Maria_Cecília_M_De_Carvalho-Construindo_O_Saber_Metodologia_Científica_Fundamentos_E_Tecnicas

CONSTRUINDO O SABER METODOLOGIA CIENTÍFICA FUNDAMENTOS E TÉCNICAS MARIA CECÍLIA M. DE CARVALHO (ORG.

) PAPIRUS EDITORA Capa: Francis Rodrigues Ffevisão: Cristiane Flufeisen Scanavirii Beatriz Marchesini Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Construindo o saber - Metodologia científica : Fundamentos e Técnicas Maria Cecilia Maringoni de Carvalho 11ª. Edição Papirus - Campinas - 2000 Vários autores. Bibliografia. ISBN 85-308-0071-O 1. Ciência - Metodologia 2. Trabalhos científicos - Metodologia 1. Carvalho, Maria Cecilia Maringoni de. 89-1209 CDD-501.8 (ndices para catálogo sistemático: 1. Metodologia científica 501.8 2. Trabalhos científicos: Metodologia 501.8 11 Edição 2001 DIREITOS RESERVADOS PARA A LiNGUA PORTUGUESA: (c) M.R. Cornacchia Livraria e Editora Ltda. - Papirus Editora Telefones: (19)3272-4500 e 3272-4534 - Fax: (19) 3272-7578 Caixa Postal 736- CEP 13001-970 - Campinas - SP - Brasil. E-mali: editors@pspirus.com.br - www.papirus.com.br Proibida a reproduçáo total ou parcial. Editora afiliada à ABDR. SUMÁRIO PREFÁCIO À QUARTA EDIÇÃO . 7 PREFÁCIO À PRIMEIRA EDIÇÃO 9 Primeira Parte 1. A PROBLEMÁTICA DO CONHECIMENTO 13 Heitor Matalio Jr. 1. Opinião x ciência 16 2. A origem do conhecimento no senso comum 19 3. Em direção à ciência 23 II. MITO, METAFÍSICA, CIÊNCIA E VERDADE 29 Heitor Matailo Jr. Da verdade 35 III. A EXPLICAÇÃO CIENTÍFICA 39 Heitor Matailo Jr. 1. Causalidade 39 2. Teorias e leis 44

3. A explicação nas ciências sociais 49 4. Uma nova abordagem da explicação nas ciências sociais 55 IV. A CONSTRUÇÃO DO SABER CIENTÍFICO: ALGUMAS POSIÇÕES 63 Maria CecIlia Maringoni de Carvalho 1. Considerações introdutórias 63 2. O Empirismo Lógico: a experiência como fundamento de conceitos cient(ficos 66 3. O Racionalismo Crítico de Karl R. Popper 68 4. Thomas S. Kuhn ou O desafio da história 75 5. A guisa de conclusão: em torno do debate Popper-Kuhn 82 V. CIÊNCIA E PERSPECTIVAS ANTROPOLÓGICAS HOJE 87 João Francisco Regis de Morais 1. Os três grandes momentos do mundo moderno 88 2. A morte da alma e as perspectivas antropológicas contemporâneas 91 Segunda Parte 1. O ESTUDO COMO FORMA DE PESQUISA 97 João Baptista de Almeida Júnior 1. A pesquisa bibliográfica 99 2. A documentação 111 3. A referenciação bibliográfica 114 II. O ESTUDO DE TEXTOS TEÓRICOS 119 Vera Irma Furlan 1. Oqueéunl texto9 119 2. O texto teórico 120 3. A relação autor-texto-leitor 120 4. A leitura de textos teóricos 121 5. Algumas sugestões para a redação de trabalhos a partir do estudo de textos teóricos 123 III. TÉCMCAS DE DINÂMICA DE GRUPO 129 Paulo de 7irso Gomes e Paulo Moacir Godoy Pozzebon 1. Díade 131 2. Phillips 66 131 3. Painel 131 4. Fóruin 132 5. Simpósio 132 6. Sem inários 133 7. Estudo de caso 134 8. Dramatização 134 Conclusão 135 IV. SEMINÁRIO 137 Elisabete Matallo Marchesini de Pádua Oqueé9 137 1. Seminários de textos 137 2. Seminários de temas 141 3.Avaliação do seminário 143 V. O TRABALHO MONOGRÁFICO COMO INICIAÇÃO À PESQUISA CIENTÍFICA 147 Elisabete Matailo Marchesini de Pádua Introdução 147

O trabalho monográfico 148 Etapa 1 O projeto de pesquisa 148 Etapa II - A coleta de dados 153 Etapa III - A análise de dados 159 Etapa IV - A elaboração escrita 160 Anexos do capítulo 170 PREFÁCIO À QUARTA EDIÇÃO Em seu oitavo ano de vida, Construindo o Saber alcança sua quarta edição. E é com renovada alegria que oferecemos aos usuários deste livro uma edição não apenas corrigida, mas também ampliada. A provisoriedade do saber nos impôs algumas reconsiderações, a lição haurida na prática efetiva em sala de aula nos sinalizou o caminho da reformulação, apontou-nos também a necessidade de uma ampliação. Assim, na Primeira Parte, o Capítulo III foi consideravelmente aumentado, buscando-se lançar uma ponte entre as considerações de caráter mais sistemático contidas nos capítulos iniciais e as de cunho mais histórico-epistemológico desenvolvidas no Capítulo IV. Na Segunda Parte, foram os Capítulos 1, II e V que receberam alterações e complementações. Eles foram também atualizados com o intuito de se ir ao encontro das novas diretrizes que orientam o procedimento de referenciação bibliográfica e de se atender às normas da ABNT concementes à elaboração de resumos. O tema "seminário" mereceu destaque, sendo tratado em um capítulo à parte, dada a relevância que esta técnica possui tanto nos cursos universitários como nos congressos e encontros científicos. Mais uma vez desejamos agradecer ao professor Heitor Matailo Jinior, da Universidade Federal do Piauí, e aos nossos colegas do Instituto de Filosofia da Puccamp, autores desta obra que, ora enriquecida, esperamos possa atender ainda melhor aos interesses e às necessidades dos alunos e docentes da disciplina Metodologia Científica. A ORGANIZADORA Campinas, 1994 .7 PREFÁCIO À PRIMEIRA EDIÇÃO Este livro se destina a todos os universitários que se iniciam no estudo da Metodologia da Ciência. Porque Metodologia da Ciência? Não estaria tal investigação associada àquela crença ingênua de que, com o auxílio de um repertório de regras claramente definidas e universalmente aceitas, seria possível ampliar nosso saber acerca da natureza física e/ou humana, e do qual dependeria, em última análise, o bem-estar material da humanidade? O otimismo presente em tal pretensão certamente não encontra mais espaço nas metodologias da atualidade. O vínculo estreito a unir ciência e arte bélica, bem como o grande número de problemas ecológicos que emergiram na esteira do progresso científico, têm animado, por vezes, até mesmo posturas anticientíficas. Tudo parece indicar que a ciência é uma atividade humana, muito mais dependente da história e da sociedade do que se podia outrora imaginar. De qualquer forma, em que pesem seus triunfos e desacertos, quiçá exatamente por causa deles, a ciência é um fato que possui iagável relevância na vida do homem contemporâneo. Sendo asssim, a filosofia não poderia deixar de considerar a reflexão sobre o conhecimento científico, acerca dos princípios que presidem a sua produção, como um de seus objetos de estudo. Entendemos que o objetivo primordial de uma metodologia não seja o de colocar à disposição do cientista um elenco e regras, às quais ele deveria se ater para produzir o seu saber. Não existem caminhos pré-traçados que nos

Entre os egípcios a trigonometria. de opinião que uma metodologia se alia. o livro compreende dois módulos: um deles é de cunho predominantemente teórico. em especial à professora Vera Irma Furlan. Nossos agradecimentos se dirigem à Editora Papirus pela cordial acolhida dispensada à publicação de nosso livro. que animou a realização deste projeto. e entre todos se consolidou um conhecimento ligado à fabricação de artefatos de guen-a. ou que garantam necessariamente a descoberta do novo. Somente um povo da antigüidade teve a preocupação mais sistemática e filosófica com as condições de formação do conhecimento: foram os gregos. aprimorá-la. Praticamente todos os póvos da antiguidade desenvolveram formas diversas de saber. Queremos agradecer aqui a colaboração de todos os autores que participam da presente edição. na medida em que visa a orientar o estudante universitário na realização de trabalhos acadêmicos ou científicos. a lógica. Por isso. sobretudo. da Universidade Federal do Piauí. Somos. A elaboração da presente obra foi inspirada pelo desejo de aproximar o iniciante de alguns dos problemas que julgamos mais fundamentais na área da metodologia. de natureza mais prática. Pelo fato de a obra ter resultado de um projeto elaborado por um grupo de professores do Instituto de Filosofia da Puccamp. também. Destaque especial merece a colaboração do professor Heitor Matailo Júnior. gostaríamos de poder contar com as observações críticas dos professores que porventura vierem a adotá-la em seus cursos. enquanto possível. As imposições derivadas das necessidades práticas da existência foram sempre a força pmpulsora da busca destas formas de saber. naturalmente. a abrangência e complexidade da maioria de seus temas e os limites impostos por uma obra que não pretende oferecer mais do que uma iniciação aos fundamentos e técnicas da Metodologia Científica.9 conduzam inexoravelmente à verdade. a mecânica. entre os indianos e muçulmanos a matemática e a astronomia. entre os romanos a hidráulica. entretanto. a uma reflexão filosófica mais ampla acerca do homem .procuremos. Por isso.do qual todo conhecimento depende e para o qual todo saber deve ser gerado.no caso de uma eventual reedição . as quais nos pareceram inevitáveis tendo em vista. filosófico. lacunas. contribuir no sentido de oferecer pontos de vista que tomem possível uma discussão Drítica sobre a ciência. 1987 lo Primeira Parte Capítulo 1 A PROBLEMÁTICA DO CONHECIMENTO Heitor Matailo Jr. um instrumento que possa viabilizar sua inserção no universo da produção científica. Seus vários capítulos foram confiados a docentes especializados nas áreas de Filosofia ou da Metodologia Científica e que dispõem de grande experiência didática no ensino universitário. O livro apresenta. e de oferecer-lhe. o outro. Consideramos que a Metodologia pode. entre os gregos a geometria. Paralelamente ao . A ORGANIZADORA Campinas.* A preocupação com o conhecimento não é nova. certamente. para que . além disso. a astronomia e a acústica. pareceu-nos natural que a redação de grande parte dela fosse confiada a docentes desse Instituto.construtor do saber científico . e de sugerir parâmetros que propiciem uma avaliação dos resultados da produção científica.

mas tão-somente que eles começaram a ter consciência das diferenças entre estas duas fonnas de logos. para toda coisa do mundo sensível existe urna certa Idéia ou Forma que lhe corresponde como sua essência ou natureza. O recurso metodológico e filosófico para solucionar esta dificuldade é pressupor que exista na coisa algo que permanece ou que esteja presente na sucessão do tempo: é a sua essência.ligado ao prazer de saber . Conforme o autor. diria Popper. M. ou o método socrático. A mudança aparece como o elemento que corrompe e degenera. isto é. a essência da coisa está em sua Forma ou Idéia. Isto não quer dizer que os gregos tivessem abandonado sua mitologia e cosmologia em favor de urna saber racional. A dialética socrática é um método de aproximações sucessivas4 onde não há propostas de solução para as questões. mais tarde. A episremé característica do pensamento grego era do tipo theoretiké. o mundo sensível está em constante mudança e. Esta diferença entre conhecimento prático . mas tão-somente a crítica contra as concepções propostas. B. os gregos desenvolveram um tipo de reflexão . à execução de atividades de produção de bens e coisas necessárias à vida . se torna impossível conhecê-lo por razões óbvias: não se pode conhecer uma coisa que deixa de ser ela mesma na sucessão do tempo.chegou a cristalizar-se como formas de conhecimento de diferentes naturezas. Para Platão.de uma separação de atividades de classe. as premissas do pensamento comum são questionadas e criticadas até que os temas apareçam despidos dos preconceitos e valorações comuns. A sua Teoria das Formas é um exemplo disso. se mudar. é para pior. o conhecimento aristotélico. em oposição ao trabalho prático. É professor na Universidade Federal do Piauí. WARTOFSKY. Este método. um tipo de saber adquirido peos "olhos do espfrito" 1 e que ia além * Fez estudos de Lógica e Filosofia da Ciência (Pós-graduação) na Unicamp. A dialética é realizada num diálogo onde uma das partes leva a outra a reconhecer as contradições e incoerências de suas crenças. neste caso. As coisas sensíveis são como cópias irnperfeitas das Idéias ou Formas. já que era executado por escravos para os senhores. 1. imutáveis e não habitam o mundo espaçotemporal. A ciência grega. FARRINGTON. Como esta classe tinha mais prestígio e status. sua atividade foi considerada superior. Introducción a la filosofia de la ciencia. M. dos meros fenômenos empíricos. Head and Hand in Ancien: Greece. FARRINGTON. B. e revela a tentativa de flmdamentar um conhecimento certo e verdadeiro para além do cambiante e fugaz mundo dos fenômenos. Para Platão. elimina as teorias que não suportam a prova . A dialética.que estava ligado ao trabalho. Neste processo.a intuição que se destacou pela possibilidade de gerar teorias unitárias sobre a natureza e desvincular o saber racional do saber mítico. da separação entre "cabeça e mão". considerado inferior.segundo Farrington 2 . pois afasta cada vez mais a coisa de sua natureza.e conhecimento teórico . sendo apreendidas apenas pelo pensamento puro. As idéias são perfeitas.conhecimento empfrico legado pelos povos do Oriente. Platão foi o primeiro filósofo a desenvolver uma teoria sobre o mundo utilizando-se da intuiçõo como forma de pensamento superior. só o aparecimento de uma classe ociosa poderia ensejar o desenvolvimento de um conhecimento desvinculado das necessidades. desinteressante e preso ao interesse de outrem. Metodologia da pesquisa tecnológica. pois significou o rompimento racional com o senso comum ou a tentativa de realizá-lo. que se desenvolveu a Dialética e. pura e livre. Assim. já que por princípio uma coisa perfeita. . 2. Esta diferença que surgiu entre os gregos foi resultado . a Academia. foi de extrema importância na história do pensamento. VARGAS. Foi na escola platônica. Mesopotâmia e Egito.

depois. Neste campo sua contribuição foi verdadeiramente notável.processo que tem como perspectiva a formulação de leis gerais a partir da observação de fatos particulares . PLATÃO. a indução e a dedução. paradigma de cientificidade e rigor até nossos dias.é. As grandes contribuições de Eudides foram o desenvolvimento 6. sejam eles lançados à distância ou soltos no ar. op. WARTOFSKY. Outra grande contribuição do pensamento grego foi no campo da geometria. 4. O conhecimento consistia. ARISTÓTELES. então. uma "realidade materializada" que não pode ser entendida senão pelo estudo das coisas concretas. cit. para Aristóteles.com suas magníficas descobertas como o teorema das áreas do triângulo retângulo e da irracionalidade da raiz de 2 (12) . 5.6 Assim. a investigação de particulares e a formulação de princípios explanatórios que. 7. a partir destes. J. do método axiomático e a difusão da crença de que era possível flmdamntar absolutamente o conhecimento. M. por dedução. desde Pitágoras . A descrição desta demonstração encontra-se em W.até a obra de Euclides. 1niroduçõo histórica dfiksofla da ciência. portanto. SALMON. em saber quais as características ou propriedades das coisas enquanto membros de uma classe. bem como as propriedades da classe a que pertence. mas da percepção aplicada aos particulares. e adotou a doutrina de que as formas só subsistem na matéria e é só por estas que obtemos aquelas. por meio da dedução. é saber quais são suas propriedades individualizarites. Conjecturas e refiaações. POPPER. Juntamente com Platão. por sua incapacidade de criar conhecimentos positivos. A sociedade aberta e seus inimigos. Isto quer dizer que o conhecimento começa no estudo das coisas. Saber o que Sócrates é. voltar a fazer deduções de novas ocorrências. POPPER. Cit. Ter quatro patas. um rabo e um focinho são características essenciais da classe dos cães. K. Lógica. Tópicos. A repiiblica. Aristóteles se utilizou da indução . partiu Aristóteles para a formulação dos princípios da classificação e. Esta crença se desfez somente no século XX com o .3. Da observação de que os corpos caem. Enquanto Platão ensinava que só podemos conhecer as Formas ou Idéias e não propriamente as coisas (destas só podemos ter opiniões confiáveis). imutáveis e independentes do mundo sensível . de sua lógica formal. 14 1ç -. M.para formular princípios explanatórios gerais e. formulou Aristóteles a sua teoria do movimento e da estrutura da matéria que. IDEM. Fédon. Deve-se associar. op. formulando um conhecimento que prevaleceu quase intocado até o século XVI. As características que fazem com que urna coisa seja particular não são nem comuns e nem essenciais para a sua classificação. A existência das Formas que para Platão eram eternas. Mas ter cor preta ou branca ou manom é um acidente e não constitui objeto de conhecimento. Losee. ruas não se resume a isto. Aristóteles se distanciava desta doutrina promovendo uma convergência entre as fonnas e os fenômenos (a virtude está no meio). explica o movimento dos astros e a aparente diferença de velocidades de diferentes corpos em queda livre. pois são meros acidentes. Ele criticou a dialética por sua negatividade. explicarão novas ocorrências. K. Aristóteles foi o grande personagem que erigiu a ciência grega e ocidental. WARTOFSKY. Ibidem. a de homem.

e que inclui um conjunto de valorações. justas ou injustas. princípios ideológicos às vezes conflitantes. de Platão. Mas a crença em mau-olhado já não seria tão simples de ser testada. às vezes. fragmentáriase podem incluir fatos históricos verdadeiros. enquanto que com as valorações isso não ocorre. a contribuição dos gregos para o pensamento social. 8 Sócrates faz a seguinte distinção entre opinião e ciência: E assim. A primeira das sentenças diríamos que está no nível da dóxa. permanecem estáveis. Essa informações são. mas não que são verdadeiras ou falsas. O senso comum é um conjunto de informações não-sistematizadas que aprendemos por processos formais. Acontece muitas vezes de acertarmos com uma opinião. no mais das vezes. Destas nós podemos dizer que são boas ou más. nossa capacidade de emitir opiniões? Vem dessa enorme quantidade de informação que possuímos. ainda que praticamente não seja nada fácil diferenciá-los. Opiniâó x ciência Em uma passagem do diálogo Ménon. mas. que podem ser submetidas a um teste de veracidade. Há. e seu valor é tal que não difere. PLATÃO. assim como para muitos de nós. que mostrou a impossibilidade de fundamentar absolutamente o conhecimento. enfim. Quando uma mulher afirma. e especialmente de Rudolf Carnap. Teríamos de começar definindo o que é mau-olhado para podennos fomiular a relação que ele mantém com a . 1. transformam-se em conhecimento. no entanto. quando pronunciada por uma certa pessoa. Por este motivo é que dizemos ter a ciência mais valor do que a opinião certa: a ciência se distingue da opinião certa por seu encadeamento racional. uma marcante diferença lógica entre as crenças e os valores. Ménon. Quando emitimos opiniões. doutrinas religiosas. portanto. o substrato do senso comum e de nossas ações e comportamentos cotidianos. em ciência. da opinião. Podemos dizer que aqui começa verdadeiramente a Teoria do Conhecimento e da Ciência Para Sócrates. p. poder-se-ia constatar que houve apenas urna alteração na pressão arterial por má oxigenação sanguínea. bem como a experiência pessoal acumulada. nós podemos até com facilidade colocar à prova sua afirmação. que a causa de sua indisposição foi o "mauolhado de fulana". As crenças se manifestam através de proposições. por exemplo. Ou seja: opiniões são emitidas a todo momento e por todas as pessoas (sim. inconscientes. Pelo primeiro caminho. lendas ou parte delas. do valor de expressões do mesmo tipo pronunciadas por qualquer outra pessoa. lançamos mão desse estoque de coisas da maneira que nos parece mais 8. 106 apropriada para justificar e tomar os argumentos aceitáveis. ou seja. pois. informações científicas popularizadas pelos meios de comunicação de massa. em geral. porque todos nós temos sempre uma opinião sobre qualquer coisa) sem que haja uma argumentação sólida para comprová-las. não só mediante um exame clínico como também testando a própria crença de que mauolhado produz alterações fisiológicas. quando as opiniões certas são amarradas. informais e. Mas de onde vem. então. desejáveis ou indesejáveis. não saberíamos justificá-la a não ser por outras opiniões. existe uma sensível diferença entre expressões da forma "Eu acho que" e " Eu sei que". a que chamamos de senso comum. Valorações e crenças são. Platão com a sua A república e Aristóteles com a Política foram os primeiros a sistematizar reflexões sobre a vida social. é possível dizer se são verdadeiras ou falsas.programa epistemológico do Círculo de Viena. Temos.

sendo absorvido parcial e totalmente. Não tem sentido afirmar que o liberalismo é verdadeiro ou que o racismo é falso. interage com o senso comum e modifica-o. por sua vez.d en la invesrigacidn social. Isto quer dizer que as valorações não admitem critérios de decisõo quanto à sua veracidade. Com as valorações. Essas teorias. Poderíamos esquematizar. o senso comum vai .ou mesmo formular pseudoteorias para dar sustentação aos valores.sejam elas verdadeiras ou não . não têm nenhuma validade. se tentar justficar valores apelando para crenças já bastante difundidas no senso comum . como se fossem verdades. ele se constitui na base a partir da qual se constrói a ciência. Por isso. Várias teorias foram construídas a fim de demonstrar que diferenças biológicas e genéticas geravam diferenças intelectuais e morais. mas sua aceitação e incoiporação ao pensamento comum demorou mais de 200 anos. pois podem levar a imposições e ao totalitarismo. Tem sentido dizer apenas que são boas ou más doutrinas. Objetivido. É aceitável entre a maioria dos epistemólogos 11 que a ciência é um refinamento do senso comum. como a do movimento da terra em redor do sol. isto já não é possível. Este é o caso dos modernos regimes totalitários. MYRDAL. 16 17 civilização por eles exercida sobre os "primitivos". mas continuam subsistindo no senso comum. na tentativa de justificar a dominação sobre povos e países. 10 o próprio colonialismo exercido pela Inglaterra. Apesar das inconsistências inerentes ao conhecimento de senso comum . por outro lado. enquanto as crenças e o conhecimento admitem. Artur Gobineau (1816-1882). valorações. G. gerando um conhecimento mais ou menos racional. seria possível resgatar os fundamentos da explicação para ser posta à prova. Modificações crenças religiosas Senso comum e políticas modificado O senso comum é a base sobre a qual se constroem as teorias científicas. 10. não temos como testar sua doutrina. dependendo do seu grau de esoterismo. Assim. França e Holanda sobre os povos africanos e latino-americanos postulava a grande obra de 9. entendendo racional como argumentativo e coerente. É comum entretanto. embora existam afirmações e teorias que são absolutamente contra o senso comum. O caso mais comum de imposição de um valor é o do racismo. a relação entre o senso comum e a ciência da seguinte forma: Desenvolvimento científico Novas teorias Teorias científicas científicas Senso comum. Estas teorias se distanciam tanto quanto possível das valorações e opiniões. desqualificando como falsas as formas de pensamento (minoritárias ou não) diferentes da oficial. Hoje esta teoria pode nos parecer trivial. é a sua sofistificação. então. racista ou cristão. socialista.para onde convergem crenças. Se alguém afirmar ser liberal. cujo discurso de justificação é sempre o de desprezar a diferença.fisiologia etc. e que por isso nós nos julgamos no direito de aceitá-las ou recusá-las. Qualquer tipo de racismo se assenta na autovalorização da raça como superior e na crença de que há diferenças biológicas entre raças. Este conhecimento. opiniões e valores o mais das vezes conflitantes e assistemáticos -. De qualquer modo. é muito perigoso partilhar doutrinas dogmaticamente. obviamente. A teoria mais conhecida é a do Conde J.

. 12. na psicanálise. Ou seja: usando os órgãos dos nossos sentidos como a visão. na medkla em que se referem a fatos efetivamente observados. mais tarde. MYRDAL. Há. O. Ver K. A origem do conhecimento no senso comum O pensamento popular concebe o conhecimento como derivando exclusivamente da observação por um processo indutivo. 15. neste ponto. op. Doença menw. audição. in Os pensadores. Acreditava-se que o corpo era o depositário do esp frito. 14 fazendo parte daquela classe de proposições chamadas singulares.onde era comum se estigmatizar as mulheres que manifestavam prazer sexual (denunciadas pelos próprios maridos) acusando-as de possessão e. As observações devem ser feitas sob uma grande variedade de condições. Não se admite que alguma das observaç5es entre em conflito com . F. op. Conhecimento objetivo. K. CHALMERS. São de difidil aceitação as idéias que são muito diferentes de nossa experiência imediata. cit. 1 e 2. O número de observações 1evantadas para a generalização deve ser muito grande. 13 Proposições tais como: • uma barra de ferro. 12 Estas coisas que poderiam nos parecer ridículas. O objetivo da explicação científica é. SALMON. quando parcialmente submersa em água. Não havia se processado ainda a grande transformação cartesiana de conceber os homens como sendo divididos entre corpo e alma numa só entidade. QUINE. cit. lo 3.What is this thing called Science? 14. cit. consubstanciando-se no desenvolvimento da psicologia e. Ver A. A. FOUCAULT. aparece como torta. o senso comum é muito poderoso. havia as entidades 11.. Esta mudança filosófica só penetrou nas ciências médicas no fim do século XIX. isto é. POPPER. no entanto. nos séculos XVII e XVIII a loucura era tratada com banhos frios ou injeção de sangue fresco para "esfriar' 'os espíritos e reequilibrar a circulação.progressivamente se modificando ao longo das gerações. F. W. CHALMERS. tato etc.. caps. certas informações e teorias que não se incorporaram ao senso comum por seu grau de complexidade ou por ser contra a experiência cotidiana e. no entanto. op. revelam. então. materiais e as espirituais que habitavam os corpos. castigando-as até a morte -. formulamos proposições sobre a realidade que seriam indubitavelmente verdadeiras e qualquer observador poderia checar tais afirmações usando igualmente seus sentidos. são exemplos de proposições observacionais. Epistemologia naturalizada.. os músculos quando não utilizados se atrofiam. op. o da "passagem" das afinuações singulares pan as universais. G. W. 2. ci:. làlvez a mais comum destas idéias diga respeito à própria origem do conhecimento. op. a busca de afirmações e teorias universais. M. CHALMERS. a própria concepção de corpo que vigorava. eventualmente. Uma excelente crítica do indutivismo encontra-se em A. cujo campo de aplicação seja o maior possível. Assim como nos séculos XIV e XV as bruxas faziam parte das entidades existentes no mundo . cit. F. o metal quando aquecido se dilata. Filosofia da ciencia. R. 13. fosse ele bom ou mau. no entanto. POPPER. O grande problema do indutivismo passa a ser. ALVES. incorporando novas informações e eliminando aquelas que se tomam imprestáveis para as explicações. 2. Como podem ser justificadas as afimiações e teorias gerais cuja base é um número limitado de observações? A resposta do indivismo 15 é que: 1.l e psicologia.

não "vemos" a mesma coisa. F. nós pudemos olhar as figuras e imediatamente "vê-las' 'sob esta ou aquela perspectiva. até mesmo componentes culturais. Lembre-se da história dos cisnes brancos! Do ponto de vista lógico. Quantas observações devemos fazer para tornar o argumento aceitável? Existem circunstâncias em que uma única observação torna urna afirmação aceitável e às vezes nenhuma observação é necessária. Isto se deve às idéias de que o mundo exterior tem certas propriedades que lhe são inerentes e de que diferentes observadores olhando o mesmo fenômeno vêem a mesma coisa. N. cii. por exemplo) que são mostradas a um observador. Os exemplos da bomba atômica e de nêutrons são representativos. resultado da experimentação feita com muitos tipos de metal e em muitas condições diferentes. Em qualquer dos casos. O ponto em que dizemos "isto é suficiente" não advém da experiência. vivências pessoais e expectativas intervêm na observação. A maioria das pessoas já deve ter passado pela experiência de estar observando o mesmo objeto e. mas todos nós facilmente nos convencemos de seu poder. mas a impressão que se forma na mente não o é. Uma outra objeção ao raciocínio indutivo diz respeito á vaguidade da idéia de "grande niimero" de observações.a lei geral. A. dando-lhe grande subjetividade. O observador não as nota porque sua expectativa de "ver' 'cartas de ouro condiciona sua sensibilidade visual. 17. apesar de olharmos a mesma figura. é introduzido na seqíiência nós não o percebemos como diferente. portanto. Estes exemplos podem ser generalizados a ponto de podermos afirmar que a observação direta dos fatos não é algo tão seguro quanto à primeira vista se supõe.b) como tendo sua base vista por cima ou por baixo e a escada (fig. por exemplo.a) pode ser visto como tendo sua perspectiva para a direita ou esquerda. Nos casos acima. É preciso . CHALMERS. Mas não há garantia alguma de que no futuro não venha a ocorrer uma certa circunstância em que a afirmação seria falsa. quando outro objeto diferente. A impressão que se fixa na retina pode ser a de urna única figura. a indução não se justifica porque não há como "passar" do limitado ao ilimitado. Padrones de descubrimienro. Estas três condições seriam necessárias para formar a base de sustentação da indução. mas de um conhecimento teórico da situação e de seu mecanismo operativo. 17 Existem muitos exemplos que podem contradizer esta idéia. 21) podem ilustrar isso. Estas figuras podem ser "vistas" de diferentes maneiras: o cubo (fig. o que é que pennite sabermos quantas observações são suficientes para que façamos a generalização? Devemos dizer que resposta a esta questão não advém de nenhum processo indutivo. b e c (p. a pirâmide (fig. nenhuma demonstração foi feita. Além das objeções sobre a inferência indutiva. No primeiro caso. 16 e este conhecimento teórico é anterior à experiência. mas semelhante. E do senso comum a afirmação de que a observação direta de fatos e fenômenos oferece a base segura a partir da qual se pode derivar qualquer conhecimento e decidir sobre afirmações duvidosas. como se fosse para subir ou descer. Tal é o caso de cartas de baralho (cartas de naipe de ouro. HANSON. No segundo caso. Em muitos casos. Mas há casos em que não basta olhar a figura para "vê-la". As figuras a. A quantidade de observações e a variedade de condições em que são feitas permitiriam a generalização. op. apenas a experiência de Hiroshimna foi suficiente para demonstrar o efeito devastador da bomba atômica. A afirmação "Todo metal quando aquecido se dilata" seria. Então. 16. R. mas dentro da sequência se introduzem cartas de copas. existem também objeções quanto a uma das mais correntes crenças sobre os fundamentos do conhecimento. de repente.c).

Na figura d. devemos dizer que não existem fatos independentemente de um certo conjunto de proposições qt permitem o seu entendiménto. que pode ser fruto de experiências sensoriais ou de mero aprendizado. 2. d Decorrem disso problemas filosóficos extremamente complexos e interessantes. como. mas a figura de um homem barbado à semelhança de Cristo. a fig. É por isso que às vezes dizemos com toda naturalidade que "esta hipótese ou teoria contraria os fatos". 3. os metais quando aquecidos se dilatam. um circuito elétrico e um certo aparelho a ele interligado com um mostrador e uma agulha flutuante.que operemos uma inferência para que a figura faça sentido.ognição" nas quais os fatos são encaixados é que podem ser diferentes. Dois dogmas do empirismo. 22). são exemplos de proposições básicas. mesmo assim. dificuldades apareceram. Para sermos rigorosos. e na figura e podemos dizer existir muito mais do que manchas. a menos que já tenhamos uma expectativa ou prévia experiência para podermos inferir um resultado visual. W. os metais são bons condutores de eletricidade. Ou seja: grande parte das coisas a que ele se reportará não são objetos materiais. As . '1 fig. mas falará de corrente elétrica. b 91 e ' -. para ele.'8 Isto não quer dizer que sempre e necessariamente diferentes teorias pressupõem diferentes fatos. Certas aftmiações empfricas de primeira ordem como: 1. resistências etc. No entanto. Por si sós as figuras não dizem nada. QU1NE. que toda e qualquer observação pressupõe urna teoria. m Os pensadores. como por exemplo em d e e (p. Imaginem agora que um leigo entre num laboratório de física e observe alguns instrumentos em funcionamento. então. certamente ele faria unia descrição dos objetos existentes e do movimento da agulha no mostrador do aparelho. Até agora estivemos falando de fatos e de observaçõo num sentido bastante corriqueiro e. seja ela científica ou não. aceitas universalrnente. num recipiente fechado a pressão é diretamente proporcional à temperatura. A mesma coisa aconteceria com um estudante de medicina que olhasse pela primeira vez uma radiografia do tórax de alguém e tivesse que dizer o que está "vendo". ele não fará uma simples descrição dos objetos. por exemplo. Uma resposta adequada não poderia ser dada porque ele não saberia a que coisas (conceitos e teorias) aquele conjunto de manchas se reporta. se pedirmos a um físico que observe a mesma coisa. Podemos dizer. Existe um certo conjunto de fatos que podem ser considerados básicos e que são aceitos consensualmente pela comunidade científica num determinado período histórico. Todo fato pressupõe uma teoria. . Se pedirmos a ele para "observar" o que está ocorrendo ali e dizer exatamente o que "vê". não há nenhum fato a não ser os objetos visuais. Nada mais ele fará porque. As interpretações e as "cadeias 18. fig. mesmo que esta seja de senso comum. O. podemos afirmar que há um urso detrás do tronco ou nele apegado. Os fatos só existem enquanto tal para as teorias. voltagens. c fig. Em ambos os casos a formação de uma imagem visual com sentido depende de um conhecimento anterior.

determinado por certas circunstâncias extra-científicas. a ciência começa com problemas. o conceito de Gene na teoria genética moderna. onde a doutrina da Igreja Católica teve um importante papel na sua rejeição inicial. Dessa forma. outra característica às teorias científicas e é das mais importantes. Em segundo lugar. Digo "tanto quanto possível" porque este é um problema histórico.a pretensa transmissão de características culturais e morais. isto é. mas numa teoria científica isto não é admissível. os conceitos podem ser vagos e contaminados por valores e doutrinas. os significados dos conceitos dependem das teorias em que ocorrem. Nós temos. Isto é. onde pressupõe-se que o resultado do trabalho de um conservador é. Isto significa que. por exemplo. mas não serve para explicar . as teorias não se aplicam a quaisquer coisas. onde não há nenhum tipo de contradição interna. que são os da reprodução. Distinguimos a ciência do senso comum e procedemos a um exame sobre as crenças a propósito do conhecimento. sejam elas científicas ou não. despidas de subjetividade e valorações. que a ciência se apresenta como conjuntos de proposições (teorias) coerentes. São problemas decorrentes de necessidades práticas tanto quanto de quebras de regularidades na natureza. mas a campos específicos. geram a segurança necessária para apelarmos para os fatos quando desejamos descartar uma hipótese. se aplica a um conjunto específico de fenômenos. A maioria das críticas que os partidários das teorias se fazem baseia-se numa inadequada conexão entre a teoria e as posições politicas de seus formuladores. grande parte da crítica às teorias é realizada pela crítica de seus formuladores. uma tendência inata para a ordem e regularidade e quando esta expectativa não é satisfeita somos induzidos a procurar explicações para ela.como na teoria racista de senso comum . é um dos mais antigos tipos de erros que se pode cometer e que foi identificado por Aristóteles como a falácia ad hoininein. 3. Quando os antigos notaram que nem todos os astros percorriam uma trajetória uniforme e que havia os chamados "astros . Reconhecemos que os fatos e as observações pressupõem. São proposições amarradas no encadeamento racional. por sua vez.regularidades que observamos cotidianamente. Este. e 22 23 Vejam. Os conceitos devem ter um significado preciso e devem remeter a outros conceitos correlatos e também precisamente definidos. ainda. Em direção d ciência Dissemos até agora aquilo que a ciência não é. A disputa ainda hoje existente entre funcionalismo e marxismo é um testemunho disso. Podemos adicionar. Numa teoria de senso comum. ele mesmo. por exemplo. É a característica de solucionadoras de problemas. aliás. as circimstâncias de formulação e aceitação da teoria heliocêntrica de Copémico. as teorias são. segundo o autor. Mas deve-se dizer que os fatos que hoje são básicos certamente não o foram no passado. Este problema é muito mais crucial nas ciências humanas. sempre. então. fig. Ao citarmos urna passagem de Ménon de Platão. tanto quanto possível. em algum momento da história. Assim. Como acentuou Popper. Assim. e que já incorporamos como absolutamente naturais. conservador e o resultado do trabalho de um revolucionário é. eles foram gerados e sustentados por uma teoria. onde questões ideológicas e doutrinárias se misturam a questões científicas. de tal forma que as teorias formem estruturas mais ou menos "fechadas" de conceitos significativos e que se referem a conjuntos específicos de fatos e fenômenos. ficou claro que para Sócrates a ciência é um conhecimento "amarrado" e possui um encadeamento racional. teorias. revolucionário. Podemos começar afirmando.

logo perceberam que o caminho mais curto entre dois pontos não era uma linha reta traçada no mapa.seamento e a metodologia dos programas de pesquisa. no entanto. a partir do início deste século. Ela foi formulada para explicar o movimento e a interação de corpos em termos de espaço e tempo. Leverrier notou discrepâncias na órbita de Mercúrio e começou a trabalhar na mesma direção anterior. Estes e outros exemplos podem ilustrar o caráter "problemático" da ciência. utilizando simplesmente papel e lápis. Ofal. dadas a velocidade e a posição de um corpo é sempre possível se saber qual será sua posição e velocidade em qualquer outro ponto ou instante. O sucesso de tal descoberta foi completamente impressionante. Foi exatamente usando este potencial explicativo e preditivo da mecânica que Leverrier. iniciou-se um longo e minucioso trabalho de construção de explicações que cuirninou com a teoria da relatividade de Einsteiii Quando os gregos construíram embarcações para navegar o Mediterrâneo e formularam os primeiros conhecimentos de náutica. O. e por volta de 1842 forneceu as coordenadas do novo planeta.cuja atração gravitacional estaria provocando tais mudanças. engendrar programas de pesquisa 19 cujo destino tem sido além de consolidar a teoria e fazê-la ocupar todos os espaços de explicação. tanto a passada quanto a futura.quaisquer que sejam são compostas por certos tipos de proposições que não se referem diretamente a . Pouco depois. Marx.Vulcano . 1. então. indicando a grandeza e o poder da mecânica. Começou. O caráter preditivo da teoria era tão poderoso que. e efetivamente o fazem. T. o astrônomo Gaile descobriu o novo planeta no exato lugar indicado por Leverrier. Além de surgirem problemas. LAKATOS. não foi agradável.vagabundos". devemos discutir o aspecto observacional das teorias. Todos conheciam as irregularidades da órbita de Urano e Leverrier partiu do pressuposto de que os desvios de Urano tinham como causa a presença de urna grande concentração de massa . Dissemos anteriormente que as teorias não derivam da observação e questionamos a própria idéia de observar. até o momento em que os fatos não explicados pela teoria. Este fato foi facilmente absorvido mais tarde por todos os navegadores europeus e induziu o aparecimento de discrepâncias na geometria até que geometrias não-euclidianas foram desenvolvidas. concluindo que a observação é precedida por algum tipo de teoria. As grandes construções. que é o papel da expectativa na construção das teorias. Darwin. contribuir para sua p:ápria superação e. Com isto se garantiu também o progresso e o crescimento do conhecimento.um outro planeta . as anomalias. desabar frente à relatividade. a mecânica foi (e ainda é) uma teoria extremamente fértil. No fundo. Para a mecânica. Mas a história é curiosa. KUHN. que engendrou um amplo programa de pesquisa para a solução de muitos quebra-cabeças. 20 Do observatório de Berlim. Finalmente. certa vez. são nitidamente de caráter conjectural e assim o foram concebidas. A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. Ou seja. in LAKATOS e MUSGRAVE. como as de Newton. A estrutura das revoluções cient(ficas. Popper tem acentuado que as teorias científicas são conjecturas e não derivam da experiência. desta forma. promover o crescimento e progresso do conhecimento. Einstein e Bohr. sua posição e massa. Laplace afirmou que com a mecânica se poderia conhecer toda a história do universo.que estaria "atrapalhando" Mercúrio. 19. esta afirmação questiona um dos pilares da ciência moderna. A resposta. Um bom exemplo disso foi a teoria newtoniana. tendo até batizado o novo planeta . eram tão numerosos que novas teorias tiveram que ser formuladas para explicar adequadamente a realidade. a calcular as dimensões do planeta. Não se descobriu nenhum planeta novo e a própria mecânica newtoniana foi colocada em xeque para. as teorias devem. descobriu Netuno. Isto deriva do fato de que as teorias . Freud.

Estas conjecturas é que abriram caminho para o desenvolvimento da moderna ciência física. Se os dois corpos fossem unidos. Era o chamado horror vacui.mostram um pouco do processo de construção das conjecturas. M. para resolver o problema. atração. no caso dos léptons e hádrons. portanto. são exemplos disso. Galileu supôs que a velocidade dos corpos não tem relação com seus pesos. Daí para a frente ele pesquisou qual a relação entre a queda dos corpos deslizando em planos inclinados e os espaços percorridos para. maior do que cada um deles. citado em LOSEE.observáveis: são os conceitos teóricos. Os conceitos teóricos . se subíssemos uma montanha.com a experiência de Pérrier para comprovar a idéia da existência da pressão atmosférica e de que esta varia com a altitude . por outro lado. Galileu contestou esta teoria. São as famosas "experiências de pensamento" 21 que foram. de Galileu . conjecturas na forniação das teorias. Galileu é considerado o pai da ciência moderna e do método experimental. mas com os tempos de queda. O resultado é que a união dos dois deveria diminuir a velocidade do sistema. causalidade. Explicava-se o comportamento das bombas aspirantes . Os conceitos de força. p. F. 22. Com a experiência de Pérrier aconteceu algo semelhante.cujo liquido sobe pelo cano em função da elevação do êmbolo . o maior tenderia a arrastar o menor e este retardar aquele. Discuiso sobre as duas novas ciências. popularizadas por Einstein. Torriceili e Pascal supuseram que este fenômeno poderia ser melhor explicado admitindo-se que o ar tem peso. Para a teoria aristotélica. J. Foi o que fez Perrier em 1647. formulando um exemplo para mostrar que ela é contraditória. seria maior.e 1647 . energia etc. Logo. 13ASSALO. As "expetiências de pensamento"em física. Neste caso. sua velocidade. Ele simulou as mesmas condições de um experimento para a base 21. CARTIER. A história da ciência está cheia de exemplos que mostram o papel destas 20. . 22 Neste sentido. Alguns afinnam até que Galileu nutria um certo desprezo para com a experiência. Isto é contraditório em relação às formulações iniciais e. Nos Diálogos concernentes às duas novas ciências ele chega a afimiar que "o conhecimento de um único fato adquirido através da descoberta das suas causas prepara o espfrito para compreender e certificar-se de outros fatos sem a necessidade de recorrer à experiência". é famosa sua formulação da teoria da queda livre dos corpos. mais tarde. cii. em seguida. a pressão deveria ser menor. valor. já que há menos ar em seu topo do que na sua base. O enigma do cosmo. inconsciente. a velocidade dos corpos em queda livre depende de seus pesos. mas a outros conjuntos de proposições (que.. se uníssemos os dois corpos teríamos a fomiação de um terceiro corpo cujo peso seria a soma dos outros dois e. in Ciência e Cultzira. formular o conceito de inércia através de nova experiência de pensamento. Dois fascinantes episódios ocorridos entre os anos de 1637 . Mas. hádrons. Tomou ele dois corpos de diferentes tamanhos e. 68. GALILEU. se conflmdem com as equações matemáticas que os descrevem) que acabam por formar as teorias às quais estes conceitos estão vinculados. op. léptons. muitas das experiências a que se refere não foram realmente executadas.que na maioria das vezes têm grande poder explicativo constituem o ceme das teorias e as próprias conjecturas.com a publicação dos Diálogos concernentes ás duas novas ciências. a não ser em pensamento. Eles não se referem diretamente a entidades.atribuindo-se à natureza a propriedade de ter honor ao vácuo. sendo que os corpos mais pesados caem mais depressa que os mais leves. portanto. No entanto. por hipótese. com velocidades naturais diferentes.

e este tende a ser sempre ampliado. Tópicos.e o cume da montanha. Até agora discutimos a problemática do conhecimento assumindo o conceito de verdade sem qualquer discussão. cii. O enigma do cosmo. "chutes" etc. KUHN. 23. Iii: Ciência e Cultura. oferecendo pouco a pouco . constatando que no cume a pressão diminuía. e este é o chamado contexto da jusfificaçõo. CARTIER. T. R. Isto. podem interferir decisivamente. É esta a imagem k limiana 23da ciência. De fato.conseguido operar esta diferença e criar um conhecimento científico independente. Discutiremos a seguir algumas interpretações sobre a verdade e sua relação com o desenvolvimento científico. até que esbarra em ocorrências que não podem ser explicadas pela teoria. no entanto. as teorias e as hipóteses. com as próprias teorias. op. Galileu e Newton.novas referências para a organização do pensamento. O acúmulo destas ocorrências pode provocar crises na teoria e.na prática . M. SP: Abril. 27 Existem muitas formas de conhecimento que partilharam e ainda partilham. As "experiências de pensamento" em física. que fornecem explicações tanto para as regularidades como para as irregularidades da natureza. Podemos concluir dizendo que as teorias científicas são conjecturas que se apresentam como estruturas. As descobertas científicas são realizadas dos mais diferentes modos. RJ: Primor. em maior ou menor grau. religiosas e metafísicas. A idéia de verdade sempre mereceu grande atenção por parte dos filósofos e cientistas exatamente por sua íntima relação com o comportamento científico e. 3. isto é. BASSALO. essas várias formas de conhecimento se mesclaram e. ARISTÓTELES. embora não tivessem . Embora não tivessem conseguido se libertar inteiramente da metafísica. como a de transportar um balão parcialmente inflado para o cume da montanha. no fundo. SP: Brasiliense. Foi somente a partir do Renascimento que uma nova "visão de mundo' 'começou a rivalizar com as velhas concepções mitológicas. 1984. então. Deve haver. não há uma lógica de descoberta. Durante muitos séculos. 1978. Esta tarefa foi executada. A conjectura sobre a pressão atmosférica foi depois confirmada por outras experiênc ias. não significa que tal conceito seja consensual ou que não tenha implicações na própria concepção de teoria e ciência. Estas estruturas engendram programas de pesquisa. cada um deles deu um passo decisivo no pmcesso de formação da ciência . não há um método de se fazer descobertas. no entanto. 1983. Este processo de formação de conjecturas é também chamado de contexto da descoberta. Bibliografia ALVES. CHALMERS. onde intuições. 36 (3). 1978. 1978. um método para se testar as conjecturas. What Lç this thing called Science? Queensland: ljniversity ofQueensland. São as formas artísticas. onde novos fatos são incorporados ao campo de explicação. juntamente com o conhecimento científico do papel de realizar a explicação da realidade. A. acidentes. Dissemos anteriormente que os gregos fizeram uma distinção entre o saber mítico e o racional. pelos chamados fundadores da ciência moderna: Copémico. a partir do Renascimento. R Filosofia da ciência. Descartes. F. se impuseram como formas dominantes na organização do pensamento. religiosas e mitológicas de conceber o mundo. onde ele se toma mais inchado. surgem novas conjecturas que tentam dar conta das discrepâncias.

