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Alfred P. Sinnett - O Budismo Esotérico

Alfred P. Sinnett - O Budismo Esotérico

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  • Prefácio à Edição Comentada
  • Prefácio da Edição Original
  • Ao Leitor
  • 1. INSTRUTORES ESOTÉRICOS
  • COMENTÁRIOS
  • 2. A CONSTITUIÇÃO DO HOMEM
  • 3. A CADEIA PLANETÁRIA
  • 4. OS PERÍODOS DO MUNDO
  • 5. O DEVACHAN
  • 6. KÂMA-LOKA
  • 7. A ONDA DA MARÉ HUMANA
  • 8. O PROGRESSO DA HUMANIDADE
  • 9. BUDA
  • 10. O NIRVANA
  • 11. O UNIVERSO
  • 12. REVISÃO DA DOUTRINA

O BUDISMO ESOTÉRICO

A.P.SINNETT PENSAMENTO

ÍNDICE

Prefácio à Edição Comentada............................................................................2 Prefácio da Edição Original...............................................................................5 Ao Leitor..............................................................................................................8 1. INSTRUTORES ESOTÉRICOS...................................................................9
COMENTÁRIOS COMENTÁRIOS COMENTÁRIOS 15 22 29

2. A CONSTITUIÇÃO DO HOMEM.............................................................17 3. A CADEIA PLANETÁRIA..........................................................................24 4. OS PERÍODOS DO MUNDO......................................................................31 5. O DEVACHAN..............................................................................................39
COMENTÁRIOS COMENTÁRIOS COMENTÁRIOS COMENTÁRIOS 48 55 66 75

6. KÂMA-LOKA...............................................................................................49 7. A ONDA DA MARÉ HUMANA..................................................................61 8. O PROGRESSO DA HUMANIDADE........................................................68 9. BUDA..............................................................................................................76 10. O NIRVANA................................................................................................83 11. O UNIVERSO..............................................................................................87 12. REVISÃO DA DOUTRINA.......................................................................93

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Prefácio à Edição Comentada

Este livro foi publicado pela primeira vez no começo de 1883. Desde então, recebi numerosas informações referentes a muitos dos problemas de que trata. Mas apraz-me dizer que, se os ensinamentos posteriores mostram o caráter incompleto de minha concepção original da doutrina esotérica, de modo algum eles evidenciam qualquer erro material. Na verdade, recebi do próprio Grande Adepto, de quem obtive minha instrução, a certeza de que o livro, como se apresenta agora, é uma exposição segura e digna de confiança do esquema da Natureza tal como os iniciados da ciência oculta a entendem. Esta pode ser, em futuro próximo, ampliada consideravelmente, se o interesse que estimula for suficiente para levar a uma procura acentuada de ensinamentos desse tipo por qualquer um, mas nunca terá de ser reformada ou justificada. Em vista dessa certeza, parece melhor que eu exponha minhas conclusões últimas e as minhas informações complementares sob a forma de comentários em cada um dos ramos do assunto, sem fundi-los no texto original, onde, devido às circunstâncias, não me disponho a introduzir qualquer alteração. Este é o plano adotado para a presente edição. Querendo transmitir meu reconhecimento indireto da harmonia geral a ser estabelecida entre esses ensinamentos e os reconhecidos dogmas filosóficos de algumas outras grandes escolas de pensamento hindu, passo aqui a referir-me às críticas a este livro, publicadas na revista indiana Theosophist, em junho de 1883, por "Um hindu brâmane". Lamenta-se o autor que, ao interpretar a doutrina esotérica, eu me tenha afastado desnecessariamente da nomenclatura sânscrita aceita. Entretanto, sua objeção significa simplesmente que, em alguns casos, dei nomes pouco familiares para idéias já incorporadas aos sagrados escritos hindus, e que honrei demasiado o sistema religioso comumente conhecido por Budismo, apresentandoo mais intimamente ligado à doutrina esotérica do que nenhum outro. Diz o meu crítico brâmane: "A sabedoria popular da maior parte dos hindus até o dia de hoje é mais ou menos influenciada pela doutrina esotérica ensinada no livro de Mr. Sinnett, impropriamente denominado O budismo esotérico, enquanto que não existe uma só aldeia ou vilarejo, em toda a índia, em que o povo não esteja mais ou menos familiarizado com os sublimes princípios da filosofia Vedanta. ... Os efeitos do karma no próximo nascimento, o gozo de seus frutos, bons ou maus, num estado subjetivo ou espiritual de existência, anterior à reencarnação da mônada espiritual neste ou nalgum outro mundo, o vagar das almas insaciadas ou dos cascões humanos na Terra (Kâma-loka), os períodos malaicos e manvantáricos... não são apenas inteligíveis, como também, para muitos hindus, são familiares sob nomes diferentes dos usados pelo autor de O budismo esotérico”. É tanto melhor que assim seja — permito-me contestar — sob o ângulo dos leitores ocidentais, para os quais deve ser indiferente se a religião esotérica, hindu ou budista, está mais ou menos próxima da ciência espiritual absolutamente verdadeira, que por certo não deveria admitir nome algum que pareça fazê-la solidária, no mundo exterior, a uma fé mais do que a outra. Na Europa, tudo o que podemos aspirar é chegar à clara compreensão dos princípios essenciais daquela ciência; e se neste livro encontramos definidos esses princípios, conforme os representantes ilustrados de mais de uma das grandes crenças orientais, como à altura de verdades subjacentes a todos os diversos sistemas, estaremos tanto mais propensos a crer que a presente exposição da doutrina merece nossa atenção. Com referência à crítica de que os ensinamentos, aqui reduzidos a uma forma inteligível, estão incorretamente descritos pelo nome que este livro leva, não posso fazer nada melhor do que citar a nota com que o redator de Theosophist replica a seu colaborador brâmane. Essa nota diz: "Publicamos a carta anterior porque expressa, em linguagem cortês 2

e de modo hábil, as opiniões de grande número de nossos irmãos hindus. Ao mesmo tempo, deve ser dito que o nome O budismo esotérico foi dado à última publicação de Mr. Sinnett, não porque a doutrina nela exposta pretenda estar especialmente identificada com qualquer forma particular de fé, mas porque Budismo significa a doutrina dos Budas, dos Sábios, isto é, a Religião da Sabedoria". De minha parte, necessito apenas aduzir que aceito e admito plenamente essa explicação do assunto. Seria, na verdade, uma concepção errônea do propósito a que este livro responde o fato de supor que se preocupa em recomendar, ao gosto do diletante moderno, modos de pensamento religioso próprios do Mundo Antigo. As formas externas e fantasias religiosas, em uma época, podem ser mais puras e, em outra, mais corrompidas, mas inevitavelmente se adaptam a seu tempo, e seria extravagância imaginar que se possam substituir umas pelas outras. Esta declaração não é formulada na esperança de converter em budistas os seguidores de qualquer outro sistema, porém com o fito de comunicar aos pensadores que nos lêem, tanto no Oriente como no Ocidente, uma série de idéias-guia, referentes às verdades efetivas da Natureza e aos fatos reais do progresso do homem através da evolução, e que, tendo sido comunicadas ao autor pêlos filósofos orientais, amolda-se assim com mais facilidade ao Oriente. Quanto ao valor desses ensinamentos, talvez se apreciará melhor quando se perceber claramente que seu caráter é mais científico do que controverto. Ai verdades espirituais, se são verdades, podem evidentemente ser tratado com espírito no menos científico do que as reações químicas. E nenhum sentimento religioso, de qualquer espécie que seja, precisa ser perturbado pela importação, ao repertório geral do conhecimento, de novos descobrimentos sobre a constituição e a natureza do homem, no plano de suas mais altas atividades. Á religião verdadeira atinaria, eventualmente, com um procedimento para assimilar muitos conhecimentos recentes, do mesmo modo que sempre acaba por admitir maior expansão do Conhecimento, no plano físico. À primeira vista, isso pode confundir noções associadas a crenças religiosas — assim como, no início, a geologia complicou a cronologia bíblica. Mas com o tempo os homens foram vendo que a essência das afirmações bíblicas não reside no sentido literal das passagens cosmológicas do Antigo Testamento, e os conceitos religiosos purificaram-se muito com o subsídio que assim lhes pôde ser propiciado. Da mesma forma, quando os conhecimentos da ciência positiva começarem a abranger uma compreensão das leis relativas ao desenvolvimento espiritual do homem, alguns conceitos errôneos da Natureza, durante muito tempo misturados com religião, poderão ser suplantados, mas apesar de tudo se descobrirá que as idéias fundamentais da verdadeira religião foram mais aclaradas e robustecidas, mediante aquele processo. À medida que tais procedimentos continuam, em especial as dissensões internas do mundo religioso serão fatalmente superadas. A luta entre seitas pode ser devida apenas à deficiência da parte dos sectários rivais em compreender os fatos fundamentais. Quem sabe chegará um dia em que as idéias fundamentais, nas quais a religião se apóia, sejam compreendidas com a mesma certeza que compreendemos algumas leis físicas elementares e que as discordâncias sobre elas sejam consideradas ridículas por todas as pessoas instruídas; então, não haverá lugar para tantas acres divergências no sentimento religioso. As circunstâncias externas ao pensamento religioso serão diferentes ainda, em diferentes climas e entre raças diferentes, como diferem a indumentária e o regime alimentar; mas tais diferenças não causarão antagonismo intelectual. A meu ver, os fatos fundamentais da natureza indicada são desenvolvidos na exposição da ciência espiritual que obtivemos agora de nossos amigos orientais. Para os pensadores religiosos, é completamente inútil afastar-se deles sob a impressão de que esses argumentos favoreçam algum credo oriental, em detrimento da crença mais generalizada do Ocidente. Se a ciência médica descobrisse um fato novo sobre o corpo humano, se desvendasse algum princípio até agora oculto, em que se baseasse o crescimento da pele, da carne e dos ossos, essa descoberta não seria encarada como uma violação do domínio da

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deixar que eles exerçam seus efeitos razoáveis e legítimos nas crenças colaterais. a origem da alma das operações da matéria altamente desenvolvida. A teoria que assinala o desenvolvimento do homem. uma operação separada que não encontra na próxima e similar operação qualquer compensação pêlos sofrimentos que a acompanham. ao mesmo tempo. Entretanto. sob a lei de Darwin. Todavia. a metafísica profunda da teoria que revela a origem do princípio da vida. desenvolve e por fim esgota ou transforma as experiências pessoais de cada vida em desenvolvimento 4 . E realmente nos insere numa série de fatos naturais relacionados com o crescimento e com o desenvolvimento das mais altas faculdades do homem. Esta teoria reconhece a evolução da alma como um processo que é inteiramente contínuo em si mesmo. ao passo que. nenhum fruto de seus esforços. depois. Nos intervalos entre as suas encarnações físicas. Nosso melhor intento é perguntar. que nos estados espirituais posteriores desta alma a justiça será concedida. Mas. ramificando-se em muitas direções. podemos sabiamente examinar os fatos. Nenhuma justiça. na suposição de nova e independente criação de uma alma humana. sem entrar neste assunto. Sendo um fato. primeiramente com espírito científico e. prolonga. encontramos a alma como uma entidade emergente do reino animal e passando às formas humanas primigênias. cada vez que nova forma humana é produzida por desenvolvimento fisiológico. por agora. de perpetuação da vida individual. À vida de cada uma é. em cada caso.religião. por sua vez. com opiniões preconcebidas. assim como a verdade religiosa. por exemplo. Deixando de lado. tal como ela aparece nos ensinamentos da ciência esotérica. pode-se argumentar. de geração em geração. harmoniza-se em todo caso com essas analogias. devido às sucessivas encarnações nas formas. basta por enquanto perceber que a teoria da evolução espiritual. por meio de sucessivos e graduais aperfeiçoamentos das formas animais. devidamente entendida. facilita o acesso à compreensão do processo concorrente superior que faz evoluir a alma do homem no reino espiritual da existência. compreendida na presente exposição. em parte. malgrado tal descoberta pudesse ser um princípio para reconciliar ciência e religião. ver-se-á que a afirmação principal que agora se divulga é uma teoria antropológica que completa e espiritualiza as noções correntes da evolução física. Não se enquadra. Se assim é. nenhum homem que permita que suas faculdades superiores tomem parte em seus pensamentos religiosos desprezaria como hostil à religião um fato positivo plenamente demonstrado da Natureza. por uma descoberta que. a primeira causa original do cosmos. revelasse urna série mais delicada de atividades que os manipulassem. coincide com as exigências da justiça e satisfaz a demanda instintiva. por trás da ação dos nervos. As séries desarticuladas de formas progressivas existentes na Terra não têm individualidade. sob todos os seus aspectos. À medida que a explanação prossegue. pela continuação da vida individual. por intermédio de uma grande série de formas dissociadas que servem como instrumentos. essa concepção está em desacordo com a idéia fundamental da evolução que faz depender ou crê fazer depender. inevitavelmente se ajustaria a todos os outros fatos. Isso acontece com a grande massa de informações relativas à evolução espiritual do homem. Porém. Á atual visão do assunto reconcilia o método evolucionista com o anseio profundamente arraigado em cada entidade consciente. antes de nos fixarmos no relato que dou a público. se encarada como uma explicação que compreende a criação inteira. é uma teoria muito desinteressante e pobre. embora efetivado. sem estar ainda preparada naquele tempo para a mais elevada vida intelectual com que estamos familiarizados. do mesmo modo como eles manipulam os músculos? De qualquer modo. está constantemente se ajustando para ser a sua morada a cada retomo à vida objetiva. no estado presente da humanidade. adquire gradualmente aquele raio de experiência em que a resultante é o seu mais elevado desenvolvimento. O domínio da religião poderia considerar-se invadido. mas. cujo aprimoramento físico. nesse caso. Isso não deixa de ser discrepante com as analogias da Natureza.

porém. pêlos quais atualmente passamos. a verdade absoluta sobre as coisas espirituais. que deixaram perplexos os escritores que se ocuparam dessa religião. No decorrer dos tempos. Suas opiniões sobre a Natureza foram desenvolvidas graças às pesquisas de uma série enorme de perquiridores. da qual todas as religiões e filosofias tiraram o que possuem de verdade e com os quais toda religião deve coincidir. Seus princípios não nos são apresentados como a invenção de algum fundador ou profeta. ao mundo. Esta é a chave da explicação verdadeira daquela dificuldade aparente que persegue a forma mais crua da teoria da reencarnação. 5 . ao estado real dos fatos nas vastas regiões de atividade vital. quer à metafísica pura. no que diz respeito às coisas espirituais. mas também de muitas das desconcertantes experiências que ocorrem na região limítrofe entre estas duas condições — ou antes. durante tanto tempo. é considerada não só por seus seguidores. pela posse de faculdades e percepções espirituais de uma ordem mais elevada que as pertencentes à humanidade comum. O exame dos acontecimentos. a um sentimento de insegurança nas especulações além dos limites da experiência física. chegou a ser encarado por seus defensores como sendo a verdade absoluta. Nas páginas que seguem. Não se dá conta da enorme importância do estado espiritual intermediário. Cada homem é inconsciente das vidas por que passou anteriormente. por isso sustenta que as vidas subseqüentes não podem lhe proporcionar compensação alguma para esta presente. uma vez propriamente entendida a doutrina esotérica. A doutrina secreta. o repertório de conhecimentos assim acumulados. quer se refira à religião. que em extensão considerável tenho agora a oportunidade de expor. e oferecem.proporciona abstrato. Mais ainda. mais além desta existência terrena. uma chave prática para o significado de quase todo o antigo simbolismo religioso. se pretende ser um modo de expressão da verdade. Prefácio da Edição Original Os ensinamentos compreendidos neste volume lançam luz sobre questões relacionadas com a doutrina budista. Na Ásia. que os pensadores prudentes dificilmente reconhecem como objeto razoável de investigação. referentes às origens do mundo e do homem e aos destinos posteriores de nossa raça — relativos também à natureza de outros mundos e a estados de existência que diferem dos de nossa vida presente — comprovados e examinados em cada um de seus aspectos. A filosofia européia. ver-se-á que ela possui razões muito poderosas para que todos os pensadores sérios lhe dêem atenção. apresentada algumas vezes pela especulação independente. como por grande número dos que nunca esperaram conhecer dela outra coisa do que saber que existe. acostumou-se. no qual de modo algum esquece as aventuras e emoções pessoais pelas quais passou e durante o qual refina estas em outros tantos progressos cósmicos. como uma mina de conhecimentos inteiramente dignos de fé. tenta-se elucidar este mistério. profundamente interessante. e constantemente sujeitos a completo exame. adquiriram-se outros hábitos de pensamento. entre a vida física e a espiritual — que tanto prenderam a atenção e foram objeto de especulação nos últimos anos. não é só' uma solução dos problemas da vida e da morte. qualificados para sua missão. nos países mais civilizados. Seu testemunho não se baseia em nenhuma escritura. pela primeira vez.

parecer-lhes-á uma terrível profanação dos grandes mistérios. é que o Budismo Esotérico. não deve ser concebido como constituindo mero imperium in imperio — uma escola central de cultura no vórtice do mundo budista. Essa prova não se apresenta por nenhum processo de argumentação. E. doutrinas que até agora foram tidas por tais pessoas como de importância demasiado majestosa. são as mesmas do Bramanismo esotérico. portanto. desde os tempos de Gautama Buda. um aspecto que foi tão fortemente impresso sobre ela. de imediato. À exposição das doutrinas deve ser considerada pelo leitor em seu conjunto. À medida que o Budismo se retira dos recessos de sua fé. algumas vezes. Até hoje. para que se fale delas apenas em circunstâncias de condizente solenidade. E as convicções especiais ou o fanatismo vulgar podem fazer com que. o Budismo Exotérico permaneceu em união mais estreita com a doutrina esotérica do que qualquer uma das outras religiões populares. que pode às vezes ser desairosa e irreverente. porque creio que essa pretensão pode ser justificada. Considerando este livro do ponto de vista europeu. seria pouco razoável esperar que se possa livrá-lo da dureza costumeira dispensada às idéias novas. Uma explicação desse sentimento pode ser vista surgir. esta santidade tem prescrito sua ocultação absoluta do rebanho profano. apelarão à 6 . como também constituem o Budismo Esotérico. conferindo a estes um significado vívido. E a doutrina esotérica é assim considerada por todos os "iluminados" (no sentido budista) das crenças como a verdade mais absoluta referente à Natureza. e para estudantes acidentais. mas me aventuro a declarar que o conteúdo deste livro é de suma importância para o mundo. Com tristeza. que no geral lhes parece faltar. com as descrições familiares dos ensinamentos budistas. O fato. mas por isso mesmo contribuindo para que a doutrina esotérica seja estudada em seu aspecto budista: além disso. à origem do Universo e aos destinos para os quais tendem os seus habitantes. Apesar de tudo isso e ainda que dar à luz tais conhecimentos seja coisa lógica de se esperar de expositores europeus como eu. da extrema sacralidade que está sempre incorporada aos antigos guardiães das verdades íntimas e vitais da Natureza. que pela primeira vez o abordam. Não digo que dentro dos limites deste volume se possa provar a autenticidade da doutrina esotérica. o colorido budista penetrou por completo em sua substância. Com certeza. contudo. que a própria magnitude da presente pretensão em benefício da doutrina esotérica suscite esta afirmação oriunda da região a que se refere seu título — a da pesquisa relativa ao significado real e interno da religião definida e específica chamada Budismo. Esta conclusão prima fade pode se determinar pela importância que tenham para o indivíduo as opiniões que se vão expor sobre a Natureza. de forma irresistível por si mesma. As concepções cósmicas e o conhecimento da Natureza nos quais repousa o Budismo. Submeter à crítica. talvez. embora de maneira alguma esteja divorciado das relações com o Budismo Exotérico. descobre-se que estes se misturam com os recessos de outras crenças. Pode-se supor.De fato. A exposição da ciência interna estará associada. seria imprópria qualquer outra denominação. e pelas razões que existem para confiar nos poderes de observação daqueles que a comunicaram. Embora a essência da doutrina seja bem mais remota. mas apenas pelo desenvolvimento de per si das faculdades exigidas à observação direta da Natureza. Ao mesmo tempo. ao longo da senda indicada. tal conduta se torne particularmente hostil. no caso presente. o será com surpresa e pesar por grande número de discípulos iniciados. antes que possa compreender por que os iniciados na doutrina esotérica consideram como de assombrosa grandeza a situação que envolve uma revelação atual do esboço geral desta doutrina. O que vou expor ao leitor é o Budismo Esotérico. isso é uma pretensão audaciosa. será encarado com grande pesar e desgosto pelos seus mais antigos e regulares representantes. ao Homem. no que este costume de ocultação — tradição de muitos séculos — vai sendo na atualidade substituído pelo novo costume que determina o aparecimento deste livro.

Já o ardor agora demonstrado nas "Pesquisas Psíquicas" por homens ilustres e cultos à testa da Sociedade que se dedica. por certo. Somente após ler com atenção estas explicações é que a atitude em geral. nas especulações literárias a respeito de problemas que ultrapassam os limites da ciência física. no momento. tenham provocado tal conduta por parte dos grandes guardiães da verdade esotérica. durante esta crise. a exposição em benefício do mundo — e. segundo minhas convicções íntimas — conhecendo. foi tão zelosamente guardado até hoje que nenhum gênero de pesquisas literárias. Quanto às circunstâncias sob as quais estas revelações foram pela primeira vez apresentadas no Theosophist. com respeito às suas atuais revelações ou à reticência anterior. E apenas em virtude dos atos e intenções destes instrutores esotéricos que decidiram atuar por meu intermédio é que possuo um determinado conhecimento. Mas. que a Sociedade Teosófica. revista mensal publicada em Madras. alguns outros escritores empreenderam. ajustam-se naturalmente em seus respectivos lugares no pavimento já concluído. em que meu livro é. hoje em dia. As opiniões sobre a Natureza. deve ser considerado em relação com o alcance peculiar da própria doutrina. como perceberão nossos leitores. por meio da qual e graças à minha relação com ela vieram às minhas mãos as informações deste livro. O assunto que. Parte das informações contidas nas páginas que se seguem foi. parece. a tal propósito. se proibia aos iniciados jogar pérolas aos porcos. O modo de agir dos graduados na ciência esotérica. agora expostas. são bastante estranhas para os pensadores europeus. Como quase todos os artigos foram assinados por mim. embora houvessem esquadrinhado a índia inteira. apesar de estarem ainda muito longe de ser iniciados. não se permitiu que a regra funcionasse por mais tempo em detrimento de todos aqueles que. afinal. pêlos diretores da Sociedade Teosófica. conforme eu penso. em diferentes sentidos. do qual este volume é uma parte — das mesmas verdades que. por fim. pôde trazer à luz a menor partícula do conteúdo aqui revelado. estão aptos. em Londres. e somente circunstâncias posteriores indicaram-me como o agente através de quem esta comunicação poderia ser feita de modo conveniente. Ninguém teria arrancado deles nem a sua primeira letra. como conheço. É preciso que se saiba que não me considero o único expositor da verdade esotérica para o mundo exterior. primeiramente. Felizmente. Foi. segundo creio. a apreciar essa concessão. é exibido em proveito dos que estão aptos a recebê-lo. pode ser criticada ou mesmo compreendida. agora completadas e aqui expostas. das relações estabelecidas com o mundo exterior pelos guardiães da verdade esotérica por meu intermédio. resultado de uma longa intimidade com essas opiniões. de conformidade com um vasto plano. pela primeira vez apresentadas a público. É provável que a grande efervescência existente. quando achei conveniente no presente volume. Desse modo.sabedoria sancionada pelo tempo em que. mais uma manifestação. deve sua existência a certas pessoas que se incluem entre os defensores da ciência esotérica. basta dizer. Estes ensinamentos constituem a conseqüência. consegui certa vantagem. é apresentado ao mundo por intermédio da Sociedade Teosófica desde sua fundação. dada ao mundo pela livre vontade daqueles sob cuja custódia haviam permanecido até hoje. no tocante ao conhecimento filosófico. índia. divulgada de modo fragmentário no Theosophist. pela pura força da cultura moderna. não vacilei em entremear trechos dos mesmos. em seus traços essenciais. sob outros aspectos. algo relativo ao modo como as aspirações espirituais do mundo estão sendo secretamente influenciadas por aqueles cujos trabalhos ocorrem nesse departamento da Natureza — é fruto evidente de esforços paralelos àqueles com os quais estou mais diretamente preocupado. no sentido oculto da palavra. no antigo e simbólico estilo. tenho a missão de revelar. mostrando como as separadas peças do mosaico. 7 . A doutrina ou sistema agora revelado.

Por exemplo. Embora tais idéias comecem a se revelar ao mundo. No próximo mundo. da Consciência Suprafísica. a teosofia. tentada nesta direção —. em algumas de suas presentes aplicações. sob uma forma científica — ou. Meu trabalho seguinte. qualquer pretensão minha quanto à perfeição de linguagem. todos os relatos neste texto sobre o "Devachan" supervalorizam a importância desse estado — na verdade. expor a doutrina em sua clara pureza abstrata. até certo ponto enganoso. À medida em que progredia a minha própria instrução neste sentido. que é considerado agora como incompleto. no início da obra. Com a ajuda do grego. aperfeiçoamentos na fraseologia empregada de minha exposição. por nenhum instrutor esotérico. elucida o assunto de alguma forma. o estudo da teosofia e a posterior ajuda obtida dos Mestres originais ampliaram muito o nosso conhecimento. Do mesmo modo.Agora me resta negar. devido à confusão que se originaria de sua utilização com outros sentidos. Mas o sânscrito metafísico parece embaraçar penosamente o tradutor — embora a culpa. Um livro ulterior. Não tenciono ficar convencido de que em todas as oportunidades tenha inventado as melhores frases possíveis. pelo menos. Uma familiaridade maior com o vasto e complicado esquema da cosmogonia revelada sugerirá. a primitiva doutrina. O crescimento da alma. Para um ouvido educado nas sutilezas das expressões metafísicas. Também sujeita a objeções foi a palavra "princípio". apenas um dos aspectos da vida no plano do Manas — e não propriamente um objetivo a ser visado por toda a humanidade. a nomenclatura ocidental da doutrina esotérica se desenvolva muito mais a partir do que eu construí provisoriamente. em linguagem simples. não seja do sânscrito. Ao Leitor Todos os que lerem hoje este livro devem lembrar-se de que ele foi publicado pela primeira vez em 1883. Há dois anos. precisamos atribuir nomes aos elementos ou atributos de que se compõe o ser humano completo. às vezes recebe-se melhor a nova doutrina — ou. com a prevalência dos subplanos do vasto invólucro suprafísico. segundo meus amigos indianos. A nomenclatura oriental é bem mais apurada. tal como ela foi revelada recentemente — do que no Oriente se presumiu fosse possível. esse termo soará de um modo pouco satisfatório. sem dúvida. considerada uma ciência espiritual. neste livro todos os conhecimentos da vida no Plano Astral (ou Kâma-Ioka) estão inteiramente desatualizados. "Elemento" seria um termo inadequado para se usar. antes. nem que haja encontrado as palavras mais nítidas e expressivas. aborda também outros aspectos das condições variadas em que a Terra está dividida. É bem possível que. não se tentara até há dois anos. e de muitas maneiras os pontos de vista que somos capazes de expressar a respeito da evolução humana e da vida suprafísica são muito mais ricos de detalhes que naquele esboço primitivo. avançou e está progredindo tão magnificamente que os seus livros mais antigos são interessantes principalmente como registros de suas 8 . Resumindo. inventei frases e sugeri palavras como equivalentes às idéias que se apresentavam à minha mente. mas da linguagem em que pretendem expressar a idéia sânscrita na atualidade. e constitui o mais primitivo esboço da doutrina esotérica já revelada ao público em geral. Por exemplo. com relação ao estudo que se segue. da Evolução Cósmica. sob um disfarce mais ou menos embaraçoso de simbolismo místico. com o passar do tempo. nem eu nem outro europeu conhecíamos o alfabeto da ciência aqui exposta pela primeira vez. Desde que ele foi escrito. a ciência das Causas Espirituais e de seus Efeitos. que nos é familiar.

a perceber que a antiga ciência oriental era efetivamente uma verdade Importante. e mais ainda. acumulada mais tarde em nossas mãos. aventuro-me a declarar que será incalculavelmente maior pela facilidade com que os obtive. espero. publicada durante os anos de 1884-1902. do que se acha registrado em qualquer livro. Assim como o químico moderno deve remontar a épocas anteriores com interesse. durante minha estada na índia. mesmo se eu tivesse possuído. cheguei. estarão cientes da convicção geral no Oriente de que há homens que sabem mais sobre filosofia. A Ética da Teosofia é demasiado clara e simples para necessitar de revisão constante. Compartilhando em princípio essa grande antipatia pela antiga regra de conduta oriental. para a especulação transata sobre o "flogisto" e o "ar sem flogístico". do que quaisquer resultados proporcionados pêlos métodos ordinários de pesquisas. a Teosofia é uma ciência viva repleta de possibilidades futuras infinitas. Disso não decorre que seu valor seja menor. de que a convicção que acabo de mencionar está perfeitamente bem fundamentada. revelou grande parte do progresso obtido. no entanto.origens — um prognóstico incompleto da riqueza de conhecimentos. a nova coleção (em circulação). apesar deles. o que não pretendo possuir de modo algum — a Ciência Oriental. já incorporou os resultados desse discreto trabalho posterior. não desprovido de humor. no que diz respeito ao conhecimento. acerca da existência ou não de algo de importância a aprender deles. Todos os que se preocupam com a literatura indiana. bem assim os teosofistas precisam. qualquer que seja seu estado. na acepção mais elevada da palavra — a ciência. Afinal. A. INSTRUTORES ESOTÉRICOS As informações contidas nas páginas a seguir não são uma coleção de inferências deduzidas de estudos. e permanecendo seus instrutores muito tranqüilos com relação à dúvida em que têm ficado os demais investigadores. apresento conhecimentos obtidos mais por generosidade que por esforços. E escusável considerar as uvas 9 . a noção de segredo aplicada à ciência repugna tanto ao instinto dominante que a primeira tendência dos pensadores europeus é negar a existência daquilo com que antipatizam. ter uma espécie de tolerância pêlos muitos equívocos contidos em O budismo esotérico.SINNETT 1918 1. de 1913-1916. A primeira coleção dos Anais da Loja de Londres. Essa instrução foi unicamente comunicada a estudantes preparados para penetrar nas regiões do segredo. lembrando que. Mas as circunstâncias me deram a certeza cabal. em seu grau mais elevado. Na Europa. Em seu aspecto intelectual. qualquer pessoa que na índia tenha tratado de assuntos filosóficos com nativos cultos. a respeito da qual os filósofos orientais meditaram em silêncio até agora.P. ao contrário. o verdadeiro conhecimento das coisas espirituais —. Aos leitores. tive o privilégio de receber uma massa considerável de instrução sobre a até hoje ciência secreta. o livro teve a honra de inaugurar o grande movimento teosófico no plano físico do mundo ocidental.

Por razões que aparecerão no decurso desta obra. diz: "Podem-se escrever páginas e páginas com os louvores impregnados de um sentimento temeroso e de êxtase. Mr. Mas a elucidação destes pontos pode ser adiada no momento. bem como a moralidade do mundo externo. não gerando novos desejos. por meio de intensa auto-absorção. Seu antigo karma está esgotado. atingir faculdades e poderes sobrenaturais) diz ainda: "Tanto quanto é do meu conhecimento. os leitores europeus a uma idéia completamente falsa no que concerne ao tipo de pessoa que um Arhat é efetivamente. à vida que leva enquanto está na Terra e à que espera no futuro. o fruto da quarta senda. Esta assertiva não envolve repreensão alguma aos escritores eruditos e laboriosos de grande gênio. é impossível que apenas pelo estudo de sua literatura publicada — em língua inglesa ou em sânscrito — até mesmo os estudantes da melhor qualificação científica possam compreender as doutrinas internas e o significado verdadeiro de qualquer religião oriental.. se extinguiram tal o lume de uma vela. entretanto. seu coração está livre de anseios por uma vida futura e. e o Budismo de modo especial. não foi produzido nenhum novo karma. Sem a luz da ciência oriental. expressa: "Para aquele que chegou ao fim da senda e passou além da tristeza. que se libertou por si mesmo de tudo.. não se registra nenhum caso de alguém.. Primeiramente se podem expor outros parágrafos procedentes de tratados esotéricos. é muito anterior à passagem de Gautama Buda pela vida terrena. acha-se no gozo do Nirvana. Estes. mas a massa geral de conhecimentos já estava em poder de uns poucos eleitos antes que Buda viesse a participar dos mesmos. Desde o tempo de Buda. referindo-se à multiplicidade de textos originais e às autoridades sânscritas. os sábios. privativa tão-só dos membros regularmente iniciados das associações misteriosamente organizadas. os seus contornos haviam-se apagado e as suas formas científicas haviam sido parcialmente confundidas. Rhys Davids. que ela contém. uma verdadeira explicação não seria inteligível sem as elucidações. a ciência esotérica de que nos ocupamos tem sido zelosamente guardada como uma preciosa herança. seja um membro da ordem. me foi comunicada não só fora das condições normais. em épocas anteriores a Buda. Buda. São os iniciados que trilham a "quarta senda da santidade". compreendia a mesma doutrina que na atualidade pode ser chamada de Budismo Esotérico.. enquanto seus ensinamentos externos têm sido simplesmente apresentados à multidão. 10 . que demonstram o que é que geralmente se supõe ser um Arhat. o estado de um Arhat. mas com a finalidade explícita de que. que têm estudado as religiões orientais em geral. como um código de lições morais e com uma literatura simbólica e velada. nem o desgosto. de um homem perfeito segundo a fé budista. que deveriam ser obtidas por um exame prévio da própria ciência esotérica." E depois de fazer uma série de citações oriundas de autoridades sânscritas. até hoje. na verdade. eu as comunicasse sem reservas ao mundo. de que se fala nos escritos budistas. O significado real interno de suas doutrinas foi mantido apartado dos estudantes nãoinicia-dos. falando de Jhana e Samadhi (a crença de que era possível. O Budismo é sobretudo uma religião que tem gozado de uma existência dual desde o início de sua introdução no mundo. de qualquer modo. que indicava a existência de conhecimentos anteriores. que se desprendeu de todos os grilhões. empreendeu a tarefa de revisar e restaurar a ciência esotérica do círculo interno de iniciados. em seus aspectos exteriores. Com efeito. A filosofia bramânica. eles. Rhys Davids. Para ele não há mais nascimentos. no que diz respeito ao Budismo.como verdes quando estão totalmente fora de alcance." Estes e outros parágrafos semelhantes conduzem. até agora secreta. mas seria loucura persistir nessa opinião se um amigo de estatura elevada pudesse apanhar um cacho e as achasse doces. a massa considerável de ensinamentos até hoje secretos. não existe mais nem a paixão. de minha parte. Mr. de que são pródigos os escritos budistas a este estado da mente. As circunstâncias em que esta tarefa foi feita foram muito mal-entendidas. Esta ciência secreta. são os Arhats a que se refere a literatura budista.

o estado eterno. sem tropeços e sem dúvidas. absorvido em si mesmo. por mais que os próprios Arhats se tenham mostrado singularmente pouco dispostos a facilitar o mundo com autobiografias ou relatos científicos dos "seis poderes sobrenaturais". a rigor. em geral sem nenhuma outra especificação. que tenha adquirido estes poderes. espero que chegue minha hora. nos relata: "Seis faculdades sobrenaturais se requerem do asceta antes que ele possa pretender o grau de Arhat. Nela lemos: "A proverbial filosofia budista atribui. e se dentre os mendicantes somente os Arhats ou unicamente os Asekhas podem realizá-los. Ele imagina a si mesmo. para demonstrar que os poderes dos Arhats e sua penetração nas coisas espirituais são respeitados pelo inundo budista do modo mais profundo. com outro corpo criado a partir desse corpo material — um corpo com uma forma. em Buda e o budismo primitivo. Mr. sua ordem. em pensamento.. A elas se alude constantemente nos Sutras como as seis faculdades sobrenaturais.. os conceitos exotéricos sobre o Arhats. Oldenberg.. este corpo é o que a espada é para a bainha. Aquele que escapou dos difíceis labirintos do Samsara. porém. sua doutrina. O homem possui um corpo constituído dos quatro elementos. a respeito disso. a posse do Nirvana ao santo que ainda pisa a Terra: 'O discípulo que se livrou da sensualidade e do desejo. rico em sabedoria.. Lillie não adivinhou com exatidão a natureza da verdade existente atrás desta versão popular dos fatos. Na verdade. mas muito continua nele." As fontes de informação que foram exploradas até agora sobre o assunto esclarecem muito pouco.. Algumas proposições da tradução recente feita por Mr. a esse eu chamo de um verdadeiro brâmane. não só no 11 . neste corpo transitório está acorrentada a sua inteligência. é capaz de ler os pensamentos mais secretos dos outros e de dar conta de seus caracteres. pode abandonar este mundo e até alcançar o céu do próprio Brahma. do Dr. situado no próprio cume do conhecimento humano. Um Buda sempre os possui. após o que seguiremos adiante." A multiplicação de citações semelhantes equivaleria a repetir. muralhas.. ele é o guardião. em formas variadas.' Se o santo quer pôr fim ao seu estado de existência. é coisa que não está clara na atualidade. Então o asceta. Mr. em inúmeras passagens. o Arhat tem dois aspectos: um sob o qual ele se apresenta ao mundo em geral. etc. purificado e aperfeiçoado. circunstâncias especiais nos devem apresentar explicações cabíveis. da filosofia mais profunda e secreta da religião fundamental que Buda renovou e restaurou. pode fazê-lo. não desejo a vida. o asceta dirige a sua mente à criação do Manas. começa a pôr em prática faculdades sobrenaturais. realizam os milagres especiais em questão. podem-se inserir neste local. Como todos os fatos ou pensamentos do Budismo. e o outro no qual vive. move-se e existe.. conseguiu aqui na Terra livrar-se da morte. com membros e órgãos. ele é um santo aguardando um galardão espiritual do gênero que o vulgo pode entender — um produtor de maravilhas graças a agentes sobrenaturais. Quanto a um conhecimento mais íntimo a respeito deles. ou como uma serpente saindo de um cesto em que estivesse confinada. se os Arhats.. Com relação ao corpo material. No que se refere à apreciação popular. até que a Natureza tenha atingido sua meta.ou um asceta brâmane. por longo tempo provado. atingiu o repouso. o Nirvana. não é necessário citar mais." E assim sucessivamente com os demais exemplos. achando-se assim confuso. que se livrou por si mesmo das coisas terrenas e alcançou o Nirvana.. da obra Buda: sua vida. Mas limito-me a mostrar que a literatura budista é abundante em alusões relativas à grandeza e aos poderes dos Arhats. como um obreiro que aguarda o seu salário'. Encontra-se apto a passar através de obstáculos materiais. é capaz de lançar sua fantástica aparição em muitos lugares ao mesmo tempo. um investigador da ciência natural. Arthur Lillie. Hoey. Adquire o poder de ouvir os sons do mundo invisível de forma tão nítida quanto os do mundo fenomenal — ainda mais nitidamente na realidade. Também pelo poder dos Manas. como paredes. como tais. e. cabem aquelas palavras postas na boca do mais eminente dos discípulos de Buda: 'Não desejo a morte. que cruzou e chegou à costa.

que eventualmente se podem encontrar na índia. Convencido de que o Ser Supremo foi seu instrutor pessoal desde o início. em todos os casos com que me deparei. de serem encaradas como "iluminadas". e ouvi aplicar o título de Rishis a homens que estão vivos hoje. chamados Irmãos e depositários da ciência espiritual que lhes foi legada por seus predecessores. que goza de alto prestígio no Governo. geralmente. a designação mais familiar é Mahâtmâ. o exame dessas pretensões. referindo fatos milagrosos verificados por aqueles a quem a história e a tradição conhecem por tal nome. na índia de hoje. no sentido oculto da palavra. homem de educação européia. Por outro lado. que receberam uma auto-educação integral sem vinculação com as associações ocultas. por sua vez. chamados Rishis. em que pode imergir silenciosamente à vontade. Mas os termos são permutáveis. A Índia está saturada de narrativas sobre os Mahâtmâs. Na verdade. Todos os atributos dos Arhats. à conclusão de que são completamente infundadas. ele é naturalmente inacessível a sugestões de que suas impressões podem ser deturpadas em vista de seu desenvolvimento psicológico mal dirigido. e que continua ainda sendo no estado subjetivo. Vale dizer: os Iluminados. e que desenvolveram seus 1 No original em italiano. os devotos de alta erudição. Com efeito. Na índia. o conhecimento supremo da doutrina esotérica harmoniza todas as distinções sectárias originais. do mesmo modo como adquiri o que sei relativo à organização a que pertence a maior parte deles. ou do que qualquer outra pessoa na Terra. por pouco qualificado que estivesse em seu desenvolvimento pessoal para julgar sobre iluminação oculta.) 12 . Naquela altura de exaltação espiritual. Mas todas as minhas investigações sobre o assunto me convenceram de que a Fraternidade Tibetana é incomparavelmente a mais elevada dessas associações. creio que conduziria qualquer leigo imparcial. Pelo fato de eu ter recebido instrução direta de um entre eles. onde os atributos da ordem de Arhat não estão necessariamente associados com as profissões do Budismo. mas muito poucos têm utilidade para os leitores que empreendem a tarefa sem um prévio conhecimento adquirido independentemente dos livros. há fraternidades ocultas que têm muito em comum com a fraternidade dirigente estabelecida no Tibete. em busca de qualquer explicação sistemática de sua doutrina ou ciência. Porém. de boa posição social. e este volume poderia facilmente encher-se com traduções de livros do país. que ele convictamente afirma ter sido uma encarnação do Ser Supremo. Seria em vão pesquisar a literatura antiga e moderna. da atualidade. algumas vezes. Seus próprios (do meu amigo) sentidos internos foram despertados por esse Mestre. Boa parte dela está obscuramente exposta nos escritos ocultos. Considera o primeiro lugar ocupado por uma pessoa que já não está neste mundo — seu próprio mestre oculto na vida —. são mencionados com não menos reverência na literatura indiana que os atributos Mahâtmâs. (N. Em todo o mundo há ocultistas de diversos graus de eminência e. bem como os maiores. posso agora tentar um esboço dos ensinamentos dos Mahâtmâs. de caráter elevado e que é respeitado de modo invulgar pêlos europeus que com ele se relacionam na vida oficial.que diz respeito aos mistérios do espírito. igualmente. os Arhats e os Mahâtmâs são os mesmos homens. existem na índia muitos místicos isolados. Por exemplo. que erigem sua concepção de Natureza. T. e como tal é considerada por todas as demais — dignas. Seja qual for o nome que se dê a esses illuminati1. Os mais antigos Mahâtmâs são. são para ele a única região espiritual digna de interesse. eles são os adeptos da ciência oculta. de forma que as visões do estado extático. mas também em tudo o que se relaciona com a constituição material do mundo. que se descrevem nos escritos budistas. Muitos destes dizem que atingem mais altos pináculos da iluminação espiritual do que os Irmãos do Tibete. Essa pessoa concede aos Irmãos do Tibete apenas um segundo lugar no mundo da iluminação espiritual. Arhat é uma designação budista. conheço um natural da índia. do Universo e de Deus sobre uma base completamente metafísica.

