Fernanda Barros Abras Pedro Henrique Nogueira Penido

De gatekeeper a cartógrafo da informação: a reconfiguração do papel do jornalista na web

Belo Horizonte Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Fumec 2006

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Fernanda Barros Abras Pedro Henrique Nogueira Penido

De gatekeeper a cartógrafo da informação: a reconfiguração do papel do jornalista na web

Monografia apresentada ao Curso de Graduação da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Fumec como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Orientador: Prof. Ms. Jorge Rocha Neto da Conceição

Belo Horizonte Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Fumec 2006

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Universidade Fumec Faculdade de Ciências Humanas Curso de Comunicação Social Habilitação em Jornalismo

Monografia intitulada “De gatekeeper a cartógrafo da informação: a reconfiguração do papel do jornalista na web”, de autoria dos bacharelandos Fernanda Barros Abras e Pedro Henrique Nogueira Penido, aprovada pela banca examinadora constituída pelos seguintes professores:

______________________________________________________________ Prof. Ms. Jorge Rocha Neto da Conceição - Orientador

______________________________________________________________ Prof.

______________________________________________________________ Prof.

Belo Horizonte, 13 de novembro de 2006

4 Dedicamos este trabalho a todos que contribuem para a evolução da pesquisa em cibercultura. especialmente àqueles que fazem avançar os estudos referentes ao webjornalismo. .

por nos apresentar e fazer crescer o jornalismo na web. professor Jorge Rocha. por terem nos proporcionado o saber específico para o exercício da profissão. .5 Agradecemos ao nosso orientador. porém desafiadora. Aos demais professores. A todos que amamos e que nos apoiaram nessa etapa tão desgastante.

6 “É possível encontrar e mostrar. Pierre Lévy . o aprendizado e o ensino serão transformados por estas novas possibilidades de indexação. a palavra e a escuta. produzidas ou captadas pelo artifício humano”. contendo o conjunto das imagens artísticas. registradas ou simuladas. A escrita e a leitura. quase tudo aquilo que pode ser captado na esfera digital. O ciberespaço em seu conjunto pode ser considerado como um hiperícone vivo. a partir de qualquer ponto da rede. científicas.

7 RESUMO A Internet atualmente faz parte do cotidiano de milhões de pessoas. o que vem afetando marcos teóricos tradicionais da comunicação. Atribuições clássicas do profissional. os processos comunicacionais. conseqüentemente. proporcionam à audiência a possibilidade de publicar conteúdo e colaborar na produção jornalística. vêm cedendo espaço a uma nova forma de mediação: a cartografia da informação. Hoje. a web já é percebida como uma mídia com fazer jornalístico específico: o webjornalismo. como gatekeeper e agenda-setter. . As características interacionais e hipermidiáticas da rede. como os processos de gatekeeping e agenda-setting. Assim. o papel do jornalista vem se reconfigurando à medida que os recursos que a web oferece são utilizados de forma a aproveitar as suas potencialidades. aliadas ao seu caráter descentralizado. Sua expansão afetou as relações sociais e.

...............................................................................................................................1..........................................14 1..................2 Meios de Comunicação de Massa versus Meios de Comunicação Interativos ........................................1.................................................................................................................................................................................................56 3.........55 3............................................1 Conceito de Ciberespaço ........38 2......1 Histórico ...................................................................................4 O ciberespaço como fonte e meio de escoamento de produção.......................................................................3 Análise ............................................................3 Cartografia da Informação ....34 2...3 O Jornalismo na Internet .........30 2 DO PENSAMENTO MASSIVO À PERSPECTIVA SISTÊMICO-RELACIONAL ................................................................................62 3....................................................................................................................2....................41 3 ANÁLISE DE SITES ...........................................2 NoMínimo .................................62 3..............62 3............................................................1 Hipótese do Newsmaking ............................................................................................................................................................................................1.14 1...............10 1 CIBERESPAÇO ..............................55 3....................................2 Hipótese da Agenda-Setting ..................................2 Planejamento Editorial .........24 1....34 2....2....................................................................63 ....2........................................................2 Planejamento Editorial .......1 Histórico ..........51 3...............3 Análise .............................................................57 3..............8 SUMÁRIO INTRODUÇÃO ................1 Caros Amigos ...................................................................................................................................................17 1........................................

...........................68 3.81 REFERÊNCIAS ....................................................................................................................................................2 Planejamento Editorial ..................70 CONSIDERAÇÕES FINAIS..................................3 Análise .....................................90 ..............................................................................................................................................................68 3...............................................3.......................85 ANEXOS .3..................................................................9 3.......................................................................................................3.......................................1 Histórico ........................................69 3...................................3 OhMyNews International .......................

trabalhadas na pesquisa norte-americana (Mass Communication Research). utilizando apenas um microcomputador com acesso à rede. ou seja. o poder de publicar qualquer conteúdo. Além de seu poder de atualização constante. os modelos teóricos da comunicação de massa que têm o gatekeeper como figura central passam a ter sua aplicabilidade questionada no que se refere às Novas Tecnologias da Informação e Comunicação (NTICs). a Internet propiciou à audiência. a web é entendida como uma mídia que possui um fazer jornalístico específico: o webjornalismo. o processo de gatekeeping vem sendo minimizado na Internet. As possibilidades de interação oferecidas pela web romperam com fórmulas engessadas do fazer jornalístico tradicional. há a tendência de se . Apesar de alguns autores enquadrarem erroneamente a Internet em paradigmas antigos e relacionados aos meios de comunicação de massa.10 INTRODUÇÃO A presença da Internet na sociedade passou de privilégio a necessidade. principalmente por conta das possibilidades de interlocução entre produtores de conteúdo e audiência. Isso significa que o campo jornalístico ligado ao broadcasting perdeu a exclusividade na disseminação de informações. este trabalho discute e questiona a aplicação. que são estimuladas nesta mídia. Se no princípio a grande rede de computadores era percebida apenas como ferramenta para auxiliar o trabalho jornalístico dos veículos tradicionais – e mais tarde utilizada como extensão dessas publicações – hoje. Esses estudos se voltam para o processo de produção da notícia e seus efeitos sobre o público. Dessa forma. na mídia interativa. das hipóteses do Newsmaking e da Agenda-setting. Sendo assim. pela primeira vez.

está também trazendo à tona uma nova forma de mediação jornalística: a cartografia da informação. senão o principal. reúne. posicionam-se ora como emissores. Às atribuições habituais do jornalista – e considerando a redução do seu monopólio na publicação do que vai figurar na esfera pública – somam-se os papéis de sistematizador e correlacionador de conteúdos. O caráter descentralizado da Internet – proporcionado pela arquitetura em forma de teia – propicia uma comunicação horizontal que. Enfim. gerando um novo conceito: o termo prosumidores. Se a World Wide Web vem afetando os diversos aspectos da realidade jornalística. um deles. ao participarem ativamente da ação comunicativa. as noções de produtor e consumidor de informação se amalgamam no interagente na web. . aliada às especificidades interacionais da rede. de elemento de ligação entre os diversos discursos (divergentes e consensuais). aquele que indica. refere-se ao profissional do jornalismo. além de modificar os modos de acesso à informação e os modelos tradicionais de comunicação. aproxima e constrói narrativas explorando as potencialidades da hipermídia. Sendo assim. Os membros da audiência na web. ora como receptores. já que esses papéis são constantemente permutados entre os diversos atores que intervêm nessa mesma ação. subverte a noção hierárquica de emissão e recepção presente nos estudos tradicionais da comunicação.11 utilizar um novo paradigma – uma abordagem sistêmico-relacional – que ainda se encontra em desenvolvimento. ao webjornalista cabe – dentro de um ambiente em que o fluxo informacional cresce a cada segundo – evitar a insuficiência ou a sobrecarga cognitiva. cartografando a informação dentro do ciberespaço. A Internet.

apresentamos as hipóteses do Newsmaking e da Agenda-setting. ainda. ainda nesta parte. contrapondo-as à nova mediação que o jornalista assume na web: a cartografia da informação. reconfiguram o espaço público. contraditórios ou não. por meio dos sistemas broadcast (ou top-down news) e intercast (ou bottom-up news). à medida que novos indivíduos são incorporados na produção de discursos diversos. . a evolução da prática jornalística na Internet desde meados da década de 1990. Portanto. que atuam. O primeiro traz a conceituação de ciberespaço – espaço em que a reconfiguração do papel do jornalista acontece – e apresenta as diferenças entre os meios de comunicação de massa e os interativos. e aborda o jornalismo online como versões digitais de veículos tradicionais e o webjornalismo como publicações pensadas exclusivamente para web. conseqüentemente. O capítulo mostra. respectivamente. Para tanto. Apresenta-se. este presente trabalho visa a analisar o impacto da participação da audiência na produção da notícia e como o papel do jornalista vem se reconfigurando para atender a essa nova demanda do público leitor: participar. que leva em conta a participação dos prosumidores/interagentes. foi dividido em três capítulos. resta compreender que as especificidades do meio interacional transformam as relações sociais e. O segundo capítulo aborda a transição.12 E para que o cartógrafo de informação possa desempenhar adequadamente esse novo tipo de mediação. Para isso. entre um modus operandi ainda massivo até o funcionamento sistêmico-relacional dos sites de conteúdo colaborativo. desde que o jornalismo vem sendo praticado na Internet. o ciberespaço como o ambiente no qual se desenvolvem todas as etapas do trabalho webjornalístico. originárias da comunicação de massa. quando a web começou a ser utilizada como mídia.

13 A terceira parte destina-se às análises de sites que exemplificam a transição exposta no segundo capítulo. em relação às praticas jornalísticas de outras mídias. de forma apropriada. que. NoMínimo e OhMyNews International. Foram analisados os sites Caros Amigos. . Este trabalho não pretende atribuir ao webjornalismo. que não substitui as demais. mas apresenta uma alternativa para a realização de um jornalismo que contemple mais o interesse público. das potencialidades dessa nova mídia – a Internet –. A intenção é discutir as especificidades dessa nova práxis e a aplicação. nessa ordem. demonstram a evolução entre um modo de atuação ainda ligado à experiências das mídias tradicionais e uma nova práxis exclusiva da mídia Internet. o caráter de mais avançado ou melhor.

De fato. a maioria discando a partir de linhas telefônicas. Disponível em http://www.14 1 CIBERESPAÇO 1. que se compõe de um conjunto de redes de computadores através das quais todas as informações (sob as suas mais diversas formas) circulam”. de 1984.pdf Acesso em: 19/08/2006 2 1 .5 bilhão de computadores estarão conectados por meio de banda-larga de alta velocidade e outros 2. most dialing in trough telephone lines. Desde então. Esse termo – do inglês cyberspace – foi criado por William Gibson. a Intel prevê que mais de 1.net/wemedia/download/we_media. a “rede das redes” é a faceta mais aparente do ciberespaço. Até o final de 2010.br/CIBER. já que atualmente a Internet faz parte do cotidiano de milhões de pessoas. Disponível em http://www.5 bilhões de aparelhos telefônicos [celulares] terão mais capacidade de processamento que os computadores atuais” [tradução nossa].1 Conceito de ciberespaço Para compreender de que forma se dão as modificações na prática jornalística a serem explicitadas neste trabalho. é necessário melhor dimensionar o ambiente informacional onde essas mudanças acontecem: o ciberespaço. BOWMAN. apud Lemos1. essa definição de Gibson foi se transformando.eng.html Acesso em: 19/08/2006 “Hoje um bilhão de computadores estão conectados à rede.futuro. We Media: How the audiences are shaping the future of news and information. By the end of 2010.5 billion computers will be connected via high-speed broadband and another 2. “um espaço não físico ou territorial. o termo ciberespaço caiu em senso comum e vem sendo usado erroneamente como sinônimo para Internet – que representa o suporte midiático. Intel predicts that more than 1. Com a rápida expansão das redes de computadores. Para Gibson. conforme apontam os estudos do Media Center: “Today one billion computers are connected to the Internet.hypergene. no seu livro Neuromancer. Chris. Shayne & WILLIS. o ciberespaço é uma “alucinação consensual”.5 billion phones will have more processing power than today's PCs”2.

aparelhos.. com o passar do tempo e com a aplicação prática. programas e dados). em todo o planeta (BBS3. um novo ambiente que rompe com a limitação das distâncias físicas para oferecer uma dimensão em que predomina o tempo real e imediato. foi dada por Pierre Lévy (2000:92). as pessoas. cultural e comunitário) que se desdobra das inter-relações homem-máquina. dinâmicas e manifestações emergentes a partir do momento em que ocorrem em interação com dispositivos computacionais”. finalmente. Internet.. os indivíduos também são incluídos na composição do ciberespaço. (2002:132) concebe o ciberespaço como “a grande miríade de artefatos. que define o ciberespaço por meio de duas perspectivas: “como o lugar onde estamos quando entramos num ambiente virtual (realidade virtual). além da infra-estrutura técnica. Dessa forma. Essa é uma definição que foi. e como o conjunto de redes de computadores. com todo esse seu potencial midiático de crescimento. social. O encontro desses elementos permite a criação de novos vínculos sociais. redes. .15 Uma das primeiras tentativas de conceituação. após a transformação da ficção de Gibson em realidade. videotextos. Pierre Lévy (2004:369) levanta a hipótese de que “a revolução do ciberespaço vai reestruturar profundamente a esfera 3 Bulletin Board System: Um dos primeiros sistemas de troca de informações por computador. percebe-se que. o espaço (virtual. Para demonstrar esta evolução conceitual. podemos recorrer inicialmente a Lemos. interligadas ou não. grupos e instituições que participam dessa interconectividade e. Já Silva Jr. A Internet. deve ser entendida como um dos componentes do ciberespaço. conforme atesta Leão (2003:158): O ciberespaço engloba: as redes de computadores interligados no planeta (incluindo seus documentos. que definiu o ciberespaço como “o espaço de comunicação aberto pela interconexão mundial dos computadores e das memórias dos computadores”. suplementada. informacional.)”.

o ciberespaço é um "não-lugar". El Hajji (2001) demonstra essa ruptura quando compara os fenômenos da mundialização e da globalização. .] consiste no deslocamento das instâncias de mediação política. que rearticulam as relações sociais e de produção. uma "u-topia" onde devemos repensar a significação sensorial de nossa civilização baseada em informações digitais. Para Lemos. 2001:75).. e a instituição do princípio de instantaneidade e de imediatez como base de regulação de nossa experiência significativa (EL HAJJI. de um social marcado pelo indivíduo autônomo e isolado ao coletivo tribal e digital”. A especificidade dessas tecnologias [.. Lemos afirma que o ciberespaço aparece. como o ambiente pelo qual toda a sociabilidade contemporânea passará. onde o corpo é suspenso pela abolição do espaço e pelas "personas" que entram em jogo nos mais diversos meios de sociabilização [. econômica e social da dimensão espacial para a temporal.]. Já a globalização é entendida por ele como um processo que “se inscreve na ordem info-temporal e tecno-organizacional”. Segundo o autor: O ciberespaço é concebido como um espaço transnacional..16 pública mundial. coletivas e imediatas. Esta “rede de inteligências coletivas” representa uma fronteira entre o concreto – em que espaço e tempo são entidades físicas bem definidas – e o imaterial – em que a noção de espaço é perdida em função da noção de tempo real. Assim sendo. proporcionado pela inserção das Novas Tecnologias de Informação e de Comunicação (NTICs). que se relaciona com a descoberta e a conquista de novas regiões do mundo pelos europeus. então. O autor se refere à mundialização como um fenômeno essencialmente espacial.. tal fato significa “a passagem da modernidade (onde o espaço é esculpido pelo tempo) à pós-modernidade (onde o tempo aniquila o espaço). o que terá profundas repercussões sobre a vida democrática”.

. de acordo com Vaz (2004:225). nas quais a sociabilidade era submetida à proximidade física.pdf Acesso em: 20/08/2006 . Belo Horizonte. Mas afinal.intercom. Francilaine Munhoz. uma fronteira entre o real e o virtual.2 Meios de Comunicação de Massa versus Meios de Comunicação Interativos Podemos considerar que as NTICs causaram impacto aos modelos teóricos tradicionais. no caso do ciberespaço. Disponível em http://reposcom. Setembro 2003. Fábio Henrique & MORAES.br/bitstream/1904/5145/1/NP2PEREIRA_FABIO. a proximidade é tecnológica. O surgimento de aparelhos e aparatos de transmissão rápida de informações.org. 1. aliados à informática e às telecomunicações. que “enquadram os meios de comunicação como um aspecto constitutivo do nascimento das sociedades de massa no final do século XIX”4. de todos com todos. a troca de mensagens assemelha-se a um diálogo ou ao que ocorre numa praça ou numa festa”. nas relações sociais e na cultura. As “tecnologias comunicacionais do disponível e do descartável” – expressão usada por Santaella (2002:48) para 4 PEREIRA. revela-se também como um retorno às sociedades tribais. ao mesmo tempo em que o ciberespaço representa uma ruptura. “Eis o sonho: com a internet. propiciou o aparecimento de meios não necessariamente considerados como massivos.] foi a emergência da comunicação planetária via redes de teleinformática que instalou definitivamente a crise nesse exclusivismo [dos meios de comunicação de massa] e. conseqüentemente. novos equipamentos começaram a provocar mudanças nos processos de comunicação e.17 Sendo assim. enfim. Só que. 2002:45).. [. Internet é mídia? Artigo apresentado no XXVI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom).portcom. a generalização do emprego da palavra mídia para se referir também a todos os processos de comunicação mediados por computador (SANTAELLA. A partir dos anos 1980. com ela.

valorizados como mercadoria. O objetivo era criar. Disponível em www.darpa. Em 1969.fmemoria. A vida intelectual e artística permaneceu durante toda a Idade Média e o Renascimento sob a tutela da Aristocracia e da Igreja e esse processo de autonomização foi acelerado pela Revolução Industrial.mil 5 . A Internet ficou restrita a objetivos militares até a década de 1990. potencializado pelo surgimento das NTICs. a comunicação entre os outros permaneceria intacta. no contexto da Guerra Fria. dentro do fenômeno da globalização. http://www. CDs e TV a cabo – deram início a um processo de desterritorialização e reorganização dos contextos culturais.pdf Acesso em: 28/08/2006 6 Agência do Departamento de Defesa Americano. Tal fato se deve à facilidade da circulação de conteúdos. hoje chamada The Defense Advanced Research Projects Agency (DARPA). conectando potencialmente qualquer ser humano no globo numa mesma rede gigantesca de transmissão e acesso que vem sendo chamada de ciberespaço. a informática permite que esses dados cruzem oceanos. continentes. ou seja. Catalizados pela multimídia e hipermídia. como resultado de interesses militares. caótica. que culmina na homogeneização dos bens simbólicos5. videoclips. período em que seu uso comercial foi liberado. 2002:52). Pierre Bourdieu chama de bens simbólicos o resultado do processo de autonomização da produção intelectual e artística. Aliada à telecomunicação. computadores e redes de comunicação passam assim por uma revolução acelerada no seio da qual a Internet. nos Estados Unidos. rede mundial das redes conectadas. videocassetes.br/teoriaecritica/img/mercado_dos_bens_simb. videojogos.com. hemisférios. explodiu de maneira espontânea. Os bens simbólicos são produtos. uma rede de computadores montada pela Advanced Research Projects Agency (ARPA)6 e operada pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos. culminando com sua expansão para todo o mundo. um sistema de interconexão – entre centros de pesquisa militares e acadêmicos espalhados pelo território norte-americano – que sobrevivesse a ataques nucleares. que nasceu no final da década de 1960. superabundante (SANTAELLA. Caso um desses pontos fosse destruído. Essa transformação citada por Santaella culmina com o advento da Internet. surgiu a Arpanet.18 se referir a fotocopiadoras. controle remoto.

