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Plano Diretor do Arco Metropolitano

Plano Diretor do Arco Metropolitano

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7.3.1. Síntese da visão estratégica

O Plano Diretor Estratégico deve servir para ampliar a reflexão sobre a Questão Metropolitana,

ou seja, tratar suas complexidades e especificidades. Diante disso, recomenda-se práticas

transformadoras para a totalidade do território a fim de superar uma dinâmica marcada por

lógicas econômicas desencontradas que se sobreporem com pouca interpenetração em um

tecido urbano esgarçado e com capacidade insatisfatória de geração de emprego e renda para

a população local.

Portanto, um dos objetivos principais deve ser a maior integração socioeconômica da periferia

metropolitana. Para isso, torna-se necessário um planejamento público indutor que execute

uma política de coordenação das decisões de produção e investimento (macrodecisão)

baseada nas seguintes características:

• Estimular uma divisão do trabalho mais complexa e sofisticada sobre a base de

recursos criados e desenvolvidos a ponto de fortalecer o sistema econômico regional

(qualificar a estrutura econômica como um todo articulado)

• Agilizar a tomada de decisão e orientar sobre o que é factível endogenizar diante das

competências / estratégias das empresas e das condições de mercado / lógica dos

setores

A partir dessa política de coordenação das decisões, visa-se o enfrentamento de duas

questões principais:

1. Articulação dos Lócus Produtivos: estímulo a uma desconcentração para a periferia

metropolitana que dê suporte à consolidação de complexos logístico-produtivos. Por

conseguinte, o objetivo é promover um arrasto produtivo regional ao transformar pólos

de crescimento territorialmente concentrados em pólos de desenvolvimento regional.

2. Interrelações setoriais: estímulo à articulação do desenvolvimento de competências

produtivas e empresariais com potencial de encadeamentos. Por conseguinte, o

703

objetivo é promover a diversificação da estrutura econômica a partir da competitividade

conjunta sobre a macroestrutura e a microiniciativa.

7.3.2. Propostas para a Articulação dos Lócus Produtivos

Para a consolidação de complexos logístico-produtivos sobre a totalidade do território, torna-se

necessário atenção aos seguintes aspectos fundamentais:

• Nem todas aglomerações econômicas podem ser consideradas clusters (enquanto

arranjos locais organizados) nem levam necessariamente à configuração de “pólos de

crescimento”.

• Deve se conceber aglomerações integradas à organização industrial em um contexto

mais amplo que a localidade diante de suas vantagens para o processo de

adensamento das cadeias produtivas.

• Cabe lembrar que um complexo geralmente é formado por várias concentrações

geográficas da produção em que suas cadeias são articuladas logisticamente. Na Área

de Influência do Arco Metropolitano, os principais complexos são o Metal-Mecânico e o

Químico-Farmacêutico.

A seguir, serão destacadas as principais aglomerações econômicas candidatas a se tornar

núcleos motrizes e seus prováveis espaços de espraiamento imediato e não imediato. Mas

antes, adverte-se que a regionalização para fins de coordenação econômica altera a

distribuição dos municípios considerada na divisão por áreas de estudo do Plano Diretor

Estratégico5
:

• Área de Coordenação Econômica 1: engloba todos os municípios da Área de Estudo 1:

Área de Planejamento 5 do Município do Rio de Janeiro (AP5 do MRJ), Itaguaí,

Mangaratiba e Seropédica. Além disso, propõe-se que sejam também incluídos alguns

municípios admitidos na Área de Estudo 2: Queimados, Japeri e Paracambi.

5

No relatório dos produtos 6 e 7 da Política de Desenvolvimento Econômico e Social, apenas se
apontou uma redefinição das próprias áreas de estudo com fins analíticos específicos. Contudo,
recomenda-se no presente relatório um nova terminologia própria sobre áreas de coordenação
econômica para explicitar sua relação com as diretrizes estratégicas.

704

• Área de Coordenação Econômica 2: engloba a maioria dos municípios da Área de

Estudo 2: Belford Roxo, Duque de Caxias, Japeri, Magé, Mesquita, Nilópolis, Nova

Iguaçu, Paracambi, Queimados, São João de Meriti e Área de Planejamento 3 do

Município do Rio de Janeiro (AP3 do MRJ). Assim, propõe-se que não sejam incluídos

os municípios de Queimados, Japeri e Paracambi para serem tratados no âmbito da

Área de Coordenação Econômica 1.

• Área de Coordenação Econômica 3: mantém a configuração.da Área de Estudo 3,

sendo definida como o conjunto formado por: Cachoeira de Macacu, Guapimirim,

Itaboraí, Marica, Niterói, São Gonçalo e Tanguá. Apesar dessa configuração adotada,

ressalva-se que serão consideradas as possibilidade de inter-relação com Magé

(contida na Área de Estudo 2). Da mesma forma, será tratada a atividade de construção

naval e offshore na Baia de Guanabara como um todo, logo, também serão

consideradas as possibilidade de inter-relação com suas plantas produtivas no litoral

das Áreas de Planejamento 1 e 3 do Município do Rio de Janeiro (AP1 e AP3 do MRJ).

O mapa 7.1 sintetiza a proposta de regionalização por áreas de coordenação econômica:

Mapa 7.1 – Área de abrangência do Plano Diretor Estratégico segundo divisão para fins

de coordenação econômica

705

Fonte: Elaboração própria

7.3.2.1. Síntese do ordenamento econômico para a Área de

Coordenação Econômica 1

Como principais empreendimentos âncoras na Área de Coordenação Econômica 1, destacam-

se o conjunto de unidades concentradas nas imediações da estrutura portuária de Itaguaí que

se estende ao extremo oeste da AP5 do MRJ (dentro do Distrito Industrial de Santa Cruz),

incluindo:

706

• Porto Público de Itaguaí administrado por Companhia DOCAS/RJ (com Sepetiba

TECON e Sepetiba TECAR6

, ambos terminais da CSN, e os terminais da VALE7

).

• Plataforma Logística da CSN (expansão de Sepetiba TECON e Sepetiba TECAR, bem

como, futuramente, implantação de Centro de Apoio Logístico, Porto Privativo Lago de

Pedra com retroárea).

• Porto Sudeste-MMX e Porto Usiminas (escoamento de minério de ferro).

• Base Naval Militar da Marinha (com estaleiro de submarinos).

• Parques siderúrgicos da ThyssenKrupp Companhia Siderúrgica do Atlântico – CSA e da

Gerdau Aços Longos (Cosigua).

• Nuclebrás Equipamentos Pesados – NUCLEP (produção de estruturas metálicas e

caldeiraria pesada).

• Fábrica Carioca de Catalisadores – FCC (produção de compostos usados no refino de

petróleo).

Nesse região, existem também outros projetos em discussão na mesma área:

• Terreno a ser licitado por DOCAS/RJ, a princípio, apontado como “Área Multiuso” (mas,

poderá se tornar um novo estaleiro)

• Porto Petrobrás (área de apoio offshore);

• Porto Gerdau (escoamento de produtos siderúrgicos e importação de carvão)

• Usina siderúrgica CSN II (a princípio, aços longos).

Além disso, em Seropédica, há a COQUEPAR (produtora de insumo para cadeia de alumínio).

Cabe ressaltar a existência de áreas definidas para uso industrial a serem aproveitadas:

6

Respectivamente, Terminal de Contêineres e Terminal de Cargas. Quanto ao Sepetiba TECAR, sua
movimentação é basicamente de suprimento de carvão e escoamento de minério de ferro.

7

Trata-se dos terminais da Companhia Portuária Baía de Sepetiba – CPBS e da antiga Valesul.

707

• Grandes espaços disponíveis em Seropédica.

• Também merecem destaque espaços em Queimados (particularmente, seu distrito

industrial), AP5 do MRJ (enfatizando, o Distrito Industrial de Santa Cruz) e Itaguaí.

• Em menor medida ainda se observa algumas áreas em Japeri e Paracambi.

O mapa 7.2 sintetiza a localização dos principais empreendimentos estruturantes, bem como

aponta a disponibilidade de áreas para uso industrial:

Mapa 7.2 - Mancha urbana e macrozoneamento dos principais empreendimentos âncoras

e espaços para uso industrial na Área de Coordenação Econômica 1

Fonte: Elaboração própria a partir de dados dos Planos Diretores Municipais, dados dos

empreendimentos, e na Base Cartográfica Integrada do Brasil ao Milionésimo – IBGE 2005.

