CARTA: UMA LEITURA BAKHTINIANA DO GÊNERO Profª Drª Ana Maria Pires Novaes (UNISUAM/ UNESA/ ISERJ) Introdução

Este estudo tem como objetivo discutir o gênero carta, em especial o sub-gênero carta pessoal, a partir da análise de um corpus, constituído de 20 textos produzidos por alunos do Curso Normal Superior do Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro. Embasarão o trabalho os ensinamentos de Bakhtin (1986; 2000), principalmente, sua concepção de linguagem, de dialogismo e de gêneros do discurso. O gênero carta será definido quanto ao conteúdo temático, à construção composicional e ao estilo adotado, valorizando-se, sempre, a situação interativa em que os textos foram elaborados e o propósito do emissor ao escrevê-los. Pretende-se demonstrar, ainda, que a variedade de gêneros da atualidade não são inovações absolutas, mas transformação de gêneros já existentes. 1 Linguagem e interação O homem, ao produzir um discurso1, se apropria da língua para representar o mundo e para interagir socialmente. Por meio dela, torna-se sujeito cognoscente e, ao mesmo tempo, sujeito social, constituindo o outro seu interlocutor. É ela, como atividade que se realiza na interação, o instrumento através do qual os sujeitos expressam idéias e sentimentos, emitem pretensões, dizem o mundo e nele atuam, comunicando-se e estabelecendo, continuamente, relações com seus pares e com a vida em sociedade. Para Bakhtin, cujos princípios teóricos embasam este estudo, a interação verbal é a realidade fundamental da linguagem; portanto, componente relevante do processo de comunicação, significação e construção de sentido. Cada palavra emitida “é determinada tanto pelo fato de que procede de alguém, como pelo fato de que se dirige para alguém” e serve de expressão a um em relação ao outro (BAKHTIN, 1986, p. 113). Como decorrência dessa reciprocidade, toda ação verbal toma, socialmente, a forma de uma interação entre um Eu e um Outro que, intersubjetivamente, constroem o texto e seus sentidos. Ao considerar o dialogismo o princípio constitutivo da linguagem, o teórico russo coloca o texto como objeto central de investigação das ciências humanas, concebendo-o como um objeto lingüístico-discursivo, social e histórico. Ao analisar o conjunto da obra bakhtiniana, Brait (2001, p. 98-99) assinala que, ao tentar formalizar seu próprio conceito de linguagem, Bakhtin “empreende uma crítica ao que ele considera as duas grandes formas de enfrentamento dos estudos da linguagem” – o “objetivismo abstrato” e o “subjetivismo idealista”. Referindo-se à “elegância” e ”pertinência” com que esse autor defende um instrumental diferente dos adotados pela lingüística saussuriana ou pela estilística tradicional, comenta a autora: Ao contrário do que admiradores e detratores de Bakhtin tentam enfatizar a partir de leituras datadas e teoricamente comprometidas, as criticas às duas tendências não têm por função demolir a perspectiva dos estudos lingüísticos e estilísticos longa e criteriosamente desenvolvidos por essas duas grandes tendências. O que se observa é que, ao assinalar determinados

. encontrar o seu lugar adequado no contexto correspondente [. um enunciado. sociais e situacionais. de sorte que se possa contemplar toda comunicação verbal. Assim. Mas. “compreender a enunciação de outrem significa orientar-se em relação a ela. As esferas das atividades humanas. é tecido também por outras vozes que. que não se restringiria à formalização abstrata nem às especificidades dos talentos individuais. produzido em um momento sócio-histórico determinado. explícita ou implicitamente. da vida em sociedade. constituem os sentidos na interação verbal. fundamentado nos pressupostos do materialismo histórico. o discurso de um indivíduo interage com outros discursos. se completam. através de enunciados concretos. também. Ao organizar o texto de maneira a compreender e a se fazer compreender. da cultura. como demonstra o conjunto de suas obras. caracteriza-se como unidade real de comunicação pela possibilidade de estabelecer uma alternância dos sujeitos falantes. 131). a segunda. por mais variadas que sejam. produzido sempre em um contexto específico. p. Bakhtin.aspectos marcantes dessas duas vertentes. priorizar a atividade interacional como fator decisivo na análise das variadas formas do discurso e não apenas no diálogo enquanto estrutura de texto. tomar a palavra diálogo. o papel da língua na constituição do universo significante e o papel da literatura enquanto gênero discursivo privilegiado no que diz respeito à representação da complexa natureza dialógica da linguagem. torna-se atividade altamente complexa de produção de sentido. independente do tipo textual que apresente. da memória – se entrecruzam. Nesta dimensão. ele despreza a contribuição desse conjunto de estudos. não pode deixar de refletir um diálogo social mais amplo. Os sujeitos sócio-historicamente organizados. 282). num sentido mais amplo. 1986. enfim. 2 Gêneros Discursivos Para Bakhtin (2000. a vida penetra na língua”. Bakhtin tem em mira uma terceira via de enfrentamento das questões da linguagem. sob o prisma da interatividade. e o enunciado. na visão desse autor. em que estão presentes também aspectos sócio-ideológicos.] Compreender é opor à palavra do locutor uma ‘contrapalavra’” (BAKHTIN. ao emergirem de um contexto mais amplo – da história. mobiliza normas e estratégias de uso que se combinam com regras culturais. assim como “a língua penetra na vida através de enunciados concretos que a realizam. diz respeito às relações entre sujeitos que interagem. por um lado. . em nenhum momento. além do instrumental lingüístico oferecido pela língua enquanto sistema. realizada por parceiros que interagem numa dada situação sociocomunicativa. considera a linguagem em sua historicidade constitutiva. polemizam entre si na construção de sentidos. Ao propor uma terceira via. a questão do dialogismo tem uma dupla e indissolúvel dimensão: a de diálogo entre interlocutores e a de diálogo entre discursos. por outro lado. O esforço na produção do enunciado se manifesta por marcas que esse locutor deixa no texto e que funcionam como pistas para que seu interlocutor possa compreendê-lo. p.. Desse modo. configura as vozes que ecoam da comunidade. reconhecendo. Na perspectiva bakhtiniana. conhecidas e reconhecidas pelos participantes do evento interacional. A primeira. A compreensão. é preciso. o locutor. Ao se considerar a interação como constitutiva da linguagem. para além das interações face a face.

