicas (reserva do possível e mínimo existencial). mas que foi modificado. Não se confunde o piso salarial estadual do serviço público (não se dirige aos celetistas) com o salário mínimo. A partir do momento que o trabalho dele fica caracterizado como auxílio da atividade lucrativa do empregador. industrial ou prestação de serviços em geral o trabalhador é urbano. Nestes a legislação infraconstitucional. tornando-se o mesmo para ambos. O Art. Não significa que o judiciário poderá interferir em todo e qualquer mérito administrativo. Mas há um outro tipo de direito social que não está detalhado na CF (ex: direito à moradia). só atende a determinada categoria profissional. Ou seja. se a atividade é agropastoril o trabalhador e rural. na verdade. as decisões já vistas em controle são no sentido de que esse tema é afeto ao executivo e legislativo apenas. Ele não é exaustivo. a jurisprudência e discussões de políticas públicas terão discricionariedade bem maior. na verdade se torna vinculado. 7º diz que nem todos os direitos ali previstos poderão ser usufruídos pelos domésticos. Se a atividade é comercial. os direitos existem. Trabalhador urbano e trabalhador rural: a diferenciação tem a ver com a natureza da atividade laboral e não o lugar em que o trabalho é prestado. Existia uma exceção tocante ao prazo prescricional. escapando ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 8 . O Art. Salário mínimo: nacionalmente unificado. o trabalho deixa de ser doméstico. Não pode fazer lei fixando o salário mínimo. sem finalidade lucrativa. A lei que fixa o salário mínimo é constitucional? Atende ao que constitucionalmente o salário mínimo tem que atender? Apreciação judicial do valor do salário mínimo: se o STF declara a constitucionalidade da lei que fixa o salário mínimo a lei desaparece. Isso não é fixar salário mínimo estadual. O parágrafo único do Art. retornando a lei revogada e assim por diante. O trabalhador doméstico é aquele que trabalha nas tarefas de auxílio ao lar. Quando há a delimitação dos direitos a serem implementados por políticas públicas o judiciário poderá interferir. somente negativo. não importando o lugar. até chegar a um ponto que fica sem lei alguma no ordenamento sobre o tema. não obstante a conveniência e oportunidade (mérito administrativo). acordo ou convenção coletiva de trabalho. 7º funciona como um parâmetro mínimo de direitos sociais individuais do trabalhador. Efetivamente o estado não pode fixar salário mínimo. mas a jurisprudência admite que lei estadual pode fixar pisos estaduais para categorias profissionais que não tenham esse piso fixado em lei federal. além de outros na própria CF e na legislação ordinária. Por outro lado. O âmbito de discricionariedade nas políticas públicas dos direitos detalhados na CF é muito menor do que o daqueles não descritos na CF. O STF não atua como legislador positivo (em regra só o parlamento). O STF já disse que não cabe ADI por omissão. alguns deles já estão no título da ordem social da própria CF.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO desses direitos terão que ser detalhados. Para fins do Art. 7º não há qualquer diferença de tratamento jurídico entre o trabalhador rural e urbano. 7º traz os direitos constitucionais do trabalhador. o ato administrativo que se diz discricionário.

buscando saber qual é a finalidade da norma. e se o poder de compra do salário mínimo diminui. O salário mínimo não pode servir para a correção do valor da decisão a diante. VIII). significa retrocessão. É preciso dar tratamento diferenciado aos desiguais para assegurar a igualdade material. Ao menos a inflação do período terá que reajustar. Atingida a igualdade de oportunidades. Nas decisões judiciais que fixam algo em salário mínimo o que diz o STF é que o valor é considerado no dia da decisão. O ser humano está se tornando minoria quando em competição com a máquina (Art. há a liberdade de manifestação artística. sob pena de perpetuar as desigualdades regionais. o pleno emprego é utopia. O salário de servidor público não pode ser fixado em salário mínimo. E do ponto de vista sistemático. a ação afirmativa tem que desaparecer (tem como característica a temporariedade). A lei não pode tratar diferentemente as pessoas e nem ser aplicada diferentemente às pessoas (igualdade formal). É questão difícil. sendo que o aumento terá que observar o princípio da reserva do possível. Proteção em face da automação na forma da lei: também trata de ação afirmativa. A igualdade formal é relativa e não absoluta. frustrando objetivo fundamental da república. A igualdade que a CF/88 quer é a igualdade material. Minoria em oportunidade e não em quantidade. A ADPF pode servir de instrumento para a discussão do salário mínimo. Na mesma base territorial (não inferior ao tamanho de um município) só pode existir um sindicato de empregador e de trabalhador. por isso se justifica o tratamento diferenciado na CF. 170.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO pela tangente. Há a indicação do mínimo existencial na “preservação do poder aquisitivo”. Proteção do mercado de trabalho da mulher: ação afirmativa é uma tentativa de concretização do princípio da igualdade. A automação acaba com milhares postos de emprego de pouca qualificação. O Estado só pode exigir o registro de sindicatos. A mulher não tem as mesmas oportunidades no mercado de trabalho (no serviço público não tem mais sentido. O salário mínimo terá reajustes periódicos que preservem o poder aquisitivo. ninguém quer abrir mão do conforto da automação. Até porque não se pode retroceder nos direitos fundamentais. mas não submeter a autorização. novelas etc. dando alguns postos com alta qualificação. de acordo com o que é possível aumentar. discute-se isso em relação ao parlamento). O ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 9 . o STF não admite. o STF já admitiu (informativo 264). não é possível tratar ou aplicar a lei de forma igual para quem é desigual no mundo real. as mesmas oportunidades. Trabalho do menor de 14 anos: criança que atua em teatro. é o mínimo para preservar o poder aquisitivo. o reajuste se dá pelos índices judiciais. Ação afirmativa é dar a uma minoria tratamento formal diferenciado para assegurar a igualdade material. A análise do inciso XXXIII tem que ser feita de forma teleológica. e a partir dela.

Se o trabalho for paralisado pelo empregador é chamado de lock out. por exemplo). além de outras fontes (CPMF. O atendimento do SUS tem que ser integral. reduzir os riscos a doenças. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 10 . Nós somos credores e devedores ao mesmo tempo desse direito. a família e a sociedade. além de o administrador responder (LRF). mas a doutrina alerta que a saúde tem projeções difusas. as políticas devem em primeiro lugar. ele terá o direito de receber indenização referente à remuneração que teria no período em que perduraria sua imunidade (STF). Para garantir esse direito o Estado tem que se valer de políticas sociais e econômicas. A educação é todo processo de aprendizado do ser humano e que inclui o ensino. O governo pode comprar no mercado externo hemoderivados para abastecer o SUS. Educação: todos são credores do direito à educação. há uma projeção difusa. ao contrário da educação. A tônica principal do direito à saúde é a prevenção. depende de lei. O trabalhador decide quando e porque fará a greve. ou individuais da categoria. A saúde é um sistema único. É um direito não absoluto. isso é ensino.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO sindicato tem legitimidade para a defesa dos direitos e interesses coletivos. O acesso é universal e igualitário. dá margem à intervenção da União no estado ou do estado no município. Em princípio seria um direito difuso. Em uma clínica privada pode-se ter atendimentos particulares ou públicos. para os servidores públicos. sem que seja por motivo de força maior. Aos particulares o direito é auto-aplicável. é vedado. coletiva e individual. Dirigente sindical e estabilidade provisória: caso a empresa feche. em razão de convênio. Não se pode restringir educação a sala de aula e professor. Se os estados e municípios não aplicam o mínimo existencial em saúde previsto constitucionalmente. logo. Greve: abstenção coletiva do trabalho. o serviço deve ser gratuito. que serão remunerados pelo SUS. A empresa que tem mais de duzentos trabalhadores terá um representante. independentemente de contribuição. pode ser uma manifestação de apoio etc. a imunidade do líder sindical não é estendida a ele. Na rede pública é prestada diretamente ou por terceiros (convênios) (SUS). O SUS é financiado pelo orçamento da seguridade social dos entes. respeito às atividades essenciais. no mercado interno é vedada a comercialização. DA ORDEM SOCIAL Saúde: é direito de todos. coletivas e individuais. Tanto a rede pública quanto a privada são serviços de relevância. não necessariamente ela será reivindicatória. O devedor do direito à educação é o Estado. e aos militares. Há crime de abandono intelectual.

por exemplo. saber o que é sistema proporcional e majoritário. O estado irá cumprir assegurando o ensino fundamental obrigatório e gratuito (1ª ao 9º ano! Mudou. A universidade não é o único caminho para a evolução da sociedade. O ensino privado precisa ser autorizado e avaliado pelo poder público. O acesso é meritocrático. Preferencialmente as pessoas portadoras de necessidades especiais deverão ter atendimento educacional na rede regular de ensino em nome do pluralismo e inclusão social. ao instituir quotas. De acordo com a jurisprudência assente MS contra ato de dirigente de estabelecimento particular de ensino. atingindo uma nota mínima para o ingresso. há violação a esse acesso constitucionalmente previsto? Alguns entendem que sim e são contrários às quotas. A universidade é para quem tem capacidade. 206. Ações afirmativas: quotas para minorias terem acesso às universidades. com base na capacidade. mas apenas de autorização. mas têm relação com a liberdade subjetiva. O cidadão brasileiro tem que educação suficiente para saber o que irá fazer ao votar. Liberdade de cátedra é a liberdade de ensinar e está prevista no Art. O ensino médio deveria proporcionar isso. A educação é fundamental para o pleno desenvolvimento da pessoa. II. mas será progressivamente universalizado e gratuito. a reserva do possível nunca poderá ser argumento para o não oferecimento desse direito. CF. de pensar. porque mesmo quem entra por quotas. não é mais até a 8ª série. Assim como na saúde. com manipulação do pensamento das pessoas. O pleno desenvolvimento da pessoa está ligado à idéia de liberdade. vocação profissional e não para todos. é preciso demonstrar capacidade dentro do grupo concorrente.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Os objetivos são: o pleno desenvolvimento da pessoa. seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. a fim de evitar a “neo-escravidão”. Não é todo e qualquer ato de dirigente de rede privada que cabe MS. O ensino médio não é obrigatório. A PARTIR DE 4 ANOS!!!). 208. Hoje as crianças já devem estar na escola a partir dos 6 anos e não 7. As formas modernas de neo-escravidão não têm a ver com a liberdade objetiva. a verdadeira mudança foi apenas para a rede pública. a CF não deixou qualquer discricionariedade para o legislador e administrador. Acesso e permanência do educando na escola diretamente ligado ao inciso VII do Art. Mas na CF não há previsão de delegação do ensino. no ensino haverá rede pública regular (não onerosa) e rede privada. Outros defendem dizendo que não infringe. É direito público subjetivo. A autoridade pública por equiparação se dá por delegação e não por autorização. A LEI MUDOU. há dois tipos de atos dos dirigentes dos estabelecimentos particulares: atos derivados da ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 11 .

A função social dos meios de comunicação social está prevista no Art. Na rede pública a CF obriga que exista ensino religioso. 5º (Art. Art. Comunicação social: a CF reitera a liberdade de pensamento. O ensino religioso deve ser histórico e ecumênico em nome do Estado laico. A outra (majoritária) diz que a obrigação do poder público é de apenas informar. Os meios não podem deixar de noticiar os fatos. A CF só confiou a propriedade. e os menores de 16 anos podem entrar. Art. A CF diz que lei federal deverá criar meios de defesa da pessoa contra os meios de rádio. VII e Art. É ponto de discussão ainda. que são quatro ao todo: Art. A censura está expressamente vedada na CF. Há duas linhas de pensamento quanto à participação de menores em eventos. Por isso a CF não vai apenas reiterar as liberdades. 12. mas a CF foi omissa no tocante a propagandas infantis até determinada faixa etária. Isso para evitar ameaça à soberania nacional. Ela é cumprida quando os meios atendem aos princípios. é ofensa ao direito de informação. jornais e televisão apenas a brasileiro nato ou naturalizado há mais de 10 anos ou ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 12 . 89. 221 da CF. mas também são instrumentos que podem trazer riscos (a neo-escravatura está na manipulação do pensamento). porque estas liberdades já estavam consagradas no texto desde o Art. 220). 5º.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO “delegação”  cabe MS (autoridade) e atos de gestão da pessoa jurídica privada  não desafiam MS. § 3º. como fica?? Tem que ter fé). LI. mas vai ainda buscar meios de tentar assegurar que os veículos de comunicação social não sejam utilizados para maus propósitos. O Art. Como conciliar a classificação etária com os fusos horários do país? O MPF entrou com diversas ações exigindo que as emissoras locais retransmitissem os programas com restrição etária em horário diferenciado do restante do país. Uma que permite desde que haja autorização do órgão competente. Rádio e televisão são instrumentos que atingem uma grande massa e podem ser utilizados para propósitos não desejáveis numa sociedade (manipulação de pensamento). mas o aluno não é obrigado a cursar. 222 traz tratamento diferenciado entre brasileiro natos e naturalizados (exceção constitucional. gestão e responsabilidade pelo conteúdo da programação dos meios de comunicação de rádio. A política e os meios de comunicação são indissociáveis. Os meios são indiscutivelmente úteis. mas há outros que entendem que o ensino pode ser de orientação religiosa de cada religião especificamente (ingresso por concurso público. a matrícula é facultativa. desde que acompanhados dos responsáveis. a leitura que dão aos fatos faz parte da liberdade garantida. 222). Para se garantir uma pluralidade de linhas de pensamento a CF estabeleceu que os meios de comunicação não podem ser objeto de monopólio ou oligopólio. TV e propaganda. Há a restrição da propaganda de determinados produtos.

exploração mineral. na matéria-prima. ao contrário do que a doutrina majoritária diz: que o decreto autônomo foi introduzido na CF com a EC32 (Art. mediante desapropriação). A riqueza já esteve nas fábricas. As alterações contratuais nas empresas não devem ser comunicadas apenas à junta comercial. II). Sempre que uma obra for potencialmente causadora de impacto ambiental ela tem que ser precedida dos estudos de impacto ambiental que irão minimizar ou concluir que a obra não deve ser feita. O prazo da concessão ou permissão para a TV é de 15 anos e de 10 anos para rádio. Decreto é o ato jurídico que cria o SNUC. assim como o do Art. VI. A natureza jurídica do meio ambiente ecologicamente equilibrado é de bem de uso comum do povo. A não renovação da concessão depende de quorum especial do CN de 2/5 em votação nominal. mas os demais meios (rádio e TV) deverão ter concessão. É expressão aberta. A CF não quis que eles ficassem nas mãos de estrangeiros ou de brasileiros naturalizados há pouco tempo. mas também com a ordem econômica. Os devedores são o poder público e a coletividade. Hoje ela está na exploração intelectual. Todos têm direito. A geração presente tem a obrigação de assegurar às gerações futuras o mínimo de condições ambientais para a continuidade da espécie humana. será encontrado em outras ciências que não a jurídica. permissão ou autorização pelo poder executivo. quem tem efetivo laço nacional. necessário à perpetuação dos homens. Decreto de 15/06/2005 criou o parque nacional Serra de Itabaiana (implica perda da propriedade do particular. O MP pode mover ação civil pública para o cancelamento da concessão ou permissão quando o meio de comunicação estiver sendo utilizado para violar a CF. Todos são credores e devedores dessa relação jurídica fundamental ambiental. 225.985)  sistema nacional de unidades de conservação (SNUC). tem conceito jurídico indeterminado. Os credores futuros demonstram uma relação de eqüidade intergeracional. ou seja. III). as presentes e futuras gerações. O meio de comunicação impresso não precisa de autorização. 221. em setores da agricultura. 84. 84. mas apenas lei poderá modificar este decreto ou suprimi-lo (Art. poderão ser canceladas antes de findo o prazo por decisão judicial apenas. A atividade do poder público está ligada à bioética. VI). com a riqueza (Art. especialmente os princípios do Art. § 1º.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO pessoa jurídica brasileira. e que está na CF desde 1988. Meio ambiente: todos são credores do meio ambiente ecologicamente equilibrado. 225. deverão ser comunicadas também ao Congresso Nacional. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 13 . e tem a ver com pesquisas científicas (pesquisa e manipulação de material genético). Isso leva à conclusão de que esse decreto é autônomo. O poder público criará unidades de conservação (lei 9.

227. 228: imputáveis maiores de 18 anos. Art. somente ela define regras por meio de lei federal. envolver agente federal). 14 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . Geralmente são considerados inimputáveis. mas poderá ser federal se houver interesse da União (dano de grande magnitude. § 1º). Dos Índios: tratamento pormenorizado na CF. Art. Questão alimentar é recíproca entre pais e filhos. epidemias etc. 225 (patrimônio nacional) (não são bens da União) não necessariamente a competência será da justiça federal. Ação civil ou penal que afete ecossistemas do § 4º do Art. Índios podem estar em terras originárias (tradicionalmente ocupadas por índios – bem da União – § 1º) ou adquiri-las civilmente (terras comuns). ad referendum do CN. Só será se incidir um dos incisos do Art. É vedada a remoção dos índios de suas terras. mas a propriedade é da União. Bem de uso público pode ser prédio particular e não apenas os imóveis de domínio público (ex: shopping). não se usa o conceito de imemoriabilidade (buscar pela memória das terras. Têm também direitos originários. município não pode fixar a idade livremente. A responsabilidade civil ambiental é objetiva (Lei 6938. II e § 2º: garantir o acesso adequado às pessoas portadoras de deficiências.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Art. criança. Art. Responsabilidade civil. A princípio a competência é da justiça estadual. Há doutrina que entende ser cláusula pétrea. Aos maiores de 65 anos é garantido a gratuidade dos transportes coletivos urbanos. 225. Matéria nuclear é da União. a depender das circunstâncias. § 3º: previsão da responsabilidade penal da pessoa jurídica. até onde o direito penal é aplicado nas comunidades indígenas. 231: os índios têm o usufruto exclusivo da terra. tudo seria indígena). mas há exceções: § 5º: catástrofes. § 1º. O STJ teve uma decisão isolada dizendo que pessoa jurídica não tem responsabilidade penal. O STF resolveu a questão dizendo que por ser patrimônio nacional não arrasta a competência para a justiça federal. Modificar essa idade somente por emenda constitucional. garantido o retorno imediato tão logo cessado o risco. 14. 109. não é razoável aplicá-lo como é para nós. adolescente e idoso: proteção aos portadores de deficiências físicas  Art. Não é tema pacífico. Da família. Art. Não se impõe o direito penal a essas tribos isoladas. Tribos inseridas que mantêm certas tradições também é preciso ponderar caso a caso com valoração dos interesses. CF. 229 e 230: medicamentos com descontos para idosos. penal e administrativa por danos ambientais. apesar de ter competência para legislar sobre transporte coletivo urbano. decisão superada. O menor que trabalha tem direito a todas as garantias trabalhistas.

acarajé etc) e não protegidos por tombamento (art. não deve ser matéria de lei ordinária (embora possa ter alguma). A causa é da competência da justiça federal. 231 demonstra claramente a força do poder constituinte originário. são os direitos à nacionalidade. Em geral se entende que a titulação da propriedade é coletiva e não individual. Art. 232: há legitimidade ad causam das comunidades e organizações indígenas. Os quilombolas (pessoas remanescentes de comunidades de quilombos) são uma minoria objeto de tombamento: ficam tombados todos os documentos e os sítios detentores de reminiscências históricas dos antigos quilombos (Art. 68 do ADCT também trata dos quilombolas: a CF assegura a propriedade definitiva às comunidades quilombolas. mas tratou de forma muito tímida. Brasil pode solicitar extradição). intervém. 216. porque diz respeito a um dos elementos do Estado. 216. O MP sempre que não for o autor. Esse é um tema materialmente constitucional. É um tombamento constitucional. O tombamento recai sobre bens materiais ligados à questão cultural. Cada Estado decide quem deve ser considerado seu nacional. Também está formalmente inserido na constituição escrita. O Art. mas essa decisão não deve ser isolada. geográfico (território) e um político (soberania). Teoria nacionalidade. isso deve ser evitado a todo custo. Essa vinculação de alguém ao elemento humano de um Estado é um direito. A soberania tem um vínculo com o território. DIREITO À NACIONALIDADE É um tema que fala sobre o vínculo da nacionalidade. porque é direito fundamental o direito à nacionalidade. as constituições não podem deixar alguém sem nacionalidade. Bens imateriais são objeto de registro (carnaval. mas tem legitimidade. a propriedade é intransferível. § 1º). os antigos proprietários têm direito a indenização e qualquer dos entes poderá emitir os títulos respectivos (posição majoritária). O Estado tem um elemento humano (povo). Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade: previsto no Pacto de San Jose da Costa Rica e na carta das nações unidas (dois documentos internacionais que cuidam da nacionalidade). Não há jus postulandi. os Estados deverão observar a teoria geral da nacionalidade. geral da nacionalidade: existem duas espécies de ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 15 . § 5º). mas ela não se vincula apenas ao território. Tem a ver com a ligação da pessoa com os elementos constitutivos do Estado. Para a elaboração da constituição. José Afonso da Silva diz que nacionalidade é o vínculo jurídico-político de direito público interno que faz da pessoa um dos elementos componentes da dimensão humana do Estado.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO § 6º do Art. mas também como elemento humano do Estado (ex: brasileiro no exterior tem que justificar o não voto.

de origem. Nacionalidade primária (nata. originária. I. Art. decorre de um fato volitivo: uma declaração de vontade. Embaixador + funcionária de embaixada: é brasileiro. Quem não estiver a serviço do país não exclui a nacionalidade brasileira. Só exclui quando ambos os pais estão a serviço de seu país. o nascimento. Conjugada: requisitos + pedido. caso contrário poderia gerar situações de apatria. mesmo o nascimento acidental e mesmo de pais estrangeiros. o Estado não pode negar. Filho de embaixadores de países diferentes não é brasileiro. de 1º grau): decorre de um fato natural. a: critério territorial. b: critério sanguíneo. a possibilidade de dupla nacionalidade originária (polipátrida).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO 1. derivada. O momento do nascimento é a regra para fixar a nacionalidade. Embaixador + funcionária da ONU: é brasileiro. 12. exclusiva do Estado ou conjugada entre pessoa e Estado. ambos vinculados ao nascimento. A serviço do Brasil na administração direta e indireta de forma permanente ou temporária (José Afonso da Silva). reservando para si conveniência e oportunidade. Há autores que dizem não ser possível a nacionalidade potestativa. o Estado sempre teria conveniência e oportunidade (cuidado! Jurisprudência admite). Essa teoria não é utilizada na CF de forma pura. não reservou para si conveniência ou oportunidade. O nascimento vai determinar o critério de nacionalidade: territorial ou sanguíneo  jus solis e jus sanguinis  direito à nacionalidade por ter sangue nacional ou porque nasceu no território nacional. Exceções: nasce no Brasil de pais estrangeiros que estão a serviço de seu país. Uma declaração de vontade de quem? Exclusiva da pessoa. gera direito adquirido. É nato quem nasce no Brasil. 12. não gera direito adquirido. é organismo internacional e não país. Preenchidos os requisitos surge o direito à nacionalidade. de forma inversa. A exceção é o filho de embaixador que morreu antes do nascimento – filho póstumo – aplicado o momento da concepção. acúmulo não é ofensa a direitos fundamentais. Será exclusiva da pessoa quando o Estado desde já coloca na CF quais os requisitos necessários para alguém se tornar nacional. Nasce um apátrida ou um heimatlos: nasce em Estado jus sanguinis de pais de Estado jus solis. onde ocorreu a adoção. de 2º grau): não decorre de fato natural. mas sim temperada (mundo globalizado). Válido para filhos adotivos. o Estado decide. É chamada de nacionalidade potestativa (depende somente da vontade exclusiva da pessoa). Nacionalidade secundária (adquirida. Há. Pode decorrer ainda de vontade exclusiva do Estado: na CF de 1891 houve declaração de nacionalidade pelo Estado. I. Complementa a aliena “a” para que ninguém fique sem nacionalidade. 2. Nato: Art. voluntária. Pais ou pai/mãe a serviço do Brasil. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 16 .

Art. a definitiva é personalíssima e só pode ser feita quando for maior). há uma equiparação. 12. ele é polipátrida – viajei!). No caso do menor. Não se ganha nacionalidade com o registro no consulado no exterior. mas de brasileiro naturalizado pode. § 3º: linha sucessória presidencial. I. Caso o país que se está a serviço exige 17 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . b: nacionalidade potestativa também. 12. Período entre os 18 anos e a opção a nacionalidade fica suspensa. Seria necessário primeiro uma emenda constitucional para excluir os casos reservados ao ministro da defesa. 89. § 1º: quase nacionalidade. Mesmo havendo reciprocidade de alguns casos. fático). § 2º: lei ordinária não pode dar tratamento diferenciado a brasileiro nato e naturalizado. estão ressalvadas as hipóteses reservadas ao brasileiro nato. Oficialato só de tenente em diante. brasileiros natos. Ainda se o país da nacionalidade adquirida reconhecer a originária não perde ??? (ex: nasce no Brasil de pais italianos – este exemplo não é de nacionalidade adquirida. Aos 18 anos faz a opção. a opção é feita perante a justiça federal e a partir dos 18 anos. II. isso não existe mais! Quando se trata de menor que vem para o Brasil: vem para o Brasil aos 5 anos (ex: Ronald). Mistura dos três elementos. Naturalização cancelada por sentença judicial em virtude de atividade nociva ao interesse nacional. Lei ordinária não pode criar novas hipóteses de brasileiro nato (numerus clausus).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Art. 12. Vindo morar aqui os pais podem fazer um registro e ele é considerado nato até seus 18 anos (provisoriamente). Perdese ainda pela aquisição de nacionalidade secundária. Art. o Estado não pode negar. § 3º e 5º LI). a moradia já lhe dá o status de brasileiro nato (opção provisória. desde que venham a residir no Brasil (elemento objetivo. A regra é que só pode ser polipátrida se for de nacionalidade originária. 12. Perda da nacionalidade: Art. Essa opção é potestativa. 12. Ele será nato. Art. Chamada de nacionalidade secundária ordinária. é originária jus sanguinis. optar a qualquer tempo pela nacionalidade brasileira (elemento volitivo). que é personalíssima. Vem ganhando um novo nome: supranacionalidade (comunidade européia – cidadão europeu vinculado e com direitos específicos). 12. VII. 222. basta requerer. c: Nascido no estrangeiro de pais brasileiros (elemento sanguíneo). Feita a opção. Chamada de nacionalidade secundária extraordinária. A doutrina entende como direito potestativo. o direito já existe. conselho nacional da magistratura são ministros do STF. II. 12. ele volta a ser brasileiro nato e tem efeitos ex tunc. Art. 12. a: proveniente de país de língua portuguesa + residência por 1 ano. logo. Art. esperando uma condição suspensiva (homologação judicial da opção dele) (fica apátrida por um tempo). § 4º. Ministro da defesa na CF impede que o Ministério da Defesa seja extinto por lei ordinária. estatuto da igualdade. Reciprocidade. só a CF (Arts. Presidente do TSE.

450/SP. além da representativa. os direitos políticos cuidam. Alguns autores identificam os direitos políticos positivos tão somente com a capacidade ativa. as nacionalidades são equivalentes. § 1º. só podem constar na propaganda de órgãos públicos os símbolos do Art. mas os mecanismos são os mesmos) ou representantes eleitos (democracia representativa). É aceito. armas e selos nacionais. readquire como naturalizado. perdeu. mas até hoje nenhum outro foi criado. manifestação em plebiscito e em referendo. da direta (referendo. Art. Art. ou seja. a iniciativa legislativa popular é questão de direitos políticos. A perda da nacionalidade tem efeitos ex nunc. participação em conselhos e outros). É o conjunto de normas que regula a atuação da soberania popular. apenas com o voto. ou seja. DIREITOS POLÍTICOS Não é sinônimo de direito eleitoral. pois não é uma manifestação de vontade livre. Todos os conhecidos são inconstitucionais. 37. que são os oficiais: bandeira. mover iniciativa popular. Se estiver onde é prevalente sua proteção é absoluta. Podem ser criados outros por lei. ou passivos: ser votado (candidatura). são as mesmas? Tanto faz estar em um ou em outro país? Para fins de processo de extradição entre os dois Estados é preciso observar qual é a nacionalidade prevalecente. 13. plebiscito. hino. a proteção é relativa. 1º. ela é viciada pela coação. Era nato. assinar ação popular. Nacionalidade prevalecente: quanto ao polipátrida. A doutrina menciona este caso. 18 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . § 1º. O casamento que confere nacionalidade automática também não exclui a originária. exercer cargo público.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO para permanência. mas há decisão do STF de 1986 que diz ser nato. Ex: Roberto Carlos optou pela espanhola – constitucionalmente não se encaixa em qualquer das exceções de não perda. é vontade exclusiva do Estado. Ex: ação rescisória. Estando no país onde não é prevalente. O direito eleitoral está vinculado à democracia representativa. readquire – a doutrina diz ser como naturalizado. mas não está incluída no âmbito do direito eleitoral). Também nos casos em que o Estado confere a nacionalidade de forma exclusiva. 13 – símbolos: segundo o Art. Também tem efeitos irretroativos. Os positivos podem ser ativos: voto. Os direitos políticos abrangem o direito eleitoral (por exemplo. por decisão do presidente da república se adquiriu outra. Deveria perder a nacionalidade brasileira. A soberania exercida pelo próprio titular do poder ou o representante eleito. parágrafo único da CF: soberania popular e seu exercício por mecanismos de atuação direta (democracia direta ou semi-direta .alguns autores preferem chamar assim. Acúmulo não autorizado pela CF. O STF começou a suscitar essa tese no HC 83. ação popular. Direitos políticos positivos: é o conjunto de normas que garantem a participação da pessoa no processo político e eleitoral (José Afonso da Silva). É possível readquiri-la. iniciativa popular.

diferente de inalistabilidade. CF). quando não pode sequer votar. escrutínio é o modo de exercício do direito de voto (público ou secreto. administrador deve seguir a legalidade e praticar atos administrativos escritos). porque é norma de ordem pública. Inelegibilidade: vedação à capacidade eleitoral passiva. § 4º. voto é o exercício do direito. Constituem as regras de inelegibilidade. 2. Também não se confunde com desincompatibilização: alguém se desvencilhar de uma inelegibilidade relativa para uma eventual candidatura (deixando o cargo. A inelegibilidade pode ser absoluta (em relação a todos os cargos) ou relativa (em relação a alguns cargos). 60. mas não discriminatórios. por exemplo). No sufrágio universal as restrições são técnicas enquanto no restrito as restrições são discriminatórias. Essa exclusão por motivos técnicos não retira a característica da universalidade (ex: menores de 16 anos. não é tecnicamente membro do Judiciário. ou seja. CF) todos usufruem. não estar alistado etc. esta impede a capacidade ativa e passiva.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Direitos políticos negativos: é o conjunto de normas que impedem a participação da pessoa no processo político e eleitoral. O restrito (não é técnico. O sigilo do voto não é renunciado pelo eleitor. ele não se enquadra no parágrafo único do Art. Instituições dos direitos políticos positivos: 1. de fato é discriminatório) pode ser o censitário (discrimina de acordo com a capacidade econômica) e capacitário (discrimina de acordo com a capacidade intelectual). é apenas eleger. O Judiciário não tem legitimidade direta popular. Voto: quanto à publicidade ele será secreto ou público. uma mera afirmação não é renúncia ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 19 . suspensão e perda dos direito políticos. Há exclusões ou restrições apenas por motivos técnicos. ser eleito e participar da organização e da atividade estatal. todas são restrições técnicas). § 4º. ou seja. É cláusula pétrea (Art. Quanto à extensão o sufrágio pode ser universal ou restrito. alguém que se candidata a cargo no legislativo ou executivo. significa ausência de restrições discriminatórias. O juiz de paz. Direito de sufrágio: é um direito público subjetivo de natureza política que tem o cidadão de eleger. a exigência de alfabetização é técnica. apesar de eleito. A exigência constitucional de alfabetização para ter a capacidade eleitoral passiva não descaracteriza o sufrágio universal (não é sufrágio restrito capacitário). CF. 1º. a universalidade não é absoluta. tanto em relação à capacidade ativa quanto passiva. O voto secreto garante a pessoalidade do voto. nem escrutínio. voto em urna eletrônica ou em cédulas de papel etc). O sufrágio pode ser ativo (relacionado com a capacidade eleitoral ativa: direito de votar) e passivo (vinculado à capacidade eleitoral passiva: direito de ser votado). é apenas uma das formas de sufrágio. quer dizer. É a regra em caso de eleições. No universal (Art. O Brasil já adotou o sufrágio restrito cesitário na constituição de 1824. liberdade. terá em sua atuação que saber ler e escrever (legislar. Sufrágio é o direito. não estar domiciliado em determinada circunscrição eleitoral. 60. O direito de sufrágio não abrange o poder Judiciário. Não se confunde com voto.

Por maioria absoluta elegem-se o presidente (Art. CF – é exceção. O voto será igual: one man. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 20 . governadores dos estados e DF (Art. 60. caput fala em sufrágio universal. público. Também chamado de “maioria”. com o mesmo peso. O voto obrigatório está na CF. 81. 14. Tem como objetivo identificar os eleitos. No parlamento a regra é o voto aberto. É aquele no qual é eleito quem atinge a maioria dos votos. o Congresso promoverá eleição indireta 30 dias após a abertura da última vaga . CF). não significa ser verdade. por isso também chamado de sistema dois turnos. mas o comparecimento à zona ou posto de justificação. enquanto o Art. mas não é cláusula pétrea. 29. Essas classificações não são precisas. CF). § 1º.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO ao sigilo. O Art. podendo dar margem ao 2º turno. A CF não foi tecnicamente precisa. cada pessoa vota uma vez. one vote. Sistemas eleitorais: é o conjunto de técnicas e procedimentos para a realização de eleições e a designação dos eleitos a partir dos votos emitidos. No Brasil há a eleição indireta quando o Congresso Nacional elege para os cargos de presidente e vice-presidente da república para encerrar o mandato (os dois cargos vagos nos dois últimos anos do mandato. caráter eletivo e não hereditário. II. II fala em voto universal. isso para permitir a fiscalização por parte do povo. normalmente utilizado para cargos do poder Executivo.Art. só é preciso fazer um turno de votação. A simples é chamada de sistema de um turno ou turno único.000 eleitores (Art. o cidadão elege um colégio de eleitores e estes elegem o candidato (modelo dos Estados Unidos). ou desigual: vota mais de uma vez. secreto. ou seja.000 eleitores. O que é obrigatório não é o voto válido. A periodicidade do voto está ligado à forma republicana. mas há casos de voto facultativo (menores entre 16 e 18 anos. maiores de 70 anos. Ela pode ser simples ou absoluta. mas com eleição por sistema majoritário) e os prefeitos nos municípios com até 200. 46. Elegem-se por maioria simples os senadores (Art. CF) (*território tem governador nomeado pelo presidente) e prefeitos em municípios com mais de 200. 77. excepcionalmente é secreto. por emenda constitucional pode-se torná-lo facultativo. Em regra o voto no Brasil é obrigatório. é órgão do legislativo. universal e periódico. No voto direto o cidadão decide. O que é cláusula pétrea é o voto direto. Na maioria absoluta é necessário atingir 50% + 1 do total de votos para ser o eleito. 28. No indireto. Pode ser também obrigatório e facultativo. § 4º. a própria CF confunde. CF). analfabetos). No sistema de maioria absoluta não são computados os votos brancos e nulos. Dependerá do tipo de sistema o resultado da eleição: Majoritário: está vinculado a cargos unipessoais.

