MÓDULO I MEDICINA LEGAL 1.

MEDICINA LEGAL - CONCEITO E APLICAÇÃO NO DIREITO A Medicina Legal é uma ciência extremamente diferente de todas as demais porque, enquanto a maioria das ciências apresenta a especialização, a Medicina Legal funciona somando, englobando conhecimentos. Ex.: se for fazer um laudo sobre estupro vai se valer dos conhecimentos de Ginecologia; se for sobre a capacidade vai se valer dos conhecimentos de Psiquiatria. A Medicina Legal é uma síntese das ciências que se somam analiticamente, formando-a. O Direito, em inúmeras passagens, está alicerçado em princípios eminentemente médicos. O simples enunciado “matar alguém” envolve o diagnóstico de que alguém morreu. Na grande maioria das áreas do direito, estão embutidos os conceitos de medicina. 1.1. Conceito Medicina Legal é o conjunto de conhecimentos médicos, jurídicos, psíquicos e biológicos que servem para informar a elaboração e execução de normas que dela necessitam. Utiliza conceitos não apenas para aplicação de leis, mas também para sua elaboração. A Medicina Legal se relaciona com uma série de ciências: sociologia, filosofia, botânica, zoologia e outras ciências, principalmente com o direito em todas as suas áreas. A importância desse estudo é a repercussão da Medicina Legal na vida das pessoas. Tudo o que se fala em Medicina Legal tem uma importância decisiva na vida das pessoas. Outro aspecto da importância da Medicina Legal é que, enquanto a Medicina comum se limita à vida da pessoa, a Medicina Legal não se restringe à pessoa humana enquanto viva: começa na fecundação e não termina nunca; enquanto houver vestígios, pode-se encontrar dados relativos à vida e à morte do indivíduo. O campo de atuação da Medicina Legal é muito amplo, pois transcende a vida do indivíduo, de forma geral e especial. 1.2. Medicina Geral Estuda deontologia e diceologia, que são fundamentalmente os parâmetros de atuação profissional do médico. Deontologia define todos os parâmetros dos deveres profissionais e diceologia define os direitos profissionais. Os crimes que mais crescem em porcentagem são os chamados erros médicos. Diceologia e deontologia fundamentam direitos e deveres profissionais. Os direitos e deveres do médico constam do Código de Ética Médica. 1.3. Medicina Especial Estuda o homem em geral: antropologia, traumatologia, asfixiologia, tanatologia, toxicologia, infortunística, psicologia, psiquiatria, sexologia, criminologia e vitimologia. 1.3.1. Antropologia Estudo do ser humano, da sua forma. Ex.: pela forma do crânio pode-se saber o sexo, a raça do indivíduo; pelo osso fêmur pode-se saber a idade do indivíduo. A antropologia visa identificar restos, fragmentos.
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1.3.2. Traumatologia Estudo dos traumas. Trauma é tudo aquilo que, afetando o corpo humano, o vulnere. Pode ser provocado por agentes mecânicos (atropelamento), físicos (calor, frio, eletricidade), químicos (tóxicos, venenos, ácidos), mistos (bactérias), psíquicos (chantagem, ameaças que afetam a saúde física). 1.3.3. Asfixiologia Todas as hipóteses em que o indivíduo, submetido à uma ação exterior, tem prejudicado a oxigenação dos tecidos. 1.3.4. Sexologia Atentado ao pudor, sedução, infanticídio, estupro, aborto, gravidez e algumas hipóteses de anulação do casamento. 1.3.5. Tanatologia Estudo da morte: se acontecer, quando aconteceu e o que lhe deu causa. 1.3.6. Toxiologia Tóxicos e venenos; estuda os casos de envenenamento. 1.3.7. Infortunística Noções de medicina do trabalho, das doenças profissionais e dos acidentes de trabalho. 1.3.8. Psicologia Valor da confissão, do testemunho, da negativa, para extrair a verdade. 1.3.9. Psiquiatria Patologia médico-forense; entendimento da teoria da imputabilidade. 1.3.10. Criminologia Estudo do crime, do criminoso, da sociedade, da vítima e de todas as condições capazes de explicar como e por que ocorreu o crime. 1.3.11. Vitimologia Estudo da vítima; ninguém é totalmente isento de participação no crime que foi cometido contra ele. Saber como, por que e quando foi cometido o crime contra determinada vítima. 2. PERÍCIAS E PERITOS 2.1. Perícia É o conjunto de procedimentos visando à elaboração de um documento para demanda jurídica. É o conjunto de procedimentos executados para esclarecer fato de interesse legal. Quem faz a perícia são os peritos.

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2.2. Peritos São pessoas qualificadas para fazer as perícias. Podem ser oficiais (peritos criminais e médicos legistas) e não oficiais (peritos nomeados pela autoridade judiciária, que têm a liberdade de aceitar ou não a nomeação.). Em alguns países a atividade pericial está ligada ao Poder Judiciário. O objetivo da perícia é atender às necessidades da comunidade. Elaborado o processo de perícia, surgem os documentos médico-legais. 3. DOCUMENTOS MÉDICO-LEGAIS 3.1. Atestado Médico É o mais simples dos documentos médico-legais. É no atestado que o médico afirma ou nega, sem maiores considerações, um fato médico. Gera também todos os efeitos jurídicos, com efeito legal. O documento não exige na sua definição nenhum esclarecimento maior, basta que o médico afirme que “fulano de tal não pode comparecer”. Não há necessidade de nenhuma outra afirmação. O médico afirma ou nega um fato de natureza médica. 3.2. Laudo Médico É o documento que se elabora após a primeira perícia, descrevendo-a detalhadamente. O laudo deve conter: • identificação: identificação completa da pessoa ou coisa a ser periciada; • histórico: descrição do quê, quando e como aconteceu o fato; • exame externo: é o exame visual, macroscópico; • exame interno: no cadáver é a autópsia; na pessoa viva pode ser biópsia, radiologia, coleta de material etc.; • discussão e conclusão: discute-se o que pode ou não pode ser (ex.: quantos tiros, se houve defesa ou não) Discute-se o aspecto jurídico da lesão e dá-se a conclusão; • respostas aos quesitos: os quesitos podem ser oficiais ou formulados pela autoridade requisitante. Quesitos: • Houve morte? • Qual a sua causa? • Qual o instrumento ou meio que a causou? • Foi empregada asfixia, fogo etc.? Os quesitos podem variar de acordo com o crime. Ex: no crime de sedução, os quesitos serão: • É virgem a paciente? • Era virgem a paciente? As autoridades requisitantes freqüentemente solicitam quesitos extras após o laudo pericial. Ex.: no exame interno é colhido material e o laudo só será completado após o resultado desse exame dado pelo laboratório. 3.3. Auto Médico-Legal O auto médico-legal é feito por legistas após a perícia. O auto médico-legal é semelhante ao laudo, porém, elaborado no decorrer da perícia. Está limitado à exumação de cadáveres. A exumação é a primeira perícia com características peculiares. O perito depende muito de outra pessoa para a realização do seu trabalho. Requisitada a primeira exumação de cadáver, marca-se dia e hora e convoca-se: Delegado de Polícia, escrivão, pessoas interessadas, advogados, médico legista,
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auxiliar de autópsia, atendente de necrotério etc. O auto médico-legal tem a mesma estrutura do laudo médico. A diferença entre o laudo e o auto consiste na época em que é feito. • Laudo: após a perícia. • Auto: durante a perícia 3.4. Parecer Médico-Legal Numa situação de dúvida ou de desencontro de perícia, podem as partes ou o Magistrado se socorrerem de um parecer. É necessário que ele seja elaborado por alguém que tenha certas características aceitas pelas partes, que seja uma pessoa de notável saber, cuja sabedoria seja pertinente ao trabalho a ser realizado. Nenhum Juiz está adstrito a laudo. No cível, um perito é indicado pelo Magistrado. As partes podem contratar assistentes técnicos, indicando-os ao Juiz. Ainda que contratado por uma parte, o assistente técnico está preso às regras, deveres e direitos da função de perito. O Código de Processo Civil dispõe que o perito, o assistente e o Juiz podem realizar a perícia conjuntamente, elaborando um mesmo laudo, caso as partes concordem. No campo penal faz-se necessária a existência de dois peritos. 4. ANTROPOLOGIA MÉDICO-LEGAL Antropologia é o estudo do comportamento, seu aspecto biológico. 4.1. ser humano, suas características, seu

Identidade do Indivíduo É o conjunto de traços e características que diferencia, que individualiza uma pessoa ou coisa. São as características e atributos que tornam a pessoa única. 4.2. Identificação É o conjunto de procedimentos que se faz buscando as características individuais. É o processo, a tecnologia que se adota para se chegar à identidade, permitindo uma comparação prática. 4.3. Praticabilidade Procedimento que seja prático, de baixo custo e fácil. Exemplos: a) Classificação de ossos – Os ossos possuem canais (canais de Havers) por onde passa o sangue. Os canais dos ossos humanos são completamente diferentes de qualquer outro vertebrado. b) A forma do crânio das principais raças (caucasianos, indianos, negróides, orientais) é uma das características da raça. Pelo formato do crânio, pode-se determinar a raça do indivíduo.

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Universalmente. negróide. o rádio localiza-se no exterior do antebraço. o que vale é o sexo físico. indiano e australóide. O judiciário não pode autorizar a mudança de sexo na documentação. 1.1. Grevlich. Posição anatômica é a posição da pessoa voltada para a frente. tem tudo a ver com o sexo físico. b)Raça Há cinco tipos étnicos fundamentais: caucasiano. que é a faixa da imputabilidade. por meio de toda uma avaliação dá-se um laudo sopesando todos os aspectos. no Brasil. Esse processo de calcificação dos osso se encerra com 21 (vinte e um) anos. Na segunda fileira: trapézio. um indivíduo de 20 (vinte) anos e 9 (nove) meses de outro indivíduo de 21 (vinte e um) anos. com os braços voltados para a frente e as pernas ligeiramente afastadas. Na maioria das vezes. na primeira fileira. Pressupõe-se que alguém constatou o sexo do indivíduo.sexo de identificação: é o sexo psíquico. A presença da cromatina indica o sexo feminino. quem tem pênis e escroto é do sexo masculino. . pela radiografia. Legalmente. piramidal. é a sexualidade do indivíduo.sexo da genitália interna: quem tem útero e ovário é do sexo feminino. 16. chegou a um padrão de calcificação para determinar as faixas etárias jurídicas. IDENTIFICAÇÃO A identificação pode ser efetuada quanto: a) Espécie Entre animal e ser humano. sexo do comportamento. . Os ossos do antebraço são o rádio e o úmero. ao radiografar os ossos dos braços das pessoas.sexo pericial: é o sexo de avaliação. Não é possível distinguir uma radiografia de uma pessoa com 25 (vinte e cinco) anos de outra com 35 (trinta e cinco) anos.MÓDULO II MEDICINA LEGAL 1. pois poderia estar incorrendo em uma fraude. . . é possível identificar. Pode-se chegar a essa classificação pela análise dos ossos e dos canais de Havers. semilunar.sexo da genitália externa: quem tem vagina e clitóris é do sexo feminino. grande osso e ganchoso ou unciforme. nas células humanas. porém. A raça é identificada pelo índice cefálico (forma do crânio e ângulo facial). Ex. os que têm testículos são do sexo masculino. . psiforme. quem tem próstata é do sexo masculino. trapezóide. Ossos do punho: escalóide. hoje se aceita a Tabela de Grevlisch para determinar a idade das pessoas. 18 e 21 anos. Sendo essa a posição anatômica. Especialmente a faixa dos 18 anos.sexo gonadal: os indivíduos humanos que têm ovário são do sexo feminino.: sexo masculino: quem tem cromossomo XY. mongólico.sexo jurídico: é o sexo constante nos documentos do indivíduo. c)Sexo O sexo do indivíduo pode ser identificado das seguintes maneiras: . Idade Existem algumas faixas etárias juridicamente importantes: 13. 5 . . de corante que se adere ao corpúsculo cromatino. sexo feminino: quem tem cromossomo XX. É o sexo que o indivíduo projeta no plano da sexualidade. .sexo cromatímico: com a aplicação. sua ausência indica o sexo masculino.sexo cromossomial: avaliação dos cromossomos.

c) sinais profissionais: calosidade de sapateiros. seria necessário dispor de uma ficha dentária fornecida pelo dentista da vítima.). mais ou menos horizontais. Outros Tipos de Identificação Para ajudar numa identificação individual..: se o fêmur mede 48.2. Temos então 32 (trinta e dois) pontos de observação (ossos) para identificar a idade das pessoas. chegou à conclusão que nenhuma pessoa possui as impressões iguais às de outra. influem na identificação do indivíduo. medial e distal. calo nos lábios de sopradores de vidro. estudando as cristas que todo ser humano possui nas polpas digitais (pontas dos dedos). Dedos: indicador. Essa forma de identificação. É por isso que se adota essa parte do corpo para proceder a identificação: pela quantidade de detalhes e variedade de pontos de observação. Ex. b) malformações: lábio leporino. existem pequenas esferas ósseas que ajudam no processo de articulação. 1. Os quatro outros dedos possuem três falanges: proximidal. Altura Existem tabelas para que se possa verificar a altura do indivíduo. que recebem o nome de proximidal e distal. Além disso. formam uma figura chamada delta. na confluência dos três sistemas. polegar. Essas cristas digitais consistem em uma série de linhas. 1.4. é relevante.80 m. Ele será usado quando falhar os métodos mais significativos. Vucetich começou. embora fosse barata. para que tal identificação seja possível. as quais Vucetich denominou de sistema basilar. ausência de delta. d) cicatrizes: traumática (ação de agentes mecânicos. O delta pode aparecer nas pessoas de diferentes maneiras: dois deltas. médio. de músicos de instrumentos de sopro etc. duas falanges. e também que a impressão das cristas em papel (impressão digital) poderia mudar de tamanho conforme a idade do indivíduo. chamados semamóides. manchas etc. No centro da polpa digital existe o sistema nuclear. A identificação pelos dentes. colocação de prótese. anular e mínimo. mas jamais mudaria o desenho. Consiste na superposição de fotos do indivíduo tiradas em vida sobre a foto do esqueleto do crânio. são valiosos os seguintes sinais: a) sinais individuais: verrugas. 1.. então. dentes manchados de fumo etc. A tabela pode ser aplicada sobre vários ossos: fêmur. Vucetich verificou que certas pessoas. químicos. queimaduras). só do lado interno ou só do lado externo. desvio de coluna.Os ossos da mão são cinco e chamam-se metacarpianos.3. consolidação viciosa de uma fratura etc. Deve-se levar em conta. também.6 cm. Porém.. o indivíduo vivo tinha 1. 6 . as alterações adquiridas pelos agentes mecânicos. tíbia etc. Uma cárie com restauração de determinado material. esbarrava na dificuldade de se encontrar determinada impressão num arquivo imenso. a classificar as impressões por grupos. patológicas (vacinas) ou cirúrgicas. Identificação Jurídica Jean de Vucetich. O polegar tem dois ossos. A identificação por fotografia não é um método de grande segurança. Grande parte dos indivíduos possuem também o sistema marginal. físicos e biológicos (desgastes dos dentes. no morto.