Propõe-se a consolidação de um Complexo Metal-Mecânico no qual o Porto Público de Itaguaí

deve desempenhar papel estruturante enquanto âncora, a ponto de transformar Itaguaí na

principal centralidade econômica. Diante disso, deve se incentivar a concepção de um “Porto-

Indústria” planejado, inclusive estimulando sua unificação com complexo Metal-Mecânico

nucleado por Volta Redonda na Região do Médio Paraíba.

708

Nesse ínterim, os principais segmentos do complexo a serem fomentados são:

• Cadeia siderúrgica e fabricantes de produtos de metal.

• Cadeia naval e offshore.

• Logística retroportuária.

Recomenda-se que o planejamento indutor esteja voltado para conformar Itaguaí como núcleo

motriz, e AP5 do MRJ, Seropédica e Queimados como seus espaços de espraiamento

imediato. Nesse sentido, a política de coordenação deve ter como foco que as “condições

gerais de produção” para a Área de Coordenação Econômica 1 dependem, em grande parte,

da articulação desse conjunto de municípios para efetivar os principais encadeamentos

latentes (diretos).

Quanto aos demais municípios (Mangaratiba, Paracambi e Japeri), caracterizam-se como

espaços de espraiamento não imediato. A princípio, esses municípios poderão aproveitar

oportunidades em atividades complementares e encadeamentos inesperados (indiretos) que

devem ser objeto de negociação para superar suas restrições atuais.

O quadro 1 sintetiza a proposta de ordenamento:

Quadro 1 - Vetores econômicos estruturantes a partir do fortalecimento do Complexo

Metal-Mecânico na Área de Coordenação Econômica 1

Núcleo Motriz Espaço de Espraiamento Espaço de Espraiamento

Imediato

Não Imediato

AP5 MRJ

Seropédica

Japeri

Queimados

Paracambi

709

Itaguaí

Mangaratiba

Para cada elemento integrante da Área de Coordenação Econômica 1, sobressaem-se as

seguintes questões-chave:

Itaguaí: A questão-chave é alcançar a maior dinamização a partir do seu perfil econômico já

existente. Recomenda-se:

• Incentivo a consolidação de sua estrutura portuária dentro de uma concepção “Porto-

Indústria” planejado.

• Importância de passar a desempenhar um papel de centralidade na rede urbana.

Área de Planejamento do Município do Rio de Janeiro (AP5 do MRJ): A questão-chave não é

apenas buscar maior dinamismo, mas também sua generalização na estrutura econômica a

ponto de superar os riscos de sobre-especialização. Por enquanto, sua dinâmica depende dos

impactos locais de alguns grandes empreendimentos. Recomenda-se:

• Incentivar, de forma integrada, indústrias dos segmentos metal-mecânicos.

• Execução de um programa de investimentos em infraestrutura urbana que permitam

construir melhores vantagens competitivas (por exemplo, em logística).

Seropédica: A questão-chave exige uma reestruturação econômica a fim de aproveitar melhor

outras oportunidades que aquelas oferecidas pela atividade extrativa em areais e pedreiras

(com considerável passivo ambiental). Recomenda-se:

• Potencial para ser o centro concentrador da atividade logística (“hub logístico”) na Área

de Coordenação Econômica 1 (redefinida), com a instalação de centros de distribuição

atacadistas e varejistas.

• Redefinir seu perfil econômico para a função de retroporto.

• É importante que seja revalorizado o papel da UFFRJ como âncora econômica.

710

Queimados: A questão-chave é alcançar uma maior dinamização industrial, aproveitando

melhor seu potencial logístico. Recomenda-se:

• Redefinir seu perfil para função de retroporto.

• A ocupação e a expansão de seu distrito industrial são iniciativas fundamentais.

Japeri: A questão-chave exige uma reestruturação econômica a fim de superar um quadro de

pouca competitividade de sua atividade agrícola (basicamente horticultura). Recomenda-se:

• Redefinir seu perfil para a função de retroporto.

• Enfrentamento de sérios desafios de infraestrutura urbana.

Paracambi: Questão-chave exige uma reestruturação econômica a fim de superar um quadro

de desarticulação de sua indústria têxtil e de pouca competitividade de sua atividade agrícola

(basicamente horticultura). Recomenda-se:

• Redefinir seu perfil para a função de retroporto.

• Enfrentamento de sérios desafios de infraestrutura urbana.

Mangaratiba: A questão-chave é dinamizar o perfil já existente voltado para o turismo náutico-

oceânico. Recomenda-se:

• Potencial em prestação de serviços locais e atividades residenciais, ambas sustentadas

pelo efeito multiplicador da renda urbana em termos regionais.

• Turismo (ecoturismo).

7.3.2.2. Síntese do ordenamento econômico para a Área de Coordenação

Econômica 2

Como principais empreendimentos âncoras na Área de Coordenação Econômica 2, destacam-

se:

711

• Conjunto de unidades concentradas nas imediações da Refinaria Duque de

Caxias/REDUC, configurando um Cluster Gás-Químico na Área Industrial de Campos

Elíseos.

• Parque tecnológico da UFRJ, além dos laboratórios do CENPES, da COPPE, do

Instituto de Macromoléculas e da Faculdade de Química.

• As atividades tecnológicas do Complexo da Saúde dentro da AP3 do MRJ. Por

exemplo: Fiocruz, Instituto Vital, Pólo de Biotecnologia do Rio de Janeiro – BIO RIO,

Brasil e os laboratórios da Faculdade de Farmácia da UFRJ.

• Estrutura Aeroportuária do Galeão.

• Cluster de Cosméticos e Higiene Pessoal em Nova Iguaçu, integrando empresas como:

Niely, Embelleze e Aroma do Campo.

• Parque industrial da Bayer em Belford Roxo (produção de defensivos agrícolas e

matérias-primas básicas para fabricação de Poliuretano8

).

Cabe ressaltar a existência de áreas definidas para uso industrial a serem aproveitadas:

• Os principais espaços disponíveis estão dentro de Magé e Duque de Caxias (incluindo

Distrito Industrial de Xerém).

• Em menor medida, destaca-se uma área próxima à Bayer em Belford Roxo.

• Por possuir vazios de menor extensão em comparação as Áreas de Coordenação

Econômica 1 e 3, a instalação de novos empreendimentos de porte exige maior atenção

para o ordenamento do território.

O mapa 7.3 sintetiza a localização dos principais empreendimentos estruturantes, bem como

aponta a disponibilidade de áreas para uso industrial:

8

Poliuretano é um bem intermediário para produção de espumas, tintas/vernizes, adesivos, e alguns
tipos de plásticos/borracha sintética.

712

Mapa 7.3 - Mancha urbana e macrozoneamento dos principais empreendimentos âncoras

e espaços para uso industrial na Área de Coordenação Econômica 2

Fonte: Elaboração própria a partir de dados dos Planos Diretores Municipais, dados dos

empreendimentos, e na Base Cartográfica Integrada do Brasil ao Milionésimo – IBGE 2005.

Propõe-se a consolidação de um Complexo Químico-Farmacêutico no qual o Cluster Gás-

Químico deve desempenhar o papel estruturante enquanto âncora, a ponto de transformar

Duque de Caxias em principal centralidade econômica. Diante disso, deve se incentivar a

consolidação de um Pólo Petroquímico, inclusive estimulando a unificação com o complexo

Químico-Farmacêutico nucleado futuramente por Itaboraí.

Nesse ínterim, os principais segmentos do complexo a serem fomentados são:

• Transformados Plásticos e Borracha Sintética.

• Indústria Farmacêutica e outros segmentos da Química Fina.

• Atividades relacionadas ao mercado de Poliuretano e Defensivos Agrícolas (Bayer).

• Cosméticos e Produtos de Higiene Pessoal.

713

• Atividades demandantes de Derivados de Refino de Petróleo e de Gás Natural para

Uso Industrial.

• Logística entre parques produtivos.

Recomenda-se que o planejamento indutor esteja voltado para conformar Duque de Caxias

como núcleo motriz, e Nova Iguaçu, Belford Roxo, Magé e AP3 do MRJ como seu espaço de

espraiamento imediato. Nesse sentido, a política de coordenação deve ter como foco que as

“condições gerais de produção” para a Área de Coordenação Econômica 2 dependem, em

grande parte, da articulação desse conjunto de municípios para efetivar os principais

encadeamentos latentes (diretos).