Esses "Mestres". Porém. e permitem que as palavras passem como o vento. acredite que tais movimentos produzirão o resultado almejado. Quantos leitores europeus permaneceriam totalmente incrédulos se se relatassem a ele alguns resultados que os cheias ocultistas. O simples procedimento de mover os membros não é um mistério. que floresce durante certo tempo dentro de seus próprios limites. Há pessoas que passaram vinte. mas o mesmo princípio se aplica às forças mais sutis. dos quais ouviram falar vagamente. Mas mergulhem aqueles que. Diz um aforismo oculto: "O Adepto se torna um adepto: ele não é convertido em um. cujas anormais faculdades e poderes bastam ser vistos ou experimentados para quebrar a incredulidade dos mais ardorosos representantes do moderno ceticismo ocidental. Dizer que o 13 . além da orientação e direção de seu mestre. não me aventuro a dizer nada sobre o que é a organização tibetana. das primeiras condições da instrução oculta. apesar disso. E em qualquer idade que um garoto ou um homem se dedique à carreira do ocultismo. têm de obter por pura força da confiança e. Esses próprios Mahâtmâs — sobre os quais os leitores que pacientemente me seguirem até o fim poderão formar uma idéia mais ou menos adequada — estão subordinados. e eles se afogarão. dedica-se. com muito pouca ajuda.sistemas pela força pura do pensamento transcendental. comparados aos Adeptos organizados da mais alta fraternidade. quanto às suas mais altas autoridades dirigentes. este não será obtido. não podem nadar em águas profundas. Descendo a um nível ainda mais baixo na escala. dos graus mais incipientes de sua instrução. Conseguem discípulos que depositam neles uma fé tácita e fundam a sua pequena escola. antes de tudo. muito pouco superiores aos ciganos ledores de sorte que acorrem às nossas corridas de cavalo. Estas faculdades e atributos devem ser desenvolvidos pelo próprio cheia. O grande fim e propósito do Adeptado é realizar o desenvolvimento espiritual. de cuja existência nem se suspeita devido ao fato de serem completamente latentes na massa da humanidade. ao movê-los. sem reservas de nenhum gênero e por toda sua vida. o que pode ser entendido com mais facilidade. mas nunca uma embarcação em que se possa confiar para uma grande viagem marítima ao redor do mundo. desde o dos mais sujos selvagens. dedicadas à missão que empreenderam na vida. sem deixar qualquer impressão. contemplando as alturas do adeptado. ocupamo-nos com forças meramente mecânicas. Os pesquisadores superficiais confundem com facilidade tais pessoas com os Grandes Adeptos. segundo provérbio popular. até o de homens em cuja reclusão um estrangeiro dificilmente penetraria. ao chefe de todos. a menos que o nadador. se houver alguma. ainda se acham nos primeiros graus de seu chelado. Nesse caso. tomarão algum reconhecido sistema de filosofia como fundamento e irão amplificá-lo a um ponto que apenas um metafísico oriental poderia sonhar. A missão que leva a cabo é o desenvolvimento em si mesmo de muitas faculdades e atributos. em seus diversos graus. entenda-se bem. A mera "confiança" conduz o neófito oculto muito mais longe do que o vulgo geralmente imagina. em todos os graus de autodesenvolvimento. Entretanto. a índia está saturada de ioguins e faquires. no que diz respeito aos verdadeiros Adeptos. Todo homem com o uso normal de seus membros é capaz de nadar. ouvem amiúde na igreja as familiares afirmações bíblicas de que o poder reside na fé. O grau de elevação que constitui um homem — chamado no mundo exterior Mahâtmâ ou "Irmão" — só é alcançado após prolongada e penosa provação e ansiosas provas de uma severidade realmente terrível. Tratemos. são como botes a remo comparados com os transatlânticos — meios úteis de locomoção em seu próprio lago ou rio. trinta ou mais anos de irrepreensível e árdua devoção. cuja natureza está velada e disfarçada nas frases comuns da linguagem exotérica. sendo negada a possibilidade de seu desenvolvimento." Pode-se ilustrar isto com o que acontece num exercício físico corriqueiro. uma filosofia especulativa dessa espécie é antes uma ocupação para a mente do que um conhecimento. Porém. mas apesar disso. que estão muito acima de suas possibilidades.

em algumas ocasiões. entrar no Nirvana. incorporada às concessões agora feitas. é preciso conhecer o conceito esotérico de Natureza e a origem e os destinos do Homem. aqui e acolá. sendo discutido cada passo com a mais ampla liberdade e circulando de imediato cada recente fato adquirido para o benefício de todos. O Oriente. alquimia e ao misticismo em geral. num estágio incipiente de sua instrução. fermentou na sociedade européia. sobre os objetivos do Adeptado. a aquisição de um poder de aparência milagrosa é uma conquista tão estupenda que as pessoas. e quanto mais examiná-la. ao ser soldado. levando algumas poucas inteligências. tão logo se converte em um cheia. cuja aplicação nos assuntos da vida diária gera. superficialmente incompreensível. esse excêntrico estudo revelou algumas vezes passagens ocultas que conduziam aos maiores reinos imagináveis da iluminação. deixa de ser testemunha da realidade da ciência oculta. esteve sempre mais que vagamente impressionado por essa crença. e até aos discípulos de um Adepto. é uma assertiva destituída de significação para o leitor comum. que provavelmente possa ter formado. assim que comecei a tratar deste assunto. era-lhe imposto o segredo mais inviolável a tudo o que se relacionasse com seu ingresso nessa região e com os seus progressos ulteriores. Em primeiro lugar. ou do estado desejado. grandes verdades jazem ocultas. um conhecimento casual. Enquanto isso. foi vagamente difundida a idéia de que certos processos de estudo. e a arte prática de manipular certas forças ocultas da Natureza. às vezes. cujo cultivo se relaciona com os mais elevados objetivos da vida oculta. cai naturalmente no lugar apropriado do esquema completo da filosofia oculta.Adepto procura unir sua alma com Deus. Esse conhecimento. O acesso a essa filosofia esteve sempre. Porém. de qualquer modo. de acordo com a lei dessas escolas. 14 . podiam conduzir à aquisição de um gênero de conhecimento mais elevado do que o que é geralmente ensinado à humanidade nos livros ou por meio de pregadores públicos religiosos. confere a um Adepto. Posteriormente se verá como a transgressão das regras elementares do estudo ocultista. proporciona. tenho o pleno consentimento de meus instrutores para seguir minhas inclinações como europeu. tão logo o neófito forçava passagem na região do mistério. Enquanto a Europa pesquisou a Natureza da forma a mais pública possível. Do aspecto habitual. O método oriental para o cultivo do saber sempre diferiu diametralmente do seguido no Ocidente. Na Ásia. à medida que progride. tanto menos plausível lhe será a compreensão da natureza do processo observado. ao procurar os conhecimentos que obtém. antes que se torne inteligível uma explicação da meta que o Adepto persegue. por vários meios. singularmente receptivas e qualificadas. durante o desenvolvimento da ciência moderna. Não é necessário que eu tente no momento a crítica ou a defesa desses métodos. o que se diferencia por completo dos conceitos teológicos. ou discípulo de ocultismo. poderes extraordinários. em todos esses casos. de certo modo. não foi outro que ele próprio investir-se desses poderes cobiçados. foi o de portar um vistoso uniforme e aguçar a imaginação das amas-secas. se sentem inclinadas a imaginar que o desígnio do Adepto. Através do mundo. comunicando o que aprendi a todos os que desejarem recebê-lo. até agora. para poder. que alguns homens realmente seguiram. entretanto. relativo às leis físicas ainda não compreendidas da Natureza em geral. é desejável. por esse meio. referente à astrologia. resultados que parecem completamente milagrosos. O desenvolvimento dessas faculdades espirituais. Isso seria tão racional como dizer de qualquer grande patriota da história militar que o seu propósito. aberto a todos. a ciência asiática foi estudada em segredo e suas conquistas zelosamente guardadas. como já foi assinalado. baseado em livros e métodos elementares. Mas. à convicção de que detrás de toda essa falta de sentido. o cheia. Fiquei espantado ao ver. logo de início. abrir os olhos do leitor para o falso conceito. quão numerosos são os cheias. porém mesmo no Ocidente a massa inteira de literatura simbólica. e como já afirmei. do mesmo modo. esses métodos foram afrouxados até certo ponto em meu próprio caso. como conseqüência. A essas pessoas.

que eles são homens como os demais. Num livro anterior. do que a experiência dos discípulos sobre algum de seus aspectos poderia fazê-los supor. que necessariamente deve usar. sob muitos aspectos. aos profanos. O mundo oculto. Não preciso repetir a história. enfrento um desafio maior. em segundo lugar. parece-se muito mais com um homem comum. Mas enquanto os conceitos incompletos. Quando não tem por que entrar em tal estado. enquanto está. que transcendem inteiramente os limites da existência física. E assim é como a grande escola esotérica de filosofia conserva com sucesso o seu segredo. suficiente para dar a segurança intrínseca de seu próprio valor. em nosso próprio plano. destarte. nem sair completamente fora das limitações de sua prisão carnal. formados a princípio. uma vez Adepto. surge uma curiosa complicação do problema nesse caminho. A primeira idéia que fazemos de um Adepto que conquistou o poder de penetrar os tremendos segredos da natureza espiritual é formulada de acordo com os nossos conceitos de um homem de ciência muito talentoso. Há aspectos na natureza do Adepto que se relacionam com o extraordinário desenvolvimento dos princípios superiores do homem.Mas é impossível imaginar algum ato humano mais improvável do que a revelação não autorizada. a manifestação de pessoas relacionadas com Adeptos de faculdades anormais que proporcionem algo mais que mera suposição da existência de conhecimentos de anormal amplitude. com base na posição do discípulo de ocultismo diante de seus mestres comparada com algumas das declarações que o próprio mestre faz freqüentemente. utilizando o segundo. Precisamente porque os mais elevados atributos do adeptado se relacionam com os princípios da natureza humana. certamente. à medida que começarmos a nos familiarizar com as características do mundo da ciência oculta. COMENTÁRIOS Quanto mais avançamos no estudo do ocultismo. apresentei um completo e fiel relato das circunstâncias sob as quais estive em contato com homens de dons elevados e profundamente instruídos. Podemos com bastante facilidade incorrer no extremo oposto ao pensarmos nele em seu aspecto humano comum e. num estado anormal alcançado por sua própria vontade. A compreensão global da maneira como estas pessoas chegam. Desse modo — como já indicamos — não conseguiremos. na mais alta acepção do termo. de sua qualificação como tal. a diferenciar-se da espécie humana não é algo que se obtém apenas com a ajuda do esforço intelectual. de quem obtive as informações contidas neste volume. Por exemplo. os Mahâtmâs asseveram que não são infalíveis. capazes de 15 . Agora. Meu primeiro livro seguia o primeiro destes métodos. as nossas concepções sobre os Mahâtmâs. como diz a expressão. Uma apreciação correta desse estado de coisas explica a contradição aparente. por pouco não alcançam o nível verdadeiro dos fatos. em todas as circunstâncias de sua vida. "fora do corpo" ou. ao final de longo tempo. fazer justiça em nossos pensamentos aos seus atributos ás Mahâtmâ. as qualidades que lhe são pertinentes como um Mahâtmâ. ele será sempre um Adepto — um ser humano muito digno. mas. Agora tratarei do assunto sob novo ângulo. Estamos aptos a pensar que. que não podem ser compreendidos pela aplicação dos inferiores. pela apresentação de uma parte considerável desses conhecimentos. por parte de qualquer cheia. de qualquer modo. apesar de tudo. ficaremos perplexos. tanto mais exaltadas se tomam. talvez com uma compreensão mais ampla da Natureza que o comum da humanidade. considerando-se a evidência externa — o depoimento de testemunhas qualificadas. é que o Adepto ou Mahâtmâ apenas pode ser um Adepto. A existência de Adeptos ocultistas e a importância de suas aquisições são estabelecidas por intermédio de duas diferentes Unhas de argumento: em primeiro lugar. por mais que nos esforcemos.

pela consideração de que em sua vida comum não está acima do nível comum dos sentimentos humanos. Há algum tempo. o que seria difícil compreender sem fazer referência a alguns dos últimos capítulos deste livro. existente no fundo de toda pesquisa do ocultismo. será conveniente tratar dele de uma vez. como outra complicação independente do assunto. eu tinha a impressão de que um chefe supremo. estamos livres para especular sobre a possibilidade de que a relação entre o Mahâtmâ espiritual e o Mahâtmâ-homem algumas vezes pertença antes à Natureza do que às vezes se menciona nos escritos esotéricos como um obscurecimento (overshadowing). que em um de seus aspectos é um Mahâtmâ. dificilmente é considerado capaz de enganar-se. O homem. livrar-nos-emos então de muitos de nossos erros gerados pelas dificuldades do assunto. eu evitaria tentar a elucidação completa desta hipótese. devemos apreciar o fato de que cada Mahâtmâ não é meramente um ego humano num estado muito exaltado. pode atingir os que estão em singulares relações psíquicas com ele. Embora o Adepto possa ser um homem capaz de enganar-se algumas vezes de modo surpreendente. exercia autoridade sobre 16 . do que privado de seus direitos à reverência. Esta consideração permite-nos sentir que a confiança que merecem os ensinamentos derivados dessa fonte. A natureza dúplice do Mahâtmâ é tão completa que algo de sua influência ou sabedoria. Além disso. Mas como conciliarmos afirmações dessa natureza com o princípio fundamental. do mesmo modo que entre nós alguns dos maiores gênios estão propensos a cometer erros em sua vida comum. em vez de uma encarnação no amplo sentido da palavra. assim que um Mahâtmâ se ocupa com os mais elevados mistérios da ciência espiritual. Será suficiente aplicar a idéia ao que conhecemos vagamente sobre a organização ocultista em suas mais altas regiões. ao menos dentro dos limites de nosso sistema solar. Por essa via. Isso não quer dizer que esse entusiasmo ou reverência diminua por parte de algum cheia ocultista. Pode-se relatar aqui algo atinente à intrincada natureza do Adepto. está completamente fora do alcance dos pequenos incidentes que no progresso de nossa experiência pareçam pedir a retificação dessa confiança entusiástica na sabedoria suprema dos Adeptos. e. Mas embora possamos. situado num nível diferente. quanto aos assuntos mundanos. afirmou-se que nos escritos esotéricos existem cinco grandes Chohans ou Mahâtmâs superiores. à proporção que cresça sua compreensão do mundo em que penetra. Se temos sempre presente na mente que um Adepto só é verdadeiramente um Adepto quando está exercendo as suas funções e que no exercício destas pode elevar-se à relação espiritual com tudo aquilo que é. que presidem sobre toda a fraternidade dos Adeptos. como isto tem um significado tão importante para tudo quanto se refira à compreensão do que é o Adeptado. quase com certeza. em que se inspira o presente volume. nos planos mais elevados da Natureza. ele o faz devido ao exercício de seus atributos de Mahâtmâ. Mas. antes é conduzido dentro dos limites do afetuoso respeito humano. que geralmente evoca as primeiras abordagens ao estudo do ocultismo. como algumas de suas nirvânicas experiências nos levariam a crer.enganar-se tanto na direção dos assuntos práticos com que podem estar relacionados. por assim dizer. inferir que existam correspondências entre esses vários tipos e os sete princípios do homem. o que na prática significa para nós a onisciência. Cada Adepto deve pertencer a um ou a outro dos sete grandes tipos do Adeptado. Quando foi escrito o capítulo precedente deste livro. a algum departamento específico da grande organização da Natureza. que induz o neófito a confiar absolutamente e sem nenhuma reserva nos ensinamentos e na orientação do mestre? A solução da dificuldade está no estado de coisas. ou na apreciação da capacidade dos candidatos para o desenvolvimento oculto. no que tange a estes. ao qual nos referimos anteriormente. mas pertence. sem que o Mahâtmâhomem sequer perceba no momento em que esse apelo lhe foi dirigido. como na apreciação dos atributos de outros homens. que talvez não cometeria jamais o vulgo de outro lado.

cabeça de um sexto tipo de Mahâtmâ. que escapa ao poder de qualquer inteligência e que seria descrito em nebulosas frases ininteligíveis sobre metafísica. tal como é compreendida pela ciência oculta. que a ciência exotérica desconhece totalmente. Os métodos de pesquisa esotérica são o resultado de fatos naturais. capacitam seus possuidores à exploração dos mistérios da Natureza e à comprovação das doutrinas esotéricas. antes de expor a teoria da Natureza. parece-me que este personagem deve antes ser considerado como um sexto Chohan. O estudante prático de ocultismo pode desenvolver primeiramente suas faculdades e aplicá-las depois à observação da Natureza.esses cinco Chohans. podemos portanto estar seguros de que o sétimo Chohan está fora de toda compreensão dos intelectos não versados na matéria. serão feitas algumas sugestões relativas à opinião que o ocultismo sustenta sobre os processos primitivos. fora de dúvida. na manifestação vindoura de seu sublime desígnio. A CONSTITUIÇÃO DO HOMEM Um exame da Cosmogonia. e não como homens excepcionais que atingiram um estado de grande exaltação espiritual. Mas a especulação que lhe diz respeito é valiosa. tal como a compreende a ciência oculta. Agora. às vezes. Mas. e. devemos tentar entender o estado do Universo anterior ao início da evolução. através dos quais a matéria cósmica passa 17 . principalmente para ratificar a idéia segundo a qual os Mahâtmâs podem ser compreendidos em seu verdadeiro aspecto. Mas ele. Por outro lado. desempenha um papel naquilo que pode ser chamado a mais elevada organização da Natureza espiritual. Isso não foi negligenciado de modo algum pêlos estudantes esotéricos. Estes fatos naturais relacionam-se ao desenvolvimento precoce de faculdades nos Adeptos ocultos. visível para alguns dos outros Mahâtmâs. deve preceder a consideração dos sentidos internos utilizados pela pesquisa oculta. mais adiante. o exame da Cosmogonia. Antes de mais nada. 2. para os leitores ocidentais. por sua vez. que a humanidade em geral não desenvolveu ainda. no curso deste esboço. Estas faculdades. como fenômenos necessários da Natureza. deve preceder toda tentativa de explicação dos meios pêlos quais se chegou a obter o conhecimento dessa mesma Cosmogonia. sendo que tal personagem é. de uma vez. a outra inferência: deve existir um sétimo Chohan para completar as correlações que assim discernimos. que só procuram a compreensão intelectual. Esta conjectura conduz. sem os quais a evolução da humanidade dificilmente seria imaginada como avançando. Mas como o sétimo princípio na Natureza ou no homem é um conceito de ordem mais inacessível. só pode ser sistematizado cientificamente em detrimento da inteligibilidade para os leitores europeus.

Está atento à necessidade de demonstrar seus ensinamentos como o Ocidente. Porém. Esta reflexão pode sugerir. Ninguém que estude a ciência oculta." Assim ocorre que o ensinamento per se não é nada mais que ensinamento pela autoridade. Proíbe-se-lhe aceitar qualquer afirmação científica tão-somente por sua autoridade. Para facilitar a aplicação destas explicações aos usuais escritos 18 . Afirma: "O fato é assim e assim. Ele é animado a debater e a opor-se à evidência. não se aplica ao assunto que ora discutimos. ou para qualquer resumo inteligente de seu sistema. devo pedir para esta ciência oriental que dou a conhecer. Outra conseqüência deste método é que a filosofia oriental emprega o método que no Ocidente foi afastado. porém penso que qualquer pessoa que se adiante na presente questão sentirá que esse sistema. O ensinamento e a demonstração não vão de mãos dadas.em seu percurso evolutivo. devido às peculiaridades inerentes ao assunto. por boas razões. Mas uma ordenada exposição dos processos mais primitivos da Natureza incluiria indicações à constituição espiritual do homem. Até o fato de comunicar esta compreensão apenas por meio da linguagem é uma tarefa enorme e nada fácil. o instinto da controvérsia do discípulo. Pari passu. descrito grosseiramente como raciocinando do universal ao particular. e que logo se direcione para Platão. Os mais elevados princípios da série que forma o homem não estão desenvolvidos na humanidade que conhecemos. é condenado pêlos hábitos modernos em prol do segundo e exatamente sistema inverso. que mais adiante serio compreendidas. como o faria de um estudo sinóptico. de partir dos detalhes para chegar às conclusões gerais. Não se pode compreender pormenores neste ramo de conhecimentos. como incompatível com nossa própria atitude de desenvolvimento intelectual: o sistema de raciocinar do geral ao particular. seria praticamente impossível. mas um homem completo ou perfeito poderia ser determinado nos elementos seguintes. me questionarão sobre as bases em que o ocultismo se apóia para chegar a essa conclusão. a cada momento. mas fornece provas de um gênero bem diferente. O método oriental dirige seus discípulos de uma forma bem diferente. Todas as razões nos levam a crer que sua familiaridade com a ciência esotérica é o que movia seu método e que as habituais restrições que sobre ele pesavam. de tipo oriental. até que se adquira um discernimento geral do esquema completo das coisas. Os sistemas oriental e europeu de transmitir conhecimento diferem completamente em seus métodos. de passagem. Mas Platão se restringia à tentativa de defender o seu sistema. agora vai e observa por ti mesmo. Deter-se a cada momento da exposição. uma nova luz que guarda uma íntima vinculação com o assunto presente dos sistemas de raciocínio platônico e aristotélico. como ocultista iniciado. A ciência esotérica reconhece sete princípios distintos na constituição do homem. certa atenção. a fim de recolher toda evidência capaz de provar cada afirmativa de per se. por assim dizer. deve aprender o modo como eles são adquiridos e faz-lhe sentir que nenhum fato é digno de ser conhecido. a menos que se conheça ao mesmo tempo a maneira de se demonstrá-lo como tal. Jamais se dá ao trabalho de questionar sobre nada. eis a chave dos conhecimentos. proibiam-no de dizer tudo o que poderia tê-lo justificado. Seguem-se um ao outro na devida ordem. Os objetivos que a ciência européia costuma ter em mente não seriam resolvidos por esse plano. Dá poder ao estudante de pesquisar por si mesmo a Natureza e de comprovar seus ensinamentos naquelas regiões em que a filosofia ocidental só pode penetrar por intermédio da especulação e do argumento. A classificação difere de um modo tão absoluto de tudo aquilo com que os leitores europeus estão familiarizados que. Tal método acabaria com a paciência do leitor e o impediria de deduzir. O sistema de Platão. que não seria entendida sem alguma explicação preliminar. O método ocidental instiga e provoca. naturalmente. à medida que adquire conhecimentos. esse conceito definido sobre o que a doutrina esotérica quer ensinar e que me toca evocar. contida neste volume. deixará de encontrar correlações colhidas em cada passagem.

quase no nível mais material de todos os elementos. são dados também os nomes sânscritos desses princípios. as explicações dadas originariamente. Sua afinidade com o estado mais grosseiro da matéria é tão grande que não pode ser separada de qualquer partícula ou massa da mesma. De fato. acham-se ainda. portanto. atualmente preferidos. Os elementos de um corpo físico estão todos no mesmo plano de materialidade. do destino do homem ou da Natureza em geral seja mais espiritual do que os da ciência oculta. quando alguns fragmentos dos presentes ensinamentos foram expostos pela primeira vez. Basta. Quando o corpo do homem morre. consiste. tratando de compreender com clareza o que se pretende significar. como alguns dos incluídos nesta análise. incluem um conceito mais completo de todo o sistema e evitam algumas dificuldades a que nos nomes primitivos davam origem. capazes de entrar na composição química do corpo humano. unindo-se a outros organismos aos quais dá origem o mesmo processo de decomposição. contudo. não constituindo mais uma unidade por si mesma. pois eram uma conseqüência natural das dificuldades com que os expositores ingleses lidavam. isolada e distintamente dos outros. nem deplorar erro algum substancial. As conotações dos nomes atuais são mais precisas do que as escolhidas de início. como se procede com os elementos físicos de um corpo composto. ao princípio desta indagação. Mas não há que confessar. Não se deve estranhar que as primeiras exposições da ciência esotérica fossem imperfeitas. A chave do mistério que isso envolve encontra-se no fato. mas os elementos do homem estão em planos muito diferentes. na realidade. em certa degradação contra a qual devemos estar sempre prevenidos. ao menos proporcionalmente. às partículas do corpo enquanto este se decompõe. na matéria em seu aspecto como força. Enterre-se o corpo na terra e seu Jîva se unirá por si à vegetação que brota na superfície. do que de costume chamamos matéria inorgânica (o que com mais propriedade seria chamá-la inerte). por abandono de seus princípios superiores que o haviam convertido numa realidade viva. ao centro da sutil discussão metafísica sobre se a força e a matéria são diferentes ou idênticas. o princípio da vida. A doutrina esotérica é. O segundo princípio do Homem. portanto. ou às formas animais 2 A nomenclatura aqui adotada difere ligeiramente da que apareceu na Theosophist. 19 . assim como os termos adequados em nossa linguagem2. salvo por instantânea translação para alguma outra massa ou partícula. por sua associação com a matéria grosseira. em matéria viva. diretamente reconhecível pêlos ocultistas versados. portanto. Constitui. porém. O segundo princípio. seria impossível mesmo para o mais hábil professor de ciência oculta exibir cada um desses princípios. o elo que falta entre o materialismo e a espiritualidade. Desse modo. quanto a seu alcance. de que a matéria existe sob outros estados além dos que podem ser reconhecidos pêlos cinco sentidos. assim. esta ciência está completamente livre do erro lógico de atribuir resultados materiais às causas imateriais. são expostos de forma tabular. sendo algo bem diverso da matéria mais inferior que conhecemos. Depois se verá que os nomes. 1 O Corpo: Rûpa 2 Vitalidade: Prana ou Jîva 3 Corpo Astral: Linga-sharîra 4 Alma Animal: Kâma-rüpa 5 Alma Humana: Manas 6 Alma Espiritual: Buddhi 7 Espírito: Âtma Quando conceitos tão transcendentais. ao separá-los por meio da análise e conservá-los independentes uns dos outros.exotéricos budistas. assentar que a ciência oculta as considera idênticas e que não observa nenhum princípio da Natureza como totalmente imaterial. a Vitalidade. ao que parece. no momento. o segundo princípio algo que possamos chamar verdadeiramente de matéria? A questão nos conduz. ou seja. estavam em completa harmonia com as que se desenvolvem na atualidade. o segundo. embora nenhum conceito do Universo. é ainda inerente. incorre-se. transforma-a. Os gases mais sutis.

entretanto. seu desenho original. é mera agregação de moléculas num estado particular. O terceiro princípio. o nome adotado anteriormente. Esta classificação não se opõe. o Linga-sharîra jamais abandona o corpo. quando se divulgaram as primeiras indicações sobre a constituição setenária do homem. De fato. entrando em alguma nova combinação determinada por suas afinidades. Então. como se vê. exceto à morte. e o indestrutível Jîva voa não menos instantaneamente ao mesmo planeta donde foi originalmente tomado. não há inconveniente prático no uso da expressão "Corpo Astral" para a aparência assim projetada. "Alma Animal" é o que sugere uma idéia mais exata. sair do corpo físico e ser visível perto deste. Porém. ter outras causas. a expressão "Corpo Astral" vem sendo aplicada a certa semelhança da forma humana plenamente habitada por seus mais elevados princípios. Sob tais condições. o que parece antes uma expressão confusa e pouco exata. qualquer expressão mais estritamente rigorosa. As aparições espectrais podem. como não o é qualquer nuvem suspensa que no espaço casualmente tome a semelhança de algum animal. Apesar de a humanidade ser animal em sua natureza. fazemos retroceder a denominação "alma animal" a seu lugar devido. Perturbem-se inconscientemente as condições nas quais o Linga-sharîra se libertou e sua volta pode ser impedida. Já não é um Ser. é um duplo etéreo do corpo físico. é tomado naturalmente pelo espectro da pessoa morta. Porém. se relacionando melhor ao significado do que às palavras. quando isso se apresenta como um fenômeno visível. Talvez "Veículo da Vontade" seria uma tradução mais aproximada. enquanto indícios e fragmentos de ciência oculta se difundiram pelo mundo. Introduzindo um novo nome para o quinto princípio. desencarna-se por um breve período. durante um breve tempo. Vitalizado pêlos princípios mais elevados. por meio da aplicação acidental de certas forças mentais a seus princípios desprendidos por alguma pessoa no momento da morte. o segundo princípio logo deixaria de animar o corpo físico como uma unidade e se seguiria a morte. nem mesmo neste caso migra muito longe dele. o Corpo Astral ou Linga-sharîra. como entidade isolada.inferiores que se desenvolvem de sua substância. mas o médium. Em termos gerais. Os três princípios inferiores. Perecíveis por natureza. Queime-se o corpo. permanece todo o tempo em perigo iminente de vida. será unicamente percebido perto do lugar onde o corpo físico ainda permanece. A denominação sânscrita Kâma-rûpa é com freqüência traduzida por "Corpo de Desejo". O quarto princípio é o primeiro dos que pertencem à natureza superior do homem. Em alguns casos muito peculiares de mediunidade espírita. Ele é quem guia o Jîva em seu trabalho sobre as partículas físicas e é a origem para que este construa a forma que aquelas assumem. para distingui-lo do sexto. Quando é visto. se ela for comparada com o espírito. seria embaraçosa e devemos empregar a expressão em ambos os significados. o quinto princípio era chamado "alma animal". mas o terceiro princípio. estritamente falando. "alma espiritual". às vezes. ou sem intencionalidade. nesse caso. Na ocasião da morte. e sob condições anormais é transitoriamente visível para algumas pessoas. Não é preciso criarse nenhuma confusão. e não pode ser lançado para fora como veículo dos princípios superiores. Embora essa nomenclatura fosse suficiente para fixar a distinção exigida. embora sejam indestrutíveis com relação às suas moléculas e em absoluto dissociados do homem em sua morte. o que só pode ocorrer raramente. como se vê. à apreciação do modo como o quarto princípio constitui o centro da vontade ou do desejo a que o nome 20 . Para uso comum. o Linga-sharîra ou terceiro princípio é o corpo astral. pertencem à Terra. em todos os outros aspectos acha-se acima da criação propriamente animal. lançada conscientemente e com intenção precisa por um Adepto vivo. que é essencialmente o princípio humano. degradava-se o quinto princípio. destituído de toda espécie de vida ou consciência. Durante os dois últimos anos. sua unidade é conservada apenas pela união de todo o grupo. podendo projetar-se a qualquer distância do corpo físico. pode. Na Theosophist de outubro de 1881.

Nem a "alma animal" sozinha nem a "alma espiritual" sozinha têm qualquer individualidade. a contar do quarto para cima. é a sede da razão e da memória. e capaz de influenciar o quinto princípio. Portanto. foi dito que não possuíamos. é muito importante. Este fato. a Vida Una é aquilo que se aperfeiçoa. o princípio mais desenvolvido da criação bruta. Neste estado de separação. Seguindo a ordem de idéias que agora mesmo nos sugere a aplicação do termo "alma animal" ao quarto princípio. Este último modo de situar a questão é especialmente valioso. Devemos assimilar todos esses diferentes conceitos e uni-los uns com os outros. em tal grau que conservasse sua individualidade. por assim dizer. não apenas o homem. tem os seus sete princípios. cada animal. para fins práticos. ou extrair a sua essência. porém que simplesmente temos o seu germe. é o centro de todos os desejos animais e uma potente força no corpo humano. como um veículo do que na Filosofia Budista se chama de Vida Una ou Espírito. É algo para onde se devem dirigir as mais altas aspirações de nossa natureza. Uma parte deste princípio. O quinto princípio. No homem. Também foi dito que o sexto princípio não está em nós. da qual nenhum homem prescinde. animada pelo quarto. são dissociáveis. Por outro lado. atuando. mas adeja sobre nós. e o sétimo. mas possuindo cada uma a sua individualidade. No animal. Sob outro aspecto da idéia. se cometemos o erro de encará-lo como um ser já completamente aperfeiçoado. E esse erro seria fatal para qualquer previsão razoável relativa ao futuro que o aguarda — fatal também para qualquer apreciação do verdadeiro caráter do futuro. outra forma de focalizar o problema nos ensina a considerar cada um dos princípios superiores. e o mais elevado princípio de todos — o sétimo — vitaliza aquele fio contínuo de vida que passa através de toda a evolução. por prevenir-nos contra a noção de que os quatro princípios superiores são como um feixe de varas. a rigor. e "alma humana" ao quinto. Mas também foi dito: Todas as coisas. e o quarto. embora compostos por uma ordem de matéria muito mais elevada do que podem captar os sentidos físicos. que a doutrina esotérica nos explica e que efetivamente o espera. a "alma humana" ou Manas (como é descrito em sânscrito por um de seus aspectos). Uma vez que o quinto princípio não está plenamente desenvolvido. Contudo. pode o sexto ser denominado a "alma espiritual" do homem. e no grau atual de 21 . o veículo do quinto. planta e mineral. ou "alma humana". ao passo que os outros dois princípios ficassem inconscientes. Mas. unindo em sucessão definida as quase inumeráveis encarnações daquela vida que forma uma série completa. por sua união com o crescente quinto princípio no homem. de todo modo. nenhum sexto princípio. é o que em realidade se projeta a lugares distantes por um Adepto. para o seu domínio e aperfeiçoamento. O Kâma-rûpa é a alma animal. Não podemos conceber com exatidão o lugar atual do homem na Natureza. porém. tanto para cima como para baixo. e o mesmo sexto princípio pode ser imaginado como divorciando-se de seu vizinho inferior. o quinto princípio não poderia separar-se dos outros. No homem aperfeiçoado penetra o sexto. não está ainda plenamente desenvolvido na maior parte da humanidade. a alma animal. no caso de se desatarem. O quinto princípio. Segundo este modo de abordar o assunto. quando faz sua aparição no que se chama comumente seu corpo astral.sânscrito se refere. bem como ser influenciada por ele. sobre o desenvolvimento imperfeito dos princípios superiores. começa do mesmo modo a penetrar o quinto princípio. ao habitar os diferentes veículos. suscetível de evoluir e converter-se em algo mais elevado. Algumas vezes. o próprio espírito. a Vida Una está concentrada no Kâma-rûpa. e quando penetra o sétimo princípio o homem deixa de ser homem. Foi dito que mesmo os princípios mais sutis são materiais e moleculares em sua constituição. por conseguinte. o sexto princípio pode ser chamado o veículo do sétimo. para aprender a doutrina do sexto princípio. atadas juntas. atingindo uma condição de existência completamente superior. Essa idéia foi indicada de variadas maneiras em recentes previsões da grande doutrina. fica subentendido que o sexto princípio ainda está em estado embrionário.

nos ensinamentos ocultos. supor que o Mahâtmâ tenha descartado por completo. realizou sua unidade com os verdadeiros Egos de toda humanidade. além de crassa. Do mesmo modo como a alma animal do reino inferior. quando os atributos destes estados forem considerados separadamente como princípios submetidos à evolução. como uma emancipação da natureza do Adepto da servidão de seu eu inferior aos desejos da vida terrena comum — e mesmo das limitações dos afetos. em união com o sexto. uma maneira errônea. e é. floresce no quinto estado. Os princípios superiores poderão ser considerados melhor como outros tantos estados diferentes do Ego. as idéias de que trato pudessem ser postas ao alcance da inteligência. Aquela consideração nos ajuda a entender com maior exatidão a passagem dos seres humanos comuns através de longas séries de encarnações no plano humano. um sexto princípio. uma vez entendidas. Neste caso. um centro de atividade mental trabalhando principalmente com impulsos e desejos pertencentes ao quarto estágio da evolução. em termos mais gerais. a sua contínua individualidade através das vidas sucessivas. Seria. chegou agora a ser diferente em seus atributos e a ficar divorciada por completo de certas tendências ou disposições. nos quais sua consciência pode haver morado durante os anteriores estados de sua evolução. e não pode mais ser atraído pêlos laços de simpatia mais para uns do que para outros. o quinto princípio se apoiaria no quarto. que está completamente consciente em seu sexto princípio. COMENTÁRIOS Alguma objeção foi levantada ao método de como a Doutrina Esotérica é apresentada ao leitor. compreenderemos melhor o aspecto geral da questão ocupando-nos de início dos processos de evolução por meio dos quais se desenvolvem os princípios do homem. por qualquer outro procedimento. que constitui a criatura humana e é a causa do sentimento de separação do ser limitado nos planos inferiores da evolução. que transcende o amor de Mâyâ ou ilusão. de considerar o assunto. que a consciência do Ego adquiria o poder de viver integralmente no sexto princípio. Entrementes. Não é que tenha perdido seus quarto e quinto princípios — mas estes alcançaram o Mahatmado. Mas vale frisar algo sobre o aspecto da constituição humana que apresenta a consciência da entidade. por graus. e o modo como a consciência do homem atua sobre eles. Porque o Ego. declarou-se algumas vezes. é o que constitui a personalidade do homem e a sua essência. da qual temos de ocupar-nos agora — a do Mahâtmâ perfeito —. ao alcançar a humanidade. que não pode permanecer só. emigrando sucessivamente através dos distintos graus de desenvolvimento que os diferentes princípios significam. sendo fácil. porém. Tendo penetrado diretamente naquele plano de existência. portanto. A mudança pode ser descrita. com o fundamento de que é materialista. A mente fortalecida converte-se em força 22 . este quinto princípio.desenvolvimento da humanidade. a consciência do homem primitivo vai gradualmente adquirindo os atributos do quinto princípio. sob cuja influência os princípios se dividem. Quanto à evolução mais elevada. no plano superior. Os impulsos da razão humana afirmam-se cada vez mais vigorosamente. os invólucros do quarto e do quinto princípios. Mas o Ego. Lampejos da razão humana superior iluminam-no com intermitência no início. Duvido eu que. a princípio. serão objeto de discussão mais adiante. poderia em semelhante circunstância simplesmente reencarnar-se e desenvolver um novo quinto princípio. mas. As circunstâncias e as atrações. por contato com um organismo humano. como inúteis. Apesar de tudo. Atingiu aquele amor pela humanidade como um todo. A entidade que era antes o quarto ou quinto princípio. sendo proporcionalmente degradado. traduzi-las nos termos próprios de seu idealismo. permanece . neste livro. o homem mais intelectual atinge a plena posse daquela.

por reencamação. mas. enquanto o sexto princípio é apenas uma potencialidade de desenvolvimento posterior. oscilando. tomado deste ponto de vista. 23 . à seqüência original. durante muito tempo. o método mais instrutivo para abordar o problema. ou seja: durante vários períodos evolutivos e várias centenas de vidas — e assim purificando e exaltando o Ego. os quais constituem assim fios em que sucessivas existências podem estar engastadas. pode-se dizer. entre as tendências da natureza inferior e as da superior. em certo sentido. uma consciência que reside neste. A evolução normal é o problema que temos de resolver primeiro. devachânico ou nirvânico. Durante esse tempo.. sofrendo mudanças. naquele ou em outro dos atributos potenciais de uma entidade humana. aproximando-nos da precisão tanto quanto nos permita a linguagem. este é o verdadeiro Incognoscível. a meu ver. A consciência é transferida ao quinto princípio. o Ego constitui assim uma unidade. astral. é claro. No tocante ao sétimo princípio. que o sexto princípio da entidade caída separa-se do quinto original e se reencarna por sua própria conta. Tal impulso de vida não expira. a causa suprema reguladora de todas as coisas. crescimentos e purificações durante o curso de sua evolução — ou seja. os princípios são dissociáveis e que até pode imaginar-se o sexto como se divorciando de seu próximo e inferior vizinho e desenvolvendo. se desprenda dele totalmente e como um todo completo. até certo ponto. o mesmo tanto para a humanidade. do mesmo incompreensível modo. O sétimo princípio é uno e indivisível em toda a Natureza. como para o reino animal. E. o mesmo para todos os planos de existência: físico. mas as subseqüentes encarnações do espírito ao longo daquela linha de impulso se devem. entretanto. A consideração dos sete princípios como tais é. Mas não é necessário que nos ocupemos demasiadamente desses processos anormais. na concepção superior do assunto: todos nós somos encobertos. por intermédio dele.predominante na vida. Não irei expressar precisamente o que ocorre em caso semelhante. um novo quinto princípio por meio do contato com um organismo humano? Não existe qualquer incompatibilidade no espírito de ambas as opiniões. Nenhum homem adquiriu um sétimo princípio. dado o modo materialista de abordar a idéia. nem mesmo no caso hipoteticamente extraordinário em que um Ego. Como se harmoniza esta forma de encarar o assunto com a asserção feita no capítulo anterior de que. pelo sétimo princípio do cosmos. E convém considerar sempre que o Ego é uma unidade que progride através de várias esferas ou estados de existência. destarte. existe uma misteriosa persistência de certos impulsos de vida. o mesmo em todos os homens. por ele projetado e desenvolvido.

para definir as condições daquela vida póstuma de duração infinita. que todas as analogias da Natureza indicam como funcionando provavelmente em todas as variadas existências do Universo.3. Aceite-se plenamente como provável ou verdadeira esta noção de que a Terra constitui meramente um elo na grande cadeia de mundos. Mas abandone-se de uma vez por todas a idéia de uma vida do além uniforme. Mas não vá supor-se a inexistência de finalidade no que se refere ao esquema desta união planetária a que pertencemos. A doutrina esotérica não tem nenhuma obrigação de manter a sua ciência e religião em compartimentos estanques. é certo que forçosamente se recomendaria por si mesma às inteligências racionais. estão intimamente vinculadas e dependem uma da outra. Pois existe uma irracionalidade manifesta na noção banal de que a existência do homem está dividida num começo material. excetuada a questão de justiça. A teoria darwiniana da evolução é simplesmente o descobrimento independente de uma parte — infelizmente só de uma pequena parte — de uma vasta verdade natural. Sua teoria da física e sua teoria da espiritualidade não são irreconciliáveis. mas um fato determinado e comprovado (por ocultistas) fora de qualquer dúvida ou contradição. A evolução do homem não consiste num processo que apenas acontece neste planeta. e poderia originar a idéia de que a totalidade dos céus estrelados é a herança da família humana. invariável e não progressiva — admita-se por um instante o conceito de mudança e progresso naquela vida — e conceba-se a idéia de uma variedade dificilmente compatível com qualquer outra hipótese senão a do progresso através de mundos sucessivos. os globos se acham estreita e intimamente unidos por meio de sutis correntes e forças. ao atuar em toda a Natureza. Não é menos disparatado imaginar que. vem em auxílio da imaginação para alguns sérios problemas da noção científica familiar de evolução. A CADEIA PLANETÁRIA A ciência esotérica. às vezes arremessa-se bem longe. que dura sessenta ou setenta anos. Separados como estão no tocante à grosseira matéria física de que são formados. cuja existência não requer muito esforço racional para ser admitida. É um resultado para o que contribuem muitos mundos em condições diferentes de desenvolvimento material e espiritual. O irracional converte-se em absurdo quando se pretende que os atos dos sessenta ou setenta anos — as confusas e frívolas ações da ignorante vida humana — sejam consentidos pela perfeita justiça de uma sapientíssima Providência. A imaginação humana. nos apresenta. uma vez posta em liberdade. Porém. com relação à origem do homem neste globo. a vida do além deva estar isenta da lei da mudança. desde o momento em que a existência de 24 . uma hipótese para a ciência oculta. Estes processos exigem apenas um número limitado e definido de globos. do progresso e do aperfeiçoamento. Se esta asserção fosse exposta apenas como uma conjectura. o sistema de evolução mais completo que a inteligência humana possa conceber. apesar de ser o sistema mais espiritual que se possa imaginar. Tal idéia implicaria um erro grave. de modo algum. e num resto espiritual de eterna duração. A vida e os processos evolucionários deste planeta — numa palavra. Como afirmamos antes. Um só globo não oferece lugar à Natureza para os processos mediante os quais o gênero humano foi evocado do caos. os ocultistas sabem explicar a evolução sem degradar os mais elevados princípios do homem. E o primeiro grande fato que a ciência oculta nos exibe. tudo o que faz dele algo mais que uma massa inerte de matéria caótica — estão encadeados com a vida e os processos evolucionários de vários outros planetas. não é isto.

atado à cadeia em vez de formar uma parte dela. mas que a rigor denominam-se mundos precedentes. Nosso próprio mundo geralmente apresenta-se-nos em condições de equilíbrio entre o espírito e a matéria. Não se trata de que a mônada individual caia. portanto. mas a Natureza atua sempre em curvas completas e viaja sempre por caminhos que retornam sobre si mesmos. Por intermédio dessas correntes sutis é como os elementos de vida passam de um mundo a outro. mas a simples vaidade da especulação ocidental raras vezes permitiu que os evolucionistas europeus dessem uma rápida olhada noutra direção. Os escritos darwinianos ensinaram o mundo moderno a encarar o macaco como um antecessor. que todos fossem parecidos e que todos pudessem ser amalgamados num só. ao mesmo tempo. o fato é. que o homem possa habitar em sua evolução progressiva. tanto os mais atrasados como os mais adiantados são os mais imateriais. e esta passagem constitui a Evolução do Homem. isto é. Existe um outro mundo. Que os mundos superiores. poderíamos considerá-lo. suscetível de má interpretação decorrente de opiniões preconcebidas. os mais etéreos de toda a série. A evolução superior será consumada por nosso progresso através dos mundos sucessivos do sistema. mas o primeiro patamar para atingir o que está mais atrás de todos. uma cadeia em torno da qual percorre o processo evolucionário. visto tratar-se de uma cadeia de mundos sem fim. mais materiais do que esta Terra. em que a matéria se manifesta até mesmo mais decisivamente que na Terra. não só em suas condições externas. Os anteriores bem como os posteriores mundos desenvolvidos — pois a própria cadeia foi crescendo por graus —. Não se deve presumir que ocupe um lugar alto na escala de perfeição. refletindo-se que aquele mundo. estando bem de acordo com o modo próprio de ser das coisas. Apesar disso. os dois fatos citados apenas apóiam-se um no outro. pode ser comprovado. Alguns leitores imaginarão que queremos afirmar que. Os mundos mais elevados na escala são aqueles em que o espírito amplamente predomina. Poder-se-á supor. permanece num nível muito inferior nessa escala. por assim dizer. Na verdade. facilmente. Mas as linhas de pensamento. devem ser menos espirituais. do ápice de 25 . como por uma catástrofe. por intermédio das quais contemplamos essa perspectiva futura. que os mundos que compõem a cadeia à qual pertence esta Terra não estão todos preparados para uma existência material exatamente ou mesmo aproximadamente semelhante à nossa Não teria sentido numa cadeia organizada de mundos. mas disso podemos falar mais adiante. não é nenhuma região de finalidade. estando numa situação mais avançada de todos. Ao contrário. Mas também à primeira vista se pode imaginar que todos os que inversamente forem denominados mundos inferiores. O processo real é mais metódico. deste ponto de vista. e isto. Entretanto. da mesma forma como o mês de dezembro nos conduz novamente ao de janeiro. reconhecendo a probabilidade de que para os nossos remotos descendentes podemos ser o que aquele tão mal-recebido progenitor é para nós. prova-se pelo mero fato de que são visíveis. os mundos com os quais estamos relacionados diferem uns dos outros. e assim deve ser. O sistema de mundos é um circuito em torno do qual todas as entidades espirituais individuais devem passar igualmente. a alma será arrastada pelas correntes daquele mundo com o qual as suas afinidades se relacionam. Deve-se entender. como atuando da matéria quase absoluta até o quase absoluto espírito. são de uma extensão quase inconcebível.alguma conexão — de força ou meios etéreos — que une todos os corpos celestes visíveis. tomem-se gradualmente mais e mais espirituais em sua formação — por estar neles a vida mais e mais nitidamente separada das grosseiras necessidades materiais — parecerá à primeira vista bastante razoável. mas também naquela característica suprema da proporção em que o espírito e a matéria combinam-se em sua constituição. que essa evolução é um processo ainda em atividade e que de modo algum ele está completo. após a morte. O fato é bem o oposto. Se este processo somente tivesse uma jornada ao longo de um caminho que jamais retornasse sobre si mesmo. e em formas mais elevadas voltaremos a esta Terra de vez em quando.

— mas a ciência comum meramente conjectura que tal fato ocorra. sem compreender as condições que o tomaram inevitável e que proibiam a renovada geração das formas intermediárias. e vós dizeis exatamente o 26 . Ocorreu. se comparamos o sistema de mundos a um sistema de torres situadas numa planície — cada uma delas de muitos andares e simbolizando a escala de perfeição —. o mais baixo na ordem do desenvolvimento —. chegaremos a um período em que não existiam na Terra formas humanas já desenvolvidas. seu impulso para a frente. que percorreu seu caminho ao redor de todo o ciclo da evolução. vegetal. humano. Quando de novo retornam. foi certa vez um macaco. tendo apenas um objetivo temporal. já estio prontas para uma encarnação humana e então não é necessário o desenvolvimento ascendente das formas animais em formas humanas — estas já estão esperando por seus moradores espirituais. Dizemos que elas desenvolvem estas formas mais elevadas por meio de elos intermediários que se extinguem. Quando as mônadas espirituais. Focalizando essa questão sob determinado aspecto. está constantemente ascendendo. embora as mudanças de forma sejam percebidas no progresso dentro dos limites das espécies.desenvolvimento ao estado do qual lentamente ascendeu há milhões de anos. vemos que a mônada espiritual representa um progresso em espiral em redor da série. Mas o macaco conhecido pelo darwiniano jamais se converterá num homem — isto é. provocou o melhoramento das mais elevadas dessas formas na forma exigida — o elo perdido de que tanto se fala. num mundo que não continha senão formas animais. pode-se objetar que esta explicação é idêntica ao pressuposto evolucionismo darwiniano. Mas se voltarmos bastante para trás. z. sem dúvida. tomando-a em qualquer das muitas etapas de desenvolvimento em que as existências são agrupadas. O homem. que na realidade é um plano inclinado uniforme. e deste modo está ainda realizando progresso à medida que passa do mundo Z outra vez ao mundo A. enquanto exerceram aqui sua volta de encarnação animal. um materialista pode argumentar que "não nos interessa expressar uma opinião sobre a origem da tendência nas espécies a desenvolver formas mais elevadas. mas sempre ascensão e progresso. Por falta de compreensão desta idéia. se parece com uma sucessão de degraus se for examinada apenas ao longo de uma linha paralela ao seu eixo. Muitas vezes percorre o círculo deste modo em torno do sistema. porque. com relação ao desenvolvimento e extinção dos elos perdidos. diz o darwiniano. de espécie para espécie. Então. Na escala da perfeição espiritual. das correspondentes aos reinos mineral. a especulação relativa à evolução física é amiúde sustada por obstáculos intransponíveis. As mônadas espirituais que percorrem em volta do sistema ao nível animal passam a outros mundos. Estão-se buscando os elos perdidos num mundo em que jamais serão encontrados. forma não mudará de geração em geração até que a cauda desapareça e os pés se convertam em mãos. por motivos que logo apresentaremos. etc. pressupõem-se grandes intervalos de tempo e a extinção das formas intermediárias. começa seu próximo ciclo no grau superior que segue. as mudanças. Desde esse mundo. para explicá-las. A rosca de um parafuso. começavam a circular desse modo. não existe descida alguma. mas sua passagem ao redor dele não se deve julgar que seja tal qual uma revolução circular numa órbita. e assim por diante. cada vez que em sua volta chega a cada uma delas e a um nível mais elevado que antes. que deve ser considerado como o mais alto no arco ascendente do círculo até aquele que deve ser considerado como o primeiro no arco descendente — ou seja. percorrendo o nível humano mais baixo ou primitivo. Muito certo. passando por cada uma das torres. podem somente ser inferidas. animal. Pois a mônada ou entidade espiritual. uma extinção das formas intermediárias ou primitivas de todas as espécies (na acepção mais ampla da palavra) — isto é. eles desapareceram. Afinal de contas. A ciência comum confessa que. É o caráter espiralado do progresso realizado pelos impulsos vitais que desenvolvem os vários reinos da Natureza o responsável pelos claros que se observam agora nas formas animadas que povoam a Terra.

como já indicamos. aproximando-se ávida animal do gênero humano. como são vistos algumas vezes na boca de nascentes pouco férteis. surgindo uma eflorescência de algo mais elevado. Basta-nos demonstrar que é tão razoável para nós — se de 27 . chame-se como quiser — passa de planeta a planeta por vagas ou golfadas. não se deve atribuir a produção de formas intermediárias. no que se refere a seu impulso essencial. a corrente contínua de água que brota da fonte. e. os quais são unidos uns aos outros por meio de pequenos canais superficiais. e apenas quando este está completamente cheio. Não nos ocupamos agora da metafísica pura dessa espécie. e este é o motivo pelo qual se toma inevitável que as formas intermediárias sejam de natureza transitória e se extingam. como qualquer um compreende. ou tubo A. elas se extinguem. Desse modo consuma-se a evolução. como estas. se elevam através das formas intermediárias às formas superiores. na imensa série das manifestações. Além disso. Este. mas para isso devemos imaginar que recuamos no tempo. nos ocupemos de fenômenos que têm muito pouco a ver com a vida. embora uma analogia tão tosca como esta certamente não nos leve muito longe. É evidente que tão logo comecemos a falar de princípios de mundos. o processo que ocorre não implica a preexistência de uma cadeia de globos que a Natureza se encarrega de encher com vida. À medida que brota a corrente do manancial é. transborda pelo canal em direção ao tubo C. permanecem as formas meramente vegetais — pois algumas delas antecederam indubitavelmente a aparição da primitiva vida animal no planeta. efetivamente. multiplicam-se com o vigor e a rapidez de todos os novos crescimentos. por ondas de mônadas espirituais que chegam por ciclos num estado apropriado para poder habitar nas novas formas. existiam as minerais — visto que até um mineral é produto da Natureza. a um período anterior no desenvolvimento de nosso sistema. e. Agora vamos estudar a característica do processo a ser descrito. proporcionam habitações de carne para as entidades espirituais que vão atingindo aquele estado ou plano de existência. Ao processo natural de evolução relacionado à influência de circunstâncias locais e à seleção sexual. Assim. inteiramente recolhida pelo primeiro orifício. Com rapidez relativa. então. Na exposição desta idéia. por graus claramente visíveis e misturando-se as formas humanas com as dos animais em indistinguível confusão. retrocedendo. O impulso à nova evolução de formas superiores é dado. enquanto que para as formas intermediárias já não existem mais moradores que as exijam. evolução de algo existente atrás dela. no entanto. Porquanto. muito anterior ao que trata nosso assunto na atualidade. Mas voltemos por etapas. no início. a evolução da vida numa cadeia de mundos como a que pertencemos. e não como uma corrente contínua. Pois bem. antes das organizações vegetais.mesmo". como deve ser toda a manifestação imaginável da Natureza — até que. Trata-se do fato de que a maré de vida — a onda de existência. Mas existe entre ambas as idéias uma diferença para quem possa compreender distinções sutis. Atrás desta. o processo é comparável à operação de encher uma série de orifícios ou de tubos fincados no chão. mas sim num processo em que a evolução de cada um dos globos é o resultado de evoluções prévias e a conseqüência de certos impulsos provenientes de seu predecessor na superabundância de seu desenvolvimento. tal como a entendemos. pode-se supor que eles nada têm a ver com os impulsos da vida. As formas que nada mais fizeram do que se repetir por milhares de anos recomeçam o seu crescimento. Estes impulsos de vida superiores rompem a crisálida da forma mais antiga no planeta que invadem. inevitavelmente. No intuito de ilustrar no momento essa idéia. Do contrário. por sua vez. E esclarece até mesmo a evolução dos próprios mundos. esclarece. passa a encher o tubo B. veríamos o mundo repleto de elos perdidos de todas as espécies. portanto. ou seja: a evolução do homem. por meio de um progresso em espiral através dos mundos. Atrás do resultado humano do impulso de vida existe o resultado das meras formas animais. ficando cheio. o impulso espiritual. antecipamos em parte o enunciado de outro fato relevante. E assim sucessivamente. ao Imanifesto princípio de todas as coisas. ao extravasar. a inteligência chega. como auxílio para corrigir opiniões sobre o sistema do mundo a que pertencemos.