A figura de 2 (dois) deltas é chamada de verticilo (V). impacto. (Energia = Massa x Velocidade). A2421 ficam arquivados em conjunto. secionando-as. dessa maneira. a identificação. As pessoas que não têm o delta. Vucetich resolveu colher a impressão dos dez dedos das mãos. raramente. biológica e mista. afastando as fibras do tecido e. química. TRAUMATOLOGIA MÉDICO LEGAL A traumatologia estuda as formas de vulneração do corpo humano. isto é.1. A energia pode atuar de várias maneiras: explosão. Energia Mecânica É a energia cinética. facilitando. Ex.: contundentes. 2. O trauma produzido por energia pode ser físico ou psíquico. que atuam num plano ou superfície – ex. O sistema de letras fica restrito aos polegares. chamou-se de arco (A). tração etc. que atuam numa linha – ex. o que variou foi a velocidade. A energia vulnerante é classificada em: mecânica. Para seu estudo. As que têm só do lado interno. O que determina a intensidade do trauma é o resultado M x V (massa x velocidade). Porém. já produzem energia suficiente para provocar um trauma. Atuam por pressão. por meio de impressões dos desenhos formados pelas cristas papilares. os demais dedos recebem a numeração seguinte: V (verticilo) = 4 E (presilha externa) = 3 I (presilha interna) = 2 A (arco) = 1 Todos os indivíduos de uma população a ser identificada que tiverem a forma A4214. finos e pontiagudos. se encontrados 12 (doze) pontos de coincidência. física. A esse sistema de identificação dá-se o nome de sistema decadactilar 10 (dez) dedos.: se colocar suavemente um tijolo sobre a cabeça de alguém. A ciência que se propõe a identificar as pessoas fisicamente. chamou-se de presilha externa (E).: cortantes. Existem alguns objetos cuja massa. pode provocar um corte ou até mesmo uma fratura de crânio. Ex.: um cofre de 3. recebe o nome de datiloscopia.000 Kg sobre a cabeça de alguém. que atua sobre um corpo (E = M x V). O que varia é a velocidade. por si só. Basicamente tudo aquilo que ofende a saúde é um trauma.: ao examinar determinada impressão.: perfurantes. Existem três grupos de instrumentos: que atuam num único ponto – ex. presilha interna (I). As feridas produzidas por esse tipo de 7 . 2. O tijolo (massa) é o mesmo. As cristas não são lineares e formam inúmeros desenhos. se o tijolo for atirado com força. As pessoas que têm o delta só do lado externo. pode-se identificar certamente o indivíduo. o mesmo não produzirá nenhum trauma. Perfurantes São instrumentos punctórios. Ex.

É errado falar “ferida cortante”: o instrumento é cortante. escada etc. quando então desaparecem. mais do que por sua forma. bisturi etc. prego. São as famosas manchas roxas provocadas por ruptura de vasos capilares. Feridas produzidas pelos instrumentos Com freqüência. Ferida contusa Produzida quando o instrumento age com muita violência que é capaz de rasgar os tecidos. Enquanto existir. somente uma mancha vermelha transitória que não deixa vestígios. soco. perto da superfície da pele. produzindo uma dilatação dos vasos sangüíneos. A escoriação é produzida quando o instrumento tangencia e produz um ralamento na epiderme. Contundentes São instrumentos que agem por pressão. Exemplo de instrumentos contundentes: martelo. A lesão típica provocada por objeto contundente tem vários estágios. Não há sangramento e não deixa seqüelas. Exemplo de objetos perfurantes: agulha. O instrumento típico corto-contundente é o machado. produzindo o afastamento de tecidos.instrumento recebem o nome de punctória ou puntiforme. Existe também uma combinação de instrumento que corta e que contunde: instrumento corto-contundente. recebe o nome de equimose. Não há sangramento. produzem lesões.: tapa.: instrumento perfuro-cortante. a ferida é incisa. mas pequena infiltração de sangue entre as malhas do tecido. Cortantes São instrumentos que agem por um gume mais ou menos afiado. deslizamento.1. torção etc. os instrumentos misturam as seqüências da lesão. Alguns penalistas não aceitam o eritema como lesão corporal. Hematoma Ocorre quando o instrumento contundente. veículo. dependendo da força ou do objeto. Ex. provoca ruptura de vasos importantes.1. compasso etc. quando o instrumento bate mais pesado e chega a romper um vaso. balaustre. produzido por uma faca de ponta. A ferida causada por esse tipo de instrumento chama-se incisa. formando uma lesão aberta. Não há lesão anatômica. É provocada por impacto de baixa densidade. por mecanismo de deslizamento sobre os tecidos. atuando no tecido corporal. As manchas seguem uma evolução padronizada: mudam de cor até o décimo quinto dia. retrata com fidelidade o instrumento que a causou. Os instrumentos são como uma superfície plana que atua sobre o corpo humano. Ex. • Espécies de lesões contundentes Eritema ou rubefação É a primeira lesão provocada por objeto contundente e a mais simples. 2. que são vasos pouco expressivos. Ex. provocando vazamento de sangue. Equimose Se a lesão foi provocada com tal intensidade que chegou a romper alguns vasos sangüíneos. Exemplo de objetos cortantes: faca. deixando a derme a descoberto. Existem instrumentos que por sua velocidade. picador de gelo. 8 . que atua perfurando e contundindo.: instrumento perfuro-contundente (projétil de arma de fogo). Escoriação É a lesão superficial de atrito (ralada) que rompe a epiderme.

3. 9 . 2.ª Lei: as feridas punctórias provocam.ª Lei: feridas punctórias numa mesma região de linhas de tensão ou linhas de Languer. A lesão típica produzida pelo instrumento corto-contundente. A importância desses instrumentos perfurantes na Medicina Legal localiza-se no fato de serem esses instrumentos inoculares de infecção. porém apresentam características de corte. escoriação. cuja ferida. em razão disso. a forma de casa de botão ou botoeira. perfuro-contundente e corto-contundente). ou sinal de Lacassagne. A lesão produzida pelo instrumento perfuro-contundente denomina-se perfuroconcisa. embora aparentemente pequenas. equimose. surgem três leis a respeito das feridas punctórias: 1. têm todas o mesmo sentido. em virtude de ser comprimida. como a casa de um botão. quando retirado o instrumento. forma triangular. são profundas. apresenta uma extensão maior do que o instrumento que a produziu. As feridas na zona de confluência das linhas de força tomam a forma de triângulo. A ferida produzida pelo instrumento perfuro-cortante é denominada perfuroincisa. Esses instrumentos também têm uma propriedade do sinal do acordeão.ª Lei: diz respeito às feridas que acontecem coincidentemente numa mesma região de linhas de tensão. então. 3 (três) instrumentos básicos (perfurantes. pois as feridas produzidas. ou seja. denomina-se cortocontusa. ferida contusa Instrumentos combinados Instrumento Perfuro-contundente Perfuro-cortante Corto-contundente Característica Perfura e contunde Perfura e corta Corta e contunde Lesão Perfuro-concisa Perfuro-incisa Corto-contusa a) Feridas punctórias (produzidas por instrumentos perfurantes) Feridas punctórias são feridas produzidas por instrumentos perfurantes. cortantes e contundentes) e 3 (três) formas combinadas (perfuro-cortante.Temos. hematoma. e diz respeito à forma que a lesão vai apresentar. Instrumentos básicos Instrumento Perfurante Cortante Contundente Característica Perfura Corta Contunde Ferida Punctória Incisa Eritema.

Só é escoriação a abrasão que se verifica na epiderme por atrito tangencial ou instrumento contundente. pois não tem uma base anatômica e dura pouco tempo (em média. porque reproduz o instrumento que a produziu. os instrumentos contundentes podem provocar hematomas de extrema gravidade.afastamento das bordas da ferida. Essa ruptura intra-baço. vai haver um degrau. lixamento da pele. nos impactos. nos primeiros momentos. porque foi feita sobre a lesão anterior. 15 minutos). Podem provocar uma onda de choque que pode levar a uma lesão dentro do fígado ou do baço. . 3. pois a primeira foi feita sobre a pele íntegra e. . O sangue fica dentro da cápsula que envolve o baço. degolamento: ferida incisa no plano posterior do pescoço (nuca).predominância do comprimento sobre a profundidade. Escoriação: Abrasão. Hematomas: São provocados por objetos contundentes.hemorragia abundante. 10 . quando existem duas lesões cruzadas. ocorre a hemorragia e o indivíduo entra em choque. pegando a segunda camada da pele. Caracteriza-se por uma vermelhidão no local atingido.o centro da ferida é mais profundo que as extremidades. . é possível determinar qual a primeira e qual a segunda. em razão da retratilidade da pele. Feridas produzidas por instrumento contundente Rubefação ou eritema: No período em que é visível. se o corpo é vivo. não se trata de escoriação. . Na escoriação há uma reconstrução integral da pele. Outra situação extremamente grave são alguns traumatismos no crânio. . Há uma forte corrente dizendo que a rubefação não possui os requisitos de uma lesão corporal.ausência de vestígios traumáticos em torno da ferida. Independentemente dos hematomas superficiais.regularidade das bordas (pois não foi rasgada). .as vertentes (encostas) da lesão são emparedadas (regulares) e serão verticais se o instrumento agiu perpendicularmente. não produzem graves sintomas e podem passar desapercebidos num exame clínico. . quando a cápsula se rompe.cauda de escoriação voltada para o lado em que terminou a ação do instrumento. Se houver cicatriz. Nas feridas incisas. Outra característica da equimose é que. 2. Quando a abrasão se estende em profundidade. esgorjamento: ferida incisa na região anterior do pescoço. Consistem no extravasamento dos vasos sangüíneos. A seqüência das cores da equimose permite estabelecer um diagnóstico cronológico da mesma. Equimose: Manchas roxas. na segunda. A esse “degrau” dá-se o nome de Sinal de Chavigny: angulação que se verifica na segunda ferida. trata-se de uma perda de substância e não de escoriação. Algumas feridas incisas têm nome próprio: 1. e em forma de bizel se o instrumento agiu inclinadamente (oblíquo). na hipótese de duas feridas se entrecortarem. O sangue forma uma bolsa que caracteriza o hematoma. decapitação: ferida incisa secionando todo o pescoço (guilhotina). Não existe cicatriz de escoriação. tem uma grande importância.a extensão da ferida é quase sempre menor do que aquela que realmente foi produzida. Chama-se hematoma em dois tempos e é mais comum no baço e no fígado. em virtude da elasticidade dos tecidos.b) Feridas incisas (produzidas por instrumentos cortantes) Características das feridas incisas: . . costumam haver equimoses exatamente na forma do objeto que as produziu. .regularidade do fundo da lesão.

.são mais profundas do que compridas. Provocam o chicote cervical que provoca luxação cervical ou fratura com morte imediata. Hoje existem três tipos de cinto: . Ex: quedas a cavaleiro. . por suas características. Aí recebe o nome de ferida contusa. luxações na coxa com relação ao quadril. prensando partes moles entre o instrumento e o osso.entre uma lateral e outra pode haver ponte de tecido íntegro.Ainda que não haja uma fratura ou ferida externa. pode ocorrer a ruptura de um pequeno vaso na parte externa do cérebro.: martelada na cabeça provoca uma lesão característica que recebe o nome de ferida de Strassmann. Existem órgãos que. . 11 . Esses são os itens que permitem diferenciar uma ferida contusa de uma ferida incisa. Lesões produzidas por cinto de segurança Quando a colisão ultrapassa em energia a capacidade do cinto. . como o fígado e o baço. por pressão e por seção. As contusões podem provocar também ruptura de órgãos internos.bordas irregulares. . . levando o indivíduo ao coma. que penetra na região perianal. Se o órgão é comprimido por aumento de pressão interna. Coloca-se uma haste e o indivíduo é descido pela haste.transverso toráxico: costumam provocar uma violenta projeção do pescoço e da cabeça. MÓDULO III MEDICINA LEGAL 1. Suas características são: . Agem.traumas nas proximidades das bordas. diagonal e pélvico.1. são mais sujeitos à ruptura.: soco no supercílio. LESÕES COMBINADAS 1. portanto. Ex. que vai gotejando sangue e descolando a membrana que se expande até comprimir violentamente o cérebro. pode ser que a lesão se abra. ele se rompe no ápice da curvatura.cinto de três pontos: toráxico. Outra característica da pancada com martelo é o sinal de Carrara (pequenos círculos na região afetada). d) Feridas contusas: É uma espécie de contusão. Ex. ele passa a funcionar como instrumento contundente. . É um hematoma extradural em dois tempos que leva à uma compressão do cérebro. Era uma prática utilizada como pena de morte. Empalamento O indivíduo é amarrado e suspenso. As contusões podem provocar ainda algumas lesões típicas. Feridas Perfuroincisas Essas feridas são provocadas por instrumentos de ponta e gume. atuando por um mecanismo misto: penetram perfurando com a ponta e cortam com a borda afiada os planos superficiais e profundos do corpo da vítima. Na medida em que se aumenta a pressão interna do órgão.vertentes e fundo irregulares.sangram menos. quedas no campo da construção civil. Acidentalmente podem ocorrer empalações. por compressão. ele se rompe.pélvico: provoca lesão na bacia. Quando o impacto é maior e há um anteparo ósseo.

