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CASTANHA-DO- BRASIL (SEMENTES) PRINCIPAIS CARACTERISTICAS A castanheira é uma espécie arbórea de grande porte, da família das lecitidáceas (Bertholletia

excelsa), cujo caule, de casca escura, é liso e desprovido de ramos até a fronde. As flores são grandes e alvas, os frutos esféricos, com 12 a 25 sementes e a planta pode chegar a 50 metros de altura. (VILHENA, 2004). Espécie típica da Amazônia e mais conhecida como castanha-do-pará principalmente por ser exportada pelo porto de Belém, e é da família das lecitidáceas. (AS FRUTAS SILVESTRES BRASILEIRAS/ ANDERSEN,OTTO, 1988). A castanheira é encontrada em matas de terra firme. As mudas de pé franco levam de oito a doze anos para começar a produzir. As obtidas por enxerto produzem já a partir do quarto ano. (AS FRUTAS SILVESTRES BRASILEIRAS/ ANDERSEN,OTTO, 1988). O período de coleta se estende de dezembro a abril (SIMÕES, 2004) e o fruto pode pesar de 0,5kg a 1,5kg e conter de 15 a 24 sementes. Um coletor pode coletar, diariamente, 700 a 800 ouriços com uma produção de até 2 hectolitros de castanha com casca (TONINI; ARCO-VERDE, 2004). Na Amazônia Ocidental, onde ocorre estação seca, o período de floração inicia-se no mês de setembro e estende-se até fevereiro. Os frutos levam 15 meses para amadurecer, começando a cair no início da estação chuvosa (novembro) prolongando-se até o mês de março. Na época de safra, que ocorre entre os meses de dezembro a abril no Estado do Amazonas, a coleta estende-se por até seis meses, e uma árvore produz entre 100 a 150 litros de castanha (BRASIL, 1976 Apud. PACHECO, 2003). A amêndoa possui aroma e sabor exótico. Quando nova contem notável porção de umidade que permite a extração de leite, empregado na culinária. Pode ser consumida ao natural ou reduzida a condimento (PACHECO, 2003). A composição nutricional da amêndoa demonstra que a Castanha do Brasil é muito rica em lipídios (≅ 60%) e proteínas (≅ 13%), com valor calórico

cuidando para usar sementes novas que não tenham perdido a umidade. Recomenda-se. No ranking estadual ocupa a 16ª posição e entre os produtos regionais é o terceiro mais exportado. com agitação a cada 10 minutos. como a Bolívia.. durante 90 minutos. A Castanha-do-Brasil é um dos mais importantes produtos exportado pelo Estado do Amazonas. Segundo WILLIAMS e WILSON (1999). sendo por isso considerada como semente oleaginosa (PACHECO. tomando-se o cuidado de adquirir sementes de árvores sadias e de alta produtividade. O período de coletar as sementes é entre os meses de outubro a março. exigindo controle da umidade da sementeira e tratamento com fungicida. pois em alguns países da Amazônia Central. eliminando . Sementes A aquisição de sementes poderá ser feita junto aos coletores de castanha. As sementes oleaginosas têm grande susceptibilidade a fungos. grandes e largas. Selecionam-se então as mesmas. representando em até 70% da economia total das regiões produtoras. dar preferência a sementes cheias.de 640 Kcal em cada 100g de popa. durante duas horas. a castanheira-do-Brasil tem uma importância fundamental para a economia das populações extrativistas da Amazônia. a amêndoa da castanheira é a matéria-prima principal para as indústrias de beneficiamento. de preferência em papel jornal. só perdendo para os concentrados para elaboração de bebidas e madeira compensada (MMA et al. As sementes após o uso do fungicida devem ser secadas à sombra. tratar as sementes com uma solução de fungicida a base de propiconazole na concentração de 0. Ao selecionar as mesmas. É importante procurar coletar de árvores que produzam sementes grandes. 2003). 1998).2% (2 g do produto em 1 litro de água). portanto.