Quanto as demais áreas (Mesquita, Nilópolis e São João de Meriti), caracterizam-se como

espaço de espraiamento não imediato. A princípio, essas áreas poderão aproveitar de

oportunidades em atividades complementares e encadeamentos inesperados (indiretos) que

devem ser objeto de negociação para superar suas restrições atuais.

O quadro 2 sintetiza a proposta de ordenamento:

Quadro 2 - Vetores econômicos estruturantes a partir do fortalecimento do Complexo

Metal-Mecânico na Área de Coordenação Econômica 2

Núcleo Motriz Espaço de Espraiamento Espaço de Espraiamento

Imediato

Não Imediato

Nova Iguaçu

Belford Roxo

Magé

São João de Meriti

AP3 do MRJ

Mesquita

Duque de Caxias

Nilópolis

714

Para cada elemento integrante da Área de Coordenação Econômica 2, sobressaem-se as

seguintes questões-chave:

Duque de Caxias: A questão-chave é alcançar a maior dinamização a partir do perfil econômico

já existente. Recomenda-se:

• Incentivo à consolidação de seu Pólo Petroquímico.

• Desenvolvimento de um parque destacado de produtores de Transformados Plásticos

(inclusive associado ao desenvolvimento de produtos).

• Potencial para ser o centro concentrador da atividade logística (“hub logístico”) na Área

de Coordenação Econômica 2 (redefinida), com a instalação de centros de distribuição

atacadistas e varejistas.

• Incentivar atividades intensivas em alta tecnologia (como farmoquímicos) visando a

criação de um “sistema de inovação” no eixo AP3 do MRJ-Caxias-Petrópolis, incluindo a

viabilização da nova planta para expansão do Pólo de Biotecnologia do Rio de Janeiro –

BIO RIO.

• Fortalecer as atividades relacionadas ao seu papel de centralidade na rede urbana e

indústrias voltadas para os Mercados Consumidores de Massa (como Moveleiro,

Alimentos e Bebidas, e Vestuário e Assessórios).

Nova Iguaçu: A questão-chave é alcançar a maior dinamização a partir do perfil econômico já

existente, particularmente, incentivo à consolidação de seu Cluster de Cosméticos e Higiene

Pessoal. Recomenda-se:

• Fortalecer seu potencial logístico e associá-lo ao incentivo à produção de

Transformados Plásticos.

• Estimular iniciativas nas indústrias relacionadas aos Mercados Consumidores de Massa

(como Moveleiro, Alimentos e Bebidas, e Vestuário e Acessórios).

• Incentivar as atividades associadas ao seu papel de centralidade na rede urbana.

715

• Turismo (ecoturismo e histórico-cultural).

Belford Roxo: A questão-chave não é apenas buscar maior dinamismo, mas também sua

generalização na estrutura econômica a ponto de superar os riscos de sobre-especialização.

Por enquanto, sua dinâmica tem grande dependência dos impactos locais do parque industrial

da Bayer. Recomenda-se:

• Incentivar a expansão das atividades da Bayer e outras atividades correlatas (por

exemplo, atividades relacionadas aos mercados de Poliuretano e defensivos agrícolas).

• Execução de um programa de investimentos em infraestrutura urbana que permitam

construir melhores vantagens competitivas (por exemplo, em logística).

Magé: A questão-chave exige uma reestruturação econômica pois tende a sofrer influência

direta do pólo nucleado em Duque de Caxias e também do pólo nucleado futuramente por

Itaboraí. Recomenda-se:

• Aproveitar as oportunidades em logística e produção de plásticos devido sua posição

estratégica entre os dois Pólos Petroquímicos da Área de Influência do Arco

Metropolitano.

• Execução de obras fundamentais de infra-estrutura para que seja aproveitada para

ocupações econômicas, inclusive, através do desenvolvimento da Área de

Coordenação Econômica 3.

• Estimuladas iniciativas nas indústrias relacionadas aos Mercados Consumidores de

Massa (particularmente, Alimentos e Bebidas)

• Turismo (ecoturismo e histórico-cultural).

Área de Planejamento 3 do Município do Rio de Janeiro (AP3 do MRJ): A questão-chave é

reforçar o núcleo motriz em Duque de Caxias com as vantagens do parque tecnológico da

UFRJ e das atividades tecnológicas do Complexo da Saúde. Cabe considerá-los âncoras

regionais. Recomenda-se:

• Incentivar um “sistema de inovação” no eixo AP3 do MRJ-Caxias-Petrópolis.

716

• O Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão) na Ilha do Governador deve ser

revalorizado seu papel logístico desenvolvendo-se suas competências para o transporte

de cargas tecnológicas e de maior sofisticação (por exemplo: Farmacêutica,

Cosméticos, outras indústrias químicas etc.).

• Execução de sérios investimentos em infraestrutura urbana e incentivo a maior

prestação de serviços locais para maior geração de empregos.

São João de Meriti: A questão-chave exige uma reestruturação econômica a fim de superar um

quadro de desarticulação de sua indústria têxtil. Recomenda-se:

• Incentivos para a atividade de logística (incluindo produção de plásticos associada).

• Buscar a maior competitividade para sua produção de Vestuário e Acessórios.

Mesquita: A questão-chave é buscar maior dinamismo a partir do perfil econômico já existente.

Recomenda-se:

• Incentivo à atividade de logística.

• Turismo (ecoturismo e histórico-cultural).

Nilópolis: A questão-chave é buscar maior dinamismo a partir do perfil econômico já existente,

Recomenda-se:

• Incentivo à prestação de serviços locais.

7.3.2.3. Síntese do ordenamento econômico para a Área de Coordenação

Econômica 3

Como principais empreendimentos âncoras na Área de Coordenação Econômica 3, destacam-

se:

• Futura instalação do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro/COMPERJ (produtora

de petroquímicos básicos e resinas) em Itaboraí, incluindo a instalação de uma

estrutura portuária em São Gonçalo (Praia da Beira, Itaoca).

717

• Laboratórios da B Braun e da Ranbaxy (indústria farmacêutica) em São Gonçalo.

• Cluster Naval e Offshore nas imediações de Niterói que se estende também à São

Gonçalo. Quanto a esse último, inclui algumas plantas existentes na AP1 e AP 3 do

MRJ.

Cabe ressaltar a existência de áreas definidas para uso industrial a serem aproveitadas:

• Grandes espaços disponíveis em Itaboraí.

• Algumas áreas disponíveis em São Gonçalo, Tanguá, Guapimirim e Cachoeira de

Macacu.

• Embora faça parte da Área de Coordenação Econômica 2, Magé possui espaços

disponíveis de razoáveis dimensões que podem ser aproveitados também através do

desenvolvimento na Área de Coordenação Econômica 3.

O mapa 7.4 sintetiza a localização dos principais empreendimentos estruturantes, bem como

aponta a disponibilidade de áreas para uso industrial:

Mapa 7.4 - Mancha urbana e macrozoneamento dos principais empreendimentos âncoras

e espaços para uso industrial na Área de Coordenação Econômica 3

718

Fonte: Elaboração própria a partir de dados dos Planos Diretores Municipais, dados dos

empreendimentos, e na Base Cartográfica Integrada do Brasil ao Milionésimo – IBGE 2005.

Propõe-se a consolidação de dois complexos. Primeiramente, é importante a consolidação de

um Complexo Químico-Farmacêutico no qual o COMPERJ deve desempenhar o papel

estruturante enquanto âncora, a ponto de transformar Itaboraí em uma importante centralidade

econômica. Diante disso, deve se incentivar a consolidação de um Pólo Petroquímico, inclusive

estimulando a unificação com o complexo Químico-Farmacêutico nucleado por Duque de

Caxias.

719

Nesse ínterim, os principais segmentos do complexo a serem fomentados são9
:

• Transformados Plásticos.

• Atividades demandantes de Derivados de Refino de Petróleo e de Gás Natural para

Uso Industrial.

• Logística entre parques produtivos.

Recomenda-se que o planejamento indutor esteja voltado para conformar Itaboraí como núcleo

motriz, e São Gonçalo, Tanguá e Magé como integrantes de seu espaço de espraiamento

imediato. Embora integre a Área de Coordenação Econômica 2, Magé tende a sofrer influência

direta também do pólo nucleado por Itaboraí. Por isso, foi incluído dentro do espaço de

espraiamento imediato. A política de coordenação deve ter como foco que as “condições gerais

de produção” para a Área de Coordenação Econômica 3 dependem, em grande parte, da

articulação desse conjunto de municípios para efetivar os principais encadeamentos latentes

(diretos) relacionados ao Complexo Químico-farmacêutico.