o tecido se rasga e. Regiões de defesa: braço.projétil único: revólver. que recebe o nome de bucha. encravado no cartucho. Impactada pela espoleta. ocorre a explosão do cartucho. são caracterizadas como instrumentos perfurocontudente. podem estar representados por meios semelhantes. imprimindo-lhe uma velocidade em torno de 600 a 800 km/h.1. Uma parte da pólvora não se queima. aquecidos. 1. o calibre é dado pelo peso. num ataque com faca.2. . revólveres. O cartucho é composto. Isso nos projéteis chamados de baixa energia. Existem outros instrumentos que produzem esse tipo de ferida. como a ponta de um guarda-chuva. que. fumaça e eventuais sujeiras.longas: rifles. Dentro desse cilindro há a espoleta. mas não de uso tão freqüentes como as armas de fogo que.mecânica: revólver. Quando o projétil desentuba. 1. como graxa. . conclui-se que não houve surpresa. sendo lançada a uma distância de até 15cm. correspondem a uma libra. já se convencionou no Tribunal do Júri que não existe o ataque de surpresa. antebraço. a pólvora é incendiada. sob a forma de grãos. de acordo com as lesões provocadas nas regiões de defesa. Finalmente.1. Esse combustível é tamponado por papel. no entanto. produz uma pequena chama. Na maioria das vezes. de pólvora (enxofre+carvão+salitre). impregnada por mercúrio. pois as lesões comprovam a defesa e. . no trajeto. ainda. que é o projétil.curtas: pistolas. papelão ou tecido. De uma maneira geral. Ex. rifle. . fuzis e cartucheiras. Atingem a ferida tudo o que estava no caminho do 12 . somadas. esses instrumentos são mais perfurantes do que contundentes. há uma peça de metal. mão e dorso da mão.projétil múltiplo: garrucha e cartucheira. pelo atrito.1. o que aumenta a pressão do compartimento e desentuba o projétil.automáticas: metralhadoras. são capazes de saturar 800 cm³. Esses ferimentos são produzidos quase sempre por projéteis de arma de fogo. que é um instrumento característico da ferida perfurocontusa.semi-automática: pistolas. Junto com o projétil são lançados também restos da bucha. Feridas Perfurocontusas Essas lesões são produzidas por um mecanismo de ação que perfura e contunde. A arma de fogo é o aparelho que coloca em ação o cartucho. no fundo. Armas de fogo Acionam cartuchos com projétil. há a incisão. metralhadora. desqualificando o homicídio. Nas armas de projétil múltiplo.: calibre 12 – o cartucho dessa arma contém doze esferas de chumbo que. As armas podem ser classificadas em: . A queima de uma carga padrão (calibre 38) gera gases que. portanto. labareda. . o cartucho é composto de um cilindro com uma extremidade fechada e outra aberta.1. Calibre é o diâmetro medido na saída do cano. Essa medida é o que dá o calibre em milímetros ou em centésimos de polegada. Faca de ponta Na ponta da lesão há a perfuração. Para alguns doutrinadores.2. .

então. A raia produz uma rotação do projetil a alta velocidade. O projétil.auréola equimótica. podendo ser revestido de níquel. sujeiras etc. metal ou papelão. O projeto é. Chegam também à ferida os detritos da bucha. A característica da zona de esfumaçamento é que pode ser facilmente retirada com uma simples limpeza no local.a borda está voltada para dentro. o projétil provoca na pele uma escoriação. A pólvora que chega junto com o projétil e que se aloja na pele. de projétil único. O interior do cano das armas curtas. . As raias podem ser: .projétil (tecido da roupa. 13 .espoleta: fulminato de mercúrio ou fosfato de bário. a partir do exame da ferida. . . coisas que estão interpostas entre o cano e a pele do indivíduo). não é liso. perfurando a pele.bucha: disco de feltro. determinar a qual distância foi dado o tiro. que se chama zona de enxugo. . além de contundir e perfurar. . .2. Onde o projétil perfurar. rompe pequenos vasos. haverá uma zona de escoriação. A usinagem do cano possui cristas que recebem o nome de raia. Quanto maior a base do cone.Sinistrogiras: imprimem uma rotação no sentido anti-horário. plástico ou papel prensado. O projétil se “enxuga” e chega limpo ao destino. . A zona de Fisch alongada aponta na direção de onde veio o projétil. o que propicia um alcance maior e uma direção mais precisa. Se traçarmos uma linha da zona de esfumaçamento. Devido à rotação. composto de: . São características do furo de entrada nos tiros à queima-roupa: .presença de orla de escoriações (zona de Fisch). devido à elasticidade da pele. . e forma ovalar se o disparo for tangencial. provocando uma zona de queimadura. a fumaça: zona de esfumaçamento (é a mais periférica de todas). Nos orifícios ovais.pólvora: carvão pulverizado. maior a distância entre a arma e o alvo. queimará a pele. produz a zona de tatuagem.). . Por fora dessa zona. 1. Essa área chama-se área de enxugo.projétil: de chumbo.zona de esfumaçamento periférico.2. formando a zona equimótica. teremos a figura geométrica de um cone.forma circular se o disparo for perpendicular à pele. Nessa zona de enxugo serão encontrados tudo o que o projétil leva pelo caminho (tecido.zona de tatuagem.Destrogiras: imprimem um movimento no sentido horário. O projétil é instrumento perfurocontundente. . . É possível..zona de enxugo. botão etc. o projétil. enxofre e salitre. Essa zona recebe o nome de zona de Fisch. que são retidos pela pele. a maior extensão da zona de Fisch indica a direção do projétil.cartucho: estojo de latão. Tiros à queima-roupa Se o alvo estiver colocado a 10 cm da arma.menor que o diâmetro do projétil. .

devido à ação resultante dos gases que deslocam e dilaceram o tecido (sinal de Hoffmann). denteada e com entalhes. . pois os elementos da carga penetram pelo orifício da bala. . o projétil pode mudar de trajeto dentro do corpo. . 1.a orla de escoriações tem aspecto concêntrico nos orifícios arredondados e em crescente ou meia lua nos orifícios ovalares. pois o projétil pode levar tecidos. pela simples razão que em momento algum o projétil tocou a superfície da pele na saída. . .pode haver zona de enxugo. a zona atingida fica estufada e crepita (sinal de crepitação).forma arredondada ou ovalar.a borda é ligeiramente queimada pelo calor do projétil. . . os orifícios de entrada são menores que o diâmetro do projétil.quando o tiro é dado em perpendicular. não há zona de tatuagem e esfumaçamento.nunca tem zona de Fisch. . o sinal de Werkgaertner aparece pela metade. . pode se 14 .a forma do orifício é irregular. Essa impressão recebe o nome de sinal de Werkgaertner. o diâmetro da ferida é menor que o projétil. desenhando a boca do cano na pele (sinal de Werkgaertner). No ser humano vivo. São características das feridas produzidas por tiro encostado: . ele a vulnerou de dentro para fora.zona de queimadura . . fica tudo sob a pele.marca quente.o orifício de saída é maior que o de entrada.presença da auréola equimótica (ruptura de pequenos vasos localizados na vizinhança do ferimento).a forma é de ferida estrelada (rasgada com as bordas voltadas para fora). Acontece uma explosão interna: gases. a linha reta que une o orifício de entrada e o orifício de saída representa o trajeto do projétil dentro do corpo. Após o disparo.orifício de diâmetro menor que o projétil. Essa ferida recebe o nome de zona de Hoffman. em forma de meia lua. as bordas da ferida estão voltadas para dentro. Tiros à distância São características do orifício de entrada: .em geral.zona de compressão de gases. 1. Nos três tipos de disparos.bordas para dentro. Isso gera uma figura diferente. São características de saída do projétil das feridas produzidas por arma de fogo: .2. Existe uma outra hipótese.4. fumaça. . Esse sinal só vale para os primeiros momentos após o disparo. De maneira geral. dependendo do disparo.. nem qualquer outra lesão de pele. fragmentos de osso etc. quando o revólver não está totalmente encostado à pele. por causa da elasticidade da pele.3. Em várias ocasiões. se for perpendicular ou oblíquo em relação à vítima. A área fica meio abaulada. O disparo encostado produz a impressão do cano quente na pele. não há espaço entre o cano e a pele. vista apenas nos primeiros instantes. pólvora.2. Tiros encostados Quando o orifício do cano está encostado à pele.

o projétil passa pelo couro cabeludo e não penetra na cabeça. porém a pele descasca. Dura algumas horas e depois cessam os efeitos. A localização do projétil de arma de fogo dentro do corpo humano é extremamente difícil sem o auxílio do raio X. extravasamento de sangue pelas vias respiratórias. onde o orifício de entrada é menor que o de saída. provocando o congelamento do local e levando à necrose dos tecidos moles por falta de circulação. A bala faz o trajeto entre o couro cabeludo e o tecido que envolve o crânio. delírios. resfriam rapidamente e demoram mais para entrar em putrefação. Um grande segmento do corpo gangrena e vai à necrose. Terceiro grau Quando a ação do frio é muito intensa. sonolência. ENERGIA DE ORDEM FÍSICA Vários são os agentes físicos: som. conforme o grau de impacto. há mecanismos termoreguladores que mantêm a temperatura estável em aproximadamente 36 graus centígrados. Segundo grau Ação mais intensa do frio. Chama-se de trincheira. O frio pode atuar diretamente sobre o corpo. frio. mudar de ângulo.1. Quarto grau Quando o indivíduo permanece com os membros em contato direto com o frio. às vezes. Algumas vezes. perturbações dos movimentos. congestão ou isquemia das vísceras. na entrada. O frio sistêmico faz diminuir as funções circulatórias e cerebrais. pelo fato de o projétil mudar o seu trajeto dentro do corpo. forma um cone que recebe o nome de sinal de Bonnet. radioatividade etc. podendo advir a morte. Podem ocorrer geladuras localizadas de vários tipos: Primeiro grau Área superficial pálida (ou rubefação). e sob o couro existe um tecido mole.1. nas indústrias com câmaras frias etc. 1. Tem o formato de um funil e. Calor O calor pode atuar de duas formas: 15 . anestesias. convulsões. Os cadáveres têm pele clara. 1. pode ocorrer um fenômeno: O couro cabeludo é móvel.fragmentar e pode. calor. que provoca a destruição da epiderme.1. dando-se o nome de bala giratória. Causam deformidades permanentes. Formam-se úlceras e. Para tanto. o diâmetro menor aponta a direção do projétil. também. Na cabeça. Hoje ocorre no alpinismo. MÓDULO IV MEDICINA LEGAL 1. são necessários enxertos. Quando o projétil entra. Frio Os seres humanos são homeotérmicos (temperatura constante) e resistem a uma variação de temperatura pequena (abaixo de 42 graus centígrados e acima de 32 graus centígrados de seu próprio corpo). inchada e de aspecto anserino na pele. com formação de bolhas de sangue que estouram e cicatrizam.1. A ação do frio leva a alterações do sistema nervoso. luz. Ações Físicas da Temperatura 1.2.

levando à morte. 1. com cicatrizes chamadas sinéquias. Em Medicina Legal. queimaduras de qualquer grau que atinjam mais de 40% da superfície do corpo determinarão a morte do indivíduo.1. A queimadura de terceiro grau incide até no plano muscular. lugares mal arejados.Calor difuso Calor sistêmico. produzindo manchas (ex. Os materiais em combustão são instrumentos para essa ação. dolorida. Corpos de adultos carbonizados chegam à estatura de 100 a 120 cm. Assim. sendo necessário o enxerto. As bolhas (sinal de Chambert) podem infeccionar.4. retirada. o sangue dos pulmões e coração possui alta taxa de óxido de carbono. líquidos ou metais aquecidos. Terceiro grau São as queimaduras produzidas. Dependendo da área afetada. devido à retração dos músculos. tendo como conseqüência as temonoses: . 1.3. que podem ser causadas por chamas. resulta em úlcera. A explosão de gases causa o rompimento da cavidade abdominal e do crânio. só fica na posição de “boxer” se foi carbonizado enquanto vivo ou logo após a morte por qualquer outra causa. pode haver abalos no mecanismo.: queimadura por raios solares). Identificação do morto: é feita por meio da ausência de órgãos. ambiente confinado. A carbonização total é rara e difícil de ser produzida. a pele apresenta-se inchada e quente. Quarto grau É a carbonização do plano ósseo.: queimadura em decorrência de gases. A pele fica retrátil. disposição dos dentes. Segundo grau A superfície apresenta vesículas com líquido amarelado (sais e proteínas). convulsão e morte. .). Temperaturas oscilantes Oscilações bruscas de temperatura podem diminuir a resistência.intermação: exposição a outras fontes de calor. 16 . Importância médico-legal das queimaduras A observação das queimaduras propicia saber se o indivíduo já estava morto ou não no momento da carbonização. desidratação. A epiderme descasca após 3 ou 4 dias (ex. A carbonização generalizada reduz o volume do corpo por condensação dos tecidos. a imunidade do indivíduo (pneumonia.insolação: exposição à natureza. Pode ser total ou generalizada. interessa a sua extensão. Presença de eritema (sinal de Christinson). Forma-se uma placa dura e preta que. Mais do que a profundidade da queimadura. Se morreu no fogo. Pode ocorrer a degeneração das proteínas. fratura óssea antiga e por meio de material genético. geralmente. O morto toma a posição de “boxer”. adota-se a classificação das queimaduras feita por Hoffmann: Primeiro grau Vermelhão. Calor direto Calor local tem como conseqüência as queimaduras.1. por chama ou sólido superaquecido e determinam a queima da pele. Ocorrem em indivíduos que trabalham em câmara fria. gases. há fuligem e fumaça nas vias respiratórias (sinal de Montalti). líquidos e metais aquecidos). tuberculose etc.

produzindo queimaduras (“auto-fritura”). que pode causar lesões muito graves. as substâncias recebem o nome de cáusticos. das paredes ventriculares. . Quando a ação é de ordem externa. denomina-se fulminação. as substâncias recebem o nome de venenos. a eletrocussão. Não correm só o perigo do aumento da pressão atmosférica. A eletricidade industrial é a produzida pelo homem e tem como ação uma síndrome chamada eletroplessão. a morte é devida a outras causas sobrevindas de quedas ocasionadas pela eletricidade. chama-se fulguração (ex. em que alguém joga sobre as 17 .a carga elétrica leva à desorganização dos batimentos cardíacos. A eletricidade natural. Ao receber o choque elétrico. A evolução mostra que essa área deve ser retirada para que ocorra a cicatrização. por ação química. quando age letalmente (quando há óbito). as lesões podem ser por queimaduras ou por alterações funcionais dos órgãos citados acima. Produzem escaras moles (ex. levando ao calor. a vítima é precipitada ao solo. Essa síndrome é conhecida como mal dos caixões. . Mas pode ser que haja resistência. A natureza jurídica desse evento é quase sempre acidental e desperta interesse no estudo da infortunística (acidente de trabalho). Ações Físicas da Eletricidade A eletricidade natural e a artificial podem atuar como energia danificadora. 1. há a diminuição de oxigênio e de gás carbônico e o indivíduo passa mal. afetando a pele violentamente. É o chamado efeito Jaule. Quando provoca apenas lesões corporais. É o chamado mal das montanhas. do bulbo e da medula espinhal. Ações Físicas da Pressão Atmosférica Com a diminuição da pressão atmosférica. Há. Há três hipóteses de morte causada por eletricidade: . morrendo por ação de energia mecânica (contusão).3.: raios). física ou biológica. Na fulguração. também. Quando a ação é de ordem interna. 2. Efeito coagulante: os cáusticos produzem lesão grave.a carga elétrica leva à contratura. formando escaras (áreas enegrecidas). São assim chamadas todas as formas de lesões causadas por eletricidade industrial.2. ENERGIA DE ORDEM QUÍMICA Existem substâncias que. 2.: nitrato de prata). provocando a contração fibrilar do ventrículo e a morte. com ou sem morte. Ação Externa (cáusticos) Entre as substâncias químicas de ação externa. mas especialmente o da descompressão brusca. Às vezes. Efeito liquefaciente: a substância química atua desfazendo os tecidos.: soda cáustica). que é a pena de morte em cadeira elétrica. escafandristas e outros profissionais que trabalham debaixo d’água ou em túneis subterrâneos. dois grupos são mais importantes: alcáles e ácidos. podendo levar o indivíduo à asfixia (contratura dos músculos respiratórios). Vitriolagem: é um tipo de comportamento delinqüente.a carga elétrica leva à parada cerebral ocasionada por hemorragia das meninges. Sofrem aumento da pressão atmosférica os mergulhadores.1. são capazes de causar danos à vida e à saúde.1. O efeito coagulante desidrata os tecidos (ex.