2006). conjuntamente. bombom. óleo trifásico.15% nas vendas externas deste produto (MDIC. doce. vêem na sazonalidade da demanda uma oportunidade de lucro. O Comercio varejista de castanha é bastante diversificado. brinquedos (pés de ouriço).aquelas que apresentaram rachaduras durante o descascamento. Dele participam desde as feiras e mercados municipais até grandes redes de supermercados. sorvete. como Carrefour. Atacadão e Modelo que. participando. No período de 2003 a 2005. creme. a Alemanha. usadas pelas populações tradicionais. remédio. Remédio (chá) para diarréia. a Bolívia. APLICAÇÕES DA CASTANHA-DO-BRASIL: Abaixo estão relacionadas algumas aplicações da castanha: Descascada e comida fresca. Amêndoa Óleo Ouriço Casca Fonte: Shanley. xampu.63. pilãozinho. 2004). pela falta de condições sanitárias e por danos físicos no produto (SIMÕES. carvão. tigela para coletar seringa. assim como o atacado. são altamente propícias para a proliferação de fungos contaminantes. os Estados Unidos. Artesanato. (Ministério da Agricultura) POSSÍVEIS PRAGAS E DOENCAS: As práticas de manejo das castanhas entre a coleta no chão da floresta até a sua chegada na usina de beneficiamento. . farinha e leite para temperar comida. com 84.p. Sabonete. a Holanda e a Itália foram os maiores importadores da castanha brasileira.2005.

somente no Brasil. Nos últimos dez anos.41 43.161 55.53 63.222 81.100 14.02 312. realizado pela FAO (2005). embora apresentando algumas oscilações ao longo do tempo.621 565.29 34.011 24.98 54. A informação mais relevante a este respeito é que o consumo é intensificado no período de festas de final de ano.89 47.49 226. DADOS DE PRODUÇÃO: Embora haja incidência de castanha em toda a Amazônia continental.774 79. Bolívia e Peru a produção tem representação econômica internacional.044 730.365 9.95 579.36 378. a participação relativa da Região no total da produção brasileira têm-se mantido por volta dos 99%.677 5.48 América do Sul Brasil Bolívia Peru Produzidas 492.575 Fonte: FAO. onde os estados do Acre e do Amazonas são os que se destacam.840 55.287 35.457 41.Pouco se sabe sobre o consumidor final da castanha.66 140.64 107.254 407. fato que fica evidente nos estudos sobre este produto. conforme tabela abaixo: 1960-1969 Toneladas Participação ( % ) 1970-1979 Participação (%) Toneladas Produzidas 1980-1989 Participação (%) Toneladas Produzidas 1990-1999 Participação (%) Toneladas Produzidas 2000-2005 Toneladas Produzidas Participação (%) 8. .300 33.45 189. O Gráfico abaixo ilustra a produção entre 1994 e 2005.793 11.702 403.573 9.037 66.551 572. (2005) No Brasil a produção de castanha é predominante na Região Norte.63 8.22 146.

Lábrea e Silves. mas com a atual redução da produção brasileira. A produção de castanha-do-pará nos Estados da região Norte está assim distribuída: • • Amazonas – concentra-se principalmente nos municípios de Humaitá. Tefé. apontados por Pennacchio (2006) são: redução dos castanhais produtivos. • Amapá – concentra-se nos municípios do Mazagão e Vitória do Jari. Fonte: IBGE. Alvarães. Canutama. é o que conta com um número maior de municípios produtores de castanha-dopará.vegetal (ton). Boca do Acre. ausência de políticas e de programas de incentivo à produção.Gráfico 1. o Brasil ocupou posição de liderança no mercado mundial de castanha-do-pará. deficiências na cadeia produtiva. São Francisco do Iratapuru. Pará – não obstante não ter uma produção muito expressiva. dificuldades de atendimento às exigências . de apoio direto à comercialização e de sustentação de renda ao extrativista. Tapauá. por Estado da Região Norte. Até 1999. 2008. onde está localizada a Cooperativa de COMARU. Produção extrativa de castanha-do-pará . Apud CGEE. a Bolívia passou a ser o maior exportador mundial. Alguns dos fatores responsáveis pela queda da produção. em especial nas logísticas de transporte e de armazenamento.

3. varejista. etc. indústria de processamento ou agroindústria (química.fitossanitárias para exportação.4 AGENTES DA CADEIA PRODUTIVA DA CASTANHA A cadeia produtiva de castanha-do-Brasil é formada pelos seguintes agentes: produtor (extrativista). exportador. 1. atacadista. . Consumidor. especialmente quanto aos limites de tolerância para presença de aflotoxina (até 30 ppb no Brasil e até 0.). alimentícia. indústria de cosméticos. agente intermediário.4 ppb nos EUA e na Europa).