Já aos demais municípios (Guapimirim, Cachoeira de Macacu, Maricá e Niterói), caracterizam-

se como integrantes do espaço de espraiamento não imediato. A princípio, esses municípios

poderão aproveitar de oportunidades em atividades complementares e encadeamentos

inesperados (indiretos) que devem ser objeto de negociação para superar suas restrições

atuais.

O quadro 3 sintetiza a proposta de ordenamento:

Quadro 3 - Vetores econômicos estruturantes a partir do fortalecimento do Complexo

Metal-Mecânico na Área de Coordenação Econômica 2

Núcleo Motriz Espaço de Espraiamento Espaço de Espraiamento

9

Com a nova alteração no projeto COMPERJ anunciada em 2011, a petroquímica não sendo mais
baseada em óleo restringe oportunidades para encadear com: Borracha Sintética, Têxtil/ Vestuário e
Tintas /Vernizes, bem como Indústria Farmacêutica e outros segmentos da Química Fina.

720

Imediato

Não Imediato

São Gonçalo

Cachoeira de Macacu

Tanguá

Guapimirim

Magé

Niterói

Itaboraí

Maricá

Nota: Embora incluído na Área de Coordenação Econômica 2, Magé tende a sofrer influência direta

também do pólo nucleado por Itaboraí.

Além disso, é importante também a consolidação de um Complexo Metal-Mecânico no qual o

Cluster Naval e Offshore deve desempenhar papel estruturante enquanto âncora, a ponto de

transformar Niterói em uma importante centralidade econômica. Diante disso, deve se

incentivar a consolidação de um pólo para caracterizar Niterói enquanto núcleo motriz, inclusive

estimulando a unificação com o embrionário complexo Metal-Mecânico nucleado por Macaé na

Região Norte Fluminense.

Nesse ínterim, os principais segmentos do complexo a serem fomentados são:

• Cadeia naval e offshore

• Logística entre parques produtivos (possivelmente, retroportuária)

Recomenda-se que o planejamento indutor esteja voltado para conformar Niterói como núcleo

motriz, e São Gonçalo e Itaboraí como seu espaço de espraiamento imediato. Embora as

Áreas de Planejamento 1 e 3 do Município do Rio de Janeiro não estejam incluídas na Área de

Coordenação Econômica 3, considera-se como reforços ao potencial motriz das plantas

produtivas voltadas especificamente para a cadeia naval e offshore na parte oeste da Baía de

Guanabara. A política de coordenação deve ter como foco que as “condições gerais de

produção” para a Área de Coordenação Econômica 3 dependem, em grande parte, da

721

articulação desse municípios para efetivar os principais encadeamentos latentes (diretos)

relacionados ao Complexo Metal-Mecânico.

Já aos demais municípios (Maricá, Tanguá, Guapimirim e Cachoeira de Macacu), caracterizam-

se como espaços de espraiamento não imediato. A princípio, esses municípios poderão

aproveitar de oportunidades em atividades complementares e encadeamentos inesperados

(indiretos) que devem ser objeto de negociação para superar suas restrições atuais

O quadro 4 sintetiza a proposta de ordenamento:

Quadro 4 - Vetores econômicos estruturantes a partir do fortalecimento do Complexo

Metal-Mecânico na Área de Coordenação Econômica 3

Núcleo Motriz Espaço de Espraiamento Espaço de Espraiamento

Imediato

Não Imediato

São Gonçalo

Tanguá

Itaboraí

Maricá

Niterói

Cachoeira de Macacu

Guapimirim

Nota: As plantas produtivas voltadas especificamente para a cadeia naval nas Áreas de Planejamento 1

e 3 do Município do Rio de Janeiro são consideradas reforços ao potencial motriz.

Para cada elemento integrante da Área de Coordenação Econômica 3, sobressaem-se as

seguintes questões-chave:

722

Itaboraí: A questão-chave é a dinamização do perfil econômico que está sendo profundamente

redefinido, superando um quadro de desarticulação com o fim de sua produção de laranja.

Recomenda-se:

• Incentivo à consolidação de seu Pólo Petroquímico.

• Desenvolvimento de um parque destacado de produtores de Transformados Plásticos

(inclusive associado ao desenvolvimento de produtos).

• Potencial para ser o centro concentrador da atividade logística (“hub logístico”) na Área

de Coordenação Econômica 3, com a instalação de centros de distribuição atacadistas

e varejistas.

• Possibilidade de também sofrer rebatimentos do desenvolvimento da cadeia naval.

• É importante passar a desempenhar um papel de centralidade na rede urbana.

• Aumentar a competitividade de suas indústrias voltadas para cadeia da Construção

Civil e de sua agricultura (incluindo floricultura).

Niterói: A questão-chave é alcançar a maior dinamização a partir do perfil econômico já

existente. Recomenda-se:

• incentivo a consolidação de seu Cluster Naval e Offshore e desenvolver em seu interior

um pólo com reações em cadeia mais efetivas. Particularmente, é fundamental,

orientar os estaleiros e canteiros a desenvolver maiores competências e a ganhar

maior poder de comando sobre a cadeia produtiva.

• Estimular iniciativas sobre turismo náutico-oceânico e ecoturismo, bem como atividade

relacionadas à pesca.

São Gonçalo: A questão-chave é alcançar a maior dinamização a partir do perfil econômico já

existente. Recomenda-se:

• Incentivo a consolidação do Cluster Naval e Offshore e desenvolver em seu interior um

pólo com reações em cadeia mais efetivas. Particularmente, destaca-se oportunidades

723

para o desenvolvimento de um parque produtor de navipeças e equipamentos que já

tenha escala o mercado nacional.

• Incentivar a expansão da indústria farmacêutica junto ao incentivo a maiores

encadeamentos em termos regionais.

• Fortalecer sua produção de Transformados Plásticos ao associá-la com o maior

desenvolvimento da atividade logística. Inclusive é preciso desenvolver a logística de

retroporto a partir da estrutura portuária em construção.

• Estimular a maior competitividade de suas indústrias voltadas para cadeia da

Construção Civil e para Vestuários e Acessórios, bem como das atividades

relacionadas à pesca.

Tanguá: A questão-chave exige uma reestruturação econômica. Recomenda-se:

• Aproveitar as oportunidades em logística e produção de plásticos.

• É preciso o enfrentamento de sérios desafios de infraestrutura urbana.

• Estimular o turismo rural e incentivar uma agroindústria com base na citricultura local

(especificamente, indústrias de suco de laranja concentrado e congelado).

Cachoeira de Macacu: A questão-chave exige uma reestruturação econômica. Recomenda-se:

• Aproveitar as oportunidades no ecoturismo e turismo rural.

• Estimular a maior competitividade de sua agricultura incentivando a formação de uma

agroindústria associada.

• Não se descarta os impactos do COMPERJ para atração de algumas empresas em sua

fronteira (vizinha ao empreendimento).

• Requer importantes investimentos em infraestrutura para melhor sua capacidade de

escoamento da produção.

724

Guapimirim: A questão-chave exige uma reestruturação econômica a fim de aproveitar melhor

outras oportunidades que aquelas oferecidas pela indústria produtora de papel (com

considerável passivo ambiental). Recomenda-se:

• Potencial para o ecoturismo e turismo rural, bem como atividades residenciais.

Marica: A questão-chave é dinamizar o perfil já existente. Recomenda-se:

• Turismo náutico-oceânico e ecoturismo.

• Potencial em prestação de serviços locais e atividades residenciais, ambas sustentadas

pelo efeito multiplicador da renda urbana em termos regionais.

• Estimular a maior competitividade das atividades relacionadas à pesca.

• Merece ser mais discutida as possibilidades reais em segmentos metal-mecânicos.

7.3.3. Propostas para maiores Interrelações Setoriais

Para aumentar os ganhos de competitividade das cadeias produtivas não basta o incentivo em

atividades isoladas. Torna-se necessário uma política de coordenação de decisões que

enfrente duas questões conjuntamente:

• Decisões de investimento: visar papel mais ativo nas “cadeias de valor” dos

empreendimentos. Isso envolve estimular a produção de bens de capital bem como a

prestação de serviços de engenharia e gestão de projetos para a região passar a ser

sede de projetos.