As noções do veneno. a morte violenta ou o dano grave à saúde. quando o ar é composto por 18 . daí o nome vitriolagem. quando a química começou a desenvolver-se. contratura e morte). ASFIXIAS Todo e qualquer mecanismo que intervenha na correta oxigenação dos tecidos humanos constitui uma asfixia. dado à atitude de alguém que joga. gás metano. Toda e qualquer situação que interfira nas vias respiratórias. portanto. num efeito inverso. uma substância química sobre as pessoas. Existem substâncias que. que recebe o nome de pneumotórax. caracteriza asfixia. necessariamente. com determinadas características. que. Hipóxia: situação em que está ocorrendo uma diminuição da oxigenação dos tecidos. Asfixias são todas as formas de carência ou ausência de oxigênio. podem ser causadores de envenenamento por contato com a pele. porém. Tanto um grupo como o outro. vital para o ser humano. A pressão nesse espaço é maior que a pressão atmosférica. No século XVIII. dolosamente. todas as anormalidades no processo respiratório. A caixa toráxica é um sistema fechado. criminosa ou voluntária. 1 milésimo de miligrama pode servir como remédio. Os clorados são menos perigosos.2. é preciso que haja uma certa quantidade. vão desempenhar um efeito sistêmico. Essa noção de quantidade passa a envolver praticamente todas as substâncias. Há um espaço entre a parede interna da caixa toráxica e o pulmão: o espaço pleural. ingestão e inalação. O ser humano oxigena em ambiente gasoso. porém podem envenenar o sistema nervoso central (ex. A mesma cocaína que excita. que “cola” o pulmão e o indivíduo não consegue respirar. na época.: estricnina – 1mg pode causar convulsão. A morte ocorre por parada respiratória e edema pulmonar.pessoas uma substância cáustica. Não respiramos quando o meio gasoso é muito alterado. apenas. Venenos são substâncias químicas que. principalmente os organofosforados. Em seu lado inferior está localizado o músculo do diafragma. A variação da quantidade pode inverter o efeito da substância MÓDULO V MEDICINA LEGAL 1. Veneno é qualquer substância que. combustíveis. O indivíduo fica cianótico (roxo). na caixa toráxica. Anóxia: ausência de oxigenação. a qualidade da substância. passam pela consideração de ordem quantitativa. pode ocasionar a morte. o que é um sinal de que está havendo má respiração dos tecidos. Não basta. 2. A lesão corporal que perfure expressivamente a caixa toráxica vai provocar uma abrupta entrada de ar.: formicida. nos pulmões. Ação Interna (venenos) Os venenos apresentam-se em dois grupos: organofosforados e clorados. dependendo da quantidade). chamava-se óleo de vitríolo. introduzida no organismo. podem produzir a morte (ex. atuando no organismo. chamou a atenção dos químicos o ácido sulfúrico. Entende-se por envenenamento. numa quantidade maior. ocasionados por determinadas substâncias de forma acidental. em quantidade muito pequena. danifica a vida ou a saúde.

2. Essas manchas começam a se formar 1 ou 2 horas depois da morte. portanto.Confinamento .5.Enforcamento .6. Por parada respiratória central ou cerebral . com a morte.Eletroplessão .2. as manchas tendem a se formar nas costas.Paralisia espástica – eletroplessão. Por obstrução das vias aéreas . 1. se ele estiver em decúbito dorsal. por isso que as manchas hipostásicas são mais visíveis nos asfixiados. parte alta do pescoço nos asfixiados são cianóticos.1. Equimose 19 .3. Nos casos de asfixia. mais precoces. em conseqüência da morte.2. Cianose Face. Por paralisação dos músculos respiratórios . o coração não bate. Classificação das Asfixias 1. na face.1. se ele estiver em decúbito ventral. o sangue não chega. O sangue contido nos pequenos vasos próximos à pele. Por modificação do meio ambiente . pernas).1. nas regiões de maior declive. acumula-se. pés. Em todos os casos de asfixia. com gás carbônico. porque.Paralisia flácida – curare 1. também. não se formam as manchas nessas regiões. percebe-se. Sinais Gerais de Asfixia 1. as manchas hipostásicas são mais marcadas (pronunciadas) e mais precoces.Estrangulamento . estricnina .1. o sangue vai para as extremidades (mãos. 1. Nas regiões de apoio. nem em meio líquido e nem em meio sólido.Sufocação indireta .2.1.4. Se o morto está deitado. O sangue venoso (com gás carbônico) é mais escuro. por força gravitacional. Manchas de hipóstase O indivíduo morre e.Esganadura 1.outros gases. Por paralisia central .1.2.1. o sinal de cianose (roxidão).Afundamento de tórax 1. São. 1. ou no tórax. Se o morto está em pé (enforcado).1.1. rosto. há um acúmulo muito maior de sangue nas extremidades. porque o sangue está sem oxigênio.2. em decorrência do aumento da pressão.Traumatismo crânio-cefálico 1.Afogamento 1.Depressão do sistema nervoso central – tóxicos 1. Por impedimento da expressão do tórax .Soterramento .3.

Ex. 1. Afogamento Afogamento é a asfixia no meio líquido: pode ser água. Ocorre a sufocação direta. também. 1. álcool. trigo etc. Confinamentos podem ocorrer com grupos de pessoas num compartimento onde não há renovação do ar.5.3. 1.: cabine de avião).).2. por isso é comum a secreção sanguinolenta nos casos de asfixia.4.3. Sinais externos do afogamento • Baixa temperatura da pele: a temperatura da pele dos afogados é precocemente mais baixa (mais fria). Alguns casos são também visíveis no coração (em crianças de pouca idade). Confinamento A modalidade mais comum de confinamento é o das pessoas que. gasolina etc. Maior quantidade de sangue nos órgãos Órgãos que normalmente contêm sangue.: num comboio de trem a carvão. a permanecer fluido. respira profundamente inundando os pulmões de água. É possível . Asfixias por Modificação do Meio Ambiente 1. porque não foi asfixiado com gás carbônico. O sangue não tem a coloração forte das outras asfixias.3. Entra em concussão e morte aparente. têm o sangue enriquecido por monóxido de carbono. 1. É uma asfixia clássica. Quando não agüenta mais. Sangue não coagulado O sangue tende a não coagular. Num primeiro momento. O confinamento em ambiente com gás também é outra causa de asfixia. indireta. O confinamento pode se dar em ambientes em que a mistura atmosférica é pobre em oxigênio: confinamento por inadequação da mistura oxigenatória (ex. • Pele anserina: a pele tem um aspecto chamado anserino . recebem o nome de Manchas de Tardieu. o indivíduo morre asfixiado. os vasos se rompem formando as manchas equimóticas.3. Após isso. As pessoas se asfixiam com o próprio gás carbônico: é a asfixia clássica. fechado sem oxigênio. como o fígado.3. tanque de coca-cola.2. ficam muito cheios. Esse mesmo aumento da pressão.Manchas na pele e em algumas vísceras. 20 . em conseqüência do aumento da pressão.2. 1. pode provocar um aumento de sangue nos alvéolos dos pulmões e pode ocorrer ruptura de vasos dos alvéolos. Recebe o nome de Sinal de Bernt. o soterramento em grãos (soja. mais a imersão em meio não respirável (sólido). durante a asfixia. Soterramento Soterramento é a asfixia no meio terroso. o coração bate por mais ou menos 9 minutos. mas com monóxido de carbono. o afogado tem a fase de surpresa: fica agitado e segura ao máximo a respiração.arrepiada pelo mecanismo pilo-eretor. A cor da hemoglobina é mais avermelhada. num ambiente compartimentado. No pulmão.1.

mas também porque o pulmão ainda estava cheio de ar. Isso explica o fato de que. O cadáver atacado pela fauna aquática tem um aspecto mais ou menos uniforme. rompem-se os alvéolos e o líquido passa pelo espaço intra-alveolar. Em um cadáver putrefato. Quando o processo de afogamento é mais demorado. que veio do pulmão. destacada com tanta precisão (como uma luva). para esclarecer. Nas mortes agônicas. A presença do líquido serve.: o indivíduo pode ter sido morto em uma banheira e ter o seu corpo jogado no mar. tende a afundar. enchem-se de água. que é até possível colher as impressões digitais. pálpebras e nariz. Mesmo se tratando de afogamento em água doce com posterior remoção do cadáver para um rio. • Presença de líquidos no aparelho digestivo: o indivíduo também engole água. pênis e clitóris são contraídos. Por meio do líquido pode-se analisar o meio aquático em que o indivíduo se afogou. forma-se um cogumelo de espuma. Os pulmões. Esses gases fazem com que o cadáver venha para a superfície. Um cadáver dentro da água. também. uma mistura borbulhante de água e ar. Forma-se. o sangue mais diluído será o da aurícula esquerda. • Maceração da pele palmar e plantar: a pele das mãos e dos pés ficam maceradas (enrugadas). então. ao retirar o cadáver da água. uma constatação pericial. apenas. essas manchas podem ser grandes. o lugar onde ocorreu o afogamento. A pressão atmosférica age na mistura de ar e água. que é aquele que veio da pequena circulação. • Lesões por animais aquáticos: são comuns nos afogamentos. Esses sinais são bem característicos. Sinais internos de afogamento Inundação das vias aéreas com líquido: as pessoas se afogam em vários tipos de líquido. O pulmão adquire um volume maior. depois disso ele vem à tona. • Máscara equimótica: o rosto fica preto. também de água doce. O sangue que veio da • 21 . nos afogamentos.• Contração de determinadas partes do corpo: os mamilos. a água passa para a pequena circulação e mistura-se com o sangue. às expensas do líquido que está nas vias. A distensão dos pulmões não se dá só em virtude do líquido que está dentro dele. porque o processo da putrefação humana. • Lesão dos pulmões: apresenta um pontilhado de manchas chamadas de manchas de Tardieu. além de inspirá-la. que chegou até lá pela trompa de Eustáquio. Os animais têm predileção pelos lábios. Ex. Se for retirado sangue do lado direito do coração e sangue do lado esquerdo. Quando o indivíduo aspira uma grande quantidade de água. há presença de líquido no ouvido médio. pela sua densidade. não confirma o diagnóstico da morte por afogamento. A presença desses líquidos não deve ser. recebendo o nome de manchas de Pautalf. também pode ocorrer o cogumelo de espuma. há diferenciação entre os líquidos. produz uma enorme quantidade de gases (fase gasosa). O sangue com oxigênio vai para a periferia. devido à quantidade de sangue acumulado. inchando-se. A trompa de Eustáquio liga a faringe ao ouvido médio. a bolsa escrotal. a certeza de que ocorreu o afogamento é dada pela análise comparativa do sangue da aurícula direita e esquerda do coração. Durante as primeiras 24 horas. na sua segunda fase. A pele chega a descolar e permanece tão perfeita. formando o cogumelo. os pulmões tornam-se extremamente estendidos. • Cogumelo de espuma: espuma branca ou rosada que sai da boca e dos orifícios nasais. Nos casos de pneumonia. por si só. A presença de cogumelo de espuma no cadáver. exatamente. Isso se chama enfisema aquoso ou sinal de Brouardel. o cadáver fica submerso. Num afogamento. então.

4. há uma violentíssima aceleração do processo de putrefação. também. 1. deixa uma marca característica. No enforcamento. Mecanismos jurídicos da morte por afogamento Acidente. levando o indivíduo à morte por asfixia. não há compartimentação de gases e é mais difícil de se encontrar o cadáver. com certeza ocorreu o afogamento.aurícula direita será mais concentrado. não existe suicídio por afogamento. pode-se. caracterizando o sulco. Ex. Nas asfixias por enforcamento. ruptura de vasos. Tecnicamente. Isso dará a certeza se houve ou não afogamento. que desenha o instrumento que constringiu o pescoço. O corpo. olhos esoftalmos. o mecanismo é misto. fica solto no espaço. • Fase de prostração ou morte aparente: o coração bate e essa fase pode durar até 10 minutos. Permanecido na água o morto por afogamento. o laço que circunda o pescoço. o sulco é oblíquo ascendente. Há dois tipos de enforcamento: Suspensão completa Quando há uma distância considerável entre o corpo e o chão. que se chama sulco. além da constrição das vias respiratórias. que recebe o nome de sinal de Amussat. torpor. pois. É comum encontrar nesses afogados sinais de luta pela sobrevivência. também. dizer em qual tipo de líquido ocorreu o afogamento. a força constritiva é o próprio peso do indivíduo. No enforcamento e no estrangulamento. suicídio e homicídio. constringe-se. verticalizado. perda da consciência (quase coma). o indivíduo tem alucinações.4. do material utilizado no laço que provocou o enforcamento. tem profundidade variável. • Fase da agitação: ausência de consciência. sem contato com o plano de sustentação. Além do sulco. a circulação sanguínea e o sistema nervoso que comanda a respiração e os batimentos cardíacos. 15 kg são suficientes para que ocorra o enforcamento. Suspensão incompleta Quando o corpo não fica inteiramente pendurado. quando retirado. convulsões intensas. Nos cadáveres cuja pele não está íntegra. língua protusa. Asfixia por Obstrução das Vias Aéreas 1. Pela análise do sangue. é 22 . No enforcamento. Enforcamento Enforcamento é a constrição do pescoço por um instrumento chamado laço e a força que constrange é a do próprio indivíduo. visão turva.1. nervos achatados e secção da artéria carótida. A hipótese de afogamento por acidente configura a maior parte dos casos.: amarrar o laço numa janela. embaixo da pele há lesões: hemorragias e fraturas em cartilagens. Essa fase dura de 40 a 80 segundos. em baixo relevo. Fases da morte por enforcamento • Fase da resistência: agitação. Esses casos recebem o nome de suicídio acidental. É uma marca. alterações na cor da pele. Resumindo: se o sangue da aurícula esquerda estiver mais diluído. Essa fase dura de 3 a 5 minutos.