no início da construção do sistema. que o reino mineral não desenvolverá o reino vegetal no globo A até que receba um impulso de fora. por assim dizer. vamos examinar. Discorrendo para baixo. há de se verificar que. Assim. muito etéreas. o processo comunica a idéia de que. O que já foi dito facilita a abordagem da evolução interposta. devemos fazer grande concessão quanto a esse estado de coisas. Tal como foi descrito aproximadamente. de que agora nos ocupamos. desde um remotíssimo período mais longínquo do que aquele do qual agora retrocedemos. Remontamo-nos bem atrás. Isso está longe da verdade. do que ao período em que os minerais começaram a aparecer. uma raça de macacos eleva-se a uma raça de homens rudimentares. depois. A ciência oculta remonta muito mais atrás. Não são os perfeitos. Os minerais. Ver-se-á que o processo de evolução relacionado com o homem. no momento. o impulso da vida mineral inunda o globo B. prossegue exatamente pelo mesmo procedimento. a Natureza começa com algo mais primitivo que os minerais — começa com as forças elementares que são subjacentes aos fenômenos da Natureza. a fim de poder avançar com mais facilidade. Torna-se evidente. Quando o desenvolvimento vegetal no globo A é completo e inicia-se o desenvolvimento animal. novamente o progresso também para cima na espiritualidade. pelo que antes afirmamos. No processo de desenvolver mundos do seio ígneo das nebulosas. Na verdade. Por enquanto. em seus estados superiores. amplamente predomina. que o grande é a repetição do pequeno em maior escala. mais dominado pelo espírito. o enorme período existente entre a época mineral do globo A e a época do homem. As formas minerais podem ser minerais no sentido de não pertencerem as formas superiores do organismo vegetal e podem ser. então o impulso de vida vegetal inunda o globo B e o impulso mineral passa ao globo C. quanto ao que consideramos como matérias. de modo bem sucinto. e este é o grande ponto a que visamos. mais livre de matéria do que o globo em que habitamos na atualidade. mercê de impulso idêntico. por duas razões. como considerar que. em todos esses estudos. Finalmente chega o impulso da vida humana ao globo A. Nesta altura. O pleno desenvolvimento da época mineral do globo A prepara terreno para o desenvolvimento vegetal. que tentamos descrever. o impulso mineral está começando no globo D. Nestas espirais inferiores da evolução. como mera massa informe de formas minerais. e a fim de que sejam explicados os progressos dos organismos do globo A. existe o progresso de um mundo a outro. Recuar mais modificaria por completo o caráter desta exposição. materialidade e consistência. voltando assim ao problema principal que temos diante de nós. constituídas por uma fina ou sutil qualidade da matéria em que o outro pólo ou característica da Natureza. quando pedimos ao leitor que o imagine. muito imateriais. no seu princípio. por assim dizer. do mesmo modo que nas superiores.alguma forma queremos falar desses assuntos — conceber um impulso de vida gerando formas minerais. quando o impulso humano começou no globo A. Pois bem. são. Devemos deter-nos em alguma parte. Mas pode-se prescindir. Em primeiro lugar. e que além dele existia o caos. tais como os sentidos do homem os percebe. recorde-se que o globo A foi descrito como muito mais etéreo. belos e duros cristais apresentados pêlos gabinetes mineralógicos deste mundo. o melhor será admitir como certos os impulsos de vida atrás do globo A. existe o progresso em acabamento. Detendonos neste ponto. Mas não seria agora conveniente retroceder à consideração dos impulsos que funcionam no globo A. em sua inexaurível análise da evolução. como já se 28 . Tão logo este se inicia. combinado com a perfeição que a matéria ou a materialidade atingiu na descida. Tomemos o processo no período em que o primeiro mundo da série — vamos denominá-lo globo A — é somente uma massa informe de formas minerais. é preciso precaver-nos contra um erro em que podemos incorrer. os espectros dos minerais. ainda. do mesmo modo que a Terra não pôde desenvolver o Homem do macaco até que recebeu o impulso de fora. o espírito. um processo da Natureza tipifica o outro. desta parte do assunto.

na verdade várias ondas de evolução. Assim como mostramos que o processo evolucionário. assim como na atualidade ele é muito maior do que o chamado elo perdido. de entrar em números. antes de principiar o impulso humano no globo A. Assim é. de que tanto se falou — que não completam plenamente a sua existência mineral no globo A. sobre o qual tanto se tem falado —. cada vez que chega a ele. e que. por enquanto. iniciando a sua existência no globo A. Mas. Elas passam várias vezes ao redor do círculo completo como minerais. para um objeto final. Além disso. que devemos expor. precedem à onda mineral em seus progressos em volta das esferas. tal como o conhecemos. enquanto nos outros mundos da série ascendente existem ainda outros ápices de perfeição para serem escalados. De propósito nos abstemos. por ter essa influência no curso dos acontecimentos. Dentro dos limites de cada planeta. cifras relativas a esses processos já foram divulgadas ao mundo pêlos Adeptos do ocultismo. antes de tentarmos prever as vidas para as quais a evolução se dirige nos imensos abismos do futuro. Temos agora o homem rudimentar. tudo o que aparece em geral tão dolorosamente misterioso. está sujeita a muitas encarnações em cada uma das grandes raças. começa quando certos impulsos atuam pela primeira vez. do que o é agora. naquele mundo em que todas as coisas são como que espectros correspondentes às coisas deste mundo. o vegetal. O impulso de vida de cada "Ronda" transborda. para nós. cada um por sua vez. nos revela que o impulso de vida passou várias vezes completamente ao redor de toda a cadeia de mundos. tal como o conhecemos nesta Terra. Encarna-se muitas vezes nas raças sucessivas de homens antes de ir para a frente e. existe um fato. existem processos de evolução que antecedem a evolução mineral. Por enquanto. que não completam inteiramente sua existência mineral no globo 29 . completam-na depois no globo B. Ele começa a sua longa descida na matéria. explicando as imensas diferenças de inteligência. antes que o destino de nosso sistema se tenha cumprido. está apenas a meio caminho do processo evolucionário a que deve seu desenvolvimento atual. ocorre um complicado processo de evolução. várias vezes como vegetais e várias vezes como animais. Ao se avançar mais.disse. Ele será muito maior. também tem um fim. mesmo. está completamente fora do alcance de faculdades não acostumadas ao discernimento dos mistérios ocultos. O que tem um começo definido. e assim por diante. da mesma forma infere-se que tendem para um fim. formando-se as raças de homens em graus diferentes de perfeição em todos os planetas. Depois. O homem. Imaginar a espécie de vida que terá o homem. há de se ver que este fato lança um facho de luz sobre o estado atual do gênero humano. se nos detivéssemos aqui. embora esta meta esteja ainda longínqua. Mas as Rondas são mais complicadas em seu modo de ser do que esta explicação poderia mostrar. uma vez entendido. antes de atingir o zênite do grande ciclo. em seu sentido mais elevado. O processo para cada mônada espiritual não é meramente uma passagem de planeta a planeta. os átomos individuais daquele imenso impulso de vida. antes descrito. Mas já há bastante o que fazer com os pormenores do esboço que agora apresentamos ao leitor. Afirma-se que "as mônadas espirituais — os átomos individuais daquele imenso impulso de vida. depois de haver escrito este livro. Este fato é o seguinte: cada um dos reinos da evolução. por último. e assim ocorre que uma onda de evolução. em geral. As mônadas espirituais — ou seja. porque convém apresentar primeiramente o esboço do esquema em termos gerais. COMENTÁRIOS Há uma expressão no capítulo anterior que não se coaduna com algumas noções mais completas que pude adquirir sobre o assunto. de moralidade e mesmo de bem-estar. está dividido em várias camadas dispostas em espiral. o esboço deverá ser suficiente. Esse aperfeiçoamento ocorrerá nesta Terra mesmo. o animal e assim por diante.

Mas isto não passa de uma hipótese que nos dá certa garantia. como provocadora de uma manifestação homogênea. etc. o período em que a Terra estará ocupada por nossa raça é mais do que suficiente para absorver nossa energia especulativa. quando compreendemos que. e vice-versa. os cristais e as rochas diferenciados são bolhas daquela massa fervente. a descida do espírito na matéria) não produz uma diferenciação de individualidades até um período muito posterior ao que se observa no parágrafo antes citado. Para apreciar de modo geral o assunto. adere a determinadas interpretações de linguagem nebulosa. até que contemplemos na imaginação a passagem do grande impulso de vida ao redor da cadeia planetária. isto é. Neste. mas sujeita a ser tratada como outra teoria qualquer nos impulsos de vida destinados a originar as cadeias ulteriores de existência de uma organização elevada. dos quais não necessitamos tratar no momento. Assim como. porque o principal propósito era elucidar o modo como a entidade humana se desenvolvia gradualmente. assumindo parcialmente formas individualizadas por certo tempo e confundindo-se outra vez com a substância geral do crescente cosmos. porém. como uma pluralidade a que o pronome "elas" pudesse ser aplicado com propriedade. Elas passam várias vezes ao redor de todo o círculo como minerais. como vegetais. cada planeta passa por uma metamorfose de caráter altamente importante e transcendente. depois. até aí não seria estritamente justificável falar das mônadas espirituais que se movem em volta do círculo. completam-na depois no globo B. cujo efeito em cada um dos casos pode ser encarado quase como equivalente à reconstituição do mundo. é melhor considerar a primeira infusão do espírito na matéria. podemos igualmente supor a mesma unidade como existente nos primeiros albores da cadeia planetária. Nos mundos minerais em que as formas superiores da planta e da vida animal não foram estabelecidas ainda. nos fatos atuais da Natureza. para que compreendam de uma vez a pluralidade de mundos em nosso sistema — suas íntimas relações entre si e a interdependência mútua — antes de concentrar a atenção na evolução deste único planeta. não existe nada que se pareça a uma mônada individual e espiritual. é mais do que suficiente para pôr à prova as faculdades da imaginação comum. é evocada a verdadeira individualidade. referem-se algumas vezes aos estados sucessivos do mundo como se indicassem mundos sucessivos. pela primeira vez. não se tratando ainda de verdadeiras individualidades. No entanto. pressupusemos a unidade desse impulso de vida. reservando-nos o direito de indagar depois alguns mistérios. a menos que seja. no caso de um Ego humano pervertido. uma vez que se chega a um grau de investigação mais amplo. várias outras vezes em torno do mesmo. agindo a princípio nos reinos inferiores. na verdade. na verdade. O reino vegetal estabelece a matéria orgânica em manifestação física e prepara o caminho para a evolução superior do reino animal. não revelaram o tema da cadeia planetária com a intenção de encorajar nenhum estudo íntimo da evolução na mesma grande escala em que aqui aparece exposta. em nota anterior. A magnitude do processo evolucionário. devido aos processos da Natureza. mas unicamente em suas regiões superiores. temos de reconhecer ambos os procedimentos de mudança. Portanto.A." Agora compreendo que me foi permitido empregar esta forma de expressão no primeiro caso. Nem sequer no reino vegetal começa a individualidade. autores da doutrina exposta neste volume. lançado como entidade completa fora da corrente da evolução em que havia entrado. de linguagem obscura. no nível da encarnação animal. se a série completa dessas mudanças 30 . Em tudo o que se refere à humanidade. é sumamente vantajoso para os estudantes da doutrina oculta. Enquanto habitado pela humanidade. Mas não é menos certo que. A obscuridade desaparece. por meio de alguma unidade inconcebível — inconcebível. Pois em muitos aspectos a evolução de um único planeta segue uma rotina análoga à rotina que afeta toda a série de planetas a que pertence. Os antigos escritos sobre a ciência oculta. As formas específicas do reino mineral. conforme a tendência a que se incline. torna-se claro que o vasto processo (cujo coroamento é a evolução da humanidade e de tudo o que conduz a ela. causando confusões para o leitor que. É evidente que os Adeptos. Mas. e assim por diante. que se verifica durante esse período.

mas tudo o que tem um princípio se encaminha para um fim. facilitado pela referência ao número de mundos e raças necessários para realizar toda a finalidade do sistema. Achamos conveniente denominar Rondas os primeiros crescimentos da humanidade. como o é a vida de um homem. A vida do homem. tem de viver por toda uma série de raças neste planeta. por meio de uma série de renascimentos. Outras observações sobre este ponto principal estarão com mais propriedade no lugar que lhes corresponde no final de um dos próximos capítulos. Mas se deve ter presente que a duração inteira do sistema é certamente limitada no tempo. depois de completarem suas jornadas ao redor de toda a série de mundos. Provavelmente não limitada a determinado número de anos. A grande maré da vida humana — segundo o que já foi descrito — percorre em volta do círculo inteiro de mundos em ondas sucessivas. observa-se uma ilustração notável das uniformidades da Natureza. passando ao próximo. Pois. Mas o ponto a que se deve dar atenção especial é que a unidade individual. OS PERÍODOS DO MUNDO Num primeiro relance pela doutrina oculta. de que este mundo é apenas uma unidade. ao ser comparado com a série inteira. Os pormenores internos deste mundo. no que se refere a seus princípios superiores. como tal. equivalem aos pormenores internos do organismo maior. quanto ao desenvolvimento do homem na Terra. em grande parte. exibindo aquela semelhança de contorno por parte de um mundo. as individualidades na Terra durante a Ronda número um voltam outra vez a ela. é um período 31 . Este fato sugere o esboço da construção que logo há de se desenvolver na mente do leitor. Já é tempo de esclarecer de que modo funciona esta lei. Assim. ocupando-nos dos números que efetivamente representam um papel na evolução de nossa doutrina. no decorrer de qualquer das Rondas. Isto significa que o desenvolvimento da humanidade nesta Terra se efetua por meio de ondas sucessivas de desenvolvimento. e assim sucessivamente. o exame posterior das leis em funcionamento será. constituindo a Ronda número dois. por suas unidades de construção. para a que já se chamou a atenção. chegando a um dado planeta da série. mas uma vez bem entendida a idéia de um sistema de mundos em cadeia e a idéia da evolução da vida em cada um desses mundos. Não devemos esquecer que as unidades individuais constitutivas de cada Ronda por turno são sempre as mesmas. antes de passar a outro planeta. resulta de uma série de raças desenvolvidas por turno. que correspondem aos sucessivos mundos da grande cadeia planetária. Assim como o esquema completo da Natureza a que pertencemos se desenvolve por meio de uma série de Rondas que passam através de todos os mundos. dentro dos limites de cada mundo. a uma série de mudanças mais elevada. fixado irrevogavelmente desde o início. Os vários mundos da cadeia são realidades objetivas e não símbolos de mudança em um mundo único e variável. Seria apressado iniciar por eles nossa explicação. não entra em contacto simplesmente com o planeta. esta pertencerá.for tratada como uma unidade. 4. O contorno do plano é tal qual o contorno do plano mais compreensível de toda a cadeia de mundos. assim também o desenvolvimento da humanidade. prescindindo de todos os acidentes. em cada um dos mundos.

findável e a vida do sistema mundial conduz a uma consumação final. Falamos da eternidade de modo volúvel e. Animar-se-ia o leitor. Existem sete reinos na Natureza. o grosso da humanidade. O homem pertence a um reino nitidamente separado do dos animais. A evolução das raças humanas pode ser delineada em períodos de sete em sete. pois há casos excepcionais que abordaremos mais tarde — estamos na quinta raça de nossa presente quarta Ronda. sejam em maior ou menor número. Uma unidade individual. incluindo seres de grau mais alto de organização que aquele com que a humanidade nos familiarizou até agora. A Ronda em que nos encontramos na atualidade é a quarta. cada vez que chega a ela numa Ronda de progresso através do sistema planetário. O homem — voltando ao reino que mais nos interessa — evolui numa série de Rondas (progressões em volta da série de mundos) e sete delas têm de se efetuar antes que os destinos de nosso sistema se cumpram. e não três como a ciência moderna os classificou incorretamente. e na ordem regular de sua gradação ascendente. em geral ofuscam a imaginação. essa necessidade não deveria abalar a mente tanto quanto uma hipótese que estipulasse um número menor de encarnações. Não fosse assim. as existências ativas de cada unidade humana seriam na verdade poucas e distantes entre si. cada unidade humana deve passar durante a sua permanência na Terra. nós que vivemos atualmente nesta Terra — ou seja. o que constitui uma questão sobre a qual não precisamos nos preocupar. dispondo-se até mesmo a contá-los como se fossem números dignos de consideração? Cada uma das sete raças que compõem uma Ronda — ou seja. Abaixo do reino mineral existem outros três. não pode passar adiante enquanto não chegar o tempo em que a 32 . Os vastos períodos de tempo. mas esta parte do assunto pode. que chega a um planeta pela primeira vez no curso de uma Ronda. considerando o fato de que a cosmogonia atual não reconhece a sua atuação na eternidade. por muitas que sejam as vidas pelas quais cada unidade individual deva passar na Terra em cada Ronda. com relação à vida de um sistema mundial. que evoluem sucessivamente na Terra durante sua ocupação pela grande vaga da humanidade que passa em torno da cadeia planetária — está sujeita a subdivisões. os ilógicos teólogos ocidentais tendem a reputar como disparates essas numerações. no momento. a evolução dessa quinta raça começou há milhões de anos. O certo. pois apenas a mencionamos para demonstrar a operação regular da lei setenária da Natureza. Nossas antiquadas especulações a respeito do tempo e da eternidade. Existem considerações do mais alto interesse relacionadas com conhecimentos exatos sobre estes pontos. tem de evoluir pelas sete raças daquele planeta antes de passar ao próximo. a ocupar-se com as estimativas que se referem a milhões de anos. e dos quais a Terra é um deles. Por todas estas raças. com relação aos problemas relativos à duração desses períodos. mas assim que os anos são numerados com exatidão em grupos correspondentes a conceitos determinados. Por um instinto profético. e o número preciso de mundos objetivos que constituem o nosso sistema. e nos limites de cada subdivisão há outras sete raças ramais. Nos limites de cada raça há sete sub-raças. nos levaram a adotar uma curiosa atitude de pensamento. não nos impressionam os milhares de anos. sugeridas pelos vagos sistemas religiosos do Ocidente. e cada uma destas raças habita a Terra durante longo tempo. sobre os quais a ciência ocidental nada conhece. ser deixada de lado. assim como os físicos admitem como um fato que o espectro consta de sete cores e a escala musical de sete tons. é também de sete. Shakespeare tomou o número 7 como o que convinha à sua fantástica classificação das idades do homem. porém. Pensando bem. mas apesar de tudo são mensuráveis e divisíveis em subperíodos de vários tipos e estes têm um número definido. é que não poderia haver feito uma escolha mais feliz. em termos aproximados. Tenha-se em mente que os sábios oculistas conhecem isso como um fato. Pois bem. porque cada Ronda está especificamente destinada ao predomínio de um dos sete princípios do homem. dirigindo-nos ao outro extremo da escala. Entretanto. Pois.

as quais devem. através do vasto processo evolucionário assim esboçado. não é compatível. A distribuição dos sete 33 . é a unidade individual ou a mônada espiritual. a unidade individual passa por um período de existência no correspondente mundo espiritual. Se em cada uma das raças ramais ocorresse unicamente uma existência. ou seja. e a própria Terra como o correspondente mundo de causas. existe uma curiosa lei cíclica que atua para aumentar o número total de encarnações além de 686. ver-se-á que o tempo gasto por cada unidade individual na vida física representa uma pequena fração do tempo total decorrido entre sua chegada à Terra e sua partida para o planeta próximo. cada vida desce à objetividade duas vezes. Os estreitos horizontes dos conceitos religiosos vulgares compreendem somente uma vida espiritual e suas conseqüências na vida futura. revelado pêlos elementos da ciência oculta que agora estamos expondo. porém. por sua vez. o número total seria. habitá-la. no mesmo ramo — em outras palavras: cada mônada encarna duas vezes em cada raça ramal. Por outro lado. Mesmo pelo cálculo já exposto. Este número varia dentro de limites relativamente estreitos. A teologia supõe que a entidade em questão tem seu princípio nesta vida física e que a vida espiritual seguinte jamais cessará. E como as condições dessa existência são definidas pelo uso que se fez das oportunidades de que se dispunha na existência física precedente.onda circulante avançar para outras regiões. Não devemos esquecer jamais que. pelo menos. cada uma de per si. o céu da teologia comum. uma das sete ocupantes da Terra através de -uma das sete ondas circulantes de seres humanos. por assim dizer. se relacionando com a enumeração anterior de encarnações da raça. que a leva a fazer com que brote uma raça ramal adicional naquele ponto de seu progresso. se simplesmente eleva o número sete à sua terceira potência. antes que sejam concluídas as suas missões na Natureza — essa microscópica molécula da estrutura total é o que a teologia comum trata como se fosse mais que o todo. A lei metódica que conduz a todas e a cada uma das entidades humanas. onde se passa a nossa existência objetiva. uma das sete pertencentes a uma raça subdivisionária. para cada mônada. O resultado é que o número normal de encarnações. ou à Terra espiritual ligada à Terra física. entre cada existência física. mas as significações desse fato serão consideradas mais adiante. de acordo com o uso que esta tenha feito de suas oportunidades na vida. de forma alguma. com a possibilidade de cair em destinos anômalos ou na derradeira aniquilação que ameaça as entidades pessoais de gente que cultivou afinidades muito ignóbeis. com freqüência se indica a Terra espiritual nos escritos ocultos como o mundo dos efeitos. Ele não obterá o número exato de vidas que uma entidade individual tem de passar na Terra durante sua permanência ali numa Ronda. A maior parte do tempo — tal como contamos sua duração — portanto. Através de todas essas raças passa a onda inteira da vida humana. não abrangem. pois supõe que isso abrange a eternidade. Neste ponto devemos prevenir o leitor contra uma conclusão a que poderiam induzi-lo as explicações anteriores — embora exatas para os períodos que abarcam. pelo que desenvolve um ramo novo no fim da sub-raça. obviamente transcorre nas condições subjetivas de existência que pertencem ao "Mundos dos Efeitos". O período que tem de passar no mundo dos efeitos — muito mais longo em cada caso do que a vida que lhe abriu caminho para a existência naquele — corresponde ao "além-mundo". Cada uma das sub-raças possui em seu ápice certa vitalidade extra. 343. uma das sete que compõem uma raça principal. em seus derradeiros momentos. Esse par de existências. A natureza da existência na Terra espiritual deve ser considerada pari passu com a natureza da vida passada na Terra física. entretanto. após uma encarnação no mundo das causas. esta. O que naturalmente passa ao mundo dos efeitos. a totalidade do esquema. é de quase 800. obviamente. mas a personalidade que acaba de dissolver-se a acompanha na proporção que corresponde aos méritos dessa personalidade — ou seja. constitui apenas uma parte da experiência da entidade durante a sua conexão com uma raça ramal.

mas também através de todas as outras ondas circulantes e em todos os outros mundos. à primeira vista. até mesmo na literatura exotérica — a desaparecida Atlântida. desse modo. sempre que a indagação menor está contida na maior. compreender a situação. no tempo oportuno. e nenhum dos continentes que foram os grandes vórtices das civilizações daquelas raças existe na atualidade. A entidade permanente é a que vive através da série inteira de vidas. que marcha pari passu com a vida de seus habitantes. considerada à luz destas explicações posteriores sobre a evolução. e todos os da terceira raça. a história da Terra. que não pertencem à região própria de sua raça. que permitem aos Adeptos lerem os mistérios dos outros mundos e dos outros estados de existência. de forma alguma. pois. conceber a idéia de que alguma civilização semelhante tenha desaparecido. o modo como a onda de humanidade. no tempo predeterminado. não só das raças. mas esses. Na verdade. que se compreenda o destino do Ego espiritual mais durável e elevado. se não conseguisse harmonizar com suas doutrinas todos os fatos da vida terrena. a noção de civilização na Terra. com mais facilidade. Mas a escória astral. cabe analisarmos melhor o desenvolvimento das raças objetivas. Os períodos das grandes raças raízes são divididos uns de outros por grandes convulsões da Natureza e por grandes modificações geológicas. inferiores à tarefa de sondar o passado da corrente de vida deste globo. mas. Disto decorre que. tal como é. que constitui uma divisão da ciência esotérica. pode-se remontar ainda mais. por estranho que pareça a alguns de nossos leitores. mostram uma tendência a degenerar e a reincidir na barbárie com maior ou menor rapidez. Muito pouco capaz teria sido ela de pesquisar e certificar-se do modo como a raça humana se desenvolveu através de evos de tempo e de séries de planetas. com que a Europa dotou presentemente a humanidade. num período de Ronda. enquanto a rápida lembrança de uns poucos milhares de anos é tudo o que abrange nossa chamada história universal. em suma. Sete grandes cataclismos continentais sobrevêm durante a ocupação da Terra pela onda da vida humana. A Europa não existia como continente nos tempos de florescimento da quarta raça. que precedeu a nossa. se desenvolveu nesta Terra. Cada raça é eliminada. predecessora direta da nossa. era aquele continente do qual alguma reminiscência foi conservada. O continente em que a quarta raça viveu não existia quando floresceu a terceira. As faculdades. podemos.princípios à morte demonstra isto de modo bastante claro. e. se não estivesse estado em condições de comprovar também. de forma invariável nesses casos. a ciência esotérica não seria um sistema tão completo e fidedigno. de cuja destruição fala Platão. compreende os eventos da quarta raça. não são. sem nos deixar quaisquer registros? A resposta está na rotina regular da vida planetária. A história natural dessa escória astral é um problema de grande interesse e importância. mas nem a segunda nem a primeira raça desenvolveram nada que se possa denominar civilização. portanto. desaparecer tão completamente a ponto de chegar a ser ignorada a sua anterior existência por alguns habitantes futuros da Terra? Como podemos. foi efetivamente o 34 . Como pode uma civilização. mas o prosseguimento metódico de todo assunto exige de nós. ela poderá recuperar a recordação de todas essas vidas. expelida a cada entrada no mundo dos efeitos. que precedeu àquela. ficando alguns remanescentes em outras partes do mundo. há vários milhões de anos. pertencentes à atual onda circulante na Terra. que lhe parecerão dias do passado. de que tratamos agora. Mas a grande ilha. embora num futuro inconcebivelmente distante. e antes ainda de empreendermos esta investigação. A terceira e a quarta é que desenvolveram. Onde estão os seus vestígios? — perguntarão. separada por completo da entidade espiritual da qual recentemente se desligou. tem existência própria mais ou menos independente. há menos que dizer delas do que sobre as que as sucederam. se for medido em anos. Ainda que se interesse por assuntos que geralmente são considerados como pertinentes à religião. Expressando em termos gerais. A região própria da quarta raça.

forçando-a a entregar seus segredos. com as suas elevadas civilizações e deuses. aflorando novamente à superfície as Lemúrias e as Atlântidas?" "Certamente. mas não podiam ser denominadas civilizadas. entre ambas as catástrofes. Considerai estes últimos e a índia: tendo atingido a civilização mais elevada e. na sua primeira parte.000 anos. o grande ciclo dos homens da quarta raça. a quarta raça teve os seus períodos de mais alta civilização. época em que.446 anos." "Os gregos e romanos eram pequenas sub-raças e os egípcios uma parte de nosso próprio tronco caucásio. que pode ser propriamente chamada Poseidonis. como o fazem alguns de vossos modernos escritores. tradução de seu nome indígena. Contemplai as relíquias daquela que foi antigamente uma grande nação. ou antes. A história só possui uns poucos desgarrados e nebulosos vislumbres do Egito de há 12." (A carta que estou agora citando foi escrita em resposta a uma série de perguntas que eu formulei. o que é mais." Certo escritor cometeu um equívoco ao escrever recentemente sobre a Atlântida. que existiu uma civilização extinta antes que Roma e Atenas fossem fundadas. o seu lugar na história. decaíram. permanecem profundamente submergidos nos insondáveis. Todo vestígio 35 . alcançaram o cume da glória e morreram. na série dos cataclismos periódicos ocorrentes desde o princípio até o fim de cada Ronda. nossos já autopsiados continentes submergirão. Ambos os continentes afundaram e foram cobertos pelas águas.) "As civilizações grega. "Por que os vossos geólogos não levarão em conta" — pergunta meu venerado Mahâtmâ instrutor — "que. através do que é hoje o Oceano Índico. Sobre isso trataremos em breve. permanece ainda hoje lutando para conquistar de novo. desapareceu por completo (seus coptas são apenas um remanescente híbrido). pois então a África não existia) "não deve ser mais confundida com a Atlântida. nos insondados leitos do oceano. e o grande continente. O Egito. visto que a sua raça era a terceira. decorreu um período de cerca de 700. em cujas entranhas encontraram a época Eocênica. e que no primeiro grande sublevantamento geológico e próximo cataclismo. como a Lemúria e a Atlântida. Asseveramos que existiu uma série de civilizações. que se erigiram e decaíram — contudo. Nós sustentamos que existiram civilizações muito maiores que as vossas. que ocuparam diversos pontos do globo. As da segunda raça não eram selvagens. outros e mais antigos continentes cujas camadas não foram jamais exploradas geologicamente. apresentava os primeiros sintomas de depressão — processo que durou até há 11. " algum dia. já havia atingido o seu ponto mais elevado. Porém. mas ligado com a Atlântida. tendo alcançado o ápice de seu ciclo milhares de anos antes. em alguns dos aborígines de cabeça chata de vossa Austrália. exatamente naquele decurso de tempo anterior ao período inicial da época Eocênica. como sub-raça diferenciada. Foi dito que: "No período Eocênico. A índia. quando a sua última ilha.último remanescente daquele continente. povoando a índia e o Egito com colônias daquele continente. o pai de quase todos os continentes atuais. havendo florescido a Lemúria e acabado seu curso de vida. romana e mesmo a egípcia nada são em comparação com as civilizações que começaram com a terceira raça. e que podem algum dia demolir inteiramente as suas atuais teorias? Por que não admitir que os nossos atuais continentes já permaneceram várias vezes submersos. sob os continentes explorados e sondados por eles. do que a Europa com a América.000 anos. a ciência. começou a sua decadência. e que tiveram os seus tempos de reaparecer de novo e de sustentar novos grupos de humanidade e de civilização. submergiu com um estrondo. tanto antes como depois do período glacial." "Os caldeus haviam chegado ao apogeu de sua fama oculta antes do que chamais a Idade do Bronze. os atlantes. como um dos primeiros e mais poderosos brotos da raça mãe e composta de certo número de subraças. que garantia podeis mostrar ao mundo de que afirmamos a verdade? Não basta dizer. "A Lemúria" (um continente mais antigo que se estendia para o Sul.

que na atualidade ocupa o trono 3 — cujos aborígines pertencem em sua não mesclada nacionalidade integralmente ao último e mais elevado ramo da quarta raça. os conquistadores brancos. se comparado com o estado de relativa estagnação do povo da quarta raça desde o início do progresso moderno. A que se deve o achado de cavalos e carneiros na companhia dos enormes antediluvianos?" "A região agora desaparecida no inverno eterno. Falamos de civilizações do período pré-glacial. quando o trono chinês foi ocupado pelos mandchus. o mesmo acontecendo com as suas raças e sub-raças. mas também que igualmente foi a sede de uma das mais antigas civilizações da quarta raça. A maior parte da humanidade pertence à sétima sub-raça da quarta raça raiz — as mencionadas anteriormente: os chineses. não à mistura híbrida entre a quarta e a quinta raças. cada raça. Todas essas decaídas e degradadas formas da humanidade são a descendência por Unha direta de nações altamente civilizadas. Entretanto. mas até à opinião do geólogo de alta erudição. Ao irradiar 3 Refere-se à Dinastia dos Ch'ing (1644-1912). ainda não havia feito a sua aparição na Terra. são ainda mais dignos de crédito. tem os seus grandes e os seus pequenos ciclos em cada um dos planetas pêlos quais a humanidade passa. antigamente poderosas. sem esperança de serem diferenciados (pelos cientistas profanos) dos restos da terceira raça. ovelhas. até que há poucos anos começaram a ser feitas descobertas. O grupo de ilhas descoberto por Nordenskiold.) 36 . Essa pergunta foi a que despertou as explicações antes citadas e também as seguintes observações relativas ao recente "impulso do progresso humano". assim como cada sub-raça. e a pretensão parece absurda. sois tão-só uma sub-raça ocidental. das quais nem nomes nem reminiscências sobreviveram. "É o final de um ciclo muito importante. bois. rinocerontes e de outros monstros pertencentes a períodos em que o homem. Apesar de vossos esforços. seus ramos e brotos (malaios. Disse-vos antes que o mais elevado povo (espiritualmente) existente hoje na Terra pertence à primeira sub-raça da quinta raça raiz e é constituído por arianos asiáticos. e que a raça mais elevada (no intelecto físico) é a última sub-raça da quinta — ou seja: vós mesmos. a que épocas tão afastadas remontam essas civilizações em comparação com as mais antigas conhecidas. Cada Ronda. aos verdadeiros chineses. foi encontrado coberto de fósseis de cavalos. entre gigantescas ossadas de elefantes. de nossa afirmativa de que os chineses — refiro-me aos do interior. inabitada pelo homem — o mais débil dos animais — logo se comprovará que não só teve um clima tropical. O que dizer. o que chamais de civilização está restrito unicamente à última e a seus descendentes na América. tibetanos. Lembrai-vos de que pertenceis à quinta raça." Eu me perguntara se havia meio de explicar o que parece ser o impulso curioso do progresso humano nos últimos dois mil anos. ainda àquelas. T. entretanto.e lembranças das civilizações assíria e fenícia tinham sido perdidos. cujos mais importantes vestígios encontramos agora no chinês degenerado. exceto em Evros como Populvuh. cujos restos mais ínfimos estão misturados. (N.. O 'curioso ímpeto' deve-se ao duplo efeito do primeiro — o princípio de seu curso descendente — e do último (o pequeno ciclo de vossa sub-raça) arremessando-se para seu ápice. a história se mostra relutante em aceitar. mamutes. segundo vossa ciência. Nossa humanidade da quarta Ronda tem o seu grande ciclo. coisa que vossa ciência sabe e não refuta. mongóis. chegaram a seu mais alto grau de civilização quando a quinta raça apenas aparecia na Ásia? Quando foi isto? Fazei a conta. embora não uma das mais primitivas da história da humanidade. então. javaneses. A arqueologia tem demonstrado suficientemente que a memória do homem remonta no passado a idades mais recuadas que as que a história tem desejado admitir e os anais sagrados de nações. não só à inteligência comum e profana. com Vega. etc. E agora elas abrem uma nova página na história. o livro sagrado dos guatemaltecos e alguns outros desconhecidos à ciência.) — com restos de outras sub-raças da quarta e da sétima sub-raça da terceira raça. etc. conservados por seus herdeiros.

para o melhor dos videntes.000 anos.em torno de si. E cada raça raiz é cortada. precipitam para o ápice de seus ciclos respectivos. os lemurianos e os atlantes. de acordo com a lei de desenvolvimento." "Um estudante de ocultismo não deve falar do estado estagnado do povo da quarta raça. como disse. correspondente ao desenvolvimento das raças e ao obscurecimento dos planetas. e assim deu fundamento de verdade ao que se pensava ser mais uma 'fábula'. os atlantes foram destruídos pela água. Vossas subraças agora se. ou por água. ocorreu ali um grande ímpeto para o progresso entre as sub-raças do Peru e do México. ou por fogo. enquanto o que efetivamente sucede é que os acontecimentos que resultam em grandes mudanças geológicas podem ser prognosticados com certeza tão matemática. e do Japão fazeis apenas uma caricatura. Os sacerdotes egípcios de Saís contaram a Sólon que a Atlântida (ou seja. eles se referiam a Poseidonis. pode parecer que a sua luz enganosa lance os seus raios a maior distância do que em verdade o faz. Mas nesse caso. antes da invasão daquela região pêlos espanhóis? Menos de dois séculos antes da chegada de Cortês. O que eles são agora. como os eclipses e outras revoluções no espaço. entretanto. por exemplo. pertencentes em sua maior parte à anterior quarta raça. Sua sub-raça terminou com o aniquilamento quase completo. a única grande ilha restante) perecera há 9. na evolução das Rondas. Este não era um dado imaginário. 'até o início do progresso moderno' de outras nações. Deste último estado é o que vossa história universal tem conhecimento enquanto permanece soberbamente ignorante do estado em que até mesmo a índia se achava há uns dez séculos. A resposta foi: "Na era Miocênica. crescimento e maturidade caem cada raça e sub-raça durante os períodos de transição. incapaz de elevar-se mais em seu próprio ciclo. têm de ocorrer. a quinta. seu progresso para o mal absoluto será detido (como o de seus antecessores. não querendo revelar nem mesmo ao grande legislador grego a sua cronologia mais secreta. e vossa história não remonta além dos períodos de decadência de outras poucas sub-raças. tendo chegado ao ápice de seu desenvolvimento e glória da quarta raça. Não existe ímpeto algum na China. A submersão da Atlântida (o grupo de continentes e ilhas) começou durante a era Miocênica — do mesmo modo como alguns de vossos continentes. pois a lei dos ciclos é una e imutável. Tudo ocorre em seu tempo e lugar devidos. terminando com o desaparecimento das belas ilhas mencionadas por Platão. a existência do grande continente e arquipélago. a não ser as ocidentais. os homens das terceira e quarta raças foram-no em seu progresso) por uma dessas mudanças 37 . O que sabeis da América. a ciência aceitou. Encontrareis agora somente os seus degenerados restos cujas sub--raças. por causas produzidas por si mesma. senão antes há massa de evidências em prol da tradição. calcular a hora exata e o ano em que tais cataclismos. por fim. Como não existem quaisquer razões geológicas para duvidar disso. visto que eles haviam conservado os seus anais com grande zelo por milênios. vós o sereis algum dia. por assim dizer. visto que a história quase nada sabe sobre esse estado. De outra forma seria impossível. Podemos falar tão-só do estado 'estagnado' em que. tiveram cada uma seus dias gloriosos e a sua relativa grandeza. grandes e pequenos." "A proximidade de cada novo obscurecimento é sempre marcada por cataclismos de fogo ou de água. Quando a vossa raça. Tudo o que um Adepto poderia fazer seria prognosticar o tempo aproximado. Assim. observa-se agora. como ocorre na atualidade na Europa e nos Estados Unidos." Eu também me perguntara a que época pertencera a Atlântida e se o cataclismo pelo qual foi destruída sobreveio num ponto determinado do progresso da evolução. estão afundando gradualmente — tendo seu ponto culminante com o desaparecimento final do continente maior. tiver chegado ao zênite de sua intelectualidade física e desenvolvido a sua mais alta civilização (lembrai da diferença que estabelecemos entre a civilização material e a espiritual). evento coincidente com a elevação dos Alpes.

alguns desses poderes são simplesmente a aplicação prática de forças obscuras da Natureza. quando tentava descrever os nossos instrutores esotéricos.W. filhos das circunstâncias. Há nesta expressão uma filosofia mais elevada do que parece à primeira vista. em vez de como uma verdade profundamente sagrada. se lança à região própria do progresso espiritual. bem alheio ao mundo oculto. como resultante da íntima observação dos simples registros históricos. porém muito mais um progresso ininterrupto. Conseqüentemente ocorre que." O "progresso para o mal absoluto". Os profanos de ciência daquela raça haviam aprendido os segredos da desintegração e da reintegração da matéria cuja possibilidade só hoje é admitida por alguns espíritas devido aos fenômenos que têm presenciado. o curso dos acontecimentos não apresentará. após um breve período de glória e conhecimento. o que traria um resultado mais terrível do que os sofrimentos e as provações deste mundo. pela intolerância ou por intervalos de esterilidade intelectual. Ora. quão rápidos e passageiros foram os seus dias de fama e de glória. eram apenas sub-raças dos sete brotos da raça raiz4. começa com a aquisição. Contemplai quão grandes. como freqüentemente dizemos. sua grande civilização será destruída e todas as sub-raças da raça irão declinando em seus respectivos ciclos.. que entretanto se pronuncia decididamente a favor da teoria dos ciclos. detido pêlos cataclismos de cada raça por seu turno. A nenhuma raça-mãe. parece-nos que vale concluir estas explicações com um trecho de um autor eminente. J. Como a opinião esotérica sobre o assunto. suscetíveis de descoberta durante o curso do progresso científico comum. Esses poderes. como regra geral. Descrevê-los minuciosamente conduzir-me-ia a uma longa digressão sobre os fenômenos ocultos. Falei rapidamente desses poderes. possui tendência inteiramente oposta. quando a inteligência física.. que atualmente se desenvolvem no Adeptado. A contingência será melhor entendida quando nos ocuparmos dos destinos gerais para os quais tende a humanidade. Basta dizer que são de tal natureza que necessariamente seriam perigosos à sociedade em geral e provocariam toda espécie de crimes. por uma lei soberana. Tais progressos haviam sido realizados pelos atlantes. à medida que se desenvolvem. são coletivamente governadas pela lei cíclica. mas avançando continuamente para diante em seu longo percurso. o Dr. 4 Ramos das sub-raças. Do ponto de vista mais exato. em capítulo anterior. que depois desafiariam completamente toda a averiguação. talvez. os antigos gregos e romanos (os modernos pertencem à quinta raça). Desse modo. por mais que exercitem o livre-arbítrio que irretorquivelmente possuem. acelerado algumas vezes por grandes homens e circunstâncias venturosas. E menos ainda é permitido usurpar os conhecimentos e poderes em reserva para sua sucessora. mediante o qual aquele e outros fenômenos mais portentosos podem se produzir. Para a gente que jamais considerou os assuntos humanos a não ser sob o aspecto do brevíssimo período que a história conhece. mas também induziriam essas pessoas a usá-los visando àquela malévola exaltação espiritual. fortalecida por um amplo raio de observação em que opera a ciência oculta. não acompanhada de uma moralidade elevada. não só seriam causa de desgraças sociais. daqueles poderes sobre a Natureza.cataclísmicas. quer com outra velocidade. afirma-se plenamente o princípio pelo qual as várias raças de homens. como tampouco a suas sub-raças e brotos. Contemplai os restos dos atlantes. No entanto. qualquer caráter cíclico. lhe é permitido. Em sua História do desenvolvimento intelectual da Europa. outras vezes retardado pela guerra. e o domínio sobre os elementais. Draper escreve o que segue: "Somos. segundo a nomenclatura que adotei previamente 38 . em mãos de pessoas desejosas de usá-los apenas para fins egoístas e inescrupulosos. infringir as prerrogativas da raça ou sub-raça que a seguirá. quer com uma. a lei natural provê a sua violenta repressão. se fossem apropriados por pessoas capazes de considerá-los de qualquer outra forma. pelo prematuro desenvolvimento de faculdades mais elevadas do que as que comumente empregamos. por meio da pesquisa intelectual comum e do avanço científico.