O MP não tem vaga como juiz pelo 5º constitucional. O órgão é federal. só internamente. Num primeiro momento há eleição entre partidos e coligações (voto na legenda). Lista aberta: quem decide a ordem de ocupação nas cadeiras é o eleitor (diferente da lista fechada. Não pode haver propaganda para eleitorado geral nesta fase. fechando a lista. Apresentação das candidaturas. A propaganda político-partidária independe ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 21 . mas são funções atípicas do Judiciário. Quociente eleitoral: são os votos válidos divididos pelo número de cadeiras. e não do povo. Propaganda pode ser político-partidária. Câmara dos Deputados. Procedimentos eleitorais (fases): 1. isso. O quociente partidário é o número de cadeiras encontrado para cada partido. É órgão de representação dos estados. julgar só na 3ª fase). Contencioso eleitoral. mas nos Três só há um juiz federal. escolha do nome do candidato que irá ocupar as cadeiras que o partido conquistou. Todas são dirigidas pelo Poder Judiciário. mas o sistema é por maioria simples: Senado não obedece ao proporcional. Apresentação das candidaturas: fase interna das convenções partidárias com indicação de candidatos. o número de deputados estaduais depende do número de deputados federais. órgãos colegiados. 2. Após. esta é considerada para parlamentos (órgãos colegiados). com a propaganda eleitoral. Exceção: órgão colegiado. O quociente eleitoral é o número de votos necessários para que o partido ganhe uma cadeira. para reproduzir o pensamento da população. Quociente partidário: são os votos dos partidos divididos pelo número do quociente eleitoral. que nas eleições proporcionais só haverá voto de legenda. Órgão específico para as lides eleitorais (função judiciária e administrativa).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO São cargos em que se elege alguém sem qualquer proporcionalidade. O número de deputados federais depende da população. É a casa dentro do sistema federativo onde os estados têm voz. resultando no número de cadeiras do partido. embora o contencioso só exista na 3ª fase (as 1ª e 2ª fases são atividades administrativas. Proporcional: utilizado em regra em assembléias. 3. Os advogados são indicados por lista feita pelo TJ e não pela OAB. Realização e organização do escrutínio. sem escolha para o eleitor). para o poder Legislativo. Após as convenções há a fase externa. político-eleitoral e a institucional. não é proporcional a nada. Assembléias Legislativas (Câmara Legislativa do DF) e Câmaras Municipais são órgãos colegiados proporcionais. tem número fixo de senadores (três). Na maioria dos países é o Executivo que cuida dos procedimentos eleitorais.

37. 2º da ADCT: a consulta lá prevista sobre a forma de governo foi anterior à revisão constitucional. foi consulta prévia e não posterior (à constituição). Art. ou melhor. A questão relativa a ter ou não referendo ou plebiscito não é da competência da justiça eleitoral. Inalistáveis (Art. Contencioso eleitoral: Plebiscito e referendo são mecanismos de exercício de democracia direta (ou semi-direta). Nacionalidade brasileira (exceto português de Portugal com reciprocidade e ressalvados os cargos reservados a natos – presidente e vice-presidente). exercício dos direitos políticos. Os conscritos (são os convocados. A iniciativa popular será vista em Poder Legislativo. § 2º): não têm capacidade ativa nem passiva. A inalistabilidade é uma vedação à capacidade eleitoral ativa. alistabilidade. os recrutados. proporcionando a uniformização. O analfabeto é eleitor facultativo a partir dos 16 anos. A inelegibilidade é uma vedação à capacidade eleitoral passiva. federal ou estadual. para o serviço militar obrigatório) também são inalistáveis. foi de fato plebiscito. O momento em que a consulta é feita é que define a diferença entre ambos. Aqui que se dá a definição de mesário etc. A político-eleitoral está vinculada a uma determinada eleição (apresentação externa). CF – a publicidade oficial não pode conter símbolos e nomes) é a das pessoas jurídicas de direito público. ao titular do poder. não é eleitoral. Condições de elegibilidade: condições que devem ser preenchidas para ser elegível na forma da lei ordinária (lei complementar pode estabelecer outras condições de inelegibilidade). Exceção: português de Portugal com reciprocidade de tratamento pode se alistar e votar. por conseguinte. Capacidade eleitoral: Vedado  16 anos  facultativo  18 anos  obrigatório  70 anos  facultativo. são inelegíveis. enquanto o referendo é a posterior a um ato realizado. Isso para o alfabetizado. idade mínima: ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 22 . são instrumentos de consulta popular. Os estrangeiros são inalistáveis. § 1º. A institucional (Art. Opção de assistir ou não de forma igualitária: a obrigatoriedade do horário eleitoral deveria ser imposta também para a TV fechada. Plebiscito é a consulta prévia. Realização do escrutínio: é organizado pela justiça eleitoral. filiação partidária (no Brasil não há a candidatura independentes). é da justiça comum. A doutrina eleitoral faz uma crítica no tocante às TVs abertas e fechadas em razão do princípio da igualdade.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO das eleições. por isso. domicílio eleitoral na circunscrição. 14.

um menor de 17 anos está sujeito a praticar ato infracional eleitoral. para reeleição não precisam se afastar. Relativização do § 7º: “reeleição de Rosinha Garotinho” aguardando posição do STF este ano. Neste território a inelegibilidade é relativa. Cônjuges concorrendo ao mesmo tempo para uma mesma circunscrição é possível. em tese poderia se reeleger em 2006. § 6º: desincompatibilização  ato pelo qual alguém se desvencilha de uma inelegibilidade relativa. No § 5º não é necessária a desincompatibilização para concorrer ao mesmo cargo. Inelegibilidade absoluta e relativa: a restrição aos analfabetos não fere princípio. 14. Há várias outras idades na CF que não são para cargos eletivos. Com 17 anos pode ser candidato. 18 anos: vereadores. A idade mínima é considerada na data da posse. é técnica não discriminatória e não descaracteriza o sufrágio como universal. Neste caso o juiz da infância e juventude poderá julgar matéria eleitoral. não os cargos do legislativo. agora com a regra da reeleição (1 só seguidos os mandatos). 21 anos: deputados federais. Os cargos do executivo tinham inelegibilidade relativa. O que provoca a inelegibilidade reflexa são os cargos do executivo. Reeleito passa ele a ter inelegibilidade relativa. Cônjuges: em união estável também. Logo. por exemplo. Inelegíveis: são os inalistáveis e os analfabetos. porque já eram titular de mandato eletivo.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO 35 anos: presidente. Art. (? Ele não repetiu essa matéria na aula. governador e prefeito devem renunciar seis meses antes do pleito caso queiram concorrer a outro cargo (desincompatibilização). prefeitos. Pedro Lenza fala diferente?). prova de reconhecimento jurídico da relação. Mesmo com o divórcio a inelegibilidade vai persistir. deveria ser circunscrição. Se entram juntos podem se candidatar à reeleição no mandato seguinte. vice-governador dos estados e DF. A vedação à reeleição por mais de uma vez só se aplica ao executivo. estes de forma absoluta. para ministro de Estado (21 anos?). deputados estaduais e distritais. salvo se já passado um mandato inteiro. pode se eleger para outros cargos. vice-presidente e senador. § 7º: inelegibilidade reflexa: o termo jurisdição está equivocado. 30 anos: governador. Art. Presidente. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE – 23 . vice-prefeitos e juiz de paz. poderão apenas exercer os direitos políticos ativos facultativamente. Homossexuais também atingidos pela inelegibilidade. em outra circunscrição pode. 14.

DOS PARTIDOS POLÍTICOS O Art. mesmo solto o sujeito estará com os direitos políticos suspensos e o preso provisório não está com os direitos políticos suspensos) e improbidade administrativa. Suspensão: incapacidade civil absoluta. 17 cuida dos sistemas partidários. logo. irá para a inatividade. não vai reaver). embora possa se reverter: cancelamento de naturalização por sentença transitada em julgado e recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa (os autores de constitucional falam em perda. A lei do Art. O § 1º do Art. Há liberdade de criação de partidos. Se militar mais experiente. configura ato de força e anti-democrático. Unipartidarismo e bipartidarismo são sistemas próprios de ditadura. Lei complementar inelegibilidade (LC 64). 17 traz os mesmos princípios do caput (controle mínimo) que devem ser observados na estrutura interna do partido. pode estabelecer outros casos de Impugnação a mandato eletivo: contencioso eleitoral – 15 dias contados da diplomação. devendo prestar contas à justiça eleitoral. existem leis específicas e decisões da justiça eleitoral) (segundo o STF. Somente poderão ter caráter nacional. Lei lato sensu é qualquer ato normativo. Não podem receber recursos de Estados estrangeiros. não eleito ele retorna às suas atividades de militar. enquanto durarem os efeitos (não significa prisão. na diplomação ele passa à inatividade automaticamente. não é vacatio legis. 16 é lei estricto sensu  verticalização eleitoral em discussão. mas sua aplicação fica suspensa. Processo corre em segredo de justiça. Na perda não há expectativa de retorno. A autonomia deverá observar isso. Lei eleitoral entra em vigor na data da publicação. Cassação de direitos políticos não é admissível. A tendência é o entendimento de que a lei é estricto sensu. ou seja. com mais de 10 anos. Internamente eles têm autonomia. Seu funcionamento parlamentar se dará de acordo com a lei. Se militar jovem. condenação criminal transitada em julgado. Perda e suspensão dos direito políticos é possível (direitos políticos negativos). os de eleitoral dizem que é caso de suspensão. será agregado e se eleitor. O Estado não pode controlar os partidos políticos. com menos de 10 anos de atividade.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO O militar que pode se alistar pode concorrer. O princípio democrático só se compatibiliza como pluripartidarismo. apenas requisitos mínimos devem ser atendidos (controle mínimo). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 24 . emenda poderia sim modificar as regras eleitorais para uma eleição que ocorre em menos de um ano (vamos ver o que os tribunais vão decidir!). se nada fizer.

ou seja. Acesso gratuito apenas ao rádio e TV. O movimento deu origem às constituições dos Estados Unidos e da França. A constituição vai tratar dos elementos do Estado: povo (humano). TEORIA GERAL DA CONSTITUIÇÃO Constituição em sentido comum é o conjunto de elementos de alguma coisa. caso contrário. A constituição pode coincidir ou não com a soma dos fatores reais de poder. O TSE só negará o registro se ele infringir os princípios. formam um objeto. Ela tem que dar as respostas que a sociedade precisa. Na sociedade há vários fatores reais do poder (exército. vai mudar conforme as mudanças da sociedade exigir. líderes religiosos. meios de comunicação etc) que defendem interesses próprios. Há uma acomodação entre eles  soma dos fatores reais do poder  esta é a verdadeira constituição. 99% dos países têm. O que é constituição? Depende do ponto de vista. banqueiros. A maioria hoje tem constituição em sentido formal em razão do movimento constitucionalista do final do século XVIII. não a mera folha de papel. Concepções clássicas sobre constituição: 1. Entende a constituição como real ou efetiva e como escrita ou formal. O registro no TSE não tem natureza constitutiva. pelo processo político-eleitoral. e todas as suas conseqüências. e não à base da força (característico de grupo revolucionário). território (geográfico) e governo/soberania (político). Hoje. Assim. Se a constituição escrita reflete os fatores reais de poder ela irá durar. é o complexo normativo que disciplina os elementos de um determinado Estado. reis. não (ex: juros não ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 25 . conclui-se que todo Estado tem uma constituição em sentido material. Partido político é uma agremiação que objetiva chegar ao poder dentro da legalidade. Nem todo Estado possui constituição em sentido formal: documento escrito e formalizado (ex: Inglaterra.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Natureza jurídica: pessoa jurídica de direito privado. Israel). Em sentido jurídico é o conjunto de elementos que formam e estruturam o Estado. ainda sem definição do que é. Sociológica: Ferdinand Lassalle (A essência da constituição). Os partidos têm direito a recursos do fundo partidário. seu estatuto é registrado na forma civil. Embora a idéia de limitação de poder venha desde a Magna Carta (1215). Para ele constituição real é a soma dos fatores reais de poder. não há juízo de conveniência e oportunidade. Há constituição sem Estado? Constituição da União européia em processamento – adotada por algo que não é um Estado. O objeto da constituição é um objeto aberto (não hermético) e dinâmico (não estático).

O que é símbolo pode chegar a ter força normativa. 208  lei constitucional – substância de lei e forma de constituição). É aquele sem a qual o Estado não existe. Kelsen diz que o fundamento está fora do direito positivo. Sentido lógico-jurídico: é norma hipotética fundamental que seria fonte de validade da constituição jurídicopositiva. Instituições essenciais ao Estado que precisam ser decididas. A constituição pode mudar a realidade diante de um embate. Art. Não tem decisão política fundamental (ex: Art. O que não for não é constituição. puro dever-ser. A norma é simbólica. A norma da constituição existe porque algo no mundo fora do direito positivo autoriza  norma hipotética fundamental (direito pressuposto # direito posto – direito positivo). A constituição não necessariamente será a parte mais fraca e perdedora num conflito entre o que a constituição quer e a soma dos fatores reais de poder. o legislador não é sincero ao elaborá-la. não há como procurar fundamento dentro do direito positivo.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO superiores a 12% ao ano foi escrito na CF formal. Sentido jurídico-positivo: constituição é a que está dentro da ordem jurídica positiva. no ápice da pirâmide. Constitucionalização simbólica: Marcelo Neres. Constituição é decisão política fundamental. Jurídica: Hans Kelsen (Teoria pura do direito). mas não correspondia à soma dos fatores reais do poder). apenas tem forma de constituição. Concepções modernas: 4. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 26 . 5. Isso em razão da força normativa da constituição. Força normativa da constituição: Konrad Hesse. O direito positivo é representado por uma pirâmide – hierarquia entre as normas. 7º. O que está no topo do direito positivo é constituição: é norma suprema que gera as inferiores. Política: Carl Schimitt (Teoria da constituição). 3. está no plano do direito pressuposto. 1º. qual é o fundamento de existência da constituição? Como a constituição ocupa o ápice da pirâmide do direito positivo. Por isso. Este é o sentido jurídico-positivo (direito criado pelo homem – direito posto). Critica Lassalle porque entre a constituição e os fatores reais de poder a constituição pode imperar e não ceder – tem que atuar no mundo real (RE 328812). 2. se tornar realidade – algo a perseguir (não insincero). Há coisas que funcionam como símbolos. o fundamento de existência da lei é a constituição. é algo hipotético e lógico. sem conteúdo de constituição. sem eficácia (ex: Art. O fundamento da existência do regulamento é a lei. É constituição em sentido lógico-jurídico (fora do direito positivo – dentro do hipotético). Mesma noção de poder constituinte. CF  decisão política fundamental. Leis constitucionais: algo que tem natureza de lei e forma de constituição. Princípio da compatibilidade vertical. IV. CF). Constituição é norma pura.

decisões do STF. É uma idéia que advém do constitucionalismo. São três elementos. por isso lá não se fala em controle de constitucionalidade. trata-se de uma nova constituição. § 2º). conceitos jurídicos indeterminados respondidos por outro direito). A CF de 1967 foi aprovada pelo congresso (poder constituído e não constituinte – tinha sido eleito para elaborar leis e não constituição) tipo especial de constituição outorgada. Classificação das constituições: Quanto ao conteúdo: pode ser material – conteúdo de constituição. A constituição deve ser um documento permeável. não hermética. principalmente pelo constitucionalismo dos EUA (1787) e da França (1791). Quanto à forma: pode ser escrita ou dogmática – alguém/grupo raciocina e escreve a Constituição. outorgada (é a constituição imposta – constituições de 1824. Paulo Bonavides. como modificou tudo. está aberta às necessidades da sociedade (EC. 1937. A CF/88 não esgota a constituição brasileira. Constituição aberta: Peter Häberle. escritos e nãoescritos. por decisões judiciais escritas (que interpretam as leis de matéria constitucional – cases law e as que interpretam costumes: common law) e pelas convenções constitucionais. flexível ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 27 . Na não-escrita parte dela pode ser escrita (ex: Inglaterra). há também elementos não–escritos na constituição escrita (CF/88  Art. 1934. não fechada. As seis teorias não necessariamente se excluem. portanto. nem todo Estado possui. que são acordos parlamentares não escritos. soberania do parlamento. Corresponde ao constitucionalismo inglês. Quanto à estabilidade: a constituição pode ser rígida (a estabilidade é maior porque ela não pode ser formalmente alterada pelo mesmo processo de lei ordinária. ou formal – formalizada como constituição. A classificação de escrita e não-escrita é fluida.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO 6. Não-escrita ou histórica . 5º. com autorização do legislativo. não fechado. não-codificada (em vários textos escritos ou esparsos). A constituição escrita pode ser: codificada (um único texto escrito – CF/88). Quanto à origem: a constituição pode ser democrática (promulgada ou popular – elaborada por representantes do podo – constituições de 1891. revisão constitucional. o que está escrito não exclui o que está implícito. 1967 e 1969).é formada ao longo do tempo. Carlos Roberto Siqueira Castro. Assim como se tem elementos escritos na constituição não-escrita (costumeira). Celso Bastos. são abordagens diferentes sobre o que é constituição. O Judiciário não pode examinar a soberania do parlamento. Há elementos. formada por: leis escritas de matéria constitucional. 1946 e 1988). o processo de emenda é mais rígido). mutação – mudança informal da CF. esta todo Estado tem. A de 1969 vem formalmente como EC 01 da de 1967. e a interpretação do STF tem que ser considerada.

O processo de fazer lei ordinária é o mesmo de emenda). Quanto à extensão: pode ser concisa (ou breve – EUA) ou prolixa (ou longa. não obriga as leis ordinárias. ampla – CF/88). Na CF/88 não tem sentido. ele não obriga. porque tudo que está nele está no próprio corpo de constituição. Quanto à finalidade: a constituição pode ser garantia (serve apenas para garantir direitos – EUA). Estrutura formal da constituição: Preâmbulo: existem duas teses a respeito da natureza jurídica do preâmbulo.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO (baixa estabilidade porque pode ser mudada por lei ordinária. logo. embora tente a concretização. Classificação ontológica de Loweinstein: Segundo essa classificação a constituição pode ser: Normativa: é a que consegue se impor à sociedade. que modifica o processo político da sociedade. o controle e a supremacia. dá os objetivos almejados – consequentemente é mais extensa – CF/88) e balanço (não garante. Fazer lei ordinária é o mesmo que fazer emenda. nem dirige. apenas para perpetuálo. não há contradição (ADI 2076) e não tem que ser reproduzido nas constituições estaduais. ele é dotado de força normativa. São aquelas em que o processo de poder está de tal forma disciplinado que as relações políticas e os agentes do poder subordinam-se às determinações do seu conteúdo e de seu controle procedimental. Proteção de Deus X liberdade religiosa (parte dogmática). Nominal: constituição que não conseguiu ainda modificar o processo político da sociedade. Pode ser ainda classificada como semi-rígida (metade pode ser modificada por lei ordinária). (.. Pelo controle de constitucionalidade se expurga lei incompatível. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 28 . É fonte de hermenêutica constitucional. dirigente (dirige o futuro do estado e da sociedade.. serve para manter o poder de quem está lá – não serve para limitar o poder. Alguns chamam a flexível de plástica. enquanto uma outra diz ser norma. Base do estado democrático é a constituição rígida. Uma primeira diz ser ele mera comunicação. natureza jurídica seria a mesma – e quanto à hierarquia? Daí se deduz que só há supremacia na constituição rígida. O preâmbulo para a hermenêutica constitucional deve ser utilizado (interpretação da parte dogmática). copiar do Lenza) Semântica: não serve para mudar a realidade. Mas a plástica para outros é considerada como aberta – plasticidade para se adequar. só descreve a realidade – antigas constituições soviéticas). Estariam excluídos os ateus e os politeístas – como não tem força normativa.

ele dá a estruturação do Estado. Houve de fato uma proporcionalidade (300. que. 600). O clero e a nobreza eram muito próximos e gozavam de privilégios tributários. 1º ao 250. inclusive mudar a forma dos estados gerais do reino. não é revogado. Art. A burguesia rompe com os demais estados gerais do reino. que aconselhavam o rei em determinados assuntos. povo  constituição. nobreza e burguesia). continua em vigor. O poder constituinte formal teve como marco histórico a obra de Emmanuel Joseph Siéyès – O que é o terceiro Estado? – A constituinte burguesa ou Qu’est ce que letiers é’tat de 1788.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Parte dogmática: parte comum do Art. daí surge a idéia de poder constituinte. por sua vez. a exemplo da CPMF na ADCT  não há sinceridade constitucional. só pode ser mudada pelo poder constituinte. que é ilimitada. até se tornar dogmática. A organização do estado não pode ser mudada pelos poderes constituídos. mas não ficou claro se a votação seria por cabeça. na pauta de deliberação dos estados gerais do reino estava a questão tributária (a burguesia perdia sempre na votação). A mesma definição de constituição existe: Poder constituinte material: sempre existiu. Existia na França os Estados Gerais do Reino em 1302 (criado por Felipe IV. Isso não seria imutável? Não é imutável. além de o voto ser por cabeça. 300. Esta obra diferencia o poder constituinte (deriva da nação) e poderes constituídos pela primeira vez. desde que existe o Estado. que. aplicabilidade se esvai. A nação não é refém da constituição. cria os poderes constituídos. É um poder que sempre existiu como sempre existiu a idéia de constituição material. Os poderes constituídos são limitados pela constituição. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 29 . 1º ADCT: dispositivo etéreo. “o belo”). A França passava por uma situação econômica grave. pertence à nação (povo). formando uma assembléia nacional constituinte. Siéyès propôs uma proporcionalidade “eleitoral” entre os representantes dos estados (clero. 2º estado: nobreza. donde surge a revolução francesa. 3º estado: burguesia). conteúdo pelo poder de decidir. É texto constitucional. ela pode mudar a constituição. Propõe mudar os estados gerais do reino. Poder constituinte formal: poder de escrever essas constituições materiais em uma formal. segundo Montesquieu. é mais fácil quebrar a resistência. porém. É possível se fazer um paralelo entre a relação sócios  contrato social (Estado = sociedade política). era um órgão consultivo formado por três estados (1º estado: clero. PODER CONSTITUINTE É o poder que tem o povo de dar-se uma constituição. só a burguesia pagava tributos. Disposições transitórias: faz transição – constituição quer dizer dirigir – tem realidade atual e futura – como atuar neste período. Dar-se uma estrutura e um regramento por meio de uma constituição. sem eficácia. Utilização da transitoriedade como símbolo – intenção de permanência. O poder constituinte é que cria a constituição.

ela é plurívoca. Poder constituinte secundário seria contradição. enquanto o decorrente compreende as constituições estaduais e as leis orgânicas municipais (divergência quanto a este último). Do poder constituinte pode surgir um poder desconstituinte. Pode haver ainda o ato puro e simples de outorga imposto pelo ditador. O restante são poderes constituídos: poder de reforma. Os agentes/exercentes serão representantes que poderão ser eleitos (Assembléia Nacional Constituinte) ou ainda não eleitos: líderes revolucionários que tomam o poder e escrevem a constituição. ele própria é a fonte de sua existência. Pensamento moderno sobre poder constituinte: não existe a distinção entre originário e derivado. decorrente. abrangeria inclusive as pessoas jurídicas. ele simplesmente existe. O Brasil não adota o jusnaturalismo. ele é também poder desconstituinte. A expressão “povo” não é unívoca. logo. O verdadeiramente constituinte é o poder de escrever. ou seja. ele existe autorizado pelo direito. porque ele é limitado. os estrangeiros. para outros são apenas os cidadãos. não há representante. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 30 . O poder constituinte secundário não existe. A justificativa do direito natural pode ser divina. legislativo e judiciário). histórico. Para uns o povo são as pessoas que estão no estado. grupos com personalidade fictícia etc (Frederic Müller – O Povo). Corrente adotada pelo Brasil. aquela que tem mais de um significado. O poder constituinte não existe por um fato histórico. O poder constituinte é o único que pode desconstituir a ordem jurídica anterior. CF) # de agente do poder constituinte ou exercente. O derivado reformador modifica esta constituição. ou ainda. Divisão clássica do poder constituinte: Originário/primário e Derivado/secundário (reformador ou decorrente). O ministro Carlos Aires explica essa tese fazendo uma analogia com o apagador e o giz. É o que faz nascer a constituição. O titular do poder constituinte é o povo (parágrafo único do Art. O originário faz uma nova constituição. clássicos (executivo. ou não-divina. O poder constituinte é ilimitado. O titular não pode exercer por si mesmo o poder constituinte. refundar uma nova ordem jurídica. ele tem que entregar este poder a um agente.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Natureza jurídica do poder constituinte: 1ª corrente: é um poder de fato. É um só. não pode reiniciar uma nova ordem constitucional. 1º. tudo começa com ele – Hans Kelsen e juspositivistas. aquele que pode tudo. ele é auto-fundante. ele próprio se funda. Falar em poder constituinte originário seria redundante. Para o concurso esta ainda é a melhor classificação. ele é constituído. 2ª corrente: é um poder de direito/jurídico (Tomaz de Aquino – jusnaturalistas) de direito natural.

A regra é a recepção desses institutos em favor da segurança jurídica. Limites autoimpostos não são verdadeiros limites. Isso em nome da segurança jurídica. Ele pode se manifestar de diversas formas. A ilimitação do poder constituinte originário é a falta de limites jurídicos. não tem que respeitar direito adquirido. claramente. coisa julgada e ato jurídico perfeito. § 6º. 1891: república. o processo de surgimento de uma nova constituição é político. A ruptura pode ser pacífica. culturais. Mas ela pode ser também violenta (belicosos ou beligerantes) como os golpes de estado e revoluções.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO A nossa CF coloca o poder de reforma dentro de um poder constituído. éticos. Legislativo. Austrália). desde que previsto expressamente no texto constitucional novo (Ex: Arts. Há outros limites. que não são jurídicos (meta-jurídicos ou extra-jurídicos. morais) que vão limitar o poder constituinte originário. não limitado à constituição anterior (emenda tem limites. é o verdadeiro poder constituinte (é o que faz nascer a primeira constituição de um Estado. ideologias). institucionais 31 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . caso contrário. 17 e 18 da ADCT). o demais é reforma). logo. Pela divisão moderna o poder constituinte originário é chamado de poder constituinte fundacional. 1967/1969: nova ditadura. É ilimitado juridicamente ou incondicionado. Ele é inicial (poder de fato e não de direito – juspositivismo). Art. 1937: ditadura. assembléia nacional constituinte não). ele inicia tudo. sociológicos. e o desejável é que seja por representantes eleitos para uma assembléia nacional constituinte. consideram-se recepcionados pela nova constituição (recebe leis e conseqüências dela). ele não é constituinte. não coexiste com outra ordem jurídica superior ou colateral. Em 1824: proclamação da independência. 1ª vez funda o Estado. internacionais etc. Assembléia nacional constituinte trabalhou de forma ilimitada em 1988. não fica limitado pela ordem jurídica anterior.. sem violência (CF/88. É único. metrópole que concorda com a independência da colônia e entrega a primeira constituição – Inglaterra entregou ao Canadá. Características do poder constituinte originário: não há nada acima o poder constituinte originário. Jorge Miranda divide as limitações meta-jurídicas em ideológicas (ligadas à opinião pública. que no caso do Brasil só teria existido em 1824. autônomo. Voltando à classificação clássica.. 231. 1946: saída da ditadura. Poder constituinte originário: é o poder que cabe ao povo de darse uma nova constituição. 1934: movimento constitucionalista. valores. É manifestado em momentos de ruptura na sociedade (Jorge Miranda). por transição. a exemplo do limite da vedação do retrocesso. políticos. 1988: nova redemocratização. A forma que iniciou a CF/88 foi uma emenda à constituição anterior que chamou uma assembléia nacional constituinte que tem poderes ilimitados. CF.

Juridicamente não há limites. desde que isso não implique ferimento ao direito das minorias. onde se encaixa o pluralismo democrático? Há o perigo da tirania da maioria. Legitimidade da constituição fruto do poder constituinte originário: 1. Na democracia o próprio poder do povo tem que ser limitado por valores (há autores que assim entendem). substanciais: transcendentes (vem de valores éticos superiores.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO (instituições arraigadas na sociedade. Alguns senadores que estavam no meio do mandato (não foram eleitos) foram constituintes – falhas na assembléia de 1988. Consensus: se o desejo da maioria da sociedade prevaleceu. se for outorgada não há procedimento algum. Na CF/88 foi grande. mas com o tempo pode se legitimar. A de 88 32 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . A assembléia nacional constituinte possui regras de funcionamento. quando não são a mesma coisa. imanentes (dizem respeito à configuração histórica do estado) e heterônomas (ligadas às relações internacionais). pois uma maioria pode querer esmagar uma minoria. promulgação (ato final de uma assembléia nacional constituinte). é legítima a constituição. Se obedecidas é legítima a constituição. Torna legalidade o mesmo que legitimidade. Participação efetiva do povo: influxo popular. A própria assembléia estabelece as regras. foi dentro do Congresso Nacional. como ela está presa às próprias regras? Não é verdadeiro limite. o procedimento constitucional. Não se estende a terceiros que não participam da assembléia. Para ser legítima a constituição deve ser democrática na prática e não só na origem. ou o inverso (ser deturpada). é ilegítima. Vivência democrática: a constituição tem que ser legítima na origem e na prática. nova ruptura pode ocorrer caso esses limites meta-jurídicos sejam ultrapassados. A sociedade não aceita. 2. O tempo pode provocar a legitimação ou a deslegitimação. Críticas: só em caso de assembléia. E é um processo contínuo e não apenas em 88. e todas seriam ilegítimas. por referendo (povo se manifesta sobre o trabalho elaborado) ou por plebiscito (o povo autoriza que se escreva uma constituição). Critério usado com cuidado. direitos humanos conexos com a dignidade). Parte do direito posto. Obediência ao procedimento constituinte. a assembléia nacional constituinte mudou. 3. Pode se dar por outorga (força). a exemplo da família). Em 1988 não foi uma assembléia a parte. Obedecer as regras do regimento interno da assembléia é legalidade e não legitimidade. por si mesma. Representantes ao mesmo tempo eleitos para legislar e elaborar a constituição. logo. mas isso não a torna ilegítima. Em 88 o procedimento de votação não foi obedecido. Será legítima na origem quando há eleição para a assembléia nacional constituinte e quando há participação do povo no processo constituinte. Positivação da constituição: momento em que a constituição é introduzida no ordenamento positivo. Uma constituição pode nascer ilegítima. se não. Todos os critérios de legitimidade devem ser observados em conjunto.

Repristinação: lei que não tinha sido recepcionada por constituição anterior passa a valer com uma nova constituição. Poder Constituinte Reformador: poder de reforma. Recepção: como regra a constituição recebe todas as normas que não colidem com ela. A completa ruptura não é atualização. § 5º.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO pode até ter sido considerada ilegítima. a sociedade é dinâmica e se a constituição não mudar. por exemplo. Há uma tensão permanente entre durabilidade (permanência) e mudança (atualização). 25. A não recepção só se dá por incompatibilidade material (conteúdo) e não a forma (em 88 não existe mais decreto-lei. Art. § 3º (prorrogação do regime jurídico para membros do MP empossados antes da CF/88). mas nova constituição. Arts. há um descompasso. ela tem que mudar para durar. há a não recepção. Modificar a constituição que já existe a fim de alongar sua duração. Prorrogação: é possível prorrogar normas anteriores de constituição precedente (tem que ser expresso. CTN – era lei ordinária). Este fenômeno tem que ser sempre expresso no ADCT. ADCT – até que se instalem novos tribunais. pois o que revoga é algo do mesmo nível. ADCT: revogação futura por ser incompatível – após 180 dias da promulgação. A lei anterior tem que ser materialmente compatível. 29. 70 da ADCT. Art. Para que o fenômeno ocorra é preciso que seja feita expressamente. Art. e por isso a norma será revogada (STF). como uma lei revoga outra lei). o conteúdo foi aproveitado – CP. § 1º. A não recepção demonstra a ocorrência de uma inconstitucionalidade material superveniente. automático. Desconstitucionalização: nova constituição aproveita texto da velha constituição como lei ordinária e não mais constituição. não precisa ser expresso. 27. Normas da constituição anterior são recepcionadas com status de lei infraconstitucional. mas não para ser eterna. chamada pelo STF de revogação (equívoco. Fenômenos do direito constitucional intertemporal: relação da nova constituição com o que já existia. Se ela se choca. Este fenômeno é implícito. apesar de não necessário. As alterações constitucionais podem ocorrer por processos: ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 33 . não é automático. ADCT tem texto explícito nesse sentido. quando seria possível em face da ilimitação e autonomia do poder constituinte originário. Regra geral não é aceita no ordenamento brasileiro. 34. mas todos continuam em vigor até hoje. Várias normas inferiores não podem ser desprezadas porque provocaria um vazio normativo. mas o tempo já a legitimou e nem tudo foi ilegítimo. fenômeno não automático). 25. ela repristina. A constituição é escrita para ter durabilidade. 34. Art.

Iniciativa da PEC: 1/3 da Câmara dos Deputados ou do Senado. CF – jurisprudência admite efeito vinculante às cautelares! Após a lei também reconheceu. 60. Informais: muda o conteúdo. CF: limitação formal (rigidez). Material: certas matérias não podem ser objeto de mudança devido à grande importância material. Se dá pela jurisprudência. significado. Poder constituinte difuso: ele é latente. em determinadas circunstâncias fáticas não está autorizado alterar a CF. Essa limitação material pode ser expressa ou implícita (interpretação sistemática e teleológica). Ex: guerras. é poder limitado ou condicionado. interpretação da doutrina. exerce o poder constituinte reformador. sempre se manifestando. Possui força superior que o limita. O STF já disse não ser possível nova revisão. CF e 3º do ADCT). seja declarando a constitucionalidade ou inconstitucionalidade. O STF não tem o exercício direto ou delegado do povo: discutir a legitimidade política do STF (que tem o poder constituinte reformador) para eventual mandato no lugar da vitaliciedade ao menos. Chamado de mutação. Todo poder emana do povo  representantes eleitos  STF (?!?). 60. não pode ter EC nos próximos cinco anos. conceituação de termos jurídicos indeterminados etc. essência. Limitações ao poder de reforma: Temporal: por exemplo. Formal: para mudar é necessário emendas que obedeçam a determinada forma preestabelecida. A constitucional não tem ofensa à literalidade da constituição com a mudança informal (evolução da jurisprudência. Aqui foi adotado emenda para tudo em para um único momento a revisão. mas a CF não reconhece). § 2º. Art. 102. EC é alteração formal pontual e revisão é alteração constitucional global. O STF. quando se revê toda a carta. Características do poder constituinte reformador: é poder derivado e não inicial. Se dão por emenda constitucional ou revisão constitucional (Art. Circunstancial: com certos fatos não se muda a constituição. O que diferenciou ambos aqui no Brasil foi o quorum e o momento que pode ser feito e não se ela é pontual ou global. A mutação pode ser constitucional ou inconstitucional. E ainda uma terceira hipótese de alteração formal por tratados de direitos humanos (entram como EC). presidente da república e mais da metade das assembléias legislativas da federação – maioria relativa dos 34 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . É também subordinado ao poder constituinte originário. rigidez para elaboração de EC. Será inconstitucional se a mudança informal por jurisprudência ou doutrina ferir a literalidade da constituição (ex: Art.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Formais: muda a letra da constituição. interpretação doutrinária por força de conceitos jurídicos indeterminados etc).

