UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA INSTITUTO DE CIÊNCIAS AMBIENTAIS E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL CURSO DE ENGENHARIA SANITÁRIA E AMBIENTAL

HIDRÁULICA - RELATÓRIO 5

Barreiras - BA Junho/2011

do curso de Engenharia Sanitária e Ambiental. Orientador: Profº. DA SILVA.BA Junho/2011 . Medição de vazão ± método do vertedor Trabalho apresentado à Universidade Federal da Bahia para avaliação parcial da disciplina de Hidráulica.UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA INSTITUTO DE CIÊNCIAS AMBIENTAIS E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL CURSO DE ENGENHARIA SANITÁRIA E AMBIENTAL ACADÊMICO: RODRIGO EMANUEL R. Flávio Gonçalves Barreiras .

sendo empregados em pequenos canais (com vazão Q entre 10 e 300 L/s). Para um vertedor retangular. colocada na maioria dos casos perpendicular à corrente. obtem-se: . que é essencialmente uma parede com abertura de determinada forma geométrica. pode-se deduzir a equação para a velocidade do escoamento através da equação de Bernoulli. eleva o nível d¶água a sua montante até que este nível atinja uma cota suficiente para produzir uma lâmina sobre o obstáculo. lembrando que se L=b (onde b é a largura do canal de chegada) então o vertedor é sem contrações laterais. portanto a parte superior da veia liquida. o vertedor pode ser de parede delgada. se a espessura da sua parede for inferior a dois terços da carga (e < 2/3H) e de parede espessa caso contrário. compatível com a vazão descarregada.com algumas simplificações. Quanta à natureza da parede. na passagem pela estrutura. Figura 01 ± vertedor retangular. Trata-se basicamente de um orifício de grandes dimensões no qual foi suprimida a aresta do topo. Os vertedores retangulares sem contrações laterais são os mais utilizados para fins de medição de vazões em canais. Eles podem ser instalados em canais naturais ou artificiais.INTRODUÇÃO O vertedor é um dispositivo utilizado para medir e/ou controlar a vazão em escoamento por um canal. Na figura acima temos um vertedor retangular com duas contrações. se faz em contato com a pressão atmosférica. A presença do vertedor.

Medir a vazão considerando a carga hidráulica medida sobre a soleira do vertedor e medir o erro nos valores de vazão causados por esta mudança. o valor da carga cinética de aproximação é pequeno. . OBJETIVOS y (Equação 05) Medir a vazão em canal no laboratório através da carga hidráulica medida à montante do vertedor (método do vertedor). Régua linimétrica com escala Vernier. y MATERIAIS Foram utilizados neste experimento: y y y y y Canal hidráulico retangular. a formula empírica mais aplicada é a de Francis: (Equação 03) Sendo que. e por integração) à equação para a vazão (Q) no canal: Q= L (Equação 02) Onde é o coeficiente de vazão.838L (Equação 04) Para um vertedor de parede espessa. Régua milimetrada. obtendo fórmulas empíricas que devem ser aplicadas com critério. com vertedor delgado e espesso. podendo-se utilizar a fórmula prática: Q = 1.V= (Equação 01) Com a equação acima.5. na vazão real. utilizada para transformar a vazão teórica calculada (utilizando as simplificações). Bomba e reservatório de água.704 b Onde b é a largura do canal. e o coeficiente da equação acima torna-se =0. pode-se chegar (através da relação Q=vA. se a relação P/H > 3. Para vertedor delgado. Os valores de foram determinados experimentalmente por vários pesquisadores. 02 vertedores retangulares com diferentes espessuras. 1. pode-se adotar a seguinte expressão: Q = .623.

. foi medida. até que escoou sobre o vertedor. utilizando régua milimetrada. na parte de dados coletados. Obs: o vertedor de parede espessa foi utilizado em duas situações: primeiro. O mesmo processo foi repetido para medir essas mesmas grandezas em um vertedor de parede espessa. Para medir o valor de H. Após a estabilização. que aumentou à montante do vertedor. Mediu-se também a largura (L) deste canal. ligou-se a bomba e abriu-se o registro.vertedor de parede delgada utilizado neste experimento. Figura 02.METODOLOGIA Para iniciar o escoamento no canal. primeiramente foi medido (com a régua linimétrica) o valor de HTOTAL (altura da lamina de água até o fundo do canal) e deste valor foi descontado o valor de P (que é a altura da soleira do vertedor ao fundo do canal). Todos os valores obtidos foram anotados e encontram-se na tabela 01. Para medir o valor de He.5 m à montante do vertedor. mediu-se com a régua linimétrica a altura da água em cima da soleira (He ) e total deste valor subtraiu-se o valor de P. e depois foi colocado ³em pé´. Foi colocado então o vertedor delgado no canal. variando assim a altura do nível de água. foi colocado no canal com sua maior dimensão na horizontal (³deitado´). ficando num nível mais baixo à jusante deste. então a carga hidráulica (H) à uma distância de 1.