29). aulas virtuais. Bakhtin (2000. da neutralidade lexicográfica. Ao representarem as diferentes situações em que o universo das atividades humanas se manifesta. por sua construção composicional (BAKHTIN. Situada em espaço e tempo determinados. em função da especificidade da esfera de comunicação. menor monitoração e cobrança pela fluidez do meio e pela rapidez do tempo”. composicionais e estilísticas próprias. estão sujeitos a mudanças decorrentes das próprias transformações sociais. mas formas discursivas que se ancoram em gêneros já existentes. na medida em que novas atividades foram realizadas pelos indivíduos. 2000.estão sempre relacionadas com a utilização da língua. Assim. os “gêneros emergentes”. favorecem o surgimento de uma variedade de novos gêneros como reportagens ao vivo. por Bakhtin denominados gêneros do discurso. teleconferências. estruturas que se sedimentaram. isto é. Silva (1997). televisão e. Não são estáticos. e. com características típicas da oralidade e da escrita. que se concretiza em variados tipos de comunicação – notícias familiares ou de amigos . a internet –. Os gêneros são. cartas eletrônicas (e-mails). ela é empregada em situações comunicativas que se caracterizam pela ausência de contato imediato entre emissor e receptor. Bakhtin (2000. diários participativos (blogs) entre outros. composição e estilo: selecionamos as palavras segundo as especificidades de um gênero. acima de tudo. reconhece a abrangência desse gênero. nem sempre a tiramos. durante o processo de elaboração de um enunciado. de um certo hibridismo. 311-312) reafirma a relação entre as práticas sociais. pelo contrário. os enunciados acabam por refletir as condições específicas e as finalidades diversas de cada uma dessas esferas não só por seu conteúdo temático e estilo verbal. principalmente. videoconferências. Os suportes tecnológicos. centralizadores das atividades comunicativas da realidade atual – rádio. ao analisar cartas em geral. do sistema da língua. 3 Carta: definindo um gênero Ao distinguir os gêneros do discurso. pelo tema. Costumamos tirá-la de outros enunciados. do modo de produção e recepção do texto. Ao se referir à escolha de palavras realizada pelo locutor na formulação dos enunciados. p. Marcados por “uma certa informalidade. sobretudo. entre aqueles que se constituem em circunstâncias de uma comunicação espontânea. ou seja. cristalizações de práticas sociais que se distribuem tanto pela oralidade quanto pela escrita e foram se constituindo historicamente. para diferentes funções e em diferentes situações sociais. redefinem os usos da linguagem na atualidade e desafiam as fronteiras entre oralidade e escrita (MARCUSCHI. 279). mas também e. a interação e os gêneros discursivos: Quando escolhemos uma palavra. mobiliza diferentes competências e elabora “tipos relativamente estáveis de enunciado”. de enunciados que são aparentados ao nosso pelo gênero. na verdade. não são inovações absolutas. A noção bakhtiniana de gênero amplia o conceito do termo para um conjunto de práticas discursivas que decorrem do fato de ser a linguagem utilizada de diferentes maneiras. bate-papos virtuais (chats). resultantes. 281) inclui a carta entre os gêneros primários. p. Na verdade. ao contrário. todo falante. p. muitas vezes. p. Cada uma dessas situações determina gêneros com características temáticas. 2004.