Eletroplessão A carga elétrica leva à parada cerebral ocasionada por hemorragia das 23 .5. 1. Para determinar se a causa da morte foi enforcamento ou estrangulamento. Um veneno que leva a essa paralisia é a estricnina. O que constringe é o laço.1.3.5. tem profundidade uniforme.2. utilizada pelos índios da Amazônia. provocando a morte por asfixia.6. acionado por uma força externa. impedindo a sua expansão (ex. Ocorre nos casos de morte por eletroplessão. é necessária a análise das características do sulco deixado pelo laço. que impede a respiração. nas anestesias. geralmente homicida. No estrangulamento. Alguns tóxicos também podem levar a esse estado. que afunda o cérebro. de nome curare. 1.: acidente de veículos. Há uma compressão do tórax. Paralisia flácida A paralisia flácida é causada por substância vegetal.2. 1. Estrangulamento No estrangulamento.2.7.2. 1. não é interrompido e fica no meio do pescoço. mas que também pode ocasionar paralisia flácida. 1. pés.6. O tétano é também outra causa da paralisia espástica. 1. Sufocação indireta Diz respeito a todo e qualquer fenômeno que comprima o tórax. que também é uma constrição por um laço. cotovelos. Na esganadura. Asfixias por Parada Respiratória Central ou Cerebral 1.4. Paralisia espástica É a contratura dos músculos.6. 1. Asfixias por Impedimento da Expansão do Tórax 1. A esganadura é sempre um homicídio.4. é o traumatismo de medula (raquimedular). joelhos. também. provocando a asfixia. Outra hipótese remota. Asfixias por Paralisação dos Músculos Respiratórios 1. homicídio.7. Esse traumatismo lesa os centros de comando e o indivíduo pára de respirar. O curare é utilizado.5.1. morte por pisoteamento contínuo entre os seres humanos). porque a força constritiva será sempre um segmento do corpo humano. Traumatismo crânio-encefálico O traumatismo crânio-encefálico pode ser ocasionado por uma pancada violenta na cabeça. estouro de pessoas contra a parede. Esganadura Esganadura é a constrição do pescoço por um membro do corpo humano: mãos.1. o sulco é horizontal. Afundamento de tórax Fraturas múltiplas nas costas que bloqueiam a respiração. a força constritiva é externa.interrompido no nó.7. fica por cima da cartilagem tireóidea. sempre há disparidade de forças entre os sujeitos. 1.

mas sim uma expressiva redução da mesma. Não existe.1. Meios habituais de tratamento são os meios rotineiros. mãos. as lesões são classificadas pelo resultado. não importando o seu lugar. A incapacidade não precisa necessariamente ser absoluta.1. devido ao qual o indivíduo fica com uma expressiva diminuição da força. das paredes ventriculares. em que uma função vital periclitou (ex. o que as produziu ou qual sua extensão.Função: é o conjunto de atividades de um ou mais órgãos. que provoca uma periclitação vital. 24 ..2. Se da lesão corporal resultar perigo de vida É a lesão que causa uma quase morte.8. legalmente. pernas e pés. É mais do que o trabalho. LESÃO CORPORAL A lei penal distingue lesões corporais em três tipos: leves. desde o nascimento até a morte. parada cerebral etc. Lesões Corporais Graves 1. Se da lesão corporal resultar debilidade permanente de membro.1. a expressão “risco de vida”.1.meninges. graves e gravíssimas. audição.1. 1. A lei dispõe “se da lesão corporal resulta (.Permanente: quando cessam os meios habituais de tratamento ou recuperação. Exemplos: . . olfato. as lesões não definidas pela lei são consideradas leves. álcool e overdose por cocaína (asfixia por depressão do sistema nervoso central). Risco é prognóstico e não existe em medicina legal.Debilidade: não é anulação da atividade. .).3. Por exclusão. dedos. antebraços. Perigo de vida é um momento.: parada cardíaca.: função digestiva..1.8. coxas.debilidade permanente de membro: traumatismo no nervo do braço.)” e relaciona quatro resultados que definem as lesões graves e cinco resultados que definem as lesões gravíssimas. 1. . função respiratória). sistema ou aparelho que conduz a uma atividade padrão (ex. O exame que comprova a incapacidade deve ser realizado no 30. um instante. Outras substâncias que podem produzir esse mesmo efeito são alguns tranqüilizantes.Sentidos: são a visão. Asfixias por Paralisia Central 1.º dia após a lesão. do bulbo e da medula espinhal.Membros: são os braços. . cotovelos. 1. Depressão do sistema nervoso central É ocasionada por drogas que levam o sistema nervoso a parar. sentido ou função . O modelo clássico inclui as substâncias barbitúricas. embora também o inclua. estado de coma. MÓDULO VI MEDICINA LEGAL 1. 1. Do ponto de vista médico-legal. Se da lesão corporal resultar incapacidade para as habitualidades ocupacionais por mais de trinta dias Ocupação habitual é tudo o que a pessoa faz. paladar e tato. As lesões classificam-se pelo resultado.

2. produzindo uma aderência do pulmão à caixa torácica e diminuindo. . resultante de um trauma externo (ex. Quando resulta de fator interno.2. Lesões corporais gravíssimas 1. sua retirada. 1.: ferida penetrante no tórax que ocasiona lesão grave da pleura. a capacidade respiratória do indivíduo).perda de função: pancada no rosto que arranca todos os dentes. perdendo a função mastigadora.2. inutilizando o braço. assim.debilidade permanente de sentido: redução da audição por poluição sonora violenta. não apenas enxerga o que tem que enxergar. Alguns peritos admitem que a cegueira total de um só olho não é somente uma debilidade do sentido da visão. Se da lesão corporal resultar incapacidade permanente para o trabalho Permanente é a incapacidade que sobrevém no instante em que cessam os meios habituais de tratamento.4. que ocasiona diminuição da função renal.2. A questão da visão tem uma outra conotação. Se da lesão corporal resultar enfermidade incurável Incurável é aquilo que é definitivo. ou do feto permanecer em gestação por 40 semanas. sentido ou função Nesse caso a graduação é maior do que na debilidade permanente (lesão grave). chamada de função estereostática (visão em profundidade).perda de membro: amputação de quaisquer dos quatro membros. e não somente para o trabalho especificamente exercido pela vítima. 1. . A lei diz claramente que a incapacidade diz respeito a qualquer tipo de trabalho. Se da lesão corporal resultar perda ou inutilização de membro. a perda desse direito. Se provocar antecipação e. . Enfermidade é uma anomalia. Perda é o zeramento das funções de um órgão. conseqüentemente.3. patologia permanente. A surdez total unilateral retira do indivíduo a audição estereofônica: ele não consegue direcionar exatamente de onde vem o som.inutilização de membro: traumatismo sob o plexo braquial (embaixo do braço). . . Alguns peritos admitem que a surdez total unilateral constitui uma inutilização da audição 25 . Se da lesão corporal resultar antecipação do parto A lei protege o direito da mãe de gestar durante 40 semanas. a lesão corporal é considerada grave. é chamada de doença.inutilização de função: traumatismo em bolsa escrotal que inutilize a função reprodutora. em face de processos normalmente utilizados para a cura.perda de sentido: enucleação (extração) do globo ocular. 1. como também possui uma especialização na função da visão.debilidade permanente de função: espancamento no rim.1. Quando o indivíduo enxerga com os dois olhos. 1..2.1. . extração. amputação. mas constituiria uma inutilização da função estereostática. Exemplos: .inutilização de sentido: cegueira dos dois olhos. com secção de nervo. traumatismo ocular que produza descolamento da retina e o indivíduo tenha reduzida sua visão.

deforma a personalidade. Gravidez: no início é impossível saber). Nem sempre isso ocorre. é lesão corporal de natureza gravíssima.se somente um deles é atingido. 1.4. O conceito enfocado é o de gerar repugnância pela perda de harmonia e não pelo feio ou bonito. Concausas supervenientes Ocorrem depois. infecções etc. esse mesmo trauma não a afetaria. 26 . Concausas preexistentes fisiológicas Referem-se ao estado de funcionamento.3. Tudo aquilo que provoca a destruição. Se da lesão corporal resultar deformidade permanente Duas coisas estão envolvidas: o caráter permanente e a aparência. mudança de resultado em razão de uma concausa preexistente de origem fisiológica. a conduta e o comportamento de seu portador. diabetes. 1. claudicações expressivas. 1. As concausas preexistentes são classificadas em anatômicas. mesmo que resulte em extração. Podem envolver imperícia. No caso de órgãos duplos – mas independentes dos sentidos (como os rins) –. entende-se como lesão grave que causa debilidade.: o sujeito está com a bexiga cheia. Se da lesão corporal resultar aborto. constitui aborto. como a patologia cistus inversus (órgãos do lado contrário).3. de determinado órgão (ex. e não como lesão gravíssima. Concausas Para todas as hipóteses de lesão exige-se uma clara e inequívoca relação de causalidade entre o agente determinante e o resultado. profissão. tudo isso poderá constituir uma deformidade permanente.5. Concausas preexistentes São aquelas que já existiam antes da lesão e são capazes de modificar o resultado. imprudência. fisiológicas e patológicas. suscetíveis de modificar o curso natural do resultado de uma lesão. Concausa é o conjunto de fatores.espacial. Se da lesão corporal resultar aborto Aborto é a morte fetal. cultura. com o agravamento. a partir do instante da fecundação até o minuto que antecede o parto. no momento da lesão. desvios. negligência. alterações de formas. Esse conceito varia de pessoa para pessoa. Cicatrizes. podendo acontecer as concausas. Concausas preexistentes anatômicas São anomalias congênitas (má formação). de acordo com o sexo. ao passo que se ela estivesse vazia. A questão da aparência há que ser vista no contexto cultural em que o indivíduo vive. pois estigmatiza. independentemente da intenção (dolo ou culpa). idade. que modificam o resultado ao arrepio da vontade do autor. Concausas preexistentes patológicas São os casos de hemofilia.3.2. preexistentes ou supervenientes. aneurisma etc. desde que seja aparente e afete o modo de vida da pessoa. A deformidade permanente pode ter um resultado devastador na vida do indivíduo. se houver trauma pode estourar a bexiga. do sentido direcional da audição.2. 1.1.2. 1.

fúrcula vaginal. esse diâmetro se apresentará de maneira diferente. ele se apresenta maior. 1. em repouso. na região perineal. bilabiado. implantada na parede da vagina. devido a sua ondulação. sem ser tracionado.semilunar: orifício labiado. Em 80% dos casos. sobre a qual possa ser expedida uma sensação de confiar no parceiro a ponto de se ter com ele uma conjunção carnal.MÓDULO VII MEDICINA LEGAL 1. vista de frente. Prova da conjunção carnal A prova da conjunção carnal é feita por meio da observação de ruptura ou não do hímen. clitóris e.2. orifício uretral. envolve estrutura composta de pequenos lábios. nascem com ausência de hímen. a contactação pênis/vagina (intromissio penis). . Em cada tipo temos himens com óstio ou orifício pequeno. intróito vaginal. menor de 18 (dezoito) anos e maior de 14 (catorze) e ter com ela conjunção carnal. Dispõe o art. uma vez tracionado. com duas fendas cribiformes (pequenos orifícios).anular: tem uma borda que se implanta na vagina.2. Pena – reclusão de 2 (dois) a 4 (quatro) anos”. Para que haja justificável confiança. 27 . Na maioria das vezes a borda tem certas ondulações. até mulheres que têm himens que fecham a cavidade vaginal. 217 do Código Penal: “Seduzir mulher virgem. apresenta-se de uma maneira. Conceito Médico-Legal de Mulher Virgem Mulher virgem é aquela em relação à qual não se prova experiência sexual anterior. médio ou grande. Conjunção Carnal Conjunção carnal é a cópula vagínica. Essa membrana tem uma anatomia extremamente variável nos seres humanos. Há desde mulheres que. falta de conhecimento do que seja conjunção carnal. é um. de tal modo que o diâmetro do óstio. grandes lábios. A anatomia feminina. Inexperiência quer dizer alheamento.1. configurando os atos libidinosos. estável e equilibrada. Existem vários tipos de himens: . 1. do Código Penal ou Código de Processo Penal aparecem alguns aspectos ligados à sexologia humana e. se forem esticadas todas as ondulações. O que envolve aspectos da libido não faz parte do crime de sedução. há rompimento da membrana. a presença de uma película membranosa ou rugosa chamada hímen. deve existir uma relação suficientemente longa e duradoura.1. A prova da conjunção carnal é definitiva para a tipificação do crime. nas mulheres com himens mais comuns. 1. que são diferentes da conjunção carnal. em muitos desses aspectos. chamada borda vaginal. tendo havido uma penetração com o pênis. SEXOLOGIA CRIMINAL Em vários pontos do Código Civil. O diâmetro do orifício. está embutida a questão pericial. congenitamente. aproveitando-se de sua inexperiência ou justificável confiança.