N. POPPER.za Ed. ______ Conhecimento objetivo. 1975..que baseiam suas explicações nas causas primeiras . G. 1949. LAKATOS E MUSGRAVE. a existir a concepção de que as sociedades modernas. W. Introdución a lafilosofi'a de la ciencia. Ri: Zahar. SALMON. na Idade Moderna será a ciência que ocupará o lugar de honra na cultura. In: Os pensadores. A. 1 Pierre Grimal coloca a questão entre o mito e ciência da seguinte forma: É objetivo do mito. PLATÃO. M. explicar o mundo. que percorre três fases distintas: a teológica. K. KUHN. ______ A república. Na introdução da enciclopédia Larousse World Mythology. R. M. Ri: Globo. Introdução histórica à filosofia da ciência.. A estrutura das revoluções cient(ficas. 1982. HANSON. capitalistas. 1961.é o marco.moderna. SP: Edusp. O abandono da teologia e da metafísica . 1978. o desenvolvimento dos povos passa pelo desenvolvimento do espírito humano. Padrones de descubrimiento. Londres: Wats and Co. 1978. W. Mas vejamos mais de perto as diferenças entre mito e ciência. de Comte. SP: Edusp.. Um pouco desta concepção deriva da difusão da "lei dos três estados". SP: Abril. B. 1975. fazer seus fenômenos inteligíveis. Conjecturas e refutações. SP: Abril. são estritamente racionais e científicas. 1n Ospensadores. da moderna civilização e indica o seu progresso. CIÊNCIA E VERDADE Heitor Matailo Jr. Brasilia: UnB. Metodologia da pesquisa tecnológica. 1978. SP: Abril. 1979. Dado um . SP: Edusp. Todo este processo de forniação da ciência moderna. procura explicar fatos e fenômenos com base na investigação empírica e na busca de relações constantes entre eles. que podemos caracterizar como sendo de desantropomorfizaçõo da natureza. Fe'don. SP: Ibrasa. A fase positiva. A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. 1978. 1968. J. ______ Dois dogmas do empirismo. LOSEE. assim como da ciência. 1978. Madri: Alianza Ed. as transformações sociais econômicas e politicas FARRINGTON. ______ Head and hand in Ancient Greece. que tem a ciência como suporte. 28 29 repercutiram na "cultura geral" da época e foram produzindo novos padrões de referência. Enquanto na Idade Média a religião e as escrituras eram os paradigmas de pensamento. Lógica. Progressivamente. 1978. sendo Comte. ______ Ménon. Doença mental e psicologia. Segundo ela. seu propósito é suprir o homem com os meios de influenciar o universo. METAFfSICA. inclusive. RJ: Tempo Brasileiro. de permitir sua apreensão material e espiritual. coincidiu historicamente com o desenvolvimento do capitalismo e com a expansão ultramarina. 1970. Epistemologia naturalizada. SP: Perspectiva. México: Fondo de Cultura Econômica. 1977. sld. SP: Edusp. 1970. FOUCAULT. M. Capítulo II MITO. QUINE. Objetividad en la investigación social. questionando velhos dogmas e fornecendo urna nova direção e sentido às investigações. A ciência grega. 1975. a metafísica e a positiva. As mudanças foram tão notáveis e as realizações da ciência e tecnologia tão incríveis que passou. SP: Hemus. VARGAS. Como a ciência. Madri: Alian. 1974. A sociedade aberta e seus inimigos.. MYRDAL. WARTOFSKY. T. Ri: Tecnoprint.

. por natureza. foram feitas pelos cristãos. Assim. onde um deus onipotente sempre se manifesta para manter a verdade.de que falamos no capítulo anterior . quando posta em dúvida. As cruzadas e as guerras religiosas. tem seu lugar natural a depender da propozção que cada elemento ocupa na sua composição. onde desejos e vontades são atribuidos à natureza. Menelau desafiou Antiloco a fazer um juramento a Zeus de que não havia cometido nenhuma infração. mito e ciência são semelhantes? De fato nao o são. Nas sociedades míticas. por exemplo. e. É a disputa entre Antíloco e Menelau quando dos jogos comemorativos da morte de Pátrolo. que o teria fulminado com um raio. então. está abaixo dos outros.na idéia de que o céu é a morada dos deuses e. Uma guerra entre povos tradicionalmente pacíficos poder ser empreendida se fizer sentido numa concepção geral de mundo. esta forma de solução de disputas também foi muito comum.no que diz respeito ao mundo sublunar na sua concepção da composição da matéria. A visão mítica fornece uma espécie de "quadro do mundo" para que possamos refletir sobre ele. A teoria do movimento de Aristóteles se baseia . Uma das principais características da visão mítica do mundo é o seu humanismo. Entre os gregos. qualquer objeto quando retirado de seu lugar natural. Antíloco venceu a disputa. por isso. Este tipo de prova recusa a teste.universo cheio de incertezas e mistérios. a responsabilidade pela instauração da verdade caberia a Zeus. uma vontade de permanecer no lugar que. A terra é o elemento mais pesado e. Os dois contendores disputavam uma corrida de carros e no circuito foi colocado urna espécie de fiscal. Na Idade Média.nunha. O ar fica acima da água e o fogo acima do ar. terra. mas é mais leve que a terra e. A água é mais pesada que o ar. uma testemunha. gerava um processo que saía da órbita humana para ser resolvido pela vontade dos deuses. tanto quanto a ciência. a verdade era dada pela voz do enunciador e. Se ele houvesse jurado "em falso". o repouso. a idéia de verdade é instaurada pela própria cosmologia. apesar dessa pretensão geral de suprir uma mesma necessidade. mas Menelau o contestou.no que diz respeito ao mundo sublunar (dos astros) . os objetos físicos têm um desejo. está imóvel no centro do universo poirpie "já caiu" em virtude de seu peso. Antíloco se recusou a jurar inocência. e transpõe sua eficácia para um plano superior. bem como várias espécies de conhecimentos empíricos que vigoram como verdadeiros numa certa época. que se encarregaria da regularidade da corrida. Para Aristóteles. Ou seja: os mitos. portanto. os objetos são formados a partir dos quatro elementos principais que ocupam seu lugar natural no mundo sublunar. Foucault2 mostra este aspecto tomando um episódio narrado por Homero na Ilíada. por isso. por exemplo. os mitos intervêm para introduzir um elemento humano. A 1. fica acima desta. Podemos dizer que uma cosmologia comporta um ou mais sistemas religiosos e mitológicos. ou por uma combinação deles. empreender ações que sejam coerentes. mostrando assim a sua culpabilidade. por isso. Ao invés de se chamar a testemunha para dirimir a dúvida. a cosmologia e o senso comum . a evidência. Mas. Na teoria aristotélica. onde corpos com diferentes pesos têm diferentes velocidades em queda livre e . que tinham como um de seus mandamentos o "não matarás". 9. por exemplo. Qualquer objeto do mundo sensível é composto por um destes quatro elementos. embora possam parecer contraditórias ou incompreensíveis. p.são equivalentes. circular e uniforme. lhes foi destinado. por exemplo. Num certo sentido. pretendem responder à nossa necessidade de dar ordem e coerência ao mundo. os astros têm um movimento perfeito. deve voltar para ele para satisfazer uma vontade da natureza. Larousse World Mythology. afirmando que ele cometera muna irregularidade.

onde todos alienariam suas vontades com o fim de preservar a espécie. por isso. para o Deus cristão. em erro. para Hobbes. No entanto. colocando em risco a sua sobrevivência. que as administrará como Vontade Geral. a cosmologia. os homens são mesquinhos.desde que obedecidas as regras instituidas pelo contrato . Para Rousseau.a ausência do desenvolvimento do método experimental. é chamado de Estado de Sociedade. individualistas e objetivam unicamente a própria felicidade. Nesse momento os homens vivem segundo a ordem dos instintos e não há propriamente sociedade. . É preciso que se diga que a mitologia não se confunde com a metafísica. Este deveria ser formulado em tennos de encadeamento racional e de verdade. A verdade e as formas jun'dicas. inviabiizando qualquer tipo de associação. foi dissolvida na ciência grega. e a autoridade de seu postulante não foi questionada até o Renascimento. na Idade Média. é chamado de Estado de Natureza. os gregos estabeleceram claramente as regras de conhecimento. a vontade geral se expressará em termos de Democracia e. Os gregos submeteram as explicações teóricas ao mito de criação do universo e a uma tentativa de formar uma imagem global da composição da matéria. as escrituras e São Tomás de Aquino não poderiam errar. Suas afirmações não podem ser empiricamente comprovadas (ou falsificadas) porque tratam da suposta natureza das coisas. Isto decorre. O primeiro deles é prévio a qualquer tipo de acordo de convivência social e. o que permitirá que sua associação seja . M. as teorias criam uma espécie de cinto de proteção3 para seus enunciados factuais. Tomemos dois exemplos das ciências humanas: as teorias de Hobbes e Rousseau sobre a sociedade e as formas de governo. Zeus não poderia deixar Aristóteles cair 2. Assim. de que qualquer teoria está inserida numa certa epistemeÇ que institui valores e critérios que acabam por comandar procedimentos científicos (vimos há pouco a recusa à evidência dos gregos). Com uma tal natureza.Se pensanrios na universalidade oeste procedimento na Grécia e. O segundo momento é posterior a uma espécie de acordo para formalizar as regras da convivência social e. Apesar dessa característica geral da época. os homens se consumiriam em guerras e disputas. sendo que esta é conseguida quando se exerce poder. FOUCAULT. pode-se notar que todas as teorias são construídas tendo como base enunciados metafísicos. assim como. A ciência aristotélica foi observacional mas não-experimental. A metafísica como modernamente é entendida . neste contrato. ao contrário. Platão . ou vsão mítica do mundo. os homens alienam suas vontades ao Soberano.é urna forma de saber que também não se submete à verificação.pelo menos em parte .igualitária e libertária. Para Hobbes. em termos de Absolutismo de Estado. Por que esta diferença? As razões disto estão nos pressupostos metafísicos sobre a natureza dos homens. isto é. Ver LAKATOS e MUSGRAVE. para Hobbes. para Rousseau. Pode-se entender também porque.estava filiado à tradição hermética que tinha em Pitágoras e seu culto aos números um insuirador. suas teorias partem da idéia de que a sociedade vive sempre dois momentos. e são por natureza bons. A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. iguais. A passagem do Estado de Natureza para o Estado de Sociedade é feita mediante um Contrato Social e. Só que. Daí a necessidade de um contrato 3. De outro lado. de um lado. É que o aumento de seu número voltaria a gerar o processo de disputas pelo poder e isto se expandiria para toda a sociedade. depois. Os dois autores são considerados contratualistas. da natureza do ser. filosóficos. em sua filosofia e em sua metafísica. podemos explicar . os homens nasceram livres. o governo deve ser exercido pelo menor número de pessoas possível.que nos deixou uma adniiravel reflexão filosófica . por isso.

É aquela que é verdadeira independentemente dos acontecimentos da realidade. então com muito mais razão a terra deve girar.a resposta-chave vai ser procurada fora das teorias. onde p é uma proposição qualquer . não cessaram de exercer influência entre cientistas famosos. A proposição "poderá ou não chover hoje" é um exemplo disso. em especial. não pode ser testada. por ser circular e uniforme. 2. Se o movimento dos astros é perfeito. resquício da influência pitagórica que ainda se mantinha na Idade Média. 6 Uma hipótese ou teoria que. só pôde ser . São conhecidas as razões que influenciaram o surgimento da ciência moderna e.Nas ciências naturais. Quando Kepler passou a trabalhar sobre a hipótese copernicana. E. metafísico e suas variantes em termos de teorias précientíficas prescindem como vimos. As bases metafiicas da ciência moderna.cuja forma lógica é (pv Øp). 5. as afinnações empíricas ou normativas das teorias se baseiam nesta suposta característica intrínseca do ser humano ou da natureza. não pode ser verificada. Uma das coisas que diferencia 4. Este resultado teórico. Os conhecimentos mítico. por princípio. O Sol é a morada de Deus porque está no centro de tudo. a de que os governos devem ou não ser democráticos ou de que o principio de incerteza não é aceitável . Qualquer que seja o comportamento climático ela será verdadeira. vai ser procurada na metafísica subjacente a elas.é chamada de tautologia. aliás. onde um dos argumentos utilizados por Einstein para a não-aceitação do princípio da incerteza e das soluções probabilisticas era de que no micromundo todo evento é univocamente determinado. A. Exemplo disso foi a polêmica travada por Einstein-Bohr sobre a mecânica quântica. mas entre eles os de que: 1. Assim. não deve ser incluída no rol da ciência. mas não é possível verificá-las na época de sua formulação. 3.4 Copémico postulava que o sol estava no centro do universo e que a terra e os outros astros circulavam ao seu redor por vários motivos. H. pois o "Senhor não joga dados". ruas não de ciência. 33 o conhecimento científico das outras formas de discurso (mítica. o papel da metafífica também pode adquirir grande importância. na aceitação da teoria copernicana. Este tipo de proposição . Einstein. Ela passa a ser simples objeto de valoração. no entanto. o critério de demarca çõo entre ciência e não-ciência. BROWN. BURT. pela sua própria forma. Toda vez que se colocar em xeque um conceito ou uma proposição por exemplo. É impossível verificar uma hipótese como a de que o céu é a morada dos deuses ou de que os objetos têm seu lugar natural ou ainda de que a alma é imortal. da idéia de vercaçõo. Isto porque se ela não pode ser testada também nada podemos saber sobre seu valor de verdade. alcançado em 1915. uru dos pilares do conhecimento científico. Existem hipóteses ou teorias que podem ser verificadas em princípio. Este é. religiosa e poética) é o fato de que suas afirmações podem ser verificadas. O Sol deve estar no centro porque irradia luz e é mais excelente do que os outros astros que não a tem. Vimos no capítulo anterior as diferenças entre as proposições sobre as quais podemos dizer se são verdadeiras ou falsas e aquelas sobre as quais não podemos. e protegem as teorias de certos questionamentos. Deus não faria o seu próprio astro menos perfeito do que os outros. seu entusiasmo radicava-se na beleza do sistema e na possibilidade de encontrar harmonias matemáticas. As questões metafísicas. Um dos postulados da teoria da relatividade era de que a luz poderia ser deflectida em presença de grandes concentrações de massa. 1-lá outro tipo de proposição que. podem ser testados.

O experimento de Lavoisier para testar a existência do flogLstico foi crucial para o seu abandono. A primeira delas é que a verdade . Filosofia da ciência.verificado em 1919. Atingir a verdade seria. eliminando-se tudo aquilo que esconde a essência dos fenômenos. que há um certo expediente utilizado como forma de preservar da falsificação a teoria ou hipótese que está sendo testada. portanto.será definitiva. que não é". compensaria positivamente depois da queima. Este fio era o "funículus".9 Há. É interessante notar. portanto. É a utilização das chamadas hipóteses ad hoc. Ele era invisível e. quando de um eclipse do sol. assim como para os modernos essencialistas Hegel e Marx. K. op. A idéia de Verdade aparece. . os adeptos do flogisto passaram a defender a hipótese de que este tinha "peso negativo". somente a essência adquire o estatuto de permanente e. Não está em questão aqui o modo como isto será feito. Depois da experiência de Pérrier. Esta concepção da verdade temmuitas conseqüências epistemológicas. Autobiografia intelectual. São as hipóteses auxiliares introduzidas para salvar a teoria de uma evidência contrária. Esta tradição de pensar a verdade foi inaugurada por Platão com sua Teoria das Formas (cap. Existem muitos casos e teorias que se sustentam pela inclusão de novas hipóteses ad hoc. o mercúrio. os plenistas diziam que o horror vacui da natureza manifestava-se no barômetro de Torriceili através de um fio invisível preso ao topo do tubo e que sustentava 6. então. atingir a essência da realidade. que é. poderia derrubá-la caso os resultados não fossem satisfatórios. não poderia ser jamais verificado. 1) e a pressuposição de que existe urna essência verdadeira e pennanente em oposição às aparências. que é necessariamente pela utilização da linguagem como um mero código de interposição entre a realidade e o sujeito conhecedor. um outn.quando encontrada . HEMPEL. Quando Lavoisier8 mostrou que o peso do resíduo da combustão era maior do que o peso do material antes do processo. Estes episódios foram narrados por C. Para Platão. mas sim o fato de que haverá um processo de clarificação do real. 8. A pesagem inicial e final dos metais submetidos à combustão mostrou que depois de queimados os produtos pesavam mais do que antes.sentido para verdade. então. por identificar a verdade com o ser (no sentido de existir) da realidade. Esta concepção é também chamada de ontológica. POPPER. tornando falsa a antiga hipótese de que na combustão o flogisto se desprendia da matéria. BROWN. Filosofia da ciência natural.edo que não é. no entanto. Da verdade Em toda nossa discussão está implícito que existe alguma coisa que pertence à realidade e alguma coisa que se constitui como um discurso sobre esta realidade. chegando até a imunização completa. deixando de pertencer ao domínio da ciência. As aparências são mistificadoras e escondem a verdadeira natureza das coisas. e. que são fugazes e enganadoras. já que as dimensões das massas envolvidas no experimento de comprovação dessa teoria não poderiam ser reproduzidas em laboratório. É quando de sua aplicação a urna realidade. A lógica da pesquisa cient(fca. H. por isso. Neste momento a teoria não mais poderá ser testada. no entanto. R. ALVES. como a correspondência existente entre este discurso e a realidade. cit. cognoscível. Aristóteles foi o primeiro pensador a formular esta relação quando definiu a verdade como "dizer do que é. 7. ilusória etc. que é permanente e verdadeira. Diz-se de uma realidade que é verdadeira em oposição à aparente. A idéia de experimento crucial surge quando existem teorias concorrentes sobre um mesmo fenômeno e é preciso decidir por uma delas. idem. O fato é que este experimento era crucial para a teoria. ou seja.

então não pode ser refutada. Há uma assimetria . Mas voltemos à nossa discussão da verdade como correspondência entre fatos e teorias. 13 Segundo esta concepção. por que não se instaura. mas o engano e o en-o retornam sob outra fonua. teremos o seu estabelecimento. não aparece? É necessário. K. emprestando à teoria uma característica ontológica que por si só já oferece uma tendência à imunização. dizem os essencialistas. pois bastaria a formulação de uma teoria que representasse fielmente os fatos.atingir a verdade. 11 Por mais que uma teoria tenha evidências comprobatórias não há nenhuma garantia de que um fato novo não venha a falsificá-la.para esta concepção . Poderíamos caracterizar a tese da verdade como correspondência como a Tese dos Dois Mundos: o mundo dos fatos e o mundo das idéias sobre os fatos.entre a confiimação e a falsificação. Mas quantas verdades não foram abandonadas Quantos fatos e teorias que pareciam definitivamente consolidados não foram corrigidos ou abandonados! A história da ciência tem mostrado que não existe uma "coisa' '(teoria. o mundo das proposições e teorias "fala"sobre o mundo dos fatos e tenta representá-lo o mais fielmente possível. mesmo daqueles considerados básicos. proposição ou fato) que possa seriamente ser designada como verdadeira. Em segundo lugar. Existem teorias. Já discutimos a idéia de fatos e mostramos que eles dependem das teorias. É como se houvesse uma constante luta entre o erro e a verdade e esta última perdesse por causa dos interesses egoístas de alguns homens ou classes. ao contrário. todas as teorias. F. 35 por Popper. Assim. Conjecturas e reflita ções. Se a verdade é a correspondência com os fatos. das proposições e teorias. Este princípio mostra que uma teoria não fica mais forte e nem melhor com a inclusão de novos resultados que a confirmem. Nós jamais teremos a completa e absoluta certeza de termos atingido a verdade. J. Se uma teoria é verdadeira poue atingiu a essência da realidade. POPPER. uma vez encontrada uma teoria que lhes corresponda. proposições e fatos que hoje são verdadeiros. na medida em que se aproximaria da "representação fiel dos fatos". bem como a sucessiva aproximação em direção à verdade. se uma dada teoria é considerada verdadeira então não há nenhum motivo para que se realizem pesquisas. 10 Se a verdade existe. que se faça sempre um enorme esforço para desvendar a realidade de sua aparência e falsidade. Nesta medida. 12. portanto. Diciondrio de filosofia.como acentuou Popper 12 . coisa que foi bem acentuada 9. K. MORA. por princípio. do desenvolvimento científico. proposições ou fatos que hoje consideramos verdadeiros podem deixar de sê-lo amanhã. ou o são relativamente a uma certa perspectiva. Não há esse pretenso mundo dos fatos como algo constante e imutável. A concepção marxista é a típica representante desta visão. Discutimos no capítulo anterior esta relação e mostramos a vulnerabilidade da idéia de "fato". Isto significa que. POPPER. pois a essência já é o conhecimento integral e último da realidade. A lógica da pesquisa cien:(fica. Mas.pois a essência é permanente. 10. então. 11. a um certo contexto. onde o interesse de classe burguês conspira contra a instauração da verdade (seja ela no campo teórico ou prático) e do progresso da humanidade. Há ainda outra característica do essencialismo. um inico fato que lhe seja contrário é suficiente para falseá-la. A história da ciência revelaria este esforço de representação. ibidem. . que é uma certa visão conspiratória do mundo. Esta concepção é inibidora da busca de novos conhecimentos e. seria sempre possível . verdade e essência coincidem.

que é a da busca da universalidade e da formulação das leis sobre as regularidades. J. VI. 4. ela pode ser refutada e substituída por outra? Isto levou à caracterização das teorias (principalmente na física) como meros instrumentos de entendimentos dos fatos e não propriamente como verdades sobre eles. que sâo Manuscrito e Revista Filosófica Brasileira. Filosofia da ciência. Manuscrito. Podemos dizer que os dois mundos não são independentes como o realismo ingênuo supõe. a qualquer momento. 2. 1. Hamlyn. SP: Brasiliense. progride. MORA. 1965. Brasflia: UnB. C. Londres. Como poderíamos aceitar o fato de que a ciência se modifica. F. 1986. então. ruas por explicar certas ocorrências melhor do que outras teorias concorrentes. RI: Zahar. O rápido progresso científico e a refutação das grandes teorias clássicas. BROWN. Vol. Vol. Mas. Capítulo III A EXPLICAÇÃO CIENTÍFICA Heitor Matalio Jr. UFRJ. Maciri: Alianza Ed. Eles são interdependentes. ou por não ter sido falseada. a de que não temos nenhuma garantia de a termos atingido. no entanto. III. Não existem dois mundos contrapostos como o dos fatos e o das teorias. a concepção da verdade como correspondência entre os fatos e as proposições e teorias é aceitável desde que sejam feitas algumas ressalvas: 1. isto é. Causalidade Começaremos nossa discussão apelando novamente para Platão. 1983. BURr. paradigrnas de verdade e coerência. 1984. geraram uma certa instabilidade na ciência. De qualquer maneira. É a noção de causalidade que passaremos a discutir.13. R. 1983. o que podemos aceitar como sendo a verdade da Verdade? Desde meados do século XIX vem ocorrendo um distanciamento e um crescente abandono da noção de verdade no campo das ciências naturais. Mas.A. E. Unicamp. SP. SP: Brasiliense. 1981. As bases metafísicas da ciência moderna. H.. Esta conclusão pode parecer um pouco pessimista ou até mesmo decepcionante. 3. Como postular a veracidade de uma teoria se. se não aceitarmos que as verdades são transitc5rias? Bibliografia ALVES. Filosofia da ciência natural. 1-la duas revistas que tratam exclusivamente sobre a Verdade. Neste sentido. 37 Larousse World Mythology. Dicionário de filosofia. 1. FOUCAULT. n. Uma teoria será verdadeira não por estar adequada à realidade. 1983. 1986. que através de Ménon 1 nos diz: . HEMPEL. O tema da explicação científica surge dentro de urna expectativa que já foi abordada nos capítulos anteriores. Não podemos chegar a verdades definitivas. uma primeira aproximação para uma discussão mais detalhada surge com uma noção que é muito comum tanto entre cientistas como no pensamento comum. Einstein. M. sua aceitação nos parece urna condição fundamental de aceitação do progresso científico. Os fatos básicos são aceitos convencionalmente e podem ser modificados com o avanço da ciência. Com estas ressalvas nos aproximamos da concepção popperiana da verdade. A verdade e as formas jurídicas. Revista Filosofica Brasileira.

Só podemos dizer que uma força de tal magnitude e em tal direção foi aplicada porque há uma força em sentido contrário e de mesma intensidade a obstruí-la. mas não consentem em permanecer muito tempo na alma do homem e não demoram muito a escapar. Nos casos 4 e 5. como fator explicativo. pela própria forma do enunciado. São eventos concomitantes e. Os exemplos 6. as encadeia. as liga por um raciocínio de causalidade. 6) A radioatividade causa mutações genéticas. isto vai ser refletido no aumento da pressão e da temperatura. 7) A crise econômica. em um caso particular. 5) A toda ação corresponde uma reação de igual intensidade e de sentido contrário. as afirmações são invariantes e de caráter necessário. universais. Neste caso não se pode estabelecer uma relação de invariância entre as condições do fato e o . No exemplo 7 expressa um evento que é multideterminado. O exemplo 1 relaciona. A relação é de caráter acidental. pois se refere a um único caso e não pode ser estendida. O exemplo 3 é o de uma causa primeira e necessária que gera todos os outros eventos do mundo. Neste caso. existem várias causas. quando aumenta a energia cinética das moléculas de um gás a volume constante. há uma suposição apriorística de que existe um evento anterior tal que é o responsável e o gerador do milagre. No exemplo 4. O exemplo 2 é um estranho caso de uma relação onde só se conhece um dos componentes. Todos nós usamos cotidianamente expressões onde um princípio de causalidade é o motu da explicação. No 6. mas indeterminada. Aqui não há um "antes" e um "depois". A aplicação de urna força não causa um outro evento que seria a reação contrária. Assim. a outros casamentos. como. Neste caso. 8) A ingestão de 5g de cianureto causa inevitavelmente a morte nos animais com peso inferior a 350 Kg. mas não se sabe a importância específica de cada uma delas na determinação do fato. Todos os exemplos apresentam alguma espécie de reta çõo entre eventos diferentes. Neste caso. É a causalidade. a relação aparece como necessária. Nesta citação aparece uma idéia que não tínhamos trabalhado ainda. Neste caso também não há um "antes"e um "depois". aparecendo como leis. PLATÃO. 39 A noção de causa atingiu um lugar importante tanto no senso comum como na ciência. Ménon. o que faz com que não tenham muito valor até o instante em que o homem as amana. a agitação social e a corrupção geraram o golpe de 64. qualquer evento pode ser reduzido a uma série cujo primeiro fator é Deus. valem um tesouro e só produzem o que é bom. o aumento da pressão não causa um aumento de temperatura. Digo "um princípio" porque não há unifonuidade em seu uso. 7 e 8 são diferentes dos anteriores. mas não se pode afirmar nem "como" e nem "quanto" o evento radioatividade causa o evento mutação. isto é. quando dizemos: 1) Maria se casou com Paulo por causa de seu dinheiro. que é a energia cinética das moléculas. 3) O universo existe somente através de Deus. afirma-se que existe uma relação entre fenômenos. 1. pois pressão e temperatura são expressões de uma única e mesma coisa. a fugir. o dinheiro de Paulo com um casamento. 4) O aumento da pressão de um gás em volume constante ocasiona um aumento de sua temperatura. por exemplo.Pois estas (as opiniões certas) enquanto permanecem. 2) Os milagres têm causa desconhecida. Da mesma forma é o exemplo 5.

ser utilizada (como de fato o é) nas descrições dos períodos históricos.mesmo que transformada numa proposição universal. • a produção científica reduz a dependência tecnológica. A idéia que aparece como principal é a ocorrência de eventos sucessivos no tempo e de que tal sucessão tem caráter necessário. A simples enumeração do que se supõe serem as causas do golpe de 64 não transfonna a proposição em verdadeira. podemos destacar três tipos de uso para o conceito causa: a) Relação Acidental entre Eventos Diferentes (ex. Em ambos os casos aparece a idéia de sucessão. c) Relação Invariante. onde dado o evento A (nos casos acima a primeira parte de cada pruposição) é possível se saber que ocorrerá o evento B (a segunda parte da proposição). Esta forma geral de cau'a [idade . Esta é a fonna mais tradicional de entendimento de causalidade e. de tal maneira que sabemos o "como" e o "quanto" de certa substância causam a morte em certos animais. como na descrição do exemplo 7 . Aqui se nota o "antes" e o "depois" do processo. . uma diferença que é expressa pelo fato de ser um fenômeno quantitativamente preciso em sua determinação. sem que seja possível a sua detenninação precisa . dado um certo evento A. 41 • o excesso de iodo provoca distúrbios na tireóide. a previsão de uma ocorrência e. O exemplo 8 . onde um evento anterior causa um outro evento posterior. Por isto. pois existem exemplos onde as condições estão dadas e não há golpes de estado.próprio fato. 4. já que se trata de um evento particular.seria factualmente falsificada. mas não sabemos quando. Não há a preocupação de formular uma lei invariante que possa ser útil na explicação de outros eventos similares. encontra-se o pensamento grego como o mais importante precursor. no entanto. Esta inteipretação de causalidade tem um inportante papel na explicação científica porque permite. onde a regra é o estabelecimento de uma relação não-determinada. Analisando os exemplos anteriores e agrupando-os segundo as características comuns. Necessária e Determinada entre Eventos Diferentes (ex. isto seria facilmente falsificado. 1 e 7). O exemplo 6 representa urna lista de outras situações similares como em: • movimentos tectónicos geram terremotos. em sua genealogia.como um princípio que estipula urna relação qualitativa entre eventos. isto é. Mesmo que fonnulássemos uma proposição geral na qual aparecessem somente as condições gerais iniciais e o fato "golpe de estado". no entanto. Sabemos que irá ocorrer. Mesmo o exemplo 7 é só aparentemente científico. 6).tem. Ademais. como em "A crise econômica. a proposição . 5 e 8).foi amplamente utilizada por todos os pensadores antes do nascimento da ciência moderna. Este tipo de utilização de causalidade é próprio das explicações de senso comum. b) Relação Invariante e Necessária entre Eventos Diferentes (ex. mas não de fonna precisa. a agitação social e a corrupção geram golpes de estado". de outro. Ela pode. este tipo de utilização está fora da ciência. mas como fator explicativo é de muito pouco valor. • a escassez de alimentos provoca aumentos inflacionários. ocorre sempre um outro B. a inferência de que um evento ocorreu no passado com base na análise do presente. Mas o desenvolvimento da ciência nos séculos XVI e XVII não se confonnou com a vaguidade do princípio e engendrou uma nova exigência: foi a Determinação dos fenômenos.que é do mesmo tipo do anterior . de um lado.

em outras palavras: após descobrir. o "quando" e o "quanto" da relação. como a chama e o calor. se a chama ou a neve se apresenta novamente aos sentidos. foi primeiramente criticada por David Hume em seu livro Investigação sobre o entendimento humano. E isto devido ao fato de que elas apareceram como verdadeiras leis da natureza. que é uma característica das coisas. a neve e o frio. Quando dizemos. foi a teoria newtoniana a primeira fomiu1aç estruturada em tennos de um detemiinismo causal estrito e com o instrumental adequado para realizar as tarefas de uma teoria científica tal como concebemos hoje. se deparamos com um fenômeno nunca antes visto. ou seja. 2 Esta posição que foi amplamente difundida e defendida pelos escolásticos. Assim. Para ele. Empirista radical. Portanto. por exemplo. mas de urna expectativa psicológica que nós criamos e alimentamos. porque o que chamamos de "evento" depende do estágio de nossos conhecimentos e não da própria natureza. Em primeiro lugar. Não se imaginava que elas pudessem. então estamos prontos a nos chocar e até mesmo a recusar urna nova descoberta que não se encaixe na teoria. Esta teoria ofereceu uma imagem do mundo como sendo totalmente previsível e passível de conhecimento desde que as condições iniciais de posição e velocidade dos corpos fossem conhecidas. O ceticismo de Hume quanto às explicações causais foi seguido por Bertrand Russeil. o princípio de causalidade não é da natureza. A estruturação da mecânica se fez tendo por base as conhecidas três leis de Newton. de causalidade. pela observação de muitos exemplos. portanto. Hume criticou severarnente a idéia da causalidade como uma concepção apriorística e injustificada da relação entre fenômenos. ser falsificadas ou mesmo abandonadas em favor de uma teoria melhor. Nos três tipos de interpretação da causalidade que abordamos. publicado em 1749. a mente é levada pelo hábito a esperar o calor ou o frio e a acreditar que tal qualidade realmente existe e se manifestará a quem lhe chegar mais perto. É o momento em que uma relação pode ser não apenas estipulada. ruas também determinada. e de unia conjunção habitual entre esse objeto e algum outro. que duas espécies e objetos. aparecem sempre ligadas. podemos notar que foi estendido a um "princípio do entendimento" uma característica que em filosofia se denomina de estatuto ontológico. (ji 153) Assim. que todos os . podemos dizer o "como". às vezes. Aliás. mostrando que ambas só resistem quando são definidas sem precisão. isto é. Historicamente. esta confusão já foi tanto cometida quanto extensamnente criticada. ' Ele começou por questionar as próprias idéias de evento e de sucessão. O efeito sempre difere radicalmente da causa e não . até hoje. No caso do princípio de causalidade. Ou. um dia. para Hume. se aprende nas escolas a mecânica clássica e não a relativística. Diz Hume: Toda crença numa questão de fato ou de existência real deriva de algum objeto presente à memória ou aos sentimentos. porque é só a experiência que pode nos fornecer a idéia de sucessão e. tanto os fenômenos que se quer explicar quanto o princípio que os explica acabam por ter o mesmo status: o de existirem na natureza. que durante muito tempo todos pensaram ser insuperáveis. Vimos no capítulo anterior que a idéia de verdade muitas vezes foi tomada como absoluta por uma incorreta identificação entre teoria e realidade. que aprofundou sua crítica. nunca saberemos o que lhe sucederá ou o que o antecedeu. Esta confusão deriva de urna identificação errônea que. o que chamamos de causas e efeitos nada mais são do que acontecimentos que se sucedem no tempo e que nós nos habituamos a ver juntos. se faz entre a linguagem e a realidade.iá nenhum indício de um fenômeno no outro.Aqui começa verdadeiramente a explicação científica. Quando se pensa que uma determinada realidade está totalmente expressa numa teoria e que podemos indistintamente falar de urna e de outra como sendo equivalentes.

Por outro lado. estamos fazendo urna afirmação que só servirá à ciência moderna se for seguida de dados sobre a velocidade da queda. do tempo e da variação desta velocidade em relação à altitude e à latir de. Mas se existe um intervalo de tempo entre duas ocorrências. Poderíamos até dizer que a predição é um tipo de conseqüência da explicação.diferentemente do estágio pré-científico. NAGEL. gerador de conhecimentos. estaríamos implicitamente admitindo que do nada pode ser gerado algo. A explicação científica deve se aplicar a vários casos. então. dessa forma. Se levarmos o argumento ás ultimas conseqüências. por exemplo. Quando se postula que um determinado fenômeno tem iima causa. Investigação sobre o entendimento humano. La estructura de la ciencia e WARTOFSKY. já que não se concebe uma explicação científica que seja aplicável a um único caso. então esta "coisa" é que será anterior ao efeito e não a causa pressuposta. Mas. mesmo finito. Teorias e leis Vimos no capítulo 1 que as teorias se apresentam como estruturas. pois se organiza em . pode ser infinitamente dividido. Este requisito básico da universalidade se impõe em função de uma outra característica. toma-se necessário que estabeleçamos a relação que ele tem com outro evento diferente. a causalidade se pauta na idéia de que entre a causa e o efeito existe um certo 2. in Os pensadores. nem mesmo poderá haver queda. seria o nada que antecederia o efeito. Devemos tornar a causalidade como uma suposição. Além disso. Ver E. então. Estas objeções feitas por Russeil são de natureza lógica e expressam enonnes dificuldades no tratamento da questão. como cadeias de cognição que visam a explicação de fenômenos de maneira a encaixá-los em explicações universais. a depender da altitude. 2. na verdade. mesmo sabendo que tal formulação poderá ser refutada e. onde a explicação era apenas qualitativa e/ou metafísica . seu estudo só poderá ser realizado eficazmente se levannos em conta as variáveis intervenientes. Introducción a la filosofki de la ciencia. o que acontece (ou existe) neste intervalo? Se acontecer (ou existir) alguma coisa. nunca poderemos saber qual a causa dos eventos.corpos caem. Segundo ele. 4. a altitude. Assim. como um guia para a explicação e a formulação dos "encadeamentos racionais" de que nos fala Platão. como trabalhar com a idéia de causalidade? A melhor maneira de fazê-lo é abandonar a polêmica de se tal princípio ocorre ou não na natureza. Misticismo e lógica. ela deverá ser refutada para que haja desenvolvimento científico. não podemos admitir que nada existe entre a causa e o efeito. 42 43 intervalo de tempo t que é finito. que é a predição. Este guia pode exercer a função de um princípio heurístico. Isto porque. D. e que enunciemos isto na forma de leis. 3. Isto porque . poderemos ainda dizer que entre a causa e o efeito existem infinitas ocorrências. em última amiuise. já que entre um evento e outro haverá um lapso de tempo que. A segunda crítica de Russeil foi em relação à sucessão. B. RUSSELL. de um princípio gerador de pesquisas e. deve ser "amarrado" pelo raciocínio de causalidade como condição de possibilidade de si mesmo. A importância do princípio de causalidade está em assimilar que o conhecimento científico deve se expressar na forma de leis. mesmo porque nós não podemos afimiar que a natur'za tem o propósito de realizar este ou aquele princípio.a quedas dos corpos é um fenômeno explicável quantitativamente. Logo. como. pois neste caso estaríamos supondo que no intervalo t (por menor que seja) houve um vazio e. HUME. Explicação e predição são ambas traços essenciais das teorias.

Para ele. Aqui. Num artigo publicado em 1948. a causalidade expressa os traços de universalidade e preditividade das teorias na medida em que postula relações universais. liquefez o vapor d'água. p.apareça como conclusão de um raciocínio do tipo dedutivo. se organiza na forma de Estruturas Teóricas. o modelo NOMOLÓGICO-DEDUTIVO de explicação. 6. A proposição 1. 4) A água provoca um resfriamento da superfície do recipiente. 5. que acabamos de examinar. idem. Foi Carl Hempel5 quem formulou de maneira precisa o modelo da explicação científica. Teremos. 5) (Logo) Há foirnação de vapor d'água na superfície de um recipiente quando este for enchido com água gelada. 135-175 (Vol. a noção de causalidade. A explicação disto envolve. esta reflexão não ocorre. The logic o! expIa nation in philosophy of science. este fenômeno se dará com maior ou menor intensidade. Além disso temos que aceitar que: b) O ar contém gotículas de água na forma de vapor. Os exemplos a seguir poderão ilustrar isso: Todos conhecem o fenômeno da formação de umidade e gotículas de água ao redor de um recipiente que se enche de água gelada. 6 ele expôs a pauta básica da explicação científica. d) Sempre que vapor d'água encontra uma superfície suficientemente fria ele se liquefaz. Devemos agora "arrumar" estas proposições para que fiquem numa certa ordem dedutiva. Isto porque a liquefação dependerá da diferença de temperatura entre o ambiente e o recipiente e da umidade do ar. Todas estas cláusulas (com exceção da a) são estipuladas depois de realizarmos algum tipo de reflexão sobre o fenômeno. 1) Todo meio material provoca refração da luz. 15). mas seguindo urna espécie de hierarquia. cit. 3 e 4 aparecem como antecedentes da conclusão (proposição 5). Filosofia da ciência natural.) 2) O ar contém gotículas de água na forma de vapor. Num . as proposições 1.a formação de umidade num recipiente com água gelada . pela sua própria forma. 3) A água do recipiente está numa temperatura menor do que o ar circundante.função das regularidades que encontra ou postula. para o senso comum. Lt explicación cient (fica. Normalmente. Devemos inicialmente aceitar o fato evidente de que: a) A água do recipiente está numa temperatura menor do que o ar circundante. necessárias e determinadas entre eventos. mas precisa das outras condições iniciais. C. a fim de que nosso problema inicial . de ordem. tem um caráter de generalidade e de lei. Idem. além de algum tipo de conhecimento ou pressuposição empírica. repmduzido em Lii explicación científica (op. por esse motivo. HEMPEL. Se perguntada para alguém sobre o "porquê" da formação de umidade. que pode ser caracterizado como um conjunto de proposições de diferentes graus de generalidade. toda explicação científica segue fonnalmente o mesmo padrão. Ressalvado o seu caráter não-ontológico. Neste sentido. Isto é: o pensamento comum utilizaria o fenômeno para explicar o fenômeno. que era o nosso problema inicial. uma pessoa comum responderia que "é porque a água está gelada". então. A depender do recipiente. exerce uru importante papel. um encadeamento do tipo: 1) Sempre que vapor d'água encontra uma superfície suficientemente fria ele se liquefaz. a aceitação de leis gerais para que a explicação seja satisfatória. 2. c) O resfriamento do recipiente provocou um resfriamento ao seu redor e. embora a palavra "suficientemente" exija uma definição.

teremos a impressão de que está torta ou quebrada. e de Explanans (aquilo que explica) ao conjunto de Leis Gerais e das condições iniciais. L.e de posse das Leis Gerais . O caminho inverso . Além disso. Na formulação de Hempel. a luz se propaga a menor velocidade. a barra como estando torta ou partida. 5) Percebemos. dedução. percebemos a barra como estando torta ou partida. Ç poderemos deduzir E.poderemos prever E antes que ele tenha ocorrido. L Leis Gerais C1 C2 . podemos arrumar o nosso problema de tal maneira que ele apareça como conclusão de um raciocínio dedutivo baseado nas leis da ótica geométrica: 2) O índice de refração da luz no ar é menor do que na água. 4) A refração da luz na parte da barra que está fora d'água.Dedutivo da explicação científica: Explanans Explanandum E L1. portanto. C Condições Iniciais Conclusão Hempel dá o nome de Explananduin (aquilo que deve ser explicado) à proposição que especifica o problema ou fenômeno. por estarem assimiladas às concepções correntes. A explicação deste fenômeno pode ser formulada estipulando-se que: 1) O índice de refração do ar é menor do que o da água. de fato. a diferença de temperatura deverá ser maior para provocar o fenômeno. esse é o esquema Nomológico . É o caso da aceitação de que a água resfria o recipiente. embora não precisem aparecer expressas no encadeamento dedutivo. L2 . 2) A água é mais densa do que o ar. Neste esquema fica evidenciada a relação entre explicação e predição. O nosso exemplo tem agora a fonna de um argumento onde as proposições 1.ambiente muito seco (umidade baixa). Está embutido nisto que as substâncias se aquecem e que este calor pode ser transmitido. o esquema de apresentação dos argumentos foi o mesmo: Leis Gerais. certamente a explicação de um simples fenômeno de formação de umidade teria que ser feita gastando-se quilos de papel. onde o ângulo de imersão deverá ser mencionado para sabermos o quanto de "torção" haverá na barra. condições iniciais e conclusão. Que diferentes substâncias se comportam de diferentes maneiras frente ao calor etc. Da mesma forma que no exemplo anterior. existem outras suposições (Leis Gerais) embutidas nesta explicação e que nós não esboçamos por já serem de aceitação geral. Em ambos os exemplos. Dados L1 . 5) Em vista disso. a luz se propaga a menor velocidade. De qualquer maneira. em relação à que está submersa. C2 . a de adequação a fim de que possa haver. e C1 . 4) A refração da luz da parte da barra que está fora da água. L2 . então. Quando as condições iniciais estiverem dadas . Estas suposições. ocorre com ângulo que dependerá do ângulo de imersão da barra e do tempo adicional que a luz levará para percorrer o volume de água. 3) Num meio mais denso. 2 e 3 são Leis Gerais da ótica e a proposição 4 é uma condição inicial do problema. em relação à parte que está dentro da água. a proposição 1 pode ser aceita como estando na forma de lei. A relação entre Explanandum e Explanans deverá ser. Se colocamios uma barra parcialmente submersa em água (exemplo citado no capítulo 1).. que derivam da teoria do calor são levadas em conta na explicação. Se isto fosse necessário. ocorre com um ângulo que dependerá do ângulo de imersão da barra e do tempo adicional que a luz levará para percorrer o volume de água. A proposição 5 aparecerá como conclusão do argumento. 3) Num meio mais denso.