Mudar competências dos entes pode. que é diferente do da elaboração de lei complementar e lei ordinária. Os instrumentos para solucionar já estão nela. Segundo o STF. O vício já se encontra na fase de tramitação legislativa – sequer pode haver a PEC. estado de defesa ou de sítio. CF: limitação formal. ela já deu as soluções. nem toda mudança na federação será tendente a abolir a forma federativa. mudar não. refletir tranquilamente – amadurecimento da decisão de mudança constitucional.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO membros de cada. 1º e 2º turnos no senado votado no mesmo dia – fraudaram o § 2º do Art. A justificativa é não mudar na base da emoção. 67 da CF: proposta de lei rejeitada pode ser reproposta na mesma sessão legislativa se houve um pedido da maioria absoluta de qualquer uma das casas. cabendo iniciativa popular implicitamente (somente para prova subjetiva). Não se confunde com o Art. O STF oscila no critério de definição de “tendente a abolir”. Não tem uma posição predefinida ou um parâmetro. Basta ser tendente a abolir matéria de cláusula pétrea e não apenas abolir. Sessão legislativa corresponde a 1 ano (de 15/02 a 15/12. Não é o maior quorum da CF (3/5 = 60%). Rigidez do procedimento. intervenção. CF: limitações materiais: cláusulas pétreas. Federação: foi cláusula pétrea desde a constituição de 1891.6%). Fase preventiva (controle preventivo judicial . Sessão legislativa ordinária  15/02 a 31/06 e 30/07 a 15/12). § 3º. é fraude à idéia dos dois turnos (os Arts.MS). Não é possível ao povo propor EC: não cabe por iniciativa popular. Art. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 35 . Na sessão legislativa extraordinária a PEC também não pode ser reapresentada – limitação de natureza: temporal (minoria) não existe limitação temporal na nossa PEC. formal (maioria) não pode a PEC rejeitada outras podem. há previsão de quorum de 2/3 (66. não precisa ser mudada. 60. Art. § 4º. Estado de sítio e de defesa. 60. 60. Além do quorum elevado. tem que ser algo refletido. 60. conjuntamente. Há vários modelos de federação. EC promulgada pelas mesas da Câmara e do Senado. 28 e 32 da CF estabelecem interstício mínimo de 10 dias para votação em 1º e 2º turno). há mais dois turnos de votação a fim de evitar alterações emotivas. Não serão objeto de deliberação. Há doutrina que diz que se aplica por analogia. CF: PEC rejeitada ou prejudicada não pode ser mais objeto de proposta na mesma sessão legislativa. CF: limitação circunstancial: intervenção federal. Nas situações mais graves a constituição não pode ser modificada (guerra). Não pode dizer que será desfeita (acabar com a indissolubilidade). § 2º. Na Câmara já fizeram a mesma coisa com a EC/47. 60. pode mudar para aproximar de um ou de outro. Art. Pode romper. não é algo tendente a abolir. A EC/45 é inconstitucional sob esse prisma formal. 60. a legislação emotiva é perigosa. § 1º. A constituição confia nela própria. Apesar de não estar expresso. § 5º. Art. Art. Uma modificação qualquer não necessariamente será tendente a abolir. CF: limitação formal.

São os direitos fundamentais (individuais. Os materiais (Carlos Veloso) são todos os vinculados à vida humana digna. no título II tem alguns que não são. periódico. 2ª. e outros que estão no Art. Há vários modelos de freios e contrapesos. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 36 . tudo se encaixa na própria literalidade. Há várias formas de se justificar a ampliação. Busca-se a finalidade constitucional das cláusulas pétreas. Uma delas é a busca dos fundamentos do Estado brasileiro. 1º da CF. sejam de 1ª. pois se forçaria uma ruptura com o ordenamento. Interpretação restritiva  propõe uma hermenêutica literal. Separação dos poderes: o mesmo raciocínio para a federação. É preciso que se faça interpretação maior do que a meramente gramatical. Direitos e garantias individuais: essa expressão é a única referência na CF. Uma segunda forma (Ingo Sarlet) é interpretar direitos coletivos. que estão no Art. coletivas. somente os individuais são cláusulas pétreas. Segundo o STF é possível mudar nosso modelo. 5º e fora dele também (o fundamento dessa corrente é que não se deve limitar demais as mudanças da CF. sem que isso seja tendência a abolir a separação dos poderes (tanto que admitiu o efeito vinculante). ficando preso às idéias de 1988). Interpretação ampliativa  propõe uma hermenêutica sistemática teleológica. A ascensão ao poder no Brasil é meritocrático e temporário. secreto. 3ª ou 4ª dimensão. por isso a dificuldade em saber a abrangência. Na verdade a cláusula pétrea protege a regra. instituindo muitos pontos como cláusulas pétreas. difusos coletivos). a emenda (cláusulas pétreas) deve ser interpretada ampliativamente (quando se amplia as cláusulas pétreas se restringe as emendas. Concluise que a finalidade é proteger os direitos fundamentais em todas as suas projeções (individuais. As emendas é que são exceção ao poder de durar a CF e não as cláusulas pétreas. A doutrina desenvolveu duas linhas interpretativas. 5º. Alguns dizem que são encontrados apenas no Art. sociais e difusos como projeção individual. “O povo de ontem não é o mesmo povo de hoje” – 1988 e 2006. Como terceira forma de interpretação está a do ministro Carlos Aires de Brito: aplicar a regra geral de que o que é exceção tem interpretação restritiva e o que é regra tem interpretação ampliativa. Emenda é? A regra é a permanência ou a mudança da CF? A mudança por emenda é exceção. os direitos coletivos e sociais não são cláusulas pétreas (MS coletivo não é!?). prevalecendo a regra de permanência). O STF não resolveu este problema ainda. Vários ministros do STF adotam essa tese. não se deve dificultar demais as mudanças. Poder moderador ou fim da independência não é permitido. Amplia-se as cláusulas pétreas para restringir as emendas. sociais e difusos). universal e periódico. Tudo tem uma conotação individual. Obrigatório não é cláusula pétrea. Logo. logo.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Voto: direto.

ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 37 . Art. § 4º de forma maior. Elas existem para proteger a democracia. A democracia é o valor protegido pelas cláusulas pétreas e não as próprias cláusulas pétreas (Carlos Ayres de Brito). Limitação temporal e limitação implícita de não facilitar o processo de EC. Essa parte da doutrina defende a dupla revisão.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Pode ter EC ampliando os direitos e garantias individuais. ADCT). Princípio da dignidade da pessoa humana. Exercente do poder de reforma: Congresso nacional. MP é instituição permanente: Hugo Nigro defende (Art. As cláusulas pétreas são insuperáveis. interpretando os incisos do Art. o que não quer dizer que o alcance das que já existem não pode se elastecer. As do § 4º. Dificultar o processo de emendas: não é possível. A democracia não é cláusula pétrea. 217). o rol em si mesmo é uma cláusula pétrea? Existem três correntes: 1ª) Sim. 60. 3ª) São legítimas. e por isso deve realmente ser entendido como cláusula pétrea (Art. Existem várias barreiras de proteção à democracia e a última proteção constitucional mais próxima são as cláusulas pétreas. seria reduzir o valor da democracia. O reformador não pode criar limites para ele mesmo. logo. 60. Ela é o ponto central da constituição. Ex: celeridade processual. não pode por EC chamar novas Ecs. mas contornáveis (Jorge Miranda também). apenas o originário pode. 2. O poder de reforma não pode se auto-limitar. O MP é uma das barreiras protetivas da democracia. pois não se pode negar ao povo de hoje a capacidade de mudar o que precisar mudar. pode. Não é possível ampliar o rol de cláusulas pétreas pelos mesmos motivos (há quem diga que pode). 5. Há hoje um discurso de se chamar nova revisão constitucional (Art. que é mais importante do que as cláusulas pétreas. Não flexibilizar o processo de novas emendas. ADI 981/93: só pode ser feita uma única vez. como outras colocadas pela CF (forças armadas). CF são expressas. Rigidez constitucional. 2ª) Não. O povo querendo mudar pode. Revogar cláusulas pétreas. é cláusula pétrea. As cláusulas pétreas seriam ilegítimas. 3º. o rol não é cláusula pétrea. 127) que o MP é cláusula pétrea. 3. A doutrina é unânime em dizer que existem cláusulas pétreas implícitas: 1. mais um ponto da mesma cláusula pétrea. Titular do poder: povo. 4. A CF envolve a democracia para protegê-la. O constituinte originário decidiu que elas não podem ser alteradas. a democracia não pode ser uma cláusula pétrea.

CF). Em 97 a CCJ deu parecer pela inadmissibilidade. ainda provocaria a superrigidez da constituição. Sempre foi. 127. De outro lado. a rigidez exacerbada também pode ser um problema. Art. Em 1993 houve a possibilidade de por revisão constitucional aprovar emendas em um turno e por maioria absoluta (Art. PEC 01 de 06/10/88: sobre a instituição da pena de morte. No Brasil não se enfrentou o problema da dupla revisão. 6%) na Câmara e Senado. Isso porque haveria plebiscito para a confirmação (Art. dizendo que a hipótese de pena de morte contraria cláusula pétrea. A federação e a separação dos poderes estão ligadas à idéia de república (Art. o que impede a instituição de uma monarquia. Daí em diante seria considerada cláusula pétrea.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Uma EC para revogar a cláusula pétrea e outra para mudar a constituição. para abolir a escravidão dos EUA era quase impossível. além de ser auto-limitação do poder reformador. Mas se a dupla revisão for acompanhada de plebiscito ou referendo poderia. menos rígida. É inerente à república o voto periódico. o que não pode ser aceito pela doutrina majoritária. o que foi um problema (Hitler fez o que quis). que levou à elaboração da emenda 13 da CF. mas em 88 não foi consagrada expressamente no § 4º do Art. § 4º). Até hoje se diz que essa emenda que aboliu a escravidão é inconstitucional. A 38 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . uma delas para 1º/01/2007. CF: MP é instituição permanente. emenda que aumente os requisitos para emendas futuras. A maioria da doutrina é unânime em dizer que não é possível facilitar o processo de emenda. A CF também diz que outras instituições são permanentes (Art. 60. EC pode abolir?? Há quem o defenda como cláusula pétrea (Hugo Nigro). e em 98 foi arquivada. além de ¾ dos estados ratificarem. sem ele não. 2º. Para a maioria dos autores que entendem ser possível diz que poderíamos ter novo plebiscito sobre o tema. É possível emenda para dificultar o processo de emenda? Em Weimar (constituição da Alemanha) a ausência de cláusulas pétreas permitiu a flexibilidade da constituição. ADCT). 60. República: prova objetiva não é cláusula pétrea. 3º. Não ficar escravo de 1988. Na constituição dos EUA de 1787 é preciso 2/3 (66. A nossa é preciso de 3/5 (60%) sem ratificação dos estados. Portanto. por isso numa reforma (decisão cotidiana) o povo não está envolvido e por isso não seria possível. Nova constituição é momento raro em que o povo se envolve. 144. Há uma PEC de instituir o parlamentarismo em 2007. Há doutrinadores que entendem que se pode dificultar o processo de emenda. Na CF dos EUA de 1787 haviam 3 artigos sobre escravidão. nem referendar após a instituição. Existe no CN propostas de nova revisão. por isso ocorreu a Guerra Civil de Secessão dos EUA (1861 a 1865). com referendo cinco anos após. ADCT). Há autores que entendem ser possível e outros não.

Outro procedimento de alteração formal da CF são os tratados e convenções internacionais de direitos humanos (Art. ADCT (na verdade ela só faria sentido se a forma ou sistema de governo tivessem sido alteradas como plebiscito. 2º. 3º. parágrafo único do ADCT. Por enquanto esta é a linha do supremo. mas já disse por três vezes que não pode haver nova revisão. ADCT – limitação temporal de 5 anos). Nenhuma situação foi submetida ainda. 25. São equivalentes a emenda (mesma força de EC). Tem autonomia no âmbito do estado respectivo. 11 do ADCT. Encontra-se o poder constituinte derivado decorrente no Art. limitações formais. CF e Art. É poder derivado. logo. São as mesmas Art. Toda essa discussão porque há projetos que buscam nova revisão em 2007. dois turnos e 3/5 de votos. 29. ADCT). Nem o legislativo estadual. subordinado características do poder de reforma. 5º. não é sempre a constituição 39 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . Plebiscito em 07/09/93 para definir forma e sistema de governo (Art. Poder constituinte derivado decorrente: é aquele destinado à elaboração das constituições estaduais e das leis orgânicas municipais. entendidas como preceitos As cláusulas pétreas podem ser utilizadas como princípios de hermenêutica constitucional. lei orgânica municipal X constituição estadual  depende. O STF terá que decidir. 3º. mas o STF admitiu essa limitação. no nosso caso. CF: o poder decorrente não é ilimitado. Mas se houver deverá estar limitada também às cláusulas pétreas. nem o federal podem fazer nova revisão (STF). Revisão: prevista pelo constituinte em 1988. tem que observar os princípios da CF. quando já tinham status constitucional por força do § 2º do Art. Revisão no Art. 5º. não seria possível nova revisão constitucional. limitações materiais não previsto pelo Art. Lei orgânica municipal: Art. Aprovação em cada casa. mandou que fosse procedida a revisão) as limitações ao poder de emenda estavam presentes por ocasião da revisão (Art.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO emenda que chama nova revisão é uma emenda que facilita o processo constitucional de novas emendas. não se falaria em poder constituinte derivado decorrente para eles (minoria). § 3º). As cláusulas pétreas podem ser fundamentais (ADPF) para alguns autores. e limitado. As propostas seriam inconstitucionais. Alguns autores o julgam inconstitucional porque restringe o alcance dos direitos humanos – mesmos requisitos formais da emenda. logo. mas não foi o que o STF decidiu à época. tocante às cláusulas pétreas. 11. Há alguns autores que não admitem o município como entidade federada (José Afonso da Silva). 3º. Lei orgânica municipal X constituição federal  CF.

Há uma mistura dos dois tipos de controle de constitucionalidade nos casos de normas de repetição obrigatória (mecanismo excepcional de controle). Integra o sistema de normas. Se a constituição estadual legislar sobre matéria municipal ela será inconstitucional perante a CF. compondo-lhes o espírito e servindo de critério para sua exata compreensão e inteligência. indispensáveis ao princípio federativo. Podem ocorrer ao mesmo tempo. quando o STF poderá controlar a do TJ. Influenciam a interpretação da norma e serve também para dar harmonia ao sistema de normas. são preceitos que tutelam situações subjetivas de vantagem ou de vínculo. É o mandamento nuclear do sistema. Se lei estadual ou municipal contrariar a constituição estadual numa norma de repetição obrigatória na verdade estão ofendendo a CF. disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas. ou ainda ADI estadual no TJ.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO estadual porque ela é limitada pela CF e não tem supremacia. Seguindo o mesmo modelo necessariamente. A lei orgânica municipal. verdadeiro alicerce dele. As normas repetidas podem ser obrigatórias e facultativas (ex: medida provisória). segundo José Afonso da Silva. Os princípios são as decisões políticas fundamentais (Carl Schimitt). Se for ação de controle abstrato de constitucionalidade apenas no TJ da decisão da ADI estadual de lei estadual ou municipal cabe RE ao STF (controle difuso ou concreto). pode prevalecer frente à constituição estadual. As decisões políticas fundamentais são intimamente ligadas aos princípios. ADPF: facultativa. A constituição estadual tem normas próprias e repetidas da CF. exatamente por definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo que lhe confere a tônica e lhe dá sentido harmônico. A hermenêutica constitucional observará os princípios. mas sobre todo o sistema normativo. ADI: obrigatória. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Influenciam a própria elaboração das normas jurídicas. sem invadir competência municipal. Ela só será constitucional se atuar dentro de sua competência. não cabe ADI contra lei municipal). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 40 . Os princípios não tem aplicação endógena (apenas na CF). portanto. ADC: facultativa. Ele vem antes das regras. Pode dar ensejo a ADI ao STF para lei estadual e para lei municipal (ADPF para o STF. Princípio não se confunde com norma: normas. Celso Antonio Bandeira de Melo diz que princípio é o mandamento nuclear de um sistema. As normas obrigatórias são chamadas de normas centrais da federação. Se ele fizer a repetição facultativa terá que continuar aplicando a CF simetricamente.

Quando há regras colidindo não há como conciliar. Os princípios constitucionais positivos podem ser: positivos positivados (explícitos. algum vai prevalecer num determinado caso concreto. 1º. Princípios político-constitucionais: são os da ordem política escritos na constituição (república. não apontam qual é a decisão. uma delas terá que anular a outra (Dworking fala no sistema do “all or nothing” das regras). Estado de direito: é aquele onde há o império da lei. Há quem entenda como sinônimos regras e normas. É possível buscar o critério da hierarquia. O choque entre princípios não gera a anulação de um ou de outro. “é tudo ou nada” (tem a seguinte estrutura: se acontece A deve ser B – o Direito é o mundo do dever-ser. Enunciam motivos para a decisão. expressos) e positivos não-positivados (implícitos. A regra é algo mais concreto. sendo que uma “mata” a outra – “tudo ou nada” (critérios para solucionar o conflito aparente de normas). interpretação e integração das normas. duplo grau de jurisdição etc).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Princípio é diferente de regra (Ronald Dworking): o princípio é o motivo para decidir de determinada forma ou sentido. é concreta. da especialidade. por isso o Direito é o mundo das regras) ela não dá alternativa. Princípios fundamentais: Arts. 2. federação. CF. Alguns princípios positivos da CF/88: ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO: José Afonso da Silva divide em: Estado de Direito. Os princípios constitucionais podem ser gerais (pertencem direito constitucional em geral – no mundo) ou positivos (os que pertencem a uma determinada constituição . norma é o resultado da interpretação. ela não oferece espaço (motivo pode ser um ou outro). democracia. Canotilho classifica os princípios constitucionais em: 1. é regrada pela lei. Podem ser classificados em princípios constitucionais e não constitucionais. e 4º. não dão a decisão concreta. 3. Estado Democrático e Componente Revolucionário. Princípio do duplo grau de jurisdição é princípio constitucional positivo não-positivado (é possível saber de sua existência pela interpretação sistemática do texto constitucional que previu tribunais e recursos).Direito constitucional de um Estado). Princípio da separação de poderes é positivo positivado. da temporaridade. Submissão de todos ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 41 . Princípios Jurídico-constitucionais: são os da ordem jurídica escritos na constituição (ampla defesa. conclusão. Ela aponta uma decisão concreta Pode deixar de ser aplicada por um princípio. Utilizados na criação. 2º. a vontade de quem exerce o poder não é absoluta. Normas e texto também não se confundem: texto é o objeto da interpretação. não expressos). contraditório. presidencialismo).

Existe o controle do gestor público – tem que prestar contas. É princípio constitucional positivo-positivado (princípio republicano). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 42 . Esse é o verdadeiro. Forma de Governo: Monarquia: caracterizada pelo poder hereditário e vitalício. não existe coisa pública. Ela não é cláusula pétrea explícita. a fim de garantir a legitimidade para elaboração das leis. É aquele que institui a forma republicana de governo. Essa noção de legalidade formal é importante. democracia. responsabilização pelos seus atos – MP. O estado de direito e democrático tem que existir para revolucionar o status quo. como por exemplo. justiça social. Os controles buscam acabar com as práticas patrimonialistas. O Estado tem que ser democrático. permitindo a melhoria das condições do povo e não permitir a dominação de quem já está no poder. tudo é conseqüência do estado democrático de direito. corregedoria. segundo José Afonso. No entanto. não impede a barbárie. melhorando as condições do povo. Existência da res publica – quem exerce o poder administra coisa do povo e não coisa própria. TCU. O poder é absoluto porque tudo é do rei. dizer que existe lei não é suficiente. O terceiro elemento é o componente revolucionário. Sistema de governo: Parlamentar: governa o 1º ministro e representa o chefe de estado.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO à lei – quem está no poder deve obedecer a lei. Presidencialismo: princípio presidencialista – o Executivo deve ser exercido pelo presidente da república de forma independente do legislativo – chefe de estado e de governo reunidos no presidente da república (assim como a república. Para alguns autores não há diferença entre estado democrático de direito e estado democrático. O estado democrático de direito é aquele que através da lei criada pela soberania popular é capaz de modificar o status quo. a participação popular. a prática do nepotismo. são condutas antirepublicanas. A rigidez. mas não é suficiente. também é cláusula pétrea). ação popular – são órgãos republicanos. caracterizado pela soberania popular. Coisa pública confundida com coisa própria é chamada de patrimonialismo. mas a partir do momento em que ela foi firmada pelo plebiscito não pode ser também objeto de emenda (divergente). igualdade. utilizar veículo público para interesses particulares. até porque quem está no poder faz a lei. eletivo (à exceção do Judiciário no Brasil) e periódico. divisão de poderes. República: o poder é meritocrático.

Os poderes são independentes e harmônicos. as demais funções se 43 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . diz que é preciso limitar o poder e as funções (legislativa. O poder é um só. Já houve também uma divisão quádrupla: com o poder moderador (1824 – constituição de Benjamin Constanti). onde uma única pessoa concentrava em suas mãos as três funções. Montesquieu. Reparte o poder no território. Unitário: poder é um só em todo o território. não podem estar concentradas em um só órgão – tripartição orgânica e não de poderes ou funções – Legislativo. que dividiu as funções em dois grupos: legislativa e executiva. Cada órgão exerce função típica e atípica. cada um deles deve ter autogestão (Art. a tripartição foi imaginada para limitar o poder. Montesquieu se inspirou em Locke. Em síntese. a de legislar (função deliberativa). Cada função é exercida precipuamente por um órgão e subsidiariamente pelos demais. CF). ou seja. A justificativa da separação é a necessidade da independência de cada poder. Exercer mais de uma função é muito poder. executar e julgar. A idéia de divisão de funções.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Sistema convencional: de assembléia. Federal: princípio federativo. São três órgãos: Executivo. a distribuição das funções a órgãos distintos: órgão legislativo. No entanto. e há órgãos para exercer as funções. O Estado liberal tem como preponderante o legislativo – Estado legicêntrico (o órgão central é o legislativo. Montesquieu no século XVIII ainda está imerso na monarquia absolutista. É cláusula pétrea. Forma de Estado: outra decisão política fundamental. Aristóteles em “A Política” já se encontra que o Estado tem três funções. mas não são iguais. Ademais. Há freios e contrapesos dentro das funções típicas e atípicas. órgão executivo e órgão judiciário. Executivo e Judiciário (um controla o outro). um pode preponderar. a separação dos órgãos não é absoluta. SEPARAÇÃO DOS PODERES: A separação é orgânica apenas. o que existia com a idéia de Aristóteles era a tripartição funcional de legislar. porque ele é que toma a decisão política). portanto. Sistema de freios e contrapesos: são mecanismos que trazem uma pequena interferência de um poder no outro para possibilitar uma maior sofisticação na limitação do poder. A separação é relativa um limita o outro por meio do mecanismo de checks and balances (freios e contrapesos) e independência dos “poderes” – órgãos. Era preciso limitar o poder do monarca. porque na verdade ele é um só. 2º. quando Montesquieu propõe uma tripartição orgânica. executiva e judiciária) devem estar distribuídas em órgãos distintos. depende do Estado. Legislativo e Judiciário. aplicar as leis (função executiva) e solucionar as lides entre particulares (função judiciária). não nasceu com Montesquieu. no “Espírito das Leis” (1748).

PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE: Também chamado de princípio da proibição do excesso. O Judiciário cresceu a partir da 2ª metade do século XX. O poder público deve agir de modo proporcional aos objetivos que pretende atingir. Além de avaliar atos administrativos. O poder público deve agir sempre com adequação entre fins e meios. todos indicam a existência do princípio da proporcionalidade. Medida provisória – legislar rapidamente. proporcionalidade estrita: os benefícios da utilização da medida devem ser maiores que os malefícios (custo-benefício). a teoria passou a ser utilizada para avaliar atos legislativos no controle de constitucionalidade. da isonomia. O princípio da proporcionalidade é dividido em (direito alemão): adequação: a medida deve ser apta ao fim. Tudo isso fez com que o executivo crescesse. Busca ajustar os objetivos e os meios necessários. O seu papel político cresceu muito também em razão dos mecanismos de controle de constitucionalidade que surgiram no decorrer do século XX. mas para quem as distingue. do estado de Direito etc. legislativos (a constituição já dá os objetivos e o legislador constrói os meios para se atingir. Alguns autores dizem que esta é a razoabilidade. As funções atípicas estão aumentando cada vez mais. Os atos administrativos podem ser desconstituídos em face de uma ofensa à proporcionalidade. A razoabilidade é uma das projeções da proporcionalidade (proporcionalidade estrita). A proporcionalidade não está positivada na constituição. essa é a diferença. A constituição é programática – ele fiscaliza e suas decisões atingem a coletividade. Para o STF são sinônimos. Usada nos atos administrativos. Mas também decorre do princípio da legalidade. O executivo passa a ter mais condições de legislar – cresce sua função atípica de legislar – poder normativo das agências reguladoras e executivas (legislam). da razoabilidade. No estado do bem-estar social o Executivo cresceu muito (fazer. executar e não só se abster). assim como princípio da vedação do retrocesso.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO limitam ao que for legislado (aplicar e executar). O sentido de proporcionalidade é mais amplo.uma única decisão judicial passa a atingir toda a coletividade. por sua vez. Razoabilidade – alguns entendem como distintos – o STF vem usando as expressões como sinônimas. Hoje se tem uma redefinição do papel desses órgãos. que devem ser razoáveis). 44 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . E o legislativo. necessidade: o meio é o menos gravoso possível. aspecto que fez com que o Judiciário se agigantasse. Hoje o domínio é do Executivo. passando a ter maior notoriedade. A maioria ainda o denomina assim. Encontrado em vários ramos do direito. cresceu na função atípica (CPI) – fiscalização. 3ª geração: direitos coletivos e difusos . É um princípio consitucional-positivo implícito (não positivado) – alguns autores dizem que tem origem no devido processo legal. Estado liberal – abstenção do Estado.

Regra é um dever-ser. em si. embora a doutrina diga ser a mesma coisa. Essa definição conclui que norma = texto = dispositivo. mas um instrumento de mensuração de princípios. e força impeditiva – é a que impede que entre no ordenamento inferior normas que lhe sejam contrárias (controle de constitucionalidade). enquanto o princípio é um motivo. abstração. na verdade não é princípio. Ela. aplicável (é a que está apta a produzir todos os efeitos. Normas-princípio são motivos. Norma é diferente de texto. NORMAS CONSTITUCIONAIS José Afonso diz que normas são preceitos que tutelam situações subjetivas de vantagem ou de vínculo. não necessitando de complementação normativa. norma é o gênero. Já as normas-regra são regras. Sua importância vem crescendo muito no controle (EUA). Há uma outra maneira doutrinária de compreender o que é norma: norma # texto # dispositivo. eficaz (é a que produz efeitos jurídicos – pode depender de outra norma). Toda norma constitucional tem eficácia mínima e é caracterizada por duas forças: força paralisante – paralisa tudo que não está de acordo com a constituição (não recepção).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO A proporcionalidade está presente em todo o sistema (ex: proporcionalidade das penas). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 45 . Essa é a visão clássica. Princípios podem se chocar. Texto é o objeto da interpretação. Toda norma constitucional possui eficácia (diferente de concretização). ela não é estranha à constituição e por isso é utilizada no controle de constitucionalidade. não se choca com outro princípio. Existe uma graduação da eficácia da norma constitucional. que pode ser dividido em normas-princípio e normas-regra (divisão do professor Jorge Miranda). Por isso. sendo que prevalecerá um no caso concreto. A proporcionalidade é um instrumento para solucionar um choque entre princípios. norma é o resultado da interpretação. A proporcionalidade não é um motivo. A norma pode ser: válida (produzida nos termos da lei). Quando a interpretação é feita pelo juiz o resultado que se tem é uma norma de decisão. determinado estado dos EUA estabeleceu que era crime mulher tomar pílula anticoncepcional. Nessa idéia. conclusão. é o dever-ser. vigente (é a que se encontra no ordenamento). por si só já pode ser executada). É a que predomina na doutrina. é um instrumento de ponderação. declarado inconstitucional por falta de proporcionalidade. Em todo esse pensamento há uma correspondência entre norma e texto. Por exemplo. O STF vem utilizando cada vez mais o sistema da proporcionalidade. uma eficácia jurídica mínima e uma eficácia jurídica máxima.

norma materialmente constitucional (tem conteúdo constitucional). desde que seja razoável. Quanto ao conteúdo: norma-princípio (aquela que positiva um princípio. Determinados aspectos de saúde e educação podem ser de eficácia plena. absoluto (Art.dependem de lei infraconstitucional). objetivo que precisa de lei para se concretizar. 91. 3. não é ilimitado. culturais. Pode ser institutiva: exigem a lei ordinária para dar corpo a instituições e órgãos (Art. 5º. 5º. não necessitando de complementação. Permite a redução do alcance por lei. A norma garante a liberdade. contida ou limitada. XIII. CF – a colheita de digitais em concurso público não é razoável. Essa ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 46 . nem que seja a mínima (força paralisante e impeditiva) ela obriga o legislador (RE 168501). uma abstração – Art. tem força normativa (eficácia). Classificação de Jorge Miranda. atingirem a eficácia social (máxima). 3º. Classificação das normas constitucionais: 1. culturais. A norma programática possui eficácia jurídica. 4. § 2º. Contida: também são auto-aplicáveis. Ela necessita de uma complementação. complementação por leis e fatores políticos. Não se pode reduzir a concretização da constituição a uma questão jurídica. um dever-ser). costumes etc) reduza essa liberdade. Quanto à aplicabilidade (José Afonso da Silva): norma aplicável é a que está apta a produzir todos os seus efeitos. normas não auto-aplicáveis (not self-executing . 170. CF). 1º. ou ainda programáticas: norma que prevê um programa de atuação. a constituição real e efetiva é a soma dos fatores reais de poder (Lassalle). a norma pode ser: Plena: aquelas cuja aplicabilidade não depende de nada e não podem ser restringidas pelo legislador ordinário. Eficácia máxima ou social é a efetiva concretização do texto constitucional. 90. Art. CF – conselho de defesa nacional). CF). fatores reais de poder). o meio é inadequado). CF. Art. ou seja. portanto. portanto. Quanto à natureza: normas formalmente constitucionais (está escrita na CF). norma-regra (positiva uma regra. § 2º. A verdadeira concretização da constituição depende.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Nem toda norma constitucional tem eficácia máxima. Sob esse aspecto. Constitucionalismo norte-americano: normas auto-aplicáveis (self-executing – aquelas que dispensam a lei ordinária comum – se aplicam por si só). Enquanto não houver restrição a eficácia da norma será plena. mas permitem que a lei reduza o seu alcance (Art. Limitada: aquelas que precisam de lei ordinária para serem concretizadas. 2. LVIII. de questões jurídicas e não-jurídicas. CF). O que impede a eficácia máxima pode ser uma razão jurídica (falta outra norma – nos termos da lei) ou não-jurídica (políticas. sociológicos etc. mas ela permite que lei (a própria CF. objetivos a serem alcançados (Art. CF – conselho da república que não existe sem lei institutiva.

Texto é o dispositivo. acrescendo um quarto grupo: a de eficácia absoluta  norma tão absoluta que emenda não pode tocá-la (cláusulas pétreas). independe do momento histórico. plena. HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL A tarefa do operador do Direito é a de decifrar o texto legal. O juiz (operador) vai debruçar-se sobre o texto. Eros Grau. Texto + fatos + operador do Direito = norma. a mens legis. A norma não está completa na letra da lei. O juiz é mecânico. ele tem ideologia. critério subjetivo. Interpretativismo e não interpetrativismo: respectivamente referência ao juiz que pouco interpreta. O texto em conjunto com os fatos gera a norma.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO classificação está na obra de José Afonso da Silva na “Aplicabilidade das normas constitucionais”. Postura interpretativista. onde ele constrói a norma a partir de um texto. O juiz não poderá se desviar daquilo produzido pelo legislador presente no texto legal. Ele não pode substituir o legislador. chama a atenção para o seguinte: norma # texto. O juiz faz parte da construção da norma. ele deve se prender a certos parâmetros de hermenêutica. O juiz aqui é ativo  é o ativismo judicial: é a função ativa do juiz na hermenêutica. a professora Maria Helena Diniz também classifica como José Afonso da Silva. ela é o resultado da hermenêutica. ter liberdade plena. Utilizada a interpretação histórica – da época em que foi elaborada a lei). relativa dependente de complementação legislativa ou complementável. não importa a vontade do legislador. é a letra da lei. todavia. A norma está potencialmente no texto. tem parâmetros ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 47 . O juiz não pode. relativa restringível. que interpreta. eficácia limitada – eficácia relativa dependente de complementação legislativa ou norma de eficácia complementável. participa da construção da norma. chamando-as de normas de eficácia relativa restringível. norma = texto. em pensamento moderno. sob pena de ferimento à separação dos poderes. Classicamente. ele é passivo. Em síntese sua classificação é a seguinte: norma de eficácia absoluta. o conteúdo é o mesmo. postura não-interpretativista ou mens legislatoris (preso à vontade do legislador. Se prende à vontade do legislador. mas também sobre os fatos. apenas repetindo o que está na lei e o juiz ativo. é passivo. mas a vontade da lei. isso é interpretação evolutiva. Legislador (emissor)  texto legal (mensagem)  operador do Direito (receptor). Texto é o objeto e da interpretação do texto com os fatos resulta a norma (resultado). Muda o nome das contidas. o que lhe dá poder muito maior na hermenêutica. portanto. Nesse ponto de vista clássico o papel do juiz é de apenas dizer o que está na lei. Ainda quanto à aplicabilidade.