com nós interligados e auto-suficientes. As matérias perdem profundidade e tornam-se valores de mercado que impulsionam uma marca. A primeira estratégia de publicação – broadcast (ou top-down news) – diz respeito ao processo quase linear utilizado pelas organizações comunicacionais tradicionais (ver figura 1). que se afastam dos repórteres. TV ou rádio. em que todos os nós são equivalentes e não existe um comando central.hypergene. regidas de acordo com decisões centralizadas. Apesar de ser provada a eficiência do sistema broadcast no trato à informação e sua devida disseminação entre os setores da sociedade. disseminadas para os patamares inferiores com feedback mínimo ou nenhum. a do jornal. na sociedade. Ao gerenciar o processo comunicacional nesta estrutura.pdf Acesso em: 19/08/2006 . proporciona uma comunicação horizontal. que se afastam de suas fontes e do leitor. Bowman & Willis7 chamam de broadcast (ou top-down news) e intercast (ou bottom-up news). esse sistema não é aplicável à comunicação interativa. 7 Disponível em http://www. o sistema broadcast impõe uma rigidez que desumaniza as relações entre os agentes envolvidos nos processos de comunicação. distanciando a Internet dos meios de comunicação de massa – que tradicionalmente possuem um processo de comunicação vertical. respectivamente. Essa arquitetura em forma de teia.19 Assim. os modos de atuação dos meios de comunicação de massa e dos meios de comunicação interativos. Os chefes afastam-se dos editores. a finalidade pela qual foi criada explica o caráter descentralizado da rede.net/wemedia/download/we_media. São estruturas sólidas e inflexíveis.

redatores. Desde a discussão da pauta. editores.pdf Acesso em 20/08/2006 [tradução nossa] 8 . entrevistados e repórteres em um único espaço de informação (ver figura 2). da base informativa. as instituições e seus agentes. Figura 2 . O sistema bottom-up news cresce como seu próprio nome denuncia: de baixo para cima. até apuração e futuras correções.hypergene. Ao fomentar a livre participação dos indivíduos na construção da mensagem.hypergene. testemunhas. do universo de informações que engloba a sociedade.pdf Acesso em 20/08/2006 [tradução nossa] 9 Disponível em http://www.Broadcast (ou top-down news)8 Já a segunda estratégia de publicação – intercast (ou bottom-up news) – possibilita a reunião de leitores. esse sistema privilegia a heterogeneidade em termos de expressão e associação. tudo pode ser feito nesses espaços que amalgamam as relações sociais. isto é.20 Figura 1 . à medida que encoraja o desempenho de diferentes papéis dentro de comunidades virtuais diversas.Intercast (ou bottom-up news)9 Disponível em http://www.net/wemedia/download/we_media.net/wemedia/download/we_media. especialistas.

Além disso. Um novo paradigma. nos meio convencionais. instituição.edu/vol1/issue4/morris. “This concept has been assumed to be a natural attributte of interpersonal communication. 11 “Esse conceito [interatividade] já foi assumido como atributo natural da comunicação interpessoal. não-massiva. especialista. aplicados aos meios de comunicação de massa.21 Além da estrutura descentralizada. etc) envolvidos na construção de conteúdos nesse sistema de interlocução horizontal. A Internet. The Internet as Mass Médium.html Acesso em: 26/08/2006 10 . Por isso. entusiasta. indiferenciáveis. ao contrário. Dessa forma. fonte. Para Wolf (1995:22-23): A massa é constituída por um conjunto homogêneo de indivíduos que [. com menos intensidade.. MORRIS.] é mais recentemente aplicado para todas as novas mídias” [tradução nossa]. mesmo que provenham de ambientes diferentes. os marcos teóricos tradicionais.. Merril & OGAN. como confirma Primo (2004:47): “a interação não deve ser vista como uma característica do meio. Brecht (1984) já pensava sobre o conceito na sua Interagentes são os indivíduos (jornalista. O termo interatividade ganhou força com o advento da Internet. já é utilizado por alguns autores: o da interatividade. ainda em desenvolvimento.indiana. Disponível em http://jcmc. heterogêneos. but […] it is more recently applied to all new media”11. possui uma audiência heterogênea.] são essencialmente iguais. o modo de atuação nessa nova mídia lhe confere o caráter de meio interativo. apesar de já ser presente. e de todos os grupos sociais. mas como um processo desenvolvido entre os interagentes10”. a comunicação gerada nesse novo meio vai contra o modelo de comunicação tradicional. Christine. que estão separadas umas das outras no espaço e que têm poucas ou nenhumas possibilidades de exercer uma acção ou uma influência recíprocas. tornam-se ineficientes para se avaliar a prática jornalística na rede... mas [. que possui uma audiência de massa. sendo então considerada como meio de comunicação interativo. a massa é composta por pessoas que não se conhecem. sendo cada um deles um nó na rede. De acordo com Morris & Ogan.

uma proposta para mudar o funcionamento do rádio: há que se transformar o rádio. e dentro mesmo da sociedade burguesa. por meio da Internet. um gerador de conteúdos13. una propuesta para cambiar el funcionamiento de la radio: hay que transformar la radio. no solamente oír al radioescucha. La radio sería el más fabuloso aparato de comunicación imaginable de la vida pública. 13 CAMPOS. um sistema de canalização fantástico. mas pôr-se em comunicação com ele [tradução nossa]. convertê-lo de aparato de distribuição para aparato de comunicação. não se isolar. Acesso em: 22/08/2006 . sino también hacerle hablar. seria não somente ouvir o rádio. sino también recibir. Brecht acreditava que essa situação só seria possível com a superação da sociedade burguesa. un sistema de canalización fantástico.htm. portanto. ele próprio. Para Mielniczuk (2001:175). A possibilidade de a audiência difundir informações confere à Internet uma interatividade bem mais significativa em comparação com as outras mídias. Finalmente. Segundo 12 [.22 "Teoria do Rádio".. mas também fazê-lo falar.terra. agora o receptor da informação pode ser. emissão e recepção do discurso.com. e sua utopia povoou o imaginário de quase todos os teóricos do rádio que vieram depois. lo sería si supiera no solamente transmitir. Ele imaginou um meio em que o ouvinte fosse também emissor: […] para descubrir lo positivo de la radiodifusión.br/educacao/pedrocampos/jornalismodigital. Pedro Celso. Disponível em http://paginas.. 1984:89)12. a capacidade igualitária de ação desses agentes de forma que possam influir no desenvolvimento do processo e a imprevisibilidade das ações. por tanto. y no aislarle. Jornalismo Digital: novos paradigmas de produção. algo equivalente aos telefonemas e cartas-dos-leitores no contato com os jornais (e também com o rádio e a própria TV). parecem estar dadas as condições técnicas para a sua realização. sino ponerse en comunicación con él (BRECHT. O rádio seria o mais fabuloso aparato de comunicação imaginável da vida pública. que esboçou entre 1927 e 1932. es decir. se servisse não somente para transmitir. a interatividade na comunicação é determinada por três fatores: uma ação comum entre dois ou mais agentes. convertirla de aparato de distribución en aparato de comunicación. mas também para receber. conforme aponta Campos: Enquanto na TV seu único instrumento de manipulação interativa era o controle remoto para “interferir” na programação.] para descobrir o positivo da radiodifusão.

Por se tratar de um atributo da comunicação interpessoal. O autor acrescenta que a interatividade se diferenciaria de termos como engajamento e envolvimento e seria uma variável direcionada pelo estímulo e determinada pela estrutura tecnológica do meio. a interação mútua deve ser compreendida em contraste com a interação reativa. a palavra “interação” não possui antecedentes na língua latina clássica. Ao se falar em interação mútua não se está querendo oferecer um pleonasmo. como é caso de se apertar este ou aquele botão em um ambiente virtual. Estabelece-se dois tipos de interação mediada por computador: reativa e mútua. A interação mútua é imprevisível. e esse relacionamento vai se definindo à medida que novas (inter)ações são realizadas. A interação reativa pressupõe previsibilidade e automatização das trocas. 14 . apud Primo (2004:45). 2004:54-55). Esse conceito se insere em uma discussão maior. but it is an underdefined concept”14. O autor utiliza o conceito de interação15 para definir a relação estabelecida entre os agentes da comunicação no meio digital. e deriva do verbo inglês to interact. pois cada ação dos participantes repercute na relação e no comportamento de todos os envolvidos. “interatividade é um termo usado amplamente com um apelo intuitivo. mas é um conceito subdefinido” [tradução de Primo]. Rafaeli. diz que “interactivity is a widely used term with an intuitive appeal. Visto que mesmo a reação mecânica será entendida como um tipo de interação. que significa agir reciprocamente. 15 Primo destaca que. de acordo com o Oxford English Dictionary. Diante de tantas conceituações. apud Primo (2004:37).23 Steuer. esse conceito também será usado neste trabalho. ocorrendo quando existem opções de escolha pré-determinadas e condicionantes. A palavra “mútua” foi escolhida para salientar as modificações recíprocas dos interagentes durante o processo (PRIMO. Primo (2004:51) afirma que os diversos enfoques utilizados para o termo interatividade levam a um conceito elástico e impreciso. segundo os estudos em lingüística histórica de Starobinsky. de 1839. a interatividade é definida como “a extensão em que os ‘usuários’ podem participar modificando a forma e o conteúdo do ambiente mediado em tempo real”.

24 As potencialidades de comunicação individuais e coletivas. . agora. nas quais os indivíduos interagem. reproduções de parte dos conteúdos das publicações impressas. na qual ele encontra as ferramentas necessárias para produzir a mensagem e. possibilita ao indivíduo criar seu próprio sistema comunicacional na rede. o que exige do jornalista uma nova postura diante da inserção de outros atores no processo da construção da notícia. A Internet era usada. muitas vezes suprimidas pelos meios de comunicação de massa. Têm-se. em meados da década de 1990. o mais importante. Durante esses anos em que a rede vem sendo usada para fins jornalísticos. Na primeira fase. Castells (2004) aponta que a comunicação horizontal. de cidadão a cidadão.ubi. não apresentando diferenças na estrutura das matérias. exercendo influências entre si e nos discursos. Silva Jr. apenas como vitrine das empresas midiáticas.bocc.pt/pag/junior-jose-afonso-interfaces-mediadoras. perceptiva e hipermidiática. novas condições para a prática jornalística.pdf Acesso em: 19/08/2006. 16 Disponível em www. em sua maioria. os produtos oferecidos eram. a transpositiva. pois a produção da mensagem deixa de ser monopolizada pelos grandes conglomerados da comunicação. então. 1. são redescobertas no ciberespaço com a formação de comunidades virtuais. o canal para veicular o que lhe convier. A atualização de conteúdo também seguia o deadline dos veículos originais.16 identificou três fases históricas distintas no desenvolvimento das publicações nesse meio: transpositiva.3 O jornalismo na Internet O jornalismo está presente na Internet desde que esta mídia começou a ser utilizada comercialmente.

25 A fase perceptiva caracteriza-se pela incorporação de alguns recursos oferecidos pela Internet. de ser disseminada em suportes e plataformas os mais distintos. são abertos espaços para enquetes e comentários do leitor. vídeos.. reunidos num processo narrativo em que o interagente não tem condições de agregar conteúdo. No entanto. Hipermídia: é a modalidade surgida da convergência entre as características do hipertexto e da multimídia. e capacidade. Porém com navegação aberta. mas também possuem um modus operandi específico para a hipermídia. estabelece como lógica de demanda – própria das NTICs. mesmo ainda atrelados ao modelo da mídia impressa. a memória começa a ser explorada. começam a explorar ferramentas que possibilitam interatividade: passam a utilizar links entre os conteúdos. Os produtos. O termo hipermídia é comumente entendido como a somatória entre propriedades do hipertexto – conjunto de documentos textuais interligados por links. Silva Jr. que . A terceira e atual fase é marcada pelo uso efetivo das potencialidades hipermidiáticas oferecidas pela rede. os recursos multimídia dizem respeito apenas a formatos de mídia fechados. (2002) atenta para o fato de que entender hipermídia apenas como a convergência entre hipertexto e multimídia é insuficiente. pois. Isso significa que as publicações típicas dessa fase não somente exploram as possibilidades que a Internet oferece. Criando o que denominamos de estado de disseminação e disponibilização hipermidiática (SILVA JR. disponibilizando-se acervos de publicações anteriores.2002:132). apud Palácios (2003:21). além de a navegação na Internet ser ilimitada. o e-mail passa a ser utilizado como forma de comunicação entre leitor e jornalista. permitindo a consulta das informações de forma não seqüencial – e da multimídia – sons. animações. graças à digitalização. Essa questão da disponibilização hipermidiática se relaciona diretamente com o que Wolton. gráficos.

pois o fato de qualquer indivíduo conectado à rede poder acessar e publicar conteúdo aponta para uma situação em que “os papéis que o jornalismo atribuiu a si mesmo em meados do século XIX. (2002:137): “a hipermídia aponta para a compreensão de todo um processo de mediação e tratamento instaurado no ciberespaço. diferentemente da lógica de oferta – característica dos meios de comunicação de massa. do jornalista para eles”.. e não mais depositado para ser descarregado de maneira massiva e não interacional”. 17 HALL.. em grande parte. Online Journalism . estão todos em risco quando as suas fontes primárias se tornaram acessíveis às audiências”17. com a qual pretende-se verificar como se reconfigura o papel do jornalista na hipermídia. num esquema “todos-todos” –. que trabalham com a emissão por meio do modelo “um-todos”.) como gatekeeper.pt/pag/aroso-ines-internet-jornalista. Jim. “a partir do momento em que os leitores se tornam seus próprios contadores de histórias. agenda-setter e filtro noticioso. Disponível em www. Como atesta Silva Jr. em comparação com a prática jornalística nos meios tradicionais.bocc. Acesso em: 19/08/2006 . no meio interativo. “o conteúdo encontra-se disponível. Entendemos que as possibilidades hipermidiáticas representam uma ruptura com o modelo tradicional do fazer jornalístico. onde as noções e especificidades desse ambiente estão presentes e condicionados à dinâmica dos conteúdos gerados”. Inês Mendes Moreira.ubi. 2001 apud AROSO. Resta compreender que o conceito engloba também o modo de atuação nesse novo meio. London: Pluto Press. (2002:132) conclui que. (.26 funcionam por disponibilização e acesso. A Internet e o novo papel do jornalista. Analisar como se dá esse processo de mediação no ciberespaço é o objetivo dessa pesquisa. o papel de gatekeeper passa.a critical primer. O autor. Silva Jr.pdf. Hall acrescenta que.

pt/pag/canavilhas-joao-webjornal. se tenha verificado qualquer alteração na linguagem. portanto. têm sido usadas para definir a prática jornalística na Internet. jornalismo eletrônico. 18 Disponível em http://www. que atualmente é praticado em publicações pensadas exclusivamente para web – que pertencem ao que chamaremos de webjornalismo –. além dessas. tais como ciberjornalismo. no entanto. Com base na convergência entre texto. também se tornaram autenticadores e desenhadores para aqueles que seguem os mapas que eles desenham” (HALL apud AROSO). é importante dizer que diferentes nomenclaturas. jornalismo hipertextual.bocc.ubi. Canavilhas18 apresenta as definições que mais se aproximam daquelas propostas neste trabalho: Com o aparecimento da internet verificou-se uma rápida migração dos mass media existentes para o novo meio sem que. Torna-se necessário. radiofónico e televisivo para um novo meio. mas que necessariamente abre a possibilidade de outros”. compreender o funcionamento e a extensão desse novo fazer jornalístico. Mas o jornalismo na web pode ser muito mais do que o actual jornalismo online. O chamado "jornalismo online" não é mais do que uma simples transposição dos velhos jornalismos escrito. vislumbra uma nova atribuição do jornalista nesse meio: “os jornalistas adicionaram a função de cartógrafo ao seu papel e. mas não significa que as versões digitais de veículos tradicionais – que se enquadram no que chamaremos de jornalismo online – não possam fazer uso dessa nova prática. na biblioteca universal que é a Internet. jornalismo digital. No que diz respeito aos termos aqui utilizados (webjornalismo e jornalismo online). som e imagem em movimento. o webjornalismo pode explorar todas as potencialidades que a internet oferece. oferecendo um produto completamente novo: a webnotícia [grifo nosso]. jornalismo multimídia. ao afirmar que “a Internet coloca em crise um tipo de mediador.27 apesar de anunciar o fim do gatekeeper na Internet. Vaz (2004:218) reforça essa idéia de reconfiguração do papel do jornalista.pdf Acesso em: 20/08/2006 .

15ª ed. agora. entre diferença e ocasião de domínio e a partir daí trabalha para fazer possível uma comunicação que diminua o espaço das exclusões ao aumentar mais o número de emissores e criadores do que o dos meros consumidores (MARTIN-BARBERO. A terceira onda. A estratégia de interlocução na Internet. o mundo da informação e da tecnologia. proporcionada pelo conceito de prosumidores. Tal termo torna-se impróprio. complementamos a definição de Canavilhas com a possibilidade de participação daqueles que. que é fomentar discussões e possibilitar diálogos. defende o seu oficio: uma comunicação na qual os emissores-criadores continuem sendo uma pequena elite e as maiorias continuem sendo meros receptores e espectadores resignados – para assumir o papel de mediador: aquele que torna explícita a relação entre a diferença cultural e desigualdade social. Alvin. as noções de produtor e consumidor de informação se amalgamam no interagente na web. Alvin Toffler anunciava que uma nova sociedade estava tomando forma. construindo a informação dentro da sociedade de forma a transformá-la. o mundo do industrialismo e. pois “a Internet como meio de comunicação rompe com a distribuição hierárquica entre emissores e receptores ao possibilitar que cada nó possa produzir e distribuir mensagens” (VAZ. pretendia fazer uma sobreposição entre os produtores e os consumidores. eram chamados de receptores. baseada no emprego crescente da tecnologia. na globalização da economia. gerando um novo conceito: o termo prosumidores (do inglês prosumer). 1995. . cunhado pelo norte-americano Alvin Toffler19. O comunicador deixa. aponta para uma atenção redobrada em relação ao princípio básico do jornalismo. reconfiguram o espaço público. com o conceito de prosumidor. Tal espaço é definido por Wolton (2004:511) como o elemento 19 Ver TOFFLER. Para que o jornalista possa desempenhar adequadamente esse novo tipo de mediação. que leva em conta a participação dos prosumidores/interagentes. Rio de Janeiro: Record. Toffler. de figurar como intermediário – aquele que se instala na divisão social e [que]. 2004:225). em vez de trabalhar para abolir as barreiras que reforçam a exclusão. Já na década de 1970. é necessário compreender que as especificidades do meio interacional transformam as relações sociais e. na abolição de fronteiras. na universalização da comunicação.28 Além da convergência midiática como potencialidade do webjornalismo. 2004:69). portanto. de bens ou serviços. na mídia de massa. As três ondas a que Alvin Toffler se refere são o mundo agrícola. conseqüentemente. Sendo assim.