. a doutrina parece estabelecer a noção de uma autoridade espiritual superior que resume as ações da vida do homem ao seu término. está contudo agrilhoado a um destino inexorável . por desolações domésticas. que é uma modificação da licenciosa obstinação da juventude e que pode ser provocada ou introduzida por muitos incidentes causais. a postura grave de conduta. eram. cobrindo. ainda que por falta de compreensão adequada dos elementos de caráter estritamente esotérico ela possa ter sido algumas vezes malcompreendida. geradas por um ser humano durante a sua vida e cujo caráter é inerente a seu quinto princípio. o qual. considerar o curso desses acontecimentos reconhecendo o princípio de que os assuntos dos homens avançam de modo determinado. O mesmo acontece com as nações. Existe uma geometria que aplica às nações uma equação de sua curva de avanço. O voluntário é unicamente a aparência exterior. assumem logo ou mais tarde. pertence ao período de maturidade na vida. em seu curso. devem ser consideradas como apresentação de uma certa fase de vida que as nações. meninice. segundo prefira. juventude. maturidade. seja por perda da fortuna. sem indicar primeiramente a estrutura geral do plano completo desenvolvido durante o curso da evolução do homem.devemos. já foi concluída. O DEVACHAN Não seria possível considerar os estados em que os princípios humanos revertem por ocasião da morte. mas nenhum. o karma da vida objetiva anterior determina o estado de vida em que o indivíduo nascerá. Sobre os acontecimentos da vida podemos ter certo controle. seja qual for. sobre a lei de seus progressos. talvez. pois. embora dificilmente ocultando o que está predeterminado. onde quer que ele vá. em tempo algum houve segredo. Esta doutrina do karma é um dos traços mais interessantes da filosofia budista. seja. realmente. Mas compreensão de como os princípios humanos se dividem. dilatando-se ou desenvolvendo-se. Existem analogias entre a vida de uma nação e a de um indivíduo. para a felicidade ou para desgraça. Esta parte de minha tarefa. contudo. na maior parte dos casos contra a sua vontade. fornecerá uma chave à interlecção do modo como o karma atua.. na morte. quer faça ou se abstenha disto ou daquilo. considerando suas boas e más ações e pronunciando a sua sentença. Nos princípios desta última. segundo o aspecto completo do caso. Daqui vemos que as coisas sobre as quais falamos como se fossem matéria de escolha. Karma é uma expressão genérica aplicada ao complexo grupo de afinidades para o bem e para o mal. embora de certo modo seja o autor de sua própria sorte. ou ainda por falta de saúde. Como já foi exposto. De permeio a todas essas vicissitudes circula um irresistível destino. na verdade. a saber: infância. com as suas ações e paixões características." 5. e também à grande 39 . Passemos então a refletir sobre os destinos naturais de cada Ego humano no intervalo decorrente entre o término de uma vida objetiva e o começo de outra. e que o faz desaparecer de cena no tempo devido. A essa nenhum mortal pode tocar. Com relação a ela. Porém. ao sabor de suas inclinações. sabemos que a moderação sóbria na ação. impostas a seus aparentes autores pela necessidade dos tempos. que o compele para diante através de um curso definido cujos graus são absolutamente invariáveis. no que diz respeito à sua vontade. através de todo o intervalo que decorre entre a sua morte numa vida objetiva e o seu nascimento na próxima. mas nunca nos podemos enganar a ponto de supor que essa mudança teria deixado de existir se esses incidentes não ocorressem.um destino que involuntariamente o trouxe ao mundo. Não cometemos o erro de atribuir a mudança de caráter a essas experiências. velhice. No plano individual.

o quinto princípio. a sua individualidade. o atrai para a Terra. entenda-se bem. com relação ao estado imperfeito de desenvolvimento em que se acham os princípios superiores do homem. ou seja: Desejo insaciável. As sucessivas aparições em uma ou muitas terras ou 'descida à geração' da parte tanhaica5 e coerente (Skandhas) de determinado ser são uma sucessão de personalidades. conceber. como se fosse uma separação mecânica dos princípios. Sumangala. ou seja. Entrementes será útil ao leitor saber o que o Coronel H. Olcott menciona em seu Catecismo budista (14º milheiro) sobre a diferença intrínseca entre "individualidade" e "personalidade". que sobrevive através de todas as mudanças do esquema evolucionário completo e passa de um corpo a outro.) 40 . às suas aspirações. dissociável em elementos superiores e inferiores. recentemente seus associados. T. pois. a sua vitalidade meramente física e a sua correspondente parte astral — são finalmente abandonados pelo que constitui efetivamente o próprio Homem. é ainda a mesma personalidade autoconsciente do homem na parte que corresponde aos seus sentimentos mais elevados. suas porções espirituais superiores. acima. flutua pela atmosfera da Terra. embora com algumas restrições que revelaremos em seguida. os seus impulsos e as suas reminiscências aderem ao quarto. enquanto os melhores elementos. difere desta em outros aspectos que são sem dúvida mais importantes. atraindo o quinto. numa direção. evidenciarão que este modo de considerar o processo. a alma humana. à luz do que já foi dito. assim como constava na primeira edição. E os quatro princípios superiores evadem-se para o mundo imediatamente acima do nosso. Ele pode ser descrito de outra forma. Eis o que ele diz em seu apêndice: "Depois de haver refletido. se o Devachan da filosofia budista corresponde em alguns dos seus aspectos à moderna idéia européia do céu. mais puras e mais elevadas. S. o deus ex machina. Rejeitando o nome popular usado para este estado espiritual por envolver idéias sumamente errôneas. aquilo que sobrevive. devemos dizer. Talvez fosse melhor dizer que o que sobrevive é a essência da última personalidade autoconsciente. aqueles. substituí 'personalidade' por 'individualidade'. reflete5 De Tanhâ. Encarado à luz da primeira idéia. Em cada nascimento. suas palavras são importantes para o estudante de ocultismo. As explicações já dadas anteriormente. Na luta que se trava entre esses princípios. no que diz respeito à localização real — que é o plano astral. é um modo primário de tratar o assunto. que realmente constituem o Ego da última personalidade terrena. (W. mas nele e fora dele. disfarça-se (ou. associado ao quarto. tomando-o como uma prova da extensão atingida pelo quinto princípio. Na morte. enquanto o quarto. Em primeiro lugar. O resto inferior. Sendo isso bem conveniente. mas também sob a instrução direta do seu Guru Adepto. Karma.questão do imediato estado espiritual do homem apôs a morte. por um lado. permita-se-nos conservar a designação oriental daquela região ou estado. devemos. não só com a aprovação do Sumo-Sacerdote de Sripada e Galle. aderem ao sexto. Assim. o sexto e o sétimo princípios. de planeta a planeta e assim por diante — na verdade. conforme uma expressão sânscrita muito familiar. ao qual os princípios superiores dos seres humanos passam por ocasião da morte. em certa medida. divide-se em dois. ou Kâma-loka. os três princípios inferiores — o corpo. entretanto. enquanto os seus instintos. Ora. à qual convém dedicar-nos desde já. a personalidade difere da do nascimento anterior e da do próximo nascimento. O leitor deve modificar as idéias em sua mente. Nele ocorre uma divisão entre as duas díadas que incluem os quatro princípios superiores. no que se refere à espiritualidade — não que se situe em cima. a seus afetos e até mesmo às suas preferências durante a sua vida na Terra. Uma vez que escreveu. o quinto princípio é uma entidade muito complexa. a sua consciência. por outro lado. o que sobrevive no Devachan não é simplesmente a mônada individual. seguem o sexto e o sétimo a um estado espiritual cuja natureza vamos examinar.

uma entidade que passasse inalterada de nascimento a nascimento. Mas tudo quanto encontrei no Budismo concorda com a teoria de uma evolução gradual do homem perfeito — isto é. gozasse ou sofresse eternamente. sem interrupção. há o Trípitaka. Rhys Davids.) 41 . ou passasse a lugar ou estado em que. ao mesmo tempo se pode perguntar: e se alguns desses não estão num estado apropriado para o Devachan. a voltar de novo ao Nirvana. Rhys Davids denomina 'o desesperado expediente do mistério'. a meu ver. Não é preciso dizer muito mais para fornecer a chave da questão. de qualquer um de seus nascimentos anteriores ao último. Desde que o 'caráter' não é uma abstração puramente metafísica.' O primitivo Budismo. tio bem traduzido por Mr. A pessoa cuja mais elevada felicidade na Terra ficou concentrada no exercício das afeições. ao longo da série de nascimentos. o que ocorre? A resposta é: pouco importa. outra vez na de um artesão e assim sucessivamente. No Yatakattahavannana. como entidade perfeita. no Devachan. mesmo as da emoção sensual. que ao término de uma dada cadeia de existências chega ao estado de Buda. conseguindo atingir o quarto grau de Dhyana ou místico desenvolvimento. através de muitas mudanças cíclicas. pelas sensações que a música produz. de 'caráter' ou 'modo de ser'.se?) agora na personalidade de um sábio. não ajudaria isso a resolver o que Mr. e o Abidamapitaka. mas daí não decorre que nada se preserve naquele estado. as cenas de todos os nascimentos da série são perceptíveis. o Sutta-pitaka)6 assinala a crença dominante e enganosa numa personalidade independente e transmissível. a não ser sentimentos e pensamentos que se refiram diretamente à religião ou à filosofia espiritual. quanto à permanência. Ao contrário." Os sentimentos e gostos puramente sensuais da personalidade passada desagregam-se no Devachan. antes confirma essa mesma ideia. é individual. o Suttapitaka. caso seja a alma de um homem apaixonado pela música. apresenta-se continuamente uma expressão que." "Permanece sempre sendo aquela mesma linha ou fio particular. Mr. Parecerá tão real quanto nos parecem as mesas e cadeiras que estão em 6 Segundo o cânone páli. Rhys Davids chama o que passa de personalidade à personalidade ao longo da cadeia individual. quando em sua evolução atingiu o grau da verdadeira iluminação individual. todas as fases superiores. não escapará nem um pouco. a região subjetiva da Natureza (assim como a ondulação luminosa ou calorífica através do éter se iniciou em sua fonte dinâmica). uma ondulação vital individual que se iniciou no Nirvana. (M T. Entretanto. Portanto. Na consciência de uma pessoa. tendendo. Para sugerir uma série completa de idéias através de um só exemplo. etc. O Devachan é um estado subjetivo. encontram sua adequada esfera de desenvolvimento no Devachan. permanecerá extasiada. àqueles a quem ele ou ela amou. como as contas de um rosário. transcorre através da região objetiva da Natureza. o único fio de vida no qual se engastam aquelas sucessivamente. O que ele evidencia é que a consciência de 'eu sou eu' é. Porque para a pessoa que os amou eles estarão ali. uma vez que seus elementos constitutivos mudam de forma constante e que o 'eu' de um nascimento diferencia-se do 'eu' de cada um dos outros nascimentos. não sofre interrupções. coleção de comentários filosóficos. coleção de Sutiãs ou sermões atribuídos a Buda. que compreende três partes: o Vinaiapitaka. se considerarmos a ondulação da vida como individualidade e a cada uma de suas séries de manifestações natais como uma personalidade separada?" "A negação da 'alma' por Buda (veja-se Sanyutto Nikaya. um Buda através de inúmeras experiências natais. Mas embora as personalidades continuamente mudem. diremos que uma alma no Devachan. ou seja. coleção de regras monásticas. defende claramente a permanência de registros no Akâsa e a capacidade potencial do homem para os ler. portanto. mas a soma das qualidades mentais e tendências morais de alguém. logicamente impossível. e jamais nenhuma outra. sob o impulso do karma e da direção criativa de Tanhâ. a saber: 'Então o bemaventurado tomou manifesto um fato oculto pela mudança de nascimento' ou 'aquilo que tinha sido escondido por.

do mesmo modo que no Avitchi não há lugar para o gozo ou arrependimento. para a profunda filosofia do ocultismo. Nesse estado de coisas. O Devachan é um estado tão puro e tão absolutamente feliz para todos os que o alcançam quanto o Avitchi é o seu contrário. podem duvidar mesmo que a verdadeira felicidade seja possível naquele estado. Os leitores. A maior parte das pessoas teve. mas não é uma vida de responsabilidade e. A única forma de fugir a este dilema está na suposição de que os céus não estão ainda abertos para o seu caso.volta de nós. A inalterável e imutável sensação de intensa felicidade segue seu curso. porque tal conhecimento não possibilitaria a verdadeira felicidade no estado de pós-morte. além das pessoas de sua afeição que tivessem ficado. Seja-nos permitido imaginar um minuto ou momento. para a humanidade em geral. desde Adão até hoje. momento. jazem num sono estático semelhante à morte. sem que tenhamos de trabalhar para isso. feita dos céus. Portanto. Disto se deduz que o isolamento subjetivo do Devachan. é impossível. ainda assim teriam de passar por um período de espera muito desafortunado. tal como talvez se conceba à primeira vista. antes que os sobreviventes alcançassem o fim de uma existência. Também esta hipótese tem seus empecilhos. após a morte. Mas a objeção teria procedência meramente do ponto de vista de uma imaginação que não foge do que a circunda no presente. portanto. meia hora ou seja o tempo que for. não para sempre. em que gozou a maior felicidade que teve durante sua vida. um isolamento real. durante períodos muito longos de tempo. mas. assaz curto. mas é a companhia de todas aquelas coisas pelas quais uma alma verdadeira anseia. Tenha-se presente que. no sentido em que se entende a palavra no plano físico da existência. coisas ou sabedoria. Tão reais como as realidades deste mundo para nós. Um céu convertido em torre de vigia. Não existe desigualdade ou injustiça no sistema. Esta hipótese se agravaria ainda mais. O Devachan não é o mesmo para o bom. serão as realidades do Devachan para aqueles que atingem tal estado. por assim dizer. altruístas e caritativos. de modo algum. que continuariam desse modo se afligindo na presença da atormentada raça humana. visto que as causas que a produziram não são infinitas em si mesmas. dotados dos sentimentos mais simpáticos. momentos felizes. para dar motivo à menor suspeita de monotonia. ao qual objetam o monótono isolamento descrito anteriormente. Um paciente exame do lugar que o Devachan ocupa na Natureza demonstrará que este isolamento subjetivo de cada unidade humana constitui o único estado que torna possível o conceito de uma feliz existência espiritual. sem quaisquer fatos externos que marcassem o decurso do tempo. não há lugar para o conceito de enfastiamento. admitindo que a observação da vida terrena. não lhes importasse o espetáculo do sofrimento alheio. não de causas. como para o indiferente. esperando pela Ressurreição ao fim do mundo. e que todos os mortais. e imaginar o prolongamento imenso de suas sensações. 42 . de algum modo. com freqüência longa e árdua. durante essa vida. de onde os seus ocupantes observassem as misérias da Terra. acima de tudo. e até mais. as cadeiras e todas as paisagens objetivas do mundo nada têm de reais e são meras ilusões transitórias dos sentidos. capazes de servir ao objetivo desta comparação. contudo. Uma vida em que nos é pago o que ganhamos. não existe nele logicamente lugar algum para o sofrimento. Se em nossa imaginação investimo-lhes com um grau de simpatia tão limitado que. na verdade. e não das teorias de outras doutrinas. mesmo depois que seus aparentados pessoais estivessem livres pelo transcurso do tempo. Comecemos com o que se relaciona à monotonia. mas na atualidade tratamos da harmonia científica do Budismo Esotérico. até que o impulso ativo se tenha esgotado por si mesmo. tomaria impossível a felicidade neles. não é. fazendo com que os céus fossem muito penosos para os ocupantes mais generosos e compassivos. as mesas. sim. seria. um lugar de agudos sofrimentos mentais para seus habitantes. Ninguém se lastimará de ter experimentado monotonia durante o minuto. Ê uma vida de efeitos. sejam pessoas. ter conhecimento do que se passa sobre a Terra.

por exemplo. para quem a pesquisa filosófica sobre os mais profundos problemas da Natureza foi o seu 'primeiro. que representa um avarento. entre a morte e a 'ressurreição' devem flutuar no espaço. último e único amor'. um novo terreno apropriado no corpo do prestamista e reaparecer como um novo Shylock8. senão um hiatus de inconsciência. pode reaparecer em sua próxima encarnação como um ávido avaro. que poderia encontrar. ou antes implica para as 'almas que já foram embora'. quer no Avitchi 7. manifestam-se objetivamente em cada próxima vida física. o amigo ingrato e o desonesto Ministro da Justiça. proporcionalmente grandes. o pensador incomparável. 43 . mas. e tendo cada lavrador direito a sua própria colheita. uma vez despojado de sua natureza mais inferior? Têm de desvanecer-se e desaparecer todos os efeitos daquela magnífica inteligência? Por certo que não. em catalepsia mental. mudança nenhuma de ocupação. E não existindo limites nem para o pensamento. Sendo as causas produzidas por energia espiritual e mental muito maiores e mais importantes do que as criadas pêlos impulsos físicos. É a abstraía entidade conhecida no nascimento precedente como Francis Bacon. Não pode existir um vazio tão sombrio como o que a teologia protestante cristã bondosamente promete. o mais mesquinho dos homens'. aguardando o 'Dia do Juízo'. As energias mais grosseiras. dadas as excelentemente bem-ajustadas leis da Natureza. que no estado do Devachan exista algo semelhante à monotonia? Poucos são os homens cujas vidas tenham sido tão inteiramente destituídas de sentimentos. Assim. e que qualquer momento único de sensação terrena é escolhido para uma perpetuação exclusiva. têm de ampliar suas funções. o corrompido Procurador-Geral. de extraordinárias faculdades intelectuais. campo adequado para tais efeitos.Nem tampouco se deve supor que para as almas no Devachan não exista. enquanto os vícios. constituindo o seu aparecimento. ou de uma predileção mais ou menos intensa por determinados pensamentos que sejam inaptos para atingir um período regular de experiência devachânica. após sua vida terrena. o período intermediário entre seus dois nascimentos físicos não pode ser. Daqui se infere que todos os grandes planos de reformas morais. conduzido por seu karma. nem para a imaginação. não encontrarão campo próprio em que aquela linha particular de pensamento (que foi o objetivo da vida prévia do fundador da filosofia moderna) possa alcançar tudo que lhe é devido. ou seja. amor. Não oferecendo as vidas. Mas aonde iria Bacon. quer no Devachan. como se pode questionar. seus efeitos têm de ser. a nova personalidade de cada nascimento que se conduz dentro do grande ciclo da individualidade em evolução. a quem um poeta chamou: 'O mais brilhante. aonde iria este 'gigante intelectual de sua raça'. porém mau amigo e homem egoísta. por mais fortes que estas últimas qualidades sejam. O Devachan é este campo. Mas. que recolhe os efeitos kármicos de todas as causas produzidas pelo 'antigo' ser e que resulta inevitável devido às inclinações dominantes daquele ser no nascimento precedente. de pesquisas intelectuais acerca dos princípios abstratos da Natureza — todas as divinas e espirituais abstrações que encheram a parte mais brilhante de sua vida devem frutificar-se no Devachan. Apenas as atividades morais e espirituais são as que encontram a sua esfera de efeitos no Devachan. por graça ou por desgraça. na comédia O Mercador de Veneza. nesta ou em outras terras. as que operam no estado mais denso da matéria. Seria apenas o astuto advogado. por assim dizer. as atrações físicas e sensuais de um grande filósofo. o mais sábio. em que suas energias possam expandir-se. ao mesmo tempo. podem acabar no nascimento de uma nova inteligência ainda maior. sequer por um momento. Assim é que suas qualidades morais e espirituais têm de achar também um campo. por exemplo. as quais. e que pode ser conhecida em sua reencarnação 7 8 Os estados inferiores do Devachan se interpenetram com os do Avitchi Personagem literária de Shakespeare. no de um homem dos mais miseráveis. Bacon. Eis aqui o que escreve um instrutor da mais elevada autoridade a respeito deste assunto: "Existem dois campos de manifestações casuais — o objetivo e o subjetivo.

do mesmo modo o sonho de vida no Devachan transcorre de modo análogo. Viveria uma existência pura e espiritualmente consciente — um sonho de vívida realidade — até que.. há uma 'mudança de ocupação'. fazendo participar a outra de sua felicidade subjetiva. sufocados num terreno social ingrato. mesmo que este não queira separar-se deles. a perda gradual da força. à semi-inconsciência. (N. também sua obra própria. a força criadora. que aprendeu o grande segredo de como penetrar tão profundamente nos Arcanos do Ser. de amigos que podem separar-se. como erroneamente se supôs. enquanto neste mundo interno. seja neste mesmo mundo ou em outro. que devem encontrar seus efeitos em outra vida devachânica. jamais desperta ou pode despertar. pois outra coisa não é aplicar ao Devachan um tipo de relações que unicamente podem subsistir entre as entidades da existência física! Duas almas irmãs. estando seu karma satisfeito naquela direção e atingindo a ondulação de força a borda de sua área subcíclica. em gozar dos efeitos das grandes causas benéficas e espirituais. no que se refere à associação pessoal ou corpórea. Estes associados não são da natureza de companheiros que podem desejar ir-se embora. atrás da cortina de Mâyâ. sem realidade nenhuma naquele tempo. O despertar do Devachan é seu próximo nascimento à vida objetiva e o gole do Leteu 9 já foi tomado.. florescendo na enrubescida aurora do Devachan. Portanto. segue depois o aparecimento da virilidade. Naturalmente será isso tão real para elas como se ambas estivessem ainda nesta Terra. cada uma está dissociada da outra. nem mesmo então poderia ocorrer. Neste aspecto da questão. Se o homem tivesse tido um único momento de experiência ideal. todas as esperanças. mas não teria para ele existência alguma em nenhum 9 * Leteu: relativo ao Letes. à entrada do Hades. é enganada pela Natureza e deve sofrer um terrível choque quando despertar de seu erro". ao esquecimento e não morte — mas ao nascimento! — nascimento em outra personalidade e a ressunção da atividade que diariamente origina novas séries de causas. segundo a mitologia grega. semeadas em vida.. O amor.) 44 . passando a uma letargia consciente. "Não é. é meramente um sonho" — instarão os opositores. uma mudança contínua no Devachan. pois. Ali. nem tampouco existe ali consciência alguma de isolamento. E ali." Assim como a existência física possui a sua intensidade cumulativa da infância à virilidade diminuindo sua energia desta à velhice e à morte. ou os Infernos. colocou a sua imagem viva diante da alma pessoal que anseia por sua presença e aquela imagem jamais fugirá. realidade. seja o que for. de novo me valho das palavras de meu instrutor: "Os que fazem objeções dessa espécie simplesmente pressupõem uma incongruência. Mas. segundo o grau de seu progresso. seu Frankenstein.. aspirações e sonhos não-realizados se tomam efetivos completamente e os sonhos da existência objetiva convertem-se nas realidades da existência subjetiva.seguinte como um desprezado usurário — criação do próprio Bacon. expressarão cada uma suas próprias sensações devachânicas. nem é possível ali separar-se de seus associados escolhidos. No que diz respeito ao isolamento de cada alma. Enquanto esta última é a única de sua espécie que é reconhecida por nossa experiência terrena como relação efetiva. T. ambas desencarnadas. o prolongamento indefinido daquele 'único momento'. Ocorre o primeiro período de vida psíquica. "a alma assim embebida em ilusória sensação de gozo. do amigo que os ama. o ser deve atuar em sua seguinte esfera de causa. o filho de seu karma — ocupar-se-á. e amadurecendo sob seu frutificante céu. a época da colheita daquelas sementes-germes psíquicas caídas da árvore da existência física em nossos momentos de sonhos e de esperança — vislumbres imaginários de bemaventurança e de felicidade. Contudo. para o habitante do Devachan não só seria algo de ilusório. Porque aquela vida-sonho é apenas o gozo. Aquela nota única. suas enganadoras e vaporosas aparências são percebidas pelo Iniciado. dada a natureza das coisas. constituiria a tônica do estado subjetivo do ser e produziria inúmeros e harmônicos tons e semitons de fantasmagoria psíquica. arrancada da lira da vida. o rio do Olvido.

o homem é dual . E se nós chamamos as suas experiências devachânicas 'um engano da Natureza'. Mas o céu verdadeiro de nossa Terra concilia-se por si. é sempre Arûpa. Portanto. É concebível que o que chamamos uma realidade. com infalível exatidão. de todo modo. senão a meramente idealista. que nem sequer são tão materiais como aquele etéreo corpo--fantasma. mesmo nesta vida. E que outra associação efetiva pode existir ali. Ainda assim. entretanto. sempre é distinto dele e está livre de suas limitações. um sonho e que só existia na região da 'fantasia'. etc.sentido. a conseqüência lógica é que tudo o que nele existe é efetivo e real. não seriam suficientes para compensar as diferenças de mérito nesta vida. e cada grupo. Além disso. que alcança o céu que realmente 45 . o Mâyâvi-rûpal Fazer objeção a isso. para o habitante do Devachan. O real é aquilo que é efetivado ou que é exercido de facto: 'A realidade de uma coisa é demonstrada por sua efetividade'. quer porque o sexto princípio encubra os cinco inferiores durante a vida da personalidade. às necessidades e aos méritos de todos os que chegam. sob as novas condições de existência. entre duas entidades subjetivas. como se pode fazer a mesma distinção no Devachan — ou seja. bem como qualquer outra sensação puramente espiritual que. neste nosso mundo? O mesmo princípio não pode ser aplicado a dois estados diferentes. em nosso estado físico encarnado. por exemplo. então não devemos permitir-nos jamais chamar de 'realidade' a nenhum dos sentimentos puramente abstratos que pertencem por completo à nossa alma superior e que ela reflete e assimila — como. a profunda filantropia. uma falácia monstruosa. haveria ali injustiça e arbitrariedade sem fim além de ineficiência no seu funcionamento. na única realidade possível. Assim. enche o nosso ser interno. o sexto princípio — ou seja. uma realidade absoluta." Devemos lembrar que. E como no estado devachânico não têm existência possível o imaginário e o artificial. sob as mesmas condições. O céu de cada pessoa. pela mesma natureza do sistema descrito. os dois grupos de faculdades equilibram-se constantemente. como já foi descrita. nem sequer como uma ilusão. donde a distinção natural feita por sua mente. a nossa 'Alma Espiritual' — carece de substância. embora um dos participantes' estivesse vivo e inteiramente inconsciente desse relacionamento durante seu estado de vigília. e tampouco permanece confinado em um único lugar. quer ele esteja dentro ou fora de seu corpo mortal. correspondentes às infinitas variedades de mérito no gênero humano. Assim é que. durante a vida de prazer ou dor imensos. Mas no Devachan. e se converte em entidade mental e espiritual. é mostrar-se por completo incapaz de compreender os estados de vida e do ser fora de nossa existência material. todo trato com ele seria. pressupormos a possibilidade de qualquer outra realidade para um habitante do Devachan é sustentar um absurdo.. Se "o outro mundo" fosse efetivamente o céu objetivo que a teologia comum predica. baseando-se em que alguém é assim 'enganado pela Natureza' e chamá-lo 'uma enganosa sensação de gozo que não tem realidade alguma'. o nosso Ego deixa de ser dualista.no sentido de ser um ente composto de matéria e de espírito —. converte-se. o amor. possa existir. os indivíduos teriam de ser admitidos ou excluídos e as diferenças de favorecimento.'como uma realidade para uma entidade desencarnada? Na Terra. quando prevalece. existem infinitas variedades de bem-estar no Devachan. com um limitado horizonte de percepções em volta de si. fora dos estados da vida terrena — entre o que chamamos uma realidade e uma contrafação fictícia ou artificial da mesma. o analisador de suas sensações físicas e percepções espirituais. quer porque se ache inteiramente separado dos princípios mais grosseiros devido à dissolução do corpo. uma idéia antifilosófica no máximo grau. no sentido acima. entre uma realidade e uma ficção. considera como ficção ou ilusão o que o outro acredita ser o mais real. Um corpo físico e mesmo um Mâyâvi-rûpa permaneceriam para os seus sentidos espirituais tão invisíveis como o é ele mesmo para os sentidos físicos daqueles que mais o amaram na Terra. Aquilo que durante a vida era uma ficção. manifestadas aos diferentes hóspedes na mansão da graça por excelência. Para começar. um conceito ideal do belo. Pois.

de modo livre e fácil. desde o momento em que seus habitantes não têm para nós.. algo semelhante ao estado de Lúcifer. nem cor. possuindo forma e objetividade. ou antes o mundo de nenhuma forma. para não dizer ausência de sua antítese. Na Terra 46 . terá como perspectiva o Avitchi. quanto a sua forma. Portanto. etc. no tempo devido.a mansão dos " ‘Cascões’ e das Vítimas. tanto mais intimamente esta aderirá às esferas inferiores de existência. que é o inverso do Devachan. ou condenar de uma só vez os pecadores. Noutras palavras. O estudante deve considerar que personalidade é sinônimo de limitação e que quanto mais egoísta. e sim um novo renascimento ou Avitchi — estado que se atinge somente em casos excepcionais e por excepcionais naturezas. um estado. a saber: 1º) Kâma-loka. não são muitos os que chegam a ele. tal como um senhor preguiçoso. ou seja." Sendo o Devachan um estado de gozo meramente subjetivo. e 3º) Arûpa-laka. vão. em que os vários grupos de entidades subjetivas e semi-subjetivas encontram as suas atrações. ajusta-se exatamente à sua capacidade para dele gozar. Retomo as minhas citações: "O Devachan é. enquanto o pecador vulgar colherá os frutos de suas ações nocivas numa reencamação seguinte. desde que há o Devachan para quase todos — os bons. Todas. de sombras mais espirituais. 2º) Rãpa-loka. de justiça imparcial e implacável dificilmente se aplica e satisfaz com tal escassez relativa. quanto mais estreitas sejam as idéias da pessoa. como o perceberá o leitor sério.existe. cuja duração e intensidade são determinadas pelo mérito e espiritualidade da passada vida terrena. não só quanto à duração do estado bem-aventurado. no sentido que atribuímos a estas palavras. o aristocrata do pecado. mas também quanto à intensidade e amplitude das emoções constitutivas desse estado de bem-aventurança. nem forma. em sua tradução e significado literais: 1º) o mundo de desejos ou paixões. atua com bastante certeza. então a resposta demonstrará que não ocorre assim. mortais. É a criação de suas próprias aspirações e faculdades. Estas são as três esferas da espiritualidade ascendente. A Filosofia Esotérica Budista tem três lokas (denominadas assim) principais. 2º) o mundo das formas. exceto os suicidas e as vítimas de mortes violentas e prematuras. até os mais elevados e exaltados. Donde. Mas esta indicação de seu caráter basta para mostrar quão perfeitamente se adapta ao lugar que lhe está destinado no esquema da evolução. Mas o lugar de sua ação não é o Devachan. o mesmo ocorrendo com o Avitchi. Seria impossível para os não-iniciados compreender algo além disso. nem corpo. mais indolente do que bondoso faz para governar com justiça a sua casa. dos mais ínfimos no Rapa. estados estes que compõem as inúmeras subdivisões dos lokas Rapa e Arûpa — vale dizer. frustram-se os fins de harmonia e de equilíbrio. e 3º) o mundo informe. o estado de infortúnio espiritual subjetivo. não uma localização. Mas não é que a Natureza se satisfaça em perdoar os pecados. mas também existe uma escala infinita de semelhantes estados. como o karma do bem. tio magnificamente descrito por Milton. mas nenhuma substância. cor. conforme as suas atrações e poderes. de anelos terrenos insatisfeitos . não pode apresentar-se nele ocasião alguma para a retribuição das más ações. naturalmente. seja grande ou pequeno. ou seja. ou seja. o criminoso excepcional. 'O Mal é o negro filho da Terra (matéria) e o Bem — a bela filha dos Céus' (ou Espírito). em sua progressiva espiritualidade e intensidade de sentimento. o incorpóreo. tanto mais tempo se demorará no plano das egoístas relações sociais. diz o filósofo chinês. E se se fizer a objeção de que. no Arûpa-loka. esses estados não só variam em grau ou em aspecto para a entidade. os maus e os indiferentes —. que é determinado pelas causas produzidas durante a vida objetiva. sua antítese (o qual rogo não confundir com o inferno). "Avitchi é um estado da maior maldade ideal espiritual. para o estado ao Devachan ou ao Avitchi. O karma do mal. dos Elementais e dos Suicidas. a Terra é o lugar de castigo para a maior parte de nossos pecados — seu lugar de nascimento e de efetivação. e a lei da retribuição.

alguns dos fenômenos chamados psicográficos (embora mais raros) são também reais. embora tais visões sejam raras e somente percebidas por uma das partes. Nem tampouco cabe supor que todos os fatos correntes da vida. sendo possuído. e imperecedoura por muitos séculos. o que vê e ouve. portanto. ou seja. quer tenham partido antes. por assim dizer. estão por completo inconscientes dessa observação. se os laços de afeto eram bastante fortes. visto que este será gerado pelo uso que façamos delas. harmonia. esta Terra ou outra. se não existisse outro estado além do Devachan. Os observadores de fenômenos espíritas não teriam ficado perplexos. Da mesma forma. e a predominância de um sobre o outro durante tal fenômeno determina a predominância da personalidade nas características exibidas. O espírito do sensitivo. entretanto. Os dois espíritos fundem-se em um só. às vívidas ilusões daquela existência. em seu estilo e com seus pensamentos. ter visões ao Devachan. Isto não quer dizer que o karma do bem se esgota no Devachan deixando que a infeliz mônada desenvolva uma nova consciência. porém a existência devachânica é um sono róseo. e de seus amigos ainda vivos. como lhes aconteceu. As condições sob as quais entramos na nova vida são conseqüências do uso que tivermos feito de nossas últimas circunstâncias. enquanto que o que realmente ocorreu é a operação inversa: o espírito do clarividente foi elevado até aqueles. emerge ao mundo das causas. pela aura do espírito no Devachan. sejam quais forem. Muitos são 10 11 Termo que significa as massas. O renascimento será qualificado tanto por mérito como por demérito da vida prévia. Unido à sobrevivência das afinidades. Aquelas que. quando chega o tempo de seu renascimento. apesar de ser da maior dificuldade para o médium não-iniciado fixar em sua mente. 47 . bem-aventurados e inocentes como o próprio sonhador desencarnado. pois as entidades no Devachan. tão felizes. Assim. e como o senso comum deve tê-lo demonstrado. uma noite pacífica. conforme seja o caso. numa imagem verdadeira e exata. tal como eram durante sua vida. permanecerão com o espírito feliz e. desta vez. existe no Devachan grande variedade de estados e cada personalidade se encontra ali no lugar apropriado. É possível. então. quer permaneçam na Terra. por completo absorto então em suas próprias sensações e praticamente esquecido da Terra que abandonou. ao Devachan. assim. não impedem o desenvolvimento do novo karma. quando. Assim é que. Acha-se sob a impressão de que os espíritos com os quais trava relações devachânicas de simpatia vieram visitar a Terra e a ele próprio." Em geral. o renascimento na existência objetiva é o acontecimento que pacientemente aguarda o karma do mal. há muito poucas ocasiões de comunicação entre um espírito. sem outro material que as más ações de sua última personalidade. acidentalmente. de modo irresistível se afirma. a turba. O espírito do clarividente sobe ao estado do Devachan durante tão raras visões e está sujeito. para todos os efeitos. (N. observa-se que o que é chamado rapport11 é. sempre que os sensitivos são inteligências puras — são reais. Dali. ainda viventes. com sua última caligrafia. Pois uma vez estando um espírito no Devachan.) Em francês no original. capazes de ser vistas por um clarividente terrestre. T. que constitui todo o complemento espiritual de nossa vida terrena. e não é dado às hoi-polloi 10 alcançarem todos os dias a fatal grandeza e eminência de um 'Satã’. muitas das comunicações espirituais subjetivas — a maior parte delas. Como já foi assinalado. geradas na vida anterior. ver-se-á que este processo acarreta uma explicação do problema que foi sempre encarado como ininteligível: as desigualdades da vida. com sonhos mais vívidos que o dia. conformidade. sejam o fruto do antigo karma. uma identidade de vibração molecular entre a porção astral do médium encarnado e a porção astral da personalidade desencarnada. Ou seja: relação íntima. alegres ou tristes.existe mais mal aparente e relativo do que verdadeiro. Ver-se-á que o estado devachânico é apenas um dos estados de existência. converte-se durante alguns minutos naquela personalidade morta e escreve. abrangidas na definição de karma. afinidades para o bem e para o mal. para as pessoas. Estes amigos. no final de tudo.

em diferentes casos. um fenômeno que depende da característica dos princípios. em proporção à força espiritual do Ego. como no caso de aparições depois da morte. que é a recompensa de um karma muito rico. seja que morra de morte natural ou violenta. dias. lançando-se através do cérebro moribundo. sob circunstâncias de nenhuma forma desejáveis. dizse que algumas vezes se estende por enormes períodos. quando é soprada. Não se deve supor que o verdadeiro Ego deslize instantaneamente. Mas. cujas variedades infinitas conservaram sempre uma constante provisão de situações para todas as múltiplas variedades da condição humana. Quando a divisão ou purificação do quinto princípio ocorre no Kâma-loka. Seja que sua permanência em Kâma-loka dure uns poucos momentos. transações à vista com a Natureza. suas analogias com a Terra certamente são ainda mais estreitas. maturidade e decadência. quer esta ocorra na juventude ou na velhice. Diz-se que o período entre os renascimentos é quase impossível de ser menor que mil e quinhentos anos. suas faculdades perceptivas ficam extintas e seus poderes espirituais de conhecimento e de volição ficam durante algum tempo tão apagados como os outros.conseqüências imediatas de atos da vida à qual pertencem — por assim dizer. da vida da Terra e suas complicações para o estado devachânico. horas. ou pode ser obliterada por uma rápida passagem ao estado de gestação conducente ao Devachan. quer internas. fora do corpo moribundo. semanas. sua alma ou quinto princípio se torna inconsciente e perde toda lembrança das coisas. Mas as grandes desigualdades da vida. Pode chegar a ser regularmente completa. varia a sua duração — de poucos momentos a imensos períodos de anos. o período completo é de duração muito variável. pelo que já se disse. Este estado de gestação demora muito. quer externas. e o Devachan ocupa o restante do período entre a morte e o próximo renascimento físico. Já afirmei como a vida devachânica é um processo de crescimento. será mais conveniente transferi-las para o final do próximo e apresentá-las com as pertinentes aos estados de Kâma-loka. Seu Mâyãvi-rûpa pode ser lançado na objetividade. Porém. Existe um estado espiritual pré-natal. conforme difiram as pessoas. Naturalmente. COMENTÁRIOS Quanto às observações a fazer sobre a doutrina compreendida no capítulo anterior. a aparição será simplesmente automática. e seja que o Ego tenha sido bom. enquanto que a permanência no Devachan. dos quais é rigorosamente necessário fazer-se todos os registros desta nos livros. sua consciência o abandona rapidamente como a chama de um pavio. a menos que seja projetado por um desejo consciente ou intenso de ver ou de aparecer a alguém. do mesmo modo que existe um estado semelhante e igualmente inconsciente. pelas contrapostas atrações do quarto e do quinto princípios. Este período. à entrada da vida espiritual. meses ou anos. passando inconscientemente. quanto ao modo de os diferentes seres humanos entrarem nela. 48 . ao ingressar na vida objetiva. Quando um homem morre. o verdadeiro Ego passa para um período de gestação inconsciente. no momento. Quando a vida se retira da última partícula da matéria do cérebro. A revitalização da consciência em Kâma-loka é. são uma conseqüência manifesta do antigo karma. depois da morte. mau ou indiferente.

uma vez que não são os gases atmosféricos os que se relacionam nesta passagem do problema que examinamos. entrementes. Do mesmo modo como a dissolução separa do corpo o que comumente se chama alma. Existindo. na ciência oculta. embora uma parte muito variável em proporção relativa) sem dúvida ali permanece. A esfera em que semelhante escória permanece durante certo tempo é conhecida. desvanecem-se ou são absorvidos pêlos princípios universais respectivos a que pertencem. ainda que não estejam relacionados com uma vida tão ardente. Pelo que foi dito sobre o Devachan. à região superior ou estado devachânico. assim também provoca uma separação posterior entre os elementos constitutivos dessa alma. rápida ou lentamente. Aquela parte do quinto princípio. no decorrer do tempo. sendo apenas físico em suas afinidades. Todavia. na atmosfera desta . por sua natureza. juntamente com o germe desta alma divina. depois que o verdadeiro Ego passou bem pelo estado devachânico. KÂMA-LOKA O que antes foi exposto do destino dos princípios humanos superiores depois da morte facilita o caminho para compreender as circunstâncias em que a escória desses princípios se encontra. a região do desejo. os quais. muitos sentimentos ardentes. Permanecem inerentes acertas moléculas pertencentes aos princípios sutis (embora não nos mais sutis) que abandonam o corpo por ocasião da morte. quase completamente. é claro que grande parte das reminiscências que se acumulam em redor do Ego humano durante a vida são incompatíveis.6. ou por completo. associados ao quarto princípio. Mas onde. e dispersam-se. de tudo quanto se relaciona a seu próprio curso espiritual. Assim. em proporção à tenacidade de sua substância. por mais que ainda mantenha certas afinidades com as aspirações espirituais que emanam da Terra ou que possa algumas vezes atraí-las para si. com a pura existência subjetiva por que passa o Ego verdadeiro. e não passa além da Terra mais do que o fazem as partículas do corpo entregues à sepultura. pertencem. contudo. Ainda com relação ao quarto princípio. que é uma parte da vida terrena. Já a alma animal ou o quarto princípio (o elemento da vontade e do desejo. infelizmente. permanece dentro da atração local e física efetivas da Terra — ou seja. este quarto princípio não pode ser confinado no sepulcro. que é todo de natureza perecível. muitos atributos do comum e complexo ser humano.ou em Kâma-loka. por Kâmaloka. que por sua natureza é assimilável ao sexto princípio — alma espiritual —. das atrações da Terra. desejos e atos. ou passa. Em sua natureza ou afinidades não é espiritual. ou gravita em direção a ele. torrentes de reminiscências. em que se separa. comparativamente ao desejo tal como o associamos na vida terrena. essencialmente. permanece a consciência do indivíduo que morreu ou se dissolveu? Com certeza no Devachan 49 . Ficam atrás. talvez como os que se relacionem com as aspirações mais elevadas. no que se associa à existência objetiva) não exerce nenhuma atração para o superior. pode sobreviver. ou por aquele período inconsciente de sua preparação e que corresponde à gestação física. uma grande parte dele (no que toca à maioria da humanidade. à vida física e demoram a morrer. ali. não a região em que o desejo se desenvolve num grau anormal de intensidade. Nem por isso se extinguem ou se aniquilam necessariamente essas reminiscências. mas tampouco é físico. ou alma humana. mas a esfera em que essa sensação do desejo. perdurável e espiritual. da mesma forma que o corpo é absorvido pela Terra.

Deve estar ativamente unido ao espírito obscurecedor. que continua inerente neles. é uma coisa muito diferente da consciência vaporosa. ate fato é o que explica muitos. que os cobre. É uma consciência automática como a derivada do médium. quando a inteligência chegar a percebê-los em conjunto. Entretanto. sob certas condições anormais. sua vitalização pela infusão do espírito. embora não da volição mesma. O quarto princípio é. a sede da vontade e do desejo.Mas à mente não treinada na ciência oculta apresenta-se para isto certa dificuldade. De qualquer maneira. ou seja. Mas. Porém. e os impulsos que lhe foram comunicados durante a vida pêlos princípios superiores podem seguir seu curso e produzir resultados quase indiscerníveis. recebendo impressões. acima de tudo. que levada a um recinto estranho. mas. durante a vida. Disso se pode formar uma idéia pelo primeiro estado em que se encontra uma pessoa. tal como a entendemos na vida. e talvez para a própria inteligência. de vontade ativa. tomados de diversos pontos de vista. Levanta-se a objeção de que a consciência individual não pode existir em dois lugares ao mesmo tempo. podem parecer tão dessemelhantes que não sejam reconhecidos como o mesmo. Não que a Vida Una seja um princípio molecular dissociável: é a união de todos. quando aquilo que na realidade é a vida. a influência do espírito. Deve-se considerar que um médium é uma pessoa 50 . verá que as suas diversidades formam um todo harmônico. os fenômenos da mediunidade espírita. os nomes sânscritos dos princípios superiores envolvem a conotação da idéia de que são veículos da Vida Una. Os diversos pontos de vista expostos devem fundir-se na mente do leitor antes que a concepção completa corresponda às realidades da Natureza. para ser assim o agente daquela muito elevada função da vida — a vontade em sua potência sublime. ou a "Vida Una". os desenhos diferentes de um mesmo objeto. pois uma aparência de consciência permanece inerente à parte astral — isto é. mas a consciência. este não é capaz. O "elemental" (como tem sido geralmente chamado o cascão astral em escritos ocultos anteriores) é suscetível — deve-se lembrar — de ser galvanizado durante certo tempo pela corrente mediúnica. na vida. passando a um estado de consciência e vida. Qualquer que tenha sido a vontade do quarto princípio quando vivente. mesmo dos princípios inferiores durante a vida. Assim acontece a estes sutis atributos dos princípios invisíveis do homem. O quarto princípio é. que não se harmoniza com um estado de existência permanente. na verdade. embora nem todos. daqueles que ocorreriam se os quatro princípios mais elevados estivessem de fato todos unidos. mas não é a própria vontade. para os observadores pouco atentos. a sua manifestação no caso atual é bastante evidente. quando morto. sendo um erro falar de consciência. Mas então. como tampouco pode um desenho revelar todos os lados de um objeto sólido. ouvindo palavras que lhe são dirigidas e respondendo vagamente. Nenhum tratado pode fazer mais do que discutir seus diferentes aspectos de modo separado. O quarto princípio é o instrumento da volição. Não tem o cascão o poder de adquirir e assimilar novas idéias e de iniciar cursos de ação com base nessas novas idéias. acorda fraca. com sua inteligência confusa. extinguiu-se em tudo o que a eles se refere. tal qual em vida. unida à crosta ou escória astral. como logo se perceberá. o quarto princípio com uma parte do quinto — que fica atrás no Kâma-loka. Como já foi dito. a idéia é demasiado sutil para a linguagem. À primeira vista. o veículo daquela consciência essencialmente mortal. desprovida de qualquer conexão com a consciência real. existe no cascão uma sobrevivência dos impulsos volitivos que lhe foram comunicados durante a sua vida. pode parcialmente recuperar a vida durante certo tempo. volátil e incerta. fitando ao redor de si com um sentimento de desnorteamento. que entretanto cresce em força e em vitalidade na esfera espiritual. Este estado de inconsciência não está associado a noções do passado ou do futuro. em estado de inconsciência durante uma enfermidade. Pode despertar nessa crosta certa manifestação espúria de consciência. Não pode a linguagem tornar inteligível de uma só vez todos os aspectos de uma idéia que apresente muitos aspectos. isto pode acontecer até certo ponto.

Não tem mais consciência da produção de um resultado maravilhoso. Mas o cascão está no mundo astral. inteligente e consciente de comunicar aquele fato. e algo do quinto princípio desse médium se associa com o quarto princípio desgarrado e coloca em ação o impulso original. apenas necessitam ser parcialmente galvanizadas de novo à vida. encontraram-se de posse de uma partícula de ciência oculta. é por si mesma um fato maravilhoso da Natureza. na atualidade. contudo. estender-nos sobre seus atributos. está muito longe de afirmar que todos os fenômenos do espiritismo são atribuíveis a uma só classe de agentes. talvez graças a fragmento herdado do ensinamento oculto. o impulso volitivo de fazê-lo foi infundido no quarto princípio e enquanto as moléculas desse princípio permanecerem associadas (o que pode acontecer por muitos anos). ordem que o cascão até agora não tivera oportunidade de cumprir. assim como um criado indiano de uma companhia telegráfica. submetendo-se à instrução dos iniciados. no reino desses poderes. a quem se ensinou a misturar os ingredientes do líquido empregado na bateria galvânica. ou por princípios flutuantes que sintam atração por algum deles ou por alguma parte deles. Pode executar a única operação que lhe ensinaram. pela simples e óbvia razão de que o conhecimento relativo aos elementais. porém. não é preciso entender a ação das forças que eles utilizam. assim como os mais importantes fenômenos físicos da sessão espírita são produzidos por atos espontâneos dos elementais que assim atuam. apenas por interesse próprio. o mesmo 51 . mas totalmente relacionado com a vida terrena. Por alguns meios. esses seres semi-inteligentes da luz astral. nesse caso. O leitor há de lembrar-se de que a ciência oculta. Esse cascão entra em contato com um médium (na realidade não tão diferente da pessoa que morreu a fim de que se tome possível um rapport dificílimo). não necessariamente de natureza pecaminosa. pode ser aquela que a pessoa morta originalmente ordenara que o seu quarto princípio revelasse. um desejo. de comunicar algum fato a uma pessoa ainda viva. do que a que possuímos das forças. os conhecimentos minuciosos sobre esse assunto. para exibir o poder que possui sobre as forças naturais. que possuem o poder de produzir fenomenais resultados. por assim dizer. neste estudo. sem que se usem os nós dos dedos ou um bastão. entre outros. Por intermédio do domínio dos elementais é que alguns dos maiores feitos físicos do adeptado são realizados. por parte da inteligência comunicadora. Pode-se objetar que a produção de escritos numa lousa fechada. que demonstra. Sem dúvida. com relação ao modo como agem. o que acontece no caso de um cascão ser desentranhado nas proximidades de uma pessoa assim constituída? Suponhamos que a pessoa que abandonou o cascão tenha morrido com algum poderoso desejo insatisfeito. e todo motivo do grande segredo de que a ciência oculta está encoberta volta-se para o perigo existente de conferir poderes a pessoas que não deram. o conhecimento de poderes da Natureza sobre os quais nada sabemos em nossa vida física. a mensagem dada.cujos princípios estão frouxamente unidos e são suscetíveis de ser apropriados por outros seres. Para produzir o fenômeno. por meio das quais na vida o impulso volitivo é comunicável aos nervos e aos músculos. ou de golpes numa mesa. não precisa entender a teoria da eletricidade. antes de tudo. ou uma mesa para dar batidas — e. pelo uso de novos poderes adquiridos numa esfera mais elevada de existência. e a manifestação de tais fenômenos é seu modo natural de conduzir-se. Do médium é então emprestada tanta consciência e tanta inteligência quanto for necessário para manter o quarto princípio usando os meios de comunicação que estiverem à mão — uma lousa e um lápis. Ainda se pode objetar que a "inteligência que comunica" numa sessão espírita executa constantemente fatos notáveis. que pertencem a um reino da Natureza inteiramente diferente do nosso. garantias morais de serem dignas deles. são retidos de forma escrupulosa e secreta pêlos Adeptos do ocultismo. Pois bem. bem pouco foi dito sobre os dementais. Nem é possível. O mesmo ocorre com quase todos os ioguins e faquires da índia das classes mais inferiores. Até aqui. por exemplo. para se converterem em ativas na direção do impulso original. Possuir tal conhecimento equivale à posse do poder. o cascão não vaga pelo Kâmaloka com um propósito firme.