• Decisões operacionais: tornar estratégico para os empreendimentos a ampla articulação

(e não só o acesso) de recursos disponíveis no território. Isso envolve estimular a

reorganização espacial dos fluxos de produção e dos canais de distribuição para

valorizar a diversidade regional através de uma divisão do trabalho mais complexa.

Por se compreender que a atração de empreendimentos não garante por si só

desenvolvimento regional espontâneo, defende-se uma estratégia que alia a exploração de

725

vantagens competitivas nos empreendimentos (microiniciativa) com uma maior capacidade de

agregar valor e de dinamizar o resto da estrutura econômica (macroestrutura). O quadro 5

sintetiza a lógica do planejamento indutor para trabalhar esse potencial de encadeamentos:

Quadro 5 - Diagrama de proposta geral de ação sobre o potencial de encadeamentos

Fonte: Elaboração própria

Visando generalizar o dinamismo, tratamento específico deve ser dado as micro, pequenas e

médias empresas no seio de políticas setoriais estruturantes. Embora grande parte do

potencial de encadeamentos se refere a elas, esses investimentos sofrem dificuldades para se

realizar pela falta de investimentos necessários em infraestrutura. Além da implantação do Arco

Metropolitano, são fundamentais maiores investimentos públicos em telecomunicações,

energia elétrica, sistema de abastecimento de água e saneamento etc.

A seguir, serão destacadas recomendações para o fortalecimento do Sistema Logístico

Regional (particularmente, sua relação com a estrutura portuária), bem como das cadeias

726

produtivas que envolvem os principais empreendimentos estruturantes: Petroquímica, Naval e

Estruturas Offshore, e Siderúrgica.

Nesse ínterim, também serão consideradas as seguintes atividades econômicas associadas:

Economia do Petróleo e Gás Natural, Cosméticos, Borracha Sintética e produtos derivados de

base metal-mecânica (como estruturas metálicas e de caldeiraria pesada). Diante dos efeitos

esperados também sobre o Mercado Consumidor de Massa, serão mencionadas ainda

algumas recomendações para os setores de Alimentos e Bebidas; Vestuário e Acessórios;

Moveleiro; e Construção Civil.

7.3.3.1. Síntese das metas e ações para a Economia do Petróleo e Gás

Natural, a Cadeia Petroquímica e outras atividades químicas

destacadas

O planejamento indutor proposto para o conjunto formado pela Economia do Petróleo e Gás

Natural, a Cadeia Petroquímica e outras atividades químicas destacadas tem como metas-

sínteses:

• Acentuar a mobilização tecnológico-produtiva.

• Garantir a liderança da Petroquímica do Sudeste.

Para isso, destaca-se adiante algumas questões relevantes e as ações recomendadas para

seu enfrentamento.

Questão 1: As potencialidades envolvidas vão além da questão energética e devem ser

aproveitadas para a industrialização fluminense.

• Não se deve superestimar a cultura industrial já desenvolvida dentro do Estado do Rio

de Janeiro dentro da Economia do Petróleo e Gás Natural para reconhecer a

necessidade de uma maior mobilização tecnológico-produtiva.

• Capacidade de estimular boa parte da recuperação da base metal-mecânica e da

indústria naval, além dos encadeamentos diretos na indústria petroquímica e indiretos

na indústria farmacêutica e de cosméticos.

727

• Especificamente, destaca-se a relevância de passar a contar com a Lanxess, uma das

líderes mundiais no setor de Borracha Sintética. Cabe ressaltar que essa empresa tem

interesse em transformar sua planta em Duque de Caxias em uma importante

exportadora para as Américas.

• Em termos territoriais, cabe firmar o entendimento para que se concretizem com maior

agilidade os projetos para instalação de bases de apoio ao pré-sal, e consolidem o

Cluster Gás-Químico e o Cluster de Cosmético.

Questão 2: É fundamental consolidar o Estado do Rio de Janeiro como o principal pólo gerador

de conhecimento para a Economia do Petróleo e Gás Natural.

• Propõe um planejamento visando criar um “sistema de inovação” no eixo Área de

Planejamento 3 do Município do Rio de Janeiro-Caxias-Petrópolis.

• Ganha importância a concentração geográfica da indústria petrolífera, em especial, das

atividades de maior conteúdo tecnológico. Dentro do campus da UFRJ na Ilha do

Fundão, já se conta com um conjunto de instituições de excelência reunidas no parque

tecnológico. Deve ser agilizado seu plano de expansão.

• A Fábrica Carioca de Catalisadores possui excelência na Química Fina relacionada

diretamente à Economia do Petróleo e Gás Natural. Além de possuir um centro de P&D

do CENPES em seu entorno, esse empreendimento desenvolve um projeto de criação

do Parque Tecnológico de Santa Cruz que deve ser apoiado.

• Cabe a FAPERJ atuar como fonte complementar de financiamento para apoiar o

desenvolvimento tecnológico das empresas as aproximando das universidade e

comunidade científica, bem como garantir o Estado do Rio de Janeiro como o principal

centro de referência nacional em qualificação de mão-de-obra.

Questão 3: É fundamental que a política de aumento do conteúdo local ao nível nacional passe

a ter um recorte estadual privilegiado.

• Acompanhamento permanente das oportunidades do PROMINP deve ser a base do

planejamento indutor correspondente à Economia de Petróleo e Gás Natural.

728

• Criar grupos de trabalho a fim das demandas fluminenses serem incluídas na carteira

de investimentos do setor. Os fóruns locais e estadual do PROMINP devem

aproveitados para a definição de metas de industrialização fluminense.

• Maior atuação do CODIN e da INVESTE RIO para garantir visibilidade das

oportunidades e acompanhamento técnico-financeiro para as empresas. Em particular,

uma parceria mais efetiva com o SEBRAE deve ser estabelecida para inserir as micro,

pequenas e médias empresas na cadeia, dado seu peso como subfornecedores

(fornecedores de 2º ou 3º escalão).

• Participar mais ativamente de todos os “Road-Shows” do PROMINP e levá-los em

diversos municípios fluminenses (particularmente, nas Representações Regionais da

FIRJAN).

Questão 4: Coordenar melhor a articulação da rede de fornecedores da Economia do Petróleo

e Gás Natural.

• Não se deve descartar nenhuma oportunidade. Contudo, cabe ressaltar que as opções

mais maduras seriam: laminação de aços especiais, forja de aço e equipamentos de

caldeiraria pesada, serviços de apoio, e serviços de engenharia.

• Principalmente, incentivar a concentração da engenharia de projeto, inclusive com a

consolidação patrimonial das diversas empresas já atuantes no Rio de Janeiro.

• Incentivar integradores (por exemplo, EPCs) que demonstrem interesse em aproveitar a

base industrial regional ou atrair seus fornecedores cativos a montarem plantas

produtivas na economia fluminense.

• Não basta a organização dos fornecedores diretos, mas priorizar a integração logístico-

produtiva entre diversos escalões. Portanto, visar a consolidação de uma estrutura

escalonada de fornecedores segunda a “cadeia de valor”.

• Estimular sinergias entre atividades de reparos e atividades de produção de máquinas e

equipamentos a fim de induzir a expansão da produção.

729

Questão 5: Buscar uma política mais arrumada para a cadeia petroquímica, garantindo a

implantação dos pólos petroquímicos.

• Aproveitar as vantagens competitivas para o desenvolvimento industrial da separação

das frações petroquímicas na Unidade de Tratamento Cabiúnas (RJ) e da ampliação da

malha dutoviária fluminense.

• Ao contrário do que se planejou no início, em uma primeira fase, o COMPERJ segue os

moldes de uma refinaria “premium” voltada para a produção de combustíveis. A

Petrobrás se posiciona publicamente reafirmando a decisão de construir unidades

petroquímicas de 1ª e 2ª geração associadas ao projeto.

• Diante do prolongamento do cronograma de construção do COMPERJ, é importante

conter as migrações e a consequente pressão urbana sobre seu entrono até que as

fases mais avançadas do investimento se concretizem.

• Até o momento, as plantas petroquímicas em operação são unidade que eram da Rio

Polímeros e da PoliBrasil Resinas, agora sendo incorporadas pela Brasken.

Necessidade de uma política específica para fomentar um parque de transformados

plásticos associado ao conjunto dessas plantas petroquímicas.

Questão 6: Avançar em uma política para maiores encadeamentos com Transformados

Plásticos com base nas plantas petroquímicas a base de gás natural já existentes.