Nessa linha de raciocínio. o webjornalista aparece. como uma possibilidade de revitalização da esfera pública. sociais. tal revitalização é condicionada pela mediação webjornalística. contraditórios ou não. filtros cognitivos”. não é conhecimento. que impede que o fluxo contínuo e crescente de informações – resultado do aumento de agentes participativos – culmine num caos informacional. também. mesmo no sentido jornalístico da palavra. religiosos. Wolton (2004:233) reitera essa idéia ao dizer que “quanto mais há informação e comunicação. pois o conhecimento é o resultado da organização da informação. na sua maioria contraditórios. No entanto. mais se devem reintroduzir mediações. devido às suas características interacionais. Ora. que transformam os indivíduos em meros consumidores passivos. à medida que possibilitam que os indivíduos sejam incorporados na produção de discursos diversos. logo carência de conhecimento”.29 simbólico “no qual se opõem e se respondem os discursos. culturais e intelectuais que constituem uma sociedade”. As NTICs aparecem então. transparência e imediatez. dos agentes políticos. temos excesso de informação e insuficiência de organização. Além de organizar esse fluxo caótico de informação. Morin (2004:12) diz que “a informação. Esse último autor relata como esse ideal se declina por meio da massificação da cultura. como elemento de ligação entre os diferentes pontos de vista dos interagentes/prosumidores e das . retiram o caráter conflitante e inserem o consensual. proporcionada pelo surgimento dos meios de comunicação de massa. ou seja. na atualidade. Essa definição de Wolton dialoga com a idealização do espaço público de Habermas (1984).

Rio de Janeiro. principalmente. à difusão de 20 ROCHA. Participatory Journalism: conceitos e práticas informacionais na Internet. fonte de pesquisa. 1. Disponível em CD-Rom. além dos métodos tradicionais) e como mídia propriamente dita. ferramenta e canal de disponibilização de conteúdos. Disponível em CD-Rom 21 ROCHA. explorando – em maior ou menor grau – as particularidades desse meio. considerando que o ciberespaço é. Jorge. verifica-se o uso reducionista das NTICs como um apêndice do processo de produção da notícia nas redações tradicionais. Jorge. reconhecendo. . Esse novo modelo de produção jornalística impõe alterações significativas na mediação. No primeiro caso. Artigo a ser apresentado no XXIX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom). suporte. O webjornalista transforma-se em um agente participativo que. hierarquizar e classificar conteúdos. O papel dos jornalistas nos processos interacionais do Participatory Journalism. deve selecionar. evidenciando mais uma atuação relacional do que consensual”. desde a sua criação. “tanto os pontos divergentes quanto os convergentes dos demais prosumidores no processo de interlocução. Setembro 2005. por meio de processos de interlocução. vem sendo utilizada jornalisticamente de duas formas: como ferramenta para auxiliar a prática jornalística convencional dos meios de comunicação de massa (representa apenas uma forma a mais de obter conteúdos. Brasília.4 O ciberespaço como fonte e meio de escoamento de produção A Internet. ao mesmo tempo. 2005)21. Setembro 2006. Isso se deve. que passa “de uma ‘estrutura monopolista’ para processos de co-enunciação” (ROCHA. Artigo apresentado no XXVIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom).30 comunidades virtuais. como aponta Rocha (2006)20.

com o acesso.html Acesso em: 28/08/2006 24 Ou computer-assisted reporting (CAR). quanto pelas baixas tiragens que levaram os editores desses jornais a procurar o aperfeiçoamento do produto jornalístico por meio de cobertura mais científica. a computadores e bases de dados.] depende da adoção de técnicas de pesquisa e apuração adequadas ao jornalismo praticado nas redes telemáticas”.31 conceitos como jornalismo de precisão22 – cujo nascimento coincidiu. Elias. não utiliza a contento essa potencialidade do ciberespaço.pdf Acesso em 19/08/2006 26 MACHADO. O ciberespaço como fonte para os jornalistas. tanto por desacreditarem nas pesquisas solicitadas por políticos. entre outras. Disponível em www. apud Lima23.mx/dacs/publicaciones/logos/anteriores/n22/22_lsilva. grandes jornais americanos passaram a fundamentar suas notícias e reportagens em pesquisas próprias.pt/pag/machadoelias-ciberespaco-jornalistas. nos anos 1970 – e reportagem assistida por computador24. 22 A partir da década de 80.bocc.bocc. No entanto.pdf Acesso em 19/08/2006 . de ser o ambiente em que todo o processo informacional da web acontece. 25 MACHADO. em que todas as etapas do sistema de produção de conteúdos jornalísticos permanece [sic] circunscrita [sic] aos limites do ciberespaço"26. Essas formas práticas de jornalismo usam a tecnologia como ferramenta “porque aperfeiçoa o trabalho sem desestabilizar os fundamentos da prática”25. Internet. O ciberespaço como fonte para os jornalistas. o que faz com que as implicações tecnológicas do ciberespaço não sejam aproveitadas em todo seu potencial. Disponível em www.pt/pag/machadoelias-ciberespaco-jornalistas. o jornalismo online.. O segundo caso contempla a utilização das possibilidades hipermidiáticas para criar um “ambiente diferenciado com capacidade de fundar uma modalidade distinta de jornalismo [webjornalismo]. por se tratar das versões digitais de publicações offline.. É um conjunto de técnicas para capacitar jornalistas a utilizar os recursos oferecidos pela informática em sua busca por informação. tornando-os capaz de lidar com ferramentas como bancos de dados. segundo Meyer. Elias. pelos veículos.cem. planilhas eletrônicas. Machado defende a hipótese de que “o futuro dos projetos jornalísticos empreendidos no suporte digital [.itesm.ubi.ubi. 23 Disponível em http://www.

Artigo apresentado no XXIX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom). interferir no conteúdo. a produção e a disseminação da notícia sem precisar sair do ambiente virtual. para se interar sobre determinado assunto. 27 Ver ROCHA. baseado na estrutura hipertextual. ao conceber sua matéria. estudos. Brasília. em alguns casos. pensando e realizando a pesquisa. Assim. por sua essência hipermidiática. programas de voz por IP). o webjornalista constrói um processo narrativo aberto. pessoas interessadas ou próximas do fato. Rocha conceitua cartografia da informação como “processo de organização de significados em uma rede interrelacional comunicativa”. Em seguida. Esse conceito é detalhado no próximo capítulo. programas de mensagens instantâneas. artigos. e-groups. pode acessar essas fontes (especialistas.32 O ciberespaço. chats. animações. pode navegar por variados bancos de dados (estatísticas. vídeos). membros de listas de discussão e fóruns. e. de forma que o próprio interagente possa criar o seu percurso narrativo de acordo com seus interesses. infográficos. inserindo links para os diversos conteúdos que utilizou. ele sugere aos prosumidores várias possibilidades de navegação. Na hora de produzir e disponibilizar a matéria. Disponível em CD-Rom. Jorge.) por meio das muitas ferramentas de interação – mútua ou reativa – presentes na Internet (e-mail. . a apuração. Setembro 2006. etc. O papel dos jornalistas nos processos interacionais do Participatory Journalism. Um jornalista. que se torna uma construção infinita. fotos. conseguir as fontes ou mesmo apurar a veracidade das informações enviadas por interagentes/prosumidores. oferece ao webjornalista as condições necessárias para que ele exerça o seu papel de “cartógrafo da informação”27.

28 Ver LAGE. fundações). A reportagem: teoria e técnica de entrevista e pesquisa jornalística. autorizadas a falar em nome dela ou dele. Atores políticos. Rio de Janeiro: Record. que até então só apareciam na mídia quando envolvidos em algum fato inusitado. O próximo capítulo se destina exatamente a analisar como acontece essa diluição do papel do jornalista como gatekeeper dentro do processo de transição entre um fazer jornalístico ligado aos métodos tradicionais e uma nova práxis que opera numa perspectiva sistêmico-relacional.33 É possível perceber que. quanto das fontes profissionais como detentoras do quase monopólio de acesso aos jornalistas. Fontes oficiosas são aquelas que. Para Lage. . A preferência dos meios de comunicação de massa pelas fontes oficiais se justifica pela credibilidade das instituições. alerta que o mau hábito de julgar as fontes oficiais como as mais confiáveis trata-se de um vício no jornalismo porque a mentira ocupa lugar estratégico nas intervenções de personalidades ou instituições vinculadas aos poderes fáticos quando da defesa de interesses particulares. Fontes oficiais são mantidas pelo Estado. citando Lage. prioriza-se muito menos as fontes oficiais para privilegiar as fontes independentes28. com esse processo de construção da notícia. as fontes podem ser classificadas em oficiais. Isso tira do jornalista a exclusividade de escolher o que irá figurar no espaço público constituinte da web. à medida que os transforma em também publicadores de conteúdo. porém. reconhecidamente ligadas a uma entidade ou indivíduo. Nas palavras de Machado: Fica evidenciada tanto uma certa diluição do papel do jornalista como único intermediário para filtrar as mensagens autorizadas a entrar na esfera pública [gatekeeper]. associações. oficiosas e independentes. Fontes independentes são aquelas desvinculadas de uma relação de poder ou interesse específico em cada caso. Porém. o webjornalismo concede a todos os interagentes/prosumidores (indivíduos ou instituições) o caráter de fonte potencial. Nilson. difundidos como manifestação da vontade coletiva. o que significa que o que disserem poderá ser desmentido. Machado. passaram a ter espaço na mídia interativa e a figurar como fontes difusoras não menos importantes que as oficiais. 2001. respaldadas por suas reputações. por instituições que preservam algum poder de Estado (como as juntas comerciais e os cartórios de ofício) ou por empresas e organizações (como sindicatos. não estão. Dessa forma.

na Internet. respectivamente. essas hipóteses se restringem às exclusividades do pensamento massivo.34 2 DO PENSAMENTO MASSIVO À PERSPECTIVA SISTÊMICO-RELACIONAL 2. Lewin percebe que existem zonas que funcionam como filtro. assim. uma vez que. É nesse âmbito que se encontram os estudos relativos ao processo de seleção das informações. ou seja. à prática de transformar acontecimentos em matérias jornalísticas. chamado de gatekeeping.1 Hipótese do Newsmaking As hipóteses do Newsmaking e da Agenda-setting se desenvolvem no seio da pesquisa norteamericana (Mass Communication Research) – que surge com a difusão dos meios de comunicação de massa – e são estudos focados. em especial no que se refere à modificação dos hábitos alimentares. 1995). Tais estudos abordam o gatekeeping como processo fundamental à prática da comunicação. controladas por gatekeepers. Ao identificar os canais pelos quais passa uma seqüência de comportamentos. pretende sistematizar quais são as efetivas modificações com relação ao Newsmaking (que se desenvolve em torno do processo de gatekeeping) e à Agenda-setting. em 1947. na emissão e na recepção das mensagens. o campo jornalístico é colocado no mesmo patamar da audiência. em um estudo de psicologia social que analisava as dinâmicas das decisões na esfera familiar. O Newsmaking diz respeito à produção das notícias. que deixam ou impedem a passagem de informações (WOLF. Traquina (2001:68) lembra que o termo gatekeeper29 foi apropriado por David Manning White nos estudos do jornalismo na 29 O termo foi cunhado por Kurt Lewin. No entanto. . descentralizado e não massivo) e. O presente trabalho pretende verificar se tais modelos podem ser aplicados ao webjornalismo (respeitando seu caráter hipermidiático.

Tichenor & Olien. durante uma semana. sendo uma teoria que se baseia no conceito de seleção. ou seja. . Donohue. Hohlfeldt (2001:205) argumenta que esses processos atribuem aos meios de comunicação uma função de “controle social desenvolvido a partir do 30 White acompanhou o trabalho de um jornalista de meia-idade. apud Wolf (1995:163). oriundos de um “conjunto de experiências. da difusão. atitudes e expectativas”. Traquina (2001:70) explica que a teoria do gatekeeper de White é “uma concepção bem limitada do trabalho jornalístico. Analisando este processo histórico. de um jornal norte-americano de médio porte. o sociólogo norte-americano Warren Breed publicou um artigo no qual atribui o peso maior das decisões jornalísticas a uma série de questões burocrático-organizacionais. que acaba por se submeter às políticas e aos interesses corporativos. Em 1955. O jornalista anotou. da selecção. levantadas pelas empresas de comunicação.35 década de 1950. que podem estabelecer-se nas decisões acerca da codificação de mensagens. os motivos que o levaram a escolher ou não determinadas matérias (TRAQUINA. da exclusão de toda a mensagem ou de suas componentes. de acordo com critérios subjetivos. pois coloca limites ao trabalho do jornalista. O autor aponta que os valores editoriais da empresa acabam por pesar mais que as crenças pessoais do jornalista. 2005). da formação da mensagem. minimizando outras dimensões importantes do processo de produção das notícias”. mostram que há muito mais fatores envolvidos na transmissão das mensagens do que a simples recusa ou aceitação: O gatekeeping nos mass media inclui todas as formas de controle da informação. da programação. valores pessoais do profissional. Podemos então considerar que a maior parte do trabalho de gatekeeping cabe ao espaço organizacional. White aponta em seu estudo30 que as tomadas de decisão acerca do que viria a ser publicado ou não partiam do próprio jornalista.

inconscientes. argumenta que esses critérios organizacionais. dentre múltiplos fatos. ausência de fidelidade de grupo contrapostas [sic]. o gatekeeping implica em uma distorção involuntária da informação. Portanto. caráter agradável do trabalho. por isso mesmo. aqueles que adquirirão o status da . apud Wolf (1995). no qual o jornalista é enquadrado em uma espécie de código de conduta velado. Isso leva a uma situação em que o profissional. Segundo Hohlfeldt (2001:208). os jornalistas”. mas involuntárias. Existe uma série de convenções que determinam o que é ou não notícia. que podem chegar. que não significam manipulação. passado por meio da experiência e do contato com membros mais antigos da organização. redefine os seus próprios valores ao nível mais pragmático do grupo redactorial” (BREED. sentimentos de fidelidade e estima para com os superiores. o fato de a notícia ter-se transformado em valor (HOHLFELDT. apud WOLF. estabelecendo-se assim o conceito de noticiabilidade. a níveis bem mais radicais e perigosos na medida em que omitem ou marginalizam acontecimentos que.36 estabelecimento de práticas socializadas entre seus profissionais. a produção de notícias tem ainda restrições relacionadas à organização do trabalho. pura e simplesmente. 2001:205-206). Breed. entendido por Wolf (1995) como a aptidão que cada fato possui para ser transformado em notícia. em conseqüência desses valores institucionais e das rotinas profissionais. Além da influência organizacional. são apreendidos por um “processo de osmose”. por vezes. “em vez de aderir a ideais sociais e profissionais. O autor enumera seis influências às quais o processo de gatekeeping estaria submetido: a autoridade institucional e suas eventuais sanções. existe um “conjunto de critérios que operacionalizam instrumentos segundo os quais os meios de comunicação de massa escolhem. 1995:164). aspirações à mobilidade social da parte do profissional. poderiam ser efetivamente importantes e significativos ao menos para determinadas coletividades (HOHLFELDT. que acabam por manter a linha editorial dos jornais. eis que não são distorções deliberadas. 2001:206).

37 noticiabilidade”. interesse público. submetida à tirania do lead e da pirâmide invertida. Pode-se notar que os jornalistas tendem a priorizar determinadas pessoas e/ou instituições. do meio de comunicação e até mesmo da concorrência. proximidade. por outro. de forma eficaz. muito dificilmente podem influir. organiza-se a partir das exigências dos procedimentos produtivos. envolvimento de personalidades famosas. exclusividade (ou “furo”). citados anteriormente. Uma outra questão importante é a captação das informações. importância. reflecte. capacidade de entretenimento. . mais limitações são colocadas ao jornalista: o espaço (limite físico – das publicações impressas – e temporal – das publicações de rádio e TV) e o tempo (respeito aos deadlines dessas publicações). na cobertura informativa (WOLF. que acabam muitas vezes por fazer da cobertura jornalística um acompanhamento factual dos acontecimentos. em “obediência” aos critérios organizacionais e aos fatores inerentes à rotina produtiva. A rede de fontes que os órgãos de informação estabelecem como instrumento essencial para o seu funcionamento. a estrutura social e de poder existente e. do público. As fontes que se situam à margem destas duas determinações. No que diz respeito ao formato e à rotina de produção noticiosa. Os valores-notícia levam em consideração fatores como atualidade. 1995:200). por um lado. Esses critérios são conhecidos como valores-notícia e são utilizados de forma combinada para realizar-se a escolha dos acontecimentos que serão transformados em matéria jornalística. As fontes representam um fator importante na qualidade das notícias produzidas pelos meios de comunicação. e mais uma série de questões que variam de acordo com as especificidades do acontecimento.

lançaram tal termo na literatura acadêmica de comunicação. . tal hipótese torna-se. se os estudos em torno do Newsmaking são realizados sob a perspectiva dos emissores. muito menos. mas “incluindo em nossas preocupações certos temas que. tornar-se-iam temas se nossa agenda” (HOHLFELDT. 2001:193). que criam um efeito cognitivo e cumulativo nos receptores. não chegariam a nosso conhecimento e. mais uma premissa no momento da seleção do que irá figurar na esfera pública. por McCombs e Shaw em 1972. Um dos marcos desses estudos em torno dos efeitos da mídia é a hipótese da Agenda-setting. essa noção não é mais válida e os efeitos são entendidos como conseqüências de médio e longo prazos. McCombs e Shaw. Hoje. Em 1972. A pesquisa consistia em acompanhar as discussões dentro de grupos e 31 Quando o conceito de agendamento foi utilizado pela primeira vez. num artigo científico que se referia a uma pesquisa dos autores realizada dois anos antes. existe a contrapartida de todos esses fatores no âmbito da recepção.38 Diante de todos esses pontos aqui abordados. então. que as influências sobre o público eram mudanças a curto prazo31. o paradigma vigente apontava que o poder a mídia era reduzido e os seus efeitos limitados. percebemos que. A questão dos efeitos das mensagens produzidas pelos veículos de comunicação de massa e a maneira como esses meios constroem a imagem da realidade social são aspectos contemplados pelos estudos da hipótese da Agenda-setting. ao analisarem os efeitos da mídia. 2. não impondo determinados conceitos. de outro modo. Considerando a influência que a mídia exerce sobre o público. a princípio.2 Hipótese da Agenda-setting Os estudos sobre os efeitos dos meios de comunicação de massa estabeleciam.