correspondência dirigida a jornais e revistas. situações públicas. 2005. 2005. posteriormente. identifica na carta um papel especial no surgimento de gêneros distintos.distantes. negócios. transformados em gêneros escritos como ordens. p. De usos formais para assuntos de Estado. a carta é. como também forneceram o meio para o desenvolvimento de gêneros importantes do mundo jurídico e político (cartas de petição e manifestos. Assim. também. p. propaganda. cobrança. as cartas evoluíram em direção ao pessoal. reclamação. mas também se proliferou em novos gêneros como memorandos. entre outros –. ainda hoje. cartas-circulares. no domínio discursivo comercial e. a revista científica e o romance. Ao explicitar a evolução histórica do gênero. 83). apresenta funções diversas e circula em diferentes esferas de atividades (relações pessoais. A carta em várias instâncias parece ter servido como uma forma transitória para permitir a emergência de gêneros com uma função comunicativa definida e com amarras sociais. as cartas possibilitaram não só o aparecimento dos tipos já mencionados. Segundo esse autor. relatórios. no burocrático-administrativo. “parece ser um meio flexível no qual muitas das funções. . leis. mormente após a invenção da imprensa. que convivem. Ao possibilitar a comunicação direta entre indivíduos. ao recitá-las. tais comandos se fortaleceram pelo poder da escrita. expandiram-se por vários domínios discursivos e especializaram-se numa variedade de tipos. mediada pelo computador. proclamações. em circunstâncias específicas. p. os quais parecem manter estreita relação com a correspondência (BAZERMAN. Com novas configurações que permitiram a forma de comunicação caminhar em novas direções e por domínios discursivos diversos.93). a base social e histórica de muitos outros gêneros em função. bem como cédulas ou notas5. p. a origem das cartas remonta aos primeiros registros de comandos orais dos que tinham poder. Pelo menos três principais tipos de escrita que floresceram na cultura impressa parecem ter alguma conexão com a carta: o jornal4. substitutas das moedas de ouro ou de prata). mesmo quando deixaram de ser recitadas pelo mensageiro. com os gêneros emergentes da comunicação digital. prestação de contas. por exemplo) e de vários instrumentos que medeiam os sistemas bancários e financeiros (letras de câmbio. pedido. cartas de crédito. congratulações. Bazerman (2005. Às vezes. aquele portava uma segunda mensagem falada. informações. relações e práticas institucionais podem-se desenvolver” (BAZERMAN. agradecimento. eram entregues por mensageiro pessoal da autoridade o qual. 2005. como procura comprovar Bazerman (2005). não confiada à escrita. burocracia etc). as cartas mantiveram o propósito da projeção (parousia) da presença do autor através da escrita (BAZERMAN. No âmbito do comércio. em um estudo histórico sobre esse tema2. passava a representar a própria presença ou projeção do emissor3. trabalho. 91 . intimação. a carta comercial não só se destacou como forma de comunicação. códigos. ofícios. Como comprova a pesquisa do lingüista norte-americano. que se tornaram reconhecíveis e passaram a ser tratados diferentemente. Em período mais antigo. 8687). 93) destaca a importância da carta para a cultura impressa: A introdução da imprensa multiplicou cópias de textos para audiências amplas e desconhecidas. Bazerman (2005). Ao serem redigidos em forma de cartas e identificarem o autor e a audiência.

diversas em suas formas e em suas funções. carta resposta. de caráter íntimo. carta de pedido e carta de contato (SILVA. citando Rogers (1983). com o objetivo de categorizá-las. na verdade. substituo a classificação carta de narração/reflexão (SILVA. e a seção de despedida. em atendimento a uma coerência metodológica. o que prioriza as estruturas discursivas. 33). com diferentes propósitos comunicativos. todas. a classificação deve refletir a relação entre as situações concretas de comunicação (critérios funcionais) e a estrutura. Em outras palavras. ou seja. Ao aplicar ao gênero “Carta” esses critérios. nela ocorridas ao longo do tempo. descritivas. a autora classifica as cartas pessoais do corpus analisado em quatro tipos: carta de narração/reflexão. intrinsecamente. carta de conselho. Silva (1997) assinala que uma categorização dos gêneros do discurso ou uma tipologia textual precisa levar em conta as atividades comunicativas em que se dá o discurso. correspondência privada. visto que. p. o objetivo do emissor ao escrevê-las. nesse gênero. Assim. Na visão da autora. portanto. não obstante esse gênero discursivo se materializar em uma diversidade de textos. entre os que se correspondem. carta do leitor. às relações sociais cotidianas e a escritores e leitores particulares. que se adote uma perspectiva funcional-interativa. Agasalhadas sob esse rótulo. que constitui sua tese de doutoramento. p. O grau de relacionamento. Carta pessoal A variação tipológica “carta pessoal” caracteriza-se como uma forma de comunicação eminentemente pessoal. carta pedido. a naturalidade e a vivacidade. busca. p. 1988. entre indivíduos – familiares e amigos íntimos – que mantêm entre si um relacionamento estreito. Ao estudar a variação tipológica do gênero “Carta”. permite mudanças e sua existência depende da realidade sócio-histórica em que se produz. Silva (1988. esclarece que esse tipo de correspondência. em sua maioria. constante. desde o século XIX. Silva (1997) esclarece que o critério formal. considerando as intenções e ações de quem enuncia e a própria natureza desse gênero. onde se define seu tipo. subgêneros do gênero maior “Carta”. as variações tipológicas são. a espontaneidade. uma correspondência que efetiva um contato privado e. entre outras. pode-se falar em carta pessoal. Nesse trabalho. o propósito. 4. argumentativas etc. Importa esclarecer que. Na análise empreendida. a partir da função ou propósito comunicativo. mesmo tipificado. 26). ou seja. evidenciam que um gênero é condicionado por outro. 1997). classifico as 20 (vinte) cartas pessoais do corpus. quase sempre. de estar ligada. evoluindo para um tom de “conversa escrita”. mas. enquanto um “novo estilo epistolar”. essa autora ressalta também que. melhor será utilizar para “Cartas” uma classificação que privilegie a função comunicativa. categorias distintas de textos. o núcleo ou corpo da carta. têm em comum uma estrutura básica: a seção de contato. os modos como a informação pode ser organizada a partir das potencialidades da língua que o falante tem à sua disposição (critérios formais). que se concretizam em diferentes campos de atividade. existem. não é o mais indicado.principalmente. 1988) por carta de propósito variado . Aproximando-me do que sugere Silva (1988. atribui a esse gênero – ou “subgênero” – um caráter coloquial em estilo e temática. mas deve considerar também seu aspecto formal. As transmutações. convivem diferentes estruturas: narrativas.