A respeito. ou de alguns outros presentes à sessão. naquele dado momento. seu sentimento de identidade começará a vacilar por um curto tempo. pode-se objetar que a sua conduta durante as sessões espíritas não fica bem explicada pela teoria de que tinham alguma mensagem do seu último dono a comunicar. Voltemos a tratar dos cascões ex-humanos no Kâma-loka. Daí as respostas. e daí. a sua memória e o seu instinto não podem ser chamados de faculdades perceptivas.acontecendo como ioguim inferior. que pode dar. na verdade. não assegura de modo algum que ele esteja animado por uma consciência (mesmo sendo pouco o que valham tais consciências) idêntica à da personalidade morta. capaz de ser sugestionada pela mente do médium. quando a pessoa morre de 52 . À parte os fenômenos que classificamos como extravagâncias de elementais. com relação à sua personalidade canina. A memória é uma coisa. também. qual é. E valendo-se da mediunidade presente para transmiti-la. durará mais tempo do que o pertencente a temperamentos mais fracos. ele pode perceber. encontrar eco nas efêmeras impressões do dementai. com a mesma faculdade. em poucos instantes. Esta personalidade pode talvez permanecer e responder por algum tempo. lançada pelas mentes das pessoas presentes. pois. entre duas ou três conjecturas. orações não desprezíveis. Apesar disso. nem uma palavra virá dele que indique um avanço efetivo de conhecimentos. que indica muito mais que a mera sobrevivência de impulsos procedentes da vida anterior. é tão grande quanto a de seu dono. as faculdades perceptivas são outra inteiramente distinta. pode refletir alguma personalidade inteiramente diferente. que lhe tenham sido transmitidas. suficientemente claro. inconscientemente arrastado ao outro extremo da Terra. Com um médium em estado de transe. O cascão de um homem. mas destituído de espiritualidade. com porções do quinto princípio do médium. de forma que as energias de seu quinto princípio possam ser transmitidas em grande parte ao cascão errante. Se um animal — um cão. seu invariável e completo esquecimento de todas as coisas desconhecidas àquele médium ou círculo. a conseqüente natureza dessa consciência? Nada mais. encontramos algumas vezes uma continuidade de inteligência. que tenha morrido de morte natural. ou que não se encontram nas reminiscências inferiores de sua personalidade passada. Além do elemental comum — o cascão da espécie recém-descrita — o Kâma-loka é também a morada de outra classe de entidades astrais. por intermédio de médiuns. Vê-se com facilidade que um cascão astral. estão paralisados nele ou o abandonaram. o quarto princípio volta a ser um instrumento nas mãos de um mestre. que devemos lembrar se desejarmos compreender as diversas condições em que as criaturas humanas passam desta vida para outras. acabando por desaparecer por completo. Isto é muito exato. atraído para uma corrente mediúnica e entrando em relacionamento com o quinto princípio do médium. Se alguma nova corrente de pensamento. é incapaz de perceber qualquer coisa em seu aspecto verdadeiro. o quinto e o sexto princípios. Porém. sendo. Mas jamais se notará que estas se relacionem com algo que não sejam os assuntos que o tenham interessado seriamente durante sua vida. O cascão volta assim a seu sono na luz astral. redunda que a consciência desperta nesse cascão. do que uma luz refletida. Um louco pode lembrar claramente algumas porções de sua vida passada. nisto tudo. freqüentemente racionais e algumas vezes muito inteligentes. o que lhe permitem os princípios transmitidos pelo médium e pêlos órgãos em simpatia magnética com ele. por exemplo — pudesse se explicar por si mesmo. Uma vez que um cascão está na aura do médium. por parte do dementai ou cascão. Entretanto. e (com a ajuda da sombra de sua própria memória) pode pronunciar. Até agora examinamos o curso normal dos acontecimentos. provaria que sua memória. em alto grau inteligente e instruído. que aprendeu a influenciar certos elementais e pode fazer certas maravilhas. Mas isto não o conduzirá além do grau das faculdades perceptivas do médium. pois a mais elevada parte de seu Afanas e Buddhi. galvanizada de novo pelas influências sob as quais está colocada. Mas. de cujos princípios superiores foi desprendida.

devido à ausência de sua esfera de ação própria. isto é. no caso da pessoa que morre prematuramente. cada um dos quais estando pronto para seguir seu próprio destino. a longa conta do karma se fecha naturalmente — isto é. Não é a questão da culpa moral que pesa aqui sobre o ato do suicídio. que essa pessoa possa encontrar em chegar à morte completa. mas somente os que caem na corrente de atração. quando a máquina vital pára. Pois bem. que nunca pensaram no 53 . Como regra geral. o caroço tem de ser arrancado do fruto verde. no caso de pessoas que se suicidaram. quer uma pessoa se suicide. quando uma pessoa morre. apresenta-nos em seguida o exemplo em dois frutos: um maduro e outro verde. o caso de uma pessoa que morre de morte súbita. eles podem continuar gerando karma. não é exigido a não ser no próximo nascimento objetivo. no qual essas afinidades se desenvolvem. demônios sedentos e glutões. mas a própria pessoa. Mas o quinto princípio. sem que lhe falte mais nada que o corpo. levando as suas vítimas ao crime. será mais danoso para seu karma do que o que foram os seus prazeres durante a vida. ficando a polpa semi-aderida à sua superfície. Certos dementais dessa espécie podem comunicar-se de modo efetivo. infelizmente. de fato. Á Natureza. o dementai que assim se encontra no Kâma-loka. Um breve ensaio sobre este assunto. É bem provável que. quer ainda seja vítima de um acidente. apareceu na Theosophist seguido de uma nota. o quinto. às suas próprias custas. não se desvincula. sempre fecunda em analogias. se possível. para satisfazê-las por procuração. voltam a valer tão logo entrem de novo em contato com a existência física. ou. os prazeres que buscarão serão de tal gênero. escrito por mim. As vítimas de acidentes não se convertem. Extirpados à vida terrena. não é um mero cascão. constatar-se-á que. os resultados decorrentes diferirão por completo dos que provêm de morte natural. a complicada série de afinidades. ou. Se em vida eles pertenceram a um tipo muito material e sensual. quarenta ou sessenta anos. por completo independente de sua vontade. por afinidades que produzem seus efeitos regulares desse modo deliberado que a Natureza favorece. ao mitigar sua sede pela vida na insalubre fonte da mediunidade. que vivia. e não tem nada a ver com a dificuldade imediata. ao passo que do fruto verde somente o caroço é extraído com dificuldade. devido à inteireza de sua constituição astral. em cuja autenticidade tenho minhas razões para confiar. deve certamente diferir em algo do de uma pessoa que se acha pelo processo natural em decadência. em outras palavras. quer seja morta no heróico cumprimento de seu dever. as afinidades que no Devachan permanecem em estado latente. a culpa moral lhe seja inerente. o que seja. no primeiro princípio durável. mas essa é uma questão do karma que seguirá a pessoa a que se refere. do que a diversidade de vidas humanas nesta Terra. quando todos os seus princípios estão firmemente unidos e aptos a manter-se assim durante vinte. até seu próximo renascimento. já não é suscetível de aumentar. Convertem-se nos íncubos e súcubos de que falam os escritos medievais. Se se meditar a respeito desses casos. os egoístas. no caso de uma morte súbita. mesmo a ponto de conceber-se que seu deleite. O saldo das contas. são seduzidos pela oportunidade oferecida pêlos médiuns. Assim. em andarilhos terrestres. em sua violenta expulsão do corpo. do quarto princípio. seu caroço sairá tão limpo e facilmente quanto a mão de uma luva. nas sessões espíritas. Esta dificuldade é evidentemente a mesma.modo natural. Mas uma morte anormal levará a conseqüências anormais. cujo teor é o seguinte: "A variedade de estados depois da morte é muito maior. os que morrem cheios de alguma grosseira paixão terrena. Dele reproduzo aqui alguns parágrafos. No verdadeiro sentido da palavra. no geral. facilis est descensos. facilmente dissociável em seus vários princípios. acidental ou por suicídio. como qualquer outro karma. que se estabeleceu durante a vida. o resto natural de sua vida. Nesses casos. na maior parte dos casos. Do interior do primeiro. em plena exacerbação de paixões que os ligam a cenas familiares. do princípio terreno. Portanto. não está absolutamente morto. por assim dizer. no estado desencarnado. num mundo governado por regras e tribunais. Pois.

o que acontece a uma personalidade sem nenhum átomo de espiritualidade. a externar. por elementais. também. nem quanto ao ponto do céu onde se pode encontrá-la. que tem o espírito no seu extremo superior e a matéria no âmago. ansiando por mais. e esta oitava esfera está situada fora do circuito. O Kâma-loka pode ser permanentemente habitado por seres astrais. o significado ficará bastante claro. provocaram relações puras e elevadas e que. no mundo dos efeitos — o Kâma-loka — e cada caso encontra ali um castigo apropriado. Surpreendidos pela morte na realização. A inexorável relação causal entre a ação e o resultado somente atua em sua plenitude. estão além do alcance das tentações que as correntes mediúnicas representam. para escapar à penalidade da lei humana. aos casos excepcionais de seres com seus quatro princípios. No caso imaginado.bem-estar dos outros. depois de explicada pela primeira vez a constituição setenária do nosso sistema planetário. vítimas de acidentes ou de suicídios. como também àqueles que se suicidaram em conseqüência de um crime. nem para o bem. por agora." Aqueles que "esperam pela hora da liberação em feliz ignorância e em pleno esquecimento" naturalmente são aquelas vítimas de acidentes que. é claro que nada existe que o sexto princípio possa assimilar. por ser uma região da qual pode em verdade dizer-se que nenhum viajante regressa. mas unicamente pode servir de antecâmara a outros estados relativos aos seres humanos. uma enganosa semelhança com uma entidade real. da mesma forma como eram inacessíveis durante a vida. as condições de existência nela são assuntos sobre os quais os Adeptos são muito reservados em suas comunicações a discípulos não iniciados. Mas. nem para o mal? Nesse caso. Ou. em outras palavras. mas sim com a "oitava esfera". que ocupa um lugar inferior ao da nossa. nessa escala. na Terra. durante certo tempo. e que conserva. As esferas pertencentes ao processo cíclico da evolução são em número de sete. Temos prestado atenção. muito mistério quanto ao enigma da "oitava esfera". A lei natural não pode ser impunemente violada. Encontram-se fortuitamente no Kâma-loka entidades de outra espécie. de mil diferentes modos. a qual é santa ou satânica em sua natureza e. verdadeira ou imaginária. no Kâma-loka. Pode-se conjecturar facilmente que a única esfera relacionada com a nossa cadeia planetária. de alguma subjugadora paixão de suas vidas que não lograram satisfazer. não há. mencionada somente de forma casual em escritos ocultos mais antigos. Entretanto. esse é o ponto de reversão na cadeia cíclica. 54 . nem com o Devachan. Como se há de recordar. como as funções que esta esfera tem de desempenhar em nosso sistema planetário estão imediatamente associadas com esta Terra. portanto. Até o momento deve ter sido ininteligível aos leitores comuns a denominação "oitava esfera". das quais haveremos ainda de tratar. essas personalidades não podem passar nunca mais além da atração terrena para esperar a hora da liberação em feliz ignorância e pleno esquecimento. nosso ser terreno. Temos seguido os princípios superiores de pessoas recémfalecidas. não deve ser menos visível à vista e aos instrumentos ópticos do que a nossa própria Terra. quando chegou o tempo de sua morte. cuja descrição superficial exigiria muitos volumes. ou devido ao seu próprio remorso. da porção espiritual durável. nem vestígio algum de afinidade espiritual em seu quinto princípio. observando a separação do resíduo as trai. mas. ou mesmo tendo-a realizado. na atualidade. essa personalidade perdeu seu sexto princípio. aos impulsos naturais para o crime. O Kâma-loka não é mais uma esfera de existência para essa personalidade do que o mundo subjetivo. Entre os suicidas. apropriada para o Devachan ou para o Avitchi. aplica-se o que antes expusemos sobre os que levam ao crime as suas vítimas. Analisamos a natureza do cascão elemental arremessado. sendo uma espécie de cul-de-sac. E. mas existe uma oitava em conexão com a nossa Terra. e com relação a estas informações nada tenho. depois da morte. a personalidade sobrevivente é logo levada pela corrente de seus futuros destinos e estes nada têm a ver com a atmosfera da Terra.

provavelmente. reconhecer os fenômenos desse estado de existência a que passa a criatura humana por ocasião da morte do corpo. não haverá páginas inteiramente perversas. esteve alguma vez unida a personalidades tão deploráveis e desesperadamente degradadas. Esses fatos são. Só a rígida 55 . pode chegar a ser lembrada no futuro. uma expressão da qual. uma empresa digna de levar-se a cabo mais adiante. que passaram por completo dentro da esfera de atração do vórtice inferior. é possível colocar-se em contato com ele e proceder algumas experiências sobre as suas condições. a fim de que o esquema completo da evolução fosse melhor compreendido. quando afinal a "ressurreição" ocorre. cujo estudo pode ser de uma sedução malsã para quem compreende que. durante a sua passagem por este mundo. é uma ocorrência bem rara. convertendo em puras tolices os fatos psicocientíficos. voltando ao relato de como os fatos se apresentam. a teologia moderna mostrou ser guardiã infiel. foram deixados inicialmente. no progresso dos vastos ciclos da evolução. Tenha-se aqui também presente que as reminiscências da vida terrena no Devachan. extremamente sugestivos de teorias e inferências que parecem atingir os últimos limites da especulação. Esse reavivamento eventual de reminiscências relativas às personalidades por longo tempo esquecidas é o que efetivamente representa a doutrina da Ressurreição. tocando de leve o estado devachânico. Porque. e toda a consciência de si mesmo relacionada com aquela existência terá passado ao mundo inferior para ali eventualmente "perecer eternamente". Na imensa maioria das vidas existe algo que os princípios superiores podem atrair para si. a saber. sendo essas. contudo. As experiências do espiritismo nos forneceram. Por enquanto. à qual não recorrerá amiúde. em verdade. em suas próprias afinidades. entre todas as páginas do livro. de forma intencional. depois de cruzar o Kâma-loka. a individualidade espiritual terá passado ao estado inconsciente de gestação. essa individualidade espiritual não terá retido. se alguma individualidade espiritual. ao passo que a vida. o Devachan. COMENTÁRIOS Não há parte do presente volume que tenha tanta necessidade urgente de ampliação com os dois últimos capítulos. em todos os seus pormenores. Podemos já. por nossos mestres. em grande profusão. embora muitas dessas páginas a ele parecerão. O plano de existência chamado Kâma-loka. na verdade. que a degradação total de uma personalidade. só a consegue um indivíduo no limiar de um estado espiritual bem ulterior. como tantas outras. assim como a região ou estado mais elevado. algo que pode redimir de uma destruição total a página de uma existência que acaba de passar. voltará direta-mente (embora não de imediato quanto ao tempo) a nascer à vida de atividade objetiva. porém. Porém.Contudo. como páginas num livro cujo dono o folheia à vontade. pode-se dizer que. Cada uma das longas séries de vidas pelas quais se tenha passado será. Como ao fim da luta. uma leitura fastidiosa. A recordação completa. fatos relativos a isso. São páginas que terão sido arrancadas do livro sem deixar qualquer traço. nesse caso. O estado espiritual que segue imediatamente a nossa vida física atual é uma seção da Natureza. cuja essência espiritual é assim extraída no presente. do qual o Kâma-loka é a antecâmara. capaz de arrastá-la depois da morte para o raio de atração da "oitava esfera". mesmo durante a vida. existe sobre isso uma afirmação definida. nenhum vestígio ou mancha de sua degradação. vívidas como são. até certo ponto. então. não dispomos de tempo agora para deter-nos a desenredar os enigmas desse simbolismo relacionado com os ensinamentos que no momento são comunicados ao leitor. apenas se referem àqueles episódios que podem produzir o gênero de felicidade elevada que existe no Devachan. de onde. numa obscuridade parcial.

A entidade em Kâma-loka. naquela fase de existência. enquanto as que se estão esgotando se referem aos gostos. Mas deixando de lado. está progredindo em direção ao estado devachânico. por haverem. como o todo da expansão do futuro. Porém. Atualmente. pode agora. afinal. Assim. não se relaciona com a opção responsável entre o bem e o mal que acontece durante a vida física. A natureza da luta que ocorre no Kâma-loka. manifestar-se a pessoas ainda vivas. e que o processo de desenvolvimento ocorre por ação e reação. Por esta razão. como quase todos os processos da Natureza — por 56 . portanto. por todo o tempo. um momento de reflexão mostrará que essas afinidades. envolvida no abandono dos princípios inferiores. se afirmam ou se esgotam. a evolução ocorrente. senão vindicar. esta consideração. as impressões que os espíritas derivam dessas comunicações. ocorrer no próprio Kâma-loka. por fluxo e refluxo. às emoções e às tendências materiais. que estão acumulando força e se afirmando. que unicamente a perfeita clarividência dos Adeptos pode penetrar. estas afinidades. pode impedir que qualquer inteligência dedicada à consideração desses fatos chegue a conclusões que esse mesmo estudo demonstra serem necessariamente errôneas.disciplina mental do estudo esotérico. antes. que têm abandonado a Terra. Aquela luta parece ser um processo muito prolongado e heterogêneo. de um modo que em parte pode explicar. que constitui — não como algum de nós poderia ter conjecturado a princípio. Processo muito semelhante pode. um número considerável de anos. segundo creio. contudo. à morte. pode ser vista por alguns clarividentes de ordem elevada. parcialmente acessível a uma visão menos poderosa que sem esforço toma essa região num primeiro estudo. e provavelmente dura na maior parte dos casos. concebendo-a como uma separação mecânica de princípios. É. com respeito à matéria dos princípios astrais. por graus. uma automática ou inconsciente ação de afinidades ou forças dispostas a determinar o futuro da mônada espiritual após a morte — todavia uma fase da existência que pode durar. Em primeiro lugar. através daqueles extensos reinos do futuro. Pois bem. que a alma humana que passa pela luta ou pela evolução do Kâma-loka é. devemos ter cautela ao materializar demasiado grosseiramente o nosso conceito da luta. A luta em Kâma-loka é de fato a vida da entidade naquela fase de existência. entre as díadas superior e inferior. é bem possível às entidades humanas. os pesquisadores teosóficos nada têm a lastimar no que se refere a seus próprios progressos na ciência espiritual. antes de ocupar-se de minúcias referentes àquele limiar espiritual. não é verdadeiramente dona de seus próprios atos. por si mesma. ou. com os princípios intermediários). Conforme se expôs com rigor no capítulo precedente. talvez. Vale lembrar que a entidade em Kâma-loka encaminha-se para o Devachan. nas circunstâncias que os induziram a isso até agora. um joguete de suas próprias afinidades já estabelecidas. podemos descrever os primeiros processos pêlos quais passa a alma depois da morte. Existe uma separação mecânica. em outras palavras. em seu aspecto mais amplo. esta última divisão de princípios. que (em união. ser melhor compreendida do que no início. possui uma existência de consciência vívida de uma espécie ou outra. quando a consciência do Ego se apóia solidamente nos superiores. O Kâma-loka é uma parte do grande mundo dos efeitos — não uma região em que se originem causas (exceto sob circunstâncias peculiares). com demasiada pressa. de um modo mais completo e exato do que estão definidos no capítulo anterior. por um instante. o corpo é abandonado mecanicamente pela alma. se referem às aspirações espirituais experimentadas na última vida. Durante esta fase de existência. antes. e a entidade em Kâma-loka. por meio da chamada mediunidade espírita. o que à primeira vista sugere a situação assim apresentada. É impossível exagerar as vantagens espirituais que se obtêm pelo estudo do vasto desígnio da Natureza. ou a segunda morte no plano astral. Mas não devemos deduzir. sob todos os aspectos. durante todo esse tempo. ao deixar a morada de que já não necessita. se descuidado com referência aos problemas relacionados com o estado de existência que segue ao nosso. cabe evitar a suposição de que a luta no Kâma-loka é.

tanto mais danosas serão para os moradores do Kâma-loka.uma espécie de oscilação entre a luta das atrações da matéria e as do espírito. no que lhes diz respeito. sejam elas terrenas ou espirituais. como também se teriam. por assim dizer. o Ego avança. quando se senta para escrever a seus antigos amigos. aplica-se tanto no plano astral como no físico. 1º) Quando se chama a atenção da alma para a Terra. O exemplo só pode ser aplicado inteiramente a nosso propósito. se restabelecendo nele. às vezes. No presente estágio de nossos conhecimentos. apagado de sua memória. em alguns casos. Destarte. Podemos. que diriam. para a esfera da vida que acaba de deixar. Quanto à suas simpatias para com os aspectos superiores da vida. Por exemplo. referir-se a elas. deve-se recordar. Suas cartas seriam uma fonte de surpresa para os seus destinatários. Esta consideração parece implicar o mais forte motivo que leva os representantes dos ensinamentos teosóficos a desfavorecerem e desaprovarem todo gênero de tentativas para pôr-se em comunicação com as almas dos mortos. que os seus escritos deixavam muito a desejar e que ele se tomara muito obtuso e estúpido. ser tentados a crer que. Quanto mais genuínas forem essas comunicações. por via dos médiuns. Pode-se lembrar completamente bem as aspirações espirituais da vida na Terra e. em direção ao céu. tanto mais veementes serão os impulsos que o farão recuar para a vida física e tanto mais grave a demora em seu progresso espiritual. E sobre isso há duas considerações muito importantes. se consideramos o emigrante como submetido à lei psicológica cujo véu encobre o seu entendimento. durante a sua existência em Kâma-loka. ele vai sendo cada vez menos capaz de escrever sobre seus antigos temas. em conversação. A alma que no Kâma-loka adquire o hábito de centrar sua atenção nas lembranças da vida que deixou. com o caso de um emigrante pobre que podemos imaginar prosperando em seu novo país. Quanto mais amiúde ela for atraída pelo afeto dos amigos ainda viventes. amiúde influi no retrocesso da entidade em Kâmaloka para a vida terrena. a fim de manifestar a sua existência no plano físico. não devemos abranger os sentimentos. ou retrocede para a Terra. em comparação ao que era antes de ir para o exterior. no que nos referimos aqui como afinidade terrena. é difícil determinar com segurança até que ponto são assim lesadas no Kâma-loka. que são um exercício exclusivo de natureza devachânica. Com o decorrer do tempo. a grande satisfação usufruída pelas pessoas 57 . deve ocorrer naqueles períodos de existência da alma em que as lembranças da Terra prendem a sua atenção. ilustrando-se ali. decorrentes da reflexão anterior. durante aquele tempo. pois faz com que oscile em direção oposta. Suas ardentes simpatias por aquela vida não se dissipam de uma vez. Já quanto às afeições. 2º) Recorde-se que a bem-conhecida lei fisiológica segundo a qual as faculdades se reavivam pelo uso e se atrofiam pelo desuso. realizando atos de filantropia e assim por diante. porque estes não só estariam num nível inferior àqueles a cuja consideração se elevaram suas verdadeiras faculdades mentais. em grande parte. a sua contemplação. estabelecida pela prática do espiritismo entre tais entidades em Kâmaloka e os amigos que foram deixados na Terra. ela é afastada do progresso espiritual em que está empenhada. ocupando-se de seus negócios públicos e descobertas. Pode-se exemplificar a situação. a sua primitiva condição mental. com as circunstâncias e ambientes da vida terrena. Pode manter intercâmbio com os seus familiares através de cartas. nem sequer entram no processo de dissipação. o que mencionamos antes. ainda que grosseiramente. enquanto se ocupa a alma com as antigas lembranças da Terra. além do que não estão no domínio das faculdades que operam na alma. mas achará difícil mantê-los a par de tudo o que chega a povoar seus pensamentos. também. com certeza. mas suas novas experiências parecem impossíveis de ser traduzidas em palavras próprias à inteligência física comum. para aproveitar as oportunidades que lhe proporciona a mediunidade. À comunicação. reforçará e afirmará aquelas tendências que estão em guerra com seus impulsos mais elevados. e precisamente essa tendência a oscilar entre os dois pólos de pensamento ou estado é o que o faz recuar.

Podemos dizer que não importa que o interesse do amigo que deixou a Terra desapareça gradualmente. em suas comunicações com os amigos que deixou para trás. no Kâma-loka. não revelará nenhuma nova fermentação de pensamento em sua inteligência. os amigos viventes. no que se refere a este assunto. que o que era ao morrer. Pode ser o eco de um antigo. Nesses casos. as recordações ainda vívidas e completas da vida terrena possibilitam que a entidade no Kâma-loka se manifeste de modo muito semelhante à de sua personalidade terrestre. O aspecto que aqui não se leva em conta é que no plano astral. Nessa manifestação. Também se pode argumentar que. enquanto fique algo dele ou dela que se nos manifeste. devemos estar prevenidos contra o aspecto ilusório das aparências. Entretanto. enquanto sombra. Nunca fará justiça. Compreender-se-á logo que à medida que a alma se liberta. Num começo. esta satisfação será mais ou menos profunda conforme o amigo ainda vivo compreenda as circunstâncias sob as quais ocorre a comunicação.viventes. contudo. Um desejo manifestado por um morador do Kâma-loka pode nem sempre ser a expressão da idéia que então ocupa sua mente. mas desde o instante da morte começa a transformação rumo à sua evolução. pondo-se em comunicação com a alma. mas de um ponto de vista de severa ética sobre o tema. fará este sacrifício de bom-grado pêlos seres que ama. Desse modo. quanto à atividade de seus 58 . aos teosofístas. O reconhecimento de todos esses fatos e possibilidades do Kâma-loka proporcionará. ainda que fosse plausível considerar como importante um desejo inteligível que se expressa a nós do Kâma-loka. ao contrário. Estas terão caído. ainda quando a pessoa querida se atrase um pouco em sua passagem para o Céu. uma explicação mais satisfatória de muitas experiências relacionadas com o espiritismo. gere um efeito bem ao contrário do que implica o mero estímulo da entidade no Kâma-loka em retomar seus antigos interesses na Terra. Seu malogro neste ponto há de se lhe tomar cada vez mais penoso. das afinidades que retardam seu desenvolvimento devachânico. compensa o dano provocado na alma do morto. menos instruída do que antes. sendo inevitável que exista sempre no Kâma-loka um grande número de entidades quase em estado de passar ao Devachan. que receberam a comunicação. sustentando relações espirituais com ela. não demonstra que retém nenhuma consciência vívida de sua antiga personalidade. mesmo este pouco nos causará grande encanto. Ao se manifestar no plano físico. ou no físico. pois. não se mostrará nem mais sábia. podem ser indiretamente o meio de facilitar o caminho de seu progresso espiritual. o que retoma à Terra se debilita cada vez mais. pela primeira vez. desejo que então encontra. Por causa disso podemos produzir outros resultados além do de distrair a atenção da alma de seus próprios assuntos. é claro que se apresentam casos em que o desejo de comunicar-se provenha principalmente da outra parte: isto é. razão pela qual aparecem ao observador terrestre num estado de decrepitude avançada. por uma pessoa que tenha morrido há pouco. Neste ponto. devese reconheceres perigos que envolvem semelhante conduta. é certo. é muito fácil contrair um mau costume. na escala da Natureza. Entretanto. logo após a morte. talvez muito antigo. à medida que passa o tempo. julgo eu. ao conversar conosco. há outra consideração que lança luz muito duvidosa sobre a sensatez ou a conveniência de satisfazer o desejo de comunicação com os amigos falecidos. Não afirmo que isso ocorra sempre. seria prudente encarar com grande desconfiança tal desejo. proveniente da sombra de uma pessoa morta há muito tempo e cuja conduta geral. gradualmente. tornar-se-á cada vez menos inteligente e. por parte dos amigos ainda vivos. na aparência. nem mais elevada. Contudo. um canal para se exteriorizar. Podemos causar-lhe um dano grave e quase permanente. Quando a alma no Kâma-loka tiver saciado sua sede nos mananciais pela comunicação terrestre da mediunidade sentir-se-á fortemente impulsionada a fazê-lo novamente de vez em quando. quando a alma que se foi embora está dominada pelo desejo não satisfeito — que pode dirigir-se ao cumprimento de um dever descuidado na Terra — cuja atenção. que deixa na obscuridade a exposição inicial da doutrina esotérica.

quando a alma levanta seu primeiro vôo fora do mundo físico. pode nos ajudar a utilizar as expressões aplicadas a seus fenômenos com mais rigor do que até o momento fizemos. no qual os médiuns podem ver refletidos seus próprios pensamentos e recebê-los. no estado das entidades vagas e ininteligíveis que. a uma melhor compreensão do que a que hoje possuímos a respeito das circunstâncias em que às vezes se realizam as materializações nas sessões espíritas. ou Linga-sharîra. O cascão. Esta denominação. mesmo nesse estado. Teria sido preferível ter seguido outro precedente e tê-las chamado "sombras". e por certo é correio atribuir o qualificativo cascão a essa escória. na crença plena de que provêm de uma origem externa. Sua memória da vida terrestre quase se extingue. enquanto o imagina como sendo a verdadeira entidade. é extremamente penoso para qualquer amigo vivente da pessoa morta ver ou tomar conhecimento. Se pudermos imaginar as cores de uma tela pintada. desintegra-se no Kâmaloka. permanece no Kâma-loka algo que corresponde ao cadáver deixado na Terra. Toda a consciência vívida inerente. Creio que se adorarmos a nova expressão "alma astral" para as entidades que acabaram de deixar a vida terrena. no Kâma-loka permanece um cadáver astral. participaremos com isso de um processo em que não destruímos a pintura. O que hoje conhecemos do assunto permite-nos compreender que. enquanto dura. nos princípios adequadamente relacionados com as atividades da vida física. mas. pela entidade vivente. Mas até que essa dissolução ocorra. para passar ao absolutamente puro estado devachânico. Mas o exposto não é tudo o que ensina a encarar com desconfiança as manifestações provenientes do Kâma-loka. mas que por outras razões conservam ainda grande parte dos atributos intelectuais que possuíam na Terra. o cascão abandonado pelo Ego verdadeiro pode. O ponto de vista comparativamente nítido. que agora temos com relação ao Kâmaloka. O estudo deste ramo do assunto nos levaria. neste estado. no verdadeiro sentido da palavra. Sem entrarmos agora nesta digressão. pode subsistir durante algum tempo uma relação semelhante. seus princípios inferiores podem somente ser despertados por influência de uma forte corrente mediúnica para a qual são atraídos. que 59 . no Kâma-loka. Esta última relação citada mantém-se por meio da matéria sutilmente difundida do terceiro princípio original. que liberta completamente o Ego do Kâma-loka para fazê-lo passar ao estado devachânico. basta reconhecer que a analogia ajuda a demonstrar como. misturando seus elementos com os depósitos gerais de matéria na ordem a que pertencem. Isto se parece muito com o que são as entidades no Kâma-loka. descobriremos. seu estado é o mesmo. Estes fenômenos. quando afinal se livram da matéria em que atuava a sua primeira consciência astral. de um ou de outro modo. Nesses casos. de semelhante cascão. Por certo. como um gancho do espírito ou mesmo talvez como seu refulgente crepúsculo no cascão. ser tomado algumas vezes. do mesmo modo que subsiste tal comunicação entre a entidade no Kâma-loka e o cadáver deixado na Terra. nas sessões espíritas. seguindo o exemplo de escritores ocultistas mais antigos. num lúgubre salão com escuras costas de quadros sem sentido algum. penetrando por graus na matéria da tela. são cadáveres astrais galvanizados ainda que. dentro em muito breve. Durante certo tempo permanece como um espelho astral. e então se convertem em pouco mais que meros espelhos astrais. entre a entidade devachânica e o abandonado cascão.princípios inferiores astrais. até o momento da desintegração. que atua. na qual isso ocorre. do mesmo modo que o cadáver que se abandona ao processo de dissolução natural decairá logo. mas convertemos a galeria. é transferida aos princípios superiores que não se manifestam por meio dos médiuns. não é muito feliz. creio eu. seja por clarividência ou por qualquer outro modo. possa existir entre eles e o verdadeiro espírito devachânico certa relação sutil. Com efeito. quando chega o tempo desta segunda morte no plano astral. nos quais se refletem os pensamentos do médium ou dos assistentes das sessões. quando abandona a Terra. contudo. chamei cascão no texto deste capítulo. pois. fazendo aparecer por fim o outro lado da mesma com o seu primitivo brilho.

que devem existir na Natureza alguns depósitos gerais de matéria adequada a esta esfera de existência. sombra e que o termo cascão seja reservado para os verdadeiros cascões ou cadáveres astrais abandonados definitivamente pelo espírito devachânico. o Adepto que deste modo se converte num espírito devachânico do tipo mais elevado não será impedido de manifestar sua influência na Terra. Mas em ambos extremos dessa média. no seu sentido espiritual. a grande classe média da humanidade —. num outro extremo da escala. quer consciente. ou seja. impossível que um médium do mais elevado tipo — que mais propriamente deveria ser chamado vidente — possa assim ser influenciado. Ao estudar a lei do desenvolvimento espiritual no Kâma-loka. quer inconscientemente. neste estado de debilitação gradual. Os grandes 60 . em que os nossos corpos se dissolvem após a morte. Nenhum estudante novato de teosofia pode esperar saber muito até agora sobre os estados de existência dos Adeptos que renunciam ao uso do corpo físico na Terra. certa alma muito intelectual e mentalmente ativa pode permanecer longuíssimos períodos no Kâma-loka (na falta de afinidades espirituais de análoga força). nos estados Arûpa do Devachan. quando uma pessoa muito avançada em espiritualidade morre após uma vida longa que preencheu legitimamente o seu desígnio. conforme o caso. devido à sua natureza. os números podem aumentar consideravelmente. se os períodos no Kâma-loka podem prolongar-se desse modo além da média por variadas causas. quando entra (encarado de nosso ponto de vista) na decrepitude intelectual. não sendo. além de ser mesmo muito impróprio aos seres que descrevemos. excetuando-se aqui os casos em que a alma esteja exclusivamente associada à ambição mundana. essa possibilidade não ocorra com freqüência. em alguns casos os Adeptos decidem optar por uma via que está entre a reencamação e a passagem ao Nirvana. podem esperar. em virtude da grande persistência das forças e causas geradas no plano superior dos efeitos. é extraordinário que uma entidade no Kâma-loka esteja em condições de manifestar-se como tal por mais de vinte e cinco ou trinta anos. podem também reduzir-se a uma infinitesimal brevidade. porém. Além disso. correspondente à Terra física e a seus elementos circundantes. Contudo. por mais que. pelo lento avanço da humanidade para o estado superior que assim atingiram. É possível que o espírito de um Adepto desse tipo. Faço a indicação de que a alma astral. para compreender o Nirvana. As possibilidades superiores que se abrem perante eles parecem-me por completo fora do alcance de toda avaliação intelectual. Uma criatura humana muito ignóbil e estupidificada pode permanecer no Kâma-loka por muito mais tempo. é natural que pesquisemos quanto tempo decorre antes que se complete a passagem da consciência dos princípios inferiores aos superiores da alma astral Como de costume. por falta de princípios superiores bastante desenvolvidos para elevar a sua consciência. como também. Há outra possibilidade importante relacionada com as manifestações que nos chegam pelos canais normais de comunicação com o Kâma-loka. por certo. pela situação do seu estado devachânico — como aconteceria com um espírito devachânico comum ao passar por aquele estado em seu caminho para a reencamação. ainda que a sua atividade mental possa estar separada da espiritualidade. que convém observar aqui. Porém. A desintegração dos cascões no Kâma-loka inevitavelmente sugere a qualquer um que procure compreender o seu processo. a resposta é sempre bem elástica. uma influência que se fizesse sentir por intermédio de qualquer sinal físico para auditórios heterogêneos. apenas devido à mera capacidade de um cérebro vivente.também outros termos já empregados serão adequados em sua aplicação. Nenhum homem é suficientemente hábil. Os mestres esotéricos do Oriente proclamam que. assim que se cuida de números relacionados aos processos superiores da Natureza. segundo parece. que tão facilmente pode nos trazer confusões. no que se refere à média da humanidade — o que se pode denominar. de tempos em tempos. Esta não seria. devemos desfazer-nos do termo (inconveniente) "elemental". inspire algum dos grandes homens da história do mundo. Ora. pelas regiões superiores do Devachan. seja chamada.

e as primeiras explicações 61 . é o quarto princípio da Terra. A ONDA DA MARÉ HUMANA Já dei uma explicação geral do modo como a grande onda humana evolucionária passa. Os estudantes de filosofia oculta. tão evidenciada pelas experiências espíritas. Basta. mas desde logo é conveniente expor uma idéia relacionada com eles: o estado do Kâma-loka tem suas correlatas ordens de matéria em manifestação. o estado devachânico corresponde ao quinto princípio da Terra e o Nirvana. perceptível aos sentidos das entidades astrais. explicar que a proximidade do Kâma-loka com a Terra. Não tentarei entrar aqui na metafísica do problema que mesmo poderia levar-nos a prescindir da noção de que a matéria astral necessita ser menos real e tangível do que a que conhecem nossos sentidos físicos. ao sexto. os quais podem propriamente ser denominados obscurecimentos. 7. por enquanto. Agora se podem acrescentar novos pormenores. explica-se pelo ensinamento oriental que provém deste fato: o Kâma-loka está na Terra e pertence a ela. Pois a Terra tem seus sete princípios como as criaturas humanas que nela habitam. alma astral está no homem vivo e pertence a ele. A região do Kâma-loka. tendem a interpretar erroneamente as primeiras afirmações que foram feitas. de fato esse grande reino no estado adequado que constitui o Kâma-loka. que assumem esta tarefa com suas mentes abundantemente providas de outras idéias. tanto como a nossa. no sentido de tornar seu caráter inteligível. do que a explicação de certos fenômenos relacionados ao progresso dos mundos. bem como aos de muitos clarividentes. objetivando expandir esta idéia geral para que se atinja uma completa compreensão do processo com que se relaciona. E nenhum capítulo adicional da grande história irá influenciar mais. dando voltas em torno dos sete mundos que compõem a cadeia planetária da qual a Terra é parte. Assim.mistérios a que esta consideração vai de encontro exigem uma pesquisa mais exaustiva do que a que até agora empreendemos. Não se pode dizer tudo de uma vez. da mesma maneira que o Kâma-rûpa é o quarto princípio do homem.

Este estado não é de decadência. o esforço do escritor é no sentido de expor o assunto de tal forma que evite. mas o ponto importante a reter é que a onda principal da evolução — a onda crescente que se move na dianteira . lembre-se de que os reinos da Natureza. São precisos enormes períodos de tempo para esse lento processo. Isto não significa que. quando o reino número 1 está evolucionando no globo G. Mas este mesmo esforço requer. nem de nada que propriamente se chame de morte. esse mundo se paralisa por alguma convulsão ou submerge no estado de transe encantado de palácio adormecido. mesmo em se tratando de pensadores de mente mais ativa e inteligente. nem de dissolução. o leitor será bastante amável para retornar à explicação que fornecemos no Capítulo 3. que segue o dia da atividade integral. embora seu aspecto possa induzir em erro. o reino humano. o globo A. Dando continuidade a este sistema até o fim. tendo-se em conta o meio período da manhã que precede e o meio período da tarde. o reino número 7. Esta consideração fornece uma chave para o significado de uma porção de coisas que de outra maneira seriam desprovidas de sentido. Ora. Com efeito. durante certo tempo. Agora. A imaginação completa a tela. O obscurecimento de um mundo é a cabal suspensão de sua atividade. B. quer num papel. Esses leitores não se satisfazem com um esboço vago. está se desenvolvendo no globo A. A própria decadência. o curso da evolução em seus primeiros estados é tão contínuo que a preparação de vários planetas para a onda final da humanidade pode estar ocorrendo simultaneamente.. seu autor logo se surpreenderá ao verificar que os últimos relatos são incompatíveis com o que ele chegou a considerar como sendo o que nitidamente se ensinou no início. O processo ocorre de maneira capaz de ser descrita. em certo momento do processo. para serem captados numa segunda viagem pelo antigo caminho. pois.gerais sugerem conceitos com relação aos pormenores. muito provavelmente errôneos. e se a obra permanece sem retoques por um tempo qualquer. de fato. deixando alguns detalhes. mas o leitor o compreenderia melhor se desenhasse um diagrama. portanto. quer em sua própria imaginação.não pode estar em mais de um lugar ao mesmo tempo. neste estudo. Os reinos vegetal e animal voltam gradualmente ao estado em que se achavam quando pela primeira vez os alcançou a grande onda de vida. E agora vejamos: o que acontece assim que o reino 7 passa ao globo B? Não há um oitavo reino que funcione no globo A. com certeza há de se ver que. a preparação de todos os diversos planetas pode ocorrer simultaneamente. conhecidos dos ocultistas. que o círculo (ou globo) D representa a nossa Terra. precedendo os reinos materiais. o obscurecimento. deixa atrás de si a Natureza numa letargia transitória. dura seis vezes12 mais tempo que o período de ocupação de cada mundo pela onda 12 Ou pode-se dizer cinco vezes. C. A vida vegetal e a anima continuam como antes. desde o momento que a última mônada humana abandona um dado mundo. A grande onda de vida o abandonou. Quando a onda de vida continua no globo B. etc. que se avance celeremente. Assim. no momento em que o reino número 2 começa a evolucionar no globo A. porém o seu caráter retrocede em lugar de avançar. Pois bem. Denominando-os A. na medida do possível. representa um estado de atividade em determinada direção. um prematuro crescimento de erva daninha na mente. como se há de ver. mesmo por um momento. mediante o qual o mundo obscurecido se entrega ao sono. que consistisse de sete círculos (representando os mundos) ordenados em forma de anel. nessa parte da mitologia hindu relacionada com as deidades que regem a destruição. O reino número 1 evoluciona no globo A e passa ao globo B. entra durante algum tempo num estado de obscurecimento. ao seguir seu curso. e não por meio de um fluxo contínuo". Os grandes processos da evolução culminam na onda final da humanidade. e mesmo detalhes muito importantes. se observará. Algo foi dito então sobre o modo como o impulso de vida passava de planeta em planeta sob a forma de "ondas ou jorros. ou seja. em cada caso. dos quais três são relativos às forças astrais e elementais. mais grosseiros na ordem de seu desenvolvimento. 62 . com base no que já se afirmou. às vezes. relativo ao progresso evolucionário através de toda a cadeia planetária. são em número de sete. que.

somente há dois mundos de nossa cadeia que são visíveis aos olhos físicos: um atrás e o outro diante dela. que é de supor as condições de uma atmosfera que tornasse Mercúrio habitável. mais ou menos. que Mercúrio se encontra muito próximo do Sol. Além da Terra. que se acha no ponto material mais baixo de todos. Enquanto isso. pois precisa atingir um grau maior de perfeição para a volta da onda humana. 13 É importante observar aqui. C ficam em obscurecimento. quando o período humano em D passa seu ponto médio. a Natureza é infundida por um vigor próprio — a frescura de uma manhã — e o último período de obscurecimento.humana. na verdade. durante cada período de Ronda num planeta — ou seja. pode tomar-se declarações capazes de sustar a crítica à ciência oculta neste ponto. Mas a cada novo começo. que aquele em que se encontrava quando a última onda deixou as suas costas. num extremo da escala. num relatório oficial do Departamento de Astronomia dos Estados Unidos sobre as recentes "Observações do Monte Whitney". em benefício das pessoas que pretendam objetai. que os diversos mundos. o período crepuscular no mundo. a onda de vida prossegue com certa progressão regular. B fica em obscurecimento. que é um tempo de preparação e de esperança. Marte. e conseqüentemente demasiado quente para poder ser uma habitação apropriada para o Homem. Quando a onda chega a G. Assim que se passa deste ponto médio e começa a evolução da quinta raça em qualquer planeta. do mesmo modo que A. quando os últimos montículos da sétima raça em D tenham passado ao estado subjetivo ou mundo dos efeitos. Nem se fosse necessário explicar. Mas assim como o coração do homem bate e continua a respiração. que constituem a nossa cadeia planetária. durante a ocupação desse planeta pela onda de vida. O fato é que a ciência corrente considera o Sol. Então D recebe a onda de vida. reveste a própria evolução com uma nova energia. o período humano em E começa. não importa quão profundo seja o seu sono. cujo caráter simétrico satisfaz muito as inclinações científicas. Os resultados das observações de Monte Whitney sobre a absorção seletiva dos raios solares demonstram. e a primeira raça inicia ali seu desenvolvimento. Por exemplo. no seguinte. mesmo nos momentos de sono mais profundo. o mesmo ocorrendo com os do arco ascendente. por assim dizer. e A. Não temos de tratar de Saturno agora. todos os seis mundos precedentes encontram-se em obscurecimento. começa. Na primeira exposição que fizemos deste assunto indiquei. tudo está pronto para a sua recepção. ou antes que a revivescência do reino mineral em D. e esse toma-se definitivo ali. a evolução da sexta raça em D coincide com a revivescência do reino vegetal em E. Pondo o conceito de espírito no pólo norte do círculo. Estes dois mundos são. Marte e Mercúrio — Marte está antes do nosso e Mercúrio depois —. a sétima raça em D. os mundos do arco descendente variam em materialidade e espiritualidade. a evolução da quinta raça em E está na mesma proporção que a evolução. Entrementes. e Mercúrio. a partir disto. Quando a grande onda de vida volta. Vale dizer: o processo que ocorre. repete-se ao longo de toda a cadeia. dessa forma. do globo A ao globo B. Quando a onda passa a C. que precede a D. a habitabilidade de Mercúrio. num estado de obscurecimento completo na atualidade. que. ao mesmo 63 . B. está preparado para compreender a idéia de como a humanidade se desenvolve através das sete grandes raças. O leitor. assim também continua o processo de ação vital no mundo em repouso. que precederam a sua primeira chegada. converteu-se na noite do obscurecimento do mesmo modo progressivo. no que diz respeito à onda de vida humana. segundo o relatório oficial. a preparação da humanidade. que acaba justamente de preparar-se para seu próximo período humano13. do ângulo da física. é um processo mais longo que o de sumirse no repouso. se o leitor deseja compreender todo o processo da evolução de uma forma mais integral do que até aqui. e o de matéria no pólo sul. pelos princípios ocultos. Este processo conserva para a próxima volta da onda humana os resultados da evolução. O despertar de um planeta. A quarta raça é obviamente a raça do meio da série. com relação à passagem da onda de vida. segundo já foi descrito. e Saturno no outro. Quer dizer. com a revivescência do reino animal em E e logo. e assim sucessivamente. não eram da mesma matéria. Esta variação deve agora ser considerada com mais atenção. não teríamos de abordar cálculos a respeito da absorção seletiva.

então plenamente desenvolvido.sendo este um de seus maiores méritos — porém. o intelecto. como que simbolizando a cadeia planetária. tomada como unidade.Os dois planetas que estão atrás de Marte e os dois que seguem a Mercúrio não são constituídos por uma ordem de matéria capaz de ser percebida pelo telescópio. as Rondas e as raças sucessivas da humanidade passam por seus graus de maior e menor materialidade. porque a inteligência da quinta Ronda. não é um costume meritório nos cientistas modernos crer. portanto. na evolução do homem. tanto em cada plano isolado como no conjunto há um arco descendente e outro ascendente: o espírito. portanto. do ponto de vista dos fiéis devotos da ciência do último ano — que seja assinalado que tais objeções estariam antiquadas. a luta prossegue. Na terceira Ronda. Com efeito. Dos sete planetas. a sua estatura gigantesca decresce. 64 . primeiramente sua forma é mais a de um macaco gigante do que a de um homem verdadeiro. para manifestar os seus poderes transcendentais. se transpõe o ponto polar de todo o período dos sete mundos. no ápice invertido da inteligência física. porém com inteligência mais e mais pronunciada. mas todo aquele que queira compreendê-los deve primeiro compreender esta Terra e esclarecer por analogia os seus delicados fenômenos. descendo da espiritualidade à materialidade e subindo outra vez à primeira. o Ego espiritual inicia a sua verdadeira luta com o corpo e a mente. do mesmo modo que nesta Terra. tal como a entendemos. Na sexta Ronda. Entretanto. Cada Ronda da humanidade evoluída no arco descendente (ou mesmo cada raça de cada Ronda. mas sim superespiritual. influência esta que não será por completo entendida até que se saiba mais que até o presente sobre as correlações entre o calor e o magnetismo e da poeira meteórica magnética que permeia os espaços interplanetários. na medida em que o calor dos planetas se relacionam com outra influência completamente distinta do Sol. Do mesmo modo. adquire um enorme progresso. habita um corpo imenso. mas as faculdades transcendentais estarão completa-mente desenvolvidas. basta . que é a manifestação mascarada da inteligência espiritual. As primeiras raças com que se principia a Ronda adquirem a linguagem humana. Na quarta Ronda. deste modo. A ciência moderna é muito progressiva . O ponto inferior ou mais material no ciclo converte-se. e cada uma no arco ascendente deve ser investida de uma forma mais refinada de mentalidade misturada com uma maior intuição espiritual. em cada etapa de seu progresso. à consideração da grande onda de vida. é mais avançada do que a da quarta. Essa sutileza não anula de modo algum a uniformidade do desígnio da Natureza com relação aos métodos e graus de sua evolução. Voltemos. encontramos o homem como um ser relativamente etéreo (mesmo comparado na Terra com o estado que alcançou aqui agora). em seus aspectos. por assim dizer. porém menos inteligente que espiritual. porém mais consistente e mais condensado: um homem mais físico. tem seus pólos norte e sul. como o depósito da força do Sistema Solar — demasiado. assim também as rondas da humanidade constituem uma série semelhante. o seu corpo melhora em contextura e ele começa a ser um homem racional. mas de organização não consistente. envolvendo-se na matéria e a matéria desenvolvendo-se no espírito. bem como sua espiritualidade. embora a luta entre estas e as tendências físicas seja mais feroz que nunca. neste planeta. desenvolveu um corpo perfeitamente concreto e compacto. Na primeira metade da terceira Ronda. os quais as pessoas que só concebem a matéria em sua forma terrena tenderão a chamar de imaterial. Assim como a cadeia de mundos. Desse ponto em diante. pois. Dentro da escala de sutil "invisibilidade". ou seus pólos espiritual e material. Na quinta Ronda. Eles simplesmente pertencem a estados de matéria mais sutis que os da Terra. não intelectual. quatro são. o animal e o vegetal que o circunda. se descemos a espelhos menores do cosmos) tem de ser mais fisicamente intelectual que a sua predecessora. Na primeira Ronda. Na metade da quarta Ronda aqui. que todos os conceitos incompatíveis com esta etapa devam ser necessariamente absurdos. de natureza etérea. a humanidade tempo demasiado e demasiado pouco.para refutar qualquer teoria que pudesse opor-se às explicações que agora são dadas. Mas efetivamente nada têm de imateriais. Na segunda Ronda é ainda gigantesco e etéreo. O mundo prolifera dos resultados da atividade intelectual e da decadência espiritual.

de há muito. no sentido do termo ora empregado. de modo que apenas agora. Mas as mônadas individuais podem passar às suas companheiras o seu desenvolvimento intelectual. representarão o tipo comum da espécie humana. tem de passar durante um período de Ronda num planeta. num homem com todos os atributos de um homem da quinta Ronda. alguma unidade individual tenha viajado ao redor da cadeia dos mundos uma vez mais do que seus parceiros. ele pode também nascer como o da quinta Ronda. cada mônada individual se encarna muitas vezes. não podemos externar qual é a duração verdadeira. é valiosa porque nos ajuda a elucidar um fato interessante relacionado com a evolução. permitem a algumas pessoas extraordinariamente dotadas explorar os mistérios da Natureza e adquirir o conhecimento do qual se oferecem agora algumas migalhas (por meio destes escritos e de outros meios) ao mundo em geral. 65 . por algum procedimento milagroso. ou seja. estudantes de ocultismo pelo método antigo — relativa aos números que imediatamente nos dizem respeito. da inteligência como da espiritualidade. por exemplo. pertencem à quinta Ronda. Se x representa o número normal de encarnações que uma mônada. que o mundo tenha visto ou pensado. poucas em relação ao número total. depois de haver ultrapassado o ponto médio da evolução deste planeta médio. Essa concessão. por mais que para o não iniciado seja incompreensível tal reserva. por meio do processo da instrução oculta. no meio da Humanidade da quarta. os portadores do conhecimento oculto são particularmente pouco comunicativos quanto a dados numéricos sobre a cosmogonia. Na atualidade. devido ao número total de suas encarnações prévias. sendo difícil de imaginá-lo a partir dos mortais comuns de nossa época. Quanto ao que seja a sétima Ronda. assim como também faz necessariamente mais algumas encarnações extras. nem mesmo ao planeta que segue ao nosso. obtivemos uma concessão — que só poderiam apreciar inteiramente os que foram. Se a mônada apenas passasse uma existência em cada uma das raças ramais. estando habitada atualmente pela humanidade da quarta Ronda. pelas quais deve passar pelo menos uma vez. cada mônada se encarna duas vezes em cada raça ramal. é que os da quinta Ronda começam a aparecer. em anos. serão então apanágio comum a todos. Não obstante. bondade e iluminação transcendental. Por motivos que não são fáceis de adivinhar pêlos leigos. que. Este fato é que. Em menos de 3 1/2 Rondas esse resultado não seria obtido. não há que supor que. Mas. então é evidente que: 24 1/2 (x + y) pode exceder 28 x. o número total que se atingira numa Ronda seria 343. Durante a ocupação de qualquer planeta pela onda de vida humana. em cujo limiar chegamos agora. na Terra. por exemplo.atinge um grau de perfeição tanto do corpo como da alma. Essas faculdades que agora. e assim converter-se exatamente no que o geral da espécie humana será quando a quinta Ronda se tiver desenvolvido integralmente. Pois bem. na verdade. na rara eflorescência de uma geração. os mestres ocultos mais comunicativos mantêm um silêncio solene. Um homem nascido como um indivíduo comum da quarta Ronda pode converter-se. a terceira potência de 7. em todo caso. e assim tornar-se o que denominamos um homem da quinta Ronda artificial. Dadas as explicações que foram apresentadas de como progride a onda da humanidade. no decurso da Natureza. A humanidade da sétima Ronda será bastante semelhante a Deus para que a humanidade da quarta possa pressupor seus atributos. que no mesmo período pode chegar a atravessar por um forte desejo de vida física. compreender-sê-á que isso seria impossível. propriamente falando. podem existir entre nós algumas poucas pessoas. Isto pode ocorrer de dois modos. pela onda da vida humana em sua quarta viagem ao redor do círculo dos mundos. do período de uma Ronda. Mas independentemente de todos os esforços que faça o homem em sua presente encarnação. As combinações excelsas de sabedoria. ou seja. A humanidade ainda não fez a sua quarta visita. e y a margem de encarnações extras. Vale dizer: uma mônada pode em 3 1/2 Rondas realizar tantas encarnações quanto uma mônada comum em quatro Rondas completas.