os temas de relevo na mídia serão também os mais importantes para o público. o público tende a atribuir àquilo que esse conteúdo inclui uma importância que reflecte de perto a ênfase atribuída pelos mass media aos acontecimentos. que são os assuntos que se tornarão temas da agenda do público. Traquina (2001:24) afirma que “o campo jornalístico constitui um alvo prioritário da ação estratégica dos diversos agentes sociais. em . Sendo assim. Ferreira (2002) aponta que a hipótese da Agenda-setting pressupõe um impacto direto (imediato ou não) sobre os receptores. aos problemas. que se dá em um dois níveis: 1) os meios de comunicação de massa promovem uma tematização. conhecida como ordem do dia.39 comunidades. presta atenção ou descura. de acordo com a sujeição dessas comunidades à “agenda midiática”. argumentando que “os mass media são a principal ligação entre os acontecimentos no mundo e a imagem desses acontecimentos e nossa mente”. o que a mídia aborda será o objeto de conversa entre as pessoas. nos anos 1920. As pessoas têm tendência para incluir ou excluir dos seus próprios conhecimentos aquilo que os mass media incluem ou excluem do seu próprio conteúdo. Além disso. o público sabe ou ignora. Conforme explicita Traquina (2001:18). segundo Shaw. Estudos posteriores a McCombs e Shaw relativos ao assunto identificaram três componentes constituintes do processo de agendamento. apud Wolf (1995:130). da televisão e dos outros meios de informação. realça ou negligencia elementos específicos dos cenários públicos. O primeiro refere-se à agenda da mídia (os conteúdos escolhidos para serem veiculados). A hipótese da Agenda-setting. Walter Lippman já havia ressaltado a existência de uma forte relação entre as agendas midiática e pública. dispõe que: em conseqüência da acção dos jornais. ou seja. 2) acontece também uma imposição com relação à hierarquia desses assuntos. às pessoas. ou seja. o segundo refere-se à agenda púbica (que estuda a relativa importância dos acontecimentos e assuntos do público) e o terceiro refere-se às agendas políticogovernamentais (as agendas das entidades do governo).

o fato de os jornalistas priorizarem as fontes oficiais. Mas. argumentando que as pessoas mais suscetíveis aos impactos do processo de agendamento são aquelas que necessitam de algum tipo de “orientação” em relação aos assuntos na agenda pública. Devido ao caráter . como aponta Traquina (2001:29). Sendo assim. e os recursos que possuem para ter acesso ao campo jornalístico. Um deles se relaciona com as características dos receptores. é limitado pelas influências das agendas políticogovernamentais. já que a inclusão e a exclusão realizadas pelos processos de gatekeeping – incluindo as distorções involuntárias e os valores-notícia utilizados na escolha dos temas – é que definem o que as pessoas incluem e excluem na lista dos assuntos que devem priorizar. mais precisamente da agenda jornalística. Alguns autores afirmam que o agendamento nem sempre se aplica a todas as pessoas. à medida que o mantém em pauta. Newsmaking e Agenda-setting podem ser entendidos como duas faces da mesma moeda. Isso justifica. o grau de autonomia da agenda da mídia. muitas vezes. percebe-se que a mídia define o tempo que a discussão sobre determinado assunto permanece na agenda do público. as variáveis mais importantes que determinam a agenda jornalística são: a atuação dos próprios jornalistas – levando em conta os critérios de noticiabilidade utilizados na seleção das ocorrências – e a ação dos “promotores de notícias”. existem ainda outros fatores que interferem no processo de Agenda-setting.40 particular. A natureza do assunto também é um aspecto que interfere no processo de Agenda-setting: questões sobre as quais a sociedade tem alguma experiência promovem um agendamento menor do que aquelas sobre as quais a comunidade tem experiência mínima ou nenhuma. dos profissionais do campo político”. No que diz respeito à questão temporal. as fontes. ou seja. Assim. Com menor grau de influência.

em razão da 32 Ver BERGER. Consideramos que os processos informacionais em espaços relacionais são marcados por uma transição entre um pensamento massivo – predominante na etapa transpositiva –. modelos e teorias tradicionais da comunicação massiva ainda são utilizados na análise das NTICs. Berger & Luckmann propõem. Por isso. respectivamente. Tradução de Floriano Souza Fernandes. 2. acontece uma estandardização do pensamento daqueles que se servem da orientação midiática e. . é visível o papel ativo dos jornalistas na construção social da realidade32. Como já foi visto anteriormente. uma padronização das discussões da agenda pública e do pensamento da sociedade. por meio de uma análise do conhecimento na vida cotidiana. aos estudos de emissão e recepção dos meios de comunicação de massa. & LUCKMANN. É importante ressaltar que as hipóteses do Newsmaking (em que a figura do gatekeeper aparece como ponto central) e da Agenda-setting referem-se. Nesse aspecto.41 industrial do fazer jornalístico. passando por um pensamento interativo – típico da fase perceptiva – e culminando em um pensamento interacional – que caracteriza o estágio hipermidiático. o webjornalismo apresenta possibilidades para que os profissionais da notícia cumpram com sua função social sem sofrer tantas limitações no seu exercício e proporcionando à audiência uma maior autonomia na decisão e na produção do que vai figurar no espaço público constituído pelas trocas informacionais neste meio. uma teoria da sociedade como um processo dialético entre a realidade objetiva (instituições e leis) e subjetiva (identidade pessoal e estrutura social). A construção social da realidade: tratado de sociologia do conhecimento. em conseqüência. 1985. Thomas.3 Cartografia da Informação Apesar das diferenças apontadas no primeiro capítulo deste trabalho entre os meios de comunicação de massa e interativa. Petrópolis: Vozes. Original Inglês. Peter L.

Tais estudos. na qual o interagente participa da ação comunicativa de maneira ativa. realizados nas décadas de 1950 e 1960. ou seja. canal. Essa é uma perspectiva da comunicação interpessoal. Erving Goffman. ficaram conhecidos como “pragmática da comunicação” e são responsáveis por uma superação dos modelos lineares e transmissivos apresentados pelas teorias tradicionais da comunicação. pois os interagentes passaram a . importa-nos abordar o aspecto interacional entre os diversos prosumidores/interagentes. mensagem. 2004:50). Essa abordagem tem suas bases nos estudos de um conjunto de autores – antropólogos (Gregory Bateson. Tal perspectiva se aplica às NTICs. Hall. Edward T. sem “congelar” seu papel em uma função de emissor ou receptor. já que esses papéis são constantemente permutados entre um conjunto de interlocutores que intervêm nessa mesma ação. receptor. Paul Watzlawick. de forma a não nos determos às características individuais desses agentes. Esses autores viam as questões relativas à comunicação humana numa perspectiva “orquestral” (em que todos os elementos envolvidos na comunicação estão em interação. como as vozes e os instrumentos de uma orquestra).42 horizontalidade e das características interacionais das redes telemáticas. Don D. em detrimento dos modelos “telegráficos” tradicionais (em que uma mensagem é transmitida de um pólo a outro).). etc. Scheflen) – da Escola de Palo Alto. analisar a comunicação no ciberespaço por meio de uma abordagem sistêmico-relacional (PRIMO. que estudam isoladamente os elementos envolvidos no processo comunicacional (emissor. Ray Birdwhistell) e psiquiatras (Jurgen Ruesch. Interessa-nos investigar o que acontece entre os sujeitos. Ao contrário das teorias tradicionais da comunicação. Albert E. Jackson. o binômio emissão/recepção perde o sentido quando o assunto são as NTICs.

citadas por 33 A Teoria Geral dos Sistemas foi desenvolvida em 1936 pelo biólogo húngaro Ludwig von Bertalanffy. e abertos. Sua idéia central é o desenvolvimento de uma teoria de caráter geral. a comunicação como sistema não deve ser entendida como um simples modelo de ação e reação. ele pode ver. a necessidade da proximidade física). cheirar. não se interage com as mídias televisiva ou radiofônica. tem de ser compreendido no nível transacional (BIRDWHISTELL apud WATZLAWICK. ouvir. Watzlawick (1967:108) utiliza as propriedades da Teoria Geral dos Sistemas33 para proporcionar uma compreensão da natureza dos sistemas interacionais. por meio da própria televisão ou do próprio rádio). Por outras palavras. nas quais os conteúdos gerados (e em constante modificação) são resultantes da intervenção dos diversos atores envolvidos na ação comunicativa.. que não têm qualquer relação com o respectivo ambiente. provar ou sentir – mas não comunica. o conceito de comunicação é visto exatamente como essa interação. Dentro dessa perspectiva sistêmico-relacional. desde que munidos do aparato técnico necessário (computador e capacidade de acesso à rede. no entanto. que. é tratada como um sistema. Existem dois tipos de sistemas: fechados. 1962:64). e todos possuem as mesmas condições de publicar conteúdo.] mas não comunica. as propriedades dos sistemas abertos. . Para os autores da Escola de Palo Alto. por sua vez. Portanto. Como sistema.43 compartilhar o mesmo espaço (sem. ou seja. É por meio desse raciocínio sistêmico que podemos compreender como se organizam as práticas jornalísticas colaborativas na Internet. participa dela. que estabelecem uma inter-relação com o ambiente que o rodeia. ele se envolve em comunicação ou torna-se parte da comunicação.. Os sistemas sociais correspondem ao segundo tipo. por mais complexamente que seja descrito. Pode movimentar-se ou fazer ruídos [. De um modo paralelo. que possa ser aplicada a fenômenos semelhantes que ocorrem em uma diversidade de campos específicos de conhecimento. A subversão da dicotomia emissão/recepção na Internet está justamente na possibilidade de a interação se dar pela própria rede (o que não acontece nos veículos de massa. por exemplo. O autor cita Birdwhistell para mostrar o caráter sistêmico da comunicação: Um indivíduo não comunica. ele não origina a comunicação. uma vez que os processos de inserção de conteúdo atualmente dispensam formação específica para tanto).

ajudam a esclarecer o funcionamento do webjornalismo. o sistema aberto pode atingir um estado independente do tempo. e que dialogam com a Teoria da Complexidade de Morin (1991). estão os princípios da não-somatividade – um sistema não pode ser visto como a soma de suas partes – e da não-unilateralidade – uma parte não tem como afetar outra sem ser afetada também. A última propriedade diz respeito à eqüifinidade. A segunda propriedade é a retroalimentação (ou feedback). que significa um comportamento inter-relacional. independente das condições iniciais e determinado apenas pelos parâmetros do sistema (BERTALANFFY apud WATZLAWICK. “significa que os mesmos resultados podem brotar de diferentes origens. a globalidade. 1991). ao invés de cadeias lineares de causa e efeito. Isto é: Em contraste com os estados de equilíbrio nos sistemas fechados. 1962:112-114). Entendemos assim que uma das principais características de um sistema complexo é sua capacidade de auto-organização (adaptação relativa à sua evolução). que pode ser sintetizada em dois pontos: singularização – diferenciação parte/todo – e desenvolvimento simbiótico – desenvolvimento parte/parte34 (MORIN. de forma que os resultados influenciam as informações originais e assim por diante. 1962:115) 34 Tais pontos serão explicados mais detalhadamente no terceiro capítulo deste trabalho. porque a natureza da organização é que é definida”. que são determinados por condições iniciais. que. A primeira propriedade. Dentro dessa noção. que leva a uma mudança ao longo do tempo. . diz que “toda e qualquer parte de um sistema está relacionada de tal modo com as demais que uma mudança numa delas provocará uma mudança em todas as partes e no sistema total” (WATZLAWICK. segundo Watzlawick (1967:115).44 Watzlawick (1967).

portanto. no qual a atuação jornalística está vinculada ao conceito de interlocução. assim como as relações viciadas entre as organizações jornalísticas e as fontes oficiais. Jorge. 36 Embora comecem a ser minimizadas na transição entre as etapas perceptiva e hipermidiática. Compreender o papel do jornalista nesse espaço relacional requer o entendimento de que o tradicional conceito de gatekeeping é minimizado. Nessas duas primeiras fases do jornalismo na Internet. ou seja. o ciberespaço funciona. portanto. A primeira geração de sites jornalísticos é marcada por um modo de atuação ainda massivo. O papel dos jornalistas nos processos interacionais do Participatory Journalism. Brasília. começa-se a perceber o início do pensamento interativo: alguns elementos hipermidiáticos começam a ser utilizados. as hipóteses do Newsmaking e da Agenda-setting ainda se aplicam às publicações36. Sendo assim. Artigo apresentado no XXIX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom). . mas o padrão da produção de notícias ainda é o mesmo da edição impressa. como um sistema complexo. a qual Rocha35 chama de “cartografia da informação” e diz respeito ao modo de atuação jornalística em redes comunicativas inter-relacionais. podemos notar então que é grande a presença do gatekeeper. preservam os papéis clássicos atribuídos ao jornalista. o processo comunicacional neste meio encontra-se em constante desenvolvimento. já que havia apenas a transposição do conteúdo dos veículos impressos para a web. Esta mudança no tipo de mediação jornalística pode ser verificada ao longo dos anos em que a Internet é utilizada como mídia. por meio de fluxos e processos de cunho não-linear. Importante destacar que as versões digitais de veículos tradicionalmente massivos (que chamamos de jornalismo online no primeiro capítulo deste trabalho) também são regidos pela lógica da comunicação de massa e. Disponível em CD-Rom. Setembro 2006. 35 ROCHA. cedendo espaço a uma nova práxis. Na segunda geração.45 Levando-se em conta todas as suas características hipermidiáticas.

em oposição à noção de gatekeeping presente nos meios de comunicação de massa: Devido à quantidade de informação circulando nas redes telemáticas. http://www. é o gatewatcher. Dessa forma. de modo que o repórter se vê livre da necessidade de condensar todos os dados em sua própria matéria” (PRIMO & TRÄSEL). 37 PRIMO. cria-se a necessidade de avaliá-la. In: VIII Congresso Latino-americano de Pesquisadores da Comunicação. Alex & TRÄSEL. É a partir de então que o pensamento massivo é abandonado. São Leopoldo: Anais. na qual sistemas colaborativos. Nota-se um deslocamento da coleta de informação para a seleção da mesma. nos mostram a emergência da interlocução. Por isso. Não é mais preciso rejeitar notícias devido à falta de espaço. Webjornalismo participativo e a produção aberta de notícias. dando lugar ao pensamento interacional.pdf Acesso em: 08/09/2006 38 Wikipedia é uma enciclopédia livre. criando uma narrativa específica para esse novo meio. em sua etapa hipermidiática. passa-se ao vigia. porque pode-se publicá-las todas. 2006).wikipedia. aquele que. que combina repórter e bibliotecário. e a maioria dos profissionais que lidam com o webjornalismo acabam por assumir ambos os papéis. mais do que descartá-la.org . os conceitos clássicos começam a ser questionados. ou seja. É claro que alguém ainda precisa entrevistar as fontes e analisar dados.ufrgs. Considerando que “a própria estrutura hipertextual favorece a referência às fontes primárias da notícia. Este novo jornalista.37 Esse termo cunhado por Bruns ainda é insuficiente para abordar o novo tipo de mediação que o jornalista assume na web. à atribuição do jornalista como “vigia” soma-se o papel de “elemento de ligação entre comunidades virtuais informacionais. Do porteiro. o jornalista aparece como cartógrafo de informação. Primo & Träsel usam o neologismo gatewatching. 2006. Marcelo Ruschel. 2006. atuando em um processo de co-enunciação” (ROCHA. criado por Bruns.46 Na terceira geração do jornalismo na Internet. Assume-se um papel semelhante ao de um bibliotecário. Disponível em http://www6. escrita de modo colaborativo por muitos de seus leitores. os sites já incorporam os aspectos hipermidiáticos na produção do conteúdo.br/limc/PDFs/webjornal. como Wikipédia38.

o webjornalista proporciona uma interação mútua – na qual verifica-se. Utilizando hiperlinks (ou apenas links) é possível produzir narrativas não lineares. A figura 3 resume graficamente o processo de transição entre o pensamento massivo e o interacional. com as conseqüentes mudanças no papel do jornalista. faz um mapeamento dos discursos – dissonantes e/ou consonantes – dos diversos envolvidos na construção da notícia.47 utilizando as especificidades hipermidiáticas da rede. "caminho" ou "ligação". que apresentam na maioria das vezes apresentam somente links internos. Figura 3 Essa nova atribuição do jornalista – a cartografia da informação – encontra seu espaço nos sites jornalísticos de conteúdo colaborativo. . Significa "atalho". Por meio do uso de hiperlinks40 que direcionam a leitura para outras publicações (o que não se verifica nos sites de jornalismo online. que lidam com o conceito de “cidadão-repórter”39 e funcionam de maneira sistêmico-interacional. configurando apenas uma interação do tipo reativa). 39 Conceito utilizado pelos sites de jornalismo colaborativo para designar os membros da audiência que participam do processo de construção 40 São referências num documento em hipertexto a outro documento ou a outro recurso.

mesmo que cada indivíduo possa distribuir informações para todos os que estão na rede? O mediador será aquele que não apenas facilita as expressões individuais. Sem a participação ativa de um grupo em interação mútua. Primo e Träsel destacam que esses sites não apenas oferecem a possibilidade de interação. mas sim correlacioná-lo de modo que não haja insuficiência de informações ou dispersão/sobrecarga cognitiva entre os prosumidores (ROCHA. por meio de uma navegação aberta.48 conforme aponta Primo (2004). A sobrecarga cognitiva de que fala Rocha é proporcionada pelo imenso volume de informações na rede. mas que ao mesmo tempo evita a dispersão do interagente. que se distancia da função de gatekeeper. A interlocução webjornalística com outros prosumidores pressupõe certa identificação. Isso justifica a necessidade desse novo mediador. Tal configuração deve estabelecer a construção de um saber que não se resuma a sistematizar conteúdo. que cresce exponencialmente à medida que novos prosumidores/interagentes são inseridos a cada dia. certo reconhecimento de suas identidades e de seus valores neste processo de diálogo. O mediador na internet aparenta-se a um corretor que aproxima os singulares em sua singularidade.. 2006). mas também permite a cada um encontrar seu público.. o interagente é integrado ao processo de produção da notícia como nunca antes. conforme aponta Vaz (2004:232): O mediador será. mas também necessitam dela: No webjornalismo participativo. esses webjornais não têm qualquer função. que filtravam as informações que iam ser partilhadas por todos. o que já o diferencia do mediador do interesse geral [gatekeeper] apropriado aos meios de comunicação de massa. Alguns sites noticiosos. Portanto. [. a característica sistêmica da eqüifinidade – ao estimular que os prosumidores/interagentes complementem a informação. a cartografia da informação atinge seu auge em sites que propiciem a participação ativa dos interagentes.] Se muitos podem emitir e se é fácil não atentar ao que é incessantemente produzido. sobretudo. inclusive. como fazer para ser escutado. podem depender totalmente da intervenção dos internautas. filtro aplicado ao excesso de informações produzidas. . o cartógrafo da informação.

como o Newsmaking e a Agenda-setting. já que os interagentes buscam a informação. No que diz respeito aos processos de agendamento. Ao colocar-se a audiência no mesmo nível do campo jornalístico. retira-se do jornalista o monopólio do jogo informativo (e. . Como é o cidadão comum quem participa ativamente no processo produtivo. ele não se submete a imposições burocrático-organizacionais das empresas jornalísticas e nem precisa respeitar critérios rígidos de noticiabilidade. e não somente o que interessa aos grandes grupos políticos e econômicos. à medida que a informação é construída por pessoas “independentes” em relação às fontes oficiais. e não por oferta como os meios tradicionais – já proporciona um furo na Agenda-setting. e sim dos próprios interagentes. tanto no que diz respeito à seleção dos temas (gatekeeping) quanto no que tange à produção. configurando um fluxo contrário ao movimento de Agenda-setting típico dos meios de comunicação de massa. a definição temática e a hierarquia dos assuntos não vêm da mídia.49 É esse processo interacional típico das redes telemáticas que proporciona a subversão de práticas jornalísticas tradicionais. promovendo uma abordagem muito mais profunda do que a cobertura realizada pelos meios tradicionais. Dessa forma. Ou seja. os temas discutidos na rede podem ser definidos pelo público. todos os setores da sociedade podem ser contemplados nas matérias webjornalísticas. a própria lógica de funcionamento da Internet – que funciona por demanda. proporcionando-lhe a possibilidade de participar do processo de construção da notícia. o caráter de controle social da mídia Internet). a influência das agendas político-governamentais na produção webjornalística é minimizada. Sendo assim. Ou seja. por isso. ao invés de a informação ser despejada na audiência. Isso faz com a cobertura webjornalística contemple mais o interesse público.

uma influência no modo de produção de notícias da mídia de massa. também pode proporcionar benefícios para o jornalismo offline. O webjornalismo proporciona. pois o fato de a audiência dispor de meios para acessar e publicar as informações que deseja pode fazer com que o processo de seleção de notícias nos meios massivos contemple mais o interesse público. . A Internet tem especificidades e potencialidades que a diferenciam da mídia massiva. O espaço. não significando. o webjornalismo. uma restrição para a seleção dos acontecimentos que serão publicados. desestimulando a manipulação ou a defesa de interesses meramente corporativos. também é um diferencial em relação aos veículos massivos. por ser ilimitado. além de colocar a audiência no mesmo nível de importância dos jornalistas.50 O tempo em que os assuntos permanecem em pauta na Internet também é uma questão que foge da imposição midiática. portanto. ainda. pois liberta a produção noticiosa de limitações normalmente encontradas nos meios de comunicação de massa. Suas características possibilitam a prática de um jornalismo mais independente. pois não há previsão de como e quando e discussão vai acabar. Ou seja.