Tem relação horizontal também com as normas constitucionais – estudar o texto constitucional à luz dos fatos e também do preâmbulo. em um segundo momento da ciência. é um sistema. relacionando-se com o segundo ponto de vista de que o juiz é ativo. legalidade etc. exceto o juiz). Hoje isso. mas sistematicamente. igualdade. estado de direito. Estes parâmetros são chamados pela doutrina de características da hermenêutica: 1. plausibilidade com a norma. Unidade: a constituição tem sentido único. Princípios: tudo estruturado à luz dos princípios: separação dos poderes. Direitos fundamentais: devem sempre ser considerados para concretizar os direitos fundamentais. Para Maria Helena são normas constitucionais de aplicabilidade absoluta. Ele não tem força normativa. 5. 4. ela tem sua organização. 2. e norma de decisão (do juiz). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 48 . * Doutrinária: doutrina. o observador interfere no objeto observado. Título I da CF/88: fundamentos e objetivos da república federativa do Brasil.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO para trabalhar (hermenêutica). a depender da realidade fática a solução será determinada de acordo com a ponderação de interesses. Alguns doutrinadores chamam isso de “moderna hermenêutica constitucional” – toda a tarefa de interpretação da constituição é voltada à concretização dos direitos fundamentais (uma idéia entre outras). não obriga o legislador comum. não é mais assim. Cláusulas pétreas: estão carregadas de princípios e devem sempre ser consideradas. Critérios para garantir o mínimo de A primeira idéia tinha o juiz como sujeito passivo  link com a ciência: o observador não interfere no objeto observado. * Administrativa: Administração pública. 3. 6. não deve ser interpretado um dispositivo isoladamente. Espécies de interpretação * Judicial: feita pelo juiz e tem como resultado a norma de decisão. o Executivo interpreta a CF. Preâmbulo: sua utilização como fonte hermenêutica. * Os fatos são importantíssimos para se resolver questões de controle de constitucionalidade. * Norma pode ser: norma jurídica comum (aquela trabalhada pelos operadores do Direito.

ficando presa à letra e à história. Isso significa que o juiz tem participação ativa na produção da norma (ativismo judicial). Histórica: interpretar à luz dos acontecimentos históricos da época em que a constituição foi produzida (discussões que levaram à produção). mas não pode ser onipotente. A autêntica (feita pelo legislador) não é adotada por todos. Discutir os problemas a serem resolvidos. processo aberto de argumentação. Não existe para a doutrina majoritária. Interpretação presa no método gramatical não acompanha. Admitida apenas por uma minoria. É interpretação que busca a mens legislatoris (vontade do legislador). Se ele interpretasse estaria fazendo nova constituição e não interpretando. tem que se adequar com o tempo (mens legis – vontade da lei). Métodos de interpretação Gramatical: interpreta a CF a partir do texto. tem vida própria. aquela feita pelo povo (que não é doutrinador). não pode ser Teleológico: a partir da finalidade da constituição. A segunda mens legis são a dos interpretativistas ou ativismo judicial – o juiz é ativo. resultados práticos. atualizada. Problema: a constituição pode ter alteração não formal  mutação. Preocupação com a vontade da constituição e não do legislador.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO * Autêntica: o mesmo autor do texto interpretado. é passivo. O juiz não tem que interpretar. é uma unidade. Não se coaduna com a constituição aberta. Também desaconselhado porque também está preso a momento histórico (1988). A lei se modifica. desconsiderando que a constituição é aberta. Tem que interpretar. não autêntica. mas seria o constituinte derivado. A interpretação gramatical e a histórica impedem a constituição aberta. Interpretar é aplicar. Concretizador: o intérprete deve buscar concretizar a norma constitucional à luz de determinada situação histórica concreta. quando deve ser apenas um ponto de partida. logo. Interpretação só subjetiva: ficar presa a 1988: não aconselhado. Teria que ser feita pelo constituinte originário. Tópico-problemático: o intérprete deve priorizar os problemas práticos a serem resolvidos. A doutrina dos não-interpretativistas se coaduna com a primeira linha mens legislatoris. Alguns doutrinadores incluem a interpretação popular da constituição. concretizar. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 49 . Alguns consideram a EC como interpretação. Tentam construir essa idéia ainda. A interpretação tem que ser objetiva. Sistemática: a constituição interpretada com dispositivos isolados. muita importância ao pensamento do legislador.

CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 50 . * Interpretação constitucional. Força normativa da constituição: a constituição pode mudar. os fatos são importantes para a criação da norma e o juiz deve examiná-los. Buscar a prevalência da vontade da lei .mens legis. Concordância interpretação sistemática constitucionais é preciso (ponderação de interesses. Bloco de constitucionalidade: algumas idéias estão presentes em todo o texto constitucional. A constituição existe e deve ser interpretada para garantir os direitos fundamentais do cidadão. Unidade da constituição: a constituição é um todo único. a constituição tem que ser concretizada e tudo isso tem que ser voltado à garantia dos direitos fundamentais. diverso. Em conflito de dispositivos harmonizá-las à luz de cada caso concreto razoabilidade). Escolher o caminho que confere maior efetividade. * Interpretação sistemática. A cada caso concreto haverá fato 5. É também uma técnica de controle de constitucionalidade. A constituição material pode estar presente em lei ordinária inclusive. Interpretação da lei conforme a constituição: não a constituição conforme a lei. Movimento da moderna hermenêutica: é a segunda visão de que o juiz é ativo. além de princípio de hermenêutica. Pela supremacia da constituição se interpreta a lei ordinária à luz da CF. são valores não presentes em dispositivo único. Máxima efetividade ou princípio da eficiência: conferir à constituição a maior eficácia. intrínseca: interpretação dentro do sistema * Exclusão da interpretação da constituição a partir da lei. * Inadmissibilidade da interpretação autêntica. influenciar a realidade. Interpretação contrária vai de encontro à moderna hermenêutica. É parâmetro constitucional. 3. prática ou da harmonização: decorre da da constituição. Regras de hermenêutica constitucional segundo Canotilho e Vital Moreira: * Interpretação objetiva: e não subjetiva (considera quem fez a lei – mens legislatoris). um sistema.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Princípios da interpretação (Canotilho) 1. 2. 4.

que é influenciada por esse pensamento e promulgada em 1787). Marbury desejava o documento que lhe dava a nomeação a juiz. Leading case do controle. relator (MMM). Em 1803 houve a primeira aplicação prática dessa teoria examinado pela suprema corte dos Estados Unidos no caso “Marbury X Madison” e juiz Marshall. O Judiciário seria o guardião da constituição (idéia debatida pela Convenção de Filadélfia – textos federalistas. Marshal declara inconstitucional a lei ordinária que fixava o foro privilegiado a Madison na suprema corte. as quais não podem contrariar. De acordo com a pirâmide de Kelsen. (O mesmo caso o STF julgou a constitucionalidade da lei FHC que fixava competência por foro privilegiado – declarou a inconstitucionalidade). Daí escapou dizendo que lei ordinária não pode criar competência para a suprema corte. É o primeiro caso jurisprudencial. A lei que contrariasse não produziria efeitos jurídicos.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO O controle de constitucionalidade está ligado à rigidez constitucional. é escudo protetor do povo contra as decisões dos seus próprios representantes. foi só a 1ª aplicação prática. retirando do ordenamento as normas inferiores que a contrariam. Hoje o controle se presta também a declarar que a norma inferior está de acordo com a constituição e não contrária. Essa decisão julgou inconstitucional a ação de Marbury dizendo que a lei ordinária não poderia criar regra de competência. Tem por objetivo ainda garantir o cumprimento dos preceitos fundamentais da CF (ADPF). a rigidez constitucional e o controle de constitucionalidade. antes da constituição dos EUA. Controle de constitucionalidade é o mecanismo que faz prevalecer a supremacia da constituição. Ocorre que Marshall não poderia desmoralizar o presidente Thomas Jefferson (era secretário de Estado nomeado para a suprema corte). que é matéria constitucional (James Madison era secretário de Estado que teria foro privilegiado na suprema corte nos termos de lei ordinária). As bases do estado democrático de direito são a supremacia da CF. seria nula. A idéia de constituição era de algo que pudesse defender o povo frente ao legislador (parlamento soberano – o parlamento inglês editava leis tributando as colônias inglesas e nada poderia ser feito porque esse parlamento era supremo – sistema de soberania do parlamento inglês acabou por ser um dos motivos principais das 13 colônias inglesas na américa do norte tornarem-se independentes – daí a idéia de constituição como instrumento de defesa frente ao legislador). Autores como Alexandre Hamilton já discutiam e escreviam a respeito. mas esta decisão não inventou a teoria do controle. A suprir uma omissão (ausência da lei) e não apenas para fulminar uma lei contrária à constituição. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 51 . só a constituição. Origem: constituição dos EUA de 1787. É o princípio da compatibilidade vertical das normas. A constituição é forte limite ao legislador. as normas inferiores existem por força das superiores. após a posse de Thomas Jefferson (brecou o “trem da alegria”) contra Madison e quem estava na suprema corte era Marshall (encarregado de entregar o documento de posse a Marbury).

na constituição de 1824 não houve a previsão de controle (Art. mas anulável. que a ação não pode ser proposta etc). 1937 (Art. e após para um território federal que também não tinha escravidão e finalmente retorna com ele a um estado escravocrata. em 1934 (Art.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO A segunda decisão de controle foi em 1853 (escravidão) no caso Dred Scott X Sandford. Espécies de inconstitucionalidade: ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 52 . 1967 e 1969 não trazem grandes alterações. que não é a mesma de hoje. vendendo-o a Sandford. A intervenção era feita por lei e a ADI contra esta lei servia para acabar com a intervenção. 96) quorum de maioria absoluta para declarar a inconstitucionalidade. Hans Kelsen observando a proteção da constituição. acionando Sandford. Em seguida o seu dono o leva a um estado que não tinha escravidão. PEC 358: 2ª parte da reforma do Judiciário. A lei ordinária não poderia proibir a escravidão no território federal – nega o pedido de Dred. § § 1º e 2º) inaugura o controle concentrado. Hoje a intervenção depende de o STF dar procedência à representação interventiva promovida pelo PGR. 101. I. Os dois primeiros casos historicamente são casos concretos em que a discussão da constitucionalidade é incidental. bem como a ADPF. § 10) (no modelo norte-americano – influência de Rui Barbosa). EC 45/04 estabeleceu o efeito vinculante para a ADI e outras modificações. A lei inconstitucional não será nula. só o STF poderia julgar a ADI interventiva. 13. Dred era um escravo e morava em um estado escravocrata. ao contrário. I. 1988: aumento dos legitimados a propor ADI e surge a ADI por omissão. A suprema corte dá uma decisão assegurando direitos fundamentais (da propriedade). lei 9868/99 e 9882/99 regulamentou a ADI e ADPF respectivamente. K)  ADI controle abstrato (idéia de Kelsen). 12. Defesa da constituição abstratamente. No Brasil. o próprio legislador zelava pela constituição). O parágrafo único limita o controle do Judiciário  congresso nacional confirma a importância da lei por 2/3 de votos em cada uma das câmaras e a decisão de inconstitucionalidade fica inválida (a lei acaba por se tornar emenda. para só então ser editado o decreto de intervenção (é o oposto). Dred quer dizer que se tornou livre a partir do momento que ele morou em lugares onde não era admitida a escravidão. A lei federal que proibia a escravidão no território federal era inconstitucional porque feria o direito de propriedade da constituição. sem a necessidade de um caso concreto. legislador guardião da constituição) e em 20/11/1894 houve a elaboração da lei 221 que instituiu a justiça federal e um controle difuso a ser feito pelos juízes em casos concretos (Art. 1891 (Art. fazem a previsão de atos institucionais que não podiam ser apreciados pelo Judiciário (novo período ditatorial). IV. 1946 (em 1965 com a EC 16 – Art. 35. acabando com a supremacia da constituição – apesar de inconstitucional ela irá permanecer – ditadura justifica a medida). 15. EC 03/93 criou a ADC e o efeito vinculante. É considerada uma das piores decisões dos EUA (diz que Dred é coisa. disse que seria melhor não esperar por um caso concreto para controlar – sistema austríaco de controle de constitucionalidade – controle abstrato.

a constituição não mudar e futuramente a lei se tornar inconstitucional  mudam os fatos: alteração das circunstâncias fáticas. Sistemas de controle de constitucionalidade 1. ou superveniente (nasce boa. sempre tem que considerar os fatos reais (é tarefa política – poder).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO 1. A mudança pode ser tanto por nova constituição como por EC – opera o fenômeno da recepção. Composição mista do órgão de controle: metade dos membros da magistratura e metade escolhidos fora da magistratura. Pode ser ainda inconstitucionalidade originária (a lei já nasce com vício. O controle é político para normas gerais e judicial para normas locais. A jurisprudência do STF admite que a alteração da realidade fática pode tornar a lei inconstitucional. Hoje há mecanismos de inconstitucionalidade superveniente.não recepção – esta incompatibilidade superveniente só pode ser material a formal só é aferida originariamente – a forma modificada por nova constituição não gera inconstitucionalidade (ex: decreto-lei em vigor hoje) não impede a recepção). o que fez com que a lei se tornasse ruim. parágrafo ou alínea – o controle pode recair apenas sobre uma palavra ou expressão). O controle não considera apenas o texto. A última hipótese do controle misto é a que prevê vários tipos de controle combinados (modelo dos EUA e modelo ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 53 . Político: o controle é entregue a um órgão político que não pertence ao Judiciário. Judicial: o Judiciário faz o controle. com a possibilidade de alteração inclusive por mudanças da realidade fática. Por ação: ato normativo editado que contraria a CF. Ex: Suíça. A jurisprudência do STF fala em revogação da lei (Sepúlveda Pertence). forma que contraria a prevista na CF – ex: MP assinada por ministro e não pelo presidente). Pode ser a inconstitucionalidade por ação total ou parcial (não se confunde com o veto parcial  texto integral de artigo. 2. Aqui atua a força paralisante da constituição. Pode ocorrer de a lei nascer boa. mas se torna inconstitucional devido a mudanças do texto da constituição . Alteração do parâmetro constitucional. podendo ser material ou formal a norma constitucional impede que faça nascer lei que contraria norma constitucional – atua a força impeditiva da constituição). caso contrário é melhor afastar todo o texto – declarar a inconstitucionalidade total. O Judiciário só pode afastar parte do texto se permanecer algum sentido para o resto do texto. 2. Por omissão: o legislador não agiu diante de uma norma de eficácia limitada institutiva ou programática. mas hoje em dia a idéia é diferenciada. Ex: França. Na inconstitucionalidade por ação pode ser por vício material (viola o conteúdo da CF) ou formal (o procedimento de elaboração da lei fere o que está escrito na constituição. Misto: mistura entre órgãos políticos e judiciais. 3.

espalhado. concreto/abstrato (Brasil). difuso/concentrado. § 4º: não haverá deliberação de EC. O vício pode ser regimental ou constitucional. O parlamentar tem o direito líquido e certo de obstar que o projeto prossiga por meio do MS ao STF. Repressivo: após. mas a jurisprudência do STF admite o MS impetrado por parlamentar quando o projeto de EC ofende ou é tendente a abolir cláusula pétrea (Art. 60. na fase do projeto. verificar se o projeto está de acordo com a CF.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO de Kelsen  Brasil). ou concentrado. de um conflito de interesses. só um órgão faz o controle. Mistura entre o repressivo/preventivo. No regimental o STF não interfere. Tradicionalmente não existe. aguarda a edição da lei. é controle da lei em tese (Kelsen).. comissões de constituição e justiça (na Câmara e no Senado). Há ainda o MS impetrado por parlamentar quando a tramitação de PL ofende o processo legislativo constitucional. a norma já está produzindo efeitos. Tipos de controle: Preventivo: antes de a norma ingressar na ordem jurídica. CONTROLE PREVENTIVO REPRESSIVO DIFUSO: vários órgãos realizam o controle CONCENTRADO: só um órgão faz o controle CONCRETO: resolve o controle que surge de um lide ABSTRATO: não há lide. – controle na fase do projeto). Concreto: busca resolver o caso concreto que surge de uma lide. Preventivo judicial: mandado de segurança. Se a tramitação ofende a própria CF o STF admite a paralisação do PL em tramitação. Mais um caso de vício formal que não está na jurisprudência do STF: MS impetrado por quem teve violada sua iniciativa ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 54 . o controle é incidente (modelo dos EUA). o controle da lei em tese Sistema brasileiro de controle de constitucionalidade: como regra geral diz-se que o controle adotado pelo Brasil é repressivo e judicial. Pode ser: Difuso: vários órgãos são autorizados a realizar o controle. abstrato: não há lide.. mas não é uma regra absoluta: Preventivo político: veto presidencial por inconstitucionalidade (controle) que será revisto pelo Congresso (novo controle preventivo).

Art. Discussão sobre a constitucionalidade da lei que um dos litigantes fundamenta seu pedido – o juiz terá que analisá-lo incidentalmente. Revogação da lei inconstitucional pelo próprio legislativo por meio da edição de uma nova lei. 97. Art. qualquer juiz ou tribunal poderá examinar e fazer o controle) ou abstrato (concentrado – STF ou TJ). atos que exorbitam ou inovam no mundo jurídico (só lei pode. § 1º). A inconstitucionalidade não precisa constar da causa de pedir. Se um deputado tiver a iniciativa. se houver. § 5º: medida provisória (produzem efeitos desde a edição. Luiz Roberto Barroso cita essas hipóteses. 49. Há uma lide em caso concreto (MMM – como teve início). não depende de argumentação por uma das partes para que ele analise inclusive. ele é causa de pedir. * Controle judicial concreto ou difuso: também chamado de controle incidental ou por via de exceção. CF: para o controle difuso e abstrato. Para declarar a constitucionalidade não há o princípio da reserva de plenário (câmara e turma podem declarar a constitucionalidade).61. Na verdade o controle da MP é ao mesmo tempo preventivo (em relação à lei de conversão) e repressivo em relação à MP em vigor (texto original). V: Congresso Nacional sustar atos normativos do Executivo que já estão produzindo efeitos. 62. Exercido por qualquer juiz ou tribunal por argumentação de inconstitucionalidade incidentalmente em um caso concreto (argumentação deduzida em juízo). São os três casos dados pela doutrina tradicional. o presidente pode impetrar MS contra este ato para defender a sua iniciativa constitucional privativa. Ele não é o pedido. declara a inconstitucionalidade  chamado de reserva de plenário. Ex: aumento de servidor público federal só o chefe do executivo pode (Art. por exemplo). por omissão ou interventiva). Repressivo político: a doutrina entende que existe nos seguintes casos: Art. ADC e ADPF. Maioria absoluta dos seus membros do pleno ou do órgão especial constituído (de 11 a 25 membros). Modificação no texto originário da MP não produz efeitos a terceiros. O juiz poderá de ofício conhecer do problema. negativa do executivo em aplicar a lei inconstitucional (ainda não declarada) a seu juízo. X: Senado pode suspender a execução de lei julgada inconstitucional em caso concreto (controle difuso). Art. 52. só quando a lei de conversão for editada. Congresso faz juízo prévio sobre o atendimento dos pressupostos constitucionais antes de falar do mérito. regulamento não pode criar obrigação) ou ainda exorbita na delegação conferida. Também poderão (turma ou câmara) julgar declarando a inconstitucionalidade quando já houver posição do STF (pleno) ou dos órgãos especiais pela ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 55 .DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO legislativa privativa. em regra). Os órgãos fracionários não podem declarar a inconstitucionalidade. Ações típicas são ADI (genérica. Repressivo judicial: pode ser concreto (difuso. não precisa aguardar o veto (doutrina). TCU também pode deixar de aplicar lei que considera inconstitucional. a especializada cita ainda: legitimidade ativa da ADI e ADC (mesa da Câmara.

CF: aplicado apenas no controle difuso. assim como no controle abstrato estadual a assembléia legislativa não participa). 52. Senado suspende a execução no todo ou em parte. e mesmo que o STF julgue inteiramente inconstitucional ele pode suspender só de parte dela  juízo de conveniência. destituídos de qualquer carga de eficácia jurídica. estarão apenas aplicando um precedente. o Senado não participa. X. CPC). que seria obrigatório (minoria – o Senado só participa no controle difuso porque no concentrado a lei já não mais produzirá efeitos. estadual e municipal. Caso o Senado suspenda a execução da lei declarada inconstitucional incidentalmente os efeitos serão erga omnes e ex nunc em relação aos terceiros atingidos. parágrafo único. * Controle judicial abstrato: concentrado ou objetivo de constitucionalidade realizado pelo STF (CF) ou TJ (CE’s). O Senado pode suspender a execução de lei federal. O Senado não é obrigado a suspender a execução da lei. uma vez que os atos inconstitucionais são nulos e. Os atos pretéritos realizados com base na lei inconstitucional não são atingidos. Ações típicas são ADI. mas é ex nunc. deverão deduzir ação um a um (é uma falha!). Se o pedido foi concreto poderá haver o controle desde que seja um controle efetivamente de um caso concreto (declarar incidentalmente a inconstitucionalidade para atingir um caso concreto) e neste caso a decisão terá efeitos erga omnes. de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF. Alguns autores sustentam que essa decisão tem natureza judicial que seria ex tunc. Ainda excepcionalmente o efeito no controle difuso poderá ser ex nunc (RE 197917 – número de vereadores). Ex tunc: efeitos retroativos. Passará a ter efeitos erga omnes. Efeitos da decisão judicial no controle difuso: Inter partes: atinge as partes litigantes apenas. 481. ). Pela pirâmide de Kelsen extrai-se o princípio da compatibilidade vertical em que qualquer norma que não esteja compatível com a CF (ponto máximo da pirâmide) deve ser retirada do ordenamento. portanto.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO inconstitucionalidade da questão (Art. só não será mais aplicada (suspensão). A ADI genérica é o ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 56 . Se o pedido for o de uma ADI (disfarçada) não poderá haver o controle (abstrato – usurpando a competência do STF). Art. Há uma exceção em que os efeitos da decisão judicial no controle difuso será erga omnes  ações coletivas (ACP e AP). a depender dos termos do pedido. ADC ou ADPF (repressivo). Ele vem passando por um processo de objetivação – passar a atingir terceiros  amicus curiae em RE no controle difuso (informativo do STF n. O controle difuso é subjetivo (entre partes). A lei não fica revogada. O efeito é ex tunc em relação às partes do processo.

A lei municipal pode ser objeto de controle na ADI estadual em face da constituição estadual apenas no TJ. enquanto que o objeto da ADC é apenas lei ou ato normativo federal (PEC 358-A confere à ADC o mesmo objeto da ADI – lei ou ato normativo estadual também). se legislar matéria de competência municipal não cabe. só que com um sinal invertido. tecnicamente não existe contraditório e ampla defesa. lei no período da vacatio legis. Para leis ou atos préconstitucionais (a recepção ou não recepção não poderá ser discutida em ADI. E é isso que garante a supremacia da carta magna. § 2º (estadual) da CF/88 e lei 9868/99. é um processo objetivo. mas se aproximam de ato administrativo com efeitos concretos. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 57 . regulamentos autônomos (Art. mas caso seja de efeitos concretos será cabível). Essa atividade é um poder contramajoritário (Luiz Roberto Barroso).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO mecanismo que retira do ordenamento normas inferiores que contrariam a constituição. ela é um processo de verificação da conformidade entre a lei e a constituição. 125. medidas provisórias. mas na verdade ainda não são a mesma coisa. regimento interno de tribunal (vício constitucional). 102. pareceres da consultoria geral (AGU) aprovados pelo presidente (quando se tornam obrigatórios para a administração pública federal). Exceção: lei de criação de municípios. 84. § § 1º e 3º. VI) (regulamentos comuns não podem). O STF atuando como legislador negativo atua contra o poder da maioria  poder contramajoritário. Este processo não é um processo civil comum subjetivo. um processo dialético. “a”. Haverá uma defesa. A ADI não visa dar a cada um o que é seu. Há algumas que são chamadas de lei. Não cabe ADI em face de: lei de conteúdo concreto (ato normativo abstrato coercitivo é lei). STF faz o papel de legislador negativo retirando normas e não resolvendo caso concreto. O objeto da ADI é lei ou ato normativo federal ou estadual. mas não propriamente o contraditório e a ampla defesa. vinculada ao poder semelhante à de “legislador negativo”. Cabe ADI contra: emendas constitucionais. I. a IX. resoluções do TSE quando veicular ato normativo. lei delegada (tanto do ato que autoriza a delegação. I. lei do DF  com base na competência legislativa do estado. contra o princípio da maioria (maioria do povo que elegeu o legislador para fazer as leis). Poderão ser objeto de MS (não cabe MS contra lei em tese. tratados internacionais (lei ordinária ou EC). quanto da própria lei). O TJ só pode fazer o controle com base na CF sendo difuso. O STF costuma dizer que ADI e ADC são a mesma coisa. Municipal será objeto de ADPF. A ADI não envolve partes. 97. Essa é uma atividade política. 102. “p”. Objeto da ADI: lei ou ato normativo estadual ou federal (ADC somente federal). 103. decretos legislativos e resoluções quando são atos normativos (ex: RI). ADI genérica: mecanismo de controle que objetiva expurgar do sistema jurídico um ato normativo que contrarie a CF. Arts. § 2º.

entidade de classe  pertinência temática entre o objeto da ADI com o legitimado. Lei de criação de municípios pode ser objeto de ADI. estaduais não podem. Não é a mesa do congresso. confederação sindical. só por EC) (STF não aceitou a teoria das normas constitucionais inconstitucionais). normas originárias (teoria das normas constitucionais inconstitucionais – Otto Bachof . apenas a da câmara e do senado. A jurisprudência do STF divide os legitimados em dois grupos: Legitimados universais: podem ajuizar toda e qualquer ADI. Legitimados especiais: exige pertinência temática da parte ativa. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE interpreta-se 58 . Antes o STF entendia que a ADI perdia o objeto.não admitida pelo STF. Para ser considerado de “âmbito nacional” analogicamente a lei orgânica dos partidos políticos. conselho federal da OAB. por exemplo. PGR. Os requisitos são analisados por ocasião da interposição da ADI. a lei deve estar no ordenamento. sentenças normativas. 103. Diretoria estadual de partido político não pode propor. convenções coletivas de trabalho. São o presidente da república. A própria autoridade que editou ou participou da produção do ato normativo pode propor ADI. É a chamada lei de efeitos concretos (lei que desapropria o imóvel rural e lei orçamentária) que não podem ser objeto de ADI.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO só em ADPF). normas de estado estrangeiro (pode ser negado o exequatur mas declarar a inconstitucionalidade não). Lei ou ato normativo: ato que tenha os atributos de generalidade. Para regulamentos comuns. Presidente em face de uma MP. Pode ser que algum ato tenha a forma de lei. A exigência de a entidade de classe estar em funcionamento há mais de um ano é só para MS coletivo. Podem propor ADI: Art. abstração e coercibilidade. Tudo isso pode ser objeto de ADC sendo federal. mesas da câmara e senado. Tudo isso pode ser discutido em controle difuso ou ADPF. atos privados. A perda superveniente da representação no congresso não prejudica a ADI em andamento proposta por partido político (a partir de 2004). CF prevê os legitimados para propor ADI. partido político com representação no congresso nacional. mesas de assembléias legislativas ou câmara distrital. ocorre que na ADI 1244 há um voto no sentido de que se a lei foi revogada no curso de uma ADI ela deve prosseguir. OAB só a nacional. decreto regulamentar. Durante ADI muda dispositivo da CF  ela perde o objeto. São os governadores. Para atos revogados também não. mas não tenha conteúdo ou substância de lei.

Admitida a manifestação do amicus curiae por escrito ou também oralmente (Art. Assim. Informativo 401. ou seja. O MP é custus constitutionis. Art. Art. 402 ou 403 do STF. Nas ADIs estaduais melhor seria que não fosse a AGU. No pólo passivo estarão as autoridades das quais emanou o ato impugnado. defesa simples (sem contraditório e ampla defesa). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 59 . 7º). § 3º: AGU – a CF fala em citação. confederação sindical e entidade de classe). mesmo ele sendo o autor o processo volta a ele para parecer (razão histórica). Não é réu! PGR: antes de 88 ele era o único a poder propor ADI. se não for o autor será ouvido previamente em ADI e em todos os processos do STF. fora da atividade judicial típica. Isso para não privar a questão da análise do STF. Com isso o STF está passando a admitir o amicus curiae no controle difuso (é figura do controle abstrato). § 2º) por despacho irrecorrível do relator . É também indisponível o pedido da cautelar. 103. VIII e IX exige (partido político. Não é admitida intervenção de terceiros (Art. mais do que custus legis. lide. 7º. mas havendo advogado deverá juntar procuração com poderes específicos. para só após proferir o parecer com sua opinião. 103. mas os fundamentos eram bons. Não há prescrição e decadência em ADI. Ocorria que quando uma questão lhe era apresentada ele poderia promover a ação. Hoje. abstrato. Art. partes. É processo unilateral. mas na verdade é mera notificação e não ato para formar lide com contraditório e ampla defesa. 5º: indisponibilidade de instância. passou a promovê-la. Não há pretensão resistida. mas a questão era plausível. A decisão no controle difuso é um precedente e a força dele acaba por atingir terceiros (as demais ações começam a ser julgadas no mesmo sentido – ex: progressão em crimes hediondos decidido em um HC). então propunha a ADI – raiz da ADC. mas é. Lei 9868/99. não admite desistência. Ultimamente está ocorrendo a objetivação ou abstrativização do controle difuso (autor x réu com decisão inter partes). Não é possível desistir da cautelar. arquivá-la por ser totalmente incabível ou quando não concordava. Acreditava (em 88) que a lei era boa. é processo objetivo. I a VII: dispensa advogado. Pertinência temática e interesse de agir – o STF diz que não há interesse de agir mesmo com a pertinência temática (na verdade tem sim). interesse de agir (jurisprudência do STF).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Associações de associações passaram a poder propor ADI (ADI 3155).

porque se for exigir como se aplicaria a uma legislação em vigor há muito tempo? Não há de se falar em periculum. 9º. A jurisprudência do STF admite que o requisito do periculum in mora pode ser substituído pelo critério do requisito da conveniência. quando houver. mas o pedido é determinado. § 2º igualmente reporta-se às conseqüências fáticas dentro do controle abstrato (requisitar informações aos tribunais superiores. 11. Decisão na ADI: Na ADI não há adstrição à causa de pedir. O requerente pode fundamentar o seu pedido em uma causa de pedir e o STF fundamentar em outra (fundamenta com vício no conteúdo e o STF entende que há vício formal apenas). Não é somente o texto comparado com a CF.Art. sendo matéria relevante remete diretamente ao tribunal para julgar o mérito (Art. § 2º). quando o efeito será não repristinatório (Art. * Vinculante. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 60 . mas ele sempre estará vinculado aos fatos/realidade – atividade política de legislar negativamente. mas pode ser afastado expressamente. § 1º). CF) (Arts. que fica suspensa. o STF aceita. embora nem a CF nem a lei 9868 diga expressamente. p. I. Efeitos da cautelar na ADI: * Erga omnes. Na MC. no processo civil há. mas isso não significa que o STF poderá decidir ultra e extra petita (ex: ADI contra Art. A jurisprudência do STF diz que esse efeito existe. não pode julgar inconstitucional o Art. 5º. Medida cautelar em ADI (Art. sempre será concedida por maioria absoluta. As circunstâncias fáticas vão influenciar no julgamento da ADI. Não retira a condição de abstrato do controle (mas ele não é tão abstrato assim). 6º por vício formal – STF pode acolher como material. mas o que prevalece é que independentemente do pedido a abranger (lei A) na inicial haverá o efeito repristinatório. Há alguns julgados no STF dizendo que ambas as leis (A e B) sejam incluídas na inicial. § 1º da lei 9868). por exemplo). Requisitos: fumus boni iuris e periculum in mora. * Repristinatório: aplicar lei anterior A à que teve MC ADI (lei B). 12). * Ex nunc (excepcionalmente ex tunc . Ele é a regra. 9º. 10 a 12 da lei 9868): salvo no recesso (cautelar apreciada por juiz monocraticamente). A cautelar tendo também efeito vinculante poderá dar margem a reclamação no STF ou TJ. TRF e TJ). é a realidade fática comparada com ela que influencia no julgamento no controle (Art. 102. Art. 11. A causa de pedir é aberta.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO O controle é abstrato porque não está vinculado a uma lide. A causa petendi é aberta porque o processo é objetivo.

só que com o sinal invertido. As diferenças entre uma e outras estão diminuindo. logo. PGR que move ADI e mais tarde se torna ministro do STF. Exceção. continuando quando os demais ministros estiverem presentes. dispensando a passagem pelo juiz de direito até que chegasse ao STF. Não cabe ação rescisória. Assim. A decisão da ADI vincula os demais órgãos do Judiciário. apenas embargos de declaração. O Art. Na ADI 2231 ministro Gilmar Mendes se declarou impedido porque atuou como advogado geral da União defendendo a lei impugnada. Vinculante: ao judiciário e administração pública direta ou indireta federal. 2877. Na ADI 1880 entendeu que qualquer pessoa poderia se valer da reclamação. 24 diz que a ADI procedente = ADC improcedente e que a ADI improcedente = ADC procedente. 22: presença de pelo menos 8 ministros e manifestação da maioria absoluta – 6 ministros. mas se julgar improcedente a ADI. 2982. 2666. Uma ADC procedente não impede uma ADI futura. E a tendência é que tudo seja resumido em uma só ação. 2797. Por isso o STF diz que ADI e ADC são iguais. estadual e municipal. pode haver reclamação antes do trânsito (posição jurisprudencial do STF). O STF pode entender que a lei passou a ser inconstitucional (ADC 01). 2608. O STF julgando uma ADI procedente ele também sofrerá os efeitos da decisão. Art. Os efeitos correrão da data da publicação e não do trânsito em julgado. 2666 e 2608). Significa elastecer o pedido quando a inconstitucionalidade de um pedido implicar a de outro não expressamente impugnado (seria incompatível) (ADI 2797. Da decisão não cabem recursos. Inicialmente o STF passou a admitir a reclamação para garantir a autoridade de suas decisões. Não alcançada à maioria suspende-se o julgamento. fazendo com que alcance todas as pessoas. Exceção: no controle judicial e político preventivo (contra projeto de lei) a presunção de constitucionalidade é da lei e não do projeto de lei. Não há impedimento ou suspeição. mas o próprio Supremo não. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 61 . Só que somente as partes legitimadas poderiam interpor a reclamação. a lei é constitucional e continua no ordenamento. Essa possibilidade é o cerne da vinculação (consagrada na jurisprudência do STF e que só depois viria a ser o conhecido efeito vinculante).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Arrastamento: ADI 2982. Na dúvida a lei presume-se constitucional (presunção relativa de constitucionalidade da lei). a oposição dos embargos de declaração não impede os efeitos da ADI (Reclamação 2576). 2877. Efeitos da decisão final da ADI: Erga omnes: se relaciona com os efeitos subjetivos da coisa julgada. pois a lei será retirada do ordenamento jurídico. o processo é objetivo.