Assim. especificamente preparadas para isso. as Leis permitem a formulação do que se chama de contrafactuais. de tal modo a permitir que as explicações sobre a natureza apareçam candidamente simples.Durkheim e Marx . as condições lógicas de adequação entre Explanandum e Explanans. o mesmo não se pode dizer quanto às ciências sociais. 2. No paradigma hempeliano de explicação. elas conferem o caráter de estrutura. As Leis e as Teorias abarcam sempre um grande conjunto de fenômenos que podem ser explicados e reunidos sob uma mesma marca conceitual. 47 satisfeita se supusermos que os problemas apresentados serão sempre de caráter empírico e que. por exemplo. São enunciados que dizem que "se tivesse ocorrido isso. Nas ciências naturais é quase sempre possível a utilização de contrafactuais e isto tem muitas repercussões positivas para o desenvolvimento da pesquisa. sempre. em laboratório. . que servia como o grande paradigma das cências. Einstein etc. devem ter os seguintes requisitos : 1.também deve ser verdadeiro. 8 enunciados contrafactuais são da forma "Se. então teria ocorrido aquilo". O Explanans deve ter conteiido empírico. A capacidade do modelo de representar as grandes teorias (Ptolomeu. deve ser dedutível dele. Newton. então. necessárias para a explicação. Dado E. haverá." onde o antecedente do condicional não ocorreu. Mas se o modelo hempeliano se adequa muito bem às ciências naturais.. No século XIX. por exemplo. tornando possível a ampliação das possibilidades de variação das condições iniciais dos fenômenos (e isto está obviamente ligado ao fato da reprodução artificial. O Explanandum não pode ter mais informação que o Explanans. Ç e a vigência das Leis L1 . cujo modelo era sempre o das ciências naturais. isto é. portanto. L2 . inclusive das ciências sociais. 3. deve haver pelo menos uma proposição empírica passível de verificação. as leis de Galileu e de Kepler -. HEMPEL. O esquema de Hempel tem sido um grande atrativo para todos que investigam o conhecimento científico e estudam a história das ciências naturais... Conforme C. a despeito das restrições formuladas à noção de verdadeiro feitas no capítulo II. pelo menos uma proposição especificando o evento ou fenômeno. Os fundadores da sociologia científica e da moderna teoria econômica . C2 . podemos inferir a existência de certas condições gerais iniciais C1. O Explanandum deve ser uma conseqüência lógica do Explanans. op. Em segundo lugar. como diria o Ménon de Pistão. Isto permite a formação de uma imagem do mundo unitária e coerente.. o ideal de explicação já era a física. Em primeiro lugar . Mesmo antes de Hempel ter formulado o modelo em 1948. já havia muita segurança por parte dos epistemólogos e dos cientistas em geral quando de um exemplo de explicação científica era acompanhada uma destas teorias. cit. Esta cláusula ficará 7. Os fenômenos podem ser "amarrados" por "encadeamento racionais" de explicação. de eventos e fenômenos) para a obtenção de novos explananda.. como.com exceção de certas generalizações empíricas que podem ser aceitas como Leis empíricas sem justificação teórica. é uma virtude. as Leis têm um papel decisivo. L. Note-se que isto significa que novos fenômenos podem ser previstos sem que nunca tenham ocorrido. O esquema formal apresentado e os requisitos estipulados são suficientes para garantir explicações legítimas e verdadeiras. de coerência e unidade às explicações. no passado.expressaram claramente esta pretensão de cientificidade.). ou pmduzidos com o auxilio de poderosas ferramentas tecnológicas.

no entanto. Os sociólogos. São em geral conjecturas que permitem as generalizações mais abstratas. O primeiro exemplo que podemos tomar é o da teoria elaborada por K. Estas concepções de história ou de homem exercem. Devemos distinguir aqui entre as conjecturas e os princípios metafísicos de que já falamos no capítulo anterior. Todos conhecem o itinerário percorrido por Marx para a elaboração da Economia Política. sintetizaram este ideal com as chamadas Teorias de Longo Alcance. por exemplo. no caso de Hobbes. Ambas. MERTON. que passaremos a discutir. pois esbarram na inverficabilidade de suas proposições. 48 Em termos de estabelecimento dos modelos de explicação das ciências sociais. após os primeiros estudos filosóficos de 1844 a 1847. cit. C. em concepções da história de ampla generalidade. as conjecturas de longo alcance não têm. op.em desempenhar um papel menos pretensioso. cir. op. Marx e Darwin.8.foi a formulação das grandes teorias sobre o homem e a sociedade. elas mesmas. A Concepção Materialista da História é o delineamento da "grande síntese" da evolução . T. Nestes escritos. como as de Darwin sobre a origem e evolução das espécies e a de Marx sobre a evolução da sociedade sem classes para as sociedades classistas. 10 As teorias de longo alcance abarcam grandes períodos históricos e têm como pretensão sintetizar todo um processo de desenvolvimento. Os exemplos podem mostrar isso: 1. Ver E. apenas um papel limitado na explicação. cit. fiction and forecast. Spencer. como as chamou Merton.. 9. MERTON. que apareceram como as grandes sínteses explicativas no século XIX. a sua mesquinhez e individualidade. As conjecturas têm urna característica diversa porque se constituem em sistemas. As preocupações básicas das ciências sociais passaram a ser. a aquisição de conhecimentos empíricos e a busca de um tipo de teorização mais sólido. Os princípios metafísicos versam sobre a natureza do homem. desde a sociedade primitiva até a sociedade capitalista. bem como outros pensadores menores.inspirado pela poderosa mecânica newtoniana . HEMPEL. Marx. R. NAGEL. Sociologia: teoria e estrutura. A explicaçõo nas ciências sociais A partir do século XIX. R. 11. Vimos que no caso de Rousseau era a sua sociabilidade e. 3. A sua teoria econômica começou a ser elaborada em 1848. as ciências sociais se confonnarani . numa atitude de relativo abandono às grandes construções teóricas. também não podemos colocar à prova as concepções de história de Marx e Durkheim. podemos notar grandes diferenças entre as TLA e as TLM. caráter explicativo. Apesar de terem um importante papel na sustentação das teorias propriamente explicativas da sociedade (no caso das teorias de Spencer e Marx). GOODMAN. o ideal científico no campo das ciências humanas . Assim como não poderíamos verificar os princípios metafísicos de Rousseau e Hobbes. embora de menor abrangência. têm um mesmo traço que é a inverficabilidade. Foi o período de construção das Teorias de Médio Alcance. economistas e antropólogos passaram a um trabalho mais minucioso de compreensão da vida social em seus aspectos mais cotidianos. e da institucionalização das ciências sociais. KUHN. 10. suporte de toda sua construção posterior. As conjecturas se compõem de postulados que aparecem como a última razão dentro da explicação. As TMA se diferenciam das TLA em vários aspectos. sobre alguma de suas qualidades ou defeitos imanentes que acabam por determinar seu comportamento social. cit. no entanto. op.já no século XX . mas de menor abrangência que os princípios metafísicos. Depois das TLA (Teorias de Longo Alcance). então. Facr. Marx desenvolve os pressupostos da Concepção Materialista da História. N. op.

relações de produção estas que correspondem a uma etapa determinada de desenvolvimento das forças produtivas materiais. que nos fala Marx tem um traço de necessidade que a noção de "tendência" não traduz. ele mostra no volume III de O Capital 14 que a Lei da queda da taxa de lucro é apenas tendencial. . O conceito marxista do homem. São eles: a) O homem é um ser da natureza. Além disso. fazer uma observação sobre a idéia de "determinação": Marx trabalha com os conceitos de "tendência" e "determinação" que.. Podemos dizer que o esquema geral da teoria é: Princípios Metafísicos Conjectura (Concepção Materialista da História) e seus postulados Teoria Social (Economia Política) A economia política segue. A sua teoria se estrutura. Manuscntos econômicos e filosóficos. A totalidade destas relações. Assim. serviu-me de fio condutor aos meus estudos. a rigor. da superpopulação relativa. pois existem alguns fatores que a retardam. A "detenninação" de 12. por sua vez. a ciência que estuda um tipo específico de organização social e de relações de trabalho..sócio-econômica da humanidade e a economia política uma espécie de coroamento desta síntese. Economia Política segue o padrão e o paradigma das ciências naturais. então. a explicação de qualquer fenômeno da vida econômica e social pode ser expressa com o modelo já descrito: Explanans Explanandum E Condições Iniciais As leis gerais descritas em O capital são a Lei do Valor. Deve-se. em suas diferentes formas. no entanto. que funcionam como axiomas para a teoria. os homens contraem relações determinadas. da seguinte forma: em alguns princípios metafísicos. necessárias e independentes de sua vontade. De qualquer modo. Nesse sentido. o trabalho. K. f) É o trabalho que unifica e dá sentido à vida social. os cânones do esquema hempeliano. o conceito de determina çõo na obra de Marx executa o mesmo papel que a causalidade nas Ciências Naturais. Com estas proposições é possível se reconstruir toda a concepção materialista de história e estabelecer o nexo com a economia política. O autor nos fala disso no Prefácio da Contribuição da Crítica da Economia Política. com as Leis Gerais e Condições Iniciais. d) No limite iltimo da consciência está a liberdade. hi E. as diferentes formas de pensar a si mesmo. não são compatíveis. determinam a consciência. 12 De posse destes princípios. todo fenômeno da vida social pode ser explicado apelando-se para a teoria social (economia política) e quando não for possível. c) O homem é um ser que tem consciência. necessárias e independentes da vontade. com urna análise detalhada da economia burguesa. b) O homem é um ser eminentemente social. g) A existência. pode ser formulado em poucas palavras: na produção social da própria vida. 13 Ao mesmo tempo em que diz que as relações são determinadas. Ele diz: O resultado geral a que cheguei e que. MARX. então apela-se para a conjectura e para os princípios metafísicos. o autor elabora a Concepção Materialista da História através de algumas proposições que aparecem como postulados: e) A sociabilidade do homem é dada pela produção e reprodução de sua vida material. uma vez obtido. FROMM. da queda da taxa de lucro e do aumento da composição orgânica do capital.

Aqui o entendimento de probabilistico não é o de um raciocínio que tenha pelo menos uma lei probabilística. As generalizações e hipóteses têm origem observacional e. a zona posterior é ocupada por moradias operárias. A própria hipótese de Burguess foi muitas vezes questionada 16 e acabou por incorporar novos conceitos e generalizações. uma zona chamada de "com nzuters". por último. O que freqüentemente ocorre é que um certo número de contra-exemplos acaba por gerar uma nova explicação e a construção de novas generalizações e hipóteses. A explicação cai em desuso ou incorpora novas hipóteses auxiliares e se adequa a novos dados. Mas pode-se. no sentido de que têm origem factual e de . neste modelo não há Leis Gerais. MARX. MARX. Não há apelo para princípios metafísicos sobre a natui-eza do homem ou da sociedade e nem mesmo um sentido fmalista na explicação. bastante diferentes das do exemplo anterior. de Emest W. são incompatíveis. 14. pelos mais diversos motivos. se aparecer um fenômeno que não se enquadre dentro da explicação. Leis Gerais 50 comércio e manufaturas leves. Conforme salientou Merton. hií urna tendência para a "expansão radial". a zona central dessa sucessão de cfrculos é ocupada pelo comércio (e é chamada de "Loop"). Estudos da ecologia humana. no entanto. in Os pensadores. embora formalmente ele se enquadre no esquema dedutivo. A teoria de Burguess pode ser assim resumida: em qualquer cidade. Burguess. PIERSON. as grandes sínteses. foi o de poder prever e direcionax o crescimento e a expansão física das zonas urbanas. K. K. Em segundo lugar. pois tende a ser invadida pelo 13. as TMA guardam uma certa "positividade". Exatamente pela hipótese ter alta probabilidade é que ela não se falsifica com contra-exemplos. perguntar: são estas generalizações e hipóteses infalsificáveis? A resposta é nao. por isso. conforme este modelo. pela razão de que os próprios princípios metafísicos são incompatíveis. então. 15. O segundo exemplo que tomaremos é o da Hipótese sobre o crescimento das cidades. sem se importar com os "grandes motivos" que impulsionaram os homens a realizar tal coisa. Suas características enquanto explicador de fenômenos são. trabalhadores pobres que vão ao centro trabalhar e voltam à noite para suas casas. Prefácio da contribuição á crítica da economia política. Um esquema deste modelo pode ser representado como: Embora haja muitas cidades cujo crescimento não tenha se dado. O capital. Hipóteses de Alta Probabilidade Generalizações Empíricas Condições Gerais Esquema do modelo explicativo das TMA As TMA (tal como a de Burguess) servem como conhecimento de base nas ciências sociais. estas generalizações e hipóteses não aparecem como resultado de nenhum raciocínio causal ou determinista. Em primeiro lugar. para um crescimento que se dá pela incorporação de áreas concêntricas de ocupação. mas o de um raciocínio que. a zona seguinte é chamada de zona de transição. este fenômeno não falsifica a hipótese.2. D. 17 enquanto as TLA. seu caráter é probabilístico. mas somente Hipdteses de Alta Probabilidade e Generalizações Empíricas. 15 O interesse do autor foi o de formular um modelo que descrevesse o crescimento das cidades e suas zonas de ocupação. Estas generalizações têm urna forte base indutiva e geram as hipóteses de maior abrangência. há um razoável consenso de que ele é um "bom modelo". por residências de luxo e. O interesse maior foi pragmático. a zona seguinte.

por si só. J. As sociedades funcionam de forma fundamentalmente diferente da natureza. O desenvolvimento da divisão do trabalho provoca. de Lei. que um respeitável economista lance um comentário sugerindo que os preços das ações de urna determinada companhia cairão na próxima semana. A noção de tendência. não tornam possível manipular dados na série temporal como nas ciências naturais. Já com as TMA.mesmo que a situação da empresa seja muito boa . hoje. são de dificil aceitação.poderá levar os acionistas a venderem suas ações para fugir do prejuízo. necessariamente. as idéias de determinação e tendência acabam por exercer o papel de protetoras da conjectura e da teoria. por exemplo. queda nos preços das ações por excesso de oferta. pode-se dizer que a responsabilidade não é da teoria. quando feita e por causa da autoridade de seu proponente. enfraquece o poder preditivo da teoria e lhe confere maior flexibilidade e. modifica uma situação e torna favorável o acontecimento previsto. afirmando que "ainda não chegou a hora". p. pois elas podem aprender com a experiência e mudar seu comportamento. Se uma determinada previsão ou profecia não ocoire. 369. Um outro . Mas o mesmo não ocorre nas ciências sociais. Explanans Explanandum E Esquema das Zonas de Burguess Vimos em nosso primeiro exemplo que uma teoria como a de Marx trabalha com as idéias de "determinação" e de "tendência". É claro que este conceito e esta determinação não significam previsibilidade stricto sensu. por exemplo. ao contrário. Cit. mudanças nas relações de produção de urna dada sociedade determinam mudanças na superestrutura etc. QUINN. A hipótese das zonas de Burguess e seus críticos. 17. A. de certas relações e seus também necessários desdobramentos. no limite. Como o mercado de ações funciona com a lei da oferta/procura. Assim.que servem como fatos básicos para as TLA. op. PIERSON. Isto. Suponhamos. isto é. Vimos até agora o aspecto formal da explicação nas ciências sociais e algumas diferenças existentes entre as TLA e as TMA. em milenarismo. Veremos agora como se comportam estas explicações frente à questão da previsibilidade. A divulgação desta "previsão" . inD. pois exigem que aceitemos irrestritamente suas previsões de longo alcance e que fonnulemos hipóteses ad hoc para "salvar" a teoria e a conjectura das previsões malogradas. ou ainda. podem mudar seu comportamento só com uma expectativa de acontecimento. um certo poder de autoproteção. a previsibilidade é uma das características importantes. E mais: as previsões de longo alcance sobre os destinos da história e dos homens pennitidas pela conjectura acabam por se transformar em profecias 18 e. de fato. se utilizar das hipóteses de Burguess ou da Teoria da Tomada de Decisões em Pequenos Grupos independentemente da conjectura maior ou dos Princípios Metáfísicos. op. diríamos. no caso das TLA. confere urna linearidade à história e aos acontecimentos que. A determinação expressa o caráter necessário.20 A profecia auto-realizadora decorre da circunstância de que. R. Mas ele dá unia garantia de que a sucessão ocorrerá.'9 Existem alguns tipos de previsão que pelo próprio fato de serem feitas geram sucesso ou malogro. O Explanans gera o Explanandum por dedução. o das ciências naturais.. MERTON. cit. É o que chamamos de Profecias Auto-realizadoras e Profecias A utonegadoras ou suicidas. as previsões padecem de outros problemas decorrentes daquilo que dissemos ser nossa capacidade de mudar comportamentos em função de expectativas. No esquema hempeliano original da explicação. pois ela previra apenas urna tendência. Qualquer teoria pode. 16. mudanças na forma da propriedade e nas relações entre as classes. esta atitude provocará.

mas surgiu um boato de que o banco iria à falência. Existem outros casos em que uma previsão pode ser falsificada. Passaremos a discutir agora algumas destas correntes em seus aspectos mais gerais.exemplo aconteceu em 1928 em Nova York com o United States Bank. com medo de perderem seu dinheiro. à bancarrota. devemos dizer que o modelo de explicação de ambas tem as mesmas características. mesmo que não explicitamente. 19. cir. 54 Devemos discutir agora os novos desenvolvimentos no campo da epistemologia e suas diferenças em relação às principais correntes de pensamento que marcaram esta disciplina nos últimos 20 anos. O que deve ficar claro é que o conhecimento público das infonnações pode modificar as pautas de conduta e isto pode modificar significativamente os resultados teoricamente esperados. Uma nova abordagem da explica çõo nas ciências sociais Dissemos na seção anterior que as teorias sociais têm uma estrutura dedutiva que segue o padrão hempeliano. op. que haverá urna expansão exagerada do consumo e isto elevará os índices inflacionários. Por existirem boas razões para se acreditar nesta previsão. no que concerne à explicação. que instituiu um . Filosofia das ciências sociais. 20. Discutimos as diferenças em relação às ciências naturais e mostramos que a informação é um elemento decisivo desta diferenciação. por conta de que providências são tomadas para evitá-los. a impressão que ainda persiste é que as duas formas de conhecimento poderiam algum dia ter a mesma capacidade explicativa desde que se construísse um conhecimento de base em ciências sociais. A análise de determinada situação pode sugerir. A moderna tradição epistemológica Mostramos no capítulo 1 que a teoria do conhecimento evoluiu por dois caminhos principais: o primeiro deles teve origem na filosofia de Platão. MERTON. por exemplo.. Mas se a estrutura da explicação nas ciências naturais e sociais tem a mesma forma dedutiva. A pretensão científica das ciências sociais. as postulações de vários epistemólogos da atualidade. 4. o modelo dedutivo ainda é a maior garantia de explicação e de aproximação da verdade. já que uma análise mais aprofundada será feita no capítulo seguinte. K. e das dificuldades em relação à previsibilidade das teorias sociais. op. A situação do banco era normal.1. 18. correram todos a sacar suas economias. R. E não poderia ser diferente. em pouco tempo. ela pode ser malograda se as autoridades do governo tomarem certas medidas para conter o consumo. sua inspiração nas ciências da natureza. isto não significa que previsões de curto alcance não possam ser bem-sucedidas. Apesar das diferenças apontadas aqui entre as teorias das ciências sociais e as das ciências naturais. teve. Estes exemplos mostram uma certa dificuldade de se trabalhar com previsões em ciências sociais. Mesmo sabendo que as forças explicativa e preditiva nas ciências da natureza são maiores do que nas ciências sociais. evitando-se assim a elevação da inflação. A sociedade aberta e seus inimigos. o que poderemos dizer dos conteúdos explicativos destas teorias? Já indicamos nos capítulos anteriores algumas destas diferenças. Este ideal de aproximação das disciplinas remonta ao século XIX e perpassa. RYAN. POPPER. a partir do qual se pudesse acumular infonnações. São muitos os exemplos que mostram o sucesso das previsões sobre comportamento eleitoral. taxa de criminalidade etc. Por outro lado. 4. No entanto. levando o banco. taxa de crescimento populacional. e tem ainda. E NAGEL. Ver A. Os depositantes. pois muda os comportamentos dos indivíduos provocando alterações nos processos sociais e na nossa capacidade preditiva. cit.

movimento nitidamente racionalista e historicista. já que deverão resistir a severos testes. a referência mais conhecida na epistemologia foi. serão testadas e refutadas. Estes autores iniciaram um novo capítulo na história da filosofia da ciência.2' Estas tradições filosóficas marcaram profundamente o pensamento epistemológico do século XX. O segundo caminho teve sua origem no empirismo de Bacon e Hume e. Ele influenciou várias gerações de filósofos e suas posições eram respostas efetivas aos problemas colocados pelo empirismo e pelo dogmatismo marxista. IV. tendo em sua linha de sucessão. de urna tradição de resolver problemas dentro de urna mesma teoria e mecanismos específicos de treinamento de novos cientistas. Assim. Paul Feyerabend e Imry Lakatos. de uru "lugar" totalmente diferente do de Popper. filósofos como Aristóteles. utilizando métodos e instrumentos consagrados pela comunidade científica. 22. a lógica do processo científico. veremos. mostrando que os cientistas formam um grupo social e. 'rogresso conquistado pela via da invenção e não pela acumulação de conhecimentos. um empreendimento que visa a solução de problemas. Hegel e Marx. que podem ser de natureza prática ou teórica. A epistemologia de Thomas Kuhn parte. É a prática real dos cientistas que vai caracterizar o empreendimento científico e isto. Para Kuhn. foi aplicado por Popper às ciências naturais e sociais indistintamente. a busca pela refuta çõo das teorias. No entanto. sendo que somente na década de 1960 um novo movimento intelectual começou a tomar forma através das obras de Thomas Kuhn. IV. de um 21. A tudo isso Kuhn dá o nome de paradigma. sabemos. um movimento de "revolução permanente" na ciência. assim como os epistemólogos anteriores. pelo menos como princípio. Este modelo de organização e progresso. com maior conteúdo empírico. baseado em Conjecturas e Refutações. ou grupos dentro dela. aliando as abordagens filosóficas ao conhecimento dos procedimentos científicos especializados da física e da matemática. ao tempo que nos aproxima de urna Verdade que. no fmal da década de 1920. Dados os problemas. essencialinente. o autor formula 25 teses sobre a estrutura das ciências sociais. o suporte de pensadores do cfrculo de Viena. portanto. fazendo surgir novas conjecturas que. Popper discutia. por sua vez. Karl Popper. não condiz com as postulações abstratas de Popper. . mas. Foi exatamente neste ponto que Thomas Kuhn centrou suas pesquisas. devem ser analisados com os parâmetros da sociologia e não com os parâmetros de urna suposta lógica de procedimentos científicos. item 2. Este procedimento ocorreria mediante a contínua tentativa de substituição das teorias vigentes. os homens formulam soluções que são continuamente testadas e refutadas. Ver o cap. por novas teorias. O refutacionismo ou falibilismo popperiano impõe. deixando pouco espaço para uma análise da prática efetiva da construção do conhecimento e do comportamento dos cientistas. como dissemos. A teoria popperiana se baseia na suposição de que a lógica da ciência impõe aos cientistas a busca incessante de novas teorias com maior capacidade explicativa e. o que está em jogo nos procedimentos da ciência não é a busca pela confirmação. Esta dinâmica fortalece cada vez mais as novas teorias. jamais será alcançada. Para Popper a ciência é. Em seu livro A lógica das ciências sociais. e retrata um pretenso isomorfismo entre as duas disciplinas. Este assunto será desenvolvido no cap. portanto. através de testes críticos. sem dúvida. o que chamamos de ciência é um processo que se compõe de urna tradição de formular problemas. já neste século. ao contrário.22 Depois da formação do cfrculo de Viena.

. 4. 23 Depois da postulação do Princzpio da hzcerteza de Heisenberg. já tem surgido posicionamentos indicando um movimento inverso à tradicional forma de identificação entre ciências naturais e sociais. uma boa teoria não é aquela que resolve os problemas. indica os caminhos para novos desenvolvimentos teóricos. cada grupo de cientistas desenvolve seus procedimentos e suas interpretações acerca de fenômenos que nem sempre são considerados relevantes por toda comunidade. pois não se trata de refutar teorias ou Ç7 acumular conhecimentos dentro dos paradigmas. depois de um certo tempo e do acúmulo de eventos não-explicados (anomalias). mas poderíamos dizer que a realidade teórica e factual da sociedade. o empreendimento científico não é bem-retratado pelos pontos de vista de Popper e Kuhn.2.conclusão A recente discussão sobre as ciências sociais tem mostrado que não podemos mais pressupor que ela tem a mesma natureza das ciências naturais e que. as ciências maduras seriam aquelas que atingiram o estágio paradigmático e podem acumular conhecimentos a partir da solução dos inúmeros problemas que surgem no inteiror de uma teoria. quando os resolve. Os recentes desdobramentos . Para ele a ciência deve ser entendida como conjunto de teorias que possuem urna determinada estrutura. Ao contrário. e por uma heun'stica positiva.diante das constantes mudanças e questionamentos teóricos dos últimos anos .está cada vez mais claro que a incerteza é universal. Já as disciplinas "imaturas" seriam aquelas que não dispõem de urna inica teoria e nem de procedimentos metodológicos capazes de fundamentar a atividade dos pesquisadores. propiciando o aparecimento de urna nova teoria que se tomará o paradigma para a comunidade científica. a ciência progride acumulando conhecimentos no interior do paradigma que.Assim. As razões a que aludimos têm por base a própria caracterização do que seja uma sociedade: um sistema estruturado de valores que orienta e baliza o comportamento dos indivíduos. entra em crise e inicia urna era revolucionária. a idéia de que mesmo as teorias das ciências naturais padeceriam de urna incontomável imprecisão e de que o observadorpoderia interferir nos fenômenos e modificar seus comportamentos (no caso dos fenômenos quánticos). e que a aproximação das ciências sociais do antigo ideal de estabilidade e precisão que ainda prevalecem em alguns ramos da física e na matemática não pode ocorrer por razões lógicas e não por falta de amadurecimento da disciplina ou por incompetência dos cientistas. assim como a sua dinâmica. mostrando o grau de desacordo existente e a falta de paradigmas para objetivar o trabalho. As ciências sociais estariam enquadradas nesta categoria. algum dia.conjunto de postulados de caráter metafísico que protege a teoria da crítica e da refutação -. composta por um" cinto de proteção" . Lakatos não fez aplicações de seu instrumental às ciências sociais. elas se assemelhariam no que diz respeito à capacidade preditiva e à precisão das formulações. mas aquela que. tomou lugar de destaque e vem criando uma nova mentalidade entre os cientistas. pois . Na visão kuhniana. nos impõe urna forma de pensar que se ajusta ao modelo lakatosiano. Estes comportamentos têm por base as informações disponíveis e a necessidade de satisfação de desejos dos indivíduos. Para ele. Já não se pensa mais que as ciências da natureza seriam o paradigma de todas as ciências. Aqui. cujo significado é o de engendrar o constante aparecimento de novos problemas e a incessante busca de suas soluções. Assim. Há ainda uma terceira via de interpretação da ciência que foi desenvolvida por Imry Lakatos.

Isto ocorre porque. Um discurso sobre as ciências na transição para uma ciência pósmoderna. os bens são escassos e. Podemos dizer que. os comportamentos dos indivíduos. porque há certos bens que. As palavras têm um significado contextual e só assim podem ser apreendidas. devem partilhar de uma linguagem comum. serem aceitos como informação pelos outros indivíduos. em segundo. entendida como um fenômeno simbólico. 13. deve-se dizer que toda sociedade hierarquiza os desejos. Heisenberg.24 No entanto. estabelece regras para a sua satisfação e. 23.como propõem os popperianos. p. a linguagem não tem a propriedade da univocidade. Isto temum significado epistemológico extraordinário para as ciências sociais. Assim. H. 25. MATALLO JR. a sociologia e o princípio da incerteza. in Educaçdo e Compromisso. Estas mudanças não mais podem ser entendidas como momentos específicos (revoluções)..26 aliados aos procedimentos de seleção dos fatos e descrição reconstrutiva dos fenômenos. em primeiro lugar. a própria idéia de teoria é colocada em xeque se pensarmos que não podemos formular qualquer explicação em ciências sociais que tenha como base uma linguagem univoca. No que diz respeito ao desejo. as ações parecerão irracionais ou anti-sociais. SANTOS. há sempre a possibilidade de diferentes atores entenderem diferentemente as proposições e as ações sociais. não contextual. Refiro-me aqui ao poder e ao prestígio sociaL Estes bens só têm significado na medida em que são escassos e não distribuídos. S. Deste modo. por definição. O que se forma são tradições de pensar problemas mais do que teorias.No que diz respeito às infonnações. em sentido mais geral. conseqüentemente. faz convergir a instabilidade na compreensão e fonnulação de respostas às ações sociais e a constante disputa pela satisfação dos desejos mais valorizados. não teriam sentido social.. devem ser escassos e concentrados. deve-se dizer que a ação social é resultado da transformação de disposições interiores ("vontades") em proposições com sentido social. pois. contribui para as mudanças sociais. provocando um movimento pennanente a que chamamos de mudança estrutural. mas como parte do próprio conceito de sociedade. Na verdade. não é entendida uniformemente por todos os indivíduos.a formação do paradigma conforme os kuhnianos . 14. cit. Estes fatores trazem enormes dificuldades para a elaboração de teorias em ciências sociais . H. a sociologia e o princípio da incerteza. 26. e. Idem. temos conjuntos de postulados básicos que orientam a pesquisa como diria Merton. necessariamente. É exatamente isto que possibilita as diferenças no desempenho dos papéis e. a realidade social. B.e para a realização de testes cruciais . devem entrar na rede simbólica. É preciso deixar claro que não há uma lógica ou um método para selecionar os fatos relevantes para a explicação e nem tampouco um método de reconstrução históricosocial. MERTON. MATALLO JR. para serem aceitos. Caso isto não ocorra. op. p. isto é. 58 . na medida em que impossibilita a formação de paradigmas no sentido kuhniano.25 Este elemento acaba por suscitar uma pennanente disputa entre os indivíduos para sua obtenção e. em vez de teorias. Heisenberg. apesar de haver sentido partilhado na linguagem. um melhor posicionamento na escala social. isto é. frustra urna parcela da sociedade. assim. 24. caso contrário.

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1968. R. Buenos Aires: Paidós. Madri: Alianza Ed. 1978. 1977. porém. Dicionário de filosofia. MERTON. RUSSEL. decidir entre teorias concorrentes. Epistemologia naturalizada. que é a produção do saber. 1970. Misticismo e lógica. Para se ter uma boa visão dos empenhos epistemológicos desenvolvidos através da história recomendamos a leitura de J. NAGEL. n2 3. República Federal da Alemanha. Professora de Filosofia da Puccamp. qual a sua credibilidade etc. Sociologia: teoria e estrutura. Fédon. RI: Tecnoprint. ______ Dois dogmas do empirismo. Podemos dizer que filósofos e cientistas em geral sempre buscaram alcançar uma compreensão adequada do que vem a ser o saber científico. Belo Horizorne. POPPER. SP: Cultrix. II. Madri: Alianza Ed. 1974. pois. G. ______ A lógica da pesquisa cient(flca. ainda. A investigação teórica acerca do fenómeno "ciência" tem recebido. Introduçõo histórica dfilosofia da ciéncia São Paulo. Vol. ou seja. 1. La estructura de la ciencia. ______ A lógica das ciências sociais. RYAN. 1979. metodologia. tais reflexões epistemológicas não constituíram uma disciplina independente. ao longo dos anos. _______ Conhecimento objetivo. W. A. Edusp. VARGAS. LOSEE. 1986 MYRDAL. PIERSON. A metodologia seria urna parte mais restrita da epistemologia. também. Estudos de ecologia humana. 1978. como ele procede. s/d. diversas denominações. 1978. E. filosofia da ciência e. Objetividad en la investigación social. 1978. Brasilia: UnB. Conjecturas e refutações. as mais conhecidas são: epistemologia. B. M. D. 1978. 1988. SP: Edusp. 1978. M. SP: Edusp. 61 SALMON. 1978. 1 Durante séculos. F. Um discurso sobre as ciências na transição para urna ciência pós-moderna. RJ: Zahar. SP: Francisco Alves. ______ Ménon. teoria da ciência. Mas ela se preocupa também em articular os critérios que nos permitem avaliar o desempenho de teorias já formuladas e que nos possibilitam. RJ: Globo. RI: Zabar. Edusp. 1977. mas foram empreendidas no quadro de uma * Doutora em Filosofia pela Universidade de Munique. 1978.. K. S. 1991.. Filosofia das ciências sociais. Brasilia: Tempo Brasileiro. Lógica. Capítulo IV A CONSTRUÇÃO DO SABER CIENTf FICO: ALGUMAS POSIÇÕES Maria Cecilia Maringoni de Carvalho* 1. 1978. SANTOS. . 1970. SP: Abril. Considerações introdutórias As reflexões críticas acerca dos fundamentos da ciência vêm sendo elaboradas desde tempos remotos.Teresina: Educação e Compromisso. W. ela investiga fundamentalmente os métodos. QUINE. O. SP: Mestre Jou. A sociedade aberta e seus inimigos. PLATÃO. B. Itatiaia. MORA 1. SP: Abril. os procedimentos que a ciência deve seguir para alcançar com êxito seu ideal. SP: Revista de Estudos Avançados. WARTOFSKY. Metodologia da pesquisa tecnológica. SP: Abril. como a palavra sugere. México: Fondo de Cultura Económica. 1985. Introdución a lo filosofia de la ciencia. SP: Martins. como a ciência atinge seus resultados. em que consistem seus métodos. 1982.

pois. Existe. aos poucos. sobretudo nos países anglo-saxões. O grupo. p. além de Schlick. quando não impossível. caso urna demonstração apresente erro lógico ela é rejeitada. Em virtude dos êxitos grandiosos obtidos pelas ciências naturais. a terapia adequada dependeria de urna análise das causas ou fatores responsáveis por ele. recebeu mais tarde o nome de Filosofia Analitica. o Racionalismo Critico de Karl R. enquanto que a filosofia apresentava um estado caótico. ela deve ser submetida ao teste da experiência. Se este diagnóstico acerca do estado em que se encontrava a filosofia era correto ou não. Otto Neurath. podemos nos perguntar o que foi que deu origem ao Empirismo Lógico e quais os princípios que nortearam sua busca de soluções. o que parecia faltar à filosofia. Kuhn. vol. se reuniram em tomo de Monta Schlick em Viena. Nas ciências empíricas. A) Quanto ao Empirismo Lógico Os empiristas lógicos construíram um ideal de ciência que se caracterizou basicamente pela adesão a dois princípios: Princzoio do Empirismo . o controle é feito com base na observação e na experimentação. Hans Hahn etc. o controle é feito com base em processos lógicos. delinear em poucas palavras a filosofia do Empirismo Lógico. fazendo da ciência um de seus objetos privilegiados de estudo. Historicamente. Na matemática. Seus representantes sempre se caracterizaram pela autocrítica e por uma honestidade intelectual muito grande. Segundo Stegmiiller. onde suas investigações não se limitaram ao campo da teoria da ciência. Tal corrente. o que acabou impondo uma série de revisões e modificações em suas posições. mas estenderam-se aos domínios da ética. imperavam aí correntes filosóficas conflitantes e sua história parecia a de uma polêmica prolongada e sem perspectiva de solução. A partir da segunda metade do século XIX esta situação começa. da filosofia da linguagem e da filosofia da história.2 os pensadores que integraram o Círculo de Viena foram sensíveis à seguinte situação: de um lado. cientista é admitida na fase de produção de hipóteses ou teorias. Seus principais integrantes foram. uma vez elaborada a hipótese. A filosofia contempordnea. ela deve ser abandonada ou corrigida. Todavia. Popper e a teoria desenvolvida por Thomas S. Rudolf Carnap. de modo sucinto. podendo-se até duvidar da existência de um progresso nessa área. Apesar de a filosofia possuir um passado mais longo. 277 ss. a constituição de urna teoria da ciência como disciplina filosófica autônoma se deveu a um grupo de filósofos e cientistas que. a se alterar. 1. O programa filosófico do Circulo de Viena foi ganhando cada vez mais em influência. a filosofia não podia deixar de tematizar essa situação. Contudo. -' Nosso estudo pretende abordar. Caso o teste revele que a hipótese em questão é falsa. fundou uma das mais influentes correntes filosóficas e epistemológicas de nosso tempo: O Empirismo Lógico (conhecido também como Positivismo Lógico ou Neopositivismo). conhecido sob o nome de Círculo de Viena. A fantasia criadora do 2. É muito difícil. alguns problemas e tentativas de solução que caracterizaram três importantes concepções metodológicas da atualidade: o Empirismo Lógico. um critério objetivo acerca do que é sustentável ou do que deve ser abandonado. Tudo parecia indicar que tanto a matemática como as ciências naturais dispunham de um método rigoroso de controle de seus resultados.62 6 metafísica ou de uma teoria do conhecimento. as ciências particulares vinhari conhecendo um progresso extraordinário. Wolfgang STEGMOLLER. quando não se apresentavam como urna espécie de subproduto da própria atividade científica. que emergiu do Empirismo Lógico. no decorrer da década de 20.

ou seja. 1. vol. sociais e psicológicas da pesquisa científica. Kulm Todavia. se chegaria a um conceito geral.. . sua relação com o Círculo de Viena foi antes de natureza crítica.enunciados que traduzem leis ou hipóteses científicas -. Já não se trata mais de descrever a gênese dos conceitos científicos como um processo que se realizaria a partir do registro de dados. Popper Karl R. porém. real. como pensavam os empiristas clássicos. é verdade. pp. traduzidos em uma linguagem observacional. que os conceitos científicos sejam passíveis de serem reduzidos a conceitos observacionais..4 mas o princípio empirista vai se refletir também no âmbito da semântica. De outro lado. e que resultou na controvérsia em torno do problema da legitimidade da indução. e que. um dos mais influentes e significativos filósofos da ciência de nossa época. O Empirismo Lógico não se preocupa mais em saber se os conceitos são adquiridos via abstração ou não. ou seja. Wolfgang STEGMOLLER.para que um enunciado ou sistema de enunciados possa valer como científico deve serpassível de exata formulação na linguagem da lógica. O Empirismo Lógico: a experiência como fundamento de conceitos cient(ficos A idéia de que uma teoria que se pretende científica deva possuir uma base na experiência levou os empiristas modernos a examinar não apenas o problema da validade de enunciados universais ernpíricos . Vejamos algumas das questões examinadas pela teoria da ciência do Empirismo Lógico: Que procedimentos podem ou devem ser utilizados no teste de teorias científicas? Qual a fonna lógica das explicações científicas? Como é vista a relação entre um enunciado e sua base empírica? Como se deve conceber a relação entre um conceito e sua base empírica? Em que circunstância se pode dizer que o conhecimento científico é confiável? B) Quanto ao Racionalismo Crítico de Karl R. Na realidade. mediante comparação dos objetos entre si. Kuhn quem introduziu modificações profundas na maneira de se compreender a ciência. é preciso que seus conceitos tenham um fundamento empírico. op. 277-284. sem diiv ida. segundo o princípio empirista. 3. 64 65 C) Quanto à teoria de Thomas S. Popper é. exige. a importância concedida à lógica na construção da metodologia e o valor atribuído à experiência como instância de teste para hipóteses ou teorias. Parece que essa pretensão só poderia ser realizada caso fosse possível mostrar que os conceitos da ciência eram passíveis de serem reduzidos. O cerne da questão era o seguinte: se a ciência empírica pretende informar sobre o mundo empírico. Princzvio do Logicismo . havia um debate fecundo entre eles.um enunciado ou um conceito só será significante na medida em que possua urna base empírica. contudo. É verdade que havia um interesse comum a aproximá-lo dos filósofos do Círculo de Viena: a preocupação de caracterizar a ciência empírica por oposição a outras construções teóricas. seu pensamento diverge em pontos essenciais das teses defendidas pelos empiristas lógicos. também o significado dos conceitos científicos deve possuir uma base na experiência ou na observação. análise dos aspectos comuns e abstração das diferenças. 2. foi. cit. ou seja. Muitas vezes ele é surnariamente classificado como empirista lógico ou neopositivista. na medida em que priorizou as dimensões históricas. na medida em que for fundado na experiência. Thomas S. como mostraremos em nosso trabalho. factual. Não se tratava. sem dúvida. de uma crítica apoiada em pressupostos incomensuráveis relativamente aos do Círculo: era possível o diálogo.