Os sites foram analisados durante o mês de outubro de 2006 e. Em ordem. relativos à Teoria da Complexidade (MORIN. utilizaremos os conceitos de singularização e desenvolvimento simbiótico. para tanto. O desenvolvimento simbiótico – que tem a ver com a característica da eqüifinidade dos sistemas abertos e com a relação entre parte e parte – diz . A singularização – que está associada com a relação entre parte e todo – diz respeito à maneira como o material publicado ocupa o espaço disponível e. por meio dessa observação pode-se constatar como o site trabalha em relação ao agenda-setting da mídia tradicional. até chegar ao pensamento sistêmico-relacional (fase hipermidiática). NoMínimo e OhMyNews International (OMNI) são representantes desse movimento transitório do jornalismo na Internet. buscase analisar se o site opera apenas atrelado ao sistema broadcast (ou top-down news) ou se respeita as potencialidades do sistema intercast (ou bottom-up news). 1991). Este capítulo destina-se a exemplificar como acontece a transição entre um modus operandi ainda massivo (fase transpositiva). que nos permitem classificá-los como predominantemente transpositivos. principalmente. perceptivos ou hipermidiáticos. como este espaço é pensado.51 3 ANÁLISE DE SITES Vimos que a prática jornalística na Internet obedece a uma escala evolutiva desde o início da utilização da web como mídia. passando por uma etapa intermediária que já começa a explorar as possibilidades da rede (fase perceptiva). os sites Caros Amigos. Para avaliar esse processo de organização de informação nos sites escolhidos. Assim. foram escolhidas categorias de avaliação do uso das características hipermidiáticas. A primeira categoria denomina-se “estratégias de produção e publicação”. Primeiramente.

Dentro ainda da segunda categoria.52 respeito ao fato de o sistema permitir e/ou fomentar a participação do usuário. Dessa forma. A estruturação de co-enunciação – uma das diferenças que a linguagem hipertextual da Internet apresenta em relação à linguagem linear – diz respeito à co-produção e à gestão de informações em um espaço inter-relacional. como funcionam e como o contato entre a audiência e o núcleo gestor do site pode colaborar para o aperfeiçoamento da publicação como um todo. Nesse aspecto. 2002:34). e o enunciado é o objeto que auxilia a definição deste sujeito”. além da possibilidade dos usuários atribuírem mérito ou demérito a alguma informação – fazendo uma espécie de trabalho de ranking. permanência do material. as análises relativas aos processos de co-enunciação mostram que é preciso buscar elementos do ato (enunciação) em seu produto (enunciado) para compreender esta relação que configura “um ato comunicacional dinâmico ou performance” (FIORIN. “a enunciação é o ato pelo qual o sujeito constrói o sentido. A hierarquização aborda práticas muito semelhantes às encontradas nas rotinas produtivas dos grandes veículos tradicionais. à seleção cabem os processos de estocagem de conteúdo. geração e manutenção de bancos de dados. ferramentas de busca. hierarquização. pretende-se analisar que tipos de ferramentas e espaços foram preparados para tanto. De acordo com Fiorin (2002:31). Trata da análise da organização do conteúdo de acordo com . Para melhor compreender esse processo e sua aplicação na mídia Internet. A segunda categoria de análise contempla os “processos de co-enunciação” e se divide em quatro subcategorias distintas: seleção. é necessário antes entender o que é enunciação e enunciado. enquadramento e personalização.

O trabalho de ranking atribui pontos. mas diferem na montagem do site. mas não interfere na posição ocupada pelas matérias. podcasting41. Neste ponto. ao enquadramento também cabe – quando na produção em si de conteúdo (pois o trabalho de participar da produção da capa do site também é um processo produtivo) – a definição dos ângulos de trabalho e a construção de narrativas usando as potencialidades da rede. o trabalho de ranking e o enquadramento se assemelham. Além disso. Isso é possível fazendo referência a outros sites por meio de links (fora do domo informacional do site em que trabalha).e broadcasting (transmissão de rádio ou TV). Assim. o público leitor e participante pode elencar os textos. . enquanto o enquadramento pretende reorganizar o conteúdo. Assim. o enquadramento já demanda exatamente o contrário. Nele a participação da audiência na concessão de valor positivo ou negativo às matérias é essencial. sem depender direta e estritamente da opinião de núcleos editoriais. Enquanto a hierarquização depende de processos rígidos de estruturação e não permite que a importância dada a determinado material seja avaliada de maneira ativa e possivelmente mudada pelos usuários. 41 Podcasting é a forma de publicação de programas de áudio e/ou vídeo pela Internet. podcast são arquivos de áudio ou vídeo que podem ser acessados na Internet. dentre outras maneiras de apresentar informação na web. de acordo com mecanismos de “pontuação” ou “aprovação e desaprovação”.53 processos de edição e recorte feitos por núcleos isolados do sistema. A palavra "podcasting" é uma junção de iPod . Assemelha-se ao trabalho de um editor na elaboração da primeira página de um jornal: decidir o que vai aparecer ali ou não. Diferente da atribuição de importância hierárquica (definida e estática).um aparelho que toca arquivos digitais MP3 . utilizando áudio e imagem. mudando a “primeira página” do site de acordo com a qualidade do material lido. o enquadramento visa um ponto diferente na organização do conteúdo.

as relações e a conversação dos interagentes no processo de produção e publicação de conteúdo. mostra como as relações sociais são tecidas no contexto do site. mudando as cores. Já a possibilidade de personalização é uma questão individual. por meio de demonstrações situacionais (se existirem no site analisado). Indica também como o site trabalha para que essa participação seja organizada e eficiente. A terceira categoria de análise. distribuição e a “alimentação” de conteúdo – procurando . denominada “atividades em espaços públicos relacionais”. Esta categoria é diferente do enquadramento. por exemplo. oferecendo a todos a possibilidade de usar os recursos hipermidiáticos da rede. Como. como o sistema oferece ferramentas e canais para que haja um processo de socialização com e entre o seu público leitor. o enquadramento demanda a participação de muitos interagentes para funcionar. trabalhar no site um sistema que apresente somente as editorias que lhe convierem. organização das colunas e das divisões da homepage. em que o funcionamento do sistema pode ser alterado de acordo com as preferências do usuário.54 O quesito personalização trata da possibilidade prática de a audiência organizar o conteúdo de acordo com sua vontade. chamada “configuração de espaço público relacional”. por meio da observação do tipo de estrutura que nasce dos embates entre os interagentes (jornalistas e audiência). Por outro lado. a segunda mostra como é o funcionamento estrutural do site – publicação. pois nela analisa-se a relação entre usuário e sistema apenas como um processo passivo. Também será dividida em outras subcategorias: a primeira – processos de interlocução – expõe. mas. já que a “edição” da primeira página do site é feita por meio da avaliação da audiência. mostra não apenas como a publicação incentiva a participação de seus usuários. A quarta categoria. principalmente.

de fato.55 explicitar como algumas publicações se diferenciam quando recorrem às práticas interacionais. lançada em abril de 1997. mas sim a criação de uma comunidade de interagentes que se dedicam às práticas jornalísticas colaborativas. a publicação impressa. é a versão digital da revista impressa Caros Amigos.000 exemplares. Não se aborda aqui apenas a conversação ocasional. eram criar um meio de comunicação 42 43 http://carosamigos. Tatiana Estanislau dos Santos.asp . É o carro-chefe da editora Casa Amarela. Para tanto.com.1 Histórico O primeiro site analisado. afirmou que os objetivos. O site foi criado em 2001 e sofreu uma reformulação no final de outubro de 2006. quando o site foi lançado. Segundo informações contidas no próprio site43. é uma revista mensal de assuntos diversos. fascículos e livros.br/do_site/quemsomos. 3. aqui denominado Caros Amigos online42. a editora de Caros Amigos online. observa-se se as publicações permitem que haja relações sociais entre seus membros.terra.br http://carosamigos. interagentes. com distribuição nacional e tiragem média de 50.1 Caros Amigos 3. a última categoria pretende observar se o site possibilita interação reativa ou mútua. que edita revistas.1. Finamente. Em entrevista realizada por e-mail. potencializadas pelo uso de algumas ferramentas hipermidiáticas. o que permite-nos classificar as pessoas que compõem a audiência como apenas usuários ou.com.terra.

Disponível em http://observatorio.2 Planejamento Editorial A Caros Amigos impressa é uma publicação que se opõe à hegemonia do discurso neoliberal que geralmente pauta as grandes empresas jornalísticas.terra.htm. ou seja.1.com. Segundo Câmara46. o site está hospedado no Terra45. a versão online seria uma espécie de chamariz para a publicação impressa.br/ http://www.com.br/revistas 46 CÂMARA. Caros Amigos online mostra-se. tanto para os leitores já fidelizados. 3. Marcelo Barbosa. Hoje.56 mais rápida com os leitores da revista impressa e ter um novo caminho para divulgá-la. mas não explora as potencialidades hipermidiáticas e interacionais do meio digital para acentuar tal postura ideológica. portanto. Nesse último caso.ig. são profissionais que prezam por um jornalismo sem concessões editoriais e pela divulgação de posturas ideológicas diversas. O jornalismo independente de Caros Amigos: um processo de contra-hegemonia. Segundo ela. uma extensão da revista impressa. Caros Amigos tem como colaboradores “os que ficaram de fora dos MCM [meios de comunicação de massa] nos tempos de neoliberalismo ou ainda os que estão mais próximos do campo democrático-popular”. uma vitrine de sua marca. que usa a Internet para ganhar mais visibilidade. quanto para os leitores em potencial. O site não demonstra pretensões de ser um veículo pensado e produzido para o (e no) meio digital.uol. De acordo com o autor. Caros Amigos online possui o mesmo caráter contra-hegemônico da revista impressa. Por ser uma publicação que conserva características da fase transpositiva.com. o primeiro parceiro foi o Uol44. 44 45 http://www. como um braço. a exemplo de outros sites de veículos tradicionais.br/artigos/da250920022.ultimosegundo. Acesso em 15/10/2006 .

limitado. consegue não se tornar prisioneira do agendamento da grande mídia. Assim. No quesito desenvolvimento simbiótico – que reflete a construção da publicação mediante o encontro dos agentes da comunicação (leia-se não tão somente o repórter. A publicação não incentiva a participação ativa da audiência.57 3. dentro do quesito singularização. que mantém em pauta os assuntos discutidos na revista. pode-se dizer que Caros Amigos online. optou-se por fazer. De maneira geral. herdado da publicação impressa. o site acaba por não se afastar do agenda-setting. as observações sobre as duas versões separadamente. pela própria revista. o site não explora devidamente as possibilidades hipermidiáticas da Internet e se transforma em uma vitrine da revista impressa. Na primeira versão – que data do ano de 2001 até meados de outubro de 2006 –. mas também o leitor) – Caros Amigos online tem um processo jornalístico próprio. apesar da publicação impressa pretender produzir material e abordagens alternativos. ou sequer foi estruturado. editor e outros profissionais da comunicação. ocorrida durante o período de realização das análises. mas o site acaba se transformando em prisioneiro do método de trabalho da revista impressa. Caros Amigos online reproduz o sistema utilizado pela mídia tradicional. conferindo ao site uma organização rígida. em sua versão virtual. para estimular a colaboração do leitor na produção das .3 Análise Em virtude de uma reformulação do site. O site não possui um sistema. Apesar de em seu projeto editorial a Caros Amigos pretender abordar assuntos diversos e se tornar uma alternativa ao conteúdo massificador encontrado na grande imprensa. A conversação entre leitores e jornalistas é mínima. nessa ocasião específica.1. quando necessário. assim como a revista impressa.

Para possibilitar uma mínima participação. . Na estrutura do site não existe link para este arquivo. cujo acesso só pode ser feito depois de ler uma reportagem até o final. oriundo de uma organização jornalística que possui uma publicação impressa. Em Caros Amigos online. mesmo assim. Em relação ao conteúdo do próprio site e às opiniões. não se percebe nenhum link que aponte para um banco de dados do conteúdo. Existe um “arquivo de reportagens”. aborda características como a estocagem de conteúdo. Como o conteúdo é transpositivo. quando o leitor tem acesso às capas passadas e a algumas matérias de tais publicações. disponibilizadas no site. Pode-se dizer que o feedback não é estimulado e acontece ocasionalmente. todo o material é apresentado de maneira a obedecer políticas editoriais rígidas. existe forte hierarquização do conteúdo na página.58 matérias e do conteúdo. sistema de ranking e os processos de aprovação e desaprovação de conteúdo. dentro dos processos de co-enunciação. e. o que aponta uma despreocupação ou desconhecimento em relação aos aspectos hipermidiáticos. artigos e material enviado pelo leitor. também não permite que a audiência selecione qual matéria é melhor de acordo com atribuição de “pontos”. Conseqüentemente. que não permitem que material enviado pelo leitor seja “capa” do site. são utilizadas algumas ferramentas de interatividade. uma vez que a publicação é feita por um núcleo próprio. como e-mails de contato e sistemas de comentários. o único sistema de estocagem (referente ao acesso a publicações anteriores) acontece na parte dedicada à publicação impressa. que define estrategicamente qual será o conteúdo. O critério seleção. O sistema de ranking de conteúdo não acontece em Caros Amigos online.

59 Como o leitor não interfere na disposição do conteúdo do site. de maneira a complementar as matérias.terra. pois é criada pelos editores e não está mais sujeita a modificações até novas atualizações (que respeitam períodos definidos).asp# Acesso em:20/10/06 .br/do_site/correio. Com relação às narrativas. Também não existe a possibilidade de se personalizar o site quanto à estrutura. e não facilitam o fortalecimento da relação entre 47 Segundo consta no próprio site. Disponível em http://carosamigos. “o Correio Caros Amigos é um informativo da editora Casa Amarela totalmente gratuito de periodicidade semanal destinado a estimular o debate e informações importantes e relevantes para todos nós”. a “capa do site” não pode ser configurada de acordo com as preferências do leitor. A única ferramenta que poderia ser considerada como uma personalização é o recebimento do “Correio Caros Amigos”47. No entanto. já que todo material enviado pelos usuários está sujeito à aprovação ou desaprovação dos próprios responsáveis pelo site. há um sistema parecido com um fórum de discussão. o site não visa a criação de uma comunidade que opere na produção de conteúdo e participe ativamente na estruturação do próprio site. Na seção supracitada. Em Caros Amigos online existe a configuração de algo semelhante ao que a categoria atividades em espaços relacionais propõe. não há como o leitor separar por assuntos ou editorias de sua preferência. Mesmo assim. como a utilização de sons e imagens em movimento. Ou seja. Ao leitor não cabe nenhuma função de coorganizador de conteúdo. As possibilidades de participação do público são voltadas para permitir que o usuário veja seus textos publicados e continue visitando a página. em Caros Amigos online as matérias são tradicionais e não usam recursos hipermidiáticos. além de não trabalharem com a disponibilização de links para outros sites. a categoria enquadramento – que diz respeito à configuração do site (quando alterada pela audiência) e à construção do processo narrativo dentro do conteúdo – não se aplica. por e-mail. “Correios Caros Amigos”.com.

essa participação é condicionada. não o fomentando a compartilhar experiências e informações acerca do material da própria publicação. Ademais. Em alguns momentos os leitores 48 http://carosamigos. e não são propostos espaços para que haja qualquer tipo de socialização mais ampla.com. estas respeitam periodicidades definidas. listas de discussão. Na ocasião da análise dessa seção. apresentando informações e bem articuladas. bem redigidas. Falta em Caros Amigos online espaços como salas de batepapo. sempre com ponderações e moderações feitas pelos profissionais envolvidos na confecção do site. Quanto à distribuição e à publicação da informação. a pauta em voga era: “O que você achou do segundo debate entre Lula e Alckmin?” Os leitores aqui “postam” informações das mais variadas. por exemplo. Algumas com cunho jornalístico. uma vez que o leitor é convidado a falar sobre pautas sugeridas pelo próprio site. restritos a seções não dedicadas especificamente a esses propósitos. Outras “postagens” são opiniões diversas a respeito dos candidatos. A seção “Coluna do Leitor” é um acessório do site. A configuração de um espaço público relacional em Caros Amigos online é defasada. a seção “Palanque” conta com grande participação do usuário. Os processos de conversação entre os usuários são mínimos. o que contradiz o nome do próprio do espaço. com períodos mal-definidos. A produção de conteúdo jornalístico é limitada aos jornalistas de Caros Amigos e a atualização de tal conteúdo é defasada.60 os profissionais de comunicação envolvidos no site e a audiência.terra. no momento da análise (outubro de 2006) tem uma matéria publicada em julho do mesmo ano.br/novas_corpo_ci. exceto pelos ocasionais debates que acontecem em algumas caixas de comentários. Não há um cuidado dos responsáveis pelo site em pensar no usuário como potencial colaborador. No entanto. com proposta de apenas apresentar produções diversas do leitor.asp?not=1128 . grandes estruturas sistematizadas para permitir a participação de muitos usuários na discussão de variados temas. A seção “Novas”48 do site.

que se limita à interação reativa (passiva). Aqui o conteúdo das mensagens não tem tema definido. Na seção “Chute o Balde” o usuário é convidado a falar do que quiser e como quiser. percebe-se que o leitor de Caros Amigos online não pode ser enquadrado como interagente (indivíduo convidado ou ajudado a participar da publicação jornalisticamente). isto é. . assim que enviadas já vão para a lista de mensagens do site. Os recursos de interação mútua (PRIMO. isto é. As mensagens são listadas por ordem de envio e não há qualquer registro de data. As mensagens nesta seção são mantidas com atualização contínua.61 completam e/ou questionam algumas informações o que caracteriza. fato que dificulta a contextualização do “diálogo”. um processo de interlocução. 2004) não são utilizados pela publicação. de opiniões variadas simplesmente dispostas em ordem de inserção. sem moderação. o que configura a seção como um espaço descentralizado. Mediante a análise de tais categorias. muito limitadamente. esta seção não trabalha com atualização contínua. Apesar da proposta de se falar do que quiser. há algum tipo de moderação.