A previsão de retorno da produção é para 2010. Copaíba. os produtos a serem produzidos são: Andiroba.00 Não foi possível contato via telefone (Telefone com Problema) Não foi possível contato via telefone (Telefone com Problema) Não foi possível contato via telefone (Telefone com Problema) Não foi possível contato via telefone (Telefone com Problema) Não foi possível contato via telefone (Telefone com Problema) A associação está em fase de adequação aos padrões de importação e retirada da Licença ANVISA.00) Estoque 200 Potencial: 1. Dos Produtores Do Setor Primario Da Igreja Evang.EXTRATIVISTAS/ INTERMEDIÁIOS ASPACS . : (97) 3453-5135/ (97) 8113-4931/ (97) 3453-5264 PREÇO Castanha amêndoa (R$14. A produção estimada e os preços ainda não foram estabelecidos. 9733791680 Município: Novo Aripuanã 97-44007695 Contato: Obadias Batista Garcia cgtsm@jurupari.br Fone: (92) 3533-4755 Município: Silves 92-35282161 Município: Boca do Acre Contato: Wilson Manzoni Tel. Somente processamento da Borracha Andiroba ( R$ 30.00 L) Estoque: 4 litros disponíveis Potencial produtivo: 4 litros mensais OBSERVAÇÕES COOPERAR – Cooperativa Agroextrativista do Mapiá e Médio Purus AVIVE – Associação Vida Amazônia. Assembleia De Deus Associaçao Agro-Extrativista Do Vale Do Rio Arara Associação Comunitária Para O Desenvolvimento Da Comunidade Santa Maria Do Uruá Conselho Geral da Tribo Saterê-Mawê – CGTSM Cooperativa De Produtos Naturais CONTATO Município: Lábrea Contato: Astrogildo/Malveira Tel.com.br Verde da Município: Silves Contato: Bárbara Schmal Coordenadora Tel.000.00) Estoque: 25 ton.: (92) 3528 – 2161 Informações repassadas pela associada: Franciane – Aux. .avive.: (97) 3331-1453 (97)9184-0343 Município: Novo Aripuanã 97-33791044 Município: Novo Aripuanã 97-33791153. Castanha e Murumuru. Adm.Associação dos Moradores Agroextrativistas da Colônia do Sardinha do Município de Lábrea Assoc.org. Potencial: 45 Castanha óleo (R$ 15. www.

redução da pobreza e elevação do índice de Desenvolvimento Humano (IDH) nas comunidades do interior do Estado.o 25. surgiu o Programa Amazonas Florestal. com objetivo de reunir dados técnicos e gerenciais relacionados à fauna e flora da região. buscando oferecer maior estruturação e organização da produção. gestão e capacidade técnica dos processos produtivos. o Decreto Estadual n. empreendedores. criado pelo Governo Estadual. grupos tradicionais e indígenas do Amazonas. pelo Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas (IDAM) no que se refere à assistência técnica e capacitação. que dispensa o pagamento do ICMS aos Produtos Florestais Não Madeireiros oriundos do extrativismo.FINANCIAMENTOS DISPONÍVEIS: Atendendo as diretrizes do Programa Zona Franca Verde. a Agência de Florestas e Negócios Sustentáveis do Amazonas (AFLORAM). o Governo do Estado do Amazonas deu um importante passo para fortalecer as cadeias produtivas extrativistas. renda. impulsionar as potencialidades das comunidades do interior do Estado e os produtores. tendo em vista a geração de trabalho.275. Além disso. pela Secretaria Executiva Adjunta de Floresta e Extrativismo (SEAFE/SDS) no que se refere à formulação de políticas voltadas para o setor juntamente com a SEPROR. . Nesse sentido. criada em 2003 executou o Programa de Fortalecimento da Cadeia Produtiva dos Óleos Vegetais. e. O objetivo do programa de boas práticas é de fornecer subsídios suficientes para que as organizações locais envolvidas pudessem assumir o controle das atividades de produção e beneficiamento de forma autônoma. Este programa pretende diminuir o grau de desinformação acerca da temática ambiental e da legislação que a regulamenta. A principal diretriz do programa é a superação dos gargalos na organização. Atualmente este programa vem sendo executado pela Agência de Desenvolvimento Sustentável (ADS) no que compete ao apoio a comercialização. ao publicar em 2005.