• Combinar incentivos diretos com políticas que visem garantir competitividade através de

infraestrutura satisfatória, acesso privilegiado à matéria-prima e mercado consumidor

próximo.

• Melhorar a relação de comercialização entre o produtor de resina (Brasken),

distribuidores e transformadores plásticos, avançando na direção de uma central de

compras de suprimentos.

• A indústria de Higiene Pessoal, Cosméticos e Perfumaria é a maior demandante

estadual de produtos plásticos. Por isso, recomenda-se maior articulação da produção

de Transformados Plásticos com o Cluster de Cosméticos e Higiene Pessoal em Nova

Iguaçu e imediações.

730

• Deve ser estimulado um parque de moldes e a oferta de serviços tecnológicos de apoio.

Destaca-se que os moldes são um dos principais fatores de competitividade para o

setor.

• Estimular o maior desenvolvimento da área de engenharia de materiais (vide o caso de

excelência em São Carlos/SP).

• Articular estratégia da Brasken em desenvolvimento de produtos e assistência técnica.

• Aproveitar o potencial indutor de centrais de distribuição atacadistas e varejistas.

Expectativa de várias dessas centrais a partir do Arco Metropolitano.

7.3.3.2. Síntese das metas e ações para a Cadeia Naval e Estruturas

Offshore

O planejamento indutor proposto para o conjunto formado pela Cadeia Naval e Estruturas

Offshore tem como metas-sínteses:

• Garantir o comando estratégico nacional.

• Apoiar a formação de grupos líderes.

Para isso, destaca-se adiante algumas questões relevantes e as ações recomendadas para

seu enfrentamento.

Questão 1: Executar política específica para a Região de Influência do Cluster Naval e

Offshore.

• Possui forte tradição, já tendo concentrado um parque produtor de grande relevância

em décadas passadas. Ainda hoje, sua base produtiva é a maior e a mais diversificada

do país.

• Estimular a superação dos passivos herdados com a grave desestruturação sofrida e o

aproveitamento dos ganhos de aprendizado com a própria experiência adquirida a

ponto de amadurecer os processos produtivos e tecnológicos.

731

• Evitar a ocupação desordenada do entorno dos estaleiros/canteiros e potencializar as

vantagens para atividades associadas.

• Diante do problema de escassez de terrenos para novas plantas na Baía de

Guanabara, cabe ser assinaladas as seguintes alternativas:

1) Terreno em Niterói, onde funcionava um canteiro do Estaleiro SETAL.

2) Futura estrutura portuária em São Gonçalo (Praia da Beira, Itaoca).

3) Na Baía de Sepetiba, existência de uma área disponível em Itaguaí para a

instalação de um novo estaleiro de porte razoável que está para ser licitada por

DOCAS/RJ.

4) Fora da Área de Influência do Arco Metropolitano, oportunidades no Norte

Fluminense, cabendo agilizar o complexo marítimo em Barra do Furado e o

Complexo do Açu.

Questão 2: Valorizar os centros de decisão na economia fluminense, concentrando a “Área de

Inteligência”.

• Tornar o Estado do Rio de Janeiro uma grande referência em pesquisa científica na

área naval, bem como conduzir uma formação sistemática de trabalhadores.

• Maior aproveitamento da participação da COPPE/UFRJ na Rede de Inovação para a

Competitividade da Indústria Naval e Offshore, e buscar maior uso de convênios de

pesquisa no bojo do Programa de Capacitação Tecnológica para Apoio à Indústria

Naval Brasileira.

• Formação de centros de referência nacional em qualificação de mão-de-obra, o que

inclui agilizar a recuperação da Escola Técnica Estadual Henrique Lage e fortalecer o

papel da UEZO na formação técnica.

Questão 3: É fundamental apoiar a formação de grupos líderes no Estado do Rio de Janeiro.

• Não basta estar apto para disputar grandes encomendas, mas aproveitar a

oportunidade para alcançar um padrão competitivo de nível internacional.

732

• Estimular um processo de concentração patrimonial a fim de permitir maior capacidade

própria de investimento e escala de produção satisfatória.

• Consolidar arranjos institucionais para a maior interpenetração entre a estratégia da

Indústria Naval e as estratégias da Economia do Petróleo e Gás Natural e do setor de

Transportes.

• Procurar contar com a expertise acumulada por líderes mundiais na atividade.

• Buscar destaque em produtos de maior valor adicionado. Para isso, incentivar que a

área de elaboração de projetos e serviços de engenharia naval se concentrem no Rio

de Janeiro.

• Estimular a cooperação produtiva e técnica (incluindo, parcerias com universidades e

institutos de pesquisa), evitando que unidades produtivas fiquem subaproveitadas:

1) Reorganização mais eficiente dentro das plantas, com o maior aproveitamento

das áreas à beira-mar diante da limitação de terrenos disponíveis.

2) Divisão do trabalho mais complexa e sofisticada entre as plantas, com maiores

economias de especialização e a articulação logística sistemática.

Questão 4: Intensificar esforços políticos para coordenar reestruturações empresarial e

produtiva.

• É fundamental a modernização dos estaleiros fluminenses para manter potencial

compatível com suas dimensões. Entre os principais problemas a serem equacionados,

destacam-se:

1) Agilizar a oferta de infraestrutura para investimentos da STX Europe em Barra

do Furado.

2) Reestruturação dos estaleiros Rio Nave (ex-Caneco), RENAVE e Inhaúma (ex-

Ishibrás).

3) Superar as dificuldades para o Estaleiro Mauá obter maior carteira de

encomendas.

733

4) Contornar entraves para o melhor aproveitamento da área do Estaleiro Mac

Laren.

• Avançar na prestação de assessoria para o acesso maior e mais ágil ao Fundo da

Marinha Mercante, em particular, crédito para modernização e ampliação das plantas

existentes.

• Política específica para estaleiros de menor porte, geralmente voltados para serviços de

reparos e produção de embarcações de apoio.

• Estimular sinergias entre as atividades de reparos e as atividades de produção.

Ressalta-se que esse aspecto ainda pode ser mais vantajoso se for articulado a ofertas

de serviços próximos as estruturas portuárias (importância de um estaleiro em Itaguaí).

• Participar ativamente nas negociações de fornecimento de aço e incentivar a produção

de chapas grossas no Rio de Janeiro, a fim de garantir melhor acesso aos insumos.

Questão 5: O ciclo recente permitiu a retomada da produção naval, mas ainda é um grande

desafio a reestruturação da cadeia produtiva como um todo, particularmente, as navipeças.

• É fundamental incentivar a produção das navipeças e equipamentos porque o maior

dinamismo tecnológico se deve a articulação com fornecedores (tecnologia embarcada).

• Estimular a capacidade dos estaleiros comandar de forma hierarquizada a cadeia de

suprimento. A recuperação definitiva da industria naval depende da existência de

grupos líderes capazes de executar estratégias que induzam a organização sistemática

do conjunto de atividades (superar o caráter “picado” das atuações).

• Programa de financiamento específico para fornecedores. Consolidar uma estrutura

escalonada de fornecedores, fortalecendo integração logístico-produtiva.

• Destaca-se a atuação da NUCLEP e seu projeto para investimento em fabricação de

motores.

• Apoiar a proposta de criação de um distrito de navipeças em São Gonçalo.

• Maior articulação com as ações no âmbito do PROMINP.

734

• Recuperar base metal-mecânica complementar, incentivando a “conversão” em

fornecedores competitivos para indústria naval.

7.3.3.3. Síntese das metas e ações para a Cadeia Siderúrgica e produtos de

metal derivados

O planejamento indutor proposto para Cadeia Siderúrgica e produtos de metal derivados

tem como metas-sínteses:

• Aumentar a performance das usinas produtoras de aço.

• Fortalecer a base metal-mecânica.

Para isso, destaca-se adiante algumas questões relevantes e as ações recomendadas para

seu enfrentamento.

Questão 1: Buscar melhoria constante das condições logísticas e referência em qualificação

da mão-de-obra e em pesquisa científica.

• A indústria siderúrgica fluminense se beneficia de sua posição geográfica estratégica.

Afinal, não demonstra sérias dificuldades relacionadas às “distâncias econômicas” para

o acesso aos principais insumos e aos mercados consumidores.

• É importante a execução de uma política específica para o desenvolvimento da Região

de Influência do Porto de Itaguaí, evitando a ocupação desordenada do entorno e

potencializando as vantagens para a ocupação por indústrias que demandam serviços

portuários, como atividades relacionadas à cadeia siderúrgica.