2. De acordo com Xico Vargas.com.ibest.2. tivesse conquistado média mensal de audiência superior a 1. um de seus investidores decidiu interromper os aportes de recursos. O site está hospedado no ibest52. Assim. em média. a média de visitação de NoMínimo é entre 2. pelo jornalista Xico Vargas. Segundo o editor. em entrevista por e-mail. (Notícia. 3.1 milhão de usuários únicos51. que se chamava NO.2 Planejamento Editorial Ainda segundo informações fornecidas por Xico Vargas. A partir de então.5 e 3 milhões de pageviews50 mensais.2 NoMínimo 3. depois de dois anos. editor de NoMínimo49. 51 A contagem de usuários únicos refere-se às visitações por IP (Internet Protocol). É o número de vezes que determinada página (site) é carregada no navegador. com 900 mil a 1. iBest e http://nominimo.5 milhão de visitações. Opinião e Ponto). NoMínimo é uma publicação independente. o número de pessoas (de máquinas diferentes) que visitaram a página. que está no ar há mais de quatro anos. mantida por contratos para fornecimento de conteúdo com os portais IG.br 50 49 .br Visualizações de página [tradução nossa].ibest. parte do grupo de jornalistas que integrava a redação de NO. pode-se saber. embora NO. o site deriva de uma revista diária de informação na Internet. decidiu formar o site NoMínimo. 52 http://www. Alguns sites registram os IPs das máquinas que os acessam e fazem uma contagem.com.62 3. Cada maquina conectada à rede tem um IP.1 Histórico De acordo com informações fornecidas.

como fóruns. enquetes e e-mails dos colunistas e editores do site. isto é. além do faturamento publicitário e da venda de colunas e matérias para veículos impressos. temas que gostariam de ver abordados e manifestando suas opiniões. de inserção de outras ferramentas. É um site que explora algumas ferramentas de interação com a audiência. com títulos e chamadas para o conteúdo do site. que também possui sistema de boxes com conteúdo rotativo.63 BRTurbo. segundo o editor. Xico Vargas afirma que os editores planejam introduzir novidades em áudio e vídeo. 3. Os leitores participam sugerindo. não há a intenção. um grande menu. eventualmente. no qual o leitor pode navegar entre as seções dos colunistas e entre um conjunto de editorias. algum membro do corpo editorial escolhe o que vai ocupar qual lugar na página. a terceira é a coluna da direita.2. A “capa do site” é construída por um sistema de edição. de maneira que os boxes que são ali mostrados. listas de discussão e salas de bate-papo. são atualizados constantemente.3 Análise A singularização em NoMínimo ainda segue um modelo misto. O site é dividido em quatro partes distintas: a primeira é uma coluna à esquerda. a quarta parte é o quadro . por meio das caixas de comentários. que reúne características da mídia tradicional e da mídia interacional. pelo menos por enquanto. seu conteúdo é rotativo. NoMínimo não oferece outros canais de relacionamento com o público e. ao mesmo tempo em que tem um sistema de conteúdo fixo – com links para algumas colunas separadamente. isto é. para a “frase do leitor escolhida” e para sites parceiros. a segunda é uma barra superior dinâmica.

editor do site. afirmou que “´Fala leitor’ é como uma coluna de cartas. Percebe-se que o encontro dos agentes do processo comunicacional em NoMínimo é pequeno. A respeito do desenvolvimento simbiótico. 53 . guiando a leitura do público. que. e. no entanto. Pode-se concluir então que há um trabalho de edição na “capa do site”. em raras ocasiões. no qual o conteúdo de NoMínimo é todo apresentado. Algumas seções de comentários contam com mais de trezentas mensagens do público. o próprio autor posta algo respondendo às críticas. algumas matérias mais antigas estão ocupando espaços das matérias mais recentes. A “capa do site” geralmente funciona como um blog. Normalmente a seleção é feita por cada editor que recebe a mensagem de seu leitor”.64 central. com tamanhos reduzidos. tem um sistema de funcionamento mal planejado (não fica claro ao leitor como publicar conteúdo nessa seção). No entanto. com as matérias sendo apresentadas em uma coluna somente. sem as opções de barra de endereços e que têm como função apresentar conteúdos menos importantes ou publicidade. uma vez que os autores fixam alguns tópicos. Janelas pop-up são janelas do navegador que abrem. São mensagens enviadas para os jornalistas de NoMínimo por e-mail (ou seja. fora dos comentários). Mas o próprio formato estrutural dessas seções (janelas pop-up53) concede um grau de menor importância ao que é ali apresentado. o que nos permite aproximar o modelo de publicação de NoMínimo dos processos de agendamento. em ordem de atualização. pois aparenta mostrar que as mensagens do público são adjacentes ao espaço do site e não parte dele. ao contrário do sistema tradicional de blog. O jornalista Xico Vargas. O público participa timidamente. o site não foca seu trabalho em aproximar leitores e editores. nas seções de comentários e na seção “Fala Leitor”.

No entanto. o que confere ao site um caráter de fonte de dados eficaz. NoMínimo conta com uma ferramenta que permite ao usuário determinado grau de participação. A característica enquadramento pode ser analisada unicamente sob seu aspecto de construção de narrativas. Trata-se da possibilidade de receber. por e-mail. trabalhando a memória informacional e criando um banco de dados. a busca falha ao não encontrar algumas colunas ou textos. é razoavelmente trabalhada. fazem uso das opções de links para publicações externas em seus textos. o que impede o usuário de participar da organização. autor específico ou frases inteiras. . nada mais pode ser configurado pelo usuário à sua vontade. Aparece aqui o caráter perceptivo de NoMínimo. referente aos processos de co-enunciação. no entanto. Dentro das possibilidades de personalização. Apesar disso. Apesar de existir certa ordem de publicação cronológica. ainda timidamente. os textos de um autor predileto. como Pedro Dória e Guilherme Fiúza. A hierarquização de conteúdo em NoMínimo acontece de acordo com a vontade de seu conselho editorial.65 A seleção em NoMínimo. por períodos de tempo. Poucos colunistas. uma vez que não há interferência do usuário na estruturação do site. como já apontado anteriormente. sem ter que acessar o site continuamente. Além disso. algumas matérias de capa são mais antigas. é possível encontrar resultados das enquetes. feito. O site conta com avançado sistema de busca. no qual se vê certo aproveitamento de algumas possibilidades hipermidiáticas. Algumas editorias e alguns colunistas possuem um sistema de arquivamento. mostrando apenas uma página de erro.

O encontro da audiência e sua participação nos debates propostos pelo site são tópicos analisados na categoria “configuração do espaço relacional”. encontramos opiniões distantes. mas que. o colunista Ricardo Calil apresenta uma matéria chamada “Quinze Minutos de Vexame”.66 Sobre as atividades em espaços relacionais. O único espaço em NoMínimo em que acontecem interações entre os usuários é na seção de comentários. dão a volta por cima e conseguem contratos milionários com publicidade. Muitas vezes estão cheias de mensagens variadas e desorganizadas. em algumas ocasiões. estabelecem discussões e fazem um bom debate. conseguem estabelecer um debate entre dois ou mais leitores. apesar de ocorrer nas seções de comentário. mesmo experimentando algumas das possibilidades da web. o contato se dá muito mais pela qualidade da publicação do que pela possibilidade de a audiência ter uma participação ativa. No entanto. Não existe a proposta de se criar uma espécie de comunidade. na qual levanta a discussão sobre celebridades que são flagradas pela mídia em atos duvidosos e que. . a partir disso. transcritos no quadro abaixo. Em uma coluna chamada “Olha Só: TV. NoMínimo. mas. abordando o caso de Daniela Cicarelli como melhor exemplo. o que. de fato. no entanto. O contato com o público não é a proposta de NoMínimo. não disponibiliza nenhum espaço para que sua audiência mantenha contato entre si e com os próprios editores. Nos comentários. Cinema e DVD”. que se organize de acordo com os limites do site. é um ganho para a “comunidade” criada ao redor do site.

Crimes hediondos são vistos com o maior descaso. Que venha o próximo escândalo. se fazendo de vitima…o prizidenti eh um exemplo maior de toda essa bandalheira de hoje em dia. . Milhões de pessoas morrendo de fome só servem para fomentar a criação de ONG’s que ficam na porta dos ricos tentando chamar a atenção. Sem contar que os que não foram indiciados só não foram por falta de vontade política. Se a mídia careta continuar a exibir fartas porções de Daniele Winits. Vários dos indiciados foram reeleitos. Nós nos acomodamos e agora aceitamos qualquer um. até aqui. literalmente.. Acho que o ditado mais certo é o que diz que cada povo tem o governo que merece. Vale notar que tudo começou com a discussão das celebridades e. um trecho recortado. pois é raro um político que não tenha o rabo preso ou não esteja envolvido em falcatrua. Cicarelli e Juilana Paes. simplesmente assume a culpa e parte pra cima tentando virar o jogo. Pior ainda é saber que somos responsáveis pelo que acontece e acabamos por nos acomodar e não fazer nada. u só tenho a dizer que ser quadrado nunca foi tão bom para mim. AUTOR E DATA Flávio 23/10/2006 09h22 Maguilla 23/10/2006 09h35 James Bond 23/10/2006 09h58 Abstrato 23/10/2006 10h08 Álvaro 23/10/2006 10h30 Flávio 23/10/2006 A discussão perdura e os focos vão se movimentando. nem que a Karina Bacchi beijou o arrgg baixinho? Voce vendem o peixe de voces e querem que a sociedade tenha moral e etica. Reflitam voces tambem. E A Midia fica aonde? SE os sites Terra. termina com debates políticos.. continuaremos a comentar fatos semelhantes. Até o final dessa análise o debate discutia valores como moral e ética. sao pegos com a boca na botija. Comentamos. concordo com o texto do Calil…e epoca em que vivemos eh simplesmente ridiculo. nos dizemos indignados mas não fazemos nada. pois a midia não muda.e sabe do que mais? quando aconteceu o tal episodio da Cicarelli nem precisou eu ser um publicitario de renome pra sacar que ela logo lucraria e muito com essa palhacada toda… hoje em dia quem eh pego em flagrante. Infelizmente não só a mídia está atrás do dinehiro. Haja vista os escândalos políticos no Brasil. Guerras onde morrem milhares de inocentes é tido como uma coisa mais que comum. para traçar os rumos desta que poderia ser uma grande nação. Ela está atraz do $$$$$$$$. sem se dedicar realmente a ajudar os necessitados (claro que neste caso há poucas e valorosas exceções). Não é uma demogracia? A sociedade deve dar um fim nisso ou deve continuar pondo pano quente? Não sei Acredito que daqui a 20 ou 30 anos. viram pra voce e perguntam e dai?? E nós com isso? Cada um mostra ou faz o que quer. Ibest e cia ltda não ficam dando destaque a isso eu nem saberia que a Cicareli é uma putinha.67 TEXTO Eu acredito que essa postura de “perdoar” as celebridades reflete uma coisa mais grave: a banalização que todas coisas importantes da sociedade sofreram.

O grande momento de encontro entre os visitantes do site acontece nas centenas de seções de comentários. A Coréia do Sul. disponibilizado em inglês.br/genealogia_do_ohmynews.com 56 Disponível em http://ambrambilla. é preciso analisar o seu contexto histórico. de Pedro Dória). o cenário midiático pós-ditadura era sustentado por três grandes conglomerados de comunicação. passou por um regime político ditatorial – instaurado no começo da década de 1980 por meio de um violento golpe militar – que durou até meados da década de 1990. Para compreender o motivo pelo qual o site foi criado.68 Na seção “Fala Leitor”. Por questões lingüísticas. Acesso em 15/10/06. foi fundado o OhMyNews International (OMNI) 55.pdf. optamos pela análise do OMNI. como a seção Weblog. Em 2004. Segundo Brambilla56.3 OhMyNews International 3.blaz. ao término das matérias de alguns editores (as matérias publicadas em formato blog. 54 55 http://ohmynews.3. com linha editorial conservadora. país onde o site foi idealizado. Essa seleção do material não aponta para uma configuração de um espaço de atuação do leitor.com. .1 Histórico O OhMyNews54 é um site de jornalismo colaborativo criado em 2000 pelo jornalista sul-coreano Oh Yeon Ho. 3. uma vez que sua participação depende da concessão de outrem.ohmynews. devido ao sucesso do sistema. o material apresentado é selecionado pelo editor dentre um conjunto de e-mails que ele recebe sobre algumas matérias.com http://english.

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representando 80% da imprensa sul-coreana. A grande maioria das emissoras de televisão também sofria controle por parte do governo.

A censura promovida pelo Estado, a impossibilidade de livre opinião e a cobertura superficial realizada pela imprensa criaram um cenário favorável ao projeto de Oh Yeon Ho. A idéia era criar uma opção de jornalismo independente do poder e de fontes oficiais, que suprisse a necessidade do povo sul-coreano de manifestar suas idéias. O site traz o slogan “Every citizen is a reporter”57, que define bem a proposta editorial de OhMyNews.

3.3.2 Planejamento Editorial

O site é um noticiário cujo diferencial é a abertura do acesso e da produção de informação, utilizando a noção de citizen reporter58. Contando com a participação de milhares de membros cadastrados, OMNI possui uma série de regras jornalísticas bem definidas, e ainda conta com dezenas de profissionais da comunicação contratados para auxiliar os “cidadãos-repórteres” na produção de conteúdo noticioso.

Segundo Brambilla, a política editorial do site é definida por “progressista aberta”, ou seja, é uma mídia de caráter progressista, objetivando diminuir a disparidade entre o número de veículos conservadores e as publicações alternativas. De acordo com a autora, no início, o OhmyNews contava com 727 cidadãos-repórteres, uma equipe distinta do corpo permanente de repórteres do

57 58

Todo cidadão é um repórter [tradução nossa] Repórter-cidadão [tradução nossa]

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site. Os cidadãos-repórteres são responsáveis por relatarem os acontecimentos do entorno de onde se encontram, de acordo com Brambilla, “a partir de uma perspectiva própria e não orientada pelo caráter conservador da maioria da mídia coreana”. Os repórteres profissionais são responsáveis pela edição de todo o material enviado pelos cidadãos-repórteres e pela produção das notícias e coberturas mais complexas e densas, como os assuntos ligados à política e economia. Brambilla afirma ainda que o número de reportagens sobre negócios, assuntos internacionais, cultura e entretenimento tem aumentado devido à participação dos cidadãos-repórteres.

Com relação à periodicidade, Brambilla ressalta que a grande participação de cidadãos-repórteres fez com que a edição semanal fosse substituída por uma edição diária do noticiário e, atualmente, já não se pode identificar a periodicidade de uma edição: “com cerca de 38 mil colaboradores cadastrados e grande parte deles atuante, o OhmyNews tornou-se um site de atualização permanente, várias vezes ao dia”.

3.3.3 Análise

Analisando a singularização em OhMyNews International (OMNI), pode-se constatar que o layout do site se aproxima da estrutura noticiosa dos grandes jornais online. O site possui um sistema fixo de editorias na coluna da esquerda e no quadro superior. Existem dois quadros à direita, nos quais estão alinhadas informações mistas com conteúdo do site, conteúdo de outras publicações (Herald Times) e links para alguns recursos hipermidiáticos, como enquetes (interação reativa) e salas de bata-papo (interação mútua). Em um outro quadro está o conteúdo rotativo da capa do site, com algumas chamadas, cadernos especiais, apresentação dos melhores

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colaboradores e comentários do dia. O quadro principal é facilmente percebido, pois é o maior deles, e é nele que se inserem as chamadas de capa (geralmente com fotos), títulos (em tamanho maior) e bigodes (subtítulos, em tamanho diferente da fonte corpo do texto). Ao final da página, uma coluna dupla mostra as últimas inserções de conteúdo de acordo com as editorias e, mais abaixo, são mostradas as últimas inserções de todo o sistema, com data e hora.

Apesar de seu formato se assemelhar ao formato dos jornais impressos, utilizado em muitas publicações online e webjornalísticas, o OMNI se organiza de maneira independente em relação ao conteúdo editorial. A “capa do site" é criada de acordo com decisões de um conselho editorial, que avalia o material enviado e a importância de cada informação (já que OMNI é uma publicação mundial). No entanto, apesar de haver um conselho editorial que define a capa, o site consegue se afastar do agenda-setting por ser mantido pela audiência. Em alguns momentos, como a agenda do público é alterada pela agenda dos grandes meios de comunicação de massa, o próprio público acaba reconfigurando o espaço do site, na medida em que se atém aos mesmos assuntos. Em um contato com Yu-jin Chang, um dos diretores membros do conselho editorial de OhMyNews, por meio do Google Talk59, perguntamos sobre o uso de algumas imagens na capa do site que apontam links para assuntos específicos, como a tensão com a Coréia do Norte60 e também as questões do Oriente Médio61. A resposta de Chang foi reveladora: “when there are a lot of stories about a big topic, such as the midease conflict, we make the decision to make a special section, and by doing this, it also stimulates more stories on that topic”62. Consideramos

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Google Talk é um serviço de mensagens instantâneas desenvolvido pelo Google – empresa que criou e mantém o maior site de busca da Internet – e incorporado ao Gmail (conta de e-mail gratuita oferecida também pelo Google). Qualquer pessoa que possua uma conta Gmail pode conversar instantaneamente com outra que também possua. 60 http://english.ohmynews.com/english/eng_section.asp?article_class=13 61 http://english.ohmynews.com/english/eng_section.asp?article_class=16 62 “Quando temos muitas histórias sobre um grande assunto, como os conflitos no Oriente Médio, nos decidimos fazer uma seção especial, e fazendo isso, também estimulamos mais histórias sobre o assunto”. [tradução nossa].

o site ainda conta com uma eficiente ferramenta de busca. Newsroom e Announcements. Este processo visa apenas apontar a credibilidade . uma maneira de evitar que a maior quantidade de histórias sobre determinados assuntos ocupe demasiado espaço na capa do site ou no decorrer das demais editorias. Assim. com indexação feita mediante data de inserção. mas também na análise e aprimoramento da performance funcional do site. já analisando os processos de co-enunciação. o OMNI não possui um arquivo geral do conteúdo. sempre à vista. as produções já chamam o usuário para participar. seja por meio de comentários ou de novas matérias. No quesito seleção. e ali recebem instruções de outros usuários e dos próprios editores. Além disso. todo visitante ou membro do site pode aprovar ou desaprovar os comentários de outros visitantes. Utilizando um leque de recursos hipermidiáticos. Desde o primeiro momento. Analisando essas salas. título ou palavra-chave. nas salas de Reporter’s BBS. No que diz respeito ao processo de ranking. inclusive. No entanto. No que se refere ao seu desenvolvimento simbiótico. encontradas dentro da seção Reporter’s Desk é mantida uma discussão contínua entre os membros do site e seus editores.72 que esta é. Esta categoria observa o grau de participação do público não somente na inserção de material. que procura por material relacionado a determinado autor. OMNI é um dos sites de conteúdo colaborativo mais eficientes. Em OMNI. a publicação estimula a participação do leitor em todos os aspectos. consegue-se organizar as informações e mantê-las. vêem-se algumas mensagens de usuários insatisfeitos ou confusos com o sistema do site. configurando a possibilidade hipermidiática da memória informacional. Os níveis de participação do usuário e o uso de outras ferramentas serão melhor abordados a seguir. de certo modo. o OMNI apresenta um elaborado sistema de estocagem de conteúdo.