ser caracterizadas como definições propriamente ditas. quando a requerida condição prévia não pôde ser realizada. O enunciado "se x é colocado na água. sobretudo aqueles que pareciam estar mais distantes da observação. As sentenças redutoras constituem um meio para a formulação das chamadas definições operacionais. a definição proposta não traduz o significado que desejaríamos dar ao termo "solúvel". são apenas determinações ou interpretações parciais do significado . verificaremos que tais sentenças não dão o significado total para o termo disposicional. Entretanto. elástico. Todos os enunciados científicos deveriam ser passíveis de tradução em uma linguagem que só conteria termos observacionais. Esta definição . A dificuldade para se oferecer urna definição surgia já no nível dos chamados termos disposicionais. ainda que plausível. Carnap e os representantes do Empirismo Lógico no Círculo de Viena eram de opinião que todos os conceitos científicos. introvertido etc. magnético. as dificuldades que se enfrentam para se oferecer uma definição atingem também esse conceito. o termo "solúvel") apenas para aqueles objetos que satisfazem a condição prévia (em nosso caso. parece intuitivamente plausível defininnos "solúvel em água" da seguinte maneira . Foi o próprio Carnap quem se deu conta de que essa redução "defmicional" deparava com insuperáveis problemas. inteligente. Contudo. então: se um objeto x é colocado na água. como a palavra sugere. uma vez satisfeitas as seguintes condições: se x é colocado na água. item 3. para só então cogitar se o mesmo seria ou não solúvel. Sentenças desse tipos foram denominadas por Carnap "sentenças redutoras". eram passíveis de 4. apresentar uma determinada reação ou comportamento. dada a falsidade do antecedente. certamente que "a" não é solúvel em água.1 deste capítulo. como veremos agora.aparentemente plausível . Elas explicitam o predicado disposicional (em nosso caso. então x se desmancha" é urna condicional. a rigor.Não se pode negar que o núcleo dessa idéia seja intuitivamente plausível: exigir que teorias que pretendam ser informativas. estas não podem. pois qualquer objeto que não fosse colocado na água satisfaria a definição. ou seja. se atentarmos melhor. Termos disposicionais. Em suma. de acordo com a definição proposta. mostrem a relação que seus conceitos possuem com o real empírico. então ele é solúvel se e somente se ele se desmancha. Entretanto. são termos que denotam uma disposição. Como exemplos de termos disposicionais poderíamos mencionar: frágil. mostrou-se não completamente isento de dificuldades. exemplifiquemos com o auxílio do conceito "solúvel em água". como veremos a seguir: De que maneira se pode ou se deve entender a dependência de um conceito relativamente à experiência? Noutros termos. Elas nada declaram a respeito de um objeto. Sendo de madeira.um objeto x é solúvel em água. como se processa a redução de conceitos científicos a termos observacionais? A princípio. E a lógica ensina que um condicional é verdadeiro sempre que seu antecedente for falso. Imagine-se que "a" seja um pedaço de madeira que nunca foi colocado na água. seria considerado solúvel. Contudo. solúvel. Teríamos. sob determinadas circunstâncias ou condições deteste. esse ideal. serem reduzidos a termos observacionais mediante definição. então x se desmancha. Ver. tentou-se a seguinte solução: impor como condição prévia que o objeto fosse colocado na água. Parece não haver dúvida de que tal conceito tenha significação empírica. Para mostrar que tais termos não são passíveis de definição. que sustentam asseverar algo sobre o mundo factual. Entretanto. uma tendência de um determinado objeto para. a condição de ser colocado na água).é todavia inadequada. Em vista da dificuldade ora apontada.

os conceitos mais abstratos da física teórica não são passíveis de serem determinados por critérios operacionais. circulavam teorias novas e freqüentemente extravagantes. R. São Paulo. de um lado. porém. Essas teorias pareciam poder explicar praticamente tudo em seus respectivos campos. 5. dando assim a ilusão de uma genuína confirmação. e. outras três eram a teoria de Marx. não estava preocupado com as questões: 'Quando é verdadeira uma teoria?' ou 'Quando é aceitável uma teoria?' Meu problema era outro. Além disso. in Conjecturas e reflaações. Na época. a psicanálise de Freud e a psicologia individual de Alfred Adler. de chamar a atenção para o caráter aberto.de um conceito . O Racionalismo Crítico de Karl R Popper Segundo relato autobiográfico. abrindo os olhos para uma nova verdade. concluiu que tais confirmações eram apenas aparentes. a Áustria havia passado por uma revolução: a atmosfera estava carregada de slogans e idéias revolucionárias. Edições 70. escondida dos ainda não-iniciados. a evolução do Empirismo Lógico. pouco após o ténnino da Primeira Grande Guerra. 6. aborda momentos importantes do Empirismo Lógico e do pensamento de R. a teoria da relatividade de Einstein era sem dóvida a mais importante. Karl R. Popper (que nasceu em 1902 em Viena) desenvolveu os primeiros elementos de sua filosofia da ciência no ano de 1919. a Europa encontrava-se imersa em grande crise. Ibidem. ele não é definido nos casos em que a requerida 66 67 condição prévia não é realizada. para a chamada "open texture" dos conceitos disposicionais. Desejava traçar uma distinção entre a ciência e a pseudociência. STEGMULLER. 274-329. e sobretudo com sua aparente capacidade de explicação." 8 Indagando-se por que tais teorias pareciam confirmadas pela experiência. 63. p." 6 O problema que o intrigou. K. Uma obra importante que nos apresenta o pensamento de R. 1983." Popper enfocou a diferença fundamental que parecia haver entre. Camap. EPU/Edusp. é a de A. p. IX. a teoria da relatividade. Dentre as que me interessavam. pois o que ocorria era que os casos considerados confirmadores eram sempre interpretados à luz da teoria em questão. PASQUINELLL Carnap e o positivismo lógico. Freud e Adler impressionavam-se com uma série de pontos comuns às três teorias. Camap. 64 7. vol. POPPER. de outro. pois sabia muito bem que a ciência freqüentemente comete erros. De fato. Lisboa. Cap. da seguinte maneira: "Percebi que meus amigos admiradores de Marx. vale dizer que o programa reducionista do empirismo lógico mostrou não ser de todo realizável. pp. recebeu a seguinte caracterização: "Naquela época. tais teorias não eram . em certo sentido. levando-o à formulação de uma das teses fundamentais de sua teoria da ciência. Ciência: conjecturas e refutações. Teve o mérito. ao passo que a pseudociência pode encontrar acidentalmente a verdade. podia-se ver exemplos confirmadores em toda parte: o mundo estava repleto de verificações da teoria. Qualquer coisa que acontecesse vinha confirmar isso. 1977. A filosofIa contempordnea. 1. o qual corporifica. Nessa medida. O estudo de qualquer uma delas parecia ter o efeito de uma conversão ou revelação intelectual. as três teorias anteriormente mencionadas. Uma vez abertos os olhos. também W. 3. Assim ele se pronunciou: "Após o colapso do Império Austríaco. contudo.já que o conceito é deixado em aberto.

uma vez que as procuremos. Fundamentalmente diferente parecia ser a situação concernente à teoria da relatividade.. isto é. ou seja. O problema da indução . Ibidem p. A capacidade que uma teoria tem de poder colidir com a realidade é a medida que temos para afirmar que tal teoria é informativa. ou seja. não são capazes de sustentar predições que possam. a teoria em questão teria sido simplesmente refutada. em princípio. passando próxima do Sol. Popper lembra. Uma teoria que pretende ser empírica. Nas considerações acima estão contidas as idéias básicas da filosofia popperiana da ciência e que irão. p. Esta teoria parecia aberta à refutação. as confirmações só devem ser levadas em conta caso resultem de predições arriscadas. Nesse caso. porém malograda. 10. melhor ela é. caso ela resulte de urna tentativa séria. refutabiidade ou falseabiidade. Einstein deu-se conta de que. deve. a teoria da relatividade pode. predições que. inspirar sua metodologia. que ela nos diz algo sobre a realidade. 3. R. as observações tivessem mostrado que o efeito previsto não ocorrera. "a irrefutabilidade não é urna virtude. que a teoria geral da relatividade previa que a luz deveria ser atraida por corpos pesados. ou seja. POPPER. ci:. em princípio. op. 65. A evidência confirmadora só deve ser levada a sério caso resulte de um teste genuíno da teoria. 9. nesse contexto. no dizer de Popper. Como diz Popper. Ibidem. a luz que vinha de uma estrela para a Terra. de refutar a teoria. Quanto mais uma teoria profbe.13 Daí se segue que todo teste genuíno de uma teoria é uma tentativa de refutá-la. colocar em risco as teorias em que se baseiam. factual. o aspecto relevante do caso era o "risco envolvido numa predição desse tipo". Uma teoria é testável na medida em que for possível dizer em que condições ela seria dada como falsa. dificilmente poderíamos dizer que ela é infonnativa. os resultados da experiência é que eram interpretados à luz da teoria. p. 64. 68 69 certas coisas de acontecer. lii is reflexões levaram Popper a encontrar a solução para seu problema: o critério que distingue a ciência empírica das especulações pseudocientíficas é a falseabilidade. Como descreveu Popper. caso sua teoria fosse verdadeira. refutável.1.testadas com base na experiência. ou seja. 11 Em suma. 66. a experiência era lida de um modo que ela sempre se acomodava à teoria. Ibidem. 11. "falseável". As três teorias precedentes não são falseáveis. 66. refutariam a teoria. como frequentemente se pensa. p. Tal previsão era testável e a experiência a corroborou em 1919. "Toda teoria científica 'boa' é unia proibição: ela proibe 8. parecia suscetível de ser dermbada em conseqüência de um teste empírico refutador. mostrar-se incompatível com resultados de observação. deveria refletir-se. que reivindica fazer asserções sobre o mundo real. em virtude da atração gravitacional do Sol. ser refutável. Podemos resumir as considerações de Popper da seguinte maneira: É fácil obter confirmações para quase toda teoria. juntamente com os resultados de sua crítica à indução. em princípio." 12 Uma teoria que não proibisse nada seria compatível com qualquer evento ou estado de coisas possível. Numa palavra. Ela é. K. mas um vício". o que define o estatuto da ciência empírica para uma teoria é a sua testabilidade. Por isso. se não realizadas.

Segundo Popper. 14 A concepção ingênua. Fui levado portanto. só se pode admitir que tenha efeito sobre o indivíduo aquilo que para ele se caracteriza como uma repetição. R. mas não atesta qualquer elemento de necessidade nessa sucessão. 66. De um ponto de vista meramente lógico. Segundo Hume. Na medida em Hume negou que possamos inferir qualquer coisa que transcenda o que nos foi dado na experiência. com o tempo acostumamos a essa repetição. numa teoria psicológica como a de Hume. somos levados a pensar nas gotas de água a corroer a pedra: seqüências de eventos inquestionavelmente semelhantes impodo-se a nós vagarosamente. porém. 66. parece refutada a tese de Hume de que as pessoas partem da observação da repetição e formulam expectativas acerca do futuro comportamento das coisas. 13. ele negou também qualquer base lógica ou racional à indução. construções do sujeito. Como tais conexões não provêm da experiência.para Popper . Popper aceita o argumento lógico contra a indução. op. devem ser consideradas produtos do sujeito cognoscente. p. Explica o uso da indução fazendo apelo à força que 12.. A expectativa é . tais dados de observação são apreendidos isoladamente um do outro. como o funcionamento de um relógio. a experiência nos dá impressões sensíveis. Dizer que "A" é a causa de "B" é dizer que o evento "A" produz necessariamente o evento "B". baseada em similaridade que só ele poderá identificar. POPPER. Segundo Hurne. "A" virá sempre acompanhado de "B". deve interpretá-las como repetições. Temos aí um empirismo radical. deve considerá-las similares. cit. Mas devemos notar que. Hume não negou que a indução (inferência indutiva) seja efetuada na vida prática. Explica psicologicamente o fato de efetuarmos inferências indutivas recorrendo à força que o hábito desempenha em nossas vidas. e passamos a considerar o evento anterior como causa do subseqüente. Todavia. Como tais interpretações somente são possíveis se se pressupõe a existência de pontos de vista que tomam possível a identificação de duas coisas ou de dois eventos como semelhantes. após leitura do ernpirista britânico David Hume (1711-1776). é o sujeito que estabelece conexões entre eles. a substituir a teoria psicológica da indução pelo ponto de vista seguinte: em vez de esperar passivamente . por considerações puramente lógicas. a inferência indutiva não pode ser legitimada.a pré-condição para a observação de uniformidades e não uma conseqüência dela. Em suma. Discorda com respeito à solução do aspecto psicológico do problema. Ibidem. o habito desempenha na vida de todos nós: observamos a seqüência repetida de dois eventos. O indivíduo deve reagir às situações como se fossem equivalentes. A experiência nos mostra apenas a sucessão de vários eventos. no futuro. pois a indução nada mais é que uma inferência cujas premissas descrevem dados de observação e cuja conclusão descreve um estado de coisas não-observado. Essa idéia é usada de maneira muito pouco crítica. segundo a qual dois eventos seriam em si similares. precisa ser substituida pela tese segundo a qual é o sujeito que interpreta dois eventos como semelhantes. que tem por conseqüência a destruição do conceito de causalidade: conexões causais entre eventos do mundo sensível não são dados de experiência. não é a observação de repetições que dá origem a uma convicção. p. K. Hume emprega a palavra "repetição" de um modo extremamente ingênuo: A idéia central da teoria de Rume é a da repetição baseada na sirnilaridade (ou semelhança). Ocorre que a idéia de necessidade está implícita na idéia de causalidade. o fato de um acontecimento "A" vir sempre acompanhado de um acontecimento "B" não nos permite concluir que. Hume nega que a indução possua uma base lógica.Popper foi despertado para o chamado problema da indução em 1923.

enunciados que exprimem leis naturais ou teorias. Em Überblick. alterar fundamentalmente o estado da questão.que as repetições nos imponham suas regularidades. Pois. Os enunciados nomológicos são estritamente universais. precisaria examinar todo o universo (em toda a sua amplitude espaço-temporal) e só após o ténnino desse exame poderia falar em verificação. 15 "A crença segundo a qual a ciência progride da observação à teoria é absurda. uma tarefa 14. que exprimem leis.. Tentamos identificar similaridades e interpretá-las em termos de leis que inventamos.que precisamos pôr de lado. Uma metodologia negativa A moderna metodologia da ciência foi altamente influenciada por Karl R. Logo. A ciência começa com a percepção de um problema. K. 440-441.0] 70 71 definida. a 'observação' é sempre seletiva: exige um objeto.1 • iI 1. extraordinariamente limitados. in Naturwissenschaften 66. Stegmüller assim resumiu os principais pontos de sua metodologia 17: 1) Popper não exige que os enunciados da ciência empírica sejam passíveis de verificação ("verificação" significa. Modeme Wissenschaftstheorie. 2) Diante desse argumento muitos empiristas abandonaram a exigência de verificação conclusiva e passaram a exigir somente a confirmação para os enunciados universais. caso as observações não as corroborem. 76. que no confronto com a experiência é corroborada ou refutada. Sem uma teoria prévia não é possível qualquer observação. . p. K. op. Por que enunciados que exprimem leis não são suscetíveis de verificação? Para responder a essa pergunta é suficiente que examinemos a estrutura lógica dos enunciados nomológicos. "demonstração da verdade"). desde que. descrevem um evento ou fato ocorrido em um detenninado tempo e em um determinado lugar. damos um salto para chegar a conclusões . publicada em meados dos anos 30. Teu II. isto é. se reservássemos o predicado "científico" soment' àqueles enunciados verificáveis.. POPPER. nenhum contra-exemplo tivesse sido encontrado. Se alguém quisesse verificar . a possibilidade de confirmação positiva não pode servir como critério para estabelecer as fronteiras entre a ciência e a pseudociência. ou seja. pois enunciados pseudocientíficos são passíveis de confirmação.da união de duas teses: da solução que ele apresenta ao problema da indução e de sua resposta ao problema da demarcação. É claro que uma tal verificação é impossível. obviamente. convicção ou expectativa e os dados da observação. seríamos obrigados a considerar como não-científicos exatamente aqueles enunciados mais interessantes. sobretudo por sua obra intitulada Logik der Forschung (A lógica da pesquisa cient(fica). procuramos de modo ativo impor regularidades ao mundo. cit. 17. . Popper. 15. 74. nesse contexto. um ponto de vista. e a dos enunciados que descrevem dados de observação. Theorie der empinschen Wissenschaften. Wolfgang STEGMÚLLER. Sem nos determos em premissas." ' O conhecimento não tem início com a experiência. R.2. isto é.como mostraremos a seguir . A metodologia de Popper resulta . pretendem valer para qualquer tempo e lugar. Para Popper essa exigência mais "liberal" não consegue 16.um enunciado nomológico. mas com uma teoria. quer dizer. p. pois tais enunciados não são passíveis de verificação. op. POPPER. Os dados de experiência são. um interesse especial. demonstrar a verdade de . cit. p. Ibidem. pp. enquanto que os enunciados de observação são singulares. 75-76. um problema. pois. o qual nada mais é do que a discrepância entre a teoria. 3.portanto. R.

Conseqüentemente, o método da ciência não pode ser o da busca de verificação ou de confirmação de hipóteses. 3) Para Popper o método das ciências empíricas deve ser caracterizado de outra fomia. Ele parte de uma nova idéia de ciência; abandona aquele ideal aristotélico, segundo o qual a ciência estaria em condições de propiciar um saber definitivo. A atitude de Popper frente ao problema do conhecimento difere da atitude da maioria dos filósofos. Ele não propõe caminhos ou um método que nos conduza invariavelmente à verdade. làis caminhos não existem. A ciência não se distingue da metafísica pelo fato de proceder metódica e rigorosamente, enquanto que a metafísica especularia. Segundo Popper, tanto a ciência como a metafísica especulam. Somente através da especulação é que temos ao menos uma chance de acesso a algum enunciado verdadeiro acerca da realidade. Como surgem as hipóteses, de onde elas provêm, isso é secundário.'8 Importa saber se nossas hipóteses são testáveis empiricamente ou não. A recomendação metodológica de Popper pode ser a seguinte: Não se atenha ao estritamente observável; invente hipóteses ricas, conjecturas audaciosas e fecundas, que possuam alto grau de conteiído informativo, capazes de propiciar predições testáveis. Parece que Popper tem razão nesse ponto: se os cientistas não tivessem ousado formular hipóteses que ultrapassassem o horizonte do estritamente observável, certamente nenhuma das grandiosas descobertas e invenções teria sido possível. 4)0 método popperiano compreende, pois, dois momentos: o primeiro momento é o da criatividade, da construção, da fonnulação de hipóteses ousadas, ricas em teor informativo; o segundo momento é o do teste dessas hipóteses. O teste deve ser rigoroso, encarado como tentativa séria de refutação ou falseamento. O que caracteriza o procedimento científico é a busca de hipóteses testáveis e a conseqüente disposição para procurar refutá-las. O que caracteriza a pseudociência é que ela recorre a uma estratégia de imunização para contornar a refutação. Quando urna previsão astrológica se revela falsa, o astrólogo encontra urna série de desculpas para isso; não aceita a refutação, fazendo valer que as condições para que a predição se confirmasse não foram realizadas e que, portanto, a refutação foi meramente aparente. 19 5) O modelo indutivista de ciência é substituído por uma concepção hipotéticodedutiva. Ou seja, toda ciência parte de um fato-problema que reclama por urna hipótese explicativa. A hipótese formulada para explicar o fato deve ser submetida a teste. O teste se processa da seguinte maneira: 18. K. R. POPPER, As origens do conhecimento e da ignorância, in Conjecturas e refitações (op. cit.), p. 58. 19. W. STEGMÜLLER, op. cit. 72 73 Da hipótese em questão são deduzidas algumas conseqüências preditivas. Tais conseqüências são confrontadas com os fatos. Caso elas se mosti-em falsas, a hipótese é dada por refutada (falseada). Se se revelarem verdadeiras, a hipótese em questão é dada por corroborada. "Corroborada" não significa "confirmada como verdadeira ou como provável". Significa apenas que a hipótese em tela resistiu até então às tentativas de refutação; até então a hipótese mostrou sua têmpera, não tendo sido falseada; a corroboração nada indica a respeito do futuro de uma hipótese, ou seja, um dia ela poderá ser refutada. A teoria clássica da ciência sempre considerou que para que um conl-iecimento merecesse o predicado "científico" deveria repousar em bases sólidas e seguras, capazes de garantir certezas absolutas e verdades indubitáveis. Daí o intento de muitas

epistemologias no sentido de isolar um ponto amuimédico do conhecimento, capaz de sustentar todo o edificio da ciência (Descartes parece oferecer um exemplo desse tipo de epistemologia, mas há sem dúvida muitos outros na história da filosofia). Popper rompe com essa tradição. O preço que se paga pela posse de certezas, de verdades indubitáveis, é muito alto: é a perda de conteúdo empírico, a conquista da trivialidade. Ou, como diz Popper: sentenças do tipo "todas as mesas são mesas" são muito mais certas e indubitáveis do que as teorias de Newton ou de Einstein. Mas, na medida em que são certas, são também desinteressantes, desprovidas de conteúdo, triviais. A meta da ciência não deve ser, por conseguinte, a busca de fundamentos inabaláveis ou de certezas indubitáveis, mas sim, a construção de hipóteses férteis que ofereçam solução para algum problema. 20 Para finalizar, devemos dizer que para Popper o conhecimento científico sempre conserva seu caráter hipotético, conjectural. Por maior que seja o grau de corroboração de urna hipótese ela não perde seu caráter de conjectura. Nunca se pode ter certeza se ela é verdadeira ou não. O conhecimento científico é o resultado de uma tensão entre nosso conhecimento e nossa ignorância. Aprendemos com nossos erros e o conhecimento avança unicamente por meio do enfrentamento de um obstáculo, isto é, da consciência do erro e conseqüente correção do mesmo. 21 Popper salienta muitas vezes que a ciência tem sua origem em problemas e não propriamente na observação pura e simples. Fato é que não existe observação pura, mas toda observação é guiada por um interesse, norteada por uma expectativa, impregnada poruma teoria. O problema consiste - como dissemos - na discrepância entre nossas teorias (expectativas, convicções, antecipações) e os dados de observação. Toda teoria fecunda, valiosa, oferece resposta aos problemas para os quais foi chamada a solucionar, mas suscita novos problemas. A maior contribuição que uma teoria pode dar ao progresso do conhecimento 20. K. R. POPPER. Duas faces do senso comum, in Conhecimento objetivo p. 60. 21. Idem, Verdade, racionalidade e a expansão do conhecimento, in Conjecturas e refu&ções (op. cit.), p. 242. reside em sua capacidade de levantar problemas. Sendo assim, o conhecimento não apenas tem origem em problemas; ele tennina sempre em problemas de maior profundidade e fecundidade. 4. Thomas S. Kuhn ou O desafio da história As teses de Popper provocaram a reação de muitos filósofos, sobretudo daqueles voltados para o estudo da história da ciência, como é o caso de Thornas 5. Knhn. Físico teórico, em 1962 lançou seu livro A estrutura das revoluções cient (ficas, que teve enorme ressonância entre filósofos, historiadores, sociólogos e psicólogos. Segundo Kuhn, nem o empirismo lógico nem a teoria de Popper são capazes de oferecer uma compreensão adequada da ciência. Sendo esta um fenômeno histórico, só pode ser adequadamente apreendida por urna teoria que leve em conta sua dimensão histórica. A teoria de Kuhn gravita em tomo de quatro categorias fundamentais, com o auxilio das quais pretende reconstruir a dinâmica da ciência: ciência normal, paradigma, crise e revolução. 4.1. A ciência normal Para compreendermos o que vem a ser uma revolução científica é necessário que acompanhemos o desenvolvimento de uma ciência no decorrer de um período mais ou menos prolongado de tempo. O significado de urna revolução somente se torna patente quando contrastado com os períodos que a precederam e a sucederam. Kuhn distingue a fase que ele chama de "ciência nonnal" da fase da "ciência revolucionária". O que é a ciência normal? Podemos dizer que a maioria dos cientistas

se ocupa durante toda sua vida profissional com aquilo que Kuhndenomina "ciência normal". Através de instrução e treinamento recebidos, o cientista normal desenvolve uma determinada concepção acerca da natureza, um modo especial de enxergar a realidade, objeto de investigação de sua área de pesquisa. Tal concepção da natureza ou modo de ver a realidade não deixa de possuir as características de preconceitos ou presunções acerca de como a natureza é constituída. Esses preconceitos adquiridos moldam-lhe a visão da realidade, de sorte que o cientista normal acredita que o universo se ajusta efetivamente às suas concepções, preconceitos ou presunções. A ciência normal "reprime por vezes novidades fundamentais", pois estas são necessariamente "subversivas". 22 22. T. S. KUHN. A estrutura das revoluções cientiflcas. p. 24. 75 A ciência normal não está, primariamente, orientada para a descoberta do novo. Pelo contrário, sua preocupação básica é a de submeter a natureza a esquemas conceituais fornecidos pela educação profissional. 23 Além de equipar o futuro cientista com urna determinada visão de mundo, o período de formação ou socialização se destina também a habilitar o educando a desenvolver técnicas que o auxiliam futuramente no manejo metódico dos fenômenos naturais. Ensina-o a operar com aparelhos e instnunentos, a realizar pesquisas. Tal aprendizado não se processa apenas no nível teórico, mas é imitando e praticando que o candidato a cientista desenvolve a habilitação necessária à vida profissional. 24 (...) o processo de aprendizado de urna teoria depende do estudo das aplicações, incluindo-se aí a prática na resolução de problemas, seja com lápis e papel, seja com instrumentos num laboratório. Se, por exemplo, o estudioso da dinâmica newtoniana descobrir o significado de termos como 'fona', 'massa', 'espaço' e 'tempo', será menos porque utilizou as definições incompletas (embora algumas vezes íiteis) do seu manual, do que por ter observado e participado da aplicação desses conceitos à resolução de problemas.25 Este processo de aprendizagem através de exercícios com papel e lápis ou através da prática continua durante todo o processo de iniciação profissional. 26 normal? O que mais pode ser dito acerca da fase de preparação para a ciência Além de intemalizar uma concepção teórica e de aprender técnicas, os iniciantes mantêm contato com uma outra fonte de saber no âmbito da ciência normal, a qual tem a ver com aquilo que M. Polanyi chamou de conhecimento tácito. 27 Tiata-se de uma espécie de saber não-pronunciado ou explicitamente formulado que se transmite naturalmente do professor para o aluno, sem que o processo lhes seja consciente. Tal conhecimento tácito funda-se na interiorização de determinadas formas sociais de comportamento e no desenvolvimento de uma determinada postura mental. Isso envolve não só a incorporação de determinadas maneiras de lidar com outros membros da comunidade científica, mas também a tomada de consciência de que determinados temas acabam merecendo abordagem privilegiada, enquanto que acerca de outros prefere-se o silêncio. 23. Ibidem, p. 24. 24. Vide H. G. SCHNEIDER. Wissenschaftliche Revolution, ia Pycho1ogie heute Sonderdruck - Wissenschaftskritik, p. 7. 25. T. S. KUHN, op. cit., pp. 71-72 26. Ibidem, p. 72.

o conceito de paradigma não apresenta um significado preciso. portanto. Kuhn dá o nome de paradigma. que transmite a seus discípulos urna mesma doutrina. M. o conjunto de tudo aquilo que une os membros de uma comunidade científica. eles conhecem a resposta. T. Uma tal construção é. Posfácio. nem quanto aos métodos adequados à sua investigação. entre outros. cit. 23. Em seu ensaio A estrutura dos revoluções cient(ficas. será ela composta de partículas de matéria. p. Como exemplos de paradigmas Kuhn menciona. 71. The tacir dimension Thomas S. cit. pp. 4. Pelo fato de o paradigma possuir também urna dimensão social é que ele não pode simplesmente ser substituído pelo conceito de teoria. KUHN. e que se afigura tão atraente e promissora que passa então a receber adesão da maioria dos cientistas. 30 a) no plano cognitivo: surge consenso no que diz respeito à natureza dos fenômenos (por exemplo. a Física de Aristóteles. op. 32 ss. A aceitação de uma construção teórica pela maioria dos cientistas costuma pôr fim às controvérsias e polêmicas acerca dos fundamentos de uma disciplina. Dificilmente esses hábitos são postos em discussão. acolhida como superior às suas correntes. G. que partilham o mesmo paradigma. ou ainda composta de fótons. K.. Ibidem. verificam-se as seguintes conseqüências. 28. 28 Passemos agora a estudar uma outra categoria fundamental para Kuhn: o paradigma. O paradigma Os primórdios de urna disciplina científica são caracterizados. 29 A Física. 76 b) no plano social: surge uma comunidade de cientistas que possuem as mesmas convicções. 37.).. ia op. que só chegará a termo no momento em que emergir uma construção teórica. p. BAYERTZ. SCHNEIDER. pela concorrência entre diversas escolas ou tendências. tão convincente e sedutora que passa a oferecer a base teórica e metodológica para o trabalho subseqüente na disciplina em questão. ou seja. há muito que lograram alcançar esse nível de maturidade. Prevalece um debate intenso em torno de questões fundamentais da área de investigação. Desaparecem. um grupo homogêneo. Vide H. Todo esse conjunto de hábitos se faz necessário para um trabalho cientffjco bemsucedido. 30. O fato de os cientistas usualmente não perguntarem ou debaterem a respeito do que faz com que um problema ou solução particular sejam considerados legítimos nos leva a supor que. a Astronomia de Ptolomeu e a de Copérnico. POLANYI. a Óptica de Newton etc.27. 237 ss. cit. A uma realização científica dessa envergadura. A partir do momento em que um paradigma se impõe frente a uma comunidade de pesquisadores. em geral. Wissenschaftstheorie und Paradigmabegr pp. Mas esse fato pode indicar tão-somente que nem a questão nem a resposta são consideradas relevantes para suas pesquisas. Constitui-se. quanto à natureza da luz. pelo menos intuitivamente. S. bem como a maioria de suas ramificações. de entidades quántico-mecânicas que exibem características de ondas e outras de partículas etc. Numa fase inicial não existe consenso no que diz respeito à natureza dos respectivos fenômenos. KIJHN. 29. pois toda essa rede de posturas. ou será um movimento ondulatório.. as escolas e teorias rivalizantes acerca da constituição dos fenômenos.2. 20-21. O paradigma caracteriza. assim. razão pela qual alguns críticos passaram a duvidar da . técnicas e saberes é muito pouco transparente. portanto. op. a Química e a Biologia. via de regra.

pp. T. o qual não é o resultado direto de experiências. p. Em algumas passagens. LAKATOS e A. Nega que eles tenham a . 32. porém. a comunidade não considera que o paradigma foi refutado. naturalmente. que o paradigma determina nossa imagem de mundo e de todo o nosso modo de perceber a realidade. S. isto quer dizer que um determinado problema científico é tratado como sendo um caso especial ou particular de um outro problema. Posto isso. Não nega. op.fecundidade de um tal conceito. que não se ajustam facilmente ao paradigma. Com isso. KUHN. 32 Uma vez que os paradigmas são reconhecidos pela maioria e fornecem a base para a pesquisa subseqüente. na medida em que prescreve aos pesquisadores quais os procedimentos que são legítimos e quais não o são. o espaço em que se desenvolvem os problemas se restringe ao âmbito daquilo que é coberto pelo paradigma. MASTERMANN. Até mesmo as respostas ás questões possíveis são de certa forma antecipadas ou prefiguradas. Kuhn fala que a ciência envolve um elemento de fé. propriedade coletiva da comunidade científica. quando algum cientista não obtém êxito na solução de um quebracabeça. interessá-lo. mas que direciona qualquer experiência. delimitada e transformada em objeto de pesquisa científica. Kuhn nega a existência de experiências falseadoras (no sentido de Popper). Nesse sentido. ci:. durante algum tempo. MUSGRAVE (orgs. as quais podem ser agrupadas em três categorias: 1)0 primeiro significado é de cunho filosófico. ou seja. a existência de fenômenos recalcitrantes. O que transcende os limites dessa região não interessa normalmente ao cientista ou não precisa 31. 65. 2) O segundo significado do conceito de paradigma refere-se à estrutura social da comunidade científica. Outra característica do paradigma é que ele não é propriedade individual de um inico cientista.31 que efetuou uma análise do conceito de paradigma na obra de Kuhn. 33. in 1. então. um arcabouço teórico de cunho bem geral. É pelo paradigma que determinada região da realidade é recortada. A natureza de uni paradigma. Assim também o cientista normal parte do pressuposto de que as questões defmidas no horizonte de um paradigma admitem solução no próprio âmbito do paradigma. de antemão. M. 13. Kuhn caracteri7a os paradigmas como "realizações científicas universalmente reconhecidas que. 3) O terceiro significado do conceito de paradigma refere-se ao fato de que. de sorte que é possível pressentir como se afigurará a solução de um quebra-cabeça científico. o paradigma desempenha o papel de um instrumento de pesquisa. M. Ibidem p. que ele comporta solução. entende-se por que Kuhn compara a atividade do cientista normal com a de um solucionador de quebra-cabeças. ele é tido por inatacável. Masterrnann. Como diz Kuhn. A paradigma fornece ao cientista urna espécie de cosmovisão. Quem se propõe a resolver um quebra-cabeça sabe. 72-108.. mas atribui o fracasso à incompetência do cientista. na ciência. detectou 21 acepções diferentes desse conceito. Por receber adesão coletiva. Daí decorre que. Aí estão os problemas considerados legítimos. freqüentemente ocorre que uma determinada realização científica é tomada como modelo para soluções de problemas em outras áreas de estudo. o que ultrapassa essas fronteiras é desqualificado como não-científico. ele adquire uma dimensão normativa. "é precisamente o abandono do discurso crítico que assinala a transição para uma ciência".) A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. aquela sólida rede de compromissos ou adesões33 que delineia o quadro da estratégia a ser adotada. nesse sentido. para o qual já existe uma solução paradignultica. fornecem problemas e soluções modelares para uma comunidade de praticantes de uma ciência". O paradigma representa.

S. KUHN. importante papel na produção do novo. ela é condição de possibilidade de emergência do novo. vide T.3. vide T.36 34. The essential tension/tradition and innovation in scientific research in C. A Crítica da ciência. Lógica da descoberta ou psicologia da pesquisa?. S. Passado o período em que o paradigma é articulado e suas possibilidades de nutrir a pesquisa foram exauridas. 7R 70 Em um trabalho intitulado The essential tension (A tensão fundamental). Parece paradoxal: apesar de a ciência normal não estar primariamente direcionada para a descoberta do novo e se mostrar até mesmo intolerante frente a inovações. 162-174. Fracassam as tentativas de dominar as dificuldades. papel mediador na emergência do novo. Kuhn não se cansa de pôr em relevo os traços conservadores da ciência normal. MUSGRAVE. T..função que Popper lhes atribui. Crise e revolução A ciência não vive só de triunfos. cit. p. G. que culmina muitas vezes em uma resistência dos cientistas a novas descobertas. A fase de triunfo. a responsabilidade não é da teoria e sim da pessoa que a utiliza mal. surgem problemas não passíveis de solução no horizonte do paradigma. in Jorge Dias de DEUS (org. Vide H. KUHN. cit. Além disso. T. pp.).). ele goza de certas imunidades. aquele esforço no sentido de aplainar as arestas do paradigma a fim de que a natureza possa se ajustar melhor a ele. Diante do fracasso do paradigma e em meio a todo um ceticismo da comunidade. 5. assim. LAKATOS e A. proibidos pelo paradigma. tem. A estrutura das revoluções cient(flcas (op. Havendo discrepância entre efeito prognosticado e teoria. A aceitação de um paradigma facilmente leva os pesquisadores a ignorar aquilo que não se ajusta à concepção paradigmática. Uma vez que o paradigma é propriedade coletiva. esse caráter dogmático da ciência normal parece ser indispensável ao seu funcionamento. a atividade científica tem um forte componente social. S. A concentração no detalhe e a conseqüente articulação do paradigma desempenham. 45. TAYLOR (org.37 Kuhn faz valer que somente aqueles pesquisadores fortemente enraizados na tradição científica dominante é que têm chances de romper com ela e criar uma nova tradição de pesquisa. proliferam idéias a respeito de como as anomalias podem ser enfrentadas. 12. A credibilidade do paradigma sofre um sério revés. cede lugar a um período de crise. A função do dogma na investigação científica. efetuado pelo artesão científico. Impera o ceticismo quanto ao futuro desempenho do paradigma. op. tem existência duradoura e não perde facilmente sua credibilidade.). SCHNEIDER. não se pode esquecer. pp. 35. dirigido ao pormenor. Outra conseqüência da adesão ao paradigma é uma dose de tolerância. de cujo enfrentamento dependerão os progressos decisivos na ciência pura. da acumulação bemsucedida de saber. 4. Isso faz com que qualquer inovação dentro desse processo passe a ser vista como uma forma de comportamento desviante. iii 1. W. KUHN. Pois é exatamente aquele trabalho minucioso. pois propiciam a emergência de anomalias que sinalizam ao cientista que é chegada a hora de buscar um novo paradigma. The Third (1969) University of Utah Conference on the Identification of Crearive Scientific lãlent. O paradigma está ameaçado. é isso que cria as condições de possibilidade para que as atenções se dirijam às dificuldades. 53-80. Contudo. Surgem as chamadas anomalias: fenômenos desafiantes. KUHN. p. 36. op. O trabalho miúdo. Especulações ousadas . Esta é a situação que imediatamente antecede o advento de urna revolução científica. pois. Cit.

se uma dada discrepância entre paradigma e realidade pode ser vista como simples quebra-cabeça ou deve ser vista como anomalia.. 44. critérios gerais que determinam de modo unívoco. Ibidem. o resultado de uma revolução científica leva anos para ser assimilado pela comunidade.39 O período de ciência nonnal que se inaugura é o intento de "atualização 37. ao seu conservadorismo. 38 A transição de uma concepção de mundo para outra é menos o efeito da argumentação lógicoracional do que o resultado de um processo que se realiza mediante ajuda da fantasia e da intuição. 39. precisava encontrar um elo de ligação entre a ciência normal e a revolução. Ibidem. The essential tension. T. p. aquela ordem rigorosa que caracterizava a ciência normal cede lugar ao caos. 42 De qualquer forma. S. cit. Kurt BAYERTZ. u Entretanto. dominada por um paradigma sucessor. De início vão continuar tentando resolver a anomalia no quadro do paradigma vigente. dogmatismo e relutância contra idéias inovadoras. Vide nota 36. As crises terminam com a emergência de um novo paradigma e com a subseqüente batalha para a sua aceitação. contudo. enriquecendo-a com novas informações. Isso é algo que vai depender da percepção da própria comunidade científica. 43. p. T.. como é que. 42. o qual é precedido. KUHN. de início. iluminando a realidade por um ângulo até então inusitado. para cada situação possível. É paulatinamente que o novo paradigma vai plasmando uma nova imagem do mundo. S. os cientistas não o abandonarão. Em geral. Contudo. KUHN. parece que a importância concedida por Kuhn à categoria de crise não é tanto o resultado de uma análise histórica. cit. na visão de Kuhn. ' Com o agravamento da crise. p. como assinala K. diferentemente. as revoluções pareceriam impossíveis. pois não é possível pesquisar sem paradigma. p. mas a altera profundamente. op. porém. A questão é que. 57 ss. 41. em que pesem as dúvidas quanto à existência efetiva de crises precedendo o advento de um novo paradigma. Tudo indica que Kuhn precisava tornar plausível a transição de um paradigma para outro. Contudo. Ibidem. 44. os cientistas reagem à crise? Não como preconizam os racionalistas críticos. cit. Freqüentemente é difidil para a maioria dos membros de uma comunidade científica se despojarem das convicções até então acalentadas para poder acompanhar a mudança e se adaptar ao novo. A estrutura das revoluções científicas. KUHN. A crise parece desempenhar esse papel. S. 38. Ele é mais urna "promessa de sucesso". dessa promessa". Kuhn atribui à existência de urna crise papel importante na transição para uma nova fase de ciência normal. 190-191. A revolução não apenas depura a imagem que se tem da realidade. T. via de regra. 41 O avanço que decorre de uma revolução científica é de natureza diversa daquele promovido pela ciência normal. Apesar da desconfiança quanto à eficácia do paradigma. Não existem. Bayertz. op. 116. 113 ss. o novo paradigma só poderá se impor caso os cientistas sejam capazes de vislumbrar conexões até então inesperadas.conquistam espaço sobre a argumentação lógica. in op. 40 Aderir a um novo paradigma é como dar um salto no vazio. por muita confusão e inquietação. pp. a ciência normal cede lugar à pesquisa 40. um novo paradigma não soluciona todos os problemas deixados em aberto pelo paradigma anterior. Parece que a crise está associada àquela dimensão normativa da ciência normal. . Sem crise. mas urna exigência que deriva de seu modelo mesmo de ciência.