Que Deus lhe dê forças para cuidar de seu filhinho. cantávamos hinos e falávamos de Deus. por isso. O mundo está muito violento. (4) A preocupação da autora da carta 4 com o uso freqüente de drogas e com o consumo de bebida alcoólica pela juventude. muitas descobertas mas que contribuiu para o meu viver. Que os seus desejos sejam concretizados.. Durante esses anos em que estivemos afastados. tenho uma casa para cuidar. Mudou tanta coisa em minha vida. A análise do corpus revela que é comum atos de fala diversos virem reunidos nas cartas. numa mesma carta. se centraliza na pessoa do interlocutor que se torna a razão de ser da correspondência. Graças a Deus eu tenho uma casa. como também trazer breves reflexões sobre as mudanças operadas pelo tempo nos interlocutores. 1997). as pessoas sem amor. O foco na pessoa do outro se evidencia através do aumento da freqüência de marcas lingüísticas da 2ª pessoa – pronomes e formas verbais. relatos do cotidiano e comentários a respeito do tópico discursivo focalizado. Me lembro das nossas reuniões. a sua luta.. hoje sou casada tenho duas meninas.] Que você consiga ter um pouco mais de paz e harmonia em sua vida. Exemplifico: “Fiquei muito feliz ao te ver no ponto do ônibus. uma vez que o que ocorre. [. notícias familiares. fazer menção a fatos presentes.(SILVA. eu falo para o bem de voces. leva-a a dirigir sua atenção aos . por esta razão eu as vezes me torno até um pouco chata. é mesclarem-se. para não se deixarem influenciar. Os jovens estão se envolvendo muito cedo com bebidas. nunca deixei de pensar em você. Foi muito bom ter conhecido você..] Na medida do possível devemos resgatar as coisas boas que tivemos”. sem paciência. onde nós líamos a Bíblia... de fato.. A minha preocupação é grande porque tenho medo que voces por algum momento se envolvam. [. (5. de Jesus. Peço a Deus que abençoe muito a vida de voces. Transcrevo exemplo: “Queridos Filhos Escrevo esta carta para dizer o quanto voces são importantes para mim. O discurso. Era uma época de muitos conflitos internos. Eu amo voces Sua mãe N”. muitas dúvidas. a carta 5 tem como propósito não só recordar as experiências compartilhadas por emissor e destinatário. que correspondem a 10% do total): nesse tipo de carta. no horário do recreio. mas creiam. Há muitas facilidades nos dias de hoje. Nos 20 (vinte) textos que integram o corpus encontram-se os seguintes tipos: • Cartas de conselho (2 ocorrências. Às vezes eu nem acredito que o tempo passou tão rápido. Hoje eu entendo melhor as suas dificuldades.123) Como se pode observar. drogas. e voces são jovens e precisam ser fortes para resistir. o emissor opina a respeito de algum acontecimento da vida do destinatário ou procura orientá-lo sobre um problema real ou possível. etc.