• Estimular o desenvolvimento de competências em engenharia de uso de aço. Entre as

iniciativas, deve ser buscado o maior aproveitamento das atividades desenvolvidas no

Centro de Tecnologia Mineral – CETEM e no Centro de Ciências Matemáticas e da

Natureza – CCMN, ambos da UFRJ. Apoiar também o refortalecimento da Associação

Fluminense de Engenheiros de Minas (AFEM).

735

Questão 2: Aumentar a competitividade das plantas produtivas existentes a ponto de agilizar os

retornos do capital já investido e impulsionar novos ciclos de investimento.

• A cadeia siderúrgica fluminense conta com a expertise acumulada de grupos líderes,

inclusive com importante inserção mundial. Esse é o caso dos grupos ThyssenKrupp e

da Gerdau que possuem duas importantes plantas na Área de influência do Arco

Metropolitano:

1) COSIGUA ainda sendo a maior planta de aços longos da Gerdau no Brasil

2) CSA sendo uma planta estratégica na internacionalização da ThyssenKrupp.

3) CSN discute a implantação de uma nova unidade em Itaguaí (a princípio, aços

longos).

• Apoiar a expansão da COSIGUA, por exemplo, com a colocação em funcionamento de

outro forno e a implantação de um novo laminador. Expectativa de grande crescimento

de construção civil nos próximos anos.

• Avaliar a viabilidade da instalação de uma unidade de laminação de aços especiais pelo

Grupo Gerdau, particularmente, dentro da COSIGUA. Cabe enfatizar a possibilidade de

atender a indústria automobilística, encadeando com as montadoras em Resende e

Porto Real.

• Apoiar ThyssenKrupp a medida que se torne viável produzir laminados para o mercado

interno.

• Discutir incentivos à produção de aço para construção naval e para trilhos ferroviários.

Questão 3: É fundamental estimular a formação de redes de fornecedores próximos.

• Plantas siderúrgicas possuem um programa continuado de investimentos incrementais

que são volumosos devido ao grande desgaste no processo produtivo (CSA projeta

gastar 250 milhões de reais ao ano em compras de materiais e serviços, excluindo

matérias-primas).

736

• É interesse das usinas dispor de fornecedores próximos desde que atendam as

especificações exigidas. Duas ordens de requisitos devem ser incentivados:

1) Empresas se tornarem “fornecedores não cativos”, basicamente materiais mais

padronizados e prestação de serviços de apoio.

2) Empresas se credenciem para participar da carteira de “fornecedores cativos”,

como equipamentos pesados e tecnologia.

• Estaleiros e empresas produtoras de equipamentos metálicos da Economia do Petróleo

e Gás Natural devem ser apoiadas a abrir novas frentes de negócio em peças e

estruturas metálicas.

• Em especial, cabe apoiar o maior aproveitamento da NUCLEP para que tenha uma

carteira maior e mais diversificada de encomendas.

Questão 4: Visar a recuperação da base metal-mecânica associada.

• Realizadar políticas de coordenação para maior comercialização e difusão do uso de

aço na economia fluminens, a fim de intensificar os seguintes efeitos:

1) Maiores encomendas de peças e outros materiais metálicos para a operação

das usinas siderúrgicas (encadeamentos para trás)

2) Desenvolvimento do mercado para atender a produção de produtos de metal

(encadeamentos para frente).

• Consolidar arranjos institucionais que levem a maior interpenetração entre a estratégia

da indústria siderúrgica e as estratégias das indústrias Naval e da Economia do

Petróleo e Gás Natural. É fundamental oferecer uma boa base metal-mecânica de

montagem e engenharia, com as competências exigidas.

• Estimular as sinergias entre atividades de reparos e atividades de produção de

máquinas e equipamentos, pois compartilham a ponto de induzir a expansão da

produção.

737

• Buscar maior estruturação do mercado de sucatas metálicas, pois esses materiais

servem de insumo às usinas produtoras de aços longos.

7.3.3.4. Síntese das metas e ações para o Sistema Logístico Regional

(ênfase na estrutura portuária)

O planejamento indutor proposto para Sistema Logístico Regional (ênfase na estrutura

portuária) tem como metas-sínteses:

• Alcançar uma gestão mais integrada.

• Consolidação de um porto-indústria planejado.

Para isso, destaca-se adiante algumas questões relevantes e as ações recomendadas para

seu enfrentamento.

Questão 1: Torna-se decisivo dispor de uma estrutura portuária capaz de ser catalisadora da

integração dos meios logísticos na área de influência do Arco Metropolitano.

• O Arco Metropolitano deve se tornar um corredor logístico e não apenas mais uma via

de transporte. Cabe ser coordenado o estímulo para o desenvolvimento produtivo em

sua área de influência junto ao papel articulador dos operadores logísticos.

• Prioriza-se a maior fixação da mão-de-obra empregada na própria região, gerando

oportunidades de emprego e renda para a população local ao invés de maior migração

interna ou novos congestionamentos no tráfego de passageiros.

• As vantagens do Arco Metropolitano para fortalecer o sistema econômico regional

tendem a ser potencializadas à medida que a estrutura portuária de Itaguaí seja

consolidada.

• Somente a existência de uma estrutura portuária não justifica maiores investimentos

produtivos, mas é um importante fator de competitividade que tende a ser realçado

através da orientação de políticas públicas estruturantes.

738

• É fundamental a execução de uma política específica para o desenvolvimento da

Região de Influência do Porto de Itaguaí, evitando a ocupação desordenada do entorno

e potencializando as vantagens para a ocupação por indústrias que demandam serviços

portuários.

Questão 2: Visar um sistema logístico pautado por uma integração intermodal, no qual

rodovias, ferrovias e hidrovias interligadas aos portos e aos aeroportos atuem integradamente.

• Enfatiza-se o potencial do Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão) para

movimentação de cargas tecnológicas e de maior sofisticação (por exemplo:

Farmacêutica, Cosméticos etc.). Nesse ponto, deve-se implantar novo acesso para

caminhões, ligando diretamente a BR-040.

• Futura estrutura portuária em São Gonçalo (Praia da Beira, Itaoca) poderá atender a

cargas diversas e desempenhar papel estruturante, particularmente, para o Distrito de

Guaxindiba.

• Destaca-se o papel do Terminal Portuário de Angra dos Reis (TEPAR) diante do projeto

para atender a demanda da indústria petrolífera (sobretudo na camada do pré-sal).

• Deve ser apoiada a maior utilização da estrutura portuária da NUCLEP, inclusive para

atender a demanda da cadeia do Petróleo e Gás Natural (interesse já manifestado pela

Petrobrás).

• Recomenda-se maior participação do governo estadual na gestão portuária para

negociação dos interesses regionais. Merece ser retomada também a discussão sobre

a divisão dessa autoridade portuária, criando uma companhia DOCAS especificamente

para o Porto de Itaguaí.

Questão 3: O desafio não é estimular a competitividade isolada de cada porto/terminal, mas de

forma hierarquizada segundo suas potencialidades, destacando-se o potencial para um porto-

indústria planejado em Itaguaí.

• Verifica-se que os Estados de Pernambuco (Porto de Suape), Bahia (Porto de Aratu) e

Rio Grande do Sul (Porto de Rio Grande) são exemplos no país que já vem adotando

iniciativas voltadas para a consolidação de “Portos-Indústrias” planejados, no qual há a

739

construção de uma estratégia de desenvolvimento de longo prazo em conjunto a um

zoneamento do retroporto para priorizar a ocupação produtiva associada.

• O Porto de Itaguaí possui esse potencial, devendo ser melhor explorado. Inclusive, em

torno da metade de suas operações são de transbordo, o que somada as operações de

cabotagem conferem-lhe um importante papel de concentrador de cargas.

• Segundo estimativas do próprio Sepetiba TECON, sua capacidade atual é de 600 mil

TEUs ao ano. Com o projeto da plataforma logística da CSN, pode crescer até um

milhão de TEUs ao ano, mas tem potencial para até três milhões de TEUs ao ano se

fizerem os investimentos necessários. Chama atenção que, entre 2005 e 2008, o

volume de cargas movimentadas por contêineres no Porto de Itaguaí já aumentou em

50,5%, taxa de crescimento superior àquela do Porto do Rio de Janeiro (31,3%) e à

média nacional (24,0%).