possibilitando que ato inconstitucional tenha efeitos mantidos até o trânsito ou outro momento (sem limitação). 27 diz é que isso é relativo e não absoluto. O Art. Outro ato com idêntica inconstitucionalidade não precisa de ADI para ser retirado. Em síntese. Mas no momento em que alguém aplicar essa lei a reclamação poderá ser utilizada (não impede o legislativo de legislar. mais que maioria absoluta) decidir que só terá eficácia a partir do trânsito ou outro momento fixado (ex nunc). O efeito vinculante atinge o Legislativo? A jurisprudência do STF se firmou no sentido de que não há efeito vinculante para o legislativo. repristinatório. podendo prorrogar a validade da lei inconstitucional tanto posterior quanto anterior ao trânsito. 741. a ADI deve apagar os efeitos da lei.relacionado a fatos). Cuidado. Mesmo antes da CF/88 ou da lei 9868 o STF tem várias decisões que dizem haver efeito jurídico em lei inconstitucional. vinculante e ex tunc. quando a lei estará sendo apenas anulável (sistema austríaco de inconstitucionalidade de Kelsen – só que nesse sistema se permite a prorrogação até 1 ano após a decisão). A natureza jurídica do ato inconstitucional é nulo. em regra. Ex tunc. bastando a reclamação ao STF. ADC e às cautelares. mas apenas para impedir que seja aplicada – pelo Judiciário ou pela Administração). 27 (há duas ADIs contra esse artigo. É dizer que o STF declara uma lei inconstitucional e o legislador pode elaborar lei com mesmo conteúdo. mas é isso que se vislumbra nesse Art. 27 excepciona a supremacia da CF e a teoria da nulidade (razões de segurança jurídica e interesse social . sua natureza é declaratória de nulidade da lei (efeitos ex tunc). O efeito vinculante incide inclusive sobre uma fase de execução (Art. mas ao conteúdo dele. o que o Art. pode reconhecer a inconstitucionalidade. A lei inconstitucional é nula. 27 da lei 9868 permite a modulação dos efeitos da decisão procedente da ADI por razões de segurança jurídica ou interesse social com mais de 2/3 dos membros (8. Exceção: Art. Isso vai depender muito da realidade fática. federal. Transcendência dos motivos determinantes da decisão do STF em relação a uma lei ou ato normativo podem afetar outros atos normativos análogos. Possível a restrição dos efeitos erga omnes. Todos esses efeitos se aplicam à ADI. CPC). inclusive anterior à edição da lei impugnada atingindo lei anterior que havia sido revogada (torna dispensável que a inicial impugne expressamente). o que importa não é que a impugnação foi feita a um determinado ato (RI). a modulação dos efeitos da ADI pode ir para frente ou para trás em nome da segurança jurídica e excepcional interesse nacional. Desde o caso MMM diz-se 62 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . mas fixar a data mais conveniente. estadual e municipal. mas o STF inclusive já aplicou o dispositivo). deve retroagir sempre. O STF poderá ainda fixar outro prazo que não o trânsito. não se pode dizer ainda que a lei inconstitucional é anulável e não nula.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Vincula ainda toda a administração pública direta e indireta. inclusive no que diz respeito aos atos análogos.

mas não idênticos. ADI originariamente não tinha efeito vinculante. 102. talvez chegando novamente ao STF por RE (começar lá de baixo). 27 que está aplicando inclusive ao controle difuso (RE 197. que fará valer sua decisão. Com as reformas tenta-se igualar essas ações. Com a EC 45 o efeito vinculante está dirigido ao Judiciário e administração pública direta e indireta (antes ao Judiciário e ao Executivo). Por mudança da realidade fática. a decisão deverá ser obrigatoriamente cumprida. caso uma ADI declare inconstitucional uma lei 1. relativizando os efeitos da ADI. Isto porque o efeito vinculante é para os demais órgãos do Judiciário. Ainda quanto ao efeito vinculante. Se o efeito fosse apenas erga omnes seria necessário seguir pelas vias ordinárias. com a EC 45 o efeito vinculante foi previsto (Art. Possível em face da transcendência dos motivos determinantes. logo. O efeito vinculante atinge o Legislativo? Ainda hoje na jurisprudência tem-se que o efeito vinculante não atinge o Legislativo. Poderá julgar até mesmo uma ADI em sentido contrário. Objetivação do controle difuso. estadual e municipal).917 – deu efeito pro futuro). Reclamação 1880 de 7/11/02 – o efeito vinculante pode ser usufruído por todos e não apenas aos legitimados da ADI. 28. CF) (garantir a autoridade de suas decisões). l. agora. Futuramente a ADC também será para lei estadual. em caso de descumprimento enseja reclamação (Art. O STF gostou tanto do Art. Com a lei 9868 (Art. STF. Antes ele só havia para a ADC. são efeitos semelhantes. 102. § 2º). Na prática. Repristinatório: se procedente.000/SP essa decisão poderá alcançar uma lei 2. ADI e ADC têm natureza dúplice. uma lei pode se tornar inconstitucional e se isso acontecer o STF poderá reconhecer em RE ou ADI. Vincula: demais órgãos do judiciário. Mas para que mudou a redação? Administração direta incluiria o Legislativo? STF terá que se posicionar. então. A reclamação é dirigida diretamente ao STF. na CF/88. (ADI 3022).000/RJ (ato normativo análogo). não poderá após ser reexaminada.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO que lei inconstitucional produz efeitos.000/RJ) sendo aplicada assim 63 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . I. O que não pode é o contrário: se o STF julgar ADI procedente ou ADC improcedente a lei é fulminada. julgando RE (controle difuso com autor e réu) pode decidir de maneira diversa a lei que já tinha sido julgada constitucional. administração pública direta e indireta (federal. Só ocorrerá. se uma primeira ADI foi improcedente ou uma ADC foi procedente (mudanças fáticas). A reclamação 1880 também reconheceu que a liminar da ADI teria efeito vinculante. parágrafo único) há o efeito vinculante. A fundamentação deve ser observada por todos (mesmo que não tenha sido objeto de controle abstrato – lei 2.

Ação rescisória sob o fundamento de violação de literal disposição de lei. a parte legitimada até então só poderia levar a questão ao STF para defender a sua inconstitucionalidade (ADI). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 64 . 2. sugeriuse a reabertura do prazo da ação (doutrina). O STF admite a transcendência dos motivos determinantes. A ADC foi introduzida pela EC 03 para tentar solucionar essa incongruência. mas também à fundamentação. Talvez um dia no lugar da decisão 2 (controle concentrado) tenhamos um controle difuso (RE – objetivação do controle difuso) em processo de mudança.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO mesmo dá margem a reclamação no STF. Controle difuso: juiz declarou lei constitucional. 1. decisão que já transitou em julgado. Antes de 1988 era ainda mais grave. Já transcorrido. sancionada pelo presidente e promulgada. Mesmo não utilizada a ação rescisória a decisão 2 poderá ser aplicada na fase de execução da decisão 1 por embargos à execução – inexigibilidade do título executivo. ADC ADI procedente = ADC improcedente ADI improcedente = ADC procedente A lei já goza de presunção (relativa) de constitucionalidade. A tendência é que as ações de ADI e ADC se fundam em uma só ação de controle de constitucionalidade. Neste caso a lei 2000/RJ já existia e em caso de ato normativo análogo futuro? O Legislativo poderá editar lei análoga a uma já declarada inconstitucional? Pela jurisprudência não há óbice porque o Legislativo não sofre os efeitos vinculantes. não cabe recurso. é lei análoga à lei já declarada inconstitucional. O STF pode ainda se posicionar no sentido de estender os efeitos vinculantes ao Legislativo. Em face dessa situação. Isso não impede que por ocasião da aplicação seja impetrada reclamação. uma vez que ela é votada no parlamento. ADI não tem execução. Quais os motivos que levaram à introdução do instrumento da ADC? Antes da criação da ADC questões de segurança jurídica traduziam certo desconforto em face da divergência de decisões a respeito de uma mesma lei. os motivos que levaram à declaração da inconstitucionalidade. O legislador não está proibido de legislar lei análoga (inconstitucional). STF atingindo a coisa julgada. ainda que a considerasse constitucional. só reclamação. só embargos de declaração. Ao aplicar uma lei o juiz deverá observar não só o dispositivo (direcionado a certa lei). Controle abstrato: STF em ADI ou ADC declarou a mesma lei inconstitucional. Num primeiro momento a decisão 2 poderia dar margem a ação rescisória se ainda corresse o prazo para a rescisória. pois o único legitimado era o PGR.

A lei 9868 ainda está na redação antiga da CF. Se a questão está sendo decidida de forma uniforme não há insegurança. O legitimado da ADC deve indicar a existência de efetiva controvérsia judicial relevante sobre a aplicação da disposição objeto da ação declaratória. A legitimação ativa da ADC hoje é coincidente com a da ADI. Os efeitos são os mesmos da ADI: erga omnes. logo. Isso não ocorre na ADI. A lógica para o aumento dos legitimados é que o objeto da ADC se tornará maior. Antes da EC 45 a legitimidade era menor. posteriormente a jurisprudência e a lei 9868 o estendeu à ADI e às liminares (exemplo de mutação). Em ambas as ações (ADI e ADC) a questão dos fatos é fundamental. O AGU não é ouvido. A jurisprudência entende que também é cabível liminar em ADC. A abrangência da ADI é maior que a da ADC (por enquanto. não é o caso na ADC. Ocorre que há dificuldade de configuração do requisito de efetiva controvérsia. pois a pretensão é confirmar a constitucionalidade. O PGR será ouvido.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO O objeto da ADI é lei ou ato normativo federal ou estadual. pois há a PEC 358-A. O STF não é mero órgão de consulta. igualando o objeto das ações). já que deve ser ouvido em todos os processos de competência do STF. o período pode não ser suficiente para que a controvérsia judicial se forme. ex nunc e vinculante. A jurisprudência do STF está se posicionando no sentido de que os fatos cada vez mais influenciam na decisão de controle. isto porque o objeto da ADC é menor. enquanto da ADC é apenas lei ou ato normativo federal. O efeito vinculante originariamente era aplicado somente à ADC. Cabe ADC em face de medida provisória? Para uma prova objetiva pode-se até dizer que cabe. 65 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . Existe ADI discutindo a constitucionalidade do Art. não cabível a ADC. Há quem defenda que a lei deve ser revista para que os juizes não possam declarar a inconstitucionalidade da lei (mais lógico). A controvérsia judicial é o requisito específico da ADC. o mesmo da ADI (só que a 2ª parte da reforma do Judiciário ainda não foi aprovada). Medida cautelar em ADC: por decisão da maioria absoluta dos membros pode ser concedida e consiste na determinação de que os juizes e tribunais suspendam o julgamento dos processos. A controvérsia deve ser formada por número significativo de decisões de mérito controversas. não há prazo de validade. Os fatos da vida não podem ser desconsiderados (a lei 9868 fala em perito. A liminar na ADC só tem validade por 180 dias. 21 da lei 9868 e há um voto (do relator) dizendo que é inconstitucional por violar o princípio do livre acesso ao Judiciário. uma vez que a MP só vigorará por 60 dias (prazo curto). justamente porque o papel dele é defender a constitucionalidade da lei ou ato normativo impugnado. modulação dos efeitos. audiências públicas etc). Na ADI o que se suspende é a lei ou ato normativo e não os processos.

para que em 30 dias produza o ato faltante. Os remédios para combater a inconstitucionalidade por omissão são o mandado de injunção e a ADI por omissão. Observe-se que na ADI por omissão há inconstitucionalidade sem nenhuma nulidade. visando a concretização da idéia e ordem constitucional global. que o Estado está em mora. dignidade humana etc). Trata-se de uma pluralidade de acepções. É um conjunto de medidas e princípios que podem estar inclusive implícitos.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Uma lei pode ser constitucional em tese. Sendo para órgão da administração pública a natureza da ação é mandamental e obrigatória. mas em um caso concreto. Em tese a lei que estabeleceu é constitucional segundo o STF. o juiz poderá conceder a liminar. No mandado de injunção a omissão lesa determinadas pessoas em um caso concreto. as normas de eficácia limitada (institutivas ou programáticas) só podem se tornar realidade mediante a atuação do legislador infraconstitucional. ADI por omissão A inconstitucionalidade pode se dar por ação (ADI e ADC) e por omissão (ausência de uma norma que é necessária à constituição para que o dispositivo possa ter eficácia máxima). Ex: vedação de concessão de liminar contra o poder público. na ADI por omissão. A jurisprudência do STF terminou por igualar o mandado de injunção à ADI por omissão já que entende que não pode legislar no caso concreto (ou abstratamente) e não pode obrigar ninguém a produzir a lei. O bloco de constitucionalidade pode trazer até mesmo matéria que esteja presente na legislação infraconstitucional. há uma omissão que torna a norma constitucional ineficaz (inconstitucional). projetando-se para além das regras constitucionais meramente escritas e dos princípios contemplados. não se esgotando na constituição (ADI 1552). Sendo competência de poder. Existem dois tipos de ADI por omissão: contra o poder competente (legislativo ou executivo) e contra órgão administrativo. A partir do momento em que o judiciário reconhece que para todos. no Mandado de Injunção. as pessoas prejudicadas poderão pleitear perdas e danos em razão da mora estatal. Dentro da classificação de José Afonso da Silva. mas em um caso concreto (em face dos fatos em concreto) a mesma lei pode ser inconstitucional. o STF dará ciência da mora. o controle é abstrato. Na ADI por omissão não há caso concreto. Mas em tese há diferenças. considerando a lei inconstitucional (razoabilidade) (ADI 223-MC). estão espalhados em diversos dispositivos (igualdade. Isso desde que as normas estejam vocacionadas a desenvolver a eficácia dos postulados e dos preceitos inscritos na CF. A partir do momento que ele não age. no máximo fixa um prazo para as providencias do poder competente. é verdadeiro apelo ao legislador (doutrina alemã assim denomina). ou para as partes. Bloco de constitucionalidade: há determinados temas que não se exaurem em alguns artigos. 66 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE .

Na CF de 1934 existia uma verdadeira ADI interventiva. A inconstitucionalidade que o STF reconhece é fática (violação de um princípio sensível). Inseri-lo dentro do controle abstrato é um equívoco por parte da doutrina. embora seja concentrado. VII. apenas vai ensejar a intervenção. 34. Impedia a intervenção. não tem sobre o que se pronunciar. é concreto. 1º está previsto que é cabível ADPF contra lei ou ato normativo federal. CF (princípios) – violação leva o PGR a representar ao STF – reconhecimento de uma situação fática inconstitucional. incluídos os anteriores à constituição. e mais uma vez é sem nulidade. A intervenção era feita por lei. não necessariamente normativo. Não há de se falar em liminar ou em oitiva do AGU. 1º da lei 9882. Assim. Existindo outro meio capaz de resolver o problema não cabe a ADPF. mas já tendo sido utilizado outro instrumento que não solucionou o problema é cabível a ADPF. preceitos fundamentais) pode autorizar a intervenção federal nos estados: Art. Tudo isso torna a ADI interventiva um instrumento peculiar. podendo o STF fulminar tal lei. nos termos do caput do Art. ADPF Cabível a ADPF contra ato do poder público. Diante dessa lei o PGR poderia ir ao STF para dizer que não existiam os motivos da intervenção e que a lei era inconstitucional. O que existe é a representação interventiva por parte do PGR (Art. A representação interventiva é uma ação concentrada (só o STF decide a respeito) e concreta (caso concreto de violação a princípio constitucional sensível). Em tese não é cabível. A ADPF é ação subsidiária (princípio da subsidiariedade ou do exaurimento das instancias). No inciso I do parágrafo único do Art. para outros. estadual ou municipal. Hoje é totalmente diferente.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO O processo é basicamente o mesmo da ADI genérica. a atuação do STF é para permitir a intervenção federal por decreto do presidente. Existe uma lide entre a União e um estado. E quem estará representando a União neste caso é o PGR. Atenuação do significado ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 67 . é o significado atual do princípio da subsidiariedade. 36) – violação aos princípios constitucionais sensíveis (para alguns são cláusulas pétreas implícitas. Diferenças entre MI e ADI por omissão no quadro no material de apoio???? ADI INTERVENTIVA Este nome não consta na CF. Os legitimados são os mesmos da ADI. No modelo de hoje não cabe liminar (no RI do STF prevê).

alguns autores dizem que a presunção de constitucionalidade não deve ser estendida às medidas provisórias.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO literal do princípio da subsidiariedade quando o prosseguimento de ações nas vias ordinárias não se mostra apto para afastar a lesão a preceito fundamental. é parecido. simplesmente é publicada. reduzindo ou retirando do ordenamento texto inconstitucional. Por decisão de maioria absoluta cabe liminar. A ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 68 . uma pela constitucionalidade e outra pela inconstitucionalidade. ex tunc. Como princípio da hermenêutica significa que o intérprete deve interpretar a lei conforme a CF e não o inverso. mas hoje. podendo ser inclusive evolutiva). com efeito vinculante. não se deve dar muito valor a essa presunção (cuidado!). desde que não sejam absurdos). a vontade que é aferida é a da lei. pois estaria na verdade legislando. interpretar de maneira absurda. erga omnes e. Sendo possível a escolha entre dois caminhos. É possível veto em ADPF? Existem duas posições do STF. TÉCNICAS DE CONSTITUCIONALIDADE JULGAMENTO NO CONTROLE DE Interpretação conforme a constituição: é ao mesmo tempo um princípio de hermenêutica e uma técnica de controle de constitucionalidade. deve-se escolher aquele que diz que a lei é boa. Assim. Não sendo possível a interpretação conforme a constituição ele deve julgar procedente a ADI. sob pena de ferimento ao princípio da supremacia constitucional. daí ainda existirem muitas dúvidas a respeito do instituto. é constitucional. Não existe ainda decisão de mérito de ADPF no STF. No exame de uma lei o julgador poderá se deparar com dois caminhos possíveis de interpretação (é uma possibilidade dentro da interpretação. A MP não passa por processo algum. já que a lei goza de presunção de constitucionalidade. O STF não pode “inventar”. Sob o ponto de vista do controle. mas não é a mesma coisa. em regra. Não pode contrariar o sentido inequívoco que o legislativo pretendeu dar (decisão do STF considerou a vontade do legislador. A medida provisória não deve ter presunção de constitucionalidade com base nos argumentos de que a lei goza da presunção (passa por todo o processo legislativo). a ADI em julgamento será julgada improcedente e sendo ADC será procedente. Em recesso o relator pode conceder a liminar monocraticamente. Dessa forma. Declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto: a atividade típica do STF no controle é de legislador negativo. Seus efeitos são os mesmos da ADI e ADC: vinculante. afastando a possibilidade de interpretação diversa.

sem a limitação que o presidente da república tem no veto (não pode vetar palavra ou expressão). que não seriam efetivados. Tal fato pode acontecer porque circunstâncias fáticas da realidade mudaram (cada vez mais os fatos influenciam a interpretação sobre a constitucionalidade ou não). Por isso pode-se dizer que a inconstitucionalidade é desejada. porque a lei pode se tornar inconstitucional (STF). provando que nem tudo que é inconstitucional é nulo (teoria do funcionário de fato. a forma não permite. onde. Declaração de inconstitucionalidade sem pronúncia de nulidade: declara a inconstitucionalidade. 68 do CPP (MP move ação civil ex delito para o pobre). Isso pode ocorrer na ADI ou ADC quando o intérprete se vale da técnica da lei ainda constitucional. mas sem revogar nada. A situação é de que da forma como está redigido não há como reduzir nada. Abstratamente a norma é inconstitucional. mas não declara a nulidade.060/50). Mas em concreto a realidade é que a defensoria não tem condições de absorver essa demanda. Pela CF quem move ação para o hipossuficiente é a defensoria pública. Ex: Art. Apelo ao legislador: hipótese típica da ADI por omissão no caso do poder que está em mora. O julgamento de uma ADC procedente não impede uma ADI no futuro. assim. ADI por omissão. e por conseqüência. A diferença é que na interpretação conforme a ADI é julgada improcedente ou a ADC procedente. a lei se torna inconstitucional. uma determinada interpretação por meio da técnica de declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto. É também uma forma de interpretação conforme a constituição. por um aspecto formal. Declarar a inconstitucionalidade concreta produziria um prejuízo maior aos direitos fundamentais. O STF admite que o Art. a declaração de constitucionalidade ou inconstitucionalidade poderá variar no tempo e no lugar. é a inconstitucionalidade progressiva. 68 do CPP é ainda constitucional. ADI interventiva. O mesmo pode se dizer que a lei que dá prazo diferenciado para a defensoria (lei 1. A partir do momento em que a defensoria alcançar a estruturação desejada. enquanto o MP está muito mais bem estruturado. sem que lei ou a CF mudasse. simplesmente porque não há como retirar da lei só o que se quer. Declaração de lei ainda constitucional: algo pode ser constitucional hoje e inconstitucional amanhã. Declara-se inconstitucional. As circunstâncias. modulação dos efeitos da ADI etc). esses dispositivos tornar-se-ão inconstitucionais. Na declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto a ADI é julgada procedente e a ADC improcedente.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO inconstitucionalidade vem acompanhada da revogação de um texto de lei (integralmente ou de parte). a redação da lei leva a uma necessidade de dizer que a lei é inconstitucional. nenhuma palavra. 69 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . Há determinadas situações. ou seja. enquanto a defensoria estiver desaparelhada o MP poderá mover a ação civil ex delito. por isso é preciso se valer da técnica.

criaram a federação. permite o direito de secessão). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 70 . tem-se um Estado unitário. tem que ser ratificada pelo estado soberano. A autonomia é a capacidade de o estado tomar decisões dentro de determinadas competências. mas devendo-se se curvar às decisões centrais do estado soberano. Há ainda uma terceira fonte de poder político local. para serem estados federados autônomos. Ainda sobre os 13 estados soberanos. aliança. enquanto a fonte de poder regional se impõe em determinada região e podem ter pontos diferentes. mas apenas à sua própria ordem jurídica e à ordem jurídica internacional. Se a fonte de poder é unitária. mas continuam soberanos. Entretanto. Nesta forma há mais de uma fonte de poder político no mesmo território. com uma fonte de poder central e em cada subdivisão uma outra fonte de poder que incide apenas ali.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO ORGANIZAÇÃO DO ESTADO E DA FEDERAÇÃO O Estado pode assumir duas formas: federal ou unitária. Era um pacto confederativo. dissolveu-se então a confederação e em 1787. Formaram. formaram em 1781 uma confederação (forma de reunião de estados soberanos. No estado federado. estão reunidos. Os estados deixaram de ser estados confederados soberanos. então. idéia clássica de soberania que não responde mais o conceito de soberania. uma única fonte de poder em todo o território. para formar um único estado novo soberano resultado da união de estados membros autônomos (estado central soberano + estados regionais autônomos) indissolúveis. A idéia partiu da Inglaterra (13 colônias inglesas que se tornaram estados soberanos – qualidade de um estado que é capaz de decidir em última instância todos os assuntos de seu interesse. completando essas múltiplas fontes de obrigações em um mesmo Estado. A fonte central se faz valer em todo o território nacional. geográfico e humano. os Estados Unidos da América. as decisões só valem se cada estado internamente se submeter às decisões. é isolacionista). Hoje. foederes = pacto. Cada estado deixa de ser soberano. que á a municipal. união entre estados. Foi uma forma de colaboração entre as colônias a fim de se protegerem mutuamente contra as constantes ameaças da metrópole inglesa. Federação: o Estado é composto pelos elementos político. A palavra federação vem do latim foedus. na Convenção de Filadélfia. foi reputado insuficiente para atender a todos os estados (durou apenas seis anos). A forma de Estado vai variar de acordo com os elementos político e geográfico (poder sobre o território). no território tem-se uma subdivisão geográfica. soberano é o estado que não está sujeito a ordem jurídica de outro estado.

O estado soberano unitário se dividiu. mas há uma variação entre a quantidade de poderes que é atribuído ao poder central ou aos estados membros a depender do modelo de federação. 46). isto. na Inglaterra há bicameralismo. converge para o centro. * Órgão de manifestação da vontade dos estados membros: Senado Federal (Art. No Brasil o estado era unitário monárquico e posteriormente foram criadas divisões territoriais. estados autônomos. A força na agregação é uma força que vem de fora para dentro. * Auto-organização dos estados-membros por constituições estaduais. o poder é mais bem dividido. para onde ele se dirige (e não do ponto de vista histórico). 1º. ela foge do centro. o poder é mais concentrado no poder central. Bicameralismo: Senado + Câmara. e foi lá que surgiu a idéia. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 71 . e nesse ponto de vista o conceito se inverte: por agregação  federação centrífuga (poder maior nas regiões. Em ambos os casos há uma repartição de competências. * Constituição rígida para assegurar a repartição de tarefas sem ser modificada por lei ordinária. formando-se a república federada com um poder central e poderes regionais. Na desagregação a força vai do centro para fora. Alguns autores utilizam “centrípeta e centrífuga” para explicar o poder. os estados são mais fracos e com autonomia restrita. ao contrário do processo histórico por que passaram os Estados Unidos. Características básicas do modelo federal: * Descentralização político-administrativa constitucional: repartição de competências entre as entidades federadas. CF). Isso se explica pelo processo histórico por que passaram. * Princípio da indissolubilidade ou indissociabilidade: nenhum estado pode decidir sair.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Assim a origem de estado federado se deu com a formação dos Estados Unidos da América (antigas 13 colônias inglesas). * Controle de constitucionalidade como mecanismo de preservação da repartição de competências constitucionais. mas é estado unitário. os estados são fortes e têm grande autonomia. por isso a doutrina denomina de federação centrípeta (EUA). Não significa que todo estado bicameral é federado. não há direito de secessão (Art. Diferente do processo de formação histórico. concentrado). Na federação por agregação. por desagregação  federação centrípeta (poder central maior. espalhado). Já na federação por desagregação. Daí conclui-se existirem dois modelos de federação: federação por agregação (EUA) e federação por desagregação (Brasil). chamada de federação centrífuga (Brasil).

e a União tem que respeitar as decisões que são próprias de determinado estado-membro. E a União possui autonomia recíproca com os estadosmembros no plano interno e soberania no plano externo (as características básicas de federação estabelecem reciprocidade apenas entre os estados). mas não é a posição que prevalece nem na doutrina nem na jurisprudência do Supremo. Nesse ponto de vista a nossa federação é simétrica. sob esse ponto de vista. pois não corresponde ao modelo clássico supra. Modelos de federação: Clássico. Podem relacionar-se com pessoa jurídica de direito privado internacional. Representa o Brasil em nome da soberania. Art. mas não têm soberania. União. há uma igualdade (ex: todos os estados têm 3 senadores). não há hierarquia (autonomia recíproca). parágrafo único.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO * Autonomia financeira: recursos próprios. Federalismo simétrico: as entidades federadas se organizam à luz do modelo clássico e com isso é formada uma simetria entre o modelo federal e o estadual. há ainda o DF (federação seria na verdade “quádrupla”). Federalismo cooperativo – trabalhar conjuntamente (Art. Cada estado tem que obedecer simetricamente o modelo clássico. Cada um dos estados tem suas competências próprias. sem religião oficial. 1º e 18 da CF). não são unidades federadas (Arts. Há uma outra forma de entendimento de simetria. 23. A nossa federação. não estão numa relação de subordinação. Além deles. José Afonso da Silva diz que município não é entidade federada. com a CF e com a União da mesma forma. é assimétrica.autonomia). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 72 . Uma simetria entre as entidades federadas. mas Estado é laico. 19: liberdade religiosa. Teriam natureza jurídica de autarquia territorial ligada à Administração direta. Uma federação simétrica onde todos os estados se relacionam entre si. A federação brasileira é tricotômica e não dual. O que não impede a cooperação. como o modelo clássico. Tríplice ou tricotômico: modelo brasileiro. Ex: Fundef – não é cada um por si. STF entende os municípios como entidade federada (doutrina majoritária). há diferenças entre estados e União. Territórios (se existirem) integram a União. Os estados podem ter relações internacionais. CF). Estados-membros e Municípios com competências próprias. pessoa jurídica de direito público que possui capacidade política (pessoa jurídica de direito internacional –soberania e de direito interno . * Autonomia recíproca entre os estados-membros. dual ou dúplice: reparte a competência entre duas entidades: União e estados-membros. Como pessoa jurídica de direito público interno a União atua com autonomia em igualdade com as demais entidades federadas. No federalismo assimétrico. UNIÃO: entidade federada.

DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Art. ESTADOS FEDERADOS são organizações jurídicas das coletividades regionais para o exercício autônomo das competências constitucionais. terreno de marinha sim. O estado-membro tem autonomia: *Auto-governo: os estados possuem poder legislativo (Art. 125) próprios. Ilhas lacustres: de lagos e fluviais nas zonas limítrofes. 109. Art. Pode se ter o terreno de marinha já engolido pelo mar (parâmetro de 1891). costeiras. Terrenos de marinha # praia: decreto 9. praia não é medida em metros. Mar territorial: 12 milhas. É água internacional. Não é bem da União. fundamental para determinar a competência (Art. Praias marítimas (lei 7. 26. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 73 . *Auto-administração: administração pública estadual. podendo ser instituído um regime jurídico diferenciado. EC 46 mudou o Art. mas os recursos são da União. II). CF). 20. IV.661) (até onde começa uma outra vegetação) ou ecossistema. 200. lhas oceânicas (distantes) e próximas. 27). terrenos marginais e praias fluviais respectivas. mas algumas áreas podem ser dos estados (Art.760/46  33 metros do preamar médio de 1891. § 1º: cooperativismo federalista: a União é a proprietária. orçamentária e tributária. que em regra são bens dos estados e não da União (só sendo indispensável à defesa das fronteiras). *Auto-legislação: leis estaduais. 20: bens da União. só é fundamental para a defesa nacional. Rios. mas os demais entes e inclusive o proprietário do solo terá direito a participação. Acrescido de marinha é a parte que com o passar dos anos o mar recuou (além dos 33 metros). 28) e judiciário (Art. Faixa de fronteira: 150 km de largura ao longo das fronteiras terrestres. Não há tamanho definido e onde tiver “areia”. Zona econômica exclusiva: 12 – 200 milhas. Plataforma continental: 200 metros de profundidade e mesmo após as 200 milhas. lagos e quaisquer correntes de água. As ilhas são da União. *Autonomia financeira. *Auto-organização pelas constituições estaduais. executivo (Art. Terra devoluta: terra que não tem registro.

Pode ter área particular em ilha. A constituição estadual possui normas próprias e normas repetidas. Art. 27: poder legislativo estadual: número de deputados estaduais. a do estado é o serviço de distribuição local do gás. 25: observar também o princípio da simetria (Art. 28: poder executivo estadual. As repetidas podem ser obrigatórias (simetria) ou facultativas (ex: MP). 36 + 28 = 74. Ex: 40 deputados federais: 3 X 40 = 120. 40  12x3 = 36  28x1 = 28. § 3º: subdivisão dentro do estado por lei complementar estadual: os estados é que criam as regiões (microrregião: não tem continuidade urbana. Deputado estadual ganha no máximo 75% do que ganha deputado federal. quem já tinha até 1988. mínimo de 24 deputados estaduais e máximo de 94. Art. 45. região metropolitana: tem continuidade urbana. não tem poder judiciário. Se adotar a norma repetida facultativa terá que seguir a simetria. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 74 . * Auto-organização: lei orgânica municipal. ADCT). Bens: águas. Art. § 1º: simetria no regime jurídico dos parlamentares. § 1º: número máximo de 70 e mínimo de 8 deputados federais. incorporem-se etc. aglomerados urbanos: carente de definição ainda). § 3º: plebiscito + lei complementar do congresso nacional para que estados desmembrem-se. 11. áreas nas ilhas oceânicas e costeiras. § 2º: serviço local que não é competência do município – exceção: exploração de gás natural é da União. Art. Art. Governador pode tomar posse em cargo público (concurso). 25. logo. mas não pode entrar em exercício. 25.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO *Art. 18. MUNICÍPIOS: é entidade federada? Tem autonomia? *Auto-governo: poder executivo e poder legislativo. Limitação material a medida provisória estadual: MP estadual não pode tratar de serviço local de gás canalizado. EC 46: ilhas que tinham sede dos municípios passam a ser dos estados. Art. Normas repetidas obrigatórias ou normas centrais da federação. ADI – TJ: CE (norma de repetição obrigatória) X lei estadual ou lei municipal: cabe RE excepcionalmente em controle abstrato estadual (RE com efeitos diferentes do tradicional – excepcionalmente erga omnes). Limitação ao triplo: 12 primeiros entram na regra do triplo.

29. Existe uma tabela em acórdãos do STF. prevalece a mais restritiva no caso concreto. CE x LOM (ou outra lei municipal)  a CE não pode invadir a competência municipal ditada pela CF. o auxílio é sempre por TCE ou TC para todos os municípios (estadual). Exceção: MS impetrado em face de ato de prefeito da capital (TJ – na CE e não na CF). *Autonomia financeira.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO *Auto-legislação: leis municipais. não há liberdade de escolha do número. nem sempre a CE prevalecerá. TC emite parecer prévio sobre as contas do prefeito. A lei municipal não pode criar foro “privilegiado” e nem imunidade formal (autorização da Câmara Legislativa) para vereadores (inconstitucional). Dentro do município só no exercício do mandato. dos municípios. STF entende que não cabe ao município decidir como achar conveniente o número de vereadores. Na tribuna a imunidade atinge mesmo palavras fora do exercício do mandato. * Auto-administração: administração pública municipal. por isso a maioria entende ser entidade federada. 31. após. mas para contrariar exige o voto de 2/3 da câmara municipal. só os crimes comuns. Nem todos os crimes serão julgados pelo TJ. VI e VII). 29. não vincula. 29. A imunidade é civil e parlamentar. e mesmo tratando de matérias de seu município em outro lugar não está acobertado. Legislativo com o auxílio do TC: do Estado. menos de 200 mil eleitores: 1 turno. A CE pode ser inconstitucional em face da CF. A única diferença dos estados é que não tem poder judiciário. CF e Art. 29. Em 5/10/88 quem tinha TCM permanece (só RJ e SP). Crimes federais: TRF (interpretação do STF). Subsídio dos vereadores sujeito a várias limitações (Art. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 75 . § 4º: é vedada a criação na estrutura dos municípios. Julgamento do prefeito pelo TJ: penal apenas. TC municípios: órgão estadual. Art. Art. Art. O raciocínio não é o mesmo do da CF. Dependerá caso a caso da matéria. IV: número mínimo e máximo de vereadores. TCE: órgão estadual. Crime eleitoral: TRE. 11 ADCT: municípios obedecem aos princípio da CE e da CF. Políticoadministrativa não. do município. Art. orçamentária e tributária. CE x LOM: depende. TCM: órgão municipal. Controle pelo poder legislativo e executivo (externo e interno). Art. VIII: inviolabilidade material (imunidade) com limitação geográfica: só em seu município. II: mais de 200 mil eleitores: 2 turnos. 29.

DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Art. Tinha natureza de autarquia especial territorial. União: poder central. Podem ser divididos em municípios. estados: poder regional e municípios: poder local. O governo do DF otimiza esses órgãos. seria uma autarquia territorial ligado à administração direta. As contas são submetidas ao Congresso Nacional. tomam decisões. Governador nomeado pelo presidente da república após aprovação do Senado Federal. câmara territorial com competência deliberativa e não legislativa. Antes de 88 não era entidade federada. Não é entidade federada. Todos legislam. portanto. por isso. a com competência repartidas de acordo com a predominância do interesse (geral. só significa que terá que pedir. Disciplinado na CF por meio de técnicas de repartição de competência. haver 2 turnos. com parecer prévio do TCU. § 3º: não significa que a publicidade se limita a 60 dias. com interstício mínimo de 20 dias e com 2/3 de votos. DISTRITO FEDERAL: substituiu o antigo município neutro. Caso fosse criado. DF tem função específica de abrigar a capital federal. 18. partindo-se do princípio da predominância do interesse em relação a determinado assunto. regional ou local). Qualquer cidadão poderá pedir. apenas para tomar algumas decisões. § 2º: criação regulada por lei complementar. Nada deve ser levado ao plano mais elevado se puder ser satisfatoriamente atendido por um plano mais baixo. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 76 . 31. A repartição precisa ser racional. TERRITÓRIOS: são ligados à União. Lei federal (e não distrital) é que irá disciplinar. 77 (maioria absoluta). Eleição para governador e vice-governador com as regras do Art. defensoria. não tinha capacidade política. Caso tenha mais de 100 mil habitantes (e não eleitores) haverá Judiciário (1ª e 2ª instancias) – TJDFT e MPDFT. várias funções dos estados no DF são mantidas pela União (cria e mantém). Passou em 88 a ter natureza jurídica de pessoa jurídica de direito público interno com capacidade política (entidade federada). não têm capacidade política. nem autonomia. podendo. Não é um órgão legislativo (4 deputados federais). possuem competência própria. REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIAS: Existe a necessidade de repartição de competências a fim de se evitar a ausência estatal e dupla atuação sobre um mesmo assunto (omissão e superposição – desperdício). Art. Lei Orgânica: votada em 2 turnos. Vedação da divisão em municípios: competência legislativa (câmara legislativa): matéria dos estados e municípios.

Aqui essas regras não foram utilizadas de forma pura. *Enumeração dos poderes da União e dos estados e o residual para a União. 22) e concorrente (para normas gerais e suplementares. deixa consignado que se algo for esquecido será da competência da União. Art. mas de forma mista. mas não suficiente). A primeira delas é o ponto de partida para a nossa repartição. As técnicas supra mencionam apenas União e estados (federalismo clássico) e aqui o federalismo é o tricotômico. mas em princípio a União deve fazer tudo. Para legislar a competência pode ser: exclusiva (não admite delegação. Art. não é competência derivada. Art. *Enumeração dos poderes dos estados e o remanescente para a União (Canadá). Na concorrente é competência originária do estado suplementar as normas gerais da União. privativa (admite delegação por lei complementar. Arts. Há várias matérias em que não é possível identificar o interesse predominante (o princípio é útil. Em matéria de impostos essa foi a técnica adotada pela CF (Art. Correlacionando as tarefas com os poderes dos entes pode-se encontrar competências: * Administrativas (materiais ou executivas) * Legislativas A competência material pode ser de dois tipos: exclusiva (tarefas que devem ser exercidas somente por um ente. 154). respectivamente). 25 e 29 elaboração de CE e LOM. 23). Competências: são as matérias que devem ser desempenhadas pelas entidades de direito público. organizada para evitar a duplicidade de esforços. No remanescente não há a intenção de esgotar todas as possibilidades. há a intenção de esgotar e por precaução. mais uma razão para não ser puramente utilizadas. Normas gerais: União. 24). há campos de atuação conjunta. 21) e comum (tarefas que devem ser desempenhadas por todos os entes. mas não o de chegada. Eles já podem desde logo legislar naquelas matérias. Assim. cooperativa. Normas Suplementares: Estados. Art. já no residual. Há 77 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . Quando o estado legisla pela competência privativa por delegação sua competência é derivada e não originária e é feita por lei complementar.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Técnicas formais de repartição de competências: *Enumeração dos poderes da União e o remanescente para os estados (EUA).

o restante é competência municipal. caso venha norma superveniente da União sobre a matéria. 24. interpretação restritiva. é competência privativa. os estados não podem legislar supletivamente. Pressupostos: fático e formal. XXIII: seguridade social só da União. um ente cooperando com o outro (no trânsito. Art. 22. A intervenção é algo que foge à normalidade em uma situação excepcional de crise. os estados poderão fazê-lo integralmente. Previdência social: União e Estados Art. formalidade. logo. mas não está na CF. Existe uma correlação entre os Arts. Não podem ser aplicados os parágrafos do Art. XXIII. parágrafo único: federalismo cooperativo. 21. A regra é a não intervenção. 225 diz que a responsabilidade ambiental é objetiva. Art. 22. Art. 24. XX: União apenas institui diretrizes para o desenvolvimento urbano. deve-se maximizar os recursos. c: Art.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO competência suplementar dos municípios no Art. XXI e XXVII: apesar de falar em normas gerais não é competência concorrente. mas isso não significa que cada um faz como quer ignorando o outro. Apenas alguns dispositivos podem gerar dúvidas: Art. 21. II. 22. Princípios: excepcionalidade. Fáticos: motivos capazes de ensejar a intervenção. Art. estados de exceção  estado de defesa e sítio e a intervenção. 21. Art. XI: processo é competência da União. o restante é concorrente. necessidade. Em regra a entidade que vai legislar é também a que vai executar. Art. cassação de mandatos. procedimento em matéria processual é concorrente. 21/22 e 23/24. INTERVENÇÃO Sistema constitucional de solução de crises: são as medidas provisórias. temporariedade. impeachment. no entanto. Art. na saúde. suspenderá a eficácia da lei estadual. necessidade. Caso a União não legisle normas gerais. XXIV: apenas diretrizes e bases. XIII: a União institui e mantém. na educação etc). Formais: observar determinada forma. salvo a matéria de dano nuclear. 30. XVII: apesar de ser o DF é competência legislativa da União. Quando se faz a repartição de competências algumas coisas são comuns. no que for contrário (Art. 22. 23. princípio 4º). 24. está expresso. que não é ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 78 .

Em alguns casos pode ser dispensada a apreciação do legislativo (Art. isso. 36. § 3º. Motivos para intervenção dos estados nos municípios e União nos municípios em território: Art. 35. podendo ensejar ADPF. segundo a doutrina). VII  princípios constitucionais sensíveis.c Aristóteles divisou as três básicas funções: dentro de uma sociedade aquele ser que desempenha poder desenvolve basicamente três atribuições: cria a regra geral bem-viver nos casos concretos. Se o motivo for a coação a um dos poderes. Motivos que podem levar à intervenção da União nos estados e DF. dispensa o controle do legislativo também. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 79 . 60. 36. § 1º). 34. dependendo do motivo. Art. Como já houve apreciação judiciária. § 1º: forma geral é pelo decreto do chefe do executivo. Outra afirma sempre haver conveniência e oportunidade por parte do cheque do executivo). A intervenção depende de juízo de conveniência e oportunidade do chefe do executivo. resolve os conflitos de interesse. Art. 36: pressupostos formais. § 1º. o responsável civil pelos seus atos pode recair: atos vinculados ao objeto central da intervenção  União. 35. PODER JUDICIÁRIO – Pedro Taques 390 a. para parte da doutrina. A violação a eles dá ensejo a representação interventiva (ADI interventiva). atos normais do cotidiano  estado (varia de acordo com a natureza do ato praticado. IV: pressuposto específico de forma. Art. hipóteses da ADI interventiva. o decreto pode depender de solicitação (conveniência e oportunidade mantidas) ou de requisição (não cabe ao executivo fazer juízo de conveniência e oportunidade. ela varia de acordo com o motivo. Há controle judicial em relação aos pressupostos formais. Existindo interventor. terá. Quanto à conveniência e oportunidade não há. Alguns chamam também de preceitos fundamentais. 34. Decretada a intervenção a constituição não poderá ser emendada: Art. Não há nos casos do Art. A nomeação de interventor não é obrigatória (Art. dependerá de representação (solicitação) do poder legislativo ou poder executivo e requisição do STF. mas em menor grau.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO única. Há uma forma geral (decreto presidencial) e outra específica. VI e VII). Motivos: Art. 36.

Poder é capacidade. A constituição francesa fala em função governativa (executiva e legislativa) e judicial. coercibilidade). 4) Objetivos. É possível identificar os elementos constitutivos do estado: 1) Poder ou soberania ou organização. mas pode mudar tendo em vista a realidade de determinado estado. possibilidade de impor vontade sobre vontade de terceiros. povo e objetivos). executivo e jurisdicional. único. o poder uno (Art. 1748 (Montesquieu): identificou as funções de Aristóteles e Locke e avançou. é o poder que constituiu um determinado estado. Dizia que para que nos pudéssemos voltar ao estado da natureza a sociedade se organizar e o poder deve ser exercido por um governo civil. Todas as nossas constituições. Esse poder é indivisível.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO 1690 (Locke) igualmente identificou no ser que exerce poder dentro da sociedade desempenharia três funções também: cria. Poder político quer dizer possibilidade de imposição da violência legítima. Alexandre de Morais fala que o ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 80 . Cada uma das funções deve ser desempenhada por órgão distinto. Essa divisão orgânica é divisão científica? Ela é histórica? É histórica (luta contra o exercício hipertrofiado do poder. há a divisão orgânica de poder (não identificado por Aristóteles e Locke). 2º). cidadão e eleitoral. Ex: a constituição da Venezuela fala da existência de cinco poderes: legislativo. Período dos contratualistas. com exceção da de 1824 (adotou o poder moderador como 4º poder) adotaram a construção tripartite do poder. aplica e resolve os conflitos. 92). executiva (Art. há a função legislativa (Art. O poder no âmbito do Estado é o poder político. 2) Povo (nacionais). executivo. o poder não pode ser unipessoal com as três funções básicas. Poder significando função. Poder como órgão (Art. 76) e jurisdicional (Art. A CF dá ao termo poder vários sentidos. independente. 1º. contra o absolutismo). 1º) se manifesta por órgãos legislativo. Não existe outro centro de poder que possa impor a violência legítima (coação. assim. São teoria que fundamenta a origem do Estado (sociedade politicamente organizada dotada de território. a partir dele. 44). judicial. dizendo que o poder não seja hipertrofiado . parágrafo único). A partir desse momento (1789) surgiu o movimento contratualistas (1762 – Rousseau): cada um abre mão de parcela dos próprios direitos e coloca sob a responsabilidade do Estado. 3) Território. Michel Temer (Elementos do Direito Constitucional) revela três acepções do termo poder na constituição: poder significando soberania (Art.

Significa inafastabilidade da prestação jurisdicional (princípio da indeclinabilidade jurisdicional ou direito constitucional de ação – Art. só é possível após o esgotamento das vias administrativas (o STF já reconheceu que a exceção é constitucional). mas os seus membros têm garantia de poder. O juiz não pode agir de ofício sob pena de comprometer a sua capacidade subjetiva (imparcialidade). Em razão disso a EC 45 estabeleceu que o processo deve ter um prazo razoável (Art. 129 do CPC e 209 e 156 do CPP). 129. mas essa é uma exceção. Função legislativa: o órgão legislativo desempenha duas funções. 5º. § 1º). substituindo a vontade das partes com a força definitiva. essa aplicação deve trazer a segurança jurídica. Definitividade: o poder judiciário tem por função aplicar a lei ao caso concreto. Função jurisdicional: é o poder-dever do Estado de aplicar o direito ao caso concreto. 217. não é formalmente poder. a de inovação da ordem jurídica e fiscalização (Arts. O Estado substituindo a vontade das partes resolve os conflitos de interesse. ou seja. A regra é a indeclinabilidade jurisdicional. Os processualistas dão o nome de definitividade à qualidade dos efeitos da sentença. I – sistema processual penal acusatório – separação entre quem acusa e julga. 5º. observado o Art. 345 do CP. só o poder judiciário poder trazer a segurança jurídica (Art. A segunda exceção é o manejo do habeas data. A prestação jurisdicional é a tempo ou tempestiva. XXXVI – trilogia da irretroatividade: coisa julgada. Montesquieu criou a divisão orgânica para regrar a atuação do Estado. sobretudo a partir da declaração universal dos direitos do homem e do cidadão (1789): se uma constituição não estabelecer a divisão de poderes ele não tem constituição. A partir da revolução francesa. Surge o momento constitucionalista: ofertar direitos e garantias fundamentais do cidadão e divisão orgânica de poderes. Essa definitividade é uma imposição do princípio da segurança jurídica (Art. 58 e 70 a 75). no entanto.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO MP é instituição extra-poder. 81 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . Há exceções em que o cidadão pode exercer as suas próprias razões. Art. Essa função jurisdicional tem determinadas características: inércia. 5º. Só o Estado tem o monopólio da violência legítima. porque na constituição a justiça que tarda é injustiça. substitutividade e definitividade. após o ajuizamento da ação o juiz possui poderes instrutórios (Arts. XXXV). caput). Porque a jurisdição é inerte. Existem algumas exceções. No entanto. coisa julgada. direito adquirido e ato jurídico perfeito). há subtração da prestação jurisdicional: não é possível se valer da via jurisdicional antes de esgotar as vias da justiça desportiva (Art. 5º. de morosidade. Essa razoabilidade significa proibição de excesso. LXXVIII). Juízo arbitral é contenda que não será levada ao judiciário. Substitutividade: significa monopólio da jurisdição. a CF previu as funções essenciais da justiça MP e OAB (capacidade postulatória). Inércia: não existe jurisdição de ofício.

mas em uma lei. Quinto constitucional: Estrutura do poder judiciário: em razão da nossa cultura jurídica (romano-germânica) o nosso judiciário tem estrutura absolutamente complexa. STJ e TSE a constituição fala em mínimo e não um número fixo. MG . procuram pacificação social. 2 advogados escolhidos pelo presidente da república de uma lista fornecida pelo TJ e 1 representante da magistratura federal. Concurso público de provas e títulos: 2. Todos que exercem função eleitoral o fazem por mandato de 2 anos. Dos 11 ministros do STF é feito um rodízio dos que oficiarão no TSE. pois a justiça eleitoral não tem quadro próprio de juízes. a própria segurança jurídica não é absoluta. em sendo assim. Crítica: a justiça eleitoral é federal. Não obstante. resolver conflito de interesses de forma pragmática (ex: Michael Jackson). 125.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Em regra não existem direitos fundamentais absolutos. Formas de acesso aos quadros do poder judiciário: a CF estabelece três formas de acesso. Escolha pelo presidente da república após aprovação do senado: 3. erro material não faz coisa julgada. a CF permite que a justiça estadual tenha justiça militar – TJ e conselho de justiça militar para estado que tenha mais de 20. Um dos dois do STJ será corregedor geral eleitoral. Exerce em face do princípio da delegação (a CF delega ao juiz de direito função eleitoral). 2 são desembargadores do TJ. o juiz de direito desempenha função eleitoral. Relativização da coisa julgada. 2 juízes de direito de entrância especial. Esses ministros são escolhidos da seguinte forma: 3 do STF. não procuram justiça. 2 do STJ e 2 advogados escolhidos pelo presidente da república de uma lista fornecida pelo STF. O judiciário não está previsto na constituição. TSE (TRE – juízes eleitorais e juntas eleitorais) e STM (tribunal militar e auditorias militares. TRE: um por estado da federação e é composto por 7 juízes. durante o exercício da função eleitoral. o juiz de direito é servidor público federal (quem paga subsídio para o juiz eleitoral é a União). Composição do TSE: no mínimo 7 juízes que são denominados ministros. é relativa. TST (TRT – juízes do trabalho).000 componentes entre PM e bombeiros – SP. § 3º). Cultura anglo-saxônica é bem mais simples (ex: Estados Unidos). RS. STF  STJ (justiça comum estadual – TJ – juízes de direito e federal – TRF – juízes federais). STF já reconheceu que a coisa julgada não pode ofender princípios constitucionais (desapropriação superfaturada). Como regra só pode ser presidente um dos ministros do STF. Justiça Eleitoral As justiças especializadas são justiças federais. Desta feita.Art. 1. mas ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 82 . permitida uma única recondução por mais 2 anos. Ex: revisão pro reo.

serão criados por lei para atuação em época de guerra. 3 são advogados escolhidos pelo presidente. inovação. 12. tribunais militares e auditorias militares. Dos 15 ministros do STM. que em regra é juiz de direito designado pelo TJ para oficiar na auditoria militar. 1 juiz auditor militar e 1 representante do MPM. A justiça eleitoral não é dividida em comarca.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO quem comanda os TREs são os juízes estaduais. A justiça militar estadual não julga civil nunca. Só pode ser presidente do TRE um dos dois desembargadores do TJ. § 3º). a justiça militar estadual não julga crimes dolosos contra ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 83 . mas em zonas eleitorais. também jurisdição não-criminal. os juízes poderão acompanhar as tropas militares. 4 do comando do exército e 3 do comando da aeronáutica). no entanto. Justiça militar dos estados possui jurisdição criminal e a partir da EC 45. Afeta a inamovibilidade. A CF reconhece duas: a justiça militar da União e a das unidades federadas. julga atos disciplinares praticados por militar.3 do comando da marinha. 10 são militares (oficiais generais – última patente . São escolhidos pelo presidente da república e devem ter o nome aprovado pelo senado. civis pela prática de crimes militares (Decreto-lei 1001/69). Ela só possui jurisdição criminal. Desses. Estes 10 só poderão ser brasileiros natos (Art. A EC 45 inovou no tocante à justiça militar estadual: a justiça militar estadual nunca julga civis. Os 5 civis podem ser natos ou naturalizados. Justiça Militar Conhecida como justiça castrense. ou cível (lato sensu). A justiça militar da União é composta pelo STM. todos togados e vitalícios. O STM é composto por 15 juízes que levam o nome de ministros. os tribunais militares ainda não foram criados. 1º grau de jurisdição da justiça militar estadual: conselho de justiça militar. Juiz eleitoral é o juiz de direito que por delegação exerce função eleitoral. A justiça militar da União julga além dos componentes das forças armadas. ficando a cargo do Código Eleitoral.000 existe concurso próprio para juiz auditor militar. Junta eleitoral: a CF não fala sobre sua composição. Ela é presidida pelo juiz auditor militar (concurso próprio) e exerce sua função em dois órgãos distintos: conselho de justiça militar especial e conselho de justiça militar comum. Composta por 2 ou 4 cidadãos e presidida pelo juiz de direito exercendo a função eleitoral. Auditorias militares: primeiro grau de jurisdição da justiça militar. No entanto. nos estados em que o efetivo da PM e CBM for superior a 20. É presidido pelo juiz auditor militar. O conselho funciona como colegiado ou singularmente.

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a vida praticados por PMs contra civis. A emenda constitucionalizou a lei 9299/96. Crime militar cuja vítima for civil o julgamento será feito pelo juiz auditor militar de forma singular e não pelo conselho da justiça militar. Crime militar praticado por PM com vítima militar será julgado pelo conselho de justiça militar atuando de forma colegiada (Art. 125, § § 4º e 5º). A justiça militar estadual nunca julga crime de abuso de autoridade (lei 4898/65), quem julga é a justiça comum. A justiça militar estadual não julga crimes culposos cometidos por militares previstos no CTB, são julgados pela justiça estadual. Não existe conexão entre o crime militar e o comum, desmembra-se o julgamento. Justiça comum federal: a CF dividiu o território nacional em cinco regiões federais. Cada uma é sede de um TRF. É possível a criação de outros tribunais. Número mínimo de desembargadores federais é de 7. TRF 1ª região: sede em Brasília/DF e mais 14 estados da federação (todos do norte, centro-oeste e Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Piauí). TRF 2ª região: sede no Rio de Janeiro/RJ. Estados são Rio de Janeiro e Espírito Santo. TRF 3ª região: sede em São Paulo/SP – São Paulo e MS. TRF 4ª região: sede em Porto Alegre – Paraná, Santa Catarina e RS. TRF 5ª região: sede em Recife – estados todos do nordeste, exceto Bahia, Maranhão e Piauí. O concurso é regional e é permitida a permuta desde que haja concordância dos respectivos tribunais. Nos estados sede de TRF (DF, SP, RJ, RS, PE) o juiz federal que oficia perante o TRE não é juiz federal de 1ª jurisdição, mas sim desembargador federal (EC 45 deu essa denominação). 1º grau de jurisdição: juiz federal, não é dividida em comarcas, foro significa seção judiciária federal. Cada estado é uma seção. A seção é divida em sub-seção judiciária federal. Justiça comum estadual: no mínimo 7 desembargadores no TJ, o número varia de acordo com o estado (número de feitos e habitantes). Nos tribunais cuja composição se faz por mais de 25 membros é possível a criação de órgão especial que é composto por no mínimo 11 e máximo 15 membros. A composição do órgão especial até a EC 45 eram os 25 mais antigos, a EC 45 disse que metade dos mais antigos e metade por eleição entre os demais membros (discutido no CNJ). 84

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O CNJ (tecnicamente correto) deveria estar na estrutura do poder judiciário (abaixo do STF e acima dos tribunais superiores). No entanto, existe uma segunda posição, de que ele é órgão do poder judiciário, no entanto não desenvolve atividade jurisdicional, por isso não pode estar dentro da estrutura (Alexandre de Morais) – Art. 92, § 2º exclui o CNJ da função jurisdicional. STJ: criado pela CF/88, mas em 1965 José Afonso da Silva escreveu artigo pela criação de um tribunal nacional para unificar decisões. É composto no mínimo de 33 ministros. Os ministros são escolhidos pelo presidente da república, mediante aprovação do senado por maioria absoluta. Até a EC 45 era maioria simples. A escolha é do presidente, no entanto, ela é vinculada a determinadas categorias (ela não é livre). Ele escolhe dentre listas fornecidas pelo STJ, diversamente do que ocorre no STF. 1/3 dentre desembargadores federais dos cinco TRFs (hoje são 11); 1/3 dentre desembargadores dos TJs; 1/3 entre advogados (5) e representantes do MP (federal ou estadual - 6). STF: composto de 11 juízes que recebem o nome de ministros. Alexandre de Morais entende que a alteração do número de ministros ofende cláusula pétrea. A escolha é livre pelo presidente da república, não é vinculada a categorias. Livre dentre brasileiros que preencham os seguintes requisitos: brasileiro nato (pois está na linha sucessória do presidente da república – Arts. 12, § 3º, 81 e 101), idade mínima de 35 anos (José Afonso da Silva fala que é quando se atinge a capacidade política absoluta – Art. 14 – que é alcançada por etapas); idade máxima de 65 anos (o cidadão tem exercer no mínimo 5 anos para se aposentar compulsoriamente) (Idade máxima para ser conselheiro do CNJ é de 66 anos, isso porque o mandato é de 2 anos permitida uma única recondução, atingindo os 70); reputação ilibada (Canotilho diz que é uma expressão “viajante” – a depender do momento); notável conhecimento jurídico (conhecimento jurídico que dispensa prova (Michel Temer diz que no mínimo tem que ser bacharel em Direito). Garantias do poder judiciário: elas têm por objetivo assegurar à instituição a necessária independência frente aos demais poderes para o exercício de suas funções, afastando pressões de qualquer natureza (Art. 2º). Essas garantias podem ser divididas em dois grupos: garantias institucionais e garantias dos membros. As institucionais, por seu turno, se dividem em: autonomia funcional, administrativa e financeira (Art. 99) e modo de escolha dos dirigentes dos tribunais (Art. 96, I, a). A garantia dos membros também se reparte em dois tipos: garantia de liberdade e de imparcialidade (Alexandre de Morais e José Afonso da Silva). As garantias de liberdade se dividem em três tipos: vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade de subsídios. Imparcialidade se reparte em vedação da atividade político-partidária, vedação de acumulação de cargos, empregos ou funções, vedação de recebimento de custas e quarentena.
GARANTIAS AUTONOMIA FUNCIONAL GARANTIAS INSTITUCIONAIS ADMINISTRATIVA

VITALICIEDADE ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE

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DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO INAMOVIBILIDADE GARANTIAS DOS MEMBROS IMPARCIALIDADE ACUMULAÇÃO DE CARGOS, GOS OU FUNÇÕES ÇÃO DE RECEBIMENTO DE CUSTAS ENTENA FINANCEIRA

IRREDUTIBILIDADE

GARANTIA DE LIBERDADE POLÍTICO-PARTIDÁRIA VEDAÇÃO DE EMPRE VEDA QUAR

Garantia institucional  autonomia: auto-governo do poder judiciário, independência do próprio órgão em relação aos demais poderes do estado (Art. 99). Havendo a violação das garantias institucionais é caso de condenação por crime de responsabilidade (Art. 85). Cabe ao próprio poder judiciário sobre os cargos que dispõem o órgão, ele é que possui legitimidade, competência legislativa para apresentar projetos de lei para dispor sobre cargos. Ele apresenta ao executivo o orçamento necessário para o ano seguinte (proposta orçamentária). Se não encaminhar no prazo estabelecido o executivo mantém a do ano anterior (respeitando a LRF – LC 101). Garantia institucional  auto-governo ou função governativa (modo de escolha dos dirigentes dos tribunais): Art. 96, I, a. Elaborar RI é exemplo do desempenho de função atípica ou secundária o judiciário. O CNJ foi criado para regrar essa função governativa. Garantia dos membros: visa a independência individual do magistrado. Garantia interna (o magistrado tem independência frente aos tribunais, há subordinação administrativa) e externa (o magistrado não deve obediência a ninguém, salvo à CF e à sua própria consciência). Garantia de liberdade  vitaliciedade: em 1º grau ela é atingida após 2 anos de efetivo exercício (estágio probatório). Existe o projeto de emenda 358/05 para passar o estágio para 3 anos. Em 2º grau ela é alcançada a partir da posse, sem qualquer lapso temporal (indicação ou 5º constitucional) – Art. 95, I. Não se confunde com estabilidade: estabilidade é para servidor público stricto sensu, estabilidade alcançada após estágio probatório de 3 anos. Com a estabilidade o servidor pode perder o cargo em razão de decisão administrativa. Vitaliciedade é só para agente político, espécie de servidor público lato sensu. Em 1º grau é adquirida em 2 anos e nos tribunais a partir da posse. Aquele que é dotado do predicativo da vitaliciedade só perde o cargo em razão de sentença judicial transitada em julgado. Abrandamento da vitaliciedade de ministro do STF – pode ser condenado por crime de responsabilidade (Art. 52 e lei 1079/50). São ofertados ao magistrado para que ele possa exercer a função com independência, sem temor de violar outros poderes, não como prerrogativa pessoal. Garantia de liberdade  inamovibilidade: não podem como regra ser removido ex officio, sem iniciativa própria, por determinação. Exceção em que poderá ser removido ex officio: interesse público com voto da maioria 86 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE

DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO absoluta dos membros do tribunal (alterado pela EC 45. * Filiar-se a partido político. * Receber custas ou participação em processo. para magistrados é de seis meses (desincompatibilização – renúncia ao cargo e não licença como para outros servidores públicos). Dizia que o procurador geral da república seria escolhido dentre os ministros do STF.? O STF não decidiu ainda). em 1891 o MP fazia parte do Judiciário. A irredutibilidade é jurídica e não real (STF). A primeira constituição que tratou do MP foi a republicana de 1891. Garantias de imparcialidade (Art. entidade pública ou privada. 95. * FUNÇÕES ESSENCIAIS DA JUSTIÇA Hugo Nigro Mazili critica essa denominação dada pelo constituinte. * Receber auxílios ou contribuições de pessoa física. diversamente do servidor público stricto sensu. Praticar atividade político-partidária em geral. manutenção da independência. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 87 . § 4º. seja cotista etc. uma no cursinho. III). Em 1832 surge o código de processo criminal do império fazia referencia ao promotor da acusação. o subsídio não é majorado a cada período considerando-se a inflação do mês anterior. Os juízes militares podem ser removidos porque em guerra o juiz acompanha as tropas. para ele melhor seria funções essenciais ao Estado. A LOMAN veda ao magistrado que participe de sociedade. II e 103-B.. 93. Dessa feita. que pode ser removido por conveniência e oportunidade (discricionariedade). O MP e os advogados desempenham funções não só voltadas ao Judiciário. Garantia de liberdade  irredutibilidade de subsídios: o magistrado não pode ter reduzido o seu subsídio porque precisa ter tranqüilidade para o exercício da jurisdição. 95. VIII. portanto. MINISTÉRIO PÚBLICO Qual é a posição constitucional do MP? CF de 1824: não tratou do MP. LC 64/90 estabelece prazo de filiação a magistrado diverso: até um ano antes da eleição é a regra. era voto de 2/3).. É aquela não nominal. salvo uma de magistério (uma na faculdade. nessa data o MP não foi constitucionalizado. mas ao Estado como um todo. parágrafo único): para a manutenção da capacidade subjetiva há uma série de vedações: * Exercer outro cargo ou função. O CNJ também pode por interesse público remover o magistrado (Arts.

Muitos Estados não adotam a teoria tripartite de poder (de funções) (Venezuela. MP acompanhado do TC. ou seja. CF de 1934: o MP estava contido no capítulo denominado: atividades de cooperação governamental. o MP sem ser poder exerce função de poder e seus membros possuem garantia de poder. só havia uma referência ao PGR em um artigo. Para Hugo Nigro não interessa o MP ser poder. A constituinte posicionou o MP fora dos três poderes da república. Alguns dizem que essa foi a constituição mais democrática que tivemos. que inaugurou o Estado Novo. o legislativo da União foi convertido em assembléia constituinte). CF de 1967: o MP fazia parte do Judiciário. nem atos com força definitiva jurisdicional. Há na doutrina quem entenda que o MP faz parte do Executivo (minoria). implicitamente o MP nessa constituição pertencia ao Executivo. Pela constituição de 1937 o MP foi esquecido. logo. concluindo-se que os representantes do MP só poderiam praticar 88 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . ou seja. Os representantes do MP não praticam atos de natureza legislativa. CF de 1946: redemocratização do país com eleição para presidente da república. CF de 1937: foi uma constituição autoritária outorgada por Getúlio Vargas. CF de 1988: o MP não é um quarto poder porque formalmente existem apenas três poderes. Alexandre de Moraes denomina do MP como instituição permanente que tem as mesmas garantias dos poderes. mas apenas uma emenda 01 à constituição de 67. O MP é uma instituição extra-poder. como verdade absoluta. Essa atividade estava contida dentro do Executivo. ato administrativo e ato jurisdicional (decisão em sentido lato). França etc). ela foi criada para uma realidade histórica em 1748. Nos momentos históricos em que predominava a democracia o MP era órgão independente. Nessa classificação considera-se a natureza jurídica do ato praticado pelos representantes do MP. CF de 1969: alguns dizem que não houve constituição. Não deve prevalecer como dogma. mas foi constitucionalizado só no ano seguinte. não se pode aplicar a doutrina da época à nossa realidade constitucional. Essa divisão tripartite de Montesquieu não é científica. pois se originou de uma assembléia nacional constituinte (a de 1988 foi de um congresso constituinte. O Estado se manifesta por ato legislativo. mas não como instituição (ditadura retira a independência do órgão).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Em 1890 veio ao mundo o decreto 1030 que institucionalizou o MP. o que interessa é a função e garantia dos membros de poder. portanto volta a ser instituição independente. O MP passou a fazer parte do Executivo. logo. fala do órgão ao lado dos demais poderes. Em 1977 a nossa constituição foi emendada pela EC 07 de 1977 deixou expresso mais uma vez que o MP faria parte do Executivo (pacote de abril de 77).

O chefe administrativo do MPU é o PGR. O PGR pode afastar o PGT com autorização do conselho superior. à exceção do MPF. o que não quer dizer que o órgão faz parte do Executivo. Hoje existem aproximadamente 680 procuradores da república. MPDFT. Regra: além do PGR. Para José Afonso o PGR exerce investidura por prazo certo. lei 8. O MPU se reparte em quatro categorias: MPF. todos os ramos do MPU possuem procurador geral próprio. Até a CF de 1988 o presidente poderia afastá-lo ad nutum. diversamente do concurso para juiz federal. Membros do MPF com mais de 35 anos indicado pelo presidente e aprovado pelo senado por maioria absoluta para exercer mandato de 2 anos. O projeto de emenda 358/05 deixa isso expresso. permitindo-se reconduções. Em regra lei municipal não pode tratar de MP. A CF faz referência expressa à existência de dois MPs: MPU e MP dos estados. MPT: possui o seu procurador geral do trabalho próprio. O PGR pode ser reconduzido quantas vezes o presidente quiser reconduzi-lo desde que com aprovação do senado por maioria absoluta. além de desenvolver atividades extrajudiciais. O PGR até 1988 era escolhido livremente pelo presidente. porque entende-se que será escolhido entre os membros do MPF apenas. Justifica essa denominação afirmando que o presidente com autorização prévia precedente do senado pode afastar o PGR. MPM.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO atos de natureza administrativa. Após é promovido a subprocurador geral da república oficiando perante o STJ e por delegação do PGR no STF (são 62). Elaborada uma lista de 3 nomes encaminhada ao PGR para escolha para cumprir mandato de 2 anos. MPF: procurador da república que oficia em regra perante o juiz federal.625/93. em regra porque é possível que o conselho superior faça uma designação especial para atuar em outro órgão (tribunal). Dentre os subprocuradores o presidente escolhe o PGR (não é regra expressa. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 89 . que é regional. o seu procurador geral é o próprio PGR. No entanto essa posição é minoritária. caso o faça será inconstitucional. Segundo grau de atribuição do membro do MPF: promovido a procurador regional da república que oficia em regra perante os TRFs (são 203). só pode ser PGR membros da instituição. Com a constituição de 88 houve uma restrição à escolha do PGR. MPT. permitindo-se uma única recondução. mas é praxe). O concurso é nacional. cada estado tem sua lei complementar própria. LC 75/93 e Lei Orgânica Nacional do MP. Alexandre de Moraes diz que o presidente pode escolher dentro de qualquer um dos ramos do MPU.