Ibidem. Em outras palavras. Idem. Popper e seus discípulos. elevando o seu grau de probabilidade. a partir dos quais inferir-se-ia uma hipótese geraL Contudo. Procura tomar mais aguda a crise. in Wemer DIEDERICH (org. A ciência extraordiruíria se desliga do paradigma. nessa fase pós-paradigmática. suas teses provocaram grande impacto. (org. 10 ss. pp. quando Popper apresentou sua metodologia das ciências empíricas. o cientista que vive a crise partirá para a especulação. Theorien der Wissenschaftsgeschichte. se tiverem êxito. LAKATOS e A. falseamento de concepções existentes. 114. À guisa de conclusõo: em torno do debate Popper-Kuhn Como era de se esperar. o ensaio de Kuhn sobre as estruturas das revoluções científicas foi recebido como um imenso desafio pela maioria dos filósofos da ciência. Para . a outra. W. 81 extraordinária. pois propiciou uma articulação mais clara. T. A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. Isso é compreensível. S. tendo sido recebidas também como um desafio por parte de cientistas e filósofos empiristas. tratava-se de confirmá-la indutivamente. as quais. p. poderão indicar a trilha para um novo paradigma. representada por Karl R. dando ensejo ainda a um desenvolvimento enriquecedor para a metodologia da ciência. cit. Lógica da descoberta ou psicologia da pesquisa?. a convicção de que a ciência seria um empreendimento racional. pois as teses de Kuhn pareciam abalar profundamente convicções fortemente arraigadas entre a maioria dos epistemólogos e cientistas naturais. 5. É verdade que os empiristas lógicos nunca sustentaram que as leis científicas fossem descobertas por indução. til situação propiciou a formação de duas frentes: uma. Ver ainda Wolfgang STEGMÚLLER.). Para se tomar ciência deste debate recomenda-se a leitura deI. mediante observação repetida seria possível descobrir algumas regularidades na natureza. 46. Tentou-se até mesmo a construção de um sistema de lógica indutiva que teria por finalidade estabelecer as regras para uma tal confirmação indutiva de hipóteses. mantendo-se crítica frente a ele. op. mas. as quais confumariam a hipótese em questão. KUHN. ou seja. 353-391. A filosofia contempordnea. admitiam que a indução era o método adequado para se fundamentar ou justificar uma hipótese ou suposta lei geral. que acreditavam que a ciência natural procedia indutivamente. retomemos aqui alguns aspectos fundamentais da disputa assim como de seus antecedentes. Como sabemos.45. urna vez de posse de urna hipótese. tentará formular novas teorias. nunca admitiram a crença ingênua em que a investigação científica tivesse início com a observação de casos particulares. A concepção dominante na época era a de que o método indutivo caracterizava o procedimento das ciências da natureza. 47. a menos que seja guiada por um paradigma. experimentos são feitos simplesmente com o objetivo de averiguar o que ocorre. Theoriendynamik und logisches Verstiindnis. bem como uma revisão de vários aspectos de ambos os programas metodológicos.). Em uma palavra. p. A estrutura das revoluções cient(ficas. por exemplo. como. 113-114. o método indutivo era usado. ' Em meados da década de 30. não para descobrir hipóteses. acentuar o colapso do paradigma até então inatacável. Como nenhuma pesquisa pode ser efetuada por muito tempo. pp. MUSGRAVE. 167-211. 48 Para facilitar a compreensão dos pontos conflitantes. 49. busca de alternativas. O embate entre as duas frentes revelou-se eminentemente fecundo. a pesquisa se toma aleatória. bem como a fim de indicar urna caminho para uma possível compatibilização entre eles. STEGMULLER. a ciência extraordinária é que parece se caracterizar por aqueles traços que Popper considerou típicos da ciência: teste. defendida por Thomas Kuhn. Popper rompe com essa tradição indutivista. então. 48. pp.

certamente. ela é. Fora dessas duas alternativas só restaria o irracionalismo.) op cit. A questão que surge para nós é a seguinte: afinal. a experiência desempenha um papel relevante na metodologia. À primeira vista parece não haver outra saíia para o impasse entre indutivismo e dedutivismo. KUHN. uma nova tradição de pesquisa acaba por triunfar. A concepção de Kuhn foi acolhida como desafiante. não possuem. Lógica da descoberta ou psicologia da pesquisa? in 1. o 50. dar respaldo à idéia de que a ciência é realmente uma atividade irracional. freqüentemente foi ele criticado por atribuir ao cientista posturas irracionais. 52 isso parece solapar qualquer vestígio de racionalidade na ciência. item 2. rever nosso conceito de racionalidade. Ver. ainda que distinto em cada urna dessas concepções: no indutivismo é a experiência que fornece base sobre a qual se assenta a confirmação de uma hipótese. regras de lógica dedutiva. de fato. Se. Eis que surge Thomas Kuhn defendendo urna posição que procura manter distância de ambas as anteriores: o caminho trilhado pela ciência não obedece a nada que tenha semelhança com regras indutivas . que não objetiva demonstrar a verdade nem a probabilidade de hipóteses. não estaria a atividade científica impregnada de uma insuperável irracionalidade? Tal conclusão pessimista parece. 50 Tanto para os indutivistas (empiristas lógicos) como para os dedutivistas (Popper e seus discípulos). pois somente através do teste constante de nossas hipóteses ou teorias é que temos a chance de desenvolver teorias melhores que se aproximem mais da verdade. se Kuhn tem razão.. os defensores obstinados da antiga tradição acabam morrendo e. Todavia. não se impor. ainda que estes possam ocorrer. 51 mas também pouco tem a ver com o procedimento popperiano que recomenda a busca da refutação. Mas a de Kuhn parece encontrar suficiente respaldo na história da ciência. E tal reflexão poderá mostrar que. a crença na indução não passa de uma ficção. pois obstinadamente apegadas a uma hipótese. S. Sua metodologia é urna metodologia crítica. aberta à refutação. com o tempo. 18 ss. p. ou a admitir que.via indução . negativa. mesmo preservadas as idéias .não seria ele um procedimento irracional? Muitas das teses de Kuhn parecem. e que seriam. a relevância que Popper lhes atribui. a-crítica. do cientista normal deve ser abandonada em favor de uma atitude crítica. E ambas as metodologias parecem ser construídas sobre uma base racional: regras de uma lógica indutiva. aos poucos. em outro. abandono de um paradigma por parte de uma comunidade tem por fundamento não a sua refutação empírica. parece bastante saudável para a ciência. mas se prende ao fato de que. LAKATOS e A. mas visa submetê-las ao crivo da crítica com o objetivo de eliminar aquelas que o teste revelar serem falsas. nem de longe. se a ciência não se orientar nem pela indução. E ele chega até a pôr em dúvida a existência de falseamentos.ele. A conclusão de Popper é que uma tal postura dogmática. E se nos lembrarmos de como Kuhn descreve a comunidade de cientistas normais. além disso. um empreendimento irracional. para o dedutivista é na experiência que se funda nossa conjectura de que uma determinada hipótese falsa. sim. em um caso. Um dos méritos de Kuhn foi o de haver propiciado urna reflexão nesse sentido.via dedução . deste capítulo. É preciso. contudo. no entender de Kuhn. que privilegia o espírito crítico. até mesmo desnorteante: se o procedimento científico não visava nem a confirmação de hipóteses . quando contra-exemplos parecem indicar que a mesma é falsa. quem tem razão? A posição de Popper. MUSGRAVE. (orgs.e nesse ponto concorda com Popper -.nem a refutação das mesmas . 51. nada mais plausível do que considerar irracionais aquelas pessoas pouco interessadas na crítica de convicções acolhidas. teimosas. nem pela dedução. ou seja. T. E a via de eliminação ou de exclusão de hipóteses falsas é dedutiva.

ela não se apresenta logo como algo acabado. N. fixado antecipadamente. Mas o núcleo estrutural da teoria permanece imune à refutação e. O núcleo estrutural de sua teoria é constituído por uma segunda lei.. que contém uma estrutura matemática. arcabouço teórico. LAKATOS e A. passíveis. WATKINS. MUSGRAVE (orgs. traduzida assim: "a força é igual ao produto da massa pela aceleração." liii núcleo estrutural não é passível de refutação. Quando uma teoria é concebida. pp. K. nesse ponto. . ci:. e sim determinadas hipóteses especiais levantadas na tentativa de tomar a teoria aplicável a urna determinada região. 191. pp. KUHN. in 1. 33-48. A estrutura das revoluções científicas (op. SNEED. trata-se antes de libertar-nos de um conceito estreito de racionalidade. conhecem-se algumas aplicações da teoria. STEGMÜLLER em Theonendynamik und logisches Verstandnis. obviamente. Uma das tarefas da comunidade científica será exatamente a de procurar ampliar o âmbito de aplicação da teoria. Todavia.) op. Existem refutações na ciência e. Em vez disso. W. em sistema acabado. que a luz não era constituída de partículas. T. o movimento pendular. Popper tem razão. ou que se conheça de antemão. Muitas vezes Kuhn sugere que na ciência não existem testes nem experiências de falseamento. além disso. portanto. nesse sentido.) op. in 1. no século XIX. não corresponde à realidade. cit. (orgs. 54. a queda livre dos corpos próximos da superfície tenstre. quando. 55. com o auxilio de sua mecânica de partículas. POPPER. ainda não conhecidas. LAKATOS e A. lembremos que Newton deu os seguintes "exemplos paradigmáticos" para sua teoria: o sistema planetário. op. vemos apenas um quadro geral. The logical structure of mathemaiical physics. porém. Noutros termos: promoveu-se uma alteração no âmbito de vigência da teoria. Se estas tentativas de aplicação da teoria em outras regiões não forem coroadas de êxito. E uma revisão desse conceito passa antes por uma revisão do conceito de teoria científica. T. De início. a razão está do lado de Kuhn.centrais de Kuhn. A ciência normal e seus perigos. Uma idéia bem sucinta e simplificada de como seria possível compatibilizar alguns dos pontos conflitantes entre as teorias de Popper e Kuhn pode ser dada assim: Em primeiro lugar. seria possível. Contra a ciência normal. mas tão-somente algumas espécies especiais levantadas para ampliar seu domínio de aplicação. Para ilustrar. S. p. de serem verdadeiros ou falsos. descobrir leis especiais que tomempossível sua aplicação em outros domínios da realidade.). sugere-se 52. D. contudo. MUSGRAVE. é necessário abandonar aquela concepção segundo a qual as teorias científicas seriam sistemas de asserções ou de enunciados. A classe das aplicações possíveis não constitui. 186. As considerações a seguir foram propiciadas pelo filósofo americano da ciência J. 53. 63-71. mediante a descoberta de novas dimensões dessa racionalidade. Isso. Newton havia prognosticado que. concluiu-se. cit. p. nem por isso se considerou que a teoria newtoniana tivesse sido refutada. cit. um dia. todos os esforços nesse sentido foram inúteis. não somos compelidos a considerar a ciência como um empreendimento irracional. Uma teoria possui sempre inúmeras aplicações possíveis. que uma teoria seja interpretada como uma estrutura matemática corjugada a uma classe de aplicações da teoria. excluindose dele os fenômenos eletromagnéticos. porém. Vejamos um exemplo. via de regra. S. explicar os fenômenos da óptica.. tal malogro não atinge a teoria enquanto tal. o fenômeno das manis etc. R. Ver também a contribuiç5o de J. alguns "exemplos paradigmáticos" que mostram onde ela pôde ser aplicada com êxito. estas refutações não atingem a teoria enquanto tal. articulado em todos os seus detalhes. KUHN. Apoiaino-nos na exposição de W. impôsse a teoria ondulatória da luz. A estrutura das revoluções científicas.

1n Conjecturas e refutações. Itatiaia. SP: Edusp. Jorge Dias de (org.). Boston. A estrutura das revoluções cient(ficas. Wolfgang. 1975. 1983. Wissenschafiliche Revolution.). os quais esperam e acreditam que ela. da UnB. Belo Horizonte: Itatiaia. numa época de transição. N. certamente. Para isso. The tacit di. Parece possível uma interpretação que viabilize urna compatibilização entre ambas. Metzlersche Verlagsbuchhandlung 1981. BH. Nova York: Doubleday & Company mc. A crítica da ciência. 1n Conhecimento objetivo. A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. João Francisco Regis de Morais* Concretamente. e MUSGRAVE. Theorien der Wi. Introdução histórica d filosofia da ciência. Wemer (org. DEUS. não há nada de irracional nesses comportamentos. 1 e MUSGRAVE. SP: Cu1trixEdusp. Frankfurt: Suhrkamp. 1n LAKATOS. Além disso. uma parte da população do mundo morre porque não tem comida morre de fome. SP: EPUJEdusp. Munique: Springer Verlag. LAKATOS. _______ Duas faces do senso comum. 1977. J. em ambas as teorias. 1979. 1. 1979. 1966. lbeoriendynamikund Logisches Veitândnis. 2t ed.ssenschaftsgeschichte. isto é: em termos de substituição do natural pelo quimicamente preparado. Karl R. dará conta das dificuldades ou anomalias encontradas. Wissenschaftstheorie uns Paradigmabegr Stuttgart: J. H. (2 voL). SP: Oaltrix/Edusp. A crítica e o desenvolvimento da ciência. Racionalidade e a expansão do conhecimento. POPPER. contudo. Michael. Brasilia: Ed. substância extraída de um derivado do petróleo já comprovadamente cancerígeno. D. Dordrecht. J. (org.nension. como os diabéticos da maior parte do chamado Terceiro Mundo que adoçam suas bebidas com sacarina. A. 1n Conjecturas e refutações. ampliando seu domínio de aplicação. é normal haver defensores da teoria até então dominante. a nosso ver. Carnap e o positivismo lógico. Thomas S. A.dois desastres monumentais resultantes dos avanços dos recursos da ciência contemporânea. Brasilia: Ed. Verdade. W. SP: Perspectiva. RJ: Zahar..). 1978. como parece ter sugerido Kuhn. pois que a vivemos de forma ambígua.Wissenschaftskritik.. revela-se necessário ir além de Popper e de Kuhn e procurar eliminar alguns exageros contidos. 1979. (org. a outra parte da população está morrendo porque a tem. 1979. A. Ciência: conjecturas e refutações. Bibliografia BAYERTZ.Sor1erdntck . Afilosofia contemporânea. G. Contra a ciência normal. Weinheimund Basel Beltz Verlag. bem como defensores da nova teoria então nascente. Eis porque em outros escritos meus já . Naturwissenschaften 66. 70. s/d. POLANYI. Lisboa: Ed. J. PASQUINELLI. que também acreditam e alimentam a esperança de que esta poderá consolidar seus êxitos iniciais. KUHN. 2 ed. s/d. conta-se com alimentos cada vez menos confiáveis. hoje vivemos a realidade científico-tecnológica em clima de muita perplexidade. As origens do conhecimento e da ignorância. 197. E. B. SNEED. Kurt. STEGMÜLLER. WATKINS. um dia. Garden City. 1978. Se de um lado nos encantam cada vez mais as façanhas da engenharia genética ou da medicina nuclear. LOSEE. hoje em dia. 1974. 1971. ht Psychologie heute .A comunidade científica não é irracional. da Universidade de Brasília. 85 As concepções de Popper e Kuhn não são antagônicas como à primeira vista se supunha. Dado que as teorias são irrefutáveis. 1n DIEDERICH. The logical structure of mathematical physics. já se disse que se. temos que havernos com as sombras de Three Mile Island e Chemobyl . SCHNEIDER..).

mas é necessário que. embora os testes tenham sido feitos cuidadosamente. Inevitavelmente. pelo menos. nos negócios humanos. correspondem funções latentes. Evidentemente. ambos incompletos e ineficientes por sua parcialidade.de se olhar para a vida e interpretá-la. nunca será apenas mau. desconhecidas no momento das novas criações e por isso mesmo caladas. O nosso meio. pode ser. sendo que principalmente * Doutor pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). não são conhecidas todas as conseqüências da ingestão daquele remédio. Quero dizer: podemos fixar-nos na idéia de urna fase histórica que se acaba no final do século passado (Idade Moderna) e de outra que tem seu começo com as inovações do século XX. a realidade humana seja "isto e aquilo". Volto sempre a dizer que. não podem mais ser livres de valores (value free) . negadores do óbvio: das magníficas realizações que a atividade científica também tem logrado. São ambas as coisas. Pode-se ver entre o mundo moderno e o contemporâneo uma ruptura. uma vez subvertidas por interesses econômicos e politicos. Discutível? Sim. Certamente que não é um modo cômodo de ver. Mas parece ser o modo realista . negaes mal-humorados de qualquer perspectiva boa. e. Capítulo V CIÊNCIA E PERSPECTiVAS ANTROPOLÓGICAS HOJE 86 R7 este não deva ser dado a mulheres grávidas até tal mês do desenvolvimento fetal. Os três grandes momentos do mundo moderno Seja-me permitido fazer um desenho histórico. que é marcadamente científico-tecnológico. menciono três grandes momentos do mundo moderno. um largo esboço que quererá sublinhar os momentos mais decisivos vividos pelo homem ocidental. penso. otimistas ingênuos com urna cândida visão iluminista da ciência à la século XVIII . . nas quais se lê que. expondo-nos à permanência do provisório. 1. conhecidas e declaradas.a ciência como algo de mágica força e que tudo resolverá. Não muito preocupado com essas periodizações. E isto porque. Professor de Filosofia na Unicamp e Puccamp. dando à expressão "mundo moderno" uma abrangência de continuidade que acaba por incluir este tempo que estamos vivendo. São dois modos de ver. não há a disjuntiva "ou isto ou aquilo". de um lado. a ciência e a tecnologia não são boas ou más.no mais salutar sentido da palavra .se é que algum dia o tenham sido. às suas funções manfestas. a ser apenas bom. Uma coisa todavia é certa: tal discussão não tem importância nenhuma para o tema que quero trabalhar. factível.afirmei que a ciência e a técnica se constituem nas glórias e nas misérias do presente século. do século XVI (Renascimento) até hoje. tampouco lograremos que chegue algum dia. o que gera. O que se dá atualmente é que muitos se ligam ou só nos aspectos negativos da evolução científica. de outro lado.. Esta coisa pode ser constatada praticamente na maior parte das bulas de medicamentos. para não quebrar o fluxo dialético da vida. A ciência e a tecnologia são boas e más também em razão de que. bem como pode-se ver entre eles uma perfeita continuidade. ou só em seus lados positivos. pois que exige urna dinâmica interior que nos faz uns nómades da observação do mundo. Nesta linha de pensamento é que vejo possível tratar-se do tema que este breve ensaio anuncia em seu título: Ciência e perspectivas antropológicas hoje. imagino que a luta humana se situe hoje em um esforço real para que obtenhamos uma predominância do bom sobre o ruim. num projeto histórico mais modesto irias.

perfeitamente lógico e perfeitamente equivocado. Na primeira metade do século XVII. inaugura a chamada ciência experimental. O Iluminismo (século XVIII) é o exagero a que chega o mito da racionalidade absoluta. uru jovem físico de 19 anos e já professor da Universidade de Pisa (Itália). pelos séculos . a cada minuto preocupado com os acontecimentos do mundo. regido por leis internas. Acaba provocando uma virada de mentalidade como poucas se viu igual ao longo da história do Ocidente. o pensamento científico de Newton pmopunha um universo marcado pela estabilidade e dava ensejo a um mito posterior a Newton: o mito da racionalidade absoluta. o universo sagrado. Quem será o centro do significado da história: o homem ou Deus? Mantinha-se. conseqüentemente. levada a efeito pela primeira Revolução Industrial. vivia-se profundamente a convicção da estabilidade cósmica. Porém. tis foram alguns desdobramentos daquilo que é hoje conhecido como o advento da ciência experimental e que. É muito importante que atentemos bem para isto. iniciada em fins do século XVIII e desdobrada. o inglês Isaac Newton propôs a concepção de um universo estável. em muitos aspectos. a Suprema Inteligência inscreveu no universo leis necessárias e eternas. de espanto. segundo o qual a razão humana daria conta de tudo desvendar no universo. A arte deste século. entre a luz e a sombra. o advento da ciência experimental tem conseqüências enormes e profundas. em cujas hamionias biológicas e físicas não se podia mexer por respeito religioso. foi transformado em uma organização de matéria neutra na qual se devia mexer para pesquisar experimentalmente. a mãe-terra transformava-se num universo neutro e numa terra a ser pesquisada empiricamente. no meu entender. quando a Revolução Francesa. O segundo momento portentoso que desejo focalizar neste breve texto é a automatiza çõo do trabalho humano. na Igreja de Notre Dame de Paris. é QÕ colocada uma estátua que retratava uma famosa prostituta parisiense do tempo. entre o humano e o divino. um altar para a Deusa Razão. quanto à queda dos corpos na física. Ora. Seu experimento da "queda livre dos corpos" de súbito demonstra que Aristóteles. O mito da racionalidade absoluta chega a endeusamentos literais. Ora. é o primeiro grande momento do mundo moderno. conhecida como o Barroco. Para Newton. de nome Galileu Galilei. porém. um mundo ritmado e alheio aos rápidos meios de transporte e comunicação. no século XVIII. lugar no qual. De repente. a convicção deflagrada por Newton quanto à estabilidade material do universo. desenvolve-se o racionalismo de Descartes (15961650) que deixa perplexo o homem moderno. é urna aguda expressão de perplexidade. e este campo abria-se de forma ilimitada. O que Newton dizia ao mundo era que esse Ser de Suprema Inteligência (Deus) não haveria de criar um mundo de forma desinteligente. a grande autoridade do Mundo Antigo que pontificou também ao longo da Idade Média. estava. o mundo "encantado" da Idade Média. imutáveis. Num golpe histórico. curiosamente. de um homem que está dividido entre o céu e a terra. que haveriam de conduzir este universo com a precisão de um excelente relógio. ao ponto de ter de comandá-lo séculos afora. em um preciso dia do preciso ano de 1590. pelo meio do cipoal dessas dúvidas. necessárias e. Competia à inteligência humana conhecer mais e melhor as leis do mundo. pois aqui se encontram as raízes verdadeiras dos problemas ecológicos de devastação e degeneração do meio que hoje vivemos de forma trágica. Vivia-se a fase pré-tecnológica do Ocidente. prepara. Esta transformação de mentalidade que o sociólogo Maw Weber chamou de o "desencantamento de um mundo".Logo depois que Lutero de certa fomia rompera com a autoridade de ensinamento da Igreja Católica (o seu magistério) pregando o livre exame das Escrituras por parte de cada pessoa.

somos cuidados pelas organizações funerárias. crescemos em organizações (escolas).. tentar compreendê-la em bases antigas se transfonna num delírio de cujas consequências nem sabemos direito. Com a crescente urbanização do Ocidente. Com os avanços da ciência cibernética. a realidade global da sociedade. desperta-se ao trilar do despertador ou ao soar da sirena da fábrica. como o vapor. Isto vem até dentro do presente século. A automatiza çõo procurou substituir a força fisica por novas formas de energia. via-o como algo que "tende ao caos. e a coisa vai assim até que morremos e. passamos a vida trabalhando em complexos industriais. come-se nos horários estabelecidos pelos locais de trabalho. de ensino ou outros. para se poder levantar cedo. . Mas. Um trabalho que até então era feito por músculos animais (irracionais e humanos). às situaçõesproblemas e às situações-soluções do homem contemporâneo.7caçõo da sociedade ocidental (Pós-história. A automatização prenuncia e a automação efetiva aquilo que Villém Flusser chamou de a transcod. veio abaixo a estnitum familiar de modelo patriarcal (com o tradicional chefe defamz'lia) e muitas mudanças ocorreram nas formas de morar e de usar o espaço. Se antes dormia-se quando se tinha sono. quando um outro gigantesco acontecimento se preparava. As mudanças haviam chegado a um tal ponto de profundidade que. já não se podia ler. o carvão.. por que surgira o computador? Em razão de que a ciência atual já não via o mundo com a serenidade de Newton mas. tenha-se ou não fome. surge o computador. 1983). Está transcodificada a nossa realidade e.sem qualquer possibilidade de intervenção humana no processamento. oriunda de verdadeiros êxodos rurais para os centros fabris. Paulo. ao contrário. de um "universo de situações probabilisticas". Bolzrnann (na Alemanha). Um novo tempo com novo ritmo começava. a eletricidade etc. S. trabalhando junto com a máquina. Estávamos na "era da incerteza' '.. Willard Gibbs (nos Estados Unidos) principiaram a desenvolver a idéia de um "universo de incerteza". à entropia". com as chaves antigas de leitura. Não é dificil de se imaginar quanta coisa mudou com a industrialização do mundo. Um tanto perplexos com tudo isto. instalando-se definitivamente o tempo da máquina. criando máquinas eletrônicas que são sistemas fechados funcionando a velocidades inimagináveis . A tendência burocratizante da chamada sociedade organizacional chegava a um grau de eficiência enorme com o auxilio da informática. agora dorme-se quando o relógio (máquina) diz que é hora. Eo que a automação quer é substituir a morosidade do raciocínio humano pelas virtuosidades do raciocínio eletrônico. desde que ultrapassada a fase de programação. Depois vieram Werner Heisenberg (com a Teoria da Indeterminação) e Albert Einstein (com a Teoria da Relatividade) e deram o último canhonaço no universo estável de Newton. Duas Cidades.no mundo da vertigem e do espanto. Tudo isso sem mencionar a revolução econômica que o mundo conheceu. comerciais.seguintes. sentimo-nos mais aparelhos do que pessoas. criando uma teia tal de organizações que envolve e limita toda a vida humana. O terceiro grande momento do homem moderno que desejo sublinhar a automação da sociedade. Circuitos integrados miniaturizados impondo um ritmo vertiginoso. sistemas abertos funcionando a uma baixa velocidade. como disse. de modo que o operário pudesse intervir. ou se despertava quando o sono acabava. agora. comia-se quando se tinha fome. quase inconcebível. agora passava a ser realizado por máquinas mecânicas movidas pelas energias novas. à deterioração.. Principalmente foi dado um "tiro de misericórdia" no tempo humano. hoje nascemos no interior de uma organização (hospital-maternidade). Como tenho dito.

esta mesma humanidade está atrofiada. Assim como. à medida em que quis romper com a reflexão filosófica. conseguiu. mas em tennos espirituais . são questões grandes demais.e aqui esta palavra não precisa ter sentido religioso específico . Compete inquirir se o caminho que tomamos é definitivo e não pode ser trocado.Na raiz de tudo isto encontra-se o evoluir da ciência que. na vida do homem. Já se disse que o mundo é um sistema fechado e . a atividade científica toda emergiu. menos que responder completamente a tais indagações. em apenas quatro séculos de experimentalismo. a vontade (WoIlen). chegar algumas contribuições até a nobre planta do senso crítico. tinha apenas na base um impulso salutar. a qualidade interior do homem não sofreu quase que aperfeiçoamento nenhum. Dá para imaginar-se este homem em equilíbrio? Impossível. quando vamos assistir a uma verdadeira contestação "edipiana" à mãe-filosofia. O século XVIII. provoca. perdeu. Com pouco que se contribua neste campo será muito. E fomos vendo a ciência reivindicar sua autonomia através da Idade Moderna. há um momento em que o filho precisa contestar a mãe para obter condições de auto-afirmação. a princípio. Ora. enfim. preparando a ruptura que se configuraria no seguinte entre ciência e filosofia. da mesma forma a ciência fez a sua contestação edipiana que. Eis por que a ciência atual entende que se pode mexer em qualquer coisa do mundo sem que necessariamente se mexa no todo. ao momento que as páginas anteriores vieram preparando: o momento de perguntarmo-nos sobre as possibilidades reais 90 para o homem de hoje. Negar a mãe é necessário. compete perguntar se tudo está perdido. pelo menos em campo material. o que é uma falácia. E já deixou dito Montaigne que "Ciência sem consciência não é mais do que a morte da alma". E só se tornou negativa. em um processo normal e salutar de crescimento psicológico. De uma certa maneira. e muito. em termos genéticos. 2. mas romper com ela é se perder das origens mais reais. de um grande caldo cultural maior chamado Filosofia. em um desastre mesmo. tal separação traz como consequência mais palpável a elaboração de urna "visão de mundo" marcada por um analiticismno de timbre científico (uma Weltanschauung). isto é: se chegaram a grandes aperfeiçoamentos os expedientes científicos e técnicos. Tentemos algo.muito pior em um brevíssimo ensaio como este. a visão fragmentária de um mundo mecânico . mas que em muito se tomou perversa em razão da perda de uma consciência reflexiva profunda. coisas e realizações verdadeiramente assustadoras. O que vemos hoje se parece a um homem imaginário que houvesse crescido muito de uma perna.dividido em partes (ou peças) que colaboram entre si para o grande funcionamento. um ledo engano. aquilo por que estamos muitas vezes fortemente condicionados. Era positiva a tal contestação. maravilhosa. sem que a outra perna crescesse também. uma separação lamentável entre o discernir e reconhecer (no alemão Erkennen) e o querer. Como se pode ver. demasiado difíceis de se responder em qualquer circunstância . convivendo com os avanços meio inconscientes de urna ciência que é. Diante disso. principalmente e de forma mais categórica durante o século passado. quando a contestação se transformou em ruptura. A humanidade ocidental cresceu muito científica e tecnologicamente. é se tornar uma atividade febril e sem história. A morte da alma e as perspectivas antropológicos contemporâneas Chegamos. é perder um pouco da própria identidade. a consciência de si. Assim foi que a ciência. em si. visto que nos falta distanciamento histórico e temos que pensar aquilo no que estamos agora envolvidos. Mas a pretensão é.

se isto é verdade. Num sentido sócio-cultural. tenhamos urna síntese do todo vital e nos sintamos responsabilizados por este todo. 'frata-se do aumento das pulsões de morte em nosso meio sócio-cultural. uma ciência sem consciência que cria uru mundo à sua imagem e semelhança tem muitas explicações a dar. Talvez a qualidade da vida (material e espiritual) tenha caído tão baixo que as gerações novas tenham sido levadas a questionar o sentido de viver. o lado trágico e ameaçador da ciência contemporânea está mergulhado no pessimismo melancólico da analítica visão de mundo. E. creio numa comunhão sutil entre o homem e a sua circunstância. da igreja." Há hoje muitos problemas que estão postos para nós.de se interferir nas harmonias básicas de um ecossistema. em um momento de explosão bendita. Ao que me parece.sendo que. precisamos responder à questão urgente: que novos valores precisamos plantar e cultivar. Schweitzer opõe a sua proposta de uma "visão de vida" (Lebensanschauung) como um impulso de pensamento e coração que volte a unificar o discernimento analitico à vontade sintética e integradora. o dr.em termos de desequilíbrio climático . aí. mais do que interdependência. na recuperação de uma . Todavia. pois cabe-nos encontrar urna orientação quanto a como lidar com os que manipulam os recursos científicos com as sua verbas? Será que o poder desses homens ou instituições será ilimitado e chegará a aniquilar os antigos sonhos da ciência? Se eu fosse um determinista. Chemobyl acaba de mostrar-nos. da escola etc. um homem que ama viver e é enamorado pelo seu mundo não se expõe tão facilmente às ameaças da morte. Não podemos esperar dos donos do poder e dos manipuladores da ciência que estes restituam a um tão belo fazer intelectual o seu impulso-amor. Zargwill. Editora Melhoramentos. de uma tal forma que. tirando-lhe toda a liberdade e capacidade de defesa. enquanto que urna visão de vida é volitivamente esperançosa . À Weltanschauung. como visão de vida. Creio que o homem é "ele e sua circunstância". estaria agora mergulhado no mais profundo pessimismo. Acredito numa revolução molecular de conscientização pela educação (do lar. e esta de ordem psicológica. com certo prazer autodestrutivo.meticulosamente articulado. Mas não o sou. visão de mundo ou concepção de mundo. da forma mais assustadora. para não enlouquecer. Ora. que se quer alheia das paixões mais fundas do homem. em suas palavras. propõe. escreveu: "Tirem-me a esperança de mudar o futuro.) que deve ocorrer paralela às grandes transfonnações estruturais. 1959). A fé na possibilidade de urna renovação de cultura e da sociedade precisa fazer part' do nosso eu. na qual. O médico e pensador Albert Schweitzer. Uma visão de mundo sem mais é sempre pessimista e melancólica. trata-se da facilidade com que expor a vida. Não poderia também perder a possibilidade de crer que posso contribuir para mudar o futuro. se os que nos nortearam até aqui levaram-nos a tão complexos problemas? Em campo político a coisa fica ainda mais difícil. analisando uma tão assustadora visão do mundo (Decadência e regenera çõo da culirtra. nem o ser humano é absoluto criador da circunstância. que substituamos essa concepção mecânica do universo por uma concepção orgânica. como também as devastações ambientais (como a da Floresta Amazônica) já estão mostrando o preço . as coisas se compensam. e enlouquecer-me-ão. transformou-se num esporte contemporâneo. no sentido de que nem a circunstância determina completamente o homem. S. crendo que a história faz inteiramente a consciência. Paulo. alterar a posição de qualquer elemento desse sistema fechado significa modificar a totalidade do sistema. para a qual os cientistas e tecnólogos precisam também abrir bem os olhos. a verdade de um sistema interdependente. há mais uma grave questão.

temos energia nuclear. Não se trata. unia guerra de guerrilhas voltada para atos pequenos e cotidianos de reeducação do homem. de desdenhar o fazer científico ou de maldizê-lo. e muitos mais feitos da ciência. como também da sanidade da ciência. As coisas em nossas vidas chegaram a um ponto tão ruim. mas muitíssimo mais do que ingênuos telégrafos. No século XIX. isto só se dá porque cada ramículo.o que nos faz ver razão de esperança. É preciso crer na participação de cada ser humano nas possibilidades de recuperação do seu . . e. O fundamental é. É preciso viver-se a esperança dialética sabendo que no futuro residem todas as possibilidades. cada folha da paisagem não se negou a cumprir o que lhe competia naquele momento. segundo. mas não foram tentadas todos .1 Ii Í'. que foi vítima de erros ideológicos muito profundos. quando na primavera os campos reverdecem. que nos resta uma coisa que apelidarei de esperança dialética. não fazer disso um tapume para esconder nossa irresponsabilidade. a ciência e a tecnologia contemporânea chegaram a descaminhos tão indiscutíveis." 94 Segunda Parte Capítulo 1 O ESTUDO COMO FORMA DE PESQUISA Joõo Baptista de Almeida Júnior* Este capítulo apresenta uma forma de estudo como pesquisa. havendo amor. e que aquilo que há de vir depende das ações humanas que preparam esse futuro. o estudante deve estudar primeiro como aprender.visão de vida (Lebensanschauung). temos infonnática computacional. Alexandre Herzen disse: "O que me espanta é pensar em Gengis Khan com o telégrafo na mão. o sujeito co-responsável pela situação de aprendizagem. fica o dito de Santo Agostinho: "Ama e faze o que quiseres. Isto porque. Conchindo. do próprio processo de educação. As perspectivas antropológicas contemporâneas dependem de urna luta em dois níveis: primeiro. para cruzarmos os braços em hora tão delicada. as boas e as más.0] 92 93 mundo. com maior maturidade. Seu objetivo é convocar o estudante a participar. no entanto. tomando-se. uma batalha estrutural de mais direta e intensa participação politica no sentido de abrir caminho para todos e não só para alguns. dentro da escola. portanto. no seu íntimo. fiel à visão do velho Heráclito de que a tendência de cada estado é a de caminhar para o seu oposto. O mesmo dr. temos fibras óticas que realizam verdadeiros milagres de comunicação.. instale esta séria discussão: qual o futuro do meu mundo e o que eu posso fazer por ele? Porque. as mudanças ocorridas recentemente na sociedade e nas formas de relacionamento humano geraram novas necessidades para as quais a educação é solicitada a atender. provocadas pelos diveisos tipos de comunicação de massa. Muitas alternativas foram tentadas para a recuperação dos caminhos legítimos da ciência.. Participação e co-responsabilidade são exigências inalienáveis do processo de educação para quem não quer pemmnacer no epifenômeno do senso comum ou viver arrastado nas correntes de opinião pública (doxa). Para se iniciar nos estudos superiores e obter um reconhecimento acadêmico. Albert Schweitzer dizia que. trata-se de que cada um." Hoje temos muito.

com reflexos na prática didático-pedagógica. Por causa da célere geração e substituição de informações. Extensõo ou comunicaçdo?. as escolas deixaram de ser o meio mais informativo * Licenciado em Filosofia (FAI) e Física (USP). mas para representar. vem sofrendo uma revolução de natureza metodológica. sobretudo. Se surgem novas palavras. Antigamente. contrária e diferente daquela que fala a realidade passada. isto é. com o aprimoramento dos veículos de comunicação à distância. a educação sistemática. O pedagogo humanista Paulo Freire lembra que: "O papel do educador não é o de 'encher' o educando de 'conhecimento'.rótulos modernos para ações antigas na verdade é uma forma de antecipar. substituindo valores. P. que tem levado alguns críticos a admitir o colapso do sistema educacional vigente e a vaticinar um "choque" no futuro. necessária e esperada. tais fatos freqüentam as páginas dos periódicos e os monitores de vídeo com ampla cobertura dos fatores científicos. 1. no nível da comunicação. Mas.. Hoje. de maneira que ambos atualizem um novo espaço de ensino-aprendizagem em resposta às exigências sociais. econômicos e sociais envolvidos na pesquisa. é resultado da disposição histórica das recentes gerações em querer participar conscientemente da construção da realidade social. inclusive semanticamente. dinâmica de grupo. p. pelo aumento da demanda escolar.. de ordem técnica ou não. não são mais para reapresentar e repetir estados conhecidos. mas sim o de proporcionar. Muitas vezes é preciso criar uma nova linguagem.. e portanto da intenção. acompanhados de ilustrações e dados precisos com os quais dificilmente o livro didático conseguiria concorrer com a mesma contemporaneidade. a rova dinâmica educacional não se resume na substituição de palavras e slogans. 07 de leitura da realidade. educandoeducador. ação extensionista escola-comunidade. interdisciplinaridade. mais do que o professor ou qualquer livro didático. extinguindo mesmo funções. feita nas salas de aula. uma situação desejada. de urna nova dinâmica educacional. Dessa maneira. uma realidade emergente.. para manifestar ou preceder. através da relação dialógica educador-educando. desmoronando fronteiras. Professor de Filosofia da Puccamp. Assessor pedagógico da Fundação de Ensino Superior do Vale do Sapucaí. a organização de um pensamento correto em ambos. Doutorando em Educação (Unicamp). FREIRE. a partir de formas de integração: diálogo professor-aluno. pelo acúmulo de infounações. trabalho cooperativo. Outras vezes a revolução se desenvolve criticamente: rompendo tradições. pela "forçosidade" de especialização profissional. pela linguagem. O professor-informante e o aluno receptor são superados pelo professor-orientador e pelo aluno-pesquisador. significar situações que pennitam cristalizar valores ou projetar a idéia." 1 Isto que pode parecer simples troca de palavras . 53.Estas novas necessidades podem ser atendidas pelas escolas através da modificação conjunta das atitudes docente e discente. 'lis formas simultâneas de evolução traduzem e exigem novos papéis do professor e do aluno no âmbito do que se denomina espaço de ensinoaprendizagem. em saltos qualitativos. a descoberta de uma epidemia desconhecida ou o registro de uma galáxia distante eram privilégio de um grupo de cientistas ligados ao laboratório de uma universidade. Jornais e revistas. . Umas vezes essa revolução se processa de maneira menos traumática. rádio e televisão circulam e substituem infomiações rapidamente. É um processo resultante de pressões gerais desencadeadas pelos meios de comunicação de massa. De alguns anos para cá.

engajados na descoberta e elaboração do conhecimento. A pesquisa bibliografica Pesquisar. é procurar uma informação que não se sabe e que se precisa saber. percorrendo a cidade inteira para encontrar o endereço. do próximo ao distante. como nenhum cientista. 2. elaborou seu pensamento ou sistematizou seu saber científico sem ter sido problematizado. atrvés do emprego de processos científicos. cit. com risco de o professor querer competir. pretendem desse conhecimento no mundo a fim de justificar a transformação desse mundo. que não pode prescindir de sua matriz social problematizadora. desafiado. no domínio desse conhecimento. Como recorda novamente Paulo Freire: "Na verdade. M. nenhum pensador. Mas o que professor e aluno. não se concebe mais a Educação como uma simples troca de informações do professor prepositivo para e sobre o aluno. Qu 'appelle-t-on penser. A nova ação pedagógica se apresenta mais como um desafio do que como uma rotina escolar. 89.. làis métodos (do grego: meta = para. de bairro em bairro. com os veículos de comunicação modernos. odos = caminho) são "caminhos para" orientar seu trabalho acadêmico para um saber sempre mais. no laboratório da classe é a hora e a vez da aula-problema. p. como sinônimo de busca." 2 Não se trata mais de perguntar o que o professor pretende do aluno. em direção ao seu objetivo ordinário. Neste sentido lato. de investigação. a quem caberá orientar o aluno na seleção e no processamento crítico das informações captadas e lidas no ritmo vertiginoso da sociedade atual. FREIRE." Assim. fazendo perguntas para obter resposta. Para não . do simples ao mais complexo. urna pessoa que precisa encontrar determinada rua em um bairro de urna cidade está fazendo pesquisa. a não ser que seja insensata. A pesquisa científica será objeto de estudo no capítulo IV desta parte. 3. P. possa pensar globalmente a realidade e analisá-la com rigor e crítica. 98 O termo pesquisa é aplicado aqui. Certamente. Um desafio que envolve professor e aluno. da matéria-proposta e do estudo-pesquisa. num sentido amplo. conversar com pessoas. em desvantagem. O estado de aprendizagem derivado de uru ensino do professor é transcendido pela atividade de auto-aprendizagem a partir de um trabalho com o professor. op. A pessoa agirá por etapas. Dentro dessa perspectiva educacional. Consultar livros e revistas. Nem o que o aluno pretende mostrar ao professor. Não há lugar para a reprodução mecânica de conhecimento. 54. são formas de pesqulsa. A nova situação precisa de fundamentos metodológicos que pennitam atualizar o que o filósofo contemporâneo Martin Heidegger denomina "deixar aprender". para uma incorporação rica de informações. o estudo aparece para o aluno como forma de pesquisa. 1. na formulação de um conhecimento científico e rigoroso. examinar documentos. a pessoa não vai sair andando de rua em rua. "O mestre que ensina ultrapassa os alunos que aprendem somente nisto: que ele deve aprender ainda muito mais do que eles porque deve aprender a deixar aprender. mas recriação e até mesmo criação através de um trabalho cooperativo de professor e aluno. genericamente. seres humanos. intuitivamente ou não. Não se entende ainda a pesquisa como tratamento de investigação científica que tem por objetivo comprovar uma hipótese levantada. que é perda de tempo e de energia. de indagação. a fim de que.Portanto. p. apresentado comumente por diversos autores nas modalidades de PESQUISA BIBLIOGRÁFICA e DOCUMENTAÇAO. HEIDEGGER.

A etimologia grega da palavra BIBLIOGRAFIA (biblio = livro. pesquisar no campo bibliográfico é procurar no âmbito dos livros e documentos escritos as informações necessárias para progredir no estudo de um tema de interesse. . o exame de mapa ou lista telefônica são métodos. para coletar dados gerais ou específicos a respeito de determinado tema. lendo todas as tabuletas indicativas da cidade. Muitos alunos iniciam a pesquisa bibliográfica sem ter presente o que estão procurando.o texto básico para um seminário. como alguém que se dispusesse a encontrar a tal rua. propriamente dita. Antes de promover a PESQUISA BIBLIOGRÁFICA. que poderia ser considerado um expert no assunto.os elementos para preparar a pauta de uma entrevista. .um tópico especffico do programa. aleatoriamente. é necessário conhecer as fontes e os métodos para se chegar mais rapidamente e com segurança à informação desejada. localização dessas fontes. Um objeto de estudo bem pode ser: . Têm. A experiência de não se obter a informação satisfatória na primeira fonte faz o pesquisador avaliar o método e ser mais criterioso para escolha de outra fonte mais fidedigna.passar ridículo. . caminhando a esmo. o sujeito busca aperfeiçoar o método de pesquisa e procura consultar pessoas mais competentes e que mereçam um certo crédito na informação prestada. e compilação das informações (documentação). Neste caso.urna doutrina ou um sistema de idéias. um jornaleiro. divide-se a PESQUISA BIBLIOGRÁFICA em três momentos ou fases: identificação de fontes seguras. . vagamente na cabeça. um título anotado da lousa ou comunicado pelo professor. .o conteúdo programado de uma aula.o título de uma conferência ou simpósio. a pessoa solicita.uma hipótese-problema para pesquisa científica. A PESQUISA BIBLIOGRÁFICA é a atividade de localização e consulta de fontes diversas de informação escrita. uma informação indicativa sobre o endereço que precisa. isto é. A leitura das tabuletas com o nome de rua. E um método eficiente é a PESQUISA BIBLIOGRÁFICA. o passo final é examinar uma lista telefônica ou um mapa da cidade. . um motorista de táxi ou. Experiência similar se verifica no estudo como fornia de pesquisa. eventuafruente. um carteiro. Assim. escrita) sugere que se trata de um estudo de textos impressos. . a consulta de indivíduos abalizados ou não. grafia = descrição.a obra científica ou literária de um autor. defina limites e tipo de abordagem ou oriente em direção às fontes. por si só. Diante das respostas negativas dos transeuntes. sem mais nenhum dado que forneça pistas. . ao primeiro indivíduo que passa. Nada encontrando que oriente seu caminho para a etapa seguinte.o assunto para urna matéria jornalística. é preciso ter bem claro e definido o objeto de estudo como pesquisa. . Se tais pessoas não' se encontrarem por perto ou também não souberem infonnar. "caminhos para" se obter a informação desejada. a primeira investigação a fazer é olhar ao redor e ler as tabuletas de sinalização de rua. Do ponto de vista prático. Sem método eficiente de obtenção de informações perde-se o precioso tempo acadêmico. por exemplo. após várias tentativas. .uma tese para um trabalho monográfico.