). vejo. encontra-se no exterior: “Querida e amada irmã em Cristo Jesus. vejo. Sei que não deve ser fácil começar um trabalho em outro país (é sempre difícil!) mas nunca esqueça que Deus não escolhe os capacitados ele capacita os escolhidos. Ouço. E imagine neste momento: Um forte abraço. Estou sozinha. as coisas aqui no Rio continua “lindo”. mas não sou capaz de identificar-te. como comprova o exemplo: “Alguém. Aliás sempre estou em todos os lugares procurando-te. Quando vê-la num envelope vermelho.interlocutores. nelas há. no momento. essa carta corporifica o desejo do encontro. nossos amigos continuam se encontrando para orar e interceder e você (é claro!) está . Você não pode escutar-me. como o coração. num discurso que busca o convencimento. consciente das pistas que coloca no texto para conduzir a leitura na perspectiva desejada (“Estou sozinha. não formalmente por essa carta. Na verdade. no pleonasmo (“Gostaria de falar com você. agarre-a e não deixe-a escapar de suas mãos. freqüentemente. do contato. referência a cartas ou outros contatos prévios ou futuros entre os interlocutores. eu falo para o bem de voces”). pessoalmente”) que enfatizam a intenção interativa. olhos nos olhos. ( 8) A necessidade de contato. Você não pode escutar-me. relacionados à área semântica das sensações (“Ouço. Essa carta o vento levará até você. Apenas ler o que escrevo e imaginar no formato de minha letra e no significado das palavras o que estou sentindo. Outro alguém”. Gostaria de falar com você. simplesmente ver-te em um foco de luz. A impossibilidade de uma interação face a face leva a autora a esse tipo de correspondência. olhos nos olhos. a função comunicativa de contato com o destinatário que. mas não sou capaz de identificar-te”. alertando-os sobre os perigos que podem advir dessas práticas. a praia. Onde você está? Onde se esconde? Apareça em algum lugar. esperando-te. Apenas ler o que escrevo e imaginar no formato de minha letra e no significado das palavras o que estou sentindo”). fiquei surpresa com o trabalho que tem desempenhado na Espanha. falo e toco. O propósito comunicativo está patente no núcleo da carta: como mãe. • Cartas de contato (4 ocorrências que correspondem a 20% do total): são cartas pouco noticiosas. em que a informação não prevalece. falo e toco. o desejo de interação com o interlocutor definem o propósito dessa carta desde o primeiro parágrafo. seus filhos. como as demais desse grupo. Ou. da proximidade. nas frases interrogativas e imperativas. Estarei lá. Fiquei muito feliz em receber sua carta. para não se deixarem influenciar”). As advertências e os conselhos se sucedem. anseio (“mas. pessoalmente. explicitado na utilização de verbos de ação. frases de exortação (“vocês são jovens e precisam ser fortes para resistir. não se deixarem influenciar por elas. creiam. Estou com muita saudade. a persuasão e que se traduz nas marcas lingüísticas assinaladas: abundância da forma de tratamento “vocês” (6 ocorrências). formas verbais e pronomes que se referem à 2ª pessoa do discurso e uso do subjuntivo exprimindo desejo. seu objetivo é aconselhar os filhos a não se envolverem com drogas. também físico. Também a carta 19 apresenta.

os escritores combinam. mas através de uma expressão que os aproxima e inicia o discurso religioso evidenciado na carta. mas deu para nos atualizar. mas você estará eternamente nos meus pensamentos. amigos da Igreja (“nossos amigos continuam se encontrando para orar e interceder e você (é claro!) está sempre em nossos corações”). (9. sobre o que tem feito ultimamente. Que Deus te abençoa rica e poderosamente”. e acho que você também teria gostado bastante. para sabermos um pouco mais de nós. foi muito pouco. cuidar das meninas e da casa. Seguem-se exemplos: “No último sábado.E. distante. (5. planos para o futuro.B. No tratamento desses temas. caracterizam-se pela variedade do tópico discursivo: são notícias sobre o lugar onde o emissor está – mormente se relatam viagens –. A alusão à correspondência anterior. Na medida do possível devermos resgatar as coisas boas que tivemos. presente em todo canto. 1-12) “O tempo que conversamos no ponto de ônibus. É muita coisa na minha cabeça. Hoje eu não tenho o mesmo convívio com você que eu tinha antes. Isso sem falar da natureza. e no C. reafirmando a crença que as aproxima. se justificam como uma forma de retomar o contexto situacional e sociocultural em que o destinatário estava inserido. estudo. tema decorrente do contexto institucionalizado onde a atividade se desenvolveu. trabalhar. estou no 2º período do Curso Normal Superior. • Cartas de propósito variado (14 ocorrências. agora. tem horas que eu penso que não vou aguentar. comentários sobre pessoas da família e amigos comuns. têm-se cartas em que se misturam dois propósitos – relatos do cotidiano e comentários pessoais/reflexões sobre o tópico discursivo.] Hoje eu estou estudando no Instituto de Educação. As referências ao local em que se encontra o emissor (“aqui no Rio continua lindo. (19. algumas vezes. que passam a ser o propósito dominante. em meus bons momentos. Espero que possa nos acompanhar de uma próxima vez”. mesclam relatos e comentários. 20-41) . a praia”) e às pessoas. fomos visitar a cidade imperial: Petrópolis.M. Vou até o fim. Não quero desistir. meros pretextos para as reflexões. A gente podia programar um passeio bem legal com as nossas crianças”. morada de verão do imperador. reforçado pelo emprego do vocábulo “juntas”. sendo aqueles.D. ao trabalho do destinatário fora do país e à religião são a forma encontrada pelo emissor para atingir seu propósito comunicativo: manter contato com a amiga. Queria tanto me encontrar com você e seu filhinho. Está sendo muito difícil estudar. recordações de experiências comuns entre os interlocutores.sempre em nossas orações. embora exortativas.. enfatizam o propósito de contato no uso do verbo na 1ª pessoa do plural (“adquirimos”) que. sentimentos. [. Ficamos muito tristes com a sua ausência. que correspondem a 70% do total): esse tipo se caracteriza por apresentar atos de fala diferentes que se mesclam no texto. dia 23/11. remete ao contexto religioso de que participam os interlocutores. Em maior número. A cidade é encantadora. Lá tivemos a oportunidade de conhecer a Catedral São Pedro de Alcântara e o Museu Imperial.. mas eu quero me formar. relações afetivas. As frases finais. E nunca se esqueça dos ensinamentos e conhecimentos que adquirimos juntas na E. 1-9) O emissor não se dirige ao interlocutor pelo nome.I. As cartas pessoais desse terceiro tipo.