As rupturas em quadrantes superiores. 28 .O diâmetro. cicatrizando-se a borda da ruptura. A preocupação em descrever o local da ruptura é importante. permitindo o acesso do pênis no interior da vagina. as rupturas ocorrem nos quadrantes inferiores ou na junção dos dois quadrantes inferiores. as bordas dos entalhes são do mesmo tecido do hímen. Hoje.2. Face às características da irrigação sanguínea do hímen. as que forem bordas cicatriciais (ruptura) apresentar-se-ão pálidas. ou de coitos com o parceiro em posição vertical. Existem alguns parâmetros para identificar em que parte do hímen se encontram as rupturas. Em algumas mulheres pode haver uma configuração do hímen que se apresenta com o óstio bastante irregular. superior esquerdo. adotava-se a nomenclatura do mostrador de relógio (ex. Até o 15. As rupturas estendem-se da borda ostial até a borda vaginal. que recebem o nome de carúnculas mirtiformes. após algum tempo.: ruptura 2 horas). as rupturas.º dia da conjunção. após esse tempo. torna-se suficientemente largo. Na medida em que os entalhes se estendem até muito próximo da borda vaginal. pois. • Não recente: ocorreu há mais de 15 dias. Essas três diferenças são fundamentais para diferenciar ruptura de entalhe. em princípio.2. ele se rompe e permanece roto. Quando essas ondulações são mais pronunciadas.2. sim. tendo em vista a maior irrigação. podem ser produto de manipulação.os entalhes não se estendem até as bordas da vagina. de trauma. • Recente: em cicatrização. inferior direito e inferior esquerdo. O tecido vai se atrofiando até que.3. Local de ruptura É muito importante. as bordas estão sangrantes. tem-se oito pontos para descrever o local da ruptura no laudo (quatro quadrantes e quatro junções). ocorreu até 15 dias atrás. . mas a ruptura não foi até a borda vaginal. 1. 1.as bordas da ruptura se coaptam (se encaixam). . as bordas sangram. poderá surgir a necessidade de se fazer um diagnóstico diferencial entre o que é ruptura e o que é entalhe. as que forem bordas de entalhes apresentar-se-ão mais vermelhas. Rupturas por manobras masturbatórias só ocorrem nos quadrantes superiores. que qualquer pessoa que leia o laudo possa saber em que parte do hímen ocorreu a ruptura.4. Tempo da ruptura • Recentíssima: ocorreu há poucas horas. num laudo pericial. Em alguns livros podemos encontrar a terminologia “ruptura incompleta”. 1. pela ruptura. em 97% dos casos. as bordas se cicatrizam. os fragmentos são reduzidos a meros nódulos na parede vaginal. quando nos deparamos com rupturas himenais já totalmente cicatrizadas. Diferenças entre entalhes e ruptura de hímen O diagnóstico é feito de três maneiras: .as bordas da ruptura apresentam uma cicatriz. que significa que o hímen rompeu. Antigamente. quando os parceiros se encontram em posição normal. mas não se refazendo. as bordas do entalhe não se coaptam porque jamais pertenceram a um mesmo plano.2. divide-se a cavidade vaginal em quatro quadrantes – superior direito. Sob luz ultravioleta. Pelos quadrantes. cujas ondulações se aproximam bastante da borda vaginal. recebem o nome de “entalhes”.

isso recebe o nome de complacência. É importante o estudo dessas razões. Podem ocorrer situações em que a mulher tem uma vivência sexual ativa sem a ruptura do hímen e. Não existe gravidez sem conjunção carnal. produzem um diâmetro significativo que permite a cópula. inclusive com o uso de ducha vaginal.2. não havendo lubrificação. existe a possibilidade de se 29 . mesmo nos vasectomizados. 1. Podem ser encontradas algumas tabelas sobre até quanto tempo após a conjunção se pode pesquisar a presença de espermatozóides na vagina. Segundo alguns autores. Razões para não ocorrer a ruptura após a conjunção carnal Até 22% das mulheres podem ter conjunção carnal sem apresentar o fenômeno da ruptura. possibilitando o diagnóstico de conjunção carnal. são evidências. pela situação de estresse causada. vislumbrando a hipótese de uma ação penal. • Gravidez: sem considerar o estado do hímen. • Presença de fosfatase ácida: presença. • Pênis pequeno. presença de pêlos etc. melhor do que qualquer outra situação é o próprio resultado da conjunção. finda a agressão. quando submetidos a uma tensão. por um detalhe anatômico ligado ao órgão masculino. mas não garantem um diagnóstico). Geralmente. A presença de espermatozóide gera diagnóstico de conjunção carnal. mas a ausência de lubrificação. as vítimas de agressão sexual têm uma enorme tendência de. • Óstios himenais de grande diâmetro. que aparece no estado de excitação préconjunção. Em alguns países já se pesquisam as substâncias lubrificantes de alguns preservativos. • Hímen dotado de muitos entalhes que. de enzima que só existe no líquido espermático. escoriações.: equimoses. mas com um histórico de experiência sexual. granulomas e condilomas presentes no fundo da vagina). • Presença de espermatozóide no fundo do saco vaginal: com uma espátula. • Presença de doenças venéreas: presença de certas doenças venéreas no fundo da vagina que só se reproduzem por contato (ex.5. e isso só existe no ambiente vaginal. Evidências de conjunção carnal não levam a diagnóstico (ex.: cancro sifilítico. pontos hemorrágicos. O tipo de parceria pode ser decisivo a permitir uma vivência sexual sem ruptura. Poderá ocorrer ainda: • Ausência de hímen (casos muito raros). ainda que sem óstio grande. limparse exageradamente. tal fato pode destruir a possibilidade da prova. • Himens dotados de extraordinária elasticidade. colhe-se material no fundo da vagina e faz-se pesquisa de existência de espermatozóide. A lubrificação também reduz o atrito e diminui a perspectiva de ruptura do hímen. • O estado de lubrificação vaginal. pois o espermatozóide depende do meio ácido para sobreviver. mesmo quando o homem utiliza preservativo. cancróides. O que leva à ruptura não é a violência em si. mas “daquela” parceria. Complacência não é um fenômeno exclusivamente do hímen. como se limpassem também quaisquer vestígios de agressão. quando vítima de uma situação de estupro. Para a Medicina. Maneiras de diagnóstico de conjunção carnal • Ruptura do hímen.6.2. na vagina. ocorre a ruptura. visto que podem aparecer mulheres declarando-se virgens. pouco importando o tipo de hímen.1.

porém. pois houve cópula vaginal. Atos Libidinosos Entende-se por ato libidinoso o ato diverso da conjunção carnal. principalmente no tocante à anulação do casamento.4.: a masturbação não se trata de anomalia da sexualidade.3. por várias razões. Sexualidade Anômala É necessário que os instintos do homem se equilibrem dentro da normalidade para que não comprometam a segurança das pessoas e da sociedade.4. Configura-se. a própria pessoa se satisfaz sexualmente. 1. o constrangimento ilegal.1.encontrarem vestígios de espermatozóides na vagina até 22 dias após a conjunção. mas também naquele que é constrangido a presenciar ato libidinoso diverso da conjunção carnal. O sistema de ereção peniana funciona. O constrangimento não se processa apenas em quem pratica ou deixa que nele seja praticado ato libidinoso. porém. Frigidez 30 . é uma variação anômala (ex. após cinco ou seis dias já ficará mais difícil encontrá-los. Na prática. Toda variação da relação heterossexual normal que seja exclusiva. não podendo ser considerado atentado violento ao pudor. encontram-se várias situações que poderiam ser caracterizadas como ato libidinoso. tornando-se forma exclusiva da manifestação sexual. deixa de existir o desejo sexual. a prática sexual anômala impede a sexualidade normal. 1. Pode decorrer de doenças do sistema nervoso e de outras causas externas ou internas. pela duração e exclusividade. É a prática orgásmica auto-erótica. Pedofilia É a predileção sexual por crianças. força um homem a praticar com ela conjunção carnal não pratica o crime de estupro. Sexualidade anômala é uma modificação qualitativa ou quantitativa do instinto sexual. ela já é encarada como anomalia). É todo ato praticado com a finalidade de satisfazer o apetite sexual. Compreende desde os atos obscenos até a prática de manifestações libidinosas. o que traduz sempre uma depravação moral. Não existe prova pericial para o ato libidinoso. 1. pois ele não deixa vestígios que possam ser apreciados do ponto de vista pericial. Anafrodisia Quando há diminuição do apetite sexual do homem. isto é. bloqueia a prática da conjunção carnal normal. mas. Práticas sexuais anômalas Onanismo É o impulso obsessivo à excitação dos órgãos genitais. se o indivíduo usa a masturbação como substitutivo da relação sexual normal. A prática sexual anômala deve substituir em caráter permanente e total a prática normal. pois. mediante violência ou grave ameaça. Na vida prática. No aspecto jurídico. A masturbação é considerada anômala quando. podendo existir como sintoma numa degeneração psíquica ou como intervenção de fatores orgânicos glandulares. Uma mulher que.

Nos idosos ocorre nos processos de demenciação senil (arteriosclerose) e na demenciação pré-senil (mal de Alzheimer). trata-se de anomalia. O exibicionismo é uma das manifestações mais comuns das demências senis. Pode ter várias razões: sucessivas frustrações. • Fase heterossexual: o indivíduo expressa a sua libido com parceiros heterossexuais. não depende de parceiro nem de masturbação. • Fase anal: satisfação em adquirir o controle da evacuação e da micção. podendo até transformar-se num criminoso de alta periculosidade. Em geral. vaginismo (psicofísica) ou outras doenças psíquicas ou glandulares. Erotomania É a fixação maníaca de alta morbidez. depende apenas da imaginação. e concipiendi. situações psíquicas (bloqueio infantil). Normalmente são castos e virgens (amor platônico). Manifesta-se por meio da satiríase no homem. em que o indivíduo se fixa em alguém fora do campo de seu relacionamento. não podendo ser confundido com o priapismo no homem (ereção permanente) nem com a ninfomania na mulher. Impotência Pode ser coeundi. Auto-erotismo É a manifestação da sexualidade que. sutiãs) pertencentes à pessoa amada. 31 . O indivíduo é levado por uma idéia fixa de amor e tudo nele gira em torno dessa paixão. Distúrbio do instinto sexual que se caracteriza pela diminuição do apetite sexual.É a ausência de libido na mulher. generandi. consiste no prazer em presenciar a relação sexual de terceiros. As demências pré-senis são doenças específicas. em desproporção com a idade. O indivíduo desenvolve uma paixão mórbida e doentia. É o culto exagerado da própria personalidade e sempre com indiferença para o outro sexo. a idade da vítima é inversa à idade do delinqüente. O indivíduo já invade a área infracional. Erotismo É o apetite sexual acentuado. É sempre sinal de perturbação patológica. para a satisfação sexual. que é o desejo insaciável. que é o apetite sexual acentuado. Fetichismo Fetiche é a fixação da libido em objetos que ligam o indivíduo a pessoas para as quais está direcionado. Quando essa fase se mantém além da adolescência e impede o relacionamento com o sexo oposto. Adora determinada parte do corpo (mãos. Mixoscopia Popularmente chamada de voyeurismo. Segundo FREUD. seios) ou objetos (calcinhas. que é a incapacidade para gestar (na mulher). • Fase narcísica: cuidados com o aspecto. O indivíduo pervertido envolve-se apenas na excitação com uma parte da pessoa ou com um objeto a ela pertencente. que é a incapacidade para o ato sexual. Exibicionismo É a obsessão impulsiva de exibir-se sexualmente. Lubricidade senil É a manifestação sexual exagerada. O prazer do exibicionista é mostrar-se por meio de seus órgãos sexuais. Narcisismo É a fixação do prazer na admiração do próprio corpo. que é a incapacidade para gerar (no homem). como demência senil ou paralisia geral progressiva. o indivíduo passa por quatro fases: • Oralidade: tudo o que toca a boca lhe dá prazer.

Sadismo É a aplicação de sofrimento ao parceiro. A satisfação sexual está em produzir sofrimento ao parceiro. que é a morte. A Organização Mundial de Saúde.Pluralismo Manifesta-se pela prática sexual grupal. o necrofílico “fabrica” um. de que participam três ou mais pessoas. Algumas dessas aberrações podem chegar ao extremo. Necrofilia É a relação sexual com cadáveres. como o homossexualismo feminino (lesbianismo). Traduzem um elevado grau de desajustamento moral e sexual (ménage à trois etc.4. mata uma pessoa para que possa ter com ela relação sexual após a morte. Bestialismo Também chamado de zoofilia. Edipismo É a tendência ao incesto.) Gerontofilia É a desmedida atração sexual de pessoas muito jovens por pessoas de idade avançada. Intersexualismo 32 . Homossexualismo Tanto o homossexualismo masculino. Urolagnia É o prazer sexual pela excitação de ver alguém no ato de urinar ou apenas de ouvir o ruído da urina. Coprolalia É a satisfação sexual que se expressa por meio de falar ou de escutar palavrões e obscenidades. sujas. na inexistência de um cadáver. são anomalias.2. Masoquismo É o prazer sexual por meio do sofrimento físico ou moral. Indivíduos portadores dessa aberração muitas vezes são impotentes com mulheres. Pigmalionismo É o amor anormal pelas estátuas (hoje substituídas por bonecas infláveis). O masoquismo é mais comum nas mulheres. ao impulso do ato sexual com parentes próximos. do ponto de vista fisiológico. considera o homossexualismo como doença e não como anomalia. o intersexualismo. é a satisfação sexual com animais domésticos. ou seja. isto é. 1. o transexualismo e o travestismo. a tal ponto que o orgasmo só será conseguido com o sofrimento supremo do parceiro. O homossexualismo deve ser considerado como um caso estritamente médico. havendo necessidade de que se faça distinção entre o homossexualismo. também chamado de uranismo ou pederastia. Conhecida também por cronoinversão. entretanto. Riparofilia É a atração sexual por pessoas desasseadas. Há homens que preferem manter relação sexual com mulheres em época de menstruação. de baixa condição social e higiênica. Coprofilia É a perversão em que o ato sexual se prende ao ato da defecação ou do próprio contato com as fezes do parceiro. É tão compulsivo que.

sem a necessidade de grandes recursos. necessidade atual. Transexualismo O indivíduo é inconformado com seu estado sexual. Técnicas de Aborto Pode ser feito por meios mecânicos. assim. Para outros. morte é a cessação da vida. para alguns impossível. considerando o atual estágio do conhecimento.O indivíduo se apresenta com a genitália externa e com a genitália interna indiferenciadas. como se a natureza não tivesse se definido quanto ao sexo. permitindo um novo entendimento nos casos de transplantes de órgãos.1. não existe uma substância especificamente feticida. provocar aborto. ABORTO O aborto define-se como morte fetal. O conceito de morte evoluiu com o tempo. tubos. A vida humana inicia-se no momento da fecundação. com a intenção de romper a bolsa e provocar a expulsão do feto. pela fragilidade do feto.1. permitindo o diagnóstico de morte em todos os locais. Travestismo O indivíduo sente-se gratificado com o uso de vestes. 2. Conceito Tanatologia é a parte da Medicina Forense que estuda a morte. 33 . desde a “morte pulmonar” dos gregos até a “morte encefálica” contemporânea. ainda válido. como as prostaglandinas. Definir ou conceituar morte é um trabalho árduo. não importando em que momento. compatível com a evolução médica. hastes metálicas. pois com a parada definitiva do coração. 2. são capazes de matá-lo e. com direitos legais (ex. maneirismos e atitudes do sexo oposto. Geralmente não admite a prática homossexual. sondas. No ordenamento jurídico brasileiro.2. Existem drogas. com dilatação e expulsão do feto. para preservar os direitos sucessórios do ser embrionário). passando pela “morte cardíaca”. o entendimento corrente considera morte como ausência de vida. TANATOLOGIA I 1.: mulher viúva só pode casar-se 10 meses após a morte do marido. Existem substâncias tão tóxicas que. incluindo o pulmão e o encéfalo. Aspectos Legais do Aborto O aborto legal ocorre em duas hipóteses: • gestação proveniente de estupro. Em relação aos meios químicos. 2. abordando os aspectos biológicos e antropológicos. que provocam contração do útero. MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL 1. ou por meios químicos. considerado conceito operacional. os demais órgãos param sucessivamente. • quando não há outra maneira de preservar a vida materna.