Vale ressaltar que muito aluno lê mal e vagarosamente. em um caderno pessoal.O professor. procurar adquirir livros. um dicionário técnico ou especializado completam o mínimo indispensável da biblioteca pessoal. teses e monografias mais específicas. idéias e conclusões de aulas e momentos de estudo. Nas séries finais. ao matricular-se em urna escola superior. apostilas e textos distribuídos como material instrucional pelo professor. bem como assinar uma revista especializada da área que o mantenha constantemente informado sobre as recentes descobertas e novos estudos. basta uma vista no índice ou catálogo geral de fichas para se obter as primeiras indicações do material desejado. como diz o senso comum. Do mesmo modo que o sujeito que saiu à procura de urna rua na cidade grande iniciou tomando informações por perto. A assiduidade no uso do dicionário permite ao aluno a aquisição e o domínio de um número maior e mais diversificado de palavras aplicáveis na compreensão de outros textos. Um bom dicionário comum da língua materna e. a formação geral e a formação específica dentro da escola. se possível. cadernos de séries já cursadas. A organização de todo esse material didático. sob pena do aluno não conseguir encetar sua pesquisa bibliográfica por não identificar as fontes para consulta. inicia-se a pesquisa bibliográfica pelo levantamento das fontes nas quais as informações concernentes possam ser recolhidas. A partir da definição clara do objeto de estudo. a preocupação de todo estudante deve ser a de conhecer as obras básicas: uma INTRODUÇAO. para bem orientar. No caso do estudante. é aconselhável que o estudante adquira livros e revistas de sua área de estudo a fim de fundamentar e complementar. Este tempo se caracteriza por uma aquisição de conhecimentos básicos sistematizados anteriormente e por urna elaboração de conhecimento novo como forma de capacitar-se para o exercício de uma profissão. precisa fornecer um mínimo de informações a respeito. que conte a evolução da profissão que abraça e da ciência que a perpassa. como documentação pessoal e arquivo de fichas que facilite a consulta do aluno nos anos seguintes. tudo isso constitui o registro do conhecimento acadêmico do aluno. será tratada ainda neste capítulo como outra forma de estudo feito pesquisa. dos principais tópicos. respectivarnente. 1 101 Não obstante. De início. fichamentos de livros. Além do enriquecimento do vocabulário. Um estudante. percorrerá em média quatro a cinco anos de curso em direção ao estágio profissional. E não tem um bom vocabulário porque tem preguiça ou mesmo preconceito de portar e consultar freqüentemente o dicionário. que apresente uma visão geral desse campo. Neste período. Anotações de aula. quando o campo de interesse já estiver bem-definido. uma HISTÓRIA. provas corrigidas. sem conseguir entender metade do que lê porque não tem um bom vocabulário. sínteses de artigos udos e analisados. que concorre também para aumentar a velocidade de . trata-se de iniciar a consulta pelo seu arquivo pessoal. Se esse material estiver guardado ordenadamente. ajustando-se à disponibilidade fmanceira. um TRATADO. Se o trabalho de documentação do aluno estiver bem-organizado e classificado adequadamente. do tipo de enfoque e dos limites da pesquisa. garantirá a retomada do estudo e a continuidade da pesquisa. mas o " companheirodos-sábios". Outra fonte ainda mais próxima e de acesso rápido é a biblioteca pessoal do aluno. é mais lógico começar a consulta pelas fontes mais próximas. que trate de iniciá-lo no conhecimento do campo de saber. O dicionário não é o" pai-dos-burros". vale advertir e lembrar aqui um bom hábito acadêmico que poucos estudantes sabem utilizar na atualidade: realizar apontamentos. como sabem aqueles que estudam e pensam corretamente.

o aluno poderá. 102 A relação de livros e textos básicos. no caso de urgência para completar o estudo. Mas nem sempre os acervos podem ser renovados no mesmo ritmo em que as editoras colocam seus inúmeros lançamentos no mercado. o estudante pode dirigir-se às bibliotecas escolares. Dispor de uma relação de endereços e horários de funcionamento dessas bibliotecas pode auxiliar o estudante na localização de uma obra. empenham-se na manutenção e conservação de acervos atualizados em bibliotecas exclusivas por curso ou unidade de ensino. programada pelo professor da Jisciplina e apresentada à classe no início de cada período letivo. Sendo o sistema de consulta "self-service". com acesso direto às estantes. segundo as grandes . um dicionário da língua e outro especializado. Por isso também é imprescindível sua consulta e até mesmo aquisição. com o tempo alcançará uma fluência verbal e redacional das idéias próprias.leitura. não encontrada nas primeiras. o estudante poderá manusear vários livros. ganhando tempo e segurança. em que são escassas as verbas para educação. há também bibliotecas especializadas e gerais que podem ser úteis em diversos casos. ler os sumários e orelhas. mesmo não encontrando um livro procurado acerca de determinado assunto. O estudante que decidir freqüentar assiduamente a biblioteca deve providenciar o seu cadastramento e a confecção de ficha pessoal de controle de empréstimo e retirada de livros. Nem isso é possível na atual politica educacional. No que se refere à bibliografia da disciplina. principalmente as de nível superior. Muitas escolas. direcionar sua pesquisa para as fontes especiais. Não confundir a bibliografia geral da disciplina com o livro adotado que é o texto básico que "parametriza" o conteúdo. 1 2) Catálogo Sistemático Nos catálogos. É comum no final de cada capítulo ou no fim do livro-texto encontrar-se urna lista bibliográfica complementar que sugere ao aluno estudos mais aprofundados de tópicos do conteúdo básico. é importante o aluno orientar-se com o professor responsável no sentido de verificar quais dos títulos indicados são interessantes adquirir. para enriquecer a sua biblioteca profissional. Além das bibliotecas escolares e universitárias. é outra fonte circuristancial de pesquisa bibliográfica. Para economizar tempo na localização dessas outras obras. ilil inscrição comumente é gratuita como todo serviço de empréstimo. isto é. De outro modo. às particulares ou às públicas. todas as publicações do acervo estão cadastradas em fichas ou entradas que são agrupadas de acordo com um plano definido. De posse dessa bibliografia básica. inclusive acabar encontrando livros que à primeira vista não pensava em retirar. uma INTRODUÇÃO. praticando e exercitando a pesquisa de palavras. dá ritmo às aulas e remete o aluno a novas leituras. através de uma exploração inicial. o serviço de atendimento e orientação da bibliotecária é de muito valor. o aluno. não sendo possível o acesso direto aos livros nas estantes. por exemplo. a médio ou longo prazo. a forma mais rápida para localizar uma obra qualquer é consultar os catálogos públicos da biblioteca. Para tomar conhecimento de fontes bibliográficas mais especializadas. uma HISTÓRIA. um TRATADO. Assim. As sanções pecuniárias ocorrem apenas nos casos de devolução com atraso. aconselha-se o aluno a verificar se não há similares que tratem do assunto pesquisado. danos e perdas de livros.

206 p. o conhecer. Modelo de ficha do Catálogo Sistemático 32) Catálogo de Autor Também denominado Onomástico. 1978. Arcangelo R. flmdamentalmente. Publicações CID .v. Teologia. Artes etc. Tem-se assim. Constituído de fichas indicativas dos nomes de autores individuais ou coletivos. o Catálogo de Assunto nõo informa diretamente quais os títulos das obras. Vozes. Recorre ao Catálogo de Assunto. fornecido pelo Catálogo de Assunto. três tipos de catálogos: o Catálogo de Assunto. l) Catálogo de Assunto Constituído de fichas.. M564f Fenomenologia da Percepção. 7 edição. Matemática. Grandes bibliotecas apresentam para cada área do saber classificações mais detalhadas por assunto e por autor. O Catálogo de Assunto orienta na busca dos livros que versam sobre o assunto procurado e sobre os autores que já trataram do mesmo. onde se encontram relacionadas as obras da biblioteca correspondentes às fichas de assunto consultadas. Psicologia. A Biblioteca possui 3 exemplares. classificados alfabeticamente por sobrenome.. Modelo de ficha de Catálogo de Autor Saber ler as representações descritivas da ficha ou entrada do Catálogo Sistemátio permite ao ahmo orientar-se previamente para novos livros ou mesmo desistir de um livro por não corresponder ao assunto pesquisado. e as respectivas obras. busca-se no Catálogo Sistemático a divisão correspondente. O Catálogo de Assunto remete o consulente ao Catálogo Sistemático. também denominado Ideográfico. De posse do número de classificação do tema ou subtema pesquisado. segundo a classificação do Catálogo de Assunto. 100 Introdução ao pensar: o ser. 142-7 MERLEAU-PONTY. indicativas das obras existentes na biblioteca segundo o conteúdo de cada uma delas. Sociologia. Constituído por fichas indicativas dos títulos de todas as obras do acervo da biblioteca referentes a um determinado assunto. o estudante que precisa pesquisar determinado assunto e não tem conhecimento da bibliografia existente a respeito. Educação. Freitas Bastos. em ordem alfabética. B992i a linguagem. 465 p. 1 ft& lnç Modelo detalhado de ficha de Catálogo Sistemático . 1 A Biblioteca possui 6 exemplares. Comunicação. 3 ed.Filosofia . 142 Filosofia Crftica Modelos de fichas do Catálogo de Assunto Buzzi. com as fichas de obras e autores que versam a respeito. 21 cm. As fichas ou entradas estão organizadas em ordem numérica. Rio de Janeiro. 22cm. Maurice (1908-1961). o Catálogo Sistemático e o Catálogo de Autor. Contudo. Recorre ao Catálogo de Autor o estudante que tiver em mãos o nome do autor que pesquisa. Petrópolis.áreas do saber: Filosofia. 1971.

Ciências Aplicadas 700 . quanto mais algarismos tiver a classificação numérica. Democracia .540. A maioria das bibliotecas emprega o sistema de classificação que MELVIL DEWEY. Por exemplo. Nesse sistema. O sistema passou a ser universalmente conhecido e adotado por causa de sua eficiência em pautarse em números de base decimal. 100 . 9 Dimensão do livro.8.0944.Ciências Sociais 400 . A classificação numérica das fichas significa que mais geral é o conteúdo de uma obra quanto menos algarismos tiver o numeral (o mínimo é três) e quanto mais zeros apresentar.Literatura 900 . uma monografia que trate d'A situa çõo econômica da França no século XVII é classificada por DEWEY como 338. 12 Número de tombo (uso exclusivo da Biblioteca). Os três algarismos inteiros significam a divisão que se faz do conhecimento humano em dez classes segundo a classificação de DEWEY.100.Religião 300 . 2 Sobrenome e prenome do autor. quando um livro tratar de diversos aspectos de um mesmo assunto. É importante o aluno ter uma noção geral da lógica do sistema de classificação das bibliotecas para que possa encaminhar-se rapidamente e com segurança para uma obra que trate do assunto que deseja. Saúde Pública 614. Resumindo-se.. tem-se que. Quando um livro monográfico tratar de um tópico especifico de um assunto. 6 Casa editora. 8 Número de páginas. 3 Título da obra. .. 10 Páginas com indicação bibliográfica. o seu número de classificação será estendido para contemplar os detalhes relevantes e caracterizar bem o tópico. Por exemplo. 13 Classificações do Catálogo de Assunto para a mesma obra. o numeral que aparece transcrito na ficha do Catálogo de Assunto (Filosofia . que podem ser expandidas indefinidamente de acordo com a necessidade de se especificar o assunto. trata-se de obra de conteúdo mais especifico e especializado. seu número de classificação será geral. um livro que contenha urna parte de Química Analitica. 5 Local de publicação.Obras Gerais Os algarismos que eventualmente apareçam depois do ponto indicam as subseções e suas divisões. Por outro lado. Geografia e História 000 . é representado por três algarismos inteims e/ou subdivisões decimais separados por um ponto. 4 Número de edição.Belas Artes 800 .Filologia e Lingüística 500 . Obserçõo: ESTE Ë O NOMERO QUE DEVE SER ANOTADO PELO ALUNO PARA SOLICITAR A RETIRADA DA OBRA À BIBLIOTECA.Filosofia 200 . outra de Química Orgânica e outra ainda de Química Inorgânica aparecerá classificado no número geral de Qufrnica . funcionário de uma biblioteca americana. Exemplo: .Biografia. idealizou e publicou em 1876. 7 Data de publicação. 11 Número de exemplares da Biblioteca.Ciências Puras 600 .321.A saber 1 Número de chamada: composto pelo n5 de classificação de DEWEY mais o número de referência do autor (a letra maiúscula é a inicial do sobrenome do autor e a minúscula é a inicial do título da obra).

b) é um tema desenvolvido por um Sistema Filosófico. um referente a um tema da área de Ciências Humanas. Lisboa..14 Veias 611. Conhecimento. Metafísica.Iniciação ao filosofar. 123 Liberdade. divisão 140 (ficha 2). 2' edição.Objeto de estudo: A EXPERIÊNCIA DO CORPO NA FENOMENOLOGIA EXISTENCIAL Fazendo-se uma análise preliminar do objeto de estudo verifica-se que: a) trata-se de um assunto da área de Filosofia.1 Órgãos Cardiovasculares (SUBSEÇÃO) 611.600 Ciências Aplicadas (CLASSE PRINCIPAL) 610 Ciências Médicas (SUBCLASSE) 611 Anatomia (SEÇÃO) 611. . Joel Justino Batista 107 S487i .o item a remete ao Catálogo Sistemático divisão 100 (ficha 1). outro referente a um terna da área de Ciências Exatas. Filosofia. 8 Valor.13 Artérias 611. d) é um tema específico ligado ao conceito de corporeidade. Filosofia. . Conhecimento.15 Capilares A seguir apresentamos dois exemplos de utilização do CATÁLOGO DE ASSUNTO. Essência.o item b remete à subclasse Doutrinas e Sistemas Filosóficos no Catálogo Sistemático. 22cm. 1970. ::::as::1ms. 6 3 2 45 SERRÃO.Objeto de estudo: A VELOCIDADE DE PROPAGAÇÃO DA LUZ NOS DIVERSOS MEIOS Fazendo-se urna análise inicial do tema proposto para estudo percebe-se Exemplo 1 . 121.Sã da Costa. Epistemologia. tem-se que: . -9 -8 7 1 flfÇ 107 121766 Ficha 3 análise que: Exemplo 2 . Consultando o Catálogo de Assunto de Filosofia. . Filosofia. 198 p. c) é um tema de Filosofia Crítica. à da experiência do corpo no mundo. 128 Homem. 112 Saber.

ou mesmo universitárias. as seguintes obras: A reprodução.o item c remete à subseção específica Luz e Propagação. Portanto. Meditações é título de duas obras homônimas. mais específica (ficha 4). .7. divisão 530 do Catálogo Sistemático (ficha 1).5 do Catálogo Sistemático (ficha 3). Apocalípticos e integrados.o item a remete à classe de Física. de Física.5 Ótica Física .o item c remete à seção Filosofia Crítica no Catálogo Sistemático. Além da biblioteca pessoal e dos livros da biblioteca escolar. Como mera ilustração. há outras fontes de pesquisa de texto impresso que são os periódicos e revistas semanais. . Finalmente. O estudante deve anotar o número de chamada das fichas de autores e de títulos e dirigir-se à bibliotecária para solicitar a retirada. O temas que cada título sugere à primeira vista pode não corresponder à área de estudo e a pesquisa resultaria infindável. divisão 535.o item b remete à seção Ótica Física. tem-se as indicações das obras gerais e específicad que tratam do assunto em pesquisa. Consultando o Catálogo de Assunto de Física verifica-se que: . Meditações. é perda de tempo querer localizar "pelo Catálogo" uma obra apenas pelo título e sem conhecer o nome do autor. escritas em épocas diferentes pelos filósofos Marco Aurélio e René Descartes. Anotar o número de chamada das fichas referentes às obras encontradas e dirigir-se à bibliotecária para solicitar a retirada. que parece um tratado de Teologia. divisão 535 do Catálogo Sistemático (ficha 2). só pelo título. Principahnente se esse título não fizer referência alguma ao conteúdo pn5prio do livro. 1 fl2 1 fV Bibliotecas escolares. ficaria muito difidil encontrar. Em muitas bibliotecas o Catálogo Sistemático apresenta as fichas numa disposição idêntica à dos livros nas estantes.o item d remete à subseção Experiência no Catálogo Sistemático. . caso o aluno tenha acesso direto. b) é um tema abordado pela Ótica Física. é um livro do semiólogo Umberto Eco que analisa os fenômenos contemporâneos da comunicação de massa. as revistas especializadas e os catálogos de editora. tem-se as indicações das obras que tratam do assunto. a) trata-se de um assunto de Ciência Pura.Propagação . é um livro de Sociologia escrito pelos cientistas sociais Pierre Bourdieu e Jean Claude Passeron. isto porque fichas e livros estão arrumados segundo um mesmo plano lógico de classificação. mas trata-se de obra literária do esteta Benedito Nunes. O dorso do tigre também não é da área de Zoologia. divisão 142. Apocal4oticos e integrados. . Consultando as fichas acima no Catálogo Sistemático.535. Luz . A reprodução.. Para localizar um livro na estante. divisão 142 (ficha 3).530 Ficha 4 Ficha 2 Ficha 1 Ficha 1 Consultando essas divisões no Catálogo Sistemático. embora pareça obra de Genética da área de Biologia. O dorso do tigre.535 Física . raramente têm Catálogo de Títulos. basta orientar-se pela topografia das fichas no Catálogo Sistemático. c) é um tema relacionado com a propagação da luz.

Tal material pode ser colecionado e as resenhas das obras recolhidas em arquivos de documentação pessoal para posterior utilização. o aluno deve encarar a matéria com reservas e sempre que possível. Saúde. pode consultar Catálogo de Revistas na própria biblioteca ou. deve procurar as revistas especializadas. redigidos e assinados por especialistas. Uma relação de endereços das principais editoras brasileiras pode ser encontrada na obra supracitada do professor Severino. a credibilidade da informação científica deve ser aceita com restrições pelo estudante. Esta última etapa está estreitamente associada às atividades de armazenagem e documentação pessoal dessas informações. Um exercício interessante para o estudante é pesquisar. Considerando a função específica de comunicação de massa desses periódicos e revistas sernanais. Antonio Joaquim Severino. Veja e Visõo. Mas se o aluno-pesquisador quiser uma fonte mais competente para a obtenção e domínio dos dados sistemáticos a respeito de um tema específico ou para a solução de problemas particulares de estudo. Economia. Para tanto. A documentação A DOCUMENTAÇÃO consiste. os Catálogos de Assunto da herneroteca (seção de periódicos). Direito. assim como todo ntaterial relevante encontrado na PESQUISA BIBLIOGRÁFICA. em guardar on!enadamente e com critérios as informações colhidas da leitura de livros. Após a identificação e a localização das fontes. suplementos ou cadernos de leituras que abordem temas exclusivos de sua área de profissionalização. As mais conhecidas são Isto É. Outra forma ainda de o aluno inteirar-se dos últimos lançamentos de obras da sua área de estudo é recorrer aos folhetos e catálogos das editoras. Por causa do caráter jornalístico dos mesmos e pelo fato de estarem dirigidos a um público leitor médio. Ambietie. o teor de sua informativa científica pode sofrer distorções de adequação de linguagem ao veículo e de interpretação na ótica do redator ou editor. quando houver. Ciente disso. encanes. Exceção deve ser feita às seções especializadas e reconhecidas nos periódicos de grande circulação pelos títulos: Ciência. conferir e aprofundar o assunto em fonte mais abalizada. seções. Medicina. documentação bibliográfica e documentação temática. Publicidade e outros. lliis seções trazem artigos previamente aprovados por um Conselho Editorial. da participação em conferências e seminários. Revistas sernanais também trazem resenhas dos últimos lançamentos de livros e matérias jornalísticas especiais sobre ternário diversificado. 5. O que intitulamos simplesmente DOCUMENTAÇAO é discriminado por outros autores por documentação geral.?Senhor." 6 O estudante interessado em receber esses folhetos e catálogos com indicações e resenhas bibliográficas pode encaminhar pedido às editoras. destaca que: "Os catálogos de nossas editoras têmmelhorado significativamente a sua qualidade informativa. a terceira fase da PESQUISA BIBLIOGRÁFICA é a compilação das informações. .Jornais de circulação diária trazem freqüentemente suplementos culturais e cadernos de leitura especiais que apresentam resenhas de livros. nos jornais de sua cidade e região. via postal. na prática. aumentando assim a sua efetiva contribuição para o estudo organizado. 2. da assistência às aulas. remetendo endereço e dados pessoais. 4. no seu manual Metodologia do trabalho cient(fico. comentários críticos dos lançamentos editoriais e artigos assinados por especialistas sobre os assuntos mais variados.

classificados em ordem alfabética e colecionados em pastas. ele deve organizar urna hemeroteca pessoal. como recortes de jornais. facilita a localização de um documento e evita o manuseio destrutivo. ci:. J. 7. artigos de revistas.A vantagem dessa atividade. deixar um espaço de 5 cm na parte superior a fim de registrar assunto. data. desse modo. ruas apenas de modo técnico. É evidente que essa atividade. em ordem cronológica.tais como: trabalhos didáticos. artigos e livros for acompanhada de uma análise criteriosa de conteúdo e de urna leitura na qual se destacam as informações úteis para a documentação pessoal. em pastas ou fichários simples. Do mesmo modo que colecionamos livros. convém selecionar os artigos ou os exemplares que serão mantidos e agrupá-los em fichários grandes ou pastas tipo AZ. Não é o caso também de armazenar. textos fotocopiados. prospectos de conferências. encabeçados também por um índice remissivo. 72. roteiros de seminários. sem critério. embora esteja estreitamente ligada à pesquisa bibliográfica. cap. material instrucional de aula etc. Documentar não é sinônimo de acumular textos e recortes só porque são simpáticos. desenvolvida como forma de estudo. E essa importância está relacionada com o objetivo primeiro de seu estudo. com relação alfabética ou numérica dos textos. nesses arquivos. em qualquer tempo. Vide l-leloísa de Almeida PRADO. SEVERINO. recomenda-se de tempo em tempo ajuntá-los em ordem numérica como um caderno volumoso. Assim. Não esquecer de registrar os artigos num índice geral. Isto é. 6. A. X e XI. autor. fichários grandes tipo AZ ou até mesmo em caixas de camisa. nome do jornal ou revista. mapas. Se o aluno tem necessidade e vê vantagem em guardar sistematicamente parte ou mesmo o todo de jornais. O estudo realmente acontece quando a pesquisa dos documentos. para facilitar utilização posterior. 110 111 A documentação geral consiste em arquivar e conservar em ordem. perfurá-los lateralmente à esquerda e amarrá-los com um barbante grosso feito um fichário. o material didático utilizado no curso e o material bibliográfico obtido em fontes não facilmente disponíveis ou mesmo irrecorríveis. Na montagem dessas folhas. de várias folhas. as infomiações dos textos armazenados. o conjunto básico dos livros . Organize sua biblioteca. página e letra ou tzúnero de referência para a confecção do índice. IX. titulo do artigo. tais textos didáticos podem ser agrupados por assunto. de modo que ajude a identificação quando necessário.citados anteriormente -. Na documentação geral faz-se a armazenagem de textos maiores. tudo o que cai nas mãos. No caso de "suplementos" e "encartes" em que há interesse de colecioná-los na totalidade. o que denominamos documentação geral nada mais é que o arquivamento de textos interessantes que complementam o acervo da biblioteca do estudante. ficam melhor acondicionados. Se se tratar de urna pesquisa bibliográfica em fonte eminentemente jornalística. de poucas folhas. gráficos estatísticos. depois de colados em folha sulfite. de maneira a facilitar e agilizar sua eficiente recuperação. complementado com a documentação do material útil retirado de fontes não mais passíveis de consulta. estampas e ilustrações. documentos inéditos. apostilas. Documentos menores. Documentar é organizar o material que tem importância significativa para a pesquisa que se realiza. o estudo . não constitui essencialmente urna atividade de estudo por não processar intelectualmente.. A biblioteca do aluno é. Uma página de frente. p. folhetos e catálogos das editoras. revistas e boletins acerca de um estudo de seu interesse. é fazer com que o material utilizado na vida do aluno esteja à sua disposição prática. op.

o aluno consegue identificar os pressupostos. que forem surgindo durante a leitura. A referencia çõo bibliográfica Terminada a pesquisa bibliográfica. apresentamos um modelo de ficha de documentação: 8. É uru requisito necessário ao . é prudente estabelecer um código simples para identificar. Entretanto. artigos. Há uma normalização internacional para o registro de todas as formas de pesquisa bibliográfica. o estudante deve anotar também suas idéias. Há autores que recomendam as fichas de cartolina tamanho 22. problematizações. isto é. Para ilustrar isso. com alterações nas regras para se fazer a REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA em trabalhos científicos. indicando entre parênteses a página do documento. críticas. É conveniente que o aluno faça comentários. essa documentação pessoal a partir da leitura criteriosa dos textos é uma verdadeira operação intelectual "pente-fino" e se constitui numa das formas mais autênticas de estudo como pesquisa. o estudante pode perceber os significados e a arquitetura (amarração) do edifício do conhecimento. apenas se buscar compreender o encadeamento racional das informações que encontra. posteriormente. Para tanto. quando for consultar. Ao lado das transcrições e smnteses de trechos essenciais do documento consultado. na forma de documentação. encontrados na pesquisa e ordenados criteriosamente. isto é. é necessário identificar as fontes para no futuro utilizá-las em outros trabalhos acadêmicos. Se for o caso de registrar sínteses do pensamento do autor. Essa convenção facilita muito a referenciação bibliográfica futura.propriamente dito ocorre à medida em que o aluno for tomando contato com os textos e conforme um plano prévio de trabalho e de interesse. O estudante que empreende tal estudo. as idéias retiradas com as mesmas palavras do autor. Uma convenção bastante aceita para registrar as citações ipsis litteris. é colocar essas citações entre aspas. Em agosto de 1989. essa normalização é divulgada pelo Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação (IBBD) e pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). As infonnações que serão transcritas em fichas de cartolina ou folhas pautadas de fichários simples 8 não se restringem aos dados da leitura. a ABNT emitiu a Norma Brasileira Registrada (NBR) sob n2 6023. registrar simplesmente sem código.5 cm. No Brasil. recensões e teses. os argumentos. as teses dos diversos autores e como suas idéias se concatenam ou se contradizem com aquelas. o aluno deve ter o cuidado de distinguir as citações literais do autor daquelas resultantes de sua própria reflexão. à venda em papelarias. próprias para fichários-padráo.5 x 15. Esse é o ponto fundamental da pesquisa. Do ponto de vista gnoseológico. não se comporta como um mero repetidor. não menos essenciais. Na aplicação à leitura analítica e crítica dos textos consultados. escolher um outro código para identificá-las. 3. O critério que orienta a pesquisa para a documentação pessoal é o objeto de estudo do aluno. A citação das fontes pesquisadas é feita através da REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA. Percebendo as formas de sistematização do conhecimento. 113 O objetivo final da pesquisa bibliográfica é o alargamento do campo de estudo sobre determinado assunto para atender às expectativas do estudante diante do objeto de seu estudo. pelo conjunto de dados que permitem a identificação e a localização de documentos impressos. de quem é a autoria do texto anotado. as anotações de idéias pessoais. anotando também nas fichas o diálogo imaginário que mantém com o autor do texto. resumos. embora esteja investigando um saber já elaborado. Finalmente. aplicar-se na classificação das informações segundo graus de relevância para a pesquisa.

tradução (se houver). SEVER1NO. O proveito a se tirar do estudo deve ter a sua continuidade garantida pela prática da Documentação (22 cap.prenome e nome do autor (só a primeira letra de cada nome em maiúscula). 21). editora. Mariangela Pisoni.titulo da obra grifado (só a primeira letra maiúscula. b) em lista bibliográfica sinalética ou analitica. texto que relata dissertativamente os resultados de uma pesquisa numa determinada área" (p.notas complementares e especiais (opcional). trata do Trabalho Científico de modo mais técnico como a própria "monografia científica. Campinas: Puccamp/Fabi. . são apresentadas algumas sugestões para elaboração e execução do Seminário. vfrgula.). visando torná-lo organizado. opcional. Trabalho Científico é o "conjunto de processos de estudo. c) encabeçando resumos ou recensões. Deve-se usar uma forma consistente de pontuação para todas as referências incluídas numa lista ou publicação. trata da organização da vida de estudos.. A NBR 6023 substitui a NBR 6032 de 1986. de pesquisa e de reflexão que caracterizam a vida intelectual do universitário" (p. exceto nomes próprios). .subtítulo (depois de dois pontos. O aprofundamento do estudo científico pressupõe. Cortez Ed. . Aqui o A. deve-se continuar a referência a partir da terceira letra da entrada (recuo de três toques). . letras minúsculas). outra forma de leitura: a leitura analítica (39 cap. A elaboração da Monografia Científica é objeto do 52 cap. A obra visa oferecer àqueles que se iniciam na Universidade alguns subsídios para as várias tarefas do seu trabalho intelectual e académico.). ainda. . sem grifo. e o . dois pontos. Segundo o A. No l cap. 1980. . 9.. consultar: ZANAGA. São Paulo.sobrenome do autor (letras maiúsculas).irnprenta (local de publicação. 21). 2 Os elementos são separados entre si por urna pontuação uniforme. Textos didáticos n.edição (quando mencionada ria obra). Para referências específicas de fontes peculiares (teses. A referência bibliográfica pode aparecer a) em nota de rodapé ou fim de texto. O Cap. 32 Da segunda linha em diante. que mais nos interessam é importante considerar as seguintes regras gerais: 12 Os principais elementos de urna referência bibliográfica são ordenados da seguinte forma: . 1. Para referenciação de livros e textos acadêmicos.aluno conhecer o essencial dessas regras para legitimar no meio acadêmico a produção do seu conhecimento. O autor apresenta normas práticas para o estudo. Para maiores infonnações técnicas. A seguir apresentamos exemplos dos casos mais comuns de REFERENCIAÇÃO BIBLIOGRÁFICA. o estudante deve consultar o professor de Metodologia ou os manuais de Metodologia listados no final deste capítulo. 1992. 6-° trata dos trabalhos exigidos nos cursos de pós-graduação. boletins. . congressos. Antonio Joaquim Trabalho Científico Metodologia do trabalho cienilfico. textos avulsos ou outros). (continuação) No 42 cap. data de publicação).

p. = ilustrado rev. fundamentais no contexto da vida universitária.. 79 aborda aspectos lógicos do pensamento humano. 4683. Rabindranath. 1968. p. Recolher informações e documentá-las pode se transformar numa ENCICLOPÉDIA DELTA LAROUSSE. (Tradução por . Rio de Janeiro: &iitora tarefa mecânica e sem sentido. São Paulo: Francisco Alves. quando mencionado.). consecutivamente. mar. = mímem (fascículo) SODRÉ. (exceto maio). Tradução por Ivo Stomiolo. 143-144). As referências podem ser numeradas VIOLÊNCIA e liberdade de pensamento. LIVRO DE UM SÓ AUTOR _______________________________ MORAIS. 1. feita pelo próprio autor. ei ai. Este desafio . sistemática (J)or assunto) ou cronológica. título ou o idioma original (Tradução de . 1989 . 16 jan. os textos em uma perspectiva de mundo e de autoconhecimento. Campinas: Papirus. at. Rio de Janeiro. jun. ed. pode-se indicar Jornal do Brasil. revisto e atualizado 2. at. aL Paradigmasfilosoficos da atualidade. LIVRO DE ATÉ TRÊS AUTORES v. OBRA COLETIVA registrando. = pagina n. 52 O nome do autor repetido deve ser substituído na lista. rev. meios de informação. Contraponto.) na seqiência do título e. resumos de textos e resenhas (pp.diário. Danilo M. nas 9. 1991. em ordem crescente. mesmos atividades exclusivas de estudo se não houver por parte do aluno a maturidade para o processamento intelectual das infonuações que está 4. 1980. indica-se o tradutor ou tradutores Reflexão. João Francisco Regis de. v. Técnica de redação: o texto nos os meses são abreviados com trés letras e ponto. v. em nota especial no final. trabalhos didóticos. ago. Puccamp. 9Op. Tradução do bengali para o inglês. 114 11ç 8. São Paulo: Exemplos: Paulinas. (*) O A. Folha da Tarde.fia (que aborda um único tema). 6 Quando se tratar de obra traduzida. PESQUISA BIBLIOGRÁFICA e de DOCUMENTAÇÃO não são por si 1989. Estevão de Finalmente vale reforçar que os métodos aqui apresentados de Rezende er.cap. São Paulo. volume (tomo) p.nonogra. e MARTINS.. PUBLICAÇÕES SERIADAS referências seguintes à primeira em que aparece o autor. opcionalmente. 14. Campinas: Papirus. por um travessão. distingue os tipos de trabalho: . 1982. ii. ARTIGO DE JORNAL SEM AUTOR 4 A ordenação da lista de referências bibliográficas pode ser alfabética. exemplos: jan. Filosofia da ciência e da tecnologia: ABREVIAÇÕES E EXPRESSÕES UTILIZADAS: introdução metodológica e crítica. (Coleção vida e meditação).. IX. se o estudante não aprender e compreender Delta. 10. 5 ed. 1988. 1982. (expressão latina) = e outros 3. 2! cd. Campinas: Instituto de Filosofia. ediçâo. LIVRO TRADUZIDO (COM ELEMENTOS COMPLEMENTARES) TAGORE. ii. Alberto e SOUZA FILHO. Maria Helena. VII. Muniz e FERRARI. A colheita. LIVRO DE MAIS DE TRÊS AUTORES OLIVA..

1985. 1977. Extensão ou comunicação? Tradução por Rosisca Darcy de Oliveira.pp. 6. Maria Duma de Oliveira et ai. Heloísa de Almeida. pp. 1. São Paulo: Atlas. Antônio Cândido. Santander: Editorial Sal Terras. 25. J. amp. 1955. 1. Elementos de catalogação. 1971. 57-76. ARTIGO DE REVISTA COM AUTOR textos. P. Antonio Joaquim. ERBOLATO. São Paulo: Polígono. HEIDEGGER. Metodologia da pesquisa-ação. Comunicação e cotidiano. Josephina. Tradução CAMPOS. THIOLLENT. ASTI VERA. (Edição interna). Mania. CERVO. São Paulo: Paulinas. 1967. Mutações em educação segundo McLuhan. IV. Campinas: Papirus. (Boletim n 306). 1979. Folha de S. 7. Qu 'appelle-t-on penser. 1980. v. Resgate. ARTIGO DE JORNAL COM AUTOR . Lauro de. OLIVEIRA LIMA. por Maria Helena Guedes e Beatriz Marques Magalhães. São Paulo: Cortez e Autores Associados. 1984. Bases para uma didática do estudo: metodologia geral do ensino. Metodologia da investigação cient(fica. MANN. GONÇALVES. Catalogação e clossflcação de livros. 1978. 45 ed. 1. 2 cd. Amélia Americano F. 5-6. São Paulo: Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da USP. L. ARTIGO DE REVISTA SEM AUTOR Bibliografia LIÇÃO de amor. pp. Haroldo. PRADO. SEVERINO. 1974. Rio de Janeiro: Editora Fundo de Cultura. São Paulo. M. Metodologia cient(fica: guia para eficiência nos estudos. Rio de Janeiro: Paz e Terra. MICELI. 1990. Porto Alegre: Globo. São Paulo: AbrilCultural. Metodologia cient(fica. Paulo. São Paulo: McGraw-Hill. Paris: PUF. rev. Gonzales Ireneo S. Metodologia do trabalho cientifico. 1985. Margaret. Petrópolis: Vozes. Rio de Janeiro: Associação Brasileira de Bibliotecários. Relação professor-aluno: formação do homem consciente. RUIZ. 1969.poderá ser melhor enfrentado com o domínio da leitura analitica e crítica dos 5. São Paulo: Cortez e Autores Associados. L. A. A. E. A. 1973. v. Metodologia dei trabajo cient(fico. 1962. 1983. LAKATOS. Campinas: Papirus/Centro de Memória da Unicamp. 2! ed. Organize sua biblioteca. e BARBOSA. Michel. C. M. Pesquisa bibliogr4fica e técnica de documentação. Paulo. Os homens e suas pontes. 116 DIAS.n. 48-54. São Paulo: Atlas. Folhetim. Paulo. Armando. assunto do próximo capítulo. 1992. 2 cd. Araraquara: Faculdade de Farmácia e Odontologia. MORAL. e MARCONI. (Coleção didática. 1973. Veja. 1). 19 dez. 55 e 14 cd. T. Análise do discurso de Maiakovski. 6 ed. DOMINGUES DE CASTRO. Metodologia do trabalho cient(flco: diretrizes para o trabalho didático-científico na universidade. e BERVIAN. 1973. FREIRE. 1971. 24jun. Tradução por Washington José de Almeida Moura. M. Oque éum texto? Capítulo II O ESTUDO DE TEXTOS TEÓRICOS . João Àlvaro. HILLAL. v.

Mas não se pode esquecer: o que ilumina. políticas. televisão. é a expressão do viver. ao mesmo tempo que pretende dar respostas aos questionamentos suscitados pelos homens. metódicos. O autor do texto é o homem historicamente situado. mesmo quando não existe o desejo intencional de fazê-lo. das obras. da literatura. O texto iluniina e esconde. absoluto. à medida que são sistematizados. o resultado do conjunto de experiências que o homem vivencia na História. que transforma o mundo colocando algo de si. portanto. artigos de revistas e jornais etc. a obra.O texto é obra humana. participar é o produto colocado no mundo. filmes. É a manifestação do que o homem produz nos vários campos das artes. É através dela que expressa a sua vida. Professora de Filosofia da Puccamp." 1 Os textos teóricos são as obras que expressam um conhecimento do mundo e se diferenciam de outras expressões simbólicas. e mesmo de outras expressões do conhecimento. O texto teórico O texto teórico é expressão humana através da palavra articulada .linguagem.. que participa do existir num tempo e num espaço específicos a partir de determinadas condições econômicas. obscurece. outras perguntas. A linguagem molda a visão do homem e o seu pensamento . também "faz" sombras. ideológicas e culturais. acabado. Esclarece.. sempre na tentativa de encontrar o eixo possível de "esgotamento" de explicação do real. foram definindo caminhos. * Mestranda em Filosofia da Educação na Unimep. 2. etc. os problemas. É carregado de significações. A reta çõo autor-texto-leitor A leitura não pode se reduzir a um conjunto de regras de explicação de um texto. Expressam os saberes produzidos pelos homens ao longo da História e refletem infinitas posições a respeito das questões suscitadas no enfrentamento com a natureza.. cientistas. "carregam" os significados impressos pelo tempo e espaço em que são produzidos. acabado. querna importância geral que desempenha. organizados.. Vera Irma Furlan* 118 A obra é histórica. A própria visão que tem da realidade é moldada pela linguagem. querna flexibilidade e no poder comunicativos. levanta outras questões. a ser assimilado pelo leitor. produto humano. e se expressa através dos mais variados meios simbólicos: peças de teatro. O texto "é uma voz .. esculturas. poesia. experienciar. como se ele fosse um objeto pronto. livros científicos e filosóficos." 2 fraduzem as angústias. não é um objeto. obscurece o mundo e. ". autores dos textos. A sistematização. são imprimidos pela marca da historicidade. é ao mesmo tempo produtor.E entre os mais variados meios simbólicos de expressão usados pelo homem. as questões que são suscitadas pelo mundo e que desafiam os homens.simultaneamente à concepção que ele tem de si mesmo e do seu mundo (não sendo estes dois aspectos tão separados como parecem). não é algo pronto. Como toda obra humana. tem a marca humana. "Expressam o enfrentamento de seus autores com o mundo. Os textos são a memória do homem na qualidade de ser-no-mundo e se constituem na herança que possibilita dar continuidade à obra humana na história. sempre guarda um sentido subjacente. É um eterno fazer-se. definitivo. com os homens e com a própria produção do saber. pinturas.. Enquanto produto das suas relações com o mundo. O texto. 3.. literatura. organização e metodização dos saberes expressos nos textos teóricos resultam de um processo de construção ao longo da História em que os pensadores. nenhum ultrapassa a linguagem. do saber. que vive a experiência no mundo com os homens..

4. pp. 1bidem p. in Açõo cultural para a liberdade e outros escritos. op. onde experiências diferentes se defrontam. busca encontrar pistas que o auxiliem no desvendamento de sua realidade. J..Em seguida. a consulta aos dicionários. da perspectiva de quem se sente problematizado por ele. compreender o texto é tomá-lo a partir de um determinado horizonte. "Assim as humanidades alcançam urna medida mais cheia de autoconhecimento e uma melhor compreensão do caráter de sua tarefa. significa ir além da simples dissecação a que se reduz o formalismo das técnicas de leitura que nonnalmente afastam. sem o qual há o risco de a leitura esvaziar-se de significado. sendo inclusive o grande inspirador da bibliografia publicada na última década no Brasil. Este trabalho pode ser considerado um dos pioneiros na abordagem da leitura de textos teóricos. A leitura de textos teóricos5 Os textos teóricos se constituem em instrumentos privilegiados da vida de estudos na Universidade. cit. assim como partir do princípio de que ele tem algo a dizer ao leitor." O abrir-se ao texto pressupõe o diálogo com 1. P." Neste sentido. p. 2. dos autores citados e. 18. 5. SUGESTÕES PARA A LEITURA A . FREIRE. Metodologia do trabalho cient(fico. Considerações em tomo do ato de estudar. manuais. após a leitura. distanciam o leitor da obra. pp. É somente neste encontro histórico. o seu mundo. 112-135. B . das doutrinas desconhecidas. Hermenêutica. a compreensão dos significados nele implícitos. É imprescindível ter claro as questões. o objetivo do estudo do mesmo. R. em primeiro lugar. exige o "ouvir" a sua palavra. O leitor. É por isso que aprender a compreendê-los se coloca como tarefa fundamental de todos aqueles que se dispõem a decifrar melhoro seu mundo. A leitura de um texto pressupõe objetivos. 120 C . verificando as dificuldades no entendimento da linguagem empregada. 9-12. que é possível a compreensão e interpretação de textos. pois é através deles que os estudantes se relacionam com a produção científica e filosófica. . dos conceitos apresentados pelo autor. R. PALMER. que dar vida. SEVERINO. é preciso localizá-lo no tempo e no espaço. ao se dirigir ao texto. e a partir daí deixar-se "possuir" por ele. Sugerese a demarcação dos conceitos. Quem é o seu autor? Quando o escreveu? Quais as condições da época em que produziu sua obra? Quais as principais características de seu pensamento? Quais as influências que recebeu e também exerceu? 4. 20-21. 111 da obra de A. sem o que toma-se difícil a compreensão da mensagem do autor. está preocupado em responder às questões suscitadas pelo seu mundo e. uma voz do passado à qual temos. Compreender. intencionalidade.. os problemas que podem ser desvelados no enfrentamento com o texto.. pp. 3. de certo modo. 22. é através deles que se torna possível participar do universo de conquistas nas diversas áreas do saber. enciclopédias. Para uma complementação do estudo deste tema consultar o cap.Para penetrar no conteúdo de um texto é necessário ter em mente. interpretar. o seu autor. para a explicitação. cujo objetivo é preparar o texto para a compreensão.humana. através do enfrentamento das posições assumidas pelo autor. PALMER.De posse desses elementos é possível elaborar a primeira etapa da leitura.

que possibilita o confronto (encontro histórico) entre autor-leitor. 42) Quais os argumentos apresentados que justificam a posiçõo assumida pelo autor? É necessário apontar todos os argumentos apresentados. trata-se de verificar a pergunta central levantada pelo texto em estudo. as idéias que confirmam a tese. descobrindo os pressupostos (históricos. F . captando antes o todo. a partir do questionamento. na interpretação. rigor. Não pretendem . qual a posiçõo assumida pelo autor? O autor. 5. Ti-ata-se de reconstruir o texto a partir de sua própria condição de ser-nomundo. 32) Diante do problema levantado. mediatizados pela obra. de outras abordagens. para isso. atentando para os temas e subtemas desenvolvidos. seguindo. É necessário trabalhar profundamente com os argumentos apresentados. a ordem lógica de exposição das mesmas. É o momento mais importante do estudo. de seus questionamentos a partir de suas experiências. que na maior parte das vezes não coincidem com as do autor.É necessário reconstruir a experiência mental do autor. o estudo de textos teóricos exige disciplina.D . os autores podem desenvolver outros que se constituem em reforço das justificativas apresentadas. é o momento de o leitor levantar as suas questões para o texto. mas este trabalho só se realiza plenamente no processo de diálogo. 59) Quais os argumentos secundários apresentados pelo autor? Além dos argumentos centrais. em que o leitor fundamentalmente ouve" a palavra do autor. problematiza o seu mundo. de refletir sobre a perspectiva abordada pelo autor.A partir deste trabalho é possível expressar. E . Nesta perspectiva. na perspectiva aqui desenvolvida. de verificar a contribuição da mesma para o aprofundamento do assunto e compreensão da realidade. o seu ponto de vista. pois trata-se de "ir além" do texto. na atividade constante de busca que deve estar presente no cotidiano da vida de todos aqueles que pretendem deixar a "sua marca" (por mínima que seja) na História. condições conquistadas no próprio processo de desenvolvimento teórico pessoal.O estudo de textos. Partindo da concepção aqui apresentada sobre o significado do texto como obra humana. a partir de "sua leitura" do mundo. de desenvolver a "sua leitura" do texto. de outros pontos de vista. confrontando-os com outras posições. Nesta etapa. Algumas sugestões para a redação de trabalhos a partir do estudo de textos teóricos6 As orientações aqui apresentadas são sugestões destinadas à apresentação de trabalhos a partir do estudo de textos teóricos. que se constitui no seu modo de encarar o problema levantado. é necessário verificar se a compreensão das idéias está sendo atingida. seriedade. Daí a necessidade da leitura de outros textos sobre o tema. exige como condição prévia este "ouvir" o autor. o que possibilita a elaboração de um esquema das idéias do autor. traduzir a compreensão das idéias do autor através da elaboração do Resumo no qual o estudante elabora uma redação (com seu próprio vocabulário) apresentando os principais momentos do texto. 22) Qual o problema central levantado pelo autor? Considerando que o autor questiona. a posição do autor diante do problema levantado. de suas preocupações. apresenta uma resposta. as suas angústias. É por isso que um segundo momento da leitura tem como objetivo adquirir urna visão de conjunto do que é tratado no texto. Para isso o leitor pode se dirigir ao texto perguntando: l) Qual o assunto tratado? Para responder a esta pergunta é necessário apontar o tema abordado no texto entre a infmidade desenvolvida pela cultura humana. epistemológicos) neles presentes. ideológicos. para depois dedicar atenção às partes do texto.