de repente.]” (1. não consegui falar ao telefone com você [. Mãe. ligue-me ou escreva. estou sabendo que a nossa querida prima Sione irá operar no final deste ano e que a senhora cuidará dela. como se pode confirmar no texto transcrito a seguir (carta 1): “Querida mamãe Desejo que a paz reine a cada dia no seu coraçãozinho e que você desfrute de muita saúde. principalmente. bateu uma saudade! [. acompanhadas de comentários sobre pessoas próximas dos interlocutores.] Mas já que não podemos estar juntinhas neste exato momento. ansiando pelo dia em que nos veremos novamente e conversaremos sobre os mais variados assuntos”. 8º. Finalizo. Mas. Aqui em casa. mas não fique preocupada. estaremos juntas através deste papel e da nossa língua portuguesa. (1. Gostaria de escrever muito mais. Sei que você anda preocupada e até chorando por causa da violência do Rio. Estou escrevendo porque. que ama você e não lhe esquece. 30-44) As notícias familiares se fazem presentes em breves relatos: “Amada. combinam-se os propósitos de contato com o destinatário e notícias familiares. ansiando pelo dia em que nos veremos novamente e conversaremos sobre os mais variados assuntos. bateu uma saudade! Saudade do seu colinho.. Fico muito feliz por isso. através das referências: a) à própria carta produzida “Estou escrevendo porque. 12-14) . A Raquelzinha tem muita vontade de ir a Ilhéus e farei o possível para levá-la no ano que vem. 17-18) c) a contatos futuros “Finalizo. e 9º parágrafos) e se marca. ocorre a predominância de um deles. Da última vez que liguei. mas não se preocupe em excesso. A função comunicativa de contato é predominante (1º. 7º. o tempo não me permite. não consegui falar ao telefone com você e isso deixoume muito triste. estaremos juntas através deste papel e da nossa língua portuguesa”. 4º. (1. Da sua filha caçula e preferida. Ele continua vivo e fiel. Da próxima vez faça o favor de estar lá. Amada. pois a Cristina é uma grande amiga e cuidará bem de mim. de repente.. Assim que receber esta carta. 2º. Beijos. L” Nessa carta. de poder comer sua comidinha feita com tanto capricho e de jogar conversa fora depois do almoço.. já que não podemos estar juntinhas neste exato momento. Deus tem cuidado de nós. as coisas estão se encaminhando para que eu também faça minha cirurgia no final do ano. se você tiver qualquer problema ou necessidade imediata ligue-me sem hesitar. afinal a Sione é uma amiga de valor incalculável. (1. 4-11) b) a contatos prévios “Da última vez que liguei..Em outras cartas de propósito variado. porém. estou sabendo que a nossa Sione irá operar no final deste ano e que a senhora cuidará dela”.

obedecendo apenas a um desejo de meu pai. Você deve saber que vim mal-humorado para esta nova cidade. os passeios. Então. nessa carta. palestras. cinema. E trocar tudo por uma vida mais fechada parecia muito duro para mim. visando uma distribuição no conteúdo mais integrada. em sala e entregou as avaliações. teatro. Adoraria que você estivesse entre nós.“Notei a dificuldade de vocês se relacionarem enquanto grupo. atitudes e habilidades que queremos desenvolver nos alunos.65) O texto.]” (17. Qual não foi minha surpresa quando a Profª de Didática Suely adentrou hoje. uma vez que o objetivo do emissor é de natureza avaliativa. sobre a dificuldade de integração dos alunos à turma. Transcrevo algumas passagens: “Aconteceu o “Diálogo em Ação” e a temática de uma das oficinas foi como trabalhar em grupo com nossos alunos desenvolvendo a socialização exercitando a cidadania. fazer um trabalho conjunto com outros professores até mesmo extra-classe (passeios. Quando o aluno cita História do Brasil para responder Filosofia. disciplinas do currículo e. parabenizou-nos e comentou: . Peço-lhe que de lembrança à turma por mim. museus etc). é preciso combater a visão fragmentada que a maioria de nós temos. os amigos e os colegas. (1. o comentário adquirem teor argumentativo como se pode verificar no seguinte trecho: “Cientes que a eficácia e eficiência da educação consiste nos valores. colocado em primeiro plano. Jamais havia saído de casa e estava habituada com as coisas e as pessoas de minha terra. é dirigido à professora de Língua Portuguesa e Literatura e motivo para reflexões críticas sobre o curso. as duas orientadoras apresentaram estratégias para que tal fato não ocorra quando tivermos nossos próprios alunos. estrutura-se lingüisticamente através das marcas de subjetividade – pronomes e formas verbais de 1ª pessoa e adjetivos como “mal-humorado. o propósito reflexivo. P.” (3) Nesses textos. intercâmbios. afinal a Sione é uma amiga de valor incalculável”. 