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do autor, uma vez que os comentários que recebem maior ou menor número de aprovações ou desaprovações não são relocados no espaço do site.

Analisando a hierarquização em OMNI, percebe-se que a capa do site é organizada pelo conselho editorial. Os assuntos de maior importância, de acordo com definições editoriais desse conselho, ganham destaque por alguns momentos, até que novas matérias sejam enviadas e ocupem seu lugar. É um processo rígido e ao mesmo tempo flexível. Rígido quando a ordem das publicações na capa é definida por um interagente apenas (nesse caso, um conselho de editores) e flexível quando está sujeita a novas inserções sem um período de tempo definido, ou seja, assim que um novo material for enviado e selecionado, ele já é inserido na capa. A equipe de editores e conselheiros de OMNI faz um trabalho de correção de erros e checagem sobre a qualidade jornalística do material (material respeitoso, fundamentado, bem redigido, com fontes, etc.) e não interfere nos assuntos discutidos pela audiência.

Em termos de enquadramento, OMNI é uma publicação que estabelece um tipo diferenciado de participação da audiência. Além de permitir que o próprio interagente faça uso de todo tipo de recursos disponíveis para a web em suas matérias – como tabelas, caixas de links, podcasting, transmissão de gravações em formato mp3, enquetes – o site ainda se reorganiza por demanda do público – como no caso supracitado das chamadas de capa para os assuntos relacionados com a Coréia do Norte e com o Oriente Médio. No que se refere à construção de narrativas, grande parte das matérias apresentam muitos links para sites distintos, excluindo-se a possibilidade da criação de uma espécie de domo informacional restrito ao espaço do próprio OMNI. Em parceria com outros sites, OMNI explora um recurso interessante: ao fim de cada matéria o leitor pode

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enquadrá-la nos serviços de “melhores seleções” espalhados pela web, como o Digg63. Apesar de essa ser uma das características da comunicação hipermidiática, entende-se que o uso restrito dela em OhMyNews visa apenas a organização do conteúdo.

No que se refere à categoria personalização, nota-se que em OMNI há poucas possibilidades de a audiência moldar a publicação à sua vontade. Não há opção de estruturar o site de acordo com preferências individuais, ou seja, os interagentes não podem selecionar editorias, cores, organização dos itens, dentre outros tipos de customização.

Dentro da categoria “atividades em espaços públicos relacionais”, é evidente que o sistema de OMNI permite e fomenta a participação dos interagentes de várias formas. Por meio de um trabalho de acompanhamento editorial das propostas de pautas, e até mesmo das matérias, interligam-se as performances jornalísticas dos profissionais da comunicação com as dos “cidadãos-repórteres”. Dentro do espaço do site, salas de bate-papo, enquetes, sistema de mensagens privadas entre os membros do site, possibilidade de comentar uma matéria e até mesmo comentar um comentário, são provas do pensamento interacional, que visa o contato entre todos. Fora do espaço do site, ainda acontece, em um sistema de lista de discussão, um trabalho de crítica, sugestões e conversação entre estes usuários, levando a interação aqui para além dos limites estruturais do OMNI. Nosso contato com o corpo de diretores de OMNI foi feito em questão de segundos por meio dessa lista de discussão. O processo de publicação das matérias conta com um diálogo entre os interagentes que é fundamental. Assim, o uso de alguns recursos web mais avançados é feito pelo editor de acordo com as necessidades do repórter.

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Digg é um site que trata de categorização e ranking de conteúdo. Ao usuário do Digg cabe a tarefa de selecionar material de outros sites e atribuir-lhe pontos negativos ou positivos. http://www.digg.com

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OhMyNews é o site que, atualmente, possui a melhor estratégia para possibilitar e fomentar a atuação ativa do interagente. Toda estrutura do site foi criada (e é aperfeiçoada) para fazer da publicação um espaço concentrador de debates e discussões. Como já dito anteriormente, em OMNI a audiência é chamada a participar e recebe todas as instruções e ferramentas necessárias para inserir material no site. Além disso, o domo informacional de OMNI contempla vários tipos de recursos hipermidiáticos destinados exclusivamente à possibilidade de se estabelecer contato entre os agentes da comunicação ali inseridos, como os editores responsáveis pelo site, e também os próprios leitores e “cidadãos-repórteres”. Para tanto existem salas de bate-papo, enquetes e listas de discussão. Mas, o espaço onde os debates acontecem mais comumente são as seções de comentários. Nelas qualquer um pode escrever o que quiser. Além disso, em OMNI acontece um processo que ainda é muito pouco utilizado nas publicações online: a possibilidade de se comentar um comentário, isto é, depois de lido algum comentário, o leitor pode dar sua “aprovação” ou “desaprovação” e escrever, se desejar, um novo comentário sobre o que acabou de ler. Percebe-se aqui claramente o compromisso de OMNI com a participação da audiência, permitindo que as conversas se estendam.

Em um artigo chamado “Bush Declares War on Habeas Corpus”64, a autora Claudia Nelson, fala da tentativa do presidente norte-americano George W. Bush de diminuir os limites do direito constitucional do habeas corpus. Além de algumas fontes, a autora termina com um press release da Casa Branca sobre o assunto, com o discurso de Bush. Ao final de todo o material publicado em OMNI existe sempre a “caixa de comentários”. Até a data desta análise (25/10/2006),
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Bush declara guerra ao Habeas Corpus [tradução nossa]. Matéria publicada em 19/10/2006. Disponível em: http://english.ohmynews.com/articleview/article_view.asp?code=2118905&menu=c10400&no=323946&rel_no=1& opinion_no=6&page=&isSerial=&sort_name=&ip_sort= Acesso em: 30/10/2006

we are our own enemy. talvez ver um pouco de Wendy’s. [tradução nossa] There will be a big unraveling. Eu concordo totalmente.. Certo. então deixe-me assisti-lo primeiro. We have to stand up to our government. [tradução nossa] if i start telling people about this... check out some internet porn. Eles não tem consciência por qualquer indivíduo que estão matando. Castle 22/10/2006 Obteve três aprovações e 1 desaprovação. When USA and North Korea go to war. ou o começo de um novo Iluminismo. escolas para causar o máximo de mortes civis. These are invisible enemies who will bomb your malls. ou eu não sei! [tradução nossa] I agree.. Venha pensar a respeito. Provavelmente medidas mais duras estão a caminho. How 'bout next week sometime? Eu concordo. TEXTOS These not the people whom you catch on battle-field regrading whom the Geneva convention was devised.. or i dont know!!!!!!!!!!!!!!!!! Se eu começar a contar isso às pessoas. conferir alguma pornografia na Internet.. recuperam-se esses comentários e o processo de diálogo que nasce com eles. Que tal uma outra hora na semana que vem? [tradução nossa] We ARE doomed!!! I have yet to hear our "so-called" media talk about this!!! Even Art Bell and George Norrie haven't said a word about it??? Estamos condenados! Eu ainda tenho que ouvir a “tão aclamada” mídia falar sobre isso!!! Até mesmo Art Bell e George Norrie não disseram uma palavra sobre isso??? I agree with u! There is a blind-media operating in US. Kelly 20/10/2006 Obteve duas aprovações. and that will be the beginning of the end. You need special measures to tackle them in the interrim. Eu concordo com você! Existe uma mídia cega operando nos EUA. trens. mas vamos fazer isso amanhã. espere! Aquele ótimo novo programa “Lost” está passando.76 existiam sete comentários sobre o assunto. schools to cause maximum civilian casaulties. millions of people will take to the streets to protest it hopefully. i can be thrown in jail without questioning or justice now. so its either too late. Haverá uma grande revelação em breve.. Abaixo.. so lemme watch that first. e isto será o começo do fim. Come to think of it. Seifor 25/10/2006 . They have no concern for any fault of the individuals they are killing. então é tarde demais. Anonomous 20/10/2006 Obteve duas aprovações e 1 desaprovação. AUTOR E DATA Ma Khan 19/10/2006 Este comentário recebeu três desaprovações Rick 20/10/2006 Obteve três aprovações. soon. somos nosso próprio inimigo. Shit.. Temos que enfrentar nosso governo. ônibus. [tradução nossa] I absoulutely agree. wait! That great new show "Lost" is on. Probably harder measures are on the way Estas não são pessoas que você captura em um campo de batalha considerados quando a Convenção de Genebra foi formalizada. buses... let's just do it tomorrow. Você precisa de medidas especiais para detê-los no ínterim. vão instalar minha nova tv por satélite amanhã. Okay. milhões de pessoas irão para as ruas para protestar esperançosamente. Quando EUA e Coréia do Norte forem à guerra. eu posso ser jogado na cadeia sem questionamentos ou justiça agora. I'm getting my new satellite tv installed tomorrow. maybe grab some Wendy's.Estes são inimigos invisíveis que vão bombardear shoppings. Merda. trains. Dan 25/10/2006 Obteve duas aprovações. or the beginning of a new enlightenment.

sem qualquer extensão offline. Algumas outras publicações. Além da . a Caros Amigos Online passou por uma reestruturação gráfica e funcional. links para outras publicações. feitas exclusivamente para web. O corpo de redatores de NoMínimo publicam conteúdo com periodicidade variada. em textos dinâmicos. A publicação Caros Amigos online é exemplo dessa fase. com o intuito de explicar conceitos. no decorrer dos textos. restringindo-se a apresentar o e-mail dos autores e opções de caixa de comentários. como explicado anteriormente.77 Esse último comentário foi feito especificamente sobre o penúltimo. em OMNI o leitor pode “comentar o comentário”. como o site brasileiro NoMínimo. uma vez que ambas passam por reformas que já são pensadas de acordo com a usabilidade dos recursos hipermidiáticos. Com exceção de alguns colunistas. tipicamente transpositiva. Ao nosso ver. sendo que alguns se dedicam a apresentar material novo diariamente. são genuinamente virtuais. essas ferramentas são utilizadas como uma espécie de medidor de freqüência dos usuários. sem ter que fazer referência no próprio texto. uma espécie de contador de visitantes integrado com feedback. Alguns sites se propõem unicamente a inserir conteúdo na Internet de forma a reproduzir o sistema engessado do jornalismo tradicional offline. Vale ressaltar que tanto Caros Amigos Online quanto NoMínimo caminham para uma adaptação às novas potencialidades da web. Durante o processo de confecção deste trabalho. uma vez que. As análises dos três sites mostram como o conteúdo jornalístico na web se divide de acordo com o uso dos recursos e possibilidades hipermidiáticas. os redatores constroem narrativas usando. ou seja. eventos e/ou personagens. em uma caixa de texto própria. não explorando outras ferramentas.

As possibilidades interacionais da web viriam ao encontro da proposta contra-hegemônica de Caros Amigos. Em NoMínimo há participação da audiência por . arquitetado exclusivamente para a Internet. passou a se destinar à convocação da audiência para expor quaisquer pontos de vista. Além de abrir espaço para a diversidade de idéias. tal seção estava abandonada e desatualizada e. sem tirar o valor da publicação impressa. o uso de alguns recursos web também será valorizado. segundo o editor Xico Vargas. como criar no leitor a curiosidade pela publicação impressa. Assim. Caros Amigos online poderia fazer uso do site não somente como uma extensão da revista impressa. mas como suporte jornalístico independente. sugerindo o debate de idéias. o material “bruto”. Na versão anterior do site. o site poderia também ser utilizado para publicação do material da revista impressa. Em NoMínimo. Uma outra seção. novos textos têm sido publicados. até então restrita a pautas definidas. foi valorizada. já nesta segunda versão. Ele informou que em breve o site vai explorar som e imagem em movimento. Sem seguir a linha editorial de uma publicação offline. construída com material enviado por colaboradores (assessores de imprensa de órgãos ou entidades. o que revela o site como representante da fase perceptiva. estimulando-o a comprar a revista para ver como aquela matéria lida no site foi editada. Apesar da tentativa de explorar melhor as possibilidades de interação. chamada “Novas”. uma das seções que contavam com a participação do público. NoMínimo é um exemplo do uso da rede como não apenas ferramenta que estende a projeção de uma determinada publicação. especialistas. NoMínimo é uma transição entre o jornalismo tradicional e o potencialmente hipermidiático.78 mudança nas cores e no design da homepage. Essa estratégia poderia não somente explorar o espaço (quase que ilimitado) que a mídia Internet oferece. ou seja. etc). já que a linha editorial da publicação defende a pluralidade de discursos. o leitor ainda não pode ser considerado como um interagente. porém sem a edição.

No entanto. literária e política. na Coréia a cultura específica permitiu um a site de jornalismo cidadão florescer. mas também ao contexto histórico no qual está inserida. mas também com o nível literário e a ênfase na cultura da escrita e. OMNI ainda está em constante aperfeiçoamento. o que acaba por valorizar o material jornalístico apresentado. as condições tecnológicas de profunda penetração de banda-larga [tradução nossa]. apesar de contar com um público fiel. 65 Muito depende da cultura jornalística. sendo que ele não foi executável em outros lugares. Estas condições coreanas têm a ver com o clima político e a tradição dissidente. in Korea the specific culture allowed a citizen journalism site to flourish whereas it hasn't been able to take root yet in other places. sempre acompanhando as novidades e incorporando-as ao site. contas de usuário com possibilidade de envio de mensagens privadas entre a audiência. a publicação não explora as potencialidades interacionais. como fóruns ou listas de discussão. dos recursos que a rede oferece. de fato. percebe-se que. como atesta Yu-jin Chang. Nota-se que o sucesso que essa publicação alcançou deve-se não somente ao uso das características hipermidiáticas. claro. O site possui um modus operandi que só funciona mediante a participação da audiência na construção do conteúdo. 65 . Por exemplo. dentro do domo informacional do site. dentro das possibilidades explicadas no sistema intercast (ou bottom-up news) Representante da terceira fase do jornalismo na Internet – a hipermidiática –. para a prática jornalística. integração com recursos extras da web. These Korean conditions have to do with the political climate and dissident tradition but also the literacy rate the cultural emphasis on writing and of course the technological conditions of deep broadband penetration.79 meio das seções de comentários por e-mails. OhMyNews International é um dos precursores (e tem sido referência) na utilização. literary and political cultures. Os gestores do site poderiam criar espaços dedicados exclusivamente ao encontro dos usuários (para que sejam. Salas de bate-papo. membro do conselho editorial de OMNI : Much depends on the journalistic. For example. seriam formas seguras de reunir o público de NoMínimo e possibilitar uma relação todos-todos. interagentes/prosumidores).

aquele que indica. Se um site está mais próximo da fase transpositiva. culturais e ideológicas. reúne. construindo narrativas dentro da hipermídia. além da técnica. já que depende. Gradualmente. como o melhor exemplo desse novo modo de mediação jornalística. mas já começam a experimentar a interlocução com a audiência e com outros conteúdos encontrados na Internet. atualmente. o jornalismo colaborativo apresenta-se ainda como uma potencialidade pouco explorada. na qual o processo de gatekeeping é reduzido em função do uso colaborativo que faz da rede. Em NoMínimo. existe ainda um pensamento massivo que faz com que a prática jornalística seja próxima do modus operandi dos meios de comunicação de massa. No caso do OhMyNews. como é o caso de Caros Amigos online. as publicações virtuais vão explorando as características interacionais da Internet e começam a abrir espaço a uma nova prática jornalística. sistematiza e correlaciona conteúdos.80 Por isso. pode-se dizer que o trabalho de gatekeeping diminui à medida que a cartografia da informação aumenta. de forma a evitar a insuficiência ou a sobrecarga de informação dentro desse ambiente em que o fluxo informacional cresce a cada segundo. econômicas. . os jornalistas ainda têm influências da prática jornalística tradicional. Minimiza-se o monopólio do jornalista na disseminação de informação ao mesmo tempo em que aumenta o seu papel de cartógrafo da informação. o site aparece. muitas vezes submetidas à lógica do capital. A partir das análises. de questões políticas. aproxima.

recursos. mais e mais pessoas travem contato com as particularidades do ciberespaço. de fase hipermidiática. instant messengers. proporcionou pela primeira vez que um meio de comunicação funcionasse de maneira descentralizada e horizontal. esse termo diz respeito ao que chamamos.0. Prova disso é o desenvolvimento de serviços. webcams integradas com áudio e simuladores de realidade virtual. O advento da Internet. neste trabalho. de forma simples e direta. fóruns e listas de discussão. Sendo assim. a utilização a contento dos recursos oferecidos pela rede. Uma das premissas da Web 2. a estratégia de publicação na Internet – sistema intercast (ou bottom- . em que o conteúdo deve ser produzido e consumido por qualquer usuário da rede. Trata-se da criação e aperfeiçoamento de várias ferramentas dentro do ciberespaço como e-mail. devido à sua arquitetura em forma de teia e às suas características hipermidiáticas. portanto. afetou modelos teóricos tradicionais. Na verdade. de forma semelhante ao que acontece na comunicação interpessoal. programas de conversação por IP. A rápida evolução dos aparatos tecnológicos e seu conseqüente barateamento possibilitam que. a cada dia. aplicativos. ou seja. mas que se expande velozmente. ao propiciar o aparecimento de meios não massivos.0 é a valorização do conteúdo colaborativo e da inteligência coletiva. sob os mais diversos formatos. uma situação não somente irreversível. Os blogs são exemplos desta premissa. A inserção do público no processo de produção informacional é.81 CONSIDERAÇÕES FINAIS O surgimento das NTICs. tecnologias e conceitos que permitem um maior grau de interação e colaboração na utilização da Internet – a chamada Web 2. esse ambiente desterritorializado no qual as informações circulam.