Deve-se grifar estas palavras.nesta o autor "fecha" o texto apresentando o resultado de sua pesquisa. no seu conjunto. pp. apresentam vários parágrafos que tratam do mesmo conceito. O esquema A elaboração do esquema se faz necessária na primeira abordagem do texto teórico. Em seguida apontar em cada uma destas partes as "palavras-chave" grifadas. Estas devem ser destacadas na fase posterior da leitura. Para um aperfeiçoamento da técnica de grifar as "palavras-chave" do textos consultar D. elabora-se o Esquema destas idéias. o problema levantado em tomo dele e a posição que defende a partir do problema. c) Conclusão (últimos parágrafos) . Para o levantamento destas pode-se proceder da seguinte forma: . sendo assim. pp. Como fazer uma monografia. grifa-se apenas quando este aparece pela primeira vez. Como atividade acadêmica. mas tão-somente um instrumental destinado principalmente àqueles estudantes. C. SALOMON. no seu conjunto. Sobre redação e dissertação consultar. quando o leitor necessita adquirir a visão de conjunto dos temas e subtemas desenvolvidos pelo autor.1. possibilitando. 2 paste A dissertação e o pensamento lógico. 122 123 ser a única palavra possível sobre o assunto. assim.onde o autor apresenta o assunto. iniciantes na vida acadêmica. Os textos teóricos normalmente apresentam a seguinte estrutura lógica: a) Introdução (composta pelos primeiros parágrafos) .neste o autor apresenta os argumentos que justificam a posição assumida. que. 2) A partir do levantamento das "palavras-chave" nos parágrafos. Os textos. a "visão do todo" do texto. Para elaborar o Esquema é necessário detectar os parágrafos onde o autor introduz. que encontram dificuldades na elaboração deste tipo de atividade acadêmica. Escrever édes. 5. III. Sobre a elaboração de trabalhos académicos consultar o cap. maior interesse por parte do leitor. São as "palavras-chave". na apresentação de idéias ou conceitos que. Importante: não confundir as "palavras-chave" com as idéias que exercem maior atração.vendar o mundo. o excelente trabalho de Severino Antonio M. 8. entre outros. no desdobramento da argumentação.6. elementos de metodologia do trabalho cientifico. 7. b) Desenvolvimento . Sobre o trabalho em grupo consultar o cap. demonstram a posição assumida pelo autor. . desenvolve e conclui o texto. normalmente é exigido pelos professores como parte do trabalho em tomo do texto em seminários ou outras atividades acadêmicas que exigem uma preparação prévia dos participantes. IV. Procedimentos 1) Durante a fase inicial da leitura grifar (sublinhar) as "palavras-chave" dos parágrafos. 83-102. Para a compreensão do texto em sua globalidade é necessário ter clareza das idéias apresentadas nos parágrafos. constituem o esquema do raciocínio lógico do autor. BARBOSA e Emilia AMARAL. via de regra.Pergunta-se: De que fala o parágrafo? . no momento da interpretação do texto. 83-117. 8 Cada parágrafo que compõe o texto se constitui num momento de desenvolvimento do raciocínio.

2. Esta formação inicial pode ser completada com a elaboração de resenhas de textos. congressos etc. época em que o texto foi redigido.4. Pressupõe. pois se desenvolve a partir da interpretação do texto básico. os argumentos.2. comentar a sua influência dentro da área a que pertence e as conseqüências mais significativas de sua publicação. O resumo das idéias do autor É um trabalho que consiste em apresentar por escrito a compreensão do texto estudado. a partir das questões levantadas na fase de compreensão do texto (assunto. Quanto aos comentários pessoais. 11. a compreensão e o fichamento de textos científicos (vide cap. para publicação ou divulgação. cada capítulo) na mesma seqüência lógica em que se apresenta.3. Inicialmente. deve-se sintetizar cada parte do plano de assunto (no caso de livros. é utilizada para que o educando se familiarize com a análise dos argumentos utilizados para se demonstrar/provar/descrever um determinado tema. posição do autor e argumentos). deve-se identificar autor. elaboração de resenhas. 5. 1 desta parte) são os primeiros recursos metodológicos que utilizamos para a realização de trabalhos acadêmicos. 125 5.O Esquema pode ser elaborado a partir do vocabulário utilizado pelo autor do texto. problema.). 9. tecendo um breve comentário para se compreender os objetivos do texto e sua idéia central. ou crítica ao texto) É o momento culminante do estudo de textos. 1. como atividade acadêmica. Na Introdução apresentam-se o assunto. A seguir. no Desenvolvimento. Desenvolvimento e Conclusão). Sobre a documentação verificar o cap. A intepretação do texto (ou apreciação pessoal. O principal objetivo da resenha é elaborar comentários sobre um texto. num esforço pessoal de reflexão sobre os elementos fornecidos pela análise do texto. O resumo crítico (ou fichamento) Deve ser apresentado em dois momentos: 5. 10 medida que possibilita a documentação 11 dos textos estudados. É um trabalho que consiste basicamente em apresentar a "palavra do leitor".2. . desta forma.1. o questionamento das posições assumidas e a relação destas com outras abordagens. Sobre a realização de trabalhos científicos e monografias consultar o cap. simpósios. com vocabulário próprio e estruturação lógica (Introdução. A resenha de textos Elisabeth Matailo Marchesini de Pádua A leitura. Informações gerais sobre o texto. pressupondo um contato mais rigoroso com o material didático normalmente utilizado na Universidade.2. analisar a importância do texto. as fases anteriores do estudo (preparação e compreensão). texto. Sobre a elaboraç5o de Resenhas consultar o item 5. e na Conclusão a própria conclusão do autor. 5. Deve-se elaborar uma redação resumida. 10. o que exige estudos aprofundados e fundamentalmente "olhos críticos" para o mundo. IV. constituem os primeiros passos em direção a uma postura crítica em relação aos temas abordados nas várias disciplinas. Pressupõe uma leitura rigorosa do texto e deve conter 1. problema e posição do autor. Este tipo de trabalho acadêmico é fundamental para a preparação de trabalhos em grupo (seminários. a sua posição frente às questões desenvolvidas. e para a realização de trabalhos científicos e monográficos. É uma reconstrução mais livre do tema abordado no texto básico o que pressupõe o diálogo com o autor.

até 100 (cem) palavras. até 250 (duzentas e cinqüenta) palavras. Devemos observar que a ABNT utiliza os termos recensão e resenha como sinônimos de resumo crítico. à revisão textual. publicação de indexação e análise etc. a seguir apresentamos uma síntese da Norma NB .Resumo que apresenta a análise interpretativa de um documento ou texto. não apresentando dados qualitativos ou quantitativos. mas de uso corrente em alguns setores da Universidade. 3. também denominado recensõo ou resenha. relatórios.Combinação dos anteriores. 2. até 500 (quinhentas) palavras. . monografias. estas especificidades na terminologia não invalidam as propostas anteriormente apresentadas para a elaboração de resumos e resenhas.documentação de dados bibliográficos.Indica apenas os pontos principais do texto. É utilizado para: . Expõe finalidades. assim como os argumentos que o autor "teceu" em tomo da idéia central.Infomia suficientemente o leitor para que este possa decidir sobre a conveniência da leitura do texto inteiro.88/86. Comentários sobre a idéia central do texto.documentação secundária: projetos e catálogos de editoras. • para monografias e artigos.também regulamenta os procedimentos para a elaboração de resumos de uma maneira geral. identificando os pressupostos teóricos que orientam o texto. Como a ABNT . aproximadamente de três a cinco folhas datilografadas. . Resumo crítico . deve-se levar em consideração os aspectos referentes à publicação do texto.Associação Brasileira de Normas Técnicas . de livrarias. Lembramos que o resumo deve ser composto de uma seqüência corrente de frases concisas e não de uma enumeração de tópicos. A ABNT define resumo como sendo "a apresentação concisa dos pontos relevantes de um texto". Comentários pessoais e críticas. com a utilização de terminologia específica.Na crítica. metodologia. atualização de gráficos e tabelas. teses. É fundamental que o educando estabeleça um "diálogo" com o autor.documentação primária espec(flca: artigos. Uma resenha deve ser sintética. 4. A extensão do resumo depende da fmalidade a que se destina: • para notas e comunicações breves. principalmente como tarefa acadêmica. Comentários sobre o plano de assunto do texto. bem como à seqüência lógica e organização do texto. atas de congresso etc. Resumo indicativo (abstract) TIPOS DE RESUMO Resumo irifomiativo (summary) 126 127 Resumo informativo-indicativo . . resultados e conclusões. . atualização da bibliografia utilizada pelo autor. Bibliografia . O resumo visa fornecer elementos capazes de permitir ao leitor decidir sobre a necessidade de consulta ao texto original e/ou transmitir informações de caráter complementar. • para relatórios e teses.

Metodologia do trabalho cientifico. . SALOMON. Não é por outro motivo que se usa a expressão comunidade cient(fica para se referir ao grupo que faz e reconhece o trabalho científico: não há mais sentido em imaginar o cientista como ser estranho e isolado do mundo. 1n Ação cultural para a liberdade e outros escritos. 1973... D.e também de outras formas de conhecimento . . 2 cd. É também chamado de facilitador. FREIRE. C. e AMARAL. 1n Escrever é desvendar o mundo. os trabalhos em grupo envolvem alguma apresentação escrita. permite um melhor resultado. 1-'o 129 . um debate. A dissertação e o pensamento lógico. Considerações em tomo do ato de estudar. J. elementos de metodologia do trabalho científico.coordenador: é o que ajuda o grupo a esclarecer o que deseja fazer e como deve fazer. E isto se exprime também na vida profissional: a equipe de trabalho é um grupo que interage numa relação produtiva onde a diversidade de pontos de vista é encarada como elemento enriquecedor. .um motivo: um fato ou problema que provoque a ação do grupo. SEVERINO. ** Mestrando em Filosofia Política (Unicamp). A ação conjunta no grupo implica o desempenho de alguns papéis básicos por parte dos integrantes: . Autores Associados..relator: em geral. 1985. o estudo de um texto ou de um problema. 1978. São Paulo: Cortez Edit. mas também a formas de convivência e produção cooperativa.a disponibilidade: todos no grupo têm tempo disponível para realizar as atividades e um lugar onde possam se reunir. Emilia. a existência do grupo depende de alguns fatores: . 35 cd. Lisboa: Edições 70. * Mestre em Filosofia da Educação na Puccamp. Neste sentido. . Mesmo que se forme espontanearnente. mantendo a unidade do grupo. tal como uma pesquisa. PALMER. que faz descobertas fantásticas e incompreensíveis. entramos em relação com um grupo de pessoas porque não somos capazes de aprender isolados da realidade. Ri: Paz e Terra.o entrosamento: os integrantes se conhecem e têm a disposição de trabalhar em conjunto. porque. Hermenêutica. Professor de Filosofia da Puccamp. 1987.é que ela se constrói de uma forma coletiva.BARBOSA. Capítulo III TÉCNICAS DE DINÂMICA DE GRUPO Paulo de Tarso Gomes* Paulo Moacir Godoy Pozzebon** Uma das características mais interessantes da ciência . R. Como fazer uma monografia. Para realizar o processo de conhecimento. 1986.o planejamento: a decisão do grupo a respeito de seus objetivos e do modo de realizálos. P. as dinâmicas de grupo visam não apenas ao aprendizado de conteúdos. Belo Horizonte: Interlivros. Campinas-SP: Papirus. O relator é a pessoa encarregada tanto de anotar e organizar as conclusões do grupo como de unificar diferentes partes preparadas pelos integrantes do grupo. 12! cd. Antonio Severino M. A. organizando suas atividades. Professor de Filosofia da Puccamp e da Univeridade São Francisco de Itatiba.

Neste sentido. em número conveniente. seja numa sala de aula. pois permite identificar que aspectos influfram sobre os resultados objetivos e verificar se o relacionamento humano dentro do grupo evoluiu no sentido de aceitar e suprir as deficiências. o que permite avaliar o trabalho de todos. a respeito de um tema. e por reduzir o grande grupo a um número menor de subgrupos. que dispõem de seis minutos para realizar a atividade proposta. Phillips 66 Objetivo: Responde aos mesmos objetivos da díade: participação. pode-se incumbir um membro do grupo de verificar se a forma de trabalho e o relacionarneneto do grupo têm sido eficientes para atingir os fins propostos. complementares ou divergentes.. A apresentação a seguir procura prevenir uma falha muito comunt a aplicação indiscriminada da técnica de seminário. por ser uma forma bastante prática. pode-se ampliar o tempo até quase dobrá-lo. e em todas as situações que pedirem trabalho rápido e participativo.Painel de especialistas: expositores. urna vez que a aprendizagem na dinâmica de grupo não se dá só no nível de conteúdos. procurando chegar a um resultado comum. debatem entre si problemas e divergências surgidas das exposições. no entanto.. Espera-se uma rotatividade no desempenho de papéis.avaliador: é um papel que todos devem desempenhar. bem como promover o entrosamento entre eles. difere desta por agrupar mais opiniões diferentes na discussão dos subgrupos. num auditório. Havendo necessidade. as mais adequadas aos cfrculos universitários. pode-se recorrer a três tipos de painel: . ao que nos parece. coordenados por um mediador. em seguida. a auto-avaliação que o grupo realiza ao término do trabalho é importante. 2. Aplica çõo: Sondagem de opinião. observe-se que agrupar pessoas por critério de vizinhança é proceder um tanto aleatoriamente. Aplica çõo: Semelhante à técnica da cliade. Contudo. A avaliação por amostragem é a mais conveniente se houver um grande número de díades. . ou outra forma de grupo. 1. mas também no nível da forma de produção deste conteúdo. parceiros lado a lado). mas nem sempre conveniente. apresentam suas posições e análises acerca de um tema. Importa frisar que uma técnica deve ser escolhida tendo em vista os objetivos formulados para responder às necessidades específicas do grupo. que o relator apresenta. 3. Díade Objetivo: Provocar e possibilitar a participação de todos os membros de um grande grupo em trabalhos propostos. resolução de exercíciosfeed back. sendo aplicáveis a quaisquer áreas do saber. Procedimento: Consiste em dividir o grande grupo em duplas de trabalho (p. entrosamento de todos e rapidez. ex. Procedimento: O grande grupo divide-se em subgrupos de seis membros vizinhos (três sentados à frente viram-se para os três detrás). bem como valorizar e aproveitar as qualidades de cada integrante. Painel Objetivo: Apresentar ao grande grupo um quadro de infonnações e análises. As técnicas de dinâmica de grupo que apresentamos são as mais comuns. já que diferentes técnicas respondem a diferentes necessidades. e. resultando muitas vezes num conjunto de aulas expositivas elaboradas pelos alunos. Procedimento: Para operacionalizar estes objetivos.

permitindo abrirem-se os debates. Observe-se que. a exposição de um especialista. 5. quando usada em sala de aula. É bastante utilizado nos congressos. mas por outro critério. expõem suas posições divergentes e se interrogam mutuamente. resultando em perguntas de grupos específicos (sociólogos. mas por áreas profissionais ou de interesse. para discutir e redigir documentos e conclusões. Se for grande o número de subgrupos. por exigir longo e cuidadoso trabalho. ainda que demande pesquisa. é bom exercício de reflexão.Painel de interrogaçõo: exposições de especialistas (professores.. O relator de cada subgrupo apresentará ao grande grupo as conclusões alcançadas e prestará esclarecimentos. De outro lado. as melhores perguntas. 130 . Aplicação: Os três tipos de painel não são mutuamente exclusivos. Em seguida.mdidade. Em sala de aula.). Procedimento: O palestrante realiza sua exposição sem interrupção. para selecionar. como no Philips 66. já nos subgrupos. advogados. que recolherá. é oportuno abrir a palavra às questões e considerações dos ouvintes. após as exposições. em que qualquer indivíduo pode formular questões diretamente ao expositor. o grupo se divide em subgrupos para trocar idéias e formular perguntas ao expositor.. no qual os alunos.Painel de exposição: dois especialistas. reside na possibilidade de compor diante do ouvinte um quadro de pontos de vista diversificados. Aplicação: Nas ocasiões em que há grande número de ouvintes.. podendo ser combinados entre si. discutindo entre si à procura de uma "boa" pergunta. em termos de tempo e qualidade. o que amplia os horizontes da discussão. Aplicação: O simpósio permite que um grande grupo estude aprofundadamente um tema amplo. inclusive realizando pesquisas. a técnica exige do aluno-especialista um razoável domínio do assunto. pois isto enriquece e renova o interesse nas discussões. o simpósio não deve ser utilizado com grupos formados aleatoriamente. Fórum Objetivo: Permitir a um grande grupo participar e aproveitar ao máximo. estudantes que se aprofundaram no tema) são seguidas de perguntas formuladas por outros especialistas. ou duas pequenas equipes de especialistas. obrigam-se a compreender melhor o tema apresentado e associá-lo a outros já dominados. poderá ser necessária a presença de um coordenador. evitando assim apresentar ao debate repetições. principalmente se o terna for complexo ou polêmico. que vão estudá-los empmfi. de um lado. Procedimento: Os diveios aspectos do tema ou problema são atribuídos a diferentes subgrupos. sindicalistas. Simpósio Objetivo: Realizar estudo aprofundado e exaustivo sobre um tema ou problema em seus múltiplos aspectos. . questões fora do assunto ou irrelevantes. A técnica se revela muito proveitosa quando os subgmpos não se reúnem aleatoriamente (como no Philips 66). convidados. organizará e apresentará as perguntas dos ouvintes. A validade da técnica. Nisto difere do debate aberto. Isso proporciona a todos os participantes uma visão simultaneamente geral e aprofundada do assunto. Em qualquer um destes procedimentos. perdendo tempo e qualidade. 4.

mas é o conjunto de aspectos de um tema. A principal função do especialista ou professor é anterior à apresentação: delimitar os textos. o objetivo da técnica só poderá ser alcançado se os participantes não se limitarem a ouvir uma exposição. expor as principais idéias do texto. submetendo. ou pequeno grupo (seminarista).: texto-roteiro. conjunto de textos. . orientar o seminarista na problematização e texto-roteiro. ex. filme-documentário) suficientes para a informação e análise dos participantes. Isso implica. escolhido pelo seminarista. Procedimento: O professor propõe aos participantes uma situação detalhada. 7. pondo em comum esclarecimentos. Na apresentação propriamente dita o professor intervirá como um dos participantes. dificuldades teóricas. primeiramente. além de informações sobre o texto. abrindo a palavra para as considerações dos colegas e do professor. Estudo de caso Objetivos: Desenvolver nos participantes a capacidade de análise de uma situação concreta e de síntese de conhecimentos aprendidos. bem como um roteiro de discussão. 6. em laboratório. A função do seminarista na apresentação é. que. Para as situações em que não se puder assegurar esse trabalho minucioso e essa participação ampla.Seminário de temas: Fala-se de seminário de temas quando o objeto das discussões não é fixado pelas idéias de um determinado texto. A diferença está no fato de que o simpósio permite um trabalho de maior envergadura e mais participativo. suas premissas. onde o estudo for baseado em textos ou dividido em temas. e conclusões obtidas. mas puderem discutir o tema. Seminários Objetivo: Estudar profundamente um tema ou texto. Contudo.) e na problematização do texto. sob orientação do professor ou de um especialista. permitindo uma abordagem interdisciplinar e o exercício do espfrito crítico. orientado pelo professor. é recomendável a técnica do simpósio. suas lacunas.O simpósio é freqãentemente confundido com o seminário ou com o painel. A validade de uso desta técnica está na medida da sua capacidade de envolver todos os participantes na discussão. que o 133 número total de participantes não deve ser elevado. algumas informações complementares e bibliográficas. para exercício coletivo de análise. algumas idéias secundárias. e. . de campo. na qual deve ser utilizado o instrumental teórico anteriormente aprendido.. trata-se de criticar e problematizar as teses contidas no texto. real ou fictícia. Para facilitar aos participantes o acompanhamento da apresentação dos resultados. precisam dispor de urna fonte de subsídios (p. sua estrutura lógica. que todos devem estudar os textos antecipadamente. portanto. o trabalho individual à crítica do grupo. de um lado. para que seja possível e até mesmo requerida a palavra de todos. para isso.Seminário de texto: Fixa-se um texto para ser trabalhado em seminário e este é atribuído a um indivíduo. o seminarista confeccionará um texto-roteiro que deve conter. O seminário é melhor aplicado quanto mais avançado for o nível das discussões e dos que nele vão contribuir.. Aplicação: É boa metodologia para cursos ou parte de cursos. vai aprofundar-se em pesquisas (bibliográfica. por outro lado. Em seguida. Procedimento: .

É uma das fontes de elaboração para teses e monografias científicas. utilização de técnicas específicas recomendadas (no caso de um treinarnento). médico atendendo paciente. • 'fransmissão dos dados coletados por docentes ou especialistas. 1. visando envolver todos os participantes de um determinado grupo. relato. incentivando a participação de todos e provocando a reflexão dos alunos. as circunstâncias e opções do grupo podem detenninar a combinação de diferentes técnicas ou a procura de técnicas novas. 8. orador discursando). Aplicação: O estudo de caso é útil para avaliação de aproveitamento. a dramatização visa estender a análise crítica de um estudo de caso não apenas ao conteúdo verbal. visando a atualização de conhecimentos ou divulgação dos avanços da Ciência em qualquer área do saber. O papel do professor é o de coordenar a atividade. a partir dos seguintes objetivos: • Discussão de textos e/ou temas. através do debate. motivação de alunos. Objetivo: Em geral. os critérios de avaliação da técnica. como resposta às suas expectativas. Procedimento: Um subgrupo representa teatralmente uma situação-problema previamente escolhida. Para outras técnicas de dinâmica de grupos que podem ser utilizadas nos meios académicos. envolvidas no relacionamento interpessoal. exercício de aplicação de conhecimentos. O fundamental é que não se busque apenas a boa execução do procedimento. 1. observação in toco etc. emoções transmitidas etc. conseqüentemente. a forma de aplicação e. ver artigo de Paulo de Tarso GOMES e Paulo Moacir G. congressos. solução dos problemas propostos. cap. Aplicação: Recurso nos estudos de caso. Professora do Instituto de Filosofia da Puccamp. Seminário de textos É a técnica de estudo em grupo mais utilizada nos meios acadêmicos para desenvolver um estudo aprofundado de um texto e a reflexão e discussão sobre seus conceitos e/ou idéias fundamentais. Conclusão As técnicas possuem caráter eminentemente instrumental. POZZEBON. 17 REALIZAÇÃO . Dramatização A técnica de dramatização presta-se a inúmeras e variadas aplicações. mas também às linguagens não-verbais. análise de situação relevante ocorrida. É o grande grupo que determina. pós-graduação. da reflexão e da crítica. entre outros usos. a ser analisada por atores e espectadores em termos de significados dos papéis. deste modo. valores envolvidos. mas que se responda. avaliação do comportamento de um indivíduo numa situaçãp-problema (professor lecionando.Essa situação pode ser apresentada sob forma de filme. posturas e atitudes para com o outro. 135 Capítulo IV SEMINÁRIO Elisabete Matalio Marchesini de Pádua * O que é? O seminário é urna das técnicas de dinâmica de grupo' utilizada nos cursos de graduação. os objetivos específicos. * Mestre em Filosofia Social. encontros. às necessidades de aprendizagem e relacionamento do grupo. de fato. dramatização. III.

1. Preparação dos textos complementares. para serem posteriormente distribuídas aos grupos de estudo: no dia da realização do seminário. • Esquema do texto básico contendo os principais momentos do texto. • Problematização do texto: levantamento de questões sobre o texto. • Apresentação dos esclarecimentos dos principais conceitos que aparecem no texto.ETAPA 1. apresentada ao fmal do texto-roteiro.DESENVOLVIMENTO a) Preparação pelo grupo responsável • Preparação do texto básico leitura do texto básico . indicação. 2 • Bibliografia: que o grupo utilizou para complementar o estudo do texto ou que o grupo indica para complementar o seminário. b) Elaboração do TEXTO-ROTEIRO do Seminário • Deve ser preparado e entregue à classe com um mínimo de 3 (três) dias de antecedência. ETAPA II . quando necessários. pelo professor. a fim de facilitar o trabalho dos participantes.PLANEJAMENTO a) Planejamento e programação dos textos a serem discutidos • Geralmente feitos pelo professor no Planejamento Pedagógico. de acordo com as normas da ABNT (Associação Brasileira de Nonrias Técnicas). SUGESTÃO: para um primeiro seminário o professor pode solicitar que todos preparem o texto-roteiro. O TEXTO-ROTEIRO deve conter • Apresentação do assunto do Seminário.esclarecimento de conceitos . para debate em classe. de acordo com as orientações da leitura analítica. tendo como referencial o conteúdo programático da sua disciplina e os objetivos a serem alcançados com os seminários. • Geralmente o professor distribui os textos entre os grupos fonnados. de textos complementares. enciclopédias. b) Divisão da classe em grupos de estudo • Os grupos devem ser constituídos de quatro a seis elementos. para que todos possam ter idéia do conteúdo a ser discutido.contextuação do autor .esquema do texto . • Localização do texto básico na obra e no pensamento geral do autor ou do contexto mais amplo da disciplina. • Cronograrna de apresentação: geralmente elaborado pelo professor em conjunto com os participantes. recursos 1 dicionário de língua portuguesa. • Podem ser aproveitados os grupos já constituídos para estudo em outras disciplinas. a fim de garantir o debate e aprofundar a discussão do texto. dicionários especializados. Um grupo poderá ser sorteado para a apresentação. da mesma forma que o texto básico. manuais especializados. • o grupo deve elaborar questões. para se familiarizarem com a técnica. . • Quando necessário.

levando a novas indagações sobre o assunto do texto. cap. as mais relevantes e polémicas. IV. que ficará encarregado de anotar os pontos fundamentais debatidos. • O grupo elege um relator. 2 Momento . • O grupo responsável apresenta a dinâmica escolhida para o desenvolvimento e o tempo destinado a cada atividade. Seminário de ternas . Dá início ao debate. • O DEBATE é a parte mais importante do Seminário. ao confronto de posições divergentes. Quando realizamos um seminário de texto de um autor. O professor deve orientar o grupo quanto ao número de questões a serem levantadas para o debate.Pequenos grupos 0 00 00 0 O grupo responsável delimita o tempo destinado a esta atividade. geralmente levantamos poucas questões. • O grupo responsável divide a classe em pequenos grupos. • Para finalizar. Aristóteles. inclusive avaliação. 2.Plenário/Grande grupo O grupo responsável delimita o tempo destinado a esta atividade. encarregados do debate em tomo das questões já levantadas. para podermos aprofundar o estudo. • Os elementos dos grupos responsáveis podem participar das discussões em cada grupo. à crítica. como forma de "provocar" mais discussões. O professor deve supervisionar os trabalhos de cada grupo.3 1° Momento . é permitida a intervenção de qualquer participante. Antio Joaquim SEVERINO sugere outras técnicas. despertando a curiosidade dos participantes. o grupo responsável faz a síntese das discussões e das conclusões do debate. esclarecendo dúvidas. o que leva ao aprofundamento do conteúdo do texto e à aprendizagem. • O grupo responsável procura estimular o debate. SUGESTÃO: a dinâmica que apresentamos a seguir é uma das mais utilizadas nos meios acadêmicos. apontando pontos divergentes. 2. 1Q 1 • O grupo responsável apresenta os principais momentos do texto básico e pergunta à classe se são necessários outros esclarecimentos. • O grupo responsável distribui 1 (uma) (ou mais) questão a cada grupo. conforme os objetivos deste tipo de Seminário. • O relator de cada grupo apresenta uma síntese do que foi discutido em cada grupo. • O DEBATE é o que caracteriza o Seminário como técnica geradora de novas idéias. 3. . para incrementar o debate. pois é o momento que leva à reflexão. por exemplo.através desta dinâmica garante-se a participação efetiva de todos os integrantes e evitase que o Seminário se transforme em "aula expositiva" sem o envolvimento dos demais alunos.c) Apresentação do Seminário de Texto • O professor introduz o assunto do Seminário. mas pode-se organizar o DEBATE a partir de outras dinâmicas. elaborando relatório. Para complemoutação cousultar Metodologia do trabalho cient(fico.

perspectivas diversas para a discussão do tema e pennitindo uma abordagem interdisciplinar. assim.DESENVOLVIMENTO a) Preparação pelo grupo responsável • levantamento dos meios necessários para abordar o tema escolhido.textos complementares .Indicação dos recursos que serão utilizados para apresentação do tema . ETAPA 1 . . que podem inclusive sugerir os temas. . discussão com especialistas. • A dinâmica pode ser a mesma do Seminário de texto. • O grupo responsável justifica a abordagem escolhida e apresenta os recursos que selecionou para o desenvolvimento do Seminário.PLANEJAMENTO a) Planejamento e programação dos temas a serem discutidos • Geralmente feitos pelo professor de comum acordo com os participantes. .painéis com fotos. • O grupo responsável apresenta a dinâmica escolhida e o tempo destinado a cada atividade. • O TEXTO-ROTEIRO deve conter: . SUGESTÃO: recomendamos manter pelo menos a plenária. O importante é garantir um momento para a participação de todos os presentes. depoimentos etc. para que a atividade garanta a aprendizagem para todos os participantes.Se houver um texto que oriente a organização do trabalho.vídeos . para que o grupo não extrapole o tema proposto.depoimentos de especialistas . ou outra.Problematização: levantamento das principais questões que a temática sugere para discussão ) Apresentação do seminário de tema O professor introduz o tema do seminário. deve-se procurar ter no mínimo um texto que possa orientar os trabalhos. nos moldes do seminário de texto .Breve apresentação do tema a ser discutido .filmes . b) Elaboração do TEXTO-ROTEIRO do Seminário • Deve ser preparado e entregue à classe com um mínimo de 3 (três) dias de antecedência. para que todos possam ter idéia do tema que será discutido. ETAPA II. desenhos. inclusive avaliação. apresentar esquema.Indicação de uma bibliografia de apoio para discussão do tema . Dá início ao debate. • Cronograma de apresentação: geralmente elaborado pelo professor em conjunto com os participantes.Esta técnica é também muito utilizada nos meios acadêmicos como fonna de despertar o interesse dos participantes para um determinado assunto abrindo. que depende do tema e dos recursos que o grupo escolheu: filmes. 141 b) Divisão da classe em grupos de estudo • Segue as mesmas orientações do Seminário de texto. ou elaborado pelo professor a partir do cronograma de desenvolvimento do conteúdo prograrnático da disciplina.outros recursos SUGESTÃO: nas séries iniciais. apontando as várias possibilidades de sua abordagem.textos básicos . tendo como referencial o conteúdo programático e os objetivos de cada disciplina. pinturas etc.

1983.. 2' ei. . L.se foi elaborado de forma clara e objetiva .se foram alcançados . o professor procurará detectar possíveis falhas de comunicação e indicar os meios para superá-las.Metodologia cient(fica. grupo responsável. Avalia çõo do seminário Propomos que a avaliação seja realizada pelos três segmentos que participaram da atividade: professor. A. demais participantes (classe).3.se foram parcialmente alcançados . 3' ed. e BERVIAN. M.) . 143 c) Quanto ao texto-roteiro: . A. . assim que se encen-arem as atividades. 1991. CERVO. como mais um elemento para o processo avaliativo do grupo e da classe. P. 144 Bibliografia CARVALHO. (org. quando não há o envolvimento dos participantes. Avaliação do professor a) Quanto aos objetivos: .se não foram alcançados • O professor deverá apontar as falhas que devem ser superadas nos próximos seminários. Campinas: Papirus. ou ainda solicitar aos participantes qu voluntariamente procedam a uma avaliação. b) Quanto à participação: • O professor poderá exigir o relatório de cada grupo. Cecilia M.se foi entregue com tempo hábil aos participantes • Avaliação do grupo responsável Quanto ao desenvolvimento de seu próprio trabalho: • Houve dificuldades para a elaboração do texto-roteiro? • Houve dificuldades para o desenvolvimento da dinâmica proposta? • Houve dificuldades quanto à participação de todos os elementos do grupo? d) Quanto à realização do Seminário: • Houve dificuldades de comunicação com a classe? • Houve dificuldades de participação da classe na dinâmica proposta? • Como o grupo avalia os resultados do seu trabalho em relação aos objetivos propostos? Avaliação dos participantes a) Quanto à preparação do Seminário: • O grupo entregou texto-roteiro em tempo hábil? e O grupo introduziu o tema com clareza? • O grupo elaborou questões pertinentes ao texto/tema discutido? b) Quanto à realização do Seminário: e O grupo selecionou dinâmica adequada? • O grupo delimitou corretamente o tempo para cada atividade? e O grupo alcançou os objetivos propostos? • Como os participantes avaliam os resultados do Seminário? SUGESTÃO: o professor ou o grupo responsável poderão indica um .Construindo o saber. SP: McGraw Hill do Brasil. • Como o aprofundamento da compreensão do texto é realizado através do debate.ou mais participante para uma avaliação d Seminário.

em função dos recursos metodológicos que exige na sua elaboração. 1987. a "síndrome da monografia" . . ou de uma questão mais específica sobre determinado assunto. mimeo. que se utiliza de um método para investigar e analisar estas soluções. devem constituir nossos objetivos. 1985. Leda Miranda (org. por outro lado. de normas e procedimentos metodológicos. propondo alternativas para abordagens teóricas ou práticas nas várias áreas do saber. Professora do Instituto de Filosofia da Puccainp.Caderno de textos e técnicas. a divisão do trabalho em etapas têm sido muitas vezes entendidos como elementos bloqueadores da criatividade dos educandos. Joaquim . dos resumos ou opiniões pessoais. estas síndromes e resistências expressam. em maior ou menor grau. A.Metodologia do trabalho cienr(fico. É com este espfrito que elaboramos esta proposta metodológica para a realização de trabalhos monográficos. exigindo um maior rigor ria coleta e análise dos dados a serem utilizados. a sistematização. o trabalho acadêmico como momento de formação de consciência crítica. que não tem incentivado os educandos à reflexão. Mais do que a "posse" de técnicas. resultando numa "colcha de retalhos" praticamente inútil ao processo de aprendizageni Um certo "modismo" que envolveu a solicitação de pesquisas e esta indefinição em tomo do que seja a pesquisa científica têm freqientemente assustado os educandos . críticas e reflexões feitas pelo educando. SP: Cortez Edit. 147 Na realidade. i' 1 Capítulo V O TRABALHO MONOGRÁFICO COMO INICIAÇÃO À PESQUISA CIENTÍFICA Elisabete Matailo Marchesini de Pádua* Introduçõo Podemos dizer que a pesquisa é uma atividade voltada para a solução de problemas. sem dúvida necessários. Ri: Agir. 12' ed. O trabalho monográfico ultrapassa o nível da simples compilação de textos.HCJHNE. ou mesmo uma forma de resumo. A monografia é o resultado do estudo científico de um tema. SEVERINO.. podendo ainda avançar no campo do conhecimento científico. o procedimento lógico.) Metodologia cientijica . Departamento de Disciplinas Filosó fica Auxiliares. de instrumentos para manipular o real. buscando também algo "novo" no processo do conhecimento Entretanto.e levado a uma postura de resistência quanto à realização de trabalhos acadêmicos que envolvam qualquer tipo de pesquisa.a "síndrome da pesquisa bibliográfica". * Mestre em Filosofia Social. observações. sendo geralmente solicitada nos últimos anos dos cursos de graduação e nos cursos de pós-graduação. 1984. na vida acadêmica. o termo pesquisa tem designado uma ampla variedade de atividades. as falhas estruturais do processo educacional brasileiro. a disciplina intelectual. desde a coleta de dados para a realização de semimirios à realização de pastas-arquivo com recortes de jornais e revistas sobre um assunto escolhido pelo professor. O trabalho monogr4fico A monografia se configura como uma atividade de pesquisa científica. coleta indiscriminada de trechos de vários autores sobre um determinado tema. a iniciação à pesquisa como um espaço privilegiado para o crescimento intelectual do educando. "O trabalho metodológico-científico na Universidade: uma introdução às técnicas". Instituto de Filosofia. Autores Associados. Puccamp. vai sistematizar o resultado das leituras.

1. a pergunta. 2.. Rubem A. mas que estejam condizentes com o estágio de desenvolvimento intelectual do educando. muitas revisões serão efetuadas. bem como o conhecimento de qualquer tipo. elementos indispensáveis a qualquer tipo de pesquisa. 3. cap. filmes. a partir do momento em que delimitamos um tema a ser pesquisado e elaboramos a sua problematização. 2. O Levantamento das hipóteses "A ciência..A elaboração da monografia é um processo de trabalho cuja duração depende do tema e da finalidade a que se destina. para que a motivação para a pesquisa se mantenha até o final do trabalho. que envolve os seguintes passos: 1. 149 Isto quer dizer que. daí a denominação de "projeto provisório de pesquisa".. Elaboração do cronograma de trabalho. rigor científico e reflexão crítica. nesta fase inicial da pesquisa. que muitas vezes vêm auxiliar a definição do problema a ser solucionado. A pergunta inteligente é o começo da conversa com a natureza (ou com a sociedade. a definição da(s) hipótese(s) de trabalho para se alcançar este objetivo. a que se dá o nome de hipótese. Podem ainda dar continuidade às pesquisas iniciadas em outras monografias. pp. A arte da investigaçdo criadora. se inicia quando alguém faz uma pergunta inteligente.. Para complementação vide: Darci DUSILEK. Lembre-se que. 2. e deve-se levar em consideração que. constitui a fase de planejamento da pesquisa. na verdade. Seleção do tema e formulação do problema a ser investigado. A leitura de outras monografias. são recursos que auxiliam a escolha do tema e levam à formulação clara do problema a ser investigado e a suas possíveis soluções. p. que funcionam como um guia para o desenvolvimento do trabalho. introdução à metodologia da pesquisa. ALVES. ETAPA 1 O PROJETO DE PESQUISA A realização de um projeto inicial. sugerimos a divisão deste pmcesso de trabalho em etapas. deve-se selecionar temas que sejam relevantes para a vida acadêmica. 85.). 1 É evidente a inter-relação entre tema-problema-hipótese para solução do problema. Levantamento da(s) hipótese(s) que levem à solução/explicação do problema. especialmente roteiro para delimitação do tema. estabelecendo propostas de atuação em uma área específica ou realizando urna verificação empírica de uma proposta de trabalho que só havia sido elaborada teoricamente. A sele çõo do tema e a formula çõo do problema a ser investigado Quando os temas para pesquisa não constituem uma exigência de determinada disciplina. A problematização do tema pode abrir um leque de subtemas ou questões. 5. ou mesmo para preencher lacunas teóricas que eventualmente ocorreram durante o curso. Definição dos recursos metodológicos que serão utilizados para a realização da pesquisa. já contém a resposta. bem como as suas relações com as teorias existentes. debates. 61-76. provisório. . Levantamento bibliográfico inicial. aprofundando o conhecimento em determinado assunto. a discussão com especialistas da área."2 1. O tema escolhido deve se constituir num desafio. para que se possa realizá-lo com tranqüilidade. Os trabalhos monográficos de conclusão de curso podem ter sua temática voltada para assuntos que direcionem o educando a uma especialização. 5. Filosofia da ciência. que oriente o educando no seu trabalho. 4. estamos dando certo direcionamento para as possíveis soluções.

Este levantamento bibliográfico inicial deve ser discutido com o professor/orientador. Métodos em pesquisa social. Apresentam geralmente resenhas de textos novos.De certa maneira. com a intenção de uma pré-seleção de textos. auxilia tambémna identificação dos pressupostos teóricos que sustentarão a argumentação lógica do trabalho. O levantamento bibliogra'fico inicial A formulação do problema e o levantamento das hipóteses que levariam á sua solução são fatores importantes para o direcionamento da pesquisa bibliográfica inicial. Mas é de grande importância que se organize um fichário de apontamentos. embora este contato seja inicial. Nesta etapa não é necessário que se faça a leitura dos textos ou capítulos. que poderá indicar a necessidade de ampliar ou não a relação dos textos que devem ser utilizados no trabalho. que podem trazer subsídios para a discussão/análise do tema proposto para a pesquisa. Nas revistas especializadas. seu número de registro na biblioteca (caso o livro não seja próprio). complementada com outros recursos metodológicos. porque é seletiva. Nos trabalhos acadêmicos geralmente utilizamos a pesquisa bibliográfica. com o registro (resumo) do conteúdo do texto ou mesmo transcrição dos trechos mais importantes. Os periódicos e as revistas especializadas devem fazer parte desta seleção inicial de textos. e a função da hipótese é fixar a diretriz do projeto. A elabora çõo do cronograma Uma das grandes dificuldades para a realização dos trabalhos acadêmicos é a falta de organização do tempo disponível para a realização das inúmeras tarefas que a vida . que também deve ser anotado. T. feito a partir do sumário. se forutilizado o texto selecionado. Na transcrição. 5. Recursos metodológicos A Definição dos Recursos Metodológicos que serão utilizados na pesquisa também deve ser discutida com o professor/orientador.3 3. as hipóteses devem ser "provadas" quando se inserem num quadro de pesquisa experimental. deve-se dar continuidade às anotações iniciais da ficha de apontamentos. que marca o início do trabalho de coleta dos dados que serão necessários para o desenvolvimento da hipótese de trabalho. dependendo da natureza do tema e dos objetivos da pesquisa. como elemento integrador da reflexão durante o processo de pesquisa. No próprio decorrer da pesquisa podem surgir novos dados que exijam uma ampliação ou revisão desta bibliografia inicial. A maioria dos trabalhos monográficos é realizada através de pesquisa bibliográfica e documental. dependendo da posterior coleta de dados para ser confirmada ou não. 6. HATT. GOODE e P. os artigos geralmente são antecedidos de um resumo (cbstract). cap. e um resumo do seu conteúdo. 74-97. 4. relacionando os que têm mais possibilidade de esclarecer/fundamentar a hipótese de trabalho. 3. com cada ficha contendo os dados bibliográficos completos do texto. na medida em que discutem/comentam em seus artigos as teorias e a prática profissional de cada área. Neste primeiro contato com a bibliografia deve haver a preocupação de consultar o sumário dos livros. No geral. Para complementação vide: W. Este procedimento facilitará a discussão do projeto inIcial com o professor/orientador e a identificação das fontes de pesquisa que realmente interessam ao desenvolvimento do tema escolhido. K. os parágrafos devem constar entre aspas e ter o número da página em que se encontram anotados como citação literal. a hipótese antecipa o resultado da pesquisa.4 Na etapa da coleta de dados propriamente dita. difidilmente encontrada nos cursos de graduação. pp.