Não teve ocasião de tocar seu novo instrumento. mas este fato relaciona-se com um grande mistério fora dos limites do presente cálculo. Portanto. e isto por razões evidentes. começou a evoluir há um milhão de anos. A mônada espiritual abandona o corpo da criança. de modo algum. não podemos agora fornecer a duração verdadeira dos períodos de Rondas. no mesmo estado em que o ocupou após sua morte no Devachan. com a criança que morreu. ao cunhar uma designação nova para um estado de coisas novo) só imperfeitamente podem presumir. Cálculos como os mostrados acima podem merecer confiança tomados literalmente no que abrangem. não gerou karma novo algum. E esta ainda não acabou. Buda era um homem da sexta Ronda. apesar do seu número. Mas.500 anos — não considerando. esses cálculos devem ser qualificados por duas considerações. a presente quinta raça da quarta Ronda. supondo que um milhão de anos constitua a vida completa de uma raça 14. indicar que os períodos de tempo que abrangem essas encarnações são tão grandes que.Não é possível na natureza das coisas que uma mônada possa se avantajar a suas companheiras em mais de uma Ronda Ainda assim. Mas aceitemos que já tenha havido 120 encarnações para as mônadas na raça atual. na mesma linha que a anterior. Os casos de crianças que morrem na infância são bem diferentes dos das pessoas que atingem a maturidade completa. naturalmente. pode ocorrer imediatamente uma reencamação da mônada. isto é. é importante neste ponto. penetramos num terreno bastante delicado. que serão compreendidas pelas explicações que já foram dadas. resultando uma média de mais de 800 anos entre cada encarnação.000 anos empregados na existência física. O mesmo ocorre com uma mônada que ocupe o corpo de um idiota de nascimento. Mas esses dois casos são exceções claras que em nada modificam a regra geral. o qual se quebrou antes de estar afinado. Basta dizer por ora que a evolução de um Buda se relaciona com algo mais do que simples encarnações dentro dos limites de uma cadeia planetária. 66 . como haveria de subdividi-lo para cada mônada individual? Em uma raça deve haver mais do que 100 encarnações. sendo difícil que atinjam 120 para uma mônada individual. Conforme afirmado anteriormente. Mas apresentaremos um fato simples que foi claramente manifestado por uma autoridade oculta superior. para evitar interpretações errôneas. como dizem agora os Adeptos. Mas quando manipulamos números desse tipo. Nem mesmo se podem citar números indicadores da duração desses períodos. nas sucessivas encarnações de uma mônada individual. O instrumento não pode ser afinado. que foi exposta antes. enquanto para a esfera subjetiva são 988. A presente raça da humanidade. de forma que não pode tocar com ele. mas mesmo assim só teríamos 12. nem tampouco com o corpo da criança nos primeiros anos da infância. porque variam muito dentro de extensos limites. porque os períodos exatos são segredos profundos. Entretanto. se não representa um período impossível pela brevidade. mas dificilmente seriam menores que 1. COMENTÁRIOS 14 A vida completa de uma raça é certamente muito mais longa que isso. Com certeza. Uma criança que morre antes que tenha vivido o suficiente para começar a ser responsável por seus atos. por razões que os estudantes não-inicia-dos (“chelas laicos". Desde que estes cálculos compreendam grande número de vidas. seria de toda forma um intervalo muito curto entre dois nascimentos. mas não devem ser considerados irrefletidamente como base para outros. separam-nas vastos intervalos. estes períodos intermediários são de duração muito variável. Mas a mônada que se reencarna assim não pode ser identificada espiritualmente.000 anos.500 anos. para todas as pessoas que chegam à maturidade e que empregam suas vidas terrenas para o bem ou para o mal. E suponhamos que a média da vida de cada encarnação tenha sido um século. que se acham inteiramente fora da ação da lei comum — e 1. o caso dos Adeptos.

Os obscurecimentos são bastante completos ao nos demonstrarem todos os fenômenos descritos com relação a cada um dos planetas que afetam em sua totalidade. para passarmos depois às exceções. com relação aos Mahâtmâs. e isto ocorre muito particularmente no estudo do ocultismo. mas o planeta que abandona não fica absolutamente destituído de humanidade. ao que se sabe. e o adulto que completa um período médio. mesmo neste assunto. A grande massa da humanidade é conduzida de um planeta a outro por meio do grande impulso cíclico. assim como tampouco todas as regiões de sua superfície se tomam impróprias como morada para os seres 67 . Mas. para diferentes pessoas dentro de limites tão amplos. se possam expor com todas as suas devidas qualificações. parece-nos agora que não se considerou exceção importante na Natureza. quando um cheia. O leitor deve entender. que. é fruto do esforço de suas vidas precedentes e. esses casos são outras tantas exceções. Essas pessoas voltariam a reencarnar-se depois de uma breve estada correspondente no mundo dos efeitos. visto que a outra versão admitia a possibilidade de que uma mônada possa efetivamente ter dado uma volta a mais ao redor dos sete planetas do que seus companheiros. quando pela primeira vez são apresentados a inteligências profanas os fatos complicados de uma ciência completamente desconhecida. a comparação entre minha versão do assunto e certas passagens de outros escritos. emanados. mas para os quais a vida curta que tiveram não produziu causas que exijam muito tempo para esgotar seus efeitos. Foi notada uma discrepância entre as duas manifestações. têm por objetivo gravar na memória cada idéia nova. na índia. quando representam médias gerais. que qualquer regra que se baseie neste ponto deve provocar muitas críticas. Primeiramente.Notícias posteriores e o estudo — ou seja. mas desde a publicação da edição original deste livro criticou-se. que a explicação que vou dar é fruto de minhas especulações e comparações das diferentes partes da doutrina — não sendo recebida nenhuma informação autêntica do autor de meu ensinamento geral. há casos de encarnações artificiais. portanto. que não tem período devachânico. apresentam-se sempre. ainda sem ter adquirido o domínio de fazê-lo por si mesmo. portanto. A descrição que fiz da evolução da onda humana é completamente coerente como foi apresentada. A chave desse mistério se encontra fora do domínio de fatos a respeito dos quais os Adeptos de bom-grado falam livremente. de um Mahâtmâ. Obviamente. é impossível que. assim. Nesses casos. para o que devemos estar sempre prevenidos. é atraído à encarnação quase imediatamente após sua morte física precedente. de modo notadamente definido. que se acham isentos de agir por capricho em tais assuntos. Entre a criança pequena. de seus karmas. quando chega o tempo dessa transição. devemos ter presentes as pessoas que morrem na juventude. Com respeito a outro assunto de que se tratou nas páginas anteriores. a média antes mencionada foi. cujos métodos tradicionais de ensino. têm de passar pelas etapas habituais do desenvolvimento espiritual. de todas as formas. Pode-se confiar em cifras. provocando uma perplexidade que é logo atenuada. entre os quais se encontra ultimamente na Terra. Mas os fenômenos excepcionais. Devemos contentar-nos em tratar primeiro das regras gerais. geralmente seguidos. a comparação dos diferentes ramos da doutrina e o acréscimo de outras declarações como aquelas do capítulo anterior — demonstram a dificuldade de se aplicar números. sem que tenha sido necessário flutuar na corrente das causas naturais. Por outro lado. Minha explicação sobre os obscurecimentos parece inviabilizar essa contingência. que acumularam karma e que. Os períodos devachânicos variam. no andamento da regra geral. compensações e desenvolvimentos anormais visíveis desde o início. às Doutrinas Esotéricas. mas induzem a grandes erros quando se trata de aplicá-las em casos especiais. que se realizam pela intervenção direta dos Mahâtmâs. sem dúvida. pode-se dizer que os direitos adquiridos por essas pessoas. são causas naturais de certo gênero. E a intervenção dos Mahâtmâs. calculada para adultos.

Os períodos devachânicos. para fora da atração do planeta ocupado pela onda. o curso da Natureza impele todas as entidades humanas pela senda do progresso indefinido em direção a planos superiores de existência. e as mônadas constitutivas dessas colônias. e a 68 . ainda no meio do grande vórtice humano. do que agora estamos nos aproximando. que a Natureza. devido às mudanças físicas e climáticas que nelas ocorrem. em seu sentido simbólico mais amplo. Mesmo durante o obscurecimento. no sentido lato da palavra. Certamente. igualmente. muito mais à frente que a raça em geral. não investem o Ego de nenhuma responsabilidade espiritual. uma alma. 8. que se seguem a cada existência objetiva. ocasionalmente.humanos. este privilégio de seleção não está inteiramente desenvolvido. suponho. sobre o modo como este fato da Natureza. os colonos da Arca estarão prontos para reiniciar o processo de povoá-lo de novo. Vale a pena chamar a atenção do leitor para a solução que acabo de apresentar acerca das Rondas Internas. permanece no planeta uma pequena colônia humana. se harmonizaria com as tão difundidas doutrinas a respeito do Dilúvio. no que poderia denominar-se a Ronda interna da evolução. O PROGRESSO DA HUMANIDADE Como terá visto o leitor. quando o planeta obscurecido volta a estar em condições de receber apenas a onda humana. seguindo diferentes leis de evolução e fora do alcance dessas atrações que governam o vórtice principal da humanidade no planeta ocupado pela grande onda. mas não parece improvável que os Cabalistas tenham associado a ela um significado mais lato que agora indicamos. fornece-lhes ao mesmo tempo oportunidades cada vez maiores para escolher entre o bem e o mal. na verdade. Quais podem ser as circunstâncias que arremessam. cuja existência. dotando estas entidades com faculdades sempre crescentes. dentro da atração da Ronda Interna? Tal é a questão que no presente só podemos conjecturar de modo muito incerto. Mas terá visto. a narrativa do Dilúvio tem também significados simbólicos menores. No tempo devido. As primeiras Rondas da humanidade. e ao ampliar constante-mente o escopo de sua atividade. em vista do que a responsabilidade dos atos é relativamente incompleta. Nas primeiras Rondas da humanidade. dispõem plenamente dos méritos e deméritos dessa existência. Essas partes do planeta que permanecem habitáveis durante um obscurecimento seriam equivalentes à Arca de Noé dos relatos bíblicos. passam adiante de mundo em mundo.

personalidade mais deplorável que o Ego pode desenvolver, durante a primeira metade de sua evolução, não se computa em relação à totalidade do empreendimento, ao passo que a personalidade propriamente culpável paga a sua pena relativamente curta, não voltando a perturbar a Natureza. Mas a segunda parte do grande período evolucionário ocorre sob princípios bem diversos. As fases de existência, que então se apresentam, não podem ser admitidas pelo Ego sem méritos positivos próprios, adequados aos novos desenvolvimentos em perspectiva; não basta que a entidade, já completamente responsável e altamente dotada, em que o homem se converte no grande ponto de retomo de sua carreira, flutue preguiçosamente na corrente do progresso. Ela deve começar a nadar, se deseja prosseguir seu caminho para a frente. A complexidade do assunto, excluindo a hipótese de ocupar-nos de todas suas faces simultaneamente, fez com que nosso exame da Natureza tenha apenas considerado as sete rondas do desenvolvimento humano, que constituem todo o processo planetário que nos concerne, como uma série contínua, através da qual tem de passar a humanidade em geral. Mas deve-se lembrar que foi dito que a humanidade na sexta Ronda estará tão altamente desenvolvida que os atributos e faculdades sublimes do mais alto Adeptado serão apanágio comum de todos. Já na sétima Ronda, a raça quase terá saído do humano para converter-se no divino. Pois bem, todo ser humano, neste grau da evolução, estará identificado por uma ligação ininterrupta com todas as personalidades que foram engajadas no ciclo da vida, desde o início do grande processo evolucionário. Pode-se conceber que o caráter dessas personalidades seja irrelevante no final de contas, e que dois seres semelhantes a deuses podem encontrar-se juntos na sétima Ronda, sendo um desenvolvido através de uma longa série de irrepreensíveis e úteis existências e o outro por meio de outra não menos longa série de vidas perversas e degradadas? Isto certamente não pode acontecer, e devemos questionar agora: como se mantêm compatíveis as congruências da Natureza com a indicada evolução da humanidade para a forma mais elevada de existência que coroa o edifício? Assim como a infância é irresponsável por seus atos, as primeiras raças da humanidade são irresponsáveis pêlos seus. Mas chega o período de desenvolvimento completo, em que o integral desenvolvimento das faculdades que possibilitam ao homem individual escolher entre o bem e o mal, na vida singular que ocupa no momento, permitem também ao Ego perdurável fazer a sua escolha final. Este período — esse enorme período, pois a Natureza não se apressa em colher suas criaturas numa armadilha em tal assunto — apenas principiou, sendo preciso que transcorra uma Ronda completa ao redor dos sete mundos antes que ele termine. Até que se tenha passado o ponto médio do quinto período nesta Terra, a grande questão — a de ser ou não ser no futuro — não se determina de modo irrevogável. Começamos agora a tomar posse das faculdades que tornam o homem um ser completamente responsável e ainda temos de empregar essas faculdades, durante a maturidade de nossa Egoidade, de modo que determine as imensas conseqüências do futuro. Durante a primeira metade da quinta Ronda é que acontece principalmente a luta. Até então, o curso corrente da vida pode ser uma boa ou má preparação para a luta, mas não se pode descrever honestamente que seja a própria luta. E agora temos de examinar a natureza da luta, que até agora consideramos como a escolha entre o bem e o mal. Isso não é, de forma alguma, inexato, mas sim, uma definição incompleta. O fenômeno que vamos analisar agora é o sempre freqüente e ameaçador conflito entre o intelecto e a espiritualidade. Os conceitos comuns que estas palavras denotam devem, em verdade, ser ampliados até certo ponto, para que se compreenda o conceito do ocultismo. Ora, o hábito de pensar europeu presta-se a representar na mente uma imagem ignóbil da espiritualidade, antes como um atributo do caráter que da própria mente — uma pálida benevolência nascida do apego ao cerimonial religioso e das aspirações devotas, quaisquer que sejam as noções excêntricas de Céu e de Divindade em que a pessoa de "mentalidade

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espiritual" tenha sido educada. A espiritualidade, no sentido oculto, tem pouco ou nada a ver com o sentimento devoto. Relaciona-se com a capacidade da mente em assimilar o conhecimento na fonte original do próprio conhecimento — do conhecimento absoluto — em vez de fazê-lo por meio dos tortuosos e trabalhosos processos do raciocínio. O desenvolvimento do intelecto puro, a faculdade do raciocínio, foi por muito tempo uma atividade das nações européias, e nesse setor elas obtiveram do progresso humano tão magníficos triunfos, que nato haverá nada, na filosofia oculta, que seja menos aceitável para os mesmos europeus, enquanto estas idéias não forem bem apreendidas, do que o primeiro aspecto da teoria oculta sobre o intelecto e a espiritualidade. Porém, isso não provém tanto da indevida tendência da ciência oculta a desprezar o intelecto, como da indevida tendência da especulação ocidental moderna em desvalorizar a espiritualidade. Falando de modo geral, a Filosofia Ocidental não teve nenhuma ocasião de apreciar a espiritualidade. Não conhece o alcance das faculdades internas do homem. Ela somente tateou às cegas na direção da crença de que existem essas faculdades internas. O próprio Kant, o grande expositor moderno desta idéia, quando muito sustenta que existe a faculdade da intuição — se soubéssemos ao menos como operar com ela. O processo de operar com ela é a ciência oculta em seu aspecto mais elevado, é o cultivo da espiritualidade. O cultivo de um mero poder sobre as forças da Natureza, a investigação de alguns de seus segredos mais sutis no que diz respeito aos princípios internos, dominando os resultados físicos, é a ciência oculta em seu aspecto inferior e, nesta região inferior de sua atividade, a mera ciência física pode, ou mesmo deve, penetrar gradualmente. Mas a aquisição por meio do simples intelecto — a ciência física in excelsis — de privilégios que são patrimônio da espiritualidade, é um dos perigos dessa luta que decide o destino definitivo do Ego humano. Pois há uma coisa que o processo intelectual não ajuda a humanidade a compreender: a natureza e a excelência suprema da existência espiritual. Ao contrário, o intelecto origina-se de causas físicas — a perfeição do cérebro físico — e tende unicamente aos resultados físicos, à perfeição do bem-estar material. Se bem que como concessão a "irmãos fracos" e à "religião", a qual olha com benévolo desdém, o intelecto moderno não condena a espiritualidade, considerando com certeza a vida humana física como o único assunto sério de que se ocupam os homens circunspectos, ou mesmo os filantropos austeros. Mas, evidentemente, se a existência espiritual, ou seja, a consciência vívida subjetiva, dura períodos maiores, na proporção de 80 para 1, no mínimo, conforme vimos ao tratar do estado devachânico, então a existência subjetiva do homem é mais importante do que a existência física. O intelecto, assim, incorre em erro, quando dirige todos os seus esforços à melhoria da existência física. Essas considerações demonstram que a escolha entre o bem e o mal — feita pelo Ego humano, no decurso da grande luta entre, o intelecto e a espiritualidade — não é uma mera escolha entre idéias que tão claramente se diferenciam, como a iniqüidade e a virtude. Não é uma questão tão primária como essa — que o homem seja mau ou bom — que realmente deve ser a decisiva, no ponto de retomo crítico final; se terá, por isso, de continuar vivendo e se desenvolvendo em planos superiores de existência, ou deixar de viver totalmente. A verdade do assunto é (se não for uma imprudência, em nosso estágio de progresso, descobrir a superfície de um novo mistério) que a questão de ser ou não ser não se determina por um homem completamente mau ou bom. Pode-se ver com toda clareza que deve haver uma espiritualidade má, assim como uma espiritualidade boa. De modo que a grande questão da continuidade da existência baseia-se, total e necessariamente, na questão da espiritualidade comparada com o físico. O ponto não é tanto de "se um homem deve viver, se é bastante bom para se lhe permitir continuar vivendo", como de se pode o homem viver por mais tempo nos planos superiores da existência, para os quais a humanidade deve finalmente evoluir. Está ele

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apto para viver pelo desenvolvimento da parte perdurável de sua natureza? Se não está, chegou ao fim de sua tarefa. Não é preciso apressar-se em concluir que a filosofia oculta considera o vício e a virtude sem importância, no tocante aos destinos espirituais humanos, porque não se encontra na Natureza que estas características determinem o progresso final da evolução. Não há sistema que seja tão impiedosamente inflexível em sua moralidade, como o sistema que a filosofia oculta pesquisa e explica. Mas o que é o vício e a virtude determinam por si mesmos é o sofrimento ou a felicidade, não o problema final da continuidade da existência, mais além desse período imensamente afastado, quando, no progresso da evolução, o homem tiver principiado ser algo mais do que homem, e não possa prosseguir na senda do progresso com o auxílio de atributos humanos relativamente inferiores. Além disso, é verdade que não se pode imaginar que a virtude deixe, em qualquer grau determinado, de produzir, em seu devido tempo, os elevados atributos requeridos, mas não seríamos cientificamente exatos se a tomássemos como a causa do progresso nas etapas finais da elevação, embora ela possa provocar o desenvolvimento daquilo que é a causa do progresso. Esta consideração — de que as últimas etapas do progresso são determinadas pela espiritualidade, não levando em conta seu matiz moral — contém o grande significado da doutrina oculta de que, "para ser imortal no bem, é preciso identificar-se com Deus; para ser imortal no mal, com Satã. Estes são os dois pólos do mundo das almas; entre estes dois pólos vegeta e morre, sem lembrança alguma, a parte inútil da humanidade 15". O enigma, como todas as fórmulas ocultas, tem uma aplicação menor (adequada quer ao microcosmos quer ao macrocosmos), e em sua significação menor refere-se ao Devachan ou ao Avitchi, e ao destino do não-ser das personalidades descoloridas. Mas, em seu significado principal reporta-se à classificação final da humanidade na metade da grande quinta Ronda, a aniquilação dos Egos completamente destituídos de espiritualidade e a continuação dos outros, por serem imortais no bem ou imortais no mal. Justamente o mesmo significado aplica-se à passagem do Apocalipse (III 15,16): "Sê frio ou quente; porque, por seres morno, e nem frio, nem quente, eu te vomitarei de minha boca." Portanto, a espiritualidade não é a aspiração devota. É o gênero de intelecto mais elevado, o que conhece as funções da Natureza por meio da assimilação direta da mente a seus princípios superiores. A objeção que a inteligência física apresenta a essa opinião é a de que a mente nada pode conhecer, a não ser por meio da observação dos fenômenos e do raciocínio a respeito deles. Isto é o erro, ela pode fazê-lo e a existência da ciência oculta é a mais elevada prova disso. E há por toda parte ao redor de nós sugestões que apontam na direção dessa prova, se tivermos a paciência de analisar seus verdadeiros significados. Sendo infundado dizer, diante dos fenômenos da clarividência — por imperfeitos e grosseiros que tenham sido os que se impuseram à atenção do mundo —, que não existem outras vias de acesso à consciência, a não ser a dos cinco sentidos. Com certeza, no mundo comum, a faculdade clarividente é extremamente rara, mas indica a existência, no homem, de uma faculdade potencial, cuja natureza, conforme se infere de suas mais insignificantes manifestações, é sem dúvida capaz, em seu desenvolvimento mais elevado, de conduzir à assimilação direta do conhecimento, independentemente da observação. Uma das maiores dificuldades que bloqueiam a presente tentativa de traduzir a doutrina esotérica em linguagem corrente se deve, principalmente, ao fato de que a percepção espiritual, à parte de todo processo ordinário de aquisição do conhecimento, constitui uma grandiosa e importante possibilidade da natureza humana. Tal é o médoto utilizado pelos Adeptos para instruir seus discípulos no curso regular da educação oculta. Eles despertam o sentido adormecido do discípulo, e por seu intermédio imbuem em sua mente o conhecimento de que determinada doutrina é a verdade real. Todo o esquema da evolução, descrito nos
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ÉliphasLévi.

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pois os Adeptos. com o qual se empenha por integrar-se ao quinto princípio. Esta é a estupenda proeza do Adepto. Para isso. voltando ao curso normal da humanidade e ao desenvolvimento das entidades. Na quinta Ronda. a anatomia complexa do sistema planetário. Todos os leitores da literatura budista estão familiarizados com as freqüentes referências ali feitas sobre a união da alma do Arhat com Deus. Mais do que isso: o objetivo final apenas se concretiza por um gasto enorme de material. em que mora então o Ego.capítulos anteriores. a razão. é a Ronda em que se desenvolve totalmente o quarto princípio. Já se declarou que cada Ronda por sua vez se destina a aperfeiçoar no homem o princípio correspondente em sua ordem numérica e a sua preparação para assimilar a que se segue. O primeiro princípio de todos. A quarta Ronda. com relação a seus próprios interesses pessoais: alcançou a outra margem afastada desse mar no qual grande parte da humanidade perecerá. para evitar uma interpretação errônea. o corpo. permanece num estado espiritual que seria insensato tentar descrevê-lo. que não podem ilustrar de modo que produza imagens mentais em nosso adormecido sexto sentido. na qual hoje estamos envolvidos. Assim como isto ocorre nos estágios inferiores da evolução. As Rondas iniciais referem-se ao homem que foi descrito como se assemelhando a uma sombra destituída de coesão e de inteligência. foi desenvolvido. no que ordinariamente se entende por princípio criador da própria Natureza. há de se observar que ele tem de atravessar todo o grande período do perigo. há de se observar que este é o curso ordinário da Natureza. na última parte da quinta Ronda. a menos que possuam alguns vislumbres de espiritualidade. ou seja. como também é este o curso ordinário da Natureza. a inteligência. para os quais os fatos e procedimentos da Natureza são familiares como os dedos da mão para nós. a metade da quinta Ronda. com o bem. O segundo é perpetuar esta vontade induzindo-a a que se una com o objetivo final da Natureza. de sexto sentido. onde de cada mil sementes que um vegetal produz. O esforço final da Natureza. a inteligência ou a alma. para ser um agente consciente e. seja dispersa e aniquilada. pelo fato de que se lhe faz ver o processo que acontece mediante a visão clarividente. o Desejo. Com certeza. por fim. para atingir essa etapa da evolução que está reservada para o resto da humanidade — ou melhor. que não se tornam Adeptos numa etapa prematura de sua carreira. num sentido da expressão. para cada grão de trigo desenvolvido que cai no solo apropriado e se converte numa espiga. a razão inteiramente desenvolvida. Em outras palavras. a espiritualidade. mas simplesmente se adaptava à vitalidade e não se parecia a nada ao que agora nós podemos representar. daquela parte da humanidade que chega a esse estado no curso ordinário da Natureza —. No curso dessa operação. pois até os estados devachânicos da humanidade comum se acham fora do alcance da imaginação não educada na ciência espiritual. Apresso-me a dizer. não é de se esperar que a humanidade em geral se encontre já consciente da posse do sexto sentido. pois tendo adquirido finalmente o privilégio de abandoná-lo à vontade. deve integrarse ao sexto princípio. visto que o tempo de sua atividade ainda não chegou. unicamente uma chega a frutificar-se numa planta. muitos são os Egos humanos que não passam pelas provas da quinta Ronda. isto é. Ali espera pela chegada de seus companheiros com uma satisfação que as pessoas nem sequer podem entender. Ele força seu caminho através de todos os obstáculos que impedem essa operação. de homens e mulheres. acham muito difícil explicar num ensaio. e. a Vontade. Assim como são muitos os grãos que não chegam a esse ponto. infiltra-se na mente regular do cheia. na sexta Ronda. ao desenvolver o homem. do mesmo modo também 72 . Mas. Em sua instrução não se usam as palavras. ou renunciar totalmente à existência. depois de produzir um sofrimento temporário. O primeiro empreendimento que se leva a cabo é desenvolver a livre vontade. isto exprime o desenvolvimento prematuro de seu sexto princípio. no caso de um homem da quarta Ronda. que esta espera não é no corpo físico. é inevitável que grande parte da vontade livre desenvolvida se volte para o mal. é evolucionálo num ser imensamente superior.

os germes divinos da Vontade são semeados no peito de cada homem, com a mesma abundância que as sementes arrastadas pelo vento. Deverá ser impugnada a justiça da Natureza pelo fato de que muitos desses germes perecem? Tal idéia só pode brotar numa mente que não compreende o espaço existente na Natureza para o desenvolvimento de cada germe que escolhe estender-se como preferir, seja numa ordem grande ou pequena. Se a alguém parece horrível que uma "alma imortal" deve perecer, sob quaisquer circunstâncias, essa impressão só advém do pernicioso costume de considerar tudo o que não é vida microscópica como eternidade. Nas esferas subjetivas há espaço, assim como tempo, no manvantara da cadeia planetária, mesmo antes que nos aproximemos do período Dhyan Chohânico ou Divino, para além do que o cérebro comum tem concebido até agora como imortalidade. Cada ação boa e cada impulso elevado que tenha realizado ou sentido qualquer ser humano deve reverberar, através de evos de existência espiritual, sendo a entidade interessada capaz ou não de florescer no sublime e estupendo desenvolvimento da sétima Ronda. A especulação exotérica acredita que apenas das causas que se geram numa de nossas breves vidas na Terra resultam efeitos eternos! Espera-se que nessa milésima parte de nossa vida objetiva na Terra, durante a permanência nela da onda de vida evolucionária, perceba a Natureza causa suficiente para decidir toda a nossa carreira futura. Na verdade, a Natureza dará um retomo muito grande para um gasto comparativamente muito pequeno da força de vontade humana na direção certa que, por mais estranha que possa parecer essa expectativa recém-afirmada, por mais estranha que ela possa ser quando aplicada às vidas comuns, uma breve existência algumas vezes pode bastar para antecipar o crescimento de milhares de anos. O Adepto pode, em apenas uma encarnação16, conseguir tanto adiantamento que o seu crescimento posterior é certo, é meramente uma questão de tempo. Porém, nesse caso, a semente-germe, que produz um Adepto em nossa vida, deve ter sido muito perfeita, e as condições de seu desenvolvimento muito favoráveis, além do esforço do próprio homem vivido constantemente e muito mais concentrado, mais intenso, mais ardoroso, do que é possível realizar um profano não-iniciado. Já nos casos comuns, a vida que está dividida entre o gozo material e a aspiração espiritual, por mais sincera e harmoniosa que seja esta última, só pode produzir o correspondente duplo resultado de uma recompensa espiritual no Devachan e um novo nascimento na Terra. Observe-se que o modo como o Adepto se liberta da necessidade desse novo nascimento é perfeitamente científico e simples, por mais que pareça um mistério teológico quando se explica nos escritos exotéricos com relação a karma, Skandna, Tríshnâ e Tanhâ, e assim sucessivamente. A próxima vida terrena é conseqüência das afinidades geradas pelo quinto princípio, ou seja, a alma humana permanente (assim como as experiências devachânicas são o desenvolvimento dos pensamentos e aspirações de um caráter elevado) desenvolvida pela pessoa durante a vida. Vale dizer: as afinidades que se engendram nos casos comuns são parte materiais e parte espirituais. Assim, fazem a alma apresentar, em sua entrada no mundo dos efeitos, uma dupla série de atrações que lhe são inerentes, sendo uma série produtora das conseqüências subjetivas de sua vida devachânica e a outra que se desperta no final dessa vida, fazendo essa alma voltar à reencarnação. Mas se a pessoa durante sua vida objetiva não desenvolve absolutamente nenhuma afinidade com a existência material, na ocasião de sua morte a alma se encontra com todas suas atrações tendendo na direção da espiritualidade, sem nada que a impulsione a voltar à vida objetiva, e então ele não retorna. Eleva-se a um estado de espiritualidade correspondente à intensidade das atrações ou afinidades nessa direção e se corta o outro fio de ligação. Ora, a presente explicação não abrange todo o assunto, porque o próprio Adepto, por mais elevado que seja, volta à encarnação eventualmente, após o resto da humanidade ter cruzado o grande período divisório na metade da quinta Ronda. Até que se atinja a exaltação
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Na prática, minha impressão é a de que isso se consegue raramente numa vida na Terra mas, antes, em duas ou três encarnações artificiais

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da Espiritualidade Planetária, a mais elevada alma humana precisa manter ainda uma certa afinidade com a Terra, embora não com a vida terrena de prazeres físicos e de paixões que atravessamos no momento. Todavia, o ponto importante que devemos compreender sobre as conseqüências espirituais da vida mundana é de tal ordem, em tão grande maioria de casos, que os poucos que fogem à regra não precisam ser mencionados; o senso de justiça, no que se refere ao destino dos homens bons, é amplamente satisfeito, passo a passo, pelo curso da Natureza, à medida que o tempo passa. O espírito de vida está sempre pronto a receber, a reparar as forças e a restaurar a alma depois de lutas, feitos e sofrimentos da encarnação. E mais do que isto, com ressalvas sobre a questão da eternidade, a Natureza proporciona, nos períodos intercíclicos no final de cada Ronda, a toda humanidade, exceto esses desgraçados fracassos que persistentemente permaneceram agarrados à senda do caminho do mal, grandes intervalos de felicidade espiritual, mais longos e exaltados em seu caráter do que os períodos devachânicos de cada vida em separado. Com efeito, a Natureza é inconcebívelmente liberal e paciente com todos e cada um dos candidatos ao exame final, durante sua longa preparação para o mesmo. Nem tampouco é absolutamente fatal o fracasso neste exame. Os fracassados ainda podem tentar nova prova, se não forem casos de completa ignomínia, mas têm de aguardar a próxima oportunidade. Uma explicação cabal das circunstâncias em que essa espera ocorre nïo se enquadraria no esquema deste tratado. Mas não é de se supor que os candidatos ao progresso, convictos da incapacidade para continuar no período crítico da quinta Ronda, caiam necessariamente na esfera da aniquilação. Para que esta atração se faça valer, o Ego deve ter desenvolvido uma atração positiva pela matéria e uma repulsa positiva contra a espiritualidade que seja esmagadora em sua força. Na ausência dessas afinidades, e na ausência também de outras que fossem suficientes para fazer passar o Ego por cima do grande golfo, o destino que sai ao encontro dos meros fracassos da Natureza é, no tocante ao presente manvantara planetário, o morrer, sem lembranças, segundo o expressa Éliphas Lévi. Viveram sua vida e tiveram sua parte de Céu, mas não são capazes de subir às enormes altitudes do progresso espiritual que têm pela frente. Porém, estão habilitadas para sucessivas encarnações e para a vida nos planos de existência a que estão acostumados. Assim, esperarão, no estado negativo espiritual a que chegaram, que esses planos de atividade voltem a existir no próximo manvantara planetário. A duração de tal espera está, por certo, fora do alcance de qualquer imaginação, sendo a natureza exata de semelhante estado de existência não menos incompreensível. Mas se deve levar em conta o sentido geral da senda conducente a essa estranha região de semi-animação, a fim de que a simetria e a totalidade de todo o esquema evolucionário possa ser percebido. Uma vez entendida essa última contingência, está diante do leitor todo o esquema bastante completo em suas linhas principais. Já vimos a Vida Una, o Espírito, animando primeiramente a matéria em suas formas inferiores e evocando, lentamente, o desenvolvimento de formas mais elevadas. Individualizado finalmente no homem, ele abre caminho através de encarnações inferiores e irresponsáveis até que, penetrando nos princípios superiores e evoluindo uma verdadeira alma humana, que será, no tempo posterior, senhora de seu próprio destino, ainda que resguardada, no início, nas condições naturais, para que se preserve de um naufrágio prematuro, seja estimulada e animada em seu curso. Mas o destino final que se apresenta a esta alma é não só o desenvolvimento num ser capaz de cuidar de si, como num ser capaz de cuidar dos outros, de presidir e de dirigir, dentro do que se poderia denominar limites constitutivos, as operações da Natureza mesma. É claro que antes que a alma tenha adquirido o direito a esse grau, tem de ter sido examinada, concedendo a ela domínio completo sobre seus próprios assuntos. Esse domínio completo implica necessariamente o poder de naufragar. As salvaguardas que defendem o Ego em sua juventude — sua incapacidade para passar a estados superiores ou inferiores, aos intermúndios do Devachan e Avitchi — abandonam-no em sua virilidade. Então, toma-se

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potente sobre seus próprios destinos, não só quanto ao desenvolvimento do gozo ou sofrimento transitório, mas quanto às enormes oportunidades que a existência exibe diante dele em ambas as direções. Podem-se aproveitar as oportunidades superiores de duas maneiras. Pode abandonar a luta de dois modos. Pode atingir a sublime espiritualidade para o bem ou a sublime espiritualidade para o mal. Pode aliar-se ao físico, não para o mal, mas para a total aniquilação. Ou, por outro lado, se não para o bem, mas para o resultado negativo que é ter de reiniciar o processo educativo da encarnação. COMENTÁRIOS

Neste capítulo não se descreve completamente o estado a que passam as mônadas que não atravessam o período médio da quinta Ronda, tão logo a onda da evolução avança, deixando-as, por assim dizer, encalhadas nas costas do tempo. Tão-só se indica em poucas palavras que os fracassos de cada manvantara não são de modo algum aniquilados quando chegam "ao final de sua carreira", mas são destinados, depois de grandes períodos de espera, a retornar à corrente da evolução. Muitas são as deduções que se extraem desse estado de coisas. O período de espera que estes fracassados têm de suportar é, antes de tudo, de uma duração tão estupenda que frustra a imaginação. A última metade da quinta Ronda, toda a sexta e a sétima têm de ser levadas a cabo com os graduados bem-sucedidos na espiritualidade, e as últimas Rondas são de duração imensamente maior do que as do período médio. Em seguida há o vasto intervalo de repouso nirvânico, que fecha o manvantara, a incomensurável Noite de Brahmâ, o Pralaya de toda a cadeia planetária. Somente quando principia o manvantara seguinte é que os fracassados acordam de seu tremendo transe — tremendo para a imaginação de seres que estão em plena atividade da vida, por mais que tal transe, destituído de consciência, não seja mais enfadonho que uma noite sem sonhos, na memória de um homem profundamente adormecido. Á sina dos fracassados, depois de tudo, pode ser considerada digna de pena em primeiro lugar, antes pelo que perdem do que pelo que incorrem. Em segundo lugar, entretanto, é digna de pena em vista das conseqüências, pois, ao acordar, precisam voltar a passar pelo sofrimento que envolve a vida física e as suas inumeráveis encarnações, enquanto os seres aperfeiçoados, que os deixaram para trás, na evolução daquela quinta Ronda, aquela em que eles fracassaram, atingiram a divina perfeição do estado Dhyan Chohânico, durante o seu transe, e serão os gênios que hão de presidir o manvantara seguinte, em vez de serem seus indefesos sujeitos. Contudo, à parte o que se possa encarar como sendo o interesse pessoal dessas entidades, a existência dos fracassos na Natureza, no início de cada manvantara, é um fato que contribui, de modo muito significativo, à compreensão do sistema evolucionário. Por certo, quando a cadeia planetária se desenvolve num princípio do caos — se é que se pode empregar a expressão "num princípio" em seu sentido próprio, tendo presente a observação de que "no princípio" é uma simples façon de parler aplicado a qualquer período da eternidade — não existem os fracassos. Então a descida do espírito à matéria, através dos reinos elemental, mineral e outros, prossegue da forma que já foi descrita nos primeiros capítulos deste livro. Porém, a partir do segundo manvantara de uma cadeia planetária, durante a atividade do sistema solar, que estabelece muitos desses manvantaras, o curso dos acontecimentos é um pouco diferente — mais fácil, se posso tornar a usar uma expressão que é muito mais adequada a uma conversa, do que ao uso do sentido rigorosamente científico. Além disso anda mais rápido o processo, pois existem já entidades humanas dispostas a entrar em encarnação, tão logo o mundo, que também já existe, esteja em estado perfeito para elas. A

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comparada com os trechos da doutrina esotérica que afeta a evolução corrente da nossa própria raça. pois. esta escolha é feita por ação do karma. de que sua encarnação neste mundo foi devida a uma concepção imaculada. conhecido dos guardiães da doutrina esotérica. a respeito da qual não é necessário acrescentar nada. atualmente aceitas desde o século XIX. o fio contínuo de uma série de encarnações pode eleger corpos de crianças definidos como moradas humanas. senão o determinado pelas leis físicas. A ciência oculta não conhece processo algum à produção de uma criança humana física. estas considerações. A vida de Buda. No caso da humanidade comum. somente podem interpretar a dignidade anormal de algum nascimento particular. mediante a suposição de que o corpo físico da pessoa envolvida foi gerado de um modo milagroso. perto de Benares. 9. Por outro lado. Segundo se comprova de modo bastante exato pela pesquisa moderna. têm um interesse meramente intelectual e ainda não podem ser muito ampliadas com qualquer contribuição de minha parte. durante sua vida terrena. deve ter sido vivida segundo as teorias sobre a Natureza. desconhecendo as leis que regem as operações da Natureza em suas esferas superiores. ou seja. que agrega uma decoração fantástica a uma vida notável.verdade. nem tampouco se considera o desenvolvimento espiritual por que passou Buda. em Kapila-Vastu. parece ser que. por mais notável que tenha sido. sim. Donde a noção popular sobre Buda. a encarnação a que se atribui o nome de nascimento de Buda não é certamente encarada pela ciência oculta como um acontecimento igual a qualquer outro nascimento. Os últimos fracassados entram em primeiro lugar na encarnação e depois eventualmente as entidades animais sobreviventes já diferenciadas: Contudo. de forma inconsciente. Nem tampouco seu progresso para o Adeptado deixou as marcas dos eventos a que se reportam as lutas sobrenaturais descritas pela lenda simbólica. é tratar a lenda esotérica como uma tradição de milagres. após o primeiro manvantara de uma série — enormemente maior em duração que seus sucessores — nenhuma entidade recém-saída dos reinos inferiores pode passar assim do limiar da humanidade. As concepções exotéricas. no que diz respeito ao Ego 76 . relativas a tempos muito primitivos da evolução do mundo. admite-se. Buda nasceu 643 anos antes da era cristã. como mero processo de evolução intelectual. ao se ocuparem de um problema dessa natureza. BUDA O Buda histórico. ou "mônada espiritual" progressiva. O erro que cometem os escritores europeus. O exposto nas páginas anteriores prepara o terreno para a exposição do que ensina a doutrina esotérica sobre Buda. conhece-se muito a respeito dos limites dentro dos quais a Vida Una. ou como um puro mito. é uma personagem cujo nascimento não se reveste das estranhas maravilhas com que a fantasia popular a envolveu. mas. semelhante à história mental de qualquer outro filósofo.

Fora do corpo é exatamente o que foi sempre. tais como o nascimento de Buda. iniciando-o por meio do método oculto regular no Adeptado. tinha de reformar e revisar a moral popular e a ciência dos Adeptos — pois o próprio Adeptado está sujeito a mudanças 77 . sua obra teve uma natureza dual.espiritual emergente ao Devachan. é verdade. O mesmo acontece com outras lendas pré-natais que indicam o fato de que o futuro corpo do menino fora escolhido como morada de um grande espírito já dotado de sabedoria e bondade superlativas. à luz do que se disse. temporária ou permanentemente — está em seu poder a escolha de sua própria encarnação seguinte. muito incomoda e pouco à vontade. após ter abandonado o corpo no qual obteve o Adeptado. é relativamente impotente. nos casos anormais em que a Vida Una penetrou o sexto sentido — ou seja. a alma do Adepto se sente constringida e embaraçada no corpo da criança e. que se submetera à encarnação para ensinar a humanidade. Nenhuma referência. o Adepto declara antecipadamente quando e onde há de nascer. e muito raramente se engana. Dizemos muito raramente. quando um homem se converteu em Adepto. são um fato sério e científico. a criança por ele escolhida — em seu estado reencarnado — atinja afortunadamente a maturidade física. Enquanto isso. e educá-lo pêlos procedimentos comuns. no Tibete. sua aplicação não se restringe de modo algum a acontecimentos extraordinários. e qual será a criança na qual tratará de reencarnar. como parece natural. são meramente os diversos poderes do Adeptado. e em nada interveio na consumação do Adeptado pelo Buda em seu novo corpo. tendo o poder de guiar seu próprio Ego espiritual com plena consciência do que faz. com toda a previsão que mesmo um Adepto possa utilizar no assunto. no que diz respeito ao novo corpo que ele escolheu para moradia. parece menos promissora como uma alusão a qualquer coisa que se pareça com um fato científico do que a afirmação de que Buda entrou nas entranhas de sua mãe como um jovem elefante branco. porque há alguns acidentes de natureza física que não se podem absolutamente prevenir. Converte-se em um dos poderes conscientes que dirigem o sistema planetário a que pertence. A escolha do corpo conhecido como Siddhartha e depois como Gautama. que a lenda descreve por meio de um simbolismo físico ridículo. Mesmo durante a vida sobrepõe-se à atração devachânica. por exemplo. Em princípio. o Adepto. Todos esses processos são imensamente simplificados. Pelo contrário. Dessa época em diante. Mas as reencarnações dos Lamas do Dalai e Teshu. e de sua chegada final ao estado búdico sob a Árvore-Bo. Indra e Brahmã vieram prestar homenagens ao menino na ocasião do nascimento — quer dizer: os poderes da Natureza estavam já submetidos ao Espírito que havia dentro dele. Mas o elefante branco é simplesmente o símbolo do Adeptado — algo que se considera como um belo e raro exemplar de sua espécie. como morada humana do iluminado espírito humano. antes que possa dispor de um corpo totalmente pronto para o trabalho oculto no plano físico. muito do que conta a mitologia popular oriental é puramente fictício ou inteiramente simbólico. de Kapila-Vastu. porém. desde que se converteu em Adepto. no corpo. Mas. A condição seria muito mal-interpretada se o leitor imaginasse que essas reencarnações são um privilégio que os Adeptos aproveitam com prazer. Assim. das quais se riem os viajantes por falta de conhecimento que lhes permitam distinguir os fatos reais dos imaginários. A narração popular de suas lutas ascéticas e tentações. e por grande que seja este mistério da reencarnação escolhida. Os trinta e dois signos de Buda. O nascimento de Buda foi um mistério desse gênero e. nem é absolutamente certo que. Nesses casos. foi uma escolha notavelmente bem-sucedida sob todos os aspectos. não foi um desses raros fracassos antes mencionados. nada mais é que a versão exotérica de sua iniciação. pela força espiritual peculiar que atua dentro do corpo. em algumas fábulas mais grotescas ainda. filho de Suddhodana. Mas. tem de deixá-lo desenvolver-se conforme o curso ordinário da Natureza. E fenômeno reproduzido amiúde pêlos Adeptos superiores até hoje. será fácil verificar a história popular de sua origem miraculosa e traçar as referências simbólicas aos fatos em questão.

Recorde-se que a evolução preliminar dos reinos mineral. No início de cada grande período planetário. pois. e sete no ensinamento esotérico. Um Buda visita a Terra em cada uma das sete raças do grande período planetário. nas grandes linhas da Cosmogonia esotérica. começa a evolucionar a primeira raça da nova série. O Buda de que nos ocupamos foi o quarto da série. e esta é a razão pela qual consta como o quarto na lista. ou espíritos planetários. pois existe. como Âdi-Buddha e Amitabha. Avalokitesvara. para assegurar a reverberação contínua das idéias desse modo introduzidas através de gerações sucessivas de homens nos milhões de anos vindouros. e mesmo quando Gautama é. Portanto. toma-se necessário um Instrutor desde o início para a nova colheita de humanidade que vai brotar. no princípio do período de Ronda. na vida 78 . Com a primeira infusão da corrente de vida nas espécies que formam os "elos perdidos". que se resume no Budismo que se apresenta ao populacho. Esta identificação. Â explanação encontra-se. vale lembrar. espíritos humanos aperfeiçoados de outros mundos. segundo Mr. Davids supõe. citada por Mr. para o final da mesma raça. O quinto. vegetal e animal ocorreu na preparação do novo período da Ronda. à primeira vista. virá depois do desaparecimento final da quinta raça.cíclicas. quando a sexta raça já estiver estabelecida na Terra durante algumas centenas de milhares de anos. livre das degradantes condições desta vida material — ou antes. enquanto o quinto não virá até que a quinta raça esteja praticamente extinta. ou Dhyan Chohan. segundo o cálculo esotérico. é um modo de falar que não deve ser interpretado demasiado literalmente. e necessita de impulsos periódicos. ambas variantes com o significado de sabedoria abstraía. O primeiro Buda da série em que Gautama Buda aparece como quarto é. é o nome místico das hostes de Dhyan Chohans. O número de Dhyani Buddhas ou Dhyan Chohans.a título de ilustração do modo como a Doutrina Setentrional tem sido. ou Maitreya Buddha. A doutrina. quando o obscurecimento termina e a onda humana. contudo. de que "cada Buda mortal terreno tem seu puro e glorioso correlativo no mundo místico. constitui na verdade o quinto da verdadeira série. O Espírito Planetário. a emanação ou tipo de um Dhyani Buddha" — é perfeitamente exato. expresso claramente. é infinito. preparados para ser ensinados. portanto. chega às margens de um globo onde nenhuma humanidade existiu durante milhares de anos. na metade da quinta raça. não só será importante por si mesma. encarna entre os jovens e inocentes precursores da nova humanidade. mas somente cinco estão praticamente identificados no ensinamento exotérico. A explicação deste aspecto do assunto. de Bumouf . para evitar uma idéia errônea pelo uso do verbo na pessoa do singular. Aqui estamos. que o Buda. que é — ou. e as primeiras verdades da doutrina esotérica a um número suficiente de mentes receptivas. O sexto virá no início da sétima raça. desafiemos a gramática e digamos que são — Buda em todos seus (dele ou deles) desenvolvimentos. e imprime os primeiros princípios gerais do bem e do mal. entretanto o quarto Buda é o que foi identificado com esta raça. e o sétimo. Esta ordem parecerá. a segunda encarnação de Avalokitesvara — nome místico das hostes de Dhyan Chohans ou Espíritos Planetários pertencentes à nossa cadeia planetária —. Rhys Davids. como afirmamos antes. como de interesse para todos os estudantes do Budismo Exotérico. em desacordo com o grande desígnio geral da evolução humana. é apenas uma aparência. Davids. Desta chegada. antes que a primeira raça tenha concluído seu curso. O significado próprio da palavra é sabedoria manifestada. Então aparece o Ser. pertence propriamente à nossa quinta raça. nas condições materiais. inflada de sutilezas metafísicas e de absurdos acumulados ao redor da simples moralidade. visto que esclarece algumas das complicações que causam tanta confusão da "Doutrina Setentrional" mais abstrusa. o reflexo. em seu progresso ao redor da cadeia de mundos. que pode ser considerado o Buda da primeira raça. de um Ser Divino sob forma humana. conforme Mr. é de onde nasce o conceito inextirpável do Deus antropomórfico de todas as religiões exotéricas. a quarta encarnação de iluminação.

ou isolados em reclusões separadas. atribuído às imaginações místicas. A reforma do mundo oculto por seu intermédio foi. sendo mencionado nos livros sânscritos mais antigos. dirão o mesmo. Rhys Davids engana-se ao tratá-lo como uma invenção recente dos budistas do Norte. é Adi-Buddha e todos os Dharmas têm existido por toda a eternidade. efetivamente. conferindo à humanidade o aumento de benefício correspondente. Sankaracharya apareceu na índia — não tendo fixado atenção em seu nascimento. segundo ele. vale recordar. Um amigo meu na índia. quando encarnou Buda. na verdade. foi reencarnação sua na Terra. Por exemplo. como título. Finalmente. pândita brâmane de primeira Unha.espiritual sublime em questão. não deixa de ser por isso o que acabamos de manifestar. Buda reencarnou-se. depois de sua existência como Gautama Buda. Os Dhyani Buddhas ou Dhyan Chohans são a humanidade aperfeiçoada de épocas manvantáricas precedentes. considerando-o como um santo Instrutor independente. e me indicou uma frase que se relaciona com a presente questão e que me foi traduzida do seguinte modo: "Mesmo Prakriti. Adi-Buddha significa sabedoria primordial. 79 . de quem logo terei que tratar mais extensamente. A última parte deste nome — acharya — significa simplesmente mestre. O Adeptado. num novo corpo. na dissertação filosófica sobre o "Mandukya Upanishad". Esta opinião não será acolhida pelas autoridades hindus não-iniciadas. mas os portadores modernos dela não estão na Unha direta das encarnações espirituais budistas. do primeiro Sankaracharya. da abnegação que o induziu a recusar o estado afortunado do Nirvana. parece ter ocorrido na costa do Malabar — uns sessenta anos após a morte de Gautama Buda. seu conhecimento e poder nem sempre foram inspirados na sublime e severa moralidade que Buda infundiu em sua última e mais elevada organização. quer se denominem budistas ou hindus. de forma alguma. Tudo isto há de se ver que se harmoniza perfeitamente com as revelações relativas à Natureza. e a empreender a pesada tarefa de renovadas encarnações. a saber: Sankaracharya. mostrou-me cópia desse livro. mas no que se refere à pessoa de Sankaracharya. de um brâmane advaita da Ínida do Sul — não diretamente de meu instrutor tibetano — e todos os brâmanes iniciados. o que lhe cabia completo direito após sua vida terrena como Buda. pois no Budismo Esotérico não se discute que até um Buda pode ser falível em certo momento de sua carreira. e sua inteligência coletiva se descreve com o nome de Adi-Buddha. O ensinamento esotérico determina que Sankaracharya foi simplesmente Buda em todos aspectos. sem ser conhecida. Nunca houve época alguma no mundo sem Adeptos. eles estiveram disseminados por todo o mundo. Era o guru. a expressão é empregada livremente e exposta sua concordância rigorosa com a presente declaração. Recebi esta informação que agora exponho. não era a condensada e compacta hierarquia em que desde então se converteu sob sua influência. que atribuem uma data posterior ao aparecimento de Sankaracharya. a fim de executar a missão que se havia imposto. conforme me afirmou. mas cuja vida. Mr. que não foi. gravitando ora por um país. o resultado de seu grande sacrifício. Entretanto. traduzido para o inglês. na pessoa de um grande Instrutor do qual se fala pouco nas obras exotéricas do Budismo." Gowdapatha é escritor filósofo acatado por todas as seitas hindus e budistas. e bemconhecido. O objetivo que se propunha era preencher algumas lacunas e reparar certos erros de seus ensinamentos anteriores. como erudito sânscrito. A designação completa. autor sânscrito contemporâneo do próprio Buda. e não deve ser. tomaria impraticável obter um conceito exato da situação no mundo oriental da ciência esotérica. mas. na opinião real dos iniciados na ciência esotérica. incluídas nos capítulos anteriores. e mesmo oposto ao Budismo. por Gowdapatha. uma unidade que não deixa lugar ao isolamento da individualidade. foi perpetuada até hoje sob curiosas circunstâncias. ou instrutor espiritual. ora por outro. Algumas das últimas encarnações de Buda são descritas de outro modo. às vezes. como coberturas do espírito de Buda.