11 . ora nos parágrafos em que prevalece o propósito de contato: “Fico muito feliz por isso. Um forte abraço da sua amiga que não o esquece.. alunos e professores. 15-16) Já na carta 3 prevalece o comentário. notadamente subjetivos: “Rio de Janeiro. a reflexão. 05 de dezembro de 2002 Caro Luís. Podemos também.Já os comentários pessoais intercalam-se ora nos pequenos relatos. estrutural.. É importante destacar que seqüências como essas do tipo dissertativoargumentativo convivem. com seqüências narrativas. entretanto. fechada e duro”. precisamos incentivá-lo estimular sua criatividade. conjuntural e episódica”. Ufa! Pensei que iríamos carregar este ranço para os nossos alunos! [. . As diversões. intitulado pela autora como “Carta a um amigo”. havendo o predomínio do primeiro tipo. A maioria de nós achegou-se àqueles que nos identificamos. Vim contra a minha vontade. a reflexão. de forma recorrente. Na carta 17. L. articulada e totalizante. precisamos rever isso no próximo período”. Nesse dia observamo-nos.

esta. a quem o emissor se dirige diretamente. Todos consideram um vitória do povo. num segundo momento. mas também em construções. tivemos grupo de dois enquanto outros concentravam cinco alunos. apenas. não se evidencia. Seja bem vindo. Incluo. Consegui observar em sala de aula. As congratulações evidenciam-se não só na seqüência injuntiva da saudação. o homem sujeito de sua própria aprendizagem.... grau de informatividade – a carta 17 acaba por afastar-se das demais que constituem o corpus.]”. (grifos da autora) (17. o caráter íntimo. como aquele a quem o emissor “fala”. a da carta para um amigo. digo a “boca pequena”. porque nele também estão presentes funções comunicativas diversas. no convívio com os colegas que não soubemos ser grupo. fato que determina menor peso ao conteúdo informacional e faz com que se sobressaia o envolvimento interpessoal. como resolver. Vejam-se as seqüências correspondentes a cada uma das partes: • Primeira Parte: “Carta ao presidente eleito Excelentíssimo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. ainda. presença da argumentatividade. figurando. Muito se falou em pedagogia dos oprimidos. conhecer profundamente cada detalhe. coloquial “em estilo e temática”. 1-10) O vocativo. Exª). a sua vitória.41) Pelas características que apresenta – predomínio do propósito comunicativo da reflexão crítica. valores. tivemos dificuldades em nos agruparmos. as congratulações cedem lugar ao desabafo. recebendo vossa digníssima pessoa. o objetivo do emissor é o de felicitar o destinatário. histórico-crítica. o que levou-me a um texto atual. a forma de tratamento (Excelentíssimo. o “ouvinte”. (16. • Segunda Parte: “[.] Atravessamos dois períodos com 13 (treze) disciplinas.] Eu não faço nenhuma cobrança de soluções aligeiradas ou imediatístas. a sua vitória”/“Até mesmo os menos simpáticos as suas idéias estão forçosamente curvando respeitos [.. entre. a saudação (“Seja bem vindo”) assinalam que essa parte do texto está centrada na pessoa do interlocutor. autonomia. Nela. recém eleito presidente da República. pois compreendo que resolver os problemas de mais de 170 milhões de brasileiros. do Iapoque ao . parece que o aguardam como o salvador da pátria”. 1 . Num primeiro momento. é assim que todos os setores estão.. houve até apresentação de grupo com um aluno apenas. sem prejudicar os objetivos? Faltava um mediador! Então. Luís Inácio Lula da Silva. por vezes técnica. e a autores que me teem falado muito”. não será fácil. como “Todos consideram uma vitória do povo. digo. Há uma grande expectativa de como VSª EXª irá conduzir esse imenso Brasil. vimos avaliar o que foi bom e o que pode melhorar para 2003. o texto 16.. entre as cartas de propósito variado. uso de linguagem mais objetiva. surgiu sua idéia brilhante. V.. Até mesmo os menos simpáticos as suas idéias estão forçosamente curvando respeitos. típico dos textos desse gênero. [. Queria discorrer o assunto dentro das práticas pedagógicas. o “mediador”: Ao término de um ano letivo. a linguagem cerimoniosa (“vossa digníssima pessoa”)..O interlocutor tem pouca presença no texto.