RO). Lei 8443/92 é a lei orgânica do MP especial junto ao TCU. Aqui no MPDFT além do promotor de justiça a LC 75 fala em promotor de justiça adjunto. O STF disse que essa lei é constitucional. só a Assembléia Legislativa. MPE: é chefiado administrativamente pelo PGJ escolhido pelo governador do estado de uma lista de 3 nomes para mandato de 2 anos. é cláusula pétrea. RJ é possível promotor concorrer ao cargo). 73. Quem faz a nomeação dos representantes do MPTC é o presidente da república (há concurso próprio). faz parte da economia doméstica do TCU (ADIN 789/DF). perante o TJ. mas o MP especial. três subprocuradores gerais e quatro procuradores do MP junto ao TCU. Art. CF: MP é instituição permanente. Art. Ele pode ser afastado mediante autorização do conselho superior. Art. quem deveria oficiar seriam apenas os membros do MPE. CF: membros do MP junto aos tribunais de contas. 2º grau de atribuição é como procurador de justiça. MPTCE: em alguns estados já houve concurso próprio (GO.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO MPM: também possui o seu procurador geral próprio escolhido pelo PGR de uma lista de 3 nomes. Não faz parte do MPU nem dos estados. Isso por dois motivos: caso se posicione o MP dentre de um dos poderes de república far-se-ia que esse poder ficasse super forte ou 90 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . O 1º grau de atribuição é como promotor de justiça. projeto de emenda não poderia modificar essa condição. a depender de cada estado (em GO. No entanto na maioria dos estados não há essa previsão. É núcleo intangível super-rígido da CF. para ele tem de ser a Câmara e o Senado. é escolhido pelo presidente de uma lista de 3 nomes fornecida pela categoria para mandato de 2 anos permitida uma única recondução. Pode ser procurador geral de justiça promotor ou procurador. 130. I também faz referência. Há um procurador geral do MP junto ao TCU. mas somente com a autorização do legislativo da União (Senado Federal). oficiando. Após certo tempo é promovido a procurador de justiça. Alexandre de Moraes entende que a CF não prevê MP especial para os estados. e quem oficia é membro do MPE. MPDFT: o procurador geral do MPDFT não é escolhido pelo PGR. Exerce mandato de 2 anos permitindo-se única recondução. Pode ser afastado. mas a LC 75 fala apenas no Senado. O STF reconheceu que se a lei/constituição estadual reconhece como um cargo próprio deve haver um concurso próprio e não compor as vagas por membros do MPE. Quem oficia não é o MPE. em regra. O STF entende que esse MP previsto nesses artigos é um MP especial. mas não é a posição do STF. Ele oficia em regra perante o juiz de direito. O CNMP entendeu que o MPTCU não deve obediência ao conselho. permitindo-se uma única recondução. § 2º. MG. José Afonso não concorda. Regra: o governador não pode afastar o PGJ. 127.

lazer). Em processo civil o Art. previstos em regra no Art. o conjunto de normas de um Estado. ele pode fazer tudo que não seja proibido. 91 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . O MP tem por função a proteção dos direitos fundamentais do cidadão e os direitos fundamentais representam cláusula pétrea. ou seja. Segundo a doutrina o MP tem por objetivo a defesa desses quatro status. para o povo. Defesa de status constitucionais: Jellinek fala a respeito. Incumbe-lhe a defesa da ordem jurídica. Status ativo: significa direito público subjetivo de natureza política que tem a pessoa humana de participar da organização do estado. fiscalizando a sua indivisibilidade. são créditos do cidadão em face do Estado (salário. 82 do CPC elenca as intervenções do MP. crédito do cidadão em relação ao Estado.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO hipertrofiado. O cidadão teria determinadas liberdades frente ao estado. positivo e o ativo. Exercício de direitos políticos e a proteção da liberdade. Proteção dos direitos individuais indisponíveis. Essencial à função jurisdicional do estado porque o juiz é inerte. ofendendo o controle que existe entre os três. Proteção aos interesses sociais elencados no Art. mas não apenas lá. Topograficamente os direitos individuais estão por toda a CF. O Art. 129. 6º. 127. 127 e melhor esclarecidas pelo Art. democracia em um determinado momento significou governo do povo. Defende a ordem jurídica como fiscal da constituição. São funções previstas no Art. no entanto. exercício de direitos políticos. São quatro status: negativos. Status positivo: é a exigência de que o estado preste determinadas atividades. deduzindo em juízo interesses da coletividade. o MP protege esse status que a doutrina chama de status negativo de cidadão. ou seja. 5º. Status passivo é a situação oposta. são sujeições do cidadão às determinações legais. inimputabilidade penal antes dos 18 anos etc). pelo povo. os direitos fundamentais de 2ª dimensão. igualdade e dignidade. Como órgão agente o MP atua como advogado da sociedade. as funções previstas são meramente exemplificativas. Funções: Função de órgão interveniente e função de órgão agente. logo. o MP participa do processo eleitoral. igualdade e dignidade da pessoa humana. Em processo penal na ação penal de iniciativa privada. Defesa do regime democrático. Enquanto interveniente o MP é o fiscal da lei (constituição). saúde. com respeito à liberdade. é custus legis. O cidadão tem obrigação de respeitar o que está previsto. educação. ou seja. indiretamente o MP deve ser entendido como cláusula pétrea. 129 esclarece o Art. além delas existem outras. estão espraiados por todo o corpo constitucional (ex: princípio da anterioridade tributária. regime democrático é muito mais do que isso. passivos.

o representante não está obrigado a denunciar. Indivisibilidade: possibilidade de livre substituição de uns pelos outros dentro do mesmo ramo do MP sem qualquer medida concreta (substabelecimento. Os serviços auxiliares decorrem de lei própria (Art. 2. unidade quer dizer que no momento em que o representante do órgão fala.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Princípios institucionais do MP (Art. Unidade: só existe um MP. 6ª câmara: índios e minorias. LIII: ninguém será processado . Existe chefia administrativa. 127. Promotor natural (agregado pela doutrina): o STF já firmou que é princípio. podem apresentar projeto de lei (Art. É uma garantia constitucional do cidadão de só ser processado por um órgão do MP previamente estabelecido. Possui competência legiferante. * Autonomia funcional: significa que o MP é independente dos três poderes da república. Fundamentos: Art. § 2º).. 3. § 1º): 1. A indicação de promotores ou procuradores é inconstitucional. Art. 2º e no Art. O princípio não impede designações na investigação (ex: GAECO e GAELD). que a indivisibilidade. O representante do MP no exercício de sua função institucional deve obediência à CF e à sua consciência. No MPF o Art. 5º. 28 vai para a câmara de coordenação e revisão (para revisão do pedido de arquivamento do inquérito): 1ª câmara: constitucional. mas não no exercício das funções constitucionais. Designações de apoio ao promotor natural pelo procurador geral (a pedido do promotor ou procurador natural). nenhum deles determina ordem ao MP no exercício de suas funções. É conseqüência do princípio da unidade. Só agente político possui independência funcional. Independência funcional: liberdade de auto-determinação só é encontrada no Art. ela existe dentro de cada um dos ramos do MP. 4ª câmara: meio ambiente. 2ª câmara: criminal e controle externo da atividade. Assim. Garantias do MP: podem ser divididas em dois grupos: Garantias institucionais: * Autonomia administrativa: auto-governo do MP. quem fala é a própria instituição. Contaminação virótica constitucional do CPP: entender o CPP de acordo com a CF.. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 92 . 5ª câmara: patrimônio público. 28 do CPP é um exemplo disso. É função governativa do MP. 61 da CF). 127. Esse princípio está ainda no predicativo da inamovibilidade. 3ª câmara: consumidor. Significa não existência de subordinação hierárquica. Como corolário dessa unidade surge outro princípio institucional. 4. § 1º da CF. O MP apresenta por meio do procurador geral a sua lei própria. evitando-se promotores ou acusadores de encomenda com o objetivo de prejudicar o beneficiar o acusado. É garantia de promotor isento no momento do oferecimento da denúncia a fim se evitar benefícios e perseguições. por exemplo).  princípio do promotor natural. 127.

a CF diz serem equivalentes. 128. Aqueles que entraram após a EC 45 não podem se candidatar. * Irredutibilidade de subsídios.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO * Autonomia financeira: o MP possui dotação orçamentária própria. Os que entraram de 1988 até a promulgação da EC 45. * Vitaliciedade. 168).. é uma exceção (é incompatível. Garantias dos membros: tudo que se aplica para a magistratura se aplica aqui. No entanto aqueles que já eram do MP puderam continuar com a advocacia (Art. Aqueles que entraram até 1988 adotam regime anterior e podem estar filiado e se candidatar. Exercer atividade político partidária: alterada pela EC 45. em 88 foi criada a AGU. Receber honorários ou custas processuais. teriam direito de se candidatar e perdendo volta. Antes havia uma exceção. ainda que em disponibilidade. * Inamovibilidade. 29 do ADCT). vedando-se a advocacia por parte do MP. Exercer outra função pública. Até a CF de 88 os representantes do MPF advogavam. 93 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . diverso do orçamento dos outros poderes da república. mas a CF permite). Hoje não existe mais qualquer exceção. afastando-se por meio de licença e não renúncia ao cargo. Magistério: não se definiu uma função de magistério (faculdade.). As suas atribuições são desempenhadas às expensas do orçamento próprio (Art. segundo Alexandre de Moraes. salvo uma de magistério.. Sendo candidato a filiação deve ser feita um ano antes das eleições (a LC 64 fala em seis meses antes. O CNMP estabeleceu que só podem ser 20h semanais apenas. § 3º e Art. mas o STF decidiu que é de um ano). é um absurdo. Exercer advocacia (o STF decidiu que defensor público não pode advogar também). a não ser que abandonem o MP. Participar de sociedade na forma da lei. 127. Projeto de emenda 358/05 irá adotar a posição de Alexandre de Moraes: possibilidade de se candidatar e voltar ao cargo do MP para aqueles que entraram após 1988 até a EC 45. a dedicação deve ser exclusiva. II da CF. cursinho. Vedações: previstas no Art. O CNMP estabeleceu prazo até junho/2006 para que os representantes cumpram esse dispositivo. Não é a posição do TSE: o afastamento para se candidatar deve ser definitivo. § 5º. “salvo nos casos previstos em lei” e a LC 75 possibilitava a filiação partidária.

não precisa ser dos quadros da AGU desde que seja brasileiro com mais de 35 anos e notável saber jurídico. ação popular (?). 134 fala da necessidade de criação do órgão. O AGU tem status de ministro de estado. exercendo função essencial (Art. então a CF/88 criou a AGU. É a regra. 133. Imunidade: inviolabilidade em razão do exercício da função. não existe prestação jurisdicional sem advogado. Advocacia privada: muito embora atue sem vínculo administrativo com o Estado. o MPF ajuizava as ações. Havia um conflito de interesses. 133 revela dois princípios: o da indispensabilidade do advogado e o da imunidade (material). O Art. Advocacia pública: até 1988 não existia a AGU. Regulada pela LC 73/93. O STF suspendeu a palavra desacato que a lei estabelecia como imunidade para o advogado (ADIN 1127-8/DF). justiça do trabalho. A AGU faz a defesa judicial e extrajudicial da União. Nomeação do procurador geral do estado (PGE) é livre do governador. mas existem exceções: HC. a competência para julga-lo é do STF. É imunidade material. ela é organizada e mantida pela União. Não é irrestrita. É vedado o exercício da advocacia privada aos defensores públicos. não faz parte da DPU. O Art. O procurador do estado tem estabilidade após 3 anos (EC 19). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 94 . que é reservado à procuradoria geral da Fazenda Nacional (Art. CF). São chefiados pelo procurador geral do estado. A DPU oficia perante a justiça federal. ele deve atuar nos limites da lei. contraditório). Defensoria pública: a CF garante a defesa jurídica pela defensoria pública. advocacia privada e defensoria pública. O chefe da AGU é o advogado geral da União escolhido livremente pelo presidente. Orientação jurídica é orientação judicial e extrajudicial. do trabalho e militar e existem pouquíssimos no Brasil. Em sede estadual quem faz a defesa é o procurador do estado. ainda assim presta serviço público relevante. O estatuto da ordem estabelece que o advogado tem imunidade no estrito cumprimento funcional. portanto.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO ADVOCACIA Segunda função essencial da justiça. No entanto. 131). 131. juizados. é muito mais que só judicial. Indispensabilidade é um fator importante para a garantia dos direitos fundamentais (ampla defesa. A DPDF é gerida pela União. Exercem a representação judicial e a consultoria das respectivas unidades federadas. § 3º). o procurador geral da Fazenda Nacional está subordinado ao AGU (LC 73). Pode ser dividida em advocacia pública (Art. revisão criminal. Isto por uma questão histórica. ela não faz o executivo fiscal.

O STF já decidiu que o advogado dativo não tem esse direito.g. a comunidade elege representantes para fazê-lo (teoria da soberania). com a finalidade de limitar a autoridade dos reis. uma vez que o Congresso Nacional é composto por uma Casa de representantes do povo (Câmara dos Deputados) e outra de representantes dos Estados e do Distrito Federal (Senado). Lei 1060/50 estabelece quem é hipossuficiente.. no Distrito Federal (Câmara Legislativa) e nos Municípios (Câmara de Vereadores). Estrutura Em regra. a Câmara alta e a Câmara baixa. Segundo a concepção de Rousseau. 48) e fiscalizar (CF. art. Nos juizados especiais não há intimação pessoal nem para o defensor público. A LC 80/94 estabelece que o defensor público tem direito a intimação pessoal e o prazo em dobro. o qual atende à forma federativa de Estado positivada na Constituição. Em processo criminal pessoa rica pode ser patrocinada por defensor nomeado. Esse sistema costuma ser adotado em países pequenos como. contábil. A fiscalização dos atos emanados do Poder Executivo é decorrente do princípio da representação popular e ocorre nos âmbitos financeiro. 71). o Poder Legislativo se manifesta pela conjunção da vontade das duas Casas. a soberania reside no povo que a exprime através da lei. Pelo princípio da participação: das vontades regionais e da vontade nacional (efetivada pelo Senado). A fiscalização financeira e orçamentária é feita com o auxílio do Tribunal de Contas da União (CF. Luxemburgo. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 95 . art. art. durante a Idade Média. Nas demais esferas o sistema adotado é o unicameral. não podendo votá-la diretamente. Nesta hipótese. 70). operacional e patrimonial. é utilizado nos Estados-membros (Assembléia Legislativa). No Brasil. O Brasil adota o bicameralismo do tipo federativo. Advogados públicos: defensores Advogado dativo: supre a falta do defensor público. e. PODER LEGISLATIVO – Marcelo Novelino Origem: O Poder Legislativo foi concebido na Inglaterra. orçamentário. o Legislativo se estrutura em dois tipos de sistemas: a) unicameral: formado por um único órgão. b) bicameral: composto por dois órgãos. Funções O Poder Legislativo possui duas funções típicas: legislar (CF.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Advogado constituído. mas ao final serão cobrados honorários executados pela PFN.

além dos Deputados e Senadores – serão julgadas pelo STF no caso de crime comum. b: “nas infrações penais comuns. I e II) para processar e julgar. V) Membros do Conselho Nacional do Ministério Público. provimento de cargos e seus serviços”. o Vice-Presidente. Se o crime de responsabilidade não for conexo com o praticado pelo Presidente. o Legislativo também exerce funções atípicas. 102. XIII – “organização. I. art. as seguintes autoridades (as mais altas autoridades de cada poder): I) Presidente e Vice-Presidente da República. Para o julgamento do presidente. III) Ministros do STF. nas hipóteses do art. o Presidente da República. os membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público. 52. cuja pena não é a privativa de liberdade. IV e do art. polícia. vice e ministro de estado. 51. VII) Advogado-Geral da União (status de ministro de estado). 102. o Vice-Presidente. seus próprios Ministros e o Procurador-Geral da República”. A jurisprudência do STF já se consolidou no sentido de que a expressão crimes comuns abrange todas as modalidades de infrações penais. Todas as autoridades mencionadas acima . são crimes impróprios. seus próprios Ministros e o Procurador-Geral da República”. a competência será do STF (art. é com relação aos membros do CNJ e do CNMP. I. inclusive os delitos eleitorais e as contravenções penais. “c”). os membros do Congresso Nacional. tanto nos crimes comuns e de responsabilidade será necessária autorização da câmara dos deputados com o quorum de 2/3. até o momento. nos seguintes termos: “nas infrações penais comuns. VI) Procurador-Geral da República. os membros do Congresso Nacional. O Senado tem ainda a competência exclusiva (CF. se não for a competência é do STF.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Assim como os demais poderes. e. é autorização para o processo de impeachment e a autorização da câmara tem natureza eminentemente ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 96 .g. A Câmara e o Senado exercem função administrativa. As penas são a perda do cargo e inabilitação por 8 anos). II) Ministros de Estado e Comandantes das forças armadas (antes tinham status de ministro?). o Presidente da República. 52.. art. A exceção. IV) Membros do Conselho Nacional de Justiça. nos crimes de responsabilidade (é uma infração político-administrativa. e. cuja previsão consta da PEC 29/2000. se o crime for conexo com o praticado pelo Presidente. CF/88.

14. art. para exercerem um mandato de oito anos. art. através de escrutínio secreto (CF. 45). arts. que corresponde à soma dos brasileiros. sendo a representação distribuída proporcionalmente às correntes ideológicas (partidos políticos). b) eleitos diretamente. ou seja. 46. art. 48 da Constituição da ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 97 . VI. não sendo necessário mais de 50%) (CF. 45. Dada a autorização o julgamento nos crimes de responsabilidade será feito pelo Senado. § 1o). § 2o). e quem preside esse julgamento é o presidente do STF e a pena se limitará à perda do cargo e inabilitação por 8 anos. § 3o. sobre as elencadas no art. art. não deve participar da vontade nacional. Atribuições do Congresso Nacional Dentre as atribuições do Congresso Nacional estão a competência legislativa e a competência deliberativa. Caso seja criado algum território. art. Os territórios não possuem representantes no Senado Federal. não há segundo turno para eleição de senador. art. Aquela é atribuída ao Congresso para que disponha sobre todas as matérias de competência da União (CF. na seguinte serão eleitos dois (dois terços) (CF. A paritariedade do número de Senadores se assenta no princípio federativo. por escrutínio secreto (CF. art. 14). sendo que cada Estado e o Distrito Federal elegerão três. maiores de 21 anos (CF. Os Deputados são eleitos pelo sistema proporcional (CF. 45. Tanto que a competência para legislar é privativa da União (súmula 722/STF). art. O número de Deputados por Estado e pelo Distrito Federal será proporcional à população (e não ao número de eleitores). art. art. A renovação desta representação não é feita simultaneamente. basta que o senador seja o mais votado. inclusive de conveniência e oportunidade. 46). independentemente do tamanho de sua população para legislatura de 4 anos (CF. Segundo o STF. duas legislaturas (CF. §1o). Sendo crime comum o julgamento é no STF. b). este elegerá quatro deputados. em especial. maiores de 35 anos (CF. que tem como uma de suas características a participação da vontade dos Estados na formação da vontade nacional. estrangeiros e apátridas. mas sim de forma alternada. 14. nenhum deles poderá ter menos de oito ou mais de setenta deputados (CF. eleitos diretamente. Se em uma determinada eleição foi eleito um Senador (um terço). 22 e 24) e. 57) e tem início em 02/02 a 17/07 e reinicia em 01/08 a 22/12 (modificado por emenda) O Senado Federal é composto por representantes dos Estados e do Distrito Federal.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO política. § 2o). Deputados e Senadores A Câmara de Deputados é composta por representantes do povo. a natureza do crime de responsabilidade é penal. Todavia. Os Senadores são eleitos pelo sistema majoritário (maioria relativa. 46. A sessão legislativa é o período anual (Art. § 3o. 14). VI. Ele não é ente federativo.

Cassação e extinção do mandato: Art. pelos Presidentes da Câmara e do Senado ou mediante requerimento da maioria dos membros de ambas as casas. O mandato poderá ser cassado quando houver a violação das incompatibilidades do Art. As leis nacionais. O Art. 55. As inelegibilidades podem ser absolutas (inalistáveis e analfabetos) e relativas (parentesco. parágrafo único). pela inobservância do decoro parlamentar ou pela sentença penal ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 98 . 54. comportam delegação ou competência suplementar.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO República. 14. 44. A lei federal é a que trata de interesse exclusivo da União enquanto ente federativo (ex: lei 8112). 49. §§ 6o e 7o). é exigida a sanção do Presidente da República. Trata-se de uma competência exclusiva. com as competências da União previstas no art. apesar do disposto na Constituição (“compete privativamente”. a sanção do Presidente. Competências privativas.em caso de decretação de estado de defesa. 54 da CF traz hipóteses de incompatibilidades de deputados e senadores. por isso. pois não podem ser delegadas. existe a possibilidade de convocação extraordinária do Congresso Nacional para deliberar sobre determinada matéria. lei complementar poderá autorizar os Estados a legislar sobre questões específicas das matérias ali relacionadas. § § 2º e 3º. art. ao passo que a segunda é anual (art. As competências atribuídas à Câmara dos Deputados (CF. prevista no art. O objetivo é evitar que o Executivo utilize determinados cargos para que certos deputados ou senadores possam ser favorecidos. 51) e ao Senado Federal (CF. buscando apoio político. apesar de exercidas isoladamente. art. Geraldo Ataliba distingue lei nacional de lei federal. Não se confunde com inelegibilidade (Art. É o que ocorre. Algumas ocorrem a partir da diplomação e outras a partir da posse. apesar de serem feitas pelo congresso não tratam de interesse exclusivo da União. 22. quando houver urgência ou interesse público relevante (art. Conforme dispõe seu parágrafo único. por exemplo. Incompatibilidade ocorre após a eleição para um cargo. Além das sessões legislativas ordinárias. Deve-se atentar para a distinção entre legislatura e sessão legislativa. Na cassação do mandato.ou pelo Presidente da República.. de estado de sítio e de intervenção federal e para compromisso e posse do Presidente e Vice . CF). previstas em lei complementar).). deve ser veiculada por decreto legislativo ou por resolução. na verdade. também são exclusivas. Ocorrem antes que a pessoa seja eleita para determinado cargo. ou seja. dispensando. como as matérias são veiculadas por lei. mas de todo o Estado (ex: CP. 57. A competência deliberativa. CTN). 57).. Estão ligadas à não possibilidade de deputado ou senador após a expedição do diploma exercer determinadas funções. exercida isoladamente e que não comporta delegação. privação da capacidade política passiva. A primeira tem a duração de quatro anos (art. Neste caso. As sessões legislativas extraordinárias podem ser convocadas pelo presidente do Senado Federal . militares. 52). a perda é decidida pela casa respectiva do cassado.

ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 99 . na função de órgãos técnicos. .Classificações I) Quanto a sua duração. as reuniões são dirigidas pela mesa do Senado Federal. art. As comissões parlamentares foram valorizadas pela Constituição de 1988 que lhes atribuiu diversas competências. 57. III a V. supervisão. correspondem ao campo funcional dos Ministérios. As comissões devem ter uma representação proporcional dos partidos ou dos blocos partidários das respectivas Casas Legislativas (CF. as comissões podem ser classificadas como: a) permanentes: quando permanecem mesmo após o fim das legislaturas. Por isso. A função de membro da Mesa das Casas legislativas é de natureza executiva (direção. compostos por um conjunto de parlamentares eleitos por seus pares para dirigir os trabalhos legislativos pelo período de dois anos. As atribuições de cada comissão estão elencadas na Constituição (art. muitas vezes. as comissões podem ser: a) exclusivas: compostas apenas por Membros da Câmara ou do Senado. Nos três casos a casa do deputado ou senador irá decidir pelo voto secreto (STF já entendeu que deve ser observado no âmbito estadual) e a decisão deve ser dada por maioria absoluta. 58. emitem um parecer prévio para posterior apreciação do plenário. São estruturadas em função das matérias de sua competência. Em se tratando de crime comum serão julgados pelo STF. 58. § 2o) e nos regimentos internos de cada uma das Casas do Congresso Nacional. § 1o). é apenas uma declaração de perda do mandato feita pela mesa da casa respectiva quando houver violação das hipóteses do Art. o que não impede a possibilidade de eleição para outro cargo da Mesa (art. § 4o). Comissões parlamentares A diversidade e complexidade das matérias a serem analisadas pelo Legislativo suscitaram a necessidade de uma especialização dentro do parlamento com o intuito de se fazer um estudo prévio e especializado das propostas apresentadas. Mesas diretoras As mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal são os órgãos diretivos dessas Casas. No caso do Congresso Nacional. polícia. a Constituição veda a recondução para o mesmo cargo na eleição imediatamente subseqüente. II) Quanto a sua formação. b) temporárias: extinguem-se com o fim da legislatura ou se dissolvem com o encerramento de seus trabalhos. administração e execução).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO condenatória definitiva. Essa análise é feita pelas comissões parlamentares que. 55. as quais. Na extinção do mandato não há julgamento.

legal. 3º) ter prazo certo para o seu funcionamento. dentro do possível. um terço dos membros da respectiva Casa. a periodicidade. corolário do princípio federativo. Assim. reproduzir de forma proporcional a representação partidária. que estiver devidamente caracterizado no requerimento da Comissão”. art. como a emissão de parecer sobre o veto (CF. absoluta. desde que atendam aos seguintes requisitos: 1º) requerimento de. econômica e social do país. Por outro lado. § 4o) e sobre as medidas provisórias (CF. § 3o) a) Requisitos As comissões parlamentares de inquérito têm poderes de investigação próprios de autoridades judiciais. e. sendo mista. § 9o) ou a análise de projetos de leis financeiras (CF.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO b) mistas: constituídas por Deputados e Senadores. a alternância dos cargos de natureza executiva é peremptória. é necessário 1/3 dos deputados e 1/3 dos senadores e não 1/3 do congresso nacional. Nos termos do § 1º do art. Michel Temer observa que “no Brasil. admite a reeleição: nas funções executivas implica necessariamente alternância” (Elementos de direito constitucional. em conjunto ou separadamente. 58. IV) Comissões parlamentares de inquérito (CF. art. 128). de Estados e de Municípios. Sua composição deverá. além de outros previstos nos regimentos internos das respectivas Casas legislativas. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 100 . na última sessão ordinária do período legislativo. 166. não podem ser objeto dessas comissões quando inexistir nexo causal com a gestão da coisa pública. III) Comissão representativa do Congresso Nacional Tem por escopo representá-lo durante o período de recesso. admite-se a investigação se houver interesse simultâneo da União. § 1o). Fatos de interesse exclusivamente privado. pelo menos. 2º) ter como objeto a apuração de fato determinado. 62. p. Todavia. entendesse por fato determinado o “acontecimento de relevante interesse para a vida pública e a ordem constitucional. haja vista a necessidade de respeito à autonomia desses entes. 66. Tratam de assuntos que devem ser decididos pelo Congresso Nacional. devem ser fiscalizados pelos respectivos legislativos. art. art. categórica e irremissível. 35 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados. Podem ser objeto de apuração todos os assuntos que estejam na competência fiscalizatória do Congresso Nacional. em funções puramente legislativas. fatos que se refiram exclusivamente às competências dos Estados e Municípios. Podem ser criadas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. Os membros desta comissão são escolhidos pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal.

o paciente possui o direito de não ver interpretado contra ele o seu silêncio”. nenhum dos poderes encontra-se acima da Constituição. XII) ou decretar prisão (CF. os atos das CPIs deverão ter suas razões expostas no momento da deliberação. desde que haja aditamento do objeto inicial da CPI. embora bastante amplos. 93. 5º. 1579/52). condução coercitiva. interceptação telefônica (CF. As conclusões decorrentes da investigação poderão ser encaminhadas ao Ministério Público para que este promova a responsabilidade civil ou criminal dos infratores. LXIII). salvo em flagrante delito (“cláusula da reserva constitucional de jurisdição”). Como pressuposto de legitimação da própria resolução adotada. O sigilo telefônico não se confunde com a inviolabilidade das comunicações telefônicas (interceptação telefônica). Além de não ser obrigado a prestar esclarecimentos. ou até mesmo de fatos inicialmente desconhecidos que surgirem durante a investigação. b) Poderes Os poderes das comissões parlamentares de inquérito. a qual se submete à ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 101 . São conferidas a essas comissões determinadas prerrogativas para uma ampla investigação. art. 5º. LXI). As CPIs não podem: 1) desrespeitar o privilégio contra a auto-incriminação (CF. não havendo nisto qualquer ofensa ao princípio da separação dos poderes. “Nemo tenetur se detegere: direito ao silêncio. 5º. ainda que o fato não tenha sido concluído. sendo que os atos destas comissões também se submetem ao controle jurisdicional. telefônico e fiscal). sendo eivados de nulidade quando destituídos de fundamentação (CF. 2) determinar invasão de domicílio (CF. Todavia. Em um Estado Democrático de Direito. busca e apreensão de documentos desde que respeite a inviolabilidade do domicílio. não são ilimitados nem absolutos. No que se refere à locução prazo certo. art. como a possibilidade de obtenção de informações junto às instituições financeiras e o acesso a dados e registros telefônicos ou fiscais (quebra dos sigilos bancário. o término desta sempre será o termo final de uma CPI. apesar da possibilidade de condução coercitiva dos convocados para depor como testemunha. art. art. o STF já se manifestou no sentido de que esta não impede prorrogações sucessivas dentro da mesma legislatura (Lei n. 5º. XI). IX). De acordo com a jurisprudência do STF as testemunhas também podem invocar esse privilégio e não apenas os investigados. art.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO A exigência de se ter como objeto um fato determinado não impede a apuração de outros fatos conexos ao principal.

c) CPI estadual e municipal. Joaquim Barbosa “Já advertiu o eminente ministro Sepúlveda Pertence. a função parlamentar de investigação está naturalmente sujeita às regras e limitações que atingem o próprio órgão legislativo. Peluzo e Velloso não admitem a quebra. não poderiam ser criadas comissões parlamentares pela Câmara de Vereadores. Direito constitucional didático. Além do Congresso Nacional. são. sendo necessário extrair da atual Constituição o traço essencial da atual ordem.hão de acrescentar-se as normas constitucionais centrais que. o Min. Kildare Gonçalves. o sigilo de dados telefônicos pode ser quebrado pela CPI. inexistindo Poder Judiciário municipal. STF . no julgamento da ADI 98 (. para efeito de controle de constitucionalidade das normas constitucionais estaduais. 4) Não tem poderes de medidas cautelares: determinar arrestos.no ordenamento parcial dos Estados e Municípios". não tendo o alcance dos princípios. Tais comissões possuem os mesmos requisitos e poderes atribuídos pela Constituição à CPI federal (art. 443. implícitos ou explícitos .). rel. 58. para determinar procedimentos de natureza judiciária”. em razão do princípio da simetria. Joaquim Barbosa (STF) admitiu. que para este não há "fórmula universal apriorística". nem o conteúdo negativo das vedações. Não se pode perder de vista que as comissões parlamentares de inquérito são instrumentos de atividade do Poder Legislativo. a Câmara Legislativa do Distrito Federal e as Câmaras de Vereadores poderão instaurar suas próprias comissões para investigar fatos abrangidos por sua competência fiscalizatória. em respeito ao princípio federativo. A competência das comissões de inquérito deve comportar-se no quadro da competência do Poder Legislativo”. não obstante. enquanto o sigilo telefônico não pode. Min. as Assembléias Legislativas estaduais.. de absorção compulsória . Entendo que a possibilidade de criação de comissões parlamentares de inquérito seja uma dessas normas de absorção compulsória nos estados membros. ao tratar do princípio da separação de poderes.. sobretudo em face do que o ministro Pertence descreve como: ". 3) formular acusações e punir delitos. há reserva de jurisdição. sob pena de violar a separação dos poderes e as liberdades individuais. observada a competência fiscalizatória de cada Casa.com ou sem reprodução expressa .ACO 730/RJ. pois seus poderes se destinam somente à instrução do inquérito legislativo. § 3º).. destinada a garantir o potencial do poder legislativo em ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 102 . CARVALHO.. O autor Kildare Gonçalves cita a lição de Raul Machado Horta no sentido de que “dentro do sistema constitucional de governo. p. Assim. seqüestros etc. uma terceira modalidade de limitações à autonomia constitucional dos Estados: além dos grandes princípios e das vedações . não podendo “substituir-se à ação dos juízes e tribunais.esses e aqueles. Em que pese o argumento de que.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO reserva constitucional de jurisdição. Só ele admite a possibilidade de quebra do sigilo bancário pela CPI municipal. a criação de CPI municipal.

Assim. STJ . votaram os Ministros Sepúlveda Pertence e Marco Aurélio. Min. Essas garantias. STF . José Delgado (D. Cremos. No sentido de impossibilidade de criação. as Constituições Estaduais autorizam às Assembléias Legislativas e a Lei Orgânica dos Municípios do Estado de São Paulo autoriza às Câmaras Municipais.ACO 730/RJ.. por não existir Poder Judiciário Municipal. Joaquim Barbosa “A quebra de sigilo bancário. Joaquim Barbosa.). STF . são normas de eficácia plena (aplicabilidade direta. parece-nos indubitável que as Câmaras Municipais podem criar Comissões de Inquérito sobre fato determinado e prazo certo. cujo artigo 38. rel.595/1964.J.. 15/05/2002) “As CPIs estaduais não têm competência para investigar autoridades que estão submetidas a foro privilegiado federal”. que é a fiscalização da administração pelo Legislativo reforçada pelos meios a ela inerentes. rel. em nossa estrutura federativa. rel. pois não tem o condão de negar a aplicação natural da Constituição Federal sobre os poderes das CPIs. portanto. No julgamento. quando regularmente determinada por comissões parlamentares de inquérito.. que. denominadas de imunidades. não sendo possível ignorar que a Constituição do Estado do Rio de Janeiro legitima a atuação da CPI em questão”. do qual destaco o seguinte trecho: ". continha a mesma omissão do art. Joaquim Barbosa “. esta Corte tenha se manifestado pela legitimidade de criação de comissão parlamentar de inquérito por Câmara Municipal.acredito que a expressa exclusão das CPIs estaduais e municipais da redação original do projeto de lei complementar (..1983. STF . É que a possibilidade de as CPIs estaduais determinarem a quebra de sigilo permanece. além do Min.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO sua função de fiscal da administração. ainda que sem tratamento legal específico. o próprio Regimento Interno destas pode prever. não autoriza eventual pretensão restritiva dos Estados-membros”(g. rel.06. os Ministros Carlos Velloso e Cezar Peluso (apesar deste não admitir a quebra do sigilo bancário por ela). hoje revogado. rel.. Joaquim Barbosa “Não é de estranhar.) não tem resultado prático. mesmo que é de todo interesse sejam elas criadas pelo legislativo municipal”. admitiram claramente a possibilidade de criação de CPI Municipal. imediata e integral). Min.ACO 730/RJ. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 103 . por aplicação direta da Constituição federal e das normas estaduais aplicáveis. nos moldes que a Constituição Federal autoriza à Câmara e ao Senado. 4º da Lei complementar 105/2001. Min. mais longe ainda. Garantias legislativas A constituição estabelece determinadas garantias para o Poder Legislativo com a finalidade de assegurar sua independência. Oscar Corrêa). um dos traços fundamentais da separação de poderes. Cito o RE 96049 (1ª turma 30. respeitados os parâmetros federal e estadual. ou. Min.AgRg na PET 1611 / RO. min. ainda sob a vigência da Constituição anterior e da Lei 4..n. constitui ferramenta indispensável ao trabalho de fiscalização exercido pelos órgãos legislativos”.ACO 730/RJ.