.Figura 03 ± Vertedor de parede espessa. Figura 04 ± Detalhe: atuação da pressão atmosférica abaixo da lâmina no vertedor. Figura 05: Vertedor de parede espessa (colocado ³deitado´) utilizado no experimento.

1807 0. Mas.838(0.14756 = 15% (aproximadamente).0361 0.107 (deitado) Parede espessa 0.838L Q = 1.1852 0.1446 0.838(0.1419 H(m) 0.107 Parede delgada Parede espessa 0.75*10 -3 m³/s O erro entre esses valores é : E = 0. Este é o caso do vertedor de parede espessa utilizado neste experimento. assim. pois P/H> 3.0403 0. . como o atrito com a soleira do vertedor.61* 10-3 m /s Similarmente. um valor alto para os padrões de projetos em engenharia.16156 = 16% Pode-se.1143 HTOTAL(m) HTOTAL(e)(m) 0. Então. com b=L.107m)(0. Vertedor L(m) P(m) 0.838L Q = 1. que possui 0. a fórmula que podemos empregar é a equação 05. ANÁLISE DE DADOS Para calcular a vazão real com o vertedor de parede delgada. Esta equação considera os fatores extra que interferem na medida da vazão nestes vertedores.15 m. Para calcular a vazão real no caso do vertedor de parede espessa. obtemos: Q = 2.0276 0.0406m)3/2 Q = 1.107m de soleira.0361m) 3/2 Q = 1. os valores de variam bastante e não há fórmula empírica confiável para calcular este coeficiente.107m)(0. pelos dados da tabela 01. para os valores de soleira menores que 0. a equação 02 pode ser simplificada para a equação 04.1565 0.0832 0.DADOS COLETADOS A tabela abaixo contém os dados medidos nesta prática.05 *10-3 m³/s Qe= 1. segundo a literatura consultada. avaliar que o erro cometido ao realizar a medição da carga na soleira foi de aproximadamente 16%.0406 0. temos: Q = 1.0422 He(m) 0.5.0880 0. utilizando a fórmula de Francis simplificada (análogo ao que foi feito para o vertedor delgado).107 (em pé) Tabela 01 ± Dados obtidos.35* 10-3 m /s O erro (E) cometido ao se medir o valor da carga na soleira é de: E= =   = 0.0429 0. Calculando a vazão real com o vertedor de parede espessa (colocado ³deitado´). calculamos a vazão para a carga da soleira: Qe = 1.0477 0.

Hidráulica básica.47 CONCLUSÃO Pelos valores de vazão obtidos através do método do vertedor. apresentando menos perda por atrito e assim facilitando na formulação.90*10-3 m³/s E= 0. 8ª Ed. Isso demonstra que os vertedores de parede delgada são os mais adequados (mais práticos) para serem utilizados na medição de vazão. . 4ª Ed. o que não ocorreu em virtude da falta de uma fórmula empírica que se adequasse totalmente a esse tipo de vertedor (espesso). pois apresentam várias fórmulas empíricas (foram mais extensamente estudados) e não apresentam grande área de contato da soleira com o escoamento. O mesmo pode ser dito para os valores de vazão para o vertedor espesso colocado em posição vertical (³em pé´).70*10-3 m³/s Qe = 0. BIBLIOGRAFIA UTILIZADA y y AZEVEDO NETTO. os valores das vazões (Q e Qe) foram diferentes dos valores obtidos para o vertedor de parede delgada. cujos valores encontram-se abaixo: Q= 1. Manual de hidráulica. indicando um erro devido principalmente à formula empírica empregada. indicando a diferença de valor ao se medir a carga logo acima da soleira. Os valores de vazão deveriam ser os mesmos. o qual não é facilmente determinado para valores de soleira muito pequenos (como no caso do vertedor espesso utilizado). O erro obtido entre os valores de Q e Qe foi grande. observa-se uma diferença significativa entre a vazão (Q) com carga medida à uma distância considerável da soleira. MELO PORTO. Os valores de vazão medidos com o vertedor de parede espessa ficaram diferentes dos valores para o vertedor de parede delgada. por causa da incerteza na determinação do coeficiente . dificultado a obtenção de um valor de adequado. Editora Edgar blucher ltda. Porém. e a vazão (Qe) medida em cima da soleira (procedimento incorreto).O valor do erro acima manteve-se próximo ao erro obtido para o vertedor de parede delgada.