de certa forma. o mensageiro garantia. nesse gênero.] não tem o que comer. p. não têm o que vestir. observase. iniciada pelo pronome pessoal “EU”. o envolvimento interpessoal. 2005:. p. 27-29) Após análise do material que constitui o corpus. o emissor falará sobre ele. quando o emissor se dirige novamente ao interlocutor: “Ao presidente do Brasil e sua família. (16. emitidas pela colônia de Nova Iorque em 1709. calçar. na construção do paralelismo sintático e léxico (“o nosso próximo não tem saúde. que mesa? Fica melhor a declaração simplificada. 4 Lembra Bazerman (2005. 111-112) de que não se encontra. referidos como correspondentes.20). sejam solidárias embasadas no amor ao próximo. Acredito que a maior e melhor expectativa é a contribuição de cada um desempenhando bem o seu papel de cidadão produtivo compreensivo. agora. Nesse caso. tais termos serão utilizados com o sentido de atividade de linguagem. confirma o posicionamento de Silva (1988. 5 O autor (2005. que deseja que todas as ações do presidente. (16. no palácio alvorada”. a relação lógica entre as seqüências é de oposição – . No presente estudo. as primeiras notas. ainda. a diversidade de temas ou de tópicos discursivos que se sucedem em diferentes seqüências de um mesmo texto. marca uma mudança no tópico discursivo. p. na sua perspectiva. a substituição da 2ª pela 1ª pessoa está a indicar que. “não tem o que comer”. indicativo da 3ª pessoa. realizada em dada situação interlocutiva (atividade discursiva). e como o produto dessa atividade. unidade temática. Em outras palavras. até mesmo no telejornalismo. e não mais do pronome de tratamento. que esse tipo de enunciado é construído. 83-99). o uso do vocábulo “presidente” (l. ainda hoje. que enfatiza. respectivamente. nas diversas perspectivas teóricas. baseando-se em estudo de Hickcox (1969). ou seja quando o nosso próximo não têm saúde. como exemplo. A seguir. O período final do texto inicia a seção de despedida. porque variados são os propósitos comunicativos daqueles que os escrevem. p. Além disso. não têm comida na mesa. 2 Trata-se do capítulo intitulado Cartas e a base social de gêneros diferenciados (BAZERMAN. calçar. em função de seus propósitos comunicativos. nessa parte do texto. em vez de dirigir-se ao interlocutor. 93). uma vez que é. e com poder e meios suficientes para impô-los sobre amplos domínios. situada à grande distância. na intercalação de orações e. eu não posso estar feliz”. não tem onde morar”). a aceitação dos comandos escritos como advindos de uma autoridade legítima.Chuí não é da noite para o dia.. cita. Reforçando a mudança. diferentes conceituações. O envolvimento tem início nos comentários do sujeito enunciador em torno das questões sociais e políticas do país. 10-26) Embora não delimitada por abertura de um novo parágrafo. 3 Ao representar ou projetar o emissor. o sujeito emissor passa a ser o elemento organizador do discurso. muitas felicidades e que tenha bastante comida na sua mesa. DISCURSO e TEXTO são termos que comportam. que apresentam 1 . não tem comida na mesa [. e. não têm onde morar. não tem o que vestir. determinada pelo uso inadequado do articulador textual “ou seja” – na verdade. pode-se afirmar que o gênero “carta pessoal” apresenta uma tipologia variada de textos. por fim. a segunda parte da carta. 95) que repórteres mantidos em cidades e países distantes são. essa estratégia fica evidente na quebra da estrutura sintática. desculpe..

2005. In: ______.13-67. dialogismo e construção de sentido. Rio de Janeiro. Mikhail. p. SP: Ed. 1986. Rio de Janeiro. Ângela Paiva Dionísio. . Campinas. 1997. In: ______ (Org. Lucerna. p. Faculdade de Letras. Bakhtin e a natureza constitutivamente dialógica da linguagem. 3. SILVA. Judith Chambliss Hoffnagel (organizadoras). São Paulo: Hucitec. In: KOCH. Antônio Carlos (Org. Estética da criação verbal. Hipertexto e gêneros digitais. 330f. Natal: EDUFRN.alguns elementos estruturais da carta: são datadas na parte superior e assinadas. Ingedore Villaça. Gêneros textuais. Bakhtin. Rio de Janeiro. p.ed. 91-104. da UNICAMP. 2000. 2001.118-124.). Cartas cariocas: a variação do sujeito na escrita informal. kazue Saito Monteiro de. Beth.ed. BRAIT. Tese (Doutorado em Lingüística). São Paulo: Martins Fontes. tipificação e interação. na parte inferior. ______. 2004. Charles. BAZERMAN. Luiz Antonio. (Ensino Superior). BARROS. MARCUSCHI. ______. Variações tipológicas no gênero textual carta. 1988. Tópicos em Lingüística de Texto e Análise da conversação. por um ou vários oficiais do governo. Universidade Federal do Rio de Janeiro. XAVIER. Vera Lúcia Paredes Pereira da. Gêneros textuais emergentes no contexto da tecnologia digital. 1988. Marxismo e filosofia da linguagem: problemas fundamentais do método sociológico na ciência da linguagem.). 6. Referências Bibliográficas BAKHTIN. tradução e adaptação de Judith Chambliss Hoffnagel. São Paulo: Cortez.

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