Min. penal. Nélson Hungria e Pontes de Miranda entendem ser uma causa excludente de crime. A Constituição estabelece que as regras relativas às inviolabilidades e às imunidades se aplicam aos deputados estaduais. como o § 1º do art. palavras e votos que guardem relação com o exercício do mandato parlamentar.944/DF. rel. por estar em sentido diametralmente oposto às disposições fixadas pela Constituição Federal. 03 do STF (“A imunidade concedida a deputados estaduais é restrita à justiça do estado”) foi considerada superada pelo próprio Tribunal em razão do disposto no art. a imunidade é irrenunciável. 104 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . * STF . perdurando até o término do mandato. Para Zaffaroni e Pierangeli seria uma causa de atipicidade. Antes da CF/88 eles não tinham nenhuma imunidade. 55 .2005) O Tribunal decidiu. ainda que produzidos fora do recinto da respectiva casa legislativa. Gilmar Mendes (12.5.que prescreve que a perda do mandato parlamentar será decidida por voto secreto nos casos que enuncia. não se justificando mais restringir ao âmbito estadual. Os deputados estaduais possuem as mesmas imunidades e inviolabilidades que os deputados federais. No tocante aos vereadores. Se o parlamentar se afastar de suas funções para ocupar outros cargos perderá a garantia. 53). 1. a imunidade material só abrange os crimes praticados no exercício do mandato e na circunscrição do município. 29. Caso retorne à sua função legislativa. A imunidade material conferida pela CF/88 a deputados e senadores abrange as opiniões. mesmo após o término de seu mandato. já Damásio de Jesus a qualifica como uma causa funcional de exclusão ou isenção da pena. § 1o da Lei Maior. art. por maioria. A súmula n.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Por ser uma garantia institucional deferida ao Poder Legislativo. art. As imunidades podem ser materiais ou formais.Inq. palavras e votos (CF. o qual prescreve que a perda do mandato de deputado estadual seria decidida por “voto aberto”. das regras da Constituição Federal sobre perda de mandato . * STF . VIII). sendo que eles não possuem imunidade processual. administrativa ou política) dos congressistas por suas opiniões. Ellen Gracie (01. poderá ser beneficiado pela imunidade processual. A imunidade material (freedom of speech) exclui qualquer responsabilidade (civil. De qualquer forma. Há uma certa divergência doutrinária acerca da natureza jurídica desta imunidade. Seu início ocorre com a diplomação. Min. * A súmula 04 do STF (“não perde a imunidade parlamentar o congressista nomeado ministro de estado”) encontra-se superada. aos deputados estaduais. pela inconstitucionalidade de dispositivo constante de Constituição estadual. 27 . desde que relacionados à atividade parlamentar.e o § 2º do art. não deverá ser instaurado processo penal contra congressista.2003). 27. rel. ou inviolabilidade). I) Imunidade material (ou absoluta.10.que determina a aplicação.ADI 2461/RJ e ADI 3208/RJ. nem gozam de foro privilegiado (CF.

ademais. 53. instituto de Direito Penal -. pelo menos. 1. no período compreendido entre a diplomação e o término do mandato. 53. caso haja iniciativa de partido político nela representado. a competência para o julgamento. Min. possível apenas na hipótese de crime praticado após a diplomação. Após a ciência. por isso. não poderão ser presos. § 1o c/c art. § 3o). art. Os prazos prescricionais suspensos no regime de imunidade anterior (princípio da improcessabilidade). que substituiu o princípio da improcessabilidade. b). a tramitação do processo poderá ser sustada pelo voto da maioria relativa de seus membros (art. substantiva.os congressistas. 35/2001. ela é apenas para as prisões provisórias e cautelares. § 2º).a aplicabilidade imediata aos casos pendentes da norma constitucional que fez desnecessária a licença prévia da Câmara. palavras e votos" do congressista. art. Sepúlveda Pertence EMENTA: I.Inq. Min. * STF . A sustação do processo. salvo em flagrante de crime inafiançável (CF. Sepúlveda Pertence “Malgrado a inviolabilidade alcance hoje "quaisquer opiniões. § 5o). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 105 . Findo o mandato termina a prerrogativa de foro. nos feitos em que se aguardava a deliberação da licença prévia. os Deputados e Senadores poderão ser processados penalmente independente de qualquer deliberação prévia da Câmara ou do Senado. 2. 53. voltaram a fluir a partir da publicação da EC n. 1. Esta espécie de imunidade foi mitigada pela EC n.e. pelo da processabilidade. II) Imunidade formal (ou processual) A imunidade formal (freedom from arrest) não exclui o crime. a qual . impedindo a instauração ou o curso do processo.até que deferida ou enquanto durasse a investidura parlamentar do acusado configurava empecilho temporário ao exercício da jurisdição. é do Supremo Tribunal Federal (CF. sejam de todo alheias à condição de Deputado ou Senador do agente”. 1. rel. suspende a prescrição enquanto durar o mandato do parlamentar (art. 53. ainda quando proferidas fora do exercício formal do mandato. mas pode proteger o parlamentar no tocante ao processo penal ou à prisão . 102. o STF deverá dar ciência aos membros da Casa à qual o parlamentar pertence. Ao receber a denúncia. em 11 de setembro de 2001. Ao contrário da inviolabilidade ou imunidade material que elide a criminalidade do fato ou. a partir da expedição do diploma. rel. A imunidade não abrange prisão definitiva. O pedido de sustação deverá ser apreciado no prazo improrrogável de 45 dias. previsto originariamente.344/DF. a responsabilidade do agente .344/DF. A suspensão só é cabível até o julgamento pelo STF.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO * STF . 35. Imunidade parlamentar formal: EC 35/01: abolição da exigência de licença prévia para a instauração ou continuidade da persecução penal: aplicabilidade imediata. No caso de infrações penais comuns. Do que resulta induvidoso independentemente de qualquer indagação sobre a eficácia temporal de emenda à Constituição . a "licença prévia" antes exigida caracterizava mera condição de procedibilidade. I. contados do recebimento do pedido pela Mesa Diretora (art. Com a nova regra. pelo conteúdo e o contexto em que perpetradas. 53. § 4o).Inq. não cobre as ofensas que.

prevalece a competência especial por prerrogativa de função. De início. 106 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . I. os membros do Congresso Nacional. ainda que o inquérito ou a ação penal sejam iniciados após a cessação daquele exercício. § 1o A competência especial por prerrogativa de função. decidiu que continuam válidos todos os atos praticados e decisões proferidas com base na Súmula 394 do STF. caso o impedimento se refira apenas a alguns cargos eletivos. sendo considerado inelegível aquele que não dispõe de capacidade eleitoral passiva. 54 da Lei Maior. é dizer.. o Presidente da República. Este dispositivo prevê ainda outros casos de cassação (incisos II e VI)30 e de extinção (incisos III. o Vice-Presidente. relativa a atos administrativos do agente.súmula 245: “a imunidade parlamentar não se estende ao co-réu sem essa prerrogativa”. I). 55.Inq 687-SP (QO) e Inq 881-MT (QO). da CF que estabelece a competência do STF para processar e julgar originariamente.não alcança aquelas pessoas que não mais exercem mandato ou cargo. * STF . Em seguida. Sydney Sanches O STF. (Informativo 159) * O § 1º do art. função ou emprego público remunerado ou pratique determinados atos vedados pelo art. cancelou a Súmula 394 ("Cometido o crime durante o exercício funcional. rel. com redação dada pela Lei 10. Cuidando a hipótese de instituto de alcance puramente processual. Esta se verifica antes da eleição.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Incompatibilidades e perda de mandato As incompatibilidades previstas na Constituição possuem os mesmos propósitos das garantias legislativas: preservar a autonomia do Poder Legislativo. com a possibilidade de o inelegível passar a elegível mediante a desincompatibilização. Verificada a incompatibilidade. o Deputado ou Senador sofrerá uma sanção constitucional: a perda do mandato (art.da incidência da garantia constitucional de ultraatividade da lei penal mais favorável à alteração superveniente de normas que. * STF .. embora de caráter processual. não é de aplicar-se à abolição da licença prévia o entendimento . após ter sido eleito. IV e V)31 do mandato parlamentar.") por entender que o art. nas infrações penais comuns. prevalece ainda que o inquérito ou a ação judicial sejam iniciados após a cessação do exercício da função pública. por unanimidade.628/2002 (“Art.. faz-se necessário diferençar incompatibilidade de inelegibilidade. A inelegibilidade é considerada absoluta quando o impedimento eleitoral se refere a qualquer cargo eletivo e não há possibilidade de o impedido se desvencilhar da situação a tempo de concorrer ao cargo. a decisão tem efeito ex nunc. relativa. o Tribunal. exerça simultaneamente um cargo. 102.já endossado pelo Tribunal . 84 do CPP.”) foi declarado inconstitucional pelo STF na ADI 2797. b. A incompatibilidade impede que o parlamentar. Min. seus próprios Ministros e o Procurador-Geral da República . 84. tenham reflexos mediatos ou imediatos sobre o fato delituoso anterior à sua vigência. por unanimidade.

ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 107 . Nele ficou consignado que a renúncia de congressista submetido a processo que vise ou possa levar à perda do mandato. 451). terá seus efeitos suspensos até as correspondentes deliberações finais.) A Emenda Constitucional de Revisão n. * CF. Autoridade Presidente Crime comum STF (autorização da CD) Crime de responsabilidade Senado (autorização da CD) Lei 1079/50: se não houver previsão na CE estadual será por um tribunal formado por 5 membros da AL + 5 do TJ e presidido pelo presidente do TJ (autorização da AL) Câmara de vereadores (Art. na verdade são comuns) STF STF TJ Deputado Senador Deputado Estadual Vereador CD SF AL Juiz * Segundo o STF crimes comuns abrange crimes eleitorais e penais. ainda. política e moral do procedimento. a perda do mandato será decidida pela Câmara dos Deputados ou pelo Senado Federal. art.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO * Kildare observa que a suspensão do processo-crime deve ser precedida do exame da conveniência pública. p. II e VI. 6/94 introduziu um novo parágrafo (§ 4o) ao art. mediante provocação da respectiva Mesa ou de partido político representado no Congresso Nacional. por voto secreto e maioria absoluta. “Nos casos dos incisos I. a existência ou não do propósito de perseguir o congressista. 55. ou a intenção de desprestigiar o Poder Legislativo (Direito constitucional didático. (g. assegurada ampla defesa”. 4º do DL 201/67) Governador STJ (autorização da AL) Prefeito TJ (inclusive crimes dolosos contra a vida) ou TRF (se o crime for contra a União) ou TRE (crime eleitoral) ou TM (crime militar) sem autorização DL 201/67 (crimes de responsabilidade impróprios. devendo ser examinada. § 2o.n. 55.

DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO PROCESSO LEGISLATIVO: Critério de hierarquia utilizado é o criado por Kelsen. 146. mas em razão do princípio da economia legislativa. ou seja. mas a constituição. emenda e tratado internacional de direitos humanos aprovados por 3/5 em dois turnos. o que tem que observar a CF é a proposta. Cada uma delas tem o seu campo de atuação. 59. Uma não é fundamento de validade da outra. Mas não seria um ato normativo primário segundo a regra? Michel Temer diz que é preciso diferenciar a EC da PEC. mas não será invalidade por ser superior. existem normas superiores e outras inferiores. ou seja. Ademais. ou seja. Excepcionalmente. Pirâmide: 1. posteriormente poderá ser revogada por uma lei ordinária (lei ordinária pode revogar lei complementar neste caso – cuidado!). Cabe à lei complementar estabelecer regras gerais de direito 108 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . A EC já aprovada é incorporada à CF no mesmo nível das demais normas. mas de alguns ela é o direto e em outros regulamentos. Há hierarquia entre lei complementar e lei ordinária? Alguns entendem que há. São os decretos e Não há hierarquia entre normas. quando ela determina a forma de elaboração ou o conteúdo. A emenda se enquadra no topo da pirâmide. CF/88. Este é o entendimento do STF. 47) Quorum de votação para LC e LO é o de maioria absoluta (+ de 50% dos membros). Argumentam pela posição topográfica. Segundo ele as normas do ordenamento não estão todas sobre o mesmo nível. juntamente com a CF. CF. CF. no direito tributário existira hierarquia entre LC e LO com fundamento no Art. Só que essa lei será apenas formalmente complementar. pelo quorum diferenciado (Art. Uma LC pode tratar de matéria de LO sem ser invalidada (o quorum foi atendido). princípio ou regras da CF. Quorum de aprovação para a LO é o de maioria relativa (+ de 50% dos presentes) e para a LC é também o de maioria absoluta. 3. É aquele que tem como normativos primários. Uma é superior quando ela for o fundamento de validade da norma inferior. São os atos do Art. enquanto a LO é residual. mas materialmente ela será ordinária. Manuel Gonçalves Ferreira Filho e Alexandre de Morais. E o é o fundamento de todos os o indireto. A CF ela atos. Segundo ele a PEC é ato infraconstitucional. como Michel Temer e Celso Bastos dizem não haver hierarquia. como Geraldo Ataliba. Mas o STJ tem várias decisões no sentido de que há hierarquia (sempre as jurisprudências se referem ao direito tributário). III. Atos normativos secundários. 2. Outros. a LC tem matéria reservada. Isso porque o fundamento de validade de uma lei ordinária não é a lei complementar. Atos normativos primários. Pontes de Miranda. fundamento direto de validade são os atos fundamento indireto é a constituição. É aquele que tem como fundamento imediato de validade é a constituição.

via de regra. mas também os princípios da CE. Quando uma matéria é reservada a lei complementar ela não pode ser tratada por nenhum outro ato normativo. Igualmente a medida provisória.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO tributário. Este é um critério isolado. É um verdadeiro condomínio de competências legislativas. Assim. Se a União vai estabelecer as normas gerais. uma lei ordinária em nenhum caso pode tratar de assunto de lei complementar. logo. O fundamento de validade de todas as leis (federal. Cada ente tem suas atribuições. o que não exclui a competência suplementar dos estados. tratados internacionais comuns. LOM x CE: as duas teriam a mesma hierarquia em razão do princípio federativo. 24. Existe ainda uma repartição vertical de competências: Art. lei delegada. autonomia dos entes da federação. LOM estaria subordinada materialmente à CE. Antes da EC 45 o órgão competente julgar o conflito de LF e LE era do STJ. Leis municipais complementares e ordinárias. 109 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . ou seja. é horizontal. 29 da CF diz que a LOM tem que obedecer não só os princípios da CF. A União se limita a legislar normas gerais. Leis estaduais e municipais. 3. daí a suposta hierarquia (o STF não entende assim). 2. estadual e municipal) é a CF. O processo legislativo é norma de repetição obrigatória. 2. Nos municípios também há uma hierarquia (pirâmide): 1. determinam o conteúdo das leis ordinárias. CF  competência legislativa concorrente entre União. No âmbito estadual e municipal pirâmide é a seguinte: 1. A repartição de competências. Uma tem um conteúdo geral e a outra mais específico. estados e DF. LOM. mas com base na CF. ADCT). CE. parágrafo único. o conteúdo dela estaria subordinado ao conteúdo da CE (Art. estados e municípios terão lei ordinária e lei complementar. o conteúdo das leis estaduais está subordinado ao conteúdo da norma geral da União. 3. O Art. A questão é saber qual delas violou a CF. logo. Decretos estaduais e municipais. Havendo conflito entre essas leis ele será resolvido não com base no princípio da hierarquia. 11. Decretos municipais. Com a EC 45 a competência passou ao STF. logo.

e nesse período há a autorização para o chefe do Executivo legislar provisoriamente em casos de relevância e urgência. 3. MEDIDAS PROVISÓRIAS – Robério São atos normativos editados pelo chefe do Executivo em situações de relevância e urgência. era uma figura dentro do nosso presidencialismo). Em alguns parlamentarismos o primeiro-ministro pode editar ato normativo ad referendum do parlamento. Não existe um tribunal municipal para exercer um controle concentrado. Foi uma maneira de dizer que o STF analisaria quando bem entendesse. quando há a dissolução do parlamento e a convocação de novas eleições. O Executivo não vinha encontrando resistência. Art. Os decretos-leis eram bastante criticados e substituídos pelas MPs. Em muitos parlamentarismos. que é até pior. dentro das competências estaduais feito pelo TJDF. A lei 9868/99. LODF. por isso as sucessivas edições e reedições de MPs. Isso é incompatível com os requisitos de relevância e urgência. que. Leis distritais ordinárias e complementares. No início o STF não analisava esse aspecto. 30. aplicando-se as regras de controle de constitucionalidade. 2. têm origem nos sistemas parlamentares.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Se uma lei municipal viola a LOM haverá uma ilegalidade e não inconstitucionalidade. § 5º. equipara a LODF à CE. Com o aumento da edição de MPs o STF passou a entender que quando presentes objetivamente os requisitos ele analisaria a constitucionalidade da MP (o problema que analisar relevância e urgência é eminentemente subjetivo). Daí poderem impetrar MS (controle preventivo de constitucionalidade) em face da inobservância do processo legislativo (e não em face do conteúdo da norma). São duas hipóteses de o Executivo legislar. Elas têm origem nos decretos-leis. por sua vez. 1. com vigência temporária. porém. Decretos distritais. 62). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 110 . Esse artigo não modificou a natureza de LO para CE. já que a redação da CF e EC 32 permitiu um abuso de MP (Art. Requisitos da MP: relevância e urgência. não é inconstitucional. É o exercício de uma atividade atípica do Executivo. fica-se provisoriamente sem o órgão legislativo. Pirâmide do DF: competência híbrida. Os parlamentares têm o direito público subjetivo à observância do processo legislativo. No Brasil as MPs correspondem aos antigos decretos-leis (não eram os decretos-leis parlamentaristas.

Parte da doutrina inclui a MP nesses instrumentos excepcionais para solucionar crises. gerando a insegurança jurídica. Sistema constitucional de solução de crises: a CF é o instrumento para resolver situações do dia a dia e também em situações de crise: estado de sítio. MP que traga abolitio criminis produz efeitos imediatos com alteração provisória  extinção da punibilidade  Congresso rejeita a MP  o fato volta a ser típico  é possível voltar a punir aqueles que tiveram provisoriamente a extinção da punibilidade? O STF não tem posição. não passa a valer automaticamente. lei de diretrizes orçamentárias. mas deve ser encarado como uma anistia (não é porque a anistia deve passar pelo Congresso).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Diante de tantos problemas houve uma emenda (EC 32/2001) alterando o regime das MPs (e provavelmente haverá nova alteração). partidos políticos e direito eleitoral. intervenção. de defesa. passando a rejeição a produzir efeitos a partir de então. Na verdade não há um processo legislativo de MP propriamente dito porque se trata de um processo monocrático de produção e que terá efeitos de imediato. cidadania. Essa MP produziria efeitos diferentes. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 111 . O texto publicado é lei provisória. carreira e garantia dos seus membros. Em relação ao direito penal. orçamento e créditos adicionas e suplementares. * Planos plurianuais. Só produzirá efeitos após a promulgação da lei de conversão (Art. ela só fica suspensa. mas essa modificação não altera o texto da lei provisória. há um descompasso completo que resultou em abuso. mas foram totalmente desvirtuadas da sua natureza. * Organização do judiciário do MP. A jurisprudência do STF e a doutrina aceitam excepcionalmente a edição de MP em matéria penal que venha a beneficiar o réu. A edição de uma MP gera dois efeitos: * Altera provisoriamente o direito positivo de imediato (tem força de lei). direitos políticos. impeachment. * Direito penal. O texto da MP publicado é o projeto de lei de conversão. a vedação tem o intuito de evitar a surpresa. É possível que o texto original da MP seja modificado pelos parlamentares durante o processo de conversão. 62. Só haverá processo legislativo na lei de conversão. cassação de mandatos. Matérias vedadas à edição de MP: * Nacionalidade. O momento da edição da MP não revoga a lei anterior. * Deflagração do processo legislativo de conversão em lei. § 12). processo penal e processo civil.

não produz efeitos imediatos (no fundo é um processo legislativo diferenciado. É permitida a edição de MP em matéria tributária (Art. Alguns autores dizem que matéria que é proibida a delegação também é proibida a MP. 246 (o que foi objeto de emenda entre 1995 e 11/09/2001 não pode ser regulamentado por MP) e 25. mas o prazo não corre durante o período de recesso quando ela poderá se elastecer no ordenamento. privativa da Câmara ou Senado. mas não é de repetição obrigatória. pois se silenciar a matéria será de lei ordinária. IOF e imposto extraordinário). dependerá de ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 112 . § 1º: direitos individuais. Exceto os impostos extra fiscais que não obedecem ao princípio da anterioridade (II. IPI. Há ainda outras vedações nos Arts. matéria de competência exclusiva do congresso. * Matéria reservada a lei complementar. IOF. É possível MP estadual se a constituição do estado prever. IE. * Matéria já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso e pendente de sanção ou veto do presidente. obedece as regras comuns (Art. Essa MP que majora ou institui tributos só produz um efeito. § 2º). Lei delegada é uma lei na qual o chefe do executivo pede ao do legislativo autorização para legislar. De intervenção no domínio econômico. No máximo 120 dias. IEG). Só produz efeitos no exercício financeiro seguinte se tiver sido convertida em lei até o último dia do ano em que foi editada. Esse dispositivo comprova a existência de um rol de matérias destinadas à edição por lei complementar. IE. logo. nem mesmo com a concordância do Legislativo: Art. Corporativas – mensalidade OAB) a edição da MP é normal. A conseqüência é que a MP de impostos fiscais é que a sua edição não produz o primeiro efeito de alterar provisoriamente o direito positivo (à exceção da MP de impostos extra fiscais – II. 150. 62. III – princípios da anterioridade e noventena). A data da edição da MP para os impostos fiscais é contada da data da conversão. só no ano seguinte ao da conversão produzirá efeitos. de poupança popular ou qualquer outro ativo financeiro.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO * Que vise a detenção ou seqüestro de bens. 68. 68 que não consta do Art. 62. Não há posição jurisprudencial sobre a questão. § 2º (serviço de gás canalizado não pode ser regulamentado por MP). Só é tratado por lei complementar aquilo que a CF diz expressamente. IPI. A MP editada vale por 60 dias e pode ser prorrogada única vez por igual período (+ 60 dias) e não reeditada. No caso dos impostos parafiscais (Sociais. o de deflagrar o processo legislativo da lei de conversão. A delegação é feita por resolução do Congresso Nacional. Há determinadas matérias que não podem ser legisladas monocraticamente pelo chefe do Executivo. o prazo poderá ser maior que 120 dias. especial em matéria de imposto fiscal). § 1º. Há uma parte no § 1º do Art.

Vedada a reedição da mesma MP na mesma sessão legislativa que fora rejeitada ou perdido a eficácia como decurso do prazo sem apreciação. Passados os 120 dias e o Congresso não converte. Sendo nulo não é possível aplicar a MP. Não é a mesma reedição que existia antes da EC 32. reconhecer efeitos ao ato. O STF pode dizer que mesmo sendo inconstitucional. 45 dias após a publicação e não apreciada entrará em regime de urgência – tranca a pauta de cada uma das casas subsequentemente. Só após analisa o mérito. se consolida. Quando o Congresso em cada uma de suas casas analisa a MP. alterar. após a emenda. Sendo anulável. há o exame em separado na Câmara e no Senado. O prazo de 120 dias é contado da data da publicação da MP. isto. Pode decidir por prevalecer a MP ou a lei que estava suspensa. para fins de segurança jurídica. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 113 . Antes de ser apreciada a comissão mista de deputados e senadores (para evitar duas comissões. mas que não pode ocorrer com base no silêncio do STF. Só é possível reeditar no ano seguinte. Consolida a MP pela ausência do decreto legislativo. por razões de segurança jurídica a MP poderá ser mantida. emitindo parecer antes de serem apreciadas em sessão separada em cada uma das casas. Consolidada a MP. Caso o Congresso não edite o decreto legislativo no prazo de 60 dias as relações jurídicas serão conservadas (do período que vigorou a MP). o § 11 poderia ser aplicado. a lei que estava suspensa volta para o ordenamento (espécie de repristinação). primeiramente deverá proceder ao controle de constitucionalidade (repressivo em relação à alteração feita e preventivo em relação à lei de conversão – duplo efeito) político. O Congresso no decreto irá deliberar se para as relações jurídicas que se formaram enquanto estava em vigor uma MP (rejeitada ou expirado o prazo) e uma lei suspensa. Durante o prazo de validade da MP o que seria aplicado então? O Congresso nacional precisa editar decreto legislativo para regular as relações jurídicas 60 dias após escoado o prazo de validade ou rejeitada a MP. Antes da EC 32 o exame da MP era feito em sessão conjunta.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO quando tiver sido editada. uma na Câmara e outra no Senado) examina (pode emendar. É uma possibilidade de uma lei inconstitucional valer. e se for inconstitucional? O Congresso rejeitada por se inconstitucional e após não edita o decreto legislativo: analisar a natureza jurídica do ato inconstitucional: se o ano é nulo ou anulável (2 correntes). rejeitar etc). Inicia a votação na Câmara. que é quando começa a produzir o primeiro efeito.

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A omissão não pode levar ao reconhecimento dos efeitos jurídicos de um ato inconstitucional, assim, o silêncio do Congresso não poderia implicar validade da MP inconstitucional (opinião de Robério). Mesmo no prazo de 60 dias para a edição do decreto legislativo o Congresso poderá fazer valer a MP inconstitucional. Se o STF pode com base no Art. 27 da lei 9868 (relativizou a nulidade), porque o Congresso não poderia? Mas se este decreto legislativo vier, pode ser objeto de ADI??? Tecnicamente é um ato normativo, em tese poderia. Porém há um caráter subjetivo de conveniência e oportunidade por parte do Congresso. Todas essas questões não têm respostas, pois nunca ocorreram. O projeto de lei de conversão com alterações só produzirá efeitos após sanção ou veto (só havendo alteração do texto). Até lá continua em vigor a MP em seu texto original. A alteração do texto pode contar matéria vedada a MP durante o processo legislativo da lei de conversão? Pode, essa alteração não é aplicada de imediato, não causa surpresa, mas nem toda a matéria pode ser objeto de emenda parlamentar (não gera insegurança jurídica). Ex: matéria de lei complementar, pois MP tem status de lei ordinária; matéria privativa da Câmara e do Senado; exclusiva do Congresso (decreto legislativo, resolução) etc. Se o texto original for aprovado pelo Congresso não há necessidade de sanção ou veto do presidente. MP pode ser objeto de ADI. ADC em face de MP, em princípio pode, mas tem que haver o requisito da efetiva controvérsia judicial (pode não dar tempo – 120 dias). O simples ajuizamento da ADI não interfere na tramitação da MP no congresso. A liminar da ADI suspende o processo legislativo de conversão da MP e o primeiro efeito também. Sendo confirmada tudo se extingue. Se rejeitada a ADI volta a correr a tramitação. Se a MP for aprovada (passando a ser lei) no congresso enquanto corre a ADI é preciso emendar a inicial da ADI para incluir a lei de conversão. Os vícios da MP originária comunicam-se à lei de conversão. Sendo a MP rejeitada ou decorrido o prazo de conversão estando em curso ADI, implica perda do objeto da ADI. O STF está mudando esse posicionamento para fazer prevalecer a ADI para regular as conseqüências jurídicas do período em que vigorou a MP. A EC 32/01 conferiu validade às MPs que estavam em vigor, dispensando apreciação do Congresso. PROCESSO LEGISLATIVO – Robério Emendas: poder constituído (derivado).
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Existe hierarquia entre lei ordinária e lei complementar? Há hierarquia quando uma norma nasce da outra. A lei ordinária existe por força da CF e não de lei complementar, que também tem como fonte de existência a CF. No choque entre lei complementar e lei ordinária, parte da doutrina diz prevalecer a lei complementar por ter quorum de maioria absoluta, enquanto lei ordinária tem maioria simples. Há campo constitucional para lei complementar e para lei ordinária, determinada matéria será regulada especificamente por lei complementar. Se houver choque, significa que uma delas invadiu o campo da outra, porque as competências são delimitadas. Lei ordinária que tratou de matéria de lei complementar é inconstitucional porque deveria ser maioria absoluta e foi votada por maioria simples. Lei complementar que tratou de matéria de lei ordinária permanece no ordenamento, mas com natureza de lei ordinária, não é declarada inconstitucional (exige simples e foi por maioria absoluta), o que significa que lei ordinária posterior poderá modificar a lei complementar de natureza de lei ordinária (jurisprudência). Art. 59, parágrafo único: LC 95/98. Revogação poderá ser expressa ou implícita, mas sempre que possível o poder legislativo deve conter os artigos que serão revogados, em nome da segurança jurídica. Fases do processo legislativo: *Iniciativa: privativa, comum, concorrente ou popular. Não existe mais a iniciativa conjunta (projeto de lei de fixação dos subsídios dos ministros do STF – iniciativa era conjunta dos presidentes da Câmara, Senado, do STF e da República). Art. 61: algumas autoridades só têm iniciativa privativa (aqueles que precisam de pertinência temática). Outras têm iniciativa geral, salvo o que for de iniciativa privativa de outras. *Apreciação/Discussão: emendas parlamentares. *Votação: se aprovado há a remessa à outra casa. Se rejeitado é arquivado. A regra é que toda a tramitação legislativa se inicia na Câmara, à exceção dos projetos de iniciativa do Senado. *Revisão pela outra casa *Sanção ou veto por parte do presidente da república. Vetado volta ao Congresso. Sancionado, há a promulgação e publicação. *Promulgação *Publicação A organização do MP da União não é de iniciativa privativa do presidente, ela é concorrente entre o presidente o chefe do MPU (PGR), no mesmo sentido no âmbito estadual (Art. 128, § 5º e Art. 61, § 1º, d). 115

Cuidado!

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Iniciativa popular: 1% do eleitorado nacional distribuído em pelo menos 5 estados (0,3% em cada um deles). Prova objetiva não há iniciativa popular para emenda, mas doutrina minoritária entende ser cabível com os mesmos requisitos para a PEC. Lei 8072 (Glória Peres) não foi PL de iniciativa popular, não preencheram os requisitos, mesmo com 1 milhão de assinaturas (tem que ser revisto!). Somente um PL de financiamento habitacional popular foi recebido como iniciativa popular em 1989 e até hoje não foi votado. A CCJ suscitou se a iniciativa popular poderia versar sobre matéria de lei complementar? Pode versar sobre matéria de iniciativa privativa do presidente, STF ou outra autoridade? A CCJ da câmara decidiu em ambos os casos em parecer que a iniciativa popular pode versar sobre essas matérias, não há decisão nesse sentido em lugar algum. Nenhuma foi a juízo. A maioria da doutrina diz que não pode. E de emenda constitucional? A maioria da doutrina diz que não pode, mas uma minoria defende que sim. O projeto corre normalmente, não há nenhuma prerrogativa de minimização de exigências ou de urgência. Nos projetos de iniciativa privativa é possível emenda parlamentar? Sim, é possível desde que a emenda não implique em aumento da despesa. Em regra tudo começa na Câmara dos Deputados, só começa no Senado o que for projeto de senador ou de órgão ou comissão do Senado. A urgência pode ser constitucional (presidencial e MP) ou regimental. Urgência presidencial: presidente por iniciativa privativa ou não pode pedir urgência. Se a câmara ou Senado não se manifestarem em até 45 dias haverá trancamento da pauta (segundo caso de trancamento de pauta, o primeiro visto foi o de MP) (Art. 64, § 2º e 62, § 6º) na respectiva casa, salvo os casos em que se tenha prazo constitucional determinado. 10 dias para a Câmara apreciar as emendas do Senado. O prazo de 45 dias (urgência) não corre em recesso e em projetos de código. Projeto na Câmara: *Aprovado  Senado *Rejeitado  arquivo *Prejudicado  arquivo Projeto no Senado: *Aprovação  sanção ou veto do presidente *Alteração do projeto por emenda volta à Câmara. Se ela rejeita a alteração feita pelo senado vai direto à sanção presidencial. Isso significa que o projeto não foi aprovado em ambas as casas (é possível). *Rejeição do projeto arquivo. Há a apreciação do projeto. *Prejudicado  arquivo. O projeto não chega a ser examinado, há outro fato que prejudica o seu andamento. 116 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE

O veto deve ser sempre motivado. logo. mas a MP tranca a urgência presidencial. Lei 10. Decorrido o prazo de 15 dias úteis o silêncio do presidente importará sanção (sanção tácita). Não apreciado o veto em 30 dias em sessão conjunta no Congresso  tranca a pauta (3ª hipótese de trancamento de pauta). A urgência não tranca a MP. PEC não pode ser reapresentada em hipótese alguma. deverá ser sempre expresso. Motivos são encaminhados ao presidente do Senado em 48h e o veto será examinado em sessão conjunta em 30 dias e em votação secreta (quem preside é o presidente do Senado. por exemplo) qual é votada primeiro? A urgência presidencial tranca tudo com exceção do que tiver prazo constitucional  MP tem prazo constitucional. inciso ou alínea (texto integral). é votada em 1º lugar (Art. que é o presidente do congresso). O veto poderá ser total ou parcial por inconstitucionalidade (controle preventivo político) ou contrário ao interesse público. 64. Caso uma MP (votação em separado) e uma urgência presidencial (votação em separado) que estão trancando a pauta estiverem na mesma casa (Senado. o projeto vai ao presidente para promulgação. A terceira hipótese do veto só tranca a mesa do Congresso (a votação é conjunta). Sendo derrubado. Promulgação: presidente não o faz em 48h  presidente do Senado. § 2º e Art. O veto parcial não pode ser de palavra ou expressão. tem que ser de artigo. mas o STF não admitiu. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 117 .DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO É possível uma lei não ter sido aprovada pelo plenário da Câmara ou do Senado quando é a aprovação puder se dar tão somente por comissões.684 (programa de parcelamento de débitos tributários). 9º: os tribunais entenderam que foi caso de veto implícito. Projeto de lei rejeitado pode ser apresentado na mesma sessão legislativa se houver quorum de maioria absoluta em qualquer das casas do Congresso. Onde conclui a votação envia ao presidente para sanção ou veto no prazo de 15 dias úteis. logo. se não o faz em 48h  vice-presidente do Senado. § 2º). Hipótese de veto tácito (implícito): ventilado primeiramente por Teotônio Negrão quanto à vedação da aplicação do CDC e aplicação lei de ACP a determinada matéria. A rejeição do veto só poderá ocorrer por maioria absoluta. Art. 5º. Se nenhum deles promulga há o impedimento do exercício do poder legislativo  crime de responsabilidade de todos. parágrafo.

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