7. 3. 4. VII . que levam o educando a adiar a execução das tarefas e muitas vezes acreditar que o trabalho monográfico pode ser realizado num curto período de tempo. 5. Cronograma de atividades para cada etapa da pesquisa. Tema ou assunto especifico da pesquisa. com a busca exaustiva dos dados. 4. 2. Isso tem gerado situações dramáticas. Indicação dos recursos metodológicos que serão utilizados para a Coleta de Dados. observação sistemática. sendo absolutamente necessário que se organize um cronograma de trabalho. enquanto processo lógico e técnico. 3. Todo trabalho de pesquisa requer uma disciplina intelectual. seqüencia]. 7. 151 EXEMPLO DE CRONOGRAMA EÏAPA 11 A COLETA DE DADOS Projeto: Etapa li: Coleta de dados . (Que hipóteses devem ser "provadas"?) 4. 3. recorrendo-se aos tipos de pesquisa mais adequados ao tratamento científico do tema escolhido. estudo de caso. o que por si garantiria uma sistematização da pesquisa e sua qualidade científica. pesquisa experimental. Elaboração do Plano de Assunto Provisório. A coleta de dados pode ser realizada através dos seguintes recursos metodológicos: 1. e redimensionando-o caso a seqüência prevista seja interrompida por algum motivo. 5. itens e subitens com as respectivas titulações. efetivamente conduz a um resultado que pode ser considerado dentro dos parâmetros do "científico' . (Pesquisa bibliográfica? Entrevistas? Relatórios de Estágio? etc. pesquisa bibliográfica. pesquisa documental. pp. Relação das questões que devem ser respondidas pela pesquisa.Os pré-requisitos lógicos do trabalho científico.) 6. 6. Queremos salientar que o método. Metodologia do trabalho cien'(flcc cap. Pode-se dividir o tempo disponível em função das etapas principais de realização da pesquisa e subdividir o cronograma para organizar o trabalho de cada etapa. indicando o tempo provável em que cada etapa será desenvolvida e completada. onde se possa avaliar o estágio do processo de desenvolvimento da pesquisa. O procedimento metodológico na coleta de dados tem sido considerado do ponto de vista do instrumental e das técnicas utilizadas. 139-152.questionário ROTEIRO BÁSICO PARA O PROJETO PROVISÓRIO DA PESQUISA 1. Para complementaçso vide: A. Descrição resumida do que consiste o problema a ser investigado. Indicação do levantamento inicial da bibliografia relacionada ao problema da pesquisa. entrevistas. mostrando a provável estrutura do trabalho de pesquisa: divisão em capítulos. É a etapa que dará início à pesquisa propriamente dita. relatórios de estágio. SEVERJNO. questionários e formulários. discutindo a viabilidade de execução com o professor/orientador da pesquisa. 2.universitária requer. 8.

mas sua característica geral é o controle de variáveis com base no referencial teórico de cada área do conhecimento. complementada com outros recursos como: coleta de dados através de entrevistas. elaborados por institutos especializados e considerados confiáveis para a realização da pesquisa. estabelecendo suas características ou tendências. Nos trabalhos acadêmicos. 1) Denomina-se pesquisa experimental. tem sido largamente utilizada nas Ciências Sociais. artigos de revistas especializadas. dependendo da técnica adotada. pode-se estabelecer novas relações entre os elementos que constituem um detenninado tema/problema. Os termos de laboratório ou pesquisa de campo servem para designar o local onde elas se desenvolvem. Requer que se organize um roteiro inicial para . além das fontes primárias. pesquisa básica. Deve-se levar em consideração que a entrevista pode ter suas limitações. através da identificação e manipulação das variáveis que determinam a relação causa-efeito proposta na hipótese de trabalho. devendo ser utilizada como recurso para despertar no educando o interesse pela pesquisa e pelo desenvolvimento de um espfrito indagador e crítico acerca das múltiplas dimensões da nossa realidade. publicações de órgãos oficiais etc. e se acrescentar algo ao conhecimento existente. Pela sua característica. a pesquisa documental ou uma combinação entre elas e outros recursos metodológicos. Dependendo da natureza do "objeto" a ser pesquisado podemos utilizar a pesquisa experimental. são elementos essenciais a este tipo de pesquisa. formulários. utilizam-se as fontes chamadas secundárias. na investigação histórica. a pesquisa bibliográfica.mas toda a pesquisa envolve pressupostos teóricos. antecedendo a própria pesquisa experimental.'. por si. que "marcará" a pesquisa com a "visão de mundo" do pesquisador. o pesquisador deve estar atento para que suas conclusões não sejam só um resumo do material encontrado. questionários. valorativos e éticos. aquela que se desenvolve na busca das relações entre fatos sociais ou fenômenos físicos. os quais. 3) Pesquisa documental é aquela realizada a partir de documentos considerados cientificamente autênticos (não-fraudados). utilizamos geralmente a pesquisa bibliográfica. com especialistas ou mesmo outros professores do curso.As entrevistas constituem uma técnica alternativa para se coletar dados não-documentados sobre um determinado tema. Mesmo buscando as informações nas fontes citadas. PREVISTO REALIZADO 153 2) A pesquisa bibliográfica é a realizada através da identificação. bem como a quantificação dos resultados. os documentos propriamente ditos. 4) Entrevistas . localização e compilação dos dados escritos em livros. sendo necessária a qualquer trabalho de pesquisa. presta-se à formação acadêmica. como dados estatísticos. os entrevistados podem não dar as informações de modo preciso ou o entrevistador avaliar/julgar/interpretar de forma distorcida as informações. A verificabilidade. utilizando-se os procedimentos no método científico. estudos de caso e observação sistemática. em termos de coleta de dados. a fim de descrever/comparar fatos sociais.. destacando-se a monografia. já determinam a escolha do "objeto" a ser pesquisado e o próprio direcionamento. que devido às suas características não é freqüentemente realizado no nível dos cursos de graduação. pode ser muito importante ainda na etapa de elaboração do projeto como técnica exploratória que auxilia na problematização do tema e na delimitação da hipótese de trabalho. Podem ser utilizadas as seguintes técnicas: A entrevista informal é feita com profissionais da área.

assunto da pesquisa. a fim de que possa ser respondido num curto período. ou estas não residem no local da pesquisa. 5) Questionários eformulários . 1 ÇA Quando o número de pessoas selecionadas para responder ao questionário é muito grande.a distribuição do tempo para cada área ou assunto. Deve-se ter o cuidado de limitar o questionário em sua extensão e finalidade. mas não há uma preocupação com o controle rígido das respostas. Devem ser marcados com antecedência o horário e o local da entrevista.atenção para manter o controle dos objetivos a serem atingidos. numa avaliação global. Pode-se utilizar também a entrevista livre-narrativa. Para maior segurança e fidelidade. . que deve conter indicações sobre: . as entrevistas devem ser gravadas e depois transcritas.como preencher o questionário. para evitar que o entrevistado extrapole o tema proposto. . Isso permite uma flexibilidade quanto à ordem ao propor as questões. é indispensável uma carta de apresentação. sendo as respostas organizadas posteriormente pelo pesquisador. pais seu objetivo éjustamente ampliar as perspectivas de análise de um tema.a formulação de perguntas cujas respostas sejam descritivas e analíticas.nos casos em que for necessário.se há ou não necessidade de identificação pessoal . itens: Na elaboração do roteiro deve-se levar em consideração os seguintes . Já a entrevista formal requer que se organize um roteiro de questões cujas respostas atendam ao objetivo especifico de coletar dados para detenninado 5. . quando se solicita ao entrevistado discorrer sobre o tema pesquisado. mas se requer um mínimo de padronização para que se possa comparar as respostas dos entrevistados e daí extrair os subsídios para a pesquisa. Consulte: Pesquisa Bibliográfica e Documentaçáo. no geral as respostas serão analisadas qualitativamente. devendo ser estabelecido a partir das discussões com o professor/orientador do trabalho.Os questionários são instrumentos de coleta de dados que são preenchidos pelos informantes sem a presença do pesquisador. cap. . .introdução ao tema. com o limite máximo de 30 (trinta) minutos. garantir o anonimato. Na elaboração do questionário é importante determinar quais são as questões mais relevantes a serem propostas. ou ainda entrevista de grupo. para evitar respostas dicotômicas (sim/não).qual a finalidade do estudo. devidamente autorizadas pelos entrevistados. Quando utilizadas para comprovação de dados ou complementação de trabalhos acadêmicos devem figurar como anexos do trabalho de pesquisa. onde pequenos gmpos (aproximadamente cinco pessoas) respondem as questões do roteiro inicial. O roteiro da entrevista é uma lista dos tópicos que o entrevistador deve seguir durante a entrevista. ou ampliar o conhecimento sobre a relação teoria-prática de uma área específica. O número de entrevistas suficiente para cada trabalho vai depender do tipo e da quantidade de informações que se quer coletar e de suas relações com os objetivos do trabalho. originando uma variedade de respostas ou mesmo outras questões. Neste caso. 1 desta parte. Isto quer dizer que o pesquisador deve elaborar o questionário somente a partir do momento em que adquire um conhecimento razoável do tema proposto para a pesquisa. pode-se enviar pelos Correios. relacionando cada item à pesquisa que está sendo feita e à hipótese que se quer demonstrar/provar/verificar.

cultura. a observação espontânea deve ser verificada através da observa çõo sistemática. estado civil. quanto o formulário. das mais simples às mais complexas. para posterior avaliação. faixa salarial etc. tentando buscar uma explicação para a realidade e as relações entre os fenômenos que a compõem. Este envolvimento pessoal faz com que este recurso para coleta de dados apresente muitas dificuldades. filmes. informal ou assistemática. mas fatos que o pesquisador considerar significativos podem ser registrados para análise e possível inclusão. que não deve exceder 30 (trinta) minutos. e proceder a uma cronometragem para verificação do tempo médio gasto em cada aplicação. como local de trabalho. padronizadas. a fim de verificar as dificuldades do aplicador. deve-se fazer um pré-teste. As perguntas devem ser ordenadas.como devolver o questionário preenchido. O número de questionários e formulários é delimitado a partir do tema e dos objetivos da pesquisa. com ou sem a consciência dos observados. Na observação participante cria-se uma situação de proximidade e mesmo envolvimento com o pesquisado ou um grupo. grau de escolaridade. Como nas entrevistas. deve-se pachonizar o cabeçalho dos questionários e formulários. as dificuldades de entendimento das questões. por se constituírem de perguntas fechadas. para ue se elabore então o conhecimento científico daquele aspecto do real que se quer conhecer. de maneira a vivenciar as mesmas situações e problemas. a partir de sua proposta de trabalho e das próprias relações que se estabelecem entre os fatos reais. deve-se recorrer às técnicas de observação quando outros recursos metodológicos não estiverem disponíveis e justifiquem o uso destas técnicas. ]into o questionário. Deve-se também levar em consideração se a "situação" a ser observada será natural. também denominada observa çõo participante..6 . quando o observado interfere e cria situações novas. que deverão conter dados que identifiquem o informante (sexo. Lembramos que os fatos a serem observados devem estar delimitados pelo plano de pesquisa. quando os registros são feitos sem que os observados percebam. para se obter um registro padronizado das observações feitas. queremos dizer que a partir do momento em que o pesquisador se interessa pelo estudo de um dado aspecto da realidade. Formulário é o nome geralmente usado para designar uma coleção de questões que são perguntadas e anotadas por um entrevistador. registramos os fatos observados a partir de nossa experiência. profissão. Este registro pode ser ainda complementado com fotos. porque são mais fáceis de codificar e tabular. slides. "visão de mundo". idade. ou outros dados de interesse para a pesquisa. Na observação sistemática pode-se recorrer ao uso de fonnulários ou questionários previamente elaborados. a observação sistemática é seletiva. são instrumentos de pesquisa mais adequados à quantificação. autorização para publicação (nos casos de monografia de conclusão de curso). data da aplicação). Neste sentido. propiciando comparações com outros dados relacionados ao tema pesquisado. porque o pesquisador vai observar uma parte da realidade.Nosso conhecimento do mundo físico e do mundo social se realiza a partir da observação espontânea. ou idealizada. Para a aplicação do formulário. numa situação "face a face" com o entrevistado. Quando falamos na observação como fonte de dados para a pesquisa. natural ou social. 6) A Observa çõo Sistemática .

permitindo uma retrospectiva do trabalho/terapia já realizado. 157 O Diário de Pesquisa é o registro cotidiano dos acontecimentos observados manifestação de comportamento. Como em outras técnicas em que há intervenção direta do pesquisador. um trabalho monográfico. GOODE e P. risco que aumenta na medida em que o pesquisador se aprofunda no processo ou "conhece bem" a pessoa estudada. Na maioria dos cursos os alunos passam por um estágio de observação. sob a supervisão do professor. seguido de um estágio onde há maior participação. alguns tipos de trabalhos literários. podendo ocorrer um envolvimento emocional indesejável. HATT. no estudo de caso corre-se o risco de distorção dos dados apresentados.O estudo de caso é um meio para se coletar dados.Na vida acadêmica. conversas etc. 6. Constituem um material que deve ser suplementado e comparado com outras fontes ou com outros depoimentos de pessoas ligadas ao pesquisado. Em ambos os casos. biológico ou social. do grupo ou de um dado processo social. Os estudos de caso podem ser feitos através do Diário de Pesquisa ou da História-devida do indivíduo. Como conseqüência. conversas ou entrevistas. As Histórias-de-vida também são documentos íntimos. quer físico. Além de fazer parte do conjunto de dados a serem utilizados para análise fmal. há um afastamento do plano original da pesquisa e os dados coletados passam a ser baseados na "intuição" do pesquisador. K. na medida em que constituem o primeiro contato do educando com sua prática profissional. Deve-se procurar obter informações tão reveladoras e espontâneas quanto possível. 8) Relatórios de Estágio . Biografias e autobiografias também podem ser consideradas como fontes para coleta de dados e aproveitadas em estudos de casos. T. Pode ainda fornecer novos elementos para análise de aspectos que não tinham sido levados em conta ou mesmo para exploração de novos recursos terapêuticos. o diário de pesquisa é importante elemento de orientação do trabalho científico.7) Estudos de Caso . registrados pelo pesquisador ou pelo próprio informante. material expressivo. em função do caráter subjetivo que envolve este tipo de técnica. preservando o caráter unitário do "objeto" a ser estudado. a oportunidade de estar relacionando teoria e prática. em diários.. pp. com mínima influência do pesquisador. Devem também ser anexados aos trabalhos acadêmicos para complementação/comprovação/ilustração dos dados citados no decorrer do trabalho. no caso de vários sujeitos pesquisados. Para compIementaço vide: W. o relatório de estágio deve ser elemento dinâmico para a formação do educando. pode complementar a coleta de dados nos trabalhos acadêmicos ou constituir. O estudo de caso. As observações devem ser criteriosamente anotadas em fichas e arquivadas em pastas em ordem cronológica. cit. mas é urna tentativa de abranger as características mais importantes do tema que se está pesquisando. Deve-se ter sempre em mente que a totalidade de qualquer objeto de estudo. op. sob orientação do professor. é uma construção intelectual. Os documentos obtidos devem ser arquivados em ordem cronológica e separados em pastas individuais. 171-268. O estudo de caso não pode ser considerado um recurso metodológico que realiza a análise do objeto da pesquisa em toda sua unicidade. mudanças decorrentes de medicamentos ministrados. cartas. em si. uma vez que não dispomos de meios concretos para definir precisamente estes limites. como uma análise qualitativa. os relatórios de estágio assumem cada vez mais uma grande importância. tendo o objetivo de transferir um "segmento" da realidade para um .

caso seja necessário. Esta etapa envolve: 1. D. significar o único recurso metodológico disponível nos estudos de caso. 1çz 159 A partir desta organização dos dados. Lógica y relato en irabajo social. . os dados coletados devem ser analisados a partir dos pontos de divergência e dos eventuais pontos de convergência encontrados.pontos de divergência. a fim de que não se utilizem conceitos considerados ultrapassados no nível do conhecimento científico. As informações devem ser classificadas tendo como referência o capítulo ou item do plano provisório de assunto. tratamento estatístico dos dados. ainda. 7. . permitindo ao educando vivenciar o aspecto multidisciplinar de sua atuação e os princípios éticos que devem nortear cada profissão.verifique os materiais ou fontes utilizados. que poderão facilitar a redação posterior do trabalho.verifique as técnicas utilizadas.procure enos lógicos. 2. muitas vezes.verifique o esquema de referência teórica. deve-se elaborar quadros explicativos. igualdades. O educando deve adquirir o hábito de prepará-los com o müimno rigor e arquivá-los em ordem cronológica. .73.regularidades. para serem utilizadas com segurança na redação final do trabalho. . Deve-se também verificar a atualização das informações.contexto de interpretação científica. deve-se iniciar a etapa de classificação e organização das informações coletadas. cujas posturas diferentes não nos permitem agrupá-los. tendo em vista os objetivos do trabalho. . Para esclarecimentos sobre funções especificas dos relatóiios de estágio. estabelecimento das relações existentes entre os dados coletados. No caso de utilizá-los como fonte de dados para o trabalho monográfico.pontos de convergência. 3. classificação e organização das informações. pode-se arquivá-los para uso posterior. os relatórios de estágio podem.tendências. Na coleta de dados para urna pesquisa. vide: Tereza PORZECANSKY. Dusilek sugere o seguinte roteiro auxiliar para interpretação e verificação dos dados coletados: 8 . No caso de alguns dados não serem essenciais à pesquisa. . podemos ter uma visão de conjunto do trabalho. quando desejamos utilizar suas teorias para analisar determinada situação. principalmente nas áreas onde o saber científico está se estruturando. 57. . Neste caso. separados por assunto ou disciplina.verifique os pressupostos. de outras áreas do conhecimento. tendências ou regularidades. Muitas vezes a pesquisa é realizada para que o educando se familiarize com os pressupostos teóricos que orientam a ação em detenninada área. devem constar dos anexos. as informações não-documentadas devem ter suas fontes novamente pesquisadas. seu objetivo é realizar urna análise comparativa entre vários autores. tornando claras estas diferenças. introduz. .verifique os fatos. outros pontos de vista. ETAPA III A ANÁLISE DE DADOS Após o término da coleta de dados. pp. havendo ainda oportunidade de uma complementação. . .

SPIEGEL. DUSILEK. a criatividade do educando vai estabelecer as relações entre os dados coletados. p. com base no plano de assunto do projeto provisório. 108. o tratamento estatístico vai permitir uma análise adequada dos resultados obtidos. introdução. a fim de que se tenha uma visão global do que será o trabalho.verifique o esquema de análise. A representação visual através de tabelas e gráficos facilita a compreensão dos dados. B. desenvolvimento e conclusão. Estatística.. muitas vezes permitindo um avanço na elaboração do conhecimento científico. a estrutura definitiva. apresentar a idéia geral da pesquisa. 9A análise quantitativa deve ser seguida sempre de uma análise qualitativa relacionada aos presssupostos teóricos que orientam a pesquisa (com exceção dos estudos exploratórios. com as subdivisões que se fizerem necessárias: .verifique a inter-relação entre a hipótese. 3. cujo objetivo é só o levantamento de dados). envolver ETAPA IV A ELABORAÇÃO ESCRITA Esta última etapa para a realização do trabalho monográfico vai 1. visa comunicar os resultados da pesquisa. Estatística bdsica para ciências humanas. Estrutura definitiva do projeto de pesquisa: elaboração do plano de assunto. Quando os dados são coletados através de questionários e formulários. A redação final. . 2) mostrar como será desenvolvido o trabalho. a teoria e o esquema de análise proposto. isto é. Esta preocupação com a análise dos dados permite que o trabalho monográfico ultrapasse o nível de simples compilação de textos. em itens e subitens.Conclusõo . 8. adotando urna numeração progressiva até o final do trabalho. FERES. 1986. . SP. 1.A introduçõo Deve ser escrita somente quando o trabalho estiver concluído. delimitar o tema e mostrar a sua importância. Muitas vezes o plano de assunto inicial é modificado em função dos dados coletados ou das discussões com o professor que orienta o trabalho. McGraw-Hill do Brasil. Apisentação gráfica geral do trabalho. . elabora-se. L. a idéia central de cada parte ou capítulo. o plano de assunto a partir do qual será realizada a redação do trabalho monográfico. 2) deve-se iniciar pelos títulos mais importantes do plano e subdividir cada um segundo a lógica e o material disponível. Para iniciação ao tratamento estatístico e orientação básica na elaboração de gráficos. sua divisão em capítuios vai ser efetuada de acordo com a necessidade de desdobramento do assunto. atendendo os seguintes objetivos: 1) anunciar o assumo. Esta divisão servirá de base para a realização do sumiírio. D.O Desenvolvimento Também chamado corpo do trabalho. op.. 1972. cit. A. GATTI e N. A estrutura definitiva do projeto de pesquisa Após a etapa de análise dos dados. definir a metodologia que será utilizada pela pesquisa. 2. vide: Murray R. 9.. Como núcleo fundamental do trabalho deverá conter o seguinte: 1) uma divisão que mostre a estrutura lógica com que o tema foi desenvolvido. O plano é composto de três partes distintas. Alfa-Omega.

Geralmente configura a resposta à hipótese de trabalho anunciada na introdução, quando o pesquisador manifesta seus pontos de vista sobre os resultados da pesquisa, sintetizando os argumentos que o levaram a "provar" suas propostas iniciais. Os trabalhos monográficos de conclusão dos cursos de graduação podem elaborar propostas de atuação para uma determinada área, porque muitas vezes estas pesquisas não são conclusivas, mas sim indicam propostas alternativas, contendo sugestões para continuidade da pesquisa em nível mais elaborado. 160 161 2. A redação final Recomenda-se que seja elaborada uma pré-forma/rascunho/versão preliminar do trabalho de pesquisa, a fim de que se possa ter uma idéia do trabalho como um todo e detectar possíveis incorreções. Em muitos casos, o professor pode fazer uma préavaliação, no sentido de auxiliar na descoberta de falhas na argumentação utilizada na redação, nos recursos ilustrativos, e outros, havendo então a possibilidade de revisão para a versão definitiva. Quanto à linguagem científica, sua característica é informativa, técnica, devendo-se evitar pontos de vista pessoais em expressões como "eu penso", "parece-me", "como todo mundo sabe", que dão margem a interpretações subjetivas. Não há necessidade de urna redação com palavras sofisticadas, mas é importante estar familiarizado com a linguagem específica - jargão - de cada ramo da ciência, para que se empregue a tenninologia con-eta. O uso de parágrafos deve ser dosado na medida necessária para articular o raciocínio; toda vez que se dá um passo a mais no desenvolvimento do raciocínio, muda-se o parágrafo. Salienta-se o caráter impessoal da redação bem como a validade de utilizan-nos expressões como "o presente trabalho", "deduzimos", "nossos argumentos mostraram que", na primeira pessoa do plural. Atenção especial devem merecer as notas de rodapé. Como a maioria dos trabalhos acadêmicos é realizada através de pesquisa bibliográfica, as fontes de informação a que se recorreu para a argumentação e desenvolvimento da pesquisa devem ser indicadas através das citações. A citação literal ou textual é a transcrição de frases ou trechos de um autor, com a finalidade de esclarecer ou conformar uma argumentação. Deve ser colocada no texto entre aspas, seguida de um número de chamada, que remete ao rodapé da página, onde indicamos a fonte de onde procede a citação, registrando o nome do autor, em ordem direta, o título da obra, e o número da página onde poderemos encontrar a frase ou trecho em questão - os outros dados bibliográficos constarão da bibliografia finaL Pode-se ainda recorrer ao uso de citações conceituais, quando comentamos ou resumimos o pensamento do autor. Quando utilizamos longos trechos de um autor para a redação do nosso trabalho, devemos indicar, também em notas de rodapé, que aquele item ou subitem está "baseado em" determinado autor, adotando-se o mesmo procedimento técnico anteriormente citado. 10. Consultartambémas normas para documentação organizadas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), 66 - NB66, RJ, 1978. Os números de chamada das notas de rodapé são contínuos, do início ao fim do trabalho de pesquisa. As notas de rodapé são separadas do texto propriamente dito por um traço que prolonga até 1/3 da página, e deve-se deixar 1 (um) centímetro de espaço tanto

acima como abaixo do traço; pode-se também adotar a prática de colocar as notas ao final do trabalho. Recursos ilustrativos, como gráficos, desenhos, mapas, são considerados figuras e devem ser criteriosamente distribuídos no texto, tendo suas fontes citadas em notas de rodapé. As figuras devem se constituir em recurso de apoio e/ou esclarecimento sobre o texto, o que demanda escolha criteriosa para seu uso. O mesmo procedimento deve ser utilizado quanto às tabelas. As listas de figuras e tabelas devem constar das páginas preliminares. As figuras devem ser numeradas de forma contínua, do início ao fim do trabalho. Os quadros e as tabelas geralmente têm numeração diferenciada das figuras, com algarismos romanos, seguidos dos títulos, que devem ser colocados na parte superior, para imediata identificação do conteúdo. 3. Apresentação grafica geral do trabalho No geral, os trabalhos acadêmicos devem apresentar a seguinte ordem: 1. Capa: nome do autor, ordem direta, centralizado, no alto da página. - título do trabalho, grifado, centralizado, no meio da página. - local e data, centralizados, no nível da margem inferior. - não é numerada. 2. Página de Rosto: nome do autor, ordem direta, centralizado no alto da página. - título do trabalho, grifado, acima do meio da página, centralizado. - abaixo do título, do lado direito, deve constar urna explicação quanto à natureza do trabalho, a instituição a que se destina, sob a orientação de quem foi realizado. Exemplo: Trabalho de Aproveitamento da Disciplina Filosofia da Ciência, do Curso de Filosofia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, sob a orientação do Professor - local e data, centralizados, no nível da margem inferior. - a numeração se inicia na página de rosto, mas não é obrigatório colocar o número no alto da página. 3. Página de aceitação: página onde serão colocadas as observações sobre o trabalho e a avaliação. 162 4. Prefácio: não é obrigatório; pode ser escrito pelo autor ou por um convidado, citando a instituição que promoveu a pesquisa ou agradecimentos pela orientação e patrocínios recebidos. 5. Sumário: indica as partes do trabalho, capítulos, seus títulos, itens e subitens, e as páginas em que se encontram. 6. Páginas Preliminares: listas de tabelas, figuras, abreviaturas, códigos ou simbolos. São páginas numeradas, mas não constam do sumário. 7. Introduçõo 8. Desenvolvimento: corpo do assunto cada capítulo deve começar nova folha e ser numerado progressivamente, em algarismos romanos. Os itens e subitens deverão ser numerados com algarismos arábicos até a terceira subdivisão, quando então podemos usar letras. Exemplo: 1.1.1.1.1.1.1.1.1. a....etc. 9. Conclusõo

10. Bibliografia: a bibliografia final deve ser organizada segundo a ordem alfabética dos autores; quando forem utilizadas várias obras de um mesmo autor, substitui-se o nome do autor por um traço. Exemplo: PRADO JÚNIOR, Caio. Dialética do conhecimento. 6 edição, São Paulo, Editora Brasiliense, 1980, 704 p. ______ O que éfilosofia. 2 edição, São Paulo, Editora Brasiliense, Coleção Primeiros Passos, 1981, 104 p. 11. Anexos: são documentos, nem sempre do próprio autor do trabalho, que têm a finalidade de complementar/ilustrar/comprovar dados citados no decorrer da pesquisa. No caso de vários anexos acompanharem o trabalho de pesquisa, cada anexo deve vir separado de outro por folha que indique seu conteido. Cada anexo tem sua numeração independente de outro; a folha que indica seu conteido tem sua numeração seguindo a seqüência normal do trabalho de pesquisa. 12. Contracapa: folha em branco que encerra o trabalho. Quanto à forma gráfica do texto, deve-se levar em consideração: - Tipo de Papel: tamanho ofício (21,5 x 31,5), datilografado de um só lado em espaço 2 (dois), dando à margem superior e à margem esquerda o espaço de 3 (três) centímetros e à margem inferior e à margem direita o espaço de 2 (dois) centímetros. - O título de cada capítulo do corpo do trabalho deve ser centralizado e colocado a 8 (oito) centímetros da margem superior da folha. - Todo parágrafo deve iniciar-se depois de contados 8 (oito) espaços do início da linha. - A forma gráfica do texto pode sofrer alterações quanto às suas medidas, quando os trabalhos forem editados por computador e/ou forem necessárias alterações nas margens, para encadernação; no entanto, deve-se manter uma forma consistente e uniforme na apresentação gráfica. ETAPAS PARA A REALIZAÇÃO DO TRABALHO MONOGRÁFICO 11. Veja exemplos de apresentação grafica do trabalho no apêndice (Monografia Puccamp, Biblioteca Campus II, Tombo 339, com autorização da autora). ETAPAS ATIVIDADES 1.0 PROJETO DE PESQUISA li - Seleção do tema e formulação do problema a ser pesquisado. 1 .2 - Levantamento da(s) hipótese(s) que leve(m) à solução/explicação do problema. 1.3 - Levantamento bibliográfico inicial. 1.4 - Indicação dos recursos metodológicos que serão utilizados para a coleta de dados. 1.5 - Elaboração do cronograma de atividades. 2. A COLETA DE DADOS 2.1 - Recursos Metodológicos: 2.1.1 - Pesquisa experimental 2.1.2 - Pesquisa bibliográfica 2.1.3 - Pesquisa documental 2.1.4 - Entrevistas 2.1.5 - Questionários e formulários 2.1.6 - Observação sistemática 2.1.7 - Estudo de Caso 2.1.8 - Relatórios de Estágio 3. A ANÁLISE DOS DADOS 3.1 - Classificação e organização das informações coletadas.

1983. 1. 1. a observação participante. 1. Metodologia cient(fica. 437p. 3. modelo e planejamento. A observação documental. elementos de estatística. 252p. C. e BERVIAN. A arte da investigação criadora. 1991. 5.Estabelecimento das relações existentes entre os dados: análise qualitativa e análise quantitativa. Metodologia do conhecimento científico através da ação. rever. comunicações. 1.Tratamento estatístico dos dados. 1. 3. Natureza da atividade de pesquisa. A. amostragem. Edusp. A observação direta. SP: Perspectiva. desenvolvimento e conclusão.A apresentação gráfica geral do trabalho. Redação de Textos Cient(ficos. 1. 4. Reflexões metodológicas. A ELABORAÇÃO ESCRITA 4. 6.1 . R. l84p. A lógica dos procedimentos. Planejamento de pesquisa social. leitura. Campinas: Papirus. 3. métodos de interrogação: preparação do questionário. Comparação e sistematização: métodos comparativos clássico e matemático. Registros pessoais. Observação intensiva: as entrevistas. A pesquisa do material. R. Técnica de estudo pela leitura.. FEITOSA. Elementos metodológicos da pesquisa participante. 3. teoria e método.2 . Técnicas especiais: coleta de dados em pesquisas descritivas. 5. 1983. Como os cientistas devem escrever. Coleta e análise de dados. Pensar. 4. guia de redação para cientistas. Dinâmica do conhecimento científico. RI: Junta de Educação Religiosa e Publicações. Planejamento da pesquisa. BRANDÃO. 3! ed.3. DUSILEK. 2. O significado da pesquisa. 2.A redação final. Ciência política. A pesquisa. Rodrigues (org. 4. ECO. 4. 2.. Darci.. 3. Modelos demonstrativos. 5. engenheiros e estudantes.) Pesquisa participante. A escolha do terna. seminário de estudo. O conhecimento científico. O que é iia tese e para que serve. 3. 3. 2! cd. comentário de texto. RJ: Zahar. 8. Pesquisa-ação. 3. 1. 2. 2. Fases de uma pesquisa. SP: Brasiliense. 4. l55p. M.3 . Os nómeros contribuem para precisão. 6.. 2. 2. L. 7. SP: A. SP: McGraw-Hill do Brasil. DUVERGER. 1. 556p. L.Estrutura definitiva do projeto de pesquisa: elaboração final do plano de assuntointrodução. O cientista no processo de comunicação. Vera Cristina. Teses e hipóteses. 271p. 5. Queiroz.2 . Avaliação do relatório de pesquisa. 4. 1984. Preparo do relatório de uma investigação. Pensamentos postos em palavras. A. Como se faz uma tese. 2. . O método científico. 2l8p. 243p. escrever. 1979.. CERVO. 7! cd. Bibliografia ACROFF. 4! ed. Economia camponesa e pesquisa participante. análise de documentos: métodos clássicos e métodos quantitativos. Os cientistas precisam escrever.0 plano de trabalho e o fechamento.3 . Pesquisar-participar: proposta e projeto. 4. Como transmitir os conhecimentos adquiridos. planejar. As bases da ação. aplicação do questionário. 1986. SP: EPU. P. 4. Falar sobre Ciência. 3. métodos gráficos. 4. A redação. Umberto. Como proceder à investigação. BARRAS. Elaboração e editoração do relatório de pesquisa.

6. 7. Leônidas. 2. introdução à filosofia da ciência. 254p. Dados históricos: Mach. 4. GOODE. 1. A conduta da pesquisa. 1. valores e ciência. 3. A base empírica. Ainostragem. Planejamento. Sociologia e ciência. O trabalho científico. fonnulário. Filosofia da ciência. 3. SP: HerderfEdusp. O experimento. 2! ed. outras técnicas. 4. SP: EPUfEdusp.Preparativos para a comunicação eficaz. 1975. Probabilidade e amostragem. 2. Métodos de investigaçõo sociológica. 4. entrevista. 1973. volume II. A pesquisa bibliografica (emnívelunivenátário). Metodologia cient(fica. 9. Análise e interpretação. 4. teorias. As leis e funções. codificação. Apresentação. Russeil. W. 3. SP: Cultrix. lhurstone. leis e teorias. 5. obras de referência.. hipóteses. 5. Mensuração. Observação e experimentação. Volume 1: 1. LAKATOS. 3aed. Observação. Métodos em pesquisa sociaL 51 cd. 1. 7. Utilidade e condições de aceitação da hipótese. Documentação como fonte de dados. 4. 6. . 2. Análise e apresentação dos resultados. 7.. 2! cd. Determinismo e causalidade. As ciências sociais: observações gerais. Anexos. P. 3.. 6. Filosofia da Ciência. A importância da pesquisa. 6. 4. o papel da estatística. 8. verificação da hipótese. Wittgenstein. 6. O que é uma teoria científica. 4. A. Técnicas de escalonamento. E. Leis naturais. O levantamento de amostras com entrevistas formais. Método científico. A preparação do relatório. Positivismo lógico. Métodos científicos. metodologia e pesquisa. 5. 1976. Nova Sociologia. Hipóteses. Explicações. volume 1. Observação. 3. Lickert. KAPLAN. 3. 8. Contexto da pesquisa. LIYI'ON . Ciência: pura e aplicada. Probabilidade. G. P. M. 4. 1. Elementos básicos do método científico: conceitos. Questionários e entrevistas. A redação do texto. 440p. Revisão crítica. K. Crenças e Ciência. RJ: Zahar. Fatos. Ciência: teoria e fato. 1969. 2O7p. publicação e divulgação. Pessoas como fonte de dados. H. 2. 2. 1975. Teorias. Etapas da investigação cient (fica. 1. 1. 1. e MARCONI. a observação nas ciências do comportamento. questionário. 1975. leis e teorias. 167 MANN. 1979. Escalas de distância social: Bogardus. 2. Etapas básicas da investigação sociológica. SP: McGraw-Hill do Brasil. Pesquisa: conceito. 5. SP: Nacional. Modelos. SP: Atlas. Ciência: natureza e objetivo. 2. e HATT. Ciências Sociais. Volume II: 1. 1. Sidney (org. 4. ______ Técnicas de pesquisa. Medidas: função e estrutura. 23lp. planejamento. 3O8p. Ciência e conhecimento científico. 3. HEGENBERG. Pesquisa bibliográfica. Relações e funções. l99p. A. Variáveis: elementos constitutivos das hipóteses. Como avaliar e organizar a infonuação. Elaboração de dados.). 3. 4. 1982. tabulação. MORGENBESSER. Indicação. 10. Técnicas de pesquisa. SP: EPUfEdusp. 2. 2. Sócio-mútua e sociogramas. 6. 5. Observação e interpretação. 2. Explicações cient (ficas. M. 5. Escolha do tema. 2OSp. 5. A história. 3.. Método científico em sociologia. 488p. Subjetividade. 9. 3. l88p. 1982. 5.0 questionário fechado.. Plano de prova: verificação das hipóteses. SP: Atlas. 1. explicações e valores.

relatório.. 1977. 57-73. Edson de Oliveira (org. 537p. normas. 1982. 6. 235p. Serv. SP: Edusp.. (Mimeo. 1978. Coleta. A realização do seminário. Versão quantitativa. PINTO. D. 1. Métodos e técnicas de pesquisa bibliográfica.. l. planejamento. análise e interpretação dos dados. Os estudos de comunidade. resumo. Investigação das soluções. 6. 3. leitura. 5. escolha do assunto. 2. NOGUEIRA. Leitura. 2! ed. 3. SALOMON. O problema da pesquisa. Alvaro Vieira. A.. 4. Os pré-requisitos lógicos do trabalho científico. 3. 3.). Evolução do conhecimento científico. 6. problemas filosóficos da pesquisa científica. Alegre: Siilina. o pesquisador e a história: impasses metodológicos. P Parte: 1. Leitura. 7. Tereza. Questões teóricas. A documentação como método de estudo pessoal. SEVERINO. composição e modelos de fichas. Métodos e técnicas: observação espontânea e observação sistemática. Problema social e problema de investigação. técnica. 4. A pesquisa como trabalho. diário de pesquisa e outros registros. 8. Vieira. Análise e interpretação. 4! ed. formulação de problemas. 4. Aspectos da explicação em teorias biológicas. 4. Comunicação e conhecimento científico. Introduçffo ao projeto de pesquisa cient (fica. Plano e relatório de pesquisa. 8. NUNES. Pontos de vista: a função das situações sociais. Como fazer uma monografia. Passos formais do estudo científico: escolha do assunto. 5. Associação das técnicas. O processo de pesquisa: problema. P. Realidade objetiva através da entrevista e da observação. SELLTIZ / JAHODA / DEUTSCH / COOK. Tipos de relatórios. Perspectivas externas ao processo de pesquisa. Ciência e existência. 1969. Conceito e estrutura de relatórios científicos. Petrópolis: Vozes. Pesquisa social. Método do trabalho cient(fico. 1. Análises explicativas das soluções. 3. 6! ed. Lógica e dialética. RI: Zahar. Versão qualitativa. A aventura sociológica. 1. PORZECANSKY. coleta de dados. SP: Cortez. 2.5. 3Olp. observação participante. 7. 4. 33lp. 5. Social da Puccarnp). elaboração e relatório de estudos científicos. 1992. Explicação científica. Domingos. 6W7p. improviso e métodos na pesquisa social. análise e interpretação de textos. prática da documentação pessoal. 2! ed. redação e apresentação formal. seu papel e condições de trabalho. Pesquisa: discutiva e experimental.. SP: Nacional. 1. planejamento. introdução às suas técnicas. Oracy. Lógica y relato en trabajo social. 2.. Organização da vida de estudos na Universidade. . 4! ed. Aplicação da pesquisa social. objetividade. O trabalho científico. Impressos bibliográficos: a arte de tomar apontamentos.Filosofia e pesquisa. 3. 1971.0 problema metodológico da pesquisa. SALVADOR. RUDIO. F. 4. 2. Joaquim. 5. paixão. 1. O projeto de pesquisa. A reconstrução histórica de processos políticos e sociais.. 2. l2lp. Reconstrução e análise do passado recente. p. História e conhecimento. 1974. 2.. Métodos de pesquisa nas relações sociais. Ciência-homem-meio. 18! ed. RI: Paz e Terra. Hipóteses. biblioteca e documentação. classificação. técnicas de livros. 1974. BH: Interlivros. 4.0 método do estudo eficiente. Pesquisa e teoria. 3. A observação. elementos de metodologia do trabalho científico. 1971. relatório e informe científico. A. A elaboração da monografia científica e dos trabalhos de pós-graduação. 2. Buenos Aires: Humanistas. 2. V. 6. 6. elaboração da monografia. 1. O ator. 224p. Fac. O pesquisador. 2! Parte: 1.

sob a orientação da professora Lilian Vieira Magalhães.CONTRADIÇÕES NA ATUAÇÃO DA TERAPIA OCUPACIONAL FRENTE A MORTE 23 1.169 1. pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas.-o 1) Exemplo da página de rosto Nome do autor CÉLIA EMÍLIA DE FREITAS ALVES AMARAL MOREIRA Título do trabalho FUNÇÃO E PERSPECTIVAS DA TERAPIA OCUPACIONAL NO TRABALHO COM PACIENTES TERMINAIS Finalidade do trabalho Monografia apresentada como exigência parcial para obtenção do tftulo da graduação em Terapia Ocupacional. UMA QUESTÃO 05 1.Entrevista com a Terapeuta Ocupacional Cláudia Maria Maluf VilIela 39 III . Produtividade 28 4. Viver e Morrer de Forma Compartilhada 28 III . Local e data PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINAS 1994 171 1) Exemplo da capa do trabalho Nome do autor CÉLIA EMILIA DE FREITAS ALVES AMARAL MOREIRA Título do trabalho FUNÇÃO E PERSPECTIVAS DA TERAPIA OCUPACIONAL NO TRABALHO COM PACIENTES TERMINAIS Local e data PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINAS 1994 ANEXOS DO CAPfTULO 170 3) Exemplos de sumário 2 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 04 .Entrevista com o Médico Evaldo Alves D'Assumpção 40 172 .Roteiro de Entrevistas 38 II . Retrospectiva Histórica 23 2. Paciente Terminal 11 2.ATUAÇÃO DA TERAPIA OCUPACIONAL 30 CONCLUSÃO 34 BIBLIOGRAFIA 35 ANEXOS . Vivência da Morte 17 II .MORTE. Atividade Versus Processo de Morte 26 3.

486 p. Formação e rompimento de laços afetivos. devendo. A.. (coord. vol. "Ela requer de cada um a disposição de arriscar-se à dor ao se lançar em um apego significante e de envolvimento afetivo com outra pessoa. 35 p. 173 4) Exemplos de bibliografia BIBLIOGRAFIA 45 ABERASTURY. pretende manter suas relações de poder e consumo. também. Magali R. advém da percepção da finitude do ser. promovendo qualidade ao significado das ações e fatos. p. (coord. Apego e perda. 26. na qual a morte deixa de ser parte integrante da vida. 1985. A.. 1 Nairo de 5. (coord. p. o homem se coisifica. E. entretanto. BRITa. Campinas: Puccamp.) e BESSA. A. Morte e suicídio." 1 A morte se apresentava no passado como algo cotidiano. D'ASSUMPÇÃO. E.. criou-se um tabu em torno dessa questão.07. e do fato de que assumimos o papel de espectadores do morrer. 237 p. regida pelo capitalismo consumista. 135 p. Theodore LIDZ. John. 1984. delegando à morte o espaço de tabu. Este questionamento. São Paulo: Martins Fontes Editora Ltda. pois com a morte este sistema não se mantêm. A partir desta transformação.na sociedade de produção e consumo. A transformação da vivência da morte está ligada a diversos fatores que se baseiam.. BOEMER.. M. BOWLBY." 2 Devido a este sistema relacional capitalista-consumista ter que impedir tais questionamentos. Maria Elisabeth M. hierarquia do poder e coisificação do homem. Rio de Janeiro: Editora Vozes Ltda. O ensino da atividade na formação profissionaldo terapeuta ocupacional. A morte e o morrer. III . 531. Folha de 5. 1986. A pessoa.Perda. a ideologia transmitida dignifica o homem pelo trabalho-produção. mas. impedir o questionamento sobre o materialismo. A sociedade ocidental. VARGAS. aumenta o valor de tais relacionamentos. que promoveria a tomada de consciência do real valor de nossa existência.) D'ASSUMPÇÂO.4) Exemplo de texto com notas de rodapé 32 "A excessiva patriarcalização de nossa cultura elitiza os opostos e trata o pólo da vida como bom e o da morte como ruim. São Paulo: Martins Fontes Editora Ltda. Revista Diálogo. com a sociedade voltada para a produção e o progresso. Arminda. monografia. H. A.. D'ASSUMPÇÃO. PortoAlegre: Editora Artes MêdicasSul Ltda. A compreensão de ser finito direciona nossos objetivos para a especificidade e limitações. São Paulo: Cortez Editora. 165 p. G. atual mente. tornando-a inominável. 1983.86. que possibilita um refletir sobre os objetivos e as relações que almejamos. portanto. deslocar para o hospital sua ocorrência e prolongar a vida o maior tempo possível. 1984. e este pensar acarretaria mudanças no sistema devido a se opor ao acúmulo de capital e relações de exploração.). A percepção da morte na criança e outros escritos. 139 p. 36. Paulo. Tanatologia e o doente terminal. São Paulo: Editores e Produtores Roche Químicos e . sendo necessário negar sua existência. Esquecemo-nos de que uma poIardade só tem sentido diante da outra. 2. 1982.

.(opus citatum) na obra ou autor já citado. .página. Campinas: Puccamp. 1985. ou a mesma obra. . v . em linhas ou páginas adiante. Dilemas e tendências da terapia ocupacional: questão da atividade humana.ilustração (ções). junto a. Ano 10. . pg.(et cetera) e outros.ver o texto original. etc.exemplo (s).(para citações indiretas) segundo... . já referidos em nota imediatamente anterior. p. . . T. . apud cf.. FREITAS..número. . FRANCISCO. organizador. 166 p. cit.acima.sem data. Luís C. 1984. n op. ex. . . 174 . (mimeo.Farmacêuticos 5/A.). n 2.confira. já conferidos em nota imediatamente anterior. supra s. em linhas ou páginas anteriores. São Paulo: Ágora Ltda.(idem) o mesmo autor.(ibidem) mesma obra e mesmo autor.organizado por. ibid. . org. infra n. 175 . 4) Abreviaturas mais utilizadass ap. . 20 p. Berenice R. . 1985.abaixo. id. fig.0.figura. Por que fazer terapia?. .d.

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