Aparecem ½ hora após a parada cardíaca. em que há necessidade de estabelecimento de seqüência. 1. Os livores.1. uma hora após a parada cardíaca. alterações de coloração. O tempo de evolução é variável. 1. Tipos de Morte Quanto ao modo. como: livores. O relaxamento se faz no mesmo sentido. pois na maioria das vezes não é possível a determinação da seqüência de eventos. parada cardiocirculatória. rigidez e de temperatura. Comoriência é a simultaneidade de mortes. de cima para baixo (da cabeça para os pés). contratura muscular. perda da consciência. tem início na cabeça. violentas ou suspeitas. tardios ou consecutivos. midríase paralítica bilateral (dilatação das pupilas). São observados nas regiões de declive. Nesses casos os órgãos de interesse são mantidos em funcionamento com o uso de equipamentos e/ou fármacos (drogas médicas). 34 . progredindo para o pescoço. indicam a possibilidade de morte e são denominados por alguns autores como período de morte aparente. Logo após a parada cardíaca e o colapso e morte dos órgãos e estruturas. Após 12 horas não mudam mais de posição. rigor e algor –. próprio para as situações de transplante de órgãos.1. indicativos de certeza da morte. 1. variam da palidez a manchas vinhosas. hipotermia (ou equilíbrio térmico) e opacificação da córnea. as mortes são classificadas em naturais. como nos casos de afogados brancos. Tais sinais constituem uma tríade – livor. alterações de coloração. rigidez. Alguns autores incluem outros tipos. caso mais comum. como a morte reflexa (“congestão”). surgem os sinais abióticos imediatos ou precoces. ou seja.1. é um procedimento complexo que exige profissionais habilitados. ou parada definitiva da atividade encefálica. podendo mudar de posição quando ocorrer mudança na posição do corpo.O diagnóstico de morte encefálica. devido ao acúmulo (deposição) sangüíneo por atração gravitacional.2. com a demonstração da parada definitiva da atividade encefálica. Morte encefálica O critério de morte encefálica é um caso particular. Algum tempo depois aparecem os sinais abióticos mediatos. não existentes em todos os locais do País. ou seja.3. Tais sinais são considerados de probabilidade.2. ou seja. ou seja. imobilidade e insensibilidade. A rigidez. com fins sucessórios. é uma situação particular em que a morte é diagnosticada. como o pulmão e o encéfalo. indicativos de certeza da morte (morte real).1. 1. parada respiratória. Tal observação é denominada Lei de Nysten. Premoriência e comoriência Tais conceitos são importantes nas situações de mortes muito próximas. Diagnóstico de morte A morte é caracterizada em nosso meio pela presença dos sinais abióticos (sinais que indicam ausência de vida). não aplicável no dia a dia. instrumental e centros médicos de excelência. em que há a necessidade de um diagnóstico rápido e preciso. tida como certa. tronco e extremidades. ou seja. Premoriência é a seqüência de morte estabelecida. “A” morreu antes de “B”. fenômeno denominado de fixação. por outros são chamados de morte intermediária. determinada por mecanismo inibitório.

caracterizando a fase cromática da putrefação. determina a formação de sulfohemoglobina. após ter dado um tiro na cabeça.1. em que o indivíduo realiza atos conscientes e elaborados no período de sobrevida. nas mortes violentas. TANATOLOGIA II 2. A segunda fase.Súbita: aquela que não é precedida de nenhum quadro.estudados em Asfixiologia.1. documento que contém o Atestado de Óbito e que originará a Certidão de Óbito. 35 . putrescina. Putrefação A putrefação é o fenômeno cadavérico mais freqüente. 2. por exemplo. olhos abertos e proeminentes e braços e pernas com aspecto pneumático. Tem início com a fase cromática. homicidas e suicidas. escreve bilhete de despedida (situações não usuais. cadaverina e hidretos de enxofre.1. horas após a parada cardíaca. Nos afogados a mancha verde pode aparecer no tórax. Neste item cabe lembrar das situações de sobrevivência. aparece geralmente dias após e é caracterizada pela produção de gases e de álcool etílico. A terceira fase é a coliquativa. uma das organelas citoplasmáticas. Tal mancha é originada pela produção bacteriana de hidreto de enxofre que. genitais aumentados. fósforo e flúor. Nesse período os cadáveres dos afogados flutuam. quando em combustão. Os gases mais freqüentes são o metano. denominadas docimásticas. Nas mortes naturais. tecidos e substâncias presentes no organismo. Nas mortes naturais. denominada gasosa ou enfisematosa. na morte o enxofre “ocupa” o lugar do oxigênio ou do dióxido de carbono na hemoglobina. Macroscopicamente. mas possíveis). O hidreto de enxofre determina o odor característico de carne podre. como apresentado no parágrafo anterior. o primeiro sinal de putrefação é o aparecimento da mancha verde abdominal na região inguinal direita (porção direita. que estudam as células. Fenômenos Cadavéricos Microscopicamente. o indivíduo tem tempo para reagir e ferir ou matar o desafeto. o médico deverá fornecer “Declaração de Óbito”. como glicogênio e adrenalina. as autópsias devem ser realizadas pelos Institutos Médico-Legais. progride para as outras regiões abdominais e depois para o corpo todo. As mortes violentas são divididas em acidentais. 2.Agônica: aquela precedida de período de sobrevida. cabeça grande. as mortes são classificadas em: . por sua vez. regra geral. após ter sido atingido mortalmente com um tiro no coração. amônia. A formação de gases determina um aumento de volume cadavérico. ou seja. e ocorre o “parto pré-mortal” nas grávidas. O diagnóstico diferencial entre as formas “súbita” e “agônica” é possível com provas especiais. há necessidade de autópsia pelos Serviços de Verificação de Óbitos e. origina o fenômeno denominado “fogo fátuo”. O hidreto de fósforo. inferior do abdome). adquirindo o cadáver um aspecto de pasta. caracterizada pela “liquefação” tecidual. A mancha aparece de 16 a 24 horas após a parada cardíaca. ocorre um processo de autodestruição celular denominado autólise. sem diagnóstico da causa básica (doença ou evento que deu início à cadeia de eventos que culminou com a morte). ou então o suicida que. com língua protrusa. . caracterizada por auto-digestão determinada por enzimas presentes nos lisossomos. Quanto ao tempo. que é inesperada.

caracterizado pela transformação da gordura corporal em sabão. determinando a conservação parcial denominada mumificação. 2. após a parada cardíaca e dos demais órgãos. são observados outros fenômenos cadavéricos. caracterizando a fase terminal denominada esqueletização. .O resultado da putrefação é a redução das partes moles. como o pulmão e o encéfalo. Maceração Quando ocorre alguma perturbação ambiental ou na estrutura dos restos mortais.4. rios e mares. Essa seqüência é preferencial. como os embalsamamentos. . com interrupção das reações químicas.Petrificação: substituição progressiva das estruturas biológicas por minerais. desidratam (secam).2. seguida da putrefação. após a morte. 2. Não pode ser confundida com os processos de conservação artificial. pêlos e partes densas como os tendões. É um fenômeno destrutivo e não significa morte na água e sim permanência em meio líquido. coliquativa e esqueletização. As estruturas orgânicas são progressivamente reduzidas a substâncias mais simples. dando aos restos mortais um aspecto acinzentado e de manteiga e um odor de queijo rançoso (“adipocera”). . Resumindo. Mumificação São conhecidos também fenômenos conservativos. 36 .Refrigeração: em ambientes muito frios. Ocorre quando os restos mortais ficam imersos em meio líquido. gasosa ou enfisematosa. ocorre o período de morte aparente ou intermediária. úmidos e mal ventilados. conservando o tegumento. como os desertos e regiões áridas. A maceração é um desses fenômenos.Fossilização: fenômeno conservativo de longa duração. 2.Séptica: mais comum. cabelos.Asséptica: observada na morte e permanência do feto intra-útero.1. São conhecidos outros fenômenos conservativos como: .1. Saponificação Outro fenômeno conservativo é a saponificação. em lagos. enrugamento tecidual e exsangüinação (saída do sangue pela pele desnuda).Corificação: desidratação tegumentar com aspecto de couro submetido a tratamento industrial. dando um aspecto de pedra com manutenção da morfologia dos restos mortais. dentes. seguido do período de morte real. ocorre geralmente nos corpos que permanecem. com suas quatro fases: cromática. Ocorre com cadáveres de obesos e grávidas e é facilitado por inumações em solos argilosos. sendo caracterizada por putrefação atípica. que farão parte dos ciclos da Natureza. restando os ossos.3. Inicialmente ocorre autólise. . São conhecidas duas formas: . Os cadáveres inumados em solos com alta concentração salina e em ambientes quentes e secos.1.

e essas são. de modo a conferir-lhe fisionomia própria. Também é chamada Psiquiatria Forense e Psiquiatria Médico-Legal. . MÓDULO IX MEDICINA LEGAL Psicopatologia Forense C. ditos cadavéricos. . Personalidade Normal 37 . as questões sobre o tema não estão presentes em todos os exames (concursos). via de regra. Entre os itens programáticos. Segundo Porot.vitalidade: caracterizando um conjunto animado e hierarquizado. A estrutura da personalidade é integrada por: . Na constituição da personalidade interferem ou atuam múltiplas variáveis de ordem biopsíquica (constituição biopsíquica) somadas às experiências vividas (integração). relacionando a personalidade anormal com fins médico legais. Em termos gerais podemos dizer que é o hardware da pessoa. PERSONALIDADE Para iniciar este breve estudo é importante ter noções sobre personalidade e caráter.1. são transformativos. Direito Penal e Direito Processual Penal. considerando o volume de matéria de maior relevância como Tanatologia. Sexologia. que reage e responde. Conhecemos dois tipos: destrutivos e conservativos. . 2. Traumatologia. com oscilações interiores (fatores endógenos) e estímulos exteriores (fatores exógenos).tipo temperamental: disposição emocional básica. constituição é o conjunto da estrutura do organismo e do temperamento.caráter: conjunto de experiências vividas.unidade e identidade: que lhe permitem ser um todo coerente. permitindo muitas interpretações e modificações temporais. organizado e resistente. dentre outras finalidades. julgamos prudente estudar os itens conceituais e de maior probabilidade de consulta nos exames. conceituais. que são suas bases fundamentais (Maranhão). Em função do exposto. os conservativos. Como colocado por Odon Ramos Maranhão.consciência: que mantém a informação sobre o si mesmo e o meio.Tais fenômenos. a mumificação e a saponificação. A personalidade apresenta particularidades. INTRODUÇÃO A Psicopatologia Forense pode ser entendida como sendo o segmento do conhecimento médico que estuda as desordens do psiquismo. Os destrutivos são a putrefação e a maceração e. a saber: . personalidade é a síntese de todos os elementos que concorrem para a conformação mental de uma pessoa. . é considerado de importância menor. O estudo da psique com fins jurídicos é complexo e controverso.relações com o meio ambiente: caracterizadas pela regulação entre o eu e o meio ambiente. Observamos que questões sobre o tema são formuladas também nas provas de Direito Civil. Asfixiologia e Antropologia.tipo morfológico: conformação básica. 2. Delmonte Printes 1. . ou seja.

representadas pelas personalidades psicopáticas. da ideação e do juízo crítico. baseada no critério biopsicológico e. Pícnico Baixo. representadas pelas psicoses (alienações) e pelas demências (deterioração mental). Sheldon descreveu os tipos somáticos. .da harmonia intrapsíquica. magro.do desenvolvimento e da continuidade. . apresenta variações freqüentes de humor. Personalidades Patológicas Ante o exposto. Oligofrenias As oligofrenias. mesomorfo e ectomorfo. é introvertido e oscila da insensibilidade à hipersensibilidade (esquizotímico).2. intenção.É difícil estabelecer um critério de personalidade normal. ombros largos. com tendência à calvície.Civil. descrito por Kretschmer. . consciência e juízo. de base constitucional. mais uma vez baseado nos trabalhos do Professor Odon Ramos Maranhão. englobando três tipos básicos: endomorfo. são insuficiências congênitas. provocando sofrimentos conscientes de causa insconsciente. encanece precocemente. O critério jurídico é definido pelos códigos: .1. Exemplificamos duas classificações: a primeira.da senso-percepção. 2. considerando as capacidades de discernimento. São vários os critérios diagnósticos: Psicométrico 38 . a segunda. Atlético De aspecto trapezoidal. 2. diferem das demências. . da euforia à depressão (ciclotímico). Outras classificações de menor importância são baseadas em critérios filosóficos. relevos musculares evidentes. sociológicos e psicanalíticos. de acordo com Maranhão – presume capacidade geral e faz restrições parciais e absolutas. caracterizadas pelo não-desenvolvimento da inteligência. representadas pelos atrasos e infranormalidades – são as oligofrenias. podemos considerar fazendo parte das personalidades patológicas as seguintes perturbações: . Vários autores adotaram diversos critérios para atingir tal fim. representadas pelas neuroses. caracterizadas por deterioração da inteligência normalmente desenvolvida. também denominadas atrasos ou debilidades mentais. sem pescoço. rosto afilado.Penal – dirige-se a entender o caráter do fato e a determinar-se conforme esse entendimento.do caráter. pouco musculoso. gordo.2. com base embriológica. é explosivo e agressivo (epileptóide). O critério biopsicológico. com abdome volumoso. baseada em tipos somáticos. apresenta três tipos somáticos: Leptossômico Alto.

que não tiram proveito das experiências vividas. 2. Apresentam ausência de sentimentos. entre 60 e 90 segundo um critério e entre 40 e 65 em outro. nem das punições sofridas e que não mantém lealdade real a qualquer pessoa. . Podem ser exemplificadas pelas senis (arteriosclerose. até 30.Idiotas: com Q. Segundo entendimento de Maranhão são indivíduos cronicamente anti-sociais. São inimputáveis. Considerados delinqüentes essenciais. médias e profundas (idiotas). Outros critérios diagnósticos são o social e o clínico. São exemplos a psicose maníaco-depressiva (atual distúrbio bi-polar).Débeis: com Q. da arteriosclerose e dos traumatismos crânio. equivalentes aos idiotas do critério psicométrico. da sífilis.I. são pouco utilizados. porém. 39 . as epilepsias. via de regra. tendência à impulsividade. é o critério mais conhecido. é o critério mais aceito e mais justo. Demências De acordo com o pensamento de Seglas. falta de motivação e intolerância à frustração. social ou não (reação anti-social). Divide os deficientes em três grupos: .3. São semi-imputáveis. são também conhecidos como portadores de personalidades dissociais. São inimputáveis. as demências ou deteriorações mentais são caracterizadas por um enfraquecimento (deterioração) intelectual progressivo. 2. é atualmente muito combatido.encefálicos.4. das drogas. . mas que por apresentar muitas deficiências. as senis. via de regra. primários ou verdadeiros.2. 2. Personalidades Psicopáticas Personalidades psicopáticas ou anti-sociais são as determinadas por conduta anormal.I. grupo ou código.Imbecis: com Q. São inimputáveis. e até 20 para outros. a esquizofrenia e as alterações decorrentes do alcoolismo. quase sempre estruturados e geralmente irreversíveis. dividindo as deficiências em ligeiras (débeis). Escolar Baseado no desenvolvimento e na cronologia. resultando daí as designações alienação ou alienados.2.3. global e incurável. 2.Baseado em medidas do quociente de inteligência. Personalidade Delinqüente Os indivíduos com personalidade delinqüente são portadores de defeitos graves do caráter. Alienações Alienações ou psicoses são alterações psíquicas que tornam o indivíduo impossibilitado de manter uma vida normal e de participar da vida em sociedade (vida coletiva e social). demência e Alzheimer) e pelos traumatismos.2. agressividade. via de regra. incluindo sentimento de culpa. Normalmente são religiosos.I. para alguns autores. São os “loucos de todo o gênero” do Código Civil e a “doença ou doente mental” do Código Penal. sempre em dificuldades. entre 30 e 60 segundo um critério e entre 20 e 40 em outro. Permite ainda um tipo denominado atrasados profundos.