Questão 4: O Porto de Itaguaí não possui restrições consideráveis na logística em mar e em

terra.

• O fato de existir diversos empreendimentos voltados para terminais de granéis sólidos

(em particular, carvão e minério) não são impeditivos para o potencial de crescimento

da movimentação de contêineres na Baía de Sepetiba (inclusive demandam alguma

prestação de serviço, por exemplo, em cargas de máquinas e equipamentos).

• Devem ser tomadas as devidas providências para evitar problemas operacionais:

1) Duplicação do canal de acesso marítimo a ser realizada pela companhia

DOCAS/RJ. Trata-se da obra portuária de necessidade mais imediata a fim de

evitar congestionamento marítimo com a maior dinâmica econômica prevista.

2) Discutir a construção de um terminal líquido.

3) Melhorar o funcionamento de órgãos federais que atendam o Porto de Itaguaí,

como a Receita e a ANVISA a fim de agilizar o desembaraço de cargas.

• É fundamental pensar estrategicamente o que precisa ser feito do terminal de

contêineres para trás. Sua retroárea deve ser planejada para que a competitividade da

740

estrutura produtiva fique fortemente articulada aos ganhos logísticos pelo acesso

privilegiado à atividade portuária.

Questão 5: Terminal de Contêineres em Itaguaí deve ser reorientado para ter maior relevância

nacional ao invés de perfil apenas regional.

• Caberia políticas para torná-lo uma opção para cargas que envolvem não apenas Minas

Gerais, mas também São Paulo e, inclusive, Região Centro-Oeste.

• Maior pressão política para a segregação ferroviária dentro da cidade de São Paulo e

acelerar a construção do Tramo Norte do Ferroanel ao redor deste município, pois

reduzirão “distâncias econômicas” para o escoamento de toda a produção do Sul e do

Centro-Oeste brasileiro.

• Acelerar a rebitolagem para a interligação direta do ramal ferroviário da MRS (chegando

até o Porto de Itaguaí) com os ramais da ALL (ligando com São Paulo) e da FCA

(ligando Leste Metropolitano, Norte Fluminense e Espírito Santo).

• Avaliar a criação de “pátios reguladores” fora da área portuária imediata ao mar para

que seja acentuadas as potencialidades logísticas próximas as estruturas rodoviárias e

ferroviárias.

• Incentivos para que seja superada a falta de prestadores de serviços na região próxima,

como: transportadoras, consolidadores de carga, centrais de distribuição, aduanas etc.

Questão 6: É preciso que seja evitada uma estratégia que consista em manter “um porto a

espera de cargas”.

• Consolidação do sistema logístico envolve a organização de diversas políticas setoriais

específicas a fim da diversificação da estrutura econômica.

• Em termos de movimentação de contêineres no Porto de Itaguaí, destaca-se:

1) Chama atenção o peso das cadeias siderúrgicas e petroquímica nas atividades

de exportação e importação. Isso evidencia a importância de políticas que

intensifiquem a articulação logística das diversas concentrações geográficas da

741

produção para a consolidação dos complexos Metal-Mecânico e Químico-

Farmacêutico.

2) Existe um leque mais amplo de oportunidades, como as indústrias

automobilística e alimentícia (já não são desprezíveis as exportações de café e

as importações de trigo).

3) Quanto à indústria alimentícia, incluem oportunidades para o processamento de

carnes e grãos. Logo, também é importante a construção de um terminal de

grãos.

4) Movimentação da carga de projetos de investimento (por exemplo, máquinas e

equipamentos).

7.3.3.5. Algumas recomendações para os setores de Alimentos e Bebidas;

Vestuário e Acessórios; Moveleiro; e Construção Civil

Além do potencial estruturante próprio, o desenvolvimento de todas as cadeias e atividades

econômicas analisadas nas seções anteriores permite também efeitos multiplicadores sobre os

Mercados Consumidores de Massa. Diante disso, surge a possibilidade de um ciclo virtuoso de

renda e consumo através dos impactos do incremento da produção e do emprego na massa

salarial e na urbanização.

A seguir, serão apontadas algumas recomendações para o maior desenvolvimento dos setores

de Alimentos e Bebidas; Vestuário e Acessórios; Moveleiro; e Construção Civil na Área de

Influência do Arco Metropolitano.

Indústria de Alimentos e Bebidas

• Utilização da concentração existente nos municípios de Duque de Caxias, Nova Iguaçu,

Itaguaí, São João de Meriti, Itaboraí, Nilópolis, Magé, Queimados, Seropédica,

Mesquita, Paracambi, Japeri, Guapimirim, Cachoeiras de Macacu, e Mangaratiba para o

desenho de uma política setorial, que congregue os aspectos tributário, creditício, de

design, marketing, compras de matérias-primas, capacitação, inovação e formalização.

742

• Atração de novas âncoras / empreendimentos de grande porte, como: Sadia, Granfino,

Frescato e Pakera.

• Utilização da UFRRJ, e sua área de engenharia de alimentos, como uma das âncoras

do desenvolvimento.

• Utilização do distrito industrial de Seropédica e a facilidade de logística criada com o

Arco.

• Verificar a possibilidade de organização de uma agroindústria e oferta do TECON como

vantagem comparativa.

• Utilização do terminal de grãos proposto para o Porto Itaguaí.

Indústria de Vestuário e Acessórios

• Utilização da concentração existente nos municípios de Duque de Caxias, São João de

Meriti, Nova Iguaçu, São Gonçalo e Niterói para o desenho de uma política setorial, que

congregue os aspectos tributário, creditício, de design, marketing, compras de matérias-

primas, capacitação, inovação e formalização.

• Avaliação da proposta da prefeitura de São Gonçalo de concentração dessas indústrias

no distrito industrial de Guaxindiba, com a constituição de um show-room das indústrias

de vestuário que poderão vir a se instalar no local.

• Atração de marcas reconhecidas para utilizarem as indústrias já instaladas como

fornecedoras, buscando criar uma política de qualificação, à exemplo do que ocorre em

Valença.

• Avaliar a possibilidade de integração da política do APL de São Cristóvão com as

indústrias instaladas na área de influência do Arco Metropolitano.

• Verificar a possibilidade de apoiar a política de revitalização do setor de vestuário,

acessórios e têxtil da prefeitura de Paracambi.

Indústria Moveleira

743

• Articular uma política de fortalecimento da fabricação de móveis presentes na área de

influência do Arco Metropolitano, nos municípios de Duque de Caxias, Nova Iguaçu,

São João de Meriti, Nilópolis, Mesquita, Guapimirim e Maricá, integrando os aspectos

tributário, creditício, de design, marketing, compras de matérias primas, capacitação e

inovação.

• Avaliar a possibilidade da constituição de uma política de silvicultura, criando maior

oferta de matéria prima e abrindo espaço para atrair fábrica de celulose, avaliando,

também, a possibilidade de exportar através do Tecon.

• Apoiar a política da prefeitura de Duque de Caxias, o setor moveleiro existente no

Município.

• Avaliar a possibilidade de articular a produção de móveis na região de influência do

Arco Metropolitano com a indústria de plástico, na produção de móveis de plástico

injetado.

Construção Civil

• Priorizar a expansão urbana em áreas já atendidas em termos de infraestrutura e

alternativas de transporte através do adensamento das manchas urbanas de média e

alta densidade, com a ocupação das áreas degradadas e vazios urbanos ou a

requalificação de áreas de residências unifamiliares.

• Aproveitamento das oportunidades de implantação de novas centralidades em áreas

que atendam as demandas (emprego e habitação) geradas pelos investimentos

previstos, como: Itaguaí, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Seropédica, Itaboraí e São

Gonçalo.

• Aproveitamento dos atrativos naturais de municípios com potencial para moradia e

hotelaria de médio e alto padrão, conservando baixa taxa de ocupação do terreno:

Mangaratiba, Guapimirim, Cachoeiras de Macacu, e Maricá.

• Fomentar a autoregulamentação do setor da construção civil através da adoção de

“selos verdes”, em especial no que diz respeito a compra de material, que deve ser

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oriundos de fornecedores licenciados, em especial os ligados a indústria de extração

mineral. Forçando a qualificação e conformidade ambiental de toda a cadeia.

• Elaborar um programa de Implantação e gestão de espaços livres e áreas verdes,

voltados para áreas densamente ocupadas, com vistas a melhorar o conforto ambiental

e oportunidades de lazer na região.

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