ou seja. . conseqüentemente.82 up news) – representa uma forma inédita de tratamento da informação. ao propiciar a participação igualitária dos diversos atores do processo comunicacional (desde que munidos de computador com acesso à rede). Isso implica em modificações num dos papéis clássicos do jornalista: o gatekeeper. o contato do público com as ferramentas de produção e disseminação de conteúdo afetou diretamente o monopólio da informação até então exercido pelos grupos de comunicação. pode apresentar novas configurações da esfera pública. questões como espaço e tempo em que determinado assunto continua em discussão deixam de ser limitações. Isso significa que a escolha temática e a hierarquia dos assuntos na Internet podem ser definidos pelo público e não apenas pela mídia. A web difere-se. No que diz respeito ao processo de produção de notícias – o newsmaking –. Esse modus operandi da mídia interativa reconfigura o processo de Agenda-setting apresentado tradicionalmente pelo sistema broadcast. por disponibilização e acesso – no modelo “todos-todos”. Enquanto as mídias de massa trabalham numa lógica de oferta – no modelo transmissionista “um-todos” – a Internet funciona por demanda. o que influencia também no processo de agendamento. dos meios de comunicação de massa – que utilizam o sistema broadcast (ou top-down news) – ao proporcionar e utilizar a interação (atributo da comunicação interpessoal) para a produção de conteúdo. pois é a própria audiência que busca a informação. portanto. A possibilidade de que qualquer usuário de informações da Internet possa publicar informações faz com que esse papel se dilua entre todos aqueles que de alguma forma inserem conteúdos nesta mídia e. Além disso.

além de convocar a audiência para participar do processo jornalístico. Nessa transição. No entanto. assim como todos os outros interagentes. dependendo do nível de participação que o site oferece. sistematiza e promove a ligação entre conteúdos já publicados. a participação da audiência é estimulada em maior ou menor grau. o jornalista aparece como aquele que organiza. mas também para auxiliar na visualização e nos processos cognitivos relacionados à organização da vasta quantidade de informação presente no ciberespaço. apontando para um movimento simultâneo de diminuição do gatekeeping e aumento da cartografia da informação. E como à rede se somam novos nós ilimitadamente. O cartógrafo de informação é. como um dos nós da rede. De acordo com a maneira como os sites jornalísticos lidam com os recursos hipermidiáticos e com as possibilidades interacionais. ao retirar o jornalista da posição central do processo comunicacional. portanto. foi possível verificar as diferenças no trato dado à audiência por estas publicações virtuais. o interagente pode até mesmo exercer um papel jornalístico semelhante ao do próprio profissional em questão. o profissional jornalista que usa os recursos da web não tão somente para propiciar ao público a participação na construção de conteúdos em ambientes informacionais colaborativos.83 Essa reconfiguração do gatekeeping. e sim se estabelece. A análise dos sites – Caros Amigos Online. . cria um certo temor em relação à perda do poder do profissional ou à redução do seu espaço de atuação. NoMínimo e OhMyNews International – mostra a evolução do contexto hipermidiático. a minimização desse tipo de mediação na Internet abre a possibilidade para outro tipo. Dessa forma. O jornalista na web. não ocupa um lugar central de passagem obrigatória da informação que pode ser tornada pública. que chamamos de cartografia de informação. e portanto mais fontes de informações. ao contrário do que acontece na mídia tradicional.

nesta publicação. ou seja. Porém. não fazendo uso efetivo do potencial da Internet. A publicação sul-coreana. como também depende dessa participação para existir. ainda são poucas as publicações webjornalísticas – ou seja. Os leitores de OMNI são chamados de cidadãos-repórteres e o site criou uma espécie de grande comunidade virtual de prosumidores. Em Caros Amigos online encontra-se um jornalismo que faz da Internet uma vitrine informacional da revista impressa.84 Aplicando elementos de análise baseados nos processos de comunicação interpessoal. explorando ainda timidamente um contato com a audiência. distanciandose do que chamamos neste trabalho de jornalismo online. Tatiana dos Santos. aquele que se serve da web . Já o site NoMínimo. O webjornalismo precisa se afirmar como uma modalidade jornalística específica. mesmo sendo uma publicação genuinamente virtual. uma vez que seu conteúdo contempla uma visão instrumentalista da web. Porém. utilizando o mínimo de recursos interacionais. ainda é tem um funcionamento típico dos meios tradicionais. Segundo a editora do site. abrindo mão do efetivo potencial da hipermídia. o objetivo da publicação é ser mesmo uma extensão da matriz offline. aquelas que realizam esse novo tipo de mediação – dentro desse infinito universo informacional que é o ciberespaço. o principal exemplo da realização da cartografia da informação. é possível perceber alguns avanços na percepção das possibilidades hipermidiáticas.. O site OhMyNews International encara o jornalismo na Internet de uma forma diferente. Ambas as publicações fazem uso de modelos jornalísticos característicos da mídia de massa. A publicação é. não tão somente fomenta a participação da audiência na produção de conteúdo. encontramos em NoMínimo e Caros Amigos online um modo de produção ainda atrelado à atuação da mídia de massa. atualmente. recém-traduzida para o inglês.

de maneira a provocar a reflexão.85 apenas como uma extensão de publicações offline. Fica-nos claro que a Internet exige um fazer jornalístico próprio. Ao profissional jornalista caberá a tarefa de perceber-se – e perceber também a audiência – em um domo informacional que opera numa perspectiva sistêmico-relacional. permitindo não tão somente o informe noticioso. o jornalista deverá fomentar o debate e mantê-lo. em um infinito número de links e páginas recheadas das mais variadas informações. de forma que o profissional se aproxime da audiência para produzir material noticioso. mas também o diálogo entre as fontes. no qual a matériaprima e os meios de produção encontram-se ao dispor de todos. Ali. . em que todas etapas da produção e da disseminação do conteúdo aconteçam no próprio ciberespaço. conciliando e explorando todas as ferramentas e as potencialidades da rede.

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capturada em 15/10/2006. antes da reformulação ocorrida no final de outubro de 2006.91 ANEXOS Anexo I – Homepage de Caros Amigos. .

. capturada em 06/11/2006.92 Anexo II – Homepage de Caros Amigos. depois da reformulação ocorrida no final de outubro de 2006.

. capturada em 06/11/2006.93 Anexo III – Homepage de NoMínimo.

94 Anexo IV – Homepage de OhMyNews International. . capturada em 06/11/2006.

19% pós-graduados. Este nível de escolaridade se reflete nas classes econômicas A (17%).Qual a média de visitantes diários? Baseado nas opções de participação do público (Chute o Balde. Quanto ao perfil do leitor. isso quando não perguntamos diretamente para o leitor. 1 .000 páginas visitadas e 100.O site pretende expandir a revista para a Internet ou pretende ter "vida própria"? O site pretende. 3 . Já fizemos isso algumas vezes.95 Anexo V – Entrevista com Tatiana Estanislau dos Santos. Nosso primeiro parceiro foi o UOL. Muitas vezes tentamos perceber o que esperam da revista nas páginas dedicadas aos leitores. 2 . nossa última pesquisa feita em 2001 indicou o seguinte perfil de nossos leitores: 72% são homens com idade entre 20 e 49 anos. como no início. um novo espaço que. complementar a revista. como vocês percebem a participação do público? Acontecem "correções" no site baseado em novas informações cedidas pela audiência do site? Em média são 10. 91% têm superior completo. concedida em 06/11/2006 a Pedro Henrique Nogueira Penido. a idéia foi de usar uma nova mídia.Conte-nos um breve histórico do site e a idéia de sua criação. em primeiro lugar. Pouco mais da metade são solteiros (55%) e trabalham (67%). pudéssemos nos comunicar com nossos leitores de maneira mais rápida e outro motivo foi a possibilidade de ter um novo caminho para divulgar a Caros Amigos. B (49%) e C (30%).000 usuários únicos. . Quais as propostas? Qual o perfil editorial? Qual o público da Internet? Houve parcerias com outros grandes sites? No início.000/dia. são 800. Por mês. editora de Caros Amigos online. Coluna do Leitor e Palanque) e nas opções de enviar e-mail para os autores.

Nem sempre quem está do outro lado quer usar o espaço da forma que é proposta. o número é impressionante porque nunca compramos mailing. as pessoas que estão lá. quais as principais mudanças (no conteúdo e na estrutura)? . são pessoas que se cadastraram e que usam realmente o espaço como um meio de discussão e críticas. Para o material exclusivo do site. artigos. poesia e avaliação da revista.Por que houve a reformulação do site? Em relação à versão anterior de Caros Amigos online. como fóruns. 7 .000 cadastrados. que serve de tema para a discussão da semana e é enviado para o e-mail de mais de 110. “Chute o Balde”. mas devemos tomar um certo cuidado. 6 . fora as seções “Palanque”. Chama-se coluna do leitor.Qual a periodicidade (deadline) de publicação de material em Caros Amigos online? Procuramos fechar a edição juntamente com a chegada da edição impressa nas bancas.Existem publicações na Internet. O que acham dessa idéia? A Caros Amigos tem um espaço para textos no site. “Coluna do Leitor” e e-mail dos editores. só fixamos uma data para o Correio Caros Amigos. vocês vislumbram alguma outra ferramenta. com seções para conto. como o site OhMyNews. 5 . listas de discussão e salas de bate-papo para reunir o público leitor ao redor da publicação. criando uma comunidade virtual jornalística? Temos o Correio Caros Amigos que é um boletim semanal com um texto de nossos colaboradores. Gostamos dessa sintonia com o leitor.Em relação aos aspectos de interatividade.96 4 . que trabalham possibilitando que o público também publique material.

o avanço é muito grande e aquele modelo já estava engessado. Pela facilidade de desenho e mudanças de um site.Houve uma mudança na seção “Palanque”. 8 . antes servia para colher opiniões dos leitores de acordo com um tema pré-definido. estamos em discussão. vai ver que não mudamos o antigo projeto.97 Estávamos com o modelo anterior por 4 anos. sem moderação da equipe. Qual foi a intenção da mudança? Na verdade. resolvemos fazer diferente e se você navegar no site pelas páginas antigas. que. Podemos dizer de modo geral que estamos aprendendo a usar a Internet. "Palanque" dedica-se a reunir comentários diversos e discussões entre os leitores. Agora. . ainda não mudamos a seção. O aviso é para tentar conter os palavrões e preconceito.

Opinião e Ponto). decidiu formar a NoMínimo. um de seus investidores decidiu interromper os aportes de recursos. na produção das pautas? Qual a média de visitantes diários? Os "Comentários" são espaços abertos para a participação do leitor. iBest e BRTurbo. Sim.5 milhão de pageviews. parte do grupo de jornalistas que integrava a redação de NO.As seções de "Comentários" sempre estão cheias de mensagens. de algum modo. . Trata-se de publicação independente mantida por contratos para fornecimento de conteúdo com os portais IG. graças à simpatia e generosidade dos seus leitores. concedida em 22/10/2006 a Pedro Henrique Nogueira Penido. além de faturamento publicitário e venda de colunas e matérias para veículos impressos. 1 . Houve parcerias com grandes sites? NoMínimo deriva da primeira revista diária de informação da Internet brasileira. os leitores eventualmente sugerem temas que gostariam de ver abordados. embora tivesse conquistado média mensal de audiência superior a 1. 2 . Só não pode ser mal educado. para que se manifeste com liberdade. Ao final de dois anos. NoMínimo é o maior site independente da Internet brasileira. editor de NoMínimo.98 Anexo VI – Entrevista com Xico Vargas.O que levou à criação de NoMínimo? Um breve histórico do site e da idéia de sua criação. A partir daí. Como os editores trabalham esse contato com o leitor? O público leitor ajuda. Nunca houve parceria com outros sites (apenas contratos com os portais) porque. que está no ar há mais de quatro anos. que se chamou NO. Ali o leitor pode dizer o que quiser. (Notícia. expresse sua opinião.

Por enquanto. Normalmente a seleção é feita por cada editor que recebe a mensagem de seu leitor. Estamos. porém. O que acha dessa idéia? No Brasil essa modalidade começou a ser explorada intensamente. como o site OhMyNews.5 milhões e 3 milhões de pageviews mensais.99 Existe alguma sazonalidade motivada por feriados prolongados e férias. Pode vir a ser interessante. com 900 mil a 1. Como funcionam os prazos (deadline) de NoMínimo? .Existem publicações na Internet. além das seções de comentários. São mensagens enviadas para os jornalistas de NoMínimo por e-mail (ou seja: fora dos comentários). 3 . como fóruns.Nem todos os autores trabalham publicando diariamente. pelo menos. Como o material publicado na seção é enviado para o NoMínimo? Fala leitor é como uma coluna de cartas. ficamos com dúvida em relação à seção "Fala Leitor". não pensamos nisso. mas nossa média de audiência situa-se entre 2. enquetes e email dos editores. vocês vislumbram alguma outra ferramenta. listas de discussão e salas de bate-papo? Pretende-se aproximar mais ainda a audiência? Não. 4 . 5 – Durante a análise do site. 6 . planejando novidades em áudio e vídeo.1 milhão de usuários únicos.Em relação aos aspectos de interatividade. que trabalham possibilitando que o público também publique material. Por enquanto traduz apenas interesse por audiência fácil.

algumas quinzenais e algumas. mais de uma vez por dia). Algumas colunas são semanais. ainda. mensais.100 Normalmente os blogs têm renovação diária (dependendo do assunto de cada área. .

or they're consequence of the big number of articles about these themes? [sim.101 Anexo VII – Entrevistas com Yu-jin Chang. como “Oriente Médio” ou “Coréia do Norte”] 5:31 PM why this links were make? Who made it? [Por que estes links são criados? Quem os faz?] Yu-jin Chang: they're just categories for our stories [são apenas categorias de nossas histórias] they help organize our stories on special topics [Elas ajudam a organizar nossas histórias em tópicos especiais] 5:32 PM Pedro Penido: yes. prossiga] Pedro Penido: in OMNI site we can see some especific link boxes. em 16/10/2006 Pedro Penido: Can you answer some questions about OMNI? [Você poderia responder algumas perguntas sobre o OMNI?] 5:30 PM Yu-jin Chang: yes go ahead [sim. ou se eles são apenas conseqüências do grande números de artigos sobre esses temas?] Yu-jin Chang: a little of both [um pouco de ambos] 5:35 PM Pedro Penido: this decision is made by the editor's council or just for one man? [esta decisão é feita pelo conselho editorial ou apenas por uma pessoa?] . But I wanna know if the site editor make it first. concedidas em 16/10/2006 a Pedro Henrique Nogueira Penido [tradução nossa]. Mas eu quero saber se o editor do site faz isso primeiro. like "Middle East" or "North Korea" [no site do OMNI podemos ver algumas caixas de link específicas. to estimulate stories about them. para estimular histórias sobre eles. Por Google Talk (Instant Messenger do Gmail). membro do conselho editorial de OhMyNews international.

o que você quis dizer? Eu não entendo como é possível] 5:39 PM Yu-jin Chang: when there are a lot of stories about a big topic. other than to say that it opened the possibility of becoming a "journalist" to millions and indeed billions. e fazendo isso. such as the midease conflict.102 5:36 PM Yu-jin Chang: there's some discussion about it first. it also stimulates more stories on that topic. and by doing this. The internet has changed journalism practice in profound ways that are still being felt. This question can be answered in just a few sentences or in hundreds of pages. Estou produzindo um estudo sobre Jornalismo Colaborativo] 5:38 PM when u said "little of both". nós tomamos a decisão de fazer uma seção especial.. também estimulamos mais histórias nesse tópico] Pedro Penido: great.. ou mesmo bilhões. [Eu não posso responder à primeira pergunta.. I'm producing a study about Colaborative Journalism [hum. we make the decision to make a special section. Eu imaginei isso…] Por e-mail.. exceto para dizer que se abriu a possibilidade a milhões de pessoas. what did u mean? I don’t understand how is it possible. em 16/10/2006 1 . como o conflito no Oriente Médio. [Quando você disse “um pouco de ambos”. I imagined it. [ótimo. [Quando existem muitas histórias sobre um grande tópico. se tornarem jornalistas. A Internet .we don't add many of these [há alguma discussão sobre isso primeiro… nós não acrescentamos muitos deles [temas especiais]] 5:37 PM Pedro Penido: hum.What's the impact of the Internet in the Journalism? How did Internet change the journalism practice? [Qual o impacto da Internet na produção jornalística? De que forma a Internet transformou o fazer jornalístico?] I can't answer the first question.

além de permitir a participação do público. Esta pergunta pode ser respondida em apenas algumas sentenças ou em centenas das páginas]. but also determine which news gets written. Estas condições coreanas têm a ver com o clima político e a tradição dissidente. Na sua opinião. literária e política.How do you understand the participation of the audience in the journalistic production? [Como você enxerga a questão da participação do público na produção de conteúdo?] The audience is often simultaneously the producer. besides allowing the audience participation. [Muito depende da cultura jornalística. For example. tratamento e publicação de conteúdo.103 mudou a prática do jornalismo de maneiras profundas. claro. the distinction is slowly eroded and even lost. que estão sendo sentidas ainda. Por exemplo. sendo que ele não foi executável em outros lugares. treatment and publication of content.The Internet presents inumerable possibilities of production. na Coréia a cultura específica permitiu um a site de jornalismo cidadão florescer. in Korea the specific culture allowed a citizen journalism site to flourish whereas it hasn't been able to take root yet in other places. mas também com o nível literário e a ênfase na cultura da escrita e. literary and political cultures. 2 . por que alguns sites exploram essas potencialidades e outros não?] Much depends on the journalistic. 3 . a distinção é . Not only in the sense that readers are often the ones who write the news now. as condições tecnológicas de profunda penetração de bandalarga]. In your opinion why some sites explore these potentialities and others don't? [A Internet apresenta inúmeras possibilidades de produção. [A audiência é quase sempre simultaneamente a produtora. These Korean conditions have to do with the political climate and dissident tradition but also the literacy rate the cultural emphasis on writing and of course the technological conditions of deep broadband penetration.

gatekeeping and newsmaking. no estudo do jornalismo na Internet?] Yes. in theory. [Não exatamente]. [Sim. in the study of journalism in internet? [Você acha possível aplicar teorias e hipóteses oriundas dos estudos de comunicação de massa. o trabalho do jornalista nos sites colaborativos sofre reconfigurações?] Not really.104 vagarosamente corroída e até perdida. But I can't speak to specifics. like agenda-setting. mas também determinam que notícias serão escritas]. no geral]. Não somente no sentido em que os leitores são freqüentemente os que escrevem a notícia agora. Mas não posso falar especificamente].The fact of audience publish (or help publishing) content make the colaborative journalism independent of political-editorial favors? [O fato da audiência publicar (ou ajudar a publicar) conteúdo faz o jornalismo colaborativo ser independente de favores políticoeditoriais?] Yes. [Sim. 5 . in general. . na teoria.In your opinion. the journalist working in colaborative sites have new atribuitions? [Na sua opinião. 4 .Do you think possible to apply theories and hypotheses from the mass comunication studies. como o agenda-setting e o newsmaking. 6 .

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