O alcoolismo e as outras toxicomanias são apresentadas no tópico “Toxicologia”.).7. surdimutismo. geralmente sem base anatômica conhecida.De acordo com Jerkins. Neuroses As neuroses manifestam-se por alterações freqüentes. São exemplificadas por distúrbios neuro-vegetativos (azia. inadaptação à realidade e sensação de insuficiência afetiva e social. dor e/ou batedeira no peito etc. Como complemento. em interdição. histeria. colite etc. as diferenças mais significativas entre as neuroses e a personalidade delinqüente. dentre outros. o que o leva a desordens do comportamento e à ação anti-social. baseadas nos trabalhos de Maranhão. citado por Maranhão. o psicopata (personalidade psicopática) apresenta falta de adequadas inibições. conforme o caso concreto em análise. 2. 2. de aranha etc. A incapacidade civil resulta. Os principais modificadores da capacidade civil são: a idade. dentre outras. disciplinada pelos Códigos Penal (18 anos) e Civil (até 16 anos é absoluta. mas admite a situação Caráter normal Personalidade delinqüente Sem conflito interno Agressividade voltada à sociedade Alivia tensões internas por meio de ações criminosas Atribui seus impulsos ao mundo exterior Desenvolve defesas emocionais Comportamento dissocial Procura negar a passividade e dependência com atitudes agressivas Caráter deformado (dissocial) a MEDICINA LEGAL 40 . As pessoas portadoras de neuroses são pessoas capazes. Neuroses Com conflito interno Agressividade voltada a si Gratifica-se por fantasias Admite seus impulsos e os reconhece como seus Desenvolve relações emocionais positivas Socialmente ajustado Reage à passividade e dependência com sofrimento. Caracterizam-se por perturbações afetivas. pois a personalidade está preservada. apresentamos. Incidente de Sanidade Mental Quando há dúvida sobre a integridade psíquica do agente criminal. tutela ou curatela. ou pode resultar. Capacidade de Imputação e Capacidade Civil Capacidade civil é a aptidão de alguém reger bens e pessoas.5. fobias (“medo” de altura. doenças psicossomáticas (gastrite.). de pontas. angústia e compulsão. dentre outros. personalidade psicopática. por exemplo). alcoolismo. 149 e 151 do Código de Processo Penal. determina-se o “exame prévio”.). enquanto a personalidade pseudo-social (delinqüente) se mostra capaz de se adaptar a grupos de comportamento desviado. que não alteram a personalidade. perturbações mentais (alienações) e debilidade mental (oligofrenias). 2.6. nos termos dos arts.

com o uso de reagentes como a solução de eritrosina amonical. resultando em imagens características denominadas cristais de Teichmann. pouco utilizadas hoje em dia. mecônio. Temos também provas específicas. sendo essa última a mais utilizada em nosso meio. como a coloração denominada árvore de natal – que individualiza os espermatozóides no campo observado ao microscópio óptico –. Tais provas são denominadas de certeza. Kastle-Meyer e Van Deen. quando recentes). Hoje dispomos de técnicas mais modernas. 1. SANGUE As manchas ou amostras contendo sangue são identificadas por meio do estudo microscópico. como a soroprecipitação de Uhlenhuth e a de inibição de antiglobulina de Coombs. conhecidas como cristais de Florence. Amado Ferreira. ESPERMA As manchas ou as amostras contendo esperma são identificadas pelo diagnóstico dos espermatozóides. Tais provas são chamadas de orientação. utilizamos as de probabilidade. que diagnostica o líquido espermático. não tendo valor isoladamente. é possível também a identificação de manchas e de amostras contendo urina. com uso de reagentes químicos. Nos exames é restrita ao estudo das manchas e ao diagnóstico (identificação de amostras). substituídas por inúmeras provas com o uso de diversos tipos de reagentes ou de técnicas imunológicas e imunohistoquímicas. As técnicas são classificadas em três níveis de confiabilidade: orientação – as que servem para dirigir os exames. Na impossibilidade do uso das técnicas de certeza. saliva. que utilizam diversos tipos de reagentes. e a denominada “P50”. Tais provas são chamadas de certeza. Nos locais de crime e nas autópsias. Por meio de técnicas especiais. em exame microscópico direto ou por meio de provas como soro anti-esperma ou de Corin-Stockis. líquido amniótico. odor e consistência. fibras em geral. 2. é possível a identificação de sangue por meio de técnicas de orientação e de probabilidade.Criminalística A Criminalística é um dos assuntos menores nos concursos em geral. cabelos e pêlos. por espectroscopia (equipamentos laboratoriais com luzes especiais) ou por técnicas de laboratório. cristais de Barbério e fosfatase ácida. Na impossibilidade de realização dessas provas. colostro. verniz caseoso. probabilidade – as 41 . como as reações de Adler. as manchas de esperma podem ser reconhecidas pela cor (brancas ou amarelo-citrinas. que consiste na obtenção de imagens microscópicas de espermatozóides coloridos. fezes. leite.

Comprometimento da saúde é a doença. para complementação. f) Conhecer os critérios de morte Conhecer os sinais abióticos imediatos. inutilização é a perda maior que 70 ou 75%. INTRODUÇÃO Medicina Forense. b) Diferenciar função habitual de trabalho Função habitual corresponde às funções da vida em geral. em concursos para o Ministério Público. podemos dizer que é uma alteração do hardware. usados nas situações de transplante de órgãos. integridade corporal e saúde Lesão corporal é a ofensa à integridade corporal e à saúde. como perigo real (diagnóstico. e perda equivale. MÓDULO XI MEDICINA LEGAL Medicina Forense Aplicada ao Código Penal 1. É a capacidade dependente de aprendizagem especializada. comer e tomar banho. bem como preparar os candidatos para responder questões que incluam conhecimentos de Medicina Forense – habituais nas provas de Direito Penal. De forma geral. idade e nível socioeconômico). é a alteração funcional (software). Magistratura e outros. mas não o seu funcionamento. a capacidade de trabalhar. que ainda não foram abordados. à amputação. g) Entender as diferenças entre morte agônica e súbita 42 . aplicada ao Código Penal e ao Código Civil (essa última é matéria a ser abordada no próximo módulo). ou seja. que não necessitam de aprendizado especializado. entre outras. É importante rever as apostilas de Tanatologia. Civil e Processual Penal –. Função de trabalho é um bem maior. perda e inutilização Debilidade é a perda da capacidade até 70 ou 75% (de membro. o critério de visibilidade e de gradiente estético anterior (sexo. regra geral. a sensação vexatória para quem mostra e/ou para quem vê uma deformidade. e entender as diferenças dos critérios de morte encefálica. c) Diferenciar debilidade. faz parte do conteúdo programático do curso normal e visa reiterar itens importantes. Comprometimento da integridade corporal é a ofensa orgânica. e) Conhecer os critérios de deformidade permanente Conhecer os critérios de deformidade permanente. e não prognóstico) e nexo causal. 2. como. o conjunto de ações diferenciadas típicas do homem. PONTOS RELEVANTES a) Caracterizar lesão corporal. por exemplo.que admitem exceções e só têm valor quando não podemos realizar as de certeza – as de maior nível de confiabilidade. d) Conhecer os critérios de perigo de vida Conhecer os critérios de perigo de vida. como andar. O aluno deve rever as apostilas de Traumatologia. sentido ou função). a estrutura está comprometida. enfermidade. sem comprometimento funcional.

como o termo informa. A perícia pode ser realizada através de relatório (laudo ou auto). verificando o comportamento do pulmão em água. de início. MÓDULO XII MEDICINA LEGAL Medicina Forense Aplicada ao Código Civil 1. Magistratura e outros. os estudos necroscópicos são desenvolvidos nos institutos médicos legais. (ver arts. a flutuação + respiração extra-uterina (vida extra-uterina). hemorragia. como Instituto Médico Legal. l) Diferenciar peritos oficiais de “louvados” São peritos oficiais os funcionários de repartição pública. k) Conceituar perícia Exames realizados por técnicos a serviço da Justiça. parecer (opinião) e atestado (constatação). caracterizada por intervalo de tempo entre a ação e a morte. As mortes suspeitas. presença de esperma na vagina e gravidez. o primeiro evento notado é a própria morte. procura pesquisar a atividade pulmonar extra-uterina. que envolvem conceitos ou conhecimentos médicos. j) Conhecer a perícia que diferencia natimorto de nativivo A prova mais conhecida – docimasia de Galeno –. 434 do CPC e 159 do CPP). Nas mortes violentas. ou seja. transexualismo pessoas que apresentam fenótipo sexual definido. 421 e 431 do CPC e 195 do CPP). salvo em casos em que a causa básica da morte não é conhecida. de intersexualismo pessoas que 43 . ou seja. baseada nos estudos gregos. • Sinais certos: rotura himenal. caso em que não se observa. com comportamento desse e rejeição ao primeiro. suicídio e acidente). Em tais situações. durante a autópsia. os restos mortais são encaminhados aos serviços de verificação de óbito. o médico-assistente é obrigado a fornecer a Declaração de Óbito.A morte agônica . a ação. São também chamados de peritos não-oficiais. Nas situações de morte natural. 2. são analisadas de forma igual às mortes violentas. nos concursos do Ministério Público. que evitam os resultados falso-positivos (putrefação) e falso-negativos (broncopneumonia). i) Conhecer os sinais duvidosos e certos de conjunção carnal • Sinais duvidosos: dor. a fim da pesquisa necroscópica ser realizada. ou seja. buscando obsessivamente a “correção” morfológica (Maranhão) . entre outros (ver arts. São peritos “louvados” os nomeados. e não-flutuação = ausência de respiração extra-uterina. Direito Civil e Direito Processual Penal. PONTOS RELEVANTES Diferenciar e caracterizar os desvios de gênero. aplicada ao Código Civil. Atualmente. de ocorrência súbita. objetiva reiterar itens importantes do conteúdo programático do curso normal. h) Conhecer as modalidades de morte Aqui. mas psicologicamente pertencem a outro sexo. lesões e contágio (contaminação). e morte súbita. quase sempre. visando questões formuladas nas provas de Direito Penal. Instituto de Criminalística e Manicômio Judiciário. INTRODUÇÃO O estudo da Medicina Forense. morte natural e violenta (homicídio. as provas mais seguras são as histológicas.

ou um movimento muscular esquelético (critérios da Organização Mundial da Saúde). conhecer e diferenciar os tipos de aborto. tem início com o nascimento e fim com a morte. Não há definição de vida aceita por todos. morte com a finalidade de abreviação de sofrimento ou agonia. bem como os hipodesenvolvimentos da personalidade. conseguimos apenas diagnosticar o estado vital. o surdimutismo. sem valor atual. O estado vital tem início com a fecundação e tem fim com a morte.Concepiendi: relacionado à capacidade de procriação (esterilidade ou infertilidade). Pode ser classificado em instrumental. funcional (idade. Por exemplo. Também é necessário conhecer os critérios diagnósticos e limites dos ciclos menstrual e gestacional. Igualmente é preciso conhecer os critérios de diagnósticos e limites do puerpério. Muitas outras classificações são conhecidas. Nos homens são conhecidos dois tipos de impotências: coeundi e generandi. e psicofuncional (psicológica). apresentar malformação e anomalias do pênis e do escroto. Nas mulheres são descritos dois tipos: . e de ortotanásia = morte justa. tendo início (ou diagnóstico) com os critérios apresentados no estudo da Tanatologia. morte e pessoa. O tipo generandi é caracterizado por alterações qualitativas e/ou quantitativas dos espermatozóides (esterilidade ou infertilidade). citamos os limites do ciclo gestacional. organofuncional. para muitos é impossível tal tarefa e. É importante conhecer as modificadoras da capacidade civil. Para conceituar. É necessário conceituar vida. por exemplo. A pessoa. à idade e às enfermidades. conceituar e diferenciar as impotências – estados conhecidos pela incapacidade para a realização de conjunção carnal e/ou para a procriação. único que pode ser determinado em perícia após a morte. O termo é válido tanto para homens como para mulheres. Conhecer. Entre os critérios. assim.apresentam alterações genitais e/ou extra-genitais. relacionada à ereção. vaginismo. é necessário rever o módulo de Sexologia. surgem os direitos fundamentais do homem (direito à vida). O aluno deve rever o módulo de Sexologia. Modificam essa aptidão a idade. para muitos o equivalente à personalidade. período de 42 dias após a gestação. como o desligamento da aparelhagem/instrumental de suporte de vida. que é a aptidão para a regência pessoal dos atos e dos bens. denominadas hermafroditas. Outro ponto importante. coitofobia) e orgânico (enfermidades). o mais importante é o movimento respiratório. eutanásia passiva.Coeundi: incapacidade para realização de conjunção carnal. pelas docimásias de Galeno e Breslau e pelas 44 . de 120 a 300 dias. é conhecer as provas de vida-uterina – um movimento respiratório. e conhecer os limites (início e fim). podendo ser instrumental (alterações e anomalias vulvovaginais). que não deve ser esquecido. . de difícil diagnóstico. rever o módulo de Antropologia. o alcoolismo e as alienações. para complementação do assunto. Para conhecer e diferenciar identidade de semelhança. ou seja. caracterizada por atitude passiva. Consideramos prudente conhecer o significado de eutanásia = morte boa ou homicídio piedoso. O tipo coeundi caracteriza-se por comprometimento da capacidade de realização de conjunção carnal. Muitos dos conceitos e limites apresentados não são aceitos por todos. A morte é o estado de ausência de vida. Decorrentes de tais conceitos. ou um batimento cardíaco ou umbilical.

O aluno não deve deixar de rever as apostilas de Sexologia para complementação. 45 .condições histológicas.

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