Com este fito. sua transferência para mãos indignas. vínculo muito mais forte que qualquer outro. Foi o fundador do sistema Vedantino (sendo o verdadeiro significado do Vedanta o último fim ou a coroa do conhecimento). mas a regra era exclusiva no mais alto grau. em diversos centros importantes. Possuem alguns atributos semi-divinos. a necessidade de perseguir o gnyanam a fim de se obter o moksha — vale dizer: a importância do conhecimento secreto do progresso espiritual e a sua consumação.A situação era a seguinte: Até o tempo de Buda. por volta de 80 a. destruída por Buda. porque um homem fosse brâmane. Esta regra. Às vezes ocorria alguma exceção em favor dos Tshatryas. os brâmanes da índia haviam reservado zelosamente o conhecimento oculto como propriedade de sua casta. cuidou de atenuar. quando os profanos começam a compreender algo deles. por sua influência social e política. segundo acreditavam os brâmanes. no geral. Não afirmavam os brâmanes. à degradação do próprio conhecimento oculto — isto é. crêem-no agora todos. dos "Puranas" e do "Brahma-sutras". admitia igualmente todas as castas na senda do Adeptado. A questão era: é preciso deixar fora dos segredos e poderes de iniciação todos aqueles que não são virtuosos e dignos de confiança. se bem que reconciliados com tudo que era imperecível no Brahmanismo. ainda que as sanções deste sistema as tenha tirado dos escritos de Vyasa. mas abriu caminho a grande perturbação e. que. na pessoa de Sankaracharya. foi um forasteiro e a família. devia ser necessariamente virtuoso e digno de confiança. em todos os casos. dos preconceitos de suas próprias individualidades. Porém. da época a que nos referimos. Empenhou-se poucos anos nesta tarefa. Buda. Colocou o Hinduísmo Exotérico em harmonia com a "religião da sabedoria" esotérica. Sankaracharya confirmou enfaticamente com seus comentários aos Upanishads e com seus escritos originais. A iniciação e o conhecimento oculto. por causa de suas vantagens hereditárias. são certamente um vínculo de união entre os Adeptos de todas as nacionalidades. A oposição ativa dos brâmanes contra o Budismo começou no tempo de Asoka. totalmente restabelecido. a luta sectária que viu iminente. Assim. mas a influência de seus ensinamentos foi tão grande que sua importância disfarça a mudança introduzida. não sustentavam de forma alguma a mesma opinião em todas as questões. Deixou o povo entretendo-se com suas antigas mitologias. de antemão. é necessário não só estabelecer todas as provações e testes imagináveis. O partido do Budismo primitivo foi completamente vencido e o costume brâmane. o avô de Asoka. costumam despojá-los em sua imaginação de todas as fragilidades humanas. autor do "Mahabharata". A luta tomou uma forma exacerbada. ou escolas de filosofia. Chandragupta. no tempo de Vikramaditya. Deve-se ter presente que os iniciados não estio completamente livres. e os brâmanes desaprovavam decididamente a reforma budista em seus aspectos exotéricos. Grandes esforços envidados por Asoka para espalhar o Budismo provocaram temores por parte dos brâmanes. como também não admitir candidatos exceto da classe que. não indignas devido à inferioridade de casta. de tal sorte que. foi uma admissão prática disso. A grande falta do Hinduísmo Exotérico anterior dependia de afeição às vãs cerimônias e de sua adesão aos conceitos idólatras das divindades do panteão hindu. mas pelo fato de que a inferioridade moral que supunham introduzia-se na fraternidade justamente com os irmãos de baixa linhagem. Isto era suficiente para tomar antipática sua política budista aos representantes da fé ortodoxa brâmane. é mais provável seja a melhor sementeira de candidatos apropriados. tomados em comum. A mudança pode ter sido perfeitamente correta em princípio. Sankaracharya havia viajado por toda a índia. mesmo quando a história nos fornece pouco ou nenhum pormenor. antecipando-se à grande luta. O leitor deve compreender que faço estas declarações não com base em 80 . Entretanto. absolutamente. os iniciados brâmanes e os budistas. e estabelecido vários mathams. Contudo. mas com o apoio de guias filosóficos que eram budistas esotéricos sob todos aspectos. que despertam os temores dos brâmanes e a encarnação seguinte de Buda. mais de uma vez verificou-se que não se podia apagar todas as outras diferenças. sudras. A experiência.C.

que o fazem desde antes do nascimento de Buda. em Jugger-nath. em todos os sentidos. seita de muito má fama. na Ronda presente — há mais milhões de anos do que os que se possa mencionar por suposição. a matéria. à unidade do espírito universal e do humano. Sankaracharya fundou quatro mathams principais: uma. em parte. agem somente por meio de prakríti. O nome adwaitee significa não-dual e refere-se. pois. como adição a seu nome individual. crendo que isto é possível principalmente por meio de Bhakti ou devoção. em parte. afirmando. o grande 81 . Com efeito. e a sua crença interior aproxima-se. que visitou primeiramente este planeta. que sempre foi a mais importante. É preciso considerar que todas essas diferenças de opinião só têm relação com as variações exotéricas da ideia fundamental. A escola Vedântica é hoje quase co-extensiva do Hinduísmo. e uma. Todos os dirigentes do pensamento do Vedanta adoram Sankaracharya e os mathams que ele fundou com a maior reverência possível. como a senda própria à realização espiritual.perguntará talvez o leitor. com maior ênfase. é também defendido pêlos brâmanes iniciados. com a designação que assumem. em essência. o espírito universal. mas. como dependendo por completo das causas que ele mesmo engendra. um princípio passivo. simplesmente. Expressando-o na fraseologia da teologia européia. Os adwaitees vishishta alteram essa doutrina com a interpolação de Vishnu como uma deidade consciente. em Kathiawar. O esboço da doutrina adwaitee é que brahmun ou purush. Do Espírito Planetário ou Dhyan Chohan. na índia do Sul. um sábio orientalista de primeira ordem. capaz de intervir no curso dos destinos humanos. todo o sistema da Cosmogonia.investigações próprias — pois não sou um sábio bastante orientalista para tentá-lo —. a emanação primordial de Parabrahm. Donde o conseguiram? . além de ocultista. e. ou seja. em que tudo tem lugar. em Sringari. em Orissa. reconheceu o fato de que. incompreensível e inconsciente. os iniciados de todas as escolas da índia entrelaçam-se uns com os outros. Exceto quanto à nomenclatura. em sua terceira encarnação. Vishnu sendo considerado como um deus pessoal. segundo defendem os budistas arhats e conforme está exposto neste livro. os adwaitees vishishta e os dawaitees. ao Norte. naturalmente. na salvação pela graça. poder-se-ia dizer que os adwaitees apenas acreditam na salvação por meio das obras e os adwaitees vishishta. pois que o número exato verdadeiro se guarda secretamente. da doutrina esotérica una. senão com a autoridade de um brâmane iniciado que é. Afirmei que Buda. nos declives do Himalaia. desta maneira. na segurança excessiva de sua amorosa confiança na perfectibilidade da humanidade. relativamente ao destino futuro do homem. exercendo a maior influência possível no Hinduísmo. a existência de algumas seitas especiais como os sikhs. os adwaitees deduzem a doutrina budista do kárma. como distinta da noção de seu funcionamento por meio de encarnações antropomórficas. a unidade do espírito universal ou vida una budista. ou maharajah. abriu demasiado as portas do santuário oculto. uma em Dwaraka. uma. Deste modo. Não encaram o yog. O chefe do templo de Sringari teve sempre a designação de Sankaracharya. Os adwaitees distinguem-se pouco dos adwaitees vishishta. que pode dividir-se em três grandes divisões: os adwaitees. levando em consideração. Sua terceira aparição foi na pessoa de Tsong-kapa. introduzidas por diferentes instrutores com impressões variadas sobre a capacidade do povo para assimilar as idéias transcendentais. e hoje existem mathams por toda a índia. os vallabacharyas. ou a educação espiritual. a dualidade do espírito humano e do princípio mais elevado do universo e incluindo muitas observações de cerimônias como parte essencial de Bhakti. a doutrina é idêntica ao materialismo transcendental da filosofia do Adepto budista esotérico. por meio da energia inerente da matéria. em Gungotri. Como conseqüência natural desta doutrina. Brahmun ou Parabrahm é. vida una ou energia do universo. na aurora da raça humana. Surgiram desses quatro outros centros. à não-dualidade.

se estabeleceram em várias regiões do Tibete.. de cuja veracidade tenho absoluta certeza. Nesta personalidade tratou exclusivamente dos assuntos da fraternidade de Adeptos. não as suas teorias metafísicas. no mosteiro de Sakia-Djong. o que se tomou depois. o Budismo que abriu seu caminho no Tibete. Entre outras reformas. mas. que desde o início estavam em grande minoria. Estes últimos são criação de um Tda-shi Lama. Desde tempos imemoriais houve no Tibete certa religião secreta. elaborou um código de regras como guia dos Adeptos. cujo resultado foi depurar a organização oculta de tudo o que não visasse ao conhecimento oculto. hoje completamente desconhecida e não abordável por quem não seja iniciado. Mas mesmo mantendo esta espécie de independência. e na qual se congregaram sempre os Adeptos. Os anais guardados no Gon-pa (lamasaria) de Tda-shi Humpo demonstram que Sangyas se encarnou em Tsong-kapa em conseqüência da grande degradação em que haviam caído as suas doutrinas. Sem restabelecer o sistema na base anterior. em geral. por parte dos previamente disseminados ocultistas. que naquele tempo se reunia notada-mente no Tibete." Vários escritores do Budismo levaram em consideração a teoria. aborígines do Tibete. Um artigo da Theosophist de março de 1882. foi gradualmente sobrecarregado com uma massa de dogmas e de especulações metafísicas. Tsongkapa proibiu a necromancia (que é praticada até hoje com os ritos mais repugnantes pelos Bhons. a residência tíbetana de seu chefe espiritual(?). pouco razoável. sobretudo no Nepal e no Butão. a morada escolhida da grande fraternidade. O conhecimento e poder ocultos estavam então disseminados muito más que o que era prudente à segurança da humanidade. Os Tda-shi Lamas foram sempre mais poderosos e mais considerados do que os Dalai Lamas. Tsong-kapa assumiu a tarefa de colocá-lo sob o domínio de um sistema rígido de regras e leis. e das relações entre o Budismo Esotérico e o Tibete. uma encarnação de Amithaba ou Buda. com o espírito da mais sublime devoção aos princípios mais elevados. Nabang-lob-sang. entretanto. os butaneses foram sempre tributários e vassalos dos Dalai Lamas. em seu verdadeiro significado. assim como para outras gentes. Separando-se completamente dos Gyalukpas. sim. que Mr. E o Professor Max Müller expressa: "O elemento mais importante na reforma budista foi sempre seu código social e moral. inacessível para o povo comum do país. Este reformador não é a encarnação de um dos cinco Dhyanis celestiais ou Budas celestes. a partir da índia e da China. de Amita. um dos nomes chineses de Buda. cada um dos primeiros tendo criado (leia-se. Este código moral. sendo por isso que estes últimos resistiram à sua autoridade).. gerador do magnetismo com que penosamente deparam. O progresso da civilização. o país não era. do exclusivismo de castas. os Mahâtmâs. Mas. que se diz foram criados por Sakya-Muni depois de elevar-se ao Nirvana. como se supõe geralmente. estavam espalhados pelo mundo. encoberto com sua sabedoria espiritual) cinco dos últimos. nos primeiros tempos. Gong-sso Rimbo-chay. tomado em si 82 . os Dugpas (Gorros Vermelhos). a sexta encarnação de Tsong-kapa. Clements Markham formula de forma bastante completa em seu "Relato da Missão de George Bogle no Tibete". enquanto as escrituras originais do Budismo foram levadas ao Ceilão pelo filho de Asoka. que nunca serão analisados o bastante acuradamente por qualquer um que queira compreender com rigor o Budismo. principalmente em suas fronteiras. ou seja. traz notícia de grande importância acerca da questão que tratamos agora.Adepto reformador tibetano do século XIV. Até então não tinham ocorrido outras encarnações que as dos cinco Budas celestiais e de seus Bodhisattvas. Este ato foi acompanhado de um rompimento entre as duas seitas. na época de que tratamos — o século XIV — cedido lugar a um movimento generalizado rumo ao Tibete. havia. Muito mais do que são na atualidade. sobre "Reencarnações no Tibete". com quem os Gorros Vermelhos ou Shammars haviam sempre se confraternizado. no tempo de Buda. Lemos no artigo: "O sistema regular das encarnações lamaicas de 'Sangyas' (ou Buda) começou com Tsong-kapa.

se for comparado com o Budismo verdadeiramente Esotérico ou Arhat. Apesar disso. se ocupam da ciência do Budismo. no geral. sendo mais impossível ainda forçar seu significado em outra mente por meio de palavras. seja indiretamente. Seu conhecimento íntimo lança luz em toda a situação. Isso equivale a tentar certificar-se do tipo de cheiro de uma flor. Desses estados da existência. o Lamaísmo popular. Estas explicações apenas constituem um esboço de toda a situação. dissecando o papel em que esta foi pintada. o entendimento só é capaz de compreender uma parte. os eruditos do Budismo esmiuçaram a palavra e examinaram sua raiz e fragmentos. das relações que realmente subsistem entre os princípios intrínsecos do Hinduísmo e os do Budismo. é saber pouco menos que nada sobre o verdadeiro Buda. muito maior que o instrutor moral histórico ou que o semideus fantástico da tradição. de acordo com o processo intelectual da pesquisa física — como acontece. Saber quando nasceu Gautama Buda. do Esotérico. é um dos mais perfeitos que o mundo jamais conheceu. 10. o que está registrado em seus ensinamentos e o que as lendas populares reuniram em volta de sua biografia." O fato é que o Ceilão está saturado de Budismo Exotérico e o Tibete. É difícil para as mentes instruídas. ou antes. Mas nem por isso deixam as explicações de provir diretamente de autoridades para as quais o assunto é bastante familiar. até o ponto a que chegamos agora. E cuido da possibilidade de que muitos sábios e pacientes pesquisadores do assunto tenham tirado. os Adeptos do Tibete. e depois colocando-o em posição de se observar por si mesmo. tal é o modo como procede todo instrutor regular nesse assunto. Despertando primeiramente esta faculdade superior em seu discípulo. nem mais singela. é que a grandeza da doutrina esotérica se revela em suas verdadeiras proporções. com todas as nossas mentes ocidentais do século XK —. enquanto o Tibete. nem mais temerosa do pecado do que os tíbetanos. entender o primeiro estado espiritual desta vida. nem de mente mais pura. E somente quando se compreende o vínculo entre Budismo e Brahmanismo. decorrente de prolongados e eruditos estudos. 83 ." "A bênção" — diz o autorizado artigo da Theosophist que venho citando — "permaneceu e estendeu-se por todo o país. Por falta de um método melhor para pesquisar o verdadeiro significado do Nirvana. conclusões que à primeira vista parecem chocar-se com as explicações que agora apresento. Não disponho de argumentos. seja direta. não havendo uma nação mais bondosa. apresenta um contraste tão grande como a neve pisada ao longo da estrada no vale e a massa pura e imaculada que resplandece no mais alto da crista de uma altíssima montanha. ou seja. como o ponto de partida desta religião. e esta foi a bênção que a introdução do Budismo trouxe ao Tibete.mesmo. o Devachan. sendo necessária uma faculdade mais elevada para penetrá-los plenamente. O NIRVANA Uma assimilação completado ensinamento esotérico. que os livra do perigo de desvirtuar textos e cometer erros com relação à simbologia obscura. O Ceilão ocupa-se mera ou fundamentalmente da moral do Budismo. já nos permite abordar o tema que os escritores esotéricos trataram sobre o Budismo. tanto no aspecto erudito como no esotérico. nem folga literária que exige seu desenvolvimento num quadro acabado.

por determinada prevalência do bem sobre o mal. Nossas palavras falham ao expressar o sentimento com que os graduados na ciência esotérica consideram a questão. e ali findou então sua existência — ali terminando suas multiformes existências. Usamos tais frases como fichas intelectuais. que é o limiar do Nirvana. Contudo. no caráter da série completa de suas encarnações. Vale a pena continuar a especular sobre o que vem depois? Pode-se dizer que nenhum estado de consciência individual. se ele significa ou não aniquilação. tanto como o estado deva-chânico de qualquer existência da Terra supera as aspirações espirituais semidesenvolvidas. ou os afetos impulsivos da vida terrena. em tomo do Nirvana. no Devachan existem os usuais sete estados. em que. por meio da luta relativamente breve. quando a mônada espiritual levou a cabo a enorme viagem do primeiro planeta até o sétimo. depois do que foi dito antes. com seus períodos respectivos no Devachan.Ora. No Devachan. E de algum modo. e pode aprofundá-las. nos pormenores diminutos de qualquer uma das vidas terrenas pelas quais ele passou. no Budismo. que superam tanto os nossos próprios períodos — diz-se. entre cada vida — o Ego passa a um estado espiritual diferente do devachânico. mas à mente comum — dominada pelo cérebro físico e pela inteligência cerebral — podem ter alguma significação viva? Tudo o mais que as palavras podem sugerir é que Nirvana é um estado sublime de repouso consciente na onisciência. Este estado pode ser considerado como o Devachan dos estados devachânicos — uma espécie de «capitulação dos mesmos — um estado que supera os demais. pois no atinente a esta cadeia planetária ele atingiu a onisciência. embora seja uma fase do sentimento já identificado em grande parte com a consciência geral desse nível de existência. se diz que o estado de para-Nirvana é imensamente superior ao do Nirvana. entre os que se dedicam ao estudo do Budismo Esotérico. como então lhe parecerão. Este desenvolvimento supremo da individualidade é a grande recompensa que a Natureza reserva àqueles que prematuramente a alcançam. descansa antes de voltar a assumir seu circuito dos mundos. na ciência esotérica. quando os homens se assemelham a deuses. isto é. e àqueles que. Desse período — o período intercíclico de exaltação extraordinária. inconcebível para nós. Não pretendo dar 84 . Significa o Nirvana a última pena da lei. o equivalente à aniquilação. Seria ridículo. apropriados aos diferentes graus de iluminação espiritual que os diversos candidatos a tal estado podem obter. tratar das discussões que se travaram. Transportando-nos com a imaginação através das incomensuráveis perspectivas do futuro. em que todo sentimento de individualidade se funde no Todo. atravessaram o vale da sombra da morte na metade da quinta Ronda e abriram seu caminho através da sexta e sétima Rondas. suponhamos que nos aproximamos ao período que compreenderia o intercíclo da sétima Ronda da humanidade. na ciência esotérica. se comparado com os mesmos estados subjetivos dos planetas no arco ascendente. por assim dizer. que é um estado de Nirvana parcial. há os lokas Rûpa e Arûpa. Tendo sido completada a última. iguala-se em elevação espiritual à consciência absoluta. bem como a todas as coisas com que de alguma forma se tivesse relacionado. denominado Nirvana. a mais elevada e gloriosa das vidas objetivas. estados que assumem uma consciência (subjetiva) da forma e estados que transcendem a esta. No curso ordinário da Natureza durante uma Ronda. a honra mais alta que se pode conceder ao cidadão mais meritório? Ou é uma colher de pau o emblema da mais ilustre eminência do saber? Perguntas como estas apenas simbolizam fracamente o disparate da questão que interroga se o Nirvana é. Pode deter a sua vista nas curiosas mascaradas das existências subjetivas. por períodos de duração inconcebível. desesperada e terrível que conduz ao Adeptado. o estado devachânico mais elevado no Arûpa loka não se compara com o estado maravilhoso de espiritualidade pura. o ser espiritual perfeito atinge um estado em que lhe acode a reminiscência de todas as existências que viveu em todo tempo no passado. Deste estado sublimemente ditoso se diz.

tudo é uma preparação à luta suprema e. reunindo-as. é difícil de obter. O segundo grande risco é que.tentação. mas quando todas as imposições do dever tinham sido plenamente satisfeitas e seu direito de passar ao Nirvana. O bem-estar material da geração existente não é nem sequer como meio grão de pó na balança de semelhante cálculo. quanto mais deve sê-lo para um Buda. a fim de terminar a vida terrena em que havia se empenhado como Gautama Buda. além de Buda. que constataram a grande passagem. para submeter-se a novas encarnações em prol da humanidade. Mas a pergunta só pode ser realmente sugerida por esse costume profundamente arraigado. não se deixará de perceber o gênero de proveito que Buda queria conferir aos homens. O que necessariamente é. A renúncia de Buda foi de certo modo inexplicável. por parte do viajante espiritual. Certamente. para ele. e de quem os que lhes rodearam nessas circunstâncias disseram que seu retomo à prisão da carne ignóbil — embora nobre ex hypothesi. creio estar certo ao dizer que a proeza em questão é uma das que apenas alguns dos iniciados elevados estão qualificados a tentar. à ideia do dever em sua abstração mais pura. comparados com os quais os longos transes catalépticos conhecidos da ciência comum são insignificantes. durante esse período. e mesmo com relação a este tipo. pois exige uma total interrupção da animação do corpo. onde o desenvolvimento da espiritualidade em vidas futuras receberá maior impulso. Iniciar novamente a fatigante volta à vida física. O retorno será um esforço terrível e um sacrifício inevitável. surgindo isto das declarações feitas sobre Buda. Grande é a confusão com relação ao Nirvana. E a felicidade da humanidade. a protelou por tempo indefinido numa série de encarnações em prol da humanidade em geral. antes. embora seja em uma geração unicamente. mas ela serve para demonstrar a que reino transcendental de pensamento pertence o tema. Apenas pequenas alusões à natureza deste grande mistério chegaram até mim mas. é um colapso demasiado medonho. curvarse sobre a Terra depois de ter estado no Nirvana. o Ego queira voltar. sempre é duvidoso que o viajante possa voltar. é um processo que envolve um duplo risco para a continuidade da vida terrena da pessoa que a empreende. Ambas as afirmações são conciliáveis. Como grande Adepto. e somente ocorrerá por um sentimento de abnegação. uma vez alcançado o Nirvana. mesmo o transitório. tenha-se presente. Para um Adepto. Buda atingiu aquilo que é a grande meta do Adeptado na Terra: a passagem de seu Espírito-Ego ao estado infalível do Nirvana. não é de forma alguma um assunto 85 . Além disso. é convicção arraigada dos instrutores esotéricos — os Adeptos cooperadores de Buda — que o processo mesmo de nutrir essa espiritualidade reduzirá enormemente a soma de sofrimento humano. portanto. A única coisa importante. é nutrir as tendências. Apesar disso tudo. a grande questão com relação à humanidade é o modo de ajudar o maior número possível de pessoas a passar o grande período crítico da quinta Ronda. por meio dos recursos da ciência oculta. Não se deve supor que qualquer Adepto pode tentar facilmente essa passagem. que não é debilitada por noção alguma de que sobrevenha nenhum gênero de sanção — mesmo assim. ou.nenhum significado à afirmação. em comparação com a maior parte dessas moradas — deixou-os paralisados em profunda depressão durante semanas. no presente. renunciou a essa recompensa. porque não só voltou do Nirvana por bem do dever. supondo que o sentido do dever prevaleça sobre a tentação de ficar . que á maior parte de nós adquiriu. estava adquirido do ponto de vista mais alto de sua missão terrena. durante incalculáveis evos. a defesa da forma física contra a decadência natural. por longos períodos de tempo. de calcular o proveito por um tipo físico. Diz-se que ele atingiu o Nirvana estando na Terra. houve muitos outros Adeptos. Como se tem aproveitado a humanidade desta renúncia? — poder-se-á questionar. ainda maior. Por tudo o que foi fundamentado no capítulo anterior sobre o Progresso da Humanidade. considerando os aspectos estritos dos negócios humanos. Também se diz que renunciou ao Nirvana. além disso. que podem lançar o maior número de Egos possível numa senda kármica. Um desses riscos é a dúvida de que. até que chegue esse tempo.

coincidirá com o perseguir nosso bemestar imediato. Isto é um equívoco ao qual. conforme se explicitou em capítulo anterior. a maioria das pessoas boas jamais pensará no 86 . não inteligentes. se converta de repente em sábio. consiste na possibilidade de que a importância da espiritualidade possa chegar a ser percebida pelo intelecto. embora pouco simpático tribunal. Vale dizer: a salvação pode ser obtida por práticas de devoção. e reencarnar-se em tempo oportuno com impulsos na mesma direção. no que respeita ao destino do indivíduo.indiferente à ciência esotérica. que tendo chegado nesse ponto. mesmo antes de ser sentida. Portanto. o que descrevemos geralmente como onisciência. levá-lo-á a alguma extinção sem dor da individualidade na grande crise. acredita-se. de modo que ao final estejam aptas para aquele ainda inconcebível estado. conduz o homem apenas a períodos devachânicos de êxtases devocionais. pode chegar o momento em que uma pessoa. e não a ociosa e bondosa aquiescência aos dogmas. será o de atrair para si tantos Egos quanto possível. à moda da igreja mais próxima. que atingiu esse estado. assim como até agora o foi para os mal-orientados estudos dos sábios ocidentais. em virtude apenas de ter sido boa. puder ser assegurada. como muitas vezes está às crenças religiosas mais grotescas. é o meio de os homens lançarem suas almas dentro do estado subjetivo. não é provável que o presente impulso da inteligência na direção do progresso físico e material traga uma época de boa colheita para o progresso de outro gênero. e que se tais e tais doutrinas são talvez absurdas. Sendo um cometimento positivo e não negativo. No momento. Trata-se de um plano em que. mas já não é bastante cedo para iniciarmos grande processo de qualificação. sob qualquer circunstância. associada. a ação esotérica não deve ser considerada como algo tão nas nuvens que jamais influa no que hoje vivemos. Estamos ainda longe da época em que possa haver o perigo sério de se perder definitivamente toda qualificação para tal progresso. tanto mais que o karma que se propaga através de vidas sucessivas nessa direção levará consigo sua recompensa. De modo que a consecução esclarecida de nossos mais elevados interesses. se for seguida com espírito piedoso. em todo caso. guiando-nos pela experiência de precedentes grandes raças. a primitiva crença hindu de que moksha fosse alcançada por meio de bhatki. o Nirvana é a diretriz do Budismo Esotérico. para o trigo e para a cevada. O perseguir continuo da verdade espiritual e o desejo dela. O grande objetivo da estupenda e total evolução da humanidade é cultivar as almas humanas. Entretanto. se dedicou especialmente a combater — isto é. pouco importará que os homens o sigam numa ou noutra senda religiosa. só se podem desenvolver também por graus. que acreditaram que vale a pena realizá-lo. O grande triunfo da raça presente de espíritos planetários. sem considerar o conhecimento da verdade eterna. dado o modo como usualmente atua na Natureza. preparadas para assimilar o conhecimento real da onisciência latente de seu sexto princípio. Assim. há épocas para boa ou má colheita. se a atenção desse penetrante. Na Europa. Qualquer êxito na direção a que conduzam estas explicações justificará a opinião daqueles — uma minoria — dentre os guardiães esotéricos da humanidade. A bondade sozinha. assimilará gradativamente os atributos da própria divindade. a maior probabilidade de se fazer o bem nos países onde o referido impulso é mais marcado. Acaso se argüira que se o cultivo da espiritualidade é o grande propósito a que se deve perseguir. sob a personalidade de Sankaracharya. a ascensão a regiões de elevação espiritual tão exaltada que o candidato a elas almeja. Buda. A bondade e a sabedoria supremas do homem de sexta Ronda. em períodos de desenvolvimento correspondentes ao nosso atual. sem ter em conta o gnyanam. e assim também para o desejado desenvolvimento da espiritualidade entre os homens. Nada produz tão desastrosos efeitos no progresso humano. no próximo período devachânico e na seguinte reencarnação. e. quando consideradas a fundo. num remoto futuro. se tais condições se reproduzem em muitas exisências. A espécie de salvação de que agora falamos não é livrar-se de um castigo bajulando um potentado celestial. é tão boa como outra qualquer. no final. como a noção prevalecente de que uma religião.

em sua mais alta expressão. tal resolução. seus períodos de vigília e de sono.) 87 . tal como se apresenta atualmente no mapa do mundo. a sucessão alternada de atividade e repouso. do infinitamente pequeno ao infinitamente grande. mesmo quando todas sejam geradoras de vidas igualmente boas. Mas prefiro evitar toda crítica de crenças específicas. se não é finalmente capturada. mas não trataremos aqui de seu aspecto simbólico. adormecendo e revivendo com as estações. às inspirações e expirações do princípio criador. isto é. O 17 A palavra manvantara ou manwantara. à persecução da verdade. De mais a mais. Tal coisa perpassa por várias mitologias orientais. pode ser caçada e. Mas. o reino do intelecto. por meio das quais pode o chelado ser obtido com segurança. O homem tem um manvantara e um pralaya em cada 24 horas. de qualquer modo. T. transliterada do sânscrito.absurdo. conduz ao chelado. No Oriente. aos períodos do manvantara17 e aos períodos do pralaya. O processo da Natureza a que se refere constitui. anais inocentes e sem sangue — produziu realmente vidas sem mácula através de toda sua existência. (N. muitas polêmicas e disputas. que se observa a cada passo da grande escalada. não é por uma aceitação servil de suas doutrinas que o desenvolvimento da verdadeira espiritualidade deva ser cultivado. O UNIVERSO Em toda literatura oriental a respeito da formação do Cosmo há freqüentes referências aos dias e às noites de Brahmã. por certo. a comprovar e analisar tudo o que pretenda ser crença. significa literalmente "período entre dois Afanas" (Manuantara). em seus aspectos externos. No Ocidente. senão que as observarão numa atitude mental sem mácula. a vegetação segue a mesma regra de ano em ano. deixando que este livro seja uma simples e inofensiva manifestação das doutrinas internas verdadeiras da grande religião do mundo que — apresentando efetivamente. ao conhecimento pelo desenvolvimento das faculdades internas. Uma religião não é de modo algum tio boa como outra. o ato de caçá-la engendra parte dos caçadores. O grande resultado será obtido pela tendência a buscar a verdade. por instintos que se propagarão e produzirão resultados mais adiante. 11. a verdade infelizmente só pode ser perseguida e caçada com o auxílio de muitas palavras.

ao especular quantos de nossos pralayas solares devem ocorrer. vegetais e animais noutra cadeia de globos mais elevada.mundo igualmente tem seus manvantaras e pralayas. Pois. antes de chegar a grande noite cósmica na qual o Universo inteiro. não são destruídos. O lento desenvolvimento do reino vegetal. havendo uma reassunção da atividade interrompida. um Nirvana próprio. segundo a ciência esotérica. supondo que uma palavra só significa uma coisa. Assim como nós temos nossos Dhyan Chohans. quando soa a hora do pralaya solar. cada vez que o abandona. e isto explica a confusão que tem imperado em todos os tratados acerca das religiões orientais. e tratando sempre de esclarecer seu sentido. o vasto manvantara solar abrange sete prdayas e manvan-taras de nossa cadeia planetária e das outras. libertadas. até que são chamadas de novo à vida no novo manvantara solar. E por que não haveriam de tê-lo essas entidades fetais e infantis? São todas. têm ao menos um sêxtuplo sentido para o iniciado. Eles degelarão ao primeiro sopro de calor do novo manvantara solar e formarão a alma dos novos globos. embora o processo do avanço do homem em sua sétima e última Ronda seja o mesmo de sempre. pelo confronto de suas diferentes aplicações e sua média. e com todas as suas miríades de sistemas passe ao pralaya. Após sua partida. à medida que se desloca de um globo a outro. pode-se dizer que sua elasticidade é infinita. O pensamento se embaralha. A cada passo que dá nos arcos descendente e ascendente. que ao final do último manvantara correspondente haviam alcançado unicamente um desenvolvimento parcial. Também têm. do mesmo modo elas têm. todavia. enquanto o leitor não-iniciado. depois da saída do homem. tendo chegado a seu último círculo. como nós. o planeta que fica atrás converte-se num mero cascarrão vazio. Os antigos elementais descansam até que são requeridos para ser. Com o princípio do manvantara da sétima Ronda da sétima cadeia planetária. O elemento uno não só preenche e é espaço. em seus aspectos populares. e mesmo à época da nova evolução permanecem no espaço em seu sono letárgico. em seu caminho para as entidades humanas. cada reino. Há sete delas e há um tempo em que todas entram juntas no pralaya. não é preciso um novo começo da atividade evolucionária absolutamente de novo. por sua vez. enquanto as entidades em germe das formas inferiores — e então só sobrarão delas muito poucas — permanecerão suspensas no espaço como gotas de água repentinamente congeladas. até o 88 . Sua vida ou energia vital passa por uma noite ou período de repouso. guardiães elementais e são em massa atendidas como o é a humanidade na sua. cada planeta. O manvantara principal de nossa cadeia planetária é o que acaba quando o último Dhyan Chohan da sétima Ronda da humanidade aperfeiçoada passa ao Nirvana. em nosso sistema solar. esse grandioso resultado tem de ocorrer. em sua enorme coletividade. simplesmente o Mâyâ das formas que existiram. geradas pelo elemento uno. Esperando passar a formas elevadas no tempo oportuno. Portanto. Daí que a expressão deve ser considerada como bem elástica. coloca-se numa embaraçosa perplexidade. Os reinos vegetal e animal. vem a jornada das entidades de todos os reinos. Todas as palavras-raízes. resta em cada planeta. Depois de um pralaya de uma única cadeia planetária. A isto se denomina um pralaya solar. Assim como há outros planetas além da Terra em nossa cadeia. é aniquilado. dizem até mesmo os Adeptos. do mesmo modo há outras cadeias. são. em vez de passar simplesmente o visível ao invisível. os corpos das entidades minerais. No intervalo entre dois desses pralayas. decorre pela evolução de suas sete raças e reflui de novo — tal manvantara foi tratado pela maior parte das religiões exotéricas como o ciclo completo da eternidade. Na verdade. por assim dizer. quando a onda da humanidade se aproxima de suas margens. transferidas à literatura popular da doutrina secreta. como também compenetra cada átomo da matéria cósmica. além desta. obedeça ao que manifestamente é a lei universal de atividade e repouso. A cadeia planetária que nos diz respeito não é a única que tem o nosso Sol como centro. em seus diversos reinos.

período a que nos referimos." No início do novo manvantara solar. O princípio ativo é atraído pelo passivo. imperecedoura no universo. aproximou-se de um conceito dessa materialidade última. ou ativa e passiva. Daí que suas massas constitutivas deixam de obedecer às leis de coesão e agregação que as mantêm unidas. crescer ou frutificar. O do princípio material universal. convertem-se em consciência e vida ao se unirem. como doador de vida inconsciente. dilatar. emblema da eternidade. como o é um iceberg. recorrendo à simbologia oculta. A física oculta passa completamente à região da metafísica. simplesmente estados de ser por um tempo dado — que sua presente aparência. para separar-se do corpo e obedecer ao impulso de novas influências. "A atração da Lua". O astrônomo francês Flammarion. "empreenderia a obra de demolição. correspondem aos princípios masculino e feminino. A coisa una eterna. sendo na Cosmogonia esotérica a força expansiva vivificadora da Natureza em sua eterna evolução. duração. Seu tempo de vida acabou. a solidificação e dissecação da Terra atinge. As cadeias de mundos serão destruídas e se desvanecerão como sombras da parede quando se extingue a luz. Em decorrência do que ele trata como esfriamento secular. A palavra Brahmã provém da raiz sânscrita brih. a totalidade da humanidade purificada se fundirá no Nirvana e. Fale-se da criação e estaremos continuamente nos chocando contra os fatos. Quando advém o pralaya solar. contam-me. é unir-se e fecundar-se. deixando livre cada molécula que o forma. e dividindo-se em centros diferenciados de atividade. combinar-se-ão numa escala gradual de sete estados de evolução. é dilatar--se e espargir-se. Sua progénie está toda criada." Esta última ideia não deve ser tomada como aprovada pela ciência oculta. a grande Nag. mas sempre ativo. muito parecidos aos que ele supõe. sendo apenas um estado concomitante daquele grau de evolução 89 . O fluxo espiritual penetra no véu da matéria cósmica. Nada neste mundo nos fornece agora uma ideia de como seja o último estado de materialidade. mas que verdadeiramente é velhice e perda de vitalidade. "Temos toda espécie de indicações —dizem os Adpetos — de que nesse mesmo momento ocorre um pralaya solar semelhante. geológica ou antropológica. antes de atingir seu estado material último. no livro La résur-rection et Ia fin dês mondes. sugere Flammarion. Os fatos são. nossa Terra tem que passar. as forças positiva e negativa. os elementos até agora subjetivos dos mundos materiais. a serpente. espargidos então como poeira cósmica. pode ser considerada indiferentemente como espaço. círculos na eternidade. atrai sua cauda à boca. com pequenas modificações. formando assim o círculo da eternidade. Nenhuma expressão pôde contribuir mais para desencaminhar a mente humana na especulação fundamental relativa à origem das coisas. depois deste Nirvana intersolar. recebendo impulso dos novos Dhyan Chohans do novo sistema solar (pois os mais elevados do antigo terão passado mais acima) formarão ondas primordiais de vida. nascerá em sistemas mais elevados. é passageira. gerando uma maré de partículas terrestres em lugar de uma maré aquosa. Na Cosmogonia. um ponto em que o globo se converte num conglomerado solto. terá sido atendido pelo repouso interplanetário mais prolongado do homem. e se nos é permitido aqui socorrer a imaginação. se tratamos de conseguir alguma indicação do modo como volta a começar a evolução depois de um pralaya universal. Não como algo que tenha esses quatro atributos. convertem-se num cadáver abandonado à obra de destruição. E a evolução origina-se na polaridade atômica que gera o movimento. Seu período de concepção passou. Uma vez que se tenha entendido que nosso planeta e nós mesmos somos criações. exceto no que serve para exemplificar a perda da coesão molecular na matéria da Terra. Inconscientes e inexistentes quando separados. por fim. O atributo uno e principal do princípio universal espiritual. do que a palavra "criação". Como os outros mundos do espaço. ao passo que há dois menores que terminam em algum lugar. por uma gama de sete estados de densidade. que os pralayas universais deixam sem destruir. Com isso. mas como algo que é estas quatro coisas ao mesmo tempo e para sempre. ou melhor. matéria e movimento.

de investigações com vistas a resultados práticos. o mal produza sofrimento. assim como as situações futuras para as quais ele se encaminha. os Dhyan Chohans. uma vez feito. também. nada pode ser mais importante nem mais altamente prático do que as conjecturas acerca dos atributos e prováveis intenções do terrível Jeová pessoal. comunicam aos mundos que se despertam no final de um pralaya de uma cadeia planetária. por milhões e milhões de séculos. Mas o germe humano é algo mais do que a semente da flor. também em perspectiva. Não podem agir senão unicamente por meio do princípio da evolução. Ao refletir desse modo sobre a grandeza da evolução cíclica de que se ocupa a ciência esotérica. Mas o conhecimento científico das coisas espirituais faz do dia do juízo uma longínqua e confusa perspectiva e ocupa o tempo que falta com toda espécie de atividades. só em virtude de sua ignorância. por passar. Porém. excetuado esse juiz que a tudo integra. parece razoável adiar as considerações relativas à origem do cosmos. a humanidade aperfeiçoada do último manvantara precedente. e seus mais importantes períodos entre as encarnações (mais importantes no que se relaciona à duração e às perspectivas de felicidade ou de dor). e que comungam diretamente com seres que se encontram tão acima da humanidade ordinária quanto o homem o está sobre os insetos do campo. que a evolução os sente através de todo seu progresso. cuja natureza mortal se elevou e purificou tanto que suas percepções. que todas as coisas se explicam pelo funcionamento da lei na matéria. Eles não podem dizer que exista o paraíso em todo o espaço. E não é exagero afirmar que os maravilhosamente dotados representantes da ciência oculta. o Dhyan Choan imprime as suas concepções sobre a onda evolucionária e compreende a origem de tudo que contempla. Talvez tenhamos nos aprofundado bastante no insondável mistério da grande Causa Primeira. A planta não se desenvolveria se não pudesse dispor dessa liberdade. o Adepto mortal sabe. e não podem negar a nenhum homem que se invista com a potencialidade de desenvolver-se. demonstra à humanidade que. com muitas vidas terrenas. até o direito de praticar o mal. sobre cuja natureza é inútil meditar até que pelo menos possamos penetrar na natureza de nossa própria existência não encarnada. do que com as especulações nas quais praticamente não tem interesse nenhum. O homem comum nesta vida. certamente algumas centenas. Nem tampouco pode impedir que. Tem liberdade de escolha quanto a desenvolver-se para cima ou para baixo. seguramente. em suas diversas formas. convertendo-se por si em um Dhyan Chohan. O 90 . tais impulsos. Dentro dos limites do sistema solar. Então podemos ver o que significa o princípio ou elemento uno e único no universo e podemos considerar este elemento como andrógino. a proclamação da Filosofia hindu de que todas as coisas nada mais são do que Mâyâ — estados transitórios — exceto o elemento uno que repousa durante os Maha-pralayas. que os homens nasçam sumamente sábios e bons. nos limites prescritos pela necessidade lógica. a cuja presença é levada a alma depois da morte para ser julgada.que se alcançou —. e mais a influência diretora e modificadora das mais altas inteligências associadas com o sistema solar. alcançam outros mundos e outros estados de existência. se o preferir ao bem. antes. não se ocupam nunca de nenhuma concepção que nem remotamente se pareça ao Deus das Igrejas e das crenças. julgam os teólogos comuns saber tanto sobre Deus. o caminho fica preparado para melhor pensarmos. não será chamada perante nenhum juiz. descrito como um tribunal onipotente. Além disso. Esta é a necessidade do mal. Os limites da grande lei da Natureza restringem a sua ação. A vida objetiva é o solo em que se plantam os germes da vida e a existência espiritual (vale ter em conta que a expressão é usada somente como contraste com a existência material grosseira). por conhecimento próprio. pode na verdade ocupar-se sabiamente. as noites de Brahmã. Os Dhyan Chohans ou Espíritos Planetários. Do ponto de vista de a especulação religiosa não se fundar em conhecimento positivo algum fora desta vida. Do mesmo modo. a flor que finalmente está em viço. Não é paradoxo afirmar que. que existe em toda parte e que atuando na matéria provoca a existência do próprio homem e do mundo em que vive. o Sétimo Princípio ou Espírito Universal.