promovendo: capacitações em técnicas de boas práticas de coleta. couro vegetal e breu. bacaba e patauá. carapanaúba e ipê-roxo. Mundurucu. fibras: juta. 08 paióis de secagem e armazenamento com capacidade para produção inicial de 625 latas de castanha. polpas de frutas: cupuaçu. os produtores saíram da mão do atravessador e passaram a vender diretamente para a cooperativa na cidade . andiroba. Vista Alegre. armazenamento secagem e manejo de castanha e sua comercialização. copaíba. inicialmente atendendo as comunidades. Aparecida. O programa atende em Manicoré. Flexal. folhas e raízes para uso medicinal e cosmético: unha-de-gato.A isenção do ICMS contempla os seguintes produtos nativos de origem vegetal: óleos. congrega 05 povos (Mura. equivalente a 12. 08 rabetas.500 mil por safra. com aumento de 20%. urucuri. vegetais. Mura e Parintintin e Pirahã). açaí. Com o desenvolvimento deste projeto. no município de Manicoré. Boca do Maici. Boa União. Desde a sua implantação no ano de 2005. Tenharim e Torá). 02 secadores de Cacau. um Barco. Terra Preta e Curara. piaçava. Ponta Natal. frutas e sementes: castanha-do-brasil. O Programa de Organização da Cadeia Produtiva da Castanha do Brasil é desenvolvido em parceria com a Agencia de Desenvolvimento Sustentável ADS. Santa Cruz. cipótitica. SEBRAE. Município de Manicoré. e hoje vendido a R$ 24 reais a lata na cooperativa. Cacaia. casas de farinha para armazenamento e escoamento da produção da aldeia até a sede do município. Poção. 08 canoas. Terra Preta. IDAM. murumuru. buriti. malva. Apurinã. Palmeiras. por meio do projeto. folha de defumação líquida (FDL). Os produtores receberam. Parintintin. babaçu. arumã e tucum. cerca de 919 pessoas. cascas. buriti e patauá. castanha. cipó-ambé. Tenhari. Boca do Jauari. látex e resinas: cernambi virgem prensado (CVP). e com apoio do CDH e CONAB. O programa foi criado por meio de projeto de Apoio às Atividades Produtivas das Etnias do Alto Madeira. além de infra-estrutura como: paiol. apresentado pela OPITAMPP (Organização dos povos indígenas Torá. folha semi-artefato (FSA). 08 casas de farinha.

o programa se estendeu para três novas mesorregiões nos municípios de: Jutaí. O desafio agora é conseguir um mercado mais diferenciado para a comercialização da produção de castanha das terras indígenas. Nhamundá. Por meio desta parceria. Com resultado positivo em Manicoré.125 latas oriundas de 49 produtores e com o recurso direto ao produtor na ordem de R$ 300 mil. como também de certificar esta produção como produto orgânico para agregação de valor mais justo. também está sendo previsto uma produção de 6. que garante o preço justo para lata de castanha ao produtor.de Manicoré. Este ano um marco histórico para o programa é o fato da garantia de compra da safra de produção por meio da CONAB. Novos projetos do programa têm apoio financeiro do Projeto Demonstrativo dos Povos Indígenas . . Alvarães.PDPI/MMA no valor de R$ 450 mil.

Indústria e Comércio. Genebra. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias). Campinas. . Imazon.fao. A castanheira-do-brasil (Bertholletia excelsa): crescimento. Disponível em <http//www.. Marcelo Francia. B2.aliceweb. 2004. Manoel R. Miguel Imbiriba. 149 f. Dados agrícolas. Universidade de Campinas. Ciência. Patricia Shanley. B. Frutíferas e Plantas Úteis na Vida Amazônica.desenvolvimento.org/faostat/collections?version=ext&hasbulk=0&subset= =agriculture&language=ES 1983>. M. 1808) no controle da contaminação por aflatoxinas em sua cadeia produtiva. Belém: CIFOR. humb. TONINI. Ocorrência de Aflatoxinas (B1. Hélio e ARCO-VERDE. SIMÕES. 2005. Bee Gunn. A. Gabriel Medina. Antônio Valente. PACHECO. G1 e G2) em Castanhado-Brasil (Bertholletia excelsa H.) proveniente de municípios do Estado do Amazonas na safra de 2002. SHANLEY.br> Acessado em 10/07/2009. 2004. 2003. Aguiar Vasconcelos. 65p. ilustrado por Silvia Cordeiro. Fábio Strympl. Boa Vista/RR: EMBRAPA.Bibliografia: FAO.gov. Acessado em 20/08/2009.do-Brasil: A Transformação Industrial da Castanha-do-brasil na COMARU – Região Sul do Amapá. Manaus. 2004. Exportações 1960-2005. & bonpl. K. Tecnologia e desenvolvimento na economia da castanha. Universidade Federal do Amazonas. Disponível em: <http://faostat. Impactos de tecnologias alternativas e do manejo da castanha-do-brasil (bertholettia excelsa. dissertação de mestrado. 2005. potencialidade e usos. Patricia. MDIC – Ministério do Desenvolvimento. 2004. Dissertação (Mestrado em Política Científica e Tecnológica ). 2004 VILHENA.

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