Mas. com certeza. Confio que o leitor não me interprete mal. e sabem que tudo se explica pela vontade construtiva da hoste coletiva dos Espíritos Planetários. e o manvantara. chegam a produzir aquela em que a consciência análoga à de Deus seja totalmente evocada. associadas pela tradição esotérica ao princípio do mundo. de formas que em geral chamamos inanimadas. que penetra toda a Natureza. reverberando através da matéria. era o protótipo da Deidade pessoal em todos os desdobramentos subseguintes da idéia. A esta grandeza inefável tudo quanto vive tem a oportunidade de atingir. assim como as dos próprios Adeptos podem aprofundar a vida de outros planetas desta cadeia. Perguntará alguém: com que fim atua esta eterna sucessão? É melhor delimitar a questão a um único sistema e perguntar com que fim a nebulosa original divide-se em vórtices planetários de evolução. nos demonstra quão longe de ser absolutamente fabulosas são até as noções mais antropomórficas da Deidade. constitui um objetivo suficiente para satisfazer qualquer mente razoável que seres perfeitos e sublimes. incompreensível para nós no presente estado de esclarecimento é. de outro. Dentro desses limites sabem tudo o que acontece e como acontece. supondo que desejo dizer que a ciência esotérica considera o Espírito Planetário da primeira Ronda como um deus. por não conhecer do destino humano sendo o que se inclui numa encarnação objetiva. não será por causa da grandeza de qualquer concepção humana relativa ao objetivo adequado da existência no universo. e toda personificação deste é apenas simbólica. O Espírito Planetário. Eles se comunicam com esses Espíritos Planetários e aprendem deles que a lei deste sistema solar é também a lei de outros sistemas solares. O erro cometido pelas pessoas ignaras. nem por isso é infrutífero. ele ocupa-se da obra da Natureza num espaço incomensurável. O Deus pessoal de um insignificante manvantara menor foi tomado como criador do cosmos. mesmo quando o curso de uma evolução incompleta possa ser suspenso por um período de repouso natural. embora a intervalos inimagináveis. Entretanto. que tal finalidade parecerá um objetivo deficiente. e desenvolve mundos nos quais o espírito universal. após períodos com relação aos quais seu desenvolvimento das formas minerais de mundos primevos (como a 91 . através de perspectivas de tempo equivalentes a tudo o que possamos imaginar da eternidade. progredirá lenta mas seguramente para a frente. dá vida e realidade ao antigo simbolismo e. Com certeza. atuando sob a lei da evolução. até que o funcionamento constante de sua influência na matéria desenvolve uma alma humana. tais como os Espíritos Planetários. Toda mônada espiritual — de per si.Sétimo Princípio. o pralaya sucede o manvantara. venham dessa forma à existência e vivam uma vida consciente de conhecimento e felicidade supremos. mundos e épocas. realmente encarnado entre os homens na primeira Ronda. pertinentes ao que chamamos existência subjetiva ou espiritual. reproduzindo sucessivamente formas cada vez mais elevadas. ao tratar do assunto. Com certeza. Nem mesmo se o destino último do mesmo Espírito Planetário. A lei de atividade e repouso alternados atua universalmente para o cosmos todo. Não se conclui disto que as plantas e os animais que nos circundam tenham já desenvolvido algum princípio capaz de tomar a forma humana no curso do manvantara presente. de um lado. é simplesmente de grau. em verdade. O enorme raio de tempo e de espaço em que opera nosso sistema solar é explorável pelos Adeptos mortais da ciência esotérica. O Deus desta vida é para eles o Deus de todas as vidas. o pralaya. está em conflito com o dogma moderno. um princípio inconsciente e puro — atua através de formas conscientes em níveis inferiores. que tudo mais além era um futuro homogêneo espiritual. de um passado incomensurável e através de um futuro todo incomensurável. até que estas. O Espírito que está em toda forma animada e que passou a estas. produz a forma e a vida e esses estados superiores da matéria. o conhecimento esotérico que. indefinível. em cujas regiões se podem aprofundar as faculdades perceptivas dos Espíritos Planetários. Conforme afirmei. um erro muito natural em gente obrigada a supor. o único Deus reconhecido pelo conhecimento esotérico.

como os sentidos elevados dos espíritos planetários." O que antecede a toda manifestação do universo. O esforço em sua construção foi fazer com que os homens amem a virtude por si mesma e por seus bons efeitos em futuras encarnações. quanto ao que possa haver mais além. espaço. do ritual de seu tem-pio. os quais somente conhecem a matéria manifestada. por admirável que tenha sido sua intenção e por muita simpatia que devote à bela moralidade e aspiração do Budismo. Este é o primeiro estado da matéria. se tais limites pudessem algum dia ser encontrados. para vincular seus métodos à lógica deste sistema. e estará mais além do limite da manifestação. por assim dizer. Mr. Mas mesmo quando. for materialista a doutrina secreta. a que usualmente lhe confere o que se chama por Materialismo. além de nosso sistema planetário. 92 . e por cujo meio também o mais entusiasta devoto pode voltar à Terra. A doutrina desce até o Materialismo. cujo conhecimento se estende até aos extremos limites dos céus estrelados. dentro de nossa própria condição — a matéria animada de movimento. que é a não-consciência. não temos hipótese alguma.infância. Matéria. As considerações precedentes fornecem a chave do Budismo Esotérico. há de parecer tanto com o conceito estreito e grosseiro da Natureza. movimento e duração constituem a substância única e eterna do universo. Jamais se repetirá demasiado e com máxima perseverança que se radica. uma expressão mais direta da doutrina esotérica universal do que qualquer outra religião popular. é o que jaz no fundo do universo manifestado. como os leitores das explicações precedentes terão percebido. sequer. Estas expressões paradoxais são simplesmente modos que representam idéias que a mente humana não está apta a compreender. engana-se ao deduzir. Lillie. e sobe às regiões mais elevadas do Idealismo. sendo tempo desperdiçado o porfiar nelas. seu Parabrahm ou Espírito. com referência às mais longínquas regiões da imensidade. que a metafísica esotérica denomina consciência absoluta. a Natureza é auto-suficiente e. na união da Ciência com a Religião. em certo sentido da palavra. incognoscível pêlos sentidos físicos. ao outro lado dos limites do sem limites. como o Pólo Norte dista do Pólo Sul. a noção de um Deus Pessoal. tão longe quanto sua visão pode estender-se. for submergir sua individualidade gloriosa nessa soma total de toda consciência. Como. sem se sujeitar a nenhum sistema sacerdotal ou dogma que aterrorize a sua imaginação com a doutrina de um juiz pessoal esperando para julgar suas vidas por ocasião da morte. para abraçar e explicar as aspirações mais exaltadas do Espírito. sem deixar de estar no Céu." O que o Adepto diz efetivamente neste ponto é: "O universo é ilimitado e é uma aberração do pensamento falar de hipótese relativa ao mais além do ilimitado. a ponte por onde os mais perspicazes e prudentes perseguidores do conhecimento experimental podem dar as mãos ao devoto mais entusiasta. Semelhante concepção não entra na grande doutrina esotérica da Natureza. Nenhuma outra coisa absolutamente eterna existe. Não lhe basta dizer: "Tão longe. da qual este livro deu um esboço incompleto. tolera o Adepto expoente da doutrina esotérica a adoção de uma atitude agnóstica. na reminiscência do homem). outro estado bem diferente.

parece estranho dizê-lo. Temendo as descobertas da Astronomia. doutrinas religiosas que assim continuam sem poder reconciliar-se com algumas de suas mais evidentes conseqüências. até que afinal cessou de ser um argumento contra a 93 . de pretender que isso não interessava. Mas a doutrina esotérica nos socorre nessa dificuldade. Um grande filósofo inglês. que. abrangendo tanto o futuro como o passado. como regra geral. os pensadores mais prudentes foram os menos dispostos a asseverar que. se comparado com o universo. nem por isso. considera insignificantes as dimensões deste mundo. Rhys Davids. atribuíam ao mundo em geral uma lógica de menos arrependimentos do que a lógica que por fim se mostraram inclinados a utilizar. se possa esclarecer o mistério do livre-arbítrio e da predestinação. Em primeiro lugar. Este princípio foi usado por tanto tempo e tão completamente. a Igreja recorreu ao "desesperado expediente". declarou. no que é absolutamente necessário deixá-lo exercer. para que o sistema de castigo ou recompensa por seus atos na vida possa ser legitimado por outra coisa que não uma injustiça das mais grotescas. que a Igreja cristã primitiva temeu com verdadeiro instinto e combateu com a crueldade do tenor. Este é um fato da Natureza. Até hoje. a fazer o que o Budismo Esotérico não exige de nós. ou seja. para citar a frase de Mr. Mas algo se pode fazer para indicar as correlações identificáveis entre todo o corpo de ensinamentos que se expôs e os fenômenos do mundo que nos circunda. E. As pessoas prestaram-se. se desagradaram em aceitar.12. Iniciando com as duas grandes perplexidades da filosofia comum — o conflito entre o livre-arbítrio e a predestinação e a origem do mal — há de se reconhecer certamente que o sistema da Natureza. A onisciência de um Criador pessoal. não deixa lugar para que o homem possa exercer uma autoridade independente sobre seu próprio destino. guardar sua ciência e sua religião em compartimentos estanques. REVISÃO DA DOUTRINA Só uma longa familiaridade com a doutrina esotérica pode proporcionar uma visão completa do modo como ela se harmoniza com os fatos da Natureza. O argumento foi tratado com o respeito devido à grande reputação de seu autor e posto de lado com a discrição devida ao respeito pelas doutrinas ortodoxas. com a ajuda da metafísica ou da religião. em virtude dessas considerações. como algo mais do que uma hipótese provisória. A pretensão teve até agora mais êxito do que podiam esperar seus autores. isso foi feito voluntariamente por pessoas que. As pessoas eram livres para investi-lo logicamente com um ou outro desses atributos. agora apresentado. mas não com os dois ao mesmo tempo. nos permite abordar seus problemas com maior confiança do que jamais o foram até agora. em um famoso ensaio. Por fim. A verdade foi negada e seus autores torturados por muitos séculos. encarando o problema. A tendência do pensamento foi a de relegar todo enigma à região do incognoscível. era impossível que Deus fosse todo-bondade e todopotência. sobreposta à própria autoridade das negações papais. tais como todos podemos observá-los.

S. Ao contrário. fundamentalmente sujeito à mesma influência. e. Pareceria como se. resulta na infalível evolução dos ciclos que constitui seu destino coletivo. E nem por isso deixa essa areia movediça colateral de pensamento. apenas o produto ou a impressão de todas as circunstâncias que influíram nessa vida desde o início. ser afirmada não como um dogma religioso relacionado à graça ou à ira divinas. e o livre-arbítrio de que temos consciência não é um mero impulso automático. como o puxão da perna da rã morta. a doutrina esotérica reconcilia a tão debatida contradição da Natureza. de modo que. Mas quando fazemos uma relação entre nossos receptáculos. portanto. pudessem ser introduzidas algumas melhorias na ação. do princípio geral do governo pela lei. é verdade. descoberta na história humana por um filósofo tão positivo como Draper — por curto que seja o período em que tenha podido estender suas observações. Mas a doutrina esotérica restitui-lhe a verdadeira dignidade e nos demonstra a esfera de sua atividade. pronta de novo para outro drama da vida. são apenas o produto de circunstâncias antecedentes que entram num cômputo dado como perturbação. a eflorescência aperfeiçoada de uma humanidade anterior. Não são onipotentes. de algum modo. que é uma condição essencial de uma predestinação. a unidade individual. onde os sóis são como gotas de água no mar. por assim dizer. O homem rege seu próprio destino. para destacar ser ele impossível. Mas a ação humana média. desse modo. A predestinação das raças. porém que nem por isso deixam de ser menos calculáveis. O dogma comum religioso e o argumento metafísico comum exigem de nós que o consideremos sob esse aspecto. no oceano do universo. E. que está em conflito com o livre-arbítrio. é perfeitamente compatível com o livre-arbítrio individual. sob condições dadas e tendo em conta vasta multiplicidade de unidades. derivadas de sua própria experiência. se essas circunstâncias fossem conhecidas. Que as tendências hereditárias. Mill distinguiu paralelamente com as contradições da teologia — a grande questão de se a especulação deve referir-se à hipótese de toda bondade e toda potência — encontrar sua explicação no sistema ora exposto. até agora divididos. acham-se restringidos em sua ação por limites relativamente estreitos. que a vida de um adulto é. como a que associa com o uso da palavra as discussões convencionais dos problemas de que se trata. na infância. com fundamentos puramente metafísicos — vale dizer. É perfeitamente livre para usar seus direitos naturais no que estes alcancem. Nessa linha de raciocínio. Entretanto. em proporção correspondente ao plausível das teorias que nos exigem pormenores de nossas próprias vidas como parte do depósito geral da onisciência de um Criador universal. por assim dizer. não parece razoável que os seres que habitam um dos menores planetas de um dos sóis de menores dimensões. que. mas. os limites de sua soberania. É soberano sobre o curso da vida individual. Os grandes seres. Pode-se arguir que cada ser humano está. fiquem isentos. reinam contudo de um modo divino sobre os destinos de nosso mundo. por exemplo. por circunstâncias análogas. e praticamente alcançam o infinito no tocante a ele. A predestinação individual pode. essa dedução não está menos em conflito direto com a consciência da humanidade do que o dogma religioso da predestinação individual.credibilidade de um dogma religioso. por serem grandes. o resultado moral e intelectual o seria também. não podemos deixar de ver como a insignificância da grandeza da Terra diminui. não é a predestinação das raças. pode-se deduzir que as circunstâncias da vida de cada homem podem ser teoricamente conhecidas por uma inteligência suficientemente penetrante. mas impotente em presença da lei cíclica. que J. mas a predestinação individual. e pedimos que fiquem no mesmo nível. sim. Pois cabe observar que a predestinação. Mas este princípio não se coaduna por capricho ao governo. sob leis análogas àquelas que regem a tendência geral de qualquer conjunto de acontecimentos independentes. no drama em que eles 94 . associada às idéias de graça e cólera divinas. quando a cena está. nos limites constitucionais. embora longe de constituírem um Deus supremo. O sentido do livre-arbítrio é um fator que não se pode ignorar no processo.

porém que são apenas capazes de. em causa — e um enigma vivente para filósofos que cuidam de explicar a origem do mal.estiveram interessados. se quiser. fazer com que se nasça em outra cego ou aleijado. por tratadas que sejam. por sua vez. pode ter sido a potencialidade. A obra geológica de um pequeno lago e a de um oceano diferem tão-somente em sua escala. Pode-se perguntar de passagem: Não será significativo. antes que produto de circunstâncias locais. tão claro quanto o próprio princípio. Porém. amenos que houvesse uma mônada espiritual que insistisse pela encarnação. Incidentalmente acarreta consigo uma questão relacionada com o funcionamento da lei kármica. e nos últimos progressos do tempo cedem lugar a seus descendentes. com as devidas modificações. atender a outra geração. o é acima. Ele atua por meio do karma físico. e as imensas águas do mundo. que não pode 95 . corroborando o que se aceita da doutrina esotérica. livre para desenvolver o próprio mal. no que essa área limitada apresenta como princípios. não teria vindo à existência.e o microscópio segue estas ramificações. cujo desígnio da Natureza é elevar ao estado Dhyan chohânico. segundo o modo de agir das afinidades. As correntes turvas de águas pluviais depositam "rochas sedimentares" nas poças que formam nos caminhos. na infância. O mal que os homens fazem sobrevive a eles. enfrenta o grande problema. no ínterim. exceto por uma suspensão da lei invariável de que as causas . A criança cega ou inválida. escreveram os filósofos ocultos antigos. Este assunto foi discutido no seu lugar. repetidas além do alcance do olho nu. a toda uma vasta série de casos. e não poderia agir de outro modo. esteve vivendo na existência devachânica. Dadas essas circunstâncias. passando eles a estados superiores de existência. Assim como as crianças de cada geração são atendidas. e no Homem. deve ser. quanto à montagem principal da peça. Isto quanto ao princípio geral em questão. quanto à sua forma física. a criança imperfeitamente organizada é concebida e lançada ao mundo para ser uma causa de perturbação. Há de se perguntar: como pode a culpa moral. continuarão a ser dálias. em um período diferente da história do mundo. em sua jurisdição sobre o homem e sobre a família planetária. sendo o microcosmos um reflexo do macrocosmos. As finas fibras da folha se ramificam como os ramos de uma árvore. de pais com os quais não teve na vida anterior nenhum tipo de relação física? Mas a dificuldade explica-se. no capítulo anterior sobre o Progresso da Humanidade.produzem efeitos. de como o livre-arbítrio humano. repetir o que antes foi representado. Mas a doutrina esotérica. A estrutura dos animais inferiores reproduz-se com alterações em animais superiores. que pode ser citada para ilustrar o problema do mal no mundo. por sua vez. levando consigo o quinto princípio (o que é permanente num quinto princípio) adaptado justamente por seu karma para habitar naquele corpo potencial. no sentido mais literal que o próprio Shakespeare atribuía a essas palavras. mas suas flores. consoante esta hipótese. A doutrina esotérica responde à questão da existência do mal de forma tão decisiva como o faz quanto ao livre-arbítrio. alguns milhões de anos mais tarde. Podem fazer em grande escala o que faz um jardineiro com as dálias. mais fácil do que se poderia imaginar à primeira vista. O homem objetivo nascido no mundo físico é tanto uma criação da entidade que ultimamente o animara quanto o homem subjetivo que. do mesmo modo que os rios o fazem nos lagos. do mesmo modo ocorre na humanidade inteira dos grandes períodos manvantáricos: os homens de uma geração desenvolvem-se para ser os Dhyan Chohans da próxima. A mesma explicação é atribuível. A doutrina esotérica demonstra que também só diferem em escala as leis mais sublimes da Natureza. em pequena escala: introduz consideráveis melhorias na forma e cor. numa vida. por seus pais e crescem para. mas o modo como atua pode ser percebido neste ensinamento. mais a fundo que por simples enunciado. como se verá. para si e para os outros — um efeito convertendose. Toda a Natureza existente sob a esfera de nossa observação física comprova a regra. que as analogias naturais a apóiem em cada momento? Assim como é embaixo. no fundo dos mares.

A máxima jurídica de minimis non curat lex18 contém um meio de fuga à falibilidade humana das conseqüências de suas próprias imperfeições. às vezes ocorre que um simples acidente cause um dano à criança ao nascer. A criança nascida parece que reproduz as peculiaridades dos pais ou antecessores. É desnecessário alongar-nos aqui sobre as múltiplas dificuldades que rodeariam aquela teoria. a mola da Natureza. que. Foi construído por um processo de evolução funcionando numa Unha transversal à da aproximação da humanidade. quer no sentido de dano feito sem merecimento. reage às pequenas causas com tanta certeza quanto às grandes e podemos nos sentir instintivamente seguros de que também ela. por meio da cega operação de suas afinidades . uma inesperada solução dos fenômenos da vida que causam maior perplexidade. ao espírito reencarnado. em suas ações espirituais. os sofrimentos não merecidos atuam. e os Adeptos declaram. não um desenvolvimento verdadeiro. a uma paternidade correspondente a suas necessidades ou méritos. como sua forma física. e o mesmo aplica-se em relação com uma grande variedade de acidentes. pode adquirir uma forma aleijada. quando oferece. E a justiça desse funcionamento deve ser discernida tanto nas grandes coisas como nas pequenas. Não devemos esquecer a presença de exceções em todas as grandes regras da Natureza. oferece uma completa explicação do fenômeno. no final das contas. que sem tal impulso seria meramente uma potencialidade. tudo o que cabe dizer é que a Natureza não está tolhida por seus acidentes. possa ter um futuro diante dela. mas nem por isso menos digna de ser citada. de ignorar pequenas dívidas em recompensa por pagar as grandes. A assimilação seletiva. terminaria com a dissolução daquilo de que se originou. Ela dispõe de muito tempo para repará-los. A Natureza.as condições exatas da nova vida. Mas sobre estes. em suas operações físicas. como uma sorte feliz. provocando o desenvolvimento de uma criança. Há o tempo necessário para que a compensação aconteça. em qualquer sentido dos atributos que podemos sinceramente esperar de uma verdadeira ciência religiosa. na verdade. bem como sua parecença física. Já a doutrina esotérica. tal como um comerciante de duvidosa integridade que se satisfaz a honrar compromissos que não são suficientemente sérios para 18 Isto é: o pretor não se ocupa de coisas mínimas. que a religião usou benevolentemente algumas vezes mais para o consolo dos aflitos. conforme creio. quer nos benefícios concedidos aos que não os merecem. sem nenhum passado espiritual atrás de si. neste sentido.) 96 . é a explicação óbvia que reconcilia o renascimento com o atavismo e a herança. Seja como for. do mesmo modo que se refere a outros da vida humana. O mesmo acontece com o espírito reencarnado: arremessa-se para o mundo objetivo ao estarem esgotadas as influências que o prendiam ao estado devachânico. provindo isto da observação puramente científica dos fatos. quando chegar o tempo devido. o que um novo planeta o é para toda a onda humana numa Ronda ao longo da cadeia manvantárica. para a qual ela mesma se preparou na vida pretérita. a doutrina esotérica. nem em Mecânica. quanto aos caracteres transmitidos. O que primeiro temos em favor desse sistema é que não permite nenhuma injustiça. por parte dos espíritos carregados de karma. mas em cuja paternidade encontra — inconscientemente. se tivéssemos a extravagância de supor que uma alma assim. não tem o mau hábito de tratar as ninharias como coisas sem conseqüência. (N. não o faz às custas de sacrifício. por assim dizer. lançada como faísca de uma bigorna. Assim é que um espírito cujo karma não mereceu de modo nenhum aquele castigo. e o fato sugere a noção de que sua alma é um rebrotar da árvore da família. mais do que de outro modo. que desse modo seria apenas uma função do corpo. de uma doutrina. Toca. existe nada semelhante à indiferença para as coisas pequenas. A alma. Nem em Química. ou pela seguinte. No presente caso. Os sofrimentos não merecidos numa vida são amplamente compensados pelo funcionamento da lei kármica na seguinte.ser chamada dificuldade. E está apto para que a humanidade o habite. A família na qual a criança nasce representa.T. desde o momento em que a resposta é provavelmente sugerida pelo caráter da própria doutrina.

Nem mesmo quanto ao mérito ou demérito que unicamente se relacionam como conseqüências espirituais. são necessariamente ignorados sob qualquer sistema que formula a questão final em perspectiva. pelas quais deve passar o espírito reencarnado. Ao passarmos das considerações abstratas a outras em parte entrelaçadas com assuntos práticos. pode ser reconhecido como adaptado cientificamente às circunstâncias imprevistas. mas constitui o único método imaginável de ação natural que pode testá-lo. não é de modo algum alterada a simetria requintada de todo o sistema por aquela característica que. nenhuma resposta exata pode dar a Natureza. porém não é digno de séria consideração filosófica. cuja reminiscência obscureceria uma renovada fase de vida da personalidade. Da mesma forma. a individualidade continua atuando. apenas retomando a existência física. é como se pode conceber que as pessoas consigam. exceto por meio daquele estado de existência espiritual infinitamente graduado.que seu cumprimento seja imposto pela lei. e tendo presente a correspondente cadeia de existências espirituais intercaladas entre cada um dos nascimentos. como é um sistema que se recomenda por si mesmo. Pois bem. e que somente parece objeção do ângulo do conhecimento incompleto. a doutrina esotérica com a Geologia e a Astronomia? Não é nenhum exagero afirmar que a doutrina esotérica consiste no único sistema religioso que se funde facilmente com as verdades físicas. como admissão ou exclusão de uma condição uniforme. de bem-aventurança. numa época científica. à primeira vista. aquele esquecimento é na verdade a única condição em que a vida objetiva pode ser iniciada completamente de novo. Nenhum sistema de conseqüências que siga a humanidade. após um cuidadoso exame do assunto — bem pouco atraente para os estudantes do Budismo até agora em seu aspecto exotérico. porém que. Tampouco deixa de considerar os descobrimentos da Biologia moderna. na qual. com todo rigor. pode encontrar Igrejas e congregações que se satisfaçam em sustentá-lo. sequer pode dispensar as últimas aquisições da Geografia física. se atira nos braços desses fatos e em nada pode prescindir deles. os resultados das menores causas que tenham produzido na última vida objetiva. Mas a complexidade que se apresenta diante de nós é mais séria do que a que se pode encontrar nos vários estados da existência devachânica. Como concorda. Tendo sido compreendida. a menos que responda ao senso de justiça relativo aos múltiplos atos e costumes da vida em geral. Um dogma religioso em flagrante oposição com o que é uma verdade manifesta. os atos de menor importância da vida. tanto mais claramente se verá que cada uma das objeções feitas contra ela depara-se com uma réplica pronta. Não só se identifica com elas. essa objeção pode unicamente provir do esquecimento da vida devachânica. pois. parece exposta à crítica — os banhos sucessivos nas águas do esquecimento. comparemos a doutrina esotérica com os fatos da Natureza observáveis em vários sentidos. e. Uma ciência espiritual que previu felizmente a verdade absoluta deve ajustar-se aos fatos da Terra. com o fito de comprovarmos diretamente seus ensinamentos. quanto mais tempo a doutrina esotérica ocupar a inteligência. sempre que se depare com eles. esforço e aquisições intelectuais penosa e laboriosamente obtidas. Poucas vidas terrenas são livres de sombras. Assim. por assim dizer. para a Geologia e para a Astronomia. Ora. no sentido de tolerar a hipótese nebular e a estratificação das rochas. ou aproximadamente uniforme. Pelo contrário. eles constituem as sementes das quais brotará toda a magnífica colheita de resultados espirituais. após a vida ora em observação. descrito pela doutrina esotérica como o estado devachânico. E se se alega que o esquecimento completo de cada uma das últimas vidas envolve desperdício de experiência. o que não é de estranhar — se verá que a lei kármica não só se reconcilia por si mesma com o senso de justiça. inclusive àqueles que meramente se referem à existência física e não estão bastante caracterizados pelo justo ou injusto. bons ou maus. longe de serem dissipados tais esforços e aquisições. 97 . através de sucessivos renascimentos kármicos. descobertas pela pesquisa moderna naqueles ramos da ciência.

mais de uma vez. hoje familiar. representa nada menos que uma revelação em suas conseqüências analógicas. se irá admitir. que restabelecem as primeiras disposições a enormes intervalos de tempo. que é a menos típica do reino animal — e até menos que do vegetal — que do mineral. Não se acostumou ainda à livre aplicação de seus próprios subsídios à especulação que invade o território religioso. Já vemos peritos do Challenger dando testemunho da existência da Atlântida. as grandes submersões ou levantamentos continentais que ocorrem alternadamente. são especialmente interessantes pela luz que lançam em mais de uma seção desta doutrina. Os conceitos de progresso. dificilmente será considerado indiscreto por parte de seus guardiães. de modo geral. estão para sempre 98 . levantamentos e fragmentações graduais. o período compreendido na série dos vestígios históricos pode ser um período de inércia relativa e de lenta mudança. embora o tema pertença a um gênero de problemas geralmente pouco atraentes para o mundo científico. por assim dizer. devem ter submergido e emergido. naturalmente. como também está sujeito a mudanças sistematicamente intermitentes. nos moldes. Se a geração atual concederá ou não importância suficiente às correlações da doutrina com o que foi descoberto na Natureza por outros meios. Mas. nas primeiras eras. O fato de que a doutrina tenha sido mantida longe do mundo em geral. Assim é que a verdade. Quando uma criança tem de ser desenvolvida de um germe. que possuímos uma massa de conhecimentos geológicos suficiente para reforçar a Cosmogonia da doutrina esotérica. na forma de uma cadeia sem solução de continuidade. à doutrina esotérica. por essa divisão da ciência. a escala familiar da evolução é percorrida.A estratificação da crosta terrestre é certamente um registro claro e visível de cataclismos inter-raciais. ela construiria uma história da humanidade que não seria diferente. se fosse exigido que a Geologia interpretasse todos seus fatos na forma de uma história consistente da Terra. produziu. sob e sobre a superfície do oceano. do que foi esboçado no capítulo precedente sobre os Grandes Períodos do Mundo. mas ainda se mostra um pouco esquiva em suas relações com o dogma. como precisou desse conhecimento para achar pavimentado o caminho a sua entrada. de que as fases sucessivas do desenvolvimento humano pré-natal correspondem a progressos da evolução humana. A ampla teoria de Darwin a respeito da descendência do homem do reino animal não é o único fundamento proporcionado. com certeza. de constituição tão simples. ser encontradas de modo decisivo tanto na Biologia quanto na Geologia. na atualidade. como os fragmentos de cores dos quadros de um caleidoscópio caem formando novas combinações. no princípio dos grandes períodos de Ronda. no-lo dizem os instrutores esotéricos. através de diferentes formas da vida animal. ou seja. As observações minuciosas. de quinze séculos. nos traços gerais. tanto mais íntimas serão reconhecidas as correlações entre a doutrina e os vestígios ósseos do passado. Neste sentido a Geologia se contentou em afirmar que tais e tais continentes. daquilo que ninguém acharia criticável como hipótese. está por se ver. por mera força do costume. E. Geólogos pensadores se mostram bastante dispostos a reconhecer que. Essas correlações podem. suscitando as hipóteses mais plausíveis que pudesse forjar para preencher lacunas em seus conhecimentos. Não se cinge a fortalecer a hipótese evolucionária. que necessitaram séculos incontáveis para ser externados pela primeira vez. como fato. O mapa completo do mundo toma ocasionalmente formas novas. às ocasionadas por afundamentos. rapidamente. por tanto tempo. estando ainda por vir mais descobrimentos. talvez. quanto mais progridam as descobertas geológicas. A Física vai perdendo os hábitos de timidez que a insolente opressão do fanatismo religioso. Assim é que as considerações em prol do continente perdido não são ainda apreciadas. mas ilustra notavelmente o modo como a Natureza atua na evolução das novas raças de homens. como suas bacias marítimas testemunham. E que as metamorfoses devidas a cataclismos podem ter-se agregado. Seja como for. Um passo ou dois separa isso do reconhecimento. constatadas na Embriologia. com relação às forças formadoras da Terra.

dada a inexistência de conhecimentos colaterais. as chaves de sua significação. por exemplo. Rhys Davids. para a qual a comunidade com que Buda se relacionava não estava ainda intelectualmente madura. penetra cada fresta. Era inevitável que todas essas conclusões fossem imprecisas até hoje. Todo o cosmos — Terra. portanto. citando o Manual do Budismo.firmemente alojados na memória da Natureza. do que roçar a superfície daquela especulação. a Ronda executa sua própria evolução com uma rapidez bem diferente. como até agora foi visto. mas para mostrar como a luz. o assunto foi expressamente deixado de lado porque não podia ser resolvido com um simples sim ou não. Cito um exemplo. Nenhum dos sistemas que publicamente trataram do problema a respeito da origem de todas as coisas fez mais. não para diminuir o estudo cuidadoso de que foi fruto. e podem. os estudantes de Budismo estarão mais capazes de aplicar. Mas quando o processo ocorreu uma vez. Mas. Nas últimas Rondas. Há lugares de tormento onde as más ações. As conclusões positivas sobre o que o Budismo ensinou — cuidadosamente elaboradas — não foram divulgadas com menor cuidado por Mr. seria necessária uma exposição completa de toda a doutrina a respeito da evolução da cadeia planetária. Não há lugar em que esta lei não funcione. mas quando o ativo poder do mal que os gerou se esgota. está sempre em 99 . verifica seu próprio crescimento individual lentamente. Esta é a explicação do modo como o caráter de cada uma das Rondas difere das que lhe antecederam. comparativamente às pesquisas completas da ciência esotérica da qual foi Buda um expositor eminente. céus e infernos — tende sempre à renovação ou destruição. aos enigmas que a Natureza pode conter. nem inferno. Rhys Davids que a conclusão negativa já citada. de modo sucinto. o impulso de vida percorre a escala da evolução com uma facilidade só concebível pela ajuda do esclarecimento proporcionado pela Embriologia. para colocá-lo na verdadeira pista. diz: "Quando Malunka perguntou a Buda se a existência do mundo era ou não eterna. à medida que avança a onda da maré humana. Não se exija de mim nenhuma comparação perfeita do Budismo Exotérico com os aspectos da Natureza que até agora foram expostos. querer inferir de seu silêncio que tomava a pergunta como sem nenhum proveito. sem colocar o indagador numa pista falsa. Sustenta que todas as coisas estão sujeitas à lei da causa e efeito e que todas elas estão constante embora imperceptivelmente mudando. ser rapidamente lembrados. como foi um proeminente instrutor moral para o povo. O trabalho evolucionário ocorrido uma vez é logo repetido. dos homens ou dos anjos. Os hiatos existentes nos anais públicos dos ensinamentos budistas agora são facilmente preenchidos. como verdade." Na verdade. não recebeu resposta. Com o auxílio das informações ora comunicadas. é um equívoco. Então. pode ser rapidamente repetido. por sua ordem. não existe nem céu. ao atingir a perfeição do tipo humano. se desvanecem. Na obra de Mr. em que é natural que se tenha caído. mas os anjos morrem. no sentido corrente da palavra. e os mundos nos quais moram deixam de existir. pois na verdade nada pode ser mais completo. mas a causa do silêncio era que o Mestre considerava a pergunta sem proveito. portanto. Na primeira Ronda. pois. e quase não avança. expondo todos os fatos sob nova luz. em poucos meses. Os mundos por eles habitados não são eternos. cuja existência é mais ou menos material conforme a maior ou menor santidade de suas vidas anteriores. de Hardy. na proporção dos primitivos estados de seu desenvolvimento inicial. O mesmo ocorre com a evolução da humanidade em cada um dos planetas. As próprias idéias de Natureza estão sujeitas à evolução. agora difundida por todo o assunto. assim como a criança que. e. deparo o seguinte: "O Budismo não tenta resolver o problema da origem primária de todas as coisas". mas bastante compreensível somente para dar ao leitor uma visão geral do sistema em toda sua grandeza. "O Budismo considera como última verdade a existência do mundo material e seres conscientes vivendo nele. o processo é bem lento. e com clareza se verá a razão de sua existência. originam seres desgraçados. Existem mundos onde vivem anjos.

quanto à doutrina. ou antes completamente explorada 100 . "os mundos onde os anjos vivem" e assim por diante — os níveis do estado devachânico vividamente reais. efetivamente. que precedem aquela inimaginável e re mota emergência no estado não-individualizado. nesta vida. derivada de fontes exotéricas. constitui quase um absurdo. se não simultaneamente. o não-iniciado pelo menos. permitam-me aduzir. Mr. pois idéias semelhantes estão no fundamento das filosofias indianas primitivas. uma nova hipótese. Porém. podem-se encontrar tais ensinamentos em outros sistemas bem distintos em tempo e lugar.) "De fato. na absoluta consciência do Paranirvana. Nesta lei universal de composição e de dissolução. Mas. O mesmo que ocorreu quanto ao Nirvana. Rhys Davids afirma. em sua forma popular são caricaturas muito próximas às concepções correspondentes da ciência esotérica. do mal que supunham explicar. esta filosofia não vê no universo. embora subjetivos — estão efetivamente na Natureza. Sobre esse assunto voltarei a tratar mais adiante. e em nada contribuíram para a renovação aqui. mas sempre progressivas. os imutáveis céus e infernos da lenda monacal. na verdade muito diferentes." Pois bem. de modo algum. sob a impressão de que se tratavam de opiniões budistas relativas a estados que acontecem imediatamente a esta vida. que se relaciona às personalidades físicas." (Certamente. este parágrafo serve de exemplo para demonstrar como as noções populares da filosofia budista se distanciam de todas as luzes da verdadeira filosofia esotérica. ocorreu com a ilusão da individualidade. A transmigração do Budismo é a transmigração da teoria evolucionista de Darwin. os homens e os deuses não constituem exceção. assim como tampouco na crença de qualquer ilustre pensador asiático ou europeu. antes citada: "Tais ensinamentos não são. perante alguns dos remotos elementos da grande doutrina. colocada fora de seu contexto no corpo geral da doutrina. O mesmo sucede com todas as outras concepções populares budistas que passamos em revista. O Budismo. Assim. ao adotar a idéia geral do Bramanismo pós-védico. A unidade de forças que forma um ser sensível. O Budismo não crê em nada que se assemelhe à passagem para trás e para a frente nas formas animais e humanas. A emergência fina do perfeito Homem-deus ou Dhyan Chohan. doutrina essa que parece ter originado independentemente. a noção de que a individualidade é uma ilusão e que a dissolução final do ser sensível como essa ilusão é perfeitamente ininteligível. E o Budismo. com bastante razão. A palavra transmigração foi utilizada em diferentes épocas e lugares. deve mais tarde ou mais cedo ser dissolvida. ainda para nós inconcebíveis.processo de mudança. não tem nada a ver. sem necessitar explicações mais completas a respeito dos múltiplos evos de vida individual em condições de exaltação espiritual. peculiaridades do Budismo. A declaração. com referência ao resumo da doutrina budista. é formado de uma série de revoluções ou ciclos. ficaram perplexos. e somente por ignorância e ilusão esse ser sonha que é uma entidade separada e existente por si mesma. é a filosofia indiana primitiva. do modo mais lamentável. com a "heresia da individualidade"." Este livro terá desfeito as interpretações errôneas sobre as quais se apóiam essas observações. mas porque será sentida como verdade sublime ao admitir seu devido lugar na relação com outras verdades. podia ter-lhes atribuído uma expressão mais definitiva. para teorias diferentes. ao se relacionar com a verdade neles contida. modificou-a de tal modo que chegou a formar. no vale do Ganges e no vale do Nilo. em nascimentos passados e futuros. pelo fato de que o Budismo. Tanto a hipótese nova como a velha referem-se à vida. Este estado deve estar em alguma parte do futuro. concebeu ainda a respeito dele sequer o mais fraco vislumbre de suposição. Certamente. que é o que muita gente concebe como sendo o princípio da transmigração. Os escritores que se ocuparam da doutrina budista. se não se tivesse apropriado também da crença referente à curiosa doutrina da transmigração. mas é de tal natureza que nenhum filósofo. cientificamente desenvolvida. cujo princípio e fim são igualmente incognoscíveis e desconhecidos. não só porque não se pode considerar um insulto ao entendimento.

possui uma existência inconsciente depois da morte. E finalmente outras oito que ensinam que a alma. na Theosophist. Ao mesmo tempo. foi estabelecida de forma inteligível. tanha. nem homens o verão. esse trecho parecerá em flagrante contradição com os ensinamentos do Budismo. a respeito da origem do mal. ambas as coisas ou nenhuma delas. Nem seria possível para esses subsídios sugerir a verdadeira explicação do trecho do Brahmajala sutra citado logo após: "Depois de fazer ver como se originou a crença infundada na eterna existência de Deus ou de deuses. Os renascimentos dos Egos humanos na existência objetiva. Tendo por objeto o esforço da Natureza em uma nova colheita de Dhyan Chohans. em seus oito sistemas correspondentes. mas depois de acabada a vida. Desde que alguns fragmentos da grande revelação. tal como se aplica à questão da imortalidade humana. que continua existindo de alguma forma depois da morte?" Com efeito. como a nega a passagem citada. às vezes.em ambas as direções.' Seria possível negar. não é possível reconciliar diferentes opiniões sobre os diversos aspectos desta questão da imortalidade. Além disso. nos limites de suas prerrogativas. cada vez que se desenvolve um sistema planetário. mas seu corpo ainda fica. seja o que for. nem deuses. outras. que se referem às sucessivas passagens da mesma individualidade através de várias encarnações. aquilo que liga o Mestre à existência (isto é. Buda está tratando da personalidade astral. enquanto nada. No trecho anteriormente citado. ou que é ambas as coisas ou nenhuma delas. o desenvolvimento incidental do mal transitório é uma conseqüência inevitável sob a ação das forças ou processos mencionados. Existem mais oito heresias que ensinam que a alma material ou imaterial. que considera errôneas. que este volume contém. foram publicados nos dois últimos anos. ou nem em um nem em outro. em verdade. que terá um ou muitos modos de consciência. de forma mais cabal e categórica. que suas percepções serão poucas ou ilimitadas. nem inconsciente. tendo alcançado a humanidade. se o leitor quiser tornar agora o livro de Mr. Mas ocorrem referências. de um modo cabal e decisivo. como a caricatura da transmigração que esse retrocesso implica. nada que defenda a noção de que qualquer criatura humana. dos materiais exotéricos nele empregados. Mendicantes — conclui o sermão —. para os estudantes exotéricos. nos quais o próprio Buda era. Jamais se encontrará. outra espécie. Sem compreender os sete princípios do homem. animal e. À explicação foi cabalmente dada no capítulo que trata do Devachan e nos parágrafos citados ali do Catecismo budista. estados que por sua vez são inevitáveis no gigantesco processo empreendido. Mas eles se referem ao curso remoto da evolução pré-humana da qual sua visão aberta lhes proporcionava uma visão retrospectiva. que permanecerá em um estado de gozo ou de miséria. seria tão ineficaz como explicação da origem do mal. existe após a morte em um estado nem consciente. unidos na operação do karma físico e as funções inevitáveis do livre-arbítrio. enquanto a imortalidade reconhecida pela doutrina esotérica é a da individualidade espiritual. retroceda ao reino animal. será visto por deuses e homens. com tanta clareza. nos anteriores 101 . explicam a origem do mal. finita ou infinita. há de se convencer da inútil tentativa de deduzir qualquer teoria racional. sede) foi cortado. do Coronel Olcott. Estas são as dezesseis heresias que ensinam uma existência consciente depois da morte. Mas a chave agora oferecida deixa a aparente contradição livre de toda dificuldade. ou ambas ou nenhuma das duas. passa Gautama a discutir a questão da alma e indica 32 crenças relativas a ela. em qualquer escrito budista. Os escritos budistas contêm alusões a nascimentos anteriores. depois da dissolução do corpo. a importante distinção entre personalidade e individualidade. Enquanto seu corpo permanece. Estas são resumidamente como segue: 'Em que princípio ou sobre que terreno sustentam estes mendicantes ou brâmanes a doutrina da existência futura? Ensinam que a alma é material ou imaterial. que existe a alma — algo. Davids e examinar o longo parágrafo desse assunto e a respeito das skandhas. o que em outra linha de pensamento talvez assuma a existência de uma alma transmissível.

p. que Mr. com tais e tais propriedades e relações". assim também coloca o "incompreensível mistério" do karma. sem perceber. numa base perfeitamente inteligível e científica." Ninguém poderá ler isto ou qualquer outro trecho do capítulo donde foi extraído. consideram o espírito como algo completamente diferente da alma. para lançar uma ponte através do vazio que fica entre uma vida e outra. que a doutrina esotérica era completamente familiar ao autor — por mais que tenha sido eu quem recebeu o privilégio de expô-la pela primeira vez. recorre ao desesperado expediente de um mistério. Reportando-nos ao mais recente dos livros ocultos. Mas o sentimento do "eu sou eu" é o mesmo através das três vidas. é um absurdo. possa mudar seu nome de tempos em tempos. assim como através de centenas delas. quando o reluzente fio que une o espírito à alma. Admitiam sua presença na cápsula astral somente quanto às emanações ou raios espirituais do 'resplandecente'. no caso de sucesso. imortal e eterna de per si mesmo até no caso de criminosos sem redenção. não de seu corpo e alma. Se bem que a palavra 'personalidade'. de tal altura. diz-se que em vista de que o Budismo "não reconhece a existência de uma alma". por assim dizer. mas a ânsia pela continuidade da existência pessoal — pois a reminiscência completa que sempre se tem daquelas circunstâncias transitórias de nossa presente vida física constituem a personalidade — é claramente nada mais do que uma passageira fraqueza da carne.escritos ocultos. Para muita gente não será razoável dizer que qualquer pessoa vivente hoje. dentre uma dúzia de parágrafos. com suas lembranças limitadas pêlos anos de sua infância. ou mesmo que reaparecerá. vindo a casar-se talvez em cada nova geração perdendo uma propriedade aqui. 315 102 . E. embora em alguns trechos esteja vazado de tal modo que quase fica transparente. numa linguagem clara e inequívoca. O homem e a alma tinham que conquistar sua imortalidade subindo para a unidade. após um lapso de tempo ou sob condições futuras inteiramente novas. para elucidar o ponto que visamos. Aqui está um: "Os filósofos que explicaram a queda na geração. em poucos milhares de anos. o Ego será o mesmo. Será inconcebível que — como noção mental — John Smith. A individualização do homem após a morte depende do espírito. por uma variedade de diferentes empresas. à luz das explicações dadas no presente volume. interrompida e retomada a intervalos regulares e variada com permanências em estados mais puros de existência? Do mesmo modo como a doutrina esotérica mostra o conflito aparente entre a identidade das sucessivas individualidades e a "heresia" da individualidade. se for aplicada literalmente à nossa essência imortal. se uniam afinal e eram absorvidos. esta essência constitui uma entidade distinta. ou a dissolver-se no éter e a sofrer a aniquilação de sua individualidade — ainda assim o espírito permanece sem ser distinto19. em algum 19 Isis Unveiled. é violentamente rompido e fica a entidade desencarnada abandonada a compartilhar do destino dos animais inferiores. adquirindo outra ali. como se os incidentes dessa vida não houvessem nunca ocorrido? Sem dúvida. a partir do nascimento de uma criança. É preciso algum esforço mental para diferenciar personalidade de individualidade. se isto é concebível para a imaginação. Entretanto. volume I. no sentido que geralmente é entendida. herdeiro do dom de Tithonus. que viveu há milhares de anos. porque esse sentimento está mais profundamente arraigado do que aquele que expressa "eu sou John Smith. com tal peso. que se podem agora invocar como prova do fato de que os escritores antigos estavam inteiramente cientes da própria doutrina. A respeito disso. nos quais ainda subsiste o véu da obscuridade ocultando a doutrina à observação superficial. a seu modo. com a qual. de todas as circunstâncias relacionadas à vida presente de John Smith. é o mesmo indivíduo que qualquer um de diferente nacionalidade e época. à medida que transcorre o tempo. podemos tomar qualquer um. e será inconcebível — repito — que tal pessoa assim se esqueça. e se interessando. Rhys Davids trata tão sumariamente. o que pode haver de inconcebível na continuidade individual de uma vida intermitente.

E condena a ideia como uma "ficção não existente do cérebro". mas se concentra na formação de um novo ser sensível. Mas a mancha de ferrugem aparece. e se não nesta vida. sem ter achado o fato. converte-se num assunto relativamente simples. porque fosse incompreensível para o vulgo. a doutrina do karma tem uma história bem mais simples e dispensa essa sutil interpretação. deixa na sombra alguns mistérios insondáveis. como muitas outras coisas. ainda maior. a ciência esotérica. ou seja. ele próprio e não outro é quem semeou. um mistério. com elas vai ao Devachan. e porque se une a uma molécula de ferro da viga sobre a qual cai. em algum nascimento anterior. foi declarada por Buda um mistério incompreensível. por outro. pode caber no sentimento budista. ele deve tê-lo semeado. o Budismo está convencido de que se um homem colhe tristeza. Certamente. podemos. Não irei explicar por meio de quais exatas mudanças moleculares as mais elevadas afinidades. com relação ao Budismo. constitutivas do karma. por assim dizer. tomado do ponto de vista budista. O Budismo pretende considerar a palavra 'alma'. em muitas correntes separadas. os estudantes de seus fenômenos físicos. senão só uma das vinte ilusões diferentes que cegam a vista dos homens. dos que crêem na existência isolada de alguma entidade denominada alma. isso mesmo ele colherá'. os erros. em alguma época. Quer dizer novo em seus aspectos constitutivos e em suas faculdades. desengano. mas uma vez conhecidas as grandes linhas daquela ciência. com a qual estava combinada no pingo de água. há. e as questões referentes a ela foram assim postas de lado. que devem produzir pleno efeito. Onde. em seu karma. e. identidade entre o que semeia e o que colhe? Naquilo que exclusivamente permanece após a morte de um homem. a doutrina do karma. seja no sentido do prazer. Ele diz: "O karma. Irritado como se sente. O mesmo acontece com o karma: o quinto princípio recolhe as afinidades de suas boas e más ações durante sua passagem pela vida. em seu ser. do mesmo modo que a Química para seus "chelas laicos". entretanto devota paciência e grande ingenuidade mental ao esforço de desenvolver algo que pareça uma concepção racional metafísica das confusas expressões relativas ao karma. no sentido em que o é igualmente a afinidade do ácido sulfúrico para com o cobre e a afinidade. seja no da dor. neste caso. portanto. Como muitos outros fenômenos da Natureza relacionados com o futuro. pois. Familiarizados com a doutrina "Qualquer que seja o que um homem semeie. dor." Nada pode ser mais engenhoso do que essa tentativa de inventar. E a grande peculiaridade do Budismo consiste nisto: o resultado do que o homem é ou faz não se dissipa. o extremo irreligioso dos que não acreditam na justiça moral e na retribuição. e as partes constitutivas do ser sensível dissolvem-se. o pecado. nos escritos budistas. em seu karma bom ou mau (literalmente. em sua conduta. também. Contudo. seu modo de agir). uma explicação de seu "mistério". evita o extremo supersticioso. apoiando-se na suposição de que os autores do mistério geraram-no como "expediente desesperado" para cobrir sua retirada de uma posição insustentável. que não morre. também o seria para os iniciados na doutrina esotérica. o karma. compreender o dogma budista (por mais que se contraponha a nossas noções cristas) de que nenhum poder exterior é capaz de destruir o fruto das ações do homem. por um lado. para seus "chelas laicos". e afirma-se que foi encontrada a explicação científica do fato ao serem compreendidas suas afinidades e ao se recorrer a elas. no tocante ao fato que se propõe abranger. que seja o que for que um homem colha. que experimenta pelo ferro. Mas a ciência corrente não está melhor qualificada para dizer o que é que leva uma molécula de oxigênio a abandonar a molécula de hidrogênio. no resultado de suas ações. palavras e pensamentos. onde as que estão 103 . Era impossível explicar sem fazer referência à doutrina esotérica.outro lugar. ou seja. E já familiarizados com a doutrina a respeito da indestrutibilidade da força. com o que considera o absurdo da doutrina. se mantêm nos elementos permanentes do seu quinto princípio. Na verdade. Mas Buda não quis dizer que. mas permanecendo o mesmo em sua essência.

por assim dizer.a explicação da Filosofia Budista que os materiais esotéricos possibilitam dar — que "não pareça repulsivo por todos esses 2. O fato de que estas se enfeixaram ao redor do Budismo deve-se a que intérpretes externos de fortuitos indícios doutrinais não podiam ser inteiramente suprimidos do simples sistema de moral prescrito para o povo. há de se ver quão pouco depende. exceto no sentido de que a nova estrutura corpórea desenvolvida constitui um novo instrumento de sensação. a mônada espiritual carregada de karma irá àquela encarnação com a qual a unem suas misteriosas atrações. estranho seria se as bases do Budismo tivessem repousado sobre fundações tão frágeis. 104 . Sua aparente fragilidade é devida simplesmente ao fato de que sua poderosa estrutura de conhecimentos permaneceu velada até agora. que confiaram na magnífica ponte aparente que o Budismo tentou construir sobre o rio dos mistérios e pesares da vida. Não ocorre nesse processo nenhuma criação de um novo ser sensível. se arremessará àquela com a qual tenha maior afinidade. O que nela reside.300 anos e mais. em qualquer aspecto. é o antigo Ego — separado completamente pelo esquecimento de sua última série de aventuras na Terra. que por sua vez se convertem em causas. Com efeito. complexidade de pormenor. daquele estado. infinitamente complexas também na própria Natureza em suas manifestações.. é meramente uma palavra —esta maravilhosa hipótese. Há também. uma lei que se ramifica de forma infinita. numa interminável progressão cíclica. é verdade. posta em presença de uma centena de outras moléculas. das vagas sutilezas da metafísica. como a da própria Natureza. por mais invariáveis e uniformes que sejam em suas finalidades. E com a mesma certeza com que a molécula de oxigênio. passando depois. é verdade. frutificam e florescem em prodigiosa abundância. esta causa imaginária fora do alcance da razão — a individualizada e a individualizante graça do karma". o laço de união entre uma vida e outra. Mas sempre encontramos a imutável doutrina das causas e seus efeitos. a muitos corações ardentes e desesperados. novamente. No que realmente constitui o Budismo. com aquelas que não esgotaram sua energia.harmoniosas com o ambiente. este aéreo nada. ao mundo objetivo. Agora que foi desvelada a doutrina interna. deparamos uma sublime simplicidade. mas tendo alcançado seu fruto — é o mesmo "eu sou eu" que antes. Rhys Davids: "É estranho tudo isso" . Não conseguiram ver que a pedra fundamental.. o que sente alegria ou tristeza. Segundo Mr.

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